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The Most Violent Era In America Was Before Europeans Arrived (Science 2.0)

By News Staff | August 4th 2014 01:34 AM

There’s a mythology about the native Americans, that they were all peaceful and in harmony with nature – it’s easy to create narratives when there is no written record.

But archeology keeps its own history and a new paper finds that the 20th century, with its hundreds of millions dead in wars and, in the case of Germany, China, Russia and other dictatorships, genocide, was not the most violent – on a per-capita basis that honor may belong to the central Mesa Verde of southwest Colorado and the Pueblo Indians.

Writing in the journal American Antiquity, Washington State University archaeologist Tim Kohler and colleagues document how nearly 90 percent of human remains from that period had trauma from blows to either their heads or parts of their arms.

“If we’re identifying that much trauma, many were dying a violent death,” said Kohler. The study also offers new clues to the mysterious depopulation of the northern Southwest, from a population of about 40,000 people in the mid-1200s to 0 in 30 years.

From the days they first arrived in the Southwest in the 1800s, most anthropologists and archaeologists have downplayed evidence of violent conflict among native Americans.

“Archaeologists with one or two exceptions have not tried to develop an objective metric of levels of violence through time,” said Kohler. “They’ve looked at a mix of various things like burned structures, defensive site locations and so forth, but it’s very difficult to distill an estimate of levels of violence from such things. We’ve concentrated on one thing, and that is trauma, especially to the head and portions of the arms. That’s allowed us to look at levels of violence through time in a comparative way.”

It wasn’t just violent deaths that poke holes in the harmony with the land and each other myth. A paper in June in the Proceedings of the National Academy of Sciences found that the Southwest also had a baby boom between 500 and 1300 that likely exceeded any population spurt on earth today. The northern Rio Grande also experienced population booms but the central Mesa Verde got more violent while the northern Rio Grande was less so.

Kohler has conjectures on why. Social structures among people in the northern Rio Grande changed so that they identified less with their kin and more with the larger pueblo and specific organizations that span many pueblos, such as medicine societies. The Rio Grande also had more commercial exchanges where craft specialists provided people both in the pueblo, and outsiders, specific things they needed, such as obsidian arrow points.

But in the central Mesa Verde, there was less specialization.

“When you don’t have specialization in societies, there’s a sense in which everybody is a competitor because everybody is doing the same thing,” said Kohler. But with specialization, people are more dependent on each other and more reluctant to do harm.

If that sounds like rationalization based on Harvard psychologist Steven Pinker’s The Better Angels of Our Nature: Why Violence Has Declined, it is.

“Pinker thought that what he called ‘gentle commerce’ was very important in the pacification of the world over the last 5,000 years,” said Kohler. “That seems to work pretty well in our record as well.”

The episode of conflict in Southwest Colorado seems to have begun when people in the Chaco culture, halfway between central Mesa Verde and northern Rio Grande, attempted to spread into Southwest Colorado.

From 1080 to 1130, the Chaco-influenced people in Southwest Colorado did well. In the mid-1100s, there was a severe drought and the core of Chaco culture fell apart. Much of the area around Chaco lost population, and in 1160, violence in the central Mesa Verde peaked. Slightly more than a century later, everyone left that area, too.

“In the Mesa Verde there could be a haves-versus-have-nots dynamic towards the very end,” said Kohler. “The people who stayed the longest were probably the people who were located in the very best spots. But those pueblos too were likely losing population. And it might have been the older folks who stuck around, who weren’t so anxious to move as the young folks who thought, ‘We could make a better living elsewhere.'” Older, or with too few people to marshal a good defense, the remaining people in the Mesa Verde pueblos were particularly vulnerable to raids.

At least two of the last-surviving large pueblos in the central Mesa Verde were attacked as the region was being abandoned. Some of their inhabitants probably made it out alive, but, says Kohler, “Many did not.”

Citation: Timothy A. Kohler, Scott G. Ortman, Katie E. Grundtisch, Carly M. Fitzpatrick and Sarah M. Cole, ‘The Better Angels of Their Nature: Declining Violence through Time among Prehispanic Farmers of the Pueblo Southwest’, American Antiquity, Volume 79, Number 3 / July 2014, DOI: 10.7183/0002-7316.79.3.444. Source: Washington State University

Esqueça mitos coloniais: o contato dos Xatanawa no Acre põe fim a uma resistência centenária (Blog do Milanez)

Por Felipe Milanez e Glenn Shepard

Reproduzido em ,

07/08/2014 19:52

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O que está por trás do contato com os sete indígenas de uma população que vive de forma autônoma na Amazônia

No Blog do Milanez

Eles são jovens. Todos saudáveis. Corpos esbeltos, cabelos bem cortados, algumas leves pinturas no rosto. Carregam arcos e flechas bem feitas, bem apontadas, com as penas impecavelmente cortadas. Portam um cinto de casca de envira, que utilizam para segurar um machado, e amarram o pênis nesse mesmo cinto. Imitam animais da floresta com perfeição e cantam belas melodias características das sociedades falantes a língua pano, como as músicas dos Kaxinawa e dos Yawanawa que se pode escutar em CDs. Por trás dessa bela aparição de jovens indígenas que tomaram coragem e decidiram passar a interagir com a violenta sociedade que os cerca, estão terríveis histórias de massacres – um provavelmente recente, e suspeita-se perpetrado por um narcotraficante.  A história do “contato” dos Xatanawa é uma extraordinária história de resistência.

Vídeos e fotografias sobre a chegada de um povo tido como em “isolamento voluntário” em uma aldeia do povo Ashaninka, no Acre, tem provocado comoção nas redes sociais, questionamentos, comentários racistas, e ganharam atenção da imprensa nacional e internacional e da televisão. Dois vídeos divulgados com exclusividade no blog do jornalista Altino Machado romperam com o silêncio da Funai, muda sobre os riscos do contato e apenas expressando-se em notas à imprensa cheias de mistérios. A notícia saiu desde o Jornal Nacional ao britânico Guardian.  Tem merecido manchetes de portais sensacionalistas até revistas científicas como a Science. Quase sempre, a história dos massacres e da resistência dessa população é deixada em um segundo plano para dar espaço ao sensacionalismo, exotismo e colonialismo da relação com essa nação indígena.

Ideias tais como “emergiram da floresta” ou “saíram do isolamento”, “um grupo de índios isolados da civilização” que estão “vindo até nós” contribuem muito mais para esconder o real significado desse processo de aproximação e interação em curso. Nas caixas de comentários há sempre a surpresa pelo machado, terçado, a espingarda, ou a “carteira do Corinthians” portada pelos indígenas. “Será que a FUNAI vai, também, demarcar o Itaquerão?”

Essa perspectiva etnocêntrica contribui para se deixar de lado a responsabilidade dos Estados brasileiro e peruano em protegerem e dar garantias para que essa população possa continuar vivendo livre – e se quiserem, mesmo contra o Estado.

Fronteiras de sangue

As câmeras que mostram os jovens indígenas poderiam também apontar para o outro lado dessa fronteira: o tráfico de cocaína do Peru, maior produtor mundial, e suspeito de ter cometido um massacre contra essa população; para a indústria madeireira peruana, ilegal e predatória, que abastece os Estados Unidos de mogno, também suspeita de violência e massacres por ali; para a indústria madeireira brasileira que falsifica documentos, mesmo no Acre, e está explorando o entorno das terras indígenas, e é uma das campeãs de conflitos e mortes; para a exploração de petróleo e ouro, avançada no Peru e em processo de prospecção no lado brasileiro, que contamina vastas áreas de floresta; para as obras de infraestrutura na América Latina, pelo IIRSA, e também o PAC, que impactam e destroem ambientes e vidas humanas que não são levadas em contas nas planilhas.

Foi somente após o contato desse grupo que fala língua da família Pano, e que a princípio se autodenominam Xatanawa segundo identificou um dos intérpretes, é que o governo brasileiro decidiu liberar recursos para a construção e manutenção de quatro bases de fiscalização da Frente de Proteção Etnoambiental Envira. Foi feita a promessa de R$ 5 milhões e mais recursos de emergência para que não ocorram mortes decorrentes do contato. Essa população passa a viver uma situação de vulnerabilidade epidemiológica em razão de baixa imunidade a diversas doenças. Tempos atrás, metade iria morrer nos próximos meses. Será que agora é possível fazer diferente? Algumas experiências como o contato com os Korubo, em 1996, no Vale do Javari, e com os Arara da Cachoeira Seca do Iriri, em 1987, mostra que é possível, se houver uma equipe organizada, evitar epidemias e mortes.

Acontece que para se construir equipe e estrutura é necessário a chamada “vontade política”: ou seja, o governo cumprir a lei e destinar recursos. As quatro bases de fiscalização que foram agora prometidas já eram uma demanda antiga do sertanista José Carlos Meirelles e passou a ser também de seus jovens sucessores na Frente de Proteção Etnoambiental Envira, da Coordenação Geral de Índios Isolados, no Acre, como o dedicado indigenista Guilherme Daltro Siviero.

Há anos Meirelles e outros indigenistas, como Terri de Aquino, alertam sobre a possibilidade de um eventual contato nessa área com um povo em isolamento voluntário. E alertam para a chance de um provável desastre humanitário. No entanto, isso nunca serviu para acordar os burocratas da chefia da Funai, do Ministério da Justiça e do Ministério do Planejamento. Mais fácil deixar sangrar em campo os dedicados funcionários, e depois culpá-los por “despreparo” como alega reportagem recente publicada no jornal britânico Guardian. Como o próprio Meirelles desabafou em entrevista concedida à Revista Terra semana passada: “Ou faz, dando estrutura, ou o estado brasileiro diz: tudo bem, mais um genocídio no meu currículo.”

Em 2007, já com suspeita de que um contato eventual poderia ocorrer com a vinda dos indígenas, Meirelles alertou em entrevista para Felipe Milanez sobre os riscos que ele temia: “Não temos condições de prover saúde e dar assistência, seria um massacre.” O risco agora é de um massacre epidêmico após essa população ter relatado que sofreram um massacre por um grupo fortemente armado.

Portanto, esses jovens Xatanawa que habitam as cabeceiras do Envira são conhecidos há tempos pelo Estado brasileiro. Meirelles montou a primeira base de fiscalização na confluência do rio Envira com o igarapé Xinane em 1988. Ele já havia mapeado a região e encontrou esse ponto com equidistância do território de diferentes povos nessa situação de isolamento, em uma posição intermediária com as comunidades Ashaninka e também bem localizada para controlar a subida do rio: a partir dali, subindo as águas do Envira, estaria vigiado o acesso pela água.

A proteção do lado brasileiro da fronteira passou a ser eficiente. E pelo lado peruano, passou a piorar após os anos 2000, quando Meirelles começou a perceber os resíduos da exploração madeireira no lado de lá, como tambores de combustíveis, sacos plásticos e pranchas de mogno descendo o rio. Se vinham todas essas tralhas de acampamentos ilegais, por que não poderia descer o rio também, por exemplo, uma carteira do Corinthians ou um machado boiando cravado numa tora, objetos encontrados com os Xatanawa?

Ameaças e riscos desde o início da década

O sertanista Meirelles e seus colegas na Coordenação de Índios Isolados e Recente Contato passaram a denunciar a situação de ameaça ao indígenas em isolamento na fronteira do Brasil com o Peru, região do Paralelo 10, no início da década. Em 2004, Meirelles foi atacado por um grupo Mashco Piro, levou uma flechada no rosto e quase morreu. Já desconfiava ele que a agressividade dos Mashco poderia estar relacionada com violência contra eles na região. Em 2005, um grupo de indígenas passou em aldeias e nas casas de ribeirinhos para se apropriar de alimentos e ferramentas. Meirelles tentou recursos do governo para repor esses equipamentos e tentar lançar, em sobrevoos, ferramentas próximo às aldeias dos isolados.

As madeiras de sangue, como chamamos a exploração ilegal e predatória de madeiras nativas, cada vez mais penetrou nos territórios dessas populações indígenas autônomas. Nos anos de 2006 e de 2007 foram feitas denúncias internacionais da invasão de madeireiros peruanos no território brasileiro, que atingiam tanto comunidades Ashaninka quanto o território dos isolados. Nessa crise, durante uma reunião interministerial, um diplomata brasileiro falou sobre a necessidade de denunciar o Peru na Organização Mundial do Comércio.

Meirelles costumava dizer a amigos: “cada caixão de mogno nos Estados Unidos deveria vir com uma placa: aqui jaz um índio isolado que foi morto para essa madeira vir até aqui enterrar um americano”.

Na segunda metade da década, com a eminência do contato, e durante processos de reestruturações da Coordenação Geral de Índios Isolados (que passou também a trabalhar com os povos de Recente Contato – CGIIRC) em 2006, que passou a se falar, internamente no ambiente sertanista, da necessidade urgente de se constituir equipes preparadas para o contato. Em reunião interna da coordenação, em 2010, essas equipes foram longamente discutidas: elas deveriam sempre contar com a presença de um tradutor e agentes especializados de saúde.

Assim é que pelo menos há uma década é que a possibilidade de um contato é tida como grande na Funai. Mesmo assim, a sucessão de chefes na pasta, desde Sydney Possuelo, Marcelo dos Santos, Elias Bigio, e hoje, Carlos Travassos, nunca conseguiram aumentar o orçamento e romper os entraves burocráticos interministeriais para o treinamento de equipes.

Desenvolvimentismo e os impactos que não aparecem nas planilhas

O advento do PAC, em 2007, trouxe novas pressões, que foram ampliadas com o PAC 2 em 2010. As Frentes de Proteção Etnoambiental foram duplicadas. Passaram de seis para as atuais 12 e a proteger 30 milhões de hectares. Em 2010, foi feita uma proposta para ampliação do orçamento da CGIIRC para 5 milhões de reais. No entanto, não veio a resposta do governo. Agora em 2014 o orçamento foi de R$ 2,3 milhões, e grande parte foi gasto para as operações de desintrusão da Terra Indígena Awá, no Maranhão, onde o povo indígena Awá também vive risco de genocídio. Na hora de realizar as operações no Xinane para salvar os Xatanawa, faltou recurso.

Não é apenas dinheiro que o governo nega para os sertanistas. Faltam recursos, gente e estrutura. E não é apenas com relação às populações em isolamento, esse é apenas um reflexo exposto da caótica política indigenista do atual governo, violenta de diversas formas contra os povos indígenas. Uma breve leitura no diagnóstico do relatório do Conselho Indigenista Missionário serve para expor o tamanho da tragédia em curso. A política de saúde indígena é uma tragédia geral, e a Funasa – atual Sesai –, desde que foi desmembrada da Funai no início dos anos 1990, nunca formou uma equipe especial para os contatos, nem para o contato com os Karubo, no Vale do Javari, em 1996, nem com os Piripkura, em 2007: em ambas as situações os sertanistas da Funai tiveram de se virar como puderam convidando enfermeiros conhecidos e amigos.

Dar condições de trabalho e assumir a proteção aos povos indígenas em isolamento voluntário determinada pelo Estatuto da Funai (Decreto 7778) (“proteger os povos indígenas isolados, assegurando o exercício de sua liberdade, cultura e atividades tradicionais”) é uma regra muito pouco seguida no último século, desde que Rondon fundou o Serviço de Proteção ao Índio. Infelizmente, os vídeos recentemente divulgados mostram funcionários da Funai dedicados, mas sem os planos discutidos pela própria Funai de dispor de equipe de saúde especializada e treinada, junto de equipe de interpretes e sertanistas. Um dos indigenistas usava um corte de cabelo que assustou os índios, sem intérpretes, falam em portunhol, diziam “não” quando isso não significa nada (em Kayapó a palavra “nã” quer dizer “sim”, por exemplo). As equipes foram deslocadas às pressas, com aperto financeiro e estresse. A base Xinane, que poderia prover alimentos como banana, mandioca e frutas, estava abandonada.

A questão é que a história desse contato deve se repetir nos próximos anos em diferentes partes da Amazônia, como com um grupo Korubo isolado, no Vale do Javari, no Amazonas, ou com um grupo Yanomami, em Roraima, ameaçado por garimpos ilegais. Não são situações em que o Estado provoca o contato, como durante o desenvolvimentismo da Ditadura, por exemplo, o caso dos Panará, atingidos pela BR 163, ou os Arara, na rota da Transamazônica. Mas é difícil acreditar que, hoje, o Estado brasileiro esteja preparado para dar proteção a essas comunidades que estão sendo vencidas pelas violentas frentes de expansão.

Dentro da CGIIRC há planos de constituição de equipes treinadas e preparadas. Mas é preciso multiplicar por dez o orçamento, segundo estimativa dos sertanistas, facilitar a contratação de mateiros e pessoas treinadas em campo e descontigenciar os gastos para que possam ser aplicados nas situações de urgência e de forma condizente com a necessidade de custos dessas regiões remotas.

O histórico: quem são os Xatanawa, ou Chitonahua, os “isolados do Envira”?

Os sete sobreviventes enfrentaram o medo do contato e visitaram a comunidade Simpatia do povo Ashaninka para pedir comida e materiais. Como não falavam a mesma língua, o encontro foi tenso. Apenas após a chegada de dois intérpretes Jaminawa (ou Yaminahua na grafia peruana) que a comunicação foi estabelecida. A língua que falam é um dialeto do Jaminawa, o que permite fluência na comunicação. Suspeitava-se a partir das fotografias e vestígios materiais da presença, com base em sua localização e adornos corporais, que estes indígenas pertenciam a um grupo falante da língua Pano isolado. Os intérpretes confirmaram essa filiação linguística e sugeriram que eles estão relacionados com o Chitonahua do Peru (escrito ‘Xitonawa’ na ortografia brasileira), porém eles se chamam “Xatanawa”, que significa: “Povo Arara”.

Alguns anos atrás, um pequeno grupo de cerca de 15 Chitonahua, fugindo de conflitos semelhantes com madeireiros, em 1996, refugiou-se ao longo do alto rio Minuya, no Peru. Estavam sendo atacados por madeireiros de mogno: a mencionada indústria madeireira de sangue. Dois jovens do grupo tinham ferimentos provocados por tiros de espingarda. Quase a metade do grupo havia morrido por doenças misteriosas que eles atribuíam a feitiçaria, mas que no entanto incluía gripe, malária e outras doenças contagiosas.

Os Chitonahua por sua vez são muito próximos dos Yora ou Nahua do alto rio Manu e do rio Mishagua, do Peru. Trata-se de um grupo guerreiro e resistente, que ganhou as manchetes internacionais, em 1983, quando atacaram um grupo de fuzileiros navais peruanos que acompanhava o então presidente do país Fernando Belaúnde (1912-2002). A comitiva dirigia-se para as cabeceiras do rio Manu para inaugurar a parte peruana da rodovia Transamazônica. Há uma fotografia famosa que mostra o presidente Belaúnde ao lado de um soldado com uma flecha Nahua no seu pescoço.

Essa resistência Nahua foi, em grande parte, responsável por impedir o que teria sido um projeto de estrada ecologicamente desastroso no coração da primeira e mais famosa área protegida do Peru, o Parque Nacional de Manu. No entanto, com intensa prospecção petroleira no seu território pela Shell Oil, e a recente invasão de madeireiros, os Nahua foram finalmente contatados em 1985. Em dez anos, a população foi reduzida quase pela metade, principalmente devido a doenças introduzidas.

Como os Chitonahua e, antes, os Nahua, o grupo que recentemente apareceu ao longo do rio Envira também contraiu doenças respiratórias e foi necessário tratamento médico de emergência.

Narcotraficante português é o principal suspeito de massacre

Os sete indígenas Xatanawa que vieram até a aldeia Ashaninka no Acre são verdadeiros sobreviventes. Eles detalharam aos intérpretes o crime de genocídio que teria sido cometido contra eles. A suspeita, pelas descrições físicas feita pelos indígenas, é que o massacre teria sido liderado por um narcotraficante português chamado Joaquim Antônio Custódio Fadista, com cerca de 60 e poucos anos.

