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Rise of the internet has reduced voter turnout (Science Daily)

Date:
September 16, 2016
Source:
University of Bristol
Summary:
During the initial phase of the internet, a “crowding-out” of political information occurred, which has affected voter turnout, new research shows.

The internet has transformed the way in which voters access and receive political information. It has allowed politicians to directly communicate their message to voters, circumventing the mainstream media which would traditionally filter information.

Writing in IZA World of Labor, Dr Heblich from the Department of Economics, presents research from a number of countries, comparing voter behaviour of municipalities with internet access to the ones without in the early 2000s. It shows municipalities with broadband internet access faced a decrease in voter turnout, due to voters suddenly facing an overwhelmingly large pool of information and not knowing how to filter relevant knowledge efficiently. Similarly, the internet seemed to have crowded out other media at the expense of information quality.

However, the introduction of interactive social media and “user-defined” content appears to have reversed this. It helped voters to collect information more efficiently. Barack Obama’s successful election campaign in 2008 set the path for this development. In the so-called “Facebook election,” Obama successfully employed Chris Hughes, a Facebook co-founder, to lead his highly effective election campaign.

Using a combination of social networks, podcasts, and mobile messages, Obama connected directly with (young) American voters. In doing so, he gained nearly 70 per cent of the votes among Americans under the age of 25.

But there is a downside: voters can now be personally identified and strategically influenced by targeted information. What if politicians use this information in election campaigns to target voters that are easy to mobilize?

Dr Heblich’s research shows there is a thin line between desirable benefits of more efficient information dissemination and undesirable possibilities of voter manipulation. Therefore, policymakers need to consider introducing measures to educate voters to become more discriminating in their use of the internet.

Dr Heblich said: “To the extent that online consumption replaces the consumption of other media (newspapers, radio, or television) with a higher information content, there may be no information gains for the average voter and, in the worst case, even a crowding- out of information.

“One potential risk relates to the increasing possibilities to collect personal information known as ‘big data’. This development could result in situations in which individual rights are violated, since the personal information could be used, for example, to selectively disseminate information in election campaigns and in influence voters strategically.”

See the report at: http://wol.iza.org/articles/effect-of-internet-on-voting-behavior

Da crise emergirá o pós-capitalismo? (Outras Palavras)

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Jornalista britânico que cobriu levantes pós-2011 em todo o mundo aposta: sistema não suportará sociedade conectada em rede que ajudou a criar

28/07/2015

Entrevista a Jonathan Derbyshire, em Prospect | Tradução: Gabriela Leite Inês Castilho | Imagem: Banksy

Ao cobrir, para a TV britânica, a fase mais recente da crise na Grécia, o jornalista Paul Mason alcançou quase-onipresença em seu país: Mason falando com Alexis Tsipras e outros membros do Syriza; Mason em mangas de camisa diante da câmera, diante do banco central da Grécia; Mason desviando de bombas em outro confronto entre anarquistas e a polícia — isso forma parte da iconografia da crise grega para muitos britânicos.

Agora, enquanto a Grécia e o resto da Europa recuperam seu fôlego, Mason retornou para a Inglaterra para lançar seu novo livro: “Post-Capitalism: a guide to our future” [“Pós-capitalismo: um guia para nosso futuro”]. Não é um trabalho de reportagem, mas uma ampla análise histórica e econômica. Inspirada pela análise de Marx sore relações sociais capitalistas, ela vai, no entanto, além disso — de uma maneira que, reconhece o autor, talvez não agrade alguns de seus amigos na extrema esquerda. O livro é uma análise do “neoliberalismo” — o capitalismo altamente financeirizado que dominou a maior parte do mundo desenvolvido nos últimos 30 anos — e, ao mesmo tempo, uma tentativa de imaginar o que poderia substituí-lo.

“Pós-Capitalismo: Um Guia para Nosso Futuro”, de Paul Mason, foi publicado por Allen Lane.

O capitalismo, escreve Mason, é um sistema altamente adaptativo: “Nos grandes momentos de encruzilhada, ele se transforma e muda, em resposta ao perigo”. Seu instinto mais básico de sobrevivência, ele argumenta, “é impulsionar mudanças tecnológicas”. Mas o autor acredita que as tecnologias de informação que o capitalismo desenvolveu nos últimos vinte anos ou mais não são, apesar das aparências, compatíveis com o capitalismo — não em sua forma presente, e talvez nem em qualquer outra forma. “Quando o capitalismo não puder mais se adaptar à mudança tecnológica, o pós-capitalismo irá se tornar necessário”.

Mason não está sozinho ao acreditar que a humanidade está à beira de uma profunda revolução tecnológica, é claro. Ouve-se isso de outras vozes: que falam, por exemplo, sobre a “Segunda Era da Máquina” e a promessa (assim como a ameaça) de máquinas inteligentes e da “internet das coisas”. O que torna singular a análise de Mason é, no entanto, a maneira pela qual ele funde um balanço das mutações tecnológicas do que costumava ser chamado de “capitalismo tardio” com uma tentativa de identificar o que Engels chamou, no final do século XIX, de a “parteira da sociedade”, a classe capaz de liderar a transformação social. Segundo o livro, não será a velha classe trabalhadora, como Marx e Engels pensaram, mas o que Mason chama de “rede”. Ao colocar em contato permanente milhões de pessoas, Mason escreve, “o capitalismo da informação criou um novo agente de mudança na história: o ser humano bem formado e conectado”.

Encontrei-me com Mason em Londres e comecei a entrevista pedindo a ele:

Paul Mason: para ele, "indivíduos em rede"  são um novo sujeito histórico, que substituíram a velha classe trabalhadora do marxismo, e se converteram no que Engels chamava de "parteiros da história"

Descreva, por favor, o modelo “neoliberal”, que segundo você chegou a um ponto de ruptura

O neoliberalismo é tanto uma ideologia quanto um modelo econômico. O capitalismo precisa ser compreendido em seu conjunto em cada fase de sua existência. Vivemos o que podemos chamar de capitalismo neoliberal. Este sistema que funciona com um núcleo que opera de acordo com valores neoliberais e uma periferia que não opera. Argumento que o neoliberalismo, como sistema funcional, está em crise porque sua mola central — o amplo consumo financeirizado, combinado com baixo crescimento dos salários — é uma máquina para produzir bolhas e seu estouro. No livro, sustento que uma eventual saída para o sistema (rumar para um info-capitalismo bem sucedido) pode ser viável em certas circunstâncias, mas esta transição é improvável.

Lado a lado com o que você identifica como as características negativas do neoliberalismo (financeirização excessiva e desestabilizadora), também há a revolução tecnológica.

O neoliberalismo foi a forma econômica na qual ocorreram os avanços mais dramáticos da técnica humana sobre a natureza. Em segundo lugar, foi o período no qual países como China e Índia desenvolveram-se de modo surpreendente, um fenômeno que ainda precisa ser compreendido em sua totalidade. Argumento, porém, que esta forma econômica não é mais capaz de conter os níveis do dinamismo tecnológico que conseguiu liberar. Não acredito que o próprio neoliberalismo, eu seus próprios valores neoliberais, seja o condutor da mudança tecnológica. A economista Mariana Mazzicato prova esse ponto: não são apenas o Vale do Silício, o empreendedorismo e o dinheiro dos fundos de hedge que produzem o iPhone — é a Nasa, são as grandes universidades como Stamford.

O que estamos vendo hoje é que a rapidez da inovação não está sendo combinada com implementação de políticas ou evolução de modelos de negócios. Isso impõe uma questão: até que ponto o poder de transformação destas novas tecnologias resultará numa terceira revolução industrial? Eu não vejo isso acontecer sob paradigma neoliberal.

Mas, como você mesmo aponta, a nova tecnologia também foi possibilitadora do neoliberalismo, por ter aprimorado a capacidade de explorar o que é chamado algumas vezes de “capital humano”.

A era Keynesiana produziu a última geração de indivíduos hierarquizados, coletivizados. Eu fui produzido por ela e sei que este mundo acabou. Uma das virtudes de se ter 55 anos é ter visto o novo mundo nascer. Hoje, como Foucault afirma, somos empreendedores do self. A internet permitiu que as massas fossem parte do laboratório social do self. Ela nos permite fazê-lo de uma maneira que nem começamos a entender. Ela criou um novo sujeito humano.

A divergência entre eu e os apoiadores do neoliberalismo é em torno de uma questão: o sujeito humano vai transcender o sistema atual, romper com ele e reformar a sociedade humana? Todas as visões de transformação social têm, a partir de agora, de enxergar o que eu chamo de “indivíduo em rede”. Acredito que as revoltas que narrei em meu livro anterior, Why It’s Kicking Off Everywhere (“Por que está começando em todo lugar”, em tradução livre), são revoltas destas pessoas. Se elas são um novo sujeito histórico, que substitui a velha classe trabalhadora do marxismo, essa é uma grande coisa. É uma grande novidade que devemos buscar compreender.

Você lamenta o mundo que perdemos? O mundo keynesiano de coletividades e solidariedades? Poucas partes de seu livro têm tom de elegia. A nota dominante é mais de excitação com as possibilidades econômicas e políticas que as novas tecnologias e novos modos de subjetividade humana oferecem.

Eu lamento, sim. Escrevi em meu primeiro livro, Live Working or Die Fighting (Viva trabalhando ou morra lutando”, em tradução livre), que o que estamos lamentando, e o que ficou para trás, foi uma anomalia na história do movimento dos trabalhadores. Foi um movimento de trabalhadores socialmente estável, que construiu um caminho de coexistência pacífica com o capital. O que fiz foi cavar na história e descobrir que a indisciplinada história do trabalho foi a de pessoas que foram, elas mesmas e de sua própria maneira, empreendedoras de si mesmas. E tiveram um nível de quase total oposição ao mundo que viveram, coisa que a geração do meu pai, a da era keynesiana, não teve.

De que tradições você está falando, especificamente?

Anarquismo na comuna de Paris. Anarco-sindicalismo nos EUA — os Wobblies. O que o comunismo acrescentou a essas histórias foi a coletividade. Mas se você esquecer as histórias oficiais marxistas sobre a Comuna ou os Wobblies, descobrirá que é uma história de indivíduos rebeldes. Quando comecei a mergulhar nessa história, percebi que a era Keynesiana, apesar do nosso luto, foi uma anomalia.

Também foi uma anomalia na história do capitalismo, não? Não é essa uma das mensagens do livro de Thomas Pikkety, O Capital no Século XXI?

É uma anomalia na história do capitalismo. Também é uma anomalia da história da classe trabalhadora.

Vamos nos voltar ao aspecto econômico de sua argumentação no livro. Sua afirmação é que o capitalismo não consegue “capturar o ‘valor’ gerado pela nova tecnologia.” Você pode desenvolver isso um pouco?

Assim que soubemos que estávamos em uma economia da informação, ficou óbvio que a categoria das coisas chamadas pelos economistas de “externalidades” seriam importantes. O teorista do capital cognitivo, Yann Moulier-Boutang, coloca desta maneira (e eu concordo): toda a questão do capitalismo do século XXI é saber quem captura as externalidades. Devem ser as empresas, que vão ter posse delas e utilizá-las, como faz o Google? A externalidade positiva para o Google é que ele pode ver o que estamos buscando, mas nós não conseguimos ver o que nós mesmo estamos. Então ele pode, agora, construir um modelo de negócio monopolizado, com base nos segredos revelados por sua mineração de dados.

Você quer dizer que, sob os atuais arranjos, o capitalismo só pode capturar o valor gerado pelas novas tecnologias por meio do monopólio? Google, Apple e outros estão ganhando muito dinheiro com isso.

Eles estão ganhando dinheiro. Criaram um monopólio da informação. E, especialmente no que diz respeito aos bens de informação, têm conseguido suprimir o mecanismo de formação de preços. Ele iria, em condições naturais, reduzir o preço da informação que estão vendendo a zero. Eu digo no livro que a declaração da missão da Apple deveria ser, na verdade: “Existimos para prevenir a abundância de música!” Ou, do Google: “Existimos para prevenir a abundância do autoconhecimento das pessoas sobre o que elas fazem na internet”.

Existem dois problemas com isso. Primeiro, é lógico sugerir que nenhum desse monopólios pode sobreviver. Certamente, seu valor de mercado não reflete sua capacidade para continuar monopolizando o que fazem. Segundo: portanto, você não pode ter a completa utilização da informação. A próxima questão é: Existe um meio termo? Haverá algum espaço, que possamos explorar, entre o monopólio e a liberdade? Acredito realmente que sim. Não estou dizendo que tudo deve ser de graça. Estou dizendo que deve haver múltiplos modelos de negócio entre o monopólio e a liberdade.

Você não está dizendo, então, que os mercados vão desaparecer em um futuro pós-capitalista? Afinal, mercados e capitalismo não são a mesma coisa. Mercados são apenas mecanismos para alocar recursos.

É natural — e está acontecendo — que a natureza social da informação leve a formas de atividade de não-mercado. A Wikipédia é uma forma de atividade não mercantil — é um buraco de 3 milhões de dólares no mundo da propaganda.

Você escreve, em certo ponto, que os membros “mais perspicazes” da elite global já são lúcidos a ponto de abordar algumas das questões com as quais você lida no livro — por exemplo, a desigualdade, seu impacto sobre o crescimento, a “estagnação secular” e o papel da negociação coletiva na garantia de salários maiores. O antigo secretário do Tesouro dos EUA, Larry Summers, escreveu vastamente sobre todos estes três problemas, oferecendo diagnósticos não tão diferentes dos seus.

Há pessoas na elite global que se permitiram entender o que estamos passando. Uma das coisas que compreendem é que a desigualdade vai ser desfuncional. Não apenas não querem ser linchados em suas camas, mas também entendem que o dinamismo das economias capitalistas só será retomado se houver um aumento dos salários. Também compreenderam a chamada questão do limite de juro zero — a ideia de que, em uma economia onde as taxas de juros reais estão constantemente zeradas, será constantemente necessário adotar políticas monetárias não-ortodoxas. Políticas monetária não-ortodoxas são arenosas. Qualquer um que entendeu a crítica de Keynes nos anos 1920 e começo dos 1930 vai entender o problema da “viscosidade”. Nos anos trinta, os salários eram pegajosos — eles não iriam cair o suficiente. Agora, é a política monetária que é pegajosa. O problema é: de onde o novo dinamismo da economia virá? Larry Summers entende isso. E pessoas nos mercados de títulos também.

O passo final é que eles olham aos choques exógenos e isso os aterroriza. Isso me aterroriza também. As pessoas no poder, nos ministérios da Fazenda, não vão se autorizar a quantificar a gravidade dos choques que estão a caminho. Se 60% dos títulos emitidos pelos Tesouros nacionais tornarem-se insolventes devido aos custos relacionados com o envelhecimento das populações, algo que as agências de risco consideram provável; se a imigração acontecer na escala que se espera; se tivermos nove bilhões de pessoas clamando para entrar no mundo desenvolvido…

Se o neoliberalismo fosse um sistema funcional, como era nos idos de 2001, e não tivesse deixado esta condição, você provavelmente poderia dizer: “Droga, as coisas vão ficar realmente difíceis, mas provavelmente será possível resolver.” Mas esse capitalismo eclerosado, estagnado e fibrilado sob o qual vivemos desde 2008, não tem chance alguma de sobreviver às tormentas. E mesmo que eu esteja errado sobre a transição que vejo e desejo, seus defensores teriam de aparecer e dizer o que um info-capitalismo dinâmico, o que uma terceira revolução industrial poderia ser.

Mas me parece que Summers ou alguém como o economista Robert Gordon teriam que aceitar a parte de diagnóstico de sua análise…

Certo. Mas a razão pela qual não atravessei o caminho até o território do Robert Gordon é que lá está a produtividade potencial. Sua visão da produtividade potencial inerente à tecnologia da informação transbordando para o mundo real … Acho que é maior do que ele aceita ser.

Por que você pensa que ele subestima isso?

É porque pessoas como Gordon não estão preparadas para entrar nesse mundo inferior, entre valor de uso e valor de troca, que as externalidades representam. Não acho que lendo meu livro a maioria das pessoas aceitarão que a transição, potencialmente, se dá em direção ao  mundo não-mercantil, centralizado na informação, de baixa intensidade de trabalho, pós-capitalista. Mas se pensam que estamos indo em direção a uma forma de info-capitalismo com uma terceira revolução industrial, eles precisam contar para nós qual é a síntese de alto-valor. Que cara terá essa era eduardiana da terceira revolução industrial?

Haverá sinais desse futuro na chamada economia do compartilhamento? Em empreendimentos como Airbnb e Uber?

Meu palpite é que eles são o AltaVista da economia de partilha. O teórico social francês André Gorz explorou isso. Disse que é perfeitamente possível imaginar o capitalismo colonizando as relações interpessoais. O Uber é isso – a questão não são os motoristas de taxi, mas as pessoas darem carona umas às outras. Gorz prevê que nos tornaríamos provedores mútuos de microsserviços. Mas disse: “Essa não pode ser uma economia de alto-valor”. Esse é o problema. Você não pode construir um negócio garimpando a reserva da capacidade automobilística de todos, sua capacidade para fazer massagem Reiki, a meia hora sobressalente de cada eletricista. Você pode fazê-lo, e a economia da partilha é a maneira perfeita para fazê-lo, mas isso simplesmente não resulta na era eduardiana, na Belle Epoque. A Belle Epoque será o sequenciamento de genes e a possibilidade de gastar metade do dia jogando squash.

A maioria dos marxistas detestará esta hipótese. Significa dizer, contra Marx, que a humanidade se liberta por si própria, que as pessoas podem descobrir, dentro do capitalismo, recursos mentais para imaginar um novo futuro e ir direto a ele de um modo que, de 1844 em diante, Marx pensou ser impossível.

Você toma emprestada a ideia de “ciclo longo” do economista soviético Nikolai Kondratieff. Ele argumentava que a história do capitalismo pode ser entendida como uma sucessão de ciclos, cada um deles com uma ascensão turbinada por inovação tecnológica com duração de aproximadamente 25 anos, seguida de uma queda com aproximadamente a mesma duração e que geralmente acaba numa depressão. Esses longos ciclos são muito mais longos que os ciclos de negócio identificados com a economia convencional. Por que você considera proveitosa a abordagem de Kondratieff?

Penso que necessitamos de teorias maiores que os ciclos de negócio e menores que a destruição completa do sistema. Quando você aplica a teoria de Kondratieff ao período pós 1945, percebe o sistema funcionando perfeitamente até 1973. E então ele desmorona. O neoliberalismo vem junto e resolve o problema destruindo o poder de barganha do trabalho. Olhar para as coisas através das lentes de Kondratieff força você a colocar a questão: será o neoliberalismo a forma bem sucedida do novo capitalismo ou o fim da linha que prolongou o ciclo por tempo demais? Escolho a segunda alternativa.

Em que parte do ciclo nos encontramos agora?

Estamos bem no fim de um quarto longo ciclo muito prolongado. Estamos na fase de depressão do quarto longo ciclo, que coincidiu com a ascensão tecnológica do quinto. De modo que acredito que os longos ciclos podem sobrepor-se. Penso que estamos numa posição incomum, do ponto de vista histórico. Claramente, a revolução da informação está ai e as bases de um tipo de capitalismo completamente novo podem estar emergindo. O que aconteceu é que as velhas relações sociais da metade passada da onda anterior não irão adiante. Não há Keynes, apenas o reminiscente do velho. Se você olha para Mark Zuckerberg, do Facebook, ou Jeff Bezos, da Amazon, verá que são pessoas agnósticas sobre o futuro de todo o sistema. Eles veem apenas o futuro de sua própria corporação.

