Arquivo da tag: Gatos

O drama da ‘Ilha dos Gatos’, na Costa Verde do Rio: abandono de felinos acende alerta para a saúde humana e da fauna marinha (O Globo)

População de mais de 700 animais na Ilha Furtada, em Mangaratiba, mobiliza força-tarefa de cientistas; parasita da toxoplasmose já atinge golfinhos e põe em risco consumo de frutos do mar.

Artigo original

Por Jéssica Marques

 — Rio de Janeiro

31/05/2026 05h00  Atualizado há 3 dias

Projeto Uma só Saúde na Ilha Furtada tenta resgatar centenas de gatos que vivem na  chamada Ilha dos Gatos, em Mangaratiba
Projeto Uma só Saúde na Ilha Furtada tenta resgatar centenas de gatos que vivem na chamada Ilha dos Gatos, em Mangaratiba — Foto: Foto Custodio Coimbra / Agência O Globo

De longe, o verde que cobre o terreno íngreme, do topo até as águas que o cercam por todos os lados, se destaca na paisagem, entre as baías de Mangaratiba e de Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense. De perto, o navegante não demora a constatar porque a Ilha Furtada é mais conhecida como “Ilha dos gatos”. Uma população atualmente estimada em mais de 700 felinos habita o lugar. Com a aproximação de embarcações, vários trocam a mata fechada pelas pedras à beira-mar, movidos por curiosidade — ou talvez por fome mesmo. Segundo moradores da região, os primeiros teriam sido abandonados depois que uma família se aventurou a viver por lá, na década de 1950. Inaugurou-se uma tradição e, dizem os locais, há pilotos de taxi boat que hoje cobram entre R$ 50 e R$ 150 para deixar os animais na ilha. O valor depende da distância a ser percorrida e até do tamanho do bichano.

Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Arte O GLOBO
Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Arte O GLOBO

A oito quilômetros da costa de Mangaratiba, a ilha virou um problema: em março deste ano, inspirou audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio, convocada pelo deputado Carlos Minc (PSB). Uma força-tarefa foi formada: reúne a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), o Instituto Boto Cinza e a Prefeitura de Mangaratiba. O grupo desenvolve o projeto “Uma só saúde na Ilha Furtada”, que busca investigar os impactos da presença maciça de gatos no ecossistema local e elaborar soluções para reduzir danos ambientais e sanitários.

A Ilha Furtada não tem fontes naturais de água doce e, como se sabe, ração não dá em árvore. Os bichos deixados — e os nascidos — por lá dependem da ação de voluntários para sobreviver. ONGs e defensores dos animais tentam manter uma rotina de assistência enfrentando a geografia pouco amistosa da ilha. Foi preciso instalar cordas entre as árvores para que os visitantes não acabassem despencando no mar. Joyce Puchalski, de 53 anos, fundadora da ONG Emergência Animal e moradora da região, lembra de gestões municipais anteriores que viam os recipientes de alimentos e bebedouros instalados como um incentivo ao abandono.

Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental

Projeto Uma só Saúde na Ilha Furtada tenta resgatar centenas de gatos que vivem na   chamada Ilha dos Gatos — Foto: Custodio Coimbra / Agência O Globo

— Eram dois problemas: a preocupação de incitar o crime (do descarte dos animais) e a realidade dos que já estavam lá. Mas os bichos são inocentes. A legislação protege o animal comunitário, não podemos deixá-los morrer de fome e sede. O que fazemos é alimentar e, quando encontramos algum machucado, debilitado ou com zoonose, fazemos o resgate e a internação — diz ela.

O conceito de “Uma só saúde” explica o encontro de instituições de áreas variadas no projeto. A situação da “Ilha dos gatos” é caso exemplar de interdependência entre as condições humana, dos animais e do equilíbrio ambiental. A pesquisadora Carla de Freitas Campos, do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos da Fiocruz, explica:

— Quando conhecemos a realidade da ilha, percebemos que não se tratava apenas de uma questão de bem-estar animal. Há repercussões ambientais e potenciais impactos para a saúde das pessoas.

Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO
Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

Risco para humanos

Andressa Ferreira da Silva, professora e pesquisadora da UFRRJ, é presidente da Rede Brasileira de Pesquisa em Toxoplasmose, dedicada a estudar a doença provocada por um parasita que geralmente é encontrado nas fezes de gatos. Trata-se de uma moléstia comum, muitas vezes assintomática, mas que pode trazer riscos mais significativos para a saúde de gestantes e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido.

— O foco do nosso grupo é entender quais patógenos estão circulando na ilha e quais impactos podem causar ao meio ambiente, aos animais e às pessoas. Detectamos uma circulação significativa de Toxoplasma gondii (o protozoário causador da doença) nos gatos e isso acende um alerta — afirma ela.

