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Anthropologist, professor at the Federal University of São Paulo

Crise hídrica em São Paulo – 10 de novembro de 2014

Mais da metade das 54 nascentes de SP estão secas, revela pesquisa (Portal do Meio Ambiente)

PUBLICADO 04 NOVEMBRO 2014.

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Desrespeito do homem pela natureza é a principal causa. Pesquisa da Unesp foi feita no interior de São Paulo.

Uma pesquisa feita por biólogos da UNESP revela uma situação alarmante, no interior de São Paulo. Mais da metade das 54 nascentes de água que estão sendo monitoradas secaram na última década. A falta de chuva agravou o problema, mas a causa principal é o desrespeito do homem pela natureza.

Em 2003, os pesquisadores recolheram amostras de dezenas de córregos e nascentes do interior de São Paulo. Agora, eles voltaram a esses locais e constataram que a situação piorou muito. “Nesse período a gente conseguiu quantificar que 81% desses riachos anteriormente mostrados, perderam qualidade aquática de maneira geral e perderam volume de água”, fala a pesquisadora da UNESP Lilian Casatti.

Das 54 nascentes documentadas na pesquisa, 34 tem menos da metade de água que tinham há dez anos e 29 estão secas. É o caso da nascente do rio São José dos Dourados, um dos mais importantes da região noroeste de São Paulo. Até pouco tempo atrás, a área era coberta de água e agora a nascente simplesmente desapareceu e deu lugar a um caminho tomado de lixo.
Em outra nascente, a do Rio Preto, um dos mais importantes do interior paulista, quase não dá para ver água. Foto feita pelos pesquisadores há onze anos mostra uma área bem diferente. Dava para ver o curso da água bem definido. Agora ele quase não aparece. No lugar cresceu uma vegetação típica de terrenos assoreados.

“O que é o assoreamento, nada mais é que a entrada de terra dentro desses riachos. Essa vegetação só cresce em locais úmidos e locais que tem um substrato – uma terre para ela crescer porque ela é enraizada”, explica a pesquisadora da UNESP Jaquelini Zeni.
O que faltou na maior parte das nascentes que secaram são as chamadas matas ciliares. Elas impedem que terra, areia e outros sedimentos acabem bloqueando a saída da água nas nascentes.

Há dez anos, uma das nascentes quase não tinha água. Nesse período, a área foi toda reflorestada e hoje, apesar da seca recorde em São Paulo, a água está em quantidade bem razoável. “A gente tem que começar a plantar realmente árvores nesses riachos, do lado desses riachos pra gente poder daqui um tempo colher água, porque senão, a gente vai enfrentar situações extremas, como a gente está vendo”, completa Jaquelini.

Veja a matéria no site do Jornal Hoje

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10/11/2014 – 12h50

Falta d’água: não é uma crise ocasional (IHU On-Line)

por Patricia Fachin e Andriolli Costa, do IHU On-Line

Entre as razões que explicam a crise hídrica e de abastecimento no estado de São Paulo, “uma mudança climática intensa” é, “sem dúvida”, o elemento central para compreender a “maior crise de abastecimento e a maior crise hídrica nos últimos 100 anos”, diz o pesquisador José Galizia Tundisi à IHU On-Line, em entrevista concedida por telefone.

“As causas dessa crise estão relacionadas a uma seca muito intensa e à falta de precipitação. Para dar um exemplo, em outubro deste ano teríamos de ter tido 130 milímetros de chuva, como é o esperado, mas tivemos só 30”, exemplifica.

Na avaliação do especialista, a “magnitude da crise” foi uma surpresa, mas a resolução do problema não passa por “fazer mais do que já estava sendo feito”. Segundo ele, “o estado de São Paulo tem um sistema de controle de qualidade e quantidade de água bem estabelecido” e, portanto, “nem o Sistema Federal, nem o Sistema Estadual poderiam fazer muito mais, dada a magnitude da crise e a rapidez com que ela ocorreu”. Tundisi critica e alerta a politização que tem sido feita em relação ao tema. “Não poderia haver uma politização da crise, uma vez que isso não é benéfico para ninguém”, pontua.

De acordo com ele, o “Sistema da Cantareira está sofrendo uma enorme depressão de volume de água”, e se não chover nos próximos 30 dias “vamos ter de usar as últimas reservas de água do Cantareira e a partir daí tenho impressão de que deverão ser mobilizados outros tipos de transposição de águas, de outras represas, para que com isso se possa aportar mais água ao sistema e para que ele não entre em colapso”, esclarece.

Tundisi explica ainda que a crise hídrica pode ser estendida a outros estados brasileiros, pois há um “desequilíbrio hidrológico”. “Estamos passando por uma série de mudanças climáticas muito sérias, está havendo extremos hidrológicos. (…)Há um processo de desequilíbrio hidrológico em algumas áreas, por exemplo, em áreas muita secas, há excesso de chuva. Por outro lado, a seca no Nordeste esse ano foi a maior dos últimos cinquenta anos, e o excesso de chuva e de precipitações no Sul resultou que, nas Cataratas do Iguaçu, em julho deste ano, houve um excesso de 46 milhões de litros de água por segundo despejados, sendo que a média é um milhão e meio, ou seja, há desequilíbrios. Portanto, é com esses problemas regionais e continentais que o país terá de lidar”.

José Galizia Tundisi é graduado em História Natural, mestre em Oceanografia na University of Southampton e doutor em Ciências Biológicas (Botânica) pela Universidade de São Paulo – USP. Atualmente é professor titular aposentado da USP e professor titular do curso de Qualidade Ambiental da Feevale. É presidente da Associação Instituto Internacional de Ecologia e Gerenciamento Ambiental – IIEGA e pesquisador do Instituto Internacional de Ecologia – IIE. Suas pesquisas são financiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq.

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Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais são as razões da crise de abastecimento de água em São Paulo?

José Tundisi – A principal razão, sem dúvida nenhuma, é uma mudança climática muito intensa que está ocorrendo, e disso temos praticamente a maior crise de abastecimento e a maior crise hídrica nos últimos 100 anos. E, portanto, as causas dessa crise estão relacionadas a uma seca muito intensa e à falta de precipitação. Para dar um exemplo, em outubro deste ano deveríamos ter tido 130 milímetros de chuva, como é o esperado, mas tivemos só 30, portanto, essa é a causa principal.

IHU On-Line – Durante a disputa eleitoral deste ano, a crise de abastecimento de água foi usada como método de acusação de um partido contra o outro. Era possível em âmbito federal e estadual ter tomado medidas que evitassem essa crise?

José Tundisi – Acredito que não. O estado de São Paulo tem um sistema de controle de qualidade e quantidade de água bem estabelecido há muito tempo e não se trata de fazer mais do que já estava sendo feito. Na verdade houve, sob certo ponto de vista, uma surpresa até na magnitude da crise, porque se esperava uma crise, mas não dessa magnitude.

A crise vem se estabelecendo já há alguns anos, mas havia uma diminuição. De todo modo, acho que nem o Sistema Federal nem o Sistema Estadual poderiam ter feito muito mais, dada a magnitude da crise e a rapidez com que ela ocorreu, porque a crise foi muito rápida, de modo que em outra entrevista, dada ao jornal Folha de S. Paulo, eu já tinha alertado que não poderia haver uma politização da crise, uma vez que isso não é benéfico para ninguém.

Continuo achando isso e continuo dizendo que deve haver uma união de esforços no sentido de procurar soluções de longo prazo e que sejam mais adequadas. Na verdade, o que está se desenhando é que a crise será muito mais longa do que parece; ela não é uma crise ocasional, é uma crise quase que permanente pelo menos por alguns anos. E evidentemente é preciso encontrar soluções que enfrentem esse problema de uma forma por um lado emergencial e, de outra, com medidas estruturais e não estruturais de longo prazo.

IHU On-Line – É possível pensar que uma crise de abastecimento, tal qual ocorre em São Paulo, se alastre por outros estados brasileiros?

José Tundisi – É possível, sim. Nós estamos passando por uma série de mudanças climáticas muito sérias, estão ocorrendo extremos hidrológicos, porque quando se fala em crise de água, quer dizer que em alguns casos no Brasil há excessos hidrológicos, que é o próprio caso do Rio Grande do Sul. Portanto, há um processo de desequilíbrio hidrológico, em algumas áreas com muitas secas, e, em outras, com excesso de chuva. Por exemplo, a seca no Nordeste este ano foi a maior dos últimos cinquenta anos, enquanto o excesso de chuva e de precipitações no Sul resultou que, nas Cataratas do Iguaçu, em julho deste ano, houve um excesso de 46 milhões de litros de água por segundo despejados, sendo que a média é um milhão e meio. Portanto, é com esses problemas regionais e continentais que o país terá de lidar.

IHU On-Line – Quais são os reservatórios de água considerados críticos hoje no país?

José Tundisi – Se você olhar as hidrelétricas de Minas Gerais, por exemplo, elas têm problemas, Furnas também, todos os reservatórios do Rio Grande do sul, do Paranapanema, do próprio Tietê, têm problemas de seca. A hidrovia Tietê-Paraná parou de funcionar por causa da seca e, portanto, a crise atinge uma área grande do Brasil, atinge também uma parte do Rio de Janeiro e uma parte do Paraíba. Portanto, todo esse conjunto deve ser considerado como uma séria ameaça à economia e à saúde pública do país e a uma grande parte da população do país, que se concentra principalmente na região Sudeste.

O que é muito significativo é que se fala muito em “quantidade de água”, mas não existe uma preocupação com “qualidade de água” e esse é outro problema. Inclusive levantei essa questão na semana passada com o presidente da Academia Brasileira de Ciências, e sugeri que a Academia faça um alerta aos governos federal, estaduais e municipais para chamar a atenção para o problema da qualidade da água e da saúde pública associada à seca ou às enchentes, porque isso também tem problemas com as enchentes.

O pessoal quer água, muito bem, mas que tipo de água? O que essa água vai causar? Hoje, em certas regiões de São Paulo, se distribui água em caminhões-pipa. De onde vem essa água e qual a sua qualidade? Então isso precisa ser considerado.

IHU On-Line – Quem é o presidente atual da Academia Brasileira de Ciências e qual a posição que a academia demonstrou?

José Tundisi – O presidente atual é o professor Jacob Palis. A Academia Brasileira de Ciências vai fazer uma reunião dias 21 e 22 de novembro em São Paulo, juntamente com a Academia de Ciências do Estado de São Paulo, para discutir a crise de abastecimento e a seca no Sudeste do estado. Aí vai ser discutido e provavelmente vamos apresentar um comunicado ao país em função da discussão dos especialistas; seguramente deveremos produzir um documento que vai incluir também a questão da qualidade e um alerta às secretarias da saúde, por exemplo, com a finalidade de que se possa chamar a atenção para o problema e pedir que as autoridades tomem medidas preventivas de extremo cuidado com relação à qualidade da água.

IHU On-Line – Qual o papel de cientistas e especialistas para chamar a atenção dos poderes públicos para as medidas mais efetivas no combate e prevenção nesse tipo de crise?

José Tundisi – Nós temos de atuar de uma forma propositiva e ao mesmo tempo de alerta, propondo medidas seguras para que se possa enfrentar a crise. Vou dar um exemplo: uma represa que é frequentada por cerca de 10 mil pessoas nos finais de semana, que não tinha nenhum problema de qualidade de água, começou a apresentar problemas severos de qualidade de água na região de São Carlos, de Pirapina e de Brotas, e isso me obrigou a escrever um laudo aos prefeitos dessas cidades, aos secretários da saúde e à promotoria pública no sentido de impedir o contato direto da população com essa água, ou seja, impedir o banho, porque as condições de balneabilidade da represa, em 43 anos, superaram e muito as condições mínimas da Organização Mundial da Saúde para a balneabilidade. Então, o que nós temos de fazer é alertar os poderes públicos e os sistemas de controle de vigilância sanitária para impedir que a população possa, por exemplo, utilizar a água de má qualidade e sofrer efeitos de saúde. Nós não temos o poder de impedir isso, mas os setores públicos têm, e a nossa função é alertá-los para que eles possam tomar as medidas necessárias.