Fadista organizou a invasão da base Xinane da Funai, em 2011, liderando um grupo fortemente armado. Desde então, a base Xinane foi desativada. Além do risco aos servidores, houve também limites orçamentários e de direitos trabalhistas. Acontece que Fadista foi duas vezes preso dentro do território indígena, em março e em agosto de 2011. Na primeira, pela PF, foi extraditado e retornou à região. Depois, pela polícia civil, foi liberado em seguida. Foi condenado por tráfico pela Justiça do Maranhão e do Ceará, e também em Luxemburgo e procurado pela polícia peruana. Impune no tráfico e, a princípio, até então, impune na prática de genocídio que deve ser investigada.

Na época, o sertanista José Carlos Meirelles enviou um e-mail para os “companheiros de luta e família” no qual dizia: “Como todos sabem a nossa base do Xinane foi invadida por um grupo paramilitar peruano, onde foi preso por uma operação da polícia federal, um único integrante. O famoso Joaquim Fadista, que já tinha sido pego aqui por nosso pessoal, foi extraditado e voltou. Com um grupo de pessoas cuja quantidade não sabemos.”

Carlos Travassos, coordenador de Índios Isolados na Funai, já suspeitava, na época, da prática de violência por fadista. Ele havia relatado, em 2011, para este blog:  “Esses caras fizeram correria (como se chamavam as matanças de indígenas na época dos seringais) de índios isolados. Decidimos voltar para cá por conta de acreditarmos que esses caras possam estar realizando um massacre contra eles”.

Despois de capturado, foi encontrado em posse de Fadista pontas de flechas dos índios isolados e levantou-se ainda mais a suspeita do genocídio. Não houve investigação policial da denuncia dos sertanistas da Funai, nem no Brasil, nem no Peru. A descrição dos Xatanawa do massacre, segundo servidores da Funai, bate com a descrição física de Fadista, com a quantidade de pessoas e possíveis armamentos. O tráfico de cocaína vem a somar-se à indústria madeireira ilegal e a extração ilegal de ouro como as maiores ameaças físicas e diretas aos povos em isolamento voluntário na região.

Nações livres e autônomas: o isolamento como estratégia

Nas conversas entre os Xatanawa e os intérpretes também foram informados detalhes da existência de pelo menos oito populações indígenas isoladas que residem nesta remota região de fronteira entre Brasil e Peru, praticamente ao longo da linha do 10º paralelo sul.

Esses e outros grupos em situação semelhante hoje têm, de fato, conscientemente adotado o isolamento como uma estratégia para sobreviver em face da violência e da doença que foram levadas para essas regiões remotas durante o ciclo da borracha, entre 1895 e 1915. Na verdade, as primeiras referências ao Chitonahua remetem a 1895. Antes das correrias dos seringais, violentos massacres, esses grupos não eram “sem contato”. Estas sociedades participavam de intensas redes regionais, culturais e comerciais, amplos mecanismos de comércio interétnico, de trocas e  de casamentos. Por esta razão, o termo “isolamento voluntário” foi cunhado pelo antropólogo Glenn Shepard em um relatório de 1996 sobre o estado de grupos isolados no Peru.

Shepard cunhou o termo “grupo indígena em isolamento voluntário” em virtude de avistamentos de índios nômades, nus, “sem contato”, no Rio de las Piedras e regiões próximas, na bacia do Madre de Dios no Peru onde a Mobil estava realizando prospecção para gás e petróleo. A ideia do termo era justamente para tentar superar as noções românticas e falsas geradas por termos como “índio não-contatado” de grupos na “Idade de Pedra” que tinham vivido numa espécie de Jardim de Éden até o presente.

A realidade é que os grupos autônomos remanescentes na Amazônia hoje são descendentes de grupos que, em resposta aos massacres, exploração e epidemias sofridos especialmente durante a Época da Borracha em adiante, escolheram o isolamento radical de todos os outros povos ao seu redor como último recurso para a sobrevivência. Nenhum grupo humano, em condições normais, vive isolado dos outros grupos ao seu redor: na Amazônia são testemunhadas na arqueologia e na etno-história grandes redes de troca que alcançavam desde as regiões mais remotas da Amazônia até os capitais de grandes civilizações andinas e até a costa do Peru.

O isolamento é, portanto, um fenômeno recente na etno-história desses povos. E também altamente “moderno”: o “isolamento voluntário” desses grupos é uma resposta à inovação tecnológica essencial da modernidade, o automóvel, e à demanda que isso criou nos mercados internacionais para borracha nativa da Amazônia no início do século XX. A industrialização provocou violência e o isolamento foi uma resposta a isso. Em certo sentido, esses povos que são tidos na imprensa sensacionalista como sendo da “Idade da Pedra” são tão modernos quanto qualquer outra pessoa em qualquer cidade, pois vivem o impacto dessa modernização. A verdade é que essa modernização distante trouxe para estas regiões terror, violência, mortes, massacres, escravidão. “Isolar-se” transformando o modo de vida para o nomadismo, buscando refúgio em regiões distantes nas cabeceiras dos rios – onde não havia seringa – e evitar aproximação com a sociedade do entorno é, no fundo, uma estratégia política.

Contato e diplomacia: é preciso respeitar os Xatanawa

Em 1910, o Marechal Candido Rondon escreveu que “Os índios não devem ser tratados como propriedade do Estado dentro de cujos  limites ficam seus territórios, mas como Nações Autônomas, com as quais queremos  estabelecer relações de amizade”

As expressões correntes para designar essas relações diplomáticas e categorizar essas populações, sejam as correntes da imprensa, ou do governo, ou as da academia, são todas problemáticas e carregadas de preconceito. Primeiro, a própria ideia de classificar essas populações diversas em si é um limite e implica numa tentativa de dominação. Segundo, chamar de “isolados”, ou mesmo “autônomos”, significa dizer que há aqueles que não estão isolados, ou seja, nós, uma perspectiva etnocêntrica e preconceituosa, e a ideia de autonomia exclui toda a pressão externa e o interesse de algumas dessas por tecnologias, como machados, facões, armas de fogo.

A final, essas populações, como os Xatanawa, vivem mais ou menos onde sempre viveram, podendo ter adaptado seu território para se proteger das diferentes pressões que surgiram nos últimos séculos. O fato é que há 77 evidências de existir populações nessa situação de “isolamento voluntário”, uma situação em que passam a ser vulnerabilizadas a epidemias a partir do aumento das interações.

Ao longo do século passado, surgiu a função dos sertanistas como defensores humanitários dos povos indígenas. Foi o marechal Candido Rondon quem deu essa conotação para a palavra – que até então designava os matadores de índios, como os bandeirantes. E a profissão se tornou uma especialidade do indigenismo para o contato com povos “arredios”, “bravos”, “isolados”, a partir do trabalho dos irmãos Villas Bôas na Fundação Brasil Central – que depois em 1967 passou a fazer parte da Funai, junto do Serviço de Proteção ao Índio.

Em toda a história dos contatos, seja durante a Ditadura, seja antes, os sertanistas, como os Villas Bôas ou Chico Meireles, trabalhavam em condições sofríveis, com urgência para evitar o pior. A diplomacia sertanista consistia em se posicionar à frente das “frentes de expansão” para proteger os índios das guerras travadas pelos seringalistas, fazendeiros, pecuaristas, garimpeiros, ou do próprio governo, como no caso da construção de obras de infraestruturas, tais como a Transamazônica. Em 1987, por iniciativa dos sertanistas, liderados por Sydney Possuelo, foi criado o Departamento de Índios Isolados, e os processos de contatos passaram a ser evitados. A escolha passaria a ser dos povos indígenas. E o Estado brasileiro, através dos sertanistas, deveria realizar a proteção dos territórios para que essas populações que vivem de forma autônoma do Estado possam continuar a viver do jeito que desejam.

Essa política, hoje, vive um esgotamento, ao mesmo tempo que é mais garantida pela Constituição Federal e pela Convenção 169 da OIT. O esgotamento é que os planos desenvolvimentistas do governo não são alterados se eles impactam um território habitado por uma população nessa situação. Cria-se uma terra indígena, destinam-se recursos, mas se a Coordenação geral de Índios Isolados disser que não é possível realizar o empreendimento, é difícil imaginar, hoje, que ele não saia do papel por isso. E há 33 empreendimentos do PAC que impactam diretamente o território de povos indígenas considerados “isolados”, desde as usinas de Belo Monte, Jirau, Santo Antônio, Teles Pires, São Luiz do Tapajós, até estradas e hidrovias. Se o empreendimento for produzir risco de destruição do território e um consequente genocídio, ele não deve ocorrer. Acontece que, como declarou o sertanista José Carlos Meirelles, parece que o Brasil não tem vergonha de acrescentar genocídios ao seu currículo.

Pressões territoriais forçam índios isolados a estabelecer contato (Fapesp)

Integrantes de grupo indígena travam primeiro contato com funcionários da Funai e índios Ashaninka na Aldeia Simpatia, no Acre (foto: divulgação/Funai)

31/07/2014

Por Elton Alisson, de Rio Branco (AC)

Agência FAPESP – Um grupo indígena de etnia ainda não identificada estabeleceu em junho o primeiro contato com funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) e com índios Ashaninka, na Aldeia Simpatia, da Terra Indígena Kampa e Isolados do Alto Envira, na fronteira do Acre com o Peru. O grupo, que recebeu destaque da revista Science, pode ser apenas um de vários outros da região que devem sair da “condição de anonimato” nos próximos anos.

Isso porque o avanço da exploração de madeira e petróleo, além do narcotráfico e da construção de estradas próximas ou nas terras indígenas – principalmente no lado peruano –, podem estar forçando-os a sair do isolamento na floresta e a se aproximar das aldeias de índios já contatados.

A avaliação foi feita por pesquisadores participantes de uma mesa-redonda sobre índios isolados no Acre realizada durante a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que terminou no domingo (27/07), no campus da Universidade Federal do Acre (UFAC), em Rio Branco.

“Há um conjunto de 10 áreas indígenas nessa região de fronteira do Acre com o Peru, conhecida como Paralelo 10, que são corredores de índios isolados”, disse Terri Vale de Aquino, antropólogo da Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Funai e professor da UFAC.

“Existem muitas denúncias de casos de contatos forçados, escravidão e, sobretudo, de violência contra os povos indígenas nessa região. Isso tem provocado a migração para o Acre”, afirmou Aquino.

De acordo com o pesquisador, a construção de uma rodovia de 40 quilômetros de extensão entre os rios Muru e Tarauacá atingirá uma área utilizada por índios Kaxinawá destinada exclusivamente a índios isolados que vivem na fronteira do Acre com Peru, apontou.

“As lideranças dos índios Kaxinawá estão fazendo uma denúncia ao Ministério Público Federal porque essa estrada está sendo construída sem licença e estudos e relatórios de impacto ambiental”, afirmou.

Além disso, a distribuição de lotes para a exploração de petróleo e gás na região está “ilhando” terras indígenas no Alto Juruá e impactando diretamente os povos indígenas e grupos de índios isolados na região, sobretudo do lado peruano da fronteira, apontou.

Para agravar esses problemas, narcotraficantes têm buscado novas rotas de tráfico de drogas na Amazônia por meio do Alto Envira, um rio binacional que nasce em terras peruanas e passa pelo Acre, contou Aquino.

“O narcotráfico está muito intenso no Alto Envira e por dois anos desarticulou as bases de índios isolados do Rio Xinane [afluente do Envira] pela violência que imprimiu na região”, afirmou. “Esse conjunto de fatores pressiona muito os povos indígenas isolados que habitam essa região fronteiriça.”

Segundo os pesquisadores, o grupo de índios isolados que estabeleceu o primeiro contato no dia 29 de junho no Acre também relatou, por meio de intérpretes, ter sofrido atos de violência cometidos por não indígenas nas cabeceiras do rio Envira, em território peruano.

“Esses índios isolados podem estar fugindo dos madeireiros e do narcotráfico, além da exploração de petróleo e gás e da construção de estradas em suas terras”, estimou Aquino.

Presença recente

De acordo com Aquino, a presença de povos indígenas isolados no Acre é um fenômeno relativamente recente e tem se intensificado. Nos últimos 30 anos, a Funai avistou e passou a monitorar quatro grupos de índios isolados no Alto Envira, mas estima que possam existir muitos outros na região.

“O grupo de indígenas que estabeleceu contato em junho contou que há outros grupos de índios isolados na região – alguns aliados e outros inimigos deles – que nem sabíamos que existiam”, disse Aquino.

Um dos mais recentes grupos de índios isolados no estado foi avistado por funcionários da Funai em 2008 na cabeceira do rio Xinane e chegou à região fugindo do avanço dos madeireiros e do narcotráfico sobre suas terras, disse Aquino.

Já um outro grupo de índios isolados avistado na cabeceira do rio Humaitá, na margem esquerda do Envira, sobreviveu ao massacre de populações indígenas durante o primeiro ciclo da borracha da Amazônia, entre 1880 e 1920, no chamado “tempo dos seringais”, e resistiu por mais de 100 anos ao primeiro contato.

“Estima-se que eles formem um grupo de aproximadamente 300 índios, sendo o maior entre os quatro povos indígenas isolados já avistados pela Funai nessa região do Acre”, disse Aquino. “Eles já são bastante conhecidos aqui no Acre inclusive por outros povos isolados, que acham que eles são feiticeiros e xamãs.”

Além desses, há o grupo Mashco-Piro, conhecido pelo comportamento nômade. A comunidade costuma caminhar pelas cabeceiras do rio Madre de Díos, no lado peruano, e afluentes – em grupos grandes, formados por entre 100 e 150 índios.

Em geral, segundo Aquino, eles entram no território acreano no verão. Permanecem por períodos de três a quatro dias em um mesmo lugar e logo em seguida já migram para outro.

“Nunca localizamos nenhuma maloca ou roçado desse grupo de índios isolados no Acre. Eles são conhecidos como povo de floresta e se estabelecem aqui em acampamentos provisórios, compartilhando a terra do povo Pano”, contou.

Aumento de evidências

De acordo com Aquino, a presença desses quatro grupos de índios isolados já identificados no Acre foi constatada por meio de avistamentos e confrontos, além de coletas de vestígios de sua presença na região, tais como saques, rastros ou de utensílios, como cestas e flechas, que deixaram pelo caminho.

Um mapeamento realizado pelo pesquisador para verificar a presença de índios isolados no Acre nas últimas três décadas apontou que o maior número de evidências foi coletado entre os anos de 2006 e 2013.

Do total de 231 evidências coletadas da presença desses índios isolados na região, 156 foram registradas nesses últimos oito anos. E desses 156 indícios, 70 foram saques de ferramentas de metal, contou Aquino.

“Isso denota que esses grupos de índios isolados estão buscando, principalmente, ferramentas de metal, e substituindo o machado de pedra pelo de aço. Eles também conhecem armas e já usam até espingardas”, contou.

Uma hipótese levantada pelos pesquisadores para explicar o aumento do número de saques na região é a busca por tecnologia por parte dos grupos de índios isolados.

“Percebemos que também há muitas iniciativas de aproximação desses grupos de índios isolados pela curiosidade de conhecer e coletar produtos industrializados”, disse Carlos Lisboa Travassos, coordenador-geral de Índios Isolados e Recém-Contatados da Funai.

“Algumas dessas situações de contato podem trazer um risco muito grande à saúde desses índios isolados, uma vez que eles não possuem imunidade à gripe e a outras doenças que podem levá-los a morrer de uma forma muito rápida e devastadora”, destacou.

O grupo de sete índios – quatro rapazes, duas mulheres jovens e uma criança – que estabeleceu o primeiro contato no fim de junho contraiu gripe e teve de ser transferido para a Base de Proteção Etnoambiental Xinane, da Funai, para receber atendimento médico.

Após a conclusão do tratamento, os indígenas retornaram para suas malocas, onde estão os demais integrantes do grupo. “Precisamos nos preparar para amenizar os primeiros riscos à saúde desses grupos no primeiro contato e estabelecer uma relação franca com eles”, afirmou Travassos.

Segundo Travassos, a política de proteção aos índios isolados da Funai é a do não contato, respeitando a autodeterminação de aproximação dos povos. São previstas, contudo, ações de intervenção, como planos de contingência, quando um grupo indígena isolado procura estabelecer contato, como ocorreu no final de junho.

Registro do contato

No início da palestra os pesquisadores da Funai exibiram um vídeo de alguns minutos com imagens do primeiro contato com o novo grupo de índios isolados para uma plateia composta por muitos indígenas do Brasil e Peru.

De acordo com informações dos intérpretes que integraram a equipe da Funai que estabeleceu o primeiro contato, os índios pertencem a um subgrupo do tronco linguístico Pano, e o contato e a permanência deles na região ocorreram de forma pacífica, apesar de os índios Ashaninka terem se assustado com o aparecimento dos “forasteiros”. “Eles falaram que a língua deles é muito próxima à dos Jaminawá, se não for a mesma”, contou Aquino.

Segundo os antropólogos da Funai, alguns dos traços que os diferenciam de outros grupos isolados é o uso de folhas de envira (árvore da floresta tropical) amarrada no pênis e na cintura, na qual levam um facão.

O arco e a flecha que utilizam são feitos de madeira de pupunha e a ponta da flecha é feita de taboca (um tipo de bambu) e é bastante perfurante.

Violent aftermath for the warriors at Alken Enge (Science Daily)

Date: July 29, 2014

Source: Aarhus University

Summary: Denmark attracted international attention in 2012 when archaeological excavations revealed the bones of an entire army, whose warriors had been thrown into the bogs near the Alken Enge wetlands in East Jutland after losing a major engagement about 2,000 years ago. Work has continued in the area since then and archaeologists have now made sensational new findings.


Four pelvic bones on a stick. Credit: Peter Jensen, Aarhus University

Four pelvic bones on a stick and bundles of desecrated bones testify to the ritual violence perpetrated on the corpses of the many warriors who fell in a major battle close to the Danish town of Skanderborg around 2,000 years ago.

Denmark attracted international attention in 2012 when archaeological excavations revealed the bones of an entire army, whose warriors had been thrown into the bogs near the Alken Enge wetlands in East Jutland after losing a major engagement around 2,000 years ago. Work has continued in the area since then and archaeologists and experts from Aarhus University, Skanderborg Museum and Moesgaard Museum have now made sensational new findings.

“We have found a wooden stick bearing the pelvic bones of four different men. In addition, we have unearthed bundles of bones, bones bearing marks of cutting and scraping, and crushed skulls. Our studies reveal that a violent sequel took place after the fallen warriors had lain on the battlefield for around six months,” relates Project Manager Mads Kähler Holst from Aarhus University.

Religious act

The remains of the fallen were gathered together and all the flesh was cleaned from the bones, which were then sorted and brutally desecrated before being cast into the lake. The warriors’ bones are mixed with the remains of slaughtered animals and clay pots that probably contained food sacrifices.

“We are fairly sure that this was a religious act. It seems that this was a holy site for a pagan religion — a sacred grove — where the victorious conclusion of major battles was marked by the ritual presentation and destruction of the bones of the vanquished warriors,” adds Mads Kähler Holst.

Remains of corpses thrown in the lake

Geological studies have revealed that back in the Iron Age, the finds were thrown into the water from the end of a tongue of land that stretched out into Mossø lake, which was much larger back then than it is today.

“Most of the bones we find here are spread out over the lake bed seemingly at random, but the new finds have suddenly given us a clear impression of what actually happened. This applies in particular to the four pelvic bones. They must have been threaded onto the stick after the flesh was cleaned from the skeletons,” explains Field Director Ejvind Hertz from Skanderborg Museum.

Internal Germanic conflict

The battles near Alken Enge were waged during that part of the Iron Age when major changes were taking place in Northern Europe because the Roman Empire was expanding northwards, putting pressure on the Germanic tribes. This resulted in wars between the Romans and the Germanic tribes, and between the Germanic peoples themselves.

Archaeologists assume that the recent finds at the Alken dig stem from an internal conflict of this kind. Records kept by the Romans describe the macabre rituals practised by the Germanic peoples on the bodies of their vanquished enemies, but this is the first time that traces of an ancient holy site have been unearthed.

Global wildlife decline driving slave labor, organized crime (Science Daily)

Date: July 24, 2014

Source: University of California – Berkeley

Summary: Global decline of wildlife populations is driving increases in violent conflicts, organized crime and child labor around the world, according to a experts. Researchers call for biologists to join forces with experts such as economists, political scientists, criminologists, public health officials and international development specialists to collectively tackle a complex challenge.


