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Biólogos encontram antidepressivo no cérebro de tubarões do litoral do Rio de Janeiro (The Conversation)

Artigo original

Publicado: 16 junho 2026 06:50 -03

Por Mariana Batha Alonso e Leonardo Vazquez

sertralina é o antidepressivo mais prescrito do Brasil. Em 2025, as vendas de antidepressivos e estabilizadores de humor cresceram 11% em relação ao ano anterior.

Um levantamento nacional indica que 18,6% mais brasileiros usaram medicamentos para saúde mental entre 2022 e 2024.

O que poucos sabem é que parte dessas pílulas percorre um segundo caminho depois de metabolizada pelo organismo: sai pela urina, entra no esgoto e vai direto para o mar.

E no Rio de Janeiro, além de toda a beleza do mar, também tem tubarões.

O encontro que ninguém esperava

Projeto EcoShark, coordenado por mim, professora do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ, monitora a saúde de tubarões na costa fluminense desde 2018. Essa investigação contou também com outros cientistas como José Neto e Victor Alves, e é uma iniciativa pioneira sobre contaminantes emergentes em elasmobrânquios.

Biólogos do EcoShark no processo de identificação e estudo de tubarões no litoral Sul Fluminense. Arquivo pessoal.

Ainda a ser publicado, mas já compartilhado no âmbito da UFRJ, o estudo identificou a sertralina — o ingrediente ativo do Zoloft e de dezenas de genéricos — no tecido cerebral de tubarões-martelo (Sphyrna lewini e S. zygaena), classificados como espécies criticamente ameaçadas de extinção (IUCN, Ibama)

Tubarões-martelo foram capturados acidentalmente em redes de pesca no Recreio, Barra da Tijuca e Copacabana – graças a uma parceria entre pescadores e pesquisadores da UFRJ. Como predadores de topo, eles bioacumulam tudo o que está na cadeia alimentar, na água e no sedimento. E, cada vez mais, o que sobra nessa cadeia são os resíduos da nossa medicina.

A rota do remédio

Como um antidepressivo humano chega ao cérebro de um tubarão? O caminho é menos surpreendente do que parece.

Uma pessoa quando toma sertralina, o organismo metaboliza grande parte do fármaco no fígado. A sertralina pode ser excretada inalterada ou metabolizada e ambos alcançam os sistemas de esgoto.

As estações convencionais de tratamento de esgoto foram projetadas principalmente para remover matéria orgânica, nutrientes e microrganismos. E a remoção de compostos farmacêuticos costuma ser incompleta. Por isso, resíduos de antidepressivos e seus metabólitos são detectados em efluentes tratados e em ambientes aquáticos.

No estado do Rio de Janeiro, apenas cerca de 47% do esgoto gerado era efetivamente tratado, segundo dados recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).

Parte significativa do esgoto é lançada no oceano pelos emissários submarinos de Ipanema e da Barra da Tijuca. Com tratamento preliminar, esses sistemas não removem fármacos, liberando moléculas no ambiente costeiro, absorvidas por peixes e invertebrados marinhos diretamente da água ou da alimentação.

Em tubarões, diversos contaminantes se acumulam em tecidos específicos, especialmente no fígado. No caso da sertralina, sua afinidade por tecidos ricos em lipídios e pelo sistema nervoso pode ajudar a explicar sua detecção no cérebro dos animais.

Não é um caso isolado

O Rio de Janeiro não está sozinho nesse mapa. Em março de 2026, um estudo publicado na revista Environmental Pollution revelou que 28 de 85 tubarões amostrados próximos à ilha de Eleuthera (Bahamas), apresentaram concentrações detectáveis de cocaína, cafeína e analgésicos no sangue.

Arquivo pessoal.

Pesquisadores brasileiros testaram amostras e encontraram antibióticos e opioides em tubarões. O achado mudou a percepção: se drogas aparecem em tubarões de uma ilha caribenha com baixa densidade urbana, o que esperar dos que nadam a menos de 1 km das praias do Rio? O estudo também detectou alterações fisiológicas nos animais, sugerindo que essas substâncias podem afetar sua bioquímica.

Por que o cérebro do tubarão é o problema

A sertralina, que age sobre a serotonina no cérebro humano, foi detectada no tecido cerebral de tubarões. Isso remete à exposição e bioacumulação. Como esse transportador de serotonina é muito semelhante entre vertebrados, a droga poderia teoricamente interagir com proteínas de animais. Mas atenção: a detecção, por si só, ainda não permite afirmar que houve alteração comportamental ou fisiológica nos bichos.

