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Memes ironizam previsão de temporal no Rio nesta quinta-feira (G1)

05/02/2015 17h15 – Atualizado em 05/02/2015 21h53

‘Ciclone In Rio’ e ‘Chuva no Rio #VemGente’ foram criados no Facebook.
Prefeitura montou esquema especial para enfrentar chuva que estava prevista.

Do G1 Rio

Memes da chuva no Rio (Foto: Reprodução de internet)

No Facebook, um evento simulanto o Rock In Rio, com o tema ‘Ciclone in Rio, Eu Fui’ também foi criado (Foto: Reprodução de internet)

A forte chuva que foi prevista por meteorologistas para cair na tarde desta quinta-feira (5) deixou muitos cariocas em alerta. A ausência de um grande temporal até as 20h, no entanto, inspirou os internautas que, desde a manhã, encheram as redes sociais de memes relacionados aos transtornos que seriam causados pela chuva.

No Facebook, pelo menos dois eventos foram criados. O “Ciclone In Rio” e o “Chuva no Rio #VemGente”. Na internet, também circulam fotos com a modelo Nana Gouveia posando perto de pessoas que, em outras situações, se refugiaram da chuva.

No Twitter, o personagem fictício Dilma Bolada, uma sátira da presidente, disse que decidiu mandar a chuva para Brasília. “Mandei desviar o ciclone do Rio de Janeiro para o Congresso Nacional. A cidade maravilhosa não merece uma coisa dessas!”. Na mesma rede social, internautas fazem diversas ironias como: “O governador Pezão acabou de anunciar que a chuva no Rio foi cancelada por questões de falta de água”.

No Twitter, internautas ironizam a chuva (Foto: Reprodução/Twitter)

No Twitter, internautas ironizam a chuva (Foto: Reprodução/Twitter)

Alerta pela manhã
Pela manhã, a Prefeitura do Rio apresentou um esquema especial elaborado por diversos órgãos do município para enfrentar a chuva. Cerca de 3,2 mil agentes foram mobilizados no esquema.

A cidade entrou em estágio de atenção às 6h50, afirmou o prefeito Eduardo Paes durante uma coletiva de imprensa no Centro de Operações Rio, no Centro. O estágio de atenção é o segundo nível em uma escala de três e significa a possibilidade de chuva moderada, ocasionalmente forte.

Chuva no Rio 3 (Foto: Reprodução/Twitter)

Chuva no Rio 6 (Foto: Reprodução/Twitter)

 

Chuva no Rio 8 (Foto: Reprodução/Twitter)

Chuva no Rio (Foto: Reprodução/Twitter)

Chuva no Rio 15 (Foto: Reprodução/Twitter)

Chuva no Rio 7 (Foto: Reprodução/Twitter)

Memes da chuva no Rio (Foto: Reprodução de internet)

Meme brinca com o Cristo Redentor (Foto: Reprodução / Twitter)

Meme brinca com o Cristo Redentor (Foto: Reprodução / Twitter)

Brincadeiras como ator Tony Tornado (Foto: Reprodução/Facebook)

Brincadeiras como ator Tony Tornado (Foto: Reprodução/Facebook)

Diversos memes se espalharam pela web por conta da chuva (Foto: Reprodução/Facebook)

Diversos memes se espalharam pela web por conta da chuva (Foto: Reprodução/Facebook)

Memes da chuva no Rio (Foto: Reprodução de internet)

A modelo Nana Gouveia não escapou das piadas na internet em memes sobre a chuva no Rio (Foto: Reprodução de internet)

Prefeito do Rio diz que foi zombado até pelos filhos após previsão falhar (G1)

06/02/2015 10h22 – Atualizado em 06/02/2015 17h34

Eduardo Paes diz que procedimento para chuva forte será padrão. Piscinões para conter alagamento na Praça da Bandeira serão inaugurados.

Henrique Coelho Do G1 Rio

Prefeito Eduardo Paes garantiu que procedimento contra chuvas fortes se tornará padrão na cidade. (Foto: Henrique Coelho / G1)

Prefeito Eduardo Paes garantiu que procedimento contra chuvas fortes se tornará padrão na cidade. (Foto: Henrique Coelho / G1)

Mesmo após uma chuva menos intensa que o previsto nesta quinta-feira (5), a Prefeitura do Rio  afirmou que vai continuar adotando os mesmos procedimentos com a previsão de uma chuva e ventos fortes.

“As pessoas sempre pedem planejamento, e ainda bem que não aconteceu nada. Mas vamos continuar fazendo isso porque não podemos deixar de dividir as informações que temos com a população”, disse o prefeito Eduardo Paes, que levou na esportiva as brincadeiras publicadas em redes sociais após as chuvas. “Até meus filhos zombaram de mim hoje de manhã, mas eu entendo. Não tenho vocação para Cacique Cobra Coral”, brincou.

Nesta quinta-feira, a Prefeitura do Rio apresentou um esquema especial elaborado por diversos órgãos do município para enfrentar a situação. Cerca de 3,2 mil agentes foram mobilizados no esquema.

“Vamos continuar com o mesmo esquema, com homens da Comlurb, da Guarda municipal, Cet-Rio”, afirmou, acrescentando que quatro novos piscinões na área da Praça da Bandeira, um dos principais pontos de alagamento da cidade, serão inaugurados neste sábado (7).  “Não levamos a sério algumas coisas no passado, e agora vamos ficar sempre atentos”.

Paes criticou ainda o fato de algumas empresas liberarem seus funcionários mais cedo devido à ameaça de chuva forte. “O dia que for para sair mais cedo, nós vamos avisar”, disparou.

Em sua página pessoal no Facebook, Eduardo Paes reiterou que a prefeitura irá manter os alertas quando houver previsão de temporal. No texto, além de comentar o deboche dos próprios filhos, ele falou da seriedade ao tratar da possibilidade de chuva forte na capital.

“A gente já viu muito drama nesta cidade em razão das chuvas, muita gente morrendo e perdendo o seu patrimônio. O que tenho que afirmar é que isso deve passar a ser algo costumeiro na vida da gente. Toda vez que a gente der um alerta desse, as pessoas devem ficar atentas, como pedi ontem”, registrou o prefeito.

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What do some Afro-Brazilian religions actually believe? (Washington Post)

 February 6 at 3:30 AM

Video

Candomblé is a Brazilian religion developed from animist beliefs, imported by African slaves. But the quasi-respectability gained in recent decades is now under attack from radical Evangelical Christians – a growing force in Catholic Brazil – who regard it as the devil’s work. (The Washington Post)

RIO DE JANEIRO — In its contemporary form, Brazil’s Candomblé religion looks about as removed from Western Christianity as could be imagined. It must have seemed positively diabolical, then, to the brutal Portuguese overlords whose slaves imported it from Africa, and whom they believed had been converted. Those slaves may have cleverly “synchronized” their own deities with Catholic saints to be able to continue worshiping, but they did not synchronize their beliefs.

This does not make Candomblé the devil’s work. It does not have the concept of heaven and hell, nor a rigid moral code in the sense that Christians would understand it. Instead, believers are supposed to fulfill their destiny, whatever that might be. Both men and women can become priests. Homosexuality is accepted, secretive animal sacrifices play an important role and the sexual lives of devotees are their own business when they are outside the walls of the Candomblé “house,” or center.

Decorative body paint, jewelry and costumes are part in a Candomble ceremony in Rio de Janeiro on Jan. 23. (Lianne Milton for The Washington Post)

There are elaborate theatrical rituals, with costumes and accessories that can include robes, small swords and shields, a mini archer’s bow, and even as witnessed in one ceremony in Rio, an elaborate silver helmet with a tiny figure on a plinth on top that looked like something a 19th-century Prussian army officer might have sported.

But these accoutrements are no more outlandish than a Catholic Mass might have appeared to an 19th-century African who had just been enslaved. Candomblé is a religion like any other, with its own rules, hierarchies and sense of the spiritual. This is true especially in Brazil, where the existence of spirituality and an afterlife is regarded as an incontestable truth by the majority of the population — be they Catholics, or followers of more esoteric, yet tolerated religions, such as the spiritualist sect that follows the teachings of 19th-century French writer Hippolyte Léon Denizard Rivail, who wrote the Spiritist Codification under the pseudonym Allan Kardec.

Or followers of both, because many Catholics have no problem also being spiritualists. Religious duality is popular in Brazil, one reason why some estimates put followers of Candomblé and its sister religion, Umbanda, in the tens of millions, not the official half a million or so who admitted to it in the 2010 government census.

Candomblé is an oral culture with no sacred text. There are seven Candomblé nations — or variations – such as Ketu and Angola, depending on which Brazilian state it developed in, and where in Africa the slaves practicing it came from. They believe in a supreme being, called Olódùmarè (whose name can be spelled with or without the accents). Beneath this god are 16 Orixás — deities, or entities — many of whom have characteristics that are distinctly human in nature.

Yemanjá, the sea goddess, is given gifts like flowers or champagne by millions of Brazilians every New Year’s Eve. She is sometimes associated with the Virgin Mary, but she is also famously vain.

The warrior Ogum is linked to Saint George — courageous and persistent, and popular in Brazil for these qualities.

Then there is a female Orixá of the wind, Iansã, who is — as might be expected in Brazil — a more sensual deity.

Nature is perhaps the single most important factor in Candomblé, and each Orixá is connected to an element. “All of them are responsible for a part of nature,” said Rodrigo Silva, “father-of-saint,” or priest of the Logun Edé Palace Candomblé center. It is not uncommon to see Candomblé being practiced on beaches, or in waterfalls. “Our gods are ecological gods,” said Beatriz Moreira Costa, 84, a revered priestess called Mother Beatá.

In its sister religion, Umbanda, invented in Rio in the early 20th century, both the Catholic God and reincarnation also play a part. “It is a Christian doctrine,” said Tábata Lugao, 27, a recent convert. Orixás and Catholic saints are synchronized — but Umbanda also has its own holy figures, such as Preto Velho, or “Old Black Man,” a wily old slave figure who smokes a pipe.

The mostly female, middle-age worshippers being “incorporated” by Preto Velho at a recent Umbanda ceremony in São Gonçalo, near Rio, drank beer and smoked cigars and appeared to be enjoying themselves enormously, but they also took their ceremony extremely seriously — another kind of quintessentially Brazilian religious duality.

Unlike Umbanda, Candomblé initiates spend 21 days in seclusion living in the center, before being initiated as Yaô (this can also be spelled in different ways). Then they can be “incorporated” by Orixás — and initiates have individual Orixás they must follow.

After seven years as a Yaô, they become an Egbomi, and can then decide if they want to progress to the highest stage, that of father-of-saint or mother-of-saint.

The musicians who play percussion and sing the songs in African languages at Candomblé ceremonies that aim to honor and conjure up the Orixás are another kind of Yaô, called Ogá.

This does not necessarily involve being righteous, and it is here, perhaps, that Candomblé is most controversial. Those priests who sell curses or spells, via lower-level spirits called Exús, prompt some of the prejudice that surrounds the religion. “There are those who have pleasure in doing bad, others who like to help,” said Silva.

His center, he emphasized, does not get involved in the darker side of Candomblé’s neighborhood witchcraft, pejoratively called Macumba in Brazil. “It was made to protect and help people who need this help,” he said. “We fight for peace.”

Chimps joining new troop learn its ‘words’: study (Reuters)

BY SHARON BEGLEY

NEW YORK, Thu Feb 5, 2015 1:03pm EST

(Reuters) – Just as Bostonians moving to Tokyo ditch “grapefruit” and adopt “pamplemousse,” so chimps joining a new troop change their calls to match those of their new troop, scientists reported on Thursday in the journal Current Biology.

The discovery represents the first evidence that animals besides humans can replace the vocal sounds their native group uses for specific objects – in the chimps’ case, apples – with those of their new community.

One expert on chimp vocalizations, Bill Hopkins of Yerkes National Primate Research Center in Atlanta, who was not involved in the study, questioned some of its methodology, such as how the scientists elicited and recorded the chimps’ calls, but called it “interesting work.”

Chimps have specific grunts, barks, hoots and other vocalizations for particular foods, for predators and for requests such as “look at me,” which members of their troop understand.

Earlier studies had shown that these primates, humans’ closest living relatives, can learn totally new calls in research settings through intensive training. And a 2012 study led by Yerkes’ Hopkins showed that young chimps are able to pick up sounds meaning “human, pay attention to me,” from their mothers.

But no previous research had shown that chimps can replace a call they had used for years with one used by another troop. Instead, primatologists had thought that sounds referring to objects in the environment were learned at a young age and essentially permanent, with any variations reflecting nuances such as how excited the animal is about, say, a banana.

In the new research, scientists studied adult chimpanzees that in 2010 had been moved from a safari park in the Netherlands to Scotland’s Edinburgh Zoo, to live with nine other adults in a huge new enclosure.

It took three years, and the formation of strong social bonds among the animals, but the grunt that the seven Dutch chimps used for “apple” (a favorite food) changed from a high-pitched eow-eow-eow to the lower-pitched udh-udh-udh used by the six Scots, said co-author Simon Townsend of the University of Zurich. The change was apparent even to non-chimp-speakers (scientists).

“We showed that, through social learning, the chimps could change their vocalizations,” Townsend said in an interview. That suggests human language isn’t unique in using socially-learned sounds to signify objects.

Unanswered is what motivated the Dutch chimps to sound more like the Scots: to be better understood, or to fit in by adopting the reining patois?

(Reporting by Sharon Begley; Editing by Nick Zieminski)

Clive Hamilton: Climate change signals the end of the social sciences (The Conversation)

January 24 2013, 7.24pm
Clive Hamilton

Our impact on the earth has brought on a new geographical epoch – The Age of Humans.AAP/Damien Shaw

In response to the heatwave that set a new Australia-wide record on 7 January, when the national average maximum reached 40.33°C, the Bureau of Meteorology issued a statement that, on reflection, sounds the death knell for all of the social sciences taught in our universities.

“Everything that happens in the climate system now”, the manager of climate monitoring at the Bureau said, “is taking place on a planet which is a degree hotter than it used to be.”

Eminent US climate scientist, Kevin Trenberth, made the same point more fully last year:

The answer to the oft-asked question of whether an event is caused by climate change is that it is the wrong question. All weather events are affected by climate change because the environment in which they occur is warmer and moister than it used to be.

Trenberth’s commentary calls on us to reframe how we think about human-induced climate change. We can no longer place some events into the box marked “Nature” and some into the box marked “Human”.

The invention of these two boxes was the defining feature of modernity, an idea founded on Cartesian and Kantianphilosophies of the subject. Its emergence has also been tracked by science studies in the contradiction between purified science and the messy process of knowledge creation, leading to Bruno Latour’s troubling claim that the separation of Human and Nature was an illusion, and that “we have never been modern”.

Climate science is now telling us that such a separation can no longer be sustained, that the natural and the human are mixed up, and their influences cannot be neatly distinguished.

This human-nature hybrid is true not just of the climate system, but of the planet as a whole, although it would be enough for it to be true of the climate system. We know from the new discipline of Earth system science that changes in the atmosphere affect not just the weather but the Earth’s hydrosphere (the watery parts), the biosphere (living creatures) and even the lithosphere (the Earth’s crust). They are all linked by the great natural cycles and processes that make the planet so dynamic. In short, everything is in play.

Apart from climatic change, it is apparent that human activity has transformed the Earth in profound ways. Every cubic metre of air and water, every hectare of land now has a human imprint, from hormones in the seas, to fluorocarbons in the atmosphere and radioactivity from nuclear weapons tests in the soil.

Each year humans shift ten times more rock and soil around the Earth than the great natural processes of erosion and weathering. Half of the land surface has been modified by humans. Dam-building since the 1930s has held back enough water to keep the oceans three centimetres lower than otherwise. Extinctions are now occurring at a rate 100 times faster than the natural one.

So profound has been the influence of humans that Earth scientists such as Will Steffen have recently declared that the Earth has entered a new geological epoch, an epoch defined by the fact that the “human imprint on the global environment has now become so large and active that it rivals some of the great forces of Nature in its impact on the functioning of the Earth system”. Known as the Anthropocene, the Age of Humans, it marks the end of the Holocene, the 10,000-year period of remarkable climatic stability and clemency that allowed civilisation to flourish.

The modern social sciences — sociology, psychology, political science, economics, history and, we may add, philosophy — rest on the assumption that the grand and the humdrum events of human life take place against a backdrop of an inert nature. Only humans have agency. Everything worthy of analysis occurs in the sealed world of “the social”, and where nature does make itself felt – in environmental history, sociology or politics – “the environment” is the Umwelt, the natural world “over there” that surrounds us and sometimes intrudes on our plans, but always remains separate.

What was distinctive of the “social sciences” that emerged in 18th-century Europe was not so much their aspiration to science but their “social-only” domain of concern.

So the advent of the Anthropocene shatters the self-contained world of social analysis that is the terrain of modern social science, and explains why those intellectuals who remain within it find it impossible to “analyze” the politics, sociology or philosophy of climate change in a way that is true to the science. They end up floundering in the old categories, unable to see that something epochal has occurred, a rupture on the scale of the Industrial Revolution or the emergence of civilization itself.

A few are trying to peer through the fog of modernism. In an epoch-marking intervention, Chicago historian Dipesh Chakrabarty has argued that the distinction we have drawn between natural history and human history has now collapsed. With the arrival of the Anthropocene, humans have become a geological force so that the two kinds of history have converged and it is no longer true that “all history properly so called is the history of human affairs”.

E.H. Carr’s famous definition of history must now be discarded:

History begins when men begin to think of the passage of time in terms not of natural processes — the cycle of the seasons, the human life-span — but of a series of specific events in which men are consciously involved and which they can consciously influence.

From hereon our history will increasingly be dominated by “natural processes”, influenced by us but largely beyond our control. Our future has become entangled with that of the Earth’s geological evolution. As I argue in a forthcoming book, contrary to the modernist faith, it can no longer be maintained that humans make their own history, for the stage on which we make it has now entered into the play as a dynamic and capricious force.

And the actors too must be scrutinised afresh. If on the Anthropocene’s hybrid Earth it is no longer tenable to characterise humans as the rational animal, God’s chosen creatures or just another species, what kind of being are we?

The social sciences taught in our universities must now be classed as “pre-Anthropocene”. The process of reinventing them — so that what is taught in our arts faculties is true to what has emerged in our science faculties — will be a sustained and arduous intellectual enterprise. After all, it was not just the landscape that was scorched by 40.33°C, but modernism itself.

Seca faz cidade submersa há 45 anos ressurgir em SP (OESP)

Em Igaratá Velha (SP)

31/01/201509h00 Atualizada 31/01/201512h58 

Carlos de Almeida, 50, morador de Igaratá (SP), exibe uma foto da antiga cidade, inundada desde março de 1969

Carlos de Almeida, 50, morador de Igaratá (SP), exibe uma foto da antiga cidade, inundada desde março de 1969. Tiago Queiroz/Estadão

A seca que atinge o rio Jaguari fez reaparecer as ruínas de uma cidade que estava submersa desde março de 1969, quando começou a construção dos reservatórios usados na geração de energia para a região do Vale do Paraíba e do Sistema Cantareira.

No fundo de uma represa, que está 30 metros abaixo do nível normal, entre Joanópolis e São José dos Campos, no interior paulista, a igreja matriz, a praça e a rua principal da Igaratá Velha ressurgiram e se transformaram em ponto turístico.

Os 2 mil moradores do antigo povoado de Igaratá Velha, formado em meados de 1865 em uma confluência dos Rios Jaguari e do Peixe, foram removidos para uma nova cidade homônima um século depois. Criada em dezembro de 1969 a 3 quilômetros da antiga cidade, a nova Igaratá nasceu em um terreno da antiga Centrais Elétricas de São Paulo (Cesp), doado aos moradores. Hoje, o município tem cerca de 9 mil habitantes.

O reaparecimento das ruínas da Igreja Nossa Senhora do Patrocínio emociona quem viveu no antigo povoado. Um grupo colocou uma nova cruz onde ficava a igreja. “O pessoal mais velho vem e passa o domingo rezando em volta da cruz. Não querem que a água cubra de volta a igreja”, diz o agricultor Edilson Cardoso, de 32 anos.

Com um quadro da Igaratá Velha debaixo dos braços, o pescador José Carlos de Almeida, de 50 anos, cobra R$ 5 para levar turistas de canoa até as ruínas do antigo grupo escolar, no meio da represa. “Se a represa baixar os 10 metros que faltam, vai reaparecer a cidade inteira.”

A prefeitura de Igaratá também fez melhorias na pista de terra que dá acesso às ruínas, para facilitar a visitação. “Uma pena não ter dinheiro para fazer a preservação das peças encontradas. Muita coisa as pessoas já levaram embora”, diz o secretário de Obras de Igaratá, Emerson Rodrigues, de 35 anos.

Enchentes

Na época da remoção promovida pela Cesp, a maior parte dos moradores concordava com a mudança. “Era muita enchente. No período das chuvas todo mundo tinha de sair de casa. Só os mais antigos não queriam mudar”, recorda José Rodrigues, de 72 anos.

