All 36 countries that committed to the Kyoto Protocol on climate change complied with their emission targets, according to a scientific study released today. In addition, the Kyoto process and climate-related policies, represented a low cost for the countries involved — up to 0.1% of GDP for the European Union and an even lower fraction of Japan’s GDP. This is around one quarter to one tenth of what experts had estimated after the agreement was reached in 1997, for delivering the targets set 15 years ahead. The US never ratified the Treaty and Canada withdrew, but all the rest continued and Kyoto came into force in 2005.
The results, reported in the Climate Policy journal, are the first published results to use the final data for national GHG emissions and exchanges in carbon units which only became available at the end of 2015. They show that overall, the countries who signed up to the Kyoto Protocol surpassed their commitment by 2.4 GtCO2e yr -1 (giga-tonnes of CO2 equivalent per year).
“There is often skepticism about the importance of international law, and many critics claim that the Kyoto Protocol failed. The fact that countries have fully complied is highly significant, and it helps to raise expectations for full adherence to the Paris Agreement,” said Prof. Michael Grubb, Editor-in-Chief of the Climate Policy journal and co-founder of research network Climate Strategies.
The researchers found that most of these countries reduced their GHG emissions to the levels required by the Kyoto Protocol, with only nine (Austria, Denmark, Iceland, Japan, Lichtenstein, Luxembourg, Norway, Spain and Switzerland) emitting higher levels. The nine countries only just overshot their targets — in total by around 1% of the average annual emissions capped under Kyoto — and were able to comply with the Protocol using the “flexibility” mechanisms. The researchers also found that overall compliance would have also been achieved even without the so-called ‘hot-air,’ (windfall emission reductions from Eastern Bloc countries).
Journal Reference:
Igor Shishlov, Romain Morel, Valentin Bellassen. Compliance of the Parties to the Kyoto Protocol in the first commitment period. Climate Policy, 2016; 1 DOI: 10.1080/14693062.2016.1164658
Obesity is linked to changes in our gut microbes — the trillions of tiny organisms that inhabit our intestines. But the mechanism has not been clear to date. In a new study, a team of researchers has identified how an altered gut microbiota causes obesity.
Obesity is linked to changes in our gut microbes — the trillions of tiny organisms that inhabit our intestines. But the mechanism has not been clear. In a new study published in Nature, a Yale-led team of researchers has identified how an altered gut microbiota causes obesity.
In an earlier study, Gerald I. Shulman, M.D., the George R. Cowgill Professor of Medicine, observed that acetate, a short-chain fatty acid, stimulated the secretion of insulin in rodents. To learn more about acetate’s role, Shulman, who is also an investigator of the Howard Hughes Medical Institute, and a team of Yale researchers conducted a series of experiments in rodent models of obesity.
The research team compared acetate to other short-chain fatty acids and found higher levels of acetate in animals that consumed a high-fat diet. They also observed that infusions of acetate stimulated insulin secretion by beta cells in the pancreas, but it was unclear how.
Next, the researchers determined that when acetate was injected directly into the brain, it triggered increased insulin by activating the parasympathetic nervous system. “Acetate stimulates beta cells to secrete more insulin in response to glucose through a centrally mediated mechanism,” said Shulman. “It also stimulates secretion of the hormones gastrin and ghrelin, which lead to increased food intake.”
Finally, the research team sought to establish a causal relationship between the gut microbiota and increased insulin. After transferring fecal matter from one group of rodents to another, they observed similar changes in the gut microbiota, acetate levels, and insulin.
“Taken together these experiments demonstrate a causal link between alterations in the gut microbiota in response to changes in the diet and increased acetate production,” said Shulman. The increased acetate in turn leads to increased food intake, setting off a positive feedback loop that drives obesity and insulin resistance, he explained.
The study authors suggest that this positive feedback loop may have served an important role in evolution, by prompting animals to fatten up when they stumbled across calorically dense food in times of food scarcity.
“Alterations in the gut microbiota are associated with obesity and the metabolic syndrome in both humans and rodents,” Shulman noted. “In this study we provide a novel mechanism to explain this biological phenomenon in rodents, and we are now examining whether this mechanism translates to humans.”
Journal Reference:
Rachel J. Perry, Liang Peng, Natasha A. Barry, Gary W. Cline, Dongyan Zhang, Rebecca L. Cardone, Kitt Falk Petersen, Richard G. Kibbey, Andrew L. Goodman, Gerald I. Shulman. Acetate mediates a microbiome–brain–β-cell axis to promote metabolic syndrome. Nature, 2016; 534 (7606): 213 DOI: 10.1038/nature18309
O estopim para que ocorressem tais manifestações talvez seja o fato do deputado estadual Fernando Capez (PSDB) estar envolvido em denúncias sobre o esquema de desvio de verbas das merendas das escolas públicas do estado de São Paulo. Não por acaso que os Gaviões miram em Capez: o inimigo número um das torcidas.
Muito tem se falado sobre as manifestações políticas da torcida Gaviões da Fiel nos jogos do Campeonato Paulista, mas pouco sobre a história que fundamenta tais manifestações. Por isso, esse artigo pretende apresentar alguns elementos que possam contribuir para elucidar esse fenômeno e problematizar os aspectos que envolvem o seu desenvolvimento. Para tanto, inicia com a seguinte pergunta: quando foi que a torcida realizou a primeira manifestação em 2016?
Final da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2016. Os Gaviões da Fiel Torcida, que tomaram parte das arquibancadas do lendário estádio do Pacaembu, decidiram realizar uma festa popular ao acenderem sinalizadores e gás de fumaça para festejar a partida decisiva entre Corinthians e Flamengo, com a presença das duas maiores torcidas do país. Até aí tudo bem se não fosse o fato de sinalizadores e fumaça serem proibidos pela Federação Paulista de Futebol (FPF) e coibidos pela Polícia Militar (PM) do estado de São Paulo. Mas essa não foi uma simples festa popular. Com essa ação, a torcida corinthiana iniciou uma série de protestos políticos contra FPF, o preço dos ingressos e as proibições que sofrem as torcidas para ingressar com bandeiras, faixas e sinalizadores inofensivos nas arquibancadas, fato que fez com que a torcida sofresse outra punição: ficar 60 dias proibida de entrar com faixas e bandeiras nos estádios.
Esse processo de proibições vem desde 1995 e se institucionalizou na forma de punição sobre as torcidas organizadas (elas que representam a organização coletiva e política de seus torcedores) após o infeliz acontecimento decorrente da briga entre torcidas dos times São Paulo e Palmeiras, também na final da Copa São Paulo daquele ano. De lá para cá a imprensa esportiva, o Ministério Público (sob ações do promotor Fernando Capez), a PM e a FPF construíram um discurso e passaram a criminalizar as torcidas organizadas ao realizar ações para que elas perdessem seu espaço nos estádios, com o objetivo de consolidar o padrão de outro tipo de torcedor: o torcedor “família”, consumidor e individual do chamado “futebol moderno”, aquele que consome, porém, não questiona enquanto sujeito político os problemas do esporte nas arquibancadas.
Nesse meio tempo, com as torcidas banidas por um período das arquibancadas e com o discurso da violência nos estádios, a Rede Globo de televisão, aliada de cartolas e dirigentes de clubes, federações e da CBF, estabeleceu a compra das transmissões para consolidar um sistema de transmissão fechado em canais pago, e deter preferência nas transmissões em canal aberto através de privilégios. Ela negociou diretamente com cada clube e estabeleceu contratos que amarram futuras decisões. Com isso, criou-se um público de torcedores que não iam mais ao estádio (com medo das torcidas) e que assistiam no conforto de suas casas, com seus familiares e amigos até que os estádios voltassem a ser “seguros” e compatíveis com certos interesses de classes desses agentes. Ao retornarem aos estádios, as torcidas foram fichadas pela PM e ficaram impedidas de entrar com bandeiras de bambu, sinalizadores inofensivos e com outros adereços.
Recentemente e não por acaso, foi perceptível que antes, durante e após a Copa do Mundo no Brasil em 2014 organizado pela Fédération Internationale de Football Association (FIFA) – entidade maior do futebol que também está manchada por escândalos de corrupção tal como a CBF e a FPF – construiu-se um discurso sobre o tal padrão de torcedor e estádio que deveria ser consolidado no país. A organização local desse torneio impediu que manifestantes se aproximassem dos estádios (chamados agora de arenas) por meio de um forte aparato repressor, ao se passar uma imagem para o mundo de que o país vivia alegre e festivamente a Copa (imagem veiculada pela transmissão oficial). No entanto, outros meios mostravam a real situação nas ruas através das manifestações organizadas pelos Comitês Populares da Copa e que foram reprimidas com violência e prisões, imagens estas veiculadas pelas mídias alternativas na Internet. Nesse momento, os Gaviões da Fiel estiveram calados e sequer se manifestaram contra o processo de elitização no futebol que vinha antes da Copa e que se potencializou com o torneio. Se tivessem se posicionado, teriam o apoio das organizações populares que estavam nas ruas lutando por uma Copa popular.
Mas por que os Gaviões da Fiel se manifestaram somente agora em 2016?
Um dos aspectos que chamam a atenção é o posicionamento da atual diretoria dos Gaviões através de seu presidente Rodrigo Fonseca, o Diguinho, que disse em entrevista ao jornal Brasil de Fato que “Não podemos assistir omissos ao processo de elitização do futebol”. De fato, ele reconhece que “não apenas o Corinthians está passando faz anos e tornando a arquibancada um lugar mais branco e rico que outrora”, e destaca que “CBF, FPF, Rede Globo, diretoria do Corinthians e os tais promotores, todos eles trabalham em conjunto para fazer do futebol um espetáculo de elite”.
Outro aspecto importante é que em 2015 os Gaviões soltaram notas em apoio à greve dos professores da rede pública estadual que durou 90 dias, e aos estudantes que lutaram contra a reorganização escolar e ocuparam com ousadia o coração do espaço público na sociedade – as escolas públicas do estado de São Paulo. Ambas as lutas contra o governo do estado que também puniu as torcidas com uma visão elitista de criminalizá-las. Essas lutas sem dúvida influenciaram os Gaviões e os fez alçar novos voos pela liberdade também nas arquibancadas, ao buscarem em sua própria história e origem o legado da luta contra um sistema opressor em defesa da liberdade e da crítica social nas arquibancadas por meio de um despertar político. Os Gaviões nasceram para fiscalizar e lutar contra os autoritarismos e as censuras impostas pela arbitrariedade de dirigentes e federações no clube e no futebol durante a ditadura militar. Foi a primeira (e talvez única) torcida a levantar em 1979 a faixa pela Anistia ampla aos presos políticos.
Regressando um pouco ao ano de 2007, ano em que a torcida corinthiana protagonizou o Movimento Fora Dualib, o futebol do Corinthians enfrentava crises sem tréguas que culminou com o rebaixamento no Campeonato Brasileiro daquele ano. A crise que estourou no clube foi resultado das tramas entre dirigentes que agiam de maneira oligárquica e o setor financeiro. No ano de 2005 eles realizaram uma parceria com a Media Sports Investment (MSI), representada pelo iraniano Kia Joorabchian, parceria que expressou a chegada de capitais britânicos e russos de origem duvidosa ao futebol brasileiro. A MSI estabeleceu um contrato em que iria realizar investimentos por dez anos no futebol do Corinthians ao contratar jogadores renomados e construir o estádio para o clube. Ela formou um time que auto intitulou de “galácticos” que conquistou o Campeonato Brasileiro de 2005, mas que na temporada seguinte, devido ao desgaste pelo controle do futebol do clube entre Kia e Dualib, deixou de enviar recursos ao clube que gerenciou o departamento de futebol por conta própria e acumulou uma dívida superior aos R$ 70 milhões. A parceria, que ganhou as manchetes e elevou o clube aos noticiários esportivos do mundo, terminou em 2007 nas páginas policiais com a intervenção do Ministério Público Federal e o bloqueio das contas da MSI e de seus representantes acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, aspectos que fizeram com que os Gaviões e as demais torcidas corinthianas se mobilizarem para retirar da presidência o responsável por essa trama: Alberto Dualib.
Mas o que esse episódio na história do Corinthians pode dizer sobre o futebol brasileiro? Em primeiro lugar, o futebol é a expressão da formação social, econômica e política da sociedade brasileira organizada para exportar “produtos primários”, aspecto estrutural de uma economia “voltada para fora” e que foi devidamente analisada pelo historiador Caio Prado Júnior quando desvelou o seu caráter dependente. No caso do futebol, isso implica em dizer que parte dos jogadores preparados aqui tem seus passes “vendidos” precocemente em transações financeiras para os grandes clubes da Europa, o que atribui um papel decisivo a um agente que não existia antes no futebol – o empresário de jogador, aquele que faz a ponte entre o clube daqui com os clubes estrangeiros de lá. O futebol expressa a desigualdade social já que 0,80% dos jogadores recebem salários entre R$ 50 mil a R$ 500 mil e 82,40% não recebem mais que R$ 1.000,00.[1] Em segundo lugar, os clubes que querem formar grandes elencos para a conquista de títulos e não criaram condições próprias para isso, acabam por depender de recursos externos e recorrem aos investidores, patrocinadores e parceiros na execução dos chamados “projetos” para aquela temporada ou para um período maior. O fato é que os clubes de futebol, que são entidades sem fins lucrativos e/ou associações, passaram a depender de agentes do setor financeiro que visam com os seus “investimentos” encontrar fontes mais rentáveis para suas receitas e viram nos clubes um jeito de gerar rentabilidade aos seus capitais livres de impostos. O problema é o descompasso entre os clubes, já que parte ainda são geridos de maneira oligárquica por seus dirigentes, e os agentes financeiros, empresas e pessoas físicas que investem recursos para obter lucro.
Em tal cenário de investimentos de capitais e mercantilização sem riscos as torcidas organizadas passaram a ser um problema, pois elas querem ver seus times com elencos fortes e disputando títulos, e questionam com força quando isso não acontece. Elas entraram também no jogo do “mercado” e deixaram de lado as manifestações política que marcaram suas trajetórias. Então, como o futebol não é uma ciência exata e depende da dinâmica dos jogos e da organização das equipes, nem sempre é provável que o elenco mais caro e forte saia vencedor daquele campeonato. Mas como os clubes brasileiros foram integrados em um mundo de economia globalizada, financeirizada e midiatizada, precisam lidar com “a propaganda como a alma do negócio”. Mesmo que não vençam campeonatos, o importante é a marca aparecer e se autovalorizar, e para isso o marketing dos clubes grandes foi ampliado. Outro aspecto é que as brigas entre as torcidas que expressava a organização das classes populares teria afastado o torcedor-consumidor do ideário liberal-econômico que manteria essa engrenagem funcionando.
Nesse sentido, estaria aí um nexo que articula uma explicação possível para a proibição das torcidas nos estádios em São Paulo: por um lado, altos investimentos de empresas e emissoras de televisão nos clubes grandes e nas federações, para que garantam o monopólio e o privilégio de valorização e transmissão das partidas, por outro, pacificação e aburguesamento nas arquibancadas, expresso inclusive no programa Fiel Torcedor que exclui e individualiza o acesso ao estádio, duplo movimento chamado pelas torcidas de “futebol moderno”, o qual é possível defini-lo por futebol elitizado. O futebol paulista e brasileiro, portanto, faz então um movimento de regresso às suas origens direto para a elitização, mas com os conflitos de nosso tempo histórico, já que o mesmo se popularizou a partir da década de 1930 e se tornou paixão nacional na década de 1950 entre as classes populares nos processos de industrialização da sociedade.
Por isso, e retomando a importância das recentes manifestações, por que os atos nas arquibancadas protagonizados pelos Gaviões ganharam ressonância geral para além do clubismo? Talvez porque a torcida corinthiana decidiu atacar de maneira politizada as raízes do problema que determinou a sua punição no estádio com uma pauta clara e direta. Com faixas nas partidas contra o Capivariano e o São Paulo no Campeonato Paulista de 2016 estabeleceu o seguinte diálogo com a sociedade: “Rede Globo, o Corinthians não é o seu quintal”; “Cadê as contas do estádio?”; “CBF, FPF a vergonha do futebol”; “Futebol refém da Rede Globo”; “Quem vai punir o ladrão de merendas?”; “Ingresso mais barato”. Foi a primeira vez que uma torcida se manifestou explicitamente nas arquibancadas contra essas entidades e emissora. Entretanto, ao denunciar os causadores da falta de liberdade de expressão e de sua punição das arquibancadas, os Gaviões enfrentaram a PM e a FPF que impediam que as torcidas se manifestassem politicamente nos estádios. Ao derrubarem os argumentos das “autoridades” com referência ao próprio Estatuto do Torcedor que seus algozes utilizavam, demonstraram conhecimento de causa e puderam deslegitimar a tentativa da FPF e da PM de criminalizá-los.
Cabe destacar que o primeiro movimento de torcedores corinthianos contra o “futebol moderno” dentro e fora do Itaquerão (estádio do Corinthians) foi protagonizado por um pequeno grupo de dissidentes dos Gaviões e torcedores comuns em 2014, quando resgataram o movimento criado pelas organizadas “Andrés aqui não tem burguês”. Eles se manifestaram com faixas e dizeres do tipo “Ingresso caro = corinthiano de fora”, ao se posicionar contra os ingressos caros no novo estádio e chamar a atenção para a exclusão dos corinthianos das classes populares (preto, pobre e periférico). Contudo, sofreram represália da PM e tiveram suas faixas tomadas sob alegação de que estavam violando a lei. Esse movimento ficou restrito a este grupo pequeno e não teve visibilidade como ocorreu agora com as ações dos Gaviões que sempre foi referência política e de canto na arquibancada. De qualquer maneira, o grupo criticou o ex-presidente Andrés Sanchez, responsável pela gestão do estádio, e conseguiu uma conquista importante já que foi ano de eleição: uma pequena baixa no preço dos ingressos. Só que o preço dos ingressos continuou alto para as condições de vida das classes populares que historicamente frequentaram os estádios, não só em jogos no Itaquerão, mas também em jogos com mando de campo de times do interior.
Mas no atual momento o que defendem os Gaviões?
Os Gaviões defendem o direito à liberdade de expressão e à livre manifestação da coletividade nas arquibancadas desse Brasil a fora. Essa liberdade foi garantida pela Constituição Federal de 1988 que diz que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição”. Todavia, segundo o Estatuto do Torcedor e o regulamento da FPF, os torcedores podem se manifestar pacificamente nas arquibancadas. Por isso, como disse o jornalista José Trajano “tudo o que eles manifestaram, através das faixas, tem o apoio da maioria da população brasileira. Eles são os nossos porta-vozes. Assino embaixo”. Esse sentimento particular de uma torcida que luta por sua liberdade de crítica social é o sentimento geral de maior parte da população brasileira que se reconhece e se identifica nesse tipo de manifestação, já que o futebol enquanto paixão nacional se tornou um lazer mercantilizado e gerido por dirigentes mafiosos que estão imersos em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro, dominado por uma emissora de TV e que parecem desconsiderar os valores afetivos e de sociabilidade que os torcedores têm por esse esporte popular.
Ademais, talvez o estopim para que ocorressem tais manifestações agora seja o fato de haver chegado ao público denúncias sobre o esquema de desvio de verbas das merendas das escolas públicas do estado de São Paulo, esquema que teria como principal articulador o promotor e deputado estadual Fernando Capez (Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB). Não por acaso que os Gaviões miram em Capez: o inimigo número um das torcidas e que agora se encontra imerso em denúncias sobre atitudes ilícitas e criminosas de desvio de verbas, aspecto que sempre atribuiu em seus discursos às torcidas organizadas. Ironias da história que não só gira, mas, sobretudo, se desenvolve em um movimento espiral de contradições e conflitos sociais em que os agentes e os acontecimentos se convertem no seu contrário, o bom moço da promotoria está no banco dos réus enquanto que os Gaviões procuram resgatar sua imagem de torcida que faz a festa e manifestações legítimas com forte apelo social.
Por fim, os Gaviões apresentam uma crítica social e não só do futebol ao que ocorreu nas escolas públicas com a chamada propina da merenda escolar e parece conclamar as torcidas, os estudantes e os trabalhadores, já que entoaram o canto “Eu não roubo merenda, eu não sou deputado. Trabalho todo dia, não roubo meu Estado” e de “Ladrão, ladrão, devolve o futebol pro povão”, para lutar contra os desmandos e arbitrariedades da FPF e do partido do governo estadual nesses 21 anos de mandatos, o mesmo partido que proibiu as torcidas de se manifestarem nos estádios, os estudantes de se manifestarem nas escolas e os professores de se manifestarem nas ruas. Tal como analisou Marx, podemos inferir também que a história ocorre por assim dizer duas vezes: a primeira como tragédia, com a proibição das torcidas, reorganização escolar e derrota da greve dos professores, e a segunda como farsa, predominância de torcedores “coxinhas” nas arquibancadas, desorganização escolar camuflada e precarização do trabalho de professores nas escolas. É preciso então haver lutas pela liberdade e crítica social nas arquibancadas, nas escolas e nas ruas para que haja a transformação efetiva da sociedade. As demais torcidas do Corinthians e de outros clubes já estão seguindo o exemplo de politização dos Gaviões e se manifestando nas arquibancadas. Tomara que essas manifestações construa um movimento para além do clubismo e por um futebol que retorne ao poder e apropriação das classes populares.
Sandro Barbosa de Oliveira
Sandro Barbosa de Oliveira é professor, educador popular, bacharel em Ciências Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA), mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e doutorando em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Participa do Grupo de Pesquisa Classes Sociais e Trabalho da Unifesp. É também associado e cientista social da Usina Centro de Trabalhos para o Ambiente Habitado.
IMF economists have published a remarkable paper admitting that the ideology was oversold
‘You hear it when the Bank of England’s Mark Carney sounds the alarm about ‘a low-growth, low-inflation, low-interest-rate equilibrium’. Photograph: Dylan Martinez/AFP/Getty Images
Tuesday 31 May 2016 06.59 BST
What does it look like when an ideology dies? As with most things, fiction can be the best guide. In Red Plenty, his magnificent novel-cum-history of the Soviet Union, Francis Spufford charts how the communist dream of building a better, fairer society fell apart.
