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Seca ameaça a Amazônia (Revista Fapesp)

Experimento feito na maior floresta tropical do mundo mostra colapso de árvores com ressecamento do solo 

MARIA GUIMARÃES | ED. 238 | DEZEMBRO 2015

 

Do alto de uma torre de 40 metros, fica visível a mortalidade das árvores maiores,  destacadas acima do dossel

Ao tomar suco por um canudo é preciso cuidado para manter o tubo bem imerso. Do contrário, bolhas de ar se formam e rompem a estrutura do fio líquido que leva a bebida do copo à boca. Aumente a escala para a altura de um prédio de 10 andares e pode imaginar o fluxo de água dentro de uma das gigantescas árvores amazônicas. A transpiração pelas folhas dá origem à sucção que movimenta a água desde as raízes até as imensas copas das árvores, que podem ultrapassar os 40 metros de altura, e lança para a atmosfera uma umidade responsável por entre 35% e 50% das chuvas na região, com impacto importante na hidrologia global. Quando esse sistema falha, o ciclo da água não é o único afetado. As árvores, que até então pareciam funcionar normalmente, subitamente morrem. Um experimento liderado pelo ecólogo inglês Patrick Meir, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e da Universidade Nacional da Austrália, provocou 15 anos de seca numa parcela amazônica e revelou o papel desse mecanismo, de acordo com artigo publicado em novembro na revista Nature.

Para construir o experimento foram necessários 500 metros cúbicos (m3) de madeira, 5 toneladas de plástico, 2 toneladas de pregos e 23 mil horas-homem (10 homens trabalhando de segunda a segunda por um ano), de acordo com o meteorologista Antonio Carlos Lola da Costa, da Universidade Federal do Pará (UFPA). O resultado são 6 mil painéis de plástico que medem 3 metros (m) por 0,5 m cada um, entremeados por 18 calhas com 100 m de comprimento responsáveis por impedir que 50% da chuva que cai chegue ao solo numa parcela de  1 hectare na Floresta Nacional de Caxiuanã, no norte do Pará, onde o Museu Paraense Emílio Goeldi mantém uma estação científica. “O Patrick me procurou em 1999 com essa ideia maluca”, conta Lola. O meteorologista não sabia por onde começar, mas estudou as fotos que Meir lhe mandou de um experimento similar, o Seca Floresta, que estava sendo montado na Floresta Nacional do Tapajós, no oeste do estado, e saiu a campo. “Em um ano estava feito.” Não era um feito logístico trivial. Chegar a Caxiuanã envolve sair de Belém e passar 12 horas a bordo de um barco repleto de redes coloridas apinhadas, até Breves. Foi nessa cidade de cerca de 100 mil habitantes que Lola conseguiu o material para sua empreitada, como os tubos de ferro galvanizado para montar duas torres com 40 m de altura. De lá, 10 horas em um barco menor levam a Caxiuanã, onde o material precisou ser carregado pelo meio da densa floresta.

O experimento conhecido como Esecaflor, abreviação de Efeitos da Seca da Floresta, é o mais extenso e mais duradouro no mundo a avaliar o efeito de seca numa floresta tropical. O único comparável é o Seca Floresta, que abrangeu uma área similar e foi encerrado após cinco anos (ver Pesquisa FAPESP nº 156). Nesta última década e meia, Antonio Carlos Lola tem sido o principal responsável por monitorar a reação da floresta e manter o experimento de pé mesmo quando ele é constantemente derrubado por galhos e árvores que caem, uma empreitada que exige entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por mês. Um valor que tende a subir, agora que mais árvores têm sucumbido à seca, destruindo parte da estrutura. “Passo por volta de seis meses do ano no meio do mato, com interrupções”, conta ele, que tem coordenado uma série de projetos de alunos de mestrado e doutorado no âmbito do experimento.

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Observação prolongada
Em linhas gerais os resultados dos dois experimentos amazônicos contam histórias semelhantes, como mostra artigo de revisão publicado por Meir e colegas em setembro na revista BioScience: nos primeiros anos a floresta parece ignorar a falta de chuva e mantém o funcionamento normal. Passados alguns anos de seca, porém, galhos começam a cair e árvores a morrer, sobretudo as mais altas e as menores. Experimentos em outros países analisaram uma área menor ou duraram menos tempo – o maior, na Indonésia, funcionou por dois anos.

