Zizek: a caminho de uma ruptura global (Outras Palavras)

POR SLAVOJ ŽIŽEK – ON 30/06/2013

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Brasília, junho de 2013

Chegada dos Protestos ao Brasil e Turquia revela: há mal-estar generalizado contra lógicas e ideologia do capitalismo. Desafio é construir alternativas e nova democracia

Por Slavoj Žižek, no London Review of Books | Tradução Vila Vudu

Em seus primeiros escritos, Marx descreve a situação na Alemanha como uma daquelas na qual a única resposta a problemas particulares seria a solução universal: a revolução global. É expressão condensada da diferença entre período reformista e período revolucionário: em período reformista, a revolução global permanece como sonho que, se serve para alguma coisa, é apenas para dar peso às tentativas para mudar alguma coisa localmente; em período revolucionário, vê-se claramente que nada melhorará, sem mudança global radical. Nesse sentido puramente formal, 1990 foi ano revolucionário: as muitas reformas parciais nos estados comunistas jamais dariam conta do serviço; e era necessária uma quebra total, para resolver todos os problemas do dia a dia. Por exemplo, o problema de dar suficiente comida às pessoas.

Em que ponto estamos hoje, quanto a essa diferença? Os problemas e protestos dos últimos anos são sinais de que se aproxima uma crise global, ou não passam de pequenos obstáculos que pode enfrentar mediante intervenções locais? O mais notável nas erupções é que estão acontecendo não apenas, nem basicamente, nos pontos fracos do sistema, mas em pontos que, até aqui, eram percebidos como histórias de sucesso. Sabemos por que as pessoas protestam na Grécia ou na Espanha; mas por que há confusão em países prósperos e em rápido desenvolvimento como Turquia, Suécia ou Brasil?

Com algum distanciamento, pode-se ver que a revolução de Khomeini em 1979 foi o caso original de “dificuldades no paraíso”, dado que aconteceu em país que caminhava a passos largos para uma modernização pró-ocidente, e era o mais estável aliado do ocidente na região.

Antes da atual onda de protestos, a Turquia era quente: modelo ideal de estado estável, a combinar pujante economia liberal e islamismo moderado. Pronta para a Europa, um bem-vindo contraste com a Grécia mais “europeia”, colhida num labirinto ideológico e andando rumo à autodestruição econômica. Sim, é verdade: aqui e ali sempre viam-se alguns sinais péssimos (a Turquia, sempre a negar o holocausto dos armênios; prisão de jornalistas; o status não resolvido dos curdos; chamamentos a uma “grande Turquia” que ressuscitaria a tradição do Império Otomano; imposição, vez ou outra, de leis religiosas). Mas eram descartados como pequenas máculas que não comprometeriam o grande quadro.

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E então, explodiram os protestos na praça Taksim. Não há quem não saiba que os planos para transformar um parque em torno da praça Taksim no centro de Istambul em shopping-center não foram “o caso”, naqueles protestos; e que um mal-estar muito mais profundo ganhava força. O mesmo se deve dizer dos protestos de meados de junho no Brasil: foram desencadeados por um pequeno aumento na tarifa do transporte público, e prosseguiram mesmo depois de o aumento ter sido revogado. Também nesse caso, os protestos explodiram num país que – pelo menos segundo a mídia – estava em pleno boom econômico e com todos os motivos para sentir-se confiante quanto ao futuro. Nesse caso, os protestos foram aparentemente apoiados pela presidente Dilma Rousseff, que se declarou satisfeitíssima com eles.

O que une protestos em todo o mundo — por mais diversos que sejam, na aparência — é que todos reagem contra diferentes facetas da globalização capitalista

É crucialmente importante não vermos os protestos turcos meramente como sociedade civil secular que se levanta contra regime islamista autoritário, apoiado por uma maioria islamista silenciosa. O que complica o quadro é o ímpeto anticapitalista dos protestos. Os que protestam sentem intuitivamente que o fundamentalismo de mercado e o fundamentalismo islâmico não se excluem mutuamente.

A privatização do espaço público por ação de um governo islamista mostra que as duas modalidades de fundamentalismo podem trabalhar de mãos dadas. É sinal claro de que o casamento “por toda a eternidade” de democracia e capitalismo já caminha para o divórcio.

Também é importante reconhecer que os que protestam não visam a nenhum objetivo “real” identificável. Os protestos não são, “realmente”, contra o capitalismo global, nem “realmente” contra o fundamentalismo religioso, nem “realmente” a favor de liberdades civis e democracia, nem visam “realmente” qualquer outra coisa específica. O que a maioria dos que participaram dos protestos “sabem” é de um mal-estar, de um descontentamento fluido, que sustenta e une várias demandas específicas.

A luta para entender os protestos não é luta só epistemológica, com jornalistas e teóricos tentando explicar seu “real” conteúdo: é também luta ontológica pela própria coisa, o que esteja acontecendo dentro dos próprios protestos. É apenas luta contra governo corrupto? É luta contra governo islâmico autoritário? É luta contra a privatização do espaço público? A pergunta continua aberta. E de como seja respondida dependerá o resultado de um processo político em andamento.

Em 2011, quando irrompiam protestos por toda a Europa e todo o Oriente Médio, muitos insistiram que não fossem tratados como instâncias de um único movimento global. Em vez disso, argumentavam, haveria uma resposta específica para cada situação específica. No Egito, os que protestavam queriam o que em outros países era alvo das críticas do movimento Occupy: “liberdade” e “democracia”. Mesmo entre países muçulmanos, haveria diferenças cruciais: a Primavera Árabe no Egito seria contra um regime autoritário e corrupto aliado do ocidente; a Revolução Verde no Irã, que começou em 2009, seria contra o islamismo autoritário. É fácil ver o quanto essa particularização dos protestos serve bem aos defensores do status quo: não há nenhuma ameaça direta à ordem global como tal. Só uma série de problemas locais separados…

O capitalismo global é processo complexo que afeta diferentes países de diferentes modos. O que une todos os protestos, por mais multifacetados que sejam, é que todos reagem contra diferentes facetas da globalização capitalista. A tendência geral do capitalismo global é hoje expandir o mercado, invadir e cercar o espaço público, reduzir os serviços públicos (saúde, educação, cultura) e impor cada vez mais firmemente um poder político autoritário. Nesse contexto, os gregos protestam contra o governo do capital financeiro internacional e contra seu próprio estado ineficiente e corrupto, cada dia menos capaz de prover os serviços sociais básicos. Nesse contexto, os turcos protestam contra a comercialização do espaço público e contra o autoritarismo religioso. E os egípcios protestam contra um governo apoiado pelas potências ocidentais. E os iranianos protestam contra a corrupção e o fundamentalismo religioso. E assim por diante.

Nenhum desses protestos pode ser reduzido a uma única questão. Todos lidam com uma específica combinação de pelo menos dois problemas, um econômico (da corrupção à ineficiência do próprio capitalismo); o outro, político-ideológico (da demanda por democracia à demanda pelo fim da democracia convencional multipartidária). O mesmo se aplica ao movimento Occupy. Na profusão de declarações (muitas vezes confusas), o movimento manteve dois traços básicos: primeiro, o descontentamento com o capitalismo como sistema, não apenas contra um ou outro corrupto ou corrupções locais; segundo, a consciência de que a forma institucionalizada de democracia multipartidária não tem meios para combater os excessos capitalistas. Em outras palavras, é preciso reinventar a democracia.

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A causa subjacente dos protestos ser o capitalismo global não significa que a única solução seja “derrubar” o capitalismo. Nem é viável seguir a alternativa pragmática, que implica lidar com problemas individuais enquanto se espera por transformação radical. Essa ideia ignora o fato de que o capitalismo global é necessariamente contraditório e inconsistente: a liberdade de mercado anda de mãos dadas com os EUA protegerem seus próprios agronegócios e agronegociantes; pregar a democracia anda de mãos dadas com apoiar o governo da Arábia Saudita.

Essa inconsistência abre um espaço para a intervenção política: onde o capitalista global é forçado a violar suas próprias regras, ali há uma oportunidade para insistir em que ele obedeça àquelas regras. Exigir coerência e consistência em pontos estrategicamente selecionados nos quais o sistema não pode pagar para ser coerente e consistente é pressionar todo o sistema. A arte da política está em impor demandas específicas as quais, ao mesmo tempo em que são perfeitamente realistas, ferem o coração da ideologia hegemônica e implicam mudança muito mais radical. Essas demandas, por mais que sejam viáveis e legítimas, são, de fato, impossíveis. Caso exemplar é a proposta de Obama para prover assistência pública universal à saúde. Por isso as reações foram tão violentas.

Um movimento político começa com uma ideia, algo por que lutar, mas, no tempo, a ideia passa por transformação profunda – não apenas alguma acomodação tática, mas uma redefinição essencial –, porque a própria ideia passa a ser parte do processo: torna-se sobredeterminada.* Digamos que uma revolta comece com uma demanda por justiça, talvez sob a forma de demanda pela rejeição de uma determinada lei. Depois de o povo estar profundamente engajado na revolta, ele percebe que será preciso muito mais do que a demanda inicial, para que haja verdadeira justiça. O problema então é definir, precisamente, em que consiste esse “muito mais”.

A perspectiva liberal-pragmática entende que os problemas podem ser resolvidos gradualmente, um a um: “Há gente morrendo agora em Rwanda, então esqueçam a luta anti-imperialista e vamos impedir o massacre”. Ou: “Temos de combater a pobreza e o racismo já, aqui e agora, não esperar pelo colapso da ordem capitalista global”. John Caputo argumenta exatamente assim em After the Death of God (2007):

Eu ficaria perfeitamente feliz se os políticos da extrema-esquerda nos EUA fossem capazes de reformar o sistema oferecendo assistência universal à saúde, redistribuindo efetivamente a riqueza mais equitativamente com um sistema tributário [orig. Internal Revenue Code (IRC)] redefinido, restringindo o financiamento privado de campanhas eleitorais, autorizando o voto universal, para todos, tratando com humanidade os trabalhadores migrantes, e levando a efeito uma política externa multilateralista que integrasse o poder dos EUA dentro da comunidade internacional etc. Ou seja, intervindo sobre o capitalismo mediante reformas profundas, de longo alcance… Se depois de fazer tudo isso, Badiou e Žižek ainda reclamarem de um monstro chamado Capitalismo a nos assombrar, eu estaria inclinado a receber o tal monstro com um bocejo.

Não se trata de “derrubar” o capitalismo. Mas de construir lógicasde uma sociedade que vá além dele. Isso inclui novas formas de democracia

O problema aqui não é a conclusão de Caputo: se se pode alcançar tudo isso dentro do capitalismo, por que não ficar aí mesmo? O problema é a premissa subjacente de que seja possível obter tudo isso dentro do capitalismo global em sua forma atual. Mas e se os emperramentos e mau funcionamento do capitalismo, que Caputo listou, não forem meras perturbações contingentes, mas necessários por estrutura? E se o sonho de Caputo é um sonho de ordem capitalista universal, sem sintomas, sem os pontos críticos nos quais sua “verdade reprimida” mostra a própria cara?

Os protestos e revoltas de hoje são sustentados pela combinação de demandas sobrepostas, e é aí que está a sua força: lutam por democracia (“normal”, parlamentar) contra regimes autoritários; contra o racismo e o sexismo, especialmente quando dirigidos contra imigrantes e refugiados; contra a corrupção na política e nos negócios (poluição industrial do meio ambiente etc.); pelo estado de bem-estar contra o neoliberalismo; e por novas formas de democracia que avancem além dos rituais multipartidários. Questionam também o sistema capitalista global como tal, e tentam manter viva a ideia de uma sociedade que avance além do capitalismo.

Duas armadilhas há aí, a serem evitadas: o falso radicalismo (“o que realmente interessa é abolir o capitalismo liberal-parlamentar; todas as demais lutas são secundárias”), mas, também, o falso gradualismo (“no momentos temos de lutar contra a ditadura militar e por democracia básica, todos os sonhos de socialismo devem ser, agora, postos de lado”).

Aqui, ninguém se deve envergonhar de acionar a distinção maoista entre antagonismo principal e antagonismos secundários, entre os que mais interessam no fim e os que dominam hoje. Há situações nas quais insistir no antagonismo principal significa perder a oportunidade de acertar golpe significativo, no curso da luta.

Só uma política que tome plenamente em consideração a complexidade da sobredeterminação merece o nome de estratégia. Quando se embarca numa luta específica, a pergunta chave é: como nosso engajamento ou desengajamento nessa luta afeta outras lutas?

Praça Tahrir, Egito 2011

Praça Tahrir, Egito 2011

A regra geral é que quando uma revolta contra regime semidemocrático começa – como no Oriente Médio em 2011 – é fácil mobilizar grandes multidões com slogans (por democracia, contra a corrupção etc.). Mas muito rapidamente temos de enfrentar escolhas muito mais difíceis. Quando a revolta é bem-sucedida e alcança o objetivo inicial, nos damos conta de que o que realmente nos perturbava (a falta de liberdade, a humilhação diária, a corrupção, o futuro pouco ou nenhum) persiste sob novo disfarce. Nesse momento somos forçados a ver que havia furos no próprio objetivo inicial. Pode implicar que se chegue a ver que a democracia pode ser uma forma de des-liberdade, ou que se pode exigir muito mais do que apenas a mera democracia política: que a vida social e econômica tem de ser também democratizada.

Em resumo, o que à primeira vista tomamos como fracasso que só atingia um nobre princípio (a liberdade democrática) é afinal percebido como fracasso inerente ao próprio princípio. Essa descoberta – de que o princípio pelo qual lutamos pode ser inerentemente viciado – é um grande passo em qualquer educação política.

Representantes da ideologia reinante mobilizam todo o seu arsenal para impedir que cheguemos a essa conclusão radical. Dizem-nos que a liberdade democrática implica suas próprias responsabilidades, que tem um preço, que é sinal de imaturidade esperar demais da democracia. Numa sociedade livre, dizem eles, devemos agir como capitalistas e investir em nossa própria vida: se fracassarmos, se não conseguirmos fazer os necessários sacrifícios, ou se de algum modo não correspondermos, a culpa é nossa.

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Istambul, maio de 2013

Em sentido político mais direto, os EUA perseguem coerentemente uma estratégia de controle de danos em sua política externa, recanalizando os levantes populares para formas capitalistas-parlamentares aceitáveis: na África do Sul, depois do apartheid; nas Filipinas, depois da queda de Marcos; na Indonésia, depois de Suharto etc. É nesse ponto que a política propriamente dita começa: a questão é como empurrar ainda mais adiante, depois que passa a primeira, excitante, onda de mudança; como dar o passo seguinte, sem sucumbir à tentação “totalitária”; como avançar além de Mandela, sem virar Mugabe.

O que significaria isso, num caso concreto? Comparemos dois países vizinhos, Grécia e Turquia. À primeira vista, talvez pareçam completamente diferentes: Grécia, presa na armadilha da ruinosa política de austeridade; Turquia em pleno boom econômico e emergindo como nova superpotência regional. Mas e se cada Turquia contiver sua própria Grécia, suas próprias ilhas de miséria? Como Brecht diz em sua Elegias Hollywoodenses (orig. Hollywood Elegies’ [1942]),

A vila de Hollywood foi planejada segundo a ideia
De que o povo aqui seria proprietário de partes do paraíso. Ali,
Chegaram à conclusão de que Deus
Embora precisando de céu e inferno, não precisava
Planejar dois estabelecimentos, mas
Só um: o paraíso. Que esse,
para os pobres e infortunados, funciona
como inferno.
[1]

Esses versos descrevem bastante bem a “aldeia global” de hoje: aplicam-se ao Qatar ou Dubai, playgrounds para os ricos, que dependem de manter os trabalhadores imigrantes em estado de semiescravidão, ou escravidão. Exame mais detido revela semelhanças entre Turquia e Grécia: privatizações, o fechamento do espaço público, o desmonte dos serviços sociais, a ascensão de políticos autoritários. Num plano elementar, os que protestam na Grécia e os que protestam na Turquia estão engajados na mesma luta. O melhor caminho talvez seja coordenar as duas lutas, rejeitar as tentações “patrióticas”, deixar para trás a inimizade histórica entre os dois países e buscar espaços de solidariedade. O futuro dos protestos talvez dependa disso.


* Em seu prefácio à Contribuição à Crítica da Economia Política, Marx escreveu (no seu pior modo evolucional) que a humanidade só se propõe problemas que seja capaz de resolver. E se invertermos a ganga dessa frase e declararmos que, regra geral, a humanidade propõe-se problemas que não pode resolver, e assim dispara um processo cujo desdobramento é imprevisível, no curso do qual, a própria tarefa é redefinida?

[1] Não encontramos tradução para o português. Aqui, tradução de trabalho, sem ambição literária, só para ajudar a ler [NTs].

El EZLN y el Congreso Nacional Indígena responderán “en consecuencia ante cualquier intento” de reprimir a los yaquis (Desinformemonos)

Posted By ada On julio 7, 2013 @ 12:59 In Geografía,México,Reportajes,Reportajes México | No Comments

México. El Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN) y los pueblos indios que conforman el Congreso Nacional Indígena (CNI), se solidarizaron e hicieron suya la lucha que actualmente libra la tribu yaqui en defensa de su agua. “Responderemos en consecuencia ante cualquier intento de reprimir esta digna lucha o cualquier otra lucha”, señalaron en un comunicado conjunto.

La tribu yaqui mantiene desde hace 38 días un campamento de resistencia en la carretera internacional, a la altura de Vícam, Sonora, para impedir el robo de agua planeado a través del Acueducto Independencia, una obra anticonstitucional planeada por el gobierno de Guillermo Padrés para abastecer a Hermosillo.

En un comunicado firmado desde el Caracol de Oventik, a una hora de San Cristóbal de las Casas, Chiapas, la Comandancia General zapatista y los pueblos, tribus, naciones y barrios que integran el CNI, saludaron “la movilización histórica de la tribu yaqui en la defensa de su existencia y de su territorio”.

“Su lucha, compañeros, es nuestra también, pues, al igual que ustedes, mantenemos la certeza de que la tierra es nuestra madre y el agua que corre por sus venas no se vende, pues de ella depende la vida que es un derecho y que no nos ha sido dado por los malos gobierno ni por los empresarios”, indicaron en el comunicado signado a poco más de un mes de que se lleve a cabo la Cátedra Tata Juan Chávez Alonso, reunión convocada por los zapatistas para fortalecer la red de pueblos indios de México.

Ante la represión que enfrentan los yaquis por defender el agua del río que el gobierno del estado pretende desviar a la capital de Sonora, el EZLN y el CNI exigen “la cancelación inmediata de las órdenes de aprehensión y de la fabricación de delitos en contra de integrantes de la tribu yaqui”, y condenan “la criminalización de su lucha, diciendo a los malos gobiernos emanados de los partidos políticos que el río Yaqui ha sido históricamente el portador de la continuidad ancestral de la cultura y territorio”.

El CNI se conformó en octubre de 1996, luego de la visita de la comandanta Ramona a la ciudad de México. A partir de ese momento establecieron un trabajo en red que los coloca como la organización indígena nacional más consolidada de México. Con altas y bajas en estos 17 años de organización, los próximos 17 y 18 de agosto volverán a reunirse en San Cristóbal de las Casas, al lado del EZLN, organización convocante.

En el comunicado dado a conocer la noche del 7 de julio, insisten en que “si nos tocan a unos nos tocan a todos, por lo que responderemos en consecuencia ante cualquier intento de reprimir esta digna lucha o cualquier otra lucha”.

Finalmente, los zapatistas y el resto de los pueblos indios que conforman el CNI, llamaron “a la comunidad internacional y a los hermanos y hermanas de la Sexta Internacional a permanecer  atentos a los acontecimientos que se presenten en lo futuro en el territorio de la tribu Yaqui, sumándose a la solidaridad con la Tribu y a sus exigencias”.

A continuación el comunicado íntegro:

A la Tribu Yaqui,

Al Pueblo de México,

A la Sexta nacional e Internacional

A los gobiernos de México y del Mundo.  

Desde las montañas del sureste mexicano en territorio rebelde zapatista emitimos nuestra palabra conjunta como Pueblos, Naciones y Tribus Indígenas que conformamos el Congreso Nacional Indígena, a través de la cual enviamos un saludo fraterno de fuerza y solidaridad a los miembros de la Tribu Yaqui, a su Gobierno y Guardia Tradicional, esperando que se encuentren todos con bien.

Saludamos la movilización histórica de la Tribu Yaqui en la defensa de su existencia y de su territorio, misma que en los últimos 38 días se ha manifestado en el establecimiento de un campamento en resistencia en torno a la Carretera Internacional en Vicam, Primera Cabecera de la Tribu Yaqui, ante el robo del agua que el mal gobierno pretende concretar a través del Acueducto Independencia, a pesar de haber recorrido los caminos legales necesarios, en los que han obtenido triunfos que el propio gobierno no ha respetado. Su lucha, compañeros es nuestra también, pues, al igual que ustedes, mantenemos la certeza de que la tierra es nuestra madre y el agua que corre por sus venas no se vende, pues de ella depende la vida que es un derecho y que no nos ha sido dado por los malos gobierno ni por los empresarios.

Exigimos la cancelación inmediata de las órdenes de aprehensión y de la fabricación de delitos en contra de integrantes de la Tribu Yaqui y condenamos la criminalización de su lucha, diciendo a los malos gobiernos emanados de los partidos políticos que el río Yaqui ha sido históricamente el portador de la continuidad ancestral de la cultura y territorio de la Tribu Yaqui y los que conformamos el Congreso Nacional Indígena, reiteramos que si nos tocan a unos nos tocan a todos, por lo que responderemos en consecuencia ante cualquier intento de reprimir esta digna lucha o cualquier otra lucha.

Finalmente, hacemos un llamado a la comunidad internacional y a los hermanos y hermanas de la Sexta Internacional a permanecer  atentos a los acontecimientos que se presenten en lo futuro en el territorio de la tribu Yaqui, sumándose a la solidaridad con la Tribu y a sus exigencias.

 

Atentamente

A 7 de julio de 2013

Desde el Caracol Zapatista número II- Resistencia y Rebeldía por la Humanidad, de Oventic, Chiapas

Nunca más un México sin nosotros

Comité Clandestino Revolucionario Indígena- Comandancia General del EZLN

Congreso Nacional Indígena

Publicado el 08 de julio de 2013

A explosão do ódio (Carta Capital)

Antropóloga detecta aumento de sites neonazistas brasileiros. E o índice de arquivos baixados com estas características cresce a uma taxa média de 6% ao ano

Por Márcio Sampaio de Castro — publicado 06/07/2013 06:47, última modificação 06/07/2013 06:54
NeonazistaNeonazista em manifestação na Alemanha. Wikimedia Commons.

Durante a última grande manifestação organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL), para comemorar a revogação do aumento das tarifas do transporte coletivo em São Paulo, integrantes de partidos políticos e movimentos sociais foram atacados por jovens trajando toucas ninjas, roupas pretas e coturnos. Enquanto agrediam seus alvos, a multidão ao redor aplaudia e gritava “fora partidos, fora partidos”. Para a antropóloga Adriana Dias, que pesquisa há mais de 10 anos a atuação dos movimentos neonazistas no Brasil e já foi diversas vezes ameaçada de morte por seus integrantes, não resta a menor dúvida sobre quem eram esses jovens violentos e quais eram suas motivações.

A partir da análise de blogs, sites e fóruns de relacionamento, muitos deles com domínio no exterior, a pesquisadora documentou, ao longo de sete anos, que mais de 150 mil downloads de arquivos de teor nazista, superiores a 100 megabites cada, foram baixados por um número equivalente de computadores com endereços eletrônicos localizados no Brasil no mesmo período. De 2009 para cá, o índice de arquivos baixados com estas características tem crescido a uma taxa média de 6% ao ano e até postagens de crianças já foram detectadas por ela.

Para Adriana, um misto de despolitização da sociedade no período pós-ditadura e a transformação da política em escândalo por boa parte da mídia são o ovo da serpente para a expansão de manifestações crescentes de caráter nazifascista na sociedade brasileira. A omissão sistemática das autoridades às agressões perpetradas contra homossexuais, negros, judeus, nordestinos, moradores de rua e imigrantes bolivianos nas ruas de grandes centros urbanos completa o ciclo de terror, que silenciosamente avança junto a um número nada desprezível de jovens brasileiros.

Carta Capital: Nas manifestações populares das últimas semanas em São Paulo, um momento que chamou a atenção foi quando jovens, aparentemente ligados a esses movimentos, atacaram militantes partidários e militantes do movimento negro, destruindo suas bandeiras. Enquanto isso ocorria, a multidão à sua volta gritava “fora partido, fora partido”. Como explicar esses dois fenômenos simultâneos?

Adriana Dias: Desde a ditadura militar nós avançamos por um processo de despolitização espantoso em todas as camadas sociais. Os cursos de sociologia e filosofia foram retirados do currículo escolar. Em segundo lugar, há no Brasil uma proliferação da teologia da prosperidade. Na Alemanha, ela foi fundamental para a ascensão do nazismo. A ideia aqui é que não são as ações do governo que auxiliam nessa prosperidade. Por exemplo, o indivíduo consegue comprar uma casa pelo programa Minha Casa, Minha Vida e vai a um culto religioso e acredita que conseguiu por sua própria conta. Esse afastamento gradual do Brasil de um estado laico torna tudo mais difícil. Tanto na Igreja Católica, em sua linha carismática, quanto em certas igrejas protestantes. Por fim, a política de escândalos, patrocinada pela mídia, criou uma personalização da política como um eterno escândalo. Eu chamo isso de um carnaval às avessas. Se no carnaval o povo vai pras ruas para expor sua alegria, nessas manifestações as pessoas têm ido às ruas para expor suas insatisfações, fazendo reivindicações que não são mensuráveis e de um fundo conservador muito forte.

CC: Quais as alternativas para isso?

AD: A alternativa é a volta para o diálogo com os movimentos sociais. Nas elites políticas, em um sentido mais geral, há um movimento totalitário, dentro do que analisa Hannah Arendt. Particularmente na direita brasileira. Em São Paulo, por exemplo, muitas práticas do Estado são totalitárias. Veja a atuação da polícia. Já em um campo mais específico, entram esses movimentos neonazistas e suas ações, como essa verificada nas manifestações.

CC: Como esses jovens neonazistas são cooptados?

AD: Há um proselitismo muito forte no Brasil. Os grandes líderes têm entre 35 e 50 anos e normalmente são pequenos empresários e profissionais liberais. Estes não vão para as ruas. Em um segundo grupo, temos os mais jovens, que vão para as ruas e não se importam por que sabem que, se forem presos, serão soltos. E temos também as mulheres neonazistas, que são vistas somente como reprodutoras, dentro de um ideal paternalista e machista. Os grandes líderes atuam dentro de universidades, por exemplo, distribuindo material de divulgação do movimento e, principalmente, nas redes sociais.

CC: Como surgiu a ideia de pesquisar o movimento neonazista no Brasil?

Adriana Dias: A partir de uma disciplina que cursei na Unicamp, em 2002, na graduação, onde se discutia a negação do holocausto, tive a ideia de fazer um trabalho para conhecer um pouco os grupos neonazistas brasileiros. Como sou programadora, criei uma aranha de busca e percebi que estava entrando em um mundo muito grande. No início, eram apenas 7500 sites, em 2009 já eram mais de 20 mil. Existem também os blogs, que cresceram 450% nesse período, e as redes sociais.

CC: Quais as características desses sites?

AD: São compostos por páginas profundas, com diretórios dentro de diretórios. Nos diretórios mais profundos encontramos incentivos ao genocídio e assassinatos. Muitos deles são de origem norte-americana. Fazem apologia ao número 88, já que o H é a oitava letra do alfabeto e duplicado faz referência ao Heil Hitler. Uma frase muito comum de ser encontrada é o “nós devemos assegurar um futuro para as crianças brancas”, o slogan de 14 palavras inspirado em uma passagem do Mein Kampf, livro escrito por Hitler. Da combinação desses dois números, temos o 14/88, que é uma saudação. Muitos membros nos fóruns de internet se utilizam desses números como nicknames associados a nomes nórdicos. Coisas como Odin88 ou Thor 14/88.

CC: Por que esta forte influência dos sites norte-americanos?

AD: Eu fiz a minha pesquisa em inglês, espanhol e português. Os grandes pensadores do movimento estão nos EUA e um dos principais deles foi o David Lane, que morreu na prisão em 2007. O movimento surge muito forte lá por que a questão racial é muito dura entre eles. Esse lado mais duro permite a expansão desses pensamentos, ao lado do conceito de liberdade de expressão. Nos Estados Unidos, esses sites são legais. É um discurso público e consequentemente é mais fácil de reproduzi-lo. Só que para mim, a liberdade de expressão se interrompe quando chega à dignidade humana. Representar outro ser humano como animal ou como um demônio está muito além da liberdade de expressão.

CC: A ligação com movimentos estrangeiros tem crescido?

AD: Já houve casos de grupos brasileiros serem rejeitados por serem sul-americanos, mas nos últimos tempos esta visão tem mudado e o ideário da raça branca tem aproximado esses grupos ao redor do mundo.

CC: O jornalista espanhol Antonio Salas, autor de O Diário de Um Skinhead, se infiltrou em grupos neonazistas. A senhora chegou perto de ter alguma experiência deste tipo?

AD: Antonio Salas produziu um trabalho heroico, se fazendo passar por um neonazista para conhecer estes grupos a fundo. Atualmente, ele tem que se manter oculto, pois é ameaçado de morte em 16 países. Eu pesquiso os sites e fóruns. Conheço perto de 500 desses fóruns e muitos funcionam como páginas de relacionamentos, mas os mais representativos chegam a um número de 12. Eles se dividem por temáticas, como o Fórum Verde, sobre ecologia, o Solar General, sobre religiosidade e o Movimento Cristão Identitário, que é protestante radical de direita e que tem a plataforma de criar um estado branco dentro dos EUA.

CC: Em sua pesquisa, o que mais chamou a atenção?

AD: A quantidade de ódio, a idolatria ao ódio. A ideia de achar que ele estrutura a personalidade. Eu, que tenho uma formação humanista, posso dizer que fiquei chocada com isso. Outro aspecto é a crença na noção de sangue que ultrapassaria a substancialidade. Ou seja, o sangue não seria material, estaria na alma. Isto explica por que entre eles a nação, tal qual nós a concebemos, não existe. O que existe é a nação racial. Por isto, é preciso destruir os movimentos populares, que estão associados a outra concepção de nação. Por fim, me chamou a atenção a facilidade para encontrar inimigos. Eu, como antropóloga, não acredito em raças, somente na raça humana, mas para eles, o casamento chamado de inter-racial, por exemplo, é considerado um genocídio.

CC: E no Brasil?

AD: No Brasil, existe o discurso separatista, que traz elementos complicadores.

CC: Como assim?

AD: Cada um quer uma coisa. Veja o caso do (Ricardo) Barollo, que mandou matar o (Bernardo) Dayrell, em 2009, no Paraná. Eles estavam lutando pela liderança do movimento no país, mas o que cada grupo defende a seu modo é a separação de São Paulo ou dos estados do sul do restante do Brasil. Nessas explosões de ódio, que mencionei há pouco, é exigido que eles ataquem os inimigos. Aliás, um dos critérios para aceitar um novo membro é que ele cometa uma violência contra um inimigo. Os grupos neonazistas têm matado e agredido gays em São Paulo, na região da rua Augusta, e ninguém fala nada. A polícia não faz nada. Já conversei com policiais que não consideram crime um indivíduo portar uma suástica bordada na blusa.

CC: Somente os gays?

AD: Não. Atacam bolivianos, negros, gays, nordestinos, judeus e depois relatam nos fóruns. Eles são organizados. Possuem inclusive estratégias de defesa. Muitos, quando são pegos, alegam loucura. São estratégias previamente montadas e as autoridades, por sua vez, não dão importância.

CC: Isto seria em função da cultura brasileira de deixar as coisas acontecerem para depois tomar uma atitude?

AD: Não, não acho. Acontece que no Brasil as minorias não têm importância e é por isso que ninguém faz nada.

Climate Change Deniers Using Dirty Tricks from ‘Tobacco Wars’ (Science Daily)

July 4, 2013 — Fossil fuel companies have been funding smear campaigns that raise doubts about climate change, writes John Sauven in the latest issue of Index on Censorship magazine.

Environmental campaigner Sauven argues: “Some of the characters involved have previously worked to deny the reality of the hole in the ozone layer, acid rain and the link between tobacco and lung cancer. And the tactics they are applying are largely the same as those they used in the tobacco wars. Doubt is still their product.”

Governments around the world have also attempted to silence scientists who have raised concerns about climate change. Tactics used have included: the UK government spending millions infiltrating peaceful environmental organisations; Canadian government scientists barred from communicating with journalists without media officers; and US federal scientists pressured to remove words ‘global warming’ and ‘climate change’ from reports under the Bush administration.

Writing about government corruption in the Indian mining industry, Sauven says: “It will be in these expanding economies that the battle over the Earth’s future will be won or lost. And as in the tobacco wars, the fight over clean energy is likely to be a dirty one.”

Journal Reference:

  1. J. Sauven. Why can’t we tell the truth about climate change? Index on Censorship, 2013; 42 (2): 55 DOI:10.1177/0306422013494282

Bacteria Communicate to Help Each Other Resist Antibiotics (Science Daily)

July 4, 2013 — New research from Western University unravels a novel means of communication that allows bacteria such as Burkholderia cenocepacia (B. cenocepacia) to resist antibiotic treatment. B. cenocepacia is an environmental bacterium that causes devastating infections in patients with cystic fibrosis (CF) or with compromised immune systems.

Artist’s 3-D rendering of bacteria (stock image). (Credit: © fotoliaxrender / Fotolia)

Dr. Miguel Valvano and first author Omar El-Halfawy, PhD candidate, show that the more antibiotic resistant cells within a bacterial population produce and share small molecules with less resistant cells, making them more resistant to antibiotic killing. These small molecules, which are derived from modified amino acids (the building blocks used to make proteins), protect not only the more sensitive cells of B. cenocepacia but also other bacteria including a highly prevalent CF pathogen, Pseudomonas aeruginosa, and E. coli. The research is published in PLOS ONE.

“These findings reveal a new mechanism of antimicrobial resistance based on chemical communication among bacterial cells by small molecules that protect against the effect of antibiotics,” says Dr. Valvano, adjunct professor in the Department of Microbiology and Immunology at Western’s Schulich School of Medicine & Dentistry, currently a Professor and Chair at Queen’s University Belfast. “This paves the way to design novel drugs to block the effects of these chemicals, thus effectively reducing the burden of antimicrobial resistance.”

“These small molecules can be utilized and produced by almost all bacteria with limited exceptions, so we can regard these small molecules as a universal language that can be understood by most bacteria,” says El-Halfawy, who called the findings exciting. “The other way that Burkholderia communicates its high level of resistance is by releasing small proteins to mop up, and bind to lethal antibiotics, thus reducing their effectiveness.” The next step is to find ways to inhibit this phenomenon.

The research, conducted at Western, was funded by a grant from Cystic Fibrosis Canada and also through a Marie Curie Career Integration grant.

Journal Reference:

  1. Omar M. El-Halfawy, Miguel A. Valvano. Chemical Communication of Antibiotic Resistance by a Highly Resistant Subpopulation of Bacterial CellsPLoS ONE, 2013; 8 (7): e68874 DOI: 10.1371/journal.pone.0068874

Cockatoos ‘Pick’ Puzzle Box Locks: Cockatoos Show Technical Intelligence On a Five-Lock Problem (Science Daily)

July 4, 2013 — A species of Indonesian parrot can solve complex mechanical problems that involve undoing a series of locks one after another, revealing new depths to physical intelligence in birds.

This image shows a cockatoo called ‘Muppet’ solving the bolt-type lock on a puzzle box. Scientists from Oxford University, Vienna University and the Max Planck Institute, have found that Goffin’s cockatoos can solve complex mechanical problems that involve undoing a series of locks one after another. (Credit: Alice Auersperg)

A team of scientists from Oxford University, the University of Vienna, and the Max Planck Institute, report in PLOS ONE a study in which ten untrained Goffin’s cockatoos [Cacatua goffini] faced a puzzle box showing food (a nut) behind a transparent door secured by a series of five different interlocking devices, each one jamming the next along in the series.

To retrieve the nut the birds had to first remove a pin, then a screw, then a bolt, then turn a wheel 90 degrees, and then shift a latch sideways. One bird, called ‘Pipin’, cracked the problem unassisted in less than two hours, and several others did it after being helped either by being presented with the series of locks incrementally or being allowed to watch a skilled partner doing it.

Watch a video of cockatoos solving the puzzle box:http://www.zoo.ox.ac.uk/group/kacelnik/lb_movie_s1.mov

The scientists were interested in the birds’ progress towards the solution, and on what they knew once they had solved the full task.

The team found that the birds worked determinedly to sort one obstacle after another even though they were only rewarded with the nut once they had solved all five devices. The scientists suggest that the birds seemed to progress as if they employed a ‘cognitive ratchet’ process: once they discovered how to solve one lock they rarely had any difficulties with the same device again. This, the scientists argue, is consistent with the birds having a representation of the goal they were after.

After the cockatoos mastered the entire sequence the scientists investigated whether the birds had learnt how to repeat a sequence of actions or instead responded to the effect of each lock.

Dr Alice Auersperg, who led the study at the Goffin Laboratory at Vienna University, said: ‘After they had solved the initial problem, we confronted six subjects with so-called ‘Transfer tasks’ in which some locks were re-ordered, removed, or made non-functional. Statistical analysis showed that they reacted to the changes with immediate sensitivity to the novel situation.’

Professor Alex Kacelnik of Oxford University’s Department of Zoology, a co-author of the study, said: ‘We cannot prove that the birds understand the physical structure of the problem as an adult human would, but we can infer from their behaviour that they are sensitive to how objects act on each other, and that they can learn to progress towards a distant goal without being rewarded step-by-step.’

Dr Auguste von Bayern, another co-author from Oxford University said: ‘The birds’ sudden and often errorless improvement and response to changes indicates pronounced behavioural plasticity and practical memory. We believe that they are aided by species characteristics such as intense curiosity, tactile exploration techniques and persistence: cockatoos explore surrounding objects with their bill, tongue and feet. A purely visual explorer may have never detected that they could move the locks.’

Professor Kacelnik said: ‘It would be too easy to say that the cockatoos understand the problem, but this claim will only be justified when we can reproduce the details of the animals’ response to a large battery of novel physical problems.’

Journal Reference:

  1. Alice M. I. Auersperg, Alex Kacelnik, Auguste M. P. von Bayern. Explorative Learning and Functional Inferences on a Five-Step Means-Means-End Problem in Goffin’s Cockatoos (Cacatua goffini)PLoS ONE, 2013; 8 (7): e68979 DOI: 10.1371/journal.pone.0068979

Social Animals Have More Social Smarts (Science Daily)

June 26, 2013 — Lemurs from species that hang out in big tribes are more likely to steal food behind your back instead of in front of your face.

In a series of stills taken from videotaped experiments, Duke undergraduates Joel Bray (left) and Aaron Sandel test a ringtailed lemur’s (Lemur catta) willingness to take food from a watched or unwatched plate. (Credit: Evan MacLean, Duke)

This behavior suggests that primates who live in larger social groups tend to have more “social intelligence,” a new study shows. The results appear June 27 in PLOS ONE.

A Duke University experiment tested whether living in larger social networks directly relates to higher social abilities in animals. Working with six different species of lemurs living at the Duke Lemur Center, a team of undergraduate researchers tested 60 individuals to see if they would be more likely to steal a piece of food if a human wasn’t watching them.

In one test, a pair of human testers sat with two plates of food. One person faced the plate and the lemur entering the room, the other had his or her back turned. In a second, testers sat in profile, facing toward or away from the plate. In a third, they wore a black band either over their eyes or over their mouths and both faced the plates and lemurs.

As the lemurs jumped onto the table where the plates were and decided which bit of food to grab, the ones from large social groups, like the ringtailed lemur (Lemur catta), were evidently more sensitive to social cues that a person might be watching, said Evan MacLean, a research scientist in the Department Of Evolutionary Anthropology who led the research team. Lemurs from small-group species, like the mongoose lemur (Eulemur mongoz), were less sensitive to the humans’ orientation.

Few of the lemurs apparently understood the significance of a blindfold.

The work is the first to test the relationship between group size and social intelligence across multiple species. The findings support the “social intelligence hypothesis,” which suggests that living in large social networks drove the evolution of complex social cognition in primates, including humans, MacLean said.

Behavioral experiments are critical to test the idea because assumptions about intelligence based solely on brain size may not hold up, he said. Indeed, this study found that some lemur species had evolved more social smarts without increasing the size of their brains.

Journal Reference:

  1. Evan L. MacLean, Aaron A. Sandel, Joel Bray, Ricki E. Oldenkamp, Rachna B. Reddy, Brian A. Hare. Group Size Predicts Social but Not Nonsocial Cognition in Lemurs.PLoS ONE, 2013; 8 (6): e66359 DOI:10.1371/journal.pone.0066359

Robo-Pets May Contribute to Quality of Life for Those With Dementia (Science Daily)

June 24, 2013 — Robotic animals can help to improve the quality of life for people with dementia, according to new research.

Professor Glenda Cook with PARO seal Glenda Cook with PARO seal. (Credit: Image courtesy of Northumbria University)

A study has found that interacting with a therapeutic robot companion made people with mid- to late-stage dementia less anxious and also had a positive influence on their quality of life.

The pilot study, a collaboration led by Professor Wendy Moyle from Griffith University, Australia and involving Northumbria University’s Professor Glenda Cook and researchers from institutions in Germany, investigated the effect of interacting with PARO — a robotic harp seal — compared with participation in a reading group. The study built on Professor Cook’s previous ethnographic work carried out in care homes in North East England.

PARO is fitted with artificial intelligence software and tactile sensors that allow it to respond to touch and sound. It can show emotions such as surprise, happiness and anger, can learn its own name and learns to respond to words that its owner uses frequently.

Eighteen participants, living in a residential aged care facility in Queensland, Australia, took part in activities with PARO for five weeks and also participated in a control reading group activity for the same period. Following both trial periods the impact was assessed, using recognised clinical dementia measurements, for how the activities had influenced the participants’ quality of life, tendency to wander, level of apathy, levels of depression and anxiety ratings.

The findings indicated that the robots had a positive, clinically meaningful influence on quality of life, increased levels of pleasure and also reduced displays of anxiety.

Research has already shown that interaction with animals can have a beneficial effect on older adults, increasing their social behaviour and verbal interaction and decreasing feelings of loneliness. However, the presence of animals in residential care home settings can place residents at risk of infection or injury and create additional duties for nursing staff.

This latest study suggests that PARO companions elicit a similar response and could potentially be used in residential settings to help reduce some of the symptoms — such as agitation, aggression, isolation and loneliness — of dementia.

Prof Cook, Professor of Nursing at Northumbria University, said: “Our study provides important preliminary support for the idea that robots may present a supplement to activities currently in use and could enhance the life of older adults as therapeutic companions and, in particular, for those with moderate or severe cognitive impairment.

“There is a need for further research, with a larger sample size, and an argument for investing in interventions such as PARO robots which may reduce dementia-related behaviours that make the provision of care challenging as well as costly due to increased use of staff resources and pharmaceutical treatment.”

The researchers of the pilot study have identified the need to undertake a larger trial in order to increase the data available. Future studies will also compare the effect of the robot companions with live animals.

Journal Reference:

  1. Wendy Moyle, Marie Cooke, Elizabeth Beattie, Cindy Jones, Barbara Klein, Glenda Cook, Chrystal Gray. Exploring the Effect of Companion Robots on Emotional Expression in Older Adults with Dementia: A Pilot Randomized Controlled TrialJournal of Gerontological Nursing, 2013; 39 (5): 46 DOI: 10.3928/00989134-20130313-03

EUA vetam patente sobre gene humano (Folha de S.Paulo)

JC e-mail 4747, de 14 de Junho de 2013.

Suprema Corte decide que empresa não pode ter propriedade sobre genes usados em teste de risco de câncer. Decisão pode levar à redução no preço do exame, o mesmo feito por Angelina Jolie antes de retirada das mamas

A Suprema Corte dos EUA decidiu ontem que genes humanos não podem ser patenteados, o que pode afetar empresas de biotecnologia e baratear testes que se baseiam na procura de certas mutações no país e até no Brasil.

A decisão dos magistrados reverte três décadas de concessões de patentes pelo governo americano. No Brasil, não é permitido patentear seres vivos ou parte deles, o que inclui os genes.

O caso em discussão na Suprema Corte diz respeito ao registro de propriedade intelectual da empresa MyriadGenetics sobre os genes BRCA 1 e 2, cujas mutações indicam um risco maior de câncer de mama e ovário.

O teste que procura essas mutações ganhou maior notoriedade recentemente, depois que a atriz Angelina Jolie, 37, revelou, em junho, ter se submetido a uma cirurgia de retirada das mamas após descobrir ter as mutações que aumentam o risco de desenvolver um tumor.

O exame é recomendado principalmente para as mulheres que têm câncer antes dos 45 anos. É possível também rastrear a mutação em outros membros da família para decidir sobre medidas preventivas, que incluem o uso de remédios, o acompanhamento com exames de imagem e até retirada preventiva de mamas e ovários.

O preço do exame é uma barreira ao seu acesso. Nos EUA, o custo fica em torno de US$ 3.000; no Brasil, ainda que não haja o impedimento da patente, o preço também é alto, chegando a R$ 8.000.

Com a decisão, espera-se uma queda nesses valores. “O reflexo vai ser imediato aqui. As empresas se guiam pelo preço cobrado no exterior”, afirma Maria Isabel Achatz, diretora de oncogenética do A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo.

Para David Schlesinger, geneticista e fundador do laboratório Mendelics, a identificação de genes únicos, como no teste BRCA 1 e 2, já está ficando obsoleta.

“Em vez de procurar genes específicos, agora se sabe que é mais vantajoso fazer um exoma [sequenciamento da parte do genoma que codifica proteínas] e ter um panorama geral do paciente.”

BRECHA

Segundo a decisão, uma parte do DNA que ocorre naturalmente é um produto da natureza e não pode ser patenteado só por ter sido isolada pela empresa.

No entanto, o tribunal deu à Myriad uma vitória parcial, dizendo que o DNA complementar sintetizado em laboratório pode ser patenteado.

O chamado cDNA não acontece naturalmente. Grosso modo, é uma espécie de DNA que exclui as informações que não codificam proteína usada como parte do processo de desenvolvimento de alguns testes genéticos.

Os grupos que pedem o fim das patentes argumentam que a sequência dos nucleotídeos do cDNA segue a ordem imposta pela natureza e, por isso, não devem ser alvo de registros.

Para Fernando Soares, do Departamento de Patologia do A.C. Camargo Cancer Center, manter a patente do cDNA só deve ter impacto em questões de pesquisa e em análise de larga escala.

