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IPCC: Já não há mais tempo para uma ecologia sutil – Outras Palavras (Outras Palavras)

outraspalavras.net

por Ricardo Abramovay – 13/08/2021 às 15:32 – Atualizado 13/08/2021 às 20:06


Relatório da ONU aponta: frear a crise climática exigirá novo paradigma ecológico e de bem-estar, que se sobreponha ao cálculo econômico. Um dos entraves será a indústria do cimento, altamente poluidora, que prepara novo boom da construção
Projeto “+1,5ºC Muda Tudo” , entre o Museu do Prado e a WWF, que atualiza obras clássicas sob a catástrofe climática

Nada indica que os mais importantes tomadores de decisão do planeta estejam preparados para enfrentar o horizonte traçado nesta semana pelo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que analisa a evolução e as perspectivas da relação entre as sociedades humanas e o sistema climático do qual a vida na Terra depende. Uma das mais importantes e promissoras conclusões do relatório é que ainda existe uma estreita janela de oportunidades para que a temperatura global média não suba além de 1,5ºC até o final do século.

Mas esta janela converte-se numa quase invisível fresta quando o mais importante jornal de economia do mundo, o Financial Times, retrata o entusiasmo de Jan Jenisch, presidente do maior grupo produtor global de cimento (Holcin), com o que ele chama de boom da construção, em função das necessidades de infraestrutura dos países em desenvolvimento. Sua alegria é compartilhada por Fernando Gonzales, o CEO da Cemex mexicana que fala em superciclo da construção.

O curioso é que a informação do Financial Times aparece num podcast do jornal, logo antes de um comentário sobre as enchentes na Alemanha e na China e a quebra de recorde de aumento de temperatura na América do Norte, sem que se faça qualquer relação entre cimento e eventos climáticos extremos. Ora, se fosse um país, o setor de cimento seria o terceiro maior emissor global. E não se pode dizer que o setor não esteja atento a seus impactos sobre o sistema climático.

Em 2021, cada tonelada de cimento é produzida com emissões 18% menores do que três décadas antes, mostra um trabalho do CarbonBrief. Neste período, porém, a demanda de cimento no mundo triplicou. O resultado é que, apesar dos avanços tecnológicos do setor, suas emissões continuam subindo.

O recente relatório conjunto da Agência Internacional de Energia e do Conselho Global de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, na sigla em inglês) corrobora esta informação. Até 2050, a produção global de cimento deve aumentar 12%, mas suas emissões crescem “somente” 4%. O relatório do IPCC lançado esta semana faz com que esta inegável conquista (emitir menos por unidade produzida) se converta tragicamente em componente decisivo da crise climática.

O cimento aqui é tomado como um exemplo que atinge o conjunto da vida econômica. Os dados do Painel Internacional de Recursos das Nações Unidas são claros a este respeito: as emissões vindas da produção de materiais (metais, madeira, construção e plástico, sem incluir combustíveis fósseis e alimentos) dobraram entre 1995 e 2016 e passaram de 15% a 23% das emissões globais. E, da mesma forma que no cimento, os avanços técnicos para descarbonizar a oferta de ferro, aço, plástico e borracha foram imensos.

Se a este quadro se acrescentam os planos de ampliação da produção de petróleo e mesmo de carvão e as emissões derivadas da agropecuária no mundo todo, a conclusão é que tanto as estratégias empresariais quanto os planos governamentais de combate à crise climática estão muito aquém da urgência colocada pelo relatório do IPCC. É o que explica a afirmação de Cristiana Figueres, que dirigiu a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e foi uma das responsáveis pelo Acordo de Paris de 2015, numa entrevista após a divulgação do relatório do IPCC: “Nós não estamos à altura do desafio de nosso tempo… Estamos ainda promovendo melhorias marginais e os tempos apelam para mudança drástica”.

O relatório do IPCC terá alcançado o objetivo de desencadear esta mudança drástica sob duas condições. A primeira é que cada cidadão e cada consumidor encare a crise climática contemporânea com a seriedade e a urgência que enfrentou a pandemia. É fundamental que a economia propicie bem-estar, conforto e condições para que as pessoas e suas comunidades floresçam, mas se não formos capazes de fazer escolhas orientadas pelas mensagens que o IPCC nos está transmitindo o resultado é que simplesmente não haverá futuro.

Neste sentido, enfrentar a crise climática consiste, antes de tudo, em combater as desigualdades, ou seja, em utilizar os recursos de que dispomos sob a orientação gandhiana de que o mundo é capaz de satisfazer as necessidades humanas, mas não o luxo, o desperdício e a cobiça. Nosso bem-estar tem que depender, cada vez mais, de bens comuns, de solidariedade, de sentido comunitário, de empatia e de cooperação social.

Nesta dimensão coletiva do bem-estar se fundamenta o vínculo entre combate à crise climática e sentimento democrático. Sociedades que cultivam o individualismo e a ideia de que a ascensão social é um esforço que depende estritamente das pessoas e não de suas relações comunitárias dificilmente terão condições de enfrentar a crise climática.