IHU On-Line – Qual é a atual situação do Sistema da Cantareira?

José Tundisi – O Sistema da Cantareira está sofrendo uma enorme depressão de volume de água, e com isso nós estamos esperando que se não chover dentro de mais ou menos 30 dias, vamos ter de usar as últimas reservas de água da Cantareira. A partir daí tenho a impressão de que deverão ser mobilizados outros tipos de transposição de águas, de outras represas, para que com isso se possa aportar mais água ao sistema e para que ele não entre em colapso.

No caso de São Paulo especificamente, o problema não é só para abastecimento público; a hidrovia fechou, mas a hidroeletricidade é fundamental, porque, por exemplo, São Paulo é o maior produtor de suco de laranja do mundo, São Carlos é um dos maiores produtores de etanol do mundo, e tudo isso depende de água e de abastecimento. Bom, esse é um problema que deve ser considerado dentro de um contexto mais amplo, não só de abastecimento público, de modo que a questão da Cantareira entra na questão do abastecimento público, mas há outros problemas subjacentes de saúde pública, de economia, geração de emprego e renda, por exemplo, de queda na produção, os quais devem ser considerados.

IHU On-Line – Especialistas dizem que o desmatamento em bacias hidrográficas contribui para diminuir a quantidade e a qualidade das águas. Quais são as bacias hidrográficas de São Paulo mais degradadas e por quais razões elas se encontram em tal estado?

José Tundisi – São várias razões. Apesar dos esforços que têm sido feitos para a recuperação de bacias hidrográficas, com reflorestamento, etc. — e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP tem tido um papel fundamental nesse projeto de recuperação da biodiversidade terrestre através do reflorestamento, porque ela teve um grande programa que mobilizou justamente no sentido de restaurar bacias hidrográficas —, nós temos algumas bacias, especialmente nas regiões metropolitanas, que sofreram esses processos de desmatamento. No interior do estado também, por causa da urbanização, há um impacto de desmatamento dos mananciais em muitas cidades; por outro lado, algumas cidades utilizam recursos hídricos subterrâneos, que também estão sob pressão. Então, entre essas causas todas, sem dúvida nenhuma, o desmatamento é um dos problemas mais sérios da escassez de água.

IHU On-Line – Qual o nome das bacias em estado crítico?

José Tundisi – Bacia do Baixo Cotia, na região metropolitana de São Paulo; no Rio Sorocaba tem um programa de reflorestamento muito bem sucedido, no Rio Jundiaí também, no Rio Jacaré Pepira também. Já outros rios afluentes do Tietê, por exemplo, na Bacia do Tietê Jacaré, sofreram desmatamento forte por causa da plantação de cana-de-açúcar. Então, não é algo contínuo, é espalhado no estado em função dos impactos da urbanização, da industrialização e da agricultura.

IHU On-Line – Como e em que sentido a degradação dos biomas brasileiros impacta nos recursos hídricos? Nesse sentido, qual é o papel do Cerrado para garantir o abastecimento de água no país?

José Tundisi – O Cerrado tem um papel importante porque tem um milhão e meio de metros quadrados, mas o bioma foi muito impactado com o movimento da agroindústria, especialmente de soja, e evidentemente a recomposição das áreas de mananciais no Cerrado é uma das grandes prioridades. Nessa próxima etapa de governo — e eu dizia isso antes da eleição, qualquer que fosse o governo —, o grande fator de mobilização pode ser um megaprojeto de reflorestamento no Brasil todo; isso gera empregos, protege o meio ambiente, os mananciais, a qualidade da água, porque, em regiões onde há proteção a partir do manancial, se gasta muito pouco para tratar a água. Em contrapartida, num manancial degradado, sem cobertura vegetal e sem proteção, o custo do tratamento pode ser até cem vezes maior. Portanto, há uma relação muito forte entre a questão da proteção da biota terrestre, especialmente a vegetação e a biodiversidade terrestre, e a qualidade e quantidade de água. Isso é fundamental para restaurar as reservas hídricas do país; isso em nível de Brasil, não é apenas em São Paulo.

IHU On-Line – Já é possível vislumbrar os impactos do Código Florestal nos recursos hídricos? Quais são os principais equívocos do Código Florestal aprovado há pouco mais de dois anos sobre os recursos hídricos?

José Tundisi – Por enquanto, ainda não, até porque esse Código Florestal já vem sendo “estuprado” há muito tempo, não é de agora que ele tem sido alterado. Eu fui muito contra o estabelecimento de metas físicas para proteger a vegetação ao longo dos rios, porque se falou muito em cinco metros, dez metros, trinta metros. Isso não existe; o que existe é o rio e a sua calha e a área de inundação do rio. A proteção deve ir até onde o rio pode inundar as suas margens, porque aí é que está a vegetação que tolera a inundação: podem ser cinco, dez ou cem metros. Essa questão é que precisaria ser discutida, mas não foi. É o rio e a sua calha, e não a metragem fixada pelo homem. Não é o homem quem tem que fixar a metragem até onde vai a vegetação; quem tem que fixar essa metragem é a capacidade de manter o ecossistema funcionando.

IHU On-Line – Em sua opinião, quais são os outros equívocos que o Código Florestal traz?

José Tundisi – Faltou uma visão mais clara de incentivos em relação à proteção. Precisaria ser mais incisivo com relação aos incentivos que se pode dar para aqueles que protegem as áreas de vegetação e o próprio reflorestamento. A recomposição de serviços dos ecossistemas, por exemplo, e o pagamento de serviços ambientais, poderiam ter sido mais enfatizados nesse projeto.

IHU On-Line – Que medidas estão sendo desenvolvidas para resolver o problema de abastecimento em São Paulo?

José Tundisi – As medidas emergenciais são aquelas que o governo está tomando em função da transposição de água de alguns reservatórios para outros. São Paulo está fazendo também uma adutora grande que vai buscar água no Rio São Lourenço, na região sul do estado de São Paulo, e que traria mais água para o abastecimento, mas isso vai demorar mais um pouco. De todo modo, emergencialmente estão sendo efetuadas medidas de transposição de água de bacia, também estão sendo efetuados incentivos para que as pessoas utilizem menos água, ou prêmios com bônus para que as pessoas economizem água, o que também é importante nessa questão; e, também, em áreas críticas, a disponibilização de caminhões-pipa para abastecer as cidades onde há situações muito críticas. Ainda precisa mais, deve-se pensar em transposição de água de outras regiões, em dessalinização de água na Baixada Santista, o que pode ser um fator importante de produção de água doce em larga escala para a população da região metropolitana, de modo que essas medidas ainda não foram tomadas, mas seguramente nós vamos influenciar para que elas possam ser tomadas.

IHU On-Line – O que a crise hídrica de São Paulo revela sobre o sistema hídrico brasileiro?

José Tundisi – Falhas da governança, falhas na capacidade de mensuração, principalmente da qualidade da água e monitoramento integrado. Além disso, o tripé qualidade da água, quantidade de água e governança está desconectado. O principal problema é este, de todos os lados nós temos falhas. Temos uma excelente lei de recursos hídricos, mas cuja implementação é muito lenta e de difícil desenvolvimento, e, além disso, há um problema de governança: os nossos comitês e agências de bacias deveriam estar funcionando em todo território nacional, com recursos próprios gerados na bacia para recuperação dessas bacias. Então, lentidão nas execuções da lei de recursos hídricos, que eu repito, é uma das melhores do mundo, e integração muito pouco efetiva entre quantidade de água, qualidade de água e governança, e mais participação popular na economia de água.

IHU On-Line – Ainda que não possamos politicalizar a crise, não é importante cobrar dos nossos políticos que eles desenvolvam um pensamento mais sistêmico, que seja capaz de fazer ligações entre, por exemplo, o desmatamento e os incentivos a uma exploração desenfreada e a falta de água, é pensar não só as causas, mas o sistema que leva a isso?

José Tundisi – Claro, completamente de acordo. Isso precisa ser feito com urgência. O Congresso precisaria se mobilizar para poder colocar leis de incentivos mais efetivas e leis de estímulo à mobilização, e também pensar de uma forma mais ampla em todo o sistema de gestão de águas no Brasil com mais competências das agências, a capacidade de integração das agências federais com as agências estaduais e inclusive com o sistema municipal.

Na região do Sul, especialmente no Vale do Rio dos Sinos, que conheço bem — sou professor titular da Universidade Feevale —, temos trabalhado muito essa questão do Vale do Rio dos Sinos e a integração do comitê de bacias, do qual a Unisinos e a Feevale fazem parte, e outras universidades da região mais as prefeituras. Isso tem de ser integrado de uma forma mais efetiva, com o apoio do governo estadual e do governo federal, de tal forma que isso possa ser realmente um conjunto de ações efetivas.

O problema todo é que no Brasil tem bons projetos, bons planos e fraca execução. Esse é o eterno problema deste país: a execução é fraca, é falha e lenta. Esse é o problema do Brasil em todas as áreas, especialmente nos setores públicos federal, municipal e estadual. Tem bons planos, bons projetos, tem recursos, e na hora de executar existem grandes falhas, ou porque os executores não foram treinados, ou porque os executores não têm essa visão sistêmica ou então têm essa visão mais setorizada do processo, mas o principal é capacitação. Por isso nós estamos fazendo um grande esforço para capacitar gestores, para capacitar gerentes, para capacitar pesquisadores que se integrem ao sistema de gestão e com isso melhorar o processo de execução.

* Publicado originalmente no site IHU On-Line.

(IHU On-Line)

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10/11/2014 – 10h59

Nível de água volta a cair no Cantareira e em cinco mananciais de SP (Agência Brasil)

por Marli Moreira, da Agência Brasil

Sistema Cantareira atinge volume zero em 2014 mes de junho20140515 0003 406x270 Nível de água volta a cair no Cantareira e em cinco mananciais de SP

O nível do Sistema Cantareira teve nova queda ao passar de 11,4%, ontem (9), para 11,3% hoje (10), incluindo a segunda cota da reserva técnica, segundo informa a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Esse manancial e os cinco restantes no estado devem continuar caindo até quarta-feira (12), quando o tempo permanecerá seco.

De acordo com o meteorologista Marcelo Schneider, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), de hoje até quarta-feira, predominará o clima com sol entre nuvens e temperatura agradável.

“Com a passagem de uma frente fria vinda do oceano poderemos ter o ar mais úmido e alguma chance de áreas de instabilidade já na noite de quarta-feira e pancadas de chuva na quinta-feira, mas serão de curta duração”, informou.

Schneider disse que as áreas de instabilidade deverão se deslocar rumo à região central do país passando pela zona da mata, em Minas Gerais, e no Espírito Santo.

Ontem (9), com apenas garoa em pontos isolados, também ocorreram baixas nos reservatórios dos demais sistemas de abastecimento: o Sistema Alto Tietê (de 8,3% para 8,2%); o Guarapiranga (de 36,6% para 36,4%); o Alto Cotia (de 30,4% para 30,3%); o Rio Grande (de 67,1% para 66,8%) e o Rio claro (de 39,2% para 38,5%).