Envolvido no projeto do genoma do câncer, em 2002, o médico comemorou a decisão. “O genoma é um patrimônio da humanidade.”

Veja também o assunto no Jornal O Globo: Genes humanos não podem ser patenteados, decide Suprema Corte dos EUA. http://oglobo.globo.com/ciencia/genes-humanos-nao-podem-ser-patenteados-decide-suprema-corte-dos-eua-8676714

Juventude “apolítica” reinventa a política (Envolverde/IPS)

02/7/2013 – 09h20

por Fabiana Frayssinet, da IPS

n11 300x225 Juventude “apolítica” reinventa a política

A estudante Stephany Gonçalves dos Santos escreve seu politizado cartaz. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

Rio de Janeiro, Brasil, 2/7/2013 – Com palavras de ordem contra os partidos políticos, as manifestações juvenis no Brasil trazem consigo o paradoxo de uma nova e efetiva forma de fazer política, que consegue respostas concretas dos poderes do Estado. A palavra de ordem nas ruas é “partidos políticos, não”, e a maioria dos manifestantes se declara, com orgulho “apolítica”. “Não tenho nenhum partido”, diz à IPS a estudante Stephany Gonçalves dos Santos.

Como centenas de milhares de estudantes que protestam, convocados por meio das redes sociais, como o Facebook, ela escreve um cartaz para um protesto no Rio de Janeiro, com lápis de cor em uma simples cartolina. E escolhe a frase “Um filho teu não foge à luta”, do hino nacional brasileiro. “Estou aqui por um ideal de país. quero que meu país seja democrático. Mas onde há repressão não há democracia”, argumentou Stephany, referindo-se à dura resposta policial que, longe de aplacar os protestos, estimulou muitos a aderirem a eles.

“O governo quer alienar o povo com o futebol”, acrescentou, ao abordar outro tema de descontentamento: os gastos milionários em instalações para competições esportivas como a Copa das Confederações, a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Stephany vive em um país onde diariamente se respira futebol e este é parte de uma cultura popular tão arraigada quanto o carnaval. Mas reclama, indignada, do dinheiro que se deixou de investir em educação e saúde para construir grandes instalações esportivas. “Construíram estádios de primeiro mundo, mas ao redor deles não temos nada. É uma falta de respeito com o povo”, afirmou.

A revolta nasceu de um tema específico: o aumento das passagens de ônibus, serviço já caro e ineficiente. Porém, se estendeu a outras áreas: saúde, educação e a suposta corrupção de muitos dirigentes políticos. “A maioria dos que participam do movimento constitui uma massa de jovens que se sentem muito desgostosos com a atual vida política”, apontou à IPS o especialista político William Gonçalves, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. “Eles repudiam a corrupção e a cumplicidade de forças que se apresentam como progressistas com as que são símbolo do atraso”, afirmou, referindo-se a alianças parlamentares forjadas pelos partidos para governarem.

Pelas dimensões e pela diversidade territorial do Brasil e da sua população, nenhum partido pode assegurar a Presidência e a maioria das cadeiras no Congresso. “Desta forma, temos um parlamentarismo disfarçado, já que todos os partidos que chegam à Presidência só podem governar aliando-se a outros que têm a única ambição de obter cargos em troca de apoio parlamentar”, explicou Gonçalves. “Até o Partido dos Trabalhadores é prisioneiro dessa aliança. A saída seria uma reforma política”, acrescentou.

Tal reforma, largamente reclamada, não saía das gavetas oficiais. E, curiosamente, foi o susto diante da “apolítica” ebulição das ruas que conseguiu em poucos dias que esse assunto entrasse na agenda oficial. Os manifestantes também conseguiram reduzir o preço do transporte público, a aprovação em tempo recorde de uma lei que declara a corrupção crime “hediondo” e a votação de outra lei para destinar royalties do petróleo para a saúde e educação.

Isto é ser apolítico? O dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Pedro Stédile, acredita que não. “A juventude não é apolítica, pelo contrário. Tanto não é, que levou a política às ruas, mesmo sem ter consciência de seu significado”, afirmou em uma entrevista ao jornal Brasil de Fato. “A juventude está cansada dessa forma de fazer política, burguesa e mercantilista. O mais grave é que os partidos da esquerda institucional, todos eles, se amoldaram a esses métodos. E, portanto, gerou-se na juventude uma repulsa à forma de atuar dos partidos”, ressaltou.

Para o historiador Marcelo Carreiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, “este é um novo dado da história nacional, cujo contexto já era claramente observável no esvaziamento dessas instituições”. Carreiro disse à IPS que “as manifestações confirmam essa caducidade das instituições e mostram, apesar de tudo, que a população pode estar mais politicamente ativa que nunca”.

Os três poderes do Estado tomaram nota e já começam a propor e discutir formas alternativas de incluir a cidadania em mecanismos mais dinâmicos e participativos. A presidente Dilma Rousseff deu um passo nessa direção ao admitir que “estas vozes têm de ser ouvidas” porque “deixaram evidente que superam os mecanismos tradicionais das instituições, dos partidos, das entidades de classe e da própria imprensa”. Uma proposta em debate é estabelecer a consulta popular como instrumento permanente de democracia direta.

Algumas organizações não governamentais propõem, por outro lado, a participação efetiva de diferentes grupos sociais, comunidades e bairros, em decisões sobre onde e como aplicar orçamentos de saúde, educação, infraestrutura, transporte e saneamento. “Tudo o que está acontecendo com estas novas expressões da sociedade em rede – no Brasil e em outros países – aponta para uma reinvenção da política para reinventar a democracia”, opinou Augusto de Franco, diretor da organização Escola de Redes. Os jovens manifestantes atiraram a primeira pedra, e não somente contra a repressão policial.

Protestos no Brasil viram piada em telejornal cômico nos EUA; assista (FSP)

03/07/2013 – 11h21

DE SÃO PAULO

A onda de protestos que tomou conta do Brasil desde o mês passado virou piada no canal americano Comedy Central.

No programa “Colbert Report”, Stephen Colbert faz uma sátira aos comentaristas de telejornal e diz coisas completamente sem noção sobre o assunto.

“Pessoal, eu não entendo… Estamos falando do Brasil, o lugar mais alegre da Terra”, comenta após exibir imagens de manifestações pelo país.

“A única coisa com o que os brasileiros se irritam é com seus pelos púbicos”, brincou, fazendo referência à depilação brasileira, que faz sucesso no exterior.

Assista ao vídeo aqui.

Has a marine mammal conservation program become too successful? (Slate)

Great White Sharks Are Back

By |Posted Tuesday, July 2, 2013, at 4:05 PM

Great white shark.

Today, a great white shark sighting is more likely to elicit curiosity than fear. Cape Cod sharks even have their own advocacy group. Photo by Steven Benjamin/iStockphoto/Thinkstock

When a tourist from Colorado was bitten by a great white shark last summer while swimming off Cape Cod, an excited media made predictable comparisons to the 1975 blockbuster Jaws. The 50-year-old man, who was fortunate to survive with bites to his legs but with all his limbs still attached, was the first human to be attacked by a shark in Massachusetts waters since 1936. As more sighting reports poured in, 2012 became Cape Cod’s “Summer of the Shark.”

We all love a good shark scare, but in this case the coverage wasn’t completely exaggerated. In 1974, when Jaws was filmed just off the cape on Martha’s Vineyard, great white sharks—known to marine biologists simply as white sharks—were rare, with one or two spotted in New England waters each year. In 2012, there were more than 20 confirmed sightings at Cape Cod beaches, and so far this summer two beaches have been closed temporarily after the sharks’ telltale dorsal fins were seen just offshore. Scientists have now tagged 34 great whites off of Cape Cod, and the data show the minivan-size fish sticking to a clear migration pattern—down south or out to sea in the winter and, like the Kennedys, back to the cape every summer.

Jaws aside, these sharks are not hunting unsuspecting vacationers. They’re after seals, which have soared in population in recent years thanks to a national conservation effort that has proven enormously successful—some might say too successful. The shark resurgence comes down to simple food chain economics, but it also shows how wildlife conservation can sometimes have weird and unpredictable consequences.

Seals have a tendency to hang around boats and snatch fish from nets, and for centuries people fishing off New England would kill any seal they saw. Between the late 19thcentury and the early 1960s, the state of Massachusetts offered a bounty of up to $5 for every pinniped slaughtered. By 1972, harbor seals, once common on Cape Cod, were becoming rarer, and gray seals were all but wiped out. But that year Congress passed the Marine Mammal Protection Act, a law that forbids the killing, capture, or harassment of whales, dolphins, polar bears, manatees, seals, and similar animals—creatures that commercial hunting and other human activity had taken, in some cases, to the brink of extinction.

The act has been a tremendous success. In March 2011, a one-day count of gray seals in Massachusetts waters found 15,756 of them, compared to 5,611 in 1999. The National Oceanic and Atmospheric Administration estimates that the gray seal population in the Western Atlantic grew annually between 6 and 9 percent during the past three decades. Today, seals haul out and lounge on some beaches in enormous numbers, and it’s common to see them swimming alone or in pairs up and down the Atlantic side of Cape Cod. That’s a lot of shark bait. One recent afternoon at Nauset Light Beach, part of the Cape Cod National Seashore, I stood on the sand with a group of beachgoers watching a sleek brown head bobbing just past the breakers. Having been warned by prominent signs not to swim near seals, none of us were going near the water. “Does this mean there are sharks out there?” one woman asked, in a tone that revealed both anxiety and fascination.

Tourism is Cape Cod’s main industry, with domestic visitors spending some $850 million in 2011, and locals worry that if anyone were to be killed or badly hurt by a shark, tourists might start to avoid cape beaches. In an effort to educate people about shark safety, beach authorities have erected notice boards, and towns are using a $50,000 state grant to print brochures with helpful shark safety tips—chief among them, “Avoid swimming near seals.” Looking to South Africa, which has been dealing with great white sharks for years, Cape Cod officials have talked about setting up a system for shark detection, perhaps by using spotter planes or installing more acoustic buoys to track tagged sharks. But so far there isn’t enough funding for a major effort.

Seals are taking the blame for luring sharks, and at the same time the old resentment is flaring up among some fishermen, who say seals are harming the cape’s struggling fishing industry. Gordon Waring, a seal specialist at the NOAA, cautions that marine biologists don’t actually know how seals interact with fisheries, and so far there is no sign that they are eating more than their habitat can support. But it is clear that seals are attracted to fishing boats and piers, and fishermen who watch seals stealing fish from their nets justifiably resent the greedy creatures, which the Marine Mammal Protection Act says can’t even be shooed away (that would be “harassment”). Fish stocks, particularly of cod, are down, and while that’s mostly due to other factors such as decades of overfishing, seals are a visible target for blame. There has even been talk of a seal cull, and a Nantucket-based group calling itself the Seal Abatement Coalition is lobbying Congress to remove gray seals from the list of species covered by the Marine Mammal Protection Act. Seal culls are already a regular occurrence in Canada, which has historically had much larger seal populations.

That might all sound like we’re headed for a return to the era when seals were shot on sight and sharks stalked and killed to protect swimmers, but in truth there are heartening signs that humans’ relationship with ocean life off Cape Cod will be better this time around. While a horror movie starring an animatronic shark could once keep people out of the water all summer, today, a great white sighting is more likely to elicit curiosity than fear. Cape Cod sharks even have their own advocacy group.

Gray seal hanging around at the Chatham Fishing Pier.Seals have a tendency to hang around boats and snatch fish from nets. Courtesy of Amy Crawford

“As tragic as a shark attack is, it would be more tragic not to have sharks in our oceans,” says Cynthia Wigren, who last summer helped found the Atlantic White Shark Conservancy, a Cape Cod group (with an adorable smiling shark logo) that raises money for education and research. Greg Skomal, a shark biologist with the Massachusetts Division of Marine Fisheries, has been leading an effort to tag great whites and study their migration patterns. He sees the sharks’ return as an indication that the marine ecosystem off New England is returning to normal, with sharks playing a crucial role as apex predators. That’s great news, ecologically speaking. But as he points out, “That does not take into consideration the negative impacts that can occur with the restoration of a natural ecosystem.”

Sharks are not the brightest animals in the sea. Humans are not a preferred prey animal, but sharks looking for seals sometimes get confused. Given that their primary way of interacting with the world is to use their mouths (in a way, maybe they are the “mindless eating machines” of the Jaws trailer), a shark may give a human swimmer a good “gumming,” Skomal says, before realizing it hasn’t found a seal. “If sharks wanted to eat humans, we’d have a hell of a lot more shark attacks,” Skomal says. “These are instinctive wild animals, and they make mistakes every now and then. It’s extremely rare, but nonetheless they make mistakes.”

While a great white shark’s honest mistake can still be terrifying—just ask that tourist who got bitten last summer—sharks’ public image seems to be evolving as conservationists educate people about the need to protect vulnerable species and as our understanding of nature becomes more sophisticated. We may be learning to adapt to nature, rather than forcing it to adapt to us.

Nowhere is that more apparent than in Chatham, a 300-year-old fishing village on the elbow of Cape Cod that has found itself at the epicenter of the wildlife resurgence. InJaws, small town leaders tried to cover up shark attacks, fearing they would be bad for business. But Lisa Franz, director of Chatham’s Chamber of Commerce, says the opposite has been true—at least so long as no one has been seriously hurt. While the local fishing industry is struggling, other businesses are capitalizing on people’s curiosity about sharks and the seals they feast on. Shark T-shirts and stuffed toys are flying off gift shop shelves, and there’s talk of making Chatham an ecotourism destination.

“When the first shark hits the newspapers, we get busier earlier,” says Keith Lincoln, who runs a Chatham cruise business that specializes in seal tours. His “office,” parked recently in a lot at the Monomoy National Wildlife Refuge, is a Honda Odyssey with an inflatable shark strapped to the roof—“a hit with the tourists,” he says. But while passengers might say they want to see sharks, Lincoln is not sure they know what they’re getting into. He has seen great whites swimming near the beach, their huge forms casting dark shadows on the sand below. “We usually don’t tell people,” he says. “They leave here all brave, but when they see a fish that’s as big as the boat, they’re not so brave.”

Then again, he might just need a bigger boat.

Watch Discovery Channel’s joking take on the shark frenzy for seals here.

The Science of Why We Don’t Believe Science (Mother Jones)

How our brains fool us on climate, creationism, and the end of the world.

By  | Mon Apr. 18, 2011 3:00 AM PDT


“A MAN WITH A CONVICTION is a hard man to change. Tell him you disagree and he turns away. Show him facts or figures and he questions your sources. Appeal to logic and he fails to see your point.” So wrote the celebrated Stanford University psychologist Leon Festinger [1] (PDF), in a passage that might have been referring to climate change denial—the persistent rejection, on the part of so many Americans today, of what we know about global warming and its human causes. But it was too early for that—this was the 1950s—and Festinger was actually describing a famous case study [2] in psychology.

Festinger and several of his colleagues had infiltrated the Seekers, a small Chicago-area cult whose members thought they were communicating with aliens—including one, “Sananda,” who they believed was the astral incarnation of Jesus Christ. The group was led by Dorothy Martin, a Dianetics devotee who transcribed the interstellar messages through automatic writing.

Through her, the aliens had given the precise date of an Earth-rending cataclysm: December 21, 1954. Some of Martin’s followers quit their jobs and sold their property, expecting to be rescued by a flying saucer when the continent split asunder and a new sea swallowed much of the United States. The disciples even went so far as to remove brassieres and rip zippers out of their trousers—the metal, they believed, would pose a danger on the spacecraft.

Festinger and his team were with the cult when the prophecy failed. First, the “boys upstairs” (as the aliens were sometimes called) did not show up and rescue the Seekers. Then December 21 arrived without incident. It was the moment Festinger had been waiting for: How would people so emotionally invested in a belief system react, now that it had been soundly refuted?

Read also: the truth about Climategate. [3]. Read also: the truth about Climategate [4].

At first, the group struggled for an explanation. But then rationalization set in. A new message arrived, announcing that they’d all been spared at the last minute. Festinger summarized the extraterrestrials’ new pronouncement: “The little group, sitting all night long, had spread so much light that God had saved the world from destruction.” Their willingness to believe in the prophecy had saved Earth from the prophecy!

From that day forward, the Seekers, previously shy of the press and indifferent toward evangelizing, began to proselytize. “Their sense of urgency was enormous,” wrote Festinger. The devastation of all they had believed had made them even more certain of their beliefs.

In the annals of denial, it doesn’t get much more extreme than the Seekers. They lost their jobs, the press mocked them, and there were efforts to keep them away from impressionable young minds. But while Martin’s space cult might lie at on the far end of the spectrum of human self-delusion, there’s plenty to go around. And since Festinger’s day, an array of new discoveries in psychology and neuroscience has further demonstrated how our preexisting beliefs, far more than any new facts, can skew our thoughts and even color what we consider our most dispassionate and logical conclusions. This tendency toward so-called “motivated reasoning [5]” helps explain why we find groups so polarized over matters where the evidence is so unequivocal: climate change, vaccines, “death panels,” the birthplace and religion of the president [6] (PDF), and much else. It would seem that expecting people to be convinced by the facts flies in the face of, you know, the facts.

The theory of motivated reasoning builds on a key insight of modern neuroscience [7] (PDF): Reasoning is actually suffused with emotion (or what researchers often call “affect”). Not only are the two inseparable, but our positive or negative feelings about people, things, and ideas arise much more rapidly than our conscious thoughts, in a matter of milliseconds—fast enough to detect with an EEG device, but long before we’re aware of it. That shouldn’t be surprising: Evolution required us to react very quickly to stimuli in our environment. It’s a “basic human survival skill,” explains political scientist Arthur Lupia[8] of the University of Michigan. We push threatening information away; we pull friendly information close. We apply fight-or-flight reflexes not only to predators, but to data itself.

We apply fight-or-flight reflexes not only to predators, but to data itself.

We’re not driven only by emotions, of course—we also reason, deliberate. But reasoning comes later, works slower—and even then, it doesn’t take place in an emotional vacuum. Rather, our quick-fire emotions can set us on a course of thinking that’s highly biased, especially on topics we care a great deal about.

Consider a person who has heard about a scientific discovery that deeply challenges her belief in divine creation—a new hominid, say, that confirms our evolutionary origins. What happens next, explains political scientist Charles Taber [9] of Stony Brook University, is a subconscious negative response to the new information—and that response, in turn, guides the type of memories and associations formed in the conscious mind. “They retrieve thoughts that are consistent with their previous beliefs,” says Taber, “and that will lead them to build an argument and challenge what they’re hearing.”

In other words, when we think we’re reasoning, we may instead be rationalizing. Or to use an analogy offered by University of Virginia psychologist Jonathan Haidt [10]: We may think we’re being scientists, but we’re actually being lawyers [11] (PDF). Our “reasoning” is a means to a predetermined end—winning our “case”—and is shot through with biases. They include “confirmation bias,” in which we give greater heed to evidence and arguments that bolster our beliefs, and “disconfirmation bias,” in which we expend disproportionate energy trying to debunk or refute views and arguments that we find uncongenial.

That’s a lot of jargon, but we all understand these mechanisms when it comes to interpersonal relationships. If I don’t want to believe that my spouse is being unfaithful, or that my child is a bully, I can go to great lengths to explain away behavior that seems obvious to everybody else—everybody who isn’t too emotionally invested to accept it, anyway. That’s not to suggest that we aren’t also motivated to perceive the world accurately—we are. Or that we never change our minds—we do. It’s just that we have other important goals besides accuracy—including identity affirmation and protecting one’s sense of self—and often those make us highly resistant to changing our beliefs when the facts say we should.

Modern science originated from an attempt to weed out such subjective lapses—what that great 17th century theorist of the scientific method, Francis Bacon, dubbed the “idols of the mind.” Even if individual researchers are prone to falling in love with their own theories, the broader processes of peer review and institutionalized skepticism are designed to ensure that, eventually, the best ideas prevail.

Scientific evidence is highly susceptible to misinterpretation. Giving ideologues scientific data that’s relevant to their beliefs is like unleashing them in the motivated-reasoning equivalent of a candy store.

Our individual responses to the conclusions that science reaches, however, are quite another matter. Ironically, in part because researchers employ so much nuance and strive to disclose all remaining sources of uncertainty, scientific evidence is highly susceptible to selective reading and misinterpretation. Giving ideologues or partisans scientific data that’s relevant to their beliefs is like unleashing them in the motivated-reasoning equivalent of a candy store.

Sure enough, a large number of psychological studies have shown that people respond to scientific or technical evidence in ways that justify their preexisting beliefs. In a classic 1979 experiment [12] (PDF), pro- and anti-death penalty advocates were exposed to descriptions of two fake scientific studies: one supporting and one undermining the notion that capital punishment deters violent crime and, in particular, murder. They were also shown detailed methodological critiques of the fake studies—and in a scientific sense, neither study was stronger than the other. Yet in each case, advocates more heavily criticized the study whose conclusions disagreed with their own, while describing the study that was more ideologically congenial as more “convincing.”

Since then, similar results have been found for how people respond to “evidence” about affirmative action, gun control, the accuracy of gay stereotypes [13], and much else. Even when study subjects are explicitly instructed to be unbiased and even-handed about the evidence, they often fail.

And it’s not just that people twist or selectively read scientific evidence to support their preexisting views. According to research by Yale Law School professor Dan Kahan [14] and his colleagues, people’s deep-seated views about morality, and about the way society should be ordered, strongly predict whom they consider to be a legitimate scientific expert in the first place—and thus where they consider “scientific consensus” to lie on contested issues.

In Kahan’s research [15] (PDF), individuals are classified, based on their cultural values, as either “individualists” or “communitarians,” and as either “hierarchical” or “egalitarian” in outlook. (Somewhat oversimplifying, you can think of hierarchical individualists as akin to conservative Republicans, and egalitarian communitarians as liberal Democrats.) In one study, subjects in the different groups were asked to help a close friend determine the risks associated with climate change, sequestering nuclear waste, or concealed carry laws: “The friend tells you that he or she is planning to read a book about the issue but would like to get your opinion on whether the author seems like a knowledgeable and trustworthy expert.” A subject was then presented with the résumé of a fake expert “depicted as a member of the National Academy of Sciences who had earned a Ph.D. in a pertinent field from one elite university and who was now on the faculty of another.” The subject was then shown a book excerpt by that “expert,” in which the risk of the issue at hand was portrayed as high or low, well-founded or speculative. The results were stark: When the scientist’s position stated that global warming is real and human-caused, for instance, only 23 percent of hierarchical individualists agreed the person was a “trustworthy and knowledgeable expert.” Yet 88 percent of egalitarian communitarians accepted the same scientist’s expertise. Similar divides were observed on whether nuclear waste can be safely stored underground and whether letting people carry guns deters crime. (The alliances did not always hold. Inanother study [16] (PDF), hierarchs and communitarians were in favor of laws that would compel the mentally ill to accept treatment, whereas individualists and egalitarians were opposed.)

Head-on attempts to persuade can sometimes trigger a backfire effect, where people not only fail to change their minds when confronted with the facts—they may hold their wrong views more tenaciously than ever.

In other words, people rejected the validity of a scientific source because its conclusion contradicted their deeply held views—and thus the relative risks inherent in each scenario. A hierarchal individualist finds it difficult to believe that the things he prizes (commerce, industry, a man’s freedom to possess a gun to defend his family [16]) (PDF) could lead to outcomes deleterious to society. Whereas egalitarian communitarians tend to think that the free market causes harm, that patriarchal families mess up kids, and that people can’t handle their guns. The study subjects weren’t “anti-science”—not in their own minds, anyway. It’s just that “science” was whatever they wanted it to be. “We’ve come to a misadventure, a bad situation where diverse citizens, who rely on diverse systems of cultural certification, are in conflict,” says Kahan [17].

And that undercuts the standard notion that the way to persuade people is via evidence and argument. In fact, head-on attempts to persuade can sometimes trigger a backfire effect, where people not only fail to change their minds when confronted with the facts—they may hold their wrong views more tenaciously than ever.

Take, for instance, the question of whether Saddam Hussein possessed hidden weapons of mass destruction just before the US invasion of Iraq in 2003. When political scientists Brendan Nyhan and Jason Reifler showed subjects fake newspaper articles [18] (PDF) in which this was first suggested (in a 2004 quote from President Bush) and then refuted (with the findings of the Bush-commissioned Iraq Survey Group report, which found no evidence of active WMD programs in pre-invasion Iraq), they found that conservatives were more likely than before to believe the claim. (The researchers also tested how liberals responded when shown that Bush did not actually “ban” embryonic stem-cell research. Liberals weren’t particularly amenable to persuasion, either, but no backfire effect was observed.)

Another study gives some inkling of what may be going through people’s minds when they resist persuasion. Northwestern University sociologist Monica Prasad [19] and her colleagues wanted to test whether they could dislodge the notion that Saddam Hussein and Al Qaeda were secretly collaborating among those most likely to believe it—Republican partisans from highly GOP-friendly counties. So the researchers set up a study [20] (PDF) in which they discussed the topic with some of these Republicans in person. They would cite the findings of the 9/11 Commission, as well as a statement in which George W. Bush himself denied his administration had “said the 9/11 attacks were orchestrated between Saddam and Al Qaeda.”

One study showed that not even Bush’s own words could change the minds of Bush voters who believed there was an Iraq-Al Qaeda link.

As it turned out, not even Bush’s own words could change the minds of these Bush voters—just 1 of the 49 partisans who originally believed the Iraq-Al Qaeda claim changed his or her mind. Far more common was resisting the correction in a variety of ways, either by coming up with counterarguments or by simply being unmovable:

Interviewer: [T]he September 11 Commission found no link between Saddam and 9/11, and this is what President Bush said. Do you have any comments on either of those?

Respondent: Well, I bet they say that the Commission didn’t have any proof of it but I guess we still can have our opinions and feel that way even though they say that.

The same types of responses are already being documented on divisive topics facing the current administration. Take the “Ground Zero mosque.” Using information from the political myth-busting site FactCheck.org [21], a team at Ohio State presented subjects [22] (PDF) with a detailed rebuttal to the claim that “Feisal Abdul Rauf, the Imam backing the proposed Islamic cultural center and mosque, is a terrorist-sympathizer.” Yet among those who were aware of the rumor and believed it, fewer than a third changed their minds.

A key question—and one that’s difficult to answer—is how “irrational” all this is. On the one hand, it doesn’t make sense to discard an entire belief system, built up over a lifetime, because of some new snippet of information. “It is quite possible to say, ‘I reached this pro-capital-punishment decision based on real information that I arrived at over my life,'” explains Stanford social psychologist Jon Krosnick [23]. Indeed, there’s a sense in which science denial could be considered keenly “rational.” In certain conservative communities, explains Yale’s Kahan, “People who say, ‘I think there’s something to climate change,’ that’s going to mark them out as a certain kind of person, and their life is going to go less well.”

This may help explain a curious pattern Nyhan and his colleagues found when they tried to test the fallacy [6] (PDF) that President Obama is a Muslim. When a nonwhite researcher was administering their study, research subjects were amenable to changing their minds about the president’s religion and updating incorrect views. But when only white researchers were present, GOP survey subjects in particular were more likely to believe the Obama Muslim myth than before. The subjects were using “social desirabililty” to tailor their beliefs (or stated beliefs, anyway) to whoever was listening.

Which leads us to the media. When people grow polarized over a body of evidence, or a resolvable matter of fact, the cause may be some form of biased reasoning, but they could also be receiving skewed information to begin with—or a complicated combination of both. In the Ground Zero mosque case, for instance, a follow-up study [24] (PDF) showed that survey respondents who watched Fox News were more likely to believe the Rauf rumor and three related ones—and they believed them more strongly than non-Fox watchers.

Okay, so people gravitate toward information that confirms what they believe, and they select sources that deliver it. Same as it ever was, right? Maybe, but the problem is arguably growing more acute, given the way we now consume information—through the Facebook links of friends, or tweets that lack nuance or context, or “narrowcast [25]” and often highly ideological media that have relatively small, like-minded audiences. Those basic human survival skills of ours, says Michigan’s Arthur Lupia, are “not well-adapted to our information age.”

A predictor of whether you accept the science of global warming? Whether you’re a Republican or a Democrat.

If you wanted to show how and why fact is ditched in favor of motivated reasoning, you could find no better test case than climate change. After all, it’s an issue where you have highly technical information on one hand and very strong beliefs on the other. And sure enough, one key predictor of whether you accept the science of global warming is whether you’re a Republican or a Democrat. The two groups have been growing more divided in their views about the topic, even as the science becomes more unequivocal.

So perhaps it should come as no surprise that more education doesn’t budge Republican views. On the contrary: In a 2008 Pew survey [26], for instance, only 19 percent of college-educated Republicans agreed that the planet is warming due to human actions, versus 31 percent of non-college educated Republicans. In other words, a higher education correlated with an increased likelihood of denying the science on the issue. Meanwhile, among Democrats and independents, more education correlated with greater acceptance of the science.

Other studies have shown a similar effect: Republicans who think they understand the global warming issue best are least concerned about it; and among Republicans and those with higher levels of distrust of science in general, learning more about the issue doesn’t increase one’s concern about it. What’s going on here? Well, according to Charles Taber and Milton Lodge of Stony Brook, one insidious aspect of motivated reasoning is that political sophisticates are prone to be more biased than those who know less about the issues. “People who have a dislike of some policy—for example, abortion—if they’re unsophisticated they can just reject it out of hand,” says Lodge. “But if they’re sophisticated, they can go one step further and start coming up with counterarguments.” These individuals are just as emotionally driven and biased as the rest of us, but they’re able to generate more and better reasons to explain why they’re right—and so their minds become harder to change.

That may be why the selectively quoted emails of Climategate were so quickly and easily seized upon by partisans as evidence of scandal. Cherry-picking is precisely the sort of behavior you would expect motivated reasoners to engage in to bolster their views—and whatever you may think about Climategate, the emails were a rich trove of new information upon which to impose one’s ideology.

Climategate had a substantial impact on public opinion, according to Anthony Leiserowitz [27], director of the Yale Project on Climate Change Communication [28]. It contributed to an overall drop in public concern about climate change and a significant loss of trust in scientists. But—as we should expect by now—these declines were concentrated among particular groups of Americans: Republicans, conservatives, and those with “individualistic” values. Liberals and those with “egalitarian” values didn’t lose much trust in climate science or scientists at all. “In some ways, Climategate was like a Rorschach test,” Leiserowitz says, “with different groups interpreting ambiguous facts in very different ways.”

Is there a case study of science denial that largely occupies the political left? Yes: the claim that childhood vaccines are causing an epidemic of autism.

So is there a case study of science denial that largely occupies the political left? Yes: the claim that childhood vaccines are causing an epidemic of autism. Its most famous proponents are an environmentalist (Robert F. Kennedy Jr. [29]) and numerous Hollywood celebrities (most notably Jenny McCarthy [30] and Jim Carrey). TheHuffington Post gives a very large megaphone to denialists. And Seth Mnookin [31], author of the new book The Panic Virus [32], notes that if you want to find vaccine deniers, all you need to do is go hang out at Whole Foods.

Vaccine denial has all the hallmarks of a belief system that’s not amenable to refutation. Over the past decade, the assertion that childhood vaccines are driving autism rateshas been undermined [33] by multiple epidemiological studies—as well as the simple fact that autism rates continue to rise, even though the alleged offending agent in vaccines (a mercury-based preservative called thimerosal) has long since been removed.

Yet the true believers persist—critiquing each new study that challenges their views, and even rallying to the defense of vaccine-autism researcher Andrew Wakefield, afterhis 1998 Lancet paper [34]—which originated the current vaccine scare—was retracted and he subsequently lost his license [35] (PDF) to practice medicine. But then, why should we be surprised? Vaccine deniers created their own partisan media, such as the website Age of Autism, that instantly blast out critiques and counterarguments whenever any new development casts further doubt on anti-vaccine views.

It all raises the question: Do left and right differ in any meaningful way when it comes to biases in processing information, or are we all equally susceptible?

There are some clear differences. Science denial today is considerably more prominent on the political right—once you survey climate and related environmental issues, anti-evolutionism, attacks on reproductive health science by the Christian right, and stem-cell and biomedical matters. More tellingly, anti-vaccine positions are virtually nonexistent among Democratic officeholders today—whereas anti-climate-science views are becoming monolithic among Republican elected officials.

Some researchers have suggested that there are psychological differences between the left and the right that might impact responses to new information—that conservatives are more rigid and authoritarian, and liberals more tolerant of ambiguity. Psychologist John Jost of New York University has further argued that conservatives are “system justifiers”: They engage in motivated reasoning to defend the status quo.

This is a contested area, however, because as soon as one tries to psychoanalyze inherent political differences, a battery of counterarguments emerges: What about dogmatic and militant communists? What about how the parties have differed through history? After all, the most canonical case of ideologically driven science denial is probably the rejection of genetics in the Soviet Union, where researchers disagreeing with the anti-Mendelian scientist (and Stalin stooge) Trofim Lysenko were executed, and genetics itself was denounced as a “bourgeois” science and officially banned.

The upshot: All we can currently bank on is the fact that we all have blinders in some situations. The question then becomes: What can be done to counteract human nature itself?

We all have blinders in some situations. The question then becomes: What can be done to counteract human nature?

Given the power of our prior beliefs to skew how we respond to new information, one thing is becoming clear: If you want someone to accept new evidence, make sure to present it to them in a context that doesn’t trigger a defensive, emotional reaction.

This theory is gaining traction in part because of Kahan’s work at Yale. In one study [36], he and his colleagues packaged the basic science of climate change into fake newspaper articles bearing two very different headlines—”Scientific Panel Recommends Anti-Pollution Solution to Global Warming” and “Scientific Panel Recommends Nuclear Solution to Global Warming”—and then tested how citizens with different values responded. Sure enough, the latter framing made hierarchical individualists much more open to accepting the fact that humans are causing global warming. Kahan infers that the effect occurred because the science had been written into an alternative narrative that appealed to their pro-industry worldview.

You can follow the logic to its conclusion: Conservatives are more likely to embrace climate science if it comes to them via a business or religious leader, who can set the issue in the context of different values than those from which environmentalists or scientists often argue. Doing so is, effectively, to signal a détente in what Kahan has called a “culture war of fact.” In other words, paradoxically, you don’t lead with the facts in order to convince. You lead with the values—so as to give the facts a fighting chance.


Links:
[1] https://motherjones.com/files/lfestinger.pdf
[2] http://www.powells.com/biblio/61-9781617202803-1
[3] http://motherjones.com/environment/2011/04/history-of-climategate
[4] http://motherjones.com/environment/2011/04/field-guide-climate-change-skeptics
[5] http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/2270237
[6] http://www-personal.umich.edu/~bnyhan/obama-muslim.pdf
[7] https://motherjones.com/files/descartes.pdf
[8] http://www-personal.umich.edu/~lupia/
[9] http://www.stonybrook.edu/polsci/ctaber/
[10] http://people.virginia.edu/~jdh6n/
[11] https://motherjones.com/files/emotional_dog_and_rational_tail.pdf
[12] http://synapse.princeton.edu/~sam/lord_ross_lepper79_JPSP_biased-assimilation-and-attitude-polarization.pdf
[13] http://psp.sagepub.com/content/23/6/636.abstract
[14] http://www.law.yale.edu/faculty/DKahan.htm
[15] https://motherjones.com/files/kahan_paper_cultural_cognition_of_scientific_consesus.pdf
[16] http://digitalcommons.law.yale.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1095&context=fss_papers
[17] http://seagrant.oregonstate.edu/blogs/communicatingclimate/transcripts/Episode_10b_Dan_Kahan.html
[18] http://www-personal.umich.edu/~bnyhan/nyhan-reifler.pdf
[19] http://www.sociology.northwestern.edu/faculty/prasad/home.html
[20] http://sociology.buffalo.edu/documents/hoffmansocinquiryarticle_000.pdf
[21] http://www.factcheck.org/
[22] http://www.comm.ohio-state.edu/kgarrett/FactcheckMosqueRumors.pdf
[23] http://communication.stanford.edu/faculty/krosnick/
[24] http://www.comm.ohio-state.edu/kgarrett/MediaMosqueRumors.pdf
[25] http://en.wikipedia.org/wiki/Narrowcasting
[26] http://people-press.org/report/417/a-deeper-partisan-divide-over-global-warming
[27] http://environment.yale.edu/profile/leiserowitz/
[28] http://environment.yale.edu/climate/
[29] http://www.huffingtonpost.com/robert-f-kennedy-jr-and-david-kirby/vaccine-court-autism-deba_b_169673.html
[30] http://www.huffingtonpost.com/jenny-mccarthy/vaccine-autism-debate_b_806857.html
[31] http://sethmnookin.com/
[32] http://www.powells.com/biblio/1-9781439158647-0
[33] http://discovermagazine.com/2009/jun/06-why-does-vaccine-autism-controversy-live-on/article_print
[34] http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140673697110960/fulltext
[35] http://www.gmc-uk.org/Wakefield_SPM_and_SANCTION.pdf_32595267.pdf
[36] http://www.scribd.com/doc/3446682/The-Second-National-Risk-and-Culture-Study-Making-Sense-of-and-Making-Progress-In-The-American-Culture-War-of-Fact

The Worst Marine Invasion Ever (Slate)

I could not believe what I found inside a lionfish.

By Christie Wilcox |Posted Monday, July 1, 2013, at 7:00 AM

A Lionfish swims in a display tank in the aquarium on the United Arab Emirate of Sharjah on August 6, 2008.

A lionfish in an aquarium. Photo by Alexander Klein/AFP/Getty Images

“Do you know what this is?” James Morris looks at me, eyes twinkling, as he points to the guts of a dissected lionfish in his lab at the National Ocean Service’s Center for Coastal Fisheries and Habitat Research in Beaufort, N.C. I see some white chunky stuff. As a Ph.D. candidate at the Hawaii Institute of Marine Biology, I should know basic fish biology literally inside and out. When I cut open a fish, I can tell you which gross-smelling gooey thing is the liver, which is the stomach, etc.

He’s testing me, I think to myself. Morris is National Oceanic and Atmospheric Administration’s pre-eminent scientist studying the invasion of lionfish into U.S. coastal waters. He’s the lionfish guy, and we met in person for the first time just a few days earlier. We’re processing lionfish speared by local divers, taking basic measurements, and removing their stomachs for ongoing diet analyses. Not wanting to look bad, I rack my brain for an answer to his question. It’s not gonads. Not spleen. I’m frustrated with myself, but I simply can’t place the junk; I’ve never seen it before. Finally, I give up and admit that I’m completely clueless.

Close-up on the insides of an obese North Carolinian lionfish.

Close-up on the insides of an obese North Carolinian lionfish. Photo by Christie Wilcox

“It’s interstitial fat.”

“Fat?”

“Fat,” he says firmly. I look again. The white waxy substance hangs in globs from the stomach and intestines. It clings to most of the internal organs. Heck, there’s got to be at least as much fat as anything else in this lionfish’s gut. That’s when I realize why he’s pointing this out.

“Wait … these lionfish are overweight?” I ask, incredulous.

“No, not overweight,” he says. “Obese.” The fish we’re examining is so obese, he notes, that there are even signs of liver damage.

Obese. As if the lionfish problem in North Carolina wasn’t bad enough.

Though comparing invasions is a lot like debating if hurricanes are more devastating than earthquakes, it’s pretty safe to say that lionfish in the Atlantic is the worst marine invasion to date—not just in the United States, but globally. Lionfish also win the gold medal for speed, spreading faster than any other invasive species. While there were scattered sightings from the mid-1980s, the first confirmation that lionfish were becoming established in the Atlantic Ocean occurred off of North Carolina in 2000. Since then, they have spread like locusts, eating their way throughout the Caribbean and along every coastline from North Carolina to Venezuela, including deep into the Gulf of Mexico. When lionfish arrive on a reef, they reduce native fish populations by nearly 70 percent. And it’s no wonder—the invasive populations are eight or more times as dense than those in their native range, with more than 450 lionfish per hectare reported in some places. That is a lot of lionfish.

These alien fish didn’t just come here on their own. Early guesses as to how the lionfish arrived ranged from ships’ ballast water to the coastal damage caused by Hurricane Andrew, but now scientists are fairly sure that no ships or natural disasters are to blame. Instead, it’s our fault. Pretty, frilly fins made the fish a favored pet and lured aquarists and aquarium dealers into a false sense of security. We simply didn’t see how dangerous these charismatic fish were—dangerous not for their venom, but for their beauty. We have trouble killing beautiful things, so instead we choose to release them into the wild, believing somehow that this is a better option when, in actuality, it’s the worst thing we can do. Released animals rarely survive in the harsh real world, but it’s even worse when they do. Pet releases and escapees have become problematic invaders all over the country, from the ravenous pythons in Florida to the feral cats of Hawaii. In the case of lionfish, multiple releases from different owners likely led to enough individuals to start an Atlantic breeding population. Rough genetic estimates suggest that fewer than a dozen female fish began what may go down in history as the worst marine invasion of all time.

Lots, and lots, of lionfish caught by the Discovery Diving crew on one day.

Lots and lots of lionfish caught by the Discovery Diving crew on one day. Courtesy of Discovery Diving

In North Carolina, the lionfish invasion can be seen at its worst. Offshore, where warm waters from the Gulf Stream sweep up the coast, the lionfish reign. Local densities increased 700 percent between 2004 and 2008. I got to witness the unfathomable number of lionfish firsthand when I dove with the crew of Discovery Diving, a local scuba shop, to compete in North Carolina’s inaugural lionfish derby. I’ve never seen so many lionfish in my life. I didn’t get more than 20 yards from my starting point before I saw hundreds—literally, hundreds. My spear couldn’t fly fast enough to catch them all. On the last day of the tournament, a six-diver team bagged 167 lionfish from one site in two dives, and they didn’t even make a dent in the population on that wreck site. Morris estimates that more than 1,000 lionfish are at this site. Let me tell you, this is what an invasion looks like. An ecological cascade has been set in motion by these Indo-Pacific fish, and scientists are frantically gathering data, learning as much as they can to understand the extent of the damage lionfish will inflict, and figuring out the best responses to protect these fragile marine ecosystems.

Despite the destruction, it’s hard not to be impressed by these colorful aliens. Part of me holds lionfish in the highest regard, with a sort of evolutionary awe. They’re an incredible fish. Given complete creative freedom, I cannot imagine a way to design a marine species more suited to dominance. Sure, they might not be at the top of the food chain like sharks or killer whales, but what they lack in size they make up for in adaptability and reproductive output. The key to their Darwinian success is that they grow fast, mature early, and breed year-round. A single female can release upward of 2 million eggs annually that become larvae capable of floating along currents for more than a month, dispersing for hundreds to thousands of miles. They’ll eat whatever they can get their mouths around, which happens to be any fish or invertebrate just a hair smaller than they are, and they can grow to more than 18 inches long. That means young fish and crustaceans of any species that live where lionfish do are potential targets. And, to top it all off, they are armed with a formidable set of long, sharp venomous spines capable of inducing incapacitating pain. Not surprisingly, nothing seems inclined to eat them. They’re known for their cavalier attitude toward divers, ignoring our presence or possessing the gall to approach us head on, even in the face of a spear. Their cocky resolve is admirable. It’s abundantly clear that these fish fear nothing, not a hungry grouper, not the largest of reef sharks, not even the most effective predators on the planet—us.

Christie Wilcox cutting open a lionfish to remove its stomach.

The author cuts open a lionfish to remove its stomach. Photo by NOAA intern Dave Matthews

Of course, we are perhaps the only animal that lionfish should be fearful of, the only species potentially capable of controlling lionfish populations. Scientists, managers, fishermen, and locals from Venezuela to North Carolina are rallying behind “Eat Lionfish” campaigns. Lionfish tournaments have become annual events in some of the most heavily hit areas of the Caribbean and Atlantic. The Reef Environmental Education Foundation released a lionfish cookbook in 2010 to spur culinary interest and inform fishermen and chefs how to clean and prepare this new delicacy. But even with a serious fishery throughout the invasive range, we will likely never evict lionfish from their new homes. Studies have suggested that we’d need to fish more than a quarter of the mature lionfish every month to stunt population growth, let alone reverse it. Our best hope is to keep local populations low enough to protect key commercial and ecological species, a mission that is proving to be harder and harder as we realize just how much lionfish eat.

We’ve always known that lionfish are formidable predators. As slow-moving fish, they have to be pretty effective hunters to get away with such flamboyant looks. After all, it’s not like their prey won’t see them coming. They practically advertise their presence, waving around their frilly, striped fins with a level of arrogance usually reserved for apex predators. In their native range, young fish run from the sight. But in the Atlantic, native fish have never seen such a bizarre-looking predator. They don’t realize that this colorful display is a warning, not only of their potent venom but also of a nearly insatiable appetite. They don’t flee, and they get eaten. And in North Carolina, the lionfish are eating so well they’ve become fat. No, not fat. Obese.

As James Morris and I measured and sliced 247 fish last month, he explained that we have to monitor their diets to understand how lionfish may impact native fish.

So far, more than 70 different species have been found in the stomachs of invasive lionfish, but detailed data on what they regularly eat in many different areas and throughout the year hasn’t been collected—yet. That’s one of the questions Morris is in the process of answering, and that’s what I helped him with while I was in North Carolina collecting samples for my own research on lionfish venom.

The coast of North Carolina is renowned for its seafood. Cold waters from the north and the warm Gulf Stream converge at Cape Hatteras, creating some of the richest fishing grounds on the Eastern Seaboard. More than 60 million pounds of fish and shellfish are pulled out of its waters every year, worth upward of $1 billion to commercial fishermen. Lionfish are eating a lot of something, and if these gluttons are eating key commercial species, there could be a negative ripple effect on the local economy.

Vermilion snapper pulled from a lionfish's stomach.

Vermilion snapper pulled from a lionfish’s stomach. Courtesy of NOAA

One species Morris is particularly concerned about is the vermillion snapper. One of the smallest of the species often labeled as red snapper, vermilion snapper are the most frequently caught snapper along the southeastern United States. Because of their popularity, vermilion snapper populations are closely monitored, and their harvest has been managed in a variety of ways, including limited entry systems, annual quotas, size limits, trip limits, and seasonal closures. So far, government assessments say that the populations are not overfished, but fisheries-watch organizations such as the Monterey Bay Aquarium aren’t convinced. What we know for certain is that vermillion snapper are among the most heavily managed fish in North Carolina, and all of our efforts will be for naught if the lionfish are getting to them first.

So far, it’s not looking good.

I personally pulled vermillion snapper out of lionfish guts last month, along with tomtates and various other reef fish. It’s estimated that lionfish in the Bahamas eat upward of 1,000 pounds of prey per acre per year. Given that lionfish feed largely on small fishes, this equates to hundreds of thousands of individual fish consumed per year by lionfish per acre. But all the interstitial fat I saw suggests that the North Carolinian fish aren’t just eating until they’re full; they’re overindulging on the rich diversity of seafood that North Carolina has to offer. Though lionfish can go weeks between meals, when they don’t have to, they won’t. Scientists have observed lionfish eating at a rate of one to two fish per minute, and their stomachs can expand 30 times their size to accommodate lots of food. To become obese, fish eat upward of 7.5 times their normal dietary intake, which means the abundant North Carolina lionfish could be eating as much as 7,000 pounds of prime North Carolina seafood per acre every year—seafood that we’d much prefer ended up on our plates instead.

