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Rollemberg diz manter ‘contato informal’ com Fundação Cacique Cobra Coral (G1)

Governador do DF afirmou, em rede social, que relação não prevê contrato ou pagamento; entidade contesta. Fundação diz ter montado ‘QG’ no Entorno para estender temporada de chuvas.


 

Postagem do governador Rodrigo Rollemberg em rede social, com referência à Fundação Cacique Cobra Coral (Foto: Facebook/Reprodução)

Postagem do governador Rodrigo Rollemberg em rede social, com referência à Fundação Cacique Cobra Coral (Foto: Facebook/Reprodução) 

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, afirmou nas redes sociais que tem “mantido contatos informais” com a Fundação Cacique Cobra Coral – entidade esotérica que teria o poder de controlar o clima –, em busca de soluções para a crise hídrica que atinge a capital. Segundo Rollemberg, as conversas não incluem contrato ou pagamento, mas “toda ajuda é bem-vinda”.

A publicação foi ao ar nesta sexta-feira (31). Na quinta (30), reportagem do G1 mostrou que a fundação tinha montado um “quartel-general” em Luziânia, no Entorno, para adiar a chegada da estiagem ao Planalto Central. A informação foi confirmada pelo porta-voz da entidade, Osmar Santos, mas, naquele momento, a Caesb e o Palácio do Buriti informavam “desconhecer” o convênio.

Na postagem, Rollemberg diz que, “como católico”, tem “rezado muito para que chova bastante no DF”. As atividades da Fundação Cacique Cobra Coral estão relacionadas a contatos com o plano astral e com o espírito do cacique que nomeia a entidade – e que já passou pela terra como Abraham Lincoln e Galileu Galilei, segundo o grupo.

Questionado pelo G1, Santos disse que a fundação se define como “entidade esotérica científica, ou espiritualista”. Segundo ele, toda operação tem apoio técnico de dois cientistas voluntários – um da Universidade de São Paulo (USP), e um do Centro de Previsões e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe).

Ao contrário do que afirma o governo, a Fundação Cacique Cobra Coral diz que um contrato será fechado, e terá de ser publicado em Diário Oficial. O acordo não prevê repasse de dinheiro público – as atividades são custeadas por empresários e mantenedores, afirma a entidade.

Fotografia de longa exposição de raios e tempestade no Distrito Federal (Foto: Felipe Bastos/Arquivo pessoal)

Fotografia de longa exposição de raios e tempestade no Distrito Federal (Foto: Felipe Bastos/Arquivo pessoal) 

Fé contra a crise

Segundo o porta-voz, a operação será similar à que foi empregada em São Paulo e no Rio de Janeiro, em 2015, para conter a crise hídrica que secou os reservatórios daquela região.

Em fevereiro, o blog “Gente Boa”, do jornal “O Globo”, informou que o prefeito João Doria tinha fechado nova parceria com a fundação. “Quem nos indicou para o governo de Brasília foi o governador [do Rio], Luiz Fernando Pezão, que tocava essa operação por lá”, diz Santos.

“Começamos há uns 20 dias. [A intervenção] Consiste em prolongar esse período chuvoso por mais uns dias, para tornar o outono e o inverno mais úmidos. Também queremos antecipar o período chuvoso já para setembro.”

Em anos “normais”, a temporada de chuvas no DF começa em meados de outubro, e se estende até o mês de março. Se o clamor ao cacique for atendido, as nuvens devem continuar sobre a capital federal por, pelo menos, mais dez dias.

“É um processo gradual, porque você não pode mexer com a natureza de qualquer jeito, causando efeito colateral. Mas vão ser as águas de abril, e não de março, que vão fechar o verão.”

Além do socorro às crises hídricas, a fundação já foi acionada pelos governos estaduais, pela União e até por outros países para garantir o céu limpo em grandes eventos – Rock in Rio, festas de réveillon e Olimpíadas, por exemplo.