Os gatos infectados eliminam oocistos (que são como os ovos dos parasitas). Com as chuvas, esse material contamina o solo e, no caso da Ilha Furtada, pode alcançar o mar e chegar a organismos filtradores, como ostras e mexilhões, que posteriormente podem ser consumidos por humanos.

Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO
Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

— Os oocistos podem chegar às áreas costeiras. Pessoas podem se infectar por meio do consumo de ostras, mexilhões e outros organismos que filtram a água contaminada — alerta a professora, antes de fazer uma ressalva: — O gato é vítima nesse processo. Foi abandonado na ilha. Ninguém contrai toxoplasmose ao tocar em um gato. Isso não acontece. A transmissão está relacionada principalmente ao contato com fezes contaminadas e ao consumo de alimentos contaminados.

A pesquisadora observa ainda que, na questão da saúde pública, a simples retirada dos animais da ilha não resolverá o problema:

— Mesmo que todos os gatos sejam removidos, os oocistos podem permanecer viáveis no ambiente por meses ou até anos. Será necessário monitoramento ambiental contínuo.

Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO
Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

Pesquisadores da UFRRJ identificaram anticorpos contra o parasita em cerca de 40% dos gatos analisados na ilha. O resultado foi publicado na revista científica internacional EcoHealth e abriu uma nova frente de investigação sobre possíveis impactos na fauna marinha e na saúde humana. Integrantes do Instituto Boto Cinza monitoram mamíferos marinhos na região.

Golfinhos contaminados

Biólogo e coordenador do Instituto, Leonardo Flach lembra que pesquisas realizadas após um episódio de mortalidade de golfinhos na Baía de Sepetiba, próxima à região, identificaram a presença do parasita em animais examinados.

— Em um estudo com dez golfinhos necropsiados, três apresentavam toxoplasmose. Isso representa uma prevalência muito superior à observada em outras regiões do litoral brasileiro — afirma ele, antes de ressaltar que não é possível atribuir à Ilha Furtada a origem da contaminação. — Nosso objetivo agora é justamente entender se existe uma relação direta com a ilha ou se a contaminação está associada também ao esgoto lançado na baía por rios e municípios.

A “Ilha dos gatos” foi retomada pela União, por interesse público, em 2024, após processos judiciais decorrentes de inadimplência. A prefeitura de Mangaratiba aprovou legislação específica para a Ilha Furtada, criando regras para o manejo populacional dos gatos e aumentando as punições para abandono de animais em ilhas.


‘Ilha dos Gatos’, no litoral do Rio: entenda em seis tópicos questões ambientais e de saúde envolvidas (O Globo)

População de mais de 700 animais na Ilha Furtada, em Mangaratiba, mobiliza força-tarefa de cientistas; parasita da toxoplasmose já atinge golfinhos e põe em risco consumo de frutos do mar

Por O O GLOBO

 — Rio de Janeiro

01/06/2026 11h22  Atualizado há 3 dias

Ilha Furtada, na Costa Verde, foi rebatizada de 'Ilha dos gatos', após abandono de felinos que perdura por décadas
Ilha Furtada, na Costa Verde, foi rebatizada de ‘Ilha dos gatos’, após abandono de felinos que perdura por décadas — Foto: Custódio Coimbra

Os mais de 700 gatos que vivem na Ilha Furtada, rebatizada de “Ilha dos gatos”, entre as baías de Mangaratiba e de Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense, atraem organizações protetoras de animais e acendem o alerta de como políticas públicas ambientais podem ser usadas para evitar maus-tratos e, consequentemente, a reprodução de doenças entre os felinos abandonados. Numa reportagem publicada nesta fim de semana, O GLOBO contou que se tornou recorrente a visita de moradores de ilhas vizinhas para deixar os animais na ilha.

Em março deste ano, o que acontece na ilha que fica a oito quilômetros de Mangaratiba inspirou uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio, convocada pelo deputado Carlos Minc (PSB). Uma força-tarefa foi formada: reúne a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), o Instituto Boto Cinza e a Prefeitura de Mangaratiba. O grupo desenvolve o projeto “Uma só saúde na Ilha Furtada”, que busca investigar os impactos da presença maciça de gatos no ecossistema local e elaborar soluções para reduzir danos ambientais e sanitários.