In 2010 scientists named the lionfish invasion one of the top 15 threats to global biodiversity. In the three years since, the invasion has only worsened. The only solution is to fight fire with fire, or in this case, pit our bottomless stomachs against theirs. We really do have to eat them to beat them.

Unfortunately, developing a fishery for lionfish isn’t as straightforward as it sounds. They don’t tend to bite hooks and live in complex habitats like reefs and wrecks that can’t be fished with large nets. To catch them, people have to get in the water and spear them one by one—an expensive and tedious way to fish. For lionfish fisheries to turn a profit, demand will have to be high and constant. So far, only a handful of local restaurants have taken the bait, enticing locavores with a truly sustainable menu option. Their business alone isn’t enough, though, to really drive a market.

That’s even assuming that lionfish are completely safe to eat. Recently, the Food and Drug Administration raised flags about lionfish—but not because of their venom. They are concerned that lionfish may contain ciguatoxin, a common tropical poison that causes somewhere between 50,000 and 500,000 cases of ciguatera fish poisoning every year. Ciguatera isn’t unique to lionfish; the disease occurs in tropical waters worldwide. The small lipid ciguatoxins that cause it are made by dinoflagellates, microscopic algaelike animals that live on and near reefs. Animals don’t really break down ciguatoxin, so it bioaccumulates up the food chain, thus large predators that eat high on the food web are most likely to have dangerous levels of ciguatoxin. In areas where the disease is endemic, species such as groupers and barracuda are simply too risky to consume and are often avoided by fishermen. The FDA is concerned that lionfish should also be included on that list, meaning that in areas such as the Virgin Islands, lionfish would be permanently off the menu. Their press release stated that more than a quarter of lionfish sampled contained unsafe ciguatoxin levels, and it issued a warning against eating them.

To other scientists, including myself, the news is baffling. I haven’t seen the actual data (because the FDA has yet to release them), but such high numbers just seem unbelievable. Thousands of lionfish are eaten every year after tournaments, and there hasn’t been a single case of ciguatera from a lionfish. If so many are dangerous, why hasn’t anyone gotten sick? And even if some areas do have ciguatoxic lionfish, surely other areas are safe. After all, we can still eat grouper and other predators from much of the Atlantic and Caribbean. Lionfish shouldn’t be more ciguatoxic than other reef fish—not unless their diet is very, very different.

One of the tough things about ciguatoxin is that we don’t have reliable, direct tests for it. There is a diverse set of indirect assays, all with different methods, different detection levels, and different specificities. All of this makes it hard to compare studies done by different labs and hard to ensure accuracy. Top that off with a species that has never been tested for ciguatoxin before, and things get really messy. This is where my research comes in.

Lionfish possess potent venom that activates sodium channels on the surface of nerve cells, causing a massive influx of calcium. This leads to the release and depletion of the neurotransmitter acetylcholine. This happens to be the exact same thing ciguatoxin does. Which, to me, raises a very important question: What if lionfish venom is getting into ciguatoxin assays? Are venom compounds causing false positives? The venom itself, though excruciating in the form of a sting, is harmless on the plate. Unlike ciguatoxin, it’s readily degraded by heat, so if it is venom and not ciguatoxin causing positive tests, lionfish may be safer to eat than the FDA data suggest. Hopefully, the samples I collected on this trip to North Carolina—where ciguatoxin isn’t an issue—will provide some answers.

James Morris pulling a lionfish's stomach for gut content analyses.

James Morris pulling a lionfish’s stomach for gut content analyses. Courtesy of NOAA

Until we know more, though, promoting fisheries is a potentially dangerous management strategy, at least in certain areas. Some governments have stepped in to promote hunting even without a formal fishery plan, in an attempt to protect their reefs’ future. But many of the small, developing countries in the Caribbean simply don’t have the resources to fund large-scale lionfish removal efforts. For them, steady fisheries would be the only way to get fishermen to catch lionfish instead of currently lucrative species such as grouper.

While we wait to see whether we can drum up the demand, the lionfish are making themselves comfortable. They’re embedding themselves in already fragile ecosystems, restructuring food webs, and pushing reefs toward irreversible ecological cascades. They’re exploring new habitats, discovering the rich resources provided by seagrass meadows and mangroves, even travelling miles inland and upstream in Florida. They’re taking over reefs, wrecks, and rocky territory from the surface to more than 800 feet deep, and they’re gorging themselves on whatever young fish happen to live there. They are, quite literally, growing fat off of our inaction.

That’s not to say there is no hope. Yes, we’re going to have to learn to live with the lionfish. We’re going to have to accept their presence in the Atlantic, Caribbean, and Gulf of Mexico, but we can use science to arm us against this invasion. In the quiet lab in North Carolina, Morris isn’t just studying fish. He’s preparing us for battle. In this endless war with a formidable foe, knowledge truly is power. The power to predict. The power to pre-empt. The power to fight back and save the species we value most. The power to educate and rally reinforcements to drive back invaders. The more we know about the lionfish, the better our strategies will be to deal with them and future invaders and the better our chances of success. The lionfish caught us by surprise, but Morris isn’t going to let them stay one step ahead. Even if we can’t eradicate these gluttonous fish, we may be able to manage them and minimize the damage they do to our precious marine ecosystems.

Considering it’s our fault that lionfish are here in the first place, it’s really a war against ourselves: against our bad habits, against our casual disregard for the ecosystems that protect and sustain us, against the attitudes and mindsets that led to such a devastating invasion to begin with. It’s a war that, as a nation, as a species, we cannot afford to lose. And one thing is for certain: With so much at stake, it’s going to be a bloody one.

As manifestações populares e as músicas de protesto (Áudio Ativo/UFRJ)

Enviado por  on 28/6/13  

37429a8f3c840dd9f821dc9033e6282cd5e09f8dNa História recente do Brasil, muitas vezes a população  foi às ruas para reivindicar mudanças, denunciar e se manifestar. Através das letras de certas músicas, nos sentimos representados. Há, inclusive, canções que se eternizaram a fim de se tornarem hinos de várias gerações.  Há outras que retratam um momento específico da nossa história. A proposta então desse programa especial é apresentar para os ouvintes uma historiografia do Brasil  diferente…. através das canções de protesto, vamos contar a história das manifestações populares. Para tanto escolhemos quatro datas marcantes do nosso país: 1968, 1985, 1992 e 2013. Entenda o contexto, ouça as principais canções, relembre as palavras de ordem e depoimentos de várias personalidades e especialistas.

Apuração e Reportagem: Rafael Amêndola, Yuri Brito, Marlon Câmara, Antonella Zugliani, Amanda Duarte, Marilise Mortágua, Ana Clara Veloso, Lucas Drummond, Elisa Ferreira, Patricia Valle, Mariana Bria, Gonçalo Luiz. Produção executiva: Taís Carvalho.

Edição de áudio: Sergio Muniz

Coordenação de Jornalismo: Prof. Gabriel Collares Barbosa

Escutar aqui.

Climate change poses grave threat to security, says UK envoy (The Guardian)

Rear Admiral Neil Morisetti, special representative to foreign secretary, says governments can’t afford to wait for 100% certainty

The Guardian, Sunday 30 June 2013 18.19 BST

Flooding in Thailand in 2011

Flooding in Thailand in 2011. Photograph: Narong Sangnak/EPA

Climate change poses as grave a threat to the UK’s security and economic resilience as terrorism and cyber-attacks, according to a senior military commander who was appointed as William Hague’s climate envoy this year.

In his first interview since taking up the post, Rear Admiral Neil Morisetti said climate change was “one of the greatest risks we face in the 21st century”, particularly because it presented a global threat. “By virtue of our interdependencies around the world, it will affect all of us,” he said.

He argued that climate change was a potent threat multiplier at choke points in the global trade network, such as the Straits of Hormuz, through which much of the world’s traded oil and gas is shipped.

Morisetti left a 37-year naval career to become the foreign secretary’s special representative for climate change, and represents the growing influence of hard-headed military thinking in the global warming debate.

The link between climate change and global security risks is on the agenda of the UK’s presidency of the G8, including a meeting to be chaired by Morissetti in July that will include assessment of hotspots where climate stress is driving migration.

Morisetti’s central message was simple and stark: “The areas of greatest global stress and greatest impacts of climate change are broadly coincidental.”

He said governments could not afford to wait until they had all the information they might like. “If you wait for 100% certainty on the battlefield, you’ll be in a pretty sticky state,” he said.

The increased threat posed by climate change arises because droughts, storms and floods are exacerbating water, food, population and security tensions in conflict-prone regions.

“Just because it is happening 2,000 miles away does not mean it is not going to affect the UK in a globalised world, whether it is because food prices go up, or because increased instability in an area – perhaps around the Middle East or elsewhere – causes instability in fuel prices,” Morisetti said.

“In fact it is already doing so,” he added, noting that Toyota’s UK car plants had been forced to switch to a three-day week after extreme floods in Thailand cut the supply chain. Computer firms in California and Poland were left short of microchips by the same floods.

Morisetti is far from the only military figure emphasising the climate threat to security. America’s top officer tackling the threat from North Korea and China has said the biggest long-term security issue in the region is climate change.

In a recent interview, Admiral Samuel J Locklear III, who led the US naval action in Libya that helped topple Muammar Gaddafi, said a significant event related to the warming planet was “the most likely thing that is going to happen that will cripple the security environment, probably more likely than the other scenarios we all often talk about”.

There is a reason why the military are so clear-headed about the climate threat, according to Professor John Schellnhuber, a scientist who briefed the UN security council on the issue in February and formerly advised the German chancellor, Angela Merkel.

“The military do not deal with ideology. They cannot afford to: they are responsible for the lives of people and billions of pounds of investment in equipment,” he said. “When the climate change deniers took their stance after the Copenhagen summit in 2009, it is very interesting that the military people were never shaken from the idea that we are about to enter a very difficult period.”

He added: “This danger of the creation of violent conflicts is the strongest argument why we should keep climate change under control, because the international system is not stable, and the slightest thing, like the food riots in the Middle East, could make the whole system explode.”

The military has been quietly making known its concern about the climate threat to security for some time. General Wesley Clark, who commanded the Nato bombing of Yugoslavia during the Kosovo war, said in 2005: “Stopping global warming is not just about saving the environment, it’s about securing America for our children and our children’s children, as well.”

In the same year Chuck Hagel, now Obama’s defence secretary, said: “I don’t think you can separate environmental policy from economic policy or energy policy.”

Morisetti said there was also a direct link between climate change and the military because of the latter’s huge reliance on fossil fuels. “In Afghanistan, where we have had to import all our energy into the country along a single route that has been disrupted, the US military have calculated that for every 24 convoys there has been a casualty. There is a cost associated in bringing in that energy in both blood and treasure.

“So to drive up efficiency and to use alternative fuels, wind, solar, makes eminent sense to the military,” he said, noting that the use of solar blankets in Afghanistan meant fewer fuel resupply missions. “The principles of delivering your outputs more effectively, reducing your risks and reducing your costs reads across far more widely than just the military: most businesses would be looking for that too.”

Morisetti’s former employer, the Ministry of Defence, agrees that the climate threat is a serious one. The last edition of the Global Strategic Trends analysis published by the MoD’s Development, Concepts and Doctrine Centre concludes: “Climate change will amplify existing social, political and resource stresses, shifting the tipping point at which conflict ignites … Out to 2040, there are few convincing reasons to suggest that the world will become more peaceful.”

Schellnhuber was also clear about the consequences of failing to curb global warming. “The last 11,000 years – the Holocene – was characterised by the extreme stability of global climate. It is the only period when human civilisation could have developed at all,” he said. “But I don’t think a global, interconnected world can be managed in peace if climate change means we are leaving the Holocene. Let’s pray we will have a Lincoln or a Gorbachev to lead us.”

Fifa vê gesto desrespeitoso de Dilma Rousseff por não ir à final (OESP)

Tradicionalmente, presidente do país sede do torneio está na decisão e entrega a taça ao campeão

29 de junho de 2013 | 20h 17

JAMIL CHADE – Enviado especial – Agência Estado

RIO – A Fifa tomou como um gesto de desrespeito a decisão da presidente Dilma Rousseffde não ir à final deste domingo no Maracanã entre Brasil e Espanha. Tradicionalmente, presidente do país sede do torneio está na decisão e entrega a taça ao campeão. Neste sábado, parte da cúpula da Fifa que conversou com a reportagem não escondia surpresa diante da decisão da chefe-de-estado de não viajar ao Rio de Janeiro. Apesar da ausência de Dilma, a ala VIP do estádio do Maracanã estará lotada de políticos.

Dilma foi vaiada na abertura e quer evitar desgaste - Dida Sampaio/Estadão

Dida Sampaio/Estadão. Dilma foi vaiada na abertura e quer evitar desgaste

Dilma foi vaiada no jogo de abertura, em Brasília, e decidiu que, diante dos protestos nas ruas e de sua queda de popularidade, não seria o momento de aparecer num estádio, mesmo que seja no evento-teste para a Copa do Mundo e uma espécie de cartão de visita do País.

Apesar das declarações de membros do Comitê Executivo da Fifa, a assessoria de imprensa insistiu em adotar posição diplomática e garante que seus cartolas não representam a posição oficial da entidade.

“A Fifa respeita totalmente a decisão da presidente Dilma Rousseff em relação à participação na final
no Maracanã, seja ela qual for”, disse a assessoria.

Entretanto, nos bastidores, parte dos funcionários da Fifa tentavam entender a decisão de Dilma de não estar no estádio. “Isso é bom ou ruim para ela?”, questionou um deles. Para outros mais próximos da presidência, a atitude é um “gesto de desrespeito”.

A relação entre governo e Fifa já não era das melhores. Mas um dos legados do torneio será um esfriamento ainda maior dos contatos. O governo ficou irritado com os comentários da Fifa sobre as manifestações e com as cobranças por mais segurança.

Se Dilma não estará no estádio, o Maracanã não sentirá falta de políticos. Além de governadores e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, deputados, vereadores e senadores estão sendo aguardados na tribuna de honra.

Nas arquibancadas, a torcida já indicou nos meios sociais que irá usar a final para protestar. Nas ruas que dão acesso ao Maracanã, milhares de pessoas prometem protestar. O estádio estará blindado por mais de 6 mil policiais.

Para fontes na Fifa, a situação chega a ser irônica. Afinal, o governo brasileiro quer usar justamente os megaeventos esportivos para se promover no exterior e as autoridades não têm economizado recursos para o marketing baseado no torneio.

Até mesmo a Agência de Promoção das Exportações, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, se transformou em associada da Fifa, pagando uma cota de patrocínio de R$ 20 milhões. Já o BNDES e diversos outros órgãos foram fundamentais em bancar estádios e infraestrutura para o evento.

Para outro experiente cartola, o que surpreende é o contraste em relação à participação de outros chefes-de-estado em torneios similares. Em 2009, o capitão da seleção brasileira na época, Lúcio, recebeu o troféu de campeão das mãos de Jacob Zuma, presidente sul-africano. Zuma ainda participou de todos os jogos em Johannesburgo, num esforço de mostrar o compromisso do governo com o torneio. Em 2005, na Alemanha, a cúpula do governo de Berlim também se fez presente.

Fontes próximas ao presidente Joseph Blatter insistem que o cartola suíça “entendeu” a decisão política de Dilma. Mas considerou que sua atitude mostra que o governo não está sempre disposto a bancar o evento e que cálculos políticos pesam mais que o torneio em si. “O que parece é que, quando as coisas vão bem, o Brasil quer usar a Copa para se promover. Mas quando não funciona ou há uma crise, todos querem se dissociar do futebol”, comentou um membro do Comitê Executivo da entidade, que pediu anonimato.

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Sobre as manifestações (OESP)

‘Epidemia’ de manifestações tem quase 1 protesto por hora e atinge 353 cidades

Movimento ganhou força depois do dia 17, ao monopolizar o noticiário das grandes redes de TV, e auge foi no dia 20, em 150 cidades

29 de junho de 2013 | 19h 49

Bruno Paes Manso e Rodrigo Burgarelli – O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – No dia 6 de junho, os jornais de São Paulo ainda repercutiam mortes violentas em tentativas de assalto quando uma primeira manifestação de 150 jovens, aparentemente despretensiosa, aconteceu no centro da cidade, na hora do rush, rumo à Avenida Paulista. Era o primeiro protesto do Movimento Passe Livre (MPL), que nos dias seguintes atrairia os holofotes da imprensa e se espalharia como “epidemia” pelo Brasil, contagiando rapidamente a população de diferentes cidades.

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Manifestantes na Avenida Paulista,  em São Paulo, na quarta-feira, 26 - JF Diorio/AE

JF Diorio/AE. Manifestantes na Avenida Paulista, em São Paulo, na quarta-feira, 26

Até quinta-feira, a população saiu às ruas com cartazes para protestar em pelo menos 353 municípios, conforme levantamento feito pelo Estado em eventos no Facebook e em menções na imprensa regional. Ao todo, houve pelo menos 490 protestos em três semanas (mais de 22 por dia). Já a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em pesquisa feita nas prefeituras, identificou protestos em 438 cidades.

O papel das redes sociais (Twitter e Facebook) foi decisivo para a articulação dos discursos e para divulgar hora e local dos protestos. Mas a epidemia só ganhou força depois do dia 17, ao monopolizar o noticiário das grandes redes de televisão. “Fazendo um paralelo com o casamento, esses eventos não têm causa única. O casal não termina porque a toalha foi deixada em cima da cama. Essa toalha pode ser a gota d’água de brigas antigas. O mesmo ocorreu nos protestos, que explodiram por uma longa história de crises enfrentadas em silêncio”, diz o professor de comunicação digital Luli Radfahrer (ECA-USP).

Avanço. Em São Paulo, os primeiros três protestos aconteceram em um intervalo de seis dias e não ultrapassaram os 10 mil manifestantes. Mesmo assim, já eram a principal história dos jornais. No dia 13 de junho, outras dez cidades aderiram – capitais ou cidades médias, como Natal, Porto Alegre, Rio, Santos e Sorocaba. No dia 17, quando São Paulo parou, com 200 mil pessoas nas ruas, já eram 21 protestando.

O auge foi no dia 20, quando 150 municípios tiveram protestos. Pelo menos 1 milhão de brasileiros foram às passeatas, segundo dados das Polícias Militares de 75 cidades. Desde Belém, no Pará, até Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai. A menor cidade a se rebelar foi Figueirão (MS), que tem 2,9 mil habitantes.

O mote do transporte público foi o mais popular principalmente nas cidades que têm rede de ônibus. Mas os protestos também ganharam conotações regionais, especialmente nas cidades menores. Picos (PI), por exemplo, atraiu manifestantes contra os pistoleiros. Coxim (MS) protestou contra os buracos nas ruas e pediu a saída do secretário de obras. “Foi uma revolta típica da pós-modernidade, aparentemente sem causa. Do ponto de vista político, contudo, a multiplicidade de causas tornou os protestos mais fortes justamente porque permite várias interpretações dos que vão se manifestar”, diz o psicanalista Jorge Forbes.

Forbes enxerga, no entanto, um ponto em comum nas demandas. “Trata-se de uma sociedade civil renovada, mais informada e educada, que continua tendo de lidar com as instituições do século passado, anacrônicas, que não atendem mais os anseios da população.”

Difícil leitura. Mesmo para aqueles que acompanham a história do movimento, a epidemia de protestos surpreendeu. O filósofo Pablo Ortellado, coautor do livro Estamos Vencendo! (Conrad), sobre os movimentos autonomistas no Brasil, ainda se esforça para entender o que aconteceu. “A resistência e a desobediência civil já eram discutidas desde Seattle, em 1999, nos movimentos antiglobalização. A novidade foi o Passe Livre, que passou a ter uma pauta clara, com um grupo de referência para negociar. O governo foi acuado pelas passeatas e mudou sua decisão.” As manifestações continuaram em menor quantidade depois da redução das tarifas, apesar de muitos protestos contra a Copa das Confeder[ações.]

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‘Ativismo de sofá’ chegou às ruas, diz especialista

Para diretor de organização de petições online, recentes protestos mostram que assinar abaixo-assinado pela internet não é sinal de despolitização

30 de junho de 2013 | 2h 07

RICARDO CHAPOLA – O Estado de S.Paulo

O diretor de campanhas da Avaaz, uma das maiores organizações mundiais de abaixo-assinados online, Pedro Abramovay, acredita que a recente onda de protestos que tomaram conta do País desbanca o que especialistas e parte da sociedade apelidaram de “ativismo de sofá” – que nasce nas redes sociais e não chega às ruas.

Em atos que se espalharam por capitais e outras cidades brasileiras, manifestantes usaram a internet para dar musculatura à mobilização e, depois, foram às ruas. Abramovay avalia que esse fenômeno é o resultado de uma combinação de dois fatores: internautas mais politizados na rede diante de um cenário em que a política está muito obsoleta.

“Tinha gente que dizia: ‘Olha só, isso é uma despolitização, isso se resume a sofá’. E não, as pessoas não perceberam que a internet hoje faz parte da vida das pessoas”, afirmou ao Estado.

“Quando as pessoas compartilhavam uma petição pelo Facebook, pelo Twitter, elas estavam assumindo posição política diante dos seus amigos. Aquilo foi criando um caldo novo de cultura política num ambiente no qual a política e a forma de se fazer política está muito envelhecida. Uma hora tinha que explodir. E acho que explodiu, foi para as ruas.”

Reforma. Tanto a adesão maciça de pessoas aos atos quanto o número de protestos que ocorreram nas últimas semanas sinalizam, acredita Abramovay, que o eleitor está descontente com a falta de espaço político. Para ele, o poder público não dá abertura para participação social. “O que agora isso tem que gerar é uma mudança das instituições. E a criação de uma abertura política para esses movimentos, para essa vontade das pessoas participarem”, afirmou, em referência à necessidade de uma reforma política – a pauta entrou na agenda do governo federal na semana passada.

Respostas pontuais. Mas a postura do poder público não convence, na avaliação do diretor da Avaaz. Ele disse que a sociedade pede mudanças estruturais, a seu ver a única maneira de a política conseguir atender a todas as demandas existentes nos protestos. “Não bastam respostas imediatas e pontuais para o momento de movimentação aguda como a gente viu agora. Essa energia tem que ser canalizada para mudanças estruturais. A gente tem que ter canais pelos quais essa vontade de a sociedade participar seja acolhida permanentemente pelas instituições políticas”, disse Pedro Abramovay.

“A gente percebe que as pessoas querem falar de política e elas não veem nos canais normais os canais que as representem, que canalizem essas demandas. Então vão para a rua. É preciso reorganizar nossa democracia para que essas demandas encontrem lugar.”

Apartidarismo. Ex-secretário nacional de Justiça no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Pedro Abramovay ainda é filiado ao PT. Apesar de criticar o que classifica de engessamento das instituições políticas, como os partidos, e a sua indisposição às mudanças reivindicadas nas ruas, o diretor da Avaaz avalia que o clamor público não é pela extinção das siglas. A questão, de acordo com Abramovay, é a falta de representatividade.

“Eu não acho que as pessoas não querem mais partidos, elas se cansaram de partidos que não as representam. As pessoas se cansaram de partidos que estão descolados da opinião pública, que são clubes eleitorais, como se tem dito. E não a extinção dos partidos.”