Na nova Igaratá, a emoção pelo ressurgimento da antiga igreja parece ter anestesiado a preocupação com a seca. Mesmo entre os mais jovens a curiosidade é grande. Muitos querem descobrir onde ficava a casa da avó, da tia que morreu, do prefeito.

Telhas dos anos 1940, escadarias, tanques de lavar roupa e restos das cadeiras da praça podem ser observados sobre o solo seco. No meio da represa estão estacas das casas demolidas na época da inundação.

“Toda semana aparece uma coisa nova. Muito velhinho vem aqui e se emociona, chora mesmo”, conta Fabio Saltonato, de 28 anos. “Quero achar a casa que era do meu pai. Pelo que vi nas fotos, se baixar mais 2 metros ela vai aparecer. Quem sabe depois do carnaval.”

Mas a seca derrubou o turismo, principal atividade econômica de Igaratá. Na beira da represa, dezenas de chácaras e sítios de veraneio estão à venda. Pontos que funcionavam como marinas estão vazios. “Com essa transposição de água da represa, a cidade vai ‘morrer’ economicamente. Esse é nosso medo”, diz o secretário de Obras.

Polícia Militar tem 25 policiais infiltrados em torcidas organizadas de SP (UOL)

Vinícius Segalla

Do UOL, em São Paulo 31/01/201506h04 

O 2º Batalhão de Choque da PM de São Paulo

Policiais do 2º Batalhão de Choque da PM-SP marcham durante treinamento diário em seu quartel, na região central de São Paulo Thais Haliski/UOL

O Segundo Batalhão de Choque da Polícia Militar em São Paulo mantém 25 policiais infiltrados nas torcidas organizadas dos principais clubes de futebol do Estado de São Paulo. Eles assistem no estádio às principais partidas dos clubes a que são designados, ficando no mesmo local e usando as camisas de torcidas organizadas como Gaviões da Fiel (Corinthians), Mancha Alviverde (Palmeiras), Independente (São Paulo) e Força e Sangue Jovem (Santos).A ação é executada pelo núcleo de inteligência do 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo, responsável pelo policiamento e controle de distúrbios de eventos esportivos realizados no Estado.

De acordo com o capitão Marçal Ricardo Razuk, comandante da 1ª Companhia do 2º Batalhão, o trabalho dos agentes infiltrados – que não se identificam como policiais, e interagem e criam relações com os reais torcedores organizados – não visa identificar criminosos ou práticas ilícitas, mas sim compreender as dinâmicas que interferem nas ações desses grupos, conforme ele mesmo exemplifica:

“Este trabalho nos ajuda a entender que, atualmente, os maiores conflitos e possíveis focos de violência estão em rivalidades que surgiram e vêm crescendo entre torcidas organizadas de um mesmo clube, ou ainda entre grupos rivais dentro de uma mesma torcida organizada”.

Para Razuk, que há 16 anos (desde sua formatura como oficial da PM) atua no policiamento em estádios, o confronto entre torcidas de clubes rivais vem sendo combatido paulatinamente pela polícia desde 1995, quando uma batalha campal no gramado do Pacaembu entre torcedores armados de pedras e paus de Palmeiras e São Paulo (após uma final de um campeonato de juniores) levou à morte de um torcedor são paulino de 16 anos.

De lá para cá, afirma o capitão, o esforço da PM em separar rigidamente a entrada dos torcedores rivais nos campos de jogos, e o reforço do policiamento nas dependências internas dos estádios foi, ao longo do tempo, reduzindo a violência no interior das praças esportivas.

Em um segundo momento, coibiu-se os combates entre torcedores nas áreas próximas ou distantes dos estádios, como estações de metrô ou proximidades de sedes de torcidas organizadas. Isso se fez através de táticas como escolta de torcidas com policiais, viaturas e motocicletas, e criação de rotas de acesso específicas e monitoradas para cada torcida.

Assim, o foco de distúrbio que a Polícia Militar enxerga agora são as rivalidades internas das torcidas de cada clube. “No Corinthians, tem conflito entre Gaviões da Fiel, Camisa 12 e Estopim da Fiel. A Falange Tricolor tem rivalidade com a Independente, as duas do São Paulo. A rixa entre Mancha (Alvi) Verde e TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras) é conhecida há anos, como também entre Sangue Jovem e Torcida Jovem do Santos”, enumera o comandante do Choque.

Isso não quer dizer que não exista mais violência entre torcedores de times rivais. No último dia 23, corintianos e são-paulinos brigaram entre si e com a PM após um jogo da Taça São Paulo de Futebol Júnior realizado em Limeira, a 143 quilômetros da capital.

A polícia planejara manter os são-paulinos no estádio por mais 30 minutos após o termino da partida, mas depois da vitória alvinegra por 3 a 0, o plano foi alterado, e os torcedores dos dois clubes se encontraram nas ruas de Limeira logo depois do jogo. Houve confronto, e a polícia interviu com balas de borracha e bombas de gás e de efeito moral. “O que houve ali foi mais um problema político. O policiamento não foi feito pelos batalhões de choque, entenderam que não havia necessidade de nos deslocar até lá, e a operação executada não foi a que costuma ser padrão”, afirma o capitão Razuk.
Passagem de poder

Outro foco de discórdia e violência nas torcidas organizadas detectado pela PM se dá entre grupos rivais pertencentes a uma mesma torcida. Ocorre nos momentos em que pessoas que lideram e gozam de prestígio em uma organizada vão ficando mais velhos e tendo sua liderança e linha de conduta substituídas por grupos mais jovens.

“A torcidas são diferentes. Há torcidas que têm lideranças nítidas. Como há também torcidas em que um presidente ou diretor só tem a figura de líder, sem mandar em ninguém. Existe, também, o pessoal da velha guarda, que não são mais os líderes constituídos, mas que possuem uma grande liderança natural, às vezes positiva e às vezes negativa, em cima dos demais torcedores”, explica o oficial da PM.

De fenômenos como esses, surgem situações como a que existe atualmente na Gaviões da Fiel, a maior torcida organizada do Estado. “Lá (na Gaviões), houve o surgimento de uma facção, a Gaviões da Rua São Jorge”, conta Razuk. Dividida, a torcida vive uma situação de disputa entre grupos rivais, que, não raro, leva a situações de violência.

TREINAMENTO E AÇÃO DO 2º BATALHÃO DE CHOQUE DA PM DE SÃO PAULO

A fim de evitar que atos violentos ocorram, os policiais infiltrados da inteligência do 2º Batalhão de Choque buscam detectar os humores, planos e ações desses grupos no âmbito de suas rixas, munindo a PM de informações que permitam que ela haja preventivamente.

Ainda que enxergue conexão direta entre a conjuntura de violência nos estádios paulistas com as torcidas organizadas, o capitão do Choque não é favorável à extinção das torcidas ou à proibição de seus membros frequentarem os estádios vestindo seus uniformes. Ele recorda uma partida emblemática para sustentar sua posição.

“Em 2006, após um jogo entre Corinthians e River Plate (Argentina) no Pacaembu, em que o Corinthians foi eliminado da Copa Libertadores, os torcedores tentaram invadir o gramado, e a PM evitou uma tragédia. Depois disso, durante cerca de quatro meses, os torcedores foram proibidos de entrar com camisas de torcidas nos estádios.

Sabe o que aconteceu? Os torcedores entravam nos jogos sem as camisas, mas se portavam da mesma maneira. Ficavam concentrados nos mesmo locais e cantavam as mesmas músicas, só que com uma coisa diferente: aumentaram as provocações deles à polícia, eles passaram a achar que tinham ‘perdido a briga com a PM’, e queriam ir à forra”.

Depois disso, os gaviões começaram a entrar nos estádios com faixas escondidas, que traziam o nome da torcida. “Pela determinação legal da época, nós deveríamos apreender aquelas faixas, que estavam proibidas. Mas não fizemos isso, porque só aumentaria o clima de rivalidade. A verdade é que o futebol paulista perdeu muito com aquele episódio, por isso não acredito em extinção ou proibição de torcidas”, argumenta o oficial.

Já em relação aos mastros de bandeira, que todos os anos, em início de temporada (o Campeonato Paulista começa neste sábado (31)), voltam ao centro dos debates trazidos por aqueles que defendem sua volta aos estádios, o capitão do Choque é taxativo: “Defendemos e defenderemos, legalmente, se preciso, que os mastros de bandeira não voltem às arquibancadas. E também não permitimos quaisquer objetos que possam ser utilizados para ferir uma pessoa, porque sabemos que eles foram e serão utilizados para isso caso sejam permitidos”.

A lista de itens proibidos nas arquibancadas paulistas foi acrescida neste mês pelo chamado “pau de selfie”, um bastão metálico utilizado por pessoas para fotografarem a si mesmas com maior distância entre si e o telefone celular com câmera. “Em um estádio de futebol, nas mãos de um torcedor mal intencionado, pode virar uma arma. Então, não entra.”

The Paradox of the Proof (Project Wordsworth)

By Caroline Chen

MAY 9, 2013


On August 31, 2012, Japanese mathematician Shinichi Mochizuki posted four papers on the Internet.

The titles were inscrutable. The volume was daunting: 512 pages in total. The claim was audacious: he said he had proved the ABC Conjecture, a famed, beguilingly simple number theory problem that had stumped mathematicians for decades.

Then Mochizuki walked away. He did not send his work to the Annals of Mathematics. Nor did he leave a message on any of the online forums frequented by mathematicians around the world. He just posted the papers, and waited.

Two days later, Jordan Ellenberg, a math professor at the University of Wisconsin-Madison, received an email alert from Google Scholar, a service which scans the Internet looking for articles on topics he has specified. On September 2, Google Scholar sent him Mochizuki’s papers: You might be interested in this.

“I was like, ‘Yes, Google, I am kind of interested in that!’” Ellenberg recalls. “I posted it on Facebook and on my blog, saying, ‘By the way, it seems like Mochizuki solved the ABC Conjecture.’”

The Internet exploded. Within days, even the mainstream media had picked up on the story. “World’s Most Complex Mathematical Theory Cracked,” announced the Telegraph. “Possible Breakthrough in ABC Conjecture,” reported the New York Times, more demurely.

On MathOverflow, an online math forum, mathematicians around the world began to debate and discuss Mochizuki’s claim. The question which quickly bubbled to the top of the forum, encouraged by the community’s “upvotes,” was simple: “Can someone briefly explain the philosophy behind his work and comment on why it might be expected to shed light on questions like the ABC conjecture?” asked Andy Putman, assistant professor at Rice University. Or, in plainer words: I don’t get it. Does anyone?

The problem, as many mathematicians were discovering when they flocked to Mochizuki’s website, was that the proof was impossible to read. The first paper, entitled “Inter-universal Teichmuller Theory I: Construction of Hodge Theaters,” starts out by stating that the goal is “to establish an arithmetic version of Teichmuller theory for number fields equipped with an elliptic curve…by applying the theory of semi-graphs of anabelioids, Frobenioids, the etale theta function, and log-shells.”

This is not just gibberish to the average layman. It was gibberish to the math community as well.

“Looking at it, you feel a bit like you might be reading a paper from the future, or from outer space,” wrote Ellenberg on his blog.

“It’s very, very weird,” says Columbia University professor Johan de Jong, who works in a related field of mathematics.

Mochizuki had created so many new mathematical tools and brought together so many disparate strands of mathematics that his paper was populated with vocabulary that nobody could understand. It was totally novel, and totally mystifying.

As Tufts professor Moon Duchin put it: “He’s really created his own world.”

It was going to take a while before anyone would be able to understand Mochizuki’s work, let alone judge whether or not his proof was right. In the ensuing months, the papers weighed like a rock in the math community. A handful of people approached it and began examining it. Others tried, then gave up. Some ignored it entirely, preferring to observe from a distance. As for the man himself, the man who had claimed to solve one of mathematics’ biggest problems, there was not a sound.

For centuries, mathematicians have strived towards a single goal: to understand how the universe works, and describe it. To this objective, math itself is only a tool — it is the language that mathematicians have invented to help them describe the known and query the unknown.

This history of mathematical inquiry is marked by milestones that come in the form of theorems and conjectures. Simply put, a theorem is an observation known to be true. The Pythagorean theorem, for example, makes the observation that for all right-angled triangles, the relationship between the lengths of the three sides, ab and is expressed in the equation a2+ b2= c2. Conjectures are predecessors to a theorem — they are proposals for theorems, observations that mathematicians believe to be true, but are yet to be confirmed. When a conjecture is proved, it becomes a theorem and when that happens, mathematicians rejoice, and add the new theorem to their tally of the understood universe.

“The point is not to prove the theorem,” explains Ellenberg. “The point is to understand how the universe works and what the hell is going on.”

Ellenberg is doing the dishes while talking to me over the phone, and I can hear the sound of a small infant somewhere in the background. Ellenberg is passionate about explaining mathematics to the world. He writes a math column for Slate magazine and is working on a book called How Not To Be Wrong, which is supposed to help laypeople apply math to their lives.

The sounds of the dishes pause as Ellenberg explains what motivates him and his fellow mathematicians. I imagine him gesturing in the air with soapy hands: “There’s a feeling that there’s a vast dark area of ignorance, but all of us are pushing together, taking steps together to pick at the boundaries.”

The ABC Conjecture probes deep into the darkness, reaching at the foundations of math itself. First proposed by mathematicians David Masser and Joseph Oesterle in the 1980s, it makes an observation about a fundamental relationship between addition and multiplication. Yet despite its deep implications, the ABC Conjecture is famous because, on the surface, it seems rather simple.

It starts with an easy equation: a + b = c.

The variables ab, and c, which give the conjecture its name, have some restrictions. They need to be whole numbers, and and cannot share any common factors, that is, they cannot be divisible by the same prime number. So, for example, if was 64, which equals 26, then could not be any number that is a multiple of two. In this case, could be 81, which is 34. Now and do not share any factors, and we get the equation 64 + 81 = 145.

It isn’t hard to come up with combinations of and that satisfy the conditions. You could come up with huge numbers, such as 3,072 + 390,625 = 393,697 (3,072 = 210 x 3 and 390,625 = 58, no overlapping factors there), or very small numbers, such as 3 + 125 = 128 (125 = 5 x 5 x5).

What the ABC conjecture then says is that the properties of a and affect the properties of c. To understand the observation, it first helps to rewrite these equations a + b = c into versions made up of the prime factors:

Our first equation, 64 + 81 = 145, is equivalent to 26+ 34= 5 x 29.

Our second example, 3,072 + 390,625 = 393,697 is equivalent to  210 x 3 + 58 = 393,697 (which happens to be prime!)

Our last example, 3 + 125 = 128, is equivalent to 3 + 53= 27

The first two equations are not like the third, because in the first two equations, you have lots of prime factors on the left hand side of the equation, and very few on the right hand side. The third example is the opposite — there are more primes on the right hand side (seven) of the equation than on the left (only four). As it turns out, in all the possible combinations of a, b, and c, situation three is pretty rare. The ABC Conjecture essentially says that when there are lots of prime factors on the left hand of the equation then, usually, there will be not very many on the right side of the equation.

Of course, “lots of,” “not very many,” and “usually” are very vague words, and in a formal version of the ABC Conjecture, all these terms are spelled out in more precise math-speak. But even in this watered-down version, one can begin to appreciate the conjecture’s implications. The equation is based on addition, but the conjecture’s observation is more about multiplication.

“It really is about something very, very basic, about a tight constraint that relates multiplicative and additive properties of numbers,” says Minhyong Kim, professor at Oxford University. “If there’s something new to discover about that, you might expect it to be very influential.”

This is not intuitive. While mathematicians came up with addition and multiplication in the first place, based on their current knowledge of mathematics, there is no reason for them to presume that the additive properties of numbers would somehow influence or affect their multiplicative properties.

“There’s very little evidence for it,” says Peter Sarnak, professor at Princeton University, who is a self-described skeptic of the ABC conjecture. “I’ll only believe it when it’s proved.”

But if it were true? Mathematicians say that it would reveal a deep relationship between addition and multiplication that they never knew of before.

Even Sarnak, the skeptic, acknowledges this.

“If it’s true, then it will be the most powerful thing we have,” he says.

It would be so powerful, in fact, that it would automatically unlock many legendary math puzzles. One of these would be Fermat’s last theorem, an infamous math problem that was proposed in 1637, and solved only recently by Andrew Wiles in 1993. Wiles’ proof earned him more than 100,000 Deutsche marks in prize money (equivalent to about $50,000 in 1997), a reward that was offered almost a century before, in 1908. Wiles did not solve Fermat’s Last Theorem via the ABC conjecture — he took a different route — but if the ABC conjecture were to be true, then the proof for Fermat’s Last Theorem would be an easy consequence.

Because of its simplicity, the ABC Conjecture is well-known by all mathematicians. CUNY professor Lucien Szpiro says that “every professional has tried at least one night” to theorize about a proof. Yet few people have seriously attempted to crack it. Szpiro, whose eponymous conjecture is a precursor of the ABC Conjecture, presented a proof in 2007, but it was soon found to be problematic. Since then, nobody has dared to touch it, not until Mochizuki.

When Mochizuki posted his papers, the math community had much reason to be enthusiastic. They were excited not just because someone had claimed to prove an important conjecture, but because of who that someone was.

Mochizuki was known to be brilliant. Born in Tokyo, he moved to New York with his parents, Kiichi and Anne Mochizuki, when he was 5 years old. He left home for high school, attending Philips Exeter Academy, a selective prep school in New Hampshire. There, he whipped through his academics with lightning speed, graduating after two years, at age 16, with advanced placements in mathematics, physics, American and European history, and Latin.

Then Mochizuki enrolled at Princeton University where, again, he finished ahead of his peers, earning his bachelor’s degree in mathematics in three years and moving quickly onto his Ph.D, which he received at age 23. After lecturing at Harvard University for two years, he returned to Japan, joining the Research Institute for Mathematical Sciences at Kyoto University. In 2002, he became a full professor at the unusually young age of 33. His early papers were widely acknowledged to be very good work.

Academic prowess is not the only characteristic that set Mochizuki apart from his peers. His friend, Oxford professor Minhyong Kim, says that Mochizuki’s most outstanding characteristic is his intense focus on work.

“Even among many mathematicians I’ve known, he seems to have an extremely high tolerance for just sitting and doing mathematics for long, long hours,” says Kim.

Mochizuki and Kim met in the early 1990s, when Mochizuki was still an undergraduate student at Princeton. Kim, on exchange from Yale University, recalls Mochizuki making his way through the works of French mathematician Alexander Grothedieck, whose books on algebraic and arithmetic geometry are a must-read for any mathematician in the field.

“Most of us gradually come to understand [Grothendieck’s works] over many years, after dipping into it here and there,” said Kim. “It adds up to thousands and thousands of pages.”

But not Mochizuki.

“Mochizuki…just read them from beginning to end sitting at his desk,” recalls Kim. “He started this process when he was still an undergraduate, and within a few years, he was just completely done.”

A few years after returning to Japan, Mochizuki turned his focus to the ABC Conjecture. Over the years, word got around that he believed to have cracked the puzzle, and Mochizuki himself said that he expected results by 2012. So when the papers appeared, the math community was waiting, and eager. But then the enthusiasm stalled.

“His other papers – they’re readable, I can understand them and they’re fantastic,” says de Jong, who works in a similar field. Pacing in his office at Columbia University, de Jong shook his head as he recalled his first impression of the new papers. They were different. They were unreadable. After working in isolation for more than a decade, Mochizuki had built up a structure of mathematical language that only he could understand. To even begin to parse the four papers posted in August 2012, one would have to read through hundreds, maybe even thousands, of pages of previous work, none which had been vetted or peer-reviewed. It would take at least a year to read and understand everything. De Jong, who was about to go on sabbatical, briefly considered spending his year on Mochizuki’s papers, but when he saw height of the mountain, he quailed.

“I decided, I can’t possibly work on this. It would drive me nuts,” he said.

Soon, frustration turned into anger. Few professors were willing to directly critique a fellow mathematician, but almost every person I interviewed was quick to point out that Mochizuki was not following community standards. Usually, they said, mathematicians discuss their findings with their colleagues. Normally, they publish pre-prints to widely respected online forums. Then they submit their papers to the Annals of Mathematics, where papers are refereed by eminent mathematicians before publication. Mochizuki was bucking the trend. He was, according to his peers, “unorthodox.”

But what roused their ire most was Mochizuki’s refusal to lecture. Usually, after publication, a mathematician lectures on his papers, travelling to various universities to explain his work and answer questions from his colleagues. Mochizuki has turned down multiple invitations.

“A very prominent research university has asked him, ‘Come explain your result,’ and he said, ‘I couldn’t possibly do that in one talk,’” says Cathy O’Neil, de Jong’s wife, a former math professor better known as the blogger “Mathbabe.”

“And so they said, ‘Well then, stay for a week,’ and he’s like, ‘I couldn’t do it in a week.’

“So they said, ‘Stay for a month. Stay as long as you want,’ and he still said no.

“The guy does not want to do it.”