A segunda condição para que possamos nos aproximar do que Cristiana Figueres chamou de “mudança drástica” é que tanto as políticas econômicas como as decisões empresariais passem a se nortear por uma pergunta central: como isso vai impactar a relação entre sociedade e natureza e, especialmente, as mudanças climáticas? A urgência atual não permite mais que este tema seja encarado como “externo” à vida econômica, como uma espécie de consequência não antecipada, não prevista de nossas atividades e que será corrigida em algum momento. A luta contra a crise climática tem que estar no cerne da gestão econômica pública e privada.

União Europeia, China, Estados Unidos, Japão, Índia e inúmeras organizações empresariais dão claros sinais de que estão ao menos iniciando medidas nesta direção. A distância entre esta agenda e a dos fanáticos fundamentalistas que estão no Palácio do Planalto e na Esplanada dos Ministérios não poderia ser maior. No centro da luta para superar as ameaças que pesam sobre a democracia brasileira agora e no ano que vem está a mudança radical que Cristiana Figueres preconiza e que exige uma vida econômica que regenere os tecidos sociais, e naturais que até aqui tem acompanhado sistematicamente nossa oferta de bens e serviços.

Wildfires, Heatwaves, And The IPCC Report: Yet Climate Policy Is Losing Steam (Forbes)

forbes.com

Nives Dolsak and Aseem Prakash – Aug 14, 2021,08:29pm EDT


The recent IPCC report is a grim reminder of the seriousness of the climate crisis. The wildfires in the Western United States and Canada, the zombie fires in Siberia, heatwaves in Southern Europe and the Pacific Northwest, and floods in Germany and China should motivate aggressive climate action.

Disasters are supposed to focus policy attention, which political scientist John Kingdon described as opening the “policy window.” As “focusing events,” drastic weather episodes could create opportunities to enact new climate policies. But, of course, a lot depends on the skill of policy entrepreneurs. As Rahm Immanuel had famously noted, politicians should not allow a serious crisis to go to waste.

And yet, climate policy seems to be losing steam. The U.S. Senate has substantially slashed Biden’s proposal for new climate spending. China continues to build coal-fired electricity plants. Brazil has announced a plan to support its coal industry.

And to top it all, Jake Sullivan, U.S. National Security Advisor, is imploring OPEC countries to pump more oil! The White House press release notes: “President Biden has made clear that he wants Americans to have access to affordable and reliable energy, including at the pump.” Yes, one can smell 2022 mid-term elections because Democrats do not want to be held responsible for high gas prices, a highly emotive pocketbook issue. However, these statements cause enormous policy confusion about Biden’s commitment to making tough choices on climate issues. If zero emissions are to be achieved by 2050, the White House should allow the prices to rise. Moreover, if Biden supports increasing oil supply abroad, why is he opposing it in the U.S., as Texas Governor Greg Abbott noted?

Models of Policy Change

There are different pathways to policy change. The “information deficit” model suggests that policy change is hampered when policy elites do not have sufficient information. Once these elites are “educated” and there is an “epistemic consensus,” policy change takes place. With easy accessibility to well-written and carefully crafted IPCC reports, it is difficult to accept that policy elites lack information about climate change. Perhaps, what is taking place is “motivated reasoning”: individuals seek information that coheres with their prior beliefs and leads them to their desired conclusions. This means that policy elites are not empty vessels waiting to be nourished by the nectar of new knowledge. Instead, they seek information that they want to hear. Information deficit explanations do not work well in highly polarized political contexts.

Political explanations begin with the premise that most policy institutions favor the status quo. This is partly due to the institutional design (such as the Senate Filibuster) that many democracies deliberately adopt to prevent concentration of power. But sometimes, dramatic events can shatter the status quo, as elites begin to rethink their priorities. If political entrepreneurs can stitch together a coalition, policy change can happen. And sometimes, even without policy windows opening up, these entrepreneurs can create policies that can appeal to multiple constituencies. After all, Baptists and Bootleggers came together to push for prohibition. Politics, rather than the lack of scientific information, is probably leading to policy sluggishness.  

Why is Climate Policy Stalling?

Additional issues are also contributing to climate policy lethargy. Humans have a limited attention span. Climate issues are getting neglected because the policy space is getting crowded by new and sensational non-climate issues. Taliban’s rapid advance in Afghanistan is stunning, and its aftermath is most disturbing. Western countries are in a panic mode to evacuate embassies with “Saigon type” exit from Kabul. The Afghanistan crisis is creating a new wave of refugees seeking safety in Europe, abetting a nationalist backlash. The debate on “who lost Afghanistan” will probably dominate the U.S. policy discourse with the usual blame game.  

Closer to home, the resurgence of COVID and the debate about masks and vaccines are igniting political passions. School and college reopening controversy will probably take a chunk of policy space and attention span.

