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Why did humans evolve such large brains? Because smarter people have more friends (The Conversation)

June 19, 2017 10.01am EDT

Humans are the only ultrasocial creature on the planet. We have outcompeted, interbred or even killed off all other hominin species. We cohabit in cities of tens of millions of people and, despite what the media tell us, violence between individuals is extremely rare. This is because we have an extremely large, flexible and complex “social brain”.

To truly understand how the brain maintains our human intellect, we would need to know about the state of all 86 billion neurons and their 100 trillion interconnections, as well as the varying strengths with which they are connected, and the state of more than 1,000 proteins that exist at each connection point. Neurobiologist Steven Rose suggests that even this is not enough – we would still need know how these connections have evolved over a person’s lifetime and even the social context in which they had occurred. It may take centuries just to figure out basic neuronal connectivity.

Many people assume that our brain operates like a powerful computer. But Robert Epstein, a psychologist at the American Institute for Behavioural Research and Technology, says this is just shoddy thinking and is holding back our understanding of the human brain. Because, while humans start with senses, reflexes and learning mechanisms, we are not born with any of the information, rules, algorithms or other key design elements that allow computers to behave somewhat intelligently. For instance, computers store exact copies of data that persist for long periods of time, even when the power is switched off. Our brains, meanwhile, are capable of creating false data or false memories, and they only maintain our intellect as long as we remain alive.

We are organisms, not computers

Of course, we can see many advantages in having a large brain. In my recent book on human evolution I suggest it firstly allows humans to exist in a group size of about 150. This builds resilience to environmental changes by increasing and diversifying food production and sharing.

 

As our ancestors got smarter, they became capable of living in larger and larger groups. Mark Maslin, Author provided

A social brain also allows specialisation of skills so individuals can concentrate on supporting childbirth, tool-making, fire setting, hunting or resource allocation. Humans have no natural weapons, but working in large groups and having tools allowed us to become the apex predator, hunting animals as large as mammoths to extinction.

Our social groups are large and complex, but this creates high stress levels for individuals because the rewards in terms of food, safety and reproduction are so great. Hence, Oxford anthropologist Robin Dunbar argues our huge brain is primarily developed to keep track of rapidly changing relationships. It takes a huge amount of cognitive ability to exist in large social groups, and if you fall out of the group you lose access to food and mates and are unlikely to reproduce and pass on your genes.

 

Great. But what about your soap opera knowledge? ronstik / shutterstock

My undergraduates come to university thinking they are extremely smart as they can do differential equations and understand the use of split infinitives. But I point out to them that almost anyone walking down the street has the capacity to hold the moral and ethical dilemmas of at least five soap operas in their head at any one time. And that is what being smart really means. It is the detailed knowledge of society and the need to track and control the ever changing relationship between people around us that has created our huge complex brain.

It seems our brains could be even more flexible that we previously thought. Recent genetic evidence suggests the modern human brain is more malleable and is modelled more by the surrounding environment than that of chimpanzees. The anatomy of the chimpanzee brain is strongly controlled by their genes, whereas the modern human brain is extensively shaped by the environment, no matter what the genetics.

This means the human brain is pre-programmed to be extremely flexible; its cerebral organisation is adjusted by the environment and society in which it is raised. So each new generation’s brain structure can adapt to the new environmental and social challenges without the need to physically evolve.

 

Evolution at work. OtmarW / shutterstock

This may also explain why we all complain that we do not understand the next generation as their brains are wired differently, having grown up in a different physical and social environment. An example of this is the ease with which the latest generation interacts with technology almost if they had co-evolved with it.

So next time you turn on a computer just remember how big and complex your brain is – to keep a track of your friends and enemies.

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Diretoria da Aciesp se manifesta contra as declarações do governador Geraldo Alckmin sobre o fomento à pesquisa científica no Estado

JC 5405, 28 de abril de 2016

Diretoria da Aciesp se manifesta contra as declarações do governador Geraldo Alckmin sobre o fomento à pesquisa científica no Estado

Segundo a Academia de Ciências do Estado de São Paulo, o artigo publicado na revista Veja “mostra a visão parcial e distorcida, que o Governador demonstra ter sobre a íntima relação ciência básica e aplicada e até sobre a ciência em São Paulo, que é motivo de orgulho para o Estado e para o País”

Veja abaixo o texto na íntegra:

A Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp) vê com grande preocupação a nota publicada em 26 de abril de 2016 pela colunista Vera Magalhães da revista Veja, sobre a crítica do governador Alckmin à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Apesar de uma segunda nota, publicada no dia 26, ter desmentido o uso do termo máfia de pesquisadores e de ter havido um bate-boca sobre o assunto durante a reunião do secretariado. O restante do que está no artigo mostra a visão parcial e distorcida, que o Governador demonstra ter sobre a íntima relação ciência básica e aplicada e até sobre a ciência em São Paulo, que é motivo de orgulho para o Estado e para o País, considerando que o impacto da produção acadêmica brasileira no cenário mundial, deve-se em grande parte ao que se produz em São Paulo, devido ao suporte financeiro da Fapesp.

A Fapesp tem sido vista como um exemplo nacional e mundial de financiamento à ciência, tecnologia e inovação, e elogiada em diferentes âmbitos, sendo um exemplo para todos os estados brasileiros, que copiaram o modelo e vêm fazendo com que verba estatal seja mais direcionada a ciência local de cada estado.

O esforço da Fapesp na interação entre os setores acadêmico e produtivo, público e privado tem sido enorme. Em particular, há programas específicos que tratam da interação com o setor produtivo (PIPE, PITE e PAPPE) que visam financiar diretamente iniciativas junto à indústria e/ou de formar novas indústrias em São Paulo. Os esforços nestes programas são comparáveis, em qualidade, ao de países como os Estados Unidos e Alemanha e não há iniciativa comparável na América Latina.

Além destes programas mais específicos, os quatro grandes programas da Fapesp (Bioen, Biota, Mudanças Climáticas, e Computação e Science) congregam a aplicação de milhões de reais para resolver problemas práticos reais que são importantes não somente para São Paulo, mas para todo o Brasil e para o mundo. O foco em energias renováveis, notadamente o etanol, congregado pelo Bioen, avançou o conhecimento científico sobre a cana e o etanol de maneira sem precedentes. Em poucos anos de estímulo a ciência brasileira das energias renováveis está pronta para ser aplicada e mudar o paradigma sobre o etanol de segunda geração. Mesmo com a grande crise que se abateu sobre o setor sucroalcoleiro, a Fapesp nunca deixou de fomentar a pesquisa na área, apoiando os projetos e mantendo o foco. É deste tipo de atitude que o Brasil precisa, ou seja, de consistência nas convicções e, criando uma identidade com base naquilo que fazemos melhor.  No caso do Biota, com mais de 20 anos de existência, o avanço no conhecimento da biodiversidade paulista e brasileira, com reflexos internacionais inquestionáveis, ajuda a nossa sociedade a entender e poder preservar o meio ambiente. Além da preservação há também o uso sustentável da biodiversidade. Por exemplo, as descobertas de compostos que podem se tornar novos fármacos, cosméticos e aditivos de alimentos é enorme. Já o programa de Mudanças Climáticas, irmão mais novo do Biota, se debruça sobre o que tem sido considerado com o problema mais importante que a humanidade já enfrentou: as Mudanças Climáticas Globais. O programa não somente vem gerando modelos climáticos, que são a base para decidir o que fazer para evitar os efeitos extremamente graves que os impactos das Mudanças Climáticas irão produzir, mas também os seus impactos sobre a produção de alimentos, a produção industrial em geral, a saúde da população, entre outros. O Programa de Computação da Fapesp, o mais novo dos quatro, foi montado para preparar a sociedade paulista para a era do big-data, em que temos que aprender a lidar com a imensa produção de informação advinda dos avanços na área de computação.

A aparente distorção da visão do governador sobre a Fapesp é maior quando despreza o financiamento à sociologia. Este é um dos principais focos da pesquisa no Estado de São Paulo, sendo a capital o maior grupo de pesquisadores do Brasil na área. Estes são os pesquisadores que pensam em como melhorar as políticas públicas, o que acontece e porque existem populações pobres e se dedicam a encontrar soluções sobre como podemos solucionar estes problemas. Se abandonarmos as pesquisas em Ciências Sociais, o que será da nossa população?

Na área de ciências da saúde, a Fapesp vem sim investindo em Dengue há muitos anos. Mas é importante lembrar que a pesquisa sozinha não consegue resolver todos os problemas. A Fapesp não tem como missão financiar fábricas que produzem por exemplo vacinas. Estas fábricas tem que ser mantidas pelo Governo. Se o Butantan não tem dinheiro para produzir vacinas, a culpa não é da Fapesp e sim do planejamento do governo que não manteve os Institutos de Pesquisa do Estado de São Paulo em funcionamento adequado. A Fapesp cumpriu sim a sua missão em financiar a pesquisa de como fazer as vacinas.