Kim sympathizes with his frustrated colleagues, but suggests a different reason for the rancor. “It really is painful to read other people’s work,” he says. “That’s all it is… All of us are just too lazy to read them.”

Kim is also quick to defend his friend. He says Mochizuki’s reticence is due to being a “slightly shy character” as well as his assiduous work ethic. “He’s a very hard working guy and he just doesn’t want to spend time on airplanes and hotels and so on.”

O’Neil, however, holds Mochizuki accountable, saying that his refusal to cooperate places an unfair burden on his colleagues.

“You don’t get to say you’ve proved something if you haven’t explained it,” she says. “A proof is a social construct. If the community doesn’t understand it, you haven’t done your job.”

Today, the math community faces a conundrum: the proof to a very important conjecture hangs in the air, yet nobody will touch it. For a brief moment in October, heads turned when Yale graduate student Vesselin Dimitrov pointed out a potential contradiction in the proof, but Mochizuki quickly responded, saying he had accounted for the problem. Dimitrov retreated, and the flicker of activity subsided.

As the months pass, the silence has also begun to call into question a basic premise of mathematical academia. Duchin explains the mainstream view this way: “Proofs are right or wrong. The community passes verdict.”

This foundational stone is one that mathematicians are proud of. The community works together; they are not cut-throat or competitive. Colleagues check each other’s work, spending hours upon hours verifying that a peer got it right. This behavior is not just altruistic, but also necessary: unlike in medical science, where you know you’re right if the patient is cured, or in engineering, where the rocket either launches or it doesn’t, theoretical math, better known as “pure” math, has no physical, visible standard. It is entirely based on logic. To know you’re right means you need someone else, preferably many other people, to walk in your footsteps and confirm that every step was made on solid ground. A proof in a vacuum is no proof at all.

Even an incorrect proof is better than no proof, because if the ideas are novel, they may still be useful for other problems, or inspire another mathematician to figure out the right answer. So the most pressing question isn’t whether or not Mochizuki is right — the more important question is, will the math community fulfill their promise, step up to the plate and read the papers?

The prospects seem thin. Szpiro is among the few who have made attempts to understand short segments of the paper. He holds a weekly workshop with his post-doctoral students at CUNY to discuss the paper, but he says they are limited to “local” analysis and do not understand the big picture yet. The only other known candidate is Go Yamashita, a colleague of Mochizuki at Kyoto University. According to Kim, Mochizuki is holding a private seminar with Yamashita, and Kim hopes that Yamashita will then go on to share and explain the work. If Yamashita does not pull through, it is unclear who else might be up to the task.

For now, all the math community can do is wait. While they wait, they tell stories, and recall great moments in math — the year Wiles cracked Fermat’s Last Theorem; how Perelman proved the Poincaré Conjecture. Columbia professor Dorian Goldfeld tells the story of Kurt Heegner, a high school teacher in Berlin, who solved a classic problem proposed by Gauss. “Nobody believed it. All the famous mathematicians pooh-poohed it and said it was wrong.” Heegner’s paper gathered dust for more than a decade until finally, four years after his death, mathematicians realized that Heegner had been right all along. Kim recalls Yoichi Miyaoka’s proposed proof of Fermat’s Last Theorem in 1988, which garnered a lot of media attention before serious flaws were discovered. “He became very embarrassed,” says Kim.

As they tell these stories, Mochizuki and his proofs hang in the air. All these stories are possible outcomes. The only question is – which?

Kim is one of the few people who remains optimistic about the future of this proof. He is planning a conference at Oxford University this November, and hopes to invite Yamashita to come and share what he has learned from Mochizuki. Perhaps more will be made clear, then.

As for Mochizuki, who has refused all media requests, who seems so reluctant to promote even his own work, one has to wonder if he is even aware of the storm he has created.

On his website, one of the only photos of Mochizuki available on the Internet shows a middle-aged man with old-fashioned 90’s style glasses, staring up and out, somewhere over our heads. A self-given title runs over his head. It is not “mathematician” but, rather, “Inter-universal Geometer.”

What does it mean? His website offers no clues. There are his papers, thousands of pages long, reams upon reams of dense mathematics. His resume is spare and formal. He reports his marital status as “Single (never married).” And then there is a page called Thoughts of Shinichi Mochizuki, which has only 17 entries. “I would like to report on my recent progress,” he writes, February 2009. “Let me report on my progress,” October 2009. “Let me report on my progress,” April 2010, June 2011, January 2012. Then follows math-speak. It is hard to tell if he is excited, daunted, frustrated, or enthralled.

Mochizuki has reported all this progress for years, but where is he going? This “inter-universal geometer,” this possible genius, may have found the key that would redefine number theory as we know it. He has, perhaps, charted a new path into the dark unknown of mathematics. But for now, his footsteps are untraceable. Wherever he is going, he seems to be travelling alone.

When aid brings conflict, not relief (Science Daily)

[If economists and agronomists read sociological and anthropological assessments of development programs, this would not be a novelty to them]

Date: January 28, 2015

Source: University of Illinois College of Agricultural, Consumer and Environmental Sciences (ACES)

Summary: Although you might expect that providing aid to impoverished villages in the Philippines could only bring them relief, a study found that the villages that qualified for some forms of aid actually saw an increase in violent conflict.


Although you might expect that providing aid to impoverished villages in the Philippines could only bring them relief, a University of Illinois study found that the villages that qualified for some forms of aid actually saw an increase in violent conflict.

“Interestingly, those municipalities that were eligible to receive aid but didn’t accept it saw the largest increase in violence,” said U of I economist Ben Crost. “During what’s called the social preparation phase, it becomes known that the village is eligible for aid. Insurgent forces from the communist New People’s Army or a Muslim separatist group attack and then the village drops out of the program because they are intimidated. That’s why the places that didn’t participate saw the most violence.”

Between 2003 and 2008, more than 4,000 villages received aid through a flagship community-driven development program in the Philippines. The program used an arbitrary threshold of 25 percent to determine the poverty level at which communities qualified to receive aid.

“Only the 25 percent of the poorest municipalities qualified to receive aid,” Crost explained. “Those above the threshold are barely too rich to get it, and the others are just poor enough to get it. That means that these places should be comparable in all respects with the one exception that these slightly poorer places were much more likely to receive aid than the slightly richer places. So they were almost the same in poverty levels and in background levels of violence.” The same, until they became eligible for aid, that is.

“The way they targeted it with this arbitrary 25 percent cutoff allowed us to compare places that were just below the cutoff to places that were just above it,” Crost said.

Aid data from the World Bank were analyzed with data on conflict in the Philippines that was provided by his co-author from Stanford University, Joe Felter.

Ironically, projects anticipated to be most appreciated by the people receiving them may place them at a higher risk of being attacked. “We think that one mechanism that explains our results is that the insurgents actually tried to derail the project,” Crost said. “They didn’t want it to succeed. The insurgents had an incentive to strike and try to sabotage the program before it ever took off because its success would weaken their support in the population. We know that some of the municipalities actually dropped out of the program for this reason — because they were worried about insurgent attacks.”

Crost’s recent research is looking for ways to provide aid to those who need it that doesn’t also make them visible targets that are easy to attack. He said that because of the very public participation component in the community-driven development program, it was easier to derail.

“The aid in this case was given for improvements in infrastructure,” Crost said. “We need to find a more hidden way to give aid. One program we’re looking at now is conditional cash transfers, in which poor families get money if they do things like send their kids to school or have them vaccinated. These programs are popular in many developing countries. We have found some suggestive evidence that this kind of aid led to a decrease in violence — or at least we don’t find any evidence that it leads to an increase like we saw in this study.”

Crost said that, unfortunately, most of the evidence that has come out since this paper was published points in the same direction. “There’s evidence on U.S. food aid and on the national rural employment guarantee scheme in India, which is a huge anti-poverty program. Both of these studies found the same effect — that conflict increases in the places that get aid.”

“Aid Under Fire: Development Projects and Civil Conflict” was published in a recent issue of American Economic Review and written by Benjamin Crost, Joseph Felter, and Patrick Johnston.


Journal Reference:

  1. Benjamin Crost, Joseph Felter, Patrick Johnston. Aid Under Fire: Development Projects and Civil Conflict†American Economic Review, 2014; 104 (6): 1833 DOI: 10.1257/aer.104.6.1833

Permission to Care: From Anxiety to Action on Climate Change (Desmog Canada)

Mon, 2015-01-26 12:59

RENEE LERTZMAN

Over the past few years, I’ve been fortunate to participate in discussions about climate change threats and environmental issues with people across private, public, governmental, and research sectors. Whether at an island retreat in Puget Sound, a corporate conference at a resort or in the halls of our esteemed universities, the same questions get asked: How can we get people to care more? How do we motivate people? What’s it going to take?

What if these are the wrong questions to be asking?

Let’s consider this question by first reconsidering the context.

Environmental issues can generate huge anxieties that make them hard for many people to contemplate. Climate change in particular taps into all sorts of cognitive dissonances and feelings of guilt, leaving many people feeling overwhelmed about their role in the problem and solution. This anxiety is often managed through an array of brilliant (usually unconscious) strategies, often both privately and socially, that help us avoid pain, discomfort and conflicts.

Assuming we can agree on these things, the questions we should be asking are: How can our well-established insights into loss and cognitive dissonance guide new approaches to reaching people? How can our understanding of the way anxiety impacts our psyche and conduct inform the way we engage, message and campaign for a more sustainable future?

Psychology and sustainability may seem like strange bedfellows but more than 100 years of psychoanalytic research reveals a lot about how people use unconscious processes to manage anxiety. If I am feeling rather down about the prognosis of our planet, I like to ask myself: “What would a good therapist do?” Does a therapist berate the patient for being scared, reticent or a bit stuck? Does a therapist offer cash incentives for changing behaviors? (I hope not.) One of the first things a (good) therapist does is create what’s called a sense of safety and containment. They can do this by acknowledging their patient’s conflict, suffering and struggle, by helping the patient feel “seen”. Then – and only then – do they form an alliance with the patient to work together in a collaborative, participatory way towards change.

How this translates into engaging people more widely and creatively can be surprising. For starters, acknowledging that people use unconscious strategies for managing anxiety changes the ways we consider (and research) how people think and feel about our world. Analysis needs to go beneath the surface to explore where people feel stuck in conflict and anxious. Second, a psychoanalytic paradigm asks not whether people care or not but focuses onwhere care may exist but may not have permission to be expressed.

This approach can infuse our engagement work, whether in research or strategy, with a mood of curiosity as opposed to frustration and irritation at how wasteful, greedy and short-sighted societies can be. And this mood of curiosity and inquiry can lead us into some unexpected behavior change strategies – particularly through conversation.

The power of conversation may be the most profound insight we can gain from those on the frontlines of the therapeutic professions. Conversation changes people. As Rosemary Randall’s development of Carbon Conversations demonstrates, it’s very simple – if we want people to change, we have to listen to them. Humans are designed to learn, be changed and process information in the act of conversing. In this context, engagement can move beyond the creation of “Green Teams” and champions, into a far more dynamic evolution that creates contexts for creative participation. This means letting go of some control and being open to seeing what emerges when we invite people to contribute (a concept usefully offered by British psychoanalyst Donald Winnicott) and exercise their agency.

What all of this amounts to is a radical reframe, a shift from a focus on motivating, persuading, cajoling and gamifying to inviting, enabling, facilitating and supporting. This is about giving people permission to care. As deeply social beings, we need some permission, we need to feel safe. Now, more than any other time, we need to start practicing a new form of engagement that presumes there is more care than can be contained – it just needs some help being channeled.

This article originally appeared on Climate Access.

Image Credit: Mark Stevens via Flickr

Chemists Confirm the Existence of New Type of Bond (Scientific American)

A “vibrational” chemical bond predicted in the 1980s is demonstrated experimentally

Jan 20, 2015 By Amy Nordrum


Credit: Allevinatis/Flickr

Chemistry has many laws, one of which is that the rate of a reaction speeds up as temperature rises. So, in 1989, when chemists experimenting at a nuclear accelerator in Vancouver observed that a reaction between bromine and muonium—a hydrogen isotope—slowed down when they increased the temperature, they were flummoxed.

Donald Fleming, a University of British Columbia chemist involved with the experiment, thought that perhaps as bromine and muonium co-mingled, they formed an intermediate structure held together by a “vibrational” bond—a bond that other chemists had posed as a theoretical possibility earlier that decade. In this scenario, the lightweight muonium atom would move rapidly between two heavy bromine atoms, “like a Ping Pong ball bouncing between two bowling balls,” Fleming says. The oscillating atom would briefly hold the two bromine atoms together and reduce the overall energy, and therefore speed, of the reaction. (With a Fleming working on a bond, you could say the atomic interaction is shaken, not stirred.)

At the time of the experiment, the necessary equipment was not available to examine the milliseconds-long reaction closely enough to determine whether such vibrational bonding existed. Over the past 25 years, however, chemists’ ability to track subtle changes in energy levels within reactions has greatly improved, so Fleming and his colleagues ran their reaction again three years ago in the nuclear accelerator at Rutherford Appleton Laboratory in England. Based on calculations from both experiments and the work of collaborating theoretical chemists at Free University of Berlin and Saitama University in Japan, they concluded that muonium and bromine were indeed forming a new type of temporary bond. Its vibrational nature lowered the total energy of the intermediate bromine-muonium structure—thereby explaining why the reaction slowed even though the temperature was rising.

The team reported its results last December in Angewandte Chemie International Edition, a publication of the German Chemical Society. The work confirms that vibrational bonds—fleeting though they may be—should be added to the list of known chemical bonds. And although the bromine-muonium reaction was an “ideal” system to verify vibrational bonding, Fleming predicts the phenomenon also occurs in other reactions between heavy and light atoms.

This article was originally published with the title “New Vibrations.”

Computadores quânticos podem revolucionar teoria da informação (Fapesp)

30 de janeiro de 2015

Por Diego Freire

Agência FAPESP – A perspectiva dos computadores quânticos, com capacidade de processamento muito superior aos atuais, tem levado ao aprimoramento de uma das áreas mais versáteis da ciência, com aplicações nas mais diversas áreas do conhecimento: a teoria da informação. Para discutir essa e outras perspectivas, o Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imecc) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) realizou, de 19 a 30 de janeiro, a SPCoding School.

O evento ocorreu no âmbito do programa Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), da FAPESP, que oferece recursos para a organização de cursos de curta duração em temas avançados de ciência e tecnologia no Estado de São Paulo.

A base da informação processada pelos computadores largamente utilizados é o bit, a menor unidade de dados que pode ser armazenada ou transmitida. Já os computadores quânticos trabalham com qubits, que seguem os parâmetros da mecânica quântica, ramo da Física que trata das dimensões próximas ou abaixo da escala atômica. Por conta disso, esses equipamentos podem realizar simultaneamente uma quantidade muito maior de cálculos.

“Esse entendimento quântico da informação atribui toda uma complexidade à sua codificação. Mas, ao mesmo tempo em que análises complexas, que levariam décadas, séculos ou até milhares de anos para serem feitas em computadores comuns, poderiam ser executadas em minutos por computadores quânticos, também essa tecnologia ameaçaria o sigilo de informações que não foram devidamente protegidas contra esse tipo de novidade”, disse Sueli Irene Rodrigues Costa, professora do IMECC, à Agência FAPESP.

A maior ameaça dos computadores quânticos à criptografia atual está na sua capacidade de quebrar os códigos usados na proteção de informações importantes, como as de cartão de crédito. Para evitar esse tipo de risco é preciso desenvolver também sistemas criptográficos visando segurança, considerando a capacidade da computação quântica.

“A teoria da informação e a codificação precisam estar um passo à frente do uso comercial da computação quântica”, disse Rodrigues Costa, que coordena o Projeto Temático “Segurança e confiabilidade da informação: teoria e prática”, apoiado pela FAPESP.

“Trata-se de uma criptografia pós-quântica. Como já foi demonstrado no final dos anos 1990, os procedimentos criptográficos atuais não sobreviverão aos computadores quânticos por não serem tão seguros. E essa urgência pelo desenvolvimento de soluções preparadas para a capacidade da computação quântica também impulsiona a teoria da informação a avançar cada vez mais em diversas direções”, disse.

Algumas dessas soluções foram tratadas ao longo da programação da SPCoding School, muitas delas visando sistemas mais eficientes para a aplicação na computação clássica, como o uso de códigos corretores de erros e de reticulados para criptografia. Para Rodrigues Costa, a escalada da teoria da informação em paralelo ao desenvolvimento da computação quântica provocará revoluções em várias áreas do conhecimento.

“A exemplo das múltiplas aplicações da teoria da informação na atualidade, a codificação quântica também elevaria diversas áreas da ciência a novos patamares por possibilitar simulações computacionais ainda mais precisas do mundo físico, lidando com uma quantidade exponencialmente maior de variáveis em comparação aos computadores clássicos”, disse Rodrigues Costa.

A teoria da informação envolve a quantificação da informação e envolve áreas como matemática, engenharia elétrica e ciência da computação. Teve como pioneiro o norte-americano Claude Shannon (1916-2001), que foi o primeiro a considerar a comunicação como um problema matemático.

Revoluções em curso

Enquanto se prepara para os computadores quânticos, a teoria da informação promove grandes modificações na codificação e na transmissão de informações. Amin Shokrollahi, da École Polytechnique Fédérale de Lausanne, na Suíça, apresentou na SPCoding School novas técnicas de codificação para resolver problemas como ruídos na informação e consumo elevado de energia no processamento de dados, inclusive na comunicação chip a chip nos aparelhos.

Shokrollahi é conhecido na área por ter inventado os códigos Raptor e coinventado os códigos Tornado, utilizados em padrões de transmissão móveis de informação, com implementações em sistemas sem fio, satélites e no método de transmissão de sinais televisivos IPTV, que usa o protocolo de internet (IP, na sigla em inglês) para transmitir conteúdo.

“O crescimento do volume de dados digitais e a necessidade de uma comunicação cada vez mais rápida aumentam a susceptibilidade a vários tipos de ruído e o consumo de energia. É preciso buscar novas soluções nesse cenário”, disse.

Shokrollahi também apresentou inovações desenvolvidas na empresa suíça Kandou Bus, da qual é diretor de pesquisa. “Utilizamos algoritmos especiais para codificar os sinais, que são todos transferidos simultaneamente até que um decodificador recupere os sinais originais. Tudo isso é feito evitando que fios vizinhos interfiram entre si, gerando um nível de ruído significativamente menor. Os sistemas também reduzem o tamanho dos chips, aumentam a velocidade de transmissão e diminuem o consumo de energia”, explicou.

De acordo com Rodrigues Costa, soluções semelhantes também estão sendo desenvolvidas em diversas tecnologias largamente utilizadas pela sociedade.

“Os celulares, por exemplo, tiveram um grande aumento de capacidade de processamento e em versatilidade, mas uma das queixas mais frequentes entre os usuários é de que a bateria não dura. Uma das estratégias é descobrir meios de codificar de maneira mais eficiente para economizar energia”, disse.

Aplicações biológicas

Não são só problemas de natureza tecnológica que podem ser abordados ou solucionados por meio da teoria da informação. Professor na City University of New York, nos Estados Unidos, Vinay Vaishampayan coordenou na SPCoding School o painel “Information Theory, Coding Theory and the Real World”, que tratou de diversas aplicações dos códigos na sociedade – entre elas, as biológicas.

“Não existe apenas uma teoria da informação e suas abordagens, entre computacionais e probabilísticas, podem ser aplicadas a praticamente todas as áreas do conhecimento. Nós tratamos no painel das muitas possibilidades de pesquisa à disposição de quem tem interesse em estudar essas interfaces dos códigos com o mundo real”, disse à Agência FAPESP.

Vaishampayan destacou a Biologia como área de grande potencial nesse cenário. “A neurociência apresenta questionamentos importantes que podem ser respondidos com a ajuda da teoria da informação. Ainda não sabemos em profundidade como os neurônios se comunicam entre si, como o cérebro funciona em sua plenitude e as redes neurais são um campo de estudo muito rico também do ponto de vista matemático, assim como a Biologia Molecular”, disse.

Isso porque, de acordo com Max Costa, professor da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Unicamp e um dos palestrantes, os seres vivos também são feitos de informação.

“Somos codificados por meio do DNA das nossas células. Descobrir o segredo desse código, o mecanismo que há por trás dos mapeamentos que são feitos e registrados nesse contexto, é um problema de enorme interesse para a compreensão mais profunda do processo da vida”, disse.

Para Marcelo Firer, professor do Imecc e coordenador da SPCoding School, o evento proporcionou a estudantes e pesquisadores de diversos campos novas possibilidades de pesquisa.

“Os participantes compartilharam oportunidades de engajamento em torno dessas e muitas outras aplicações da Teoria da Informação e da Codificação. Foram oferecidos desde cursos introdutórios, destinados a estudantes com formação matemática consistente, mas não necessariamente familiarizados com codificação, a cursos de maior complexidade, além de palestras e painéis de discussão”, disse Firer, membro da coordenação da área de Ciência e Engenharia da Computação da FAPESP.

