Rodízio seria ‘drástico’, 2 dias com água e 5 sem, diz diretor da Sabesp (Estadão)

Massato admite que medida pode ocorrer em SP e aumenta redução de pressão; para Alckmin, outros políticos tiram ‘casquinha’ da crise

27.01.2015 | 12:47

Ana Fernandes e Stefânia Akel – O Estado de S. Paulo

Atualizado às 14h25

SUZANO – O diretor metropolitano da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Paulo Massato, admitiu na manhã desta terça-feira, 27, que a Região Metropolitano de São Paulo pode ter rodízio de água no qual haveria até cinco dias sem abastecimento e dois com. Segundo ele, esse racionamento seria “drástico”.
“Para fazer rodízio, teria que ser muito pesado, muito drástico. Para ganhar mais do que já economizamos hoje, seriam necessários dois dias com água e cinco dias sem água”, afirmou em Suzano, na Grande São Paulo, durante o anúncio da ampliação da Adutora Guaratuba para o Sistema Alto Tietê.

Massato afirmou que o rodízio pode ocorrer se os órgãos reguladores acharem necessário e “se não chover”. “Nossa engenharia está correndo contra o relógio. Estamos batendo novos recordes de baixas precipitações”, disse.

Rodízio seria 'drástico', 2 dias com água e 5 sem, diz diretor da Sabesp‘Nossa engenharia está correndo contra o relógio. Estamos batendo novos recordes de baixas precipitações’, diz Paulo Massato 
JF Diório/Estadão

Segundo ele, a Sabesp não pretende usar a terceira cota do volume morto do Sistema Cantareira. “Pretendemos não usar, vamos correr com as obras”, disse.

Redução de pressão no período diurno. Massato declarou ainda que a Sabesp está ampliando o período de queda de pressão nas tubulações que atendem a Região Metropolitana de São Paulo. “Estamos deixando de fazer operação só noturna para fazer também a diurna. Isso atinge toda a região metropolitana”, afirmou. Segundo ele, “nunca foi necessário” informar a população da redução de pressão, mas agora, com a ampliação do período, a Sabesp informa os horários em seu site.

Massato explicou que a redução é diferente para cada área da região metropolitana. “A redução hoje é variável, cada setor tem uma regra diferente”, disse.

No mesmo evento, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que a válvula redutora de pressão da Sabesp existe há pelo menos 15 anos. “O mundo inteiro tem, para evitar perdas. Mas o período de redução da pressão era mínimo”, afirmou. Segundo ele, a medida, tomada há um ano, evita contaminação, canos estourados e perdas maiores.

‘Tirar casquinha’. Alckmin (PSDB) disse que existem políticos tentando “tirar casquinha” da crise hídrica, que atinge principalmente o Sudeste do País. Questionado sobre o pedido de manifestantes nesta segunda-feira, 26, em frente ao Palácio dos Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, para o governador falar da gravidade da falta de água, ele repetiu que o governo paulista tem trabalhado ininterruptamente há mais de um ano para mitigar os efeitos da estiagem.

“Não há ninguém que tenha falado mais sobre esse tema do que eu. Tem muita gente tentando tirar casquinha política, tentando levar uma vantagenzinha”, queixou-se, sem mencionar nomes.

Alckmin afirmou ainda que, através da política de bônus, São Paulo tem hoje o menor consumo per capita de água e criticou outros prefeitos e governadores que não adotaram políticas semelhantes. “Não tem nenhum governo do Brasil que tenha feito bônus, engraçado, né? Ninguém critica ninguém. Ninguém fez.”

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Ensaio sobre a cegueira hídrica (Conta D’Água)

por Conta D’Água

26 de janeiro de 2015

Foto: Mídia NINJA

A falta d’água afeta a dignidade humana, tem implicações de saúde pública, desespera, paralisa a atividade econômica. Pois prepare-se: 2015 começou sob a sombra da crise hídrica. O cenário que se está montando é gravíssimo.

Já quase terminado janeiro, contata-se que choveu muito menos do que era esperado. No Sistema Cantareira, choveu 35% da média histórica. No Sistema Alto Tietê, meros 26% da média histórica. E o quadro não encontra alívio nos demais mananciais, também deficitários.

A própria Sabesp admite que o que existe de água em todos os sistemas, considerando o padrão de consumo atual, vai dar pra 50 dias, ou seja, março. E daí? Aí, acabou. Não é que vai faltar um pouco de água. É que não tem água; não tem para onde correr.

Entrevista realizada coletivamente por Barão de Itararé, Brasil de Fato, Fórum, Outras Palavras, Mídia Ninja, Ponte e SpressoSP. Fotos: Mídia NINJA

Para entender melhor as dimensões humanas, sociais, econômicas e ambientais dessa crise, o projeto Conta D’Água procurou uma das maiores especialistas do tema, a ambientalista Marussia Whately, dirigente do projeto Água São Paulo, do Instituto Socioambiental (ISA), e uma das principais protagonistas da Aliança pela Água, uma iniciativa reunindo 30 ONGs, visando propor soluções e cobrar providências do poder público.

Distribuição de água em praça pública, Itu, dezembro de 2014. Foto: Mídia NINJA

A crise na vida real

MARUSSIA WHATELY: Tornou-se séria a perspectiva de o Sistema Alto Tietê, que abastece a zona leste de São Paulo, entrar em colapso. Isso quer dizer que quatro milhões de pessoas deixarão de ter água pra beber. Hoje, o nível do reservatório está em 10,4%, o que é extremamente crítico porque se trata de um reservatório com apenas metade da capacidade do sistema Cantareira. E está baixando.

Como você vai fazer pra manejar essa região? Onde as pessoas vão pegar água? Uma das possibilidades é levar água potável com caminhões-pipa provenientes de Ubatuba, São José. Quantos litros serão necessários para abastecer a zona leste todos os dias? Qual a qualidade da água que chegará aos consumidores?

Nessa região, você tem reservatórios de distribuição, as caixas d’água da Sabesp, como a que existe na avenida Consolação, ou no Paraíso. Esses reservatórios, logicamente, estarão vazios. Mas eles têm de ser o lugar para onde os caminhões-pipas serão levados.

Não se pode deixar caminhão-pipa no mercado. A partir de agora, será preciso que se mapeiem todos os poços que estão autorizados a captar água mineral. Num plano de contingência, todos esses 50 mil poços têm de ter sua outorga suspensa e a exploração será de uso exclusivo do Estado.

Agora, a Sabesp vai fazer isso? Não. Esta é uma responsabilidade do governo do Estado, com as prefeituras. É uma agenda que temos que trabalhar para que se torne realidade.

Vamos um pouco mais em frente com esse cenário.

“Os caminhões-pipas foram captar a água. E como essa frota chegará à zona leste? Será necessário organizar uma grande operação de logística durante as madrugadas, com menos trânsito, para transportar toda essa água. Porque serão centenas de caminhões-pipas.”

Os caminhões encherão o reservatório e amanhã, das 10h às 12h, a população de Ferraz de Vasconcelos, com seu comprovante de residência em mãos, vai poder retirar uma quantidade de água por pessoa. Das 12h a tal hora, vai ser a população da zona leste…

Coleta de água em postos improvisados na cidade de Itu, interior de SP. Foto: Mídia NINJA

Isso é um plano de contingência numa situação de estresse grave. Água pra escovar os dentes, tomar banho e cozinhar. Para outros fins —como dar descarga, lavar roupa, limpar a casa—, a saída será a água da chuva. Para isso, postos de saúde, escolas, creches, unidades de serviço público, precisarão se equipar com caixas para captar água da chuva, com filtro, tudo direitinho.

É preciso que a cidade se prepare. É preciso que o poder público se organize. A possibilidade de implantação de um racionamento de cinco dias sem água é bem concreta. Mas uma coisa é viver cinco dias sem água em uma situação organizada. Outra coisa, bem diferente, é ter o racionamento em uma área como a zona leste da Capital, com uma rede toda remendada, com áreas inteiras de ocupação irregular. O resultado torna-se muito mais imprevisível.

Para dar um exemplo. Ontem, a partir das 16h30, não tinha mais água da rua em minha casa. Mas se trata de uma casa com apenas dois moradores. Manejando o consumo, conseguimos ficar até cinco dias sem água da rua. Vamos ter restrição? Claro, mas dá para garantir as necessidades básicas. Essa situação é totalmente diferente da que é vivida em uma comunidade com poucas caixas d’água, com casas habitadas por um número muito maior de moradores.

Mas fica pior quando se considera que essas pessoas funcionam em horários difíceis –gente chegando muito tarde em casa, por causa do transporte deficiente (quando a água já foi fechada), e que sai muito cedo de casa, também por causa do transporte deficiente (e a água ainda não voltou).

“Uma creche que não abre porque não tem água gera um efeito cascata. Se as crianças não podem ir para a creche, a mãe tem de faltar no emprego.”

Tomemos o caso de uma diarista. Quantos dias ela poderá faltar no emprego? Será que ela vai poder levar os filhos ao emprego? E isso impacta a vida da patroa dela também. Assim, começa um efeito de instabilidade grande na sociedade. Esse é um dos efeitos que ainda não estão devidamente dimensionados. Os governantes estão desatentos a essa questão.

E há a situação crítica das populações mais sensíveis, que precisam ser levadas em consideração. Sabe-se que a população da terceira idade, mais de 60 anos, e as crianças até 7 anos têm uma vulnerabilidade maior à desidratação. E há ainda os acamados, com deficiência de mobilidade e idosos, aos quais é preciso garantir o suprimento básico de água no próprio domicílio. Em suma, há uma série de desdobramentos éticos envolvida na gestão da crise.

Já se esperam protestos. Em Itu, vizinho de São Paulo, até donas de casa colocaram fogo nas ruas. Aqui em São Paulo, vai haver um escalonamento de manifestações e de violência porque a água mexe com a questão da dignidade. Quantos dias nós aguentamos sem poder dar descarga?

Dona Rute e sua família vivem em cinco pessoas em uma casa que recebe água apenas seis horas por dia no Capão Redondo, periferia de São Paulo. Foto: Sarah Pabs

É preciso instalar um Comitê de Crise. Temos de falar e explicar que se trata de uma crise sem precedentes. O mais natural seria o governador do Estado de São Paulo [Geraldo Alckmin] puxar isso, mas se ele não puxar, a sociedade civil tem de fazê-lo.

O Comitê é fundamental no sentido de começar a desenhar as linhas de ação de um Plano de Contingência. A população precisará de referências públicas em relação à água. Também é importante o acesso à informação.

Nós lançaremos em fevereiro um copilado de propostas de especialistas para a gestão dessa crise. Um dos itens importantes, por exemplo, é a questão da qualidade da água oferecida pelos caminhões-pipa. Teria haver em cada subprefeitura uma lista de caminhões-pipas autorizados a operar. E informações claras do tipo: “Aqui, na área desta Subprefeitura, faltará água nos próximos cinco dias; água potável poderá ser encontrada nesses endereços, de tal hora a tal hora”. Isso tem que ser feito e não é responsabilidade da Sabesp.

Em última instância, quem vai ter de decretar os estados de emergência são as prefeituras, mas elas estão receosas de assumir o protagonismo da crise. Pela lei de saneamento, as prefeituras são os titulares do saneamento. Teoricamente, seriam as prefeituras que deveriam mandar nessa confusão. O contrato de prestação de serviços da Sabesp é assinado com a prefeitura, que delega a regulação para a Arsesp, Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo.

Eu acredito que tem um canal, que vai ser começado pelo município de SP, que está revendo o contrato com a Sabesp, e está percebendo que os moradores do município vão ficar sem água, enquanto a empresa recebe uma grana incrível em cima e não reinveste.

Um acionista da Sabesp que eu acho que está sendo pouco questionado é o próprio governo do Estado, que detém 51% da empresa. Quando são pagos os dividendos, 51% voltam para o governo do Estado, e não necessariamente o governo tem reinvestido na Sabesp.

(Grande parte do investimento em infraestrutura que a Sabesp fez nos últimos anos foi com financiamento da Caixa, financiamento do Banco Mundial, várias fontes).

Plano de contingência

MARUSSIA WHATELY: O plano de contingência é a principal reivindicação da Aliança pela Água. Em final de outubro do ano passado, fizemos um processo rápido de escuta de mais ou menos 280 especialistas de diferentes áreas. E o plano de contingência apareceu como uma das principais reivindicações desses especialistas.

Volume morto na represa Jaguari-Jacareí, no Sistema Cantareira. Foto: Mídia NINJA

Naquela ocasião, a idéia predominante era que se adotasse um plano de contingência que permitisse que chegássemos a abril deste ano com um nível de reservação de água nas represas, que desse para aguentar o período da estiagem. Infelizmente, esse plano não foi elaborado e muito menos realizado.

O que aconteceu na prática foi uma negação da crise hídrica por parte do governo do Estado até dezembro de 2014 —uma negação que vai levar para outras instâncias de responsabilização.

O governador terminou o ano dizendo que não teríamos racionamento e que não haveria falta d’água. E começou 2015 dizendo que existe o racionamento e que pode ser que falte água.

Se fosse um novo governador, a gente até poderia aceitar, mas se trata do mesmo cara. Então tem uma questão aí: a forma como a crise foi conduzida nos fez perder muito tempo em termos de ações para chegar a um nível seguro em abril.

Realmente, existe um componente de clima na crise que não dá para negar. Já está confirmado que 2014 foi o ano mais quente da história. O que já seria um quadro de extrema gravidade, entretanto, tem sido agravado porque desde 2011 a Sabesp está super-explorando as represas. Ou seja, tirando delas mais água do que entra.

O governo do Estado deveria ter assumido a liderança em relação à crise da água em São Paulo. No caso do sistema Cantareira, essa liderança deveria ser dividida com o governo federal, por intermédio da Agência Nacional de Águas e do Ministério do Meio Ambiente, a quem compete organizar a Política Nacional de Recursos Hídricos. O problema é que muitos dos nossos instrumentos de gestão vem sendo desmantelados em escala federal, estadual e municipal.

“O Ministério do Meio Ambiente está omisso em relação aos recursos hídricos. A Agência Nacional de Águas transformou-se num mero órgão que faz a outorga, já que ficou enfraquecido nesse processo de construção de Belo Monte.”

A síntese é a seguinte: “Já basta a licença ambiental, não me venham inventar mais uma licença de recursos hídricos, pra empacar a hidrelétrica”.

É preciso recuperar as represas. O Sistema Cantareira está com o nível em torno dos 5%. Não dá mais! Não vai encher. Vai ter que ter racionamento.

A perspectiva com a qual a Aliança da Água trabalha é a de união entre diferentes setores (especialistas na pauta do meio ambiente e sociedade) para a elaboração de um Plano de Contingência mais sólido. Ficar refém, à espera de um plano elaborado pela Sabesp, além de não ser propositivo também não é eficaz. É fundamental que os movimentos sociais e as universidades debatam esse tema com profundidade e urgência.

Quem é o responsável?

MARUSSIA WHATELY: O padrão de chuvas, repito, foi aquém da média histórica, mas houve o acúmulo de infelicidades. Uma que é certamente muito grave foi a ausência de visão estratégica mínima do responsável, que é o governo estadual paulista. Ele deveria ter liderado a gestão da água, mas perdeu um ano negando a existência da crise, afirmando para a população que não faltaria água, criando uma medida que foi o bônus, apresentado como uma alternativa ao racionamento. Só que o bônus ele é muito questionável porque descapitaliza a empresa. Diminui a capacidade de investimento da Sabesp. Do ponto de vista econômico, no momento de escassez de um produto, você baixar o preço dele, é um contrassenso.

Durante os nove meses de campanha, não se conseguiu mudar o padrão de consumo. Metade dos consumidores aderiu e reduziu 20% o gasto de água. Um em cada quatro reduziu, mas não atingiu a meta. E um em quatro aumentou o consumo. A verdade é que junto com o bônus teria de ter a sobretaxa para o excesso de consumo e uma série de ações.

“O bônus foi apenas uma ação paliativa, tentando substituir uma ação mais
radical que seria o racionamento. “

Ao mesmo tempo, de um ponto de vista mais técnico e operacional, só isso não gerou a redução do consumo de água que seria necessário.

Represa Jaguari–Jacareí, no sistema cantareira. Foto: Mídia NINJA

Desde o início do ano passado, falava-se em reduzir pela metade a retirada de água do sistema Cantareira. Ou seja, sair de 31 metros cúbicos por segundo para 16. Mas isso só está sendo atingido agora. Eles foram baixando de 31 para 27, para 24…

No total do abastecimento de água de São Paulo, conseguiu-se reduzir o consumo de 69 metros cúbicos por segundo para 55. Ou seja, todas as medidas adotadas –bônus, redução da pressão, ampliação de captação, melhoria no índice de vazamentos — lograram uma economia de 20%. É pouco em termos de redução da retirada de água dos mananciais. Precisaria ser no mínimo 50%.