Even while they censored their citizens’ very thoughts, the communists dreamed big. Spufford’s hero is Leonid Kantorovich, the only Soviet ever to win a Nobel prize for economics. Rattling along on the Moscow metro, he fantasises about what plenty will bring to his impoverished fellow commuters: “The women’s clothes all turning to quilted silk, the military uniforms melting into tailored grey and silver: and faces, faces the length of the car, relaxing, losing the worry lines and the hungry looks and all the assorted toothmarks of necessity.”
But reality makes swift work of such sandcastles. The numbers are increasingly disobedient. The beautiful plans can only be realised through cheating, and the draughtsmen know it better than any dissidents. This is one of Spufford’s crucial insights: that long before any public protests, the insiders led the way in murmuring their disquiet. Whisper by whisper, memo by memo, the regime is steadily undermined from within. Its final toppling lies decades beyond the novel’s close, yet can already be spotted.
When Red Plenty was published in 2010, it was clear the ideology underpinning contemporary capitalism was failing, but not that it was dying. Yet a similar process as that described in the novel appears to be happening now, in our crisis-hit capitalism. And it is the very technocrats in charge of the system who are slowly, reluctantly admitting that it is bust.
You hear it when the Bank of England’s Mark Carney sounds the alarm about “a low-growth, low-inflation, low-interest-rate equilibrium”. Or when the Bank of International Settlements, the central bank’s central bank, warns that “the global economy seems unable to return to sustainable and balanced growth”. And you saw it most clearly last Thursday from the IMF.
What makes the fund’s intervention so remarkable is not what is being said – but who is saying it and just how bluntly. In the IMF’s flagship publication, three of its top economists have written an essay titled “Neoliberalism: Oversold?”.
The very headline delivers a jolt. For so long mainstream economists and policymakers have denied the very existence of such a thing as neoliberalism, dismissing it as an insult invented by gap-toothed malcontents who understand neither economics nor capitalism. Now here comes the IMF, describing how a “neoliberal agenda” has spread across the globe in the past 30 years. What they mean is that more and more states have remade their social and political institutions into pale copies of the market. Two British examples, suggests Will Davies – author of the Limits of Neoliberalism – would be the NHS and universities “where classrooms are being transformed into supermarkets”. In this way, the public sector is replaced by private companies, and democracy is supplanted by mere competition.
The results, the IMF researchers concede, have been terrible. Neoliberalism hasn’t delivered economic growth – it has only made a few people a lot better off. It causes epic crashes that leave behind human wreckage and cost billions to clean up, a finding with which most residents of food bank Britain would agree. And while George Osborne might justify austerity as “fixing the roof while the sun is shining”, the fund team defines it as “curbing the size of the state … another aspect of the neoliberal agenda”. And, they say, its costs “could be large – much larger than the benefit”.
IMF managing director Christine Lagarde with George Osborne. ‘Since 2008, a big gap has opened up between what the IMF thinks and what it does.’ Photograph: Kimimasa Mayama/EPA
Two things need to be borne in mind here. First, this study comes from the IMF’s research division – not from those staffers who fly into bankrupt countries, haggle over loan terms with cash-strapped governments and administer the fiscal waterboarding. Since 2008, a big gap has opened up between what the IMF thinks and what it does. Second, while the researchers go much further than fund watchers might have believed, they leave in some all-important get-out clauses. The authors even defend privatisation as leading to “more efficient provision of services” and less government spending – to which the only response must be to offer them a train ride across to Hinkley Point C.
Even so, this is a remarkable breach of the neoliberal consensus by the IMF. Inequality and the uselessness of much modern finance: such topics have become regular chew toys for economists and politicians, who prefer to treat them as aberrations from the norm. At last a major institution is going after not only the symptoms but the cause – and it is naming that cause as political. No wonder the study’s lead author says that this research wouldn’t even have been published by the fund five years ago.
From the 1980s the policymaking elite has waved away the notion that they were acting ideologically – merely doing “what works”. But you can only get away with that claim if what you’re doing is actually working. Since the crash, central bankers, politicians and TV correspondents have tried to reassure the public that this wheeze or those billions would do the trick and put the economy right again. They have riffled through every page in the textbook and beyond – bank bailouts, spending cuts, wage freezes, pumping billions into financial markets – and still growth remains anaemic.
And the longer the slump goes on, the more the public tumbles to the fact that not only has growth been feebler, but ordinary workers have enjoyed much less of its benefits. Last year the rich countries’ thinktank, the OECD, made a remarkable concession. It acknowledged that the share of UK economic growth enjoyed by workers is now at its lowest since the second world war. Even more remarkably, it said the same or worse applied to workers across the capitalist west.
Red Plenty ends with Nikita Khrushchev pacing outside his dacha, to where he has been forcibly retired. “Paradise,” he exclaims, “is a place where people want to end up, not a place they run from. What kind of socialism is that? What kind of shit is that, when you have to keep people in chains? What kind of social order? What kind of paradise?”
Economists don’t talk like novelists, more’s the pity, but what you’re witnessing amid all the graphs and technical language is the start of the long death of an ideology.
Imagem de reprodução de DNA de hélice quádrupla – Divulgação/Jean-Paul Rodriguez
WASHINGTON — Um grupo de cientistas propôs, nesta quinta-feira, um projeto ambicioso para criar um genoma humano sintético, que tornaria possível a criação de seres humanos sem a necessidade de pais biológicos. Esta possibilidade levanta polêmica sobre o quanto a vida humana pode ou deve ser manipulada.
O projeto, que surgiu em uma reunião de cientistas da Universidade Harvard, nos EUA, no mês passado, tem como objetivo desenvolver e testar o genoma sintético em células dentro de laboratório ao longo de dez anos. O genoma sintético humano envolve a utilização de produtos químicos para criar o DNA presente nos cromossomas humanos. A meta foi relatada na revista “Science” pelos 25 especialistas envolvidos.
Os cientistas propuseram lançar, ainda este ano, o que chamaram de Projeto de Escrita do Genoma Humano e afirmaram que iriam envolver o público nessa discussão, que incluiria questões éticas, legais e sociais.
Os especialistas esperam arrecadar US$ 100 milhões — o equivalente a R$ 361 milhões — em financiamento público e privado para lançar o projeto este ano. No entanto, eles consideram que os custos totais serão inferiores aos US$ 3 milhões utilizados no Projeto do Genoma Humano original, que mapeou pela primeira vez o DNA humano.
O novo projecto “incluirá a engenharia completa do genoma de linhas de células humanas e de outros organismos importantes para a agricultura e saúde pública, ou aqueles que interpretar as funções biológicas humanas”, escreveram na “Science” os 25 cientistas, liderados pelo geneticista Jef Boeke, do Centro Médico Langone, da Universidade de Nova York.
El dron Savant pesa 24 kilos y tiene 3 metros de envergadura. KEVIN CLIFFORD
El vuelo experimental ha sido en Nevada (EEUU), azotada por la sequía
EUROPA PRESS
25/05/2016 19:46
Un avión no tripulado ha probado por primera vez con éxito la conocida como ‘siembra’ de nubes, con la que los científicos pretenden provocar lluvia en épocas de sequía. El vuelo experimental, de Desert Research Institute (DRI) se ha llevado a cabo en Nevada (Estados Unidos).
Este dron, conocido como Savant, alcanzó una altitud de más de 120 metros y voló durante aproximadamente 18 minutos. “Es un gran logro”, ha apuntado el científico principal del proyecto, Adam Watts, experto en aplicaciones ecológicas y de recursos naturales.
Este proyecto, primero en su tipo, está ayudando al Estado de Nevada abordar los impactos continuos de sequía y a explorar soluciones innovadoras para luchar contra la ausencia de recursos, tales como aumentar el abastecimiento de agua regionales.
El equipo de investigación lleva más de 30 años de investigación y experiencia en la modificación del clima con experiencia probada en operaciones de fabricación aeroespacial y de vuelo de aviones no tripulados, según apunta el DRI en su página web.
“Hemos alcanzado otro hito importante en nuestro esfuerzo por reducir los riesgos y los costes en la industria de la siembra de nubes y ayudar a mitigar los desastres naturales causados por la sequía, el granizo y la niebla extrema“, ha señalado el CEO de la asociación de aviones no tripulados de América, Mike Richards.
“Con una envergadura de 3 metros de ancho y unos 24 kilos de peso, Savant es el vehículo perfecto para llevar a cabo este tipo de operaciones, debido a su perfil de vuelo superior, el tiempo que permanece en el aire y su resistencia al viento y a otras condiciones climáticas adversas”, ha apuntado Richards.
¿Quién está disolviendo las nubes en Andalucía?
Miguel del Pino, de Asaja Granada, muestra una foto de una de las avionetas. M. RODRÍGUEZ
La patronal agraria Asaja denuncia la ‘siembra’ de yoduro de plata
Piden que su actividad esté regulada por ley para evitar los daños
RAMÓN RAMOS, Granada
07/04/2016 19:31
No es leyenda urbana ni ciencia ficción: las avionetas ‘rompenubes’ existen y su actividad es dañina para los cultivos en las zonas en las que actúan. El último episodio tiene lugar fecha y hora. Fue detectado el pasado lunes día 4 a las 15,50 horas en la comarca granadina del Marquesado. Ese día el pronóstico del tiempo anunciaba lluvias de hasta 30 litros por metro cuadrado y las nubes negras que presidían los cielos parecían certificar el augurio. A la hora citada apareció por el norte una avioneta, sobrevoló la comarca de Este a Oeste y desapareció. Las nubes cambiaron de color, del blanco al negro, y sus efectos de lluvia se quedaron en solo seis litros por metro cuadrado, apunta Luis Ramírez, un agricultor de Huéneja afectado por la actividad de estos vuelos ‘fantasma’.
El efecto cromático en las nubes y su consecuente disminución en la descarga de unas lluvias muy esperadas en la comarca tiene una explicación para los agricultores: la ‘siembra’ entre las nubes de yoduro de plata, una sustancia química actúa cristalizando el agua condensada en las nubes.
Asaja, organización patronal agraria, ha estallado contra esta práctica, que no es exclusiva de la provincia de Granada y se enmarca en los posibles intereses de empresas de energía solar y grandes extensiones agrarias, habitualmente instaladas en las zonas donde actúan las avionetas: el Levante español y también Soria.
La organización ha iniciado una recogida de firmas que aspira a reunir las 500.000 necesarias para promover una iniciativa legislativa que prohíba por ley estas intervenciones ‘rompenubes’ que alteran los ciclos hidrológicos, agravando la sequía y dañando los cultivos.
Los pastos para animales, afectados
En esta línea se constituyó el pasado año la Plataforma para la Defensa del Medio Ambiente y la Naturaleza de la Comarca del Marquesado y del Río Nacimiento, donde la acción de las avionetas ‘rompenubes’ está afectando a los cultivos de cereales y almendros, perjudicando además al crecimiento de los pastos para alimentación del ganado.
Asaja advierte de que la posible intervención en la fase atmosférica del ciclo integral del agua está recogida en la Ley de Aguas y en el Reglamento del Dominio Público Hidráulico con la finalidad de evitar precipitaciones en forma de granizo o pedrisco que causen daños.
En los llanos del Marquesado y otras zonas limítrofes como Guadix, Gor, Los Montes Orientales y río Nacimiento, Almería, una extensión de terrenos cultivables que abarca más de 30.000 hectáreas, están acostumbradas al ruido de avionetas de baja altitud ocultas entre las nubes cuando hay aviso de tormenta, “y es un hecho que desde hace cinco años allí no cae apenas agua”, relata el presidente provincial de Asaja, Manuel del Pino.
En esa zona, el cultivo del cereal ha desaparecido porque cosecha era cero e intentan salvar la actividad agrícola transformando las hectáreas baldías en almendro, más resistente y con mejores posibilidades técnicas de producción, y la ganadería extensiva también se resiente por la ausencia de pastos. Son tierras áridas, pero con la intervención artificial en el régimen de lluvias que se está practicando en ellas, “legal o no”, se están desertizando aun más.
El vuelo de las avionetas ‘rompenubes’ fue detectado en el norte de la provincia de Granada a mediados de los años 90, en plena sequía. Su actividad se ha reanudado en los últimos cinco años. La denuncia de los agricultores ante la Guardia Civil no ha dado fruto porque no es obligatorio comunicar los vuelos a menos de 3.000 metros de altura y se trata, además, de una práctica permitida y regulada en las leyes españolas con la finalidad de evitar precipitaciones en forma de granizo o pedrisco que causen daños.
Asaja asegura que los gobiernos conocen esta práctica pero “no aclaran ciertas cuestiones, como de dónde proceden, quién está detrás y qué intereses se buscan, sean compañías de seguros que pretenden evitar indemnizaciones, grandes corporaciones que quieren proteger sus cultivos, empresas de energía solar, la industria farmacéutica o incluso temas de seguridad”.
Justin E H Smith is a professor of history and philosophy of science at the Université Paris Diderot – Paris 7. He writes frequently for TheNew York Times and Harper’s Magazine. His latest book is The Philosopher: A History in Six Types(2016).
A poet, somewhere in Siberia, or the Balkans, or West Africa, some time in the past 60,000 years, recites thousands of memorised lines in the course of an evening. The lines are packed with fixed epithets and clichés. The bard is not concerned with originality, but with intonation and delivery: he or she is perfectly attuned to the circumstances of the day, and to the mood and expectations of his or her listeners.
If this were happening 6,000-plus years ago, the poet’s words would in no way have been anchored in visible signs, in text. For the vast majority of the time that human beings have been on Earth, words have had no worldly reality other than the sound made when they are spoken.
As the theorist Walter J Ong pointed out in Orality and Literacy: Technologizing the Word (1982), it is difficult, perhaps even impossible, now to imagine how differently language would have been experienced in a culture of ‘primary orality’. There would be nowhere to ‘look up a word’, no authoritative source telling us the shape the word ‘actually’ takes. There would be no way to affirm the word’s existence at all except by speaking it – and this necessary condition of survival is important for understanding the relatively repetitive nature of epic poetry. Say it over and over again, or it will slip away. In the absence of fixed, textual anchors for words, there would be a sharp sense that language is charged with power, almost magic: the idea that words, when spoken, can bring about new states of affairs in the world. They do not so much describe, as invoke.
As a consequence of the development of writing, first in the ancient Near East and soon after in Greece, old habits of thought began to die out, and certain other, previously latent, mental faculties began to express themselves. Words were now anchored and, though spellings could change from one generation to another, or one region to another, there were now physical traces that endured, which could be transmitted, consulted and pointed to in settling questions about the use or authority of spoken language.
Writing rapidly turned customs into laws, agreements into contracts, genealogical lore into history. In each case, what had once been fundamentally temporal and singular was transformed into something eternal (as in, ‘outside of time’) and general. Even the simple act of making everyday lists of common objects – an act impossible in a primary oral culture – was already a triumph of abstraction and systematisation. From here it was just one small step to what we now call ‘philosophy’.
Homer’s epic poetry, which originates in the same oral epic traditions as those of the Balkans or of West Africa, was written down, frozen, fixed, and from this it became ‘literature’. There are no arguments in the Iliad: much of what is said arises from metrical exigencies, the need to fill in a line with the right number of syllables, or from epithets whose function is largely mnemonic (and thus unnecessary when transferred into writing). Yet Homer would become an authority for early philosophers nonetheless: revealing truths about humanity not by argument or debate, but by declamation, now frozen into text.
Plato would express extreme concern about the role, if any, that poets should play in society. But he was not talking about poets as we think of them: he had in mind reciters, bards who incite emotions with living performances, invocations and channellings of absent persons and beings.
It is not orality that philosophy rejects, necessarily: Socrates himself rejected writing, identifying instead with a form of oral culture. Plato would also ensure the philosophical canonisation of his own mentor by writing down (how faithfully, we don’t know) what Socrates would have preferred to merely say, and so would have preferred to have lost to the wind. Arguably, it is in virtue of Plato’s recording that we might say, today, that Socrates was a philosopher.
Plato and Aristotle, both, were willing to learn from Homer, once he had been written down. And Socrates, though Plato still felt he had to write him down, was already engaged in a sort of activity very different from poetic recitation. This was dialectic: the structured, working-through of a question towards an end that has not been predetermined – even if this practice emerged indirectly from forms of reasoning only actualised with the advent of writing.
The freezing in text of dialectical reasoning, with a heavy admixture (however impure or problematic) of poetry, aphorism and myth, became the model for what, in the European tradition, was thought of as ‘philosophy’ for the next few millennia.
Why are these historical reflections important today? Because what is at stake is nothing less than our understanding of the scope and nature of philosophical enquiry.
The Italian philosopher of history Giambattista Vico wrote in his ScienzaNuova (1725): ‘the order of ideas must follow the order of institutions’. This order was, namely: ‘First the woods, then cultivated fields and huts, next little houses and villages, thence cities, finally academies and philosophers.’ It is implicit for Vico that the philosophers in these academies are not illiterate. The order of ideas is the order of the emergence of the technology of writing.
Within academic philosophy today, there is significant concern arising from how to make philosophy more ‘inclusive’, but no interest at all in questioning Vico’s order, in going back and recuperating what forms of thought might have been left behind in the woods and fields.
The groups ordinarily targeted by philosophy’s ‘inclusivity drive’ already dwell in the cities and share in literacy, even if discriminatory measures often block their full cultivation of it. No arguments are being made for the inclusion of people belonging to cultures that value other forms of knowledge: there are no efforts to recruit philosophers from among Inuit hunters or Hmong peasants.
The practical obstacles to such recruitment from a true cross-section of humanity are obvious. Were it to happen, the simple process of moving from traditional ways of life into academic institutions would at the same time dilute and transform the perspectives that are deserving of more attention. Irrespective of such unhappy outcomes, there is already substantial scholarship on these forms of thought accumulated in philosophy’s neighbouring disciplines – notably history, anthropology, and world literatures – to which philosophers already have access. It’s a literature that could serve as a corrective to the foundational bias, present since the emergence of philosophy as a distinct activity.
As it happens, there are few members of primary oral cultures left in the world. And yet from a historical perspective the great bulk of human experience resides with them. There are, moreover, members of literate cultures, and subcultures, whose primary experience of language is oral, based in storytelling, not argumentation, and that is living and charged, not fixed and frozen. Plato saw these people as representing a lower, and more dangerous, use of language than the one worthy of philosophers.
Philosophers still tend to disdain, or at least to conceive as categorically different from their own speciality, the use of language deployed by bards and poets, whether from Siberia or the South Bronx. Again, this disdain leaves out the bulk of human experience. Until it is eradicated, the present talk of the ideal of inclusion will remain mere lip-service.
Tens of thousands of years ago, before the internet, before the Industrial Revolution, before literature and mathematics, bronze and iron, before the advent of agriculture, early humans formed an unlikely partnership with another animal—the grey wolf. The fates of our two species became braided together. The wolves changed in body and temperament. Their skulls, teeth, and paws shrank. Their ears flopped. They gained a docile disposition, becoming both less frightening and less fearful. They learned to read the complex expressions that ripple across human faces. They turned into dogs.
Today, dogs are such familiar parts of our lives—our reputed best friends and subject of many a meme—that it’s easy to take them, and what they represent, for granted. Dogs were the first domesticated animals, and their barks heralded the Anthropocene. We raised puppies well before we raised kittens or chickens; before we herded cows, goats, pigs, and sheep; before we planted rice, wheat, barley, and corn; before we remade the world.
“Remove domestication from the human species, and there’s probably a couple of million of us on the planet, max,” says archaeologist and geneticist Greger Larson. “Instead, what do we have? Seven billion people, climate change, travel, innovation and everything. Domestication has influenced the entire earth. And dogs were the first.” For most of human history, “we’re not dissimilar to any other wild primate. We’re manipulating our environments, but not on a scale bigger than, say, a herd of African elephants. And then, we go into partnership with this group of wolves. They altered our relationship with the natural world.”
Larson wants to pin down their origins. He wants to know when, where, and how they were domesticated from wolves. But after decades of dogged effort, he and his fellow scientists are still arguing about the answers. They agree that all dogs, from low-slung corgis to towering mastiffs, are the tame descendants of wild ancestral wolves. But everything else is up for grabs.
Some say wolves were domesticated around 10,000 years ago, while others say 30,000. Some claim it happened in Europe, others in the Middle East, or East Asia. Some think early human hunter-gatherers actively tamed and bred wolves. Others say wolves domesticated themselves, by scavenging the carcasses left by human hunters, or loitering around campfires, growing tamer with each generation until they became permanent companions.
Dogs were domesticated so long ago, and have cross-bred so often with wolves and each other, that their genes are like “a completely homogenous bowl of soup,” Larson tells me, in his office at the University of Oxford. “Somebody goes: what ingredients were added, in what proportion and in what order, to make that soup?” He shrugs his shoulders. “The patterns we see could have been created by 17 different narrative scenarios, and we have no way of discriminating between them.”
The only way of doing so is to look into the past. Larson, who is fast-talking, eminently likable, and grounded in both archaeology and genetics, has been gathering fossils and collaborators in an attempt to yank the DNA out of as many dog and wolf fossils as he can. Those sequences will show exactly how the ancient canines relate to each other and to modern pooches. They’re the field’s best hope for getting firm answers to questions that have hounded them for decades.
And already, they have yielded a surprising discovery that could radically reframe the debate around dog domestication, so that the big question is no longer when it happened, or where, but how many times.
* * *
On the eastern edge of Ireland lies Newgrange, a 4,800-year-old monument that predates Stonehenge and the pyramids of Giza. Beneath its large circular mound and within its underground chambers lie many fragments of animal bones. And among those fragments, Dan Bradley from Trinity College Dublin found the petrous bone of a dog.
Press your finger behind your ear. That’s the petrous. It’s a bulbous knob of very dense bone that’s exceptionally good at preserving DNA. If you try to pull DNA out of a fossil, most of it will come from contaminating microbes and just a few percent will come from the bone’s actual owner. But if you’ve got a petrous bone, that proportion can be as high as 80 percent. And indeed, Bradley found DNA galore within the bone, enough to sequence the full genome of the long-dead dog.
