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Ministro da Defesa vai a CPI para constranger antropólogos e defensores de indígenas (Outras Palavras)

Blog do Alceu Castilho

Publicado em 3 de abril de 2016

Em ato voluntário, Aldo Rebelo voltou a se aliar com ruralistas para colecionar delírios que seriam inadequados para um deputado; quanto mais à sua função no governo

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

No que se refere à questão agrária, tema que acompanho de perto, nenhuma vez fiquei tão constrangido ao ver a fala de um político quanto agora, ao assistir o vídeo de Aldo Rebelo na CPI da Funai, na quarta-feira. E olhem que ele tem sérios concorrentes. Tivemos o deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS) chamando índios, gays, quilombolas de “tudo que não presta”. E falas absurdas da ministra Kátia Abreu, principalmente do tempo em que era senadora; ou do líder da milícia UDR, hoje senador, Ronaldo Caiado (DEM-GO).

E por que a fala de Rebelo é pior?

Porque ele é ministro da Defesa. Suas curiosas concepções sobre “antropologia colonial” já seriam particularmente bizarras por ele se declarar comunista – ele é um dos líderes do PCdoB. Mas este é um assunto menor: que esses comunistas específicos se virem com sua consciência e com suas leituras, diante das diatribes do ex-deputado. Que se olhem no espelho e tentem encarar, depois disso, uma liderança indígena, um antropólogo sério, sem passar profunda vergonha. Agora, repito: Rebelo é ministro da Defesa. 

E, por isso, sua fala é indefensável. Vejamos.

“Dos três troncos, o indígena é o mais sofrido, o mais esquecido pelo Estado brasileiro. Enquanto os outros troncos alcançaram, de certa forma, seu espaço na construção da sociedade nacional, os índios foram ficando à margem desse processo, e carregando maior as penas e o sofrimento da construção da nossa pátria. Cabe, portanto, esse registro pra que essa injustiça possa ser reparada, para que nós possamos, de forma consequente, socorrer, amparar essa parcela da nossa população. Exatamente para que ela não fique à mercê [eleva a voz] da manipulação de demagogos, da manipulação de interesses espúrios internos e externos, como, lamentavelmente, vem acontecendo.

É preciso que o Estado brasileiro ampare a população indígena do Brasil, para que organizações não-governamentais interesseiras, muitas vezes agentes do próprio Estado, agindo contra o Estado, manipulem o sofrimento e o abandono das populações indígenas. Falo, senhoras e senhores, com a experiência de quem palmilhou, nas fronteiras do Brasil mais remotas da Amazônia, as terras indígenas e quem pôde dialogar com suas populações. E de quem pôde testemunhar, exatamente, aquilo que acabo de dizer. (…)

Nossa tradição, naturalmente, não nega as violências, não nega as brutalidades, não nega as injustiças, não nega tudo que de errado nós fizemos contra as populações indígenas. Mas isso também afirma a natureza da nossa civilização de buscar incorporar, não apenas no sangue, mas na cultura, na história, na literatura, na culinária, no imaginário e na psicologia do nosso povo a presença dos nossos queridos e das nossas queridas irmãs e irmãos indígenas.

Por essa razão, senhores, é inaceitável [eleva novamente a voz] a doutrina esposada por certos setores da antropologia, principalmente da antropologia colonial, antropologia criada na França e na Inglaterra exatamente para melhor realizar o trabalho de dominação das chamadas populações aborígenes. Antropologia que depois foi incorporada pelos exércitos coloniais como parte do esquema de dominação. Essa corrente antropológica neocolonial é que procura apartar da sociedade nacional e da integração à sociedade nacional as populações indígenas. E é preciso que se denuncie com vigor e com coragem, para que o Brasil não se ponha no papel de vítima dos crimes que, de fato, ele não cometeu. Basta aqueles que nós já cometemos.

Essa antropologia que influencia estruturas do próprio Estado brasileiro, que incorpora setores importantes da nossa mídia, que incorpora setores importantes de correntes religiosas trata de estabelecer um abismo entre a sociedade nacional, entre o Brasil e as populações indígenas, contrapondo ao esforço de integração a ideia de segregação. Como se na escala evolutiva da humanidade o índio pudesse ser contido e parado nos estágios anteriores à evolução de toda a humanidade.

Tenho amigos europeus que fazem estudos em populações tribais e que descobriram, aqui na região da Amazônia, como é óbvio, uma população indígena que não sabe contar, que não domina a aritmética como qualquer povo ágrafo. Eu dizia para ele: seus antepassados também não sabiam contar. Contam no máximo 1, 2, 3 e muito. (…) O que eu perguntava para esse amigo antropólogo era o seguinte: as crianças dessa tribo devem ter o direito de aprender matemática? Ou elas devem ter negado esse direito, para que a antropologia continue dispondo de estudo de caso para registrar nas suas teses de mestrado ou doutorado? (…)

A manipulação das causas nobres e justas, como é a causa da proteção dos índios, não é a única no mundo. Ela tem paralelo com a manipulação da causa do meio ambiente. É muito parecido. As potências usam o meio ambiente, as causas indígenas, os direitos humanos, a democracia, a liberdade como usaram o anticomunismo no passado. O que era o anticomunismo? Era o pretexto para se fazer golpes de Estado, para defender interesses econômicos em função da defesa da liberdade e da democracia. Depois que o comunismo deixou de ser o pretexto, porque não era de fato ameaça, eles procuraram outros pretextos: a causa indígena é um deles, o ambientalismo é outro”.   

E assim por diante, como se pode ver no vídeo. De forma voluntária, sem que o ministro Aldo Rebelo tivesse sido convidado ou convocado à CPI, instalada pelos ruralistas para combater direitos indígenas e a reforma agrária. Como porta-voz do governo, portanto?

aldorebelo

Note-se que ele chega a combater a demarcação contínua da Raposa Serra do Sol, em Roraima. Em determinado momento, pergunta: “Quem é índio e quem não é índio onde tudo já se misturou?” E cita um estudo de pedologia na Universidade Federal de Viçosa que considera não existir mais ali uma civilização indígena, “mas uma civilização miscigenada”.

E tem mais: ele se declarou à favor da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 215) que transfere ao Congresso o poder de demarcar terras indígenas e quilombolas: “Aldo diz à CPI que é a favor da PEC que muda regras de demarcação de terras“. Uma bandeira de quem? Dos ruralistas.

É como resume o antropólogo Henyo Barretto Filho, do Instituto Internacional de Educação do Brasil: “Se o governo não desautorizar de modo igualmente público e expresso tal depoimento, fica sendo essa a versão do governo sobre os povos indígenas, a política indigenista e o papel da antropologia no reconhecimento dos direitos territoriais”.

O que vem depois do desastre? (Agência Pública)

23/03/2016

A Pública retoma três tragédias socioambientais e conta o que aconteceu depois que a poeira baixou. Impunidade e acordos lenientes são o resultado mais comum.

Por Jessica Mota, da Agência Pública –

Ednei de Souza comemorava seus 9 anos de idade no dia em que tudo pegou fogo. Na madrugada de 25 de fevereiro de 1984, a Vila São José, conhecida como Vila Socó, em Cubatão (SP), sofreu um incêndio de enormes proporções que matou pelo menos 508 pessoas, possivelmente 700, segundo o que estimou à época o Ministério Público de São Paulo. No Brasil da ditadura militar, foram identificados oficialmente 93 corpos.

O incêndio foi provocado por um vazamento no oleoduto Santos-São Paulo, que transportava gasolina da Refinaria de Capuava, em Mauá, para o Terminal da Alemoa, em Santos, de onde era exportado. A vila fica no caminho desse oleoduto. A maior parte de seus moradores eram migrantes nordestinos atraídos pelas possibilidades de trabalho no complexo industrial de Cubatão. O laudo do médico-legista-chefe do Instituto Médico-Legal estimava como número provável a morte de 300 crianças entre 0 e 3 anos.

O incêndio aconteceu na altura do km 58 da Via Anchieta, onde até hoje está a Vila São José, apelidada “Socó” pela presença dos pássaros no mangue sob as casas de palafita da favela. A gasolina se espalhou nas águas do mangue e da maré. Foi por isso que o fogo irrompeu de baixo para cima, com violência.

“Era uma sexta de Carnaval”, lembra Ednei, que continua, aos 41 anos, a morar na vila. “Nós corremos e depois do incêndio eu voltei pra ver como ficou. Passei aqui e eram muitos corpos perto, num lençol branco, outros não estavam cobertos. Cenário de destruição. Pessoas chorando. Bombeiros tentando pegar os corpos que estavam no meio da lama.”

Dirlene Camilo, a dona Didi, de 78 anos, conta que só teve tempo de acordar os filhos e sair correndo. “Eu só via o céu e fogo. Nós corremos. Meu marido ficou pra, sei lá, pegar documento, pra pegar dinheiro. Ele era pescador e naquele dia tinha vendido muito camarão. Ele queimou. Não morreu na hora. Quando soube, fui lá na Santa Casa e ele tinha morrido”, conta ela na sala da sua casa na Vila Natal, bairro vizinho da Vila Socó, onde foi reassentada depois da tragédia.

O inquérito policial foi instaurado no mesmo dia e a Procuradoria-Geral de São Paulo designou o promotor Marcos Ribeiro de Freitas para assumir a investigação e o processo criminal. Durante um mês, o promotor, hoje aposentado, e seu colega José Carlos Pedreira Passos reuniram documentos sobre vazamentos anteriores, laudos do Instituto Médico-Legal, documentos da prefeitura de Cubatão, plantas das instalações dos dutos e depoimentos – de sobreviventes, testemunhas e funcionários das instituições responsáveis, como a Petrobras e a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Finalmente, no dia 4 de junho de 1984, os promotores protocolaram a denúncia na Comarca de Cubatão.

Ednei de Souza completava 9 anos no dia do desastre de Cubatão. 'Eles [a Petrobrás] têm dívida eterna com a Vila'. José Cícero da Silva/Agência Pública

É essa peça jurídica, carregada de informações detalhadas e provas, que concluiu que o incêndio foi causado por falha humana, um “erro operacional”, mas que a tragédia só ocorreu pela negligência e omissão de 24 homens. À frente do rol de denunciados estava Shigeaki Ueki, então presidente da Petrobras e ex-ministro de Minas e Energia do governo Geisel (1974-1979). Havia outras autoridades, como o prefeito-interventor de Cubatão na época, José Oswaldo Passarelli, nomeado pelo governo militar. Ueki participou de diversos governos desde 1964 e foi o primeiro presidente civil da Petrobras.

“A nossa denúncia foi uma peça técnica, juridicamente falando. Promovendo responsabilidade, não só pela falha humana que houve, porque isso não elidia a responsabilidade da Petrobras”, relembra Marcos de Freitas. “Porque são culpas concorrentes. Uma coisa é falha humana, outra coisa é a responsabilidade da empresa, que tanto pode ser na área cível, como foi, como na área criminal, como também foi.”

A falha humana foi constatada em sindicância da própria Petrobras. As válvulas que ligavam as linhas de transporte da gasolina aos tanques não se abriram por “um erro operacional”, ocasionado por “problemas de comunicação”. Mas a “culpa consciente” pelo incêndio saltou aos olhos dos promotores ao examinarem um ofício encaminhado por Ueki ao então governador de São Paulo, Franco Montoro, dois meses antes da tragédia. Ueki alertava para o risco iminente de um incêndio e pedia que fossem tomadas providências para remover as pessoas que viviam na Vila Socó. “Só que ele mandou o ofício e não tomou nenhuma providência, vamos dizer, entrar com uma ação no Fórum pra botar todo mundo pra fora. Ele não fez nada, se omitiu completamente. Foi através de uma culpa consciente, através dessa omissão, por parte da Petrobras, que nós denunciamos a responsabilidade criminal”, explica o promotor. Segundo consta na denúncia, deveria haver uma faixa de pelo menos 30 metros que separasse casas e barracos da área do oleoduto e a atribuição legal de realocar as pessoas era da Petrobras, desde o momento em que assumiu a administração do oleoduto.

Não há registros da resposta de Montoro. Antes mesmo do ofício de Ueki, porém, em 1977, Araken de Oliveira, ex-presidente da Petrobras, havia enviado um ofício semelhante ao ex-governador Paulo Egídio Martins. O ex-governador respondia que a competência era do Serviço Social da prefeitura de Cubatão e que ela já havia elaborado um projeto de “desfavelamento” que tinha financiamento do Banco Nacional de Habitação para construção de 6 mil casas. Mas o projeto nunca chegou à Vila Socó.

O único monumento em homenagem às vítimas fica no fundo da Vila, num canteiro ao lado da rodovia Anchieta. José Cícero da Silva/Agência Pública

A denúncia – que obteve repercussão nacional e internacional – apontava também falhas de manutenção nos dutos. Entre 1971 e 1975, o oleoduto apresentou uma média de um vazamento a cada dez dias. Ele havia sido adquirido pela Petrobras em 1974 – operava desde 1951 – sem que fosse feita uma inspeção para avaliar o sistema. De 1977 até a investigação do Ministério Público, o oleoduto já havia se rompido 19 vezes – 18 por corrosão. A válvula de segurança, que poderia aliviar a pressão que causou o acidente, só foi instalada uma semana após o incêndio.

Ainda assim, ninguém foi preso. Uma semana depois de feita a denúncia, o juiz da Comarca de Cubatão descartou a responsabilidade de sete dos 24 denunciados: o então prefeito Passarelli e mais seis engenheiros. Os demais foram chamados para interrogatório, com exceção do presidente da Petrobras, que conseguiu um habeas corpus por dois votos a um e, depois, o trancamento da ação penal. Sete engenheiros e funcionários da Petrobras foram condenados em primeira instância a um ano e sete meses de prisão. Na mesma decisão, outros quatro foram absolvidos. Nenhuma das autoridades de alto escalão foi condenada. Em agosto de 1986, após recursos, os réus foram todos absolvidos em segunda instância. Passarelli seria prefeito por mais dois mandatos em Cubatão, de 1986 a 1988 e de 1993 a 1996.

No ano seguinte ao desastre, a Agência Estado noticiava a recorrência dos vazamentos nos dutos da Petrobras na Baixada Santista. Segundo o jornal, “houve indenizações irrisórias (só oito por morte), construiu-se apenas 28 casas para os desabrigados, e a Justiça ainda não apontou os culpados. As indenizações às vítimas não ultrapassaram Cr$ 3 bilhões, sendo que, por morte, os oito acordos não chegaram a Cr$ 75 milhões”.

Dona Didi conta que foi reassentada na Vila Natal, onde mora até hoje, dois meses depois do incêndio. Até a casa sair, ficou com os quatro filhos na residência do irmão, no Guarujá. Em dinheiro, recebeu Cr$ 1,5 milhão para ressarcir tudo o que perdeu no incêndio. O valor corresponde atualmente a R$ 10.652,54 (cálculo feito em plataforma do Banco Central, com correção monetária e índice de inflação reajustados). Ela não tem a escritura da casa, apenas a “permissão de morada”, e não escolheu ir para Vila Natal.

“Eu já tava acostumada lá na Vila Socó, tinha medo de mudar de lá”, conta. “Cedo eu ia fechando as portas pros meninos não saírem. Era um mato só, um lixão aí atrás”, lembra enquanto aponta para o fundo da casa na Vila Natal. Ela diz que se acostumou com o cheiro. “A gente que é pobre acostuma com tudo.”

Dona Didi perdeu o marido no incêndio. Como compensação, ganhou uma casa que ficava ao lado de um lixão. José Cícero da Silva/Agência Pública

Dona Didi perdeu o marido no incêndio. Como compensação, ganhou uma casa que ficava ao lado de um lixão. José Cícero da Silva/Agência Pública

A Vila Socó ainda existe no mesmo lugar, mas já não há mangue nem casas de palafita. Foi urbanizada a partir de 1985 por reivindicação dos moradores. Os dutos que transportam gasolina ainda estão ali, mas agora subterrâneos. Por toda a calçada da área de lazer do bairro existem estacas amarelas que sinalizam a passagem da tubulação.

Apesar de, na época, já existirem uma legislação estadual que normatiza a prevenção e controle de poluição, uma lei federal de 1980 que regula o zoneamento industrial e estabelece diretrizes para o licenciamento de indústrias e a Lei Federal 6.938, de 1981, que instituía a Política Nacional de Meio Ambiente, o desastre chamou atenção para a necessidade de cumprir com rigor a regulação ambiental. Em dezembro de 1984, dez meses depois do incêndio, o então gerente regional da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Luís Carlos Valdez, fez declarações alarmantes ao jornal A Tribuna. “Se as autoridades não ouvirem o clamor da Baixada Santista, teremos muitas outras tragédias como a da Vila Socó. Talvez piores”, afirmou. No mesmo ano, Passarelli determinou estudos para a criação de uma Secretaria de Meio Ambiente municipal. Em 1985, iniciou-se “um processo de conscientização sobre a vulnerabilidade da região do Pólo Petroquímico de Cubatão”, como aponta histórico da Cetesb. Foi então que a companhia começou a desenvolver um setor de Análise de Riscos.

Pouco se avançou, porém, para corrigir as injustiças cometidas em relação aos atingidos pela tragédia. “Eu lembro que na época o então vereador Dorivaldo Cajé, que era o presidente da Câmara, mediou esses acordos. Acordos em que foram definidas indenizações irrisórias. Só pra se ter uma ideia, e isso está no processo, crianças de até 12 anos não foram indenizadas porque não eram força produtiva”, conta Dojival Vieira, que era vereador eleito pelo Partido dos Trabalhadores no momento do desastre. Hoje, Dojival é jornalista e advogado e integra a Comissão da Verdade da Ordem dos Advogados do Brasil em Cubatão.

“Naquela época, o povo era leigo. Não sabia dos direitos. O pessoal que vinha pra trabalhar, mas não conhecia de direito, na época não sabia nem contratar um advogado. Então, o poder público fez o que quis com o povo”, sublinha o morador Ednei, presidente da associação de bairro entre 2004 e 2008. “Eu trouxe de volta a história [do incêndio]. Eu resgatei essa memória viva do povo”, conta. “A Petrobras não gostou da lembrança. O gerente de comunicação da época falou pra não falar mais do assunto, que isso é coisa passada. Eu falei que não, que eles têm dívida eterna com a Vila São José”, diz.

Coluna no jornal A Tribuna, de Santos, em 08 de dezembro de 1984, levantava discussão sobre degradação ambiental

Em 2014, no aniversário de 30 anos da tragédia, a Comissão da Verdade da Ordem dos Advogados do Brasil em Cubatão, em parceria com a Comissão da Verdade Rubens Paiva, instalada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), focou os trabalhos no desastre da Vila Socó. Como explica Adriano Diogo, ex-deputado estadual que presidiu a Comissão da Verdade em São Paulo, “a Petrobras sempre foi uma empresa militarizada”, e “Cubatão, que tinha o polo petroquímico, era uma área de segurança nacional”. Portanto, de responsabilidade dos militares [os prefeitos eram nomeados pelos militares], como lembrou o então governador Franco Montoro em entrevista aos jornalistas em Vila Socó, no dia da tragédia: “É preciso não esquecer que Cubatão está sendo considerada área de segurança nacional apenas como uma cidade que não deve escolher o seu governante. Se houvesse uma participação maior da população, nós teríamos uma participação maior na apreciação dos problemas e na solução”, disse o então governador.

A Comissão da Verdade da OAB de Cubatão pediu o desarquivamento do processo de Vila Socó. “Quando nós criamos essa comissão, tínhamos alguns objetivos”, explica o advogado Luiz Marcelo Moreira. “O primeiro era o resgate à memória. O segundo objetivo era traçar a real dimensão dessa tragédia. O terceiro é o porquê da impunidade dos entes envolvidos. Ninguém foi punido. E o quarto, se houve indenização, de que forma foi a indenização? E se existiria ainda direito a alguma indenização. Traçado isso, a primeira coisa que eu fiz foi pedir o desarquivamento desse processo.”

Foram feitas cinco audiências públicas sobre o caso, três em Cubatão e duas na Alesp. Shigeaki Ueki, hoje consultor internacional da área de energia, foi chamado para depor na Comissão da Verdade em São Paulo. Em seu depoimento, em julho de 2014, ele buscou dar o assunto por encerrado. “Nós admitimos logo de início, vamos aceitar a culpa, foi um erro operacional, falha humana, não interessa, e custou uma pequena fortuna para a Petrobras, e indenizamos todos, de acordo com a lei, com a expectativa de vida e tudo mais.”

Desde o fim da Comissão da Verdade, em 2014, a equipe de três advogados estuda como buscar reparação às vítimas. “Nós encerramos essa primeira etapa, e a próxima etapa é montar uma petição inicial com a documentação e levar à OEA [Organização dos Estados Americanos] para que lá seja julgada e analisada essa situação não só da Petrobras, mas do Estado brasileiro.” Moreira se refere à Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA, que pode condenar o Estado brasileiro por violações de direitos humanos. “Se existir uma culpa, seja de qual forma for, que ele [o Estado] seja responsabilizado e indenize as vítimas e os parentes das vítimas. Nós queremos fazer isso ainda este ano”, conclui o advogado.

A Pública fez um pedido pela Lei de Acesso à Informação à Petrobras para obter documentos internos relativos ao desastre da Vila Socó. A Ouvidoria-Geral respondeu que as informações sobre o incêndio já haviam sido encaminhadas à Comissão da Verdade de São Paulo e que, na época em que a comissão requereu tais informações, a Petrobras não localizou a documentação relacionada. A reportagem questionou também a empresa, via assessoria de imprensa, sobre as indenizações, restaurações dos dutos e zona de segurança na Vila Socó. A assessoria informou por telefone que não iria comentar o caso.

