Arquivo mensal: abril 2014

Brasil tem metade das mortes de ativistas ambientais no mundo (O Globo)

JC e-mail 4936, de 17 de abril de 2014

Segundo levantamento divulgado pela organização Global Witness, de 908 assassinatos, 448 ocorreram no Brasil. Apenas 1% dos casos resultou em condenação; relatório denuncia a ‘cultura endêmica da impunidade’

O extrativista José Cláudio Ribeiro, a religiosa americana Dorothy Stang e o biólogo espanhol Gonzalo Alonso Hernández têm algo em comum. Os três ativistas foram assassinados no Brasil, palco de suas campanhas a favor da conservação do meio ambiente. Eles figuram numa relação divulgada ontem pela ONG Global Witness, que lista 908 ambientalistas executados, entre 2002 e 2013, em 35 países. Quase metade dos casos, 448 mortes, ocorreu em território brasileiro.

No relatório “Deadly Environment” (ou “Ambiente mortal”), a ONG acusa o país de não monitorar redes criminosas atuantes na Amazônia e em outros ecossistemas, subestimar os conflitos de terra e negligenciar assistência a famílias ameaçadas por proprietários de terra e madeireiros. O Brasil é o Estado mais perigoso para a defesa do direito à terra e ao meio ambiente, seguido por Honduras, com 109 assassinatos, e Filipinas (67).

O ano mais crítico foi 2012, quando ocorreram 147 mortes de ativistas em todo o mundo, três vezes mais do que dez anos antes. No dia 22 de junho, o mesmo em que a conferência climática da ONU Rio+20 foi encerrada, dois defensores dos direitos dos pescadores artesanais no Rio foram sequestrados. Almir Nogueira de Amorim e João Luiz Telles denunciavam grandes pescadores que usavam “currais” para lotear a Baía de Guanabara. Seus corpos foram encontrados nos dias seguintes, boiando na baía, em Niterói.

Condenação em apenas 1% dos casos
Em todo o mundo, apenas 10% dos casos chegam aos tribunais, sendo que somente 1% resulta em condenação. Para a Global Witness, o percentual é um símbolo da “cultura endêmica de impunidade” conduzida pelos governos. A falta de condenações contribui para o silêncio dos ativistas e da população prejudicada por atividades econômicas ilegais.

– Esses crimes não recebem a atenção necessária das autoridades. Se houvesse um monitoramento constante nos biomas mais ameaçados, seria possível levar muitos outros criminosos à Justiça – denuncia Oliver Courtney, coautor do relatório.

Courtney considera a situação brasileira “particularmente grave” devido ao crescimento dos episódios de violência na Amazônia. O documento lembra que, em 2013, o desmatamento na maior floresta tropical do planeta aumentou 23%. A maior incidência de desflorestamento (61%) ocorreu no Pará e no Mato Grosso do Sul, dois dos estados onde há mais atentados contra ativistas.

No interior do Mato Grosso do Sul, produtores de carne bovina, soja e cana de açúcar têm entrado em conflito com índios das comunidades guarani e kuranji. Segundo a Global Witness, metade dos assassinatos de ativistas ambientais em 2012 ocorreu na região. E, no país todo, foram mortos 250 defensores de origem indígena entre 2003 e 2010.

– O conflito por terra na Amazônia cresceu dramaticamente no ano passado – destaca. – O Brasil tem uma grande mobilização da sociedade civil, mas a população indígena continua exposta a atividades econômicas insustentáveis.

No Pará, o jornalista Pedro César Batista acumula uma lista de 18 amigos assassinados. Entre eles está seu irmão, o deputado João Batista, morto em 6 de dezembro de 1988 em frente ao prédio em que morava, em Belém. Três anos antes, seu pai, Nestor Batista, havia sobrevivido a um tiro de espingarda na cabeça. Por pressão da família, Pedro deixou o estado.

– O João era visto como um advogado dos sem-terra. Não acreditávamos que ele seria assassinado – recorda Pedro. – Mas descobrimos que havia uma lista com mais de 180 pessoas marcadas para morrer.

“Limpeza entre os bandidos”
Dois pistoleiros foram responsáveis pelo atentado contra João Batista. Libertado após cumprir apenas um sexto de sua pena, de 28 anos, Péricles Moreira foi executado com 14 tiros em uma emboscada. Roberto Cirino, o outro assassino, foi degolado antes de seu julgamento. Segundo Pedro, a “limpeza entre os bandidos” é uma forma comum de assegurar a impunidade dos mandantes dos crimes, como latifundiários, policiais e autoridades públicas.

Batista acredita que o número de assassinatos divulgado pela Global Witness está “totalmente subestimado”. De acordo com ele, as lideranças camponesas são mortas devido à sua resistência ao avanço da agropecuária:

– Para o plantio de uma cultura, desmata-se um quilombo inteiro.

Os madeireiros são os responsáveis pela derrubada da mata na Amazônia. Depois deles vêm a pecuária e a indústria da soja. O avanço dessas atividades econômicas sobre áreas protegidas esbarra no direito de populações indígenas e nos trabalhos defendidos por ativistas ambientais.

– A floresta é repleta de áreas de fronteira agrícola, e o governo não consegue acompanhar o ataque a essas regiões – lamenta André Guimarães, vice-presidente da Conservação Internacional. – Mas, embora a maioria das invasões ocorra na Amazônia, também precisamos prestar atenção no Cerrado. Metade desse bioma ainda está intacto, e ele pode atrair atividades econômicas no futuro.

A Global Witness reconhece que seu levantamento é parcial, dada a dificuldade para analisar os conflitos de terra em diversas regiões do mundo, especialmente em países africanos.

“Esses dados são muito provavelmente apenas a ponta do iceberg (…). O aumento de mortes é a face mais premente e mensurável de um conjunto de ameaças, entre as quais a intimidação, violência, estigmatização e criminalização.”

(Renato Grandelle /O Globo)
http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/brasil-tem-metade-das-mortes-de-ativistas-ambientais-no-mundo-12219245#ixzz2z9ATB8dX

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Krugman: Salvation Gets Cheap (New York Times)

APRIL 17, 2014

Paul Krugman

The Intergovernmental Panel on Climate Change, which pools the efforts of scientists around the globe, has begun releasing draft chapters from its latest assessment, and, for the most part, the reading is as grim as you might expect. We are still on the road to catastrophe without major policy changes.

But there is one piece of the assessment that is surprisingly, if conditionally, upbeat: Its take on the economics of mitigation. Even as the report calls for drastic action to limit emissions of greenhouse gases, it asserts that the economic impact of such drastic action would be surprisingly small. In fact, even under the most ambitious goals the assessment considers, the estimated reduction in economic growth would basically amount to a rounding error, around 0.06 percent per year.

What’s behind this economic optimism? To a large extent, it reflects a technological revolution many people don’t know about, the incredible recent decline in the cost of renewable energy, solar power in particular.

Before I get to that revolution, however, let’s talk for a minute about the overall relationship between economic growth and the environment.

Other things equal, more G.D.P. tends to mean more pollution. What transformed China into the world’s largest emitter of greenhouse gases? Explosive economic growth. But other things don’t have to be equal. There’s no necessary one-to-one relationship between growth and pollution.

People on both the left and the right often fail to understand this point. (I hate it when pundits try to make every issue into a case of “both sides are wrong,” but, in this case, it happens to be true.) On the left, you sometimes find environmentalists asserting that to save the planet we must give up on the idea of an ever-growing economy; on the right, you often find assertions that any attempt to limit pollution will have devastating impacts on growth. But there’s no reason we can’t become richer while reducing our impact on the environment.

Let me add that free-market advocates seem to experience a peculiar loss of faith whenever the subject of the environment comes up. They normally trumpet their belief that the magic of the market can surmount all obstacles — that the private sector’s flexibility and talent for innovation can easily cope with limiting factors like scarcity of land or minerals. But suggest the possibility of market-friendly environmental measures, like a carbon tax or a cap-and-trade system for carbon emissions, and they suddenly assert that the private sector would be unable to cope, that the costs would be immense. Funny how that works.

The sensible position on the economics of climate change has always been that it’s like the economics of everything else — that if we give corporations and individuals an incentive to reduce greenhouse gas emissions, they will respond. What form would that response take? Until a few years ago, the best guess was that it would proceed on many fronts, involving everything from better insulation and more fuel-efficient cars to increased use of nuclear power.

One front many people didn’t take too seriously, however, was renewable energy. Sure, cap-and-trade might make more room for wind and the sun, but how important could such sources really end up being? And I have to admit that I shared that skepticism. If truth be told, I thought of the idea that wind and sun could be major players as hippie-dippy wishful thinking.

The climate change panel, in its usual deadpan prose, notes that “many RE [renewable energy] technologies have demonstrated substantial performance improvements and cost reductions” since it released its last assessment, back in 2007. The Department of Energy is willing to display a bit more open enthusiasm; it titled a report on clean energy released last year “Revolution Now.” That sounds like hyperbole, but you realize that it isn’t when you learn that the price of solar panels has fallen more than 75 percent just since 2008.

Thanks to this technological leap forward, the climate panel can talk about “decarbonizing” electricity generation as a realistic goal — and since coal-fired power plants are a very large part of the climate problem, that’s a big part of the solution right there.

It’s even possible that decarbonizing will take place without special encouragement, but we can’t and shouldn’t count on that. The point, instead, is that drastic cuts in greenhouse gas emissions are now within fairly easy reach.

So is the climate threat solved? Well, it should be. The science is solid; the technology is there; the economics look far more favorable than anyone expected. All that stands in the way of saving the planet is a combination of ignorance, prejudice and vested interests. What could go wrong? Oh, wait.

Ficção climática, um gênero literário que vai além da ficção científica (IPS) 

16/4/2014 – 11h40

por Dan Bloom*

mudancasclimaticas1 300x230 Ficção climática, um gênero literário que vai além da ficção científica

Taipé, Taiwan, abril/2014 – Quando lemos romances ou ficções curtas em qualquer idioma o fazemos para entender a história, para aprender algo novo ou, com sorte, para conseguir algum tipo de elevação emocional graças às palavras impressas nas páginas e às habilidades do narrador.

Então, como contar a “história” da mudança climática e do aquecimento global?

Um novo gênero literário chamado “ficção climática”, abreviado em inglês como cli-fi, vem evoluindo nos últimos anos e, embora ainda empreste seu nome da ficção científica, se centra em relatos sobre a mudança climática e seus impactos atuais e futuros sobre a vida humana.

Alguns insistem em que é apenas um subgênero da ficção científica, e isso tem sentido em certo aspecto. Mas, em outros, trata-se de um gênero em si mesmo que está ganhando impulso em todo o mundo, não como mero escapismo ou entretenimento – embora frequentemente inclua esses elementos –, mas como um modo sério de abordar os assuntos complexos e universais existentes em torno da mudança climática.

Sei algo sobre ficção climática porque nos últimos anos trabalhei para popularizá-la, não só no mundo de idioma inglês, mas também entre milhões de pessoas que leem em espanhol, chinês, alemão ou francês, para citar alguns. Em minha opinião, é um gênero internacional, com leitores internacionais, que deveria ser abordado por escritores de qualquer nação e em qualquer idioma.

Cada vez mais novelas de ficção climática se dirigem a uma audiência jovem – “adultos jovens”, no jargão editorial –, como Not a Drop to Drink (Nem Uma Gota Para Beber), de Mindy McGinnis, The Carbon Diaries 2015 (Os Diários do Carbono 2015), de Saci Lloyd, e Floodland (Terra Inundável), de Marcus Sedgwick. Na verdade, são as crianças e os adolescentes que sofrerão as consequências dos estilos de vida escolhidos pelas gerações anteriores.

Em um mundo que enfrenta os impactos potencialmente catastróficos da mudança climática, esse novo gênero literário se incorpora à nossa cultura em narrativa comum, divulgando ideias e pontos de vista sobre o futuro que a humanidade pode enfrentar em dez, cem ou 500 anos.