Larson and his colleague Laurent Frantz then compared the Newgrange sequences with those of almost 700 modern dogs, and built a family tree that revealed the relationships between these individuals. To their surprise, that tree had an obvious fork in its trunk—a deep divide between two doggie dynasties. One includes all the dogs from eastern Eurasia, such as Shar Peis and Tibetan mastiffs. The other includes all the western Eurasian breeds, and the Newgrange dog.
The genomes of the dogs from the western branch suggest that they went through a population bottleneck—a dramatic dwindling of numbers. Larson interprets this as evidence of a long migration. He thinks that the two dog lineages began as a single population in the east, before one branch broke off and headed west. This supports the idea that dogs were domesticated somewhere in China.
But there’s a critical twist.
The team calculated that the two dog dynasties split from each other between 6,400 and 14,000 years ago. But the oldest dog fossils in both western and eastern Eurasia are older than that. Which means that when those eastern dogs migrated west into Europe, there were already dogs there.
To Larson, these details only make sense if dogs were domesticated twice.
Here’s the full story, as he sees it. Many thousands of years ago, somewhere in western Eurasia, humans domesticated grey wolves. The same thing happened independently, far away in the east. So, at this time, there were two distinct and geographically separated groups of dogs. Let’s call them Ancient Western and Ancient Eastern. Around the Bronze Age, some of the Ancient Eastern dogs migrated westward alongside their human partners, separating from their homebound peers and creating the deep split in Larson’s tree. Along their travels, these migrants encountered the indigenous Ancient Western dogs, mated with them (doggy style, presumably), and effectively replaced them.
Today’s eastern dogs are the descendants of the Ancient Eastern ones. But today’s western dogs (and the Newgrange one) trace most of their ancestry to the Ancient Eastern migrants. Less than 10 percent comes from the Ancient Western dogs, which have since gone extinct.
This is a bold story for Larson to endorse, not least because he himself has come down hard on other papers suggesting that cows, sheep, or other species were domesticated twice. “Any claims for more than one need to be substantially backed up by a lot of evidence,” he says. “Pigs were clearly domesticated in Anatolia and in East Asia. Everything else is once.” Well, except maybe dogs.
Other canine genetics experts think that Larson’s barking up the wrong tree. “I’m somewhat underwhelmed, since it’s based on a single specimen,” says Bob Wayne from the University of California, Los Angeles. He buys that there’s a deep genetic division between modern dogs. But, it’s still possible that dogs were domesticated just once, creating a large, widespread, interbreeding population that only later resolved into two distinct lineages.
In 2013, Wayne’s team compared the mitochondrial genomes (small rings of DNA that sit outside the main set) of 126 modern dogs and wolves, and 18 fossils. They concluded that dogs were domesticated somewhere in Europe or western Siberia, between 18,800 and 32,100 years ago. And genes aside, “the density of fossils from Europe tells us something,” says Wayne. “There are many things that look like dogs, and nothing quite like that in east Asia.”
Peter Savolainen from the KTH Royal Institute of Technology in Stockholm disagrees. By comparing the full genomes of 58 modern wolves and dogs, his team has shown that dogs in southern China are the most genetically diverse in the world. They must have originated there around 33,000 years ago, he says, before a subset of them migrated west 18,000 years later.
That’s essentially the same story that Larson is telling. The key difference is that Savolainen doesn’t buy the existence of an independently domesticated group of western dogs. “That’s stretching the data very much,” he says. Those Ancient Western dogs might have just been wolves, he says. Or perhaps they were an even earlier group of migrants from the east. “I think the picture must seem a bit chaotic,” he says understatedly. “But for me, it’s pretty clear. It must have happened in southern East Asia. You can’t interpret it any other way.”
Except, you totally can. Wayne does (“I’m certainly less dogmatic than Peter,” he says). Adam Boyko from Cornell University does, too: after studying the genes of village dogs—free-ranging mutts that live near human settlements—he argued for a single domestication in Central Asia, somewhere near India or Nepal. And clearly, Larson does as well.
Larson adds that his gene-focused peers are ignoring one crucial line of evidence—bones. If dogs originated just once, there should be a neat gradient of fossils with the oldest ones at the center of domestication and the youngest ones far away from it. That’s not what we have. Instead, archaeologists have found 15,000-year-old dog fossils in western Europe, 12,500-year-old ones in east Asia, and nothing older than 8,000 years in between.
“If we’re wrong, then how on earth do you explain the archaeological data?” says Larson. “Did dogs jump from East Asia to Western Europe in a week, and then go all the way back 4,000 years later?” No. A dual domestication makes more sense. Mietje Genompré, an archaeologist from the Royal Belgian Institute of Natural Sciences, agrees that the bones support Larson’s idea. “For me, it’s very convincing,” she says.
But even Larson is hedging his bets. When I ask him how strong his evidence is, he says, “Like, put a number on it? If was being bold, I’d say it’s a 7 out of 10. We lack the smoking gun.”
Why is this is so hard? Of all the problems that scientists struggle with, why has the origin of dogs been such a bitch to solve?
For starters, the timing is hard to pin down because no one knows exactly how fast dog genomes change. That pace—the mutation rate—underpins a lot of genetic studies. It allows scientists to compare modern dogs and ask: How long ago must these lineages have diverged in order to build up this many differences in their genes? And since individual teams use mutation rate estimates that are wildly different, it’s no wonder they’ve arrive at conflicting answers.
Regardless of the exact date, it’s clear that over thousands of years, dogs have mated with each other, cross-bred with wolves, travelled over the world, and been deliberately bred by humans. The resulting ebb and flow of genes has turned their history into a muddy, turbid mess—the homogeneous soup that Larson envisages.
Wolves provide no clarity. Grey wolves used to live across the entire Northern Hemisphere, so they could have potentially been domesticated anywhere within that vast range (although North America is certainly out). What’s more, genetic studies tell us that no living group of wolves is more closely related to dogs than any other, which means that the wolves that originally gave rise to dogs are now extinct. Sequencing living wolves and dogs will never truly reveal their shrouded past; it’d be, as Larson says, like trying to solve a crime when the culprit isn’t even on the list of suspects.
“The only way to know for sure is to go back in time,” he adds.
The study informally known as the Big Dog Project was born of frustration. Back in 2011, Larson was working hard on the origin of domestic pigs, and became annoyed that scientists studying dogs were getting less rigorous papers in more prestigious journals, simply because their subjects were that much more charismatic and media-friendly. So he called up his longstanding collaborator Keith Dobney. “Through gritted teeth, I said: We’re fucking doing dogs. And he said: I’m in.”
Right from the start, the duo realized that studying living dogs would never settle the great domestication debate. The only way to do that was to sequence ancient DNA from fossil dogs and wolves, throughout their range and at different points in history. While other scientists were studying the soup of dog genetics by tasting the finished product, Larson would reach back in time to taste it at every step of its creation, allowing him to definitively reconstruct the entire recipe.
In recent decades, scientists have become increasingly successful at extracting and sequencing strands of DNA from fossils. This ancient DNA has done wonders for our understanding of our own evolution. It showed, for example, how Europe was colonized 40,000 years ago by hunter-gatherers moving up from Africa, then 8,000 years ago by Middle Eastern farmers, and 5,000 years ago by horse-riding herders from the Russian steppes. “Everyone in Europe today is a blend of those three populations,” says Larson, who hopes to parse the dog genome in the same way, by slicing it into its constituent ingredients.
Larson originally envisaged a small project—just him and Dobney analyzing a few fossils. But he got more funding, collaborators, and samples than he expected. “It just kind of metastasized out of all proportion,” he says. He and his colleagues would travel the world, drilling into fossils and carting chips of bone back to Oxford. They went to museums and private collections. (“There was a guy up in York who had a ton of stuff in his garage.”) They grabbed bones from archaeological sites.
The pieces of bone come back to a facility in Oxford called the Palaeo-BARN—the Palaeogenomics and Bioarchaeology Research Network. When I toured the facility with Larson, we wore white overalls, surgical masks, oversoles, and purple gloves, to keep our DNA (and that of our skin microbes) away from the precious fossil samples. Larson called them ‘spacesuits.’ I was thinking ‘thrift-store ninja.’
In one room, the team shoves pieces of bone into a machine that pounds it with a small ball bearing, turning solid shards into fine powder. They then send the powder through a gauntlet of chemicals and filters to pull out the DNA and get rid of everything else. The result is a tiny drop of liquid that contains the genetic essence of a long-dead dog or wolf. Larson’s freezer contains 1,500 such drops, and many more are on the way. “It’s truly fantastic the kind of data that he has gathered,” says Savolainen.
True to his roots in archaeology, Larson isn’t ignoring the bones. His team photographed the skulls of some 7,000 prehistoric dogs and wolves at 220 angles each, and rebuilt them in virtual space. They can use a technique called geometric morphometrics to see how different features on the skulls have evolved over time.
The two lines of evidence—DNA and bones—should either support or refute the double domestication idea. It will also help to clear some confusion over a few peculiar fossils, such as a 36,000 year old skull from Goyet cave in Belgium. Genompré thinks it’s a primitive dog. “It falls outside the variability of wolves: it’s smaller and the snout is different,” she says. Others say it’s too dissimilar to modern dogs. Wayne has suggested that it represents an aborted attempt at domestication—a line of dogs that didn’t contribute to modern populations and is now extinct.
Maybe the Goyet hound was part of Larson’s hypothetical Ancient Western group, domesticated shortly after modern humans arrived in Europe. Maybe it represented yet another separate flirtation with domestication. All of these options are on the table, and Larson thinks he has the data to tell them apart. “We can start putting numbers on the difference between dogs and wolves,” he says. “We can say this is what all the wolves at this time period look like; does the Goyet material fall within that realm, or does it look like dogs from later on?”
Larson hopes to have the first big answers within six to twelve months. “I think it’ll clearly show that some things can’t be right, and will narrow down the number of hypotheses,” says Boyko. “It may narrow it down to one but I’m not holding my breath on that.” Wayne is more optimistic. “Ancient DNA will provide much more definitive data than we had in the past,” he says. “[Larson] convinced everyone of that. He’s a great diplomat.”
Indeed, beyond accumulating DNA and virtual skulls, Larson’s greatest skill is in gathering collaborators. In 2013, he rounded up as many dog researchers as he could and flew them to Aberdeen, so he could get them talking. “I won’t say there was no tension,” he says. “You go into a room with someone who has written something that sort of implies you aren’t doing very good science… there will be tension. But it went away very quickly. And, frankly: alcohol.”
“Everyone was like: You know what? If I’m completely wrong and I have to eat crow on this, I don’t give a shit. I just want to know.”
Author, ‘Dark Green Religion: Nature Spirituality and the Planetary Future’
An individual gorilla is more valuable than an individual human being.
What is your response to that statement?
I have seen no such argument in response to the death of Harambe, the Western Lowland Gorilla who was shot on 28 May at the Cincinnati Zoo. Zookeepers understandably feared for the life of a child who entered his enclosure. The incident has created furor.
Mainstream media depicted the shooting as a tragic necessity because the child was at risk of grievous harm or death. Whether implicitly felt or explicitly stated, the assumption was that the life of this child was more valuable than the life of this gorilla.
This was the view of Jack Hannah, the well-known conservationist and former director of the Columbus Zoo. In a host of interviews he clearly stated that the decision to kill Harambe was an easy call because every human life is more valuable than any animal life.
For her part, the child’s mother, after insisting that she is a responsible parent, asserted on Facebook, “God protected my child until the authorities were able to get to him.” Then she thanked those who saved her son and “most importantly God for being the awsome (sic) God that he is.” She apparently believed that God had intervened, even at the price of the Gorilla’s life.
She did not explain why God did not elect to protect her son by more peaceful means, such as, by preventing him from climbing into the enclosure.
In contrast, a host of critics was outraged by the killing and what they considered the mother’s negligence.
Especially upset were animal rights proponents, who base the value of animals on emotional, or cognitive traits they are believed to share with us, or on their capacity to suffer. For them, the great apes, our closest biological cousins, have rights that deserve respect, foremost, the right to life.
But I could find no one making a reasoned argument that this gorilla’s life was more valuable than that of this human child.
Some environmental philosophers and scientists, however, contend that an individual member of an endangered species is more valuable than an individual human being. Or, as conservation biologist Reed Noss put it to me recently, the value of an individual decreases proportionately with the size of its population.
Such arguments are premised upon an understanding that the viability of a species is associated with the variety of genes in its population: With few exceptions, the greater its genetic diversity the greater will be a species’ resilience in the face of diseases or environmental threats. But the smaller the population is, the higher is the risk of extinction. Consequently, every individual matters.
So, if one starts from an ethical claim that humanity ought not drive other species off the planet, and add scientific understandings about the value of an individual organism to the viability of its species, an endangered animal such as Harambe could be considered more valuable than one that is not valuable in this way.
The argument is as worth pondering . . . and so are our reactions to it.
Our reactions to the value of humans and other animals are typically shaped by culturally deep religious roots.
Put simply, most large human civilizations have religious roots and strong constituencies, which either view humans as a special creation of God, or consider humans to have become the highest and most valuable life forms by leading meritorious past lives.
Whatever ground for felt ethical obligations toward non-human organisms there might be given such premises, when push comes to shove, human lives come first.
In contemporary environmental philosophy, such views are termed anthropocentrism or literally, human-centered ethics.
That is a nice way of putting it.
But it is really the ideology of human supremacy.
Harambe’s demise may not provide a perfect fit for considering the proposition with which I began my provocation. The Zoo had frozen semen taken from him because it is part an international consortium that understands the importance of genetic diversity for efforts to save endangered species. Moreover, Western Lowland Gorillas have more habitat and greater numbers than great apes that are on the very brink of extinction.
But Harambe may have a greater conservation legacy than his genes being posthumously passed on through an endangered species breeding program. Hopefully, this tragic event will increase public awareness of the accelerating extinction crisis and the importance of preserving habitat for wild Gorillas, and protecting endangered species in captive breeding programs.
And perhaps, this case will help those who are skeptical of the religious ideas that undergird human supremacy to leave them behind, once and for all.
It may be that corresponding conservation policies and efforts would follow is such a value transformation spreads.
Indeed, there are signs just such a transformation is under way. It can be seen in the work of Dian Fossey who risked her life and was killed while trying to protect endangered Gorillas, and as rangers are empowered by law to use lethal force against poachers. So, we have examples where the lives of endangered species are considered to be more valuable than at least some human lives.
I hope that zoos will soon, and universally, be on the leading edge of this transformation, rather than reinforcing ancient and self-serving human conceits.
Número representa quase 70% do total de deslocados internos do mundo registrado em 2015
Fenômenos naturais forçaram 19,2 milhões de pessoas a abandonarem seus lares em 2015. O contingente representa quase 70% do total de deslocados internos – 27,8 milhões – que se viram obrigados a fugir dos lugares onde moravam por conta de conflitos, violência ou desastres naturais ao longo do ano passado.
Os números foram divulgados na semana passada (12) pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR) em relatório que apresenta um panorama do deslocamento interno global e de suas causas.
O documento alerta para os fatores de risco de desastres associados a processos lentos de alteração ambiental, tais como secas, elevação do nível do mar e desertificação — fenômenos provocados pelas transformações do clima. Ameaças climáticas foram responsáveis por 14,7 milhões de deslocamentos.
“A maioria dos deslocamentos ocasionados por desastres naturais ocorreu devido a eventos climáticos extremos, que aconteceram em um ano com um número recorde de secas, inundações e grandes tempestades tropicais”, continuou Glasser, lembrando que grande parte disso foi causada por um forte El Niño registrado em meio a mudanças climáticas cada vez mais maiores.
Para Glasser, diante desse cenário, é necessário o desenvolvimento de um sistema capaz de melhorar a gestão de risco de desastres a nível local, a fim de evitar o deslocamento de pessoas nesta escala.
“Isso significa melhorar alertas precoces, proporcionar habitação de baixo custo em locais seguros e fazer todo o possível para reduzir o número de pessoas afetadas por catástrofes, segundo o que foi acordado pelos Estados-membros no Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres, no ano passado”, ressaltou.
O Marco é um plano global para reduzir as ameaças de catástrofe adotado pelos Estados-membros das Nações Unidas em 2015, durante uma conferência mundial em Sendai, no Japão.
O acordo estabelece metas para a redução da mortalidade relacionada a desastres, assim como para a diminuição do número de pessoas afetadas, dos danos à infraestrutura e das perdas econômicas.
Alterações na composição de espécies vegetais poderão trazer implicações para toda a cadeia alimentar, incluindo o homem
Cheias e secas extremas e subsequentes, como essas que os rios da Amazônia vêm sofrendo nas duas últimas décadas, podem levar à exclusão de espécies de árvores e à colonização por outras espécies menos tolerantes à inundação.
É o que apontam estudos desenvolvidos por pesquisadores associados ao Grupo Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Maua) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), em Manaus, que participa, desde 2013, do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (Peld), por meio do Peld-Maua.
Durante a década de 1970, por exemplo, os níveis máximos anuais do rio Negro ficaram alguns metros acima do valor médio da enchente, e a descida das águas não foi intensa, resultando na inundação de várias populações de plantas durante anos consecutivos. Isso causou a exclusão de muitas espécies arbustivas e arbóreas nas baixas topografias de igapós na região da Amazônia Central, como é o caso de macacarecuia (Eschweilera tenuifolia).
“Acredita-se que esses fenômenos podem ser consequência das mudanças climáticas em curso, mas podem também derivar de variações naturais do ciclo hidrológico. Os estudos realizados no âmbito do Peld-Maua visam confirmar a origem desses fenômenos utilizando informações sobre o crescimento da vegetação”, adianta a coordenadora do Peld-Maua, a pesquisadora do Inpa Maria Teresa Fernandez Piedade.
Anos de secas ou cheias consecutivas podem ultrapassar a capacidade adaptativa das espécies de árvores, especialmente de populações estabelecidas nos extremos do ótimo de distribuição no gradiente inundável (composição de diferentes níveis de inundação a que estão sujeitas as áreas alagáveis).
Segundo Piedade, como a vegetação sustenta a fauna desses ambientes, mudanças na composição de espécies vegetais poderão trazer implicações para toda a cadeia alimentar, incluindo o homem. “A vegetação arbórea das áreas alagáveis amazônicas é bem adaptada à dinâmica anual de cheias e vazantes”, destaca a pesquisadora.
Para ela, determinar o grau de tolerância a períodos extremos das espécies de árvores desses ambientes e de sua fauna associada, como os peixes e roedores, e conhecer sua reação com a dinâmica de alternância entre fases inundadas e não inundadas normais e extremas é um grande desafio e se constitui na base para seu uso sustentável e preservação.
Segundo Piedade, as áreas úmidas (várzeas, igapós, buritizais e outros tipos) cobrem cerca de 30% da região amazônica e são de fundamental importância ecológica e econômica. Ela explica que na várzea, múltiplas atividades econômicas são tradicionalmente desenvolvidas, como a pesca e a agricultura familiar, enquanto que nos igapós, por serem mais pobres em nutrientes e em espécies de plantas e animais, menos atividades econômicas são praticadas. Já nas campinas/campinaranas alagáveis essas atividades são ainda mais reduzidas.
“A ecologia, o funcionamento e as limitações para determinadas práticas econômicas nas várzeas são bastante conhecidas, mas nos igapós de água pretas e nas campinas/campinaranas alagáveis tais aspectos ainda são pouco estudados”, diz Piedade. “Embora se saiba que esses ambientes são frágeis, aumentar e disponibilizar informações sobre eles é fundamental”, acrescenta.
Peld-Mauá
Com o título “Monitoramento e modelagem de dois grandes ecossistemas de áreas úmidas amazônicas em cenários de mudanças climáticas”, o Peld-Maua é um projeto financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e também conta com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Insere-se no plano de ação “Ciência, Tecnologia e Inovação para Natureza e Clima”, do MCTI.
O Programa Peld foca no estabelecimento de sítios de pesquisa permanentes em diversos ecossistemas do País, integrados em redes para o desenvolvimento e o acompanhamento de pesquisas ecológicas de longa duração. Atualmente, existem 31 sítios de pesquisa vigentes.
O Peld-Maua é gerenciado pelo Inpa, em Manaus. Tem como vice-coordenador o pesquisador do Inpa, Jochen Schöngart; e como coordenador do Banco de Dados o pesquisador Florian Wittmann, do Departamento de Biogeoquímica do Instituto Max-Planck de Química, com sede em Mainz, na Alemanha.
A coordenadora do Peld-Maua explica que as atividades tiveram início há três anos. “Na primeira fase, que será completada agora em 2016, o Peld-Maua priorizou estudos em um ambiente de igapó e outro de campinarana alagável, mas espera-se que os estudos tenham continuidade e sejam expandidos para outras tipologias alagáveis amazônicas”, diz Piedade.
O Peld-Maua desenvolve estudos nas áreas de inundação das florestas de igapó no Parque Nacional do Jaú (Parna Jaú) – Unidade de Conservação localizada entre os municípios de Novo Airão e Barcelos, no Amazonas –, e ao longo dos gradientes de profundidade do lençol freático das florestas de campinas/campinaranas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, situada entre os municípios de São Sebastião do Uatumã e Itapiranga, também no Amazonas.
Conforme Piedade, diante da conectividade entre os ambientes alagáveis e as formações contíguas de terra-firme ou outras, os sítios de estudos foram escolhidos em ambientes onde os gradientes podem ser também avaliados. “Isso aumenta as possibilidades de trabalhos comparativos”, ressalta.
O Peld-Maua tem por objetivo relacionar a estrutura, composição florística e dinâmica de plantas que produzem sementes (fanerógamas) de dois ecossistemas de áreas úmidas na Amazônia Central com fatores do solo e da disponibilidade de água (hidro-edáficos), por meio do monitoramento em longo prazo para entender possíveis impactos e respostas da vegetação frente a mudanças dos regimes pluviométricos e hidrológicos.
O programa, até o momento, já permitiu a realização de cinco dissertações de mestrado e uma tese de doutorado. Além dos estudos já finalizados, estão em andamento dois pós-doutorados, seis doutorados e quatro mestrados. Quanto à formação de pessoal, dois bolsistas do Programa de Capacitação Institucional (PCI) concluíram suas atividades e dois estão realizando seus projetos, e dois bolsistas do programa de Bolsa de Fomento ao Desenvolvimento Tecnológico (DTI) e dois Pibic’s realizaram seus projetos junto ao Peld-Maua.
