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Transgênicos e hidrelétricas (Estadão); e resposta (JC)

Transgênicos e hidrelétricas

Recentemente cem cientistas que receberam o Prêmio Nobel em várias áreas do conhecimento assinaram um apelo à organização ambiental Greenpeace para que abandone sua campanha, que já dura muitos anos, contra a utilização de culturas transgênicas para a produção de alimentos. Transgênicos são produtos em que são feitas alterações do código genético que lhes dão características especiais, como as de protegê-los de pragas, resistir melhor a períodos de seca, aumentar a produtividade e outros.

José Goldemberg*

15 Agosto 2016 | 05h00

O sucesso do uso de transgênicos é evidente em muitas culturas, como na produção de soja, da qual o Brasil é um exemplo. Contudo, quando se começou a usar produtos transgênicos, objeções foram levantadas, uma vez que as modificações genéticas poderiam ter consequências imprevisíveis. O Greenpeace tornou-se o campeão das campanhas contra o seu uso, que foi banido em vários países.

As objeções iniciais tinham como base dois tipos de consideração: luma, de caráter científico, que foi seriamente investigada por cientistas; el outra, de caráter mais geral, com base no “princípio da precaução”, que nos diz basicamente que cabe ao proponente de um novo produto demonstrar que ele não tem consequências inconvenientes ou perigosas. O “princípio da precaução” tem sido usado para barrar, com maior ou menor sucesso, a introdução de inovações.

Esse princípio tem um forte componente moral e político e tem sido invocado de forma muito variável ao longo do tempo. Por exemplo, ele não foi invocado quando a energia nuclear começou a ser usada, há cerca de 60 anos, para a produção de eletricidade; como resultado, centenas de reatores nucleares foram instalados em muitos países e alguns deles causaram acidentes de grandes proporções. Já no caso de mudanças climáticas que se originaram na ação do homem – consumo de combustíveis fósseis e lançamento na atmosfera dos gases que aquecem o planeta –, ele foi incorporado na Convenção do Clima em 1992 e está levando os países a reduzir o uso desses combustíveis.

A manifestação dos nobelistas argumenta que a experiência mostrou que as preocupações com possíveis consequências negativas dos transgênicos não se justificam e opor-se a eles não faz mais sentido.

Nuns poucos países, o “princípio da precaução” tem sido invocado também para dificultar a instalação de usinas hidrelétricas, tendo em vista que sua construção afeta populações ribeirinhas e tem impactos ambientais. Esse é um problema de fato sério em países com elevada densidade populacional, como a Índia, cujo território é cerca de três vezes menor que o do Brasil e a população, quatro vezes maior. Qualquer usina hidrelétrica na Índia afeta centenas de milhares de pessoas. Não é o caso do Brasil, que tem boa parte de seu território na Amazônia, onde a população é pequena. Ainda assim, a construção de usinas na Amazônia para abastecer as regiões mais populosas e grandes centros industriais no Sudeste tem enfrentado sérias objeções de grupos de ativistas.

A construção de usinas hidrelétricas no passado foi planejada com reservatórios. Quando esses reservatórios não são feitos, a produção de eletricidade varia ao longo do ano. Para evitar isso são construídos lagos artificiais, que armazenam água para os períodos do ano em que chove pouco.

Até recentemente quase toda a eletricidade usada no Brasil era produzida por hidrelétricas com reservatórios, que garantiam o fornecimento durante o ano todo mesmo chovendo pouco. Desde 1990 essa prática foi abandonada por causa das queixas das populações atingidas nas áreas alagadas. As hidrelétricas passaram a ser construídas sem reservatórios – isto é, “a fio d’água” –, usando apenas a água corrente dos rios. É o caso das usinas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte, cujo custo aumentou muito em relação à eletricidade produzida: elas são dimensionadas para o fluxo máximo de águas dos rios, que se dá em alguns meses, e geram muito menos nos meses secos.

Houve nesses casos um superdimensionamento do problema. De modo geral, para cada pessoa afetada pela construção de usinas, mais de cem pessoas são beneficiadas pela eletricidade produzida. Sucede que os poucos milhares de pessoas atingidas vivem em torno da usina e se organizaram para reclamar compensações (em alguns casos são instrumentadas por grupos políticos), ao passo que os beneficiados, que são milhões, vivem longe do local e não são organizados.

Cabe ao poder público avaliar os interesses do total da população, comparar os riscos e prejuízos sofridos por alguns e os benefícios recebidos por muitos. Isso não tem sido feito e o governo federal não tem tido a firmeza de explicar à sociedade onde estão os interesses gerais da Nação.

Isso se verifica também em outras grandes obras públicas, como estradas, portos e infraestruturas em geral. Um exemplo é o Rodoanel Mário Covas, em torno da cidade de São Paulo, cuja construção enfrentou fortes contestações tanto de atingidos pelas obras como de alguns grupos ambientalistas. A firmeza do governo de São Paulo e os esclarecimentos prestados viabilizaram a obra, hoje considerada positiva pela grande maioria: retira dezenas de milhares de caminhões por dia do tráfego urbano de São Paulo e reduz a poluição lançada por eles sobre a população.

O que se aprende neste caso deveria ser aplicado às hidrelétricas da Amazônia, que têm sido contestadas por alguns grupos de ambientalistas não suficientemente informados. Cabe aqui uma ação como a que foi tomada pelos nobelistas em relação aos transgênicos e aceitar hidrelétricas construídas com as melhores exigências técnicas e ambientais, incluindo reservatórios, sem os quais elas se tornam pouco viáveis, abrindo caminho para o uso de outras fontes de energia mais poluentes, como carvão e derivados de petróleo.

*PRESIDENTE DA FAPESP, FOI PRESIDENTE DA CESP


Pesquisador comenta artigo

JC 5485, 19 de agosto de 2016

O professor emérito da UnB, Nagib Nassar, questiona o artigo “Transgênicos e hidrelétricas”, do Estado de S. Paulo, divulgado no Jornal da Ciência na última terça-feira

Leia o comentário abaixo:

Refiro-me ao artigo do professor José Goldemberg, publicado no Estadão e projetado pelo Jornal da Ciência.

Discordo do ilustre cientista a começar por ele dizer que transgênicos são feitos para proteger plantas de pragas. Sabe-se que o único transgênico plantado para essa finalidade no Brasil é o milho Bt. Assim, o professor esqueceu ou fez esquecer que, para essa finalidade, é introduzido na planta um gene produtor de toxina mata insetos e, consequentemente, a planta passa a funcionar como um inseticida! 

A toxina Bt, assim como mata insetos, intoxica o próprio ser humano. Frequentemente é citado na literatura o alto risco, inclusive fatal, para o indivíduo. Um exemplo dessas variedades de milho Bt é a variedade milho MO 810: proibida para uso humano pelo próprio país produtor, pela França, Alemanha, Inglaterra e outros países europeus. Infelizmente, a variedade é autorizada no Brasil e quem autorizou não se preocupou em nos fazer de simples cobaias! Em países pobres da África foi rejeitado até como presente. A Zâmbia preferiu ver seu povo sofrer de fome a morrer envenenado! Além de matar insetos invasores, a toxina Bt mata insetos úteis, como abelha de mel e outros polinizadores necessários para que a planta formar frutas.

Quando esse tipo de transgênico morre, ao final de estação de crescimento, suas raízes deixam para o solo resíduos tóxicos que matam bactérias fixadoras do nitrogênio e transformam o solo em um ambiente envenenado para o crescimento da bactéria fixadora do Azoto, que forma fertilizante. Assim, fica impedido o crescimento de qualquer cultura leguminosa. O fabricante desse transgênico gasta milhões de reais com todos os tipos de propagandas, em todas as formas e todos os níveis: o resultado é o mais alto nível o custo das sementes transgênicas, que chega a ser 130 vezes mais cara do que o preço normal. Os pequenos agricultores enganados e iludidos pela propaganda, quando não podem pagar dívidas, correm para um destino trágico: o suicídio. Há muitos casos conhecidos da Índia, que chegou a registrar, em apenas um ano, 180 mortos.

É bom um físico falar sobre hidrelétricas, mas é questionável que se afirme dogmaticamente sobre transgênicos. E por que ele escolheu transgênicos para associá-los às hidrelétricas? Será como uma fachada que esconde o mal dos transgênicos? Isto me lembra do manifesto assinado por cem ganhadores de Nobel em favor de transgênicos escondendo atrás o arroz dourado. Entre esses ganhadores de Nobel, físicos, químicos, até letras e, além de tudo, três mortos!

Lembro-me também de um cientista distante da área  que foi há dez anos à Câmara de Deputados com argumentos e pedidos para a liberação da soja transgênica, e não pelos resultados científicos, que nunca foram apresentados e nem existiam, mas para não prejudicar agricultores que contrabandeavam soja.

Nagib Nassar

Professor emérito da Universidade de Brasília

Presidente fundador da fundação  FUNAGIB (www.funagib.geneconserve.pro.br)

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Cientistas propõem projeto para criar genoma humano sintético (O Globo)

O Globo, 02/06/2016

Imagem de reprodução de DNA de hélice quádrupla – Divulgação/Jean-Paul Rodriguez

WASHINGTON — Um grupo de cientistas propôs, nesta quinta-feira, um projeto ambicioso para criar um genoma humano sintético, que tornaria possível a criação de seres humanos sem a necessidade de pais biológicos. Esta possibilidade levanta polêmica sobre o quanto a vida humana pode ou deve ser manipulada.

O projeto, que surgiu em uma reunião de cientistas da Universidade Harvard, nos EUA, no mês passado, tem como objetivo desenvolver e testar o genoma sintético em células dentro de laboratório ao longo de dez anos. O genoma sintético humano envolve a utilização de produtos químicos para criar o DNA presente nos cromossomas humanos. A meta foi relatada na revista “Science” pelos 25 especialistas envolvidos.

Os cientistas propuseram lançar, ainda este ano, o que chamaram de Projeto de Escrita do Genoma Humano e afirmaram que iriam envolver o público nessa discussão, que incluiria questões éticas, legais e sociais.

Os especialistas esperam arrecadar US$ 100 milhões — o equivalente a R$ 361 milhões — em financiamento público e privado para lançar o projeto este ano. No entanto, eles consideram que os custos totais serão inferiores aos US$ 3 milhões utilizados no Projeto do Genoma Humano original, que mapeou pela primeira vez o DNA humano.

O novo projecto “incluirá a engenharia completa do genoma de linhas de células humanas e de outros organismos importantes para a agricultura e saúde pública, ou aqueles que interpretar as funções biológicas humanas”, escreveram na “Science” os 25 cientistas, liderados pelo geneticista Jef Boeke, do Centro Médico Langone, da Universidade de Nova York.

‘Não podemos brincar de Deus com as alterações no genoma humano’, alerta ONU (ONU)

Publicado em Atualizado em 07/10/2015

A modificação do código genético permite tratar doenças como o câncer, mas pode gerar mudanças hereditárias. UNESCO pede uma regulamentação clara sobre os procedimentos científicos e informação à população.

Foto: Flickr/ ynse

“Terapia genética poderia ser o divisor de águas na história da medicina e a alteração no genoma é sem dúvida um dos maiores empreendimentos da ciência em nome da humanidade”, afirmou a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) sobre um relatório publicado pelo Comitê Internacional de Bioética (IBC) nesta segunda-feira (5).

O IBC acrescentou, no entanto, que intervenções no genoma humano deveriam ser autorizadas somente em casos preventivos, diagnósticos ou terapêuticos que não gerem alterações para os descendentes. O relatório destaca também a importância da regulamentação e informação clara aos consumidores.

O documento ressaltou os avanços na possibilidade de testes genéticos em casos de doenças hereditárias, por meio da terapia genética, o uso de células tronco embrionárias na pesquisa médica e uso de clones e alterações genéticas para fins medicinais. São citadas também novas técnicas que podem inserir, tirar e corrigir o DNA, podendo tratar ou curar o câncer e outras doenças. Porém, estas mesmas técnicas também possibilitam mudanças no DNA, como determinar a cor dos olhos de um bebê, por exemplo.

“O grande medo é que podemos estar tentando “brincar de Deus” com consequências imprevisíveis” e no final precipitando a nossa própria destruição”, alertou o antigo secretário-geral da ONU, Kofi Annan em 2004, quando perguntado qual seria a linha ética que determinaria o limite das alterações no genoma humano. Para responder a essa questão, os Estados-membros da UNESCO adotaram em 2005 a Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos que lida com os dilemas éticos levantados pelas rápidas mudanças na medicina, na ciência e tecnologia.

Brazil scientists releasing genetically modified mosquitoes (Kristv.com)

Posted: May 01, 2015 7:48 AM BRT – Updated: May 01, 2015 7:48 AM BRT

By Miranda Leah

VIDEO

More than 100-thousand genetically modified mosquitoes were released in Brazil, in part of an effort to battle the ongoing dengue epidemic.

Oxitec, a global initiative focused on insect control, is responsible for the project in Sao Paulo.

Oxitec scientists inject the male mosquitoes with a modified gene containing a protein known as TTA.

When they produce offspring with the dengue-carrying female, the next generation will die before reaching adult phase.

It claims this method is capable of suppressing the mosquito population in the area by 90-percent.

Oxitec’s leader of field operations says similar results were seen in the Cayman Islands in 2009, and most recently in Panama.

‘Não somos ratos de laboratório’, diz diretor da Sangamo Biosciences (O Globo)

Aparelho para sequenciamento genético. Para Lanphier, pesquisas com células-tronco não-reprodutivas são as únicas aceitáveis – David Paul Morris BLOOMBERG

Edward Lanphier comanda entidade ligada à medicina regenerativa e pede um freio nas pesquisas de manipulação do DNA com células reprodutivas

POR FABIO TEIXEIRA

RIO – Edward Lanphier comanda a Sangamo Biosciences, uma das entidades que formam a Aliança para a Medicina Regenerativa (ARM, na sigla em inglês), organização que reúne mais de 200 empresas no mundo da área de biotecnologia e instituições de pesquisa. A Aliança pediu uma moratória de prazo indefinido para pesquisas e prática de manipulação do DNA de células reprodutivas.

O debate sobre o tema, que já dura anos, esquentou com o desenvolvimento de técnicas que permitem que a edição de genes ocorra na prática, o que abre a possibilidade de gerar bebês sob medida.

Lanphier anunciou o pedido de interrupção nas pesquisas em um documento assinado por ele e outros membros da aliança. O texto, publicado na “Nature”, revista científica de renome internacional, declara que este tipo de pesquisa não deve ser levada adiante.

Edward Lanphier, diretor-presidente da Sangamo Biosciences – Divulgação

Enquanto nos Estados Unidos e em países europeus ainda não há uma definição prática sobre se é permitida ou não a manipulação genética de células reprodutivas, no Brasil, estudos deste tipo já foram proibidos. A resolução foi publicada em 2004 pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), órgão do Ministério da Saúde. Ela diz: “As pesquisas com intervenção para modificação do genoma humano só poderão ser realizadas em células somáticas (não-reprodutivas).” Agora a questão seria o uso ilícito de técnicas desenvolvidas no exterior.

Em entrevista publicada esta segunda-feira na revista digital O GLOBO a Mais, Lanphier explica por que considera que até mesmo a pesquisa básica deve ser banida.

A moratória é geral?

Sim. O pedido de moratória é para que tenhamos um tempo para que todas as partes discutam o assunto. É um pedido. Mas a premissa da qual partimos é que mesmo com essa discussão existe uma linha que não pode ser ultrapassada.

Qual é o principal risco de editar o genoma de células reprodutivas (espermatozoides e óvulos)?

O grande problema é ético, apesar de haver também riscos de segurança e técnicos, que limitam o uso prático. A questão ética ultrapassa a barreira da legislação e políticas de cada país. Ela é fundamental.