Em janeiro de 2014 houve um primeiro plano de contingência, que previa um plano de racionamento no sistema Cantareira. Esse primeiro plano simplesmente sumiu. Ele não está mais disponível. A proposta era que o Cantareira, que em janeiro de 2014 estava com 24% de reservação, sem contar o volume morto, já começasse a fazer um racionamento brando. Veja que esses 24% de reservação (sem contar o volume morto) equivaliam a 46% da capacidade total do sistema –e mesmo assim, já soou o alarme e se propôs o racionamento.

Hoje, o Cantareira está com um nível de reservação em 5,6%, já considerando o uso do segundo volume morto.

Corremos o risco de ter de decretar agora um racionamento de cinco dias sem água.

Quem deve ser o responsável pela gestão da crise?

MARUSSIA WHATELY: A questão das responsabilidades é essencial para estabelecer um plano de contingência. Qual é a grade de responsabilidades e atribuições? Quem tem de fazer o quê?

Obras do canal de escoamento do volume morto em represa do Sistema Cantareira. Foto: Mídia NINJA

A Sabesp é uma companhia prestadora de serviço. E, como prestadora de serviço tem de ter constância, indicador, desempenho, eficiência, meta… A Sabesp não é a gestora da política. Não é ela quem deve decidir onde é melhor investir, quem vai ficar sem água. Quem tem que decidir isso é a Arsesp, a agência reguladora. A gente tem feito cobranças equivocadas em cima da Sabesp, quando a cobrança tem de ser em cima da regulação.

É muito fácil colocar a Sabesp na linha de tiro. E ninguém fala nada sobre as responsabilidades da Secretaria de Recursos Hídricos, da Arsesp, da Secretaria de Meio Ambiente, que dá licenças, como a de uso do volume morto. Alguém viu o licenciamento ambiental desse uso extremo do Cantareira? Quais foram as condicionantes, os compromissos de mitigação? Foi uma licença emergencial?

Bacia do cantareira durante a seca. Foto: Mídia NINJA

Não é só que a água não está mais atingindo suas margens normais. É que, por centenas de quilômetros, o solo ficará ressecado, com impactos substanciais sobre todo o meio ambiente em torno.

Construir soluções para a crise vai depender de um plano de contingência que não é um plano da Sabesp, é um plano do governo federal, estadual, prefeituras e com a sociedade. Vai ter que entrar defesa civil, vigilância sanitária, secretaria de segurança…

Como resolver a crise

MARUSSIA WHATELY: O governo do Estado apostou alto que ia chover. E, na outra mão, ele veio com um conjunto de obras que conseguirão criar —daqui a cinco anos— mais 20 mil litros. A gente não precisa de mais 20 mil litros. A gente precisa consumir melhor a água que tem.

Obras durante a construção do segundo Volume Morto, no sistema Cantareira. Foto: Mídia NINJA

Daqui a cinco anos, eu terei feito a transposição de águas do rio Paraíba do Sul para cá, o Paraíba do Sul, aliás, que agora está com apenas 5% de água. Então, veja, eu faço uma mega-obra para trazer água e, de repente, pode não haver água pra ser trazida para cá.

E se, em vez disso, houvesse a recuperação da represa Billings, que está aqui ao lado? Nela, cabe a mesma quantidade de água do que a Cantareira é capaz de produzir. Ela não produz a mesma quantidade, mas ela pode guardar. Ou seja, eu posso trazer de outros lugares a água para a Billings em quantidades menores; posso interligar algumas represas do Alto Tietê; ou mesmo pensar em pequenos reservatórios no topo da serra do Mar, que seria uma água de altíssima qualidade, e trazer para Billings…

São várias idéias que nem chegaram a serem discutidas, a respeito de uma represa que está aqui, mais perto do que as alternativas de abastecimento colocadas na mesa. A Billings, como se sabe, é o destino do esgoto que a Sabesp não consegue tratar, que é jogado no Tamanduateí, no Anhangabaú, no Pinheiros, no Tietê, em todos os rios que a gente colocou avenidas em cima.

Depois, tem a drenagem urbana que é esquizofrênica porque uma parte quem cuida e o Estado, outra são as prefeituras. Só aí haveria uma capacidade de geração de água de chuva que seria mais ou menos o equivalente à vazão do rio São Lourenço, 4 metros cúbicos por segundo. O novo sistema São Lourenço, que deve ficar pronto em 2017, custará R$ 2 bi só em obras, terá custo operacional de mais R$ 6 bi em cima. Trata-se de uma mega-obra para trazer água lá de longe do rio Ribeira, sem pagar devidamente os encargos ambientais que serão gerados naquela região, sem que aquilo gere prosperidade naquela região.

Os ensinamentos da crise

MARUSSIA WHATELY: Com a água acontece uma coisa curiosa: como cai do céu, é difícil acreditar que vá faltar. Acaba a água da torneira, mas está tudo alagado lá fora. Isso, imagino, gera uma confusão pra muita gente… Mas ao mesmo tempo gera um aumento de consciência. Essa água que está alagando as ruas, será que ela não poderia ser usada?

Estoque de água doméstico em Itu, no interior paulista. Foto: Mídia NINJA

Essa água é própria para o consumo?, alguém poderia perguntar. Há controvérsias. Há pessoas filtrando e fazendo testes, dizendo que é melhor do que a água da Sabesp. Cada vez mais, eu acredito que, quanto mais a gente tornar as pessoas autônomas em relação a garantir o seu básico, mais a gente estará caminhando para um mundo sustentável. Ensinar a garantir o mínimo da sua água, o mínimo da sua comida, pode ser um caminho.

A gente está tendo falta de água, apagão de energia, enchentes. Todos esses eles problemas estão ligados à gestão da água. Todo esse processo é muito didático e deve induzir mudanças de atitude. Como continuar aceitando como normal descarregar a privada com água potável? O baixo nível dos reservatórios está mostrando o baixo nível das nossas políticas em relação a isso. Se não for didático, então a única saída é o êxodo.

Vídeo: Sintaema

Entrevista realizada coletivamente por Barão de ItararéBrasil de Fato,FórumOutras PalavrasMídia NinjaPonte e SpressoSP.

The Climate Science Behind New England’s Historic Blizzard (Climate Progress)

 POSTED ON JANUARY 26, 2015 AT 3:49 PM UPDATED: JANUARY 26, 2015 AT 4:52 PM

The Climate Science Behind New England’s Historic Blizzard

sea surface temperatures

Warming-fueled sea surface temperatures provide a boost of moisture for the forecast New England blizzard, just as it has for previous monster East Coast snow storms. Via NOAA.

Another epic blizzard is bearing down on New England. There is a “big part” played by “human-induced climate change,” especially warming-fueled ocean temperatures, according to Dr. Kevin Trenberth, former head of the Climate Analysis Section at the National Center for Atmospheric Research.

I asked Dr. Trenberth to comment on the role climate change has on this latest storm, which is forecast to set records. He explained:

The number 1 cause of this is that it is winter. In winter it is cold over the continent. But it is warm over the oceans and the contrast between the cold continent and the warm Gulf Stream and surrounding waters is increasing. At present sea surface temperatures are more the 2F above normal over huge expanses (1000 miles) off the east coast and water vapor in the atmosphere is about 10% higher as a result. About half of this can be attributed to climate change.

Before this latest storm, we’ve seen a long-term pattern of more extreme precipitation, particularly in New England winters. Climate scientists had long predicted this would happen in a warming world. Here’s why.

heavy precipitation

“Percent changes in the amount of precipitation falling in very heavy events (the heaviest 1%) from 1958 to 2012″ by region,” via the 2014 National Climate Assessment. “There is a clear national trend toward a greater amount of precipitation being concentrated in very heavy events, particularly in the Northeast,” driven by a warming climate.

Like a baseball player on steroids, our climate system is breaking records at an unnatural pace. And like a baseball player on steroids, it’s the wrong question to ask whether a given home run is “caused” by steroids. As Trenberth wrote in his must-read analysis, “How To Relate Climate Extremes to Climate Change,” the “answer to the oft-asked question of whether an event is caused by climate change is that it is the wrong question. All weather events are affected by climate change because the environment in which they occur is warmer and moister than it used to be.”

One of the most robust scientific findings is the direct connection between global warming and more extreme precipitation or deluges. “Basic physics tells us that a warmer atmosphere is able to hold more moisture — at a rate of approximately 7 per cent increase per degree [Celsius] warming,” as the U.K. Met Office explained in its 2014 update on climate science. “This is expected to lead to similar percentage increases in heavy rainfall, which has generally been borne out by models and observed changes in daily rainfall.”

This means that when it is cold enough to snow, snow storms will be fueled by more water vapor and thus be more intense themselves. So we expect fewer snowstorms in regions close to the rain-snow line, such as the central United States, though the snowstorms that do occur in those areas are still likely to be more intense. It also means we expect more intense snowstorms in generally cold regions. This may appear to be counterintuitive — and certainly climate science deniers like to play up big snowstorms for that reason. But the fact is that the warming to date is not close to that needed to end below-freezing temperatures during midwinter over parts of the globe like New England, while it is large enough to put measurably more water vapor into the air.

A 2014 MIT study by Prof. Paul O’Gorman found that “snowfall extremes actually intensify” even many decades from now, in a future with high levels of warming:

O’Gorman found that there’s a narrow daily temperature range, just below the freezing point, in which extreme snow events tend to occur — a sweet spot that does not change with global warming….

“People may know the expression, ‘It’s too cold to snow’ — if it’s very cold, there is too little water vapor in the air to support a very heavy snowfall, and if it’s too warm, most of the precipitation will fall as rain.”

We’ve long known that warmer-than-normal winters favor snow storms. A 2006 study, “Temporal and Spatial Characteristics of Snowstorms in the Contiguous United States” found we are seeing more northern snow storms and that we get more snow storms in warmer years:

The temporal distribution of snowstorms exhibited wide fluctuations during 1901-2000…. Upward trends occurred in the upper Midwest, East, and Northeast, and the national trend for 1901-2000 was upward, corresponding to trends in strong cyclonic activity….

Assessment of the January-February temperature conditions again showed that most of the United States had 71%-80% of their snowstorms in warmer-than-normal years…. a future with wetter and warmer winters, which is one outcome expected, will bring more snowstorms than in 1901-2000. Agee (1991) found that long-term warming trends in the United States were associated with increasing cyclonic activity in North America, further indicating that a warmer future climate will generate more winter storms.

The U.S. Global Change Research Program (USGCRP) U.S. Climate Impacts Report from 2009 reviewed that literature and concluded, “Cold-season storm tracks are shifting northward and the strongest storms are likely to become stronger and more frequent.

So it is no surprise that a 2012 study found extreme snowstorms and deluges are becoming more frequent and more severe. The 2014 National Climate Assessment (NCA), which is the most comprehensive analysis to date of current and future U.S. climate impacts, pointed out, “The mechanism driving these changes is well understood.” The congressionally-mandated report by 300 leading climate scientists and experts, which was reviewed by the National Academy of Sciences, explains: “Warmer air can contain more water vapor than cooler air. Global analyses show that the amount of water vapor in the atmosphere has in fact increased due to human-caused warming…. This extra moisture is available to storm systems, resulting in heavier rainfalls. Climate change also alters characteristics of the atmosphere that affect weather patterns and storms.”

That final point is very important. The worst deluges have jumped not merely because warmer air holds more moisture that in turn gets sucked into major storm systems. Increasingly, scientists have explained that climate change is altering the jet stream and weather patterns in ways that can cause storm systems to slow down or get stuck, thereby giving them more time to dump heavy precipitation (see my recent literature review here).

The National Climate Assessment noted that this “remains an active research area” but pointed outthat: “Heavier-than-normal snowfalls recently observed in the Midwest and Northeast U.S. in some years, with little snow in other years, are consistent with indications of increased blocking (a large scale pressure pattern with little or no movement) of the wintertime circulation of the Northern Hemisphere.”

You can see these the remarkable swings in the fraction of annual precipitation coming from extreme deluges in New England from NOAA’s Climate Extremes Index for the past century:

CEI Winter

NOAA chart showing the percentage (times 2) of New England “with a much greater than normal proportion of precipitation derived from extreme (equivalent to the highest tenth percentile) 1-day precipitation events” during the cold season (October-March).

In the case of the blizzard bearing down on New England, we have both the extra moisture off the East Coast and an “odd configuration of the jet stream (once again) is moving the low pressure system through a pattern that will create an epic blizzard.”

What of the future? Trenberth explains, “In mid winter, it is expected with climate change that snowfalls will increase as long as the temperatures are cold enough, because they are warmer than they would have been and the atmosphere can hold 4% more moisture for every 1F increase in temperature. So as long as it does not warm above freezing, the result is a greater dump of snow.” On the other hand, “at the beginning and end of winter, it warms enough that it is more likely for rain to result.” The net result is that average total snowfall may not increase.

The 2014 MIT study provides some more regional specificity about how the future will play out in terms of average snowfall versus extreme snowfall:

The study found that, under high warming scenarios, those low-lying regions with average winter temperatures normally just below freezing would see a 65 percent reduction in average winter snowfall. But in these places, the heaviest snowstorms on average became only 8 percent less intense. In the higher latitudes, extreme snowfall became more intense, with 10 percent more snow, even under scenarios of relatively high average warming.

Of course, climate science deniers and their allies will no doubt continue to misinform the public and policymakers by arguing that monster snowstorms are somehow evidence against the theory of human caused global warming, when they are no such thing. The latest science means the deniers will continue to have increasingly intense extreme “snowmageddons” in colder regions like New England, especially in midwinter, to mislead the public for decades to come.

Ebola Is Wiping Out the World’s Gorillas (The Daily Beast)

Finbarr O’Reilly/Reuters

01.22.15

In just four decades, Ebola has wiped out one third of the world’s chimp and gorilla populations. If it continues, the results will be devastating.

While coverage of the current Ebola epidemic in West Africa remains centered on the human populations in Guinea, Sierra Leone, and Liberia, wildlife experts’ concern is mounting over the virus’ favorite victims: great apes.

Guinea, where the epidemic originated, has the largest population of chimpanzees in all of West Africa. Liberia is close behind. Central Africa is home to western lowland gorillas, the largest and most widespread of all four species. Due to forest density, the number of those infected is unknown. But with hundreds of thousands of ape casualties from Ebola, it’s doubtful they’ve escaped unscathed.

Animal activists are ramping up efforts to find an Ebola vaccine for great apes, but with inadequate international support for human research, their mission could be seen as competing with one to save humans. Experts from the Jane Goodall Institute of Canada insist such apprehension would be misplaced. Two streams of funding—one for humans, one for apes—can coexist in this epidemic, they assert, and must.

“The media was really focusing on human beings,” Sophie Muset, project manager for JGI, says. “But it has been traumatic to [the great ape] population for many years.”

Over the course of just four decades, Ebola has wiped out one third of the world’s population of chimpanzees and gorillas, which now stand at less than 300,000 and 95,000 respectively.

The first large-scale “die-offs” due to Ebola began in the late 1990s, and haven’t stopped. Over the course of just four decades, Ebola has wiped out one third of the world’s population of chimpanzees and gorillas, which now stand at less than 300,000 and 95,000 respectively. Both species are now classified as endangered by the International Union for Conservation of Nature; western gorillas are “critically” so.

One of earliest Ebola “die-offs” of great apes came in 1994, when an Ebola outbreak in Minkébé decimated the region’s entire population—once the second largest in the world. In 2002, an outbreak in the Democratic Republic of Congo wiped out 95 percent of the region’s gorilla population. And an equally brutal attack broke out in 2006, when Ebola Zaire in Gabon (the same strain as the current outbreak) left an estimated 5,000 gorillas dead.

The dwindling population of both species, combined with outside poaching threats, means Ebola poses a very real threat to their existence. To evaluate the damage thus far, the Wild Chimpanzee Foundation is conducting population assessments in West Africa, with the goal of getting a rough estimate of how many have died. Given the combined damage that Ebola has inflicted on this population, the results are likely to be troubling.

In a way, great apes are Ebola’s perfect victims. Acutely tactile mammals, their dynamic social environments revolve around intimacy with each other. Touching hands, scratching backs, hugging, kissing, and tickling, they are near constantly intertwined—giving Ebola a free ride.

In a May 2007 study from The American Naturalist, researchers studying the interactions between chimpanzees and gorillas found evidence the Ebola can even spread between the social groups. At three different sites in northern Republic of Congo, they found bacteria from gorillas and chimps on the same fruit trees. For a virus that spreads through bodily fluids, this is an ideal scenario.

