Arquivo da tag: Financiamento de pesquisas

Novo modelo para previsão do tempo precisa de mais verba, diz coordenador do projeto no Inpe (Folha de S.Paulo)

Artigo original

  • Monan recebe cerca de R$ 800 mil por ano; meta inicial era de R$ 5 milhões anuais
  • Baixo investimento e falta de coordenação limitam previsões, dizem especialistas

23.ago.2026 às 11h00

Marcelo Lima Loreto

Nova York

O Brasil tenta ampliar sua capacidade de antecipar eventos extremos, mas uma de suas principais apostas recebe menos da metade do valor necessário, na avaliação do coordenador do projeto.

O modelo em questão é o Monan (Modelo para Previsões de Oceano, Terra e Atmosfera), liderado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Ainda em desenvolvimento, o Monan já faz previsões com até 15 dias de antecedência e resolução espacial de cerca de 10 km, próxima à dos principais centros internacionais, de acordo com Saulo Freitas, coordenador do projeto no Inpe.

Nuvem escura e densa de tempestade cobre o céu acima de um rio calmo, com vegetação densa na margem ao fundo.
Trecho do rio Xingu, em Mato Grosso; novo modelo de previsão do tempo buscará representar melhor a influência da amazônia sobre o clima na América do Sul – Pablo Porciuncula – 21.mar.25/AFP

Segundo ele, o Monan deve ajudar o país a antecipar eventos extremos e a se preparar para seus impactos. A capacidade de prever a evolução do El Niño deve ser incorporada em três ou quatro anos, e o modelo deverá estar em pleno funcionamento em 2031.

Freitas diz que o Monan buscará representar melhor a influência da amazônia, do cerrado, dos oceanos, do desmatamento e das cidades sobre o tempo e o clima na América do Sul.

Na concepção do Monan, a meta era obter R$ 5 milhões por ano. Freitas reconhece, porém, que a cifra é alta para os padrões nacionais e diz que cerca de R$ 2 milhões anuais já permitiriam ampliar a participação de universidades e centros de pesquisa, com bolsas, pessoal de apoio e equipamentos.

Hoje, de acordo com ele, o projeto recebe cerca de R$ 800 mil por ano. “É muito pouco”, afirma.

O Monan está em desenvolvimento, mas a máquina necessária para processar seus dados já existe. É o supercomputador Jaci, que realiza em torno de 1,6 quatrilhão de operações matemáticas por segundo e é seis vezes mais rápido que o antigo Tupã, segundo Ivan Márcio Barbosa, do Inpe.

Sem esse supercomputador, diz Barbosa, a previsão poderia ficar pronta apenas “depois que o evento ocorreu” e com resolução muito menor.

O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), responsável pelas previsões federais, diz que pretende adotar o Monan após a conclusão dos testes. Hoje, ele utiliza o modelo europeu Cosmo, que roda duas vezes por dia e faz previsões para a América do Sul com até sete dias de antecedência e resolução de 7 km.

Por usar um modelo regional, o Inmet afirma que “ainda depende 100% de dados oriundos dos modelos globais”, hoje fornecidos pelo modelo alemão Icon. O órgão acrescenta que substituirá integralmente o Cosmo pelo próprio Icon em suas operações.

Intercâmbio e IA

A troca internacional de dados e análises faz parte da rotina meteorológica. Como a atmosfera não respeita fronteiras, os países compartilham observações e previsões continuamente. A dependência brasileira, porém, vai além desse intercâmbio.

Para iniciar suas previsões, os modelos do Inpe utilizam um retrato das condições da atmosfera produzido pela agência americana NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica).

“Se cortar hoje essa análise, amanhã a gente não tem previsão do tempo para o Brasil”, afirma Freitas, referindo-se às previsões produzidas pelo Inpe.

O Monan busca dar ao Brasil capacidade própria de gerar essa análise global, embora continue usando observações compartilhadas internacionalmente.

A inteligência artificial também começa a ajudar nas previsões.

No Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), Paulo Orenstein e sua equipe desenvolvem o Tupann, modelo de IA que usa imagens do satélite americano GOES-16 para prever chuvas com até três horas de antecedência. O modelo exige menos capacidade computacional, mas continua dependente do satélite estrangeiro, segundo Orenstein.

Para tentar reduzir essa dependência de satélites, o Inpe e a China desenvolvem o satélite CBERS-5, com lançamento previsto para 2030. Adenilson Roberto da Silva, do Inpe, diz que o equipamento ampliará a autonomia brasileira na geração de dados para a previsão do tempo. O Brasil fará a plataforma do satélite, e a China, os instrumentos de observação.

Augusto Pereira Filho, professor da USP, defende a criação de um Sistema Nacional de Meteorologia, nos moldes da NOAA, para integrar dados, evitar esforços repetidos e reduzir a disputa por recursos. Na aavaliação dele, o país tem profissionais qualificados, mas faltam políticas públicas, infraestrutura e pessoal.

Interpretação dos dados

Mesmo com tecnologia de ponta, a meteorologia ainda enfrenta o comportamento caótico da atmosfera. Pequenos erros nas medições iniciais podem se amplificar ao longo das simulações. Por isso, as equipes operacionais costumam comparar resultados de diferentes modelos.