Fogo experimental no Mato Grosso: em condições normais de umidade, os incêndios têm baixa energia e são pouco destrutivos

O estudo de Caxiuanã traz resultados inéditos por sua longa duração: o colapso das maiores árvores só aconteceu após 13 anos da seca experimental e pode representar um ponto de inflexão em que a floresta muda de cara. Desde 2001 os pesquisadores vêm fazendo medições fisiológicas nas árvores, comparando a área com restrição de chuva e uma parcela semelhante sem intervenção. Nos últimos dois anos, começaram a registrar uma mortalidade drástica entre as árvores mais altas, raras por natureza, que caem causando destruição e transformando a floresta pujante numa mata de aparência degradada. “Das 12 árvores mais altas com diâmetro maior que 60 centímetros, restam apenas três”, conta Lucy Rowland, pesquisadora britânica em estágio de pós-doutorado no grupo de Meir na Universidade de Edimburgo que está à frente do projeto desde 2011. A surpresa foi identificar no sistema hidráulico a causa interna dessa mortalidade. Quando o suprimento de água no solo é reduzido, aumenta a tensão na coluna d’água no interior dos vasos condutores das árvores, o xilema. A integridade dessa coluna, que depende da adesão natural entre as moléculas de água, acaba comprometida por bolhas de ar, um processo que os especialistas chamam de cavitação. A consequência desse colapso, que acontece de repente, é a incapacidade de levar água das raízes às folhas e a morte súbita da árvore. Meir ressalta que essa falha hidráulica funciona como um gatilho que inicia o processo de morte, sem ser necessariamente a causa final – ainda desconhecida.

Outra hipótese favorecida para explicar a morte de árvores em situações de seca é o que os pesquisadores chamam de “fome de carbono”. Quando as folhas fecham os estômatos (poros que permitem transpiração e trocas gasosas) para evitar o ressecamento, também reduzem a absorção de carbono. O mais provável é que os dois processos aconteçam simultaneamente, mas no caso de Caxiuanã os pesquisadores descartaram a falta de carbono como fator principal ao verificar que as árvores continham um suprimento normal desse elemento e não pararam de crescer até a morte.

“Medimos a vulnerabilidade do sistema hidráulico das plantas à cavitação e vimos que ela tem relação com o diâmetro da árvore”, conta o biólogo Rafael Oliveira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), colaborador do projeto há dois anos. A observação condiz com a preponderância de vítimas avantajadas: 15 árvores com diâmetro maior que 40 centímetros caíram na área experimental, em comparação com apenas uma ou duas na zona de controle, onde não há exclusão de chuva. O impacto é grande, porque essas árvores gigantescas concentram uma parcela importante da biomassa da floresta e do dossel emissor de umidade. Enquanto isso, as de tamanho médio estão crescendo até mais, graças à luz que chega até elas agora que a mata vai se tornando esparsa e cheia de frestas entre as copas.

Painéis de plástico impedem que metade da chuva chegue ao chão...

Oliveira tem estudado as relações entre o solo, as plantas e a atmosfera, e em uma revisão publicada em 2014 na revista Theoretical and Experimental Plant Physiology mostrou que mudanças no regime de precipitação podem causar um estresse hídrico letal por cavitação, mesmo que a seca seja compensada por um período de chuvas intensas, de maneira que o total anual de chuvas não se altere. Para ele, é preciso entender melhor o funcionamento fisiológico e anatômico das árvores nessas condições para prever sua reação às mudanças previstas no clima. Essas particularidades também devem explicar por que a reação varia entre espécies. O estudo de Caxiuanã, por exemplo, aponta o gênero Pouteria como muito vulnerável à seca e o Licania como o mais resistente, entre as árvores examinadas. Os mecanismos usados pelas plantas são diversos, como absorver água pela parte aérea – pelas folhas e até pelos ramos e tronco. “Precisamos ver quais árvores na Amazônia fazem isso”, planeja.