Entenda em seis tópicos a questão:

  1. Superpopulação de gatos na ilha: O abandono contínuo de animais levou ao aumento da população de gatos, causando desequilíbrio no ambiente local;
  2. Dependência de ajuda humana para sobrevivência: A ilha não tem fontes naturais de água doce nem alimentos suficientes, tornando os animais dependentes de voluntários e ONGs;
  3. Risco de disseminação da toxoplasmose: Pesquisas identificaram a presença do parasita Toxoplasma gondii em gatos da ilha, levantando preocupações sanitárias;
  4. Contaminação do solo e do mar: As fezes de gatos infectados podem liberar parasitas que chegam ao ambiente marinho por meio das chuvas;
  5. Possíveis impactos na fauna marinha: Organismos como ostras, mexilhões e até mamíferos marinhos, como golfinhos, podem ser afetados pela contaminação;
  6. Desafios para solucionar o problema: Mesmo com a retirada dos gatos ou com melhores cuidados aos felinos que habitam o lugar, os parasitas podem permanecer ativos no ambiente por meses ou anos, exigindo monitoramento contínuo e medidas de controle.
Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO
Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

A “Ilha dos gatos” foi retomada pela União, por interesse público, em 2024, após processos judiciais decorrentes de inadimplência. A prefeitura de Mangaratiba aprovou legislação específica para a Ilha Furtada, criando regras para o manejo populacional dos gatos e aumentando as punições para abandono de animais em ilhas.

Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO
Ilha dos Gatos, em Mangaratiba: local onde habitam mais de 700 animais é cenário de abandono e crise ambiental — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

A guerra científica contra os gatos (El País)

Como a eliminação dos felinos em 83 ilhas do mundo todo beneficiou centenas de espécies

MANUEL ANSEDE

28 MAR 2016 – 17:06 CEST

Gato selvagem ataca uma ave na Austrália.

Gato selvagem ataca uma ave na Austrália. Brisbane City Council

Em 25 de abril de 2006, há quase dez anos, um gato de rua apareceu na praia do Inglês, nas Ilhas Canárias (Espanha), carregando na boca o cadáver de um lagarto gigante de La Gomera. Havia apenas 50 animais em liberdade dessa espécie, que sofre uma grave ameaça de extinção. E não se tratava de uma exceção. Os gatos que invadem as matas e vagueiam pelas ilhas no mundo todo têm levado ao desaparecimento de pelo menos 22 espécies de aves, nove de mamíferos e duas de répteis, representando 14% do total de extinções de animais vertebrados registradas pela União Internacional de Preservação da Natureza.

Autoridades de todo o planeta iniciaram uma guerra secreta aos gatos das ilhas. Eles são capturados com armadilhas, envenenados com ceva de peixe, caçados com cães adestrados ou até mesmos mortos com tiros de espingarda, como já ocorreu em algumas ilhas do arquipélago equatoriano dos Galápagos. Os gatos selvagens já foram extintos em pelo menos 83 ilhas, como Santa Catalina (México), Baltra (Equador), Trindade (Brasil), além das ilhotas espanholas de Lobos e Alegranza, segundo o relatório mais recente, produzido há cinco anos.

Agora, um novo estudo atesta a eficácia dessa estratégia, que não deixa de ser polêmica de certa forma. O trabalho, encabeçado pela bióloga norte-americana Holly Jones, mostra que a extinção de mamíferos invasores (principalmente ratos, cabras e gatos) beneficiou 236 espécies animais nativas de 181 ilhas em todo o mundo. Quatro delas tiveram o seu nível de risco de extinção diminuído na Lista Vermelha de espécies ameaçadas da IUCN (sigla em inglês para União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais), segundo o detalhado estudo publicado na revista científica PNAS.

Na ilha Natividad, no México, a eliminação dos gatos selvagens foi crucial para a recuperação da pardela-culinegra, uma ave de 80 centímetros existente em algumas poucas ilhas do Oceano Pacífico. “Essa intervenção foi importante para que a espécie passasse da classificação de vulnerável para quase ameaçada” na Lista Vermelha, como destaca Heath Packard, porta-voz da ONG norte-americana Island Conservation, que participa do estudo. O mesmo aconteceu na ilha britânica de Asunción, no Atlântico, onde a eliminação dos gatos permitiu que o rabiforcado-de-Ascensão, uma ave em ameaça crítica de extinção, reocupasse o seu território.

“Nós, biólogos da preservação, também amamos os animais. A maior parte de nós tem dedicado suas carreiras a proteger a biodiversidade, mas também avaliamos que aceitar a persistência de mamíferos invasores nas ilhas é uma decisão que permite que as espécies nativas sejam atacadas e, em alguns casos, levadas à extinção”, explica Jones, da Universidade do Norte de Illinois.

