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Hawaiian telescope fight prompts new rules for Mauna Kea (Nature)

Thirty Meter Telescope can proceed, but one-quarter of existing telescopes on mountain must be removed in the next decade.

Alexandra Witze

27 May 2015

Hawaii Governor David Ige says the Thirty Meter Telescope project can move forward.

The controversial Thirty Meter Telescope (TMT) should be built atop the sacred Hawaiian mountain of Mauna Kea as planned — but one-quarter of the 13 telescopes already there need to be taken down by the time the TMT starts operating in the mid-2020s, Hawaii’s governor David Ige said on 26 May.

Ige’s long-awaited statement aims to break the impasse between the TMT project, which halted construction in early April after protests broke out, and Native Hawaiians, who see the telescope — bigger than any on Mauna Kea so far — as the latest violation of an important cultural site.

The governor laid out sweeping changes to how Mauna Kea will be managed in the future. “We have in many ways failed the mountain,” he said. “We have not done right by a very special place.”

The shift could significantly affect astronomers who use the world-class facilities atop Mauna Kea, which include the twin 10-metre Keck telescopes as well as the 8-metre-class Gemini Northern and Subaru telescopes. The first astronomical observatories were built on Mauna Kea starting in the 1960s.

Perhaps most significantly, “the university must decommission as many telescopes as possible, with one to begin this year and at least 25% of all telescopes gone by the time the TMT is ready for operation,” Ige said. The first to go will be the Caltech Submillimeter Observatory, whose closure was announced in 2009; it will start to be dismantled later this year.

But none of the other 12 telescopes had immediate plans to shutter. The submillimetre-wavelength James Clerk Maxwell Telescope is just beginning a new life under the operation of the East Asian Observatory. The 3.8-metre United Kingdom Infrared Telescope was similarly transferred from the UK’s Science and Technology Facilities Council to the University of Hawaii in Manoa last year.

“This is all new to us,” says Peter Michaud, a spokesman for the Gemini Observatory based in Hilo, Hawaii. “Until we learn more about it, we’re not really able to say much of anything.”

A 2010 plan commissioned by the university lays out a framework for how various observatories could be taken down. The governor’s announcement is likely to accelerate those scenarios, says Günter Hasinger, director of the University of Hawaii’s Institute for Astronomy in Manoa. “In principle this is nothing new,” he says. “We have always made the point that the space on top of the mountain should only be populated by the best telescopes.”

A changing landscape

Ige’s changes all push toward reducing impact on the mountain’s 4,200-metre summit. The University of Hawaii leases more than 45 square kilometres as a science reserve. The current lease is good until the end of 2033, but Ige said that when that is up the university must return more than 40 square kilometres — all the land not needed for astronomy — to the state’s Department of Land and Natural Resources. The university must also agree that the TMT location, which is a few hundred metres below the actual summit, is the last area on the mountain where any telescopes will ever be built.

An artist’s conception of the Thirty Meter Telescope on Mauna Kea, with existing telescopes in the background.

Visitors to the mountain top will be limited, and be required to receive cultural training. A new cultural council will be created to provide input to the Office of Mauna Kea Management.

“It’s up to different organizations to decide their next step,” said Ige. “I intend to fully protect the right of TMT to proceed to construction, and respect and protect the right of protestors to peacefully protest.”

“We will work with the framework he has put forth,” said Henry Yang, chair of the TMT International Observatory board, in a statement. “We know we have a lot of work ahead of us. We appreciate that there are still people who are opposed to the project, and we will continue to respectfully listen and work with them to seek solutions.“

Ige said his office would work with the university to develop a timeline for the various actions. “To my point of view this is a very important step forward, and will hopefully solve the Gordian knot that we are in,” says Hasinger.

TMT construction ignited a firestorm of protest among Native Hawaiians and also by many astronomers who pushed to redress what they see as decades of scientists essentially colonizing a sacred space.

The $1.5-billion TMT project chose Mauna Kea over a mountain top in Chile, and had gone through a seven-year permissions process. Partners include the University of California, the California Institute of Technology, and the governments of China, Japan, India and Canada. Legal challenges are still wending their way through Hawaiian courts.

Two competing telescopes are both under construction in Chile.

Nature, doi:10.1038/nature.2015.17639

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POR  RICARDO CAVALCANTI-SCHIEL

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Não se trata de opor um fantasioso “espiritualismo” a um materialismo ocidental. Mas de desafiar nosso regime de sociabilidade com outras ideias, disposições e possibilidades

Por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Houve um tempo em que falar de índios no Brasil era um exercício romântico. Tão romântico quanto fantasioso.

No começo do século XX, alguns doutos paulistas saíram pelo seu estado batizando os lugares com nomes tupi, do Anhangabaú a Araçatuba, movidos por ímpetos eruditos, não necessariamente por remissões mais escrupulosas à realidade. Quando a região de Guaianases, na cidade de São Paulo, foi batizada com esse nome, havia centenas de anos que os Guainá, que ali teriam sido aldeados à força no século XVI, já não mais existiam para contar qualquer coisa a respeito da sua história. Os índios daqueles eruditos paulistas, cultores do “tupi antigo”, eram algo bastante postiço. Realizando com perversa ironia os ideais antropofágicos dos mesmos tupi, que séculos antes iam à guerra, entre outras coisas, para caçar, para seus futuros filhos, os nomes daqueles que comeriam, acabaram eles agora transformados em não mais que nomes, desta feita como que nomes em conserva, para serem usados nessa curiosa salada toponímica.

Enquanto isso, no oeste paulista, a partir de Bauru, travava-se uma guerra pela expansão da fronteira agrária, empurrada pela ferrovia. Era um legítimo cenário de bang-bang, e as principais vítimas do extermínio, operado por “bugreiros” e outros agentes, eram os Kaingang e os Xavante, genericamente chamados de Coroados, gente da família linguística jê (muito diferente da família tupi, portanto); extermínio que a história oficial paulista fez questão de sepultar sob a tampa de concreto do silêncio, escrevendo, em seu lugar, o relato fantasioso de uma simples saga de imigrantes. Assim, Araçatuba, por exemplo, terra kaingang, hoje capital do boi gordo, no extremo-oeste paulista, pôde, também ela, ganhar seu bucólico nome tupi: bosque de araçás.

Note-se: não estamos nos confins selváticos e geograficamente obscuros de uma imensa Amazônia; uma Amazônia quase que alheia e que nem parece ter fim (e que daí, pela “lei” da oferta e da procura, se presuma como tão… barata). Estamos no hoje pujante e urbanizado oeste paulista, há não mais que cem anos atrás, apenas vinte anos antes de São Paulo embarcar em uma aventura militar contra um incipiente governo nacional antioligárquico.

De romantismo em romantismo, chegamos aos anos 80, em que os índios, eternos candidatos a nobres selvagens, passam a ser agora heróis ecológicos. Esses, pelo menos, ainda estavam vivos. É bem verdade que a relação dos índios com aquilo que chamamos “natureza” é muito diferente da que a nossa sociedade tem, a começar pelo fato de que, como nos ensina a antropologia amazonista hoje, eles não a reconhecem como “natureza” ― como objeto exterior e à parte, feito para ser usado, apropriado e apenas eventualmente “preservado” como coisa patrimonializada ―, mas como “gente”, como uma multiplicidade de sujeitos imprescindíveis de uma relação sem a qual o mundo habitado não é compreensível nem poderia existir. No entanto, transformar os índios em heróis da “nossa” natureza, incorporados como parte daquele objeto à parte, e igualmente alheio a nós, pode não ser mais que uma dessas nossas projeções, tão românticas quanto utilitárias, de ver Peri beijar Ceci… e morrer em seguida. Parará tim bum bum bum.

Se o novo romantismo ecológico ao menos chamou os índios para a agenda enquanto eles ainda estão vivos, sua tônica acanhadamente preservacionista os fez equivaler, mais uma vez, ao passado; a um passado de aparente pureza florística e faunística que precisaria ser sempre revivido ― ou “resgatado”, como gosta de usar a terminologia patrimonializadora em voga ― de forma idealmente imutável. Mais uma vez, os índios parecem entrar na (nossa) dança sob a clave do embalsamamento, mesmo que, agora, sob a agenda de uma patrimonialização talvez tão fetichista quanto a toponímia mítica dos velhos eruditos paulistas.

No entanto, nos últimos tempos, os últimos lastros românticos que ainda pareciam nos avalizar a existência dos índios parecem estar ruindo, o que não nos augura necessariamente algo virtuoso, porque ficamos mal-acostumados a depender dos romantismos para assegurar uma (traiçoeira e manhosa) legitimidade simbólica desses Outros Nacionais (como os chamou a antropóloga Alcida Ramos) e, por consequência, garantir as bases institucionais da sua existência enquanto povos acolhidos e protegidos ― não falemos sequer ainda de “respeitados”, porque o respeito à diferença não é algo que se aprenda por meio de projeções românticas.

Não é preciso lembrar, para as pessoas razoavelmente informadas, o estado de coisas em que andam as políticas de governo… e os horizontes obscuros das políticas de Estado… com relação aos povos indígenas. Também já é quase ocioso lembrar o quanto um e outro (políticas de governo e projetos de política de Estado) têm se estimulado mutuamente, para promover o etnocídio indígena por meio do solapamento dos direitos. Seja para quem for, qualquer solapamento de direitos é sempre um sequestro da cidadania. Daria até para lembrar, parafrasticamente, aquele poema de Brecht: “primeiro levaram os índios…”.

O que alenta e justifica essa marcha implacável nós também já sabemos o que é: a velha ideologia desenvolvimentista repaginada pelo avatar inquestionável do consumo como critério, seja de teórica “inclusão” seja de teórico “bem-estar”. Assim, no coração dessa nova ideologia desenvolvimentista encontra-se uma operação utilitarista singela: trocar a cidadania pelo consumo. E, nela, o único lugar para os índios ― uma vez corroídas, por esse realismo neoclássico rasteiro, as amarras românticas que os sustentavam ― é o de se tornarem, eles também, modestíssimos consumidores, apoiados por programas assistenciais do governo, depois de entregarem seus “meios de produção” a quem realmente interessa, como aqueles que, vencidos, entregaram outrora o que são hoje terras de boi gordo.

Claro que os que já se renderam inteiramente à coisificação utilitarista do consumo (e provavelmente se esqueceram até de ser gente) vão dizer: melhor boi gordo do que índio ― e no estado em que chegamos, isso é exatamente o que muitos pensam, sem que tenham a necessidade de pronunciá-lo. No entanto, a troca utilitarista, na sua racionalidade de meios e no seu afã predatório, quer apenas ganhar hoje, para a aventura de uns quantos, o que o bem comum poderia, de outra forma, ganhar multiplicado amanhã, se sobreviver até lá. E é aí que a equação que move as curvas de utilidade se alarga para variáveis e horizontes impensados pelos mecano-economistas.

No atual estado de coisas, entretanto, parece haver apenas duas alternativas para salvar a (potencialmente subversiva) diversidade existencial dos Outros Nacionais da sanha desenvolvimentista de moê-la e transformá-la em salsicha: ou reciclamos as projeções românticas em algum novo (e duvidoso) feitiço encantatório das nossas narrativas nacionais, ou tiramos os índios do alheamento passadista a que sempre foram condenados e os reconhecemos como uma aposta sincera no futuro; num futuro não apenas deles, como também não apenas nosso, mas num futuro de diálogo, para além do alheamento, no qual eles também são, necessariamente, sujeitos de fala ― não “eles” a pessoa x ou y, ou a “representação” w ou z, mas, ainda mais radicalmente, as suas visões de mundo. A primeira alternativa, a da reciclagem das projeções românticas, sempre foi aquela imediatamente sedutora, e, com ela, chega-se até mesmo a lançar mão de alegados exotéricos. A segunda, por sua vez, é a que reclama uma reflexão antiutilitária, mas estratégica, que talvez seja exatamente aquilo pelo qual muitos de nós, antropólogos, trabalhamos.

Em 1952, num texto escrito para a Unesco, Lévi-Strauss defendia que as sociedades só sobrevivem porque aprendem umas com as outras. Uma sociedade que se isola na certeza das suas verdades fenece diante dos problemas para os quais sua visão de mundo não alcança soluções. As “soluções” de grande alcance, portanto, não são meramente tecnológicas, mas conceituais. São as ideias que dimensionam a técnica e que dão uso às ferramentas, ou, segundo a fórmula famosa do epistemólogo Georges Canguilhem: o microscópio não é a extensão da vista, mas a extensão da inteligência. Sem o conceito de micro-organismo, o que se veria pelas lentes de um microscópio seria apenas um conto de fadas.

Evidentemente que as tecnologias ajudam, mas o que está sempre por detrás delas são as ideias. De pouco adiantaria, para a expansão europeia dos séculos XV e XVI, o astrolábio que os europeus aprenderam dos árabes, se alguns deles não dispusessem do novo e herético conceito de uma Terra redonda. Descobrir a América, nesse sentido, foi a consagração de uma grande heresia, frente a uma doxa tão potente à sua época quanto os mitos econômicos atuais e suas leis inquestionáveis. E as coisas não pararam por aí, evidentemente, porque, como também nos lembrava Lévi-Strauss, isso é a história, e os europeus, casualmente, não se encontravam na situação dos Mayas em torno do ano 1.000, quando, orgulhosos e isolados, viram suas opulentas cidades colapsarem por conta de uma crise ecológica, por eles mesmo provocada, e para a qual nem o refinamento do conhecimento dos seus astrônomos e sacerdotes tinha uma solução a dar.
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Ainda assim, um milênio após o fim do período Maya Clássico, o muralista Diego Rivera pintaria em uma das paredes do Palácio Nacional do México a lista do que a tradição ameríndia mexicana havia legado ao mundo: uma lista de cultivos alimentares que, além de cacau, tomate e feijão, é encabeçada, evidentemente, pelo milho, cuja notável diversidade genética dos cultivares meso-americanos a Monsanto está tratando hoje de eliminar, por meio de seu milho transgênico com patente “made in USA”. Não apenas o milho, mas sobretudo a batata, levada dos Andes pelos europeus, produzem muito mais calorias por hectare plantado que o trigo, nascido na Mesopotâmia e levado para a Europa. O cultivo desse tubérculo, rapidamente estimulado e expandido no Velho Continente, foi responsável por eliminar a fome endêmica e medieval da Europa, e constituir a base demográfica sem a qual a Revolução Industrial não teria sido possível e, com ela, a nossa arrogante modernidade.Por trás da domesticação dos tubérculos nos Andes há um enorme conjunto de ideias sobre como a mãe-terra gera seus frutos, como o trabalho comum os recolhe, como eles podem ser acumulados e conservados, e como devem ser distribuídos. À época da Conquista, os indígenas dos Andes eram muitíssimo mais bem nutridos e saudáveis que os europeus. Diante dessa diferença evidente, estes últimos aproveitaram apenas um produto específico, o que, para eles, já foi muito. Há quem acredite que o socialismo e o Estado do bem-estar social teriam sido inventados alguns séculos antes se os europeus, além das batatas, tivessem levado as ideias.

Apostar nos índios, e portanto na diversidade cultural, como nosso futuro comum de não-alheamento, não significa meramente apostar que a erva de algum pajé possa trazer a cura para o câncer. Expor nossas ideias ao contato com outras visões de mundo pode nos curar de coisas muito piores: nossos próprios e mesquinhos limites.

Quando comentávamos antes que o militantismo ecologista, ao trazer intuitivamente os índios à baila, acabou descuidando do que eles poderiam pensar a respeito da “nossa” natureza ― apenas para servirem ao que nós continuamos a pensar dela e da sua “preservação” enquanto objeto ―, sugeríamos também que a recusa, por parte dos índios, à sumária objetificação dessa “natureza” corresponde ao reconhecimento dela, por eles, como sujeito de uma relação. Conceitos como animismo, perspectivismo e multinaturalismo (por oposição a multiculturalismo) vêm sendo testados pelos antropólogos para descrever o sentido da socialidade indígena na Amazônia e a sua maneira de reconhecer os agentes das relações. Esse fenômeno, no entanto ― como tentamos demonstrar em nossas pesquisas nos Andes ―, pode, na realidade, se constituir como um traço ameríndio generalizado, continental. E o que ele desafia não é apenas a nossa forma de relação com uma “natureza” dada, mas sim a forma como nós a conceituamos, para, em seguida, nos sentirmos à vontade para subjugá-la, a partir de uma relação sujeito-objeto em que a extensão do uso e da posse (a simples destruição incluída) se define pelos casuísmos de uma racionalidade instrumental.

