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Sobre renzotaddei

Anthropologist, professor at the Federal University of São Paulo

Ratificação de acordo do clima no Senado transcendeu partidos e ideologia (Observatório do Clima)

Sessão de aprovação acelerada teve petista na presidência, ruralista na relatoria e elogio de tucano, num raro episódio de consenso político em meio à polarização nacional, afirma Alfredo Sirkis, diretor-executivo do Centro Brasil no Clima e um dos criadores da campanha Ratifica Já!

A autorização final para a ratificação do Acordo de Paris pelo Senado aconteceu em tempo recorde e conseguiu ser mais ligeira que a da Câmara. Pouco mais de dois meses depois do lançamento da campanha Ratifica Já! Pelo Centro Brasil no Clima, Instituto Clima e Sociedade, Observatório do Clima, SOS Mata Atlântica e dezenas de outras entidades, praticamente ratificados estamos, faltando apenas a sanção presidencial. Esta deve ocorrer quase certamente em setembro, depois da Olimpíada e do desenlace da crise política do impeachment.

O Brasil, assim, tornar-se-á o primeiro país de grande economia a ratificar o Acordo de Paris. Vale a pena ressaltar o extraordinário empenho de alguns parlamentares. Na Câmara, o deputado Evandro Gussi (PV-SP) articulou o regime de urgência. No Senado, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), relator da Comissão Mista de Mudanças Climáticas, além de articular a urgência ainda obteve com o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL), o vice, Jorge Viana (PT-AC) e os líderes dos partidos a sua inclusão numa sessão onde se dava a visita do embaixador do Marrocos, país que vai sediar em novembro a COP22.

A grande curiosidade da votação foi o fato da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), ex-ministra da Agricultura, ter sido a relatora oral da Comissão de Relações Exteriores com um parecer favorável e uma vibrante defesa da agricultura de baixo carbono. A sessão foi presidida pelo vice-presidente do Senado, Jorge Viana, do PT. Os senadores José Agripino (DEM-RN), Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) apoiaram o relatório de Kátia Abreu. O presidente da Comissão de Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB-SP), notou que o relatório da colega é uma demonstração de que é possível construir ampla convergência, apesar das eventuais divergências entre os parlamentares.

O Brasil, assim, não apenas está em vias de aderir ao novo acordo do clima, mas também o faz de forma exemplar, num consenso politico transpartidário e transideológico que afasta do cenário qualquer veleidade de negacionismo climático. É um microcosmo da postura que todos os países deveriam adotar, a começar pelos EUA, onde a maioria do Congresso e o candidato republicano à Presidência continuam negando a ciência. Agora ainda temos nosso vasto dever de casa: tirar do papel a INDC, o plano climático nacional, preparar logo seu primeiro ciclo de revisão e um plano de longo prazo de descarbonização da economia brasileira.

 

Observatório do Clima

Large human brain evolved as a result of ‘sizing each other up’ (Science Daily)

Date:
August 12, 2016
Source:
Cardiff University
Summary:
Humans have evolved a disproportionately large brain as a result of sizing each other up in large cooperative social groups, researchers have proposed.

The brains of humans enlarged over time thanks to our sizing up the competition, say scientists. Credit: © danheighton / Fotolia

Humans have evolved a disproportionately large brain as a result of sizing each other up in large cooperative social groups, researchers have proposed.

A team led by computer scientists at Cardiff University suggest that the challenge of judging a person’s relative standing and deciding whether or not to cooperate with them has promoted the rapid expansion of human brain size over the last 2 million years.

In a study published in Scientific Reports, the team, which also includes leading evolutionary psychologist Professor Robin Dunbar from the University of Oxford, specifically found that evolution favors those who prefer to help out others who are at least as successful as themselves.

Lead author of the study Professor Roger Whitaker, from Cardiff University’s School of Computer Science and Informatics, said: “Our results suggest that the evolution of cooperation, which is key to a prosperous society, is intrinsically linked to the idea of social comparison — constantly sizing each up and making decisions as to whether we want to help them or not.

“We’ve shown that over time, evolution favors strategies to help those who are at least as successful as themselves.”

In their study, the team used computer modelling to run hundreds of thousands of simulations, or ‘donation games’, to unravel the complexities of decision-making strategies for simplified humans and to establish why certain types of behaviour among individuals begins to strengthen over time.

In each round of the donation game, two simulated players were randomly selected from the population. The first player then made a decision on whether or not they wanted to donate to the other player, based on how they judged their reputation. If the player chose to donate, they incurred a cost and the receiver was given a benefit. Each player’s reputation was then updated in light of their action, and another game was initiated.

Compared to other species, including our closest relatives, chimpanzees, the brain takes up much more body weight in human beings. Humans also have the largest cerebral cortex of all mammals, relative to the size of their brains. This area houses the cerebral hemispheres, which are responsible for higher functions like memory, communication and thinking.

The research team propose that making relative judgements through helping others has been influential for human survival, and that the complexity of constantly assessing individuals has been a sufficiently difficult task to promote the expansion of the brain over many generations of human reproduction.

Professor Robin Dunbar, who previously proposed the social brain hypothesis, said: “According to the social brain hypothesis, the disproportionately large brain size in humans exists as a consequence of humans evolving in large and complex social groups.

“Our new research reinforces this hypothesis and offers an insight into the way cooperation and reward may have been instrumental in driving brain evolution, suggesting that the challenge of assessing others could have contributed to the large brain size in humans.”

According to the team, the research could also have future implications in engineering, specifically where intelligent and autonomous machines need to decide how generous they should be towards each other during one-off interactions.

“The models we use can be executed as short algorithms called heuristics, allowing devices to make quick decisions about their cooperative behaviour,” Professor Whitaker said.

“New autonomous technologies, such as distributed wireless networks or driverless cars, will need to self-manage their behaviour but at the same time cooperate with others in their environment.”


Journal Reference:

  1. Roger M. Whitaker, Gualtiero B. Colombo, Stuart M. Allen, Robin I. M. Dunbar. A Dominant Social Comparison Heuristic Unites Alternative Mechanisms for the Evolution of Indirect ReciprocityScientific Reports, 2016; 6: 31459 DOI: 10.1038/srep31459

Open Science: o futuro da ciência e o desastre de Mariana (Pesquisa Fapesp)

12.08.2016

O Grupo Independente para Análise do Impacto Ambiental (Giaia) realiza expedições com o objetivo de coletar e analisar amostras da lama com rejeitos de mineração que atingiu o rio Doce após o rompimento da barragem da Samarco, em novembro de 2015, e estimula não cientistas a contribuírem com amostras. Apostando no conceito de ciência aberta, os resultados das viagens são divulgados em tempo real nas redes sociais e no site da organização, permitindo que a população acompanhe o avanço das análises. No vídeo, pesquisadores comentam como o grupo surgiu e algumas consequências do desastre.

Provas #8.754.392.312 e #8.754.392.313 de que o Brasil Odeia Ciência (Meio Bit)

Postado Por  em 12 08 2016

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O brasileiro tem um problema sério com ciência. Ele acha que não precisamos dela. Temos basicamente zero programas sobre ciência na TV aberta, versus centenas de horas semanais de programas religiosos. Todo fim de ano canais abrem espaço para videntes e suas previsões para o ano novo, apenas para misteriosamente esquecer de todas as previsões erradas feitas pelas mesmas pessoas no ano anterior.

O Fantástico dedica 95% do tempo de uma reportagem sobre uma pirâmide idiota flutuando por causa de uns imãs, e 5% com cientistas explicando o truque óbvio. Nos comentários do MeioBit? Vários DEFENDENDO a matéria.

Um tempo atrás o Romário apresentou um Projeto de Lei para desburocratizar a importação de material científico como reagentes, que ficam tanto tempo na aduana que acabam estragando. Teve gente que escreveu cartas pra jornal reclamando, dizendo que não se deve investir em ciência, “e sim em saúde e educação”. No final o projeto foi arquivado.

Estatisticamente as chances de achar um astrólogo em um programa desses de entrevistas tipo Fátima são imensas, tanto quanto são ínfimas as de achar um cientista, sendo que o cientista sempre terá um pastor ou pai de santo como “contraponto”.

No Brasil a profissão de BENZEDEIRA é reconhecida pelo governo e tratada como “patrimônio cultural”. Sendo que a diferença entre benzedeiras e charlatões é que elas rezam antes de cobrar.  Agora, como cereja do bolo de bosta, temos isto:

ufeiro

Isso mesmo. Segundo o G1 o excelentíssimo sr deputado Edmir Chedid, do DEM apresentou uma moção propondo o reconhecimento da profissão de ufeiro, que iria garantir direitos aos ufeiros. Ele diz que

reconhecer a atividade científica que busca entender esses fenômenos, possibilitando financiamentos e linhas de pesquisa destinadas a esse fim junto à Universidades e outras instituições públicas ou privadas”.

Ancient-aliens-guy

Não é surpresa que o Google desconheça projetos do deputado relacionados com ciência de verdade. Ele pelo visto passa boa parte do tempo assistindo History Channel, mas os programas errados. E não, não estou exagerado. Ainda o Deputado:

“os contatos ufológicos acontecem desde os mais remotos tempos da humanidade”. “Há muito tempo atrás, acreditavam que os tais seres ou mesmo suas manifestações eram de origem quase divina, onde estes mesmo seres eram os nossos ‘salvadores’, nossos mediadores entre a ignorância e a sabedoria, para viver uma vida digna e feliz.”

Ele quer gastar dinheiro público com “pesquisadores” dessa bobagem que é basicamente uma seita, e preenche todos os requisitos de pseudociência: é quase 100% baseado em informação anedótica, não é reproduzível, não traz justificativas das hipóteses, etc, etc, etc.

Enquanto isso a FAPESP — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo teve reduzidos em R$ 17 milhões seus repasses para Mestrados e Doutorados, nos últimos 4 anos. Assim não sobra nem pros ufeiros, deputado. O que o senhor tem feito para ajudar a FAPESP? É, eu imaginava.

Acha que acabou? Temos aquele “fenômeno”, aquele grupo picareta chamado Fundação Cacique Cobra Coral, que diz “controlar o tempo” e abusam da credulidade dos retardados, incluindo aí a Prefeitura do Rio que por anos contratou os caras para garantir bom tempo no Réveillon. A taxa de acerto deles? Eu diria que no máximo 50%. A mesma da minha Pedra Controladora do Clima que tenho aqui na minha mesa.

Pior: como todo “místico” no Brasil essa gente é incensada pela mídia, até o Marcelo Tas, que eu julgava inteligente enche a bola dos caras.

Estamos em 2016, imagina-se que gente prometendo controlar o clima através de magia seria no mínimo alvo de risada, certo? Errado. ALGUÉM pagou pra esses espertos irem na Olimpíada de Londres, onde juraram que foram os responsáveis pela pouca chuva na Abertura, e tinham até credencial para um evento com a Dilma. E agora temos… isto:

cacique

Isso mesmo. O tempo está uma bosta, mas eles não falharam. Na matéria do Globo o porta-voz da Fundação diz que o foco deles era garantir o tempo bom na abertura da Olimpíada. Então tá.

Que o clima já estivesse previsto por ciência de verdade, é apenas um detalhe.

O mais triste disso tudo é que todo mundo que promove divulga e protege pseudociência e misticismo faz uso dos benefícios da ciência que diz não “acreditar”. Se ciência é tão ruim assim, incluindo a malvada “alopatia” que tal parar de vacinar suas crianças, rasgar o cartão do pediatra, jogar fora a Insulina e o Isordil e se tratar com chazinhos e homeopatia? GPS? Coisa do capeta, use uma varinha de radbomancia para se achar. Tem uma plantação? Contrate a Cacique Cobra Coral, e não acesse mais as previsões do INPE.

A reserva genética da Humanidade agradecerá.

Governo paga a Cacique Cobra Coral para não chover na Olimpíada, mas se deu mal (Blasting News)

Entidade disse a jornal que não falhou ao tentar prevenir jogos de mau tempo.

Nem mesmo entidade de índio salva Olimpíada da chuva

Nem mesmo entidade de índio salva Olimpíada da chuva 

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, do PMDB, está tendo um problemão para gerenciar em sua cidade em plena Olimpíada. Desde que os jogos começaram, o município conhecido por ser quente e ensolarado foi assolado pelo frio e ventos. Muitas competições tiveram que ser adiadas, como sessões de tênis e regatas na Lagoa Rodrigues de Freitas. E olha que o #Governo tem uma parceria sobrenatural com a Fundação Cacique Cobra Coral. Há relatos na mídia de que a instituição ganha uma quantia para prevenir a cidade da virada do tempo em grandes eventos. Pelo jeito, a atuação dessa vez não está funcionando. A fundação nega e diz que tudo não poderia estar melhor no Rio.

Os cariocas trocaram os biquínis por casacos e as ressacas já atingem a principal praia da cidade, Copacabana, na Zona Sul do #Rio de Janeiro. Os integrantes da fundação garantem que conseguem incorporar um espírito de um índio do mesmo nome da entidade, que faz com que tragédias climáticas fiquem além da Baía de Guanabara. A crença na entidade fez com que representantes da Cobra Coral fossem à outra Olimpíada. No ano de 2012, por exemplo, eles podiam ser vistos andando por áreas destinadas a governantes, tendo contato até mesmo com o Comitê da hoje presidente afastada Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT).

Em entrevista ao jornal ‘O Globo’ publicada nesta sexta-feira, 12, a médium Adelaide Scritori, que diz que incorpora o espírito do índio poderoso, disse que a principal função foi fazer com que não chovesse na cerimônia de abertura e que as regatas na Baía de Guanabara ocorressem sem lixo. De fato, a abertura dos jogos do Rio de Janeiro aconteceu sem nenhum problema climático. O tempo virou três dias depois e desde então não foi mais controlado. Rajadas de vento chegaram a destruir lonas de estádios e derrubar grades do parque olímpico. As ondas ficaram tão altas que quase invadiram o Centro de Imprensa montado na Zona Sul da Cidade.

O grupo não confirma se realmente recebeu dinheiro da prefeitura e quanto teria recebido.  #Rio2016

‘Chemtrails’ not real, say atmospheric science experts (Science Daily)

Date:
August 12, 2016
Source:
Carnegie Institution for Science
Summary:
Well-understood physical and chemical processes can easily explain the alleged evidence of a secret, large-scale atmospheric spraying program, commonly referred to as ‘chemtrails’ or ‘covert geoengineering.’ A survey of the world’s leading atmospheric scientists categorically rejects the existence of a secret spraying program.

This is a condensation trail, or contrail, left behind an aircraft. Credit: Courtesy of Mick West

Well-understood physical and chemical processes can easily explain the alleged evidence of a secret, large-scale atmospheric spraying program, commonly referred to as “chemtrails” or “covert geoengineering,” concludes a new study from Carnegie Science, University of California Irvine, and the nonprofit organization Near Zero.

Some groups and individuals erroneously believe that the long-lasting condensation trails, or contrails, left behind aircraft are evidence of a secret large-scale spraying program. They call these imagined features “chemtrails.” Adherents of this conspiracy theory sometimes attribute this alleged spraying to the government and sometimes to industry.

The authors of this study, including Carnegie’s Ken Caldeira, conducted a survey of the world’s leading atmospheric scientists, who categorically rejected the existence of a secret spraying program. The team’s findings, published by Environmental Research Letters, are based on a survey of two groups of experts: atmospheric chemists who specialize in condensation trails and geochemists working on atmospheric deposition of dust and pollution.

The survey results show that 76 of the 77 participating scientists said they had not encountered evidence of a secret spraying program, and agree that the alleged evidence cited by the individuals who believe that atmospheric spraying is occurring could be explained through other factors, such as typical airplane contrail formation and poor data sampling.

The research team undertook their study in response to the large number of people who claim to believe in a secret spraying program. In a 2011 international survey, nearly 17 percent of respondents said they believed the existence of a secret large-scale atmospheric spraying program to be true or partly true. And in recent years a number of websites have arisen claiming to show evidence of widespread secret chemical spraying, which they say is linked to negative impacts on human health and the environment.

“We wanted to establish a scientific record on the topic of secret atmospheric spraying programs for the benefit of those in the public who haven’t made up their minds,” said Steven Davis of UC Irvine. “The experts we surveyed resoundingly rejected contrail photographs and test results as evidence of a large-scale atmospheric conspiracy.”

The research team says they do not hope to sway those already convinced that there is a secret spraying program — as these individuals usually only reject counter-evidence as further proof of their theories — but rather to establish a source of objective science that can inform public discourse.

“Despite the persistence of erroneous theories about atmospheric chemical spraying programs, until now there were no peer-reviewed academic studies showing that what some people think are ‘chemtrails’ are just ordinary contrails, which are becoming more abundant as air travel expands. Also, it is possible that climate change is causing contrails to persist for longer periods than they used to.” Caldeira said. “I felt it was important to definitively show what real experts in contrails and aerosols think. We might not convince die-hard believers that their beloved secret spraying program is just a paranoid fantasy, but hopefully their friends will accept the facts.”


Journal Reference:

  1. Christine Shearer, Mick West, Ken Caldeira, Steven J Davis. Quantifying expert consensus against the existence of a secret, large-scale atmospheric spraying programEnvironmental Research Letters, 2016; 11 (8): 084011 DOI: 10.1088/1748-9326/11/8/084011

Seca pode levar o rio Acre ao seu nível histórico mais baixo (Pesquisa Fapesp)

15 de agosto de 2016

Seca pode levar o rio Acre ao seu nível histórico mais baixoSegundo o Grupo de Trabalho em Previsão Climática do MCTIC, estiagem deve afetar navegação e abastecimento dos ribeirinhos, além do risco de queimadas e incêndios florestais na Amazônia e área central do país (Foto: Rio Acre/Agência Acre)

Agência FAPESP – A seca que atinge o sudoeste da Amazônia, especialmente o Acre, deve se agravar ainda mais nos próximos meses, alertou o Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal (GTPCS) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), de acordo com a Assessoria de Comunicação Social do Ministério.