É preciso que as informações científicas sejam incorporadas pelos políticos da forma mais íntegra possível. É isto que faz com que a probabilidade de erro nas decisões diminua. No caso da crise da água, por exemplo, por mais que os cientistas (tanto da hidrologia e agricultura, quanto da sociologia) tenham tentado avisar o governo do perigo desde a primeira crise em 2009, não houve uma resposta baseada em ciência com a antecedência necessária, mas sim em crenças e em teorias pessoais sem base científica, que levaram São Paulo a atingir uma situação crítica, na qual ainda se encontra.

Mais importante ainda é falta de visão do Governador sobre o que significa a ciência básica, aquela que aparentemente, e só aparentemente, ainda não tem aplicações. É preciso compreender que a ciência básica é a ciência aplicada do futuro e o tempo que separa ambas tem encurtado com o passar dos anos. Sem compreender os fundamentos dos fenômenos da natureza, as aplicações cegas e sem base científica levam a tecnologias fracas e pouco competitivas. Ademais, a própria classificação entre ciências básica e aplicada tem sido cada vez mais questionada.

A Fapesp vem trabalhando incessantemente para encurtar o caminho ente a descoberta básica e a aplicação, principalmente, nas últimas três décadas. As pesquisas aplicadas e de cunho tecnológico só surgem depois que algum pesquisador trabalha em média 10 anos em um problema geralmente sem aplicação aparente. Aí sim surgem as possibilidades de aplicação. E a Fapesp foi sempre sensível a isto, mantendo a pesquisa básica (a nossa galinha dos ovos de ouro) e ao mesmo tempo criando programas cada vez mais focados e que tentam resolver os problemas mais importantes da sociedade contemporânea.

A ciência é um processo lento e a sociedade tem que compreender que não há como acelerar mais do que estamos fazendo, mesmo com investimentos excelentes que a Fapesp vem mantendo em São Paulo. Isto porque a sociedade científica paulista se formou não somente com as verbas para a pesquisa, mas também com as bolsas de estudo para a graduação, pós-graduação e pós-doutoramento, que formam os profissionais em alto nível. Tudo isto leva tempo para conseguir. No caso de São Paulo levamos décadas para chegar ao nível que estamos.

Achar que a dotação de 1% é muito para a pesquisa é uma visão muito perigosa para um Estado que se autodenomina a locomotiva do País. De que adianta uma locomotiva sem combustível?

A Aciesp convoca a população a defender a Fapesp não como um patrimônio dos pesquisadores, mas como um patrimônio de todos os paulistas e brasileiros. Sem a Fapesp o Brasil mergulhará na escuridão e na dependência da ciência e tecnologia feitas em outros países. É isto que a nossa sociedade quer?

Diretoria da Academia de Ciências do Estado de São Paulo

Jornal da Ciência

Leia também:

Anpocs – Nota da diretoria executiva da Anpocs sobre as declarações do governador Geraldo Alckmin acerca do fomento à pesquisa científica

What will post-democracy look like? (The Sociological Imagination)

 ON JANUARY 19, 2015

As anyone who reads my blog regularly might have noticed, I’m a fan of Colin Crouch’s notion of post-democracy. I’ve interviewed him about it a couple of times: once in 2010 and again in 2013. Whereas he’d initially offered the notion to illuminate a potential trajectory, in the sense that we risk becoming post-democratic, we more latterly see a social order that might be said to have become post-democratic. He intends the term to function analogously to post-industrial: it is not that democracy is gone but that it has been hollowed out:

The term was indeed a direct analogy with ‘post-industrial’. A post-industrial society is not a non-industrial one. It continues to make and to use the products of industry, but the energy and innovative drive of the system have gone elsewhere. The same applies in a more complex way to post-modern, which is not the same as anti-modern or of course pre-modern. It implies a culture that uses the achievements of modernism but departs from them in its search for new possibilities. A post-democratic society therefore is one that continues to have and to use all the institutions of democracy, but in which they increasingly become a formal shell. The energy and innovative drive pass away from the democratic arena and into small circles of a politico-economic elite. I did not say that we were now living in a post-democratic society, but that we were moving towards such a condition.

http://blogs.lse.ac.uk/politicsandpolicy/five-minutes-with-colin-crouch/

Crouch is far from the only theorist to have made such a claim. But I think there’s a precision to his argument which distinguishes it from the manner in which someone like, say, Bauman talks about depoliticisation. My current, slightly morbid, interest in representations of civilisational collapsehas left me wondering what entrenched post-democracy would look like. Asking this question does not refer to an absence of democracy, for which endless examples are possible, but rather for a more detailed sketch of what a social order which was once democratic but is now post-democratic would look like. While everyday life might look something like that which can be seen in Singapore, ‘the city of rules’ as this Guardian article puts it, I think there’s more to be said than this. However we can see in Singapore a vivid account of how micro-regulation can be deployed to facilitate a city in which ‘nothing goes wrong, but nothing really happens’ as one ex-pat memorably phrases it in that article. Is it so hard to imagine efficiency and orderliness being used to secure consent, at least amongst some, for a similar level of social control in western Europe or America?

Perhaps we’d also see the exceptional justice that intruded into UK life after the 2011 riots, with courts being kept open 24/7 in order to better facilitate the restoration of social order. There’s something akin to this in mega sporting events: opaque centralised planning overwhelms democratic consultation, ‘world cup courts’ dish out ad hoc justice, the social structure contorts itself for the pleasure of an international oligopoly upon whom proceedings depend, specialised security arrangements are intensively deployed in the interests of the event’s success and we often see a form of social cleansing (destruction of whole neighbourhoods) presented as a technocratic exercise in event management. We also see pre-arrests and predictive policing deployed to these ends and only a fool would not expect to see more of this as the technological apparatus and the political pressures encouraging them grow over time.

These security arrangements point to another aspect of a post-democratic social order: the economic vibrancy of the security sector. There is a technological dimension to this, with a long term growth fuelled by the ‘war on terror’ coupled with an increasing move towards ‘disruptive policing’ that offers technical solutions at a time of fiscal retrenchment, but we shouldn’t forget the more mundane side of the security industry and its interests in privatisation of policing. This is how Securitas, one of the world’s largest security companies, describe the prospects of the security industry. Note the title of the page: taking advantage of changes.

The global security services market employs several million people and is projected to reach USD 110 billion by 2016. Security services are in demand all over the world, in all industries and in both the public and private sectors. Demand for our services is closely linked to global economic development and social and demographic trends. As the global economy grows and develops, so do we.

Historically, the security market has grown 1–2 percent faster than GDP in mature markets. In recent years, due to current market dynamics and the gradual incorporation of technology into security solutions, security markets in Europe and North America have grown at the same pace as GDP. This trend is likely to continue over the next three to five years.

Market growth is crucial to Securitas’ future profitability and growth, but capitalizing on trends and changes in demand is also important. Developing new security solutions with a higher technology content and improved cost efficiency will allow the private security industry to expand the market by assuming responsibility for work presently performed by the police or other authorities. This development will also be a challenge for operations with insourced security services and increase interest in better outsourced solutions.

http://www.securitas.com/en/About-Securitas/Taking-advantage-of-changes/

Consider this against a background of terrorism, as the spectacular narrative of the ‘war on terror’ comes to be replaced by a prospect of state of alert without end. We’ve not seen the end of the ‘war on terror’, we’ve seen a spectacular narrative become a taken for granted part of everyday life. It doesn’t need to be narrativised any more because it’s here to stay. Against this backdrop, we’re likely see an authoritarian slide in political culture, supplementing the institutional arrangements already in place, in which ‘responsibility’ becomes the key virtue in the exercise of freedoms – as I heard someone say on the radio yesterday, “it’s irresponsible to say democracy is the only thing that matters when we face a threat like this” (or words to that effect).

Crucially, I don’t think this process is inexorable and it’s certainly not the unfolding of an historical logic. It’s enacted by people at every level – including those who reinforce the slide at the micro level of everyday social interaction. The intractability of the problem comes because the process itself involves a hollowing out of processes of contestation at the highest level, such that the corporate agents pursuing this changing social order are also benefiting from it by potential sources of resistance being increasingly absent or at least passive on the macro level.  This is how Wolfgang Streeck describes this institutional project, as inflected through management of the financial crisis:

The utopian ideal of present day crisis management is to complete, with political means, the already far-advanced depoliticization of the economy; anchored in recognised nation-stated under the control of internal governmental and financial diplomacy insulated from democratic participation, with a population that would have learned, over years of hegemonic re-education, to regard the distributional outcomes of free markets as fair, or at least as without alternative.

Buying Time, pg 46

R.I.P. Ulrich Beck (PopAnth)

Sociology loses one of its most important voices

by John McCreery on January 16, 2015


Ulrich Beck. Photo by International Students’ Committee via Wikimedia Commons.
Ulrich Beck. Photo by International Students’ Committee via Wikimedia Commons.

The death of Ulrich Beck on January 1, 2015 stilled one of sociology’s most important voices.

Beck has long been one of my favourite sociologists. That is because the world he describes in his book Risk Society reminds me very much of the world of Chinese popular religion that I studied in Taiwan.