Se aquele tipo de perspectiva sobre a socialidade tem uma incidência efetivamente ameríndia, continental, e se a dimensão do seu desafio pode e deve ser posta em larga escala, então quem nos manda o recado político é o movimento indígena equatoriano, que inspirou em boa medida a elaboração da última Constituição do país, referendada em 2008. Nela, pela primeira vez no mundo, a Natureza foi reconhecida como sujeito jurídico de direito, para que em seu nome e da sua integridade, seja defendida como parte interessada em qualquer ação judicial visando garantir sua “existência, manutenção e regeneração de seus ciclos vitais, estrutura, funções e processos evolutivos” (Art. 71). Talvez seja ocioso se prender a emblemas ou ressentimentos étnicos: se essa Natureza corresponde tão somente, ou não, à Pachamama, a mãe-terra dos andinos, tal como explicitamente a nomeia o mesmo artigo 71… Estamos, antes, em um terreno de fecundas heterogeneidades discursivas, no terreno do desafio das ideias. E é aí que se fazem as grandes apostas no futuro, porque é isso que, para o bem ou para o mal, com a lista de Diego Rivera e muitas outras, e também com toda a precariedade das experiências, constituiu o Novo Mundo.

O desafio posto pelo pensamento ameríndio de reconhecer a socialidade como espaço de interação necessária de muitos sujeitos, que faz o mundo girar não por conta de alguma hierarquia natural ou do imperativo de marcas de origem que definem privilégios, mas por conta das diferentes maneiras de vê-lo e de tecer acordos, nos sugere que viver em não-alheamento significa reconhecer que o Outro é, inescapavelmente, parte de qualquer consideração que se faça sobre si mesmo. Como já o enunciava, bela e sinteticamente, o professor Eduardo Viveiros de Castro, “para os ameríndios, o Outro não é apenas pensável, ele é indispensável”. Talvez não tenhamos lição melhor, para começarmos a repensar seriamente o que possamos entender por cidadania, em um contexto flagrado por iniquidades; um contexto que não será reformado se se insistir apenas no polo da objetificação alheadora, no fetiche da mercadoria e, em último termo, na dispensabilidade dos outros.

Não se trata de opor um fantasioso “espiritualismo” indígena a um materialismo ocidental “realista”. Trata-se de desafiar um certo regime de socialidade (o nosso, ocidental e moderno) com outras ideias, disposições e possibilidades. Algumas delas é bem provável que até já tenhamos aprendido inconscientemente, ao longo de nossa história cultural, afinal o território mais largo da cultura, a parte submersa desse iceberg, é, como também dizia Lévi-Strauss, esse inconsciente. Os índios que os portugueses aqui encontraram, com quem conviveram e que permanecem no (apenas aparente) subterrâneo das nossas mestiçagens, não legaram aos brasileiros de hoje simplesmente tapioca, rede de dormir e outras coisas. Legaram-nos também um modo de nos relacionarmos quotidianamente, que, muito diferente dos europeus, não parte do princípio do reconhecimento do lugar social e pertencimento de alguém sempre e necessariamente pelas suas marcas de origem ― algo que tanto prezam nossas elites senhoriais, que se querem mais “europeias”. Se os brasileiros aprenderam a se abrir cordialmente aos outros, digeri-los e abrasileirá-los como parte de um nós possível (ainda que muitas vezes perverso e hierárquico ― mas a hierarquia não é, com certeza, um legado indígena), isso seguramente não foi aprendido dos europeus.

E se se trata ainda de desafiar um certo regime de socialidade com outras ideias, disposições e possibilidades, então, levar a sério o não-alheamento diante da diversidade significa garantir aos muitos da cidadania um lugar ativo, ouvi-los mais detidamente e deixar-se desafiar pela possibilidade da invenção, pela potencial complicação do que parece já estar dado pelas nossas formas institucionais, recusando a simples tentação de domesticá-los às formas prévias, a uns quantos programas assistenciais, quotas e representações de fachada. Afinal de contas, o que é, por exemplo, o ideal político do “Buen Vivir” (ou, em quéchua, “Sumaq Kausay”), alentado pelas novas disposições constitucionais do Equador e da Bolívia, senão uma enorme complicação para a planura desenvolvimentista; uma complicação ainda a reclamar um ou vários Amartya Sen para lhe inventar indicadores por agora imponderáveis? Mas, e o que é também o ideal político do “Buen Vivir” senão um desafio em nome da “imanência da suficiência”, dos índios, contra a voraz e predatória “transcendência da necessidade”, do Ocidente capitalista, de que nos falava Eduardo Viveiros de Castro [1]?

Talvez seja também preciso dizer que encarar seriamente a opção do não-alheamento significa, com bastante probabilidade, molestar alguns lugares comuns tidos hoje como “politicamente corretos”, e que são aqueles tributários do multiculturalismo neoliberal, quais sejam, suas obsessões com fronteiras bem acabadas, identidades amuralhadas e os contratos de patrimonialização. Os verdadeiros diálogos não se realizam sobre a prévia domesticação dos seus termos por gramáticas unilaterais ― ou uma pretensa universalidade habermasiana. Eles não são uma mera exibição de emblemas, para marcar posição dentro de um mercado contratualista ― ou uma economia contratualista da alteridade. Os verdadeiros diálogos são aqueles em que nos “contaminamos” e nos arriscamos com as razões de ser dos outros. Os pós-estruturalistas talvez tenham nisso razão ao usarem o termo “devir”.

A Constituição brasileira de 88 consagrou os direitos coletivos indígenas como base positiva do direito à reprodução cultural. Sequestrar os primeiros é também sequestrar este último. O que perdemos todos com isso é mais do que uma diversidade meramente nominal, a diversidade passiva do multiculturalismo objetificador. Estaremos perdendo possibilidades de cidadania. E estaremos perdendo possibilidades de futuro. Pois é aí, e não num passado romântico ou instrumentalmente ecológico, que os índios deveriam sobretudo ser vistos.

[1] http://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-isa/o-brasil-e-grande-mas-o-mundo-e-pequeno

Blessed Are the Climate Advocates (Slate)

The Vatican and United Nations present the beatitudes of a new movement.

U.N. Secretary-General Ban Ki-moon after a press conference during the a climate change conference organized by the Pontifical Academy of Sciences at the Vatican on April 28, 2015

U.N. Secretary-General Ban Ki-moon after a press conference during a climate change meeting organized by the Pontifical Academy of Sciences at the Vatican on April 28, 2015. Photo by Alberto Pizzoli/AFP/Getty Images

This week, while at Vatican City in Rome to manage press for the first-ever meeting on climate change between Pope Francis and United Nations Secretary-General Ban Ki-moon, my faith in a force more powerful was renewed. I am not religious, despite being descended from a long line of Amish and Mennonite preachers. But at the climate confab, I became a believer again. And I wasn’t alone.

It wasn’t my faith in God that was renewed at the Vatican but rather a faith in our ability to get something done on climate change. And as an American, whose Congress isn’t even close to acting aggressively or quickly enough on climate change, that’s saying something. Even the Pope’s and the U.N.’s top policy officials were clearly inspired by the event, which was hosted by the Vatican’s Pontifical Academy of Sciences. Throughout the day I witnessed multiple about-faces of previously cynical staff rapidly turning toward optimism.

This Vatican moment was a game-changer. Science and religion were forcefully and unwaveringly aligning. Tuesday’s high-level session brought together multiple presidents, CEOs, academics, scientists, and all the major religions, and ended with this final, forceful statement. The event was a prelude to the Pope’s summer encyclical on climate change, and it laid a solid foundation.

But more importantly—and this is why it instilled faith in many of us—the meeting featured some of the strongest words yet from the Vatican’s Cardinal Peter Turkson, the Pope’s right-hand policy man and the drafter of the first round of what will eventually be the Pope’s climate encyclical, and from the U.N.’s Ban Ki-moon.

Beyond the expected shout-outs to the upcoming climate talks in Paris later this year and to the need for a strong Green Climate Fund, which will assist developing countries in climate adaptation, the U.N.’s Ban noted in no uncertain terms how “morally indefensible” it would be to allow a temperature rise of 4 to 5 degrees Celsius, calling on everyone to reduce their individual carbon footprint and thoughtless consumption. His pitch was more pointed than I had heard before. One of the leading rabbis, Rabbi David Rosen, took it one step further, calling out meat-intensive diets as completely unsustainable given their massive contribution to greenhouse gas emissions.

The Vatican’s Turkson, meanwhile, pulled out all the stops, saying that “a crime against the natural world is a sin,” and “to cause species to become extinct and to destroy the biological diversity of God’s creation … are sins.” Turkson warned about how quickly we are degrading the planet’s integrity, stripping its forests, destroying its wetlands, and contaminating its waters, land, and air.

These declarations were not soft, feel-good, and vague speeches by politicos keen to be perceived as leading on the most urgent issue facing humanity. These were unequivocal, unwavering statements: “Decision mitigation is a moral and religious imperative for humanity” and the “summit in Paris may be the last effective opportunity” to keep the planet safe.

U.N. Secretary-General Ban Ki-moon gives a speech during the climate change conference at the Vatican on April 28, 2015

U.N. Secretary-General Ban Ki-moon gives a speech during the climate change conference at the Vatican on April 28, 2015. Photo by Alberto Pizzoli/AFP/Getty Images

The leaders of the conference were undeterred by the hecklers who crept onto the Vatican campus. Marc Morano, for example, who is associated with the climate-skeptical Heartland Institute, snuck into the Vatican and attempted, to no avail, to disrupt the press briefing with the U.N. secretary-general while Ban was reporting on his meeting with the Pope. Morano’s account of what happened, that he was maliciously shut down after offering a benign question, misrepresents reality. Standing beside him, I can attest to what was instead a hijacking of protocol and the microphone. He said a few words about “global warming skeptics coming to talk” but coming to disrupt would be more accurate. He interrupted the secretary-general and the moderator, and was later escorted from the premises by Vatican officials.

What’s troubling about moments like this is that they work. The U.S. media reporting from the Vatican meeting felt compelled to give Morano critical space in their stories. It’s not just that he was an unexpected and therefore newsworthy interruption—giving his “side” is part of American broadcast media’s history of false balance even when there are not two legitimate sides of a story to balance. To be clear, the verdict is not still out on climate change. There’s overwhelming consensus when it comes to the science behind global warming, yet some media outlets (fewer all the time, fortunately) continue to give voice to the small percent that disagrees. Standing beside Morano, surrounded by representatives of the most powerful institutions in the world, it was quite clear to me that the Heartland Institute, though well funded by the Koch brothers, is ineffectually extreme and ultimately a minority player in society’s overall push toward climate progress.

In many ways, the Heartland emissaries proved, through their apoplectic protest, how peripheral they were to the whole process. There was no need for anyone to fight them in that moment; the majority opinion, the moral call to act on climate, was already winning the day. The global response to our conversation at the Vatican has been unequivocally positive, with every major outlet in the Western world covering the talks favorably.

As we left Vatican City this week—which is carbon-neutral thanks to solar power—there was a palpable sense that history was made within the walls of Casina Pio IV where our deliberations took place. This was no typical conference. This was a Sermon on the Mount moment, wherein the beatitudes of a new era were laid down. And we left as disciples, renewed in our faith that we must and will act in time to save humanity from itself—an agenda that would be a worthy legacy of the Pope’s Jesus.

Conservative think tank seeks to change Pope Francis’s mind on climate change (The Guardian)

Heartland Institute wants to lobby Vatican before pope delivers a moral call to climate action this summer

pope francis vatican

Pope Francis’s encyclical on the environment and moral duty is expected to be released this summer followed by a meeting with the United Nations. Photograph: Massimo Valicchia/Demotix/Corbis

A US activist group that has received funding from energy companies and the foundation controlled by conservative activist Charles Koch is trying to persuade the Vatican that “there is no global warming crisis” ahead of an environmental statement by Pope Francis this summer that is expected to call for strong action to combat climate change.

The Heartland Institute, a Chicago-based conservative thinktank that seeks to discredit established science on climate change, said it was sending a team of climate scientists to Rome “to inform Pope Francis of the truth about climate science”.

“Though Pope Francis’s heart is surely in the right place, he would do his flock and the world a disservice by putting his moral authority behind the United Nations’ unscientific agenda on the climate,” Joseph Bast, Heartland’s president, said in a statement.

Jim Lakely, a Heartland spokesman, said the thinktank was “working on” securing a meeting with the Vatican. “I think Catholics should examine the evidence for themselves, and understand that the Holy Father is an authority on spiritual matters, not scientific ones,” he said.

A 2013 survey of thousands of peer-reviewed papers in scientific journals found that 97.1% agreed that climate change is caused by human activity.

The lobbying push underlines the sensitivity surrounding Pope Francis’s highly anticipated encyclical on the environment, whose aim will be to frame the climate change issue as a moral imperative.

While it is not yet clear exactly what the encyclical will say, Pope Francis has been an outspoken advocate for action on the issue. In a speech in March, Cardinal Peter Turkson, who has played a key role in drafting the document, said Pope Francis was not attempting a “greening of the church”, but instead would emphasise that “for the Christian, to care for God’s ongoing work of creation is a duty, irrespective of the causes of climate change”.

The encyclical is expected to be released in June or July, and Pope Francis is expected to use a planned address before the United Nations in September to discuss the statement.

Any push by the Vatican on climate change could prove politically challenging for conservative Catholic lawmakers in the US who have denied the veracity of climate change science and fought against regulations to curb greenhouse gas emissions, including the Republican speaker of the House of Representatives, John Boehner.

The American Petroleum Institute, the biggest lobby group representing oil companies in Washington, declined to respond directly to questions from the Guardian about whether it was lobbying the Vatican on the issue.

But – in a sign of how energy groups and those who oppose greenhouse gas regulations are framing their argument to the Vatican – it said that “fossil fuels are a a vital tool for lifting people out of poverty around the world, which is something we’re committed to”.

Heartland has also targeted its argument to appeal to the pope’s views on poverty. It said in a press release that the world’s poor would “suffer horribly if reliable energy – the engine of prosperity and a better life – is made more expensive and less reliable by the decree of global planners”.

The group’s trip to Rome is designed to coincide with a workshop hosted by the Pontifical Academy of Sciences on Tuesday called Protect the Earth, Dignify Humanity, which will feature speeches by Ban Ki-moon, UN secretary-general, and Columbia University economist Jeffrey Sachs.

The Vatican declined to comment.

The Heartland Institute says it is a non-profit organisation that seeks to promote “free-market solutions” to social and economic problems. It does not disclose its donors, but says on its website that it has received a single donation of $25,000 in 2012 from the Charles G Koch Foundation, which was for the group’s work on health care policy. Charles Koch is the billionaire co-owner of Koch Industries, an oil refining and chemicals group, and is a major donor to Republicans causes and politicians.

Heartland said contributions from oil and tobacco groups have never amounted to more than 5% of its income.

Júri indígena em Roraima absolve réu de tentativa de homicídio (G1)

24/04/2015 09h56 – Atualizado em 24/04/2015 12h18

Emily Costa – Do G1 RR

Júri ocorreu no Malocão da Demarcação, no interior da Raposa Serra do Sol, Nordeste de Roraima (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

Júri ocorreu no Malocão da Demarcação, no interior da Raposa Serra do Sol, Nordeste de Roraima (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

Debaixo das 18 mil palhas de buriti do Malocão da Homologação, no interior da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, o primeiro júri popular indígena do Brasil absolveu um réu acusado de tentativa de homicídio e condenou o outro réu do processo por lesão corporal leve. Os dois, que são irmãos e indígenas, foram acusados de atacar um terceiro índio. O julgamento, que durou mais de 13 horas, ocorreu nesta quinta-feira (23) e teve a presença de cerca de 200 pessoas, conforme estimativa da Polícia Militar. O Ministério Público de Roraima (MPRR) informou que vai recorrer da decisão.

Os réus do processo, Elsio e Valdemir da Silva Lopes foram acusados de tentar matar Antônio Alvino Pereira. Os três, que são da etnia Macuxi, se envolveram em uma briga no município de Uiramutã, na Raposa Serra do Sol, na tarde do dia 23 de janeiro de 2013. Durante a confusão, Elsio e Valdemir cortaram o pescoço e o braço de Antônio, respectivamente. Após a briga, os irmãos alegaram legítima defesa contra Antônio e afirmaram que a vítima estava dominada pela entidade indígena Canaimé. À época, eles foram presos em flagrante e ficaram detidos por 10 dias na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista.