Este especial À espera de Francisco é mais uma investida do O POVO na grande reportagem e num tema muito caro a todos nós: a água, uma eterna peleja, elemento vital na formação das nossas identidades e das nossas diferenças. Revisitar o tema, portanto, é missão, especialmente em momento tão delicado da vida nacional, com as indefinições que deixam interrogações sobre o futuro de uma obra como a da transposição do Rio São Francisco.
O projeto é polêmico. Sua própria história dá conta disso. Virou dois séculos, demorou a sair da intenção, virar plano, entrar no papel, começar, parar e, de novo, começar. Atravessou governos, interesses políticos, questões ambientais e, principalmente, a profunda insegurança hídrica que desestabiliza a região, leva vidas, ameaça culturas, quebra a economia e finda sonhos de desenvolvimento.
Mas está aí. Ao curso de muitas secas – esta que vivemos já dura cinco anos – a obra gigantesca, com seus túneis, elevatórias, cânions, canais e reservatórios, e um custo de R$ 8,5 bilhões, já está 85,3% concluída. A água é esperada para o fim do ano. Enquanto isso, o cenário afetivo, econômico, social e cultural da região sul do Ceará transformase. Tem lamento por uma memória levada, mas tem a esperança que só a água é capaz de acender nesta gente.
Para mostrar a quantas anda essa espera por águas do São Francisco, os repórteres Cláudio Ribeiro e Fábio Lima e o motorista José Maia Rodrigues pegaram a estrada. Percorreram 2 mil quilômetros do Eixo Norte da obra, pelos municípios de Cabrobó e Salgueiro, em Pernambuco, Jati, Brejo Santo e Mauriti, no Ceará. Mostram não só a construção de concreto, mas as outras construções simbólicas em curso. A dona Edileuza e o seu Zilvan contam, admirados, das flores que plantam. Seu Lu Narciso sonha. Quer voltar a plantar uva. “Espero só a água”. São narrativas que O POVO desenha nestas páginas, na web, no rádio e na tevê. Porque vale a pena saber de tudo isso. Em todas as linguagens.
Etnografias
Por Cláudio Ribeiro
O POVO mantém seu mergulho jornalístico pela etnografia do sertão. Reportando dificuldades e esperanças de um polígono seco de água no chão, mas vivo de se saber refazer. Repórteres do O POVO já percorreram a zona ribeira do São Francisco. Os especiais São Francisco – Vida para o Semiárido, em 2000, e Pelas Águas do Velho Chico, em 2006, trataram da expectativa de um projeto secular que nunca avançava sertão adentro. Transpor o rio era uma possibilidade distante. Em 2013, ainda o segundo ano desta mesma grande seca de meia década que estamos passando, foi publicado/postado o especial A Peleja da Água. A crise hídrica exigindo soluções. Agora À Espera de Francisco mostra o caminho da água no Nordeste redesenhado. O improvável está prestes a acontecer. Os canais do São Francisco regando sertões, desfazendo sofrimento e sede.
Editorial Gráfico
Vias de Água
Por Gil Dicelli
Os destinos do Velho Chico se abrem a novos sertões. Esperança e dúvidas pelas margens do Semiáriado. No projeto gráfico, o papel rasgado sugere as hidrovias da transposição, cavadas ao longo de cerca de 2 mil km. Atalhos que orientam a leitura, hierarquizando o conteúdo. Caracteres dos títulos também expandem territórios. Avança aqui e acolá uma letra. É como a água do rio que não abarca limites. Brutal e sinuosa, a tipografia escolhida sinaliza o itinerário do São Francisco. A diagramação é assimétrica, a malha de construção da página flui e se reinventa. Legendas das imagens são poças de informação rápida. E um infográfico de página dupla desenha a trajetória do rio e do repórter explicando, em imagem e texto, os detalhes da narrativa. Esse fiar de elementos gráficos faz a escrita visual que contribui para entrelaçar as vidas de Gracinha, Chico de Sinésio, Dedé de Leopoldo e seu Wilson. E de tantos outros. Todos à espera de Francisco.
Futuro
Por Cláudio Ribeiro
São Francisco já não é mais um rio caudaloso nem tão forte como descrito em livros e histórias antigas. Resiste, desde a nascente em Minas Gerais, passando por Bahia e Pernambuco até a foz entre Alagoas e Sergipe, mas está assoreado em vários trechos onde antes se navegava. O homem faz mau uso de seu leito. Um rio também tem sede de chuva. A seca de cinco anos no Nordeste o castiga. É esse o Francisco aguardado no projeto da transposição, feito os ditos da reza. Levar água onde houver o estio.
Até o fim deste ano – se os planos seguirem o planejado e a instabilidade política e econômica não atrapalhar –, a expectativa é que São Francisco encoste também pelo Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Por longos 477 km de canais, 14 aquedutos, quatro túneis perfurando serras, o rio transpondo relevos a partir de nove estações de bombeamento.
Serão 50 reservatórios abastecidos (27 deles construídos pelo projeto) nos quatro estados, pelos Eixos Norte e Leste. O Ceará terá 13 açudes (seis a inaugurar) para essa nova água. Entre eles o maior do Nordeste, o Castanhão, que atualmente está com apenas 9% de sua capacidade. Ele é a principal garantia hídrica para Fortaleza, hoje muito precisado de chuva e de um São Francisco.
A vazão média direcionada pelo rio será de 26 mil litros por segundo em períodos secos. O secretário de Recursos Hídricos do Ceará, Francisco Teixeira, defende que já se possibilite dobrar essa vazão tão logo o projeto seja concluído. Explica que a necessidade já é maior do que quando o projeto foi pensado.
85,3% das obras da transposição estão concluídas. Ministério da integração nacional
A obra da transposição foi, outrora, tão somente uma possibilidade defendida no distante 1817 pelo então ouvidor do Crato, Antônio de Porbem Barbosa. Chegou a ser algo recomendado a estudos pelo rei de Portugal dom João VI, em abril de 1821. Despedindo- se do Brasil Colônia, deu a indicação ao príncipe regente, dom Pedro I. Ele deixou o assunto no esquecimento, à época mais preocupado com rebeldes da Confederação do Equador (1824). Dom Pedro II, mais disposto àquela novidade e afeito desenvolver as terras, em 1847, contratou o engenheiro
Henrique Guilherme Fernando Halfeld para o levantamento. Imagine que era tudo mais longe e penoso do que hoje, para percorrer o rio. Só em 1860, Halfeld se manifestou. Citou Cabrobó (PE) como possibilidade de saída de água para outras regiões. Sem tecnologia possível, a ideia hibernou, silenciou por anos.
A proposta ressurgiu com os generais Geisel e Figueiredo na ditadura militar, freqüentou os palanques de FHC, até que em 2007 foi iniciada na gestão Lula. As obras chegaram a parar em 2011, retomadas um ano depois.
Até dezembro
O Ministério da Integração Nacional, responsável pela execução do projeto, diz que foram contratados mais de 10 mil profissionais e há 3.800 máquinas operando 24 horas. É da mesma Cabrobó que agora parte o Eixo Norte, o lado da obra que alcança o Ceará – vai até Cajazeiras (PB). O Eixo Leste sai de Floresta (PE) até Monteiro (PB).
O investimento total bate R$ 8,2 bilhões. A inauguração é aguardada para o fim deste ano. “Para o Governo Federal, o Projeto de Integração do Rio São Francisco é uma prioridade. A obra está prevista para ser concluída até dezembro de 2016”. Foi o que respondeu o Ministério da Integração Nacional ao O POVO, ao ser questionado sobre qual a garantia financeira que o projeto tem diante da crise que atravessa o País – e se há algum risco de redimensionamento ou interrupção dos trabalhos. “Está prevista para chegar ao Ceará no último trimestre deste ano”, reforça o órgão.
As respostas vieram por email. No início de abril, O POVO tentou entrevistar o então ministro da Integração, Gilberto Occhi. No dia 14 de abril, sua exoneração foi assinada por Dilma. Na mesma data saiu publicada a nomeação do substituto, José Rodrigues Pinheiro Dória, indicação de Occhi, e que ainda naquele dia desistiu do cargo. No último dia 15, foi nomeado como interino o veterinário Josélio de Andrade Moura.
O Ministério atualizou que, pelos dados de 31 de março último, o projeto agora “está com 85,3% de conclusão”. A contar do que está posto, não deixar o São Francisco seguir o novo rumo será improvável.
Vídeos
Webdoc
Personagens
Professora Gracinha
A professora Gracinha (Maria das Graças Nunes Bezerra), 41, chora a tristeza do pai, Dezinho (Francisco Nunes dos Santos), 97. Ele teve que deixar o Sítio Torrões, em Brejo Santo, onde viveu por mais de 50 anos. É o lugar onde ela e os dez irmãos foram criados. Brincavam no curral, pulavam de árvores, mergulhavam no Riacho dos Porcos. O sítio foi desapropriado. O terreno está na área onde em breve existirá o açude Porcos, construído para as águas do rio São Francisco.
Além da tristeza, Gracinha tem outro também relacionado ao “novo” rio. Ela é diretora da Escola Maria Leite de Araújo, na localidade Poço do Pau, que é próxima a um dos canteiros de obras. Com cerca de 300 alunos, a escolinha obteve em 2013 as melhores notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) dentre todas as escolas cearenses. Gracinha teme que o desempenho dos alunos em 2016 seja prejudicado. A barulheira de caminhões e tratores não para. Apesar do transtorno, Gracinha dá voto de confiança. “Que seja para melhorar a vida da gente, ajudar o agricultor da região”. Seu Dezinho não dá entrevista. Para não debulhar sua mágoa.
Zilvan e Edileuza
Moradores de lugarejos a serem encobertos pelo novo caminho d’água do São Francisco estão sendo remanejados para Vilas Produtivas Rurais (VPRs). Ganham casa nova de três quartos, água encanada, saneamento, escola e posto de saúde. E terão, quando a transposição começar a operar, mais um lote de quatro hectares para plantar. Uma das 31 famílias da VPR Retiro, em Penaforte (CE), é a de seu Zilvan Francisco da Silva, 49, e dona Maria Edileuza Santana, 48. O casal lembra de quando, até 2015, vivia com três filhos na casa de taipa, escondida na caatinga do distrito Atalho, em Brejo Santo. “Lá era bem insegura, a parede caindo”, diz Zilvan, voz encabulada. Dona Edileuza reforça: “Chão de barro, a casa tempo de cair em nós”. Os dois não se imaginavam mais num recomeço, nem a vinda de um rio para perto. “Nunca, nunca mesmo”. Foi sua resposta menos tímida. Edileuza descreveu um sonho: nunca teve um jardim. “Vivi e me criei lá. Era só mato. Hoje planto flor. A casa ficou mais bonita ainda”. chegar água nos canais e açudes da transposição, as famílias das VPRs serão assistidas com um salário e meio. Em breve poderão irrigar o plantio com o novo rio embrenhado em seu novo pedaço de terra.
Wilson Barbosa
O mecânico-montador Wilson Barbosa Vieira completa 65 anos em julho. Já deu entrada nos papéis na à Previdência. Em 3 de julho, dia seguinte ao aniversário, quer estar aposentado. Mas não parar. Gostaria de seguir nas obras da transposição, “se ainda me quiserem”. É um dos 10.242 profissionais contratados pelo projeto São Francisco. Quer continuar até o rio chegar ao Ceará. Ele é cearense de Redenção, mora em Fortaleza, atua em trechos da obra em Pernambuco desde o início de 2014. Vai em casa a cada três meses. Já passou por cinco canteiros, deve ir para o sexto ponto do Eixo Norte. “Comecei em Cabrobó. Tô vindo até aqui desde a beira do rio”. De lá pra cá, seu Wilson trabalhou em duas estações de bombeamento, dois reservatórios, ajudava a erguer uma ponte sobre a BR-232, em Salgueiro, quando O POVO o encontrou. Em breve deve ir para serviços na barragem Milagres. “No começo, achava que ia trabalhar numa obrazinha, que em um ano terminaria. Não pensei que fosse ficar desse tamanho”. Ele celebra a transposição. “Imagine a riqueza que vai ter nesse Nordeste, plantação de fruta, verdura. Vai ser uma beleza”, profetiza seu Wilson.
Lu Narciso
Eram nove sócios na cooperativa de Poço, em Brejo Santo. Em nove hectares. Plantavam dois tipos de uvas de mesa, a Itália e a benitaka. Vendiam para uma grande rede nacional de supermercados. “Chegamos a ter 12 safras entre 1992 e 1998”, conta Cícero Henrique Furtado, 45, um dos plantadores. Tiravam 110 toneladas por período de colheita. Outro dos sócios era José Narciso Filho, 66, desde menino conhecido como Lu Narciso (foto). “Cheguei a fazer cinco festas da uva. Até governador baixou aqui de helicóptero, veio ver nosso projeto”, relembra. O chão é fértil. Não era lugar de água farta, mas dois poços resguardavam o plantio. Onde eles moram é próximo da parede da barragem Porcos, construída no novo itinerário do São Francisco. Foi a chuva muito grande, em 1995, que estragou os parreirais. Uma safra bancava custos da safra seguinte. Mas o chuvoeiro fez a uva perder sabor. Eles perderam tudo. “Ainda temos a dívida daquela época”, diz Lu Narciso. Ele acredita que o rio pode inspirar e aguar novas perspectivas. “Ah, eu penso em plantar de novo, sim. Se ajudarem a gente, e com essa água aí, pode ser”. Mais cético, Henrique prefere esperar primeiro pelo rio.
Chico de Sinésio
Fala-se de tudo na Caldeira do Inferno. O bar é o mais antigo de Brejo Santo. Patrimônio local. Existe desde 1960 – antes era bodega, chamada Ponto Chique. O nome atual veio só a partir de 1970. “Foi ideia dos próprios clientes. Caldeira é justamente por se comentar todos os fatos acontecidos na cidade”. Entre goles, a transposição também entra nas conversas. A explicação, simples e precisa, sai do proprietário do bar, Francisco Gomes Feijó, 74. Ele é Francisco feito o rio que se aproxima, mas no Brejo só o conhecem como Chico de Sinésio. O pai era o Sinésio, dono de antiga barbearia que funcionou onde hoje está o bar. Seu Chico é simpatia toda hora, um detalhista de qualquer história dos frequentadores de seu balcão.E tem de monsenhor a mendigo. Serve cerveja, água, pinga, cigarro, mais boleros e músicas saudosas. Espalha o som pela praça gentilmente, sem nunca incomodar. A parede da Caldeira é ornada de presentes doados por muitas amizades. “ Essa transposição vai ser muito boa para o Brejo. Tá todo mundo só esperando esse momento de a água chegar. Que venha. Mesmo com essas enroladas todas, a obra tá andando”, diz. E estica o bigode branco noutro sorriso.
Dedé de Leopoldo
José Leopoldo Leite, 61, é Dedé de Leopoldo, figura popular em Mauriti (CE) e por cidades do roteiro de vaquejadas. No Nordeste, principalmente. Ganhou 36 carros, tem mais de 600 troféus conquistados. Fez história. Abraçou seu primeiro prêmio aos 14 anos, havia começado aos 12. Os torneios para derrubar boi, laçar, montar bichos brabos, são tradição no Cariri Sul. No sítio Quixabinha, onde moraram o avô e o pai, ainda mantém suas crias no curral. As projeto”, relembra. O chão é fértil. Não era lugar de água farta, mas dois poços resguardavam o plantio. Onde eles moram é próximo da parede da barragem Porcos, construída no novo itinerário do São Francisco. Foi a chuva muito grande, em 1995, que estragou os parreirais. Uma safra bancava custos da safra seguinte. Mas o chuvoeiro fez a uva perder sabor. Eles perderam tudo. “Ainda temos a dívida daquela época”, diz Lu Narciso. Ele acredita que o rio pode inspirar e aguar novas perspectivas. “Ah, eu penso em plantar de novo, sim. Se ajudarem a gente, e com essa água aí, pode ser”. Mais cético, Henrique prefere esperar primeiro pelo pelo rio terras, que se estendem por cerca de 50 hectares, serão atravessadas pelo São Francisco. A fazenda teve um trecho desapropriado para ser cortada por canais e aquedutos que trarão o rio. A casa da propriedade foi erguida 116 anos atrás. Dedé lamenta ao contar que ela também precisou se desocupada – conseguiu que não a demolissem. O canal passa por quase um quilômetro dentro das terras. O pai dele, Leopoldo Leite de Araújo Lima, morreu em agosto de 2015, aos 96 anos. Um ano antes teve que se mudar para a cidade. “Meu pai sentiu porque teve que sair. Vinha todo dia rever o sítio”. Dedé diz que o lençol freático que encharcava o chão do seu bananal foi embarreirado pelo canal. Mas não lamenta tanto. O São Francisco veio para dentro do Quixabinha.
Açude Castanhão. À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Penaforte. À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Brejo Santo. À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Brejo Santo. À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Brejo Santo. À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Brejo Santo. À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Brejo Santo. À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Cabrobo. Especial: À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Açude Castanhão (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Açude Castanhão (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Açude Castanhão (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Açude Castanhão (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Especial: À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Jati (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Jati (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Mauriti (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Penaforte. À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Penaforte. À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Penaforte. À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Salgueiro. À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Salgueiro. À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Salgueiro. À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Município de Salgueiro. À espera de Francisco (Fotos: Fábio Lima/ O POVO)
Economia movida pela transposição
Desses dias incertos da República, a uma semana de trocar nomes e talvez prioridades na Presidência, já se vislumbram medidas para conter respingos a projetos como o da transposição do São Francisco e do Cinturão das Águas do Ceará (CAC). Um depende do outro: o Cinturão só avança e poderá ser útil se o canal da transposição chegar. Ambos só terão andamento com a garantia federal.
Pelo desenho financeiro operacional, é o Estado que executa a obra, dá sua contrapartida de recursos, mas com a União assegurando a maior parte da verba. O Ceará tenta se antecipar a um possível revés, em relação ao que lhe cabe no Cinturão das Águas. O secretário estadual dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira, disse ao O POVO que está em negociação com o governo federal para a readequação do projeto.
O Cinturão está orçada em cerca de R$ 1,6 bilhão na primeira etapa – que se estende por 146 km de canais de Jati a Nova Olinda. Prevê-se que de lá a água do São Francisco siga pelo rio Cariús, chegue ao açude Orós e se emende no rio Jaguaribe até o Castanhão – descendo até Fortaleza e o porto do Pecém.
“Estamos trabalhando nos primeiros 40 km”, informa Teixeira. As águas do São Francisco só correrão pelas 12 bacias hidrográficas cearenses se o Cinturão for viabilizado. Estima-se que o projeto total do CAC, numa extensão final de canais de 1.300 km em cinco etapas, seja executado durante pelo menos uma década. Isso a prazos de hoje.
A transposição, pelo volume de recursos direcionados (mais de R$ 8,2 bilhões), não fugiu aos olhos da corrupção. Também esteve sob investigação da Polícia Federal. No fim de 2015, a operação Vidas Secas apontou um esquema de desvios de mais de R$ 200 milhões cometidos por empreiteiras – que já estavam citadas na operação Lava Jato. Das outras coisas que valem a pena celebrar da obra em si, uma das importantes é a economia movimentada no entorno das cidades onde os canteiros foram instalados. Em Salgueiro (PE), dos 36 apartamentos do hotel Mustang, 24 estão locados desde 2012 para operários da obra. Na pousada Talismã (18 apartamentos) no Sertão Hotel (20), na Pousada Imperador (10), todos os quartos estão há pelo menos três anos à disposição de funcionários das empreiteiras, segundo o gerente Vandel Vo, do Hotel Polo. “Foi assim na cidade toda. A obra tá terminando agora caiu um pouco, mas aqui sempre lotou”.
“Apesar de estarmos numa crise, é importante dizer que o canal do São Francisco
traz um momento muito bom. Brejo Santo vive uma efervescência econômica nesse período das obras. Muito dinheiro novo circulando aqui”, reforça Valmir Lucena, 74, expresidente da Câmara Municipal, atualmente no sexto mandato de vereador.
Lucena lembra de quando ainda estavam sendo colhidas as primeiras assinaturas para o projeto, no final dos anos 1990, e a dimensão que a obra tomou. “Você vê pela grandiosidade daquele túnel em Mauriti. Estive lá”, referindo ao Cuncás I, um dos quatro túneis ao longo da transposição. Com 15 km, é o maior túnel hidráulico da América Latina. Abençoado pelo encontro do São Francisco com outros santos da região: começa no distrito de São Miguel, em Mauriti (CE), atravessa por baixo a serra do Espírito Santo e, do outro lado, sai em São José de Piranhas, na Paraíba.
Prioridade e Investimento
Os usos e a gestão das águas da transposição do Rio São Francisco em nível estadual seguem indefinidos. Diante da estiagem de cinco anos consecutivos que assola o Ceará, a prioridade da outorga será para consumo humano e animal. No entanto, a agroindústria e agricultura familiar também serão beneficiadas. “A indústria busca alternativas, poços profundos. Há toda uma estrutura hídrica e com o abastecimento humano e animal isso pode melhorar”, avalia Bessa Júnior, presidente do Conselho Temático de Cadeias Produtivas e Agronegócios da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec).
Segundo ele, a preocupação do setor é com a agricultura familiar e o agronegócio em potencial. “São importantíssimos para o setor e estão sofrendo racionamento e a falta da maior capacidade de a água chegar a esses locais”, afirma.
Em meio à secura, comunidades localizadas às margens da obra veem a água passar e não podem utilizá-la.
Em apresentação das obras à comitiva formada por deputados estaduais do Ceará em abril deste ano, o coordenador geral do projeto de integração do rio São Francisco, Frederico Meira, demonstrou preocupação ao falar de casos de rompimento do canal em Pernambuco.
