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Violência das torcidas de futebol na mídia

Cadastro de torcedores: solução para a violência nos estádios? (Universidade do Futebol)

Gustavo Lopes

06/07/2012

Autoridade e entidades organizadoras de eventos não devem aumentar exigência, mas tratar fãs com respeito

A segurança corresponde a um direito individual e social do cidadão brasileiro previsto nos artigos 5º e 6º da Constituição Federal. Sendo assim, de fato, é um dever de todos assegurá-la, impedindo a violência.

A violência no esporte é uma das faces da ausência de segurança cotidiana na sociedade e justamente na atividade esportiva onde deveria haver sua sublimação. Famílias por diversas vezes evitam os estádios, pois os vêem mais como espaço violento, que palco de acontecimentos esportivos.

Neste esteio, a união de todos os envolvidos com a atividade esportiva é essencial para que o desporto brasileiro não faça mais vítimas como o jovem Alex Fornan de Santana, de 29 anos, torcedor do Palmeiras, morto em 21 de fevereiro de 2010 após partida entre Palmeiras e São Paulo válida pelo campeonato paulista, em confronto de torcidas. Este caso recente é apenas um dentre centenas de outros ocorridos pelo mundo.

Muitas medidas são aventadas, propostas e estudadas. O Estatuto do Torcedor, após as alterações introduzidas pela Lei 12.299/2010, passou a exigir o cadastro de torcedores por parte das torcidas organizadas e, ainda, criminalizou uma série de atos dos torcedores. Há quem defenda que o cadastro de torcedores não deve se restringir às “Organizadas”, mas que deve se estender à totalidade de torcedores.

É imprescindível destacar que a violência nos estádios não é característica exclusiva dos desportos brasileiros, cujo nascedouro é atribuído às torcidas organizadas.

Na América Latina, especialmente na Argentina, os torcedores violentos são conhecidos como Barra Brava que correspondem a um tipo de movimento de torcedores que incentivam suas equipes com cantos intermináveis e fogos de artifício que, ao contrário das torcidas organizadas não possuem uniformes próprios, estrutura hierárquica e muitas vezes nem mesmo associados.

Na Europa, os torcedores violentos são conhecidos como hooligans, em especial a partir da década de 1960 no Reino Unido com o hooliganismo no futebol.

A maior demonstração de violência dos hooligans foi a tragédia do Estádio do Heysel, na Bélgica, durante a final da Taça dos Campeões Europeus de 1985, entre o Liverpool da Inglaterra e a Juventus da Itália. Esse episódio resultou em 39 mortos e um elevado número de feridos.

Os hooligans ingleses foram responsabilizados pelo incidente, o que resultou na proibição das equipes britânicas participarem em competições européias por um período de cinco anos.

A escalada de violência nos estádios do Reino Unido foi tamanha que começou a afetar não apenas os residentes locais, mas também a ter consequências para a Europa continental.

Por este motivo, o hooliganismo arranhou a imagem internacional do Reino Unido, que passou a ser visto por todos como um país de violentos arruaceiros, cujo ápice se deu com a tragédia de Heysel.

Insuflada por esse acontecimento, a então primeira-ministra britânica Margareth Thatcher entendeu que o hooliganismo havia se tornado problema crônico e que alguma providência deveria ser tomada.

Entendendo que o aumento do controle estatal minimizaria a violência, a “Dama de Ferro” sugeriu a criação da carteira de identidade dos torcedores de futebol (National Membership Scheme) no Football Spectators Act (FSA), em 1989.

Alguns meses após a divulgação do FSA, ocorreu a maior tragédia do futebol britânico. Na partida válida pelas semifinais da FA Cup entre Liverpool e Nottingham Forest, no estádio de Hillsborough, do Sheffield Wednesday, 96 torcedores do Liverpool morreram, massacrados contra as grades que separavam a arquibancada do campo.

A fim de apurar os motivos da tragédia, o governo britânico iniciou investigação cuja conclusão foi de que o problema não seria os torcedores, mas as estruturas que os atendiam. Muito pior que os hooligans, era a situação dos estádios britânicos naquela época. Não seria possível exigir que as pessoas se comportassem de maneira civilizada em um ambiente que não oferecia as menores condições de higiene e segurança.

Para evitar que novas tragédias se repetissem a investigação realizada, em sua conclusão, estabeleceu uma série de recomendações como, por exemplo a obrigação da colocação de assentos para todos os lugares do estádio, a derrubada das barreiras entre a torcida e o gramado e a diminuição da capacidade dos estádios. Dentre as recomendações estava o cancelamento do projeto da carteira de identificação dos torcedores, eis que havia o receio de que o cadastramento aumentasse o problema da violência, e não o contrário.

Além dos questionamentos sobre a real capacidade dos clubes conseguirem colocar em prática um sistema confiável de cadastro, controle e seleção de torcedores e, ainda, sobre a confiança na tecnologia que seria utilizada, o argumento se baseava na ideia de que a carteira de identidade para torcedores não seria uma ação focada na segurança, mas na violência e as tragédias nos estádios não seriam questão de violência, mas de segurança. Inclusive, a polícia inglesa, que poderia ser beneficiada com a carteira, rejeitou o projeto, que, acabou sendo abandonado.

Em razão das novas exigências, os clubes ingleses se organizaram e na temporada 1992/1993 criaram a “Premier League” que atualmente é o campeonato de futebol mais valioso do mundo.

Além do índice técnico, um dos requisitos para que um clube inglês dispute a “Premier League” é a existência de estádio com boa infra-estrutura aos torcedores.

É fato que no Brasil o problema da violência é grande, mas muito pior é o problema da insegurança. Muitas tragédias como o buraco nas arquibancadas da Fonte Nova, só aconteceu porque o estádio estava em condições ruins, caso em que a carteirinha de identificação não teria salvado as vítimas, mas melhor fiscalização nas reais condições do espaço e o fornecimento de uma estrutura apropriada para o público, certamente teria evitado a tragédia.

Destarte, apesar dos avanços conquistados, especialmente com o advento do Estatuto do Torcedor, o consumidor dos eventos esportivos no Brasil ainda não é respeitado.

Estádios com infraestrutura precária, venda de ingressos e acesso a estádios tumultuados são alguns dos problemas enfrentados rotineiramente pelos torcedores brasileiros.

O fato é que as autoridade e as entidades organizadoras de eventos esportivos ao invés de aumentar a exigência dos torcedores, devem passar a tratá-los com respeito atentando-se ao estabelecido no Estatuto do Torcedor e nos direitos básicos como segurança e organização dos eventos esportivos.
Referências bibliográficas

http://www.cidadedofutebol.com.br/Jornal/Colunas/Detalhe.aspx?id=10782, acessado em 13 de novembro de 2010.

http://www.universidadedofutebol.com.br/2010/10/1,14853,A+IMPORTANCIA+DO+DIREITO+DESPORTIVO.aspx?p=4, acessado em 13 de novembro de 2010.

http://esporte.ig.com.br/futebol/2010/02/22/confrontos+entre+torcidas+deixam+1+morto+e+20+feridos+9404363.html, acessado em 13 de novembro de 2010.

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A violência nos estádios de futebol (Universidade do Futebol)

Gustavo Lopes

15/06/2012

Colunista trabalha em dissertação de mestrado para analisar o tema e divide a questão em três partes

Nas últimas semanas, estive envolvido na conclusão da minha dissertação de mestrado que trata das causas e soluções para a violência nos estádios de futebol da América do Sul.

O trabalho desenvolveu a memória de algumas correntes existentes sobre a violência no futebol, a intenção de obter uma interpretação a partir das mais diversas teorias, como as de Eric Dunning, Norbert Elías, Heloisa Helena Bady dos Reis e outros para tentar esclarecer esse fenômeno esse fenômeno tão complexo que é a violência nos espetáculos esportivos, focando-se nos países da América do Sul filiados à Conmebol.

Os países sulamericanos filiados à entidade foram divididos em três grupos. O primeiro denominado América Andina é composto por Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. O segundo, a América Platina, é composta por Argentina, Paraguai e Uruguai.

Finalmente, por suas peculiaridades e importância futebolística, política e econômica, o Brasil é apresentado separadamente. Cada país é descrito geopolítica e futebolisticamente analisando-se a legislação antiviolência.

No capítulo seguinte, faz-se um histórico dos principais casos de violência na América do Sul para, no tópico seguinte, apontar as suas causas.

Dentre as causas da violência, busca-se a doutrina internacional para enumerar as que melhor se aplicam à América do Sul, com destaque para a falta de respeito para com os direitos dos torcedores, a precariedade da infraestrutura dos estádios de futebol, a situação sócio-econômica da população do país, a impunidade e a falta de atuação governamental.

Após, apontam-se medidas adotadas na legislação alienígena, especialmente na Inglaterra, Portugal, Espanha, Estados Unidos, dentre outros.

Por fim, na conclusão, apontam-se as causas investigadas com as respectivas soluções legislativas e/ou governamentais. Ante todo o estudado, pesquisado e avaliado, constata-se que é possível combater a violência nos estádios de futebol com medidas eficientes. Desenvolveremos algumas conclusões em colunas futuras.

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Violência das torcidas organizadas: um desafio para a Copa do Mundo de 2014

Setores radicais desses grupos precisam abandonar a violência como prática. Com isso, ganharão legitimidade e terão um longo caminho a percorrer na história do nosso esporte

Rodrigo Monteiro*

03/04/2012

A Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro têm mobilizado autoridades e a sociedade brasileira em discussões acerca do legado que esses megaeventos deixarão para o país e, sobretudo, para as cidades-sede desses eventos.

Uma dessas heranças é o novo Estatuto do Torcedor, sancionado em julho de 2011. Seu principal objetivo é coibir a violência nos estádios.

Em pesquisa realizada pelo Ibope e pelo jornal Lance!, publicada em agosto de 2010, 60% dos entrevistados disseram-se a favor da extinção das torcidas organizadas. Por um motivo simples: depois de já terem ocorrido tantos conflitos violentos envolvendo torcedores, a sociedade enxerga esses grupos como uma ameaça.

Masculinidade exacerbada e disputa territorial constituem práticas comuns de alguns grupos de torcedores organizados e revelam o que o sociólogo alemão Norbert Elias chamou de ethos guerreiro (entendido como vontade e disposição para agredir e destruir fisicamente o rival) que constrói uma das muitas identidades masculinas.

A esperança é que a reforma do estatuto ajude a combater o problema. Uma das novas punições previstas para torcedores violentos exige que eles se apresentem em delegacias durante os jogos. A norma é inspirada na legislação inglesa que cuida dos famosos hooligans. O texto também proíbe e pune cambistas, exige maior transparência dos organizadores dos campeonatos e prevê penas severas para os árbitros desonestos. Não há, no entanto, qualquer menção a policiais que abusem de seus poderes ou desviem-se de suas funções contra torcedores.

Alguns pontos do estatuto, porém, são polêmicos. Ele determina, por exemplo, que as torcidas organizadas se tornem juridicamente responsáveis pelos atos de seus membros. Mas será justo condenar, social e legalmente, o todo pela parte? Isso pode criminalizar as organizadas e ameaçar o direito à livre associação, uma das garantias constitucionais básicas de qualquer democracia.

O estatuto também mantém a proibição da venda de bebidas alcoólicas. No entanto, é sabido que os únicos produtos que podem ser vendidos nos estádios e em seus arredores são os licenciados pela Fifa. Entre esses produtos, estão bebidas alcoólicas de empresas patrocinadoras da entidade. Ao que parece, essa questão já foi superada e a favor dos interesses da Fifa e de suas associadas.

Cabe, então, a pergunta: de quem será a soberania nos dias de Copa? Do Estado brasileiro ou da Fifa?

É evidente que os setores radicais das organizadas precisam abandonar a violência como prática. Com isso, ganharão legitimidade e terão um longo caminho a percorrer na história do nosso esporte. Para que isso ocorra, algumas medidas simples podem ser eficazes.

Bandeiras (em duplo sentido) legítimas para as organizadas não faltam: questionar o comando da CBF; bem como os mandos e desmandos das federações estaduais; a relação promíscua entre técnicos, empresários e dirigentes; o elevado preço dos ingressos; os bizarros e contraproducentes horários de transmissões esportivas; transparência nos gastos públicos para a construção de equipamentos esportivos para a Copa e as Olimpíadas, etc.

Caso nenhum desses argumentos sensibilize as organizadas, ao menos que critiquem e incentivem seus clubes amados de forma civilizada. Já terá sido válido.

*Rodrigo Monteiro é sociólogo, pós-doutorando (FAPERJ), pesquisador do NUPEVI/IMS/UERJ e autor do livro “Torcer, lutar, ao inimigo massacrar: Raça Rubro Negra!”, pela Editora FGV.

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Maurício Murad diz que impunidade motiva violência das torcidas (03:14)

Redação SportTV – 28/03/2012

Sociólogo explica problema tem níveis nacionais e exige soluções.

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Isto É – N° Edição:  2212 |  30.Mar.12 – 21:00 |  Atualizado em 04.Set.12 – 05:06

COMPORTAMENTO

Como acabar com as gangues do futebol

As torcidas organizadas agem como quadrilhas, matam e aterrorizam cidades por todo o país. A repressão a esses baderneiros se tornou um desafio nacional

Rodrigo Cardoso

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APÓS A BRIGA
Torcida do Palmeiras na quarta-feira 28: calmaria depois da batalha campal do domingo

A polícia de São Paulo tomou um drible desconcertante de gangues uniformizadas que usam as cores de times de futebol para espalhar medo e matar. No domingo 25, 300 palmeirenses e corintianos, membros de torcidas organizadas, se encontraram na avenida Inajar de Souza, zona norte de São Paulo, para brigar. Dois jovens morreram após uma batalha campal às 10 horas em uma via pública movimentada, a dez quilômetros do estádio do Pacaembu, onde Corinthians e Palmeiras disputariam uma partida seis horas depois. O confronto havia sido agendado pela internet na semana anterior. Diante de tanta gente enfurecida, armada e com sede de sangue, os quatro policiais presentes em duas viaturas não tiveram como evitar a tragédia anunciada. “Eles estavam usando fogos de artifício e bombas. E a polícia não teve outra saída a não ser recuar e praticamente assistiu ao conflito”, admitiu o cabo Adriano Lopomo.

A ação das torcidas organizadas há muito ultrapassou o limite da civilidade. A situação de São Paulo é mais grave, até pelo tamanho das torcidas. Por isso, mesmo regiões distantes dos estádios ficam reféns dessas gangues. Trechos de várias cidades brasileiras estão sujeitos à violência desses baderneiros em dia de futebol e a população fica sitiada. No mesmo domingo 25, na capital cearense, o clássico Ceará e Fortaleza foi marcado por ocorrências antes, durante e depois do jogo. Guardas municipais foram baleados por torcedores em um terminal de ônibus, pessoas consumindo drogas, praticando furtos e brigando na arquibancada acabaram na delegacia. Objetos foram lançados contra os carros na BR-116. Uma semana antes, em Campinas, um jovem de 28 anos foi espancado e morreu em uma briga entre torcedores dos times rivais Guarani e Ponte Preta.

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BADERNA
Torcida do Corinthias a caminho do jogo no
domingo 25: armas, bombas e fogos de artifício

Esses encrenqueiros começaram a frequentar as páginas policiais em meados dos anos 1980. Depois, desceram das arquibancadas e passaram a se enfrentar nas proximidades dos estádios. Ultimamente, porém, candidatam-se para brigas pré-agendadas pela internet em locais distante dos jogos. Rastrear esses choques de torcidas – com a utilização de softwares modernos e pessoal treinado para esse tipo de trabalho – é obrigação da polícia. É a maneira mais inteligente de prevenir brigas que podem causar mortes. “Um monitoramento mais eficiente das redes sociais é algo a ser pensado”, admite o major Marcel Soffner, porta-voz da PM paulista.

O procurador de Justiça Fernando Capez, que combateu a violência das torcidas organizadas antes de se tornar deputado estadual pelo PSDB paulista, defende medidas mais radicais. “Policiais devem se infiltrar nas organizadas para identificar os baderneiros. É preciso fazer interceptações telefônicas para rastrear as comunicações de quem marca esses encontros pela internet, providencia as armas, as drogas e comete outros delitos”, diz ele. O promotor Paulo Castilho, diretor do Departamento de Defesa dos Direitos do Torcedor do Ministério do Esporte, reforça que é necessário promover uma prisão em massa por formação de quadrilha, tráfico de entorpecentes e espancamento. Tem de ser assim porque as torcidas organizadas estão se transformando em criminosos organizados.

Isso foi constatado no estudo “A violência e as mortes do torcedor de futebol no Brasil”, realizado entre 1999 e 2008 pelo professor Maurício Murad, titular de sociologia do esporte no mestrado da Universidade Salgado de Oliveira (Universo). Investigador do comportamento de torcidas organizadas há 20 anos, ele acompanhou integrantes dessas facções nos estádios, onde ouviu de alguns que não gostavam de futebol e ficavam de costas para o campo provocando outras pessoas simplesmente para brigar. “Falta ação, vontade política para tratar o problema”, diz o professor. Os clubes de futebol também devem ser cobrados, pois as organizadas têm regalias. Existem agremiações que distribuem ingressos de graça para as facções ou disponibilizam a venda para elas em guichês exclusivos. Além disso, há membros de torcidas organizadas que participam de conselhos deliberativos de times.

Diante da incapacidade do poder público de prevenir o problema e garantir a segurança de todos, alguns clubes estão partindo para medidas extremas. A repercussão negativa da morte do torcedor em Campinas na semana passada fez com que os presidentes do Guarani e da Ponte Preta optassem, até segunda ordem, pela disputa do clássico com apenas uma torcida. O mesmo aconteceu no mês passado no Paraná. Apenas os torcedores do Atlético Paranaense puderam assistir ao clássico contra o Coritiba no estádio da Vila Capanema. A medida, porém, fere o Estatuto do Torcedor. Com esse argumento, a procuradoria paranaense denunciou os clubes e, na quarta-feira 4, o Tribunal de Justiça Desportiva julgará o caso. Os times podem ser penalizados com multa de até R$ 100 mil. A torcida única não é novidade. Em Minas Gerais, a medida é adotada nos jogos entre Atlético e Cruzeiro desde 2010. Por causa da Copa, o Mineirão está em obras e a Arena do Jacaré, que tem capacidade para 18.850 pessoas e passou a abrigar os clássicos, não oferece segurança para comportar as duas torcidas juntas.

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PLACAR
Acima, André Lezo, que morreu na briga das duas
torcidas. Sete pessoas foram presas pela polícia

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Em São Paulo, providências mais concretas foram tomadas no dia seguinte às mortes na Inajar de Souza. Sete pessoas foram presas, policiais inspecionaram as quadras da Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde e apreenderam computadores nas duas sedes. Na casa de um dos presos, que é irmão de um dos torcedores mortos, a polícia encontrou munição, canivete e cassetete. Para a delegada que conduz o caso, Margarette Barreto, da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, não há mocinhos nesse caso. “Todos os indícios mostram que eles também são brigadores. Não estamos falando de vítimas, não estamos falando de nenhum chapeuzinho vermelho passeando na floresta”, diz ela. E, por ora, a Federação Paulista de Futebol proibiu a entrada das duas facções nos jogos.

A experiência internacional pode ser útil ao Brasil. Segundo o sociólogo Murad, que por dois anos viajou por 16 países europeus como integrante do grupo de estudos e prevenção à violência da Uefa, a entidade que rege o futebol na Europa, ninguém conseguiu acabar com a violência das torcidas. Mas contê-la e colocá-la em níveis aceitáveis foi possível em vários lugares. Na Inglaterra, a Scotland Yard criou um gabinete só para vigiar e punir os hooligans, os torcedores violentos daquele país, que foram proibidos de viajar para outras localidades da Europa. “Lá, eles foram cadastrados; clubes perderam pontos quando a torcida deles provocou conflitos; e chefes de torcidas, que também fazem tráfico de drogas, foram responsabilizados criminalmente”, enumera o professor. Os hooligans não foram extintos, mas estão sob controle da polícia e da Justiça. Na Itália, a polícia fiscaliza e prende quem combina brigas pela internet. Há muito a ser feito no Brasil e os caminhos são conhecidos. Prevenir, reprimir, prender e condenar exemplarmente é o que se espera do poder público.

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IN LOCO
A polícia apreendeu computadores nas sedes
da Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde

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Hooliganismo e a sedução da violência (Universidade do Futebol)

Caráter lúdico desse tipo de ação e ineficiência da prevenção simplesmente policial remete à necessidade de estudos sobre o comportamento social e dos governos das cidades

Carlos Alberto de Camargo

25/02/2011

Uma das ameaças a ser consideradas no planejamento da segurança da Copa do Mundo é o hooliganismo, que não se confunde com a violência das torcidas organizadas brasileiras – esta última, em termos de Copa do Mundo, representa uma ameaça mais remota; mas o estudo do hooliganismo contribui para o entendimento da violência de nossas torcidas.

A capacidade de sedução da violência é a principal mensagem que o diretor Phillip Davis pretendeu passar no vídeo “Fúria nas Arquibancadas”, em que o personagem John Brandon, policial britânico infiltrado com três outros companheiros na torcida do Shadwell (um time fictício) a fim de conseguir informações necessárias ao controle da violência, acaba sendo cooptado por essa violência, absolutamente fascinado por ela, adotando o mesmo modo de vida dos hooligans, com suas inúmeras brigas e intermináveis bebedeiras.