Réus são irmãos da etnia Macuxi; eles não quiseram conceder entrevistas à imprensa (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

Réus são irmãos da etnia Macuxi; eles não quiseram conceder entrevistas à imprensa (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

Durante o júri, o chamado Conselho de Sentença, formado apenas por índios da própria reserva, considerou a culpa de Elsio e admitiu que ele teve a intenção de matar Antônio. Contudo, o absolveu pela tentativa de homicídio. Valdemir, em contrapartida, foi condenado, mas teve a culpa por lesão corporal grave atenuada para lesão corporal simples. Com isso, ele foi sentenciado a cumprir pena de três meses de pena no regime aberto, podendo ainda recorrer da decisão em liberdade.

Ao todo, dentre réus e vítima, 10 testemunhas foram ouvidas no caso. Todas elas prestaram depoimento ao júri formado por quatro homens e três mulheres das etnias Macuxi, Ingaricó, Patamona e Taurepang. Dentre eles, o filho da vítima, o proprietário do bar onde ocorreu a tentativa de homicídio e o homem que, segundo os réus, teria dito que a vítima estava sob influência do Canaimé.

Ao G1, o juiz responsável pelo caso, Aluizio Ferreira, se limitou a dizer que a “decisão do júri é soberana e tem que ser acatada”. Ele frisou que o júri foi válido, legal e realizado conforme prevê a Constituição Federal e o Código Penal.

Indígenas acompanharam a realização do júri popular indígena na Raposa Serra do Sol, no Nordeste de Roraima (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

Indígenas acompanharam a realização do júri popular indígena na Raposa Serra do Sol, no Nordeste de Roraima (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

“Foi uma forma muito peculiar de tentar resolver um conflito, foi diferenciado e é algo que deve, no meu entender ser reproduzido. Obviamente, isso depende do Poder Judiciário e dos meus pares, mas eu considero que esse júri provoca reflexão”, alegou.

Os réus e a vítima não quiseram conceder entrevistas à imprensa.

Defesa comemorou a sentença

O defensor público estadual José João e a advogada Thais Lutterbak, que defenderam Valdemir e Elsio, respectivamente, consideraram o resultado do júri como ‘positivo’, apesar da condenação de um dos réus.

“Na verdade, a tese da defesa foi vitoriosa, porque nós afirmamos que o Valdemir não cometeu o crime de lesão corporal grave, conforme a acusação alegava. O júri entendeu que houve uma lesão corporal leve, a qual depende de representação por parte da vítima, o que já prescreveu”, afirmou José João.

Segundo o defensor, para que haja punição no caso, a vítima teria que ter feito uma representação contra o agressor. Entretanto, o prazo para fazê-la é de seis meses depois de saber quem é o autor do fato, o que já teria transcorrido, conforme José João.

Questionada sobre a tese de legítima defesa contra a ação do Canaimé, Thaís, advogada do réu absolvido, reiterou que a ação dele foi confessada, mas justificada sob a ameaça da entidade indígena.

Defesa comemorou veredicto; defensor considera que na prática os dois réus foram absolvidos  (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

Defesa comemorou veredicto; defensor considera que na prática os dois réus foram absolvidos (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

“A defesa nunca negou a autoria e a materialidade do fato. Então, o júri entendeu que houve um contexto que justificava o cometimento do delito. É claro que não estamos dizendo que a vítima é um canaimé, mas sim que houve um contexto que fundamentou a atuação dos réus”, alegou.

Durante o júri, Valdemir alegou em depoimento que o crime aconteceu pois ele e seu o irmão estavam se defendendo contra do Canaimé. Por sua vez, Elsio confessou aos jurados que golpeou o pescoço da vítima com uma faca de “cortar laranja”.

MP alega ilegalidade do júri

Desde o início do julgamento, os promotores do MPRR, Diego Oquendo e Carlos Paixão, alegaram que o júri é passível de ser anulado, pois a seleção do corpo de jurados formado unicamente por índios exclui pessoas pertencentes a outras etnias da sociedade, o que vai contra o artigo 436 do Código de Processo Penal.

“Se um morador de uma favela do Rio de Janeiro comete um crime, ele vai ser julgado apenas por membros dessa comunidade? Não. Então, porque isso deveria ocorrer em uma comunidade indígena?”, questionou Paixão durante coletiva de imprensa.

Sobre a decisão final do júri, Paixão e Oquendo afirmaram que a setença é contrária às provas do processo, onde ficou claro que houve a lesão corporal grave por parte do réu absolvido. Eles atribuíram a absolvição dele a não compreensão dos jurados sobre os questionamentos feitos no julgamento.

Durante o tribunal do júri popular, é procedimento que após os debates, o juiz apresente uma séria de perguntas simples aos jurados, chamadas de quesitação, onde ele questiona sobre o crime. A essas perguntas, os jurados devem responder ‘sim’ ou ‘não’.

Às perguntas iniciais sobre Elsio, o júri respondeu que houve a tentativa de homcídio e atribuiu a culpa a ele, mas, apesar disso, decidiu absolvê-lo. Por isso, o promotor Carlos Paixão, considerou a decisão ‘juridicamente legal, mas desconexa’.

“Olha só a incongruência: o fulano sofreu a lesão? Sim. O beltrano produziu a lesão? Sim. Ele quis matar? Sim. Daí vem o quesito ‘você o absolve? Sim'”, argumentou, acrescentando que o Ministério Público recorrerá de sentença dentro do prazo de cinco dias.

No sentido horário: líder indígena Zedoeli Alexandre e o juiz de direito responsável pelo caso, Aluizio Ferreira; eles concederam entrevista coletiva antes do início do júri (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

No sentido horário: líder indígena Zedoeli Alexandre e o juiz de direito responsável pelo caso, Aluizio Ferreira; eles concederam entrevista coletiva antes do início do júri (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

‘É brutal’, diz líder indígena sobre julgamento
Ao G1, o coordenador regional da região das serras, Zedoeli Alexandre, avaliou o julgamento dos ‘brancos’ como brutal. Apesar disso, de acordo com ele, a ação muda a forma como os indígenas lidarão com os conflitos a partir da realização do júri.

“Chegamos ao nosso objetivo de nos ajudar a resolver os nossos problemas. Entretanto, ficou marcada a forma como os brancos realizam um julgamento. É brutal e muito diferente da nossa forma, mais respeitosa e educativa de julgar”, esclareceu Zedoeli.

Sobre o envolvimento do Canaimé no caso, Zedoeli garantiu que a referência à entidade no processo não deixou os jurados nervosos. “Não temos como afirmar o envolvimento do Canaimé, afinal ele faz parte da cultura indígena tradicional. Não temos como dizer que foi ele, ou não. Então, acredito que tudo foi esclarecido e estamos tranquilos com o término do julgamento”, afirmou.

*   *   *

Em júri indígena de RR, réu alega legítima defesa contra espírito (G1)

23/04/2015 22h56 – Atualizado em 23/04/2015 23h08

Inaê Brandão e Emily CostaDo G1 RR

Maturuca, Raposa Serra do Sol (Foto: RCCaleffi/Coordcom/UFRR)

Comunidade Maturuca, na Raposa Serra do Sol (Foto: RCCaleffi/Coordcom/UFRR)

Valdemir da Silva Lopes, um dos indígenas acusado de tentar matar outro índio em janeiro de 2013, no município de Uiramutã, Nordeste de Roraima, alegou durante seu depoimento no júri popular indígena que ocorre nesta quinta-feira (23) que o crime aconteceu pois ele e seu irmão, Elsio da Silva Lopes, estavam se defendendo contra um espírito malígno denominado ‘Canaimé’. Elsio, que também é réu no caso, confessou aos jurados que golpeou o pescoço da vítima com uma faca de “cortar laranja”.

O júri começou na manhã desta quinta na comunidade Maturuca, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, localizada no município onde ocorreu o crime, e não tem previsão para ser encerrado. Segundo o Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), o julgamento é inédito no Brasil, pois ocorre em área indígena e o júri é composto exclusivamente por índios.

Desde que o caso chegou a público, a defesa afirmou que o crime foi motivado pela crença dos réus de que a vítima, Antônio Alvino Pereira, estava ‘dominada’ pelo espírito da entidade malígna ‘Canaimé’. O júri, que aconteceu de forma tranquila pela manhã, ficou tenso durante o depoimento de Elsio.

Ao ser perguntado por qual motivo desferiu um golpe de faca contra a vítima, Elsio respondeu que o fez “porque foi ameaçado”. O promotor do caso, Diego Oquendo, questionou Elsio sobre a tese do ‘Canaimé’. O réu foi orientado por seu advogado a não responder mais perguntas. Diante disso, a promotoria se recusou a fazer novos questionamentos e o depoimento de Elsio foi encerrado.

Durante a oitiva do segundo réu, Valdemir da Silva Lopes, ele esclareceu que estava com o seu irmão e um terceiro homem, que é testemunha ocular do fato, no bar onde o crime ocorreu. Ele afirmou que a vítima chegou “puxando conversa” e que a mesma mantinha uma “postura agressiva”. No depoimento, Valdemir afirmou que a vítima havia dito ao terceiro homem que “matava crianças”, o que teria gerado desconfiança nos irmãos.

Valdemir relatou ainda durante o depoimento que cerca de um mês antes da tentativa de homícidio, um líder indígena e uma criança haviam sido assassinados pelo ‘Canaimé’, pois, segundo ele, tinham marcas no pescoço e folhas na garganta, algo característico da entidade, conforme a crença dos indígenas.

Diante da informação do homem que Antônio Pereira seria um assassino, os irmãos concluíram que a vítima estava ‘dominada’ pelo espírito maligno e o atacaram com uma faca.

Encerrado o depoimento dos réus, o júri seguiu com os debates do Ministério Público de Roraima e da defesa dos acusados da tentativa de homícidio.

Canaimé
Segundo a antropóloga Leda Leitão Martins, o ‘Canaimé’ é um ser maligno. “É uma entidade muito poderosa que tem corpo físico e pode viajar longas distâncias. Uma pessoa pode ser ou pode virar o Canaimé. Ninguém conhece um Canaimé. Ou você é ele ou você é vítima dele”, explicou.

Julgamento
A tentativa de homicídio que está em júri popular aconteceu no 23 de janeiro de 2013, em um bar no município de Uiramutã.

Trinta indígenas, sendo 5 suplentes, das etnias Macuxi, Ingaricó, Patamona e Taurepang foram escolhidos para participar do júri e na manhã desta quinta, 7 foram sorteados para compor o quadro de jurados.

Segundo o juíz responsável pelo caso, Aluizio Ferreira, os líderes indígenas da região se reuniram em assembleia e optaram juntos pelo júri popular. “Em dezembro do ano passado, pelo menos 270 deles foram favoráveis à audiência. Então, a realização do júri é resultado de uma escolha coletiva, não é etnocentrismo ou imposição”.

Pesquisa revela poder da energia liberada pelas mãos (RAC)

Energia liberada pelas mãos consegue curar malefícios, afirma pesquisa da USP

25/11/2011 – 08h58 . Gazeta de Ribeirão

A missionária Marta Brisa transmite as técnicas de Johrei em Ana Paula Politi
(Foto: Lucas Mamede/Da Gazeta de Ribeirão)

Um estudo desenvolvido recentemente pela USP (Universidade de São Paulo), em conjunto com a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), comprova que a energia liberada pelas mãos tem o poder de curar qualquer tipo de mal estar. O trabalho foi elaborado devido às técnicas manuais já conhecidas na sociedade, caso do Johrei, utilizada pela igreja Messiânica do Brasil e ao mesmo tempo semelhante à de religiões como o espiritismo, que pratica o chamado “passe”.

Todo o processo de desenvolvimento dessa pesquisa nasceu em 2000, como tema de mestrado do pesquisador Ricardo Monezi, na Faculdade de Medicina da USP. Ele teve a iniciativa de investigar quais seriam os possíveis efeitos da prática de imposição das mãos. “Este interesse veio de uma vivência própria, onde o Reiki (técnica) já havia me ajudado, na adolescência, a sair de uma crise de depressão”, afirmou Monezi, que hoje é pesquisador da Unifesp.

Segundo o cientista, durante seu mestrado foram investigado os efeitos da imposição em camundongos, nos quais foi possível observar um notável ganho de potencial das células de defesa contra células que ficam os tumores. “Agora, no meu doutorado que está sendo finalizado na Unifesp, estudamos não apenas os efeitos fisiológicos, mas também os psicológicos”, completou.

A constatação no estudo de que a imposição de mãos libera energia capaz de produzir bem-estar foi possível porque a ciência atual ainda não possui uma precisão exata sobre esse efeitos. “A ciência chama estas energias de ‘energias sutis’, e também considera que o espaço onde elas estão inseridas esteja próximo às frequências eletromagnéticas de baixo nível”, explicou.

As sensações proporcionadas por essas práticas analisadas por Monezi foram a redução da percepção de tensão, do stress e de sintomas relacionados a ansiedade e depressão. “O interessante é que este tipo de imposição oferece a sensação de relaxamento e plenitude. E além de garantir mais energia e disposição.”

Neste estudo do mestrado foram utilizados 60 ratos. Já no doutorado foram avaliados 44 idosos com queixas de stress.
O processo de desenvolvimento para realizar este doutorado foi finalizado no primeiro semestre deste ano. Mas a Unifesp está prestes a iniciar novas investigações a respeito dos efeitos do Reiki e práticas semelhantes a partir de abril do ano que vem.

Climate denial is immoral, says head of US Episcopal church (The Guardian)

Climate change is a moral challenge threatening the rights of the world’s poorest people and those who deny it are not using God’s gift of knowledge, says presiding bishop Katharine Jefferts Schori

Episcopal Presiding Bishop Katharine Jefferts Schori

Episcopal presiding bishop Katharine Jefferts Schori has called climate denial a ‘blind’ position. Photograph: Ed Ou/AP

The highest ranking woman in the Anglican communion has said climate denial is a “blind” and immoral position which rejects God’s gift of knowledge.

Katharine Jefferts Schori, presiding bishop of the Episcopal church and one of the most powerful women in Christianity, said that climate change was a moral imperative akin to that of the civil rights movement. She said it was already a threat to the livelihoods and survival of people in the developing world.

“It is in that sense much like the civil rights movement in this country where we are attending to the rights of all people and the rights of the earth to continue to be a flourishing place,” Bishop Jefferts Schori said in an interview with the Guardian. “It is certainly a moral issue in terms of the impacts on the poorest and most vulnerable around the world already.”

In the same context, Jefferts Schori attached moral implications to climate denial, suggesting those who reject the underlying science of climate change were turning their backs on God’s gift of knowledge.

“Episcopalians understand the life of the mind is a gift of God and to deny the best of current knowledge is not using the gifts God has given you,” she said. “In that sense, yes, it could be understood as a moral issue.”

She went on: “I think it is a very blind position. I think it is a refusal to use the best of human knowledge, which is ultimately a gift of God.”

The sense of urgency around the issue has been deepened by Pope Francis forceful statements on global warming, which he is expected to amplify in a papal encyclical in June and during an address to the US Congress in September.

The Episcopalian church will host a webcast on 24 March to kick off a month-long action campaign designed to encourage church members to reduce their own carbon footprints and lobby government and international corporations to fight climate change.

An oceanographer before she was ordained at the age of 40, Bishop Jefferts Schori said she hoped to use her visibility as a church leader to help drive action on climate change.

As presiding bishop, she oversees 2.5m members of the Episcopal church in 17 countries, and is arguably one of the most prominent women in Christianity. The two largest denominations in the US, Roman Catholics and Southern Baptists, do not ordain women.

“I really hope to motivate average Episcopalians to see the severity of this issue, the morality of this issue,” she said. “Turning the ship in another direction requires the consolidated efforts of many people who are moving in the same direction.”

She acknowledged that the challenge was deepened by the strain of climate denial in American politics, and by continued resistance to science in American classrooms.

“It’s hard work when you have a climate denier who will not see the reality of scientific truth,” she said.

However, she, like a number of church leaders, said they had seen an uptick in climate activism in recent months, spurred by the pope’s comments last January, and the conjunction later this year of United Nations conferences on development and climate change.

Evangelical churches – once seen as a conservative force – were now taking up the climate cause, largely because of growing awareness of its threat to the poor.

“One of the significant changes in particular has been the growing awareness and activism among the evangelical community who at least somewhat in the more distant past refused to encounter this issue, refused to deal with it,” Jeffers Schori said. “The major evangelical groups in this country have been much more forward in addressing this issue because they understand that it impacts the poor.”

A number of denominations have also joined the growing fossil fuel divestment movement which is encouraging organisations to move their investments out of coal, oil and gas companies. The United Methodist church, the third largest denomination, dumped coal companies from its pension fund.

The Unitarian church and the United church of Christ have also voted to divest, according to Reverent Fletcher Harper of Green Faith. And the World Council of Churches has pledged not to invest in fossil fuels. A number of individual congregations have also divested from fossil fuels.

