Racionamento de água ‘não é culpa de São Pedro’, diz ONU (OESP)

09/09/2014, 12h41

4.set.2014 – Represa Jaguari-Jacareí, na cidade de Joanópolis, no interior de São Paulo, teve o índice que mede o volume de água armazenado no Sistema Cantareira alcançando a marca de apenas 10,6% da capacidade total. Luis Moura/ Estadão Conteúdo

O racionamento de água em São Paulo não é culpa de São Pedro, mas, sim, das autoridades, da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e da falta de investimentos. Quem faz o alerta é a relatora da Organização das Nações Unidas (ONU) para o direito à água, a portuguesa Catarina Albuquerque, que apresentou nesta terça-feira, 9, diante da entidade, um informe em que acusa o governo brasileiro de não estar cumprindo seu dever de garantir o acesso à água à totalidade da população.

Crise no abastecimento

“O culpado parece ser sempre São Pedro”, ironizou em declarações ao jornal O Estado de S. Paulo. “Concordo que a seca pode ser importante. Mas o racionamento de água precisa ser previsto e os investimentos necessários precisam ser feitos”, disse. “A responsabilidade é do Estado, que precisa garantir investimentos em momentos de abundância”, insistiu.

Segundo ela, o racionamento de fato pode ser necessário em algumas situações. “Mas apenas como última opção e depois que as demais opções tenham sido esgotadas”, alertou.

Reservatórios de água na Grande SP

 
Arte/UOL

Confira entre quais reservatórios se divide o abastecimento de água na Grande São Paulo

Raio-x dos sistemas

Para a relatora da ONU, não faz sentido a Sabesp ter suas ações comercializadas na Bolsa de Nova York e na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), enquanto a cidade convive com problemas. “Antes de repartir lucros, a empresa precisa investir para garantir que todos tenham acesso à água”, declarou.

“O número de pessoas vivendo sem acesso à água e saneamento às sombras de uma sociedade que se desenvolve rapidamente ainda é enorme”, declarou a relatora em seu discurso na ONU, nesta tarde em Genebra.

Segundo seu informe, um abastecimento de água regular e de qualidade ainda é uma realidade distante para 77 milhões de brasileiros, uma população equivalente a todos os habitantes da Alemanha.

21.ago.2014 – Escavadeira tenta retirar lixo do rio Tietê. Menos de um mês depois de finalizar uma operação que retirou mais de 18 toneladas de lixo de áreas do leito seco do rio Tietê, o município de Salto (a 101 km da capital paulista) começa a ver as áreas serem novamente tomadas por entulho. A maioria do material é de pedaços de madeira. Segundo o secretário de Meio Ambiente do município, João De Conti Neto, a sujeira está voltando pela correnteza. João De Conti Neto/Acervo Pessoal

A ONU ainda aponta que 60% da população – 114 milhões de pessoas – “não tem uma solução sanitária apropriada”. Os dados ainda revelam que 8 milhões de brasileiros ainda precisam fazer suas necessidades ao ar livre todos os dias.

O Estadão revelou em junho de 2013 que a representante das Nações Unidas teve sua primeira inspeção para realizar o levantamento vetada pelo governo. A visita estava programada para ocorrer em julho do ano passado. “O governo apenas explicou que, por motivos imprevistos, a missão não poderia mais ocorrer”, declarou à época Catarina de Albuquerque.

Internamente, a ONU considerou que o veto tinha uma relação direta com os protestos que, em 2013, marcaram as cidades brasileiras. A viagem só aconteceria em dezembro de 2013, o que impediria que o informe produzido fosse apresentado aos demais governos da ONU e à sociedade civil antes da Copa do Mundo.

Agora, o raio X reflete uma crise que vive o País no que se refere ao acesso a água e saneamento. “Milhões de pessoas continuam vivendo em ambientes insalubres, sem acesso à água e ao saneamento”, indicou o informe, apontando que o maior problema estaria nas favelas e nas zonas rurais.

Resposta

O governo brasileiro indicou que o acesso à água e ao saneamento é “uma prioridade”, que a população mais pobre recebe uma atenção especial e que o governo tem “aumentado de forma significativa os investimentos em saneamento ao transferir recursos para Estados e municípios”.

“Houve um aumento nos orçamentos de fundos especiais para promover investimentos em infraestrutura de água e saneamento”, indicou a embaixadora do Brasil na ONU, Regina Dunlop.

“Temos um compromisso com a eliminação de desigualdades, dando prioridades para os mais vulneráveis”, insistiu a diplomata, indicando que as populações das favelas não são esquecidas.

Entre as medidas, a diplomata aponta investimentos de R$ 21,5 bilhões pelo governo em moradia, acesso à água, serviços de esgoto e revitalização urbana.

O governo também sugere que a relatora fizesse uma viagem mais ampla ao Brasil e alerta para a dimensão do território nacional.

 
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Um comentário em “Racionamento de água ‘não é culpa de São Pedro’, diz ONU (OESP)

  1. Mas que história é essa da ONU vir se meter com a política brasileira? A ONU é uma organização esquerdista e só tem influencia em países miseráveis. Estão pensando que somos o Sudão ou a Nigéria. Não admitimos que uma organização incompetente e ideologicamente comprometida como a ONU venha nos dar conselhos e viole a soberania brasileira. A ONU que vá resolver a fome e os genocídios da Africa e mandar verbas para o Haiti onde deixou o Exército brasileiro de propósito em situação crítica por anos porque não liberaram as verbas de socorro para a população.

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