Other dramatic issues will make demands on the attention span as well: crime waves in many cities (the top issue in the New York Mayoral race), the Cuomo scandal, and Newsom’s recall.

Is there Hope on the Climate Front?

The good news is that the renewable energy industry is growing despite COVID-induced recession. A key reason is that the prices of both solar and wind are now  competitive with coal. This means that electric utilities will deploy their political muscle to get favorable renewable policies at the state level. For example, the legislature in a Red state such as Indiana has prohibited county governments from using zoning ordinances against renewable energy.

The automobile industry seems to be pushing EVs as well. Although the Senate’s $1.2 trillion infrastructure plan has provided only $7.5 billion for E.V. charging stations (as opposed to $15 billion Biden had asked for), the automobile industry and electric utilities (with their massive new investments in renewables) are now getting locked into a new technological trajectory . This means that they have strong incentives to create a national charging station network.

Although the federal government may be underperforming on climate issues, the private sector has embraced them. Wall Street also seems to be keeping pace with Main Street and the Silicon Valley. Of course, one might view industry’s newfound love for Environmental-Social-Governance (ESG) issues as hype, simply replacing Corporate Social Responsibility (CSR). It remains to be seen if climate leaders such as BlackRock can bring about measurable change in corporate policies on climate issues.

In sum, the climate policy optimism of the first 100 days of the Biden administration seems to be wearing off. This is disturbing because Republicans are expected to retake the House (and possibly the Senate as well) in the 2022 midterm elections. Thus, the window of opportunity to enact aggressive federal climate policy is slowly closing. Climate policy requires vigorous political entrepreneurship to bring about policy change in the next 12 months.

Planeta queima, Folha assopra (Folha de S.Paulo)

Leitores pedem mais destaque para a crise do clima e demissão de colunista

José Henrique Mariante – Ombudsman

14.ago.2021 às 23h15

“A atividade humana está alterando o clima da Terra de maneira ‘sem precedentes’ em centenas de milhares de anos, com algumas mudanças já inevitáveis e ‘irreversíveis’, alertaram cientistas do clima.”

“Países atrasaram tanto a contenção de emissões de combustíveis fósseis que já não podem mais interromper a intensificação do aquecimento global pelos próximos 30 anos, ainda que exista uma janela para prevenir o futuro mais angustiante, concluiu um grande relatório científico da ONU.”

“Pela primeira vez, os cientistas do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU) quantificaram em um relatório o aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos ligados às mudanças climáticas.”

Se é pelo dedo que se conhece o gigante, os primeiros parágrafos do noticiário mais importante do ano sobre a crise do clima mostra como o assunto está longe de um senso comum. As três aberturas acima foram cometidas por, respectivamente, The Guardian, The New York Times e Folha. A diferença de tom não é pequena: o apocalipse está próximo para o diário britânico; políticos precisam acordar antes que seja tarde segundo o americano; a ciência mostra que algo ocorre, diz o brasileiro.

Ilustração Carvall publicada no dia 15 de agosto de 2021. Nela um globo terrestre amarelo e vermelho, esta dentro de uma frigideira que esta sobre o fogo.
Carvall

O destaque da notícia nos três jornais também apresentou muitas diferenças. Valendo-se do fuso horário, o Times deu a notícia como manchete na edição impressa de segunda-feira (9) e manteve o assunto na capa no dia seguinte. O tratamento no site foi semelhante. O Guardian apurou o conteúdo do relatório com políticos e ONGs e adiantou que o tom do alerta seria grave já no domingo. Deu duas manchetes seguidas no impresso e 12 títulos em seu site apenas na segunda, além de um vídeo.

A Folha foi bem mais econômica. Resolveu a questão em três textos. No site, na segunda de manhã, o assunto não aparecia nem no primeiro scroll, a parte de cima da Home Page, mais nobre e de maior audiência. Onde estava, a chamada tinha peso parecido com o dado para uma nota sobre venda de Porsches no Brasil. O título principal dizia apenas que a “crise climática já agrava secas, tempestades e temperaturas”.

Em crítica interna. este ombudsman observou que o tratamento não condizia com o tamanho da notícia e que a comparação com a mídia internacional e até com concorrentes locais não era favorável. O destaque aumentou um pouco nas horas seguintes e a palavra “irreversível” foi acrescida ao enunciado original.

Na terça, em seu impresso, a Folha preferiu dar manchete para o desfile militar no bananal de Jair Bolsonaro. Clima virou um título, na parte debaixo da Primeira Página, em uma coluna. O Bolsa Família reloaded do presidente candidato mereceu duas colunas. Há, é claro, problemas em demasia no país, mas a opção da Folha restou entre as exceções em um dia importante.

Dos concorrentes diretos O Globo e O Estado de S.Paulo aos grandes jornais de Estados Unidos, Reino Unido e Europa, incluindo os econômicos The Wall Street Journal e Financial Times, todas as manchetes foram ocupadas pelo documento do IPCC. Com ou sem alarmismo, mas refletindo corretamente a amplitude do problema, a dimensão da notícia.