The Guardian launched a campaign on Monday to encourage the Bill and Melinda Gates Foundation and the Wellcome Trust to divest from fossil fuels.

The Episcopal church has also come under pressure to withdraw its fossil fuel holdings. A number of diocese are pressing for divestment, and will bring the issue to a vote at the church’s annual convention this summer.

Jefferts Schori opposes fossil fuel divestment. “If you divest you lose any direct ability to influence the course of a corporation’s behavior,” she said. “I think most pragmatists realise that we can’t close the spigot on the oil wells and close the coal mines immediately without some other energy source to shift to.”

Médicos pesquisam influência do ‘passe’ espírita para tratar a ansiedade (G1)

14/03/2015 08h00 – Atualizado em 14/03/2015 08h00

Pesquisa da Unesp estuda união entre tratamento espiritual e médico. Trabalho é realizado por médicos da Associação Espírita de Botucatu (SP).

Do G1 Bauru e Marília

Passe simples sendo aplicado pelo grupo mediúnico (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Passe simples sendo aplicado pelo grupo mediúnico (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Um grupo de oito médicos da Associação Espírita de Médicos de Botucatu (SP) se reuniu para pesquisar a influência da terapêutica energética do “passe” espírita na redução da ansiedade. A técnica, originada das práticas de cura do cristianismo primitivo, consiste basicamente na imposição de mãos sobre uma pessoa, a fim de transferir boas energias e tratar o lado espiritual de quem recebe o “passe”.

A pesquisa teve início em 2014 e está em fase de desenvolvimento na Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB). De acordo com o médico infectologista Ricardo de Souza Cavalcante, a inspiração para a pesquisa surgiu de outro grupo de médicos, de São Paulo, que iniciou um estudo sobre a eficácia de uma técnica semelhante, o Reiki, de origem japonesa.

Passistas preparados para receber grupo de pessoas para o passe conjugado (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Passistas preparados iniciar sessão do passe conjugado (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

O estudo sobre o “passe” é feito com voluntários, não necessariamente espíritas ou praticantes de alguma religião, que não estejam fazendo nenhum tipo de tratamento psicológico ou psiquiátrico. “Primeiramente, nós fazemos uma avaliação médica para verificar se o voluntário tem realmente o diagnóstico de ansiedade. Se confirmado, o paciente passa a frequentar a sala de estudos uma vez por semana, durante oito semanas, para receber o ‘passe’ ”, explica Ricardo.

Ainda de acordo com o médico, antes de iniciar o tratamento, os participantes passam por um tempo de meditação e concentração. Música ambiente é utilizada para relaxar e, por 5 minutos, um terapeuta impõe as mãos sobre a cabeça, tórax e barriga do voluntário. São levados em conta, na análise, níveis de depressão, qualidade de vida e grau de espiritualidade do paciente.

Os voluntários respondem a um questionário ao final de cada sessão e, alguns deles, passam por exames de eletroencefalograma, para medir as variações das ondas cerebrais antes, durante e depois do procedimento.

Passe conjugado, com dois ou mais passistas (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Passe conjugado, com dois ou mais passistas (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Ciência e espiritualidade
Nas últimas décadas, muitos estudos científicos têm sido feitos a fim de demonstrar os benefícios de aliar o trabalho com a espiritualidade ao tratamento médico convencional.

“Houve uma separação histórica, mas eu acredito que essas coisas precisam caminhar juntas. O ser humano deve ser visto como um todo. Nós não somos só um amontoado de células. Temos, comprovadamente, um lado emocional, espiritual”, pontua Ricardo.

A dona de casa Silvia Helena Vieira da Silva, de 47 anos, é uma das voluntárias que participarão da pesquisa. Católica, ela acredita que as práticas espíritas podem colaborar para o bem-estar. “Nós estamos tão ansiosos, nos medicando tanto, que eu gostaria de experimentar algo que não fosse medicamento, até porque remédios atacam meu organismo. Se eu puder fugir, eu fujo”, declara Silvia, que sofre as consequências físicas da ansiedade.

“Nós que temos filhos, estamos sempre na expectativa de algo. É um convívio constante com a ansiedade. Quando ela aparece, meu intestino solta, sinto dores no estômago e na cabeça. Quero muito que esta iniciativa dê certo”, conta.

“Muitos voluntários estão participando da pesquisa. Eles precisaram demonstrar ter ansiedade e não esteja em tratamento psicológico pode participar. Nosso objetivo não é converter ninguém”, explica o médico.

Os interessados em participar da pesquisa podem obter informações pelo telefone (14) 3811- 6547.

Leopoldo, diretor de comunicação do Centro Espírita Amor e Caridade (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Leopoldo Zanardi, diretor de comunicação do Centro Espírita Amor e Caridade (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Passe na Dourtina Espírita
De acordo com Leopoldo Zanardi, diretor de comunicação do Centro Espírita Amor e Caridade, de Bauru (SP), o “passe” trata-se de uma assistência espiritual, denominada de fluidoterapia, e que não anula a necessidade do tratamento médico. Este nome é dado por ser uma transferência de energias. “As mãos são colocadas de 10 a 15 centímetros acima da cabeça, não há toque físico. A Federação Espírita brasileira aconselha que as mãos sejam colocadas apenas sobre a cabeça”, conta Leopoldo.

Ele explica também que, na doutrina espírita, acredita-se que além das boas energias passadas pelo passista, existe também a atuação de espíritos que identificam e agem diretamente no problema de quem está recebendo o passe, seja ele físico, emocional ou espiritual. O procedimento pode ser individual (“passe simples”) ou em grupo (“passe conjugado” – 2 ou mais passistas realizam o procedimento). Mas quanto mais pessoas estiverem juntas, melhor, de acordo com Leopoldo.

Prece feita pelo grupo mediúnico antes de dar início ao procedimento (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Prece feita pelo grupo mediúnico antes de dar início ao procedimento (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

No Centro Espírita, o passe simples pode ser tomado por qualquer um que desejar, sem a necessidade de entrevista. Mas, para aqueles que querem tratar algo específico, é necessário passar pelo atendimento, onde será identificada a necessidade de cada pessoa.

Em seguida a pessoa recebe um papel que dá direito a oito passes, que devem ser tomados uma vez por semana. Em ambos os casos, os pacientes entram em uma sala, após um período de oração do grupo mediúnico (responsável por aplicar os passes), sentam-se nas cadeiras e estendem as duas mãos para frente, como quem está para receber algo.

Os passistas, como também são chamados os membros do grupo mediúnico, impõe as mãos sobre a cabeça das pessoas, uma nova prece é anunciada e, após poucos minutos de silêncio, tudo está feito. Depois de dispensar as pessoas, os passistas fazem outra oração de agradecimento e encerram o procedimento. “É importante ressaltar que não se deve abrir mão do tratamento médico. Nós oferecemos uma assistência espiritual. Também não basta apenas ‘tomar o passe’. É necessário assistir às palestras, mudar o pensamento, buscar ser melhor a cada dia. Dominar as más inclinações e fazer caridade. Precisamos estar em constante evolução”, completa Leopoldo.

Iole Angelo Cintra fala de sua experiência com o 'passe' (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Iole Angelo Cintra fala de sua experiência com o passe espírita (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Para a dona de casa Iole Angelo Cintra, de 46 anos, tomar os “passes” trouxe melhora para problemas de insônia e dor de cabeça que, segundo ela, tinham raiz espiritual.

“Eu não dormia direito à noite. Aqui no centro descobri que eu tinha ‘desdobramento’, que é uma espécie de mediunidade que me faz sair do meu corpo. Eu me via dormindo à noite e andava pela minha casa. Quando comecei a tomar os passes, as dores de cabeça sumiram e eu pude controlar mais esse desdobramento. O efeito do passe é ótimo, mas também depende da pessoa se esforçar para ser alguém melhor”, contou Iole.

Aplicação do passe simples pelo grupo mediúnico (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Aplicação do passe simples pelo grupo mediúnico (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Trama ultramarina (Fapesp)

Projeto evidencia a importância da ideia profética de “esperança” nas relações entre Portugal, Holanda e Inglaterra no século XVII

JULIANA SAYURI | ED. 229 | MARÇO 2015

Alegorias e símbolos da esperança deixaram seu registro na iconografia. A gravura em papel Esperança (c. 1559-1562), de Philips Galle, a partir de um desenho de Brueghel, é uma das primeiras nas quais a âncora e o mar estão relacionados com a virtude da esperança em tempos turbulentos (225 mm × 293 mm, Rijksmuseum, Amsterdã)

Era o despertar de um sonho. Um sonho impulsionado pelo padre português Antônio Vieira no século XVII: a esperança profética de um “Quinto Império”, inspirada no livro bíblico de Daniel, considerado apocalíptico por tratar dos acontecimentos relacionados ao fim do mundo. Vieira acreditava que, após os domínios dos assírios, dos persas, dos gregos e dos romanos, era o momento do último reino na Terra, o Império Português. A essa trama ultramarina se dedicou o historiador Luís Filipe Silvério Lima, professor de História Moderna desde 2007 na Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus de Guarulhos. “No século XVII ocidental, principalmente europeu, o sonho era uma ideia muito poderosa para explicar o próprio mundo. Era uma metáfora do que é a vida. Diversos autores, entre dramaturgos, filósofos, políticos, padres, pintores e poetas, usavam o sonho para dar sentido à realidade”, diz Lima.

Durante suas investigações, o pesquisador observou conexões entre a ideia de Quinto Império proposta por Portugal e a Quinta Monarquia idealizada na Inglaterra e partiu para um novo projeto de estudo sobre interpretações e leituras das profecias no século XVII. “Na época da elaboração do projeto, discutiam-se muito os limites metodológicos da história comparada. Eram propostas outras abordagens que permitissem pensar para além das fronteiras nacionais, como as histórias conectadas, as histórias cruzadas, emaranhadas. Assim, a partir dessas perspectivas, pretendi identificar possibilidades de conexões entre Portugal e Inglaterra nesse período, em torno das expectativas proféticas e os projetos de Quinta Monarquia que, quase simultaneamente, apareceram durante a Restauração Portuguesa e a Revolução Inglesa”, explica o historiador, autor de Padre Vieira: Sonhos proféticos, profecias oníricas. O tempo do Quinto Império nos sermões de Xavier Dormindo (Humanitas, 2004) e O império dos sonhos: Narrativas proféticas, sebastianismo e messianismo brigantino (Alameda, 2010), desdobramentos, respectivamente, de sua dissertação de mestrado e sua tese de doutorado, orientadas por José Carlos Sebe Bom Meihy e defendidas na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

fac-símile de Esperança de Israel

O rabino e o padre
Nesse contexto, Lima identificou a Holanda como espaço privilegiado para vincular Portugal e Inglaterra. “O que é marcante, por exemplo, com o papel desempenhado pelo rabino Menasseh Ben Israel, um judeu de origem portuguesa que viveu na primeira metade do século XVII”, ilustra. Menasseh era de família cristã-nova portuguesa, cristãos de origem judaica convertidos compulsoriamente ao catolicismo. Assim como muitos judeus radicados em países católicos, como Portugal e Espanha, Menasseh migrou para França e depois para a Holanda para se reconverter ao judaísmo. Ali ajudou a fundar a Talmud Torá, também conhecida como Sinagoga Portuguesa. Nos tempos dominados pelo catolicismo, Amsterdã era uma das cidades onde se podia viver “publicamente” como judeu. “Era um porto relativamente seguro para quem quisesse professar a fé judaica. Muitos cristãos-novos portugueses foram para lá, fugidos ou não da Inquisição.”

O rabino Menasseh Ben Israel tornou-se uma referência para católicos e protestantes, reconhecido por seus conhecimentos bíblicos. Dialogou com outros expoentes da época, como o jesuíta Antônio Vieira, com quem certa vez teve um encontro e uma longa conversa sobre o fim do mundo, um tópico dominante nas discussões vigentes. Menasseh ainda despertou interesse de importantes círculos políticos, como os de Vasco Luís da Gama, conde de Vidigueira, depois marquês de Nisa, descendente direto do almirante português que descobriu o caminho marítimo para as Índias no século XV. Esses círculos estavam preocupados, entre outras coisas, com o papel possível dos judeus para a restauração da independência de Portugal de 1640, com a nova dinastia de dom João IV de Bragança, destacando o impacto negativo dos tribunais do Santo Ofício contra os cristãos-novos, alguns deles importantes mercadores. “A questão tinha uma dimensão religiosa e teológica, mas também política”, pondera.

A partir de suas pesquisas nos arquivos de Amsterdã, Lisboa, Londres e Washington, o historiador traçou conexões que permitem compreender as inquietações religiosas e políticas no século XVII, dominadas por uma ideia principal: a esperança. Entre 1649 e 1650, Menasseh Ben Israel escreveu o pequeno tratado Miqveh Israel ou esperança de Israel, por conta do interesse de milenaristas ingleses na suposta “descoberta”, relatada pelo cristão-novo Antonio de Montesinos, de uma das 10 tribos perdidas de Israel na América espanhola, mais especificamente na Amazônia. Na interpretação das páginas bíblicas, indicaria a vinda do Messias, a instauração do Quinto Império e, assim, a iminência do fim do mundo. A “notícia” parece não ter comovido particularmente a comunidade dos judeus-portugueses na Holanda, mas mobilizou os protestantes na Inglaterra. O livro do rabino foi traduzido para o latim (Spes Israelis) e para o inglês (Hope of Israel). “A América era o novo mundo, uma terra ainda desconhecida que se ‘encaixava’ perfeitamente na profecia. Quem eram esses americanos? Eram ou não descendentes de judeus? Se a Bíblia tinha todas as respostas, mas não tinha menções à América, quem eram então esses povos?”, diz o pesquisador, reverberando as questões que intrigavam os personagens daquele período. “Isso atraiu as atenções do mundo protestante, pois alguns milenaristas ingleses pensavam que também seria possível que os índios do norte da América fossem descendentes das tribos judaicas, além dos supostamente encontrados na Amazônia. Em parte devido a essas discussões, passou-se a reconsiderar a readmissão dos judeus na Inglaterra.”

L’Espérance, gravura sobre papel de Abraham Bosse (1636), publicada por Hernan Weyen (7,3 x 4,6 cm, Metropolitan)

Esperança
Além do tratado Esperança de Israel impresso na Holanda, outros escritos da época se pautaram pela esperança profética, que se traduziram em projetos políticos diferentes. Em Portugal, a carta Esperanças de Portugal, escrita pelo padre Antônio Vieira em 1659, consolando a rainha por conta da morte do rei dom João IV, anunciava sua ressurreição e o início do reino de Cristo na terra com o Quinto Império português. Na Inglaterra, o panfleto Door of hope, documento de autoria desconhecida divulgado em 1661, anunciava o reino dos santos para derrubar o rei Carlos II, recém-restaurado no trono inglês, conclamando um levante da Quinta Monarquia liderado pelo tanoeiro Thomas Venner.

Um ponto comum desses escritos era a fonte bíblica: as visões e os sonhos do livro de Daniel sobre os cinco reinos. Segundo Lima, porém, eram diferentes interpretações, que serviram para diferentes propostas e justificativas teórico-ideológicas para intervenções políticas. “A discussão teológica tinha um rebatimento político muito forte. No fundo, a questão era: qual é o espaço da ação humana para um projeto de Deus? Qual é o cálculo político possível? Parafraseando uma narrativa de Vieira: o capitão perdeu a hora e não chegou a tempo no porto, assim o navio demorou e a frota se atrasou, assim a esquadra não chegou a tempo na Índia e não conseguiu socorrer um forte, assim se perdeu o domínio do campo, se perdeu o dinheiro e, por fim, se perdeu o império. Isto é, o império seria um projeto divino, mas a ação humana era importante para realizá-lo”, exemplifica.

Nos três casos – Portugal, Inglaterra e Holanda –, a esperança era a palavra-chave. Na pesquisa iconográfica, o historiador descobriu ainda alegorias, emblemas e símbolos para a esperança, intrinsecamente relacionados ao mar desbravado pelas navegações. Ao longo dos séculos XVI e XVII, a esperança era retratada com uma mulher e uma âncora, que simbolizariam um porto seguro e, ao mesmo tempo, uma bússola para atravessar os mares tempestuosos. “A esperança, afinal, era uma virtude que implicava a ‘espera’ de algo. Para os cristãos católicos e protestantes, era a espera pela segunda volta de Cristo, pela salvação ou pelo Juízo Final. Para os judeus, a vinda do Messias”, diz Lima. “Na bibliografia, muitas vezes os termos ‘messianismo’ e ‘milenarismo’ são usados indistintamente. Mas há diferenças”, diz o pesquisador. Por “messianismo” compreende-se a volta do Messias. “Milenarismo” refere-se à volta de Jesus Cristo para um reino de mil anos na Terra, o millenium. No século XVII, os movimentos do Quinto Império português e da Quinta Monarquia inglesa se fundamentavam nesses pensamentos proféticos. Essas diferenças entre messianismo e milenarismo, no entanto, alerta o pesquisador, não são tão importantes ou operacionais para a pesquisa.