Meu uso de Kondratieff é para tentar responder a pergunta sobre onde estamos. As outras periodicidades – o ciclo de negócio de dez anos e a época, de 500 anos – não são suficientes. Não há uma cadeira de Estudos Pós Capitalistas na Universidade de Wolverhampton! Eles estão na infância.

Você mencionou André Gorz. No livro, você cita um trecho em que ele diz, em 1980, que a classe trabalhadora está morta. Se estava certo, quem será o agente de mudança social?

O fato terrível e desafiante pode ser que, se o capitalismo tem um início, um meio e um fim, então o movimento dos trabalhadores também. Em outras palavras, o declínio da luta trabalhista organizada, com base no trabalho manual, especializado, branco e masculino, parece-me partedo que está acontecendo ao capitalismo. Sou alguém que veio deste background e viveu mergulhado nele. Mas argumento que o sujeito histórico que trará o pós-capitalismo já existe e é o indivíduo em rede. A noção de Antonio Negri de “fábrica social” era arrogante nos anos 1970s, porque era muito cedo. Mas me parece ser justa agora – todos nós participamos na criação de marcas, no estabelecimento de escolhas de consumo, estamos alimentando o capitalismo financeiro por meio do nosso uso das finanças. Por isso, consigo comprar a ideia de que existe uma fábrica social. Se quiser desligá-la, deve fazer como William Benbow sugeriu na década de 1820, parando a “grande festa”. Agora, duvido que isso vá acontecer. Portanto, a maneira menos utópica de fazer isso é lutando pelos interesses dos indivíduos em rede, para que eles não tenham suas informações roubadas, arbitrariamente acessadas pelo Estado, para seus estilos de vida poderem florescer, para que eles tenham escolhas.

São tantos os levantes que cobri – Turquia e Brasil são bons exemplos. São assalariados em rede que não aguentam os níveis de corrupção e intromissão em suas vidas – o islamismo na Turquia, corrupção no Brasil. Que tipo de revolução é essa? Há uma discussão entre aqueles que se envolveram com meu livro: se este é o agente, é “por si” ou “em si”, como diria Marx. Seriam essas pessoas capazes de adquirir um nível espontâneo de entendimento da situação que os levasse a tomar algumas das medidas políticas insinuadas neste livro como um caminho a seguir? Neste momento eles ainda não chegaram lá, claramente. O que são é muito hábeis em construir seu espaço pessoal. Podemos zombar disso, por ser em pequena escala. Mas, ao construir um espaço que é simultaneamente econômico e pessoal, penso que esta geração está fazendo algo muito significativo.

Será que os impregno com a mesma inevitabilidade e teleologia com que o marxismo impregnou a classe trabalhadora? Não. No livro, gasto muito tempo desmontando a compreensão marxista de classe trabalhadora. Sempre senti, como alguém que tem essa bagagem, que o kit de ferramentas que o marxismo tinha para descrever a classe trabalhadora era dos menos convincentes – sobretudo para a própria classe trabalhadora.

A certa altura, você altura escreve que o marxismo é uma grande “teoria da história”, porm se equivoca como “teoria da crise”. O que quer dizer com isso?

Quero dizer que é uma grande teoria para analisar a sociedade de classes. Por exemplo, durante a revolução do Egito em 2011, tendo lido O 18 Brumário de Luis Bonaparte, de Marx, eu poderia dizer aos radicais egípcios que, quando o caos se instalasse, as mesmas pessoas que estavam ao lado deles dariam as boas vindas à ditadura. É provável que o capitalismo evocasse algo novo, capaz de impor ordem. O que impôs desordem foi a Irmandade Muçulmana. Ver as mesmas pessoas que tinham apoiado a revolução chamando o general Sisi para derrubar a Irmandade faz sentido, se você leu O 18 Brumário.

Eu perguntei a Alexis Tsipras antes de o Syriza ser eleito: “Quais seriam as ameaças para um governo de esquerda, se você conquistasse o poder?” Contei a ele: “Você se lembra que [Salvador] Allende nomeou [Augusto] Pinochet [no Chile]? Allende nomeou o general para deter um golpe militar. Nós rimos. A questão, você poderia argumentar, é que o governo da Grécia está sendo colonizado pelas mesmas forças que ele imaginou estar ali para combater. Neste momento, a elite empresarial está pensando: “Apenas Tsipras pode governar a Grécia.” Eles prefeririam que ele governasse a Grécia sem a extrema esquerda do próprio partido. Sempre encontro capitalistas gregos que me dizem: “Se Tsipras nos escutasse, a Grécia seria um grande país.”

O marxismo força você a fazer perguntas que não são feitas pelos jornalistas mainstream. Neste momento, a questão mais importante para os gregos é: o que está acontecendo com as massas? As massas não estão derrotadas. Elas não acreditam que Tsipras é Luis Bonaparte. Muitos fazem objeção ao que ele fez, mas não acreditam que ele seja uma força da reação. Eles acreditam no que está dizendo – que está fazendo algo contra a própria vontade e que irá compensar isso com um ataque à oligarquia. Esperam que esse ataque à oligarquia aconteça. Minha observação é de que houve uma grande radicalização, na Grécia. Quando o verão terminar, veremos uma renovação real tanto das lutas de base como do radicalismo do governo.

O foco naquilo que as pessoas estão dizendo nos pubs é algo que interessa muito a dois tipos de pessoas: às forças da polícia secreta e aos marxistas! Eu gasto o maior tempo possível ouvindo as pessoas.

Qual é o desafio jornalístico para ventilar esse tipo de questão? Trabalhar para uma rede de TV como o Channel Four impõe certamente certas restrições ao modo como você opera.

Um bom jornalista de assuntos sociais, que é o que penso ser, irá, na Grécia por exemplo, conversar com primeiros-ministros, ministros de Estado, mas irá também atrás dos estivadores, dos anarquistas. Ainda por cima, você tem somente dois minutos e trinta segundos. Essa é a razão por que gastei os últimos seis meses buscando recursos e realizando um grande documentário que virá a público, espero, no final deste ano, e que conta a história do Syriza desde as bases, a partir das ruas. Queria fazer isso porque no meu trabalho diário nunca poderia contar essa história. É simplesmente impossível.

E sobre a acusação, frequentemente dirigida a você (e feita várias vezes, durante os últimos meses na Grécia) de que, ao operar dessa forma, você excede os limites da propriedade jornalística ou da isenção?

Penso que todos estão errados! A realidade é que o mundo é governado por uma elite dedicada a reforçar, de modo às vezes completamente aberto, a desigualdade e tudo o que a acompanha. Na Grécia, a “austeridade” é uma forma de coerção. Fico feliz de dizer isso porque essa é a minha análise da realidade. Muita gente no Financial Times ou no Wall Street Journal não compartilha dessa minha visão. Mas estou muito feliz, e meus patrões estão permanentemente felizes com o modo como pratico o jornalismo. As pessoas que não gostam devem simplesmente acostumar-se a ele.

Com ideias como as que estão neste livro, a razão de divulgar uma ideia radical é que você não espera que Andy Burnham ou Tim Farron, [dirigentes do Partido Trabalhista britânico] irão telefonar e dizer, “gosto disso, Paul. Vamos incluir na política do partido.” A questão é ser um pouco do contra. Há pensamento único demais. Meu desejo com esse livro é fazer como num workshop de teatro – levar as pessoas a uma experiência fora do corpo, a ficar largadas no chão, na piscina das próprias lágrimas. Então, quando elas voltarem à segurança do grupo, talvez possam fazer alguma coisa mais honesta.

Conversation with Gabriella Coleman about her latest book “Hacker, Hoaxer, Whistleblower, Spy: The Many Faces of Anonymous” (Fruzsina Eördögh)

 Author: 

shelfie hibbard for twitter

Here is the unedited 30 minute conversation/interview with Coleman, three times the length as the one published on CSM’s Passcode

FE: I finally finished your book last night…. at 3 in the morning….  it’s a pretty long book… while I was reading it, it hit me that this book is really about everything that has to do with the modern Internet, so in that way it makes sense why it is so long… you have to provide context for all these different and new concepts that no one has really written about.

GC: that’s something that’s been interesting to see the reviews, a lot of them have been repetitive. It is about Anonymous, but it is about so much more….

FE: Like modern activism…

GC: yeah, and what it means for hackers… they’ve really coalesced into a major political force just in the last five or six years.

FE: I’m glad you brought the political activism angle, do you think there will ever be an Anonymous political party?

GC: I don’t think so, they’re going to continue in their guerrilla war fashion, but we will see more hackers in government, for sure. Anonymous has to be independent… there’s no way that they can overtly work with government…

FE: So, onto prepared questions… what does the media still get wrong about Anonymous?

GC: I am currently writing this article for this anthropology book about relationships with journalists, and how I came to see journalism differently over time, just as the same way Anonymous is not unanimous, the same can be said for journalism. There are much more local journalists, and some are fucked up, there are structural constraints, and it is the same for Anonymous.

GC:  But basically, I do think a lot of journalists get it, and initially there was three things that were really difficult.

First, so many people just wanted to say that they were all hackers and I think over time a great majority realized that sure hacking is very important, but what makes Anonymous interesting is precisely the fact that general geeks can join.

GC:  The second has to do with the leader issue and for that first year [of research], in 2011, so many people, even journalists that I respect, were still wanting to boil down leadership to sabu or topiary. While it is absolutely the case that the hacker groups command more power, for example, topiary and sabu were two of those charismatic public figures so they became really important brokers between the world of Anonymous and the public, these are not leaders… the chat logs show how organic everything arises.

GC: And that’s really tough to understand [for outsiders], and still continues a little bit, except for those people who have actually bothered to find out about Anonymous. Here’s a great story: a senior investigative reporter producer for one of the top networks contacted me soon after operation ISIS started, and they were like, well, you know, “can you get us in touch with the Julian Assange type figure in Anonymous?”  and I was like “oh my god, did you just not read a single article? Because had you read a single article” the journalism has gotten so good, I think, that he wouldn’t have asked such a stupid question.

FE: it’s an easier narrative to sell, it’s easier to understand, for them to do their job.

GC: it is, for sure,

FE: but on the other hand that’s a bit of laziness, because the simplest explanation is not always the correct explanation

GC: that’s right, and everyone else has accommodated, including much of mainstream journalism…

And one final bit, while looking over my notes from the first year, there was a lot of characterization of Anonymous as vigilantes, I actually don’t think there was a lot of vigilante operations that year!  A lot of that came later…

FE: or a lot of that was the lower case anons, on 4chan, when they were like, “OMG people abusing cats,” or “my gf dumped me, let’s harass her on Facebook.”

GC: that’s exactly it. And a lot of people in the public and some journalists still think they’re primarily vigilantes, while it is — I don’t have a number but it is probably a quarter or less of their operations, are vigilante operations.

FE: Speaking of vigilantism, about the “white knight ops”… do you think they were the best way Anonymous could have chosen to endear themselves to the general public and to feminists?

GC: I generally agree, although it’s fascinating because Steubenville is what put them on the map in that “white knight oping” I think overall– and this is one of the most heavily qualified statements– they did a service but they did it poorly. I do think the two subsequent ones were executed with a lot more precision and nuance, thankfully.

But I wish that had been the case with Steubenville as well. We have to take seriously that collateral damage but I also think it’s something journalists also fall prey to as well, they make these big big mistakes when they take action and they should do everything possible to call out folks who do that, like that Rolling Stone piece, but I am not going to damn the entire bit of Anonymous for making those mistakes, for one person, unless they keep on doing it time after time but they didn’t.

FE: yeah that’s one of Anonymous’ strengths, that they adapt over time

GC: exactly, so you’ve really got to fully take that into account and the biggest mistake that came after Steubenville came over a year later, with Darren Wilson, rather, not correctly identifying Darren Wilson —

FE: oh but that The Anon Message account is just a whole other issue —

GC: exactly, crazy, he’s totally crazy, and you’re going to get that sometimes, you’re going to get the loose cannon and that is one of the weaknesses of Anonymous, that loose cannon person

FE: it’s weird though, that everyone in the community knows that TAM is a loose cannon, untrustworthy, but then media outlets still take what he says seriously

GC: yeah, and that’s maybe one of the weaknesses to raise, when you don’t have a spokesperson, to say “hey don’t listen to them” and I at one time took that role, and helped a lot of journalists, saying “he is credible, she is credible, he is not credible” but because I am not active any more I don’t play that role.

FE: it’s interesting that Anonymous hasn’t really decided to create like an IRC channel that is just for press,

GC: I would say in 2011, the AnonOps reporter channel was that way, but post when AnonOps was DDoSed, when Ryan Cleary dropped all the IP addresses, AnonOps became less of a central place…and that reporter channel couldn’t function in the way it once did. You’re right, there isn’t a single place you can go today for that type of verification…it’s much more fragmented today.

FE: Were you aware of the controversy around KYanonymous?

GC: he was one of the people I could have featured like I did with Barrett Brown, but I had less original material…

FE: KY is just so horribly hated, and I read a lot of posts and talked to a lot of people who are convinced everything they say about him online is true–

GC: yeah, it’s hard to dig in, because on the one hand the reality is he went on talk shows and he was pushing his rap music, but I think they demonized him a little bit too much, if that makes sense. Had he just been like, “yo, I’ve been arrested,” and he didn’t try to financially capitalize, I think [Anons] would have come and financially supported him. They ostracize those that try to convert their personal relationships inside Anonymous for personal gain, and they would have, I’M SURE, organized a financial campaign to help him… but it was too much, to sell his story to Rolling Stone, which got sold as movie rights, and the rap stuff, you know in some ways, [similar to] Barrett Brown

FE: What’s your take on the general Anon view of women? You mentioned it briefly in your book, when talking about AnonOps 2011

GC:  so the hackers are all male, and we could blame Anonymous for keeping them out, but they are not keeping black hat hackers out because they barely exist. Now that said, there is a culture where they embrace this very offensive language, including misogynistic language, and this is obviously going to be a barrier, not simply for women but certain quarters of the leftist community.

There are definitely women who participate, I put the number at about 25% so probably much higher than Open Source development and they play key roles with Twitter accounts, organizers, these sorts of things, but it is certainly the case that… my experience is that leftists tend to love Anonymous or hate Anonymous

GC: they love Anonymous because they’re bold, taking action, and some of whom are still uncomfortable with the language, like how Jeremy Hammond was, but still decided that it was worth it, others who kind of enjoy the transgressive language, and then among a kind of  a camp on the left, understandably, their language politics are too naive and they don’t buy into the importance of transgressing language and norms and that acts as a barrier for them. i won’t be able to solve this question right now I actually go back and forth myself on the language issue, and certainly, it can act as a barrier for women and some leftists in general. That is just a fact. whether or not you agree with the language politics, it can and will act as a barrier.

FE: I thought with the “white knight ops” that it would draw more women to Anonymous, but it didn’t really, probably because of the language and the culture.

GC: that’s right, feminists were very torn, some saw them as quite bold and I quoted someone in that position, I quoted another woman, Jackie, was the woman that could see the value, but there’s others who really are just like, “it’s incredibly regressive.”

FE: Did you find any challenges while researching and writing about Anonymous and their taboo relationship with “the online troll?”

GC: yeah, for sure, I mean, like, because of trolling or…?

FE: as in, do people take what you have to say less seriously because you are caught up in this trollish community, did you have to take extra time to prove your point because of the troll stigma…

GC:  I do not evny those folks who have to write purely on trolling, because you become polluted by the trolls. Many people can respect very much what you do but a lot of people, and I’ve seen this with some of my good friends that write about trolls, some people, you know they are not giving trolls a free pass whatsoever, they’re trying to go beyond, “it’s simply racism”… there’s other things going on, right. As a result, they become polluted by the trolls and certain academics are really critical of that type of scholarship. Which is very very problematic. I was certainly concerned because I addressed trolls to some degree but I was relieved that I didn’t address it deeply.

FE: it makes me think of Whitney Phillips’ book

GC: [00:20:15.00] OFF THE RECORD DISCUSSION [00:21:05.07]

You know one of the difficulties is weev, in a lot of ways, because, obviously I interacted with him a lot and I really did want to convey how frightening of a troll he was, but not necessarily, simply moralize it from the get-go but show the cultural logic. I think I succeeded. Some of his victims thanked me for not white-washing him. But also, I went beyond the kind of moral narrative of good and bad even though I think it was pretty clear.

GC: As I like to say [to] weev [who] likes to call himself puck, “no, you’re more like loki, because loki is really fucking frightening and is far more playful.”

FE: do you feel DDoS will ever be recognized as a form of protest?

GC: Yeah, it might, in certain places of the world, certainly not the United States.

FE: why not the United States?

GC:Because it falls under the Computer Fraud and Abuse Act, because the United States has zero tolerance for “computer crimes” right, it will put anything under, any attack under the CFAA and just the history has shown they are not going to budge on this. Granted, the paypal14 outcome was more favorable than I expected, and this goes to show [that if] there is a big movement behind a case [it] can make a difference. If people weren’t watching, if there wasn’t a Free Anonymous campaign, if they didn’t have great lawyers, it would be much worse.

FE: so in your book you wrote that Brazil, Italy and Hispanic-Mexican Anons were the largest contingent. Do you still think that is the case in 2015?

GC: yeah, Italy not so much because there have been a lot of arrests, but certainly lulzsec peru is still kicking strong, and even in September they had that famous hack against the Peruvian government, that linked to emails that exposed corruption.

I have to see about Asia, not too sure about today, but certainly for the Umbrella Revolution they were quite active with hacking but again, we’re not seeing that coverage, understandably, Anonymous is quite hard to study now because of the language barrier, but once you differentiate between no activity versus global off-shoring…

FE: A few people think German Anons have best hackers right now,

GC: What you can say is that they’ve gotten smarter, they’re being quieter, hiding their tracks, [CUT]

FE: there’s so many levels of irony, contradictions to various aspects of Anonymous, right, like how they forgo identity yet are incredibly publicity hungry, they are leaderless, but then they always have a handful of temporary leaders for short periods of time, they’re not anyone’s personal army and yet they are, for someone or for a cause…

GC: and in many of their operations people are like, “hey help us,” and sometimes they initiate it but others… like Ferguson comes to mind, where they said “hey, we need Anonymous”

FE: and Anonymous is like, “yeah, we’ll be your Batman!”

GC: exactly

FE: and the last one is how it is not entirely Anonymous, the collective has to be pseudo-anonymous to function, so… out of all these levels of contradictions, which one do you think is the hardest to explain, and get around?

GC: [CUT]

I think the hardest thing to convey is the changing structures of leadership, because people still are like, “but there must be leaders” when they say there is not a single spokesperson, and then I have to agree with them in that certain moments, certain teams or individuals are more important than others but, because of the fact that there are multiple ones, and it is highly dynamic and shifts, it means that it doesn’t resemble a certain organization where there really is a chosen spokesperson, or having an assigned roles, like with Red Hat Turkish group.