Outro efeito da mortalidade das árvores é o acúmulo de mais folhas e galhos no solo da floresta. “Quem trabalha com fogo chama essa camada de combustível”, brinca o ecólogo Paulo Brando, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e do Centro de Pesquisa Woods Hole, Estados Unidos. Um dos integrantes do Seca Floresta, cujo imenso banco de dados ainda está em análise quase 10 anos depois de encerrado o projeto, ele mais recentemente conduziu um estudo com incêndios florestais num experimento no Alto Xingu, a região mais seca da Amazônia. Segundo os resultados apresentados em artigo de 2014 na PNAS, as árvores resistiram bem à primeira queimada, em 2004, em parte porque a própria umidade da floresta impediu que o fogo atingisse proporções devastadoras. O resultado marcante veio em 2007, quando o incêndio programado coincidiu com uma seca acentuada e representou, na interpretação dos autores, um ponto de inflexão na floresta. “O que vimos foi fogo de grande intensidade que matou tudo, principalmente as árvores pequenas”, conta, concluindo que a interação entre seca e fogo potencializa as forças motrizes de degradação. Menos água no solo, menos umidade no ar e mais combustível no chão agem em conjunto e aumentam muito a probabilidade de fogo. E não se pode esquecer a ação humana nas fronteiras agrícolas, onde o fogo é comum para manejo e se soma aos efeitos do desmatamento, que criam ilhas de floresta com bordas vulneráveis. “A fronteira da floresta com uma plantação de soja, por exemplo, é 5 graus Celsius mais quente do que o interior da floresta, e mais seca”, diz Brando.

...provocando queda de árvores...

Ele é coautor de um estudo feito pela geógrafa Ane Alencar, também do Ipam, que analisou registros de incêndios na Amazônia, por imagens de satélite, entre 1983 e 2007. Os resultados, publicados em setembro na Ecological Applications, mostram que já houve um aumento na ocorrência de fogo florestal em resposta a um clima mais seco. Comparando três tipos de mata no leste da Amazônia, o grupo verificou que a floresta densa é sensível a mudanças climáticas, enquanto as formações aberta e de transição estão mais sujeitas à ação humana por desmatamento.

Futuro
Como não há bola de cristal para enxergar o que vem à frente, vários grupos buscam desenvolver modelos climáticos e ecológicos. Brando participou de um estudo liderado por Philip Duffy, do Woods Hole, que comparou a capacidade de modelos climáticos acomodarem as secas que aconteceram em 2005 e 2010 na Amazônia, tão drásticas que não era esperado que se repetissem num período menor do que um século. Os resultados, publicados em outubro no site da PNAS, preveem um aumento significativo de secas, com um crescimento da área afetada por essas secas na região amazônica. O problema, segundo Brando, é que boa parte dos modelos lida com médias, e o que está em questão são extremos climáticos. Este ano, caracterizado por um fenômeno El Niño mais forte do que a média, a equipe do Esecaflor encontrou, em novembro, uma floresta praticamente sem chuva havia mais de dois meses. A expectativa é, nos próximos anos, acompanhar as consequências desse período.

...calhas levam a água embora numa área de 1 hectare da Floresta Nacional de Caxiuanã

“O relatório de 2013 do IPCC ressaltou nossa falta de capacidade em prever a mortalidade relacionada à seca nas florestas como uma das incertezas na ciência ligada à vegetação e ao clima”, conta Meir. “Nossos resultados indicam qual mecanismo fisiológico precisa ser bem representado pelos modelos para prever a mortalidade das árvores”, explica. Nessa busca por reduzir incertezas e antecipar o futuro, Lucy – que é especialista em usar dados de campo para alimentar modelos – vem trabalhando em parceria com o grupo de Stephen Sitch, na Universidade de Exeter, na Inglaterra, para aprimorar a representação das respostas das florestas tropicais à seca no modelo de vegetação conhecido como Jules. A Amazônia fala claramente sobre a importância de políticas que busquem reduzir as mudanças climáticas, tema que inundou as notícias nos últimos tempos por causa da Conferência do Clima em Paris (COP21), que ocorreu este mês. Os experimentos mostram efeitos localizados, mas secas naturais como as da década passada podem afetar uma área extensa da floresta. Meir ressalta a necessidade de quebrar o ciclo: ao se decomporem, imensas árvores mortas liberam na atmosfera uma quantidade de carbono que tende a agravar o efeito estufa. “É possível desenvolver regras de energia e uso da terra que sejam economicamente benéficas, sem danificar o ambiente no longo prazo”, completa.