“They live in groups [and] they are very close,” says Muset, who has worked with chimps on the ground in Uganda and the DRC. “Since Ebola transmission happens through body fluids, it spreads very fast.”

For gorillas in particular, this culture proves deadly, making their mortality rate for this virus closer to  95 percent. But like humans, the corpses of chimpanzees and gorillas remain contagious with Ebola for days. While the chimps and gorillas infected with Ebola will likely die in a matter of days, the virus can live on in their corpse for days—in turn, spreading to humans who eat or touch their meat.

It is one such interaction that could result in the spread from apes to humans. But in this particular outbreak, experts have zeroed in on the fruit bat (believed to be the original carrier) as the source. The index patient, a 2-year-old in Guinea, was reportedly playing on a tree with a fruit bat colony.

Whether or not a great ape was involved in the transmission of the virus to humans during this outbreak is unknown. Such an interaction is possible. Interestingly, however, it’s not the risk that great apes with Ebola pose to humans that wildlife experts find most concerning. It’s the risk that their absence poses to the wild.

Owing to a diet consisting mostly of fruit, honey, and leaves, gorillas and chimpanzees are crucial to forest life. Inadvertently distributing seeds and pollen throughout the forest, they stimulate biodiversity within it. Without them, the biodiversity of the vegetation may plummet, endangering all of the species that relied on it—and, in turn, the people that relied on them.

“They are not the only ones who act as seed dispersers,” says Muset. “But they are the big players in that field. So when [a die-off] happens, it can decimate an entire forest.”

Wildlife experts worldwide are working to raise both awareness and funds for a vaccination process. It’s a battle that she says was gaining speed last January, when a researcher announced that he had found a vaccine that could work in chimps But as the epidemic in West Africa grew, the focus shifted.

But Muset says its time to return to the project. “There is a vaccine, but it has never been tested on chimpanzees,” she says.  “Progress has been made, and preliminary testing done, but testing in the field need to happen to make it real.”

As to the question of whether it’s ethical to be searching for a vaccine for wild animals when humans are still suffering as well, Muset is honest. “For sure there is a direct competition here. But wildlife and humans have a lot of diseases in common that they can transmit from one to the other,” she says. “And I think you can think of it as two streams of funding, one to wildlife and the other to human beings.”

While it’s great apes that wildlife experts are seeking to save, human nature as a whole, Muset argues, is at stake. “If you want a healthy ecosystem, the more you have to invest in health for wildlife and humans,” she says. “Then, the better place it will be.  Because really, it all works together.”

O que se pode fazer para vencer a crise da água? (A Conta d’Água)

26 de janeiro de 2015

Especialistas acreditam que medidas tomadas pela Sabesp e pelo governo do estado são insuficientes para resolver o problema do abastecimento, além de mascararem uma escassez que existe em diversas regiões do estado

Texto: Guilherme Franco e Vinicius Gomes da Revista Fórum

Fotos: Mídia NINJA

Na primeira segunda-feira (5) do ano, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) lançou mais uma de suas ações para combater a crise de saneamento de água: a distribuição de dispositivos de torneira para economizar água, com o mote “Se usar bem, ninguém fica sem”.

Como se ainda estivesse em 2014, a estratégia adotada para contornar o problema hídrico continuou sendo a mesma. Apelar para a boa vontade da população, atribuindo a ela, de forma direta ou indireta, parte da culpa pela crise. Há exatamente um ano, diversas cidades do litoral sul de São Paulo ficaram sem água próximo à época do Reveillon e, na ocasião, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que a falta d´água havia ocorrido por conta de um “consumo inesperado” dos turistas que desceram a serra para as festas. Afinal, por que alguém esperaria aumento de consumo em períodos de forte calor, não é mesmo?

Ao longo de todo o ano passado, enquanto os paulistas incluíam as palavras “Sistema Cantareira” e “volume morto” em seu vocabulário diário, cada vez mais regiões da capital e do interior paulista passavam a sofrer com a falta sistemática de água. A cidade de Itu, na região metropolitana de Sorocaba, foi um dos casos mais simbólicos (Veja o vídeo).

Mesmo assim, o governador sempre foi resoluto em afirmar que não faltava água no estado. No último debate entre os postulantes ao governo paulista, no início de outubro passado, Alckmin, ainda candidato à reeleição, foi taxativo: “Não falta e nem vai faltar água em São Paulo”. Porém, neste novo ano que começa a notícia é velha. Para evitar o caos no abastecimento de água, o governo tucano decidiu impor uma sobretaxa para forçar a redução do consumo da população.

Se usar bem, ninguém fica sem?

“É importante que fique claro que a responsabilidade pela crise d´água não é da população”, afirma Edson Aparecido da Silva, sociólogo e coordenador da Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental.

O especialista é um dos muitos que não possuem dúvida alguma de que o verdadeiro motivo para a crise hídrica em São Paulo não é a falta de consciência da população no uso d’água — que de fato existe — , mas sim porque os sucessivos governadores que passaram pelo Palácio dos Bandeirantes não tomaram as medidas necessárias. “Estamos enfrentando essa crise porque o governo não fez no tempo certo as obras que deveriam ter sido feitas. Ele não iniciou uma campanha de redução de consumo com a antecedência devida”, acrescenta.

Dona Rute, moradora do Jardim Umuarama, vive um racionamento não oficializado pelo governo, que pode durar até 9 dias sem água na torneira. Foto: Sarah Pabst

Na mesma linha de Aparecido, o diretor de base do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema), José Mairton, afirma que o cenário atual poderia ser outro, caso o governador de São Paulo tivesse decretado o racionamento no início de 2014. “A estiagem prolongada previu a falta de água. Hoje poderíamos ter uma situação menos preocupante. A coordenação da campanha eleitoral do atual governador do PSDB não queria passar uma falha gravíssima de sua gestão anterior, sendo assim, persistiram em um erro que considero um dos maiores golpes políticos já visto”, avalia.

Mas, na contramão dos fatos, Alckmin nunca assumiu a necessidade de decretar racionamento, pelo menos assim o fez durante todo o ano de 2014 — um ano eleitoral.

De acordo com Edson Aparecido, apesar de o racionamento não ter sido decretado oficialmente, ele já existe desde que a Sabesp começou a fazer redução na pressão da rede durante o período noturno. “Quando uma pessoa chega em casa do trabalho, vai tomar banho, abre a torneira e descobre que a água só virá no dia seguinte, é um racionamento.”

Depoimentos que desmentem o discurso do governador são abundantes. “Aqui falta água faz tempo já, não é verdade que não tem racionamento em São Paulo”, relata o poeta Binho, fundador do Sarau que leva seu nome e morador do Campo Limpo, vizinho ao terminal de ônibus da região. “A gente tem que ficar de plantão o dia inteiro, esperando a água chegar. Aí corre pra encher balde, panela e guardar tudo”, conta a carroceira Dona Rute de Carvalho na favela Godoi, Jardim Umuarama — ambos na capital paulista.

Com o nível do segundo volume morte ora se estabilizando ora caindo, mas raramente subindo significativamente, e com o período de chuvas se aproximando do seu final, existe algum motivo para que o governador não decrete o racionamento?

Primeira solução para a crise: assumir que há uma crise

Pode parecer óbvio para muitos que, para se resolver um problema, precisa-se, primeiro, reconhecer que ele existe. Mas nem sempre o óbvio é assim tão evidente. “Em momentos de crise como esse, o governo estadual deveria fazer duas coisas — além de decretar oficialmente o racionamento : apresentar um “pacotão” de medidas — um plano de contingência para enfrentar essa crise que tende a se aprofundar ao fim do período de chuvas (final de março), e que esse pacote fosse precedido de um diálogo com as prefeituras diretamente envolvidas com a crise”, afirma Aparecido que cita as prefeituras das regiões metropolitanas da capital paulista e de Campinas, junto com os comitês de bacias hidrográficas do Alto Tietê e do PCJ (Piracicapa-Capivari-Jundiaí). “[Mas] o governo do Estado continua em uma linha de ação individual, autoritária, sem transparência e isso tem sido péssimo”, lamenta.

Fluxo de água na primeira cota do Volume Morto, inaugurado pelo governador Geraldo Alckmin. Foto: Mídia NINJA

Para ele, era necessária uma conversa com todas as prefeituras — com a ajuda do governo do estado e da Sabesp — para desenvolver um plano para a redução do consumo excessivo de água, além da adoção de algumas das medidas como: mapear todas as possibilidades de poços artesianos nas regiões e requisitar que o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo), que é o responsável pela outorga de utilização de poços, apresentasse, com as respectivas prefeituras envolvidas, uma lista com tais possibilidades, tendo como prioridade o abastecimento humano.

Outras medidas deveriam envolver também dois grandes consumidores de água no estado: os setores agrícola e industrial. Aparecido entende que o governo deveria negociar com ambos a busca por novas tecnologias para utilizar menos água em suas produções, inclusive com incentivos fiscais. “Partindo do princípio que a água tem que usar usada prioritariamente para o abastecimento humano, o governo também tinha que chamar a Fiesp [Federação das Indústrias de São Paulo] e fazer um plano de redução de consumo desse setor”, sugere o especialista.

Continuar pedindo o sacrifício da população é insuficiente

Perguntado se um, até o momento, hipotético decreto de racionamento residencial seria suficiente para aplacar a crise, Aparecido Silva é direto: não.

Segundo dados oficiais do DAEE, o setor industrial utiliza 40% de toda água disponível para abastecimento em rios, poços e reservatórios da Grande São Paulo e Baixada Santista e, como afirmou o geógrafo Wagner Ribeiro, professor titular da Universidade de São Paulo (USP), outras medidas futuras podem começar a ser discutidas, como a presença de indústrias nas regiões metropolitanas, que são áreas de escassez hídrica. “É fundamental reavaliar a conveniência de manter indústrias funcionando aqui”, acredita.

E quanto aos empregos na área industrial? O estudo mais recente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, feito entre os dias 12 e 26 de maio de 2014 com 229 empresas de micro e pequeno porte (até 99 empregados), 140 de médio porte (de 100 a 499 empregados) e 44 de grande porte (500 ou mais empregados), revelou que já foram fechados mais de 3 mil postos de trabalho devido à falta de água. As demissões decorrem da redução do ritmo da produção e da queda da produtividade das indústrias pela falta do recurso hídrico. A tendência, segundo a Fiesp, é que o quadro se agrave nos próximos meses.

“A situação já estava muito ruim no que diz respeito ao crescimento econômico”, declarou Anicia Pio, gerente de meio ambiente da Fiesp. “Naturalmente, que a falta d’água teve uma parcela importante nessas demissões. A escassez de água está levando à redução da produtividade e toda vez que isso acontece é necessário cortar custos, ou seja, demitir o funcionário. A nossa perspectiva é que a nova equipe que vai assumir decrete medidas amargas, mas necessárias para que cause o mínimo de sofrimento a todos os setores”, ponderou.

O estudo ainda apontou que, em cada três empresas, duas estão preocupadas com a possível interrupção no fornecimento de água na região. A possibilidade de racionamento ainda neste ano é um fator de preocupação para 67,6% das 413 indústrias entrevistadas pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp.

Calamidade Privada — A crise da água em Itu from A conta da Agua on Vimeo.

Anicia defende que o racionamento deveria ser decretado em todos os setores, inclusive para as empresas. “O correto é que a redução seja para todo mundo. As indústrias têm feito a lição de casa nesse sentido. Desde 2007, as empresas que captam água direto dos mananciais tiveram uma redução de mais de 50%. O setor industrial, na região metropolitana, responde por 10,6% de toda a água utilizada em termos de uso direto (rios, águas subterrâneas)”, afirma.

Além do plano de contingência, ela sugere incentivos fiscais para empresas que atuam no segmento de produtos químicos. “Quanto menos água, mais caro fica o tratamento. O governo poderia diminuir ou dar incentivo para a redução dos impostos de produtos químicos, evitando assim que a população seja obrigada a pagar mais caro pela água”, conclui.

De acordo com Aparecido, o governo do estado deveria enviar à Assembleia Legislativa de São Paulo uma lei reduzindo ou isentando de impostos da esfera estadual, como ICMS, equipamentos hidráulicos que possam reduzir o consumo de água para incentivar a indústria e o comércio — com os usuários domésticos substituindo seus equipamentos por outros de baixo consumo.

Outras medidas sugeridas pelo especialista seriam revisão de calendário de eventos nesses períodos de muito calor, onde se consome muita água; rever o calendário escolar — como campeonatos esportivos, feiras, congressos, a extensão do período de férias de verão e o cancelamento das férias de inverno, além de um controle maior para que todas as administrações, tanto estadual quanto municipal, reduzissem o uso de água na lavagem de equipamentos públicos e rega de jardins, por exemplo.

E a Sabesp?

Em 1994, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) se tornou uma empresa de capital misto com o argumento de que vendendo parte de suas ações seria possível arrecadar mais recursos para investir na sua função: saneamento básico e abastecimento de água.

Passados 20 anos, a empresa viu seu faturamento saltar de R$ 6 bilhões para R$ 17,1 bilhões entre 2002 e 2012. A quantia nada modesta seria mais do que o suficiente para a ampliar a rede de captação e saneamento, evitando assim qualquer problema relacionado à escassez de água. Enquanto parte da população da região metropolitana vê as torneiras secas há meses, os acionistas da Sabesp têm um faturamento nada escasso.

Festa em Nova York, seca em São Paulo: ao som de “Oh Happy Day”, diretores da Sabeps comemoraram o lucro de R$ 4,3 bilhões em 2012 Foto: Sabesp

Diante da lógica da maximização dos lucros, a companhia não tomou as medidas necessárias para conter a crise já em 2013, quando o nível dos reservatórios estava baixando. Políticas de racionamento, com penalização de quem desperdiçasse água, e de informação não foram feitas, como explica Anderson Guahy, técnico em gestão da Sabesp e diretor de formação do Sintaema.

“Em vez da empresa buscar a universalização do saneamento, levar saneamento e saúde para toda a população do estado, ter feito a manutenção das redes de água, ela vem atuando no sentido de garantir lucros cada vez maiores para seus acionistas. No que diz respeito à Sabesp, a responsabilidade pela crise deve ser direcionada à alta gestão e não aos trabalhadores concursados que vêm sendo perseguidos nos últimos meses”, diz Guahy.

Seguindo uma linha de raciocínio semelhante, Anicia Pio sugere que dois blocos de ações que deveriam ter sido executados mas não foram: obras e transparência. “Desde 2004 o governo sabia da necessidade de investir no sistema de abastecimento da Grande São Paulo, mas nada foi feito. Ao mesmo tempo, faltou autoridade e competência para chegar na população através da mídia e explicar a gravidade da situação”, afirma. O caso de 2004 a qual ela se refere é a outorga que autorizava a Sabesp a retirar água do Sistema Cantareira e fornecê-la para oito milhões de pessoas na capital paulista e na região metropolitana, ação que já constava entre as diretrizes para reduzir a demanda, pois o sistema poderia não suportar uma situação como a atual.

“E a Sabesp ainda não apresentou nenhum plano para a redução da perda de água, quer dizer continua perdendo um terço da água ainda na distribuição”, argumenta Aparecido. O especialista afirma que seria importante que ela interrompesse o pagamento de dividendos ou de juros sobre o capital próprio para os seus acionistas.

Em meio a pior crise enfrentada pelo Estado mais rico do Brasil, que possui a maior cidade da América Latina em um país que diferente de muitos outros, foi “abençoado” por inúmeros recursos hídricos disponíveis em seu território, os acionistas podem comemorar o ano que passou: somente em 2014, a Sabesp captou aproximadamente R$ 800 milhões. A população paga a conta.

É difícil atribuir seca em SP ao aquecimento global (Folha de S.Paulo)

Entrevista da 2ª – Carlos Nobre

26 de janeiro de 2015

São necessários mais estudos, diz climatologista, para quem o sudeste tem regime de chuvas especialmente imprevisível

MARCELO LEITE DE SÃO PAULO

O renomado climatologista Carlos Afonso Nobre está muito preocupado com a crise hídrica. No Sudeste, para que a estação chuvosa janeiro-março fique na média histórica, seria preciso chover 60% a 80% mais que o usual nos dois meses que faltam.

O problema é que não há como prever se isso vai ocorrer. No ano passado, o bloqueio atmosférico (massa de ar que impede a entrada de umidade) durou até meados de fevereiro. A boa notícia é que, neste janeiro de 2015, ele foi rompido pela frente fria dos últimos dias –mas nada impede a sua volta.

As condições do Sudeste, afirma, fazem dele uma região de baixa previsibilidade para secas e chuvas, mesmo na escala de semanas.

Secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Nobre se encontra na posição desconfortável de ser um destacado estudioso da mudança do clima com funções executivas num ministério em que o titular (Aldo Rebelo) já pôs o fenômeno em dúvida. Evita tratar do assunto, porém, por ter convivido pouco com o novo ministro.