É aí que entra em cena a ficção climática, que pode desempenhar um papel importante para plasmar as emoções e os sentimentos das personagens, em um relato ou romance bem escrito para conscientizar leitores em todo o mundo.

Imaginem um romance de ficção climática, que não só chegue a milhares de leitores, mas que também os emocione e, talvez, os motive a se converterem em uma voz mais forte no debate político internacional sobre as emissões de carbono.

Esse é o potencial da ficção climática.

Uma universidade dos Estados Unidos oferece um curso sobre romances e filmes de ficção climática para estudantes de ciências ambientais e literatura.

Para Stephanie LeMenager, que este ano dá aulas na Universidade de Oregon, o curso constitui uma oportunidade, para ela e seus alunos, de explorar o poder da literatura e do cinema, em um momento em que escritores e cineastas tentam abordar alguns dos assuntos mais difíceis que a humanidade enfrenta no século 21.

O curso de LeMenager se chama As Culturas da Mudança Climática. É o primeiro na América do Norte, e inclusive no mundo, que se dedica dessa maneira às artes e à mudança climática. Estou seguro de que outras universidades seguirão esse esforço pioneiro, agregando novos cursos sobre ficção climática para seus estudantes.

Nathaniel Rich é um escritor de 34 anos, autor do aclamado romance Odds Against Tomorrow (Prognósticos Contra o Amanhã), uma história ambientada em um futuro próximo em Manhattan, que mergulha na “matemática da catástrofe”. Residente em Nova Orleans, Rich acredita que serão publicados mais livros como o seu, não só em inglês e não só do ponto de vista das nações ricas do Ocidente.

Escritores de todo o mundo devem se animar a incursionar no gênero da ficção climática e a usar a literatura de suas próprias culturas para tentar despertar a população sobre o futuro que pode esperar a todos em um planeta que esquenta sem um fim à vista.

As tramas podem ser aterradoras, mas as novelas de ficção climática dão a oportunidade de explorar esses assuntos com emoção e prosa. Os livros têm importância. A literatura tem um papel a desempenhar em nossos debates sobre os impactos do aquecimento global em todo o mundo.

Se poderá dizer que o cânon do gênero remonta ao romance O Mundo Submerso, escrito em 1962 pelo britânico J. G. Ballard. Outro dos primeiros livros sobre esse fenômeno foi escrito em 1987 pelo australiano George Turner: As Torres do Esquecimento.

A norte-americana Barbara Kingsolver publicou há alguns anos um romance muito poderoso de ficção climática intitulada Flight Behavior (Comportamento de Voo). Me impressionou muito quando o li no verão passado, e o recomendo.

A canadense Mary Woodbury criou o site Cli-Fi Books, que lista romances atuais e passados de ficção climática.

Como vejo o futuro? Prevejo um mundo onde os seres humanos se aferrem à esperança e ao otimismo. E sou otimista. E creio que quanto mais nos apegarmos à ciência da mudança climática no plano cultural mais efetivamente poderemos nos unir para evitar o pior. Envolverde/IPS

Dan Bloom é jornalista independente de Boston que vive em Taiwan. Em 1971, se formou na Tufts University, onde se especializou em literatura francesa. É ativista climático e literário desde 2006. Para segui-lo no Twitter o endereço é @polarcityman.

Life-style determines gut microbes (Max-Planck-Gesellschaft)

An international team of researchers has for the first time deciphered the intestinal bacteria of present-day hunter-gatherers

April 15, 2014

The gut microbiota is responsible for many aspects of human health and nutrition, but most studies have focused on “western” populations. An international collaboration of researchers, including researchers of the Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology in Leipzig, Germany, has for the first time analysed the gut microbiota of a modern hunter-gatherer community, the Hadza of Tanzania. The results of this work show that Hadza harbour a unique microbial profile with features yet unseen in any other human group, supporting the notion that Hadza gut bacteria play an essential role in adaptation to a foraging subsistence pattern. The study further shows how gut microbiota may have helped our ancestors adapt and survive during the Paleolithic.

Hadza women roasting tubers.
Hadza women roasting tubers. © Alyssa Crittenden

Bacterial populations have co-evolved with humans over millions of years, and have the potential to help us adapt to new environments and foods. Studies of the Hadza offer an especially rare opportunity for scientists to learn how humans survive by hunting and gathering, in the same environment and using similar foods as our ancestors did.

The research team, composed of anthropologists, microbial ecologists, molecular biologists, and analytical chemists, and led in part by Stephanie Schnorr and Amanda Henry of the Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, compared the Hadza gut microbiota to that of urban living Italians, representative of a “westernized” population. Their results, published recently in Nature Communications, show that the Hadza have a more diverse gut microbe ecosystem, i.e. more bacterial species compared to the Italians. “This is extremely relevant for human health”, says Stephanie Schnorr. “Several diseases emerging in industrialized countries, like IBS, colorectal cancer, obesity, type II diabetes, Crohn’s disease and others, are significantly associated with a reduction in gut microbial diversity.”

The Hadza gut microbiota is well suited for processing indigestible fibres from a plant-rich diet and likely helps the Hadza get more energy from the fibrous foods that they consume. Surprisingly, Hadza men and women differed significantly in the type and amount of their gut microbiota, something never before seen in any other human population. Hadza men hunt game and collect honey, while Hadza women collect tubers and other plant foods. Though they share these foods, each sex eats slightly more of the foods they target. “The differences in gut microbiota between the sexes reflects this sexual division of labour”, says Stephanie Schnorr. “It appears that women have more bacteria to help process fibrous plant foods, which has direct implications for their fertility and reproductive success.” These findings support the key role of the gut microbiota as adaptive partners during the course of human evolution by aligning with differing diets.

Hadza digging for plant foods.Hadza digging for plant foods. © MPI f. Evolutionary Anthropology

Finally, the Hadza gut microbe community is a unique configuration with high levels of bacteria, like Treponema, that in western populations are often considered signs of disease, and low levels of other bacteria, likeBifidobacterium, that in western populations are considered “healthy”. However, the Hadza experience little to no autoimmune diseases that would result from gut bacteria imbalances. Therefore, we must redefine our notions of “healthy” and “unhealthy” bacteria, since these distinctions are clearly dependent on the environment we live in. Genetic diversity of bacteria is likely the most important criterion for the health and stability of the gut microbiome.

“Co-resident microbes are our ‘old friends’ that help us adapt to different lifestyles and environments”, says Amanda Henry, leader of the Max Planck Research Group on Plant Foods in Hominin Dietary Ecology. “Through this analysis of the Hadza gut microbiota, we have increased our knowledge of human-microbiome adaptations to life in a savanna environment and improved our understanding of how gut microbiota may have helped our ancestors adapt and survive during the Paleolithic.”

Argentina hooligans can go to Brazil World Cup (Global Post)

 

Notorious Argentine “barras bravas” football hooligans can travel to the World Cup without intelligence being passed on beforehand to hosts Brazil, a court has ruled.

The court in Buenos Aires said that the Argentine government is not allowed to tell another country personal information about its citizens, a lawyer for the United Argentine Fans (HUA) supporters’ group said Wednesday.

Debora Hambo welcomed the judgment “to avoid persecution of supporters, like in South Africa in 2010.”

During the World Cup in South Africa, 30 Argentine supporters considered dangerous were turned back at airports or deported shortly after arrival, after Argentine authorities passed on intelligence about potential trouble-makers.

An Argentina fan was killed in Cape Town during a clash between rival barras bravas groups on the eve of the quarter-final between Germany and Argentina.

Brazilian and Argentine authorities have held preliminary discussions about cooperation on security.

Argentina has a long and troubled history of football hooliganism with at least 24 people killed in trouble between fans in the last two years.

Argentina face Bosnia and Herzegovina, Iran and Nigeria in the group phase of the June-July world Cup.

Study: The Trials of the Cherokee Were Reflected In Their Skulls (NC State)

Dr. Ann Ross

04.16.14

Researchers from North Carolina State University and the University of Tennessee have found that environmental stressors – from the Trail of Tears to the Civil War – led to significant changes in the shape of skulls in the eastern and western bands of the Cherokee people. The findings highlight the role of environmental factors in shaping our physical characteristics.

“We wanted to look at these historically important events and further our understanding of the tangible human impacts they had on the Cherokee people,” says Dr. Ann Ross, a professor of anthropology at NC State and co-author of a paper describing the work. “This work also adds to the body of literature on environmental effects on skull growth.”

The researchers drew on historical data collected by Franz Boas in the late 19th century. Boas collected measurements of the length (front-to-back) and breadth of skulls for many Native American tribes, including hundreds of members of the eastern and western bands of Cherokee.

The researchers analyzed the data, looking only at adults and organizing the adults by year of birth, which ranged from 1783 to 1874. The year of birth, a critical piece of information, provided clues to stressors in an individual’s life. For example, the western band of the Cherokee was subject to the Trail of Tears in 1838, intertribal warfare in the West, disease epidemics, and the U.S. Civil War from 1861 to 1865.

The researchers found that head length decreased over time in both bands, for males and females.

In the eastern band, there was a steady decline for males, but a sharp decline for females beginning in the late 1830s – coinciding with the Trail of Tears, when the eastern band fled into the Great Smoky Mountains to avoid forced evacuation to the West.

In the western band, males and females shared a similar pattern of decline: a sharp decline from the late 1820s to the 1850s, followed by a short increase, and then another sharp decline in the early 1860s with the onset of the Civil War.

“When times are tough, people have less access to adequate nutrition and are at greater risk of disease,” Ross says. “This study demonstrates the impact that those difficult times had on the physical growth of the Cherokee people.

“The study also contributes to our understanding of how environmental stressors can influence skull measurements, which has value for helping us understand prehistoric cultures, historic populations, and the impact of environmental factors on the health of current populations in the developing world.”

The paper, “Secular trends in Cherokee cranial morphology: Eastern vs Western bands,” is published online in the Annals of Human Biology. Lead author of the paper is Rebecca Sutphin, a former graduate student at NC State. The paper was co-authored by Dr. Richard Jantz of the University of Tennessee.

 

“Secular trends in Cherokee cranial morphology: Eastern vs Western bands”

Authors: Rebecca Sutphin and Ann H. Ross, North Carolina State University; Richard L. Jantz, University of Tennessee

Published: online April 15 in Annals of Human Biology

DOI: 10.3109/03014460.2014.902991

Abstract: Background: The research objective was to examine if secular trends can be identified for cranial data commissioned by Boas in 1892, specifically for cranial breadth and cranial length of the Eastern and Western band Cherokee who experienced environmental hardships. Materials and methods: Multiple regression analysis was used to test the degree of relationship between each of the cranial measures: cranial length, cranial breadth and cephalic index, along with predictor variables (year-of-birth, location, sex, admixture); the model revealed a significant difference for all craniometric variables. Additional regression analysis was performed with smoothing Loess plots to observe cranial length and cranial breadth change over time (year-of-birth) separately for Eastern and Western Cherokee band females and males born between 1783–1874. Results: This revealed the Western and Eastern bands show a decrease in cranial length over time. Eastern band individuals maintain a relatively constant head breadth, while Western Band individuals show a sharp decline beginning around 1860. Conclusions: These findings support negative secular trend occurring for both Cherokee bands where the environment made a detrimental impact; this is especially marked with the Eastern Cherokee band.

Losing Ground in the Amazon (New York Times)

A global forest mapping system developed by a team of scientists from the University of Maryland, Google and the United States government is now able to pinpoint exactly where and at what rate deforestation is occurring around the world. The results are alarming. The world is losing the equivalent of 50 soccer fields of forest every minute. In Brazil — home to 60 percent of the Amazon rain forest and a major component of the planet’s climate system — the rate of deforestation jumped 28 percent during 2012-13. Environmentalists say a 2012 change in Brazil’s regulations governing forest conservation is partly responsible.

Brazil had been making good progress. From a high of 10,588 square miles in 2004, deforestation dropped to 1,797 square miles in 2011; the number of metric tons of carbon dioxide released into the atmosphere dropped as well, from 1.1 billion metric tons in 2004 to 298 million metric tons in 2011. These successes resulted from aggressive enforcement of the country’s 1965 Forest Code, and a 2006 soy moratorium, a voluntary pledge brokered by the Brazilian government, agribusiness and environmental groups to prevent trade in soybeans cultivated on deforested land.