Dutos da Petrobrás que transportam gasolina hoje têm sinalização e ainda passam pela Vila Socó. José Cícero da Silva/Agência Pública

12 anos antes, outra barragem em Minas

O estado de Minas Gerais tem 220 barragens de rejeitos minerais classificadas dentro da Política Nacional de Segurança de Barragens. Em 2003, 12 anos antes de romper a barragem do Fundão, no distrito de Bento Gonçalves, também em Minas, outra se rompia na cidade de Cataguases, perto da divisa com o Rio de Janeiro.

Ela represava rejeitos gerados na produção de celulose (chamados de lixívia negra) e fora construída na década de 1980, de acordo com informações do Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema) de Minas Gerais, pela Indústria Matarazzo de Papéis, posteriormente adquirida pela Indústria Cataguases de Papel e pela Florestal Cataguases, pertencentes ao Grupo Iberpar.

Em resposta aos questionamentos da Pública, o Sisema informa que a Indústria Matarazzo de Papéis operou sempre irregularmente, de 1978 até seu fechamento, em 1993. A empresa se mantinha em atividade “celebrando vários acordos com a Comissão de Política Ambiental (Copam), com o objetivo de solucionar as irregularidades ambientais, porém nenhum dos acordos foi cumprido”. A Indústria Cataguases de Papel, que opera com reciclagem de papel e adquiriu a planta em 1993, só requereu Licença de Operação em 1997. Até 2003, ano do rompimento, a indústria protocolou quatro processos de licenciamento ambiental. “Todos indeferidos por estarem tecnicamente inadequados”, informou o Sisema. Durante 14 anos a empresa operou sem licença, obtida apenas em 2007.

No dia 29 de março de 2003, a “Barragem B”, localizada na fazenda Bom Destino, se rompeu, contaminando com a lixívia negra o ribeirão Cágado, o rio Pomba e o rio Paraíba do Sul, principal fonte de abastecimento de água do estado do Rio de Janeiro. Mais de 500 milhões de litros de lixívia vazaram nos rios, de acordo com o Ministério Público Federal. Os resíduos chegaram a Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, e, em menor proporção, até o litoral de Presidente Kennedy, no Espírito Santo. Durante 11 dias o noroeste fluminense ficou sem abastecimento de água.

O Sisema informou que testes laboratoriais indicaram que os resíduos da barragem não eram tóxicos. Entretanto, uma portaria do Ibama emitida quatro dias após o rompimento da barragem referia-se ao “vazamento de substâncias altamente tóxicas” e proibia a pesca nos rios Pomba e Paraíba do Sul durante 90 dias. As atividades rurais no entorno dos rios ficaram comprometidas. Animais como bois, cavalos e jacarés foram encontrados mortos ao longo do percurso dos rios contaminados, e cerca de 60 espécies de peixes – das 169 então existentes no rio Paraíba do Sul – foram dizimadas, de acordo com um artigo científico de autoria da professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro Verônica Bomfim de Souza Alves.

O procurador da república Eduardo Santos de Oliveira, que à época estava lotado na Procuradoria da República em Campos dos Goytacazes, foi o responsável pelas ações do MPF no caso da Cataguases. A experiência foi um dos fatores para que ele integrasse a força-tarefa de procuradores no caso do rompimento da barragem da Samarco em Mariana. “Um acidente dessa proporção jamais ocorre por conta dessa ou daquela causa. Como regra, é uma soma de omissões ou decisões equivocadas”, ensina. Um exemplo: na época da construção da barragem de Cataguases, já havia soluções melhores para gerenciar os dejetos da atividade industrial. Mas, segundo ele, a barragem seria uma opção economicamente mais barata.

O Ministério Público Federal (MPF) agiu contra a empresa, que teve suas atividades suspensas. Em ação civil pública, pediu indenização e compensação por danos ecológicos. Responsabilizou também o Grupo Matarazzo, dono anterior da propriedade e da indústria de papel e responsável pela construção da barragem. O Ibama e o estado de Minas Gerais foram apontados como responsáveis por omissão. Na denúncia consta ainda que, em 1990, a Indústria Matarazzo de Papéis já havia sido avisada da necessidade de a barragem ser desativada após abril de 1993 – ou seja, dez anos antes do rompimento.

Em 2007, a Justiça Federal no Rio de Janeiro determinou o pagamento conjunto de R$ 170 milhões de indenização por danos ambientais. Os réus entraram com recursos, mas de acordo com o procurador a expectativa é que a sentença saia ainda este ano e seja favorável ao pedido do MPF. Há uma execução provisória em andamento, com a penhora dos bens das empresas.

“A população ribeirinha, no caso os pescadores, na grande maioria foi assessorada pela Defensoria Pública ou por advogados. Houve centenas de ações individuais cobrando das empresas por eventuais danos, tanto em Cataguases quanto em Campos [dos Goytacazes]”, informa Oliveira. “Algumas já tiveram ganho de causa, outras ainda não.”

O MPF também denunciou criminalmente os sócios, ex-sócios e um ex-funcionário das empresas Florestal Cataguases, Indústria Cataguases de Papel, ambas do Grupo Iberpar, e das Indústrias Matarazzo de Papéis por crime de omissão, pela inundação, poluição e por não terem feito o esvaziamento da barragem após o desastre. A possibilidade de rompimento já tinha sido informada à Florestal Cataguases havia mais de três anos antes do acidente, segundo uma nota da assessoria do MPF publicada em seu site na época.

Dois dos então diretores da Indústria Cataguases de Papel, Félix Luis Santana Arencibia e João Gregório do Bem, tiveram prisão preventiva decretada. Arencibia chegou a ser preso, mas tanto ele como João Gregório tiveram liberdade provisória em seguida. A ação criminal referente aos sócios e ex-sócios da Indústria Cataguases de Papel e Florestal Cataguases ainda não teve sentença. O processo que acusava criminalmente a Indústria Matarazzo de Papéis e seus representantes foi trancado por ordem do Supremo Tribunal de Justiça, após recursos dos réus.

Em paralelo às ações judiciais, a Indústria Cataguases de Papel assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público Federal. O acordo estabeleceu ações de recomposição da barragem, recuperação das margens do córrego do Cágado, proteção de nascentes, repovoamento de espécies de peixes nativas e remoção dos resíduos acumulados nas propriedades rurais. Segundo o Sisema, “as ações foram implementadas satisfatoriamente”.

“O TAC também contém uma série de medidas para tratamento dos resíduos remanescentes nos reservatórios das Barragens A e B da Fazenda Bom Destino, de forma a promover a completa desativação das estruturas e recuperação do passivo ambiental”, informa a nota do Sisema enviada à Pública. Segundo o procurador Eduardo Santos de Oliveira, hoje não há mais risco em Cataguases porque as barragens estão vazias.

Para o procurador, que acompanhou tanto Cataguases como Mariana, a postura das empresas continua “lamentável”. “O empreendedor sabe da potencialidade lesiva da obra que ele construiu e da qual ele é dono, sabe dos perigos que a obra que ele executou traz para a população e para o meio ambiente. O que é lamentável mesmo é que, no final das contas, eles não encaminham suas decisões de maneira a preservar a integridade tanto do meio ambiente e do patrimônio histórico, mas principalmente das pessoas”, analisa. “Se um décimo de qualquer medida das que são tomadas depois tivesse sido feito ao longo do tempo da barragem, o desastre nem teria acontecido. Independentemente das obrigações de indenizar, independentemente de eventual sentença criminal, o que é mesmo lamentável é a perda de 17 vidas inutilmente”, fala, ao refletir sobre o desastre da barragem do Fundão, no distrito de Bento Gonçalves, em Mariana.

A Pública tentou localizar representantes da Florestal Cataguases e da Indústria Cataguases de Papel, sem sucesso. Em matéria do portal G1, publicada em novembro de 2015, a advogada da Indústria Cataguases de Papel, Kássia Silveira, afirmou que “a empresa foi multada no valor de R$ 50 milhões, aplicada pelo Ibama. Nós entramos na Justiça contra essa multa e o processo ainda não foi julgado, ainda está em curso. Para recuperar a área ainda gastamos aproximadamente R$ 1,5 milhão”.

Vazamento de petróleo em alto-mar

Foi no dia 8 de novembro de 2011 que a Petrobras notificou a Chevron do Brasil sobre uma imensa mancha de óleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos, a uma distância de cerca de 120 km da costa do Rio de Janeiro. Há três meses, a Chevron explorava um poço de petróleo a 2.280 metros abaixo do fundo do mar, como parte de um consórcio em que tem participação majoritária (51,7%), seguida pela Petrobras (30%) e pela Frade Japão Petróleo Ltda. (18,3%).

Foram cerca de 3.700 barris de petróleo cru vazados no mar, ou aproximadamente 588 mil litros, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Em laudo técnico, o Ibama e a Marinha classificaram o ocorrido como dano ambiental grave em zona de grande sensibilidade ambiental. Entre os meses de julho e novembro, quando ocorreu o vazamento, é grande a presença de baleias-jubarte e baleias-francas do sul na região da Bacia de Campos, que também é rota migratória de diversas aves marinhas. Além disso, mesmo quando não é visível, o vazamento de petróleo cru pode causar interferências em diversos níveis, de alterações celulares à morte de plânctons (organismos microscópicos que servem de alimento a peixes), peixes que nadam em cardumes, como as sardinhas, as anchovas e os atuns, além de mamíferos aquáticos e aves marinhas.

“Nós não tivemos nenhum animal visivelmente contaminado, mas você não pode comprovar que não houve [danos]. Você infere os danos a partir do momento em que existem vários estudos que demonstram que o óleo na água causa poluição. Poluição é dano”, explica Marcelo de Amorim, coordenador de Atendimento a Emergências Ambientais do Ibama. É ele que assina o laudo com a consultora da Gerência de Meio Ambiente da Marinha, Keity Ferraz. O laudo informa também que “os efeitos a longo prazo não são tão aparentes e alguns compostos podem ser bioacumulados ao longo da cadeia trófica podendo trazer efeitos nocivos ao homem”.

A ANP realizou uma investigação para apurar as causas do vazamento. Concluiu que ele havia sido provocado por erro no cálculo de pressão injetada no poço ao ser perfurado e agravado por falta de avaliação dos riscos da operação. No relatório final da apuração, a agência explicita: “O acidente poderia ter sido evitado, caso a Chevron Brasil Upstream Frade Ltda. tivesse conduzido suas operações em plena aderência à regulamentação, em conformidade com as boas práticas da indústria do petróleo e com seu próprio manual de procedimentos. De acordo com a ANP, a Chevron “dispunha de dados e informações suficientes para concluir que a classificação do risco das operações, na forma em que foram executadas, era intolerável”, diz o relatório. Ao todo, os fiscais da ANP apontaram 25 irregularidades (para toda a cronologia do vazamento, leia aqui).

Fernanda Pirillo, coordenadora de Emergências Ambientais do Ibama, explica que na etapa do licenciamento ambiental, antes de entrar em operação, as empresas que realizam produção de petróleo em alto-mar devem demonstrar ter capacidade de resposta. “O Ibama faz o simulado, como a gente chama a avaliação pré-operacional, com mobilização de recursos, e a empresa passando nesse exercício, obtém a licença [ambiental]. A legislação já obriga das empresas a se prepararem em caso de acidentes”, completa.

A Chevron confirmou o vazamento no dia seguinte à notificação da Petrobras, mas a empresa contratada para fazer o controle do poço, Wild Well Control, só foi informada no dia 10 de novembro. Isso deveria ter ocorrido imediatamente por causa do nível de gravidade da situação. O poço só foi controlado no dia 13 de novembro, o sexto dia de vazamento. Quatro meses depois, em março de 2012, foi identificado um novo ponto de vazamento a 3 km do poço. Dessa vez, a quantidade de petróleo foi menor: 25 barris ou aproximadamente 3.974 litros.

A Chevron pagou R$ 25,5 milhões à ANP por causa das irregularidades encontradas e R$ 48,2 milhões ao Ibama por danos ambientais. As multas tiveram um desconto de 30%, previsto em lei.

A Chevron Brasil, a Chevron Latin America, a Transocean Brasil – proprietária da sonda que explorava o poço – e os executivos que representavam as empresas (entre eles, o ex-presidente da Chevron no Brasil, George Buck) também foram alvo de ações do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro. Em virtude dos danos ambientais, o MPF pedia indenização de R$ 20 bilhões por cada um dos vazamentos de petróleo para as três empresas. Em 2013, porém, um acordo, feito pelo Termo de Ajustamento de Conduta, entre as três empresas, o MPF, o Ibama e a ANP encerrou o processo, determinando medidas de compensação equivalentes a R$ 95,1 milhões. Na audiência pública para discutir o acordo, em dezembro de 2012, apesar da avaliação do Ibama, uma apresentação da petrolífera mostra que “não houve dano ambiental relevante” e que “não houve danos relevantes à vida marinha”. Antes disso, as atividades das empresas envolvidas no desastre ambiental haviam sido suspensas pela Justiça. A ANP conseguiu reverter a decisão no Superior Tribunal de Justiça com a justificativa de que ela “poderia causar graves lesões à segurança e à economia públicas”. As empresas voltaram a operar no Brasil, com a ressalva de que não poderiam voltar às atividades no Campo de Frade.

Petróleo cru que vazou no Campo de Frade, em 2011, em operação da Chevron. Rogério Santana/Imprensa RJ

Petróleo cru que vazou no Campo de Frade, em 2011, em operação da Chevron. Rogério Santana/Imprensa RJ

Dezessete gestores da Chevron e da Transocean foram denunciados por crime ambiental e dano ao patrimônio público. George Buck, então presidente da Chevron Brasil, e três funcionários da empresa também responderam por “dificultar a ação fiscalizadora do Poder Público, se omitir em cumprir obrigação de interesse ambiental, apresentar um plano de emergência enganoso e por falsidade ideológica, ao alterarem documentos apresentados a autoridades públicas”, informou o MPF em seu site. Os acusados chegaram a ter seus passaportes retidos e foram impedidos de deixar o Brasil. As penas variavam de 21 a 31 anos de prisão. Hoje, o processo tramita no Superior Tribunal de Justiça e aguarda decisão.

O acordo das petrolíferas com o MPF, a ANP e o Ibama, assinado em setembro de 2013, prevê uma série de medidas de compensação ambiental e aperfeiçoamento das operações da Chevron em relação à resposta a incidentes como o do Campo de Frade e à avaliação de riscos. O dinheiro e os projetos serão administrados pelo Funbio, organização não governamental que presta serviços de recuperação ambiental, que já começou a receber os depósitos.

As medidas preventivas também começaram a ser executadas. “O monitoramento através de radares já foi instalado e já foi feito aperfeiçoamento dos estudos solicitados, de verificar todos os processos físicos e químicos do óleo até a superfície”, conta Marcelo de Amorim, do Ibama. Ele participou da última reunião sobre os projetos fruto do acordo, no fim do ano passado.

“Quanto aos projetos de natureza compensatória, depois de vários ofícios expedidos ao Ibama, ANP, e tendo inclusive passado pelo crivo técnico de nossa análise pericial da quarta câmara do MPF, dois deles começaram a ser executados há cerca de 4/5 meses”, informa, por e-mail, o procurador responsável por monitorar o cumprimento das medidas, Jaime Mitropoulos. Um dos pontos do acordo é a criação de um website que disponibilize relatórios sobre as ações compensatórias da Chevron, o que ainda não foi feito. “Estaremos cobrando também o cumprimento da cláusula que determina a disponibilização de relatórios na internet”, responde o procurador.

De acordo com Fernanda Pirillo, do Ibama, os projetos que têm editais abertos pelo Funbio para serem implementados são o de conservação da toninha, mamífero semelhante ao golfinho, e um projeto de apoio à pesquisa marinha e pesqueira no Rio de Janeiro. Outros quatro projetos ainda estão em análise pelo Ibama, são eles: conservação e uso sustentável da biodiversidade nas Unidades de Conservação Federais Costeiras e Estuarinas do Rio de Janeiro; implementação de projetos de educação ambiental e geração de renda para comunidades pesqueiras na região norte do Rio de Janeiro; um centro de reabilitação de animais silvestres no estado do Rio de Janeiro e o projeto Aqua Rio.

Procurada pela reportagem com uma série de indagações a respeito dos projetos de compensação ambiental e do cumprimento do acordo firmado judicialmente, a Chevron não quis comentar nada sobre o caso. Em nota, a petrolífera avalia que “agiu rapidamente e de forma responsável, quando aconteceu o incidente no Campo Frade, em novembro de 2011, controlando a exsudação dentro dos melhores padrões da indústria”.

Fernanda, que trabalha há dez anos no Ibama, avalia que desastres como esse têm influenciado a mudança na legislação ambiental. “A legislação foi ficando mais rigorosa e mais específica para os casos de vazamento de óleo. Também percebo que houve um entendimento das empresas de que esses não são mero cumprimento da legislação, e sim um item importante na gestão de seus negócios”, avalia.

A produção de petróleo pela Chevron no Campo de Frade voltou à ativa em abril de 2013 e foi aumentada em março de 2014. (Agência Pública/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site Agência Pública.

N.F.L.’s Flawed Concussion Research and Ties to Tobacco Industry (New York Times)

The National Football League was on the clock.

With several of its marquee players retiring early after a cascade of frightening concussions, the league formed a committee in 1994 that would ultimately issue a succession of research papers playing down the danger of head injuries. Amid criticism of the committee’s work, physicians brought in later to continue the research said the papers had relied on faulty analysis.

Now, an investigation by The New York Times has found that the N.F.L.’s concussion research was far more flawed than previously known.

For the last 13 years, the N.F.L. has stood by the research, which, the papers stated, was based on a full accounting of all concussions diagnosed by team physicians from 1996 through 2001. But confidential data obtained by The Times shows that more than 100 diagnosed concussions were omitted from the studies — including some severe injuries to stars like quarterbacks Steve Young and Troy Aikman. The committee then calculated the rates of concussions using the incomplete data, making them appear less frequent than they actually were.

After The Times asked the league about the missing diagnosed cases — more than 10 percent of the total — officials acknowledged that “the clubs were not required to submit their data and not every club did.” That should have been made clearer, the league said in a statement, adding that the missing cases were not part of an attempt “to alter or suppress the rate of concussions.”

One member of the concussion committee, Dr. Joseph Waeckerle, said he was unaware of the omissions. But he added: “If somebody made a human error or somebody assumed the data was absolutely correct and didn’t question it, well, we screwed up. If we found it wasn’t accurate and still used it, that’s not a screw-up; that’s a lie.”

These discoveries raise new questions about the validity of the committee’s findings, published in 13 peer-reviewed articles and held up by the league as scientific evidence that brain injuries did not cause long-term harm to its players. It is also unclear why the omissions went unchallenged by league officials, by the epidemiologist whose job it was to ensure accurate data collection and by the editor of the medical journal that published the studies.

In 2013, the N.F.L. agreed to a $765 million settlement of a lawsuit in which retired players accused league officials of covering up the risks of concussions. Some players have appealed the settlement, asking for an examination of the committee’s concussion research.

Dr. Joseph Waeckerle, speaking to quarterback Joe Montana in 1994, was the Chiefs’ team physician and a member of the N.F.L.’s concussion committee. CreditAssociated Press 

Some retired players have likened the N.F.L.’s handling of its health crisis to that of the tobacco industry, which was notorious for using questionable science to play down the dangers of cigarettes.

Concussions can hardly be equated with smoking, which kills 1,300 people a day in the United States, and The Times has found no direct evidence that the league took its strategy from Big Tobacco. But records show a long relationship between two businesses with little in common beyond the health risks associated with their products.

In a letter to The Times, a lawyer for the league said, “The N.F.L. is not the tobacco industry; it had no connection to the tobacco industry,” which he called “perhaps the most odious industry in American history.”

Still, the records show that the two businesses shared lobbyists, lawyers and consultants. Personal correspondence underscored their friendships, including dinner invitations and a request for lobbying advice.

In 1997, to provide legal oversight for the committee, the league assigned Dorothy C. Mitchell, a young lawyer who had earlier defended the Tobacco Institute, the industry trade group. She had earned the institute’s “highest praise” for her work.

A co-owner of the Giants, Preston R. Tisch, also partly owned a leading cigarette company, Lorillard, and was a board member of both the Tobacco Institute and the Council for Tobacco Research, two entities that played a central role in misusing science to hide the risks of cigarettes.

The N.F.L.’s concussion committee began publishing its findings in 2003 in the medical journal Neurosurgery. Although the database used in the studies contained numerical codes for teams and players, The Times decoded it by cross-referencing team schedules and public injury reports.

The N.F.L.’s concussion studies have faced questions since they were published, but even the league’s harshest critics have never suggested, and no evidence has ever arisen, that the underlying data set could be so faulty.

“One of the rules of science is that you need to have impeccable data collection procedures,” said Bill Barr, a neuropsychologist who once worked for the Jets and who has in the past criticized the committee’s work.

By excluding so many concussions, Mr. Barr said, “You’re not doing science here; you are putting forth some idea that you already have.”

The Work Begins

In an introduction to the first of the concussion committee’s papers, the league’s commissioner at the time, Paul Tagliabue, acknowledged the need for “independent scientific research” to better understand the risks of concussions.