37 COMENTÁRIOS (3 de abril de 2017, 13h57)

  • Lazaro Castro

    HÁ UM DIA

    honrar compromisso que é bom nada né governador lamentável

    130

    • Saulo Weslei

      HÁ 5 HORAS

      Quando um governo é extremamente incompetente recorre a estas coisas.

      40
    • José Rodrigues

      HÁ 2 HORAS

      kkkkkkkk……….é cada piada esse governo imprestável!!!!!

      20
  • Jose

    HÁ 15 HORAS

    Ma che bello administrador ! kkkk

    10
  • Bruno Silva
    HÁ 16 HORAS

    Por que nunca resolveram o problema do sertão nordestino? Precisava transpor o velho Chico com uma “solução” prática dessa?

    30
  • George Rocha

    HÁ 19 HORAS

    Só pode estar desdenhando!

    50

  • Ivam Silva

    HÁ 24 HORAS

    Me recuso a acreditar nessas asneiras. So mesmo nesse Brasilzinho.

    110

  • Laechelndfuchs

    HÁ UM DIA

    Os surdos correm grande risco de serem picados pela cobra coral…

    100

  • Carlos Leonel

    HÁ UM DIA

    kkkkkkkkk

    101
  • Cleanto Sena

    HÁ UM DIA

    ouvi dizer que a tal entidade vai também atuar na saúde ,segurança ,transporte, e economia do DF pois os últimos governantes não deram conta

    152

  • Marcio L.

    HÁ UM DIA

    sera que pra trazer chuva os caras vão fazer a dança da chuva kkkkkkkkkkkkkkkk

    171

  • Renato Abreu
    HÁ 2 DIAS

    Caique coral é uma entidade da bruxaria. Governador, não amaldiçoe ainda mais nossa terra. Vc não faz idéia do mal que vc está se fazendo e a toda população do DF. Vai procurar Deus, vai orar, pede a Jesus Cristo, pq ele sim é quem faz chover para pecadores e justos.

    7441

    • Galega

      HÁ UM DIA

      rindo até 2050 kkkkkkkkkkkkkkk

      263
    • Cesar Schmitt

      HÁ UM DIA

      Te informa direito, antes de dizer besteira,

      312
  • Ricardo Cardoso

    HÁ UM DIA

    Aqui a mallandragem não tem por onde.

    120
  • Milton Oliveira

    HÁ UM DIA

    Governador do DF Rodrigo Rollemberg … é um exemplo do baixo nível dos gestores do nosso dinheiro no Brasil …Energia esotérica contra a crise hídrica ??? Só para um incompetente sair com essa … Vamos varrer essa gente da vida pública

    314

  • Francisco Rocha

    HÁ 2 DIAS

    Parece piada do Sensacionalista.

    432

    • Leandro

      HÁ UM DIA

      pois é, por um momento até achei que tava no portal errado.

      121
  • Andre Ramos

    HÁ UM DIA

    Saravá!!

    74
  • Vicente

    HÁ UM DIA

    Agora, o Brasil inaugurará a CORRUPÇÃO espiritual !!

    173

  • Veterano

    HÁ UM DIA

    A primeira vez que ouvi sobre essa Fundação, faz anos… Foi notícias vindas do RJ, onde o Governo pagava para essa Fundação ajudar a NÃO chover no Réveillon. Demorei um bom tempo para acreditar no que lia, achei que tinha enlouquecido de vez.

    201

    • Veterano

      HÁ UM DIA

      A tal Fundação “trabalhou” no Rock in Rio?! De qual ano??? Em 2011 choveu tanto que pro Guns and Roses tocar tiveram antes que retirar muita água do palco com rodo.

      111
  • Andre Campos

    HÁ 2 DIAS

    Eu sinceramente estou a defecar e a andar para o fato do Rollemberg (e a globo) ter fé em qualquer coisa ou achar isso bonito. Eu quero é que ele cumpra as promessas de governo, que até agora não chegaram em nem 20% do prometido.