O comum é fazer a eutanásia dos gatos retirados das ilhas, mas no Japão os gatos capturados foram esterilizados e colocados para doação

A bióloga lembra o caso de uma gata de um homem que chegou em 1894 à ilha de Stephens, na Nova Zelândia, para cuidar de seu farol. A gata, prenhe, fugiu e a sua prole acabou em poucos meses com todos os exemplares de garrinchas de Stephens, uma ave arredondada e incapaz de voar, que era própria daquela ilha. Hoje em dia restam apenas exemplares empalhados dessa espécie extinta.

As ilhas são paraísos da biodiversidade. São a casa de 15% das espécies terrestres do planeta, e nelas sobrevivem 37% das espécies sob ameaça crítica de extinção, segundo destaca a equipe de Jones.

Uma garrincha de Stephens empalhado.

Uma garrincha de Stephens empalhado. Te Papa

 O biólogo espanhol Manuel Nogales, do Grupo de Ecologia e Evolução em Ilhas do Consejo Superior de Investigaciones Científicas, vem propondo há anos a erradicação total de gatos selvagens nas ilhas com menos de 200 quilômetros quadrados. Sua equipe, quando trabalhava na Universidade de la Laguna, na Espanha, capturou com ceva de sardinhas, há mais de dez anos, os dez gatos que tinham invadido a ilhota de Alegranza, um refúgio para aves marinhas como a águia pescadora e a pardela-de-bico-amarelo. Em Lobos, também na Espanha, o único gato do local foi retirado.

Os gatos têm levado ao desaparecimento de pelo menos 22 espécies de aves, nove de mamíferos e duas de répteis

“Na Espanha e na Europa de um modo geral, as autoridades resistem em organizar campanhas pela erradicação dos gatos. Em outros países, a conscientização está mais avançada”, lamenta. Nogales, que não participou do novo estudo, faz um chamamento à ação: “Não podemos ficar de braços cruzados”. Ele e seu colega Félix Medina estão envolvidos em um estudo inicial para avaliar a possível eliminação dos gatos de La Graciosa, uma ilha canária, onde se realizaria a maior eliminação de felinos na Espanha. La Graciosa tem uma área de 30 quilômetros quadrados, o triplo de Alegranza e seis vezes mais do que a superfície da ilhota de Lobos.

Nogales admite que o comum é fazer a eutanásia dos gatos retirados das ilhas, mas aponta outras possíveis alternativas. “No Japão, os gatos capturados na ilha de Okinawa foram levados a Tóquio, esterilizados e colocados para doação”, relata.

“Em muitas ilhas do mundo onde há esses gatos invasores é imprescindível eliminá-los, para que acabar com a pressão que eles fazem sobre muitas espécies nativas ameaçadas por esse predador. Em outras ilhas, seria praticamente impossível, mas é possível adotar outras medidas, como a esterilização, a marcação ou mesmo a reclusão em casa, o que é quase impossível”, acrescenta Medina.

This Is How Cats See the World (Wired)

BY NADIA DRAKE

10.16.13







The blurriness at the edge of the photos represents the area of peripheral vision in humans (20 degrees, top) and cats (30 degrees, bottom). 

No one ever talks about what the world looks like if you’re a cat. Instead, we speak of the bird’s-eye view and use fish-eye lenses to make things look weird.

But we rarely consider how the internet’s favorite subject sees the world. Luckily, artist Nickolay Lammhas volunteered to act as cat-vision conduit. Here, Lamm presents his idea of what different scenes might look like if you were a cat, taking into consideration the way feline eyes work, and using input from veterinarians and ophthalmologists.

For starters, cats’ visual fields are broader than ours, spanning roughly 200 degrees instead of 180 degrees, and their visual acuity isn’t as good. So, the things humans can sharply resolve at distances of 100-200 feet look blurry to cats, which can see these objects at distances of up to 20 feet. That might not sound so great, but there’s a trade-off: Because of the various photoreceptors parked in cats’ retinas, they kick our asses at seeing in dim light. Instead of the color-resolving, detail-loving cone cells that populate the center of human retinas, cats (and dogs) have many more rod cells, which excel in dim light and are responsible for night-vision capability. The rod cells also refresh more quickly, which lets cats pick up very rapid movements — like, for example, the quickly shifting path a marauding laser dot might trace.

Lastly, cats see colors differently than we do, which is why the cat-versions of these images look less vibrant than the people-versions. Scientists used to think cats were dichromats — able to only see two colors — but they’re not, exactly. While feline photoreceptors are most sensitive to wavelengths in the blue-violet and greenish-yellow ranges, it appears they might be able to see a little bit of green as well. In other words, cats are mostly red-green color blind, as are many of us, with a little bit of green creeping in.

All Photos: Nickolay Lamm, in consultation with Kerry L. Ketring, DVM, DACVO of All Animal Eye Clinic, Dr. DJ Haeussler of The Animal Eye Institute, and the Ophthalmology group at Penn Vet.