A ciência já sabe: em laboratório, zebrafish expostos a 0,1 µg/L de sertralina – concentração achada em águas costeiras – desenvolveram hipolocomoção e retardo no aprendizado, com alterações no sistema serotoninérgico.

O que ainda não se sabe – e é a pergunta que o EcoShark tenta responder – é o que esses compostos fazem com um elasmobrânquio. Tubarões têm neuroquímica distinta dos peixes ósseos, mais parecida com a dos mamíferos. A resposta, por ora, é um ponto de interrogação com uma centena de quilos.

Uma pergunta que não pode ser ignorada

O Brasil registra o maior índice de letalidade de incidentes com tubarões no mundo. Em 2021, a taxa de mortalidade registrada chegou a 30% — comparado a 1% nos Estados Unidos e 14% na Austrália.

Arquivo pessoal.

Não, não estamos sugerindo que antidepressivos nos oceanos causem ataques. Mas a pergunta que a ciência tem a obrigação de fazer é outra: se essas drogas, em concentrações relevantes, alteram o comportamento de peixes em laboratório, o que realmente acontece com tubarões cronicamente expostos a elas nas zonas costeiras mais poluídas do mundo?

O que está em jogo além do óbvio

A descoberta de sertralina no cérebro de tubarões-martelo do Rio de Janeiro toca em três crises que o Brasil ainda trata como separadas.

A primeira é a crise de saúde mental. O consumo de antidepressivos no Brasil cresceu 12,4% entre adultos de 29 a 58 anos no período de 2023 a 2025. Esse crescimento não é um problema em si. É um avanço no diagnóstico e no acesso ao tratamento. Mas cada comprimido tem um segundo destino que não está sendo monitorado.

A segunda é a crise de saneamento. Enquanto cerca de metade do esgoto fluminense segue sem tratamento capaz de remover compostos farmacêuticos, o oceano continuará funcionando como receptor da nossa farmácia doméstica.

A terceira crise é a da conservação: o tubarão-martelo, espécie criticamente ameaçada, é essencial para o equilíbrio marinho – sua presença regula e estabiliza a cadeia trófica. Alterar a neuroquímica desse animal é um experimento involuntário e sem controle.

O que precisa mudar

Três ações são urgentes e não se excluem. Os protocolos de monitoramento ambiental do Brasil precisam incluir o rastreamento sistemático de fármacos em tubarões, raias e cetáceos. A metodologia já existe – são os projetos EcoShark e EcoDELFIS. O que falta? Financiamento continuado e uma política pública que valorize e reconheça os medicamentos como poluentes emergentes.

As estações de tratamento de esgoto do país precisam ser modernizadas para remover micropoluentes farmacêuticos.

O financiamento à pesquisa de ecotoxicologia marinha precisa ser ampliado. O Brasil tem uma costa de quase 8 mil quilômetros, uma das maiores biodiversidades do planeta e, agora, tubarões com antidepressivos no cérebro.

A sertralina foi criada para aliviar o sofrimento humano. Que ela chegue ao sistema nervoso de um predador a poucos quilômetros de Copacabana é o registro mais preciso de até onde essa geração deixa suas marcas.


As pesquisas foram financiadas pelo PIBIC-UFRJCapes e Faperj. A realização do SubProjeto EcoShark dentro do Projeto de Pesquisa Marinha e Pesqueira foi uma medida compensatória estabelecida pelo Termo de Ajustamento de Conduta de responsabilidade da empresa PRIO, conduzido pelo Ministério Público Federal – MPF/RJ.

O drama da ‘Ilha dos Gatos’, na Costa Verde do Rio: abandono de felinos acende alerta para a saúde humana e da fauna marinha (O Globo)

População de mais de 700 animais na Ilha Furtada, em Mangaratiba, mobiliza força-tarefa de cientistas; parasita da toxoplasmose já atinge golfinhos e põe em risco consumo de frutos do mar.

Artigo original

Por Jéssica Marques

 — Rio de Janeiro

31/05/2026 05h00  Atualizado há 3 dias

Projeto Uma só Saúde na Ilha Furtada tenta resgatar centenas de gatos que vivem na  chamada Ilha dos Gatos, em Mangaratiba
Projeto Uma só Saúde na Ilha Furtada tenta resgatar centenas de gatos que vivem na chamada Ilha dos Gatos, em Mangaratiba — Foto: Foto Custodio Coimbra / Agência O Globo

De longe, o verde que cobre o terreno íngreme, do topo até as águas que o cercam por todos os lados, se destaca na paisagem, entre as baías de Mangaratiba e de Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense. De perto, o navegante não demora a constatar porque a Ilha Furtada é mais conhecida como “Ilha dos gatos”. Uma população atualmente estimada em mais de 700 felinos habita o lugar. Com a aproximação de embarcações, vários trocam a mata fechada pelas pedras à beira-mar, movidos por curiosidade — ou talvez por fome mesmo. Segundo moradores da região, os primeiros teriam sido abandonados depois que uma família se aventurou a viver por lá, na década de 1950. Inaugurou-se uma tradição e, dizem os locais, há pilotos de taxi boat que hoje cobram entre R$ 50 e R$ 150 para deixar os animais na ilha. O valor depende da distância a ser percorrida e até do tamanho do bichano.

Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Arte O GLOBO
Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Arte O GLOBO

A oito quilômetros da costa de Mangaratiba, a ilha virou um problema: em março deste ano, inspirou audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio, convocada pelo deputado Carlos Minc (PSB). Uma força-tarefa foi formada: reúne a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), o Instituto Boto Cinza e a Prefeitura de Mangaratiba. O grupo desenvolve o projeto “Uma só saúde na Ilha Furtada”, que busca investigar os impactos da presença maciça de gatos no ecossistema local e elaborar soluções para reduzir danos ambientais e sanitários.

A Ilha Furtada não tem fontes naturais de água doce e, como se sabe, ração não dá em árvore. Os bichos deixados — e os nascidos — por lá dependem da ação de voluntários para sobreviver. ONGs e defensores dos animais tentam manter uma rotina de assistência enfrentando a geografia pouco amistosa da ilha. Foi preciso instalar cordas entre as árvores para que os visitantes não acabassem despencando no mar. Joyce Puchalski, de 53 anos, fundadora da ONG Emergência Animal e moradora da região, lembra de gestões municipais anteriores que viam os recipientes de alimentos e bebedouros instalados como um incentivo ao abandono.

Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental

Projeto Uma só Saúde na Ilha Furtada tenta resgatar centenas de gatos que vivem na   chamada Ilha dos Gatos — Foto: Custodio Coimbra / Agência O Globo

— Eram dois problemas: a preocupação de incitar o crime (do descarte dos animais) e a realidade dos que já estavam lá. Mas os bichos são inocentes. A legislação protege o animal comunitário, não podemos deixá-los morrer de fome e sede. O que fazemos é alimentar e, quando encontramos algum machucado, debilitado ou com zoonose, fazemos o resgate e a internação — diz ela.

O conceito de “Uma só saúde” explica o encontro de instituições de áreas variadas no projeto. A situação da “Ilha dos gatos” é caso exemplar de interdependência entre as condições humana, dos animais e do equilíbrio ambiental. A pesquisadora Carla de Freitas Campos, do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos da Fiocruz, explica:

— Quando conhecemos a realidade da ilha, percebemos que não se tratava apenas de uma questão de bem-estar animal. Há repercussões ambientais e potenciais impactos para a saúde das pessoas.

Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO
Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

Risco para humanos

Andressa Ferreira da Silva, professora e pesquisadora da UFRRJ, é presidente da Rede Brasileira de Pesquisa em Toxoplasmose, dedicada a estudar a doença provocada por um parasita que geralmente é encontrado nas fezes de gatos. Trata-se de uma moléstia comum, muitas vezes assintomática, mas que pode trazer riscos mais significativos para a saúde de gestantes e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido.

— O foco do nosso grupo é entender quais patógenos estão circulando na ilha e quais impactos podem causar ao meio ambiente, aos animais e às pessoas. Detectamos uma circulação significativa de Toxoplasma gondii (o protozoário causador da doença) nos gatos e isso acende um alerta — afirma ela.

Os gatos infectados eliminam oocistos (que são como os ovos dos parasitas). Com as chuvas, esse material contamina o solo e, no caso da Ilha Furtada, pode alcançar o mar e chegar a organismos filtradores, como ostras e mexilhões, que posteriormente podem ser consumidos por humanos.

Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO
Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

— Os oocistos podem chegar às áreas costeiras. Pessoas podem se infectar por meio do consumo de ostras, mexilhões e outros organismos que filtram a água contaminada — alerta a professora, antes de fazer uma ressalva: — O gato é vítima nesse processo. Foi abandonado na ilha. Ninguém contrai toxoplasmose ao tocar em um gato. Isso não acontece. A transmissão está relacionada principalmente ao contato com fezes contaminadas e ao consumo de alimentos contaminados.

A pesquisadora observa ainda que, na questão da saúde pública, a simples retirada dos animais da ilha não resolverá o problema:

— Mesmo que todos os gatos sejam removidos, os oocistos podem permanecer viáveis no ambiente por meses ou até anos. Será necessário monitoramento ambiental contínuo.

Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO
Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

Pesquisadores da UFRRJ identificaram anticorpos contra o parasita em cerca de 40% dos gatos analisados na ilha. O resultado foi publicado na revista científica internacional EcoHealth e abriu uma nova frente de investigação sobre possíveis impactos na fauna marinha e na saúde humana. Integrantes do Instituto Boto Cinza monitoram mamíferos marinhos na região.

Golfinhos contaminados

Biólogo e coordenador do Instituto, Leonardo Flach lembra que pesquisas realizadas após um episódio de mortalidade de golfinhos na Baía de Sepetiba, próxima à região, identificaram a presença do parasita em animais examinados.

— Em um estudo com dez golfinhos necropsiados, três apresentavam toxoplasmose. Isso representa uma prevalência muito superior à observada em outras regiões do litoral brasileiro — afirma ele, antes de ressaltar que não é possível atribuir à Ilha Furtada a origem da contaminação. — Nosso objetivo agora é justamente entender se existe uma relação direta com a ilha ou se a contaminação está associada também ao esgoto lançado na baía por rios e municípios.

A “Ilha dos gatos” foi retomada pela União, por interesse público, em 2024, após processos judiciais decorrentes de inadimplência. A prefeitura de Mangaratiba aprovou legislação específica para a Ilha Furtada, criando regras para o manejo populacional dos gatos e aumentando as punições para abandono de animais em ilhas.


‘Ilha dos Gatos’, no litoral do Rio: entenda em seis tópicos questões ambientais e de saúde envolvidas (O Globo)

População de mais de 700 animais na Ilha Furtada, em Mangaratiba, mobiliza força-tarefa de cientistas; parasita da toxoplasmose já atinge golfinhos e põe em risco consumo de frutos do mar

Por O O GLOBO

 — Rio de Janeiro

01/06/2026 11h22  Atualizado há 3 dias

Ilha Furtada, na Costa Verde, foi rebatizada de 'Ilha dos gatos', após abandono de felinos que perdura por décadas
Ilha Furtada, na Costa Verde, foi rebatizada de ‘Ilha dos gatos’, após abandono de felinos que perdura por décadas — Foto: Custódio Coimbra

Os mais de 700 gatos que vivem na Ilha Furtada, rebatizada de “Ilha dos gatos”, entre as baías de Mangaratiba e de Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense, atraem organizações protetoras de animais e acendem o alerta de como políticas públicas ambientais podem ser usadas para evitar maus-tratos e, consequentemente, a reprodução de doenças entre os felinos abandonados. Numa reportagem publicada nesta fim de semana, O GLOBO contou que se tornou recorrente a visita de moradores de ilhas vizinhas para deixar os animais na ilha.

Em março deste ano, o que acontece na ilha que fica a oito quilômetros de Mangaratiba inspirou uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio, convocada pelo deputado Carlos Minc (PSB). Uma força-tarefa foi formada: reúne a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), o Instituto Boto Cinza e a Prefeitura de Mangaratiba. O grupo desenvolve o projeto “Uma só saúde na Ilha Furtada”, que busca investigar os impactos da presença maciça de gatos no ecossistema local e elaborar soluções para reduzir danos ambientais e sanitários.

Entenda em seis tópicos a questão:

  1. Superpopulação de gatos na ilha: O abandono contínuo de animais levou ao aumento da população de gatos, causando desequilíbrio no ambiente local;
  2. Dependência de ajuda humana para sobrevivência: A ilha não tem fontes naturais de água doce nem alimentos suficientes, tornando os animais dependentes de voluntários e ONGs;
  3. Risco de disseminação da toxoplasmose: Pesquisas identificaram a presença do parasita Toxoplasma gondii em gatos da ilha, levantando preocupações sanitárias;
  4. Contaminação do solo e do mar: As fezes de gatos infectados podem liberar parasitas que chegam ao ambiente marinho por meio das chuvas;
  5. Possíveis impactos na fauna marinha: Organismos como ostras, mexilhões e até mamíferos marinhos, como golfinhos, podem ser afetados pela contaminação;
  6. Desafios para solucionar o problema: Mesmo com a retirada dos gatos ou com melhores cuidados aos felinos que habitam o lugar, os parasitas podem permanecer ativos no ambiente por meses ou anos, exigindo monitoramento contínuo e medidas de controle.
Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO
Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

A “Ilha dos gatos” foi retomada pela União, por interesse público, em 2024, após processos judiciais decorrentes de inadimplência. A prefeitura de Mangaratiba aprovou legislação específica para a Ilha Furtada, criando regras para o manejo populacional dos gatos e aumentando as punições para abandono de animais em ilhas.

Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO
Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO