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Your weatherman probably denies global warming (Salon)

FRIDAY, JAN 11, 2013 08:00 AM -0200

The good news: People can be persuaded climate change is real. The bad news: TV experts can’t

BY 

Your weatherman probably denies global warming

There’s a big reason climate change differs from so many public policy challenges: unlike other crises, addressing the planet’s major environmental crisis truly requires mass consensus. Indeed, because fixing the problem involves so many different societal changes — reducing carbon emissions, conserving energy, retrofitting infrastructure, altering a meat-centric diet, to name a few — we all need to at least agree on the basic fact that we are facing an emergency. This is especially the case in a nation where, thanks to the U.S. Senate filibuster, lawmakers representing just 11 percent of the population can kill almost any national legislation.

That’s why, as encouraging as it is to see a new Associated Press-GfK poll showing that 4 in 5 Americans now see climate change as a serious problem, it is also not so encouraging to see that after the hottest year on record, 1 in 5 still somehow do not acknowledge the crisis. Unfortunately, that 1 in 5 may be enough to prevent us from forging the all-hands-on-deck attitude necessary to halt a planetary disaster.

What, if anything, can be done? Short of eliminating the filibuster so that lawmakers representing this 20 percent don’t retain veto power over climate change legislation, America desperately needs a serious public education campaign.

The good news is that with such education, many of those who don’t yet believe climate change is a serious problem can, in fact, be reached — and convinced to accept obvious reality.

This is the conclusion of a new study by researchers at George Mason University and Yale University. It found that those with a “low engagement on the issue of global warming … are more likely to be influenced by their perceived personal experience of global warming than by their prior beliefs.” Summarizing the findings, Grist.org reporter David Roberts writes that “people who have made up their mind have made up their mind,” but for those in the “mushy middle,” personally facing severe weather — and being exposed to facts about what that weather really represents — “can make a real difference.”

The bad news is that this “mushy” group probably cannot be reached by the real experts, as 1 in 3 of those surveyed in the AP poll say they simply do not trust scientists. That leaves local television weather forecasters (many of whom are not actual scientists), national news outlets and Washington political leaders to the task — and up to this point, many of them have played the opposite of a constructive role in climate education.

For instance, when it comes to weather forecasters, a recent Rolling Stone magazine assessment of the local news scene found that “there’s a shockingly high chance that your friendly TV weatherman is a full-blown climate denier.” The report cited a 2010 survey finding that in the vast wasteland of Ron Burgundys, only half of all local weather forecasters believe climate change is even happening, and fewer than a third acknowledge the scientific evidence proving that it is “caused mostly by human activities.” Not surprisingly, their forecasts often omit any discussion of climate change’s effect on the weather systems, thus forfeiting a chance to properly contextualize severe weather events.

Similarly, an analysis in 2012 from the watchdog group Media Matters found that “the amount of climate coverage on both the Sunday shows and the nightly news has declined tremendously.” Meanwhile, the Columbia Journalism Review points out that the “presidential campaign was silent on the issue.”

In a nation that comprises just 5 percent of the world’s population but a whopping 18 percent of its carbon emissions, this situation is unacceptable.

If the first step toward solving a problem is getting past the denial stage, then it is long past time for news organizations and political leaders to end their climate denialism. Only then can we hope to reach the consensus on which our survival depends.

David Sirota is a nationally syndicated newspaper columnist, magazine journalist and the best-selling author of the books “Hostile Takeover,” “The Uprising” and “Back to Our Future.” E-mail him at ds@davidsirota.com, follow him on Twitter @davidsirota or visit his website at www.davidsirota.com.

Humanidade deve começar a se preocupar com descoberta de vida alienígena, diz relatório (O Globo)

Fórum Econômico Mundial listou cinco fatores X, problemas sérios e ainda remotos que devem ter impacto na vida na Terra

RENATA CABRAL

Publicado:9/01/13 – 12h09 / Atualizado:9/01/13 – 15h27

RIO – Enquanto o mundo concentra suas preocupações na crise nos países desenvolvidos e no aquecimento global, o Fórum Econômico Mundial alerta para os chamados “fatores X”, que, segundo a organização, já deveriam estar na pauta de discussão de países e organizações internacionais por terem consequências incertas e, por isso, poder de desestabilizar a atual ordem mundial — entre eles, a descoberta de vida alienígena. O abuso da tecnologia para aumentar a produtividade no trabalho e nos estudos também é citado.