Veja mais fotos da pesquisa na Galeria de Imagens

Projeto
Interações entre solo-vegetação-atmosfera em uma paisagem tropical em transformação (n° 2011/52072-0); Modalidade Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (Pite) e Acordo FAPESP-Microsoft Research; Pesquisador responsávelRafael Silva Oliveira (IB-Unicamp); Investimento R$ 1.082.525,94.

Artigos científicos
ALENCAR, A. A. et al. Landscape fragmentation, severe drought, and the new Amazon forest fire regimeEcological Applications. v. 25, n. 6, p. 1493-505. set. 2015.
BRANDO, P. M. et al. Abrupt increases in Amazonian tree mortality due to drought-fire interactionsPNAS. v. 111, n. 17, p. 6347-52. 29 abr. 2014.
DUFFY, P. B. et alProjections of future meteorological drought and wet periods in the AmazonPNAS. on-line. 12 out. 2015.
MEIR, P. et alThreshold responses to soil moisture deficit by trees and soil in tropical rain forests: insights from field experimentsBioScience. v. 65, n. 9, p. 882-92. set. 2015.
OLIVEIRA, R. S. et alChanging precipitation regimes and the water and carbon economies of treesTheoretical and Experimental Plant Physiology. v. 26, n. 1, p. 65-82. mar. 2014.
ROWLAND, L. et alDeath from drought in tropical forests is triggered by hydraulics not carbon starvationNature. on-line. 23 nov. 2015.

Global Warming Deniers Are Growing More Desperate by the Day (Moyers & Co.)

August 6, 2014

Fox News aired a report by the Heartland Institute purporting to "debunk" a top climate change report while obscuring the background of the organization, which previously denied the science demonstrating the dangers of tobacco and secondhand smoke. (Image: Media Matters)

Fox News aired a report by the Heartland Institute purporting to “debunk” a top climate change report while obscuring the background of the organization, which previously denied the dangers of tobacco. (Image: Media Matters)

This post originally appeared at Desmogblog.

The Heartland Institute’s recent International Climate Change Conference in Las Vegas illustrates climate change deniers’ desperate confusion. AsBloomberg News noted, “Heartland’s strategy seemed to be to throw many theories at the wall and see what stuck.” A who’s who of fossil fuel industry supporters and anti-science shills variously argued that global warming is a myth; that it’s happening but natural — a result of the sun or “Pacific Decadal Oscillation”; that it’s happening but we shouldn’t worry about it; or that global cooling is the real problem.

The only common thread, Bloomberg reported, was the preponderance of attacks on and jokes about Al Gore: “It rarely took more than a minute or two before one punctuated the swirl of opaque and occasionally conflicting scientific theories.”

Personal attacks are common among deniers. Their lies are continually debunked, leaving them with no rational challenge to overwhelming scientific evidence that the world is warming and that humans are largely responsible. Comments under my columns about global warming include endless repetition of falsehoods like “there’s been no warming for 18 years,” “it’s the sun,” and references to “communist misanthropes,” “libtard warmers,” and worse…

Far worse. Katharine Hayhoe, director of Texas Tech’s Climate Science Center and an evangelical Christian, had her email inbox flooded with hate mail and threats after conservative pundit Rush Limbaugh denounced her, and right-wing blogger Mark Morano published her email address. “I got an email the other day so obscene I had to file a police report,” Hayhoe said in an interview on the Responding to Climate Change website. “They mentioned my child. It had all kinds of sexual perversions in it — it just makes your skin crawl.”

One email chastised her for taking “a man’s job” and called for her public execution, finishing with, “If you have a child, then women in the future will be even more leery of lying to get ahead, when they see your baby crying next to the basket next to the guillotine.”

Many attacks came from fellow Christians unable to accept that humans can affect “God’s creation.” That’s a belief held even by a few well-known scientists and others held up as climate experts, including Roy Spencer, David Legates and Canadian economist Ross McKitrick. They’ve signed the Cornwall Alliance’s Evangelical Declaration on Global Warming, which says, “We believe Earth and its ecosystems — created by God’s intelligent design and infinite power and sustained by His faithful providence — are robust, resilient, self-regulating, and self-correcting, admirably suited for human flourishing, and displaying His glory. Earth’s climate system is no exception.” This worldview predetermines their approach to the science.