É a mesma sedução que consta no testemunho pessoal do jornalista Bill Buford, em seu livro “Entre os Vândalos”, também infiltrado durante quatro anos na torcida do Manchester United a fim de descobrir por que os jovens ingleses do sexo masculino se envolviam em tumultos todos os sábados.

Na estação londrina de Marble Arch, retornando de um fim de semana violento em Turim, onde fora com a torcida acompanhar o Manchester, o jornalista surpreendeu-se com sua própria atitude. Irritado com um casal de idosos que caminhava lentamente à sua frente, amparados por suas bengalas, ele os ultrapassou, empurrando-os bruscamente e, já na dianteira, voltou-se para xingar.

Bill Buford descreve assim a violência: “Fiquei espantado com aquilo que descobri. Não esperava que violência fosse tão prazerosa. Poderia supor, caso me tivesse disposto a pensar a respeito, que a violência fosse provocante – no sentido em que um acidente de trânsito é provocante -, mas aquele prazer puro e elementar era de uma intensidade diferente de tudo que eu previra ou experimentara anteriormente. Não se tratava, contudo, de uma violência qualquer. Não se tratava de violência fortuita, ou violência de sábado à noite ou brigas de pub – era violência de massa, era essa que importava; os mecanismos muito particulares da violência das multidões”.

E o autor arrisca-se mesmo a apontar o principal combustível que movimenta esse comportamento: “a adrenalina, que pode ser tanto mais poderosa, porque é gerada pelo próprio corpo, contendo, fiquei convencido, muitas das mesmas propriedades viciantes que caracterizam as drogas sinteticamente produzidas”.

O personagem John Brandon entregou-se a essa mesma sedução, mergulhando de cabeça na espiral descendente que leva à total degradação, à negação da dignidade humana, à negação das mínimas regras necessárias a uma sadia convivência em sociedade. Entregou-se, iludido pela miragem assim descrita por Bill Buford:

“A violência apresenta uma das experiências vividas com mais intensidade e, para aqueles capazes de se entregar a ela, um dos mais intensos prazeres”. Mesmo advertido pelos seus companheiros de que essa ilusão o estava levando à autodestruição.

Tanto o livro como o filme apresentam uma impressionante sequência de escaramuças entre torcidas rivais; destacam a imagem desagradável e mesmo repulsiva do torcedor violento, acostumado a ingerir enorme quantidade de álcool, que sente tédio nos dias em que não vê futebol e que pratica delitos; e ainda procuram mostrar uma polícia inglesa às vezes omissa e à vezes excessivamente violenta.

As imagens que reproduzem a atuação da polícia nos estádios não resistem a uma análise técnica: revista pessoal falha e por amostragem, o que permite a introdução de armas, dardos e outros objetos perigosos; o policial que não mantém detidos os torcedores apreendidos por comportamento inconveniente; cenas de violência policial e a omissão da polícia em certos casos ou sua impotência quando algumas pessoas decidem desobedecer às leis.

O filme termina com nosso personagem participando de uma passeata neonazista. O livro também aborda o assunto, descrevendo como os rapazes de terno do National Front assediam as torcidas, que são o campo ideal para o recrutamento, já que se constituem em massas violentas ainda não politicamente dirigidas.

O repórter Bill Buford, ao contrário, termina sua narrativa confessando que em dado momento – quando preparava-se para viajar para Turim, nas eliminatórias para a Copa de 90 – entrou em depressão profunda: a simples ideia de um novo contato com a violência e as bebedeiras dos Hooligans o deixou doente.

Para melhor ilustrar o que pretendemos alertar, novamente nos socorremos de um exemplo inglês, desta vez narrado pelo jornalista Otávio Dias. Reportando a rebelião ocorrida na cidade de Luton, ao norte de Londres, em julho de 1995, quando durante vários dias grupos de jovens entraram em choque com a polícia, incendiando carros, apedrejando e saqueando lojas e casas, ele transcreveu depoimento de um deles: “enfrentar a polícia é a única maneira de conseguirmos um pouco de emoção”.

Todas essas observações nos fazem ficar preocupados com um dos aspectos da violência coletiva: o seu caráter eventualmente lúdico, que torna ineficaz a prevenção simplesmente policial, e que, por isso, recomenda seja objeto da preocupação de estudiosos do comportamento social e dos governos das cidades. A cuidadosa observação da forma como este problema tem sido enfrentado em todo mundo nos demonstra como eficazes: a rápida e rigorosa punição dos infratores, capaz de eliminar o sentimento de impunidade; a ocupação territorial inteligente e preventiva pela polícia, tomando o espaço dos violentos; e atuação sobre as causas da violência, como fenômeno social.

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Violência entre torcidas: respeito é a solução

(Universidade do Futebol)

Estatuto do Torcedor preocupa-se demasiadamente com a violência, sem ater-se à qualidade no trato com o torcedor, o verdadeiro destinatário do espetáculo esportivo

Gustavo Lopes Pires de Souza*

28/01/2011

No dia 27 de novembro de 2010, os amantes de futebol foram surpreendidos com um fato bárbaro: o assassinato de um torcedor do Cruzeiro Esporte Clube, em Belo Horizonte. Responsáveis foram identificados e indiciados, mas a pergunta que sobe à garganta é: “até quando?”.

Segundo pesquisa realizada pela professora Heloísa Reis, da Unicamp, o ponto de partida da violência em Minas Gerais teria sido a morte de um torcedor atleticano, que entrou em confronto direto com um cruzeirense, em Belo Horizonte, em 1967, após o Atlético perder para o Uberaba e ser eliminado da disputa pelo seu primeiro título mineiro na “era Mineirão”.

Desde então, foram vários incidentes entre atleticanos e cruzeirenses que nos últimos quinze anos contabilizam dez mortes e centenas de feridos.

Em julho de 2010, por meio da Lei 12.299, o Estatuto do Torcedor foi alterado passando a prever punição às torcidas organizadas e criminalização de atos violentos dos torcedores.

Sem embargo, o Estatuto do Torcedor fora criado em 2003 para assegurar os direitos do torcedor, e não para puni-lo. Causa estranheza haver alterações que não cuidem de algumas das principais necessidades dos torcedores, como o preço dos ingressos e o horário dos jogos.

O Estatuto do Torcedor preocupa-se demasiadamente com a violência, sem ater-se à qualidade no trato com o torcedor, o verdadeiro destinatário do espetáculo esportivo.

De fato, os responsáveis devem ser punidos exemplarmente, mas a punição após a tragédia não é capaz de trazer de volta a vida de inocentes. Aliás, o italiano Beccaria, no século XVIII, já defendia a intervenção mínima, em sua obra “Dos Delitos e das Penas”.

Para a tão almejada paz nos estádios é necessário planejamento, respeito e organização. É preciso que a sociedade civil reivindique os direitos insculpidos no Estatuto do Torcedor, que o Poder Público atenda aos anseios e que os clubes e entidades organizadoras de eventos esportivos passem a tratar os torcedores com respeito, atentando-se ao fato de que fazem parte do patrimônio do clube.

Medidas como venda organizada de ingressos, conforto nos estádios, trariam efeitos positivos na luta contra a violência, tal como comprova a eficiente experiência inglesa que em uma década retirou o futebol local do ostracismo e transformou a Premier League em exemplo de organização e lucratividade.

Portanto, a cada ato de violência torna-se mais necessária a aplicação do Estatuto do Torcedor em sua plenitude, pois somente a lhanheza no trato com os torcedores oportunizará a queda do índice de violência nos estádios. E não se trata de inovar, mas tão somente de espelhar experiências de sucesso.

Referências

Jornal “Hoje em Dia”, Belo Horizonte, Minas Gerais, dos dias 20, 21, 23 e 24 de agosto de 2010.

SOUZA, Gustavo Lopes Pires de. O respeito ao torcedor como investimento com retorno esportivo e financeiro. Derecho Deportivo em Linea, Madrid. Disponível em Acesso em 27 jul. 2010

SOUZA, Gustavo Lopes Pires de. Os Direitos do Torcedor Brasileiro. Cidade do Futebol, São Paulo. Disponível em . Acesso em 27 jul. 2010

SOUZA, Gustavo Lopes Pires de. Estatuto do Torcedor: a evolução dos direitos do consumidor do esporte (Lei 10.671/2003), Alfstudio: Belo Horizonte, 2009.

*Coordenador do Curso de Capacitação em Direito Desportivo da SATeducacional. Professor de Organização Jurídica do Esporte no MBA de Gestão em Eventos Esportivos das Faculdades Del Rey. Autor do livro: “Estatuto do Torcedor: A Evolução dos Direitos do Consumidor do Esporte” (Lei 10.671/2003) Formado em Direito pela PUC/MG, Pós Graduado em Direito Civil e Processual Civil pela Unipac, Membro e colunista do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo, Membro do Instituto Mineiro de Direito Desportivo e da Associação Portuguesa de Adepstos Colunista do Instituto de Direito Desportivo da Bahia e do portal “Papo de Bola”.

Agraciado com a medalha ” Dom Serafim Fernandes de Araújo” pela eficiência na atuação jurídica. Jurista, Articulista, Advogado licenciado em razão de função pública no TJMG. Professor de matérias Jurídicas no MEGA CONCURSOS, FAMINAS e Arnaldo Jansen.

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I Fórum Permanente para Discussão sobre a Violência das Torcidas de Futebol (Universidade do Futebol)

15 de setembro de 2010

Visando discutir sobre as questões sociais relevantes na atualidade que envolvem os eventos nos espetáculos futebolísticos, será realizado, em setembro, o I Fórum Permanente para Discussão sobre a Violência das Torcidas de Futebol.

O evento terá como presidente da mesa e mediador os advogados Fábio Sá Filho e Expedito Bandeira. Além deles, também contribuem para a realização do fórum o palestrante José Luiz Ratton e o debatedor Ailton Alfredo.

Veja a programação e outras informações:

Organização: Instituto Pernambucano de Direito Desportivo (IPDD), Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco (TJ/PE), Ordem dos Advogados do Brasil da Seccional de Pernambuco (OAB/PE) e Escola Superior de Advocacia de Pernambuco (ESA/PE).

19:00 – Abertura

19:10
Painel Violência das Torcidas de Futebol

Presidente de mesa: Fábio Sá Filho/PE (Advogado. Mestre em Direito. Professor da FBV, UNICAP e ESA/PE. Membro da AIDTSS, do IBDD, da Comissão de Direito Desportivo da OAB/PE e do INAMA/PE. Diretor Presidente e Associado fundador do IPDD)

Mediador: Expedito Bandeira/PE (Advogado militante da área de Direito Público. Conselheiro da OAB/PE. Presidente da Comissão de Direito Desportivo da OAB/PE)

Tema: Torcidas organizadas, cultura e sociabilidade no Brasil

Palestrante: José Luiz Ratton/PE (Professor pesquisador do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE. Coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Criminalidade, Violência e Políticas de Segurança – NEPS – da UFPE. Assessor Especial do Governador para a área de Segurança Pública)

Debatedor: Ailton Alfredo/PE (Juiz Coordenador do Juizado Especial Cível e Criminal do Torcedor de Pernambuco. Mestrando em Direito. Professor Universitário. Membro do IBDD e Associado fundador do IPDD)

20:50 Encerramento

Inscrições:

Ordem dos Advogados do Brasil da Seccional de Pernambuco (OAB/PE)

Rua do Imperador Pedro II, 235, Santo Antônio

Junto às Sras. Ana da Hora e Ana Maristela (Setor de Comissões)

Das 9h às 12h e 14h às 18h

Telefone: (81) 3424-1012 Ramal 230

Doações:

Não será cobrada taxa alguma. Apenas quem quiser, poderá doar 1 kg de alimento não-perecível, água mineral, roupas e/ou cobertores para serem repassados às vítimas da enchente em Pernambuco.

Atenção: os donativos serão coletados a qualquer tempo na sede da OAB/PE (de preferência, o quanto antes).

Organização: IPDD, TJ/PE, OAB/PE e ESA/PE

Apoio: Sport Club do Recife, Clube Náutico Capibaribe e Santa Cruz Futebol Clube.
Local: Auditório da OAB, Recife/PE

*   *   *

Especial: violência na esfera do futebol (Universidade do Futebol)

Acontecimentos do último fim de semana no Estado de São Paulo reacendem necessidade de debate pautado na técnica e na profundidade social

Equipe Universidade do Futebol

26/02/2010

O saldo do clássico do último fim de semana entre Palmeiras e São Paulo não foi apenas os três pontos na tabela de classificação do Campeonato Paulista à equipe alviverde comandada pela primeira vez por Antônio Carlos Zago. Fora de campo – ou melhor, fora do estádio -, diversas ocorrências envolvendo torcedores das duas equipes foram relatadas pelas câmeras e detectadas pela polícia. Mas ainda mais distante da esfera principal, o jogo no estádio Palestra Itália, que se deu o chamariz.

Na Rodovia dos Bandeirantes, região de Jundiaí, um palmeirense foi morto. Dois suspeitos pelo crime foram presos pela Polícia Civil, que efetuou uma busca em pelo menos seis cidades do interior. A vítima pertencia à Mancha Alviverde. Enquanto os suspeitos têm ligação com a torcida organizada Tricolor Independente.

Além de ter provocado a morte de Alex Furlan de Santana, 29, a briga entre os dois grupos deixou 12 feridos, entre eles um são-paulino que teve amputada parte da mão direita após a explosão de uma bomba caseira. Ele foi ouvido e negou que tenha atirado o artefato.

Para a polícia, a briga pode ter sido premeditada. Na terça-feira, foram presos em São Carlos dois suspeitos de participação no crime. Os membros da Independente confessaram ter participado da briga. Mas o empresário Evandro Magno Vicentini Júnior, 29, e um adolescente, de 17 anos, negaram o crime. Vicentini continua preso, e o adolescente está numa unidade para menores de idade de São Carlos.

O menor de idade admitiu ter feito dois disparos durante a briga. Segundo ele, ninguém foi atingido, pois um tiro foi dado para cima e o outro, para o chão. Na casa do empresário, a polícia apreendeu duas espingardas cartucheiras, que passarão por perícia.

Delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Jundiaí e responsável pelo caso, Antonio Dota Júnior, acredita que os membros da organizada são-paulina que participaram da briga viajaram para assistir ao jogo em ônibus e vans que partiram de São José do Rio Preto e apanharam torcedores em outras cidades, como Piracicaba, Limeira, Campinas e Araras.

 

O comando da Polícia Rodoviária Estadual informou que policiais fizeram quatro disparos durante a briga na tentativa de dispersar o confronto. Um dos tiros atingiu a perna de um torcedor ainda não identificado.

Para Heloisa Reis, socióloga de formação e estudiosa dessa relação, a violência urbana nos dias de jogos de futebol transformou-se em uma questão de segurança pública em diversos países. Inicialmente, parecia um problema localizado apenas na Inglaterra, sob o nome de hooliganismo. Atualmente, entretanto, é um problema quase planetário. E para pensar em prevenção desta violência, é necessário buscar suas raízes, suas causas diretas e indiretas.

Todos os levantamentos científicos realizados no Velho Continente especificamente concluíram que a falta de infraestrutura dos estádios é geradora de atos de vandalismo e de outras formas de violência. Muitas recomendações do tratado europeu, então, dizem respeito à modernização dos estádios: ambientes confortáveis e seguros inibiriam ocorrências.

“No Brasil, as frustrações geradas com o mau funcionamento dos serviços e da estrutura dos estádios contribuem para manifestações violentas, inclusive como forma de protesto e enfrentamento. Aqui, a gota d’água foi o confronto de torcedores no Pacaembu em 1995, na final da Copa SP de juniores. O episódio chocou a sociedade pela crueldade dos jovens agressores armados com entulhos encontrados no próprio estádio, o que é inadmissível”, relatou Heloisa, citando justamente um duelo envolvendo palmeirenses e são paulinos, há 15 anos, pela Supercopa de Juniores.

Para ela, uma das explicações das raízes da violência relacionada ao esporte pode ser encontrada na gênese e no desenvolvimento do futebol moderno, visto como ambiente de produção e reprodução de valores de masculinidade. E outra, no sistema de metabolismo social do capital.

“Se levarmos em conta a primeira, não é de se estranhar que a ‘linha dura’ dos grupos agressores seja formada basicamente por jovens do sexo masculino. Para eles, a valentia e a força são elementos necessários para o enfrentamento do inimigo, que pode ser os torcedores adversários, a polícia – que representa ali o Estado -, os árbitros e até os jogadores do próprio time”, completou a mestra e doutora em Educação Física, atuando com ênfase em Sociologia do Esporte, Lazer e Pedagogia do Esporte.

A seguir, além da entrevista na íntegra com Heloisa Reis, a Universidade do Futebol apresenta ao público uma série de artigos relacionados à temática. E convida a comunidade a debater no espaço de comentários.

Leia mais:
Entrevista: Heloisa Reis, estudiosa da relação futebol x violência
Mais do mesmo
Medidas tomadas pela Uefa para conter a violência
Na Europa, combate à violência ganhou força nos anos 1980
Os cegos do castelo e a violência das torcidas de futebol
O combate ao problema e não às causas da violência
O perfil do torcedor brasileiro
Sociologia explica violência das torcidas
Apontamentos sobre o protagonismo do torcedor no espetáculo de futebol
Torcedores de futebol: uma análise sociológica
Violência nos estádios
Violência no futebol: quando as causas vão ser investigadas?
O cravo da violência
Comportamento e infraestrutura para a segurança nos estádios
Estado de choque. De novo
A consequência da violência para os clubes de futebol
Civilização e barbárie
Simpatia a organizadas estabelece momento de comemoração no futebol

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Violência no futebol: quando as causas vão ser investigadas? (Universidade do Futebol)

A atuação dos meios de comunicação em relação ao tema no meio esportivo é um aspecto que deve ser repensado

GEF

16/08/2009

Mortes relacionadas ao futebol brasileiro reacendem a discussão em torno da violência no esporte. Normalmente declarações precipitadas de autoridades públicas, assim como informações desencontradas e incoerentes veiculadas pela imprensa contribuem para a formulação de “soluções mágicas”, mas que poderão comprovar-se ineficazes, dado que não consideram a amplitude e a importância do
fenômeno.

Em um primeiro momento, consideramos ser fundamental a retomada dos trabalhos da Comissão Nacional de Prevenção da Violência nos Espetáculos Esportivos pelos Ministérios do Esporte e da Justiça e a criação de colegiados similares nos estados, que tenham a atribuição de tratar o tema com o devido cuidado e de trazer o poder público para o cerne da discussão. Há a necessidade, também urgente, de atualização da legislação específica para o esporte, como o Estatuto do Torcedor. A tarefa é especialmente oportuna neste momento, dado que o tema está sendo discutido no Senado. Alguns pontos importantes foram acrescentados à lei, mas outros, como a melhoria da infraestrutura dos estádios, ainda não foram contemplados.

Para que as atividades sejam efetivas e contínuas, é preciso incentivar e assegurar a participação, nas referidas comissões, de representantes de diferentes esferas da sociedade (governo, entidades esportivas, torcidas organizadas, imprensa e estudiosos), de maneira a enriquecer e ampliar o enfoque das análises. Da mesma forma, ainda verificamos a urgência da criação de uma corporação de segurança especializada em eventos esportivos, pois é notório que o despreparo dos atuais agentes públicos, e o tratamento por eles conferido aos torcedores – organizados ou não -, estão entre as principais causas dos conflitos violentos.

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Brasil lidera ranking de mortes ligadas ao futebol (Universidade do Futebol)

20/07/2009

No início das pesquisas, em 1999, o país estava atrás da Itália e da Argentina. Porém, em 10 anos, o Brasil passou a liderar essa estatística

Equipe Universidade do Futebol

Um dos principais problemas a ser solucionado até a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, é a questão da violência ligada ao futebol. De acordo com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com base em dados fornecidos por jornais, revistas e rádios, nos últimos 10 anos, o país foi o que registrou o maior número de mortes de torcedores. Foram 42 casos.

“Quando começamos a fazer o levantamento, o Brasil estava em terceiro lugar na comparação com outros países no número de óbitos. A ordem era Itália, Argentina e Brasil. Hoje, 10 anos depois, o Brasil conquistou o primeiro lugar. É uma conquista trágica, perversa”, afirmou Maurício Murad, sociólogo e autor do estudo.

Ele afirmou a violência deveria ser um dos temas que mais deve receber atenção de governantes, e que deve ser solucionado, caso o Brasil queira ser sede da Copa de 2014.

“Essa violência é uma preocupação para a Copa porque, de todos os problemas que a Fifa acompanha, e de tudo o que o caderno de exigências determina, a segurança pública é um dos principais. O problema da segurança pública é da maior importância para o Mundial”, disse Murad, em entrevista publicada pela Agência Brasil.

De acordo com o pesquisador, ao contrário da Itália, que promoveu uma reforma na legislação para punir exemplarmente dirigentes ou torcedores que estimularem a violência, o Brasil ainda não adotou medidas efetivas.

Segundo o estudo, os números pioraram. Se no período de 10 anos a média é de 4,2 mortes a cada ano, no período entre 2004 e 2008 o número de mortos totaliza 28, dando uma média de 5,6 por ano. Apenas em 2007 e 2008, 14 pessoas morreram, o que dá uma média de sete por ano.

“Cresceu a violência no futebol porque cresceu a violência no país. E cresceu a violência no país porque a impunidade e a corrupção são cada vez maiores”, disse o sociólogo.