“As we looked more deeply into the specific area of concussions, we realized that there were many more questions than answers,” Mr. Tagliabue wrote.

The committee’s chairman, Dr. Elliot Pellman, the team physician for the Jets, emphasized that his group aimed to produce research that was “independent” and “meticulous.”

In fact, most of the dozen committee members were associated with N.F.L. teams, as a physician, neurosurgeon or athletic trainer, which meant they made decisions about player care and then studied whether those decisions were proper. Still, the researchers stated unambiguously — in each of their first seven peer-reviewed papers — that their financial or business relationships had not compromised their work.

The committee said it analyzed all concussions diagnosed by team medical staffs from 1996 through 2001 — 887 in all. Concussions were recorded by position, type of play, time missed, even the brand of helmet.

The committee’s statements emphasized the completeness of the data.

“It was understood that any player with a recognized symptom of head injury, no matter how minor, should be included in the study,” one paper said.

And in confidential peer-review documents, the committee wrote that “all N.F.L. teams participated” and that “all players were therefore part of this study.”

Those statements are contradicted by the database.

The Times found that most teams failed to report all of their players’ concussions. Over all, at least 10 percent of head injuries diagnosed by team doctors were missing from the study, including two sustained by Jets receiver Wayne Chrebet, who retired several years later after more concussions. Dr. Pellman, the Jets’ physician, led the research and was the lead author on every paper.

Read the whole text here.

Leading Climate Scientists: ‘We Have A Global Emergency,’ Must Slash CO2 ASAP (Think Progress)

 MAR 22, 2016 2:38 PM

CREDIT: AP/DENNIS COOK

James Hansen and 18 leading climate experts have published a peer-reviewed version of their 2015 discussion paper on the dangers posed by unrestricted carbon pollution. The study adds to the growing body of evidence that the current global target or defense line embraced by the world — 2°C (3.6°F) total global warming — “could be dangerous” to humanity.

That 2°C warming should be avoided at all costs is not news to people who pay attention to climate science, though it may be news to people who only follow the popular media. The warning is, after all, very similar to the one found in an embarrassingly underreported report last year from 70 leading climate experts, who had been asked by the world’s leading nations to review the adequacy of the 2°C target.

Specifically, the new Hansen et al study — titled “Ice melt, sea level rise and superstorms: evidence from paleoclimate data, climate modeling, and modern observations that 2 C global warming could be dangerous” — warns that even stabilizing at 2°C warming might well lead to devastating glacial melt, multimeter sea level rise and other related catastrophic impacts. The study is significant not just because it is peer-reviewed, but because the collective knowledge about climate science in general and glaciology in particular among the co-authors is quite impressive.

Besides sea level rise, rapid glacial ice melt has many potentially disastrous consequences, including a slowdown and eventual shutdown of the key North Atlantic Ocean circulation and, relatedly, an increase in super-extreme weather. Indeed, that slowdown appears to have begun, and, equally worrisome, it appears to be supercharging both precipitation, storm surge, and superstorms along the U.S. East Coast (like Sandy and Jonas), as explained here.

It must be noted, however, that the title of the peer-reviewed paper is decidedly weaker than the discussion paper’s “Ice melt, sea level rise and superstorms: evidence from paleoclimate data, climate modeling, and modern observations that 2°C global warming is highly dangerous.” The switch to “could be dangerous” is reminiscent of the switch (in the opposite direction) from the inaugural 1965 warning required for cigarette packages, “Caution: Cigarette Smoking May Be Hazardous to Your Health” to the 1969 required label “Warning: The Surgeon General Has Determined that Cigarette Smoking Is Dangerous to Your Health.”

And yes I’m using the analogy to suggest readers should not be sanguine about the risks we face at 2°C warning. Based on both observations and analysis, the science is clearly moving in the direction that 2°C warming is not “safe” for humanity. But as Hansen himself acknowledged Monday on the press call, the record we now have of accelerating ice loss in both Greenland and West Antarctica is “too short to infer accurately” whether the current exponential trend will continue through the rest of the century.

Hansen himself explains the paper’s key conclusions and the science underlying them in a new video:

The fact that 2°C total warming is extremely likely to lock us in to sea level rise of 10 feet or more has been obvious for a while now. The National Science Foundation (NSF) itself issued a news release back in 2012 with the large-type headline, “Global Sea Level Likely to Rise as Much as 70 Feet in Future Generations.” The lead author explained, “The natural state of the Earth with present carbon dioxide levels is one with sea levels about 70 feet higher than now.” Heck, a 2009 paper in Science found the same thing.

What has changed is our understanding of just how fast sea levels could rise. In 2014 and 2015, a number of major studies revealed that large parts of the Antarctic and Greenland ice sheets are unstable and headed toward irreversible collapse — and some parts may have already passed the point of no return. Another 2015 study found that global sea level rise since 1990 has been speeding up even faster than we knew.

The key question is how fast sea levels can rise this century and beyond. In my piece last year on Hansen’s discussion draft, I examined the reasons the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) and scientific community have historically low-balled the plausible worst-case for possible sea level rise by 2100. I won’t repeat that all here.

The crux of the Hansen et al. forecast can be found in this chart on ice loss from the world’s biggest ice sheet:

Antarctic ice mass change

Antarctic ice mass change from GRACE satallite data (red) and surface mass balance method (MBM, blue). Via Hansen et al.

Hansen et al. ask the question: if the ice loss continues growing exponentially how much ice loss (and hence how much sea level rise) will there be by century’s end? If, for instance, the ice loss rate doubles every 10 years for the rest of the century (light green), then we would see multi-meter sea level rise before 2100? On the other hand, it is pretty clear just from looking at the chart that there isn’t enough data to make a certain projection for the next eight decades.

The authors write, “our conclusions suggest that a target of limiting global warming to 2°C … does not provide safety.” On the one hand, they note, “we cannot be certain that multi-meter sea level rise will occur if we allow global warming of 2 C.” But, on the other hand, they point out:

There is a possibility, a real danger, that we will hand young people and future generations a climate system that is practically out of their control.
We conclude that the message our climate science delivers to society, policymakers, and the public alike is this: we have a global emergency. Fossil fuel CO2 emissions should be reduced as rapidly as practical.

I have talked to many climate scientists who quibble with specific elements of this paper, in particular whether the kind of continued acceleration of ice sheet loss is physically plausible. But I don’t find any who disagree with the bold-faced conclusions.

Since there are a growing number of experts who consider that 10 feet of sea level rise this century is a possibility, it would be unwise to ignore the warning. That said, on our current emissions path we already appear to be headed toward the ballpark of four to six feet of sea level rise in 2100 — with seas rising up to one foot per decade after that. That should be more than enough of a “beyond adaptation” catastrophe to warrant strong action ASAP.

The world needs to understand the plausible worst-case scenario for climate change by 2100 and beyond — something that the media and the IPCC have failed to deliver. And the world needs to understand the “business as usual” set of multiple catastrophic dangers of 4°C if we don’t reverse course now. And the world needs to understand the dangers of even 2°C warming.

So kudos to all of these scientists for ringing the alarm bell: James Hansen, Makiko Sato, Paul Hearty, Reto Ruedy, Maxwell Kelley, Valerie Masson-Delmotte, Gary Russell, George Tselioudis, Junji Cao, Eric Rignot, Isabella Velicogna, Blair Tormey, Bailey Donovan, Evgeniya Kandiano, Karina von Schuckmann, Pushker Kharecha, Allegra N. Legrande, Michael Bauer, and Kwok-Wai Lo.

Climate policy: Democracy is not an inconvenience (Nature)

NATURE | COMMENT

Nico Stehr

22 September 2015

Climate scientists are tiring of governance that does not lead to action. But democracy must not be weakened in the fight against global warming, warns Nico Stehr.

Illustration by David Parkins

There are many threats to democracy in the modern era. Not least is the risk posed by the widespread public feeling that politicians are not listening. Such discontent can be seen in the political far right: the Tea Party movement in the United States, the UK Independence Party, the Pegida (Patriotic Europeans Against the Islamization of the West) demonstrators in Germany, and the National Front in France.

More surprisingly, a similar impatience with the political elite is now also present in the scientific community. Researchers are increasingly concerned that no one is listening to their diagnosis of the dangers of human-induced climate change and its long-lasting consequences, despite the robust scientific consensus. As governments continue to fail to take appropriate political action, democracy begins to look to some like an inconvenient form of governance. There is a tendency to want to take decisions out of the hands of politicians and the public, and, given the ‘exceptional circumstances’, put the decisions into the hands of scientists themselves.

This scientific disenchantment with democracy has slipped under the radar of many social scientists and commentators. Attention is urgently needed: the solution to the intractable ‘wicked problem’ of global warming is to enhance democracy, not jettison it.

Voices of discontent

Democratic nations seem to have failed us in the climate arena so far. The past decade’s climate summits in Copenhagen, Cancun, Durban and Warsaw were political washouts. Expectations for the next meeting in Paris this December are low.

Academics increasingly point to democracy as a reason for failure. NASA climate researcher James Hansen was quoted in 2009 in The Guardian as saying: “the democratic process doesn’t quite seem to be working”1. In a special issue of the journal Environmental Politics in 2010, political scientist Mark Beeson argued2 that forms of ‘good’ authoritarianism “may become not only justifiable, but essential for the survival of humanity in anything approaching a civilised form”. The title of an opinion piece published earlier this year in The Conversation, an online magazine funded by universities, sums up the issue: ‘Hidden crisis of liberal democracy creates climate change paralysis’ (see go.nature.com/pqgysr).

The depiction of contemporary democracies as ill-equipped to deal with climate change comes from a range of considerations. These include a deep-seated pessimism about the psychological make-up of humans; the disinclination of people to mobilize on issues that seem far removed; and the presumed lack of intellectual competence of people to grasp complex issues. On top of these there is the presumed scientific illiteracy of most politicians and the electorate; the inability of governments locked into short-term voting cycles to address long-term problems; the influence of vested interests on political agendas; the addiction to fossil fuels; and the feeling among the climate-science community that its message falls on the deaf ears of politicians.

“It is dangerous to blindly believe that science and scientists alone can tell us what to do.”

Such views can be heard from the highest ranks of climate science. Hans Joachim Schellnhuber, founding director of the Potsdam Institute for Climate Impact Research and chair of the German Advisory Council on Global Change, said of the inaction in a 2011 interview with German newspaper Der Spiegel: “comfort and ignorance are the biggest flaws of human character. This is a potentially deadly mix”.

What, then, is the alternative? The solution hinted at by many people leans towards a technocracy, in which decisions are made by those with technical knowledge. This can be seen in a shift in the statements of some co-authors of Intergovernmental Panel on Climate Change reports, who are moving away from a purely advisory role towards policy prescription (see, for example, ref. 3).

We must be careful what we wish for. Nations that have followed the path of ‘authoritarian modernization’, such as China and Russia, cannot claim to have a record of environmental accomplishments. In the past two or three years, China’s system has made it a global leader in renewables (it accounts for more than one-quarter of the planet’s investment in such energies4). Despite this, it is struggling to meet ambitious environmental targets and will continue to lead the world for some time in greenhouse-gas emissions. As Chinese citizens become wealthier and more educated, they will surely push for more democratic inclusion in environmental policymaking.

Broad-based support for environmental concerns and subsequent regulations came about in open democratic argument on the value of nature for humanity. Democracies learn from mistakes; autocracies lack flexibility and adaptability5. Democratic nations have forged the most effective international agreements, such as the Montreal Protocol against ozone-depleting substances.

Global stage

Impatient scientists often privilege hegemonic players such as world powers, states, transnational organizations, and multinational corporations. They tend to prefer sweeping policies of global mitigation over messier approaches of local adaptation; for them, global knowledge triumphs over local know-how. But societal trends are going in the opposite direction. The ability of large institutions to impose their will on citizens is declining. People are mobilizing around local concerns and efforts6.

The pessimistic assessment of the ability of democratic governance to cope with and control exceptional circumstances is linked to an optimistic assessment of the potential of large-scale social and economic planning. The uncertainties of social, political and economic events are treated as minor obstacles that can be overcome easily by implementing policies that experts prescribe. But humanity’s capacity to plan ahead effectively is limited. The centralized social and economic planning concept, widely discussed decades ago, has rightly fallen into disrepute7.

The argument for an authoritarian political approach concentrates on a single effect that governance ought to achieve: a reduction of greenhouse-gas emissions. By focusing on that goal, rather than on the economic and social conditions that go hand-in-hand with it, climate policies are reduced to scientific or technical issues. But these are not the sole considerations. Environmental concerns are tightly entangled with other political, economic and cultural issues that both broaden the questions at hand and open up different ways of approaching it. Scientific knowledge is neither immediately performative nor persuasive.

Enhance engagement

There is but one political system that is able to rationally and legitimately cope with the divergent political interests affected by climate change and that is democracy. Only a democratic system can sensitively attend to the conflicts within and among nations and communities, decide between different policies, and generally advance the aspirations of different segments of the population. The ultimate and urgent challenge is that of enhancing democracy, for example by reducing social inequality8.

If not, the threat to civilization will be much more than just changes to our physical environment. The erosion of democracy is an unnecessary suppression of social complexity and rights.

The philosopher Friedrich Hayek, who led the debate against social and economic planning in the mid-twentieth century9, noted a paradox that applies today. As science advances, it tends to strengthen the idea that we should “aim at more deliberate and comprehensive control of all human activities”. Hayek pessimistically added: “It is for this reason that those intoxicated by the advance of knowledge so often become the enemies of freedom”10. We should heed his warning. It is dangerous to blindly believe that science and scientists alone can tell us what to do.

Nature 525, 449–450 (24 September 2015) dos:10.1038/525449a

References

  1. Adam, D. ‘Leading climate scientist: “democratic process isn’t working”’ The Guardian (18 March 2009).
  2. Beeson, M. Environ. Politics 19276294 (2010).
  3. Hansen, J. et alPLoS ONE http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0081648 (2013).
  4. REN21Renewables 2015 Global Status Report (REN21, 2015).
  5. Runciman, D. The Confidence Trap: A History of Democracy in Crisis from World War I to the Present (Princeton Univ. Press, 2013).
  6. Stehr, N. Information, Power and Democracy, Liberty is a Daughter of Knowledge (Cambridge Univ. Press, 2015).
  7. Pierre, J. Debating Governance: Authority, Steering, and Democracy (Oxford Univ. Press, 2000).
  8. Rosanvallon, P. The Society of Equals (Harvard Univ. Press, 2013).
  9. Hayek, F. A. Nature 148580584 (1941).
  10. Hayek, F. A. The Constitution of Liberty (Routledge, 1960).

Com ajuda da ciência (Revista Fapesp)

Experiências internacionais inspiram governo de São Paulo a criar cargo de cientista-chefe em secretarias estaduais

BRUNO DE PIERRO | ED. 236 | OUTUBRO 2015

030-035_Cientistas chefes_236Uma medida inédita no país anunciada pelo governo do estado de São Paulo pretende aproximar ciência e gestão pública. Até o início de 2016, cada secretaria estadual deverá contar com um cientista-chefe, cuja função principal será apontar as melhores soluções baseadas no conhecimento científico para enfrentar desafios da respectiva pasta. O anúncio foi feito por Márcio França, vice-governador e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, na abertura do Fórum Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), realizado em 27 e 28 de agosto, na capital paulista. A iniciativa é inspirada no modelo de aconselhamento científico praticado em diferentes níveis de governo em países como Estados Unidos, Reino Unido e Israel.

A iniciativa começou a amadurecer em uma reunião do Conselho Superior da FAPESP, no dia 18 de março, da qual o vice-governador participou como convidado. Na ocasião, França mencionou a dificuldade de identificar pesquisadores com ideias para auxiliar a gestão pública. A sugestão de criar a função de cientista-chefe partiu de Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação. “O professor Brito citou a experiência de países europeus, entre eles o Reino Unido, que criaram o cargo de cientista-chefe em suas estruturas de governo para auxiliar ministros, primeiros-ministros ou presidentes a tomar decisões”, relata Fernando Costa, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro do Conselho Superior da FAPESP, um dos presentes à reunião.

No encontro, Brito Cruz explicou ao vice-governador que cerca de 55% dos recursos da FAPESP são investidos em pesquisas voltadas para aplicações, e Eduardo Moacyr Krieger, vice-presidente da instituição, acrescentou que quase 30% dos investimentos da Fundação são direcionados para a área da saúde e podem beneficiar diretamente ações da Secretaria da Saúde. “Outros campos, como agricultura, educação e segurança pública, também deveriam aproveitar mais a contribuição de pesquisadores”, afirma Krieger. Márcio França gostou da sugestão. “Pensei: por que não aprimorar o diálogo com a comunidade científica por meio de uma fundação como a FAPESP?”, recorda-se o vice-governador, que levou a ideia ao governador Geraldo Alckmin e recebeu sinal verde para implementá-la.

Robin Grimes, do governo britânico, em visita ao campus da Universidade de Nottingham na Malásia, em 2013 (acima, de gravata);

Robin Grimes, do governo britânico, em visita ao campus da Universidade de Nottingham na Malásia, em 2013 (acima, de gravata)

“Essa medida não significa que o governo de São Paulo não vem ouvindo a comunidade científica”, observa Marilza Vieira Cunha Rudge, vice-reitora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), também membro do Conselho Superior da FAPESP. Segundo ela, o objetivo é fazer com que os conhecimentos gerados em universidades e instituições de pesquisa do estado sejam absorvidos rapidamente pela administração pública. Uma minuta do decreto está sendo redigida com assessoria da Fundação. Um dos objetivos é que os cientistas-chefes ampliem a aplicação de resultados de pesquisas, entre as quais as apoiadas pela FAPESP, sugerindo articulações com projetos em andamento e propondo novos projetos.

O governo analisa agora os detalhes da iniciativa. O primeiro passo será selecionar os cientistas-chefes que atuarão nas secretarias. Segundo França, o mais provável é que se convidem professores vinculados às três universidades estaduais paulistas – a de São Paulo (USP), a Unicamp e a Unesp – que poderiam ou não se licenciar. Também se discute qual seria o prazo mais adequado para o seu mandato. Para França, uma coisa é certa: os cientistas-chefes terão muito trabalho. “Os problemas e os desafios surgem aos montes na administração pública. Todos os dias e nas mais diversas áreas”, observa o vice-governador.

A bússola que orienta os caminhos futuros é a dos exemplos internacionais. Em setembro de 2014, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ofereceu um prêmio de US$ 20 milhões para o grupo de pesquisa que conseguir desenvolver o melhor teste de diagnóstico capaz de reconhecer rapidamente infecções causadas por bactérias resistentes a antibióticos. Segundo informações do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), essas infecções são responsáveis pela morte anual de 23 mil norte-americanos. A ação foi motivada por uma avaliação encomendada pela Casa Branca ao Conselho de Ciência e Tecnologia (PCAST), formado por cerca de 20 especialistas, entre ganhadores de Prêmio Nobel e representantes do setor industrial. O grupo é comandado por John Holdren, professor da Universidade Harvard e conselheiro científico de Obama.

John Holdren, cientista-chefe dos Estados Unidos, que aconselha o presidente Obama (abaixo)

Os Estados Unidos têm tradição em aconselhamento científico. Em 1933, o presidente Franklin Roosevelt criou um comitê consultivo formado por cientistas, engenheiros e profissionais da saúde para assessorá-lo. Em 1957, o país foi o primeiro a nomear um cientista-chefe para trabalhar na Casa Branca. Logo departamentos e autarquias passaram a contar com a consultoria de especialistas. Em 1998, a então secretária de Estado, Madeleine Albright, encomendou um relatório para as Academias Nacionais de Ciências dos Estados Unidos sobre o suporte que a ciência poderia dar em assuntos relativos à política externa. A recomendação foi que ela escolhesse um assessor científico. “Minha tarefa é ajudar o governo a aproveitar os recursos da ciência e da tecnologia para embasar a política externa”, disse à Pesquisa FAPESP Vaughan Turekian, assessor científico de John Kerry, o atual secretário de Estado. Ex-diretor internacional da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), Turekian conta que foi submetido a um rigoroso processo de análise de suas credenciais científicas. “O assessor é nomeado por um período determinado. Isso é intencional. Convém lembrar que o cargo não é uma indicação política”, esclarece.

Outra referência é o Reino Unido, que criou o cargo em 1964. A função de cientista-chefe é desempenhada hoje pelo imunologista Mark Walport, ex-diretor do Wellcome Trust, fundação que financia pesquisa biomédica. Desde 2013, Walport assessora o premiê David Cameron. Um dos primeiros temas tratados por Walport no governo foi o da experimentação animal. Em 2014, após estatísticas mostrarem que o número de animais utilizados em testes pré-clínicos aumentou nos últimos anos no Reino Unido, o governo anunciou medidas para reduzir ou substituir seu uso. Walport atuou como ponte entre o governo e a comunidade científica. Reconheceu a necessidade de mudanças, mas salientou que a abolição de animais em estudos científicos ainda é inviável.

Walport também preside o Conselho de Ciência e Tecnologia (CST), ligado ao Departamento de Negócios, Inovação e Capacitação do Reino Unido. O órgão dispõe de uma divisão de especialistas que forma o Grupo de Aconselhamento Científico para Emergências (Sage). A equipe foi acionada em 2010, quando cinzas de um vulcão na Islândia afetaram o espaço aéreo do Reino Unido, e em 2011, após o incidente nuclear de Fukushima, no Japão.