De todo modo, Nobre não abandona a prudência científica. “É difícil atribuir ao aquecimento global um extremo climático como as secas do Sudeste”, afirma nesta entrevista, concedida por escrito.

A impossibilidade de se relacionar diretamente a mudança climática a episódios específicos não significa, porém, que governos não devam se preparar para o aumento de eventos extremos causado por ela, diz Nobre.

Folha – O verão 2013/14 foi o mais seco em 62 anos no Sudeste, em especial na bacia que alimenta o Cantareira. Já é possível avaliar se o de 2014/15 irá superá-lo ou igualá-lo?

Carlos Nobre – Ainda não, pois fevereiro e março são meses da estação chuvosa. De qualquer maneira, para que a estação chuvosa no Sudeste se encerrasse dentro da média histórica, as chuvas em fevereiro e março deveriam ficar de 60% a 80% acima da média.

Até novembro e dezembro de 2013, as previsões sazonais não haviam sido capazes de indicar a estiagem que viria em janeiro de 2014.

De fato, não há quase nenhuma previsibilidade para a região Sudeste e Centro-Oeste quando se trabalha com uma escala de meses.

Tal região não está entre os locais do planeta com previsibilidade climática sazonal, como o norte do Nordeste, partes da Amazônia e Sudeste da América do Sul (centro-leste da Argentina, Uruguai e Paraguai, e sul do Brasil).

A variabilidade climática no Sudeste é fortemente influenciada por frentes frias e por fenômenos atmosféricos de grande escala, como os bloqueios, que geram os veranicos [com estiagem] no meio da estação chuvosa, que são difíceis da prever. Isso aumenta o nível de incerteza na gestão dos recursos hídricos.

Isso vale para a maior parte do Brasil?

No semiárido do Nordeste, as previsões de secas com antecedência de alguns meses têm alto índice de acerto, quase 80%, e são forma importante para políticas de mitigação dos impactos das secas.

Para a estação chuvosa principal do semiárido, de fevereiro a maio deste ano, as previsões indicam risco de chuvas abaixo da média, um quadro de continuidade do deficit hídrico de vários anos.

No caso da Amazônia, é significativo o risco de grandes incêndios florestais, como em 1998 em Roraima?

Para o norte da Amazônia, especialmente Roraima, as chuvas dos últimos meses têm estado um pouco abaixo da média histórica, e fevereiro e março são meses do período mais seco do ano.

A principal explicação para chuvas abaixo da média no norte da Amazônia é o El Niño [superaquecimento das águas do Pacífico que aquece a atmosfera], ainda que o episódio atual seja considerado fraco e deva se enfraquecer-se nos próximos meses. Não se espera uma seca tão intensa em Roraima como foi aquela de 1997-98, reflexo do mega-El Niño ocorrido então.

Em janeiro de 2014, o bloqueio atmosférico permaneceu até meados de fevereiro. Com a frente fria que chegou a SP nesta quinta-feira (22), pode-se dizer que o pior já passou?

Como disse, prever bloqueios atmosféricos com semanas de antecedência não é factível. Mas, de fato, a situação a partir da chegada de uma fraca frente fria ao Sudeste nos últimos dias é diferente daquela de janeiro e fevereiro de 2014.

A repetição em 2014 e 2015 de condições de estiagem grave, ao menos no Sudeste, pode ter relação com o aquecimento global? Afinal, 2014 foi declarado pela Nasa e pela Noaa o mais quente já registrado. Qual é a chance de que seja apenas uma coincidência?

O fato de que as observações globais indicam a continuidade da tendência de aquecimento global, com 2014 sendo o ano com a mais alta temperatura à superfície desde 1860, é algo bem esperado, em razão da crescente quantidade de gases do efeito estufa na atmosfera.

Por outro lado, é bem mais difícil atribuir ao aquecimento global um extremo climático como as secas do Sudeste. São necessários estudos com modelos climáticos globais complexos, nos quais se simula o clima com e sem os aumentos dos gases-estufa.

Além disso, sempre é necessário estabelecer quais são os mecanismos físicos para a mudança. No caso de bloqueios atmosféricos, envolveria entender mecanismos complexos. Como a propagação de ondas atmosféricas de milhares de quilômetros está respondendo ao aquecimento global? Trata-se de uma tarefa cientificamente bastante desafiadora.

Como se explica que reservatórios relativamente próximos, como Guarapiranga/Billings e Cantareira tenham comportamento tão díspares?

Em anos de bloqueios atmosféricos grandes sobre o Sudeste, toda a região apresenta chuvas abaixo da média. O efeito de ilha urbana de calor [afetadas pela temperatura mais elevada da cidade, massas úmidas de passagem viram tempestades], porém, atua para fazer com que os deficits sobre a região metropolitana de São Paulo sejam menores do que em regiões vizinhas, como o Cantareira.

Por outro lado, mesmo excetuando fenômenos de grande escala como os bloqueios, observa-se uma diminuição relativa das chuvas sobre o Cantareira nas últimas décadas e um aumento das chuvas sobre a cidade. Hipoteticamente, esse efeito de longo prazo pode estar relacionado com a ilha urbana de calor, mas estudos em andamento precisarão comprovar, ou não, essa hipótese.

O governo federal já trabalha com a hipótese de que a Grande São Paulo chegue a um estado de calamidade pública, com esgotamento completo do sistema Cantareira, por exemplo?

O Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) desenvolveu um modelo hidrológico para o sistema Cantareira e instalou, em abril e maio de 2014, 33 pluviômetros automáticos para melhorar o monitoramento das chuvas sobre as bacias de captação. Como não é factível prever hoje as chuvas em fevereiro e março, pode-se apenas traçar cenários.

No caso de continuidade de chuvas abaixo da média nesses meses, de fato há risco de o reservatório não ter condições de manter o abastecimento nos níveis atuais.

O que o poder público deve fazer no médio e no longo prazos para prevenir a repetição dessa situação limítrofe? Diria que se trata do principal problema no campo da adaptação à mudança do clima?

Adaptação às mudanças climáticas deve ser uma prioridade de política pública. Hidrólogos devem incorporar o fato de que os extremos climáticos estão se tornando mais frequentes e, em muitos casos, mais intensos.

Em outras palavras, as séries históricas de observações hidrológicas não podem mais ser consideradas estacionárias. O planejamento da utilização dos recursos hídricos deve levar em conta isso. A atual crise hídrica já está tendo um impacto em demonstrar que o Brasil precisa urgentemente buscar desenvolver sistemas e infraestruturas resistentes ao aumentos dos extremos climáticos.

Qual é a sua avaliação da Conferência de Lima e sua expectativa com relação a Paris, em dezembro?

Lima trouxe progressos incrementais. Embora exista a expectativa de algo maior em Paris, creio que seja realista não esperar uma revolução. Além disso, é preocupante a relativa diminuição recente dos preços dos petróleo e gás: se persistir, irá causar um inevitável aumento das emissões de gases do efeito-estufa.

Como tirar São Paulo da UTI? (Folha de S.Paulo)

26 de janeiro de 2015

Especialistas sugerem parcerias público-privadas e engajamento da sociedade civil para vencer limitações de água, fiação e arborização

FERNANDA MENA RAUL JUSTE LORES DE SÃO PAULO

Vazamentos no sistema da Sabesp, que hoje desperdiçam cerca de 20% da água coletada e tratada em São Paulo, podem ser descobertos por sensores já usados em Cingapura. Empresas que descubram e consertem esses vazamentos, em parcerias público-privadas, receberiam pelo volume de água “recuperado” aos cofres da Sabesp.

Quanto aos fios da rede elétrica que deixam os paulistanos no breu ao sinal de vento ou chuva, a AES Eletropaulo, prefeituras e proprietários de imóveis poderiam ratear o alto custo de se enterrar a fiação aérea.

Árvores que caem e derrubam a rede elétrica em um cenário de blecautes e falta de água frequentes indicam que retirar São Paulo de sua atual UTI vai depender de parcerias público-privadas, participação da sociedade civil e soluções tecnológicas ainda pouco testadas. As contas são bilionárias.

No aniversário de 461 anos de São Paulo, especialistas ouvidos pela Folha dizem que está na hora de sair da “zona de conforto”, buscando novas maneiras de encarar (e financiar) problemas que afetam serviços essenciais, mas que costumam ficar no subterrâneo das prioridades políticas.

Caro mesmo, todos eles concordam, é ficar sem água e sem luz na região metropolitana de São Paulo, que representa 16% do PIB nacional.

VIDAS SECAS

“Recuperar e conservar mananciais, investir em reúso e em políticas para reduzir consumo e perdas são fundamentais para garantir o abastecimento.” A frase foi publicada em 2003 em reportagem nesta Folha.

“O cenário provável é de esgotamento do sistema. Se a água não acabar em março, acaba em agosto”, avisa Marussia Whately, da Aliança pela Água, que reúne organizações pela promoção da segurança hídrica em São Paulo. “Precisamos de uma liderança que ajude a população a lidar com a crise.”

Na Califórnia, que já entra em seu quarto ano de seca, “foi fundamental o governador decretar estado de emergência, assumir o problema e convocar celebridades, como Lady Gaga, para gravar vídeos contra o desperdício”, diz Brendan Wonnacott, gerente da campanha “Save our water” [poupe nossa água]. “A população usou as redes sociais para denunciar vazamentos e desperdício.”

A Odebrecht Ambiental criou a Juntos Pela Água, iniciativa que divulga boas práticas e promoveu a economia de cerca de 20% da água consumida em cidades como Limeira e Porto Ferreira.

Bem mais custosos são os programas de redução de perdas no sistema.

Um plano da Sabesp de 2008 propunha reduzir a quantidade de água desperdiçada em vazamentos de cerca de 20% para 13% até 2020 e previa gastar R$ 4,4 bilhões. Mas, em 2012, o plano ficou mais modesto no objetivo (redução de perdas só para 16,8%), com um inflacionado orçamento de R$ 6 bi.

“Os custos são enormes, mas precisamos trocar tubulações com mais de 50 anos e implantar distritos de controle”, diz Luiz Roberto Gravina Pladevall, da Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente.

“Precisamos achar um modelo em que empresas possam ser recompensadas pela descoberta e conserto de vazamentos de água”, diz o diretor-técnico da Promon Engenharia, Rodney Faria. “Todos sairiam ganhando, afinal a Sabesp começaria a cobrar e ganhar pela água que hoje se perde”, diz.

Neste quadro, a promoção de oferta de água de reúso (a partir da “limpeza” do esgoto), para uso industrial, ainda é tímida.

Há o Aquapolo Ambiental, que custou R$ 364 milhões à Odebrecht Ambiental e abastece hoje cinco empresas do polo petroquímico do ABC, na Grande SP. Sua produção libera, por mês, 450 milhões de litros de água potável.

A longo prazo, mananciais de rios e represas, desmatados em até 70%, precisam ser reflorestados. “Recuperar 3% dessas áreas aumenta a capacidade desses reservatórios em até 50%”, diz Samuel Barreto, da ONG americana The Nature Conservancy.

FIOS E ÁRVORES

O enterramento da fiação da rede elétrica dos postes sempre foi tratado como questão estética, mas ventos de 85 quilômetros por hora que atingiram a cidade no último mês deixaram 800 mil pessoas sem luz.

“As árvores arrebentaram a fiação. Essa recomposição da rede é demorada”, explica Sidney Simonaggio, vice-presidente de operações da AES Eletropaulo.

Se a rede fosse subterrânea, nada disso teria acontecido. Fazer essa transição custa R$ 15 bilhões para o centro expandido de São Paulo, ou R$ 5,8 milhões por quilômetro quadrado.

Em 2013, estudo feito para a empresa aponta que o enterramento de fios só seria viável com rateio dos custos entre AES (cabos e material técnico), usuários (que pagariam tributos pela valorização do seu imóvel) e prefeituras, que fariam as obras de engenharia civil (com a oportunidade de padronizar o calçamento de boa parte da cidade).

Diagnósticos bancados por associações de bairros poderiam servir de base para uma operação emergencial para cortar, podar ou transplantar árvores em “risco iminente” –metade das árvores em calçadas da cidade fica em áreas nobres (e de arborização antiga), como Pinheiros, Jardins, Higienópolis, Butantã, Vila Mariana e Alto de Pinheiros.

“Ainda pagamos muitas vezes a poda por volume, o que incentiva as empresas terceirizadas a podar mais do que o necessário”, diz Marcelo Cocco, engenheiro agrônomo e arborista, da consultoria Legal Tree.

“Precisamos já de um Plano Diretor de Arborização Urbana.” Porto Alegre catalogou suas árvores, com plano de manejo, substituição de árvores de risco e produção de mudas. Seu plano de arborização é de 2000.

“Há tecnologia para redução de emissões”, diz pesquisador Paulo Artaxo (Zero Hora)

Considerado uma das principais autoridades em mudanças climáticas, físico afirma que o Protocolo de Kyoto “já é letra morta”

por Bruno Felin

24/01/2015 | 11h23

"Há tecnologia para redução de emissões", diz pesquisador Paulo Artaxo Anxo Lamela/Anxo Lamela

Camadas de gelo da Groelândia perdem aproximadamente 258 bilhões de toneladas ao anoFoto: Anxo Lamela / Anxo Lamela

Paulo Artaxo é uma das principais autoridades em mudanças climáticas a representar o Brasil nas conferências da ONU. O físico da Universidade de São Paulo tem mais de 300 trabalhos publicados, parte deles nas grandes revistas científicas do mundo. É uma das pessoas a colocar o país como referência em estudos sobre o clima.

Como o mundo saiu da conferência em Lima, no Peru? Há um rascunho de acordo?
Paulo Artaxo: 
Não há um rascunho. Há, no máximo, uma tentativa de se fazer um acordo para redução de emissões, mas não há nenhum compromisso concreto com uma possivel verificação (de quem cumpre ou não). Isso, infelizmente, ainda não existe. O Protocolo de Kyoto foi uma ferramenta importante, mas já é letra morta, não foi cumprido pela falta de penalidade para quem não cumpre.

Evidências comprovam a urgência da luta contra o aquecimento global
Mudanças climáticas se tornam debate urgente em 2014
As técnicas mirabolantes da geoengenharia para conter o aquecimento global

O que emperrou para que esse encontro tivesse mais resultados concretos?
Paulo Artaxo: 
Obviamente, o que emperra são as velhas questões de sempre: quem paga a conta e como é que são divididas as responsabilidades do ponto de vista das reduções de emissões. Alguns países, como os Estados Unidos, não aceitam fazer nenhum tipo de redução se a China, por exemplo, que é o seu grande competidor, também não fizer uma redução. Essa é a questão.

Quanto ao proximo acordo, temos de ficar otimistas ou pessimistas?
Paulo Artaxo: Não é questão de ficar otimista, ou jogo de sim ou não. É fundamental que se façam políticas de redução de emissão de gases do efeito estufa, principalmente no setor de energia. Isso é fundamental, a estabilidade do clima no planeta no futuro depende disso. Agora, isso não é a única coisa relevante no nosso planeta, você tem questões econômicas, tecnológicas e políticas para tratar com isso. Então, não podemos simplesmente imaginar que vamos chegar em Paris, vamos sentar e redigir o novo acordo, e todo mundo vai ficar feliz. Não funciona desse jeito. É um longo processo, que esperamos que tenha sucesso, mas não se espera que saia um acordo para reduzir 80% das emissões. Talvez fique em 20% até 2050.

O que esperar da Cúpula do Clima
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“O Brasil é um dos exemplos mais importantes”

Temos tecnologia para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. O desafio é barateá-la?
Paulo Artaxo: Na verdade não é uma questão tecnológica. Há tecnologia para redução de emissões em todos os setores. Por exemplo, o setor mais óbvio é a indústria automotiva. Existe tecnologia para reduzir as emissões dos automóveis em pelo menos 50%. A questão é ter políticas públicas que ponham essas tecnologias em uso. Tem que obrigar as fábricas a fazer carros mais eficientes no menor prazo possível. Se isso não acontece, as fábricas vão continuar colocando no mercado carros extremamente ineficientes e totalmente inapropriados para a questão climática como a gente tem hoje.

Nos gráficos abaixo, as evidências demonstram a urgência por ações:

Níveis de CO2Os níveis de CO2 sempre variaram durante a história da Terra. Ao respirar, as plantas retiram o CO2 da atmosfera, ficam com o carbono e soltam oxigênio. Os animais puxam o oxigênio e soltam CO2. Um balanço perfeito. Durante centenas de milhares de anos, os seres vivos foram morrendo e esse material indo cada vez mais para o fundo da Terra. Ao ser exposto a calor e pressão, se transformou nos combustíveis fósseis: petróleo, gás e carvão. E aí mora o nosso problema: todo esse carbono que demorou centenas de milhares de anos para se formar está voltando para a atmosfera em apenas algumas centenas de anos.

