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Seca ameaça a Amazônia (Revista Fapesp)

Experimento feito na maior floresta tropical do mundo mostra colapso de árvores com ressecamento do solo 

MARIA GUIMARÃES | ED. 238 | DEZEMBRO 2015

 

Do alto de uma torre de 40 metros, fica visível a mortalidade das árvores maiores,  destacadas acima do dossel

Ao tomar suco por um canudo é preciso cuidado para manter o tubo bem imerso. Do contrário, bolhas de ar se formam e rompem a estrutura do fio líquido que leva a bebida do copo à boca. Aumente a escala para a altura de um prédio de 10 andares e pode imaginar o fluxo de água dentro de uma das gigantescas árvores amazônicas. A transpiração pelas folhas dá origem à sucção que movimenta a água desde as raízes até as imensas copas das árvores, que podem ultrapassar os 40 metros de altura, e lança para a atmosfera uma umidade responsável por entre 35% e 50% das chuvas na região, com impacto importante na hidrologia global. Quando esse sistema falha, o ciclo da água não é o único afetado. As árvores, que até então pareciam funcionar normalmente, subitamente morrem. Um experimento liderado pelo ecólogo inglês Patrick Meir, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e da Universidade Nacional da Austrália, provocou 15 anos de seca numa parcela amazônica e revelou o papel desse mecanismo, de acordo com artigo publicado em novembro na revista Nature.

Para construir o experimento foram necessários 500 metros cúbicos (m3) de madeira, 5 toneladas de plástico, 2 toneladas de pregos e 23 mil horas-homem (10 homens trabalhando de segunda a segunda por um ano), de acordo com o meteorologista Antonio Carlos Lola da Costa, da Universidade Federal do Pará (UFPA). O resultado são 6 mil painéis de plástico que medem 3 metros (m) por 0,5 m cada um, entremeados por 18 calhas com 100 m de comprimento responsáveis por impedir que 50% da chuva que cai chegue ao solo numa parcela de  1 hectare na Floresta Nacional de Caxiuanã, no norte do Pará, onde o Museu Paraense Emílio Goeldi mantém uma estação científica. “O Patrick me procurou em 1999 com essa ideia maluca”, conta Lola. O meteorologista não sabia por onde começar, mas estudou as fotos que Meir lhe mandou de um experimento similar, o Seca Floresta, que estava sendo montado na Floresta Nacional do Tapajós, no oeste do estado, e saiu a campo. “Em um ano estava feito.” Não era um feito logístico trivial. Chegar a Caxiuanã envolve sair de Belém e passar 12 horas a bordo de um barco repleto de redes coloridas apinhadas, até Breves. Foi nessa cidade de cerca de 100 mil habitantes que Lola conseguiu o material para sua empreitada, como os tubos de ferro galvanizado para montar duas torres com 40 m de altura. De lá, 10 horas em um barco menor levam a Caxiuanã, onde o material precisou ser carregado pelo meio da densa floresta.

O experimento conhecido como Esecaflor, abreviação de Efeitos da Seca da Floresta, é o mais extenso e mais duradouro no mundo a avaliar o efeito de seca numa floresta tropical. O único comparável é o Seca Floresta, que abrangeu uma área similar e foi encerrado após cinco anos (ver Pesquisa FAPESP nº 156). Nesta última década e meia, Antonio Carlos Lola tem sido o principal responsável por monitorar a reação da floresta e manter o experimento de pé mesmo quando ele é constantemente derrubado por galhos e árvores que caem, uma empreitada que exige entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por mês. Um valor que tende a subir, agora que mais árvores têm sucumbido à seca, destruindo parte da estrutura. “Passo por volta de seis meses do ano no meio do mato, com interrupções”, conta ele, que tem coordenado uma série de projetos de alunos de mestrado e doutorado no âmbito do experimento.

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Observação prolongada
Em linhas gerais os resultados dos dois experimentos amazônicos contam histórias semelhantes, como mostra artigo de revisão publicado por Meir e colegas em setembro na revista BioScience: nos primeiros anos a floresta parece ignorar a falta de chuva e mantém o funcionamento normal. Passados alguns anos de seca, porém, galhos começam a cair e árvores a morrer, sobretudo as mais altas e as menores. Experimentos em outros países analisaram uma área menor ou duraram menos tempo – o maior, na Indonésia, funcionou por dois anos.

Fogo experimental no Mato Grosso: em condições normais de umidade, os incêndios têm baixa energia e são pouco destrutivos

O estudo de Caxiuanã traz resultados inéditos por sua longa duração: o colapso das maiores árvores só aconteceu após 13 anos da seca experimental e pode representar um ponto de inflexão em que a floresta muda de cara. Desde 2001 os pesquisadores vêm fazendo medições fisiológicas nas árvores, comparando a área com restrição de chuva e uma parcela semelhante sem intervenção. Nos últimos dois anos, começaram a registrar uma mortalidade drástica entre as árvores mais altas, raras por natureza, que caem causando destruição e transformando a floresta pujante numa mata de aparência degradada. “Das 12 árvores mais altas com diâmetro maior que 60 centímetros, restam apenas três”, conta Lucy Rowland, pesquisadora britânica em estágio de pós-doutorado no grupo de Meir na Universidade de Edimburgo que está à frente do projeto desde 2011. A surpresa foi identificar no sistema hidráulico a causa interna dessa mortalidade. Quando o suprimento de água no solo é reduzido, aumenta a tensão na coluna d’água no interior dos vasos condutores das árvores, o xilema. A integridade dessa coluna, que depende da adesão natural entre as moléculas de água, acaba comprometida por bolhas de ar, um processo que os especialistas chamam de cavitação. A consequência desse colapso, que acontece de repente, é a incapacidade de levar água das raízes às folhas e a morte súbita da árvore. Meir ressalta que essa falha hidráulica funciona como um gatilho que inicia o processo de morte, sem ser necessariamente a causa final – ainda desconhecida.

Outra hipótese favorecida para explicar a morte de árvores em situações de seca é o que os pesquisadores chamam de “fome de carbono”. Quando as folhas fecham os estômatos (poros que permitem transpiração e trocas gasosas) para evitar o ressecamento, também reduzem a absorção de carbono. O mais provável é que os dois processos aconteçam simultaneamente, mas no caso de Caxiuanã os pesquisadores descartaram a falta de carbono como fator principal ao verificar que as árvores continham um suprimento normal desse elemento e não pararam de crescer até a morte.

“Medimos a vulnerabilidade do sistema hidráulico das plantas à cavitação e vimos que ela tem relação com o diâmetro da árvore”, conta o biólogo Rafael Oliveira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), colaborador do projeto há dois anos. A observação condiz com a preponderância de vítimas avantajadas: 15 árvores com diâmetro maior que 40 centímetros caíram na área experimental, em comparação com apenas uma ou duas na zona de controle, onde não há exclusão de chuva. O impacto é grande, porque essas árvores gigantescas concentram uma parcela importante da biomassa da floresta e do dossel emissor de umidade. Enquanto isso, as de tamanho médio estão crescendo até mais, graças à luz que chega até elas agora que a mata vai se tornando esparsa e cheia de frestas entre as copas.

Painéis de plástico impedem que metade da chuva chegue ao chão...

Oliveira tem estudado as relações entre o solo, as plantas e a atmosfera, e em uma revisão publicada em 2014 na revista Theoretical and Experimental Plant Physiology mostrou que mudanças no regime de precipitação podem causar um estresse hídrico letal por cavitação, mesmo que a seca seja compensada por um período de chuvas intensas, de maneira que o total anual de chuvas não se altere. Para ele, é preciso entender melhor o funcionamento fisiológico e anatômico das árvores nessas condições para prever sua reação às mudanças previstas no clima. Essas particularidades também devem explicar por que a reação varia entre espécies. O estudo de Caxiuanã, por exemplo, aponta o gênero Pouteria como muito vulnerável à seca e o Licania como o mais resistente, entre as árvores examinadas. Os mecanismos usados pelas plantas são diversos, como absorver água pela parte aérea – pelas folhas e até pelos ramos e tronco. “Precisamos ver quais árvores na Amazônia fazem isso”, planeja.

Outro efeito da mortalidade das árvores é o acúmulo de mais folhas e galhos no solo da floresta. “Quem trabalha com fogo chama essa camada de combustível”, brinca o ecólogo Paulo Brando, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e do Centro de Pesquisa Woods Hole, Estados Unidos. Um dos integrantes do Seca Floresta, cujo imenso banco de dados ainda está em análise quase 10 anos depois de encerrado o projeto, ele mais recentemente conduziu um estudo com incêndios florestais num experimento no Alto Xingu, a região mais seca da Amazônia. Segundo os resultados apresentados em artigo de 2014 na PNAS, as árvores resistiram bem à primeira queimada, em 2004, em parte porque a própria umidade da floresta impediu que o fogo atingisse proporções devastadoras. O resultado marcante veio em 2007, quando o incêndio programado coincidiu com uma seca acentuada e representou, na interpretação dos autores, um ponto de inflexão na floresta. “O que vimos foi fogo de grande intensidade que matou tudo, principalmente as árvores pequenas”, conta, concluindo que a interação entre seca e fogo potencializa as forças motrizes de degradação. Menos água no solo, menos umidade no ar e mais combustível no chão agem em conjunto e aumentam muito a probabilidade de fogo. E não se pode esquecer a ação humana nas fronteiras agrícolas, onde o fogo é comum para manejo e se soma aos efeitos do desmatamento, que criam ilhas de floresta com bordas vulneráveis. “A fronteira da floresta com uma plantação de soja, por exemplo, é 5 graus Celsius mais quente do que o interior da floresta, e mais seca”, diz Brando.

...provocando queda de árvores...

Ele é coautor de um estudo feito pela geógrafa Ane Alencar, também do Ipam, que analisou registros de incêndios na Amazônia, por imagens de satélite, entre 1983 e 2007. Os resultados, publicados em setembro na Ecological Applications, mostram que já houve um aumento na ocorrência de fogo florestal em resposta a um clima mais seco. Comparando três tipos de mata no leste da Amazônia, o grupo verificou que a floresta densa é sensível a mudanças climáticas, enquanto as formações aberta e de transição estão mais sujeitas à ação humana por desmatamento.

Futuro
Como não há bola de cristal para enxergar o que vem à frente, vários grupos buscam desenvolver modelos climáticos e ecológicos. Brando participou de um estudo liderado por Philip Duffy, do Woods Hole, que comparou a capacidade de modelos climáticos acomodarem as secas que aconteceram em 2005 e 2010 na Amazônia, tão drásticas que não era esperado que se repetissem num período menor do que um século. Os resultados, publicados em outubro no site da PNAS, preveem um aumento significativo de secas, com um crescimento da área afetada por essas secas na região amazônica. O problema, segundo Brando, é que boa parte dos modelos lida com médias, e o que está em questão são extremos climáticos. Este ano, caracterizado por um fenômeno El Niño mais forte do que a média, a equipe do Esecaflor encontrou, em novembro, uma floresta praticamente sem chuva havia mais de dois meses. A expectativa é, nos próximos anos, acompanhar as consequências desse período.

...calhas levam a água embora numa área de 1 hectare da Floresta Nacional de Caxiuanã

“O relatório de 2013 do IPCC ressaltou nossa falta de capacidade em prever a mortalidade relacionada à seca nas florestas como uma das incertezas na ciência ligada à vegetação e ao clima”, conta Meir. “Nossos resultados indicam qual mecanismo fisiológico precisa ser bem representado pelos modelos para prever a mortalidade das árvores”, explica. Nessa busca por reduzir incertezas e antecipar o futuro, Lucy – que é especialista em usar dados de campo para alimentar modelos – vem trabalhando em parceria com o grupo de Stephen Sitch, na Universidade de Exeter, na Inglaterra, para aprimorar a representação das respostas das florestas tropicais à seca no modelo de vegetação conhecido como Jules. A Amazônia fala claramente sobre a importância de políticas que busquem reduzir as mudanças climáticas, tema que inundou as notícias nos últimos tempos por causa da Conferência do Clima em Paris (COP21), que ocorreu este mês. Os experimentos mostram efeitos localizados, mas secas naturais como as da década passada podem afetar uma área extensa da floresta. Meir ressalta a necessidade de quebrar o ciclo: ao se decomporem, imensas árvores mortas liberam na atmosfera uma quantidade de carbono que tende a agravar o efeito estufa. “É possível desenvolver regras de energia e uso da terra que sejam economicamente benéficas, sem danificar o ambiente no longo prazo”, completa.

Veja mais fotos da pesquisa na Galeria de Imagens

Projeto
Interações entre solo-vegetação-atmosfera em uma paisagem tropical em transformação (n° 2011/52072-0); Modalidade Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (Pite) e Acordo FAPESP-Microsoft Research; Pesquisador responsávelRafael Silva Oliveira (IB-Unicamp); Investimento R$ 1.082.525,94.

Artigos científicos
ALENCAR, A. A. et al. Landscape fragmentation, severe drought, and the new Amazon forest fire regimeEcological Applications. v. 25, n. 6, p. 1493-505. set. 2015.
BRANDO, P. M. et al. Abrupt increases in Amazonian tree mortality due to drought-fire interactionsPNAS. v. 111, n. 17, p. 6347-52. 29 abr. 2014.
DUFFY, P. B. et alProjections of future meteorological drought and wet periods in the AmazonPNAS. on-line. 12 out. 2015.
MEIR, P. et alThreshold responses to soil moisture deficit by trees and soil in tropical rain forests: insights from field experimentsBioScience. v. 65, n. 9, p. 882-92. set. 2015.
OLIVEIRA, R. S. et alChanging precipitation regimes and the water and carbon economies of treesTheoretical and Experimental Plant Physiology. v. 26, n. 1, p. 65-82. mar. 2014.
ROWLAND, L. et alDeath from drought in tropical forests is triggered by hydraulics not carbon starvationNature. on-line. 23 nov. 2015.

Fundação Cacique Cobra Coral dá data para o fim da crise hídrica (Glamurama/UOL)

Osmar Santos, da Fundação Cacique Cobra Coral

Nem só de más notícias vive a presidente Dilma Rousseff. Por intermédio do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, ela tem recebido diariamente informes da Fundação Cacique Cobra Coral, entidade esotérica especializada em fenômenos climáticos, no monitoramento meteorológico e conveniada com o Ministério de Minas e Energia, o governo do Estado do RJ e a Prefeitura do Rio.

Os relatórios apontam uma tendência de elevação nos níveis dos reservatórios do Sudeste antes do verão chegar. Com isso, o governo poderá anunciar em breve a redução nos preços da energia. O informe mais recente diz que, após a antecipação do período chuvoso ainda na primavera, prometido pela entidade em 27 de setembro, mais três poderosos fenômenos voltarão a atuar no Sudeste para ajudar a elevar o nível dos mananciais: Alta da Bolívia, Baixa do Chaco e ZACS (Zona de Convergência do Atlântico Sul).

A região Sudeste vai continuar recebendo um verdadeiro bombardeio de chuva nos próximos dias.

Video: Drought, Climate, Security, and Syria (Skeptical Science)

Posted on 13 November 2015 by greenman3610

This is a re-post from Yale Climate Connections

 

Drought, water, war, and climate change” is the title of this month’s Yale ClimateConnections video exploring expert assessments of the interconnections between and among those issues.

With historic 1988 BBC television footage featuring Princeton University scientist Syukuru (“Suki”) Manabe and recent news clips and interviews with MIT scientist Kerry Emanuel, Ohio State University scientist Lonnie Thompson, CNN reporter Christiane Amanpour, and New York Times columnist and book author Tom Friedman, the six-minute video plumbs the depths of growing climate change concerns among national security experts.

Friedman, in footage from the 2014 Showtime “Years of Living Dangerously” nine-episode documentary, points to a NOAA analysis that climate change has caused the Mediterranean region, in Friedman’s words, “to dry up . . . . leading to longer and more severe droughts.” Friedman in that piece pointed out that severe droughts struck Syria – “which is right at the epicenter” of the worst impacts — in the four years leading up to the Syrian revolution.

MIT scientist Kerry Emanuel points to increasing concerns among military experts over climate change. “These are not sandal-wearing, fruit juice-drinking hippies from the sixties,” he says. “These are serious folk” concerned about “significant geopolitical impacts around the world.”

CNN reporter Christiane Amanpour reports that climate change and dwindling water supplies “may have helped fuel Syria’s war.” She says drought in Syria from 2006 through 2010 “scorched 60 percent of Syria’s land, and it killed 80 percent of livestock in some regions, putting three-quarters of the farmers out of work, and ultimately displacing 1.5 million people.”

“While no one’s claiming a direct cause and effect” relationship, Amanpour says, “the drought did bring on the diaspora from dying farms and over-crowded cities, and thereby put enormous economic and social pressures on an already fractured society.”