There are two basic similarities. First, in the risk society as Beck describes it, public pomp and ceremony and ostentatious displays of wealth recede. Wealth is increasingly privatized, concealed in gated communities, its excesses hidden from public view. Second, social inequality not only increases but increasingly takes the form of differential exposure to many forms of invisible risks.

In the world that Beck describes, signs of wealth continue to exist. Coronations and royal births, celebrity weddings, CEO yachts, the massive homes of the rich and famous and their McMansion imitators are all visible evidence that wealth still counts.

But, says Beck, inequality’s deeper manifestations are now in differences in institutions that shelter the rich and expose the poor to risks that include not only economic fluctuations but also extreme weather and climate change, chemical and biological pollution, mutating and drug-resistant diseases. The hidden plots of terrorists and of those who combat them might also be added to this list.

 People with problems attribute them to invisible causes. They turn for help to those who claim special powers to diagnose and prescribe. 

When I visualize what Beck is talking about when he says that wealth is becoming invisible, I imagine an airport. In the main concourse there is little visible difference between those checking in at the First or Business Class counters and those checking in for the cattle car seats in Economy. All will pass the same array of Duty Free shops on their way to their planes.

But while the masses wait at the gates, the elite relax in comfortable, concealed spaces, plied with food, drink and WiFi, in lounges whose entrances are deliberately understated. This is not, however, the height of luxury.

Keiko Yamaki, a former airline stewardess turned applied anthropologist, observes in her study of airline service culture that the real elite, the super rich, no longer fly with commercial airlines. They prefer their private jets. Even those in First Class are more likely to be from the merely 1% instead of the 0.01%, who are now never seen checking in or boarding with the rest of us.

What, then, of invisible risks? The transactions that dominate the global economy are rarely, if ever, to be seen, negotiated in private and executed via encrypted digital networks. Financial institutions and the 1% who own them are protected from economic risk. The 99%, and especially those who live in the world’s poorest nations and slums are not.

The invisible threats of nuclear, chemical and biological waste are concentrated where the poor live. Drug-resistant diseases spread like wildfire through modern transportation systems, but the wealthy are protected by advanced technology and excellent health care. The poor are not.

At the end of the day, however, all must face misfortune and death, and here is where the similarity to Chinese popular religion comes in.

My business is failing. My daughter is acting crazy. My son was nearly killed in a motorcycle accident. He’s been married for three years and his wife still hasn’t had a baby. I feel sick all the time. I sometimes feel faint or pass out.

Why? The world of Chinese popular religion has answers. Impersonal factors, the alignment of your birth date with the current configuration of the stars, Yin and Yang and the Five Elements, may mean that this is a bad time for you.

Worse still, you may have offended one of the gods, ghosts or ancestors who inhabit the invisible Yin world that exists alongside the Yang world in which we live. The possibilities are endless. You need to find experts, mediums, magicians or priests, who can identify the source of your problem and prescribe remedies for it. You know that most who claim to be experts are charlatans but hope nonetheless to find the real thing.

Note how similar this is to the world that Beck describes, where the things that we fear most are said to be caused by invisible powers, the market, the virus, pollution or climate change, for example. Most of us don’t understand these things. We turn to experts for advice; but so many claim to be experts and say so many different things.

How do we find those who “really know”? The rich may have access to experts with with bigger reputations in finance, law, medicine, science or personal protection. But what does this really mean?

As I see it, all forms of consulting are magic. People with problems attribute them to invisible causes. They turn for help to those who claim special powers to diagnose and prescribe, and random chance alone will lead to identification of some who claim such powers as having “It,” that special something that produces desired results. Negative evidence will disappear in a context where most who claim special powers are known to be frauds.

The primary question for those looking for “It” is how to find the golden needle in a huge and constantly growing haystack. People turn to to their social networks for recommendations by trusted others, whose trust may, however, be grounded in nothing more than having found someone whose recommendations are, by sheer random chance, located in the tail of the normal curve where “success” is concentrated.

I read Beck’s Risk Society long before I read Nassim Taleb’s Fooled by Randomnessand The Black Swan. Taleb’s accounts of how traders who place lucky bets in the bond market are seen as geniuses with mystical insights into market mechanisms — at least until their funds collapse — seem to me to strongly support my theory of how all consulting works.

I read the words of “experts” who clamour for my attention and think of Taleb’s parable, the one in which a turkey has a perfectly consistent set of longitudinal data, stretching over nearly a year demonstrating the existence of a perfectly predictable world in which the sun will rise every morning and the farmer will feed the turkey. Then comes the day before Thanksgiving, and the farmer turns up with an axe.

Be warned: reading books like those by Beck and Taleb may reinforce skepticism of claims to scientific and other expertise. But think about it. Which world would you rather live in: One where careful scientists slowly develop hypotheses and look systematically for evidence to test them? Or a world in which our natural human tendency to magical thinking has no brake at all?

For his leading me to these thoughts, I do, indeed, mourn the death of Ulrich Beck.

Ulrich Beck obituaries by Lash and Latour (Art Forum)

Ulrich Beck. Photo: Augsburger Allgemeine.

I FIRST ENCOUNTERED Ulrich Beck as a (superannuated) postdoc. I was a Humboldt Stipendiat in Berlin, where in 1987, I heard the sociologist Helmuth Berking give a paper on Beck’s “Reflexive Modernisierung” (Reflexive Modernization) at a Freie Universität colloquium. I had already published a paper called “Postmodernity and Desire” in the journal Theory and Society, and Beck’s notion of reflexive modernization seemed to point to an opening beyond the modern/postmodern impasse. Today, Foucault, Deleuze, and even Lebenssoziologie (Life sociology) are all present in German intellectual life. But in 1987, this kind of stuff was beyond the pale. Habermas and Enlightenment modernism ruled. And rightly so: It is largely thanks to Habermas that Germany now is a land rooted less in fiercely nationalistic Blut und Boden (Blood-and-Soil) than in a more pluralistic Verfassungspatriotismus (Constitutional Patriotism).

Beck’s foundational Risikogesellschaft (Risk Society), however, abandoned the order of Habermas’s “ideal speech situation” for contingency and unintended consequences. This was hardly a celebration of contingency; Beckian contingency was rooted in the Chernobyl disaster; it was literally a poison, or in German a Gift. Hence Beck’s subsequent book was entitled Gegengift, or “Counter-poison.” It was subtitled Die organisierte Unverantwortlichkeit (The Organized Irresponsibility). Beck’s point was that institutions needed to be responsible for a politics of antidote that would address the unintentional generation of environmental crises. This was a critique of systematic institutional irresponsibility—or more literally “un-responsibility”—for ecological disaster. Beck’s thinking became more broadly accepted in Germany over the years. Yet the radically original themes of contingency and unintended consequences remained central to Beck’s own vision of modernity and inspired a generation of scholars.

Beck’s influence has been compared by Joan Subirats, writing in in El País, to that of Zygmunt Baumanand Richard Sennett. Yet there is little in Bauman’s idea of liquidity to match the power of Beck’s understanding of reflexivity. It was based in a sociology of knowledge in which the universal of the concept could never subsume the particular of the empirical. At the same time, Beck’s subject was still knowledge, not the impossibility of knowledge and inevitability of the irrational (not, in other words, the “known unknowns” and the “unknown unknowns” that have proved so damaging to contemporary political thought). Beck’s reflexivity, then, was not just about a Kant’s What can I know?—it was just as much a question of the Kantian What should I do? and especially What can I hope?

For Beck, “un-responsible” institutions were still situated in what he referred to as “simple modernity.” They would need to deal with modernity’s ecological contingency in order to be reflexive. They would need to be aware of unintended consequences, of what environmental economists (and later the theory of cognitive capitalism) would understand as “externalities.” Beck’s reflexivity extended to his later work on cosmopolitanism and Europe. For him, Europe is not an ordering of states as atoms, in which one is very much like the other. It is instead a collection of singularities. Hence his criticism of German Europe’s “Merkiavelli”-ism in treating Greece and the European South as if all were uniform Teutonic entities to be subject to the principle of austerity.

Though Beck has remained highly influential, Bruno Latour’s “actor-network” theory has outstripped his ideas in terms of popularity, establishing a dominant paradigm among sociologists. Yet the instrumentalist assumptions of actor-network theory do not open up the ethical or hopeful dimension of Beck’s work. The latter has been a counter-poison, an antidote to the instrumentalism at the heart of today’s neoliberal politics, in which our singularity has been eroded under the banner of a uniform and possessive individualism. Because of the contingency at its heart, Beck’s work could never become a dominant paradigm.

Beck’s ideas clearly drove the volume Reflexive Modernization, which he, Anthony Giddens, and I published in 1994. There, I developed a notion of “aesthetic reflexivity,” and although in some ways I am more of a Foucault, Deleuze, and perhaps Walter Benjamin guy, Beck’s ideas still drive my own work today. Thus we should extend Beckian reflexivity to speak of a reflexive community, and of a necessary risk-sharing that must be at the heart of any contemporary politics of the commons.