Mark Walport, cientista-chefe do Reino Unido, em visita a centro de pesquisa no Quênia, em julho (primeiro à esquerda na foto ao lado)

O Reino Unido conta com cientistas-chefes em departamentos e ministérios. “Há uma rede de conselheiros científicos dentro do governo. Isso aproximou ainda mais os diferentes ministérios. O professor Walport organiza uma reunião semanal com os conselheiros, que discutem juntos as prioridades de cada área”, disse à Pesquisa FAPESP Robin Grimes, conselheiro-chefe para assuntos científicos do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido. “Acredito que São Paulo conseguirá se articular melhor com a ciência ao adotar essa medida, além de obter acesso a conceituadas redes de pesquisadores no Brasil e no mundo”, afirmou Grimes.

Para James Wilsdon, especialista em política científica da Universidade de Sussex, Inglaterra, esses exemplos ajudaram outros países a criar modelos de aconselhamento científico adaptados a suas realidades. “Há uma grande variedade de temas que demandam o olhar da ciência, como mudanças climáticas, pandemias, segurança alimentar e pobreza”, explica Wilsdon em um relatório apresentado na conferência da Rede Internacional para Aconselhamento Científico a Governos (INGSA), realizada em agosto de 2014 em Auckland, na Nova Zelândia. A entidade reúne tomadores de decisão e pesquisadores com o objetivo de compartilhar experiências e discutir a utilização de informações científicas em governos. O documento apresenta uma avaliação dos modelos de aconselhamento adotados em 20 países. Além dos exemplos clássicos, são apresentados casos de países que criaram recentemente o cargo, como a Nova Zelândia, cujo primeiro cientista-chefe, Peter Gluckman, foi nomeado em 2009.

O estudo mostra que alguns países optaram por formas de aconselhamento não atreladas à figura de um cientista-chefe. No Japão, o Conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação (CSTI) é um dos quatro conselhos que auxiliam o gabinete do primeiro-ministro. Ele é formado pelo primeiro-ministro, seis ministros de Estado e representantes da comunidade científica e do setor industrial. Já países como China, Alemanha, Holanda e África do Sul aproveitam a expertise das entidades representativas da comunidade científica. A Sociedade Alemã de Pesquisas Científicas (DFG), agência não governamental de apoio à pesquisa, é consultada pelo governo e ajuda a elaborar políticas públicas. “Fazemos declarações em comissões do
Senado e temos interação direta com o governo”, diz Dietrich Halm, diretor-presidente da DFG para a América-Latina. Segundo Wilsdon, uma das vantagens desse modelo é que os pesquisadores gozam de independência em relação ao governo.

Peter Gluckman, cientista-chefe do primeiro-ministro da Nova Zelândia

Na região da América-Latina e Caribe, o relatório do fórum de aconselhamento científico cita os exemplos de Cuba e El Salvador. No modelo cubano, há um escritório de aconselhamento científico vinculado ao conselho de Estado, formado por 31 membros. Embora o Brasil nunca tenha contado com a figura do cientista-chefe, a administração pública no país criou mecanismos de articulação com pesquisadores. “Informalmente, o governo federal é aconselhado pela comunidade científica em vários temas”, disse Aldo Rebelo, então ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). “No meu caso, mantive contato com a Academia Brasileira de Ciências (ABC), com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e com sociedades científicas.” Segundo o vice-presidente da FAPESP, Eduardo Moacyr Krieger, que também foi presidente da ABC, a atuação do cientista-chefe deve complementar o trabalho que as academias de ciências desenvolvem. “As recomendações dadas pelas academias aos governos estão no plano macro. Já o cientista-chefe está no plano da implementação e do detalhamento do que deve ser feito no cotidiano da administração pública”, diz ele.

No estado de São Paulo a assessoria científica ao governo já era praticada em situações específicas, mesmo sem a presença de cientistas-chefes. É o caso da interlocução entre especialistas ligados ao Programa Biota-FAPESP e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Desde o lançamento do programa em 1999, 23 resoluções e decretos estaduais mencionam resultados do Biota como referência para a tomada de decisões. Há um canal de diálogo com gestores das unidades de conservação onde são desenvolvidos projetos. “Os pesquisadores costumam ser membros de conselhos consultivos de parques estaduais e outras áreas protegidas”, observa Carlos Joly, professor da Unicamp e coordenador do programa. Os especialistas vinculados ao Biota também trabalham em parceria com instituições ligadas à secretaria, como o Instituto de Botânica, o Instituto Florestal e a Fundação Florestal. E o próprio gabinete da secretária do Meio Ambiente, Patricia Faga Iglecias Lemos, acompanha a produção científica do programa.

Outra experiência é a do Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, criado em 2014 para assessorar a Secretaria da Saúde na formulação e condução de políticas. O órgão é composto por representantes de universidades públicas instaladas em São Paulo, institutos, centros de pesquisa, hospitais e entidades ligadas ao setor industrial. “Atualmente, o conselho discute a proposta de criação de uma política estadual de ciência, tecnologia e inovação em saúde”, explica Sergio Swain Muller, presidente do conselho. “Já realizamos oficinas, ouvimos a contribuição das universidades e estamos preparando um documento com diagnósticos e ações para a consolidação desse plano.” Cabe também ao conselho auxiliar na definição de prioridades para o próximo edital do Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS), conduzido pela FAPESP em parceria com a Secretaria da Saúde, o Ministério da Saúde e o CNPq. “Uma das prioridades é apoiar pesquisas sobre novos mecanismos de gestão pública da saúde”, diz Muller. Já no âmbito da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento foi criada em 2002 a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), que atua na coordenação de pesquisas de interesse da pasta. Sua estrutura compreende os institutos Agronômico (IAC), Biológico, de Economia Agrícola, de Pesca, de Tecnologia de Alimentos e o de Zootecnia, além de 15 polos regionais de pesquisa.

e Vaughan Turekian, assessor direto de John Kerry, secretário de Estado norte-americano

“Prospectamos estudos capazes de resolver problemas enfrentados por agricultores e os encaminhamos para a secretaria”, diz Orlando Melo de Castro, coordenador da Apta. Um dos desafios da secretaria cuja solução vem sendo debatida entre os institutos abrigados pela agência é tornar a cana-de-açúcar mais resistente à seca. “O IAC foi procurado, porque já trabalha nesse assunto, inclusive em parceria com usinas localizadas em Goiás, onde há um período de seca prolongado. A ideia é aproveitar essas pesquisas em programas da secretaria”, explica Castro.

Para o sociólogo Simon Schwartzman, estudioso da comunidade científica brasileira e pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, o país não tem tradição no uso da ciência por gestores públicos. “Claro, há exceções”, pondera. “O Ministério da Saúde conta com um centro de pesquisas próprio, o Instituto Oswaldo Cruz, assim como acontece com o Ministério da Agricultura, que tem a ajuda da Embrapa.” Carlos Joly recorda-se que a comunidade científica costumava impor barreiras na hora de se sentar à mesa com políticos. “Colaborei como assessor de meio ambiente na elaboração da Constituição Federal de 1988. Na época, fui criticado por colegas, que pensavam que cientista não deveria se envolver com assuntos da política”, conta. Em 1995, Joly foi convidado pelo então secretário de Meio Ambiente do estado de São Paulo, Fábio Feldmann, a trabalhar como seu assessor. “Naquele momento isso já não foi visto como algo incomum. Aos poucos os pesquisadores se deram conta da importância de trabalhar em colaboração com gestores públicos”, afirma Joly.

O climatologista Carlos Nobre, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), guarda na memória histórias da relação tensa entre políticos e cientistas. Em 1998, Nobre e sua equipe do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) encaminharam ao governo federal e ao Congresso um parecer prevendo uma seca de grande intensidade no Nordeste nos meses seguintes, em decorrência do El Niño. “Ninguém nos ouviu”, lembra Nobre. “Acho que não acreditavam, na época, que fosse possível fazer previsão de secas de qualidade com base em modelos matemáticos.”

O vice-governador Márcio França reconhece que há pontos de tensão quando políticos e cientistas se encontram. “A questão é que nem sempre o consenso científico é financeira e politicamente viável naquele momento”, diz ele. Para Carlos Nobre, que já ocupou cargos de gestão de política científica no MCTI e integra o corpo de especialistas do fórum global de aconselhamento científico, ainda assim a situação é melhor hoje. “Ambos os lados perceberam que a solução de problemas como secas e desastres naturais dependem de ações conjuntas”, afirma.

Autora do livro The fifth branch: science advisers as policymakers e de artigos que abordam a relação entre ciência, democracia e política, a norte-americana Sheila Jasanoff, da Universidade Harvard, adverte que o aconselhamento científico a governos exige muitos julgamentos. “Requer a tomada de decisões sobre, por exemplo, se é melhor correr um risco ou se precaver. É preciso saber como pesar as diversas evidências”, explica. Segundo ela, o aconselhamento pode de fato auxiliar os gestores. “Mas os órgãos científicos consultivos precisam operar de forma aberta e transparente. Isso é exigido por lei nos Estados Unidos”, explica. Em 2010, o governo britânico divulgou um documento no qual recomenda que os níveis de incerteza presentes em torno de questões científicas sejam explicitamente identificados nos pareceres enviados a gestores públicos, comunicados em linguagem simples e direta.

Climate Debate Needs More Social Science, New Book Argues (Inside Science)

Image credit: Matt Jiggins via Flickr | http://bit.ly/1M6iSlZ

Physical scientists aren’t trained for all the political and moral issues.
Oct 2 2015 – 10:00am

By: Joel N. Shurkin, Contributor

(Inside Science) — The notion that Earth’s climate is changing—and that the threat to the world is serious—goes back to the 1980s, when a consensus began to form among climate scientists as temperatures began to rise noticeably. Thirty years later, that consensus is solid, yet climate change and the disruption it may cause remain divisive political issues, and millions of people remain unconvinced.

A new book argues that social scientists should play a greater role in helping natural scientists convince people of the reality of climate change and drive policy.

Climate Change and Society consists of 13 essays on why the debate needs the voices of social scientists, including political scientists, psychologists, anthropologists, and sociologists. It is edited by Riley E. Dunlap, professor of sociology at Oklahoma State University in Stillwater, and Robert J. Brulle, of Drexel University, professor of sociology and environmental science in Philadelphia.

Brulle said the physical scientists tend to frame climate change “as a technocratic and managerial problem.”

“Contrast that to the Pope,” he said.

Pope Francis sees it as a “political, moral issue that won’t be settled by a group of experts sitting in a room,” said Brulle, who emphasized that it will be settled by political process. Sociologists agree.

Sheila Jasanoff also agrees. She is the Pforzheimer professor of science and technology studies at the Harvard Kennedy School in Cambridge, Massachusetts, and did not participate in the book.

She said that understanding how people behave differently depending on their belief system is important.

“Denial is a somewhat mystical thing in people’s heads,” Jasanoff said. “One can bring tools of sociology of knowledge and belief—or social studies—to understand how commitments to particular statements of nature are linked with understanding how you would feel compelled to behave if nature were that way.”

Parts of the world where climate change is considered a result of the colonial past may resist taking drastic action at the behest of the former colonial rulers. Jasanoff said that governments will have to convince these groups that climate change is a present danger and attention must be paid.

Some who agree there is a threat are reluctant to advocate for drastic economic changes because they believe the world will be rescued by innovation and technology, Jasanoff said. Even among industrialized countries, views about the potential of technology differ.

Understanding these attitudes is what social scientists do, the book’s authors maintain.

“One of the most pressing contributions our field can make is to legitimate big questions, especially the ability of the current global economic system to take the steps needed to avoid catastrophic climate change,” editors of the book wrote.

The issue also is deeply embedded in the social science of economics and in the problem of “have” and “have-not” societies in consumerism and the economy.

For example, Bangladesh sits at sea level, and if the seas rise enough, nearly the entire country could disappear in the waters. Hurricane Katrina brought hints of the consequences of that reality to New Orleans, a city that now sits below sea level. The heaviest burden of the storm’s effects fell on the poor neighborhoods, Brulle said.

“The people of Bangladesh will suffer more than the people on the Upper East Side of Manhattan,” Brulle said. He said they have to be treated differently, which is not something many physical scientists studying the processes behind sea level rise have to factor into their research.

“Those of us engaged in the climate fight need valuable insight from political scientists and sociologists and psychologists and economists just as surely as from physicists,” agreed Bill McKibben, an environmentalist and author who is a scholar in residence at Middlebury College in Vermont. “It’s very clear carbon is warming the planet; it’s very unclear what mix of prods and preferences might nudge us to use much less.”


Joel Shurkin is a freelance writer in Baltimore. He was former science writer at the Philadelphia Inquirer and was part of the team that won a Pulitzer Prize for covering Three Mile Island. He has nine published books and is working on a tenth. He has taught journalism at Stanford University, the University of California at Santa Cruz and the University of Alaska Fairbanks. He tweets at @shurkin.

Fundação esotérica promete desviar chuva do Rock in Rio para o Espírito Santo (Gazeta – ES)

16/09/2015 – 11h35 – Atualizado em 16/09/2015 – 12h07
Autor: Wing Costa | wbertulani@redegazeta.com.br

O espírito do Cacique Cobra Coral desviaria as chuvas que poderiam afetar o evento para minorar os efeitos da seca no Rio Doce

Fundação Cacique Cobra Coral afirma que pode controlar fenômenos naturais. Foto: Reprodução

Qual a ligação entre o Rio Doce, que corta o Espírito Santo, o Rio Paraíba do Sul e o evento de música Rock in Rio 2015? Além da óbvia presença da palavra “rio” no nome, todos eles sofrem influência de um espírito – incorporado pela médium Adelaide Scritori – que teria o poder de alterar fenômenos naturais.

A Fundação Cacique Cobra Coral, operada por Adelaide, é contratada pelos organizadores do Rock in Rio desde o segundo festival (após lamaçal histórico na edição de 1985) para desviar as chuvas do local do evento.

Como a fundação trabalha somente para um bem comum, como explica o porta-voz da entidade esotérica, Osmar Santos, desta vez as chuvas serão deslocadas para o Espírito Santo, para “minorar os efeitos da seca no Rio Doce”.

“Estamos fazendo um trabalho também para o Governo do Rio de Janeiro, para elevar o nível do Rio Paraíba do Sul. Como tudo é um ciclo, desabar água sobre o Estado não seria uma solução, então tem que chover em São Paulo, por exemplo. Isso afeta diretamente o Espírito Santo, que passa por um período seco”, explica o representante da entidade.

“Aí choveu essa semana, não foi?”, perguntou para a reportagem. Estamos trabalhando para fazer desse inverno um inverno úmido. Conhecemos a situação do Espírito Santo porque já fizemos muitos trabalhos aí a pedido do senador Gerson Camata”, conta.

O Cacique Cobra Coral, por meio da médium, também teria evitado chuvas em Olimpíadas e outros eventos por todo o globo. “As nuvens estavam feias em Londres e a previsão dizia que choveria às 20h. Nesse horário seria a abertura das Olimpíadas. A médium estava em Dublin – de onde vinham as nuvens – e conseguiu remanejar”, disse o representante.

Mas nada disso teria acontecido para um bem particular, como ele explica, já que, na época, estariam acontecendo muitas queimadas em Portugal e Espanha, e a força do espírito indígena teria feito com que as chuvas, além de não atrapalharem o evento esportivo, também apagassem os incêndios na Europa.

O espírito no Espírito Santo

Foto: Vitor Jubini – GZ. Gerson Camata atestou os poderes do Cacique Cobra Coral

A entidade atuou no Espírito Santo a pedido do ex-senador Gerson Camata, que lembra com bom humor a passagem. Ao ser perguntado, soltou um “ah, o cacique”, acompanhado de risadas. Aconteceu nos idos de 87 ou 88, se a memória do senador permite a margem de erro.

Como você chegou até o cacique?

Isso foi numa época de seca muito forte no Norte do Estado. Um senador colega me indicou e eu liguei.

O contato foi fácil?

Sim, é uma mulher que faz essas operações.

A fundação pediu algo para atuar no Estado?

Não, eles não me cobraram nada. Só me mandaram um mapa meteorológico e perguntaram: “Onde você quer que chova?”, logo apontei Marilândia e eles prometeram que antes da meia-noite a água passaria por cima da ponte.

E choveu?

Olha, conversei com o prefeito da época. Ele me ligou no dia da promessa, às 22h, e disse que o céu começara a nublar. Quando deu 1h da manhã ele me ligou pedindo para fazer o povo parar se não morreriam todos afogados, tanta água que era.

Então você atesta o poder do Cacique?

Poder eu não sei, mas que choveu, choveu.

Fonte: Gazeta Online

Exxon and Climate Change

The fossil-fuel industry’s campaign to mislead the American people (The Washington Post)

 May 29

Sheldon Whitehouse, a Democrat, represents Rhode Island in the Senate.

Fossil fuel companies and their allies are funding a massive and sophisticated campaign to mislead the American people about the environmental harm caused by carbon pollution.

Their activities are often compared to those of Big Tobacco denying the health dangers of smoking. Big Tobacco’s denial scheme was ultimately found by a federal judge to have amounted to a racketeering enterprise.

The Big Tobacco playbook looked something like this: (1) pay scientists to produce studies defending your product; (2) develop an intricate web of PR experts and front groups to spread doubt about the real science; (3) relentlessly attack your opponents.

Thankfully, the government had a playbook, too: the Racketeer Influenced and Corrupt Organizations Act, or RICO. In 1999, the Justice Department filed a civil RICO lawsuit against the major tobacco companies and their associated industry groups, alleging that the companies “engaged in and executed — and continue to engage in and execute — a massive 50-year scheme to defraud the public, including consumers of cigarettes, in violation of RICO.”

Tobacco spent millions of dollars and years of litigation fighting the government. But finally, through the discovery process, government lawyers were able to peel back the layers of deceit and denial and see what the tobacco companies really knew all along about cigarettes.

In 2006, Judge Gladys Kessler of the U.S. District Court for the District of Columbia decided that the tobacco companies’ fraudulent campaign amounted to a racketeering enterprise. According to the court: “Defendants coordinated significant aspects of their public relations, scientific, legal, and marketing activity in furtherance of a shared objective — to . . . maximize industry profits by preserving and expanding the market for cigarettes through a scheme to deceive the public.”

The parallels between what the tobacco industry did and what the fossil fuel industry is doing now are striking.

In the case of fossil fuels, just as with tobacco, the industry joined together in a common enterprise and coordinated strategy. In 1998, the Clinton administration was building support for international climate action under the Kyoto Protocol. The fossil fuel industry, its trade associations and the conservative policy institutes that often do the industry’s dirty work met at the Washington office of the American Petroleum Institute. A memo from that meeting that was leaked to the New York Times documented their plans for a multimillion-dollar public relations campaign to undermine climate science and to raise “questions among those (e.g. Congress) who chart the future U.S. course on global climate change.”

The shape of the fossil fuel industry’s denial operation has been documented by, among others, Drexel University professor Robert Brulle. In a 2013 paper published in the journal Climatic Change, Brulle described a complex network of organizations and funding that appears designed to obscure the fossil fuel industry’s fingerprints. To quote directly from Brulle’s report, it was “a deliberate and organized effort to misdirect the public discussion and distort the public’s understanding of climate.” That sounds a lot like Kessler’s findings in the tobacco racketeering case.

The coordinated tactics of the climate denial network, Brulle’s report states, “span a wide range of activities, including political lobbying, contributions to political candidates, and a large number of communication and media efforts that aim at undermining climate science.” Compare that again to the findings in the tobacco case.

The tobacco industry was proved to have conducted research that showed the direct opposite of what the industry stated publicly — namely, that tobacco use had serious health effects. Civil discovery would reveal whether and to what extent the fossil fuel industry has crossed this same line. We do know that it has funded research that — to its benefit — directly contradicts the vast majority of peer-reviewed climate science. One scientist who consistently published papers downplaying the role of carbon emissions in climate change, Willie Soon, reportedly received more than half of his funding from oil and electric utility interests: more than $1.2 million.

To be clear: I don’t know whether the fossil fuel industry and its allies engaged in the same kind of racketeering activity as the tobacco industry. We don’t have enough information to make that conclusion. Perhaps it’s all smoke and no fire. But there’s an awful lot of smoke.

*   *   *

The Long Tale of Exxon and Climate Change (Inside Climate News)

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Sabesp considera fim do Cantareira e corre contra o tempo (Exame)

JC, 5201, 22 de junho de 2015

A crise da água em São Paulo ainda não acabou

Depois que a seca do ano passado deixou São Paulo à beira de um racionamento severo de água, as chuvas do final do verão deram à Sabesp – a grande culpada pela crise, segundo autoridades municipais – uma segunda chance para aumentar investimentos em infraestrutura.

Com o início da estação seca, há uma corrida contra o tempo para desviar rios e conectar sistemas antes que os já prejudicados reservatórios de água fiquem baixos novamente.

A corrida contra o tempo ressalta a situação precária da maior metrópole da América do Sul após duas décadas sem nenhum grande projeto hídrico.

Os reservatórios ainda não se recuperaram da seca do ano passado e os meteorologistas estão prevendo meses mais quentes à frente por causa do fenômeno climático El Niño.

“A infraestrutura não foi a prioridade da Sabesp nos últimos anos. Eles não adotaram medidas para evitar a crise”, disse Pedro Caetano Mancuso, diretor do Centro de Referência em Segurança da Água da Universidade de São Paulo.