Se é possível alterar o genoma, é possível escolher a cor do cabelo, dos olhos ou até da pele de um bebê?

Vai além disso. O problema é não só poder alterar as características de um indivíduo, mas também de todas as futuras gerações. Não somos ratos de laboratório, muito menos algo como um milho transgênico. Como espécie, nós humanos decidimos que somos únicos. Por décadas, os países desenvolvidos debateram a modificação de genes em células reprodutivas e se posicionaram contra isso.

É possível alterar genes que ditam características como inteligência ou até comportamento?

Essa é a nossa preocupação. Pois o indivíduo alterado passará as mudanças para as gerações futuras. Aberta a oportunidade deste tipo de pesquisa, ela pode ser usada para objetivos que não têm valor terapêutico, de tratamento de doenças. É um caminho sem volta. Nós, como sociedade, precisamos pensar no que nos torna humanos. No passado já nos posicionamos contra ações deste tipo, que podem nos levar a uma sociedade pautada pela eugenia.

O senhor poderia explicar a diferença entre a manipulação de células somáticas (não-reprodutivas) e a de óvulos e espermatozoides?

Existe uma diferença fundamental. É preto e branco. Na manipulação de células somáticas, você busca alterar um gene para criar uma resistência no indivíduo contra uma doença específica. Você não altera os genes de futuras gerações, caso a pessoa tenha filhos. A única coisa que se tenta fazer é curar doenças. Existe, porém, uma linha que não deve ser ultrapassada. E ela é alterar óvulos e espermatozoides, pois eles conferem hereditariedade para as características manipuladas.

Se o senhor muda uma única característica e ela é passada para gerações futuras, não é possível que outras mutações inesperadas aconteçam?

Isso é perfeitamente possível. É uma das questões que levantamos. Atualmente a natureza disto e suas possíveis consequências são completamente desconhecidas. Há muitas questões sem respostas. Precisamos responder a todas antes de sequer considerar a questão maior, que é a ética do processo. Ainda é muito cedo. Por isso, pedimos uma moratória.

Quais limites o senhor sente que é necessário criar a longo prazo?

Propusemos a moratória justamente para discutir o assunto. Não existe justificativa para realizar alterações genéticas em células reprodutivas.

O senhor cita uma possibilidade de rejeição da sociedade contra este tipo de pesquisa. O temor é de que isso atinja também a pesquisa com as demais células?

Seria uma rejeição motivada por falta de conhecimento.

Que linhas de estudo são consideradas promissoras?

As doenças com mais chances de serem curadas por este tipo de pesquisa são aquelas que têm um gene específico associado. É o caso de hemofilia, anemia falciforme e vários tipos de câncer. Essas são as oportunidades mais imediatas que se abrem com a pesquisa. Tecnicamente e teoricamente é possível ainda usar a tecnologia para alterar mais de um gene, para curar doenças relacionadas a múltiplos genes.

Há algum argumento a favor da alteração de genes em óvulos e espermatozoides?

Não. Mesmo em situações onde pais tenham genes com falhas ligadas a doenças hereditárias, não se justifica. Há exames pré-natais e tratamentos de fertilização in vitro para contornar estes problemas. Não há justificativa para editar o genoma humano em células reprodutivas.

Se é possível alterar o genoma humano, não é necessário questionar o que nos torna humanos? Não estaríamos criando uma nova espécie?

A grande questão é que, se mudarmos o DNA, mudamos a espécie.

Bioengineering study finds two-cell mouse embryos already ‘talking’ about their future (Science Daily)

Date:

November 26, 2014

Source:

University of California – San Diego

Summary:

Bioengineers have discovered that mouse embryos are contemplating their cellular fates in the earliest stages after fertilization when the embryo has only two to four cells, a discovery that could upend the scientific consensus about when embryonic cells begin differentiating into cell types. Their research used single-cell RNA sequencing to look at every gene in the mouse genome.

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The research team used single-cell RNA-sequencing to measure every gene in the mouse genome at multiple stages of development to find differences in gene expression at precise stages. Credit: Art by Victor O. Leshyk provided courtesy of bioeningeering professor Sheng Zhong, UC San Diego Jacobs School of Engineering.

Bioengineers at the University of California, San Diego have discovered that mouse embryos are contemplating their cellular fates in the earliest stages after fertilization when the embryo has only two to four cells, a discovery that could upend the scientific consensus about when embryonic cells begin differentiating into cell types. Their research, which used single-cell RNA sequencing to look at every gene in the mouse genome, was published recently in the journal Genome Research. In addition, this group published a paper on analysis of “time-course”single-cell data which is taken at precise stages of embryonic development in the journal of Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Until recently, we haven’t had the technology to look at cells this closely,” said Sheng Zhong, a bioengineering professor at UC San Diego Jacobs School of Engineering, who led the research. “Using single-cell RNA-sequencing, we were able to measure every gene in the mouse genome at multiple stages of development to find differences in gene expression at precise stages.”

The findings reveal cellular activity that could provide insight into where normal developmental processes break down, leading to early miscarriages and birth defects.

The researchers discovered that a handful of genes are clearly signaling to each other at the two-cell and four-cell stage, which happens within days after an egg has been fertilized by sperm and before the embryo has implanted into the uterus. Among the identified genes are several genes belonging to the WNT signaling pathway, well-known for their role in cell-cell communications.

The prevailing view until now has been that mammalian embryos start differentiating into cell types after they have proliferated into large enough numbers to form subgroups. According to the co-authors Fernando Biase and Xiaoyi Cao, when the first cell fate decision is made is an open question. The first major task for an embryo is to decide which cells will begin forming the fetus, and which will form the placenta.

The research was funded by the National Institutes of Health (DP2OD007417) and the March of Dimes Foundation.

Zhong’s research in the field of systems or network biology applies engineering principals to understand how biological systems function. For example, they developed analytical methods to predict personal phenotypes, which refer to the physical description of an individual ranging from eye and hair color to health and disposition, using an individual’s personal genome and epigenome. Epigenome refers to the chemical compounds in DNA that regulate gene expression and vary from person to person. Predicting phenotypes with genome and epigenome is an emerging area of research in the field of personalized medicine that scientists believe could provide new ways to predict and treat genetic disorders.

Story Source:

The above story is based on materials provided by University of California – San Diego. Note: Materials may be edited for content and length.

Journal References:

  1. F. H. Biase, X. Cao, S. Zhong. Cell fate inclination within 2-cell and 4-cell mouse embryos revealed by single-cell RNA sequencing. Genome Research, 2014; 24 (11): 1787 DOI: 10.1101/gr.177725.114
  2. W. Huang, X. Cao, F. H. Biase, P. Yu, S. Zhong. Time-variant clustering model for understanding cell fate decisions. Proceedings of the National Academy of Sciences, 2014; 111 (44): E4797 DOI: 10.1073/pnas.1407388111

Water ‘thermostat’ could help engineer drought-resistant crops (Science Daily)

Date: August 27, 2014

Source: Duke University

Summary: A gene that could help engineer drought-resistant crops has been identified by researchers. The gene, called OSCA1, encodes a protein in the cell membrane of plants that senses changes in water availability and adjusts the plant’s water conservation machinery accordingly. The findings could make it easier to feed the world’s growing population in the face of climate change. 


Duke University researchers have identified a gene that could help scientists engineer drought-resistant crops. The gene, called OSCA1, encodes a protein in the cell membrane of plants that senses changes in water availability and adjusts the plant’s water conservation machinery accordingly.

“It’s similar to a thermostat,” said Zhen-Ming Pei, an associate professor of biology at Duke.

The findings, which appear Aug. 28 in the journalNature, could make it easier to feed the world’s growing population in the face of climate change.

Drought is the major cause of crop losses worldwide. A dry spell at a crucial stage of the growing season can cut some crop yields in half.

Water shortages are expected to become more frequent and severe if climate change makes rainfall patterns increasingly unreliable and farmland in some regions continues to dry up. Coupled with a world population that is expected to increase by two billion to three billion by 2050, researchers worldwide are looking for ways to produce more food with less water.

Some researchers hope that genetic engineering — in addition to improved farming practices and traditional plant breeding — will add to the arsenal of techniques to help crops withstand summer’s swelter. But engineering plants to withstand drought has proven difficult to do, largely because plants use so many strategies to deal with dehydration and hundreds of genes are involved.

The problem is confounded by the fact that drought is often accompanied by heat waves and other stresses that require different coping strategies on the part of the plant, Pei said.

One way that plants respond to water loss is by boosting the levels of calcium within their cells. The calcium surge acts as an alarm signal that triggers coping mechanisms to help the plant rebalance its water budget. But until now, the molecular machinery that plants use to send this signal — and monitor water availability in general — remained unknown.

Pei and Duke colleagues Fang Yuan, James Siedow and others identified a gene that encodes a protein in the cell membranes of plant leaves and roots, called OSCA1, which acts as a channel that allows calcium to surge into the cell in times of drought.

The gene was identified in Arabidopsis thaliana, a small unassuming plant related to cabbage and canola that is the lab rat of plant research.

Plants with defective versions of the calcium channel don’t send an alarm signal under water stress like normal plants do.

When the researchers grew normal plants and plants with defective versions of the gene side by side in the same pot and exposed them to drought stress, the mutant plants experienced more wilting.

The findings could lead to new ways to help plants thrive when water is scarce.

The team’s next step is to manipulate the activity of the OSCA1 gene and related genes and see how those plants respond to drought — information that could lead to crops that respond more quickly and efficiently to dehydration.

“Plants that enter drought-fighting mode quickly and then switch back to normal growth mode quickly when drought stress is gone should be able to allocate energy more efficiently toward growth,” Pei said.

 

Journal Reference:

  1. Fang Yuan, Huimin Yang, Yan Xue, Dongdong Kong, Rui Ye, Chijun Li, Jingyuan Zhang, Lynn Theprungsirikul, Tayler Shrift, Bryan Krichilsky, Douglas M. Johnson, Gary B. Swift, Yikun He, James N. Siedow, Zhen-Ming Pei. OSCA1 mediates osmotic-stress-evoked Ca2 increases vital for osmosensing in Arabidopsis.Nature, 2014; DOI: 10.1038/nature13593

Exposing Monsanto: Herbicide Linked to Birth Defects – the Vitamin A Connection (Truthout)

Monday, 28 July 2014 09:27

By Jeff Ritterman, M.D., Truthout | Op-Ed

Monsanto’s herbicide Roundup, with glyphosate as the primary ingredient, has recently been linked to a fatal kidney disease epidemic ravaging parts of Central America, India and Sri Lanka. A leading theory hypothesizes that complexes of glyphosate and heavy metals poison the kidney tubules. El Salvador and Sri Lankahave adopted the precautionary principle and taken action to ban the herbicide. In the United States, glyphosate is coming up for review by the Environmental Protection Agency (EPA) in late 2014. Monsanto claims a low risk to human health, but the research is showing something very different. Will these health concerns be enough for the EPA to put restrictions on the herbicide – or to ban it altogether?

Monsanto’s Claims of Safety

Thus far, Monsanto has been successful in portraying Roundup as a safe and effective herbicide. The Monsanto website claims:

Glyphosate binds tightly to most types of soil so it is not available for uptake by roots of nearby plants. It works by disrupting a plant enzyme involved in the production of amino acids that are essential to plant growth. The enzyme, EPSP synthase, is not present in humans or animals, contributing to the low risk to human health from the use of glyphosate according to label directions.

Public Kept in the Dark

Contrary to the company’s claims of safety, a virtual avalanche of scientific studies on animals, including some funded by Monsanto itself, show alarming incidences of fetal deaths and birth defects. The record also shows that Monsanto has known since the 1980s that glyphosate in high doses causes malformations in experimental animals. Since 1993, the company has been aware that even middle and low doses can cause these malformations. These malformations include absent kidneys and lungs, enlarged hearts, extra ribs, and missing and abnormally formed bones of the limbs, ribs, sternum, spine and skull.

These startling revelations can be found in the report Roundup and Birth Defects: Is the Public Being Kept in the Dark? The document is authored by eight experts from the fields of molecular genetics, agro-ecology, toxico-pathology, scientific ethics, ecological agriculture, plant genetics, public health and cell biology. This report, written primarily for a European readership, is highly critical of the biotech industry and of the European Union’s failure to evaluate glyphosate based on the science rather than on political concerns. It calls for an immediate withdrawal of Roundup and glyphosate from the European Union until a thorough scientific evaluation is done on the herbicide. From the report:

The public has been kept in the dark by industry and regulators about the ability of glyphosate and Roundup to cause malformations. In addition, the work of independent scientists who have drawn attention to the herbicide’s teratogenic effects has been ignored, denigrated or dismissed. These actions on the part of industry and regulators have endangered public health. (Authors note: Ateratogen is any agent that can disturb the development of an embryo or a fetus. The term stems from the Greek teras, meaning monster).

Monsanto’s Safety Claim Misleads

How is it possible that there are so many adverse health impacts in the test animals, if, as Monsanto claims, “the enzyme, EPSP synthase, is not present in humans or animals”?

The reason is simple. Roundup attacks other enzyme systems, which are indeed present in the animal kingdom.

We owe this knowledge to a group of scientists from Argentina who became concerned about human birth defects in areas of their country where Roundup was being sprayed from airplanes as part of genetically modified (GM) soy production. They decided to do laboratory research to explore whether Roundup would produce similar developmental abnormalities in test animals. Experimenting with frog and chicken embryos, they found that those embryos exposed to the herbicide developedsignificant malformations, including neural defects and craniofacial malformations similar to the birth defects seen in humans.

Not only did this group of scientists demonstrate that Roundup causes birth defects in the animals tested, but they also were able to demonstrate how Roundup caused the fetal abnormalities. The herbicide increased the activity of the Vitamin A (retinoic acid) “signaling pathway.” It’s called a signaling pathway because it turns genes on and off. Roundup causes an abnormal increase in activity of this pathway, which turns off certain genes. Unfortunately, those very genes are needed for normal embryological development. When the Roundup turns off those genes, birth defects result.

This signaling pathway is shared by virtually all vertebrates, including amphibians, birds and mammals. Thus, it seems quite likely that the birth defects seen in frogs, chickens, rats, rabbits and humans all occur because Roundup attacks this pathway. It also seems likely that if we continue to allow glyphosate to accumulate in the environment, we can expect vertebrates of many types to suffer increasing rates of birth defects. This, of course, includes humans.

Roundup and Birth Defects: the Story From Latin America

The Argentinian researchers were motivated by humanitarian concerns. They were aware of the many worrisome reports of increases in birth defects in Argentina and in other parts of Latin America attributed to aerial glyphosate spraying.

A frightening example is a study of birth defects in Argentina, which found that Cordoba, an area of intensive planting of GM soy and heavy glyphosate use, had a higher incidence of spina bifida (spinal cord protrusion in the lower back), microtia(abnormal ear), cleft lip and palate, polycystic kidney, postaxial polydactyly (extra fingers or toes) and Down’s Syndrome than other regions. Many of these defects are of the type associated with disturbances in the Vitamin A signaling system.

Chaco, Argentina is also a region of intensive GM soy production and heavy glyphosate use. In the last decade, coincident with expansion of GM soy production,birth defects have increased threefold and cancer rates have increased fourfold. A court in the adjacent province of Santa Fe, a major GM soy-producing region, banned the spraying of glyphosate and other agrochemicals in populated areas because of concerns about “severe damage to the environment and to the health and quality of life of the residents.”

Itapua, Paraguay is another GM soy dominated area. Here, residents have suffered a similar fate. Women exposed to glyphosate during pregnancy have a high incidence of fetal deformities similar to those seen in Argentina. These deformities, once again, can be explained by glyphosate’s ability to interfere with the Vitamin A signaling pathway.

Rounding Up the Science

Glyphosate has been conclusively proven to cause birth defects in frogs, chickens, rats, rabbits, and also in humans. Monsanto’s claim that Roundup is safe because it kills weeds by attacking one specific enzyme system not found in animals is misleading. Monsanto has a very large investment in maintaining this illusion. Half of Monsanto’s revenue comes from the sale of Roundup and Roundup Ready seeds.

Roundup attacks vital enzyme systems found in animals, including in humans. It is now clear that interference by Roundup with one of these enzyme systems, the Vitamin A signaling system, can result in severe birth defects. This system is shared by most vertebrates, making Roundup capable of inducing devastating birth defects in a wide variety of amphibians, birds and mammals, and possibly reptiles and fish as well. Allowing glyphosate to continue to build up in the environment will likely cause increased rates of birth defects in all vertebrates exposed, including humans. Exposure, of course, includes the digestion of exposed plants and animals.

Policy Recommendation

The science is clear. There is only one rational response. No family should have to tolerate the risk of significant birth defects – in the United States, or in any part of the world. Roundup and other glyphosate formulations should be banned. Thus far, the voices of public health advocates in this country have been drowned out by those promoting biotechnology and its profits, regardless of the health consequences. We can’t let this continue. Our health, the health of our children and the health of our environment must come first. It is the responsibility of our governmental institutions to protect humanity, not corporate profit.

It’s long past time for us to heed Rachel Carson’s warning from Silent Spring:

If we are going to live so intimately with these chemicals – eating and drinking them, taking them into the very marrow of our bones – we had better know something about their nature and their power.

Pass this on. Raise your voice.

Cientistas pedem limite à criação de vírus mortais em laboratório (O Globo)

JC e-mail 4991, de 17 de julho de 2014

Falhas em unidades americanas elevam riscos de surtos

Um grupo multidisciplinar de cientistas de importantes universidades em diferentes países publicou ontem um alerta sobre a manipulação, em laboratórios norte-americanos, de vírus que podem se espalhar e infectar homens e outros mamíferos. A preocupação vem na esteira de seguidas notícias sobre falhas de envolvendo micro-organismos potencialmente perigosos.

“Incidentes recentes com varíola, antraz e gripe aviária em alguns dos mais importantes laboratórios dos EUA nos faz lembrar da falibilidade até das unidades mais seguras, reforçando a necessidade urgente de uma reavaliação completa de biossegurança”, escreveu o autodenominado “Grupo de Trabalho de Cambridge”, composto de pesquisadores das universidades de Harvard, Yale, Ottawa, entre outras.

No alerta, eles relatam que incidentes com patógenos têm aumentado e ocorrido em média duas vezes por semana em laboratórios privados e públicos do país. A informação é de um estudo de 2012 do periódico “Applied Biosafety”.

– Quando vemos algum caso na imprensa, dá a impressão de que são episódios raros, mas não são – comentou Amir Attaran, da Universidade de Ottawa, um dos cientistas que assinou o documento. – Estamos preocupados com as experiências perigosas que estão sendo feitas para projetar os mais infecciosos e mortais vírus da gripe e da síndrome respiratória aguda grave (Sars). Achamos que essa ciência imprudente e insensata pode ferir ou matar um grande número de pessoas. O Centro de Controle de Prevenção de Doenças, na semana passada, admitiu que laboratórios de alta segurança perderam o controle com algumas amostras.

No último caso, frascos de varíola foram encontrados por acaso num depósito inutilizado de um laboratório federal em Washington. Estima-se que eles estivessem ali há mais de 50 anos.

Attaran comparou o pronunciamento do grupo ao que cientistas fizeram em 1943, antes dos bombardeios de Hiroshima, na Segunda Guerra Mundial. E disse que o risco dessas experiências são maiores do que os possíveis benefícios dessas pesquisas, citando a recriação in vitro do vírus da gripe espanhola, de 1918, que matou 40 milhões de pessoas. Em 2006, cientistas fizeram a experiência num laboratório americano.

– Não é para ficarmos alarmados aqui – garante Volnei Garrafa, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Bioética da UnB e membro do Comitê Internacional de Bioética da Unesco. – Mas a preocupação deles é válida, sempre há riscos, e o governo precisaria se posicionar.

LEIA O DOCUMENTO NA ÍNTEGRA:
Incidentes recentes envolvendo varíola, antraz e gripe aviária em alguns dos mais importantes laboratórios dos Estados Unidos nos faz lembrar da falibilidade até das unidades mais seguras, reforçando a necessidade urgente de uma reavaliação completa de biossegurança. Tais incidentes têm aumentado e ocorrido em média duas vezes por semana com patógenos regulados em laboratórios privados e públicos do país. Uma infecção acidental com qualquer patógeno é preocupante. Mas riscos de acidente com os recém-criados ‘patógenos potencialmente pandêmicos’ levanta novas graves preocupações.

A criação em laboratório de novas cepas de vírus perigosos e altamente transmissíveis, especialmente de gripe, mas não apenas dela, apresenta riscos substancialmente maiores. Uma infecção acidental em tal situação poderia desencadear surtos que poderiam ser difíceis ou impossíveis de controlar. Historicamente, novas cepas de gripe, uma vez que comecem a transmissão na população humana, infectaram um quarto ou mais da população mundial em dois anos.

Para qualquer experimento, os benefícios esperados deveriam superar os riscos. Experiências envolvendo a criação de patógenos potencialmente pandêmicos deveria ser limitada até que haja uma avaliação quantitativa, objetiva e confiável, dos possíveis benefícios e oportunidades de mitigação de riscos, assim como a comparação contra abordagens experimentais mais seguras.

Uma versão moderna do processo Asilomar, que define regras para pesquisas com DNA recombinante, poderia ser um ponto de partida para identificar as melhores medidas para se atingir os objetivos de saúde pública global no combate a doenças pandêmicas e assegurar os mais altos níveis de segurança. Sempre que possível, a segurança deve ser prioridade em detrimento a ações que tenham risco de pandemia acidental.

(Flávia Milhorance / O Globo)
http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/cientistas-pedem-limite-criacao-de-virus-mortais-em-laboratorio-13281731#ixzz37jNAiHZI

Transgênicos, 20 anos de avanços e polêmicas (Valor Econômico)

JC e-mail 4973, de 16 de junho de 2014

Futuro imaginado: desafio dos cientistas é entender a soja como um circuito, onde todas as peças são conhecidas

Vinte anos após a aprovação do primeiro alimento geneticamente modificado do mundo – um tomate com maior durabilidade criado na Califórnia -, o mercado de transgênicos atinge a maturidade com números expressivos, ainda que cercado de polêmicas. A cada 100 hectares plantados com soja hoje no planeta, 80 já são de sementes com os genes alterados. No caso do milho, são 30 para cada 100, o que significa que a chance de encontrar essas matérias-primas na dieta alimentar humana e animal cresceu substancialmente.

Em menos de duas décadas, a área com culturas transgênicas subiu 100 vezes, de 1,7 milhão de hectares para 175,2 milhões. Os EUA continuam na liderança desse processo, com 70 milhões de hectares e 90% de adoção de tecnologia em lavouras de soja, milho e algodão, espelhando uma tendência em outros grandes países agrícola.

Com movimentação global de US$ 16 bilhões em 2013 nessas tecnologias, as companhias agrícolas travam uma “batalha de foice no escuro” para arrebatar mercados ainda não conquistados.

Na soma de perdas e ganhos, os produtores rurais dizem ter angariado benefícios, o que justificou a adoção da tecnologia. Desde a aprovação para consumo do tomate “Flavr Savr”, desenvolvido pela Calgene (comprada pela Monsanto), em 1994, a redução das aplicações de inseticidas recuaram 90% até 2010. O uso de herbicidas também caiu, embora casos pontuais de resistência de plantas daninhas ao glifosato, tenham acendido o sinal amarelo no Sul do Brasil e em regiões do EUA. A Monsanto, detentora da tecnologia, credita esses episódios a erros do produtor, como falta de rotação de culturas e o mau uso de produtos químicos.

Se os números até agora são favoráveis, a descoberta de novos “eventos” – o jargão da indústria para variedades novas – é crucial para manter o fôlego da indústria. Nos EUA, os pedidos para liberações de testes de campo, um medidor importante da intensidade das pesquisas em biotecnologia agrícola, têm se mantido à ordem 800 por ano, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). A Monsanto é a empresa que mais protocola esses pedidos junto às autoridades americanas, seguida por DuPont Pioneer e Syngenta.

No Brasil, 53 tiveram a liberação planejada no ambiente aprovadas este ano pela Comissão Técnica Nacional para a Biossegurança (CTNBio) e 19 aguardam o O.K. comercial – a maior parte para milho e soja, com novidades também em cana-de-açúcar e eucalipto.

Os esforços nos laboratórios estão centrados em trazer soluções para velhas e novas necessidades do campo. Questões agronômicas, como o aumento de produtividade, continuam norteando as pesquisas. Mas as mudanças no clima trouxeram demandas de outra ordem, como a de sementes resistentes ao calor e ao estresse hídrico.

A complexidade também mudou. Segundo os cientistas, para atender os sistemas de produção atuais, não basta reformular plantas com uma única característica. Kristie Bell, gerente de comunicação da DuPont Pioneer para América Latina, diz que o avanço está em construir variedades agrícolas com benefícios múltiplos – os chamados eventos “piramidados”, tidos como a evolução natural do conhecimento científico. É aí que reside o futuro da biotecnologia.

“À medida em que a população global crescerá de sete para nove bilhões até 2050, os produtores rurais enfrentarão necessidades pontuais tanto para elevar a produtividade quanto entregar alimentos mais nutritivos”, diz Bell, acrescentando que mais da metade das vendas de sementes da companhia já são de variedades transgênicas. Em 2013, a divisão de sementes da DuPont investiu US$ 2,2 bilhões em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), sendo que 60% foi destinado a inovações em agricultura e biotecnologia.

Extremamente complexas do ponto de vista fisiológico, essas sementes “piramidadas” tentarão agrupar o maior número possível de características genéticas novas. “Essa tem sido a maior demanda do mercado”, afirma Ricardo Abdenoor, pesquisador da Embrapa Soja. Nos países que adotaram a biotecnologia, a área com tratamentos combinados totalizou 47,1 milhões, ou 27% do total.

Hoje, o que há de mais avançado aprovado no mercado é a soja Intacta RR2 PRO, da Monsanto. A tecnologia combina resistência ao herbicida glifosato e é tolerância a lagarta e, segundo a empresa, entrega também um ganho de produtividade de 10% em relação à tecnologia anterior. A Intacta fez sua estreia no mercado brasileiro nesta safra, a 2013/14. “Ela foi aprovada apenas no mercado brasileiro porque não há incidência de lagartas nos Estados Unidos”, afirma Geraldo U. Berger, diretor de regulamentação da Monsanto no Brasil, segundo maior mercado para a multinacional americana.

Desde 1996 no mercado de sementes transgênicas, com a aprovação nos EUA da soja Roundup Ready (RR), tolerante ao herbicida glifosato, a Monsanto lidera o segmento com US$ 14,9 bilhões em vendas em 2013, 70% dos quais da divisão de sementes e genômica.

Se o agrupamento de características novas às plantas já é uma realidade nos centros de pesquisa agrícola, a remodelação completa de um cromossomo é o exercício mais difícil da engenharia genética. Elibio Rech, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, diz o que se pretende é trabalhar com as plantas como um circuito, onde todas as peças são conhecidas. Nesse sentido, ao invés de substituir genes ou blocos de genes de uma soja, por exemplo, os cientistas criarão um cromossomo novo. “Queremos modificar a rota metabólica até reconstruir completamente um cromossomo. É a fronteira da fronteira científica”. A vantagem? Editar mais facilmente os gentes, ganhando tempo, dinheiro e agilidade na obtenção dos resultados.

Até agora, soja, milho e algodão mantiveram-se como as mais presentes no pipeline (produtos em desenvolvimento) das empresas. Segundo Adriana Brondani, diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), isso se explica porque “com o custo alto e o tempo de demora entre o desenvolvimento de uma variedade à chegada ao mercado, só as commodities pagam o investimento”. A tendência, porém, é que as pesquisas gradativamente contemplem outras culturas, de forma a minimizar a chamada “fome oculta” – alimentos populares mas com baixo valor nutricional.

Na Ásia, pesquisadores filipinos do Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz (IRRI, em inglês) concluíram os testes de campo do recém-desenvolvido “arroz dourado”, variedade com altos níveis de vitamina A graças à modificação genética. Aqui, a Embrapa recebeu a aprovação comercial do feijão resistente ao vírus do mosaico, enquanto outro grupo de cientistas da entidade tenta criar uma alface enriquecida com ácido fólico.

Curiosamente, outro efeito da biotecnologia foi alavancar as pesquisas científicas convencionais, nas quais os cruzamentos são feitos sem a transferência de material genético. “O domínio da biologia molecular ajudou os cientistas a entender melhor e aperfeiçoar as plantas”, diz Adriana, do CIB.

Por causa disso, a Monsanto tornou-se também a maior empresa global de sementes de hortifrutis convencionais, com legumes mais doces, crocantes e nutritivos. “A Monsanto acumulou tanto know-how científico que criou vegetais com as vantagens da engenharia genética sem lançar mão de qualquer traço Frankenstein”, escreveu a revista americana “Wired”, repetindo o termo usado por grupos contrários à tecnologia para se referir aos transgênicos. “Se não precisassem de agrotóxico, poderiam até ser considerados orgânicos”.

(Bettina Barros / Valor Econômico)
http://www.valor.com.br/agro/3584620/transgenicos-20-anos-de-avancos-e-polemicas#ixzz34o6ixLiV

Plantas brasileiras podem ajudar a enfrentar impactos das mudanças climáticas (Fapesp)

Estudo do genoma de espécies do Semiárido e do Cerrado (como opequi) que são tolerantes a temperaturas elevadas e à escassez hídrica pode contribuir para o melhoramento genético de culturas como soja, milho, arroz e feijão, diz pesquisador da Embrapa (foto: Wikipedia)

02/06/2014

Por Noêmia Lopes

Agência FAPESP – A seriguela e o umbuzeiro, árvores comuns do Semiárido nordestino, e a sucupira-preta, do Cerrado, fazem parte de um grupo de plantas brasileiras que poderão desempenhar um papel importante para a agricultura no enfrentamento das consequências das mudanças climáticas. Elas estão entre as espécies do país com grande capacidade adaptativa, tolerantes à escassez hídrica e a temperaturas elevadas.

De acordo com Eduardo Assad, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Tecnológica em Informática para a Agricultura (CNPTIA) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o estudo do genoma dessas espécies pode ajudar a tornar culturas como soja, milho, arroz e feijão tão resistentes quanto elas aos extremos climáticos. Assad foi um dos palestrantes no quarto encontro do Ciclo de Conferências 2014 do programa BIOTA-FAPESP Educação, realizado no dia 22 de maio, em São Paulo.

“O Cerrado já foi muito mais quente e seco e árvores como pau-terra, pequi e faveiro, além da sucupira-preta, sobreviveram. Precisamos estudar o genoma dessas árvores, identificar e isolar os genes que as tornam tão adaptáveis. Isso pode significar, um dia, a chance de melhorar geneticamente culturas como soja e milho, tornando-as igualmente resistentes”, disse. “Não é fácil, mas precisamos começar.”

Assad destaca que o Brasil é líder em espécies resistentes. “O maior armazém do mundo de genes tolerantes ao aquecimento global está aqui, no Cerrado e no Semiárido Nordestino”, disse em sua palestra O impacto potencial das mudanças climáticas na agricultura.

Os modelos de pesquisa realizados pela Embrapa, muitos deles feitos em colaboração com instituições de outros 40 países, apontam que a redução de produtividade de culturas como milho, soja e arroz decorrente das mudanças climáticas deve se acentuar nas próximas décadas. “Isso vale para as variedades genéticas atuais. Uma das soluções é buscar genes alternativos para trabalhar com melhoramento”, disse Assad.

Outras plantas do Cerrado com grande capacidade adaptativa lembradas pelo pesquisador são a árvore pacari e os frutos do baru e da cagaita. No Semiárido Nordestino, árvores como a seriguela, o umbuzeiro e a cajazeira foram apontadas como opções importantes não só para estudos genéticos como também para programas voltados à geração de renda pela população local.

“Em vez de produzir culturas exóticas à região, é preciso investir naquelas que já fazem parte da biodiversidade nordestina e têm potencial de superar as consequências do aquecimento global”, adiantou Assad.

Para o melhoramento de espécies, de forma a que se tornem tolerantes ao estresse abiótico, a Embrapa planeja lançar, em 2015, uma soja resistente à deficiência hídrica, produzida a partir de um gene existente em uma planta do Japão. “Testamos essa variedade este ano, no Paraná, em um período sem chuvas. Ainda há estudos a serem feitos, mas ela está se saindo muito bem”, disse o pesquisador.

Assad também citou avanços empreendidos pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que já lançou quatro cultivares de feijão com tolerância a temperaturas elevadas, além de pesquisas feitas no município de Varginha (MG) em busca de variáveis mais tolerantes para o café.


Prejuízos e mudanças no sistema produtivo

Cálculos da Embrapa feitos com base na produtividade média da soja mostram que somente esse grão acumulou mais de US$ 8,4 bilhões em perdas relacionadas às mudanças climáticas no Brasil entre 2003 e 2013. Já a produção de milho perdeu mais de US$ 5,2 bilhões no mesmo período.

A área considerada de baixo risco para o cultivo do café arábica deve diminuir 9,45% até 2020, causando prejuízos de R$ 882 milhões, e 17,15% até 2050, elevando as perdas para R$ 1,6 bilhão, de acordo com análises feitas na Embrapa e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Diante dos prejuízos, outra solução apontada por Assad é a revisão do modelo produtivo agrícola. “A concentração de gases de efeito estufa na atmosfera aumentou mais de 20% nos últimos 30 anos, tornando indispensável a implantação de sistemas produtivos mais limpos”, disse à Agência FAPESP.

“O Brasil é muito respeitado nesse tema, em especial porque reduziu o desmatamento na Amazônia e, ao mesmo tempo, ampliou a produtividade na Região Amazônica”, disse.

Segundo Assad, isso abre canais de diálogo sobre a sustentabilidade na agricultura e sobre a adoção de estratégias como integração entre lavoura, pecuária e floresta, plantio direto na palha, uso de bactérias fixadoras de nitrogênio no solo, rochagem (uso de micro e macronutrientes para melhorar a fertilidade dos solos), aplicação de adubos organominerais, além do melhoramento genético.

“O confinamento do gado é outro ponto que está em discussão por pesquisadores e criadores em diversas partes do mundo. Ele pode resultar em menos emissão de gases de efeito estufa, mas torna o rebanho mais vulnerável à doença da vaca louca. Nesse caso, uma alternativa é a recuperação de pastos degradados”, afirmou Assad.

Estudos feitos na Embrapa Agrobiologia mostram que um quilo de carne produzido em pasto degradado emite mais de 32 quilos de CO2 equivalente por ano. Já em pasto recuperado a partir do que a agricultura de baixa emissão de carbono preconiza, a emissão por quilo de carne pode ser reduzida a três quilos de CO2 equivalente anuais.

“Isso mostra que ambientalistas, ruralistas, governo e setor privado precisam sentar e decidir o que fazer daqui em diante – qual sistema de produção adotar? Com ou sem pasto? Com ou sem árvores? Rotacionado ou não? São mudanças difíceis, de longo prazo, mas muitos agricultores já estão preocupados com essas questões, com os prejuízos que o aquecimento global pode trazer, e começam a buscar soluções”, disse.

Drought hormones measured in plants to prepare for food security (Science Daily)

Date: April 15, 2014

Source: Carnegie Institution

Summary: Floods and droughts are increasingly in the news, and climate experts say their frequency will only go up in the future. As such, it is crucial for scientists to learn more about how these extreme events affect plants in order to prepare for and combat the risks to food security that could result. New work could help bring about breakthrough findings on that front.

The NiTrac sensor developed by Cheng Hsun Ho and Wolf Frommer of the Carnegie Institution will enable non-invasive real-time monitoring of nitrogen acquisition in action in plant roots, providing a new tool set that can be used to improve nitrogen efficiency. The novel sensor technology is widely applicable and useful also for cancer and neurobiology. Credit: Cheng Hsun Ho and Wolf Frommer.

Floods and droughts are increasingly in the news, and climate experts say their frequency will only go up in the future. As such, it is crucial for scientists to learn more about how these extreme events affect plants in order to prepare for and combat the risks to food security that could result.

Like animals, plants have hormones that send chemical signals between its cells relaying information about the plant’s development or interactions with the outside world. One particular way in which plants use hormone signals is in reaction to drought or soil saltiness. The hormone responsible for this type of response is called abscisic acid. It not only controls efficient water use, but plays a role in signaling when seeds should remain dormant and when they should germinate, depending on soil conditions.

New work from a team including Carnegie’s Wolf Frommer will allow researchers, for the first time, to measure the levels of abscisic acid in individual plant cells in real time. It is published in eLife.

“This will vastly improve our understanding of how abscisic acid works in a plant that is stressed by salt or lack of water,” Frommer explained. “This new tool can help engineers and farmers work to increase crop yields, which is especially important as climate change puts plants under increased stress.”

The team’s tool uses multiple fluorescently tagged proteins to measure the concentration of abscisic acid found in a plant cell. Their findings indicate that there are likely more proteins responsible for transporting abscisic acid into a cell than are currently known and also that abscisic acid is eliminated by root cells very quickly after uptake.

“More work should reveal the fine-tuning by which plant cells respond and react to hormone signals. These tools should also have applications for human and animal hormones, as well,” Frommer said.

Journal Reference:

  1. A. M. Jones, J. A. Danielson, S. N. ManojKumar, V. Lanquar, G. Grossmann, W. B. Frommer. Abscisic acid dynamics in roots detected with genetically encoded FRET sensorseLife, 2014; 3 (0): e01741 DOI: 10.7554/eLife.01741

Mosquito transgênico para controle da dengue aprovado pela CTNBio (Portal do Meio Ambiente)

17 ABRIL 2014

Brasília – A CTNbio aprovou o pedido de liberação comercial de uma variedade transgênica de Aedes aegypti (o mosquito transmissor do vírus da dengue e de um novo virus, Chikungunya), desenvolvido pela empresa britânica Oxitec. O A. aegypti OX513a carrega um gene de letalidade condicional, que é ativado na ausência de tetraciclina. Os machos, separados das fêmeas ainda em estado de pupa, podem ser produzidos em biofábrica em enormes quantidades, sendo em seguida liberados no ambiente. Para detalhes verhttp://br.oxitec.com .

A votação nominal na Plenária teve como resultado 16 votos favoráveis (sendo um condicional) e um contra.

Antes da votação o parecer de vistas do processo foi lido. O membro relator argumentou pela diligência do processo por várias falhas que, ao seu ver, impediam uma conclusão segura do parecer. O argumento principal foi de que a eliminação do A. aegypti, de forma rápida e extensa, abriria espaço para a recolonização do espaço por outro mosquito, como o Aedes albopictus. Seu parecer foi amplamente rechaçado pela Comissão.

Também antes da votação alguns membros sugeriram uma audiência pública de instrução, que foi rechaçada por 11 votos contra 4.

A discussão imediatamente antes da votação versou menos sobre os riscos diretos do mosquito à saúde humana e animal e ao meio ambiente e derivou para aspectos de benefícios à tecnologia. Esta divergência refletiu o consenso da CTNBio quanto à segurança do produto e à premência de novas técnicas para o controle do vetor da dengue. A discussão também refletiu a segurança da CTNBio sobre o potencial da tecnologia na redução de populações de A. aegypti, sem riscos de recrudescimento de outras doenças, parecimento de novas endemias ou substituição do mosquito vetor, em completa oposição ao ponto de vista isolado do membro relator do pedido de vistas. Uma discussão detalhada do ponto de vista do relator está disponível em http://goo.gl/7aJZuI.

Com estes resultados,a CTNBio abre ao país a possibilidade de empregar um mosquito transgênico para o controle da dengue. A liberação comercial deste mosquito é, também, a primeira liberação comercial de um inseto transgênico no Mundo. O Brasil, usando uma legislação eficiência e séria na avaliação de risco de organismos geneticamente modificados, dá um exemplo de seriedade e maturidade tanto aos países que já fazem avaliação de risco de OGMs, como àqueles que ainda vacilam em ingressar no uso desta tecnologia.

Fonte: GenPeace.

*   *   *

17/4/2014 – 12h13

Mosquitos transgênicos são aprovados, mas pesquisadores temem riscos (Adital)

por Mateus Ramos, do Adital

mosquitos1 300x150 Mosquitos transgênicos são aprovados, mas pesquisadores temem riscos

Um importante, e perigoso, passo foi dado na última semana pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que aprovou o projeto de liberação de mosquitos geneticamente modificados no Brasil. Os mosquitos transgênicos serão usados para pesquisa e combate a dengue no país. O projeto, que permite a comercialização dos mosquitos pela empresa britânica Oxitec, foi considerado tecnicamente seguro pela CTNBio e, agora, só necessita de um registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser, de fato, liberado.

Para o professor da Universidade Federal de São Carlos (SP) e ex- membro da CTNBio, José Maria Ferraz, em entrevista à Adital, a resposta positiva dada ao projeto, pela Comissão, é um forte indicativo de que o mesmo será feito pela Anvisa. “Com certeza será aprovado, o próprio representante do Ministério da Saúde estava lá e disse que, frente às epidemias de dengue, era favorável à aprovação do projeto.”

Ferraz faz duras críticas à aprovação concedida pela CTNBio e ao projeto. “Não existe uma só política de enfrentamento à dengue, mas sim um conjunto de ações, além disso, não há garantias de que os mosquitos liberados também não carreguem a doença, ou seja, vão liberar milhões de mosquitos em todo o país, sem antes haver um estudo sério sobre o projeto. É uma coisa extremamente absurda o que foi feito. É uma insanidade, eu nunca vi tanta coisa errada em um só projeto.”

Outro grande problema apontado por Ferraz é o risco de se alterar, drasticamente, o número de mosquitos Aedes Aegypti. Uma possível redução pode aumentar a proliferação de outro mosquito, ainda mais nocivo, o Aedes Albopictus, que transmite não só a Dengue como outras doenças, a Malária por exemplo. Além disso, ele denuncia que falhas no projeto podem desencadear ainda a liberação de machos não estéreis e fêmeas, dificultando o controle das espécies. “O país está sendo cobaia de um experimento nunca feito antes no mundo. Aprovamos esse projeto muito rápido, de forma irresponsável.”

Os resultados prometidos pelo projeto podem ser afetados, por exemplo, caso haja o contato do mosquito com o antibiótico tetraciclina, que é encontrado em muitas rações para gatos e cachorros. “Basta que os mosquitos entrem em contato com as fezes dos animais alimentados com a ração que contenham esse antibiótico para que todo o experimento falhe.”, revela Ferraz.

Entenda o projeto

De acordo com a Oxitec, a técnica do projeto consiste em introduzir dois novos genes em mosquitos machos, que, ao copularem com as fêmeas do ambiente natural, gerariam larvas incapazes de chegar à fase adulta, ou seja, estas não chegariam à fase em que podem transmitir a doença aos seres humanos. Além disso, as crias também herdariam um marcador que as torna visíveis sob uma luz específica, facilitando o seu controle.

* Publicado originalmente no site Adital.

The Mammoth Cometh (New York Times Magazine)

Bringing extinct animals back to life is really happening — and it’s going to be very, very cool. Unless it ends up being very, very bad.

By NATHANIEL RICHFEB. 27, 2014

Photo

CreditStephen Wilkes for The New York Times; Woolly Mammoth, Royal BC Museum, Victoria, British Columbia

The first time Ben Novak saw a passenger pigeon, he fell to his knees and remained in that position, speechless, for 20 minutes. He was 16. At 13, Novak vowed to devote his life to resurrecting extinct animals. At 14, he saw a photograph of a passenger pigeon in an Audubon Society book and “fell in love.” But he didn’t know that the Science Museum of Minnesota, which he was then visiting with a summer program for North Dakotan high-school students, had them in their collection, so he was shocked when he came across a cabinet containing two stuffed pigeons, a male and a female, mounted in lifelike poses. He was overcome by awe, sadness and the birds’ physical beauty: their bright auburn breasts, slate-gray backs and the dusting of iridescence around their napes that, depending on the light and angle, appeared purple, fuchsia or green. Before his chaperones dragged him out of the room, Novak snapped a photograph with his disposable camera. The flash was too strong, however, and when the film was processed several weeks later, he was haunted to discover that the photograph hadn’t developed. It was blank, just a flash of white light.

In the decade since, Novak has visited 339 passenger pigeons — at the Burke Museum in Seattle, the Carnegie Museum of Natural History in Pittsburgh, the American Museum of Natural History in New York and Harvard’s Ornithology Department, which has 145 specimens, including eight pigeon corpses preserved in jars of ethanol, 31 eggs and a partly albino pigeon. There are 1,532 passenger-pigeon specimens left on Earth. On Sept. 1, 1914, Martha, the last captive passenger pigeon, died at the Cincinnati Zoo. She outlasted George, the penultimate survivor of her species and her only companion, by four years. As news spread of her species’ imminent extinction, Martha became a minor tourist attraction. In her final years, whether depressed or just old, she barely moved. Underwhelmed zoo visitors threw fistfuls of sand at her to elicit a reaction. When she finally died, her body was taken to the Cincinnati Ice Company, frozen in a 300-pound ice cube and shipped by train to the Smithsonian Institution, where she was stuffed and mounted and visited, 99 years later, by Ben Novak.

The fact that we can pinpoint the death of the last known passenger pigeon is one of many peculiarities that distinguish the species. Many thousands of species go extinct every year, but we tend to be unaware of their passing, because we’re unaware of the existence of most species. The passenger pigeon’s decline was impossible to ignore, because as recently as the 1880s, it was the most populous vertebrate in North America. It made up as much as 40 percent of the continent’s bird population. In “A Feathered River Across the Sky,” Joel Greenberg suggests that the species’ population “may have exceeded that of every other bird on earth.” In 1860, a naturalist observed a single flock that he estimated to contain 3,717,120,000 pigeons. By comparison, there are currently 260 million rock pigeons in existence. A single passenger-pigeon nesting ground once occupied an area as large as 850 square miles, or 37 Manhattans.

The species’ incredible abundance was an enticement to mass slaughter. The birds were hunted for their meat, which was sold by the ton (at the higher end of the market, Delmonico’s served pigeon cutlets); for their oil and feathers; and for sport. Even so, their rapid decline — from approximately five billion to extinction within a few decades — baffled most Americans. Science magazine published an article claiming that the birds had all fled to the Arizona desert. Others hypothesized that the pigeons had taken refuge in the Chilean pine forests or somewhere east of Puget Sound or in Australia. Another theory held that every passenger pigeon had joined a single megaflock and disappeared into the Bermuda Triangle.

Stewart Brand, who was born in Rockford, Ill., in 1938, has never forgotten the mournful way his mother spoke about passenger pigeons when he was a child. During summers, the Brands vacationed near the top of Michigan’s mitten, not far from Pigeon River, one of the hundreds of American places named after the species. (Michigan alone has four Pigeon Rivers, four Pigeon Lakes, two Pigeon Creeks, Pigeon Cove, Pigeon Hill and Pigeon Point). Old-timers told stories about the pigeon that to Brand assumed a mythic quality. They said that the flocks were so large they blotted out the sun.