GC: I think some people have trouble understanding because they’ve never been on internet relay chat, and they don’t know what the exchange looks like, and that’s completely understandable that they can’t grasp the reality of those chats, and that was one of the reasons why I included so many chats in the book and why I also included the hackers working together and in a small team. And what’s interesting about Anonymous and this also goes back to the contradiction, it’s not simply that there is a shifting leadership, you have small teams that are very controlled at some level even if it is very much consensus-based and you have those big channels in the public that can determine what happens. This is why I included that example of the back channel DDoSing the Motion Picture Association of America and then when the group outed itself in the public channel and then the public channel engaged in mutiny,

FE: hanging out in IRC is quite a trip

BC: it really makes your ADHD worse…but that’s really hard because it is not simply the contradiction, if you have not experienced this interchanging spaces it is very understandably hard to wrap your head around it.

FE: I think that people are just confused that you can have leaders of a group of 10 people, and there will be 3 “leaders,” and they’ll only be “leaders” for a day or two, or a week,

GC: and some people like Commander X is really liked by some, and hated by some, so like the important movers and shakers he also gets a bad rap because he has talked to the media. But then he’s also put in a lot of work, and gets stuff done…

But you’re absolutely right, there’s a series of contradictions and that really defines who Anonymous is and it’s hard to convey some of them,

FE: it’s like in your book, when you mention you are breaking down the myth, but at the same time, that myth is what draws people to Anonymous so you also uphold it, it is a balancing act

GC: and that was like the central idea, I didn’t reveal it until the end, but yeah, my whole book is traveling this contradictory set of goals… there are too many misconceptions but I also wanted to make it exciting and enchanting and all sorts of things.

FE: so Barrett Brown, I know you said you didn’t want to talk about him, but…why do you think he was given more prison time?

GC: I think he was given… well, there are a couple things going on. Over the course of the history of transgressive hacking, or hacktivism, he’s not a hacker — so he took part in the hacktivism without the hacking — but whether it is Kevin Mitnick and the past, or now Barrett Brown, I think the state does want to create an example out of certain people, and he is the example of the non-hacker rabble-rouser who gets very close to the hackers,

FE: it’s very upsetting to me, because it’s like they are villianizing PR. PR is not a crime, and maybe that’s why he keeps denying he was a spokesperson… even if he wasn’t technically the official spokesperson, he still functioned like a PR rep,

GC: exactly, it’s true he was at times very close and involved in a lot of operations but you know, I was there for a lot of the Stratfor stuff, and Antisec was keeping him at bay. They didn’t even give him the emails! So it was really this unbelievable witch hunt against him, and it is true they capitalized off the fact that he was a central participant to kind of make their case, even though I think it was really ungrounded.

The Creepy New Wave of the Internet (NY Review of Books)

Sue Halpern

NOVEMBER 20, 2014 ISSUE

The Zero Marginal Cost Society: The Internet of Things, the Collaborative Commons, and the Eclipse of Capitalism
by Jeremy Rifkin
Palgrave Macmillan, 356 pp., $28.00

Enchanted Objects: Design, Human Desire, and the Internet of Things
by David Rose
Scribner, 304 pp., $28.00

Age of Context: Mobile, Sensors, Data and the Future of Privacy
by Robert Scoble and Shel Israel, with a foreword by Marc Benioff
Patrick Brewster, 225 pp., $14.45 (paper)

More Awesome Than Money: Four Boys and Their Heroic Quest to Save Your Privacy from Facebook
by Jim Dwyer
Viking, 374 pp., $27.95

A detail of Penelope Umbrico’s Sunset Portraits from 11,827,282 Flickr Sunsets on 1/7/13, 2013. For the project, Umbrico searched the website Flickr for scenes of sunsets in which the sun, not the subject, predominated. The installation, consisting of two thousand 4 x 6 C-prints, explores the idea that ‘the individual assertion of “being here” is ultimately read as a lack of individuality when faced with so many assertions that are more or less all the same.’ A collection of her work, Penelope Umbrico (photographs), was published in 2011 by Aperture.

Every day a piece of computer code is sent to me by e-mail from a website to which I subscribe called IFTTT. Those letters stand for the phrase “if this then that,” and the code is in the form of a “recipe” that has the power to animate it. Recently, for instance, I chose to enable an IFTTT recipe that read, “if the temperature in my house falls below 45 degrees Fahrenheit, then send me a text message.” It’s a simple command that heralds a significant change in how we will be living our lives when much of the material world is connected—like my thermostat—to the Internet.

It is already possible to buy Internet-enabled light bulbs that turn on when your car signals your home that you are a certain distance away and coffeemakers that sync to the alarm on your phone, as well as WiFi washer-dryers that know you are away and periodically fluff your clothes until you return, and Internet-connected slow cookers, vacuums, and refrigerators. “Check the morning weather, browse the web for recipes, explore your social networks or leave notes for your family—all from the refrigerator door,” reads the ad for one.

Welcome to the beginning of what is being touted as the Internet’s next wave by technologists, investment bankers, research organizations, and the companies that stand to rake in some of an estimated $14.4 trillion by 2022—what they call the Internet of Things (IoT). Cisco Systems, which is one of those companies, and whose CEO came up with that multitrillion-dollar figure, takes it a step further and calls this wave “the Internet of Everything,” which is both aspirational and telling. The writer and social thinker Jeremy Rifkin, whose consulting firm is working with businesses and governments to hurry this new wave along, describes it like this:

The Internet of Things will connect every thing with everyone in an integrated global network. People, machines, natural resources, production lines, logistics networks, consumption habits, recycling flows, and virtually every other aspect of economic and social life will be linked via sensors and software to the IoT platform, continually feeding Big Data to every node—businesses, homes, vehicles—moment to moment, in real time. Big Data, in turn, will be processed with advanced analytics, transformed into predictive algorithms, and programmed into automated systems to improve thermodynamic efficiencies, dramatically increase productivity, and reduce the marginal cost of producing and delivering a full range of goods and services to near zero across the entire economy.

In Rifkin’s estimation, all this connectivity will bring on the “Third Industrial Revolution,” poised as he believes it is to not merely redefine our relationship to machines and their relationship to one another, but to overtake and overthrow capitalism once the efficiencies of the Internet of Things undermine the market system, dropping the cost of producing goods to, basically, nothing. His recent book, The Zero Marginal Cost Society: The Internet of Things, the Collaborative Commons, and the Eclipse of Capitalism, is a paean to this coming epoch.

It is also deeply wishful, as many prospective arguments are, even when they start from fact. And the fact is, the Internet of Things is happening, and happening quickly. Rifkin notes that in 2007 there were ten million sensors of all kinds connected to the Internet, a number he says will increase to 100 trillion by 2030. A lot of these are small radio-frequency identification (RFID) microchips attached to goods as they crisscross the globe, but there are also sensors on vending machines, delivery trucks, cattle and other farm animals, cell phones, cars, weather-monitoring equipment, NFL football helmets, jet engines, and running shoes, among other things, generating data meant to streamline, inform, and increase productivity, often by bypassing human intervention. Additionally, the number of autonomous Internet-connected devices such as cell phones—devices that communicate directly with one another—now doubles every five years, growing from 12.5 billion in 2010 to an estimated 25 billion next year and 50 billion by 2020.

For years, a cohort of technologists, most notably Ray Kurzweil, the writer, inventor, and director of engineering at Google, have been predicting the day when computer intelligence surpasses human intelligence and merges with it in what they call the Singularity. We are not there yet, but a kind of singularity is already upon us as we swallow pills embedded with microscopic computer chips, activated by stomach acids, that will be able to report compliance with our doctor’s orders (or not) directly to our electronic medical records. Then there is the singularity that occurs when we outfit our bodies with “wearable technology” that sends data about our physical activity, heart rate, respiration, and sleep patterns to a database in the cloud as well as to our mobile phones and computers (and to Facebook and our insurance company and our employer).

Cisco Systems, for instance, which is already deep into wearable technology, is working on a platform called “the Connected Athlete” that “turns the athlete’s body into a distributed system of sensors and network intelligence…[so] the athlete becomes more than just a competitor—he or she becomes a Wireless Body Area Network, or WBAN.” Wearable technology, which generated $800 million in 2013, is expected to make nearly twice that this year. These are numbers that not only represent sales, but the public’s acceptance of, and habituation to, becoming one of the things connected to and through the Internet.

One reason that it has been easy to miss the emergence of the Internet of Things, and therefore miss its significance, is that much of what is presented to the public as its avatars seems superfluous and beside the point. An alarm clock that emits the scent of bacon, a glow ball that signals if it is too windy to go out sailing, and an “egg minder” that tells you how many eggs are in your refrigerator no matter where you are in the (Internet-connected) world, revolutionary as they may be, hardly seem the stuff of revolutions; because they are novelties, they obscure what is novel about them.

And then there is the creepiness factor. In the weeks before the general release of Google Glass, Google’s $1,500 see-through eyeglass computer that lets the wearer record what she is seeing and hearing, the press reported a number of incidents in which early adopters were physically accosted by people offended by the product’s intrusiveness. Enough is enough, the Glass opponents were saying.

Why a small cohort of people encountering Google Glass for the first time found it disturbing is the same reason that David Rose, an instructor at MIT and the founder of a company that embeds Internet connectivity into everyday devices like umbrellas and medicine vials, celebrates it and waxes nearly poetic on the potential of “heads up displays.” As he writes in Enchanted Objects: Design, Human Desire, and the Internet of Things, such devices have the potential to radically transform human encounters. Rose imagines a party where

Wearing your fashionable [heads up] display, you will instruct the device to display the people’s names and key biographical info above their heads. In the business meeting, you will call up information about previous meetings and agenda items. The HUD display will call up useful websites, tap into social networks, and dig into massive info sources…. You will fact-check your friends and colleagues…. You will also engage in real-time messaging, including videoconferencing with friends or colleagues who will participate, coach, consult, or lurk.
Whether this scenario excites or repels you, it represents the vision of more than one of the players moving us in the direction of pervasive connectivity. Rose’s company, Ambient Devices, has been at the forefront of what he calls “enchanting” objects—that is, connecting them to the Internet to make them “extraordinary.” This is a task that Glenn Lurie, the CEO of ATT Mobility, believes is “spot on.” Among these enchanted objects are the Google Latitude Doorbell that “lets you know where your family members are and when they are approaching home,” an umbrella that turns blue when it is about to rain so you might be inspired to take it with you, and a jacket that gives you a hug every time someone likes your Facebook post.

Rose envisions “an enchanted wall in your kitchen that could display, through lines of colored light, the trends and patterns of your loved ones’ moods,” because it will offer “a better understanding of [the] hidden thoughts and emotions that are relevant to us….” If his account of a mood wall seems unduly fanciful (and nutty), it should be noted that this summer, British Airways gave passengers flying from New York to London blankets embedded with neurosensors to track how they were feeling. Apparently this was more scientific than simply asking them. According to one report:

When the fiber optics woven into the blanket turned red, flight attendants knew that the passengers were feeling stressed and anxious. Blue blankets were a sign that the passenger was feeling calm and relaxed.
Thus the airline learned that passengers were happiest when eating and drinking, and most relaxed when sleeping.

While, arguably, this “finding” is as trivial as an umbrella that turns blue when it’s going to rain, there is nothing trivial about collecting personal data, as innocuous as that data may seem. It takes very little imagination to foresee how the kitchen mood wall could lead to advertisements for antidepressants that follow you around the Web, or trigger an alert to your employer, or show up on your Facebook page because, according to Robert Scoble and Shel Israel in Age of Context: Mobile, Sensors, Data and the Future of Privacy, Facebook “wants to build a system that anticipates your needs.”

It takes even less imagination to foresee how information about your comings and goings obtained from the Google Latitude Doorbell could be used in a court of law. Cars are now outfitted with scores of sensors, including ones in the seats that determine how many passengers are in them, as well as with an “event data recorder” (EDR), which is the automobile equivalent of an airplane’s black box. As Scoble and Israel report in Age of Context, “the general legal consensus is that police will be able to subpoena car logs the same way they now subpoena phone records.”

Meanwhile, cars themselves are becoming computers on wheels, with operating system updates coming wirelessly over the air, and with increasing capacity to “understand” their owners. As Scoble and Israel tell it:

They not only adjust seat positions and mirrors automatically, but soon they’ll also know your preferences in music, service stations, dining spots and hotels…. They know when you are headed home, and soon they’ll be able to remind you to stop at the market to get a dessert for dinner.
Recent revelations from the journalist Glenn Greenwald put the number of Americans under government surveillance at a colossal 1.2 million people. Once the Internet of Things is in place, that number might easily expand to include everyone else, because a system that can remind you to stop at the market for dessert is a system that knows who you are and where you are and what you’ve been doing and with whom you’ve been doing it. And this is information we give out freely, or unwittingly, and largely without question or complaint, trading it for convenience, or what passes for convenience.

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Michael Cogliantry
The journalist A.J. Jacobs wearing data-collecting sensors to keep track of his health and fitness; from Rick Smolan and Jennifer Erwitt’s The Human Face of Big Data, published in 2012 by Against All Odds
In other words, as human behavior is tracked and merchandized on a massive scale, the Internet of Things creates the perfect conditions to bolster and expand the surveillance state. In the world of the Internet of Things, your car, your heating system, your refrigerator, your fitness apps, your credit card, your television set, your window shades, your scale, your medications, your camera, your heart rate monitor, your electric toothbrush, and your washing machine—to say nothing of your phone—generate a continuous stream of data that resides largely out of reach of the individual but not of those willing to pay for it or in other ways commandeer it.

That is the point: the Internet of Things is about the “dataization” of our bodies, ourselves, and our environment. As a post on the tech website Gigaom put it, “The Internet of Things isn’t about things. It’s about cheap data.” Lots and lots of it. “The more you tell the world about yourself, the more the world can give you what you want,” says Sam Lessin, the head of Facebook’s Identity Product Group. It’s a sentiment shared by Scoble and Israel, who write:

The more the technology knows about you, the more benefits you will receive. That can leave you with the chilling sensation that big data is watching you. In the vast majority of cases, we believe the coming benefits are worth that trade-off.
So, too, does Jeremy Rifkin, who dismisses our legal, social, and cultural affinity for privacy as, essentially, a bourgeois affectation—a remnant of the enclosure laws that spawned capitalism:

Connecting everyone and everything in a neural network brings the human race out of the age of privacy, a defining characteristic of modernity, and into the era of transparency. While privacy has long been considered a fundamental right, it has never been an inherent right. Indeed, for all of human history, until the modern era, life was lived more or less publicly….
In virtually every society that we know of before the modern era, people bathed together in public, often urinated and defecated in public, ate at communal tables, frequently engaged in sexual intimacy in public, and slept huddled together en masse. It wasn’t until the early capitalist era that people began to retreat behind locked doors.
As anyone who has spent any time on Facebook knows, transparency is a fiction—literally. Social media is about presenting a curated self; it is opacity masquerading as transparency. In a sense, then, it is about preserving privacy. So when Rifkin claims that for young people, “privacy has lost much of its appeal,” he is either confusing sharing (as in sharing pictures of a vacation in Spain) with openness, or he is acknowledging that young people, especially, have become inured to the trade-offs they are making to use services like Facebook. (But they are not completely inured to it, as demonstrated by both Jim Dwyer’s painstaking book More Awesome Than Money, about the failed race to build a noncommercial social media site called Diaspora in 2010, as well as the overwhelming response—as many as 31,000 requests an hour for invitations—to the recent announcement that there soon will be a Facebook alternative, Ello, that does not collect or sell users’ data.)

These trade-offs will only increase as the quotidian becomes digitized, leaving fewer and fewer opportunities to opt out. It’s one thing to edit the self that is broadcast on Facebook and Twitter, but the Internet of Things, which knows our viewing habits, grooming rituals, medical histories, and more, allows no such interventions—unless it is our behaviors and curiosities and idiosyncracies themselves that end up on the cutting room floor.

Even so, no matter what we do, the ubiquity of the Internet of Things is putting us squarely in the path of hackers, who will have almost unlimited portals into our digital lives. When, last winter, cybercriminals broke into more than 100,000 Internet-enabled appliances including refrigerators and sent out 750,000 spam e-mails to their users, they demonstrated just how vulnerable Internet-connected machines are.

Not long after that, Forbes reported that security researchers had come up with a $20 tool that was able to remotely control a car’s steering, brakes, acceleration, locks, and lights. It was an experiment that, again, showed how simple it is to manipulate and sabotage the smartest of machines, even though—but really because—a car is now, in the words of a Ford executive, a “cognitive device.”

More recently, a study of ten popular IoT devices by the computer company Hewlett-Packard uncovered a total of 250 security flaws among them. As Jerry Michalski, a former tech industry analyst and founder of the REX think tank, observed in a recent Pew study: “Most of the devices exposed on the internet will be vulnerable. They will also be prone to unintended consequences: they will do things nobody designed for beforehand, most of which will be undesirable.”

Breaking into a home system so that the refrigerator will send out spam that will flood your e-mail and hacking a car to trigger a crash are, of course, terrible and real possibilities, yet as bad as they may be, they are limited in scope. As IoT technology is adopted in manufacturing, logistics, and energy generation and distribution, the vulnerabilities do not have to scale up for the stakes to soar. In a New York Times article last year, Matthew Wald wrote:

If an adversary lands a knockout blow [to the energy grid]…it could black out vast areas of the continent for weeks; interrupt supplies of water, gasoline, diesel fuel and fresh food; shut down communications; and create disruptions of a scale that was only hinted at by Hurricane Sandy and the attacks of Sept. 11.
In that same article, Wald noted that though government officials, law enforcement personnel, National Guard members, and utility workers had been brought together to go through a worst-case scenario practice drill, they often seemed to be speaking different languages, which did not bode well for an effective response to what is recognized as a near inevitability. (Last year the Department of Homeland Security responded to 256 cyberattacks, half of them directed at the electrical grid. This was double the number for 2012.)

This Babel problem dogs the whole Internet of Things venture. After the “things” are connected to the Internet, they need to communicate with one another: your smart TV to your smart light bulbs to your smart door locks to your smart socks (yes, they exist). And if there is no lingua franca—which there isn’t so far—then when that television breaks or becomes obsolete (because soon enough there will be an even smarter one), your choices will be limited by what language is connecting all your stuff. Though there are industry groups trying to unify the platform, in September Apple offered a glimpse of how the Internet of Things actually might play out, when it introduced the company’s new smart watch, mobile payment system, health apps, and other, seemingly random, additions to its product line. As Mat Honan virtually shouted in Wired:

Apple is building a world in which there is a computer in your every interaction, waking and sleeping. A computer in your pocket. A computer on your body. A computer paying for all your purchases. A computer opening your hotel room door. A computer monitoring your movements as you walk though the mall. A computer watching you sleep. A computer controlling the devices in your home. A computer that tells you where you parked. A computer taking your pulse, telling you how many steps you took, how high you climbed and how many calories you burned—and sharing it all with your friends…. THIS IS THE NEW APPLE ECOSYSTEM. APPLE HAS TURNED OUR WORLD INTO ONE BIG UBIQUITOUS COMPUTER.
The ecosystem may be lush, but it will be, by design, limited. Call it the Internet of Proprietary Things.