Leitores reclamaram. Alguns em tom ativista, cobrando da Folha comprometimento com a causa ambiental. Outros com pura preocupação, aquela que se sente diante do noticiário já quase diário de incêndios florestais, ondas de calor, inundações e secas pelo planeta. O temor que várias cidades brasileiras já sentem diante do racionamento de água. E o que vamos sentir todos daqui a pouco diante da falta de energia se o governo federal mantiver a incompetência de hábito.

No meio de tudo isso, surgiu um prenúncio de mudança. O jornal, na terça, padronizou que os eventos extremos devem ser tratados preferencialmente como “crise do clima”. Na quarta, porém, mais uma revolta se instalou na caixa de entrada. Leandro Narloch, de volta à Folha, repetiu argumentos negacionistas para falar de “aquecimento global” em sua coluna de reestreia.

Leitores furiosos listaram as polêmicas que cercam o jornalista conservador. Chamaram-no de homofóbico e racista. Pediram sua demissão, anunciaram o cancelamento de assinaturas do jornal e do UOL.

O episódio reforça as contradições da Folha na cobertura do clima. Sua brava equipe de Ciência faz excelente trabalho, tem bons analistas e cobertura consistente da Amazônia, mas isso é pouco para enfrentar um desafio multidisciplinar.

Crise climática precisa virar real prioridade, pauta que se impõe ao público pelo simples fato de que ela irá se impor de qualquer maneira. Não é mais questão de acreditar ou não em cientistas ou de pirralhas anunciando o fim do mundo.

O país está na berlinda na questão ambiental. A Folha não precisa ficar junto.

‘How lucky do you feel?’: The awful risks buried in the IPCC report (Sydney Morning Herald)

smh.com.au

Peter Hannam

The latest landmark climate science report goes much further than previous ones in providing estimates of how bad things might get as the planet heats up, even if a lack of data may mean it underestimates the perils.

Scientists have used the seven years since the previous assessment report of the Intergovernmental Panel of Climate Change (IPCC) to narrow the uncertainties around major issues, such as how much the planet will warm if we double atmospheric levels of carbon dioxide and other greenhouse gases.

While temperatures have risen largely in lockstep with rising CO2, this IPCC report examines in much more detail the risks of so-called abrupt changes, when relatively stable systems abruptly and probably irreversibly shift to a new state.

Michael Mann, director of the Pennsylvania State University’s Earth System Science and one of the world’s most prominent climate researchers, says the models are not capturing all the risks as the climate heats up.

Running AMOC

Perhaps the most prominent of these threats is a possible stalling of the Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC). Also known as the Gulf Stream, it brings tropic water north from the Caribbean, keeping northern Europe much warmer than its latitude might otherwise suggest, and threatening massive disruptions if it slows or stops.

“Where the models have underestimated the impact is with projections of ice melt, the AMOC, and – I argue in my own work – the uptick on extreme weather events,” Professor Mann tells the Herald and The Age.

Stefan Rahmstorf, head of research at the Potsdam Institute for Climate Impact Research, agrees that climate models have not done a good job of reproducing the so-called cold blob in the subpolar Atlantic that is forming where melting Greenland ice is cooling the subpolar Atlantic.

Breaking up: The US Coast Guard Icebreaker Healy on a research cruise in the Chukchi Sea of the Arctic Ocean.
Breaking up: The US Coast Guard Icebreaker Healy on a research cruise in the Chukchi Sea of the Arctic Ocean. Credit:AP

If they are not picking that blob up, “should we trust those models on AMOC stability?” Professor Rahmstorf asks.

The IPCC’s language, too, doesn’t necessarily convey the nature of the threat, much of which will be detailed in the second AR6 report on the impacts of climate change, scheduled for release next February.

“Like just stating the AMOC collapse by 2100 is ‘very unlikely’ – that was in a previous report – it sounds reassuring,” Professor Rahmstorf said. “Now the IPCC says they have ‘medium confidence’ that it won’t happen by 2100, whatever that means.”

West Antarctica has enough ice to raise global sea levels by more than 3 metres if it melts.
West Antarctica has enough ice to raise global sea levels by more than 3 metres if it melts.Credit:Ian Joughin

West Antarctic melt

Another potential tipping point is the possible disintegration of the West Antarctic ice sheet. Much of the sheet lies below sea level and as the Southern Ocean warms, it will melt causing it to “flow” towards the sea in a process that is expected to be self-sustaining.

This so-called marine ice sheet instability is identified in the IPCC report as likely resulting in ice mass loss under all emissions scenarios. There is also “deep uncertainty in projections for above 3 degrees of warming”, the report states.

Containing enough water to lift sea levels by 3.3 metres, it matters what happens to the ice sheet. As Andrew Mackintosh, an ice expert at Monash University, says, the understanding is limited: “We know more about the surface of Mars than the ice sheet bed under the ice.”