The video ends with Lonnie Thompson pointing to Tibet’s numerous glaciers and the Indus River flowing through China, Pakistan, and India.  All, he says, are “nuclear-powered countries,” each of them dependent on the Indus for water supplies . . . “all geopolitical hot-spots in the future” with a big stake on the glaciers increasingly under stress in a warming climate.

Preventing famine with mobile phones (Science Daily)

Date: November 19, 2015

Source: Vienna University of Technology, TU Vienna

Summary: With a mobile data collection app and satellite data, scientists will be able to predict whether a certain region is vulnerable to food shortages and malnutrition, say experts. By scanning Earth’s surface with microwave beams, researchers can measure the water content in soil. Comparing these measurements with extensive data sets obtained over the last few decades, it is possible to calculate whether the soil is sufficiently moist or whether there is danger of droughts. The method has now been tested in the Central African Republic.


Does drought lead to famine? A mobile app helps to collect information. Credit: Image courtesy of Vienna University of Technology, TU Vienna

With a mobile data collection app and satellite data, scientists will be able to predict whether a certain region is vulnerable to food shortages and malnutrition. The method has now been tested in the Central African Republic.

There are different possible causes for famine and malnutrition — not all of which are easy to foresee. Drought and crop failure can often be predicted by monitoring the weather and measuring soil moisture. But other risk factors, such as socio-economic problems or violent conflicts, can endanger food security too. For organizations such as Doctors without Borders / Médecins Sans Frontières (MSF), it is crucial to obtain information about vulnerable regions as soon as possible, so that they have a chance to provide help before it is too late.

Scientists from TU Wien in Vienna, Austria and the International Institute for Applied Systems Analysis (IIASA) in Laxenburg, Austria have now developed a way to monitor food security using a smartphone app, which combines weather and soil moisture data from satellites with crowd-sourced data on the vulnerability of the population, e.g. malnutrition and other relevant socioeconomic data. Tests in the Central African Republic have yielded promising results, which have now been published in the journal PLOS ONE.

Step One: Satellite Data

“For years, we have been working on methods of measuring soil moisture using satellite data,” says Markus Enenkel (TU Wien). By scanning Earth’s surface with microwave beams, researchers can measure the water content in soil. Comparing these measurements with extensive data sets obtained over the last few decades, it is possible to calculate whether the soil is sufficiently moist or whether there is danger of droughts. “This method works well and it provides us with very important information, but information about soil moisture deficits is not enough to estimate the danger of malnutrition,” says IIASA researcher Linda See. “We also need information about other factors that can affect the local food supply.” For example, political unrest may prevent people from farming, even if weather conditions are fine. Such problems can of course not be monitored from satellites, so the researchers had to find a way of collecting data directly in the most vulnerable regions.

“Today, smartphones are available even in developing countries, and so we decided to develop an app, which we called SATIDA COLLECT, to help us collect the necessary data,” says IIASA-based app developer Mathias Karner. For a first test, the researchers chose the Central African Republic- one of the world’s most vulnerable countries, suffering from chronic poverty, violent conflicts, and weak disaster resilience. Local MSF staff was trained for a day and collected data, conducting hundreds of interviews.

“How often do people eat? What are the current rates of malnutrition? Have any family members left the region recently, has anybody died? — We use the answers to these questions to statistically determine whether the region is in danger,” says Candela Lanusse, nutrition advisor from Doctors without Borders. “Sometimes all that people have left to eat is unripe fruit or the seeds they had stored for next year. Sometimes they have to sell their cattle, which may increase the chance of nutritional problems. This kind of behavior may indicate future problems, months before a large-scale crisis breaks out.”

A Map of Malnutrition Danger

The digital questionnaire of SATIDA COLLECT can be adapted to local eating habits, as the answers and the GPS coordinates of every assessment are stored locally on the phone. When an internet connection is available, the collected data are uploaded to a server and can be analyzed along with satellite-derived information about drought risk. In the end a map could be created, highlighting areas where the danger of malnutrition is high. For Doctors without Borders, such maps are extremely valuable. They help to plan future activities and provide help as soon as it is needed.

“Testing this tool in the Central African Republic was not easy,” says Markus Enenkel. “The political situation there is complicated. However, even under these circumstances we could show that our technology works. We were able to gather valuable information.” SATIDA COLLECT has the potential to become a powerful early warning tool. It may not be able to prevent crises, but it will at least help NGOs to mitigate their impacts via early intervention.


Story Source:

The above post is reprinted from materials provided by Vienna University of Technology, TU ViennaNote: Materials may be edited for content and length.


Journal Reference:

  1. Markus Enenkel, Linda See, Mathias Karner, Mònica Álvarez, Edith Rogenhofer, Carme Baraldès-Vallverdú, Candela Lanusse, Núria Salse. Food Security Monitoring via Mobile Data Collection and Remote Sensing: Results from the Central African RepublicPLOS ONE, 2015; 10 (11): e0142030 DOI: 10.1371/journal.pone.0142030

Força do El Niño deve agravar a seca que atinge o semiárido, diz Cemaden (Cemaden)

Relatório divulgado nesta quarta-feira (18) aponta para cenário de poucas chuvas no Nordeste entre fevereiro e maio de 2016. Seca atinge 910 municípios e um milhão de propriedades da agricultura familiar

Relatório divulgado nesta quarta-feira (18) pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI) aponta para um cenário de poucas chuvas na região Nordeste entre fevereiro e maio de 2016, o que deve agravar os impactos da seca que atinge a região.

Relatório da Situação Atual da Seca e Impactos no Semiárido do País também revela que choveu pouco nos últimos 90 dias, sobretudo, no Maranhão, sul da Bahia, e norte de Minas Gerais e Espírito Santo. Ainda que neste período sejam esperados índices pluviométricos mais baixos, nos últimos meses os acumulados foram abaixo da média. Segundo o Cemaden, a causa é o fenômeno El Niño, que está mais forte.

“A avaliação das condições climáticas de grande escala mostra que o fenômeno El Niño está presente, intenso e em franco desenvolvimento. Sob este condicionante, no trimestre novembro-dezembro de 2015 e janeiro de 2016, há chances mínimas de reverter o quadro crítico, apontado pelo indicador de risco agroclimático. Outra indicação decorrente deste cenário climático, altamente provável, é que já se pode inferir que a próxima estação chuvosa do norte do Nordeste (de fevereiro a maio de 2016) apresente condições de deficiência de precipitação”, diz o documento.

Cerca de um milhão de propriedades da agricultura familiar estão localizadas nas áreas afetadas pela seca, em 910 municípios. De acordo com o índice VSWI (sigla em inglês para Índice de Vegetação de Abastecimento de Água), indicador de seca agrícola, esses municípios apresentam pelo menos 50% de suas áreas agrícolas ou de pastagens em condições de déficit hídrico.

Monitoramento

De acordo com a Resolução Nº 13, de 22 de maio de 2014 do Ministério da Integração Nacional e, posteriormente, com o Decreto Presidencial Nº 8.472, de 22 de junho de 2015, o Cemaden/MCTI tem a responsabilidade de fornecer informações para as ações emergenciais adotadas pelo governo para mitigar os impactos da seca. Assim, além do monitoramento da seca, o Cemaden desenvolve um sistema de alerta de riscos de colapso de safras para a agricultura familiar do semiárido.

(Cemaden)

Mudança climática pode reduzir capacidade hidrelétrica em até 20% (Estadão)

Giovana Girardi

29 de outubro de 2015

Temperaturas mais elevadas, mudança no regime de chuvas e aumento de eventos climáticos extremos são apenas uma parte da história das mudanças climáticas. A forma como essas mudanças vão impactar agricultura, geração de energia, infraestrutura, oferta d’água e saúde é o outrolado que acaba de ganhar detalhes para o Brasil.

Considerado o mais importante estudo sobre como diversos setores vão reagir diante do clima modificado, o projeto Brasil 2040 – Alternativas de Adaptação às Mudanças Climáticas foi publicado ontem no site da extinta Secretaria de Assuntos Estratégicos(SAE) da Presidência.

Um dos principais resultados é sobre como a oferta de água será afetada. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil deverão sofrer redução. A Sul pode ter um leve aumento na média, mas com uma distribuição muito irregular. Para o Sudeste, há incertezas. Isso pode ter impactos diretos na agricultura e na energia.

Usina hidrelétrica Belo Monte, no pior cenário de mudanças climáticas, pode ser afetada por falta de chuvas e deixar de compensar financeiramente

Usina hidrelétrica Belo Monte, no pior cenário de mudanças climáticas, pode ser afetada por falta de chuvas e deixar de compensar financeiramente

Diversos grupos de pesquisa do Brasil trabalharam com dados de dois modelos climáticos, que, por sua vez, levaram em conta dois cenários do IPCC (o painel da ONU de cientistas do clima). Um, mais pessimista, que considera que o mundo não vai agir para combater as mudanças climáticas, e um intermediário, que imagina que haverá algumas ações, mas não o suficiente, e o mundo ainda vai aquecer pelo menos 3°C. Este segundo cenário é condizente com as propostas de redução das emissões apresentadas como contribuição para a Conferência do Clima de Paris.

No pior cenário, até 2040 a capacidade das hidrelétricas pode ficar de 8% a 20% menor. Já no melhor cenário, a capacidade diminui entre 4% e 15%. Ou seja, mesmo se o mundo fizer tudo o que está prometendo para combater o aquecimento global, ainda podemos ter impacto na produção de energia. Usinas na Amazônia como a de Belo Monte ou o novo projeto pensado para o rio Tapajós seriam inviabilizados.

Hoje o Brasil ainda é altamente dependente da água para a geração de energia elétrica. Cerca de 80% vêm de hidrelétricas. “O que por um lado torna a matriz energética brasileira mais limpa que a média mundial, por outro a torna vulnerável se o clima mudar”, afirma Roberto Schaeffer, da UFRJ, coordenador do capítulo de energia.

O gargalo, principalmente nas hidrelétricas localizadas na Amazônia, é que elas não têm reservatórios. Com isso, não têm estoque de água na seca. “Essa vulnerabilidade que a mudança climática traz talvez nos faça repensar se não é melhor voltar a ter hidrelétricas com reservatório”, complementa.

O Brasil pode ficar mais dependente de térmicas. O estudo até prevê um aumento das energias eólica (no Nordeste) e solar (Sul e Sudeste), mas como elas são intermitentes, há necessidade de ter uma energia de base e, se a hidrelétrica falhar, as térmicas serão a saída. “Mas pode ser a etanol, a bagaço de cana, a biomassa, não a carvão”, sugere Schaeffer. “O ideal é ter diversidade. E planejar a expansão do setor incorporando a variável das mudanças climáticas. Não podemos mais só olhar para as séries hidrológicas do passado para prever o futuro, porque ele será bem diferente.”

Soja em risco. A mudança no regime hídrico pode trazer impactos também às principais commodities agrícolas do Brasil. A redução de área potencial para lavouras pode ser de até 39,3%, no pior cenário. A soja seria a cultura mais afetada, tendo uma perda de até 67% da área plantada na região Sul até 2040.

Produtor rural mostra área afetada pela estiagem em sua plantação de soja, em Santa Maria (RS), em crise de 2012. Falta de chuva no período de plantio pode levar a uma perda de área para o plantio do grão no Estado

Produtor rural mostra área afetada pela estiagem em sua plantação de soja, em Santa Maria (RS), em crise de 2012. Falta de chuva no período de plantio pode levar a uma perda de área para o plantio do grão no Estado

De acordo com Leila Harfuch, do Agroicone, no entanto, áreas do Centro-Oeste e do Norte podem compensar parte dessa perda. Na comparação com um futuro sem mudança do clima, a perda total de área de soja no País seria de 5%.

“Existe uma dinâmica econômica que torna o impacto nacional menos dramática, vai haver uma realocação da produção no caso dos grãos. Mas os impactos locais serão muito relevante, em especial para a região Sul. Vai ter perda de valor de produção, de emprego e renda, mas em termos produtivos, outras regiões podem compensar”, explica Leila.

Segundo ela, algo parecido pode acontecer com as plantações de cana-de-açúcar na região Sudeste. A estimativa, no pior cenário, é de redução de 10% na área plantada na região na comparação com o tamanho que a produção teria se não houvesse mudanças climáticas. Parte seria compensada no Sul e parte no Centro-Oeste.

Segundo o estudo, quem mais deve perder área é a pastagem. Não necessariamente porque o clima prejudique muito o pasto, mas porque tanto áreas degradadas quanto outras que tenham aptidão para a agricultura poderão ser ocupadas com grãos. Está esperada uma queda de 6,5% da área ocupada pela pecuária, mas o estudo espera que haja uma intensificação da produção, de modo que ela deve se manter estável.

Repercussão. O Observatório do Clima, coalizão brasileira com mais de 30 organizações da sociedade civil em torno das mudanças climáticas, afirmou que o estudo tem de servir como alerta para que o Brasil deixe a tratar o problema como um tema marginal.

“O estudo traça um panorama preocupante dos impactos das mudanças climáticas sobre a economia nacional já nos próximos 25 anos. Mostra que a maneira como o Brasil investe em agropecuária e em infraestrutura precisa ser radicalmente revista. Grandes hidrelétricas na Amazônia, como Belo Monte e São Luís do Tapajós, poderão ter reduções importantes de vazão, e a sociedade pode acabar enterrando bilhões de reais em obras que não se pagam”, afirmou Carlos Rittl, secretário-executivo da organização. Para ele, o estudo “aponta a necessidade de o Brasil lutar por um acordo do clima ambicioso nas próximas semanas na conferência de Paris, e de aumentar também a ambição da própria proposta.”

Aquecimento pode triplicar seca na Amazônia (Observatório do Clima)

15/10/2015

 Seca em Silves (AM) em 2005. Foto: Ana Cintia Gazzelli/WWF

Seca em Silves (AM) em 2005. Foto: Ana Cintia Gazzelli/WWF

Modelos de computador sugerem que leste amazônico, que contém a maior parte da floresta, teria mais estiagens, incêndios e morte de árvores, enquanto o oeste ficaria mais chuvoso.

As mudanças climáticas podem aumentar a frequência tanto de secas quanto de chuvas extremas na Amazônia antes do meio do século, compondo com o desmatamento para causar mortes maciças de árvores, incêndios e emissões de carbono. A conclusão é de uma avaliação de 35 modelos climáticos aplicados à região, feita por pesquisadores dos EUA e do Brasil.

Segundo o estudo, liderado por Philip Duffy, do WHRC (Instituto de Pesquisas de Woods Hole, nos EUA) e da Universidade Stanford, a área afetada por secas extremas no leste amazônico, região que engloba a maior parte da Amazônia, pode triplicar até 2100. Paradoxalmente, a frequência de períodos extremamente chuvosos e a área sujeita a chuvas extremas tende a crescer em toda a região após 2040 – mesmo nos locais onde a precipitação média anual diminuir.

Já o oeste amazônico, em especial o Peru e a Colômbia, deve ter um aumento na precipitação média anual.

A mudança no regime de chuvas é um efeito há muito teorizado do aquecimento global. Com mais energia na atmosfera e mais vapor d’água, resultante da maior evaporação dos oceanos, a tendência é que os extremos climáticos sejam amplificados. As estações chuvosas – na Amazônia, o período de verão no hemisfério sul, chamado pelos moradores da região de “inverno” ficam mais curtas, mas as chuvas caem com mais intensidade.

No entanto, a resposta da floresta essas mudanças tem sido objeto de controvérsias entre os cientistas. Estudos da década de 1990 propuseram que a reação da Amazônia fosse ser uma ampla “savanização”, ou mortandade de grandes árvores, e a transformação de vastas porções da selva numa savana empobrecida.

Outros estudos, porém, apontaram que o calor e o CO2 extra teriam o efeito oposto – o de fazer as árvores crescerem mais e fixarem mais carbono, de modo a compensar eventuais perdas por seca. Na média, portanto, o impacto do aquecimento global sobre a Amazônia seria relativamente pequeno.

Ocorre que a própria Amazônia encarregou-se de dar aos cientistas dicas de como reagiria. Em 2005, 2007 e 2010, a floresta passou por secas históricas. O resultado foi ampla mortalidade de árvores e incêndios em florestas primárias em mais de 85 mil quilômetros quadrados. O grupo de Duffy, também integrado por Paulo Brando, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), aponta que de 1% a 2% do carbono da Amazônia foi lançado na atmosfera em decorrência das secas da década de 2000. Brando e colegas do Ipam também já haviam mostrado que a Amazônia está mais inflamável, provavelmente devido aos efeitos combinados do clima e do desmatamento.

Os pesquisadores simularam o clima futuro da região usando os modelos do chamado projeto CMIP5, usado pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) no seu último relatório de avaliação do clima global. Um dos membros do grupo, Chris Field, de Stanford, foi um dos coordenadores do relatório – foi também candidato à presidência do IPCC na eleição realizada na semana passada, perdendo para o coreano Hoesung Lee.