For many of us, it is difficult to imagine smart watches and WiFi-enabled light bulbs leading to a new world order, whether that new world order is a surveillance state that knows more about us than we do about ourselves or the techno-utopia envisioned by Jeremy Rifkin, where people can make much of what they need on 3-D printers powered by solar panels and unleashed human creativity. Because home automation is likely to be expensive—it will take a lot of eggs before the egg minder pays for itself—it is unlikely that those watches and light bulbs will be the primary driver of the Internet of Things, though they will be its showcase.

Rather, the Internet’s third wave will be propelled by businesses that are able to rationalize their operations by replacing people with machines, using sensors to simplify distribution patterns and reduce inventories, deploying algorithms that eliminate human error, and so on. Those business savings are crucial to Rifkin’s vision of the Third Industrial Revolution, not simply because they have the potential to bring down the price of consumer goods, but because, for the first time, a central tenet of capitalism—that increased productivity requires increased human labor—will no longer hold. And once productivity is unmoored from labor, he argues, capitalism will not be able to support itself, either ideologically or practically.

What will rise in place of capitalism is what Rifkin calls the “collaborative commons,” where goods and property are shared, and the distinction between those who own the means of production and those who are beholden to those who own the means of production disappears. “The old paradigm of owners and workers, and of sellers and consumers, is beginning to break down,” he writes.

Consumers are becoming their own producers, eliminating the distinction. Prosumers will increasingly be able to produce, consume, and share their own goods…. The automation of work is already beginning to free up human labor to migrate to the evolving social economy…. The Internet of Things frees human beings from the market economy to pursue nonmaterial shared interests on the Collaborative Commons.
Rifkin’s vision that people will occupy themselves with more fulfilling activities like making music and self-publishing novels once they are freed from work, while machines do the heavy lifting, is offered at a moment when a new kind of structural unemployment born of robotics, big data, and artificial intelligence takes hold globally, and traditional ways of making a living disappear. Rifkin’s claims may be comforting, but they are illusory and misleading. (We’ve also heard this before, in 1845, when Marx wrote in The German Ideology that under communism people would be “free to hunt in the morning, fish in the afternoon, rear cattle in the evening, [and] criticize after dinner.”)

As an example, Rifkin points to Etsy, the online marketplace where thousands of “prosumers” sell their crafts, as a model for what he dubs the new creative economy. “Currently 900,000 small producers of goods advertise at no cost on the Etsy website,” he writes.

Nearly 60 million consumers per month from around the world browse the website, often interacting personally with suppliers…. This form of laterally scaled marketing puts the small enterprise on a level playing field with the big boys, allowing them to reach a worldwide user market at a fraction of the cost.
All that may be accurate and yet largely irrelevant if the goal is for those 900,000 small producers to make an actual living. As Amanda Hess wrote last year in Slate:

Etsy says its crafters are “thinking and acting like entrepreneurs,” but they’re not thinking or acting like very effective ones. Seventy-four percent of Etsy sellers consider their shop a “business,” including 65 percent of sellers who made less than $100 last year.
While it is true that a do-it-yourself subculture is thriving, and sharing cars, tools, houses, and other property is becoming more common, it is also true that much of this activity is happening under duress as steady employment disappears. As an article in The New York Times this past summer made clear, employment in the sharing economy, also known as the gig economy, where people piece together an income by driving for Uber and delivering groceries for Instacart, leaves them little time for hunting and fishing, unless it’s hunting for work and fishing under a shared couch for loose change.

So here comes the Internet’s Third Wave. In its wake jobs will disappear, work will morph, and a lot of money will be made by the companies, consultants, and investment banks that saw it coming. Privacy will disappear, too, and our intimate spaces will become advertising platforms—last December Google sent a letter to the SEC explaining how it might run ads on home appliances—and we may be too busy trying to get our toaster to communicate with our bathroom scale to notice. Technology, which allows us to augment and extend our native capabilities, tends to evolve haphazardly, and the future that is imagined for it—good or bad—is almost always historical, which is to say, naive.

Acervo de canções indígenas da Amazônia chega na Internet (Amazônia Real)

Elaíze Farias

25/11/2013

Equipe registra dança e música de comunidade indígena de Roraima.Equipe registra dança e música de comunidade indígena de Roraima.

A diversidade musical das comunidades indígenas do norte do Amazonas e do Estado de Roraima foi reunida em uma inédita e rica coletânea. São quase quatro horas de 80 faixas musicais de grupos indígenas das etnias baniwa, wapichana, macuxi e tauepang, resultado do projeto intitulado “A Música das Cachoeiras” do grupo Cauxi Produtora Cultural. O nome é uma referência às correntezas da bacia do Alto rio Negro. O coordenador Agenor Vasconcelo define o projeto como um “registro etnográfico audiovisual”, no qual o principal foco é a música.

O lançamento em Manaus acontece no próximo dia 6 de dezembro, na Estação Cultural Arte e Fato. É partir desta data que o conteúdo completo estará disponível para download pelo endereçowww.musicadascachoeiras.com.br.  Uma prévia do material já pode ser acessada nos seguintes endereços:facebook.com/musicadascachoeiras e soundcloud.com/musicadascachoeiras.

Os autores do projeto “A Música das Cachoeiras” empreenderam uma expedição de janeiro a junho deste ano nas comunidades indígenas. Registraram a gaitada do músico Ademarzino Garrido e a embolada do pandeiro de comunidades do Alto Rio Negro, no Amazonas, a incomum mistura forró tradicional com a dança tradicional Parixara, o hip-hop dos índios taurepang, entre outros gêneros musicais indígenas.

Conheceram músicos de cada comunidade, além de compositores já consolidados nas cidades de São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, e em Boa Vista (RR), como Paulo Moura, Eliakim Rufino, Mike Gy Brás, Paulo Fabiano e Rivanildo Fidelis.

O projeto foi integralmente patrocinado pelo programa Natura Musical, no valor de R$ 100 mil, selecionado por meio de edital nacional em 2012, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura do Governo Federal. O acervo inclui gravação de músicas e vídeos, registros fotográficos, produção de uma cartilha e a criação de um site.

Os realizadores explicam que o projeto nasceu de uma ideia: resgatar a mesma expedição que etnógrafo alemão Theodor Koch-Grünberg (1872-1924) realizou nas comunidades do Alto Rio Negro e na região do Monte Roraima entre 1903 e 1913. Koch-Grünberg foi um pesquisador que morou na região e registrou em suas obras a cultura material e imaterial dos povos ameríndios.

Grupo de dança dos índios wapichanas (RR) se apresentam para equipe. Foto: Divulgação

Agenor Vasconcelos tomou conhecimento sobre a pesquisa do alemão na época em que fazia mestrado em Sociedade e Cultura na Amazônia na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). “O grande desafio após o término do mestrado seria poder viajar e colher as minhas próprias impressões, refazendo o trajeto já esmiuçado por mim diversas vezes mentalmente por meio dos registros de Koch-Grünberg. O que eu não esperava seria a possibilidade de formar um grupo expedicionário para pesquisar em equipe. Isso foi fantástico”, explicou.

Após a seleção no projeto Natura Musical, uma equipe de seis pessoas formada por músicos, fotógrafos, produtores e antropólogos iniciou a viagem pelas áreas escolhidas. Envolvidos de tal forma com os músicos de cada região, a equipe acabou também produzindo composições com os integrantes das bandas das comunidades.

“Mas não havia intervenção direta. Sempre estávamos preocupados em possibilitar uma gravação profissional independente das condições de trabalho. Na foz do rio Içana, por exemplo, ponto limítrofe da expedição no alto rio Negro, conseguimos reunir uma banda de teclado, guitarra e vocal. Havíamos levado pré-amplificadores, microfones condensadores, interface de áudio e muitos quilos de equipamentos para montar um estúdio aonde quer que fosse. Gravamos e os resultados são maravilhosos e divertidos”, explica.

Inspiração e aprendizado

Entre as boas surpresas encontradas na viagem, está Ademarzinho Garrido que, segundo Vasconcelos, é descendente de Germano Garrido, anfitrião de Koch-Grünberg na época em que o alemão esteve no Alto Rio Negro. Ademarzinho é líder da banda Maripuriana, onde toca violão e gaita. No registro feito pela equipe, Vasconcelos descreve a participação de Ademarzinho como o autor de “um solo de gaita, que dialoga com a guitarra em vários momentos da canção”.

A equipe também esteve na comunidade baniwa Itacoatiara-mirim, onde conheceu Luiz Laureno, e na comunidade Boa Vista, na foz do rio Içana, onde gravou com a banda Taína Rukena. Nesta mesma comunidade registrou hinos evangélicos cantados na língua nhengatu acompanhados em teclados eletrônicos e em ritmo calipso.

Nas comunidades indígenas de Roraima, o grupo registrou o som parixara, um ritmo “lento que se dança em longas filas e rodas e com cantos variados”, conforme descreve Agenor Vasconcelos, e o tukúi e marik, cantos interpretados pelos índios macuxi e taurepang.

Além do componente etnográfico e audiovisual, a equipe de “A Música das Cachoeiras” espera que o acervo seja uma fonte de pesquisa para futuras gerações e inspiração para os artistas. “Tanto músicos como pintores, literatos, poderão basear novas criações a partir dessa tão rica cultura Amazônica”, diz Vasconcelos.

O coordenador conta que a pesquisa foi também um aprendizado para eles próprios. “Pudemos aprender nuances da língua e da cultura dos povos que tivemos oportunidade de conhecer. Por meio da música figurativa, cantada, também percebemos a língua indígena viva no seio de um Brasil distante”, afirma..

O projeto “A Música das Cachoeiras” estará disponível gratuitamente no site oficial. Ele é composto por faixas, clipes e mini-documentários. Um livro-CD que também foi produzido terá 2/3 de seus exemplares distribuídos gratuitamente.

Luiz Laureano Baniwa, do Alto Rio Negro, que toca instrumentos feitos de casco de tracajá e flautas de paxiúba. Foto: Divulgação.

Participação de comunidades

O indígena do Alto Rio Negro Moisés Luiz da Silva considera o registro e a divulgação da música de seu povo como fundamental para valorização da cultura baniwa. Moisés foi o principal articular entre a equipe do projeto e as lideranças da sua comunidade Itacoatiara-mirim. Entre os que participaram da gravação estão Luiz  Laureano da Silva, mestre da maloca, Mário Felício Joaquim e Luzia Inácia.

“Recebi a notícia sobre o projeto pela professora Deisy Montardo (Ufam). Então o Agenor entrou em contato comigo e conversamos. O segundo plano foi consultar o povo e as lideranças baniwa, que concordaram em participar. Achamos que esse registro de gravações de músicas é uma forma de valorizar nossa cultura e divulgar para outras sociedades indígenas e não-indígenas”, afirmou Moisés.

O grupo baniwa já participou de outros projetos, como o Podáali Valorização das Músicas, patrocinado pela Petrobrás Cultural, e do Museu do Índio, em 2013.

Model predicts growth, death of membership-based websites (Science Daily)

Date: February 4, 2014

Source: Carnegie Mellon University

Summary: Facebook is a proven success in what the late Nobel laureate Herbert Simon called “the marketplace of attention.” A new model assesses the viability of websites and social networks in this new attention economy to predict which sites are sustainable and which are not. The model attempts to replicate the dynamics of membership sites, including the role of active users as catalysts of website activity, turning dormant website members into active users and keeping them active.

Chart of Facebook use including predictions for future use. Credit: Image courtesy of Carnegie Mellon University

Facebook, now celebrating its 10th anniversary, is a proven success in what the late Nobel laureate Herbert Simon called “the marketplace of attention.” A new model devised at Carnegie Mellon University assesses the viability of websites and social networks in this new attention economy to predict which sites are sustainable and which are not.

The model, developed by Bruno Ribeiro, a post-doctoral researcher in Carnegie Mellon’s Computer Science Department, attempts to replicate the dynamics of membership sites such as Facebook, LinkedIn and TeaPartyNation, including the role of active users as catalysts of website activity, turning dormant website members into active users and keeping them active.

In applying the model to six years of user statistics for 22 membership-based websites, Ribeiro found that it was able to reliably predict which sites will be sustainable for the foreseeable future — including the Huffington Post news site, Ashley Madison dating site and The Blaze commentary site — and which sites could not be sustained, such as Flixster.com, OccupyWallSt.org and TeaPartyPatriots.org.

Unlike a recent, widely publicized academic study that predicted an 80 percent drop in Facebook membership from 2015 to 2017, Ribeiro’s model shows Facebook to be sustainable for the foreseeable future. As with all of these predictions, however, Ribeiro points out that even sustainable sites are vulnerable to upstarts that steal the attention of their members, as Facebook famously did to MySpace.

Ribeiro said his model could help investors understand which sites are self-sustaining and which are likely to fail, as well as help website managers identify and correct problems in the dynamics of attention to their sites.

It’s not enough to look at the total membership or the growth of membership of a site to understand which sites will be successful, Ribeiro said. His model accounts for the tendency of active members to become inactive, the influence that active members can have in encouraging friends to join or become active members, and the role of marketing and media campaigns in convincing people to join.

Ribeiro said he was inspired to take this approach by the writings of Simon, a Carnegie Mellon professor who won the 1978 Nobel Prize in economics. Simon had observed that many information systems were designed as if information was scarce, when the problem was just the opposite. “A wealth of information creates a poverty of attention and a need to allocate that attention efficiently among the overabundance of information sources that might consume it,” he said.

Ribeiro tested the model by evaluating both successful and unsuccessful sites. “If you don’t look at the negative examples, you never understand what makes for success,” he explained. Six years of daily number of active users (DAU) data, beginning in 2007, were obtained for 22 sites from Alexa, a Web analytics company. “This study couldn’t have been done even two years ago,” he added, “because data of this quality and breadth simply didn’t exist.”

In addition to separating the self-sustaining from the unsustainable sites, the model was able to discern which sites grew primarily from word of mouth, such as Facebook, Meetup.com and LinkedIn, and those powered by media and marketing, such as The Blaze, Bandstack and OccupyWallSt.

Unfortunately, the model also suggests that in the quest for attention, many sites are likely to increase annoying behaviors, such as sending emails about what friends on the site are doing.

“If this model is correct, social network sites will try to make your friends’ lives seem more interesting and your feedback on their posts more urgent,” Ribeiro said. Many teens, for instance, seem glued to their smartphones for fear of missing something that might get posted on a social site by or about a friend. “From the model’s perspective it is beneficial for companies to be encouraging this type of behavior,” he added.

Redes sociais são apontadas por especialistas como fundamentais nas mobilizações populares (Jornal da Ciência)

JC e-mail 4763, de 08 de Julho de 2013.

Por Paloma Barreto / Jornal da Ciência

Antropóloga, filósofo e comunicadora analisam o papel dessa forma de comunicação nos protestos que ocorrem no país

O que há em comum entre a Primavera Árabe, o Occupy Wall Street, a revolta na Turquia e as manifestações que estão acontecendo no Brasil? Além de perturbarem o sistema político estabelecido e buscarem mudanças, estes movimentos sociais do século XXI utilizam as redes sociais como principal ferramenta de articulação e mobilização. Ana Lúcia Enne, antropóloga e professora do curso de Estudos de Mídia da Universidade Federal Fluminense (UFF), analisou o papel das novas mídias nos protestos que pararam dezenas de cidades brasileiras nas últimas semanas. “Elas são fundamentais no contexto contemporâneo por oferecerem caminhos contra-hegemônicos de divulgação de informações e posições”, afirmou.

As hashtags – palavras-chave antecedidas pelo símbolo “#”, que designam o assunto que se deseja discutir em tempo real nas redes sociais – verásqueumfilhoteunãofogeàluta, #ogiganteacordou e #primaverabrasileira tomaram as páginas do facebook e twitter de milhares de brasileiros. A convocação dos internautas chegou a levar mais de um milhão de pessoas às ruas de todo o Brasil na noite do dia 20 de junho. “Como ficou claro neste momento histórico, as redes precisam das ruas para construir um movimento realmente ativo e capaz de gerar mudanças sociais. As mobilizações virtuais e físicas são complementares e servem a propósitos distintos”, observou Ana.

A antropóloga critica a atuação da grande mídia, e acredita que hoje a internet disputa espaço com os antigos veículos de comunicação na cobertura de acontecimentos. “Principalmente entre os jovens, que utilizam as ferramentas das novas tecnologias de comunicação e informação diariamente, em larga escala, ficou evidente o caráter manipulador, por vezes mentiroso, simplificador e atrelado aos interesses políticos e econômicos da grande mídia. Isso evidenciou o descrédito com essas instituições e a busca permanente por outras formas de expressão e visibilidade”.

Essa “batalha de sentidos” foi citada pela diretora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Eco/UFRJ), Ivana Bentes, em seu perfil no facebook. “A palavra de ordem das manifestações, o #vemprarua, é remix genial da publicidade da Fiat para a Copa. Ou seja, não tem nenhuma multidão amorfa ou acéfala, mas atravessada de singularidades e disputas. Temos mais é que perguntar quem fala e de onde fala. E faz todo o sentido disputar os sentidos do que está acontecendo”, publicou no dia 22 de junho.

Quando os protestos brasileiros tomaram grandes dimensões e alcançaram o noticiário internacional, especialistas se empenharam na busca de explicações para os acontecimentos. Entre eles, o filósofo francês Pierre Lévy classificou a revolta brasileira como o “experimento de uma nova forma de comunicação” em entrevista para o jornal O Globo. “Você não confia na mídia em geral, você confia em pessoas ou em instituições organizadas. Comunicação autônoma significa que sou eu que decido em quem confiar, e ninguém mais. Eu consigo distinguir a honestidade da manipulação, a opacidade da transparência”, afirmou o pesquisador de cibercultura.

Manifestações do século XXI

Em dezembro de 2010, um jovem ateou fogo ao próprio corpo como forma de manifestação contra as condições de vida na Tunísia. O ato desesperado culminou na Primavera Árabe, uma onda de revoltas em quase 20 países que já conseguiu derrubar quatro governos. Em maio deste ano, a ameaça de demolição do parque Taksim Gezi para a construção de um shopping deu início aos protestos na Turquia. No Brasil, em circunstâncias totalmente diferentes, a aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus em São Paulo foi o estopim para que milhares de cidadãos de diversos municípios saíssem às ruas reivindicando melhorias nos serviços públicos e mudanças do sistema político.

“A adesão às manifestações está relacionada a algumas variáveis. Primeiro, uma sensação de insatisfação generalizada em relação a uma série de fatores que afetam o brasileiro diretamente, como saúde, educação, transporte, corrupção etc. A questão dos vinte centavos foi sentida como uma gota d’dágua, um transbordamento do copo, se transformando em uma pauta unificadora, capaz de aglutinar multidões insatisfeitas e com diversas outras causas para protestar”, considerou Ana Enne.

A professora acrescentou que a etapa mais difícil do processo é a catalisação dos manifestantes. Neste aspecto, ela acredita que as ações truculentas das forças de segurança, disseminadas na internet através de depoimentos e vídeos, foram fundamentais para sensibilizar outras pessoas. “A explicitação da violência policial, experiência dolorosa vivida cotidianamente por muitos brasileiros, contra manifestantes pacíficos em várias cidades brasileiras, também deu vida e impulsionou o movimento. Foi a partir das divulgações dessas imagens que as passeatas ganharam uma densidade numérica impressionante”.