Na semana passada, o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, defendeu a necessidade de se aumentar a produção de água em São Paulo para algo em torno de 60 metros cúbicos por segundo, até 2035. Na avaliação dele, além da construção de novos reservatórios, o ideal é minimizar as perdas na distribuição e buscar alternativas de reuso.

* Edição: Marcos Chagas.

** Publicado originalmente no site Agência Brasil.

(Agência Brasil)

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10/11/2014 – 10h08

Edital prevê plantio de 1 milhão de mudas no Cantareira (SOS Mata Atlântica)

por Redação da SOS Mata Atlântica

restauracao centro mudas clickarvore 614x430 Edital prevê plantio de 1 milhão de mudas no Cantareira

A Fundação SOS Mata Atlântica lançou edital para seleção de áreas prioritárias para a restauração florestal da Mata Atlântica, com propostas que colaborem para conservar e proteger os recursos hídricos do Sistema Cantareira.

Por meio do programa Clickarvore, que apoia iniciativas e projetos de restauração florestal, serão investidos até R$ 2 milhões em propostas enviadas até o dia 15 de janeiro por pessoas físicas ou jurídicas, associações, OSCIPs ou ONGs ambientalistas e por proprietários de terras.

A chamada pública, com recursos do Bradesco Cartões e Bradesco Seguros, prevê a doação de até 1 milhão de mudas de espécies florestais nativas da Mata Atlântica.

O objetivo é recuperar até 400 hectares de mata, promovendo assim a conservação de 4 milhões de litros de água por ano na área de abrangência do Sistema Cantareira. Em meio a uma crise hídrica, o conjunto de bacias há 30 anos convive com quase 80% de desmatamento de sua cobertura florestal nativa e hoje possui apenas 48,8 mil hectares de remanescentes, ou 21,5% de sua área de Mata Atlântica original.

As propostas, para áreas entre 15 e 30 hectares, deverão ter como foco principal as Áreas de Preservação Permanente da Bacia Hidrográfica e mananciais que compõem o Sistema Cantareira.

Acesse o edital aqui.

Os projetos do edital irão beneficiar até 12 municípios de São Paulo e Minas Gerais, com a respectiva porcentagem de vegetação nativa existente:

cantareira Edital prevê plantio de 1 milhão de mudas no Cantareira

Todas as propostas devem ter prazo de conclusão até 11 de dezembro de 2015.

Para mais informações, acesse o documento completo em http://bit.ly/Click-2014.

* Publicado originalmente no site SOS Mata Atlântica.

(SOS Mata Atlântica)

This Lawyer’s New Job Is Defending Climate Scientists From Political Attacks (Climate Progress)

POSTED ON NOVEMBER 10, 2014 AT 2:57 PM

This Lawyer’s New Job Is Defending Climate Scientists From Political Attacks

Lauren Kurtz, the new Executive Director of the Climate Science Legal Defense Fund.

Lauren Kurtz, the new Executive Director of the Climate Science Legal Defense Fund. CREDIT: CLIMATE SCIENCE LEGAL DEFENSE FUND

Lauren Kurtz, a once-budding biologist turned accomplished attorney, is frustrated. She thinks it’s ridiculous that climate scientists have become targets of politically motivated attacks.

“I think science is very important, and I think the increased politicization of climate science is a really horrible turn of events,” Kurtz, the new Executive Director of theClimate Science Legal Defense Fund, told ThinkProgress. “I am really excited to be able to combat that.”

On Monday, Kurtz became the first-ever Executive Director of the CSLDF, a group that works to stem and prevent harassment of climate scientists. In her new position there, Kurtz says she hopes to expand the group’s network of attorneys who will volunteer to represent embattled climate scientists in court free of charge. The end goal, she said, is to help climate scientists do their jobs without fear of politically motivated retaliation.

“One of our main goals is educating scientists on their legal rights and what they’re up against,” Kurtz said. “If and when things arise, we want to move as quickly as possible.”

The problem Kurtz hopes to address is a real one. Scientists who perform climate-related research have increasingly been the subject of personal attacks — email hacking, copiousonline abuse, a dead rat left on a scientists’ doorstep. At least one prominent scientist has been the subject of a failed lawsuit by a right-wing policy group, alleging manipulation of data, and demanding copies of personal emails and other communications under the Freedom of Information Act.

Many climate scientists say these attacks are political, perpetrated by people who can’t accept the policy solutions to the problem of human-caused global warming.

“I firmly believe that I would now be leading a different life if my research suggested that there was no human effect on climate,” said climate scientist Benjamin D. Santer during a Congressional hearing in 2010. “We need to follow the research wherever it leads us, without fear of the consequences of speaking truth to power.”

The CSLDF was founded with that goal in mind. It was created in 2011 by Professors Scott Mandia and John Abraham, after they learned that climate scientist Michael Mann was using his personal funds to defend himself against the now-infamous lawsuitbrought by the American Tradition Institute. Mandia and Abraham formed the group, and in 24 hours raised $10,000 to allow Mann to continue his research while fighting the case.

Mann, who eventually won his case, told ThinkProgress he was happy to see Kurtz in the CSLDF’s new leadership position.

“From what I have seen, she is a premier litigator,” he said. “I’m sure she’ll serve CSLDF well as their new executive director.”

Kurtz does come from a prestigious background in law. To take the new job at CSLDF, she left her job of more than four years as a litigator for Dechert LLP, a high-ranking global law firm with more than 900 attorneys. Before that, she worked at the U.S. Environmental Protection Agency, first as a policy associate and then as a law clerk.

Though her career ended up in law, it began in science. It evolved, however, when she realized how difficult it was to get anything done with the scientific results of her studies. Kurtz, who received her undergraduate degree in biology from Bryn Mawr College, remembers specifically how she felt while working on a conservation biology study of population decline of native bee populations.

“I felt really frustrated at the time that I was studying this, that there was a well-documented decline [in bee populations], but politically it didn’t seem to be going anywhere,” she said.

The feeling of wanting to change the political environment drove her to study environmental law and policy. She eventually received her Masters degree in environmental policy from the University of Pennsylvania, then went on to receive her law degree there as well.

“I have an immense amount of respect for scientists and I think it’s an interesting area to study, but ultimately what I was more passionate about was promoting science in a policy area,” she said. “This position’s got a similar thread, which is making sure policy decisions reflect what the science says, and separating people’s thoughts on science from what their political agendas are.”

Dilma tem encontro com Alckmin para buscar saída para crise hídrica (Vermelho.org)

10 de novembro de 2014 – 10h02

Reafirmando o compromisso de diálogo feito durante o discurso da vitória, após a confirmação dos resultados das eleições em 26 de outubro, a presidenta Dilma Rousseff reúne-se nesta segunda-feira (10) com o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) para buscar uma saída para a crise hídrica em São Paulo.

Em 2011, a presidenta Dilma recebeu em audiência o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para discutir investimentos de infraestrutura e mobilidade

Em 2011, a presidenta Dilma recebeu em audiência o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para discutir investimentos de infraestrutura e mobilidade

A presidenta já determinou à sua equipe empenho total para ajudar o governador paulista. No encontro será discutida uma série de medidas estimadas em R$ 18,7 bilhões, a maioria para obras ainda não iniciadas e outra pequena parte para projetos em andamento.

A falta de água em São Paulo atingiu o seu ponto mais crítico nos últimos dois meses. O volume do Sistema Cantareira, principal represa do estado que abastece a capital paulista, atingiu 11,4%, o que representa o volume mais baixo desde que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) decidiu incluir, no fim de outubro, a segunda cota do volume morto. A segunda cota do volume morto foi utilizada porque o nível do Cantareira estava em apenas 3%, o mais baixo já registrado na história.

Bancos públicos

“Temos um conjunto de obras [em médio prazo] a serem feitas e a participação do governo federal é importante”, disse Alckmin. A ajuda federal ao governo de São Paulo será feita por meio dos bancos públicos, tão criticados pelo guru econômico dos tucanos, Armínio Fraga durante as eleições presidenciais. As obras em curso contarão com um empréstimo da Caixa de R$ 1,8 bilhão para a construção do sistema São Lourenço, adutora para reforçar o fornecimento em zonas críticas, além de obras como a interligação dos reservatórios de Jaguari e Atibainha, no Cantareira.

Entre as obras de longo prazo estão as chamadas de “super-estruturantes”, como a transposições do rio Juquiá e do reservatório Jurumirim, no rio Paranapanema, hoje destinados ao abastecimento de energia, todas estimadas em R$ 12,4 bilhões e que responderiam por metade da vazão que São Paulo precisa cumprir até 2030.

Além da questão hídrica, o encontro também deve discutir a liberação de recursos de convênios já firmados para a construção da linha 13 da CPTM, que liga São Paulo ao aeroporto de Guarulhos, e o prolongamento da linha 9-Esmeralda até Varginha, na zona sul.

Com informações de agências

Dados que governo segurou mostram desmatamento alto (Folha de S.Paulo)

JC 5062, 10 de novembro de 2014

Perda de cobertura vegetal na Amazônia cresceu 122% em agosto e setembro, ante o mesmo período de 2013, informa a Folha de sábado

Agora é oficial: o desmatamento na Amazônia disparou em agosto e setembro. Foram devastados 1.626 km² de florestas, um crescimento de 122% sobre os mesmos dois meses de 2013.

O governo federal já conhecia esses dados antes do segundo turno da eleição presidencial, realizado no último dia 26 –a divulgação do aumento no desmatamento poderia prejudicar a votação da presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição.

Veja a matéria completa em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/194542-dados-que-governo-segurou-mostram-desmatamento-alto.shtml

(Marcelo Leite/Folha de S.Paulo)

*   *   *

Amazônia morre e jornais não veem (Folha de S.Paulo)

A continuar nesse ritmo, só os mortos de sede vão testemunhar o fim da floresta amazônica, publica Leão Serva em artigo na Folha

A imprensa parece ter acordado para a maior tragédia ambiental em curso nesta região do planeta, a destruição acelerada da Amazônia. Mas talvez agora já seja tarde demais: há fortes sinais de falência do [http://goo.gl/G154Uk] sistema amazônico, que inclui a floresta e sua influência sobre o clima continental.

Veja a matéria completa em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/194887-amazonia-morre-e-jornais-nao-veem.shtml

(Folha de S.Paulo)

Latour on digital methods (Installing [social] order)

Capture

In a fascinating, apparently not-peer-reviewed non-article available free online here, Tommaso Venturini and Bruno Latour discuss the potential of “digital methods” for the contemporary social sciences.

The paper summarizes, and quite nicely, the split of sociological methods to the statistical aggregate using quantitative methods (capturing supposedly macro-phenomenon) and irreducibly basic interactions using qualitative methods (capturing supposedly micro-phenomenon). The problem is that neither of which aided the sociologist in capture emergent phenomenon, that is, capturing controversies and events as they happen rather than estimate them after they have emerged (quantitative macro structures) or capture them divorced from non-local influences (qualitative micro phenomenon).

The solution, they claim, is to adopt digital methods in the social sciences. The paper is not exactly a methodological outline of how to accomplish these methods, but there is something of a justification available for it, and it sounds something like this:

Thanks to digital traceability, researchers no longer need to choose between precision and scope in their observations: it is now possible to follow a multitude of interactions and, simultaneously, to distinguish the specific contribution that each one makes to the construction of social phenomena. Born in an era of scarcity, the social sciences are entering an age of abundance. In the face of the richness of these new data, nothing justifies keeping old distinctions. Endowed with a quantity of data comparable to the natural sciences, the social sciences can finally correct their lazy eyes and simultaneously maintain the focus and scope of their observations.