Conforme a pesquisa, a maior parte das vítimas fatais era composta por jovens entre 14 e 25 anos, de classe baixa ou média baixa, com escolaridade até o ensino fundamental e, em geral, desempregado. Também foi constatado que, em grande parte, esses torcedores não eram ligados a práticas de violência.

“Em quase 80% dos casos, as pessoas não tinham nenhuma ligação com setores violentos ou delinquentes de torcidas organizadas. Apenas em 20% é que os óbitos eram de pessoas ligadas a grupos de vândalos”, concluiu Murad.

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O cravo da violência (Universidade do Futebol)

No Brasil, as frustrações geradas com o mau funcionamento dos serviços e da estrutura dos estádios contribuem para manifestações violentas

Heloisa Reis

03/07/2009

A violência urbana nos dias de jogos de futebol transformou-se em uma questão de segurança pública em diversos países. Inicialmente, parecia um problema localizado apenas na Inglaterra, onde recebeu o nome de hooliganismo. Hoje, no entanto, é um problema quase planetário. E para pensar em prevenção desta violência, é necessário buscar suas raízes, suas causas diretas e indiretas.

Quarenta e seis países europeus adotaram políticas nacionais de prevenção elaboradas a partir de um acordo firmado no Conselho da Europa. A gota d’água foi a tragédia do estádio Heysel, na Bélgica, em 1985, que deixou 39 mortos após tumulto na final da Copa dos Campeões.

Os primeiros participantes do Convênio Europeu sobre a violência e mau comportamento em eventos esportivos foram Inglaterra, Itália e Espanha. Hoje, países com o maior sucesso na promoção de espetáculos de futebol. Na Espanha, foram constituídas duas comissões para o estudo do problema: uma de senadores, com um período de trabalho de dois anos; e outra em âmbito interministerial. Tais trabalhos subsidiaram a elaboração da lei de esporte espanhola de 1990, que dedica um capítulo especificamente ao tema. A nova legislação tornou ágil o julgamento dos delitos e delimitou as penas impostas aos clubes em casos de violência de seus espectadores.

Todos os estudos realizados concluíram que a falta de infraestrutura dos estádios é geradora de atos de vandalismo e de outras formas de violência. Por isso, muitas recomendações do tratado europeu dizem respeito à modernização dos estádios. Ambientes confortáveis e seguros inibem a violência.

No Brasil, as frustrações geradas com o mau funcionamento dos serviços e da estrutura dos estádios contribuem para manifestações violentas, inclusive como forma de protesto e enfrentamento. Aqui, a gota d’água foi o confronto de torcedores no Pacaembu em 1995, na final da Copa SP de juniores. O episódio chocou a sociedade pela crueldade dos jovens agressores armados com entulhos encontrados no próprio estádio, o que é inadmissível.

Uma das explicações das raízes da violência relacionada ao esporte pode ser encontrada na gênese e no desenvolvimento do futebol moderno, visto como ambiente de produção e reprodução de valores de masculinidade. E outra, no sistema de metabolismo social do capital. Se levarmos em conta a primeira, não é de se estranhar que a “linha dura” dos grupos agressores seja formada basicamente por jovens do sexo masculino. Para eles, a valentia e a força são elementos necessários para o enfrentamento do inimigo, que pode ser os torcedores adversários, a polícia -que representa ali o Estado-, os árbitros e até os jogadores do próprio time.

A Europa vem enfrentando há alguns anos dificuldades com o racismo. Uma causa direta do problema é a intolerância dos integrantes de movimentos neonazistas que encontraram nos estádios um local para divulgar sua ideologia. Este cenário é mais um exemplo de que a violência pode se manifestar de diferentes formas. Lá, agora, a principal é o racismo. Aqui, ainda é o enfrentamento com os torcedores rivais e/ou com a polícia.

Biodiversity Conservation Depends On Scale: Lessons from the Science–policy Dialogue (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 30, 2012) — The year 2010 marked the deadline for the political targets to significantly reduce and halt biodiversity loss. The failure to achieve the 2010 goal stimulated the setting up of new targets for 2020. In addition, preventing the degradation of ecosystems and their services has been incorporated in several global and the EU agendas for 2020. To successful meet these challenging targets requires a critical review of the existing and emerging biodiversity policies to improve their design and implementation, say a team scientists in a paper published in the open access journal Nature Conservation.

These and other questions of increasing the “scale-awareness” of policy makers have been actively discussed at a special SCALES symposium at the 3rd European Congress of Conservation Biology (ECCB) in Glasgow on 28th-31st of August 2012. The lead author Dr Riikka Paloniemi from the Environmental Policy Centre, Finnish Environment Institute (SYKE), in Helsinki, Finland, said: “The policies that regulate biodiversity protection and management operate at many administrative levels, employ a range of instruments at different scales, and involve a variety of governmental and non-governmental actors. These actors often have different insights as to what constitutes a scale-challenge and how to deal with it, inevitably leading to contrasting opinions.”

“The question of scale has never been so acute before. Neglecting the spatial and temporal scale at which ecosystems functions when designing conservation measures may lead to long-standing negative consequences, and the failure of the 2010 target is one of the best examples of that” added Dr Klaus Henle from the Helmholtz Centre for Environmental Research — UFZ in Leipzig, Germany and coordinator of SCALES.

The main conclusion of the scientists is that scale-related problems, and their potential solutions, are all about improving our understanding of complexity of the processes. Dealing with a number of different scales and scale-mismatches in biodiversity conservation is challenging; it requires an analytical and political framework that is able to assess the adverse impacts of global change, and to implement the relevant policies at the relevant scale.

Journal Reference:

  1. Riikka Paloniemi, Evangelia Apostolopoulou, Eeva Primmer, Malgorzata Grodzinska-Jurcak, Klaus Henle, Irene Ring, Marianne Kettunen, Joseph Tzanopoulos, Simon Potts, Sybille van den Hove, Pascal Marty, Andrew McConville, Jukka Simila. Biodiversity conservation across scales: lessons from a science–policy dialogueNature Conservation, 2012; 2 (0): 7 DOI:10.3897/natureconservation.2.3144

Skeptical Uses of ‘Religion’ in Debate on Climate Change (The Yale Forum on Climate Change & The Media)

Michael Svoboda   August 27, 2012

Religion’ and religion-inspired terms — savior, prophet, priests, heretic, dogma, crusade — are regularly used in efforts to influence public attitudes about climate change. But how does this language work, and on whom?

Over the past several months The Yale Forum has published a series of articles describing how major religious groups across America address climate change. Within the broader societal debate on this issue, however, the voices heard in these pieces may be outnumbered by those of a group with a very different take on the connections between religion and the environment: climate skeptics.

Since 2005, in op-eds published in newspapers (The Wall Street Journal, The Washington Examiner, The Washington Post, and The Washington Times), in magazines (Forbes, National Review, The Weekly Standard), and online (Fox News and Townhall and also climate-specific websites like Watts Up with That), conservative commentators have repeatedly described global warming as a religion.

So how does this use of religious language affect the public understanding of climate change? To answer this question, the Forum analyzed more than 250 op-eds, blog posts, and books published between 2005 and the present. The results suggest that this religious language may be most effective in fortifying the opinions of those using it: Calling global warming a “religion” effectively neutralizes appeals to “the scientific consensus.”

Taking the Measure of the Meme

To take your own quick measure of the global-warming-as-religion (hereafter GWAR) meme, try two related searches at Google: first search for “climate change” and “religion,” then for “global warming” and “religion.” The top ten items from the Forum‘s two most recent searches (20 items in all) broke down as follows:

  • 10% were by religious groups calling for action on climate change,
  • 25% were about religious groups calling for action on climate change,
  • 10% were against religious groups opposed to action on climate,
  • 50% described concern for global warming as a religion, and
  • 5% rebutted those who described concern for global warming as a religion.

Based on this sample, one is more likely to encounter an article or op-ed about global warming as a religion than an article or op-ed explaining how or whether a particular religious group addresses climate change.

The dominance of the GWAR meme is even greater when one looks specifically at conservative venues. Over the past year, approximately 100 op-ed pieces that touched on global warming were published in nationally recognized conservative newspapers and/or by nationally syndicated columnists whose work is aggregated by Townhall. Ten of these pieces equated accepting the science on global warming with religious belief; none offered a religious argument for action on climate change.

During the peak years of Al Gore’s An Inconvenient Truth (2006–2008), the ratio was far higher. Roughly 40% of the more than 150 conservative op-eds penned in response to the documentary, to its Academy Award, or to Al Gore’s Nobel Peace Prize included language (prophet, priests, savior, crusade, faith, dogma, heresy, faith, etc.) that framed concern for climate change as a religious belief. Some drew that analogy explicitly. (See, for example, Richard Lindzen’s March 8, 2007, op-ed piece forThe Wall Street Journal and The Daily Mail (UK) — “Global Warming: The Bogus Religion of Our Age.”)

And since then several climate skeptics — Christopher Horner (2007), Iain Murray (2008), Roy Spencer (2008), Christopher Booker (2009), Ian Wishart (2009), Steve Goreham (2010), Larry Bell (2011), Brian Sussman (2012), and Robert Zubrin (2012) — have included the GWAR meme in their books.

A Brief History of the Global-Warming-as-Religion Meme

The global-warming-as-religion meme is an offshoot of the environmentalism-as-religion meme, which, according to New American Foundation fellow and Arizona State University Law Professor Joel Garreau, can be traced back to religious critiques of Lynn White’s 1967 essay in Science, “The Historical Roots of Our Ecologic Crisis.” By pinning the ecological blame on the Judaeo-Christian tradition’s instrumental view of nature, these authors argued, White seemed to call for the revival of nature worship.

Elements of these early critiques were reworked in what is perhaps the most well-known instance of the environmentalism-as-religion argument, Michael Crichton’s speech to the Commonwealth Club of San Francisco in 2003.

The first* example of the more specific global-warming-as-religion claim appears to be the aside in Republican Senator James Inhofe’s January 4, 2005, “update” to his “greatest hoax” speech: “Put simply, man-induced global warming is an article of religious faith.” Using slightly different language, Inhofe repeated this charge a few months later in his “Four Pillars of Climate Alarmism” speech.**

In between these two speeches, in a February 16, 2005, editorial for Capitalism Magazine by American Policy Center President Tom DeWeese, the GWAR meme gained titular status: “The New Religion Is Global Warming.”

But the most fully developed version of the global-warming-as-religion analogy is the nearly 5,000-word essay published on the Web in 2007 by retired British mathematician John Brignell — who cites Crichton’s 2003 speech in his opening paragraph.

The more generic environmentalism-as-religion meme now seems confined to Earth Day, which Emory University economics professor Paul Rubin described in an April 22, 2010, WSJ op-ed piece as environmentalism’s “holy day.” Two recent examples, from this past April, were provided by former business consultant W.A. Beatty and by Dale Hurd, a “news veteran” for the Christian Broadcasting Network.

The GWAR meme appears as opportunities — cool summers; early, late, or heavy snowstorms; or scandals — arise. And its meaning can vary accordingly.

Nature/Climate as Sacred

Some of the first American “environmentalists” — David Thoreau, Ralph Waldo Emerson, John Muir — often used religious language. Nature was where they most vividly experienced the presence of God. But when contemporary environmentalists use quasi-religious language without explicitly avowing a particular faith, their opponents may suspect that nature itself has become the object of their worship. When James Lovelock named his homeostatic model of the planet and its atmosphere after the ancient Greek earth goddess, Gaia, he provided a new ground for this suspicion.

For conservatives, there are strong and weak versions of this charge.

The strong charge is “paganism,” that environmentalists or climate activists/scientists worship nature in ways akin to the practices of the Egyptian, Mesopotamian, Greek, and Roman empires in which the ancient Jews and early Christians lived. This strong charge is typically leveled by evangelicals who publicly profess their own faith. Physicist James Wanliss and his colleagues — whose book and dvd,Resisting the Green Dragon, offer “A Biblical Response to One of the Greatest Deceptions of the Day” — provide perhaps the most vivid example.

The weak version reduces the charge of paganism to misplaced values. Very arch religious language may still be used, but the meaning is now metaphorical. In these more frequent instances of the GWAR meme, conservatives accuse climate activists/scientists of essentializing climate, of being too willing to slow or even disable our economic engine because they believe Earth has an “optimal climate.”

Climate Science as Cult

“Cult” implies that a given set of beliefs or practices is arcane, outside the mainstream, and insular. Someone embedded in a cult will not acknowledge conflicting evidence. So whenever new facts or dramatic events challenge the validity of climate science, at least in the minds of conservative skeptics, “cult of global warming” op-eds appear. Major snowstorms, cold snaps, and years that fail to surpass 1998′s average annual temperature provide these new “facts.”

Odd religious news can also prompt “cult of global warming” op-eds. The third no-show of Harold Camping’s apocalypse provided the prompt, last fall, for op-eds by Michael Barone and Derek Hunter. (The “cult” in the title of Michael Barone’s piece, however, may be the work of the Post’s editor; thesame piece appeared under a different title in The Washington Examiner.)

Climate Science as Corrupt Orthodoxy

But it’s hard to depict a thoroughly institutionalized effort like climate science as a cult. The international undertaking that is science is more plausibly compared with the Roman Catholic Church. And for climate skeptics, the best of the many possible instances of that church is the Roman Catholic Church of the late Renaissance, the church that condemned both Luther and Galileo.

The very Nobel public profiles of Al Gore and the IPCC, from 2006 to 2008, prompted many comparisons with priests and popes, cardinals and curia. Add in carbon offsets and the Reformation riffs practically wrote themselves. Conservative columnist Charles Krauthammer’s March 16, 2007,column in Time exemplifies this subgenre:

In other words, the rich reduce their carbon output by not one ounce. But drawing on the hundreds of millions of net worth in the Kodak theatre [for the “carbon-neutral” 2007 Academy Awards], they pull out lunch money to buy ecological indulgences. The last time the selling of pardons was prevalent — in a predecessor religion to environmentalism called Christianity — Martin Luther lost his temper and launched the Reformation.

(It should be noted, however, that climate activists and environmental journalists have themselves sometimes written about their ecological “sins.”)

While green hypocrisy was the primary target of Krauthammer’s 2007 column, orthodoxy and dogma are always at least secondary targets in this use of the GWAR meme. And shots were taken at them in a February 9, 2007, National Review column by Rich Lowry; a May 30, 2008, Washington Post column by Charles Krauthammer; a March 9, 2009, Townhall piece by Robert Knight; a January 13, 2010, Townhallcolumn by Walter E. Williams; a November 29, 2011, Wall Street Journal column by Bret Stephens; and, most recently, an April 26, 2012, post by David Solway. This is the most common use of the GWAR meme.

Dissenting Religions and the Scientific Consensus

But one might argue that by depicting climate scientists and activists as members of an aloof and self-serving (and possibly self-deluding) priesthood, conservatives are themselves engaged in religious posturing, for self-righteous dissent is part of the DNA of the western religious tradition.

Ancient Israel was a small country surrounded by much more powerful empires. Some heroes of the Bible — e.g., Daniel, Shadrach, Meshach, and Abednego — worked as trusted bureaucrats within state-ecclesiastical systems based on cosmologies they did not believe in. When ordered to consent to the beliefs of their rulers, they refused.

During the Protestant Reformation religious dissent often became political dissent. Today’s evangelicals are dissenters from mainstream denominations that dissented first from the Church of England and then from King George. Now they dissent from Washington.

But in the U.S., Roman Catholics too can view themselves as a dissenting minority, as, for example, when the Catholic Bishops objected to parts of the new healthcare law.

In fact, Americans are so primed for dissensus that both sides in the climate debate find it plausible to claim the mantle of Galileo.


In the run-up to the December 2009 conference in Copenhagen, cartoonists Michael Ramirez and David Horsey published cartoons that drew exactly opposite conclusions from the history of science, including Galileo’s conflict with the Roman Catholic Church regarding Copernicus’s heliocentric model of the solar system.

Within this charged religious history, a steadfast minority (of Jews, early Christians, Protestants, or Puritans) has been correct more often than the majority, than the broader cultural consensus (of Egyptians/Assyrians/Babylonians/Persians, Greeks/Romans, Roman Catholics, or Anglicans). Thus the GWAR meme not only legitimizes dissent (because everyone is entitled to his or her own religious views), it also provides emotional reinforcement for it (because the “official” religion is almost always “false”). The Protestant vs. Catholic variant of the meme also reinforces climate skeptics’ narratives about greedy and scheming scientists and/or self-serving elites. For those who use it, the GWAR meme effectively inoculates them against “the scientific consensus.”

Managing the Meme

Much has been said and published by religious leaders trying to promote action on climate change. But these messages must compete against the global-warming-as-religion meme reinforced regularly in op-eds sent out by The Wall Street Journal to its two million plus subscribers and, more frequently, in columns posted by Townhall for its two million unique monthly visitors.

Are there counter-measures for this meme?

In his summer 2010 article in The New Atlantis, Joel Garreau, New American Foundation fellow and Lincoln Professor of Law, Culture and Values (Sandra Day O’Connor College of Law, Arizona State University), traced the emergence of environmentalism as a secular religion. In that piece, Gerreau speculated that “the two faces of religious environmentalism — the greening of mainstream religion and the rise of carbon Calvinism — may each transform the political and policy debate over climate change.” In response to an e-mailed query from The Yale Forum, after stressing that he did not “conflate faith-based environmentalism with the scientific study of climate,” Garreau explained his “pragmat[ic]” outlook:  ”I just lay out the facts (as startling as they may be to some), observe that faith-based systems are ubiquitous in history, and then ask, in public policy terms, how you deal with this situation.”

Garreau said he is not surprised that “climate change deniers [might] wish to point out the ironies of faith-based environmentalism rising up in parallel with scientific environmentalism.” But he said he does not think that would have much effect. He suggested no countermeasures but did anticipate a possible line of attack: “It would hardly be surprising if there were a few under-examined pieties in their own world view.”

From the title of University of Maryland School of Public Policy professor Robert H. Nelson’s 2010 book,The New Holy Wars: Economic Religion vs. Environmental Religion in Contemporary America, one might infer that the playing field for climate policy might be leveled by calling attention to the equally religious faith in economics, in economic growth in particular. But what would be gained from a “religious” standoff between economics and environmentalism? In response to an e-mail question, Nelson listed three benefits:

First, … it helps us to understand … the … intensity of the disagreements about climate policy. Second, it offers a note of caution to all participants, given [that past] religious disagreements have too often escalated beyond all reason …. Third, … [s]eeing economics and environmentalism as religions, and discussing them as such, [would bring their] core value assumptions to the surface.

In other words, pushing back with the same religious language might be an effective countermeasure, at least initially. Then, Nelson added,  ”a secular religious ‘ecumenical movement’” could perhaps resolve the tensions between economics and environmentalism.

One clearly should proceed with caution in pursuing any “religious” countermeasures. The cultural and historical associations evoked by religious language do not necessarily favor “consensus,” especially a consensus presented in authoritative terms. In American history, religious groups have splintered far more often than they have united.

Bottom line: Climate communicators should expect and prepare for religious language. But they should weigh the subtle cultural messages religious language carries before deciding whether or how to use or respond to it.

*If readers know of an earlier example, please send the reference and/or the link to the author.
**Brian McCammack’s September 2007 
American Quarterly article, “Hot Damned America: Evangelicalism and the Climate Policy Debate,” pointed the way to these two speeches by Senator Inhofe.

Michael Svoboda

Michael Svoboda (PhD, Hermeneutics) is an Asst. Prof. of Writing at The George Washington University. Previously the owner of an academic bookstore, he now tracks and analyzes efforts to communicate climate change, including the stream of research and policy published by NGOs. E-mail: msvoboda@yaleclimatemediaforum.org

A quem serve negar o impacto PCC? (Caros Amigos)

Publicado em Sexta, 24 Agosto 2012 14:26

Por Daniel Hirata, Adalton Marques, Gabriel Feltran e Karina Biondi

“Ao ser citada em um relatório com uma redução que posiciona a cidade abaixo da linha imaginária do índice “epidêmico”, as políticas governamentais de segurança ganham enorme respaldo nacional e internacional”

As taxas de homicídios são atualmente o grande parâmetro de avaliação das políticas de segurança em todo o mundo. Assim como a cotação do dólar e a taxa de juros para a política monetária, as flutuações das taxas de homicídios vêm sendo parâmetro de avaliação da gestão pública: cidades que conseguem reduções expressivas são vistas como modelos de ”boas práticas” a replicar. São Paulo foi incluída recentemente, no relatório de 2011 do Onudoc (United Nations Office on Drugs and Crime), como um ‘case’ na redução da taxa de homicídios em comparação com outras cidades latino americanas e brasileiras. Ao ser citada em um relatório desse tipo, sobretudo com uma redução que posiciona a cidade abaixo da linha imaginária do que é considerado um índice “epidêmico”, as políticas governamentais de segurança ganham enorme respaldo nacional e internacional.

Crédito Eleitoral

Sabe-se bem como esse ganho foi capitalizado rapidamente pelo governo paulista durante a última década. Contudo, esse crédito eleitoral e, acima de tudo, político-administrativo, não foi usufruído sem que, bem longe das razões governamentais, se constituísse um lastro que sustenta outra história acerca da redução das taxas de homicídios.

Nossas pesquisas voltaram os olhos precisamente para esta versão, levando a sério aquilo que se insiste em considerar anômico: o que dizem presos e moradores das periferias de São Paulo sobre a violência, a segurança e os homicídios. Nessa mesma direção, desde 2005, temos registrado entre eles relatos da política de “paz” do PCC (Primeiro Comando da Capital) em prisões e “quebradas”, e a importância dos seus “debates” na redução dos homicídios por ali. Sabe-se que, nesses territórios, desde a primeira metade dos anos 2000, “não se pode mais matar” sem o aval do “Comando”.