Também nesta perspectiva, o movimento brasileiro se assemelha aos internacionais. Na Turquia, a repressão dos primeiros protestos por parte da polícia motivou uma maior adesão de pessoas à revolta. A foto de uma mulher de vermelho sendo atacada por um jato de gás lacrimogêneo em Istambul foi replicada nas redes sociais e causou ainda mais indignação nos internautas. No Brasil, dentre os conteúdos de violência policial disseminados, um dos que teve mais repercussão foi a imagem de Giuliana Vallone, repórter da Folha de S Paulo atingida no olho por uma bala de borracha no dia 13 de junho.

O sociólogo espanhol Manuel Castells, conhecido por ser um “intelectual conectado”, é um dos principais analistas do papel da internet nos movimentos sociais contemporâneos. No dia 11 de junho, durante o evento “Fronteiras do Pensamento”, em São Paulo, ele foi questionado sobre o protesto que ocorria na Avenida Paulista naquele momento contra o aumento das passagens de ônibus. “Todos os movimentos sociais na história, são, sobretudo, emocionais. Não são pontualmente reivindicativos. Não é o transporte. Em algum momento, há um fato que provoca a indignação. Ao sentir a possibilidade de estarem juntos, ao sentir que há muitas pessoas que pensam o mesmo fora do âmbito institucional, surge a esperança de fazer algo diferente. O quê? Não se sabe. Mas, com certeza não é o que está aí”, avaliou Castells.

Esta matéria está na página 8 do Jornal da Ciência impresso. As 12 páginas podem ser acessadas em PDF:
http://www.jornaldaciencia.org.br/impresso/JC740.pdf

NSA Prism program taps in to user data of Apple, Google and others (Guardian)

• Top-secret Prism program claims direct access to servers of firms including Google, Apple and Facebook
• Companies deny any knowledge of program in operation since 2007
• Obama orders US to draw up overseas target list for cyber-attacks
Glenn Greenwald and Ewen MacAskill
The Guardian, Friday 7 June 2013
Prism

A slide depicting the top-secret PRISM program.

The National Security Agency has obtained direct access to the systems of Google, Facebook, Apple and other US internet giants, according to a top secret document obtained by the Guardian.

The NSA access is part of a previously undisclosed program calledPrism, which allows officials to collect material including search history, the content of emails, file transfers and live chats, the document says.

The Guardian has verified the authenticity of the document, a 41-slide PowerPoint presentation – classified as top secret with no distribution to foreign allies – which was apparently used to train intelligence operatives on the capabilities of the program. The document claims “collection directly from the servers” of major US service providers.

Although the presentation claims the program is run with the assistance of the companies, all those who responded to a Guardian request for comment on Thursday denied knowledge of any such program.

In a statement, Google said: “Google cares deeply about the security of our users’ data. We disclose user data to government in accordance with the law, and we review all such requests carefully. From time to time, people allege that we have created a government ‘back door’ into our systems, but Google does not have a back door for the government to access private user data.”

Several senior tech executives insisted that they had no knowledge ofPrism or of any similar scheme. They said they would never have been involved in such a program. “If they are doing this, they are doing it without our knowledge,” one said.

An Apple spokesman said it had “never heard” of Prism.

The NSA access was enabled by changes to US surveillance law introduced under President Bush and renewed under Obama in December 2012.

PrismThe program facilitates extensive, in-depth surveillance on live communications and stored information. The law allows for the targeting of any customers of participating firms who live outside the US, or those Americans whose communications include people outside the US.

It also opens the possibility of communications made entirely within the US being collected without warrants.

Disclosure of the Prism program follows a leak to the Guardian on Wednesday of a top-secret court order compelling telecoms provider Verizon to turn over the telephone records of millions of US customers.

The participation of the internet companies in Prism will add to the debate, ignited by the Verizon revelation, about the scale of surveillance by the intelligence services. Unlike the collection of those call records, this surveillance can include the content of communications and not just the metadata.

Some of the world’s largest internet brands are claimed to be part of the information-sharing program since its introduction in 2007. Microsoft – which is currently running an advertising campaign with the slogan “Yourprivacy is our priority” – was the first, with collection beginning in December 2007.

It was followed by Yahoo in 2008; Google, Facebook and PalTalk in 2009; YouTube in 2010; Skype and AOL in 2011; and finally Apple, which joined the program in 2012. The program is continuing to expand, with other providers due to come online.

Collectively, the companies cover the vast majority of online email, search, video and communications networks.

Prism 

The extent and nature of the data collected from each company varies.

Companies are legally obliged to comply with requests for users’ communications under US law, but the Prism program allows the intelligence services direct access to the companies’ servers. The NSAdocument notes the operations have “assistance of communications providers in the US”.

The revelation also supports concerns raised by several US senators during the renewal of the Fisa Amendments Act in December 2012, who warned about the scale of surveillance the law might enable, and shortcomings in the safeguards it introduces.

When the FAA was first enacted, defenders of the statute argued that a significant check on abuse would be the NSA’s inability to obtain electronic communications without the consent of the telecom and internet companies that control the data. But the Prism program renders that consent unnecessary, as it allows the agency to directly and unilaterally seize the communications off the companies’ servers.

A chart prepared by the NSA, contained within the top-secret document obtained by the Guardian, underscores the breadth of the data it is able to obtain: email, video and voice chat, videos, photos, voice-over-IP (Skype, for example) chats, file transfers, social networking details, and more.

PRISM slide crop
The document is recent, dating to April 2013. Such a leak is extremely rare in the history of the NSA, which prides itself on maintaining a high level of secrecy.

The Prism program allows the NSA, the world’s largest surveillance organisation, to obtain targeted communications without having to request them from the service providers and without having to obtain individual court orders.

With this program, the NSA is able to reach directly into the servers of the participating companies and obtain both stored communications as well as perform real-time collection on targeted users.

The presentation claims Prism was introduced to overcome what the NSAregarded as shortcomings of Fisa warrants in tracking suspected foreign terrorists. It noted that the US has a “home-field advantage” due to housing much of the internet’s architecture. But the presentation claimed “Fisa constraints restricted our home-field advantage” because Fisa required individual warrants and confirmations that both the sender and receiver of a communication were outside the US.

“Fisa was broken because it provided privacy protections to people who were not entitled to them,” the presentation claimed. “It took a Fisa courtorder to collect on foreigners overseas who were communicating with other foreigners overseas simply because the government was collecting off a wire in the United States. There were too many email accounts to be practical to seek Fisas for all.”

The new measures introduced in the FAA redefines “electronic surveillance” to exclude anyone “reasonably believed” to be outside the USA – a technical change which reduces the bar to initiating surveillance.

The act also gives the director of national intelligence and the attorney general power to permit obtaining intelligence information, and indemnifies internet companies against any actions arising as a result of co-operating with authorities’ requests.

In short, where previously the NSA needed individual authorisations, and confirmation that all parties were outside the USA, they now need only reasonable suspicion that one of the parties was outside the country at the time of the records were collected by the NSA.

The document also shows the FBI acts as an intermediary between other agencies and the tech companies, and stresses its reliance on the participation of US internet firms, claiming “access is 100% dependent on ISP provisioning”.

In the document, the NSA hails the Prism program as “one of the most valuable, unique and productive accesses for NSA”.

It boasts of what it calls “strong growth” in its use of the Prism program to obtain communications. The document highlights the number of obtained communications increased in 2012 by 248% for Skype – leading the notes to remark there was “exponential growth in Skype reporting; looks like the word is getting out about our capability against Skype”. There was also a 131% increase in requests for Facebook data, and 63% for Google.

The NSA document indicates that it is planning to add Dropbox as aPRISM provider. The agency also seeks, in its words, to “expand collection services from existing providers”.

The revelations echo fears raised on the Senate floor last year during the expedited debate on the renewal of the FAA powers which underpin the PRISM program, which occurred just days before the act expired.

Senator Christopher Coons of Delaware specifically warned that the secrecy surrounding the various surveillance programs meant there was no way to know if safeguards within the act were working.

“The problem is: we here in the Senate and the citizens we represent don’t know how well any of these safeguards actually work,” he said.

“The law doesn’t forbid purely domestic information from being collected. We know that at least one Fisa court has ruled that the surveillance program violated the law. Why? Those who know can’t say and average Americans can’t know.”

Other senators also raised concerns. Senator Ron Wyden of Oregon attempted, without success, to find out any information on how many phone calls or emails had been intercepted under the program.

When the law was enacted, defenders of the FAA argued that a significant check on abuse would be the NSA’s inability to obtain electronic communications without the consent of the telecom and internet companies that control the data. But the Prism program renders that consent unnecessary, as it allows the agency to directly and unilaterally seize the communications off the companies’ servers.

When the NSA reviews a communication it believes merits further investigation, it issues what it calls a “report”. According to the NSA, “over 2,000 Prism-based reports” are now issued every month. There were 24,005 in 2012, a 27% increase on the previous year.

In total, more than 77,000 intelligence reports have cited the PRISMprogram.

Jameel Jaffer, director of the ACLU’s Center for Democracy, that it was astonishing the NSA would even ask technology companies to grant direct access to user data.

“It’s shocking enough just that the NSA is asking companies to do this,” he said. “The NSA is part of the military. The military has been granted unprecedented access to civilian communications.

“This is unprecedented militarisation of domestic communications infrastructure. That’s profoundly troubling to anyone who is concerned about that separation.”

A senior administration official said in a statement: “The Guardian and Washington Post articles refer to collection of communications pursuant to Section 702 of the Foreign Intelligence Surveillance Act. This law does not allow the targeting of any US citizen or of any person located within the United States.

“The program is subject to oversight by the Foreign Intelligence Surveillance Court, the Executive Branch, and Congress. It involves extensive procedures, specifically approved by the court, to ensure that only non-US persons outside the US are targeted, and that minimize the acquisition, retention and dissemination of incidentally acquired information about US persons.

“This program was recently reauthorized by Congress after extensive hearings and debate.

“Information collected under this program is among the most important and valuable intelligence information we collect, and is used to protect our nation from a wide variety of threats.

“The Government may only use Section 702 to acquire foreign intelligence information, which is specifically, and narrowly, defined in the Foreign Intelligence Surveillance Act. This requirement applies across the board, regardless of the nationality of the target.”

Additional reporting by James Ball and Dominic Rushe

Magaly Pazello: “A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores” (viomundo)

Publicado em 14 de janeiro de 2013 às 12:04

Criador do RSS, Reddit e Creative Commons suicida-se aos 26 anos, sob os efeitos da máquina de moer do Departamento de Justiça dos EUA

por Magaly Pazello, especial para o Viomundo

Este foi um final de semana muito triste, perdemos Selarón no Rio de Janeiro e, em Nova York, aos 26 anos, Aaron Swartz se suicidou.

A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores, ativista, prodígio da computação, escritor. Essa perda trágica repercute intensamente pela internet, como uma onda de dor, espanto e indignação. Mais e mais sites publicam relatos, declarações, notícias.

Esse rapaz, os quais os sites de notícia não se cansam de sublinhar que sofria de depressão, sofreu os efeitos da máquina de moer do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Acusado de “roubar” milhões de artigos científicos ele enfrentava um processo judicial que poderia resultar em 35 anos de prisão caso fosse considerado culpado. No centro desse processo se instalou uma séria controvérsia que deixa uma marca indelével sobre o direito de todas as pessoas ao acesso ao conhecimento e à informação, ao livre exercício dos direitos civis e das liberdades individuais.

Aaron Swartz, aos 13 anos foi o ganhador do ArsDigita Prize, uma competição para jovens criadores de websites não-comerciais que fossem úteis, colaborativos e voltados para atividades educacionais. O prêmio incluiu uma visita ao famoso Massachusetts Institute of Technology (MIT), que mais tarde seria protagonista dos eventos que o levaram ao suicídio.

Aos 14 anos, Aaron integrou a equipe de criadores do RSS 1.0, um recurso bacana de leitura de sites através de atualizações em tempo real, os famosos feeds. Eu adoro!

Aos 15 anos, integrou a equipe que desenhou as licenças Creative Commons.

Na sequência, fundou uma start-up, que depois se fundiu à rede social Reddit, onde ele desenvolveu a plataforma que a levaria ao sucesso. E cujo desenho também resultou na base de sites Open Library, ou seja, bibliotecas abertas, e no Archive.org, uma espécie de máquina do tempo da internet. E esta seria sua vida e sua bandeira a partir de então: o acesso ao conhecimento e à informação, sua disponibilização online gratuita através de plataformas abertas, o desenvolvimento técnico dessas plataformas. Especialmente o acesso ao conhecimento e à informação públicas e geradas a partir de recursos públicos. Suas atividades profissionais nunca visaram à obtenção de lucro e promoção pessoal. Sua genialidade está presente em dezenas de projetos semelhantes.

Crítico de filmes e pesquisador, seu blog tinha um enorme público. Entre 2010 e 2011, foi bolsista do Laboratório de Ética Edmond J. Safra na Harvard University, onde pesquisava sobre corrupção institucional. Fundou e era líder do DemandProgress.org, uma plataforma inteligente de ciberativismo.

Aaron foi uma das vozes fortes contra o SOPA-Stop Online Piracy Act, um projeto de lei contra a pirataria online proposto pelo poderoso setor de propriedade intelectual e direitos de autor, a indústria fonográfica e de cinema. Mas o projeto de lei, de fato, iria endurecer as leis a tal ponto que sequer mencionar um texto num blog seria considerado um ato ilegal, estrangulando o direito à liberdade de expressão.

Aaron, junto com Shireen Barday, “baixou” e analisou por volta de 440 mil artigos acadêmicos da área de Direito para determinar o tipo de financiamento que os autores receberam. Os resultados, publicados noStanford Law Review, levaram a trilhar os caminhos dos fundos públicos para pesquisa. Por causa de sua capacidade de processar grandes quantidades de dados era requisitado para colaborar com vários outros pesquisadores. Disto resultou o projeto theinfo.org, que chamou a atenção do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

theinfo.org tornou livre e aberto o acesso a uma imensa base de dados públicos somente disponível gratuitamente através de máquinas instaladas em 17 bibliotecas em todo o país, o que obrigava as pessoas interessadas a se deslocar até os pontos de acesso ou, então, pagar 10 centavos por peça. Foram aproximadamente 20 milhões de páginas da Corte Federal, algo de tirar o fôlego. Ele deixou muita gente brava com essa façanha, a tal ponto que começou a ser investigado pelo FBI, contudo sem consequências.

Mas a história foi bem diferente com o MIT. Ainda no Laboratório de Ética de Harvard, em 2011, Aaron se utilizou do acesso aberto do MIT para coletar por volta de 4,8 milhões de artigos científicos, incluindo arquivos  da base JSTOR muito conhecida no mundo acadêmico. O caso veio a público, creio, quando ele foi preso em julho de 2011.

A controvérsia sobre se seria roubo ou não foi substituída pelo debate sobre se era correto a cobrança por artigos científicos cujas pesquisas são financiadas com dinheiro público. Sobre a mercantilização e privatização do conhecimento científico, direitos de autor e os custos para tornar esses materiais disponíveis. Uma campanha de apoio a Aaron e o manifesto Guerrilla Open Access, escrito por ele em 2008, ganhou outra vez visibilidade (uma tradução pode ser encontrada aqui).

Segundo a ONG Electronic Frontier Foundation, embora os métodos de Aaron fossem provocativos, os seus objetivos eram justos. Ele lutava para libertar a literatura científica de um sistema de publicação que tornava inacessível essa produção para a maior parte das pessoas que realmente pagaram por isso, quer dizer, todas as pessoas que pagam impostos. Essa luta deveria ser apoiada por todos.

As coisas começaram a tomar outros rumos com o declínio do debate. Após a devolução das cópias digitais dos artigos, a JSTOR decidiu não apresentar queixa contra Aaron. Mas a façanha desta vez resultou num processo por crime cibernético por parte do governo dos Estados Unidos munido pelo MIT. Em seu desabafo ao saber do suicídio, Lawrence Lessig escreveu:

Logo no início, para seu grande mérito, JSTOR compreendeu que era “apropriado” desistir: eles declinaram de dar prosseguimento à sua própria ação contra Aaron e pediram ao governo para fazer o mesmo. O MIT, para sua grande vergonha, não foi limpo, e então o promotor teve a desculpa que ele precisava para continuar sua guerra contra o “criminoso” que nós amamos e conhecemos como Aaron.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos interpretou a ação de Aaron como crime de roubo e a demanda foi levada ao grande júri que decidiu que ele deveria ir a julgamento. Então, a máquina de fazer moer do governo começou a funcionar.

Primeiramente, Aaron foi acusado de quatro crimes todos relativos à violação de sistema informático. Mas depois o Departamento de Justiça, numa atitude de “exemplaridade”, acrescentou mais nove acusações, todas contidas na Lei de Abuso e Fraude Informática, e atos de conspiração.

Além disto, familiares e amigos, como Lawrence Lessig, relatam situações de intimidação por parte do Departamento de Justiça. Alex Stamos, especialista em crimes cibernéticosalém de inúmeras outras vozes, desmontam item por item o exagero forçado na perseguição a Aaron, a verdade sobre o “crime”.

O efeito cascata dessas acusações resultaram na possibilidade real de Aaron Swartz ser condenadoa 35 anos de prisão e multa de 1 milhão de dólares!!!

Lawrence Lessig diz:

Aqui, é onde nós precisamos de um melhor sentido de justiça e de vergonha. O que é ultrajante nesta história não é apenas [o que aconteceu com] Aaron. É também o absurdo do comportamento do promotor. Bem desde o início, o governo trabalhou tão  duro quanto pode para caracterizar o que Aaron fez da forma mais extrema e absurda. A “propriedade” que Aaron “roubou”,  nós fomos informados, valia “milhão de dólares” — com a dica, e então a sugestão, que o seu objetivo de obter lucro com o seu crime. Mas qualquer um que diga que se pode ganhar dinheiro com um estoque de ARTIGOS ACADÊMICOS é idiota ou mentiroso. Estava claro o que disto não se tratava, mas o nosso governo continuou a pressionar como se tivesse agarrado terroristas do 11/09  com a boca na botija.

Não consigo imaginar o que passou com esse rapaz de personalidade introvertida, apresentando um quadro de depressão, à medida que a data do julgamento se aproximava. Sua solidão, seu medo diante deste quadro kafkiano. Sua morte me pareceu daqui de longe uma forma de exílio. Como o exílio do protagonista das tragédias gregas. A morte é a condenação ao exílio da República que não permite a existência dos poetas.

No sábado, ainda sob o impacto do acontecimento, sua família fez um comunicado público, culpando as autoridades judiciais e o MIT. O documento afirma que essa morte não é apenas uma tragédia pessoal, mas sim um produto de um sistema de justiça criminal repleto de intimidações, o qual iria punir uma pessoa por um alegado crime que não fez vítimas.

Essa última parte é a chave de todo o enredo, pois para a aplicabilidade da lei com a qual Aaron seria julgado era necessário uma série de aspectos todos ausentes dos atos cometidos.

Um memorial online está sendo construído em homenagem a Aaron.

O funeral será realizado nessa terça-feira, 15 de janeiro, em Illinois.

Como tributo a comunidade ciberativista criou uma página com o objetivo de ser um grande e espontâneo repositório de produção acadêmica colocada a disposição  de todas as pessoas de forma gratuita e aberta.