Global decline of wildlife populations is driving increases in violent conflicts, organized crime and child labor around the world, according to a policy paper led by researchers at the University of California, Berkeley. The authors call for biologists to join forces with experts such as economists, political scientists, criminologists, public health officials and international development specialists to collectively tackle a complex challenge.

The paper, to be published Thursday, July 24, in the journal Science, highlights how losses of food and employment from wildlife decline cause increases in human trafficking and other crime, as well as foster political instability.

“This paper is about recognizing wildlife decline as a source of social conflict rather than a symptom,” said lead author Justin Brashares, associate professor of ecology and conservation at UC Berkeley’s Department of Environmental Science, Policy and Management. “Billions of people rely directly and indirectly on wild sources of meat for income and sustenance, and this resource is declining. It’s not surprising that the loss of this critical piece of human livelihoods has huge social consequences. Yet, both conservation and political science have generally overlooked these fundamental connections.”

Fishing and the rise of piracy

Fewer animals to hunt and less fish to catch demand increasingly greater effort to harvest. Laborers — many of whom are children — are often sold to fishing boats and forced to work 18-20 hour days at sea for years without pay.

“Impoverished families are relying upon these resources for their livelihoods, so we can’t apply economic models that prescribe increases in prices or reduced demand as supplies become scarce,” said Brashares. “Instead, as more labor is needed to capture scarce wild animals and fish, hunters and fishers use children as a source of cheap labor. Hundreds of thousands of impoverished families are selling their kids to work in harsh conditions.”

The authors connected the rise of piracy and maritime violence in Somalia to battles over fishing rights. What began as an effort to repel foreign vessels illegally trawling through Somali waters escalated into hijacking fishing — and then non-fishing — vessels for ransom.

“Surprisingly few people recognize that competition for fish stocks led to the birth of Somali piracy,” said Brashares. “For Somali fishermen, and for hundreds of millions of others, fish and wildlife were their only source of livelihood, so when that was threatened by international fishing fleets, drastic measures were taken.”

The authors also compared wildlife poaching to the drug trade, noting that huge profits from trafficking luxury wildlife goods, such as elephant tusks and rhino horns, have attracted guerilla groups and crime syndicates worldwide. They pointed to the Lord’s Resistance Army, al-Shabab and Boko Haram as groups known to use wildlife poaching to fund terrorist attacks.

Holistic solutions required

“This paper begins to touch the tip of the iceberg about issues on wildlife decline, and in doing so the authors offer a provocative and completely necessary perspective about the holistic nature of the causes and consequences of wildlife declines,” said Meredith Gore, a Michigan State University associate professor in the nascent field of conservation criminology who was not part of the study.

As potential models for this integrated approach, the authors point to organizations and initiatives in the field of climate change, such as the Intergovernmental Panel on Climate Change, and the United for Wildlife Collaboration. But the paper notes that those global efforts must also be accompanied by multi-pronged approaches that address wildlife declines at a local and regional scale.

“The most important bit from this article, I think, is that we need to better understand the factors that underlie fish and wildlife declines from a local perspective, and that interdisciplinary approaches are likely the best option for facilitating this understanding,” said Gore.

The authors give examples of local governments heading off social tension, such as the granting of exclusive rights to hunting and fishing grounds to locals in Fiji, and the control of management zones in Namibia to reduce poaching and improve the livelihoods of local populations.

“This prescribed re-visioning of why we should conserve wildlife helps make clearer what the stakes are in this game,” said UC Santa Barbara assistant professor Douglas McCauley, a co-author who began this work as a postdoctoral researcher in Brashares’ lab. “Losses of wildlife essentially pull the rug out from underneath societies that depend on these resources. We are not just losing species. We are losing children, breaking apart communities, and fostering crime. This makes wildlife conservation a more important job than it ever has been.”

Journal Reference:

  1. J. S. Brashares, B. Abrahms, K. J. Fiorella, C. D. Golden, C. E. Hojnowski, R. A. Marsh, D. J. McCauley, T. A. Nunez, K. Seto, L. Withey. Wildlife decline and social conflict. Science, 2014; 345 (6195): 376 DOI: 10.1126/science.1256734

Visual Breakdown: Military Spending in Latin America (Americas Society/Council of the Americas)

Elizabeth Gonzalez

July 24, 2014

Latin American governments are investing in military infrastructure in a bid to modernize defense systems and combat a range of security challenges, from drug trafficking to natural disasters. This month, for example, Honduras asked the United States for security assistance to address violence and organized crime driving emigration, in a scheme that would mirror Plan Colombia. Also, in mid-July, the Chinese and Russian presidents toured Latin America, fortifying regional economic and security ties. Russian President Vladimir Putin and Argentine President Cristina Fernández de Kirchner agreed to a mutual effort developing military technology; Brazil’s Dilma Rousseff agreed to continue negotiations to acquire Russian anti-aircraft systems.

According to the Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), global military spending climbed steadily over the last decade, but 2013 data reveals a 1.9 percent drop from the previous year. However, Latin America actually saw an increase in military spending over this period, rising 2.2 percent. SIPRI found that some of the smallest military budgets rose by the highest percentages in the region, including that of Honduras, Nicaragua, and Paraguay.

Increased spending in Paraguay allowed the country to acquire equipment for the army and to open its first Emergency Operations Center, a military base to respond to natural disasters. Nicaragua created new security forces, established new bases to fight transnational crime, and beefed up coastal surveillance, and in Honduras, a portion of the expenses went toward drug trafficking interception, including radar technology. Meanwhile, Brazil—the region’s lead spender—reduced military expenses by approximately $1.5 billion, a 3.9 percent decline from 2012. The cut was part of the government’s initiative to cut costs to try to reach its surplus target for the fiscal year.

AS/COA Online breaks down the numbers for a closer look at regional trends.

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‘Pedagogia do terror’: testemunho de um ex-preso político da democracia (EPSJV Fiocruz)

Novembro 2013

Paulo BrunoEle foi um dos presos políticos da atual democracia brasileira. Participando de uma manifestação organizada pelos professores municipais e estaduais do Rio de Janeiro, que estavam em greve, Paulo Roberto de Abreu Bruno, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP), da Fundação Oswaldo Cruz, foi detido junto com dezenas de outras pessoas no dia 15 de outubro. Acusado sem provas e sem direito à informação ou à presença de advogados, foi encaminhado para a delegacia e, na sequência, para dois presídios, incluindo Bangu 9. Segundo ele, circulou pelos “porões da democracia brasileira”. Desde o início de junho, Paulo Bruno vinha filmando as manifestações que tomaram as ruas do Rio de Janeiro como parte do seu trabalho de pesquisa. Levou algum tempo para que conseguisse falar sobre o assunto, mas nesta entrevista ele narra as humilhações e violências sofridas pelos presos políticos, descreve a rotina de violação de direitos do sistema carcerário brasileiro, destaca a solidariedade dos presos comuns e chama a atenção para a fragilidade das lutas políticas diante do terror que o Estado, representado no caso pelo governo estadual, pode provocar. Como, na prisão, não tiveram acesso sequer a papel e caneta, os registros que se seguem ficaram registrados, até então, apenas na memória do entrevistado.

Você está sendo acusado de quais crimes?

Dano ao patrimônio, roubo, incêndio e organização criminosa. Eu fui preso por volta de 22h30 do dia 15/11 e, no entanto, no documento que assinei no IML constava como se eu tivesse quebrado alguma coisa, por volta das 18h nas proximidades da rua Evaristo da Veiga. Não há nada quebrado lá. Além disso, nesse horário estava a caminho da Avenida Presidente Vargas, depois de embarcar num trem do metrô na estação de Del Castilho, acompanhado de duas pessoas com as quais trabalho.

Vocês sabiam que estavam sendo presos, para onde estavam indo e por que?

Não. Estava na escadaria da Câmara dos Vereadores e o policial só me puxou. Eu tropecei na alça da mochila e minhas moedas se espalharam. Reclamei disso e, autorizado a recolhê-las, pude me recompor. No ônibus, outro policial mais novo, com pouco menos de 30 anos talvez, ficou perto da porta e mandou entrar. Nisso foram entrando pessoas. Na Evaristo da Veiga, próximo à avenida Rio Branco, alguns manifestantes ainda tentaram impedir que o ônibus saísse e os policiais que estavam em frente ao Municipal jogaram bomba de efeito moral para dispersá-los. O ônibus foi embora com uma escolta, vinham dois de moto — de negro também, acho que eram do choque —, com a arma apontada para a gente, dizendo para fechar a janela, xingando. Tentamos abrir a janela e um deles dizia: ‘fecha a janela senão jogo gás de pimenta em vocês’. Aí fechamos a janela. Até então o pessoal estava revoltado, ninguém tinha noção do que iria acontecer. Eu falava para ter calma, era o mais velho. A gente tinha que estar sempre calado e em nenhum momento falaram para onde iríamos. Na delegacia, permanecemos a maior parte do tempo no ônibus. Ficamos lá de molho até 12h30 do outro dia. Soubemos que duas pessoas que estavam na 25ª, se não me engano, ficaram em condições bem piores, num lugar alagado, com um banheiro. No nosso caso, ficamos em lugares da delegacia sentados ou de pé e depois retornamos para o ônibus. Recebemos orientação dos advogados que chegaram à 37ª DP algum tempo depois de só depormos em juízo. Passamos uma procuração para os advogados do DDH [Instituto de Defesa dos Direitos Humanos] e não depusemos.

Como foi a transferência para o presídio?

Pouco antes de 12h30 os carros começaram a se movimentar, vimos chegar aquele furgão usado pelo batalhão de choque, começaram a deslocar os carros em frente à delegacia, a gente previu que fosse acontecer alguma coisa. Imaginamos que iríamos ser transferidos, mas não sabíamos para onde porque não falaram. Alguns PMs começaram a ser mais irônicos e mais agressivos com palavras. Quando alguém pedia alguma coisa, respondiam de forma irônica. Sempre de forma intimidatória. Até que meio dia e pouco — imagino que nesse horário porque também não tínhamos relógio —, colocaram a gente na traseira desse furgão, que era dividido no meio, com dois bancos laterais. Ia uma pessoa em pé e outra sentada, algemadas. Eu não tinha noção de que algema era objeto de tortura, para mim, era só para segurar a mão do preso. Mas conforme você vai mexendo, ela vai apertando. Então, assim que o carro saiu, a algema encaixou no osso do meu pulso, causando uma sensação muito ruim, eu tentei mexer e percebi que ela apertou. Fomos para o IML [Instituto Médico Legal]. Nessa hora eu já não aguentava mais, pedi para tirarem e acabaram abrindo [a algema] lá. Mas isso nem contou lá no exame de corpo delito porque é uma coisa muito rápida, os caras não querem muita conversa. O tratamento que a gente recebeu em todo momento, a não ser em poucas ocasiões no interior da 37ª DP, era como se fôssemos criminosos. Dali saímos também sem que falassem nada. Nos algemaram de novo, colocaram no furgão e fomos para São Gonçalo, para o presídio Patrícia Accioly, no bairro Guaxindiba. Nas transferências, você é sempre humilhado, chamavam a gente de ‘black bosta’, criminosos, assassinos, vagabundos, vândalos etc. Na saída da 37ª, dois policiais nos chamaram de criminosos, falando que seríamos estuprados no presídio. Diziam que iríamos pagar por termos nos metido com policial, que tínhamos matado o amigo deles, incendiado o carro [da polícia]. Tentavam nos filmar com seus celulares. Quando chegou lá, em Guaxindiba, novamente um cardápio de ofensas e atos para nos amedrontar. Você entra, tira a roupa, fica de cócoras, levanta a sola do pé, mão, tudo para ver se está com algum objeto, e depois te encaminham nu para receber calção e camiseta. Para lá a gente foi com a roupa do corpo. Na delegacia da Ilha do Governador, deixamos as coisas com os advogados, porque tinham avisado que iríamos perder tudo no presídio. Primeiro ficamos acocorados num corredor dos presos de alta periculosidade (segundo eles próprios). A primeira pergunta de um desses presos foi se a gente tinha dinheiro. Todo mundo de mão para trás e cabeça para baixo, em pé ou sentado. Não demos ouvido. Começaram a perguntar o que a gente fez, mas ninguém respondeu. Por fim, ele perguntou se a gente estava em manifestação. O preso da frente falou ‘esse Cabral é um filho da puta, tem que sair!’ e o da cela de trás concordou: ‘É isso mesmo!’.
Dali fomos para uma cela num corredor e ficamos só nós, os presos políticos. Eram celas para seis pessoas, com três beliches de cimento. No canto, o banheiro, com um buraco no chão — um vaso sanitário, chamado de “boi” na linguagem da cadeia — e um chuveiro no alto, sem registro. A gente descobriu que a água era aberta duas vezes ao dia. Foi ato contínuo entrarmos na cela e todo mundo se apresentar. As pessoas não se conheciam. A sensação de solidariedade coletiva minimizava a apreensão causada nos deslocamentos (DP-IML-presídio). Entrar na cela naquela circunstância era como “chegar em casa”: enfim, apesar da falta de banho, teríamos a possibilidade de deitar e descansar.

Como foi a rotina dentro do presídio?

Inicialmente fomos informados sobre como funciona o sistema. Rasparam a nossa cabeça também antes de entrarmos na cela. Recebemos sabonete, escova de dente e creme dental. Toalha não! Os presos mais antigos e com bom comportamento fazem o serviço de cortar o cabelo, dar informes sobre o funcionamento, servir as refeições. Eram feitos três “conferes” ao dia: gritavam no corredor (Confere!), ou tocavam na grade e você teria que se posicionar (erguido, mãos para trás e olhar para o chão) para eles contarem. Tinha pão e café pela manhã, almoço, jantar e um copo de uma bebida que parecia guaravita. A gente foi se acostumando com a rotina. No primeiro dia, não chegou água. Chegamos ao presídio quatro horas da tarde talvez, estando desde o dia 15 sem tomar banho — já era dia 16 anoitecendo. Falaram que abririam a água por dez minutos. Nesse dia abriram a água devia ser 3h da manhã. Tinha muito mosquito nesse presídio. Já trabalhei na Amazônia, andei em várias aldeias, mas nunca vi coisa igual. Não dava para dormir. Eles deram um cobertor e a esperança era que o cobertor ajudasse. No meu caso, era velho e furado, então não adiantava porque os mosquitos entravam. Essa primeira noite foi sofrida. A gente meio que fica na expectativa de sair, mas já estava conversando e encarando a possibilidade de ficar mais tempo. As longas conversas entre o grupo que dividia a cela e a comunicação com outros presos políticos de outras celas serviram para nos mantermos num estado emocional equilibrado. Na segunda noite nesse presídio já havíamos aprendido a fazer incensos com papel higiênico, o que afastava os mosquitos, mas deixava a cela esfumaçada.

Vocês receberam a visita de alguém?

Primeiro, recebi visita dos advogados da Asfoc [Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz], Jorge da Hora e Fábio. Eles falaram da mobilização que era prevista para acontecer na Fiocruz e perguntaram sobre o meu estado. Receber notícias de fora do presídio causou um sentimento desconhecido. Não tinha a menor ideia do que poderia estar acontecendo do lado de fora. Era como se estivesse também com o pensamento aprisionado, apesar de consciente do que acontecia. Depois, na tarde do dia 17, chegaram os advogados do DDH junto com uma advogada ligada a uma ONG que trabalha com direitos humanos em presídios. O trabalho dela consiste em visitar todos os presídios do sistema do Rio de Janeiro e ver as condições dos presos. Acho que tinha alguém da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia [Legislativa]. Um pouco depois chegou o [deputado estadual] Marcelo Freixo. Fizemos duas reuniões num refeitório onde tivemos a primeira oportunidade de ver o conjunto dos presos. Dos 19 que éramos quando chegamos à 37ª delegacia, ali já éramos 62. Todo mundo se cumprimentava, apertando a mão. Recebemos uma carta de pessoas de fora. Foi um momento de muita emoção e houve um agradecimento a elas. Aquilo foi muito bom porque a gente estava isolado. É outro universo: no presídio você não tem essa dimensão do que acontece do lado de fora. É outro mundo. Tínhamos consciência de que éramos presos políticos. Foi nosso primeiro contato coletivo com o mundo. O Marcelo Freixo me pareceu muito abatido, falando que a situação era grave, que ele nunca tinha presenciado uma situação dessa no Rio de Janeiro. Comentou que se falava em colocar as forças de segurança nacional na rua e que o Beltrame chegou a aventar isso. E a imprensa estava jogando pesado na nossa criminalização.

E a transferência para Bangu 9?

Na madrugada do dia 17 para o 18, umas 3h30 da manhã, fomos acordados pelos caras batendo [na grade]. “Sai, sai. Deixa tudo!!!”, gritavam. E os meus óculos ficaram na cela. Foi o momento de maior tensão: escuro, aqueles caras enormes todos de preto, gritando muito. A sensação, pelo tratamento, era de que iriam executar a gente. Colocaram a gente num pátio externo, sempre gritando, humilhando, xingando. Eu não fui agredido, mas uma parte do grupo foi agredida com palmatória. Eles queriam que o pessoal dissesse por que o estuprador da Rocinha estava com a orelha cortada e o rosto queimado. Tinha três presos comuns com a gente, um deles era esse estuprador e alguém queimou o cara, só que ele não dividiu cela com a gente em nenhum momento. Mas os caras queriam que a gente dissesse quem foi. Isso eu ouvi do lado de fora de um portão grande de ferro. Fui colocado para fora com outro grupo, de cabeça baixa. Chovera e o chão estava molhado e todos nós estávamos descalços (desde são Gonçalo até a libertação permanecemos nesse estado). Começamos a ouvir interrogatório e, em seguida, batidas e as pessoas gritando. Depois soubemos que era a palmatória de madeira. Isso durou alguns minutos. Fomos colocados num ônibus todo escuro. Dessa vez, sentamos quase todos. Um dos presos políticos estava por desmaiar e outros se esforçavam para mantê-lo acordado. Não era possível ver os rostos mesmo dos que estavam mais próximos de nós. Havia pouca circulação de ar. O Freixo havia dito que possivelmente iríamos para um presídio próximo para aguardar uma solução na justiça. Seria um presídio em São Gonçalo, que ele disse que era mais tranquilo, que estava disposto a aceitar o grupo, tinha espaço. Como eles tiraram a gente de madrugada, só podíamos imaginar para onde estávamos indo, porque estava escuro e, sem relógio nem nada, você perde a noção de espaço e tempo. Só sentíamos o balanço do ônibus, só sabíamos que estávamos em rua esburacada. Depois de algum tempo, pela batida e por alguma luz que entrava, nos demos conta de que estávamos cruzando a ponte Rio-Niterói. Mas, adiante alguém exclamou: “Deodoro!”. Pouco depois chegamos ao Complexo Penitenciário Gericinó, mais especificamente, no presídio Bangu 9 e foi novamente aquela coisa de os caras nos tratarem mal. A fala e a atitude de um policial ficou impregnada na minha memória: ‘Só tem vocês dois de pretos aqui?’. Em seguida segurou a cabeça de um deles e bateu algumas vezes contra a parede. Teve outro preso político que pedia insistentemente para ir ao banheiro, que não aguentava mais. Estavam muito próximo de mim. Gemia… Eu sussurrava para ele: respira fundo. Os caras apenas ironizavam e procuravam humilhá-lo. Mesmo depois de uns cinco pedidos desesperados, o rapaz não teve autorização e evacuou nas calças. Depois disso ordenaram que lavassem o chão.

