Aquecimento global: um estranho evento em Paris (Outras Palavras)

POR GEORGE MONBIOT

Derretimento de glaciares, cada vez mais comum em diversas partes do mundo. Para Monbiot, Um aquecimento máximo de 1,5ºC, alvo improvável a que agora se aspira, era plenamente realizável quando da primeira conferência sobre mudança climática da ONU em Berlim, em 1995

Cúpula do Clima foi, ao mesmo tempo, avanço e desastre. Formou-seconsenso inédito sobre gravidade da ameaça. Mas lobbies bloquearam as medidas indispensáveis para enfrentá-la

Por George Monbiot | Tradução: Inês Castilho

Comparado com aquilo que poderia ter sido, é um milagre. Comparado com o que deveria ter sido, é um desastre.

Dentro dos estreitos limites em que se deram as negociações, o desenho do acordo sobre o clima na ONU, em Paris, é um grande sucesso. O alívio e autocongratulação com que o texto final foi saudado reconhece o fracasso em Copenhague, há seis anos, quando as negociações correram descontroladamente durante algum tempo, até desmoronar. O acordo de Paris ainda espera a adoção formal, mas sua aspiração ao limite de 1,5ºC para o aquecimento global, depois de tantos anos de rejeição dessa meta, pode ser vista no quadro de uma vitória retumbante. Nesse e em outros sentidos, o texto final é mais forte do que foi antecipado pela maioria das pessoas.

Fora desse quadro, contudo, ele parece outra coisa. Duvido que qualquer um dos negociadores acredite que, como resultado desse acordo, o aquecimento global não irá superar 1,5ºC. Como o preâmbulo do documento reconhece, em vista das débeis promessas que os governos levaram a Paris, mesmo 2ºC seria loucamente ambicioso. Ainda que algumas nações tenham negociado de boa fé, é provável que os resultados reais nos levem a níveis de colapso climático que serão perigosos para todos e letais para alguns. Os governos falam em não onerar as futuras gerações com dívidas. Mas acabam de concordar em sobrecarregar nossos filhos e netos com um legado muito mais perigoso: o dióxido de carbono produzido pela queima contínua de combustíveis fósseis, e os impactos de longo prazo que isso irá exercer sobre o clima global.

Com 2ºC de aquecimento, grandes partes da superfície do mundo irão se tornar menos habitáveis. Os habitantes dessas regiões provavelmente enfrentarão extremos climáticos selvagens: secas piores em alguns lugares, enchentes mais devastadoras em outros, tempestades mais fortes e, potencialmente, graves impactos no abastecimento de alimentos. Ilhas e cidades costeiras correm o risco de desaparecer sob as ondas, em muitas partes do mundo.

A combinação de mares acidificados, morte de corais e derretimento do Ártico pode significar o colapso de toda a cadeia alimentar marinha. Em terra, as florestas tropicais tendem a ser reduzidas, os rios podem minguar e os desertos, aumentar. Extinção em massa será provavelmente a marca da nossa era. Essa é a cara do que os alegres delegados à conferência de Paris enxergaram como sucesso.

Os próprios termos do documento final poderão fracassar? Também é possível. Embora os primeiros rascunhos especificassem datas e percentuais, o texto final visa apenas “alcançar o pico global de emissão de gases de efeito de estufa o mais rápido possível”. É algo que pode significar qualquer coisa e nada.

Para ser justo, o fracasso não deve ser debitado às conversações de Paris, mas a todo o processo. Um aquecimento máximo de 1,5ºC, meta improvável a que agora se aspira, era plenamente realizável quando da primeira conferência sobre mudança climática da ONU em Berlim, em 1995. Houve duas décadas de procrastinação, causadas por lobbies – abertos, encobertos e frequentemente sinistros. Além disso, os governos relutaram em explicar a seus eleitorados que a fixação pelo curto prazo tem custos a longo prazo. O resultado é que três quartos da janela de oportunidade agora se fecharam. As negociações de Paris são as melhores que jamais tivemos. E isso é um sinal terrível.

O resultado, avançado em comparação a todos os anteriores, deixa-nos com um acordo quase comicamente distorcido. Enquanto as negociações sobre quase todos os outros riscos globais buscam enfrentar ambos os lados do problema, o processo climático da ONU preocupa-se inteiramente com consumo de combustíveis fósseis, enquanto ignora sua produção.

Em Paris, os delegados concordaram solenemente em cortar a demanda de petróleo e carvão, mas em casa busca-se maximizar a oferta. O governo do Reino Unido impôs até mesmo a obrigação legal de “maximizar a recuperação econômica” do petróleo e gás do país, com a Lei de Infraestrutura de 2015. A extração de combustíveis fósseis é um fato duro. Mas não faltam fatos suaves ao acordo de Paris: promessas escorregadias e que podem ser desfeitas. Até que resolvam manter os combustíveis no solo, os governos continuarão a sabotar o acordo que acabam de fazer.

É o melhor que se poderia conseguir, nas condições atuais. Nos EUA, nenhum provável sucessor de Barack Obama demonstrará o mesmo compromisso. Em países como o Reino Unido, grandes promessas no exterior são minadas por orçamentos domésticos esquálidos. Seja o que for que aconteça agora, não seremos bem-vistos pelas gerações que nos sucederem.

Então está bem, deixe que os delegados se congratulem por um acordo melhor do que poderia ser esperado. E que o temperem com um pedido de desculpas a todos aqueles a quem a conferência irá trair.

Seca ameaça a Amazônia (Revista Fapesp)

Experimento feito na maior floresta tropical do mundo mostra colapso de árvores com ressecamento do solo 

MARIA GUIMARÃES | ED. 238 | DEZEMBRO 2015

 

Do alto de uma torre de 40 metros, fica visível a mortalidade das árvores maiores,  destacadas acima do dossel

Ao tomar suco por um canudo é preciso cuidado para manter o tubo bem imerso. Do contrário, bolhas de ar se formam e rompem a estrutura do fio líquido que leva a bebida do copo à boca. Aumente a escala para a altura de um prédio de 10 andares e pode imaginar o fluxo de água dentro de uma das gigantescas árvores amazônicas. A transpiração pelas folhas dá origem à sucção que movimenta a água desde as raízes até as imensas copas das árvores, que podem ultrapassar os 40 metros de altura, e lança para a atmosfera uma umidade responsável por entre 35% e 50% das chuvas na região, com impacto importante na hidrologia global. Quando esse sistema falha, o ciclo da água não é o único afetado. As árvores, que até então pareciam funcionar normalmente, subitamente morrem. Um experimento liderado pelo ecólogo inglês Patrick Meir, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e da Universidade Nacional da Austrália, provocou 15 anos de seca numa parcela amazônica e revelou o papel desse mecanismo, de acordo com artigo publicado em novembro na revista Nature.

Para construir o experimento foram necessários 500 metros cúbicos (m3) de madeira, 5 toneladas de plástico, 2 toneladas de pregos e 23 mil horas-homem (10 homens trabalhando de segunda a segunda por um ano), de acordo com o meteorologista Antonio Carlos Lola da Costa, da Universidade Federal do Pará (UFPA). O resultado são 6 mil painéis de plástico que medem 3 metros (m) por 0,5 m cada um, entremeados por 18 calhas com 100 m de comprimento responsáveis por impedir que 50% da chuva que cai chegue ao solo numa parcela de  1 hectare na Floresta Nacional de Caxiuanã, no norte do Pará, onde o Museu Paraense Emílio Goeldi mantém uma estação científica. “O Patrick me procurou em 1999 com essa ideia maluca”, conta Lola. O meteorologista não sabia por onde começar, mas estudou as fotos que Meir lhe mandou de um experimento similar, o Seca Floresta, que estava sendo montado na Floresta Nacional do Tapajós, no oeste do estado, e saiu a campo. “Em um ano estava feito.” Não era um feito logístico trivial. Chegar a Caxiuanã envolve sair de Belém e passar 12 horas a bordo de um barco repleto de redes coloridas apinhadas, até Breves. Foi nessa cidade de cerca de 100 mil habitantes que Lola conseguiu o material para sua empreitada, como os tubos de ferro galvanizado para montar duas torres com 40 m de altura. De lá, 10 horas em um barco menor levam a Caxiuanã, onde o material precisou ser carregado pelo meio da densa floresta.

O experimento conhecido como Esecaflor, abreviação de Efeitos da Seca da Floresta, é o mais extenso e mais duradouro no mundo a avaliar o efeito de seca numa floresta tropical. O único comparável é o Seca Floresta, que abrangeu uma área similar e foi encerrado após cinco anos (ver Pesquisa FAPESP nº 156). Nesta última década e meia, Antonio Carlos Lola tem sido o principal responsável por monitorar a reação da floresta e manter o experimento de pé mesmo quando ele é constantemente derrubado por galhos e árvores que caem, uma empreitada que exige entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por mês. Um valor que tende a subir, agora que mais árvores têm sucumbido à seca, destruindo parte da estrutura. “Passo por volta de seis meses do ano no meio do mato, com interrupções”, conta ele, que tem coordenado uma série de projetos de alunos de mestrado e doutorado no âmbito do experimento.

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Observação prolongada
Em linhas gerais os resultados dos dois experimentos amazônicos contam histórias semelhantes, como mostra artigo de revisão publicado por Meir e colegas em setembro na revista BioScience: nos primeiros anos a floresta parece ignorar a falta de chuva e mantém o funcionamento normal. Passados alguns anos de seca, porém, galhos começam a cair e árvores a morrer, sobretudo as mais altas e as menores. Experimentos em outros países analisaram uma área menor ou duraram menos tempo – o maior, na Indonésia, funcionou por dois anos.

Fogo experimental no Mato Grosso: em condições normais de umidade, os incêndios têm baixa energia e são pouco destrutivos

O estudo de Caxiuanã traz resultados inéditos por sua longa duração: o colapso das maiores árvores só aconteceu após 13 anos da seca experimental e pode representar um ponto de inflexão em que a floresta muda de cara. Desde 2001 os pesquisadores vêm fazendo medições fisiológicas nas árvores, comparando a área com restrição de chuva e uma parcela semelhante sem intervenção. Nos últimos dois anos, começaram a registrar uma mortalidade drástica entre as árvores mais altas, raras por natureza, que caem causando destruição e transformando a floresta pujante numa mata de aparência degradada. “Das 12 árvores mais altas com diâmetro maior que 60 centímetros, restam apenas três”, conta Lucy Rowland, pesquisadora britânica em estágio de pós-doutorado no grupo de Meir na Universidade de Edimburgo que está à frente do projeto desde 2011. A surpresa foi identificar no sistema hidráulico a causa interna dessa mortalidade. Quando o suprimento de água no solo é reduzido, aumenta a tensão na coluna d’água no interior dos vasos condutores das árvores, o xilema. A integridade dessa coluna, que depende da adesão natural entre as moléculas de água, acaba comprometida por bolhas de ar, um processo que os especialistas chamam de cavitação. A consequência desse colapso, que acontece de repente, é a incapacidade de levar água das raízes às folhas e a morte súbita da árvore. Meir ressalta que essa falha hidráulica funciona como um gatilho que inicia o processo de morte, sem ser necessariamente a causa final – ainda desconhecida.

Outra hipótese favorecida para explicar a morte de árvores em situações de seca é o que os pesquisadores chamam de “fome de carbono”. Quando as folhas fecham os estômatos (poros que permitem transpiração e trocas gasosas) para evitar o ressecamento, também reduzem a absorção de carbono. O mais provável é que os dois processos aconteçam simultaneamente, mas no caso de Caxiuanã os pesquisadores descartaram a falta de carbono como fator principal ao verificar que as árvores continham um suprimento normal desse elemento e não pararam de crescer até a morte.

“Medimos a vulnerabilidade do sistema hidráulico das plantas à cavitação e vimos que ela tem relação com o diâmetro da árvore”, conta o biólogo Rafael Oliveira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), colaborador do projeto há dois anos. A observação condiz com a preponderância de vítimas avantajadas: 15 árvores com diâmetro maior que 40 centímetros caíram na área experimental, em comparação com apenas uma ou duas na zona de controle, onde não há exclusão de chuva. O impacto é grande, porque essas árvores gigantescas concentram uma parcela importante da biomassa da floresta e do dossel emissor de umidade. Enquanto isso, as de tamanho médio estão crescendo até mais, graças à luz que chega até elas agora que a mata vai se tornando esparsa e cheia de frestas entre as copas.

Painéis de plástico impedem que metade da chuva chegue ao chão...

Oliveira tem estudado as relações entre o solo, as plantas e a atmosfera, e em uma revisão publicada em 2014 na revista Theoretical and Experimental Plant Physiology mostrou que mudanças no regime de precipitação podem causar um estresse hídrico letal por cavitação, mesmo que a seca seja compensada por um período de chuvas intensas, de maneira que o total anual de chuvas não se altere. Para ele, é preciso entender melhor o funcionamento fisiológico e anatômico das árvores nessas condições para prever sua reação às mudanças previstas no clima. Essas particularidades também devem explicar por que a reação varia entre espécies. O estudo de Caxiuanã, por exemplo, aponta o gênero Pouteria como muito vulnerável à seca e o Licania como o mais resistente, entre as árvores examinadas. Os mecanismos usados pelas plantas são diversos, como absorver água pela parte aérea – pelas folhas e até pelos ramos e tronco. “Precisamos ver quais árvores na Amazônia fazem isso”, planeja.

Outro efeito da mortalidade das árvores é o acúmulo de mais folhas e galhos no solo da floresta. “Quem trabalha com fogo chama essa camada de combustível”, brinca o ecólogo Paulo Brando, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e do Centro de Pesquisa Woods Hole, Estados Unidos. Um dos integrantes do Seca Floresta, cujo imenso banco de dados ainda está em análise quase 10 anos depois de encerrado o projeto, ele mais recentemente conduziu um estudo com incêndios florestais num experimento no Alto Xingu, a região mais seca da Amazônia. Segundo os resultados apresentados em artigo de 2014 na PNAS, as árvores resistiram bem à primeira queimada, em 2004, em parte porque a própria umidade da floresta impediu que o fogo atingisse proporções devastadoras. O resultado marcante veio em 2007, quando o incêndio programado coincidiu com uma seca acentuada e representou, na interpretação dos autores, um ponto de inflexão na floresta. “O que vimos foi fogo de grande intensidade que matou tudo, principalmente as árvores pequenas”, conta, concluindo que a interação entre seca e fogo potencializa as forças motrizes de degradação. Menos água no solo, menos umidade no ar e mais combustível no chão agem em conjunto e aumentam muito a probabilidade de fogo. E não se pode esquecer a ação humana nas fronteiras agrícolas, onde o fogo é comum para manejo e se soma aos efeitos do desmatamento, que criam ilhas de floresta com bordas vulneráveis. “A fronteira da floresta com uma plantação de soja, por exemplo, é 5 graus Celsius mais quente do que o interior da floresta, e mais seca”, diz Brando.

...provocando queda de árvores...

Ele é coautor de um estudo feito pela geógrafa Ane Alencar, também do Ipam, que analisou registros de incêndios na Amazônia, por imagens de satélite, entre 1983 e 2007. Os resultados, publicados em setembro na Ecological Applications, mostram que já houve um aumento na ocorrência de fogo florestal em resposta a um clima mais seco. Comparando três tipos de mata no leste da Amazônia, o grupo verificou que a floresta densa é sensível a mudanças climáticas, enquanto as formações aberta e de transição estão mais sujeitas à ação humana por desmatamento.