Todas as pessoas estão convidadas a disponibilizar seus trabalhos em qualquer idioma. No twitter acompanhe pela hashtag #pdftribute.

JSTOR publicou suas condolências imediatamente e o MIT anunciou que vai investigar sua responsabilidade na morte de Aaron, mas  para mim este anúncio beira o cinismo.

E o que nós aqui no Brasil temos com isso?

Bom, a internet foi concebida como uma plataforma sem fronteiras físicas e territoriais. E quando ocorre um evento, triste ou alegre, seja onde for, que está relacionado ao âmago do funcionamento desse incrível sistema isso nos interessa.

O aperfeiçoamento técnico da internet e seu sistema regulatório é, também, de grande interesse de todos, sobretudo quando este aperfeiçoamento está relacionado com o acesso ao conhecimento e à informação, ao livre exercício dos direitos civis e das liberdades individuais.

Em relação à produção científica vale lembrar que o governo brasileiro tem tido uma participação importante na formação de uma cultura de acesso aberto e gratuito. Embora de maneira, por vezes, contraditória.

Mas deixando as idiossincrasias de lado… a área de saúde é um belo exemplo de acesso compartilhado ao conhecimento com a instalação, no Brasil, da BIREME, em 1967, cujo objetivo é contribuir com o desenvolvimento da saúde fortalecendo e ampliando o fluxo de informação em ciências da Saúde.  Dela, em 2002, surgiu o projeto Scielo, uma biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros que se expande pela América Latina.

No início dos anos 2000, em consonância com a o debate global, é lançado o Manifesto Brasileiro de Apoio ao Acesso Livre à Informação Científica com vários setores e órgãos do governo brasileiro entre os apoiadores da inicitiava (leia aqui e aqui).

Contudo, a sucessão de eventos desde a cópia dos milhares de artigos científicos até o processo judicial e o incremento da pena — resultando na absurda possibilidade de Aaron ser condenado a 35 anos de prisão mais multa — serve de alerta para a necessidade de nós mesmos repensarmos e revisarmos estrategicamente as recentes leis aprovadas no nosso Congresso Nacional sobre cibercrime, além da debilidade política e conceitual a que chegou o Marco Civil.

Nós não estamos distantes de absurdos como o caso de Aaron! Em terras tupiniquins outros absurdos já acontecem por causa do uso excessivo das leis de difamação e persistência das leis de desacato.

Magaly Pazello é pesquisadora do Emerge — Centro de Pesquisa e Produção em Comunicação e Emergência da Universidade Federal Fluminense (UFF), sendo responsável pela área de pesquisa de governança na internet. É ciberativista e feminista.

Search Technology That Can Gauge Opinion and Predict the Future (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 16, 2012) — Inspired by a system for categorising books proposed by an Indian librarian more than 50 years ago, a team of EU-funded researchers have developed a new kind of internet search that takes into account factors such as opinion, bias, context, time and location. The new technology, which could soon be in use commercially, can display trends in public opinion about a topic, company or person over time — and it can even be used to predict the future.

‘Do a search for the word “climate” on Google or another search engine and what you will get back is basically a list of results featuring that word: there’s no categorisation, no specific order, no context. Current search engines do not take into account the dimensions of diversity: factors such as when the information was published, if there is a bias toward one opinion or another inherent in the content and structure, who published it and when,’ explains Fausto Giunchiglia, a professor of computer science at the University of Trento in Italy.

But can search technology be made to identify and embrace diversity? Can a search engine tell you, for example, how public opinion about climate change has changed over the last decade? Or how hot the weather will be a century from now, by aggregating current and past estimates from different sources?

It seems that it can, thanks to a pioneering combination of modern science and a decades-old classification method, brought together by European researchers in the LivingKnowledge (1) project. Supported by EUR 4.8 million in funding from the European Commission, the LivingKnowledge team, coordinated by Prof. Giunchiglia, adopted a multidisciplinary approach to developing new search technology, drawing on fields as diverse as computer science, social science, semiotics and library science.

Indeed, the so-called father of library science, Sirkali Ramamrita Ranganathan, an Indian librarian, served as a source of inspiration for the researchers. In the 1920s and 1930s, Ranganathan developed the first major analytico-synthetic, or faceted, classification system. Using this approach, objects — books, in the case of Ranganathan; web and database content, in the case of the LivingKnowlege team — are assigned multiple characteristics and attributes (facets), enabling the classification to be ordered in multiple ways, rather than in a single, predetermined, taxonomic order. Using the system, an article about the effects on agriculture of climate change written in Norway in 1990 might be classified as ‘Geography; Climate; Climate change; Agriculture; Research; Norway; 1990.’

In order to understand the classification system better and implement it in search engine technology, the LivingKnowledge researchers turned to the Indian Statistical Institute, a project partner, which uses faceted classification on a daily basis.

‘Using their knowledge we were able to turn Ranganathan’s pseudo-algorithm into a computer algorithm and the computer scientists were able to use it to mine data from the web, extract its meaning and context, assign facets to it, and use these to structure the information based on the dimensions of diversity,’ Prof. Giunchiglia says.

Researchers at the University of Pavia in Italy, another partner, drew on their expertise in extracting meaning from web content — not just from text and multimedia content, but also from the way the information is structured and laid out — in order to infer bias and opinions, adding another facet to the data.

‘We are able to identify the bias of authors on a certain subject and whether their opinions are positive or negative,’ the LivingKnowledge coordinator says. ‘Facts are facts, but any information about an event, or on any subject, is often surrounded by opinions and bias.’

From libraries of the 1930s to space travel in 2034…

The technology was implemented in a testbed, now available as open source software, and used for trials based around two intriguing application scenarios.

Working with Austrian social research institute SORA, the team used the LivingKnowledge system to identify social trends and monitor public opinion in both quantitative and qualitative terms. Used for media content analysis, the system could help a company understand the impact of a new advertising campaign, showing how it has affected brand recognition over time and which social groups have been most receptive. Alternatively, a government might use the system to gauge public opinion about a new policy, or a politician could use it to respond in the most publicly acceptable way to a rival candidate’s claims.

With Barcelona Media, a non-profit research foundation supported by Yahoo!, and with the Netherlands-based Internet Memory Foundation, the LivingKnowledge team looked not only at current and past trends, but extrapolated them and drew on forecasts extracted from existing data to try to predict the future. Their Future Predictor application is able to make searches based on questions such as ‘What will oil prices be in 2050?’ or ‘How much will global temperatures rise over the next 100 years?’ and find relevant information and forecasts from today’s web. For example, a search for the year 2034 turns up ‘space travel’ as the most relevant topic indexed in today’s news.

‘More immediately, this application scenario provides functionality for detecting trends even before these trends become apparent in daily events — based on integrated search and navigation capabilities for finding diverse, multi-dimensional information depending on content, bias and time,’ Prof. Giunchiglia explains.

Several of the project partners have plans to implement the technology commercially, and the project coordinator intends to set up a non-profit foundation to build on the LivingKnowledge results at a time when demand for this sort of technology is only likely to increase.

As Prof. Giunchiglia points out, Google fundamentally changed the world by providing everyone with access to much of the world’s information, but it did it for people: currently only humans can understand the meaning of all that data, so much so that information overload is a common problem. As we move into a ‘big data’ age in which information about everything and anything is available at the touch of a button, the meaning of that information needs to be understandable not just by humans but also by machines, so quantity must come combined with quality. The LivingKnowledge approach addresses that problem.

‘When we started the project, no one was talking about big data. Now everyone is and there is increasing interest in this sort of technology,’ Prof. Giunchiglia says. ‘The future will be all about big data — we can’t say whether it will be good or bad, but it will certainly be different.’

TATU OR NOT TATU Manifesto Uninômade +10

TATU OR NOT TATU
Manifesto Uninômade +10
15 de Junho de 2012
 
A palavra revolução voltou a circular. Nas ruas, nas praças, na internet, e até mesmo nas páginas de jornal, que a olha com olhos temerosos. Mas, principalmente, em nossos espíritos e corpos. Da mesma maneira, a palavra capitalismo saiu de sua invisibilidade: já não nos domina como dominava. Assistimos ao final de um ciclo – o ciclo neoliberal implementado a partir dos anos 80, mas cujo ápice se deu com a queda do muro de Berlim e o consenso global em torno da expansão planetária do mercado. Muitos dentre nós (principalmente os jovens) experimentam seu primeiro deslocamento massivo das placas tectônicas da história. 

Mas nossa era não é apenas crepuscular. Ao fim de um ciclo abrem-se amplas oportunidades, e cabe a nós transformar a crise da representação e do capitalismo cognitivo em novas formas de democracia absoluta. Para além das esferas formais, dos Estados e nacionalidades. Para além do capitalismo financeiro e flexível. Lá onde brilha nossa singularidade comum: a mulher, o negro, o índio, o amarelo, o pobre, o explorado, o precário, o haitiano, o boliviano, o imigrante, o favelado, o trabalhador intelectual e manual. Não se trata de um recitar de excluídos, mas de uma nova inclusão híbrida. A terra, enfim, nossa. Nós que somos produzidos por esta chuva, esta precipitação de encontros de singularidades em que nos fazemos divinos nesta terra.

É pelo que clama a multidão na Grécia, na Espanha e os occupy espalhados pelos Estados Unidos; é pelo que clamam as radicalidades presentes na primavera árabe, esta multidão situada para além da racionalidade ocidental. É o mesmo arco que une a primavera árabe, as lutas dos estudantes no Chile e as lutas pela radicalização da democracia no Brasil. Nossas diferenças é o que nos torna fortes.

A luta pela mestiçagem racial, simbólica, cultural e financeira passa pela materialidade do cotidiano, pela afirmação de uma longa marcha que junte nossa potência de êxodo e nossa potência constituinte. Acontecimento é o nome que nos anima para o êxodo perpétuo das formas de exploração. Êxodo para dentro da terra. Fidelidade à terra. Tatu or not tatu.

É preciso ouvir em nós aquele desejo que vai para além da vida e da sua conservação: para além do grande terror de uma vida de merda que nos impõe o estado de precariedade e desfiliação extrema. É preciso re-insuflar o grito que nos foi roubado à noite, resistir aos clichês que somos, e que querem fazer de nós: para além de nossas linhas de subjetivação suspensas entre o luxo excedente do 1% ou do lixo supérfluo dos 99%. 

É preciso não precisar de mais nada, a não ser nossa coragem, nosso intelecto e nossos corpos, que hoje se espraiam nas redes de conhecimentos comuns apontando para nossa autonomia. Somos maiores do que pensamos e desejamos tudo.  Não estamos sozinhos! É preciso resistir na alegria, algo que o poder dominador da melancolia é incapaz de roubar. Quando o sujeito deixa de ser um mero consumidor-passivo para produzir ecologias. Um corpo de vozes fala através de nós porque a crise não é apenas do capital, mas sim do viver. Uma profunda crise antropológica. Manifesta-se no esvaziamento de corpos constrangidos, envergonhados, refletidos na tela da TV, sem se expandir para ganhar as ruas. Nossos corpos paralisam, sentem medo, paranóia: o outro vira o grande inimigo. Não criam novos modos de vida. Permanecem em um estado de vidaMenosvida: trabalho, casa, trem, ônibus, trabalho, casa. A vida individual é uma abstração. Uma vida sem compartilhamento afetivo, onde a geração do comum se torna impossível. É preciso criar desvios para uma vidaMaisvida: sobrevida, supervida, overvida. Pausa para sentir parte do acontecimento, que é a vida.  Somos singularidades cooperativas. Pertencemos a uma esfera que nos atravessa e nos constrói a todo o momento.

O capitalismo cognitivo e financeiro instaura um perpétuo estado de exceção que busca continuamente reintegrar e modular a normalidade e a diferença: lei e desordem coincidem dentro de uma mesma conservação das desigualdades que produz e reproduz as identidades do poder: o “Precário” sem direitos, o Imigrante “ilegal”, o “Velho” abandonado, o “Operário” obediente, a “Mulher” subjugada, a “Esposa” dócil, o “Negro” criminalizado e, enfim, o “Depressivo” a ser medicalizado. As vidas dos pobres e dos excluídos passam a ser mobilizadas enquanto tais. Ao mesmo tempo em que precisam gerar valor econômico, mantêm-se politicamente impotentes.

O pobre e o louco. O pobre – figura agora híbrida e modulada de inclusão e exclusão da cadeia do capital –  persiste no cru da vida, até usando seu  próprio corpo como moeda. E o louco, essa figura que vive fora da história, “escolhe” a exclusão. Esse sujeito que se recusa a produzir, vive sem lugar. Onde a questão de exclusão e inclusão é diluída no delírio. Ninguém delira sozinho, delira-se o mundo. Esses dois personagens vivem e sobrevivem à margem, mas a margem transbordou e virou centro. O capital passa a procurar valor na subjetividade e nas formas de vida das margens e a potência dos sem-dar-lucro passa a compor o sintoma do capital: a crise da lei do valor, o capitalismo cognitivo como crise do capitalismo.

A crise dos contratos subprimes em 2007, alastrando-se para a crise da dívida soberana europeia, já não deixa dúvidas: a forma atual de governabilidade é a crise perpétua, repassada como sacrifício para os elos fragilizados do arco social. Austeridade, cortes, desmonte do welfare, xenofobia, racismo. Por detrás dos ternos cinza dos tecnocratas pós-ideológicos ressurgem as velhas bandeiras do biopoder: o dinheiro volta a ter rosto, cor, e não lhe faltam ideias sobre como governar: “que o Mercado seja louvado”, “In God we trust”. O discurso neutro da racionalidade econômica é obrigado a mostrar-se em praça pública, convocando o mundo a dobrar-se ao novo consenso, sem mais respeitar sequer a formalidade da democracia parlamentar. Eis o homo œconomicus: sacrifício, nação, trabalho, capital! É contra este estado de sítio que as redes e a ruas se insurgem. Nas mobilizações auto-convocadas em redes, nas praças das acampadas, a exceção aparece como criatividade do comum, o comum das singularidades que cooperam entre si.

No Brasil são muitos os que ainda se sentem protegidos diante da crise global. O consenso (neo) desenvolvimentista produzido em torno do crescimento econômico e da construção de uma nova classe média consumidora cria barreiras artificiais que distorcem nossa visão da topologia da crise: a crise do capitalismo mundial é, imediatamente, crise do capitalismo brasileiro. Não nos interessa que o Brasil ensine ao mundo, junto à China, uma nova velha forma de capitalismo autoritário baseado no acordo entre Estados e grandes corporações! 

O governo Lula, a partir das cotas, do Prouni, da política cultural (cultura viva, pontos de cultura) e da distribuição de renda (programas sociais, bolsa família, valorização do salário mínimo) pôde apontar, em sua polivalência característica, para algo que muitos no mundo, hoje, reivindicam: uma nova esquerda, para além dos partidos e Estados (sem excluí-los). Uma esquerda que se inflame dos movimentos constituintes que nascem do solo das lutas, e reverta o Estado e o mercado em nomes  do comum. Uma esquerda que só pode acontecer “nessa de todos nós latino-amarga américa”. Mais do que simples medidas governamentais, nestas políticas intersticiais, algo de um acontecimento histórico teve um mínimo de vazão: aqueles que viveram e morreram por transformações, os espectros das revoluções passadas e futuras, convergiram na construção incipiente de nossa emancipação educacional, racial, cultural e econômica. Uma nova memória e um novo futuro constituíram-se num presente que resistira ao assassinato simbólico da história perpetrado pelo neoliberalismo. A popularidade dos governos Lula tinha como lastro esses interstícios onde a política se tornava uma poética. Já hoje, nas taxas de aprovação do governo Dilma, podemos facilmente reconhecer também as cores deslavadas de um consenso prosaico. O “país rico” agora pacifica-se no mantra desenvolvimentista, retrocedendo em muitas das políticas que tinham vazado. Voltam as velhas injunções progressistas: crescimento econômico para redistribuir! Estado forte! As nuvens ideológicas trazem as águas carregadas do gerencialismo e do funcionalismo tecnocrático: menos política, mais eficiência! Desta maneira, removem-se e expropriam-se os pobres: seja em nome de um Brasil Maior e se seu interesse “público” (Belo Monte, Jirau, Vila Autódromo), seja em nome de um Mercado cada vez Maior e de seu interesse “privado” (Pinheirinho, TKCSA, Porto do Açu). Juntando-se entusiasticamente às equações do mercado, os tratores do progresso varrem a sujeira na construção de um novo “País Rico (e) sem pobreza”. Os pobres e as florestas, as formas de vida que resistem e persistem, se tornam sujeira. A catástrofe ambiental (das florestas e das metrópoles) e cultural (dos índios e dos pobres) é assim pacificada sob o nome do progresso. Dominação do homem e da natureza conjugam-se num pacto fáustico presidido por nenhum Mefistófeles, por nenhuma crise de consciência: já somos o país do futuro!
 
Na política de crescer exponencialmente, só se pensa em eletricidade e esqueceu-se a democracia (os Soviets : Conselhos). Assim, governa-se segundo a férrea lógica – única e autoritária – da racionalidade capitalista. Ataca-se enfim a renda vergonhosa dos “banquiplenos”, mas a baixa dos juros vai para engordar os produtores de carros, essas máquinas sagradas de produção de individualismo, em nome da moral do trabalho. Dessa maneira, progredir significa, na realidade, regredir: regressão política como acontece na gestão autoritária das revoltas dos operários das barragens; regressão econômica e biológica, como acontece com uma expansão das fronteiras agrícolas que serra a duração das relações entre cultura e natureza; regressão da vida urbana, com a remoção de milhares de pobres para abrir o caminho dos megaeventos; regressão da política da cultura viva, em favorecimento das velhas oligarquias e das novas indústrias culturais. O progresso que nos interessa não contém nenhuma hierarquia de valor, ele é concreta transformação qualitativa, “culturmorfologia”.

Este é o imaginário moderno em que a dicotomia prevalece: corpo e alma, natureza e cultura, nós e os outros; cada macaco no seu galho! Estes conceitos resultam em uma visão do mundo que distancia o homem da ecologia e de si mesmo. O que está em questão é a maneira de viver no planeta daqui em diante. É preciso encontrar caminhos para reconciliar estes mundos. Perceber outras configurações relacionais mais móveis, ativar sensibilidades. Fazer dessa revolução um grande caldeirão de desejos que crie formas de cooperação e modos de intercâmbio, recombine e componha novas práticas e perspectivas: mundos. Uma mestiçagem generalizada: nossa cultura é nossa economia e nosso ambiente é nossa cultura: três ecologias!

As lutas da primavera Árabe, do 15M Espanhol, do Occupy Wall Street e do #ocupabrasil gritam por transformação, aonde a base comum que somos nos lança para além do estado de exceção econômico: uma dívida infinita que busca manipular nossos corações e manter-nos acorrentados aos medos. Uma dívida infinita que instaura a perpétua transferência de renda dos 99% dos devedores ao 1% dos credores. Não deixemos que tomem por nós a decisão sobre o que queremos! 