Permafrost not so permanent

Much has been made about the so-called “methane bomb” sitting under the permafrost in the northern hemisphere. As the Arctic has warmed at more than twice the pace of the globe overall, with heatwaves of increasing intensity and duration, it is not surprising that the IPCC has listed the release of so-called biogenic emissions from permafrost thaw as among potential tipping points.

These emissions could total up to 240 gigatonnes of CO2-equivalent which, if released, would add an unwanted warming boost.

The IPCC lists as “high” the probability of such releases during this century, adding there is “high confidence” that the process is irreversible at century scales.

“In some cases abrupt changes can occur in Earth System Models but don’t on the timescales of the projections (for example, an AMOC collapse),” said Peter Cox, a Professor of Climate System Dynamics at the UK’s University of Exeter. “In other cases the processes involved are not yet routinely included in ESMs [such as] CO2 and methane release from deep permafrost.”

“In the latter cases IPCC statements are made on the basis of the few studies available, and are necessarily less definitive,” he said.

Other risks

From the Amazon rainforest to the boreal forests of Russia and Canada, there is a risk of fire and pests that could trigger dieback and transform those regions.

Australia’s bush faces an increased risk of bad fire weather days right across the continent, the IPCC notes. How droughts, heatwaves and heavy rain and other extreme events will play out at a local level is also not well understood.

Ocean acidification and marine heatwaves also mean the world’s coral reefs will be much diminished at more than 1.5 degrees of warming. “You can kiss it goodbye as we know it,” says Sarah Perkins-Kirkpatrick, a climate researcher at the University of NSW, said.

Global monsoons, which affect billions of people including those on the Indian subcontinent, are likely to increase their rainfall in most parts of the world, the IPCC said.

Andy Pitman, director of the ARC Centre of Excellence for Climate Extremes, said policymakers need to understand that much is riding on these tipping points not being triggered as even one or two of them would have long-lasting and significant effects. “How lucky do you feel?” Professor Pitman says.

The Biggest uncertainty

Christian Jakob, a Monash University climate researcher, said that while there remain important uncertainties, science is honing most of those risks down.

Much harder to gauge, though, is which emissions path humans are going to take. Picking between the five scenarios ranging from low to high that we are going to choose is “much larger than the uncertainty we have in the science,” Professor Jakob said.

Crise do clima afeta saúde individual com mais dias de calorão e tempo seco; entenda (Folha de S.Paulo)

Aumento das inundações também está entre mudanças previstas por painel da ONU

Phillippe Watanabe – São Paulo

14.ago.2021 às 12h00

OK, você já entendeu que a crise do clima é para valer e causada pela atividade humana, como mostrou o relatório recente do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança do Clima). Agora, como isso pode afetar seu dia a dia?

O impacto do aumento da temperatura média na Terra é planetário, com elevação do nível do mar e alteração de ecossistemas inteiros, entre outras mudanças.

Alterações regionais do clima, com maior frequência de eventos extremos, já são percebidas e se intensificarão nos próximos anos, com consequências diretas na saúde de todos.

No Brasil, alguns estados conviverão com mais dias de calorão, que podem ser prejudiciais à saúde a ponto de provocar a morte de idosos.

Em outros, chuvas intensas se tornarão mais recorrentes, ocasionando inundações que aumentam o risco de doenças, quando não destroem bairros e cidades.

Por fim, as secas também devem ficar mais intensas, o que pode agravar problemas respiratórios.

Além disso, tanto as chuvas intensas quanto as secas prejudicam lavouras, aumentando o preço dos alimentos.

Um exemplo prático de aumento de temperatura está no Sudeste e no Sul do Brasil. Segundo o cenário mais otimista do IPCC, até 2040 os dias com termômetros acima de 35°C passarão de 26 por ano (média de 1995 a 2014) para 32. Num cenário intermediário, até o final do século esse número pode chegar a 43, um aumento de mais de 65% em relação à situação recente.

No Centro-Oeste, o aumento do calorão é ainda mais severo. No cenário intermediário, do IPCC, a média de 53 dias por ano com termômetros acima de 35°C salta para cerca de 72 até 2040 e para 108 até o fim do século, ou pouco mais de um trimestre de temperatura extrema.

​As consequências para a saúde são graves. Ondas de calor extremo podem causar hipertermia, que afeta os órgãos internos e provoca lesões no coração, nas células musculares e nos vasos sanguíneos. São danos que podem levar à morte.

Homem empurra carrinho com frutas em rua inundada em Manaus, que enfrentou, nos últimos meses, a maior cheia já registrada do rio Negro
Homem empurra carrinho com frutas em rua inundada em Manaus, que enfrentou, nos últimos meses, a maior cheia já registrada do rio Negro – Michael Dantas/AFP

Em junho, uma onda de calor nos estados de Oregon e Washington, nos Estados Unidos, custou a vida de centenas de pessoas. Segundo reportagem do jornal The New York Times, foram registrados cerca de 600 óbitos em excesso no período.