“Embora a Sabesp esteja disposta a fazer a lição de casa agora, a questão é se ela será concluída ou não a tempo de evitar um problema ainda maior”.

A Sabesp – empresa sob controle estatal -,disse que foi a severidade da seca do ano passado, e não a falta de investimentos em infraestrutura, a causa da crise.

“Nós estávamos preparados para uma seca tão ruim ou pior que a de 1953”, quando a Sabesp enfrentou uma crise similar, disse o presidente Jerson Kelman a vereadores, em uma audiência no dia 13 de maio.

“O que aconteceu em 2014 foi que tivemos metade do volume de chuva daquele ano. Para isso, nós não estávamos preparados”.

‘Previsível’

Em um relatório, em 10 de junho, a Câmara de Vereadores de São Paulo culpou a Sabesp pela crise que cortou o abastecimento em alguns bairros, dizendo que a seca já era previsível.

“Se a Sabesp tivesse investido os dividendos distribuídos na Bolsa de Nova York em obras para modernizar os sistemas que abastecem a capital e na manutenção da rede, não estaríamos enfrentando o racionamento travestido de redução de pressão”, disse Laércio Benko, vereador que liderou a comissão criada para investigar a escassez no abastecimento de água em São Paulo.

O maior dos projetos de infraestrutura que a Sabesp necessita neste ano para garantir o fornecimento de água potável está atrasado.

O projeto para conectar o Rio Pequeno ao reservatório da Billings, originalmente programado para ser concluído em maio, não será terminado até agosto devido a atrasos nas licenças ambientais e de uso da terra, disse a assessoria de imprensa da Sabesp em uma resposta a perguntas por e-mail. Se concluído neste ano, o pacote de cinco obras de emergência em que a Sabesp está investindo seria suficiente para evitar o racionamento, segundo a empresa.

Reservatório principal

Sem os projetos, e se as chuvas ficarem no nível do ano passado ou abaixo dele, a Sabesp projeta que seu reservatório principal – conhecido como Cantareira – poderá secar até agosto, segundo projeções internas obtidas pela Bloomberg News.

No pior cenário previsto pela empresa, poderá haver cortes no abastecimento de água na maior parte da área metropolitana de São Paulo cinco dias por semana, segundo o documento, que foi preparado como parte de um plano de contingência para São Paulo.

A Sabesp disse no e-mail que as chuvas, até agora, têm sido positivas. Para acelerar os investimentos de emergência agora, a Sabesp está cortando gastos e aumentando os preços da água. A empresa reduzirá os gastos com coleta e tratamento de esgoto pela metade neste ano, disseram executivos em uma teleconferência com investidores em abril. O aumento de tarifa reflete o “estresse financeiro” da Sabesp, disse o diretor financeiro Rui Affonso na conferência.

Queda das ações

As ações da Sabesp caíram 4,8 por cento na segunda-feira, pior desempenho das negociações em São Paulo, depois que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou ter entrado com uma liminar para impedir o aumento de tarifa.

“A seca do ano passado será totalmente sentida nos resultados deste ano”, disse Alexandre Montes, analista de ações da Lopes Filho Associados Consultores de Investimentos, em entrevista por telefone, do Rio. “Mesmo se a seca diminuir agora, e mesmo se tudo sair bem, os resultados da Sabesp vão cair”.

(Revista Exame)

How climate change deniers got it right — but very wrong (MSNBC)

 VIDEO: GREENHOUSE, 1/22/15, 3:34 PM ET

06/16/15 08:30 PM

By Tony Dokoupil

It turns out the climate change deniers were right: There isn’t 97% agreement among climate scientists. The real figure? It’s not lower, but actually higher.

The scientific “consensus” on climate change has gotten stronger, surging past the famous — and controversial — figure of 97% to more than 99.9%, according to a new study reviewed by msnbc.

James L. Powell, director of the National Physical Sciences Consortium, reviewed more than 24,000 peer-reviewed papers on global warming published in 2013 and 2014. Only five reject the reality of rising temperatures or the fact that human emissions are the cause, he found.

“It’s now a ruling paradigm, as much an accepted fact in climate science as plate tectonics is in geology and evolution is in biology,” he told msnbc. “It’s 99.9% plus.”

Powell, a member of the National Science Board under Presidents Ronald Reagan and George H.W. Bush, decided to share an exclusive draft of his research on Tuesday — just days before Pope Francis is set to deliver a major address on climate change — because he doesn’t want his holiness to reference outdated numbers.

“I don’t want the Pope to say 97%,” Powell said by phone, arguing that accuracy now is more important than ever. “It’s wrong, and it’s not trivial.”

VIDEO: THE ED SHOW, 6/8/15, 5:53 PM ET – Santorum lectures Pope on climate change

Pope Francis is preparing to charge into the political debate over climate change, citing “a very consistent scientific consensus” and the risk of “unprecedented destruction,” according to a leaked draft of Thursday’s papal encyclical.

The notion of 97% agreement among climate scientists started with studies in 2009 and 2010. It wasn’t until a 2013 study, however, that the figure went viral. President Barack Obama tweeted it. The comedian John Oliver set up a slapstick debate between a climate change denier and 97 of his peers.

But Powell argues that acceptance of man-made global warming has grown. The author of a new Columbia University Press book on scientific revolutions used an online database to compile a mountain of global warming papers published in the last two years.

He also tried a different approach than the earlier studies. Rather than search for explicit acceptance of anthropomorphic global warming, Powell searched for explicit rejection. All the papers in the middle, he figured, weren’t neutral on the subject — they were settled on it.

The results include work from nearly the entire population of working climate scientists — close to 70,000 scientists, often sharing their byline with three or four other authors. They also include a dwindling opposition: Powell could find only four solitary authors who challenged the evidence for human-caused global warming.

That’s a rate of one dissenting voice for every 17,000 agreeing scientists, and it’s not a strong voice. Powell called the four dissents “known deniers and crackpots,” and noted that their work had been cited only once by the wider academic community.

“I don’t want the Pope to say 97%. It’s wrong, and it’s not trivial.”
JAMES L. POWELL, DIRECTOR OF THE NATIONAL PHYSICAL SCIENCES CONSORTIUM

Naomi Oreskes, a professor of the history of science at Harvard, hasn’t read the Powell paper but she doesn’t doubt the general direction of the findings.Back in 2004, she became the first researcher to claim a “consensus” on climate change, finding a roughly 75% agreement within the literature.

“Scientists have done so much more work since then,” she said. For me, as a historian of science, it really feels like overkill. One starts to think, how many more times do we need to say this before we really get it and start to act on it?”

One reason for inaction of course is politics. Many of the world’s leaders still doubt the science of climate change, assuming incorrectly that it’s unsettled or exploratory. The view is especially prevalent among the current crop of Republican presidential candidates.

Earlier this month, for example, former Pennsylvania Sen. Rick Santorum told Fox News that the pope would be “better off leaving science to the scientists.” Jeb Bush, Marco Rubio and Ted Cruz, meanwhile, claim that the science remains vague or is made up entirely.

That raises a second reason for inaction, according to Oreskes: intentional deception. Oreskes is the co-author of the “Merchants of Doubt,” a book that demonstrated how interest groups had undermined the science on tobacco, ozone depletion, acid rain and now climate change.

Many self-proclaimed “climate skeptics” no longer deny that the globe is warming, and some even acknowledge a human role in the new heat wave. Instead, they now say, warming is real — it just isn’t dangerous. They also attack the idea of a consensus, whatever the percentage.

“Nothing has really changed there,” said Oreskes. “The details shift but the overall picture remains the same. It’s a bit like Monet’s water lilies; it can look different at different at different times of day but it’s the same picture.”

Powell, however, hopes his work can finally close the debate, end the notion of doubt, move the frame ahead.

“There isn’t any evidence against global warming and there isn’t any alternative theory,” he said. “We’ve been looking for negative feedbacks and we’ve never found one that amounts to anything. It’s not impossible that we will, but I wouldn’t bet my grandchildren’s future on it.”

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The People vs. Shell (Truthout)

Tuesday, 09 June 2015 00:00 By Emily Johnston

Scientists told us in January that we can't drill any Arctic oil if we want even a 50 percent chance of avoiding catastrophic climate change. Shell just kept coming. (Photo: Emily Johnston)

Scientists told us in January that we can’t drill any Arctic oil if we want even a 50 percent chance of avoiding catastrophic climate change. Shell just kept coming. (Photo: Emily Johnston)

This week, if all goes well, I will probably commit a crime.

I don’t say this lightly, not at all: My mother is 88 years old, and though I expect her to live a good while longer, every day is a gift at 88, and I would always regret time I couldn’t spend with her if I were to go to prison. I also have a dog I’m deeply attached to, not to mention a whole life: not just loved ones (who could visit), but runs and walks and open windows; trees and birds; darkness and quiet and solitude; good coffee and homemade bread; dinners and poetry readings and the pleasure of building things with my hands.

I may not go to prison, of course – I fervently hope I won’t – but I know, too, that I may. I’m willing to take the chance, because the alternative is to let disaster unfold – for countless people, for other animals and for whole ecosystems. Given the scope of the threat, and given that we live in the country that is most responsible for it, sitting on the sidelines does not feel to me like a moral possibility.

Apart from walking my very mannerly and older dog off-leash around the neighborhood, I’m about as law-abiding as a person can reasonably be. But my respect for the laws of physics, in truth, has turned into a terror; I know that we have to heed them now to avoid disaster. If you’ve been following the science, you know what I mean; we are right at the edge of several tipping points, any one of which may bring harrowing, unmitigated disaster. Together they are unthinkable. If we keep on precisely as we are for even a few more years, we will likely have lost the chance to avoid a terrible future.

For years, I have used earnest, legal methods. They were inadequate to the task. Far better people than I am have used them for decades, to better, but still inadequate, effect.

Scientists told us in January that we can’t drill any Arctic oil if we want even a 50 percent chance of avoiding catastrophic climate change. Shell just kept coming.

Governments have failed us; the fossil fuel industry’s money and influence had too much weight. Scientists have done their best, but they are exceedingly cautious in their predictions, and only in the last few years have most of them accepted the hair-on-fire urgency of climate change. If ordinary people don’t force attention to this matter by making it very clear we’re willing to risk our own lives and liberty, we will all have failed the most important test humanity has ever been given.

So we have to change the world – now – or lose it.

What terrible act will I commit? I will continue to help plan, and, with any luck, execute a blockade of Shell’s Arctic drilling rigs as they attempt to leave Seattle. Along with many other people – some of them risking their careers, some of them in their 80s, most of them utterly new to something like this – I will paddle my small self in a 40-lb. plastic kayak in front of a 46,000-ton industrial monster to stop its progress. I don’t really believe we’ll be able to keep the rigs here forever, of course, but neither is it merely symbolic: By making a difference in the length of Shell’s (already brief) drilling season, we may buy a little time for the powers that be to shut this catastrophic project down; they have many reasons to do so. Alternatively, by making it clear that the company is exceedingly unwelcome in Seattle, we can deprive it of its desired, and bargain-priced, berthing option – which could make a material difference to its decision to proceed. Money is a language Shell understands; the only one, it seems.

Why pick on this one project, when we’re all still dependent on fossil fuels? In truth, we’ll have to pick on a lot of bad projects, but this one may be the worst. To say we can’t object to it if we ever drive or heat our homes is like saying we can’t object to someone going 120 mph on a 30 mph street if we’ve ever gone 45. The second is a genuine concern; the first is notably likelier to lead to tragedy, and soon. My family lives on that street; so does yours.

Scientists told us in January that we can’t drill any Arctic oil if we want even a 50 percent chance of avoiding catastrophic climate change. Shell just kept coming.

The US Bureau of Ocean Energy Management told us in February that drilling in the Arctic has a 75 percent chance of a major spill within the first 15 years (and “hundreds” of smaller spills). Again, Shell just kept coming – despite the fact that a former US Coast Guard Commandant has indicated that, in the case of a big spill, “we’d have nothing” for cleanup capacity in the pristine but harsh Arctic environment and despite the fact that the Chukchi Sea has been called the “nursery of the planet” for whales, seabirds and polar bears.

Shell has also ignored permit requirements from the city of Seattle; mooring requirements in our state Constitution; problems in April with pollution-control equipment (that the company then tried to hide); and a spill record for one of its rigs that’s 2 to 3 times higher than the industry “norm.” It just kept coming.

It’s no secret why the company is so intransigent: Shell has invested several billion dollars in its Arctic campaign, engaging in a climate strategy called “narcissistic, paranoid, and psychopathic” by the UK’s former top climate envoy. This is a classic sunk-cost fallacy, but eventually, even Shell will understand that it’s throwing good money after bad; every other player has given up the US Arctic as too risky and too expensive.

It’s also no secret that this is standard operating procedure for Shell. Perhaps the best example of Shell’s idea of stewardship is its behavior in the Niger Delta, a haven of biodiversity and treasured wetlands that has been utterly devastated by Shell’s drilling operations. In 1995, the company supported the Nigerian military government in its sham trial and execution of environmental activist Ken Saro-Wiwa and eight others, and after extracting many tens of billions of dollars in profit from the region over 50 years, Shell has left its waters so polluted with carcinogens that some drinking wells exceed World Health Organization standards for benzene by 900 times. In the three years since the UN Environment Program report on necessary cleanup, Shell has undertaken “almost no meaningful action” on its recommendations.

The future begins when people cease to accept the “inevitability” of a terrible reality, and rise up against it.

Shell wants us to believe that it has learned from the fiascos of its 2012 Arctic foray; these recent examples make it clear that it has not. It’s shown nothing but contempt for the human lives and ecologies of the places where it drills; nothing but contempt for local laws; and nothing but contempt for the overwhelming catastrophe of climate change, which its own scientists have indicated will inevitably result from any scenario in which Arctic drilling is economically rational (for the company only, needless to say: Your costs and mine will not be covered).

Being inside the “safety zone” of the rig is a crime – even if we’re paddling outside of the zone, and the rig starts coming at us. (No “safety zone” has been established around the Maldives, the Philippines, or the rest of us. No crime has yet been codified for destroying the livability of the planet.)

Let me be clear: I am not an especially brave person, and I’m deeply attached to my loved ones and my daily life. I have lost sleep over this. But climate change scares me far more than prison does. It scares most people that much, I think, but they don’t let themselves think about it.

If we value our lives – if we value any lives, it’s time to think about it.

I may be foolish to announce my intentions here – risking my ability to do what I intend to do, perhaps, and certainly abandoning all chance of pretending I didn’t know it was against the law – but it feels important to be completely clear and open about this: I am willing to risk criminal charges in order to help stop a monstrous project that threatens everything we hold dear. I do not believe that because we live in the modern world (and are thus in some measure culpable), we are forced to accept the devastation of everything, without question, outrage or action. I do not accept the lies of industry or the blandishments of politicians.

I do believe that there is another way and that we can find the imagination, the intelligence and the courage to follow it.

This week or next, that belief will be the star that guides me on the water: My friends and I will put aside our normal lives for a while, and use our bodies and our kayaks to express our commitment to this beautiful world: The buck stops here. The future begins when people cease to accept the “inevitability” of a terrible reality, and rise up against it.

Is 40 lbs. vs. 46,000 tons doomed to fail? Not even close. It’s not about plastic or steel. Sitting there staring up at the monstrous rig – maybe through the night, maybe cold, and stiff and hungry – all of us will sit with the knowledge that we’re one group among countless others taking shape around the world, filled with this passion and resolve.

Love doesn’t make us invincible, of course. But I wouldn’t bet against us, if I were Shell.

Copyright, Truthout. May not be reprinted without permission.

Science Under Siege (CBC)

Paul Kennedy

Wednesday June 03, 2015

http://www.cbc.ca/radio/ideas/science-under-siege-part-1-1.3091552

Are we living through an Anti-Scientific Revolution? Scientists around the world are increasingly restricted in what they can research, publish and say — constrained by belief and ideology from all sides.  Historically, science has always had a thorny relationship with institutions of power. But what happens to societies which turn their backs on curiosity-driven research? And how can science lift the siege?  CBC Radio producer Mary Lynk looks for some answers in this three-part series.

Science Under Siege, Part 1:  Dangers of Ignorance – airs Wednesday, June 3
Explores the historical tension between science and political power and the sometimes fraught relationship between the two over the centuries. But what happens when science gets sidelined? What happens to societies which turn their backs on curiosity-driven research?

Science Under Siege, Part 2: The Great Divide – airs Thursday, June 4
Explores the state of science in the modern world, and the expanding — and dangerous — gulf between scientists and the rest of society.  Many policy makers, politicians and members of the public are giving belief and ideology the same standing as scientific evidence. Are we now seeing an Anti-Scientific revolution?  A look at how evidence-based decision making has been sidelined.

Science Under Siege, Part 3: Fighting Back – airs Friday, June 5
Focuses on the culture war being waged on science, and possible solutions for reintegrating science and society. The attack on science is coming from all sides, both the left and right of the political spectrum. How can the principle of direct observation of the world, free of any influence from corporate or any other influence, reassert itself? The final episode of this series looks at how science can withstand the attack against it and overcome ideology and belief.

Autoridade malaia acusa turistas nus de causar terremoto que matou alpinistas (UOL Notícias)

Jennifer Pak

Da BBC News

09/06/2015 06h51 

Para um funcionário do governo da Malásia, o terremoto que atingiu o país na última sexta-feira (5) e deixou ao menos 16 mortos teve pouco a ver com a atividade sísmica da região.

Joseph Pairin Kitingan, que ocupa um cargo semelhante ao de vice-governador na província de Sabah, disse que a tragédia foi causada por um grupo de turistas ocidentais que recentemente tiraram fotos nus no Monte Kinabalu, próximo ao epicentro do tremor.

Pairin disse que a atitude dos turistas irritou os espíritos da montanha: “O terremoto é uma prova das consequências, que já temíamos, das ações (dos turistas). Temos de entender essa tragédia como um alerta, sobre como as crenças e costumes locais não podem ser desrespeitados.”

Segundo o governo da Malásia, alguns dos turistas já foram identificados; entre eles estão dois canadenses, um alemão e um holandês.

Autoridades malais estão orientadas a não permitirem que eles deixem o país, enquanto as investigações estiverem em curso.

Segundo a mídia local, ao menos um dos turistas teria sido preso.

‘Sociedade moderna’

Moradores da região acreditam que o Kinabalu é sagrado por ser o último local de descanso de seus ancestrais.

Para muitos habitantes de Sabaha, não há relação entre o tremor e a atitude dos estrangeiros, mas alguns se ofenderam com a nudez.

“Eu não posso confirmar se os turistas causaram o terremoto ou não. Somos uma sociedade moderna, mas temos nossas crenças, e elas têm de ser respeitadas”, disse Supni, um guia do Monte Kinabalu.

O guia, que acha que os turistas devem ser punidos, conta que estava levando um grupo de montanhistas pela região, quando ocorreu o terremoto que deixou ao menos 137 pessoas isoladas.

Supni conta que ele e seu grupo precisaram caminhar por 12 horas, depois de serem informados que os helicópteros de resgate não estavam conseguindo chegar ao local onde estavam por conta do tempo ruim.

Ele conta que o grupo passou por alguns corpos presos nas pedras. “Passávamos em silêncio pelos corpos, em sinal de respeito. Muitas pessoas estavam chorando, mas tentamos manter a calma”, disse.

O antropólogo Paul Porodong, da Universidade da Malásia em Sabah, disse em entrevista ao jornal Star que tribos locais relacionam atos desrespeitosos a acidentes e que a nudez do grupo se encaixaria nessa crença.

Segundo a mídia local, ao menos um dos turistas teria sido preso. Para os próximos dias, a população local está planejando um ritual tradicional no Monte Kinabalu para “acalmar os espíritos”.

The fossil-fuel industry’s campaign to mislead the American people (The Washington Post)

 May 29

Sheldon Whitehouse, a Democrat, represents Rhode Island in the Senate.

Fossil fuel companies and their allies are funding a massive and sophisticated campaign to mislead the American people about the environmental harm caused by carbon pollution.

Their activities are often compared to those of Big Tobacco denying the health dangers of smoking. Big Tobacco’s denial scheme was ultimately found by a federal judge to have amounted to a racketeering enterprise.

The Big Tobacco playbook looked something like this: (1) pay scientists to produce studies defending your product; (2) develop an intricate web of PR experts and front groups to spread doubt about the real science; (3) relentlessly attack your opponents.

Thankfully, the government had a playbook, too: the Racketeer Influenced and Corrupt Organizations Act, or RICO. In 1999, the Justice Department filed a civil RICO lawsuit against the major tobacco companies and their associated industry groups, alleging that the companies “engaged in and executed — and continue to engage in and execute — a massive 50-year scheme to defraud the public, including consumers of cigarettes, in violation of RICO.”

Tobacco spent millions of dollars and years of litigation fighting the government. But finally, through the discovery process, government lawyers were able to peel back the layers of deceit and denial and see what the tobacco companies really knew all along about cigarettes.

In 2006, Judge Gladys Kessler of the U.S. District Court for the District of Columbia decided that the tobacco companies’ fraudulent campaign amounted to a racketeering enterprise. According to the court: “Defendants coordinated significant aspects of their public relations, scientific, legal, and marketing activity in furtherance of a shared objective — to . . . maximize industry profits by preserving and expanding the market for cigarettes through a scheme to deceive the public.”

The parallels between what the tobacco industry did and what the fossil fuel industry is doing now are striking.

