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UK to make climate risk reports mandatory for large companies (Guardian)

theguardian.com

Larry Elliott, Mon 9 Nov 2020 19.18 GMT. Last modified on Tue 10 Nov 2020 04.37 GMT

St. Paul’s Cathedral and buildings of the City of London financial district are seen as buses cross Waterloo bridge at sunset
Sunak said departure from the EU meant the UK’s financial services sector – which employs more than a million people – was entering a new chapter. Photograph: Toby Melville/Reuters

Large companies and financial institutions in the UK will have to come clean about their exposure to climate risks within five years under the terms of a tougher regime announced by the chancellor, Rishi Sunak.

In an attempt to demonstrate the government’s commitment to tackling global heating, Sunak said the UK would go further than an international taskforce had recommended and make disclosure by large businesses mandatory.

The chancellor also announced plans for Britain’s first green gilt – a bond that will be floated in the financial markets during 2021 with the money raised paying for investment in carbon-reducing projects and the creation of jobs across the country.

In a Commons statement, Sunak said departure from the EU meant the financial services sector – which employs more than a million people – was entering a new chapter.

“This new chapter means putting the full weight of private sector innovation, expertise and capital behind the critical global effort to tackle climate change and protect the environment.

“We’re announcing the UK’s intention to mandate climate disclosures by large companies and financial institutions across our economy, by 2025, going further than recommended by the Task Force on Climate-related Financial Disclosures, and the first G20 country to do so.”

The Treasury said the new disclosure rules and regulations would cover a significant portion of the economy, including listed commercial companies, UK-registered large private companies, banks, building societies, insurance companies, UK-authorised asset managers, life insurers, pension schemes regulated by the Financial Conduct Authority and occupational pension schemes.

The government plans to make Britain a net-zero-carbon country by 2050 and the previous governor of the Bank of England, Mark Carney, told a London conference that the Covid-19 pandemic illustrated the dangers of ill-preparation and of underestimating risks.

Climate change was “a crisis that involves the whole world and from which no one will be able to self-isolate”, Carney said on Monday.

His successor at Threadneedle Street, Andrew Bailey, said the decision to issue a green bond underlined the UK’s commitment to combating climate change – as did Sunak’s announcement that disclosures related to climate change risk would be mandatory by 2025.

Sunak, Carney and Bailey were all speakers at the Green Horizon summit, which took place in London on what would have been the first day of the UN climate change conference in Glasgow had Covid-19 not forced the postponement of the event.

Bailey said: “Our goal is to build a UK financial system resilient to the risks from climate change and supportive of the transition to a net-zero economy. In the aftermath of the financial crisis we took far-reaching action to make the financial system more resilient against crises – Covid is the first real test of those changes.”

Doug Parr, Greenpeace UK’s policy director, said: “Tackling climate change means the corporate sector is not just green round the edges but green right to its core. The chancellor’s plans to make disclosure mandatory for companies is right if the rules are compulsory and thorough. Sign up to the daily Business Today email or follow Guardian Business on Twitter at @BusinessDesk

“The real win would be to make all financial institutions put in place plans to meet the Paris climate agreement by the end of next year, steadily choking off the supply of cash to planet-wrecking activities. Disclosure is a route to making that happen, but not an end in itself.”

Roger Barker, the director of policy and corporate governance at the Institute of Directors, said: “What gets measured gets changed. The problem is there’s a hundred and one different ways of measuring climate impact out there right now. It’s a confusing landscape for companies and investors alike, so bringing in common standards is absolutely the right thing to do.

Fran Boait, the executive director of the campaign group Positive Money, said: “We desperately need more green public investment if we are to have a fair, green transition, so it’s positive that the government has signalled that it is finally taking this more seriously, by issuing green gilts for the first time.”

Conta das mudanças climáticas é mais alta para nações ricas (O Globo)

ActionAid calcula que países desenvolvidos devem doar 0,1% do PIB a fundo comum

POR O GLOBO

18/11/2015 6:00

 

Mulheres polonesas conversam em frente à usina: países desenvolvidos não pagam valores justos para atenuar mudanças climáticas, diz ONG – JOE KLAMAR/AFP

RIO — Um novo estudo da ONG ActionAid denunciou ontem a diferença abissal entre as quantias exigidas e as doadas pelos países desenvolvidos para que as nações mais pobres criem medidas de adaptação contra as mudanças climáticas. Em 2013, foram destinados cerca de US$ 5 bilhões para o combate ao aquecimento global. Na próxima década, serão necessários US$ 150 bilhões por ano para combater os eventos extremos. O debate sobre financiamento está entre as prioridades da Conferência do Clima de Paris, a partir do dia 30.

De acordo com o instituto, as nações ricas deveriam dedicar pelo menos 0,1% de seu PIB a um fundo climático internacional. É um índice 70 vezes menor do que o gasto em 2008 para a adoção de políticas contra a recessão econômica.