Veja animação com o aumento do CO2 ao longo dos anos:

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_grafico_aquecimentoglobal/co2.html

Aumento da temperatura

A temperatura oscilou durante toda a história do planeta acompanhando os níveis de CO2 na atmosfera. Cientistas estimam que os gases do efeito estufa emitidos pelo homem demorem 50 anos para começar a alterar os níveis de CO2 medidos. Por isso é perceptível que, após a revolução industrial, a temperatura tenha aumentado tanto.

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_arte_infograficos_imagem_estatica/index.html?img=http://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/17179158.jpg


Em animação, veja onde a temperatura aumentou nos últimos anos:

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_grafico_aquecimentoglobal/temperature.html

Aumento do nível dos oceanos

O aumento do nível do mar se dá por dois fatores relacionados ao aquecimento global: a água que vem do derretimento do gelo da terra e a expansão natural da água quando esquenta. Em média, o nível do mar está subindo 3.17 milímetros por ano. No último século, foram 17 centímetros.

Em gráfico, acompanhe o aumento do nível do mar:

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_arte_infograficos_imagem_estatica/index.html?img=http://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/17179157.jpg

Desmatamento

Manter as florestas de pé é fundamental para combater o aquecimento, pois as plantas absorvem o CO2 e liberam oxigênio. O Brasil tem a segunda maior área de florestas do mundo, atrás apenas da Rússia, e já desmatou muito a Amazônia. Porém, os números vêm reduzindo, somos exemplo para outros países.

Em gráfico, veja o desmatamento da Amazônia nos últimos anos:

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_arte_infograficos_imagem_estatica/index.html?img=http://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/17179343.jpg

Massa de gelo

As camadas de gelo da Antartica reduziram cerca de 147 bilhões de toneladas por ano enquanto as da Groelândia perderam aproximadamente 258 bilhões de toneladas ao ano. No Ártico, a média de declínio da camada de gelo é de 13,3% por década (relativo às médias de 1981 a 2010).

Veja como ficaram alguns pontos do globo antes e depois dos efeitos das mudanças climáticas:

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_grafico_aquecimentoglobal/antesdepois/index.html

Matemática evolutiva (Folha de S.Paulo)

Hélio Schwartsman

26 de janeiro de 2015

SÃO PAULO – Para quem gosta de matemática, uma boa leitura é “Mathematics and the Real World” (matemática e o mundo real), de Zvi Artstein, professor do Instituto Weizmann, de Israel.

O autor começa dividindo a matemática em duas, uma mais natural, que a evolução nos preparou (e também a outros bichos) para compreender, e outra totalmente abstrata, cuja intelecção exige refrear todas as nossas intuições. No primeiro grupo estão a aritmética e parte da geometria. No segundo, destacam-se lógica formal, estatística, teoria dos conjuntos e o grosso do material sobre o qual se debruçam hoje os matemáticos.

Egípicios, babilônios, indianos e outros povos da Antiguidade desenvolveram razoavelmente bem a matemática natural. Fizeram-no por razões práticas, como facilitar o comércio e o cálculo astrológico. Foram os gregos, contudo, que, tentando escapar ao que consideravam ilusões de ótica do mundo sensível, resolveram fiar-se na matemática para descobrir o “real”. É aqui que a matemática ganha autonomia para florescer para além das intuições.

Na sequência, Artstein traça uma interessantíssima história da ciência, destacando quais transformações foram necessárias na matemática para que pudessem firmar-se teorias e modelos como heliocentrismo, gravitação universal, relatividade, mecânica quântica, cordas etc. Não foge, embora nem sempre desenvolva muito, das implicações filosóficas.

O autor discute também assuntos mais classicamente matemáticos, como incerteza, caos, infinito, os teoremas da incompletude de Gödel. Numa concessão ao mundo prático, aborda quase apressadamente algumas questões da sociologia e da computação. Finaliza advogando por reformas no ensino da matemática.

O bacana do livro é que Artstein consegue transformar um assunto potencialmente árido num texto que se lê com a fluidez de um romance. Não é para qualquer um.

Dahr Jamail | Mourning Our Planet: Climate Scientists Share Their Grieving Process (Truthout)

Sunday, 25 January 2015 00:00 By Dahr JamailTruthout | News Analysis 

Scientists write their feelings about climate change

(Image: Jared Rodriguez / Truthout)

I have been researching and writing about anthropogenic climate disruption (ACD) for Truthout for the past year, because I have long been deeply troubled by how fast the planet has been emitting its obvious distress signals.

On a nearly daily basis, I’ve sought out the most recent scientific studies, interviewed the top researchers and scientists penning those studies, and connected the dots to give readers as clear a picture as possible about the magnitude of the emergency we are in.

This work has emotional consequences: I’ve struggled with depression, anger, and fear. I’ve watched myself shift through some of the five stages of grief proposed by Elisabeth Kübler-Ross: Denial, anger, bargaining, depression, acceptance I’ve grieved for the planet and all the species who live here, and continue to do so as I work today.

I have been vacillating between depression and acceptance of where we are, both as victims – fragile human beings – and as perpetrators: We are the species responsible for altering the climate system of the planet we inhabit to the point of possibly driving ourselves extinct, in addition to the 150-200 species we are already driving extinct.

Can you relate to this grieving process?

If so, you might find solace in the fact that you are not alone: Climate science researchers, scientists, journalists and activists have all been struggling with grief around what we are witnessing.

To see more stories like this, visit “Planet or Profit?”

Take Professor Camille Parmesan, a climate researcher who says that ACD is the driving cause of her depression.

“I don’t know of a single scientist that’s not having an emotional reaction to what is being lost,” Parmesan said in the National Wildlife Federation’s 2012 report. “It’s gotten to be so depressing that I’m not sure I’m going to go back to this particular site again,” she said in reference to an ocean reef she had studied since 2002, “because I just know I’m going to see more and more of the coral dead, and bleached, and covered with brown algae.”

Last year I wrote about the work of Joanna Macy, a scholar of Buddhism, eco-philosophy, general systems theory and deep ecology, and author of more than a dozen books. Her initiative, The Work That Reconnects, helps people essentially do nothing more mysterious than telling the truth about what we see, know and feel is happening to our world.

In order to remain able to continue in our work, we first must feel the full pain of what is being done to the world, according to Macy.” Refusing to feel pain, and becoming incapable of feeling the pain, which is actually the root meaning of apathy, refusal to suffer – that makes us stupid, and half alive,” she told me. “It causes us to become blind to see what is really out there.”

I recently came across a blog titled, Is This How You Feel? It is an extraordinary compilation of handwritten letters from highly credentialed climate scientists and researchers sharing their myriad feelings about what they are seeing.

The blog is run and operated by Joe Duggan, a science communicator, who described his project like this: “All the scientists that have penned letters for this site have a sound understanding of climate change. Some have spent years designing models to predict changing climate, others, years investigating the implications for animal life. More still have been exploring a range of other topics concerning the causes and implications of a changing climate. As a minimum, they’ve all achieved a PhD in their area of expertise.”

With Joe’s permission, I am happy to share the passages below. In the spirit of opening the door to a continuing dialog among readers about our collective situation, what follows are the – often very personal – thoughts and feelings of several leading climate scientists.

Frustration

“Like many others I feel frustrated with the current state of public discourse and I’m dismayed by those who, seemingly motivated by their own short-term self interest, have chosen to hijack that discussion,” wrote Dr. John Fasullo, a project scientist in the climate analysis section of the National Centre for Atmospheric Research, on the Is This How You Feel? blog. “The climate is changing and WE are the primary cause.”

Professor Peter B. deMenocal with Columbia University’s Lamont-Doherty Earth Observatory shared an analogy to the climate scientist’s predicament, comparing it to how a medical doctor would feel while having to inform their patient, who is an old, lifelong friend, of a dire but treatable diagnosis. The friend goes on to angrily disregard what you have to say, for a variety of very human reasons, as you watch helplessly as their pain and illness unfold over the rest of their now-shortened life. “Returning to our patient, I feel frustrated that my friend won’t listen,” he concluded.

Dr. Helen McGregor, a research fellow at the Australian National University’s Research School of Earth Sciences, shared a very emotionally honest letter about her experience as a climate scientist. Here is what she wrote in full:

I feel like nobody’s listening. Ok Sure, some people are listening but not enough of our leaders are listening – those that make decisions that influence all our lives. And climate change is affecting and will continue to affect all our lives.

I feel perplexed at why many of our politicians, business leaders, and members of the public don’t get that increased CO2 in the Earths atmosphere is a problem. The very premise that CO2 traps heat is based on fundamental physics – the very same physics that underpins so much of modern society. The very same physics that has seen higher C02 linked with warmer periods in the geological past. And sure, there have been warm periods in the past and the Earth weathered the storm (excuse the pun) but back then there weren’t millions of people, immovable infrastructure, or entire communities in harms way.

I feel astonished that some would accuse me of being part of some global conspiracy to get more money – if I was in it for the money I would have stayed working as a geologist in the mining industry. No, I do climate research because I find climate so very interesting, global warming or not.

I feel both exasperation and despair in equal measure, that perhaps there really is nothing I can do. I feel vulnerable, that perhaps by writing this letter I expose myself to trolling and vitriol – perhaps I’m better off just keeping quiet.

Hope

Dr. Jennie Mallela with the Research Schools of Biology and Earth Sciences at the Australian National University shared a range of emotions, including optimism.

“I believe people are capable of amazing things and I do believe that climate change can be halted and even reversed,” she wrote. “I just hope it happens in my lifetime. I don’t want to become the generation that future children talk of as having destroyed the planet. I’d like to be the generation that fought back (and won) against human induced climate change. The generation that worked out how to live in harmony with the planet – that generation!”

She wasn’t alone.

“So whilst there is enough good and committed people we can change our path of warming,” wrote Dr. Jim Salinger, an honorary research associate in climate science with the University of Auckland’s School of Environment. However, he went on to add, “I am always hopeful – but 4 to 5 degrees Celsius of change will be a challenge to survive.”

I asked Dr. Ira Lefier, an Atmospheric/Oceanic Scientist whose research has focused on methane how he felt about our current situation. He expressed his concerns and frustration, but also optimism.

“I find the current situation is highly distressing, in that the facts regarding global warming have been known for many decades, because like an aircraft carrier avoiding a collision, course changes can easily be managed well in advance, but become impossible at the last minute – inertia seals the future destiny,” he said. “And I ask myself, what did we (scientists and activists and concerned citizens of the planet), how did we get here, so close to the midnight? And I think that there was a tragic underestimate based on the successful campaign to save the Ozone Layer through the fight against CFCs – a gas with almost no political lobby, that the global society could easily accept the widespread changes needed to address global climate change through reducing CO2 emissions – which affects almost everyone on the planet. And that political change could be engendered simply by scientists presenting their facts and observations.

“So yes, I find it highly distressing that we are having a societal discussion on whether to take climate change seriously, half a century late. Still, I refuse not to be an optimist, – it is not yet too late. I continue to do whatever I can both scientifically and by communicating with the public, firstly, because it is the right thing to do, and secondly, in the hope and belief that even now, positive action will reduce the damage from ma warming climate to the ecosystem. I refuse to accept ‘apres moi le deluge’ [after me comes the flood].”

Concern

“As a human-being, and especially as a parent, I feel concerned that we are doing damage to the planet,” wrote Professor Peter Cox, of the University of Exeter, on the blog. “I don’t want to leave a mess for my children, or anyone else’s children, to clear-up. We are currently creating a problem for them at an alarming rate – that is worrying.”

Professor Gabi Hegerl, a professor of climate system science with the University of Edinburgh, wrote, “I look at my children and think about what I know is coming their way and I worry how it will affect them.”

Dr. Sarah Perkins, a climate scientist and extreme events specialist with the University of New South Wales, shared both her concern and hope about our Earth.

For sometime now I’ve been terribly worried. I wish I didn’t have to acknowledge it, but everything I have feared is happening. I used to think I was paranoid, but it’s true. She’s slipping away from us. She’s been showing signs of acute illness for quite a while, but no one has really done anything. Her increased erratic behavior is something I’ve especially noticed. Certain behaviors that were only rare occurrences are starting to occur more often, and with heightened anger. I’ve tried to highlight these changes time and time again, as well as their speed of increase, but no one has paid attention.

It almost seems everyone has been ignoring me completely, and I’m not sure why. Is it easier to pretend there’s no illness, hoping it will go away? Or because they’ve never had to live without her, so the thought of death is impossible? Perhaps they cannot see they’ve done this to her. We all have.

To me this is all false logic. How can you ignore the severe sickness of someone you are so intricately connected to and dependent upon. How can you let your selfishness and greed take control, and not protect and nurture those who need it most? How can anyone not feel an overwhelming sense of care and responsibility when those so dear to us are so desperately ill? How can you push all this to the back of your mind? This is something I will never understand. Perhaps I’m the odd one out, the anomaly of the human race. The one who cares enough, who has the compassion, to want to help make her better.

The thing is we can make her better!! If we work together, we can cure this terrible illness and restore her to her old self before we exploited her. But we must act quickly, we must act together. Time is ticking, and we need to act now.

Sharing both his frustration and concern, Dr. Alex Sen Gupta with the Climate Change Research Center at the University of New South Wales wrote:

I feel frustrated. The scientific evidence is overwhelming. We know what’s going on, we know why it’s happening, we know how serious things are going to get and still after so many years, we are still doing practically nothing to stop it. I feel concerned that unmitigated our inaction will cause terrible suffering to those least able to cope with change and that within my lifetime many of the places that make this planet so special – the snows on Kilimanjaro, the Great Barrier Reef, even the ice covered Arctic will be degraded beyond recognition – our legacy to the next generation.

Anger

“My overwhelming emotion is anger; anger that is fuelled not so much by ignorance, but by greed and profiteering at the expense of future generations,” wrote Professor Corety Bradshaw, the director of ecological modeling at the University of Adelaide. “I am not referring to some vague, existential bonding to the future human race; rather, I am speaking as a father of a seven year-old girl who loves animals and nature in general. As a biologist, I see irrefutable evidence every day that human-driven climate disruption will turn out to be one of the main drivers of the Anthropocene mass extinction event now well under way.”

The rest of his letter is worth reading in full:

Public indifference and individual short-sightedness aside, I am furious that politicians like Abbott and his anti-environment henchman are stealing the future from my daughter, and laughing about it while they line their pockets with the figurative gold proffered by the fossil-fuel industry. Whether it is sheer stupidity, greed, deliberate dishonesty or all three, the outcome is the same – destruction of the environmental life-support system that keeps us all alive and prosperous. Climates change, but the rapidity with which we are disrupting the current climate on top of the already heavily compromised environmental health of the planet makes the situation dire.

My frustration with these greedy, lying bastards is personal. Human-caused climate disruption is not a belief – it is one of the best-studied phenomena on Earth. Even a half-wit can understand this. As any father would, anyone threatening my family will by on the receiving end of my ire and vengeance. This anger is the manifestation of my deep love for my daughter, and the sadness I feel in my core about how others are treating her future.

Mark my words, you plutocrats, denialists, fossil-fuel hacks and science charlatans – your time will come when you will be backed against the wall by the full wrath of billions who have suffered from your greed and stupidity, and I’ll be first in line to put you there.

“The Pivotal Psychological Reality of Our Time”

Joe told me the response to his project has been, in general, positive.

“I have received emails from all over the world from people of all walks of life thanking me for establishing the website – from retired grandmothers through to undergraduate university students,” he said. “The letters have been picked up by various social media sites like Science Alert…and have subsequently reached massive audiences.”

He was happy to add that the responses from scientists have been positive, and said his question of “How does climate change make you feel?” is “something they have not been asked before.”

“Of course there have been some very vocal opponents to my work,” Joe added. “This is to be expected. As I have said in the past, there is a small but very vocal group of people out there whose sole goal is to misinform and mislead the general public about climate change. These people don’t have to use the facts, they don’t have to even use the real data. They can cherry-pick from graphs, or even tell flat-out lies in an attempt to mislead the greater public. To what end, who knows? ITHYF [Is This How You Feel] does not exist to change the minds of deniers. It exists to provide an avenue through which every day people can relate to climate change.”

The term “climate change deniers,” then, has an entirely new – and ever more relevant – meaning when viewed through the lenses of the Kübler-Ross five stages of grief, given that “denial” is literally one of the five stages.

Joe is now asking laypeople to send in their letters about how they feel, and plans to publish those as well.

“This approach is not the only way to communicate on climate change, but it is one way, and I certainly feel that it is effective,” he concluded.