Soybeans aren’t the only cause of deforestation in Brazil, but they are a major factor. Brazil is now the world’s second-largest producer of soybeans after the United States. Soybeans have been a boon to Brazil’s economy, and global demand is growing. Under intense pressure from agricultural interests, Brazil’s Chamber of Deputies approved legislation in July 2012 that rolled back many provisions of the 1965 Forest Code, reduced the amount of reserve areas in the Amazon and gave amnesty to past violators. To her credit, Brazil’s president, Dilma Rousseff, thwarted some of the most damaging provisions of the new legislation, but the rate of deforestation still rose.

The soy moratorium has been extended until the end of 2014, by which time Brazil plans to have in place new mechanisms to monitor soybean cultivation on deforested land. These mechanisms must be backed by credible enforcement. And developed countries need to do more to help Brazil, Indonesia and other nations whose forests are at risk protect a resource in which everyone has a stake.

Brazil Is the World’s Most Dangerous Country to Be an Environmentalist (Bloomberg)

Businessweek

April 17, 2014

The Tijuca forest near Complexo do Alemao, a group of favelas on the outskirts of Rio de Janeiro, Brazil on April 24, 2013

Photograph by Dado Galdieri/Bloomberg. The Tijuca forest near Complexo do Alemao, a group of favelas on the outskirts of Rio de Janeiro, Brazil on April 24, 2013

Taking a stand to protect the environment in a developing country can be a matter of life and death. According to a new report by Global Witness, a London-based watchdog organization, at least 908 environmentalists were killed in action from 2002 to 2013.

The risks seem to be increasing. “Three times as many people were killed in 2012 than 10 years before,” the report notes. Those 147 deaths in 2012—the deadliest year for environmental activists to date—were “mostly assassinations of specific individuals or extrajudicial killings in the context of demonstration and protest actions.” The most significant sources of conflict were “opposition to land-grabbing and unfair land ownership, large-scale mining operations, deforestation, illegal logging, and hydroelectric projects.” Violence also arose during protests over water pollution, toxic waste disposal, and drainage of wetlands.

The most deadly country in which to be an environmentalist, in absolute numbers, was Brazil, according to a report. Over the course of a decade, at least 448 activists have been killed in Brazil. Many of them were involved in campaigns to defend local people’s land rights and to oppose illegal logging and mining activities.

Meanwhile, 109 environmental campaigners were killed in Honduras over the past 10 years, making it by far the deadliest country per capita. Sixty-seven were killed in the Philippines; 58 in Peru; and 52 in Columbia. “Competition for access to natural resources is intensifying,” the report notes. “At the same time, more and more ordinary people are finding themselves on the frontline of the battle to defend their environment.”

The number of journalists killed worldwide on assignment is also increasing. In 2013, 70 journalists were killed in the field, according to the Committee to Protect Journalists. The most deadly country in which to be a journalist was Syria, followed by Iraq and Egypt.

Deputado critica em audiência descaso do governo com seca no Nordeste (Câmara dos Deputados)

JC e-mail 4935, de 16 de abril de 2014

A região sofre com uma seca que se prolonga pelo terceiro ano consecutivo, o que gera problemas sociais e dificulta o desenvolvimento da agricultura e a criação de animais

A Comissão de Integração Nacional debateu nesta terça-feira a atuação de órgãos federais na ajuda à população do Nordeste, que enfrenta estiagem pelo terceiro ano consecutivo.

Durante audiência pública da Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia, nesta terça-feira (15), o deputado Wilson Filho (PTB-PB) criticou o descaso do governo federal com o que ele chamou de “caos total” no Nordeste.

A região sofre com uma seca que se prolonga pelo terceiro ano consecutivo, o que gera problemas sociais e dificulta o desenvolvimento da agricultura e a criação de animais. Além disso, provoca a falta de recursos econômicos, gerando fome e miséria no sertão.

“É muito visível, por exemplo, quando São Paulo entrou em uma realidade bem próxima. De forma rapidíssima o governo federal e os órgãos competentes deram essa resposta”, afirmou.

Contenção de gastos
A operação carro-pipa distribui água potável para a população das regiões afetadas pela estiagem. Ela é uma parceria do Ministério da Integração Nacional, por meio da Secretaria Nacional de Defesa Civil, com o Exército Brasileiro. A ação foi interrompida por parte do ministério no começo deste ano para a contenção de gastos.

(Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados)

Anthropocene aesthetics (Immanence)

By Emil Tsao

April 10, 2014

Cross-posting this piece by Emil from A(s)cene. Taylor’s coral reef art is beautiful. See also the discussion of Donna Haraway’s “String Figures” lecture and Bruno Latour’s 11 theses on capitalism

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Last week, Lee led us through an exercise that helped to contextualize the minuteness of the period in which humans (and modern life on Earth) have existed.  Dovetailing off of Haraway’s talk on the Anthropocene (or perhaps Capitaloscene) and her use of visual media and aesthetics to conceptualize and re-conceptualize the term’s significance, this week we will be exploring various aesthetic and artistic interpretations of the Anthropocene (although many of the images may not be constructed by self-proclaimed ‘artists’).  There are some interesting works here, as well as in Making the Geologic Now, which we briefly focused on at the beginning of the semester.

I’d like to draw attention to the living sculptures of Jason deCaires Taylor, an artist and coral reef advocate based out of Cancun, Mexico.  Opposing the capitalist “land as commodity” paradigm, Taylor subverts the resource-as-value mentality by installing art pieces, whose inherent value to humans is not economic, but artistic, that actively proliferate life on their structures.  Taylor’s sculptures, which are composed of ph-neutral, environmentally friendly materials, are not just an interpretation of the world, that is a medium for-us, but rather an artwork acknowledging our large-scale presence that also seeks to heal the world’s depleting reefs – a medium for-them.

With scientists estimating that 80% or more of all reefs on Earth will be lost by 2050, Taylor aims to decouple us from the notion that it is our vulnerability at stake in the Anthropocene.  Yes, as Nigel Clark argues, we can succumb to this inhuman nature that is entirely indifferent to preserving our lives, but as Taylor wishes to show, so are the coral reefs.  In Taylor’s piece intitled Anthropocene, an old VW bug is submerged on the ocean floor supporting a fossilized child who appears to be asleep.  The sculpture is hollow with various openings close to the floor, allowing lobsters to make their homes in the structure.  I wonder if these crustaceans symbolize the ancient beginnings of life.

Taylor's Anthropocene
Taylor’s Anthropocene
A structure fit for lobster
A structure fit for lobster

In another piece entitled The Silent Evolution for which he received critical acclaim, Taylor took casts of over 400 humans and installed them in an area over 420 square meters in size.  While this underwater society appears human at first, it is imperceptibly transformed into a marine assemblage until it is no longer familiar to us.  Taylor’s installations remind us of our simultaneous vulnerability (ala Clark) and our unique human qualities, like our capacity to both destroy life and to engender it.  As an aesthetic medium, we are invited to explore the ocean floor and discover these strange objects that evolve over time.  Almost a kind of wild Banksy, Taylor plays off of our land-evolved eyesight, drawing our attention to the new ways that light refracts, and colors/perspectives appear underwater.

 

Loss Adjustment (Mobiot.com)

March 31, 2014

When people say we should adapt to climate change, do they have any idea what that means?

By George Monbiot, published in the Guardian 1st April 2014

To understand what is happening to the living planet, the great conservationist Aldo Leopold remarked, is to live “in a world of wounds … An ecologist must either harden his shell and make believe that the consequences of science are none of his business, or he must be the doctor who sees the marks of death in a community that believes itself well and does not want to be told otherwise.”(1)

The metaphor suggests that he might have seen Henrik Ibsen’s play An Enemy of the People(2). Thomas Stockmann is a doctor in a small Norwegian town, and medical officer at the public baths whose construction has been overseen by his brother, the mayor. The baths, the mayor boasts, “will become the focus of our municipal life! … Houses and landed property are rising in value every day.”

But Dr Stockmann discovers that the pipes were built in the wrong place, and the water feeding the baths is contaminated. “The source is poisoned …We are making our living by retailing filth and corruption! The whole of our flourishing municipal life derives its sustenance from a lie!” People bathing in the water to improve their health are instead falling ill.

Dr Stockmann expects to be treated as a hero for exposing this deadly threat. After the mayor discovers that re-laying the pipes would cost a fortune and probably sink the whole project, he decides that his brother’s report “has not convinced me that the condition of the water at the baths is as bad as you represent it to be.” He proposes to ignore the problem, make some cosmetic adjustments and carry on as before. After all, “the matter in hand is not simply a scientific one. It is a complicated matter, and has its economic as well as its technical side.” The local paper, the baths committee and the business people side with the mayor against the doctor’s “unreliable and exaggerated accounts”.

Astonished and enraged, Dr Stockmann lashes out madly at everyone. He attacks the town as a nest of imbeciles, and finds himself, in turn, denounced as an enemy of the people. His windows are broken, his clothes are torn, he’s evicted and ruined.

Yesterday’s editorial in the Daily Telegraph, which was by no means the worst of the recent commentary on this issue, follows the first three acts of the play(3). Marking the new assessment by the Intergovernmental Panel on Climate Change, the paper sides with the mayor. First it suggests that the panel cannot be trusted, partly because its accounts are unreliable and exaggerated and partly because it uses “model-driven assumptions” to forecast future trends. (What would the Telegraph prefer? Tea leaves? Entrails?). Then it suggests that trying to stop manmade climate change would be too expensive. Then it proposes making some cosmetic adjustments and carrying on as before. (“Perhaps instead of continued doom-mongering, however, greater thought needs to be given to how mankind might adapt to the climatic realities.”)

But at least the Telegraph accepted that the issue deserved some prominence. On the Daily Mail’s website, climate breakdown was scarcely a footnote to the real issues of the day: “Kim Kardashian looks more confident than ever as she shows off her toned curves” and “Little George is the spitting image of Kate”.

Beneath these indispensable reports was a story celebrating the discovery of “vast deposits of coal lying under the North Sea, which could provide enough energy to power Britain for centuries.”(4) No connection with the release of the new climate report was made. Like royal babies, Kim’s curves and Ibsen’s municipal baths, coal is good for business. Global warming, like Dr Stockmann’s contaminants, is the spectre at the feast.

Everywhere we’re told that it’s easier to adapt to global warming than to stop causing it. This suggests that it’s not only the Stern review on the economics of climate change (showing that it’s much cheaper to avert climate breakdown than to try to live with it(5)) that has been forgotten, but also the floods which have so recently abated. If a small, rich, well-organised nation cannot protect its people from a winter of exceptional rainfall – which might have been caused by less than one degree of global warming – what hope do other nations have, when faced with four degrees or more?

When our environment secretary, Owen Paterson, assures us that climate change “is something we can adapt to over time”(6) or Simon Jenkins, in the Guardian yesterday, says that we should move towards “thinking intelligently about how the world should adapt to what is already happening”(7), what do they envisage? Cities relocated to higher ground? Roads and railways shifted inland? Rivers diverted? Arable land abandoned? Regions depopulated? Have they any clue about what this would cost? Of what the impacts would be for the people breezily being told to live with it?

My guess is that they don’t envisage anything: they have no idea what they mean when they say adaptation. If they’ve thought about it at all, they probably picture a steady rise in temperatures, followed by a steady rise in impacts, to which we steadily adjust. But that, as we should know from our own recent experience, is not how it happens. Climate breakdown proceeds in fits and starts, sudden changes of state against which, as we discovered on a small scale in January, preparations cannot easily be made.

Insurers working out their liability when a disaster has occurred use a process they call loss adjustment. It could describe what all of us who love this world are going through, as we begin to recognise that governments, the media and most businesses have no intention of seeking to avert the coming tragedies. We are being told to accept the world of wounds; to live with the disappearance, envisaged in the new climate report, of coral reefs and summer sea ice, of most glaciers and perhaps some rainforests, of rivers and wetlands and the species which, like many people, will be unable to adapt(8).