I was offered the post to be Ulrich’s Nachfolger (successor) at University of Bamberg when he moved to Munich in 1992. In the end, I decided to stay in the UK, but we kept in touch. Although to a certain extent I’ve become a cultural theorist, Ulrich always treated me as a sociologist, and he was right: When I attended his seventieth birthday party in April 2014, all of cultural Munich was there, from newspaper editors to museum directors. Every February, when he was based at the London School of Economics, Ulrich and his wife Elisabeth would spend a Sunday afternoon with Celia Lury and me at our house in Finsbury Park/Highbury, enjoying a lunch of Kaffee und Kuchen (coffee and cake) and deli cheeses and hams. No more than a fortnight before his death Ulrich emailed me about February 2015. I replied sadly that I would be in Asia and for the first time would miss this annual Sunday gathering. At his seventieth birthday Ulrich was in rude health. I was honestly looking forward to his eightieth. Now neither the Islington Sundays nor the eightieth birthday will happen. It is sad.

Scott Lash is the Research Director at the Center for Cultural Studies at Goldsmiths, University of London.

*  *  *

Ulrich Beck, 2007.

THE DEATH OF ULRICH BECK is terrible news. It is a tragedy for his family, for his research team, and for his many colleagues and friends, but it is also a tragedy for European thought.

Ulrich was a public intellectual of the infinitely rare kind in Germany, one that was thought only to exist in France. But he had a very individual way—and not at all French—of exercising this authority of thought: There was nothing of the intellectual critic in him. All his energy, his generosity, his infinite kindness, were put in the service of discovering what actors were in the midst of changing about their way of producing the social world. So for him, it was not about discovering the existing laws of such a world or about verifying, under new circumstances, the stability of old conceptions of sociology. No: It was the innovations in ways of being in the world that interested him above all. What’s more, he didn’t burden himself with a unified, seemingly scientific apparatus in order to locate those innovations. Objectivity, in his eyes, was going to come from his ability to modify the explanatory framework of sociology at the same time as actors modified their way of connecting to one another. His engagement consisted of simply prolonging the innovations he observed in them, innovations from which he was able to extricate power.

This ability to modify the explanatory framework was something that Ulrich would first manifest in his invention of the concept of Risikogesellschaft (risk society), which was initially so difficult to comprehend. By the term risk, he didn’t mean that life was more dangerous than before, but that the production of risks was henceforth a constituent part of modern life and that it was foolhardy to pretend that we were going to take control of them. To the contrary, it was necessary to replace the question of the mode of production and of the unequal distribution of wealth with the symmetrical question of the mode of production and the unequal distribution of ills. Coincidentally, the same year that he proposed the term Risikogesellschaft, the catastrophe of Chernobyl lent his diagnostic an indisputable significance—a diagnostic that current ecological transformations have only reinforced.

In turning the uneven division of ills into the common thread of his inquiries, Ulrich would gradually change the vocabulary of the social sciences. And, first and foremost, he changed the understanding of the relationship between societies and their environment. Everything that had seemed to be outside of culture—and outside of sociology—he would gradually reintegrate, because the consequences of industrial, scientific, and military actions were henceforth part of the very definition of communal life. Everything that modernity had decided to put off until later, or simply to deny, needed to become the very content of collective existence. Hence the delicate and intensely discussed expression “reflexive modernity” or “second modernity.”

This attention to risk would, in turn, modify all the usual ingredients of the social sciences: First, politics—its conventional definition gradually being emptied of its content while Ulrich’s notion of “subpolitics” spread everywhere—but also psychology, the elements of which never ceased to change, along with the limits of collectives. Even love, to which he devoted two books with his wife Elisabeth Beck-Gernsheim, who is so grief stricken today. Yes, Ulrich Beck went big. Perhaps this is why, on a visit to Munich, he was keen to take me on a pilgrimage to Max Weber’s house. The magnitude of Beck’s conceptions, the audacity of trying to rethink—with perfect modesty and without any pretension of style, without considering himself to be the great innovator that he was—truly made him a descendant of Weber. Like him, Beck wanted sociology to encompass everything.

What makes Beck’s death all the harder to accept, for everyone following his work, is that for many years he was making the social sciences undergo a kind of de-nationalization of its methods and theoretical frameworks. Like the question of risk, the question of cosmopolitism (or better, of cosmopolitanism) was one of his great concerns. By this venerable term, he was not designating some call for the universal human, but the redefinition of humans belonging to something other than nation-states. Because his investigations constantly butted against the obstacle of collected facts managed, conceived of, and diffused by and for states—which clearly made impossible any objective approach toward the new kinds of associations for which the empty term globalization did not allow—the methods of examination themselves had to be radically modified. In this, he was succeeding, as can be seen in the impressive expansion of his now leaderless research group.

Beck manifested this mistrust of the nation-state framework in a series of books, articles, and even pamphlets on the incredible experience of the construction of Europe, a phenomenon so admirable and yet so constantly disdained. He imagined a Europe of new affiliations, as opposed to a Europe of nation-states (and, in particular, in contrast to a uniquely Germanic or French conception of the state). How sad it is to think that such an essential question, yet one that is of interest to so few thinkers, can no longer be discussed with him.

I cannot imagine a sadder way to greet the new year, especially considering that Beck’s many research projects (we were just talking about them again in Paris a few weeks ago) addressed the most urgent questions of 2015: How to react to the world’s impotence on the question of climate change? How to find an adequate response to the resurgences of nationalisms? How to reconsider Europe through conceptions of territory and identity that are not a crude and completely obsolete reprise of sovereignty? That European thought has lost at this precise moment such a source of intelligence, innovation, and method is a true tragedy. When Beck asked, in a recent interview, “How does the transformative power of global risk (Weltrisikogesellschaft) transform politics?” no one could have suspected that he was going to leave us with the anxiety of finding the answer alone.

Bruno Latour is professor at Sciences Po Paris and Centennial Professor at the London School of Economics.

Translated from French by Molly Stevens.

A version of this text was published in German on January 5 in the Frankfurter Allgemeine Zeitung.

O papel das Ciências Sociais em um mundo em mudança acelerada (Fapesp)

 

Craig Calhoun, diretor da London School of Economics, fala sobre a responsabilidade da área como instrumento para a compreensão crítica da realidade e intervenção na esfera pública (foto: Leandro Negro/Ag. FAPESP)

12/08/2014
Por José Tadeu Arantes

Agência FAPESP – Que traços melhor caracterizam o mundo contemporâneo? Entre as grandes mudanças ocorridas no cenário global quais são aquelas que de maneira mais completa definem o tempo presente? Como transitar da perplexidade que essas mudanças inspiram para sua inteligibilidade em grandes quadros interpretativos? Essas foram, resumidamente, as principais indagações que o sociólogo Craig Calhoun procurou responder em palestra realizada em julho na sede da FAPESP, em São Paulo.

Nascido em 1952, o norte-americano Calhoun tornou-se diretor da prestigiosa London School of Economics and Political Science (LSE) em setembro de 2012. Antes disso, dentre várias atividades, desempenhou, nos Estados Unidos, as funções de professor de Ciências Sociais na New York University e de presidente do Social Science Research Council (SSRC), organização independente dedicada ao avanço da pesquisa em Ciências Sociais e áreas afins.

A despeito de ter nascido e se graduado nos Estados Unidos, Calhoun tem conexões antigas com o Reino Unido, pois fez mestrado em Antropologia Social na University of Manchester e doutorado em Sociologia e História Econômica e Social Moderna na University of Oxford. Igualmente determinantes em sua trajetória intelectual foram os trabalhos que realizou em outros países, notadamente na conturbada região do Chifre da África.

Mesmo com o importante cargo que ocupa atualmente, Calhoun faz questão de manter um posicionamento intelectual crítico e um trato pessoal informal e acessível (confira seu blog emhttp://blogs.lse.ac.uk/craig-calhoun/).

A palestra que proferiu na FAPESP foi pautada por um texto que produziu recentemente em parceria com o sociólogo Michel Wieviorka, da École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França, intitulado Manifesto pelas Ciências Sociais (a versão integral pode ser lida em francês emhttp://socio.hypotheses.org/147).

A pergunta feita no início desta apresentação foi assim respondida por Calhoun e Wieviorka em seu manifesto: “Dentre as mudanças que obrigam as Ciências Sociais a transformar seus modos de aproximação, as mais espetaculares podem ser resumidas a duas expressões: a globalização e o individualismo. São duas lógicas que, em conjunto, balizam o espaço no interior do qual a pesquisa cada vez mais é chamada a se mover.”

“A palavra ‘globalização’, em sentido amplo, inclui dimensões econômicas, mas também culturais, religiosas, jurídicas etc. Hoje, numerosos fenômenos abordados pelas Ciências Sociais são ‘globais’, ou suscetíveis de serem observados sob esse ângulo”, prossegue o texto mais à frente.

Quanto ao individualismo, o manifesto o caracteriza como “um segundo fenômeno, não menor, porém mais difuso”. E afirma: “Seu impulso traduziu-se desde cedo na pesquisa por um interesse sustentado pelas teorias da escolha racional, mas também, e principalmente, em tempos mais recentes, pela consideração, cada vez mais frequente, da subjetividade dos indivíduos.”

