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Acute stress may slow down the spread of fears (Science Daily)

Date: May 12, 2020

Source: University of Konstanz

Summary: Psychologists find that we are less likely to amplify fears in social exchange if we are stressed.

New psychology research from the University of Konstanz reveals that stress changes the way we deal with risky information — results that shed light on how stressful events, such as a global crisis, can influence how information and misinformation about health risks spreads in social networks.

“The global coronavirus crisis, and the pandemic of misinformation that has spread in its wake, underscores the importance of understanding how people process and share information about health risks under stressful times,” says Professor Wolfgang Gaissmaier, Professor in Social Psychology at the University of Konstanz, and senior author on the study. “Our results uncovered a complex web in which various strands of endocrine stress, subjective stress, risk perception, and the sharing of information are interwoven.”

The study, which appears in the journal Scientific Reports, brings together psychologists from the DFG Cluster of Excellence “Centre for the Advanced Study of Collective Behaviour” at the University of Konstanz: Gaissmaier, an expert in risk dynamics, and Professor Jens Pruessner, who studies the effects of stress on the brain. The study also includes Nathalie Popovic, first author on the study and a former graduate student at the University of Konstanz, Ulrike Bentele, also a Konstanz graduate student, and Mehdi Moussaïd from the Max Planck Institute for Human Development in Berlin.

In our hyper-connected world, information flows rapidly from person to person. The COVID-19 pandemic has demonstrated how risk information — such as about dangers to our health — can spread through social networks and influence people’s perception of the threat, with severe repercussions on public health efforts. However, whether or not stress influences this has never been studied.

“Since we are often under acute stress even in normal times and particularly so during the current health pandemic, it seems highly relevant not only to understand how sober minds process this kind of information and share it in their social networks, but also how stressed minds do,” says Pruessner, a Professor in Clinical Neuropsychology working at the Reichenau Centre of Psychiatry, which is also an academic teaching hospital of the University of Konstanz.

To do this, researchers had participants read articles about a controversial chemical substance, then report their risk perception of the substance before and after reading the articles, and say what information they would pass on to others. Just prior to this task, half of the group was exposed to acute social stress, which involved public speaking and mental arithmetic in front of an audience, while the other half completed a control task.

The results showed that experiencing a stressful event drastically changes how we process and share risk information. Stressed participants were less influenced by the articles and chose to share concerning information to a significantly smaller degree. Notably, this dampened amplification of risk was a direct function of elevated cortisol levels indicative of an endocrine-level stress response. In contrast, participants who reported subjective feelings of stress did show higher concern and more alarming risk communication.

“On the one hand, the endocrine stress reaction may thus contribute to underestimating risks when risk information is exchanged in social contexts, whereas feeling stressed may contribute to overestimating risks, and both effects can be harmful,” says Popovic. “Underestimating risks can increase incautious actions such as risky driving or practising unsafe sex. Overestimating risks can lead to unnecessary anxieties and dangerous behaviours, such as not getting vaccinated.”

By revealing the differential effects of stress on the social dynamics of risk perception, the Konstanz study shines light on the relevance of such work not only from an individual, but also from a policy perspective. “Coming back to the ongoing COVID-19 pandemic, it highlights that we do not only need to understand its virology and epidemiology, but also the psychological mechanisms that determine how we feel and think about the virus, and how we spread those feelings and thoughts in our social networks,” says Gaissmaier.

Palavra de Médico (Site de Sonia Zaghetto)

14 de abril de 2020 – publicação original

Palavra de Médico

Dia 1

“O hospital em que eu trabalho, em Paris, está cheio de pacientes infectados pelo coronavírus. Vai se tornar uma referência para a doença. Só hoje eu internei 10 (cinco deles com menos de 50 anos).

Esta semana e na próxima estaremos no pico da infecção. O governo francês está pagando hotéis próximos aos hospitais para que os médicos e demais trabalhadores da saúde não contaminem suas famílias. Eu estou num hotel confortável, a três minutos de carro do hospital.

Os restaurantes da região têm enviado refeições de graça, no almoço e no jantar, para toda a equipe de plantão. Comemos por turnos, juntos: médicos, enfermeiros e soignants – técnicos, maqueiros, secretárias e seguranças.

Aqui na França, muita gente vai morrer. Já estamos enviando pacientes para a Suíça, Alemanha e Luxemburgo, pois faltam leitos de UTI. No nosso hospital há muitos jovens infectados.