Segundo a previsão, o rio Acre deve atingir o seu mais baixo nível histórico (entre 1,20m e 1,30m) e impactar a navegação e o abastecimento de comunidades ribeirinhas da região. O levantamento é válido para os meses de agosto, setembro e outubro deste ano.

O Acre é o estado mais afetado pela estiagem que se estende também para o norte da Amazônia. Desde março, o volume de chuvas é deficitário na região, em parte por conta do El Niño, que começou no outono do ano passado. O fenômeno está associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial, alterando os ventos em boa parte do planeta e o regime de chuvas. Na região Norte, leva à seca. A partir de junho, o La Niña, fenômeno oposto, começou a se desenvolver de forma fraca.

“Esta estiagem é fruto de uma interação de vários fenômenos, notadamente o El Niño e a La Niña. Ela já se estende há quase seis meses, e não temos uma noção exata de quando vai normalizar. Estamos acompanhando a situação mensalmente para avaliar como ela se comporta”, afirmou o chefe da Divisão de Pesquisas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Marengo, à Assessoria de Comunicação Social do MCTIC.

O documento alerta ainda para o alto risco de queimadas e incêndios florestais, especialmente na área central do Brasil e no sul e no leste da Amazônia. O número de focos de incêndio pode atingir máximas históricas. Contudo, a adoção de medidas de controle pode mitigar o problema no trimestre.

Poucas chuvas no Nordeste

A região Nordeste também deve sofrer mais com a estiagem no período analisado. De acordo com o grupo de previsão climática do MCTIC, tradicionalmente, agosto é o último mês da estação chuvosa na parte leste da região, mas tem chovido pouco desde abril, início do período de precipitações na região. Com a baixa incidência de chuvas nos últimos anos, a tendência é que a situação se repita na zona da mata, que já apresenta valores abaixo da média para a época do ano.

“O panorama de poucas chuvas nessa área vem se arrastando desde 2012, e os níveis dos reservatórios e dos rios estão muito baixos, mesmo na zona da mata. E isso gera problemas para a população, porque pode haver desabastecimento”, destacou José Marengo.

Participam do GTPCS o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). A íntegra do documento pode ser acessada aqui no endereço http://www.cemaden.gov.br/previsao-climatica-para-o-trimestre-aso2016/.

Cobrada pelo mau tempo, Fundação Cacique Cobra Coral diz que não falhou (O Globo)

Representantes da organização garantem que não houve falhas em sua operação

Apesar da operação da Fundação Cacique Cobra Coral os jogos do Rio tem registrado mau tempo, com provas tendo que ser adiadas Foto: Jorge William / Agência O Globo

Apesar da operação da Fundação Cacique Cobra Coral os jogos do Rio tem registrado mau tempo, com provas tendo que ser adiadas – Jorge William / Agência O Globo

POR LUIZ ERNESTO MAGALHAES

10/08/2016 15:53 / atualizado 10/08/2016 16:17

RIO – Regatas na Lagoa adiadas, sessões de tênis remarcadas, transtornos provocados por ressacas que invadem instalações na Praia de Copacabana… Credenciados pelo Comitê Organizador Rio-2016 para acompanhar as condições climáticas durante a Olimpíada, os integrantes da Fundação Cacique Cobra Coral, que garantem ter poder sobrenatural para controlar o tempo, afirmam que não houve falhas na operação espiritual para garantir o sucesso da Olimpíada.

A médium Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do Cacique Cobra Coral, já circulou várias vezes pelo Parque Olímpico. O porta-voz da fundação, Osmar Santos, garante que o desempenho até agora da entidade é digno de medalha de ouro. Segundo ele, as prioridades foram direcionar o tempo para garantir a cerimônia de abertura sem chuvas e que os ventos soprassem de forma a a garantir que as regatas da Baía de Guanabara ocorressem em raias sem lixo:

Segundo Osmar, no domingo, quando uma forte ventania atingiu a cidade causando estragos e adiando provas do remo, Adelaide sequer estava no Rio. A médium, segundo ele, estaria na Região Serrana, encerrando a operação da Cerimônia de Abertura. O porta voz da médium argumenta que as demandas espirtuais da entidade são inúmeras e não se limitam a Olimpíada

– O grande legado nosso da cerimônia de abertura foi o desvio da Frente Fria que estava no Rio e foi desviada para Minas erais onde despejou 30 milímetros de chuva em pleno agosto no Vale do Jequitinonha. Isso para o cacique é muito mais importante. Agora vamos abrir um corredor para as frentes entrarem pelo continente e apagarem as queimadas no Pantanal – disse Osmar.

De acordo com Osmar, o mau tempo de hoje está relacionado com o atraso na entrada da frente fria na cidade para garantir a limpeza da Baía

Essa não é a primeira vez que a Fundação atua numa Olimpíada. Repórteres do GLOBO encontraram integrantes da Fundação em Londres, em 2012, credenciados inclusive para uma visita da presidente afastada Dilma Roousseff durante um evento oficial do Comitê Olímpico do Brasil. Adelaide também estava em Copenhague (Dinamarca) em 2009 quando o Rio foi eleito cidade sede da Olimpíada de 2016.

A Fundação também, é chamada para outros eventos como o Réveillon e o Rock in Rio. Nas últimas edições das Olimpíadas, no entanto, chegou a chover forte alguns dias. A Fundação Cacique Cobra Coral nas duas ocasiões alegou que ficou retida antes de chegar à Cidade do Rock por problemas no credenciamento do carro que transportava os integrantes.

Leia mais sobre esse assunto em  http://oglobo.globo.com/rio/cobrada-pelo-mau-tempo-fundacao-cacique-cobra-coral-diz-que-nao-falhou-19894579#ixzz4H3PcWa6C
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1952: Uma Odisséia no Sertão (Folha de S.Paulo)

1 Jun 2016

QUARTA-FEIRA, 1° DE JUNHO DE 2016

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Francisco Guimarães Moreira Filho, 81, que viajou com Guimarães Rosa em 1952

Último vaqueiro relembra expedição que inspirou ‘Grande Sertão: Veredas’

Na viagem que fez pelo sertão de Minas Gerais em 1952, João Guimarães Rosa era conhecido pelos vaqueiros apenas como Joãozito. Hoje, ainda é assim que o último remanescente da expedição se refere ao diplomata e escritor.

“Joãozito era meio caladão, mas engraçado. Contava casos e gostava também de ouvir a gente contar para ele. Sempre [estava] com uma cadernetinha pendurada no pescoço. E nela, escrevia as coisas de qualquer jeito”, relembra Francisco Guimarães Moreira Filho, 81, mais conhecido como Criolo.

A viagem é histórica porque serviu de subsídio para parte da obra de Guimarães Rosa: o conjunto de sete novelas “Corpo de Baile” e para o romance e obra-prima “Grande Sertão: Veredas” –que seria inicialmente uma das histórias de “Corpo de Baile”. Ambos os livros foram lançados em 1956, há 60 anos.

Alexandre Rezende – 24.mai.2016/Folhapress
SETE LAGOAS, MG, BRASIL, 24-05-2016, 12:30h. Francisco Guimarães Moreira Filho, o "Criolo", na empresa de sua familia em Sete Lagoas. No mês em que "Grande Sertão: Veredas" completa 60 anos, apenas um remanescente da expedição que levou Guimarães Rosa ao sertão de Minas Gerais ainda vive. Francisco Guimarães Moreira Filho, o "Criolo" (apelido irônico por ele ser branco demais), acompanhou Guimarães Rosa na viagem feita em 1952 que inspirou o autor a escrever o romance e ainda guarda imagens e lembranças da época, aos 81 anos.(Alexandre Rezende/Folhapress ILUSTRADA) *** EXCLUSIVO FOLHA *** ORG XMIT: Alexandre Rezende
Francisco Guimarães Moreira Filho, o “Criolo”, na empresa de sua familia em Sete Lagoas

Criolo tinha 17 anos quando participou da travessia de dez dias do escritor pelo interior de Minas Gerais. A comitiva foi organizada pelo pai de Criolo, Chico Moreira, e saiu da fazenda Sirga, onde hoje é o município de Três Marias, para levar 180 cabeças de gado até a fazenda São Francisco, em Araçaí, a 240 km de distância.

Guimarães Rosa (1908-1967) era primo de Chico e foi junto para conhecer o dia a dia do sertanejo. Aprendeu a andar de cavalo, a tocar boiada e, quando voltou para casa, no Rio de Janeiro, levou um papagaio.

Quatro anos depois, publicou os dois livros. Em “Corpo de Baile” (1956), um personagem inspirado no capataz Manuelzão (Manuel Nardi, morto em 1997) está no título de uma das novelas.

“O sucesso dele como escritor foi ‘Grande Sertão’, e saiu dessa viagem da boiada”, diz à Folha Criolo, que ganhou o apelido ainda na infância –uma ironia por ser branco demais.

Numa sala de sua pequena empresa em Sete Lagoas (MG), onde aluga guinchos, Criolo espalhou fotos da expedição nas paredes, que foram registradas pela revista “O Cruzeiro”. Uma placa diz: “A origem do Grande Sertão: Veredas”.

Mas, do livro mesmo, Criolo conhece apenas o título. “Não consegui ler, nem papai. Apesar de ser pessoa estudada, ele não conseguiu entender o palavreado.”

Em 2007, para iniciar a comemoração do centenário do nascimento do escritor, Criolo refez a viagem, que também durou dez dias, acompanhado de mais 40 pessoas.

‘SAUDADES DAÍ’

“Chico, saudades daí tenho sempre”, diz a carta de Guimarães Rosa emoldurada na parede onde fica o acervo de Criolo. Assinada em 6 de outubro de 1952, ela foi enviada para seu pai.

“O papagaio está gordo e alegre, magnífico. Aprendeu muita conversa carioca, mas não se esqueceu do repertório sertanejo: (…) sabe chamar as vacas, com notável entusiasmo”, escreveu Guimarães Rosa.

Da comitiva de nove vaqueiros que acompanhou o escritor, Manuelzão se tornou o mais conhecido e morreu como uma figura mítica do sertão de Minas Gerais.

Já Chico Moreira, que era o dono da fazenda e foi quem viabilizou a expedição, é pouco lembrado. De acordo com o filho, ele tentou ajudar ao máximo Guimarães Rosa a se adaptar à viagem.

Mandou, inclusive, um funcionário ir antecipadamente de uma fazenda a outra com uma mula mansa para o diplomata cavalgar. Mas foi Manuelzão quem ensinou Guimarães Rosa a montar.

Criolo reclama que as fotos da expedição foram retiradas de exposição no museu Casa de Guimarães Rosa, que fica em Cordisburgo (MG), onde o escritor nasceu. Para ele, só querem que o escritor apareça em fotos usando smoking.

“Não querem que fale que ele foi peão, que andou a cavalo, que tocou boiada. Querem que ele só seja alta sociedade”, queixa-se.

Procurada, a coordenação do museu informou que as exposições são temporárias e trocadas constantemente. Também informa que as fotos da expedição continuam, sim, a fazer parte do acervo do museu.

As veredas de Guimarães já são escassas, e antenas se impõem

Paulo Peixoto, 01/06/2016

É difícil lidar com a obra de João Guimarães Rosa e não se sentir provocado a ir esmiuçar o “sertão roseano”, conhecer a gente daquele lugar, o bioma de buritis e veredas, as cidades, as roças, as mínimas coisas tão caprichosamente eternizadas nas histórias e contos desse clássico escritor parido naquele cerrado brasileiro.

Nada melhor do que um período sabático para ler e reler toda a obra de Rosa e pôr os pés naquele pedaço de Minas Gerais que ele muito bem nos apresentou. Foi isso o que eu pude fazer durante cinco meses em 2011.

As duas únicas imposições que fiz a mim mesmo foram: não deixar nunca faltar gasolina no carro e agir sempre de acordo com o tempo do sertão, que passa sem pressa e com prosa. Isso não é lenda!

ORG XMIT: 390901_0.tif O escritor João Guimarães Rosa (de óculos) e sertanejos em maio de 1952. Guimarães Rosa viaja entre Cordisburgo e Três Marias, no sertão mineiro, colhendo material para o livro "Grande Sertão: Veredas", acompanhado por Álvares da Silva e Eugênio Silva, repórter e fotógrafo, respectivamente, da revista "O Cruzeiro" que publicou, na edição de 21 de junho de 1952, a reportagem sobre a viagem. (Minas Gerais, maio de 1952. Foto de Eugênio Silva/O Cruzeiro) O escritor João Guimarães Rosa (de óculos) e sertanejos em maio de 1952. Eugênio Silva – 1º.mai.1952/O Cruzeiro. 

O silêncio é uma marca no sertão. Viajar por ele deu sentido a uma frase de Rosa em “Grande Sertão: Veredas”. “O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais”. Era preciso, então, ouvir esse silêncio.

Velhos vaqueiros e tropeiros cruzaram o meu caminho, caso do vivaz, lúcido e já quase cego homem de Beltrão, um lugarejo de Corinto, Feliciano Tavares de Souza, então com 94 anos. Personagem marcante.

Já velho, ele virou benzedor, um homem da “fé curativa”. Ao longo da vida, teve 15 filhos com duas mulheres e uma companhia inseparável: uma arma calibre 38. ”

“[Naquele tempo] Se não estivesse armado, eu não tinha vida [hoje]. Respeitava[-se] era a arma, não a pessoa. O governo deveria ter uma lei de desarmar todo mundo”, dizia ele.

Novos personagens se apresentaram. Foram benzedeiros e benzedeiras vocacionados “”é, eles dizem que é preciso ter vocação para herdar os ensinamentos, a religiosidade e a bondade dos seus parentes mais velhos.

As doceiras do sertão e seus inseparáveis tachos de cobre, os produtores e vendedores de minhocuçu foram outros que conheci.

E não poderiam ter faltado os companheiros de botequim que contavam causos do vaqueiro Manuel Nardi (1904-1997), o Manuelzão, em Andrequicé.

MUDANÇAS

Muita coisa mudou no sertão. A paisagem mudou bastante. As veredas já são escassas.

Para ver de perto o “porto” do rio de Janeiro, onde Riobaldo e Diadorim se encontraram, foi preciso atravessar quilômetros de estrada de terra batida em meio a plantações de eucalipto, que viram carvão para siderúrgicas. Uma tragédia ambiental.

Muito da vida rural se tornou urbana no sertão mineiro. O desenvolvimento a partir da segunda metade do século passado levou a isso.

O “brega” anima as festas nas cidades. O marketing americanizado no comércio urbano chamou bastante minha atenção: “Lan House New Emotions”, “Look da Moda”, “Marly Free Modas”.

Outros nomes também me pareceram um tanto estranhos: “Moda Nua Confecções” e “Zeus – A Arte de Vestir Bem”. Haja criatividade!

Mas nas pequenas cidades do sertão prevalece a tranquilidade, a vida pacata. Chegar em Morro da Garça (2.630 habitantes) e ver de perto a colina solitária em forma de pirâmide que inspirou Rosa no conto “O Recado do Morro” foi mais um mergulho no universo do escritor.

Uma antena de telefonia na crista do local agora se impõe. Mas eu a saudei quando precisei usar o celular para enviar um S.O.S. para a retirada do carro atolado.

Nessa viagem dos livros para a realidade do sertão de hoje, foram muitas descobertas. Somos apresentados a um mundo em que as pessoas, embora simples, nos contam histórias cheias de valor, vindas de um tempo em extinção.

Retornar a Cordisburgo e rever o Museu Casa de Guimarães Rosa, conhecer o Memorial Manuelzão, em Andrequicé, descobrir o Memorial Carlos Chagas, em Lassance, me proporcionaram experiências memoráveis. Revi grutas e os tantos rios que demarcam o “sertão roseano”. Nadei em vários deles.

É uma viagem que vale a pena. “Aprender a viver é que é o viver mesmo”, ensinou Rosa.

Cemaden completa cinco anos com o monitoramento de 957 municípios do País (MCTI)

JC, 5449, 1 de julho de 2016

Mais de R$ 72 milhões já foram investidos em radares meteorológicos de alta resolução para monitoramento de áreas de risco. Além disso, o Cemaden desenvolve tecnologia para previsão de quebra de safra no semiárido

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) completa cinco anos com o monitoramento de áreas de risco em 957 municípios do País. Um trabalho feito 24 horas por dia, sem interrupção. As informações fornecidas por radares meteorológicos de alta tecnologia já permitiram a emissão de 5,5 mil alertas para a Defesa Civil. Segundo o diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes, 12 novos equipamentos serão adquiridos, o que vai aumentar a confiabilidade dos alertas.

“Os radares serão instalados nas áreas que atualmente não estão cobertas, o que fará com que o Brasil possua um dos mais avançados sistemas de monitoramento de risco de ocorrência de desastres naturais do mundo”, afirma Moraes.

Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o Cemaden investiu R$ 72 milhões em nove radares meteorológicos, equipamentos no estado da arte para aplicações voltadas ao monitoramento de desastres naturais instalados em Petrolina (PE), Natal (RN), Maceió (AL), Salvador (BA), Almenara (MG), Três Marias (MG), São Francisco (MG), Santa Teresa (ES) e Jaraguari (MS). Com eles, o Cemaden consegue mensurar a quantidade de chuvas, fazer uma previsão de tempo de curtíssimo prazo e antecipar a emissão de alertas para municípios com risco de desastres naturais. Os dados estão disponíveis em tempo real para acesso público.

