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Projeto avalia impacto da ocupação humana em florestas tropicais (Fapesp)

Mais de 40 pesquisadores brasileiros e britânicos se unem em força-tarefa para estudar áreas alteradas pelo homem na Mata Atlântica e na Amazônia (foto: Wikipedia)
30/05/2014

Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Entender como a crescente ocupação da floresta tropical pelo homem poderá impactar a biodiversidade, os serviços ecossistêmicos e o clima local e global é o principal objetivo do Projeto Temático “ECOFOR: Biodiversidade e funcionamento de ecossistemas em áreas alteradas pelo homem nas Florestas Amazônica e Atlântica”, que reúne mais de 40 pesquisadores brasileiros e britânicos.

A pesquisa é realizada no âmbito do programa de pesquisa colaborativa “Human Modified Tropical Forests (Florestas Tropicais Modificadas pelo Homem)”, lançado em 2012 pela FAPESP e pelo Natural Environment Research Council (NERC), um dos Conselhos de Pesquisa do Reino Unido (RCUK, na sigla em inglês).

A equipe, formada por 16 pesquisadores sêniores, seis pós-doutorandos, 12 colaboradores e nove estudantes, esteve reunida pela primeira vez entre os dias 26 e 29 de março na cidade de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba (SP).

“Nessa primeira reunião, definimos detalhadamente os protocolos de trabalho. A ideia é que todos os dados sejam gerados com a mesma metodologia, de forma que seja possível integrá-los em um modelo do impacto da fragmentação sobre a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos. Foi o grande pontapé inicial do projeto”, contou Carlos Alfredo Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA-FAPESP).

De acordo com Joly, toda a coleta de dados será realizada no Brasil. A equipe brasileira estará concentrada principalmente em regiões de Mata Atlântica situadas na Serra do Mar e na Serra da Mantiqueira, enquanto a equipe britânica centrará seu foco na Floresta Amazônica. Já a análise e a interpretação dos dados serão feitas de forma compartilhada tanto no Brasil como no Reino Unido.

“A ideia é ampliar significativamente a participação de estudantes brasileiros na pesquisa, que abre um leque de opções para trabalhos de mestrado e doutorado com alta possibilidade de realização de estágios no Reino Unido”, avaliou.

Segundo Jos Barlow, pesquisador da Lancaster University (Reino Unido) e coordenador do projeto ao lado de Joly, alguns estudantes britânicos também planejam fazer pós-doutorado em instituições paulistas.

“Os alunos e pós-doutorandos do Reino Unido vão precisar passar bastante tempo no Brasil, onde será feita toda a coleta de dados. Ou então focar seu trabalho na análise de dados de sensoriamento remoto e sistemas de informações geográficas (SIG). E, claro, os resultados serão publicados em conjunto, com a liderança vinda de ambos os países”, disse.

Malásia

O trabalho de investigação na Floresta Amazônica e na Mata Atlântica correrá em paralelo a outro projeto financiado pelo NERC desde 2009 em Bornéu, na Malásia. Nesse caso, o objetivo é estudar e comparar áreas de floresta primária (bem conservadas), áreas com exploração seletiva de madeira e regiões que sofreram profunda fragmentação.

“Dentro do possível, os dados gerados aqui no Brasil deverão ser comparáveis aos dados gerados na Malásia. Para assegurar essa integração foi estabelecido um comitê que reúne pesquisadores dos dois projetos”, contou Joly.

“Não seguiremos exatamente o mesmo desenho da pesquisa desenvolvida na Malásia, pois aqui temos situações diferentes. Mas os dois projetos visam estudar como as mudanças no uso da terra, que inclui extração de madeira, queimadas e fragmentação do habitat, alteram o funcionamento da floresta tropical, principalmente no que se refere à ciclagem de matéria orgânica e de nutrientes. Também queremos avaliar como essas alterações estão relacionadas com os processos biofísicos, a biodiversidade e o clima”, explicou Simone Aparecida Vieira, pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Unicamp.

De acordo com Vieira, a equipe brasileira adotou o Parque Estadual da Serra do Mar como uma espécie de “área controle” da pesquisa e os dados lá coletados pelo Projeto Temático Biota Gradiente Funcional serão comparados com as informações oriundas dos fragmentos e das florestas secundárias existentes na região que vai de São Luiz do Paraitinga até a cidade de Extrema, em Minas Gerais.

“Na Amazônia, temos um grande conjunto de áreas em estudo. Um dos focos é a região de Paragominas, que tem um histórico de extração madeireira. E inclui também Santarém, onde vem avançando a agricultura, principalmente a soja”, contou Vieira.

Os pesquisadores farão inventários florestais, coletando dados como quantidade de biomassa viva acima do solo, densidade da madeira, diâmetro e altura das árvores, quantidade de serapilheira (camada formada por matéria orgânica morta em diferentes estágios de decomposição) e diversidade de espécies vegetais e animais.

“Um dos objetivos é investigar o estoque de carbono nessas áreas e de que forma ele é alterado com os diferentes usos. Depois vamos relacionar esse dado com a mudança em relação à diversidade de espécies que ocorrem nessas áreas, trabalhando principalmente com um levantamento de espécies de árvores e de aves”, explicou Vieira.