    215

    • Loucs Silva

      HÁ UM DIA

      Cara, não tem 5 meses de cargo…

      310
  • Michele Junior

    HÁ 2 DIAS

    No centro espirita, preciso de chuva no distrito federal, atençao caral musical do centro vamos la voce deve esta pensando, ela foi embora, mais ja deve esta voltando, nao demora, ou ela foi pra muito longe, felicidade, felicidade? erramos que maldade, onde esta que nao responde, pois minha ALMA geme por voce, geme geme u por voce geme geme ha, ha ha ha a chuva nao vai chegar

    15

  • Daniel Dutra
    HÁ 2 DIAS

    O que é “contato informal”?

    131

  • José Oliveira

    HÁ 2 DIAS

    É SÓ O QUE FALTAVA, ÍNDIO QUER DINHEIRO E O IDIOTA ACREDITA?

    211
  • Hamitlon Júnior

    HÁ 2 DIAS

    Me paga que eu faço a dança da chuva todo dia ao meio dia!

    300

    • Jane Lucas

      HÁ 2 DIAS

      kkkkkkkk

      80
  • Francisco Silva
    HÁ 2 DIAS

    Manda esta organização pro nordeste,se resolver o problema recebe, se não resolver ela paga o prejuiso.

    305

    • Jane Lucas

      HÁ 2 DIAS

      boa

      81
  • Edson Mendes

    HÁ 2 DIAS

    E muito obscurantismo em pleno século XXl

    282

  • Pedro Passos

    HÁ 2 DIAS

    Só o que faltava! Fala sério?

    281

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Governo de Brasília fecha parceria com fundação esotérica que “promete chuva” (O Globo)

Representante da Cacique Cobra Coral diz que ainda dá tempo

NONATO VIEGAS

17/03/2017 – 17h16 – Atualizado 17/03/2017 17h49

Fundação Cacique Cobra Coral (Foto: reprodução)

Fundação Cacique Cobra Coral (Foto: Reprodução)

Com risco real de desabastecimento de água em Brasília, o governo do Distrito Federal decidiu, finalmente, fechar parceria com a fundação esotérica que “promete chuva”, a Cacique Cobra Coral. A parceria fora sugerida pelo governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), mas o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), resistia. O acordo, sem ônus para o governo do Distrito Federal, será publicado nos próximos dias no Diário Oficial. Apesar da demora, o representante da entidade, Osmar Santos, diz que ainda dá tempo de ajudar os brasilienses.


Entidade esotérica critica governo do DF por atraso em obra que garantiria mais água

A Fundação Cobra Coral está preocupada porque a capital federal abrigará o Fórum Mundial da Água no ano que vem

NONATO VIEGAS

09/03/2017 – 11h14 – Atualizado 09/03/2017 11h26

Do jeito que está, diz Santos, corre o risco de Brasília passar vergonha no ano que vem, quando a cidade sediará o Fórum Mundial da Água, evento mais importante sobre o tema no cenário internacional.


Governador de Brasília abriu mão de entidade esotérica para pedir chuva

A Fundação Cacique Cobra Coral foi consultada e esquecida depois

MURILO RAMOS

05/03/2017 – 15h00 – Atualizado 06/03/2017 08h57

Ilustração indio (Foto:  Reprodução)

No fim de 2016, preocupado com o baixo nível dos reservatórios de água em Brasília, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, buscou ajuda da Fundação Cacique Cobra Coral, entidade esotérica, para pedir chuva. Desde dezembro, no entanto, Rollemberg deixou a Cobral Coral de lado, e a questão hídrica em Brasília piorou. Mais de 20 regiões do Distrito Federal enfrentam racionamento de água. Apesar do abandono, o assessor da Cobra Coral, Osmar Santos, diz que ainda dá tempo de resolver o problema.

Nobel de Química fala sobre a ‘magia da ciência’ em São Carlos (Fapesp)

Na palestra de abertura do simpósio em homenagem ao professor do MIT Daniel Kleppner, Dudley Herschbach, ganhador do prêmio de Química em 1986, apresentou parábolas para ilustrar o que a química é capaz de fazer (foto:Silvio Pires/FAPESP)

28/02/2013

Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Com uma palestra intitulada “Glimpses of Chemical Wizardry” (Vislumbres da Magia da Química), o norte-americano Dudley Herschbach – ganhador do prêmio Nobel de Química de 1986 – deu início às atividades de um simpósioque reúne esta semana grandes nomes da ciência mundial em São Carlos, no interior de São Paulo.