“Esses radares possuem a capacidade de identificar e localizar as nuvens presentes dentro da área de cobertura do equipamento, além de medir a quantidade de chuva em um determinado local. O uso permite que os operadores do Cemaden identifiquem os locais onde as condições meteorológicas aumentam o risco de desastres naturais. Com isso, podemos emitir alertas antecipados sobre o risco de deslizamentos de terra e enchentes, por exemplo, preservando as vidas das pessoas expostas ao risco”, explica o coordenador do projeto Radares Meteorológicos do Cemaden, Carlos Frederico de Angelis.

Ele ressalta que a unidade implantada em Maceió, por exemplo, possui tecnologia e sensibilidade para levantar dados elaborados sobre chuvas num raio de 400 quilômetros de distância. Segundo Angelis, o equipamento é capaz de antecipar os riscos de desastres provocados por fenômenos meteorológicos com até seis horas de antecedência.

“Um desastre natural afeta não só a vida das pessoas que estão em áreas de risco como também a infraestrutura e a economia, como o agronegócio, por exemplo. Os impactos são ainda maiores para os pequenos produtores”, diz Angelis.

Ciência Cidadã

A quebra de safras agrícolas também está no radar do Cemaden, que vai lançar, no segundo semestre, o Sistema de Previsão de Riscos de Colapso de Safras no Semiárido Brasileiro com previsões de risco de colapso de safras geradas a partir de estimativas de modelos agrometeorológicos; dados públicos de safras típicas (milho, mandioca, feijão, arroz e sorgo) por região; e previsão do tempo para um período de 15 a 45 dias.

“A implantação deste projeto contempla o uso de modelos agrometeorológicos integrados a uma rede de monitoramento de dados (meteorológicos, fenológicos, práticas de manejo e informações do solo), contribuindo para a geração de indicadores para o monitoramento da seca, previsão e manejo dos riscos de colapso de safras e aprimoramento dos sistemas de alerta”, explica o diretor do Cemaden.

Além disso, o sistema vai contar com as informações enviadas pelos próprios produtores por meio de aplicativo desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT) do MCTIC e o International Institute for Applied Systems Analysis (Iiasa), da Áustria.

Disponibilizado para aparelhos celulares desde o início do ano, o AgriSupport permite o registro fotográfico georreferenciado de áreas plantadas e a coleta de informações sobre plantios realizados pelos pequenos produtores do semiárido.

No futuro, o monitoramento das safras será estendido para outros cultivos em outras regiões do País.

 MCTIC

A política indigenista e o malogrado projeto de aldeamento indígena do século XIX (Pesquisa Fapesp)

30 de junho de 2016

José Tadeu Arantes  |  Agência FAPESP – Existe uma expressiva produção historiográfica sobre os primeiros 250 anos de contato dos indígenas com os conquistadores europeus do atual território brasileiro. O escambo entre forasteiros e nativos, as várias tentativas de escravização dos índios, a catequese jesuíta, o protagonismo indígena em grandes episódios, como a Guerra dos Tamoios, são razoavelmente conhecidos. Mas, após a derrota dos Guarani das Missões Jesuíticas em meados do século XVIII, escasseiam os relatos. Eles só irão reaparecer no século XX, com a intensificação do processo de interiorização. O século XIX, em especial, parece desprovido de índios. Presente na poesia e na prosa da literatura romântica, o indígena é o grande ausente nas páginas da história.

Com a ajuda de frades capuchinhos italianos, o Império procurou enquadrar os índios geográfica e culturalmente, mas a resistência velada que estes opuseram redimensionou o empreendimento (imagem: Cacique Pahi Kaiowá, Aldeamento de Santo Inácio do Paranapanema. Franz Keller, 1865 / Carneiro, Newton: Iconografia Paranaense, Curitiba, Impressora Paranaense, 1950)

No entanto, o século XIX foi palco da primeira política indigenista do Estado brasileiro. O fenômeno é o objeto do livro Terra de índio: imagens em aldeamentos do Império, de Marta Amoroso, publicado com o apoio da FAPESP. A obra resultou das pesquisas de doutorado e pós-doutorado de Amoroso – ambas apoiadas pela FAPESP.

“Esta política de Estado, baseada no “Programa de Catequese e Civilização dos Índios”, e instituída por decreto do imperador Pedro II, consistia no aldeamento das populações indígenas. E atendia a dois objetivos principais: por um lado, integrar o índio, como trabalhador rural, à jovem nação brasileira; por outro, liberar terras, antes utilizadas pelos indígenas, para os imigrantes europeus, que começavam a chegar nas colônias do Sudeste do país”, disse a pesquisadora à Agência FAPESP.

Pedro II tinha apenas 19 anos quando assinou, em 24 de junho de 1845, o decreto que criou os aldeamentos. Estes perduraram até o final do Segundo Reinado, em 1889. Aldeamentos foram criados em todas as províncias brasileiras. Para administrá-los e dirigi-los, o Império solicitou à Propaganda Fide, do Vaticano, precursora da atual Congregação para a Evangelização dos Povos, que enviasse ao Brasil frades italianos da Ordem Menor dos Capuchinhos. Cerca de cem missionários capuchinhos desembarcaram no país, logo enviados aos quatro cantos do Império, ao encontro das populações indígenas.

“Os capuchinhos não tinham frente aos índios um projeto de autonomia como o dos jesuítas, que atuaram nos primeiros séculos da colonização. Eram pragmáticos e burocráticos, a maioria deles de origem rural, mal falando o português. E foram contratados como funcionários do governo, com salário pago. Estavam envolvidos no programa de criação da nação brasileira, de construir um povo a partir da mistura. Era um programa de apagamento da identidade indígena, e os capuchinhos se empenharam ao máximo em levá-lo à prática”, informou Amoroso.

A maior parte da documentação utilizada por ela em seu livro veio de um arquivo dessa ordem religiosa, localizado no Rio de Janeiro. “Os capuchinhos deixaram relatórios e cartas absolutamente circunstanciados, com detalhes administrativos ultraminuciosos. Além dos relatos dos viajantes do século XIX, foram esses documentos religiosos, e ao mesmo tempo oficiais, que forneceram a base de dados para o meu trabalho”, afirmou.

Inicialmente a pesquisadora fez um levantamento da cartografia dos aldeamentos do Império. Depois, fechou o foco da pesquisa no sistema de aldeamentos do Paraná, especialmente em seu núcleo central, São Pedro de Alcântara, localizado às margens do rio Tibagi, para o qual havia uma documentação muito substanciosa. “Esse aldeamento, próximo da cidade de Castro, reuniu cerca de 4 mil índios, de quatro etnias: os Kaingang, do tronco linguístico Macro-Jê, e os Kaiowá, Nhandeva e Mbyá, que são falantes da língua Guarani. Considerados agricultores dóceis, os Guarani-Kaiowá, que atualmente sofrem violências brutais devido a conflitos de terras, foram trazidos do Mato Grosso para o Paraná, com a perspectiva de que povoassem os aldeamentos do governo e pudessem produzir mantimentos para abastecer o exército brasileiro na chamada Guerra do Paraguai [1864 – 1870]”, relatou Amoroso.

Segundo a pesquisadora, foram feitas várias tentativas para tornar o aldeamento de São Pedro de Alcântara economicamente produtivo: mantimentos, café, tabaco etc. Mas todas elas fracassaram. Até que o empreendimento finalmente prosperou com a instalação de uma destilaria de aguardente. “Houve todo um esforço, muito bem documentado, dos capuchinhos na montagem dessa destilaria. É incrível que uma das maiores calamidades vividas pelas populações indígenas, que é o alcoolismo, tenha sido oficialmente promovida”, comentou.

Programa de Catequese

O “Programa de Catequese e Civilização dos Índios” inspirou-se em uma ideia de tutela das populações indígenas que remontava aos Apontamentos para a civilização dos índios bravos do Império do Brasil, produzidos em 1823 por José Bonifácio de Andrada e Silva. E, antes deles, às diretrizes definidas pelo Marquês de Pombal após a expulsão dos jesuítas do Império Português, na segunda metade do século XVIII.

Como escreveu Amoroso, o modelo do indigenismo pombalino, retomado nos aldeamentos indígenas do Império, contrastava na sua concepção com o ideal de autonomia buscada pelas missões jesuíticas. Daí a ênfase na mistura dos índios com os demais habitantes das vilas e povoados, na migração dos colonos para as regiões tradicionalmente habitadas pelos indígenas, e nos deslocamentos forçados dos índios. Bem como nas tentativas de proibição do uso das línguas indígenas e do nheengatu, a chamada “língua geral”, resultante da mistura de idiomas indígenas com o português.

Até por isso, os aldeamentos do Império não eram áreas de confinamento. Os índios não permaneciam reclusos em seu interior. “Os aldeamentos eram concebidos como colônias agrícolas, em cujas sedes ficavam lotados os missionários e funcionários contratados e instaladas as unidades produtivas mais importantes. E essas sedes administravam aldeias indígenas localizadas relativamente perto. Apesar de os deslocamentos serem admitidos pela ideologia associada aos aldeamentos, na maioria dos casos, estes traslados forçados de população de fato não ocorreram. Os frades tutelavam aldeias que já existiam e continuaram existindo”, acrescentou a pesquisadora.

A própria ideia da tutela parece ter sido encarada como uma solução provisória. Em carta enviada pelo Palácio Imperial ao presidente da Província de São Paulo em 1847, dois anos após a assinatura do decreto que criou os aldeamentos, assim foi exposto o princípio que os orientava: “arrancar à vida errante a multidão de selvagens que vaga pelos nossos bosques para reuni-los em sociedade, inspirar-lhes o amor ao trabalho e proporcionar-lhes os cômodos da vida civil, até que possam apreciar as suas vantagens e viver de qualquer trabalho ou indústria”. Essa mesma correspondência ordenava ao presidente provincial que impedisse que o aldeamento acolhesse indígenas e descendentes já integrados à sociedade, “confundidos na massa geral da população”.

Um aspecto para o qual a pesquisadora chamou a atenção foi o fato de que, ao lado de cada aldeamento, o Império instalou também uma guarnição militar. “As Colônias Militares são a evidência de uma política de guerra nas fronteiras internas do Império, em contraponto à ‘brandura para com os índios’ da propaganda imperial”, disse.

O livro destaca as estratégias indígenas diante do “Programa de Catequese e Civilização dos Índios”, encenando uma resistência não declarada nos territórios então administrados pelo Governo. “Tomando como exemplo a participação Guarani em um desses aldeamentos, vislumbram-se conflitos interétnicos e a grande mobilidade de indivíduos e grupos familiares em torno dos equipamentos instalados. O abandono frequente de São Pedro de Alcântara pelos Guarani foi muitas vezes motivado pela impossibilidade de compartilharem o espaço do aldeamento com os funcionários e religiosos e com outros coletivos indígenas aldeados. Já os Kaingang, além de terem imposto sua presença nos aldeamentos originalmente concebidos para os Guarani-Kaiowá, permaneceram em algumas das unidades criadas mesmo depois de estas serem abandonadas pelos órgãos públicos”, descreveu Amoroso.

Moeda de troca

Mas, de maneira geral, o que a pesquisa destacou foi a grande mobilidade dos grupos indígenas que permaneceram em suas aldeias, frequentando eventualmente os aldeamentos.

“Isso era favorecido pelo fato de que, no século XIX, havia ainda uma grande área disponível para a circulação. Logo depois da Lei de Terras de 1850, as fazendas privadas estavam sendo implantadas, os colonos europeus estavam chegando, mas os índios ainda podiam circular por vastas extensões. E frequentavam a civilização apenas quando lhes convinha. Indivíduos que já haviam sido batizados em um aldeamento apresentam-se em outro como ‘selvagens’, em busca de ajuda. E usavam os equipamentos fornecidos pelos missionários como ‘moeda de troca’ nos relacionamentos com outros grupos indígenas. Os frades comentavam e se indispunham contra essa mobilidade, mas nada podiam fazer, porque, sem dizer ‘não’, fazendo-se muitas vezes de desentendidos, os índios opunham uma resistência velada, que acabou se impondo”, argumentou Amoroso.

Assim, a despeito do zelo gerencial dos capuchinhos, a política de aldeamento fracassou. As atividades produtivas não prosperaram, as verbas foram minguando, os equipamentos se degradaram, e as políticas indígenas triunfaram sobre a normatização burocrática. “Nem mesmo a orientação de que os índios deviam se comunicar apenas na língua portuguesa deu certo”, acrescentou a pesquisadora.

Algo importante que a pesquisa buscou destacar foi o “outro lado” dessa história, isto é, como os grupos indígenas vivenciaram o processo. “O trabalho com a documentação, na tentativa de compor uma etnografia, me permitiu perceber que houve todo tipo de arranjo: grupos inteiros foram exterminados, como os Guarani-Kaiowá de São Pedro de Alcântara, que morreram devido a uma epidemia de cólera na década de 1860; grupos permaneceram, como os Kaingang, que até hoje habitam a região; grupos transitaram pelos aldeamentos, sendo registrada ao longo das quatro décadas grande mobilidade dos Nhandeva e os Mbyá”, informou.

Muitos aldeamentos do Império são agora terras indígenas. É o caso do Aldeamento São Jerônimo, atualmente Posto Indígena São Jerônimo da Serra, na margem do rio Tigre, afluente do Tibagi, no Paraná. Criado em 1859, a partir da doação da Fazenda de São Jerônimo pelo Barão de Antonina, teve sua área original, de 33.880 hectares, drasticamente reduzida para pouco mais de 1.339 hectares. Mas sua modesta população vem apresentando consistente crescimento demográfico: 133 pessoas, em 1945; 285, em 1975; 380, em 2005, de acordo com informações do Portal Kaingang.

Também a população Guarani do Estado de São Paulo, computada, em 2013, em 3.593 indígenas das etnias Nhandeva e Mbyá, vem crescendo a uma taxa de 4,5% ao ano, muito superior à da média da população brasileira (de 0,9%, em 2013, e de 0,8%, em 2016) (fonte: www.rau.ufscar.br/wp-content/uploads/2015/05/vol5no1_03.Juracilda.pdf).

Essa tendência de recuperação demográfica de populações altamente devastadas é um fenômeno conhecido e registrado hoje em dia na África. No território brasileiro, cuja população indígena foi reduzida de estimados 5 milhões em 1500 para 400 mil atualmente (distribuídos em cerca de 200 etnias e 170 línguas), isso também está ocorrendo.

“Ainda mais persistente do que a sobrevivência física tem sido a sobrevivência das práticas culturais. O fio da meada que parece desaparecer em um ponto volta a aparecer adiante, muitas vezes de forma surpreendente. Descobri, por exemplo, que o núcleo Guarani que, em 1906, acolheu em São Paulo o célebre etnólogo alemão Curt Unckel (1883 – 1945) provinha exatamente daquele aldeamento estudado, no Paraná. Foram eles que lhe deram o nome Nimuendajú, pelo qual o alemão trocou seu sobrenome Unckel ao se naturalizar brasileiro. Em seu trabalho de campo, Curt Nimuendajú entrevistou grandes xamãs Guarani, que passaram pela experiência dos aldeamentos. Estes lhe falaram do trabalho extenuante que tinham que realizar sob a direção dos capuchinhos. E também relataram seus primeiros contatos com as drogas da civilização: o açúcar e a cachaça.”

Curt Nimuendajú tornou-se um marco da etnologia, quase tão lendário em vida quanto o foi o etnólogo groenlandês Knud Rasmussen (1879 – 1933). É revelador que a busca de uma perspectiva indígena sobre a política de aldeamento tenha convergido para a trajetória do etnólogo. E que uma abordagem antropológica da tentativa de enquadramento institucional dos indígenas tenha vindo desembocar na figura daquele que testemunhou com os próprios olhos, na década de 1920, a mais impressionante manifestação da fidelidade do povo Guarani a suas raízes culturais: a última grande migração para o Leste, em busca da mítica “Terra sem Males” (Yvy marã e’ỹ).

Médiuns têm perfil diferente daquele apresentado na literatura científica (USP Notícias)

11/05/2005

Estudo com 115 médiuns kardecistas de São Paulo indica que a maioria possui alto nível socioeducacional, perfil que se enquadra no último censo do IBGE. Segundo a pesquisa, eles não apresentam problemas mentais

Na literatura científica, muitas vezes os médiuns (que se comunicam com espíritos) são descritos como pessoas de baixa escolaridade e renda. Sua mediunidade deve ser entendida como um “mecanismo de defesa contra as opressões sociais”, ou como manifestação de algum quadro dissociativo ou psicótico.

No entanto, um estudo realizado pelo psiquiatra Alexander Moreira de Almeida com médiuns espíritas da cidade de São Paulo mostrou um perfil diferente: os médiuns apresentaram um alto nível socioeducacional e uma prevalência de transtornos mentais menor do que a encontrada na população em geral.

Almeida constatou que 46,5% das pessoas tinham curso superior, 76,5% eram mulheres, menos de 3% estavam desempregados, e a idade média era de 48 anos. A maioria era espírita há mais de 16 anos, vieram de famílias não-espíritas e as vivências mediúnicas começaram na infância.

“Esse perfil sociodemográfico se encaixa no último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostra um crescimento da proporção de espíritas conforme aumenta a escolaridade da população”, comenta o psiquiatra, que apresentou sua tese de doutorado à Faculdade de Medicina (FMUSP), com orientação do professor Francisco Lotufo Neto.

Os participantes do estudo atuam em nove centros espíritas kardecistas da Capital, pertencentes à Aliança Espírita Evangélica. O médico aplicou um questionário sóciodemográfico a 115 médiuns antes e depois das sessões espíritas. Eles também responderam a questões referentes à atividade mediúnica. Almeida ainda utilizou os questionários SRQ (Self-Report Psychiatric Screening Questionnaire), que rastreia a presença de transtornos mentais, e o EAS (Escala de Adequação Social), que mostra como a pessoa se relaciona em sociedade.