Colombian indigenous court convicts Farc guerrillas (BBC)

BBC

10 November 2014 Last updated at 03:22 GMT

The seven accused appeared before some 3,000 members of the Nasa community

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An indigenous court in western Colombia has convicted seven left-wing Farc guerrillas over the murder of two leaders of the Nasa tribe.

Five were sentenced to between 40 and 60 years in jail and two others will receive 20 lashes.

The two victims had been removing posters praising a Farc leader when they were killed.

Indigenous authorities in Colombia have jurisdiction in their own territories unless this contravenes national law.

The verdict and sentences were decided after several hours of debate by an assembly of about 3,000 members from the indigenous reserve in the Cauca province town of Toribio.

Gabriel Pavi, leader of the Northern Cauca indigenous councils association, said the guerrillas were captured “in uniform and with rifles” and that “all are indigenous”.

The harshest sentence – 60 years in jail – was given to a man who confessed to killing the two native leaders.

Four other defendants received 40 years each for having “fired indiscriminately” on other members of the community, said Mr Pavi.

Two teenagers also arrested – reportedly aged 14 and 17 – were sentenced to 20 lashes. They are to be held at a rehabilitation centre until they are 18, at which point a new assembly will reconsider their cases.

Following the trial, the weapons used by the guerrillas were destroyed in front of the tribal court.

The sentences will be served in the state prison at Popayan, capital of Cauca.

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The guerrillas’ guns were destroyed in front of the indigenous court

Como falar sobre a crise hídrica na sala de aula (Porvir)

24/10/2014 – 12h57

por Marina Lopes, do Porvir

A falta de água pode servir de gancho para discutir sobre gestão de recursos hídricos e consumo consciente

Nos últimos meses, as discussões sobre a água e o consumo consciente ganharam espaço em razão do período de seca nas regiões sudeste e nordeste e com a crise no abastecimento que atinge o estado de São Paulo, maior metrópole do país. Atualmente, o Sistema Cantareira, principal responsável por abastecer a região, opera com apenas 3% do volume dos seus reservatórios. Diante desse cenário, como o professor pode discutir o tema em sala de aula? O Porvir conversou com alguns especialistas e reuniu uma lista com dicas de recursos digitais que podem auxiliar os educadores.

Segundo o geógrafo Wagner Costa Ribeiro, da Universidade de São Paulo, a escola precisa mudar a forma como trata sobre os recursos hídricos nacionais. “A criança e o adolescente não podem ter o mito da abundância da água reforçado.” Para ele, o Brasil tem um nível bastante elevado, mas essa água está distribuída de maneira desigual. “Ela é abundante na escala nacional, mas é muito escassa em locais como a região metropolitana de São Paulo”, apontou Wagner.

Educacaocrisehidrica Como falar sobre a crise hídrica na sala de aula

O especialista acredita que a crise vivida na cidade representa um problema de gestão, já que nos últimos anos não foram adotadas medidas voltadas para a ampliar os sistemas de captação, diminuir perdas durante o armazenamento e estimular reuso da água. “Infelizmente, nada disso foi realizado. Em um período mais seco, não temos ações de contingência”, afirmou.

O momento de crise, onde parte da população fica sem água nas torneiras durante horas ou até dias, pode servir para despertar a discussão sobre o uso da água. “A ideia é que o consumo consciente seja um hábito trabalhado desde a infância”, defendeu Denise Conselheiro, coordenadora do Edukatu, rede de aprendizagem sobre consumo consciente. Segundo ela, isso garante que as próximas gerações tenham essas práticas muito mais incorporadas ao seu dia a dia.

De acordo com a representante do Edukatu, para falar sobre esse tema na escola, o professor deve recorrer ao uso de atividades lúdicas e a uma linguagem divertida. “A abordagem precisa ser diferente”. Além disso, é preciso trazer as questões sobre o uso da água para o cotidiano do aluno, como o risco de desperdício dentro da própria escola.

Uma sugestão de atividade, apresentada por Wagner Costa Ribeiro, da USP, é de pedir para os alunos levarem a conta de água para escola. Na sala de aula, o professor pode comparar o consumo de cada família com a média geral da turma. A partir daí, ele consegue discutir maneiras de promover o uso racional dos recursos hídricos. No ensino médio, ele também pode acrescentar o debate sobre o modelo de gestão hídrica adotado na cidade.

A partir de buscas em sites como a Escola Digital, o Portal do Professor (MEC) e o Edukatu, o Porvir reuniu algumas dicas de recursos digitais que podem auxiliar os professores a falarem sobre o tema. Confira a lista:

Água em números

Com a linguagem de um infográfico animado, o vídeo apresenta dados da distribuição de água no planeta, consumo e desperdício em situações do dia a dia. A animação mostra que um buraco de três milímetros no encanamento, por exemplo, pode desperdiçar 3.200 litros de água por dia.

Etapa: ensino fundamental e médio
Disponível on-line
Fonte: Escola Digital

Como prevenir a seca

Produzido pela equipe do site Planeta Sustentável, o infográfico apresenta alternativas para o uso racional da água. A arte também divide o consumo de acordo com o segmento – agricultura, indústrias ou uso doméstico. Segundo os dados apresentados no infográfico, o setor agrícola é responsável por 70% do consumo global.

Etapa: ensino fundamental e médio
Disponível on-line
Fonte: Escola Digital

Quadrinhos sobre a água

A história em quadrinhos fala sobre a importância da água e como ela está distribuída no planeta. A partir dos diálogos entre os personagens, o aluno pode perceber que a água existe em abundancia no globo, mas apenas uma pequena parte dela é própria para o consumo.

Etapa: ensino fundamental
Disponível on-line
Fonte: Escola Digital

Atividades sobre o uso da água

Disponíveis para download, o conjunto de atividades reúne jogos e testes sobre o tema água. O material tenta conscientizar o aluno sobre a importância de promover o uso racional dos recursos hídricos.

Etapa: ensino fundamental
Disponível offline
Fonte: Portal do Professor

Atividades sobre a importância da água

O recurso digital reúne materiais que falam sobre a importância da água no meio ambiente. Além disso, as atividades também tratam sobre a constituição hídrica do planeta e como ela é disponibilizada para o consumo humano.

Etapa: ensino fundamental
Disponível offline
Fonte: Portal do Professor

Como a água chega até as nossas torneiras?

A imagem ilustra o caminho que a água percorre, desde quando é retirada da natureza, até o momento em que chega às torneiras de uma casa. Também é possível ver alguns processos de armazenamento de água nas estações de tratamento.

Etapa: ensino fundamental
Disponível offline
Fonte: Portal do Professor

Percurso da Água no Edukatu

No Edukatu o professor conta um percurso de aprendizado inteiro dedicado ao tema água. O material está disponível em duas fases: na primeira, ele apresenta recursos digitais que ampliam o conhecimento sobre a temática de forma lúdica; na segunda parta, é apresentado para o educador a proposta de desenvolver um projeto de intervenção no ambiente escolar, podendo incluir ações de conscientização sobre o uso racional da água.

(obs: para ter acesso ao material, o professor deve realizar um cadastro no site)

Etapa: ensino fundamental e médio
Disponível on-line
Fonte: Edukatu

* Publicado originalmente no site Porvir.

(Porvir)

Médicos que ‘ressuscitam mortos’ querem testar técnica em humanos (BBC)

Técnica para estender vidas por algumas horas nunca foi testada em humanos

“Quando seu corpo está com temperatura de 10 graus, sem atividade cerebral, batimento cardíaco e sangue – é um consenso que você está morto”, diz o professor Peter Rhee, da universidade do Arizona. “Mas ainda assim, nós conseguimos trazer você de volta.”

Rhee não está exagerando. Com Samuel Tisherman, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, ele comprovou que é possível manter o corpo em estado “suspenso” por horas.

O procedimento já foi testado com animais e é o mais radical possível. Envolve retirar todo o sangue do corpo e esfriá-lo até 20 graus abaixo da sua temperatura normal.

Quando o problema no corpo do paciente é resolvido, o sangue volta a ser bombeado, reaquecendo lentamente o sistema. Quando a temperatura do sangue chega a 30 graus, o coração volta a bater.

Os animais submetidos a esse teste tiveram poucos efeitos colaterais ao despertar. “Eles ficam um pouco grogue por um tempo, mas no dia seguinte já estão bem”, diz Tisherman.

Testes com humanos

Tisherman causou um frisson internacional este ano quando anunciou que está pronto para fazer testes com humanos. As primeiras cobaias seriam vítimas de armas de fogo em Pittsburgh, na Pensilvânia.

Nesse caso, são pacientes cujos corações já pararam de bater e que não teriam mais chances de sobreviver, pelas técnicas convencionais. O médico americano teme que, por conta de manchetes imprecisas na imprensa, tenha-se criado uma ideia equivocada da sua pesquisa

Peter Rhee ajudou a criar técnica inovadora que envolve retirar o sangue do paciente

“Quando as pessoas pensam no assunto, elas pensam em viajantes espaciais sendo congelados e acordados em Júpiter, ou no [personagem] Han Solo, de Guerra nas Estrelas”, diz Tisherman.

“Isso não ajuda, porque é importante que as pessoas saibam que não se trata de ficção científica.”

Os esforços para trazer as pessoas de volta do que se acredita ser a morte já existem há décadas. Tisherman começou seus estudos com Peter Safar, que nos anos 1960 criou a técnica pioneira de reanimação cardiorrespiratória. Com uma massagem cardíaca, é possível manter o coração artificialmente ativo por um tempo.

“Sempre fomos criados para acreditar que a morte é um momento absoluto, e que quando morremos não tem mais volta”, diz Sam Parnia, da Universidade Estadual de Nova York.

“Com a descoberta básica da reanimação cardiorrespiratória nós passamos a entender que as células do corpo demoram horas para atingir uma morte irreversível. Mesmo depois que você já virou um cadáver, ainda existe como resgatá-lo.”

Recentemente, um homem de 40 anos no Texas sobreviveu por três horas e meia com a reanimação cardiorrespiratória.

Segundo os médicos de plantão, “todo mundo com dois braços foi chamado para se revezar fazendo as compressões no peito do paciente”.

Durante a massagem, ele continuava consciente e conversando com os médicos, mas caso o procedimento fosse interrompido, ele morreria. Eventualmente ele se recuperou e acabou sobrevivendo.

Esse caso de rescucitação ao longo de um grande período só funcionou porque não havia uma grande lesão no corpo do paciente. Mas isso é raro.

‘Limbo’

A técnica desenvolvida agora por Tisherman é baseada na ideia de que baixas temperaturas mantêm o corpo vivo por mais tempo – cerca de uma ou duas horas.

O sangue é retirado e no seu lugar é colocada uma solução salina que ajuda a rebaixar a temperatura do corpo para algo como 10 a 15 graus Celsius.

Em experiência com porcos, cerca de 90% deles se recuperaram quando o sangue foi bombeado de volta. Cada animal passou mais de uma hora no “limbo”.

Técnica de massagem cardíaca já ajuda a estender a vida de pessoas com paradas

“É uma das coisas mais incríveis de se observar: quando o coração começa a bater de novo”, diz Rhee.

Após a operação, foram realizados vários testes para avaliar se houve dano cerebral. Aparentemente nenhum porco apresentou problemas.

O desafio de obter permissão para testar em humanos tem sido enorme até agora. Tisherman e Rhee finalmente receberam permissão para testar sua técnica com vítimas de tiros em Pittsburgh.

Um dos problemas a ser contornado é ver como os pacientes se adaptam com o sangue de outra pessoa. Os porcos receberam o próprio sangue congelado, mas no caso dos humanos será necessário usar o estoque do banco de sangues.