Ele reforçou a necessidade de segurança nos locais e afirmou que existem propostas de distribuição e utilização de águas individuas, mas é necessário que o Conselho Gestor da Transposição avalie caso a caso. O presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), João Lúcio Faria, afirmou que a chegada de águas da transposição para o abastecimento humano irá permitir que os reservatórios sejam utilizados para o incremento das atividades econômicas. Ele não definiu, no entanto, modelo de cobranças e nem administração em nível estadual. (Eduarda Talicy – eduardatalicy@opovo.com.br )
A obra é irreversível
Secretário de Recursos Hídricos do Ceará, Francisco Teixeira lembra de debates técnicos de meados dos anos 2000, quando se definia qual volume de água deveria ser redirecionado do São Francisco para cada Estado receptor. Àquela época o Nordeste estava chuvoso, o rio não parecia urgente. Conta que o Ceará era visto como um Estado “com muita água” em 2004. Argumentava que a seca sempre voltava.
Teixeira foi secretário nacional de Infraestrutura Hídrica, entre 2012 e 2013, e ministro da Integração Nacional entre 2013 e 2014. Lidou com os momentos iniciais da obra diretamente. O cenário de estiagem voltou e ficou. “Nossa dependência do rio poderá ser maior”.
Ele não quer contar com a água antes de ela chegar. Acha que o impeachment da presidente Dilma pode atrapalhar a obra. Teixeira não desconsidera que o Cinturão das Águas do Ceará – 27% executado – possa ser afetado por corte de recursos federais. Teme que isso aconteça. É o Cinturão que permitirá a distribuição da água do São Francisco pelo Ceará. (Cláudio Ribeiro)
O POVO – Qual é hoje a necessidade do Ceará em relação à água que virá do São Francisco? Francisco Teixeira – A oferta hídrica tem grande sazonalidade, variação temporal muito grande. Se a gente pegar desde o início dos anos 90, quando se vem fazendo o gerenciamento da água, controlando estoque dos reservatórios, percebemos uma década difícil. Os dois maiores reservatórios da bacia do Jaguaribe, Banabuiú e Orós, quase esvaziaram em menos de dez anos. Nos anos 90, se você traçar uma linha média no nível dos reservatórios, encontrará durante mais de uma década os reservatórios variando entre 20% e 30%, na média.
OP – O senhor fala só de Orós e Banabuiú? Teixeira – Tô falando deles (Orós e Banabuiú) com o sistema metropolitano (açudes Pacoti, Riachão, Gavião e Pacajus), que representam os maiores centros de demanda do Estado. Aí, quando chega o auge da discussão do São Francisco, naquele período chuvoso de 2004, os reservatórios apresentam uma inflexão, uma linha vertical, sobem e praticamente enchem. Chegam a quase 100%, até com o Castanhão nisso. Naquele momento se começou a discussão do projeto São Francisco. O pessoal de fora, que olhava nossa capacidade de reservação e o estoque que tínhamos, dizia “o Ceará tá com muita água”. A gente tinha que voltar ao passado pra mostrar os dois pontos da década anterior, onde o Ceará praticamente ficou sem água para grandes usos. No fim da chuva de 2011 estávamos com mais de 80% de reserva. Começamos 2012 com mais de 60%, sem recarga. No começo de 2013 eram 40%, no começo de 2014 eram 32%, o ano passado estávamos em janeiro com 20 e poucos por cento. E agora estamos com 13%. Aí você percebe como essa realidade é muito variável. O que é de novo que aparece? É que naquela época, quando se discutia o projeto do São Francisco, todo mundo sabia que, se olhando num horizonte mais a longo prazo, a necessidade das águas do rio era premente.
A obra do São Francisco chegou num ponto irreversível, e já há muito tempo
Francisco TexeiraSecretário de Recursos Hídricos do Ceará
OP – A obra parou em 2011. Teixeira – Ela parou em 2011, retomou em 2012. Mas graças a Deus que não se mudou o porte da estrutura, a capacidade dos canais, das estações. Fez-se etapas de instalação de bombas, montagem de adutoras e células de aquedutos. O canal em terra, que é o grosso da obra, foi feito na dimensão pensada no final dos anos 90, início de 2000, que era de 99 m³/s no Eixo Norte e 28 m³/s no Eixo Leste. Porque já se imaginava naquela época que, na questão de água, o cenário de conforto poderia virar de déficit, se não houvesse planejamento. Defendo a tese de que, concluída essa etapa agora, se iria para uma fase imediata de instalar mais duas bombas em cada estação de bombeamento de cada canal. Ficar o Eixo Leste com a capacidade total de 28 m³/s e o Norte, pelo menos com 50 m³/s. Só precisaria comprar mais duas bombas para cada estação, instalar uma adutora a mais, o canal em terra construído e o aqueduto comportam 50 m³/s.
OP – O senhor defende a duplicação por que a necessidade é essa? Teixeira – Defendo porque esta seca demonstrou uma realidade que a dependência nossa do rio São Francisco poderá ser bem maior do que pensávamos lá atrás. Chegou muito mais rápida até do que pensávamos antes, quando houve a discussão política, o debate técnico. Se tinha muito a discussão sobre a necessidade ou não do projeto. Hoje se discute que o projeto já deveria estar pronto, que tem que ser acelerado, e se discute a flexibilidade da outorga para trazer, de forma contínua, uma vazão até maior do que a estabelecida lá atrás.
OP – Qual é a previsão de chegada dessa água?
Teixeira – Se a água tivesse chegado, já estaria tendo serventia. Essa é uma obra muito complexa e por isso tem suas incertezas também. Na construção de canais, obras civis, túneis, linhas de transmissão, você se depara com problemas que o projeto às vezes não consegue detectar, é normal. Do ano passado pra cá, o pessoal preconizou uma data de julho. Sempre achei uma data mais factível, de setembro, outubro em diante. Mesmo assim aparecem coisas.
OP – Mas o Ceará trabalha com outubro? Teixeira – É, mas nosso grupo de contingência, que acompanha a questão da seca, não trabalha com a certeza absoluta de que a água vai chegar este ano. Não estamos contando no nosso balanço hídrico com essa água para este ano, para nos salvar de qualquer situação que seja, de garantir água para Fortaleza, outras cidades. Chegando a água do São Francisco, é um adendo, um incremento. Não é que não acreditamos no São Francisco, mas por precaução a gente tem que pensar no cenário mais crítico. Inclusive o São Francisco não chegando.
OP – Para quando está previsto o Orós ser acionado para reforçar o abastecimento de Fortaleza? Teixeira – Não tenho condições de dar essa resposta agora. Estamos atualizando nossas simulações. Tivemos aí um cenário nada diferente do que a Funceme preconizava. Eu, particularmente, esperava pior do que está acontecendo, principalmente no Interior. Algumas recargas de chuva no Interior nos permitiram um cenário melhor para o segundo semestre. Tínhamos de 50 a 60 cidades que poderiam entrar em colapso no ano passado, não entraram porque construímos mais de 1.200 poços, 200 km de adutora de montagem rápida, além de 600 que já haviam sido feitos. Com essa infraestrutura e chuvas que beneficiaram algumas localidades, acredito que vamos atravessar o segundo semestre no Interior melhor que no ano passado. Mas a situação do Vale do Jaguaribe e Região Metropolitana de Fortaleza vai exigir muito mais atenção e maior restrição ao uso do que no ano passado.
OP – Em quanto está a vazão do Orós e do Castanhão? Teixeira – O Castanhão hoje está liberando 9 m³/s para o Eixão das Águas. Desses 9 m³/s, está chegando para Fortaleza de 7 a 7,5 m³/s. O resto fica para atender comunidades pelo caminho e um pouco para irrigação. E pelo rio estamos liberando em torno de 5 m³/s hoje. Mas chegamos a liberar zero, em alguns dias, e 2,5 m³/s. Quando o rio apresenta alguma água por causa da chuva, a gente vai lá e fecha. Do Orós, a vazão hoje liberada, em torno de 4 m³/s.
OP – O Orós vai mesmo precisar abastecer Fortaleza? Teixeira – Um dos cenários nossos é que em abril ou maio a gente poderia liberar o Orós para dentro do Castanhão. Vamos ver se será em maio ou junho, com as simulações que estamos fazendo. Para ver, com o que temos hoje (de água), até quando podemos ir. Se ficar o tempo assim e não chover mais, vamos ainda no primeiro semestre acionar o Orós para dentro do Castanhão.
OP – A obra do Cinturão das Águas está em quantos por cento? Teixeira – Está com algo em torno de 27%. Estamos trabalhando só um lote. São 146 km (primeiro trecho), estamos trabalhando os primeiros 40 km. Vamos ver aí como fica nesse novo cenário político.
OP – A partir da possibilidade do impeachment, qual o seu temor em relação à transposição? Teixeira – Acho que a obra do São Francisco chegou num ponto que é irreversível, já é há muito tempo. Eu diria que a conclusão dela é irreversível. Precisaria haver um comportamento político totalmente insano para mandar parar uma obra dessas. Não é possível que essas lideranças que aprovaram o impeachment, e ele se concretizando no Senado, não vão ter a responsabilidade de forçar o possível novo governo a concluir o mais rápido possível a obra.
OP – O senhor está preocupado com as obras do Cinturão das Águas do Ceará (CAC)? Teixeira – Eu tenho mais preocupação com o CAC porque é uma obra delegada, é obra do Governo Federal, do Ministério da Integração. O São Francisco, o Ministério é que conduz. Ao contrário das outras obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), que são delegadas. E, num cenário de restrição econômica que vivemos e imagino que será maior, aí na hora dos cortes não sei como vai ser. O CAC é uma obra associada ao projeto de integração do São Francisco, vai dar maior capilaridade à água do São Francisco no Interior do Estado. É importante em função disso, mas na hora dos cortes de recursos que um possível novo governo venha fazer, eu tenho medo.
OP – Como está sendo o repasse de recursos para o Cinturão das Águas? Teixeira – A gente vinha recebendo cerca de R$ 10 milhões por mês. Só no ano passado, mesmo com toda dificuldade, investimos no Cinturão R$ 200 milhões. Foram R$ 140 milhões da União e R$ 60 milhões do Estado. Este ano nós temos R$ 150 milhões de previsão, já vieram quase R$ 40 milhões de verba federal. Viria até mais que no ano passado. É emenda de bancada, aprovada, já está desbloqueada. E o Estado tem uma previsão de botar mais R$ 60 milhões. A gente pretende que não haja percalço.
Água dos velhos sertões
A pequena barragem Arapuá-Angicos, no Rio Grande do Norte, capaz de armazenar pouco mais de 4 milhões de m³, é de 1920. É a mais antiga de todo o trajeto a ser percorrido pelo novo rio do sertão setentrional. Em seu itinerário redesenhado pela engenharia do século XXI, São Francisco também encontrará caminhos d’água do passado. O açude Lima Campos, em Icó, no Ceará, foi feito de abril a dezembro de 1932. Havia flagelo, fome, doenças, campos de concentração, mais uma seca molestando bicho e gente. O Estado pelejava por água.
Na Paraíba, o reservatório São Gonçalo tem quase a mesma idade do Lima Campos, é de 1936. A estiagem era igualmente cruel, a mesma região do Polígono das Secas. Em Pernambuco, o açude Curema foi concluído em 1942, quando o atual Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), gestor das águas da República, ainda era chamado de Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas.
São paredes de concreto ou areia que barram águas há tempos. Esses quatro e mais 17 açudes serão recuperados, reforçados, adaptados à presença do São Francisco. O rio encherá esses velhos sertões com água nova e a reforma será necessária. O projeto de adequação dos antigos reservatórios está incluído na obra da transposição. Custará mais de R$ 318,7 milhões, entre o levantamento técnico, iniciado três anos atrás, e a execução dos trabalhos. Previsão que se estendam por pelo menos um ano e meio, no mínimo.
O Castanhão, no Ceará, o maior dos açudes do Nordeste, com 6,7 bilhões de m³ de volume possível – hoje com apenas 9% de água -, está na lista. Apesar de ser um açude recente, inaugurado apenas 13 anos atrás, também precisará das adaptações. A reforma do Castanhão está orçada em cerca de R$ 21 milhões e é a que deve durar mais tempo individualmente: 18 meses. Principal garantia de abastecimento de Fortaleza, a barragem foi incluída como prioridade imediata para receber as alterações.
Dos 21 açudes para reforma, 18 são do Dnocs. Os outros três da relação são estaduais: Acauã, na Paraíba; Santa Cruz, no Rio Grande do Norte; e Chapéu, em Pernambuco. José Berlan Cabral, coordenador de estudos e projetos do Dnocs, confirma que três reservatórios da Paraíba estão prontos para lançarem editais de licitação: São Gonçalo, Poções e Boqueirão.
O serviço por fazer não será pouco. Segundo Berlan, haverá recuperação e reforço na parede de algumas barragens, instalação e regulagem de equipamentos hidromecânicos, novos sensores para medir volume e vibração na estrutura, instrumentos de automação, iluminação de galerias. O levantamento de necessidades foi individualizado por açude. O período seco é o ideal para iniciar os trabalhos.
O que for instalado será conectado a centrais de controle, operadas pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf). Os novos equipamentos indicarão, por exemplo, a vazão exata despejada pelo São Francisco. Para estar dentro da outorga estabelecida pela Agência Nacional de Águas (ANA), que é de 26 mil litros por segundo.
Outros cinco reservatórios do Ceará, além do Castanhão, em Jaguaribara, serão atualizados: o Lima Campos, em Icó; o Quixabinha, em Mauriti; o Orós, o Banabuiú, e o Prazeres, em Barro. Só nas barragens cearenses serão investidos R$ 106.466.905,46. O dinheiro será repassado pelo Ministério da Integração Nacional. Os açudes pertencentes aos estados serão reformados com verbas locais. (Cláudio Ribeiro)
“Mais importante do que ser multidisciplinar é ser não-disciplinar, isto é, integrar e dissolver as ‘disciplinas’ em um saber amplo e articulado, sem fronteiras artificiais e domínios de egos”, afirma o cientista do CCST/Inpe
O conhecimento científico não pode cegar a complexa relação entre os inúmeros ecossistemas presentes no planeta. “Tal abordagem gera soluções autistas que não se comunicam, tumores exuberantes cuja expansão danifica tudo que está em volta. Assim, a tecnociência olha o mundo com um microscópio grudado em seus olhos, vê pixel, mas ignora a paisagem”, afirma Antonio Donato Nobre, cientista do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – CCST/Inpe.
“A maior parte da agricultura tecnificada adotada pelo agronegócio é pobre em relação à complexidade natural. Ela elimina de saída a capacidade dos organismos manejados de interferir beneficamente no ambiente, introduzindo desequilíbrios e produzindo danos em muitos níveis”, analisa, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.
Para Nobre, a saída não é abandonar a ciência e a tecnologia produtiva de alimentos, mas sim associá-las e integrá-las a sistemas complexos de vidas em ecossistemas do Planeta. É entender, por exemplo, que a criação de áreas de plantio e produção agropecuária impactarão na chamada “equação do clima”. “É preciso remover os microscópios dos olhos, olhar o conjunto, perceber as conexões e, assim, aplicar o conhecimento de forma sábia e benéfica”, aponta.
Antonio Donato Nobre é cientista do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – CCST/Inpe, autor do relatório O Futuro Climático da Amazônia, lançado no final de 2014.
Tem atuado na divulgação e popularização da ciência, em temas como a Bomba biótica de umidade e sua importância para a valorização das grandes florestas, e os Rios Aéreos de vapor, que transferem umidade da Amazônia para as regiões produtivas do Brasil.
Foi relator nos estudos sobre o Código Florestal promovidos pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC e Academia Brasileira de Ciências. Possui graduação em Agronomia pela Universidade de São Paulo, mestrado em Biologia Tropical (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e é PhD em Earth System Sciences (Biogeochemistry) pela University of New Hampshire.
Atualmente é pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e pesquisador Visitante no Centro de Ciência do Sistema Terrestre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Quais os impactos da produção agrícola nas mudanças climáticas? Quais os riscos que o modelo do agronegócio (baseado nas grandes propriedades e produção em larga escala de uma só cultura por vez) representa?
Antonio Donato Nobre – A ocupação desordenada das paisagens produz pesados impactos no funcionamento do sistema de suporte à vida na Terra. A expansão das atividades agrícolas — quase sempre associada à devastação das florestas que têm maior importância na regulação climática — tem consequências que se fazem sentir cada vez mais, e serão devastadoras se não mudarmos a prática da agricultura.
A natureza, ao longo de bilhões de anos, evoluiu um sofisticadíssimo sistema vivo de condicionamento do conforto ambiental. Biodiversidade é o outro nome para competência tecnológica na regulação climática. A maior parte da agricultura tecnificada adotada pelo agronegócio é pobre em relação à complexidade natural. Ela elimina de saída a capacidade dos organismos manejados de interferir beneficamente no ambiente, introduzindo desequilíbrios e produzindo danos em muitos níveis.
IHU On-Line – Como aliar agricultura e pecuária à preservação de florestas e outros ecossistemas? Como o novo Código Florestal brasileiro se insere nesse contexto?
Antonio Donato Nobre – Extensa literatura científica mostra muitos caminhos para unir com vantagens agricultura, criação de animais e a preservação das florestas e de outros importantes ecossistemas. Esse conhecimento disponível assevera não haver conflito legítimo entre proteção dos ecossistemas e produção agrícola. Muito ao contrário, a melhor ciência demonstra a dependência umbilical da agricultura aos serviços ambientais providos pelos ecossistemas nativos.
Em 2012, contrariando a vontade da sociedade, o congresso revogou o código florestal de 1965. A introdução de uma nova lei florestal lasciva e juridicamente confusa já está produzindo efeitos danosos, como aumentos intoleráveis no desmatamento e a eliminação da exigência, ou o estímulo à procrastinação, no que se refere à recuperação de áreas degradadas. Mas a proteção e recuperação de florestas tem direto impacto sobre o regime de chuvas.
Incrível, portanto, que a agricultura, atividade que primeiro sofrerá com o clima inóspito que já bate às portas do Brasil, tenha sido justamente aquela que destruiu e continua destruindo os ecossistemas produtores de clima amigo. Enquanto estiver em vigor essa irresponsável e inconstitucional nova lei florestal, a degradação ambiental somente vai piorar.
IHU On-Line – De que forma o conhecimento mais detalhado sobre as formas de vida, e a relação entre elas, em florestas, como a amazônica, pode inspirar formas mais eficientes de produção de alimentos e, ao mesmo tempo, minimizar impactos ambientais?
Antonio Donato Nobre – A biomimética é uma nova área da tecnologia que copia e adapta soluções engenhosas encontradas pelos organismos para resolver desafios existenciais. Janine Benyus, a pioneira popularizadora desse saber, antes ignorado, costuma dizer que os designs encontrados na natureza são resultados de 3,8 bilhões de anos de evolução tecnológica. Durante esse tempo, somente subsistiram soluções efetivas e eficazes, que de saída determinaram a superioridade da tecnologia natural.
Ora, a agricultura precisa redescobrir a potência sustentável e produtiva que é o manejo inteligente de agroecossistemas inspirados nos ecossistemas naturais, ao invés de se divorciar deste vasto campo de conhecimento e soluções, como fez com seus agrossistemas empobrecidos, envenenados e que exploram organismos geneticamente aberrantes.
IHU On-Line – Qual o papel do solo na “composição da equação do clima” no planeta? Em que medida o desequilíbrio do solo pode influenciar nas mudanças climáticas?
Antonio Donato Nobre – Microrganismos e plantas têm incrível capacidade para adaptar-se ao substrato, seja solo, sedimento ou mesmo rocha. Essa adaptação gera simultaneamente uma formação e condicionamento do substrato, o que o torna fértil para a vida vicejar ali. O metabolismo dos ecossistemas, incluindo sua relação com o substrato, tem íntima relação com os ciclos globais de elementos químicos. A composição e funcionamento da atmosfera depende, para sua estabilidade dinâmica, portanto, para o conforto e favorecimento da própria vida, do funcionamento ótimo dos ecossistemas naturais.
Na equação do clima, os ecossistemas são os órgãos indispensáveis que geram a homeostase ou equilíbrio planetário. A agricultura convencional extermina aquela vida que tem capacidade regulatória, mata o solo, fator chave para sua própria sustentação, e introduz de forma reducionista e irresponsável nutrientes hipersolúveis, substâncias tóxicas desconhecidas da natureza e organismos que podem ser chamados de Frankensteins genéticos.
Todos estes insumos tornam as monoculturas do agronegócio sem qualquer função reguladora para o clima, e muito pior, devido à pesada emissão de gases-estufa e perturbações as mais variadas nos ciclos globais de nutrientes, a agricultura tecnificada é extremamente prejudicial para a estabilidade climática.
IHU On-Line – Desde a perspectiva do antropoceno , como avalia a relação do ser humano com as demais formas de vida do planeta hoje? Qual o papel da tecnologia e da ciência nessa relação?
Antonio Donato Nobre – Esta nova era foi batizada de antropoceno porque os seres humanos tornaram-se capazes de alterações massivas na delgada película esférica que nos permitiu a existência e nos dá abrigo. O maior drama da ocupação humana do ambiente superficial da Terra é que tal capacidade está destruindo o sistema de suporte à vida, sistema esse dependente 100% de todas demais espécies as quais o ser humano tem massacrado em sua expansão explosiva.
Infelizmente, na expansão do antropoceno, o conhecimento científico tem sido apropriado de forma gananciosa por mentes limitadas e arrogantes, e empregado no desenvolvimento sinistro de tecnologias e engenharias que por absoluta ignorância tornaram-se incapazes de valorizar o capital natural da Terra. Este comportamento autodestrutivo tem direta relação com a visão de ganho em curto prazo e a ilusão de poder auferida na aplicação autista de agulhas tecnológicas.
IHU On-Line – Em que medida a aproximação entre ciência e saberes indígenas pode contribuir para um novo caminho em termos de preservação do planeta e produção de alimentos?
Antonio Donato Nobre – Cada pesquisador sincero, inteligente e com mente aberta deve reconhecer a máxima milenar da sabedoria socrática: “somente sei que nada sei”. O conhecimento verdadeiro e sem limites internos impõe uma postura sóbria e humilde diante da enormidade da complexidade do mundo e da natureza. Hoje, a ciência mais avançada dá inteiro e detalhado suporte ao saber ancestral de sociedades tribais, que perduraram por milênios. Descer do salto alto da arrogância que fermentou graças ao individualismo permitirá reconhecer essa sabedoria básica de sustentabilidade, preservada no saber indígena.