A partir dos resultados foram selecionados 24 médiuns. Eles foram analisados pelo SCAN (Schedules for Clinical Assessment in Neuropsychiatry), um tipo de entrevista psiquiátrica padrão e pelo DDIS (Dissociative Disorders Interview Schedule), um questionário que detecta transtornos dissociativos (quando uma parte da mente funciona de forma independente). “É nessa categoria que os transes mediúnicos são habitualmente encaixados”, explica o médico.

“Os médiuns apresentaram, em média, quatro sintomas de primeira ordem para diagnóstico de esquizofrenia, mas a presença desses sintomas não indicou a existência de nenhuma doença mental”

Transes X esquizofrenia

A escala DDIS investiga a presença de 11 sintomas de primeira ordem para o diagnóstico de esquizofrenia – vozes dialogando na sua cabeça, vozes comentando as suas ações, ter suas ações produzidas ou controladas por alguém ou algo fora de você, entre outros. “Os médiuns apresentaram, em média, quatro deles, mas a presença dos sintomas não indicou a existência de nenhuma doença mental”, afirma. “Além disso, eles também apresentaram uma boa adequação social e demonstraram ter uma saúde mental melhor que a da população em geral”. Não houve correlação entre freqüência de atividade mediúnica e problemas mentais ou desajuste social.

O médico ressalva que os resultados da pesquisa se referem especificamente a médiuns em atividades regulares em centros espíritas. “Para eles trabalharem nos centros são necessários dois anos de cursos, além da participação semanal nas reuniões mediúnicas”, afirma.

Almeida é membro do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos (Neper) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. O núcleo tem como objetivo estudar as questões religiosas e espirituais segundo o enfoque científico, sem vínculo com nenhuma corrente filosófica ou religiosa.

“Durante muito tempo a Psiquiatria encarou a mediunidade como um transtorno mental”, conta. “Só a partir das décadas de 50 e 60 é que houve uma mudança de mentalidade, e essas manifestações passaram a ser vistas como sendo não-patológicas quando vivenciadas dentro de uma religião.” De acordo com Almeida, o último censo do IBGE mostrou que o espiritismo ocupa a quarta posição entre as religiões praticadas no Brasil, país com a maior população espírita do mundo. A tese está disponível para consultas no Portal Conhecimento.

Sequestro de CO2 (Pesquisa Fapesp)

Reunimos o que já publicamos sobre o processo de captura de dióxido de carbono da atmosfera, que se dá sobretudo em florestas e oceanos e ajuda a manter equilibrados os níveis de CO2 na atmosfera

Edição Online 13:10 27 de junho de 2016

 

mini Florestas secundárias podem contribuir para mitigar as mudanças climáticas
Se protegido adequadamente, esse tipo de vegetação neutralizaria as emissões da América Latina e do Caribe acumuladas entre 1993 e 2014 |Junho/2016|
MAR_Abre-Boletim Fundo do mar teve estoque de carbono
Circulação de água no Oceano Atlântico pode explicar baixos níveis de CO2 atmosférico no Último Máximo Glacial |Junho/2016|
Árvores da Amazônia geram novas folhas mesmo durante a seca
Estocagem de água no solo no período de chuvas é crucial nesse processo, segundo estudo publicado na revista Science |Fevereiro/2016|
Extinção de animais pode agravar efeito das mudanças climáticas
Ausência de espécies frugívoras de grande porte pode interferir no processo de sequestro de CO2 da atmosfera |Dezembro/2015|
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Trepadeiras estão remodelando a Amazônia, e os bambus, a mata atlântica |Outubro/2014|
068-069_Algas_222 Microalgas transformadas
Membrana que filtra meio de cultura permite selecionar biomassa com proteínas, ácidos graxos ou carboidratos |Agosto/2014|
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Química explica estudo sobre o balanço de carbono na Amazônia |Março/2014|
036-041_Manguezais_216 Rede de proteção
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Floresta amazônica pode estar enviando mais CO2 à atmosfera durante período de seca |Fevereiro/2014|
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Turbinadas pelo aquecimento global, variações no regime de chuvas na bacia do Prata podem tumultuar a circulação marinha no Sul e Sudeste |Janeiro/2008|
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Pesquisadores unem-se para esmiuçar os efeitos do aquecimento global no Brasil|Março/2007|
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Castanheira da amazônia Impactos irreversíveis do desmatamento
Mata recuperada absorve menos gás carbônico do que até agora se pensava |Abril/2000|

The Violence of Forgetting (New York Times)

Brad Evans: Throughout your work you have dealt with the dangers of ignorance and what you have called the violence of “organized forgetting.” Can you explain what you mean by this and why we need to be attentive to intellectual forms of violence?

Henry Giroux: Unfortunately, we live at a moment in which ignorance appears to be one of the defining features of American political and cultural life. Ignorance has become a form of weaponized refusal to acknowledge the violence of the past, and revels in a culture of media spectacles in which public concerns are translated into private obsessions, consumerism and fatuous entertainment. As James Baldwin rightly warned, “Ignorance, allied with power, is the most ferocious enemy justice can have.”

The warning signs from history are all too clear. Failure to learn from the past has disastrous political consequences. Such ignorance is not simply about the absence of information. It has its own political and pedagogical categories whose formative cultures threaten both critical agency and democracy itself.

What I have called the violence of organized forgetting signals how contemporary politics are those in which emotion triumphs over reason, and spectacle over truth, thereby erasing history by producing an endless flow of fragmented and disingenuous knowledge. At a time in which figures like Donald Trump are able to gain a platform by promoting values of “greatness” that serve to cleanse the memory of social and political progress achieved in the name of equality and basic human decency, history and thought itself are under attack.

Once ignorance is weaponized, violence seems to be a tragic inevitability. The mass shooting in Orlando is yet another example of an emerging global political and cultural climate of violence fed by hate and mass hysteria. Such violence legitimates not only a kind of inflammatory rhetoric and ideological fundamentalism that views violence as the only solution to addressing social issues, it also provokes further irrational acts of violence against others. Spurrned on by a complete disrespect for those who affirm different ways of living, this massacre points to a growing climate of hate and bigotry that is unapologetic in its political nihilism.

It would be easy to dismiss such an act as another senseless example of radical Islamic terrorism. That is too easy. Another set of questions needs to be asked. What are the deeper political, educational, and social conditions that allow a climate of hate, racism, and bigotry to become the dominant discourse of a society or worldview? What role do politicians with their racist and aggressive discourses play in the emerging landscapes violence? How can we use education, among other resources, to prevent politics from being transformed into a pathology? And how might we counter these tragic and terrifying conditions without retreating into security or military mindsets?

Violence maims not only the body, but also the mind and the spirit.

B.E.: You insist that education is crucial to any viable critique of oppression and violence. Why?

H.G.: I begin with the assumption that education is fundamental to democracy. No democratic society can survive without a formative culture, which includes but is not limited to schools capable of producing citizens who are critical, self-reflective, knowledgeable and willing to make moral judgments and act in a socially inclusive and responsible way. This is contrary to forms of education that reduce learning to an instrumental logic that too often and too easily can be perverted to violent ends.

So we need to remember that education can be both a basis for critical thought and a site for repression, which destroys thinking and leads to violence. Michel Foucault wrote that knowledge and truth not only “belong to the register of order and peace,” but can also be found on the “side of violence, disorder, and war.” What matters is the type of education a person is encouraged to pursue.

It’s not just schools that are a site of this struggle. “Education” in this regard not only includes public and higher education, but also a range of cultural apparatuses and media that produce, distribute and legitimate specific forms of knowledge, ideas, values and social relations. Just think of the ways in which politics and violence now inform each other and dominate media culture. First-person shooter video games top the video-game market while Hollywood films ratchet up representations of extreme violence and reinforce a culture of fear, aggression and militarization. Similar spectacles now drive powerful media conglomerates like 21st Century Fox, which includes both news and entertainment subsidiaries.

As public values wither along with the public spheres that produce them, repressive modes of education gain popularity and it becomes easier to incarcerate people than to educate them, to model schools after prisons, to reduce the obligations of citizenship to mere consumption and to remove any notion of social responsibility from society’s moral registers and ethical commitments.

B.E.: Considering Hannah Arendt’s warning that the forces of domination and exploitation require “thoughtlessness” on behalf of the oppressors, how is the capacity to think freely and in an informed way key to providing a counter to violent practices?

H.G.: Young people can learn to challenge violence, like those in the antiwar movement of the early ’70s or today in the Black Lives Matter movement.

Education does more than create critically minded, socially responsible citizens. It enables young people and others to challenge authority by connecting individual troubles to wider systemic concerns. This notion of education is especially important given that racialized violence, violence against women and the ongoing assaults on public goods cannot be solved on an individual basis.

Violence maims not only the body but also the mind and spirit. As Pierre Bourdieu has argued, it lies “on the side of belief and persuasion.” If we are to counter violence by offering young people ways to think differently about their world and the choices before them, they must be empowered to recognize themselves in any analysis of violence, and in doing so to acknowledge that it speaks to their lives meaningfully.

There is no genuine democracy without an informed public. While there are no guarantees that a critical education will prompt individuals to contest various forms of oppression and violence, it is clear that in the absence of a formative democratic culture, critical thinking will increasingly be trumped by anti-intellectualism, and walls and war will become the only means to resolve global challenges.

Creating such a culture of education, however, will not be easy in a society that links the purpose of education with being competitive in a global economy.

B.E.: Mindful of this, there is now a common policy in place throughout the education system to create “safe spaces” so students feel comfortable in their environments. This is often done in the name of protecting those who may have their voices denied. But given your claim about the need to confront injustice, does this represent an ethically responsible approach to difficult subject matters?

Critical education should be viewed as the art of the possible rather than a space organized around timidity, caution and fear.

H.G.: There is a growing culture of conformity and quietism on university campuses, made evident in the current call for safe spaces and trigger warnings. This is not just conservative reactionism, but is often carried out by liberals who believe they are acting with the best intentions. Violence comes in many forms and can be particularly disturbing when confronted in an educational setting if handled dismissively or in ways that blame victims.

Yet troubling knowledge cannot be condemned on the basis of making students uncomfortable, especially if the desire for safety serves merely to limit access to difficult knowledge and the resources needed to analyze it. Critical education should be viewed as the art of the possible rather than a space organized around timidity, caution and fear.

Creating safe spaces runs counter to the notion that learning should be unsettling, that students should challenge common sense assumptions and be willing to confront disturbing realities despite discomfort. The political scientist Wendy Brown rightly argues that the “domain of free public speech is not one of emotional safety or reassurance,” and is “ not what the public sphere and political speech promise.” A university education should, Brown writes, “ call you to think, question, doubt” and “ incite you to question everything you assume, think you know or care about.”

This is particularly acute when dealing with pedagogies of violence and oppression. While there is a need to be ethically sensitive to the subject matter, our civic responsibility requires, at times, confronting truly intolerable conditions. The desire for emotionally safe spaces can be invoked to protect one’s sense of privilege — especially in the privileged sites of university education. This is further compounded by the frequent attempts by students to deny some speakers a platform because their views are controversial. While the intentions may be understandable, this is a dangerous road to go down.

Confronting the intolerable should be challenging and upsetting. Who could read the testimonies of Primo Levi and not feel intellectually and emotionally exhausted? Or Martin Luther King Jr.’s words, not to mention those of Malcolm X? It is the conditions that produce violence that should upset us ethically and prompt us to act responsibly, rather than to capitulate to a privatized emotional response that substitutes a therapeutic language for a political and worldly one.

There is more at work here than the infantilizing notion that students should be protected rather than challenged in the classroom; there is also the danger of creating a chilling effect on the part of faculty who want to address controversial topics such as war, poverty, spectacles of violence, racism, sexism and inequality. If American society wants to invest in its young people, it has an obligation to provide them with an education in which they are challenged, can learn to take risks, think outside the boundaries of established ideologies, and expand the far reaches of their creativity and critical judgment. This demands a pedagogy that is complicated, taxing and disruptive.

B.E.: You place the university at the center of a democratic and civil society. But considering that the university is not a politically neutral setting separate from power relations, you are concerned with what you term “gated intellectuals” who become seduced by the pursuit of power. Please explain this concept.

H.G.: Public universities across the globe are under attack not because they are failing, but because they are they are considered discretionary — unlike K-12 education for which funding is largely compulsory. The withdrawal of financial support has initiated a number of unsavory responses: Universities have felt compelled to turn towards corporate management models. They have effectively hobbled academic freedom by employing more precarious part-time instead of full-time faculty, and they increasingly treat students as consumers to be seduced by various campus gimmicks while burying the majority in debt.

My critique of what I have called “gated intellectuals” responds to these troubling trends by pointing to an increasingly isolated and privileged full-time faculty who believe that higher education still occupies the rarefied, otherworldly space of disinterested intellectualism of Cardinal Newman’s 19th century, and who defend their own indifference to social issues through appeals to professionalism or by condemning as politicized those academics who grapple with larger social issues. Some academics have gone so far as to suggest that criticizing the university is tantamount to destroying it. There is a type of intellectual violence at work here that ignores and often disparages the civic function of education while forgetting Hannah Arendt’s incisive admonition that “education is the point at which we decide whether we love the world enough to assume responsibility for it.”

Supported by powerful conservative foundations and awash in grants from the defense and intelligence agencies, such gated intellectuals appear to have forgotten that in a democracy it is crucial to defend the university as a crucial democratic public sphere. This is not to suggest that they are silent. On the contrary, they provide the intellectual armory for war, the analytical supports for gun ownership, and lend legitimacy to a host of other policies that lead to everyday forms of structural violence and poverty. Not only have they succumbed to official power, they collude with it.

B.E.: I feel your recent work provides a somber updating of Arendt’s notion of “dark times,” hallmarked by political and intellectual catastrophe. How might we harness the power of education to reimagine the future in more inclusive and less violent terms?

H.G.: The current siege on higher education, whether through defunding education, eliminating tenure, tying research to military needs, or imposing business models of efficiency and accountability, poses a dire threat not only to faculty and students who carry the mantle of university self-governance, but also to democracy itself.

The solutions are complex and cannot be addressed in isolation from a range of other issues in the larger society such as the defunding of public goods, the growing gap between the rich and the poor, poverty and the reach of the prison-industrial complex into the lives of those marginalized by class and race.

We have to fight back against a campaign, as Gene R. Nichol puts it, “to end higher education’s democratizing influence on the nation.” To fight this, faculty, young people and others outside of higher education must collectively engage with larger social movements for the defense of public goods. We must address that as the welfare state is defunded and dismantled, the state turns away from enacting social provisions and becomes more concerned about security than social responsibility. Fear replaces compassion, and a survival-of-the-fittest ethic replaces any sense of shared concern for others.

Lost in the discourse of individual responsibility and self-help are issues like power, class and racism. Intellectuals need to create the public spaces in which identities, desires and values can be encouraged to act in ways conducive to the formation of citizens willing to fight for individual and social rights, along with those ideals that give genuine meaning to a representative democracy.

Any discussion of the fate of higher education must address how it is shaped by the current state of inequality in American society, and how it perpetuates it. Not only is such inequality evident in soaring tuition costs, inevitably resulting in the growing exclusion of working- and middle-class students from higher education, but also in the transformation of over two-thirds of faculty positions into a labor force of overworked and powerless adjunct faculty members. Faculty need to take back the university and reclaim modes of governance in which they have the power to teach and act with dignity, while denouncing and dismantling the increasing corporatization of the university and the seizing of power by administrators and their staff, who now outnumber faculty on most campuses.

In return, academics need to fight for the right of students to be given an education not dominated by corporate values. Higher education is a right, and not an entitlement. It should be free, as it is in many other countries, and as Robin Kelley points out, this should be true particularly for minority students. This is all the more crucial as young people have been left out of the discourse of democracy. Rather than invest in prisons and weapons of death, Americans need a society that invests in public and higher education.

There is more at stake here than making visible the vast inequities in educational and economic opportunities. Seeing education as a political form of intervention, offering a path toward racial and economic justice, is crucial in reimagining a new politics of hope. Universities should be subversive in a healthy society. They should push against the grain, and give voice to the voiceless the powerless and the whispers of truth that haunt the apostles of unchecked power and wealth. Pedagogy should be disruptive and unsettling, while pushing hard against established orthodoxies. Such demands are far from radical, and leave more to be done, but they point to a new beginning in the struggle over the role of higher education in the United States.

‘Estudos de neurociência superaram a psicanálise’, diz pesquisador brasileiro (Folha de S.Paulo)

Juliana Cunha, 18.06.2016

Com 60 anos de carreira, 22.794 citações em periódicos, 60 premiações e 710 artigos publicados, Ivan Izquierdo, 78, é o neurocientista mais citado e um dos mais respeitados da América Latina. Nascido na Argentina, ele mora no Brasil há 40 anos e foi naturalizado brasileiro em 1981. Hoje coordena o Centro de Memória do Instituto do Cérebro da PUC-RS.

Suas pesquisas ajudaram a entender os diferentes tipos de memória e a desmistificar a ideia de que áreas específicas do cérebro se dedicariam de maneira exclusiva a um tipo de atividade.

Ele falou à Folha durante o Congresso Mundial do Cérebro, Comportamento e Emoções, que aconteceu esta semana, em Buenos Aires. Izquierdo foi o homenageado desta edição do congresso.

Na entrevista, o cientista fala sobre a utilidade de memórias traumáticas, sua descrença em métodos que prometem apagar lembranças e diz que a psicanálise foi superada pelos estudos de neurociência e funciona hoje como mero exercício estético.

Bruno Todeschini
O neurocientista Ivan Izquierdo durante congresso em Buenos Aires
O neurocientista Ivan Izquierdo durante congresso em Buenos Aires

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Folha – É possível apagar memórias?
Ivan Izquierdo – É possível evitar que uma memória se expresse, isso sim. É normal, é humano, inclusive, evitar a expressão de certas lembranças. A falta de uso de uma determinada memória implica em desuso daquela sinapse, que aos poucos se atrofia.

Fora disso, não dá. Não existe uma técnica para escolher lembranças e então apagá-las, até porque a mesma informação é salva várias vezes no cérebro, por um mecanismo que chamamos de plasticidade. Quando se fala em apagamento de memórias é pirotecnia, são coisas midiáticas e cinematográficas.

O senhor trabalha bastante com memória do medo. Não apagá-las é uma pena ou algo a ser comemorado?
A memória do medo é o que nos mantém vivos. É a que pode ser acessada mais rapidamente e é a mais útil. Toda vez que você passa por uma situação de ameaça, a informação fundamental que o cérebro precisa guardar é que aquilo é perigoso. As pessoas querem apagar memórias de medo porque muitas vezes são desconfortáveis, mas, se não estivessem ali, nos colocaríamos em situações ruins.

Claro que esse processo causa enorme estresse. Para me locomover numa cidade, meu cérebro aciona inúmeras memórias de medo. Entre tê-las e não tê-las, prefiro tê-las, foram elas que me trouxeram até aqui, mas se pudermos reduzir nossa exposição a riscos, melhor. O problema muitas vezes é o estímulo, não a resposta do medo.

Mas algumas memórias de medo são paralisantes, e podem ser mais arriscadas do que a situação que evitam. Como lidar com elas?
Antes parado do que morto. O cérebro atua para nos preservar, essa é a prioridade. Claro que esse mecanismo é sujeito a falhas. Se entendemos que a resposta a uma memória de medo é exagerada, podemos tentar fazer com que o cérebro ressignifique um estímulo. É possível, por exemplo, expor o paciente repetidas vezes aos estímulos que criaram aquela memória, mas sem o trauma. Isso dissocia a experiência do medo.

Isso não seria parecido com o que Freud tentava fazer com as fobias?
Sim, Freud foi um dos primeiros a usar a extinção no tratamento de fobias, embora ele não acreditasse exatamente em extinção. Com a extinção, a memória continua, não é apagada, mas o trauma não está mais lá.

Mas muitos neurocientistas consideram Freud datado.
Toda teoria envelhece. Freud é uma grande referência, deu contribuições importantes. Mas a psicanálise foi superada pelos estudos em neurociência, é coisa de quando não tínhamos condições de fazer testes, ver o que acontecia no cérebro. Hoje a pessoa vai me falar em inconsciente? Onde fica? Sou cientista, não posso acreditar em algo só porque é interessante.

Para mim, a psicanálise hoje é um exercício estético, não um tratamento de saúde. Se a pessoa gosta, tudo bem, não faz mal, mas é uma pena quando alguém que tem um problema real que poderia ser tratado deixa de buscar um tratamento médico achando que psicanálise seria uma alternativa.

E outros tipos de análise que não a freudiana?
Terapia cognitiva, seguramente. Há formas de fazer o sujeito mudar sua resposta a um estímulo.

O senhor veio para o Brasil com a ditadura na Argentina. Agora, vivemos um processo no Brasil que alguns chamam de golpe, é uma memória em disputa. O que o senhor acha disso enquanto cientista?
Eu vim por conta de uma ameaça. Não considero um golpe, mas é um processo muito esperto. Mudar uma palavra ressignifica toda uma memória. Há de fato uma disputa de como essa memória coletiva vai ser construída. A esquerda usa o termo golpe para evocar memórias de medo de um país que já passou por um golpe. Conforme essa palavra é repetida, isso cria um efeito poderoso. Ainda não sabemos como essa memória será consolidada, mas a estratégia é muito esperta.

A jornalista JULIANA CUNHA viajou a convite do Congresso Mundial do Cérebro, Comportamento e Emoções

O bichinho que desafia Deus (El País)

Organismo marinho mostra por que o ser humano não está no topo da evolução

MANUEL ANSEDE

Barcelona 13 JUN 2016 – 21:07 CEST

Os biólogos Ricard Albalat e Cristian Cañestro, com exemplares do 'Oikopleura'.

Os biólogos Ricard Albalat e Cristian Cañestro, com exemplares do ‘Oikopleura’. JUAN BARBOSA 

“Só o acaso pode ser interpretado como uma mensagem. Aquilo que acontece por necessidade, aquilo que é esperado e que se repete todos os dias, não é senão uma coisa muda. Somente o acaso tem voz”, escreveu Milan Kundera em A Insustentável Leveza do Ser. E tem algo que fala, ou melhor, grita, numa praia de Badalona, perto de Barcelona: a que é dominada pela Ponte do Petróleo. Por esse dique de 250 metros, que penetra no mar Mediterrâneo, eram descarregados produtos petrolíferos até o final do século XX. E a seus pés se levanta desde 1870 a fábrica do Anís del Mono, o licor em cujo rótulo aparece um símio com cara de Charles Darwin em referência à teoria da evolução, que gerava polêmica na época.

Hoje, a Ponte do Petróleo é um belo mirante com uma estátua de bronze dedicada ao macaco com rosto darwinista. E, por um acaso que fala, entre seus frequentadores se encontra uma equipe de biólogos evolutivos do departamento de Genética da Universidade de Barcelona. Os cientistas caminham pela passarela sobre o oceano e lançam um cubo para fisgar um animal marinho, o Oikopleura dioica, de apenas três centímetros, mas que possui boca, ânus, cérebro e coração. Parece insignificante, mas, como Darwin, faz estremecer o discurso das religiões. Coloca o ser humano no lugar que lhe corresponde: com o resto dos animais.

“Temos sido mal influenciados pela religião, pensando que estávamos no topo da evolução. Na verdade, estamos no mesmo nível que o dos outros animais”, diz o biólogo Cristian Cañestro. Ele e o colega Ricard Albalat dirigem um dos únicos três centros científicos do mundo dedicados ao estudo do Oikopleura dioica. Os outros dois estão na Noruega e no Japão. O centro espanhol é uma salinha fria, com centenas de exemplares praticamente invisíveis colocados em recipientes de água, num canto da Faculdade de Biologia da Universidade de Barcelona.

O organismo marinho ‘Oikopleura dioica’ indica que a perda de genes ancestrais, compartilhados com os humanos, seria o motor da evolução

“A visão até agora era que, ao evoluir, ganhávamos em complexidade, adquirindo genes. Era o que se pensava quando os primeiros genomas foram sequenciados: de mosca, de minhoca e do ser humano. Mas vimos que não é assim. A maioria de nossos genes está também nas medusas. Nosso ancestral comum os possuía. Não que tenhamos ganhado genes; eles é que perderam. A complexidade genética é ancestral”, diz Cañestro.

Em 2006, o biólogo pesquisava o papel de um derivado da vitamina A, o ácido retinoico, no desenvolvimento embrionário. Essa substância indica às células de um embrião o que têm que fazer para se transformar num corpo adulto. O ácido retinoico ativa os genes necessários, por exemplo, para formar as extremidades, o coração, os olhos e as orelhas dos animais. Cañestro estudava esse processo no Oikopleura. E ficou de boca aberta.

Uma fêmea de 'Oikopleura dioica' cheia de ovos.

Uma fêmea de ‘Oikopleura dioica’ cheia de ovos. CAÑESTRO & ALBALAT LAB

“Os animais utilizam uma grande quantidade de genes para sintetizar o ácido retinoico. Percebi que no Oikopleura dioica faltava um desses genes. Depois vi que faltavam outros. Não encontramos nenhum”, recorda. Esse animal de três milímetros fabrica seu coração, de maneira inexplicável, sem ácido retinoico. “Se você vê um carro se mover sem rodas, nesse dia sua percepção sobre as rodas muda”, diz Cañestro.

O último ancestral comum entre nós e esse minúsculo habitante do oceano viveu há cerca de 500 milhões de anos. Desde então, o Oikopleura perdeu 30% dos genes que nos uniam. E fez isso com sucesso. Se você entrar em qualquer praia do mundo, ali estará ele rodeando o seu corpo. Na batalha da seleção natural, os Oikopleura ganharam. Sua densidade atinge 20.000 indivíduos por metro cúbico de água em alguns ecossistemas marinhos. São perdedores, mas só de genes.

Nosso último ancestral comum viveu há 500 milhões de anos. Desde então, o ‘Oikopleura’ perdeu 30% dos genes que nos uniam

Albalat e Cañestro acabam de publicar na revista especializada Nature Reviews Genetics um artigo que analisa a perda de genes como motor da evolução. Seu texto despertou interesse mundial. Foi recomendado pela F1000Prime, uma publicação internacional que aponta os melhores artigos sobre biologia e medicina. O trabalho começa com uma frase do imperador romano Marco Aurelio, filósofo estoico: “A perda nada mais é do que mudança, e a mudança é um prazer da natureza”.

Os dois biólogos afirmam que a perda de genes pode inclusive ter sido essencial para a origem da espécie humana. “O chimpanzé e o ser humano compartilham mais de 98% do seu genoma. Talvez tenhamos que procurar as diferenças nos genes que foram perdidos de maneira diferente durante a evolução dos humanos e dos demais primatas. Alguns estudos sugerem que a perda de um gene fez com que a musculatura de nossa mandíbula ficasse menor, o que permitiu aumentar o volume do nosso crânio”, diz Albalat. Talvez, perder genes nos tornou mais inteligentes que o resto dos mortais.

Pesquisadores do laboratório de Cristian Cañestro e Ricard Albalat.Pesquisadores do laboratório de Cristian Cañestro e Ricard Albalat. UB

 Em 2012, um estudo do geneticista norte-americano Daniel MacArthur mostrou que, em média, qualquer pessoa saudável tem 20 genes desativados. E isso aparentemente não importa. Albalat e Cañestro, do Instituto de Pesquisa da Biodiversidade (IRBio) da Universidade de Barcelona, citam dois exemplos muito estudados. Em algumas pessoas, os genes que codificam as proteínas CCR5 e DUFFY foram anulados por mutações. São as proteínas usadas, respectivamente, pelo vírus HIV e o parasita causador da malária para entrar nas células. A perda desses genes torna os humanos resistentes a essas doenças.

No laboratório de Cañestro e Albalat, há um cartaz que imita o do filme Cães de Aluguel (“Reservoir Dogs”, em inglês), de Quentin Tarantino: os cientistas e outros membros de sua equipe aparecem vestidos com camisa branca e gravata preta. A montagem se chama Reservoir Oiks, em alusão ao Oikopleura. Os dois biólogos acreditam que o organismo marinho permitirá formular e responder perguntas novas sobre nosso manual de instruções comum: o genoma.

O ‘Oikopleura’ permite estudar quais genes são essenciais: por que algumas mutações são irrelevantes e outras provocam efeitos devastadores em nossa saúde

O cérebro do Oikopleura tem cerca de 100 neurônios e o dos humanos, 86 bilhões. Mas somos muito mais semelhantes do que à primeira vista. Entre 60% e 80% das famílias de genes humanos têm um claro representante no genoma do Oikopleura. “Esse animal nos permite estudar quais genes humanos são essenciais”, diz Albalat. Em outras palavras: por que algumas mutações são irrelevantes e outras provocam efeitos terríveis em nossa saúde.

Os seres vivos possuem um sistema celular que repara as mutações surgidas no DNA. O Oikopleura doica perdeu 16 dos 83 genes ancestrais que regulam esse processo. Essa incapacidade para a autorreparação poderia explicar sua perda extrema de genes, segundo o artigo da Nature Reviews Genetics.

O olhar de Cañestro se ilumina quando ele fala dessas ausências. Os genes costumam atuar em grupo para levar a cabo uma função. Se de um grupo conhecido de oito genes faltam sete no Oikopleura, pois a função foi perdida, a permanência do oitavo gene pode revelar uma segunda função essencial que teria passado despercebida. Esse gene seria como um cruzamento de estradas. Desmantelada uma rodovia, ele sobrevive porque é fundamental em outra. “Essa segunda função já estava no ancestral comum e pode ser importante nos humanos”, diz Cañestro.

“Não existem animais superiores ou inferiores. Nossas peças de Lego são basicamente as mesmas, embora com elas possamos construir coisas diferentes”, afirma. Pense no seu lugar no mundo da próxima vez que mergulhar no mar. Essa neve branca que flutua na água e pode ser vista contra a luz são os excrementos do Oikopleura.

2016 é um dos anos mais secos do Ceará e o pior começa agora (O Povo)

CHUVA 14/06/2016

Os meteorologistas afirmam que não há previsão de precipitações para os últimos seis meses do ano 

Igor Cavalcante

Os próximos meses serão de mais escassez hídrica para o Ceará. Quando o assunto é chuva, o segundo semestre é o mais crítico para o Estado. As precipitações que ainda acontecem são causadas por instabilidades meteorológicas e não devem impactar no cenário de estiagem.

Em coletiva de imprensa ontem, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) informou que, de 2012 para cá, a estiagem deste ano é a segunda pior. Em algumas regiões não choveu nem metade do esperado. O cenário faz de 2016 um dos dez anos mais secos da história.

Contudo, monitoramento do Oceano Pacífico indica que águas estão resfriando. É um sinal de que precipitações podem aumentar no próximo ano. O aquecimento oceânico, fenômeno conhecido como El Niño, impacta na formação da Zona de Convergência Intertropical, principal responsável pelas chuvas na costa cearense. Quando parte do Pacífico está aquecida, as nuvens tendem a se formar e precipitar no mar.

De acordo com Eduardo Sávio Martins, presidente da Funceme, ainda é cedo para garantir boa quadra chuvosa para 2017. “É um aspecto positivo, mas temos de aguardar como vai ser o padrão desse resfriamento”, pondera.

O meteorologista Raul Fritz também é cauteloso quanto às previsões. Segundo ele, mesmo num cenário em que não haja El Niño, bom inverno é incerto.

A preocupação dos meteorologistas é com os meses até a próxima quadra chuvosa.. “A gente tem certeza da chuva no primeiro semestre e certeza de que não chove no segundo semestre”, cita o presidente da Funceme. Historicamente, mais de 90% do volume anual de chuva no Estado acontece no primeiro semestre.

Abaixo do esperado

Também foram as temperaturas elevadas das águas do Pacífico que contribuíram para as poucas precipitações no Estado. Conforme O POVO havia adiantado na edição do último dia 1°, a quadra chuvosa deste ano terminou como a segunda pior desde 2012, quando começou a sequência de cinco anos de estiagem.

Entre fevereiro e maio deste ano, as chuvas ficaram 45,2% abaixo do esperado. Fevereiro foi o período mais crítico, quando o volume no Estado ficou 55,3% abaixo da expectativa. Os meses de março e abril — historicamente de mais chuva — também tiveram precipitações inferiores à média.

As regiões Jaguaribana e do Sertão dos Inhamuns foram as de maior escassez. Nos municípios, as chuvas sequer atingiram metade do esperado, ficando 54,5% e 52,3% abaixo da média, respectivamente.

Segundo o presidente da Funceme, desde o início do ano, o Estado trabalha com o cenário da seca e promove ações para garantir licitações de poços e adutoras emergenciais na tentativa de suprir a necessidade hídrica do Interior.

Saiba mais 

Uma das alternativas para amenizar a escassez hídrica, o Projeto de Integração do rio São Francisco será concluído em dezembro, com previsão de abastecer os reservatórios em janeiro do próximo ano.

No último fim de semana, comitiva do Ministério da Integração vistoriou os eixos Norte e Leste do Projeto. Além do Ceará, Pernambuco e Paraíba devem ser beneficiados a partir de 2017.

Anthropology’s Storyteller-Shaman-Sorcerer Strikes Again With ‘The Corn Wolf’ (Pop Matters)

BY HANS ROLLMAN

27 January 2016

MICHAEL TAUSSIG’S WORK BOTH ATTRACTS AND ANGERS OTHER ANTHROPOLOGISTS. IT ALSO RE-ENCHANTS A DISCIPLINE THAT IS IN DESPERATE NEED OF IT.

cover artTHE CORN WOLF MICHAEL TAUSSIG

(UNIVERSITY OF CHICAGO PRESS)
DEC 2015

“So who is telling stories nowadays? And who is telling the story about stories?”

Michael Taussig was once dubbed “anthropology’s alternative radical” (by the New York Times, no less). It’s tempting to call him iconoclastic, but his latest collection, The Corn Wolf, problematizes the term ‘iconoclasm’ (it even features an ‘Iconoclasm Dictionary’) so thoroughly that a writer would deploy it at his peril.

Nevertheless, the dilemma sets the mood: Taussig’s work remains as genre-bending today as when he published the book that first raised eyebrows—and ire, among many colleagues in the field—back in 1987.

That book, Shamanism, Colonialism and the Wild Man(University of Chicago Press, 1991), launched a multi-pronged attack on some of the discipline’s most sacred conventions, and remains a controversial (and widely used) text in graduate and upper-level undergraduate anthropology courses today. While undergrads found Taussig’s unapologetic accounts of partaking in drug binges with Amazonian shamans titillating, it was the reflexive critique of anthropologists’ obsession with violence and terror, coupled with the experimental and often poetic style of composition, that put other scholars on edge.

Over a quarter century later, his ability to confound cultural critics and confront convention hasn’t waned. His latest collection of essays written over the past decade, The Corn Wolf, squarely tackles many of the key controversies of our time—the academic industrial complex, Occupy Wall Street, the intensification and precarity of neoliberal capitalist culture, the plight of Occupied Palestine, and more—in Taussig’s characteristically poetic, storyteller style.