Os modelos de computador foram testados no pior cenário de emissões, o chamado RMP 8.5, no qual se assume que pouca coisa será feita para controlar emissões de gases-estufa.

Eles não apenas captaram bem a influência das temperaturas dos oceanos Atlântico e Pacífico sobre o padrão de chuvas na Amazônia – diferenças entre os dois oceanos explicam por que o leste amazônico ficará mais seco e o oeste, mais úmido –, como também mostraram nas simulações de seca futura uma característica das secas recorde de 2005 e 2010: o extremo norte da Amazônia teve grande aumento de chuvas enquanto o centro e o sul estorricavam.

Segundo os pesquisadores, o estudo pode ser até mesmo conservador, já que só levou em conta as variações de precipitação. “Por exemplo, as chuvas no leste da Amazônia têm uma forte dependência da evapotranspiração, então uma redução na cobertura de árvores poderia reduzir a precipitação”, escreveram Duffy e Brando. “Isso sugere que, se os processos relacionados a mudanças no uso da terra fossem mais bem representados nos modelos do CMIP5, a intensidade das secas poderia ser maior do que a projetada aqui.”

O estudo foi publicado na PNAS, a revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA. (Observatório do Clima/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

O centenário da seca (Estadão)

Equipe do ‘Estado’ refaz o trajeto dos retirantes da seca de 1915 no sertão do Ceará. O drama – que até hoje se repete – foi retratado no primeiro romance de Rachel de Queiroz,  “O Quinze”.

Luciana Nunes Leal (texto) e Wilton Junior (fotos)

20 de setembro de 2015


Capítulo 1

Quatro anos de escassez

ENTRE QUIXADÁ E FORTALEZA, TRAJETO PERCORRIDO EM “O QUINZE” POR CHICO BENTO, OS AÇUDES ESTÃO QUASE VAZIOS. EM 2015,O CEARÁ VIVE O QUARTO ANO CONSECUTIVO DE SECA

WJQUINZE206- CE - 18/08/2015 - SECA 100 ANOS/QUINZE - ESPECIAL PARA CIDADES OE - Cem anos depois da grande seca que assolou o sertão central do Ceará e inspirou o livro O Quinze, de Rachel de Queiroz, a região enfrenta outro grave período de falta de chuva pelo terceiro ano seguido. A reportagem refaz o trajeto da família fictícia criada pela escritora, formada por Chico Bento, Cordulna e cinco filhos, entre Quixadá e Fortaleza. Muita famílias ainda sofrem com a falta de água e não conseguiram produzir milhoe e feijão, os produtos da região. Na foto, CE 060 que liga Quixada a Fortaleza Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Caminhada. A rodovia CE-060 liga Quixadá a Fortaleza, trecho que, na ficção, foi feito a pé, em caminho de terra, por Chico Bento

Passados cem anos da grande seca de 1915, retratada por Rachel de Queiroz no romance “O Quinze”, lançado em 1930, o sertão central do Ceará ainda sofre com a falta de chuva. A região está no quarto ano de estiagem intensa. Os açudes e barragens estão em níveis baixos, as cisternas instaladas nas casas das famílias de baixa renda, que ajudam a aliviar a falta de água, já não são suficientes para o abastecimento.

No livro, o vaqueiro Chico Bento parte com a família, a pé, para Fortaleza, depois de ser dispensado pela dona da fazenda onde trabalhava. O Estado percorreu o caminho descrito por Rachel de Queiroz. Embora sofram com a seca, as cidades têm benefícios pelo fato de estarem próximas da capital. A rodovia estadual está em bom estado, há empreendimentos imobiliários em andamento. Na zona rural, no entanto, as famílias lamentam a baixa produção de milho e feijão que, este ano, serviu no máximo para consumo próprio. Entre os muito pobres, o Bolsa Família é a única renda fixa mensal.

 

ONDE FICA

 

O caminho da família  de Chico Bento em ‘O Quinze’, revisitado pela reportagem

QUIXADÁ, A RETIRADA

Na ficção, o protagonista Chico Bento, vaqueiro dispensado pela patroa que não tinha como manter os empregados, diante do estrago causado pela seca, parte de Quixadá para Fortaleza, a pé. O ponto de partida é a localidade hoje chamada Daniel de Queiroz, a cerca de 160 quilômetros de Fortaleza, onde até hoje está a fazenda da família de Rachel de Queiroz, chamada “Não me deixes”. No livro, Chico Bento trabalhava na fazenda Aroeiras, nome fictício. Ele parte com a mulher, a cunhada e cinco filhos.

WJQUIXADA1 - CE - 18/08/2015 - SECA 100 ANOS/QUINZE - ESPECIAL PARA CIDADES OE - Cem anos depois da grande seca que assolou o sertão central do Ceará e inspirou o livro O Quinze, de Rachel de Queiroz, a região enfrenta outro grave período de falta de chuva pelo terceiro ano seguido. A reportagem refaz o trajeto da família fictícia criada pela escritora, formada por Chico Bento, Cordulna e cinco filhos, entre Quixadá e Fortaleza. Muita famílias ainda sofrem com a falta de água e não conseguiram produzir milhoe e feijão, os produtos da região. Na foto, Paulo Sérgio Alexandre Ferreira com a mulher, Zélia e os filhos Bianca, de 16 anos, Francisco Vitor, de 3, e Francisca Vitória, de 2. Cisterna instalada pelo governo do Estado está quase seca e família tem que pegar água em cacimba próxima ao barraco onde vive, na periferia de Quixadá. Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

 Lavoura. Paulo Sérgio, a mulher e os filhos sofrem com a seca na periferia de Quixadá: “não cheguei a fazer um saco de feijão”

A VIDA EM QUIXADÁ

DESALENTO E ESPERANÇA EM QUIXADÁ 

Morador  do distrito de Juatama, em Quixadá, Paulo Sérgio Alexandre Ferreira, de 44 anos, passa dificuldades com a cisterna quase vazia. Ele vive com a mulher, Zélia, de 37 anos, e cinco filhos em uma casa precária, de barro, sem água encanada e raros móveis. Quase todo dia, alguém busca água na cacimba mais próxima. “Não cheguei a fazer um saco de feijão”, lamenta Paulo Sérgio, que tem um roçado atrás da casa. Apesar das dificuldades, o Chico Bento de 2015 não pensa em sair em busca de outras oportunidades. A família recebe R$ 190 mensais do programa Bolsa Família, a única renda garantida. “Não gosto de cidade. A gente só vai lá por precisão”, afirma.

No mesmo município de Quixadá, outra história é de esperança. A seca que devasta as plantações e obriga famílias a buscarem água em cacimbas e poços distantes de casa também cria oportunidades para um grupo de jovens do distrito de Juatama. Por causa da falta de chuva e dos ventos fortes, Quixadá tornou-se um dos melhores locais do mundo para o voo livre. No inverno, atletas de vários países chegam à cidade, na expectativa de baterem o recorde de voo em linha reta batido na própria cidade. Os pilotos passaram a chamar jovens da região para ajudarem na montagem de equipamentos, dirigirem as caminhonetes e colaborarem no controle dos voos. Aos poucos, eles aprenderam a voar e hoje são também instrutores.

A Associação de Voo Livre do Sertão Central já reúne 24 jovens, que estimulam as crianças a também se interessarem por decolagens e pousos. “Em 1998, 12 meninos foram contratados para ajudar os que chegavam a Quixadá para voar e começaram a sonhar em voar também. Eu era um desses meninos. Graças a Deus, no meio das dificuldades da seca, uma janela se abre e surge uma oportunidade”, diz Diego Oliveira Dantas, de 26 anos, um dos rapazes que trabalham com voo livre em Quixadá. Na semana em que o Estado esteve em Quixadá, um dos grandes nomes do voo livre do País, Luiz Henrique Tapajós Antunes dos Santos, o Sabiá, estava na cidade, onde gravou parte do documentário que estrela para um canal fechado de TV. Sabiá e seus companheiros usaram os serviços de Diego e outros monitores locais.

QUIXADÁ EM NÚMEROS

ITAPIÚNA, A FOME

Município que em 1915 era um povoado chamado Castro, parte da cidade de Baturité. No livro, foi no Castro que bateu pela primeira vez a fome na família.

Chico Bento consegue trocar uma rede por farinha e rapadura.

Também no Castro, Mocinha, irmã de Cordulina, mulher de Chico Bento, decide abandonar o grupo.

A VIDA EM ITAPIÚNA

Na casa de Vera Lúcia de Almeida Ferreira, de 39 anos, não há água encanada. A cisterna instalada pelo governo do Estado está praticamente vazia. Ela busca água no rio próximo para lavar roupa e cozinhar. Recebe R$ 194 mensais do Bolsa Família para sustentar o casal e dois filhos. A cada dois meses, gasta R$ 50 com um botijão de gás. A conta de luz está em torno de R$ 26 mensais. “Antes eu pagava entre R$ 12 e R$ 15 de luz. Agora que inventaram essa bandeira vermelha, está o dobro. Daqui a pouco, o dinheiro vai todo para gás e energia”, preocupa-se Vera Lúcia. No dia 20 de agosto, uma quinta-feira, Vera Lúcia teve que gastar R$ 6 para mandar a filha Verilane, de 12 anos, para a escola. O ônibus escolar quebrou e a solução foi pagar uma van para levar e um mototáxi para trazer a menina para casa. No dia 21, Verilane não foi à escola. “Agora vou ter que esperar o ônibus consertar, não dá para gastar esse dinheiro todo dia”, afirmou Vera Lúcia.

Perto dali vive Antônio Osvaldo Gomes de Souza, de 40 anos. O filho Erison, de 9, só não perdeu as aulas porque Antônio levou e pegou de bicicleta. O menino depende do mesmo ônibus escolar com defeito. A Bolsa Família que sustenta Antonio, a mulher, Adriana, e o filho é de R$ 164 mensais.

ITAPIÚNA EM NÚMEROS

WJQUINZE200 - CE - 18/08/2015 - SECA 100 ANOS/QUINZE - ESPECIAL PARA CIDADES OE - Cem anos depois da grande seca que assolou o sertão central do Ceará e inspirou o livro O Quinze, de Rachel de Queiroz, a região enfrenta outro grave período de falta de chuva pelo terceiro ano seguido. A reportagem refaz o trajeto da família fictícia criada pela escritora, formada por Chico Bento, Cordulna e cinco filhos, entre Quixadá e Fortaleza. Muita famílias ainda sofrem com a falta de água e não conseguiram produzir milhoe e feijão, os produtos da região. Na foto, Vera Lúcia de Almeida Ferreira, de 39 anos, mora na beira da estrada em Itapiuna. Tem uma cisterna praticamente vazia. Conta que o governo do Estado instalou uma caixa d'água e promete levar água encanada, mas ainda não chegou. Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Espera. Sem água encanada, Vera Lúcia aguarda a chegada de caminhão pipa para abastecer a cisterna quase vazia

BATURITÉ, A MORTE

Em algum ponto não definido deste município, Josias, um dos filhos de Chico Bento e Cordulina, morre intoxicado, depois de comer um pedaço de manipeba, um tipo venenoso de mandioca.

Foi também em Baturité que o vaqueiro decidiu vender a mula que acompanhava a família na travessia, Limpa-Trilho.

Já no fim do livro, Baturité volta em outra cena trágica. Dona Inácia, moradora que Quixadá que passara uma temporada em Fortaleza com a neta, Conceição, está no trem de volta para casa. Na estação de Baturité, se surpreende com uma moça que chama por ela. Era Mocinha, a cunhada de Chico Bento que decidira tentar a vida no Castro. Não deu certo.

A VIDA EM  BATURITÉ

Auxiliar de serviços gerais da rede pública de educação, Maria de Carvalho Félix, de 69 anos,  vive com três filhas e seis netos em uma casa confortável próxima à antiga estação de trem de Baturité, hoje transformada em museu. Conseguiu comprar uma antiga casa da Rede Ferroviária, tem água encanada e planeja, um dia, construir um andar de cima para abrigar melhor a família. “O trem era o transporte dos pobres, eu viajava para Juazeiro quase toda semana, para visitar minha mãe. Isso aqui (a antiga estação) vivia cheio, de passageiros e de gente vendendo frutas, macaxeira. Era muito bonito”, diz Maria, ao lado da filha Alexandra, de 38 aos, também auxiliar de serviços gerais da rede escolar e da neta Ana Clara, de oito anos. “Este ano a seca está grande, mas ainda temos água, se Deus quiser não vai faltar. Na seca de 1984, a torneira secou. Quando chegavam os caminhões pipa, era uma correria para garantir água”, lembra Maria.

BATURITÉ EM NÚMEROS

 

WJQUINZE61 - CE - 21/08/2015 - SECA 100 ANOS/QUINZE - ESPECIAL PARA CIDADES OE - Cem anos depois da grande seca que assolou o sertão central do Ceará e inspirou o livro O Quinze, de Rachel de Queiroz, a região enfrenta outro grave período de falta de chuva pelo terceiro ano seguido. A reportagem refaz o trajeto da família fictícia criada pela escritora, formada por Chico Bento, Cordulina e cinco filhos, entre Quixadá e Fortaleza. Muita famílias ainda sofrem com a falta de água e não conseguiram produzir milhoe e feijão, os produtos da região. Na foto, Maria de Carvalho Félix, de 69 anos, a filha Alexandra Carvalho Félix, de 38, e a neta Ana Clara, de 8, vivem em frente à antiga estação de trem de Baturité, hoje transformada em museu. Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Passado. Maria vive com três filhas e seis netos em frente à estação desativada: saudade dos tempos da linha férrea

ACARAPE, O TREM

Já perto de Fortaleza, a uma distância de cerca de 50 quilômetros, a família vive novo drama. Chico Bento e Cordulina  descobrem que Pedro, o filho mais velho, tinha desaparecido.

É em Acarape que o que restou da família – Chico Bento, Cordulina e três filhos – finalmente consegue embarcar no trem para Fortaleza. O delegado de Acarape, Luís Bezerra, compadre de Chico Bento, padrinho de Josias, já morto, não consegue encontrar Pedro, mas paga as passagens para os retirantes concluírem a viagem.

A VIDA EM ACARAPE

Auxiliadora Silva Oliveira Rodrigues, de 36 anos, e Francisca Iraneide Pereira  de Lima, de 42, são vizinhas na periferia de Acarape, na beira da estrada que leva a Fortaleza. Em frente às casas pobres onde vivem, vendem frutas e verduras que compram na feira. Os clientes são, na maioria, motoristas que passam pela rodovia estadual. Há três anos,  chegou água encanada na localidade onde moram. A vida mudou para melhor, embora a pobreza não tenha aliviado. “Se Deus usar de misericórdia, não vai faltar água”, diz Auxliadora. A última chuva, lembra o marido dela, Édio Ferreira, presbítero da Assembleia de Deus, foi no dia 17 de julho.

WJQUINZE208 - CE - 21/08/2015 - SECA 100 ANOS/QUINZE - ESPECIAL PARA CIDADES OE - Cem anos depois da grande seca que assolou o sertão central do Ceará e inspirou o livro O Quinze, de Rachel de Queiroz, a região enfrenta outro grave período de falta de chuva pelo terceiro ano seguido. A reportagem refaz o trajeto da família fictícia criada pela escritora, formada por Chico Bento, Cordulina e cinco filhos, entre Quixadá e Fortaleza. Muita famílias ainda sofrem com a falta de água e não conseguiram produzir milhoe e feijão, os produtos da região. Na foto, Em Acarape na CE 060 que liga Quixada a Fortaleza, Francisco Lopes da Silva, de 70 anos, leva ração em uma carroça. Este ano, conseguiu tirar apenas um saco (60 quilos) de feijão de seu pequeno roçado. Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Memória.  À beira da CE-060 Francisco, de 70 anos, lembra as muitas secas da região: “a pior foi a de 1970”

Francisca vive com o marido, Francisco Vitorino da Silva, e seis filhos, de 5 a 24 anos. Recebe “trezentos reais e uns quebradinhos” de Bolsa Família, a única renda fixa. “Tem dia ruim, que a gente não vende mais que R$ 10. Outros são melhores, dá para vender, R$ 30, R$ 40. Antigamente, a gente tinha que buscar água na cacimba, levava na cabeça”, lembra Francisca.

Na mesma estrada onde vivem Auxiliadora e Francisca, o lavrador Francisco Lopes da Silva segue em direção ao distrito de Antônio Diogo, no município de Redenção, onde mora. Nunca teve abastecimento direto em casa e, mesmo em tempos de chuva, tem de buscar água no poço. Aos 70 anos, tem a memória de muitas secas no sertão central do Ceará. “Do que me lembro, a pior foi a de 1970, mas sofremos muito também na de 1958”, diz.

ACARAPE EM NÚMEROS

FORTALEZA, O CAMPO
DE CONCENTRAÇÃO

Na etapa final do livro, Chico Bento e a família desembarcaram em Fortaleza, na Estação do Matadouro, que depois passou a se chamar estação Otávio Bonfim e hoje, é uma ruína cheia de lixo em volta.

Da estação, o casal e os filhos foram direto para o campo de concentração do Alagadiço. Muito antes da Segunda Guerra, no Ceará já se usava o termo campo de concentração, que designava o local que concentrava os flagelados, distribuía comida. Os retirantes se ajeitavam pelos cantos e saíam em busca de trabalho ou partiam para o Norte, para trabalhar no cultivo da borracha, ou para o Sudeste. Os campo de concentração foi criado para evitar que os retirantes se espalhassem pela capital e chegassem às áreas nobres, em busca de esmolas e trabalho.

O Alagadiço é hoje a parte mais pobre do bairro Otávio Bonfim, também chamado Farias Brito. É uma área carente e violenta.

A personagem Conceição, professora nascida em Quixadá que vivia em Fortaleza, é voluntária do Campo de Concentração e madrinha de Duquinha, um dos filhos de Chico Bento e Cordulina. Conceição convence Cordulina a deixar Duquinha com a madrinha e passa a criá-lo.

Chico Bento, Cordulina e os dois filhos que restaram partiram no porto de Fortaleza para São Paulo.

A VIDA EM FORTALEZA

CORRECAO DE LEGENDAFORTALEZA1 - CE - 18/08/2015 - SECA 100 ANOS/QUINZE - ESPECIAL PARA CIDADES OE - Cem anos depois da grande seca que assolou o sert„o central do Cear· e inspirou o livro O Quinze, de Rachel de Queiroz, a regi„o enfrenta outro grave perÌodo de falta de chuva pelo terceiro ano seguido. A reportagem refaz o trajeto da famÌlia fictÌcia criada pela escritora, formada por Chico Bento, Cordulna e cinco filhos, entre Quixad· e Fortaleza. Muita famÌlias ainda sofrem com a falta de ·gua e n„o conseguiram produzir milhoe e feij„o, os produtos da regi„o. Na foto, O comerciante Francisco Lopes da Silva, de 70 anos, ex-funcion·rio da Rede Ferrovi·ria, que Mora e tem um pequeno bar em frente ‡ antiga estaÁ„o do Matadouro, onde, no livro, Chico Bento e a famÌlia desembarcaram do trem quando chegaram em Fortaleza. Foto: WILTON JUNIOR/ESTAD√O

Alagadiço. Da janela de seu bar, Ramiro vê a estação e o terreno onde funcionou o campo de concentração

Funcionário da Rede Ferroviária entre 1976 e 1998, Ramiro Casimiro Barreto, de 67 anos, agora aposentado, mora e trabalha no pequeno bar aberto por ele em frente à estação desativada de Otávio Bonfim, que em 1915 se chamava Estação do Matadouro, por causa da proximidade de um abatedouro de animais. Ramiro ouviu falar da grande seca daquele ano, mas não conhece “O Quinze” nem a triste história do campo de concentração. Da janela de seu bar, avista o abandono da antiga estação e a comunidade que hoje ocupa o Alagadiço. Apesar da violência que domina a região onde há cem anos funcionava o acampamento dos flagelados, Ramiro diz que “é um bom lugar para morar”. Mas lamenta o fim da ferrovia. “Cansei de pegar o trem para Baturité. Depois essa linha acabou e ficou o trecho Fortaleza-Maracanaú, até 2011. Mas aí acabaram com o trem do interior e entraram os empresários de ônibus. Depois fizeram o metrô e isso aí é o que restou da ferrovia”, diz Ramiro.

FORTALEZA EM NÚMEROS


 Capítulo 2: A LEMBRANÇA DE RACHEL DE QUEIROZ


Capítulo 3: A SECA DE 1932: MEMÓRIA DE UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO


 Capítulo 4

A seca de 2015 no sertão central do Ceará

LAVAR ROUPA NOS RIOS E BUSCAR ÁGUA EM POÇOS FAZ PARTE DA ROTINA DOS MORADORES DAS CIDADES QUE SOFREM
COM A FALTA DE CHUVA. LAVOURAS FORAM PREJUDICADAS

CENAS DA SECA NO SERTÃO CENTRAL. Clique e assista ao video

No caminho até Senador Pompeu, pela BR 116, a reportagem do Estado encontrou famílias que têm como rotina buscar água nas cacimbas (poços), açudes e rios. Em um caminho estreito na beira da estrada, Alzira da Silva Gomes, de 52 anos, seguia em uma carroça com a  família para um banho no açude próximo, mais os jumentos Juca e Jubileu, no distrito de Triângulo, em Chorozinho. Alzira tem ainda a vaca Melindrosa e o cavalo Melindroso. A renda é garantida com o Bolsa Família de R$ 252 mensais. Neto de Alzira, Davi, de 14 anos, foi o único jovem encontrado pela reportagem que conhecia – e leu – o livro “O Quinze”, de Rachel de Queiroz, sobre a família que fugiu da seca em Quixadá e partiu para Fortaleza. “Li duas vezes. Muito triste, uma criança morre no caminho, a outra desaparece”, recorda Davi.

Estiagem. A seca modificou a paisagem de cidades como Senador Pompeu, Quixeramobim e Chorozinho

No mesmo caminho da família de Alzira, estavam as vizinhas Conceição Rufino Pinheiro, de 48 anos, e Daiane de Souza Coutinho, de 17, ambas donas de casa. Cada uma empurrava um carrinho de mão, com galões que seriam enchidos no poço. Reuniram 130 litros, que seriam transportados em duas viagens. “Tem que pegar água todo dia, mas agora os poços estão esvaziando”, diz Conceição.

Em Senador Pompeu, o rio Patu está quase vazio e os moradores comemoravam, no dia 18 de agosto, que as comportas da barragem foram abertas, liberando um pouco de água. “Ontem estava muito pior, que surpresa boa”, comemorou Fernanda Maria Simão, de 64 anos, que lavava roupa no rio com a vizinha Maria de Souza, de 52. Fernanda tem água encanada em casa, mas economiza lavando roupa no rio. “A vida no sertão é boa, mas é de muito sofrimento. Graças a Deus tenho saúde, não paro de trabalhar. Esse rio aqui quando enche é a coisa mais linda. Gosto de ficar aqui, vendo a natureza”, diz Fernanda, viúva, que recebe dois salários mínimos da própria pensão e a do marido. Tem uma vida confortável, diz, e complementa a renda cobrando R$ 20 pela trouxa pequena lavada e R$ 30 pela grande.

Rotina. Sem água encanada, poço ou cisterna, João Batista vai mais de uma vez por dia pegar água no rio Patu

A vida de João Batista dos Santos, de 50 anos, é mais difícil. Sua casa não tem água encanada e ele vai ao rio Patu buscar água mais de uma vez por dia. Cria galinhas e porcos, planta milho e feijão. “O milho não segurou este ano. Feijão foi muito pouco”, lamenta.

OS NÚMEROS DA SECA

Desde 2012 o nível de chuvas no Estado é muito baixo, com médias inferiores à metade das registradas em 2009, melhor ano da década

California levees’ vulnerability (Science Daily)

Date:
August 25, 2015
Source:
Mississippi State University
Summary:
With the ongoing extreme drought in California posing a threat to the state’s levee systems, there is an urgent need to invest in research regarding the vulnerabilities of critical infrastructure under extreme climatic events. Experts warn that current drought conditions pose “a great risk to an already endangered levee system.”

A Mississippi State University assistant professor of civil and environmental engineering is the lead author on a letter published last week [Aug. 21] in Sciencemagazine.

Farshid Vahedifard, an MSU faculty member since 2012, is lead author on the letter titled “Drought threatens California’s levees.”

The letter discusses the threats that ongoing extreme drought poses on California’s levee systems and highlights an urgent need to invest in research regarding the vulnerabilities of these systems under extreme climatic events. Earthen levees protect dry land from floods and function as water storage and management systems, the letter states. Vahedifard points to a 2011 report by the California Department of Water Resources which says that over 21,000 kilometers of earthen levees deliver approximately two-thirds of potable water to more than 23 million Californians and protect more than $47 billion worth of homes and businesses from flooding.

However, current drought conditions pose “a great risk to an already endangered levee system,” the authors warn. Drought conditions — and particularly drought ensued by heavy rainfall and flooding — may cause similar catastrophic failures in California’s levee systems as seen in 2008 along river banks of the Murray River at the peak of Australia’s Millennium Drought and in 2003 in the Netherlands’ Wilnis Levee.

Vahedifard, who completed a second master’s degree and his doctoral work in civil engineering at the University of Delaware after completing previous academic work in Iran, said the commentary is important because there is very little information published about the effect of drought on the performance of critical infrastructures. The civil engineer who specializes in geotechnical engineering added that the National Levee Database shows that only around 10 percent of U.S. levees are rated as “acceptable,” with the rest being rated as “minimally acceptable” or “unacceptable,” indicating that the levee has a minor deficiency or the levee cannot serve as a reliable flood protection structure, respectively.

In California, a vast quantity of levee systems are currently rated as “high hazard,” meaning they are in serious danger of failing during an earthquake or flood event. This indicates that the resilience of these levee systems is a major concern without even considering the effects of the ongoing extreme drought, Vahedifard said. Prolonged droughts threaten the stability of levee systems by inducing soil cracking, increased water seepage through soil, soil strength reduction, soil organic carbon decomposition, land subsidence and erosion, he explained.

“When you have a marginal system, then you just need the last straw to create a failure,” Vahedifard said.

He began research related to climate change and its impact on critical infrastructure with his colleague AghaKouchak, a hydrologist, since 2013. They hypothesized that California’s current extreme drought will accelerate the ongoing land subsidence — or sinking. Recently, NASA’s Jet Propulsion Laboratory at the California Institute of Technology published a report that shows the Central Valley is undergoing an unprecedented subsidence period of as much as two inches per month in some locations. “This is exactly what we predicted, that this drought would lead to increased land subsidence,” Vahedifard said. The danger, he explained, is that it increases the risk of water rising over the top of the levees.

“At MSU, I have been working on quantitatively assessing the resilience and vulnerability of critical infrastructure to extreme events under a changing climate. While several large-scale studies have been conducted to evaluate various aspects and implications of climate change, there is a clear gap in the state of our knowledge in terms of characterizing uncertainty in climate trends and incorporating such findings into engineering practice for planning and designing critical infrastructure,” Vahedifard said.

“An improved understanding of the resilience of critical infrastructure under a changing climate indisputably involves many authoritative and complex technical aspects. It also requires close collaboration between decision makers, engineers, and scientists from various fields including climate science, social science, economics and disaster science. Community engagement and public risk education also are key to enhancing the resilience of infrastructure to climate change,” he added.

“The impacts of climate change on infrastructure pose a multi-physics problem involving thermo-hydro-mechanical processes in different scales. Further research can help communities and decision makers toward developing appropriate climate change adaptation and risk management approaches,” he said.

He emphasized that design and monitoring guidelines may need to be modified to ensure resilient infrastructure against extreme events under a changing climate.


Journal Reference:

  1. F. Vahedifard, A. AghaKouchak, J. D. Robinson. Drought threatens California’s leveesScience, 2015; 349 (6250): 799 DOI: 10.1126/science.349.6250.799-a

Artigos de pesquisadores do INPE diagnosticam as condições de seca no Sudeste (INPE)

JC, 5246, 24 de agosto de 2015

O texto foi publicado na versão online da revista Theoretical and Applied Climatology

Publicado na versão online da revista Theoretical and Applied Climatology, o artigo Precipitation diagnostics of an exceptionally dry event in São Paulo, Brazil apresenta um diagnóstico das condições de déficit de chuva observadas sobre o sudeste do Estado de São Paulo, incluindo sua região metropolitana, durante os dois últimos verões (2013/2014 e 2014/2015).

Segundo Caio Coelho, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e um dos autores do trabalho, o artigo responde a uma série de questões sobre a manifestação de eventos extremos de seca.

Os resultados obtidos pelos pesquisadores da Divisão de Operações do CPTEC/INPE revelam a excepcionalidade do déficit de chuva observado durante o verão 2013/2014, quando comparado a outros verões desde 1961/62, e que a região estudada vem sofrendo com déficit de chuva desde o final da década de 1990. Eventos de seca semelhantes foram observados no passado, porém de menor magnitude em termos de déficit de chuva. Um dos fatores que contribuiu para o déficit expressivo de precipitação durante o verão 2013/2014 foi o término exageradamente antecipado da estação chuvosa.

Outro trabalho do CPTEC/INPE publicado na versão online da revista Climate Dynamics, realizado em colaboração com pesquisadores da Universidade de São Paulo e Universidade Federal de Itajubá, destaca que a seca sobre o Sudeste durante o verão 2014 teve como raiz as condições de chuvas anômalas na região tropical ao norte da Austrália, desencadeando uma sequência de processos entre a região tropical e extratropical do oceano Pacífico, até atingir a região Sudeste do Brasil e oceano Atlântico adjacente.

Este trabalho, intitulado The 2014 southeast Brazil austral summer drought: regional scale mechanisms and teleconnections, revela o estabelecimento de um sistema anômalo de alta pressão sobre o oceano Atlântico adjacente aquecido, que forçou os sistemas frontais a realizar trajetórias oceânicas, favoreceu a manutenção do aquecimento oceânico através da incidência de radiação solar, transportou umidade da Amazônia para o sul do Brasil, e desfavoreceu a formação de eventos de Zona de Convergência do Atlântico Sul, um dos principais mecanismos de produção de chuva sobre a região Sudeste do Brasil.

Mais detalhes sobre os estudos na página: http://www.cptec.inpe.br/noticias/noticia/127760

(Inpe)

California Drought Is Made Worse by Global Warming, Scientists Say (New York Times)

Visitors along the recessed shores of Beal’s Point in California’s Folsom Lake State Recreation Area. A new study has found that inevitable droughts in California were made worse by global warming. CreditDamon Winter/The New York Times 

Global warming caused by human emissions has most likely intensified the drought in California by 15 to 20 percent, scientists said on Thursday, warning that future dry spells in the state are almost certain to be worse than this one as the world continues to heat up.

Even though the findings suggest that the drought is primarily a consequence of natural climate variability, the scientists added that the likelihood of any drought becoming acute is rising because of climate change. The odds of California suffering droughts at the far end of the scale, like the current one that began in 2012, have roughly doubled over the past century, they said.

“This would be a drought no matter what,” said A. Park Williams, a climate scientist at the Lamont-Doherty Earth Observatory of Columbia University and the lead author of a paperpublished by the journal Geophysical Research Letters. “It would be a fairly bad drought no matter what. But it’s definitely made worse by global warming.”

The National Oceanic and Atmospheric Administration also reportedThursday that global temperatures in July had been the hottest for any month since record-keeping began in 1880, and that the first seven months of 2015 had also been the hottest such period ever. Heat waves on several continents this summer have killed thousands of people.

Dry grassland south of the El Dorado Freeway near Folsom, Calif. The study credited human-caused climate change for between 8 percent and 27 percent of the state’s soil moisture deficit. CreditDamon Winter/The New York Times 

The paper on the California drought echoes a growing body of research that has cited the effects of human emissions, but scientists not involved in the work described it as more thorough than any previous effort because it analyzed nearly every possible combination of data on temperature, rainfall, wind speed and other factors that could be influencing the severity of the drought. The research, said David B. Lobell, a Stanford University climate scientist, is “probably the best I’ve seen on this question.”

The paper provides new scientific support for political leaders, including President Obama and Gov. Jerry Brown of California, who have cited human emissions and the resulting global warming as a factor in the drought. As he races around his battered state, from massive forest fires to parched farms, Mr. Brown has been trying to cajole the Republican presidential candidates into explaining what they would do about climate change.

“To say you’re going to ignore that there’s a huge risk here, the way we’re filling the atmosphere with heat-trapping gases, is folly, ignorance and totally irresponsible,” Mr. Brown said Thursday in a telephone interview. “And virtually the entire Republican Party in Congress is saying exactly that. It’s inexplicable.”

Several Republican presidential candidates, including Senator Lindsey Graham of South Carolina and Gov. John R. Kasich of Ohio, do acknowledge that climate change poses risks, but they are skeptical of the way Mr. Obama has gone about trying to limit emissions, with a planexpected to force the shutdown of many coal-fired power plants.

Chris Schrimpf, a spokesman for Mr. Kasich, said Thursday that political leaders confronting questions about climate change “can’t stick their heads in the sand and pretend it isn’t happening. Instead we need to be about the business of taking action, but action that doesn’t throw the economy and jobs out the window at the same time.”

However, many of the leading Republican candidates are openly skeptical of climate science and play down the risks. In response to a letter from Mr. Brown asking about their plans, several of the candidates retorted last week that California should be building more dams to store water for future droughts. Senator Ted Cruz of Texas said that “alarmists” about global warming were trying to gain “more power over the economy and our lives.”

report this week by researchers at the University of California, Davis, projected that the drought would cost the California economy some $2.7 billion this year. Much of that pain is being felt in the state’s huge farming industry, which has been forced to idle a half-million acres and has seen valuable crops like almond trees and grape vines die.

As climate scientists analyze the origins of the drought, they have been tackling two related questions: What caused the dearth of rain and snow that began in 2012? And, regardless of the cause, how have the effects been influenced by global warming?

The immediate reason for the drought is clear enough: For more than three years, a persistent ridge of high pressure in the western Pacific Ocean has blocked storms from reaching California in the winter, when the state typically gets most of its moisture. That pattern closely resembles past California droughts.

Some scientists have argued that the ocean and atmospheric factors that produced the ridge have become somewhat more likely because of global warming, but others have disputed that, and the matter remains unresolved.

On the question of the effects, scientists have been much clearer. Rising temperatures dry the soil faster and cause more rapid evaporation from streams and reservoirs, so they did not need any research to tell them that the drought was probably worse because of the warming trend over the past century. The challenge has been to quantify how much worse.

The group led by Dr. Williams concluded that human-caused climate change was responsible for between 8 and 27 percent of the deficit in soil moisture that California experienced from 2012 to 2014.

But, in an interview, Dr. Williams said the low number was derived from a method that did not take account of the way global warming had sped up since the 1970s. That led him and his colleagues to conclude that climate change was most likely responsible for about 15 to 20 percent of the moisture deficit.

Since 1895, California has warmed by a little more than 2 degrees Fahrenheit. That increase sounds small, but as an average over an entire state in all seasons, scientists say, it is a large number. The warmer air can hold more water vapor, and the result is that however much rain or snow falls in a given year, the atmosphere will draw it out of the soil more aggressively.

“It really is quite simple,” said Richard Seager, a senior climate scientist at Lamont and a co-author on the Williams paper. “When the atmosphere is as warm as it is, the air is capable of holding far more water. So more of the precipitation that falls on the ground is evaporated, and less is in the soil, and less gets into streams.”

Dr. Williams calculated that the air over California can absorb about 8.5 trillion more gallons of water in a typical year than would have been the case in the cooler atmosphere at the end of the 19th century. The air does not always manage to soak up that much, however, because evaporation slows as the soils dry out.

How much more California will warm depends on how high global emissions of greenhouse gases are allowed to go, but scientists say efforts to control the problem have been so ineffective that they cannot rule out another 5 or 6 degrees of warming over the state in this century, a level that could turn even modest rainfall deficits into record-shattering droughts.

For politicians like Mr. Obama and Mr. Brown, the emerging question is whether Americans will awaken to the risks and demand stronger action before emissions reach such catastrophic levels.

“I don’t think climate change is anywhere near the issue that it’s going to be, but the concern is rising in the public mind,” Mr. Brown said Thursday. “The facts can’t be concealed forever.”

Europe hit by one of the worst droughts since 2003 (Science Daily)

Date:
August 20, 2015
Source:
European Commission, Joint Research Centre (JRC)
Summary:
Much of the European continent has been affected by severe drought in June and July 2015, one of the worst since the drought and heat wave of summer of 2003, according to the latest reports.

Areas with the lowest soil moisture content since 1990 in July 2015 (in red) and in July 2003 (in blue). Credit: JRC-EDEA database (EDO). © EU, 2015

Much of the European continent has been affected by severe drought in June and July 2015, one of the worst since the drought and heat wave of summer of 2003, according to the latest report by the JRC’s European Drought Observatory (EDO). The drought, which particularly affects France, Benelux, Germany, Hungary, the Czech Republic, northern Italy and northern Spain, is caused by a combination of prolonged rain shortages and exceptionally high temperatures.

Satellite imagery and modelling revealed that the drought, caused by prolonged rainfall shortage since April, had already affected soil moisture content and vegetation conditions in June. Furthermore, the areas with the largest rainfall deficits also recorded exceptionally high maximum daily temperatures: in some cases these reached record values.

Another characteristic of this period was the persistence of the thermal anomalies: in the entire Mediterranean region, and particularly in Spain, the heat wave was even longer than that of 2003, with maximum daily temperatures consistently above 30°C for durations of 30 to 35 days (even more than 40 days in Spain).

While sectors such as tourism, viticulture and solar energy benefited from the unusual drought conditions, many environmental and production sectors suffered due to water restrictions, agricultural losses, disruptions to inland water transport, increased wildfires, and threats to forestry, energy production, and human health.

Rainfall is urgently needed in the coming months to offset the negative impacts of the 2015 drought situation. The current seasonal weather forecast envisages more abundant rains for the Mediterranean region in September, but no effective improvement is yet foreseen for parts of western, central and eastern Europe.

California drought causing valley land to sink (Science Daily)

Date:
August 20, 2015
Source:
NASA/Jet Propulsion Laboratory
Summary:
As Californians continue pumping groundwater in response to the historic drought, the California Department of Water Resources has released a new NASA report showing land in the San Joaquin Valley is sinking faster than ever before, nearly 2 inches (5 centimeters) per month in some locations.

Total subsidence in California’s San Joaquin Valley for the period May 3, 2014 to Jan. 22, 2015, as measured by Canada’s Radarsat-2 satellite. Two large subsidence bowls are evident, centered on Corcoran and south of El Nido. Credit: Canadian Space Agency/NASA/JPL-Caltech

As Californians continue pumping groundwater in response to the historic drought, the California Department of Water Resources has released a new NASA report showing land in the San Joaquin Valley is sinking faster than ever before, nearly 2 inches (5 centimeters) per month in some locations.

“Because of increased pumping, groundwater levels are reaching record lows — up to 100 feet (30 meters) lower than previous records,” said Department of Water Resources Director Mark Cowin. “As extensive groundwater pumping continues, the land is sinking more rapidly and this puts nearby infrastructure at greater risk of costly damage.”

Sinking land, known as subsidence, has occurred for decades in California because of excessive groundwater pumping during drought conditions, but the new NASA data show the sinking is happening faster, putting infrastructure on the surface at growing risk of damage.

NASA obtained the subsidence data by comparing satellite images of Earth’s surface over time. Over the last few years, interferometric synthetic aperture radar (InSAR) observations from satellite and aircraft platforms have been used to produce maps of subsidence with approximately centimeter-level accuracy. For this study, JPL researchers analyzed satellite data from Japan’s PALSAR (2006 to 2010); and Canada’s Radarsat-2 (May 2014 to January 2015), and then produced subsidence maps for those periods. High-resolution InSAR data were also acquired along the California Aqueduct by NASA’s Uninhabited Aerial Vehicle Synthetic Aperture Radar (UAVSAR) (2013 to 2015) to identify and quantify new, highly localized areas of accelerated subsidence along the aqueduct that occurred in 2014. The California Aqueduct is a system of canals, pipelines and tunnels that carries water collected from the Sierra Nevada Mountains and Northern and Central California valleys to Southern California.

Using multiple scenes acquired by these systems, the JPL researchers were able to produce time histories of subsidence at selected locations, as well as profiles showing how subsidence varies over space and time.

“This study represents an unprecedented use of multiple satellites and aircraft to map subsidence in California and address a practical problem we’re all facing,” said JPL research scientist and report co-author Tom Farr. “We’re pleased to supply the California DWR with information they can use to better manage California’s groundwater. It’s like the old saying: ‘you can’t manage what you don’t measure’.”

Land near Corcoran in the Tulare basin sank 13 inches (33 centimeters) in just eight months — about 1.6 inches (4 centimeters) per month. One area in the Sacramento Valley was sinking approximately half-an-inch (1.3 centimeters) per month, faster than previous measurements.

Using the UAVSAR data, NASA also found areas near the California Aqueduct sank up to 12.5 inches (32 centimeters), with 8 inches (20 centimeters) of that occurring in just four months of 2014.

“Subsidence is directly impacting the California Aqueduct, and this NASA technology is ideal for identifying which areas are subsiding the most in order to focus monitoring and repair efforts,” said JPL research scientist and study co-author Cathleen Jones. “Knowledge is power, and in this case knowledge can save water and help the state better maintain this critical element of the state’s water delivery system.” UAVSAR flies on a C-20A research aircraft based at NASA’s Armstrong Flight Research Center facility in Palmdale, California.

The increased subsidence rates have the potential to damage local, state and federal infrastructure, including aqueducts, bridges, roads and flood control structures. Long-term subsidence has already destroyed thousands of public and private groundwater well casings in the San Joaquin Valley. Over time, subsidence can permanently reduce the underground aquifer’s water storage capacity.

“Groundwater acts as a savings account to provide supplies during drought, but the NASA report shows the consequences of excessive withdrawals as we head into the fifth year of historic drought,” Director Cowin said. “We will work together with counties, local water districts, and affected communities to identify ways to slow the rate of subsidence and protect vital infrastructure such as canals, pumping stations, bridges and wells.”

NASA will also continue its subsidence monitoring, using data from the European Space Agency’s recently launched Sentinel-1 mission to cover a broader area and identify more vulnerable locations.

DWR also completed a recent land survey along the Aqueduct — which found 70-plus miles (113-plus kilometers) in Fresno, Kings and Kern counties sank more than 1.25 feet (0.4 meters) in two years — and will now conduct a system-wide evaluation of subsidence along the California Aqueduct and the condition of State Water Project facilities. The evaluation will help the department develop a capital improvement program to repair damage from subsidence. Past evaluations found that segments of the Aqueduct from Los Banos to Lost Hills sank more than 5 feet (1.5 meters) since construction.

NASA and the Indian Space Research Organisation are jointly developing the NASA-ISRO Synthetic Aperture Radar (NISAR) mission. Targeted to launch in 2020, NISAR will make global measurements of the causes and consequences of land surface changes. Potential areas of research include ecosystem disturbances, ice sheet collapse and natural hazards. The NISAR mission is optimized to measure subtle changes of Earth’s surface associated with motions of the crust and ice surfaces. NISAR will improve our understanding of key impacts of climate change and advance our knowledge of natural hazards.

The report, Progress Report: Subsidence in the Central Valley, California, prepared for DWR by researchers at NASA’s Jet Propulsion Laboratory, Pasadena, California, is available at: http://water.ca.gov/groundwater/docs/NASA_REPORT.pdf (14 MB)

Warming climate is deepening California drought (Science Daily)

Scientists say increasing heat drives moisture from ground

Date:
August 20, 2015
Source:
The Earth Institute at Columbia University
Summary:
A new study says that global warming has measurably worsened the ongoing California drought. While scientists largely agree that natural weather variations have caused a lack of rain, an emerging consensus says that rising temperatures may be making things worse by driving moisture from plants and soil into the air. The new study is the first to estimate how much worse: as much as a quarter.

Drought in California. Credit: © Tupungato / Fotolia

A new study says that global warming has measurably worsened the ongoing California drought. While scientists largely agree that natural weather variations have caused a lack of rain, an emerging consensus says that rising temperatures may be making things worse by driving moisture from plants and soil into the air. The new study is the first to estimate how much worse: as much as a quarter. The findings suggest that within a few decades, continually increasing temperatures and resulting moisture losses will push California into even more persistent aridity. The study appears this week in the journal Geophysical Research Letters.

“A lot of people think that the amount of rain that falls out the sky is the only thing that matters,” said lead author A. Park Williams, a bioclimatologist at Columbia University’s Lamont-Doherty Earth Observatory. “But warming changes the baseline amount of water that’s available to us, because it sends water back into the sky.”

The study adds to growing evidence that climate change is already bringing extreme weather to some regions. California is the world’s eighth-largest economy, ahead of most countries, but many scientists think that the nice weather it is famous for may now be in the process of going away. The record-breaking drought is now in its fourth year; it is drying up wells, affecting major produce growers and feeding wildfires now sweeping over vast areas.

The researchers analyzed multiple sets of month-by-month data from 1901 to 2014. They looked at precipitation, temperature, humidity, wind and other factors. They could find no long-term rainfall trend. But average temperatures have been creeping up–about 2.5 degrees Fahrenheit over the 114-year period, in step with building fossil-fuel emissions. Natural weather variations have made California unusually hot over the last several years; added to this was the background trend. Thus, when rainfall declined in 2012, the air sucked already scant moisture from soil, trees and crops harder than ever. The study did not look directly at snow, but in the past, gradual melting of the high-mountain winter snowpack has helped water the lowlands in warm months. Now, melting has accelerated, or the snowpack has not formed at all, helping make warm months even dryer according to other researchers.

Due to the complexity of the data, the scientists could put only a range, not a single number, on the proportion of the drought caused by global warming. The paper estimates 8 to 27 percent, but Williams said that somewhere in the middle–probably 15 to 20 percent–is most likely.

Last year, the U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration sponsored a study that blamed the rain deficit on a persistent ridge of high-pressure air over the northeast Pacific, which has been blocking moisture-laden ocean air from reaching land. Lamont-Doherty climatologist Richard Seager, who led that study (and coauthored the new one), said the blockage probably has nothing to do with global warming; normal weather patterns will eventually push away the obstacle, and rainfall will return. In fact, most projections say that warming will eventually increase California’s rainfall a bit. But the new study says that evaporation will overpower any increase in rain, and then some. This means that by around the 2060s, more or less permanent drought will set in, interrupted only by the rainiest years. More intense rainfall is expected to come in short bursts, then disappear.

Many researchers believe that rain will resume as early as this winter. “When this happens, the danger is that it will lull people into thinking that everything is now OK, back to normal,” said Williams. “But as time goes on, precipitation will be less able to make up for the intensified warmth. People will have to adapt to a new normal.”

This study is not the first to make such assertions, but it is the most specific. A paper by scientists from Lamont-Doherty and Cornell University, published this February, warned that climate change will push much of the central and western United States into the driest period for at least 1,000 years. A March study out of Stanford University said that California droughts have been intensified by higher temperatures, and gives similar warnings for the future.

A further twist was introduced in a 2010 study by researchers at the NASA Goddard Institute for Space Studies. They showed that massive irrigation from underground aquifers has been offsetting global warming in some areas, because the water cools the air. The effect has been especially sharp in California’s heavily irrigated Central Valley–possibly up to 3.5 degrees Fahrenheit during some seasons. Now, aquifers are dropping fast, sending irrigation on a downward trajectory. If irrigation’s cooling effect declines, this will boost air temperatures even higher, which will dry aquifers further, and so on. Scientists call this process “positive feedback.”

Climatologist Noah Diffenbaugh, who led the earlier Stanford research, said the new study is an important step forward. It has “brought together the most comprehensive set of data for the current drought,” he said. “It supports the previous work showing that temperature makes it harder for drought to break, and increases the long-term risk.”

Jonathan Overpeck, co-director of the Institute of the Environment at the University of Arizona, said, “It’s important to have quantitative estimates of how much human-caused warming is already making droughts more severe.” But, he said, “it’s troubling to know that human influence will continue to make droughts more severe until greenhouse gas emissions are cut back in a big way.”


Journal Reference:

  1. A.P. Williams et al. Contribution of anthropogenic warming to California drought during 2012–2014Geophysical Research Letters, 2015 DOI: 10.1002/2015GL064924

With San Diego again drought-ridden, 1915 ‘Rainmaker’ saga is revisited (L.A. Times)

As California is finding out, drought can make people — and their governments — do things that might otherwise be unthinkable.

Take the San Diego of 1915.

With their small city beset by drought, civic leaders hired “moisture accelerator” Charles Hatfield, who claimed to have a secret formula of chemicals to produce rain.

“It was a disaster,” said Rick Crawford, supervisor of special collections at San Diego’s central library.

For $10,000, Hatfield promised to produce enough rain to fill the city’s depleted reservoirs. The otherwise fiscally conservative City Council agreed — although one councilman called the idea “foolishness.”

Charles Hatfield

Charles Hatfield scans the skies for signs of rain. The debate continues over whether he was a fraud or a man who had discovered an early forerunner to modern cloud-seeding. (Gordon Wallace / Los Angeles Times)

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FOR THE RECORD:
San Diego “rainmaker” case: An article in the June 1 California section about San Diego’s hiring in 1915 of “rainmaker” Charles Hatfield was accompanied by a historic photo of Hatfield on the ladder of a 20-foot tower, which was identified as one he had built east of San Diego. He did build such a tower for San Diego, aimed at “wringing moisture from the air”; however, the photo was of another tower, in Coalinga, Calif., in 1924.
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Hatfield and his younger brother built a 20-foot tower in the deep woods east of the city and began what one city official would later call “an incantation aimed at wringing moisture from the air.” Smoke drifted skyward.

What followed in January and early February of 1916 was a downpour — 30 inches of rain by some estimates.

Mission Valley flooded. The San Diego River jumped its banks. Farms, homes, bridges and businesses were swept away. Little Landers, a farming commune, was destroyed. Two dams were damaged and a third failed. Estimates of the deaths range from a dozen to 50.

Hatfield, who had done other rainmaking chores, decided to flee.

“Fearful of being lynched by angry farmers, Hatfield ‘got out of Dodge,’ as the saying goes, leaving town during the night,” wrote Dan Walker in his “Thirst for Independence: The San Diego Water Story,” published in 2004. “He never received his $10,000.”

When the waters receded, Hatfield returned and filed a lawsuit. Litigation dragged on for years, not settled until the San Diego County Superior Court rejected it in 1938.

From the “Hatfield Flood” came a legend that has endured for decades, inspiring books, historical reviews, at least two country-western songs and, very loosely, the 1956 movie “The Rainmaker” starring Burt Lancaster and Katharine Hepburn.

The debate continues over whether Hatfield was a fraud or a man who had discovered an early forerunner to modern cloud-seeding.

With San Diego again gripped by drought, the Hatfield saga is getting renewed notice: a display curated by Crawford in the special collections section of the downtown library and a short docu-drama on the Travel Channel.

Then, as now, San Diego was deeply concerned that its meager amount of native water will not sustain its population. By the late 19th century, San Diego officials were determined to capture as much rain runoff as possible. “We were building more dams than anybody in the world,” Crawford said.

A business organization called the San Diego Wide Awake Improvement Club demanded that the City Council do more to keep San Diego from withering with thirst.

When drought left the reservoirs at a low ebb, the council was ready to take a chance, even if it meant spending lots of money. The means have changed but not the motive; as Walker’s book suggests, the quest for water “independence” never ends in San Diego.

Modern-day officials have bet on an expensive deal for water from the Imperial Valley and a $1-billion desalination plant being built in Carlsbad.

In 1915, officials were taken with an impeccably dressed, politely earnest transplant from Kansas, the son of a devout Quaker family.

Charles Hatfield spoke in scientific terms and promised to work for free unless he could fill the Morena reservoir. He talked of having successfully using his rainmaking technique in Alaska, Los Angeles County, the San Joaquin Valley, Texas and Hemet. He had studied the works of other rainmakers, including the so-called Australian Wizard, and was familiar with the popular book “Elementary Meteorology.”

At first, San Diego rejoiced at the rain: “Rainmaker Hatfield Induces Clouds To Open,” read one headline.

Then concern set in, followed by distress and then horror as the water roared westward, unstoppable. The San Diego River, usually a few dozen yards wide, was calculated to be a mile in width.

“It seemed the rains would never end and the damage would never stop mounting,” historian Thomas Patterson wrote in a 1970 article for the San Diego History Center. “Great trees tumbled root over branch. Sticks of lumber, railroad ties and parts of houses floated crazily.”

Just what Hatfield did at his tower near Lake Morena is unclear.

Some accounts indicate he set the chemicals on fire and let the smoke drift upward.

Shelley Higgins, who later served as a Superior Court judge, wrote in his book “The Fantastic City of San Diego” that he went by the tower and saw Hatfield “shooting bombs” into the air.

The controversy and litigation did not hurt Hatfield’s career. Offers to make rain came from farmers and others throughout the Midwest and Texas.

The library exhibit includes a letter in 1920 from a New York-based sugar company begging Hatfield to come to Cuba. In 1929 he answered a plea from officials in Honduras to produce rain to douse a forest fire.

The Depression ended Hatfield’s rainmaking career; Dust Bowl farmers could not afford his services. He went back to his original trade: selling sewing machines.

Hatfield died in 1958 at age 82 and was buried in Glendale — never having revealed his chemical formula.

tony.perry@latimes.com

Twitter: @LATsandiego

Copyright © 2015, Los Angeles Times

FOR THE RECORD

June 5, 8:50 a.m.: A previous version of the photo caption misidentified the tower built by Charles Hatfield as being the one east of San Diego. The photo is of a similar tower in Coalinga, Calif., in 1924.

Say a prayer for rain? Interfaith ceremony gives it a try (L.A. Times)

June 20, 2015 9:50 PM

Bedeviled by drought, Great Plains settlers in the early 1890s developed a keen interest in rainmaking.

With funds appropriated by Congress, Gen. Robert St. George Dyrenforth set off gunpowder explosions in Texas under the theory that they could trigger friction and generate nuclei to produce moisture. When his test runs came up dry, disillusioned farmers and ranchers dubbed him “General Dryhenceforth.”

At a mosque in parched, sunny Chino on Saturday evening, roughly 500 people of many faiths and ages gathered to try a less concussive tack to end the Golden State’s four-year drought.

Praying for rain

People of different faiths gather at the Baitul Hameed Mosque in dry, sunny Chino to pray for an end to California’s drought. (Rick Loomis, Los Angeles Times)

Invoking the power of prayer, they beseeched God, Buddha, Allah, Yahweh, Brahma, Vishnu and Shiva to make it rain, already.

“Praise be to Allah, the Lord of the Universe, the Compassionate, the Merciful, the Master of the Day of Judgment,” Imam Mohammed Zafarullah recited in Arabic to male congregants on colorful prayer rugs outside the Baitul Hameed Mosque, about 40 miles east of Los Angeles. “There is no god but Allah Who does what He wishes. O Allah, Thou art Allah, there is no deity but Thou, the Rich, while we are the poor. Send down the rain upon us and make what Thou sendest down a strength and satisfaction for a time.”

The interfaith Prayer for Rain, sponsored by the Los Angeles chapter of the Ahmadiyya Muslim Community, had its seed in a Friday sermon that Dr. Ahsan M. Khan, president of the sect’s Los Angeles East chapter, heard on a visit to the headquarters mosque in London. The caliph, Mirza Masroor Ahmad, shared anecdotes of African villages where people accepted Islam after witnessing results when the local imams offered the Arabic prayer for rain.

With San Diego again drought-ridden, 1915 'Rainmaker' saga is revisited

With San Diego again drought-ridden, 1915 ‘Rainmaker’ saga is revisited

When Khan returned to Southern California, he proposed that members of the local mosque give it a try. Wearing a white sheet under a blistering sun, Zafarullah led the mosque’s congregants in their first-ever rain prayer in early May. Inspired, they decided to extend an invitation to other religious institutions for a collective event during the Muslim fasting month of Ramadan.

“Prayer for rain is actually common across different faiths,” said Khan, 38, an ophthalmologist with Kaiser.

Californians have been praying for rain for a while now. Early last year, the state’s Catholic bishops called for divine intervention and asked people of all faiths to join in prayers for rain as reservoirs dipped to historic lows.

“May God open the heavens, and let his mercy rain down upon our fields and mountains,” said the prayer composed by Bishop Jaime Soto of Sacramento.

Not long after, in March 2014 — days after Gov. Jerry Brown declared a state drought emergency — the first San Juan Intertribal rain dance was held in San Juan Bautista.

Alas, as bare mountaintops and shrinking reservoirs attest, the pleas of bishops and California Indians went unanswered.

That was no surprise to Michael Shermer, founder of the Skeptics Society. He dashed cold water on the whole idea that prayer, no matter how many faiths were involved, would make a difference.

“I think it’s ridiculous, of course,” he said. “This often happens not only with religions but also with con men during droughts in the 19th century and the Dust Bowl years.”

The Rev. Michael Miller, the priest at St. Margaret Mary Church in Chino, was more optimistic about the power of prayer to bring rain. He said he “was full of gratitude to the imam for calling us together” for Saturday’s ceremony.

He noted that all three of the world’s monotheistic religions — Judaism, Christianity and Islam — originated in the desert. “Water,” he said, “is important biologically and spiritually.”

After the ceremony, the members of the different faiths — Muslim, Roman Catholic, Mormon, Buddhist, Sikh, Christian Scientist — adjourned to a courtyard for a communal dinner.

Joe Sirard, a meteorologist with the National Weather Service in Oxnard, cheered them on in an interview days before the event.

“I’d recommend they pray for a strong El Niño this winter,” he said. “We need all the help we can get.”

martha.groves@latimes.com

Twitter: @MarthaGroves

Sabesp considera fim do Cantareira e corre contra o tempo (Exame)

JC, 5201, 22 de junho de 2015

A crise da água em São Paulo ainda não acabou

Depois que a seca do ano passado deixou São Paulo à beira de um racionamento severo de água, as chuvas do final do verão deram à Sabesp – a grande culpada pela crise, segundo autoridades municipais – uma segunda chance para aumentar investimentos em infraestrutura.

Com o início da estação seca, há uma corrida contra o tempo para desviar rios e conectar sistemas antes que os já prejudicados reservatórios de água fiquem baixos novamente.

A corrida contra o tempo ressalta a situação precária da maior metrópole da América do Sul após duas décadas sem nenhum grande projeto hídrico.

Os reservatórios ainda não se recuperaram da seca do ano passado e os meteorologistas estão prevendo meses mais quentes à frente por causa do fenômeno climático El Niño.

“A infraestrutura não foi a prioridade da Sabesp nos últimos anos. Eles não adotaram medidas para evitar a crise”, disse Pedro Caetano Mancuso, diretor do Centro de Referência em Segurança da Água da Universidade de São Paulo.

“Embora a Sabesp esteja disposta a fazer a lição de casa agora, a questão é se ela será concluída ou não a tempo de evitar um problema ainda maior”.

A Sabesp – empresa sob controle estatal -,disse que foi a severidade da seca do ano passado, e não a falta de investimentos em infraestrutura, a causa da crise.

“Nós estávamos preparados para uma seca tão ruim ou pior que a de 1953”, quando a Sabesp enfrentou uma crise similar, disse o presidente Jerson Kelman a vereadores, em uma audiência no dia 13 de maio.

“O que aconteceu em 2014 foi que tivemos metade do volume de chuva daquele ano. Para isso, nós não estávamos preparados”.

‘Previsível’

Em um relatório, em 10 de junho, a Câmara de Vereadores de São Paulo culpou a Sabesp pela crise que cortou o abastecimento em alguns bairros, dizendo que a seca já era previsível.

“Se a Sabesp tivesse investido os dividendos distribuídos na Bolsa de Nova York em obras para modernizar os sistemas que abastecem a capital e na manutenção da rede, não estaríamos enfrentando o racionamento travestido de redução de pressão”, disse Laércio Benko, vereador que liderou a comissão criada para investigar a escassez no abastecimento de água em São Paulo.

O maior dos projetos de infraestrutura que a Sabesp necessita neste ano para garantir o fornecimento de água potável está atrasado.

O projeto para conectar o Rio Pequeno ao reservatório da Billings, originalmente programado para ser concluído em maio, não será terminado até agosto devido a atrasos nas licenças ambientais e de uso da terra, disse a assessoria de imprensa da Sabesp em uma resposta a perguntas por e-mail. Se concluído neste ano, o pacote de cinco obras de emergência em que a Sabesp está investindo seria suficiente para evitar o racionamento, segundo a empresa.

Reservatório principal

Sem os projetos, e se as chuvas ficarem no nível do ano passado ou abaixo dele, a Sabesp projeta que seu reservatório principal – conhecido como Cantareira – poderá secar até agosto, segundo projeções internas obtidas pela Bloomberg News.

No pior cenário previsto pela empresa, poderá haver cortes no abastecimento de água na maior parte da área metropolitana de São Paulo cinco dias por semana, segundo o documento, que foi preparado como parte de um plano de contingência para São Paulo.

A Sabesp disse no e-mail que as chuvas, até agora, têm sido positivas. Para acelerar os investimentos de emergência agora, a Sabesp está cortando gastos e aumentando os preços da água. A empresa reduzirá os gastos com coleta e tratamento de esgoto pela metade neste ano, disseram executivos em uma teleconferência com investidores em abril. O aumento de tarifa reflete o “estresse financeiro” da Sabesp, disse o diretor financeiro Rui Affonso na conferência.

Queda das ações

As ações da Sabesp caíram 4,8 por cento na segunda-feira, pior desempenho das negociações em São Paulo, depois que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou ter entrado com uma liminar para impedir o aumento de tarifa.

“A seca do ano passado será totalmente sentida nos resultados deste ano”, disse Alexandre Montes, analista de ações da Lopes Filho Associados Consultores de Investimentos, em entrevista por telefone, do Rio. “Mesmo se a seca diminuir agora, e mesmo se tudo sair bem, os resultados da Sabesp vão cair”.

(Revista Exame)

Dia mundial de combate à desertificação e à seca (CGEE)

JC, 5198, 17 de junho de 2015

No Dia de Combate à Desertificação e à Seca, hoje, 17 de junho, especialista do CGEE alerta sobre deterioração do Semiárido brasileiro. O Centro desenvolve trabalhos voltados ao tema, em preparação para a 21ª Conferência das Partes (COP 21) da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), que ocorre no fim deste ano, em Paris, França

A velocidade em que as terras do Semiárido brasileiro se deterioram serve como um sinal de alerta para que o País invista cada vez mais em políticas públicas de pesquisa e ações afirmativas que possam encontrar soluções para o problema. As terras nordestinas são as mais castigadas com a seca, que já assola a região há quatro anos. Com os açudes esgotados, a situação, por lá, tende a ficar ainda mais grave, conforme analisa o assessor técnico do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), Antônio Magalhães.

Pautado nessa questão, o Centro, desenvolveu, com o apoio da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), a pesquisa Estado da arte da desertificação, degradação da terra e seca no Semiárido brasileiro: mapeamento das áreas vulneráveis, tecnologias e experiências de recuperação. O relatório será lançado como livro.

Além de avaliar experiências e as tecnologias aplicáveis à recuperação dos solos, da biodiversidade e da conservação dos recursos hídricos, a publicação, que deve ser disponibilizada, em breve, para download, mostra o panorama atual acerca da DLDD (sigla em inglês para Desertificação, Degradação da Terra e Seca) nas áreas mais suscetíveis a secas e processos de desertificação.

“A falta de planejamento na ocupação do solo conduz à sobrecarga do meio ambiente, levando à degradação da terra e de outros recursos naturais, como a água e as florestas”, explica Magalhães. O economista aponta, ainda, que a desertificação ocorre, em grande parte, sem a utilização de tecnologias que reduzem a perda de terras aráveis. “Pastagens com mais gado do que poderiam suportar se encaminham ao sobrepastoreio, o que prejudica o local”, afirma.

Magalhães, que já presidiu o Comitê Científico da Convenção das Nações Unidas para Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos de Secas (STC/UNCCD – sigla em inglês), destaca que todos os continentes lidam com a questão. Nas nações da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), por exemplo, os mais sérios problemas de desertificação e seca são encontrados em Angola, Moçambique e Cabo Verde. Na Guiné-Bissau, a situação é mais amena.

(Bianca Torreão – Assessora de Comunicação – CGEE)

Mais informações sobre o assunto:

Correio Braziliense – O deserto à espreita

California’s Snowpack Is Now Zero Percent of Normal (Slate)

By Eric Holthaus MAY 29 2015 2:56 PM

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A stump sits at the site of a manual snow survey on April 1, 2015 in Phillips, California. The current recorded level is zero, the lowest in recorded history for California. Photo by Max Whittaker/Getty Images

California’s current megadrought hit a shocking new low this week: On Thursday, the state’s snowpack officially ran out.

At least some measurable snowpack in the Sierra mountains usually lasts all summer. But this year, its early demise means that runoff from the mountains—which usually makes up the bulk of surface water for farms and cities during the long summer dry season—will be essentially non-existent. To be clear: there’s still a bit of snow left, and some water will be released from reservoirs (which are themselves dangerously low), but this is essentially a worst-case scenario when it comes to California’s fragile water supply.

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This week’s automated survey found California’s statewide snowpack had officially run out. California Department of Water Resources

The state knew this was coming and has been working to help soften the blow—but they’re fighting a losing battle. Bottom line: 2014 was the state’s hottest year in history, and 2015 is on pace to break that record. It’s been too warm for snow. Back in April, Gov. Jerry Brown enacted the state’s first-ever mandatory water restrictionsfor urban areas based mostly on the abysmal snowpack. In recent days, the state’s conservation efforts have turned to farmers—who use about 80 percent of California’s water.

With a burgeoning El Niño on the way, there’s reason to believe the rains could return soon—but not before October or November. The state’s now mired in such a deep water deficit that even a Texas-sized flood may not totally eliminate the drought.

Welcome to climate change, everyone.

Aided by the Sea, Israel Overcomes an Old Foe: Drought (The New York Times)

JERUSALEM — At the peak of the drought, Shabi Zvieli, an Israeli gardener, feared for his livelihood.