Para a ciência, a aprender com o saber nativo está a veneração pela sabedoria da Mãe Terra; a intuição despretensiosa que capta o essencial da complexidade em princípios simples e elegantes; e sua capacidade holística e lúdica de articular a miríade de componentes do ambiente em uma constelação coerente e funcional de elos significativos.
IHU On-Line – De que forma a tecnociência e a tecnocracia impactam na forma de observar o planeta? O que isso significa para a humanidade?
Antonio Donato Nobre – A ciência é esta fascinante aventura humana na busca do conhecimento, evoluída aceleradamente a partir do renascimento na Europa. Muitas são suas virtudes e incríveis suas aplicações. No entanto, tais brilhos parecem infelizmente vir acompanhados quase sempre de alucinantes danos colaterais, nem sempre reconhecidos como tal. Na ciência, que gera o conhecimento básico; na tecnologia, que aplica criativamente esse conhecimento; e na engenharia, que transforma conhecimento em realidade, grassa uma anomalia reducionista que permite a hipertrofia de soluções pontuais, desconectadas entre si e do conjunto.
Tal abordagem gera soluções autistas que não se comunicam, tumores exuberantes cuja expansão danifica tudo que está em volta. Assim, a tecnociência olha o mundo com um microscópio grudado em seus olhos, vê pixel, mas ignora a paisagem. Abre caminhos para que ânimos restritos se apropriem de conhecimentos parciais e destruam o mundo. É preciso remover os microscópios dos olhos, olhar o conjunto, perceber as conexões e, assim, aplicar o conhecimento de forma sábia e benéfica.
IHU On-Line – De que forma conceitos como a Ecologia Integral, presentes na Encíclica Laudato Si’, do papa Francisco, contribuem para o desenvolvimento de uma visão sistêmica do ser humano sobre o planeta? Qual a importância de uma perspectiva multidisciplinar acerca da temática ambiental?
Antonio Donato Nobre – Ecologia Integral deve significar o que o nome diz. Aliás, se não for integral não pode ser denominada ecologia. Isso porque na natureza não existe isolamento, cada partícula, cada componente, cada organismo e cada sistema interage com os demais, sob o sábio comando das leis fundamentais. Por isso a ação humana pode gerar um acorde harmonioso na grande sinfonia universal, ou — se desrespeitar as leis — tornar-se fonte de perturbação e destruição.
Mais importante do que ser multidisciplinar é ser não-disciplinar, isto é, integrar e dissolver as “disciplinas” em um saber amplo e articulado, sem fronteiras artificiais e domínios de egos. A ciência verdadeira é aquela oriunda do livre pensar, do profundo sentir e do intuir espontâneo. A busca da verdade está ao alcance de todas as pessoas, não é nem deveria ser território exclusivo dos iniciados na ciência. Todos somos dotados da capacidade de inquirir e temos como promessa de realização o dom da consciência. Cientistas são facilitadores, e como tal deveriam servir aos semelhantes com boa vontade, iluminando o caminho do conhecimento, guiando na direção do saber.
IHU On-Line – Como avalia a agroecologia no Brasil hoje? O que a ciência e a tecnologia oferecem em termos de avanços para esse campo?
Antonio Donato Nobre – Agroecologia, agrofloresta sintrópica, sistemas agroflorestais, agricultura biodinâmica, trofobiose, agricultura orgânica, agricultura sustentável etc. compõem um rico repertório de abordagens que convergem na aspiração de emular em agroecossistemas a riqueza e funcionamento dos ecossistemas naturais. Uma parte dos desenvolvimentos científicos e tecnológicos autistas de até então pode ser aproveitada para essa nova era de agricultura produtiva, iluminada, respeitadora, harmônica e saudável.
É preciso, porém, que o isolamento acabe, que os conhecimentos sejam transparentes, integrados, articulados, simplificados e recolocados em perspectiva. Se as agulhas tecnológicas foram danosas, como os transgênicos, por exemplo, ainda assim serão úteis para sabermos o que “não” fazer. Na compreensão em detalhe das bases moleculares da vida, abrindo portais para consciência sobre a complexidade astronômica existente e atuante em todos os organismos, a humanidade terá finalmente a prova irrefutável para o acerto das abordagens holísticas e ecológicas.
IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?
Antonio Donato Nobre – É preciso iluminar e revelar a imensa teia de mentiras criada em torno da revolução verde com seus exuberantes tumores tecnológicos. As falsidades suportadas por corporações, governos, mídia e educação bitoladora desde a mais tenra idade, implantaram um sistema mundial de dominação que, literalmente, enfia goela abaixo da humanidade um menu infernal de alimentos portadores de doenças.
Esse triunfante modelo de negócio não se contenta em somente alimentar mal, o faz via quantidades crescentes de produtos animais, os quais requerem imensas áreas e grandes quantidades de água e outros insumos para serem produzidos.
Com isso a pegada humana no planeta torna-se destrutiva e insuportável, e a consequência já se faz sentir no clima como falência múltipla de órgãos. Apesar disso, creio que ainda temos uma pequena chance de evitar o pior se, como humanidade, dermos apoio irrestrito para a busca da verdade.
Precisamos de uma operação Lava Jato no campo, e a ciência tem todas as ferramentas para apoiar esse esforço de sobrevivência.
O físico Luiz Pinguelli Rosa, que desde 2004 era o secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, enviou e-mail a Temer pedindo desligamento do cargo por não concordar com o afastamento de Dilma Rousseff. Em entrevista ao Estado, ele explica seus motivos e analisa a gestão Dilma para o clima
Atualizado às 18h55
O físico Luiz Pinguelli Rosa, que desde 2004 atuava como secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, pediu desligamento do cargo na última quinta-feira, 12, depois do afastamento da presidente Dilma Rousseff. Em carta enviada ao presidente em exercício, Michel Temer, explicou que se recusava a continuar no cargo.
Reunião ordinária do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas com Dilma e Pinguelli em abril de 2012. Crédito: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
“Reputo de injusto o afastamento da Presidente da República pelo Congresso Nacional com a conivência do Supremo Tribunal Federal, pois não se provou qualquer crime de responsabilidade como estabelece a Constituição”, escreveu em mensagem enviada ao e-mail institucional da vice-presidência.
Ele lembrou que foi nomeado ao cargo em 2004 pelo então presidente Lula e foi mantido por Dilma. “O Fórum teve várias reuniões com o Presidente da República e Ministros apresentando sugestões que foram incorporadas no Plano Nacional de Mudanças Climáticas e na Lei Nacional sobre Mudanças Climáticas, bem como contribuiu para o Compromisso do Brasil na Conferência do Clima da ONU. No momento, o Fórum estava discutindo as propostas para o Plano de Adaptação nos diversos setores em ligação direta com a Ministra do Meio Ambiente”, disse.
O órgão, formado por cientistas de diversos áreas de clima, foi criado em 2000 por Fernando Henrique e teve uma função de destaque especialmente durante o governo Lula para a formulação de políticas de combate às mudanças climáticas.
Professor emérito da Coppe, o instituto de pós-graduação e pesquisa em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Pinguelli foi presidente da Eletrobras no primeiro governo de Lula.
Em entrevista ao Estado, o pesquisador explicou sua decisão. “Não estou fazendo nenhum juízo de valor sobre o governo Temer, mas o fórum é diretamente ligado ao presidente da República e eu não concordo com a mudança dessa forma. Não é uma questão de Dilma, mas de princípio”, disse.
“A tal pedalada é mal definida. Usar verba de banco público que depois é coberto em prazo pequeno é uma trivialidade que qualquer administrador já fez algo parecido. Para falar em crime tem de ser uma coisa séria, tem de ter materialidade, como agir de má fé ou se apropriar de recursos públicos. Quem fez isso foram outros no Congresso e o Supremo Tribunal Federal se fez de bobo. Não me sinto bem em cooperar no nível com o presidente”, complementou.
Mesmo presidindo o fórum, Dilma levou mais de um ano para participar de sua primeira reunião, ainda na primeira gestão, em abril de 2012. Na ocasião, causou polêmica ao dizer, às vésperas da realização da conferência Rio+20, que o evento não iria “discutir a fantasia” das energias renováveis.
“Ninguém numa conferência dessas também aceita, me desculpem, discutir a fantasia. Eu tenho que explicar para as pessoas como é que elas vão comer, como é que elas vão ter acesso à água, como é que elas vão ter acesso à energia. Eu não posso falar: “olha é possível só com eólica de iluminar o planeta”. Não é. Só com solar, de maneira alguma.”
Pinguelli contemporizou o começo meio torto e disse que hoje a situação é outra. “Tivemos problema com etanol, com biodiesel, porque a política energética não foi muito boa, estimulou muito o uso da gasolina em detrimento do etanol. Mas eólica cresceu bastante. A geração já equivale à (que será produzida por) Belo Monte.”
Veja a seguir a íntegra da entrevista:
O que fez o senhor tomar essa decisão?
Não estou fazendo nenhum juízo de valor sobre o governo Temer, mas o fórum é diretamente ligado ao presidente da República e eu não concordo com a mudança dessa forma. Não é uma questão do governo da Dilma, mas de princípio. A tal pedalada é mal definida.O fato de ter um uso de verba de banco público que depois é coberto em prazo pequeno é uma trivialidade que qualquer administrador faz algo parecido. Não significa um crime. Crime é uma coisa séria, tem de ter materialidade, como agir de má fé ou se apropriar indevidamente de recursos públicos. Quem fez isso foram outros que participaram do processo no Congresso. E o Supremo Tribunal Federal se fez de bobo. Não atuou no caso Eduardo Cunha, que se empenhou no processo de impeachment. O STF tinha desde dezembro uma denúncia contra ele do procurador-geral da República e deixou para fazer valer depois de Dilma já ter sofrido a condenação pela Câmara, o que dá uma intenção suspeita ao supremo. Não me sinto bem em continuar cooperando porque minha ligação como secretário do fórum é com o presidente do Fórum, que é o presidente da República. Não na qualidade de um assessor direto do presidente. Espero que outra pessoa mais afinada com esse governo do que eu vá para esse lugar.
Qual é a avaliação que o senhor faz da gestão Dilma em relação às mudanças climáticas?
Eu não posso dizer que o governo Dilma foi muito atuante na questão climática. Acho que o do Lula foi mais. Por causa, particularmente, da intervenção do Brasil na Conferência (do Clima da ONU) de Copenhague (em 2009) e da elaboração do Plano e da Lei Nacional de Mudanças Climáticas, para o qual o fórum foi muito chamado para ajudar. No momento o fórum estava fazendo uma série de debates mais ligados ao Ministério do Meio Ambiente sobre a questão dos planos de adaptação à mudança climática. E fizemos também, para a conferência de Paris, um estudo em cooperação com colegas de universidades em que fizemos um cenário futuro, de modelagem climática aqui da Coppe, sobre a mudança climática que foi aproveitado na discussão em Paris. Fórum teve uma atividade menor no governo Dilma em relação ao governo Lula, mas não era nula.
O Brasil foi bastante elogiado por sua atuação na costura do Acordo de Paris. Como o sr. viu esse momento?
Acho que a Izabella (Teixeira, ministra do Meio Ambiente em todo o governo Dilma) teve uma presença muito atuante na conferência do clima e o fórum acabou tornando-se mais próxima da Izabella (do que da Dilma). Inclusive na conferência de Paris, foi ela que participou da reunião do fórum. Dilma se afastou, mas Izabella não. Na prática, embora o Fórum continuasse ligado à presidente Dilma no organograma, ficamos mais próximo do Ministério do Meio Ambiente. Não era uma função remunerada. Era voltada para atrais ONGs, acadêmicos, mesmo os setores empresariais para a discussão de problemas concretos da questão internacional da mudança climática. Isso foi feito o tempo todo. Até poucos meses atrás, no fim de 2015, houve essas reuniões. Aí houve um interregno com essa crise profunda que o Brasil atravessa.
Nos últimos dias da gestão Dilma, o ministério do Meio Ambiente correu para aproveitar os últimos momentos e lançou uma série de boas ações para o ambiente, inclusive o Plano Nacional de Adaptação, que era esperado desde o ano passado.. O que o sr. achou disso?
Acho que esse movimento foi bom, deixou uma contribuição concreta. O PNA avança, melhora a situação. É preciso lembrar que o Brasil tem climas diferentes de acordo com a região e pode haver enormes impactos, não só nos fenômenos atmosféricos, que afetam o ambiente e as populações, como enchentes, ventos muito fortes, como também a produção agrícola, que depende muito do clima. Mas é verdade que foi meio corrido. Ele é uma contribuição que reuniu o que já tinha à mão, embora pudesse avançar mais. Mas não impede que o novo governo faça isso. O que foi feito é o que tinha à mão. Acho que o governo tinha uma perspectiva de se prolongar um pouco mais para a elaboração desse plano e foi abreviado.
Qual é a expectativa do senhor sobre o novo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, e para a questão climática na nova gestão.
Ele já foi ministro, né? Faço votos para que faça boa gestão. A expectativa é que tenha boa gestão, ele tem condições para isso, tem interesse nessa área. Já estive com ele muitas vezes discutindo questões da mudança climática. Mas me sentia mais identificado com a gestão Dilma. A própria Izabella foi nossa aluna aqui no doutorado da Coppe. Havia uma proximidade maior. Quanto à política do clima, vamos ver. O Sarney Filho tem pedigree de meio ambiente. Mas o ministro de Minas e Energia (Fernando Filho) é um ilustre desconhecido, é de outro ramo, não tem nada a ver.
O governo Dilma teve como bandeira o pré-sal, investindo mais em combustíveis fósseis que em renováveis, enquanto há uma expectativa mundial de descarbonização até o final do século. O sr. esteve à frente de discussões sobre o futuro energético. Como o sr. vê essa questão?
Acho que o Brasil ainda vai usar petróleo por um tempo, mas tem de reduzir, e isso já tem feito usando biocombustível, que já ultrapassou 40% do total de combustíveis. Mas não está tudo perfeito. Tivemos problema com etanol, com biodiesel, porque a política energética não foi muito boa, estimulou muito o uso da gasolina em detrimento do etanol. O preço da gasolina foi colocado abaixo do preço de importação. Houve uma retomada do etanol por volta de 2003 e 2004 com os carros flex e isso permitiu um aumento grande do consumo do etanol. Mas com o estímulo de preço baixo da gasolina, o etanol perdeu a competitividade, houve uma certa redução do consumo.
E nesse momento se discute na Câmara que carro leve use diesel no Brasil.
Isso é ruim. O que devia ser feito era incentivar os carros híbridos (combustível + elétrico), que ainda são muito caros. Devia haver uma política de compensações e redução desse preço.
As metas brasileiras ao Acordo de Paris também não trazem um aumento significativo do uso de etanol e biocombustíveis (prevê uma participação de 16% de etanol na matriz energética total do País até 2025).
Não é uma participação pequena, mas de fato não tem um grande aumento. Concordo que para o futuro, talvez 2040 em diante, deva aumentar, mas para 2020 é mais difícil mudar a tendência porque energia tem uma inércia muito grande. Depois pode aumentar muito. Mas isso depende da política e ultimamente a política não foi muito favorável ao biocombustível. A gente fez a crítica perante a presidente Dilma. Mostramos essa preocupação. Uso de energia eólica cresceu bastante, já igualou à de Belo Monte. Mas infelizmente a de térmica também cresceu por causa das crises hídricas.
Construction sites have been moved so as not to disturb the elves, and fishermen have refused to put out to sea because of their warnings: here in Iceland, these creatures are a part of everyday life
Since the beginning of time, elves have been the stuff of legend in Iceland, but locals here will earnestly tell you that elves appear regularly to those who know how to see them.
Construction sites have been moved so as not to disturb the elves, and fishermen have refused to put out to sea because of their warnings: here in Iceland, these creatures are a part of everyday life.
Anthropologist Magnus Skarphedinsson has spent decades collecting witness accounts, and he’s convinced the answer is yes.
He now passes on his knowledge to curious crowds as the headmaster of Reykjavik’s Elf School.
“There is no doubt that they exist!” exclaims the stout 60-year-old as he addresses his “students”, for the most part tourists fascinated by Icelanders’ belief in elves.
What exactly is an elf? A well-intentioned being, smaller than a person, who lives outdoors and normally does not talk. They are not to be confused with Iceland’s “hidden people”, who resemble humans and almost all of whom speak Icelandic.
To convince sceptics that this is not just a myth, Skarphedinsson relays two “witness accounts”, spinning the tales as an accomplished storyteller.
The first tells of a woman who knew a fisherman who was able to see elves who would also go out to sea to fish.
One morning in February 1921, he noticed they were not heading out to sea and he tried to convince the other fishermen not to go out either. But the boss would not let them stay on shore.
That day, there was an unusually violent storm in the North Atlantic but the fishermen, who had heeded his warning and stayed closed to shore, all returned home safe and sound.
Seven years later, in June 1928, the elves again did not put out to sea which was confusing because there had never been a fierce storm at sea at that time of year. Forced to head out, they sailed waters that were calm but caught very few fish.
“The elves knew it,” the anthropologist claims.
The other “witness” is a woman in her eighties, who in 2002 ran into a young teen who claimed to know her. Asking him where they had met, he gave her an address where she had lived 53 years ago where her daughter claimed she had played with an invisible boy.
Most people tread lightly when entering into known elf territory
ICELAND MAGAZINE
“But Mum, it’s Maggi!” exclaimed the daughter when her mother described the teen.
“He had aged fives times slower than a human being,” said Skarphedinsson.
Surveys suggest about half of Icelanders believe in elves.
“Most people say they heard [about them] from their grandparents when they were children,” said Michael Herdon, a 29-year-old American tourist attending Elf School.
Iceland Magazine says ethnologists have noted it is rare for an Icelander to really truly believe in elves. But getting them to admit it is tricky.
“Most people tread lightly when entering into known elf territory,” the English-language publication wrote in September.
That’s also the case with construction projects.
It may prompt sniggers, but respect for the elves’ habitat is a consideration every time a construction project is started in Iceland’s magnificent countryside, which is covered with lava fields and barren, windswept lowlands.
Back in 1971, Skarphedinsson recalls how elves disrupted construction of a national highway from Reykjavik to the northeast. The project, he says, suffered repeated unusual technical difficulties because they didn’t want a big boulder that served as their home to be moved to make way for the new road.
“They made an agreement in the end that the elves would leave the stone for a week, and they would move the stone 15 metres. This is probably the only country in the world whose government officially talked with elves,” Skarphedinsson says.
But Iceland is not the only country that is home to elves, he says. It’s just that Icelanders are more receptive to accounts of their existence.
“The real reason is that the Enlightenment came very late to Iceland.
“In other countries, with western scientific arrogance [and] the denial of everything that they have not discovered themselves, they say that witnesses are subject to hallucinations.”
Oficialmente, o último acordo ortográfico está em vigor em Portugal desde 2009, mas ainda enfrenta resistência em vários setores. Na semana passada, o time dos descontentes recebeu um apoio de peso: o novo presidente português se mostrou favorável à revisão das regras.
Em visita a Moçambique —país lusófono que, assim como Angola, não ratificou as mudanças—, Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que a não adesão dos africanos pode permitir a Portugal também rever sua posição no acordo.
Mauro Vombe – 4.mai.2016/Xinhua
O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, (esq.) saúda o colega moçambicano Filipe Nyusi
Na quarta-feira (11), a Associação Nacional de Professores de Português e vários membros da organização “Cidadãos contra o Acordo Ortográfico” recorreram à Justiça pedindo a anulação da norma que disseminou o uso da nova ortografia no país.
No cargo há dois meses, Rebelo de Sousa nunca escondeu sua contrariedade sobre o tema. Na década de 1990, ele assinou um manifesto que reuniu 400 personalidades portuguesas contrárias ao acordo ortográfico.
Embora as críticas públicas tenham se abrandado, o livro de imagens de sua campanha à Presidência, “Afectos”, não adota as mudanças ortográficas nem no título.
Em “O Acordo Ortográfico Não Está Em Vigor” (ed. Guerra & Paz), o embaixador e professor de direito internacional Carlos Fernandes diz que o acordo fere também princípios jurídicos e, por isso, não deveria ser adotado.
Segundo Fernandes, além de as regras anteriores não terem sido oficialmente revogadas, o governo português tampouco cumpriu trâmites legais obrigatórios para a entrada em vigor dos novos parâmetros da língua.
O debate sobre uma possível revisão do acordo —há quem defenda até um referendo— provocou uma “caça às bruxas” ortográfica. Vários políticos tiveram currículos, biografias e livros vasculhados em busca de indícios de que são contrários às mudanças na escrita.
CRÍTICAS AO BRASIL
Embora tenha sido assinado em 1990 pelos Estados de língua oficial portuguesa, o acordo precisa passar por ratificação interna em cada país para entrar em vigor. Brasil, Portugal, São Tome e Príncipe e Cabo Verde já promulgaram a decisão.
Já Angola e Moçambique —que concentram a maioria dos falantes do português depois do Brasil— ainda não têm data para ratificar.
O português é a quinta língua mais falada do mundo, com cerca de 280 milhões de falantes, dos quais 202 milhões estão no Brasil, 24,7 milhões em Angola, 24,6 milhões em Moçambique e 10,8 milhões em Portugal.
Entre os críticos portugueses e africanos, as alterações são encaradas como submissão aos desejos do Brasil. A língua oficial do país é várias vezes pejorativamente chamada de “brasileiro”.
Um dos motivos da discórdia é o fim das consoantes mudas presentes em várias palavras de Portugal. Com o acordo, prevaleceu a versão brasileira. Por exemplo: actor vira ator e óptimo, ótimo.
Segundo o Ministério da Educação brasileiro, as mudanças afetaram cerca de 0,8% dos vocábulos do Brasil e 1,3% dos de Portugal.
GOVERNO DEFENDE
O governo de Portugal segue o acordo ortográfico, e vários ministros saíram em defesa das regras.
Considerado o pai do acordo e um dos mais mais influentes linguistas lusitanos, Malaca Casteleiro também tem defendido sua aplicação.