As the scale of the loss to which we must adjust becomes clearer, grief and anger are sometimes overwhelming. You find yourself, as I have done in this column, lashing out at the entire town.

http://www.monbiot.com

References:

1. Aldo Leopold, 1949. A Sand County Almanac. Oxford University Press.

2. Read at http://www.gutenberg.org/files/2446/2446-h/2446-h.htm

3. http://www.telegraph.co.uk/comment/telegraph-view/10733381/The-climate-debate-needs-more-than-alarmism.html

4. http://www.dailymail.co.uk/news/article-2593032/Coal-fuel-UK-centuries-Vast-deposits-totalling-23trillion-tonnes-North-Sea.html

5. http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/+/http:/www.hm-treasury.gov.uk/sternreview_index.htm

6. http://www.theguardian.com/environment/2013/sep/30/owen-paterson-minister-climate-change-advantages

7. http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/mar/31/ipcc-report-adaptation-climate-change

8. http://ipcc-wg2.gov/AR5/images/uploads/IPCC_WG2AR5_SPM_Approved.pdf

Human ‘missing link’ fossils may be jumble of species (New Scientist)

09 April 2014 by Colin Barras

Magazine issue 2964

Identity crisis <i>(Image: Benedicte Kurzen/The New York Times/Eyevine)</i>

Identity crisis (Image: Benedicte Kurzen/The New York Times/Eyevine)

ONE of our closest long-lost relatives may never have existed. The fossils ofAustralopithecus sediba, which promised to rewrite the story of human evolution, may actually be the remains of two species jumbled together.

The first fossils of A. sediba were found at Malapa, South Africa, in 2008. At 2 million years old, they show a mix of features, some similar to the ape-like australopithecines, others more like our genus, Homo. To its discoverers, this hotchpotch means A. sediba was becoming human, and that the Homogenus first evolved in South Africa, not east Africa as is generally thought.

But a new analysis suggests A. sediba didn’t exist. “I think there are two different hominin genera represented at Malapa,” says Ella Been at Tel Aviv University in Israel. One is an Australopithecus and one an early Homo. We can’t yet tell if the australopithecine remains are distinct enough to call them a new species, Been says.

Been studies the spinal columns of ancient hominins, so she was curious when a paper was published last year focusing on the spine of A. sediba(Science, doi.org/r7k). There are fragments from two skeletons at Malapa, a juvenile male and an adult female. Looking at photographs of the vertebrae, she noticed familiar features on the young male.

“I realised they looked a lot like the vertebrae of the Nariokotome Boy,” she says. Also known as Turkana Boy, this is a 1.5-million-year-old skeleton ofHomo erectus, a widespread species that may be our direct ancestor. Its vertebrae, like ours, are much wider than they are tall.

In contrast, the adult female’s vertebrae are taller, says Been, a classicAustralopithecus feature. She concludes that the spines belong to two different species.

When Been shared her findings with Yoel Rak, also at Tel Aviv University, she found an ally. “He sees the same in the [lower jawbone]: an australopithecine and an early Homo,” says Been. But here the species are switched: a notch in the young male jaw looks like Australopithecus, while the same notch in the adult female jaw looks human.

The pair conclude that there are not two but four individuals in the remains from Malapa: an adult and a juvenile of both Homo and Australopithecus. They presented their findings at a meeting of the Paleoanthropology Society in Calgary, Canada, this week.

Unsurprisingly, A. sediba‘s discoverer, Lee Berger of the University of Witwatersrand in South Africa, doesn’t agree. For one thing, he says the positioning of the adult skeleton’s bones in the ground makes it likely they came from a single individual.

Berger admits that the vertebrae of the young A. sediba look like those of H. erectus, but he says vertebrae grow taller throughout childhood. If the youngA. sediba had grown up, his vertebrae may have become moreAustralopithecus-like.

Been isn’t convinced. Fossils of other australopithecine children had tall vertebrae, she says.

Regardless, Berger says that Been and Rak’s observations make sense if A. sediba really was a transitional species between Australopithecus and Homo. “A central tenet of evolutionary theory is that variation within taxa becomes variation between taxa as species diverge,” he says. With anatomy in flux, it is possible that one A. sediba had an Australopithecus-like spine and Homo-like jaw, while another had a Homo-like spine and Australopithecus-like jaw.

There are other features of the A. sediba vertebrae that might explain the differences Been found. Berger’s latest work hints that the young male’s vertebrae may show signs of disease. If so, they are not representative of the species.

This article appeared in print under the headline “Missing link fossils may be a jumble of species”

Global Warming Scare Tactics (New York Times)

 OAKLAND, Calif. — IF you were looking for ways to increase public skepticism about global warming, you could hardly do better than the forthcoming nine-part series on climate change and natural disasters, starting this Sunday on Showtime. A trailer for “Years of Living Dangerously” is terrifying, replete with images of melting glaciers, raging wildfires and rampaging floods. “I don’t think scary is the right word,” intones one voice. “Dangerous, definitely.”

Showtime’s producers undoubtedly have the best of intentions. There are serious long-term risks associated with rising greenhouse gas emissions, ranging from ocean acidification to sea-level rise to decreasing agricultural output.

But there is every reason to believe that efforts to raise public concern about climate change by linking it to natural disasters will backfire. More than a decade’s worth of research suggests that fear-based appeals about climate change inspire denial, fatalism and polarization.

For instance, Al Gore’s 2006 documentary, “An Inconvenient Truth,” popularized the idea that today’s natural disasters are increasing in severity and frequency because of human-caused global warming. It also contributed to public backlash and division. Since 2006, the number of Americans telling Gallup that the media was exaggerating global warming grew to 42 percent today from about 34 percent. Meanwhile, the gap between Democrats and Republicans on whether global warming is caused by humans rose to 42 percent last year from 26 percent in 2006, according to the Pew Research Center.

Other factors contributed. Some conservatives and fossil-fuel interests questioned the link between carbon emissions and global warming. And beginning in 2007, as the country was falling into recession, public support for environmental protection declined.

Still, environmental groups have known since 2000 that efforts to link climate change to natural disasters could backfire, after researchers at the Frameworks Institute studied public attitudes for its report “How to Talk About Global Warming.” Messages focused on extreme weather events, they found, made many Americans more likely to view climate change as an act of God — something to be weathered, not prevented.

Some people, the report noted, “are likely to buy an SUV to help them through the erratic weather to come” for example, rather than support fuel-efficiency standards.

Since then, evidence that a fear-based approach backfires has grown stronger. A frequently cited 2009 study in the journal Science Communication summed up the scholarly consensus. “Although shocking, catastrophic, and large-scale representations of the impacts of climate change may well act as an initial hook for people’s attention and concern,” the researchers wrote, “they clearly do not motivate a sense of personal engagement with the issue and indeed may act to trigger barriers to engagement such as denial.” In a controlled laboratory experiment published in Psychological Science in 2010, researchers were able to use “dire messages” about global warming to increase skepticism about the problem.

Many climate advocates ignore these findings, arguing that they have an obligation to convey the alarming facts.

But claims linking the latest blizzard, drought or hurricane to global warming simply can’t be supported by the science. Our warming world is, according to the United Nations Intergovernmental Panel on Climate Change, increasing heat waves and intense precipitation in some places, and is likely to bring more extreme weather in the future. But the panel also said there is little evidence that this warming is increasing the loss of life or the economic costs of natural disasters. “Economic growth, including greater concentrations of people and wealth in periled areas and rising insurance penetration,” the climate panel noted, “is the most important driver of increasing losses.”

What works, say environmental pollsters and researchers, is focusing on popular solutions. Climate advocates often do this, arguing that solar and wind can reduce emissions while strengthening the economy. But when renewable energy technologies are offered as solutions to the exclusion of other low-carbon alternatives, they polarize rather than unite.

One recent study, published by Yale Law School’s Cultural Cognition Project, found that conservatives become less skeptical about global warming if they first read articles suggesting nuclear energy or geoengineering as solutions. Another study, in the journal Nature Climate Change in 2012, concluded that “communication should focus on how mitigation efforts can promote a better society” rather than “on the reality of climate change and averting its risks.”

Nonetheless, virtually every major national environmental organization continues to reject nuclear energy, even after four leading climate scientists wrote them an open letter last fall, imploring them to embrace the technology as a key climate solution. Together with catastrophic rhetoric, the rejection of technologies like nuclear and natural gas by environmental groups is most likely feeding the perception among many that climate change is being exaggerated. After all, if climate change is a planetary emergency, why take nuclear and natural gas off the table?

While the urgency that motivates exaggerated claims is understandable, turning down the rhetoric and embracing solutions like nuclear energy will better serve efforts to slow global warming.

Environmentalists Doing It Wrong, Again (Washington Post)

Want to see Tom get annoyed? Of course you do. Well then tune in and pull up a chair. The article that got to me was so exasperating because it’s 2014 and it’s the New York Times. It’s too late in the day and too beside-the-real-point for a publication such as the Times to do this, though I’m not saying such a thing is impossible at my own publication either. I can’t decide whether to link to it or not. I think I won’t.

I’ll place it squarely in the category of Concern Trolling, a great conceptual meme that identifies opinions that purport to be on your side and just trying to help, but function in the exact opposite way. I won’t get into motives here because I don’t know what they are and it doesn’t make any difference.

The piece says that ‘environmentalists’ are using bad ‘tactics’ in drawing comparisons between current weather catastrophes and climate change. Any linkage to a specific event can’t be specifically proven, but that’s not the stated concern of this piece. The ‘concern’ is that as a tactic it can ‘backfire’ and not win over conservatives to climate change action. Not win over conservatives! The article doesn’t place ALL the blame on faulty environmentalist tactics. It pauses to include what may be the most understated disclaimer in history: “Other factors contributed. Some conservatives and fossil-fuel interests questioned the link between carbon emissions and global warming.” Some! Really???

Now to the ‘backfire’ part of this. This is just maddening. If environmentalists aren’t careful, it says, sufficient support for an adequate policy response might go away. Go away! As though it was ever even close to being there in the first place. They cite Al Gore’s 2006 ‘Inconvenient Truth’ as contributing to backlash and division. Do they think no one has any memory whatsoever? Let me remind those who don’t. Before “Inconvenient Truth’ there was close to ZERO widespread public concern about climate change. This film was a watershed in opening people’s eyes to the pending climate calamity and getting people to take the issue seriously. The backlash was not about the particulars of the argument, the backlash was against how effective it was in bringing the nation closer to actually doing something about it. The article says a better ‘tactic’ is to emphasize ‘popular solutions.’ Only one problem with ‘popular solutions.’ They don’t come ANYWHERE CLOSE TO BEING ADEQUATE solutions.

And finally, please please just stop saying it is the responsibility of ‘environmentalists’ to come up with tactics to persuade the rest of us, who by implication are perfectly entitled to sit back and not take our responsibilities on this issue seriously unless and until ‘environmentalists’ come up with arguments that are appealing to us in every way. Gaaaaah!

Brasil e Suécia se aliam para pesquisar mudanças climáticas (Ascom do MCTI)

JC e-mail 4929, de 08 de abril de 2014

Workshop bilateral discutirá desafios, adaptação e iniciativas estratégicas

Novas frentes de diálogo e colaboração devem sair do Workshop Bilateral Brasil-Suécia sobre os Desafios das Mudanças Climáticas – Adaptação e Iniciativas Estratégicas, promovido por três dias, até quarta-feira (9), pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC) em parceria com o Conselho de Pesquisa da Suécia (VR, na sigla original).

Observador do encontro, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, ressaltou durante a cerimônia de abertura, nesta segunda-feira (7), o caráter singular da parceria: “Chamou minha atenção, inicialmente, a oportunidade de colocar em contato cientistas suecos e brasileiros que trabalham em mudanças climáticas, uma visão de grandes contrastes”.