The practice of scientists sharing their feelings runs contrary to the dominant consumer capitalist culture of the West, which guards against – and attempts to divert attention from – the prospect of people getting in touch with feelings provoked by witnessing the wholesale destruction of the planet.

In fact, Joanna Macy believes it is not in the self-perceived interest of multinational corporations, or the government and the media that serve them “for us to stop and become aware of our profound anguish with the way things are.”

Nevertheless, these disturbing trends of widespread denial, disinformation by the corporate media, and the worsening impacts of runaway ACD, which are all increasing, are something she is very mindful of. As she wrote in World as Lover, World as Self, “The loss of certainty that there will be a future is, I believe, the pivotal psychological reality of our time.”

We don’t know how long we have left on earth. Five years? 15 years? 30? Beyond the year 2100? But when we allow our hearts to be shattered – broken completely open – by these stark, cold realities, we allow our perspectives to be opened up to vistas we’ve never known. When we allow ourselves to fully experience the crisis in this way, we are then able to truly see it through new eyes.

Like reaching new heights on a mountain, we can see things we’ve never seen before. Our thinking, attitudes, and outlook on life changes dramatically. It is a new consciousness, one in which we realize the pivotal stage in history we find ourselves in.

Perhaps, within this new consciousness, we can live in this time with grace, dignity, and caring. Perhaps, here, we can find ways to save habitat for a few more species, while we share this precious lives and this precious time with loved ones, in the wild places we love so much, on this rare and precious world.

Monitoramento e análise de dados – A crise nos mananciais de São Paulo (Probabit)

Situação 25.1.2015

4,2 milímetros de chuva em 24.1.2015 nos reservatórios de São Paulo (média ponderada).

305 bilhões de litros (13,60%) de água em estoque. Em 24 horas, o volume subiu 4,4 bilhões de litros (0,19%).

134 dias até acabar toda a água armazenada, com chuvas de 996 mm/ano e mantida a eficiência corrente do sistema.

66% é a redução no consumo necessária para equilibrar o sistema nas condições atuais e 33% de perdas na distribuição.


Para entender a crise

Como ler este gráfico?

Os pontos no gráfico mostram 4040 intervalos de 1 ano para o acumulado de chuva e a variação no estoque total de água (do dia 1º de janeiro de 2003/2004 até hoje). O padrão mostra que mais chuva faz o estoque variar para cima e menos chuva para baixo, como seria de se esperar.

Este e os demais gráficos desta página consideram sempre a capacidade total de armazenamento de água em São Paulo (2,24 trilhões de litros), isto é, a soma dos reservatórios dos Sistemas Cantareira, Alto Tietê, Guarapiranga, Cotia, Rio Grande e Rio Claro. Quer explorar os dados?

A região de chuva acumulada de 1.400 mm a 1.600 mm ao ano concentra a maioria dos pontos observados de 2003 para cá. É para esse padrão usual de chuvas que o sistema foi projetado. Nessa região, o sistema opera sem grandes desvios de seu equilíbrio: máximo de 15% para cima ou para baixo em um ano. Por usar como referência a variação em 1 ano, esse modo de ver os dados elimina a oscilação sazonal de chuvas e destaca as variações climáticas de maior amplitude. Ver padrões ano a ano.

Uma segunda camada de informação no mesmo gráfico são as zonas de risco. A zona vermelha é delimitada pelo estoque atual de água em %. Todos os pontos dentro dessa área (com frequência indicada à direita) representam, portanto, situações que se repetidas levarão ao colapso do sistema em menos de 1 ano. A zona amarela mostra a incidência de casos que se repetidos levarão à diminuição do estoque. Só haverá recuperação efetiva do sistema se ocorrerem novos pontos acima da faixa amarela.

Para contextualizar o momento atual e dar uma ideia de tendência, pontos interligados em azul destacam a leitura adicionada hoje (acumulado de chuva e variação entre hoje e mesmo dia do ano passado) e as leituras de 30, 60 e 90 atrás (em tons progressivamente mais claros).


Discussão a partir de um modelo simples

O ajuste de um modelo linear aos casos observados mostra que existe uma razoável correlação entre o acumulado de chuva e a variação no estoque hídrico, como o esperado.

Ao mesmo tempo, fica clara a grande dispersão de comportamento do sistema, especialmente na faixa de chuvas entre 1.400 mm e 1.500 mm. Acima de 1.600 mm há dois caminhos bem separados, o inferior corresponde ao perído entre 2009 e 2010 quando os reservatórios ficaram cheios e não foi possível estocar a chuva excedente.

Além de uma gestão deliberadamente mais ou menos eficiente da água disponível, podem contribuir para as flutuações observadas as variações combinadas no consumo, nas perdas e na efetividade da captação de água. Entretanto, não há dados para examinarmos separadamente o efeito de cada uma dessas variáveis.

Simulação 1: Efeito do aumento do estoque de água

Nesta simulação foi hipoteticamente incluído no sistema de abastecimento a reserva adicional da represa Billings, com volume de 998 bilhões de litros (já descontados o braço “potável” do reservatório Rio Grande).

Aumentar o estoque disponível não muda o ponto de equilíbrio, mas altera a inclinação da reta que representa a relação entre a chuva e a variação no estoque. A diferença de inclinação entre a linha azul (simulada) e a vermelha (real) mostra o efeito da ampliação do estoque.

Se a Billings não fosse hoje um depósito gigante de esgotos, poderíamos estar fora da situação crítica. Entretanto, vale enfatizar que o simples aumento de estoque não é capaz de evitar indefinidamente a escassez se a quantidade de chuva persistir abaixo do ponto de equilíbrio.

Simulação 2: Efeito da melhoria na eficiência

O único modo de manter o estoque estável quando as chuvas se tornam mais escassas é mudar a ‘curva de eficiência’ do sistema. Em outras palavras, é preciso consumir menos e se adaptar a uma menor entrada de água no sistema.

A linha azul no gráfico ao lado indica o eixo ao redor do qual os pontos precisariam flutuar para que o sistema se equilibrasse com uma oferta anual de 1.200 mm de chuva.

A melhoria da eficiência pode ser alcançada por redução no consumo, redução nas perdas e melhoria na tecnologia de captação de água (por exemplo pela recuperação das matas ciliares e nascentes em torno dos mananciais).

Se persistir a situação desenhada de 2013 a 2015, com chuvas em torno de 1.000 mm será necessário atingir uma curva de eficiência que está muito distante do que já se conseguiu praticar, acima mesmo dos melhores casos já observados.

Com o equilíbrio de “projeto” em torno de 1.500 mm, a conta é mais ou menos assim: a Sabesp perde 500 mm (33% da água distribuída), a população consume 1.000 mm. Para chegar rapidamente ao equilíbrio em 1.000 mm, o consumo deveria ser de 500 mm, uma vez que as perdas não poderão ser rapidamente evitadas e acontecem antes do consumo.

Se 1/3 da água distribuída não fosse sistematicamente perdida não haveria crise. Os 500 mm de chuva disperdiçados anualmente pela precariedade do sistema de distribução não fazem falta quando chove 1.500 mm, mas com 1.000 mm cada litro jogado fora de um lado é um litro que terá de ser economizado do outro.

Simulação 3: Eficiência corrente e economia necessária

Para estimar a eficiência corrente são usadas as últimas 120 observações do comportamento do sistema.

A curva de eficiência corrente permite estimar o ponto de equilíbrio atual do sistema (ponto vermelho em destaque).

O ponto azul indica a última observação do acumulado anual de chuvas. A diferença entre os dois mede o tamanho do desequilíbrio.

Apenas para estancar a perda de água do sistema, é preciso reduzir em 49% o fluxo de retirada. Como esse fluxo inclui todas as perdas, se depender apenas da redução no consumo, a economia precisa ser de 66% se as perdas forem de 33%, ou de 56% se as perdas forem de 17%.

Parece incrível que a eficiência do sistema esteja tão baixa em meio a uma crise tão grave. A tentativa de contenção no consumo está aumentando o consumo? Volumes menores e mais rasos evaporam mais? As pessoas ainda não perceberam a tamanho do desastre?


Prognóstico

Supondo que novos estoques de água não serão incorporados no curto prazo, o prognóstico sobre se e quando a água vai acabar depende da quantidade de chuva e da eficiência do sistema.

O gráfico mostra quantos dias restam de água em função do acumulado de chuva, considerando duas curvas de eficiência: a média e a corrente (estimada a partir dos últimos 120 dias).

O ponto em destaque considera a observação mais recente de chuva acumulada no ano e mostra quantos dias restam de água se persistirem as condições atuais de chuva e de eficiência.

O prognóstico é uma referência que varia de acordo com as novas observações e não tem probabilidade definida. Trata-se de uma projeção para melhor visualizar as condições necessárias para escapar do colapso.

Porém, lembrando que a média histórica de chuvas em São Paulo é de 1.441 mm ao ano, uma curva que cruze esse limite significa um sistema com mais de 50% de chances de colapsar em menos de um ano. Somos capazes de evitar o desastre?


Os dados

O ponto de partida são os dados divulgados diariamente pela Sabesp. A série de dados original atualizada está disponível aqui.

Porém, há duas importantes limitações nesses dados que podem distorcer a interpretação da realidade: 1) a Sabesp usa somente porcentagens para se referir a reservatórios com volumes totais muito diferentes; 2) a entrada de novos volumes não altera a base-de-cálculo sobre o qual essa porcentagem é medida.

Por isso, foi necessário corrigir as porcentagens da série de dados original em relação ao volume total atual, uma vez que os volumes que não eram acessíveis se tornaram acessíveis e, convenhamos, sempre estiveram lá nas represas. A série corrigida pode ser obtida aqui. Ela contém uma coluna adicional com os dados dos volumes reais (em bilhões de litros: hm3)

Além disso, decidimos tratar os dados de forma consolidada, como se toda a água estivesse em um único grande reservatório. A série de dados usada para gerar os gráficos desta página contém apenas a soma ponderada do estoque (%) e da chuva (mm) diários e também está disponível.

As correções realizadas eliminam os picos causados pelas entradas dos volumes mortos e permitem ver com mais clareza o padrão de queda do estoque em 2014.


Padrões ano a ano


Média e quartis do estoque durante o ano


Sobre este estudo

Preocupado com a escassez de água, comecei a estudar o problema ao final de 2014. Busquei uma abordagem concisa e consistente de apresentar os dados, dando destaque para as três variáveis que realmente importam: a chuva, o estoque total e a eficiência do sistema. O site entrou no ar em 16 de janeiro de 2015. Todos os dias, os modelos e os gráficos são refeitos com as novas informações.

Espero que esta página ajude a informar a real dimensão da crise da água em São Paulo e estimule mais ações para o seu enfrentamento.

Mauro Zackiewicz

maurozacgmail.com

scientia probabitlaboratório de dados essenciais

Affective Habitus, Environment & Emotions (Synthetic Zero)

“Ariel Salleh: The Vicissitudes of an Earth Democracy

Even as we face the global crisis, an Earth on fire, the role of water goes unacknowledged. Yet it is water that joins Humanity and Nature, mind and body, subject and object, men, women, queers, children, animals, plants, rocks, and air. Water carries the flow of desire, nourishes the seed, sculpts our valleys, and our imaginations. As water joins heaven and Earth, it steadies climates. But the Promethian drive to mastery, militarism, mining, manufacture, steals water, leaves deserts in its wake. More than peak oil, we face peak water. What kind of ecotheory will turn this Anthropocene around? Who embodies the deep flow of resistant affect that Adorno and Kristeva find in non-identity? Can the universities give us theory that is guided by this logic of water? Or are our canons and cognitions still too embedded in the commodities and objects of fire? While life on Earth falls into Anthropocenic disrepair, a global bourgeois culture promotes ad hoc action as policy and pastiche as style. Timothy Morton’s recent essay ‘The Oedipal Logic of Ecological Awareness’ is provocative in this respect. In response, we ask: What does the hybrid politics of ecological feminism say about affect and the dissolution of old binaries like Humanity versus Nature? How does its embodied materialism translate into an Earth Democracy? Whose affective habitus can nurture nature’s agency – indigenes, mothers, peasants? Whose common labour skills reproduce the unity of water and land?

Eileen Joy: Post/Apocalyptically Blue

This talk is an attempt to think about depression as a shared creative endeavor, as a trans-corporeal blue (and blues) ecology that would bind humans, nonhumans, and stormy weather together in what anthropologist Tim Ingold has called a meshwork, where “beings do not propel themselves across a ready-made world but rather issue forth through a world-in-formation, along the lines of their relationships.” In this enmeshment of the “strange strangers” of Timothy Morton’s dark ecology, “[t]he only way out is down” and art’s “ambiguous, vague qualities will help us to think things that remain difficult to put into words.” It may be, as Morton has also argued, that while “personhood” is real, nevertheless, “[b]oth the surface and the depth of our being are ambiguous and illusory.” And “still weirder, this illusion might have actual effects.” I want to see if it might be possible to cultivate this paradoxical interface (literally, “between faces”) between illusion and effects, especially with regard to feeling blue, a condition I believe is a form of a deeply empathic enmeshment with a world that suffers its own “sea changes” and which can never be seen as separate from the so-called individuals who supposedly only populate (“people”) it.”

O apagão do planeta (O Estado de São Paulo)

Entrevista. Martin Rees

Indiferente aos ‘céticos do clima’, a Terra está cada vez mais quente e a previsão é de desastres devastadores até o fim do século, alerta astrônomo de Cambridge

Ivan Marsiglia

24 Janeiro 2015 | 16h 00

GUILHERME CALDAS E OLAVO ROCHA/DIVULGAÇÃO

GUILHERME CALDAS E OLAVO ROCHA/DIVULGAÇÃO 

Os desastres da gestão da água em São Paulo e dos apagões elétricos no País não são obra de São Pedro ou de Deus, esse brasileiro – como chegaram a atribuir certas autoridades. Mas foram ambos agravados por cenário maior, também de catástrofe anunciada, só que em escala global. Há anos o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), da ONU, alerta para o risco de mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global, pregando praticamente no deserto. Na semana passada, somando-se ao aumento perceptível de eventos atmosféricos extremos mundo afora, um relatório da Nasa, a agência espacial americana, confirmou: 2014 foi o ano mais quente desde que essa medição começou a ser feita, em 1880. E, embora os cientistas “céticos do clima” continuem sua cruzada para esfriar os ânimos do ambientalismo, essa é uma realidade cada vez mais difícil de negar.

“Se as emissões anuais de CO2 continuarem a aumentar podemos enfrentar uma mudança climática drástica, com cenários devastadores até o século 22”, crava um dos cientistas mais respeitados do mundo na área. Sir Martin John Rees, astrônomo e professor de cosmologia e astrofísica na Universidade de Cambridge, presidente da prestigiosa Royal Society entre 2005 e 2010, não é o que se pode chamar de “alarmista”. E, no entanto, em um livro de 2003 – Our Final Century (Hora Final – Alerta de um Cientista, Companhia das Letras) – já dizia, com polidez britânica, que a humanidade tem 50% de chance de sobreviver ao século 21.

Na entrevista a seguir, o autor de From Here to Infinity: A Vision for the Future of Science – livro de 2012 em que investiga as conexões entre ciência, política e economia no século 21 – descreve o delicado estado de coisas neste nosso “mundo congestionado”, sob ameaça não só do crescimento populacional e da incessante demanda por recursos naturais, mas também da incapacidade humana de pensar a longo prazo. Problemas que, alerta Martin Rees, não serão resolvidos com medidas paliativas ou pela mão invisível do mercado: “Exigem intervenção governamental e ação internacional”.

Em Our Final Century (2003) o sr. afirmava que nossa civilização tinha 50% de chance de sobreviver até o fim do século 21. Esse porcentual continua o mesmo?

Não mudei meu ponto de vista – e tenho ficado surpreso com a quantidade de pessoas que pensam que não sou suficientemente pessimista. Claro que é improvável que todos nós sejamos exterminados. Mas penso que vamos ter que ter muita sorte para evitar retrocessos devastadores. Em parte devido ao aumento do estresse nos ecossistemas devido ao crescimento populacional e a nossa crescente demanda por recursos. Mas, mais do que isso, porque nos apoderamos de uma nova tecnologia: entramos em uma nova era geológica, o “antropoceno”, em que as ações humanas determinam o futuro do meio ambiente.

Em que medida isso é uma ameaça?

Até a segunda metade do século 20, a grande ameaça, ao menos para o Hemisfério Norte, era a guerra termonuclear, que por pouco não foi desencadeada durante a crise dos mísseis em Cuba, na década de 1960. Estivemos perto dela em outras ocasiões durante a Guerra Fria. Mas agora enfrentamos novas ameaças decorrentes do uso indevido das bio e cybertecnologias, em avanço espantoso. É com elas que me preocupo mais e por causa delas é que teremos uma jornada difícil neste século.