Para ele, não existe democracia sem legendas. “A existência de partidos é algo que faz parte da democracia. O respeito à preferência partidária também tem que fazer parte da democracia. Agora os partidos têm que acordar para essa movimentação e por esse desprezo que as pessoas têm pela maneira que eles estão funcionando atualmente.”

Abramovay classificou a onda de manifestações impulsionadas pela internet como um passo importante na história do País. Ele ainda disse que o Brasil tem plenas condições de ser pioneiro nesse novo tipo de política democrática.

“O Brasil tem condições de ser pioneiro nessas inovações democráticas. Não é à toa que o Brasil é o primeiro país da Avaaz”, observou. A organização de petições online, segundo ele, tem cerca de 4,5 milhões de membros brasileiros.

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Onda de protestos tomou 353 cidades

30 de junho de 2013 | 7h 40

BRUNO PAES MANSO E RODRIGO BURGARELLI – Agência Estado

No dia 6 de junho, os jornais de São Paulo ainda repercutiam mortes violentas em tentativas de assalto quando uma primeira manifestação de 150 jovens, aparentemente despretensiosa, aconteceu no centro da cidade, na hora do rush, rumo à Avenida Paulista. Era o primeiro protesto do Movimento Passe Livre (MPL), que nos dias seguintes atrairia os holofotes da imprensa e se espalharia como “epidemia” pelo Brasil, contagiando rapidamente a população de diferentes cidades.

Até quinta-feira, a população saiu às ruas com cartazes para protestar em pelo menos 353 municípios, conforme levantamento feito pelo Estado em eventos no Facebook e em menções na imprensa regional. Ao todo, houve pelo menos 490 protestos em três semanas (mais de 22 por dia). Já a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em pesquisa feita nas prefeituras, identificou protestos em 438 cidades.

O papel das redes sociais (Twitter e Facebook) foi decisivo para a articulação dos discursos e para divulgar hora e local dos protestos. Mas a epidemia só ganhou força depois do dia 17, ao monopolizar o noticiário das grandes redes de televisão. “Fazendo um paralelo com o casamento, esses eventos não têm causa única. O casal não termina porque a toalha foi deixada em cima da cama. Essa toalha pode ser a gota d”água de brigas antigas. O mesmo ocorreu nos protestos, que explodiram por uma longa história de crises enfrentadas em silêncio”, diz o professor de comunicação digital Luli Radfahrer (ECA-USP).

Avanço. Em São Paulo, os primeiros três protestos aconteceram em um intervalo de seis dias e não ultrapassaram os 10 mil manifestantes. Mesmo assim, já eram a principal história dos jornais. No dia 13 de junho, outras dez cidades aderiram – capitais ou cidades médias, como Natal, Porto Alegre, Rio, Santos e Sorocaba. No dia 17, quando São Paulo parou, com 200 mil pessoas nas ruas, já eram 21 protestando.

O auge foi no dia 20, quando 150 municípios tiveram protestos. Pelo menos 1 milhão de brasileiros foram às passeatas, segundo dados das Polícias Militares de 75 cidades. Desde Belém, no Pará, até Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai. A menor cidade a se rebelar foi Figueirão (MS), que tem 2,9 mil habitantes.

O mote do transporte público foi o mais popular principalmente nas cidades que têm rede de ônibus. Mas os protestos também ganharam conotações regionais, especialmente nas cidades menores. Picos (PI), por exemplo, atraiu manifestantes contra os pistoleiros. Coxim (MS) protestou contra os buracos nas ruas e pediu a saída do secretário de obras. “Foi uma revolta típica da pós-modernidade, aparentemente sem causa. Do ponto de vista político, contudo, a multiplicidade de causas tornou os protestos mais fortes justamente porque permite várias interpretações dos que vão se manifestar”, diz o psicanalista Jorge Forbes.

Forbes enxerga, no entanto, um ponto em comum nas demandas. “Trata-se de uma sociedade civil renovada, mais informada e educada, que continua tendo de lidar com as instituições do século passado, anacrônicas, que não atendem mais os anseios da população.”

Difícil leitura. Mesmo para aqueles que acompanham a história do movimento, a epidemia de protestos surpreendeu. O filósofo Pablo Ortellado, coautor do livro Estamos Vencendo! (Conrad), sobre os movimentos autonomistas no Brasil, ainda se esforça para entender o que aconteceu. “A resistência e a desobediência civil já eram discutidas desde Seattle, em 1999, nos movimentos antiglobalização. A novidade foi o Passe Livre, que passou a ter uma pauta clara, com um grupo de referência para negociar. O governo foi acuado pelas passeatas e mudou sua decisão.” As manifestações continuaram em menor quantidade depois da redução das tarifas, apesar de muitos protestos contra a Copa das Confederações. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Quarta-feira, 26 de Junho 2013, 22h28

Congresso entra em ritmo frenético diante da pressão de manifestantes

Além de decisões de prefeitos e governadores, Câmara e Senado aprovam propostas que estavam engavetadas há anos; veja linha do tempo

Breno Lemos Pires/Estadão

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Aliados culpam políticos por queda da popularidade de Dilma nas pesquisas

Datafolha apontou queda de 27 pontos na aprovação do governo da presidente após os protestos

29 de junho de 2013 | 13h 13

Ricardo Brito e Ricardo Della Coletta – Agência Estado

BRASÍLIA – Aliados da presidente Dilma Rousseff preferiram atribuir a queda de 27 pontos porcentuais na popularidade da presidente Dilma Rousseff, apontada na pesquisa Datafolha, divulgada neste sábado, 29, a uma insatisfação geral da população com os políticos, canalizada na chefe do Executivo, após os protestos que tomaram as ruas nas últimas semanas. Já a oposição não quis comemorar abertamente o resultado, que apontou que 30% dos brasileiros consideram a gestão Dilma boa ou ótima, ante 57% de avaliação positiva registrada na sondagem da primeira semana de junho.

A presidente recebeu no Palácio da Alvorada seus principais operadores políticos dentro do governo para conversar sobre a pesquisa e as novas medidas a serem tomadas. Participaram do encontro na manhã deste sábado os ministros da Comunicação Social, Helena Chagas, das Comunicações, Paulo Bernardo, e da Educação, Aloizio Mercadante, que tem atuado como um ministro informal da articulação política.

Para os governistas do Congresso, é prematuro afirmar que Dilma, que em todas as sondagens eleitorais feitas até o momento venceria no primeiro turno das eleições presidenciais no ano que vem, perdeu seu favoritismo. “É muito cedo para falar sobre 2014. A oposição já está vendo-a fora do governo”, ironizou o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). “Não tem nada a ver com a reeleição (a pesquisa), estamos firmes e fortes. O nosso projeto é a reeleição da presidente Dilma. Eu não sou de abandonar o barco”, reforçou o líder do PT na Casa, José Guimarães (CE).

O líder petista lembrou que o ex-presidente Lula passou por dificuldades políticas maiores em 2005, quando eclodiu o escândalo do mensalão, e se reelegeu um ano depois. O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), afirmou que a pesquisa está “contaminada” pela atual circunstância. “Qualquer pesquisa vai mostrar queda dos governantes, porque você esta fazendo pesquisa no olho do vulcão, em que estão acontecendo as manifestações e os protestos”, completou.

Oposição. A oposição não vê motivos para festejar a queda acentuada de Dilma de olho em 2014. “A gravidade do momento é tal que tanto o governo como a oposição não podem pensar em si próprios”, avaliou o presidente do Democratas, Agripino Maia (RN). “Com a eclosão das manifestações, o jogo zerou. A oposição sempre pregou no deserto e, de repente, essa mobilização dá à oposição a perspectiva de se preparar para um bom embate”, afirmou o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR).

O presidente do Democratas, senador Agripino Maia (RN), disse que o resultado da pesquisa é uma “constatação clara” dos equívocos da gestão petista. “Acabou este tempo de governar em nome da reeleição”, disse, ao cobrar de Dilma “humildade de mudar” e ao ressaltar que a oposição está disposta a conversar com a presidente em torno do pacto lançado semana passada. Os oposicionistas, porém, são contrários à realização do plebiscito para se fazer uma reforma política. Agripino Maia defende melhorias na gestão fiscal e uma forte atuação para debelar o câmbio e a inflação altas no País.

O líder do PSDB do Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), avaliou a queda de popularidade da presidente como um “tombo catastrófico, um sinal amarelo”. Para ele, Dilma desperdiçou a capacidade de liderança que tinha para fazer reformas importantes, como a tributária, enquanto ainda apresentava elevados índices de aprovação. “A capacidade de atuação agora fica mais difícil. Ela não atuou quando tinha gordura para queimar. Mas ainda há tempo, desde que se disponha a fazer a atribuição dela e não perca seu tempo com manobras políticas como a do plebiscito”, afirmou.

O parlamentar disse ainda que o Congresso Nacional tem boas lideranças, mas falta uma conversa que parta da presidente e seja capaz de sensibilizar inclusive a oposição, que “nunca se negou a apoiar com aquilo que pode para melhorar o país”.

Veja também:
link Popularidade de Dilma cai de 57% para 30%, indica Datafolha 
link Queda de popularidade de Dilma é insatisfação com a classe política, diz Aécio 
link Dilma está tranquila com pesquisa, diz ministro das Comunicações

 

Sobre as manifestações (OESP)

Onda de protestos no País já tem seis mortes

Na quarta-feira, estudante de 21 anos morreu ao cair de viaduto em Belo Horizonte e jovem de 16 foi atropelado no Guarujá

27 de junho de 2013 | 10h 37

Subiu para seis o número de mortes ligadas à onda de manifestações pelo País. Em Belo Horizonte, o estudante Douglas Henrique Oliveira, de 21 anos, morreu ao cair de um viaduto durante protesto nessa quarta-feira, 26. Também na noite de quarta, um jovem de 16 anos morreu atropelado por um motorista que desviou o caminhão de uma manifestação em um acesso à Rodovia Cônego Domênico Rangoni, no Guarujá (SP).

Na segunda-feira, 24, duas mulheres foram atropeladas durante um protesto em uma rodovia de Cristalina, em Goiás. Valdinete Rodrigues Pereira e Maria Aparecida morreram no local e o condutor fugiu sem prestar socorro. A Polícia Civil avalia se pede ou não a prisão temporária do motorista, Carlos Baromeu Dias, que depôs nessa quarta-feira, 26. Na quinta-feira, 20, o estudante Marcos Delefrate, de 18 anos, foi atropelado e morto por Alexsandro Ishisato de Azevedo, que avançou sobre as pessoas que protestavam em Ribeirão Preto (SP). A prisão do acusado já foi decretada. Na sexta-feira, 21,morreu em Belém a gari Cleonice Moraes, de 54 anos, que foi intoxicada por gás lacrimogêneo ao tentar fugir de confusão em protesto.

No Guarujá, o jovem morto estava de carona na bicicleta do amigo. Ele foi socorrido no Pronto-Atendimento Médico da Rodoviária, mas não resistiu aos ferimentos. O amigo, de 17 anos, ficou gravemente ferido, mas não corre risco de morte. Em depoimento prestado à polícia, ele disse que o motorista acabou arrastando os rapazes. O caminhoneiro foi preso em flagrante e levado à delegacia-sede do município, na Avenida Puglisi. De acordo com o motorista, ele tentou desviar o veículo de uma manifestação de protesto e não viu quando os jovens foram atropelados. Por isso, continuou dirigindo.

Em Belo Horizonte, segundo testemunhas, Douglas Oliveira tentou pular de uma pista do viaduto José Alencar para outra, mas caiu no vão que há no meio do viaduto. Ele foi levado de helicóptero pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII com fraturas múltiplas e traumatismo craniano e foi submetido a cirurgia, mas não resistiu.

Um vídeo divulgado na internet mostra a queda (aos 50 segundos). O acidente ocorreu no fim da tarde, quando um grupo de vândalos protagonizava um embate com os militares que faziam a segurança no entorno do Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, onde o Brasil enfrentava o Uruguai por uma das semifinais da Copa das Confederações. Além de Douglas, Daniel de Oliveira Martins, de 28 anos, também caiu do viaduto durante o tumulto, mas foi socorrido com quadro menos grave, sem risco de morte.

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Hotéis do Rio têm queda de ocupação com onda de protestos

Região mais prejudicada foi o centro, a preferida dos manifestantes: a taxa de cancelamento de reservas foi de 27,57%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis

26 de junho de 2013 | 14h 37
Roberta Pennafort – O Estado de S. Paulo

RIO – Iniciada dia 6, a onda de protestos no Rio – em parte, violentos – trouxe prejuízos para a indústria hoteleira. De acordo com pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 26, pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih-RJ), relativa ao período de 17 a 24 de junho, o temor dos visitantes fez com que houvesse queda de ocupação. A região mais prejudicada foi o centro, a preferida dos manifestantes: a taxa de cancelamento de reservas foi de 27,57%.

Entre os bairros de Flamengo e Botafogo, o índice de cancelamentos foi de 12%; na área de Copacabana e Leme, a mais turística da cidade e com o maior número de hotéis, 7,14%; Ipanema e Leblon, 4,96%. Na Barra da Tijuca o índice não chegou a 1%.

“Os números confirmaram as estimativas da Abih-RJ de que acontecessem pontualmente cancelamentos nos locais onde as maiores manifestações se concentraram”, informou nota da entidade. No período estudado foram realizadas seis manifestações no Rio.

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Acompanhe os desdobramentos dos protestos pelo País (OESP)

27/06/2013

22h23 – SALVADOR – Um confronto entre policiais e manifestantes na Estação da Lapa, em Salvador, no início da noite desta quinta-feira, manchou a manifestação pacífica promovida ao longo da tarde pelo Movimento Passe Livre na cidade. Cerca de 1,5 mil manifestantes, segundo a PM, participaram do ato, caminhando pelos 2 quilômetros que separam a Praça do Campo Grande e a Prefeitura, no centro da cidade.

O confronto começou por volta das 18h30, cerca de uma hora depois de as lideranças do movimento decidirem que a manifestação estava encerrada. Segundo os organizadores, o ato foi concluído quando os objetivos principais do protesto – protocolar a pauta de 21 reivindicações para a mobilidade urbana da cidade na Prefeitura e agendar uma audiência pública sobre o tema – foram alcançados. (Tiago Décimo)

Veja vídeo postado no Youtube pelo internauta brunobellens:

21h55 – Manifestantes continuam bloqueando a  pista expressa da Rodovia Presidente Dutra, no sentido Rio de Janeiro. A interdição, na altura de Caçapava (SP), está agora no km 121 e gera lentidão até o km 134. Acompanhe a situação do trânsito nas ruas da capital e estradas de SP.

21h43– PORTO ALEGRE – A manifestação em Porto Alegre nesta quinta reuniu público bem menor que as 20 mil pessoas da quinta-feira passada e as 10 mil pessoas de segunda-feira desta semana. Também teve carros de som e shows musicais. Uma comissão de 11 representantes dos manifestantes foi recebida pelo governador Tarso Genro, apresentou as reivindicações do movimento e ficou de receber respostas nos próximos dias.

O grupo que se desgarrou e partiu para as depredações saiu gritando “protesto não é festa”. Por volta das 21 h,  o grupo maior deixou a praça e caminhou cinco quadras, até o Largo Zumbi dos Palmares, já na Cidade Baixa, onde permaneceu concentrado, pacificamente. (Elder Olgliari)

21h41 – PORTO ALEGRE – A manifestação pela redução das tarifas do transporte público e mais recursos para educação e saúde causou confusões e alguns confrontos entre ativistas e soldados da Brigada Militar na noite desta quinta-feira, em Porto Alegre. Enquanto a maioria dos cerca de 3 mil participantes do protesto permaneceu diante do Palácio Piratini, um grupo menor, com cerca de cem pessoas, saiu para o outro lado da Praça Marechal Deodoro e atirou pedras e rojões contra o Palácio da Justiça, sede de Judiciário. Na sequência, saiu depredando contêineres de lixo, virando dois deles, e chutando grades de lojas na Rua Jerônimo Coelho e Avenida Borges de Medeiros e se dispersou em direção ao bairro Cidade Baixa. (Elder Ogliari)

21h27 – JOÃO PESSOA – O Terminal de Integração Rodoviário de João Pessoa foi invadido nesta quinta-feira, 27, durante o segundo protesto em favor da redução de tarifas de transportes públicos. Mais de três mil pessoas participaram do ato organizado pelas redes sociais exibindo cartazes e gritando palavras de ordem, segundo a Polícia Militar da Paraíba. O local foi fechado pela Guarda Municipal para evitar vandalismo.

Os manifestantes se concentraram no colégio Lyceu Paraibano, no centro da cidade, onde cantaram músicas e exibiam cartazes. Depois do fim da PEC 37, o alvo agora é a PEC 33, que propõe a revisão de decisões do STF pelo Legislativo. Depois do Terminal Rodoviário, os estudantes e famílias seguiram pacificamente até o Paço Municipal, na Praça Pedro Américo. Apenas um grupo ateou fogo em objetos para chamar atenção, mas não houve incidentes maiores.

Os jovens seguiram até a Praça Três Poderes – local onde se concentra a Assembleia Legislativa da Paraíba, o Tribunal de Justiça e o Palácio da Redenção, sede do governo do Estado. Pediram políticas na educação, saúde e menos corrupção. (Janaína Araujo)

21h08 – A Rodovia Presidente Dutra está com a pista expressa bloqueada no sentido Rio na altura do km 133, em Caçapava (SP), por causa de uma manifestação. Acompanhe a situação das estradas paulistas no Blog do Trânsito. A fila de veículos se estende até o km 128.

20h10 – BAURU– Cerca de 400 manifestantes bloquearam no começo da noite desta quinta-feira a Rodovia Marechal Rondon, em  Bauru, no centro-paulista, para exigir melhorias no transporte coletivo. Eles fecharam a estrada nos dois sentidos. A Polícia Rodoviária desviou o trânsito. Ao menos 100 policiais militares acompanham o protesto.

O cancelamento no aumento do preço da passagem, desconto de 50% para estudantes de qualquer idade e a construção de um novo terminal rodoviário são as principais exigências dos manifestantes.

Até agora há pouco a rodovia continuava interditada. Os prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores estão com a segurança reforçada. Não houve incidentes. É a terceira manifestação este mês em Bauru. (Sandro Villar)

19h14 – RIO –  Manifestantes que partiram da Igreja da Candelária, no  Rio, por volta das 17h30, se aproximam da Assembleia Legislativa (Alerj). A passeata é pacífica e acompanhada por policiais militares, que também fazem um cordão de isolamento na Alerj.

18h53 – Veja galeria de fotos dos protestos em Fortaleza:

18h16 – RIO – Na manifestação que segue pela Avenida Rio Branco, no centro do Rio, as pessoas levam faixas e cartazes pela desmilitarização da PM e lembram a morte de dez pessoas, na operação ocorrida na segunda-feira, 24, na Favela Nova Holanda, uma das comunidades do Complexo da Maré.

“A polícia que reprime na avenida é a mesma que mata na favela”, é o dizer de uma das faixas da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência. Mais cedo, um grupo de estudantes e moradores do Complexo da Maré se reuniu no Largo São Francisco, em frente ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ para discutir a ação da polícia e confeccionar cartazes para o ato. Eles marcaram ato ecumênico na Favela Nova Holanda, em memória dos dez mortos em confronto com a polícia militar, para terça-feira, 2. (Heloisa Aruth Sturm). Veja galeria de fotos.

18h00 –  A aula pública organizada pelo Passe Livre na frente da Prefeitura de São Paulo já começou e reúne cerca de 400 pessoas no calçadão em frente ao Edifício Matarazzo. O professor que iniciou o evento foi o  ex-secretário municipal dos Transportes Lúcio Gregori, que atuou na gestão de Luiza Erundina, nos anos 1990. Ele defende a tarifa zero no transporte público, que, na sua visão, deveria seguir a lógica de serviços como a coleta de lixo e a saúde, cujos custos já estão embutidos nos impostos. (Renato Vieira)

18h00 – PORTO ALEGRE – A 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sulmanteve a tarifa de R$ 2,85 para o transporte coletivo de Porto Alegre. A decisão foi tomada nesta quinta-feira, em julgamento de recurso das empresas de ônibus contra despacho de primeiro grau que havia reduzido o valor dos R$ 3,05 para o patamar atual.

A ação foi movida pelos vereadores Pedro Ruas e Fernanda Melchionna, ambos do PSOL, para contestar o reajuste de R$ 2,85 para R$ 3,05 estabelecido em 22 de março. Em 4 de abril o Juiz de Direito Hilbert Maximiliano Akihito Obara, da 5ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central, deferiu a tutela antecipada e determinou a volta à tarifa anterior. A decisão do Tribunal considerou as desonerações de impostos sobre componentes do cálculo da tarifa ocorridas desde então. Os dois vereadores anunciaram que moverão nova ação porque entendem que o preço pode cair ainda mais. (Elder Ogliari)

17h41 – FORTALEZA – Depois que a Força Nacional foi acionada, a situação começou a ficar menos tensa nas imediações da Arena Castelão, onde jogam Espanha e Itália pela Copa das Confederações . Um canhão sônico foi utilizado para afastar os manifestantes. O equipamento é semelhante ao usado para evacuar o Parque Zuccotti, em Nova York, encerrando o acampamento do movimento Occupy Wall Street.

Grupo rompe isolamento das grades perto do Castelão. Foto: Natacha Pisarenko/AP

Dependendo da distância, a arma provoca desorientação, tontura, náuseas e dores no peito. Protetores de ouvido não são suficientes para se proteger. O de Fortaleza chegou a ser testado antes de ser utilizado na manifestação. De acordo com as autoridades locais, a menos de 20 metros no volume máximo não havia provocado ânsia de vômitos ou náuseas.

Mais cedo, manifestantes se aproximaram de um cordão de  isolamento de policiais na Arena Castelão e houve confronto. (Lauriberto Braga)

 

Em um dos momentos mais tensos, manifestantes atearam fogo em veículos. Foto: Natacha Pisarenko/AP

17h36 – RIO – Teve início há pouco a passeata no centro da cidade. Cerca de mil manifestantestomaram todas as faixas da Avenida Rio Branco. Quase não se veem cartazes, mas há muitas bandeiras, como as do PSTU, MST e do DCE da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No último ato, as pessoas que levaram bandeiras foram hostilizadas. Mil e quatrocentos policiais, de três batalhões, acompanham a passeata. (Heloisa Aruth Sturm)

17h32– Veja depoimento de uma das representantes do Passe Livre, Luíza Madetta, de 19 anos.

 

17h19 – SÃO PAULO – A aula pública organizada por membros do Movimento Passe Livre  em frente à Prefeitura reúne cerca de 250 pessoas.  Os temas a serem discutidos serão a viabilidade da tarifa zero na capital e a mobilidade urbana de uma forma geral.

Público espera pela aula pública na frente da Prefeitura, no Viaduto do Chá, centro de São Paulo. Foto: Renato Vieira/Estadão

Cadeiras foram colocadas na frente da sede do governo municipal, cujas grades de proteção foram retiradas a pedidos dos organizadores do evento, para que  os interessados possam ocupar o  calçadão – apesar do que ocorreu na terça-feira passada, 18, quando vândalos destruíram vidraças e picharam o Edifício Matarazzo. O clima é pacífico e policiais militares  acompanham  a movimentação do outro lado da rua, onde também há uma viatura da Guarda Civil Municipal (GCM). (Renato Vieira)

ex-secretário municipal dos Transportes Lúcio Gregori, que atuou na gestão de Luiza Erundina, nos anos 1990, será um dos palestrantes, ao lado do professor Paulo Arantes, do Departamento de Filosofia da USP. Gregori é um dos idealizadores do conceito de tarifa zero nos ônibus de São Paulo.