A rede Universidade Nômade se formou há mais de dez anos, entre as mobilizações de Seattle e Gênova, os Fóruns Sociais Mundiais de Porto Alegre e a insurreição Argentina de 2001 contra o neoliberalismo. Foram dois momentos constituintes: o manifesto inicial que chamava pela nomadização das relações de poder/saber, com base nas lutas dos pré-vestibulares comunitários para negros e pobres (em prol da política de cotas raciais e da democratização do acesso ao ensino superior); e o manifesto de 2005 pela radicalização democrática. Hoje, a Universidade Nômade acontece novamente: seu Kairòs (o aqui e agora) é aquele do capitalismo global como crise. Na época da mobilização de toda a vida dentro da acumulação capitalista, o capitalismo se apresenta como crise e a crise como expropriação do comum, destruição do comum da terra. Governa-se a vida: a catástrofe financeira e ambiental é o fato de um controle que precisa separar a vida de si mesma e opõe a barragem aos índios e ribeirinhos de Belo Monte,  as obras aos operários, os megaeventos aos favelados e aos pobres em geral, a dívida aos direitos, a cultura à natureza. Não há nenhum determinismo, nenhuma crise terminal. O capital não tem limites, a não ser aqueles que as lutas sabem e podem construir. A rede Universidade Nômade é um espaço de pesquisa e militância, para pensar as brechas e os interstícios onde se articulam as lutas que determinam esses limites do capital e se abrem ao possível: pelo reconhecimento das dimensões produtivas da vida através da renda universal, pela radicalização democrática através da produção de novas instituições do comum, para além da dialética entre público e privado, pelo ressurgimento da natureza como produção da diferença, como luta e biopolítica de fabricação de corpos pós-econômicos. Corpos atravessados pela antropofagia dos modernistas, pelas cosmologias ameríndias, pelos êxodos quilombolas, pelas lutas dos sem teto, sem terra, precários, índios, negros, mulheres e hackers: por aqueles que esboçam outras formas de viver, mais potentes, mais vivas.

II Fórum Mundial de Mídia Livre fará parte da Cúpula dos Povos, durante a Rio +20 (Revista Fórum)

Envolverde Rio + 20
31/5/2012 – 11h08

por Por Mikaele Teodoro, da Revista Fórum.

Capa62 II Fórum Mundial de Mídia Livre fará parte da Cúpula dos Povos, durante a Rio +20Evento acontece no Rio de Janeiro, nos dias 16 e 17 de junho.

Nos dias 16 e 17 de junho acontece, no Rio de Janeiro, o II Fórum Mundial de Mídia Livre. O evento vai reunir “midialivristas” tais como: representantes de sites, ativistas, rádios e TVs comunitárias, pontos de cultura, coletivos atuantes nas redes sociais e também agências, revistas e emissoras alternativas comprometidas com a luta pelo conhecimento livre. O encontro fará parte da Cúpula dos Povos da Rio+20, evento paralelo à Conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável.

Bia Barbosa, do Coletivo Intervozes, explica que o momento é ideal para discutir a mídia livre. “O II Fórum Mundial de Mídia Livre acontecerá num momento em que a mídia livre e todas as suas formas de organização e expressão ganham espaço no contexto das mobilizações globais por um mundo mais justo, como ocorreu na Primavera Árabe e também nas ocupações realizadas, no último ano, em diversas partes do globo”, destaca.

No II FML, midialivristas de diversos países discutirão temas como alternativas de produção de informação, maneiras de estruturar politicamente a mídia livre internacional, discutir alternativas de financiamento e de compartilhamento de conteúdo, propagar novas possibilidades de atuação disponibilizadas pelas novas tecnologias, entre outros. “Vai ter gente de varias partes do mundo, um grupo grande de pessoas do norte da África, representantes do Uruguai, França, Alemanha e muitos outros”, afirma Bia. “A intenção dos organizadores é atrair diferentes públicos para as discussões. Não queremos tornar o debate muito técnico, comum apenas para os profissionais da comunicação.”

O encontro contará com atividades autogestionadas, além de painéis, debates livres, oficinas e plenárias, e será na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ao lado do Aterro do Flamengo.

Confira abaixo a programação:

Dia 16

9h: Abertura – Auditório Pedro Calmon (campus da UFRJ – Urca)
O II Fórum Mundial de Mídia Livre e a Rio+20: A luta da comunicação e da cultura como bens comuns

11h: Painéis simultâneos

Eixo 1 – Direito à Comunicação – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Temas em debate: acesso à informação; liberdade de expressão; agressões a jornalistas; criminalização da mídia livre; conglomerados mundiais de comunicação e o discurso hegemônico sobre desenvolvimento

Eixo 2 – Apropriação Tecnológica – Auditório Eletrobras (Casa do Estudante – Flamengo)
Temas em debate: novos modelos organizacionais e econômicos; protocolos livres; liberdade de internet; espectro livre e tecnologia digital (rádio e TV digital); formação para apropriação tecnológica

13h – Almoço

14h – Painel eixo 3: Políticas Públicas – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Temas em debate: comunicação e democracia; marcos regulatórios; padrões internacionais e boas práticas de regulação; sistema público de comunicação; rádios comunitárias; rádios livres; sustentabilidade das mídias livres

16h – Atividades autogestionadas – salas de aula ECO (UFRJ – Urca)
Rodas de conversa, desconferências, oficinas, Fórum Extendido

Dia 17

9h – Painéis simultâneos

Eixo 4 – Movimentos Sociais – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Temas em debate: Produção de conteúdo e informação pela sociedade civil (incluindo o debate sobre a disputa de valores em torno do desenvolvimento sustentável); as lutas nas redes e nas ruas e o ativismo global; como aumentar o impacto da mídia livre nas lutas sociais; sinergia entre plataformas regionais de informação; troca de experiências e iniciativas; os midialivristas e o processo do Fórum Social Mundial

Mulher, mídia e bens comuns – Auditório Eletrobras (Casa do Estudante – Flamengo)
Temas em debate: invisibilidade e exclusão da história das mulheres; liberdade de expressão e negação da memória; lutas das mulheres nas redes sociais; das Marchas das Vadias às denúncias de discriminação das mulheres na Primavera Árabe; produção de conteúdo pelo direito à igualdade e diversidade de gênero e raça na rede; regulação de mídia e a questão da representação da imagem da mulher; o potencial de impacto desse debate nas redes sociais.

10h30 – Plenária Geral – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Organização de estratégias e encaminhamento de propostas para a Plenária de Convergência da Cúpula dos Povos sobre Bens Comuns

13h – Almoço

14h – Atividades autogestionadas – salas de aula ECO (UFRJ – Urca)
Rodas de conversa, desconferências, oficinas, Fórum Extendido

Inscrição de atividades para o II Fórum Mundial de Mídia Livre: http://cupuladospovos.org.br/fmml/

Outras informações:
http://medias-libres.rio20.net
http://forumdemidialivre.org
http://freemediaforum.org

* Publicado originalmente no site da Revista Fórum.

New climate emails leaked ahead of talks (CBS)

November 22, 2011 2:15 PM

The Climatic Research Unit at the University of East Anglia in Norwich, England. (AP)  

LONDON – The British university whose leaked emails caused a global climate science controversy in 2009 says it has discovered a potentially much larger data breach.

University of East Anglia spokesman Simon Dunford said that while academics didn’t have the chance yet to examine the roughly 5,000 emails apparently dumped into the public domain Tuesday, a small sample examined by the university “appears to be genuine.”

The university said in a statement that the emails did not appear to be the result of a new hack or leak. Instead, the statement said that the emails appeared to have been stolen two years ago and held back until now “to cause maximum disruption” to the imminent U.N. climate talks next week in Durban, South Africa.

If that is confirmed, the timing and nature of the leak would follow the pattern set by the so-called “Climategate” emails, which caught prominent scientists stonewalling critics and discussing ways to keep opponents’ research out of peer-reviewed journals.

Those hostile to mainstream climate science claimed the exchanges proved that the threat of global warming was being hyped, and their publication helped destabilize the failed U.N. climate talks in Copenhagen, Denmark, which followed several weeks later.

Although several reviews have since vindicated the researchers’ science, some of their practices – in particular efforts to hide data from critics – have come under strong criticism.

The content of the new batch of emails couldn’t be immediately verified – The Associated Press has not yet been able to secure a copy – but climate skeptic websites carried what they said were excerpts.

Although their context couldn’t be determined, the excerpts appeared to show climate scientists talking in conspiratorial tones about ways to promote their agenda and freeze out those they disagree with. There are several mentions of “the cause” and discussions of ways to shield emails from freedom of information requests.

Penn State University Prof. Michael Mann – a prominent player in the earlier controversy whose name also appears in the latest leak – described the latest leak as “a truly pathetic episode,” blaming agents of the fossil fuel industry for “smear, innuendo, criminal hacking of websites, and leaking out-of-context snippets of personal emails.”

He said the real story in the emails was “an attempt to dig out 2-year-old turkey from Thanksgiving ’09. That’s how desperate climate change deniers have become.”

Bob Ward, with the London School of Economics’ Grantham Research Institute on Climate Change, said in an email that he wasn’t surprised by the leak.

“The selective presentation of old email messages is clearly designed to mislead the public and politicians about the strength of the evidence for man-made climate change,” he said. “But the fact remains that there is very strong evidence that most the indisputable warming of the Earth over the past half century is due to the burning of fossil fuels and other human activities.”

The source of the latest leaked emails was unclear. The perpetrator of the original hack has yet to be unmasked, although British police have said their investigation is still active.

Climate researchers cleared of malpractice
An End to Climategate? Penn State Clears Michael Mann
Why climate change skeptics remain skeptical

Next Buddha Will Be A Collective (p2pfoundation.net)

Religious and spiritual expression is always embedded in societal structures. If social structures are moving towards the form of distributed networks, what kind of evolution of spiritual expression can we expect? In this essay, we will first describe the general societal changes that we see emerging, and expect to become more prevalent in the future, then examine to what degree these changes will have an impact on individual and collective spiritual expression. The reader has to bear with us in the first general part, which explains the peer to peer dynamic, in order to understand its application to spirituality, which is the subject of the second part of the essay. Finally, in the third and final part, we will discuss a few concrete examples.

Read it here.

Desafios do “tsunami de dados” (FAPESP)

Lançado pelo Instituto Microsoft Research-FAPESP de Pesquisas em TI, o livro O Quarto Paradigma debate os desafios da eScience, nova área dedicada a lidar com o imenso volume de informações que caracteriza a ciência atual

07/11/2011

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Se há alguns anos a falta de dados limitava os avanços da ciência, hoje o problema se inverteu. O desenvolvimento de novas tecnologias de captação de dados, nas mais variadas áreas e escalas, tem gerado um volume tão imenso de informações que o excesso se tornou um gargalo para o avanço científico.

Nesse contexto, cientistas da computação têm se unido a especialistas de diferentes áreas para desenvolver novos conceitos e teorias capazes de lidar com a enxurrada de dados da ciência contemporânea. O resultado é chamado de eScience.

Esse é o tema debatido no livro O Quarto Paradigma – Descobertas científicas na era da eScience, lançado no dia 3 de novembro pelo Instituto Microsoft Research-FAPESP de Pesquisas em TI.

Organizado por Tony Hey, Stewart Tansley, Kristin Tolle – todos da Microsoft Research –, a publicação foi lançada na sede da FAPESP, em evento que contou com a presença do diretor científico da Fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz.

Durante o lançamento, Roberto Marcondes Cesar Jr., do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP), apresentou a palestra “eScience no Brasil”. “O Quarto Paradigma: computação intensiva de dados avançando a descoberta científica” foi o tema da palestra de Daniel Fay, diretor de Terra, Energia e Meio Ambiente da MSR.

Brito Cruz destacou o interesse da FAPESP em estimular o desenvolvimento da eScience no Brasil. “A FAPESP está muito conectada a essa ideia, porque muitos dos nossos projetos e programas apresentam essa necessidade de mais capacidade de gerenciar grandes conjuntos de dados. O nosso grande desafio está na ciência por trás dessa capacidade de lidar com grandes volumes de dados”, disse.

Iniciativas como o Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), o BIOTA-FAPESP e o Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) são exemplos de programas que têm grande necessidade de integrar e processar imensos volumes de dados.

“Sabemos que a ciência avança quando novos instrumentos são disponibilizados. Por outro lado, os cientistas normalmente não percebem o computador como um novo grande instrumento que revoluciona a ciência. A FAPESP está interessada em ações para que a comunidade científica tome consciência de que há grandes desafios na área de eScience”, disse Brito Cruz.

O livro é uma coleção de 26 ensaios técnicos divididos em quatro seções: “Terra e meio ambiente”, “Saúde e bem-estar”, “Infraestrutura científica” e “Comunicação acadêmica”.

“O livro fala da emergência de um novo paradigma para as descobertas científicas. Há milhares de anos, o paradigma vigente era o da ciência experimental, fundamentada na descrição de fenômenos naturais. Há algumas centenas de anos, surgiu o paradigma da ciência teórica, simbolizado pelas leis de Newton. Há algumas décadas, surgiu a ciência computacional, simulando fenômenos complexos. Agora, chegamos ao quarto paradigma, que é o da ciência orientada por dados”, disse Fay.

Com o advento do novo paradigma, segundo ele, houve uma mudança completa na natureza da descoberta científica. Entraram em cena modelos complexos, com amplas escalas espaciais e temporais, que exigem cada vez mais interações multidisciplinares.

“Os dados, em quantidade incrível, são provenientes de diferentes fontes e precisam também de abordagem multidisciplinar e, muitas vezes, de tratamento em tempo real. As comunidades científicas também estão mais distribuídas. Tudo isso transformou a maneira como se fazem descobertas”, disse Fay.

A ecologia, uma das áreas altamente afetadas pelos grandes volumes de dados, é um exemplo de como o avanço da ciência, cada vez mais, dependerá da colaboração entre pesquisadores acadêmicos e especialistas em computação.

“Vivemos em uma tempestade de sensoriamento remoto, sensores terrestres baratos e acesso a dados na internet. Mas extrair as variáveis que a ciência requer dessa massa de dados heterogêneos continua sendo um problema. É preciso ter conhecimento especializado sobre algoritmos, formatos de arquivos e limpeza de dados, por exemplo, que nem sempre é acessível para o pessoal da área de ecologia”, explicou.

O mesmo ocorre em áreas como medicina e biologia – que se beneficiam de novas tecnologias, por exemplo, em registros de atividade cerebral, ou de sequenciamento de DNA – ou a astronomia e física, à medida que os modernos telescópios capturam terabytes de informação diariamente e o Grande Colisor de Hádrons (LHC) gera petabytes de dados a cada ano.

Instituto Virtual

Segundo Cesar Jr., a comunidade envolvida com eScience no Brasil está crescendo. O país tem 2.167 cursos de sistemas de informação ou engenharia e ciências da computação. Em 2009, houve 45 mil formados nessas áreas e a pós-graduação, entre 2007 e 2009, tinha 32 cursos, mil orientadores, 2.705 mestrandos e 410 doutorandos.

“A ciência mudou do paradigma da aquisição de dados para o da análise de dados. Temos diferentes tecnologias que produzem terabytes em diversos campos do conhecimento e, hoje, podemos dizer que essas áreas têm foco na análise de um dilúvio de dados”, disse o membro da Coordenação da Área de Ciência e Engenharia da Computação da FAPESP.

Em 2006, a Sociedade Brasileira de Computação (SBC) organizou um encontro a fim de identificar os problemas-chave e os principais desafios para a área. Isso levou a diferentes propostas para que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) criasse um programa específico para esse tipo de problema.

“Em 2009, realizamos uma série de workshops na FAPESP, reunindo, para discutir essa questão, cientistas de áreas como agricultura, mudanças climáticas, medicina, transcriptômica, games, governo eletrônico e redes sociais. A iniciativa resultou em excelentes colaborações entre grupos de cientistas com problemas semelhantes e originou diversas iniciativas”, disse César Jr.

As chamadas do Instituto Microsoft Research-FAPESP de Pesquisas em TI, segundo ele, têm sido parte importante do conjunto de iniciativas para promover a eScience, assim como a organização da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Processamento e Visualização de Imagens Computacionais. Além disso, a FAPESP tem apoiado diversos projetos de pesquisa ligados ao tema.

“A comunidade de eScience em São Paulo tem trabalhado com profissionais de diversas áreas e publicado em revistas de várias delas. Isso é indicação de qualidade adquirida pela comunidade para encarar o grande desafio que teremos nos próximos anos”, disse César Jr., que assina o prefácio da edição brasileira do livro.

  • O Quarto Paradigma
    Organizadores: Tony Hey, Stewart Tansley e Kristin Tolle
    Lançamento: 2011
    Preço: R$ 60
    Páginas: 263
    Mais informações: www.ofitexto.com.br

Copyright: A Conceptual Battle in a Digital Age (Science Daily)

ScienceDaily (Nov. 3, 2011) — What is it about copyright that doesn’t work in the digital society? Why do millions of people think it’s OK to break the law when it comes to file sharing in particular? Sociology of law researcher Stefan Larsson from Lund University believes that legal metaphors and old-fashioned mindsets contribute to the confusion and widening gaps between legislation and the prevailing norms.

Our language is made up of metaphors, even in our legal texts. Stefan Larsson has studied what consequences this has when digital phenomena, such as file sharing and downloading, are limited by descriptions intended for an analogue world. “When legal arguments equate file sharing with theft of physical objects, it sometimes becomes problematic,” says Stefan Larsson, who doesn’t think it is possible to equate an illegal download with theft of a physical object, as has been done in the case against The Pirate Bay.

Using the compensation model employed in the case against The Pirate Bay, the total value of such a site could be calculated at over SEK 600 billion. This is almost as much as Sweden’s national budget, says Stefan Larsson. The prosecutor in the Pirate Bay case chose to pursue a smaller number of downloads and the sum of the fines therefore never reached these proportions.

In Stefan Larsson’s view, the word ‘copies’ is a hidden legal metaphor that causes problematic ideas in the digital society. For example, copyright does not take into account that a download does not result in the owner losing his or her own copy. Neither is it possible to equate number of downloads with lost income for the copyright holder, since it is likely that people download a lot more than they would purchase in a shop.

Other metaphors that are used for downloading are infringement, theft and piracy. “The problem is that these metaphors make us equate copyright with ownership of physical property,” says Stefan Larsson.

Moreover, there are underlying mindsets which guide the whole of copyright, according to Stefan Larsson. One such mindset is the idea that creation is a process undertaken by sole geniuses and not so much in a cultural context. In Stefan Larsson’s view, this has the unfortunate consequence of making stronger copyright protection with longer duration and a higher degree of legal enforcement appear reasonable. The problem is that it is based on a misconception of how a lot of things are created, says Stefan Larsson: “Borrowing and drawing inspiration from other artists is essential to a lot of creative activity. This is the case both online and offline.”

Stefan Larsson has also studied the consequences when public perception of the law, or social norms, is not in line with what the law says. One consequence is that the State needs to exercise more control and issue more severe penalties in order to ensure that the law is followed. The European trend in copyright law is heading in this direction. Among other things, it is being made easier to track what individuals do on the Internet. This means that the integrity of the many is being eroded to benefit the interests of a few, according to Stefan Larsson: “When all’s said and done, it is about what we want the Internet to be. The fight for this is taking place, at least partially, through metaphorical expressions for underlying conceptions, but also through practical action on the role of anonymity online.”