Finding Magic in the Corporate Academy

Taussig’s work is the sort of bewilderingly beautiful prose (one is often tempted to call it poetry) that’s able to operate on multiple intellectual levels. The first essay in the collection, “The Corn Wolf: Writing Apotropaic Texts”, immerses the reader fully and mercilessly in the style. It opens with a poor graduate student realizing that writing up their fieldwork is the most difficult and important task of graduate school, and also the one thing graduate school teaches you nothing about. Fieldwork and writing; “they are both rich, ripe, secret-society-type shenanigans. Could it be that both are based on impossible-to-define talents, intuitions, tricks, and fears?”

No wonder many careerist academics dislike him.

Of course the essay isn’t so much about graduate writing as about his own writing, and about the act of writing—the magical act of writing—itself.

For example, Taussig considers anthropology’s treatment of magic and shamanic sorcery: “Pulling the wool over one’s eyes is a simpler way of putting it… What we have generally done in anthropology is really pretty amazing in this regard, piggybacking on their magic and on their conjuring—their tricks—so as to come up with explanations that seem nonmagical and free of trickery.”

This seemingly nonmagical academic form of writing—or mode of production, as he calls it—is what he refers to as ‘agribusiness writing’: “Agribusiness writing is what we find throughout the university and everyone knows it when they don’t see it.” Against it he pitches the idea of ‘apotropaic writing’, a magic that connives with the prosaic to produce a counter-magic of its own.

When anthropologists demystify shamanic sorcery, for instance, the ‘wolfing’ moves of apotropaic magic would reveal the sorcery implicit in the act of the ‘scientific’ anthropologist’s recasting of shamanism. Indeed, the fact that the wonder and magic of the everyday world has been demystified by science is a sort of magical transformation itself. Is this how we re-enchant the world? By the use of story-telling and writing to re-position what seems like the boring, unmagical workaday world of everyday capitalist drudgery and expose it as the magical sleight-of-hand and tricksterism that it is? “I have long felt that agribusiness writing is more magical than magic ever could be and that what is required is to counter the purported realism of agribusiness writing with apotropaic writing as countermagic, apotropaic from the ancient Greek meaning the use of magic to protect one from harmful magic.”

The point emerges again, perhaps unintentionally, in Taussig’s essay “The Stories Things Tell and Why They Tell Them”, as he discusses our collective yearning for “the old days”.

“‘The old days’ is actually a talismanic phrase and phase that ushers in prehistory and hence the enchanted world when things spoke to man… it goes along with what is felt to be a certain lack or loss of poetry—of poetry and ritual—in workaday life. But, you ask, has that really disappeared? Does enchantment not resurface under certain conditions, maybe extreme conditions, as in our contemporary world of machines, corporate control, and heady consumerism?”

Our world seems devoid of magic, comprised of boring realities that brook no alternatives: from the academic industrial complex to neoliberal capitalism. The hegemonic mode of thinking which makes us think that way, is perhaps the most magical and insidious form of sorcery there is.

Winnie-the-Pooh, and Wittgenstein, Too

The essays cover a broad range. Taussig discusses the literary work of B. Traven, that enigmatic, socio-political novelist who wrote under a pseudonym in early 20th century Mexico but is believed to have been an exiled German anarchist. Walter Benjamin appears repeatedly; Adorno and Wittgenstein, too. But to follow the startling trajectory of Taussig’s thought requires more than intellectual reference points: he weaves a sort of magic in his storytelling designed to disrupt the reader’s familiar mode of analysis; that agribusiness reading and writing model that underpins not just the academy but so much of our society’s accepted ways of configuring knowledge. A shaman-scholar, indeed. It’s Taussig’s particular talent: not just anyone can develop an essay drawing together bumblebees, the dialectics of humming, Theodor Adorno and Winnie-the-Pooh. Or produce serious, thought-provoking reflections on what a zebra in a zoo must think of a man riding by on a bicycle.

The value of Taussig’s work is that it can often be read on multiple levels; as enriching to return to as when it provokes for the first time, although the experience and what one gains from it is often quite different each time. The essay “Excelente Zona Social”, originally written to commemorate the anniversary of an anthropological classic, meanders through a set of reflections on the nature of ethnographic fieldwork, set against the backdrop of Taussig’s own time spent with peasants battling the Colombian state for control of occupied land. The peasants and their legal advisors compete with the state and the owners of capital (the palmeros, or palm plantation owners) to produce maps of the territory in dispute: on the state’s side, maps demonstrating ownership and property rights; on the peasants’ side, maps demonstrating usage and community history.

What emerges is a struggle over contesting frames of reference, and even over the language used to articulate the politics of presence. The state and palmeros speak in a legal, bureaucratic language; the peasants in a language of anecdotes and shared stories. Their legal advisor puts it bluntly: “’We have to create a new language,’ says Juan Felipe. ‘The palmeros have theirs, and we need to show the world an alternate model.’” The dispute echoes a broader one that is emerging in indigenous studies today, between competing histories of culture and the ways we recognize knowledge. In recent years, this trend has involved challenging the ways in which oral histories are traditionally devalued in western legal and intellectual culture.

Food for thought. But Taussig—like his spirit-guide, Walter Benjamin—takes it a step further and implicates the reader in this process, as well: “the origin of storytelling lies in the encounter between the traveler and those who stay at home,” he reminds us. The reader is not an innocent bystander; a point to which Taussig returns in subsequent essays.

The Politics of Field Notes

Another recurring theme in The Corn Wolf appears in the form of valuable reflections on the nature of the field journal, used by anthropologists to collect notes—sketches, snatches of conversation, reflections, vague impressions—and which is then typically translated into more standard form for reader consumption: books or journal articles. But in this process of translation it loses much of its magic, and that includes the capacity of the field journal to convey actual experience. When an anthropologist ‘writes up’ their fieldnotes, muses Taussig, after-thoughts kick in and infuse and suffuse the process. “By afterthoughts I mean secondary elaborations that arise on top of the original notes, photographs, and drawings. Through stops, starts, sudden swerves, the original is pulled into a wider and wilder landscape. To reread and to rewrite is to tug at the memories buried therein as well as engage with the gaps, questions, connections, conundrums, and big ideas that lie latent and in turn generate more of the same.”

The point of this reflection, Taussig continues, is to challenge the conventional trajectory of field-notes-to-publication. “I feel impelled to ask, therefore, if anthropology has sold itself short in conforming to the idea that its main vehicle of expression is an academic book or journal article? This is not a plea for exact reproduction of the fieldwork notebook but rather a plea for following its furtive forms and mix of private and public…”

There’s a revealing clue here to the circuitous and unorthodox nature of Taussig’s own writing style. It’s a form of “magical anthropology”, for lack of a better term. Critics speak of magical realism in fiction and literature as involving the use of magical elements to achieve a deeper insight into reality (well-known examples include the work of Gabriel Garcia Márquez, Salman Rushdie, Isabel Allende).  Adam Hothschild, writing in the New York Review of Books, famously referred to the reportage of Polish journalist Ryszard Kapuscinski as comprising a form of “magical journalism”. Such labels describe the use of writing not to convey facts but to communicate experience, by provoking ideas and states of mind that more accurately reflect the perceived reality of a situation, even if the process of doing so requires the storyteller (be they author, journalist or anthropologist) to sometimes run rough-shod over the facts as they might be conventionally presented.

This is also a form of what is referred to as ‘fictocriticism’—the combination of fictive and non-fictive elements in a single text. Its application has particular merit in anthropology. What many of us consider reality—“the facts”, or those details which are intended to convey and communicate reality—can sometimes themselves prove to be a barrier to comprehending reality as it is experienced by another. Facts are consumed and ordered by the reader within their own frame of reference, neatly reinforcing the reader’s pre-existing sense of reality; the experience of the Other those facts are intended to relay remains uncommunicated.

However,  by playing with the presentation of those facts, some storytellers (journalists, social scientists) might manage to more accurately share the insights and experience of the Other, by provoking a deeper, experiential resonance in the reader. Or so a magical anthropology, like magical journalism or magical storytelling of any genre, might suggest.

At any rate, the fact is there’s another thread here worth following: the power of storytelling and the role of the reader, as Taussig explains best in his travelogue-essay,  “My Two Weeks in Palestine”. A recurring theme in Taussig’s work is humanity’s fascination with violence and terror. Anthropologists (and other academics) are often criticized for their fly-in, fly-out method of witnessing violence, and of the careers built on our society’s fascination with violence. Like politicians, diplomats, journalists, humanitarians, and others, they are often criticized for writing about violence and terror without (seemingly) actually being able to do anything to stop it or cause it to abate. The academic, therefore, becomes implicated in the culture of violence, helping to stoke humanity’s fascination with the abominable. Yet the complicity of the academic, the anthropologist, is as nothing compared with the complicity of the reader, suggests Taussig.

This alone makes such storytelling and retelling a treacherous activity. Joseph Conrad called it ‘the fascination of the abomination,’ an accurate if ponderous rendering of the stock in trade of war journalists and war photographers, especially the latter, wild men and wild women to the core, too much in love with their work which soon settles into banality. But that is as nothing compared with the conceit of the reader of their work, secure at one remove from the action, yet no less likely to be buoyed up by the tempestuous currents of attraction and repulsion inflaming it before succumbing to indifference or turning the page or clicking the mouse.

In the face of this, what is to be done? Taussig suggests the act of witnessing is important, but it must lead to something more than mere consumption on the part of the reader. Thus the imperative for the writer, the storyteller, to find a way to write their stories (or articles, or books) in such a way as to provoke a more reactive reading that transcends mere passive consumption. Here the unorthodox anthropologist, open to the creative and experimental potential of the field journal medium or other types of experimental writing, might stumble upon ways of provoking such responses.

(I)t is my hope that the flexibility and “multi-tasking” to be found in the fieldworker’s diary can reconfigure this otherwise paralyzing ‘fascination of the abomination.’ Like the magical shield of Perseus, a diary allows of witness without being turned to stone. Like Walter Benjamin’s Denkbilden or ‘thought-images,’ the diary form facilitates grasping those images that flare up at a moment of danger when the potential for innervating the body is at its highest.

In Palestine he is struck by the way people tell him their stories: horrifying, terrible stories, but told thoughtfully and even with humour. “[T]he point was that people were capable, precisely because of their circumstance, of combining the unthinkable with the sayable—that was the miracle—and hence pass the baton of witnessing along to me, to pass on to you in the hope, vain as it may be, that witnessing becomes something more than consumption. Like travel and anthropology, reading has not only its passions but responsibilities, too.”

Occupying Anthropology

Taussig’s storytelling, in this collection, include an arc of stories on the pace of modern life: the speed-up of global capitalism, the precarious and destroyed lives it leaves in its ever-present wake, and the protest it sparks as workers and intellectuals and all those left in the margins (which is to say, the majority) struggle to pull the emergency brakes on a society speeding out of control. In “I’m So Angry I Made a Sign”, those brakes take the form of the Occupy Wall Street protests, which Taussig witnessed first-hand, and reflects upon in a thoughtful photo-essay.

Even more powerful is the essay that follows: “The Go Slow Party”, a moving cry for resistance against the great speed-up that plagues modern society (including academia). Taussig realizes that “the only time I really go slow is in the shower and having a shit. Both are fine examples of what Hakim Bey called ‘the temporary autonomous zone.’ Both free the mind and stimulate creative thinking…” He proceeds to reflect on the right to be lazy and the need to decolonize play and leisure. His own intervention—fighting for the right to install hammocks in his university department—was denied in favour of his colleagues’ more abstract approaches to the issue, but his reflections on the topic offer a powerful provocation.

In the final essay, “Don Miguel”, he offers some parting advice for anthropologists on the nature of fieldwork.

You learn after a long, long time, that the famous ‘method’ of participant-observation tends to be weighted toward the observation end of things and, what’s more, tends not, according to the profession, to allow much by way of self-observation. What you learn is that because of class and race barriers, what I would call ‘true’ participation is rare and unforgettable, but that the ‘stranger-effect,’ being a foreigner, makes this a lot easier. Some anthropologists, perhaps the great majority, make these barriers into a virtue, claiming that such participation is irrelevant and romantic, that we should study not ourselves, not psychology, not the anthropologist-native interaction, but something as vast and nebulous as ‘culture.’

Not so, asserts Taussig, and he offers a lifetime of examples to the contrary. The particular story he tells in the final essay is an amusing and engaging one: as a student, he made the poor decision to follow the advice of more senior academics and, against his own instincts, reach out to those at the top of the social hierarchy in the region of Colombia in which he was working, instead of simply ignoring them and focusing on the peasants he felt more comfortable with. The result was his being targeted by the local secret police (who had previously ignored him), setting off a frenzied dash around the country to convince the necessary authorities that he and his colleague were, after all, harmless researchers. His point, however, was that his own memory of this incident and the insights it opened up became a unique and different form of participant-observation, because “we had become objects in our own story”.

The Corn Wolf essays are prime Taussig: assuming a form that is both whimsical and yet deadly provocative at the same time. Michael Taussig: anthropology’s trickster magician, poet and storyteller, casts his spell again.

Hans Rollmann is a writer and editor based in Eastern Canada. He’s a columnist, writer and opinions editor with the online news magazine TheIndependent.ca. His work has appeared in a range of other publications both print and online, from Briarpatch Magazine to Feral Feminisms. In addition to a background in radio-broadcasting, union organizing and archaeology, he’s currently completing a PhD in Gender, Feminist & Women’s Studies in Toronto. He can be reached by email at hansnf@gmail.com or @hansnf on Twitter.

Ethnography as Improv (How to Anthropology)

NOVEMBER 02, 2015

By Cheryl Deutsch

“Anthropology is not a social science tout court, but something else. What that something else is has been notoriously difficult to name, precisely because it involves less a subject matter … than a sensibility.”

— Liisa Malkki, Improvising Theory (2007: 63)

 

In this post, I take inspiration from the book Improvising Theory to articulate three aspects of ethnographic practice that often go unnamed in anthropology.  I also follow up with the book’s authors, Allaine Cerwoncka and Liisa Malkki, to share their thoughts on doing ethnography today.

Most of the book consists of email exchanges from the year Cerwoncka spent in fieldwork as a graduate student and Malkki was her faculty mentor.  The conceit is that Malkki, an anthropologist, must explain to Cerwoncka, a political scientist, what “goes without saying” in anthropology; the customs and quirks that make up the discipline’s sensibility.  But as Malkki writes, “the ‘common sense’ of anthropology is a complicated matter,” and she struggles to articulate its nuances (2007: 163).

Through this exchange and the authors’ reflections, the book offers an intimate view of what ethnographic fieldwork is, in practice, as well as what it amounts to in theory.  Cerwoncka and Malkki conclude that it is ethnography’s improvisational nature that makes it challenging to teach but also special in its theoretical power.

Here are three insights I drew from the book and my subsequent exchange with them:

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1. Ethnography is Improvised

Improv comedy is a form of collaborative story-telling whose humor derives from the uncertainty of its own story line. Improv actors must say yes to whatever comes their way, trusting their training and adrenaline to make a story out of surprise.  The result is comedy.

Improvisational jazz is likewise a form of story-telling whose energy derives from its unrehearsed riffs on popular melodies and classic standards.  Jazz musicians construct improvised melodies out of notes that are spontaneous but not random: they have to make sense with the original song or melody.  Just playing fast, for example, is no guarantee that an improvised solo will succeed: the notes have to make emotional sense.

Both improv comedy and jazz employ skills that can be taught and practiced.  They benefit from excellent technique.  But in all forms of improvisation, training and expertise only go so far.  The rest requires a certain sensibility.

In their book, Improvising Theory: Process and Temporality in Ethnographic Fieldwork, Allaine Cerwoncka and Liisa Malkki make the case for ethnography as a form of improvisation.

As Cerwoncka reflected in an email exchange with me: “choices made about a research project are shaped out of intellectual, practical and professional considerations… [They] are inevitably made without full information and require constant adjustment and courage to follow one’s rational and intuitive best judgment.”

Courage is a key word here.  All forms of improv involve risk.  But it’s the vulnerability of such creative acts that give them heart and soul.

As recounted in the book, Cerwoncka scheduled a formal interview with a sergeant in the police station where she was conducting her fieldwork.  Before the interview, he talked openly about the groups that they, as cops, hated having to deal with.  “I acted casual about all this information,” she wrote to Malkki, “not jotting any of it down in front of him…  When I went back for the ‘real’ interview, he was much more formal and immediately asked if I wanted to tape the conversation” (2007: 85).  The formal interview had a different tone; he talked about “safe” topics like his family background, and then he was called away.

Reflecting on this experience in her email to Malkki, Cerwoncka decided not to tape further conversations with the police officers.  “It strikes me that they are in the position of taping people (in the interrogation room),” she wrote, “and their context for that is to use the information people give them against the people they arrest.  So I think the recorder will color the interviews too much” (2007: 85).

Later in her fieldwork, however, she found that one sergeant was particularly eager to set up taped interviews for her, so she continued with them.  She began to see that they helped those in the station feel more comfortable with her. “They don’t even seem to mind when I drift and ask them questions about their taste in music or whether they garden,” she wrote (2007: 120).  Hers is a lesson in improvised field practice.

Formal recorded interviews are an important tool in the ethnographer’s toolbox.  But in this exchange, we see that the ethnographer often has to make decisions about when and where, as well as how, to employ such tools in the field.  Ethnographers are also engaged in a form of collaborative story-telling with the people they interact with.  It takes attention and care for ethnography – as improvisation – to make sense.