O ano passado foi o mais quente na Terra desde 1880, quando esse tipo de medição começou a ser feito, disse um relatório divulgado essa semana pela Nasa, a agência espacial americana, e o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). O que está acontecendo com o planeta?

Já está claro que há uma tendência de aquecimento de longo prazo nos últimos 50 anos. Essa taxa não é estável nem uniforme na superfície da Terra. Mas é uma tendência que se sobrepõe a outros efeitos, como o El Niño, em que as alterações na circulação e no calor do oceano armazenam-se nele em vez de na atmosfera. Sabemos que a quantidade de CO2 na atmosfera está aumentando e isso provoca aquecimento – e, consequentemente, mudanças em larga escala nos padrões climáticos em todo o mundo. O que ainda não está claro é quão grande é esse efeito. A duplicação do CO2 na atmosfera causa um aquecimento de 1,2°C. Mas esse efeito pode ser ampliado devido às trocas de vapor d’água e nuvens – e não sabemos as consequências desses processos. Entretanto, parece claro que se as emissões anuais de CO2 continuarem a aumentar poderemos enfrentar uma mudança climática drástica, com cenários devastadores até o século 22.

Depois de fazer um diagnóstico catastrófico em 2007, quando estimou que 6 bilhões de pessoas morreriam até o final do século, o cientista britânico James Lovelock voltou atrás em 2012, dizendo que havia sido ‘alarmista’ em relação ao aquecimento global. Esse novo relatório da Nasa reforça as opiniões mais pessimistas?

Não posso falar por James Lovelock – mas é fantástico vê-lo, aos 95 anos de idade, engajado nesses temas e ainda disposto a mudar de ideia. Recentemente, por exemplo, ele adotou uma postura favorável à energia nuclear. Entretanto, não serão dados relativos a um único ano que vão convencer as pessoas a mudar suas atitudes. Acho que vamos levar uns 20 anos ainda para começar a reduzir a atual taxa de aquecimento. Até lá, saberemos com mais precisão – talvez a partir de modelos produzidos por computação avançada – quanto a temperatura global tem efetivamente aumentado e quão fortemente o feedback de vapor d’água e nuvens de que falei amplifica os efeitos da acumulação de CO2 no “efeito estufa”.

Por que, apesar de todos os alertas feitos pelo IPCC da ONU, os líderes políticos ao redor do mundo parecem ainda pouco sensibilizados pela questão, caminhando lentamente na direção de formas alternativas de energia ou na redução dos atuais padrões de consumo?

Embora devamos ter esperança de que a conferência de Paris em dezembro deste ano obtenha progressos efetivos, meu palpite pessimista é que os esforços políticos para descarbonizar a produção de energia no mundo não vão ganhar força. E a concentração de CO2 na atmosfera vai subir a um ritmo acelerado nas próximas duas décadas. Até lá, ficará claro se o clima do mundo está entrando em um território perigoso. Pode então haver pânico e uma pressão para que sejam adotadas medidas de emergência. O que poderia tornar necessário um “plano B”: fatalismo quanto à continuidade da dependência mundial dos combustíveis fósseis, acompanhado de medidas que combatam seus efeitos com o uso da geoengenharia.

Que tipo de medidas poderiam reverter o aquecimento global?

O efeito estufa poderia ser contra-atacado, por exemplo, com a colocação de aerossóis (partículas que absorvem e dispersam a luz solar) na atmosfera ou mesmo de grandes guarda-sóis no espaço. É aparentemente factível lançar material suficiente na estratosfera para mudar o clima do mundo – o assustador seria imaginar como isso seria feito, se com recursos de uma única nação ou talvez de uma megacorporação. Os problemas políticos em torno do uso desse tipo de geoengenharia podem ser esmagadores. Sem falar na possibilidade de ocorrerem efeitos colaterais. Além disso, o aquecimento poderia voltar caso essas medidas fossem por alguma razão descontinuadas e também se mostrassem ineficazes em relação a outras consequências do acúmulo de CO2. Em especial, os efeitos deletérios que o gás causa na acidificação dos oceanos.

Ou seja, ainda que estejam surgindo tecnologias supostamente capazes de reverter o aquecimento global, a utilização delas teria resultados imprevisíveis?

A geoengenharia seria um pesadelo político absoluto. Nem todas as nações iriam querer ajustar o termostato da mesma maneira. Modelos climáticos superelaborados seriam necessários para calcular os impactos regionais de qualquer intervenção artificial. Imagine: seria uma festa para os advogados se um indivíduo ou uma nação pudessem ser responsabilizados por qualquer mau tempo. Acho que seria prudente estudar suficientemente as técnicas de geoengenharia para deixar claro que opções fazem sentido antes de adotar um otimismo injustificado em relação a elas. Não haverá “solução rápida e técnica” para consertar o clima.

Qual é a sua opinião sobre os chamados ‘céticos do clima’, cientistas que ainda negam o aquecimento global, com pesquisas às vezes financiadas por grupos econômicos que ganham com a exploração dos combustíveis fósseis?

O debate sobre o clima tem sido marcado por muita disputa entre a ciência, a política e os interesses comerciais. Aqueles que rejeitam as projeções feitas pelo IPCC têm contribuído mais para jogar a ciência na lata do lixo do que em fazer um apelo “por uma ciência melhor”. E ainda que os resultados da ciência fossem claros e cristalinos, haveria uma margem gigantesca para debate sobre a melhor resposta política. Acho que as divergências em questão dizem respeito mais a desentendimentos éticos e econômicos do que científicos. Os que propõem medidas tímidas e convencionais, como por exemplo, (o cientista dinamarquês) Bjørn Lomborg (autor do bestseller O Ambientalista Cético, Campus, 2002), estão de fato desconsiderando o que pode acontecer para além de 2050. Há, de fato, pouco risco de uma catástrofe dentro desse horizonte temporal – e assim não é surpresa que se queira minimizar a prioridade do combate às alterações climáticas. Mas se você se preocupa com quem vai viver no século 22 e depois dele, então pode considerar que vale a pena fazer um investimento agora. Para proteger as gerações futuras contra o pior cenário e prevenir o desencadeamento de mudanças de longo prazo, como o derretimento do gelo da Groenlândia.

O Brasil, um dos tão aclamados Brics, vive um momento dramático, com o sistema elétrico saturado e possibilidade real de colapso total da água em São Paulo, a maior metrópole do País. Podemos assistir em breve a um cenário de colapsos econômicos e evacuação de cidades?

Vivemos num mundo interconectado cada vez mais dependente de energia e tecnologias avançadas. Embora eu não esteja familiarizado o bastante para falar sobre São Paulo, as “megacidades” são especialmente vulneráveis. No curto prazo, a prioridade absoluta é assegurar energia elétrica confiável para todos. Esse problema é muito maior em países como a Índia, onde milhões usam madeira ou estrume como combustível para cozinhar, sofrendo em consequência abalos na saúde. No longo prazo, todas as nações deveriam adotar políticas de baixo carbono. Políticos não gostam de defender medidas que tragam mudanças de vida indesejadas – especialmente se os benefícios dessas medidas só venham a aparecer daqui a décadas. Mas há três medidas políticas realistas que deveriam ser impulsionadas. A primeira é os países promoverem ações que poupem dinheiro, mais eficiência energética, melhor isolamento dos prédios, etc. A segunda é concentrar esforços em reduzir poluentes, metano e carbono negro. São substâncias que não agravam tanto o aquecimento global, mas sua redução, diferentemente da de CO2, traz mais benefícios locais. A terceira e mais importante é incrementar a pesquisa e desenvolvimento de todas as formas de energia limpa – incluindo, a meu ver, a energia nuclear. Por que a pesquisa energética não é feita numa escala comparável à pesquisa médica? Nesse campo, o Brasil, já um inovador em biocombustível e outros tipos de energia, poderia tornar-se um líder mundial.

Um outro estudo divulgado há poucos dias pelo Goddard Space Flight Center, da Nasa, alerta para a perspectiva de a civilização industrial entrar em colapso nas próximas décadas por causa da exploração insustentável de recursos e da distribuição desigual de riqueza – uma abordagem que poderia estar em seu livro dez anos antes. É realista imaginar o mundo caminhando em outra direção?

Robôs estão substituindo humanos na indústria manufatureira. Vão ocupar cada vez mais nossos empregos, não apenas no trabalho manual. Mas a grande pergunta é: o advento da robótica será como o ocorrido com outras novas tecnologias – a do carro, por exemplo -, que criavam tantos empregos quanto eliminavam? Ou desta vez será diferente? As atuais inovações podem gerar riquezas imensas, mas será preciso haver maciça redistribuição, via impostos, para garantir a cada um pelo menos um “salário de sobrevivência”. Não existem impedimentos científicos para se chegar a um mundo sustentável e seguro em que todos tenham um estilo de vida melhor que o do Ocidente de hoje. Podemos ser “tecnologicamente otimistas”, embora o equilíbrio tecnológico exija redirecionamento e se guie por valores que a ciência em si não pode prover. Mas a aridez da política e da sociologia – o abismo entre potencialidades e o que ocorre na realidade – indica pessimismo. Políticos pensam em eleitores e nas próximas eleições. Investidores esperam lucro no curto prazo. Fingimos ignorar o que ocorre neste exato momento em países longínquos. E minimizamos fortemente os problemas que deixaremos para as novas gerações. Sem uma perspectiva mais ampla, sem aceitar que estamos juntos neste mundo congestionado, governos não vão priorizar projetos políticos de longo prazo, mesmo que esse longo prazo seja apenas um instante na história do planeta. A “Nave Terra” está vagando pelo espaço. Seus passageiros estão ansiosos e divididos. O mecanismo de suporte de vida deles é vulnerável a rupturas e colapsos. Mesmo assim, há pouco planejamento, pouca observação do horizonte, pouca consciência dos riscos de longo termo. São problemas que não podem ser resolvidos pelo mercado: exigem intervenção governamental e ação internacional.

MARTIN REES É ASTROFÍSICO E PROFESSOR DE COSMOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE CAMBRIDGE

Seca já atinge 5 das 10 maiores regiões metropolitanas do país (Folha de S.Paulo)

DE SALVADOR
DE CAMPINAS
DE PORTO ALEGRE
DO RIO
DE SÃO PAULO

25/01/2015 02h00

Racionamento, problemas de abastecimento ou reservatórios em níveis de alerta já são realidade em cinco das dez maiores regiões metropolitanas do país: as de Belo Horizonte, Campinas, Recife, Rio e São Paulo. Juntas, elas abrigam 48 milhões de pessoas, quase um quarto da população do país.

Na Grande São Paulo, os principais reservatórios se esgotarão em cerca de cinco meses caso seja mantido o ritmo de chuvas e consumo das primeiras três semanas do ano.

Diante da situação, o Estado instituiu uma sobretaxa sobre o aumento de consumo, e o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, admitiu a possibilidade de racionamento “se continuar a não chover nos lugares certos e nas quantidades necessárias”.

Na região de Campinas (interior de SP), cinco municípios já fazem racionamento e outros enfrentam cortes de água frequentes desde 2014. A situação deve se agravar. Nesta semana, a vazão dos reservatórios do sistema Cantareira para a região foi ainda mais reduzida. Empresas de saneamento, indústrias e agricultores terão de reduzir a captação de 20% a 30% quando a vazão dos rios cair.

Editoria de arte/Folhapress

Em Pernambuco, segundo o governo do Estado, 40% da região metropolitana do Recife enfrenta rodízio no abastecimento de água, incluindo cidades como Olinda, a menos de um mês do Carnaval. No Rio, o principal reservatório atingiu pela primeira vez o volume morto.

Cidades do interior, por enquanto, são as mais afetadas pela seca, mas já há relatos de problemas na capital fluminense e em municípios na região metropolitana.

Em bairros como Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste carioca, tem havido falta de água pontual, e alguns hotéis e condomínios já contratam caminhões-pipa.

A Cedae, a companhia de águas e esgoto do Rio, afirma que nenhum dos bairros da capital tem registrado problemas de abastecimento. Na Baixada Fluminense, moradores relatam que a frequência com que falta água na região aumentou nos últimos meses do ano passado.

Minas também enfrenta problemas, com reservatórios em nível crítico. Nesta semana, a companhia de saneamento do Estado pediu economia à população e anunciou que será preciso reduzir o consumo em 30% na região metropolitana para que as torneiras não sequem em quatro meses. Não está descartada sobretaxa sobre aumento de consumo.

Editoria de Arte/Folhapress

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Protein in coffee with effects like morphine discovered in Brazil (EFE)

Published January 25, 2015

Research done by the state University of Brasilia, or UnB, and Brazil’s state-owned agriculture and livestock research company Embrapa have discovered a protein in coffee with effects similar to morphine, scientists said on Saturday.

A communique from Embrapa said that its Genetics and Biotechnology Resources Division and the UnB successfully “identified previously unknown fragments of protein – peptides – in coffee that have an effect similar to morphine, in other words they have an analgesic and sedative activity.”

Those peptides, the note said, “have a positive differential: their effects last longer in experiments with laboratory mice.”

The two institutions applied for patents to Brazilian regulators for the seven “opioid peptides” identified in the study.

The discovery of the molecules came about through the doctorate research work of Felipe Vinecky of the Molecular Biology Department at UnB, who with the consultation of Embrapa was looking to combine coffee genes to improve the quality of the grain.

The studies also have the support of France’s Center for International Cooperation on Agricultural Research and Development, or CIRAD.

Brazil Drought: Worst Water Crisis In 80 Years Affecting Four Million People In Country’s South East (International Business Times)

     on January 25 2015 12:17 AM

Brazil drought

View of the bed of Jacarei river dam, in Piracaia, during a drought affecting Sao Paulo state, Brazil on November 19, 2014. The Jacarei river dam is part of the Sao Paulo’s Cantareira system of dams, which supplies water to 45% of the metropolitan region of Sao Paulo –20 million people– and is now at historic low.  NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images 

Water cuts and blackouts have spread across large areas of south-east Brazil as a result of the worst drought in the country since 1930. The drought has hit Brazil’s three most populous states: São Paulo, Rio de Janeiro, and Minas Gerais.

More than four million people have been affected by water rationing and power cuts. In the Madureira district of Rio residents have mounted demonstrations, beating empty buckets and cans to express their frustration. The district has been without tap water since before Christmas. Other cities have seen similar demonstrations.

The drought first hit in São Paulo, where hundreds of thousands of residents have had water supplies cut. The region should normally be experiencing its rainy season.

São Paulo state suffered similar serious drought problems last year. At an emergency meeting of five government ministers in the country’s capital, Brasilia, Environment Minister Izabella Teixeira says that the three states must save water.

“Since records for Brazil’s south-eastern region began 84 years ago we have never seen such a delicate and worrying situation,” said Teixeira.

The water shortage will inevitably affect industry and agriculture. There will also be reductions in energy supplies, given reduced output from hydroelectric dams. The latter is a particular problem because there is extra demand for energy to power air conditioning during the summer months.

São Paulo Governor Geraldo Alckmin has increased charges for high water consumption and offered discounts for reduced usage. He has also capped the quantities extracted by companies and farmers from rivers. Nevertheless, critics blame poor planning and politics for the worsening situation.

Meanwhile, in Rio de Janeiro state, the BBC reports that reserves in the main water reservoir are exhausted, for the first time since its construction.

Environment Secretary Andre Correa said that the state was experiencing “the worst water crisis in its history”.

He stated there was sufficient water in other reservoirs to avoid rationing in Rio for at least six months. Even so, Rio and Minas Gerais are requesting asking residents and companies to reduce water consumption by up to 30 percent.

Doomsday Clock Set at 3 Minutes to Midnight (Live Science)

by Megan Gannon, News Editor   |   January 22, 2015 01:25pm ET

Crise da água em SP: Especialistas apontam cenários para quando a água acabar e lições a serem tomadas pelo colapso estadual (Brasil Post)

Publicado: 21/01/2015 11:29 BRST  Atualizado: 21/01/2015 11:53 BRST 

MONTAGEMCRISEDAAGUA

Promessa de campanha do governador Geraldo Alckmin (PSDB), a falta de água em São Paulo é uma realidade há meses em diversos pontos do Estado. Na semana passada, ele admitiu que há sim racionamento (diante da repercussão, tentou voltar atrás), algo que a população – sobretudo a dos bairros mais carentes – já sabia. O que também já se sabe é que, sim, a água vai mesmo acabar. Se não chegar a zerar, terá níveis baixíssimos que afetarão a vida de todos, a partir de março.