Fomos para a cela. Quando a gente passa pela triagem, perguntam qual a nossa facção e são apresentadas as seguintes opções num formulário: Comando Vermelho, Amigo dos Amigos, Povo de Israel, milícia ou neutro. Nos identificamos como neutros e ficamos numa galeria juntos com o Povo de Israel, que são os presos que se converteram. O melhor de Bangu é que tinha uma torneira com água 24 horas; no outro não tivemos nem água para beber até a primeira abertura do chuveiro, para banho muito menos. Se quiséssemos beber aquela água imunda, pelo menos havia água, não iríamos morrer de sede. Mas a cela era mais estreita, escura, úmida e quase não tinha espaço para circular. Parece que circulou a informação de que haveria visita do pessoal dos direitos humanos. Aí deram um jeito de transferir a gente para outra cela no final do corredor, onde entrava luz no final da tarde, tinha sol, foi um alento. Além de um pardal que entrava e saía da cela através da grade no alto da parede (no final da tarde ele se alojou num buraco no teto da cela). Dessa cela ouvíamos cantos de outros pássaros. Recebemos somente um lençol branco e limpo que, pelo fato de ser bem largo, dava para cobrir a espuma sobre a qual deitava e, ao mesmo, servir de coberta. As poucas horas que restavam da madrugada permitiram um breve cochilo. No dia 18, acordei com a sensação de que sairia: lavei minha camiseta no banho com caneco e sabonete. Eu pretendia sair limpinho do presídio, estava imundo. Nessa passagem por Bangu, os presos receberam a gente bem. Eles falavam que a gente representava os parentes deles do lado de fora, que a luta era por eles também. Foram acolhedores e respeitosos conosco.

Quando você soube que seria solto?

Durante reunião com o pessoal dos direitos humanos, que aconteceu justamente no corredor, diante da cela onde eu e mais cinco presos estávamos, deram a informação de que tinha saído um habeas corpus. E que a partir desse habeas corpus, em meu nome, a juíza estendeu o benefício para os outros. Dali, voltamos para a cela. O habeas corpus só chegou ao presídio no final da tarde. Nesse meio tempo, chegaram advogadas do DDH, a Luiza maranhão e mais duas que conheciam pessoas comuns a mim e a outros dois presos. A gente foi conversar com as advogadas e, na volta, foi interessante porque um preso parou a gente para conversar no corredor, onde havia outros dois presos soltos. Esse preso falou: ‘Pára que aqui é tranquilo, pode parar’. Parei. ‘Aperta minha mão aí’. Apertei. Tinha outros três na grade festejando a gente e que também queriam apertar as nossas mãos. Eu saí, o Deo [professor da rede municipal do Rio, companheiro de cela] veio mais atrás, parou um pouco e conversou com eles. Eles falaram: ‘Ah, você é professor?A gente é aluno do crime, a gente veio agradecer vocês’. Surpreendeu a gente: por incrível que pareça, tivemos a solidariedade de quem – os policiais falaram – iria nos maltratar. Enfim, foi o ultimo dia lá, saímos à noite. Durante a oração que é feita sempre às 18h, segundo comunicara o preso que servia as refeições, momento em que os presos leem trechos da Bíblia, discursam, cantam — as falas e canções pareciam ter sido construídas no próprio espaço carcerário, pois falavam, muito da situação dos presos —, um dos carcereiros fez uma chamada no início do corredor, o que interrompeu a oração e criou um estado de suspense. Chamaram os nomes dos nove primeiros libertos. A nossa saída pela galeria foi algo comovente! Braços eram estendidos para fora das celas para nos cumprimentar. Olhos brilhantes nos acompanhavam enquanto aguardavam cumprimentos. Ouvia-se um grito: Liberdade! Esperamos quase duas horas fora da cela. Depois saberíamos que foi feito de tudo para que ficássemos mais tempo presos, apesar de os advogados da Asfoc já terem obtido dois habeas corpus antes do que definiu a saída do nosso grupo, detido na 37ª DP.

Dá para descrever os momentos de pavor?

Tem um pavor que é para disciplinar o corpo e, no nosso caso, intimidar. A todo momento falavam que, como era a primeira vez, a gente estava sendo tratado como homem, e que da próxima seríamos tratados de forma diferente. Falavam para que tomássemos cuidado para não voltar para lá. E funciona: nessa noite mesmo tive um sonho com um monte de policial de fuzil atirando nas pessoas aleatoriamente. Isso num nível psicológico. [Mas teve] o físico também, eles bateram em algumas pessoas. Imagino que elas estejam mais frágeis do que eu. Tem essa coisa de incutir o medo. É uma espécie de pedagogia do terror, de você ser educado para não se manifestar, não questionar. Tanto que os últimos atos estiveram meio vazios, as pessoas estão recuando porque foi feita uma coisa exemplar. Isso me faz pensar que essa estrutura de terror não se extingue com mudança de governo, eleições, ela está muito bem estruturada como sistema de tortura… Aparentemente é um sistema legal, no entanto, é uma estrutura em que você entra e é engolido. Quando vem pressão de fora, é diferente. Fora isso, é o sistema de terror. É impossível ressocializar (como sugere o calção que recebemos, com a sigla SEAP e a palavra ressocialização) em tais condições.

Você diz que existe uma pedagogia do terror que funciona. Como é voltar a uma manifestação agora? 

Eu soube de pessoas que não pretendem voltar a manifestações por enquanto. Para mim foi difícil. Nos arredores da Cinelândia, uns dias depois da minha libertação, quando vi o carro e um micro-ônibus da polícia, foi uma sensação muito estranha. Eu fui para casa. A sensação é de que iria repetir tudo que eu falei anteriormente, uma coisa incontrolável, não de ser preso, mas de sentir tudo o que eu senti, de escuridão, de ser puxado para o escuro. De ter sido sequestrado. Mudou também o meu olhar com relação aos policiais. Eu tinha a expectativa de que pudessem se portar como trabalhadores, servidores públicos. Agora eu até entendo a situação de precariedade, que os caras têm que fazer isso para sobreviver, a questão da hierarquia militar etc., mas os possíveis resquícios de solidariedade diminuíram muito. Com a forma como muitos deles tratam as pessoas, não dá para perceber qualquer sinal de compaixão.

Qual a sua avaliação com relação ao sistema judiciário e carcerário brasileiro considerando a situação daqueles que passaram por essa experiência?

Se você está na mão do Estado, está refém do Estado. Estamos em situação de fragilidade. Hoje os grupos mais conservadores estão unidos em torno de um projeto que, a pretexto de viabilizar a Copa do Mundo e as Olimpíadas, visa frear manifestações para assegurar o uso da máquina e dos recursos públicos para garantir os grandes investimentos, o lucro, a expropriação de terras. Não temos certeza se, quando formos a julgamento, podemos ganhar. Essa sociedade democrática que a gente vive é para quem não está dentro desse sistema prisional, só serve para quem nunca passou por lá. Depois que você cai ali, vê que é tudo muito frágil. No escravismo brasileiro, até o século XIX, os escravos que cometiam os “crimes” de fuga das fazendas ou atentado ao “seu senhor”, por exemplo, eram marcados/queimados com a letra “F”. Algo aparentemente superado historicamente se repete com a “marca” que a “passagem” pelo “sistema” deixa em nós. Qualquer um pode ser pinçado, cair ali e pronto! O objetivo dos grupos que controlam as estruturas de poder do Estado é ter você na mão e prorrogar esse processo por anos. Qualquer um de nós, se voltar, com certeza, terá outro tratamento. Eles nos avisaram! Há os que ainda acreditam na possibilidade da luta, garantida nos “direitos constituídos”. Penso que não tem mais direito constituído… Se por um lado a solidariedade presente entre companheiros da Fiocruz e de Manguinhos, em especial, foi extremamente importante para mim, por outro, é surpreendente o silêncio por parte de algumas entidades de classe e parte do meio acadêmico com relação a esse estado de coisas, onde cresce a opressão contra a expressão popular nas ruas, o que coloca o Estado Democrático de Direito como privilégio para poucas pessoas. Também é desprezível o reacionarismo expresso em artigos e ações de intelectuais que, outrora, eram consideradas referências importantes para a crítica ao autoritarismo.

Ainda tem gente presa…

Tem o Jair e o Rafael, um morador de rua. Ambos negros. Segundo as notícias que circulam na internet o Rafael foi preso num prédio abandonado na Lapa, onde ele estava morando. Foi no dia 20 de junho, aquele em que a polícia saiu jogando bomba de gás para todo lado. Ele estava caminhando para o lugar onde iria dormir com uma garrafa plástica de detergente e uma de água sanitária e alegaram que ele estava com material inflamável, com líquidos para produzir incêndio. Foi preso. O cara é morador de rua, está há cinco meses preso, e esteve, durante algum tempo, sem defesa. Já o Jair parece que foi preso por averiguação, e pelo fato de ter passagem anterior, estão dificultando o caso dele. Na reunião com as advogadas, no Bangu 9, foi falado que estava sendo difícil conseguir o habeas corpus para ele.

Você falou que estávamos muito fragilizados e houve uma grande união de forças para acabar com as manifestações. Mas mesmo depois dessa experiência traumática, você continua indo. Por quê?

O que impulsiona a gente a participar é a solidariedade. Aqueles que decidiram o que fazer conosco não têm noção de que, dentro da cadeia, possibilitaram a construção de uma solidariedade entre pessoas que nem se conheciam. Criaram uma liga entre essas pessoas, conheci pessoas de caráter muito firme. A grande maioria lá ficou muito solidária. Eu vejo que de toda essa experiência ruim, de aprisionamento, de repressão, está consolidando um grupo de muitas pessoas com discernimento sobre os fatos e sobre as injustiças presentes em nossa sociedade. Tive oportunidade de rever pessoas que dividiram cela comigo num ato recente de solidariedade aos presos e ex-presos. Algo inexplicável, a repressão produzira laços de amizade e confiança.
Eu volto para as manifestações com a vontade de filmar, mas não sei se vou continuar filmando por enquanto, apesar de querer dar continuidade aos registros históricos e etnográficos que iniciei em junho. Vivemos um processo histórico muito vigoroso e complexo sobre o qual precisamos refletir muito e para isso é necessário que ele seja registrado a partir de olhares diversos. Sou apenas um deles. Também não dá para abdicar de questionar o sistema da forma como está colocado. Afinal de contas, é difícil pensar na construção de um conhecimento científico neutro, principalmente, se levarmos a sério o que sugeria Paulo Freire ao dizer que toda neutralidade afirmada corresponderia a uma opção escondida.

Assim, a passagem pelo sistema prisional e carcerário não poderia ofuscar o nosso olhar sobre a sua dinâmica, sobre a forma como atuam os servidores públicos que os mantêm ativos e, sobretudo, sobre as condições nas quais se encontra seu “público-alvo”, formado por pobres, negros e mestiços em sua grande maioria. Nessa perspectiva, é difícil observar sem críticas um serviço público, financiado com recursos públicos, utilizado para punir parte desse público (presos, seus parentes e amigos). A crítica a esse tipo de serviço não pode ser colocada sem a devida correlação com toda a estrutura de governo do qual faz parte. Na atual conjuntura, essa crítica pode resultar na marcação de um “F” nas nossas costas ou no nosso encarceramento.

Entrevista concedida a André Antunes e Cátia Guimarães – Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz)

Pescadores que denunciaram Petrobrás se dizem exilados dentro do país (Congresso em Foco)

Pescadores que denunciaram Petrobras se dizem exilados dentro do país

Retirados de Magé (RJ) depois de resistirem a megaprojeto da estatal na Baía da Guanabara, líderes de associação reclamam do tratamento do governo federal e pedem segurança para voltarem às suas casas

POR EDSON SARDINHA | 30/06/2014 17:47

Dois telefonemas disparados de Brasília atingiram em cheio três pescadores que desafiaram a Petrobras na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. O primeiro acertou de uma só vez Alexandre Anderson de Souza e sua esposa, Daize Menezes de Souza, em novembro de 2012. O segundo chamado alcançou Maicon Alexandre Rodrigues, em setembro de 2013. Os três receberam ordens da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência para se retirarem de Magé (RJ), onde viviam e resistiam aos projetos do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), o maior investimento da história da estatal. O recado era claro: se não saíssem, seriam mortos por grupos armados da região, dos quais já haviam sofrido ameaças e atentados.

Incluídos no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH), coordenado pela secretaria, abandonaram a cidade com a promessa até hoje não concretizada de que voltariam dois meses depois com segurança. Desde então, vivem como clandestinos. Não sabem se um dia voltarão a Magé, sede da Associação dos Homens do Mar (Ahomar), da qual são dirigentes. A entidade está com as portas fechadas desde agosto de 2012.

Os pescadores acusam a Secretaria de Direitos Humanos de atuar em parceria com a Petrobras para mantê-los longe da região onde a empresa toca o maior investimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), avaliado em US$ 13,5 bilhões. O trio afirma que os telefonemas disparados pelo programa, ainda que eventualmente os tenham livrado da morte, mataram a resistência dos pescadores de sete municípios da Baía de Guanabara. De 2009 para cá, quatro dirigentes da Ahomar foram assassinados. Alexandre e Daize contam ter escapado de sete atentados.

Com manifestações no mar e ações na Justiça, a entidade virou obstáculo para a petroleira e seus fornecedores. Conseguiu paralisar trechos de obras por onde passariam dutos de gás. Desde que foi lançado, em 2006, o complexo petroquímico virou uma usina de problemas para o governo federal: o orçamento previsto dobrou e o início de sua operação está quatro anos atrasado.

“Para mim, quem mata não é só quem atira ou manda atirar. É também quem deixa atirar. Não tenho dúvida de que minha retirada foi determinada pela Petrobras. Houve um pedido político para eu deixar Magé”, acusa Alexandre, 43 anos, fundador e presidente da Ahomar. “Já são mais de 550 dias longe de casa. Tenho de voltar com escolta e ser protegido enquanto perdurarem as ameaças e os acusados não forem presos”, reivindica.E, para ele, as ameaças partem de empresas que prestam serviços à companhia.

Vice-presidente da associação, Maicon, 37 anos, relata viver os piores dias de sua vida. “O programa foi a pior coisa que me aconteceu. Se não nos matarem, vamos morrer de infarto ou depressão. Prefiro voltar para casa e morrer militando, como homem”, diz o pescador, também conhecido como Pelé.

Casada com Alexandre desde 2001, Daize, 47 anos, está arrependida de ter entrado para o programa. “A gente preferia ter morrido, levado um tiro na praia de Mauá, a sofrer o que fazem com a gente”, declara a diretora da Ahomar, pescadora desde os 14 anos.

O drama vivido pelos pescadores não expõe apenas a fragilidade do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, denunciada por outros militantesmas também a prioridade dada pelo governo aos grandes empreendimentos que financia, avalia Renata Neder, assessora de Direitos Humanos da Anistia Internacional, ONG que monitora o caso. “A retirada é necessária em caso de risco extremo, mas em caráter temporário. Há quase dois anos, Alexandre e Daize não conseguem voltar para casa. O ingresso no programa não pode acabar com a luta do defensor, que precisa permanecer na sua comunidade”, adverte Renata.

O Ministério Público Federal (MPF) monitora a execução do programa. O caso está nas mãos da procuradora Gabriela Figueiredo. Por tramitar sob sigilo, os procuradores não quiseram dar entrevista sobre o assunto. Na última audiência mediada pelo MPF, em dezembro do ano passado, a coordenação do programa federal informou que estava trabalhando para que os pescadores voltassem a Magé com segurança e que pediria uma avaliação de risco para o retorno dos militantes. Os pescadores não receberam nenhum retorno do estudo até hoje. Na ocasião, a PM disse que não tinha policiais em número suficiente para garantir total proteção aos pescadores.

Questionada pela reportagem sobre a situação dos dirigentes da Ahomar, a Secretaria de Direitos Humanos não se manifestou. Em nota, a Petrobras negou qualquer envolvimento com o afastamento dos militantes e as ameaças. Disse que respeita os direitos humanos e dialoga com as comunidades do entorno do Comperj. “A Petrobras repudia quaisquer ameaças aos pescadores e entende que as investigações são de responsabilidade dos órgãos competentes”, afirma.

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/pescadores-que-denunciaram-petrobras-se-dizem-exilados-dentro-do-pais/

Declassified Documents Given By Biden to Rousseff Detail Secret Dictatorship-Era Executions, “Psychophysical” Torture in Brazil (Unredacted)

JULY 3, 2014

"Allegations of Torture in Brazil."

The Brazilian military regime employed a “sophisticated and elaborate psychophysical duress system” to “intimidate and terrify” suspected leftist militants in the early 1970s, according to a State Department report dated in April 1973 and made public yesterday. Among the torture techniques used during the military era, the report detailed “special effects” rooms at Brazilian military detention centers in which suspects would be “placed nude” on a metal floor “through which electric current is pulsated.” Some suspects were “eliminated” but the press was told they died in “shoot outs” while trying to escape police custody. “The shoot-out technique is being used increasingly,” the cable sent by the U.S. Consul General in Rio de Janeiro noted, “in order to deal with the public relations aspect of eliminating subversives,” and to “obviate ‘death-by-torture’ charges in the international press.”

Because of the document’s unredacted precision, it is one of the most detailed reports on torture techniques ever declassified by the U.S. government.

"****"

Titled “Widespread Arrests and Psychophysical Interrogation of Suspected Subversives,” it was among 43 State Department cables and reports that Vice President Joseph Biden turned over to President Dilma Rousseff during his trip to Brazil for the World Cup competition on June 17, for use by the Brazilian National Truth Commission (CNV). The Commission is in the final phase of a two-year investigation of human rights atrocities during the military dictatorship which lasted from 1964 to 1985.  On July 2, 2014, the Commission posted all 43 documents on its website. “The CNV greatly appreciates the initiative of the U.S. government to make these records available to Brazilian society and hopes that this collaboration will continue to progress,” reads a statement on the Commission’s website.

The records range in date from 1967 to 1977. They report on a wide range of human rights-related issues, among them: secret torture detention centers in Sao Paulo, the military’s counter-subversion operations, and Brazil’s hostile reaction in 1977 to the first State Department human rights report on abuses. Some of the documents had been previously declassified; others, including the April 1973 report from Rio, were reviewed for declassification as recently as June 5, 2014, in preparation for Biden’s trip.

***

During his meeting with President Rousseff, Biden announced that the Obama administration would undertake a broader review of still highly classified U.S. records on Brazil, among them CIA and Defense Department documents, to assist the Commission in finalizing its report.  “I hope that in taking steps to come to grips with our past we can find a way to focus on the immense promise of the future,” he noted.

Since the inception of the Truth Commission in May 2012, the National Security Archive has been assisting the Commissioners in obtaining U.S. records for their investigation, and pressing the Obama administration to fulfill its commitment to a new standard of global transparency and the right-to-know by conducting a special, Brazil declassification project on the military era.

Advancing truth, justice and openness is precisely the way classified U.S. historical records should be used.  Biden’s declassified diplomacy will not only assist the Truth Commission in shedding light on the dark past of Brazil’s military era, but also create a foundation for a better and more transparent future in U.S.-Brazilian relations.

To call attention to the records and the Truth Commission’s work, the Archive is highlighting five key documents from Biden’s timely donation:

1)  Widespread arrests and psychophysical interrogation of suspect subversives

2) Political arrests and torture in São Paulo

3) Allegation of torture in Brazil

4) Conditions in DEOPS Prison as told by Detained American Citizen

5) Esquadrão da Morte

 

For more information contact Peter Kornbluh (peter.kornbluh@gmail.com202 374-7281) who directs the National Security Archive’s Brazil Documentation Project.

The Politics of Violence and Brazil’s World Cup (Anthropoliteia)

JUNE 30, 2014

 

The editors of Anthropoliteia welcome Sean T. Mitchell with the latest entry in our forum Security in Brazil: World Cup 2014 and Beyond.

A June 19, 2014 São Paulo protest called by the Movimento Passe Livre (Free Fare Movement) to protest transport fares and conditions, but mischaracterized internationally as an “Antigovernment” and “World Cup” protest. The banner in front reads, “There will be no fare.” Photo. Oliver Kornblihtt/ Midia NINJA

On Failure, Violence, and the World Cup

Not unlike the 2010 hoopla anticipating that year’s South Africa World Cup, the breathless expectation of failure and security breakdown that characterized much international coverage of the lead up to Brazil’s 2014 World Cup, now, midway through the month-long event, seems to have been illfounded.

When reporting wasn’t merely what Meg Stalcup characterized on this forum as fluff—which much of it was—pre World Cup coverage in the global north press was overheated and macabre.  Why?

The last year has seen the emergence of large scale Brazilian protest movements of clear importance, and the World Cup has been a target of their criticism.  But the macabre emphasis on violence and failure has obscured much more than it has illuminated about these movements, and about the real violence and social conflicts in contemporary Brazil.