Futuro
Como não há bola de cristal para enxergar o que vem à frente, vários grupos buscam desenvolver modelos climáticos e ecológicos. Brando participou de um estudo liderado por Philip Duffy, do Woods Hole, que comparou a capacidade de modelos climáticos acomodarem as secas que aconteceram em 2005 e 2010 na Amazônia, tão drásticas que não era esperado que se repetissem num período menor do que um século. Os resultados, publicados em outubro no site da PNAS, preveem um aumento significativo de secas, com um crescimento da área afetada por essas secas na região amazônica. O problema, segundo Brando, é que boa parte dos modelos lida com médias, e o que está em questão são extremos climáticos. Este ano, caracterizado por um fenômeno El Niño mais forte do que a média, a equipe do Esecaflor encontrou, em novembro, uma floresta praticamente sem chuva havia mais de dois meses. A expectativa é, nos próximos anos, acompanhar as consequências desse período.

...calhas levam a água embora numa área de 1 hectare da Floresta Nacional de Caxiuanã

“O relatório de 2013 do IPCC ressaltou nossa falta de capacidade em prever a mortalidade relacionada à seca nas florestas como uma das incertezas na ciência ligada à vegetação e ao clima”, conta Meir. “Nossos resultados indicam qual mecanismo fisiológico precisa ser bem representado pelos modelos para prever a mortalidade das árvores”, explica. Nessa busca por reduzir incertezas e antecipar o futuro, Lucy – que é especialista em usar dados de campo para alimentar modelos – vem trabalhando em parceria com o grupo de Stephen Sitch, na Universidade de Exeter, na Inglaterra, para aprimorar a representação das respostas das florestas tropicais à seca no modelo de vegetação conhecido como Jules. A Amazônia fala claramente sobre a importância de políticas que busquem reduzir as mudanças climáticas, tema que inundou as notícias nos últimos tempos por causa da Conferência do Clima em Paris (COP21), que ocorreu este mês. Os experimentos mostram efeitos localizados, mas secas naturais como as da década passada podem afetar uma área extensa da floresta. Meir ressalta a necessidade de quebrar o ciclo: ao se decomporem, imensas árvores mortas liberam na atmosfera uma quantidade de carbono que tende a agravar o efeito estufa. “É possível desenvolver regras de energia e uso da terra que sejam economicamente benéficas, sem danificar o ambiente no longo prazo”, completa.

Veja mais fotos da pesquisa na Galeria de Imagens

Projeto
Interações entre solo-vegetação-atmosfera em uma paisagem tropical em transformação (n° 2011/52072-0); Modalidade Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (Pite) e Acordo FAPESP-Microsoft Research; Pesquisador responsávelRafael Silva Oliveira (IB-Unicamp); Investimento R$ 1.082.525,94.

Artigos científicos
ALENCAR, A. A. et al. Landscape fragmentation, severe drought, and the new Amazon forest fire regimeEcological Applications. v. 25, n. 6, p. 1493-505. set. 2015.
BRANDO, P. M. et al. Abrupt increases in Amazonian tree mortality due to drought-fire interactionsPNAS. v. 111, n. 17, p. 6347-52. 29 abr. 2014.
DUFFY, P. B. et alProjections of future meteorological drought and wet periods in the AmazonPNAS. on-line. 12 out. 2015.
MEIR, P. et alThreshold responses to soil moisture deficit by trees and soil in tropical rain forests: insights from field experimentsBioScience. v. 65, n. 9, p. 882-92. set. 2015.
OLIVEIRA, R. S. et alChanging precipitation regimes and the water and carbon economies of treesTheoretical and Experimental Plant Physiology. v. 26, n. 1, p. 65-82. mar. 2014.
ROWLAND, L. et alDeath from drought in tropical forests is triggered by hydraulics not carbon starvationNature. on-line. 23 nov. 2015.

Algoritmo quântico mostrou-se mais eficaz do que qualquer análogo clássico (Revista Fapesp)

11 de dezembro de 2015

José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – O computador quântico poderá deixar de ser um sonho e se tornar realidade nos próximos 10 anos. A expectativa é que isso traga uma drástica redução no tempo de processamento, já que algoritmos quânticos oferecem soluções mais eficientes para certas tarefas computacionais do que quaisquer algoritmos clássicos correspondentes.

Até agora, acreditava-se que a chave da computação quântica eram as correlações entre dois ou mais sistemas. Exemplo de correlação quântica é o processo de “emaranhamento”, que ocorre quando pares ou grupos de partículas são gerados ou interagem de tal maneira que o estado quântico de cada partícula não pode ser descrito independentemente, já que depende do conjunto (Para mais informações veja agencia.fapesp.br/20553/).

Um estudo recente mostrou, no entanto, que mesmo um sistema quântico isolado, ou seja, sem correlações com outros sistemas, é suficiente para implementar um algoritmo quântico mais rápido do que o seu análogo clássico. Artigo descrevendo o estudo foi publicado no início de outubro deste ano na revista Scientific Reports, do grupo Nature: Computational speed-up with a single qudit.

O trabalho, ao mesmo tempo teórico e experimental, partiu de uma ideia apresentada pelo físico Mehmet Zafer Gedik, da Sabanci Üniversitesi, de Istambul, Turquia. E foi realizado mediante colaboração entre pesquisadores turcos e brasileiros. Felipe Fernandes Fanchini, da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus de Bauru, é um dos signatários do artigo. Sua participação no estudo se deu no âmbito do projeto Controle quântico em sistemas dissipativos, apoiado pela FAPESP.

“Este trabalho traz uma importante contribuição para o debate sobre qual é o recurso responsável pelo poder de processamento superior dos computadores quânticos”, disse Fanchini à Agência FAPESP.

“Partindo da ideia de Gedik, realizamos no Brasil um experimento, utilizando o sistema de ressonância magnética nuclear (RMN) da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos. Houve, então, a colaboração de pesquisadores de três universidades: Sabanci, Unesp e USP. E demonstramos que um circuito quântico dotado de um único sistema físico, com três ou mais níveis de energia, pode determinar a paridade de uma permutação numérica avaliando apenas uma vez a função. Isso é impensável em um protocolo clássico.”

Segundo Fanchini, o que Gedik propôs foi um algoritmo quântico muito simples que, basicamente, determina a paridade de uma sequência. O conceito de paridade é utilizado para informar se uma sequência está em determinada ordem ou não. Por exemplo, se tomarmos os algarismos 1, 2 e 3 e estabelecermos que a sequência 1- 2-3 está em ordem, as sequências 2-3-1 e 3-1-2, resultantes de permutações cíclicas dos algarismos, estarão na mesma ordem.

Isso é fácil de entender se imaginarmos os algarismos dispostos em uma circunferência. Dada a primeira sequência, basta girar uma vez em um sentido para obter a sequência seguinte, e girar mais uma vez para obter a outra. Porém, as sequências 1-3-2, 3-2-1 e 2-1-3 necessitam, para serem criadas, de permutações acíclicas. Então, se convencionarmos que as três primeiras sequências são “pares”, as outras três serão “ímpares”.

“Em termos clássicos, a observação de um único algarismo, ou seja uma única medida, não permite dizer se a sequência é par ou ímpar. Para isso, é preciso realizar ao menos duas observações. O que Gedik demonstrou foi que, em termos quânticos, uma única medida é suficiente para determinar a paridade. Por isso, o algoritmo quântico é mais rápido do que qualquer equivalente clássico. E esse algoritmo pode ser concretizado por meio de uma única partícula. O que significa que sua eficiência não depende de nenhum tipo de correlação quântica”, informou Fanchini.

O algoritmo em pauta não diz qual é a sequência. Mas informa se ela é par ou ímpar. Isso só é possível quando existem três ou mais níveis. Porque, havendo apenas dois níveis, algo do tipo 1-2 ou 2-1, não é possível definir uma sequência par ou ímpar. “Nos últimos tempos, a comunidade voltada para a computação quântica vem explorando um conceito-chave da teoria quântica, que é o conceito de ‘contextualidade’. Como a ‘contextualidade’ também só opera a partir de três ou mais níveis, suspeitamos que ela possa estar por trás da eficácia de nosso algoritmo”, acrescentou o pesquisador.

Conceito de contextulidade

“O conceito de ‘contextualidade’ pode ser melhor entendido comparando-se as ideias de mensuração da física clássica e da física quântica. Na física clássica, supõe-se que a mensuração nada mais faça do que desvelar características previamente possuídas pelo sistema que está sendo medido. Por exemplo, um determinado comprimento ou uma determinada massa. Já na física quântica, o resultado da mensuração não depende apenas da característica que está sendo medida, mas também de como foi organizada a mensuração, e de todas as mensurações anteriores. Ou seja, o resultado depende do contexto do experimento. E a ‘contextualidade’ é a grandeza que descreve esse contexto”, explicou Fanchini.

Na história da física, a “contextualidade” foi reconhecida como uma característica necessária da teoria quântica por meio do famoso Teorema de Bell. Segundo esse teorema, publicado em 1964 pelo físico irlandês John Stewart Bell (1928 – 1990), nenhuma teoria física baseada em variáveis locais pode reproduzir todas as predições da mecânica quântica. Em outras palavras, os fenômenos físicos não podem ser descritos em termos estritamente locais, uma vez que expressam a totalidade.

“É importante frisar que em outro artigo [Contextuality supplies the ‘magic’ for quantum computation] publicado na Nature em junho de 2014, aponta a contextualidade como a possível fonte do poder da computação quântica. Nosso estudo vai no mesmo sentido, apresentando um algoritmo concreto e mais eficiente do que qualquer um jamais imaginável nos moldes clássicos.”

Nations Approve Landmark Climate Accord in Paris (New York Times)

LE BOURGET, France — With the sudden bang of a gavel Saturday night, representatives of 195 nations reached a landmark accord that will, for the first time, commit nearly every country to lowering planet-warming greenhouse gas emissions to help stave off the most drastic effects of climate change.

The deal, which was met with an eruption of cheers and ovations from thousands of delegates gathered from around the world, represents a historic breakthrough on an issue that has foiled decades of international efforts to address climate change.

Traditionally, such pacts have required developed economies like the United States to take action to lower greenhouse gas emissions, but they have exempted developing countries like China and India from such obligations.

The accord, which United Nations diplomats have been working toward for nine years, changes that dynamic by requiring action in some form from every country, rich or poor.

Scientists and leaders said the talks here represented the world’s last, best hope of striking a deal that would begin to avert the most devastating effects of a warming planet.

Mr. Ban said there was “no Plan B” if the deal fell apart. The Eiffel Tower was illuminated with that phrase Friday night.

The new deal will not, on its own, solve global warming. At best, scientists who have analyzed it say, it will cut global greenhouse gas emissions by about half enough as is necessary to stave off an increase in atmospheric temperatures of 2 degrees Celsius or 3.6 degrees Fahrenheit. That is the point at which, scientific studies have concluded, the world will be locked into a future of devastating consequences, including rising sea levels, severe droughts and flooding, widespread food and water shortages and more destructive storms.

But the Paris deal could represent the moment at which, because of a shift in global economic policy, the inexorable rise in planet-warming carbon emissions that started during the Industrial Revolution began to level out and eventually decline.

“The world finally has a framework for cooperating on climate change that’s suited to the task,” said Michael Levi, an expert on energy and climate change policy at the Council on Foreign Relations. “Whether or not this becomes a true turning point for the world, though, depends critically on how seriously countries follow through.”

Just five years ago, such a deal seemed politically impossible. A similar 2009 climate change summit meeting in Copenhagen collapsed in acrimonious failure after countries could not unite around a deal.

Unlike in Copenhagen, Foreign Minister Laurent Fabius of France said on Saturday, the stars for this assembly were aligned.

The changes that led to the Paris accord came about through a mix of factors, particularly major shifts in the domestic politics and bilateral relationships of China and the United States, the world’s two largest greenhouse gas polluters.

Since the Copenhagen deal collapsed, scientific studies have confirmed that the earliest impacts of climate change have started to sweep across the planet. While scientists once warned that climate change was a problem for future generations, recent scientific reports have concluded that it has started to wreak havoc now, from flooding in Miami to droughts and water shortages in China.

In a remarkable shift from their previous standoffs over the issue, senior officials from both the United States and China praised the Paris accord on Saturday night.

Representatives of the “high-ambition coalition,” including Foreign Minister Tony de Brum of the Marshall Islands, left, wore lapel pins made of dried coconut fronds, a symbol of Mr. de Brum’s country.CreditJacky Naegelen/Reuters 

Secretary of State John Kerry, who has spent the past year negotiating behind the scenes with his Chinese and Indian counterparts in order to help broker the deal, said, “The world has come together around an agreement that will empower us to chart a new path for our planet.”

Xie Zhenhua, the senior Chinese climate change negotiator, said, “The agreement is not perfect, and there are some areas in need of improvement.” But he added, “This does not prevent us from marching forward with this historic step.” Mr. Xie called the deal “fair and just, comprehensive and balanced, highly ambitious, enduring and effective.”

Negotiators from many countries have said that a crucial moment in the path to the Paris accord came last year in the United States, when Mr. Obama enacted the nation’s first climate change policy — a set of stringent new Environmental Protection Agency regulations designed to slash greenhouse gas pollution from the nation’s coal-fired power plants. Meanwhile, in China, the growing internal criticism over air pollution from coal-fired power plants led President Xi Jinping to pursue domestic policies to cut coal use.

In November 2014 in Beijing, Mr. Obama and Mr. Xi announced that they would jointly pursue plans to cut domestic greenhouse gas emissions. That breakthrough announcement was seen as paving the way to the Paris deal, in which nearly all the world’s nations have jointly announced similar plans.

The final language did not fully satisfy everyone. Representatives of some developing nations expressed consternation. Poorer countries had pushed for a legally binding provision requiring that rich countries appropriate a minimum of at least $100 billion a year to help them mitigate and adapt to the ravages of climate change. In the final deal, that $100 billion figure appears only in a preamble, not in the legally binding portion of the agreement.

Despite the historic nature of the Paris climate accord, its success still depends heavily on two factors outside the parameter of the deal: global peer pressure and the actions of future governments.

The core of the Paris deal is a requirement that every nation take part. Ahead of the Paris talks, governments of 186 nations put forth public plans detailing how they would cut carbon emissions through 2025 or 2030.

Those plans alone, once enacted, will cut emissions by half the levels required to stave off the worst effects of global warming. The national plans vary vastly in scope and ambition — while every country is required to put forward a plan, there is no legal requirement dictating how, or how much, countries should cut emissions.

Thus, the Paris pact has built in a series of legally binding requirements that countries ratchet up the stringency of their climate change policies in the future. Countries will be required to reconvene every five years, starting in 2020, with updated plans that would tighten their emissions cuts.

Countries will also be legally required to reconvene every five years starting in 2023 to publicly report on how they are doing in cutting emissions compared to their plans. They will be legally required to monitor and report on their emissions levels and reductions, using a universal accounting system.

That hybrid legal structure was explicitly designed in response to the political reality in the United States. A deal that would have assigned legal requirements for countries to cut emissions at specific levels would need to go before the United States Senate for ratification. That language would have been dead on arrival in the Republican-controlled Senate, where many members question the established science of human-caused climate change, and still more wish to thwart Mr. Obama’s climate change agenda.

So the individual countries’ plans are voluntary, but the legal requirements that they publicly monitor, verify and report what they are doing, as well as publicly put forth updated plans, are designed to create a “name-and-shame” system of global peer pressure, in hopes that countries will not want to be seen as international laggards.

That system depends heavily on the views of the future world leaders who will carry out those policies. In the United States, every Republican candidate running for president in 2016 has publicly questioned or denied the science of climate change, and has voiced opposition to Mr. Obama’s climate change policies.

In the Senate, Mitch McConnell, the Republican leader, who has led the charge against Mr. Obama’s climate change agenda, said, “Before his international partners pop the champagne, they should remember that this is an unattainable deal based on a domestic energy plan that is likely illegal, that half the states have sued to halt, and that Congress has already voted to reject.”

There were few of those concerns at the makeshift negotiations center here in this suburb north of Paris. The delegates rose to their feet in applause to thank the French delegation, which drew on the finest elements of the country’s longstanding traditions of diplomacy to broker a deal that was acceptable to all sides.

France’s European partners recalled the coordinated Nov. 13 terrorist attacks in Paris, which killed 130 people and threatened to cast a shadow over the negotiations. But, bound by a collective good will toward France, countries redoubled their efforts.

“This demonstrates the strength of the French nation and makes us Europeans all proud of the French nation,” said Miguel Arias Cañete, the European Union’s commissioner for energy and climate action.

Yet amid the spirit of success that dominated the final hours of the negotiations, Mr. Arias Cañete reminded delegates that the accord was the beginning of the real work. “Today, we celebrate,” he said. “Tomorrow, we have to act. This is what the world expects of us.”

Correction: December 12, 2015. An earlier version of this article misstated part of the name of the agency for which Michael Levi works. It is the Council on Foreign Relations, not the Center on Foreign Relations.

Sewell Chan, Melissa Eddy, Justin Gillis and Stanley Reed contributed reporting.

Active ingredient in magic mushrooms reduces anxiety, depression in cancer patients (Science Daily)

Date: December 10, 2015

Source: American College of Neuropsychopharmacology

Summary: Psilocybin, found in magic mushrooms, decreased anxiety and depression in patients diagnosed with life-threatening cancer. New research shows that patients who received a psilocybin dose that altered perception and produced mystical-type experiences reported significantly less anxiety and depression compared with patients who received a low dose of the drug. The positive effects lasted 6 months.


A single dose of psilocybin, the major hallucinogenic component in magic mushrooms, induces long-lasting decreases in anxiety and depression in patients diagnosed with life-threatening cancer according to a new study presented at the annual meeting of the American College of Neuropsychopharmacology.

Patients who receive a cancer diagnosis often develop debilitating symptoms of anxiety and depression. Reports from the 1960s and 1970s suggest that hallucinogenic drugs such as LSD may alleviate such symptoms in cancer patients, but the clinical value of hallucinogenic drugs for the treatment of mood disturbances in cancer patients remains unclear. In this new study, Roland Griffiths and colleagues from the Johns Hopkins University School of Medicine investigated the effects of psilocybin on symptoms of anxiety and depression in individuals diagnosed with life-threatening cancer. Five weeks after receiving a dose of psilocybin sufficiently high to induce changes in perception and mystical-type experiences, patients reported significantly lower levels of anxiety and depression compared with patients that received a low dose of the drug. The positive effects on mood persisted in the patients at 6 month follow-up.

The authors suggest that a single dose of psilocybin may be sufficient to produce enduring decreases in negative mood in patients with a life-threatening cancer.

Medidas de adaptação às mudanças climáticas são anunciadas em Santos (Pesquisa Fapesp)

04 de dezembro de 2015

Samuel Antenor, de Santos | Agência FAPESP – Um estudo internacional sobre a elevação do nível do mar causada pelas mudanças climáticas na cidade de Santos, litoral sul do Estado de São Paulo, resultou em um conjunto de propostas de adaptação, apresentado na terça-feira (01/12) na Associação Comercial de Santos.

No encontro, pesquisadores e representantes da sociedade civil, da Marinha e do Exército  discutiram propostas de ações a serem executadas na cidade nos próximos anos, a fim de enfrentar a elevação do nível do mar e suas consequências na maior cidade portuária do Brasil, ante a perspectiva de aumento da temperatura global acima de 2°C até o final deste século.

As sugestões apresentadas pelo grupo fazem parte da segunda etapa do Projeto Uma estrutura integrada para analisar tomada de decisão local e capacidade adaptativa para mudança ambiental de grande escala: estudos de caso de comunidades no Brasil, Reino Unido e Estados Unidos (Metropole, na sigla em inglês) que inclui pesquisas sobre a elevação da maré em outras duas cidades: Broward, nos Estados Unidos, e Selsey, na Inglaterra. Realizado por pesquisadores do Centro de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto Geológico de São Paulo, o estudo, que contou com apoio de técnicos da Prefeitura Municipal de Santos, foi feito em parceria com pesquisadores da University of South Florida, dos Estados Unidos, e do King’s College London, da Inglaterra é apoiado pela FAPESP, no âmbito de um acordo de cooperação com o Belmont Forum.

Santos foi escolhida não apenas por suas características geográficas e importância estratégica para o Brasil, mas por reunir os mais completos dados sobre elevação de marés no país, registrados desde 1945 por marégrafos e desde 1993 também por satélite (para saber mais sobre o projeto Metropole leia agencia.fapesp.br/21997/).

“Foi elaborada uma estimativa de tendências de nível médio do mar, com dados de marégrafo e de topografia dinâmica por altimetria de satélites, considerando a confiabilidade, estabilidade e consistência desses dados”, explicou Luci Hidalgo Nunes, pesquisadora da Unicamp e participante do projeto.

Os dados coletados pelos pesquisadores foram inseridos na plataforma COAST (Coastal Adaptation to Sea Level Rise Tool), desenvolvida por uma empresa norte-americana, que ficou também responsável pelo armazenamento dos dados provenientes das três cidades integrantes do Projeto Metropole.

No caso de Santos, além dos dados espaciais georreferenciados e das variáveis relacionadas à elevação do nível do mar, foram consideradas variáveis socioeconômicas.

A partir disso, foram traçados dois níveis de impacto nas regiões sudeste e noroeste da cidade, englobando diferentes áreas do município, em um total de 13 km², onde vivem 117 mil pessoas, e cujas previsões de elevação do nível do mar ficam entre 18 cm e 23 cm em 2050, com projeções de 36 cm a 45 cm até 2100.

Medidas adaptativas

Considerando os cenários atuais, os dados indicam que o regime de chuvas e as ressacas na região de Santos tenderão a ser mais intensos e mais frequentes nas próximas décadas. Isso decorre do aumento de temperatura global e da consequente elevação do nível do mar, além da possibilidade de eventos extremos.

Em Santos, as sugestões para diminuir as vulnerabilidades costeiras, apresentadas após avaliação de diferentes formas de adaptação, incluem obras de infraestrutura.

Além da preservação e recuperação de manguezais, foram sugeridas a implantação de comportas para controle de marés em rios, a construção de canais de drenagem, o aumento da faixa de areia na Ponta da Praia e a construção de quebra-mar na orla leste do município.

Para a zona noroeste do município, as propostas de medidas adaptativas incluem a dragagem de canais, a criação de um sistema de comportas e estações de bombeamento e a recuperação de mangues. Na região da Ponta da Praia, no sudeste santista, a recomendação é que sejam adotadas medidas para engordamento/alimentação artificial da praia, a construção de um muro de proteção e de um sistema de bombeamento e de melhoria de comporta de canais.

Para mensurar os custos da adoção ou não dessas propostas, foram avaliados dois cenários, com e sem as medidas adaptativas. Para chegar a um custo aproximado das adaptações, foram projetados cenários de perdas baseados exclusivamente no valor dos imóveis nas duas regiões. Custos relacionados a outras variáveis, como saúde e mobilidade, não foram computados.

Com projeções de elevação das marés em 45 cm até 2100, os danos chegariam a R$ 236 milhões na zona noroeste e passariam de R$ 1 bilhão na região sudeste do município, caso não sejam adotadas as medidas adaptativas. Com a adoção das medidas, os custos dos danos seriam nulos na orla e cairiam para R$ 64 milhões na região noroeste.

Os cálculos foram feitos com base em projetos internacionais e na tomada de preços para a execução de projetos feita pela própria administração municipal.

“Buscamos fornecer aos tomadores de decisão a melhor informação possível para o planejamento urbano futuro, quais seriam as ações indicadas e seus benefícios”, explicou José Marengo, pesquisador titular do Cemaden e coordenador do projeto no Brasil.

Políticas públicas

Uma das propostas do projeto é utilizar o conhecimento resultante dessas pesquisas para subsidiar medidas de enfrentamento de problemas advindos das mudanças climáticas e ajudar na tomada de decisões e na formulação de políticas públicas. Nesse sentido, a prefeitura de Santos publicou, também no dia 1º de dezembro, um decreto criando uma comissão municipal de adaptação à mudança do clima.

Entre outros pontos, o texto do decreto sugere a criação de estrutura organizacional, envolvendo o poder público, o setor produtivo e representantes da sociedade civil, para a execução das possíveis medidas a serem adotadas com base nas pesquisas.

“Não se deve esperar por uma catástrofe para usar o conhecimento científico sobre as mudanças climáticas para formular políticas públicas, mas agir de forma preventiva”, afirmou Roberto Greco, do Instituto de Geociências da Unicamp e membro do projeto.

Durante o encontro, foram discutidas diferentes formas de financiamento das propostas, além de ações para conscientizar e sensibilizar a população para a urgência do tema. Uma das tônicas da discussão foi justamente a necessidade de encontrar meios de garantir a participação popular na questão.

Os participantes do encontro reforçaram o caráter público e participativo das ações, que precisariam envolver toda a sociedade, permitindo a atuação pública por meio da representação social, incluindo pessoas físicas, no Conselho proposto em decreto pela atual gestão municipal.

“Santos é precursora neste nível de informação no Brasil, e o projeto só pode ser realizado com a ajuda da prefeitura no fornecimento das informações e apoio técnico para utilização dos dados. Seria impossível fazer um projeto como esse sem esse apoio”, afirmou Nunes.

De acordo com os pesquisadores, considerando não apenas a avaliação do nível do mar mas também aspectos relacionados aos ventos e ao clima, é a primeira vez que se faz um estudo desse tipo no Brasil, com uma clara proposta de subsidiar políticas públicas e a tomada de decisão.

A próxima fase da pesquisa será a elaboração de comparativos entre aspectos relacionados nas três cidades pesquisadas, a fim de trocar informações que reforcem o caráter de urgência das medidas de adaptação. 

Inundações costeiras em Santos podem causar prejuízos bilionários

07 de outubro de 2015

Elton Alisson, de Santos | Agência FAPESP – A inundação de áreas costeiras das zonas sudeste e noroeste de Santos, causada pela combinação da elevação do nível do mar com ressacas, marés meteorológicas e astronômicas e eventos climáticos extremos, pode causar prejuízos acumulados de quase R$ 2 bilhões até 2100 se não forem implementadas medidas de adaptação.

A estimativa é de um estudo internacional, realizado por pesquisadores do Centro de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden), dos Institutos Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Geológico (IG) e das Universidades de São Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com colegas da University of South Florida, dos Estados Unidos, do King’s College London, da Inglaterra, além de técnicos da Prefeitura Municipal de Santos.

Os resultados do estudo, que fazem parte do projeto “Uma estrutura integrada para analisar tomada de decisão local e capacidade adaptativa para mudança ambiental de grande escala: estudos de casos de comunidades no Brasil, Reino Unido e Estados Unidos”, apoiado pela FAPESP, no âmbito de um acordo de cooperação com o Belmont Forum, foram apresentados na última quarta-feira (30/09) a representantes da sociedade civil de Santos.

Durante o encontro, os pesquisadores mostraram às lideranças locais projeções de elevação do nível do mar e de impactos econômicos até 2050 e 2100 nas regiões sudeste e noroeste de Santos – que já têm sido impactadas pelo aumento do nível do mar e atuação de eventos extremos – e discutiram possíveis medidas de adaptação para minimizar os riscos.

“Não é preciso esperar 20 ou 30 anos para sentir os efeitos da elevação do nível do mar. É possível implementar agora medidas de adaptação para minimizar os potenciais danos econômicos”, disse José Marengo, pesquisador titular do Cemaden e coordenador do projeto do lado do Brasil, à Agência FAPESP.

Os pesquisadores constataram por meio de dados sobre mudanças no nível do mar em Santos – obtidos por marégrafos na região no período entre 1945 e 1990 e por altimetria de satélite entre 1993 e 2013 –, que ele aumentou, em média, 3 milímetros nos últimos anos na cidade.

Com base nessa constatação, eles estimaram que o nível do mar na cidade pode aumentar entre 18 e 30 centímetros até 2050 e entre 36 centímetros e 1 metro em 2100.

A combinação dessa elevação  com uma sobrelevação causada por uma ressaca forte (ondas elevadas e maré meteorológica) e numa fase de maré de sigízia (maré astronômica de maior amplitude, que ocorre durante as luas cheia e nova, quando o Sol e a Lua estão alinhados em relação à Terra e há maior atração gravitacional), pode resultar em um rápido aumento do nível do mar em Santos de 90 centímetros até 2050 e 95 cm até 2100.

Nessas condições, as regiões sudeste e noroeste de Santos seriam ainda mais inundadas pelo mar e haveria maior erosão da praia.

“A planície costeira de Santos apresenta declividades muito baixas [menores de 2%] e altimetrias inferiores a 3 metros. Além disso, o nível do lençol freático da cidade é muito raso, o que a torna muito suscetível a inundações provocadas pelo mar e alagamentos devido às chuvas intensas”, explicou Joseph Harari, professor do Instituto de Oceanografia (IO) da USP e participante do projeto.

Aumento de ressacas

Os impactos relacionados com a elevação do nível do mar, combinada com marés meteorológicas e astronômicas e eventos meteorológicos, já estão sendo sentidos em Santos há algumas décadas.

Um estudo realizado por Celia Regina de Gouveia Souza, pesquisadora do Instituto Geológico e participante do projeto, constatou que o número de ressacas registradas na cidade teve um salto a partir do final da década de 1990.

Em 2010, por exemplo, foram registrados na cidade 15 eventos de ressaca, contra um número máximo de 4 por ano entre 1960 e início dos anos de 1990.

A pior ressaca do mar na cidade foi registrada em 2005 e levou a prefeitura municipal a colocar um anteparo de pedra no final da Ponta da Praia – região que tem sofrido com erosão costeira acelerada (perda de faixa de praia) desde o começo da década de 1940, com a construção da avenida à beira-mar sobre a praia.

A ressaca do mar, segundo a pesquisadora, está associada com o desenvolvimento de ciclones extratropicais, formados no sul da América do Sul e que avançam pela região Sudeste do Brasil, gerando ondas de alta energia e sobrelevação do nível do mar (maré meteorológica positiva), além de frentes frias que podem trazer muita chuva nas regiões costeiras.

“A intensidade dos impactos gerados na orla pela conjugação dessas condições com a elevação atual do nível do mar está aumentando, mas ainda não sabemos se a magnitude dos eventos tem se modificado”, afirmou Gouveia.

A região noroeste da cidade, por exemplo – onde estão concentrados imóveis cujo valor venal é, em geral, inferior aos da Ponta da Praia e onde vivem cerca de 83 mil pessoas –, sofre periodicamente com inundações, provocadas por marés positivas e de sizígia, além de enchentes.

Já a região sudeste – onde estão situados os imóveis de padrão mais elevado na cidade e onde vivem cerca de 34 mil habitantes – é afetada por alagamentos, causados por chuvas fortes, mas principalmente pela erosão costeira, que vem se agravando muito na Ponta da Praia.

“Essas duas regiões têm padrões diferentes de uso e ocupação do solo, que geram vulnerabilidades e, portanto, danos e perdas também diferentes em relação às projeções de elevação do nível do mar”, explicou Souza.

Cálculo de perdas

Os pesquisadores estimaram os possíveis danos econômicos de inundações costeiras nas zonas sudeste e noroeste de Santos, causadas pela elevação do nível do mar nos diferentes cenários projetados para 2050 e 2100, combinadas com uma sobrelevação da maré em 1,6 metros em 2050 e 1,66 metro em 2100, provocada por um evento extremo com ocorrência de uma vez a cada 100 anos.

Para isso, eles usaram um software de geoprocessamento chamado COAST (sigla de Coastal Adaptation to Sea Level Rise Tool), desenvolvido por uma empresa americana.

O software mensura os potenciais danos em ativos imobiliários provocados por inundação costeira a partir de dados da elevação do nível do mar, de marés astronômicas e meteorológicas e dados espaciais georreferenciados, cruzados com o valor venal do terreno (a soma do que foi gasto na construção do imóvel com o valor estimado do terreno), fornecidos pela prefeitura.

As projeções indicaram que a zona sudeste da cidade deverá ser a mais impactada nos três diferentes cenários de elevação do nível do mar projetados para 2050 e 2100.

Se não for adotada nenhuma medida de adaptação para uma elevação do nível do mar em um metro até 2100 – em um cenário mais extremo –, os danos econômicos podem ser de R$ 1,3 bilhão na região sudeste e de R$ 483,8 milhões na zona noroeste, estimam os pesquisadores.

“O COAST e outros modelos matemáticos ainda não são capazes de estimar a resiliência e a resistência dos ambientes, como por exemplo, como uma praia responde a uma elevação do nível do mar, ou como um manguezal consegue retardar o avanço do mar sobre áreas estuarinas”, afirmou Souza.

“De qualquer forma, é preciso estudar e adotar medidas de adaptação para minimizar os possíveis impactos socioeconômicos”, ponderou.

Algumas das medidas de adaptação que estão sendo adotadas no mundo para enfrentar as inundações e a erosão costeira causadas pelo aumento do nível do mar são barreiras naturais, como faixas de manguezais, implementadas em Palm Beach, na Flórida; engordamento de praia, como feito em Cuba e Miami; diques flutuantes, adotados em Veneza, na Itália; e readequações nos projetos de casas e prédios, para torná-los mais resilientes ao avanço do mar, como feito em Hamburgo, na Alemanha.

Em Santos, os participantes do workshop discutiram e indicaram algumas medidas de adaptação mais viáveis para a cidade.

As propostas serão incorporadas ao sistema COAST e avaliadas pelos pesquisadores nos próximos dois meses.

As propostas mais indicadas para serem implementadas, em termos de custo e prazo, serão apresentadas em um workshop previsto para ocorrer no dia 1º de dezembro.

“A adaptação é um processo caro. Mas é muito mais custoso se não for feito nada”, avaliou Marengo.

Leia mais sobre o projeto em agencia.fapesp.br/santos_pode_se_tornar_mais_suscetivel_a_inundacoes/21977/). 

The Shaman (Radio Ambulante)

PRODUCED BY Radio Ambulante

 

Unknown

Bogota, Colombia — The intense winter rains of 2011 left thousands of Colombians flooded out of their homes and claimed hundreds of lives. That same year, a man named Jorge Elías González became infamous for taking public money to keep the skies clear over Bogotá. Here’s his story, as reported by Melba Escobar.

 

Pesquisa internacional – Cientistas propõem saídas para evitar avanço do nível do mar em Santos (Assoc. Comercial de Santos)

Investimentos totais para impedir danos podem ultrapassar R$ 238,4 milhões

Encontro foi realizado nesta terça-feira (1) na Associação Comercial de Santos (ACS)


Após preverem que, até 2050, o nível do mar em Santos poderá subir 23 cm e causar prejuízos na área urbana da cidade, cientistas do Projeto Metropole – a mais detalhada pesquisa internacional sobre elevação do nível do mar – apresentaram nesta terça-feira (1) quais as saídas para evitar danos e prejuízos. Os investimentos podem ultrapassar R$ 238,4 milhões. Por outro lado, caso nada seja feito, os gastos podem passar de R$ 1,28 bilhão até 2100.

O grupo se reuniu na Associação Comercial de Santos (ACS), onde representantes da prefeitura anunciaram que, diante dos resultados, foi criado o Plano Municipal de Adaptação à Mudança do Clima.

Conforme apontaram os estudos, na Zona Leste (do Embaré até a Ponta da Praia), com investimentos de R$ 36.514.212,00, seria possível realizar o engordamento das praias (alimentação artificial com areia), construir muros de proteção e um sistema de bombeamento (semelhante à dragagem), além de realizar a melhoria das comportas dos canais.

De acordo com a subcoordenadora do projeto e professora de geografia do Instituto de Geociências da Unicamp, Luci Hidalgo Nunes, a implantação dessas soluções evitaria um prejuízo de R$ 1.043.498.249,00. “O valor do investimento é baixo em relação aos benefícios”.

Já na Zona Noroeste, segundo ela, como não existem informações tão detalhadas quanto na Zona Leste, os resultados não são tão precisos. Mas, já foi possível mostrar que os danos, caso nada seja feito, podem causar o prejuízo de R$ 236.406.111,00 até o ano de 2100.

“As adaptações necessárias vão custar R$ 201.999.540,00 e incluem dragagem, colocação de um sistema de comportas e de estações de bombeamento, além da recuperação do mangue. Nesse caso, na área de mangue, que hoje é ocupada, precisaria ser feita a remoção da população, o que não é um processo simples. Mas, com certeza, o problema é muito mais complicado”.

Decreto

Diante da apresentação das soluções, foi publicado no Diário Oficial do Município o Plano Municipal de Adaptação à Mudança do Clima.

De acordo com o engenheiro Eduardo Kimoto Hosokawa, da Coordenadoria de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de Santos, isso demonstra uma iniciativa do governo municipal perante o tema. “Várias secretarias estarão envolvidas e, no prazo de um ano, será gerado o Plano”.

Início dos trabalhos

O primeiro encontro dos cientistas ocorreu em 30/09, também na ACS, quando foi divulgado, por exemplo, o que aconteceria em dias de tempestade no ano de 2050, caso nenhuma medida seja tomada até lá: ondas de até 1,80 m, somando-se a maré ao aumento do nível do mar.

Após divulgar todos esses dados, os cientistas, juntamente com integrantes da sociedade civil, fizeram uma nova reunião ontem (1) e apresentaram as soluções.

Os pesquisadores mostraram, ainda, como foi feito o mapeamento, com alto grau de precisão, em áreas na cidade que estarão mais sujeitas às mudanças climáticas até 2100. Além de Santos, outras duas cidades fazem parte do estudo: Broward (EUA) e Selsey (Inglaterra).

Sobre o Projeto Metropole

O Projeto Metropole busca alternativas para enfrentar a elevação da maré. No Brasil, o estudo é financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e surgiu a partir de uma chamada sobre vulnerabilidade costeira do Fórum Belmont, em 2012, cujo objetivo é articular esforços e direcionar a pesquisa ambiental para áreas que requerem avaliações mais aprofundadas. A iniciativa tem o apoio da Prefeitura de Santos.

Partindo de cenários de aumento do nível do mar no futuro, devido às mudanças climáticas, o estudo mostra os impactos por meio de ferramentas de visualização apresentadas a pessoas da comunidade, convidadas para opinar sobre quais medidas adaptativas deveriam ser tomadas diante das projeções, apresentadas para 50 e 100 anos.

Ou seja, o objetivo é responder a potenciais riscos ambientais, econômicos e de saúde locais, devido à larga mudança de escala.

Para cada cidade participante, são apresentados cenários utilizando ferramentas de visualização desenvolvidas pelas equipes técnicas do Brasil e dos Estados Unidos. Os dados incluem mudanças no nível do mar, temperatura, frequência de tempestades e ressacas e outras variáveis com projeções de alta resolução para cenários em 2050 e 2100.

 

 

 

Fundação Cacique Cobra Coral dá data para o fim da crise hídrica (Glamurama/UOL)

Osmar Santos, da Fundação Cacique Cobra Coral

Nem só de más notícias vive a presidente Dilma Rousseff. Por intermédio do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, ela tem recebido diariamente informes da Fundação Cacique Cobra Coral, entidade esotérica especializada em fenômenos climáticos, no monitoramento meteorológico e conveniada com o Ministério de Minas e Energia, o governo do Estado do RJ e a Prefeitura do Rio.

Os relatórios apontam uma tendência de elevação nos níveis dos reservatórios do Sudeste antes do verão chegar. Com isso, o governo poderá anunciar em breve a redução nos preços da energia. O informe mais recente diz que, após a antecipação do período chuvoso ainda na primavera, prometido pela entidade em 27 de setembro, mais três poderosos fenômenos voltarão a atuar no Sudeste para ajudar a elevar o nível dos mananciais: Alta da Bolívia, Baixa do Chaco e ZACS (Zona de Convergência do Atlântico Sul).

A região Sudeste vai continuar recebendo um verdadeiro bombardeio de chuva nos próximos dias.

First worldwide survey of religion and science: No, not all scientists are atheists (Science Daily)

Date: December 3, 2015

Source: Rice University

Summary: Are all scientists atheists? Do they believe religion and science can co-exist? These questions and others were addressed in the first worldwide survey of how scientists view religion.


A new survey challenges longstanding assumptions about the science-faith interface. While it is commonly assumed that most scientists are atheists, the global perspective resulting from the study shows that this is simply not the case. Credit: © BillionPhotos.com / Fotolia

Are all scientists atheists? Do they believe religion and science can co-exist? These questions and others were addressed in the first worldwide survey of how scientists view religion, released today by researchers at Rice University.

“No one today can deny that there is a popular ‘warfare’ framing between science and religion,” said the study’s principal investigator, Elaine Howard Ecklund, founding director of Rice University’s Religion and Public Life Program and the Herbert S. Autrey Chair in Social Sciences. “This is a war of words fueled by scientists, religious people and those in between.”

The study’s results challenge longstanding assumptions about the science-faith interface. While it is commonly assumed that most scientists are atheists, the global perspective resulting from the study shows that this is simply not the case.

“More than half of scientists in India, Italy, Taiwan and Turkey self-identify as religious,” Ecklund said. “And it’s striking that approximately twice as many ‘convinced atheists’ exist in the general population of Hong Kong, for example, (55 percent) compared with the scientific community in this region (26 percent).”

The researchers did find that scientists are generally less religious than a given general population. However, there were exceptions to this: 39 percent of scientists in Hong Kong identify as religious compared with 20 percent of the general population of Hong Kong, and 54 percent of scientists in Taiwan identify as religious compared with 44 percent of the general population of Taiwan. Ecklund noted that such patterns challenge longstanding assumptions about the irreligious character of scientists around the world.

When asked about terms of conflict between religion and science, Ecklund noted that only a minority of scientists in each regional context believe that science and religion are in conflict. In the U.K. — one of the most secular countries studied — only 32 percent of scientists characterized the science-faith interface as one of conflict. In the U.S., this number was only 29 percent. And 25 percent of Hong Kong scientists, 27 percent of Indian scientists and 23 percent of Taiwanese scientists believed science and religion can coexist and be used to help each other.

In addition to the survey’s quantitative findings, the researchers found nuanced views in scientists’ responses during interviews. For example, numerous scientists expressed how religion can provide a “check” in ethically gray areas.

“(Religion provides a) check on those occasions where you might be tempted to shortcut because you want to get something published and you think, ‘Oh, that experiment wasn’t really good enough, but if I portray it in this way, that will do,'” said a biology professor from the U.K.

Another scientist said that there are “multiple atheisms,” some of which include religious traditions. “I have no problem going to church services because quite often, again that’s a cultural thing,” said a physics reader in the U.K. who said he sometimes attended services because his daughter sang in the church choir. “It’s like looking at another part of your culture, but I have no faith religiously. It doesn’t worry me that religion is still out there.”

Finally, many scientists mentioned ways that they would accommodate the religious views or practices of the public, whether those of students or colleagues.

“Religious issues (are) quite common here because everyone talks about which temple they go to, which church they go to. So it’s not really an issue we hide; we just talk about it. Because, in Taiwan, we have people [of] different religions,” said a Taiwanese professor of biology.

Ecklund and fellow Rice researchers Kirstin Matthews and Steven Lewis collected information from 9,422 respondents in eight regions around the world: France, Hong Kong, India, Italy, Taiwan, Turkey, the U.K. and the U.S. They also traveled to these regions to conduct in-depth interviews with 609 scientists, the largest worldwide survey and interview study ever conducted of the intersection between faith and science.

By surveying and interviewing scientists at various career stages, in elite and nonelite institutions and in biology and physics, the researchers hoped to gain a representative look at scientists’ views on religion, ethics and how both intersect with their scientific work.

Ecklund said that the study has many important implications that can be applied to university hiring processes, how classrooms and labs are structured and general public policy.

“Science is a global endeavor,” Ecklund said. “And as long as science is global, then we need to recognize that the borders between science and religion are more permeable than most people think.”

The Templeton World Charity Foundation funded the study. The study also received support from Rice University and the Faraday Institute, housed at St. Edmund’s College, Cambridge.

Plantas têm memória, sentem dor e são inteligentes (Portugal Mundial)

Março de 2015

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Pode uma planta ser inteligente? Alguns cientistas insistem que são – uma vez que elas podem sentir, aprender, lembrar e até mesmo reagir de formas que seriam familiares aos seres humanos. A nova pesquisa está num campo chamado neurobiologia de plantas – o que é meio que um equívoco, porque mesmo os cientistas desta área não argumentam que as plantas tenham neurónios ou cérebros.

Elas têm estruturas análogas“, explica Michael Pollan, autor de livros como The Omnivore’s Dilemma (O Dilema do Onívoro) e The Botany of Desire (A Botânica do Desejo). “Elas têm maneiras de tomar todos os dados sensoriais que se reúnem em suas vidas quotidianas … integrá-los e, em seguida, se comportar de forma adequada em resposta. E elas fazem isso sem cérebro, o que, de certa forma, é o que é incrível sobre isso, porque assumimos automaticamente que você precisa de um cérebro para processar a informação”.

E nós supomos que precisamos de ouvidos para ouvir. Mas os pesquisadores, diz Pollan, tocaram uma gravação de uma lagarta comendo uma folha para plantas – e as plantas reagiram. Elas começam a segregar substâncias químicas defensivas – embora a planta não esteja realmente ameaçada, diz Pollan. “Ela está de alguma forma ouvindo o que é, para ela, um som aterrorizante de uma lagarta comendo suas folhas.”

Plantas podem sentir

Pollan diz que as plantas têm todos os mesmos sentidos como os seres humanos, e alguns a mais. Além da audição e do paladar, por exemplo, elas podem detectar a gravidade, a presença de água, ou até sentir que  um obstáculo está a bloquear as suas raízes, antes de entrar em contacto com ele. As raízes das plantas mudam de direcção, diz ele, para evitar obstáculos.

E a dor? As plantas sentem? Pollan diz que elas respondem aos anestésicos. “Pode apagar uma planta com um anestésico humano… E não só isso, as plantas produzem seus próprios compostos que são anestésicos para nós.” 

De acordo com os pesquisadores do Instituto de Física Aplicada da Universidade de Bonn, na Alemanha, as plantas libertam gases que são o equivalente a gritos de dor. Usando um microfone movido a laser, os pesquisadores captaram ondas sonoras produzidas por plantas que liberam gases quando cortadas ou feridas. Apesar de não ser audível ao ouvido humano, as vozes secretas das plantas têm revelado que os pepinos gritam quando estão doentes, e as flores se lamentam quando suas folhas são cortadas [fonte: Deutsche Welle].

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Sistema nervoso de plantas

Como as plantas sentem e reagem ainda é um pouco desconhecido. Elas não têm células nervosas como os seres humanos, mas elas têm um sistema de envio de sinais eléctricos e até mesmo a produção de neurotransmissores, como dopamina, serotonina e outras substâncias químicas que o cérebro humano usa para enviar sinais.

As plantas realmente sentem dor

As evidências desses complexos sistemas de comunicação são sinais de que as plantas sentem dor. Ainda mais, os cientistas supõem que as plantas podem apresentar um comportamento inteligente sem possuir um cérebro ou consciência.

Elas podem se lembrar

michael pollan plantas sencientes conscientes inteligência veganismo vegetarianismo burrice errado dó piedade misericórdia

Pollan descreve um experimento feito pela bióloga de animais Monica Gagliano. Ela apresentou uma pesquisa que sugere que a planta Mimosa pudica pode aprender com a experiência. E, Pollan diz, por apenas sugerir que uma planta poderia aprender, era tão controverso que seu artigo foi rejeitado por 10 revistas científicas antes de ser finalmente publicado.

Mimosa é uma planta, que é algo como uma samambaia, que recolhe suas folhas temporariamente quando é perturbada. Então Gagliano configurou uma engenhoca que iria pingar gotas na planta mimosa, sem ferir-la. Quando a planta era tocada, tal como esperado, as folhas se fechavam. Ela ficava pingando as plantas a cada 5-6 segundos.

Depois de cinco ou seis gotas, as plantas paravam de responder, como se tivessem aprendido a sintonizar o estímulo como irrelevante“, diz Pollan. “Esta é uma parte muito importante da aprendizagem – saber o que você pode ignorar com segurança em seu ambiente.”

Talvez a planta estava apenas se cansando de tantos pingos? Para testar isso, Gagliano pegou as plantas que tinham parado de responder às gotas e sacudiu-as.

Elas continuavam a se fechar“, diz Pollan. “Elas tinham feito a distinção que o gotejamento era um sinal que elas poderiam ignorar. E o que foi mais incrível é que Gagliano as testou novamente a cada semana durante quatro semanas e, durante um mês, elas continuaram a lembrar a lição.”

Isso foi o mais longe que Gagliano testou. É possível que elas se lembrem ainda mais. Por outro lado, Pollan aponta, as abelhas que foram testadas de maneira semelhante se esquecem o que aprenderam em menos de 48 horas.

Plantas: seres sentientes?

As plantas podem fazer coisas incríveis. Elas parecem se lembrar de estresse e eventos, como essa experiência. Elas têm a capacidade de responder de 15 a 20 variáveis ambientais”, diz Pollan. “A questão é, é correto de chamar isso de aprendizagem? É essa a palavra certa? É correto chamar isso de inteligência? É certo, ainda, dizer que elas são conscientes? Alguns destes neurobiólogos de plantas acreditam que as plantas estão conscientes – não auto-conscientes, mas conscientes, no sentido que elas sabem onde elas estão no espaço … e reagem adequadamente a sua posição no espaço”.

Pollan diz que não há definição consensual de inteligência. “Vá para a Wikipedia e procure por inteligência. Eles se desesperam para dar-lhe uma resposta. Eles têm basicamente um gráfico onde dão-lhe nove definições diferentes. E cerca da metade delas dependem de um cérebro … se referem ao raciocínio abstracto ou julgamento.”

“E a outra metade apenas se referem a uma capacidade de resolver problemas. E esse é o tipo de inteligência que estamos falando aqui.  Então a inteligência pode muito bem ser uma propriedade de vida. E a nossa diferença em relação a essas outras criaturas pode ser uma questão da diferença de grau e não de espécie. Podemos apenas ter mais desta habilidade de resolver problemas e podemos fazê-lo de diferentes maneiras.”

Pollan diz que o que realmente assusta as pessoas é “que a linha entre plantas e animais pode ser um pouco mais fina do que nós tradicionalmente acreditamos.”

E ele sugere que as plantas podem ser capaz de ensinar os seres humanos uma ou duas coisas, tais como a forma de processar a informação sem um posto de comando central, como um cérebro.

Confira este vídeo de Michael Pollan.

VÍDEO

Protocolo Climático do Estado de São Paulo é lançado internacionalmente na COP21 (Revista Fapesp)

09 de dezembro de 2015

Elton Alisson, de Paris  |  Agência FAPESP – A Secretaria Estadual do Meio Ambiente lançou internacionalmente na terça-feira (08/12), durante um evento paralelo à 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21), na Embaixada do Brasil em Paris, o Protocolo Climático do Estado de São Paulo.

O Protocolo visa estimular empresas e entidades estabelecidas no Estado de São Paulo a adotarem medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, incluindo iniciativas de redução das emissões de gases de efeito estufa, de aumento da eficiência hídrica e energética e de práticas de responsabilidade socioambiental, com intuito de atender à Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC).

De adesão voluntária, o Protocolo Climático já conta com a adesão de mais de 60 empresas e entidades, como o Carrefour, a Natura, o Grupo Votorantim, a Dow e Associação Paulista de Supermercados (Apas), entre outras.

“O Protocolo permitirá ao Governo do Estado de São Paulo identificar empresas e entidades líderes em mitigação e adaptação às mudanças climáticas, que podem servir de modelo para outras”, disse Patricia Iglecias, secretária estadual do Meio Ambiente, durante o evento.

De acordo com ela, o Protocolo foi apresentado ao secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, na última sexta-feira (04/12), durante o Climate Summit for Local Leaders – outro evento paralelo à COP21 que reuniu centenas de representantes de municípios, estados e regiões do mundo em Paris, para discutir ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas implementadas por governos subnacionais .

Os estados de Goiás, Rio de Janeiro e o Distrito Federal também manifestaram interesse de replicar a experiência do protocolo, contou Iglecias.

“Esperamos que outros estados também repliquem essa iniciativa. O papel dos governos subnacionais e o engajamento das empresas e da sociedade civil são fundamentais para implementação das medidas de mitigação e adaptação que estão sendo discutidas pelos governos nacionais na COP21”, avaliou.

Durante o evento, 28 empresas e entidades que aderiram ao protocolo climático paulista apresentaram exemplos de medidas de redução de emissões de gases de efeito estufa e de boas práticas socioambientais que implementaram nos últimos anos e assinaram o termo de adesão ao Protocolo.

A Natura, por exemplo, atingiu a meta de reduzir em 33,2% suas emissões de gases de efeito estufa em 2013 por meio de medidas como a substituição de embalagens por versões mais ecológicas.

“Conseguimos uma redução de 41% nas emissões de gases de efeito estufa na produção de uma de nossas principais linhas de produtos por meio da substituição da embalagem por uma versão com refil [que pode ser recarregada]”, disse Keyvan Macedo, gerente de sustentabilidade da fabricante de cosméticos.

O Carrefour, por sua vez, conseguiu reduzir 450 mil quilômetros no transporte de produtos do seu centro de distribuição para as lojas, em razão de um programa de logística inteligente, reduzindo a emissão de poluentes. A empresa estabeleceu a meta de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 40% até 2025 e 70% até 2040. A Dow, por sua vez, tem um plano para diminuir as emissões de gases de efeito estufa nas Olimpíadas no Rio de Janeiro, em 2016, segundo representantes da empresa.

“São Paulo produz bens e serviços de alto valor agregado e pode trazer uma considerável vantagem competitiva se passar a produzir cada vez mais com maior eficiência e menor intensidade de carbono”, avaliou Iglecias.

“A transição para uma economia que atenda a essas necessidades pode e deve ser impulsionada por parcerias com o setor privado”, afirmou.

Assinatura de memorandos

Durante o evento, também foi assinado um memorando de entendimento entre a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e o R20 – Regions of Climate Action – uma iniciativa internacional lançada em 2011 pelo ator e ex-governador da Califórnia, nos Estados Unidos, Arnold Schwarzenegger para promover uma economia de baixo carbono – para captação de US$ 50 milhões para o Programa Nascentes, de restauração dos mananciais paulistas.

Também foi lançado no evento um Protocolo de Boas Práticas Sociambientais para o Setor Financeiro com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

O protocolo funcionará como uma regulamentação estadual da normativa do Banco Central a respeito das políticas internas socioambientais de instituições financeiras atuantes no Estado de São Paulo.

“O Protocolo de Boas Práticas Socioambientais para o Setor Financeiro surgiu de um termo de minuta de responsabilidade socioambiental desenvolvido pela Febraban e o Ministério Público Federal em parceria com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente”, explicou Iglecias.

A secretária também anunciou durante o evento o lançamento do Fundo Climático Paulista.

A ideia do fundo é captar recursos para substituição das atuais fontes energéticas de edifícios públicos paulistas por alternativas mais eficientes.

“Queremos que isso traga uma mudança da matriz energética dos prédios públicos do Estado de São Paulo. Entendemos que o setor público também tem que dar sua contribuição para mitigação e adaptação às mudanças climáticas”, afirmou Iglecias.

Participaram do evento o embaixador do Brasil na França, Paulo César de Oliveira Campos, o secretário de mudanças climáticas e qualidade ambiental do Brasil, Carlos Klink, os deputados Ricardo Tripoli e Orlando Morando, e representante de ONGs, órgãos do governo de São Paulo, entidades e associações do Brasil e da França.

Isabelle Stengers’ new book available open access

Avatar de Jeremy SchmidtJeremy J Schmidt

Isabelle Stengers’ new book, In Catastrophic Times, is available for free as a .pdf download at this site. Here is a description of the book (which you can also buy in hard copy as well following the link above):

There has been an epochal shift: the possibility of a global climate crisis is now upon us. Pollution, the poison of pesticides, the exhaustion of natural resources, falling water tables, growing social inequalities – these are all problems that can no longer be treated separately. The effects of global warming have a cumulative impact, and it is not a matter of a crisis that will “pass” before everything goes back to “normal.”

Our governments are totally incapable of dealing with the situation. Economic warfare obliges them to stick to the goal of irresponsible, even criminal, economic growth, whatever the cost. It is no surprise that people were so struck…

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Ancient viral molecules essential for human development (Science Daily)

Date: November 23, 2015

Source: Stanford University Medical Center

Summary: Genetic material from ancient viral infections is critical to human development, according to researchers.


Rendering of a virus among blood cells. Credit: © ysfylmz / Fotolia

Genetic material from ancient viral infections is critical to human development, according to researchers at the Stanford University School of Medicine.

They’ve identified several noncoding RNA molecules of viral origins that are necessary for a fertilized human egg to acquire the ability in early development to become all the cells and tissues of the body. Blocking the production of this RNA molecule stops development in its tracks, they found.

The discovery comes on the heels of a Stanford study earlier this year showing that early human embryos are packed full of what appear to be viral particles arising from similar left-behind genetic material.

“We’re starting to accumulate evidence that these viral sequences, which originally may have threatened the survival of our species, were co-opted by our genomes for their own benefit,” said Vittorio Sebastiano, PhD, an assistant professor of obstetrics and gynecology. “In this manner, they may even have contributed species-specific characteristics and fundamental cell processes, even in humans.”

Sebastiano is a co-lead and co-senior author of the study, which will be published online Nov. 23 in Nature Genetics. Postdoctoral scholar Jens Durruthy-Durruthy, PhD, is the other lead author. The other senior author of the paper is Renee Reijo Pera, PhD, a former professor of obstetrics and gynecology at Stanford who is now on the faculty of Montana State University.

Sebastiano and his colleagues were interested in learning how cells become pluripotent, or able to become any tissue in the body. A human egg becomes pluripotent after fertilization, for example. And scientists have learned how to induce other, fully developed human cells to become pluripotent by exposing them to proteins known to be present in the very early human embryo. But the nitty-gritty molecular details of this transformative process are not well understood in either case.

An ancient infection

The researchers knew that a type of RNA molecules called long-intergenic noncoding, or lincRNAs, have been implicated in many important biological processes, including the acquisition of pluripotency. These molecules are made from DNA in the genome, but they don’t go on to make proteins. Instead they function as RNA molecules to affect the expression of other genes.

Sebastiano and Durruthy-Durruthy used recently developed RNA sequencing techniques to examine which lincRNAs are highly expressed in human embryonic stem cells. Previously, this type of analysis was stymied by the fact that many of the molecules contain highly similar, very repetitive regions that are difficult to sequence accurately.

They identified more than 2,000 previously unknown RNA sequences, and found that 146 are specifically expressed in embryonic stem cells. They homed in on the 23 most highly expressed sequences, which they termed HPAT1-23, for further study. Thirteen of these, they found, were made up almost entirely of genetic material left behind after an eons-ago infection by a virus called HERV-H.

HERV-H is what’s known as a retrovirus. These viruses spread by inserting their genetic material into the genome of an infected cell. In this way, the virus can use the cell’s protein-making machinery to generate viral proteins for assembly into a new viral particle. That particle then goes on to infect other cells. If the infected cell is a sperm or an egg, the retroviral sequence can also be passed to future generations.

HIV is one common retrovirus that currently causes disease in humans. But our genomes are also littered with sequences left behind from long-ago retroviral infections. Unlike HIV, which can go on to infect new cells, these retroviral sequences are thought to be relatively inert; millions of years of evolution and accumulated mutations mean that few maintain the capacity to give instructions for functional proteins.

After identifying HPAT1-23 in embryonic stem cells, Sebastiano and his colleagues studied their expression in human blastocysts — the hollow clump of cells that arises from the egg in the first days after fertilization. They found that HPAT2, HPAT3 and HPAT5 were expressed only in the inner cell mass of the blastocyst, which becomes the developing fetus. Blocking their expression in one cell of a two-celled embryo stopped the affected cell from contributing to the embryo’s inner cell mass. Further studies showed that the expression of the three genes is also required for efficient reprogramming of adult cells into induced pluripotent stem cells.

Sequences found only in primates

“This is the first time that these virally derived RNA molecules have been shown to be directly involved with and necessary for vital steps of human development,” Sebastiano said. “What’s really interesting is that these sequences are found only in primates, raising the possibility that their function may have contributed to unique characteristics that distinguish humans from other animals.”

The researchers are continuing their studies of all the HPAT molecules. They’ve learned that HPAT-5 specifically affects pluripotency by interacting with and sequestering members of another family of RNAs involved in pluripotency called let-7.

“Previously retroviral elements were considered to be a class that all functioned in basically the same way,” said Durruthy-Durruthy. “Now we’re learning that they function as individual elements with very specific and important roles in our cells. It’s fascinating to imagine how, during the course of evolution, primates began to recycle these viral leftovers into something that’s beneficial and necessary to our development.”


Journal Reference:

  1. Jens Durruthy-Durruthy, Vittorio Sebastiano, Mark Wossidlo, Diana Cepeda, Jun Cui, Edward J Grow, Jonathan Davila, Moritz Mall, Wing H Wong, Joanna Wysocka, Kin Fai Au, Renee A Reijo Pera. The primate-specific noncoding RNA HPAT5 regulates pluripotency during human preimplantation development and nuclear reprogrammingNature Genetics, 2015; DOI: 10.1038/ng.3449

Army ants’ ‘living’ bridges span collective intelligence, ‘swarm’ robotics (Science Daily)

Date: November 24, 2015

Source: Princeton University

Summary: Researchers report for the first time that the ‘living’ bridges army ants of the species Eciton hamatum build with their bodies are more sophisticated than scientists knew. The ants automatically assemble with a level of collective intelligence that could provide new insights into animal behavior and even help in the development of intuitive robots that can cooperate as a group.


Researchers from Princeton University and the New Jersey Institute of Technology report for the first time that the “living” bridges army ants of the species Eciton hamatum (pictured) build with their bodies are more sophisticated than scientists knew. The ants automatically assemble with a level of collective intelligence that could provide new insights into animal behavior and even help in the development of intuitive robots that can cooperate as a group. Credit: Courtesy of Matthew Lutz, Princeton University, and Chris Reid, University of Sydney

 Columns of workers penetrate the forest, furiously gathering as much food and supplies as they can. They are a massive army that living things know to avoid, and that few natural obstacles can waylay. So determined are these legions that should a chasm or gap disrupt the most direct path to their spoils they simply build a new path — out of themselves.

Without any orders or direction, individuals from the rank and file instinctively stretch across the opening, clinging to one another as their comrades-in-arms swarm across their bodies. But this is no force of superhumans. They are army ants of the species Eciton hamatum, which form “living” bridges across breaks and gaps in the forest floor that allow their famously large raiding swarms to travel efficiently.

Researchers from Princeton University and the New Jersey Institute of Technology (NJIT) report for the first time that these structures are more sophisticated than scientists knew. The ants exhibit a level of collective intelligence that could provide new insights into animal behavior and even help in the development of intuitive robots that can cooperate as a group, the researchers said.

Ants of E. hamatum automatically form living bridges without any oversight from a “lead” ant, the researchers report in the journal Proceedings of the National Academy of the Sciences. The action of each individual coalesces into a group unit that can adapt to the terrain and also operates by a clear cost-benefit ratio. The ants will create a path over an open space up to the point when too many workers are being diverted from collecting food and prey.

“These ants are performing a collective computation. At the level of the entire colony, they’re saying they can afford this many ants locked up in this bridge, but no more than that,” said co-first author Matthew Lutz, a graduate student in Princeton’s Department of Ecology and Evolutionary Biology.

“There’s no single ant overseeing the decision, they’re making that calculation as a colony,” Lutz said. “Thinking about this cost-benefit framework might be a new insight that can be applied to other animal structures that people haven’t thought of before.”

The research could help explain how large groups of animals balance cost and benefit, about which little is known, said co-author Iain Couzin, a Princeton visiting senior research scholar in ecology and evolutionary biology, and director of the Max Planck Institute for Ornithology and chair of biodiversity and collective behavior at the University of Konstanz in Germany.

Previous studies have shown that single creatures use “rules of thumb” to weigh cost-and-benefit, said Couzin, who also is Lutz’s graduate adviser. This new work shows that in large groups these same individual guidelines can eventually coordinate group-wide, he said — the ants acted as a unit although each ant only knew its immediate circumstances.

“They don’t know how many other ants are in the bridge, or what the overall traffic situation is. They only know about their local connections to others, and the sense of ants moving over their bodies,” Couzin said. “Yet, they have evolved simple rules that allow them to keep reconfiguring until, collectively, they have made a structure of an appropriate size for the prevailing conditions.

“Finding out how sightless ants can achieve such feats certainly could change the way we think of self-configuring structures in nature — and those made by man,” he said.

Ant-colony behavior has been the basis of algorithms related to telecommunications and vehicle routing, among other areas, explained co-first author Chris Reid, a postdoctoral research associate at the University of Sydney who conducted the work while at NJIT. Ants exemplify “swarm intelligence,” in which individual-level interactions produce coordinated group behavior. E. hamatum crossings assemble when the ants detect congestion along their raiding trail, and disassemble when normal traffic has resumed.

Previously, scientists thought that ant bridges were static structures — their appearance over large gaps that ants clearly could not cross in midair was somewhat of a mystery, Reid said. The researchers found, however, that the ants, when confronted with an open space, start from the narrowest point of the expanse and work toward the widest point, expanding the bridge as they go to shorten the distance their compatriots must travel to get around the expanse.

“The amazing thing is that a very elegant solution to a colony-level problem arises from the individual interactions of a swarm of simple worker ants, each with only local information,” Reid said. “By extracting the rules used by individual ants about whether to initiate, join or leave a living structure, we could program swarms of simple robots to build bridges and other structures by connecting to each other.

“These robot bridges would exhibit the beneficial properties we observe in the ant bridges, such as adaptability to local conditions, real-time optimization of shape and position, and rapid construction and deconstruction without the need for external building materials,” Reid continued. “Such a swarm of robots would be especially useful in dangerous and unpredictable conditions, such as natural disaster zones.”

Radhika Nagpal, a professor of computer science at Harvard University who studies robotics and self-organizing biological systems, said that the findings reveal that there is “something much more fundamental about how complex structures are assembled and adapted in nature, and that it is not through a supervisor or planner making decisions.”

Individual ants adjusted to one another’s choices to create a successful structure, despite the fact that each ant didn’t necessarily know everything about the size of the gap or the traffic flow, said Nagpal, who is familiar with the research but was not involved in it.

“The goal wasn’t known ahead of time, but ‘emerged’ as the collective continually adapted its solution to the environmental factors,” she said. “The study really opens your eyes to new ways of thinking about collective power, and has tremendous potential as a way to think about engineering systems that are more adaptive and able to solve complex cost-benefit ratios at the network level just through peer-to-peer interactions.”

She compared the ant bridges to human-made bridges that automatically widened to accommodate heavy vehicle traffic or a growing population. While self-assembling road bridges may be a ways off, the example illustrates the potential that technologies built with the same self-assembling capabilities seen in E. hamatum could have.

“There’s a deep interest in creating robots that don’t just rely on themselves, but can exploit the group to do more — and self-assembly is the ultimate in doing more,” Nagpal said. “If you could have small simple robots that were able to navigate complex spaces, but could self-assemble into larger structures — bridges, towers, pulling chains, rafts — when they face something they individually did not have the ability to do, that’s a huge increase in power in what robots would be capable of.”

The spaces E. hamatum bridges are not dramatic by human standards — small rifts in the leaf cover, or between the ends of two sticks. Bridges will be the length of 10 to 20 ants, which is only a few centimeters, Lutz said. That said, E. hamatum swarms form several bridges during the course of a day, which can see the back-and-forth of thousands of ants.

“The bridges are something that happen numerous times every day. They’re creating bridges to optimize their traffic flow and maximize their time,” Lutz said.

“When you’re moving hundreds of thousands of ants, creating a little shortcut can save a lot of energy,” he said. “This is such a unique behavior. You have other types of ants forming structures out of their bodies, but it’s not such a huge part of their lives and daily behavior.”

The research also included Scott Powell, an army-ant expert and assistant professor of biology at George Washington University; Albert Kao, a postdoctoral fellow at Harvard who received his doctorate in ecology and evolutionary biology from Princeton in 2015; and Simon Garnier, an assistant professor of biological sciences at NJIT who studies swarm intelligence and was once a postdoctoral researcher in Couzin’s lab at Princeton.

To conduct their field experiments, Lutz and Reid constructed a 1.5-foot-tall apparatus with ramps on both sides and adjustable arms in the center with which they could adjust the size of the gap. They then inserted the apparatus into active E. hamatum raiding trails that they found in the forests of Barro Colorado Island, Panama. Because ants follow one another’s chemical scent, Lutz and Reid used sticks and leaves from the ants’ trail to get them to reform their column across the device.

Lutz and Reid observed how the ants formed bridges across gaps that were set at angles of 12, 20, 40 and 60 degrees. They gauged how much travel-distance the ants saved with their bridge versus the surface area (in centimeters squared) of the bridge itself. Twelve-degree angles shaved off the most distance (around 11 centimeters) while taking up the fewest workers. Sixty-degree angles had the highest cost-to-benefit ratio. Interestingly, the ants were willing to expend members for 20-degree angles, forming bridges up to 8 centimeters squared to decrease their travel time by almost 12 centimeters, indicating that the loss in manpower was worth the distance saved.

Lutz said that future research based on this work might compare these findings to the living bridges of another army ant species, E. burchellii, to determine if the same principles are in action.

The paper, “Army ants dynamically adjust living bridges in response to a cost-benefit trade-off,” was published Nov. 23 by Proceedings of the National Academy of Sciences. The work was supported by the National Science Foundation (grant nos. PHY-0848755, IOS0-1355061 and EAGER IOS-1251585); the Army Research Office (grant nos. W911NG-11-1-0385 and W911NF-14-1-0431); and the Human Frontier Science Program (grant no. RGP0065/2012).


Journal Reference:

  1. Chris R. Reid, Matthew J. Lutz, Scott Powell, Albert B. Kao, Iain D. Couzin, Simon Garnier. Army ants dynamically adjust living bridges in response to a cost–benefit trade-offProceedings of the National Academy of Sciences, 2015; 201512241 DOI: 10.1073/pnas.1512241112

Congresso pode votar projetos que fragilizam proteção ambiental a desastres como o de Mariana (ISA)

JC 5309, 25 de novembro de 2015

Proposta de “rito sumário” para licenciamento ambiental de empreendimentos “estratégicos” do governo pode ser votada nesta quarta (25/11). Novo Código de Mineração também pode ser votado nas próximas semanas sem garantir proteção ao meio ambiente e populações afetadas pela atividade minerária

Uma comissão do Senado pode votar, na tarde desta quarta (25/11), um projeto que fragiliza o principal instrumento para evitar desastres ambientais, o licenciamento ambiental. A Câmara também pode apreciar, nas próximas semanas, o novo Código de Mineração, que promete estimular como nunca a atividade no País, mas não traz salvaguardas que protejam efetivamente o meio ambiente e populações afetadas.

As duas votações podem acontecer poucos dias depois do rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração da empresa Samarco, que destruiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), afetou dezenas de outros municípios entre Minas Gerais e Espírito Santo, lançou uma onda de lama ao longo do Rio Doce, praticamente destruindo seus ecossistemas, e agora deverá causar impactos ambientais graves na costa capixaba, naquela que já é considerada a maior tragédia ambiental do País. Denúncias dão conta de que o licenciamento ambiental da barragem deveria ter sido mais rigoroso. A Samarco pertence à Vale e à mineradora anglo-australiana BHP Billiton.

Por enquanto, já foram registradas 12 mortes e 11 pessoas continuam desaparecidas. A onda de lama interrompeu o fornecimento de água de pelos menos 500 mil pessoas entre os dois estados. Ainda não se sabe toda a extensão dos danos, mas os custos de reparação devem passar do patamar de bilhões de reais. Não há previsão para a recuperação dos ecossistemas ao longo do rio.

A proposta que pode ser votada nesta quarta é o Projeto de Lei do Senado (PLS) 654/2015, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR). Ele cria um “rito sumário” para o licenciamento ambiental de empreendimentos que sejam considerados “estratégicos” pelo Poder Executivo federal ou estadual, por meio de decreto. A proposta estabelece uma licença ambiental única a ser concedida em torno de oito meses, sem previsão de audiências públicas. Poderiam ser classificados como “estratégicos” empreendimentos como extração de minério, estradas, ferrovias, aeroportos, hidrelétricas, portos e linhas de comunicação.

A tendência é que, se aprovado o projeto, teriam um licenciamento acelerado obras complexas com grandes impactos, justamente aquelas que especialistas e organizações da sociedade civil consideram que necessitam de processos de licenciamento mais cautelosos e eficazes.

“É um completo contrassenso que o Senado possa aprovar um projeto que pretende reduzir drasticamente a prevenção de danos socioambientais como os ocorridos após o rompimento da barragem da Samarco”, critica Maurício Guetta, advogado do ISA. “O caso de Mariana, a exemplo de outros tantos, deveria servir de lição para que o Congresso e o Poder Executivo aprimore o licenciamento ambiental, evitando a ocorrência de danos irreparáveis. Flexibilizá-lo será prejudicial a todos: meio ambiente, populações afetadas, governos e o próprio empresariado.”

O relator da matéria é o senador Blairo Maggi (PR-MT). O projeto está na Comissão Especial de Desenvolvimento Nacional em caráter terminativo, ou seja, se aprovado segue diretamente para a Câmara sem passar pelo plenário do Senado. Os parlamentares podem, porém, aprovar um recurso para levar a proposta ao plenário. Essa comissão recebeu as propostas da chamada “Agenda Brasil”, iniciativa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que supostamente visaria a enfrentar a crise econômica.

As assessorias do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-S), e de Maggi responderam que os parlamentares não poderiam conceder entrevistas até o fechamento desta reportagem.

Código de Mineração

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), manifestou, há alguns dias, a intenção de levar o Projeto de Lei 37/2011, o novo Código de Mineração, diretamente ao plenário, atalhando sua tramitação (saiba mais). O parecer sobre a proposta ainda não foi oficialmente apresentado e discutido pelos deputados na Comissão Especial que o analisava.

Sob a justificativa de simplificar e liberalizar a burocracia relacionada à mineração, o relator, deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), apresentou um parecer preliminar que aprofunda retrocessos para o meio ambiente e os direitos de comunidades indígenas e tradicionais impactadas pela atividade. Segundo Quintão, esse relatório teria sido elaborado junto com técnicos do Ministério de Minas e Energia e teria apoio do Planalto (leia mais). A assessoria do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), informou que ele só vai se pronunciar sobre o projeto quando for apresentado um relatório final.

Quintão vem argumentando que sua proposta não reforça salvaguardas ambientais, sociais e trabalhistas porque já há legislações específicas que as garantiriam. Ele também afirma que o parecer assegura recursos para as comunidades afetadas por meio de verbas que serão destinadas aos municípios que abrigam empreendimentos de mineração. Sem explicitar e detalhar formas de compensação e proteção socioambientais, no entanto, o relatório não garante os direitos de populações específicas diretamente atingidas.

Depois do desastre de Mariana, ao invés de adiar a votação de seu parecer para reavaliá-la, Quintão vem empenhando esforços para acelerar a tramitação da matéria. O deputado limitou-se a prometer algumas mudanças em seu relatório. O site do parlamentar afirma que ele irá incluir na proposta um “seguro antidanos” obrigatório para “cobrir prejuízos ao meio ambiente, às pessoas, à infraestrutura urbana e à economia local em caso de catástrofes”. Também promete estabelecer a exigência de que as mineradoras apresentem planos para o tratamento de resíduos de barragem que permitam sua reutilização.

Para Maurício Guetta, essas medidas são insuficientes e deixam de contemplar ações preventivas para evitar tragédias como a de Mariana. “Faz mais de dois anos que cobramos do relator alterações substanciais no texto, para que sejam incluídas medidas de prevenção de danos decorrentes das atividades minerárias e para que sejam garantidos os direitos das populações afetadas e dos trabalhadores. Mesmo após o desastre de Mariana, ele continua a ignorar as demandas apresentadas”, denuncia Guetta.

(Instituto Socioambiental)

Gut microbes signal to the brain when they’re full (Science Daily)

Date: November 24, 2015

Source: Cell Press

Summary: Don’t have room for dessert? The bacteria in your gut may be telling you something. Twenty minutes after a meal, gut microbes produce proteins that can suppress food intake in animals, reports a study. The researchers also show how these proteins injected into mice and rats act on the brain reducing appetite, suggesting that gut bacteria may help control when and how much we eat.


These are neurons (c-fos, green) in the rat central amygdala activated by E. coli proteins in stationary phase and surrounded by nerve terminals (calcitonin gene-related peptide, red) originating from anorexigenic brainstem projections. Credit: J. Breton, N. Lucas & D. Schapman.

Don’t have room for dessert? The bacteria in your gut may be telling you something. Twenty minutes after a meal, gut microbes produce proteins that can suppress food intake in animals, reports a study published November 24 in Cell Metabolism. The researchers also show how these proteins injected into mice and rats act on the brain reducing appetite, suggesting that gut bacteria may help control when and how much we eat.

The new evidence coexists with current models of appetite control, which involve hormones from the gut signalling to brain circuits when we’re hungry or done eating. The bacterial proteins–produced by mutualistic E. coli after they’ve been satiated–were found for the first time to influence the release of gut-brain signals (e.g., GLP-1 and PYY) as well as activate appetite-regulated neurons in the brain.

“There are so many studies now that look at microbiota composition in different pathological conditions but they do not explore the mechanisms behind these associations,” says senior study author Sergueï Fetissov of Rouen University and INSERM’s Nutrition, Gut & Brain Laboratory in France. “Our study shows that bacterial proteins from E. coli can be involved in the same molecular pathways that are used by the body to signal satiety, and now we need to know how an altered gut microbiome can affect this physiology.”

Mealtime brings an influx of nutrients to the bacteria in your gut. In response, they divide and replace any members lost in the development of stool. The study raises an interesting theory: since gut microbes depend on us for a place to live, it is to their advantage for populations to remain stable. It would make sense, then, if they had a way to communicate to the host when they’re not full, promoting host to ingest nutrients again.

In the laboratory, Fetissov and colleagues found that after 20 minutes of consuming nutrients and expanding numbers, E. coli bacteria from the gut produce different kinds of proteins than they did before their feeding. The 20 minute mark seemed to coincide with the amount of time it takes for a person to begin feeling full or tired after a meal. Excited over this discovery, the researcher began to profile the bacterial proteins pre- and post-feeding.

They saw that injection of small doses of the bacterial proteins produced after feeding reduced food intake in both hungry and free-fed rats and mice. Further analysis revealed that “full” bacterial proteins stimulated the release of peptide YY, a hormone associated with satiety, while “hungry” bacterial hormones did not. The opposite was true for glucagon-like peptide-1 (GLP-1), a hormone known to simulate insulin release.

The investigators next developed an assay that could detect the presence of one of the “full” bacterial proteins, called ClpB in animal blood. Although blood levels of the protein in mice and rats detected 20 minutes after meal consumption did not change, it correlated with ClpB DNA production in the gut, suggesting that it may link gut bacterial composition with the host control of appetite. The researchers also found that ClpB increased firing of neurons that reduce appetite. The role of other E.coli proteins in hunger and satiation, as well as how proteins from other species of bacteria may contribute, is still unknown.

“We now think bacteria physiologically participate in appetite regulation immediately after nutrient provision by multiplying and stimulating the release of satiety hormones from the gut,” Fetisov says. “In addition, we believe gut microbiota produce proteins that can be present in the blood longer term and modulate pathways in the brain.”


Journal Reference:

  1. Jonathan Breton, Naouel Tennoune, Nicolas Lucas, Marie Francois, Romain Legrand, Justine Jacquemot, Alexis Goichon, Charlène Guérin, Johann Peltier, Martine Pestel-Caron, Philippe Chan, David Vaudry, Jean-Claude do Rego, Fabienne Liénard, Luc Pénicaud, Xavier Fioramonti, Ivor S. Ebenezer, Tomas Hökfelt, Pierre Déchelotte, Sergueï O. Fetissov. Gut Commensal E. coli Proteins Activate Host Satiety Pathways following Nutrient-Induced Bacterial GrowthCell Metabolism, 2015; DOI: 10.1016/j.cmet.2015.10.017

Pecuária é responsável por 15% dos gases do efeito estufa (O Globo)

Renato Grandelle, 24/11/2015

Desmatamento na Região de Xapuri no Acre – Gustavo Stephan/ 05-12-2013

RIO— Parte expressiva da liberação de carbono na atmosfera fica bem longe da fumaça liberada por usinas ou carros. Um novo estudo do Chatham House, o Real Instituto de Relações Internacionais do Reino Unido, indica que cerca de 15% dos poluentes que levam ao aquecimento global são provenientes da pecuária — seja pelo metano da digestão e estrume dos animais, ou pela produção de culturas para alimentação. De acordo com o relatório “Mudanças climáticas, mudanças na alimentação”, reduzir a quantidade de carne no prato é fundamental para assegurar que a temperatura global não avance mais do que 2 graus Celsius neste século.

O planeta, porém, ignora a recomendação. Estima-se que, com o aumento da classe média nos países em desenvolvimento — especialmente na China e no Brasil —, o consumo de carne crescerá até 76% nos próximos 35 anos.

Mudar a alimentação pode cortar pela metade os custos das futuras medidas contra o aquecimento global. E o clima não será a única área favorecida pela nova dieta. Coautora do estudo, Laura Wellesley ressalta que conter o consumo exagerado de carne também traz benefícios imediatos à saúde.

— Não estamos sugerindo que todo mundo deve se tornar vegetariano. A carne, consumida com moderação, pode fazer parte de uma dieta saudável para o indivíduo e o meio ambiente — ressalta. — De acordo com a Escola de Medicina de Harvard, a porção diária não deve ultrapassar 70 gramas, que é um hambúrguer de tamanho médio. Se nada for feito para nos limitarmos a este valor, os padrões alimentares atuais serão incompatíveis com o aumento de temperatura de apenas 2 graus Celsius.

DIETA SAUDÁVEL FORA DA COP-21

Atualmente, o consumo dos brasileiros é de duas vezes e meia a quantidade diária recomendada; nos EUA, é de três vezes mais. Um estudo divulgado em outubro pela Organização Mundial de Saúde alertou que a ingestão exagerada de carnes vermelhas e processadas pode levar à ocorrência de doenças não transmissíveis, principalmente o câncer.

— Mudanças de alimentação devem estar no topo da lista das discussões na Conferência do Clima de Paris (COP-21). É uma estratégia rápida e econômica para conter as emissões de gases-estufa — avalia Laura.

Ainda assim, o debate sobre a dieta mundial deve ficar fora da mesa de negociações da COP-21. Para os pesquisadores do Chatham House, os governos temem que campanhas reivindicando limitações ao consumo de carne desagradem a opinião pública e a indústria de alimentos.

Desde o início do ano, cerca de 150 países apresentaram à ONU metas voluntárias para cortar a emissão de gases de efeito estufa. A diminuição do consumo de carne não foi mencionada em nenhum projeto.

— Como são cautelosos em assumir um risco, os governos têm favorecido a inércia e permanecem em silêncio sobre a questão das dietas sustentáveis — lamenta Laura. — As pesquisas revelam que inicialmente muitas pessoas não gostam da ideia de comer menos carne, e por isso são resistentes à ideia de intervenção do poder público. No entanto, depois que são informadas sobre a relação entre dieta e clima, a maioria recomenda que o governo promova intervenções e forneça orientações e incentivos para a mudança na alimentação.

No Brasil, diz o levantamento, a população sente orgulho da pecuária, mas demonstra preocupação com sua potencial expansão desordenada para a Floresta Amazônica. A pecuária é uma das atividades econômicas mais importantes do país — representa 6,8% do PIB —, mas também corresponde a uma das mais ineficientes do mundo, já que é baseada na prática extensiva. Os lucros estão no tamanho da área usada, e não na eficiência produtiva. No Cerrado há, em média, apenas 1 boi por hectare — estima-se que é possível triplicar esta ocupação sem qualquer comprometimento dos rendimentos do setor.

A força econômica da pecuária e o hábito do consumo exagerado de carne — a “tradição do churrasco de fim de semana”, como destaca o Chatham House — são os maiores obstáculos para que o governo federal desenvolva projetos que promovam a alimentação saudável e, ao mesmo tempo, aumente o alerta da população contra as mudanças climáticas. O brasileiro é conhecido como um dos povos mais preocupados no mundo com o aquecimento global, mas nunca foi informado sobre sua ligação com mudanças na dieta.

Climate policy: Democracy is not an inconvenience (Nature)

NATURE | COMMENT

Nico Stehr

22 September 2015

Climate scientists are tiring of governance that does not lead to action. But democracy must not be weakened in the fight against global warming, warns Nico Stehr.

Illustration by David Parkins

There are many threats to democracy in the modern era. Not least is the risk posed by the widespread public feeling that politicians are not listening. Such discontent can be seen in the political far right: the Tea Party movement in the United States, the UK Independence Party, the Pegida (Patriotic Europeans Against the Islamization of the West) demonstrators in Germany, and the National Front in France.

More surprisingly, a similar impatience with the political elite is now also present in the scientific community. Researchers are increasingly concerned that no one is listening to their diagnosis of the dangers of human-induced climate change and its long-lasting consequences, despite the robust scientific consensus. As governments continue to fail to take appropriate political action, democracy begins to look to some like an inconvenient form of governance. There is a tendency to want to take decisions out of the hands of politicians and the public, and, given the ‘exceptional circumstances’, put the decisions into the hands of scientists themselves.

This scientific disenchantment with democracy has slipped under the radar of many social scientists and commentators. Attention is urgently needed: the solution to the intractable ‘wicked problem’ of global warming is to enhance democracy, not jettison it.

Voices of discontent

Democratic nations seem to have failed us in the climate arena so far. The past decade’s climate summits in Copenhagen, Cancun, Durban and Warsaw were political washouts. Expectations for the next meeting in Paris this December are low.

Academics increasingly point to democracy as a reason for failure. NASA climate researcher James Hansen was quoted in 2009 in The Guardian as saying: “the democratic process doesn’t quite seem to be working”1. In a special issue of the journal Environmental Politics in 2010, political scientist Mark Beeson argued2 that forms of ‘good’ authoritarianism “may become not only justifiable, but essential for the survival of humanity in anything approaching a civilised form”. The title of an opinion piece published earlier this year in The Conversation, an online magazine funded by universities, sums up the issue: ‘Hidden crisis of liberal democracy creates climate change paralysis’ (see go.nature.com/pqgysr).

The depiction of contemporary democracies as ill-equipped to deal with climate change comes from a range of considerations. These include a deep-seated pessimism about the psychological make-up of humans; the disinclination of people to mobilize on issues that seem far removed; and the presumed lack of intellectual competence of people to grasp complex issues. On top of these there is the presumed scientific illiteracy of most politicians and the electorate; the inability of governments locked into short-term voting cycles to address long-term problems; the influence of vested interests on political agendas; the addiction to fossil fuels; and the feeling among the climate-science community that its message falls on the deaf ears of politicians.

“It is dangerous to blindly believe that science and scientists alone can tell us what to do.”

Such views can be heard from the highest ranks of climate science. Hans Joachim Schellnhuber, founding director of the Potsdam Institute for Climate Impact Research and chair of the German Advisory Council on Global Change, said of the inaction in a 2011 interview with German newspaper Der Spiegel: “comfort and ignorance are the biggest flaws of human character. This is a potentially deadly mix”.

What, then, is the alternative? The solution hinted at by many people leans towards a technocracy, in which decisions are made by those with technical knowledge. This can be seen in a shift in the statements of some co-authors of Intergovernmental Panel on Climate Change reports, who are moving away from a purely advisory role towards policy prescription (see, for example, ref. 3).

We must be careful what we wish for. Nations that have followed the path of ‘authoritarian modernization’, such as China and Russia, cannot claim to have a record of environmental accomplishments. In the past two or three years, China’s system has made it a global leader in renewables (it accounts for more than one-quarter of the planet’s investment in such energies4). Despite this, it is struggling to meet ambitious environmental targets and will continue to lead the world for some time in greenhouse-gas emissions. As Chinese citizens become wealthier and more educated, they will surely push for more democratic inclusion in environmental policymaking.

Broad-based support for environmental concerns and subsequent regulations came about in open democratic argument on the value of nature for humanity. Democracies learn from mistakes; autocracies lack flexibility and adaptability5. Democratic nations have forged the most effective international agreements, such as the Montreal Protocol against ozone-depleting substances.

Global stage

Impatient scientists often privilege hegemonic players such as world powers, states, transnational organizations, and multinational corporations. They tend to prefer sweeping policies of global mitigation over messier approaches of local adaptation; for them, global knowledge triumphs over local know-how. But societal trends are going in the opposite direction. The ability of large institutions to impose their will on citizens is declining. People are mobilizing around local concerns and efforts6.

The pessimistic assessment of the ability of democratic governance to cope with and control exceptional circumstances is linked to an optimistic assessment of the potential of large-scale social and economic planning. The uncertainties of social, political and economic events are treated as minor obstacles that can be overcome easily by implementing policies that experts prescribe. But humanity’s capacity to plan ahead effectively is limited. The centralized social and economic planning concept, widely discussed decades ago, has rightly fallen into disrepute7.

The argument for an authoritarian political approach concentrates on a single effect that governance ought to achieve: a reduction of greenhouse-gas emissions. By focusing on that goal, rather than on the economic and social conditions that go hand-in-hand with it, climate policies are reduced to scientific or technical issues. But these are not the sole considerations. Environmental concerns are tightly entangled with other political, economic and cultural issues that both broaden the questions at hand and open up different ways of approaching it. Scientific knowledge is neither immediately performative nor persuasive.

Enhance engagement

There is but one political system that is able to rationally and legitimately cope with the divergent political interests affected by climate change and that is democracy. Only a democratic system can sensitively attend to the conflicts within and among nations and communities, decide between different policies, and generally advance the aspirations of different segments of the population. The ultimate and urgent challenge is that of enhancing democracy, for example by reducing social inequality8.

If not, the threat to civilization will be much more than just changes to our physical environment. The erosion of democracy is an unnecessary suppression of social complexity and rights.

The philosopher Friedrich Hayek, who led the debate against social and economic planning in the mid-twentieth century9, noted a paradox that applies today. As science advances, it tends to strengthen the idea that we should “aim at more deliberate and comprehensive control of all human activities”. Hayek pessimistically added: “It is for this reason that those intoxicated by the advance of knowledge so often become the enemies of freedom”10. We should heed his warning. It is dangerous to blindly believe that science and scientists alone can tell us what to do.