Se der certo, os médicos acreditam que a técnica poderia ser aplicada não só vítimas de lesões, como tiros e facadas, mas em pessoas com ataque cardíaco.

A pesquisa também está levando a outros estudos sobre qual seria a melhor solução química para reduzir o metabolismo do corpo humano.

Leia a versão desta reportagem original em inglês no site BBC Future.

Transitions between states of matter: It’s more complicated, scientists find (Science Daily)

Date: November 6, 2014

Source: New York University

Summary: The seemingly simple process of phase changes — those transitions between states of matter — is more complex than previously known. New work reveals the need to rethink one of science’s building blocks and, with it, how some of the basic principles underlying the behavior of matter are taught in our classrooms.

Melting ice. The seemingly simple process of phase changes — those transitions between states of matter — is more complex than previously known. Credit: © shefkate / Fotolia

The seemingly simple process of phase changes — those transitions between states of matter — is more complex than previously known, according to research based at Princeton University, Peking University and New York University.

Their study, which appears in the journal Science, reveals the need to rethink one of science’s building blocks and, with it, how some of the basic principles underlying the behavior of matter are taught in our classrooms. The researchers examined the way that a phase change, specifically the melting of a solid, occurs at a microscopic level and discovered that the transition is far more involved than earlier models had accounted for.

“This research shows that phase changes can follow multiple pathways, which is counter to what we’ve previously known,” explains Mark Tuckerman, a professor of chemistry and applied mathematics at New York University and one of the study’s co-authors. “This means the simple theories about phase transitions that we teach in classes are just not right.”

According to Tuckerman, scientists will need to change the way they think of and teach on phase changes.

The work stems from a 10-year project at Princeton to develop a mathematical framework and computer algorithms to study complex behavior in systems, explained senior author Weinan E, a professor in Princeton’s Department of Mathematics and Program in Applied and Computational Mathematics. Phase changes proved to be a crucial test case for their algorithm, E said. E and Tuckerman worked with Amit Samanta, a postdoctoral researcher at Princeton now at Lawrence Livermore National Laboratory, and Tang-Qing Yu, a postdoctoral researcher at NYU’s Courant Institute of Mathematical Sciences.

“It was a test case for the rather powerful set of tools that we have developed to study hard questions about complex phenomena such as phase transitions,” E said. “The melting of a relatively simple atomic solid such as a metal, proved to be enormously rich. With the understanding we have gained from this case, we next aim to probe more complex molecular solids such as ice.”

The findings reveal that phase transition can occur via multiple and competing pathways and that the transitions involve at least two steps. The study shows that, along one of these pathways, the first step in the transition process is the formation of point defects — local defects that occur at or around a single lattice site in a crystalline solid. These defects turn out to be highly mobile. In a second step, the point defects randomly migrate and occasionally meet to form large, disordered defect clusters.

This mechanism predicts that “the disordered cluster grows from the outside in rather than from the inside out, as current explanations suggest,” Tuckerman notes. “Over time, these clusters grow and eventually become sufficiently large to cause the transition from solid to liquid.”

Along an alternative pathway, the defects grow into thin lines of disorder (called “dislocations”) that reach across the system. Small liquid regions then pool along these dislocations, these regions expand from the dislocation region, engulfing more and more of the solid, until the entire system becomes liquid.

This study modeled this process by tracing copper and aluminum metals from an atomic solid to an atomic liquid state. The researchers used advanced computer models and algorithms to reexamine the process of phase changes on a microscopic level.

“Phase transitions have always been something of a mystery because they represent such a dramatic change in the state of matter,” Tuckerman observes. “When a system changes from solid to liquid, the properties change substantially.”

He adds that this research shows the surprising incompleteness of previous models of nucleation and phase changes–and helps to fill in existing gaps in basic scientific understanding.

This work is supported by the Office of Naval Research (N00014-13-1-0338), the Army Research Office (W911NF- 11-1-0101), the Department of Energy (DE-SC0009248, DE-AC52-07NA27344), and the National Science Foundation of China (CHE-1301314).


Journal Reference:

  1. A. Samanta, M. E. Tuckerman, T.-Q. Yu, W. E. Microscopic mechanisms of equilibrium melting of a solid. Science, 2014; 346 (6210): 729 DOI:10.1126/science.1253810

Ghost illusion created in the lab (Science Daily)

Date: November 6, 2014

Source: Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne

Summary: Patients suffering from neurological or psychiatric conditions have often reported ‘feeling a presence’ watching over them. Now, researchers have succeeded in recreating these ghostly illusions in the lab.

This image depicts a person experiencing the ghost illusion in the lab. Credit: Alain Herzog/EPFL

Ghosts exist only in the mind, and scientists know just where to find them, an EPFL study suggests. Patients suffering from neurological or psychiatric conditions have often reported feeling a strange “presence.” Now, EPFL researchers in Switzerland have succeeded in recreating this so-called ghost illusion in the laboratory.

On June 29, 1970, mountaineer Reinhold Messner had an unusual experience. Recounting his descent down the virgin summit of Nanga Parbat with his brother, freezing, exhausted, and oxygen-starved in the vast barren landscape, he recalls, “Suddenly there was a third climber with us… a little to my right, a few steps behind me, just outside my field of vision.”

It was invisible, but there. Stories like this have been reported countless times by mountaineers, explorers, and survivors, as well as by people who have been widowed, but also by patients suffering from neurological or psychiatric disorders. They commonly describe a presence that is felt but unseen, akin to a guardian angel or a demon. Inexplicable, illusory, and persistent.

Olaf Blanke’s research team at EPFL has now unveiled this ghost. The team was able to recreate the illusion of a similar presence in the laboratory and provide a simple explanation. They showed that the “feeling of a presence” actually results from an alteration of sensorimotor brain signals, which are involved in generating self-awareness by integrating information from our movements and our body’s position in space.

In their experiment, Blanke’s team interfered with the sensorimotor input of participants in such a way that their brains no longer identified such signals as belonging to their own body, but instead interpreted them as those of someone else. The work is published in Current Biology.

Generating a “Ghost”

The researchers first analyzed the brains of 12 patients with neurological disorders — mostly epilepsy — who have experienced this kind of “apparition.” MRI analysis of the patients’s brains revealed interference with three cortical regions: the insular cortex, parietal-frontal cortex, and the temporo-parietal cortex. These three areas are involved in self-awareness, movement, and the sense of position in space (proprioception). Together, they contribute to multisensory signal processing, which is important for the perception of one’s own body.

The scientists then carried out a “dissonance” experiment in which blindfolded participants performed movements with their hand in front of their body. Behind them, a robotic device reproduced their movements, touching them on the back in real time. The result was a kind of spatial discrepancy, but because of the synchronized movement of the robot, the participant’s brain was able to adapt and correct for it.

Next, the neuroscientists introduced a temporal delay between the participant’s movement and the robot’s touch. Under these asynchronous conditions, distorting temporal and spatial perception, the researchers were able to recreate the ghost illusion.

An “Unbearable” Experience

The participants were unaware of the experiment’s purpose. After about three minutes of the delayed touching, the researchers asked them what they felt. Instinctively, several subjects reported a strong “feeling of a presence,” even counting up to four “ghosts” where none existed. “For some, the feeling was even so strong that they asked to stop the experiment,” said Giulio Rognini, who led the study.

“Our experiment induced the sensation of a foreign presence in the laboratory for the first time. It shows that it can arise under normal conditions, simply through conflicting sensory-motor signals,” explained Blanke. “The robotic system mimics the sensations of some patients with mental disorders or of healthy individuals under extreme circumstances. This confirms that it is caused by an altered perception of their own bodies in the brain.”

A Deeper Understanding of Schizophrenia

In addition to explaining a phenomenon that is common to many cultures, the aim of this research is to better understand some of the symptoms of patients suffering from schizophrenia. Such patients often suffer from hallucinations or delusions associated with the presence of an alien entity whose voice they may hear or whose actions they may feel. Many scientists attribute these perceptions to a malfunction of brain circuits that integrate sensory information in relation to our body’s movements.

“Our brain possesses several representations of our body in space,” added Giulio Rognini. “Under normal conditions, it is able to assemble a unified self-perception of the self from these representations. But when the system malfunctions because of disease — or, in this case, a robot — this can sometimes create a second representation of one’s own body, which is no longer perceived as ‘me’ but as someone else, a ‘presence’.”

It is unlikely that these findings will stop anyone from believing in ghosts. However, for scientists, it’s still more evidence that they only exist in our minds.

Watch the video: http://youtu.be/GnusbO8QjbE


Journal Reference:

  1. Olaf Blanke, Polona Pozeg, Masayuki Hara, Lukas Heydrich, Andrea Serino, Akio Yamamoto, Toshiro Higuchi, Roy Salomon, Margitta Seeck, Theodor Landis, Shahar Arzy, Bruno Herbelin, Hannes Bleuler, Giulio Rognini. Neurological and Robot-Controlled Induction of an Apparition. Current Biology, 2014; DOI:10.1016/j.cub.2014.09.049

A bolha global de carbono (Eco21)

06/11/2014 – 12h25

por Ricardo Abramovay*

carbono1 A bolha global de carbonoOs combustíveis fósseis são fortes candidatos a ocupar o epicentro de uma nova crise financeira global. A avaliação do jornalista Ambrose Evans-Pritchard está baseada em uma série de entrevistas com influentes protagonistas do setor de energia e em dois relatórios recentes sobre os impactos das negociações climáticas sobre estes mercados. Tendo em vista que, do trilhão de reais que, segundo o BNDES, devem ser investidos em infraestrutura no Brasil até 2017, quase metade vai para o setor de óleo e gás, o tema é de interesse estratégico para o País.

O primeiro relatório é o da Carbon Track Initiative, um grupo de trabalho dirigido pelo empresário, pesquisador e ativista Jeremy Leggett e que ganhou imenso prestígio internacional mostrando a existência de uma bolha de carbono (carbon bubble) no mercado global de energia. A expressão tem um duplo sentido, físico e financeiro. A bolha física está relacionada, evidentemente, à mudança climática. Para cumprir o objetivo de limitar a elevação da temperatura global média a, no máximo, 2°C, até o final do Século 21, a quantidade de fósseis a ser queimada pelo sistema econômico não pode ultrapassar o que corresponde à emissão de algo entre 900 e 1.000 gigatoneladas de Gases de Efeito Estufa entre 2010 e 2050. Ocorre que o patrimônio fóssil em mãos das empresas (em petróleo, carvão e gás) é quase três vezes superior a esse limite.

É nesse sentido que há uma bolha de carbono: este patrimônio só se converterá em riqueza se destruir o sistema climático. Em tese, seria possível capturar e armazenar o carbono lançado na atmosfera: mas, até hoje, os custos dessas operações são exorbitantes e não há indicações de que estejam prestes a se tornar economicamente viáveis. Portanto, não há terceiro caminho: ou se deixa sob o solo dois terços das reservas fósseis em poder dos gigantes da energia ou a elevação da temperatura global média chegará a um patamar em que consequências como a seca atual na Califórnia e os furacões Katrina e Sandy são apenas pálidas expressões.

É aí que ganha importância a dimensão financeira da bolha de carbono: apesar das evidências crescentes reunidas pelos cientistas e do acordo internacional (aprovado em 2010, em Cancún, México) de manter a elevação da temperatura aquém de 2°C, grandes empresas e seus financiadores continuam enxergando nos fósseis uma extraordinária fonte potencial de ganhos.