A partir desse projeto de estudo, encerrado em 2014, Luís Filipe Silvério Lima desdobrou outras iniciativas. Por um lado, pretende escrever um novo livro sobre as considerações já desenvolvidas. Por outro, na Unifesp, consolidou o Grupo de Pesquisa CNPq Poder e Política na Época Moderna. O objetivo é estimular mais estudos e consolidar a área de História Moderna no campus da universidade federal. Também desse projeto saiu um colóquio em 2012 sobre messianismo no mundo ibérico, que deve resultar em um livro publicado no exterior, organizado com a professora Ana Paula Megiani, da Universidade de São Paulo (USP).

Projeto
As interpretações e leituras das profecias dos cinco reinos no século XVII (nº 09/53257-3); Modalidade Jovem Pesquisador; Pesquisador responsável Luís Filipe Silvério Lima (EFLCH-Unifesp); Investimento R$ 93.023,00 (FAPESP).

Aconselhado por espírito indígena, Pezão garante que choverá no Rio (Época)

Relatório do Cacique Cobra Coral, enviado ao governador do Rio, garante normalização dos reservatórios do Rio até maio; presidente Dilma já foi informada

CRISTINA GRILLO
13/02/2015 19h11 – Atualizado em 13/02/2015 20h35

Governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão (Foto: Pedro Farina)

Governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão (Foto: Pedro Farina)

Celebrai, povo fluminense: vem água por aí. Abram as torneiras, durmam no chuveiro e caprichem no banho do carro. Está liberado até encher a piscina de plástico azul das crianças. Basta comungar da mesma confiança que o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão. Ele assegura à ÉPOCA, com tranquilidade budista, que racionamento e rodízio são palavras do passado. Cálculos de volume morto e obras na rede de águas são coisas de políticos sem fé. A convicção de Pezão é transcendental: vem dos céus – embora não de São Pedro. Choverá, ora, porque a médium Adelaide Scritori, a pedido de Pezão, consultou o espírito do Cacique Cobra Coral – e o Cacique mandou dizer que a água não tarda e chegará abundante. Quem é Pezão para discutir com o espírito do Cacique?

O último relato do Cacique veio por email – não do além, mas por meio de Adelaide. No documento, enviado no dia 28 de janeiro, garante-se  que “tudo o que faltou em dezembro e janeiro virá em fevereiro, março e abril”. O email, que afastou da cabeça do governador qualquer ideia de racionamento, foi repassado em seguida, como de costume, a Dilma Rousseff. “A presidente se diverte com os emails do cacique. Riu muito de um que afirmava que o culpado da crise hídrica e energética era o Lobão [Edison Lobão, ex-ministro de Minas e Energia]”, disse Pezão à ÉPOCA em seu gabinete, no Palácio Guanabara. Dilma riu, mas Pezão leva os conselhos do Cacique a sério.

Fundação Cacique Cobra Coral (Foto: reprodução)

Imagem do site da Fundação Cacique Cobra Coral (Foto: reprodução)

A médium Adelaide lidera a Fundação Cacique Cobra Coral. Ela afirma incorporar o espírito do Cacique – um meteorologista sobrenatural, com capacidade para segurar uma tempestade aqui, mandar uma chuvinha lá e, graças a esse dom, fazer com que prefeituras e governos contratem a instituição para garantir seus serviços. No relatório que Pezão encaminhou a Dilma há, no entanto, um alerta para a possibilidade de temporais no Rio. Até junho, diz o Cacique, há o risco de chover, em apenas um dia, a quantidade esperada para um mês inteiro. “É preciso ficar alerta para o excesso de precipitação numa mesma localidade, como a zona norte”, avisa a entidade. Preparem a arca de Noé.

Pezão recebe com regularidade os informes que o espírito do Cacique envia à Prefeitura do Rio – o governo do Estado, afirma, não tem contrato com a fundação; a prefeitura, sim. Mas a relação de Pezão com o Cacique é antiga. Vem desde 1997, quando Pezão era prefeito de Piraí, município a 90 quilômetros da capital. “Eu sempre gostei de fazer festas na rua e conversava com eles para ter tempo bom. Chegava o dia da festa, chovia em todos os municípios vizinhos, e Piraí ficava sequinha, sequinha”, contou o governador. Com a prefeitura do Rio, os acordos da entidade mediúnica vêm dos tempos em que Cesar Maia era prefeito, no início de 2001. Eduardo Paes ameaçou romper com a fundação quando tomou posse em seu primeiro mandato, em 2009. Mas as previsões de temporais na noite do réveillon o fizeram rever a decisão. Não choveu e, desde então, além de satélites e outros instrumentos de alta tecnologia, o Rio conta com a expertise do cacique para ajudar nas previsões meteorológicas.

Mesmo sem contrato com o governo do Estado, a Fundação Cacique Cobra Coral parece estar se esforçando para garantir a normalização dos reservatórios. No domingo, dia 8, a médium Adelaide sofreu um acidente de carro na cidade de Paraibuna, em São Paulo. Ela vinha de Minas para o Rio de Janeiro, acompanhando o curso do rio Paraíba do Sul para avaliar, in loco, o nível dos reservatórios. O carro onde estava capotou três vezes e caiu no rio. Adelaide só teve escoriações leves. “Ela estava vendo tudo para informar ao cacique”, disse Pezão, que conecta seu celular para mostrar algumas fotos do acidente. Cair no rio não seria um mau sinal? “Não! Já está tudo certo, vai voltar a chover”, afirmou o confiante governador.

Das amplas janelas do gabinete de Pezão vê-se o jardim, espetacular, reformulado pelo paisagista francês Paul Villon no início do século XX. No meio do jardim, o chafariz de Netuno jorra, voluptuoso, litros e mais litros de água. “Mas é água de reuso”, apressa-se o governador a explicar, ao ouvir a pergunta sobre o desperdício –mesmo com toda a garantia dada pelo cacique de que o Rio está livre de problemas. Mas, pelo sim, pelo não, no dia seguinte o chafariz estava desligado.

Médium da Fundação Cacique Cobra Coral sofre acidente de carro (O Globo)

Adelaide Scritori estava em Paraibuna quando o seu veículo capotou três vezes e caiu dentro do Rio Paraíba do Sul; com escoriações, ela foi transferida para hospital de São Paulo

POR LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

RIO – A médium Adelaide Scritori, responsável pela Fundação Cacique Cobra Coral, sofreu um acidente na tarde deste domingo na cidade de Paraibuna, em São Paulo. Adelaide seguia de Minas Gerais para o Rio acompanhando o leito do Rio Paraíba do Sul para monitorar o nível dos reservatórios. O veículo em que estava perdeu o controle, capotou três vezes e caiu dentro d’água.

De acordo com o porta-voz da fundação, Osmar Santos, ela não corre risco de morte, mas sofreu escoriações por todo o corpo e foi levada para um hospital de São Paulo.

– Alguém intercedeu e protegeu a Adelaide – frisou.

A médium diz incorporar o espírito do cacique Cobra Coral, capaz de controlar o clima. Sobre as previsões, Santos disse que a tendência é de que os níveis dos reservatórios voltem a subir com chuvas frequentes até maio.

– As águas vão rolar. O bloqueio foi rompido, mas o cacique não quer conversa com o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga. Nós advertimos em outubro que, se o governador Geraldo Alckmin prosseguisse com o plano de transposição das águas do Rio Paraíba do Sul, a seca iria voltar – disse.

Leia mais sobre esse assunto em  http://oglobo.globo.com/rio/medium-da-fundacao-cacique-cobra-coral-sofre-acidente-de-carro-15281173#ixzz3RHSpz68o 
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What do some Afro-Brazilian religions actually believe? (Washington Post)

 February 6 at 3:30 AM

Video

Candomblé is a Brazilian religion developed from animist beliefs, imported by African slaves. But the quasi-respectability gained in recent decades is now under attack from radical Evangelical Christians – a growing force in Catholic Brazil – who regard it as the devil’s work. (The Washington Post)

RIO DE JANEIRO — In its contemporary form, Brazil’s Candomblé religion looks about as removed from Western Christianity as could be imagined. It must have seemed positively diabolical, then, to the brutal Portuguese overlords whose slaves imported it from Africa, and whom they believed had been converted. Those slaves may have cleverly “synchronized” their own deities with Catholic saints to be able to continue worshiping, but they did not synchronize their beliefs.

This does not make Candomblé the devil’s work. It does not have the concept of heaven and hell, nor a rigid moral code in the sense that Christians would understand it. Instead, believers are supposed to fulfill their destiny, whatever that might be. Both men and women can become priests. Homosexuality is accepted, secretive animal sacrifices play an important role and the sexual lives of devotees are their own business when they are outside the walls of the Candomblé “house,” or center.

Decorative body paint, jewelry and costumes are part in a Candomble ceremony in Rio de Janeiro on Jan. 23. (Lianne Milton for The Washington Post)

There are elaborate theatrical rituals, with costumes and accessories that can include robes, small swords and shields, a mini archer’s bow, and even as witnessed in one ceremony in Rio, an elaborate silver helmet with a tiny figure on a plinth on top that looked like something a 19th-century Prussian army officer might have sported.

But these accoutrements are no more outlandish than a Catholic Mass might have appeared to an 19th-century African who had just been enslaved. Candomblé is a religion like any other, with its own rules, hierarchies and sense of the spiritual. This is true especially in Brazil, where the existence of spirituality and an afterlife is regarded as an incontestable truth by the majority of the population — be they Catholics, or followers of more esoteric, yet tolerated religions, such as the spiritualist sect that follows the teachings of 19th-century French writer Hippolyte Léon Denizard Rivail, who wrote the Spiritist Codification under the pseudonym Allan Kardec.

Or followers of both, because many Catholics have no problem also being spiritualists. Religious duality is popular in Brazil, one reason why some estimates put followers of Candomblé and its sister religion, Umbanda, in the tens of millions, not the official half a million or so who admitted to it in the 2010 government census.

Candomblé is an oral culture with no sacred text. There are seven Candomblé nations — or variations – such as Ketu and Angola, depending on which Brazilian state it developed in, and where in Africa the slaves practicing it came from. They believe in a supreme being, called Olódùmarè (whose name can be spelled with or without the accents). Beneath this god are 16 Orixás — deities, or entities — many of whom have characteristics that are distinctly human in nature.

Yemanjá, the sea goddess, is given gifts like flowers or champagne by millions of Brazilians every New Year’s Eve. She is sometimes associated with the Virgin Mary, but she is also famously vain.

The warrior Ogum is linked to Saint George — courageous and persistent, and popular in Brazil for these qualities.

Then there is a female Orixá of the wind, Iansã, who is — as might be expected in Brazil — a more sensual deity.

Nature is perhaps the single most important factor in Candomblé, and each Orixá is connected to an element. “All of them are responsible for a part of nature,” said Rodrigo Silva, “father-of-saint,” or priest of the Logun Edé Palace Candomblé center. It is not uncommon to see Candomblé being practiced on beaches, or in waterfalls. “Our gods are ecological gods,” said Beatriz Moreira Costa, 84, a revered priestess called Mother Beatá.

In its sister religion, Umbanda, invented in Rio in the early 20th century, both the Catholic God and reincarnation also play a part. “It is a Christian doctrine,” said Tábata Lugao, 27, a recent convert. Orixás and Catholic saints are synchronized — but Umbanda also has its own holy figures, such as Preto Velho, or “Old Black Man,” a wily old slave figure who smokes a pipe.

The mostly female, middle-age worshippers being “incorporated” by Preto Velho at a recent Umbanda ceremony in São Gonçalo, near Rio, drank beer and smoked cigars and appeared to be enjoying themselves enormously, but they also took their ceremony extremely seriously — another kind of quintessentially Brazilian religious duality.

Unlike Umbanda, Candomblé initiates spend 21 days in seclusion living in the center, before being initiated as Yaô (this can also be spelled in different ways). Then they can be “incorporated” by Orixás — and initiates have individual Orixás they must follow.

After seven years as a Yaô, they become an Egbomi, and can then decide if they want to progress to the highest stage, that of father-of-saint or mother-of-saint.

The musicians who play percussion and sing the songs in African languages at Candomblé ceremonies that aim to honor and conjure up the Orixás are another kind of Yaô, called Ogá.

This does not necessarily involve being righteous, and it is here, perhaps, that Candomblé is most controversial. Those priests who sell curses or spells, via lower-level spirits called Exús, prompt some of the prejudice that surrounds the religion. “There are those who have pleasure in doing bad, others who like to help,” said Silva.

His center, he emphasized, does not get involved in the darker side of Candomblé’s neighborhood witchcraft, pejoratively called Macumba in Brazil. “It was made to protect and help people who need this help,” he said. “We fight for peace.”

Pope Francis Says No to Fracking (Eco Watch)

 | January 12, 2015 9:07 am

We’ve been busy lately providing news on all the great ways Pope Francis is working to create a healthy, sustainable planet. In July 2014, Pope Francis called destruction of nature a modern sin. In November 2014, Pope Francis said “unbridled consumerism” is destroying our planetand we are “stewards, not masters” of the Earth. In December 2014, he said he will increase his call this year to address climate change. And, last week we announced that Pope Francis is opening his Vatican farm to the public.

Now, we learn from Nicolás Fedor Sulcic that Pope Francis is supportive of the anti-fracking movement. Watch this interview by Fernando Solanas where he met with Pope Francis soon after finishing a film about fracking in Argentina.

The movie, La Guerra del Fracking or The Fracking War, was banned in cinemas by the Argentinian government, so the filmmakers decided to post it on YouTube. We are awaiting translation of the film and then we’ll feature it on EcoWatch.

“When I was doing research for the film, every time I’d ask someone if they knew what fracking was they had no idea,” said Sulcic. The problem was that “the government didn’t call it fracking, they called it ‘non conventional gas’ so no one was making the link to what was happening in Argentina to what was happening America. I got really mad and knew something had to be done to make people aware of what was going on. I saw the website Artist Against Fracking and felt that was a very good example of what was needed to be done here to take the cause to more people rather than just environmental activists.”

With support by Peace Nobel prize Adolfo Perez Esquivel, Oscar winning Juan Jose Campanella and other very well known Argentinian intellectuals and social leaders, a website was launched to help raise awareness about the dangers of fracking Argentina.

Em plena crise hídrica, Cobra Coral pode deixar o Brasil (Terra Brasil)

05 de janeiro de 2015 • 15h46 • atualizado às 17h05

Entidade exotérica que controlaria chuvas por meio de uma médium, que diz incorporar espírito do Cacique Cobra Coral, estuda proposta para trabalho exclusivo na Austrália

André Naddeo
Direto do Rio de Janeiro
Imagem de divulgação do site da Fundação Cacique Cobra Coral: anos de “consultoria” para suposto controle de chuvas e tempestades Foto: Divulgação

Em tempos de crise hídrica, em que se discute possibilidades de racionamento de água em função da falta de chuvas em reservatórios do sudeste, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, a Fundação Cacique Cobra Coral pode deixar o Brasil e ir trabalhar, literalmente, do outro lado do mundo.

Conhecida entidade exotérica que supostamente controla as incertezas meteorológicas mediante a médium Adelaide Scritori, que incorpora o espírito do cacique, a FCCC estuda uma proposta de um grupo do agronegócio da Austrália para um contrato exclusivo de controle de tempestades no país da Oceania.

“Eles querem uma maior atenção por lá”, confirmou o porta-voz da FCCC, Osmar Santos, que diz que a entidade atende 17 países de três continentes – no Brasil, os principais clientes são a prefeitura e governo do Rio de Janeiro, além do ministério das Minas e Energia, cujo contrato, de acordo com Santos, está vencido.

A Cacique Cobra Coral já foi motivo de diversas polêmicas, principalmente na capital fluminense – o ex-prefeito César Maia tinha exposto em sua sala de almoço um quadro do cacique, com quem sempre manteve contratos sem nenhum tipo de pagamento. Quando deixou o cargo, Maia se disse temeroso pelo não prosseguimento da “consultoria espiritual”.

Coincidentemente ou não, após as fortes chuvas que arrasaram o Rio de Janeiro em 2010, o contrato foi retomado e segue até hoje, após uma pequena interrupção em 2012. Temeroso com chuvas fortes que pudessem comprometer as apresentações das bandas, o Rock in Rio também já usufruiu dos trabalhos do cacique.