Lest you think nasty, irrational comments are exclusively from fringe elements, remember the gathering place for most deniers, the Heartland Institute, has compared those who accept the evidence for human-caused climate change to terrorists. Similar language was used to describe the US Environmental Protection Agency in a full-page ad in USA Today and Politico from the Environmental Policy Alliance, a front group set up by the PR firm Berman and Company, which has attacked environmentalists, labor-rights advocates, health organizations — even Mothers Against Drunk Driving and the Humane Society — on behalf of funders and clients including Monsanto, Wendy’s and tobacco giant Phillip Morris. The terrorism meme was later picked up by Pennsylvania Republican congressman Mike Kelly.

David Suzuki: The War on Climate Scientists

 

Fortunately, most people don’t buy irrational attempts to disavow science. A Forum Research poll found 81 percent of Canadians accept the reality of global warming, and 58 per cent agree it’s mostly human-caused. An Ipsos MORI poll found that, although the US has a higher number of climate change deniers than 20 countries surveyed, 54 per cent of Americans believe in human-caused climate change. (Research also shows climate change denial is most prevalent in English-speaking countries, especially in areas “served” by media outlets owned by Rupert Murdoch, who rejects climate science.)

It’s time to shift attention from those who sow doubt and confusion, either out of ignorance or misanthropic greed, to those who want to address a real, serious problem. The BBC has the right idea, instructing its reporters to improve accuracy by giving less air time to people with anti-science views, including climate change deniers.

Solutions exist, but every delay makes them more difficult and costly.

Written with contributions from David Suzuki Foundation Senior Editor Ian Hanington.

The views expressed in this post are the author’s alone, and presented here to offer a variety of perspectives to our readers.

 
David Suzuki, co-Founder of the David Suzuki Foundation, is an award-winning scientist, environmentalist and broadcaster.

The Anthropocene: Too Serious for Post-Modern Games (Immanence Blog)

August 18, 2014 by Adrian J Ivakhiv

The following is a guest post by Clive Hamilton, professor of public ethics at Charles Sturt University in Canberra, Australia. It continues the Immanence series “Debating the Anthropocene.” See herehere, and here for previous articles in the series. (And note that some lengthy comments have been added to the previous post by Jan Zalasiewicz, Kieran Suckling, and others.)

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 The Anthropocene: Too Serious for Post-Modern Games

by Clive Hamilton

In his post “Against the Anthropocene”, Kieran Suckling makes two main arguments. The first is that the choice of “Anthropocene” as the name for the new epoch breaks with stratigraphic tradition; he feels uncomfortable with a change in tradition, not least because he suspects the break reflects a hidden political objective. The second is that similar names have been invented for the era of industrialism in the past, names that have gone out of fashion, and the Anthropocene will go the same way.

Many scientists and social scientists have entered the debate over the Anthropocene. Each of them seems to want to impose their own disciplinary framework on it. Thus one respondent to Kieran’s post wrote that it is “difficult to get a handle on the term ‘Anthropocene’ because it means very different things to different people”. This is true, but it is true because most people have not bothered to read the half dozen basic papers on the Anthropocene by those who have defined it, and therefore do not know what they are talking about.

The problem is that those who want to colonise and redefine the Anthropocene completely miss the central point being made by Earth system scientists like Paul Crutzen, Will Steffen and Jan Zalasiewicz. I have elsewhere explained why those who have not made the gestalt shift to Earth system thinking cannot help but get the Anthropocene wrong. The Earth system scientists are saying that something radically new has occurred on planet Earth, something that can be detected from the late 18th-century and which is due predominantly to a serious disruption to the global carbon cycle. This disruption has set the Earth system on a new, unpredictable and dangerous trajectory.

Ecologists who have not made the leap to Earth system thinking have been the worst offenders. But a few social scientists and humanities people have been joining the fray, bringing their constructivist baggage. Kieran, I fear, is one of them.