Depois de sua palestra, Calhoun concedeu a seguinte entrevista à Agência FAPESP:

Agência FAPESPA nova realidade global é muito diferente daquelas nas quais surgiram e se desenvolveram as teorias sociais clássicas, nos séculos XIX e XX, fato enfatizado em sua conferência. Quais são as diferenças mais significativas?
Craig Calhoun – Algumas das principais diferenças entre o período histórico atual e os anteriores incluem a intensificação da globalização e, nessa intensificação, o maior papel desempenhado pelas finanças. Trata-se não apenas de uma nova configuração do capitalismo em geral, mas, especificamente, do capitalismo financeiro. Outro item é o retorno da geopolítica. Vemos nos conflitos mundiais uma mistura de questões geográficas, políticas, culturais e civilizacionais, que apresentam padrões diferentes daqueles que caracterizavam o período da Guerra Fria. A Guerra Fria, de certa maneira, bloqueava esse tipo de geopolítica, que vemos hoje nas crises da Síria, do Iraque, da Ucrânia e tantas outras.

Outra diferença é a emergência de um capitalismo informal em larga escala. Quando pensamos no setor informal, geralmente pensamos em pequenas unidades produtivas, localizadas em residências, favelas etc. Mas, hoje, a economia informal atingiu uma escala gigantesca, incomparavelmente maior do que aquela que havia antes. Existe, nesse segmento, o narcotráfico e o tráfico humano, mas não apenas isso. Há muitas outras atividades, movimentando grandes somas de dinheiro.

O mundo contemporâneo também é moldado por questões ambientais, em um grau que jamais vimos: as mudanças climáticas globais, a questão dos recursos hídricos e de outros recursos, a poluição e a degradação das periferias das grandes cidades, questões relacionadas com justiça ambiental, quem ganha e quem perde em relação ao meio ambiente.

Finalmente, sublinharia a questão do déficit institucional. Muitas instituições que ajudavam as pessoas a manejar riscos em sua vida ordinária foram corroídas ou perderam financiamento ou enfrentam problemas. Construir e fortalecer instituições que ajudem as pessoas a resolver os problemas em suas vidas são grandes questões em todo o mundo.

Agência FAPESPA respeito das questões ambientais, o senhor estudou a influência do contexto social no agravamento dos danos causados por desastres naturais. É bastante conhecido seu estudo dessa contextualização no caso do furacão Katrina, de 2005. Eventos extremos como esse tendem a ocorrer com frequência cada vez maior devido às mudanças climáticas globais. Que lições seu estudo do Katrina oferece para o enfrentamento de novas ocorrências?
Calhoun – De fato, sabemos que as mudanças climáticas tendem a provocar mais eventos extremos, com furacões e outros desastres. Há uma geografia desses eventos que mostra que as áreas costeiras e outras regiões específicas são particularmente vulneráveis. Um importante aspecto dessa geografia diz respeito ao planejamento urbano. Na grande maioria dos casos, não construímos cidades levando em conta como elas poderiam enfrentar eventos desse tipo.

Depois do Katrina, tivemos, em 2012, o furacão Sandy, que impactou fortemente a costa de Nova York. Isso fez com que as pessoas percebessem que o desenvolvimento futuro da cidade de Nova York precisa incluir preparações para eventos desse tipo. Algumas providências, como a instalação de geradores alternativos para produzir eletricidade, não dizem respeito diretamente às Ciências Sociais. Mas outras, como a criação de sistemas de evacuação ou sistemas de atendimento a pessoas desabrigadas, são questões de Ciências Sociais.

Trabalhos como os realizados por agências humanitárias em várias partes do mundo, dando assistência a refugiados por causa de guerras ou desastres naturais, tendem a se tornar cada vez mais importantes, inclusive em países ricos.

Aprendemos com esses eventos que a pobreza e a desigualdade são fatores definidores dos impactos de furacões ou outros desastres. Quando existe água por todos os lados, quem vive nas áreas mais baixas e alagadiças? Os pobres. Quando existe vento por todos os lados, quem vive em construções mais vulneráveis e sujeitas a desabar? Os pobres. A importância das desigualdades foi claramente evidenciada em New Orleans por ocasião do Katrina.

Temos outra importante questão social, que diz respeito às pessoas que vivem sozinhas. Na sociedade contemporânea, há mais pessoas vivendo sozinhas do que em qualquer época anterior. E essas pessoas são especialmente vulneráveis no contexto de desastres.

Agência FAPESPO senhor trabalhou no Chifre da África, no nordeste do continente. Em que medida essa experiência influenciou suas concepções acerca das mudanças que propõe para as Ciências Sociais?
Calhoun – Minhas concepções realmente se baseiam em várias experiências internacionais. No caso do Chifre da África, a experiência direta me ensinou o que eu não havia aprendido em livros. Por exemplo, quando estive pela primeira vez no Sudão, no início dos anos 1980, uma das lições que aprendi foi a importância da infraestrutura física. As Ciências Sociais normalmente não prestavam muita atenção à infraestrutura física, como estradas e eletricidade. Mas isso muda a vida social, determina a interconexão entre diferentes partes do país, define a maneira como as pessoas podem trabalhar ou não. Nessa época, o Sudão tinha apenas uma única estrada intermunicipal pavimentada.

Também entendi a relatividade de dados estatísticos, como o Produto Interno Bruto (PIB). No início dos anos 1980, o Sudão tinha um PIB muito próximo ao da Malásia e o Egito possuía um PIB quase igual ao da China. O PIB é um número grosseiramente enganoso. Mesmo naquela época, o Egito não estava em uma posição confortável comparativamente à China. Isso se deve em parte ao fato de que o PIB não computa as heranças históricas, como o fato de que a China possuía uma rede de trabalhadores em todo o país, de que o nível de educação era melhor na China, de que o nível de saúde era melhor na China. Entendi que os indicadores superficiais, como “baixa renda” ou “média renda”, são altamente enganosos. O nível de renda não informa sobre a verdadeira riqueza de um país.

O último ponto que gostaria de ressaltar sobre o Chifre da África, especialmente sobre o Sudão e a Eritreia, é a importância de comunidades e sociedades sob o nível do Estado nacional e através do Estado nacional. Toda a região é um complexo de inter-relações, em que cada país é, em parte, determinado pelos seus vizinhos, em que refugiados e incursões militares atravessam as fronteiras nacionais e abalam fortemente a situação, em que grupos tribais e comunidades originais e linguísticas são muito fortes, e em que não fica muito claro como as pessoas se identificam.

Dou um exemplo do Sudão. Uma comissão constitucional propôs que deveria haver várias línguas nacionais que reconhecessem todas as principais nacionalidades existentes no país. E houve um protesto do povo saho contra a inclusão de sua língua no sistema educacional. Isso era estranho. Por quê? A resposta foi que, se suas crianças fossem educadas em saho, suas oportunidades seriam muito bloqueadas, o que os manteria sempre em estado de subdesenvolvimento. Então, eles pediam educação em árabe. É apenas um exemplo, mas permite perceber quão complicada é a relação entre diferentes identidades, em diferentes escalas.

Agência FAPESPIsso vem ao encontro de um dos importantes subtemas abordados em sua palestra: a relação entre sociedade e sociedades. Sociedades, com suas características próprias, incluídas na sociedade maior, supostamente representada pelo Estado nacional. Qual o peso desse tipo de relação no atual conflito do Oriente Médio?
Calhoun – Temo que esse conflito se torne cada vez pior. Há muitas coisas diferentes convergindo nele. Parte da questão são os conflitos religiosos. E lembremos que não são apenas conflitos envolvendo islamismo, cristianismo e judaísmo, mas também conflitos envolvendo xiitas e sunitas e grupos ainda mais específicos no interior do islã. É por isso que o Ocidente não entende muito claramente o que está acontecendo.

Há também uma questão de Estados. Consideramos, por exemplo, o caso do Irã. Existem interesses próprios, não pelo fato de o Irã ser xiita, mas por ser um Estado específico. Há também interesses de povos que não têm um Estado, como os curdos. Um dos poucos vencedores na atual situação são os curdos, que, pela primeira vez, talvez possam formar seu Estado, no norte do Iraque.

Existe a vulnerabilidade das populações minoritárias. Os Estados nacionais são muitas vezes acusados de genocídio, de tentar impor a supremacia da população majoritária. Apesar disso, às vezes, são capazes de proteger minorias e alcançar uma paz relativa. Intervir, como os Estados Unidos fizeram, por meio da Guerra do Iraque, desestabilizando o Estado, também coloca as minorias em risco. E não devemos achar que os Estados nacionais sejam a única fonte de genocidas. A desestabilização em situações em que existem muitos povos diferentes tentando viver em paz uns com os outros também é um fator de genocídios.

A guerra do Iraque foi um desastre não mitigável para a região. Talvez algumas pessoas tenham tido boas intenções, mas foi um desastre, que colocou em movimento uma série de eventos. Esses eventos também têm outras causas, mas, agora, foi criada uma situação muito difícil de pacificar e estabilizar. E uma situação na qual é impossível ver justiça. Se apenas conseguirmos a paz já será um grande passo adiante. Mas não haverá justiça para a maioria dos refugiados, que foram forçados a abandonar suas casas.