“A emergência dessa forma de regulação torna complexa a deslegitimação da “segurança pública” nas periferias, onde a repressão é sua única face: seja pela política de encarceramento em massa, pela militarização da gestão pública ou pelos achaques a que seus moradores são constantemente submetidos”

A emergência dessa forma de regulação torna complexa a deslegitimação da “segurança pública” nas periferias, onde a repressão é sua única face: seja pela política de encarceramento em massa, pela militarização da gestão pública ou pelos achaques a que seus moradores são constantemente submetidos. O impacto dessas políticas nas estatísticas é evidente, embora silenciado ativamente e sistematicamente por governos e imprensa e rejeitado por ‘think tanks’ que disputam o tema segurança pública, assim como fora praticamente desconsiderado em nossas universidades há poucos anos.

Fator PCC

Há uma razoável concordância entre os especialistas de que a violência e o homicídio são fenômenos históricos e multidimensionais. Nesse sentido, é claro que o PCC não é a única causa dessa redução. Mas digamos francamente: é um absurdo fingir que o PCC não é central para compreender esse fenômeno. Em São Paulo, há muito mais mistérios por detrás da redução dos homicídios do que supõe nossa vã criminologia. Mas, principalmente, há muito mais evidências ofuscadas sob o holofote das suposições.

Afirmamos, portanto, que os sucessivos governos do PSDB em São Paulo não são os únicos fiadores da redução da taxa de homicídios no Estado, nem mesmo os majoritários. E, ao invés de atribuirmos a fiança majoritária ao PCC, preferimos falar de sua centralidade, da importância inegável de sua política de “paz entre os ladrões” para a queda dos homicídios em São Paulo.

Etnografia

Nossa aferição não é sociométrica; antes, se trata de uma problematização etnográfica. Além do que, sabe-se que os critérios de construção dessas medidas são polêmicos e cheios de controvérsias. No Rio de Janeiro, por exemplo, onde esse tipo de controvérsia emerge de forma mais visível publicamente, uma pesquisa recente do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana (NECVU) sobre os “autos de resistência” problematiza a leitura fácil sobre as taxas de homicídio justamente quando volta a atenção para onde os olhos dos governos insistem em não olhar: a atuação das polícias.

“Ao largo das condecorações fáceis dos responsáveis pela miraculosa queda dos homicídios, preferimos seguir os rastros das “guerras” que continuam a aterrorizar a periferia – ainda que suas manifestações mais espetaculares tenham se tornado cíclicas”

Ao largo das condecorações fáceis dos responsáveis pela miraculosa queda dos homicídios, preferimos seguir os rastros das “guerras” (categoria usada por “ladrões” e por policiais) que continuam a aterrorizar a periferia – ainda que suas manifestações mais espetaculares tenham se tornado cíclicas. É notório em nossas pesquisas que parte das dinâmicas que produzem mortes na cidade estão relacionadas aos jogos de poder entre coletivos criminais e corporações policiais, em suas atividades oficiais e extra oficiais. A atual intensificação do caráter repressivo e militar das políticas de segurança não apenas acentua a “lógica da guerra” no controle oficial do crime, como também aumenta os custos e os conflitos operantes nos mercados extra oficiais de proteção, cujos desfechos letais são muito frequentes no cotidiano dos alvos preferenciais desse controle.

Equilíbrios Instáveis

Neste momento, ao contrário do discurso oficial que insiste em negar a existência do PCC e exibe a polícia de São Paulo como a mais eficaz do Brasil, a cidade presencia diversos assassinatos em todas as regiões da Grande São Paulo. O fato é que tanto a atuação do PCC como a das polícias são feitas a partir de equilíbrios instáveis, construídos pelas suas heterogeneidades internas e pelas relações entre ambos. Quando algo desestabiliza esse encadeamento sensível os acordos se rompem e os ciclos de mortes são detonados sem que nem mesmo seus participantes consigam identificar os autores: guerras estancadas começam a correr subterraneamente, acertos adiados passam a acontecer entre grupos com interesses conflitantes sem declaração aberta, acordos são suspensos secretamente, de modo que sempre é possível culpar o “outro lado” pela morte que não se pode nomear o autor nem as razões.

Enquanto não escancararmos com pesquisa rigorosa a caixa de pandora dessas relações para ao menos dar início ao debate, continuaremos sem qualquer resposta pública, digna, para as dezenas de assassinatos que voltaram a marcar a Grande São Paulo, bem como sem uma explicação satisfatória que correlacione a política de “pacificação” do PCC com os surtos de combate entre Estado e crime.


Daniel Hirata é pesquisador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana (NECVU) da UFRJ; Adalton Marques é doutorando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFSCar (PPGAS-UFSCar); Gabriel Feltran é sociólogo, docente da UFSCar e membro do Centro de Estudos da Metrópole (CEM) da universidade e Karina Biondi é doutoranda do PPGAS-UFSCar

 

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Media Violence Consumption Increases the Relative Risk of Aggression, Analysis Shows (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 27, 2012) — As president of the International Society for Research on Aggression (IRSA) and with consent of the organization’s elected council, Craig Anderson appointed an international Media Violence Commission last December to prepare a public statement on the known effects of media violence exposure, based on the current state of scientific knowledge.

The Iowa State University Distinguished Professor of psychology appointed 12 IRSA researchers to the commission, including Douglas Gentile, an ISU associate professor of psychology.

The Media Violence Commission’s research-based report concludes that the research clearly shows that media violence consumption increases the relative risk of aggression, defined as intentional harm to another person that could be verbal, relational, or physical. The report is published in the September/October issue of the journal Aggressive Behavior.

“Basically, the commission looked at, ‘What does the research literature say?'” Anderson said. “In addition, we asked them to make some recommendations, if they chose to do so, about public policy. It really was kind of an open-ended charge.”

Members took a fair and balanced look at the research

A well-known researcher on the effects of media on children, Gentile says commission members took a fair and balanced look at all of the existing research to see if they could achieve consensus, and then summarized what they found.

In their report, the commission wrote that aside from being sources of imitation, violent images — such as scenes in movies, games or pictures in comic books — act as triggers for activating aggressive thoughts and feelings already stored in memory. If these aggressive thoughts and feelings are activated over and over again because of repeated exposure to media violence, they become chronically accessible, and thus more likely to influence behavior.

“One may also become more vigilant for hostility and aggression in the world, and therefore, begin to feel some ambiguous actions by others (such as being bumped in a crowded room) are deliberate acts of provocation,” the commission wrote in the report.

The commission recommends that parents know what media their children and adolescents are using. Rating systems often provide too little detail about media content to be helpful, and in any case, are not substitutes for parents’ watching, playing, or listening to the media their children use.

“Parents can also set limits on screen use (The American Academy of Pediatrics recommends no screen time for children under 2 and no more than one to two hours total screen time per day for children/youth 3-18), and should discuss media content with their children to promote critical thinking when viewing,” the researchers wrote. “Schools may help parents by teaching students from an early age to be critical consumers of the media and that, just like food, the ‘you are what you eat’ principle applies to healthy media consumption.”

The commission recommends improving media ratings

While most public policy has focused on restricting children’s access to violent media, the commission found that approach to have significant political and legal challenges in many countries. For that reason, it recommends putting efforts into improving media ratings, classifications, and public education about the effects of media on children.

“Improving media ratings really has two pieces. One is that the media ratings themselves need to be done by an independent entity — meaning, not by an industry-influenced or controlled system,” said Anderson, himself a leading researcher of the effects of violent media on children. “They need to be ratings that have some scientific validity to them.

“But the other piece is education, and if parents aren’t educated — not just about what the ratings system does, but also about why it’s important for them to take control of their child’s media diet — then it doesn’t matter how good the ratings system is, because they’re going to ignore it anyway,” he added.

Anderson hopes the final report will have value to child advocacy groups.

“Having such a clear statement by an unbiased, international scientific group should be very helpful to a number of child advocacy groups — such as parenting groups — in their efforts to improve the lives of children,” he said.

Journal Reference:

  1. Media Violence Commission, International Society for Research on Aggression (ISRA). Report of the Media Violence CommissionAggressive Behavior, Volume 38, Issue 5, September/October 2012, Pages: 335%u2013341 DOI: 10.1002/ab.21443

The Effects of Discrimination Could Last a Lifetime (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 27, 2012) — Increased levels of depression as a result of discrimination could contribute to low birth weight babies.

Given the well-documented relationship between low birth weight and the increased risk of health problems throughout one’s lifespan, it is vital to reduce any potential contributors to low birth weight.  A new study by Valerie Earnshaw and her colleagues from Yale University sheds light on one possible causal factor.  Their findings, published online in Springer’s journal, theAnnals of Behavioral Medicine, suggest that chronic, everyday instances of discrimination against pregnant, urban women of color may play a significant role in contributing to low birth weight babies.

Twice as many black women give birth to low birth weight babies than white or Latina women in the U.S.  Reasons for this disparity are, as yet, unclear. But initial evidence suggests a link may exist between discrimination experienced while pregnant and the incidence of low birth weight.  In addition, experiences of discrimination have also been linked to depression, which causes physiological changes that can have a negative effect on a pregnancy.

Earnshaw and her colleagues interviewed 420, 14- to 21-year-old black and Latina women at 14 community health centers and hospitals in New York, during the second and third trimesters of their pregnancies, and at six and 12 months after their babies had been born.  They measured their reported experiences of discrimination.  They also measured their depressive symptoms, pregnancy distress and pregnancy symptoms.

Levels of everyday discrimination reported were generally low.  However, the impact of discrimination was the same in all the participants regardless of age, ethnicity or type of discrimination reported.  Women reporting greater levels of discrimination were more prone to depressive symptoms, and ultimately went on to have babies with lower birth weights than those reporting lower levels of discrimination.  This has implications for healthcare providers who work with pregnant teens and young women during the pre-natal period, while they have the opportunity to try and reduce the potential impacts discrimination on the pregnancy.

The authors conclude that “Given the associations between birth weight and health across the life span, it is critical to reduce discrimination directed at urban youth of color so that all children are able to begin life with greater promise for health.  In doing so, we have the possibility to eliminate disparities not only in birth weight, but in health outcomes across the lifespan.”

Data for this study came from the Centering Pregnancy Plus project, funded by the National Institute of Mental Health, and conducted in collaboration with Clinical Directors’ Network and the Centering Healthcare Institute.

Journal Reference:

  1. Valerie A. Earnshaw, Lisa Rosenthal, Jessica B. Lewis, Emily C. Stasko, Jonathan N. Tobin, Tené T. Lewis, Allecia E. Reid, Jeannette R. Ickovics. Maternal Experiences with Everyday Discrimination and Infant Birth Weight: A Test of Mediators and Moderators Among Young, Urban Women of ColorAnnals of Behavioral Medicine, 2012; DOI: 10.1007/s12160-012-9404-3

Cientistas apontam problemas da cobertura da imprensa sobre mudanças climáticas (Fapesp)

Especialistas reunidos em São Paulo para debater gestão de riscos dos extremos climáticos manifestam preocupação com dificuldades enfrentadas por jornalistas para lidar com a complexidade do tema (Wikimedia)

21/08/2012

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Na avaliação de especialistas reunidos em São Paulo para discutir a gestão de riscos dos extremos climáticos e desastres, para que seja possível gerenciar de forma adequada os impactos desses eventos, é fundamental informar a sociedade – incluindo os formuladores de políticas públicas – sobre as descobertas das ciências climáticas.

No entanto, pesquisadores estão preocupados com as dificuldades encontradas na comunicação com a sociedade. A complexidade dos estudos climáticos tende a gerar distorções na cobertura jornalística do tema e o resultado pode ser uma ameaça à confiança do público em relação à ciência.

A avaliação foi feita por participantes do workshop “Gestão dos riscos dos extremos climáticos e desastres na América Central e na América do Sul – o que podemos aprender com o Relatório Especial do IPCC sobre extremos?”, realizado na semana passada na capital paulista.

O evento teve o objetivo de debater as conclusões do Relatório Especial sobre Gestão dos Riscos de Extremos Climáticos e Desastres (SREX, na sigla em inglês) – elaborado e recentemente publicado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) – e discutir opções para gerenciamento dos impactos dos extremos climáticos, especialmente nas Américas do Sul e Central.

O workshop foi realizado pela FAPESP e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em parceria com o IPCC, o Overseas Development Institute (ODI) e a Climate and Development Knowledge (CKDN), ambos do Reino Unido, e apoio da Agência de Clima e Poluição do Ministério de Relações Exteriores da Noruega.

Durante o evento, o tema da comunicação foi debatido por autores do IPCC-SREX, especialistas em extremos climáticos, gestores e líderes de instituições de prevenção de desastres.

De acordo com Vicente Barros, do Centro de Investigação do Mar e da Atmosfera da Universidade de Buenos Aires, o IPCC, do qual é membro, entrou há três anos em um processo de reestruturação que compreende uma mudança na estratégia de comunicação.

“A partir de 2009, o IPCC passou a ser atacado violentamente e não estávamos preparados para isso, porque nossa função era divulgar o conhecimento adquirido, mas não traduzi-lo para a imprensa. Temos agora um grupo de jornalistas que procura fazer essa mediação, mas não podemos diluir demais as informações e a última palavra na formulação da comunicação é sempre do comitê executivo, porque o peso político do que é expresso pelo painel é muito grande”, disse Barros.

A linguagem é um grande problema, segundo Barros. Se for muito complexa, não atinge o público. Se for muito simplificada, tende a distorcer as conclusões e disseminar visões que não correspondem à realidade.

“O IPCC trata de problemas muito complexos e admitimos que não podemos fazer uma divulgação que chegue a todos. Isso é um problema. Acredito que a comunicação deve permanecer nas mãos dos jornalistas, mas talvez seja preciso investir em iniciativas de treinamento desses profissionais”, disse.

Fábio Feldman, do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas, manifestou preocupação com as dificuldades de comunicação dos cientistas com o público, que, segundo ele, possibilitam que os pesquisadores “céticos” – isto é, que negam a influência humana nos eventos de mudanças climáticas – ganhem cada vez mais espaço na mídia e no debate público.

“Vejo com preocupação um avanço do espaço dado aos negacionistas no debate público. A imprensa acha que é preciso usar necessariamente o princípio do contraditório, dando espaço e importância equânimes para as diferentes posições no debate”, disse.

De acordo com Feldman, os cientistas – especialmente aqueles ligados ao IPCC – deveriam ter uma atitude mais pró-ativa no sentido de se contrapor aos “céticos” no debate público.

Posições diferentes

Para Reynaldo Luiz Victoria, da Coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, é importante que a imprensa trate as diferentes posições de modo mais equitativo.

“Há casos específicos em que a imprensa trata questões de maneira pouco equitativa – e eventualmente sensacionalista –, mas acho que nós, como pesquisadores, não temos obrigação de reagir. A imprensa deveria nos procurar para fazer o contraponto e esclarecer o público”, disse Victoria à Agência FAPESP.

Victoria, no entanto, destacou a importância de que os “céticos” também sejam ouvidos. “Alguns são cientistas sérios e merecem um tratamento equitativo. Certamente que não se pode ignorá-los, mas, quando fazem afirmações passíveis de contestação, a imprensa deve procurar alguém que possa dar um contraponto. Os jornalistas precisam nos procurar e não o contrário”, disse.

De modo geral, a cobertura da imprensa sobre mudanças climáticas é satisfatória, segundo Victoria. “Os bons jornais publicam artigos corretos e há jornalistas muito sérios produzindo material de alta qualidade”, destacou.

Para Luci Hidalgo Nunes, professora do Departamento de Geografia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), os negacionistas ganham espaço porque muitas vezes o discurso polêmico tem mais apelo midiático do que a complexidade do conhecimento científico.

“O cientista pode ter um discurso bem fundamentado, mas que é considerado enfadonho pelo público. Enquanto isso, um pesquisador com argumentos pouco estruturados pode fazer um discurso simplificado, portanto atraente para o público, e polêmico, o que rende manchetes”, disse à Agência FAPESP.

Apesar de a boa ciência ter, em relação ao debate público, uma desvantagem inerente à sua complexidade, Nunes acredita ser importante que a imprensa continue pluralista. A pesquisadora publicou um estudo no qual analisa a cobertura do jornal O Estado de S. Paulo sobre mudanças climáticas durante um ano. Segundo Nunes, um dos principais pontos positivos observados consistiu em dar voz às diferentes posições.

“Sou favorável a que a imprensa cumpra seu papel e dê todos os parâmetros, para que haja um debate democrático. Acho que isso está sendo bem feito e a própria imprensa está aberta para nos dar mais espaço. Mas precisamos nos manifestar para criar essas oportunidades”, disse.

Nunes também considera que a cobertura da imprensa sobre mudanças climáticas, de modo geral, tem sido satisfatória, ainda que irregular. “O tema ganha vulto em determinados momentos, mas não se mantém na pauta do noticiário de forma permanente”, disse.

Segundo ela, o assunto sobressaiu especialmente em 2007, com a publicação do primeiro relatório do IPCC, e em 2012 durante a RIO+20.

“Em 2007, a cobertura foi intensa, mas a popularização do tema também deu margem a distorções e exageros. O sensacionalismo é ruim para a ciência, porque faz o tema ganhar as manchetes rapidamente por algum tempo, mas no médio prazo o efeito é inverso: as pessoas percebem os exageros e passam a olhar com descrédito os resultados científicos de modo geral”, disse.

Brazil: Drug dealers say no to crack in Rio (AP)

By JULIANA BARBASSA

Associated Press

Published: Saturday, Aug. 18, 2012

RIO DE JANEIRO — Business was brisk in the Mandela shantytown on a recent night. In the glow of a weak light bulb, customers pawed through packets of powdered cocaine and marijuana priced at $5, $10, $25. Teenage boys with semiautomatic weapons took in money and made change while flirting with girls in belly-baring tops lounging nearby.

Next to them, a gaggle of kids jumped on a trampoline, oblivious to the guns and drug-running that are part of everyday life in this and hundreds of other slums, known as favelas, across this metropolitan area of 12 million people. Conspicuously absent from the scene was crack, the most addictive and destructive drug in the triad that fuels Rio’s lucrative narcotics trade.

Once crack was introduced here about six years ago, Mandela and the surrounding complex of shantytowns became Rio’s main outdoor drug market, a “cracolandia,” or crackland, where users bought the rocks, smoked and lingered until the next hit. Hordes of addicts lived in cardboard shacks and filthy blankets, scrambling for cash and a fix.

Now, there was no crack on the rough wooden table displaying the goods for sale, and the addicts were gone. The change hadn’t come from any police or public health campaign. Instead, the dealers themselves have stopped selling the drug in Mandela and nearby Jacarezinho in a move that traffickers and others say will spread citywide within the next two years.

The drug bosses, often born and raised in the very slums they now lord over, say crack destabilizes their communities, making it harder to control areas long abandoned by the government. Law enforcement and city authorities, however, take credit for the change, arguing that drug gangs are only trying to create a distraction and persuade police to call off an offensive to take back the slums.

Dealers shake their heads, insisting it was their decision to stop selling crack, the crystalized form of cocaine.

“Crack has been nothing but a disgrace for Rio. It’s time to stop,” said the drug boss in charge. He is Mandela’s second-in-command – a stocky man wearing a Lacoste shirt, heavy gold jewelry and a backpack bulging with $100,000 in drugs and cash. At 37, he’s an elder in Rio’s most established faction, the Comando Vermelho, or Red Command. He’s wanted by police, and didn’t want his name published.

He discussed the decision as he watched the night’s profits pile up in neat, rubber-banded stacks from across the narrow street. He kept one hand on his pistol and the other on a crackling radio that squawked out sales elsewhere in the slum and warned of police.

The talk of crack left him agitated; he raised his voice, drawing looks from the fidgety young men across the road. Although crack makes him a lot of money, he has his own reasons to resent the drug; everyone who comes near it does, he said.

His brother – the one who studied, left the shantytown and joined the air force – fell prey to it. Crack users smoke it and often display more addictive behavior. The brother abandoned his family and his job, and now haunts the edges of the slum with other addicts.

“I see this misery,” he said. “I’m a human being too, and I’m a leader here. I want to say I helped stop this.”

For the ban to really take hold, it would need the support of the city’s two other reigning factions: the Amigos dos Amigos, or Friends of Friends, and the Terceiro Comando, Third Command.

That would mean giving up millions in profits. According to an estimate by the country’s Security Committee of the House and the Federal Police, Brazilians consume between 800 kilos and 1.2 tons of crack a day, a total valued at about $10 million.

It’s unclear how much Rio’s traffickers earn from the drug, but police apprehensions show a surge in its availability in the state. In 2008, police seized 14 kilos; two years later the annual seizure came to 200 kilos, according to the Public Security Institute.

Nonetheless, the other gangs are signing up, said attorney Flavia Froes. Her clients include the most notorious figures of Rio’s underbelly, and she has been shuttling between them, visiting favelas and far-flung high-security prisons to talk up the idea.

“They’re joining en masse. They realized that this experience with crack was not good, even though it was lucrative. The social costs were tremendous. This wasn’t a drug for the rich; it was hitting their own communities.”

As Froes walks these slums, gingerly navigating potholed roads in six-inch stiletto heels and rhinestone-studded jeans, men with a gun in each hand defer to her, calling her “doutora,” or doctor, because of her studies, or “senhora,” or ma’am, out of respect.