A Agência Internacional de Energia mostra que, globalmente, os investimentos em combustíveis fósseis dobraram entre 2000 e 2008, quando se estabilizaram em um patamar de US$ 950 bilhões por ano. Isso representa, segundo recente relatório da organização Ceres, 3,3 vezes mais do que os investimentos em renováveis realizados em 2012. Nos últimos seis anos, os gastos globais na busca de fósseis foram de US$ 5,4 trilhões. Praticamente todo esse investimento é feito em fontes não convencionais: areias betuminosas (sobretudo no Canadá), exploração no Ártico, gás de xisto e busca em águas profundas no Brasil e no Golfo do México. Essas fontes não convencionais exigem um esforço (e, portanto, têm um custo) muito maior que as convencionais. Elas só se viabilizam se o preço global do petróleo superar um patamar em torno de US$ 75 o barril.

Mas, se houver um acordo internacional para impedir a ruptura do sistema climático, a consequência será a queda na demanda e, portanto, nos preços dos fósseis. O crescimento exponencial das energias renováveis (a China dobrou sua geração solar nos primeiros seis meses de 2014, relativamente ao mesmo período do ano anterior) também deve resultar em menor demanda por fósseis. Portanto, o risco financeiro em torno dessa corrida à produção de fósseis é imenso.

O segundo relatório citado por Ambrose Evans-Pritchard e no qual se apoia a hipótese de crise financeira global, vem da consultoria Kepler Cheuvreux. Ele calcula as perdas financeiras dos gigantes da energia, caso um acordo para preservar o sistema climático seja alcançado. Nos próximos 20 anos, o prejuízo seria de US$ 28 trilhões, dos quais US$ 19,3 trilhões no setor de petróleo.

Os segmentos mais suscetíveis são justamente os não convencionais: Ártico, areias betuminosas e águas profundas. De que maneira esses números se relacionam com nosso pré-sal é um tema cuja discussão não pode ficar apenas entre especialistas.

* Ricardo Abramovay é professor Titular do Departamento de Economia da FEA/USP.

** Publicado originalmente no site Eco21.

(Eco21)

Em meio à crise hídrica, São Paulo usará esgoto tratado no abastecimento (Agência Brasil)

De acordo com o governo estadual, o esgoto, após tratado, será lançado à Represa Guarapiranga e ao Rio Cotia

São Paulo passará a usar água de reúso (esgoto tratado) no abastecimento da população, anunciou o governador Geraldo Alckmin. A medida também será adotada por Campinas, cidade localizada a 100 quilômetros da capital. Os municípios paulistas passam pela maior crise de abastecimento de água já enfrentada.

De acordo com o governo estadual, o esgoto, após tratado, será lançado à Represa Guarapiranga e ao Rio Cotia. Misturada ao manancial, essa água é novamente tratada e transformada em água potável. A previsão é que as obras, que incluem duas estações de produção de água de reúso com capacidade de gerar três mil litros por segundo, sejam entregues em dezembro de 2015. Os empreendimentos estão em andamento desde julho de 2013, com investimentos de R$ 76,5 milhões.

Outra medida adotada pelo governo paulista é o aumento da retirada de água no Guarapiranga. O fornecimento neste mês será de mil litros por segundo, quantidade que atende a 300 mil habitantes. Serão construídos 29 reservatórios para ampliar em 10% a produção de água. A meta é que todos fiquem prontos até o fim de 2015. O investimento alcançará R$ 169 milhões.

No município de Campinas, a Sociedade de Abastecimento de Água e Esgoto (Sanasa) anunciou, no final de outubro, que vai modificar a Estação de Tratamento de Esgoto Anhumas para produzir água de reúso. Essa água é lançada no Rio Atibaia com 99% de pureza, assegura o prefeito Jonas Donizette.

Um sistema adutor, executado em parceria com o Aeroporto Internacional de Viracopos, que já adota a tecnologia, vai também levar água da Estação Produtora de Água de Reúso (Epar) para o Rio Capivari. No total, a ampliação no volume de água, que deve estar pronta em dois anos, chega a 290 litros por segundo no Rio Capivari e 600 litros por segundo no Rio Atibaia.

O especialista em Recursos Hídricos da Universidade Estadual de Campinas, Antônio Carlos Zuffo, avalia que o abastecimento com o esgoto tratado é uma boa solução. “Vivemos numa região que não produz água suficiente para o abastecimento e vamos ter que fazer o reúso. Só que esse reúso tem que passar pelo tratamento, jogar num rio ou numa lagoa para aumentar o tratamento natural. Depois capta novamente a água e passa pela estação de tratamento. Então, passa por três tipos de tratamentos.”

Zuffo esclarece que a água de esgoto tratada lançada aos rios chega a ter mais qualidade que a água encontrada nos mananciais. Segundo ele, muitas cidades do mundo já utilizam essa água, como é caso da Califórnia, nos Estados Unidos. Lá, o efluente é injetado no solo, para que passe pelo filtro natural e retorne em nascentes para ser captado.

“O mito nessa história é que efluente de esgoto, a gente não pode consumir. A estação de tratamento de esgoto não trata 100%, não torna potável, mas lança no curso de água já com uma qualidade melhor que alguns lançamentos diretos”, disse. De acordo o especialista, a água presente nos rios, muitas vezes, tem qualidade inferior por conter esgoto diluído, jogado de forma irregular.

(Fernanda Cruz / Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-11/em-meio-crise-hidrica-sao-paulo-usara-esgoto-tratado-no-abastecimento

Saiba Mais

Programa irá financiar cinco projetos na área de desastres naturais (Capes)

5060, 6 de novembro de 2014

Programa irá financiar cinco projetos na área de desastres naturais

A divulgação aconteceu nesta quarta-feira (05/11)

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulga nesta quarta-feira, 5, o resultado final da seleção do Programa de Apoio ao Ensino e à Pesquisa Científica e Tecnológica em Desastres Naturais (Pró-Alertas).Foram aprovados cinco projetos.

O pró-Alertas tem como objetivo estimular e apoiar a realização de projetos conjuntos de pesquisa no país para a formação de recursos humanos em nível de pós-graduação stricto sensu acadêmico, por meio do desenvolvimento de pesquisa científica e tecnológica interdisciplinares na área de Desastres Naturais.

A iniciativa enquadra-se nas diretrizes da Capes de indução temporária de áreas estratégicas da política brasileira de ciência, tecnologia e inovação. A iniciativa conta com apoio do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pretende contribuir para a consolidação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN).

Benefícios
Os projetos aprovados receberão recursos para bolsas de iniciação científica, doutorado e pós-doutorado, além de passagens aéreas para missões de pesquisa no Brasil ou no exterior e diárias para participação em eventos acadêmicos em temas relacionados ao projeto no exterior.

Acesse o resultado.

(CCS/Capes)

http://www.capes.gov.br/sala-de-imprensa/noticias/7213-programa-ira-financiar-cinco-projetos-interdisciplinares-na-area-de-desastres-naturais

Direct brain interface between humans (Science Daily)

Date: November 5, 2014

Source: University of Washington

Summary: Researchers have successfully replicated a direct brain-to-brain connection between pairs of people as part of a scientific study following the team’s initial demonstration a year ago. In the newly published study, which involved six people, researchers were able to transmit the signals from one person’s brain over the Internet and use these signals to control the hand motions of another person within a split second of sending that signal.

In this photo, UW students Darby Losey, left, and Jose Ceballos are positioned in two different buildings on campus as they would be during a brain-to-brain interface demonstration. The sender, left, thinks about firing a cannon at various points throughout a computer game. That signal is sent over the Web directly to the brain of the receiver, right, whose hand hits a touchpad to fire the cannon.Mary Levin, U of Wash. Credit: Image courtesy of University of Washington

Sometimes, words just complicate things. What if our brains could communicate directly with each other, bypassing the need for language?

University of Washington researchers have successfully replicated a direct brain-to-brain connection between pairs of people as part of a scientific study following the team’s initial demonstration a year ago. In the newly published study, which involved six people, researchers were able to transmit the signals from one person’s brain over the Internet and use these signals to control the hand motions of another person within a split second of sending that signal.

At the time of the first experiment in August 2013, the UW team was the first to demonstrate two human brains communicating in this way. The researchers then tested their brain-to-brain interface in a more comprehensive study, published Nov. 5 in the journal PLOS ONE.

“The new study brings our brain-to-brain interfacing paradigm from an initial demonstration to something that is closer to a deliverable technology,” said co-author Andrea Stocco, a research assistant professor of psychology and a researcher at UW’s Institute for Learning & Brain Sciences. “Now we have replicated our methods and know that they can work reliably with walk-in participants.”

Collaborator Rajesh Rao, a UW associate professor of computer science and engineering, is the lead author on this work.

The research team combined two kinds of noninvasive instruments and fine-tuned software to connect two human brains in real time. The process is fairly straightforward. One participant is hooked to an electroencephalography machine that reads brain activity and sends electrical pulses via the Web to the second participant, who is wearing a swim cap with a transcranial magnetic stimulation coil placed near the part of the brain that controls hand movements.

Using this setup, one person can send a command to move the hand of the other by simply thinking about that hand movement.

The UW study involved three pairs of participants. Each pair included a sender and a receiver with different roles and constraints. They sat in separate buildings on campus about a half mile apart and were unable to interact with each other in any way — except for the link between their brains.

Each sender was in front of a computer game in which he or she had to defend a city by firing a cannon and intercepting rockets launched by a pirate ship. But because the senders could not physically interact with the game, the only way they could defend the city was by thinking about moving their hand to fire the cannon.

Across campus, each receiver sat wearing headphones in a dark room — with no ability to see the computer game — with the right hand positioned over the only touchpad that could actually fire the cannon. If the brain-to-brain interface was successful, the receiver’s hand would twitch, pressing the touchpad and firing the cannon that was displayed on the sender’s computer screen across campus.

Researchers found that accuracy varied among the pairs, ranging from 25 to 83 percent. Misses mostly were due to a sender failing to accurately execute the thought to send the “fire” command. The researchers also were able to quantify the exact amount of information that was transferred between the two brains.

Another research team from the company Starlab in Barcelona, Spain, recently published results in the same journal showing direct communication between two human brains, but that study only tested one sender brain instead of different pairs of study participants and was conducted offline instead of in real time over the Web.

Now, with a new $1 million grant from the W.M. Keck Foundation, the UW research team is taking the work a step further in an attempt to decode and transmit more complex brain processes.

With the new funding, the research team will expand the types of information that can be transferred from brain to brain, including more complex visual and psychological phenomena such as concepts, thoughts and rules.

They’re also exploring how to influence brain waves that correspond with alertness or sleepiness. Eventually, for example, the brain of a sleepy airplane pilot dozing off at the controls could stimulate the copilot’s brain to become more alert.

The project could also eventually lead to “brain tutoring,” in which knowledge is transferred directly from the brain of a teacher to a student.

“Imagine someone who’s a brilliant scientist but not a brilliant teacher. Complex knowledge is hard to explain — we’re limited by language,” said co-author Chantel Prat, a faculty member at the Institute for Learning & Brain Sciences and a UW assistant professor of psychology.

Other UW co-authors are Joseph Wu of computer science and engineering; Devapratim Sarma and Tiffany Youngquist of bioengineering; and Matthew Bryan, formerly of the UW.

The research published in PLOS ONE was initially funded by the U.S. Army Research Office and the UW, with additional support from the Keck Foundation.