Agência FAPESPEm sua palestra, o senhor criticou o conceito, hoje bastante difundido, de “Tina” (acrônimo para “There is no alternative” – “Não há alternativa”). A situação atual do capitalismo é apresentada como algo tão natural que nos iludimos pensando que ela jamais poderá ser mudada.
Calhoun – Do meu ponto de vista, uma das primeiras condições para as Ciências Sociais, especialmente para as Ciências Sociais críticas, que eu acredito serem as ciências reais no caso, é reconhecer que “Tina” não é verdade. Quase sempre há alternativas, algumas melhores, outras piores. Se acreditarmos que aquilo que existe atualmente é natural, necessário, inevitável, seremos incapazes de entendê-lo. Não apenas não entenderemos os futuros possíveis, mas também não entenderemos a realidade corrente, porque não entenderemos por que esse conjunto específico de condições existe e não outros. Eu acho que este ponto de vista crítico não é propriedade de nenhuma corrente de pensamento específica. Mas precisamos reconhecer que aquilo que existe é apenas parte do possível, se quisermos entender tanto a realidade corrente como as realidades futuras.
 

Vídeo – Entrevista com Craig Calhoun (em inglês). 

Parte 1 


Parte 2 


Parte 3 

Discurso de Sheherazade prospera: crescem os linchamentos (Pragmatismo Político)

20/FEB/2014 ÀS 14:16

Discurso de Rachel Sheherazade surte efeito. Linchamentos com as próprias mãos se espalham pelo Brasil. Para sociólogo, sociedade está sem controle

rachel sheherazade barbárie linchamentos

Jornalista Rachel Sheherazade defendeu em horário nobre a justiça feita pelas próprias mãos (Foto: Revista Quem)

Desde que justiceiros agrediram a paulada um jovem negro acusado de assalto, amarrando-o nu a um poste, no Rio, há 20 dias, aumentaram no país o número de chacinas de pessoas suspeitas de terem cometido crime. Antes, havia quatro linchamentos por semana e, agora, a média é de um por dia.

A jornalista Raquel Sheherazade deve estar se sentindo realizada, porque, ao noticiar no telejornal SBT Brasil o ataque ao adolescente no Rio, ela comentou que atitude dos vingadores é “compreensível”.

“O contra-ataque aos bandidos é o que chamo de legítima defesa coletiva. Aos defensores dos direitos humanos que se apiedaram do marginalzinho preso no poste, lanço uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido”, disse na época.

O comentário de Sheherazade repercutiu nas redes sociais e imprensa, com apoios e críticas.

Em entrevistas, Sheherazade confirmou o que dissera em rede nacional, afirmando que, diante da falência das instituições oficiais de segurança, é legítima a reação das pessoas.

Folha de S.Paulo informou que os linchamentos se espalharam em todo o país. Violência que tem sido documentada por vídeos que circulam nas redes sociais.

De acordo com o jornal, só na segunda e terça-feira, houve agressões a criminosos em Goiânia, Piauí e em Santa Catarina.

Um vídeo gravado no Piaui registrou um homem cujos pés foram amarrados e colocados sobre um formigueiro.

“Meu Deus, aí, tá queimando”, disse o homem suspeito de tentar um assalto.

Um dos agressores respondeu: “Agora lembra de Deus, né? Na hora de tu roubar tu não lembra”.

O sociólogo José de Souza Martins, que documenta linchamentos há 20 anos, disse estar preocupado, porque “a sociedade civil está ficando progressivamente descontrolada”.

O presidente da OAB de Goiás, Henrique Tibúrcio, admitiu que a população se sente insegura, “mas ela não pode fazer Justiça com as próprias mãos”.

“Sabemos que a população se sente insegura, mas ela não pode fazer Justiça com as próprias mãos e engrossar as estatísticas de violência”, disse o presidente da OAB de Goiás, Henrique Tibúrcio.

Na semana passada, o Psol comunicou que entraria com uma representação no Ministério Público Federal contra Sheharazade e SBT por ter sido feito em horário nobre incitação ao crime.

Ivan Valente, líder do partido na Câmara dos Deputados, disse que a jornalista “simplesmente deu razão aos vingadores que fizeram justiça com as próprias mãos, em torturar, porque a polícia para ela está desmoralizada, a Justiça não opera e é necessário voltar ao velho Oeste”.

Paulopes, com Folha de S.Paulo

Protestos podem voltar mais fortes e incontroláveis, diz sociólogo (Deutsche Welle)

Boaventura de Sousa Santos aponta a insatisfação popular como fruto da expansão da classe média brasileira, que ficou mais exigente. Para ele, só uma reforma política profunda pode evitar que povo volte às ruas.

Data 09.07.2013

Autoria Fernando Caulyt

Edição Renate Krieger / Rafael Plaisant

Os protestos no Brasil perderam intensidade, mas, se o governo não der uma resposta rápida às reivindicações do povo, podem voltar ainda mais fortes – e de forma incontrolável. O alerta é do português Boaventura de Sousa Santos, doutor em sociologia pela Universidade de Yale (EUA) e diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (Portugal).

Autor de estudos sobre emancipação social, direitos coletivos e democracia participativa, ele vê a onda de indignação que tomou as ruas do país como fruto das mudanças vividas pela sociedade brasileira nas últimas décadas. A classe média, afirma, cresceu e com ela as demandas dos cidadãos por melhores serviços públicos ganharam força.

Para Boaventura, o Congresso está “divorciado das prioridades dos cidadãos” e, por isso, uma reforma política se faz necessária. “Há medidas de emergência que têm de ser tomadas, mas nada disso é possível se não houver uma reforma política profunda. Neste momento todo o sistema político tende a perverter e a inverter as suas prioridades”, afirma em entrevista à DW Brasil.

Deutsche Welle: Como o senhor avalia a onda de protestos?

Boaventura de Sousa Santos: As manifestações foram uma surpresa tanto no plano interno como no plano internacional. Tudo levava a crer que tudo no Brasil estava indo bem. Internamente, os próprios partidos, especialmente o do governo, foram apanhados de surpresa. O que foi surpresa foi o motivo para que a explosão ocorresse. Havia um mal-estar, e ele resulta do êxito das políticas que foram instituídas no Brasil a partir de 2003 [quando Lula assumiu o poder] e que fizeram com que 40 milhões de pessoas entrassem para a classe média.

Protestos foram realizados em cidades brasileiras e no exterior

Elas criaram expectativas não só no que diz respeito à sua vida, mas também ao modo como se posicionam na sociedade, ao modo como usam os serviços públicos. E esses 40 milhões começaram a ver que, nos últimos tempos, pelo menos, havia uma certa estagnação dessas políticas. Os serviços públicos não acompanharam as transformações sociais.

A chamada “classe C” ficou mais exigente?

Eu penso que sim, pois as políticas de inclusão realizadas nos últimos dez anos atingiram seu limite e as formas de participação não são hoje tão eficazes quanto eram. Além disso, o serviço público não se desenvolveu como deveria. O caso da saúde é significativo. Por outro lado, num país que tem uma tradição de movimentos sociais fortes, eles viram suas atividades nos últimos tempos se tornarem bastante restringidas. Por isso começou a haver uma certa frustração quanto às prioridades do governo e, naturalmente, um desgaste.

Que medidas o governo Dilma deveria tomar para atender às exigências da população?

A medida fundamental é uma reforma política. Fica evidente que há medidas de emergência que têm de ser tomadas, mas nada disso é possível se não houver uma reforma política profunda, porque neste momento todo o sistema político tende a perverter e a inverter as suas prioridades. Dilma tomou essa medida corajosa, de propor uma revisão constitucional, mas o Congresso não tem grande vontade política para uma reforma política profunda.

As respostas que o governo e o Congresso deram até agora não são satisfatórias?

Como é que o Congresso é capaz de aprovar num prazo de uma semana tantas leis e questões importantes, como a [tipificação da] corrupção como crime hediondo? Essa correria tem um lado positivo e um lado negativo. Isso mostra que o Congresso só se move se houver pressão popular. Portanto, esse é o lado negativo: o Congresso está divorciado das prioridades dos cidadãos e só acorda quando os cidadãos o obrigam a acordar. É por isso que é necessária uma reforma política.

Sousa Santos diz que existe uma crise de representatividade no sistema político brasileiro e de outros países

Para o senhor, quem são os manifestantes?

As manifestações são muito importantes para pressionar as instituições, os partidos e os governos, mas elas não fazem propriamente uma formulação política. O que elas fazem é pressão para que haja formulação política. Vimos no Brasil como as agendas eram tão diversas quanto a composição das classes presentes nos protestos. Houve uma forte presença da juventude. As manifestações têm uma composição e, misturadas nelas, há forças aproveitadoras que tentaram tirar dividendos contra o PT. Mas elas são uma minoria. É uma insatisfação popular, sobretudo das camadas mais jovens, contra uma política que não responde aos seus anseios.