In response to Jan Zalasiewicz’s comment that Paul Crutzen came up with the term at the right time, Kieran misunderstands him, asking: “Why was the time right? Is there something about western psychology and history that made this time right?” So he treats the development of a body of scientific evidence as if it were merely an emanation of social and psychological conditions. It’s a reading that has all of the epistemological and political faults of the “social construction of science”, an approach that today is deployed most effectively by climate science deniers.

Kieran’s disquisition on the historical use of terms like “the age of man” compounds this mistake. It suggests that he has missed the fundamental point – thefundamental point – about the new epoch: that the functioning of the Earth systemhas changed, and that it changed at the end of the 18th century; or, if we want to be absolutely certain, in the decades after the Second World War. I sense that Jan Z’s gentle reminder was lost, so let me stress it. He wrote: “The Anthropocene is not about being able to detect human influence in stratigraphy, but reflects a change in the Earth system” (my emphasis). The core of the problem, I think, is that most participants in the debate do not actually understand what is meant by “the Earth system”.

So whatever historical interest it may have (and personally I find it fascinating), the fact that Cuvier, Buffon, de Chardin and several others have deployed terms like “the age of man” has no bearing whatsoever on the current debate, which is about a physical transformation, a rupture, that has actually occurred. Arguing that it’s all been said before – “I can show that your claim to have come up with something decisively new is historically inaccurate” – is a standard rhetorical strategy known as deflation. But it carries the same danger we were warned of as children when our parents read us the story of the boy who cried wolf. Whatever historical precedent, and whatever environmental alarm bell may have been rung in the past, the wolf has arrived.

Deflationary moves that characterise the Anthropocene as merely the latest attempt by anthropocentric westerners to impose an “age of man” frame on the world – that it is a fad that will wane as all the others have – betray an essential failure to grasp what the Earth scientists are telling us is now happening in the Earth system. When the IPCC tells us we are heading for a doubling or, more likely, a trebling of CO2concentrations it is not a fad. When the world’s scientific academies warn we are heading into a world of 4°C warming, changing the conditions of life on the planet, they are not saying it because it’s fashionable. And if the Anthropocene is another example of western linguistic imperialism, changing the name will not exempt the poor and vulnerable of the South from its devastating effects.

No, I’m sorry, this is serious now. After all the attacks on climate science and the well-funded, systematic campaign to discredit climate scientists, people of good will have an absolute obligation not to play around with the science. The constructivist games of the 80s and 90s are an intellectual luxury we can no longer afford.

 

Let me now comment on Kieran’s argument that the Anthropocene is wrongly named because it deviates from naming tradition. He writes that epochs are never named for the causes of change but for the changed composition of the species present in each epoch, era or period. When we examine the helpful lists he provides linking eras, periods and epochs to their characteristic biota, the word that appears uniformly is “appear”. Eukaryotes appear, reptiles appear, fish appear, mammals appear, and so on.

When he calls for consistency in naming, then, we should name the Anthropocene not after the cause of the new epoch (techno-industrial anthropos) but after the new forms of life that have appeared. The problem is that no new forms of life have yet appeared. It seems very likely they will, but it would be impractical to wait 100,000 years before we knew what to name the latest epoch. By then all of the members of the International Commission on Stratigraphy will be dead (they who already in my imagination are like the wizened judges of the Court of Chancery hearing Jarndyce v Jarndyce in Bleak House).

So we are stuck with an anomaly; why this should cause anxiety, except to those wedded to tradition, I do not know. We are practical people; if we cannot apply the old principle to naming a manifestly new and important geological epoch then we must choose a new principle.

Kieran’s solution to the problem is to name the epoch after the radical homogenization of the planet’s species (along with the extinction of many). He suggests the “Homogenocene”. But here he only smuggles in a new criterion, replacing the appearance of new species with a change in the distribution of existing ones. If we were to accept Kieran’s argument then, as Jan points out, why not name the epoch after the overwhelmingly dominant feature of homogenisation, the spread of humans across the globe. According to Vaclav Smil, humans and their domestic animals now account for a breath-taking 97 per cent of the biomass of all terrestrial vertebrates. On Kieran’s own criterion, we would name the new epoch … the Anthropocene.

Finally, it will help if I tell the story of the naming of the Anthropocene, for an innocent reader of Kieran’s piece may draw the conclusion that there was some kind of secret meeting at which a group of western scientists committed to an anthropocentric worldview conspired to promote their ideology by choosing a name that embodies it. Kieran asks: “What belief system(s) drive the shift … to a name based on the power of one species, a species that happens to be us?”