O primeiro-secretário do Brasil em Lisboa, André Pinto Pacheco, afirmou que ” a embaixada acompanha com atenção o assunto, procurando esclarecer o Estado e a opinião pública de Portugal sobre a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no Brasil”.
Diretor do setor de lexicografia e lexicologia da Academia Brasileira de Letras, Evanildo Bechara minimizou as críticas do presidente português e ressaltou o ritmo da implementação do acordo na comunidade lusófona. “É um processo irreversível.”
“Uma alteração ortográfica não é para a geração que a fez, mas para uma geração futura”, afirmou Bechara. O uso da nova ortografia é obrigatório no Brasil desde 1º de janeiro deste ano.
Strains of E. coli resistant to one antibiotic can protect other bacteria growing nearby
Date:
May 16, 2016
Source:
Massachusetts Institute of Technology
Summary:
Researchers have found that two strains of E. coli bacteria, each resistant to one antibiotic, can protect each other in an environment where both drugs are present.
Mutualism, a phenomenon in which different species benefit from their interactions with each other, can help bacteria form drug-resistant communities. Pictured is an artist’s interpretation of mutualism among bacteria. Credit: Jose-Luis Olivares/MIT
A new study from MIT finds that two strains of bacteria that are each resistant to one antibiotic can protect each other in an environment containing both drugs.
The findings demonstrate that mutualism, a phenomenon in which different species benefit from their interactions with each other, can help bacteria form drug-resistant communities. This is the first experimental demonstration in microbes of a type of mutualism known as cross-protection, which is more commonly seen in larger animals.
The researchers focused on two strains of E. coli, one resistant to ampicillin and the other resistant to chloramphenicol. These bacteria and many others defend themselves from antibiotics by producing enzymes that break down the antibiotics. As a side effect, this also protects cells that don’t produce those enzymes, by removing the antibiotic from the environment.
“Any time that you’re breaking down an antibiotic, there’s this potential for cross-protection,” says Jeff Gore, the Latham Family Career Development Associate Professor of Physics and the senior author of the study, which appears in the Proceedings of the National Academy of Sciences the week of May 16.
The MIT team found that, indeed, both strains could survive in an environment where both antibiotics were present, even though each was only resistant to one of the drugs. This type of situation is likely also found in the natural world, especially in soil where many strains of bacteria live together.
“Each of them is making different toxins and each of them is resistant to different toxins,” Gore says. “A lot of antibiotics are produced by microbes as part of the combat that is taking place between microorganisms in the soil.”
Gore and co-first authors Eugene Yurtsev and Arolyn Conwill, both MIT graduate students, also found that the populations of the two strains oscillate over time. Population oscillations are common in predator-prey interactions but rare in mutualistic interactions such as the cross-protection seen in this study.
Throughout their experiments, the researchers diluted the bacterial population each day by transferring about 1 percent of the population to a new test tube, to which new antibiotics were added. They found that while the total size of the bacterial population remained about the same, there were large oscillations in the relative percentages of each strain, which varied by nearly 1,000 percent over a period of about three days.
For example, if the ampicillin-resistant strain was more abundant in the beginning of a cycle, it rapidly deactivated ampicillin in the environment, allowing the chloramphenicol-resistant strain to begin growing. The ampicillin-resistant strain only began growing once the other strain had expanded enough to deactivate most of the chloramphenicol, at which point the chloramphenicol-resistant strain had already overtaken the ampicillin-resistant strain.
“The mutualism exhibits oscillations because the strain that is more abundant at the beginning of a growth cycle might end up less abundant at the end of that cycle,” Gore says.
At lower antibiotic concentrations, the bacterial population can survive in this oscillating pattern indefinitely, but at higher drug concentrations, the oscillations destabilize the population, and it eventually collapses.
Gore suspects that similar population oscillations may also be seen in natural environments such as the human gut, as bacteria exit the body along with bowel movements, or in soil as bacteria are washed away by rainfall.
Gore’s lab is now looking at this type of mutualism in bacteria living in the gut of the worm C. elegans. The researchers are also studying how these types of population oscillations can become synchronized over large geographic areas, and how migration between populations influences this synchronization.
Journal Reference:
Saurabh R. Gandhi, Eugene Anatoly Yurtsev, Kirill S. Korolev, and Jeff Gore. Range expansions transition from pulled to pushed waves as growth becomes more cooperative in an experimental microbial population. PNAS, 2016 DOI: 10.1073/pnas.1521056113
Earth’s own experiments during ice ages showed little effect
Date:
May 16, 2016
Source:
The Earth Institute at Columbia University
Summary:
Over the past half-million years, the equatorial Pacific Ocean has seen five spikes in the amount of iron-laden dust blown in from the continents. In theory, those bursts should have turbo-charged the growth of the ocean’s carbon-capturing algae — algae need iron to grow — but a new study shows that the excess iron had little to no effect.
With the right mix of nutrients, phytoplankton grow quickly, creating blooms visible from space. This image, created from MODIS data, shows a phytoplankton bloom off New Zealand. Credit: Robert Simmon and Jesse Allen/NASA
Over the past half-million years, the equatorial Pacific Ocean has seen five spikes in the amount of iron-laden dust blown in from the continents. In theory, those bursts should have turbo-charged the growth of the ocean’s carbon-capturing algae — algae need iron to grow — but a new study shows that the excess iron had little to no effect.
The results are important today, because as groups search for ways to combat climate change, some are exploring fertilizing the oceans with iron as a solution.
Algae absorb carbon dioxide (CO2), a greenhouse gas that contributes to global warming. Proponents of iron fertilization argue that adding iron to the oceans would fuel the growth of algae, which would absorb more CO2 and sink it to the ocean floor. The most promising ocean regions are those high in nutrients but low in chlorophyll, a sign that algae aren’t as productive as they could be. The Southern Ocean, the North Pacific, and the equatorial Pacific all fit that description. What’s missing, proponents say, is enough iron.
The new study, published this week in the Proceedings of the National Academy of Sciences, adds to growing evidence, however, that iron fertilization might not work in the equatorial Pacific as suggested.
Essentially, earth has already run its own large-scale iron fertilization experiments. During the ice ages, nearly three times more airborne iron blew into the equatorial Pacific than during non-glacial periods, but the new study shows that that increase didn’t affect biological productivity. At some points, as levels of iron-bearing dust increased, productivity actually decreased.
What matters instead in the equatorial Pacific is how iron and other nutrients are stirred up from below by upwelling fueled by ocean circulation, said lead author Gisela Winckler, a geochemist at Columbia University’s Lamont-Doherty Earth Observatory. The study found seven to 100 times more iron was supplied from the equatorial undercurrent than from airborne dust at sites spread across the equatorial Pacific. The authors write that although all of the nutrients might not be used immediately, they are used up over time, so the biological pump is already operating at full efficiency.
“Capturing carbon dioxide is what it’s all about: does iron raining in with airborne dust drive the capture of atmospheric CO2? We found that it doesn’t, at least not in the equatorial Pacific,” Winckler said.
The new findings don’t rule out iron fertilization elsewhere. Winckler and coauthor Robert Anderson of Lamont-Doherty Earth Observatory are involved in ongoing research that is exploring the effects of iron from dust on the Southern Ocean, where airborne dust supplies a larger share of the iron reaching the surface.
The PNAS paper follows another paper Winckler and Anderson coauthored earlier this year in Nature with Lamont graduate student Kassandra Costa looking at the biological response to iron in the equatorial Pacific during just the last glacial maximum, some 20,000 years ago. The new paper expands that study from a snapshot in time to a time series across the past 500,000 years. It confirms that Costa’s finding, that iron fertilization had no effect then, fit a pattern that extends across the past five glacial periods.
To gauge how productive the algae were, the scientists in the PNAS paper used deep- sea sediment cores from three locations in the equatorial Pacific that captured 500,000 years of ocean history. They tested along those cores for barium, a measure of how much organic matter is exported to the sea floor at each point in time, and for opal, a silicate mineral that comes from diatoms. Measures of thorium-232 reflected the amount of dust that blew in from land at each point in time.
“Neither natural variability of iron sources in the past nor purposeful addition of iron to equatorial Pacific surface water today, proposed as a mechanism for mitigating the anthropogenic increase in atmospheric CO2 inventory, would have a significant impact,” the authors concluded.
Past experiments with iron fertilization have had mixed results. The European Iron Fertilization Experiment (EIFEX) in 2004, for example, added iron in the Southern Ocean and was able to produce a burst of diatoms, which captured CO2 in their organic tissue and sank to the ocean floor. However, the German-Indian LOHAFEX project in 2009 experimented in a nearby location in the South Atlantic and found few diatoms. Instead, most of its algae were eaten up by tiny marine creatures, passing CO2 into the food chain rather than sinking it. In the LOHAFEX case, the scientists determined that another nutrient that diatoms need — silicic acid — was lacking.
The Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) cautiously discusses iron fertilization in its latest report on climate change mitigation. It warns of potential risks, including the impact that higher productivity in one area may have on nutrients needed by marine life downstream, and the potential for expanding low-oxygen zones, increasing acidification of the deep ocean, and increasing nitrous oxide, a greenhouse gas more potent than CO2.
“While it is well recognized that atmospheric dust plays a significant role in the climate system by changing planetary albedo, the study by Winckler et al. convincingly shows that dust and its associated iron content is not a key player in regulating the oceanic sequestration of CO2 in the equatorial Pacific on large spatial and temporal scales,” said Stephanie Kienast, a marine geologist and paleoceanographer at Dalhousie University who was not involved in the study. “The classic paradigm of ocean fertilization by iron during dustier glacials can thus be rejected for the equatorial Pacific, similar to the Northwest Pacific.”
Journal Reference:
Gisela Winckler, Robert F. Anderson, Samuel L. Jaccard, and Franco Marcantonio. Ocean dynamics, not dust, have controlled equatorial Pacific productivity over the past 500,000 years. PNAS, May 16, 2016 DOI: 10.1073/pnas.1600616113
Researchers are using ideas from animal training to help non-expert users teach robots how to do desired tasks.
Virtual environments in which trainers gave directions to robot dog. Credit: Image courtesy of Washington State University
Researchers at Washington State University are using ideas from animal training to help non-expert users teach robots how to do desired tasks.
The researchers recently presented their work at the international Autonomous Agents and Multiagent Systems conference.
As robots become more pervasive in society, humans will want them to do chores like cleaning house or cooking. But to get a robot started on a task, people who aren’t computer programmers will have to give it instructions.
“We want everyone to be able to program, but that’s probably not going to happen,” said Matthew Taylor, Allred Distinguished Professor in the WSU School of Electrical Engineering and Computer Science. “So we needed to provide a way for everyone to train robots — without programming.”
User feedback improves robot performance
With Bei Peng, a doctoral student in computer science, and collaborators at Brown University and North Carolina State University, Taylor designed a computer program that lets humans teach a virtual robot that looks like a computerized pooch. Non-computer programmers worked with and trained the robot in WSU’s Intelligent Robot Learning Laboratory.
For the study, the researchers varied the speed at which their virtual dog reacted. As when somebody is teaching a new skill to a real animal, the slower movements let the user know that the virtual dog was unsure of how to behave. The user could then provide clearer guidance to help the robot learn better.
“At the beginning, the virtual dog moves slowly. But as it receives more feedback and becomes more confident in what to do, it speeds up,” Peng said.
The user taught tasks by either reinforcing good behavior or punishing incorrect behavior. The more feedback the virtual dog received from the human, the more adept the robot became at predicting the correct course of action.
Applications for animal training
The researchers’ algorithm allowed the virtual dog to understand the tricky meanings behind a lack of feedback — called implicit feedback.
“When you’re training a dog, you may withhold a treat when it does something wrong,” Taylor explained. “So no feedback means it did something wrong. On the other hand, when professors are grading tests, they may only mark wrong answers, so no feedback means you did something right.”
The researchers have begun working with physical robots as well as virtual ones. They also hope to eventually use the program to help people learn to be more effective animal trainers.
Physicists are putting themselves out of a job, using artificial intelligence to run a complex experiment. The experiment created an extremely cold gas trapped in a laser beam, known as a Bose-Einstein condensate, replicating the experiment that won the 2001 Nobel Prize.
The experiment, featuring the small red glow of a BEC trapped in infrared laser beams. Credit: Stuart Hay, ANU
Physicists are putting themselves out of a job, using artificial intelligence to run a complex experiment.
The experiment, developed by physicists from The Australian National University (ANU) and UNSW ADFA, created an extremely cold gas trapped in a laser beam, known as a Bose-Einstein condensate, replicating the experiment that won the 2001 Nobel Prize.
“I didn’t expect the machine could learn to do the experiment itself, from scratch, in under an hour,” said co-lead researcher Paul Wigley from the ANU Research School of Physics and Engineering.
“A simple computer program would have taken longer than the age of the Universe to run through all the combinations and work this out.”
Bose-Einstein condensates are some of the coldest places in the Universe, far colder than outer space, typically less than a billionth of a degree above absolute zero.
They could be used for mineral exploration or navigation systems as they are extremely sensitive to external disturbances, which allows them to make very precise measurements such as tiny changes in the Earth’s magnetic field or gravity.
The artificial intelligence system’s ability to set itself up quickly every morning and compensate for any overnight fluctuations would make this fragile technology much more useful for field measurements, said co-lead researcher Dr Michael Hush from UNSW ADFA.
“You could make a working device to measure gravity that you could take in the back of a car, and the artificial intelligence would recalibrate and fix itself no matter what,” he said.
“It’s cheaper than taking a physicist everywhere with you.”
The team cooled the gas to around 1 microkelvin, and then handed control of the three laser beams over to the artificial intelligence to cool the trapped gas down to nanokelvin.
Researchers were surprised by the methods the system came up with to ramp down the power of the lasers.
“It did things a person wouldn’t guess, such as changing one laser’s power up and down, and compensating with another,” said Mr Wigley.
“It may be able to come up with complicated ways humans haven’t thought of to get experiments colder and make measurements more precise.
The new technique will lead to bigger and better experiments, said Dr Hush.
“Next we plan to employ the artificial intelligence to build an even larger Bose-Einstein condensate faster than we’ve seen ever before,” he said.
The research is published in the Nature group journal Scientific Reports.
Journal Reference:
P. B. Wigley, P. J. Everitt, A. van den Hengel, J. W. Bastian, M. A. Sooriyabandara, G. D. McDonald, K. S. Hardman, C. D. Quinlivan, P. Manju, C. C. N. Kuhn, I. R. Petersen, A. N. Luiten, J. J. Hope, N. P. Robins, M. R. Hush. Fast machine-learning online optimization of ultra-cold-atom experiments. Scientific Reports, 2016; 6: 25890 DOI: 10.1038/srep25890
Neste século, cujo primeiro evento de repercussão mundial foram os ataques às torres gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001, assistimos ao ressurgimento do papel da religião na vida política. No cenário internacional, são notórios e dramáticos os fatos que complicam a geopolítica mundial, ocasionados por interpretações de caráter fundamentalista de religiões estabelecidas.
No Brasil, a presença da atividade política baseada e dirigida por princípios de fé nunca foi tão marcante. De acordo com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o pleito de 2014 elegeu uma bancada evangélica de 75 deputados federais; no seu apogeu, em 1962, o Partido Democrata Cristão, de inspiração católica, tinha 20 cadeiras na Câmara dos Deputados.
Nesse contexto, é oportuno retomar a questão da laicidade, seu papel na vida da democracia e dos direitos humanos, seus nexos com a secularização e a tolerância.
A secularização, termo que vem do latim saeculum, do mundo da vida terrena (não da vida religiosa), e a laicidade, do grego laos, povo, como leigo e laico, em contraposição ao clero no quadro de hierarquização da Igreja, foram consequências da dessacralização da sociedade, como aponta Weber.
O processo de diferenciação estrutural e funcional das instituições é a acepção que mais aproxima a laicização à secularização. Os atores sociais não só começaram a se distanciar da força avassaladora das tradições religiosas, mas as relações das religiões com o Estado se alteraram fundamentalmente no correr desse processo que remonta aos ideais do Iluminismo e da Revolução Francesa. Nesse contexto, surge o tema da laicidade do Estado.
Um Estado laico diferencia-se do teocrático, em que o poder religioso e o poder político se fundem, e também do confessional, em que há vínculos entre o poder político e uma religião.
No Brasil Império, a religião oficial era a católica, ainda que outras fossem permitidas e a liberdade de opinião, assegurada. Com a República, deu-se a separação da Igreja do Estado, que se tornou laico, ensejando a igualdade da liberdade dos cultos, a secularização dos cemitérios, o casamento civil e o registro civil para o nascimento e o falecimento de pessoas.
Rui Barbosa, autor da legislação que implantou a laicização do Estado brasileiro, consagrada na Constituição de 1891, explica que sua matriz inspiradora foi norte-americana. O Estado se dessolidarizou de toda a atividade religiosa em função, como diria Jefferson, da prevalência de um muro de separação entre a atividade religiosa e a ação estatal como preconizado pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA. O Estado laico não implica que a sociedade civil seja laica. Com efeito, esta passou a se constituir como uma esfera autônoma e própria para o exercício da liberdade religiosa e de consciência, na qual o Estado não interfere. Abria-se desse modo espaço para o que Benjamin Constant denominou liberdade negativa, não submetida a regras externas provenientes do poder público.
A laicidade, aponta Abbagnano, é expressão do princípio da autonomia das/nas atividades humanas: elas podem se desenvolver segundo regras próprias, não impostas externamente por fins e interesses diversos daqueles que as inspiram e norteiam. É o caso da liberdade de pesquisa, que pressupõe o antidogmatismo e o exame crítico de temas e problemas.
Quando a polarização e as tensões se tornam mais agudas, é importante lembrar que a laicidade é uma das formas de tolerância, ou, mais exatamente, uma das maneiras de responder ao problema da intolerância.
Como ressalta Bobbio, o tema da tolerância surgiu com a desconcentração do poder ideológico (consequência da secularização), pois a tolerância em relação a distintas crenças e opiniões coloca o problema de como lidar com a compatibilidade/convivência de verdades contrapostas (laicidade metodológica, pluralismo, antidogmatismo) e, subsequentemente, com o “diferente” (estrangeiros, pessoas de diversas opções sexuais, etc…). Daí o nexo entre democracia e direitos humanos, pois a tutela da liberdade de crença, de opinião e de posições políticas integra as regras do jogo democrático, para as quais o Outro não é um inimigo a ser eliminado, mas integrante da mesma comunidade política.
Em relação ao “diferente”, lembro que a Constituição (artigo 3.º, IV) estabelece que um dos objetivos da República é “promover o bem de todos sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor e quaisquer outras formas de discriminação”.
Entre os componentes da dicotomia tolerância/intolerância está, no plano interno, a convivência/coexistência de verdades contrapostas (religiosas, políticas), no âmbito das regras do jogo democrático e da tutela dos direitos humanos; no plano externo, a aceitação da pluralidade dos Estados na sua heterogeneidade.
Por essa razão um Estado aconfessional como o brasileiro (artigo 19, I, da Constituição) não pode, por obra de dependência ou aliança com qualquer religião, sancionar juridicamente normas ético-religiosas próprias à fé de uma confissão. Por exemplo: no campo da família, o direito ao divórcio; no critério do início da vida, a descriminalização do aborto e a pesquisa científica com células-tronco.
Num Estado laico, as normas religiosas das diversas confissões são conselhos dirigidos aos fiéis, e não comandos para toda a sociedade. A finalidade da liberdade de religião e de pensamento é garantir ao cidadão uti singuli a máxima diferenciação no campo das ideologias, das religiões e da cultura – ou seja, a liberdade individual.
A finalidade pública da laicidade é criar, nesse contexto, para todos os cidadãos uma plataforma comum na qual possam encontrar-se enquanto membros de uma comunidade política. É essa finalidade que cabe resguardar, para conter o indevido transbordar da religião para o espaço público, que se tornou um dos desafios da agenda política contemporânea.
Neste século, cujo primeiro evento de repercussão mundial foram os ataques às torres gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001, assistimos ao ressurgimento do papel da religião na vida política. No cenário internacional, são notórios e dramáticos os fatos que complicam a geopolítica mundial, ocasionados por interpretações de caráter fundamentalista de religiões estabelecidas.
No Brasil, a presença da atividade política baseada e dirigida por princípios de fé nunca foi tão marcante. De acordo com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o pleito de 2014 elegeu uma bancada evangélica de 75 deputados federais; no seu apogeu, em 1962, o Partido Democrata Cristão, de inspiração católica, tinha 20 cadeiras na Câmara dos Deputados.
Nesse contexto, é oportuno retomar a questão da laicidade, seu papel na vida da democracia e dos direitos humanos, seus nexos com a secularização e a tolerância.
A secularização, termo que vem do latim saeculum, do mundo da vida terrena (não da vida religiosa), e a laicidade, do grego laos, povo, como leigo e laico, em contraposição ao clero no quadro de hierarquização da Igreja, foram consequências da dessacralização da sociedade, como aponta Weber.
O processo de diferenciação estrutural e funcional das instituições é a acepção que mais aproxima a laicização à secularização. Os atores sociais não só começaram a se distanciar da força avassaladora das tradições religiosas, mas as relações das religiões com o Estado se alteraram fundamentalmente no correr desse processo que remonta aos ideais do Iluminismo e da Revolução Francesa. Nesse contexto, surge o tema da laicidade do Estado.
Um Estado laico diferencia-se do teocrático, em que o poder religioso e o poder político se fundem, e também do confessional, em que há vínculos entre o poder político e uma religião.
No Brasil Império, a religião oficial era a católica, ainda que outras fossem permitidas e a liberdade de opinião, assegurada. Com a República, deu-se a separação da Igreja do Estado, que se tornou laico, ensejando a igualdade da liberdade dos cultos, a secularização dos cemitérios, o casamento civil e o registro civil para o nascimento e o falecimento de pessoas.
Rui Barbosa, autor da legislação que implantou a laicização do Estado brasileiro, consagrada na Constituição de 1891, explica que sua matriz inspiradora foi norte-americana. O Estado se dessolidarizou de toda a atividade religiosa em função, como diria Jefferson, da prevalência de um muro de separação entre a atividade religiosa e a ação estatal como preconizado pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA. O Estado laico não implica que a sociedade civil seja laica. Com efeito, esta passou a se constituir como uma esfera autônoma e própria para o exercício da liberdade religiosa e de consciência, na qual o Estado não interfere. Abria-se desse modo espaço para o que Benjamin Constant denominou liberdade negativa, não submetida a regras externas provenientes do poder público.