Stefan Larsson’s thesis is entitled Metaphors and Norms – Understanding Copyright Law in a Digital Society.

O futuro da ciência está na colaboração (Valor Econômico)

JC e-mail 4376, de 01 de Novembro de 2011.

Texto de Michael Nielsen publicado no The Wall Street Journal e divulgado pelo Valor Econômico.

Um matemático da Universidade de Cambridge chamado Tim Gowers decidiu em janeiro de 2009 usar seu blog para realizar um experimento social inusitado. Ele escolheu um problema matemático difícil e tentou resolvê-lo abertamente, usando o blog para apresentar suas ideias e como estava progredindo. Ele convidou todo mundo para contribuir com ideias, na esperança de que várias mentes unidas seriam mais poderosas que uma. Ele chamou o experimento de Projeto Polímata (“Polymath Project”).

Quinze minutos depois de Gowers abrir o blog para discussão, um matemático húngaro-canadense publicou um comentário. Quinze minutos depois, um professor de matemática do ensino médio dos Estados Unidos entrou na conversa. Três minutos depois disso, o matemático Terence Tao, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, também comentou. A discussão pegou fogo e em apenas seis semanas o problema foi solucionado.

Embora tenham surgido outros desafios e os colaboradores dessa rede nem sempre tenham encontrado todas as soluções, eles conseguiram criar uma nova abordagem para solucionar problemas. O trabalho deles é um exemplo das experiências com ciência colaborativa que estão sendo feitas para estudar desde de galáxias até dinossauros.

Esses projetos usam a internet como ferramenta cognitiva para amplificar a inteligência coletiva. Essas ferramentas são um meio de conectar as pessoas certas com os problemas certos na hora certa, ativando o que é um conhecimento apenas latente.

A colaboração em rede tem o potencial de acelerar extraordinariamente o número de descobertas da ciência como um todo. É provável que assistiremos a uma mudança mais fundamental na pesquisa científica nas próximas décadas do que a ocorrida nos últimos três séculos.

Mas há obstáculos grandes para alcançar essa meta. Embora pareça natural que os cientistas adotem essas novas ferramentas de descobrimento, na verdade eles têm demonstrado uma inibição surpreendente. Iniciativas como o Projeto Polímata continuam sendo exceção, não regra.

Considere a simples ideia de compartilhar dados científicos on-line. O melhor exemplo disso é o projeto do genoma humano, cujos dados podem ser baixados por qualquer um. Quando se lê no noticiário que um certo gene foi associado a alguma doença, é praticamente certo que é uma descoberta possibilitada pela política do projeto de abrir os dados.

Apesar do valor enorme de divulgar abertamente os dados, a maioria dos laboratórios não faz um esforço sistemático para compartilhar suas informações com outros cientistas. Como me disse um biólogo, ele estava “sentado no genoma” de uma nova espécie inteira há mais de um ano. Uma espécie inteira! Imagine as descobertas cruciais que outros cientistas poderiam ter feito se esse genoma tivesse sido carregado num banco de dados aberto.

Por que os cientistas não gostam de compartilhar?

Se você é um cientista buscando um emprego ou financiamento de pesquisa, o maior fator para determinar seu sucesso será o número de publicações científicas que já conseguiu. Se o seu histórico for brilhante, você se dará bem. Se não for, terá problemas. Então você dedica seu cotidiano de trabalho à produção de artigos para revistas acadêmicas.

Mesmo que ache pessoalmente que seria muito melhor para a ciência como um todo se você organizasse e compartilhasse seus dados na internet, é um tempo que o afasta do “verdadeiro” trabalho de escrever os artigos. Compartilhar dados não é algo a que seus colegas vão dar crédito, exceto em poucas áreas.

Há outras áreas em que os cientistas ainda estão atrasados no uso das ferramentas on-line. Um exemplo são os “wikis” criadas por pioneiros corajosos em assuntos como computação quântica, teoria das cordas e genética (um wiki permite o compartilhamento e edição colaborativa de um conjunto de informações interligadas, e o site Wikipedia é o mais conhecido deles).

Os wikis especializados podem funcionar como obras de referência atualizadas sobre as pesquisas mais recentes de um campo, como se fossem livros didáticos que evoluem ultrarrápido. Eles podem incluir descrições de problemas científicos importantes que ainda não foram resolvidos e podem servir de ferramenta para encontrar soluções.

Mas a maioria desses wikis não deu certo. Eles têm o mesmo problema que o compartilhamento de dados: mesmo se os cientistas acreditarem no valor da colaboração, sabem que escrever um único artigo medíocre fará muito mais por suas carreiras. O incentivo está completamente errado.

Para a ciência em rede alcançar seu potencial, os cientistas precisam abraçar e recompensar o compartilhamento aberto de todos os conhecimentos científicos, não só o publicado nas revistas acadêmicas tradicionais. A ciência em rede precisa ser aberta.

Michael Nielsen é um dos pioneiros da computação quântica e escreveu o livro “Reinventing Discovery: The New Era of Networked Science” (Reinventando a Descoberta: A Nova Era da Ciência em Rede, sem tradução para o português), de onde esse texto foi adaptado.

After Pregnancy Loss, Internet Forums Help Women Understand They Are Not Alone (Science Daily)

ScienceDaily (Oct. 20, 2011) — Nearly one in six pregnancies end in miscarriage or stillbirth, but parents’ losses are frequently minimized or not acknowledged by friends, family or the community.

“Women who have not gone through a stillbirth don’t want to hear about my birth, or what my daughter looked like, or anything about my experience,” said one woman, responding in a University of Michigan Health System-led study that explored how Internet communities and message boards increasingly provide a place for women to share feelings about these life-altering experiences.

The anonymous survey of more than 1,000 women on 18 message boards opens a new window into who is using the forums and why. The findings will be published in Women’s Health Issues.

The researchers were surprised to find that only half of the women surveyed were in their first year of loss after a pregnancy. Many were still coping with the emotional impacts five, 10 and even 20 years later.

“To my family and most friends, the twins have been gone for nearly a year and are entirely a subject for the past,” another woman wrote.

A second unexpected finding was that only 2 percent of survey respondents were African American, despite nearly 60 percent of African Americans having internet access and despite black women having twice the risk of stillbirth as white women.

“This is the largest study to look at who uses Internet message boards after a pregnancy loss and it demonstrates a significant disparity between the women who experience loss and those who responded to the survey,” says lead study author Katherine J. Gold, M.D., M.S.W., M.S., assistant professor of family medicine at the U-M Medical School. “This suggests an important gap in support for African American parents that should be explored further.”

By far, the most common reason women gave for participating in the message boards was that it helped them to feel that their experience wasn’t unique.

One woman explained that the most important aspect of the forums was knowing “that I am not the only one this has happened to and that I am not alone in this horrible nightmare.” Another common theme was that the online environments provided a safe and validating space for the women to express themselves. Others appreciated the ease and convenience of the Internet and their ability to spend more time composing their thoughts than they would be able to in a face-to-face conversation.

Most participants agreed that boards should have a moderator or facilitator, and that health care professionals should participate. Of the 908 women who answered the question, 82 percent said they had learned new medical information from one of the forums.

“The fact that so many women learned new medical information from the message boards shows what an important resource they can be in this regard,” says study senior author Christie Palladino, M.D., M.Sc., an obstetrician/gynecologist with Georgia Health Sciences University’s Education Discovery Institute.

Gold and her colleagues are currently pursuing similar research with bereaved parents who attend in-person support groups and plan to compare and contrast the results.

Number of Facebook Friends Linked to Size of Brain Regions, Study Suggests (Science Daily)

ScienceDaily (Oct. 20, 2011) — Scientists funded by the Wellcome Trust have found a direct link between the number of ‘Facebook friends’ a person has and the size of particular brain regions. Researchers at University College London (UCL) also showed that the more Facebook friends a person has, the more ‘real-world’ friends they are likely to have.

The researchers are keen to stress that they have found a correlation and not a cause, however: in other words, it is not possible from the data to say whether having more Facebook friends makes the regions of the brain larger or whether some people are ‘hardwired’ to have more friends.

The social networking site Facebook has more than 800 million active users worldwide. Nearly 30 million of these are believed to be in the UK.

The site allows people to keep in touch online with a network of friends. The sizes of individual networks vary considerably, and some users have only a handful of online friends while others have over a thousand; however, whether this variability is reflected in the size of real-world social networks has not been clear.

Professor Geraint Rees, a Wellcome Trust Senior Clinical Research Fellow at UCL, said: “Online social networks are massively influential, yet we understand very little about the impact they have on our brains. This has led to a lot of unsupported speculation that the internet is somehow bad for us.

“Our study will help us begin to understand how our interactions with the world are mediated through social networks. This should allow us to start asking intelligent questions about the relationship between the internet and the brain — scientific questions, not political ones.”

Professor Rees and colleagues at the UCL Institute of Cognitive Neuroscience and the Wellcome Trust Centre for Neuroimaging studied brain scans of 125 university students — all active Facebook users — and compared them against the size of the students’ network of friends, both online and in the real world. Their findings, which they replicated in a further group of 40 students, are published October 20 in the journal Proceedings of the Royal Society B.

Professor Rees and colleagues found a strong connection between the number of Facebook friends an individual had and the amount of grey matter (the brain tissue where the processing is done) in several regions of the brain. One of these regions was the amygdala, a region associated with processing memory and emotional responses. A study published recently showed that the volume of grey matter in this area is larger in people with a larger network of real-world friends — the new study shows that the same is true for people with a larger network of online friends.
The size of three other regions — the right superior temporal sulcus, the left middle temporal gyrus and the right entorhinal cortex — also correlated with online social networks but did not appear to correlate with real-world networks.

The superior temporal sulcus has a role in our ability to perceive a moving object as biological, and structural defects in this region have been identified in some children with autism. The entorhinal cortex, meanwhile, has been linked to memory and navigation — including navigating through online social networks. Finally, the middle temporal gyrus has been shown to activate in response to the gaze of others and so is implicated in perception of social cues.

Dr Ryota Kanai, first author of the study, added: “We have found some interesting brain regions that seem to link to the number of friends we have — both ‘real’ and ‘virtual’. The exciting question now is whether these structures change over time — this will help us answer the question of whether the internet is changing our brains.”
As well as examining brain structure, the researchers also examined whether there was a link between the size of a person’s online network of friends and their real-world network. Previous studies have looked at this, but only in relatively small sample sizes.

The UCL researchers asked their volunteers questions such as ‘How many people would send a text message to you marking a celebratory event (e.g. birthday, new job, etc.)?’, ‘What is the total number of friends in your phonebook?’ and ‘How many friends have you kept from school and university that you could have a friendly conversation with now?’ The responses suggest that the size of their online networks also related to the size of their real world networks.

“Our findings support the idea that most Facebook users use the site to support their existing social relationships, maintaining or reinforcing these friendships, rather than just creating networks of entirely new, virtual friends,” adds Professor Rees.

Commenting on the study, Dr John Williams, Head of Neuroscience and Mental Health at the Wellcome Trust, said: “We cannot escape the ubiquity of the internet and its impact on our lives, yet we understand little of its impact on the brain, which we know is plastic and can change over time. This new study illustrates how well-designed investigations can help us begin to understand whether or not our brains are evolving as they adapt to the challenges posed by social media.”

Will the information superhighway turn into a cul-de-sac because of automated filters? (The Wall Street Journal)

BOOKSHELFMAY 20, 2011
Your Results May Vary

By PAUL BOUTIN

Last year Eli Pariser, president of the board of the liberal-activist site MoveOn.org, had a shocking realization. A heavy Facebook user, he had become friends—at least on Facebook—with an assortment of conservative thinkers and pundits. As a serious thinker, he wanted to have his opinions on current events challenged by those with opposing political ideologies.

But it struck Mr. Pariser one day that he hadn’t seen a single status update from any of the loyal opposition in a while. Had his sources of conservative thought stopped posting? Had they unfriended him? No, Facebook had quietly stopped inserting their updates into his news feed on the site. Had the social-networking giant figured out that he was a liberal?

It turned out that Facebook had changed the algorithm for its news feeds, in response to its users’ complaints that they were being overwhelmed by updates from “friends” whom they hardly knew. The 600-million-member social network now filters status updates so that, by default, users see only those from Facebook friends with whom they’ve recently interacted—say, by sending a message or commenting on a friend’s post.

For Mr. Pariser, the algorithm change meant that his news feed was filtered to let him know about only the mostly left-leaning people with whom he bantered, leaving out conservative voices that he simply monitored. Facebook’s algorithm has no political parameters, but for Mr. Pariser it effectively muffled the people he most disagreed with but wanted to hear.

This sifting-out of seemingly dead connections—which might strike many people as a wonderful service—spurred Mr. Pariser to undertake a months-long exploration of the growing trend of personalized content on websites. In “The Filter Bubble,” he recounts what he found. “I was struck by the degree to which personalization is already upon us. Not only on Facebook and Google, but on almost every major site on the Web.”

It’s no secret that Amazon, for example, customizes its pages to suggest products that are most likely to be of interest, based on shoppers’ past purchases. But most Google users don’t realize that, since 2009, their search results have been gradually personalized based on the user’s location, search history and other parameters. By tracking individual Web browsers with cookies, Google has been able to personalize results even for users who don’t create a personal Google account or are not logged into one. Mr. Pariser asked two friends to search for “BP” shortly after the Deepwater Horizon oil spill last year. The two were shown strikingly different pages—one full of news about the disaster, the other mostly investor information about the energy company.

Personalization is meant to make Internet users happy: It shows them information that mathematical calculations indicate is more likely than generalized content to be of interest. Google’s personalized search results track dozens of variables to deliver the links that a user is predicted to be most likely to click on. As a result, Google users click on more of the results that they get. That’s good for Google, good for its advertisers, good for other websites and presumably good for the user.

But Mr. Pariser worries that there’s a dark downside to giving people their own custom version of the Internet. “Personalization isn’t just shaping what we buy,” he writes. “Thirty-six percent of Americans under thirty get their news through social networking sites.” As we become increasingly dependent on the Internet for our view of the world, and as the Internet becomes more and more fine-tuned to show us only what we like, the would-be information superhighway risks becoming a land of cul-de-sacs, with each of its users living in an individualized bubble created by automated filters—of which the user is barely aware.

To Mr. Pariser, these well-intended filters pose a serious threat to democracy by undermining political debate. If partisans on either side of the issues seem uninterested in the opposition’s thinking nowadays, wait until Google’s helpful sorters really step up their game.

Through interviews with influential Internet experts including Google News chief Krishna Bharat, Search Engine Land editor Danny Sullivan and Microsoft researcher Danah Boyd, Mr. Pariser exposes the problem with personalization: It’s hard enough for an army of researchers to create algorithms that can match each of us with things we like. It’s nearly impossible, by contrast, to craft a formula that will show us something we wouldn’t seek out but really ought to read—and will be glad we did. Beyond throwing random links onto a screen, it’s hard to model serendipity on a computer.

And there’s another problem with filters: People like them. The Internet long ago became overwhelming. Filters help make it manageable without our having to do the work of sorting through its content entirely by ourselves.

What to do? Mr. Pariser’s opening argument in “The Filter Bubble” is a powerful indictment of the current system. But his closing chapters fumble around in search of a solution—from individuals, from companies like Google or from government oversight. How do you tell the Internet to back it off a bit on the custom content?

For now, the best Mr. Pariser can hope for is to educate readers who don’t want to live in a solipsistic subset of the Internet, especially regarding political matters. Just knowing that Google and Facebook personalize what you see, and that you can turn it off if you want—on Facebook, click Most Recent instead of Top News atop your feed; for Google, get instructions by searching “deleting Web history”—is a good start. “The Filter Bubble” is well-timed: The threat is real but not yet pandemic. Major news sites are toying with personalization but haven’t rolled it out en masse. And in a test I conducted myself, I enlisted a handful of heavy Google users across America to search for “Bin Laden raid” soon after the event. The search results that came back were all nearly identical. To tell the truth, we were kind of disappointed.

Mr. Boutin writes about Internet technology and culture for MIT Technology Review, Wired and the New York Times.

The Filter Bubble
By Eli Pariser
The Penguin Press, 294 pages, $25.95

I am, therefore I’m right (Christian Science Monitor)

By Jim Sollisch / July 29, 2011

If you’ve ever been on a jury, you might have noticed that a funny thing happens the minute you get behind closed doors. Everybody starts talking about themselves. They say what they would have done if they had been the plaintiff or the defendant. They bring up anecdote after anecdote. It can take hours to get back to the points of law that the judge has instructed you to consider.

Being on a jury (I recently served on my fourth) reminds me why I can’t stomach talk radio. We Americans seem to have lost the ability to talk about anything but our own experiences. We can’t seem to generalize without stereotyping or to consider evidence that goes against our own experience.

I heard a doctor on a radio show the other day talking about a study that found that exercise reduces the incidence of Alzheimer’s. And caller after caller couldn’t wait to make essentially the opposite point: “Well, my grandmother never exercised and she lived to 95, sharp as a tack.” We are in an age summed up by the aphorism: “I experience, therefore I’m right.”

This isn’t a new phenomenon, except by degree. Historically, the hallmarks of an uneducated person were the lack of ability to think critically, to use deductive reasoning, to distinguish the personal from the universal. Now that seems an apt description of many Americans. The culture of “I” is everywhere you look, from the iPod/iPhone/iPad to the fact that memoir is the fastest growing literary genre.

How’d we get here? The same way we seem to get everywhere today: the Internet. The Internet has allowed us to segregate ourselves based on our interests. All cat lovers over here. All people who believe President Obama wasn’t born in the United States over there. For many of us, what we believe has become the most important organizing element in our lives. Once we all had common media experiences: Walter Cronkite, Ed Sullivan, a large daily newspaper. Now each of us can create a personal media network – call it the iNetwork – fed by the RSS feeds of our choosing.

But the Internet doesn’t just cordon us off in our own little pods. It also makes us dumber, as Nicholas Carr points out in his excellent book, “The Shallows: What the Internet is Doing to our Brains.” He argues that the way we consume media changes our brains, not just our behaviors. The Internet rewards shallow thinking: One search leads to thousands of results that skim over the surface of a subject.

Of course, we could dive deeply into any one of the listings, but we don’t. Studies show that people skim on line, they don’t read. The experience has been designed to reward speed and variety, not depth. And there is tangible evidence, based on studies of brain scans, that the medium is changing our physical brains, strengthening the synapses and areas used for referential thinking while weakening the areas used for critical thinking.

And when we diminish our ability to think critically, we, in essence, become less educated. Less capable of reflection and meaningful conversation. Our experience, reinforced by a web of other gut instincts and experiences that match our own, becomes evidence. Case in point: the polarization of our politics. Exhibit A: the debt ceiling impasse.

Ironically, the same medium that helped mobilize people in the Arab world this spring is helping create a more rigid, dysfunctional democracy here: one that’s increasingly polarized, where each side is isolated and capable only of sound bites that skim the surface, a culture where deep reasoning and critical thinking aren’t rewarded.

The challenge for most of us isn’t to go backwards: We can’t disconnect from the Internet. Nor would we want to. But we can work harder to make “search” the metaphor it once was: to discover, not just to skim. The Internet lets us find facts in an instant. But it doesn’t stop us from finding insight, if we’re willing to really search.

Jim Sollisch is creative director at Marcus Thomas Advertising.