Brand’s compassion for the natural world has taken many diverse forms, but none more broadly influential than the Whole Earth Catalog, which he founded in 1968 and edited until 1984. Brand has said that the catalog, a dense compendium of environmentalist tools and practices, among other things, “encouraged individual power.” As it turned out, Whole Earth’s success gave Brand more power than most individuals, allowing him intimate access to the world’s most imaginative thinkers and patrons wealthy enough to finance those thinkers’ most ambitious ideas. In the last two decades, several of these ideas have materialized under the aegis of the Long Now Foundation, a nonprofit organization that Brand helped to establish in 1996 to support projects designed to inspire “long-term responsibility.” Among these projects are a 300-foot-tall clock designed to tick uninterruptedly for the next 10,000 years, financed by a $42 million investment from the Amazon.com founder Jeff Bezos and situated inside an excavated mountain that Bezos owns near Van Horn, Tex.; and a disk of pure nickel inscribed with 1,500 languages that has been mounted on the Rosetta space probe, which this year is scheduled to land on Comet 67P/Churyumov-Gerasimenko, 500 million miles from earth.

Three years ago Brand invited the zoologist Tim Flannery, a friend, to speak at Long Now’s Seminar About Long-Term Thinking, a monthly series held in San Francisco. The theme of the talk was “Is Mass Extinction of Life on Earth Inevitable?” In the question-and-answer period that followed, Brand, grasping for a silver lining, mentioned a novel approach to ecological conservation that was gaining wider public attention: the resurrection of extinct species, like the woolly mammoth, aided by new genomic technologies developed by the Harvard molecular biologist George Church. “It gives people hope when rewilding occurs — when the wolves come back, when the buffalo come back,” Brand said at the seminar. He paused. “I suppose we could get passenger pigeons back. I hadn’t thought of that before.”

‘One or two mammoths is not a success. 100,000 mammoths is a success.’ – STEWART BRAND

Brand became obsessed with the idea. Reviving an extinct species was exactly the kind of ambitious, interdisciplinary and slightly loopy project that appealed to him. Three weeks after his conversation with Flannery, Brand sent an email to Church and the biologist Edward O. Wilson:

Dear Ed and George . . .

The death of the last passenger pigeon in 1914 was an event that broke the public’s heart and persuaded everyone that extinction is the core of humanity’s relation with nature.

George, could we bring the bird back through genetic techniques? I recall chatting with Ed in front of a stuffed passenger pigeon at the Comparative Zoology Museum [at Harvard, where Wilson is a faculty emeritus], and I know of other stuffed birds at the Smithsonian and in Toronto, presumably replete with the requisite genes. Surely it would be easier than reviving the woolly mammoth, which you have espoused.

The environmental and conservation movements have mired themselves in a tragic view of life. The return of the passenger pigeon could shake them out of it — and invite them to embrace prudent biotechnology as a Green tool instead of menace in this century. . . . I would gladly set up a nonprofit to fund the passenger pigeon revival. . . .

Wild scheme. Could be fun. Could improve things. It could, as they say, advance the story.

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Passenger Pigeon Extinct 1914. Billions of the pigeons were alive just a few decades earlier. Like the other animals shown here, it has been proposed for de-extinction projects. Credit Stephen Wilkes for The New York Times. Passenger pigeon, Museum of Comparative Zoology, Harvard University.

What do you think?

In less than three hours, Church responded with a detailed plan to return “a flock of millions to billions” of passenger pigeons to the planet.

In February 2012, Church hosted a symposium at Harvard Medical School called “Bringing Back the Passenger Pigeon.” Church gave a demonstration of his new genome-editing technology, and other biologists and avian specialists expressed enthusiasm for the idea. “De-extinction went from concept to potential reality right before our eyes,” said Ryan Phelan, Brand’s wife, an entrepreneur who founded an early consumer medical-genetics company. “We realized that we could do it not only for the passenger pigeon, but for other species. There was so much interest and so many ideas that we needed to create an infrastructure around it. It was like, ‘Oh, my God, look at what we’ve unleashed.’ ” Phelan, 61, became executive director of the new project, which they named Revive & Restore.

Several months later, the National Geographic Society hosted a larger conference to debate the scientific and ethical questions raised by the prospect of “de-extinction.” Brand and Phelan invited 36 of the world’s leading genetic engineers and biologists, among them Stanley Temple, a founder of conservation biology; Oliver Ryder, director of the San Diego Zoo’s Frozen Zoo, which stockpiles frozen cells of endangered species; and Sergey Zimov, who has created an experimental preserve in Siberia called Pleistocene Park, which he hopes to populate with woolly mammoths.

To Brand’s idea that the pigeon project would provide “a beacon of hope for conservation,” conference attendees added a number of ecological arguments in support of de-extinction. Just as the loss of a species decreases the richness of an ecosystem, the addition of new animals could achieve the opposite effect. The grazing habits of mammoths, for instance, might encourage the growth of a variety of grasses, which could help to protect the Arctic permafrost from melting — a benefit with global significance, as the Arctic permafrost contains two to three times as much carbon as the world’s rain forests. “We’ve framed it in terms of conservation,” Brand told me. “We’re bringing back the mammoth to restore the steppe in the Arctic. One or two mammoths is not a success. 100,000 mammoths is a success.”

A less scientific, if more persuasive, argument was advanced by the ethicist Hank Greely and the law professor Jacob Sherkow, both of Stanford. De-extinction should be pursued, they argued in a paper published in Science, because it would be really cool. “This may be the biggest attraction and possibly the biggest benefit of de-extinction. It would surely be very cool to see a living woolly mammoth.”

‘I appreciated his devotion to the bird, but I worried that his zeal might interfere with his ability to do serious science.’ – BETH SHAPIRO

Ben Novak needed no convincing. When he heard that Revive & Restore had decided to resurrect the passenger pigeon, he sent an email to Church, who forwarded it to Brand and Phelan. “Passenger pigeons have been my passion in life for a very long time,” Novak wrote. “Any way I can be part of this work would be my honor.”

Behind the biohazard signs and double-encoded security doors that mark the entrance of the paleogenomics lab at the University of California, Santa Cruz, I found no mastodon tusks, dinosaur eggs or mosquitoes trapped in amber — only a sterile, largely empty room in which Novak and several graduate students were busy checking their Gmail accounts. The only visible work in progress was Metroplex, a giant Transformers figurine that Novak constructed, which was hunched over his keyboard like a dead robot.

Novak, who is 27, hastened to assure me that the construction of the passenger-pigeon genome was also underway. In fact, it had been for years. Beth Shapiro, one of the scientists who runs the lab, began to sequence the species’ DNA in 2001, a decade before Brand had his big idea. The sequencing process is now in its data-analysis phase, which leaves Novak, who studied ecology in college, but has no advanced scientific degrees, time to consult on academic papers about de-extinction, write his own paper about the ecological relationship between passenger pigeons and chestnut trees and correspond with the scientists behind the world’s other species-resurrection efforts. These include the Uruz project, which is selectively breeding cattle to create a new subspecies that resembles aurochs, a form of wild ox, extinct since 1627; a group hoping to use genetic methods to revive the heath hen, extinct since 1932; and the Lazarus Project, which is trying to revive an Australian frog, extinct for 30 years, that gave birth through its mouth.

As Brand and Phelan’s only full-time employee at Revive & Restore, Novak fields emails sent by scientists eager to begin work on new candidates for de-extinction, like the California grizzly bear, the Carolina parakeet, the Tasmanian tiger, Steller’s sea cow and the great auk, which hasn’t been seen since 1844, when the last two known members of its species were strangled by Icelandic fishermen. Because de-extinction requires collaboration from a number of different disciplines, Phelan sees Revive & Restore as a “facilitator,” helping to connect geneticists, molecular biologists, synthetic biologists and conservation biologists. She also hopes that Revive & Restore’s support will enable experimental projects to proceed. She and Novak realize that the new discipline of de-extinction will advance regardless of their involvement, but, she says, “We just want it to happen responsibly.”

When Novak joined Shapiro’s lab, he knew nothing about Santa Cruz and nobody there. A year later, apart from an occasional dinner on the Brands’ tugboat in Sausalito, little has changed. Novak is largely left alone with his thoughts and his dead animals. But it has always been this way for Novak, who grew up in a house three miles from his closest neighbor, halfway between Williston, the eighth-largest city in North Dakota, and Alexander, which has a population of 269. As a boy, Novak often took solitary hikes through the badlands near his home, exploring a vast petrified forest that runs through the Sentinel Butte formation. Fifty million years ago, that part of western North Dakota resembled the Florida Everglades. Novak frequently came across vertebrae, phalanges and rib fragments of extinct crocodiles and champsosaurs.

This was two hours north of Elkhorn Ranch, where Theodore Roosevelt developed the theories about wildlife protection that led to the preservation of 230 million acres of land. The local schools emphasized conservation in their science classes. In sixth grade, Novak was astonished to learn that he was living in the middle of a mass extinction. (Scientists predict that changes made by human beings to the composition of the atmosphere could kill off a quarter of the planet’s mammal species, a fifth of its reptiles and a sixth of its birds by 2050.) “I felt a certain amount of solidarity with these species,” he told me. “Maybe because I spent so much time alone.”

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Great Auk Not seen since 1844, when Icelandic fishermen strangled the last known survivors. Credit Stephen Wilkes for The New York Times. Great Auk, Museum of Comparative Zoology, Harvard University.

After graduating from Montana State University in Bozeman, Novak applied to study under Beth Shapiro, who had already begun to sequence passenger-pigeon DNA. He was rejected. “I appreciated his devotion to the bird,” she told me, “but I worried that his zeal might interfere with his ability to do serious science.” Novak instead entered a graduate program at the McMaster Ancient DNA Center in Hamilton, Ontario, where he worked on the sequencing of mastodon DNA. But he remained obsessed by passenger pigeons. He decided that, if he couldn’t join Shapiro’s lab, he would sequence the pigeon’s genome himself. He needed tissue samples, so he sent letters to every museum he could find that possessed the stuffed specimens. He was denied more than 30 times before Chicago’s Field Museum sent him a tiny slice of a pigeon’s toe. A lab in Toronto conducted the sequencing for a little more than $2,500, which Novak raised from his family and friends. He had just begun to analyze the data when he learned about Revive & Restore.

After Novak was hired, Shapiro offered him office space at the U.C.S.C. paleogenomics lab, where he could witness the sequencing work as it happened. Now, when asked what he does for a living, Novak says that his job is to resurrect the passenger pigeon.

Novak is tall, solemn, polite and stiff in conversation, until the conversation turns to passenger pigeons, which it always does. One of the few times I saw him laugh was when I asked whether de-extinction might turn out to be impossible. He reminded me that it has already happened. More than 10 years ago, a team that included Alberto Fernández-Arias (now a Revive & Restore adviser) resurrected a bucardo, a subspecies of mountain goat also known as the Pyrenean ibex, that went extinct in 2000. The last surviving bucardo was a 13-year-old female named Celia. Before she died — her skull was crushed by a falling tree — Fernández-Arias extracted skin scrapings from one of her ears and froze them in liquid nitrogen. Using the same cloning technology that created Dolly the sheep, the first cloned mammal, the team used Celia’s DNA to create embryos that were implanted in the wombs of 57 goats. One of the does successfully brought her egg to term on July 30, 2003. “To our knowledge,” wrote the scientists, “this is the first animal born from an extinct subspecies.” But it didn’t live long. After struggling to breathe for several minutes, the kid choked to death.

This cloning method, called somatic cell nuclear transfer, can be used only on species for which we have cellular material. For species like the passenger pigeon that had the misfortune of going extinct before the advent of cryopreservation, a more complicated process is required. The first step is to reconstruct the species’ genome. This is difficult, because DNA begins to decay as soon as an organism dies. The DNA also mixes with the DNA of other organisms with which it comes into contact, like fungus, bacteria and other animals. If you imagine a strand of DNA as a book, then the DNA of a long-dead animal is a shuffled pile of torn pages, some of the scraps as long as a paragraph, others a single sentence or just a few words. The scraps are not in the right order, and many of them belong to other books. And the book is an epic: The passenger pigeon’s genome is about 1.2 billion base pairs long. If you imagine each base pair as a word, then the book of the passenger pigeon would be four million pages long.

There is a shortcut. The genome of a closely related species will have a high proportion of identical DNA, so it can serve as a blueprint, or “scaffold.” The passenger pigeon’s closest genetic relative is the band-tailed pigeon, which Shapiro is now sequencing. By comparing the fragments of passenger-pigeon DNA with the genomes of similar species, researchers can assemble an approximation of an actual passenger-pigeon genome. How close an approximation, it will be impossible to know. As with any translation, there may be errors of grammar, clumsy phrases and perhaps a few missing passages, but the book will be legible. It should, at least, tell a good story.

Shapiro hopes to complete this part of the process in the coming months. At that point, the researchers will have, on their hard drives, a working passenger-pigeon genome. If you opened the file on a computer screen, you would see a chain of 1.2 billion letters, all of them A, G, C or T. Shapiro hopes to publish an analysis of the genome by Sept. 1, in time for the centenary of Martha’s death.

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Woolly Mammoth Became extinct about 4,000 years ago. Credit Stephen Wilkes for The New York Times; Woolly Mammoth, Royal BC Museum, Victoria, British Columbia

That, unfortunately, is the easy part. Next the genome will have to be inscribed into a living cell. This is even more complicated than it sounds. Molecular biologists will begin by trying to culture germ cells from a band-tailed pigeon. Cell culturing is the process by which living tissue is made to grow in a petri dish. Bird cells can be especially difficult to culture. They strongly prefer not to exist outside of a body. “For birds,” Novak said, “this is the hump to get over.” But it is largely a question of trial and error — a question, in other words, of time, which Revive & Restore has in abundance.

Should scientists succeed in culturing a band-tailed-pigeon germ cell, they will begin to tinker with its genetic code. Biologists describe this as a “cut-and-paste job.” They will replace chunks of band-tailed-pigeon DNA with synthesized chunks of passenger-pigeon DNA, until the cell’s genome matches their working passenger-pigeon genome. They will be aided in this process by a fantastical new technology, invented by George Church, with the appropriately runic name of MAGE (Multiplex Automated Genome Engineering). MAGE is nicknamed the “evolution machine” because it can introduce the equivalent of millions of years of genetic mutations within minutes. After MAGE works its magic, scientists will have in their petri dishes living passenger-pigeon cells, or at least what they will call passenger-pigeon cells.

The biologists would next introduce these living cells into a band-tailed-pigeon embryo. No hocus-pocus is involved here: You chop off the top of a pigeon egg, inject the passenger-pigeon cells inside and cover the hole with a material that looks like Saran wrap. The genetically engineered germ cells integrate into the embryo; into its gonads, to be specific. When the chick hatches, it should look and act like a band-tailed pigeon. But it will have a secret. If it is a male, it carries passenger-pigeon sperm; if it is a female, its eggs are passenger-pigeon eggs. These creatures — band-tailed pigeons on the outside and passenger pigeons on the inside — are called “chimeras” (from the Middle English for “wild fantasy”). Chimeras would be bred with one another in an effort to produce passenger pigeons. Novak hopes to observe the birth of his first passenger-pigeon chick by 2020, though he suspects 2025 is more likely.

At that point, the de-extinction process would move from the lab to the coop. Developmental and behavioral biologists would take over, just in time to answer some difficult questions. Chicks imitate their parents’ behavior. How do you raise a passenger pigeon without parents of its own species? And how do you train band-tailed pigeons to nurture the strange spawn that emerge from their eggs; chicks that, to them, might seem monstrous: an avian Rosemary’s Baby?