In the case of fossil fuels, just as with tobacco, the industry joined together in a common enterprise and coordinated strategy. In 1998, the Clinton administration was building support for international climate action under the Kyoto Protocol. The fossil fuel industry, its trade associations and the conservative policy institutes that often do the industry’s dirty work met at the Washington office of the American Petroleum Institute. A memo from that meeting that was leaked to the New York Times documented their plans for a multimillion-dollar public relations campaign to undermine climate science and to raise “questions among those (e.g. Congress) who chart the future U.S. course on global climate change.”

The shape of the fossil fuel industry’s denial operation has been documented by, among others, Drexel University professor Robert Brulle. In a 2013 paper published in the journal Climatic Change, Brulle described a complex network of organizations and funding that appears designed to obscure the fossil fuel industry’s fingerprints. To quote directly from Brulle’s report, it was “a deliberate and organized effort to misdirect the public discussion and distort the public’s understanding of climate.” That sounds a lot like Kessler’s findings in the tobacco racketeering case.

The coordinated tactics of the climate denial network, Brulle’s report states, “span a wide range of activities, including political lobbying, contributions to political candidates, and a large number of communication and media efforts that aim at undermining climate science.” Compare that again to the findings in the tobacco case.

The tobacco industry was proved to have conducted research that showed the direct opposite of what the industry stated publicly — namely, that tobacco use had serious health effects. Civil discovery would reveal whether and to what extent the fossil fuel industry has crossed this same line. We do know that it has funded research that — to its benefit — directly contradicts the vast majority of peer-reviewed climate science. One scientist who consistently published papers downplaying the role of carbon emissions in climate change, Willie Soon, reportedly received more than half of his funding from oil and electric utility interests: more than $1.2 million.

To be clear: I don’t know whether the fossil fuel industry and its allies engaged in the same kind of racketeering activity as the tobacco industry. We don’t have enough information to make that conclusion. Perhaps it’s all smoke and no fire. But there’s an awful lot of smoke.

Presidente de CPI defende que prefeitura de SP aplique multas à Sabesp (Estadão)

Em São Paulo

13/05/201515h19

11.mai.2015 - Carroceria de veículo fica visível na margem da represa Jaguari-Jacareí, no interior de São Paulo, devido ao baixo nível das águas

11.mai.2015 – Carroceria de veículo fica visível na margem da represa Jaguari-Jacareí, no interior de São Paulo, devido ao baixo nível das águas. Pablo Schettini/Futura Press/Futura Press/Estadão Conteúdo

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Sabesp na Câmara Municipal de São Paulo, vereador Laércio Benko (PHS), afirmou nesta quarta (13) que a comissão defenderá uma posição mais efetiva da prefeitura de São Paulo em relação à aplicação de multas contra a Sabesp. A companhia de saneamento comandada pelo governo paulista cortou o fornecimento sem aviso prévio, enfrenta dificuldades na atividade de recapeamento de ruas após obras realizadas e ainda despeja esgoto em mananciais, segundo ele.

“Temos que fazer com que Sabesp devolva à Prefeitura, através de multas, aquilo que ela não praticou. Temos que propor penalidades ao prefeito, e também cobrar dele que a prefeitura realize a regularização dos nossos mananciais onde há ocupação indevida”, afirmou Benko, após o encerramento da sessão de hoje da CPI da Sabesp.

O relatório que está sendo elaborado pelo vereador Nelo Rodolfo (PMDB) também cita outra medida importante que deve ser levada à avaliação dos vereadores que compõem a CPI. Ele defende a criação de uma agência reguladora municipal, nos mesmos moldes da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), esta estadual. “Mas ainda quero pensar mais sobre essa questão, para não estarmos apenas criando mais uma autarquia”, disse.

Benko reforçou, após a sessão da CPI, a contrariedade em relação ao fato de a Sabesp ser uma empresa listada em Bolsa. Durante a sessão, que contou com a presença do presidente da Sabesp, Jerson Kelman, o vereador criticou a distribuição de dividendos em um momento no qual a companhia precisa fazer investimentos para garantir o abastecimento de água.

Kelman rebateu a afirmação alegando que a Sabesp, por ser uma empresa aberta, deve respeitar a legislação e distribuir o equivalente a 25% do lucro líquido anual, o que foi proposto para 2015. Benko classificou com um “tapa na cara do cidadão paulistano” a distribuição de dividendos em um momento como o atual.

O vereador chegou a propor que a Sabesp fizesse provisões para recursos a serem destinados a obras, mas a possibilidade foi descartada pelo presidente da companhia de saneamento. “A provisão é um detalhe contábil. Para garantirmos investimentos em nosso planejamento plurianual, é preciso que tenhamos lucro para poder investir”, disse Kelman após a sessão.

O relatório do vereador Rodolfo também deve levantar a possibilidade de o contrato entre Sabesp e a prefeitura de São Paulo ser reavaliado. Nesse caso, pondera Benko, a grande dúvida estaria em quem assumiria o trabalho de saneamento feito pela Sabesp. O presidente da CPI afirmou que ainda não há convergência em relação ao pré-relatório elaborado pelo colega do PMDB. As atividades da CPI serão encerradas no próximo dia 29 de maio e o relator tem um prazo de até 15 dias, após essa data, para a conclusão do documento.

Responsabilidade

Questionado sobre a não convocação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, à CPI da Sabesp, Benko ressaltou que a comissão convocou aqueles que eram considerados os principais envolvidos no processo: Kelman e a ex-presidente da Sabesp, Dilma Pena. “Acredito que o governador estava muito mal assessorado pela antiga presidência da Sabesp, e que agora chegou uma pessoa que abriu os olhos de todos”, disse Benko, que disputou a eleição a governador de São Paulo em 2014 contra o governador reeleito Alckmin. O governo de São Paulo é controlador da Sabesp e, como tal, indica o maior número de membros do conselho de administração da companhia de saneamento.

“Após o início do trabalho da CPI, em que nós desmascaramos a Dilma Pena, mostramos que ela estava administrando a Sabesp de uma forma péssima e foi trocada a presidência da Sabesp, as coisas começaram a funcionar”, disse. “Mas não estou dizendo que o governador não tenha responsabilidade, nem que ele tenha”, complementou. Benko disse que os vereadores podem entrar com ação popular, medida que pode ser feita por qualquer cidadão, e criticou a ausência do procurador geral do Estado às sessões da CPI.

Em relação à situação de abastecimento da cidade neste momento, o presidente da CPI destacou que não há um rodízio, mas sim a redução da pressão, o que afeta o abastecimento principalmente na região Norte do município, atendida pelo sistema Cantareira. “Precisamos torcer para a chuva. Rodízio eu acredito que não vai haver, mas a falta de água vai se agravar”, previu Benko.

Torneiras secam em São Paulo. Nível baixo do reservatório Atibainha, do sistema Cantareira, é percebido pela marca de água na ponte; desmatamento do Rio Amazonas, a centenas de quilômetros de São Paulo, pode estar contribuindo para a seca. Ao se cortar a floresta, sua capacidade de liberar umidade no ar é reduzida, diminuindo as chuvas no Sudeste Mauricio Lima/The New York Times

How Facebook’s Algorithm Suppresses Content Diversity (Modestly) and How the Newsfeed Rules Your Clicks (The Message)

Zeynep Tufekci on May 7, 2015

Today, three researchers at Facebook published an article in Science on how Facebook’s newsfeed algorithm suppresses the amount of “cross-cutting” (i.e. likely to cause disagreement) news articles a person sees. I read a lot of academic research, and usually, the researchers are at a pains to highlight their findings. This one buries them as deep as it could, using a mix of convoluted language and irrelevant comparisons. So, first order of business is spelling out what they found. Also, for another important evaluation — with some overlap to this one — go read this post by University of Michigan professor Christian Sandvig.

The most important finding, if you ask me, is buried in an appendix. Here’s the chart showing that the higher an item is in the newsfeed, the more likely it is clicked on.

Notice how steep the curve is. The higher the link, more (a lot more) likely it will be clicked on. You live and die by placement, determined by the newsfeed algorithm. (The effect, as Sean J. Taylor correctly notes, is a combination of placement, and the fact that the algorithm is guessing what you would like). This was already known, mostly, but it’s great to have it confirmed by Facebook researchers (the study was solely authored by Facebook employees).

The most important caveat that is buried is that this study is not about all of Facebook users, despite language at the end that’s quite misleading. The researchers end their paper with: “Finally, we conclusively establish that on average in the context of Facebook…” No. The research was conducted on a small, skewed subset of Facebook users who chose to self-identify their political affiliation on Facebook and regularly log on to Facebook, about ~4% of the population available for the study. This is super important because this sampling confounds the dependent variable.

The gold standard of sampling is random, where every unit has equal chance of selection, which allows us to do amazing things like predict elections with tiny samples of thousands. Sometimes, researchers use convenience samples — whomever they can find easily — and those can be okay, or not, depending on how typical the sample ends up being compared to the universe. Sometimes, in cases like this, the sampling affects behavior: people who self-identify their politics are almost certainly going to behave quite differently, on average, than people who do not, when it comes to the behavior in question which is sharing and clicking through ideologically challenging content. So, everything in this study applies only to that small subsample of unusual people. (Here’s a post by the always excellent Eszter Hargittai unpacking the sampling issue further.) The study is still interesting, and important, but it is not a study that can generalize to Facebook users. Hopefully that can be a future study.

What does the study actually say?

  • Here’s the key finding: Facebook researchers conclusively show that Facebook’s newsfeed algorithm decreases ideologically diverse, cross-cutting content people see from their social networks on Facebook by a measurable amount. The researchers report that exposure to diverse content is suppressed by Facebook’s algorithm by 8% for self-identified liberals and by 5% for self-identified conservatives. Or, as Christian Sandvig puts it, “the algorithm filters out 1 in 20 cross-cutting hard news stories that a self-identified conservative sees (or 5%) and 1 in 13cross-cutting hard news stories that a self-identified liberal sees (8%).” You are seeing fewer news items that you’d disagree with which are shared by your friends because the algorithm is not showing them to you.
  • Now, here’s the part which will likely confuse everyone, but it should not. The researchers also report a separate finding that individual choice to limit exposure through clicking behavior results in exposure to 6% less diverse content for liberals and 17% less diverse content for conservatives.

Are you with me? One novel finding is that the newsfeed algorithm (modestly) suppresses diverse content, and another crucial and also novel finding is that placement in the feed is (strongly) influential of click-through rates.

Researchers then replicate and confirm a well-known, uncontested and long-established finding which is that people have a tendency to avoid content that challenges their beliefs. Then, confusingly, the researchers compare whether algorithm suppression effect size is stronger than people choosing what to click, and have a lot of language that leads Christian Sandvig to call this the “it’s not our fault” study. I cannot remember a worse apples to oranges comparison I’ve seen recently, especially since these two dynamics, algorithmic suppression and individual choice, have cumulative effects.

Comparing the individual choice to algorithmic suppression is like asking about the amount of trans fatty acids in french fries, a newly-added ingredient to the menu, and being told that hamburgers, which have long been on the menu, also have trans-fatty acids — an undisputed, scientifically uncontested and non-controversial fact. Individual self-selection in news sources long predates the Internet, and is a well-known, long-identified and well-studied phenomenon. Its scientific standing has never been in question. However, the role of Facebook’s algorithm in this process is a new — and important — issue. Just as the medical profession would be concerned about the amount of trans-fatty acids in the new item, french fries, as well as in the existing hamburgers, researchers should obviously be interested in algorithmic effects in suppressing diversity, in addition to long-standing research on individual choice, since the effects are cumulative. An addition, not a comparison, is warranted.

Imagine this (imperfect) analogy where many people were complaining, say, a washing machine has a faulty mechanism that sometimes destroys clothes. Now imagine washing machine company research paper which finds this claim is correct for a small subsample of these washing machines, and quantifies that effect, but also looks into how many people throw out their clothes before they are totally worn out, a well-established, undisputed fact in the scientific literature. The correct headline would not be “people throwing out used clothes damages more dresses than the the faulty washing machine mechanism.” And if this subsample was drawn from one small factory located everywhere else than all the other factories that manufacture the same brand, and produced only 4% of the devices, the headline would not refer to all washing machines, and the paper would not (should not) conclude with a claim about the average washing machine.

Also, in passing the paper’s conclusion appears misstated. Even though the comparison between personal choice and algorithmic effects is not very relevant, the result is mixed, rather than “conclusively establish[ing] that on average in the context of Facebook individual choices more than algorithms limit exposure to attitude-challenging content”. For self-identified liberals, the algorithm was a stronger suppressor of diversity (8% vs. 6%) while for self-identified conservatives, it was a weaker one (5% vs 17%).)

Also, as Christian Sandvig states in this post, and Nathan Jurgenson in this important post here, and David Lazer in the introduction to the piece in Science explore deeply, the Facebook researchers are not studying some neutral phenomenon that exists outside of Facebook’s control. The algorithm is designed by Facebook, and is occasionally re-arranged, sometimes to the devastation of groups who cannot pay-to-play for that all important positioning. I’m glad that Facebook is choosing to publish such findings, but I cannot but shake my head about how the real findings are buried, and irrelevant comparisons take up the conclusion. Overall, from all aspects, this study confirms that for this slice of politically-engaged sub-population, Facebook’s algorithm is a modest suppressor of diversity of content people see on Facebook, and that newsfeed placement is a profoundly powerful gatekeeper for click-through rates. This, not all the roundabout conversation about people’s choices, is the news.

Late Addition: Contrary to some people’s impressions, I am not arguing against all uses of algorithms in making choices in what we see online. The questions that concern me are how these algorithms work, what their effects are, who controls them, and what are the values that go into the design choices. At a personal level, I’d love to have the choice to set my newsfeed algorithm to “please show me more content I’d likely disagree with” — something the researchers prove that Facebook is able to do.

Comissão mista discutirá posição do Brasil em torno de novo acordo do clima (Agência Senado)

A COP 21 será realizada em Paris no final deste ano com a missão de chegar a um acordo global sobre mudanças climáticas para substituir o Protocolo de Kyoto

A Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC) promoverá na quarta-feira (29) audiência pública sobre a COP 21 e as possibilidades de negociações em torno de um novo acordo climático global.

Foram convidados para o debate o embaixador José Antonio Marcondes de Carvalho, subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores; Tasso Azevedo, coordenador do Observatório do Clima; e um representante do Ministério do Meio Ambiente.

Na Conferência das Partes (COP), são realizados os encontros dos países que assinaram os acordos sobre biodiversidade e mudanças climáticas na Rio 92.

A COP 21 será realizada em Paris no final deste ano com a missão de chegar a um acordo global sobre mudanças climáticas para substituir o Protocolo de Kyoto, de 1997. O acordo deve entrar em vigor em 2020 e a conferência deve adotar um tratado que inclua todos os países.

O Protocolo de Kyoto não foi assinado pelos Estados Unidos, o que desobrigou os países em desenvolvimento de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global e pelas mudanças climáticas.

A audiência pública começa às 14h30, na sala 13 da Ala Senador Alexandre Costa.

(Agência Senado)

http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2015/04/24/comissao-mista-discutira-posicao-do-brasil-em-torno-de-novo-acordo-do-clima

Mudanças Climáticas – Plano de adaptação sai até julho e terá metas (Observatório do Clima)

7/4/2015 – 12h18

por Clauido Angelo, do Observatóri do Clima

Izabella Teixeira fala em São Paulo. Foto: MMA

Conservação e recuperação de ecossistemas serão adotadas como medidas para atenuar impactos da mudança climática

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, prometeu nesta quinta-feira (23/04) que o país terá um plano nacional de adaptação às mudanças climáticas em consulta pública até julho. E afirmou que é “claro” que ele terá metas.

“Você já viu plano sem meta? Não é plano, é carta de intenção”, declarou a ministra a jornalistas, durante o seminário Gestão de Água em Situações de Escassez, encerrado nesta sexta-feira em São Paulo.

Embora não tenha adiantado que metas serão essas, a ministra afirmou que, no caso da água, elas dialogarão com o Plano Nacional de Segurança Hídrica e com o CAR (Cadastro Ambiental Rural), que estabelece os parâmetros para a recuperação de áreas degradadas e desmatadas, como matas ciliares – fundamentais para a manutenção dos recursos hídricos.

“As pessoas degradam as nascentes a 200 quilômetros daqui e acham que não tem consequência”, disse Izabella. “Tem CAR para ser feito, vamos recuperar nascentes, cabeceiras de rio, tem que fazer o que outros países fizeram”, prosseguiu, citando a experiência de Nova York. A megalópole americana evitou uma crise hídrica ao pagar fazendeiros de uma região montanhosa próxima para preservar as matas ciliares em torno dos rios onde a água da cidade é captada.

O Plano Nacional de Adaptação estabelecerá as medidas que o Brasil deverá adotar ao longo dos próximos anos para evitar os piores efeitos das mudanças climáticas. Vários países têm inserido metas para adaptação em suas INDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas), as propostas de combate ao aquecimento global que cada país está fazendo para o acordo de Paris, no fim do ano.

A lógica é que, mesmo que o mundo tenha sucesso em cortar emissões de carbono, muitos efeitos da mudança do clima são inevitáveis e as sociedades devem adaptar-se a eles.

No Brasil, conforme indicam dados do estudo Brasil 2040, que até março vinha sendo conduzido pela Secretaria de Assuntos Estratégicos, esses efeitos incluem redução de áreas agrícolas e de vazão de rios que alimentam algumas das principais hidrelétricas do país, na Amazônia e no Sudeste/Centro-Oeste.

Conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente, o PNA (Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima) deverá propor ações em pelo menos dez grandes áreas: energia, zona costeira, recursos hídricos, desastres naturais, segurança alimentar/agropecuária, ecossistemas, cidades, transporte e logística, indústria e saúde.

O desenho preliminar do plano vinha sendo criticado dentro do próprio governo por não conter metas objetivas – apenas diretrizes gerais para a elaboração de metas de adaptação pelos Estados. O esboço do capítulo de Ecossistemas, por exemplo, fazia uma recapitulação de políticas públicas já existentes e traçava uma série de diretrizes genéricas, como “incluir a perspectiva de adaptação à mudança do clima nos Planos de Prevenção e Controle do Desmatamento e no Plano de Recuperação da Vegetação Nativa”. Ainda não se sabe como ficará o plano final para que ele não seja apenas uma “carta de intenções”, como definiu a ministra do Meio Ambiente.

Resiliência verde

Um dos elementos que deverão integrar o PNA é a chamada adaptação baseada em ecossistemas. Trata-se de uma série de medidas de baixo custo para usar serviços de ecossistemas como escudo contra impactos da mudança do clima.

Um caso clássico dessa modalidade de adaptação é a recuperação de manguezais como forma de proteger zonas costeiras de ressacas, que estão ficando mais fortes devido à elevação do nível do mar.

“É muito mais vantajoso do que construir estruturas de concreto, como quebra-mares”, disse Guilherme Karam, da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Ele é coautor de um estudo publicado no ano passado pela fundação e pelo Iclei – Governos Locais pela Sustentabilidade que identifica oportunidades de adaptação baseada em ecossistemas para o Brasil.

O estudo mapeou cem experiências dessa modalidade de adaptação no mundo todo, 11 delas no Brasil, e mostrou que é possível adotar ações em ecossistemas em todas as áreas do PNA. Isso é especialmente evidente em cidades, onde o reflorestamento pode ajudar a mitigar enchentes e ilhas de calor urbanas, em desastres naturais e em água e energia – por meio da restauração de áreas de preservação permanente.

No caso da água, aponta Karam, a recuperação de áreas naturais dá mais resultado do que investimentos na chamada “infraestrutura cinza” (obras de engenharia) e a um custo menor. Nem sempre isso é verdade, porém, alerta o pesquisador: há casos na Ásia nos quais se constatou que a infraestrutura cinza dá mais resultado, apesar de custar muito mais, então o ideal é combinar as duas abordagens.

O Ministério do Meio Ambiente decidiu incorporar as recomendações do estudo ao plano nacional. (Observatório do Clima/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

Climate change: Embed the social sciences in climate policy (Nature)

David Victor

01 April 2015

David G. Victor calls for the IPCC process to be extended to include insights into controversial social and behavioural issues.

Illustration by David Parkins

The Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) is becoming irrelevant to climate policy. By seeking consensus and avoiding controversy, the organization is suffering from the streetlight effect — focusing ever more attention on a well-lit pool of the brightest climate science. But the insights that matter are out in the darkness, far from the places that the natural sciences alone can illuminate.

With the ink barely dry on the IPCC’s latest reports, scientists and governments are planning reforms for the next big assessment12. Streamlining the review and writing processes could, indeed, make the IPCC more nimble and relevant. But decisions made at February’s IPCC meeting in Nairobi showed that governments have little appetite for change.

The basic report-making process and timing will remain intact. Minor adjustments such as greater coverage of cross-cutting topics and more administration may make the IPCC slower. Similar soul searching, disagreement, indecision and trivial procedural tweaks have followed each of the five IPCC assessments over the past 25 years3.

This time needs to be different. The IPCC must overhaul how it engages with the social sciences in particular (see go.nature.com/vp7zgm). Fields such as sociology, political science and anthropology are central to understanding how people and societies comprehend and respond to environmental changes, and are pivotal in making effective policies to cut emissions and collaborate across the globe.