 

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2. Ethnography Takes Time

Improvising Theory’s greatest strength is its portrayal – in real time – of the year-long process of ethnographic fieldwork.  It illustrates not only the tempo of fieldwork but its many temporalities.  As Malkki writes in her concluding chapter to the book, “ethnography as process demands a critical awareness of the invisible social fact that multiple, different temporalities might be at play simultaneously… [There are] quotidian routines, events that become Events (see Malkki 1997), the panic time of deadlines, the elongated time of boredom, the cyclical time of the return of the expected, the spiral time of returns to the recognizable or the remembered, and so on” (2007: 177).

In their email exchange, we read about Cerwoncka’s uncertainties, her successes, as well as her false starts and trails gone cold.  It’s a messy process through which Malkki’s advice offers perspective and rhythm: some situations require action and attention, others call for patience and meditation.

Before she began her interviews at the police station, for example, Cerwoncka was unsure exactly where she would locate her research exploring Australian national identity.  So she made inroads with a gardening club and with officers at the police station, as well as with the pastor of a church.

In an early email to Malkki, Cerwoncka worried that she was contacting people from too many organizations at once and that she’d be overwhelmed with all their necessary follow-up.  Malkki responded: “Anthropological fieldwork is what you are doing, and therefore regular contact with informants should not just be a goal, but should be built into your everyday schedule.  It’s taxing, embarrassing, etc., but you need the material… Strike while the iron is hot” (2007: 54).  She encouraged her to choose the organizations she wanted to work with thoughtfully and then to make a schedule that would allow her to follow up on interactions and opportunities when they arose.

Later, Cerwoncka dropped the church as a site.  Then, when she was deep in fieldwork with the gardening club and the police officers, one of her political science advisers recommended she add a third site.  So she spent time talking to landscape architects.

At this point, Malkki advised her: “It’s important not to let the third site become something that allows you to escape the pressures of the sites in which you have deep investments already… Another related issue (related to the question of what’s the best use of your time): sometimes downtime is best, taking a week away from the fieldwork.  Then you return to things fresh” (2007: 126).

In this case, the right temporal strategy was patience and perserverance.

When I asked Malkki for her thoughts on ethnography today, she reiterated the importance of time: “If I were to add something… One point would be a warning against the overprofessionalization of graduate students in Anthropology.  Easy for me to say since I’ve got a job!  But anthropology does take time, and I think one has to have the time to ‘grow into it’ somehow without having career milestones always hovering at the edges of one’s attention.  One grows into fieldwork according to one’s temperament and in deep relation with people.  That is transformative.  And then, after fieldwork, one grows into writing.  That too is transformative.  It takes time (and simple grit).  This is very much a mind game.  There are many brilliant people – everyone knows they’re brilliant and their work truly original – but they just can’t let it go, or, sometimes, can’t get over writing blocks.  More time.  One should always be humane toward oneself (and everyone, of course).”

It seems that ethnography not only takes time but many different times: striking while the iron is hot, having patience when fieldwork gets tedious, and time for transformation in the writing phase.

3. Improvisation + Time = Theoretical Insight

Cerwoncka started grad school with the goal of becoming a “theorist,” and this book reflects that ambition.  As helpful as it is in illustrating ethnographic practice, it is equally effective in articulating ethnography’s theoretical power.

In our email exchange, Cerwoncka wrote, “Social analysts need more than description of phenomena, and this thing we call theory helps us try to identify patterns and associations.  However, ethnographic fieldwork and life has reinforced for me the conviction that theory serves us intellectually best when it is in dialogue with activity, data, and a variety of possible material.”

The email exchange with Malkki that documents her fieldwork experience bears this out: theoretical concepts help guide her research questions and observations.  It was Benedict Anderson’s concept of imagined communities that inspired her to look for national identity in the ordinary lives of Australian gardeners and police officers.  But these interlocutors – and Cerwoncka’s improvised engagements with them – also gave shape to the project.  Finally, time and distance add their own maturing effects. What results are the project’s theoretical insights.

Cerwoncka writes about this process of conceptual development in Native to the Nation, based on her dissertation research.  Writing about the police sergeant who eagerly arranged her formal interviews, she writes:  “These arrangements developed into a strange kind of ritual where each interview began with the sergeant ‘joking’ that the junior officer about to be interviewed ‘mustn’t give away the shop secrets’ before I was left alone with him or her” (cited in Cerwoncka and Malkki 2007: 90-1).  Such jests caused her quite a bit of anxiety: uncovering police brutality or corruption would put her and her research in a uncomfortable ethical position.  Only much later, in writing, did she conclude that the sergeant’s comments pointed to in-group boundary policing more so than any real “heart of darkness” within the station (2007: 91).  And it was much longer into writing that she came to believe “that there was another story one could write about the police besides a journalistic-type exposé or a romantic narrative about un-sung heroes” (2007: 92).

The theoretical insights of ethnographic fieldwork take time.  Improvisation in the field is what shakes up one’s orientation to theoretical concepts, but it can take time for that orientation to mature into new conceptualizations.

Postscript: Ethnography and Professionalization

In addition to producing theoretical insights, Cerwoncka also stressed to me the ways in which ethnography has served her as a faculty member and university administrator:

Cerwoncka: “Every time I move to a different institution, role and, or discipline, I find myself doing a version of ethnographic fieldwork!  Fieldwork taught me the techniques and instilled confidence in me to map and analyze patterns of community, be it a police station or a School of Social Sciences.  I think the professional skills I learned through ethnographic fieldwork … are as useful to me as a Dean of Social Sciences at University of East London as they were to my dissertation.”

These thoughts neatly illustrate the challenge and promise of ethnography: that one has to let go and accept in order to reap its creative potential.  Much of the advice embodied in the book revolves around the need for both confidence and acceptance.  One can’t seek out theory but can trust that it will result.  One can’t seek out professionalization but can trust that it will happen.  Just as in improv comedy there is no magic formula for making something funny, so the ethnographer that tells a compelling story can let the scene do its magic.

Thank you to Nikhil Anand for first suggesting Improvising Theory to me.  Thank you, as well, to Allaine Cerwoncka and Liisa Malkki for taking the time to share their thoughts.  And a final thanks to Ethan Hein for his explanation of improvisational jazz.

Final Kyoto analysis shows 100% compliance (Science Daily)

Date:
June 10, 2016
Source:
Taylor & Francis
Summary:
All 36 countries that committed to the Kyoto Protocol on climate change complied with their emission targets, according to a new scientific study.

Global warming is a real threat for our civilization. All 36 countries that committed to the Kyoto Protocol on climate change complied with their emission targets, according to a recent report in Climate Policy. Credit: © sergei_fish13 / Fotolia

All 36 countries that committed to the Kyoto Protocol on climate change complied with their emission targets, according to a scientific study released today. In addition, the Kyoto process and climate-related policies, represented a low cost for the countries involved — up to 0.1% of GDP for the European Union and an even lower fraction of Japan’s GDP. This is around one quarter to one tenth of what experts had estimated after the agreement was reached in 1997, for delivering the targets set 15 years ahead. The US never ratified the Treaty and Canada withdrew, but all the rest continued and Kyoto came into force in 2005.

The results, reported in the Climate Policy journal, are the first published results to use the final data for national GHG emissions and exchanges in carbon units which only became available at the end of 2015. They show that overall, the countries who signed up to the Kyoto Protocol surpassed their commitment by 2.4 GtCO2e yr -1 (giga-tonnes of CO2 equivalent per year).

“There is often skepticism about the importance of international law, and many critics claim that the Kyoto Protocol failed. The fact that countries have fully complied is highly significant, and it helps to raise expectations for full adherence to the Paris Agreement,” said Prof. Michael Grubb, Editor-in-Chief of the Climate Policy journal and co-founder of research network Climate Strategies.

The researchers found that most of these countries reduced their GHG emissions to the levels required by the Kyoto Protocol, with only nine (Austria, Denmark, Iceland, Japan, Lichtenstein, Luxembourg, Norway, Spain and Switzerland) emitting higher levels. The nine countries only just overshot their targets — in total by around 1% of the average annual emissions capped under Kyoto — and were able to comply with the Protocol using the “flexibility” mechanisms. The researchers also found that overall compliance would have also been achieved even without the so-called ‘hot-air,’ (windfall emission reductions from Eastern Bloc countries).


Journal Reference:

  1. Igor Shishlov, Romain Morel, Valentin Bellassen. Compliance of the Parties to the Kyoto Protocol in the first commitment periodClimate Policy, 2016; 1 DOI: 10.1080/14693062.2016.1164658

How altered gut microbes cause obesity (Science Daily)

Date:
June 8, 2016
Source:
Yale University
Summary:
Obesity is linked to changes in our gut microbes — the trillions of tiny organisms that inhabit our intestines. But the mechanism has not been clear to date. In a new study, a team of researchers has identified how an altered gut microbiota causes obesity.

Obesity is linked to changes in our gut microbes — the trillions of tiny organisms that inhabit our intestines. But the mechanism has not been clear. In a new study published in Nature, a Yale-led team of researchers has identified how an altered gut microbiota causes obesity.

In an earlier study, Gerald I. Shulman, M.D., the George R. Cowgill Professor of Medicine, observed that acetate, a short-chain fatty acid, stimulated the secretion of insulin in rodents. To learn more about acetate’s role, Shulman, who is also an investigator of the Howard Hughes Medical Institute, and a team of Yale researchers conducted a series of experiments in rodent models of obesity.

The research team compared acetate to other short-chain fatty acids and found higher levels of acetate in animals that consumed a high-fat diet. They also observed that infusions of acetate stimulated insulin secretion by beta cells in the pancreas, but it was unclear how.

Next, the researchers determined that when acetate was injected directly into the brain, it triggered increased insulin by activating the parasympathetic nervous system. “Acetate stimulates beta cells to secrete more insulin in response to glucose through a centrally mediated mechanism,” said Shulman. “It also stimulates secretion of the hormones gastrin and ghrelin, which lead to increased food intake.”

Finally, the research team sought to establish a causal relationship between the gut microbiota and increased insulin. After transferring fecal matter from one group of rodents to another, they observed similar changes in the gut microbiota, acetate levels, and insulin.

“Taken together these experiments demonstrate a causal link between alterations in the gut microbiota in response to changes in the diet and increased acetate production,” said Shulman. The increased acetate in turn leads to increased food intake, setting off a positive feedback loop that drives obesity and insulin resistance, he explained.

The study authors suggest that this positive feedback loop may have served an important role in evolution, by prompting animals to fatten up when they stumbled across calorically dense food in times of food scarcity.

“Alterations in the gut microbiota are associated with obesity and the metabolic syndrome in both humans and rodents,” Shulman noted. “In this study we provide a novel mechanism to explain this biological phenomenon in rodents, and we are now examining whether this mechanism translates to humans.”


Journal Reference:

  1. Rachel J. Perry, Liang Peng, Natasha A. Barry, Gary W. Cline, Dongyan Zhang, Rebecca L. Cardone, Kitt Falk Petersen, Richard G. Kibbey, Andrew L. Goodman, Gerald I. Shulman. Acetate mediates a microbiome–brain–β-cell axis to promote metabolic syndromeNature, 2016; 534 (7606): 213 DOI: 10.1038/nature18309

O voo dos Gaviões pela liberdade e critica social nas arquibancadas do Brasil (Le Monde Diplomatique Brasil)

Por Sandro Barbosa de Oliveira

04 de Março de 2016

O estopim para que ocorressem tais manifestações talvez seja o fato do deputado estadual Fernando Capez (PSDB) estar envolvido em denúncias sobre o esquema de desvio de verbas das merendas das escolas públicas do estado de São Paulo. Não por acaso que os Gaviões miram em Capez: o inimigo número um das torcidas.

Muito tem se falado sobre as manifestações políticas da torcida Gaviões da Fiel nos jogos do Campeonato Paulista, mas pouco sobre a história que fundamenta tais manifestações. Por isso, esse artigo pretende apresentar alguns elementos que possam contribuir para elucidar esse fenômeno e problematizar os aspectos que envolvem o seu desenvolvimento. Para tanto, inicia com a seguinte pergunta: quando foi que a torcida realizou a primeira manifestação em 2016?

Final da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2016. Os Gaviões da Fiel Torcida, que tomaram parte das arquibancadas do lendário estádio do Pacaembu, decidiram realizar uma festa popular ao acenderem sinalizadores e gás de fumaça para festejar a partida decisiva entre Corinthians e Flamengo, com a presença das duas maiores torcidas do país. Até aí tudo bem se não fosse o fato de sinalizadores e fumaça serem proibidos pela Federação Paulista de Futebol (FPF) e coibidos pela Polícia Militar (PM) do estado de São Paulo. Mas essa não foi uma simples festa popular. Com essa ação, a torcida corinthiana iniciou uma série de protestos políticos contra FPF, o preço dos ingressos e as proibições que sofrem as torcidas para ingressar com bandeiras, faixas e sinalizadores inofensivos nas arquibancadas, fato que fez com que a torcida sofresse outra punição: ficar 60 dias proibida de entrar com faixas e bandeiras nos estádios.

Esse processo de proibições vem desde 1995 e se institucionalizou na forma de punição sobre as torcidas organizadas (elas que representam a organização coletiva e política de seus torcedores) após o infeliz acontecimento decorrente da briga entre torcidas dos times São Paulo e Palmeiras, também na final da Copa São Paulo daquele ano. De lá para cá a imprensa esportiva, o Ministério Público (sob ações do promotor Fernando Capez), a PM e a FPF construíram um discurso e passaram a criminalizar as torcidas organizadas ao realizar ações para que elas perdessem seu espaço nos estádios, com o objetivo de consolidar o padrão de outro tipo de torcedor: o torcedor “família”, consumidor e individual do chamado “futebol moderno”, aquele que consome, porém, não questiona enquanto sujeito político os problemas do esporte nas arquibancadas.

Nesse meio tempo, com as torcidas banidas por um período das arquibancadas e com o discurso da violência nos estádios, a Rede Globo de televisão, aliada de cartolas e dirigentes de clubes, federações e da CBF, estabeleceu a compra das transmissões para consolidar um sistema de transmissão fechado em canais pago, e deter preferência nas transmissões em canal aberto através de privilégios. Ela negociou diretamente com cada clube e estabeleceu contratos que amarram futuras decisões. Com isso, criou-se um público de torcedores que não iam mais ao estádio (com medo das torcidas) e que assistiam no conforto de suas casas, com seus familiares e amigos até que os estádios voltassem a ser “seguros” e compatíveis com certos interesses de classes desses agentes. Ao retornarem aos estádios, as torcidas foram fichadas pela PM e ficaram impedidas de entrar com bandeiras de bambu, sinalizadores inofensivos e com outros adereços.

Recentemente e não por acaso, foi perceptível que antes, durante e após a Copa do Mundo no Brasil em 2014 organizado pela Fédération Internationale de Football Association (FIFA) – entidade maior do futebol que também está manchada por escândalos de corrupção tal como a CBF e a FPF – construiu-se um discurso sobre o tal padrão de torcedor e estádio que deveria ser consolidado no país. A organização local desse torneio impediu que manifestantes se aproximassem dos estádios (chamados agora de arenas) por meio de um forte aparato repressor, ao se passar uma imagem para o mundo de que o país vivia alegre e festivamente a Copa (imagem veiculada pela transmissão oficial). No entanto, outros meios mostravam a real situação nas ruas através das manifestações organizadas pelos Comitês Populares da Copa e que foram reprimidas com violência e prisões, imagens estas veiculadas pelas mídias alternativas na Internet. Nesse momento, os Gaviões da Fiel estiveram calados e sequer se manifestaram contra o processo de elitização no futebol que vinha antes da Copa e que se potencializou com o torneio. Se tivessem se posicionado, teriam o apoio das organizações populares que estavam nas ruas lutando por uma Copa popular.

Mas por que os Gaviões da Fiel se manifestaram somente agora em 2016?

Um dos aspectos que chamam a atenção é o posicionamento da atual diretoria dos Gaviões através de seu presidente Rodrigo Fonseca, o Diguinho, que disse em entrevista ao jornal Brasil de Fato que “Não podemos assistir omissos ao processo de elitização do futebol”. De fato, ele reconhece que “não apenas o Corinthians está passando faz anos e tornando a arquibancada um lugar mais branco e rico que outrora”, e destaca que “CBF, FPF, Rede Globo, diretoria do Corinthians e os tais promotores, todos eles trabalham em conjunto para fazer do futebol um espetáculo de elite”.

Outro aspecto importante é que em 2015 os Gaviões soltaram notas em apoio à greve dos professores da rede pública estadual que durou 90 dias, e aos estudantes que lutaram contra a reorganização escolar e ocuparam com ousadia o coração do espaço público na sociedade – as escolas públicas do estado de São Paulo. Ambas as lutas contra o governo do estado que também puniu as torcidas com uma visão elitista de criminalizá-las. Essas lutas sem dúvida influenciaram os Gaviões e os fez alçar novos voos pela liberdade também nas arquibancadas, ao buscarem em sua própria história e origem o legado da luta contra um sistema opressor em defesa da liberdade e da crítica social nas arquibancadas por meio de um despertar político. Os Gaviões nasceram para fiscalizar e lutar contra os autoritarismos e as censuras impostas pela arbitrariedade de dirigentes e federações no clube e no futebol durante a ditadura militar. Foi a primeira (e talvez única) torcida a levantar em 1979 a faixa pela Anistia ampla aos presos políticos.