Participaram do evento cerca de 120 estudantes de 70 universidades e 25 países. Entre os palestrantes estrangeiros estiveram pesquisadores do California Institute of Technology (Caltech), da Maryland University e da Princeton University, nos Estados Unidos; da Chinese University of Hong Kong, na China; da Nanyang Technological University, em Cingapura; da Technische Universiteit Eindhoven, na Holanda; da Universidade do Porto, em Portugal; e da Tel Aviv University, em Israel.

Mais informações em www.ime.unicamp.br/spcodingschool.

From the Concorde to Sci-Fi Climate Solutions (Truthout)

Thursday, 29 January 2015 00:00 By Almuth Ernsting, Truthout

The interior of the Concorde aircraft at the Scotland Museum of Flight. (Photo: Magnus Hagdorn)

The interior of the Concorde aircraft at the Scotland Museum of Flight. (Photo: Magnus Hagdorn)

Touting “sci-fi climate solutions” – untested technologies not really scalable to the dimensions of our climate change crisis – dangerously delays the day when we actually reduce greenhouse gas emissions.

Last week, I took my son to Scotland’s Museum of Flight. Its proudest exhibit: a Concorde. To me, it looked stunningly futuristic. “How old,” remarked my son, looking at the confusing array of pre-digital controls in the cockpit. Watching the accompanying video – “Past Dreams of the Future” – it occurred to me that the story of the Concorde stands as a symbol for two of the biggest obstacles to addressing climate change.

The Concorde must rank among the most wasteful ways of guzzling fossil fuels ever invented. No other form of transport is as destructive to the climate as aviation – yet the Concorde burned almost five times as much fuel per person per mile as a standard aircraft. Moreover, by emitting pollutants straight into the lower stratosphere, the Concorde contributed to ozone depletion. At the time of the Concorde’s first test flight in 1969, little was known about climate change and the ozone hole had not yet been discovered. Yet by the time the Concorde was grounded – for purely economic reasons – in 2003, concerns about its impact on the ozone layer had been voiced for 32 years and the Intergovernmental Panel on Climate Change’s (IPCC) first report had been published for 13 years.

The Concorde’s history illustrates how the elites will stop at nothing when pursuing their interests or desires. No damage to the atmosphere and no level of noise-induced misery to those living under Concorde flight paths were treated as bad enough to warrant depriving the richest of a glamorous toy.

If this first “climate change lesson” from the Concorde seems depressing, the second will be even less comfortable for many.

Back in 1969, the UK’s technology minister marveled at Concorde’s promises: “It’ll change the shape of the world; it’ll shrink the globe by half . . . It replaces in one step the entire progress made in aviation since the Wright Brothers in 1903.”

Few would have believed at that time that, from 2003, no commercial flight would reach even half the speed that had been achieved back in the 1970s.

The Concorde remained as fast – yet as inefficient and uneconomical – as it had been from its commercial inauguration in 1976 – despite vast amounts of public and industry investment. The term “Concorde fallacy” entered British dictionaries: “The idea that you should continue to spend money on a project, product, etc. in order not to waste the money or effort you have already put into it, which may lead to bad decisions.”

The lessons for those who believe in overcoming climate change through technological progress are sobering: It’s not written in the stars that every technology dreamed up can be realized, nor that, with enough time and money, every technical problem will be overcome and that, over time, every new technology will become better, more efficient and more affordable.

Yet precisely such faith in technological progress informs mainstream responses to climate change, including the response by the IPCC. At a conference last autumn, I listened to a lead author of the IPCC’s latest assessment report. His presentation began with a depressing summary of the escalating climate crisis and the massive rise in energy use and carbon emissions, clearly correlated with economic growth. His conclusion was highly optimistic: Provided we make the right choices, technological progress offers a future with zero-carbon energy for all, with ever greater prosperity and no need for economic growth to end. This, he illustrated with some drawings of what we might expect by 2050: super-grids connecting abundant nuclear and renewable energy sources across continents, new forms of mass transport (perhaps modeled on Japan’s magnetic levitation trains), new forms of aircraft (curiously reminiscent of the Concorde) and completely sustainable cars (which looked like robots on wheels). The last and most obscure drawing in his presentation was unfinished, to remind us that future technological progress is beyond our capacity to imagine; the speaker suggested it might be a printer printing itself in a new era of self-replicating machines.

These may represent the fantasies of just one of many lead authors of the IPCC’s recent report. But the IPCC’s 2014 mitigation report itself relies on a large range of techno-fixes, many of which are a long way from being technically, let alone commercially, viable. Climate justice campaigners have condemned the IPCC’s support for “false solutions” to climate change. But the term “false solutions” does not distinguish between techno-fixes that are real and scalable, albeit harmful and counterproductive on the one hand, and those that remain in the realm of science fiction, or threaten to turn into another “Concorde fallacy,” i.e. to keep guzzling public funds with no credible prospect of ever becoming truly viable. Let’s call the latter “sci-fi solutions.”

The most prominent, though by no means only, sci-fi solution espoused by the IPCC is BECCS – bioenergy with carbon capture and storage. According to their recent report, the vast majority of “pathways” or models for keeping temperature rise below 2 degrees Celsius rely on “negative emissions.” Although the report included words of caution, pointing out that such technologies are “uncertain” and “associated with challenges and risks,” the conclusion is quite clear: Either carbon capture and storage, including BECCS, is introduced on a very large scale, or the chances of keeping global warming within 2 degrees Celsius are minimal. In the meantime, the IPCC’s chair, Rajendra Pachauri, and the co-chair of the panel’s Working Group on Climate Change Mitigation, Ottmar Edenhofer, publicly advocate BECCS without any notes of caution about uncertainties – referring to it as a proven way of reducing carbon dioxide levels and thus global warming. Not surprisingly therefore, BECCS has even entered the UN climate change negotiations. The recent text, agreed at the Lima climate conference in December 2014 (“Lima Call for Action”), introduces the terms “net zero emissions” and “negative emissions,” i.e. the idea that we can reliably suck large amounts of carbon (those already emitted from burning fossil fuels) out of the atmosphere. Although BECCS is not explicitly mentioned in the Lima Call for Action, the wording implies support for it because it is treated as the key “negative emissions” technology by the IPCC.

If BECCS were to be applied at a large scale in the future, then we would have every reason to be alarmed. According to a scientific review, attempting to capture 1 billion tons of carbon through BECCS (far less than many of the “pathways” considered by the IPCC presume) would require 218 to 990 million hectares of switchgrass plantations (or similar scale plantations of other feedstocks, including trees), 1.6 to 7.4 trillion cubic meters of water a year, and 75 percent more than all the nitrogen fertilizers used worldwide (which currently stands at 1 billion tons according to the “conservative” estimates in many studies). By comparison, just 30 million hectares of land worldwide have been converted to grow feedstock for liquid biofuels so far. Yet biofuels have already become the main cause of accelerated growth in demand for vegetable oils and cereals, triggering huge volatility and rises in the price of wood worldwide. And by pushing up palm oil prices, biofuels have driven faster deforestation across Southeast Asia and increasingly in Africa. As a result of the ethanol boom, more than 6 million hectares of US land has been planted with corn, causing prairies and wetlands to be plowed up. This destruction of ecosystems, coupled with the greenhouse gas intensive use of fertilizers, means that biofuels overall are almost certainly worse for the climate than the fossil fuels they are meant to replace. There are no reasons to believe that the impacts of BECCS would be any more benign. And they would be on a much larger scale.

Capturing carbon takes a lot of energy, hence CCS requires around one-third more fuel to be burned to generate the same amount of energy. And sequestering captured carbon is a highly uncertain business. So far, there have been three large-scale carbon sequestration experiments. The longest-standing of these, the Sleipner field carbon sequestration trial in the North Sea, has been cited as proof that carbon dioxide can be sequestered reliably under the seabed. Yet in 2013, unexpected scars and fractures were found in the reservoir and a lead researcher concluded: “We are saying it is very likely something will come out in the end.” Another one of the supposedly “successful,” if much shorter, trials also raised “interesting questions,” according to the researchers: Carbon dioxide migrated further upward in the reservoir than predicted, most likely because injecting the carbon dioxide caused fractures in the cap rock.

There are thus good reasons to be alarmed about the prospect of large-scale bioenergy with CCS. Yet BECCS isn’t for real.

While the IPCC and world leaders conclude that we really need to use carbon capture and storage, including biomass, here’s what is actually happening: The Norwegian government, once proud of being a global pioneer of CCS, has pulled the plug on the country’s first full-scale CCS project after a scathing report from a public auditor. The Swedish state-owned energy company Vattenfall has shut down its CCS demonstration plant in Germany, the only plant worldwide testing a particular and supposedly promising carbon capture technology. The government of Alberta has dropped its previously enthusiastic support for CCS because it no longer sees it as economically viable.

True, 2014 has seen the opening of the world’s largest CCS power station, after SaskPower retrofitted one unit of their Boundary Dam coal power station in Saskatchewan to capture carbon dioxide. But Boundary Dam hardly confirms the techno-optimist’s hopes. The 100-megawatt unit costs approximately $1.4 billion to build – more than twice the cost of a much larger (non-CCS) 400-megawatt gas power station built by SaskPower in 2009. It became viable thanks only to public subsidies and to a contract with the oil company Cenovus, which agreed to buy the carbon dioxide for the next decade in order to inject it into an oil well to facilitate extraction of more hard to reach oil – a process called enhanced oil recovery (EOR). The supposed “carbon dioxide savings” predictably ignore all of the carbon dioxide emissions from burning that oil. But even with such a nearby oil field suitable for EOR, SaskPower had to make the plant far smaller than originally planned so as to avoid capturing more carbon dioxide than they could sell.

If CCS with fossil fuels is reminiscent of the Concorde fallacy, large-scale BECCS is entirely in the realm of science fiction. The supposedly most “promising technology”has never been tested in a biomass power plant and that has so far proven uneconomical with coal. Add to that the fact that biomass power plants need more feedstock and are less efficient and more expensive to run than coal power plants, and a massive-scale BECCS program becomes even more implausible. And then add to that the question of scale: Sequestering 1 billion tons of carbon a year would produce a volume of highly pressurized liquid carbon dioxide larger than the global volume of oil extracted annually. It would require governments and/or companies stumping up the money to build an infrastructure larger than that of the entire global oil industry – without any proven benefit.

This doesn’t mean that we won’t see any little BECCS projects in niche circumstances. One of these already exists: ADM is capturing carbon dioxide from ethanol fermentation in one of its refineries for use in CCS research. Capturing carbon dioxide from ethanol fermentation is relatively simple and cheap. If there happens to be some half-depleted nearby oil field suitable for enhanced oil recovery, some ethanol “CCS” projects could pop up here and there. But this has little to do with a “billion ton negative emissions” vision.

BECCS thus appears as one, albeit a particularly prominent, example of baseless techno-optimism leading to dangerous policy choices. Dangerous, that is, because hype about sci-fi solutions becomes a cover for the failure to curb fossil fuel burning and ecosystem destruction today.

Antropologia renovada (Cult)

Jan. 2015

Eduardo Viveiros de Castro é reconhecido por ter renovado o pensamento antropológico


Juvenal Savian Filho e Wilker Sousa
Fotos: Lucas Zappa

“Viveiros de Castro é o fundador de uma nova escola na antropologia. Com ele me sinto em completa harmonia intelectual.” Essas palavras são do antropólogo e pensador francês Claude Lévi-Strauss (1908-2009) a respeito da obra do brasileiro Eduardo Viveiros de Castro. Professor de antropologia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele é reconhecido nacional e internacionalmente por seus estudos em etnologia indígena – o ensaio “Os Pronomes Cosmológicos e o Perspectivismo Ameríndio”, publicado em 1996, recebeu traduções para diversas línguas e foi incluído em duas antologias britânicas de textos-chave da disciplina, a primeira centrada na antropologia da religião, a outra dedicada à teoria antropológica geral. Em 2009, publicou na França o livro Métaphysiques Cannibales, no qual resume as implicações filosóficas e políticas de suas pesquisas entre os povos indígenas brasileiros. No Brasil, seu livro mais conhecido é A Inconstância da Alma Selvagem, publicado em 2002, que reúne estudos escritos ao longo de sua carreira até então. Uma segunda coleção, trazendo seus ensaios mais recentes, está em preparação, devendo ser publicada pela editora CosacNaify em 2012, sob o título A Onça e a Diferença.

Seu currículo inclui atividades intelectuais em âmbito mundial. Foi professor-associado nas universidades de Manchester e Chicago e ocupou a cátedra Simón Bolívar de Estudos Latino-americanos da Universidade de Cambridge. Foi diretor de pesquisas no Centro Nacional de Pesquisa Científica, em Paris, tornando-se membro permanente da Equipe de Pesquisa em Etnologia Ameríndia. Ainda na França, foi agraciado em 1998 com o Prix da La Francophonie, concedido pela Academia Francesa.

Aos 59 anos de idade, construiu uma obra potente e irretocável. Viveiros de Castro recebeu a reportagem da CULT em sua sala no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e falou sobre seu trabalho, a atual política indigenista, a crise ambiental e a inserção do Brasil na economia mundial.

CULT – Como se dá seu trabalho de campo e com que regularidade o senhor visita as comunidades indígenas?
Eduardo Viveiros de Castro –
 O principal de minhas pesquisas de campo com os povos indígenas da Amazônia fez-se entre os anos 1975 e 1988. Estive por breves períodos entre os Yawalapiti do Parque do Xingu, em Mato Grosso (hoje o estado deveria ser chamado de Mato Ralo), os Kulina do Rio Purus, no Acre, os ianomâmis da Serra de Surucucus, em Roraima, e finalmente entre os Araweté do Igarapé Ipixuna, no Médio Xingu, Pará. Apenas entre os Araweté realizei o que se pode chamar de uma pesquisa etnográfica, que requer uma convivência demorada com o povo estudado, o aprendizado da língua nativa (no meu caso, bem incipiente) e o envolvimento emocional e cognitivo – o compromisso existencial – com as questões e preocupações da vida da comunidade que generosamente aceitou receber o antropólogo. Minha estada com os Araweté não foi tão longa quanto deveria: morei no Ipixuna por cerca de dez meses, entre 1981 e 1983, quando precisei deixar a área por motivos de saúde (malárias repetidas). Depois voltei algumas vezes, em visitas curtas, perfazendo 14 meses até 1995. Isto é, na melhor das hipóteses, a metade do que se precisa para fazer um bom trabalho de campo. Mas cada um faz o que pode. Há quem aprenda mais depressa, outros precisam de mais tempo. Além disso, há povos que demandam muitos anos de convivência até que as coisas comecem a fazer sentido para o pesquisador, e outros que são mais abertos e mais diretos. Por fim, tudo depende daquilo que se quer estudar. De qualquer maneira, não me vejo como um grande pesquisador de campo. Sou um etnógrafo apenas razoável.

Há cerca de um mês, após 15 anos de ausência, voltei ao Ipixuna para uma rápida visita. A desculpa para uma ausência tão demorada, a rigor indesculpável, foi que a vida me levou para longe da Amazônia: ensino, família, períodos de residência no exterior, o lento trabalho da escrita, o peso da idade… Isso para não mencionar algumas dificuldades que acabei tendo com a autoridade indigenista local, em Altamira (PA), por causa das empresas evangélicas que queriam se instalar entre os Araweté. Aos olhos desses missionários, eu era uma espécie de Satã que estava ali entravando a almejada conquista espiritual dos índios. Assim que parei de ir com mais frequência ao Ipixuna, esses missionários conseguiram se insinuar nas aldeias, com a complacência da administração indigenista. O estrago que causaram, até agora, ainda não parece ter sido grande demais. O mérito, naturalmente, é dos próprios Araweté.

Retornei a convite dos Araweté – não foi o primeiro que me fizeram, nesses 15 anos – e da nova administração da Funai em Altamira, com quem tenho a firme intenção de colaborar, nessa fase histórica tão difícil que se abre agora para os povos indígenas do Médio Xingu, com a construção do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte. Está na hora também de passar o bastão e apresentar alguns de meus estudantes do Museu Nacional aos Araweté, para que possam continuar o trabalho.

O senhor concorda que, nas últimas duas ou três décadas, os “índios” têm aparecido mais no debate político e nos veículos de comunicação? Por que isso demorou tanto tempo?
Em seu livro Tristes Trópicos, Lévi-Strauss conta uma anedota reveladora. Era o começo dos anos 1930, ele estava de partida para o Brasil, onde ia ensinar sociologia na USP. Lévi-Strauss encontra o embaixador brasileiro na França, Luiz de Souza Dantas, em um jantar de cerimônia, e lhe pergunta sobre os índios brasileiros, que já então muito lhe interessavam. Ao perguntar ao embaixador como deveria proceder para visitar alguma comunidade indígena, este lhe respondeu: “Ah, meu senhor, no Brasil há muito tempo não há mais índios. Essa é uma história muito triste, mas o fato é que os índios foram exterminados pelos portugueses, pelos colonizadores, e hoje não há mais índios no Brasil. É um capítulo muito triste da história brasileira. Há muitas coisas apaixonantes a serem vistas no Brasil, mas índios, não há mais um só…” Lévi-
-Strauss conta que, naturalmente, quando chegou ao Brasil, descobriu que não era bem assim.

Isso não quer dizer que o embaixador (cuja aparência física, diz maliciosamente Lévi-Strauss, indicava uma óbvia contribuição indígena) estivesse mentindo deliberadamente, procurando negar uma realidade vergonhosa mas sabida. De fato, o embaixador não sabia que havia índios no Brasil; o Brasil que ele representava diplomaticamente não continha índios. O Brasil era um país desesperado para ser moderno, então não havia, porque não podia haver, mais selvagens aqui. Outro fato curioso: em 1970 (portanto, 40 anos depois do diálogo de Lévi-Strauss com o embaixador), o censo indígena da Funai indicava, para o estado do Acre, a notável população de “zero indivíduo”. Oficialmente, não havia mais índios no Acre. Aí começam a abrir as estradas por lá, a derrubar a mata, a botar boi, e eis que começam a aparecer índios a atravancar a expansão dos pastos e a destruição da floresta. (Junto com índios, como se sabe, começaram também a aparecer os seringueiros, que se imaginava como mais outra “raça” em extinção. E bem que se tentou extingui-los naquela época – lembrem-se de Chico Mendes.) Ora, índios sempre houve lá no Acre, todo mundo no Acre sabia que eles estavam lá, mas eles não existiam em Brasília, ou melhor, para Brasília. Agora sabe-se e aceita-se que o estado do Acre abriga, atualmente, 14 povos indígenas, alguns de significativa expressão demográfica, como os Kaxinauá e os Kulina. O Acre é um estado profundamente indígena, dos pontos de vista cultural, histórico e demográfico. Na verdade, ele é hoje o principal exportador de práticas e símbolos indígenas (mais ou menos transformados) para o Brasil urbano atual.

A que mais se deve essa redescoberta dos índios nas últimas décadas?
Tudo começou com uma iniciativa fracassada do governo militar, em 1978, que visava extinguir os índios, entenda-se, acelerar o processo de desconhecimento da população indígena, consagrar seu não reconhecimento como um componente diferenciado dentro da chamada “comunhão nacional”. Completar o processo de “assimilação”, isto é, de desindianização, que se entendia como inexorável e desejável ao mesmo tempo. O governo propôs um projeto de lei para “emancipar” os índios, isto é, extinguir a tutela oficial do Estado que os protegia. O verdadeiro objetivo da medida era liberar as terras indígenas, terras públicas, de domínio da União, inalienáveis, para que entrassem no mercado fundiário capitalista. Ao declarar que esta ou aquela população indígena não “era mais” índia, porque seus membros falavam português, ou usavam roupa etc., o que o projeto de lei pretendia era entregar as terras públicas de posse dos índios nas mãos dos interesses proprietariais particulares. Simplesmente se queria tirar os índios da frente do trator do capital: em vez de índio, que venham o gado, a soja, os madeireiros, o latifúndio, o mercado de terras, a mineração, a estrada, a poluição e tudo que vem junto. E que muitos chamam de “desenvolvimento”.

Mas, naquele momento, os idos de 1978, quando estava se consolidando a resistência organizada à ditadura, muito da insatisfação política da classe média, dos intelectuais principalmente, se cristalizou em torno da questão indígena, como se ela fosse uma espécie de emblema do destino de todos os brasileiros. É também nesse momento que tomam ímpeto o movimento negro, o movimento feminista, a politização ativa da orientação sexual, a emergência de diversas minorias, diversas diversidades por assim dizer: étnicas, locais, sexuais, ocupacionais, culturais etc. A luta de classes assumia cada vez mais o caráter de uma integração parcial de uma série de diferenciais traçados sobre outros eixos que a economia pura e simples (as relações de produção). Começam a surgir outros atores políticos. É o momento da especulação e da experimentação generalizadas: outras práticas do laço social, outras imagens da sociedade, que não se reduzem ao par Estado-classes sociais, mas que envolvem outras formas de vida, outros territórios existenciais. Os índios foram importantes por sua força exemplar, seu poder de condensação simbólica. Eles apareceram como portadores de outro projeto de sociedade, de outra solução de vida que contraprojetava uma imagem crítica da nossa.