To understand why so much coverage has taken this lurid form, it helps to look at historical representations of peace and violence in Brazil, as well as contemporary politics in Brazil and abroad.

First, consider this: in the run up to Brazil’s World Cup, The New York Times described the “highly modernistic improvement” in stadium security technology designed for the “highly excitable public” and the “huge crowds possible in this soccer-mad country.”  The same year, The Washington Post lamented that “Brazil has for several years been miring deeper into a real crisis characterized by inflation” and a “breakdown” in “national equipment.” The paper warned of a country that had “outgrown its transportation system and power resources,” of “impoverished hordes” in Sao Paulo and Rio de Janeiro and that “the cost of living, already high, is going higher each day.” There was mention of elites hoping that a president, “swept into power by the underprivileged,” could “maintain a reasonable restraint on the masses.” Without such control the country might suffer “violent swings to the left, then to the right,” producing “chaos” that might prevent the country from setting “its economic house in order.”

Despite clear similarities with recent Anglophone reporting on Brazil, these articles were not from Brazil’s World Cup year of 2014, but from 1950, when Brazil also hosted the event.  The “highly modernistic improvement” to Rio’s Maracanã stadium was a moat, designed to protect players from spectators—somewhat lower tech than the “Robocops” of today’s sensational headlines.

The list of economic and political woes in The Washington Postarticle fits neatly with recent coverage of Brazil in the Anglophone press.  But the president in question was the newly-elected former dictator, Getúlio Vargas, not today’s soon-up-for-reelection former revolutionary, Dilma Rousseff of Brazil’s PT (Worker’s Party).  Like Dilma, Getúlio inherited a political program vastly popular with Brazil’s poor, but faced discontent, political turmoil, and the imperative to assuage fears of socialism among elites in Brazil and abroad.

When I went looking for 1950 reports about Brazil in the US press, the pickings were few, a dramatic contrast to the live video feeds, social media posts, and news reports of all kinds we are assaulted with today.

I will be in New York until I fly to Brazil on the night of the World Cup final.  I’ll send in a few posts in this series on the aftermath of the Cup and on the (very different) topic of the book I’m currently finishing over the next few months, so I draw heavily here on those media.  But, mindful of Jonathan Franzen’s warning that “free and universally accessible” information devalues many kinds of research (If you’re reading this, you can Google this stuff yourself), I will do my best to put some of the reporting we have been getting in a broader interpretive context.

The key point as I see it is this: in conversations in New York, I have been struck by the much greater continued focus on violence and failure than in (virtual) conversations with people in Brazil.  The other night I had a discussion with a group of well-meaning New Yorkers wrongly convinced that massive battles between protestors and police are ongoing outside most of the stadiums.  A few days earlier, I tried in vain to argue against the likelihood of stadium collapse with a man who thought such a disastrous event likely.

My colleagues on this forum have done an excellent job analyzing the real conflicts surrounding Brazil’s 2014 World Cup and 2016 Olympics, and repression of dissent around the stadiums has been draconian.  This post should not be misunderstood as undermining the importance of these conflicts and that violence.  As Ben Penglase has shown in this forum, the characterization of young dark-skinned men in Rio’s favelas as potential criminals serves to legitimate highly militarized policing of those spaces.  Similarly, the lurid, often unrealistic, focus on Brazilian violence that I continue to encounter in conversations in the US (and in a style of reporting best described as violence porn), does not so much illuminate the conflicts in Brazilian society as it  helps to legitimate the repression of dissent.

So why, prior to the World Cup, did violence and failure become such central tropes in foreign representations of Brazil, even though some Brazilian sources could have offered a useful counter-perspective?

The Myths of a Peaceful and a Violent Nation

To begin to answer this question, I’ll note that there has been a deep shift in the ideas about peace and violence that have circulated about Brazil over the last half century or so.I did my best in the introduction to emphasize the many similarities between reporting in 1950 and 2014; now I’ll emphasize the equally significant differences.

The 1950 New York Times article about the moat didn’t do a lot to stir up fear, and, unlike contemporary reports, mentioned no dangers greater than rowdy sports fans.

The 1950 Washington Post article (published after that year’s World Cup) clearly referenced many of the fears of a Washington Postreadership worried about “socialism” in Latin America after the election of a populist Brazilian president, similar to fears voiced in the international press during the early years of Brazil’s PT governance (2003 – the present).  And the thrust of the Post article, awkwardly entitled, “Brazil’s ‘Socialism’ Probably Will Be a Relative Thing,” was to console Cold War-era readers that the president elect “wants foreign capital to help on the long-term national improvements that must be made.”

It is here that clear differences with the present emerge.  The Postrelied on a cultural analysis to come to its mollifying conclusion.  In a polar inversion of recently dominant representations of Brazil as an especially violent country, the article described a Brazilian national inclination to peacefulness. “The ‘adaptability’ of Brazilians helps them solve their problems with far less violence and stress than most peoples,” the article soothed.

This conception of Brazil as a uniquely peaceful country is one with a long history, although, at least in elite circles, it has mostly fallen into eclipse.  Some of the main tropes of the myth are that Brazil achieved independence from Portugal without the bloodshed that characterized independence throughout the Americas; the country abolished slavery without a war (abolition came to Brazil after all other countries in the hemisphere, in 1888); the Brazilian military has not engaged in military action against foreigners in South America since the brutal Paraguayan War (1864-1870).

Contemporary English language readers may be most familiar with a closely-related myth generally called, “the myth of racial democracy,” the idea that Brazil has long had uniquely friendly and peaceful race relations.  But if casual readers are familiar with this myth, it is likely because they have seen or heard it critiqued.  Like the myth of Brazilian peacefulness, “racial democracy” enjoys some life as a popular ideology. But, in scholarship and middle and highbrow journalism, it is invoked almost exclusively to be debunked.

If I can take the general impressions held by my more interested US undergraduate students as a guide, the idea of Brazil as a violent and racist country, along with hard-edged popular culture such as Baile Funk, and City of God, have now completely surpassed the mid-20th century conceptions of peacefulness, racial democracy, and the soothing Garota de Ipanema, and Carmen Miranda as sources of internationally circulating clichés about Brazil.

The causes of this broader cultural shift are beyond the scope of this essay, though I will write about them in the future. Suffice it to say that the myth of peaceful Brazil is as faulty as the now-dominant polar opposite of violent Brazil.  For a nation without significant external enemies, yet with high levels of urban and police violence and one of the world’s major small arms industries, one could, if so inclined, build a case for either myth.

I’ve written a paper with anthropologists, Thaddeus Blanchette and Ana Paula da Silva (currently in peer review), in which we show how representations of Brazil in the global north (especially the United States) frequently swing between utopian and dystopian poles, in part because the nation is just similar enough to the United States to serve as a conveniently blank slate.  The myths of violent and peaceful Brazil follow this general pattern very closely.

The Failure of the World Cup?

Narrowing down on more recent history, why has the Anglophone global north press been so concerned with violence and failure when writing about the World Cup, when they stray beyond “fluff” and simple sports reporting?

First, there is major political unrest in Brazil, and the World Cup is part of this. The deaths, physical displacement, and many other human costs of the preparations for the event, along with the waste and private appropriation of needed public funds have catalyzed public dissent. The mega events of the World Cup and 2016 Olympics are being used to favor real estate interests and the neoliberal restructuring of major cities. Moreover, FIFA acts as rapacious dictator while issuing alarmist warnings about Brazil’s preparation.  All the while, the World Cup has provided the pretext to turn major parts of Brazil’s large cities into effective police states.

But contemporary protests are about more than just the World Cup, as has already been shown in this forum.  Despite this, the political concerns of the protests have been lost in international coverage that emphasizes the World Cup, on the one hand, and unspecified “anti-government” forces, on the other.  For example, the one year anniversary of the massive nationwide June 19, 2013 protests were marked by some violence and by violent police repression, but this much-circulated piece from Reuters featured the words “World Cup” in the headline and multiple uses of “anti-government” before coming to the buried lede of the movement for free bus fares, which sparked those 2013 protests and these protests one year later.  Similarly, this piece in Time about the same protest, featured a photo captioned, “protest against 2014 FIFA World Cup,” and alleged that the protests were “Antigovernment riots” merely “ostensibly calling for free public transit.”

To put this in perspective, on the day Vice.com put out the third video in their extremely popular “Chaos in Brazil” series (which includes some good journalism, despite the Vice-style lurid headlines and horror movie music), some 50,000 people were protesting in London against austerity. As my friend, the Rio de Janeiro based geographer, Brian Mier (who has done some high quality reporting for Vice himself), put it: “That’s around 50 times larger than any anti-World Cup protest that happened last week. According to the type of analysis in places like CNN about Brazil, this must be a sign that British society is crumbling at the foundations.”

But there’s a much stronger market for stories about Brazilian “society crumbling at the foundations” than there is for such stories about England.  As journalist Lawrence Charles lamented from Brazil, “the only stories editors across the world are interested in fall into the Angry Violent Brazilian Who Might Mess Up The World Cup category.” So macabre and sensational stories are the ones we get.  There’s a post-colonial and geopolitical logic to this: I predict more international hand-wringing about Brazil’s 2016 Olympics and Russia’s 2018 World Cup, but not about the prosperous and NATO-aligned Japan’s 2020 Olympics.

Additionally, in this Brazilian election year, analyses of the event and its consequences are inevitably shaped by partisan politics in Brazil.  As political scientists João Feres Junior and Fábio Kerche have been arguing, the most powerful news sources in Brazil (Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Veja, and Época), are systematically biased against the PT (Worker’s Party) government that has been in charge of Brazil’s executive since 2003, shaping impressions of the nation’s politics domestically and abroad.

I think these scholars are right about this.  Yet, their argument leaves open a significant question.  The major Brazilian media have been positioned against the PT since the party’s founding in 1980. Yet for most of the first decade of the 21st century, Brazil’s PT, and its 2003-2010 President Lula, were beloved by institutions of global north governance and media, despite the party’s enmity with Brazil’s major media organizations.  This global north affection seems to be on the wane under current PT president, Dilma Rousseff, with foreign and Brazilian major media swinging into closer alignment.

In a future post, I will offer some reasons for this shift.  The answer lies in more than the downturn in Brazil’s economy, the differing policies and personalities of these different presidents, and Brazil’s emerging protest movements, I will argue.

For now, I will end with the suggestion that English language readers consider decontextualized accounts of Brazilian violence with some skepticism.  Brazil’s new protest movements are clearly historic, and their police repression is real, but we do them no favors by taking internationally circulating violence porn at face value.

Sean T. Mitchell is assistant professor of anthropology at Rutgers University, Newark. His ethnographically-based work focuses on the politics of inequality, particularly in Brazil. His work also touches on science and technology studies; race and ethnicity; war and violence; governance and citizenship; social movements; and the politics of expertise. He is coeditor of “Anthropology and Global Counterinsurgency” (Chicago 2010), and is currently completing a manuscript, “Space and Race: The Politics of Inequality at Brazil’s Satellite Launch Center.”

Mexico Vigilante Leader Demands Community Rule (ABC/AP)

MEXICO CITY — Jul 1, 2014, 5:18 PM ET

The leader of one of the first vigilante movements to spring up in Mexico last year filed a petition Tuesday demanding that the government allow communities in the southern state of Guerrero to elect local officials with open assemblies and show-of-hand votes.

Vigilante leader Bruno Placido said the petition filed with the Federal Electoral Tribunal asks specifically that the collective-vote system be allowed in the town of San Luis Acatlan. But Placido said his People’s Union movement would push for the system to be adopted in all 27 townships where vigilante forces known as “community police” now operate.

The system known as “usage and customs” forbids traditional campaigning and political parties. It currently is practiced in about 420 indigenous towns and villages, almost all in southern Oaxaca state.

Its adoption in non-Indian or mixed towns in Guerrero would mark a significant expansion. To date, its only use outside Oaxaca has been by rebellious Indian towns in Chiapas state and a lone Indian township in the western state of Michoacan, where a vigilante movement also exists.

Placido said the open-vote system would help keep drug gangs and violent crime out of the communities because current election procedures can put politicians in the pocket of drug gangs that finance their campaigns.

“The crime gangs are fomented by the politicians. When they campaign, they are financed with illicit funds, and when they get in, they are controlled by criminal funds,” Placido said. “What we are proposing to do is to get rid of this practice, in which the criminals name the authorities.”

His vigilante movement rose up with old shotguns and rifles in Guerrero in January 2013 and now has several thousand “citizen police” vigilantes serving in several towns.

Guerrero has been the scene of stubborn drug violence, including a Monday confrontation between soldiers and alleged drug gang members that killed 22 suspects at a warehouse and left a soldier injured.

The “usage and customs” system has been criticized for trampling on the rights of women, who are sometimes not allowed to run for office. But Placido said the assembly system would allow members of each of the three main ethnic groups in Guerrero — blacks, Indians and mixed-race — to elect representatives to a sort of town council.

There is no deadline for the federal tribunal to rule on the petition. The town of San Luis Acatlan is scheduled to hold a referendum soon on whether to formally adopt the system.

Mexican courts have generally upheld the right of Indian communities to make their own decisions on local governance issues.

‘Bad’ video game behavior increases players’ moral sensitivity: May lead to pro-social behavior in real world (Science Daily)

Date: June 27, 2014

Source: University at Buffalo

Summary: New evidence suggests heinous behavior played out in a virtual environment can lead to players’ increased sensitivity toward the moral codes they violated. The current study found such guilt can lead players to be more sensitive to the moral issues they violated during game play. Other studies have established that in real life scenarios, guilt evoked by immoral behavior in the “real-world” elicits pro-social behaviors in most people.

Young men playing video games. New evidence suggests heinous behavior played out in a virtual environment can lead to players’ increased sensitivity toward the moral codes they violated. (stock image). Credit: © Nebojsa Bobic / Fotolia 

New evidence suggests heinous behavior played out in a virtual environment can lead to players’ increased sensitivity toward the moral codes they violated.

That is the surprising finding of a study led by Matthew Grizzard, PhD, assistant professor in the University at Buffalo Department of Communication, and co-authored by researchers at Michigan State University and the University of Texas, Austin.

“Rather than leading players to become less moral,” Grizzard says, “this research suggests that violent video-game play may actually lead to increased moral sensitivity. This may, as it does in real life, provoke players to engage in voluntary behavior that benefits others.”

The study, “Being Bad in a Video Game Can Make Us More Morally Sensitive,” was published online ahead of print on June 20 in the journalCyberpsychology, Behavior and Social Networking.

Grizzard points out that several recent studies, including this one, have found that committing immoral behaviors in a video game elicits feelings of guilt in players who commit them.

The current study found such guilt can lead players to be more sensitive to the moral issues they violated during game play. Other studies have established that in real life scenarios, guilt evoked by immoral behavior in the “real-world” elicits pro-social behaviors in most people.

“We suggest that pro-social behavior also may result when guilt is provoked by virtual behavior,” Grizzard says.

Researchers induced guilt in participants by having them play a video game where they violated two of five moral domains: care/harm, fairness/reciprocity, in-group loyalty, respect for authority, and purity/sanctity.

“We found that after a subject played a violent video game, they felt guilt and that guilt was associated with greater sensitivity toward the two particular domains they violated — those of care/harm and fairness/reciprocity,” Grizzard says. The first includes behaviors marked by cruelty, abuse and lack of compassion, and the second, by injustice or the denial of the rights of others.

“Our findings suggest that emotional experiences evoked by media exposure can increase the intuitive foundations upon which human beings make moral judgments,” Grizzard says. “This is particularly relevant for video-game play, where habitual engagement with that media is the norm for a small, but considerably important group of users.”

Grizzard explains that in life and in game, specific definitions of moral behavior in each domain will vary from culture to culture and situation to situation.

“For instance,” he says, “an American who played a violent game ‘as a terrorist’ would likely consider his avatar’s unjust and violent behavior — violations of the fairness/reciprocity and harm/care domains — to be more immoral than when he or she performed the same acts in the role of a ‘UN peacekeeper.'”

In conducting the study, researchers combined a model of intuitive morality and exemplars representing current advances in moral psychology with media-effects theories to explain how mediated or indirect experiences influence individuals’ moral judgments.

The study involved 185 subjects who were randomly assigned to either a guilt-inducing condition — in which they played a shooter game as a terrorist or were asked to recall real-life acts that induced guilt — or a control condition — shooter game play as a UN soldier and the recollection of real-life acts that did not induce guilt.

After completing the video game or the memory recall, participants completed a three-item guilt scale and a 30-item moral foundations questionnaire designed to assess the importance to them of the five moral domains cited above.

Correlations were calculated among the variables in the study, with separate correlation matrices calculated for the video-game conditions and the memory-recall conditions. The study found significant positive correlations between video-game guilt and the moral foundations violated during game play.

The study was co-authored by Ron Tamborini, PhD, professor, Department of Communication, Michigan State University; Robert J. Lewis, PhD, assistant professor, Department of Advertising and Public Relations, University of Texas, Austin; and Lu Wang, a former graduate student in the Department of Communication at Michigan State.

In May, a study by Tamborini, Grizzard, Lewis and three other authors published inJournal of Communication described mechanisms involved in exposure to entertainment and moral judgment processes.

Journal Reference:

  1. Matthew Grizzard, Ron Tamborini, Robert J. Lewis, Lu Wang, Sujay Prabhu. Being Bad in a Video Game Can Make Us More Morally SensitiveCyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 2014; 140620081138007 DOI:10.1089/cyber.2013.0658

The New Abolitionism (The Nation)

As malocas da praça de maio (Taqui Pra Ti)

José Ribamar Bessa Freire

01/06/2014 – Diário do Amazonas

 