Despite the genetic similarity between the two pigeon species, significant differences remain. Band-tailed pigeons are a western bird and migrate vast distances north and south; passenger pigeons lived in the eastern half of the continent and had no fixed migration patterns. In order to ease the transition between band-tailed parents and passenger chicks, a Revive & Restore partner will soon begin to breed a flock of band-tailed pigeons to resemble passenger pigeons. They will try to alter the birds’ diets, migration habits and environment. The behavior of each subsequent generation will more closely resemble that of their genetic cousins. “Eventually,” Novak said, “we’ll have band-tailed pigeons that are faux-passenger-pigeon parents.” As unlikely as this sounds, there is a strong precedent; surrogate species have been used extensively in pigeon breeding.

During the breeding process, small modifications would be made to the genome in order to ensure genetic diversity within the new population. After three to five years, some of the birds would be moved to a large outdoor aviary, where they would be exposed to nature for the first time: trees, weather, bacteria. Small-population biologists will be consulted, as will biologists who study species reintroduction. Other animals would gradually be introduced into the aviary, one at a time. The pigeons would be transferred between aviaries to simulate their hopscotching migratory patterns. Ecologists will study how the birds affect their environment and are affected by it. After about 10 years, some of the birds in the aviary would be set free into the wild, monitored by G.P.S. chips implanted under their skin. The project will be considered a full success when the population in the wild is capable of perpetuating itself without the addition of new pigeons from the aviary. Novak expects this to occur as early as 25 years after the first birds are let into the wild, or 2060. And he hopes that he will be there to witness it.

‘Nature makes monsters. Nature makes threats. Many of the things that are most threatening to us are a product of nature.’ – DAVID HAUSSLER

While Novak’s pigeons are reproducing, Revive & Restore will have embarked on a parallel course with a number of other species, both extinct and endangered. Besides the woolly mammoth, candidates include the black-footed ferret, the Caribbean monk seal, the golden lion tamarin, the ivory-billed woodpecker and the northern white rhinoceros, a species that is down to its final handful of members. For endangered species with tiny populations, scientists would introduce genetic diversity to offset inbreeding. For species threatened by contagion, an effort would be made to fortify their DNA with genes that make them disease-resistant. Millions of North American bats have died in the past decade from white-nose syndrome, a disease named after a deadly fungus that was likely imported from Europe. Many European bat species appear to be immune to the fungus; if the gene responsible for this immunity is identified, one theory holds that it could be synthesized and injected into North American bats. The scientific term for this type of genetic intervention is “facilitated adaptation.” A better name for Revive & Restore would be Revive & Restore & Improve.

This optimistic, soft-focus fantasy of de-extinction, while thrilling to Ben Novak, is disturbing to many conservation biologists, who consider it a threat to their entire discipline and even to the environmental movement. At a recent Revive & Restore conference and in articles appearing in both the popular and academic press since then, they have articulated their litany of criticisms at an increasingly high pitch. In response, particularly in recent months, supporters of de-extinction have more aggressively begun to advance their counterarguments. “We have answers for every question,” Novak told me. “We’ve been thinking about this a long time.”

The first question posed by conservationists addresses the logic of bringing back an animal whose native habitat has disappeared. Why go through all the trouble just to have the animal go extinct all over again? While this criticism is valid for some species, the passenger pigeon should be especially well suited to survive in new habitats, because it had no specific native habitat to begin with. It was an opportunistic eater, devouring a wide range of nuts and acorns and flying wherever there was food.

There is also anxiety about disease. “Pathogens in the environment are constantly evolving, and animals are developing new immune systems,” said Doug Armstrong, a conservation biologist in New Zealand who studies the reintroduction of species. “If you recreate a species genetically and release it, and that genotype is based on a bird from a 100-year-old environment, you probably will increase risk.” A revived passenger pigeon might be a vector for modern diseases. But this concern, said David Haussler, the co-founder of the Genome 10K Project, is overblown. “There’s always this fear that somehow, if we do it, we’re going to accidentally make something horrible, because only nature can really do it right. But nature is totally random. Nature makes monsters. Nature makes threats. Many of the things that are most threatening to us are a product of nature. Revive & Restore is not going to tip the balance in any way.” (Some scientists have speculated that, by competing for acorns with rodents and deer, the passenger pigeon could bring about a decrease in Lyme disease.)

More pressing to conservationists is a practical anxiety: Money. De-extinction is a flashy new competitor for patronage. As the conservationist David Ehrenfeld said at a Revive & Restore conference: “If it works, de-extinction will only target a very few species and is extremely expensive. Will it divert conservation dollars from tried-and-true conservation measures that already work, which are already short of funds?” This argument can be made for any conservation strategy, says the ecologist Josh Donlan, an adviser to Revive & Restore. “In my view,” Donlan wrote in a paper that is scheduled to be published in the forthcoming issue of Frontiers of Biogeography, “[the] conservation strategies are not mutually exclusive — a point conservation scientists tend to overlook.” So far this prediction has held up. Much of the money spent so far for sequencing the passenger-pigeon genome has been provided by Beth Shapiro’s U.C.S.C. research budget. Revive & Restore’s budget, which was $350,000 last year, has been raised largely from tech millionaires who are not known for supporting ecological causes.

De-extinction also poses a rhetorical threat to conservation biologists. The specter of extinction has been the conservation movement’s most powerful argument. What if extinction begins to be seen as a temporary inconvenience? The ecologist Daniel Simberloff raised a related concern. “It’s at best a technofix dealing with a few species,” he told me. “Technofixes for environmental problems are band-aids for massive hemorrhages. To the extent that the public, who will never be terribly well informed on the larger issue, thinks that we can just go and resurrect a species, it is extremely dangerous. . . . De-extinction suggests that we can technofix our way out of environmental issues generally, and that’s very, very bad.”

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The extinct heath hen, a candidate for resurrection. CreditStephen Wilkes for The New York Times. Heath hen: Museum of Comparative Zoology, Harvard University.

Ben Novak — who trails Simberloff in professional stature by a doctorate, hundreds of scientific publications and a pair of lifetime-achievement awards — rejects this view. “This is about an expansion of the field, not a reduction,” he says. “We get asked these big questions, but no one is asking people who work on elephants why they’re not working with giraffes, when giraffes need a lot more conservation work than elephants do. Nobody asks the people who work on rhinos why they aren’t working on the Arctic pollinators that are being devastated by climate change. The panda program rarely gets criticized, even though that project is completely pointless in the grand scheme of biodiversity on this planet, because the panda is a cute animal.” If the success of de-extinction, or even its failure, increases public awareness of the threats of mass extinction, Novak says, then it will have been a triumph.

How will we decide which species to resurrect? Some have questioned the logic of beginning with a pigeon. “Do you think that wealthy people on the East Coast are going to want billions of passenger pigeons flying over their freshly manicured lawns and just-waxed S.U.V.s?” asked Shapiro, whose involvement in the passenger-pigeon project will end once she finishes analyzing its genome. (She is writing a book about the challenges of de-extinction.) In an attempt to develop scientific criteria, the New Zealand zoologist Philip Seddon recently published a 10-point checklist to determine the suitability of any species for revival, taking into account causes of its extinction, possible threats it might face upon resurrection and man’s ability to destroy the species “in the event of unacceptable ecological or socioeconomic impacts.” If passenger pigeons, in other words, turn out to be an environmental scourge — if, following nature’s example, we create a monster — will we be able to kill them off? (The answer: Yes, we’ve done it before.)

But the most visceral argument against de-extinction is animal cruelty. Consider the 56 female mountain goats who were unable to bring to term the deformed bucardo embryos that were implanted in their wombs. Or the bucardo that was born and lived only a few minutes, gasping for breath, before dying of a lung deformity? “Is it fair to do this to these animals?” Shapiro asked. “Is ‘because we feel guilty’ a good-enough reason?” Stewart Brand made a utilitarian counterargument: “We’re going to go through some suffering, because you try a lot of times, and you get ones that don’t take. On the other hand, if you can bring bucardos back, then how many would get to live that would not have gotten to live?”

And, finally, what will the courts make of packs of woolly mammoths and millions of passenger pigeons let loose on the continent? In “How to Permit Your Mammoth,” published in The Stanford Environmental Law Journal, Norman F. Carlin asks whether revived species should be protected by the Endangered Species Act or regulated as a genetically modified organism. He concludes that revived species, “as products of human ingenuity,” should be eligible for patenting.

This question of “human ingenuity” approaches one of the least commented upon but most significant points about de-extinction. The term “de-extinction” is misleading. Passenger pigeons will not rise from the grave. Instead, band-tailed-pigeon DNA will be altered to resemble passenger-pigeon DNA. But we won’t know how closely the new pigeon will resemble the extinct pigeon until it is born; even then, we’ll only be able to compare physical characteristics with precision. Our understanding of the passenger pigeon’s behavior derives entirely from historical accounts. While many of these, including John James Audubon’s chapter on the pigeon in “Ornithological Biography,” are vividly written, few are scientific in nature. “There are a million things that you cannot predict about an organism just from having its genome sequence,” said Ed Green, a biomolecular engineer who works on genome-sequencing technology in the U.C.S.C. paleogenomics lab. Shapiro said: “It’s just one guess. And it’s not even a very good guess.”

Shapiro is no more sanguine about the woolly-mammoth project. “You’re never going to get a genetic clone of a mammoth,” she said. “What’s going to happen, I imagine, is that someone, maybe George Church, is going to insert some genes into the Asian-elephant genome that make it slightly hairier. That would be just a tiny portion of the genome manipulated, but a few years later, you have a thing born that is an elephant, only hairier, and the press will write, ‘George Church has cloned a mammoth!’ ” Church, though he plans to do more than just alter the gene for hairiness, concedes the point. “I would like to have an elephant that likes the cold weather,” he told me. “Whether you call it a ‘mammoth’ or not, I don’t care.”

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Tasmanian Tiger Also known as the thylacine, it was last spotted in Tasmania in 1930.CreditStephen Wilkes for The New York Times. Tasmanian Tiger, Mammalogy Department, American Museum of Natural History.

There is no authoritative definition of “species.” The most widely accepted definition describes a group of organisms that can procreate with one another and produce fertile offspring, but there are many exceptions. De-extinction operates under a different definition altogether. Revive & Restore hopes to create a bird that interacts with its ecosystem as the passenger pigeon did. If the new bird fills the same ecological niche, it will be successful; if not, back to the petri dish. “It’s ecological resurrection, not species resurrection,” Shapiro says. A similar logic informs the restoration of Renaissance paintings. If you visit “The Last Supper” in the refectory of the Convent of Santa Maria delle Grazie in Milan, you won’t see a single speck of paint from the brush of Leonardo da Vinci. You will see a mural with the same proportions and design as the original, and you may feel the same sense of awe as the refectory’s parishioners felt in 1498, but the original artwork disappeared centuries ago. Philosophers call this Theseus’ Paradox, a reference to the ship that Theseus sailed back to Athens from Crete after he had slain the Minotaur. The ship, Plutarch writes, was preserved by the Athenians, who “took away the old planks as they decayed, putting in new and stronger timber in their place.” Theseus’ ship, therefore, “became a standing example among the philosophers . . . one side holding that the ship remained the same, and the other contending that it was not the same.”

What does it matter whether Passenger Pigeon 2.0 is a real passenger pigeon or a persuasive impostor? If the new, synthetically created bird enriches the ecology of the forests it populates, few people, including conservationists, will object. The genetically adjusted birds would hardly be the first aspect of the deciduous forest ecosystem to bear man’s influence; invasive species, disease, deforestation and a toxic atmosphere have engineered forests that would be unrecognizable to the continent’s earliest European settlers. When human beings first arrived, the continent was populated by camels, eight-foot beavers and 550-pound ground sloths. “People grow up with this idea that the nature they see is ‘natural,’ ” Novak says, “but there’s been no real ‘natural’ element to the earth the entire time humans have been around.”

The earth is about to become a lot less “natural.” Biologists have already created new forms of bacteria in the lab, modified the genetic code of countless living species and cloned dogs, cats, wolves and water buffalo, but the engineering of novel vertebrates — of breathing, flying, defecating pigeons — will represent a milestone for synthetic biology. This is the fact that will overwhelm all arguments against de-extinction. Thanks, perhaps, to “Jurassic Park,” popular sentiment already is behind it. (“That movie has done a lot for de-extinction,” Stewart Brand told me in all earnestness.) In a 2010 poll by the Pew Research Center, half of the respondents agreed that “an extinct animal will be brought back.” Among Americans, belief in de-extinction trails belief in evolution by only 10 percentage points. “Our assumption from the beginning has been that this is coming anyway,” Brand said, “so what’s the most benign form it can take?”

What is coming will go well beyond the resurrection of extinct species. For millenniums, we have customized our environment, our vegetables and our animals, through breeding, fertilization and pollination. Synthetic biology offers far more sophisticated tools. The creation of novel organisms, like new animals, plants and bacteria, will transform human medicine, agriculture, energy production and much else. De-extinction “is the most conservative, earliest application of this technology,” says Danny Hillis, a Long Now board member and a prolific inventor who pioneered the technology that is the basis for most supercomputers. Hillis mentioned Marshall McLuhan’s observation that the content of a new medium is the old medium: that each new technology, when first introduced, recreates the familiar technology it will supersede. Early television shows were filmed radio shows. Early movies were filmed stage plays. Synthetic biology, in the same way, may gain widespread public acceptance through the resurrection of lost animals for which we have nostalgia. “Using the tool to recreate old things,” Hillis said, “is a much more comfortable way to get engaged with the power of the tool.”

“By the end of this decade we’ll seem incredibly conservative,” Brand said. “A lot of this stuff is going to become part of the standard tool kit. I would guess that within a decade or two, most of the major conservation organizations will have de-extinction as part of the portfolio of their activities.” He said he hoped to see the birth of a baby woolly mammoth in his lifetime. The opening line of the first Whole Earth Catalog was “We are as gods and might as well get good at it.” Brand has revised this motto to: “We are as gods and HAVE to get good at it.” De-extinction is a good way to practice.

A passion for bringing a lost pigeon back to life is hardly inconsistent with scientific inquiry. Ben Novak insists that he is motivated purely by ecological concerns. “To some people, it might be about making some crazy new pet or zoo animal, but that’s not our organization,” he told me. The scientists who work beside him in the paleogenomics lab — who hear his daily passenger-pigeon rhapsodies — suspect a second motivation. “I’m a biologist, I’ve seen people passionate about animals before,” Andre Soares, a young Brazilian member of Shapiro’s staff, said, “but I’ve never seen anyone this passionate.” He laughed. “It’s not like he ever saw the pigeon flying around. And it’s not like a dinosaur, a massive beast that walked around millions of years ago. No, it’s just a pigeon. I don’t know why he loves them so much.”

I repeated what Novak told me, that the passenger-pigeon project was “all under the framework of conservation.” Soares shook his head. “I think the birds are his thing,” he said.

Ed Green, the biomolecular engineer down the hall, was more succinct. “The passenger pigeon,” he said, “makes Ben want to write poetry.”

Nathaniel Rich is a contributing writer and the author, most recently, of “Odds Against Tomorrow,” a novel.

Editor: Jon Kelly

Projeto sobre tecnologia que pode tornar sementes estéreis avança na Câmara (Agência Brasil)

JC e-mail 4882, de 28 de janeiro de 2014

O PL 268/2007 abre uma brecha na redação da Lei de Biossegurança

Poucos brasileiros sabem, mas as discussões estão avançadas na Câmara dos Deputados que seja aprovado projeto que libera uma tecnologia genética polêmica – a tecnologia de restrição de uso, que, entre outras aplicações, pode ser usada para criar sementes estéreis a partir da segunda geração, popularmente apelidadas de sementesterminator.