É possível manter uma mobilização de massa a longo prazo?

Mesmo nos casos dos países que ela se mantém durante mais tempo, como durante o Occupy, nos EUA, e agora no Egito, tudo acontece por etapas. Portanto, há momentos de refluxo. E eu penso que, no caso brasileiro, ela não se aguenta neste momento, embora possa vir a explodir mais tarde. Neste momento há uma certa espera, uma espera com esperança de que alguma coisa se faça. Se ela não se fizer, a situação pode voltar, pode até, aliás, ser mais incontrolável. Se não houver uma reposta rápida a estas reivindicações, o refluxo atual voltará eventualmente mais incontrolável e mais forte.

Muitos manifestantes nas ruas levantaram uma bandeira antipartidarista. Existe atualmente uma crise de representatividade no sistema político brasileiro?

Acho que sim. E neste momento não só no [sistema político] brasileiro, mas também no europeu. E ocorre fundamentalmente do fato de que os governos hoje estão capturados pelo capital financeiro internacional, se ver bem, em função das exigências do capital financeiro. O próprio Brasil compromete uma parte significativa de sua arrecadação para o pagamento do serviço da dívida. E este também é o caso da Europa. No fundo, é isso que está criando essa crise de representação, na medida em que os cidadãos não se sentem representados pelos seus representantes e é isso que faz com que as pessoas venham para a rua.

Para Sousa Santos, o Congresso Nacional está divorciado das prioridades dos cidadãos

As manifestações foram, de certa forma, uma demonstração de decepção com o governo. Esse governo do PT, apesar das medidas de inclusão social, perdeu a credibilidade?

Não. O problema é que, enfim, é um governo de esquerda que, no entanto, tem uma coligação problemática, dada a organização partidária no Brasil. O problema é que os brasileiros conhecem muito bem o que foram as políticas de direita [dos governos] anteriores, nenhum deles realizou as políticas de inclusão social que agora têm lugar. E, portanto, há um certo descrédito na política em seu conjunto. O PT e o governo da presidente Dilma têm uma crise de legitimidade a resolver. E só podem resolver com mais democracia, com mais políticas de inclusão, com mais dinheiro para os cidadãos e menos para as grandes empreiteiras e para o grande capital financeiro internacional.

Sociology as something that can be “committed”

PM Stephen Harper steps up attack on Justin Trudeau over terrorism

STEVEN CHASE

OTTAWA — The Globe and Mail

Published Thursday, Apr. 25 2013, 1:52 PM EDT; Last updated Friday, Apr. 26 2013, 9:05 AM EDT

Stephen Harper is stepping up his attack on rival Justin Trudeau’s musings about the “root causes” behind the Boston bombings, saying the only appropriate reaction to such attacks is to condemn the actions and direct government efforts to fighting them.

“This is not a time to commit sociology, if I can use an expression,” [emphasis added] Mr. Harper told a news conference in Ottawa, a phrase he later repeated in French for the benefit of French-language media outlets.

Mr. Harper had been asked by a journalist Thursday to say at what point he considered it acceptable to start talking about the “root causes” that might lead someone to plot an attack on North American soil, such as the Canadian residents arrested this week and accused of scheming to derail a Via train.

The Prime Minister made the remark on the same day a fierce debate erupted over news that Tory MPs are being urged to blanket their ridings with flyers bashing Mr. Trudeau as an inexperienced lightweight.

“Root causes” is the phrase Mr. Trudeau used last week when he said it was essential to look at the motivating factors behind the Boston Marathon bombings. Mr. Harper wasted little time in ridiculing his Liberal opponent for what he considered a weak response to terrorism.

On Thursday, the Prime Minister elaborated on his assertion that now is no time for academic pondering, saying that those who would seek to hurt Canada are starkly opposed to Western values.

“These things are serious threats – global terrorist attacks, people who have agendas of violence that are deep and abiding threats to all the values that our society stands for,” the Prime Minister said.

“I don’t think we want to convey any view to the Canadian public other than our utter condemnation of this violence and our utter determination through our laws and through our laws and activities to do everything we can to counter it.”

To devote this much time to the leader of the third-biggest party in the Commons suggests Mr. Harper is stooping to conquer – but Conservatives say privately they believe the opportunity to brand Mr. Trudeau as inexperienced is too good to pass up.

The Tories have recently begun running attack ads that brand the Liberal Leader as inexperienced or “in over his head” and the Conservatives feel Mr. Trudeau has confirmed this criticism.

Mr. Harper defended the use of taxpayers’ dollars to finance a bulk-mail campaign – known as 10-per-centers – against Mr. Trudeau at a news conference on Thursday. He said the campaign is well within the rules of the House of Commons, and MPs from all parties send partisan missives.

“All parties work within those rules, and all parties use those activities and use those rules.”

But the newly minted Liberal Leader is hitting back, accusing the Tories of using the public purse to spread distortions and lies.

“Instead of defending an increasingly indefensible, mediocre record on the economy and on various decisions, they attack and they use whatever public resources they can to turn people away from politics and to foster cynicism,” Mr. Trudeau said in Happy Valley-Goose Bay.

Separately, Thursday, the Combatting Terrorism Act, a bill that would give additional police powers at the cost of civil liberties, received Royal Assent. The Harper government, which sponsored the legislation, did not say how soon S-7 comes into force.

With a report from The Canadian Press

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Breaking: RCMP Close to Arrests of Known Sociologists (Coop Média de Montréal)

BLOG POST posted on APRIL 25, 2013 by BERNANS

Breaking: RCMP Close to Arrests of Known Sociologists

April 25, 2013

When asked about the RCMP arrests made in an alleged terrorist plot, Prime Minister Stephen Harper had a warning for Canadians who would “commit sociology.”*

The RCMP has confirmed that it is aware of several sociologist networks operating in a number of Canadian universities. Sources say arrests are imminent.

While most sociologists currently operating in Canada are thought to be of the home-grown variety, there appears to be a great deal of international coordination through various websites, social media and academic journals.

Public Safety Minister Vic Toews is expected to introduce emergency minimum sentences legislation for anyone who commits sociology or provides material support to a known sociologist network. The legislation could be introduced as early as tomorrow.

Sources say the RCMP will likely make arrests of known sociologists in the coming hours. More details will be provided as the story develops.

David Bernans is a Québec-based writer and translator. He is the author of Collateral Murder. Follow him on twitter @dbernans.

* An actual quote! This is a satirical article, but, believe it or not our Prime Ministeractually said this. It has to do with the Harper government’s insistence that ignorance is the best policy when it comes to the root causes of evil.

4:30 pm UPDATE: This reporter was interviewing security expert Guy Lapoint on the extent of sociology in Canada when he was taken away for questioning by the RCMP. Just before the RCMP barged into Lapoint’s office he was saying, “If only we had some way to find out what makes people commit sociology, some sort of macro-view of the whole society that could explain this phenomenon, we could…”

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http://zeezeescorner.tumblr.com/post/48933490123/as-two-men-were-arrested-this-week-for-allegedly

As two men were arrested this week for allegedly conspiring to carry out a terrorist attack, the Canadian Prime Minister Stephen Harper was not interested in talking about the causes of terrorism. He said: “I think, though, this is not a time to commit sociology, if I can use an expression… The root causes of terrorism is terrorists.” 
He inspired me to make this for Sociology at Work. Go forth and commit sociology, friends!High-Res
As two men were arrested this week for allegedly conspiring to carry out a terrorist attack, the Canadian Prime Minister Stephen Harper was not interested in talking about the causes of terrorism. He said: “I think, though, this is not a time to commit sociology, if I can use an expression… The root causes of terrorism is terrorists.”

He inspired me to make this for Sociology at Work. Go forth and commit sociology, friends!

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Picard Wtf - This is not a time to commit sociology

 

 

Multiplying the Old Divisions of Class in Britain (N.Y.Times)

By SARAH LYALL

Published: April 3, 2013

LONDON — Class in Britain used to be a relatively simple matter, or at least it used to be treated that way. It came in three flavors — upper, middle and working — and people supposedly knew by some mysterious native sixth sense exactly where they stood. As the very tall John Cleese declared to the less-tall Ronnie Corbett in the famous 1966 satirical television sketch meant to illustrate class attitudes in Britain — or, possibly, attitudes toward class attitudes — “I look down on him, because I am upper class.”

From left: John Cleese, Ronnie Barker and Ronnie Corbett in a video still from a satirical British TV sketch illustrating class. And height.

It is not as easy as all that, obviously. The 2010 election was enlivened at one point by a perfectly serious discussion of whether David Cameron, now the prime minister, counted as upper upper-middle class, or lower upper-middle class. But on Wednesday, along came the BBC, muddying the waters with a whole new set of definitions.

Having commissioned what it called The Great British Class Survey, an online questionnaire filled out by more than 161,000 people, the BBC concluded that in today’s complicated world, there are now seven different social classes. (“As if three weren’t annoying enough,” a woman named Laura Phelps said on Twitter.) These range from the “elite” at the top, distinguished by money, connections and rarefied cultural interests, to the “precariat” at the bottom, characterized by lack of money, lack of connections and unrarefied cultural interests.