A laicidade, aponta Abbagnano, é expressão do princípio da autonomia das/nas atividades humanas: elas podem se desenvolver segundo regras próprias, não impostas externamente por fins e interesses diversos daqueles que as inspiram e norteiam. É o caso da liberdade de pesquisa, que pressupõe o antidogmatismo e o exame crítico de temas e problemas.
Quando a polarização e as tensões se tornam mais agudas, é importante lembrar que a laicidade é uma das formas de tolerância, ou, mais exatamente, uma das maneiras de responder ao problema da intolerância.
Como ressalta Bobbio, o tema da tolerância surgiu com a desconcentração do poder ideológico (consequência da secularização), pois a tolerância em relação a distintas crenças e opiniões coloca o problema de como lidar com a compatibilidade/convivência de verdades contrapostas (laicidade metodológica, pluralismo, antidogmatismo) e, subsequentemente, com o “diferente” (estrangeiros, pessoas de diversas opções sexuais, etc…). Daí o nexo entre democracia e direitos humanos, pois a tutela da liberdade de crença, de opinião e de posições políticas integra as regras do jogo democrático, para as quais o Outro não é um inimigo a ser eliminado, mas integrante da mesma comunidade política.
Em relação ao “diferente”, lembro que a Constituição (artigo 3.º, IV) estabelece que um dos objetivos da República é “promover o bem de todos sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor e quaisquer outras formas de discriminação”.
Entre os componentes da dicotomia tolerância/intolerância está, no plano interno, a convivência/coexistência de verdades contrapostas (religiosas, políticas), no âmbito das regras do jogo democrático e da tutela dos direitos humanos; no plano externo, a aceitação da pluralidade dos Estados na sua heterogeneidade.
Por essa razão um Estado aconfessional como o brasileiro (artigo 19, I, da Constituição) não pode, por obra de dependência ou aliança com qualquer religião, sancionar juridicamente normas ético-religiosas próprias à fé de uma confissão. Por exemplo: no campo da família, o direito ao divórcio; no critério do início da vida, a descriminalização do aborto e a pesquisa científica com células-tronco.
Num Estado laico, as normas religiosas das diversas confissões são conselhos dirigidos aos fiéis, e não comandos para toda a sociedade. A finalidade da liberdade de religião e de pensamento é garantir ao cidadão uti singuli a máxima diferenciação no campo das ideologias, das religiões e da cultura – ou seja, a liberdade individual.
A finalidade pública da laicidade é criar, nesse contexto, para todos os cidadãos uma plataforma comum na qual possam encontrar-se enquanto membros de uma comunidade política. É essa finalidade que cabe resguardar, para conter o indevido transbordar da religião para o espaço público, que se tornou um dos desafios da agenda política contemporânea.
*Celso Lafer é professor emérito da Universidade de São Paulo
Geraldo Alckmin insinuou, semanas atrás, que o dinheiro destinado à pesquisa científica no Estado de São Paulo é desperdiçado em estudos irrelevantes ou mesmo inúteis. Ninguém duvida que a aplicação do dinheiro público deve ser cuidadosa e sempre pode ser melhorada. O problema é saber o que é ciência útil.
Quinze páginas publicadas nesta semana na mais conceituada revista científica mundial podem ser consideradas uma resposta às criticas do governador. Principalmente porque seus autores foram, durante anos, considerados grandes produtores de ciência “inútil”. Mas vamos à história que culminou na publicação.
Faz mais de 20 anos, um amigo voltou da França com uma ideia fixa. Queria estudar a biologia molecular dos vírus. Argumentava que novos vírus surgiriam do nada para assombrar a humanidade. O HIV e o ebola eram o prenúncio do que nos esperava no futuro. Sua ciência sempre foi criativa e de qualidade. E foi por esse motivo, e não com medo do apocalipse, que a Fapesp passou a financiar o jovem virologista. O grupo cresceu.
A ciência que esses virologistas produziram nas últimas décadas pode ser classificada como básica ou pura, sem utilidade aparente. Talvez fosse considerada “inútil” pelo governador. Pessoas que pensam assim acreditam que o papel do Estado é financiar projetos que resultem em conhecimentos de utilidade óbvia e imediata, que resolvam os problemas da Nação. Como essa política científica utilitarista e de curto prazo não predomina na Fapesp, a virologia molecular “inútil” prosperou no Estado de São Paulo. Entre os anos 2000 e 2007, eles formaram uma rede de pesquisa, montaram laboratórios, formaram estudantes e publicaram trabalhos científicos. Depois cada um seguiu seu caminho, estudando vírus diferentes, com métodos distintos, nas mais diversas unidades da USP.
Em dezembro, meu colega apareceu na Fapesp com outra ideia fixa. Argumentou que um vírus quase desconhecido poderia estar relacionado aos casos de microcefalia que pipocavam no Nordeste. Era o zika. Enquanto o pânico se espalhava em meio à total desinformação, em uma semana a rede dos virologistas moleculares se aglutinou e resolveu atacar o problema. Eram 45 cientistas agrupados em 15 laboratórios “inúteis”. Na semana seguinte, a Fapesp aumentou o financiamento desses laboratórios. Não tardou para um exército de virologistas moleculares paulistas desembarcar no palco da tragédia munidos de tudo que existia de “inútil” nos seus laboratórios. Isolaram o vírus dos pacientes e, enquanto um laboratório “inútil” cultivava o vírus, outro “inútil” sequenciou seu genoma. Rapidamente esse grupo de cientistas básicos se tornou “útil”. Demonstraram que o vírus ataca células do sistema nervoso, que atravessa a placenta e infecta o sistema nervoso do feto. E que provoca o retardo de seu crescimento.
Em poucos meses, a nova variante do vírus zika foi identificada, isolada, seu mecanismo de ação, esclarecido, e um modelo experimental para a doença foi desenvolvido. Essas descobertas vão servir como base para o desenvolvimento de uma vacina nos próximos anos. São essas descobertas “úteis”, descritas no trabalho realizado por cientistas “inúteis”, que agora foram publicadas pela revista Nature.
Premidos pela Segunda Guerra, cientistas “inúteis” dos EUA e da Inglaterra desenvolveram o radar, a bomba atômica e o computador. Premidos pela microcefalia, nossos virologistas estão ajudando a resolver o problema. Da mesma maneira que era impossível prever no entreguerras que o financiamento de linguistas, físicos teóricos, matemáticos e outros cientistas “inúteis” fosse ajudar no esforço de guerra, era impossível prever que os esforços de financiamento de jovens virologistas iriam, anos mais tarde, solucionar o enigma do zika antes da toda poderosa ciência americana.
Esse é um dos motivos que levam todo país que se preza a financiar essa tal de ciência “inútil”. Esse repositório de cientistas, laboratórios e conhecimento não somente aumenta nosso conhecimento sobre a natureza e ajuda a educar nossos jovens, mas pode ser aglutinado em uma emergência. Foi porque a Fapesp financiou ciência “inútil” por anos que agora temos a capacidade de responder rapidamente a uma emergência médica nacional. Do meu ponto de vista, a simples existência desse trabalho científico é uma resposta da comunidade científica às críticas ventiladas por nosso governador.
MAIS INFORMAÇÕES: THE BRAZILIAN ZIKA VÍRUS STRAIN CAUSES BIRTH DEFECTS IN EXPERIMENTAL MODELS. NATURE DOI:10.1038/NATURE18296 2016
Desaparecem ilhas do Pacífico:. A imagem aérea mostra a ilha de Nuatambu partida em duas pelas águas.SIMON ALBERT / EL PAÍS VÍDEO
Desta vez não se trata de previsões ameaçadoras para um futuro distante: um grupo de pesquisadores comprovou como em apenas poucas décadas várias ilhas do oceano Pacífico desapareceram sob o mar. Seu estudo conecta as mudanças climáticas mundiais com a elevação do nível do mar em escala local. Uma conexão que tragará muitas outras ilhas e zonas costeiras nas próximas décadas.
Usando imagens aéreas e por satélites obtidas desde 1947, cientistas australianos têm acompanhado a elevação do nível das águas que rodeiam as ilhas Salomão, no meio do Pacífico ocidental. O arquipélago, formado por cerca de 1.000 ilhas que, juntas, mal superam os 28.000 quilômetros quadrados de extensão, é o lar de mais de meio milhão de pessoas. De origem vulcânica, muitas são pequenos pedaços de terra de poucos hectares, quase ao nível do mar. Por isso são um laboratório onde testar os efeitos das mudanças climáticas nas zonas costeiras.
Os registros dendrocronológicos obtidos dos troncos das árvores mostram que o nível do mar se manteve estável nos últimos séculos, somente sujeito a variações temporais pelo impacto de fenômenos climáticos como El Niño. No entanto, esse equilíbrio foi para o espaço nas últimas décadas. Desde meados do século passado o oceano subiu 3 milímetros por ano, uma cifra que se elevou até os 7 milímetros anuais desde 1994.
Cinco pequenas ilhas das Salomão desapareceram e outras seis perderam a maior parte da terra
Com esses dados, os pesquisadores puderam comprovar com imagens o desaparecimento de cinco ilhas. Apesar de que a maior tinha apenas cinco hectares, trata-se de ilhotas com vegetação, vida silvestre e, pelo menos em dois casos, habitadas. Em algumas ainda é possível ver árvores que se afogam com as raízes sob o mar.
O estudo, publicado na Environmental Research Letters, também mostra que outras seis ilhas perderam até 62% de sua terra. Além disso, o ritmo do avanço do mar está ficando mais acelerado. As imagens tomadas do céu demonstram que até os anos 60 as águas arrebataram apenas 0,1% por unidade de área. A porcentagem se elevou até 0,5% anual até 2002 e, a partir daí, explodiu até 1,9%.
“A elevação do nível do mar nas Ilhas Salomão nos últimos 20 anos foi três vezes maior que a média mundial”, diz em uma mensagem o pesquisador da Universidade de Queensland (Austrália), Simon Albert. Embora possa parecer que o nível do mar tenda a ser igual em todo o planeta, há fatores locais que o elevam ou baixam.
No caso das Salomão, “em parte isso se deve ao aumento do nível do mar e, em parte, ao ciclo natural dos ventos alísios que movem a água no Pacífico ocidental”, esclarece o cientista australiano. “Mas, independentemente da combinação de causas, esses resultados nos apresentam uma visão dos impactos da elevação do nível do mar na segunda metade deste século, quando o restante do planeta sofrer um ritmo semelhante ao que experimentaram as Ilhas Salomão nestes 20 anos”, acrescenta Albert.
Comunidades de pescadores tiveram de mudar-se morro acima para distanciar suas casas do mar
O drama está transcorrendo quase ao vivo. Na ilha de Nuatambu, por exemplo, viviam 25 famílias. O mar lhes roubou a metade da terra e, na década atual, arrebatou 11 casas. Em várias ilhas as pessoas já tiveram de mudar-se para as zonas mais altas ou mudar de ilha. Algumas comunidades se fragmentaram, com alguns membros deslocados e outros ainda resistindo.
No artigo que os próprios pesquisadores escrevem em The Conversation está incluído o depoimento de Sirilo Sutaroti, o ancião-chefe que aos 94 anos rege o povo paurata, uma tribo de pescadores: “O mar começou a adentrar, o que nos obrigou a ir morro acima e reconstruir nosso povoado longe do mar”.
Está se tornando popular entre políticos e governos a ideia que a estagnação da economia mundial se deve ao fato de que o “século de ouro” da inovação científica e tecnológica acabou. Este “século de ouro” é usualmente definido como o período de 1870 a 1970, no qual os fundamentos da era tecnológica em que vivemos foram estabelecidos.
De fato, nesse período se verificaram grandes avanços no nosso conhecimento, que vão desde a Teoria da Evolução, de Darwin, até a descoberta das leis do eletromagnetismo, que levou à produção de eletricidade em larga escala, e telecomunicações, incluindo rádio e televisão, com os benefícios resultantes para o bem-estar das populações. Outros avanços, na área de medicina, como vacinas e antibióticos, estenderam a vida média dos seres humanos. A descoberta e o uso do petróleo e do gás natural estão dentro desse período.
São muitos os que argumentam que em nenhum outro período de um século – ao longo dos 10 mil anos da História da humanidade – tantos progressos foram alcançados. Essa visão da História, porém, pode e tem sido questionada. No século anterior, de 1770 a 1870, por exemplo, houve também grandes progressos, decorrentes do desenvolvimento dos motores que usavam o carvão como combustível, os quais permitiram construir locomotivas e deram início à Revolução Industrial.
Apesar disso, os saudosistas acreditam que o “período dourado” de inovações se tenha esgotado e, em decorrência, os governos adotam hoje medidas de caráter puramente econômico para fazer reviver o “progresso”: subsídios a setores específicos, redução de impostos e políticas sociais para reduzir as desigualdades, entre outras, negligenciando o apoio à ciência e tecnologia.
Algumas dessas políticas poderiam ajudar, mas não tocam no aspecto fundamental do problema, que é tentar manter vivo o avanço da ciência e da tecnologia, que resolveu problemas no passado e poderá ajudar a resolver problemas no futuro.
Para analisar melhor a questão é preciso lembrar que não é o número de novas descobertas que garante a sua relevância. O avanço da tecnologia lembra um pouco o que acontece às vezes com a seleção natural dos seres vivos: algumas espécies são tão bem adaptadas ao meio ambiente em que vivem que deixam de “evoluir”: esse é o caso dos besouros que existiam na época do apogeu do Egito, 5 mil anos atrás, e continuam lá até hoje; ou de espécies “fósseis” de peixes que evoluíram pouco em milhões de anos.
Outros exemplos são produtos da tecnologia moderna, como os magníficos aviões DC-3, produzidos há mais de 50 anos e que ainda representam uma parte importante do tráfego aéreo mundial.
Mesmo em áreas mais sofisticadas, como a informática, isso parece estar ocorrendo. A base dos avanços nessa área foi a “miniaturização” dos chips eletrônicos, onde estão os transistores. Em 1971 os chips produzidos pela Intel (empresa líder na área) tinham 2.300 transistores numa placa de 12 milímetros quadrados. Os chips de hoje são pouco maiores, mas têm 5 bilhões de transistores. Foi isso que permitiu a produção de computadores personalizados, telefones celulares e inúmeros outros produtos. E é por essa razão que a telefonia fixa está sendo abandonada e a comunicação via Skype é praticamente gratuita e revolucionou o mundo das comunicações.
Há agora indicações que essa miniaturização atingiu seus limites, o que causa uma certa depressão entre os “sacerdotes” desse setor. Essa é uma visão equivocada. O nível de sucesso foi tal que mais progressos nessa direção são realmente desnecessários, que é o que aconteceu com inúmeros seres vivos no passado.
O que parece ser a solução dos problemas do crescimento econômico no longo prazo é o avanço da tecnologia em outras áreas que não têm recebido a atenção necessária: novos materiais, inteligência artificial, robôs industriais, engenharia genética, prevenção de doenças e, mais do que tudo, entender o cérebro humano, o produto mais sofisticado da evolução da vida na Terra.
Entender como uma combinação de átomos e moléculas pode gerar um órgão tão criativo como o cérebro, capaz de possuir uma consciência e criatividade para compor sinfonias como as de Beethoven – e ao mesmo tempo promover o extermínio de milhões de seres humanos –, será provavelmente o avanço mais extraordinário que o Homo sapiens poderá atingir.
Avanços nessas áreas poderiam criar uma vaga de inovações e progresso material superior em quantidade e qualidade ao que se produziu no “século de ouro”. Mais ainda enfrentamos hoje um problema global, novo aqui, que é a degradação ambiental, resultante em parte do sucesso dos avanços da tecnologia do século 20. Apenas a tarefa de reduzir as emissões de gases que provocam o aquecimento global (resultante da queima de combustíveis fósseis) será uma tarefa hercúlea.
Antes disso, e num plano muito mais pedestre, os avanços que estão sendo feitos na melhoria da eficiência no uso de recursos naturais é extraordinário e não tem tido o crédito e o reconhecimento que merecem.
Só para dar um exemplo, em 1950 os americanos gastavam, em média, 30% da sua renda em alimentos. No ano de 2013 essa porcentagem havia caído para 10%. Os gastos com energia também caíram, graças à melhoria da eficiência dos automóveis e outros fins, como iluminação e aquecimento, o que, aliás, explica por que o preço do barril de petróleo caiu de US$ 150 para menos de US$ 30. É que simplesmente existe petróleo demais no mundo, como também existe capacidade ociosa de aço e cimento.
Um exemplo de um país que está seguindo esse caminho é o Japão, cuja economia não está crescendo muito, mas sua população tem um nível de vida elevado e continua a beneficiar-se gradualmente dos avanços da tecnologia moderna.
*José Goldemberg é professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) e é presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)
Tuesday 31 May 2016 06.59 BST
What does it look like when an ideology dies? As with most things, fiction can be the best guide. In Red Plenty, his magnificent novel-cum-history of the Soviet Union, Francis Spufford charts how the communist dream of building a better, fairer society fell apart.
Even while they censored their citizens’ very thoughts, the communists dreamed big. Spufford’s hero is Leonid Kantorovich, the only Soviet ever to win a Nobel prize for economics. Rattling along on the Moscow metro, he fantasises about what plenty will bring to his impoverished fellow commuters: “The women’s clothes all turning to quilted silk, the military uniforms melting into tailored grey and silver: and faces, faces the length of the car, relaxing, losing the worry lines and the hungry looks and all the assorted toothmarks of necessity.”
But reality makes swift work of such sandcastles. The numbers are increasingly disobedient. The beautiful plans can only be realised through cheating, and the draughtsmen know it better than any dissidents. This is one of Spufford’s crucial insights: that long before any public protests, the insiders led the way in murmuring their disquiet. Whisper by whisper, memo by memo, the regime is steadily undermined from within. Its final toppling lies decades beyond the novel’s close, yet can already be spotted.
When Red Plenty was published in 2010, it was clear the ideology underpinning contemporary capitalism was failing, but not that it was dying. Yet a similar process as that described in the novel appears to be happening now, in our crisis-hit capitalism. And it is the very technocrats in charge of the system who are slowly, reluctantly admitting that it is bust.
You hear it when the Bank of England’s Mark Carney sounds the alarm about “a low-growth, low-inflation, low-interest-rate equilibrium”. Or when the Bank of International Settlements, the central bank’s central bank, warns that “the global economy seems unable to return to sustainable and balanced growth”. And you saw it most clearly last Thursday from the IMF.
What makes the fund’s intervention so remarkable is not what is being said – but who is saying it and just how bluntly. In the IMF’s flagship publication, three of its top economists have written an essay titled “Neoliberalism: Oversold?”.
The very headline delivers a jolt. For so long mainstream economists and policymakers have denied the very existence of such a thing as neoliberalism, dismissing it as an insult invented by gap-toothed malcontents who understand neither economics nor capitalism. Now here comes the IMF, describing how a “neoliberal agenda” has spread across the globe in the past 30 years. What they mean is that more and more states have remade their social and political institutions into pale copies of the market. Two British examples, suggests Will Davies – author of the Limits of Neoliberalism – would be the NHS and universities “where classrooms are being transformed into supermarkets”. In this way, the public sector is replaced by private companies, and democracy is supplanted by mere competition.
The results, the IMF researchers concede, have been terrible. Neoliberalism hasn’t delivered economic growth – it has only made a few people a lot better off. It causes epic crashes that leave behind human wreckage and cost billions to clean up, a finding with which most residents of food bank Britain would agree. And while George Osborne might justify austerity as “fixing the roof while the sun is shining”, the fund team defines it as “curbing the size of the state … another aspect of the neoliberal agenda”. And, they say, its costs “could be large – much larger than the benefit”.
IMF managing director Christine Lagarde with George Osborne. ‘Since 2008, a big gap has opened up between what the IMF thinks and what it does.’ Photograph: Kimimasa Mayama/EPA
Two things need to be borne in mind here. First, this study comes from the IMF’s research division – not from those staffers who fly into bankrupt countries, haggle over loan terms with cash-strapped governments and administer the fiscal waterboarding. Since 2008, a big gap has opened up between what the IMF thinks and what it does. Second, while the researchers go much further than fund watchers might have believed, they leave in some all-important get-out clauses. The authors even defend privatisation as leading to “more efficient provision of services” and less government spending – to which the only response must be to offer them a train ride across to Hinkley Point C.
Even so, this is a remarkable breach of the neoliberal consensus by the IMF. Inequality and the uselessness of much modern finance: such topics have become regular chew toys for economists and politicians, who prefer to treat them as aberrations from the norm. At last a major institution is going after not only the symptoms but the cause – and it is naming that cause as political. No wonder the study’s lead author says that this research wouldn’t even have been published by the fund five years ago.
From the 1980s the policymaking elite has waved away the notion that they were acting ideologically – merely doing “what works”. But you can only get away with that claim if what you’re doing is actually working. Since the crash, central bankers, politicians and TV correspondents have tried to reassure the public that this wheeze or those billions would do the trick and put the economy right again. They have riffled through every page in the textbook and beyond – bank bailouts, spending cuts, wage freezes, pumping billions into financial markets – and still growth remains anaemic.
And the longer the slump goes on, the more the public tumbles to the fact that not only has growth been feebler, but ordinary workers have enjoyed much less of its benefits. Last year the rich countries’ thinktank, the OECD, made a remarkable concession. It acknowledged that the share of UK economic growth enjoyed by workers is now at its lowest since the second world war. Even more remarkably, it said the same or worse applied to workers across the capitalist west.
Red Plenty ends with Nikita Khrushchev pacing outside his dacha, to where he has been forcibly retired. “Paradise,” he exclaims, “is a place where people want to end up, not a place they run from. What kind of socialism is that? What kind of shit is that, when you have to keep people in chains? What kind of social order? What kind of paradise?”
Economists don’t talk like novelists, more’s the pity, but what you’re witnessing amid all the graphs and technical language is the start of the long death of an ideology.