The answer is more prosaic and goes like this. In 2000 Paul Crutzen was at a scientific meeting in Mexico. As the discussion progressed he became increasingly frustrated at the use of the term “Holocene” which he felt no longer described the state of the Earth system, which he knew had been irreversibly disrupted and damaged by human activity. Unable to contain his irritation he intervened, declaring to the meeting: “It’s not the Holocene, it’s … it’s … it’s … the Anthropocene.”

That was it. He just blurted it out; and it stuck. Paul Crutzen is an atmospheric chemist. Given his training it is no surprise that as his brain struggled for the right word it would come with one that linked the state of the Earth to the activities of humans, anthropos. If there had been a savvy sociologist sitting at the table, she might have said: “Wait a minute Paul. It’s not humans in general who got us into this mess, but western industrial ones. So let’s call it the Capitalocene or the Technocene.”

Who knows, perhaps that intervention would have changed the course of history right then. But it didn’t happen, and we have the term we are now debating. Crutzen and his various co-authors would agree with the savvy sociologist that it has been techno-industrialism with its origins in Europe that brought on the new epoch. They have argued persistently that the Anthropocene began with the growth of industries powered by fossil energy towards the end of the 18th-century and accelerated with the hyper-consumerism of the post-war decades.

The real adversaries here are not Crutzen et al. but those scientists, mostly ecologists who do not ‘get’ Earth system science, who are making all sorts of erroneous and confusing claims about the Anthropocene’s origins lying in the distant past, thousands of years before European industrialisation. If anyone is trying to displace responsibility for the mess we are in then they are the culprits. It is they who want to blend the Anthropocene into the Holocene and thereby make theanthropos of the Anthropocene a neutral, blameless, meaningless cause, so that the radical transformation that we now see is the result merely of humans doing what humans do, which nothing can change. No wonder political conservatives are drawn to the early Anthropocene hypothesis.

Nasa-funded study warns of ‘collapse of civilisation’ in coming decades (Independent)

‘Business as usual’ approach of economic elite will lead society to disaster, scientists warn

ADAM WITHNALL

Sunday 16 March 2014

Modern civilisation is heading for collapse within a matter of decades because of growing economic instability and pressure on the planet’s resources, according to a scientific study funded by Nasa.

Using theoretical models to predict what will happen to the industrialised world over the course of the next century or so, mathematicians found that even with conservative estimates things started to go very badly, very quickly.

Referring to the past collapses of often very sophisticated civilisations – the Roman, Han and Gupta Empires for example – the study noted that the elite of society have often pushed for a “business as usual” approach to warnings of disaster until it is too late.

In the report based on his “Human And Nature Dynamical” (Handy) model, the applied mathematician Safa Motesharri wrote: “the process of rise-and-collapse is actually a recurrent cycle found throughout history”.

His research, carried out with the help of a team of natural and social scientists and with funding from Nasa’s Goddard Space Flight Center, has been accepted for publication in the Ecological Economics journal, the Guardian reported.

Motesharri explored the factors which could lead to the collapse of civilisation, from population growth to climate change, and found that when these converge they can cause society to break down because of the “stretching of resources” and “the economic stratification of society into ‘Elites’ and ‘Masses’”.

Using his Handy model to assess a scenario closely resembling the current state of the world, Motesharri found that civilisation “appears to be on a sustainable path for quite a long time, but even using an optimal depletion rate and starting with a very small number of Elites, the Elites eventually consume too much, resulting in a famine among the Masses that eventually causes the collapse of society”.

The report stressed, however, that the worst-case scenario of collapse is not inevitable, and called on action now from the so-called real world “Elites” to restore economic balance.

“Collapse can be avoided and population can reach equilibrium if the per capita rate of depletion of nature is reduced to a sustainable level, and if resources are distributed in a reasonably equitable fashion,” the scientists said.

This is not the first time scientists have tried to warn us of potentially impending global disaster. Last year it emerged that Stephen Hawking and a team of Britain’s finest minds are drawing up a “doomsday list” of the catastrophic low-risk (but high-impact) events that could devastate the world.