Yuval Noah Harari: se a epidemia levar a uma cooperação global, teremos vencido (Brasil 247)

Artigo original

Yuval Noah Harari Yuval Noah Harari (Foto: World Economic Forum/Ciaran Mc)

Para Harari, autor dos best-sellers “Sapiens: uma breve história da humanidade e Homo Deus: uma breve história do amanhã”, intensificar a globalização é o caminho para se vencer futuras pandemias

247 – Em artigo publicado no Le Monde, um dos principais jornais franceses, Yuval Noah Harari, historiador e filósofo israelense, alertou para o risco de políticas isolacionistas em decorrência do coronavírus: “[S]em confiança e solidariedade globais, não seremos capazes de parar a epidemia de COVID-19 e provavelmente teremos que enfrentar outras epidemias parecidas no futuro.”

Ele se refere ao discurso dominante no atual momento de pandemia. De acordo com ele, “[N]os últimos anos, políticos irresponsáveis minaram a confiança que se poderia ter na ciência, nas autoridades públicas e na cooperação internacional.”

Por exemplo, declarações como “vírus chinês” de líderes mundiais e teorias da conspiração que visam atacar a China, como a de que a tecnologia 5G é responsável pela transmissão do coronavírus, geram um ressentimento geopolítico que pode levar ao isolacionismo.

Ele continua: “a melhor defesa que os homens têm contra patógenos não é isolamento, é informação. A humanidade venceu a guerra contra patógenos porque, na corrida armamentista entre patógenos e médicos, os patógenos dependem de mutações cegas e os médicos da análise de dados científicos.”

“A verdadeira proteção vem do compartilhamento de informações científicas confiáveis ​​e da solidariedade internacional. Quando um país é atingido por uma epidemia, ele deve compartilhar de forma transparente os dados coletados sobre a infecção, sem medo de desastres econômicos, enquanto outros países devem poder confiar nessas informações.”

Para ele, o mundo globalizado gera uma dinâmica na qual um caso com potencial grave em um país isolado “não apenas ameaça iranianos, italianos ou chineses, mas sua vida também, diretamente. O mundo inteiro tem interesse em não deixar isso acontecer.”

Assim, ele conclui: “Se essa epidemia levar à  uma maior desunião e desconfiança entre os homens, essa seria a maior vitória do vírus. No entanto, se ela levar à uma cooperação mais estreita, aí sim não teremos somente derrotado o vírus, como também todos os outros que estão por vir.”

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