O porta-voz do FCCC afirma que ainda não é certo que a entidade exotérica dará exclusividade aos australianos. “Vamos viajar para lá na segunda quinzena deste mês e avaliar todos os pontos do contrato”, explica, sem poder revelar valores, ou mesmo detalhes do possível acordo de exclusividade. “Claro que tudo isso só vai ser acertado com o aval do cacique”, esclarece ainda, finalizando que o anúncio oficial sairá apenas após o Carnaval.

What Can a Popular Pope Do About Climate Change? (The Atlantic)

The pontiff plans to issue a rare and controversial plea for Catholics to consider the environment. Recent polls show his message just might resonate.

Alessandra Tarantino/AP

Pope Francis has ambitious environmental plans for 2015. Come March, he will deliver a 50 to 60-page edict urging his 1.2 billion Catholic followers to take action against climate change. The Pontiff will make his announcement during his visit to the Philippine city of Tacloban, which was ravaged by typhoon Haiyan, which killed thousands in 2013.

But within his global congregation, many conservative Catholics are expected to oppose the pope’s environmental views.

The message comes months in advance of the next United Nations climate meeting, which is slated to begin November 2015 in Paris. The pope’s lead scientific adviser Bishop Marcelo Sorondo, said that the pope’s message to his bishops, called an encyclical, is supposed to influence world leaders as they make their final recommendations after 20 years of negotiating how to reduce global carbon emissions, The Guardian reported. “The idea is to convene a meeting with leaders of the main religions to make all people aware of the state of our climate,” Sorondo said to Cafod, the Catholic development agency, of the pope’s plans.

Francis has previously pointed to the environment as being “one of the greatest challenges of our time,” and he says that Catholics have a moral and scientific obligation to protect it. But the move to publish an encyclical goes beyond offering a soundbite. “A papal encyclical is rare. It is among the highest levels of a pope’s authority,” Dan Misleh, director of the Catholic climate covenant, said to The Guardian. The pope will distribute the lengthy document to 5,000 Catholic bishops and 400,000 priests, who will then share the message with their congregations in churches across the world.

In the United States, where climate change is a controversial topic, the majority of Catholics agree that the Earth is getting warmer, about a third of that group did not believe that the change is due to human activity, according to a 2012 survey by the Public Religion Research Institute. The same poll found that about 82 percent of Republicans doubt that humans cause climate change. Among the climate deniers include some influential Republicans like House Speaker John Boehner.

Pope Francis also faces fierce opposition from U.S. evangelicals. According to the  Public Religion Research Institute, 69 percent of evangelicals do not believe in anthropogenic climate change, and many vehemently oppose its existence. Calvin Beisner, the spokesman for the conservative Cornwall Alliance, believes that the idea of human-caused climate change is “un-biblical.” “The pope should back off,” he said to The Guardian. “The Catholic church is correct on the ethical principles but has been misled on the science.”

Globally only 11 percent of people see the pope unfavorably, and 60 percent approve of him, according to a 2014 poll by the Pew Research Center. Pope Francis is overwhelmingly accepted by heavily Catholic countries: 84 in percent Europe; 78 percent in the U.S., and 72 percent in Latin America. Now, with the pope’s environmental encyclical forthcoming, and his global support at astronomical levels, it’s still uncertain how much influence his environmental push will have with the most devout deniers of climate change.

Can science prove the existence of God? (Starts with a bang!)

What it means if there’s no life anywhere else in the Universe, and what we know so far.

Ethan Siegel on Dec 30, 2014

“Men occasionally stumble over the truth, but most of them pick themselves up and hurry off as if nothing had happened.” –Winston Churchill

This past weekend, Eric Metaxas lit up the world with his bold article in the Wall Street Journal, Science Increasingly Makes the Case for God. What he argues, specifically is that to the best of our knowledge, this is our planet:

Image credit: ISS expedition 25, via http://earthobservatory.nasa.gov/IOTD/view.php?id=46820.

while this is every other planet out there.

Image credit: Mars Spirit Rover, NASA/JPL/Cornell.

Which is to say, we live in a particularly privileged place. We live on a planet that has all the right ingredients for life, including:

  • We’re at the right distance from our Sun so that temperatures are conducive to life.
  • We have the right atmospheric pressure for liquid water at our surface.
  • We have the right ingredients — the right balance of heavy elements and organic molecules — for life to arise.
  • We have the right amount of water so that our world has both oceans and continents.
  • And life started on our world very early, sustained itself for our planet’s entire history, and gave rise to us: sentient, self-aware creatures.

This, he argues, is incredibly rare. In fact, he goes beyond arguing that it’s just a rare occurrence in our Universe, claiming instead that it’s so outlandishly unexpected, given all the factors that needed to occur in just the right confluence of circumstances, that our Universe must have been designed specifically to give rise to us, otherwise the odds of us coming to be would be so infinitesimally small that it’s unreasonable to believe it could have happened by chance.

Image credit: Cosmos (1980) / Carl Sagan.

This is a very compelling argument for many people, but it’s important to ask ourselves three questions to make sure we’re approaching this honestly. We’ll go through them one at a time, but here are the three, so we know what we’re getting into.

  1. What are, scientifically, the conditions that we need for life to arise?
  2. How rare or common are these conditions elsewhere in the Universe?
  3. And finally, if we don’t find life in the places and under the conditions where we expect it, can that prove the existence of God?

These are all big questions, so let’s give them the care they deserve.

Image credit: NOAA/PMEL Vents Program, via http://www.pmel.noaa.gov/eoi/.

1.) What are, scientifically, the conditions that we need for life to arise? In other words, things did occur in a very specific way here on Earth, but how many of them does life-as-we-know-it require, versus how many of them happened in a particular way here, but could have easily happened under different conditions elsewhere?

The things I listed earlier are based on the assumption that any life that’s out there is going to be like us in the sense that it will be based on the chemistry of atoms and molecules, occur with liquid water as a basic requirement of its functioning, and won’t be in an environment that we know to be toxic to all terrestrial life.

For those criteria alone, we already know there are billions of planets in our galaxy alone that fit the bill.

Image credit: NASA/Ames/JPL-Caltech, via http://kepler.arc.nasa.gov/news/nasakeplernews/index.cfm?FuseAction=ShowNews&NewsID=165.

Our studies of exoplanets — of worlds around stars beyond our own — have shown us that there’s a huge variety of rocky planets orbiting at the right distance from their central stars to have liquid water on their surfaces if they have anything akin to atmospheres like our own. We are starting to approach the technological capabilities of detecting exo-atmospheres and their compositions around worlds as small as our own; currently, we can get down to about Neptune-sized worlds, although the James Webb Space Telescope will advance that further in under a decade.

Image credit: David A. Aguilar, CFA.

But aren’t there other things we need to worry about? What if we were too close to the galactic center; wouldn’t the high rate of supernovae fry us, and sterilize life? What if we didn’t have a planet like Jupiter to clear out the asteroid belt; wouldn’t the sheer number of asteroids flying our way wipe any life that manages to form out? And what about the fact that we’re here now, when the Universe is relatively young? Many stars will live for trillions of years, but we’ve only got about another billion or two before our Sun gets hot enough to boil our oceans. When the Universe was too young, there weren’t enough heavy elements. Did we come along at just the right time, to not only make it in our Universe, but to witness all the galaxies before dark energy pushes them away?

Image credit: Midcourse Space Experiment (MSX) composite, via http://coolcosmos.ipac.caltech.edu/image_galleries/MSX/galactic_center.html.

Probably not, to all of these questions! Metaxas throws these out there to illustrate how unlikely it is that we would have come into existence, but none of these points say what he uses them to mean. If we were closer to the galactic center, yes: the star formation rate is higher and the rate of supernovae is higher. But the main thing that means is that large numbers of heavy elements are created faster there, giving complex life an opportunity starting from earlier times. Here in the outskirts, we have to wait longer!

And as for sterilizing a planet, you’d have to be very close to a supernova for that to happen — far closer than stars typically are to one another near the galactic center — or else in the direct path of a hypernova beam. But even in this latter case, which would still be incredibly rare, you’re likely to only sterilize half your world at once, because these beams are short-lived!

Image credit: NASA / JPL.

Their atmospheres wouldn’t be blown off entirely, deep-ocean life should still survive, and there’s every reason to believe that no matter how bad it got, the conditions would be ripe for complex life to make a comeback.

Once life takes hold on a world, or gets “under its skin” as some biologists say, it’s very hard to annihilate it entirely. And this simply won’t do.

Image credit: NASA/ESA/A. Feild, STScI.

Same deal for asteroids. Yes, a solar system without a Jupiter-like planet would have many more asteroids, but without a Jupiter-like planet, would their orbits ever get perturbed to fling them into the inner solar system? Would it make extinction events more common, or rarer? Moreover, even if there were increased impacts, would that even make complex/intelligent life less likely, or would the larger number of extinction events accelerate the differentiation of life, making intelligence more likely?

The evidence that we need a Jupiter for life is specious at best, just like the evidence that we need to be at this location in our galaxy is also sparse. But even if those things were true, we’d still have huge numbers of worlds — literally tens-to-hundreds of millions — that met those criteria in our galaxy alone.

And finally, we did come along relatively early, but the ingredients for stars and solar systems like our own were present in large abundances in galaxies many billions of years before our own star system formed. We’re even finding potentially habitable worlds where life may be seven-to-nine billion years old! So no, we’re probably not first. The conditions that we need for life to arise, to the best we can measure, seem to exist all over the galaxy, and hence probably all over the Universe as well.

Image credit: © Lisa Kaltenegger (MPIA).

2.) How rare or common are these conditions elsewhere in the Universe?

Scientists didn’t help themselves with overly optimistic estimates of the Drake equation: the equation that is most commonly used to estimate the number of intelligent civilizations in our galaxy. Of all the science presented in Carl Sagan’s original Cosmos series, his estimates of the Drake equation represented possibly the worst science in the series.

So let’s run through the actual numbers to the best that science knows — complete with realistic uncertainties — and see what we come up with.

Image credit: Christian Joore of http://kindaoomy.com/ (L), NASA (R).

As best as we can tell — extrapolating what we’ve discovered to what we haven’t yet looked at or been able to see — there ought to be around one-to-ten trillion planets in our galaxy that orbit stars, and somewhere around forty to eighty billion of them are candidates for having all three of the following properties:

  • being rocky planets,
  • located where they’ll consistently have Earth-like temperatures,
  • and that ought to support and sustain liquid water on their surfaces!

So the worlds are there, around stars, in the right places! In addition to that, we need them to have the right ingredients to bring about complex life. What about those building blocks; how likely are they to be there?

Image credit: NASA / ESA and R. Humphreys (University of Minnesota).

Believe it or not, these heavy elements — assembled into complex molecules — are unavoidable by this point in the Universe. Enough stars have lived and died that all the elements of the periodic table exist in fairly high abundances all throughout the galaxy.

But are they assembled correctly? Taking a look towards the heart of our own galaxy is molecular cloud Sagittarius B, shown at the top of this page. In addition to water, sugars, benzene rings and other organic molecules that just “exist” in interstellar space, we find surprisingly complex ones.

Image credit: Oliver Baum, University of Cologne.

Like ethyl formate (left) and n-propyl cyanide (right), the former of which is responsible for the smell of raspberries! Molecules just as complex as these are literally in every molecular cloud, protoplanetary disk and stellar outflow that we’ve measured. So with tens of billions of chances in our galaxy alone, and the building blocks already in place, you might think — as Fermi did — that the odds of intelligent life arising many times in our own galaxy is inevitable.

Image credit: NASA / JPL-Caltech.

But first, we need to make life from non-lifeThis is no small feat, and is one of the greatest puzzles around for natural scientists in all disciplines: the problem of abiogenesis. At some point, this happened for us, whether it happened in space, in the oceans, or in the atmosphere, it happened, as evidenced by our very planet, and its distinctive diversity of life.

But thus far, we’ve been unable to create life from non-life in the lab. So it’s not yet possible to say how likely it is, although we’ve taken some amazing steps in recent decades. It could be something that happens on as many as 10–25% of the possible worlds, which means up to 20 billion planets in our galaxy could have life on them. (Including — past or present — others in our own Solar System, like Mars, Europa, Titan or Enceladus.) That’s our optimistic estimate.

But it could be far fewer than that as well. Was life on Earth likely? In other words, if we performed the chemistry experiment of forming our Solar System over and over again, would it take hundreds, thousands, or even millions of chances to get life out once? Conservatively, let’s say it’s only one-in-a-million, which still means, given the pessimistic end of 40 billion planets with the right temperature, there are still at least 40,000 planets out there in our galaxy alone with life on them.

Image credit: © 2002, ReefNews, Inc.

But we want something even more than that; we’re looking for large, specialized, multicellular, tool-using creatures. So while, by many measures, there are plenty of intelligent animals, we are interested in a very particular type of intelligence. Specifically, a type of intelligence that can communicate with us, despite the vast distances between the stars!

So how common is that? From the first, self-replicating organic molecule to something as specialized and differentiated as a human being, we know we need billions of years of (roughly) constant temperatures, the right evolutionary steps, and a whole lot of luck. What are the odds that such a thing would have happened? One-in-a-hundred? Well, optimistically, maybe. That might be how many of these planets stay at constant temperatures, avoid 100% extinction catastrophes, evolve multicellularity, gender, become differentiated and encephalized enough to eventually learn to use tools.

Or, there could be plentyof life out there, but it could all look like this. Image credit: BURGESS SHALE FAUNA (1989) Carel Brest van Kempen.

But it could be far fewer; we are not an inevitable consequence of evolution so much as a happy accident of it. Even one-in-a-million seems like it might be too optimistic for the odds of human-like animals evolving on an Earth-like world with the right ingredients for life; I could easily imagine that it would take a billion Earths (or more) to get something like human beings out just once.

Image credit: Original source Dennis Davidson for http://www.nss.org/, retrieved from Brian Shiro at Astronaut For Hire.

If we take the optimistic estimate of the optimistic estimate above, perhaps 200 million worlds are out there capable of communicating with us, in our galaxy alone. But if we take the pessimistic estimate about both life arising and the odds of it achieving intelligence, there’s only a one-in-25,000 chance that our galaxy would have even one such civilization.

In other words, life is a fantastic bet, but intelligent life may not be. And that’s according to reasonable scientific estimates, but it assumes we’re being honest about our uncertainties here, too. So the conditions for life are definitely everywhere, but life itself could be common or rare, and what we consider intelligent life could be common, rare or practically non-existent in our galaxy. As science finds out more, we’ll learn more about that.

And finally…

Image credit: Victor Bobbett.

3.) If we don’t find life in the places and under the conditions where we expect it, can that prove the existence of God?

Certainly, there are people that will argue that it does. But to me, that’s a terrible way to place your faith. Consider this:

Do you want or need your belief in a divine or supernatural origin to the Universe to be based in something that could be scientifically disproven?

I am very open about not being a man of faith myself, but of having tremendous respect for those who are believers. The wonderful thing about science is that it is for everybody who’s willing to look to the Universe itself to find out more information about it.

Why would your belief in God require that science give a specific answer to this question that we don’t yet know the answer to? Will your faith be shaken if we find that, hey, guess what, chemistry works to form life on other worlds the same way it worked in the past on this one? Will you feel like you’ve achieved some sort of spiritual victory if we scour the galaxy and find that human beings are the most intelligent species on all the worlds of the Milky Way?

Image credit: Serge Brunier of The World At Night, viahttp://twanight.org/newTWAN/photos.asp?ID=3001467.

Or, can your beliefs — whatever they are — stand up to whatever scientific truths the Universe reveals about itself, regardless of what they are?

In the professional opinion of practically all scientists who study the Universe, it is very likely that there is life on other worlds, and that there’s a very good chance — if we invest in looking for it — that we’ll be able to find the first biological signatures on other worlds within a single generation. Whether there’s intelligent life beyond Earth, or more specifically, intelligent life beyond Earth in our galaxy that’s still alive right now, is a more dubious proposition, but the outcome of this scientific question in no way favors or disfavors the existence of God, any more than the order of whether fish or birds evolved first on Earth favors or disfavors a deity’s existence.

Image credit: Wikimedia Commons / Lucianomendez.

The truths of the Universe are written out there, on the Universe itself, and are accessible to us all through the process of inquiry. To allow an uncertain faith to stand in as an answer where scientific knowledge is required does us all a disservice; the illusion of knowledge — or reaching a conclusion before obtaining the evidence — is a poor substitute for what we might actually come to learn, if only we ask the right questions. Science can never prove or disprove the existence of God, but if we use our beliefs as an excuse to draw conclusions that scientifically, we’re not ready for, we run the grave risk of depriving ourselves of what we might have come to truly learn.