Com o ritmo da exploração do espaço nas últimas décadas, diz o documento, é possível considerar que a humanidade pode descobrir vida em outros planetas. A maior preocupação seria sobre os efeitos nos investimentos em ciência e sobre a própria imagem do ser humano. Supondo que seja encontrado um novo lar em potencial para a humanidade ou a existência de vida em nosso sistema solar, a pesquisa científica teria deslocados grandes investimentos para robótica e missões espaciais. Além disso, as implicações filosóficas e psicológicas da descoberta de vida extraterrestre seriam profundas, desafiando crenças das religiões e da filosofia humana. Por meio de educação e campanhas de alerta, o público poderia se preparar melhor para as consequências desse processo, indica o fórum.

O relatório anual sobre os riscos globais, publicado duas semanas antes do encontro anual que ocorrerá em Davos, teve colaboração da revista científica “Nature” considerando cinco fatores X: além da descoberta de vida em outros planetas, o avanço cognitivo do cérebro humano pelo uso de estimulantes, o uso descontrolado de tecnologias para conter as mudanças climáticas, os custos de se viver mais e as próprias mudanças climáticas em curso. De acordo com o relatório, antecipando-se a essas questões, seria mais fácil agir preventivamente e não ser pego de surpresa quando eles emergirem.

Apesar de as ameaças das mudanças climáticas serem conhecidas, o relatório também indaga se já passamos de um ponto dramático de não retorno. Por isso, para além do tema que guiou os debates na última década — se os seres humanos seriam ou não responsáveis por alterar o clima da Terra —, poderíamos ter de caminhar para discussões forçadas sobre como fortalecer a resiliência e a capacidade de adaptação para lidar com um novo ambiente que pode nos levar a um novo e ainda desconhecido equilíbrio.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, outra preocupação de hoje sobre problemas ainda remotos deve ser o avanço cognitivo do ser humano. Há o temor de que no futuro as pessoas abusem da tecnologia que permite turbinar a performance no trabalho e nos estudos. O esforço dos cientistas para tratar doenças como Alzheimer ou esquizofrenia leva a crer que num futuro não muito distante pesquisadores vão identificar substâncias que permitam melhorar os estimulantes de hoje, como a Ritalina. Apesar de serem prescritos para pessoas com doenças neurológicas, esses remédios seriam usados no dia a dia como já ocorre hoje.

O avanço poderia também vir de hardwares, diz o relatório. Estudos mostram que a estimulação elétrica pode favorecer a memória. Diante disso, seria ético aceitar que o mundo se dividisse entre os que tiveram oportunidade de ter a parte cognitiva reforçada ou não?, indaga o documento. Haveria, ainda, o risco de esse avanço dar errado. O impacto dessas novas tecnologias é esperado para dentro de 20 ou 50 anos.

A utilização descontrolada de tecnologias de geoengenharia também é vista como um problema pelo Fórum Econômico Mundial. Apesar de ter diferentes aplicações, espera-se usar a tecnologia para controlar as mudanças climáticas. A ideia básica é que poderiam ser jogadas pequenas partículas na estratosfera para bloquear a energia solar e refleti-la de volta ao espaço. Mas os efeitos colaterais poderiam ser custosos demais, diz o documento. Poderia haver alterações significativas em todo o sistema climático, com redução da luz solar, o que alteraria a forma como a energia e a água se movimentam no planeta. Essa opção não é considerada no curto prazo. Muitos estudiosos já chamaram atenção para os riscos dessa tecnologia. Por isso, poderia surgir um espaço para que experimentações sem regulação ocorressem, alerta o relatório.

Os custos de viver mais seriam outro fator X de preocupação, uma vez que os países não têm se preparado para viver com os altos custos que a terceira idade implica e com uma massa de pessoas que sofrerão de doenças como artrite e demências. Isso porque a medicina do século 20 avançou muito nas descobertas relativas às doenças genéticas, decifrando o genoma humano. São esperados ainda mais avanços em doenças do coração e do câncer. O relatório preocupa-se com o impacto na sociedade de uma camada da população que consegue prever, logo evitar, as causas mais comuns de morte hoje, mas com uma deterioração da qualidade de vida. Mais pesquisas seriam necessárias para encontrar soluções para essas condições, hoje consideradas crônicas.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/humanidade-deve-comecar-se-preocupar-com-descoberta-de-vida-alienigena-diz-relatorio-7239466#ixzz2HZQ0ax47 
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Direitos humanos: um estorvo para as esquerdas? (Le Monde Diplomatique Brasil)