Na Argentina, elas foram reprimidas por baionetas quando indagaram, em 1977, pelos filhos presos. Os generais golpistas debocharam: “son las locas de Plaza de Mayo“. Obstinadas, não desistiram. Desafiaram o terror e continuaram ocupando a Praça de Maio, desfilando o seu protesto semanal diante da Casa Rosada e da catedral até que, finamente, reconhecidas pela sociedade, contribuíram para o fim da ditadura e a prisão dos torturadores.
No Brasil, vários movimentos nos fizeram ouvir a voz de quem foi silenciado. No entanto, como ninguém entende línguas indígenas, nem se interessa por aprendê-las, não se escuta o clamor dos índios, seja de mães indígenas por seus filhos ou de índios por seus pais desaparecidos. Desta forma, os índios, sempre invisíveis na historia do Brasil, ficaram de fora das narrativas e não figuram nas estatísticas dos desaparecidos políticos. Na floresta, não há praças de maio.
Mas agora isso começa a mudar. Relatório do Comitê Estadual da Verdade do Amazonas, que será em breve publicado pela Editora Curt Nimuendajú, de Campinas (SP), dá voz aos índios e mapeia os estragos, comprovando que na Amazônia, mais do que militantes de esquerda, a ditadura eliminou índios, entre outros, Cinta-Larga e Surui (RO/MT), Krenhakarore na rodovia Cuiabá-Santarém, Kanê ou Beiços-de-Pau do Rio Arinos (MT), Avá-Canoeiro (GO), Parakanã e Arara (PA), Kaxinawa e Madiha (AC), Juma, Yanomami e Waimiri-Atroari (AM/RR).
O foco do primeiro relatório, de 92 páginas, já encaminhado à Comissão Nacional da Verdade (CNV), incide sobre os Kiña, denominados também como Waimiri-Atroari, cujos desaparecidos são conhecidos hoje por seus nomes, graças a um trabalho cuidadoso que ouviu índios em suas línguas, consultou pesquisadores e indigenistas, fuçou arquivos e examinou documentos, incluindo desenhos que mostram índios metralhados por homens armados com revólver, fuzil, rifles, granadas e cartucheira, jogando bombas sobre malocas incendiadas.
Os desaparecidos
De noite, nas malocas, os sobreviventes narram a história da violência sofrida, que começou a ser escrita e desenhada por crianças, jovens e adultos alfabetizados na língua Kiña pelos professores Egydio e Doroti Schwade com o método Paulo Freire. Toda a aldeia Yawará, no sul de Roraima, participou do processo, em 1985 e 1986, até mesmo crianças de colo. A comunicação foi facilitada pelo fato de o casal morar lá com seus quatro filhos pequenos, antes de ser expulso pelo então presidente da Funai, Romero Jucá, lacaio subserviente das empresas mineradoras.
Todo o processo de alfabetização ocorreu num clima que iniciou com a narração oral das historias e continuou com a criação dos desenhos, a leitura dos desenhos, a discussão sobre eles e, finalmente, com a escrita alfabética.
Durante esse período, Egydio registrou, com ajuda de Doroti, as narrativas contadas por quem testemunhou os fatos ou por quem ouviu falar sobre eles. Os primeiros textos escritos por recém-alfabetizados, ilustrados por desenhos, revelaram “o método e as armas usadas para dizimá-los: aviões, helicópteros, bombas, metralhadoras, fios elétricos e estranhas doenças. Comunidades inteiras desapareceram depois que helicópteros com soldados sobrevoaram ou pousaram em suas aldeias” – diz o relatório.
Com a abertura da rodovia BR-174 e a entrada das empresas mineradoras, muitas outras aldeias foram varridas do mapa. “Pais, mães e filhos mortos, aldeias destruídas pelo fogo e por bombas. Gente resistindo e correndo pelos varadouros à procura de refúgio em aldeia amiga. A floresta rasgada e os rios ocupados por gente agressiva e inimiga. Esta foi a geografia política e social vivenciada pelo povo Kiña desde o início da construção da BR-174, em 1967, até sua inauguração em 1977” – segundo o relatório.
Alguns sobreviventes refugiados na aldeia Yawará conviveram durante dois anos com Egydio e Doroti.  Lá, todas as pessoas acima de dez anos eram órfãs, exceto duas irmãs, cuja mãe sobreviveu ao massacre. O relatório transcreve a descrição feita pelo índio Panaxi:
“Civilizado matou com bomba” – escreve Panaxi ao lado do desenho, identificando um a um os mortos com seus nomes: Sere, Podanî, Mani, Priwixi, Akamamî, Txire, Tarpiya.
A eles se somaram outros de uma lista feita por Yaba: Mawé, Xiwya, Mayede – marido de Wada, Eriwixi, Waiba, Samyamî – mãe de Xeree, Pikibda, a pequena Pitxenme, Maderê, Wairá – mulher de Amiko, Pautxi – marido de Woxkî, Arpaxi – marido de Sidé, Wepînî – filho de Elsa, Kixii e seu marido Maiká, Paruwá e sua filha Ida, Waheri, Suá – pai de Warkaxi, sua esposa e um filho, Kwida – pai de Comprido, Tarakña e tantos outros.
Quem matou
A lista é longa, os mortos têm nomes, mas às vezes são identificados pelo laço de parentesco: “a filha de Sabe que mora no Mrebsna Mudî, dois tios de Mário Paruwé, o pai de Wome, uma filha de Antônio”, etc. O relatório se refere ao“desaparecimento de mais de 2.000 Waimiri-Atroari em apenas dez anos”. Na área onde se localiza hoje a Mineradora Taboca (Paranapanema) desapareceram pelo menos nove aldeias aerofotografadas pelo padre Calleri, em 1968, em sobrevoos a serviço da FUNAI. Os alunos da aldeia Yawará desenharam casas e escreveram ao lado frases como:
– Apapa takweme apapeme batkwapa kamña nohmepa [o meu pai foi atirado com espingarda por civilizado e morreu] – escreveu Pikida, ao lado do desenho que ilustra o fato.
– Taboka ikame Tikiriya yitohpa. Apiyamyake, apiyemiyekî? [Taboca chegou, Tikiria sumiu, por que? Por que?]
A resposta pode ser encontrada no ofício 042-E2-CONF. do Comando Militar da Amazônia, de 21/11/1974, assinado pelo General Gentil Nogueira, que recomendava o uso da violência armada contra os índios, segundo o relatório encaminhado à Comissão Nacional da Verdade. Era uma política de Estado a serviço de interesses privados, implementada com métodos de bandidagem.
Um mês e meio depois, o sertanista Sebastião Amâncio da Costa, nomeado chefe de Frente de Atração Waimiri-Atroari (FAWA), em entrevista ao jornal O Globo (06/01/1975), assumiu de público as determinações do general Gentil, declarando que faria “uma demonstração de força dos civilizados que incluiria a utilização de dinamite, granadas, bombas de gás lacrimogêneo e rajadas de metralhadoras e o confinamento dos chefes índios em outras regiões do País”.
O resultado de toda essa lambança é descrito por Womé Atroari, em entrevista à TV Brasil, relatando um ataque aéreo a uma aldeia e outros fatos que presenciou:
– Foi assim tipo bomba, lá na aldeia. O índio que estava na aldeia não escapou ninguém. Ele veio no avião e de repente esquentou tudinho, aí morreu muita gente. Foi muita maldade na construção da BR-174. Aí veio muita gente e pessoal armado, assim, pessoal do Exército, isso eu vi. Eu sei que me lembro bem assim, tinha um avião assim um pouco de folha, assim, desenho de folha, assim, um pouco vermelho por baixo, só isso. Passou isso aí, morria rapidinho pessoa. Desse aí que nós via.
Os tratores que abriam a estrada eram vistos pelos índios como tanques de guerra. “Muitas vezes os tratores amanheciam amarrados com cipós.Essa era uma maneira clara de dizer que não queriam que as obras continuassem. Como essa resistência ficou muito forte, o Departamento Estadual de Estradas de Rodagem do Amazonas-DER-AM, inicialmente responsável pela construção, começou a usar armas de fogo contra os indígenas”.
Sacopã e Parasar
O relatório informa que “as festas que reuniam periodicamente os Waimiri-Atroari foram aproveitadas pelo PARASAR para o aniquilamento dos índios”. Conta detalhes. Registra ainda o desaparecimento de índios que se aproximaram, em agosto de 1985, do canteiro de obras da hidrelétrica do Pitinga, então em construção:
“É muito provável que tenham sido mortos pela Sacopã, uma empresa de jagunços, comandada por dois ex-oficiais do Exército e um da ativa, subordinado ao Comando Militar da Amazônia, empresa muito bem equipada, que oferecia na época serviços de “limpeza” na floresta à Paranapanema no entorno de seus projetos minerais. Os responsáveis pela empresa foram autorizados pelo Comando Militar da Amazônia a manter ao seu serviço 400 homens equipados com cartucheiras 20 milímetros, rifle 38, revolveres de variado calibre e cães amestrados”.
Os autores do relatório dão nomes aos bois, esclarecendo que quem comandava a Sacopã no trabalho de segurança da Mineração Taboca/Paranapanema e no controle de todo acesso à terra indígena eram dois militares da reserva: o tenente Tadeu Abraão Fernandes e o coronel reformado Antônio Fernandes, além de um coronel da ativa, João Batista de Toledo Camargo, então chefe de polícia do Comando Militar da Amazônia.
É Rondon de cabeça pra baixo: “Matar ainda que não seja preciso; morrer nunca”, num processo iniciado com o colonizador e ainda não concluído.  Na Amazônia, o cônego Manoel Teixeira, irmão do governador Pedro Teixeira, em carta ao rei de Portugal, em 5 de janeiro de 1654, escrita no leito da morte, na hora da verdade, declara que “no espaço de trinta e dois anos, são extintos a trabalho e a ferro, segundo a conta dos que ouviram, mais de dois milhões de índios de mais de quatrocentas aldeias”.
O relatório é um bom começo, porque evidencia que os índios precisam de uma Comissão da Verdade não apenas para os 21 anos de ditadura militar, mas para os 514 anos de História em que crimes foram e continuam sendo cometidos contra eles. Assim, podem surgir praças de maio dentro das malocas para que o Brasil generoso e solidário cobre mudanças radicais na política indigenista do país, impedindo que o Estado continue a serviço de interesses privados escusos.

Até onde isso vai? “Deputados Ruralistas promovem debate sobre revogação da Convenção 169 da OIT” (Combate Racismo Ambiental)

Por , 01/06/2014 09:00

Foto: Claudia Andujar: Índio e a bandeira na Constituinte

Ação ruralista pretende retirar direitos já conquistados por quilombolas, indígenas e povos tradicionais. 

Terra de Direitos

Na próxima terça-feira, 3 de junho, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados realizará audiência pública para debater sobre a revogação do Brasil à subscrição da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A Audiência pública foi requerida por Paulo Cezar Quartiero, Deputado Federal (DEM) ruralista denunciado pelo Ministério Público Federal por crimes cometidos contra indígenas em Roraima, principalmente durante o processo de desocupação da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, em 2008. Neste período Quartiero chegou a ser preso acusado de posse ilegal de artefato explosivo e formação de quadrilha. O deputado reponde ou já respondeu por pelo menos seis ações penais na Justiça Federal.

Foram convidados para a audiência pública Celso Luiz Nunes Amorim, Ministro de Estado da Defesa, Luiz Alberto Figueiredo Machado, ministro de Estado das Relações Exteriores, General Maynard Marques de Santa Rosa, Oficial da Reserva das Forças Armadas, Lorenzo Carrasco, e o antropólogo Edward Mantoanelli Luz.

A Convenção 169 da OIT é uma conquista internacional dos povos indígenas e demais comunidades tradicionais cujas condições sociais, culturais e econômicas apresentam significativas diferenças quanto a outros setores da coletividade nacional. Vigente no Brasil desde 2004, quando foi aprovada pelo Congresso Nacional, a convenção garante a indígenas, quilombolas e povos tradicionais importantes direitos, como o direito à terra, à saúde, educação, a condições dignas de emprego e o direito fundamental de serem consultados sempre que sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente.

Para Fernando Prioste, advogado popular e o coordenador da Terra de Direitos, a iniciativa ruralista é um claro ataque a indígenas, quilombolas e povos tradicionais que lutam pela efetivação de direitos. “Muitos dos direitos previstos na convenção já estão assegurados em outras normas, inclusive na Constituição Federal. Contudo, existem direitos específicos que podem sofrer grandes retrocessos, como o direito de Consulta Livre, Prévia e Informada, além do direito à terra para povos e comunidades tradicionais”.

O advogado aponta que o princípio da proibição do não retrocesso social é um dos principais fundamentos contra a revogação da Convenção 169 da OIT no Brasil, já que os direitos assegurados por esse instrumento normativo são essenciais para a sobrevivência digna de indígenas, quilombolas e povos tradicionais. “Se de um lado o Governo Federal não tem atuado para assegurar a realização de direitos dos povos do campo e da floresta, por outro os ruralistas tentam derrubar as poucas leis que reconhecem direitos”.

Investida ruralista

A iniciativa ruralista faz parte de um pacote de medidas com o objetivo de retirar direitos fundamentais dos povos do campo e da floresta. Entre as tentativas de retrocesso está a Proposta de Emenda à Constituição – PEC 215, que visa transferir a competência da União na demarcação das terras indígenas para o Congresso Nacional, possibilitar a revisão das terras já demarcadas e mudar critérios e procedimentos para a demarcação destas áreas.

Também afetando diretamente os povos indígenas, a Portaria 303 da Advocacia Geral da União (AGU) quer restringir os direitos constitucionais dos índios e afronta tratados internacionais com a Convenção 169 da OIT, especialmente no que diz respeito à Consulta Prévia, Livre e Informada, e a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial.

As comunidades quilombos têm seu direito à terra questionada pela Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3239, ajuizada pelo partido Democratas (DEM) em 2004, contra o Decreto Federal 4887/03, que trata da titulação de territórios quilombolas. A ADI teve o primeiro julgamento no Supremo Tribunal Federal-STF em 2012, quando o Ministro Relator Cesar Peluso votou pela inconstitucionalidade. Outros dez ministros do Supremo Tribunal Federal ainda deverão votar, por isso não é possível afirmar a posição do STF acerca do tema. Em dezembro de 2014 o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) decidiu pela constitucionalidade do Decreto.

Rio Grapples With Violence Against Police Officers as World Cup Nears (New York Times)

RIO DE JANEIRO — Alda Rafael Castilho dreamed of being a psychologist, and joined the police force to pay for her studies. Her dream ended at age 27 when gunmen stormed the outpost where she was on duty in Complexo do Alemão, a sprawling patchwork of slums. A bullet pierced her abdomen, and she bled to death.

“They left her there to squirm on the ground like some sort of animal,” said her mother, Maria Rosalina Rafael Castilho, 59, a maid who lives in the gritty outskirts of Rio de Janeiro. “The politicians talk about the pride of hosting the World Cup, but that is an insult,” she said. “They can’t even protect their own police, much less the visitors to Rio.”

With the start of the global soccer tournament in Brazil less than two weeks away, a crime wave is setting nerves on edge across Rio de Janeiro, which is expecting nearly 900,000 visitors. A security overhaul was supposed to showcase a safer Rio on the global stage, but muggings are surging, homicides are climbing, and there has been a spike in shootings of police officers.

Maria Rosalina Rafael Castilho holding a picture of her daughter Alda Rafael Castilho, a police officer who was shot and killed in Rio de Janeiro in February.CreditAna Carolina Fernandes for The New York Times

At least 110 officers have been shot in Rio so far this year, an increase of nearly 40 percent from the same period last year, according to figures compiled independently by the Brazilian journalist Roberta Trindade with the help of police officers. Most of the episodes involved on-duty officers, but in some cases, off-duty officers were shot in assaults when they were identified as police.

In one bloody 16-day stretch in May, Ms. Trindade recorded 14 shootings of police officers, including two who were killed. Altogether, at least 30 on-duty and off-duty police officers have been shot dead this year, she said, including Ms. Castilho, the aspiring psychologist.

The security forces have been trying to reclaim territory in the city from the control of heavily armed drug gangs, and until recently, the deployment of special teams called Pacifying Police Units in dozens of favelas was viewed as a major achievement. But the officers have come under increasing attack in these “pacified” favelas, and the security gains are eroding.

Effectively acknowledging that Rio’s stretched police force cannot guarantee security for the World Cup, state officials have turned to the national government for help, asking for 5,300 troops from the armed forces to help patrol city streets, the way troops did for the United Nations Conference on Sustainable Development in 2012.

Officials contend that Rio is still safer than it used to be, despite the setbacks and the request for troops, and they point out that other Latin American cities like Caracas, Venezuela, or Tegucigalpa, Honduras, and even some Brazilian cities like Salvador, have higher homicide rates. In Rio, the rate was 20.5 per 100,000 residents last year, well below the rate of 37.8 per 100,000 recorded in 2007 before the security push into the favelas. During that time, the number of police officers in the city and the surrounding state rose to 47,710 from 37,950.

“We’re still distant from the earlier levels of criminality,” said Roberto Sá, a senior security official of the state government. “There are areas where an actual war had to be waged just for the police to enter. Now the police can do so without so many personnel because drug traffickers are losing their territorial bases.”

Contending that the new crime wave is an anomaly, Mr. Sá pointed to the state’s measure of armed attacks on the police, which is limited to officers killed on duty: seven so far this year. While that figure was regrettable, he said, the killings often get little notice in the Brazilian news media, while in many other countries, “the people who die become heroes.”

“I know it is undesirable, but we live in this kind of culture in Latin America, one of violence and criminality,” he said. “We have to understand that this is the reality.”

The challenge facing the police here was thrown into sharp relief in February when the commander of Rio’s “pacification” police forces, Col. Frederico Caldas, was caught in a gun battle in Rocinha, one of Rio’s largest slums. He dove to the ground to avoid a spray of bullets, and wound up having to undergo surgery to remove fragments of rock and plastic from one of his eyes.

Homicides rose 17 percent last year in Rio de Janeiro State, the first increase since 2010. The state recorded 4,761 homicides, with 1,323 of them in the city; by contrast, New York City, with a larger population than Rio, recorded 333 homicides in the same period.

A Pacifying Police Unit officer in Rio de Janeiro. At least 110 officers have been shot so far this year, an increase of nearly 40 percent from the same period last year. CreditMario Tama/Getty Images

A surge in street crime is also jolting residents. Street robberies and vehicle thefts increased sharply this year to levels higher than when the favela pacification program began in 2008, according to official figures. There were 20,252 reported muggings of pedestrians in the first quarter this year, up 46.5 percent from a year earlier.

On Rio’s streets, on television and across social media in Brazil, the crime wave is playing out in ways that are at once surreal and horrific.

A crew from the television network Globo recently interviewed a woman near Rio’s old center on the subject of crime, and in the middle of the interview, an assailant tried to rip a necklace from her neck.

In another episode that tested some residents’ faith in the Rio police, a driver recorded video footage on his smartphone showing the body of a woman hanging out of a police vehicle and being dragged along the pavement through traffic.

The police officers in the vehicle claimed they were taking the woman, a 38-year-old favela resident from the northern part of the city, to a hospital after she suffered gunshot wounds. They said they had not noticed that her body was dangling from the rear of their vehicle. However, an investigation concluded that the woman had been shot and killed by two of the officers, though not intentionally.

Military police officers stood during a presentation of troops that are responsible for security ahead of the World Cup in Rio de Janeiro.CreditPilar Olivares/Reuters

“The legitimacy of the police is at a disturbingly low point,” said Luiz Eduardo Soares, a former top security official in Rio. “The pacification process simply shifted crime to other parts of Rio’s metropolitan area. Now we’re seeing the police coming under attack even in the favelas, which they are calling pacified.”

Security experts attribute some of the animosity toward the police to the resilience of drug gangs like Comando Vermelho, which originated in a Rio prison in the 1970s, and the growth of smaller criminal groups like Terceiro Comando Puro, formed after a split from Comando Vermelho in the 1980s.

Police officers say their jobs are made harder by inadequate training and low pay. But at the same time, the persistence of brutal police tactics, involving the abduction and torture of some residents, contributes to the anger against the police in some communities.

In Rocinha, the hillside favela overlooking some of Rio’s most exclusive residential districts, the disappearance last year of Amarildo de Souza, a 42-year-old construction worker, set off street protests. Investigators found that he was given electric shocks and asphyxiated with a plastic bag after police officers detained him in during a sweep of drug-trafficking suspects.

To the further outrage of many here, investigators said Maj. Edson Santos, the police commander in Rocinha at the time, bribed two witnesses in the case to say that drug traffickers were to blame for what happened to Mr. de Souza.

“This honeymoon within a large part of Rio’s population and the media was deeply shaken,” said Julita Lemgruber, a former director of Rio’s penitentiary system, referring to the hopes raised by security gains in recent years. “The case of Amarildo was a turning point.”

Brazil’s World Cup Is An Expensive, Exploitative Nightmare (The Daily Beast)

Andre Penner/AP

 05.30.14

Brazilians angry at their government and FIFA could turn this giant soccer tournament into a tipping point. Are these corrupt, elitist spectacles worth it?

The world’s “beautiful game” is about to stage its biggest tournament in the country that is its spiritual home. The realities on the ground in Brazil, however, are far different from how its ringmasters had envisioned. Stadiums haven’t been completed; roads and airports not built. Ten thousand visiting journalists may find themselves unable to make deadlines due to poor Internet and mobile service.

More ominously, there is a rising tide of discontent that threatens to turn the streets into war zones. History may well record the World Cup in Brazil as the tipping point where the costs meant the party just wasn’t worth it anymore.Nao Vai Ter Copa has become a national rallying cry. There Will Be No World Cup. People want bread, not circuses. It’s OK to love the game, but hate the event. The governing body of the game, FIFA, is not amused.

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Events like World Cup and the Olympics have become obscenely expensive, with few trickle-down rewards to the citizens who bear the brunt of the costs for the benefit of the few. The people of South America’s largest country were promised the dawn of a new age of prosperity that these mega-events heralded. In a country where corruption is insidious, all-encompassing, and a virus that suffocates all semblance of progress, it is bricks, steel, and mortar that the people see, not new hospitals, schools, or public transport. Even then, Itaquerao stadium, as an example, won’t be ready in time for the opening kickoff in São Paulo on June 12. “Is this what we get for $11 billion?” the people are asking. It is a fair question.

A new type of democracy has sprung up as a result; a unity of thought and expression that is uniquely Brazilian. Citizen collectives with names like Direitos Urbanos (Urban Rights) and the Landless Workers Movement (MTST) were formed to create avenues of options for people who have had to make way forordem e progressothe national motto of Brazil inscribed on the flag. Order and Progress.