Todo mundo aqui está trabalhando a todo vapor. Foram canceladas todas as férias.

Até o fim da semana teremos 400 pacientes POR DIA intubados na Île-de-France (a província onde fica Paris). É muita gente! Nosso hospital tem 120 pacientes com Covid-19. A previsão é que, daqui a 15 dias, os 692 leitos sejam ocupados por pacientes infectados pelo novo coronavírus.

Todos os outros casos (infartos, AVCs, fraturas etc) são encaminhados a clínicas privadas. Cidade vazia. Polícia e exército nas ruas, multando quem não tem permissão de trafegar. Peguei a minha autorização hoje no hospital.

Dia 2

Mais um dia de confinamento em Île-de-France. Talvez o dia mais difícil de todos na minha vida como médico.

No texto anterior eu expliquei que a previsão era que se esgotassem todos os respiradores da província até o fim dessa semana, com uma previsão de 400 pacientes por dia.

Previsão errada.

Hoje praticamente todos os respiradores foram tomados. Em nosso hospital, por volta das 15h30, já não tínhamos como ventilar pacientes que precisavam ser intubados. Conclusão: desabou um desespero em nossas cabeças porque sabíamos que teríamos que escolher a quem salvar e a quem deixar. E foi isso o que automaticamente fizemos. Fui julgado por um grande amigo, de fora da área da saúde, quando lhe contei isso. Mas era isso ou deixar a peteca cair e não salvar ninguém! Ou tomar a decisão errada de salvar quem não teria chance.

Como na Itália (e acredito que na Espanha também), somos obrigados a decidir. O regulador do plantão telefonou para o que chamamos de Proteção Civil e o exército se encarregará de distribuir tendas com respiradores em volta dos hospitais estratégicos localizados ao redor de Paris. Medida de medicina de guerra (e foi este mesmo o termo utilizado aqui). Isso já acontece na Alsácia (leste da França, fronteira com a Alemanha).

Vi colegas com lágrimas nos olhos. Minha chefe ligava de hora em hora para saber o fluxo de pacientes no Pronto-Socorro. Sim, aqui, geralmente, a chefia é mais que um posto. E a chefe se mostrou uma verdadeira líder, compadecendo-se conosco pela situação.

Os mais graves eram encaminhados a unidades de internação Covid-19 para morrer com dignidade. E a cada 15 minutos, em média, recebíamos ligações da enfermagem dessas unidades confirmando que tal ou tal paciente não deveria ser reanimado. Todos eles com máscara facial de oxigênio a 15L/min e dessaturando.

A conduta era sedar e oferecer conforto e dignidade. Fomos tomados por uma sensação de impotência frente a uma doença nova. Esta é a minha primeira pandemia (e de quase todos aqui). Os rostos dos que atendemos à tarde passam por nossos pensamentos. Vimos, um por um, eles descansarem.

Sinto um misto de alegria por participar de um salvamento coordenado e, ao mesmo tempo, uma tristeza imensa por saber que, em muitos casos, estávamos e ainda estamos perdendo a batalha para esse vírus.

Às 20h se ouve o barulho de aplausos nas janelas. Mas só quem estava no front sabia o que estava acontecendo. As mortes se seguiam. O telefone não parava de tocar. A desesperança e as lágrimas eram visíveis nos olhos de todos. Só quem não participava eram os colegas já contaminados pelo vírus, pois estavam fora de combate. Sim, tenho colegas em casa esperando se recuperar pra voltar. Ou não.

No meio do massacre, a solidariedade era sentida como um mexer numa ferida aberta. A realidade sangrava aos nossos olhos. Os pediatras suspenderam o atendimento, uma vez que as crianças têm sido, quase na sua totalidade, poupadas da infecção. E esses pediatras se dispuseram a gerenciar as UTIs recém-criadas em várias unidades no hospital.

Parei no meio do dia, por alguns segundos, para mandar mensagens a familiares e pessoas mais próximas. Tanto pra desabafar como para prevenir de que o pior está por vir.

Os restaurantes continuam a mandar comida de graça para que não percamos tempo em escolher e telefonar. Não falta comida, nem máscaras N-95 (aqui chamadas de Fpp2), nem oxigênio. Nem falta vontade de exercer nossa sagrada vocação de salvar vidas. Mas o avanço da doença está mais rápido que a nossa capacidade de responder à altura.