17h01 – Os protestos que acontecem em todo o Brasil desde o começo de junho já deixaram umsaldo de seis mortos, alguns deles atropelados por motoristas presos nas manifestações.

Clique no mapa para ver o mapa em tamanho ampliado e ter mais detalhes sobre cada caso.

16h53 – RIO – Cerca de 250 pessoas estão reunidas neste momento na Igreja da Candelária, de onde sairão em breve em direção à Cinelândia para iniciar o 13.º protesto na cidade do Rio de Janeiro. Um grupo de 30 indígenas da Aldeia Maracanã participa do ato. Nesta tarde, os advogados da Aldeia entraram com novo recurso na Justiça para tentar a reintegração de posse do antigo Museu do Índio, de onde foram obrigados a sair por causa das obras no estádio do Maracanã.

“Viemos aqui pedir apoio à população”, disse o advogado Aarão da Providência Araújo Filho, índio da etnia guajajara.

Policiais de três batalhões vão acompanhar o protesto. Em frente à Assembleia Legislativa, que sofreu ataques em duas manifestações, está um grupo de 60 PMs. Antes de chegar à Cinelândia, os manifestantes pretendem ir à Rua da Assembleia, onde fica a sede da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro), entidade que congrega os dez sindicatos de empresas de ônibus no Estado. (Heloisa Aruth Sturm)

16h49 – FORTALEZA – Policiais e parte dos manifestantes se enfrentaram na avenida Dedé Brasil antes de começar o jogo entre Itália e Espanha, nesta quinta-feira, na Arena Castelão, em Fortaleza. Um ônibus que conduzia torcedores foi invadido e apedrejado . Pedras, vidros e bombas caseiras estão sendo arremessados contra o Batalhão de Choque. Jornalistas são aconselhados pelos policiais a se afastarem.

Foi ateado fogo em um carro da TV Diário. Outro, da TV Jangadeiro, foi depredado. Balas de borracha estão sendo usadas pelos policiais contra os manifestantes. A Cavalaria continua tentando dispersar o grupo. Algumas pessoas correram para ruas intermediárias.

Pelo menos cinco policiais já foram socorridos pela ambulância dos Bombeiros. Entre eles há homens da Cavalaria que foram atingidos na perna por pedras e bolas de gude. Helicópteros da Força Nacional sobrevoam a área. (Lauriberto Braga)

16h37– SÃO PAULO – o Movimento Passe Livre, organizador da  série de atos pela redução  da tarifa de ônibus em São Paulo, promoverá nesta quinta-feira, 27, uma aula pública em frente à Prefeitura de São Paulo sobre tarifa zero e mobilidade urbana. O evento ocorrerá a partir das 17h no Viaduto do Chá, em frente à sede do governo municipal. Caso chova, segundo o MPL, a ação será realizada embaixo do viaduto.

ex-secretário municipal dos Transportes Lúcio Gregori, que atuou na gestão de Luiza Erundina, nos anos 1990, será um dos palestrantes, ao lado do professor Paulo Arantes, do Departamento de Filosofia da USP. Gregori é um dos idealizadores do conceito de tarifa zero nos ônibus de São Paulo. (Caio do Valle)

16h31 – SALVADOR –  A chuva atrapalha a caminhada do Movimento Passe Livre em Salvador, nesta quinta-feira. O protesto teve saída da Praça do Campo Grande pouco antes das 15h, uma hora depois do previsto pelos organizadores. Eles pretendem caminhar cerca de 2 quilômetros até a Prefeitura, no centro histórico, onde querem se encontrar com o prefeito ACM Neto (DEM).

O número de manifestantes no início da caminhada era pequeno, cerca de 500 pessoas, mas deve crescer durante o trajeto, com a passagem do grupo pela Avenida Sete de Setembro, tradicional ponto de comércio popular na cidade. A maioria das lojas da região fechou as portas depois das 14h – muitas instalaram tapumes de madeira para proteger as fachadas de vidro.  (Tiago Décimo)

16h10 – FORTALEZA – Por volta do meio-dia houve confronto entre um pequeno grupo de manifestantes e PMs e homens da Força de Segurança Nacional na Avenida Dedé Brasil, no entorno do estádio Castelão.  A capital cearense recebe o jogo entre Espanha e Itália pela semifinal da Copa das Confederações. A manifestação seguiu pacífica em seguida, mas há muito entulho na rua. (Tobias Saldanha)

Jogos na Copa das Confederações tem sido antecedidos por protestos, especialmente contra os gastos do governo para realizar a Copa do Mundo. Foto: Natacha Pisarenko/AP

15h58 – RECIFE – Sete pessoas detidas e dois menores apreendidos por depredação, resistência ou roubo e três policiais atingidos por pedras. Este foi o balanço da manifestação realizada na quarta-feira, 26, e organizada por estudantes, no Recife. O balanço foi divulgado nesta quinta-feira,27, pelo secretário estadual da Defesa Social, Wilson Damázio.

A presidente do Diretório Central dos Estudantes da faculdade Fafire, Cryslaine Maria da Silva, de 19 anos, chegou a ser encaminhada para a Colônia Penal Feminina porque não pagou a fiança estipulada em R$ 5 mil. De acordo com a polícia ela foi detida por agredir “com bombas e pedradas um funcionário público no exercício da função”. (Angela Lacerda)

15h52 – Acaba de ser aprovada na Câmara Municipal de São Paulo a CPI dos Transportes, que irá investigar a contas do setor na capital paulista. Por 40 votos favoráveis e 11 contrários, a Casa criou uma comissão comandada pela base governista do prefeito Fernando Haddad (PT). O grupo terá a tarefa de investigar, a partir de agosto, os contratos bilionários da Prefeitura com as empresas de ônibus e peruas.

Veja repercussão da medida entre manifestantes que protestavam na porta da Câmara nesta tarde:

 


15h46 – RIO – O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), reuniu-se hoje durante cerca de uma hora e meia com cinco manifestantes que participaram do acampamento montado em frente ao prédio onde o governador mora, no Leblon, na zona sul.

Ao final da reunião, só um dos manifestantes, que se identificou como Eduardo Oliveira, atendeu a imprensa. Ele afirmou que ainda não tem uma pauta de reivindicações completa e que, durante a reunião, pediu que o governo “controle as manifestações, porque as pessoas estão se sentindo
Inseguras”.

Eduardo disse que integra um grupo chamado “Somos o Brasil” e ele e os quatro colegas romperam com os demais acampados. Por isso, o quinteto já deixou de participar do grupo que se mantém desde sexta-feira na porta da casa de Cabral.(Fábio Grellet)

15h38 – A onda de protestos pelo País desde o começo de junho já deixou  seis mortos até esta quinta-feira, 27. Em Belo Horizonte, o estudante Douglas Henrique Oliveira, de 21 anos, morreu ao cair de um viaduto durante protesto nessa quarta-feira, 26. Também na noite de quarta, um jovem de 16 anos morreu atropelado por um motorista que desviou o caminhão de uma manifestação em um acesso à Rodovia Cônego Domênico Rangoni, no Guarujá (SP).

Na segunda-feira, 24, duas mulheres foram atropeladas durante um protesto em uma rodovia de Cristalina, em Goiás. Valdinete Rodrigues Pereira e Maria Aparecida morreram no local e o condutor fugiu sem prestar socorro. A Polícia Civil avalia se pede ou não a prisão temporária do motorista, Carlos Baromeu Dias, que depôs nessa quarta-feira, 26. Na quinta-feira, 20, o estudante Marcos Delefrate, de 18 anos, foi atropelado e morto por Alexsandro Ishisato de Azevedo, que avançou sobre as pessoas que protestavam em Ribeirão Preto (SP). A prisão do acusado já foi decretada. Na sexta-feira, 21,morreu em Belém a gari Cleonice Moraes, de 54 anos, que foi intoxicada por gás lacrimogêneo ao tentar fugir de confusão em protesto.

No Guarujá, o jovem morto estava de carona na bicicleta do amigo. Ele foi socorrido no Pronto-Atendimento Médico da Rodoviária, mas não resistiu aos ferimentos. O amigo, de 17 anos, ficou gravemente ferido, mas não corre risco de morte. Em depoimento prestado à polícia, ele disse que o motorista acabou arrastando os rapazes. O caminhoneiro foi preso em flagrante e levado à delegacia-sede do município, na Avenida Puglisi. De acordo com o motorista, ele tentou desviar o veículo de uma manifestação de protesto e não viu quando os jovens foram atropelados. Por isso, continuou dirigindo.

Protestos apressam votação da lei de crimes de terrorismo no Brasil (Sul 21)

26/jun/2013, 9h44min

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Rachel Duarte

Incendiar, depredar, saquear, destruir ou explodir meios de transporte ou qualquer bem público ou privado poderá ser enquadrado como terrorismo no Brasil. Está prevista para esta quinta-feira (27) a votação do projeto de lei 728/2011 que tipifica o crime de terrorismo, ainda não regulamentado no país. O texto será colocado em pauta em pleno contexto de sucessivos protestos nos estados brasileiro que estão sendo respondidos de forma repressiva pelo braço armado do estado. O motivo da urgência na aprovação, segundo a Comissão Mista que discute o tema no Congresso Nacional é a proximidade da Copa do Mundo de 2014. Especialistas avaliam como temerária a proposta, uma vez que aponta para os problemas da segurança urbana soluções com base na Lei de Segurança Nacional. “Isto é retroceder ao estado de exceção”, critica o professor da Faculdade de Direito de Santa Maria (FADISMA), Eduardo Pazinato.

A Constituição Federal prevê o crime de terrorismo, mas não estabelece pena nem tipifica as ações. Apenas a Lei de Segurança Nacional, editada na década de 1980, menciona o terrorismo, mas ainda com redação feita durante o regime militar. Porém, a minuta do texto em iminente aprovação no Congresso tem referência no texto da reforma do Código Penal e outros 43 projetos de lei, além de nove tratados, protocolos e convenções internacionais. Os crimes de terrorismo serão imprescritíveis, com pena cumprida em regime fechado, sem benefício de progressão e devem variar de 24 a 30 anos de cadeia.

Será considerado terrorismo ainda as ações que provoquem pânico generalizado praticadas por motivos ideológicos, políticos, religiosos e de preconceito racial, o que abre brecha para classificar como terroristas integrantes de movimentos sociais que cometerem crimes durante protestos públicos, acredita o coordenador do Núcleo de Segurança Cidadã da FADISMA, Eduardo Pazinato. “Este texto acompanha a tendência internacional de lei e ordem que propõem mais leis penais para resolver problemas contemporâneos. Por meio do discurso da pacificação, se aumenta a criminalização das pessoas e os encarceramentos. Utilizar o paradigma da segurança nacional para regular a segurança urbana proporcionará a criminalização dos movimentos sociais, uma vez que parte de um movimento de massa poderá ser entendida como terrorismo”, explica.

Ou seja, se a nova lei já estivesse em vigor, os manifestantes que invadiram as ruas do país nos últimos dias contra o aumento da passagem e a postura repressiva da polícia militar poderiam ser enquadrados como terroristas em razão de algumas práticas excessivas. “Isto é temerário nesta conjuntura de grandes eventos no país, em que inúmeras reivindicações populares surgem nas ruas. Está se preconizando mais uma vez um novo tipo penal para aumentar penas e reduzir direitos de minorias que serão enquadradas como praticantes de delitos, ao invés de buscar resposta para as cobranças da sociedade que não sejam por meio da criminalização”, avalia Pazinato.

“Repressão é resposta política dos governos contra a mobilização social”, critica ativista gaúcho

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Para o ativista em Software Livre, Marcelo Branco, que esteve nos diversos manifestos realizados em Porto Alegre no último período, “o 1% que faz quebra-quebra nos protestos são pessoas marginalizadas pelo próprio estado e que cansaram de cobrar nas manifestações’. De toda forma, ele reconhece que tais práticas não podem ser toleradas pelas autoridades, porém ressalta que responder com mais autoritarismo é a pior escolha do estado. “A violência policial em relação aos protestos que estão acontecendo em Porto Alegre e em todo o país não se justifica. Mesmo se concordamos ou não com a razão dos protestos, reivindicar pacificamente nas ruas é algo legítimo. A luta popular já deixou de ser em relação ao preço das passagens, é para cobrar a resposta dos governos a esta brutal repressão que se ergueu no país”, fala.

Segundo o ex-coordenador da campanha da presidenta Dilma Rousseff na internet, as redes sociais possibilitaram uma nova organização social das lutas no mundo, que não pode ser controlada pelo estado. E esta, seria a principal razão de uma reação tão extrema por parte das autoridades. “Eles não tem líderes definidos, porque a organização é horizontal na rede, então, agem de forma generalizada com bombas, gás e balas de borracha contra civis desarmados”, qualifica Branco.

Na visão do especialista em segurança pública Eduardo Pazinato, os chamados ‘novíssimos movimentos sociais’, organizados pela internet, não tem a mínima semelhança com práticas terroristas para se justificar uma legislação neste sentido no país. “O terrorismo é uma ação coletiva por um propósito de conjuntura onde se aplica a violência de forma deliberada. Não é o que estes movimentos pretendem. A dinâmica deles é uma luta democrática que não pode ser encarada com endurecimento penal máximo. Isto é uma atitude populista do governo que busca atingir o senso comum demonstrando ‘eficiência do estado’ para enfrentar a questão da violência. Isto é o que está declarado nesta votação em meio aos protestos. O que é equivocado, pois não há direito à segurança sem a garantia da segurança a outros direitos fundamentais”, salienta.

“Intenção nunca foi criminalizar os movimentos sociais”, diz deputado Vaccarezza

Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

O presidente da comissão de consolidação de leis e de dispositivos constitucionais, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que a intenção da proposta não é e nem nunca foi criminalizar movimentos sociais. “Nossa Constituição é genérica neste ponto e precisamos deixá-la clara justamente para evitar que juízes possam interpretar que ações de massa são terrorismo, especialmente agora que teremos grandes eventos, pessoas de vários lugares do mundo. É preciso regulamentar”, defende.

Segundo Vaccarezza, a comissão mista para regulamentação das leis nacionais ainda está debatendo a matéria e aceita sugestões pela internet. “No site do Senado está a minuta do projeto e queremos a contribuição de todos. Estamos falando com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e vamos falar com o ministro da Justiça (José Eduardo Cardozo) e com o Supremo Tribunal Federal (STF)”, fala.

No dia 18 de junho, o deputado esteve reunido com o relator do texto no Senado Federal, senador Romero Jucá (PMDB-RR). A intenção da comissão é votar o texto nesta semana. “Se não for possível, aguardaremos e reapresentamos mais tarde”, garante Vacarezza.

POSTV, de pós-jornalistas para pós-telespectadores (Observatório da Imprensa)

ECOS DO PROTESTO

Por Elizabeth Lorenzotti em 25/06/2013 na edição 752

Como diria Henfil, deu até no New York Times. “One group, called N.I.N.J.A., a Portuguese acronym for Independent Journalism and Action Narratives, has been circulating through the streets with smartphones, cameras and a generator held in a supermarket cart – a makeshift, roving production studio” (NYT, 20/6/2013, íntegra aqui).

N.I.N.J.A., sigla em português para Narrativas Independentes Jornalismo e Ação é o grupo responsável pela POSTV, sua mídia digital independente. E não nasceu agora, mas há um ano e meio, e está ancorada no movimento nacional Circuito Fora do Eixo. Nas manifestações que tomaram as ruas de várias capitais, ganhou maior visibilidade e chegou a picos de audiência de 120 mil espectadores. O que significa uma marca de 1,2 dos ibopes oficiais – e não é pouco, pois muitos programas da TV aberta não o atingem.

Nesses tempos fora do eixo e de paradigmas, talvez seja este o embrião da nova mídia do futuro que já é hoje – uma POSTV feita por pós-jornalistas, para pós-telespectadores.

Com seus smartphones e câmeras, eles protagonizam uma grande novidade na cobertura dessas manifestações e na alternativa à mídia tradicional. Segundo um dos ninjas, Bruno Torturra, trata-se de outra concepção de mídia. E sua diferença com a tradicional começa pela “honestidade, a ética, o posicionamento integrado dentro dos protestos e não lançando mão de analistas; sem drones, sem helicópteros, mas testemunhando. E a credibilidade pela não edição, a não mediação de interesses comerciais. A grande mídia teve e tem grande papel no tamanho da alienação política do país”.

“Tenho de ficar”

Mas o que é, e como é feita a POSTV? Na semana passada, no meio das manifestações, um garoto tuitava: “Não precisamos de mídia partidarista, temos celulares!”.

Síntese perfeita de novos tempos aos quais os jornalistas da mídia tradicional precisam ficar atentos. Enquanto a Globo ficava do alto de edifícios, sitiada, a mídia independente sempre esteve no meio das ruas nesses dias de rebelião. “Estamos aqui, do alto deste edifício”, diziam os repórteres globais. Mas quem quer ficar vendo manifestação do alto de edifícios?, eu me perguntei. E fui às redes, onde encontreiwww.postv.orgpor meio de chamadas no Facebook, onde o N.I.N.J.A. tem uma página.

E vi, na noite/madrugada de terça-feira (18/6), a cobertura de Filipe Peçanha, 24 anos, comunicador da Casa Fora do Eixo já há alguns anos, documentando ao vivo, em São Paulo, durante horas e sem edição, os embates entre manifestantes e a tropa de choque da Polícia Militar, desde a Praça da Sé até a Avenida Paulista. “Antes de a polícia chegar, a manifestação era totalmente pacífica. Saímos por volta das 17 horas, demos a volta pelo Parque Dom Pedro, subimos de novo para a Sé, partimos para a Augusta. Em todo o trajeto que acompanhei, enquanto não houve polícia não houve tumulto. Daí voltamos porque soubemos dos incidentes na sede da Prefeitura. E voltamos para a Paulista, porque a tropa de choque foi para lá.”

Chegaram às 20 horas, não havia mais muitos manifestantes. Mas o painel da Copa do Mundo, da Fifa com Coca Cola, foi incendiado. Caíram muitas latinhas, um catador veio retirar e os manifestantes disseram: “Que bom, pelo menos alguém aproveita alguma coisa da Coca Cola”.

Estes relatos todos foram feitos pela POSTV. Quando chegou a polícia, manifestantes foram muito agredidos e um deles praticamente enforcado por meia dúzia de policiais. Filipe entrevistou dois rapazes de branco que ajudaram a apagar o fogo.

– Quem são vocês? Bombeiros?

– Não, nós somos protestantes.

– Protestantes? Da igreja?

– Não, viemos aqui por vontade própria protestar, mas somos contra o vandalismo.

“Depois”, conta Filipe, “entrevistei os dois de novo, sentados no meio fio. Um deles disse que tirar as latinhas do painel tudo bem, mas incendiar não, e que a PM estava de parabéns por ter acabado com aquilo.”

O repórter comentou: “Não, eu vi muita violência da PM, acho que você não viu o que eu vi”.

“Coloquei o meu ponto de vista”, diz Filipe.

Alguns criticam, via Twitter, e dizem que a cobertura não é plural. Responde Filipe: “Nós documentamos o que está acontecendo do ponto de vista de quem participa também. A Mídia Ninja se compreende como narrativa independente de jornalismo e ação, e essa ação é o ativismo, que nos coloca em movimento em tempo real, não só fazendo produção de conteúdo, mas também nos envolvendo com o processo. O Ninja está envolvido com as manifestações de rua. A gente estava dentro, junto com os manifestantes”.

Portanto trata-se de uma cobertura com lado. Mas quem não tem?

No meio das manifestações, eles dão voz a gente de todos os tipos e matizes, numa espécie de método socrático de entrevista. Como o rapaz que se dizia a favor do Movimento Passe Livre (MPL), mas contra partidos.

– E como você acha que deveriam dirigido o país?

– Ah, eu acho que quem devia dirigir é uma mulher de cabelos vermelhos que começou o movimento, não sei o nome dela.

– O país deveria ser dirigido por ela?

– É, eu acho. E não devia ter partidos.

– Mas o MPL não é contra partidos, você não apoia o movimento?

– Apoio, mas não nessa parte.

Um certo major Felix, durante os conflitos na Paulista, também foi entrevistado. Depois de muito tempo, deu este nome.

– Por que o senhor não está com a identificação na farda?

– (Sem resposta)

– Quem é seu comandante?

– Não sei.

– O senhor é comandando por ele e não sabe o nome dele?

Outra entrevista, feita em Belo Horizonte, palco de repressão violentíssima da Força Nacional em dia de jogo, no sábado (22/6), houve outra entrevista parecida feita por Gian Martins. Transmiti a íntegra do Facebook, onde muitos de nós sabemos que há censura e a sentimos, mas foi deletada, junto com vários outros posts referentes às manifestações. Mais ou menos assim, era uma espécie de coletiva de um coronel no meio da rua:

POSTV- A proibição de manifestações em capitais onde há Copa, imposta pela Fifa, na cria um Estado de exceção?

Coronel – Não posso opinar, mas quando você elege um representante político, está dando a ele um cheque em branco…

Depois de algum tempo a POSTV se retira e comenta: “Jornalistas são muito redundantes em suas perguntas, só querem saber quantos feridos.

Repórter do Hoje em Dia: “Que pergunta não foi feita?”

POSTV quer que conversem, mas o colega vai embora.

“É uma pena”, diz ele, “poderia ser um bom debate.”

Em certo momento a POSTV, junto a várias pessoas, leva gás lacrimogêneo e ninguém tem vinagre. Um fogo de artifício desencadeou o gás e muitas cacetadas.

“Estou com medo”, diz o repórter da POSTV na Praça Sete, que já estava havia doze horas trabalhando direto.

Já em Salvador, um colaborador que se juntou à POSTV no sábado (22/6), também dia de jogo de Copa e de manifestações, e de repressão violenta, que conquistou 8 mil pós-espectadores, exclamava: “Quero ver agora quem diz que baiano é preguiçoso”, enquanto corria esbaforido da polícia pelas ruas de Salvador. Atingido por gás pimenta, foi se recuperar no banheiro do Shopping Iguatemi, teve de tirar a camiseta e lavar, porque “ardia como churrasquinho”.

“Eu não vou embora, eu tenho de ficar” ele dizia. Em outro momento, comentou que um policial pediu para diminuírem o gás. Nem eles estavam aguentando.

Colaboradores no Brasil e no exterior

Pós-repórteres “precisam ter disposição e também coragem de ficar no meio dos manifestantes, questionar a polícia e os próprios manifestantes”, diz Bruno Torturra.

O bravo pós-repórter de Salvador é novíssimo membro da mídia, ofereceu seus serviços em cima da hora. Assim tem acontecido na POSTV por esses dias. Muita gente chegando, de todo o país e do exterior – onde várias transmissões são feitas na Europa, com brasileiros se solidarizando ao movimento.

No domingo (23/6), a página do NI.N.J.A. no Facebook postou uma convocação de correspondentes para ajudar na cobertura em tempo real dos protestos:

“Fotógrafos, repórteres, cinegrafistas, cidadãos a fim de entrar em nossas tropas, escrevam para midianinja@gmail.com dizendo de onde são e como podem colaborar. Estamos começando a cadastrar gente do país todo. Primeiro passo na montagem de uma rede nacional de jornalismo independente antes do lançamento do nosso site. Quem anima?”

Em 30 minutos já havia 125 compartilhamentos. No dia 24, até às 19 horas, havia 735 “curtir” e 413 compartilhamentos. Gente oferecendo material de todos os cantos, gente perguntando o que é preciso, muita gente.