A um auditório repleto de estudantes, principalmente dos cursos de Física, Química e Ciências Biológicas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Herschbach apresentou três “parábolas moleculares” com o intuito de mostrar algumas das coisas espetaculares que a ciência é capaz de fazer.

Em uma das histórias, intitulada “A vida em turnê no interior das células”, Herschbach falou sobre técnicas avançadas de microscopia com super-resolução desenvolvidas por Xiaowei Zhuang, pesquisadora da Universidade Harvard, que permitem, por exemplo, estudar a interação entre células e a expressão de genes em tempo real.

“A ciência faz coisas que realmente pareciam impossíveis antes de acontecerem. De vez em quando, alguém, em alguma parte do mundo, faz algo mágico e muda as coisas. É maravilhoso saber que você faz parte disso. É parte da recompensa da ciência que você não tem na maioria das profissões”, disse Herschbach à Agência FAPESP.

Graduado em Matemática pela Universidade Stanford, Herschbach fez mestrado em Física e em Química, além de doutorado em Físico-Química pela Universidade Harvard, onde hoje é professor.

“Fui o primeiro da minha família a ir para a universidade. Ofereceram-me uma bolsa para jogar futebol [norte-americano], mas acabei trocando por uma bolsa acadêmica, pois o técnico havia me proibido de frequentar as aulas de laboratório para não me atrasar para os treinos. A verdade é que eu achava a ciência muito mais fascinante”, contou.

Nos anos 1960, o cientista conduziu experimentos pioneiros com a técnica de feixes moleculares cruzados para estudar reações químicas e a dinâmica dos átomos das moléculas em tempo real. Por suas pesquisas nesse campo, recebeu em 1986 – junto com o taiwanês Yuan Lee e o canadense John Polanyi – o Nobel de Química.

Os resultados foram de grande importância para o desenvolvimento de um novo campo de pesquisa — o da dinâmica de reação — e proporcionaram um entendimento detalhado de como as reações químicas acontecem.

“Quando olho no espelho, ao me barbear, percebo que ganhar o Nobel não mudou nada em mim. A única diferença é que as pessoas ficaram mais interessadas no que tenho a dizer. Convidam-me para palestras e entrevistas. E isso acabou me transformando numa espécie de embaixador da ciência”, disse Herschbach.

Poesia em sala de aula

Durante toda a apresentação, Herschbach combateu o mito de que ciência é algo muito difícil, reservado para os muito inteligentes. “Costumo ouvir pessoas dizendo que é preciso ser muito bom em matemática para ser um bom pesquisador, mas a maioria dos cientistas usa a mesma matemática que um caixa de supermercado. Você não precisa ser bom em tudo, apenas em uma coisa, achar um nicho”, afirmou.

Ao comparar a ciência com outras atividades humanas, Herschbach disse que, em nenhuma outra profissão, você pode falhar inúmeras vezes e ainda ser aplaudido quando consegue fazer alguma coisa certa. “Um músico pode tocar quase todas as notas certas em um concerto e ser criticado por ter errado apenas algumas”, comparou.

Herschbach contou que costumava pedir a seus alunos que escrevessem poemas para lhes mostrar que é mais importante se preocupar em fazer as perguntas certas do que encontrar a resposta certa.

“Isso, mais do que resolver equações, é como fazer ciência de verdade. Ninguém diz se um poema está certo ou errado e sim o quanto ele é capaz de abrir seus olhos para algo que parecia ordinário, fazer você enxergar aquilo de outra forma. É assim com a ciência. Se você faz pesquisa de fronteira, coisas novas, é muito artístico. Quero que os estudantes percebam que eles também podem ser feiticeiros”, concluiu.

O Simpósio em Homenagem ao Prof. Daniel Kleppner “Física atômica e áreas correlatas”, que termina no dia 1º de março, é promovido pelo Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (Cepof) de São Carlos, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiados pela FAPESP.

