Jovens infratores distinguem o certo do errado (Fapesp)

Edição 215 – Janeiro de 2014

© DANIEL BUENO

Jovens infratores internados em centros socioeducativos às vezes exibem indiferença ao sofrimento alheio e desprezo às regras sociais, mas eles sabem – ou aparentam saber – diferenciar o certo do errado. Um grupo de psiquiatras e psicólogos de São Paulo chegou a essa conclusão depois de submeter 30 internos da Fundação Casa (antiga Febem), com idade entre 18 e 21 anos, a testes psicológicos que avaliam o grau de psicopatia e a capacidade de julgamento moral, ao longo de quase um ano (Frontiers in Psychiatry, novembro). “Esses jovens tinham maturidade moral e sabiam distinguir o certo do errado”, diz Daniel Martins de Barros, psiquiatra da Universidade de São Paulo. “Mas não podemos confirmar se esse conhecimento é original ou se eles apenas o reproduziam porque tinham ouvido alguém dizer.” Os adolescentes passaram também por um teste que mede a atividade elétrica da pele e avalia a resposta emocional ao ver imagens agradáveis (um pai com um bebê no colo), neutras (um livro sobre uma mesa) ou desagradáveis (pessoas mutiladas). Houve uma correlação entre o grau de frieza medido no teste psicológico e a reação emocional avaliada pelo teste fisiológico. Quanto mais a frieza e a indiferença dos participantes se aproximavam das de alguém com um quadro clássico de psicopatia, menos eles sentiam o impacto das imagens inquietantes, de conteúdo afetivo negativo.

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