Nobre comentou diferenças ambientais entre as duas nações. “Nas altas latitudes, especialmente no Ártico, existe certamente uma preocupação muito grande dos países escandinavos, em paralelo aos ecossistemas tropicais, também, de certo modo, ameaçados em médio e longo prazo pelas mudanças ambientais globais”, comparou. “Olhar a questão por esse ângulo dos contrastes vai permitir um avanço muito grande do planejamento de pesquisas conjuntas. Nós sempre aprendemos muito comparando coisas extremas.”

Para o presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, as experiências internacionais das duas agências governamentais facilitam a criação de laços transversais entre grupos científicos brasileiros e suecos. “Seguramente, sairemos daqui com uma proposta completa de montagem de um programa para aprofundar as pesquisas e a formação de recursos humanos nesse importante tema, que nos afeta a todos hoje, as mudanças climáticas.”

Representante do VR, a professora KerstinSahlin destacou o objetivo fundamental do evento – “pensar como podemos estabelecer um caminho para futuras colaborações” – e adiantou que os debates precisam buscar projetos de pesquisa conjunta com potencial de serem desenvolvidos. “Eu espero que possamos ter uma discussão aberta, informal e bastante construtiva”, disse.

Desafios climáticos
O diretor de Programas e Bolsas no País da Capes, Marcio de Castro, informou que o workshop deve gerar um edital de financiamento de pesquisa e colaboração binacional. “O tema proposto é mais do que atual, envolvendo mudanças climáticas e o impacto nas diferentes áreas do conhecimento”, afirmou. “E o que torna mais ainda oportuna a discussão é o relatório recente do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.”

Ministra da Embaixada da Suécia em Brasília, a conselheira PernillaJosefssonLazo classificou os desafios das mudanças no clima como “um dos mais importantes tópicos dos nossos tempos”. Ela recordou que um acordo entre os ministérios da Educação possibilitou a aproximação do VR com a Capes, por meio do programa Ciência sem Fronteiras, que, até o momento, ao todo, concedeu 172 bolsas para brasileiros estudarem no país nórdico.

O secretário do MCTI apresentou a liderança da pasta no financiamento de trabalhos nacionais na área, como a Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) – aperfeiçoada recentemente – e investimentos em tecnologias, a exemplo de sistemas de observação da Terra, incluindo sua capacidade de modelagem, e infraestrutura de supercomputação.

“Finalmente, o Brasil chegou a esse ponto importante, que é o fato de desenvolvermos uma capacidade autônoma de gerar cenários climáticos globais”, apontou Nobre. “Hoje, somos um dos poucos países do mundo que têm seus próprios grupos de modelagem e que geram cenários que podem vir a acontecer no nosso planeta na escala de décadas ou séculos.”

Na opinião do secretário, apesar dos avanços recentes na redução de emissões de gases de efeito estufa, o Brasil tem muito trabalho pela frente em adaptação a mudanças climáticas. Segundo ele, já existem iniciativas nos setores de agricultura e desastres naturais, mas o país também precisa desenvolver conhecimento avançado e implementar políticas públicas que contemplem água, biodiversidade e zonas costeiras, por exemplo.

(Rodrigo PdGuerra – Ascom do MCTI)
http://www.mcti.gov.br/index.php/content/view/353787/Brasil_e_Suecia_se_aliam_para_pesquisar_mudancas_climaticas.html

Brasil é o terceiro país do mundo com mais conflitos ecológicos (O Globo)

JC e-mail 4929, de 08 de abril de 2014

Segundo levantamento global, busca por recursos naturais prejudica comunidades tradicionais. Posição do país no ranking seria explicada pela abundância de projetos de infraestrutura relacionados ao meio ambiente

A exploração mineral, o desmatamento e a disputa por terras e água estão entre os maiores motivos de conflitos ambientais do mundo, segundo um levantamento internacional divulgado recentemente pela ONG Ejolt (Environmental Justice Organizations, Liabilities and Trade) e coordenado pela Universidade Autônoma de Barcelona (UAB). Os pesquisadores identificaram 945 casos em 78 países. Empatado com a Nigéria, o Brasil foi o terceiro colocado no ranking, com 58 casos, atrás apenas da Índia (112) e da Colômbia (77).

Os conflitos do país, segundo o Atlas Global de Justiça Ambiental, estão ligados à abundância de projetos de infraestrutura relacionados ao meio ambiente. São obras, como a construção de hidrelétricas, que dividem ativistas e empreiteiras; e o setor agrícola, cujas plantações invadem unidades de conservação.

– O crescimento da população mundial provocará uma busca cada vez mais intensa por commodities, e o Brasil, que é rico em terra, água, petróleo e minérios, será um alvo – descreve Leah Temper, coordenadora do Atlas. – E este recursos estão em terras ocupadas por indígenas, quilombolas e pequenos agricultores. Estes grupos serão os mais afetados.

Entre os conflitos ecológicos brasileiros estão episódios de grilagem para especulação imobiliária e a disputa por regiões que poderiam receber projetos como barragens hidrelétricas. São instalações que ampliam a geração de energia por uma matriz energética considerada limpa, mas que provocam alto impacto ambiental no local de sua construção.

Falhas na legislação
Apesar do processo de industrialização nacional ter catapultado nas décadas passadas, as exportações do Brasil são altamente dependentes de produtos do setor primário. Em 2012, metade dos produtos comercializados para outras nações vinham do agronegócio – carne, soja, etanol, por exemplo – e outros semiacabados, entre eles alumínio e aço bruto. O potencial econômico do campo leva extrativistas a se aventurarem em reservas indígenas.

Professor de Direito Ambiental da Fundação Getúlio Vargas, Rômulo Sampaio lembra que a exploração de commodities sempre gera disputa de interesses.

– O petróleo, por exemplo, provoca interesses nacionais, conservacionais e do mercado privado – destaca. – No campo, o problema fundiário torna o conflito ainda mais agudo, devido à desigualdade na distribuição de propriedades.

Sampaio atribui os dilemas ambientais e suas consequências sociais a falhas graves na legislação.

– Não há uma discussão sobre como lidar com os conflitos – condena. – Falta uma orientação, uma política pública. O debate só aparece na hora de implementação de cada projeto. Por isso, aumenta o número de ações no Judiciário.

A Fiocruz realiza, desde o ano passado, um catálogo sobre injustiças ambientais no Brasil. O órgão foi uma das fontes do mapeamento da UAB e, em trabalhos independentes, destaca os danos à saúde coletiva provocados pelos conflitos ecológicos. Nas grandes cidades, moradores no entorno de lixões estão sujeitos a doenças respiratórias, dengue e leptospirose.

Já a atuação da indústria em áreas próximas a rios leva à alteração do ciclo reprodutivo da fauna, a doenças cardíacas e à insegurança alimentar.

– Analisamos denúncias de problemas de saúde causados por conflitos ecológicos, como a contaminação de rios por agrotóxicos – revela Marcelo Firpo Porto, professor do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, da Escola Nacional de Saúde Pública. – As doenças estão ligadas à degradação dos ecossistemas.

Em seu novo mapeamento, a Fiocruz já identificou 450 casos de conflito ecológico no Brasil.

– Levamos ao mapeamento da UAB os casos mais emblemáticos, relacionados ao comércio internacional – conta. – Mas conhecemos muitas outras ocorrências, de âmbito regional ou nacional.

No Rio, por exemplo, a Zona Oeste registra dois casos que seriam atentados à justiça ambiental. O polo industrial de Santa Cruz já provocou emissões de uma poeira de ferro e carbono, que causa danos ao aparelho respiratório.

Na Barra da Tijuca, moradores de comunidades vizinhas à Vila do Autódromo são ameaçadas de remoção devido à especulação imobiliária. A região receberá instalações para os Jogos Olímpicos. Segundo a Fiocruz, alterações já realizadas pelo assoreamento de recursos hídricos no local pioram a qualidade de vida da população.

Para Sampaio, as comunidades urbanas e rurais têm em comum a falta de mobilização, que permite a sobrevivência de problemas seculares.

– Não existe uma organização social entre as comunidades menos favorecidas, o que prejudica sua representatividade – assinala.

Leah, que está à frente da organização do Atlas, reconhece que o mapeamento ainda tem um longo caminho para percorrer. Nesta primeira edição, o trabalho contou com a adesão de 23 universidades e ONGs de justiça ambiental de 18 países.

‘Dívida ambiental’
O levantamento não chegou a regiões expressivas do planeta, como a China, a Ásia Central e o Oriente Médio.

– Temos muitos lugares em branco no mapa – reconhece. – Mas, agora que ele é público, vamos convidar pesquisadores e ativistas dessas regiões para documentar outros conflitos e expandir o nosso conhecimento.

A coordenadora do Atlas, no entanto, assegura que a iniciativa já confirma um padrão histórico.

– O Hemisfério Sul continua suprindo as nações desenvolvidas com manufaturas de baixo preço e pagam um alto preço ecológico. As nações ricas têm uma “dívida ambiental” – analisa.

(Renato Grandelle/O Globo)
http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/brasil-o-terceiro-pais-do-mundo-com-mais-conflitos-ecologicos-12121947#ixzz2yIX5l16X

Nova partícula injetável de oxigênio acende a possibilidade de viver sem respirar (O Globo)

JC e-mail 4929, de 08 de abril de 2014

Após a injeção na corrente sanguínea, cápsulas colidem com as células vermelhas do sangue e fornecem o oxigênio

Um grupo de cientistas desenvolveu uma série de micropartículas cheias de oxigênio que podem ser injetadas na corrente sanguínea e manter as pessoas vivas, mesmo quando as entradas dos pulmões estão obstruídas. Tratam-se de minúsculas cápsulas (de 2 a 4 micrômetros) feitos com uma única camada de lipídio em torno de uma pequena bolha de gás oxigênio. A cápsula é suspensa em um líquido para que as bolhas não fiquem maiores (o que as tornaria mortais). A novidade foi divulgada pelo blog científico “from quarks to quasars” e publicada na revista científica “Pubmed”.

Após a injeção na corrente sanguínea, as cápsulas colidem com as células vermelhas do sangue, que fornecerão o oxigênio para as células. Em testes anteriores, cerca de 70% do gás injetado fez com sucesso seu caminho para a corrente sanguínea. Este método de injeção foi tão bem sucedido que os cientistas conseguiram manter vivos coelhos com a traqueia bloqueada por quinze minutos.

A novidade levanta a seguinte dúvida a ser respondida após testes seguintes: será que podemos manter um fluxo constante de respiração mesmo debaixo da água, podendo viver lá para sempre?

http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/nova-particula-injetavel-de-oxigenio-acende-possibilidade-de-viver-sem-respirar-12115505#ixzz2yJ62v0VK

A Rough Ride to the Future by James Lovelock, review (The Telegraph)

James Lovelock argues that climate change may not be the fault of rapacious humanity but the constructive chaos that attends a new infrastructure

James Lovelock, the author of A Rough Ride to the Future

James Lovelock, the author of A Rough Ride to the Future. Photo: EPA

As the inventor of Gaia theory, James Lovelock is used to thinking big. Ever since he came up with the idea that the planet and its inhabitants form one vast, self-regulating system – initially scoffed at, but now taken seriously across a variety of disciplines – his focus has been wider than that of his more hidebound colleagues.

In A Rough Ride to the Future, Lovelock outlines a new theory. He argues that since 1712, the year in which the Newcomen steam engine was created, we have moved into a new age, the Anthropocene, in which humanity’s ability to liberate energy and information from the Earth has rapidly outpaced both Darwinian evolution and the planet’s ability to cope.

What is refreshing about Lovelock’s approach to these issues is that it is blessedly free of dogma. He does not blame humanity for doing what comes naturally: exploiting the wonders available to it. And he is happy to outline the gaps in our understanding of climate science, not least the role of living beings in helping to regulate the system.

This clarity extends to his conclusions. Ultimately, he suggests, climate change is down to ignorance, not negligence – but while we do not yet know its exact contours, the process is both extremely serious and probably unfixable. Unlike the situation with CFCs, or chlorofluorocarbons, a generation ago, there are too many actors – countries, companies and individual humans – that would need to be cudgelled into self-denial if the status quo were to be retained.