“Se os resultados convergem na mesma direção, você tem um pouco mais de confiança. Se divergem muito, menos confiança”, diz o meteorologista Marcelo Seluchi, do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).

Segundo Seluchi, frentes frias e ondas de calor podem ser previstas com até duas semanas de antecedência. Já tempestades intensas, enxurradas e alagamentos podem permitir apenas horas ou minutos de aviso.

“O desafio é saber quanto, onde e quando choverá. Nenhum modelo jamais prevê exatamente o que vai acontecer”, diz Seluchi. Por isso, a experiência das equipes que interpretam os dados e emitem alertas é decisiva.

No Cemaden, as equipes combinam previsões com dados de satélites e de mais de 4.000 equipamentos, como radares, pluviômetros e sensores. O centro monitora riscos de deslizamentos, enxurradas e inundações em quase 1.300 municípios com histórico de desastres.

Mas o impacto também depende de quem está no caminho da chuva. “As áreas mais vulneráveis são as que ficam nas periferias. A desigualdade social é a que gera maior impacto dos desastres. Comunidades indígenas e quilombolas também estão entre as mais afetadas”, afirma José Marengo, climatologista do Cemaden.

Glasgow becomes first university in Europe to divest from fossil fuels (The Guardian)

University court votes to divest £18m from fossil fuel industry in what campaigners call ‘dramatic beachhead’

The Guardian, Wednesday 8 October 2014 16.20 BST

Divest and Fossil free student campaign in GlasgowGlasgow University students hold a silent protest to raise awareness of the divestment from fossil fuels campaign. Photograph: Courtesy People & Planet

Glasgow University has become the first academic institution in Europe to divest from the fossil fuel industry, in a turning point for the British arm of the student-led global divestment movement.

After 12 months of campaigning, led by the Glasgow University Climate Action Society and involving over 1,300 students, the university court on Wednesday voted to begin divesting £18m from the fossil fuel industry and freeze new investments across its entire endowment of £128m.

Describing the result as “a dramatic beachhead for the divestment movement”, American environmentalist Bill McKibben said that it sent a powerful signal that Europe would be “just as powerful in this fight as Australia and North America”.

The founder of climate campaign group 350.org added: “That it comes from Glasgow, which has as much claim to birthing the industrial revolution as any city on Earth, makes it that much more special. Everyone from the Rockefellers on down is realising it’s time to move on.”

As of last month, more than 800 global investors – including foundations such as the Rockefeller Brothers, religious groups, healthcare organisations, universities and local governments – have pledged to withdraw a total of $50bn (£31bn) from fossil fuel investments over the next five years as a result of the campaign which began on college campuses in the United States three years ago.

Writer and activist Naomi Klein said that Glasgow University had joined “a fast-growing global movement providing much-needed hope to the prospect of climate action.”

“Students around the world are making it clear that the institutions entrusted to prepare them for the future cannot simultaneously bet against their future by profiting from corporations that plan to burn many times more carbon than our atmosphere can safely absorb,” said Klein.

“They are sending an unequivocal message that fossil fuel profits are illegitimate – on par with tobacco and arms profits – and that brings us a significant step closer to demanding that our politicians sever ties with this rogue industry and implement bold climate policies based on a clear, progressive ‘polluter pays’ principle.’”

Glasgow University joins thirteen US universities, including Stanford, which have already committed to divest from the fossil fuel industry. In the UK, student unions at Imperial College and University College, London, are demanding that their institutions take similar action. The School of Oriental and African Studies (SOAS), at the University of London, has agreed to a temporary freeze on investment in advance of a decision on full divestment to be taken later this year.

Decisions are also imminent from the University of Edinburgh, which conducted a staff and student consultation that was overwhelmingly in support of divestment. Oxford University and its colleges, which have an endowment wealth of £3.8bn, the largest of any higher education institution in the UK, is currently conducting a staff-only consultation, after almost 2,000 students and academics joined a campaign calling for divestment.

Andrew Taylor of the People and Planet Network, which has launched over fifty ‘Fossil Free’ campaigns across the UK involving over 15,000 students in the past year, said: “Divestment now has a firm foothold in the UK. Student and academic pressure to get out of fossil fuels is building across the sector. It’s time to stop profiting from wrecking the climate, whether you’re an institution with lots of money like Oxford or Edinburgh, or a world leader in climate research such as the University of East Anglia. Glasgow has helped make the moral case crystal clear and we expect more universities to very soon put their money where their research is.”

Founded in 2011 across just half a dozen US college campuses, the fossil fuel divestment movement has gained remarkable traction over a relatively short period of time. A study by Oxford University last autumn found that it had grown faster than any previous divestment campaign, including those relating to apartheid, armaments and tobacco.

The campaign has recently enjoyed a succession of symbolic boosts.

Last month, the heirs to the Rockefeller oil fortune announced that they were withdrawing funds from fossil fuel investments and in July the World Council of Churches, which represents over half a billion Christians worldwide, decided to pull its investments out of fossil fuel companies.

Writing in the Guardian in April, Archbishop Desmond Tutu urged that “people of conscience need to break their ties with corporations financing the injustice of climate change”.