Nunca me senti tão médico quanto hoje. E também mais ser humano. A experiência nos deixa saber, numa situação dessas, quem vai partir e quem vai lutar por três semanas (esse tem sido o tempo médio) intubado, pronado, sob diálise, para ressuscitar e enfrentar um longo caminho de fisioterapia e reabilitação até uma vida normal.

Agora as pessoas pararam de chegar (são exatamente 04h23). Meu colega, chefe de plantão como eu, foi descansar por volta das 2h30. Daqui a pouco é minha vez. Mas eu disse aos residentes que não consigo descansar. Eles também não. A realidade da medicina já é dura pra quem cai no ritmo de trabalho logo depois da faculdade. Nesse clima de guerra então… Vejo seus olhos assustados e desejo que não tivesse sido assim… Estamos no pico da infecção nesta semana e na próxima. Terei plantões dia sim, dia não – assim como muitos colegas por aqui. É a vida.

Às 10 da manhã a vida recomeça. Inicia com o que chamamos de Reunião Covid-19. Minha chefe reúne todo o pessoal do PS e nos posiciona sobre as últimas notícias, na França e no mundo, quanto à pandemia. Tomamos decisões, discutimos protocolos… e a guerra continua.

Uma enfermeira liga perguntando se pode quebrar o protocolo e deixar uma família entrar no quarto para se despedir do familiar (um pai, marido, avô). Não autorizo. Pela proteção de todos. Desligo o telefone. Lágrimas caem pelo meu rosto. Vou deitar e agradeço a Deus por estar vivo.

Recado aos brasileiros

Vocês, brasileiros, especialmente idosos, terão de ficar em casa por pelo menos dois meses, se quiserem viver. É que o pico aí no Brasil será daqui a um mês e o vírus é mais ativo em temperaturas baixas. Na minha opinião, isso vai se arrastar por aí se não forem respeitadas as medidas de confinamento.

Por favor. Levem isso a sério.

Brain’s Stress Circuits Undergo Profound Learning Early in Life, Scientists Find (Science Daily)

Apr. 7, 2013 — Researchers at the University of Calgary’s Hotchkiss Brain Institute have discovered that stress circuits in the brain undergo profound learning early in life. Using a number of cutting edge approaches, including optogenetics, Jaideep Bains, PhD, and colleagues have shown stress circuits are capable of self-tuning following a single stress. These findings demonstrate that the brain uses stress experience during early life to prepare and optimize for subsequent challenges.

Newborn baby. Stress circuits in the brain undergo profound learning early in life. (Credit: © Iosif Szasz-Fabian / Fotolia)

The team was able to show the existence of unique time windows following brief stress challenges during which learning is either increased or decreased. By manipulating specific cellular pathways, they uncovered the key players responsible for learning in stress circuits in an animal model. These discoveries culminated in the publication of two back-to-back studies in the April 7 online edition ofNature Neuroscience.

“These new findings demonstrate that systems thought to be ‘hardwired’ in the brain, are in fact flexible, particularly early in life,” says Bains, a professor in the Department of Physiology and Pharmacology. “Using this information, researchers can now ask questions about the precise cellular and molecular links between early life stress and stress vulnerability or resilience later in life.”

Stress vulnerability, or increased sensitivity to stress, has been implicated in numerous health conditions including cardiovascular disease, obesity, diabetes and depression. Although these studies used animal models, similar mechanisms mediate disease progression in humans.

“Our observations provide an important foundation for designing more effective preventative and therapeutic strategies that mitigate the effects of stress and meet society’s health challenges,” he says.

Journal References:

  1. Wataru Inoue, Dinara V Baimoukhametova, Tamás Füzesi, Jaclyn I Wamsteeker Cusulin, Kathrin Koblinger, Patrick J Whelan, Quentin J Pittman, Jaideep S Bains.Noradrenaline is a stress-associated metaplastic signal at GABA synapsesNature Neuroscience, 2013; DOI:10.1038/nn.3373
  2. Jaclyn I Wamsteeker Cusulin, Tamás Füzesi, Wataru Inoue, Jaideep S Bains. Glucocorticoid feedback uncovers retrograde opioid signaling at hypothalamic synapsesNature Neuroscience, 2013; DOI:10.1038/nn.3374