That might sound kind of familiar, but Fiona Devine, a sociologist who helped devise the study, said, “It’s what’s in the middle which is really interesting and exciting.”

The middle categories, as the study defines them, include the “technical middle class,” a group that has a lot of money but few superior social connections or cultural activity; the “emergent service workers,” a young, urban group that has little money but a high amount of social and cultural capital; and the “new affluent workers,” who score high on social and cultural activity, but have only a middling amount of money.

“There’s a much more fuzzy area between the traditional working class and the traditional middle class,” Ms. Devine, a professor of sociology at Manchester University, said in remarks accompanying the research. “The survey has really allowed us to drill down and get a much more complete picture of class in modern Britain.”

Not everyone sees it that way. In a country that is not sure whether it is (a.) obsessed with class, or (b.) merely obsessed with whether it is as obsessed about class as it used to be (if it ever really was), the survey got widespread attention. But some Britons thought the researchers had not considered the correct criteria.

“There are only two classes: those with tattoos, and those without,” said one Daily Mail reader, commenting on the paper’s article about the new categories.

Another wrote: “What are they called in ‘Brave New World’? Alphas, Betas, Gammas and Epsilons? That’s well on the way to becoming a factual book. We already have most of the population on ‘Soma,’ ” a reference to the antidepressant in the book.

The study was published in the journal Sociology and conducted by Ms. Devine in conjunction with Mike Savage, a professor of sociology at the London School of Economics, and the BBC Lab UK.

Throwing out the old formula by which class was defined according to occupation, wealth and education, it created in its place a definition calculated according to “economic capital,” which includes income and savings; “social capital,” which refers to whom one knows from among 37 different occupations; and “cultural capital,” which is defined as the sorts of cultural interests one pursues, from a list of 27.

In the 1950s, the author Nancy Mitford argued that it was possible to tell which class people were in — upper class (“U”) or not upper class (“non-U”) — according to their choice of vocabulary. U-speakers said “rich” and “jam,” she observed, while non-U speakers said “wealthy” and “preserves,” among other things.

(“Almost everyone I know has some personal antipathy which they condemn as middle class quite irrationally,” Evelyn Waugh wrote in response. “My mother-in-law believes it is middle class to decant claret.”)

Mitford was being mischievous, except that she kind of wasn’t, since she was describing the way people actually spoke. In conjunction with today’s study, the BBC offered a modern adaptation of the Mitford test, a handy do-it-yourself online class calculator.

In their report, the researchers acknowledged that their Web survey showed a large amount of bias, in that the type of people who filled it out were the type of people inclined to fill out BBC surveys (well educated, and 90 percent white, for instance). So they conducted a separate face-to-face survey of 1,026 nationally representative people and then combined the two sets of results, arriving at the seven categories.

Cary L. Cooper, a professor at Lancaster University and the chairman of the Academy of Social Sciences, said that what he found intriguing was not what the study said about different social categories, but rather what it said about people’s desire to place themselves in one or another such category .

“People love filling in questionnaires,” Mr. Cooper said in an interview. “From a psychologists’ point of view, it’s very interesting that they love to pigeonhole themselves — ‘I am that kind of person,’ ‘No matter what people like to say, I am an X.’ ”

Britain remains a “status-conscious society,” he said, especially at times of social and economic insecurity. He attributed the public’s love of “Downton Abbey” and other class-related nostalgic entertainment to a yearning for a time when things were simpler, when “even though there was a rigid class system, at least it was stable.”

Back on the Daily Mail Web site, readers continued to debate the conclusions, and the limitations, of the BBC research.

“I couldn’t find ‘awesome’ class,” one commenter complained.

Another wrote: “What rubbish. Only three classes, working, middle and wealthy. You either have money, no money or some money.”

Ouro suburbano (OESP)

À margem, o subúrbio é mais propício à criatividade, gerando no seu hibridismo desde os Mamonas ao medalhista olímpico

12 de agosto de 2012

José de Souza Martins

O ouro de Arthur Zanetti em Londres põe em evidência o subúrbio de que é originário e onde vive: nasceu em São Caetano, ali treina num clube comunitário, apoiado pela prefeitura, e mora em São Bernardo. Ninguém diria que por meio daquele atleta suburbano o País obteria nesta Olimpíada uma de suas escassas medalhas de ouro. Porque o subúrbio é o lugar de trabalhar e não o de brilhar, lugar da produção e não da ostentação.

Ao lado dos pais, Arthur Zanetti, do subúrbio para o ouro olímpico nas argolas - Nacho Doce/REUTERS

Nacho Doce/REUTERS. Ao lado dos pais, Arthur Zanetti, do subúrbio para o ouro olímpico nas argolas

Na metrópole paulistana, o subúrbio é um contraponto histórico em relação ao centro. Não é periferia, palavra do vocabulário político-ideológico que grita muito e diz pouco. Até porque, hoje, a periferia está no centro, na multidão de seus desamparados. Nos últimos 40 anos esse subúrbio ampliado vem protagonizando significativas mudanças políticas. Lula e Serra cresceram quase que à vista um do outro: Lula na Vila Carioca e Serra do outro lado do Rio Tamanduateí, na Mooca.

Em posições opostas, estão no centro do processo político brasileiro atual. O subúrbio também é lugar de sutil protagonismo nas mudanças sociais e culturais. Arthur Zanetti é filho da emergência tardia do Brasil do trabalho fabril, cujo eixo de referência é o oposto do eixo representado pelo centro da metrópole.A ética do subúrbio é a do trabalho; a do centro é a do consumo. O subúrbio tem uma cultura própria, que se manifesta no modo diferente de ser e de pensar dos moradores. De certo modo, essa cultura é produto e extensão dos hábitos da fábrica. Mas é também uma contracultura fundada na herança rural de sua população de imigrantes e de migrantes, que é uma cultura familista e comunitária e, não raro, religiosa.

Gente que há gerações veio para o trabalho das fábricas, mas que não renunciou aos valores da aldeia ou do sertão. Dessa duplicidade surgiu uma cultura híbrida, popular e identitária, conservadora, em que são socializadas as novas gerações. Isso pode ser observado tanto em Zanetti, em cujo êxito se destaca a família, quanto em casos como o do artista plástico João Suzuki, que veio do interior, mas viveu e ganhou fama em Santo André. Ou o do escultor Luiz Sacilotto, de Santo André, que faleceu em São Bernardo. Por estar à margem, o subúrbio é menos regulamentado e mais propício à criatividade. A alma japonesa do interiorano Suzuki desabrochou no imaginário oriental de sua pintura.

No subúrbio, as camadas profundas de sua consciência não encontraram travas para se manifestar esteticamente como expressão da duplicidade cultural tão própria dos filhos de imigrantes.A alma operária de Sacilotto, ex-aluno de escola industrial do Brás, ganhou forma em suas esculturas, artesania de oficina que se insurge para libertar o belo da retidão da linha de produção. Na medalha olímpica, Arthur e Arquimedes são um só. Filho atleta e pai serralheiro (e mãe esportista) se constroem reciprocamente: o pai, autônomo, faz os aparelhos dos ginastas, segundo a lógica das oficinas de fundo de quintal, contraponto poético da grande indústria, idílio de tantos operários suburbanos.

O mundo operário é um mundo em que as pessoas se completam, diverso do mundo do centro,em que as pessoas se repelem. Mãe, pai e filhos são um todo da concepção comunitária da vida. O subúrbio deu vida, também, a uma musicalidade popular que expressa peculiar rebeldia anticonvencional. Em Osasco e no ABC, a impensável ressurreição urbana do folclore rural das folias de reis, das folias do divino, do samba-lenço de Mauá e mesmo da Missa Caipira, de Marino Cafundó, celebrada no dia de Santo Antônio, em Osasco. O som da viola como memória. Resistência à música mercadoria sem sonho nem vida.

Emblemático foi o surgimento dos Mamonas Assassinas,em1995,em Guarulhos, grupo que morreu num acidente aéreo em 1996. Num desabafo, em janeiro de 1996, no Ginásio de Guarulhos lotado, onde haviam sido proibidos de se apresentar tempos antes, porque considerados ninguém, Dinho antecipava Barack Obama: “É possível, sim! Você pode, cara!” A música híbrida da banda juntou o rock e o sertanejo, retornou à ironia crítica e conservadora da música sertaneja de Cornélio Pires, nos anos 1920. Transformou o deboche e o falar errado numa linguagem. Como Lula, que agregou uma gestualidade de fábrica ao falar errado e criou uma nova linguagem política no Brasil, difícil de copiar justamente porque errada e não convencional. O Brasil pós-moderno e conservador está lentamente nascendo desses hibridismos insurgentes, dessas teimosias que ganham seu espaço no subúrbio.

JOSÉ DE SOUZA MARTINS – É SOCIÓLOGO, PROFESSOR EMÉRITO DA FACULDADE DE FILOSOFIA DA USP E AUTOR DE SUBÚRBIO (UNESP)