“While stocks last, they’ll sell. But it’s not being bought anymore,” she said. “Today we can say with certainty that we’re looking at the end of crack in Rio de Janeiro.”

Even those who question the traffickers’ sudden surge of social conscience say the idea of the city’s drug lords coming together to ban crack isn’t far-fetched. After all, a similar deal between factions kept the drug out of Rio for years.

Crack first took hold in Sao Paulo, the country’s business capital, during the 1990s. In the early 2000s, it spread across Brazil in an epidemic reminiscent of the one the U.S. had experienced decades earlier. A recent survey found it was eventually sold or consumed in 98 percent of Brazilian municipalities. Most of the cities were too understaffed, underfunded and uninformed to resist its onslaught.

And yet, an agreement between factions kept crack a rarity in Rio until a handful of years ago, said Mario Sergio Duarte, Rio state’s former police chief.

“Rio was always cocaine and marijuana,” he said. “If drug traffickers are coming up with this strategy of going back to cocaine and marijuana, it’s not because they suddenly developed an awareness, or because they want to be charitable and help the addicts. It’s just that crack brings them too much trouble to be worth it.”

Duarte believes dealers turned to crack when their other business started losing ground within the city.

Police started taking back slums long given over to the drug trade as Rio vied to host the 2014World Cup and the 2016 Olympics. The plan disrupted trade, and the factions began hemorrhaging money, said Duarte. Crack seemed like the solution, and the drug flooded the market.

“Crack was profit; it’s cheap, but it sells. Addiction comes quick. They were trying to make up their losses,” he said.

Soon, the gangs were being haunted by the consequences.

Unlike the customers who came for marijuana or cocaine, dropped cash and left, crack users hung around the sales points, scraping for money for the next hit. They broke the social code that usually maintains a tense calm in the slums; they stole, begged, threatened or sold their bodies to get their next rock. Their presence made the hard life there nearly unbearable.

The Mandela drug boss said crack even sapped the drug kingpins’ authority.

“How can I tell someone he can’t steal, when I know I sold him the drugs that made him this way?” he said.

Many saw their own family members and childhood friends fall under the drug’s spell.

“The same crack I sell to your son is being sold to mine. I talked to one of the pioneers in selling crack in Rio. His son’s using now. Everyone is saying we have to stop.”

In Mandela, residents had to step over crack users on their way between home and work and warn their children to be careful around the “zombies.”

“There were robberies in the favela, violence, people killed in the middle of the street, people having sex or taking a crap anywhere,” said Cleber, an electronics repair shop owner who has lived in Mandela for 16 years. He declined to give his last name because he lives in a neighborhood ruled bygang members, and like many, prefers not to comment publicly.

“Now we’re going out again, we can set up a barbecue pit outside, have a drink with friends, without them gathering around,” he said. “We’re a little more at ease.”

Researcher Ignacio Cano, at the Violence Analysis Center of Rio de Janeiro State University, said crack is still being sold outside only select communities and that it’s hard to tell if the stop is a temporary, local measure or a real shift in operations citywide.

He said unprecedented pressure bore down on drug gangs once they began selling crack. In particular, the addicts’ encampments were sources of social and health problems, drawing the attention of the authorities.

Since March 2011, dawn raids involving police, health and welfare officials began taking users off the streets to offer treatment, food, a checkup and a hot shower. Since then, 4,706 people have cycled through the system. Of those, 663 were children or teenagers.

“I have operations every day, all over Rio,” said Daphne Braga, who coordinates the effort for the city welfare office.

At the same time, crack became such a dramatic problem nationally that the government allocated special funds to combat it, including a $253 million campaign launched by President Dilma Rousseff in May 2010 to stem the drug trade. Last November, another $2 billion were set aside to create treatment centers for addicts and get them off the streets.

In May, 150 federal police officers occupied a Rio favela to implement a pilot program fighting the crack trade and helping users.

“There are many reasons why they might stop,” said Cano.

Crack’s social cost is clear where the drug is still sold, right outside Mandela and Jacarezinho. In the shantytown of Manguinhos, along a violent area known as the Gaza Strip, an army of crack addicts lives in encampments next to a rail line.

Another couple hundred gather inside the slum, buying from a stand inside a little restaurant. Customers eat next to young men with guns and must step around a table laden with packaged drugs and tightly bound wads of cash to use the restroom. Crack users smoke outside, by the lights of a community soccer field where an animated game draws onlookers late into the night.

The Rev. Antonio Carlos Costa, founder of the River of Peace social service group, knows the dealers and believes the ban on crack here is “real, without return, and has a real chance of spreading to other favelas.”

That’s good news for residents, he said, but users will have to migrate to look for drugs, and that might expose them to real risk.

“They won’t be welcome. This society wants them dead,” he said. “This won’t be a problem that can be solved only with money. We’ll need professionals who really take an interest in these people. We’ll need compassion. It’ll be a challenge to our solidarity.”

Also predicting risks, attorney Froes has prepared a civil court action demanding local and state governments prepare treatment centers for users.

“There will be a great weaning of all these addicts as they’re deprived of drugs,” she said. “We’re not prepared to take on all the people who will need care.”

The addicts recognize the difficulty of their own rehabilitation.

One 16-year-old boy laying on a bare piece of foam said he’d studied until the 2nd grade but couldn’t read. Now, he was going on his third year in the streets.

“Who is going to give me work?” he asked.

Sharing his mattress was a 28-year-old woman. It had been three years since she last saw her three children and parents in Niteroi, the city across the bay from Rio. She was filthy, all of her body bearing the marks of life on the streets: bruises and open wounds, missing front teeth, matted hair.

“I wasn’t born like this. You think my parents want to see me now?” she asked. “I can’t go back there.”

A teenager with jaundiced, bloodshot eyes said she couldn’t remember how long she’d been on the streets, or her age.

She knew her name – Natalia Gonzales – and that she was born in 1997.

“I have nowhere to go,” she said, tears rolling down her cheeks. Softly, she started to sing a hymn, and its call for salvation in the afterlife took on an urgent note.

“God, come save me, extend your hand,” she sang. “Heal my heart, make me live again.”

Gastos no País com desastres crescem 15 vezes em seis anos (O Estado de são Paulo)

JC e-mail 4564, de 17 de Agosto de 2012.

Relatório do IPCC aponta que eventos extremos aliados à alta exposição humana a situações de risco podem aumentar tragédias.

Nos últimos 30 anos, o aumento da ocorrência de desastres naturais no mundo foi responsável por perdas que saltaram de poucos bilhões de dólares em 1980 para mais de 200 bilhões em 2010. No Brasil, em somente seis anos (2004-2010), os gastos das três esferas governamentais com a reconstrução de estruturas afetadas nesses eventos evoluíram de US$ 65 milhões para mais de US$ 1 bilhão – um aumento de mais de 15 vezes.

Os dados foram citados ontem durante evento de divulgação do Relatório Especial sobre Gestão de Riscos de Extremos Climáticos e Desastres (SREX), do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). A elaboração do documento foi motivada justamente por conta dessa elevação já observada de desastres e perdas. O alerta, porém, é para o futuro – a expectativa é de que essas situações ocorram com frequência cada vez maior em consequência do aquecimento global.

Alguns dos autores do relatório estiverem presentes ontem em São Paulo, em evento promovido pela Fapesp e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), para divulgar para a comunidade científica e tomadores de decisão os resultados específicos de América Latina e Caribe. A principal conclusão é que para evitar os desastres naturais, os cuidados vão muito além de lidar com o clima.

Vulnerabilidade – “O desastre natural não tem nada de natural. É a conjunção do evento natural com a vulnerabilidade e a exposição das populações a situações críticas”, afirma Vicente Barros, da Universidade de Buenos Aires e um dos coordenadores do relatório.

Segundo ele, desde 1950 vem ocorrendo um aumento do número de dias extremamente quentes e com chuvas extremas. Apesar disso, afirma o climatologista Carlos Nobre, co-autor do trabalho, o que foi considerado como fator determinante para os desastres foi a maior exposição dos seres humanos por conta do aumento do adensamento urbano. No final das contas, acaba sendo um problema de planejamento urbano.

Com base nas pesquisas existentes, ainda não dá para dizer com elevado grau de confiança que esse aumento de eventos extremos já seja resultado das mudanças climáticas. Mas para o futuro a indicação é de que o aquecimento possivelmente irá impulsioná-los. Situações consideradas hoje extremas poderão se tornar mais comuns – chuvas ou secas que acontecem a cada 20 anos, poderão aparecer a cada cinco, dois ou até anualmente. Outra tendência também é que elas possam se inverter, chuva forte num ano, seca em outro.

Independentemente do clima, porém, o relatório alerta que o risco de desastres continuará subindo uma vez que mais pessoas estarão em situação vulnerável. “É daí que virão os problemas. É um alerta para pensarmos em formas de adaptação. O Nordeste teve uma grande seca neste ano e o que o governo fez? Mandou cesta básica. A população, assim, não se adapta”, afirma o pesquisador José Marengo, do Inpe.

Além de alertar para ações dos governos, os pesquisadores chamaram a atenção também para a necessidade de mais estudos regionais. A confiança sobre o que é mais provável de acontecer, principalmente na Amazônia, ainda não é alta. Uma das ferramentas para isso é o desenvolvimento de modelos climáticos regionais. O projeto de um está sendo coordenado pelo Inpe e pela Fapesp, que pode estar pronto em até um ano, adaptado para a realidade brasileira.

População indígena no País cresceu 205% em duas décadas (Agência Brasil)

JC e-mail 4559, de 10 de Agosto de 2012.

No contexto do dia 9 de agosto, Dia Internacional dos Povos Indígenas, lideranças realizaram um protesto na sede da Advocacia Geral da União (AGU) para apelar pela suspensão da portaria 303, que autoriza a intervenção em terras indígenas sem a necessidade de consultar os índios.

Hoje (10), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados do Censo 2010 que mostram que os índios no Brasil somam 896,9 mil pessoas, de 305 etnias, que falam 274 línguas indígenas. É a primeira vez que o órgão coleta informações sobre a etnia dos povos. O levantamento marca também a retomada da investigação sobre as línguas indígenas, parada por 60 anos.

Com base nos dados do Censo 2010, o IBGE revela que a população indígena no País cresceu 205% desde 1991, quando foi feito o primeiro levantamento no modelo atual. À época, os índios somavam 294 mil. O número chegou a 734 mil no Censo de 2000, 150% de aumento na comparação com 1991.

A pesquisa mostra que, dos 896,9 mil índios do País, mais da metade (63,8%) vivem em área rural. A situação é o inverso da de 2000, quando mais da metade estavam em área urbana (52%).

Na avaliação do IBGE, a explicação para o crescimento da população indígena pode estar na queda da taxa de fecundidade das mulheres em áreas rurais, apesar de o índice de 2010 não estar fechado ainda. Entre 1991 e 2000, essa taxa passou de 6,4 filhos por mulher para 5,8.

Outro fator que pode explicar o aumento do número de índios é o processo de etnogênese, quando há “reconstrução das comunidades indígenas”, que supostamente não existiam mais, explica o professor de antropologia da Universidade de Campinas (Unicamp), José Maurício Arruti.

Os dados do IBGE indicam que a maioria dos índios (57,7%) vive em 505 terras indígenas reconhecidas pelo governo até o dia 31 de dezembro de 2010, período de avaliação da pesquisa. Essas áreas equivalem a 12,5% do território nacional, sendo que maior parte fica na Região Norte – a mais populosa em indígenas (342 mil). Já na Região Sudeste, 84% dos 99,1 mil índios estão fora das terras originárias. Em seguida vem o Nordeste (54%).

Para chegar ao número total de índios, o IBGE somou aqueles que se autodeclararam indígenas (817,9 mil) com 78,9 mil que vivem em terras indígenas, mas não tinham optado por essa classificação ao responder à pergunta sobre cor ou raça. Para esse grupo, foi feita uma segunda pergunta, indagando se o entrevistado se considerava índio. O objetivo foi evitar distorções.

A responsável pela pesquisa, Nilza Pereira, explicou que a categoria índios foi inventada pela população não índia e, por isso, alguns se confundiram na autodeclaração e não se disseram indígenas em um primeiro momento. “Para o índio, ele é um xavante, um kaiapó, da cor parda, verde e até marrom”, justificou.

A terra indígena mais populosa no País é a Yanomami, com 25,7 mil habitantes (5% do total) distribuídos entre o Amazonas e Roraima. Já a etnia Tikúna (AM) é mais numerosa, com 46 mil indivíduos, sendo 39,3 mil na terra indígena e os demais fora. Em seguida, vem a etnia Guarani Kaiowá (MS), com 43 mil índios, dos quais 35 mil estão na terra indígena e 8,1 mil vivem fora.

O Censo 2010 também revelou que 37,4% índios com mais de 5 anos de idade falam línguas indígenas, apesar de anos de contato com não índios. Cerca de 120 mil não falam português. Os povos considerados índios isolados, pelas limitações da própria política de contato, com objetivo de preservá-los, não foram entrevistados e não estão contabilizados no Censo 2010.

Ensino público manda 45% dos alunos às universidades federais (Valor Econômico)

JC e-mail 4559, de 10 de Agosto de 2012.

De acordo com o estudo “Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Universidades Federais Brasileiras”, concluído pelo Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace) em julho de 2011, 45% dos cerca de 900 mil alunos matriculados nas 59 instituições da rede de ensino superior do País vieram do ensino médio público.

No que se refere especificamente à obrigatoriedade de destinar 50% das vagas nas universidades federais a alunos que cursaram o ensino médio em escolas públicas, a lei de cotas aprovada na terça-feira (7) vai causar um impacto muito menor no atual sistema de matrículas do que a polêmica que tem gerado.

De acordo com o estudo “Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Universidades Federais Brasileiras”, levantamento feito pelo Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace) entre outubro e novembro de 2010 e concluído em julho de 2011, 45% dos cerca de 900 mil alunos matriculados nas 59 instituições da rede de ensino superior do País vieram do ensino médio público.

A terceira edição do estudo – a primeira foi produzida em 1996-1997, mostra que os maiores percentuais de alunos oriundos das escolas públicas são nas regiões Norte, com 71,5%, e Sul (50,5%). Nordeste e Centro-Oeste vêm em seguida com, respectivamente, 41,5% e 40,5%. O Sudeste é a região com o menor índice: 37%.

O “Perfil Socioeconômico” é uma pesquisa amostral do Fonaprace baseado no conjunto dos estudantes das universidades federais matriculados nos cursos presenciais de graduação. Adotou-se um nível de confiabilidade de 95% e erro amostral de 5% por instituição. A base de dados do foi fornecida pela Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação (Sesu-MEC) e passou por um processo de validação com cada universidade participante, que respondeu questionários quantitativos e qualitativos num sistema online.

Rosana Pereira Parente, pró-reitora de graduação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), integrante do Fonaprace, observa que uma política de Estado de ação afirmativa para equalizar o acesso ao ensino superior é importante por combater a desigualdade no País, mas um modelo único para realidades diferentes poder ser considerada “uma estratégia complicada”. “Algumas particularidades devem ser observadas, aqui na Região Norte o mercado privado da educação básica não é tão forte quanto nos grandes centros e temos mais índios que negros e pardos. Com a lei, ações afirmativas que temos aqui são prejudicadas”, pondera Rosana.

Na Ufam, a criação de novas políticas de cotas é discutida por um grupo específico dentro do conselho universitário. No momento, a instituição dá prioridade à entrada de 50% via Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o vestibular contínuo dá os outros 50% das vagas a alunos do ensino médio – eles fazem “minivestibulares” desde o primeiro ano do ensino médio. “Mas queremos instituir ações que beneficiem alunos de baixa renda”, acrescenta Rosana.

Uma das principais conclusões do estudo é que o número de estudantes negros, pardos e índios e pobres aumentou nos últimos anos, tópicos também contemplados na lei de cotas aprovada nesta semana. Os responsáveis pela pesquisa sugerem que, devido a esse resultado, é urgente ampliar os investimentos na política de assistência estudantil.

“Já existem pesquisas no Brasil que tentam monitorar o avanço das políticas afirmativas na educação. Agora, com uma lei nacional, o novo modelo tem de vir acompanhado de ações de assistência estudantil para garantir não só o acesso, mas a permanência desse ‘novo’ aluno”, avalia Dalila Andrade Oliveira, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped).

De 2008 a 2012 o orçamento do MEC para o Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), que garante bolsas mensais e auxílios financeiros para alimentação, moradia e compra de material didático, cresceu 300% em valores nominais, para R$ 500 milhões. Mas dirigentes federais falam que os recursos são insuficientes. “O Pnaes precisaria subir para R$ 1,5 bilhão para dar conta das atuais necessidades atuais. A nova lei, que fere a autonomia universitária, poderia vir acompanhada de um item para garantir a contrapartida orçamentária à universidade que receber estudantes mais pobres”, critica Gustavo Balduíno, da direção da Associação Nacional de Dirigentes de Instituições de Ensino Federais (Andifes).

Sobre o aspecto racial, o levantamento do Fonaprace mostra que em 2010 estudantes brancos eram maioria nas universidades federais: 54%. Na pesquisa anterior, em 2004, o percentual de brancos era de 59%. Os pretos aumentaram de 5,9% em 2004 para 8,7% em 2010, percentual que subiu em todas as regiões do País: com destaque para o Norte, que praticamente dobrou o seu percentual (13,4%, ante 6,8% em 2004), e Nordeste, cujas marcas passaram de 8,6% para 12,5%.

Perto de 45% dos estudantes das universidades federais pertencem às classes C, D e E. Os estudantes da classe A somam 15% do total de matrículas de 2010, com maior concentração na região Centro-Oeste (22%). Os universitários enquadrados na classe B representam 41% do total.

Rooting out Rumors, Epidemics, and Crime — With Math (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 10, 2012) — A team of EPFL scientists has developed an algorithm that can identify the source of an epidemic or information circulating within a network, a method that could also be used to help with criminal investigations.

Investigators are well aware of how difficult it is to trace an unlawful act to its source. The job was arguably easier with old, Mafia-style criminal organizations, as their hierarchical structures more or less resembled predictable family trees.

In the Internet age, however, the networks used by organized criminals have changed. Innumerable nodes and connections escalate the complexity of these networks, making it ever more difficult to root out the guilty party. EPFL researcher Pedro Pinto of the Audiovisual Communications Laboratory and his colleagues have developed an algorithm that could become a valuable ally for investigators, criminal or otherwise, as long as a network is involved. The team’s research was published August 10, 2012, in the journal Physical Review Letters.

Finding the source of a Facebook rumor

“Using our method, we can find the source of all kinds of things circulating in a network just by ‘listening’ to a limited number of members of that network,” explains Pinto. Suppose you come across a rumor about yourself that has spread on Facebook and been sent to 500 people — your friends, or even friends of your friends. How do you find the person who started the rumor? “By looking at the messages received by just 15-20 of your friends, and taking into account the time factor, our algorithm can trace the path of that information back and find the source,” Pinto adds. This method can also be used to identify the origin of a spam message or a computer virus using only a limited number of sensors within the network.

Trace the propagation of an epidemic

Out in the real world, the algorithm can be employed to find the primary source of an infectious disease, such as cholera. “We tested our method with data on an epidemic in South Africa provided by EPFL professor Andrea Rinaldo’s Ecohydrology Laboratory,” says Pinto. “By modeling water networks, river networks, and human transport networks, we were able to find the spot where the first cases of infection appeared by monitoring only a small fraction of the villages.”

The method would also be useful in responding to terrorist attacks, such as the 1995 sarin gas attack in the Tokyo subway, in which poisonous gas released in the city’s subterranean tunnels killed 13 people and injured nearly 1,000 more. “Using this algorithm, it wouldn’t be necessary to equip every station with detectors. A sample would be sufficient to rapidly identify the origin of the attack, and action could be taken before it spreads too far,” says Pinto.

Identifying the brains behind a terrorist attack

Computer simulations of the telephone conversations that could have occurred during the terrorist attacks on September 11, 2001, were used to test Pinto’s system. “By reconstructing the message exchange inside the 9/11 terrorist network extracted from publicly released news, our system spit out the names of three potential suspects — one of whom was found to be the mastermind of the attacks, according to the official enquiry.”

The validity of this method thus has been proven a posteriori. But according to Pinto, it could also be used preventatively — for example, to understand an outbreak before it gets out of control. “By carefully selecting points in the network to test, we could more rapidly detect the spread of an epidemic,” he points out. It could also be a valuable tool for advertisers who use viral marketing strategies by leveraging the Internet and social networks to reach customers. For example, this algorithm would allow them to identify the specific Internet blogs that are the most influential for their target audience and to understand how in these articles spread throughout the online community.

USDA: Ongoing Drought Causes Significant Crop Yield Declines (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 10, 2012) — Corn production will drop 13 percent to a six-year low, the U.S. Agriculture Department said today (Aug. 10), confirming what many farmers already knew — they are having a very bad year, Ohio State University Extension economist Matt Roberts said.

Drought’s impact on corn. (Credit: Image courtesy of OSU Extension)

In its monthly crops report, USDA today cut its projected U.S. corn production to 10.8 billion bushels, down 17 percent from its forecast last month of nearly 13 billion bushels and 13 percent lower than last year. Soybean production is forecast to be down as well, to 2.69 billion bushels, which is 12 percent lower than last year, as well as lower than the 3.05 billion bushels the USDA forecast last month.

The projections mean this year’s corn production will be the lowest production since 2006, with soybeans at its lowest production rate since 2003, Roberts said. The USDA said it expects corn growers to average 123.4 bushels per acre, down 24 bushels from last year, while soybean growers are expected to average 36.1 bushels per acre, down 5.4 bushels from last year.