The IPCC has engaged only a narrow slice of social-sciences disciplines. Just one branch — economics — has had a major voice in the assessment process. In Working Group III, which assesses climate-change mitigation and policy, nearly two-thirds of 35 coordinating lead authors hailed from the field, and from resource economics in particular. The other social sciences were mostly absent. There was one political scientist: me. Among the few bright spots in that report compared with earlier ones is greater coverage of behavioural economics and risk analysis. In Working Group II, which assesses impacts and adaptation, less than one-third of the 64 coordinating lead authors were social scientists, and about half of those were economists.

Bringing the broader social sciences into the IPCC will be difficult, but it is achievable with a strategy that reflects how the fields are organized and which policy-relevant questions these disciplines know well. It will require big reforms in the IPCC, and the panel will have to relinquish part of the assessment process to other organizations that are less prone to paralysis in the face of controversy.

Tunnel vision

The IPCC walks a wavering line between science, which requires independence, and diplomacy, which demands responsiveness to government preference. Although scientists supply and hone the material for reports, governments have a say in all stages of assessment: they adopt the outline for each chapter, review drafts and approve the final reports.

“Insights such as which policies work (or fail) in practice are skirted.”

Such tight oversight creates incentives for scientists to stick to the agreed scope and strip out controversial topics. These pressures are especially acute in the social sciences because governments want to control statements about social behaviour, which implicate policy. This domain covers questions such as which countries will bear the costs of climate change; schemes for allocating the burden of cutting emissions; the design of international agreements; how voters respond to information about climate policy; and whether countries will go to war over climate-related stress. The social sciences can help to provide answers to these questions, key for effective climate policy. In practice, few of these insights are explored much by the IPCC.

The narrowness of what governments will allow the IPCC to publish is particularly evident in the summary for policy-makers produced at the end of each assessment. Governments approve this document line-by-line with consensus. Disagreements range from those over how to phrase concepts such as a ‘global commons’ that requires collective action to those about whole graphs, which might present data in ways that some governments find inconvenient.

For example, during the approval of the summary from Working Group III last April, a small group of nations vetoed graphs that showed countries’ emissions grouped according to economic growth. Although this format is good science — economic growth is the main driver of emissions — it is politically toxic because it could imply that some countries that are developing rapidly need to do more to control emissions4.

Context dependent

The big problem with the IPCC’s output is not the widely levelled charge that it has become too policy prescriptive or is captivated by special interests5. Its main affliction is pabulum — a surfeit of bland statements that have no practical value for policy. Abstract, global numbers from stylized, replicable models get approved because they do not implicate any country or action. Insights such as which policies work (or fail) in practice are skirted. Caveats are buried or mangled.

Readers of the Working Group III summary for policy-makers might learn, for instance, that annual economic growth might decrease by just 0.06 percentage points by 2050 if governments were to adopt policies that cut emissions in line with the widely discussed goal of 2 °C above pre-industrial levels6. They would have to wade through dense tables to realize that only a fraction of the models say that the goal is achievable, and through the main report to learn that the small cost arises only under simplified assumptions that are far from messy reality.

Source: Ref. 6

That said, the social sciences are equally culpable. Because societies are complex and are in many ways harder to study than cells in a petri dish, the intellectual paradigms across most of the social sciences are weak. Beyond a few exceptions — such as mainstream economics — the major debates in social science are between paradigms rather than within them.

Consider the role of international law. Some social scientists treat law like a contract; others believe that it works mainly through social pressures. The first set would advise policy-makers to word climate deals precisely — to include targets and timetables for emissions cuts — and to apply mechanisms to ensure that countries honour their agreements. The second group would favour bold legal norms with clear focal points — striving for zero net emissions, for example7. Each approach could be useful in the right context.

Multiple competing paradigms make it hard to organize social-science knowledge or to determine which questions and methods are legitimate. Moreover, the incentives within the social sciences discourage focusing on particular substantive topics such as climate change — especially when they require interdisciplinary collaboration. In political science, for example, research on political mobilization, administrative control and international cooperation among other specialities are relevant. Yet no leading political-science department has a tenured professor who works mainly on climate change8.

The paradigm problem need not be paralysing. Social scientists should articulate why different intellectual perspectives and contexts lead to different conclusions. Leading researchers in each area can map out disagreement points and their relevance.

Climate scientists and policy-makers should talk more about how disputes are rooted in different values and assumptions — such as about whether government institutions are capable of directing mitigation. Such disputes help to explain why there are so many disagreements in climate policy, even in areas in which the facts seem clear9.

Unfortunately, the current IPCC report structure discourages that kind of candour about assumptions, values and paradigms. It focuses on known knowns and known unknowns rather than on deeper and wider uncertainties. The bias is revealed in how the organization uses official language to describe findings — half of the statements in the Working Group III summary were given a ‘high confidence’ rating (see ‘Confidence bias’).

Wider vista

Building the social sciences into the IPCC and the climate-change debate more generally is feasible over the next assessment cycle, which starts in October and runs to 2022, with efforts on the following three fronts.

First, the IPCC must ask questions that social scientists can answer. If the panel looks to the social-sciences literature on climate change, it will find little. But if it engages the fields on their own terms it will find a wealth of relevant knowledge — for example, about how societies organize, how individuals and groups perceive threats and respond to catastrophic stresses, and how collective action works best.

Dieter Telemans/Panos

The solar-powered Barefoot College in Rajasthan, India, trains rural villagers in how to install, build and repair solar technologies.

As soon as the new IPCC leadership is chosen later this year, the team should invite major social-sciences societies such as the American Political Science Association, the American and European societies of international law, the American Sociological Association and the Society for Risk Analysis to propose relevant topics that they can assess and questions they can answer. Multidisciplinary scientific organizations in diverse countries — such as the Royal Society in London and the Third World Academy of Sciences — would round out the picture, because social-sciences societies tend to be national and heavily US-based.

These questions should guide how the IPCC scopes its next reports. The agency should also ask such societies to organize what they know about climate by discipline — how sociology examines issues related to the topic, for example — and feed that into the assessment.

Second, the IPCC must become a more attractive place for social-science and humanities scholars who are not usually involved in the climate field and might find IPCC involvement daunting. The IPCC process is dominated by insiders who move from assessment to assessment and are tolerant of the crushing rounds of review and layers of oversight that consume hundreds of hours and require travel to the corners of the globe. Practically nothing else in science service has such a high ratio of input to output. The IPCC must use volunteers’ time more efficiently.

Third, all parties must recognize that a consensus process cannot handle controversial topics such as how best to design international agreements or how to govern the use of geoengineering technologies. For these, a parallel process will be needed to address the most controversial policy-relevant questions.

This supporting process should begin with a small list of the most important questions that the IPCC cannot handle on its own. A network of science academies or foundations sympathetic to the UN’s mission could organize short reports — drawing from IPCC assessments and other literature — and manage a review process that is truly independent of government meddling. Oversight from prominent social scientists, including those drawn from the IPCC process, could give the effort credibility as well as the right links to the IPCC itself.

The list of topics to cover in this parallel mechanism includes how to group countries in international agreements — beyond the crude kettling adopted in 1992 that split the world into industrialized nations and the rest. The list also includes which kinds of policies have had the biggest impact on emissions, and how different concepts of justice and ethics could guide new international agreements that balance the burdens of mitigation and adaptation. There will also need to be a sober re-assessment of policy goals when it becomes clear that stopping warming at 2 °C is no longer feasible10.

The IPCC has proved to be important — it is the most legitimate body that assesses the climate-related sciences. But it is too narrow and must not monopolize climate assessment. Helping the organization to reform itself while moving contentious work into other forums is long overdue.

Nature 520, 27–29 (02 April 2015), doi:10.1038/520027a

References

  1. IPCC. Future Work of the IPCC: Chairman’s Vision Paper on the Future of the IPCC (IPCC, 2015).
  2. IPCC. Future Work of the IPCC: Consideration of the Recommendations by the Task Group on Future Work of the IPCC (IPCC, 2015).
  3. Committee to Review the Intergovernmental Panel on Climate ChangeClimate Change Assessments: Review of the Processes and Procedures of the IPCC (InterAcademy Council, 2010).
  4. Victor, D. G.Gerlagh, R. & Baiocchi, G. Science 3453436 (2014).
  5. Hulme, M. et alNature 463730732 (2010).
  6. IPCCSummary for Policymakers in Climate Change 2014: Mitigation of Climate Change. Contribution of Working Group III to the Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change (eds Edenhofer, O. et al.) (Cambridge Univ. Press, 2014).
  7. Hafner-Burton, E. M.Victor, D. G. & Lupu, Y. Am. J. Intl Law 1064797 (2012).
  8. Keohane, R. O. PS: Political Sci. & Politics 481926 (2015).
  9. Hulme, M. Why We Disagree About Climate Change: Understanding Controversy, Inaction and Opportunity (Cambridge Univ. Press, 2009).
  10. Victor, D. G. & Kennel C. F. Nature 5143031 (2014).

Sociology & Its Discontents (Synthetic Zero)

 

“Does the discipline of Sociology still have a role to play in the 21st century?To examine where we are at with Sociology in 2015, Philip Dodd is joined by three leading practitioners, the LSE’s Richard Sennett, Frank Furedi from the University of Kent, and Monika Krause at Goldsmiths, as well as the journalist and author, Peter Oborne”

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I think we can safely leave sociology to the last century without any meaningful loss to our abilities to understand and reform as needed, anyone disagree?

synthetic zerø


“Does the discipline of Sociology still have a role to play in the 21st century?To examine where we are at with Sociology in 2015, Philip Dodd is joined by three leading practitioners, the LSE’s Richard Sennett, Frank Furedi from the University of Kent, and Monika Krause at Goldsmiths, as well as the journalist and author, Peter Oborne”

I think we can safely leave sociology to the last century without any meaningful loss to our abilities to understand and reform as needed, anyone disagree?

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Losing our Fear! Facing the Anthro-Obscene (Entitle Blog)

entitlefellows
October 20, 2014

by Erik Swyngedouw**

It’s useless to wait-for a breakthrough, for the revolution, the nuclear apocalypse or a social movement. To go on waiting is madness. The catastrophe is not coming, it is here. We are already situated within the collapse of a civilisation. It is within this reality that we must choose sides.

The Invisible Committee

The hegemonic liberal frame that sutures the environmental literary landscape today is ‘market environmentalism’. Greening the market economy, so the fantasy goes, is systematically advanced across the academic and popular media landscape as the panacea for the environmental deadlock we are in. The dominant argumentation of ‘green economy’ pundits maintains that merely greening the existing socio-economic relations will bring a sustainable solution. Ecologising the economy would be necessary and sufficient to evade a pending ecological Armageddon while permitting the untroubled continuation of civilisation as we know it for a while longer.

It is precisely the premise of this biblical promise of an ecological catastrophe coming near you in the near future that should be rejected completely. Confronted with cataclysmic images of imminent ecological disaster, which predominate the ecological and climate discourse and imaginary, and whose ultimate goal is precisely to make sure that the disaster does not take place (if we take the right measures), the only correct radical answer seems to be ‘don’t worry’ (Al Gore, Prince Charles, green boys and girls, eco-responsible companies, environmental civil servants), your disaster scenario is factually correct, but just a bit out-of-synch; social-ecological Armageddon will not only take place, it is already taking place, it has already happened. Many already live in the apocalypse, in those places where the intertwining of environmental change and social conditions has already reduced living conditions to ‘bare life’. Socio-ecological entanglements have already reached the ‘point of no return’. It is already too late to do something about nature. It has always already been too late. It is precisely by accepting this reality that a new politics can emerge.

Source: Robyn Woolston

‘Welcome to the Anthropocene’ has become an often-heard slogan to inform us that a new geological era has started, that it is already too late to save Nature. Whereas until recently earthly processes only proceeded very slowly and irrespective of human interventions at the earth’s surface or in the atmosphere, human beings have now become co-producers of a deep geological time itself. Paul Crutzen, a Nobel Prize winning chemist, invented the term about ten years ago to refer to what comes after the Holocene, the relatively moderate geo-climatic period in which agriculture, cities and complex human civilisations came into being. The notion of the Anthropocene suggests that the intertwining of social and ‘natural’ processes is now so intense that Nature as the merely external condition of existence for human beings has come to an end. There is no longer a form of Nature that is not influenced by social, cultural, and economic relations. Henrik Ernstson, eminent political ecologist, recently proffered the term ‘Anthro-Obscene’ to signal the starkly de-politicising and plainly disempowering mobilisation of what nonetheless sounds like a revolutionary concept. Is the ‘Anthropocene’ and its intense human – non-human entanglements not precisely the name for the disavowed historical unfolding of the capitalist political ecology of the past few centuries? Has it not been the historical-geographical dynamic of capitalism and its global spread that has banned the very existence of an external nature?

The Anthropocene heralds the period since the beginning of industrialisation, and therefore capitalism, which brought a qualitative change in the geo-eco-climatic dynamic on earth as a result of the ever intensifying interaction between human beings and their physical conditions of existence. The Anthropocene is therefore nothing else than a geological name for capitalism WITH nature. Ocean acidification, changes in biodiversity, genetic migration and new genetic combinations, climate change, large infrastructures which influence the geodetic dynamic, new materials, global and often unexpected new disease carriers and so on and so forth resulted in ever more complex entanglements of ‘natural’ and ‘social’ processes whereby human beings became active agents in the co-production of the earth’s future history. The Anthropocene is just another name to indicate the End or the Death of Nature. This cannot be undone, however hard we try. Time is irreversible. There is no ideal, lost place, time or ecology, no Arcadia to which we can return. Eden has never existed anyway. The past is foreclosed forever, but the future – now including the future of a thoroughly socialised nature – is radically open. It is within this historically and geographically specific configuration that not only the possibility, but also the necessity for a real politicisation of the environment arises, that choices have to be made and different socio-ecological entanglements have to be experimented with and produced.

The Anthropocene in its Anthro-Obscenic reality displaces the terrain of the political as merely inter-human activity to the environment as a whole, including those processes, which recently were left to (the laws of) nature. Non-human actants and processes are now engaged in a process of politicisation. And this should be recognised fully in its radical materiality. The Anthro-Obscene opens a perspective whereby different nature-realities and social-ecological interactions can be imagined and realised. The political struggle about the nature, direction and development of these interactions and about the process of egalitarian social-ecological co-production of the commons of life is what a progressive politicisation of the environment envisages. Yes, the apocalypse is already here, but that is not a reason for despair or panic. Let us fully recognise the emancipatory possibilities of apocalyptic life!

The ‘green economy’. Source: Nation of Change

Many people would concur with the view that the climate crisis will fundamentally not be solved by hegemonic approaches of the ‘green economy’, by making capital compatible with – if not cashing in on – ecology; they note that energy costs are on the rise, social inequalities increase, rigid nationalisms – if not worse – emerge everywhere, and that the marketisation of everything is being paid for at an extravagant ecological and social cost. Many people know that things can and should be different. However, like me, they do not know what to do or how to get to something not only different, but better. We all share this gnawing and uncanny feeling that hopeless attempts by economic and political elites to translate the ecological and social catastrophe which surrounds us into a ecological and social crisisthat can and needs to be managed does not solve the problems but push them into the future or to other places. Indeed, does the dominant rhetoric of the elite not maintain that ‘the situation is serious but not catastrophic’? Is their neoliberal recipe book proffered as guarantee that the disaster will not occur? Don’t they claim that the crisis can be overcome with a bit of goodwill and effort: social unity will be restored, economic growth will recover and ecological problems will be addressed sustainably? ‘Hold on for a while’, they seem to be saying, ‘rescue is on its way!’

Don’t you have the surreptitious feeling that something is wrong about this rhetoric of those who (sometimes literally) want to conserve the existing situation at all cost; that the ecological and social crisis cannot be made manageable with the help of mere technical and organisational adaptations; that the attempts of the elite to reduce the catastrophe to a crisis which only requires ‘good’, ‘participatory’ and ‘ecological’ management only enlarges the anxiety, increases insecurity, and especially, worsens the catastrophe which many already experience?

What would happen if we threw off the fear? If we resolutely accepted that the ecological, social and economic apocalypse is already here, that we live in the Anthro-Obscene, that it no longer needs to be announced as a dystopian promise for an avoidable future (if only the right measures are taken today)? What if we really would believe that things can not only change, but have to? That it really is already too late for many people and ecologies?

Yes but, you might think. After all, there is no catastrophe, we don’t live in the Apocalypse. It was a good wine year, the summer was a bit disappointing but the holidays were sunny, the financial crisis is being addressed without too much pain for me and my siblings, my education proceeds as planned, sustainable environmental technologies are stimulated, the hybrid car really drives smoothly, waste is being reduced, and the new IKEA catalogue promises sustainable entrepreneurship. Furthermore, the green parties are not doing badly in the polls. You’re right. The catastrophe is not for most of you or for me. Crisis, yes, but talking about catastrophe appears a bit overdone.

But perhaps we should not forget the words of the Italian Marxist Amadeo Bordiga: ‘when the ship goes down, so too do the first class passengers’. There is no salvation island where the elites can retreat into splendid isolation (despite their best efforts to do so) he claimed. This slogan is often adopted by ecologists of a variety of stripes or colours. We are all in the same boat. Bill Gates, Al Gore, Jeffrey, Richard Branson, the inhabitants of sinking islands, my son, and even Prince Charles today share the opinion of this notorious communist of the common threat facing the commons. But on closer inspection – I would argue — good old Amadeo was desperately wrong. See the blockbuster movie Titanic once again. A large share of the upper class passengers found a lifeboat; the others remained stuck in the underbelly of the beast. The social and ecological catastrophe is indeed not here for everyone; the apocalypse is uneven. And this is where the ultimate truth of our current predicament is situated. Remember the images of the earthquake in Haiti a few years ago, or the devastation wrought by hurricane Katrina in New Orleans: hundreds of thousands of homeless people, hundreds of deaths, dysentery and malaria spreading fast, exaggerated reports about thieves who stole paltry possessions to stay alive, shortages of drinking water. The earthquake was not the consequence of human interventions in nature, the hurricane perhaps. But what we know very well is that the socio-ecological catastrophe is not caused by the earthquake or the hurricane. It was there long before disaster struck. Nature was not responsible for the post-apocalyptic post-human landscape after the quake. Most Haitians, together with all the others who balance on the verge of survival, have always already lived in the apocalypse, before, during and after the quake. Racial prejudices, dire living conditions and a precarious socio-ecological existence were also the lot of the poor in New Orleans. Or think about the incalculable number of environmental refugees.

Source: FightBack

We have a rough idea about the number that is reaching European shores via the Mediterranean, but we have not a clue about the countless migrants, except through occasional harrowing stories of sunken boats, that fail to make it to the continent, and become fish fodder. It is precisely the combination of ecological, social and economic relations, which pushes them, often with desperately little means, to leave their home countries. They, too, fled a catastrophe. Our apocalyptic times are perversely uneven, whereby the survival pods of the elites are fed and sustained by the disintegration of life-worlds elsewhere.

Consider, for example, how the socio-ecological conditions in Chinese mega-factories, like Foxconn, where our iPhone, iPod, iPad and other gadgets, so indispensable for ‘normal’ life are assembled, make 19th century European cities look like socio-ecological utopias. The social and ecological catastrophe which international elites imposed upon Greece to make sure the European neoliberal model could be sustained a while longer shows that the collapse of daily life is reserved for certain people, so that the others can go on with business as usual. If nuclear power plants close down tomorrow, the lights will continue burning on Putin’s gas. Despite Pussy Riot. And tar sands exploitation or ‘fracking’ will protect us from the disaster of ‘peak oil’ while further pumping up greenhouse gas concentrations in the atmosphere never before found in the earth’s history.

‘Natural’ and ecological disasters show in all their sharpness what we have already known for a long time, namely, the politically powerless and economically weak are paying the price, they always do. The apocalypse is always theirs, and only theirs. While the biblical apocalypse of Saint John announced the final judgment which offered paradise to the chosen few and damned the evil ones, the socio-ecological apocalypse separates the elite from the powerless and excluded.

Perhaps something must be done about the lifeboats. For some, the solution is to seal them off hermetically, to protect them with electric fences and impenetrable walls, to strengthen militarised forces to secure the perimeter of their own little eco-paradise. The zombies of the apocalypse, the hordes at the gates, the motley crew that demands its share of nature, the rebels who ask a new order: they represent the reality of catastrophe today. And this reality should be taken seriously. We all share in it. Eco-warrior, advocate of nuclear energy, incorrigible Malthusian and inventor of the Gaia hypothesis James Lovelock summarised the possible consequences of the uneven apocalypse very eloquently and soberly:

“… what if at some time in the next few years we realise, as we did in 1939, that democracy had temporarily to be suspended and we had to accept a disciplined regime that saw the UK as a legitimate but limited safe haven for civilisation. Orderly survival requires an unusual degree of human understanding and leadership and may require, as in war, the suspension of democratic government for the duration of the survival emergency.”

The emergency situation evoked by Lovelock is not there to make sure everyone survives. It is supposed to be the consequence of the demographic explosion cum ecological disintegration of the Global South as a result of which hordes of eco-zombies will crowd at the gates of the egalitarian social-ecological paradise at the other side of the Channel. An autocratic leadership and the suspension of democracy are precisely needed to keep the gates firmly shut. This might appear a somewhat exaggerated perspective. But is this not exactly what happened over the past few years? Perhaps not so much with regard to climate change (very little has happened on that terrain), but surely with regard to attempts to reduce the economic-financial catastrophe to a manageable crisis. All other problems were shoved aside. Draconian austerity measures were imposed which especially affected the weakest, massive public means were and are mobilised to keep financial institutions afloat, migration is being managed with all possible repressive means. Despite profound and previously unseen protest, only one set of recipes was applied to restore the existing financial-economic order. The elite indeed will, if necessary, use all means available to maintain its status and position.