So as this year draws to a close and a new one begins, I implore you: don’t let your faith close you off to the joys and wonders of the natural world. The joys of knowing — of figuring out the answers to questions for ourselves — is one that none of us should be cheated out of. May your faith, if you have one, only serve to enhance and enrich you, not take the wonder of science away!

SBPC envia carta a deputados contra o ensino do criacionismo em escolas (Ascom SBPC)

A entidade quer que permaneça no ensino o princípio da laicidade e liberdade de crença garantidos pela Constituição federal 

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) enviou aos deputados federais uma carta solicitando que o Projeto de Lei 8099/2014, de deputado Marco Feliciano (PSC/SP), que propõe a inserção de conteúdos sobre criacionismo na grade curricular das Redes Pública e Privada de Ensino, e seu apensado ao PL 309/2011, de autoria do mesmo deputado, que “altera o Art. 33 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para dispor sobre a obrigatoriedade do ensino religioso nas redes públicas de ensino do país”, sejam rejeitados e arquivados. Segundo a SBPC, isso é necessário para se manter o princípio da laicidade e liberdade de crença garantidos pela Constituição federal, bem como o não comprometimento do ensino das Ciências aos alunos.

Veja a carta na íntegra em:

http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2014/12/Ofício122PLcriacionismo.pdf

(Ascom SBPC)

*   *   *

Em defesa da Ciência

O leitor Clécio Fernando Klitzke.  envia carta à SBPC onde comenta as ameaças e os retrocessos sobre o que é a Ciência, e o que são dogmas como o criacionismo e o “design inteligente”

Li a matéria no sítio de internet da SBPC a respeito da posição da ABRAPEC e SBEnBIO sobre o projeto de lei que tenta obrigar o ensino de criacionismo nas escolas brasileiras.

Não bastasse o desserviço de alguns políticos evangélicos a respeito do que é ciência e conhecimento científico, nos deparamos também com movimentos organizados no próprio meio acadêmico, visando a deturpação do que seja ciência e teoria científica.

Recentemente tivemos no país um evento neo criacionista onde foi fundada a sociedade brasileira do design inteligente. Mais triste é constatar que páginas que divulgam ciência também divulgam eventos criacionistas.

Por exemplo:

http://www.visaociencia.com.br/1-congresso-brasileiro-de-design-inteligente-promove-debate-historico/

Não bastasse isso, a própria universidade pública abre espaço para essas ideias medievais, como exemplo:

http://www.ufal.edu.br/noticias/2014/11/teoria-do-design-inteligente-e-tema-de-debate-sobre-a-origem-da-vida

Esses profissionais esqueceram o que é ciência e objeto de pesquisa científica e se deixaram levar pela fé religiosa e seus dogmas. Agora apresentam o criacionismo travestido de teoria científica, com novo nome e roupagem, a tal da teoria do design inteligente, quem nem teoria é.

Não bastassem os políticos, temos professores e pesquisadores que também sonham com o ensino de criacionismo nas escolas e universidades.

Seria muito útil se a SBPC também divulgasse um manifesto em defesa da ciência e do conhecimento científico, se opondo a essas tentativas de incluir criacionismo como conhecimento científico.

Em 2012 a Sociedade Brasileira de Genética publicou um manifesto em seu sítio de internet.

http://sbg.org.br/2012/08/manifesto-da-sbg-sobre-ciencia-e-criacionismo/

Seria interessante reforçar para a sociedade que criacionismo é crença, não é ciência e que cientistas que se deixam levar por suas crenças prestam um desserviço ao conhecimento. O mais apavorante é que temos até mesmo membro da Academia Brasileira de Ciências defendendo o criacionismo como conhecimento científico e liderando esse movimento no Brasil.

Clécio Fernando Klitzke é Bacharel em Ciências Biológicas, Mestre em Ecologia, Doutor em Ciências (Química Orgânica).

Of gods and men: Societies living in harsh environments are more likely to believe in moralizing gods (Science Daily)

Date: November 10, 2014

Source: National Evolutionary Synthesis Center (NESCent)

Summary: New research finds that cultures living in harsher ecosystems with limited resources are more prone to a belief in moralizing, high gods. The results indicate that other cross-disciplinary factors, including as political complexity, also influence this belief.


Just as physical adaptations help populations prosper in inhospitable habitats, belief in moralizing, high gods might be similarly advantageous for human cultures in poorer environments. A new study from the National Evolutionary Synthesis Center (NESCent) suggests that societies with less access to food and water are more likely to believe in these types of deities.

“When life is tough or when it’s uncertain, people believe in big gods,” says Russell Gray, a professor at the University of Auckland and a founding director of the Max Planck Institute for History and the Sciences in Jena, Germany. “Prosocial behavior maybe helps people do well in harsh or unpredictable environments.”

Gray and his coauthors found a strong correlation between belief in high gods who enforce a moral code and other societal characteristics. Political complexity–namely a social hierarchy beyond the local community– and the practice of animal husbandry were both strongly associated with a belief in moralizing gods.

The emergence of religion has long been explained as a result of either culture or environmental factors but not both. The new findings imply that complex practices and characteristics thought to be exclusive to humans arise from a medley of ecological, historical, and cultural variables.

“When researchers discuss the forces that shaped human history, there is considerable disagreement as to whether our behavior is primarily determined by culture or by the environment,” says primary author Carlos Botero, a researcher at the Initiative for Biological Complexity at North Carolina State University. “We wanted to throw away all preconceived notions regarding these processes and look at all the potential drivers together to see how different aspects of the human experience may have contributed to the behavioral patterns we see today.”

The paper, which is now available online, will be published in an upcoming issue of the Proceedings of the National Academies of Science. To study variables associated with the environment, history, and culture, the research team included experts in biology, ecology, linguistics, anthropology, and even religious studies. The senior author, Gray, studies the intersection of psychology and linguistics, while Botero, an evolutionary ecologist, has examined coordinated behaviors in birds.

This study began with a NESCent working group that explored the evolution of human cultures. On a whim, Botero plotted ethnographic data of societies that believe in moralizing, high gods and found that their global distribution is quite similar to a map of cooperative breeding in birds. The parallels between the two suggested that ecological factors must play a part. Furthermore, recent research has supported a connection between a belief in moralizing gods and group cooperation. However, prior to this study, evidence supporting a relationship between such beliefs and the environment was elusive.

“A lot of evolutionists have been busy trying to bang religion on the head. I think the challenge is to explain it,” Gray says.

“Although some aspects of religion appear maladaptive, the near universal prevalence of religion suggests that there’s got to be some adaptive value and by looking at how these things vary ecologically, we get some insight.”

Botero, Gray, and their coauthors used historical, social, and ecological data for 583 societies to illustrate the multifaceted relationship between belief in moralizing, high gods and external variables. Whereas previous research relied on rough estimates of ecological conditions, this study used high-resolution global datasets for variables like plant growth, precipitation, and temperature. The team also mined the Ethnographic Atlas– an electronic database of more than a thousand societies from the 20th century– for geographic coordinates and sociological data including the presence of religious beliefs, agriculture, and animal husbandry.

“The goal became not just to look at the ecological variables, but to look at the whole thing. Once we accounted for as many other factors as we could, we wanted to see if we could still detect an environmental effect,” Botero says. “The overall picture is that these beliefs are ultimately shaped by a combination of historical, ecological, and social factors.”

Botero believes that this study is just the tip of the iceberg in examining human behavior from a cross-disciplinary standpoint. The team plans to further this study by exploring the processes that have influenced the evolution of other human behaviors including taboos, circumcision, and the modification of natural habitats.

“We are at an unprecedented time in history,” Botero says. “Now we’re able to harness both data and a combination of multidisciplinary expertise to explore these kinds of questions in an empirical way.”


Journal Reference:

  1. C. A. Botero, B. Gardner, K. R. Kirby, J. Bulbulia, M. C. Gavin, R. D. Gray. The ecology of religious beliefsProceedings of the National Academy of Sciences, 2014; DOI: 10.1073/pnas.1408701111

Premonição multiplica pedido de folga de quem trabalha na Paulista (UOL)

Rodrigo Bertolotto

Do UOL, em São Paulo

19/11/201416h53 

Se você é supersticioso, usa muito rede social e trabalha na área da avenida Paulista, a próxima quarta-feira (26) é um bom dia para pedir uma folga ou para faltar ao serviço. Pelo menos, é isso o que está acontecendo com muita gente que trabalha no centro financeiro do Brasil.

“Esse vidente é de uma insanidade incrível. Ele podia, pelo menos, consultar um aeronauta para perceber que é impossível que isso aconteça porque as rotas de aviões não passam pela Paulista”, afirma o ex-piloto de avião José Carlos de Araújo, que trabalha na região.

O clima de temor começou com a previsão do vidente Juscelino Nóbrega da Luz, registrada em um cartório no centro da cidade. Na premonição documentada, um avião decolará do aeroporto de Congonhas com destino para Brasília e baterá contra um edifício, perto da esquina da avenida Paulista com a alameda Campinas.

Divulgação

Carta de síndico de um prédio na avenida Paulista que cita a previsão do vidente Juscelino Nóbrega da Luz

A previsão bombou nas redes sociais e nos bate-papos de rua e de elevador. Resultado: muitos empregados devem faltar e muitos comércios e escritórios devem fechar ou trabalhar com pouca gente no dia 26 de novembro. “Sou gerente e tenho de dar o exemplo, mas tenho um pouco de medo. Muitas meninas que trabalham comigo já confirmaram que não vem”, afirma Simone França, que gerencia uma clínica de estética no edifício Barão do Serro Azul.

O síndico desse edifício enviou aos condôminos do prédio comercial um alerta sobre o prognóstico de um acidente aéreo no local na manhã do dia 26 de novembro. O aviso sobre a premonição foi distribuído na terça-feira (18) por Severino Alves de Lima, 67. Ele disse que, mesmo não acreditando, escreveu o comunicado apenas para informar.

Tamanho é o burburinho que até a Aeronáutica já informou que nenhum avião decola de Congonhas para Brasília tem como rota sobrevoar a Paulista.

“Essas visões abalam o psicológico da gente. Eu não vou fazer entrega aqui na Paulista na quarta nem ferrando”, fala o motoboy Tiago Arruda, quando saia do edifício Barão do Serro Azul. O vidente teve a visão em 2005 e desde lá vem avisando os trabalhadores e moradores da região. Juscelino ganhou fama este ano por uma suposta previsão da morte em acidente aéreo do então presidenciável Eduardo Campos.

CLARIVIDENTE AFIRMA QUE AVIÃO CAIRÁ NA AVENIDA PAULISTA EM NOVEMBRO DE 2014

http://player.mais.uol.com.br/embed_v2.swf?mediaId=14987648&ver=1

*   *   *

Número de voo da TAM é alterado após previsão de tragédia em SP (Folha de S.Paulo)

DE SÃO PAULO

20/11/2014 16h53

O número do voo da TAM previsto para sair próxima quarta-feira (26) de São Paulo para Brasília foi alterado após um síndico alertar para a previsão de queda de um avião na capital paulista.

De acordo com o vidente Juscelino Nóbrega da Luz, o avião que faria o voo JJ3720 atingiria um edifício comercial no cruzamento da Paulista com a alameda Campinas, próximo ao hotel Maksoud Plaza. Todas as passagens já foram vendidas pela companhia.

O número do voo, entretanto, foi alterado para JJ4732 apenas no dia em que está previsto o acidente. A TAM informou que a alteração foi feita porque a empresa “considerou o alerta e permanecerá atenta às operações no período citado”. A empresa disse ainda que “realiza manutenções preventivas com regularidade em toda a sua frota” e as “operações aéreas da empresa estão certificadas pelas principais autoridades aeronáuticas do mundo.”

O vidente diz que sonhou com o acidente em 2005 e desde então tem alertado o condomínio sobre suas premonições.

Rubens Cavallari/Folhapress
Condomínio que, segundo vidente, deve ser atingido por avião no próximo dia 26
Condomínio que, segundo vidente, deve ser atingido por avião no próximo dia 26

No comunicado, o síndico de outro prédio nas proximidades Severino Lima diz que o fez para “ficar com a consciência tranquila”, decidindo avisar sobre a possibilidade de um avião atingir um prédio no cruzamento da Paulista com a alameda Campinas.

Lima diz que espera que as previsões não se concretizem e que não quis ser alarmista. Questionado se estaria no prédio no dia 26, ele diz que sim. “Não sou crédulo nem incrédulo. As pessoas que têm esse dom acertam e erram. Na minha convicção, não deve acontecer nada, mas mesmo assim decidi informar.”

Reprodução

Feliciano apresenta PL que torna obrigatório o ensino do criacionismo nas escolas (Portal Aprendiz)

TER, 18/11/2014 – 06:45

ATUALIZADO EM 18/11/2014 – 06:45

Por Pedro Ribeiro Nogueira e Raiana Ribeiro, do Portal Aprendiz

O deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) apresentou à Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (13/11) um Projeto de Lei que torna obrigatório o ensino do criacionismo – doutrina religiosa que se opõe à teoria da Evolução de Darwin – nas escolas públicas e privadas do Brasil. Antes de ser discutido e votado, o PL será encaminhado para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Clique aqui para acessar o PL

A proposta de lei afirma que as grades curriculares brasileiras deverão incluir “noções de que a vida tem sua origem em Deus, como criador supremo de todo universo e de todas as coisas que o compõe”. Segundo o texto, ele deverá ser ensinado “analogamente ao evolucionismo, alternância de conhecimento de fonte diversa a fim de que o estudante avalie cognitivamente ambas as disciplinas” (sic).

Os argumentos que sustentam o PL apontam que é necessário inserir o “conceito de origem divina”, pois “ensinar apenas a teoria do evolucionismo nas escolas é violar a liberdade de crença, uma vez que a maioria das religiões brasileiras acredita no criacionismo”.

Helena Nader, presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), associação que congrega mais de 130 sociedades científicas, afirmou que “negar Darwin é voltar ao obscurantismo”.

“A ciência nunca quis discutir a fé. Mas parece que algumas religiões estão interessadas em discutir a ciência”, alertou.

A pesquisadora lembrou que não é a primeira vez que esse tipo de proposta tramita no legislativo brasileiro e que a SBPC manterá seu posicionamento contrário.

“É preciso esclarecer que nada na ciência elimina, para quem acredita, a presença de um ser superior. Por isso, confundir criacionismo com ciência é inadmissível”, defendeu.

Confusão

O texto descreve as crianças que frequentam as escolas públicas como “confusas”, pois estariam aprendendo noções de evolucionismo na escola e criacionismo na igreja. Para o deputado, “o ensino darwinista limita a visão cosmológica de mundo existencialista levando os estudantes a desacreditarem da existência de um criador que está acima das frágeis conjecturas humanas forjadas em tubos de ensaio laboratorial”.

Mas o próprio PL também apresenta suas confusões, ao misturar a teoria do Big Bang – que explica o surgimento do universo – com a teoria da Evolução. “Como é sabido, hoje vigora nos currículos escolares o ensino do Evolucionismo, propagando que a vida originou-se de uma  “célula primitiva que se pôs em movimento pelo ‘Big Bang’”, diz o texto.

Até o fechamento desta reportagem, o Portal Aprendiz não conseguiu contato com o deputado Marco Feliciano.

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Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB)  dispõe que o ensino religioso é parte integrante da formação básica do cidadão e é uma disciplina facultativa das escolas públicas de ensino fundamental, “assegurando o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo”. Em outras palavras, é possível que comunidades escolares se organizem para ensinar história e filosofia das religiões, mas sem qualquer forma de doutrinação.

Ghost illusion created in the lab (Science Daily)

Date: November 6, 2014

Source: Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne

Summary: Patients suffering from neurological or psychiatric conditions have often reported ‘feeling a presence’ watching over them. Now, researchers have succeeded in recreating these ghostly illusions in the lab.

This image depicts a person experiencing the ghost illusion in the lab. Credit: Alain Herzog/EPFL

Ghosts exist only in the mind, and scientists know just where to find them, an EPFL study suggests. Patients suffering from neurological or psychiatric conditions have often reported feeling a strange “presence.” Now, EPFL researchers in Switzerland have succeeded in recreating this so-called ghost illusion in the laboratory.

On June 29, 1970, mountaineer Reinhold Messner had an unusual experience. Recounting his descent down the virgin summit of Nanga Parbat with his brother, freezing, exhausted, and oxygen-starved in the vast barren landscape, he recalls, “Suddenly there was a third climber with us… a little to my right, a few steps behind me, just outside my field of vision.”