In Ohio, those numbers translate into a projected 126 bushels per acre yield, which is down 32 bushels per acre from last year for corn, he said. Soybeans are projected at 42 bushels per acre, down from last year’s 47.5 bushels per acre yield.

The impact on growers is going to be tough, Roberts said.

“I don’t think this is a surprise to anyone, especially growers,” he said. “For most farmers, this is the year that they will lose much of the profits they’ve made over five good years.

“I don’t expect to see a lot of bankruptcies, but certainly there will be a lot of belt-tightening among farmers this year. With crop insurance so widespread, it will help ensure that we don’t see a lot of bankruptcies and help farmers weather this storm.”

This as Ohioans have suffered through multiple days of record-setting temperatures of over 100 degrees this summer, with scant rainfall that has resulted in parched crop fields. In fact, with an average temperature of 77.6 degrees, July was the hottest month ever recorded nationwide, breaking a record set during the Dust Bowl of the 1930s, according to the National Climatic Data Center.

Most of Ohio except for some counties near the Kentucky, West Virginia and Pennsylvania borders is experiencing moderate drought, with some counties near the Indiana and Michigan borders experiencing severe and extreme drought as of Aug. 7, according to the most recent U.S. Drought Monitor. Nationwide, 80 percent of the U.S. is experiencing drought conditions, up from 40 percent in May, according to the monitor.

Currently, topsoil moisture in Ohio was rated 45 percent very short, 41 percent short and 14 percent adequate, with no surplus, according to the latest U.S. Department of Agriculture Weekly Crop Report.

The lack of rainfall has decimated many corn crops, which were damaged as a result of not enough rain during its crucial pollination period. So even though growers planted a record acreage of corn this year in anticipation of a strong year with record yields, the lack of enough rainfall has caused yield forecasts to continue to decline, Roberts said.

And while soybeans weren’t as negatively impacted by the lack of rain earlier in the growing season, ongoing drought conditions are taking a toll on crops, which are seeing yield estimates decline as well, he said, noting that further yield declines are likely as the growing season continues.

The corn and soybean forecasts are largely in line with market expectations, Roberts said.

Corn prices through yesterday increased 63 percent since mid-June, reaching an all-time high today (Aug. 10) of $8.49 a bushel on the Chicago Board of Trade.

“Most analysts in February expected a corn yield of 163, meaning there has now been a 40 bushel per acre yield cut from the beginning of the year, with many analysts expecting yields to go below 120 per bushels when it is all said and done,” he said. “That means there’s just a lot less corn around than what we expected.

“That leaves 2.3 billion fewer bushels of corn to be consumed than in 2011, which means that consumption has to be rationed out. And even though ethanol will be down about 10 percent and exports will be down by 25 percent from two years ago, we will still end up with extremely tight inventories.”

For livestock farmers, the situation is even worse, Roberts said.

“Livestock producers will feel more pain from higher feed prices and negative profit margins,” he said. “We will see a lot more stress on the entire livestock end, from poultry all the way up to cows.

“Cow/calf producers are in a very difficult situation because of poor pasture conditions and high hay costs as a result of this historic drought. Overall, it’s going to be a very bad year for the farm economy. While there will be pockets of growers that don’t feel it as bad, livestock farmers will feel it just all around because of the overall feed costs.”

Nova legislação dará base científica à prevenção de desastres naturais, dizem especialistas (Fapesp)

Lei sancionada em abril obrigará municípios a elaborar carta geotécnica, instrumento multidisciplinar que orientará implantação de sistemas de alerta e planos diretores (Valter Campanato/ABr)

08/08/2012

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Em janeiro de 2011, enchentes e deslizamentos deixaram cerca de mil mortos e 500 desaparecidos na Região Serrana do Rio de Janeiro. A tragédia evidenciou a precariedade dos sistemas de alerta no Brasil e foi considerada por especialistas como a prova definitiva de que era preciso investir na prevenção de desastres.

O mais importante desdobramento dessa análise foi a Lei 12.608, sancionada em abril, que estabelece a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil e cria o sistema de informações e monitoramento de desastres, de acordo com especialistas reunidos no seminário “Caminhos da política nacional de defesa de áreas de risco”, realizado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) no dia 6 de agosto.

A nova lei obriga as prefeituras a investir em planejamento urbano na prevenção de desastres do tipo enchentes e deslizamentos de terra. Segundo os especialistas, pela primeira vez a prevenção de desastres poderá ser feita com fundamento técnico e científico sólido, já que a lei determina que, para fazer o planejamento, todas as prefeituras precisarão elaborar cartas geotécnicas dos municípios.

Katia Canil, pesquisadora do Laboratório de Riscos Ambientais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), disse que as prefeituras terão dois anos para elaborar as cartas geotécnicas para lastrear seus planos diretores, que deverão contemplar ações de prevenção e mitigação de desastres. Os municípios que não apresentarem esse planejamento não receberão recursos federais para obras de prevenção e mitigação.

“As cartas geotécnicas são documentos cartográficos que reúnem informações sobre as características geológicas e geomorfológicas dos municípios, identificando riscos geológicos e facilitando a criação de regras para a ocupação urbana. Com a obrigatoriedade desse instrumento, expressa na lei, poderemos ter estratégias de prevenção de desastres traçadas com base no conhecimento técnico e científico”, disse Canil à Agência FAPESP.

A primeira carta geotécnica do Brasil foi feita em 1979, no município de Santos (SP), mas, ainda assim, o instrumento se manteve pouco difundido no país. Segundo Canil, a institucionalização da ferramenta será um fator importante para a adequação dos planos diretores em relação às características geotécnicas dos terrenos.

“Poucos municípios têm carta geotécnica, porque não era um instrumento obrigatório. Agora, esse panorama deve mudar. Mas a legislação irá gerar uma grande demanda de especialistas em diversas áreas, porque as cartas geotécnicas integram uma gama de dados interdisciplinares”, disse a pesquisadora do IPT.

As cartas geotécnicas reúnem documentos que resultam de levantamentos geológicos e geotécnicos de campo, além de análises laboratoriais, com o objetivo de sintetizar todo o conhecimento disponível sobre o meio físico e sua relação com os processos geológicos e humanos presentes no local. “E tudo isso precisa ser expresso em uma linguagem adequada para que os gestores compreendam”, disse Canil.

As cidades terão que se organizar para elaborar cartas geotécnicas e a capacitação técnica necessária não é trivial. “Não se trata apenas de cruzar mapas. É preciso ter experiência aliada ao treinamento em áreas como geologia, engenharia, engenharia geotécnica, cartografia, geografia, arquitetura e urbanismo”, disse Canil. O IPT já oferece um curso de capacitação para elaboração de cartas geotécnicas.

Uma dificuldade importante para a elaboração das cartas será a carência de mapeamento geológico de base nos municípios brasileiros. “A maior parte dos municípios não tem dados primários, como mapeamentos geomorfológicos, pedológicos e geológicos”, disse Canil.

Plano nacional de prevenção

A tragédia da Região Serrana fluminense, em janeiro de 2011, foi um marco que mudou o rumo das discussões sobre desastres, destacando definitivamente o papel central da prevenção, segundo Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

“Aquele episódio foi um solavanco que chacoalhou a percepção brasileira para o tema dos grandes desastres. Tornou-se óbvio para os gestores e para a população que é preciso enfatizar o eixo da prevenção. Foi um marco que mudou nossa perspectiva para sempre: prevenção é fundamental”, disse durante o evento.

Segundo Nobre, que também é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, a experiência internacional mostra que a prevenção pode reduzir em até 90% o número de vítimas fatais em desastres naturais, além de diminuir em cerca de 35% os danos materiais. “Além de poupar vidas, a economia com os prejuízos materiais já compensa com sobras todos os investimentos em prevenção”, disse.

De acordo com Nobre, a engenharia terá um papel cada vez mais importante na prevenção, à medida que os desastres naturais se tornarem mais extremos por consequência das mudanças climáticas.

“O engenheiro do século 21 precisará ser treinado para a engenharia da sustentabilidade – um campo transversal da engenharia que ganhará cada vez mais espaço. A engenharia, se bem conduzida, é central para solucionar alguns dos principais problemas da atualidade”, afirmou.

Segundo Nobre, além da nova legislação, que obrigará o planejamento com base em cartas geotécnicas dos municípios, o Brasil conta com diversas iniciativas na área de prevenção de desastres. Uma delas será anunciada nesta quarta-feira (08/08): o Plano Nacional de Prevenção a Desastres Naturais, que enfatiza as obras voltadas para a instalação de sistemas de alerta.

“Há obras de grande escala necessárias no Brasil, especialmente no que se refere aos sistemas de alerta. Um dos elementos importantes do novo plano é a questão do alerta precoce. Experiências internacionais mostram que um alerta feito até duas horas antes de um deslizamento é capaz de salvar vidas”, disse.

Segundo Nobre, as iniciativas do plano serão coerentes com a nova legislação. O governo federal deverá investir R$ 4,6 bilhões, nos próximos meses, em iniciativas de prevenção de desastres nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina.

Mas, para pleitear verbas federais, o município deverá cumprir uma série de requisitos, como incorporar as ações de proteção e defesa civil no planejamento municipal, identificar e mapear as áreas de risco de desastres naturais, impedir novas ocupações e vistoriar edificações nessas áreas.

Segundo Nobre, outra ação voltada para a prevenção de desastres foi a implantação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do MCTI, que começou a operar em dezembro de 2011, no campus do Inpe em Cachoeira Paulista (SP).

“Esse centro já tinha um papel importante na previsão de tempo, mas foi reformulado e contratou 35 profissionais. O Cemaden nasce como um emblema dos novos sistemas de alerta: uma concepção que une geólogos, meteorólogos e especialistas em desastres naturais para identificar vulnerabilidades, algo raro no mundo”, afirmou.

Segundo ele, essa nova estrutura já tem um sistema de alertas em funcionamento. “É um sistema que ainda vai precisar ser avaliado com o tempo. Mas até agora, desde dezembro de 2011, já foram lançados mais de 100 alertas. O país levará vários anos para reduzir as fatalidades como os países que têm bons sistemas de prevenção. Mas estamos no caminho certo”, disse Nobre.

Heatwave turns America’s waterways into rivers of death (The Independent)

Falling water levels are killing fish and harming exports

DAVID USBORNE

SUNDAY 05 AUGUST 2012

The cruel summer heat-wave that continues to scorch agricultural crops across much of the United States and which is prompting comparisons with the severe droughts of the 1930s and 1950s is also leading to record-breaking water temperatures in rivers and streams, including the Mississippi, as well as fast-falling navigation levels.

While in the northern reaches of the Mississippi, near Moline in Illinois, the temperature touched 90 degrees last week – warmer than the Gulf of Mexico around the Florida Keys – towards the river’s southern reaches the US Army Corps of Engineers is dredging around the clock to try to keep barges from grounding as water levels dive.

For scientists the impact of a long, hot summer that has plunged more than two-thirds of the country into drought conditions – sometimes extreme – has been particularly striking in the Great Lakes. According to the Great Lakes Environmental Research Laboratory, all are experiencing unusual spikes in water temperature this year. It is especially the case for Lake Superior, the northernmost, the deepest, and therefore the coolest.

“It’s pretty safe to say that what we’re seeing here is the warmest that we’ve seen in Lake Superior in a century,” said Jay Austin, a professor at the University of Minnesota at Duluth. The average temperature recorded for the lake last week was 68F (20C). That compares with 56F (13C) at this time last year.

It is a boon to shoreline residents who are finding normally chilly waters suddenly inviting for a dip. But the warming of the rivers, in particular, is taking a harsh toll on fish, which are dying in increasingly large numbers. Significant tolls of fresh-water species, from pike to trout, have been reported, most frequently in the Midwest.

“Most problems occur in ponds that are not deep enough for fish to retreat to cooler and more oxygen-rich water,” said Jake Allman of the Missouri Department of Conservation. “Hot water holds less oxygen than cool water. Shallow ponds get warmer than deeper ponds, and with little rain, area ponds are becoming shallower by the day. Evaporation rates are up to 11 inches per month in these conditions.”

In some instances, fish are simply left high and dry as rivers dry up entirely. It is the case of the normally rushing River Platte which has simply petered out over a 100-mile stretch in Nebraska, large parts of which are now federal disaster areas contending with so-called “exceptional drought” conditions.

“This is the worst I’ve ever seen it, and I’ve been on the river since I was a pup,” Dan Kneifel, owner of Geno’s Bait and Tackle Shop, told TheOmahaChannel.com. “The river was full of fish, and to see them all die is a travesty.”

As water levels in the Mississippi ebb, so barge operators are forced to offload cargo to keep their vessels moving. About 60 per cent of exported US corn is conveyed by the Mississippi, which is now 12ft below normal levels in some stretches. Navigation on the Mississippi has not been so severely threatened since the 1988 drought in the US. Few forget, meanwhile, that last summer towns up and down the Mississippi were battling flooding.

One welcome side-effect, however, is data showing that the so-called “dead zone” in the Gulf of Mexico around the Mississippi estuary is far less extensive this summer because the lack of rain and the slow running of the water has led to much less nitrate being washed off farmland and into the system than in normal years. The phenomenon occurs because the nitrates feed blooms of algae in Gulf waters which then decompose, stripping the water of oxygen.

Democracy Works for Endangered Species Act, Study Finds; Citizen Involvement Key in Protecting and Saving Threatened Species (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 16, 2012) — When it comes to protecting endangered species, the power of the people is key, an analysis of listings under the U.S. Endangered Species Act finds.

Desert Tortoise, Gopherus agassizii, in Mojave of Utah. The FWS turned down a petition to list the Mojave Desert population of the Desert Tortoise, Gopherus agassizii, but that decision was reversed. The Desert Tortoise is now in the ESA highest threat category, and populations of the entire species are thought to have declined by more than 90 percent during the past 20 years. (Credit: © mattjeppson / Fotolia)

The journal Science is publishing the analysis comparing listings of “endangered” and “threatened” species initiated by the U.S. Fish and Wildlife Service, the agency that administers the Endangered Species Act, to those initiated by citizen petition.

“We found that citizens, on average, do a better job of picking species that are threatened than does the Fish and Wildlife Service. That’s a really interesting and surprising finding,” says co-author Berry Brosi, a biologist and professor of environmental studies at Emory University.

Brosi conducted the analysis with Eric Biber, a University of California, Berkeley School of Law professor who specializes in environmental law.

Controversy has surrounded the Endangered Species Act (ESA) since it became law nearly 40 years ago. A particular flashpoint is the provision that allows citizens to petition the Fish and Wildlife Service (FWS) to list any unprotected species, and use litigation to challenge any FWS listing decision. Critics of this provision say the FWS wastes time and resources processing the stream of citizen requests. Another argument is that many citizen-initiated listings are driven less by concern for a species than by political motives, such as blocking a development project.

The study authors counter that their findings bolster the need to keep the public highly involved.

“There are some 100,000 species of plants and animals in North America, and asking one federal agency to stay on top of that is tough,” Biber says. “If there were restrictions on the number of citizen-initiated petitions being reviewed, the government would lose a whole universe of people providing high-quality information about species at risk, and it is likely that many species would be left unprotected.”

The researchers built a database of the 913 domestic and freshwater species listed as “threatened” or “endangered” under the ESA from 1986 on. They examined whether citizens or the FWS initiated the petition, whether it was litigated, and whether it conflicted with an economic development project. They also looked at the level of biological threat to each of the species, using FWS threat scores in reports the agency regularly makes to Congress.

The results showed that listings resulting from citizen-initiated petitions are more likely to pose conflicts with development, but those species are also significantly more threatened, on average, than the species in FWS-initiated petitions.

“The overriding message is that citizen involvement really does work in combination with the oversight of the FWS,” Brosi says. “It’s a two-step system of checks and balances that is important to maintain.”

The public brings diffuse and specialized expertise to the table, from devoted nature enthusiasts to scientists who have spent their whole careers studying one particular animal, insect or plant. Public involvement can also help counter the political pressure inherent in large development projects. The FWS, however, is unlikely to approve the listing of a species that is not truly threatened or endangered, so some petitions are filtered out.

“You could compare it to the trend of crowdsourcing that the Internet has spawned,” Brosi says. “It’s sort of like crowdsourcing what species need to be protected.”

Many people associate the success of the ESA with iconic species like the bald eagle and the whooping crane.

“To me,” Brosi says, “the greater accomplishment of the act is its protection of organisms that don’t get the same amount of attention as a beautiful bird or mammal.”

For example, the FWS turned down a petition to list the Mojave Desert population of the Desert Tortoise, Gopherus agassizii,but that decision was reversed. The Desert Tortoise is now in the ESA highest threat category, and populations of the entire species are thought to have declined by more than 90 percent during the past 20 years.

“One of the biggest threats it faces is urban and suburban expansion, which could have made it politically challenging for the FWS,” Brosi notes. “And yet, the Desert Tortoise is a keystone species that helps support dozens of other species by creating habitats in its burrows and dispersing seeds.”

Para antropóloga, governo joga entre a inclusão e o trator (Folha de S.Paulo)

12/08/2012 – 08h00

ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO

“Um governo em que a mão direita e a mão esquerda não parecem pertencer a um mesmo corpo”. Assim a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha define o governo Dilma Rousseff: a gestão tem uma “face boa”, que promove inclusão social, e outra “desenvolvimentista”, que “não se importa em atropelar direitos fundamentais e convenções internacionais”.

Pioneira na discussão contemporânea da questão indígena e liderança no debate ambiental, Manuela, 69, acha o novo Código Florestal “um tiro no pé”: “A proteção ambiental é crucial para a sustentabilidade do agronegócio”.

Retrato da antropologa e professora na Univesidade de Chicago Manuela Carneiro da CunhaRetrato da antropologa e professora na Univesidade de Chicago Manuela Carneiro da Cunha. Leticia Moreira – 20.out.09/Folhapress

 

A professora emérita da Universidade de Chicago está relançando seu clássico de 1985, “Negros, Estrangeiros: Os Escravos Libertos e Sua Volta à África” [Companhia das Letras, 272 págs., R$ 49], sobre escravidão e liberdade no Atlântico Sul.

Nesta entrevista, concedida por e-mail, ela constata vestígios de realidade escravocrata no Brasil de hoje: “Olhe com atenção cenas de rua. São muitas as que parecem saídas de fotografias dos anos 1870 ou até de aquarelas de Debret, da década de 1820”.

Folha – Como a sra. avalia o desempenho do governo Dilma?

Manuela C. da Cunha – Há pelo menos duas faces no governo Dilma que não são simplesmente resultado de composições políticas. Há a face boa, que promove uma política de inclusão social e de diminuição das desigualdades. E há uma face desenvolvimentista, um trator que não se importa em atropelar direitos fundamentais e convenções internacionais.

Exemplos disso são a portaria nº 303, de 16/7, da Advocacia Geral da União, sobre terras indígenas, que tenta tornar fato consumado matéria que ainda está em discussão no Supremo Tribunal Federal, além de outras iniciativas recentes do Executivo, como a redução de áreas de unidades de conservação para viabilizar hidrelétricas.

Somam-se a essas duas faces do Executivo as concessões absurdas, destinadas a garantir a sua base parlamentar.

O resultado é um governo em que a mão direita e a mão esquerda não parecem pertencer a um mesmo corpo. Corre, por exemplo, o boato de que a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), que chefia a bancada ruralista, poderia ser promovida a ministra da Agricultura!

Quem está vencendo o embate entre o agronegócio e os que defendem a preservação ambiental?

Ninguém venceu: com o novo Código Florestal, todos perdem, inclusive os que se entendem como vencedores. O Brasil perdeu.

Agrônomos, biólogos e climatólogos de grande reputação foram solicitados pela SBPC e pela Academia Brasileira de Ciências a se pronunciarem sobre o novo Código. Esse grupo, do qual tive a honra de ser uma escrevinhadora, publicou análises e documentos ao longo dos dois anos que durou o processo de discussão no Legislativo. As recomendações fundamentais do mais importante colegiado de cientistas reunidos para examinar as implicações do Código Florestal não foram acatadas.

Como declarou Ricardo Ribeiro Rodrigues, professor titular da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), o Brasil perdeu a oportunidade de mostrar ao mundo que é possível conciliar crescimento da produção de alimentos com sustentabilidade ambiental. Para aumentar a produção, não é preciso mais espaço, e sim maior produtividade.

Foi com ganhos de produtividade que a agricultura cresceu nas últimas décadas. Diminuir a proteção ambiental, como faz o novo Código Florestal, é miopia, é dar um tiro no pé e privar as gerações futuras do que as gerações passadas nos legaram. Pois a proteção ambiental é crucial para a sustentabilidade do agronegócio.

É constrangedor ainda que, para favorecer a miopia dos setores mais atrasados do agronegócio, se tenha usado uma retórica de proteção à agricultura familiar. O que se isentou de reposição de reserva legal no novo Código não foi exclusivamente a agricultura familiar e sim um universo muito maior, a saber quaisquer proprietários de até quatro módulos fiscais.

A agricultura familiar está sendo na realidade diretamente prejudicada pela brutal redução que vinha sendo feita das matas ciliares. No Nordeste e no Norte de Minas, vários rios secaram. Com o antigo Código, ainda se tinha amparo da lei para protestar. Hoje, o fato consumado tornou-se legal. Isso se chama desregulamentação.

Por que o movimento de intelectuais não conseguiu êxito?