U.S. journalist Dave Zirin, in his recent book Brazils Dance With the Devil: The World Cup, the Olympics and Brazils Fight for Democracy, says the three Ds—displacement, debt, and defense—are at the heart of the other Ds—such as discontent and disgust.

“The calls for protest aim to highlight the pain as well as show the world who is behind the curtain, pulling the strings,” he said. “There is a highly sophisticated plan that just as the government’s World Cup plans for Brazil are designed for international consumption, there is also an unprecedented global spotlight. The great journalist Eduardo Galeano once wrote, ‘There are visible and invisible dictators. The power structure of world football is monarchical. It’s the most secret kingdom in the world. Protesters aim to drag FIFA from the shadows and into the light. If they are successful, it will leave a legacy that will last longer than the spectacle itself.’”

During a congressional hearing by Brazil’s tourism and sports commission this year, former FIFA World Player of the Year and 1994 World Cup winner Romario, now a popular politician and member of the Brazilian Chamber of Deputies, was quoted as saying, “We can’t expect anything from FIFA, where we have a blackmailer called [General Secretary Jerome] Valcke and a corrupt thief and son-of-a-bitch called [President Sepp] Blatter.”

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Yan Boechat writes for the top news magazine in Brazil, Revista Istoe. Among his previous assignments were stints in war zones like Afghanistan and the Congo. He will be covering the action on the streets during the World Cup.

“A lot of money was spent on construction of things we don’t really need,” Boechat said. “There’s a big stadium in Manaus, a place without a football culture and not even a team in the first or second division. The government removed hundreds of thousands of poor people from their houses to make space for stadiums, roads to lead to them, and other construction projects. Most of these people were sent to places far away from the city centers.”

Photojournalist Ana Lira is from the northeastern city of Recife and a founding member of Urban Rights. She has meticulously documented the bulldozing and burning of poor neighborhoods and the infamous favelas, the shantytowns that dot the hills of Rio and streets of São Paulo.

“So far 27 people have died in the protests, with more than 300 wounded since last year,” she said. “In this number, there are two professional photographers and a journalist who was blinded after being hit in the eye deliberately by the police. They used rubber bullets. Some other professionals were hit or arrested in areas near the protests just because the police wanted someone to pay for the protests.”

“If Brazil does well on the field, then perhaps people will be happy and not protest as much. But if Brazil fails, they will be much larger. There will be violence.”

“We are now seeing a new wave of protesters coming to the streets,” Boechat added. “Teachers, street cleaners, police officers, unions, a movement for affordable housing—all those people are going to be on the streets during the World Cup. They see this as the right moment to fight for their interests. Those groups do not traditionally mix with the anarchists and anti-capitalists.”

This week that number included about 3,000 indigenous peoples in tribal dress, gathering in front of the new stadium in the nation’s capital, Brasilia.

“For whom does our government work?” one of the indigenous leaders, Lindomar Terena, asked the crowd. “Instead of the government standing for the federal constitution and finally ending the demarcation of indigenous lands, it is investing billions in an event that lasts for a month, prioritizing big businesses over ancestral peoples’ rights.”

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A new anti-terror law has been rushed through the Brazilian congress to deal with the protesters. It has been nicknamed Bill A1-5, a takeoff on the 1968 AI-5 Act, which gave extraordinary powers to the military junta and suspended key civil and constitutional guarantees for more than 20 years. The implementation of such a law opened old wounds. Brazilian President Dilma Rousseff was a member of a Marxist revolutionary group after the 1964 military coup d’état in Brazil. She was captured, imprisoned for two years, and reportedly tortured. It is a very important narrative for Brazilians. Her complicity in allowing the World Cup to proceed at the expense of the Brazilian poor is seen as a sellout of the poor to the rich.

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At the vanguard of the protests has been the galvanizing effect of social media. Websites like Portal Popular da Copa e das Olympiadas, and by citizen-journalist movements like Midia Ninja,  a Portuguese acronym for “independent narratives, journalism and action,” created to spark disparate movements across the country.

“We’ll be on the streets, covering all political and cultural movements, the passion for football and this new moment of political unrest,” says Rafael Vilela, a founder of the Midia Ninja collective. Their hub is an aggregate of photographs and eyewitness reports taken by hundreds of collectives. The portal will have a system of simultaneous translation in three languages including English.

Midia Ninja and Fora do Eixo (Outside the Axis), a music and cultural collective, have created a community called Cinelandia in downtown Rio, where people can come in, play music, debate, write their blogs, and edit cellphone videos and post them online. There are edit suites mounted on shopping carts, and portable generators to power them. The protests can be seen live on the Internet via Twittercast.

“We’ve managed to do a lot with very few resources except our creativity and collaboration,” says Felipe Altenfelder, a founder of the FDE collective. “Never before has our generation been more prepared in terms of social technology and social knowledge. What we are doing is totally new in Latin America. The various collectives across Brazil have a structure of sharing food, money, even clothes, so even the poorest people can work within our groups and not just survive—but participate in actions against social injustices 24 hours a day, seven days a week.”

Director Spike Lee has been in Brazil working on a documentary, Go Brazil Go, in which Felipe, Rafael and other members of Midia Ninja figure prominently.

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There are 170,000 or more security troops assigned to the World Cup—not to protect the thousands of tourists who will be coming to Brazil to watch the matches, but to quell dissent. Among them are a group of 40 FBI agents, part of an “anti-terror” unit. In January, French riot police were brought in to train their Brazilian counterparts. There are several Israeli drones, the ones used to chase down suspects in the West Bank, as well as 50 robotic bomb-disposal units most recently used by U.S. forces in Afghanistan. There are also facial-recognition goggles that police can use to spot 400 faces a second and match them against a database of 13 million. But there won’t be that many tourists, so exactly whom, people want to know, are the police checking? At a cost of nearly $1 billion, the international composition of the security measures is not only a contentious issue among Brazilians, but a cruel irony given FIFA’s mandate of bringing the world together through football.

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“If Brazil does well on the field, then perhaps people will be happy and not protest as much,” said Boechat. “But if Brazil loses, there will be big problems and civil unrest. I think the way we play the World Cup will define a lot of things that will happen outside the stadia. We’re going to have protests; that’s for sure. But if Brazil fails, they will be much larger. There will be violence.”

As the Roman emperors knew during the staging of the gladiator games at the Coliseum, so FIFA knows now: The mob must be appeased. Remember when South Korea beat Italy in the 2002 World Cup and the Ecuadorian referee later admitted taking money from South Korean officials? Or the most dubious of all: Argentina’s win over Peru by six goals in the 1978 World Cup, the exact margin required to proceed in the tournament. The chiefs of the military junta had gathered in Buenos Aires to watch and a Peruvian goalkeeper of Argentinian extraction duly had a nightmare evening. Corrupt to the core.

FIFA wants a show, not protests. They know Brazil has to win to keep people quiet. President Rousseff knows that with an election coming up later in the year, her chances of winning would be a lot better with a sixth Brazilian World Cup win.

In the end, there is always the financial aspect of the biggest show on earth. Goldman Sachs strategist Peter Oppenheimer said the company’s analysts have found that, according to past history, the winning country’s equity markets outperform global stocks by 3.5 percent on average in the first month after winning, “although the outperformance fades significantly after three months.”

Brazil will beat Argentina 3-1 in the final after they see off Germany and Spain in their respective semifinals, Goldman analysts including Jan Hatzius and Sven Jari Stehn said in a report. The host nation has a 48.5 percent probability of winning the FIFA tournament, followed by Argentina at 14.1 percent and Germany at 11.4 percent.

These are bankers, not bookies.

A report like this can lead the mind to extreme cynicism about how and why games are determined.

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Unlike in the U.S., where soccer is a game of the middle classes, the roots offootball are firmly entrenched in the working-class neighborhoods and slums of places like Buenos Aires, Lagos, Rio, and, at its birth, in the towns and cities of Industrial Revolution-era Britain. The qualities of energy, zest, improvisation and enterprise needed to survive in such environments created a cauldron of bubbling passion for the game. It’s only soccer, but it is also about liberation. Former Manchester United star Eric Cantona was in Rio filming his seventh documentary, which will be screened at the first-ever Amnesty Football Film Festival in the U.K. In an interview with Amnesty in Paris, the always-outspoken Frenchman lamented the possibility of Brazilian football losing its greatest legacy of all.

“I have been in Maracanã [in Rio, site of the final] before, and I loved Maracanã. But now it is just a stadium like the Emirates Stadium [in London] or Stade de France. And they say, ‘It’s a revolution for us, we have to educate the people to sit.’ But they don’t want to sit, they just want to stand up and sing and dance.” Those who want to sing and dance can’t afford to go anymore, he says. But it is a shame because it’s these kinds of fans who created football and it’s these kind of fans who have a child who will play football,” said Cantona. “Because most of the people, most of the players come from poor areas. To be a footballer, you need to train every day when you are a kid, you need to go in the street and play in the street every day.”

So as the clock winds down to the opening kickoff on June 12 when Brazil will play Croatia, there is a profound melancholy that permeates the emotions of soccer fans. We love the game. We love the World Cup. We love the way it was.

I love its drama,” wrote the great Manchester United manager Sir Matt Busby, “its smooth playing skills, its carelessly laid rhythms, and the added flavor of contrasting styles. Its great occasions are, for me at any rate, unequalled in the world of sport. I feel a sense of romance, wonder, and mystery, a sense of beauty and a sense of poetry. On such occasions, the game has the timeless, magical qualities of legend.”

Some of my greatest life memories come from the World Cup, but there also comes a time when the massive show, fueled by corporate might, is overshadowed by the engine of social and political change. Brazil was under a military dictatorship between 1964 and 1985. Democracy is relatively new. What is beginning to emerge is Brazil at an adolescent stage as part of a national rite of passage. The World Cup may yet precipitate the maturing of a nation. In spite of FIFA’s best efforts to act as a shadow government.

Polícia de São Paulo cogita prender manifestantes antes da Copa (OESP)

Jogo entre Brasil e Croácia preocupa a Secretaria de Segurança Pública

29 de maio de 2014 | 17h 00

Brian WInter – Reuters

SÃO PAULO – A polícia de São Paulo está tentando prender manifestantes de uma facção violenta antes do início da Copa do Mundo, em duas semanas, usando escutas telefônicas e outros mecanismos de vigilância para evitar confrontos que prejudiquem o torneio.

Manifestações preocupam governo e Fifa - Sergio Castro/Estadão

Sergio Castro/Estadão. Manifestações preocupam governo e Fifa

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, disse à Reuters que a polícia está preparando possíveis acusações criminais contra um pequeno número de líderes dos manifestantes, que, segundo ele, estão conspirando para “cometer atos de violência, quebrar, depredar, agredir pessoas”.

O trabalho de inteligência ainda não está finalizado, por isso não está claro se os promotores irão concordar em fazer acusações que resultariam em prisões preventivas, declarou Grella.

A probabilidade de manifestações violentas é uma das maiores preocupações do governo brasileiro e da Fifa à medida que se aproxima o dia 12 de junho, início do Mundial.

Brasileiros revoltados com o gasto de dinheiro público no torneio, entre outras queixas, vêm organizando protestos periódicos há um ano. Embora a maioria dos manifestantes sejam pacíficos, vários protestos resultaram em embates com a polícia e vandalismo, que as autoridades atribuem a um pequeno número de estudantes e outros jovens.

A “intensa operação de inteligência” descrita por Grella é uma das mais abrangentes das forças de segurança do país, mas as agências federais também estão reunindo informações sobre os manifestantes.

Grella afirmou que a polícia usou imagens de câmeras de vigilância e registros internos para identificar os manifestantes mais violentos e, em alguns casos, grampearam seus telefones e monitoraram suas mídias sociais e e-mails.

O objetivo, ele disse, é identificar casos de violência premeditada e organizada que constituiriam “associação criminosa” – acusação semelhante à de conspiração mais comumente utilizada no Brasil contras facções do crime organizado.

Se os promotores concordarem em fazer as acusações, alguns líderes dos manifestantes poderiam ser detidos imediatamente e presos por um período de alguns dias ou mais, afirmou Grella.

“É um policiamento preventivo que garante o direito de manifestação e a liberdade de expressão, ao mesmo tempo em que procura organizar esses movimentos de forma que eles perturbem o menos possível a vida do cidadão e evidentemente evitar os atos de violência”, disse o secretário.

Ele disse que preparar um processo contra os manifestantes é “difícil, mas não impossível”.

“Quero crer com a sua conclusão talvez nas próximas semanas possamos ter eventualmente alguns pedidos de prisão”, acrescentou.

CETICISMO
Duas fontes de alto escalão do Ministério Público, que teria que aprovar as acusações criminais contra os manifestantes, declararam estar céticos quanto à legitimidade das acusações de conspiração.

A professora universitária Esther Solano, que estudou os protestos ao longo do ano passado, disse que, de forma geral, eles não têm uma liderança e uma organização, tornando difícil para a polícia identificar arruaceiros em potencial.

“O que (a polícia) está tentando fazer parece excessivo”, disse ela. “Isso mostra a pressão que a polícia e os políticos estão sofrendo para evitar uma grande bagunça durante a Copa do Mundo”.

O Ministério da Justiça, que supervisiona a polícia em todo o país, não respondeu de imediato a pedidos de comentário.

Indagado se as manifestações podem ser maiores do que aquelas que atraíram centenas de milhares de pessoas às ruas em junho passado, durante a Copa das Confederações, espécie de aquecimento da Copa do Mundo, Grella declarou: “É difícil dizer”.

Ele declarou, entretanto, que o dia 12 de junho, quando a seleção brasileira estreia contra a Croácia na Arena Corinthians, em São Paulo, “é o que mais nos preocupa” em termos de manifestações.

Grella disse não ter recebido indicações de uma ameaça em particular de terroristas internacionais ou facções do crime organizado do Brasil.

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Tres imágenes que ilustran la tensión en Brasil antes del Mundial (BBC Mundo)

Gerardo Lissardy

BBC Mundo, Brasil

30 Mayo 2014

Maracaná

Las imágenes de esta semana difieren radicalmente del mensaje oficial respecto del Mundial.

Tres imágenes de Brasil esta semana parecieron convertir en un abismo la distancia que separa la realidad de algunos mensajes oficiales sobre el Mundial que comienza en 13 días.

Una de ellas mostró a un grupo de profesores en huelga rodeando el autobús de la selección brasileña en Río de Janeiro el lunes, reclamando por los costos astronómicos de la Copa. Otra imagen salió de Brasilia cuando policías a caballo lanzaron gas lacrimógeno a activistas anti-Mundial e indígenas con arcos y flechas cerca del moderno estadio mundialista.

La tercera apareció en las redes sociales: un texto compartido por la directora ejecutiva del Comité Organizador Local (COL) de la Copa diciendo que “lo que había de ser gastado, robado, ya fue”.

¿Qué dicen estas imágenes acerca del Mundial que llega a Brasil?

1. Falla de seguridad

Profesores en huelga protestan frente al bus de la selección de Brasil

El cerco de manifestantes al bus de la selección brasileña fue considerado una falla de seguridad

De pronto, decenas de manifestantes rodearon el vehículo, lo tapizaron de adhesivos con reclamos gremiales y algunos llegaron a golpearlo. La situación demoró varios minutos el avance del bus.

La protesta buscó mostrar “el tamaño de la crisis que existe en Brasil en relación a la educación”, declaró allí Vera Nepomuceno, miembro del sindicato de profesores de Río. Uno de los gritos de los manifestantes decía que “un educador vale más que Neymar”.

Pero la escena también expuso fallas en el operativo de seguridad montado para proteger a las estrellas verde-amarelas, que fue fácilmente vulnerado por los docentes.

“El sistema de seguridad no esperaba semejante osadía por parte de los manifestantes”, dijo Paulo Storani, experto en seguridad pública y exdirector del Batallón de Operaciones Especiales (BOPE) de Río, a BBC Mundo.

Este hecho llevó al gobierno de Dilma Rousseff a pedir al Ejército que asuma la seguridad de aeropuertos, hoteles y calles donde pasarán las 32 selecciones del Mundial, informó el jueves el diario O Globo.

Los ministros de Rousseff insisten en que los extranjeros que vengan a la Copa estarán seguros.

Pero Storiani sostuvo que la imagen de esta semana fue preocupante. “Si hubiera alguna manifestación que pueda llegar a algo próximo o peor de lo que ocurrió el lunes, hay posibilidades de crear una crisis en la Copa, porque es lógico que cualquier delegación extranjera va a exigir un mínimo de seguridad”, indicó.

2. Gases, arcos y flechas

Indígena apunta su arco y flecha en una protesta en Brasilia

Una imagen impensable a días del Mundial en Brasil

Cuando Brasil fue elegido en 2007 como sede del Mundial de este año, sus autoridades esperaban que el evento proyectase al planeta la imagen de un país pujante y en desarrollo.

Pero la foto que salió el martes de Brasilia, con policías montados lanzando gases lacrimógenos a activistas anti-Copa e indígenas apuntando con arcos y flechas a los uniformados, muestra otra cosa.

Fue una de las tantas protestas de grupos sociales en Brasil por los US$11.000 millones que costó organizar el Mundial. Y los indígenas, que estaban en la capital para oponerse a un proyecto que cambia las reglas de demarcación de sus tierras, se unieron en el momento a la marcha.

La confrontación ocurrió cuando más de 1.000 manifestantes intentaron acercarse al Estadio Nacional de Brasilia y la policía lo impidió con gases lacrimógenos.

En medio de la confusión, algunos indígenas llegaron a lanzar flechas, una de las cuales hirió levemente a un policía.

Los incidentes obligaron a cancelar la exhibición de la Copa del Mundo en el estadio, el cual tendrá un costo cercano a US$850 millones, cerca del triple de lo proyectado inicialmente.

“Brasil fue muy ingenuo con el Mundial: se creía que sólo iba a ganar”, dijo Renzo Taddei, un antropólogo de la Universidad Federal de São Paulo especializado en conflictos sociales.

Pero agregó que imágenes como las del martes en Brasilia muestran otra cosa y, respecto a los indígenas, exponen un viejo conflicto acerca de sus derechos “que nunca se resolvió”.

3. Copa y corrupción

El mensaje en Instagram

Este mensaje en Instagram desató un debate.

Esta imagen de un texto contra las protestas en el Mundial apareció en la red social Instagram y rápidamente se volvió viral y polémica.

Quien la publicó en su cuenta personal el martes fue Joana Havelange, directora ejecutiva del COL del Mundial, nieta del expresidente de la FIFA Joao Havelange e hija del expresidente de la Confederación Brasileña de Fútbol (CBF), Ricardo Teixeira.

“Lo que había de ser gastado, robado, ya fue. Si era para protestar, tenía que haberse hecho antes”, se lee en un pasaje del texto.

La controversia por la referencia a robos llevó a un diputado estatal de Río, Marcelo Freixo, a solicitar al Ministerio Público que exija explicaciones a Havelange.

El COL indicó luego que la autoría de la carta no habría sido de su directora y ésta negó vía internet que haya prestado atención a la frase sobre los robos, que negó compartir y retiró del texto.

Pero la imagen del texto inicial rozó un nervio sensible en un país donde muchos creen que el Mundial fue aprovechado por corruptos y descreen del discurso oficial sobre el “legado” del evento.

“Cualquiera que haya acompañado la Copa sabe que la probabilidad de tener mucho robo de recursos públicos en esas obras de infraestructura y demás es muy alta”, dijo Claudio Abramo, director ejecutivo de Transparencia Brasil.

Abramo señaló que el COL no manejó dinero público para el Mundial, pero dijo que “por la posición que ocupa tal vez (Havelange) sepa cosas que sería bueno que explicase”.

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Índios e policiais se enfrentam em estádio da Copa em Brasília (AFP)

Por Por Yana MARULL | AFP – 27 mai 2014

27 de maio – Brasília, Brasil – Os manifestantes fizeram um ato em frente à rodoviária e, em seguida, decidiram seguir em direção ao estádio com uma taça alternativa da Copa do Mundo para substituir o troféu original, que está em exibição em Brasília, na área externa da arena.

A polícia dispersou com bombas de gás lacrimogênio um protesto pacífico contra a Copa de indígenas e movimentos sociais, nesta terça-feira, em frente ao estádio Mané Garrincha, que vai ser o palco de vários jogos do Mundial em Brasília, constatou a AFP.