Além do calor, a crise do clima deve tornar mais frequentes os períodos de seca e os dias sem chuva em muitas regiões. É o caso da Amazônia.

Dados do IPCC apontam que, na região Norte, no período 1995-2014 eram em média 43 dias consecutivos sem chuva por ano, que podem aumentar para 51, com períodos 10% mais secos até 2040.

Situação similar deve ocorrer no Centro-Oeste, que tinha 69 dias consecutivos sem chuva por ano, que podem ir a 76, com períodos 13% mais secos.

Períodos mais secos nessas regiões preocupam por causa das queimadas. Na Amazônia, por exemplo, a época sem chuvas é associada à intensificação de processos de desmatamento e de incêndios.

As queimadas na região amazônica têm relação com piora da qualidade do ar e consequentes problemas respiratórios. A Fiocruz e a ONG WWF-Brasil estimam que estados amazônicos com índices elevados de queimadas tenham gastado, em dez anos, quase R$ 1 bilhão com hospitalizações por doenças respiratórias provavelmente relacionadas à fumaça dos incêndios.

No ano passado, o Pantanal passou por sua pior seca dos últimos 60 anos, estiagem que ainda pode continuar por até cinco anos, segundo afirmou à época a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. A situação fez explodir o número de queimadas na região.

O IPCC também aponta aumento da frequência e da intensidade de chuvas extremas e enchentes em diversas regiões do Brasil.

Além dos danos óbvios na infraestrutura das cidades, as inundações provocam problemas de saúde. Hepatite A (transmitida de modo oral-fecal, ou seja, por alimentos e água contaminada) e leptospirose (com transmissão a partir do contato com urina de ratos) são suspeitos conhecidos, mas há também o risco de acidentes com animais peçonhentos, já que cobras e escorpiões podem procurar abrigos dentro das casas.

Manaus tornou-se exemplo recente desse tipo de situação. A cidade enfrentou uma cheia histórica, a maior desde o início das medições, há 119 anos. As águas do rio Negro provocaram inundações com duração superior a um mês na principal capital da região amazônica. Seis das dez maiores cheias já registradas no rio ocorreram no século 21, ou seja, nas últimas duas décadas.

Ruas da região do porto de Manaus tiveram que ser interditadas e foi necessária a construção de passarelas sobre as vias alagadas. Enquanto isso, comerciantes fizeram barreiras com sacos de areia e jogaram cal na água parada para tentar neutralizar o cheiro de fezes.

Em meio à inundação em igarapés, houve acúmulo de lixo, que chegou a cobrir toda a área superficial da água. Dentro das casas, moradores usaram plataformas de madeira (chamadas de marombas) para suspender móveis e eletrodomésticos.

As enchentes não são exclusividade amazônica. Elas também ocorrem na região Sudeste, em São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo.

Pouco tempo depois da cheia em Manaus, a Europa também viu chuvas intensas concentradas em um curto espaço de tempo causarem inundações severas, principalmente na Alemanha. Além da destruição de vias públicas e imóveis, houve mais de uma centena de mortes.

Também no mesmo período, a China teve que lidar com grandes precipitações e perda de vidas humanas pelas inundações, que chegaram a encher de água o metrô, deixando pessoas presas. Foram as piores chuvas em 60 anos em Zhengzhou, capital da província de Henan.

Em termos globais, um estudo recente apontou o aumento da população exposta a inundações. De 2000 a 2015, de 255 milhoes a 290 milhões de pessoas foram diretamente afetadas por enchentes.

Atlas

Umas das novidades do novo relatório do IPCC é o espaço dedicado às emergências climáticas regionais e, relacionado a isso, o Atlas interativo, uma ferramenta que permite o acesso às informações do clima de diferentes regiões do mundo .

Segundo Lincoln Alves, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e autor-líder do Atlas do IPCC, a ferramenta pretende facilitar o acesso a informações normalmente complexas. “É visível a mudança do clima”, afirma o pesquisador.

A partir do Atlas, diz Alves, é possível que comunidades, empresas e até esferas do governo consigam olhar de forma mais regional para os efeitos da crise do clima.

A ferramenta permite ver a história climática da Terra e observar as projeções para diferentes variáveis em diferentes cenários de emissões —e de aquecimento, como 1,5°C e 2°C— apontados pelo IPCC.