O Projeto de Lei (PL) 268/2007, do deputado Eduardo Sciarra (PSD-PR), abre uma brecha na redação da Lei de Biossegurança para que seja permitida a comercialização de sementes produzidas com a tecnologia, no caso de plantas biorreatoras, usadas para produzir substâncias de uso industrial ou terapêutico.

A proposta já passou pelas comissões de Agricultura e Meio Ambiente, sendo aprovada na primeira e rejeitada na segunda. Atualmente, está na Comissão de Constituição e Justiça, (CCJ) onde recebeu parecer favorável do relator e quase foi votada em outubro do ano passado. A votação não ocorreu porque organizações da sociedade civil e movimentos sociais entregaram à presidência da CCJ um abaixo-assinado com 30 mil assinaturas pedindo a retirada de pauta do projeto.

No site da Câmara dos Deputados, a última movimentação relativa à proposta é um requerimento de audiência pública sobre o assunto, feito pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ), no início de dezembro.

Até o momento, nenhum organismo do tipo foi desenvolvido em campo aberto, embora acredite-se que as empresas façam pesquisas em ambientes controlados. Uma moratória internacional, apoiada pelo Brasil, barra a produção em campo e a comercialização desde 2000. Um dos riscos da liberação é a contaminação das espécies não modificadas geneticamente pelas lavouras de transgênicos. A engenheira agrônoma Maria José Guazelli, da organização não governamental (ONG) Centro Ecológico, explica que espécies não transgênicas poderiam assimilar características como a esterilidade.

Para ela, mesmo que a liberação se restrinja às sementes desenvolvidas para uso terapêutico e industrial, há risco de poluição genética das espécies alimentícias. “Uma boa parte dessas plantas biorreatoras são arroz, milho. Dependendo de que planta for, pode haver cruzamento, sim”, afirma.

Para Maria José, as normas de contenção que têm sido aplicadas no Brasil não são suficientes para mitigar os riscos. “Geralmente, a CTNBio [Comissão Técnica Nacional de Biossegurança] determina distância [entre a lavoura transgênica e não transgênica]. Mas o pólen voa centenas de metros e até quilômetros. O que tem acontecido é a contaminação”, disse a agrônoma, citando casos em que agricultores orgânicos constataram contágio por soja e milho transgênicos.

A Agência Brasil entrou em contato com a assessoria de comunicação do deputado Eduardo Sciarra, pedindo uma entrevista com o parlamentar, mas foi informada de que ele está fora de Brasília e não poderia falar naquele momento. No entanto, a assessoria encaminhou à reportagem material sobre o PL 268/2007.

Sobre a questão da possível contaminação de espécies não modificadas geneticamente, o texto afirma que “pode-se construir plantas [biorreatoras] que não se reproduzem pelo polén”. Segundo o material enviado pelos assessores do deputado, “a tecnologia genética de restrição de uso não se resume à modalidade conhecida como terminator. Pode haver diversos tipos de construção dessa tecnologia. Em um deles, elimina-se a floração, retardando a data de maturidade sexual da planta e construindo plantas com pólen estéril”.

No entanto, para o agrônomo e assessor técnico da organização da sociedade civil AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia Gabriel Fernandes, ainda há muitas incertezas em relação à tecnologia de restrição de uso e, portanto, não há garantia da eficácia das soluções apontadas .”Primeiro, o projeto de lei não está prevendo regras de segurança. Outra coisa que pode ser questionada é se essas regras funcionam. Não tem nada que garanta [que a esterilidade do pólen] funcione 100%.”

Para Fernandes, trata-se de uma tecnologia que não é necessária. Os estudos não dão segurança, e há uma moratória internacional. “Nenhum país faz experimentos a campo”, argumenta. Na visão do agrônomo, vantagens apontadas com a adoção da tecnologia de restrição de uso, como manipulação da floração e de outras fases do ciclo reprodutivo das plantas, não compensam o risco assumido e parte delas poderia ser obtida com outras técnicas de manejo.

O pesquisador Francisco Aragão, responsável pelo laboratório do Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), tem opinião diferente. Para ele, é possível conter os riscos de contaminação e, além disso, a tecnologia de restrição de uso abre várias possibilidades. Aragão exemplifica com a cana-de-açúcar, que gasta na floração uma energia que, segundo ele, poderia ser aplicada na produção de mais açúcar. A restrição de uso poderia impedir a floração e tornar o processo mais eficiente, afirma.

“Pretende-se fazer o cultivo dessas plantas, a princípio em ambientes fechados. Há possibilidade de escape, mas existe todo um mecanismo de segurança. Já tem pesquisa para produção de fármacos em plantas e a restrição de uso colocaria um mecanismo de segurança a mais no sistema [em razão da esterilidade]”, explicou o pesquisador. Para ele, deve ser mantida a proibição para a agricultura e haver permissão para alguns casos, como a produção de fármacos e a obtenção de características agronômicas, que “nada têm a ver com a retirada do direito do produtor de reutilizar sementes”.

(Mariana Branco/Agência Brasil)

Povo argentino ganha batalha contra a Monsanto, mas resta a guerra (IPS)

23/1/2014 – 10h06

por Fabiana Frayssinet, da IPS

Monsanto 2 629x472 Povo argentino ganha batalha contra a Monsanto, mas resta a guerra

A fábrica da Monsanto em Malvinas Argentinas, desde o acampamento montado pelos moradores para bloquear o acesso à obra. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

Córdoba, Argentina, 23/1/2014 – Moradores de uma aguerrida localidade da Argentina ganharam o primeiro round contra a gigante da biotecnologia Monsanto, mas não baixam a guarda, conscientes de que falta muito para ganhar a guerra. Em Malvinas Argentinas, que fica na província de Córdoba, já dura quatro meses o bloqueio ao terreno onde a transnacional norte-americana pretende instalar a maior unidade de tratamento de sementes de milho do mundo.

E assim, os moradores continuam acampados diante da edificação que já se levanta neste povoado, antes aprazível, e impedindo o acesso à área da construção, mesmo depois de um tribunal provincial ter ordenado este mês a paralisação das obras. A campanha contra a unidade, convocada pela Assembleia Malvinas Luta pela Vida e por outras organizações sociais, começou em 18 de setembro neste povoado que fica a 17 quilômetros da capital de Córdoba.

Após situações de tensão, com tentativas de dispersão dos manifestantes pela polícia provincial e provocações por enviados do sindicato da construção, a provincial Sala Segunda da Câmara de Trabalho deu razão aos moradores, no dia 8. “A sentença mostra que os argumentos dos moradores são justos, porque reclamam direitos fundamentais reconhecidos e estabelecidos pela Constituição Nacional e pela legislação do Estado Federal”, disse à IPS o advogado Federico Macciocchi, que defende a causa dos opositores à obra.

A sentença determinou a inconstitucionalidade da autorização municipal para a construção nesta localidade de aproximadamente 15 mil habitantes, a maioria de classe trabalhadora. Além disso, ordenou a paralisação das obras, impondo à Municipalidade de Malvinas Argentinas que se abstenha de autorizar a construção, até serem cumpridas duas exigências legais: realização de uma avaliação de impacto ambiental e convocação de uma audiência pública.

“É um grande avanço, um grande passo na luta, que se conseguiu graças ao trabalho em conjunto das reclamações institucionais, somado à reclamação social nas ruas”, afirmou à IPS um dos integrantes da Assembleia, Matías Marizza. “A luta serviu para garantir que a lei seja respeitada”, acrescentou. A Assembleia e outras organizações decidiram continuar com o acampamento que impede o acesso à obra, até conseguir o abandono definitivo do projeto por parte da empresa.

A Monsanto respondeu a um pedido de comentário da IPS com um comunicado no qual qualifica a ação dos moradores de fruto de “extremistas”, que impedem os empreiteiros e empregados de “exercerem o direito de trabalhar”. A sentença respondeu a uma ação de amparo interposta por moradores da localidade e pelo cordobês Clube de Direito, presidido por Macciocchi. A sala trabalhista ordenou que sejam realizados tanto o estudo de impacto ambiental quanto a audiência pública, lembrou o advogado.

O que se expressar na audiência “será muito relevante”, ressaltou Macciocchi, embora a Lei Geral de Meio Ambiente preveja que as opiniões e objeções dos participantes “não serão vinculantes”. Mas estabelece que as autoridades convocantes, se tiverem uma opinião contrária aos resultados alcançados na consulta, “deverão fundamentá-la e torná-la pública”, explicou.

Agora, o objetivo da Assembleia é que também seja feita uma consulta à cidadania mediante voto secreto. Essa consulta complementaria a lei ambiental e “garantiria o exercício pleno do direito da cidadania de decidir sobre seu modelo de desenvolvimento local, o tipo de atividades sociais e econômicas que deseja para sua vida cotidiana e sobre os riscos socioambientais que está disposta a assumir”, detalhou à IPS outro morador, Víctor Mazzalay.

“É o povo quem deve contar com essa informação e decidir se aceita ou não aceita esses custos e riscos”, opinou Mazzalay, que também é pesquisador social do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e da Universidade de Córdoba. “Um estudo de impacto ambiental deve incluir consulta popular, para que seja a população a dar a licença social necessária para o desenvolvimento de qualquer atividade social, econômica e produtiva que possa afetar seu meio ambiente e sua saúde”, acrescentou.

Em seu comunicado a Monsanto diz que a companhia não concorda com a sentença, mas, por “respeitar as decisões do Poder Judicial, acatará como sempre suas medidas”. Além disso, esclareceu que “já apresentou o Estudo de Impacto Ambiental, documento que está em fase de avaliação pela Secretaria de Ambiente da Província”.

Para Macciocchi, a sentença é definitiva e “põe fim ao conflito judicial. A sentença foi dada em virtude de um recurso de apelação, razão pela qual já não restam recursos ordinários para interpor”, enfatizou. À Monsanto restaria a possibilidade de um recurso de cassação junto ao Tribunal Superior de Justiça (TSJ).

A empresa já informou que vai apelar, “pois considera legítimo seu direito de construir a unidade após cumprir todos os requisitos legais e ter obtido as autorizações para isso conforme as normas vigentes, o que foi confirmado pela sentença do Juizado de Primeira Instância no dia 7 de outubro de 2013”.

Macciocchi considera, entretanto, que “esse recurso não vai paralisar o que foi determinado pela Sala Segunda da Câmara do Trabalho”. E acrescentou que, “além disso, se pensarmos no tempo que o TSJ demora para resolver um recurso de cassação, quando estiver resolvido a Municipalidade de Malvinas e a Secretaria de Ambiente já terão cumprido as leis que foram violadas com essa obra”, afirmou.

Segundo o advogado, o alto tribunal demora até dois anos e meio nos casos de cassação apresentados por pessoas sentenciadas e até cinco ou sete quando a matéria é trabalhista e não civil. “Seria um verdadeiro escândalo institucional o TSJ resolver esta causa pulando a ordem das que há anos ‘dormem’ em suas salas”, ressaltou.

A decisão do dia 8 impede a instalação definitiva da unidade, que a Monsanto quer ver em operação este ano. “Mas, na medida em que os cidadãos se expressam contra a obra, e que a avaliação de impacto ambiental seja desfavorável para a empresa, neste caso a Monsanto não poderá se instalar em Malvinas”, destacou Macciocchi. Mazzalay recordou que a razão “principal” para a oposição à instalação da unidade da Monsanto se deve à “reivindicação do direito do povo decidir sobre o tipo de atividade produtiva e sobre os riscos ambientais aos quais se submeter”.

A empresa divulgou que pretende instalar mais de 200 silos de milho, e que serão usados produtos agroquímicos para a preparação das sementes. A Monsanto, um dos maiores fabricantes de herbicidas e de sementes geneticamente modificadas do mundo, opera na Argentina desde 1956, quando instalou uma fábrica de plásticos.

“Um argumento frequente sugere que existe uma dúvida razoável sobre a suposta inocuidade dessa atividade sobre a saúde humana”, disse o pesquisador. A seu ver, “são múltiplos e diversos os estudos científicos demonstrando os efeitos negativos que tanto o movimento de sementes como a manipulação e exposição a diversos produtos agroquímicos têm sobre a saúde”.

Mazzalay crescentou que, “nesse sentido, sobre questões ambientais nas quais está em risco à saúde, a dúvida razoável deve fazer prevalecer um princípio precatório, isto é, não aceitar o desenvolvimento de uma atividade até que se demonstre de maneira definitiva sua inocuidade”. Envolverde/IPS

Unease among Brazil’s farmers as Congress votes on GM terminator seeds (The Guardian)

Environmentalists warn approval could shatter global agreement not to use technology, with devastating repercussions

 in Rio de Janeiro and 
theguardian.com, Thursday 12 December 2013 16.34 GMT

Brazil national congress

Brazil’s national Congress is under pressure from landowning groups to green light GM ‘terminator’ seeds. Photograph: Ruy Barbosa Pinto/Getty Images/Flickr RF

Brazil is set to break a global moratorium on genetically-modified “terminator” seeds, which are said to threaten the livelihoods of millions of small farmers around the world.

The sterile or “suicide” seeds are produced by means of genetic use restriction technology, which makes crops die off after one harvest without producing offspring. As a result, farmers have to buy new seeds for each planting, which reduces their self-sufficiency and makes them dependent on major seed and chemical companies.

Environmentalists fear that any such move by Brazil – one of the biggest agricultural producers on the planet – could produce a domino effect that would result in the worldwide adoption of the controversial technology.

Major seed and chemical companies, which together own more than 60% of the global seed market, all have patents on terminator seed technologies. However, in the 1990s they agreed not to employ the technique after a global outcry by small farmers, indigenous groups and civil society groups.

In 2000, 193 countries signed up to the UN Convention on Biological Diversity, which recommended a de facto moratorium on this technology.

The moratorium is under growing pressure in Brazil, where powerful landowning groups have been pushing Congress to allow the technology to be used for the controlled propogation of certain plants used for medicines and eucalyptus trees, which provide pulp for paper mills.

The landowning groups want to plant large areas with fast growing GMtrees and other non-food GM crops that could theoretically spread seeds over wide areas. The technology, they argue, would be a safeguard, ensuring that no second generation pollution of GM traits takes place. They insist that terminator seeds would only be used for non-food crops.

Their efforts to force a bill to this effect through Congress, ongoing since 2007, have been slowed due to resistance from environmentalists.

The proposed measure has been approved by the legislature’s agricultural commission, rejected by the environmental commission, and now sits in the justice and citizenship commission. It is likely to go to a full Congressional vote, where it could be passed as early as next Tuesday, or soon after the Christmas recess.

Environment groups say there would be global consequences. “Brazil is the frontline. If the agro-industry breaks the moratorium here, they’ll break it everywhere,” said Maria José Guazzelli, of Centro Ecológico, which represents a coalition of Brazilian NGOs.

This week they presented a protest letter signed by 34,000 people to thwart the latest effort to move the proposed legislation forward. “If this bill goes through, it would be a disaster. Farmers would no longer be able to produce their own seeds. That’s the ultimate aim of the agro-industry,” she said.

The international technology watchdog ETC, which was among the earliest proponents of a ban on terminator technology in the 1990s, fears this is part of a strategy to crack the international consensus.

“If the bill is passed, [we expect] the Brazilian government to take a series of steps that will orchestrate the collapse of the 193-country consensus moratorium when the UN Convention on Biological Diversity meets for its biennial conference in Korea in October 2014,” said executive director Pat Mooney.

But Eduardo Sciarra, Social Democratic party leader in the Brazilian Congress, said the proposed measure did not threaten farmers because it was intended only to set controlled guidelines for the research and development of “bioreactor” plants for medicine.

“Gene use restriction technology has its benefits. This bill allows the use of this technology only where it is good for humanity,” he said.