O movimento “A Floresta Faz a Diferença” não pode ser caracterizado como um movimento de intelectuais. Não só 200 entidades da sociedade civil se uniram no protesto, mas a população em geral se manifestou maciçamente.

Lembro que duas cartas de protesto, no final de 2011, somaram mais de 2 milhões de assinaturas. Já na pesquisa de opinião do Datafolha, realizada entre 3 e 7 de junho de 2011, em ambiente urbano e rural, 85% se manifestaram contra a desregulamentação que é o novo Código Florestal. E prometeram se lembrar nas urnas do desempenho dos parlamentares.

E o pior foi que congressistas de partidos que se dizem de esquerda, dos quais se esperava outro comportamento, tiveram atuação particularmente lamentável. Faltou uma sintonia entre o Congresso e o povo: cada vez mais os políticos não prestam contas a seus eleitores e à opinião pública.

Há quem aponte interesses externos no discurso da preservação de áreas ambientais e de reservas. Qual sua visão?

A acusação de que ambientalistas e defensores de direitos humanos servem interesses externos é primária, além de velhíssima: teve largo uso desde a ditadura e na Constituinte. Sai do armário quando não há bons argumentos.

Como a questão indígena está sendo tratada? Como devia ser tratada?

Hoje a questão indígena está sob fogo cerrado. Muitos parlamentares estão tentando solapar os direitos indígenas consagrados na Constituição de 1988. Querem, por exemplo, permitir mineração em áreas indígenas e decidir sobre demarcações. E a recente investida da Advocacia Geral da União de que já falei levanta dúvidas sobre as disposições do Poder Executivo.

Em “Negros, Estrangeiros” a sra. afirma: “Tentou-se controlar a passagem da escravidão à liberdade com o projeto de ver formada uma classe de libertos dependentes. Formas de sujeição ideológica, em que o paternalismo desempenhou um papel essencial, e formas de coerção política foram postas em uso”. Essa realidade persiste?

Comento no livro que um dos mecanismos do projeto de criar uma classe de libertos dependentes foi a separação mantida até 1872 entre o direito costumeiro e o direito positivo. Alforriarem-se escravos que oferecessem seu valor em dinheiro era um costume, mas não era um direito, contrariamente ao que se apregoou.

A alforria, mesmo paga, era sempre considerada como uma concessão do senhor, e implicava um dever de gratidão para o liberto: tanto assim que, desta vez por lei, podia ser revogada se o liberto se mostrasse ingrato. Hoje a lei avançou e o conhecimento das leis também. A dependência não é mais a mesma. Mas o clientelismo, do qual o paternalismo é uma forma até mais simpática, não desapareceu. As ligações e lealdades pessoais, a proteção, as conivências são flagrantes na esfera política.

Mas você me pergunta de vestígios da realidade escravocrata no Brasil. Olhe com atenção cenas de rua. São muitas as que parecem saídas de fotografias dos anos 1870 ou até de aquarelas de [Jean-Baptiste] Debret, da década de 1820. As babás escravas cujos retratos aparecem no livro são muito parecidas com as que, mais malvestidas e todas de branco, levam as crianças aos parques no Rio de Janeiro. Os carregadores de ontem e de hoje pouco diferem…

Como a sra. explica a escravidão moderna? Por que ela persiste?

A escravidão moderna, nisso semelhante à escravidão legal que desapareceu, é uma das múltiplas formas de uma questão sempre atual, a do fornecimento e do controle de mão de obra.

Trabalhadores em regime análogo à escravidão em fazendas; em São Paulo, imigrantes bolivianos e paraguaios enfrentam condições desumanas em confecções. Qual relação há entre essa realidade e a história brasileira de escravidão?

As formas contemporâneas de opressão de trabalhadores, sobretudo urbanos, não são específicas ao Brasil: por toda parte, elas afligem populações de migrantes sem documentos, que, mantidos na ilegalidade e sempre sujeitos a serem expulsos, não conseguem se defender das condições degradantes. A propalada globalização permitiu livre trânsito a mercadorias e capitais, mas não se estendeu (a não ser no âmbito da União Europeia) às pessoas.

No campo, os regimes análogos à escravidão usam a força para restringir a liberdade, e não a chantagem, já que em geral se trata de brasileiros recrutados em outros Estados que, teoricamente, poderiam recorrer às autoridades. Mas o isolamento físico e a distância dos seus lugares de origem permitem que impunemente se use a força contra eles.

Ações afirmativas e sistema de cotas nas universidades brasileiras

Mais um passo na luta pela democratização efetiva do Ensino Superior

dhescbrasil.org.br

10 de agosto de 2012

Em 07 de agosto de 2012 o Senado Federal aprovou um projeto que tramitava a cerca de  uma década no Congresso, instituindo a reserva de 50% das vagas das universidades e institutos tecnológicos federais para estudantes que cursaram o ensino médio em escola pública.

Além disso, a lei prevê que, destas vagas, metade serão destinadas a estudantes com renda familiar per capita até um salário mínimo e meio. Também prevê que em cada estado serão destinadas vagas para pretos, pardos e indígenas, respeitando o percentual destes grupos nos estados, de acordo com os dados do IBGE.

Tais medidas visam atender a demandas históricas de ativistas que lutam pelo direito à educação e também pela democratização efetiva do ensino superior no país. Como sabemos historicamente o sistema universitário brasileiro se desenvolveu de forma restrita em termos de número de vagas e também de grupos atendidos. O ensino superior foi pensado durante muito tempo como um sistema para poucos e, com frequência, para aqueles que conseguiram se preparar para competir por uma vaga num quadro altamente competitivo.

Ao longo dos anos 1990 e principalmente dos anos 2000 ampliou-se o consenso entre diferentes setores da sociedade brasileira sobre a enorme desigualdade no acesso ao ensino superior no Brasil, expresso no paradoxo conhecido de que entre os estudantes das universidades públicas predominam os estudantes que freqüentaram escolas particulares no ensino básico, sendo o inverso também verdadeiro.

Observou-se também que os jovens brasileiros que chegavam ao ensino superior eram predominantemente de classe média e de classe alta e em sua maioria brancos, deixando de fora desta possibilidade, portanto, um grande contingente de jovens pobres, pretos, pardos e indígenas.

Em face de esta exclusão educacional, entidades não governamentais e movimentos sociais se mobilizaram para oferecer oportunidades de formação complementar para os jovens pobres, pretos, pardos e indígenas aumentarem suas chances de ingresso. Universidades, prefeituras, empresas e igrejas também se engajaram nestas iniciativas, levando a resultados relevantes em termos de aprovação destes estudantes em exames de seleção.

Também órgãos governamentais passaram a desenvolver políticas para ampliar o acesso ao ensino superior de grupos historicamente excluídos, tais como a reserva de vagas em  universidades públicas, a criação do Programa Universidade para Todos (PROUNI), destinado a fornecer bolsas de estudo em instituições privadas de ensino superior e a  ampliação do investimento em universidades federais visando o aumento da oferta de cursos e vagas.

Em 2012 é possível afirmar que estas medidas produziram efeitos positivos no que diz respeito à ampliação do acesso ao ensino superior de jovens de grupos excluídos. Entretanto, ainda permanece uma distância entre o número de jovens que concluem o ensino médio em escola pública e os que conseguem ingressar em instituição pública de ensino superior. Também ainda é desproporcional o número de estudantes negros e indígenas que chegam ao ensino superior, em comparação com sua proporção na população.

A lei aprovada pelo Senado vem justamente ampliar de forma substantiva estas oportunidades, levando a um compromisso das instituições federais de ensino superior e técnico com esta expansão. A lei também traz um importante compromisso com a igualdade racial, através da formalização do compromisso de ampliação do ingresso de estudantes negros e indígenas em proporções definidas segundo sua representação na população de cada estado da federação.

Num país que, até recentemente, tinha dificuldades em aceitar a desigualdade racial presente na sociedade, a aprovação desta lei reveste-se de grande importância, pois permite que se avance na efetiva democratização de oportunidades de ingresso no ensino superior.

Cabe-nos, agora, perguntar? Todos os problemas se resolvem com esta medida? Obviamente não. Na verdade a aprovação desta lei traz desafios importantes, como a ampliação e consolidação de permanência de estudantes de menor renda no ensino superior, através de um efetivo e eficaz programa de assistência estudantil. Também traz o desafio de continuar ampliando as oportunidades para que milhões de jovens pobres, negros e indígenas possam ter acesso e completar com sucesso o ensino médio, a fim de que possam participar da seleção de ingresso ao ensino superior.

Medidas de democratização com as que estão contidas nesta nova lei são marcos importantes no longo caminho da realização do direito à educação no Brasil. Esperamos que, após a sanção desta lei pela presidência, possamos inaugurar um novo momento nas políticas educacionais no país, com ampliação do acesso, oportunidades mais democráticas de permanência no ensino superior e pela busca de maior igualdade em todos os níveis. O caminho é longo, mas, com esta lei, será dado um grande passo.

Rosana Heringer
Relatora do Direito Humano à Educação

*   *   *

INCLUSÃO NO ENSINO SUPERIOR: RAÇA OU RENDA?

João Feres Júnior*

Grupo Estratégico de Análise da Educação Superior no Brasil – FLACSO Brasil

A decisão por unanimidade do Supremo Tribunal Federal, no dia 26 de abril de 2012, que declarou a constitucionalidade do sistema de cotas étnico-raciais para admissão de alunos ao ensino superior, teve, entre várias consequências positivas, a virtude de abrir a possibilidade para que o debate acerca da inclusão por meio do acesso à educação superior se aprofunde. Mudamos, portanto, de um contexto no qual o debate era dominantemente normativo, preocupado principalmente com a questão da legalidade e constitucionalidade da ação afirmativa étnico-racial, para um novo contexto, no qual passa a importar a discussão concreta acerca dos mecanismos e critérios adotados pelas políticas de inclusão.

Além de sua pertinência moral, a decisão do Supremo é consonante com várias análises a partir de dados estatísticos sólidos, feitas a partir do final dos anos 1970 até o presente, que mostram a relevância da variável classe e da variável raça na reprodução da desigualdade no Brasil. Esse fato nos leva a intuir que o uso de ambas as variáveis em políticas de inclusão é recomendável. Tal intuição é em geral correta, mas não podemos nos esquecer de que da análise sociológica de dados populacionais ao desenho de políticas públicas a distância é grande e não pode ser percorrida sem mediações: identificação de públicos, adoção de categorias, criação de regras, estabelecimento de objetivos, avaliação de resultados etc.

Ao abordar a questão dos critérios de seleção, primeiro cabe fazer uma ressalva de caráter histórico. O debate midiático sobre ação afirmativa foca quase exclusivamente sobre a ação afirmativa étnico-racial. Contudo, a modalidade mais frequente de ação afirmativa adotada pelas universidades públicas brasileiras hoje tem como beneficiários alunos oriundos da escola pública: 61 de um total de 98 instituições, enquanto que apenas 40 têm políticas para negros (ou pretos e pardos).

Mas isso não é só: o processo de criação dessas políticas de inclusão no ensino superior brasileiro – hoje 72% das universidades públicas brasileira têm algum tipo de ação afirmativa – não pode ser narrado sem falarmos do protagonismo do Movimento Negro e de seus simpatizantes ao articular a demanda por inclusão frente às universidades por todo o Brasil. Ao serem pressionadas por esses setores da sociedade civil organizada, as universidades reagiram, cada uma a seu modo, pouquíssimas vezes criando cotas somente para negros (4 casos), muitas vezes criando cotas para
negros e alunos de escola pública (31), e majoritariamente criando cotas para alunos de escola pública. Não houve, por outro lado, nenhum movimento independente para a inclusão de alunos pobres no ensino superior. Em suma, se não fosse pela demanda por inclusão para negros, o debate sobre o papel da universidade no Brasil democrático certamente estaria bem mais atrasado.

O ponto mais importante, contudo, é entender que as mediações entre o conhecimento sociológico e a política pública têm de ser regidas por um espírito pragmatista que segue o seguinte método: a partir de uma concordância básica acerca da situação e dos objetivos, estabelecemos ações mediadoras para a implantação de uma política e então passamos a observar seus resultados. A observação sistemática (e não impressionista) dos resultados é fundamental para que possamos regular as ações mediadoras a fim de atingir nossos objetivos, ou mesmo mudar os objetivos ou a leitura da situação. Sem esse espírito é difícil proceder de maneira progressista na abordagem de qualquer assunto que diga respeito a uma intervenção concreta na realidade.

Assim, ainda que saibamos que ambas as variáveis, classe e raça, devam ser objeto de políticas de inclusão, não existe um plano ideal para aplicá-las. Será que deveriam ser separadas (cotas para negros e cotas para escola pública) ou combinadas (cotas que somente aceitem candidatos com as duas qualificações)? Fato é que pouquíssimas universidades adotam a primeira opção, enquanto 36 das 40 universidades públicas com ação afirmativa para negros têm algum critério de classe combinado, seja ele escola pública ou renda.

Há também outra questão importante: a variável classe deve ser operacionalizada pelo critério de renda ou escola pública? No agregado, as universidades escolheram preferencialmente “escola pública”, 30 das 40, pois ele é mais eficaz do que “declaração de renda” para se auferir a classe social do ingressante – pessoas com renda informal facilmente burlariam o procedimento. Contudo, 6 universidades, entre elas as universidades estaduais do Rio de Janeiro, exemplos pioneiros de adoção de ação afirmativa no país, adotam o critério de renda. No caso das universidades fluminenses, os programas que começaram em 2003 tinham cotas para escola pública separadas de cotas para “negros e pardos” (sic), mas em 2005 a lei foi alterada passando a sobrepor um limite de renda à cota racial.

Informações advindas de pessoas que participaram do debate que levou a tal mudança apontam para o fato de que a exposição do assunto à mídia, fortemente enviesada contra tais políticas, fez com que os tomadores de decisão tentassem se proteger do argumento de que a ação afirmativa beneficiaria somente a classe média negra. A despeito da causa que levou a tal mudança, o método sugerido acima nos leva a olhar para as consequências. Dados da UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro) mostram que nos anos em que vigorou o sistema antigo, 2003 e 2004, entraram respectivamente 40 e 60 alunos não-brancos – aproximadamente 11% do total de ingressantes. A sobreposição de critérios que passou a operar no ano seguinte derrubou esse número para 19. A média de alunos não-brancos que ingressaram sob o novo regime de 2005 a 2009 é ainda menor – 13 –, o que representa parcos 3% do total de ingressantes.

Conclusão: uma política que produzia resultados foi tornada praticamente irrelevante devido à adoção de critérios que no papel parecem justos, ou adequados, ou politicamente estratégicos. Contudo, o resultado deveria ser a parte fundamental. O exemplo comprova nosso ponto de vista de que não há receitas mágicas. Se isso é verdade, então a experimentação faz-se necessária. Mas fica faltando ainda um elemento crucial nessa equação. Para avaliarmos os resultados da experimentação é preciso que as universidades com programas de inclusão tornem públicos seus dados, e isso não tem acontecido, com raríssimas exceções. Sem avaliações sólidas das políticas, corremos o risco de ficarmos eternamente no plano da conjectura e da anedota e assim não conseguir atingir o objetivo maior dessas iniciativas, que é o de democratizar o acesso à educação superior no Brasil.

Rio de Janeiro, junho de 2012

Este texto é uma contribuição do autor ao projeto Grupo Estratégico de Análise da Educação Superior
(GEA-ES), realizado pela FLACSO-Brasil com apoio da Fundação Ford.

Mário Scheffer: “Vivemos uma crise sem precedentes na resposta à epidemia de HIV/Aids” (viomundo.com.br)

31 de julho de 2012

por Conceição Lemes

Mário Scheffer: “A condução é conservadora, defasada. A criatividade, a ousadia e o diálogo permanente com a sociedade civil  cederam lugar à arrogância”

Terminou nesta sexta-feira, em Washington, Estados Unidos, a 19ª Conferência Internacional sobre Aids. O Programa Nacional de DST/Aids, que até então era festejado e apontado como modelo para o mundo, sofreu críticas de especialistas durante toda a semana.

“A história de sucesso do programa brasileiro de aids entrou em declínio por fatores como a saída de recursos internacionais e o enfraquecimento da relação entre o governo e a sociedade civil”, avalia Eduardo Gomez, pesquisador da Universidade Rutgers de Camden, em Nova Jersey, EUA. “Historicamente, o programa brasileiro de aids tinha uma conexão forte com as ONGs, mas agora elas estão sem recursos e sem motivação. O governo precisa delas para conscientizar as populações difíceis de atingir.”

“O aumento da pressão de grupos religiosos e a redução das campanhas de prevenção junto às populações de maior risco são a maior ameaça ao programa brasileiro anti-aids”, pondera Massimo Ghidinelli, coordenador de Aids/HIV da Organização Panamericana da Saúde (OPAS). “Parece que, nos últimos anos, os grupos religiosos ficaram mais fortes e há uma menor intensidade na maneira pela qual o programa lida com questões de homofobia e sexualidade.”

Ontem, quinta-feira 26, ativistas brasileiros presentes à 19ª Conferência Internacional de Aids, em Washington, protestaram em frente ao estande do Ministério da Saúde contra o que definem como “retrocesso na resposta contra a epidemia”. O objetivo, segundo eles, foi mostrar ao mundo que o País “não é mais o mesmo” e “vive do sucesso do passado” no enfrentamento da doença.

“Até agora, as críticas eram principalmente de ONGs e ativistas brasileiros. Agora, são de especialistas estrangeiros renomados”, observa Mário Scheffer, presidente do Grupo Pela Vidda-SP. “O programa brasileiro de aids parou no tempo e não é mais motivo de orgulho nacional. Tivemos uma sucessão de perdas acumuladas. Vivemos uma crise sem precedentes na resposta à epidemia de HIV/aids.”

Ativista há mais de 20 anos e também professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, Mário acompanha a epidemia de HIV/Aids desde o seu início nos anos 80. Além do olhar afiado e da expertise em saúde pública, ele conhece bem toda a trajetória do Programa Nacional de DST/Aids. Daí esta nossa entrevista:

Viomundo – Começou no domingo (22) e terminou hoje (27) em Washington a 19ª Conferência Internacional sobre Aids. No decorrer da semana, foram feitas várias críticas ao momento atual do programa brasileiro de aids. Você concorda com elas?

Mário Scheffer – Com certeza. Até agora, as críticas eram principalmente de ONGs brasileiras. Agora, são de especialistas estrangeiros renomados. Elas são a prova maior de que o programa brasileiro não é mais a principal referência internacional, perdemos a liderança e o ineditismo, não ousamos mais nas respostas excepcionais que marcaram nossa história de combate à aids.

Viomundo – As ONGs de aids sempre tiveram boa interlocução com o Ministério da Saúde. O que aconteceu?

Mário Scheffer — As ONGs e os ativistas pioneiros que são obviamente mais críticos não são mais ouvidos. O governo atualmente elege os interlocutores que lhes são mais convenientes e deslegitima muitos daqueles que deram contribuições históricas.

Sinal de que as coisas não vão nada bem por aqui é que tanto a crítica ao programa quanto o reconhecimento às ONGs e aos ativistas brasileiros têm que vir de fora.

Aliás, o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, em seu discurso na abertura da Conferência Internacional de Aids, domingo passado em Washington, fez um vigoroso elogio aos ativistas e citou especificamente as ONGs brasileiras. Disse que se hoje é possível falar em controle da epidemia e vislumbrar o seu fim, isso se deve fundamentalmente às ações desses ativistas.

Viomundo –  ONGs de aids estão fechando as portas no Brasil. Por quê?

Mário Scheffer – Vários motivos. Crise de pessoal, financeira, de sustentabilidade, não têm sede física, não têm dinheiro para pagar aluguel e telefone, têm que compor diretorias com apenas três pessoas  porque não há mais gente disponível. Também não conseguem mais montar  equipes para executar projetos, para chegar até as populações vulneráveis, o que só as ONGs são capazes de fazer.

Em outras palavras: algumas ONGs estão fechando as portas, como você disse. Mas está havendo também retração das atividades de todas elas.

Viomundo – Mas as críticas não se devem apenas à crise financeira e de pessoal das ONGs de aids?

Mário Scheffer – Essa é apenas uma das pontas da crise sem precedentes da resposta brasileira à epidemia, que também perdeu tecnicamente. Além disso, não há sensibilidade nem determinação do governo para perceber e para contribuir com a superação da crise das ONGs. Pelo contrário. Atualmente há uma crise política de relacionamento e mesmo de desprezo pela história das ONGs. O governo federal tem feito a opção — e isso não é só na área de aids — pela relação paroquial com a sociedade civil, uma política de cooptação e quebra-galho. Não ha mais crítica nem debate qualificado de ideias. Tivemos uma sucessão de perdas acumuladas.

Viomundo – Quais?

Mário Scheffer – Primeiro, perdemos a força do trabalho voluntário por meio do qual as pessoas participavam de nossas ONGs, exprimiam sua solidariedade, doavam tempo, trabalho e talento para a luta contra a aids. Não é mais uma causa mobilizadora e isso tem a ver com a imagem trabalhada pelo governo de que temos o melhor programa do mundo e que por aqui está tudo resolvido.

Segundo, com a ascensão das ONGs picaretas e bandidas, criadas para alimentar a corrupção em vários ministérios, cresceu o preconceito e foram impostas mais barreiras para as organizações sérias, que já tinham dificuldade em acessar recursos públicos.

Desde que realizado com critério, transparência, concorrência pública e rigorosa prestação de contas, as ONGs deveriam ter o direito de acessar fundos públicos para exercer o controle, a fiscalização e a participação nas políticas públicas, como acontece em várias democracias.