Mas, desde o século 16, a vida indígena aparece como uma imagem crítica da vida “ocidental”.
Sim, sem dúvida. Há uma frase de um jovem filósofo que eu admiro muito, Patrice Maniglier, um grande especialista em Lévi-Strauss, aliás: “A antropologia nos devolve uma imagem de nós mesmos na qual nós não nos reconhecemos”. É por isso que ela é importante, porque nos devolve algo, ela nos “reflete”. Mas a gente vê essa imagem e não se reconhece nela. “Então nós, humanos, somos assim também? Podemos ser isso? Somos isso, em potência? Temos em nós a capacidade de viver assim? Essa é uma solução de vida ao nosso alcance, como espécie?” Em suma: “É possível ser feliz sem carro, geladeira e televisão?”. Isso nos dá um susto, um susto com valor de conhecimento. Os índios, desde o século 16, desempenharam essa função para a reflexão político-filosófica ocidental (para uma muito pequena parte dela, na verdade). E essa mesma função, mas modernizada, especificada e tornada mais evidente pelo fato de que os índios brasileiros da década 1970 – a década que inicia a ocupação destrutiva em larga escala da Amazônia – eram nossos conterrâneos e nossos contemporâneos, eles nos ensinavam algo não só sobre nós mesmos como sobre nosso projeto de país, o Brasil que queríamos, e que não era certamente o Brasil que tínhamos. Então, foi em torno das sociedades indígenas como diferença emergente que se constituiu a resistência contra o projeto de emancipação: uma resistência contra o projeto de privatização econômica, o branqueamento político e a estupidificação cultural do Brasil.

Os antropólogos, nesse contexto, começam a se organizar como categoria, aliando-se aos índios como atores políticos. Houve, é claro, antropólogos que tiveram um papel importantíssimo na história não só da causa indígena, mas da própria República, como Roquette Pinto ou Darcy Ribeiro, antes de (e durante) essa época. Mas naquele momento, no fim da década de 1970, os antropólogos se constituem como corporação para interpelar o governo e se opor ao projeto de emancipação. Essa mobilização sensibilizou a sociedade, entenda-se, outros intelectuais, militantes políticos de outras causas, advogados, juristas, artistas, e também as camadas médias urbanas, os estudantes… Ao mesmo tempo, e muito mais importante, os índios como que “acordaram” para seu poder de intervenção nos circuitos nacionais e internacionais de comunicação. Eles deixavam ali de ser um elemento do folclore nacional, de um passado vago e distante, e passavam a atores políticos do presente, signos críticos e urgentes de uma ultracontemporaneidade: signos do futuro, na verdade.

Enfim, é nesse momento, fim dos anos 1970, que ganha vulto todo o movimento de auto-organização de coletivos que não são mais redutíveis nem aos partidos nem aos sindicatos: a célebre “sociedade civil organizada”. É então também que começam a aparecer figuras indígenas individuais com destaque político. A primeira delas foi Mário Juruna, um deputado que foi tratado folcloricamente pela imprensa, mas que teve um papel estratégico para a emergência dos índios no cenário político-ideológico nacional e internacional (lembremos do Tribunal Russell). Juruna, que marcou presença por alguns gestos muitos simples, de grande “pega” midiática, ficou famoso com seu gravador – um edificante signo do poder da “tecnologia” nas mãos de um “selvagem”; melhor ainda, e agora de verdade, um dispositivo que preservava a potência e a imediatez da oralidade, o registro semiótico em que os indígenas se sentem completamente em casa – que armazenava as promessas e declarações de autoridades e políticos. Depois, promessa quebrada, declaração falseada pelos fatos, Juruna tocava seu gravador na frente da “otoridade” e dizia: “Mas não foi o contrário que o senhor falou?” “O senhor não havia prometido isso?” Depois de Mário Juruna, o protagonismo indígena, coletivo e individual, proliferou: associações, federações, líderes de grande expressão como Ailton Krenak e David Kopenawa.

Qual o papel da Constituinte de 1988 nesse processo?
Esse processo do fim da década de 1970 culminou em 1988, com a Constituinte e a Constituição, que tiveram um papel fundamental para formalizar a presença dos índios dentro da comunhão nacional. É aqui que se começa a reconhecer direitos coletivos, coisa que, salvo engano, mal existia no Brasil: direitos difusos, direitos coletivos, comunidades sujeitos de direito, índios, quilombolas. Uma vitória imensa, atestável no ódio que a Constituição de 1988 desperta na direita, sempre à espreita de uma oportunidade para “reformar” a Constituição, isto é, para desfigurá-la, e sempre eficaz na protelação da indispensável regulamentação de diversos artigos constitucionais.

O senhor vê com bons olhos as políticas de proteção dos direitos indígenas na era Lula?
Houve grandes conquistas, a mais importante, sem dúvida, o reconhecimento da terra indígena Raposa Serra do Sol. Mas manteve-se, ou mais, acentuou-se o projeto de governo baseado na equação falaciosa entre desenvolvimento e crescimento, em uma ideia de crescimento a qualquer preço e, nesse sentido (eu sublinho: apenas nesse sentido), o governo Lula manteve sua continuidade com todos os governos anteriores, pelo menos até Vargas e incluindo os governos da ditadura. Uma ideia de que é preciso conquistar o Brasil, ocupá-lo, civilizá-lo, modernizá-lo, desenvolvê-lo, implicando com isso a ideia de que os índios não são brasileiros, não estão lá, não vivem em suas terras segundo seus próprios esquemas civilizacionais, não possuem uma cultura viva e eficaz. Tudo isso se baseia em um modelo cultural falido, a ideia de modernidade.

E qual é esse modelo?
É o modelo de industrialização intensiva, poluente, de exportação maciça de matéria-prima, monocultura, agronegócio, transgênicos, agrotóxicos, petróleo… Ele bate de frente com os interesses das populações indígenas e, arrisco-me a dizer, com as perspectivas de toda a população do país e do planeta. O que precisamos é imaginar uma forma econômica com algum futuro, capaz de assegurar o suficiente para todos, uma vida que seja boa o bastante para as gerações vindouras. Então, eu tenho sérias restrições não à política indigenista do governo Lula – aliás, o atual presidente da Funai [Márcio Augusto Freitas de Meira] é um colega que admiro e respeito –, mas o problema é que essa política indigenista sempre teve de se dobrar aos imperativos de uma geopolítica nacional e internacional ambientalmente desastrosa. Toda vez que algum setor do governo ameaçou criar dificuldades para essa geopolitica desenvolvimentista, foi obrigado a entrar na linha, ou sair de cena. Veja Marina Silva. No caso da Funai, a tendência foi seguir os limites estreitos de manobra deixados pela Casa Civil e seu implacável desenvolvimentismo.

Qual seria, então, a alternativa a esse modelo?
O Brasil tem a oportunidade única de ser um dos poucos lugares da Terra onde um novo modelo de sociedade e de civilização poderia se constituir. Somos um dos poucos países do mundo que tem recursos suficientes para inventar outra ideia e outra prática de desenvolvimento. Parece que aprendeu muito pouco com a história recente do mundo. Quando se exporta soja e gado, está se exportando o quê? O solo, a água do país. Para fazer 1 quilo de carne, são necessários 15 mil litros de água; para 1 quilo de soja, são necessários 1.800 litros. O Brasil é o maior exportador de “água virtual” do mundo. Isso para não falarmos nos insumos venenosos: hormônios para o gado, fertilizantes, agrotóxicos… O Brasil é o maior consumidor de defensivos agrícolas do planeta. Imagine o risco sanitário a que estamos expostos. Todas essas maravilhas que tanto aumentam a produtividade agrícola (e ao mesmo tempo baixam a qualidade e a segurança dos alimentos) são-nos enfiadas garganta abaixo por grandes companhias transnacionais como a Monsanto, cuja ficha ambiental e política é mais que suja, é imunda.

E está em curso a polêmica sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Quando se fala em hidrelétricas, bem, de fato talvez seja melhor do que a energia nuclear – em princípio, uma vez que a questão do lixo nuclear está bem longe de ser resolvida, além dos problemas de segurança –, mas quais são as implicações do ponto de vista, por exemplo, do abastecimento de água? E, aliás, para quem vai o principal da energia elétrica que é produzida por uma grande hidrelétrica como Tucuruí, ou Belo Monte? Vai para a população ou para as fábricas de alumínio, os projetos de extração e processamento de cobre e níquel da Amazônia? O que fazem essas fábricas de alumínio? Latas de saquê e cerveja, principalmente. Por que as fábricas de alumínio estão aqui? Por que países como o Japão não querem gastar uma imensa quantidade de energia para mover as cubas eletrolíticas onde se funde o alumínio? É melhor que um país grande, periférico e perdulário detone seus rios. A usina de Tucuruí, concebida durante o regime militar, significou 2 bilhões de reais de subsídio para as indústrias de alumínio, como constatou um especialista recentemente. O destino real da energia produzida pelo Complexo Hidrelétrico de Belo Monte ainda é uma espécie de segredo de Estado. Mas parece que essa energia virá principalmente para o Sul e o Sudeste, ou servirá para alimentar novas indústrias eletrointensivas – cobre, bauxita, níquel – no Norte, algumas aliás
não nacionais (a direita vive falando no perigo de uma invasão estrangeira da Amazônia; ela já aconteceu, mas como é uma invasão do capital, parece que pode…). Os benefícios para a população, e especialmente para a população local, são muito duvidosos.

Como se deu seu contato com o pensamento de Lévi-Strauss?
Meu contato com Lévi-Strauss antecede meu contato com a antropologia. Foi enquanto eu fazia ciências sociais, em um curso de teoria literária dado por Luiz Costa Lima. Foi ele quem me aconselhou a fazer antropologia. Isso foi nos idos de 1969, 1970. Naquele momento, o estruturalismo antropológico estava penetrando em diversas áreas das ciências humanas, como a psicanálise e a crítica literária, então o Costa Lima, professor de literatura e grande teórico da área, resolveu dar um curso sobre As Mitológicas na sociologia da PUC-Rio, onde eu estudava.

O senhor poderia apresentar-nos o conceito do perspectivismo indígena?
Esse é um assunto sobre o qual hesito um pouco em falar, porque o termo “perspectivismo indígena” se tornou excessivamente popular no meio antropológico, e a ideia que ele designa começa a sofrer o que sofre toda ideia que se difunde muito e rapidamente: banalização, de um lado, despeito, de outro. Passa a servir para tudo, ou a não servir para nada. De qualquer forma, não fui eu quem inventou sozinho a teoria do perspectivismo indígena; foi um trabalho de grupo, em que se destaca a colaboração formativa que mantive com minha colega Tânia Stolze Lima. Tomamos emprestado do vocabulário filosófico esse termo de perspectivismo para qualificar um aspecto marcante de várias, senão de todas, as culturas nativas do Novo Mundo. Trata–se da noção de que o mundo é povoado por um número indefinidamente indeterminado de espécies de seres dotadas de consciência e cultura. Isso está associado à ideia de que a forma manifesta de cada espécie é uma “roupa” que oculta uma forma interna humanoide, normalmente visível apenas aos olhos da própria espécie ou de certos seres transespecíficos, como os xamãs. Até aqui, nada de muito característico: a ideia de que a espécie humana não é um caso à parte dentro da criação, e de que há mais gente, mais pessoas no céu e na terra do que sonham nossas antropologias, é muito difundida entre as culturas tradicionais de todo o planeta.

O que distingue as cosmologias ameríndias é um desenvolvimento sui generis dessa ideia, a saber, a afirmação de que cada uma dessas espécies é dotada de um ponto de vista singular, ou melhor, é constituída como um ponto de vista singular. Assim, o modo como os seres humanos veem os animais e outras gentes do universo – deuses, espíritos, mortos, plantas, objetos e artefatos – é diferente do modo como esses seres veem os humanos e veem a si mesmos. Cada espécie de ser, a começar pela nossa própria espécie, vê-se a si mesma como humana. Assim, as onças, por exemplo, se veem como gente: cada onça individual vê a si mesma e a seus semelhantes como seres humanos, organismos anatômica e funcionalmente idênticos aos nossos. Além disso, cada tipo de ser vê certos elementos-chave de seu ambiente como se fossem objetos culturalmente elaborados: o sangue dos animais que matam é visto pelas onças como cerveja de mandioca, o barreiro em que se espojam as antas é visto como uma grande casa cerimonial, os grilos que os espectros dos mortos comem são vistos por estes como peixes assados etc. Em contrapartida, os animais não veem os humanos como humanos. As onças, assim, nos veem como animais de caça: porcos selvagens, por exemplo. É por isso que as onças nos atacam e devoram, pois todo ser humano que se preza aprecia a carne de porco selvagem. Quanto aos porcos selvagens (isto é, aqueles seres que vemos como porcos selvagens), estes também se veem como humanos, vendo, por exemplo, as frutas silvestres que comem como se fossem plantas cultivadas, enquanto veem a nós humanos como se fôssemos espíritos canibais – pois os matamos e comemos.

E o que é o humano?
É essa capacidade de socialidade. Antes, tudo era transparente a tudo, os futuros animais e os futuros humanos, vamos chamar assim, se entendiam, todos se banhavam num mesmo universo de comunicabilidade recíproca. Lévi-Strauss tem uma definição muito boa, dada numa entrevista. O entrevistador pergunta: “O que é um mito?”. Lévi-Strauss responde: “Bom, se você perguntasse a um índio das Américas, é provável que ele respondesse: ‘Um mito é uma história do tempo em que os animais falavam’”. Essa definição, que parece banal, na verdade é muito profunda. O que ele está querendo dizer é que o mito é uma história do tempo em que os homens e os animais estavam em continuidade, se comunicavam entre si. Na verdade a humanidade nunca se conformou por ter perdido essa transparência com as demais formas de vida, e os mitos são uma espécie de nostalgia da comunicação perdida.

Essa é de fato uma noção universal no pensamento ameríndio, a de um estado originário de coacessibilidade entre os humanos e os animais. As narrativas míticas são povoadas de seres cuja forma, nome e comportamento misturam atributos humanos e não humanos, em um contexto de intercomunicabilidade idêntico ao que define o mundo intra-humano atual. O propósito da mitologia, com efeito, é narrar o fim desse estado: trata-se da célebre separação entre “cultura” e “natureza” analisada nas Mitológicas de Lévi-Strauss. Mas não se trata aqui de uma diferenciação do humano com base no animal, como é o caso em nossa mitologia evolucionista moderna. A condição original comum aos humanos e animais não é a animalidade, mas a humanidade. Os mitos contam como os animais perderam os atributos herdados ou mantidos pelos humanos; os animais são ex-humanos, e não os humanos ex-animais. Se nossa antropologia popular vê a humanidade como erguida sobre alicerces animais, normalmente ocultos pela cultura – tendo outrora sido “completamente” animais, permanecemos, “no fundo”, animais –, o pensamento indígena conclui ao contrário que, tendo outrora sido humanos, os animais e outros seres do cosmo continuam a ser humanos, mesmo que de modo não evidente.

Se tudo está impregnado de humanidade, quais são as consequências disso para o modo de vida indígena?
Se tudo é humano, nós não somos especiais; esse é o ponto. E, ao mesmo tempo, se tudo é humano, cuidado com o que você faz, porque, quando corta uma árvore ou mata um bicho, você não está simplesmente movendo partículas de matéria de um lado para o outro, você está tratando com gente que tem memória, se vinga, contra-ataca, e assim por diante. Como tudo é humano, tudo tem ouvidos, todas as suas ações têm consequências.

Rodízio seria ‘drástico’, 2 dias com água e 5 sem, diz diretor da Sabesp (Estadão)

Massato admite que medida pode ocorrer em SP e aumenta redução de pressão; para Alckmin, outros políticos tiram ‘casquinha’ da crise

27.01.2015 | 12:47

Ana Fernandes e Stefânia Akel – O Estado de S. Paulo

Atualizado às 14h25

SUZANO – O diretor metropolitano da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Paulo Massato, admitiu na manhã desta terça-feira, 27, que a Região Metropolitano de São Paulo pode ter rodízio de água no qual haveria até cinco dias sem abastecimento e dois com. Segundo ele, esse racionamento seria “drástico”.
“Para fazer rodízio, teria que ser muito pesado, muito drástico. Para ganhar mais do que já economizamos hoje, seriam necessários dois dias com água e cinco dias sem água”, afirmou em Suzano, na Grande São Paulo, durante o anúncio da ampliação da Adutora Guaratuba para o Sistema Alto Tietê.

Massato afirmou que o rodízio pode ocorrer se os órgãos reguladores acharem necessário e “se não chover”. “Nossa engenharia está correndo contra o relógio. Estamos batendo novos recordes de baixas precipitações”, disse.

Rodízio seria 'drástico', 2 dias com água e 5 sem, diz diretor da Sabesp‘Nossa engenharia está correndo contra o relógio. Estamos batendo novos recordes de baixas precipitações’, diz Paulo Massato 
JF Diório/Estadão

Segundo ele, a Sabesp não pretende usar a terceira cota do volume morto do Sistema Cantareira. “Pretendemos não usar, vamos correr com as obras”, disse.

Redução de pressão no período diurno. Massato declarou ainda que a Sabesp está ampliando o período de queda de pressão nas tubulações que atendem a Região Metropolitana de São Paulo. “Estamos deixando de fazer operação só noturna para fazer também a diurna. Isso atinge toda a região metropolitana”, afirmou. Segundo ele, “nunca foi necessário” informar a população da redução de pressão, mas agora, com a ampliação do período, a Sabesp informa os horários em seu site.

Massato explicou que a redução é diferente para cada área da região metropolitana. “A redução hoje é variável, cada setor tem uma regra diferente”, disse.

No mesmo evento, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que a válvula redutora de pressão da Sabesp existe há pelo menos 15 anos. “O mundo inteiro tem, para evitar perdas. Mas o período de redução da pressão era mínimo”, afirmou. Segundo ele, a medida, tomada há um ano, evita contaminação, canos estourados e perdas maiores.

‘Tirar casquinha’. Alckmin (PSDB) disse que existem políticos tentando “tirar casquinha” da crise hídrica, que atinge principalmente o Sudeste do País. Questionado sobre o pedido de manifestantes nesta segunda-feira, 26, em frente ao Palácio dos Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, para o governador falar da gravidade da falta de água, ele repetiu que o governo paulista tem trabalhado ininterruptamente há mais de um ano para mitigar os efeitos da estiagem.

“Não há ninguém que tenha falado mais sobre esse tema do que eu. Tem muita gente tentando tirar casquinha política, tentando levar uma vantagenzinha”, queixou-se, sem mencionar nomes.

Alckmin afirmou ainda que, através da política de bônus, São Paulo tem hoje o menor consumo per capita de água e criticou outros prefeitos e governadores que não adotaram políticas semelhantes. “Não tem nenhum governo do Brasil que tenha feito bônus, engraçado, né? Ninguém critica ninguém. Ninguém fez.”

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Ensaio sobre a cegueira hídrica (Conta D’Água)

por Conta D’Água

26 de janeiro de 2015

Foto: Mídia NINJA

A falta d’água afeta a dignidade humana, tem implicações de saúde pública, desespera, paralisa a atividade econômica. Pois prepare-se: 2015 começou sob a sombra da crise hídrica. O cenário que se está montando é gravíssimo.

Já quase terminado janeiro, contata-se que choveu muito menos do que era esperado. No Sistema Cantareira, choveu 35% da média histórica. No Sistema Alto Tietê, meros 26% da média histórica. E o quadro não encontra alívio nos demais mananciais, também deficitários.

A própria Sabesp admite que o que existe de água em todos os sistemas, considerando o padrão de consumo atual, vai dar pra 50 dias, ou seja, março. E daí? Aí, acabou. Não é que vai faltar um pouco de água. É que não tem água; não tem para onde correr.

Entrevista realizada coletivamente por Barão de Itararé, Brasil de Fato, Fórum, Outras Palavras, Mídia Ninja, Ponte e SpressoSP. Fotos: Mídia NINJA

Para entender melhor as dimensões humanas, sociais, econômicas e ambientais dessa crise, o projeto Conta D’Água procurou uma das maiores especialistas do tema, a ambientalista Marussia Whately, dirigente do projeto Água São Paulo, do Instituto Socioambiental (ISA), e uma das principais protagonistas da Aliança pela Água, uma iniciativa reunindo 30 ONGs, visando propor soluções e cobrar providências do poder público.

Distribuição de água em praça pública, Itu, dezembro de 2014. Foto: Mídia NINJA

A crise na vida real

MARUSSIA WHATELY: Tornou-se séria a perspectiva de o Sistema Alto Tietê, que abastece a zona leste de São Paulo, entrar em colapso. Isso quer dizer que quatro milhões de pessoas deixarão de ter água pra beber. Hoje, o nível do reservatório está em 10,4%, o que é extremamente crítico porque se trata de um reservatório com apenas metade da capacidade do sistema Cantareira. E está baixando.