O objetivo do encontro é prestar uma homenagem ao físico norte-americano Daniel Kleppner, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que receberá o título de professor honorário do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo (IFSC-USP).

Além de Herschbach, amigo de Kleppner desde os tempos da graduação, outros quatro ganhadores do Nobel também participam do evento: Serge Haroche (Nobel de Física 2012), David Wineland (Nobel de Física 2012), Eric Cornell (Nobel de Física 2001) e William Phillips (Nobel de Física 1997).

Nelson Rodrigues e o “Sobrenatural de Almeida” (Portal Entretextos)

11.07.2012

Miguel Carqueija

Um mestre do “mainstream” também entrou em terreno fantástico.

Nelson Rodrigues, de quem se comemora o centenário em 2012, não foi apenas um dramaturgo e contista, mas também produziu crônica esportiva. Por muito tempo manteve uma coluna no jornal carioca “O Globo” — e naquele tempo este diário, hoje decadente, possuia bons colunistas — que mudava de nome, mas o seu titulo principal era “À sombra das chuteiras imortais” (outros títulos usados foram “A batalha” e “Os bandeirinhas também são anjos”).
Nelson tinha um estilo sui-generis e, a rigor, reconhecível facilmente, mesmo se ele não assinasse. Fluminense doente, era descaradamente parcial nas suas crônicas. E eu, que torcia pelo Fluminense, as lia comprazer.
Detalhe interessante é que Nelson, na maior cara-de-pau, gostava de “profetizar” a vitória do Flu no então campeonato carioca. O futebol, naquele tempo, era muito regional. E, claro, a profecia dava certo quando o clube ganhava o campeonato.
Certo ano, durante o que parecia ser uma maré de azar, Nelson escreveu que o sobrenatural estava perseguindo o Fluminense. Dias depois o cronista publicou uma “carta” que teria recebido, e que diria mais ou menos assim: “No dia tal o senhor disse que o sobrenatural está perseguindo o Fluminense. Ora, o Sobrenatural sou eu, e garanto que isso não é verdade etc.” O “personagem” encerrava a missiva garantindo que no próximo jogo o tricolor ganharia, e assinava: “Sobrenatural de Almeida”.
Veio o domingo e o Fluminense perdeu. Revoltado, Nelson acusou o Sobrenatural de Almeida de haver mentido descaradamente. Aí começava a guerra da torcida do Fluminense, chefiada por Nelson Rodrigues, contra o sinistro Sobrenatural de Almeida.
Pode parecer estranho hoje em dia, para quem não conheceu o carisma do cronista e dramaturgo falecido em 1980, mas o caso é que o Sobrenatural de Almeida foi, durante algum tempo, verdadeira coqueluche na cidade. Os repórteres esportivos falavam nele. Certo jogo foi acompanhado de forte ventania, que chegou a desviar a bola que ia para o gol. “É o Sobrenatural de Almeida!”, gritou o locutor da rádio.
Veio um novo jogo e o Fluminense venceu. Nelson comemorou a vitória contra o inimigo, que teria se retirado melancolicamente do Maracanã. Depois, porém, por motivos que hoje me escapam, o campeonato foi suspenso por algum tempo. Nelson Rodrigues então “recebeu” um telefonema do Sobrenatural de Almeida, assumindo ser o responsável pela interrupção do campeonato.
Com o tempo o colunista foi dando maiores informações sobre a misteriosa figura, que nas caricaturas aparecia com uma roupa preta, tão “assustador” como o Zé do Caixão. Segundo Nelson, o Sobrenatural tivera os seus tempos de glória mas agora, coitado, morava em Irajá e viajava nos trens da Central. Por isso até chegava atrasado ao Maracanã, e só então começava a interferir.
Essa febre do Sobrenatural de Almeida durou semanas, meses, mas acabou saturando e o Nelson terminou parando de falar nele. Mas, de certa forma, foi uma contribuição do jornalista para a nossa literatura fantástica.