A apenas 16 dias do início da competição, policiais da tropa de choque lançaram gases contra cerca de mil manifestantes, inclusive idosos e crianças, para impedir que se aproximassem do estádio.

Alguns manifestantes responderam atirando pedras contra os cerca de 500 agentes que cercavam o estádio.

Pouco antes, cerca de quinhentos chefes indígenas de cem etnias de todo o Brasil – inclusive o cacique Raoni, de 84 anos, um ícone da defesa da Amazônia – subiram no teto do Congresso para reivindicar políticas para seus povos.

“Subir no Congresso foi um ato de coragem, demonstração de que somos guerreiros e defendemos nossos direitos”, disse à AFP Tamalui Kuikuru, da região do Xingu, no Mato Grosso (centro-oeste).

Os índios, que estavam pintados, usando plumas, arcos e flechas tradicionais, desceram pacificamente do teto do Congresso logo depois, percorreram a Esplanada dos Ministérios e, em seguida, juntaram-se às centenas de manifestantes contrários à Copa e ao movimento dos sem-teto que marchavam na direção do estádio.

Duzentos policiais acompanham o protesto e o mesmo número resguarda o estádio Mané Garrincha, onde está o troféu da Copa, em exibição para o público nas cidades sede antes do torneio.

“A Copa é para quem? Não é para nós!”, clamava um manifestante com um alto-falante. “Não quero a Copa, quero esse dinheiro para a saúde e a educação”, gritava.

O protesto acontece em um contexto de protestos contra a Copa do Mundo e greves em vários setores às vésperas do Mundial, que se estenderá entre 12 de junho e 13 de julho.

Uma greve de motoristas de ônibus paralisou nesta terça Salvador (nordeste), uma das 12 cidades-sede da Copa, e o policiamento foi reforçado para garantir a segurança das unidades em circulação.

– “Espantar o mal” –

Em Brasília, os indígenas iniciaram seu protesto com orações tradicionais, ao ritmo de chocalhos, na Praça dos Três Poderes, cercada pelo Palácio do Planalto – sede da Presidência -, pelo Congresso e pelo Supremo Tribunal Federal.

Alguns mais velhos usavam fumaça para “espantar o mal”, explicaram à AFP.

“Antes de fazer a Copa do Mundo, o Brasil devia pensar melhor na saúde, na educação, na moradia. Vemos manifestações dos povos: não se gastam tantos milhões para um evento que não traz benefícios”, disse o indígena Neguinho Truká, da etnia Truká de Pernambuco (nordeste), com um cocar tradicional de plumas azuis e vermelhas na cabeça.

Os indígenas multiplicaram seus protestos na capital durante o governo da presidente Dilma Rousseff, a quem acusam de deter a demarcação de suas terras ancestrais e de favorecer os grandes agricultores.

 

– Onda de greves –

O Brasil foi sacudido por uma onda de protestos em junho do ano passado, durante a Copa das Confederações, contra os elevados gastos públicos nos estádios.

Os protestos, que continuaram durante meses, embora com menos intensidade, têm sido mais vinculados nas últimas semanas a movimentos sociais organizados, de sindicatos a partidos radicais de esquerda, ONGs críticas ao Mundial, o Movimento de Camponeses Sem-terra ou os Sem-teto.

Vários setores, de policiais a professores, passando pelos motoristas de ônibus de várias cidades como Rio, São Paulo, Salvador e São Luís do Maranhão, têm aproveitado a proximidade da Copa para pedir aumentos salariais e fazer greves.

Os trabalhadores do metrô de São Paulo, que transporta diariamente 4,5 milhões de pessoas, devem votar nesta terça-feira se entram em greve. “O mais provável é que aprovemos a greve. Só teríamos que definir a data”, declarou à AFP um porta-voz do sindicato.

Os motoristas de ônibus de São Paulo fizeram uma greve de dois dias na semana passada, que afetou mais de um milhão de pessoas e provocou engarrafamentos gigantescos.

Os professores da rede de ensino público do município e do estado do Rio também estão em greve e na segunda-feira, 200 deles bloquearam rapidamente a saída do ônibus que transportava a seleção brasileira até a concentração, em Teresópolis. “Não vai ter Copa; vai ter greve”, diziam alguns cartazes.

Trabalhadores dos setores de transporte e saúde do Rio de Janeiro também estudavam entrar em greve. Os vigilantes bancários do Rio estão paralisados há quase um mês.

The Immigrant Advantage (New York Times)

IF you want to die a successful American, especially in the heartland, it helps to be born abroad.

Statistics show that if you are born elsewhere and later acquire American citizenship, you will, on average, earn more than us native-borns, study further, marry at higher rates and divorce at lower rates, fall out of the work force less frequently and more easily dodge poverty.

What’s curious is where this immigrant advantage is most pronounced. In left-leaning, coastal, cosmopolitan America, native-borns seem well groomed by their families, schools and communities to keep up with foreign-borns. It’s in the right-leaning “Walmart America” where foreigners have the greatest advantage.

From Mississippi to West Virginia to Oklahoma, native-borns are struggling to flourish on a par with foreign-born Americans. In the 10 poorest states (just one on the East or West Coast: South Carolina), the median household of native-borns earns 84 cents for every $1 earned by a household of naturalized citizens, compared with 97 cents for native-borns in the richest (and mostly coastal) states, according to Census Bureau data. In the poorest states, foreign-borns are 24 percent less likely than native-borns to report themselves as divorced or separated, but just 3 percent less likely in the richest states. In the poorest states, foreign-borns are 36 percent less likely than native-borns to live in poverty; the disparity collapses to about half that in wealthier states like New Jersey and Connecticut.

This phenomenon came vividly to life for me while I was reporting a book about the brutal collision of a striving immigrant and a hurting native. One was Raisuddin Bhuiyan, a Muslim immigrant from Bangladesh, working in a Dallas minimart in 2001 to save for a wedding and an education; the other, Mark Stroman, shot him in a twisted post-9/11 revenge attack, blinding him in one eye, during a rampage that killed two other immigrant clerks. Mr. Bhuiyan eventually learned more about Mr. Stroman and the world that formed him. What he found astonished him, then inspired him to forgive his attacker and battle to rescue him from death row.

Mr. Bhuiyan realized that he was among the lucky Americans. Even after the attack, he was able to pick up and remake himself, climbing from that minimart to waiting tables at an Olive Garden to six-figure I.T. jobs. But Mr. Bhuiyan also saw the America that created Mr. Stroman, in which a battered working class was suffering from a dearth of work, community and hope, with many people failing to form strong bonds and filling the void with escapist chemicals, looping endlessly between prison and freedom.

Eventually, Mr. Bhuiyan petitioned a Texas court to spare his attacker’s life because he had lacked his victim’s advantages: a loving and sober family, pressure to strive and virtuous habits. The naturalized citizen claimed the native Texan hadn’t had the same shot at the American dream as the “foreigner” he’d tried to kill.

At a time when even the American middle class is struggling, a difficult question arises: Are you better off being born in some of the poorest parts of the world and moving here than being raised in the poorer parts of the United States?

There’s no easy answer. But let’s first acknowledge the obvious: Most naturalized citizens — nearly half of America’s roughly 40 million immigrants — arrived by choice, found employer sponsors, navigated visas and green cards. (We’re not talking here of immigrants who never reach citizenship and generally have harder lives than American citizens, native- or foreign-born.) It’s no accident that our freshest citizens have pluck and wits that favor them later.

BUT I also think there’s something more complicated going on: In those places where mobility’s engine is groaning and the social fabric is fraying, many immigrants may have an added edge because of their ability to straddle the seemingly contradictory values of their birthplaces and their adopted land, to balance individualism with community-mindedness and self-reliance with usage of the system.

American scholars have long warned of declining “social capital”: simply put, people lacking the support of others. In Texas, I encountered the wasteland described by writers from Robert D. Putnam on the left to Charles Murray on the right. In mostly white, exurban communities that often see themselves as above the woes of inner cities, I found household after household where country music songs about family and church play but country-music values have fled: places where a rising generation is often being reared by grandparents because parents are addicted, imprisoned, broke or all three.

In places bedeviled by anomie, immigrants from more family-centered and collectivist societies — Mexico, India, Colombia, Vietnam, Haiti, China — often arrive with an advantageous blend of individualist and communitarian traits.

I say a blend, because while they come from communal societies, they were deserters. They may have been raised with family-first values, but often they were the ones to leave aging parents. It can be a powerful cocktail: a self-willed drive for success and, leavening it somewhat, a sacrificial devotion to family and tribe. Many, even as their lives grow more independent, serve their family oceans away by sending remittances.

Mr. Bhuiyan seemed to embody this dualism. By back-home standards, he was a rugged individualist. But in America it was his takes-a-village embeddedness that enabled his revival: Immigrant friends gave him medicine, sofas to sleep on, free I.T. training and job referrals.

Working at Olive Garden, Mr. Bhuiyan couldn’t believe how his colleagues lacked for support. Young women walked home alone, sometimes in 100-plus degree heat on highways, having no one to give them rides. Many colleagues lacked cars not because they couldn’t afford the lease but because nobody would cosign it. “I feel that, how come they have no one in their family — their dad, their uncle?” he said. They told stories of chaotic childhoods that made them seek refuge in drugs and gangs.

Mr. Bhuiyan concluded that the autonomy for which he’d come to America, while serving him well, failed others who had lacked his support since birth. His republic of self-making was their republic of self-destruction. “Here we think freedom means whatever I wanna do, whatever I wanna say — that is freedom,” he said. “But that’s the wrong definition.”

A second dimension of this in-between-ness involves the role of government. In this era of gridlock and austerity, many immigrants have the advantage of coming from places where bankrupt, do-nothing governments are no surprise. They often find themselves among Americans who are opposite-minded: leaning on the state for economic survival but socially lonesome, without community backup when that state fails.

All this has nothing to do with the superiority of values. If distrust of government made for the most successful societies, Nigeria and Argentina would be leaders of the pack. What’s interesting about so many of America’s immigrants is how they manage to plug instincts cultivated in other places into the system here. Many are trained in their homelands to behave as though the state will do nothing for them, and in America they reap the advantages of being self-starters.

But they also benefit from the systems and support that America does offer, which are inadequate as substitutes for initiative but are useful complements to it.

Like many immigrants, Mr. Bhuiyan operated from the start like an economic loner, never expecting to get much from the government. He was willing to work at a gas station to save money. Recovering in his boss’s home, he ordered I.T. textbooks online to improve his employability. Plunged into debt, he negotiated with doctors and hospitals to trim his bills.

But the system also worked for him. Robust laws prevented employers from exploiting a wide-eyed newcomer. He sued the Texas governor, in pursuit of leniency for his attacker, and was heard. Through a fund for crime victims, Texas eventually paid his medical bills.

In an age of inequality and shaky faith in the American promise of mobility through merit, we can learn from these experiences. Forget the overused idea popularized in self-help guides that native-borns must “think like an immigrant” to prosper, an exhortation that ignores much history. Rather, the success of immigrants in the nation’s hurting places reminds us that the American dream can still work, but it helps to have people to lean on. Many immigrants get that, because where they come from, people are all you have. They recognize that solitude is an extravagance.

American poverty is darkened by loneliness; poverty in so many poor countries I’ve visited is brightened only by community. Helping people gain other people to lean on — not just offering cheaper health care and food stamps, tax cuts and charter schools — seems essential to making this American dream work as well for its perennial flowers as its freshest seeds.

Índice de suicídios entre indígenas no MS é o maior em 28 anos (Combate Racismo Ambiental)

Por , 23/05/2014 14:06

Por Carolina Fasolo, de Brasília (DF), no Cimi

No dia 3 de abril, quando amanheceu em uma aldeia Guarani-Kaiowá, localizada no sul do estado de Mato Grosso do Sul, a mãe de três filhos abriu a porta de casa e paralisou ao ver o corpo frágil de sua menina mais nova suspenso pelo lençol, amarrado à árvore por um nó que parecia firme. No dia anterior, a garota havia completado 13 anos.

“A mãe disse que ela chegou da escola muito triste e reclamando de dores na cabeça”, conta Otoniel, liderança Guarani-Kaiowá. “Depois que todos foram dormir ela amarrou o lençol na árvore e se matou. Um primo dela de 12 anos tinha se enforcado uma semana antes. E uns dias depois que ela morreu outro adolescente, de 16 anos, também se suicidou na mesma aldeia. Fui até lá para saber o que estava acontecendo”.

Os três enforcamentos em menos de duas semanas fazem parte de uma estatística que no ano de 2013 ganhou contornos históricos. Foram contabilizados 73 casos de suicídios entre os indígenas de Mato Grosso do Sul. De acordo com registros do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), é o maior número em 28 anos. Os dados, apurados pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI/MS), constam no Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, a ser divulgado pelo Cimi em junho.

Dos 73 indígenas mortos, 72 eram do povo Guarani-Kaiowá, a maioria com idade entre 15 e 30 anos. Otoniel acredita que o motivo de tantos jovens cometerem suicídio é a falta de perspectiva. “Não têm futuro, não têm respeito, não têm trabalho e nem terra pra plantar e viver. Escolhem morrer porque na verdade já estão mortos por dentro”.

O procurador da República Marco Antônio Delfino de Almeida, do Ministério Público Federal (MPF) em Dourados (MS), explica que as oportunidades de trabalho para os indígenas são praticamente restritas a atividades subalternas degradantes, como o corte da cana-de-açúcar. “Temos escolas indígenas, mas o modelo educacional não foi construído para a comunidade, existe apenas uma ‘casca indígena’, que não contempla a inserção do jovem no processo produtivo”, completa. 

“A discriminação e o ódio étnico, condutas incentivadas inclusive pelos meios de comunicação, acentuam sobremaneira o problema dos suicídios. Os indígenas são pintados como entraves, empecilhos, obstáculos ao desenvolvimento. É como se a mídia passasse a mensagem ‘Se você quer ficar bem, tire o índio do seu caminho’, ressalta o procurador.

13 anos, 684 suicídios

No período de 1986 a 1997, foram registradas 244 mortes por suicídio entre os Guarani-Kaiowá de MS, número que praticamente triplicou na última década. De 2000 a 2013 foram 684 casos.

“As atuais condições de vida desses indígenas, que desembocam em estatísticas assombrosas de violência, têm origem num processo histórico”, explica Marco Antonio Delfino. “O que aconteceu foi uma transferência brutal, por parte da União, de territórios indígenas para não índios”.

A transferência se deu, principalmente, pelo então Serviço de Proteção ao Índio (SPI) que demarcou, entre 1915 e 1928, oito pequenas reservas no sul do estado para onde diferentes povos indígenas foram obrigados a migrar. “As reservas demarcadas serviam como um depósito gigantesco de mão de obra a ser utilizada conforme os interesses econômicos. Todo o processo de confinamento indígena teve como finalidade sua utilização como mão de obra para os projetos agrícolas implantados no país, desde a cultura da erva-mate até recentemente, com a cana-de-açúcar”, completa o procurador.

O confinamento compulsório, com a sobreposição de aldeias distintas e de dinâmicas político-religiosas peculiares, acirrou o conflito dentro das reservas, alterando profundamente as formas de organização social, econômica e cultural dos indígenas, o que resultou em índices alarmantes de superpopulação, miséria e violência nestes espaços.

Definida pela vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, como “a maior tragédia conhecida na questão indígena em todo o mundo”, a Reserva Indígena de Dourados é um dos exemplos mais contundentes desse processo histórico. Encravada no perímetro urbano do município, na Reserva vivem hoje mais de 13 mil indígenas em 3,6 hectares de terra. É a maior densidade populacional entre todas as comunidades tradicionais do país, e onde aconteceram 18 dos 73 casos de suicídio no estado em 2013.

“Hoje enfrentamos uma carência extremamente aguda de políticas públicas. Desde 2009 existem discussões para implantar um Centro de Atenção Psicossocial Indígena em Durados mas, por enquanto, não foi adotada nenhuma medida concreta para sua construção”, diz Marco Antonio Delfino. “A impressão que se tem é que as pessoas perderam o controle sobre o monstro que criaram, que são essas reservas. Então, fica nesse jogo de empurra-empurra, sempre com soluções paliativas. Precisamos reconhecer e reparar os erros cometidos para que existam soluções efetivas. O primeiro passo é demarcar os territórios usurpados dos indígenas”, conclui o procurador.

‘We Don’t Want to Die Again’: Yanomami Leader Kopenawa (Indian Country Today Media Network)

Courtesy Survival International. Davi Kopenawa, a Yanomami shaman, who has been fighting for his peoples rights for more than 20 years will be in California in April to speak about protecting the rainforest and his spiritual life. Kopenawa is seen here surrounded by Yanomami children.

5/16/14

“It’s very important to talk to everybody here. We don’t want what happened 500 years ago to happen again. We, the Yanomami people, don’t want to die again,” said Davi Kopenawa in an interview with ICTMN at the end of April.

Kopenawa, an internationally known advocate for the Yanomami people of Brazil and the rainforest, was in San Francisco at the end of April to meet with activists, scholars and political officials to alert them to an escalating crisis involving gold miners in Yanomami territory and to speak about his book “The Falling Sky.”

For the interview on April 25th, Kopenawa sat down with ICTMN along with his interpreter and friend, Fiona Watson, Research Director for Survival Internationaland longtime ally of the Yanomami and other indigenous peoples of Brazil.

During the 35 minute conversation Kopenawa began by asserting how dangerous the gold mining operations have been for the people and the environment in their territory.

“The gold miners are people with lots of vices. They bring alcohol, they bring illnesses. They couldn’t find jobs in the cities and got no help from the government and the only thing they want to do is get gold from Indigenous Peoples territories. They have spread all over our land.

“The gold miners (garimpeiros) only work in the rivers,” he explained. “They use mercury to clean and separate the gold from the sand. When they wash the gold with mercury, the mercury sinks to the bottom of the river bed. The communities who live downstream use this water for drinking, washing and bathing. The fish also swallow mercury when they are eating which in turn affects the people who eat the fish. So the Yanomami get ill from mercury poisoning. That’s how the mercury contaminates our place.”

Kopenawa also emphasized that there are laws currently being proposed in Brazil that would make it easier for miners and others to invade indigenous territories. Watson noted that the indigenous communities and their allies such as SI are very worried about three potential laws in particular: PEC 215 is a constitutional amendment that would allow congress, which has members influenced by a strong anti-indigenous lobby, to be involved with demarcation of land; Portaria 303 which would prohibit extending any indigenous territory and that indigenous rights to use their resources would not extend to preventing large scale hydro-electric and mining projects; and Law Project 1610 would open up all indigenous territories to large scale mining (and there were already hundreds of petitions to start mining in Yanomani territory).

“I will talk about these things,” Kopenawa said in regards to his then upcoming presentations (he later spoke with California Governor Jerry Brown about the mining issues).

“I want to talk about the concerns of the Yanomami people. We are beginning to get nervous and sad because the government is preparing to invade our territory even though it is demarcated and recognized by law.”

He stated that his book, “The Falling Sky,” explains those concerns and how the Yanomami are guardians of their region of the earth.

“It is important to explain this to the city people who know about their land and mountains and places but we Yanomami needed a book to explain things to white people so they would know our story. We are guardians of the knowledge of our region of earth, of the mountains and the rivers. For us, the forest is a thing of great beauty and it is our story. Some white people think that the Yanomami know nothing, so for this reason I thought about writing a book about the traditional knowledge of the Yanomami, my people.”

At the end of the interview, Kopenawa re-iterated his principal message to the people of the United States.

“All we Indigenous Peoples in Brazil are very worried because of the project to mine in the Yanomami’s territory and in the territories of other indigenous brothers and sisters. We Yanomami people don’t want mining because we don’t want to suffer and die of the white peoples’ diseases. Mining will not bring positive benefits to the Indigenous Peoples. It will only bring a lot of diseases and problems and fights with the indigenous people. For this reason all we Indigenous Peoples are against mining.

“I, Davi Kopenawa Yanomami, an indigenous leader, ask for support from the American people not to allow mining to start in the Yanomami territory. I would like you to help to defend the lungs of the earth. I thank you for your strength. Thank you very much.”

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