Where he differs from the consensus, however, is in suggesting that this might not be such a bad thing. What we are seeing around us, Lovelock argues, may be the large-scale destruction of the planet’s ecosystem by rapacious humanity. But it may also be “no more than the constructive chaos that always attends the installation of a new infrastructure”.

Humanity is already concentrating itself in bigger and bigger cities, so rather than trying to “save the Earth”, or restore some artificial version of a normal climate, why not live comfortable lives in clustered, air-conditioned mega-cities? This serves ants and termites perfectly well, he argues – as well as the inhabitants of Singapore.

The problem is that while many of Lovelock’s ideas are fascinating, the book as a whole fails to match their clarity. There are disconnected sections on the virtues of the lone scientist; on why invention is better than pure research; on the reaction to Gaia theory; and so on. It is clear throughout that Lovelock, now in his nineties, has led a fascinating life, with frequent offhand mentions of consulting for Nasa or devising instruments that proved the contamination of the environment by CFCs. In a typically Lovelockian sentence, the author claims – probably accurately – to have developed the world’s first working microwave, using it in the lab “to reanimate chilled small animals and to cook my lunch”. One finds oneself longing for a full autobiography, rather than these bits and pieces.

The reader certainly gets the sense that Lovelock doesn’t suffer fools – or much of modernity – gladly. “A Faraday or a Darwin,” he laments, “would [today] be buried in paperwork, and obliged to spend their time solving problems concerning health and safety and political correctness, today’s equivalent of the theocratic oppression of Galileo.” Elsewhere, he insists that “the internet has made the human world a monstrous village with an ever-growing population of nags, scolds and officious fools”. Well, up to a point, m’lud.

Whether you enjoy this book, then, will depend on your tolerance for big ideas and awkward constructions. Perhaps the most refreshing aspect of it is that Lovelock extends his lack of cant to the role of humanity as a whole. Just as it is ludicrous to think that the world was precision-engineered for our benefit, so it is arrogant and short-sighted to imagine that the coming centuries must be devoted to the preservation of humanity in its current form.

Perhaps, he suggests, we are not the end point of civilisation but its John the Baptists – the species that either gave birth to, or merged with, a species of electronic life that can supervise and preserve Gaia for centuries to come. That, Lovelock believes, would truly be an achievement. And if it sounds far-fetched – well, they laughed at the Gaia hypothesis, too.

A Rough Ride to the Future by James Lovelock

208pp, Allen Lane, Telegraph offer price £18 (PLUS £1.35 p&p). Call 0844 871 1515 or see books.telegraph.co.uk

Repercussões do novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)

Brasil já se prepara para adaptações às mudanças climáticas, diz especialista (Agência Brasil)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Com base no relatório do IPCC,dirigente do INPE disse que o Brasil já revela um passo adiante em termos de adaptação às mudanças climáticas

Com o título Mudanças Climáticas 2014: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade, o relatório divulgado ontem (31) pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sinaliza que os efeitos das mudanças do clima já estão sendo sentidos em todo o mundo. O relatório aponta que para se alcançar um aquecimento de apenas 2 graus centígrados, que seria o mínimo tolerável para que os impactos não sejam muito fortes, é preciso ter emissões zero de gases do efeito estufa, a partir de 2050.

“O compromisso é ter emissões zero a partir de 2040 /2050, e isso significa uma mudança de todo o sistema de desenvolvimento, que envolve mudança dos combustíveis”, disse hoje (1º) o chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestr,e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), José Marengo, um dos autores do novo relatório do IPCC. Marengo apresentou o relatório na Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro, e destacou que alguns países interpretam isso como uma tentativa de frear o crescimento econômico. Na verdade, ele assegurou que a intenção é chegar a um valor para que o aquecimento não seja tão intenso e grave.

Com base no relatório do IPCC, Marengo comentou que o Brasil já revela um passo adiante em termos de adaptação às mudanças climáticas. “Eu acho que o Brasil já escutou a mensagem. Já está começando a preparar o plano nacional de adaptação, por meio dos ministérios do Meio Ambiente e da Ciência, Tecnologia e Inovação”. Essa adaptação, acrescentou, é acompanhada de avaliações de vulnerabilidades, “e o Brasil é vulnerável às mudanças de clima”, lembrou.

A adaptação, segundo ele, atenderá a políticas governamentais, mas a comunidade científica ajudará a elaborar o plano para identificar regiões e setores considerados chave. “Porque a adaptação é uma coisa que muda de região e de setor. Você pode ter uma adaptação no setor saúde, no Nordeste, totalmente diferente do Sul. Então, essa é uma política que o governo já está começando a traçar seriamente”.

O plano prevê análises de risco em setores como agricultura, saúde, recursos hídricos, regiões costeiras, grandes cidades. Ele está começando a ser traçado como uma estratégia de governo. Como as vulnerabilidades são diferentes, o plano não pode criar uma política única para o país. Na parte da segurança alimentar, em especial, José Marengo ressaltou a importância do conhecimento indígena, principalmente para os países mais pobres.

Marengo afiançou, entretanto, que esse plano não deverá ser concluído no curto prazo. “É uma coisa que leva tempo. Esse tipo de estudo não pode ser feito em um ou dois anos. É uma coisa de longo prazo, porque vai mudando continuamente. Ou seja, é um plano dinâmico, que a cada cinco anos tem que ser reavaliado e refeito. Poucos países têm feito isso, e o Brasil está começando a elaborar esse plano agora”, manifestou.

Marengo admitiu que a adaptação às mudanças climáticas tem que ter também um viés econômico, por meio da regulação. “Quando eu falo em adaptação, é uma mistura de conhecimento científico para identificar que área é vulnerável. Mas tudo isso vem acompanhado de coisas que não são climáticas, mas sim, econômicas, como custos e investimento. Porque adaptação custa dinheiro. Quem vai pagar pela adaptação? “, indagou.

O IPCC não tem uma posição a respeito, embora Marengo mencione que os países pobres querem que os ricos paguem pela sua adaptação às mudanças do clima. O tema deverá ser abordado na próxima reunião da 20ª Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima COP-20, da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorrerá em Lima, no Peru, no final deste ano.

Entretanto, o IPCC aponta situações sobre o que está ocorrendo nas diversas partes do mundo, e o que poderia ser feito. As soluções, salientou, serão indicadas no próximo relatório do IPCC, cuja divulgação é aguardada para este mês. O relatório, segundo ele, apontará que “a solução está na mitigação”. Caso, por exemplo, da redução das emissões de gases de efeito estufa, o uso menor de combustíveis fósseis e maior uso de fontes de energia renováveis, novas opções de combustíveis, novas soluções de tecnologia, estabilização da população. “Tudo isso são coisas que podem ser consideradas”. Admitiu, porém, que são difíceis de serem alcançadas, porque alguns países estão dispostos a isso, outros não. “É uma coisa que depende de acordo mundial”.

De acordo com o relatório do IPCC, as tendências são de aumento da temperatura global, aumento e diminuição de precipitações (chuvas), degradação ambiental, risco para as áreas costeiras e a fauna marinha, mudança na produtividade agrícola, entre outras. A adaptação a essas mudanças depende do lugar e do contexto. A adaptação para um setor pode não ser aplicável a outro. As medidas visando a adaptação às mudanças climáticas devem ser tomadas pelos governos, mas também pela sociedade como um todo e pelos indivíduos, recomendam os cientistas que elaboraram o relatório.

Para o Nordeste brasileiro, por exemplo, a construção de cisternas pode ser um começo no sentido de adaptação à seca. Mas isso tem de ser uma busca permanente, destacou José Marengo. Observou que programas de reflorestamento são formas de mitigação e, em consequência, de adaptação, na medida em que reduzem as emissões e absorvem as emissões excedentes.

No Brasil, três aspectos se distinguem: segurança hídrica, segurança energética e segurança alimentar. As secas no Nordeste e as recentes enchentes no Norte têm ajudado a entender o problema da vulnerabilidade do clima, acrescentou o cientista. Disse que, de certa forma, o Brasil tem reagido para enfrentar os extremos. “Mas tem que pensar que esses extremos podem ser mais frequentes. A experiência está mostrando que alguns desses extremos devem ser pensados no longo prazo, para décadas”, salientou.

O biólogo Marcos Buckeridge, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e membro do IPCC, lembrou que as queimadas na Amazônia, apesar de mostrarem redução nos últimos anos, ainda ocorrem com intensidade. “O Brasil é o país que mais queima floresta no mundo”, e isso leva à perda de muitas espécies animais e vegetais, trazendo, como resultado, impactos no clima.

Para a pesquisadora sênior do Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas – Centro Clima da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Carolina Burle Schmidt Dubeux, a economia da adaptação deve pensar o gerenciamento também do lado da demanda. Isso quer dizer que tem que englobar não só investimentos, mas também regulação econômica em que os preços reflitam a redução da oferta de bens. “Regulação econômica é muito importante para que a gente possa se adaptar [às mudanças do clima]. As políticas têm que refletir a escassez da água e da energia elétrica e controlar a demanda”, apontou.

Segundo a pesquisadora, a internalização de custos ambientais nos preços é necessária para que a população tenha maior qualidade de vida. “A questão da adaptação é um constante gerenciamento do risco das mudanças climáticas, que é desconhecido e imprevisível”, acrescentou. Carolina defendeu que para ocorrer a adaptação, deve haver uma comunicação constante entre o governo e a sociedade. “A mídia tem um papel relevante nesse processo”, disse.

(Agência Brasil)

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Mudanças climáticas ameaçam produtos da cesta básica brasileira (O Globo)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Dieta será prejudicada por queda das safras e da atividade pesqueira

Os impactos das mudanças climáticas no país comprometerão o rendimento das safras de trigo, arroz, milho e soja, produtos fundamentais da cesta básica do brasileiro. Outro problema desembarca no litoral. Segundo prognósticos divulgados esta semana pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), grandes populações de peixes deixarão a zona tropical nas próximas décadas, buscando regiões de alta latitude. Desta forma, a pesca artesanal também é afetada.

A falta de segurança alimentar também vai acometer outros países. Estima-se que a atividade agrícola da União Europeia caia significativamente até o fim do século. Duas soluções já são estudadas. Uma seria aumentar as importações – o Brasil seria um importante mercado, se conseguir nutrir a sua população e, além disso, desenvolver uma produção excedente. A outra possibilidade é a pesquisa de variedades genéticas que deem resistência aos alimentos diante das novas condições climáticas.

– Os eventos extremos, mesmo quando têm curta duração, reduzem o tamanho da safra – contou Marcos Buckeridge, professor do Departamento de Botânica da USP e coautor do relatório do IPCC, em uma apresentação realizada ontem na Academia Brasileira de Ciências. – Além disso, somos o país que mais queima florestas no mundo, e a seca é maior justamente na Amazônia Oriental, levando a perdas na agricultura da região.

O aquecimento global também enfraquecerá a segurança hídrica do país.

– É preciso encontrar uma forma de garantir a disponibilidade de água no semiárido, assim como estruturas que a direcione para as áreas urbanas – recomenda José Marengo, climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e também autor do relatório.

Marengo lembra que o Nordeste enfrenta a estiagem há três anos. Segundo ele, o uso de carros-pipa é uma solução pontual. Portanto, outras medidas devem ser pensadas. A transposição do Rio São Francisco também pode não ser suficiente, já que a região deve passar por um processo de desertificação até o fim do século.

De acordo com um estudo realizado em 2009 por diversas instituições brasileiras, e que é citado no novo relatório do IPCC, as chuvas no Nordeste podem diminuir até 2,5mm por dia até 2100, causando perdas agrícolas em todos os estados da região. O déficit hídrico reduziria em 25% a capacidade de pastoreiro dos bovinos de corte. O retrocesso da pecuária é outro ataque à dieta do brasileiro.

– O Brasil perderá entre R$ 719 bilhões e R$ 3,6 trilhões em 2050, se nada fizer . Enfrentaremos perda agrícola e precisaremos de mais recursos para o setor hidrelétrico – alerta Carolina Dubeux, pesquisadora do Centro Clima da Coppe/UFRJ, que assina o documento. – A adaptação é um constante gerenciamento de risco.