PRINCIPAIS CONCLUSÕES DO RELATÓRIO DO IPCC

  • Aumento de temperatura provocada pelo ser humano desde 1850-1900 até 2010-2019: de 0,8°C a 1,21°C
  • Os anos de 2016 a 2020 foram o período de cinco anos mais quentes de 1850 a 2020
  • De 2021 a 2040, um aumento de temperatura de 1,5°C é, no mínimo, provável de acontecer em qualquer cenário de emissões
  • A estabilização da temperatura na Terra pode levar de 20 a 30 anos se houver redução forte e sustentada de emissões
  • O oceano está esquentando mais rápido —inclusive em profundidades maiores do que 2.000 m— do que em qualquer período anterior, desde pelo menos a última transição glacial. É extremamente provável que as atividades humanas sejam o principal fator para isso
  • O oceano continuará a aquecer por todo o século 21 e provavelmente até 2300, mesmo em cenários de baixas emissões
  • O aquecimento de áreas profundas do oceano e o derretimento de massas de gelo tende a elevar o nível do mar, o que tende a se manter por milhares de anos
  • Nos próximos 2.000 anos, o nível médio global do mar deve aumentar 2 a 3 metros, se o aumento da temperatura ficar contido em 1,5°C. Se o aquecimento global ficar contido a 2°C, o nível deve aumentar de 2 a 6 metros. No caso de 5°C de aumento de temperatura, o mar subirá de 19 a 22 metros

The new IPCC Report includes – get this, good news (Yale Climate Connections)

Yale Climate Connections

By Dana Nuccitelli August 12, 2021

As the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) released its Sixth Assessment Report, summarized nicely on these pages by Bob Henson, much of the associated media coverage carried a tone of inevitable doom.

These proclamations of unavoidable adverse outcomes center around the fact that in every scenario considered by IPCC, within the next decade average global temperatures will likely breach the aspirational goal set in the Paris climate agreement of limiting global warming to 1.5 degrees Celsius (2.7 degrees Fahrenheit) above pre-industrial temperatures. The report also details a litany of extreme weather events like heatwaves, droughts, wildfires, floods, and hurricanes that will all worsen as long as global temperatures continue to rise.

While United Nations Secretary-General António Guterres rightly called the report a “code red for humanity,” tucked into it are details illustrating that if  BIG IF top-emitting countries respond to the IPCC’s alarm bells with aggressive efforts to curb carbon pollution, the worst climate outcomes remain avoidable.

The IPCC’s future climate scenarios

In the Marvel film Avengers: Infinity War, the Dr. Strange character goes forward in time to view 14,000,605 alternate futures to see all the possible outcomes of the Avengers’ coming conflict. Lacking the fictional Time Stone used in this gambit, climate scientists instead ran hundreds of simulations of several different future carbon emissions scenarios using a variety of climate models. Like Dr. Strange, climate scientists’ goal is to determine the range of possible outcomes given different actions taken by the protagonists: in this case, various measures to decarbonize the global economy.

The scenarios considered by IPCC are called Shared Socioeconomic Pathways (SSPs). The best-case climate scenario, called SSP1, involves a global shift toward sustainable management of global resources and reduced inequity. The next scenario, SSP2, is more of a business-as-usual path with slow and uneven progress toward sustainable development goals and persisting income inequality and environmental degradation. SSP3 envisions insurgent nationalism around the world with countries focusing on their short-term domestic best interests, resulting in persistent and worsening inequality and environmental degradation. Two more scenarios, SSP4 and SSP5, consider even greater inequalities and fossil fuel extraction, but seem at odds with an international community that has agreed overwhelmingly to aim for the Paris climate targets.

The latest IPCC report’s model runs simulated two SSP1 scenarios that would achieve the Paris targets of limiting global warming to 1.5 and 2°C (2.7 and 3.6°F); one SSP2 scenario in which temperatures approach 3°C (5.4°F) in the year 2100; an SSP3 scenario with about 4°C (7.2°F) global warming by the end of the century; and one SSP5 ‘burn all the fossil fuels possible’ scenario resulting in close to 5°C (9°F), again by 2100.

Projected global average surface temperature change in each of the five SSP scenarios. (Source: IPCC Sixth Assessment Report)

The report’s SSP3-7.0 pathway (the latter number represents the eventual global energy imbalance caused by the increased greenhouse effect, in watts per square meter), is considered by many experts to be a realistic worst-case scenario, with global carbon emissions continuing to rise every year throughout the 21st century. Such an outcome would represent a complete failure of international climate negotiations and policies and would likely result in catastrophic consequences, including widespread species extinctions, food and water shortages, and disastrous extreme weather events.

Scenario SSP2-4.5 is more consistent with government climate policies that are currently in place. It envisions global carbon emissions increasing another 10% over the next decade before reaching a plateau that’s maintained until carbon pollution slowly begins to decline starting in the 2050s. Global carbon emissions approach but do not reach zero by the end of the century. Even in this unambitious scenario, the very worst climate change impacts might be averted, although the resulting climate impacts would be severe.

Most encouragingly, the report’s two SSP1 scenarios illustrate that the Paris targets remain within reach. To stay below the main Paris target of 2°C (3.6°F) warming, global carbon emissions in SSP1-2.6 plateau essentially immediately and begin to decline after 2025 at a modest rate of about 2% per year for the first decade, then accelerating to around 3% per year the next decade, and continuing along a path of consistent year-to-year carbon pollution cuts before reaching zero around 2075. The IPCC concluded that once global carbon emissions reach zero, temperatures will stop rising. Toward the end of the century, emissions in SSP1-2.6 move into negative territory as the IPCC envisions that efforts to remove carbon from the atmosphere via natural and technological methods (like sequestering carbon in agricultural soils and scrubbing it from the atmosphere through direct air capture) outpace overall fossil fuel emissions.