Journal Reference:

  1. Rajesh P. N. Rao, Andrea Stocco, Matthew Bryan, Devapratim Sarma, Tiffany M. Youngquist, Joseph Wu, Chantel S. Prat. A Direct Brain-to-Brain Interface in Humans. PLoS ONE, 2014; 9 (11): e111332 DOI: 10.1371/journal.pone.0111332

Humans, baboons share cumulative culture ability (Science Daily)

Date: November 5, 2014

Source: Le Centre national de la recherche scientifique (CNRS)

Summary: The ability to build up knowledge over generations, called cumulative culture, has given humankind language and technology. While it was thought to be limited to humans until now, researchers have recently found that baboons are also capable of cumulative culture.

Baboon using a touch screen. Credit: © 2014 Nicolas Claidière

The ability to build up knowledge over generations, called cumulative culture, has given mankind language and technology. While it was thought to be limited to humans until now, researchers from the Laboratoire de psychologie cognitive (CNRS/AMU), working in collaboration with colleagues at the University of Edinburgh (UK), have recently found that baboons are also capable of cumulative culture. Their findings are published in Proceedings of the Royal Society B on 5 November 2014.

Humankind is capable of great accomplishments, such as sending probes into space and eradicating diseases; these achievements have been made possible because humans learn from their elders and enrich this knowledge over generations. It was previously thought that this cumulative aspect of culture — whereby small changes build up, are transmitted, used and enriched by others — was limited to humans, but it has now been observed in another primate, the baboon.

While it is clear that monkeys like chimpanzees learn many things from their peers, each individual seems to start learning from scratch. In contrast, humans use techniques that evolve and improve from one generation to the next, and also differ from one population to another. The origin of cumulative culture in humans has therefore remained a mystery to scientists, who are trying to identify the necessary conditions for this cultural accumulation.

Nicolas Claidière and Joël Fagot, of the Laboratoire de psychologie cognitive, conducted the present study at the CNRS Primatology Center in Rousset, southeastern France. Baboons live in groups there and have free access to an area with touch screens where they can play a “memory game” specifically designed for the study. The screen briefly displays a grid of 16 squares, four of which are red and the others white. This image is then replaced by a similar grid, but composed of only white squares, and the baboons must touch the four squares that were previously red. Phase one of the experiment started with a task-learning period in which the position of the four red squares was randomized. Phase two comprised a kind of visual form of “Chinese whispers” wherein information was transmitted from one individual to another. In this second phase, a baboon’s response (the squares touched on the screen) was used to generate the next grid pattern that the following baboon had to memorize and reproduce, and so on for 12 “generations.”

The researchers, in collaboration with Simon Kirby and Kenny Smith from the University of Edinburgh, noted that baboons performed better in the phase involving a transmission chain (compared with random testing, which continued throughout the period of the experiment): success rate (1) increased from 80% to over 95%. Due to errors by the baboons, the patterns evolved between the beginning and the end of each chain. Yet to the surprise of researchers, the random computer-generated patterns were gradually replaced by “tetrominos” (Tetris®-like shapes composed of four adjacent squares), even though these forms represent only 6.2% of possible configurations! An even more surprising result was that the baboons’ performance on these rare shapes was poor during random testing, but increased throughout the transmission chain, during which the tetrominos accumulated. Moreover, when the experiment was replicated several times, the starting patterns did not lead to the same set of tetrominos. This study shows that, like humans, baboons have the ability to transmit and accumulate changes over “cultural generations” and that these incremental changes, which may differ depending on the chain, become structured and more efficient.

Researchers have ensured that all the necessary conditions were present to observe a type of cumulative cultural evolution in non-human primates, with its three characteristic properties (progressive increase in performance, emergence of systematic structures, and lineage specificity). These results show that cumulative culture does not require specifically human capacities, such as language. So why have no examples of this type of cultural evolution been clearly identified in the wild? Perhaps because the utilitarian dimension of non-human primate culture (e.g., the development of tools) hinders such evolution.

(1) The task was considered successful if at least 3 out of 4 squares were correctly memorized.


Journal Reference:

  1. N. Claidière, K. Smith, S. Kirby, J. Fagot. Cultural evolution of systematically structured behaviour in a non-human primate. Proceedings of the Royal Society B, November 2014 DOI: 10.1098/rspb.2014.1541

Biggest Brazil Metro Area Desperate for Water (AP)

ITU, Brazil — Nov 7, 2014, 10:23 AM ET

APTOPIX Brazil Running Out of Water

It’s been nearly a month since Diomar Pereira has had running water at his home in Itu, a commuter city outside Sao Paulo that is at the epicenter of the worst drought to hit southeastern Brazil in more than eight decades.

Like others in this city whose indigenous name means “big waterfall,” Pereira must scramble to find water for drinking, bathing and cooking. On a recent day when temperatures hit 90 degrees (32 Celsius), he drove to a community kiosk where people with empty soda bottles and jugs lined up to use a water spigot. Pereira filled several 13-gallon containers, which he loaded into his Volkswagen bug.

“I have a job and five children to raise and am always in a rush to find water so we can bathe,” said Pereira, a truck driver who makes the trip to get water every couple of days. “It’s very little water for a lot of people.”

Brazil is approaching the December start of its summer rainy season with its water supply nearly bare. More than 10 million people across Sao Paulo state, Brazil’s most populous and the nation’s economic engine, have been forced to cut water use over the past six months. A reservoir used by Itu has fallen to 2 percent of capacity and, because its system relies on rain and groundwater rather than rivers, the city is suffering more than others.

In Itu, desperation is taking hold. Police escort water trucks to keep them from being hijacked by armed men. Residents demanding restoration of tap water have staged violent protests.

Restaurants and bars are using disposable cups to avoid washing dishes, and agribusinesses are transporting soybeans and other crops by road rather than by boat in areas where rivers have dried up.

“We are entering unknown territory,” said Renato Tagnin, an expert in water resources at the environmental group Coletivo Curupira. “If this continues, we will run out of water. We have no more mechanisms and no water stored in the closet.”

The Sao Paulo metropolitan area ended its last rainy season in February with just a third of the usual rain total — only 9 inches (23 centimeters) over three months. Showers in October totaled just 1 inch (25 millimeters), one-fifth of normal.

Only consistent, steady summer rains will bring immediate relief, experts say.

But they also place blame on the government, which they say needs to upgrade a state water distribution network that loses more than 30 percent of its resources to leaks. Advocates also call for treatment plants to produce more potable water, along with better environmental protections for headwaters and rivers flowing into reservoirs.

Tagnin and others say the government ignored calls to begin rationing water months ago because it didn’t want to take such a step before the October elections and risk losing votes. The government, however, maintains there will be no need for rationing. It says its measures to conserve water are working, such as offering discounted water bills for those who limit usage and reducing water pressure during off-peak hours.

But activists and consumer groups complain the government has done too little too late and failed to keep consumers informed.

The state’s largest utility, which supplies water to more than 16 million people in Sao Paulo’s metropolitan area, for months avoided acknowledging the looming shortage. Only recently did the Sabesp utility release maps showing which neighborhoods were at risk of water cuts, and was careful to avoid using the hot-button term “rationing.”

In Itu, where the taps have been dry for weeks, residents dream of rationing — At least that would mean some water for their homes.

“I forgot what water looks like coming out of the faucet,” said Rosa Lara Leite, a woman carrying a few gallons of water in each hand at one of the city’s crowded drinking fountains.

Authorities forced the city of 160,000 to cut its daily water consumption from 16 million gallons (62 million liters) to 2 million gallons (8 million liters). Dozens of water trucks are deployed to bring in water from far off towns. Huge 5,000-gallon tanks have been set up around the city.

“We understand that people’s basic need is water. They need it,” said Marco Antonio Augusto, spokesman for a government task force created to manage Itu’s water supply. “We are bringing water from every possible place.”

Baker Franciele Bonfim is storing whatever water she can get her hands on in every possible place. She and a neighbor recently paid $200 to buy water from a private water truck, storing it in two big tanks and about 20 plastic buckets that once held margarine for her cakes.

“It’s an added expense but at least I am good for 15 days,” Bonfim said, as she used a thick hose to pour water into each bucket. “It has taken me a long time to use all this margarine. But water runs out fast.”

The IPCC is stern on climate change – but it still underestimates the situation (The Guardian)

UN body’s warning on carbon emissions is hard to ignore, but breaking the power of the fossil fuel industry won’t be easy

The Guardian, Sunday 2 November 2014 10.59 GMT

Bangkok's skyline blanketed in a hazeBangkok’s skyline blanketed in a haze. The IPCC report says climate change has increased the risk of severe heatwaves and other extreme weather. Photograph: Adrees Latif/Reuters

At this point, the scientists who run the Intergovernmental Panel on Climate Change must feel like it’s time to trade their satellites, their carefully calibrated thermometers and spectrometers, their finely tuned computer models – all of them for a thesaurus. Surely, somewhere, there must be words that will prompt the world’s leaders to act.

This week, with the release of their new synthesis report, they are trying the words “severe, widespread, and irreversible” to describe the effects of climate change – which for scientists, conservative by nature, falls just short of announcing that climate change will produce a zombie apocalypse plus random beheadings plus Ebola. It’s hard to imagine how they will up the language in time for the next big global confab in Paris.

But even with all that, this new document – actually a synthesis of three big working group reports released over the last year – almost certainly underestimates the actual severity of the situation. As the Washington Post pointed out this week, past reports have always tried to err on the side of understatement; it’s a particular problem with sea level rise, since the current IPCC document does not even include the finding in May that the great Antarctic ice sheets have begun to melt. (The studies were published after the IPCC’s cutoff date.)

But when you get right down to it, who cares? The scientists have done their job; no sentient person, including Republican Senate candidates, can any longer believe in their heart of hearts that there’s not a problem here. The scientific method has triumphed: over a quarter of a century, researchers have reached astonishing consensus on a basic problem in chemistry and physics.

And the engineers have done just as well. The price of a solar panel has dropped by more than 90% over the last 25 years, and continues to plummet. In the few places they have actually been deployed at scale, the results are astonishing: there were days this summer when Germany generated 75% of its power from the wind and the sun.

That, of course, is not because Germany is so richly endowed with sunlight (it’s a rare person who books a North Sea beach holiday). It’s because the Germans have produced a remarkable quantity of political will, and put it to good use.

As opposed to the rest of the world, where the fossil fuel industry has produced an enormous amount of fear in the political class, and kept things from changing. Their vast piles of money have so far weighed more in the political balance than the vast piles of data accumulated by the scientists. In fact, the IPCC can calculate the size of the gap with great exactness. To get on the right track, they estimate, the world would have to cut fossil fuel investments annually between now and 2029, and use the money instead to push the pace of renewables.

That is a hard task, but not an impossible one. Indeed, the people’s movement symbolised by September’s mammoth climate march in New York, has begun to make an impact in dollars and cents. A new report this week shows that by delaying the Keystone pipeline in North America protesters have prevented at least $17bn (£10.6bn) in new investments in the tar sands of Canada – investments that would have produced carbon equivalent to 735 coal-fired power plants. That’s pretty good work.

Our political leaders could do much more, of course. If they put a serious price on carbon, we would move quickly out of the fossil fuel age and into the renewable future. But that won’t happen until we break the power of the fossil fuel industry. That’s why it’s very good news that divestment campaigners have been winning victories on one continent after another, as universities from Stanford to Sydney to Glasgow start selling their fossil fuel stocks in protest – hey, even the Rockefeller Brothers fund, heir to the greatest oil fortune ever, have joined in the fight.

Breaking the power of the fossil fuel industry won’t be easy, especially since it has to happen fast. It has to happen, in fact, before the carbon we’ve unleashed into the atmosphere breaks the planet. I’m not certain we’ll win this fight – but, thanks to the IPCC, no one will ever be able to say they weren’t warned.