Regressando um pouco ao ano de 2007, ano em que a torcida corinthiana protagonizou o Movimento Fora Dualib, o futebol do Corinthians enfrentava crises sem tréguas que culminou com o rebaixamento no Campeonato Brasileiro daquele ano. A crise que estourou no clube foi resultado das tramas entre dirigentes que agiam de maneira oligárquica e o setor financeiro. No ano de 2005 eles realizaram uma parceria com a Media Sports Investment (MSI), representada pelo iraniano Kia Joorabchian, parceria que expressou a chegada de capitais britânicos e russos de origem duvidosa ao futebol brasileiro. A MSI estabeleceu um contrato em que iria realizar investimentos por dez anos no futebol do Corinthians ao contratar jogadores renomados e construir o estádio para o clube. Ela formou um time que auto intitulou de “galácticos” que conquistou o Campeonato Brasileiro de 2005, mas que na temporada seguinte, devido ao desgaste pelo controle do futebol do clube entre Kia e Dualib, deixou de enviar recursos ao clube que gerenciou o departamento de futebol por conta própria e acumulou uma dívida superior aos R$ 70 milhões. A parceria, que ganhou as manchetes e elevou o clube aos noticiários esportivos do mundo, terminou em 2007 nas páginas policiais com a intervenção do Ministério Público Federal e o bloqueio das contas da MSI e de seus representantes acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, aspectos que fizeram com que os Gaviões e as demais torcidas corinthianas se mobilizarem para retirar da presidência o responsável por essa trama: Alberto Dualib.

Mas o que esse episódio na história do Corinthians pode dizer sobre o futebol brasileiro? Em primeiro lugar, o futebol é a expressão da formação social, econômica e política da sociedade brasileira organizada para exportar “produtos primários”, aspecto estrutural de uma economia “voltada para fora” e que foi devidamente analisada pelo historiador Caio Prado Júnior quando desvelou o seu caráter dependente. No caso do futebol, isso implica em dizer que parte dos jogadores preparados aqui tem seus passes “vendidos” precocemente em transações financeiras para os grandes clubes da Europa, o que atribui um papel decisivo a um agente que não existia antes no futebol – o empresário de jogador, aquele que faz a ponte entre o clube daqui com os clubes estrangeiros de lá. O futebol expressa a desigualdade social já que 0,80% dos jogadores recebem salários entre R$ 50 mil a R$ 500 mil e 82,40% não recebem mais que R$ 1.000,00.[1] Em segundo lugar, os clubes que querem formar grandes elencos para a conquista de títulos e não criaram condições próprias para isso, acabam por depender de recursos externos e recorrem aos investidores, patrocinadores e parceiros na execução dos chamados “projetos” para aquela temporada ou para um período maior. O fato é que os clubes de futebol, que são entidades sem fins lucrativos e/ou associações, passaram a depender de agentes do setor financeiro que visam com os seus “investimentos” encontrar fontes mais rentáveis para suas receitas e viram nos clubes um jeito de gerar rentabilidade aos seus capitais livres de impostos. O problema é o descompasso entre os clubes, já que parte ainda são geridos de maneira oligárquica por seus dirigentes, e os agentes financeiros, empresas e pessoas físicas que investem recursos para obter lucro.

Em tal cenário de investimentos de capitais e mercantilização sem riscos as torcidas organizadas passaram a ser um problema, pois elas querem ver seus times com elencos fortes e disputando títulos, e questionam com força quando isso não acontece. Elas entraram também no jogo do “mercado” e deixaram de lado as manifestações política que marcaram suas trajetórias. Então, como o futebol não é uma ciência exata e depende da dinâmica dos jogos e da organização das equipes, nem sempre é provável que o elenco mais caro e forte saia vencedor daquele campeonato. Mas como os clubes brasileiros foram integrados em um mundo de economia globalizada, financeirizada e midiatizada, precisam lidar com “a propaganda como a alma do negócio”. Mesmo que não vençam campeonatos, o importante é a marca aparecer e se autovalorizar, e para isso o marketing dos clubes grandes foi ampliado. Outro aspecto é que as brigas entre as torcidas que expressava a organização das classes populares teria afastado o torcedor-consumidor do ideário liberal-econômico que manteria essa engrenagem funcionando.

Nesse sentido, estaria aí um nexo que articula uma explicação possível para a proibição das torcidas nos estádios em São Paulo: por um lado, altos investimentos de empresas e emissoras de televisão nos clubes grandes e nas federações, para que garantam o monopólio e o privilégio de valorização e transmissão das partidas, por outro, pacificação e aburguesamento nas arquibancadas, expresso inclusive no programa Fiel Torcedor que exclui e individualiza o acesso ao estádio, duplo movimento chamado pelas torcidas de “futebol moderno”, o qual é possível defini-lo por futebol elitizado. O futebol paulista e brasileiro, portanto, faz então um movimento de regresso às suas origens direto para a elitização, mas com os conflitos de nosso tempo histórico, já que o mesmo se popularizou a partir da década de 1930 e se tornou paixão nacional na década de 1950 entre as classes populares nos processos de industrialização da sociedade.

Por isso, e retomando a importância das recentes manifestações, por que os atos nas arquibancadas protagonizados pelos Gaviões ganharam ressonância geral para além do clubismo? Talvez porque a torcida corinthiana decidiu atacar de maneira politizada as raízes do problema que determinou a sua punição no estádio com uma pauta clara e direta. Com faixas nas partidas contra o Capivariano e o São Paulo no Campeonato Paulista de 2016 estabeleceu o seguinte diálogo com a sociedade: “Rede Globo, o Corinthians não é o seu quintal”; “Cadê as contas do estádio?”; “CBF, FPF a vergonha do futebol”; “Futebol refém da Rede Globo”; “Quem vai punir o ladrão de merendas?”; “Ingresso mais barato”. Foi a primeira vez que uma torcida se manifestou explicitamente nas arquibancadas contra essas entidades e emissora. Entretanto, ao denunciar os causadores da falta de liberdade de expressão e de sua punição das arquibancadas, os Gaviões enfrentaram a PM e a FPF que impediam que as torcidas se manifestassem politicamente nos estádios. Ao derrubarem os argumentos das “autoridades” com referência ao próprio Estatuto do Torcedor que seus algozes utilizavam, demonstraram conhecimento de causa e puderam deslegitimar a tentativa da FPF e da PM de criminalizá-los.

Cabe destacar que o primeiro movimento de torcedores corinthianos contra o “futebol moderno” dentro e fora do Itaquerão (estádio do Corinthians) foi protagonizado por um pequeno grupo de dissidentes dos Gaviões e torcedores comuns em 2014, quando resgataram o movimento criado pelas organizadas “Andrés aqui não tem burguês”. Eles se manifestaram com faixas e dizeres do tipo “Ingresso caro = corinthiano de fora”, ao se posicionar contra os ingressos caros no novo estádio e chamar a atenção para a exclusão dos corinthianos das classes populares (preto, pobre e periférico). Contudo, sofreram represália da PM e tiveram suas faixas tomadas sob alegação de que estavam violando a lei. Esse movimento ficou restrito a este grupo pequeno e não teve visibilidade como ocorreu agora com as ações dos Gaviões que sempre foi referência política e de canto na arquibancada. De qualquer maneira, o grupo criticou o ex-presidente Andrés Sanchez, responsável pela gestão do estádio, e conseguiu uma conquista importante já que foi ano de eleição: uma pequena baixa no preço dos ingressos. Só que o preço dos ingressos continuou alto para as condições de vida das classes populares que historicamente frequentaram os estádios, não só em jogos no Itaquerão, mas também em jogos com mando de campo de times do interior.

Mas no atual momento o que defendem os Gaviões?

Os Gaviões defendem o direito à liberdade de expressão e à livre manifestação da coletividade nas arquibancadas desse Brasil a fora. Essa liberdade foi garantida pela Constituição Federal de 1988 que diz que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição”. Todavia, segundo o Estatuto do Torcedor e o regulamento da FPF, os torcedores podem se manifestar pacificamente nas arquibancadas. Por isso, como disse o jornalista José Trajano “tudo o que eles manifestaram, através das faixas, tem o apoio da maioria da população brasileira. Eles são os nossos porta-vozes. Assino embaixo”. Esse sentimento particular de uma torcida que luta por sua liberdade de crítica social é o sentimento geral de maior parte da população brasileira que se reconhece e se identifica nesse tipo de manifestação, já que o futebol enquanto paixão nacional se tornou um lazer mercantilizado e gerido por dirigentes mafiosos que estão imersos em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro, dominado por uma emissora de TV e que parecem desconsiderar os valores afetivos e de sociabilidade que os torcedores têm por esse esporte popular.

Ademais, talvez o estopim para que ocorressem tais manifestações agora seja o fato de haver chegado ao público denúncias sobre o esquema de desvio de verbas das merendas das escolas públicas do estado de São Paulo, esquema que teria como principal articulador o promotor e deputado estadual Fernando Capez (Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB). Não por acaso que os Gaviões miram em Capez: o inimigo número um das torcidas e que agora se encontra imerso em denúncias sobre atitudes ilícitas e criminosas de desvio de verbas, aspecto que sempre atribuiu em seus discursos às torcidas organizadas. Ironias da história que não só gira, mas, sobretudo, se desenvolve em um movimento espiral de contradições e conflitos sociais em que os agentes e os acontecimentos se convertem no seu contrário, o bom moço da promotoria está no banco dos réus enquanto que os Gaviões procuram resgatar sua imagem de torcida que faz a festa e manifestações legítimas com forte apelo social.

Por fim, os Gaviões apresentam uma crítica social e não só do futebol ao que ocorreu nas escolas públicas com a chamada propina da merenda escolar e parece conclamar as torcidas, os estudantes e os trabalhadores, já que entoaram o canto “Eu não roubo merenda, eu não sou deputado. Trabalho todo dia, não roubo meu Estado” e de “Ladrão, ladrão, devolve o futebol pro povão”, para lutar contra os desmandos e arbitrariedades da FPF e do partido do governo estadual nesses 21 anos de mandatos, o mesmo partido que proibiu as torcidas de se manifestarem nos estádios, os estudantes de se manifestarem nas escolas e os professores de se manifestarem nas ruas. Tal como analisou Marx, podemos inferir também que a história ocorre por assim dizer duas vezes: a primeira como tragédia, com a proibição das torcidas, reorganização escolar e derrota da greve dos professores, e a segunda como farsa, predominância de torcedores “coxinhas” nas arquibancadas, desorganização escolar camuflada e precarização do trabalho de professores nas escolas. É preciso então haver lutas pela liberdade e crítica social nas arquibancadas, nas escolas e nas ruas para que haja a transformação efetiva da sociedade. As demais torcidas do Corinthians e de outros clubes já estão seguindo o exemplo de politização dos Gaviões e se manifestando nas arquibancadas. Tomara que essas manifestações construa um movimento para além do clubismo e por um futebol que retorne ao poder e apropriação das classes populares.

Sandro Barbosa de Oliveira 

Sandro Barbosa de Oliveira é professor, educador popular, bacharel em Ciências Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA), mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e doutorando em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Participa do Grupo de Pesquisa Classes Sociais e Trabalho da Unifesp. É também associado e cientista social da Usina Centro de Trabalhos para o Ambiente Habitado.

 

Foto: André Lucas Almeida, Jornalistas Livres

 

You’re witnessing the death of neoliberalism – from within (The Guardian)

What does it look like when an ideology dies? As with most things, fiction can be the best guide. In Red Plenty, his magnificent novel-cum-history of the Soviet Union, Francis Spufford charts how the communist dream of building a better, fairer society fell apart.

Even while they censored their citizens’ very thoughts, the communists dreamed big. Spufford’s hero is Leonid Kantorovich, the only Soviet ever to win a Nobel prize for economics. Rattling along on the Moscow metro, he fantasises about what plenty will bring to his impoverished fellow commuters: “The women’s clothes all turning to quilted silk, the military uniforms melting into tailored grey and silver: and faces, faces the length of the car, relaxing, losing the worry lines and the hungry looks and all the assorted toothmarks of necessity.”

But reality makes swift work of such sandcastles. The numbers are increasingly disobedient. The beautiful plans can only be realised through cheating, and the draughtsmen know it better than any dissidents. This is one of Spufford’s crucial insights: that long before any public protests, the insiders led the way in murmuring their disquiet. Whisper by whisper, memo by memo, the regime is steadily undermined from within. Its final toppling lies decades beyond the novel’s close, yet can already be spotted.

When Red Plenty was published in 2010, it was clear the ideology underpinning contemporary capitalism was failing, but not that it was dying. Yet a similar process as that described in the novel appears to be happening now, in our crisis-hit capitalism. And it is the very technocrats in charge of the system who are slowly, reluctantly admitting that it is bust.

You hear it when the Bank of England’s Mark Carney sounds the alarm about “a low-growth, low-inflation, low-interest-rate equilibrium”. Or when the Bank of International Settlements, the central bank’s central bank, warns that “the global economy seems unable to return to sustainable and balanced growth”. And you saw it most clearly last Thursday from the IMF.

What makes the fund’s intervention so remarkable is not what is being said – but who is saying it and just how bluntly. In the IMF’s flagship publication, three of its top economists have written an essay titled “Neoliberalism: Oversold?”.

The very headline delivers a jolt. For so long mainstream economists and policymakers have denied the very existence of such a thing as neoliberalism, dismissing it as an insult invented by gap-toothed malcontents who understand neither economics nor capitalism. Now here comes the IMF, describing how a “neoliberal agenda” has spread across the globe in the past 30 years. What they mean is that more and more states have remade their social and political institutions into pale copies of the market. Two British examples, suggests Will Davies – author of the Limits of Neoliberalism – would be the NHS and universities “where classrooms are being transformed into supermarkets”. In this way, the public sector is replaced by private companies, and democracy is supplanted by mere competition.

The results, the IMF researchers concede, have been terrible. Neoliberalism hasn’t delivered economic growth – it has only made a few people a lot better off. It causes epic crashes that leave behind human wreckage and cost billions to clean up, a finding with which most residents of food bank Britain would agree. And while George Osborne might justify austerity as “fixing the roof while the sun is shining”, the fund team defines it as “curbing the size of the state … another aspect of the neoliberal agenda”. And, they say, its costs “could be large – much larger than the benefit”.

IMF managing director Christine Lagarde with George Osborne.

IMF managing director Christine Lagarde with George Osborne. ‘Since 2008, a big gap has opened up between what the IMF thinks and what it does.’ Photograph: Kimimasa Mayama/EPA

Two things need to be borne in mind here. First, this study comes from the IMF’s research division – not from those staffers who fly into bankrupt countries, haggle over loan terms with cash-strapped governments and administer the fiscal waterboarding. Since 2008, a big gap has opened up between what the IMF thinks and what it does. Second, while the researchers go much further than fund watchers might have believed, they leave in some all-important get-out clauses. The authors even defend privatisation as leading to “more efficient provision of services” and less government spending – to which the only response must be to offer them a train ride across to Hinkley Point C.

Even so, this is a remarkable breach of the neoliberal consensus by the IMF. Inequality and the uselessness of much modern finance: such topics have become regular chew toys for economists and politicians, who prefer to treat them as aberrations from the norm. At last a major institution is going after not only the symptoms but the cause – and it is naming that cause as political. No wonder the study’s lead author says that this research wouldn’t even have been published by the fund five years ago.

From the 1980s the policymaking elite has waved away the notion that they were acting ideologically – merely doing “what works”. But you can only get away with that claim if what you’re doing is actually working. Since the crash, central bankers, politicians and TV correspondents have tried to reassure the public that this wheeze or those billions would do the trick and put the economy right again. They have riffled through every page in the textbook and beyond – bank bailouts, spending cuts, wage freezes, pumping billions into financial markets – and still growth remains anaemic.

And the longer the slump goes on, the more the public tumbles to the fact that not only has growth been feebler, but ordinary workers have enjoyed much less of its benefits. Last year the rich countries’ thinktank, the OECD, made a remarkable concession. It acknowledged that the share of UK economic growth enjoyed by workers is now at its lowest since the second world war. Even more remarkably, it said the same or worse applied to workers across the capitalist west.

Red Plenty ends with Nikita Khrushchev pacing outside his dacha, to where he has been forcibly retired. “Paradise,” he exclaims, “is a place where people want to end up, not a place they run from. What kind of socialism is that? What kind of shit is that, when you have to keep people in chains? What kind of social order? What kind of paradise?”

Economists don’t talk like novelists, more’s the pity, but what you’re witnessing amid all the graphs and technical language is the start of the long death of an ideology.

Cientistas propõem projeto para criar genoma humano sintético (O Globo)

O Globo, 02/06/2016

Imagem de reprodução de DNA de hélice quádrupla – Divulgação/Jean-Paul Rodriguez

WASHINGTON — Um grupo de cientistas propôs, nesta quinta-feira, um projeto ambicioso para criar um genoma humano sintético, que tornaria possível a criação de seres humanos sem a necessidade de pais biológicos. Esta possibilidade levanta polêmica sobre o quanto a vida humana pode ou deve ser manipulada.

O projeto, que surgiu em uma reunião de cientistas da Universidade Harvard, nos EUA, no mês passado, tem como objetivo desenvolver e testar o genoma sintético em células dentro de laboratório ao longo de dez anos. O genoma sintético humano envolve a utilização de produtos químicos para criar o DNA presente nos cromossomas humanos. A meta foi relatada na revista “Science” pelos 25 especialistas envolvidos.

Os cientistas propuseram lançar, ainda este ano, o que chamaram de Projeto de Escrita do Genoma Humano e afirmaram que iriam envolver o público nessa discussão, que incluiria questões éticas, legais e sociais.

Os especialistas esperam arrecadar US$ 100 milhões — o equivalente a R$ 361 milhões — em financiamento público e privado para lançar o projeto este ano. No entanto, eles consideram que os custos totais serão inferiores aos US$ 3 milhões utilizados no Projeto do Genoma Humano original, que mapeou pela primeira vez o DNA humano.

O novo projecto “incluirá a engenharia completa do genoma de linhas de células humanas e de outros organismos importantes para a agricultura e saúde pública, ou aqueles que interpretar as funções biológicas humanas”, escreveram na “Science” os 25 cientistas, liderados pelo geneticista Jef Boeke, do Centro Médico Langone, da Universidade de Nova York.