Os EUA deveriam aumentar suas contribuições aos países pobres em mais de 154 vezes, passando dos US$ 440 milhões gastos em 2013 para US$ 67,5 bilhões em 2025.

A União Europeia precisa multiplicar os seus investimentos em 11 vezes, passando dos US$ 3,2 bilhões vistos em 2013 para US$ 36,9 bilhões em 2025.

Os cálculos são baseados nas emissões históricas — a contribuição atribuída a cada país para provocar as mudanças climáticas — e em sua capacidade de ajudar financeiramente, levando em conta os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Especialista em financiamento climático da ActionAid, Brandon Wu acredita que os países em desenvolvimento estão enfrentando sozinhos “uma crise que não causaram”.

— O problema não é falta de dinheiro — assegura. — Os EUA, por exemplo, gastam muito mais em subsídios para os combustíveis fósseis do que em medidas de adaptação ao clima. É falta de vontade política.

IMPASSE HISTÓRICO

Wu avalia que o financiamento contra as mudanças climáticas pode ser o item mais polêmico entre os discutidos na Conferência do Clima. Tradicionalmente, os países ricos e pobres discordam sobre o tamanho do rombo, e as nações desenvolvidas não concordam em assumir totalmente as indenizações contra o aquecimento global, eximindo economias emergentes, como China e Brasil, de qualquer compromisso financeiro.

— Um novo acordo (global sobre o clima) não é possível sem esclarecimento sobre como serão as finanças — pondera. — Os países em desenvolvimento não podem adaptar suas economias, livrando-as das emissões de carbono, sem apoio internacional. Talvez não consigamos saber exatamente quanto será investido por cada país, mas precisamos impor novos prazos e objetivos. Aqueles discutidos até agora são vagos demais.

Já Osvaldo Stella, diretor do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, acredita que as negociações financeiras não devem ser uma prioridade.

— O mais importante é discutir que metas podem impedir o avanço da temperatura global — defende. — O financiamento é um jogo político. Resistimos a abandonar o petróleo, da mesma forma como, antes, não queríamos largar o carvão. Mais do que abrir o cofre, precisamos pensar em um novo modelo econômico, que tipo de capitalismo devemos adotar.

Brasileira é eleita vice-presidente do IPCC (Observatório do Clima)

07/10/2015

Thelma Krug, pesquisadora do Inpe e ex-secretária nacional de Mudança Climática, dividirá função com uma americana e um malês; painel do clima se reúne na Croácia para eleger novos líderes

Thelma Krug, em foto de 2009 (Foto: IISD)

Thelma Krug, em foto de 2009 (Foto: IISD)

DO OC

A matemática Thelma Krug, 64, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, foi eleita na manhã desta quarta-feira para uma das três vice-presidências do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas).

Ela dividirá a função com a americana Ko Barrett, da Noaa (Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera) e com o malês Youba Sokona, diretor de Desenvolvimento Sustentável do South Centre, na Suíça.

Barrett é há 15 anos representante do governo americano no IPCC; Sokona foi um dos coordenadores do Grupo de Trabalho 3 (que produz os relatórios do IPCC sobre mitigação) durante o Quinto Relatório de Avaliação, o AR5, lançado em 2014. Krug chefia há 13 anos a força-tarefa do IPCC sobre inventários de emissões de gases-estufa.

Ex-secretária nacional de Mudança Climática (governo Lula), Thelma Krug trabalha no Inpe com monitoramento de mudança de uso da terra. Foi responsável pelo primeiro inventário brasileiro de emissões por desmatamento. Coordenou até 2001 o monitoramento por satélite da Amazônia, feito pelo sistema Prodes, que informa a taxa oficial de perda de floresta.

Com a eleição dos vice-presidentes, o IPCC tem na sua liderança uma maioria de representantes de países em desenvolvimento. Nesta terça-feira, o sul-coreano Hoesung Lee foi eleito presidente do painel do clima. Para a Convenção do Clima da ONU, a Coreia do Sul é considerada país em desenvolvimento.

A 42a reunião plenária do IPCC, que ocorre em Dubrovnik, Croácia, elegeria nesta quarta-feira ainda os seis co-presidentes dos grupos de trabalho 1 (que lida com a base física das mudanças do clima), 2 (que lida com impactos e vulnerabilidades) e 3 (mitigação).

Brasil precisa ter sistema de monitoramento a longo prazo sobre mudanças climáticas, diz secretário (MCTI)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Para Carlos Nobre, é central o país ter um conhecimento muito apurado do impacto das mudanças climáticas sobre a economia, a sociedade e o ambiente 

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Seped/MCTI), Carlos Nobre, abriu nesta terça-feira (16) o workshop internacional Desafios para o Monitoramento e a Observação dos Impactos de Mudanças Climáticas, na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em Brasília.