A coleta de dados deve seguir pelos próximos quatro anos. Na avaliação de Vieira, está sendo criada uma estrutura que poderá ser mantida após o término do projeto, se houver novo financiamento. “O ideal é acompanhar os processos de mudança no longo prazo para entender de fato como essas áreas estão se comportando diante das pressões humanas e das mudanças climáticas”, disse.

Joly concorda. “O projeto vai estabelecer uma rede intensiva de monitoramento de áreas que vão desde florestas intactas até florestas altamente fragmentadas e alteradas pelo homem. Isso permitirá avaliar as correlações entre biodiversidade e funcionamento de ecossistemas, tanto na escala local como regional e global – quando estiverem integrados os dados da Mata Atlântica, da Floresta Amazônica e da Malásia”, disse.

Os resultados obtidos, acrescentou Joly, permitirão também o aperfeiçoamento de políticas públicas para promover o pagamento de serviços ambientais, como os de proteção a recursos hídricos e de estoques de carbono.

Entre as instituições envolvidas na pesquisa estão Lancaster University, University of Oxford, University of Leeds, Imperial College London, University of Edinburgh, Unicamp, Universidade de São Paulo (USP), Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Museu Paraense Emílio Goeldi, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Universidade de Taubaté e a Fundação Florestal da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

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Democracy Works for Endangered Species Act, Study Finds; Citizen Involvement Key in Protecting and Saving Threatened Species (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 16, 2012) — When it comes to protecting endangered species, the power of the people is key, an analysis of listings under the U.S. Endangered Species Act finds.

Desert Tortoise, Gopherus agassizii, in Mojave of Utah. The FWS turned down a petition to list the Mojave Desert population of the Desert Tortoise, Gopherus agassizii, but that decision was reversed. The Desert Tortoise is now in the ESA highest threat category, and populations of the entire species are thought to have declined by more than 90 percent during the past 20 years. (Credit: © mattjeppson / Fotolia)

The journal Science is publishing the analysis comparing listings of “endangered” and “threatened” species initiated by the U.S. Fish and Wildlife Service, the agency that administers the Endangered Species Act, to those initiated by citizen petition.

“We found that citizens, on average, do a better job of picking species that are threatened than does the Fish and Wildlife Service. That’s a really interesting and surprising finding,” says co-author Berry Brosi, a biologist and professor of environmental studies at Emory University.

Brosi conducted the analysis with Eric Biber, a University of California, Berkeley School of Law professor who specializes in environmental law.

Controversy has surrounded the Endangered Species Act (ESA) since it became law nearly 40 years ago. A particular flashpoint is the provision that allows citizens to petition the Fish and Wildlife Service (FWS) to list any unprotected species, and use litigation to challenge any FWS listing decision. Critics of this provision say the FWS wastes time and resources processing the stream of citizen requests. Another argument is that many citizen-initiated listings are driven less by concern for a species than by political motives, such as blocking a development project.

The study authors counter that their findings bolster the need to keep the public highly involved.

“There are some 100,000 species of plants and animals in North America, and asking one federal agency to stay on top of that is tough,” Biber says. “If there were restrictions on the number of citizen-initiated petitions being reviewed, the government would lose a whole universe of people providing high-quality information about species at risk, and it is likely that many species would be left unprotected.”

The researchers built a database of the 913 domestic and freshwater species listed as “threatened” or “endangered” under the ESA from 1986 on. They examined whether citizens or the FWS initiated the petition, whether it was litigated, and whether it conflicted with an economic development project. They also looked at the level of biological threat to each of the species, using FWS threat scores in reports the agency regularly makes to Congress.

The results showed that listings resulting from citizen-initiated petitions are more likely to pose conflicts with development, but those species are also significantly more threatened, on average, than the species in FWS-initiated petitions.

“The overriding message is that citizen involvement really does work in combination with the oversight of the FWS,” Brosi says. “It’s a two-step system of checks and balances that is important to maintain.”

The public brings diffuse and specialized expertise to the table, from devoted nature enthusiasts to scientists who have spent their whole careers studying one particular animal, insect or plant. Public involvement can also help counter the political pressure inherent in large development projects. The FWS, however, is unlikely to approve the listing of a species that is not truly threatened or endangered, so some petitions are filtered out.

“You could compare it to the trend of crowdsourcing that the Internet has spawned,” Brosi says. “It’s sort of like crowdsourcing what species need to be protected.”

Many people associate the success of the ESA with iconic species like the bald eagle and the whooping crane.

“To me,” Brosi says, “the greater accomplishment of the act is its protection of organisms that don’t get the same amount of attention as a beautiful bird or mammal.”

For example, the FWS turned down a petition to list the Mojave Desert population of the Desert Tortoise, Gopherus agassizii,but that decision was reversed. The Desert Tortoise is now in the ESA highest threat category, and populations of the entire species are thought to have declined by more than 90 percent during the past 20 years.

“One of the biggest threats it faces is urban and suburban expansion, which could have made it politically challenging for the FWS,” Brosi notes. “And yet, the Desert Tortoise is a keystone species that helps support dozens of other species by creating habitats in its burrows and dispersing seeds.”