Como você vai fazer pra manejar essa região? Onde as pessoas vão pegar água? Uma das possibilidades é levar água potável com caminhões-pipa provenientes de Ubatuba, São José. Quantos litros serão necessários para abastecer a zona leste todos os dias? Qual a qualidade da água que chegará aos consumidores?

Nessa região, você tem reservatórios de distribuição, as caixas d’água da Sabesp, como a que existe na avenida Consolação, ou no Paraíso. Esses reservatórios, logicamente, estarão vazios. Mas eles têm de ser o lugar para onde os caminhões-pipas serão levados.

Não se pode deixar caminhão-pipa no mercado. A partir de agora, será preciso que se mapeiem todos os poços que estão autorizados a captar água mineral. Num plano de contingência, todos esses 50 mil poços têm de ter sua outorga suspensa e a exploração será de uso exclusivo do Estado.

Agora, a Sabesp vai fazer isso? Não. Esta é uma responsabilidade do governo do Estado, com as prefeituras. É uma agenda que temos que trabalhar para que se torne realidade.

Vamos um pouco mais em frente com esse cenário.

“Os caminhões-pipas foram captar a água. E como essa frota chegará à zona leste? Será necessário organizar uma grande operação de logística durante as madrugadas, com menos trânsito, para transportar toda essa água. Porque serão centenas de caminhões-pipas.”

Os caminhões encherão o reservatório e amanhã, das 10h às 12h, a população de Ferraz de Vasconcelos, com seu comprovante de residência em mãos, vai poder retirar uma quantidade de água por pessoa. Das 12h a tal hora, vai ser a população da zona leste…

Coleta de água em postos improvisados na cidade de Itu, interior de SP. Foto: Mídia NINJA

Isso é um plano de contingência numa situação de estresse grave. Água pra escovar os dentes, tomar banho e cozinhar. Para outros fins —como dar descarga, lavar roupa, limpar a casa—, a saída será a água da chuva. Para isso, postos de saúde, escolas, creches, unidades de serviço público, precisarão se equipar com caixas para captar água da chuva, com filtro, tudo direitinho.

É preciso que a cidade se prepare. É preciso que o poder público se organize. A possibilidade de implantação de um racionamento de cinco dias sem água é bem concreta. Mas uma coisa é viver cinco dias sem água em uma situação organizada. Outra coisa, bem diferente, é ter o racionamento em uma área como a zona leste da Capital, com uma rede toda remendada, com áreas inteiras de ocupação irregular. O resultado torna-se muito mais imprevisível.

Para dar um exemplo. Ontem, a partir das 16h30, não tinha mais água da rua em minha casa. Mas se trata de uma casa com apenas dois moradores. Manejando o consumo, conseguimos ficar até cinco dias sem água da rua. Vamos ter restrição? Claro, mas dá para garantir as necessidades básicas. Essa situação é totalmente diferente da que é vivida em uma comunidade com poucas caixas d’água, com casas habitadas por um número muito maior de moradores.

Mas fica pior quando se considera que essas pessoas funcionam em horários difíceis –gente chegando muito tarde em casa, por causa do transporte deficiente (quando a água já foi fechada), e que sai muito cedo de casa, também por causa do transporte deficiente (e a água ainda não voltou).

“Uma creche que não abre porque não tem água gera um efeito cascata. Se as crianças não podem ir para a creche, a mãe tem de faltar no emprego.”

Tomemos o caso de uma diarista. Quantos dias ela poderá faltar no emprego? Será que ela vai poder levar os filhos ao emprego? E isso impacta a vida da patroa dela também. Assim, começa um efeito de instabilidade grande na sociedade. Esse é um dos efeitos que ainda não estão devidamente dimensionados. Os governantes estão desatentos a essa questão.

E há a situação crítica das populações mais sensíveis, que precisam ser levadas em consideração. Sabe-se que a população da terceira idade, mais de 60 anos, e as crianças até 7 anos têm uma vulnerabilidade maior à desidratação. E há ainda os acamados, com deficiência de mobilidade e idosos, aos quais é preciso garantir o suprimento básico de água no próprio domicílio. Em suma, há uma série de desdobramentos éticos envolvida na gestão da crise.

Já se esperam protestos. Em Itu, vizinho de São Paulo, até donas de casa colocaram fogo nas ruas. Aqui em São Paulo, vai haver um escalonamento de manifestações e de violência porque a água mexe com a questão da dignidade. Quantos dias nós aguentamos sem poder dar descarga?

Dona Rute e sua família vivem em cinco pessoas em uma casa que recebe água apenas seis horas por dia no Capão Redondo, periferia de São Paulo. Foto: Sarah Pabs

É preciso instalar um Comitê de Crise. Temos de falar e explicar que se trata de uma crise sem precedentes. O mais natural seria o governador do Estado de São Paulo [Geraldo Alckmin] puxar isso, mas se ele não puxar, a sociedade civil tem de fazê-lo.

O Comitê é fundamental no sentido de começar a desenhar as linhas de ação de um Plano de Contingência. A população precisará de referências públicas em relação à água. Também é importante o acesso à informação.

Nós lançaremos em fevereiro um copilado de propostas de especialistas para a gestão dessa crise. Um dos itens importantes, por exemplo, é a questão da qualidade da água oferecida pelos caminhões-pipa. Teria haver em cada subprefeitura uma lista de caminhões-pipas autorizados a operar. E informações claras do tipo: “Aqui, na área desta Subprefeitura, faltará água nos próximos cinco dias; água potável poderá ser encontrada nesses endereços, de tal hora a tal hora”. Isso tem que ser feito e não é responsabilidade da Sabesp.

Em última instância, quem vai ter de decretar os estados de emergência são as prefeituras, mas elas estão receosas de assumir o protagonismo da crise. Pela lei de saneamento, as prefeituras são os titulares do saneamento. Teoricamente, seriam as prefeituras que deveriam mandar nessa confusão. O contrato de prestação de serviços da Sabesp é assinado com a prefeitura, que delega a regulação para a Arsesp, Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo.

Eu acredito que tem um canal, que vai ser começado pelo município de SP, que está revendo o contrato com a Sabesp, e está percebendo que os moradores do município vão ficar sem água, enquanto a empresa recebe uma grana incrível em cima e não reinveste.

Um acionista da Sabesp que eu acho que está sendo pouco questionado é o próprio governo do Estado, que detém 51% da empresa. Quando são pagos os dividendos, 51% voltam para o governo do Estado, e não necessariamente o governo tem reinvestido na Sabesp.

(Grande parte do investimento em infraestrutura que a Sabesp fez nos últimos anos foi com financiamento da Caixa, financiamento do Banco Mundial, várias fontes).

Plano de contingência

MARUSSIA WHATELY: O plano de contingência é a principal reivindicação da Aliança pela Água. Em final de outubro do ano passado, fizemos um processo rápido de escuta de mais ou menos 280 especialistas de diferentes áreas. E o plano de contingência apareceu como uma das principais reivindicações desses especialistas.

Volume morto na represa Jaguari-Jacareí, no Sistema Cantareira. Foto: Mídia NINJA

Naquela ocasião, a idéia predominante era que se adotasse um plano de contingência que permitisse que chegássemos a abril deste ano com um nível de reservação de água nas represas, que desse para aguentar o período da estiagem. Infelizmente, esse plano não foi elaborado e muito menos realizado.

O que aconteceu na prática foi uma negação da crise hídrica por parte do governo do Estado até dezembro de 2014 —uma negação que vai levar para outras instâncias de responsabilização.

O governador terminou o ano dizendo que não teríamos racionamento e que não haveria falta d’água. E começou 2015 dizendo que existe o racionamento e que pode ser que falte água.

Se fosse um novo governador, a gente até poderia aceitar, mas se trata do mesmo cara. Então tem uma questão aí: a forma como a crise foi conduzida nos fez perder muito tempo em termos de ações para chegar a um nível seguro em abril.

Realmente, existe um componente de clima na crise que não dá para negar. Já está confirmado que 2014 foi o ano mais quente da história. O que já seria um quadro de extrema gravidade, entretanto, tem sido agravado porque desde 2011 a Sabesp está super-explorando as represas. Ou seja, tirando delas mais água do que entra.

O governo do Estado deveria ter assumido a liderança em relação à crise da água em São Paulo. No caso do sistema Cantareira, essa liderança deveria ser dividida com o governo federal, por intermédio da Agência Nacional de Águas e do Ministério do Meio Ambiente, a quem compete organizar a Política Nacional de Recursos Hídricos. O problema é que muitos dos nossos instrumentos de gestão vem sendo desmantelados em escala federal, estadual e municipal.

“O Ministério do Meio Ambiente está omisso em relação aos recursos hídricos. A Agência Nacional de Águas transformou-se num mero órgão que faz a outorga, já que ficou enfraquecido nesse processo de construção de Belo Monte.”

A síntese é a seguinte: “Já basta a licença ambiental, não me venham inventar mais uma licença de recursos hídricos, pra empacar a hidrelétrica”.

É preciso recuperar as represas. O Sistema Cantareira está com o nível em torno dos 5%. Não dá mais! Não vai encher. Vai ter que ter racionamento.

A perspectiva com a qual a Aliança da Água trabalha é a de união entre diferentes setores (especialistas na pauta do meio ambiente e sociedade) para a elaboração de um Plano de Contingência mais sólido. Ficar refém, à espera de um plano elaborado pela Sabesp, além de não ser propositivo também não é eficaz. É fundamental que os movimentos sociais e as universidades debatam esse tema com profundidade e urgência.

Quem é o responsável?

MARUSSIA WHATELY: O padrão de chuvas, repito, foi aquém da média histórica, mas houve o acúmulo de infelicidades. Uma que é certamente muito grave foi a ausência de visão estratégica mínima do responsável, que é o governo estadual paulista. Ele deveria ter liderado a gestão da água, mas perdeu um ano negando a existência da crise, afirmando para a população que não faltaria água, criando uma medida que foi o bônus, apresentado como uma alternativa ao racionamento. Só que o bônus ele é muito questionável porque descapitaliza a empresa. Diminui a capacidade de investimento da Sabesp. Do ponto de vista econômico, no momento de escassez de um produto, você baixar o preço dele, é um contrassenso.

Durante os nove meses de campanha, não se conseguiu mudar o padrão de consumo. Metade dos consumidores aderiu e reduziu 20% o gasto de água. Um em cada quatro reduziu, mas não atingiu a meta. E um em quatro aumentou o consumo. A verdade é que junto com o bônus teria de ter a sobretaxa para o excesso de consumo e uma série de ações.

“O bônus foi apenas uma ação paliativa, tentando substituir uma ação mais
radical que seria o racionamento. “

Ao mesmo tempo, de um ponto de vista mais técnico e operacional, só isso não gerou a redução do consumo de água que seria necessário.

Represa Jaguari–Jacareí, no sistema cantareira. Foto: Mídia NINJA

Desde o início do ano passado, falava-se em reduzir pela metade a retirada de água do sistema Cantareira. Ou seja, sair de 31 metros cúbicos por segundo para 16. Mas isso só está sendo atingido agora. Eles foram baixando de 31 para 27, para 24…

No total do abastecimento de água de São Paulo, conseguiu-se reduzir o consumo de 69 metros cúbicos por segundo para 55. Ou seja, todas as medidas adotadas –bônus, redução da pressão, ampliação de captação, melhoria no índice de vazamentos — lograram uma economia de 20%. É pouco em termos de redução da retirada de água dos mananciais. Precisaria ser no mínimo 50%.

Em janeiro de 2014 houve um primeiro plano de contingência, que previa um plano de racionamento no sistema Cantareira. Esse primeiro plano simplesmente sumiu. Ele não está mais disponível. A proposta era que o Cantareira, que em janeiro de 2014 estava com 24% de reservação, sem contar o volume morto, já começasse a fazer um racionamento brando. Veja que esses 24% de reservação (sem contar o volume morto) equivaliam a 46% da capacidade total do sistema –e mesmo assim, já soou o alarme e se propôs o racionamento.

Hoje, o Cantareira está com um nível de reservação em 5,6%, já considerando o uso do segundo volume morto.

Corremos o risco de ter de decretar agora um racionamento de cinco dias sem água.

Quem deve ser o responsável pela gestão da crise?

MARUSSIA WHATELY: A questão das responsabilidades é essencial para estabelecer um plano de contingência. Qual é a grade de responsabilidades e atribuições? Quem tem de fazer o quê?

Obras do canal de escoamento do volume morto em represa do Sistema Cantareira. Foto: Mídia NINJA

A Sabesp é uma companhia prestadora de serviço. E, como prestadora de serviço tem de ter constância, indicador, desempenho, eficiência, meta… A Sabesp não é a gestora da política. Não é ela quem deve decidir onde é melhor investir, quem vai ficar sem água. Quem tem que decidir isso é a Arsesp, a agência reguladora. A gente tem feito cobranças equivocadas em cima da Sabesp, quando a cobrança tem de ser em cima da regulação.

É muito fácil colocar a Sabesp na linha de tiro. E ninguém fala nada sobre as responsabilidades da Secretaria de Recursos Hídricos, da Arsesp, da Secretaria de Meio Ambiente, que dá licenças, como a de uso do volume morto. Alguém viu o licenciamento ambiental desse uso extremo do Cantareira? Quais foram as condicionantes, os compromissos de mitigação? Foi uma licença emergencial?

Bacia do cantareira durante a seca. Foto: Mídia NINJA

Não é só que a água não está mais atingindo suas margens normais. É que, por centenas de quilômetros, o solo ficará ressecado, com impactos substanciais sobre todo o meio ambiente em torno.

Construir soluções para a crise vai depender de um plano de contingência que não é um plano da Sabesp, é um plano do governo federal, estadual, prefeituras e com a sociedade. Vai ter que entrar defesa civil, vigilância sanitária, secretaria de segurança…

Como resolver a crise

MARUSSIA WHATELY: O governo do Estado apostou alto que ia chover. E, na outra mão, ele veio com um conjunto de obras que conseguirão criar —daqui a cinco anos— mais 20 mil litros. A gente não precisa de mais 20 mil litros. A gente precisa consumir melhor a água que tem.

Obras durante a construção do segundo Volume Morto, no sistema Cantareira. Foto: Mídia NINJA

Daqui a cinco anos, eu terei feito a transposição de águas do rio Paraíba do Sul para cá, o Paraíba do Sul, aliás, que agora está com apenas 5% de água. Então, veja, eu faço uma mega-obra para trazer água e, de repente, pode não haver água pra ser trazida para cá.

E se, em vez disso, houvesse a recuperação da represa Billings, que está aqui ao lado? Nela, cabe a mesma quantidade de água do que a Cantareira é capaz de produzir. Ela não produz a mesma quantidade, mas ela pode guardar. Ou seja, eu posso trazer de outros lugares a água para a Billings em quantidades menores; posso interligar algumas represas do Alto Tietê; ou mesmo pensar em pequenos reservatórios no topo da serra do Mar, que seria uma água de altíssima qualidade, e trazer para Billings…

São várias idéias que nem chegaram a serem discutidas, a respeito de uma represa que está aqui, mais perto do que as alternativas de abastecimento colocadas na mesa. A Billings, como se sabe, é o destino do esgoto que a Sabesp não consegue tratar, que é jogado no Tamanduateí, no Anhangabaú, no Pinheiros, no Tietê, em todos os rios que a gente colocou avenidas em cima.

Depois, tem a drenagem urbana que é esquizofrênica porque uma parte quem cuida e o Estado, outra são as prefeituras. Só aí haveria uma capacidade de geração de água de chuva que seria mais ou menos o equivalente à vazão do rio São Lourenço, 4 metros cúbicos por segundo. O novo sistema São Lourenço, que deve ficar pronto em 2017, custará R$ 2 bi só em obras, terá custo operacional de mais R$ 6 bi em cima. Trata-se de uma mega-obra para trazer água lá de longe do rio Ribeira, sem pagar devidamente os encargos ambientais que serão gerados naquela região, sem que aquilo gere prosperidade naquela região.

Os ensinamentos da crise

MARUSSIA WHATELY: Com a água acontece uma coisa curiosa: como cai do céu, é difícil acreditar que vá faltar. Acaba a água da torneira, mas está tudo alagado lá fora. Isso, imagino, gera uma confusão pra muita gente… Mas ao mesmo tempo gera um aumento de consciência. Essa água que está alagando as ruas, será que ela não poderia ser usada?

Estoque de água doméstico em Itu, no interior paulista. Foto: Mídia NINJA

Essa água é própria para o consumo?, alguém poderia perguntar. Há controvérsias. Há pessoas filtrando e fazendo testes, dizendo que é melhor do que a água da Sabesp. Cada vez mais, eu acredito que, quanto mais a gente tornar as pessoas autônomas em relação a garantir o seu básico, mais a gente estará caminhando para um mundo sustentável. Ensinar a garantir o mínimo da sua água, o mínimo da sua comida, pode ser um caminho.

A gente está tendo falta de água, apagão de energia, enchentes. Todos esses eles problemas estão ligados à gestão da água. Todo esse processo é muito didático e deve induzir mudanças de atitude. Como continuar aceitando como normal descarregar a privada com água potável? O baixo nível dos reservatórios está mostrando o baixo nível das nossas políticas em relação a isso. Se não for didático, então a única saída é o êxodo.

Vídeo: Sintaema

Entrevista realizada coletivamente por Barão de ItararéBrasil de Fato,FórumOutras PalavrasMídia NinjaPonte e SpressoSP.

The Climate Science Behind New England’s Historic Blizzard (Climate Progress)

 POSTED ON JANUARY 26, 2015 AT 3:49 PM UPDATED: JANUARY 26, 2015 AT 4:52 PM

The Climate Science Behind New England’s Historic Blizzard

sea surface temperatures

Warming-fueled sea surface temperatures provide a boost of moisture for the forecast New England blizzard, just as it has for previous monster East Coast snow storms. Via NOAA.

Another epic blizzard is bearing down on New England. There is a “big part” played by “human-induced climate change,” especially warming-fueled ocean temperatures, according to Dr. Kevin Trenberth, former head of the Climate Analysis Section at the National Center for Atmospheric Research.

I asked Dr. Trenberth to comment on the role climate change has on this latest storm, which is forecast to set records. He explained:

The number 1 cause of this is that it is winter. In winter it is cold over the continent. But it is warm over the oceans and the contrast between the cold continent and the warm Gulf Stream and surrounding waters is increasing. At present sea surface temperatures are more the 2F above normal over huge expanses (1000 miles) off the east coast and water vapor in the atmosphere is about 10% higher as a result. About half of this can be attributed to climate change.

Before this latest storm, we’ve seen a long-term pattern of more extreme precipitation, particularly in New England winters. Climate scientists had long predicted this would happen in a warming world. Here’s why.

heavy precipitation

“Percent changes in the amount of precipitation falling in very heavy events (the heaviest 1%) from 1958 to 2012″ by region,” via the 2014 National Climate Assessment. “There is a clear national trend toward a greater amount of precipitation being concentrated in very heavy events, particularly in the Northeast,” driven by a warming climate.

Like a baseball player on steroids, our climate system is breaking records at an unnatural pace. And like a baseball player on steroids, it’s the wrong question to ask whether a given home run is “caused” by steroids. As Trenberth wrote in his must-read analysis, “How To Relate Climate Extremes to Climate Change,” the “answer to the oft-asked question of whether an event is caused by climate change is that it is the wrong question. All weather events are affected by climate change because the environment in which they occur is warmer and moister than it used to be.”

One of the most robust scientific findings is the direct connection between global warming and more extreme precipitation or deluges. “Basic physics tells us that a warmer atmosphere is able to hold more moisture — at a rate of approximately 7 per cent increase per degree [Celsius] warming,” as the U.K. Met Office explained in its 2014 update on climate science. “This is expected to lead to similar percentage increases in heavy rainfall, which has generally been borne out by models and observed changes in daily rainfall.”

This means that when it is cold enough to snow, snow storms will be fueled by more water vapor and thus be more intense themselves. So we expect fewer snowstorms in regions close to the rain-snow line, such as the central United States, though the snowstorms that do occur in those areas are still likely to be more intense. It also means we expect more intense snowstorms in generally cold regions. This may appear to be counterintuitive — and certainly climate science deniers like to play up big snowstorms for that reason. But the fact is that the warming to date is not close to that needed to end below-freezing temperatures during midwinter over parts of the globe like New England, while it is large enough to put measurably more water vapor into the air.

A 2014 MIT study by Prof. Paul O’Gorman found that “snowfall extremes actually intensify” even many decades from now, in a future with high levels of warming:

O’Gorman found that there’s a narrow daily temperature range, just below the freezing point, in which extreme snow events tend to occur — a sweet spot that does not change with global warming….

“People may know the expression, ‘It’s too cold to snow’ — if it’s very cold, there is too little water vapor in the air to support a very heavy snowfall, and if it’s too warm, most of the precipitation will fall as rain.”

We’ve long known that warmer-than-normal winters favor snow storms. A 2006 study, “Temporal and Spatial Characteristics of Snowstorms in the Contiguous United States” found we are seeing more northern snow storms and that we get more snow storms in warmer years:

The temporal distribution of snowstorms exhibited wide fluctuations during 1901-2000…. Upward trends occurred in the upper Midwest, East, and Northeast, and the national trend for 1901-2000 was upward, corresponding to trends in strong cyclonic activity….