The technology was developed by the US Department of Agriculture and the world’s largest seed and agrochemical firms. Syngenta, Bayer, BASF, Dow, Monsanto and DuPont together control more than 60% of the global commercial seed market and 76% of the agrochemical market. All are believed to hold patents on the technology, but none are thought to have developed the seeds for commercial use.

Massive protests in the 1990s by Indian, Latin American and south-east Asian peasant farmers, indigenous groups and their supporters put the companies on the back foot, and they were reluctantly forced to shelve the technology after the UN called for a de-facto moratorium in 2000.

Now, while denying that they intend to use terminator seeds, the companies argue that the urgent need to combat climate change makes it imperative to use the technology. In addition, they say that the technology could protect conventional and organic farmers by stopping GM plants spreading their genes to wild relatives – an increasing problem in the US, Argentina and other countries where GM crops are grown on a large scale.

A Monsanto spokesman in Brazil said the company was unaware of the developments and stood by a commitment made in 1999 not to pursue terminator technology. “I’m not aware of so-called terminator seeds having been developed by any organisation, and Monsanto stands firmly by our commitment and has no plans or research relating to this,” said Tom Helscher.

On its website, however, the company’s commitment only appears to relate to “food crops”, which does not encompass the tree and medicinal products under consideration in Brazil.

• Additional research by Anna Kaiser

Background to a controversy

Ever since GM companies were found to be patenting “gene-use restriction” or “terminator” technologies in the 1990s, they have been accused of threatening biodiversity and seeking to make farmers dependent on big industry for their livelihoods.

In many developing countries, where up to 80% of farmers each year choose their best plants and save their own seed, terminator technology is a byword for all genetic modification, raising fears that sterile GM strains could contaminate wild plants and regular crops – with devastating consequences.

The GM companies, which claimed in the 1990s that they wanted to introduce the seeds only to stop farmers stealing their products, were forced to shelve the technology in the face of massive protests in India, Latin Amercia and south-east Asia.

In the face of growing international alarm, the 193 countries signed up to the UN Convention on Biological Diversity unanimously agreed in 2000 that there should be a de facto international moratorium. This was strengthened at the Conference of the Parties in 2006, under the presidency of Brazil.

Since then, the moratorium has held firm. But the GM companies have shifted their arguments, saying that gene-use restriction technologies now allow seeds to reproduce, but could “switch off” the GM traits. This, they argue, would reduce the possibility of the seeds spreading sterility. In addition, they say the technology could protect organic and conventional farmers from the spread of transgenes to wild relatives and weeds, which plagues GM farmers in the US and elsewhere.

The fear now is that the global moratorium could quickly unravel if Brazil, one of the most important agricultural countries in the world, overturns its national law to ban terminator technology. Other countries, pressed strongly by the powerful GM lobby, would probably follow, leading inevitably to more protests.

Fronteiras da biotecnologia (O Estado de S.Paulo)

JC e-mail 4872, de 10 de dezembro de 2013

Artigo de Xico Graziano publicado no Estadão

Plantas transgênicas vieram para ficar. E prevalecer. Suas variedades passaram a dominar a safra de grãos no Brasil. Na corrida tecnológica, ninguém segura a engenharia genética. A ciência vence o medo obscurantista.

Lavouras geneticamente modificadas de soja, milho e algodão, nessa ordem, lideram, com dois terços, a semeadura da área nacional. Produtividade, facilidade no trato, economia de defensivos: aqui as razões principais que explicam seu notável desempenho. Problemas agronômicos, como resistência de ervas invasoras a herbicidas ou ressurgência de pragas, existem, mas se assemelham aos das lavouras convencionais. Não se comprovou alguma tragédia ambiental, tampouco dano à saúde humana, decorrente do uso específico de transgênicos.

Há séculos o melhoramento genético tradicional tem modificado os organismos. As variedades atualmente plantadas ou criadas pouco se parecem com suas ancestrais: o frango deixou de ser caipira, o milho tornou-se ereto, as frutas perdem suas sementes. Nenhum alimento continua “natural”. O patamar da evolução mudou, porém, quando os cientistas descobriram a possibilidade de modificar artificialmente o DNA das espécies. Sem cruzamento sexual.

Tudo começou em 1972. Pesquisadores perceberam que parasitas do gênero Agrobacterium transferiam partes de seu germoplasma para as plantas hospedeiras, estimulando nestas a produção de açúcar, do qual se alimentavam. Quer dizer, ocorria na natureza um mecanismo de transgenia. Dez anos depois, em Gent (Bélgica), cientistas conseguiram pioneiramente efetuar a transgênese em laboratório. Em seguida, certas bactérias foram geneticamente modificadas visando à produção de insulina humana. Os diabéticos comemoraram. A ciência havia dado um tremendo salto no conhecimento.

Desde então as equipes de ponta, em oficinas públicas e privadas, passaram a investir na engenharia genética, turbinando mundialmente a biotecnologia. Esta se destacou, inicialmente, na manipulação de microrganismos. Depois, em 1996, chegou ao campo, com o lançamento de uma variedade de soja resistente à aplicação de herbicida. Começou a grande polêmica. Ativistas ambientais denunciaram a “comida Frankenstein”. Religiosos condenaram os cientistas por manipularem a vida. A opinião pública ficou confusa.

Tal temor, compreensível, resultou na proposta de uma “moratória” de cinco anos, precaução adotada pela União Europeia em 1999. Esse período se considerava suficiente para buscar o esclarecimento das dúvidas sobre a nova tecnologia. O tempo passou, a engenharia genética evoluiu, os preconceitos religiosos e ideológicos cederam lugar às evidências científicas. Novas transgenias surgiram, barreiras foram caindo. Hoje, na agricultura, as variedades modernas, geneticamente alteradas, se fazem presentes em 50 países, plantadas por 17,3 milhões de agricultores, ocupando 10% da terra arável do mundo. Não é mais uma experiência.

Novidades biotecnológicas continuam surgindo. Entre animais, desenvolvem-se cabras transgênicas que produzem em seu leite uma proteína típica da teia de aranha, capaz de gerar polímeros altamente resistentes. Nos vegetais, entusiasma a possibilidade da geração de plantas que suportam “stress hídrico”. Na Embrapa, um gene de cafeeiros resistentes à seca foi introduzido em plantas de fumo, fazendo-as suportar a falta de água no solo. Em Israel, cientistas do Instituto de Tecnologia alteraram os genes de alface, impedindo que suas folhas murchem após a colheita. Sensacional.

Técnicas chamadas “DNA recombinante” invadem a medicina. Utilizando-as, o Instituto Butantã (São Paulo) desenvolveu recente vacina contra a hepatite B; também pela intervenção no genoma viral surgem vacinas contra influenza, dengue, coqueluche e tuberculose. Na Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto estuda-se uma vacina transgênica para combater câncer. Porcos geneticamente modificados em Munique (Alemanha) provocaram fraca reação do sistema imunológico humano, abrindo caminho para os xenotransplantes.

Bactérias, leveduras e fungos geneticamente modificados têm sido utilizados na fabricação de alimentos há tempos. Esses microrganismos atuam diretamente nos processos de fermentação, gerando queijos, massas, cerveja; ajudam até na definição do aroma em bebidas e comidas. Etanol celulósico, a partir do bagaço da cana ou de capim, virá de leveduras geneticamente modificadas. Na indústria, o sabão em pó contêm enzimas, oriundas de bactérias transgênicas, que facilitam a degradação de gordura nos tecidos.

Na fronteira da biotecnologia desenvolve-se aqui, na Embrapa, uma incrível técnica – dos promotores constitutivos – capaz de restringir a manifestação de certas proteínas transgênicas em folhas e frutos das plantas modificadas. Ou seja, a planta será transgênica, mas seus frutos, ou grãos, escapam do DNA alterado. O avanço da engenharia genética, base da biotecnologia, é extraordinário em todos os ramos, dando a impressão de que o melhor ainda está por vir.

Por que, então, diante de tanto sucesso ainda há restrições contra os transgênicos, taxando-os de produtos do mal? Boa pergunta. A resposta encontra-se no preconceito criado lá atrás. A rigor, hoje em dia os produtos transgênicos, submetidos a legislação super-rigorosa, são bastante seguros para o consumo. Já outros alimentos, embora “convencionais”, mais parecem uma bomba química: salgadinhos, latarias, maioneses, doces insossos, essas gororobas, sim, impunemente destroem nossa saúde.

Conclusão: transgênico ou convencional, pouco importa. Vale o alimento ser saudável.

Xico Graziano é agrônomo, foi secretário de Agricultura e secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,fronteiras–da-biotecnologia-,1106577,0.htm

EUA vetam patente sobre gene humano (Folha de S.Paulo)

JC e-mail 4747, de 14 de Junho de 2013.

Suprema Corte decide que empresa não pode ter propriedade sobre genes usados em teste de risco de câncer. Decisão pode levar à redução no preço do exame, o mesmo feito por Angelina Jolie antes de retirada das mamas

A Suprema Corte dos EUA decidiu ontem que genes humanos não podem ser patenteados, o que pode afetar empresas de biotecnologia e baratear testes que se baseiam na procura de certas mutações no país e até no Brasil.

A decisão dos magistrados reverte três décadas de concessões de patentes pelo governo americano. No Brasil, não é permitido patentear seres vivos ou parte deles, o que inclui os genes.

O caso em discussão na Suprema Corte diz respeito ao registro de propriedade intelectual da empresa MyriadGenetics sobre os genes BRCA 1 e 2, cujas mutações indicam um risco maior de câncer de mama e ovário.

O teste que procura essas mutações ganhou maior notoriedade recentemente, depois que a atriz Angelina Jolie, 37, revelou, em junho, ter se submetido a uma cirurgia de retirada das mamas após descobrir ter as mutações que aumentam o risco de desenvolver um tumor.

O exame é recomendado principalmente para as mulheres que têm câncer antes dos 45 anos. É possível também rastrear a mutação em outros membros da família para decidir sobre medidas preventivas, que incluem o uso de remédios, o acompanhamento com exames de imagem e até retirada preventiva de mamas e ovários.

O preço do exame é uma barreira ao seu acesso. Nos EUA, o custo fica em torno de US$ 3.000; no Brasil, ainda que não haja o impedimento da patente, o preço também é alto, chegando a R$ 8.000.

Com a decisão, espera-se uma queda nesses valores. “O reflexo vai ser imediato aqui. As empresas se guiam pelo preço cobrado no exterior”, afirma Maria Isabel Achatz, diretora de oncogenética do A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo.

Para David Schlesinger, geneticista e fundador do laboratório Mendelics, a identificação de genes únicos, como no teste BRCA 1 e 2, já está ficando obsoleta.

“Em vez de procurar genes específicos, agora se sabe que é mais vantajoso fazer um exoma [sequenciamento da parte do genoma que codifica proteínas] e ter um panorama geral do paciente.”

BRECHA

Segundo a decisão, uma parte do DNA que ocorre naturalmente é um produto da natureza e não pode ser patenteado só por ter sido isolada pela empresa.

No entanto, o tribunal deu à Myriad uma vitória parcial, dizendo que o DNA complementar sintetizado em laboratório pode ser patenteado.

O chamado cDNA não acontece naturalmente. Grosso modo, é uma espécie de DNA que exclui as informações que não codificam proteína usada como parte do processo de desenvolvimento de alguns testes genéticos.

Os grupos que pedem o fim das patentes argumentam que a sequência dos nucleotídeos do cDNA segue a ordem imposta pela natureza e, por isso, não devem ser alvo de registros.

Para Fernando Soares, do Departamento de Patologia do A.C. Camargo Cancer Center, manter a patente do cDNA só deve ter impacto em questões de pesquisa e em análise de larga escala.

Envolvido no projeto do genoma do câncer, em 2002, o médico comemorou a decisão. “O genoma é um patrimônio da humanidade.”

Veja também o assunto no Jornal O Globo: Genes humanos não podem ser patenteados, decide Suprema Corte dos EUA. http://oglobo.globo.com/ciencia/genes-humanos-nao-podem-ser-patenteados-decide-suprema-corte-dos-eua-8676714

The Ethics of Resurrecting Extinct Species (Science Daily)

Apr. 8, 2013 — At some point, scientists may be able to bring back extinct animals, and perhaps early humans, raising questions of ethics and environmental disruption.

Within a few decades, scientists may be able to bring back the dodo bird from extinction, a possibility that raises a host of ethical questions, says Stanford law Professor Hank Greely. (Credit: Frederick William Frohawk/Public domain image)

Within a few decades, scientists may be able to bring back the dodo bird from extinction, a possibility that raises a host of ethical questions, says Stanford law Professor Hank Greely.

Twenty years after the release ofJurassic Park, the dream of bringing back the dinosaurs remains science fiction. But scientists predict that within 15 years they will be able to revive some more recently extinct species, such as the dodo or the passenger pigeon, raising the question of whether or not they should — just because they can.

In the April 5 issue of Science, Stanford law Professor Hank Greely identifies the ethical landmines of this new concept of de-extinction.

“I view this piece as the first framing of the issues,” said Greely, director of the Stanford Center for Law and the Biosciences. “I don’t think it’s the end of the story, rather I think it’s the start of a discussion about how we should deal with de-extinction.”

In “What If Extinction Is Not Forever?” Greely lays out potential benefits of de-extinction, from creating new scientific knowledge to restoring lost ecosystems. But the biggest benefit, Greely believes, is the “wonder” factor.

“It would certainly be cool to see a living saber-toothed cat,” Greely said. “‘Wonder’ may not seem like a substantive benefit, but a lot of science — such as the Mars rover — is done because of it.”

Greely became interested in the ethics of de-extinction in 1999 when one of his students wrote a paper on the implications of bringing back wooly mammoths.

“He didn’t have his science right — which wasn’t his fault because approaches on how to do this have changed in the last 13 years — but it made me realize this was a really interesting topic,” Greely said.

Scientists are currently working on three different approaches to restore lost plants and animals. In cloning, scientists use genetic material from the extinct species to create an exact modern copy. Selective breeding tries to give a closely-related modern species the characteristics of its extinct relative. With genetic engineering, the DNA of a modern species is edited until it closely matches the extinct species.

All of these techniques would bring back only the physical animal or plant.

“If we bring the passenger pigeon back, there’s no reason to believe it will act the same way as it did in 1850,” said co-author Jacob Sherkow, a fellow at the Stanford Center for Law and the Biosciences. “Many traits are culturally learned. Migration patterns change when not taught from generation to generation.”

Many newly revived species could cause unexpected problems if brought into the modern world. A reintroduced species could become a carrier for a deadly disease or an unintentional threat to a nearby ecosystem, Greely says.

“It’s a little odd to consider these things ‘alien’ species because they were here before we were,” he said. “But the ‘here’ they were in is very different than it is now. They could turn out to be pests in this new environment.”

When asked whether government policies are keeping up with the new threat, Greely answers “no.”

“But that’s neither surprising nor particularly concerning,” he said. “It will be a while before any revised species is going to be present and able to be released into the environment.”

Greely and Sherkow recommend that the government leave de-extinction research to private companies and focus on drafting new regulations. Sherkow says the biggest legal and ethical challenge of de-extinction concerns our own long-lost ancestors.

“Bringing back a hominid raises the question, ‘Is it a person?’ If we bring back a mammoth or pigeon, there’s a very good existing ethical and legal framework for how to treat research animals. We don’t have very good ethical considerations of creating and keeping a person in a lab,” said Sherkow. “That’s a far cry from the type of de-extinction programs going on now, but it highlights the slippery slope problem that ethicists are famous for considering.”

Journal Reference:

  1. J. S. Sherkow, H. T. Greely. What If Extinction Is Not Forever? Science, 2013; 340 (6128): 32 DOI:10.1126/science.1236965