(Renato Grandelle / O Globo)
http://oglobo.globo.com/ciencia/mudancas-climaticas-ameacam-produtos-da-cesta-basica-brasileira-12061170#ixzz2xjSEUoVy

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Impactos mais graves no clima do país virão de secas e de cheias (Folha de S.Paulo)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Brasileiros em painel da ONU dizem que país precisa se preparar para problemas opostos em diferentes regiões

As previsões regionais do novo relatório do IPCC (painel do clima da ONU) aponta como principais efeitos da mudança climática no país problemas na disponibilidade de água, com secas persistentes em alguns pontos e cheias recordes em outros. Lançado anteontem no Japão, o documento do grupo de trabalho 2 do IPCC dá ênfase a impactos e vulnerabilidades provocados pelo clima ao redor do mundo. Além de listar os principais riscos, o documento ressalta a necessidade de adaptação aos riscos projetados. No Brasil, pela extensão territorial, os efeitos serão diferentes em cada região.

Além de afetar a floresta e seus ecossistemas, a mudança climática deve prejudicar também a geração de energia, a agricultura e até a saúde da população. “Tudo remete à água. Onde nós tivermos problemas com a água, vamos ter problemas com outras coisas”, resumiu Marcos Buckeridge, professor da USP e um dos autores do relatório do IPCC, em entrevista coletiva com outros brasileiros que participaram do painel.

Na Amazônia, o padrão de chuvas já vem sendo afetado. Atualmente, a cheia no rio Madeira já passa dos 25 m –nível mais alto da história– e afeta 60 mil pessoas. No Nordeste, que nos últimos anos passou por secas sucessivas, as mudanças climáticas podem intensificar os períodos sem chuva, e há um risco de que o semiárido vire árido permanentemente.

Segundo José Marengo, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e um dos autores principais do documento, ainda é cedo para saber se a seca persistente em São Paulo irá se repetir no ano que vem ou nos outros, mas alertou que é preciso que o Brasil se prepare melhor.

MITIGAR E ADAPTAR
O IPCC fez previsões para diferentes cenários, mas, basicamente, indica que as consequências são mais graves quanto maiores os níveis de emissões de gases-estufa. “Se não dá para reduzir as ameaças, precisamos pelo menos reduzir os riscos”, disse Marengo, destacando que, no Brasil, nem sempre isso acontece. No caso das secas, a construção de cisternas e a mobilização de carros-pipa seriam alternativas de adaptação. Já nos locais onde deve haver aumento nas chuvas, a remoção de populações de áreas de risco, como as encostas, seria a alternativa.

Carolina Dubeux, da UFRJ, que também participa do IPCC, afirma que, para que haja equilíbrio entre oferta e demanda, é preciso que a economia reflita a escassez dos recursos naturais, sobretudo em áreas como agricultura e geração de energia. “É necessário que os preços reflitam a escassez de um bem. Se a água está escassa, o preço dela precisa refletir isso. Não podemos só expandir a oferta”, afirmou.

Neste relatório, caiu o grau de confiança sobre projeções para algumas regiões, sobretudo em países em desenvolvimento. Segundo Carlos Nobre, secretário do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, isso não significa que o documento tenha menos poder político ou científico.

Everton Lucero, chefe de clima no Itamaraty, diz que o documento será importante para subsidiar discussões do próximo acordo climático mundial. “Mas há um desequilíbrio entre os trabalhos científicos levados em consideração pelo IPCC, com muito mais ênfase no que é produzido nos países ricos. As nações em desenvolvimento também produzem muita ciência de qualidade, que deve ter mais espaço”, disse.

(Giuliana Miranda/Folha de S.Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/159305-impactos-mais-graves-no-clima-do-pais-virao-de-secas-e-de-cheias.shtml

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Relatório do IPCC aponta riscos e oportunidades para respostas (Ascom do MCTI)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Um total de 309 cientistas de 70 países, entre coordenadores, autores, editores e revisores, foram selecionados para produzir o relatório

O novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) diz que os efeitos das mudanças climáticas já estão ocorrendo em todos os continentes e oceanos e que o mundo, em muitos casos, está mal preparado para os riscos. O documento também conclui que há oportunidades de repostas, embora os riscos sejam difíceis de gerenciar com os níveis elevados de aquecimento.

O relatório, intitulado Mudanças Climáticas 2014: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade, foi elaborado pelo Grupo de Trabalho 2 (GT 2) do IPCC e detalha os impactos das mudanças climáticas até o momento, os riscos futuros e as oportunidades para uma ação eficaz para reduzir os riscos. Os resultados foram apresentados à imprensa brasileira em entrevista coletiva no Rio de Janeiro nesta terça-feira (1º).

Um total de 309 cientistas de 70 países, entre coordenadores, autores, editores e revisores, foram selecionados para produzir o relatório. Eles contaram com a ajuda de 436 autores contribuintes e 1.729 revisores especialistas.

Os autores concluem que a resposta às mudanças climáticas envolve fazer escolhas sobre os riscos em um mundo em transformação, assinalando que a natureza dos riscos das mudanças climáticas é cada vez mais evidente, embora essas alterações também continuem a produzir surpresas. O relatório identifica as populações, indústrias e ecossistemas vulneráveis ao redor do mundo.

Segundo o documento, o risco da mudança climática provém de vulnerabilidade (falta de preparo), exposição (pessoas ou bens em perigo) e sobreposição com os riscos (tendências ou eventos climáticos desencadeantes). Cada um desses três componentes pode ser alvo de ações inteligentes para diminuir o risco.

“Vivemos numa era de mudanças climáticas provocadas pelo homem”, afirma o copresidente do GT 2 Vicente Barros, da Universidade de Buenos Aires, Argentina. “Em muitos casos, não estamos preparados para os riscos relacionados com o clima que já enfrentamos. Investimentos num melhor preparo podem melhorar os resultados, tanto para o presente e para o futuro.”

Reação
A adaptação para reduzir os riscos das mudanças climáticas começa a ocorrer, mas com um foco mais forte na reação aos acontecimentos passados do que na preparação para um futuro diferente, de acordo com outro copresidente do GT, Chris Field, da Carnegie Institution for Science, dos Estados Unidos.

“A adaptação às mudanças climáticas não é uma agenda exótica nunca tentada. Governos, empresas e comunidades ao redor do mundo estão construindo experiência com a adaptação”, explica Field. “Esta experiência constitui um ponto de partida para adaptações mais ousadas e ambiciosas, que serão importantes à medida que o clima e a sociedade continuam a mudar”.

Riscos futuros decorrentes das mudanças no clima dependem fortemente da quantidade de futuras alterações climáticas. Magnitudes crescentes de aquecimento aumentam a probabilidade de impactos graves e generalizados que podem ser surpreendentes ou irreversíveis.

“Com níveis elevados de aquecimento, que resultam de um crescimento contínuo das emissões de gases de efeito estufa, será um desafio gerenciar os riscos e mesmo investimentos sérios e contínuos em adaptação enfrentarão limites”, afirma Field.

Problemas
Impactos observados da mudança climática já afetaram a agricultura, a saúde humana, os ecossistemas terrestres e marítimos, abastecimento de água e a vida de algumas pessoas. A característica marcante dos impactos observados é que eles estão ocorrendo a partir dos trópicos para os polos, a partir de pequenas ilhas para grandes continentes e dos países mais ricos para os mais pobres.

“O relatório conclui que as pessoas, sociedades e ecossistemas são vulneráveis em todo o mundo, mas com vulnerabilidade diferentes em lugares diferentes. As mudanças climáticas muitas vezes interagem com outras tensões para aumentar o risco”, diz Chris Field.

A adaptação pode desempenhar um papel-chave na redução destes riscos, observa Vicente Barros. “Parte da razão pela qual a adaptação é tão importante é que, devido à mudança climática, o mundo enfrenta uma série de riscos já inseridos no sistema climático, acentuados pelas emissões passadas e infraestrutura existente”.

Field acrescenta: “A compreensão de que a mudança climática é um desafio na gestão de risco abre um leque de oportunidades para integrar a adaptação com o desenvolvimento econômico e social e com as iniciativas para limitar o aquecimento futuro. Nós definitivamente enfrentamos desafios, mas compreender esses desafios e ultrapassá-los de forma criativa pode fazer da adaptação à mudança climática uma forma importante de ajudar a construir um mundo mais vibrante em curto prazo e além”.

Conteúdo
O relatório do GT 2 é composto por dois volumes. O primeiro contém Resumo para Formuladores de Políticas, Resumo Técnico e 20 capítulos que avaliam riscos por setor e oportunidades para resposta. Os setores incluem recursos de água doce, os ecossistemas terrestres e oceânicos, costas, alimentos, áreas urbanas e rurais, energia e indústria, a saúde humana e a segurança, além dos meios de vida e pobreza.

Em seus dez capítulos, o segundo volume avalia os riscos e oportunidades para a resposta por região. Essas regiões incluem África, Europa, Ásia, Australásia (Austrália, a Nova Zelândia, a Nova Guiné e algumas ilhas menores da parte oriental da Indonésia), América do Norte, América Central e América do Sul, regiões polares, pequenas ilhas e oceanos.

Acesse a contribuição do grupo de trabalho (em inglês) aqui ou no site da instituição.

A Unidade de Apoio Técnico do GT 2 é hospedada pela Carnegie Institution for Science e financiada pelo governo dos Estados Unidos.

Mapa
“O relatório do Grupo de Trabalho 2 é outro importante passo para a nossa compreensão sobre como reduzir e gerenciar os riscos das mudanças climáticas”, destaca o presidente do IPCC, RajendraPachauri. “Juntamente com os relatórios dos grupos 1 e 3, fornece um mapa conceitual não só dos aspectos essenciais do desafio climático, mas as soluções possíveis.”

O relatório do GT 1 foi lançado em setembro de 2013, e o do GT 3 será divulgado neste mês. O quinto relatório de avaliação (AR5) será concluído com a publicação de uma síntese em outubro.

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima é o organismo internacional para avaliar a ciência relacionada à mudança climática. Foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnuma), para fornecer aos formuladores de políticas avaliações regulares da base científica das mudanças climáticas, seus impactos e riscos futuros, e opções para adaptação e mitigação.

Foi na 28ª Sessão do IPCC, realizada em abril de 2008, que os membros do painel decidiram preparar o AR5. O documento envolveu 837 autores e editores de revisão.

(Ascom do MCTI, com informações do IPCC)
http://www.mcti.gov.br/index.php/content/view/353700/Relatorio_do_IPCC_aponta_riscos_e_oportunidades_para_respostas.html

Professor da USP defende golpe de 64, e alunos invadem a aula (O Globo)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Coletivo Canto Geral protestou contra discurso do docente Eduardo Gualazzi em homenagem à ‘revolução’. Professor de Direito Administrativo diz que universitários pediram aula sobre a ditadura

No dia em que o golpe militar de 64 completou 50 anos, nesta segunda-feira, o professor Eduardo Lobo Botelho Gualazzi, de Direito Administrativo da USP, resolveu homenagear o que ele denominou de “revolução”. Após iniciar a leitura de um discurso em que afirmou que apoiou “humildemente, em silêncio firme, a revolução de 31 de março de 1964” , um grupo de alunos começou a fazer barulho do lado de fora da sala, simulando cenas de tortura comuns na época da ditadura. Veja, acima, o vídeo postado no YouTube.

Em seguida, os estudantes entraram em sala encapuzados cantando “Opinião”, um hino contra o regime militar, de Zé Ketti. O professor retirou o capuz de uma universitária e tentou segurar outro aluno. Preso e torturado na ditadura, o ex-militante Antonio Carlos Fon, que havia sido convidado para o protesto, dirigiu-se a Gualazzi dizendo que não concordavam com o que ele dizia, “mas ninguém trouxe máquina de choque nem vai botar pau de arara”. Na sequência, o professor saiu de sala, enquanto o ato do Coletivo Canto Geral continuou.