Segundo Bruno Torturra, é impossível dizer o número de colaboradores porque, devido ao caráter de rede, há pessoas que se dispõem a ser um ninja por um dia, ou por horas. Na quinta-feira (20/6), o N.I.N.J.A. cobriu 50 cidades. Em São Paulo, o núcleo é de seis a oito pessoas, com idade média de 22 anos e nenhum com formação jornalística.

A cobertura via internet chama-se streaming. Da Wikipédia:

Streaming, fluxo de mídia, é uma forma de distribuir informação multimídianumaredeatravés de pacotes. É frequentemente utilizada para distribuir conteúdo multimédia através da Internet. Em streaming, as informações multimédia não são, usualmente, arquivadas pelo usuário que está recebendo o stream (a não ser a arqueação temporária no cache do sistema ou que o usuário ativamente faça a gravação dos dados) – a mídia é reproduzida à medida que chega ao usuário, desde que a sua largura de banda seja suficiente para reproduzir os conteúdos em tempo real. Isso permite que um usuário reproduza conteúdos protegidos por direitos de autor, na Internet, sem a violação desses direitos, similar ao rádio ou televisão aberta. A informação pode ser transmitida em diversas arquiteturas, como na forma Multicast IP ou Broadcast.”

A POSTV utiliza o TwitCasting, mas é possível usar também o Android, entre outras plataformas. E o trabalho é completamente copyleft. Em todas as praças, eles explicam como transmitem e convocam as pessoas a também serem o que chamam de “midialivristas”. Com um celular, uma banda 3G e um laptop na mochila para recarregar. A cada meia hora saem do ar, recarregam e voltam em minutos. Claro que perdem espectadores; os insistentes voltam, outros chegam.

Há dificuldades de sinal quando há muita gente com celular, há raros locais com wi-fi. “Fazemos cobertura de rua faz tempo, criando tecnologia há um ano e meio”, conta Bruno Torturra. E não é só streaming. A mídia tem fotógrafos que mandam da câmera para o fone, do fone para a rede, e a cobertura é instantânea na página do Facebook. “A gente faz o que dá, mas vai até o fim. Se não tem 3G, temos alguém com carro, que leva o cartão do fotógrafo até onde encontra internet e volta”.

Liberdade de expressão e força da rede

O projeto começou em junho de 2011, após o sucesso das transmissões ao vivo das Marchas da Maconha e da Liberdade, em São Paulo, Depois, foram lançados alguns programas, como o Supremo Tribunal Liberal(Claudio Prado), o Segunda Dose (Bruno Torturra) e Desculpe a Nossa Falha (Lino Bocchini). E começaram as transmissões de festivais independentes de música em todo o país.

Eles explicam que a POSTV, na prática, reinventa e potencializa a tecnologia do streaming, baseando-se em dois pontos centrais: “Liberdade de expressão absoluta (aproveitando que não temos anunciantes nem padrinhos) e a força da nossa rede, que é grande e divulga forte todos os programas”.

Os formatos também são livres: programas de debate, transmissão de shows, sofá armado no meio da rua com o apresentador entrevistando os passantes. E como estão na internet sempre ao vivo, a interatividade é outro ponto responsável pelo sucesso da iniciativa. Quem está assistindo manda comentários e perguntas por Twitter, e-mail e até mesmo entra por Skype e participa do papo. Já deram vários furos, como as imagens da prisão do rapper Emicida durante um show em Belo Horizonte. E também foi o veículo escolhido pelo ex-ministro Franklin Martins para sua primeira entrevista após deixar o governo.

E o financiamento? Quem sustenta?

A rede Ninja faz parte do Circuito Fora do Eixo; em São Paulo tem base em uma das Casas, no Cambuci. Circuito Fora do Eixo é uma rede de trabalhos concebida por produtores culturais das regiões centro-oeste, norte e sul no fim de 2005. Começou com uma parceria entre produtores das cidades de Cuiabá (MT), Rio Branco (AC), Uberlândia (MG) e Londrina (PR) que queriam estimular a circulação de bandas, o intercâmbio de tecnologia de produção e o escoamento de produtos nesta rota desde então batizada de Circuito Fora do Eixo.

Hoje o circuito está em 25 das 27 unidades federativas do Brasil. O sul, o centro-oeste, o sudeste e o norte são regiões totalmente associadas, já que contam com todos os estados inclusos. Há 72 pontos espalhados pelo país, que “gostam de produzir eventos culturais, debater comunicação colaborativa, pensar sustentabilidade, pensar políticas públicas da cultura”.

Dezesseis gestores de diferentes pontos do Brasil migraram para São Paulo, formando a Casa Fora do Eixo SP, nos limites da Liberdade. “Mas basicamente, nós experimentamos, compartilhamos e aprimoramos tecnologias livres de se produzir cultura”, dizem em seu site.

Atualmente a sustentabilidade da POSTV se dá via Circuito Fora do Eixo, mas continuam as discussões sobre crowdfunding – ou financiamento coletivo, que consiste na obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo por meio da agregação de múltiplas fontes de financiamento, em geral pessoas físicas interessadas nos projetos – e toda e qualquer ideia de autossustentabilidade.

Aliás, na terça-feira (25/6) foi convocada uma discussão aberta na Praça Roosevelt, em São Paulo, atual “Praça Rosa”, para “discutir as saídas para garantir a comunicação como um direito e não como um simples negócio comercial”.

Esta é a integra da convocação

“A cobertura das manifestações mostrou que a velha mídia está mais caduca do que nunca, mas que ainda tem um grande poder. A mídia tradicional no Brasil é concentrada, nada plural e nada diversa. Muitas vezes ela se comporta como um partido político, tentando dar a pauta e organizar os setores mais conservadores. Enquanto isso, a internet tem sido o espaço arejado de diálogo e organização, mas o acesso à rede ainda é limitado a 40% das residências, com um serviço péssimo das empresas de telecomunicações, que ainda querem acabar com a neutralidade da rede. As grandes corporações que atuam na rede faturam bilhões sobre a violação de privacidade dos usuários, e vários governos usam essas informações para controlar os cidadãos. Venha discutir as saídas para garantir a comunicação como um direito e não como um simples negócio comercial.

Censura no Facebook

No sábado (22/6), amigos denunciaram no Facebook o bloqueio da página do N.I.N.J.A.

“Fomos denunciados por conteúdo impróprio ou pornográfico. Estão ‘analisando o caso’. Mas não tivemos qualquer argumento detalhado ou chance de defesa escrita. Acreditamos que pode ter sido fruto de denúncias de usuários contra fotos da manifestação anti-cura gay, anti-Feliciano de ontem. Fotos em que não havia qualquer pornografia, apenas material de afeto e felicidade explícita. Pedimos que compartilhem e pressionem o Facebook a recolocá-la no ar. Infelizmente, por enquanto, essa é nossa principal plataforma de divulgação da nossa dedicada cobertura independente dos protestos no Brasil.”

A página foi desbloqueada depois de cerca de quatro horas. O mesmo não aconteceu com a do jornalBrasil de Fato, bloqueada desde o dia 16 de junho. Os jornalistas não conseguem postar a não ser com um programa especial (ver aqui).

Portanto, não se trata de paranoia, e existem páginas em todo o mundo denunciando a censura no Facebook. No ano passado, jornalistas, escritores, poetas e artistas protagonizaram um “Dia contra a Censura ao Nu no Facebook”. O robô censor de Mark Zuckerberg atira a esmo e censura qualquer nu, seja de Michelangelo, Leonardo, os grandes clássicos e/ou menos famosos. Nem Lady Godiva escapou. Além de mães amamentando, que são alvos planetários da censura facebookiana. O protesto consistiu em publicar nus variadíssimos e foi parar nos jornais.

Instalou-se a discussão sobre quem censura. Robôs? Censores contratados? Denúncias de anônimos? Muitos concluíram que se trata de todas as alternativas, em vigor até hoje. O portal UOL divulgou texto, no ano passado, afirmando a existência de censores contratados em todo o mundo por um dólar a hora de trabalho. Além de imagens, textos também são censurados. O que se estranha é que, por mais que denúncias sejam feitas, páginas como “Golpe Militar 2014” continuem no ar, assim como páginas neonazistas e propagadoras de violência (ver aqui).

O poeta, ensaísta e tradutor Claudio Willer deste então compõe um dossiê sobre censura nesta rede, que até o dia 24 de junho contabilizava 61 relatos (ver aqui).

***

Elizabeth Lorenzotti é escritora e jornalista, autora de Suplemento Literário – Que Falta ele Faz (ensaio),Tinhorão, o Legendário (biografia) e As Dez Mil Coisas (poesia)

Muita calma agitada nessa hora… (Combate Racismo Ambiental)

Por , 25/06/2013 09:02

Castelão e burro

Em frente ao Castelão das elites, a vala a céu aberto, a negação da cidade ao povo-Nação. Foto captada de vídeo.

Por Cris Faustino, para Combate Racismo Ambiental

É muito provável que no calor da hora não tenhamos como fazer análises mais completa e complexa sobre o que está acontecendo Brasil adentro e Brasil afora. É provável que não se trate de uma revolução, mas é possível que as coisas jamais sejam as mesmas. Ou pelo menos, que haja mudanças, se não estruturantes, ao menos conjunturais nos discursos e nos rumos de algumas políticas e políticos (falo dos ruins, de direita ou esquerda).

Não se pode negar a potência criativa do momento, nem tampouco as preocupações que ele gera. É preciso analisar com a sabedoria possível na excitação, surpresa e perplexidade que nos pegou, enquanto movimentos e lutas sociais (as velhas e os novas), considerando a pressão histórica e a multiplicidade de questões que se impõem agora sobre nós e sobre os outros. Pois, se ficamos estarrecidas com algumas leituras e demandas da multidão revoltada, imagine ela com algumas das nossas. Tampouco se pode perder de vista as desigualdades de condições em que estamos pautando as disputas. Portanto, se é preciso ter firmeza, uma boa dose de humildade no diálogo com a multidão não fará mal.

Contudo, creio que nossa meta imediata deve ser incidir nos rumos do desfecho do que vem se tornando uma confusão, menos dos fatos mobilizadores e mais das leituras da realidade e formas de organização. A movimentação está desorganizada. Se isso a torna ampliada do ponto de vista da multidão que a adere, também a torna suscetível às leituras simplistas, enquadradas e direitistas. Como lidar com isso?

Nesse momento, as divergências entre nós são fatores que podem determinar o tamanho da nossa capacidade de ação coletiva. Mas já temos acúmulo de debates e questões suficientemente construídas para saber o que nenhum de nós quer, ou precisa. Sabemos que não queremos injustiças, desigualdades, racismo, misoginia, homo/lesbo e transfobia, nem na vida cotidiana e nem nos manifestos. Sabemos que, para a quentura do momento, não precisamos e nem temos como ter o fim dos partidos, nem tampouco a negação da participação dos partidos de esquerda nas mobilizações e nas lutas de um modo geral.

Os movimentos sociais críticos que não querem os partidos muito nos ajudam a pensar a realidade, mas precisam se dar conta de que insuflar isso agora não ajuda no nosso esforço e, nem é preciso dizer, favorece as tendências reacionárias e conservadoras. Não queremos o rechaço a nenhuma luta popular que reivindique melhores condições de vida.  Não queremos que políticos e mídias oportunistas tomem definitivamente as rédeas do processo. E, decididamente, não queremos fazer mobilizações com a “playboiada” nazifascistas, e nem queremos a violência do estado contra quem quer seja.

Sabemos que temos que encontrar jeitos de dialogar com as pessoas de boa fé, mas que são influenciadas por lideranças e tendências reacionárias. Sabemos que a massa mobilizada dificilmente teria como organizar um movimento 100% politizado desde as nossas demandas, leituras e jeito de fazer. Provavelmente, boa parte das pessoas envolvidas nas mobilizações não entende a profundidade das questões, ou mesmo sobre as institucionalidades dos fatos e demandas.  Outras tantas compreendem um pouco alguns temas. É possível que muitas não estejam nem sabendo bem o porquê de estarem ali, e que tantas outras vejam apenas nas pessoas dos políticos o mal do País e/ou personificam os problemas e responsabilidade de resolvê-los na pessoa da presidenta. Quanto a isso, é preciso ter paciência, já que em grande parte, é verdade. Particularmente não acho que é uma boa estratégia tentar convencer o povo de que tudo isso é ilusão; não teremos como.

Acho que a tarefa “estruturante” mais possível é tentar incidir de diferentes formas na cultura dos que vão às ruas movidos pelas incertezas e dos que estão olhando de fora a movimentação. Esses últimos estão fortemente pautados pelos interesses da mídia conservadora, tendenciosa e/ou mal informada; pela cultura alienada e alienante. Alguns reconhecem a legitimidade das mobilizações, principalmente sob a perspectiva das “bandeiras nacionais”, mas estão cansados dos transtornos, ou só têm a oportunidade de ver, não com “bons olhos”, principalmente se se sentem ameaçados, o “quebra-quebra”. Disputar o senso comum sobre o significado da violência, desnudando o banditismo cometido pelo estado e capitalistas, assim como reinventar o sentimento coletivo desde uma visão político-solidária, são bons fatores de diálogo.

Os movimentos críticos das cidades precisam se articular, realizar atos gerais e ações individuais. Mas também precisa haver uma liga com os movimentos camponeses, pois muitos dos descontentamentos expressos nas ruas urbanas estão fortemente vinculados ao processo de dizimação dos povos do campo. Esses não podem se furtar a se pronunciar e a colocar a sua força em ação para denunciar suas questões, dialogar com as lutas urbanas.  Potencializar a urgente e necessária articulação campo-cidade é preciso. Se os movimentos do campo não podem vir para as cidades e nem têm como demarcar suas questões no seu local, é preciso que os movimentos e militantes que fazem a “ponte” levantem as problemáticas. Isso não pode ser impossível.

Rechacemos a palavra vandalismo! Se os manifestantes nacionalistas estão mandando mensagens e imagens para a Rede Globo e as outras de seu naipe, precisamos mandar muitas mensagens e imagens de nosso campo para a mídia internacional e para a nossa mídia engajada de todos os dias.

A força dos cartazes é incrível, e parece que isso foi importante para expressão e decisão “saí do facebook”. Interessante observar como fazemos milhares de análises e criamos muitos conceitos engajados que explicam brilhantemente a realidade e que sempre ficam entre nós. É preciso “recomunicar” ainda mais nossas críticas e projetos. As frases de efeito do Facebook dizem logo a “coisa”, de forma direta, simples e descontraída. Além disso, a militância online afinal tem um papel importantíssimo nesse momento e nesse processo todo. Não a desprezemos ou subestimemos!

O sofrimento das pessoas e os privilégios dos poderosos quando contrastados têm muita potencia de indignação. Vale muito denunciar veementemente o coronelismo na política brasileira, o enriquecimento ilícito e as vantagens dos poderosos, em contraste com os problemas denunciados e que são partes do cotidiano de todos: insegurança pública, precarização das políticas e violências entre as classes sociais. Entretanto cair no moralismo das tendências direitistas e do pensamento simplista é um risco a ser atentado. Nas pautas temos que dar nosso tom de forma a dialogar bem com a população.

Existem questões fervilhantes que ajudam muito. Só para falar de alguns: os temas das Copas têm muito potencial, pela pujança das elites e da Fifa, por seu caráter excludente da torcida e pelas suas zonas de sacrifício. O enriquecimento ilícito, a corrupção e perversões dos fundamentalistas contra mulheres, LGBTs, população negra e as diversidades culturais são alvos importantíssimos. A Reforma Política é questão gritante. Sobre o tema dos transportes públicos, vale pautar também o caos urbano das cidades construídas para os automóveis privados e as políticas voltadas para esse modelo de mobilidade urbana, associado à mobilidade social e bem estar individual, que torna as cidades “bombas relógios”. O genocídio contra os povos indígenas, que todos presenciamos, em nome do desenvolvimento também é fator que indigna e envergonha.

Não acho que devamos  ter a pretensão de “direcionar” o movimento ou nos precipitar na armadilha de negociar, mediante representações, pautas com o poder público. O que não impede de elegermos focos de conquistas imediatas que expressem o poder popular. Entretanto “sentar” com autoridades para negociar pode afrouxar precipitadamente a tensão necessária que as autoridades públicas precisam experimentar nesse momento, frente às besteiras e atrocidades que cometem ou se omitem de enfrentar. Ou, de outro modo, pode lhes proporcionar oportunidade de fazerem promessas só para acalmar as massas, justificar políticas injustas para suprir as demandas e satisfazer os “sujeitos emergentes”, como têm sido os pronunciamentos da presidenta da república. Negociar também pode fazer recrudescer, no pós-diálogo, a violência da polícia e criminalização de militantes.

Se preocupar com o momento de parar as mobilizações não faz parte de nossas vontades históricas! Pelo contrário. Mesmo que haja dispersão das multidões, continuaremos a fazê-las, como sempre fizemos (às vezes mais, às vezes menos). Se conseguirmos incidir mais no senso comum, pode ser que tenhamos mais adesão daqui pra frente. Nós sabemos fazer, gostamos e compreendemos a importância das ruas politizadas.

Temos algumas vantagens, pois somos povo; bem ou mal, muitas de nossas questões estão pautadas também pelos outros e, quem sabe, teremos mais força daqui pra frente. Fato é que o momento exige construir uma frente múltipla e amarrada em acordos, desde um campo crítico, que incida no senso comum e enfrente as tendências reacionárias que se veem legitimadas para, por dentro das mobilizações populares, empurrarem a multidão para a direita das coisas.  E parece que, se não nos acertamos minimamente, é pior.

Protestos – de onde vêm e para onde irão (O Estado de S. Paulo/Envolverde)

24/6/2013 – 10h27

por Washington Novaes*

ca17 300x225 Protestos   de onde vêm e para onde irãoAo mesmo tempo que se amiúdam na comunicação análises preocupadas com a situação econômica do País, vão-se tornando mais frequentes também manifestações populares de inconformismo e desapreço por governos, de protesto contra preço e qualidade de transportes, custo de vida, insatisfação com a saúde e educação ou ainda por causa do custo de construção de estádios de futebol. Que significado político mais amplo podem ter? Muitos, certamente. Mas índices de inflação e custos de alimentos têm tido presença importante.

Índices de inadimplência de famílias perante o sistema financeiro podem ser, por isso, um dos indicadores, já que em abril (Estado, 11/5) atingiram 7,6%. Já a porcentagem de famílias endividadas subiu, em maio, para 57,1%, a maior desde 2006. E 19,5% delas tinham mais de 50% da renda comprometido com dívidas. Os calotes no sistema bancário subiram para 19,5% em abril. Essa é uma das razões para o índice de confiança do consumidor haver baixado uns 6% desde abril do ano passado.

Segundo artigo de Amir Khair neste jornal (16/6), “o que causou a inflação foram os alimentos in natura”, cujo preço cresceu 53% nos últimos 12 meses, inclusive por motivos climáticos (onde nos faltam políticas adequadas). Mas não apenas por isso. Diz a Organização para Alimentação e Agricultura da ONU (FAO) que é alta a perda de áreas plantadas com alimentos no mundo por causa do alto custo dos agrotóxicos e da produção em geral (25/3). No Brasil, arroz e feijão já perderam 50% das áreas plantadas há 25 anos (Folha de S.Paulo, 7/4). O feijão, inclusive por causa da seca no Semiárido, teve a produção reduzida em 7%. E agora os preços subiram 20% em um ano.

Tudo isso pesa muito num país que, embora tenha reduzido a pobreza por meio de programas como o Bolsa Família, de até R$ 70 mensais por pessoa, ainda tem estas e milhões de outras vivendo abaixo da linha da pobreza, que segundo a ONU é de US$ 1,25 (cerca de R$ 2,50) por dia, ou R$ 75 por mês, por pessoa. E nas palavras do papa Francisco (Estado, 2/5), “viver com 38 (pouco mais de R$ 100) por mês é trabalho escravo, vai contra Deus”. Em sete regiões metropolitanas a taxa de desemprego nos primeiros meses do ano passou de 10%. E a população ocupada em fevereiro diminuiu 2% (Estado, 29/3). Caíram os índices de ocupação na indústria, na construção e nos serviços (26/4).

Christine Lagarde, dirigente do FMI, chama a atenção (5/6) para o “enfraquecimento da economia mundial em meses recentes”. A seu ver, “perde ritmo a expansão econômica dos países emergentes” e no Brasil são “menos brilhantes” as perspectivas de investimentos. Não chega a surpreender. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) adverte (3/5) para os riscos de nova crise bancária na Europa, onde os bancos estão “precariamente capitalizados” e o PIB de 34 países pouco passará de um crescimento de 1% este ano. No Brasil, o superávit nas contas externas, de US$ 1,6 bilhão em 2007, recuou para um rombo de US$ 54,2 bilhões em 2012 (Panorama Econômico, 9/6). Por tudo isso, não são otimistas as projeções do mercado financeiros para o crescimento econômico este ano, juntamente com um “rombo externo” recorde e taxas de juros altas.

É inevitável, assim, retornar à crise econômico-financeira externa e às perguntas que vem suscitando nos últimos anos: quem pagará o custo astronômico das “bolhas financeiras” que explodiram, os bancos ou a sociedade (por meio da redução dos programas sociais e da alta do desemprego)? As classes de maior renda ou as menos favorecidas? Esses custos se limitarão aos países industrializados ou eles também tentam e tentarão repassá-los aos demais? Como tudo isso se traduzirá nos países fora da Europa e da América do Norte?

O desemprego nos EUA continua alto para padrões norte-americanos (7,6%). A crise de 2008 “deixou um déficit de 14 milhões de empregos no mundo, segundo a Organização Internacional do Trabalho; somados aos 16,7 milhões de jovens que chegarão ao mercado de trabalho em 2013, o déficit global será de 30,7 milhões de empregos” (Agência Estado, 4/6). Na Europa, o desemprego já está em 12,2%, ou 19,37 milhões de pessoas. Entre os menores de 15 anos, num recorde de 24,4% – 1 em 4 jovens desempregado; na Espanha, total de 26,7%; Portugal, 17,5%; Grécia, quase 27% (entre jovens, 64%). Não por acaso, 1 milhão de pessoas migraram da Europa desde 2008, o maior êxodo em meio século. Ainda assim, 40 milhões de pessoas no mundo ascenderão à classe C (6/4), o que aumentará o consumo e, certamente, terá reflexos nos preços, principalmente de alimentos.

É preciso dar atenção especial, no Brasil – pelas características da população -, ao quadro dos alimentos. Os preços dos insumos usados na agropecuária, controlados por um cartel global de fabricantes, estão em forte alta e o País é o maior consumidor mundial. O dos herbicidas subiu 71,1%; o dos inseticidas, 66,4%; e o dos fungicidas, 55,3% (IBGE, 13/5). Consumimos mais de 1 milhão de toneladas em 2010, segundo a Anvisa. Cerca de 1/5 do consumo mundial.

É fundamental ter muita atenção nessa área. Inclusive porque os protestos e manifestações de insatisfação recentes mostram que chega também a nós o caminho observado em muitos países da África e do Oriente Médio, de movimentação política não comandada por partidos, e, sim, por redes sociais – sem projetos políticos claros e definidos. Se não reorientarmos nossas políticas – que insistem num desenvolvimentismo à outrance (que inclui, por exemplo, incentivos bilionários à fabricação de automóveis que ninguém sabe onde poderão trafegar), conjugado com heranças da política externa concebida na década de 1960 -, certamente teremos pela frente momentos muito difíceis. Ainda mais com a grande maioria da corporação política praticamente descolada da sociedade, voltada para os interesses diretos de seus membros.

* Washington Novaes é jornalista.

** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.