A hefty tax was placed on excessive household water consumption, penalizing families with lawns, swimming pools or leaky pipes. So many of Mr. Zvieli’s clients went over to synthetic grass and swapped their seasonal blooms for hardy, indigenous plants more suited to a semiarid climate. “I worried about where gardening was going,” said Mr. Zvieli, 56, who has tended people’s yards for about 25 years.

Across the country, Israelis were told to cut their shower time by two minutes. Washing cars with hoses was outlawed and those few wealthy enough to absorb the cost of maintaining a lawn were permitted to water it only at night.

“We were in a situation where we were very, very close to someone opening a tap somewhere in the country and no water would come out,” said Uri Schor, the spokesman and public education director of the government’s Water Authority.

But that was about six years ago. Today, there is plenty of water in Israel. A lighter version of an old “Israel is drying up” campaign has been dusted off to advertise baby diapers. “The fear has gone,” said Mr. Zvieli, whose customers have gone back to planting flowers.

As California and other western areas of the United States grapple with an extreme drought, a revolution has taken place here. A major national effort to desalinate Mediterranean seawater and to recycle wastewater has provided the country with enough water for all its needs, even during severe droughts. More than 50 percent of the water for Israeli households, agriculture and industry is now artificially produced.

During the drought years, farmers at Ramat Rachel, a kibbutz on the southern outskirts of Jerusalem, took water-economizing measures like uprooting old apple orchards a few years before their time. With the new plenty, water allocations for Israeli farmers that had been slashed have been raised again, though the price has also gone up.

“Now there is no problem of water,” said Shaul Ben-Dov, an agronomist at Ramat Rachel. “The price is higher, but we can live a normal life in a country that is half desert.”

With its part-Mediterranean, part-desert climate, Israel had suffered from chronic shortages and exploitation of its natural water resources for decades.

The natural fresh water at Israel’s disposal in an average year does not cover its total use of roughly 525 billion gallons. The demand for potable water is projected to rise to 515 billion gallons by 2030, from 317 billion gallons this year.

The turnaround came with a seven-year drought, one of the most severe to hit modern Israel, that began in 2005 and peaked in the winter of 2008 to 2009. The country’s main natural water sources — the Sea of Galilee in the north and the mountain and coastal aquifers — were severely depleted, threatening a potentially irreversible deterioration of the water quality.

Measures to increase the supply and reduce the demand were accelerated, overseen by the Water Authority, a powerful interministerial agency established in 2007.

Desalination emerged as one focus of the government’s efforts, with four major plants going into operation over the past decade. A fifth one should be ready to operate within months. Together, they will produce a total of more than 130 billion gallons of potable water a year, with a goal of 200 billion gallons by 2020.

Israel has, in the meantime, become the world leader in recycling and reusing wastewater for agriculture. It treats 86 percent of its domestic wastewater and recycles it for agricultural use — about 55 percent of the total water used for agriculture. Spain is second to Israel, recycling 17 percent of its effluent, while the United States recycles just 1 percent, according to Water Authority data.

Before the establishment of the Water Authority, various ministries were responsible for different aspects of the water issue, each with its own interests and lobbies.

“There was a lot of hydro-politics,” said Eli Feinerman of the faculty of agriculture, food and environment at the Hebrew University of Jerusalem, who served for years as a public representative on the authority’s council. “The right hand did not know what the left was doing.”

The Israeli government began by making huge cuts in the annual water quotas for farmers, ending decades of extravagant overuse of heavily subsidized water for agriculture.

The tax for surplus household use was dropped at the end of 2009 and a two-tiered tariff system was introduced. Regular household water use is now subsidized by a slightly higher rate paid by those who consume more than the basic allotment.

Water Authority representatives went house to house offering to fit free devices on shower heads and taps that inject air into the water stream, saving about a third of the water used while still giving the impression of a strong flow.

Officials say that wiser use of water has led to a reduction in household consumption of up to 18 percent in recent years.

And instead of the municipal authorities being responsible for the maintenance of city pipe networks, local corporations have been formed. The money collected for water is reinvested in the infrastructure.

Mekorot, the national water company, built the national water carrier 50 years ago, a system for transporting water from the Sea of Galilee in the north through the heavily populated center to the arid south. Now it is building new infrastructure to carry water west to east, from the Mediterranean coast inland.

In the parched Middle East, water also has strategic implications. Struggles between Israel and its Arab neighbors over water rights in the Jordan River basin contributed to tensions leading to the 1967 Middle East war.

Israel, which shares the mountain aquifer with the West Bank, says it provides the Palestinians with more water than it is obliged to under the existing peace accords. The Palestinians say it is not enough and too expensive. A new era of water generosity could help foster relations with the Palestinians and with Jordan.

Desalination, long shunned by many as a costly energy guzzler with a heavy carbon footprint, is becoming cheaper, cleaner and more energy efficient as technologies advance. Sidney Loeb, an American who was one of the scientists who invented the popular reverse osmosis method, came to live in Israel in 1967 and taught the water professionals here.

The Sorek desalination plant rises out of the sandy ground about nine miles south of Tel Aviv. Said to be the largest plant of its kind in the world,it produces 40 billion gallons of potable water a year, enough for about a sixth of Israel’s roughly eight million citizens.

Miriam Faigon, the director of the solutions department at IDE Technologies, the Israeli company that built three of the plants along the Mediterranean, said that the company had cut energy levels and costs with new technologies and a variety of practical methods.

Under a complex arrangement, the plants will be transferred to state ownership after 25 years. For now, the state buys Sorek’s desalinated water for a relatively cheap 58 cents a cubic meter — more than free rainwater, Ms. Faigon acknowledged, “but that’s only if you have it.”

Israeli environmentalists say the rush to desalination has partly come at the expense of alternatives like treating natural water reserves that have become polluted by industry, particularly the military industries in the coastal plain.

“We definitely felt that Israel did need to move toward desalination,” said Sarit Caspi-Oron, a water expert at the nongovernment Israel Union for Environmental Defense. “But it is a question of how much, and of priorities. Our first priority was conservation and treating and reclaiming our water sources.”

Some environmentalists also say that the open-ocean intake method used by Israel’s desalination plants, in line with local regulations, as opposed to subsurface intakes, has a potentially destructive effect on sea life, sucking in billions of fish eggs and larvae.

But Boaz Mayzel, a marine biologist at the Israel Union for Environmental Defense, said that the effects were not yet known and would have to be checked over time.

Some Israelis are cynical about the water revolution. Tsur Shezaf, an Israeli journalist and the owner of a farm that produces wine and olives in the southern Negev, argues that desalination is essentially a privatization of Israel’s water supply that benefits a few tycoons, while recycling for agriculture allows the state to sell the same water twice.

Mr. Shezaf plants his vines in a way that maximizes the use of natural floodwaters in the area, as in ancient times, and irrigates the rest of the year with a mix of desalinated water and fresh water. He prefers to avoid the cheaper recycled water, he says, because, “You don’t know exactly what you are getting.”

But experts say that the wastewater from Israel’s densely populated Tel Aviv area is treated to such a high level that no harm would come to anyone who accidentally drank it.

Water – 60 minutes (CBS)

VIDEO

Lesley Stahl reports on disturbing new evidence that our planet’s groundwater is being pumped out much faster than it can be replenished

The following is a script of “Water” which aired on Nov. 16, 2014, and was rebroadcast on May 31, 2015. Lesley Stahl is the correspondent.

Last fall, we brought you a story about something that has made headlines ever since — water. It’s been said that the wars of the 21st century may well be fought over water. The Earth’s population has more than doubled over the last 50 years and the demand for fresh water — to drink and to grow food — has surged along with it. But sources of water like rainfall, rivers, streams, reservoirs, certainly haven’t doubled. So where is all that extra water coming from? More and more, it’s being pumped out of the ground.

Water experts say groundwater is like a savings account — something you draw on in times of need. But savings accounts need to be replenished, and there is new evidence that so much water is being taken out, much of the world is in danger of a groundwater overdraft.

California is now in its fourth year of a record-breaking drought. This past winter was the hottest and driest since the state started keeping written records. And yet, pay a visit to California’s Central Valley and out of that parched land you’ll see acre upon acre of corn, almond trees, pomegranates, tomatoes, grapes. And what makes them all possible: water. Where do you get water in a drought? You take it out of the savings account: groundwater.

[Jay Famiglietti: When we talk about surface water, we’re talking about lakes and rivers. And when we’re talking about groundwater, we’re really talking about water below the water table.]

Jay Famiglietti, an Earth sciences professor at the University of California, Irvine, is a leading expert on groundwater.

Jay Famiglietti: It’s like a sponge. It’s like an underground sponge.

He’s talking about the aquifers where groundwater is stored — layers of soil and rock, as he showed us in this simple graphic, that are saturated with water and can be drilled into, like the three wells shown here.

Lesley Stahl: You can actually pump it out of the crevices?

Jay Famiglietti: Imagine like trying to put a straw into a sponge. You can actually suck water right out of a sponge. It’s a very similar process.

Sucking the water out of those aquifers is big business these days in the Central Valley. Well driller Steve Arthur is a very busy man.

Steve Arthur: All the farmers, they don’t have no surface water. They’ve got to keep these crops alive. The only way to do that is to drill wells, pump the water from the ground.

Lesley Stahl: So it’s either drill or go out of business?

Steve Arthur: Yes.

So there’s something of a groundwater rush going on here. Arthur’s seven rigs are in constant use and his waiting list is well over a year. And because some wells here are running dry, he’s having to drill twice as deep as he did just a year or two ago. This well will cost the farmer a quarter of a million dollars, and go down 1,200 feet — about the height of the Empire State Building.

“If we’re talking about a deeper aquifer, that could take tens or hundreds of years to recharge.”

Lesley Stahl: Are you and are the farmers worried that by going that deep you are depleting the ground water?

Steve Arthur: Well, yes, we are depleting it. But on the other hand, what choice do you have? This is the most fertile valley in the world. You can grow anything you want here. If we don’t have water to grow something, it’s going to be a desert.

He said many farmers think the problem is cyclical and that once the drought ends, things will be okay.

Lesley Stahl: Now when they take water out and it rains…

Jay Famiglietti: Yes.

Lesley Stahl: …doesn’t the water go back down there?

Jay Famiglietti: These aquifers near the surface, they can sometimes be replenished very quickly. If we’re talking about a deeper aquifer, that could take tens or hundreds of years to recharge.

Figuring out how much is being depleted from those aquifers deep underground isn’t easy. Hydrologist Claudia Faunt took us to what looked like someone’s backyard shed, where she and her colleagues at the U.S. Geological Survey monitor groundwater levels in the Central Valley the way they always have — by dropping a sensor down a monitoring well.

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Lesley Stahl: So this is a well.

Claudia Faunt: This is a well. So we have a tape here that has a sensor on the end.

Lesley Stahl: Oh, let me see.

The Geological Survey has 20,000 wells like this across the country.

Lesley Stahl: It’s a tape measure.

Claudia Faunt: It’s a tape measure.

Lesley Stahl: How will you know when it hits water?

Claudia Faunt: It’s going to beep.

By comparing measurements from different wells over time, they get the best picture they can of where groundwater levels stand. She unspooled and unspooled, until finally…

[Beep]

Lesley Stahl: Oh.

It startled me, as did the result: a five-foot drop in just one month.

Claudia Faunt: Right now, we’re reaching water levels that are at historic lows, they’re like…

Lesley Stahl: Historic lows?

Claudia Faunt: Right. At this site, water levels have dropped about 200 feet in the last few years.

Gathering data from holes in the ground like this has been the only way to get a handle on groundwater depletion. That is, until 2002, and the launch of an experimental NASA satellite called GRACE.

Lesley Stahl: What does GRACE stand for?

Mike Watkins: So GRACE stands for gravity recovery and climate experiment.

Mike Watkins is head of the Science Division at NASA’s Jet Propulsion Laboratory in Pasadena. He was the mission manager for the latest Mars rover mission and he is the project scientist for GRACE.

Mike Watkins: So the way GRACE works is it’s two satellites.

Lesley Stahl: Two?

Mike Watkins: They’re actually measuring each other’s orbit very, very accurately.

What affects that orbit is gravity.

Mike Watkins: As the first one comes up on some extra mass, an area of higher gravity, it gets pulled away…

Lesley Stahl: It goes faster.

Mike Watkins: …from the second spacecraft.

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And that’s where water comes in. Since water has mass, it affects the pull of gravity, so after the first GRACE satellite approaches an area that’s had lots of heavy rain for example, and is pulled ahead, the second one gets there, feels the pull and catches up. The instruments are constantly measuring the distance between the two.

Mike Watkins: Their changes in separation, their changes in their orbit are a little different this month than last month because water moved around and it changed the gravity field just enough.

So GRACE can tell whether an area has gained water weight or lost it.

Lesley Stahl: So GRACE is like a big scale in the sky?

Mike Watkins: Absolutely.

GRACE can also tell how much water an area has gained or lost. Scientists can then subtract out the amount of rain and snowfall there, and what’s left are the changes in groundwater.

Lesley Stahl: It’s kind of brilliant to think that a satellite in the sky is measuring groundwater.

Mike Watkins: It is fantastic.

Jay Famiglietti: I thought it was complete nonsense. There’s no way we can see groundwater from space.

Jay Famiglietti started out a skeptic, but that was before he began analyzing the data GRACE sent back. The first place he looked was India. He showed us a time-lapse animation of the changes GRACE detected there over the last 12 years. Note the dates on the lower right. The redder it gets, the greater the loss of water.

Lesley Stahl: Oh, look at that.

He calculated that more than half the loss was due to groundwater depletion.

Jay Famiglietti: And this is a huge agricultural region.

“So we’re talking about groundwater depletion in the aquifers that supply irrigation water to grow the world’s food.”

Lesley Stahl: Have they been doing the same kind of pumping…

Jay Famiglietti: Yes.

Lesley Stahl: …that we’re seeing in California?

Jay Famiglietti: Yes.

Lesley Stahl: It got so dark red.

Jay Famiglietti: Yeah, that’s bad.

His India findings were published in the journal “Nature.” But as he showed us, India wasn’t the only red spot on the GRACE map.

Jay Famiglietti: This is right outside Beijing, Bangladesh and then across southern Asia.

He noticed a pattern.

Jay Famiglietti: They are almost exclusively located over the major aquifers of the world. And those are also our big food-producing regions. So we’re talking about groundwater depletion in the aquifers that supply irrigation water to grow the world’s food.

If that isn’t worrisome enough, some of those aquifer systems are in volatile regions, for instance this one that is shared by Syria, Iraq, Iran and Turkey.

Jay Famiglietti: Turkey’s built a bunch of dams. Stored a bunch of water upstream. That forces the downstream neighbors to use more groundwater and the groundwater’s being depleted.

Lesley Stahl: Oh my.

Jay Famiglietti: We’re seeing this water loss spread literally right across Iran, Iraq and into Syria and down.

Lesley Stahl: It’s progressive.

“So the ground basically collapses or compresses down and the land sinks.”

Famiglietti, who’s now moved to the jet propulsion lab to work on GRACE, has started traveling around the world, trying to alert governments and academics to the problem, and he isn’t the only one who’s worried.

A 2012 report from the director of National Intelligence warned that within 10 years “many countries important to the United States will experience water problems … that will risk instability and state failure…” and cited the possible “use of water as a weapon or to further terrorist objectives.”

Lesley Stahl: Water is the new oil.

Jay Famiglietti: It’s true. It’s headed in that direction.

And what about our own food-producing regions, like California’s Central Valley, which produces 25 percent of the nation’s food. What is GRACE telling us there?

Lesley Stahl: 2008.

Jay Famiglietti: Right.

Lesley Stahl: ’09.

Jay Famiglietti: And now things are going to start to get very red.

Lesley Stahl: 2010.

GRACE is confirming what the geological survey well measures have shown, but giving a broader and more frightening picture, since it shows that the rainy years are not making up for the losses.

Lesley Stahl: ’14. Dark red.

Lesley Stahl: That’s alarming.

Jay Famiglietti: It should be.

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So much groundwater has been pumped out here that the geological survey says it’s causing another problem: parts of the valley are literally sinking. It’s called subsidence.

Claudia Faunt: So the ground basically collapses or compresses down and the land sinks.

Lesley Stahl: The land is sinking down.

She said at this spot, the ground is dropping several inches a year.

Claudia Faunt: And north of here, it’s more like a foot per year.

Lesley Stahl: That sounds like a lot, a foot a year.

Claudia Faunt: It’s some of the fastest rates we have ever seen in the valley, and in the world.

She says it’s caused damage to infrastructure: buckles in canals and sinking bridges. Here the land has sunk six feet. It used to be level with the top of this concrete slab.

Lesley Stahl: And this is because of the pumping of the groundwater?

Claudia Faunt: Yes.

Lesley Stahl: Is there any limit on a farmer, as to how much he can actually take out of this groundwater?

Claudia Faunt: Not right now in the state of California.