It was invisible, but there. Stories like this have been reported countless times by mountaineers, explorers, and survivors, as well as by people who have been widowed, but also by patients suffering from neurological or psychiatric disorders. They commonly describe a presence that is felt but unseen, akin to a guardian angel or a demon. Inexplicable, illusory, and persistent.

Olaf Blanke’s research team at EPFL has now unveiled this ghost. The team was able to recreate the illusion of a similar presence in the laboratory and provide a simple explanation. They showed that the “feeling of a presence” actually results from an alteration of sensorimotor brain signals, which are involved in generating self-awareness by integrating information from our movements and our body’s position in space.

In their experiment, Blanke’s team interfered with the sensorimotor input of participants in such a way that their brains no longer identified such signals as belonging to their own body, but instead interpreted them as those of someone else. The work is published in Current Biology.

Generating a “Ghost”

The researchers first analyzed the brains of 12 patients with neurological disorders — mostly epilepsy — who have experienced this kind of “apparition.” MRI analysis of the patients’s brains revealed interference with three cortical regions: the insular cortex, parietal-frontal cortex, and the temporo-parietal cortex. These three areas are involved in self-awareness, movement, and the sense of position in space (proprioception). Together, they contribute to multisensory signal processing, which is important for the perception of one’s own body.

The scientists then carried out a “dissonance” experiment in which blindfolded participants performed movements with their hand in front of their body. Behind them, a robotic device reproduced their movements, touching them on the back in real time. The result was a kind of spatial discrepancy, but because of the synchronized movement of the robot, the participant’s brain was able to adapt and correct for it.

Next, the neuroscientists introduced a temporal delay between the participant’s movement and the robot’s touch. Under these asynchronous conditions, distorting temporal and spatial perception, the researchers were able to recreate the ghost illusion.

An “Unbearable” Experience

The participants were unaware of the experiment’s purpose. After about three minutes of the delayed touching, the researchers asked them what they felt. Instinctively, several subjects reported a strong “feeling of a presence,” even counting up to four “ghosts” where none existed. “For some, the feeling was even so strong that they asked to stop the experiment,” said Giulio Rognini, who led the study.

“Our experiment induced the sensation of a foreign presence in the laboratory for the first time. It shows that it can arise under normal conditions, simply through conflicting sensory-motor signals,” explained Blanke. “The robotic system mimics the sensations of some patients with mental disorders or of healthy individuals under extreme circumstances. This confirms that it is caused by an altered perception of their own bodies in the brain.”

A Deeper Understanding of Schizophrenia

In addition to explaining a phenomenon that is common to many cultures, the aim of this research is to better understand some of the symptoms of patients suffering from schizophrenia. Such patients often suffer from hallucinations or delusions associated with the presence of an alien entity whose voice they may hear or whose actions they may feel. Many scientists attribute these perceptions to a malfunction of brain circuits that integrate sensory information in relation to our body’s movements.

“Our brain possesses several representations of our body in space,” added Giulio Rognini. “Under normal conditions, it is able to assemble a unified self-perception of the self from these representations. But when the system malfunctions because of disease — or, in this case, a robot — this can sometimes create a second representation of one’s own body, which is no longer perceived as ‘me’ but as someone else, a ‘presence’.”

It is unlikely that these findings will stop anyone from believing in ghosts. However, for scientists, it’s still more evidence that they only exist in our minds.

Watch the video: http://youtu.be/GnusbO8QjbE


Journal Reference:

  1. Olaf Blanke, Polona Pozeg, Masayuki Hara, Lukas Heydrich, Andrea Serino, Akio Yamamoto, Toshiro Higuchi, Roy Salomon, Margitta Seeck, Theodor Landis, Shahar Arzy, Bruno Herbelin, Hannes Bleuler, Giulio Rognini. Neurological and Robot-Controlled Induction of an Apparition. Current Biology, 2014; DOI:10.1016/j.cub.2014.09.049

Fundação diz ter sido procurada após crise hídrica; governo nega (G1)

29/10/2014 22h47 – Atualizado em 30/10/2014 10h15

Palácio dos Bandeirantes diz que fundação tentou conversar com Alckmin.
Porta-voz deixou sede do governo sem ser recebido.

Do G1 São Paulo

O porta-voz da fundação esotérica Cacique Cobra Coral (FCCC) disse que conversou nesta quarta-feira (29) com assessores do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, sobre a crise hídrica que afeta o estado. O Palácio dos Bandeirantes nega o encontro com o representante do grupo, que foi até a sede do governo, no Morumbi. A fundação diz ser capaz de minimizar os impactos dos temporais e outros eventos naturais.

Segundo a assessoria de imprensa do governo do estado, Osmar Santos pediu para conversar com o governador. Como o assessor que cuida da agenda de Alckmin não estava no local, ele foi orientado a aguardar. Osmar Santos deixou um cartão com a secretária e partiu após cerca de 15 minutos. Ainda de acordo com o Palácio dos Bandeirantes, imagens mostram que ele não chegou a ser recebido.

Segundo Santos, já a partir desta sexta-feira (31), um  “jato de vento de baixos níveis e uma frente fria estarão presentes para se alinharem para formar um corredor de nuvens de chuva mais duradoura sobre o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil”. As mudanças climáticas já estariam ocorrendo depois que os executivos da Prefeitura e do Estado do Rio, junto de um grupo de empresários privados do setor energético, solicitaram a intervenção da fundação.

A única exigência feita pela FCCC é a de que os governos “não avancem nas águas do Rio Paraíba do Sul”, que abastecem o estado fluminense, mas a nascente é em São Paulo. “Evitando assim a guerra pela água iniciada meses atrás por São Paulo e barrado pela ANA (Agência Nacional de Águas)”, explicou Santos.

Santos disse ao G1 que desde 2012 vem alertando o governo do estado de São Paulo para a situação crítica dos reservatórios, devido à falta de chuvas. Além disso, na ocasião, a fundação teria, inclusive, solicitado a interligação dos reservatórios de São Paulo, para amenizar o impacto da prolongada estiagem no Sistema Cantareira.

A fundação é comandada pela médium Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do cacique Cobra Coral, entidade que seria capaz de influenciar no clima.

Em 2013, a FCCC diz também ter alertado ao Ministério de Minas e Energia que as chuvas de verão daquele ano não tinham sido suficientes para encher os reservatórios das usinas hidroelétricas brasileiras. Segundo a entidade, março terminou com reservatórios na casa dos 52% no sistema Sudeste/Centro-Oeste e 42% no Nordeste. Em 2012, os níveis registrados no mesmo período foram de 78% no centro do país e 82% nas bacias nordestinas.

Segundo o porta-voz da fundação, houve erro de gestão, tanto por parte do governo estadual quanto do federal, que está sendo evidenciado pela crise hídrica. Como consequência, além da falta d’água, o problema afeta diretamente a geração e transmissão de energia elétrica em todo o país.

A solução para São Paulo, no entender da fundação, é estabelecer um cronograma de obras contra a seca, priorizando as de interligação dos reservatórios. Segundo o porta-voz, o objetivo principal é recuperar a bacia do Sul de Minas, principal responsável por fornecer a água para o Sistema Cantareira.

Nesse sentido, representantes da fundação se reuniram no último dia 13 com integrantes de um grupo econômico do setor de energia para encontrar soluções para o problema. A principal seria a criação de um “caminho de umidade”, interligando a Amazônia com o sul de Minas Gerais. Para a fundação, a estiagem “apenas mostrou o que não foi feito nos últimos 20 anos”.

Convênio
A Prefeitura de São Paulo, na gestão de José Serra, havia firmado um convênio em 2005 com a fundação para a antecipar intempéries climáticas que impactassem na rotina da capital. Como contrapartida, o Executivo municipal deveria realizar uma série de obras contra enchentes. Em setembro de 2009, já com Gilberto Kassab no cargo de prefeito, o convênio foi rompido pela Prefeitura.

O motivo: a fundação alegou ter alertado com antecedência sobre as chuvas que paralisaram a cidade no dia 8 de setembro daquele ano, mas considerou que a Prefeitura nada fez para tentar prevenir os problemas. “A gente não pode ajudar o homem naquilo que ele pode fazer por si. As verbas para obras contra enchentes estão congeladas”, disse Osmar Santos, na ocasião.

De acordo com Santos, houve um contato recente da fundação com o secretário das Subprefeituras, Ricardo Teixeira, na atual gestão, mas a reativação do convênio dependia de um aval do prefeito Fernando Haddad.

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[Atualização]

29/10/2014 22h47 – Atualizado em 30/10/2014 13h54

Fundação esotérica oferece ajuda em crise hídrica; governo nega encontro

Palácio diz que porta-voz de fundação tentou conversar com Alckmin.
Porta-voz deixou sede do governo sem ser recebido, diz assessoria.

Do G1 São Paulo

O porta-voz da fundação esotérica Cacique Cobra Coral (FCCC) disse que procurou nesta quarta-feira (29) o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para oferecer apoio na crise de abastecimento que afeta o estado. A fundação diz ser capaz de minimizar os impactos dos temporais e outros eventos naturais.

Apesar de a Fundação afirmar que foi recebida por assessores e que nova reunião chegou a ser marcada para acertar detalhes da colaboração, o Palácio dos Bandeirantes nega o encontro com o representante do grupo, que esteve na portaria da sede do governo, no Morumbi.

Segundo a assessoria de imprensa do governo do estado, Osmar Santos pediu para conversar com o governador. Como o assessor que cuida da agenda de Alckmin não estava no local, ele foi orientado a aguardar. Osmar Santos deixou um cartão com a secretária e partiu após cerca de 15 minutos, segundo a assessoria do governo. Ainda de acordo com o Palácio dos Bandeirantes, imagen do sistema de segurança mostram que ele não chegou a ser recebido.

O porta-voz da Fundação alega que já a partir desta sexta-feira (31), um  “jato de vento de baixos níveis e uma frente fria estarão presentes para se alinharem para formar um corredor de nuvens de chuva mais duradoura sobre o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil”. As mudanças climáticas já estariam ocorrendo depois que os executivos da Prefeitura e do Estado do Rio, junto de um grupo de empresários privados do setor energético, solicitaram a intervenção da fundação, segundo Santos.

A única exigência feita pela FCCC é a de que os governos “não avancem nas águas do Rio Paraíba do Sul”, que abastecem o estado fluminense, mas a nascente é em São Paulo. “Evitando assim a guerra pela água iniciada meses atrás por São Paulo e barrado pela ANA (Agência Nacional de Águas)”, explicou Santos.

Santos disse que desde 2012 vem alertando o governo do estado de São Paulo para a situação crítica dos reservatórios, devido à falta de chuvas. Além disso, na ocasião, a fundação teria, inclusive, solicitado a interligação dos reservatórios de São Paulo, para amenizar o impacto da prolongada estiagem no Sistema Cantareira.

A fundação é comandada pela médium Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do cacique Cobra Coral, entidade que seria capaz de influenciar no clima.

Em 2013, a FCCC diz também ter alertado ao Ministério de Minas e Energia que as chuvas de verão daquele ano não tinham sido suficientes para encher os reservatórios das usinas hidroelétricas brasileiras. Segundo a entidade, março terminou com reservatórios na casa dos 52% no sistema Sudeste/Centro-Oeste e 42% no Nordeste. Em 2012, os níveis registrados no mesmo período foram de 78% no centro do país e 82% nas bacias nordestinas.

Segundo o porta-voz da fundação, houve erro de gestão, tanto por parte do governo estadual quanto do federal, que está sendo evidenciado pela crise hídrica. Como consequência, além da falta d’água, o problema afeta diretamente a geração e transmissão de energia elétrica em todo o país.

A solução para São Paulo, no entender da fundação, é estabelecer um cronograma de obras contra a seca, priorizando as de interligação dos reservatórios. Segundo o porta-voz, o objetivo principal é recuperar a bacia do Sul de Minas, principal responsável por fornecer a água para o Sistema Cantareira.

Nesse sentido, representantes da fundação se reuniram no último dia 13 com integrantes de um grupo econômico do setor de energia para encontrar soluções para o problema. A principal seria a criação de um “caminho de umidade”, interligando a Amazônia com o sul de Minas Gerais. Para a fundação, a estiagem “apenas mostrou o que não foi feito nos últimos 20 anos”.

Convênio
A Prefeitura de São Paulo, na gestão de José Serra, havia firmado um convênio em 2005 com a fundação para a antecipar intempéries climáticas que impactassem na rotina da capital. Como contrapartida, o Executivo municipal deveria realizar uma série de obras contra enchentes. Em setembro de 2009, já com Gilberto Kassab no cargo de prefeito, o convênio foi rompido pela Prefeitura.

O motivo: a fundação alegou ter alertado com antecedência sobre as chuvas que paralisaram a cidade no dia 8 de setembro daquele ano, mas considerou que a Prefeitura nada fez para tentar prevenir os problemas. “A gente não pode ajudar o homem naquilo que ele pode fazer por si. As verbas para obras contra enchentes estão congeladas”, disse Osmar Santos, na ocasião.

De acordo com Santos, houve um contato recente da fundação com o secretário das Subprefeituras, Ricardo Teixeira, na atual gestão, mas a reativação do convênio dependia de um aval do prefeito Fernando Haddad.

Fundação que afirma prever o tempo diz que fez alertas sobre crise hídrica (G1)

17/10/2014 06h50 – Atualizado em 17/10/2014 06h50

Fundação Cacique Cobra Coral diz que houve um erro de gestão em SP.
Órgão teria pedido interligação dos reservatórios para minimizar o problema.

Do G1 São Paulo

A fundação esotérica Cacique Cobra Coral (FCCC), que diz ser capaz de minimizar os impactos dos temporais e outros eventos naturais, informou, por meio de seu porta-voz, Osmar Santos, que desde 2012 vem alertando o governo do estado de São Paulo para a situação crítica dos reservatórios, devido à falta de chuvas. Além disso, na ocasião, a fundação teria, inclusive, solicitado a interligação dos reservatórios de São Paulo, para amenizar o impacto da prolongada estiagem no Sistema Cantareira.

A fundação é comandada pela médium Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do cacique Cobra Coral, entidade que seria capaz de influenciar no clima.

Em 2013, a FCCC diz também ter alertado ao Ministério de Minas e Energia que as chuvas de verão daquele ano não tinham sido suficientes para encher os reservatórios das usinas hidroelétricas brasileiras. Segundo a entidade, março terminou com reservatórios na casa dos 52% no sistema Sudeste/Centro-Oeste e 42% no Nordeste. Em 2012, os níveis registrados no mesmo período foram de 78% no centro do país e 82% nas bacias nordestinas.

 

FALTA D’ÁGUA EM SP

Segundo o porta-voz da fundação, houve erro de gestão, tanto por parte do governo estadual quanto do federal, que está sendo evidenciado pela crise hídrica. Como consequência, além da falta d’água, o problema afeta diretamente a geração e transmissão de energia elétrica em todo o país.

A solução para São Paulo, no entender da fundação, é estabelecer um cronograma de obras contra a seca, priorizando as de interligação dos reservatórios. Segundo o porta-voz, o objetivo principal é recuperar a bacia do Sul de Minas, principal responsável por fornecer a água para o Sistema Cantareira.

Nesse sentido, representantes da fundação se reuniram na segunda-feira (13) com integrantes de um grupo econômico do setor de energia para encontrar soluções para o problema. A principal seria a criação de um “caminho de umidade”, interligando a Amazônia com o sul de Minas Gerais. Para a fundação, a estiagem “apenas mostrou o que não foi feito nos últimos 20 anos”. Em relação à previsão do clima, a expectativa de chuva seria para depois das eleições, no próximo dia 26.

Convênio
A Prefeitura de São Paulo, na gestão de José Serra, havia firmado um convênio em 2005 com a fundação para a antecipar intempéries climáticas que impactassem na rotina da capital. Como contrapartida, o Executivo municipal deveria realizar uma série de obras contra enchentes. Em setembro de 2009, já com Gilberto Kassab no cargo de prefeito, o convênio foi rompido pela Prefeitura.

O motivo: a fundação alegou ter alertado com antecedência sobre as chuvas que paralisaram a cidade no dia 8 de setembro daquele ano, mas considerou que a Prefeitura nada fez para tentar prevenir os problemas. “A gente não pode ajudar o homem naquilo que ele pode fazer por si. As verbas para obras contra enchentes estão congeladas”, disse Osmar Santos, na ocasião.

De acordo com Santos, houve um contato recente da fundação com o secretário das Subprefeituras, Ricardo Teixeira, na atual gestão, mas a reativação do convênio dependia de um aval do prefeito Fernando Haddad.