Terceiro, diante da imagem de que o Brasil hoje é um país rico e resolveu o problema da aids (o que não é verdade), acabou o apoio internacional às ONGs brasileiras de aids.

Resultado: sem ajuda de comunidades e empresas e com uma causa que não toca mais o coração de doadores e voluntários, passamos a viver a dificuldade crescente de assegurar recursos institucionais para a manutenção das ONGs. Com isso, arrefeceu o nosso ativismo e controle sobre as políticas públicas.

Viomundo – E os financiamentos governamentais vinculados a projetos?

Mário Scheffer – Eles fazem parte de um modelo esgotado em que as ONGs de aids foram reduzidas a mão de obra barata para prestação de serviços que o Ministério da Saúde e secretarias estaduais e municipais de saúde não conseguem realizar. Não bastasse isso, muitas vezes estados e municípios não repassam esse recursos às ONGs e quando o fazem, não há continuidade nem avaliação da eficácia das ações financiadas.

Viomundo – Um pouco atrás você falou que o programa brasileiro de aids perdeu tecnicamente. Em que medida? 

Mário Scheffer — Não houve renovação nem atualização dos quadros técnicos. Os desafios hoje são outros, mas a condução é conservadora, defasada. A criatividade, a ousadia e o diálogo permanente com a sociedade civil  cederam lugar à arrogância. Sem a força e a autonomia de outrora, os programas de aids —  o nacional e vários estaduais e municipais — estão isolados e enfraquecidos politicamente dentro dos governos.

Em São Paulo, por exemplo, muitos serviços municipais de aids estão sem médicos,   os estaduais, superlotados, sendo privatizados, fechando leitos, e os programas de aids sem nenhuma governabilidade sobre isso.

Já o programa nacional nem sequer dá mais as fichas sobre a produção nacional de antirretrovirais genéricos. Hoje é um processo sem transparência. O Ministério da Saúde não dá um passo sem o amém da Casa Civil e dos fundamentalistas religiosos que integram a base governista, o que emperra programas de prevenção de aids.

Viomundo – O que ONGs e ativistas da área de aids querem?

Mário Scheffer — Queremos ser respeitados e ouvidos mas em novos patamares de relacionamento. Ninguém desistiu da luta. Nossas ONGs querem continuar atuando nas diversas frentes, na prevenção, na assistência das casas de apoio, nas assessorias jurídicas, na defesa dos direitos das pessoas que vivem com HIV. Queremos continuar fazendo o mesmo ativismo que nos levou a conquistar o acesso universal aos medicamentos, derrubar patentes, lutar contra a exclusão de coberturas pelos planos de saúde privados, acessar os vulneráveis e alçá-los à condição de cidadãos.

O mesmo ativismo que nos leva a apontar que, diferentemente do que dizem, o acesso aos antirretrovirais no Brasil não é universal, pois o diagnóstico tardio é altíssimo e ainda existem desabastecimentos ocasionais. Que nos leva a dizer que não existe política de prevenção adequada a um perfil de epidemia concentrada em certas populações, como os homossexuais, atualmente os maiores negligenciados de prevenção em aids no Brasil.

Hoje estão ameaçados princípios essenciais que forjaram o combate à aids no Brasil, que um dia chegou a quebrar barreiras e tabus. Essa ousadia necessária deu lugar a um programa sem vida, covarde, que promove autocensura, se alinha com forças retrógradas, como no caso recente da campanha dirigida aos gays.

Um programa que se debruça sobre glórias do passado e exibe uma real incapacidade , lentidão e perda da capacidade técnica e política . Não tem conseguido dar respostas à altura das novas dinâmicas e desafios da epidemia e a comunidade internacional passou a perceber isso.

Neste momento de grandes mudanças, com esperança concreta da cura e controle da aids, novas armas para prevenção, necessidade de ampliarmos a oferta de testagem e tratamento a todos os infectados, o Brasil está paralisado, com seus indicadores de mortalidade e de novas infecções pelo HIV estacionados. O programa brasileiro de aids parou no tempo e não é mais motivo de orgulho nacional.

Computers Can Predict Effects of HIV Policies, Study Suggests (Science Daily)

ScienceDaily (July 27, 2012) — Policymakers in the fight against HIV/AIDS may have to wait years, even decades, to know whether strategic choices among possible interventions are effective. How can they make informed choices in an age of limited funding? A reliable, well-calibrated, predictive computer simulation would be a great help.

A visualization generated by an agent-based model of New York City’s HIV epidemic shows the risky interactions of unprotected sex or needle sharing among injection drug users (red), non-injection drug users (blue) and non-users (green). (Credit: Brandon Marshall/Brown University)

Policymakers struggling to stop the spread of HIV grapple with “what if” questions on the scale of millions of people and decades of time. They need a way to predict the impact of many potential interventions, alone or in combination. In two papers to be presented at the 2012 International AIDS Society Conference in Washington, D.C., Brandon Marshall, assistant professor of epidemiology at Brown University, will unveil a computer program calibrated to model accurately the spread of HIV in New York City over a decade and to make specific predictions about the future of the epidemic under various intervention scenarios.

“It reflects what’s seen in the real world,” said Marshall. “What we’re trying to do is identify the ideal combination of interventions to reduce HIV most dramatically in injection drug users.”

In an analysis that he’ll present on July 27, Marshall projects that with no change in New York City’s current programs, the infection rate among injection drug users will be 2.1 per 1,000 in 2040. Expanding HIV testing would drop the rate only 12 percent to 1.9 per 1,000; increasing drug treatment would reduce the rate 26 percent to 1.6 per 1,000; providing earlier delivery of antiretroviral therapy and better adherence would drop the rate 45 percent to 1.2 per 1,000; and expanding needle exchange programs would reduce the rate 34 percent to 1.4 per 1,000. Most importantly, doing all four of those things would cut the rate by more than 60 percent, to 0.8 per 1,000.

Virtual reality, real choices

The model is unique in that it creates a virtual reality of 150,000 “agents,” a programming term for simulated individuals, who in the case of the model, engage in drug use and sexual activity like real people.

Like characters in an all-too-serious video game, the agents behave in a world governed by biological rules, such as how often the virus can be transmitted through encounters such as unprotected gay sex or needle sharing.

With each run of the model, agents accumulate a detailed life history. For example, in one run, agent 89,425, who is male and has sex with men, could end up injecting drugs. He participates in needle exchanges, but according to the built-in probabilities, in year three he shares needles multiple times with another injection drug user with whom he is also having unprotected sex. In the last of those encounters, agent 89,425 becomes infected with HIV. In year four he starts participating in drug treatment and in year five he gets tested for HIV, starts antiretroviral treatment, and reduces the frequency with which he has unprotected sex. Because he always takes his HIV medications, he never transmits the virus further.

That level of individual detail allows for a detailed examination of transmission networks and how interventions affect them.

“With this model you can really look at the microconnections between people,” said Marshall, who began working on the model as a postdoctoral fellow at Columbia University and has continued to develop it since coming to Brown in January. “That’s something that we’re really excited about.”

To calibrate the model, Marshall and his colleagues found the best New York City data they could about how many people use drugs, what percentage of people were gay or lesbian, the probabilities of engaging in unprotected sex and needle sharing, viral transmission, access to treatment, treatment effectiveness, participation in drug treatment, progression from HIV infection to AIDS, and many more behavioral, social and medical factors. They also continuously calibrated it until the model could faithfully reproduce the infection rates among injection drug users that were known to occur in New York between 1992 and 2002.

And they don’t just run the simulation once. They run it thousands of times on a supercomputer at Brown to be sure the results they see are reliable.

Future applications

At Brown, Marshall is continuing to work on other aspects of the model, including an analysis of the cost effectiveness of each intervention and their combinations. Cost is, after all, another fact of life that policymakers and public health officials must weigh.

And then there’s the frustrating insight that the infection rate, even with four strengthened interventions underway, didn’t reduce the projected epidemic by much more than half.

“I actually expected something larger,” Marshall said. “That speaks to how hard we have to work to make sure that drug users can access and benefit from proven interventions to reduce the spread of HIV.”

Marshall’s collaborators on the model include Magdalena Paczkowski, Lars Seemann, Barbara Tempalski, Enrique Pouget, Sandro Galea, and Samuel Friedman.

The National Institutes of Health and the Lifespan/Tufts/Brown Center for AIDS Research provide financial support for the model’s continued development.

Climate Change Could Open Trade Opportunities for Some Vulnerable Nations (Science Daily)

ScienceDaily (July 26, 2012) — Tanzania is one developing country that could actually benefit from climate change by increasing exports of corn to the U.S. and other nations, according to a study by researchers at Stanford University, the World Bank and Purdue University.

The study, published in the Review of Development Economics, shows the African country better known for safaris and Mt. Kilimanjaro has the potential to substantially increase its maize exports and take advantage of higher commodity prices with a variety of trading partners due to predicted dry and hot weather that could affect those countries’ usual sources for the crop. In years that major consumer countries such as the U.S., China and India are forecast to experience severe dry conditions, Tanzania’s weather will likely be comparatively wet. Similarly, in the relatively few years this century that it is expected to have severe dry weather, Tanzania could import corn from trading partners experiencing better growing conditions.

“This study highlights how government policies can influence the impact that we experience from the climate system” said study co-author Noah Diffenbaugh, an assistant professor of environmental Earth system science at Stanford’s School of Earth Sciences and a center fellow at the Stanford Woods Institute for the Environment. “Tanzania is a particularly interesting case, as it has the potential to benefit from climate change if climate model predictions of decreasing drought in East Africa prove to be correct, and if trade policies are constructed to take advantage of those new opportunities.”

Tightening restrictions on crop exports during times of climate instability may seem like a logical way to ensure domestic food availability and price stability. In fact, the study warns, trade restrictions such as those that Tanzania has instituted several times in recent years prevent countries such as Tanzania from buffering its poor citizens in bad climate years and from taking advantage of economic opportunities in good climate years.

The study, the most long-range and detailed of its kind to date uses economic, climatic and agricultural data and computational models to forecast the occurrence of severe dry years during the next nine decades in Tanzania and its key trading partners. The authors began by analyzing historical years in which Tanzania experienced grains surpluses or deficits. They found that a closed trade policy enhanced poverty in both kinds of years, by limiting the ability to offset shortfalls with imports during deficit years and limiting the ability to profit from exports during surplus years.

The authors then attempted to predict how often Tanzania and key trading partners will experience severely dry years in response to continued global warming. Among the predictions: during an average of 96 percent of the years that the U.S. and China are predicted to have extremely dry conditions, Tanzania will not experience similarly dry weather. For India, that percentage increases to 97 percent. Similarly, the study’s climate models suggest that Tanzania is likely to have adequate growing season moisture in most of the years that its key African trading partners experience severe dry weather.

Among Tanzania’s trading partners, the U.S., China, Canada and Russia are most likely to consistently experience adequate growing conditions in years when Tanzania does not. When compared with all of its key trading partners, Tanzania’s dry years during the 21st century will often coincide with non-dry years in the other countries. Having a diverse mix of trading partners could help hedge against a coincidence of severe dry weather within and outside of Africa, the study’s results suggest.

The findings are relevant to grain-growing countries around the world. Those countries stand to profit from exports in years when trading partners are enduring severe dry and / or hot weather. Likewise, they can buffer themselves against bad growing weather at home by importing from grains-rich regions less affected by such weather during that particular year.

“This study highlights the importance of trade in either buffering or exacerbating the effects of climate stresses on the poor,” says Diffenbaugh. “We find that these effects are already taking place in the current climate, and that they could become even more important in the future as the co-occurrence of good and bad years between different regions changes in response to global warming.”

Stop bullying the ‘soft’ sciences (L.A.Times)

OP-ED

The social sciences are just that — sciences.

By Timothy D. Wilson

July 12, 2012

Sociology studentA student is seen at the UC Irvine archive doing research for her sociology dissertation. (Los Angeles Times / July 9, 2009)

Once, during a meeting at my university, a biologist mentioned that he was the only faculty member present from a science department. When I corrected him, noting that I was from the Department ofPsychology, he waved his hand dismissively, as if I were a Little Leaguer telling a member of the New York Yankees that I too played baseball.

There has long been snobbery in the sciences, with the “hard” ones (physics, chemistry, biology) considering themselves to be more legitimate than the “soft” ones ( psychology, sociology). It is thus no surprise that many members of the general public feel the same way. But of late, skepticism about the rigors of social science has reached absurd heights.

The U.S. House of Representativesrecently voted to eliminate funding for political science research through the National Science Foundation. In the wake of that action, an opinion writer for the Washington Post suggested that the House didn’t go far enough. The NSF should not fund any research in the social sciences, wrote Charles Lane, because “unlike hypotheses in the hard sciences, hypotheses about society usually can’t be proven or disproven by experimentation.”

Lane’s comments echoed ones by Gary Gutting in the Opinionator blog of the New York Times. “While the physical sciences produce many detailed and precise predictions,” wrote Gutting, “the social sciences do not. The reason is that such predictions almost always require randomized controlled experiments, which are seldom possible when people are involved.”

This is news to me and the many other social scientists who have spent their careers doing carefully controlled experiments on human behavior, inside and outside the laboratory. What makes the criticism so galling is that those who voice it, or members of their families, have undoubtedly benefited from research in the disciplines they dismiss.

Most of us know someone who has suffered from depression and sought psychotherapy. He or she probably benefited from therapies such as cognitive behavioral therapy that have been shown to work in randomized clinical trials.

Problems such as child abuse and teenage pregnancy take a huge toll on society. Interventions developed by research psychologists, tested with the experimental method, have been found to lower the incidence of child abuse and reduce the rate of teenage pregnancies.

Ever hear of stereotype threat? It is the double jeopardy that people face when they are at risk of confirming a negative stereotype of their group. When African American students take a difficult test, for example, they are concerned not only about how well they will do but also about the possibility that performing poorly will reflect badly on their entire group. This added worry has been shown time and again, in carefully controlled experiments, to lower academic performance. But fortunately, experiments have also showed promising ways to reduce this threat. One intervention, for example, conducted in a middle school, reduced the achievement gap by 40%.

If you know someone who was unlucky enough to be arrested for a crime he didn’t commit, he may have benefited from social psychological experiments that have resulted in fairer lineups and interrogations, making it less likely that innocent people are convicted.

An often-overlooked advantage of the experimental method is that it can demonstrate what doesn’t work. Consider three popular programs that research psychologists have debunked: Critical Incident Stress Debriefing, used to prevent post-traumatic stress disorders in first responders and others who have witnessed horrific events; the D.A.R.E. anti-drug program, used in many schools throughout America; and Scared Straight programs designed to prevent at-risk teens from engaging in criminal behavior.

All three of these programs have been shown, with well-designed experimental studies, to be ineffective or, in some cases, to make matters worse. And as a result, the programs have become less popular or have changed their methods. By discovering what doesn’t work, social scientists have saved the public billions of dollars.

To be fair to the critics, social scientists have not always taken advantage of the experimental method as much as they could. Too often, for example, educational programs have been implemented widely without being adequately tested. But increasingly, educational researchers are employing better methodologies. For example, in a recent study, researchers randomly assigned teachers to a program called My Teaching Partner, which is designed to improve teaching skills, or to a control group. Students taught by the teachers who participated in the program did significantly better on achievement tests than did students taught by teachers in the control group.

Are the social sciences perfect? Of course not. Human behavior is complex, and it is not possible to conduct experiments to test all aspects of what people do or why. There are entire disciplines devoted to the experimental study of human behavior, however, in tightly controlled, ethically acceptable ways. Many people benefit from the results, including those who, in their ignorance, believe that science is limited to the study of molecules.

Timothy D. Wilson is a professor of psychology at the University of Virginia and the author of “Redirect: The Surprising New Science of Psychological Change.”

World Bank’s Jim Yong Kim: ‘I want to eradicate poverty’ (The Guardian)

World Bank president says he will bring sense of urgency to efforts to end global poverty in exclusive Guardian interview

Sarah Boseley, health editor, in Washington
guardian.co.uk, Wednesday 25 July 2012 13.48 BST

Jim Yong KimJim Yong Kim, president of the World Bank, speaks at the opening session of the International Aids Conference in Washington on 22 July. Photograph: Jacquelyn Martin/AP

The new president of the World Bank is determined to eradicate globalpoverty through goals, targets and measuring success in the same way that he masterminded an Aids drugs campaign for poor people nearly a decade ago.

Jim Yong Kim, in an exclusive interview with the Guardian, said he was passionately committed to ending absolute poverty, which threatens survival and makes progress impossible for the 1.3 billion people living on less than $1.25 a day.

“I want to eradicate poverty,” he said. “I think that there’s a tremendous passion for that inside the World Bank.”

Kim, who took over at the World Bank three weeks ago and is not only the first doctor and scientist (he is also an anthropologist) to be president but the first with development experience, will set “a clear, simple goal” in the eradication of absolute poverty. Getting there, however, needs progress on multiple, but integrated, fronts.

“The evidence suggests that you’ve got to do a lot of good, good things in unison, to be able to make that happen,” said Kim. “The private sectorhas to grow, you have to have social protection mechanisms, you have to have a functioning health and education system. The scientific evidence strongly suggests that it has to be green – you have to do it in a way that is sustainable both for the environment and financially. All the great themes that we’ve been dealing with here have to come together to eradicate poverty from the face of the Earth.”

Kim, who was previously head of the Ivy League Dartmouth College, is probably best known for his stint at the World Health Organisation (WHO), where he challenged the system to move faster in making Aids drugs available to people with HIV in the developing world who were dying in large numbers. In 2003, he set a target of 3 million people being on treatment by 2005 – thereafter known as “3 by 5”. The target was not met on time, but it did focus minds and rapidly speed up the pace of the rollout, which included setting up clinics and training healthcare staff.

Now, he says, he thinks he can do the same for poverty. “What 3 by 5 did that we just didn’t expect was to set a tempo to the response; it created a sense of urgency. There was pace and rhythm in the way we did things. We think we can do something similar for poverty,” he said.

Asked if he would set a date this time, he said he was sorely tempted, but would not yet. “We don’t know what they will be yet, but [there will be] goals, and counting. We need to keep up and say where we are making successes and why, and when are we going to be held to account next for the level of poverty. If we can build that kind of pace and rhythm into the movement, we think we can make a lot more progress,” he said in his office at the Bank in Washington.

Kim was seen by many as a surprise choice for president. During the election, critics argued there should be an economist at the helm. Some said that, as a doctor, he would focus too much on health.

But Kim, who co-founded Partners In Health, which pioneered sustainable, high-quality healthcare for poor people, first in Haiti and later in Africa, said his three years at the WHO have been the only ones of his career that were solely devoted to health.

“It’s always been about poverty, so for me, making the switch to being here at the Bank is really not that much of a stretch. I’ve been doing this all my life and we’re in a bit of the spotlight because of the stuff we did in healthcare but it was really always about poverty,” he said.

Partners in Health offered HIV and tuberculosis treatment to poor people in Haiti for the first time. “We were trying to make a point. And the point we were trying to make was that just because people are poor shouldn’t mean that they shouldn’t have access to high quality healthcare. It was always based in social justice, it was always based in the notion that people had a right to live a dignified life. The good news is that this place – the Bank – is just full of people like that.”

Kim, who has spent his first weeks talking to Bank staff with expertise in a huge range of areas, strongly believes in the integration of all aspects of development, and says the staff do too. He cites a new hospital Partners built in Rwanda, which led to the building of a road to get there and then the expansion of mobile phone networks in the area. “In a very real sense, we’ve always believed that investing in health means investing in the wellbeing and development of that entire community,” he said.

Speaking to the International Aids Conference in Washington this week – the first World Bank president to do so – Kim told activists and scientists that the end of Aids no longer looked as far-fetched as the 3 by 5 plan had appeared in 2003. Science has delivered tools, such as drugs that not only treat but prevent infection.

But the cost of drugs for life for 15 million or more people is not sustainable, he says. Donors are unlikely to foot the bill. Hard-hit developing countries have to be helped to grow so they can pay for the drugs and healthcare systems they need.

Kim would like the highly active HIV community to broaden its focus. “We’ve had Aids exceptionalism for a long time and Aids exceptionalism has been incredibly important. It has been so productive for all of us,” he said. “But I think that as we go beyond the emergency response and think about the long-term sustainable response, conversations such as how do we spur growth in the private sector have to be part of the discussion.”

Every country wants economic growth, he says, and people want jobs. “If I care about poverty, I have to care a lot about investments in the private sector. The private sector creates the vast majority of jobs in the world and social protection only goes so far,” he said.

Nevertheless, he is a big proponent of social protection policies. “I’ve always been engaged in social protection programmes. But now it is really a signature of the World Bank. We’re very good at helping people look at their public expenditures and we say to them things like, fuel subsidies really aren’t very helpful to the poor – what you really need is to remove fuel subsidies and focus on things like conditional cash transfer plans. The Bank is great at that.”

New to him are climate change and sustainability, he says. “We are watching things happen with one degree changes in ocean temperature that we thought wouldn’t happen until there were two or three degree changes in ocean temperature. These are facts. These are things that have actually happened … I think we now have plenty of evidence that should push us into thinking that this is disturbing data and should spur us to think ever more seriously about clean energy and how can we move our focus more towards clean energy.”

But poor countries are saying they need more energy and we must respect that, he says. “It’s hard to say to them we still do it but you can’t … I think our role is to say the science suggests strongly to us that we should help you looking for clean energy solutions.”