Lesley Stahl: None?

Claudia Faunt: As long as you put it to a beneficial use, you can take as much as you want.

But what’s beneficial to you may not be beneficial to your neighbor.

Lesley Stahl: When you dig a well like this, are you taking water from the next farm?

Steve Arthur: I would say yeah. We’re taking water from everybody.

Lesley Stahl: Well, is that neighbor going to be unhappy?

Steve Arthur: No. Everybody knows that there’s a water problem. Everybody knows you got to drill deeper, deeper. And it’s funny you say that because we’re actually going to drill a well for that farmer next door also.

“I can’t believe how brave I am. 45 minutes ago, this was sewer water.”

Making things worse, farmers have actually been planting what are known as “thirsty” crops. We saw orchard after orchard of almond trees. Almonds draw big profits, but they need water all year long, and farmers can never let fields go fallow, or the trees will die.

But with all the water depletion here, we did find one place that is pumping water back into its aquifer.

Lesley Stahl: Look, it really looks ickier up close.

We took a ride with Mike Markus, general manager of the Orange County Water District and a program some call “toilet to tap.” They take 96-million gallons a day of treated wastewater from a county sanitation plant — and yes, that includes sewage — and in effect, recycle it. He says in 45 minutes, this sewage water will be drinkable.

Mike Markus: You’ll love it.

Lesley Stahl: You think I’m going to drink that water?

Mike Markus: Yes, you will.

They put the wastewater through an elaborate three-step process: suck it through microscopic filters, force it through membranes, blast it with UV light. By the end, Markus insists it’s purer than the water we drink. But it doesn’t go straight to the tap. They send it to this basin and then use it to replenish the groundwater.

Jay Famiglietti: It’s amazing. Because of recycling of sewage water, they’ve been able to arrest that decline in the groundwater.

Lesley Stahl: All right. I’m going to do it. I’m going to do it.

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All that was left was to try it. To tell the truth, it wasn’t bad.

Lesley Stahl: I can’t believe how brave I am. Forty-five minutes ago, this was sewer water.

Mike Markus: And now, it’s drinkable.

He says it’s a great model for big cities around the country. But it’s not the answer for areas like the Central Valley, which is sparsely populated and therefore doesn’t produce enough waste. So at least for now, it’s continuing withdrawals from that savings account.

Lesley Stahl: Will there be a time when there is zero water in the aquifer for people in California?

Jay Famiglietti: Unless we take action, yes.

California has taken several actions. Last month, Governor Brown mandated a 25 percent cut in water use by homes and businesses. And the state also enacted a law that for the first time takes steps toward regulating groundwater. But the law could take 25 years to fully implement.

Cemaden faz nova projeção da reserva do Cantareira no período de seca (MCTI/Cemaden)

Levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais indica chuvas e reservas abaixo da média histórica até dezembro

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI) aponta no último relatório, publicado na quarta-feira (27), as situações críticas do Reservatório do Sistema Cantareira, indicando chuvas e reservas abaixo da média histórica, até dezembro deste ano.

Essa situação ocorrerá mesmo com a inclusão dos dados da diminuição da captação de água do reservatório, prevista para os meses de setembro até novembro, anunciada pelo Comunicado Conjunto da Agência Nacional de Água (ANA) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), na última semana de maio.

Com base nas redes pluviométricas do Cemaden e do DAEE, cobrindo as sub-bacias de captação do Sistema Cantareira, durante o período de outubro de 2014 a março de 2015, a precipitação média espacial acumulada foi de 879 milímetros (mm), equivalente a 73,5% da média climatológica, registrada em 1.161 mm para o mesmo período.

A precipitação média espacial acumulada no mês de abril de 2015 foi de 52,4 mm, representando 58,4% da média climatológica do mês, registrado em 89,83 mm. A chuva acumulada no período de 1º até 29 de maio de 2015 foi registrada com uma precipitação média de 55,3 mm, que representa 70,7% do total de chuvas da média histórica do mesmo período, registrada em 78,2 mm. No relatório, também são indicados os valores da precipitação média dos dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que têm algumas variações com relação aos dados do Cemaden.

Na situação atual, a vazão média do Sistema Cantareira, ou seja, o cálculo entre o volume de água e o seu reabastecimento com as chuvas, está abaixo da média climatológica. A vazão média afluente ao Sistema Cantareira no mês de maio foi de 14,02 metros cúbicos por segundo (m3/s), ou seja, 63,4% abaixo da vazão média mensal de 38,27 m3/s. Também está abaixo da vazão mínima histórica de 19,90 m3/s, representando apenas 29,5% do total da média histórica.

Projeções

O relatório do cenário hídrico do Sistema Cantareira, divulgado, periodicamente, desde janeiro de 2015, tem os cálculos das projeções da vazão afluente no modelo hidrológico, implementado pelo Cemaden, com base na previsão de chuva do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe para sete dias. A partir do oitavo dia, são apresentadas projeções com base em cinco cenários de chuvas (na média histórica, 25% e 50% abaixo e acima da média). Finalmente, considerando um cenário de extração ou captação de água do Sistema Cantareira são obtidas as projeções da evolução do armazenamento.

No último relatório, considerou-se a extração total do Sistema Cantareira igual a 17,0 m³ por segundo no período de 1º de junho a 31 de agosto e também no mês de dezembro de 2015. No período de 1º de setembro a 30 de novembro, considerou-se a captação de água dos reservatórios igual a 13,5 m³ por segundo.

No cenário de precipitações pluviométricas na média climatológica, no final da estação seca, início de outubro, o volume armazenado seria de 188,66 milhões de m3, aproximadamente. “Esse volume armazenado representa 14,9% da reserva total do Cantareira, ou seja, a soma do volume útil e os dois volumes mortos, com o total estimado em 1.269,5 milhões de m³”, destaca a hidróloga do Cemaden Adriana Cuartas, responsável pelo relatório do Cantareira.

Nesse cenário de precipitações dentro da média histórica, no dia 1º de dezembro de 2015, o volume armazenado seria, aproximadamente, de 227,72 milhões de m³, que representaria 17,9% do volume da reserva total do Cantareira.

Para um cenário de precipitações pluviométricas iguais à média climatológica, o chamado volume morto 1 seria recuperado ao longo da última semana de dezembro, aproximadamente. Considerando o cenário de chuvas 25% acima da média climatológica, o volume morto 1 seria recuperado na última semana de novembro.

Acesse o documento.

(MCTI, via Cemaden)

Sabesp faz investimento milionário em questionada técnica para fazer chover (UOL)

Thamires Andrade*

Do UOL, em São Paulo

28/05/201512h09

Até o fim deste ano, a Sabesp terá repassado R$ 12,5 milhões sem ter feito uma licitação

Até o fim deste ano, a Sabesp terá repassado R$ 12,5 milhões sem ter feito uma licitação (Lucas Lacaz Ruiz/Estadão Conteúdo)

Enquanto alega necessidade de “garantir o equilíbrio econômico-financeiro” para justificar a alta na conta de água, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) mantém um negócio de mais de R$ 8 milhões com a ModClima, uma empresa que oferece uma técnica de indução de chuvas artificiais. Especialistas ouvidos pelo UOL dizem, porém, que o método não é eficaz.

De acordo com documentos da Sabesp obtidos via Lei de Acesso à Informação, a companhia já fechou quatro contratos com a empresa. Nos dois mais recentes, assinados no ano passado, a Sabesp já pagou R$ 2,4 milhões de um total de R$ 8,1 milhões previstos para fazer chover nos sistemas Cantareira e Alto Tietê, os mais afetados pela crise da água na região metropolitana de São Paulo.

Nos dois anteriores, com vigência 2007/2008 e 2009/2013, respectivamente, foram repassados R$ 4,3 milhões — já somados os reajustes. Desde 2007, portanto, a ModClima recebeu quase R$ 7 milhões da Sabesp.

Até o fim deste ano, a Sabesp terá repassado R$ 12,5 milhões sem ter feito nenhum tipo de contrato de licitação. A empresa alega que não era necessário abrir esse processo, pois a ModClima possui “patente de tecnologia utilizada”. Ou seja, ela seria a única empresa detentora desse tipo de tecnologia e, consequentemente, a única capaz de prestar o serviço.

Para o professor livre-docente do IAG-USP (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo) Augusto Jose Pereira Filho, a Sabesp contratou a empresa para não ser acusada de não fazer nada diante da crise de abastecimento de água.

“Foi dinheiro jogado fora. Era melhor utilizar essa verba para outros objetivos, como campanhas de conscientização e redução de perda de água, do que usar em técnicas que ainda não têm comprovação científica”, afirma.

A técnica

A tecnologia, utilizada pela ModClima, é chamada de semeadura e é realizada com um avião que lança gotículas de água dentro da nuvem para acelerar sua precipitação.

As gotas ganham volume e, quando estão pesadas o suficiente, a chuva localizada acontece. Segundo a empresa, chove de 5 a 40 milímetros. O tempo de semeadura dura entre 20 e 40 minutos.

“A semeadura consiste em imitar o processo de crescimento dos hidrometeoros [meteoros aquosos] que, quando atingem o tamanho correto dentro da nuvem, provocam a precipitação. Um avião lança dentro da nuvem gotículas de gelo, cristais ou outra partícula – de acordo com o tipo desta nuvem [quente ou fria] – para acelerar o início da chuva, mas para isso é necessário estar no lugar certo e na hora certa”, explica o professor Carlos Augusto Morales Rodriguez, do Departamento de Ciências Atmosféricas do IAG-USP.

A nuvem deve ter uma densidade adequada para que ocorra a precipitação, mas, segundo Rodriguez, a meteorologia tem dificuldades para identificar as nuvens em condições para a efetivação do processo.

“O radar meteorológico usado pela empresa contratada pela Sabesp não é capaz de identificar a nuvem que está em processo de precipitação, mas, sim, as nuvens que já estão chovendo. Portanto a técnica da empresa é ineficaz, já que, quando o avião entra na nuvem, ela já está chovendo”, explica Rodriguez.

Rodriguez afirma ainda que a empresa fez a semeadura no sistema Cantareira como se o local tivesse nuvens do tipo quente. “O Estado de São Paulo é composto por nuvens frias e, para acelerar a precipitação, era necessário uma técnica adequada para esta região, como o uso de iodeto de prata e gelo seco”, explica.

Tanto Rodriguez quanto Pereira Filho fizeram avaliações independentes do trabalho da empresa e concluíram que a técnica não tinha a eficácia desejada.

“Em uma avaliação de 2003/2004 constatamos que a técnica não funcionou, mas mesmo assim a Sabesp contratou a empresa novamente”, diz Filho. “Fui convidado pelo diretor da Sabesp para conversar com os representantes da ModClima e, durante a reunião, os relatos eram descabidos do ponto de vista científico.”

Ele também questiona os resultados da técnica no ano passado. De acordo com o documento da Sabesp obtido via Lei de Acesso à Informação, só no ano passado a técnica induziu precipitação de 25 hm³ (hectômetro cúbico, o equivalente a 25 bilhões de litros) no sistema Cantareira e 6 hm³ no sistema Alto Tietê (equivalente a 6 bilhões de litros).

“Relatos da Sabesp diziam que houve aumento de 30% de chuvas nos sistemas por causa da técnica, mas a porcentagem e os resultados são duvidosos, pois não é fácil medir de que maneira a semeadura contribuiu de fato para aumentar a precipitação local”, argumenta Filho.

Procurada, a empresa ModClima informou que sua comunicação atual está concentrada na Sabesp e que não responderia as perguntas da reportagem.

A Sabesp não indicou nenhum representante para explicar a contratação dos serviços para provocar chuvas artificiais nem respondeu questões complementares enviadas pelo UOL. *Com colaboração de Wellington Ramalhoso

Presidente de CPI defende que prefeitura de SP aplique multas à Sabesp (Estadão)

Em São Paulo

13/05/201515h19

11.mai.2015 - Carroceria de veículo fica visível na margem da represa Jaguari-Jacareí, no interior de São Paulo, devido ao baixo nível das águas

11.mai.2015 – Carroceria de veículo fica visível na margem da represa Jaguari-Jacareí, no interior de São Paulo, devido ao baixo nível das águas. Pablo Schettini/Futura Press/Futura Press/Estadão Conteúdo

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Sabesp na Câmara Municipal de São Paulo, vereador Laércio Benko (PHS), afirmou nesta quarta (13) que a comissão defenderá uma posição mais efetiva da prefeitura de São Paulo em relação à aplicação de multas contra a Sabesp. A companhia de saneamento comandada pelo governo paulista cortou o fornecimento sem aviso prévio, enfrenta dificuldades na atividade de recapeamento de ruas após obras realizadas e ainda despeja esgoto em mananciais, segundo ele.

“Temos que fazer com que Sabesp devolva à Prefeitura, através de multas, aquilo que ela não praticou. Temos que propor penalidades ao prefeito, e também cobrar dele que a prefeitura realize a regularização dos nossos mananciais onde há ocupação indevida”, afirmou Benko, após o encerramento da sessão de hoje da CPI da Sabesp.

O relatório que está sendo elaborado pelo vereador Nelo Rodolfo (PMDB) também cita outra medida importante que deve ser levada à avaliação dos vereadores que compõem a CPI. Ele defende a criação de uma agência reguladora municipal, nos mesmos moldes da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), esta estadual. “Mas ainda quero pensar mais sobre essa questão, para não estarmos apenas criando mais uma autarquia”, disse.

Benko reforçou, após a sessão da CPI, a contrariedade em relação ao fato de a Sabesp ser uma empresa listada em Bolsa. Durante a sessão, que contou com a presença do presidente da Sabesp, Jerson Kelman, o vereador criticou a distribuição de dividendos em um momento no qual a companhia precisa fazer investimentos para garantir o abastecimento de água.

Kelman rebateu a afirmação alegando que a Sabesp, por ser uma empresa aberta, deve respeitar a legislação e distribuir o equivalente a 25% do lucro líquido anual, o que foi proposto para 2015. Benko classificou com um “tapa na cara do cidadão paulistano” a distribuição de dividendos em um momento como o atual.

O vereador chegou a propor que a Sabesp fizesse provisões para recursos a serem destinados a obras, mas a possibilidade foi descartada pelo presidente da companhia de saneamento. “A provisão é um detalhe contábil. Para garantirmos investimentos em nosso planejamento plurianual, é preciso que tenhamos lucro para poder investir”, disse Kelman após a sessão.

O relatório do vereador Rodolfo também deve levantar a possibilidade de o contrato entre Sabesp e a prefeitura de São Paulo ser reavaliado. Nesse caso, pondera Benko, a grande dúvida estaria em quem assumiria o trabalho de saneamento feito pela Sabesp. O presidente da CPI afirmou que ainda não há convergência em relação ao pré-relatório elaborado pelo colega do PMDB. As atividades da CPI serão encerradas no próximo dia 29 de maio e o relator tem um prazo de até 15 dias, após essa data, para a conclusão do documento.

Responsabilidade

Questionado sobre a não convocação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, à CPI da Sabesp, Benko ressaltou que a comissão convocou aqueles que eram considerados os principais envolvidos no processo: Kelman e a ex-presidente da Sabesp, Dilma Pena. “Acredito que o governador estava muito mal assessorado pela antiga presidência da Sabesp, e que agora chegou uma pessoa que abriu os olhos de todos”, disse Benko, que disputou a eleição a governador de São Paulo em 2014 contra o governador reeleito Alckmin. O governo de São Paulo é controlador da Sabesp e, como tal, indica o maior número de membros do conselho de administração da companhia de saneamento.

“Após o início do trabalho da CPI, em que nós desmascaramos a Dilma Pena, mostramos que ela estava administrando a Sabesp de uma forma péssima e foi trocada a presidência da Sabesp, as coisas começaram a funcionar”, disse. “Mas não estou dizendo que o governador não tenha responsabilidade, nem que ele tenha”, complementou. Benko disse que os vereadores podem entrar com ação popular, medida que pode ser feita por qualquer cidadão, e criticou a ausência do procurador geral do Estado às sessões da CPI.

Em relação à situação de abastecimento da cidade neste momento, o presidente da CPI destacou que não há um rodízio, mas sim a redução da pressão, o que afeta o abastecimento principalmente na região Norte do município, atendida pelo sistema Cantareira. “Precisamos torcer para a chuva. Rodízio eu acredito que não vai haver, mas a falta de água vai se agravar”, previu Benko.

Torneiras secam em São Paulo. Nível baixo do reservatório Atibainha, do sistema Cantareira, é percebido pela marca de água na ponte; desmatamento do Rio Amazonas, a centenas de quilômetros de São Paulo, pode estar contribuindo para a seca. Ao se cortar a floresta, sua capacidade de liberar umidade no ar é reduzida, diminuindo as chuvas no Sudeste Mauricio Lima/The New York Times