Meeting the aspirational Paris goal of limiting global warming to 1.5°C (2.7°F) in SSP1-1.9 would be extremely challenging, given that global temperatures are expected to breach this level within about a decade. This scenario similarly envisions that global carbon emissions peak immediately and that they decline much faster than in SSP1-2.6, at a rate of about 6% per year from 2025 to 2035 and 9% per year over the following decade, reaching net zero by around the year 2055 and becoming net negative afterwards.

Global carbon dioxide emissions (in billions of tons per year) from 2015 to 2100 in each of the five SSP scenarios. (Source: IPCC Sixth Assessment Report)

For perspective, global carbon emissions fell by about 6-7% in 2020 as a result of restrictions associated with the COVID-19 pandemic and are expected to rebound by a similar amount in 2021. As IPCC report contributor Zeke Hausfather noted, this scenario also relies on large-scale carbon sequestration technologies that currently do not exist, without which global emissions would have to reach zero a decade sooner.

More warming means more risk

The new IPCC report details that, depending on the region, climate change has already worsened extreme heat, drought, fires, floods, and hurricanes, and those will only become more damaging and destructive as temperatures continue to rise. The IPCC’s 2018 “1.5°C Report” had entailed the differences in climate consequences in a 2°C vs. 1.5°C world, as summarized at this site by Bruce Lieberman.

Consider that in the current climate of just over 1°C (2°F) warmer than pre-industrial temperatures, 40 countries this summer alone have experienced extreme flooding, including more than a year’s worth of rain falling within 24 hours in Zhengzhou, China. Many regions have also experienced extreme heat, including the deadly Pacific Northwest heatwave and dangerously hot conditions during the Olympics in Tokyo. Siberia, Greece, Italy, and the US west coast are experiencing explosive wildfires, including the “truly frightening fire behavior” of the Dixie fire, which broke the record as the largest single wildfire on record in California. The IPCC report warned of “compound events” like heat exacerbating drought, which in turn fuels more dangerous wildfires, as is happening in California.

Western North America (WNA) and the Mediterranean (MED) regions are those for which climate scientists have the greatest confidence that human-caused global warming is exacerbating drought by drying out the soil. (Source: IPCC Sixth Assessment Report)
The southwestern United States and Mediterranean are also among the regions for which climate scientists have the greatest confidence that climate change will continue to increase drought risk and severity. (Source: IPCC Sixth Assessment Report)

The IPCC report notes that the low-emissions SSP1 scenarios “would lead to substantially smaller changes” in these sorts of climate impact drivers than the higher-emissions scenarios. It also points out that with the world currently at around 1°C of warming, the intensity of extreme weather will be twice as bad compared to today’s conditions if temperatures reach 2°C (1°C hotter than today) than if the warming is limited to 1.5°C (0.5°C hotter than today), and quadruple as bad if global warming reaches 3°C (2°C hotter than today). For example, what was an extreme once-in-50-years heat wave in the late-1800s now occurs once per decade, which would rise to almost twice per decade at 1.5°C,  and nearly three times per decade at 2°C global warming.

The increasing frequency and intensity of what used to be 1-in-50-year extreme heat as global temperatures rise. (Source: IPCC Sixth Assessment Report)

Climate’s fate has yet to be written

At the same time, there is no tipping point temperature at which it becomes “too late” to curb climate change and its damaging consequences. Every additional bit of global warming above current temperatures will result in increased risks of worsening extreme weather of the sorts currently being experienced around the world. Achieving the aspirational 1.5°C Paris target may be politically infeasible, but most countries (137 total) have either committed to or are in the process of setting a target for net zero emissions by 2050 (including the United States) or 2060 (including China).

That makes the SSP1 scenarios and limiting global warming to less than 2°C a distinct possibility, depending on how successful countries are at following through with decarbonization plans over the coming three decades. And with its proposed infrastructure bipartisan and budget reconciliation legislative plans – for which final enactment of each remains another big IF – the United States could soon implement some of the bold investments and policies necessary to set the world’s second-largest carbon polluter on a track consistent with the Paris targets.

As Texas Tech climate scientist Katharine Hayhoe put it,

Again and again, assessment after assessment, the IPCC has already made it clear. Climate change puts at risk every aspect of human life as we know it … We are already starting to experience those risks today; but we know what we need to do to avoid the worst future impacts. The difference between a fossil fuel versus a clean energy future is nothing less than the future of civilization as we know it.

Back to the Avengers: They had only one chance in 14 million to save the day, and they succeeded. Time is running short, but policymakers’ odds of meeting the Paris targets remain much better than that. There are no physical constraints playing the role of Thanos in our story; only political barriers stand between humanity and a prosperous clean energy future, although those can sometimes be the most difficult types of barriers to overcome.

Also see:    Key takeaways from the new IPCC report