Mudança climática (Folha de S.Paulo)

7/11/2014

Eduardo Giannetti

Em “Reasons and Persons”, uma das mais inovadoras obras de filosofia analítica dos últimos 30 anos, o filósofo Derek Parfit propõe um intrigante “experimento mental”. A situação descrita é hipotética, mas ajuda a explicitar um ponto nevrálgico do maior desafio humano: limitar o aquecimento global a 2°C acima do nível pré-industrial até o final do século 21.

Imagine uma pessoa afivelada a uma cama com eletrodos colados em suas têmporas. Ao se girar um botão situado em outro local a corrente nos eletrodos aumenta em grau infinitesimal, de modo que o paciente não chegue a sentir. Um Big Mac gratuito é então ofertado a quem girar o botão. Ocorre, contudo, que quando milhares de pessoas fazem isso –sem que cada uma saiba dos outros– a descarga de energia produzida é suficiente para eletrocutar a vítima.

Quem é responsável pelo que? Algo tenebroso foi perpetrado, mas a quem atribuir a culpa? O efeito isolado de cada giro do botão é por definição imperceptível –são todos “torturadores inofensivos”. Mas o resultado conjunto dessa miríade de ações é ofensivo ao extremo. Até que ponto a somatória de ínfimas partículas de culpa se acumula numa gigantesca dívida moral coletiva?

A mudança climática em curso equivale a uma espécie de eletrocussão da biosfera. Quem a deseja? Até onde sei, ninguém. Trata-se da alquimia perversa de inumeráveis atos humanos, cada um deles isoladamente ínfimo, mas que não resulta de nenhuma intenção humana. E quem assume –ou deveria assumir– a culpa por ela? A maioria e ninguém, ainda que alguns sejam mais culpados que outros.

Os 7 bilhões de habitantes do planeta pertencem a três grupos: cerca de 1 bilhão respondem por 50% das emissões totais de gases-estufa, ao passo que os 3 bilhões seguintes por 45%. Os 3 bilhões na base da pirâmide de energia (metade sem acesso a eletricidade) respondem por apenas 5%. Por seu modo de vida e vulnerabilidade, este grupo –o único inocente– será o mais tragicamente afetado pelo “giro de botão” dos demais.

Descarbonizar é preciso. Segundo o recém-publicado relatório do painel do clima da ONU, limitar o aquecimento a 2°C exigirá cortar as emissões antropogênicas de 40% a 70% em relação a 2010 até 2050 e zerá-las até o final do século. Como chegar lá?

A complexidade do desafio é esmagadora. Contar com a gradual conscientização dos “torturadores inocentes” parece irrealista. Pagar para ver e apostar na tecnologia como tábua de salvação seria temerário ao extremo. O protagonista da ação, creio eu, deveria ser a estrutura de incentivos: precificar o carbono e colocar a força do sistema de preços para trabalhar no âmbito da descarbonização.

ONU escolhe um brasileiro para ser o ‘fiscal’ da água (O Estado de S. Paulo)

Leo Heller vai substituir a portuguesa Catarina de Albuquerque, criticada por Dilma e Alckmin

O novo relator das Nações Unidas para o Direito à Água e ao Saneamento é o brasileiro Leo Heller. A partir de 2015, ele vai substituir a portuguesa Catarina Albuquerque, que, após dois mandatos, envolveu-se em uma série de crises diplomáticas com Estados brasileiros e com o governo Dilma Rousseff por causa de críticas à gestão de recursos hídricos. Heller foi escolhido pela ONU para atuar como o “fiscal” que vai exigir dos países a garantia da oferta de água e saneamento às suas populações.

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,onu-escolhe-um-brasileiro-para-ser-o-fiscal-da-agua,1588998

(Jamil Chade /O Estado de S. Paulo)

Projeto da biodiversidade vai à comissão geral com polêmicas em aberto (Agência Câmara)

JC 5061, 7 de novembro de 2014

Agronegócio não aceita fiscalização pelo Ibama. Agricultura familiar quer receber pelo cultivo de sementes crioulas. Cientistas criticam regras sobre royalties

A comissão geral que vai discutir na próxima terça-feira as novas regras para exploração do patrimônio genético da biodiversidade brasileira (PL 7735/14) terá o desafio de buscar uma solução para vários impasses que ainda persistem na negociação do texto. Deputados ambientalistas, ligados ao agronegócio e à pesquisa científica continuarão em rodadas de negociação até a terça-feira na busca do projeto mais consensual.

Parte das polêmicas são demandas dos deputados ligados ao agronegócio, que conseguiram incluir as pesquisas da agropecuária no texto substitutivo. A proposta enviada pelo governo excluía a agricultura, que continuaria sendo regulamentada pela Medida Provisória 2.186-16/01. Agora, o texto em discussão já inclui a pesquisa com produção de sementes e melhoramento de raças e revoga de vez a MP de 2001.

O governo já realizou várias reuniões entre parlamentares e técnicos do governo. Até o momento, foram apresentadas três versões diferentes de relatórios.

Fiscalização
O deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), que está à frente das negociações, defende que o Ministério da Agricultura seja o responsável pela fiscalização das pesquisas para produção de novas sementes e novas raças. Já o governo quer repassar essa atribuição ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Esse item deverá ser decidido no voto.

“Não vamos permitir que o Ibama, que tem um distanciamento longo da cadeia produtiva, seja o responsável pela fiscalização das pesquisas com agricultura, pecuária e florestas. Terá de ser o Ministério da Agricultura”, afirmou o deputado.

Royalties
O agronegócio também conseguiu incluir no texto tratamento diferenciado para pesquisas com sementes e raças. O pagamento de repartição de benefícios – uma espécie de cobrança deroyalties – só será aplicado para espécies nativas brasileiras. Ficam de fora da cobrança pesquisa com espécies de outros países que são o foco do agronegócio: soja, cana-de açúcar, café.

E quando houver cobrança de royalties, isso incidirá apenas sobre o material reprodutivo – sementes, talos, animais reprodutores ou sêmen – excluindo a cobrança sobre o produto final. “Não pode ter cobrança na origem, que é a semente, e depois outra cobrança no produto final. Se vai ter no produto final, não pode ter na pesquisa”, disse Alceu.

A limitação do pagamento de royalties na agricultura desagradou integrantes da agricultura familiar, que cobram acesso e remuneração pelo cultivo de sementes crioulas, aquelas em que não há alteração genética.

Conselho paritário
Outra demanda do agronegócio é uma composição paritária do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (Cgen) entre representantes do governo federal, da indústria, da academia e da sociedade civil. A intenção é dar mais voz ao agronegócio nesse conselho, que hoje tem apenas representantes do Ministério da Agricultura e da Embrapa.

Cientistas
Já a comunidade científica, segundo a deputada Luciana Santos (PCdoB-PE), que também tem conduzido as negociações, critica o percentual baixo de royalties que será cobrado do fabricante de produto final oriundo de pesquisa com biodiversidade.

O texto prevê o pagamento de 1% da receita líquida anual com o produto, mas esse valor poderá ser reduzido até 0,1%. Também prevê isenção para microempresas, empresas de pequeno porte e microempreendedores individuais.

Os cientistas discordam, ainda, do fato de o projeto escolher apenas a última etapa da cadeia para a cobrança da repartição de benefícios. “Eles acham que é injusto e precisa ser considerado a repartição de benefícios de etapas do processo porque, às vezes, ao final não se comercializa apenas um produto acabado, mas um intermediário”, disse.

Ambientalistas
Os ambientalistas também não decidiram se apoiarão ou não o texto. A decisão será tomada na semana que vem, mas o líder do partido, deputado Sarney Filho (MA), saiu da reunião da última terça-feira (4) insatisfeito com o texto apresentado.

O líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), disse que a intenção é chegar a um texto de consenso após a comissão geral e colocar o tema em votação na quarta-feira (12). Luciana Santos admitiu que, por mais que os deputados tentem chegar a um acordo, vários dispositivos só serão decididos no voto.

Íntegra da proposta:

(Agência Câmara) 

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/477144-PROJETO-DA-BIODIVERSIDADE-VAI-A-COMISSAO-GERAL-COM-VARIAS-POLEMICAS-EM-ABERTO.html

Cockroach cyborgs use microphones to detect, trace sounds (Science Daily)

Date: November 6, 2014

Source: North Carolina State University

Summary: Researchers have developed technology that allows cyborg cockroaches, or biobots, to pick up sounds with small microphones and seek out the source of the sound. The technology is designed to help emergency personnel find and rescue survivors in the aftermath of a disaster.


North Carolina State University researchers have developed technology that allows cyborg cockroaches, or biobots, to pick up sounds with small microphones and seek out the source of the sound. The technology is designed to help emergency personnel find and rescue survivors in the aftermath of a disaster. Credit: Eric Whitmire.

North Carolina State University researchers have developed technology that allows cyborg cockroaches, or biobots, to pick up sounds with small microphones and seek out the source of the sound. The technology is designed to help emergency personnel find and rescue survivors in the aftermath of a disaster.

The researchers have also developed technology that can be used as an “invisible fence” to keep the biobots in the disaster area.

“In a collapsed building, sound is the best way to find survivors,” says Dr. Alper Bozkurt, an assistant professor of electrical and computer engineering at NC State and senior author of two papers on the work.

The biobots are equipped with electronic backpacks that control the cockroach’s movements. Bozkurt’s research team has created two types of customized backpacks using microphones. One type of biobot has a single microphone that can capture relatively high-resolution sound from any direction to be wirelessly transmitted to first responders.

The second type of biobot is equipped with an array of three directional microphones to detect the direction of the sound. The research team has also developed algorithms that analyze the sound from the microphone array to localize the source of the sound and steer the biobot in that direction. The system worked well during laboratory testing. Video of a laboratory test of the microphone array system is available athttp://www.youtube.com/watch?v=oJXEPcv-FMw.

“The goal is to use the biobots with high-resolution microphones to differentiate between sounds that matter — like people calling for help — from sounds that don’t matter — like a leaking pipe,” Bozkurt says. “Once we’ve identified sounds that matter, we can use the biobots equipped with microphone arrays to zero in on where those sounds are coming from.”

A research team led by Dr. Edgar Lobaton has previously shown that biobots can be used to map a disaster area. Funded by National Science Foundation CyberPhysical Systems Program, the long-term goal is for Bozkurt and Lobaton to merge their research efforts to both map disaster areas and pinpoint survivors. The researchers are already working with collaborator Dr. Mihail Sichitiu to develop the next generation of biobot networking and localization technology.

Bozkurt’s team also recently demonstrated technology that creates an invisible fence for keeping biobots in a defined area. This is significant because it can be used to keep biobots at a disaster site, and to keep the biobots within range of each other so that they can be used as a reliable mobile wireless network. This technology could also be used to steer biobots to light sources, so that the miniaturized solar panels on biobot backpacks can be recharged. Video of the invisible fence technology in practice can be seen at http://www.youtube.com/watch?v=mWGAKd7_fAM.

A paper on the microphone sensor research, “Acoustic Sensors for Biobotic Search and Rescue,” was presented Nov. 5 at the IEEE Sensors 2014 conference in Valencia, Spain. Lead author of the paper is Eric Whitmire, a former undergraduate at NC State. The paper was co-authored by Tahmid Latif, a Ph.D. student at NC State, and Bozkurt.

The paper on the invisible fence for biobots, “Towards Fenceless Boundaries for Solar Powered Insect Biobots,” was presented Aug. 28 at the 36th Annual International IEEE EMBS Conference in Chicago, Illinois. Latif was the lead author. Co-authors include Tristan Novak, a graduate student at NC State, Whitmire and Bozkurt.

The research was supported by the National Science Foundation under grant number 1239243.