Segundo a aluna Camila Sátolo, uma das organizadoras do ato, o professor, já há alguns anos, faz referências e apologias ao que ele chama de “revolução de 64”. De acordo com a estudante, que faz parte do Canto Geral, Gualazzi já havia programado uma aula especial para a data, e há algumas semanas começara a espalhar isso para sua turma, dizendo que iria falar sobre suas memórias da “revolução”.

– Muitos estudantes incomodados procuraram se articular para questionar a aula planejada pelo professor no mesmo dia em que o país tenta re-significar sua memória, relembrando a resistência ao regime militar e lutando por verdade e justiça. Minutos antes da aula ficamos sabendo que o professor havia preparado um documento oficial no qual confirmou seu apoio dentre outras barbaridades. O professor, entretanto, nem se dispôs a escutar a fala do Fon e se retirou da sala – contou Camila, aluna do 5º período de Direito.

Professor diz achar estranho repercussão sobre ‘assunto banal’
Professor de direito administrativo há 40 anos, Eduardo Gualazzi disse ao GLOBO “achar estranho dar tanta repercussão a um assunto tão banal”.

– Foi uma aula comum, a respeito de fatos que presenciei quando eu tinha 17 anos de idade. São recordações vagas, de um passado remoto. Qualquer ser humano nascido no Brasil tem recordações daquela época. Não sei por que ficam dando à minha aula uma importância que ela não tem – disse Gualazzi, para quem a qualquer momento se encontrará no pátio da universidade “uma série de alunos manifestando-se contra ou a favor de qualquer coisa”.

– Eles estão exercendo o direito de manifestação, são jovens, estão começando a vida. Estão começando a desenvolver capacidades de argumentação lógica, jurídica, administrativa. Isso tudo é absolutamente normal – completou.

Perguntado sobre a relação entre o texto lido em sala e a disciplina ministrada na universidade, o professor alegou ter atendido a um pedido dos próprios alunos:

– Preparei um texto histórico. Os alunos me pediram uma aula a respeito disso, porque sabem que tenho idade. São jovenzinhos, curiosos, querem saber o que aconteceu naquela época. Como sabem que tenho 67 anos, me pediram. Alguns até elogiaram e consideram uma ofensa o que outros fizeram contra mim.

A Faculdade de Direito da USP informou no fim da tarde desta terça-feira que ainda não decidiu se vai se pronunciar sobre o assunto.

(Lauro Neto E Thiago Herdy / O Globo)
http://oglobo.globo.com/educacao/professor-da-usp-defende-golpe-de-64-alunos-invadem-aula-12057932#ixzz2xjUT2de4

A ditadura venceu (Folha de S.Paulo)

Vladimir Safatle

01/04/2014 03h00

Hoje é o dia que marca, afinal, os 50 anos do golpe militar ocorrido em 1º de abril de 1964. Durante as últimas semanas, a sociedade brasileira foi obrigada a ler afirmações de personagens como o senhor Leônidas Pires Gonçalves, primeiro ministro do Exército pós-ditadura, insultando o país ao dizer que: “a revolução (sic) não matou ninguém” e que ela teria sido uma necessidade histórica.

Antes, correntistas do banco Itaú, uma instituição tão organicamente ligada à ditadura que teve um de seus donos, o senhor Olavo Setúbal, nomeado prefeito biônico da cidade de São Paulo, receberam uma singela agenda onde se lia que o dia de hoje seria o aniversário da dita “revolução”. Ninguém, nem nas Forças Armadas nem no setor empresarial que tramou e alimentou o golpe teve a dignidade de pedir à sociedade perdão por um regime que destruiu o país.

É claro que ainda hoje há os que procuram minimizar a ditadura afirmando que ela foi responsável por conquistas econômicas relevantes. Raciocínio semelhante foi, por um tempo, utilizado no Chile.

Tanto em um caso quanto no outro esse raciocínio é falso. A inflação brasileira em 1963 era de 78%. Vinte anos depois, em 1983, era de 239%. O endividamento chegou, ao final da ditadura, a US$ 100 bilhões, legando um país de economia completamente cartelizada, que se transformara na terceira nação mais desigual do mundo e cujas decisões eram tomadas não pelo ministro da economia, mas pelos tecnocratas do Fundo Monetário Internacional chefiados pela senhora Ana Maria Jul. A concentração e a desigualdade se acentuaram, o êxodo rural destruiu nossas cidades, a educação pública foi destroçada, a começar por nossas universidades.

Mas o maior exemplo desse revisionismo histórico encontra-se na crença, de 68% da população brasileira, de que aquele era um período de menos corrupção. Alguém deveria enviar para cada uma dessas pessoas os dossiês de casos como: Coroa-Brastel, Capemi, Projeto Jari, Lutfalla, Banco Econômico, Transamazônica e Paulipetro.

Tudo isso apenas demonstra o fracasso que foi, até agora, o dever de memória sobre a ditadura.

Mas o que poderíamos esperar de governos, como o de Fernando Henrique Cardoso, cujos fiadores eram Antônio Carlos Magalhães e Jorge Bornhausen, e de Luiz Inácio Lula da Silva/Dilma Rousseff, que tem em José Sarney um de seus pilares e em Antonio Delfim Netto um de seus principais conselheiros?

Como esperar uma verdadeira política contra a ditadura de governos que dependem de figuras vindas diretamente da ditadura?

Foi assim, de maneira silenciosa, que a ditadura venceu.

Governo de SP institui cobrança por água de áreas protegidas (Portal do Meio Ambiente)

PUBLICADO 01 ABRIL 2014

Rio Passareúva, no Parque Estadual da Serra do Mar, em Cubatão, área de proteção de manancial próxima à Baixada Santista
(Foto: Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo/Trilhas de São Paulo)

Um decreto publicado pelo governo de São Paulo na sexta-feira (28.mar) estabeleceu, entre outras medidas, que o uso da água produzida em parques, estações ecológicas e outras unidades de conservação do estado poderá ser cobrado para gerar novos recursos a serem aplicados na gestão dessas áreas.

Assinado ontem pelo governador Geraldo Alckmin, o decreto 60.302 de 2014 prevê também para unidades de conservação (UCs) a destinação de um percentual fixo sobre a arrecadação de pedágios de rodovias que atravessam essas áreas. A Secretaria do Meio Ambiente (SMA), com o apoio de outros órgãos do estado, deverá apresentar no prazo máximo de dois anos um estudo com proposta de percentual a ser adotado e do mecanismo para viabilizar essa transferência de recursos.

Pedágios

A cobrança pelo uso de água é estabelecida na norma publicada hoje em seu artigo 38, para as unidades de conservação estaduais sem discriminar categorias dessas áreas. Desse modo, em princípio, fica aberta a possibilidade de recursos para as 31 reservas particulares de patrimônio natural, as RPPNs.

No entanto, a publicação prevê a receita proveniente de pedágios somente para as UCs classificadas como de proteção integral, que são os parques estaduais, as estações ecológicas, os monumentos naturais e os refúgios de vida silvestre.

Planos e metas

Em suas linhas gerais, o decreto estabelece novas regras de articulação entre os órgãos estaduais envolvidos com áreas protegidas, principalmente a Fundação Florestal e o Instituto Florestal.

A publicação de hoje obriga os gestores de UCs do estado a apresentar, até o dia 30 de outubro de cada ano, plano de metas anual, que deverá especificar ações e despesas previstos para o ano seguinte. Em cada unidade, o plano deverá ser apreciado pelo respectivo conselho — que é formado por representantes da comunidade nomeados pelo governo — para ser em seguida aprovado pelo dirigente do órgão estadual responsável.

Impactos ambientais

Outra novidade do decreto envolve empresas de captação e distribuição de água, de telefonia celular, de transmissão de energia elétrica, de distribuição de derivados de petróleo e outras que possuem instalações e equipamentos dentro de UCs. Essas companhias passam a ter a obrigação de cuidar permanentemente para que seus oleodutos, gasodutos, torres de transmissão, tubulações, vias de acesso ou outras instalações não gerem novos impactos ambientais além daqueles previstos no licenciamento de suas atividades, como estabelece o artigo 31:

Os empreendedores, permissionários e concessionários responsáveis por abertura e/ou manutenção de acessos de uso exclusivo necessários aos seus empreendimentos, no interior das unidades de conservação de proteção integral, deverão manter controle diuturno desses acessos para fins de conservação dos atributos ambientais da unidade de conservação.

Um bom exemplo da necessidade desse dispositivo está nos chamados bairros-cota de Cubatão, que resultaram de invasões em áreas do Parque Estadual da Serra do Mar durante e depois das obras das rodovias Anchieta e Imigrantes, aconteceram debaixo do nariz de todo mundo. E — pior — nesse caso o empreendedor foi o próprio governo do estado.

Abrangência

As unidades de conservação da Secretaria do Meio Ambiente abrangem 47 mil quilômetros quadrados, que correspondem a 18,9% da área total do estado de São Paulo.

Elas estão distribuídas em 31 RPPNs, 30 áreas de proteção ambiental, 37 parques estaduais, 26 estações ecológicas, 15 florestas estaduais, cinco reservas de desenvolvimento sustentável, quatro áreas de relevante interesse ecológico, dois viveiros florestais, dois monumentos naturais e uma reserva extrativista.

Há, portanto, algumas boas novidades em meio aos 51 artigos do decreto baixado hoje. Esses e outros aspectos merecem ser analisados em profundidade. Inclusive porque resta saber se as novas medidas serão eficazes para o objetivo de proteção das UCs.

Vale questionar, por exemplo, se valerá retroativamente para as empresas permissionárias ou concessionárias já licenciadas a obrigação sobre instalações e equipamentos dentro de UCs. Vamos aguardar.

Exoesqueleto do projeto ‘Walk Again’ funciona em teste documentado no Facebook (O Globo)

JC e-mail 4924, de 01 de abril de 2014

Voluntários já estão treinando em um laboratório de São Paulo para usar a veste robótica

Um paraplégico se levanta da cadeira de rodas, anda e dá o primeiro chute da Copa do Mundo de 2014 vestindo um exoesqueleto robótico controlado pela mente. O traje robótico complexo, construído a partir de ligas leves e alimentado por sistema hidráulico, foi construído por Gordon Cheng, da Universidade Técnica de Munique, e tem a função de trabalhar os músculos da perna paralisada.

O exoesqueleto é fruto de anos de trabalho de uma equipe internacional de cientistas e engenheiros do projeto “Walk Again”, liderado pelo brasileiro Miguel Nicolelis, que lança nesta terça-feira, em sua página no Facebook, a documentação do projeto até as vésperas da Copa do Mundo. Nicolelis já está treinando em um laboratório de São Paulo nove homens e mulheres paraplégicos, com idades de 20 a 40 anos, para usar o exoesqueleto. Três deles serão escolhidos para participar do jogo de abertura entre Brasil e Croácia.

No mês passado, a equipe de pesquisadores foi a jogos de futebol em São Paulo para verificar se a radiação do telefone móvel das multidões pode interferir com o processo. As ondas eletromagnéticas poderiam fazer o exoesqueleto se comportar mal, mas os testes foram animadores. As chances de mau funcionamento são poucas.

O voluntário que usar o exoesqueleto vestirá também um boné equipado com eletrodos para captar suas ondas cerebrais. Estes sinais serão transmitidos para um computador em uma mochila, onde serão descodificados e usados para mover condutores hidráulicos na roupa. O exoesqueleto é alimentado por uma bateria que permite a duas horas de uso contínuo.

Sob os pés do operador estarão placas com sensores para detectar quando o contato é feito com o solo. A cada pisada, um sinal dispara até um dispositivo vibratório costurado no antebraço da camisa do usuário. O dispositivo parece enganar o cérebro, que pensar que a sensação vem de seu pé. Em simulações de realidade virtual, os pacientes sentiram que suas pernas estavam se movendo e tocando alguma coisa. Em outros testes, os pacientes usaram o sistema para andar em uma esteira.

http://oglobo.globo.com/ciencia/exoesqueleto-do-projeto-walk-again-funciona-em-teste-documentado-no-facebook-12053200#ixzz2xe8W6LR5