Nature 525, 449–450 (24 September 2015) dos:10.1038/525449a

References

  1. Adam, D. ‘Leading climate scientist: “democratic process isn’t working”’ The Guardian (18 March 2009).
  2. Beeson, M. Environ. Politics 19276294 (2010).
  3. Hansen, J. et alPLoS ONE http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0081648 (2013).
  4. REN21Renewables 2015 Global Status Report (REN21, 2015).
  5. Runciman, D. The Confidence Trap: A History of Democracy in Crisis from World War I to the Present (Princeton Univ. Press, 2013).
  6. Stehr, N. Information, Power and Democracy, Liberty is a Daughter of Knowledge (Cambridge Univ. Press, 2015).
  7. Pierre, J. Debating Governance: Authority, Steering, and Democracy (Oxford Univ. Press, 2000).
  8. Rosanvallon, P. The Society of Equals (Harvard Univ. Press, 2013).
  9. Hayek, F. A. Nature 148580584 (1941).
  10. Hayek, F. A. The Constitution of Liberty (Routledge, 1960).

What Became of America’s Water-Cure Towns? (City Lab/The Atlantic)

The 19th-century craze for “taking the waters” produced hundreds of spa towns across America. Many fell on hard times. Now some are looking to revive.

HENRY GRABAR

 

Nov 16, 2015

Image Library of Congress

Relaxing at White Sulphur Springs, West Virginia, c. 1888 (Library of Congress)

It’s easy to imagine the burgeoning business of “wellness” as a product of our time, sold on narcissism and exhaustion from punishing work schedules.

In fact, the wellness craze has deep roots. Beginning in the middle of the 19th century, the leisure class grew infatuated with a particular type of healthy getaway: the water cure. By the 1850s, a constellation of spa villages had emerged across 20 states. By 1930, the country had over 2,000 hot- and cold-spring resorts.

Neither the practice nor the result of the treatment—which evolved out of a newfound enthusiasm for bathing—was strictly defined. Hydropathy encompassed everything from a spell in the tub to highly regimented procedures supervised by water doctors with stopwatches. According to its boosters, who were some of the most distinguished medical men of the day, water could cure everything from hiccups to cancer (and even hydrophobia!).Renowned water-lovers included John Roebling, the engineer of the Brooklyn Bridge, who liked to wrap himself in a damp, cold sheet, and most famously, President Franklin Roosevelt, whose interest in taking the waters long predated his visits to Warm Springs, Georgia.

Most of these “procedures” could have been performed at public baths, or at suburban facilities like the Harrogate spa, four miles out of Philadelphia. But part of the lure was always to get out of the city. For one thing, hydropathy was cast as a cure for the peculiar ailments of the well-off urbanite—a remedy for bourgeois decadence, to heal, as Carl Smith writes in City Water, City Life, the ill effects of the “overly refined life characteristic of cities.” (The equivalent of a modern farm vacation, maybe.)

“Taking the Waters at Saratoga”—a Harper’s cover in 1890 (Yates Collection of Saratogiana, Skidmore College)

For another thing, as Thomas Chambers suggests in Drinking the Waters, “taking the waters” was simply an excuse to have fun. And so a vast network of scenic spa towns emerged along the railroads. Built around grand bathhouses, they offered a much more social experience than bathing at home.

Some of these places, like Saratoga Springs, New York, or Palm Springs, California, blossomed into small cities, with diverse leisure cultures and other economic engines. But most fell into a state of prolonged decline in the 20th century. The trains stopped running; the visitors stopped arriving; the grand hotels closed, collapsed, or burned.

Not surprisingly, the perceived medical value of hydropathy dropped after the discovery of penicillin and the polio vaccine. But there were other factors at work, too. Bathing, like other old-time leisure pursuits, simply wasn’t cool anymore. Americans had taken up other, more exhilarating physical activities. And the automobile and the airplane opened up exciting new vacation possibilities.

But some spa towns are turning around, finding renewed interest in their quaint charms—and their water.

Hot Springs c. 1888 (Library of Congress)

The Buckstaff today (Zack Frank / Shutterstock.com)

Hot Springs, Arkansas, is one of those places. A town of 35,000 about halfway between Memphis and Dallas, Hot Springs was once a major destination for high rollers from Chicago and St. Louis.

In 1946, visitors took 649,000 baths on Bathhouse Row, the parade of elegant spas abutting the main drag. By 1979, that number had fallen to just 79,000. Retail occupancy downtown in the 1980s was below 10 percent. All but one of the bathhouses closed between 1962 and 1985.

That surviving establishment, the Buckstaff, continues to offer an old-time water-cure to visitors. But it’s no longer the only game in town: In 2007, investors rehabilitated the neighboring Quapaw into a luxe modern spa. Three years ago, the Superior spa reopened as a brewery, producing the world’s only thermal beer.

The number of visitors to Hot Springs is steadily rising, and the retail occupancy rate is now over 90 percent. Historic architecture is no small part of its charm. “It’s totally a nostalgic story,” says Cole McCaskill, the downtown development director for the Hot Springs Metro Partnership. But, he adds, the city has done a good job diversifying its water-tourism offerings: A stay in Hot Springs now might include a trip to a nearby water park or aquarium.

Earlier visitors would have supplemented their health vacation with a little gambling, or a visit to an ostrich or alligator farm. This was typical, Chambers explains. “People wanted to find ways to have leisure, but culture told them they couldn’t do anything wasteful or not productive. You could say you were going to the springs for your health, but you were really going there to try and find a spouse or gamble.”

The Vanderbilts moved on years ago from Sharon Springs, New York, one of a handful of smaller, quieter resort towns west of Saratoga Springs. Now small-town appeal has drawn investors to revitalize the bathing industry there. A Korean investment group is restoring a long-dormant spa complex for Korean tourists, which has coincided with a general sense of civic renewal.

“We’re thrilled they’re doing something,” says Ron Ketelson, a California transplant who purchased the nearby Roseboro Hotel last year. “The bathhouse is being saved.”

For Ketelson, New York’s spa-town past represents something more personal than moth-balled grandeur. Not long after he purchased the Roseboro, Ketelson found an old postcard revealing that—unbeknownst to him—his own grandfather, suffering from breathing problems, had come to take the waters in Sharon Springs.

Ibama concede licença e Belo Monte pode começar a operar (Greenpeace)

25/11/2015

Obras do canteiro da hidrelétrica de Belo Monte, em março de 2015. Foto: Greenpeace/Fábio Nascimento

Apesar de todos os impactos socioambientais causados por Belo Monte até agora e de grande parte das condicionantes estipuladas no licenciamento não terem sido cumpridas, o Ibama concedeu, nesta terça-feira, dia 24, a licença de operação permitindo que a Norte Energia, empresa responsável pela construção da hidrelétrica, inicie o enchimento do reservatório da usina.

Em Brasília, um grupo de cerca de 70 índios do Xingu protestou contra a decisão do Ibama, durante a coletiva de imprensa com a presidente do órgão, Marilene Ramos, organizada para anunciar a licença.

“Belo Monte não tem e nem nunca teve viabilidade ambiental. A Licença de Operação agora concedida apenas coroa um processo de licenciamento questionável, baseado na pressão do setor elétrico para que o projeto seja realizado a qualquer custo. Infelizmente esse fato evidencia que o licenciamento ambiental hoje no Brasil funciona como um jogo de cartas marcadas para viabilizar uma decisão política já tomada previamente, que subestima o gigantismo dos impactos socioambientais causados na região”, afirma Danicley de Aguiar, da Campanha da Amazônia do Greenpeace.

Em junho, um levantamento batizado de “Dossiê Belo Monte – Não há condições para a Licença de Operação”, publicado pelo Instituto Socioambiental (ISA) apontou sérias consequências resultantes do não cumprimento de grande parte das condicionantes. Entre os principais impactos estão o aumento da exploração ilegal de madeira, a inviabilização do modo de vida ribeirinho e indígena, a destruição da atividade pesqueira da região e um atropelado do processo de reassentamento compulsório de populações urbanas e rurais. (Greenpeace Brasil/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site Greenpeace Brasil.

*   *   *

Após multa de R$ 5 milhões, Belo Monte terá licença (O Globo)

Balsa no Rio Xingu transporta materiais para construção de dique da Belo Monte: projeto previa que, quando a usina entrasse em operação, as condicionantes socioambientais já deveriam estar resolvidas – Dado Galdieri / Bloomberg

Danilo Farelo, 24/11/2015

BRASÍLIA – Mesmo com o descumprimento de uma série de condicionantes ambientais pela Norte Energia, empresa responsável pela hidrelétrica no Rio Xingu (PA), o Ibama vai publicar nos próximos dias a licença de operação da usina de Belo Monte. Com isso, a empresa terá aval para encher o reservatório e começar a gerar energia, o que deve ocorrer a partir de fevereiro. A permissão foi precedida de um auto de infração de R$ 5,087 milhões aplicado na sexta-feira à Norte Energia pelo descumprimento de condicionantes previstas na licença anterior, que permitiu a construção da obra.

No dia 12 de novembro, em ofício enviado ao Ibama dando anuência para a emissão da licença, a Fundação Nacional do Índio (Funai) destacou uma série de condicionantes descumpridas pela Norte Energia. Mas, para assegurar que, mesmo com a usina em operação, a batalha pelos indígenas continuará, o presidente da Funai, João Pedro Gonçalves da Costa, assinou com a Norte Energia no mesmo dia 12 um termo de cooperação, no qual a empresa se compromete a cumprir as exigência que ficaram pelo caminho.

PRAZO DE 90 DIAS

Segundo o termo, ao qual o GLOBO teve acesso, algumas previsões têm meta de cumprimento em até 90 dias, como a contratação de serviços especializados para utilização de ferramentas computacionais e sistema de gerenciamento de projetos do Componente Indígena. O termo também prevê a criação de um fundo de R$ 6 milhões para ser revertido em ações de sustentabilidade a serem destinadas exclusivamente às comunidades afetadas. Procurada para comentar sobre a assinatura do termo com a Funai e auto de infração, a Norte Energia não se manifestou.

— É um bom termo e nos dá elementos para continuar brigando. Nós não vamos abrir mão dos direitos dos povos indígenas. A Norte Energia tem de se comprometer, e nós conseguimos isso. Há um diferencial aqui, pelas multas. Antes, multa era só para o Ibama, mas nós conseguimos aqui um padrão de rigor que nos dá essa tranquilidade — disse o presidente da Funai.

O projeto leiloado previa que, quando a usina entrasse em operação, as condicionantes socioambientais, nas quais está incluída a questão indígena, já deveriam estar resolvidas.

— Lamentavelmente, não está (resolvida a questão indígena). Mas a Funai continua brigando e criando condições para que nada seja esquecido e que a Norte Energia faça aquilo que tem que ser feito para os povos indígenas.

Em setembro, o Ibama havia encaminhado à Norte Energia exigências para a emissão da licença operacional, que já se encontra livre de pendências. Uma das maiores obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Belo Monte terá capacidade total de 11,2 mil Megawatts.

As contradições da Funai em Belo Monte (ISA)

Editorial do Instituto Socioambiental

Contradições, falta de um posicionamento claro e contundente por parte da Funai quanto a importantes ações de mitigação de impactos socioambientais da usina de Belo Monte (PA), colocam os povos indígenas da região em uma situação de absoluta vulnerabilidade e incertezas. Leia o Editorial do ISA sobre assunto

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), João Pedro Costa, enviou à presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Marilene Ramos, no dia 12/11, um ofício com a síntese da avaliação da Funai a respeito da última etapa do licenciamento ambiental da hidrelétrica de Belo Monte (PA). Cabe ao presidente da Funai neste momento recomendar ou não ao Ibama o Licenciamento da Obra no tocante ao seu componente indígena. Cabe ao Ibama ponderar as recomendações da Funai e o parecer de seus técnicos sobre outros componentes socioambientais e decidir sobre a concessão da licença de operação da usina.

O documento da Funai, por um lado, pede sanções à empresa Norte Energia, dona da obra, pelas falhas na execução do componente indígena das condicionantes socioambientais da hidrelétrica. Certifica uma lista de impactos agravados com o não cumprimento de medidas de proteção às Terras Indígena e de saúde dos povos indígenas que vivem na região. Ainda verifica as consequências das ações mal sucedidas da empresa nas áreas atingidas. Solicita a reelaboração integral da matriz de impactos da obra e das correspondentes medidas de mitigação para os povos indígenas afetados. No entanto, surpreendentemente, o ofício afirma que “todas as demais ações relacionadas ao Componente Indígena necessárias, precedentes e preparatórias para o enchimento do reservatório e para implementação do trecho de vazão reduzida (TVR) também foram integralmente cumpridas”.

A contradição entre a existência de inúmeras e graves vulnerabilidades que ainda pesam sobre os povos indígenas e o indicativo de que é possível iniciar o enchimento do reservatório foi denunciada na imprensa e coloca em questão o papel do órgão na proteção dos povos indígenas da região. A Presidência da Funai posicionou-se hoje sobre as reportagens publicadas (veja aqui). O posicionamento da Funai sinaliza positivamente ao Ibama, no tocante ao componente indígena, para a emissão da Licença de Operação de Belo Monte, que permitirá o enchimento do reservatório e o inicio da geração de energia, mesmo sem haver as condições necessárias para enfrentar os impactos da finalização da obra.

A usina está em fase final de instalação, já tendo iniciado os planos de demissão de trabalhadores e desarticulação dos canteiros. Os Estudos de Impacto Ambiental da obra preveem para esta fase um aumento da população desempregada e pressões sobre recursos naturais das Terras Indígenas e Unidades de Conservação, com possibilidade de grave acirramento de conflitos interétnicos caso essas áreas não estejam adequadamente protegidas.

O documento enviado pelo presidente da Funai aponta que o Plano de Fiscalização e Vigilância das Terras Indígenas não foi executado. Faz referência ainda a obrigações de competência exclusiva do poder publico, relacionadas à garantia dos direitos territoriais dos povos indígenas atingidos pela obra que ainda não foram executadas. O exemplo mais gritante dessa situação diz respeito à Terra Indígena Cachoeira Seca. A área aguarda a homologação da Presidência da República e responde por um dos maiores índices de desmatamento do Brasil. Além das invasões de grileiros, a área tem sido palco de saques de exploração ilegal de madeireira sem precedentes (saiba mais).

Além de condicionantes estratégicas não cumpridas pelo empreendedor, existem ações complexas de responsabilidade do governo federal, que demandam articulação institucional e estão totalmente paralisadas, como os processos de retirada de moradores não indígenas das terras Apyterewa, Arara da Volta Grande, Cachoeira Seca e Paquiçamba. O próprio fortalecimento da Funai na região é uma questão de extrema importância que está sendo desconsiderada pelo presidente da instituição. Ao invés de reforçar a estrutura física e de profissionais que atuam na sede da Funai em Altamira, face aos inúmeros desafios colocados por Belo Monte, a Funai sofreu uma redução do número de servidores de 72%, entre os anos de 2011 e 2015, passando de 60 para apenas 23 servidores.

A dívida de Belo Monte com os povos indígenas do Xingu é grande e está sintetizada no Dossiê Belo Monte: Não há condições para a Licença de Operação, assim como no parecer técnico da Diretoria de Licenciamento da Funai emitido em setembro.

A falta de um posicionamento mais claro e contundente por parte da Funai, neste momento, quanto a importantes ações de mitigação de impactos socioambientais e de estruturação do órgão na região, coloca os povos indígenas numa situação de alta vulnerabilidade para encarar esses impactos negativos da usina apontados pelos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) para a fase de operação do empreendimento.

(Instituto Socioambiental)