Assessment of the January-February temperature conditions again showed that most of the United States had 71%-80% of their snowstorms in warmer-than-normal years…. a future with wetter and warmer winters, which is one outcome expected, will bring more snowstorms than in 1901-2000. Agee (1991) found that long-term warming trends in the United States were associated with increasing cyclonic activity in North America, further indicating that a warmer future climate will generate more winter storms.

The U.S. Global Change Research Program (USGCRP) U.S. Climate Impacts Report from 2009 reviewed that literature and concluded, “Cold-season storm tracks are shifting northward and the strongest storms are likely to become stronger and more frequent.

So it is no surprise that a 2012 study found extreme snowstorms and deluges are becoming more frequent and more severe. The 2014 National Climate Assessment (NCA), which is the most comprehensive analysis to date of current and future U.S. climate impacts, pointed out, “The mechanism driving these changes is well understood.” The congressionally-mandated report by 300 leading climate scientists and experts, which was reviewed by the National Academy of Sciences, explains: “Warmer air can contain more water vapor than cooler air. Global analyses show that the amount of water vapor in the atmosphere has in fact increased due to human-caused warming…. This extra moisture is available to storm systems, resulting in heavier rainfalls. Climate change also alters characteristics of the atmosphere that affect weather patterns and storms.”

That final point is very important. The worst deluges have jumped not merely because warmer air holds more moisture that in turn gets sucked into major storm systems. Increasingly, scientists have explained that climate change is altering the jet stream and weather patterns in ways that can cause storm systems to slow down or get stuck, thereby giving them more time to dump heavy precipitation (see my recent literature review here).

The National Climate Assessment noted that this “remains an active research area” but pointed outthat: “Heavier-than-normal snowfalls recently observed in the Midwest and Northeast U.S. in some years, with little snow in other years, are consistent with indications of increased blocking (a large scale pressure pattern with little or no movement) of the wintertime circulation of the Northern Hemisphere.”

You can see these the remarkable swings in the fraction of annual precipitation coming from extreme deluges in New England from NOAA’s Climate Extremes Index for the past century:

CEI Winter

NOAA chart showing the percentage (times 2) of New England “with a much greater than normal proportion of precipitation derived from extreme (equivalent to the highest tenth percentile) 1-day precipitation events” during the cold season (October-March).

In the case of the blizzard bearing down on New England, we have both the extra moisture off the East Coast and an “odd configuration of the jet stream (once again) is moving the low pressure system through a pattern that will create an epic blizzard.”

What of the future? Trenberth explains, “In mid winter, it is expected with climate change that snowfalls will increase as long as the temperatures are cold enough, because they are warmer than they would have been and the atmosphere can hold 4% more moisture for every 1F increase in temperature. So as long as it does not warm above freezing, the result is a greater dump of snow.” On the other hand, “at the beginning and end of winter, it warms enough that it is more likely for rain to result.” The net result is that average total snowfall may not increase.

The 2014 MIT study provides some more regional specificity about how the future will play out in terms of average snowfall versus extreme snowfall:

The study found that, under high warming scenarios, those low-lying regions with average winter temperatures normally just below freezing would see a 65 percent reduction in average winter snowfall. But in these places, the heaviest snowstorms on average became only 8 percent less intense. In the higher latitudes, extreme snowfall became more intense, with 10 percent more snow, even under scenarios of relatively high average warming.

Of course, climate science deniers and their allies will no doubt continue to misinform the public and policymakers by arguing that monster snowstorms are somehow evidence against the theory of human caused global warming, when they are no such thing. The latest science means the deniers will continue to have increasingly intense extreme “snowmageddons” in colder regions like New England, especially in midwinter, to mislead the public for decades to come.

Ebola Is Wiping Out the World’s Gorillas (The Daily Beast)

Finbarr O’Reilly/Reuters

01.22.15

In just four decades, Ebola has wiped out one third of the world’s chimp and gorilla populations. If it continues, the results will be devastating.

While coverage of the current Ebola epidemic in West Africa remains centered on the human populations in Guinea, Sierra Leone, and Liberia, wildlife experts’ concern is mounting over the virus’ favorite victims: great apes.

Guinea, where the epidemic originated, has the largest population of chimpanzees in all of West Africa. Liberia is close behind. Central Africa is home to western lowland gorillas, the largest and most widespread of all four species. Due to forest density, the number of those infected is unknown. But with hundreds of thousands of ape casualties from Ebola, it’s doubtful they’ve escaped unscathed.

Animal activists are ramping up efforts to find an Ebola vaccine for great apes, but with inadequate international support for human research, their mission could be seen as competing with one to save humans. Experts from the Jane Goodall Institute of Canada insist such apprehension would be misplaced. Two streams of funding—one for humans, one for apes—can coexist in this epidemic, they assert, and must.

“The media was really focusing on human beings,” Sophie Muset, project manager for JGI, says. “But it has been traumatic to [the great ape] population for many years.”

Over the course of just four decades, Ebola has wiped out one third of the world’s population of chimpanzees and gorillas, which now stand at less than 300,000 and 95,000 respectively.

The first large-scale “die-offs” due to Ebola began in the late 1990s, and haven’t stopped. Over the course of just four decades, Ebola has wiped out one third of the world’s population of chimpanzees and gorillas, which now stand at less than 300,000 and 95,000 respectively. Both species are now classified as endangered by the International Union for Conservation of Nature; western gorillas are “critically” so.

One of earliest Ebola “die-offs” of great apes came in 1994, when an Ebola outbreak in Minkébé decimated the region’s entire population—once the second largest in the world. In 2002, an outbreak in the Democratic Republic of Congo wiped out 95 percent of the region’s gorilla population. And an equally brutal attack broke out in 2006, when Ebola Zaire in Gabon (the same strain as the current outbreak) left an estimated 5,000 gorillas dead.

The dwindling population of both species, combined with outside poaching threats, means Ebola poses a very real threat to their existence. To evaluate the damage thus far, the Wild Chimpanzee Foundation is conducting population assessments in West Africa, with the goal of getting a rough estimate of how many have died. Given the combined damage that Ebola has inflicted on this population, the results are likely to be troubling.

In a way, great apes are Ebola’s perfect victims. Acutely tactile mammals, their dynamic social environments revolve around intimacy with each other. Touching hands, scratching backs, hugging, kissing, and tickling, they are near constantly intertwined—giving Ebola a free ride.

In a May 2007 study from The American Naturalist, researchers studying the interactions between chimpanzees and gorillas found evidence the Ebola can even spread between the social groups. At three different sites in northern Republic of Congo, they found bacteria from gorillas and chimps on the same fruit trees. For a virus that spreads through bodily fluids, this is an ideal scenario.

“They live in groups [and] they are very close,” says Muset, who has worked with chimps on the ground in Uganda and the DRC. “Since Ebola transmission happens through body fluids, it spreads very fast.”

For gorillas in particular, this culture proves deadly, making their mortality rate for this virus closer to  95 percent. But like humans, the corpses of chimpanzees and gorillas remain contagious with Ebola for days. While the chimps and gorillas infected with Ebola will likely die in a matter of days, the virus can live on in their corpse for days—in turn, spreading to humans who eat or touch their meat.

It is one such interaction that could result in the spread from apes to humans. But in this particular outbreak, experts have zeroed in on the fruit bat (believed to be the original carrier) as the source. The index patient, a 2-year-old in Guinea, was reportedly playing on a tree with a fruit bat colony.

Whether or not a great ape was involved in the transmission of the virus to humans during this outbreak is unknown. Such an interaction is possible. Interestingly, however, it’s not the risk that great apes with Ebola pose to humans that wildlife experts find most concerning. It’s the risk that their absence poses to the wild.

Owing to a diet consisting mostly of fruit, honey, and leaves, gorillas and chimpanzees are crucial to forest life. Inadvertently distributing seeds and pollen throughout the forest, they stimulate biodiversity within it. Without them, the biodiversity of the vegetation may plummet, endangering all of the species that relied on it—and, in turn, the people that relied on them.

“They are not the only ones who act as seed dispersers,” says Muset. “But they are the big players in that field. So when [a die-off] happens, it can decimate an entire forest.”

Wildlife experts worldwide are working to raise both awareness and funds for a vaccination process. It’s a battle that she says was gaining speed last January, when a researcher announced that he had found a vaccine that could work in chimps But as the epidemic in West Africa grew, the focus shifted.

But Muset says its time to return to the project. “There is a vaccine, but it has never been tested on chimpanzees,” she says.  “Progress has been made, and preliminary testing done, but testing in the field need to happen to make it real.”

As to the question of whether it’s ethical to be searching for a vaccine for wild animals when humans are still suffering as well, Muset is honest. “For sure there is a direct competition here. But wildlife and humans have a lot of diseases in common that they can transmit from one to the other,” she says. “And I think you can think of it as two streams of funding, one to wildlife and the other to human beings.”

While it’s great apes that wildlife experts are seeking to save, human nature as a whole, Muset argues, is at stake. “If you want a healthy ecosystem, the more you have to invest in health for wildlife and humans,” she says. “Then, the better place it will be.  Because really, it all works together.”

O que se pode fazer para vencer a crise da água? (A Conta d’Água)

26 de janeiro de 2015

Especialistas acreditam que medidas tomadas pela Sabesp e pelo governo do estado são insuficientes para resolver o problema do abastecimento, além de mascararem uma escassez que existe em diversas regiões do estado

Texto: Guilherme Franco e Vinicius Gomes da Revista Fórum

Fotos: Mídia NINJA

Na primeira segunda-feira (5) do ano, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) lançou mais uma de suas ações para combater a crise de saneamento de água: a distribuição de dispositivos de torneira para economizar água, com o mote “Se usar bem, ninguém fica sem”.

Como se ainda estivesse em 2014, a estratégia adotada para contornar o problema hídrico continuou sendo a mesma. Apelar para a boa vontade da população, atribuindo a ela, de forma direta ou indireta, parte da culpa pela crise. Há exatamente um ano, diversas cidades do litoral sul de São Paulo ficaram sem água próximo à época do Reveillon e, na ocasião, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que a falta d´água havia ocorrido por conta de um “consumo inesperado” dos turistas que desceram a serra para as festas. Afinal, por que alguém esperaria aumento de consumo em períodos de forte calor, não é mesmo?

Ao longo de todo o ano passado, enquanto os paulistas incluíam as palavras “Sistema Cantareira” e “volume morto” em seu vocabulário diário, cada vez mais regiões da capital e do interior paulista passavam a sofrer com a falta sistemática de água. A cidade de Itu, na região metropolitana de Sorocaba, foi um dos casos mais simbólicos (Veja o vídeo).

Mesmo assim, o governador sempre foi resoluto em afirmar que não faltava água no estado. No último debate entre os postulantes ao governo paulista, no início de outubro passado, Alckmin, ainda candidato à reeleição, foi taxativo: “Não falta e nem vai faltar água em São Paulo”. Porém, neste novo ano que começa a notícia é velha. Para evitar o caos no abastecimento de água, o governo tucano decidiu impor uma sobretaxa para forçar a redução do consumo da população.

Se usar bem, ninguém fica sem?

“É importante que fique claro que a responsabilidade pela crise d´água não é da população”, afirma Edson Aparecido da Silva, sociólogo e coordenador da Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental.

O especialista é um dos muitos que não possuem dúvida alguma de que o verdadeiro motivo para a crise hídrica em São Paulo não é a falta de consciência da população no uso d’água — que de fato existe — , mas sim porque os sucessivos governadores que passaram pelo Palácio dos Bandeirantes não tomaram as medidas necessárias. “Estamos enfrentando essa crise porque o governo não fez no tempo certo as obras que deveriam ter sido feitas. Ele não iniciou uma campanha de redução de consumo com a antecedência devida”, acrescenta.

Dona Rute, moradora do Jardim Umuarama, vive um racionamento não oficializado pelo governo, que pode durar até 9 dias sem água na torneira. Foto: Sarah Pabst

Na mesma linha de Aparecido, o diretor de base do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema), José Mairton, afirma que o cenário atual poderia ser outro, caso o governador de São Paulo tivesse decretado o racionamento no início de 2014. “A estiagem prolongada previu a falta de água. Hoje poderíamos ter uma situação menos preocupante. A coordenação da campanha eleitoral do atual governador do PSDB não queria passar uma falha gravíssima de sua gestão anterior, sendo assim, persistiram em um erro que considero um dos maiores golpes políticos já visto”, avalia.

Mas, na contramão dos fatos, Alckmin nunca assumiu a necessidade de decretar racionamento, pelo menos assim o fez durante todo o ano de 2014 — um ano eleitoral.

De acordo com Edson Aparecido, apesar de o racionamento não ter sido decretado oficialmente, ele já existe desde que a Sabesp começou a fazer redução na pressão da rede durante o período noturno. “Quando uma pessoa chega em casa do trabalho, vai tomar banho, abre a torneira e descobre que a água só virá no dia seguinte, é um racionamento.”

Depoimentos que desmentem o discurso do governador são abundantes. “Aqui falta água faz tempo já, não é verdade que não tem racionamento em São Paulo”, relata o poeta Binho, fundador do Sarau que leva seu nome e morador do Campo Limpo, vizinho ao terminal de ônibus da região. “A gente tem que ficar de plantão o dia inteiro, esperando a água chegar. Aí corre pra encher balde, panela e guardar tudo”, conta a carroceira Dona Rute de Carvalho na favela Godoi, Jardim Umuarama — ambos na capital paulista.

Com o nível do segundo volume morte ora se estabilizando ora caindo, mas raramente subindo significativamente, e com o período de chuvas se aproximando do seu final, existe algum motivo para que o governador não decrete o racionamento?

Primeira solução para a crise: assumir que há uma crise

Pode parecer óbvio para muitos que, para se resolver um problema, precisa-se, primeiro, reconhecer que ele existe. Mas nem sempre o óbvio é assim tão evidente. “Em momentos de crise como esse, o governo estadual deveria fazer duas coisas — além de decretar oficialmente o racionamento : apresentar um “pacotão” de medidas — um plano de contingência para enfrentar essa crise que tende a se aprofundar ao fim do período de chuvas (final de março), e que esse pacote fosse precedido de um diálogo com as prefeituras diretamente envolvidas com a crise”, afirma Aparecido que cita as prefeituras das regiões metropolitanas da capital paulista e de Campinas, junto com os comitês de bacias hidrográficas do Alto Tietê e do PCJ (Piracicapa-Capivari-Jundiaí). “[Mas] o governo do Estado continua em uma linha de ação individual, autoritária, sem transparência e isso tem sido péssimo”, lamenta.

Fluxo de água na primeira cota do Volume Morto, inaugurado pelo governador Geraldo Alckmin. Foto: Mídia NINJA

Para ele, era necessária uma conversa com todas as prefeituras — com a ajuda do governo do estado e da Sabesp — para desenvolver um plano para a redução do consumo excessivo de água, além da adoção de algumas das medidas como: mapear todas as possibilidades de poços artesianos nas regiões e requisitar que o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo), que é o responsável pela outorga de utilização de poços, apresentasse, com as respectivas prefeituras envolvidas, uma lista com tais possibilidades, tendo como prioridade o abastecimento humano.

Outras medidas deveriam envolver também dois grandes consumidores de água no estado: os setores agrícola e industrial. Aparecido entende que o governo deveria negociar com ambos a busca por novas tecnologias para utilizar menos água em suas produções, inclusive com incentivos fiscais. “Partindo do princípio que a água tem que usar usada prioritariamente para o abastecimento humano, o governo também tinha que chamar a Fiesp [Federação das Indústrias de São Paulo] e fazer um plano de redução de consumo desse setor”, sugere o especialista.

Continuar pedindo o sacrifício da população é insuficiente

Perguntado se um, até o momento, hipotético decreto de racionamento residencial seria suficiente para aplacar a crise, Aparecido Silva é direto: não.

Segundo dados oficiais do DAEE, o setor industrial utiliza 40% de toda água disponível para abastecimento em rios, poços e reservatórios da Grande São Paulo e Baixada Santista e, como afirmou o geógrafo Wagner Ribeiro, professor titular da Universidade de São Paulo (USP), outras medidas futuras podem começar a ser discutidas, como a presença de indústrias nas regiões metropolitanas, que são áreas de escassez hídrica. “É fundamental reavaliar a conveniência de manter indústrias funcionando aqui”, acredita.

E quanto aos empregos na área industrial? O estudo mais recente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, feito entre os dias 12 e 26 de maio de 2014 com 229 empresas de micro e pequeno porte (até 99 empregados), 140 de médio porte (de 100 a 499 empregados) e 44 de grande porte (500 ou mais empregados), revelou que já foram fechados mais de 3 mil postos de trabalho devido à falta de água. As demissões decorrem da redução do ritmo da produção e da queda da produtividade das indústrias pela falta do recurso hídrico. A tendência, segundo a Fiesp, é que o quadro se agrave nos próximos meses.

“A situação já estava muito ruim no que diz respeito ao crescimento econômico”, declarou Anicia Pio, gerente de meio ambiente da Fiesp. “Naturalmente, que a falta d’água teve uma parcela importante nessas demissões. A escassez de água está levando à redução da produtividade e toda vez que isso acontece é necessário cortar custos, ou seja, demitir o funcionário. A nossa perspectiva é que a nova equipe que vai assumir decrete medidas amargas, mas necessárias para que cause o mínimo de sofrimento a todos os setores”, ponderou.

O estudo ainda apontou que, em cada três empresas, duas estão preocupadas com a possível interrupção no fornecimento de água na região. A possibilidade de racionamento ainda neste ano é um fator de preocupação para 67,6% das 413 indústrias entrevistadas pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp.

Calamidade Privada — A crise da água em Itu from A conta da Agua on Vimeo.

Anicia defende que o racionamento deveria ser decretado em todos os setores, inclusive para as empresas. “O correto é que a redução seja para todo mundo. As indústrias têm feito a lição de casa nesse sentido. Desde 2007, as empresas que captam água direto dos mananciais tiveram uma redução de mais de 50%. O setor industrial, na região metropolitana, responde por 10,6% de toda a água utilizada em termos de uso direto (rios, águas subterrâneas)”, afirma.

Além do plano de contingência, ela sugere incentivos fiscais para empresas que atuam no segmento de produtos químicos. “Quanto menos água, mais caro fica o tratamento. O governo poderia diminuir ou dar incentivo para a redução dos impostos de produtos químicos, evitando assim que a população seja obrigada a pagar mais caro pela água”, conclui.

De acordo com Aparecido, o governo do estado deveria enviar à Assembleia Legislativa de São Paulo uma lei reduzindo ou isentando de impostos da esfera estadual, como ICMS, equipamentos hidráulicos que possam reduzir o consumo de água para incentivar a indústria e o comércio — com os usuários domésticos substituindo seus equipamentos por outros de baixo consumo.

Outras medidas sugeridas pelo especialista seriam revisão de calendário de eventos nesses períodos de muito calor, onde se consome muita água; rever o calendário escolar — como campeonatos esportivos, feiras, congressos, a extensão do período de férias de verão e o cancelamento das férias de inverno, além de um controle maior para que todas as administrações, tanto estadual quanto municipal, reduzissem o uso de água na lavagem de equipamentos públicos e rega de jardins, por exemplo.

E a Sabesp?

Em 1994, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) se tornou uma empresa de capital misto com o argumento de que vendendo parte de suas ações seria possível arrecadar mais recursos para investir na sua função: saneamento básico e abastecimento de água.

Passados 20 anos, a empresa viu seu faturamento saltar de R$ 6 bilhões para R$ 17,1 bilhões entre 2002 e 2012. A quantia nada modesta seria mais do que o suficiente para a ampliar a rede de captação e saneamento, evitando assim qualquer problema relacionado à escassez de água. Enquanto parte da população da região metropolitana vê as torneiras secas há meses, os acionistas da Sabesp têm um faturamento nada escasso.

Festa em Nova York, seca em São Paulo: ao som de “Oh Happy Day”, diretores da Sabeps comemoraram o lucro de R$ 4,3 bilhões em 2012 Foto: Sabesp

Diante da lógica da maximização dos lucros, a companhia não tomou as medidas necessárias para conter a crise já em 2013, quando o nível dos reservatórios estava baixando. Políticas de racionamento, com penalização de quem desperdiçasse água, e de informação não foram feitas, como explica Anderson Guahy, técnico em gestão da Sabesp e diretor de formação do Sintaema.

“Em vez da empresa buscar a universalização do saneamento, levar saneamento e saúde para toda a população do estado, ter feito a manutenção das redes de água, ela vem atuando no sentido de garantir lucros cada vez maiores para seus acionistas. No que diz respeito à Sabesp, a responsabilidade pela crise deve ser direcionada à alta gestão e não aos trabalhadores concursados que vêm sendo perseguidos nos últimos meses”, diz Guahy.