Os especialistas ouvidos pelo Brasil Post viram com bons olhos o fato de que o governo paulista, com atraso, reconheceu o racionamento. Também aprovaram a aplicação de multa contra aqueles que consomem muita água – embora a medida, tardia, devesse ser uma política sempre presente, e não para ‘apagar incêndios’ como agora. Contudo, o cenário que se colocará com a chegada do período de estiagem, entre o fim de março e começo de abril, se estendendo até outubro, vai requerer novos hábitos, seja dos gestores ou da população.

“Quando acabar a água serão interrompidas atividades que não são consideradas essenciais, com cortes para o comércio, para a indústria e o fechamento de locais com muito uso de água, como shoppings, escolas e universidades”, analisou o professor Antonio Carlos Zuffo, especialista na área de recursos hídricos na Unicamp. Parece exagerado, mas não é. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo desta quarta-feira (21), os seis mananciais que abastecem 20 milhões de pessoas na Grande São Paulo têm registrado déficit de 2,5 bilhões de litros por dia em pleno período no qual deveriam encher para suprir os meses de seca.

Já em 2002, a Saneas, revista da Associação dos Engenheiros da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (AESabesp), publicava um texto no qual apontava “uma inegável situação de estresse hídrico”, a qual podia “ter um final trágico, com previsões de escassez crônica em 15 anos”. A Agência Nacional de Águas (ANA) apontava, na outorga de uso do Sistema Cantareirade 2004, que era preciso diminuir a dependência desse sistema. Em plena crise, na tentativa de renovação em 2014, havia uma tentativa de aumentar, e não diminuir, o uso do Cantareira. Ou seja, algo impraticável e ignorando as previsões. Não, a culpa não é de São Pedro.

“Hoje a situação é muito pior que no ano passado. Em janeiro de 2014 tínhamos 27,2% positivos no Cantareira, hoje temos 23,5% negativos. Ou seja, consumimos 50% do volume nesse período. Mantida a média de consumo, a água acaba no fim de março. É preciso lembrar que janeiro é o mês com maior incidência de chuva em SP, seguido por dezembro. No mês passado, choveu 25% a menos do que a média. Esse mês só choveu 22%, 23% da média. A equação é simples: não vai ter água para todo mundo”, completou Zuffo.

Informação e transparência

Para a ambientalista Malu Ribeiro, da ONG SOS Mata Atlântica, a demora em admitir o óbvio por parte das autoridades trouxe mais prejuízos do que benefícios ao longo dos últimos 13 meses. “A sociedade precisa ter a noção clara da gravidade dessa crise. Quando as autoridades passam certa confiança, como era o caso do governo Alckmin, a tendência é que não se alerte da forma necessária e as pessoas se mantenham em uma situação confortável. Muita gente não acredita na proporção dessa crise, muito se agravou e agora é preciso cautela”, avaliou.

As mudanças na Secretaria de Recursos Hídricos e na presidência da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), com as entradas de Benedito Braga e Jerson Kelman, respectivamente, também foram benéficas, já que colocam em posições estratégicas dois especialistas no tema. Entretanto, isso não basta. A necessidade de discutir a gestão da água sob o âmbito estratégico, algo muito teórico e pouco prático no Brasil, é vista como fundamental em tempos de crise.

“Há ainda muita ocupação em áreas de mananciais, por exemplo. Então vemos que o comportamento, apesar da crise não ser nova, não mudou. Veja em Itu, onde eu moro, onde a crise foi muito pior e, agora que choveu um pouco, as pessoas acham que não precisam mais poupar, que tudo voltou ao normal. O combate ao desperdício deve ser permanente e temos de ter prevenção. É preciso doer no bolso, por isso a multa deve ser permanente”, disse Malu.

“A falta de informação resultou em uma insegurança, sem informar à população sobre o seu papel na crise. A ONU já apontava que a década entre 2010 e 2020 seria da água, e não por acaso, mas no Brasil há uma timidez nesse sentido. É preciso mudar essa cultura de abundância que se tem no Sudeste e desenvolver um plano estratégico, com mais poder aos comitês de bacia. É absurdo o desperdício de água na agricultura, e isso não é discutido. É hora de acordar”, completou a ambientalista.

‘Água cara’ veio para ficar

De acordo com os especialistas, a crise da água expõe também um cenário já esperado, já que a Terra passa por ciclos alternados entre seca e chuvas a cada 30 anos. O atual, iniciado em 2010 e que segue até 2040, será recheado de períodos de seca em regiões populosas, quadro a se inverter apenas daqui a 25 anos. Assim, é preciso mudar hábitos, antes de mais nada. Mesmo em tempos de calor excessivo, há quem ainda não tenha se dado conta disso.

“Muita gente se vê alheia ao problema e, com o calor, acaba correndo para compras piscininhas e usa a água para o lazer. O Carnaval que está chegando também ajuda a tirar o cidadão comum do foco, como ocorreu durante as eleições. Isso não é mais possível. Há a responsabilidade dos gestores, mas também é preciso que o cidadão se atente ao seu papel, sob pena de termos novas ‘cidades mortas’, como no Vale do Paraíba ou no Vale do Jequitinhonha, onde os recursos naturais foram exauridos”, afirmou Malu.

E que ninguém se anime com a promessa da Sabesp de que ainda há uma terceira cota de 41 bilhões de litros do volume morto do Cantareira, cujo uso deve ser solicitado pelo governo paulista junto à ANA nos próximos dias. “Sabemos que 45% do Cantareira que não é captado é volume morto. A terceira cota restante não é toda ela captável. Teríamos com ela mais uns 10%, suficiente só para mais algumas semanas”, comentou Zuffo.

Medidas sugeridas ao longo da crise, o reuso da água e a dessalinização são medidas caras e que dependem de outros aspectos para serem implementadas – e, com o possível racionamento de energia elétrica, podem não sair do papel. Ou seja, não são a solução a curto prazo. O uso de mais água de represas como a Billings (com sua notória poluição) também dependem de obras – outro entrave para quem gostaria de não ver a falta de água por dias seguidos se tornar uma realidade por meses a fio. Sem chuva, só há um caminho a seguir.

“Há uma variabilidade cíclica natural, que nada tem a ver com o aquecimento global, mas não temos engenharia para resolver a questão no curto prazo. Temos é que ter inteligência para nos adaptar e reduzir de 250 litros para 150 litros, ou ainda menos, o consumo de água por cada pessoa. Há países europeus em que o uso não passa de 60 litros/pessoa. É preciso usar menos e tratar a água de maneira que ela possa ser reutilizada. Tudo depende de tecnologia e novos hábitos”, concluiu Zuffo.

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“The Fuse is Blown”. Glaciologist’s Jaw Dropping Account of a Shattering Moment (Climate Denial Crock of the Week)

January 22, 2015

Peter Sinclair

If you’ve missed the other segments of our interview with Glaciologist Eric Rignot – do not, repeat, do not, miss this one.

Rignot was a co-author of the “holy shit moment” paper from last spring, showing that large areas of the West Antarctic Ice sheet are now in “irreversible decline”.
That news made for one of my most harrowing videos of the last year, which you can, and should view if you have not – below the fold.

I’m keeping these clips from our interviews minimally edited – I want the raw video to speak for itself to current readers, and to historians, who will undoubtedly understand all too well why we were peeling our jaws off the floor after this one.

The Question That Could Unite Quantum Theory With General Relativity: Is Spacetime Countable? (The Physics Arxiv Blog)

Current thinking about quantum gravity assumes that spacetime exists in countable lumps, like grains of sand. That can’t be right, can it?

The Physics arXiv Blog

One of the big problems with quantum gravity is that it generates infinities that have no physical meaning. These come about because quantum mechanics implies that accurate measurements of the universe on the tiniest scales require high-energy. But when the scale becomes very small, the energy density associated with a measurement is so great that it should lead to the formation of a black hole, which would paradoxically ruin the measurement that created it.

These kinds of infinities are something of an annoyance. Their paradoxical nature makes them hard to deal with mathematically and difficult to reconcile with our knowledge of the universe, which as far as we can tell, avoids this kind of paradoxical behaviour.

So physicists have invented a way to deal with infinities called renormalisation. In essence, theorists assume that space-time is not infinitely divisible. Instead, there is a minimum scale beyond which nothing can be smaller, the so-called Planck scale. This limit ensures that energy densities never become high enough to create black holes.

This is also equivalent to saying that space-time is discrete, or as a mathematician might put it, countable. In other words, it is possible to allocate a number to each discrete volume of space-time making it countable, like grains of sand on a beach or atoms in the universe. That means space-time is entirely unlike uncountable things, such as straight lines which are infinitely divisible, or the degrees of freedom of in the fields that constitute the basic building blocks of physics, which have been mathematically proven to be uncountable.

This discreteness is certainly useful but it also raises an important question: is it right? Can the universe really be fundamentally discrete, like a computer model? Today, Sean Gryb from Radboud University in the Netherlands argues that an alternative approach is emerging in the form of a new formulation of gravity called shape dynamics. This new approach implies that spacetime is smooth and uncountable, an idea that could have far-reaching consequences for the way we understand the universe.

At the heart of this new theory is the concept of scale invariance. This is the idea that an object or law has the same properties regardless of the scale at which it is viewed.

The current laws of physics generally do not have this property. Quantum mechanics, for example, operates only at the smallest scale, while gravity operates at the largest. So it is easy to see why scale invariance is a property that theorists drool over — a scale invariant description of the universe must encompass both quantum theory and gravity.

Shape dynamics does just this, says Gryb. It does this by ignoring many ordinary features of physical objects, such as their position within the universe. Instead, it focuses on objects’ relationships to each other, such as the angles between them and the shape that this makes (hence the term shape dynamics).

This approach immediately leads to a scale invariant picture of reality. Angles are scale invariant because they are the same regardless of the scale at which they are viewed. So the new thinking is describe the universe as a series of instantaneous snapshots on the relationship between objects.

The result is a scale invariance that is purely spatial. But this, of course, is very different to the more significant notion of spacetime scale invariance.

So a key part of Gryb’s work is in using the mathematical ideas of symmetry to show that spatial scale invariance can be transformed into spacetime scale invariance.

Specifically, Gryb shows exactly how this works in a closed, expanding universe in which the laws of physics are the same for all inertial observers and for whom the speed of light is finite and constant.

If those last two conditions sound familiar, it’s because they are the postulates Einstein used to derive special relativity. And Gryb’s formulation is equivalent to this. “Observers in Einstein’s special theory of relativity can be reinterpreted as observers in a scale-invariant space,” he says.

That raises some interesting possibilities for a broader theory of theuniversegravity, just as special relativity lead to a broader theory of gravity in the form of general relativity.

Gryb describes how it is possible to create models of curved space-time by gluing together local patches of flat space-times. “Could it be possible to do something similar in Shape Dynamics; i.e., glue together local patches of conformally flat spaces that could then be related to General Relativity?” he asks.

Nobody has succeeded in doing this on a model that includes the three dimensions of space and one of time but this is early days for shape dynamics. But Gryb and others are working on the problem.

He is clearly excited by the future possibilities, saying that it suggests a new way to think about quantum gravity in scale invariant terms. “This would provide a new mechanism for being able to deal with the uncountably infinite number of degrees of freedom in the gravitational field without introducing discreteness at the Plank scale,” he says.

That’s an exciting new approach. And it is one expounded by a fresh new voice who is able to explain his ideas in a highly readable fashion to a broad audience. There is no way of knowing how this line of thinking will evolve but we’ll look forward to more instalments from Gryb.

Ref: arxiv.org/abs/1501.02671 : Is Spacetime Countable?

Why it’s good to laugh at climate change (The Guardian)

Climate gags are notable by their absence, but an RSA event on Tuesday night hopes to show that climate change comedy can raise laughs and awareness

Marcus Brigstocke will perform on tonight RSA live stream ;event : Seven Serious Jokes About Climate Change

Marcus Brigstocke will perform an RSA live stream event tonight: Seven Serious Jokes About Climate Change. Photograph: Andrew Aitchison/Corbis

Did you hear the one about the climate policy analyst? Or the polar bear who walked into a bar?

Climate change is not generally considered a source of amusement: in terms of comedic material, the forecast is an ongoing cultural drought. But perhaps campaigners have missed a trick in overlooking the powerful role that satire and subversion can play in social change. Could humour cut through the malaise that has smothered the public discourse, activating our cultural antennae in a way that graphs, infographics and images of melting ice could never do?

This is the challenge that a panel of British comedians, including Marcus Brigstocke – a seasoned climate humourist, will take up at an event on Tuesday evening hosted by the RSA and the Climate Outreach and Information Network in London (the event is fully booked but it will be streamed live online). Maybe laughing about something as serious as climate change is just another form of denial. But perhaps its relative absence from the comedy realm is another warning sign: despite decades of awareness raising, the cultural footprint of climate change is faint, fragile and all-too-easily ignored.

The first example of a climate-policy parody was probably the ‘Cheat Neutral’ project: a slick spoof of the logic of carbon offsetting whereby people could pay someone else to be faithful, giving them the opportunity to cheat on their husband or wife. And there have other good video mockeries – including onewarning that wind farms will blow the Earth off-orbit – which have captured the comedy potential of bizarre debates about energy policy.

This year, Greenpeace teamed up with the surreal comedian Reggie Watts to promote the idea of a 100% renewably powered internet. There have been sporadic examples of climate change ‘stand-up’. And the ever-reliable Simpsonshas been occasionally willing to engage.

Reggie Watts yodels for a wind-powered internet.

But these are the exceptions that prove the rule: for the most part, climate gags are notable by their absence.

An ongoing challenge is the polarised nature of the climate debate, with climate scepticism closely pegged to political ideology. According to Nick Comer-Calder, of the Climate Media Net, getting people laughing is a good first step to getting them talking – even across political divides. One analysisfound that major US satirists, such as Jon Stewart and Steven Colbert, have given more coverage to climate change than many of the news channels – although admittedly, this is a pretty low bar to clear.

But while online ridicule directed towards climate ‘deniers’ (generally portrayed as either too stupid to understand the science, or as conspiracy theorists) may appeal to the usual crowd, its hard to see how this kind of approach will breach the political divide. After all, the feeling of being laughed at by a sneering, left-leaning elite is not appealing. One notorious attempt by the 10:10 campaign and director Richard Curtis at ‘humorously’ marginalising opposition towards environmentalism backfired completely. It turns out that most people don’t find graphic depictions of children’s heads exploding all that hilarious after all…

What’s required is for climate change to seep into the fabric of satirical and humourous TV programming, in the same way that other ‘current affairs’ often provide the backdrop and context for creative output. Jokes ‘about’ climate change can in fact be ‘about’ any of the dozens of subjects – family disputes over energy bills, travel and tourism, or changing consumer habits – that are directly impacted by climate change.

Its an interesting irony that while the ‘pro-climate’ discourse can often feel po-faced and pious, climate sceptics have wasted no time in parodying the climate community. The Heretic, a play by Richard Bean, built its dramatic tension around the conflict between a sceptical climate scientist and her cynical departmental head who is suppressing her data in order to keep his grants flowing. The characters are overdrawn and instantly recognisable. And, as a result, it works: it is good drama, entertaining, and laugh-out-loud funny.

While climate change itself is never going to be a barrel of laughs, we seem to be suffering from a collective lack of imagination in teasing out the tragi-comic narratives that climate change surely provides.

Thinking harder about how to plug climate change into our cultural circuits – not as ‘edutainment’ but simply as a target of satire in its own right – will be crucial in overcoming the social silence around the issue. The science-communicators don’t seem to be making much progress with the public: maybe its time to let the comedians have their turn.

Is a climate disaster inevitable? (Book Forum)

From De Ethica, Michel Bourban (Lausanne): Climate Change, Human Rights and the Problem of Motivation; Robert Heeger (Utrecht): Climate Change and Responsibility to Future Generations: Reflections on the Normative Questions; Casey Rentmeester (Finlandia): Do No Harm: A Cross-Disciplinary, Cross-Cultural Climate Ethics; and Norbert Campagna (Luxembourg): Climate Migration and the State’s Duty to Protect. Harvard’s David Keith knows how to dial down the Earth’s thermostat — is it time to try? Renzo Taddei (UNIFESP): Alter Geoengineering. Tobias Boes and Kate Marshall on writing the Anthropocene. People don’t work as hard on hot days — or on a warming planet. James West on 2014 was the year we finally started to do something about climate change. How much is climate change going to cost us? David Roberts investigates. Is a climate disaster inevitable? Adam Frank on what astrobiology can tell us about the fate of the planet. If we’re all headed for extinction anyway—AND WE ARE—won’t it be a lot more enjoyable to run out the clock with everyone looking a little more pleasant? Welcome to the latest exciting opportunity in the sights of investors: the collapse of planet Earth. You can download Tropic of Chaos: Climate Change and the New Geography of Violence by Christian Parenti (2011). You can download Minimal Ethics for the Anthropocene by Joanna Zylinska (2014).

[Emphasis added]