But does in the generalised forms of resistance reside not only the hope, but the absolute certainty, that change is possible and needed? A change that revolves around the signifiers of democracy, solidarity and the egalitarian management of the commons? Does this not suggest, rather provocatively, that the political project that combines those terms might carry the name ‘communism’; ‘a communism of the commons’. This suggestion breaks so strongly with the currently hegemonic logic and recipes that many will sceptically respond: how can the democratic management of the commons ever be realised? How can the egalitarian and collective management of the commons be organised in the current neoliberal climate which includes the privatisation of nature, the individualisation of daily life, and the fragmentation of the political and ideological landscape? Of course, the critique of the hegemonic project of the green economy is valid, and another approach is necessary, but should we – faced with the coming catastrophes – not rather opt for practical solutions, which maybe do not really question the status quo, but are at least a bit more realistic, less weighted down by history, and feasible today?

Furthermore, the term ‘communism’ probably – and rightly – evokes the horror of the 20th century (the Stalinist terror, the ecological disaster, the social inequality), or at least, the term refers to a radical failure of what was once presented as a utopian solution for society’s ills. Perhaps ‘communism’ is indeed not a good name to refer to a democratic ecological project of the commons. Perhaps we should let fear triumph here too. Or maybe it is better to reserve the term socialism or communism for the elitist and undemocratic mobilisation of the commons for personal gain and the reinforcement of the elite’s power position.

We are all socialists now. Source: Newsweek

In February 2009, Newsweek, not immediately the most radical magazine, stated on its cover “We are all socialists now”. The title evidently referred to the 1.5 trillion dollars of public money that President Barack Obama pumped into the banking system to save Wall Street and to prevent a (foretold apocalyptic) planetary financial meltdown. Shortly afterwards, other countries, including the European Union would follow suit. Trillions of euros, part of the common capital, of our commons, were mobilised to provide the sputtering profit motor with new oil. Is there a better example to show that socialism is a real possibility, that collective means, the commons, can massively and collectively be used to reach a particular social goal, in this case the maintenance of elite positions, the avoidance of the apocalypse for the elite on the back of the weakest? Despite the Spanish Indignados, the Greek outraged, and many Occupy! movements which demand ‘Real Democracy Now’, the assembled elites continue undisturbed, realising their collective phantasmagorical utopia. Indeed, we are living in properly socialist times, a socialism of the elites.

We are NOT all socialists now…..Source: Serr8d.blogspot.se

Is a better example possible that the commons can indeed be used collectively (in this case the collective of the 1% – still a significant number)? That a communism of the elites is precisely the political name for the current neoliberal practice? Putin’s Russia is a good example of the appropriation of the commons by an oligarchic ultra-minority. As Marx stated long ago, history unfolds as a drama (the real socialism of the 20th century) and repeats itself as a farce (the real socialism of the elites today). What the socialist movement of the 20th century mostly failed to realise (the nationalisation of the banks) is being achieved by the elite in a very short lapse of time, in the name of the recovery of and sustainability of capitalism! It appears indeed that the collective management of the commons as such is not the problem. It is certainly not a naive or utopian proposal. The question is rather one of its management by whom and for whom?

Where resides the problem then? What is it that we don’t dare to face? What withholds us from tackling the unequal social-ecological apocalypse? The answer is implicit in what precedes. Not the collective management of the commons, of the environment, is the problem, but rather the undemocratic character of the current type of management. This does not relate to the shortcomings of the institutional and electoral machines of daily policy-making (parliaments, regular elections, public administration, political parties, etcetera  – very few still believe in its potential to nurture democratizing and egalitarian change), but to the basis of a democratic society itself. The foundation of democracy is that everyone is supposed to be equal. Democratic equality is not a sociologically verifiable given – we all know that each concrete society knows many clearly observable inequalities – but an axiomatic principle. The democratic is precisely the axiomatic acceptance of the equality of everyone and the recognition of the egalitarian capacity to govern in a concrete context, which is always marked by social and ecological inequalities.  That is the truth which is put forward time and again by resistance movements, Indignados, the Arab Spring, the women’s, workers’ and environmental movements. That is why the truth of democracy is not a universal standard. Its universal truth (we are all equal in principle) is carried by the particular group who is wronged as its equality is mis- or unrecognised. That is why we can conclusively state that Al Gore, Richard Branson, the president of the European Central bank, or Angela Merkel are undemocratic, while environmental refugees, climate justice activists, resistance movements against the privatisation of the commons and Occupy! activists, through their political action, reveal the scandal of institutionalised democracy and the necessity of an egalitarian communist restructuration of political, social and ecological relations, although they too are a sociological minority. In this sense, they precisely indicate what really matters in these apocalyptic times. Let’s join them. Translating the egalitarian demand in concrete social-ecological equality is the stake of a real politicisation of the environment. And this requires intellectual courage, social mobilisation, and new forms of political action and organisation. We have nothing to lose but our fear.

* I have taken the term ‘Anthro-Obscene’ from Henrik Ernstson, eminent political ecologists of the Universities of Stockholm, Stanford, and Cape Town, who suggested it as part of the theme for an upcoming workshop on politicizing urban political ecology that we are organising in 2015. This blog is a redacted reflection of a foreword for a fantastic book coming out in 2015: Kennis A. and Lievens M. The Myth of the Green Economy. (London and New York: Routledge).

** Erik Swyngedouw Erik is Professor of Geography at the University of Manchester in its School of Environment and Development. He received his PhD entitled “The production of new spaces of production” under the supervision of David Harvey at Johns Hopkins University (1991). From 1988 until 2006 he taught at the University of Oxford and was a Fellow of St. Peter’s College. He moved to the University of Manchester in 2006. Erik has published several books and research papers in the fields of political economy, political ecology, and urban theory and culture. He aims at bringing politically explicit yet theoretically and empirically grounded research that contributes to the practice of constructing a more genuinely humanising geography.

Trama ultramarina (Fapesp)

Projeto evidencia a importância da ideia profética de “esperança” nas relações entre Portugal, Holanda e Inglaterra no século XVII

JULIANA SAYURI | ED. 229 | MARÇO 2015

Alegorias e símbolos da esperança deixaram seu registro na iconografia. A gravura em papel Esperança (c. 1559-1562), de Philips Galle, a partir de um desenho de Brueghel, é uma das primeiras nas quais a âncora e o mar estão relacionados com a virtude da esperança em tempos turbulentos (225 mm × 293 mm, Rijksmuseum, Amsterdã)

Era o despertar de um sonho. Um sonho impulsionado pelo padre português Antônio Vieira no século XVII: a esperança profética de um “Quinto Império”, inspirada no livro bíblico de Daniel, considerado apocalíptico por tratar dos acontecimentos relacionados ao fim do mundo. Vieira acreditava que, após os domínios dos assírios, dos persas, dos gregos e dos romanos, era o momento do último reino na Terra, o Império Português. A essa trama ultramarina se dedicou o historiador Luís Filipe Silvério Lima, professor de História Moderna desde 2007 na Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus de Guarulhos. “No século XVII ocidental, principalmente europeu, o sonho era uma ideia muito poderosa para explicar o próprio mundo. Era uma metáfora do que é a vida. Diversos autores, entre dramaturgos, filósofos, políticos, padres, pintores e poetas, usavam o sonho para dar sentido à realidade”, diz Lima.

Durante suas investigações, o pesquisador observou conexões entre a ideia de Quinto Império proposta por Portugal e a Quinta Monarquia idealizada na Inglaterra e partiu para um novo projeto de estudo sobre interpretações e leituras das profecias no século XVII. “Na época da elaboração do projeto, discutiam-se muito os limites metodológicos da história comparada. Eram propostas outras abordagens que permitissem pensar para além das fronteiras nacionais, como as histórias conectadas, as histórias cruzadas, emaranhadas. Assim, a partir dessas perspectivas, pretendi identificar possibilidades de conexões entre Portugal e Inglaterra nesse período, em torno das expectativas proféticas e os projetos de Quinta Monarquia que, quase simultaneamente, apareceram durante a Restauração Portuguesa e a Revolução Inglesa”, explica o historiador, autor de Padre Vieira: Sonhos proféticos, profecias oníricas. O tempo do Quinto Império nos sermões de Xavier Dormindo (Humanitas, 2004) e O império dos sonhos: Narrativas proféticas, sebastianismo e messianismo brigantino (Alameda, 2010), desdobramentos, respectivamente, de sua dissertação de mestrado e sua tese de doutorado, orientadas por José Carlos Sebe Bom Meihy e defendidas na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

fac-símile de Esperança de Israel

O rabino e o padre
Nesse contexto, Lima identificou a Holanda como espaço privilegiado para vincular Portugal e Inglaterra. “O que é marcante, por exemplo, com o papel desempenhado pelo rabino Menasseh Ben Israel, um judeu de origem portuguesa que viveu na primeira metade do século XVII”, ilustra. Menasseh era de família cristã-nova portuguesa, cristãos de origem judaica convertidos compulsoriamente ao catolicismo. Assim como muitos judeus radicados em países católicos, como Portugal e Espanha, Menasseh migrou para França e depois para a Holanda para se reconverter ao judaísmo. Ali ajudou a fundar a Talmud Torá, também conhecida como Sinagoga Portuguesa. Nos tempos dominados pelo catolicismo, Amsterdã era uma das cidades onde se podia viver “publicamente” como judeu. “Era um porto relativamente seguro para quem quisesse professar a fé judaica. Muitos cristãos-novos portugueses foram para lá, fugidos ou não da Inquisição.”

O rabino Menasseh Ben Israel tornou-se uma referência para católicos e protestantes, reconhecido por seus conhecimentos bíblicos. Dialogou com outros expoentes da época, como o jesuíta Antônio Vieira, com quem certa vez teve um encontro e uma longa conversa sobre o fim do mundo, um tópico dominante nas discussões vigentes. Menasseh ainda despertou interesse de importantes círculos políticos, como os de Vasco Luís da Gama, conde de Vidigueira, depois marquês de Nisa, descendente direto do almirante português que descobriu o caminho marítimo para as Índias no século XV. Esses círculos estavam preocupados, entre outras coisas, com o papel possível dos judeus para a restauração da independência de Portugal de 1640, com a nova dinastia de dom João IV de Bragança, destacando o impacto negativo dos tribunais do Santo Ofício contra os cristãos-novos, alguns deles importantes mercadores. “A questão tinha uma dimensão religiosa e teológica, mas também política”, pondera.

A partir de suas pesquisas nos arquivos de Amsterdã, Lisboa, Londres e Washington, o historiador traçou conexões que permitem compreender as inquietações religiosas e políticas no século XVII, dominadas por uma ideia principal: a esperança. Entre 1649 e 1650, Menasseh Ben Israel escreveu o pequeno tratado Miqveh Israel ou esperança de Israel, por conta do interesse de milenaristas ingleses na suposta “descoberta”, relatada pelo cristão-novo Antonio de Montesinos, de uma das 10 tribos perdidas de Israel na América espanhola, mais especificamente na Amazônia. Na interpretação das páginas bíblicas, indicaria a vinda do Messias, a instauração do Quinto Império e, assim, a iminência do fim do mundo. A “notícia” parece não ter comovido particularmente a comunidade dos judeus-portugueses na Holanda, mas mobilizou os protestantes na Inglaterra. O livro do rabino foi traduzido para o latim (Spes Israelis) e para o inglês (Hope of Israel). “A América era o novo mundo, uma terra ainda desconhecida que se ‘encaixava’ perfeitamente na profecia. Quem eram esses americanos? Eram ou não descendentes de judeus? Se a Bíblia tinha todas as respostas, mas não tinha menções à América, quem eram então esses povos?”, diz o pesquisador, reverberando as questões que intrigavam os personagens daquele período. “Isso atraiu as atenções do mundo protestante, pois alguns milenaristas ingleses pensavam que também seria possível que os índios do norte da América fossem descendentes das tribos judaicas, além dos supostamente encontrados na Amazônia. Em parte devido a essas discussões, passou-se a reconsiderar a readmissão dos judeus na Inglaterra.”

L’Espérance, gravura sobre papel de Abraham Bosse (1636), publicada por Hernan Weyen (7,3 x 4,6 cm, Metropolitan)

Esperança
Além do tratado Esperança de Israel impresso na Holanda, outros escritos da época se pautaram pela esperança profética, que se traduziram em projetos políticos diferentes. Em Portugal, a carta Esperanças de Portugal, escrita pelo padre Antônio Vieira em 1659, consolando a rainha por conta da morte do rei dom João IV, anunciava sua ressurreição e o início do reino de Cristo na terra com o Quinto Império português. Na Inglaterra, o panfleto Door of hope, documento de autoria desconhecida divulgado em 1661, anunciava o reino dos santos para derrubar o rei Carlos II, recém-restaurado no trono inglês, conclamando um levante da Quinta Monarquia liderado pelo tanoeiro Thomas Venner.

Um ponto comum desses escritos era a fonte bíblica: as visões e os sonhos do livro de Daniel sobre os cinco reinos. Segundo Lima, porém, eram diferentes interpretações, que serviram para diferentes propostas e justificativas teórico-ideológicas para intervenções políticas. “A discussão teológica tinha um rebatimento político muito forte. No fundo, a questão era: qual é o espaço da ação humana para um projeto de Deus? Qual é o cálculo político possível? Parafraseando uma narrativa de Vieira: o capitão perdeu a hora e não chegou a tempo no porto, assim o navio demorou e a frota se atrasou, assim a esquadra não chegou a tempo na Índia e não conseguiu socorrer um forte, assim se perdeu o domínio do campo, se perdeu o dinheiro e, por fim, se perdeu o império. Isto é, o império seria um projeto divino, mas a ação humana era importante para realizá-lo”, exemplifica.

Nos três casos – Portugal, Inglaterra e Holanda –, a esperança era a palavra-chave. Na pesquisa iconográfica, o historiador descobriu ainda alegorias, emblemas e símbolos para a esperança, intrinsecamente relacionados ao mar desbravado pelas navegações. Ao longo dos séculos XVI e XVII, a esperança era retratada com uma mulher e uma âncora, que simbolizariam um porto seguro e, ao mesmo tempo, uma bússola para atravessar os mares tempestuosos. “A esperança, afinal, era uma virtude que implicava a ‘espera’ de algo. Para os cristãos católicos e protestantes, era a espera pela segunda volta de Cristo, pela salvação ou pelo Juízo Final. Para os judeus, a vinda do Messias”, diz Lima. “Na bibliografia, muitas vezes os termos ‘messianismo’ e ‘milenarismo’ são usados indistintamente. Mas há diferenças”, diz o pesquisador. Por “messianismo” compreende-se a volta do Messias. “Milenarismo” refere-se à volta de Jesus Cristo para um reino de mil anos na Terra, o millenium. No século XVII, os movimentos do Quinto Império português e da Quinta Monarquia inglesa se fundamentavam nesses pensamentos proféticos. Essas diferenças entre messianismo e milenarismo, no entanto, alerta o pesquisador, não são tão importantes ou operacionais para a pesquisa.

A partir desse projeto de estudo, encerrado em 2014, Luís Filipe Silvério Lima desdobrou outras iniciativas. Por um lado, pretende escrever um novo livro sobre as considerações já desenvolvidas. Por outro, na Unifesp, consolidou o Grupo de Pesquisa CNPq Poder e Política na Época Moderna. O objetivo é estimular mais estudos e consolidar a área de História Moderna no campus da universidade federal. Também desse projeto saiu um colóquio em 2012 sobre messianismo no mundo ibérico, que deve resultar em um livro publicado no exterior, organizado com a professora Ana Paula Megiani, da Universidade de São Paulo (USP).

Projeto
As interpretações e leituras das profecias dos cinco reinos no século XVII (nº 09/53257-3); Modalidade Jovem Pesquisador; Pesquisador responsável Luís Filipe Silvério Lima (EFLCH-Unifesp); Investimento R$ 93.023,00 (FAPESP).

A luta pela água em SP (Conta d’Água)

25 fev 2015

Quem é quem nos diferentes movimentos e coletivos que se organizam diante da ineficácia do governo e da Sabesp perante a crise hídrica.

Por Ivan Longo da Revista Fórum

O racionamento de água no estado de São Paulo já está consolidado e não é novidade para ninguém. Independente da região, não é difícil encontrar casas ou estabelecimentos que fiquem um ou mais dias sem água, todas as semanas. Os que não ficam só conseguem se segurar graças aos caminhões pipa. Ainda que essa situação seja um consenso, o governador Geraldo Alckmin e a Sabesp seguem negando o rodízio, negligenciando informação e adiando medidas para conter, de fato, a crise pela qual eles mesmos são os responsáveis.

Diante da inércia do poder público, a população vem se organizando para encontrar maneiras de adiar o pior ou mesmo pressionar os governantes para que se mude a lógica de como a água é administrada no estado. Do final do ano passado para o início deste ano, uma série de atos, atividades e aulas públicas relacionadas à crise hídrica vêm acontecendo independentemente da ação do poder público.

Para esta quinta-feira (26), por exemplo, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) convocou um grande ato — a Marcha pela Água — com o intuito de cobrar do governo transparência na gestão da crise e o direito universal à água.

Outros coletivos, entidades e movimentos pautados pela crise da água vêm nascendo e alguns deles, inclusive, atuando já há algum tempo. Com o objetivo em comum — o de garantir o acesso à água para todos — cada um desses grupos propõe diferentes métodos, caminhos e soluções.

Saiba quem é quem nessa nova configuração de lutas nascida no solo seco do estado de São Paulo.

Coletivo de Luta pela Água

O Coletivo de Luta pela Água publicou seu manifesto em janeiro deste ano diante do acirramento da crise no abastecimento no estado de São Paulo. Trata-se de um coletivo composto por movimentos sociais, sindicatos, gestores municipais e ONG’s que busca articular a sociedade civil na luta pelo direito à água. Como solução para a crise, a entidade propõe que o governo apresente imediatamente um Plano de Emergência que explicite de forma clara os próximos passos que serão tomados a partir de um amplo diálogo com a sociedade e representantes dos municípios.

Aliança pela Água

Aliança pela Água reúne uma série de entidades com diferentes áreas de atuação, mas principalmente as ligadas à questão ambiental. A ideia é construir, junto à sociedade — diante da inércia do governo estadual para com a crise no abastecimento — soluções para a segurança hídrica através de várias iniciativas.

Para isso, o coletivo tem realizado uma série de mapeamentos, aulas públicas, atos e consultas com especialistas para traçar caminhos, o que já levou à divulgação de uma Agenda Mínima, com 10 ações urgentes e 10 ações a médio e a longo prazo. Entre as propostas, estão a criação de um comitê de gestão da crise, a divulgação aberta de informações para a população, ação diferenciada das agências reguladoras para grandes consumidores (indústrias e agronegócio), incentivo às novas tecnologias, implantação de políticas de reuso, recuperação e proteção dos mananciais, transcrição de um novo modelo para a gestão da água, entre outras.

Assembleia Estadual da Água

Assembleia Estadual da Água surgiu a partir de entidades, como o coletivo Juntos!, do PSOL, que desde o ano passado vem realizando mobilizações contra a crise no abastecimento. No final do ano, a entidade teve contato com o movimento Itu Vai Parar, que lutava contra a calamidade ocorrida em Itu, uma das primeiras cidades a sentir mais intensamente os efeitos da crise. A partir do diálogo, diversas outras entidades decidiram se reunir para, em dezembro, realizar oficialmente a Assembleia Estadual da Água, em Itu, que contou com a participação de mais de 70 coletivos, entidades e movimentos. A Assembleia vem realizando uma série de atividades para mobilizar a população em torno do tema, inclusive em parceria com outros movimentos, como a Aliança pela Água.

MTST

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) também resolveu abraçar a causa da água. O movimento, que conta com milhares de militantes e com o apoio de dezenas de entidades, vai realizar o ato Marcha pela Água, no próximo dia 26. Eles exigem transparência do governo estadual para com a situação, a elaboração urgente de um plano de emergência e o fim da sobre taxa em relação ao consumo.

Lute pela água

O coletivo Lute pela Água busca fazer reuniões de bairro para articular a população na luta pelo direito à água e já realizou, desde o ano passado, três protestos contra a crise no abastecimento. Formado por membros do coletivo Território Livre e da Frente Independente Popular (FIP), o movimento defende a estatização da Sabesp e a gestão popular da companhia.

Conta D’água

O Conta D’água é um coletivo de comunicação, que reúne diversos veículos de mídia independente, bem como movimentos e entidades, com o intuito de fazer um contraponto à narrativa da mídia tradicional, que insiste em blindar o governo estadual e a Sabesp pela crise no abastecimento. Com matérias, reportagens, informes, entrevistas e eventos, o Conta D’água vem, desde o ano passado, participando das principais mobilizações em torno do tema e pautando o assunto com o viés e as demandas da população.


Agenda das mobilizações

26/2 (quinta-feira) — Marcha pela Água em São Paulo
Local: Largo da Batata, Pinheiros
Horário: 17h

20/03 (sexta-feira) — Dia de Luta pela Água
Realização: Coletivo de Luta pela Água
Local: Vão livre do MASP
Horário: 14h30

27/03 (sexta-feira) — 4º Ato Sem Água São Paulo vai Parar
Realização: Lute pela Água
Local: Largo da Batata, Pinheiros
Horário: 18h00