Seguindo uma linha de raciocínio semelhante, Anicia Pio sugere que dois blocos de ações que deveriam ter sido executados mas não foram: obras e transparência. “Desde 2004 o governo sabia da necessidade de investir no sistema de abastecimento da Grande São Paulo, mas nada foi feito. Ao mesmo tempo, faltou autoridade e competência para chegar na população através da mídia e explicar a gravidade da situação”, afirma. O caso de 2004 a qual ela se refere é a outorga que autorizava a Sabesp a retirar água do Sistema Cantareira e fornecê-la para oito milhões de pessoas na capital paulista e na região metropolitana, ação que já constava entre as diretrizes para reduzir a demanda, pois o sistema poderia não suportar uma situação como a atual.

“E a Sabesp ainda não apresentou nenhum plano para a redução da perda de água, quer dizer continua perdendo um terço da água ainda na distribuição”, argumenta Aparecido. O especialista afirma que seria importante que ela interrompesse o pagamento de dividendos ou de juros sobre o capital próprio para os seus acionistas.

Em meio a pior crise enfrentada pelo Estado mais rico do Brasil, que possui a maior cidade da América Latina em um país que diferente de muitos outros, foi “abençoado” por inúmeros recursos hídricos disponíveis em seu território, os acionistas podem comemorar o ano que passou: somente em 2014, a Sabesp captou aproximadamente R$ 800 milhões. A população paga a conta.

É difícil atribuir seca em SP ao aquecimento global (Folha de S.Paulo)

Entrevista da 2ª – Carlos Nobre

26 de janeiro de 2015

São necessários mais estudos, diz climatologista, para quem o sudeste tem regime de chuvas especialmente imprevisível

MARCELO LEITE DE SÃO PAULO

O renomado climatologista Carlos Afonso Nobre está muito preocupado com a crise hídrica. No Sudeste, para que a estação chuvosa janeiro-março fique na média histórica, seria preciso chover 60% a 80% mais que o usual nos dois meses que faltam.

O problema é que não há como prever se isso vai ocorrer. No ano passado, o bloqueio atmosférico (massa de ar que impede a entrada de umidade) durou até meados de fevereiro. A boa notícia é que, neste janeiro de 2015, ele foi rompido pela frente fria dos últimos dias –mas nada impede a sua volta.

As condições do Sudeste, afirma, fazem dele uma região de baixa previsibilidade para secas e chuvas, mesmo na escala de semanas.

Secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Nobre se encontra na posição desconfortável de ser um destacado estudioso da mudança do clima com funções executivas num ministério em que o titular (Aldo Rebelo) já pôs o fenômeno em dúvida. Evita tratar do assunto, porém, por ter convivido pouco com o novo ministro.

De todo modo, Nobre não abandona a prudência científica. “É difícil atribuir ao aquecimento global um extremo climático como as secas do Sudeste”, afirma nesta entrevista, concedida por escrito.

A impossibilidade de se relacionar diretamente a mudança climática a episódios específicos não significa, porém, que governos não devam se preparar para o aumento de eventos extremos causado por ela, diz Nobre.

Folha – O verão 2013/14 foi o mais seco em 62 anos no Sudeste, em especial na bacia que alimenta o Cantareira. Já é possível avaliar se o de 2014/15 irá superá-lo ou igualá-lo?

Carlos Nobre – Ainda não, pois fevereiro e março são meses da estação chuvosa. De qualquer maneira, para que a estação chuvosa no Sudeste se encerrasse dentro da média histórica, as chuvas em fevereiro e março deveriam ficar de 60% a 80% acima da média.

Até novembro e dezembro de 2013, as previsões sazonais não haviam sido capazes de indicar a estiagem que viria em janeiro de 2014.

De fato, não há quase nenhuma previsibilidade para a região Sudeste e Centro-Oeste quando se trabalha com uma escala de meses.

Tal região não está entre os locais do planeta com previsibilidade climática sazonal, como o norte do Nordeste, partes da Amazônia e Sudeste da América do Sul (centro-leste da Argentina, Uruguai e Paraguai, e sul do Brasil).

A variabilidade climática no Sudeste é fortemente influenciada por frentes frias e por fenômenos atmosféricos de grande escala, como os bloqueios, que geram os veranicos [com estiagem] no meio da estação chuvosa, que são difíceis da prever. Isso aumenta o nível de incerteza na gestão dos recursos hídricos.

Isso vale para a maior parte do Brasil?

No semiárido do Nordeste, as previsões de secas com antecedência de alguns meses têm alto índice de acerto, quase 80%, e são forma importante para políticas de mitigação dos impactos das secas.

Para a estação chuvosa principal do semiárido, de fevereiro a maio deste ano, as previsões indicam risco de chuvas abaixo da média, um quadro de continuidade do deficit hídrico de vários anos.

No caso da Amazônia, é significativo o risco de grandes incêndios florestais, como em 1998 em Roraima?

Para o norte da Amazônia, especialmente Roraima, as chuvas dos últimos meses têm estado um pouco abaixo da média histórica, e fevereiro e março são meses do período mais seco do ano.

A principal explicação para chuvas abaixo da média no norte da Amazônia é o El Niño [superaquecimento das águas do Pacífico que aquece a atmosfera], ainda que o episódio atual seja considerado fraco e deva se enfraquecer-se nos próximos meses. Não se espera uma seca tão intensa em Roraima como foi aquela de 1997-98, reflexo do mega-El Niño ocorrido então.

Em janeiro de 2014, o bloqueio atmosférico permaneceu até meados de fevereiro. Com a frente fria que chegou a SP nesta quinta-feira (22), pode-se dizer que o pior já passou?

Como disse, prever bloqueios atmosféricos com semanas de antecedência não é factível. Mas, de fato, a situação a partir da chegada de uma fraca frente fria ao Sudeste nos últimos dias é diferente daquela de janeiro e fevereiro de 2014.

A repetição em 2014 e 2015 de condições de estiagem grave, ao menos no Sudeste, pode ter relação com o aquecimento global? Afinal, 2014 foi declarado pela Nasa e pela Noaa o mais quente já registrado. Qual é a chance de que seja apenas uma coincidência?

O fato de que as observações globais indicam a continuidade da tendência de aquecimento global, com 2014 sendo o ano com a mais alta temperatura à superfície desde 1860, é algo bem esperado, em razão da crescente quantidade de gases do efeito estufa na atmosfera.

Por outro lado, é bem mais difícil atribuir ao aquecimento global um extremo climático como as secas do Sudeste. São necessários estudos com modelos climáticos globais complexos, nos quais se simula o clima com e sem os aumentos dos gases-estufa.

Além disso, sempre é necessário estabelecer quais são os mecanismos físicos para a mudança. No caso de bloqueios atmosféricos, envolveria entender mecanismos complexos. Como a propagação de ondas atmosféricas de milhares de quilômetros está respondendo ao aquecimento global? Trata-se de uma tarefa cientificamente bastante desafiadora.

Como se explica que reservatórios relativamente próximos, como Guarapiranga/Billings e Cantareira tenham comportamento tão díspares?

Em anos de bloqueios atmosféricos grandes sobre o Sudeste, toda a região apresenta chuvas abaixo da média. O efeito de ilha urbana de calor [afetadas pela temperatura mais elevada da cidade, massas úmidas de passagem viram tempestades], porém, atua para fazer com que os deficits sobre a região metropolitana de São Paulo sejam menores do que em regiões vizinhas, como o Cantareira.

Por outro lado, mesmo excetuando fenômenos de grande escala como os bloqueios, observa-se uma diminuição relativa das chuvas sobre o Cantareira nas últimas décadas e um aumento das chuvas sobre a cidade. Hipoteticamente, esse efeito de longo prazo pode estar relacionado com a ilha urbana de calor, mas estudos em andamento precisarão comprovar, ou não, essa hipótese.

O governo federal já trabalha com a hipótese de que a Grande São Paulo chegue a um estado de calamidade pública, com esgotamento completo do sistema Cantareira, por exemplo?

O Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) desenvolveu um modelo hidrológico para o sistema Cantareira e instalou, em abril e maio de 2014, 33 pluviômetros automáticos para melhorar o monitoramento das chuvas sobre as bacias de captação. Como não é factível prever hoje as chuvas em fevereiro e março, pode-se apenas traçar cenários.

No caso de continuidade de chuvas abaixo da média nesses meses, de fato há risco de o reservatório não ter condições de manter o abastecimento nos níveis atuais.

O que o poder público deve fazer no médio e no longo prazos para prevenir a repetição dessa situação limítrofe? Diria que se trata do principal problema no campo da adaptação à mudança do clima?

Adaptação às mudanças climáticas deve ser uma prioridade de política pública. Hidrólogos devem incorporar o fato de que os extremos climáticos estão se tornando mais frequentes e, em muitos casos, mais intensos.

Em outras palavras, as séries históricas de observações hidrológicas não podem mais ser consideradas estacionárias. O planejamento da utilização dos recursos hídricos deve levar em conta isso. A atual crise hídrica já está tendo um impacto em demonstrar que o Brasil precisa urgentemente buscar desenvolver sistemas e infraestruturas resistentes ao aumentos dos extremos climáticos.

Qual é a sua avaliação da Conferência de Lima e sua expectativa com relação a Paris, em dezembro?

Lima trouxe progressos incrementais. Embora exista a expectativa de algo maior em Paris, creio que seja realista não esperar uma revolução. Além disso, é preocupante a relativa diminuição recente dos preços dos petróleo e gás: se persistir, irá causar um inevitável aumento das emissões de gases do efeito-estufa.

Como tirar São Paulo da UTI? (Folha de S.Paulo)

26 de janeiro de 2015

Especialistas sugerem parcerias público-privadas e engajamento da sociedade civil para vencer limitações de água, fiação e arborização

FERNANDA MENA RAUL JUSTE LORES DE SÃO PAULO

Vazamentos no sistema da Sabesp, que hoje desperdiçam cerca de 20% da água coletada e tratada em São Paulo, podem ser descobertos por sensores já usados em Cingapura. Empresas que descubram e consertem esses vazamentos, em parcerias público-privadas, receberiam pelo volume de água “recuperado” aos cofres da Sabesp.

Quanto aos fios da rede elétrica que deixam os paulistanos no breu ao sinal de vento ou chuva, a AES Eletropaulo, prefeituras e proprietários de imóveis poderiam ratear o alto custo de se enterrar a fiação aérea.

Árvores que caem e derrubam a rede elétrica em um cenário de blecautes e falta de água frequentes indicam que retirar São Paulo de sua atual UTI vai depender de parcerias público-privadas, participação da sociedade civil e soluções tecnológicas ainda pouco testadas. As contas são bilionárias.

No aniversário de 461 anos de São Paulo, especialistas ouvidos pela Folha dizem que está na hora de sair da “zona de conforto”, buscando novas maneiras de encarar (e financiar) problemas que afetam serviços essenciais, mas que costumam ficar no subterrâneo das prioridades políticas.

Caro mesmo, todos eles concordam, é ficar sem água e sem luz na região metropolitana de São Paulo, que representa 16% do PIB nacional.

VIDAS SECAS

“Recuperar e conservar mananciais, investir em reúso e em políticas para reduzir consumo e perdas são fundamentais para garantir o abastecimento.” A frase foi publicada em 2003 em reportagem nesta Folha.

“O cenário provável é de esgotamento do sistema. Se a água não acabar em março, acaba em agosto”, avisa Marussia Whately, da Aliança pela Água, que reúne organizações pela promoção da segurança hídrica em São Paulo. “Precisamos de uma liderança que ajude a população a lidar com a crise.”

Na Califórnia, que já entra em seu quarto ano de seca, “foi fundamental o governador decretar estado de emergência, assumir o problema e convocar celebridades, como Lady Gaga, para gravar vídeos contra o desperdício”, diz Brendan Wonnacott, gerente da campanha “Save our water” [poupe nossa água]. “A população usou as redes sociais para denunciar vazamentos e desperdício.”

A Odebrecht Ambiental criou a Juntos Pela Água, iniciativa que divulga boas práticas e promoveu a economia de cerca de 20% da água consumida em cidades como Limeira e Porto Ferreira.

Bem mais custosos são os programas de redução de perdas no sistema.

Um plano da Sabesp de 2008 propunha reduzir a quantidade de água desperdiçada em vazamentos de cerca de 20% para 13% até 2020 e previa gastar R$ 4,4 bilhões. Mas, em 2012, o plano ficou mais modesto no objetivo (redução de perdas só para 16,8%), com um inflacionado orçamento de R$ 6 bi.

“Os custos são enormes, mas precisamos trocar tubulações com mais de 50 anos e implantar distritos de controle”, diz Luiz Roberto Gravina Pladevall, da Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente.

“Precisamos achar um modelo em que empresas possam ser recompensadas pela descoberta e conserto de vazamentos de água”, diz o diretor-técnico da Promon Engenharia, Rodney Faria. “Todos sairiam ganhando, afinal a Sabesp começaria a cobrar e ganhar pela água que hoje se perde”, diz.

Neste quadro, a promoção de oferta de água de reúso (a partir da “limpeza” do esgoto), para uso industrial, ainda é tímida.

Há o Aquapolo Ambiental, que custou R$ 364 milhões à Odebrecht Ambiental e abastece hoje cinco empresas do polo petroquímico do ABC, na Grande SP. Sua produção libera, por mês, 450 milhões de litros de água potável.

A longo prazo, mananciais de rios e represas, desmatados em até 70%, precisam ser reflorestados. “Recuperar 3% dessas áreas aumenta a capacidade desses reservatórios em até 50%”, diz Samuel Barreto, da ONG americana The Nature Conservancy.

FIOS E ÁRVORES

O enterramento da fiação da rede elétrica dos postes sempre foi tratado como questão estética, mas ventos de 85 quilômetros por hora que atingiram a cidade no último mês deixaram 800 mil pessoas sem luz.

“As árvores arrebentaram a fiação. Essa recomposição da rede é demorada”, explica Sidney Simonaggio, vice-presidente de operações da AES Eletropaulo.

Se a rede fosse subterrânea, nada disso teria acontecido. Fazer essa transição custa R$ 15 bilhões para o centro expandido de São Paulo, ou R$ 5,8 milhões por quilômetro quadrado.

Em 2013, estudo feito para a empresa aponta que o enterramento de fios só seria viável com rateio dos custos entre AES (cabos e material técnico), usuários (que pagariam tributos pela valorização do seu imóvel) e prefeituras, que fariam as obras de engenharia civil (com a oportunidade de padronizar o calçamento de boa parte da cidade).

Diagnósticos bancados por associações de bairros poderiam servir de base para uma operação emergencial para cortar, podar ou transplantar árvores em “risco iminente” –metade das árvores em calçadas da cidade fica em áreas nobres (e de arborização antiga), como Pinheiros, Jardins, Higienópolis, Butantã, Vila Mariana e Alto de Pinheiros.

“Ainda pagamos muitas vezes a poda por volume, o que incentiva as empresas terceirizadas a podar mais do que o necessário”, diz Marcelo Cocco, engenheiro agrônomo e arborista, da consultoria Legal Tree.

“Precisamos já de um Plano Diretor de Arborização Urbana.” Porto Alegre catalogou suas árvores, com plano de manejo, substituição de árvores de risco e produção de mudas. Seu plano de arborização é de 2000.

“Há tecnologia para redução de emissões”, diz pesquisador Paulo Artaxo (Zero Hora)

Considerado uma das principais autoridades em mudanças climáticas, físico afirma que o Protocolo de Kyoto “já é letra morta”

por Bruno Felin

24/01/2015 | 11h23

"Há tecnologia para redução de emissões", diz pesquisador Paulo Artaxo Anxo Lamela/Anxo Lamela

Camadas de gelo da Groelândia perdem aproximadamente 258 bilhões de toneladas ao anoFoto: Anxo Lamela / Anxo Lamela

Paulo Artaxo é uma das principais autoridades em mudanças climáticas a representar o Brasil nas conferências da ONU. O físico da Universidade de São Paulo tem mais de 300 trabalhos publicados, parte deles nas grandes revistas científicas do mundo. É uma das pessoas a colocar o país como referência em estudos sobre o clima.

Como o mundo saiu da conferência em Lima, no Peru? Há um rascunho de acordo?
Paulo Artaxo: 
Não há um rascunho. Há, no máximo, uma tentativa de se fazer um acordo para redução de emissões, mas não há nenhum compromisso concreto com uma possivel verificação (de quem cumpre ou não). Isso, infelizmente, ainda não existe. O Protocolo de Kyoto foi uma ferramenta importante, mas já é letra morta, não foi cumprido pela falta de penalidade para quem não cumpre.

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O que emperrou para que esse encontro tivesse mais resultados concretos?
Paulo Artaxo: 
Obviamente, o que emperra são as velhas questões de sempre: quem paga a conta e como é que são divididas as responsabilidades do ponto de vista das reduções de emissões. Alguns países, como os Estados Unidos, não aceitam fazer nenhum tipo de redução se a China, por exemplo, que é o seu grande competidor, também não fizer uma redução. Essa é a questão.

Quanto ao proximo acordo, temos de ficar otimistas ou pessimistas?
Paulo Artaxo: Não é questão de ficar otimista, ou jogo de sim ou não. É fundamental que se façam políticas de redução de emissão de gases do efeito estufa, principalmente no setor de energia. Isso é fundamental, a estabilidade do clima no planeta no futuro depende disso. Agora, isso não é a única coisa relevante no nosso planeta, você tem questões econômicas, tecnológicas e políticas para tratar com isso. Então, não podemos simplesmente imaginar que vamos chegar em Paris, vamos sentar e redigir o novo acordo, e todo mundo vai ficar feliz. Não funciona desse jeito. É um longo processo, que esperamos que tenha sucesso, mas não se espera que saia um acordo para reduzir 80% das emissões. Talvez fique em 20% até 2050.

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Temos tecnologia para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. O desafio é barateá-la?
Paulo Artaxo: Na verdade não é uma questão tecnológica. Há tecnologia para redução de emissões em todos os setores. Por exemplo, o setor mais óbvio é a indústria automotiva. Existe tecnologia para reduzir as emissões dos automóveis em pelo menos 50%. A questão é ter políticas públicas que ponham essas tecnologias em uso. Tem que obrigar as fábricas a fazer carros mais eficientes no menor prazo possível. Se isso não acontece, as fábricas vão continuar colocando no mercado carros extremamente ineficientes e totalmente inapropriados para a questão climática como a gente tem hoje.

Nos gráficos abaixo, as evidências demonstram a urgência por ações:

Níveis de CO2Os níveis de CO2 sempre variaram durante a história da Terra. Ao respirar, as plantas retiram o CO2 da atmosfera, ficam com o carbono e soltam oxigênio. Os animais puxam o oxigênio e soltam CO2. Um balanço perfeito. Durante centenas de milhares de anos, os seres vivos foram morrendo e esse material indo cada vez mais para o fundo da Terra. Ao ser exposto a calor e pressão, se transformou nos combustíveis fósseis: petróleo, gás e carvão. E aí mora o nosso problema: todo esse carbono que demorou centenas de milhares de anos para se formar está voltando para a atmosfera em apenas algumas centenas de anos.

Veja animação com o aumento do CO2 ao longo dos anos:

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_grafico_aquecimentoglobal/co2.html

Aumento da temperatura

A temperatura oscilou durante toda a história do planeta acompanhando os níveis de CO2 na atmosfera. Cientistas estimam que os gases do efeito estufa emitidos pelo homem demorem 50 anos para começar a alterar os níveis de CO2 medidos. Por isso é perceptível que, após a revolução industrial, a temperatura tenha aumentado tanto.

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_arte_infograficos_imagem_estatica/index.html?img=http://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/17179158.jpg


Em animação, veja onde a temperatura aumentou nos últimos anos:

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_grafico_aquecimentoglobal/temperature.html

Aumento do nível dos oceanos

O aumento do nível do mar se dá por dois fatores relacionados ao aquecimento global: a água que vem do derretimento do gelo da terra e a expansão natural da água quando esquenta. Em média, o nível do mar está subindo 3.17 milímetros por ano. No último século, foram 17 centímetros.

Em gráfico, acompanhe o aumento do nível do mar:

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_arte_infograficos_imagem_estatica/index.html?img=http://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/17179157.jpg

Desmatamento

Manter as florestas de pé é fundamental para combater o aquecimento, pois as plantas absorvem o CO2 e liberam oxigênio. O Brasil tem a segunda maior área de florestas do mundo, atrás apenas da Rússia, e já desmatou muito a Amazônia. Porém, os números vêm reduzindo, somos exemplo para outros países.

Em gráfico, veja o desmatamento da Amazônia nos últimos anos:

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_arte_infograficos_imagem_estatica/index.html?img=http://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/17179343.jpg

Massa de gelo

As camadas de gelo da Antartica reduziram cerca de 147 bilhões de toneladas por ano enquanto as da Groelândia perderam aproximadamente 258 bilhões de toneladas ao ano. No Ártico, a média de declínio da camada de gelo é de 13,3% por década (relativo às médias de 1981 a 2010).

Veja como ficaram alguns pontos do globo antes e depois dos efeitos das mudanças climáticas:

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_grafico_aquecimentoglobal/antesdepois/index.html