Populações pré-colombianas afetavam pouco a Amazônia, diz estudo (Estado de São Paulo)

Fábio de Castro

28 de outubro de 2015

Antes da chegada dos Europeus às Américas, uma grande população indígena habitava a Amazônia. Mas, ao contrário do que sustentam alguns cientistas, os impactos dessa ocupação humana sobre a floresta eram extremamente pequenos, segundo um novo estudo internacional realizado com participação brasileira.

pesquisa, publicada nesta quarta-feira, 28, na revista científica Journal of Biogeography, foi liderada por cientistas do Instituto de Tecnologia da Flórida, nos Estados Unidos e teve a participação de Carlos Peres, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Imagem de satélite da Amazônia ocidental mostra mendros de rios com 'braços-mortos', onde viviam grandes populações antes da chegada dos europeus; o novo estudo mostra que o impacto desses povos na floresta era menor do que se pensava

Imagem de satélite da Amazônia ocidental mostra mendros de rios com ‘braços-mortos’, onde viviam grandes populações antes da chegada dos europeus; o novo estudo mostra que o impacto desses povos na floresta era menor do que se pensava

Segundo o novo estudo, as populações amazônicas pré-colombianas viviam em densos assentamentos perto dos rios, afetando profundamente essas áreas. Mas os impactos que elas produziam na floresta eram limitados a uma distância de um dia de caminhada a partir das margens – deixando intocada a maior parte da Bacia Amazônica.

A pesquisa foi realizada com o uso de plantas fósseis, estimativas de densidade de mamíferos, sensoriamento remoto e modelagens computacionais de populações humanas. Segundo os autores, os resultados indicam que as florestas amazônicas podem ser muito vulneráveis às perturbações provocadas por atividades madeireiras e de mineração.

O novo estudo refuta uma teoria emergente, sustentada por alguns arqueólogos e antropólogos, de que as florestas da Amazônia são resultado de modificações da paisagem produzidas por populações ancestrais. Essa teoria contradiz a noção de que as florestas são ecossistemas frágeis.

“Ninguém duvida da importância da ação humana ao longo das principais vias fluviais. Mas, na Amazônia ocidental, ainda não se sabe se os humanos tiveram sobre o ecossistema um impacto maior que qualquer outro grande mamífero”, disse o autor principal do estudo, Mark Bush, do Instituto de Tecnologia da Flórida.

Dolores Piperno, outra autora do estudo, arqueóloga do Museu Americano de História Natural, afirma que há exagero na ideia de que a Amazônia é uma paisagem fabricada e domesticada. “Estudos anteriores se basearam em poucos sítios arqueológicos próximos aos cursos de água, e extrapolaram os efeitos da ocupação humana pré-histórica para todo o bioma. Mas a Amazônia é heterogênea e essas extrapolações precisam ser revistas com dados empíricos”, disse ela.

“Esse não é apenas um debate sobre o que ocorreu há 500 anos, ele tem implicações muito relevantes para a sociedade moderna e para as iniciativas de conservação”, afirmou Bush.

De acordo com Bush, se as florestas tivessem sido pesadamente modificadas antes da chegada dos Europeus e tivessem se recuperado no período de uma só geração de árvores para adquirir um nível tão vasto de biodiversidade, essa capacidade de recuperação rápida poderia ser usada como justificativa para uma atividade madeireira agressiva.

Entretanto, se a influência dos humanos foi muito limitada, como mostra o novo estudo, a atividade madeireira e mineradora têm potencial para provocar na floresta consequências de longo prazo, possivelmente irreversíveis.

“Essa distinção se torna cada vez mais importante, à medida em que os gestores decidem se irão reforçar ou flexibilizar a proteção de áreas já designadas como parques de conservação”, afirmou Bush.

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