Ação do projeto Diálogos Setoriais entre Brasil e União Europeia, com organização do MCTI e apoio da Embaixada Britânica, o encontro segue até amanhã (17), em busca de identificar desafios e elaborar recomendações para observar impactos de mudanças climáticas, além de induzir a formação de uma rede de pesquisadores e gestores que possa compartilhar conhecimento e contribuir para a estruturação de um sistema brasileiro de monitoramento.

“Consideramos central para o planejamento e as estratégias de desenvolvimento sustentável do Brasil nós termos um conhecimento muito apurado sobre como as mudanças climáticas estão impactando e irão impactar a economia, a sociedade e o ambiente, com ênfase na nossa imensa biodiversidade”, afirmou Nobre. “Nesse sentido, o MCTI, já há alguns anos, começou um projeto, com fundos brasileiros, para desenvolver um conceito, uma ideia, um programa, para monitorar e observar esses impactos”.

Antecipação

Na visão do secretário, estruturar um sistema seria o passo seguinte a iniciativas como a Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima), estabelecida em 2008, após a publicação do 4º Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

“A Rede Clima tem produzido uma série de resultados, muitos deles na direção de entender impactos”, disse Nobre. “A decorrência desse incipiente e novo conhecimento é ensejar o desenho de um sistema de longo prazo, de décadas de monitoramento, que nos permita nos anteciparmos, para que a sociedade não seja tomada de surpresa quando impactos de fato estiverem ocorrendo.”

O secretário lembrou que o 4º Relatório do IPCC apontou concentração na Europa, nos Estados Unidos e no Japão dos sítios observacionais com estudos de impactos das mudanças climáticas, com raros exemplos na América Latina.

“A situação mudou um pouco para melhor no 5º Relatório, divulgado neste ano, mas nenhum dos sítios apresentados localiza-se no Brasil”, comparou. “Isso já chamou a atenção, porque não temos observações sistêmicas de longo período sobre os impactos nos mais diversos setores de atividades econômicas”.

Para atingir o objetivo de contribuir para o futuro sistema, segundo Nobre, o workshop trouxe especialistas brasileiros e estrangeiros de diversos setores, como agricultura, biodiversidade, ecologia, energia, recursos hídricos, oceanos, saúde e zonas costeiras: “A discussão é muito relevante para o Brasil, porque grande parte do produto econômico do país tem a ver com recursos naturais”.

Origem

Nobre associou a complexidade do sistema à existência de vários motivos desencadeadores de mudanças climáticas. Ele citou três exemplos aplicados ao cenário nacional, divididos por origem antropogênica, local e global.

O primeiro caso diz respeito às savanas tropicais do Brasil Central, onde tradicionalmente há aumento considerável de incêndios de vegetação por ação humana de agosto a outubro, período de seca nessas regiões.

“Isso perturba muito o ambiente biológico do Cerrado, ou seja, os impactos são muito grandes na biodiversidade, mas a fumaça das queimadas também gera um grande problema de saúde pública”, alertou.

De acordo com o secretário, as chuvas na cidade de São Paulo estão entre 30% a 35% maiores, mais volumosas e mais intensas do que 100 anos atrás. “Essa é, principalmente, uma mudança climática de origem local, uma ilha urbana de calor, um impacto da urbanização”, explicou. “O atual cenário agrava a questão dos desastres naturais em uma região por onde transitam 20 milhões de pessoas”.

Acerca da origem global, Nobre cita o 5º Relatório do IPCC, publicado em 2013 e 2014. “O documento sugere, com forte embasamento científico, que a alternância de secas e inundações na Amazônia na última década já seria um resultado das mudanças climáticas globais”, disse. “Particularmente na região da floresta, nós já estamos vendo como detectar, medir e enxergar impactos, como desenhar sistemas que possam de forma precursora sinalizar grandes alterações, de modo que se permita ao setor público, e também aos setores econômicos, se precaverem e adotarem políticas de adaptação”.

Intercâmbio

Presente na abertura do workshop, a secretária de Gestão Pública do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), Ana Lúcia Amorim, abordou o projeto Diálogos Setoriais, gerido pela pasta, que apoia a realização de estudos nas mais diversas áreas temáticas.

O diplomata português Rui Ludovino, diretor da Delegação da União Europeia no Brasil, lembrou que, desde 2007, o país é parceiro estratégico da Europa. “Temos um acordo de cooperação assinado entre as duas partes que engloba inúmeras áreas, da econômica à tecnológica, da ambiental à social”, observou.

Na opinião da diretora de Ciência e Inovação da Embaixada Britânica, Caroline Cowan, o Brasil inova ao propor a criação de uma rede de monitoramento e observação. “Até agora, não temos no mundo um sistema assim. Vamos ver como podemos trabalhar juntos para estabelecê-lo. Em adaptação a mudanças climáticas, já atuamos bastante com a União Europeia e o Brasil”.

Os debates do workshop devem gerar um documento de recomendações. Entre os palestrantes, estão pesquisadores dos institutos nacionais de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI) e de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI/MCTI) e do Centro Comum de Pesquisa da Comissão Europeia (JRC, na sigla em inglês).