Sob a perspectiva da urgente retomada de um projeto de profunda e efetiva transformação social no Brasil, gostaríamos de discutir algumas interpretações e as principais objeções que uma parte das esquerdas brasileiras tem feito às reivindicações baseadas nos direitos humanos

por Deisy Ventura, Rossana Rocha Reis
07 de Janeiro de 2013

01181761(1)Mãe e filho dormem na rua em São Paulo ao lado do operário que opera britadeira. Renato Stockler/ Reuters

Entre os anos 1960 e 1980, numa América Latina esmagada por regimes ditatoriais, grande parte das esquerdas abraçou o discurso e a pauta dos direitos humanos. Em incontáveis casos, os direitos humanos foram o fulcro de movimentos e ações autoproclamadas esquerdistas. Retomada a democracia, o gozo dos direitos civis e políticos tornou possível que personagens, grupos e partidos identificados com esse campo chegassem ao governo em diversos Estados latino-americanos. Atualmente, o exercício do poder suscita questões sobre a concepção de direitos humanos tanto da esquerda que governacomo da esquerda que defende incondicionalmente esses governos, embora amiúde obnubilada em larguíssimas coalizões.

O objetivo deste artigo é refletir sobre a interação entre os direitos humanos e a política no Brasil de hoje. As críticas ao governo pautadas pelos direitos humanos têm merecido uma virulenta reação. Pululam as contradições não apenas entre discurso e prática, mas também dentro dos próprios discursos, e entre certas práticas. É como se um projeto de transformação social prescindisse ou, em alguns casos, fosse considerado até mesmo incompatível com a garantia de certos direitos, paulatinamente convertidos em estorvos. Quem cobra do governo federal o respeito aos direitos humanos é acusado de fazer o jogo da oposição, supostamente pondo em risco um “projeto maior”. Argumentos conjunturais como os de que faltam os meios ou o momento não é oportuno para sua efetivação, confundem-se, a cada dia mais, com a minimização da importância dos direitos humanos.

Em resposta a mobilizações como as relacionadas à hidrelétrica de Belo Monte e aos índios Guarani-Kaiowá, entre outros episódios recentes, um número inquietante de autoridades governamentais não tem hesitado em difundir argumentos gravemente equivocados sobre direitos humanos, com efeitos nefastos não apenas sobre a agenda política, mas também sobre a opinião pública. Sob a perspectiva da urgente retomada de um projeto de profunda e efetiva transformação social no Brasil, gostaríamos de discutir algumas interpretações e as principais objeções que uma parte das esquerdas brasileiras tem feito às reivindicações baseadas nos direitos humanos.

Os direitos humanos são burgueses. A relação entre a esquerda e os direitos humanos foi marcada pela interpretação oferecida por Karl Marx, principalmente em Sobre a questão judaica (1843),a propósito dos processos de construção da cidadania moderna. Para Marx, o reconhecimento da igualdade formal (jurídico-política) do indivíduo não é suficiente para a realização do ideal de emancipação humana almejado pelo socialismo. A afirmação de um direito natural tal qual expresso nas Declarações de Direitos Humanos seria, assim, a consagração do homem egoísta e do interesse privado. No entanto, avaliar a conjuntura atual pinçando da obra de Marx apenas sua concepção de direitos humanos, sem levar em conta sua crítica ao direito em geral, à política em si e, sobretudo, à existência do Estado, configura um reducionismo imperdoável, se não uma espécie de marxismo à la carte. Por outro lado, a emancipação humana, tal como imaginada por Marx, depende de mudanças estruturais, certamente inalcançáveis por meio de uma pauta adstrita aos direitos humanos. Contudo, essa constatação não diminui a importância histórica e tangível dos direitos humanos em processos emancipatórios. Se “o homem é um ser que esquece”, como diz um antigo provérbio, é preciso reiterar o que a história recente do Brasil e da América Latina nos ensina: a importância da emancipação civil e política na luta pela transformação da sociedade e da economia. É claro que os direitos humanos não são, nem devem ser, o objetivo final das esquerdas. Entretanto, nenhum sistema político pelo qual vale a pena lutar pode prescindir do respeito à dignidade humana e do feixe de direitos que dela deriva. Ademais, desafiada pela complexidade do presente, a esquerda não pode ser condenada a uma percepção de direitos humanos do século XIX.

Os direitos humanos são uma invenção ocidental, e a política de direitos humanos no plano internacional é uma forma de imperialismo. Embora a perspectiva do respeito à dignidade humana exista em diversas culturas e épocas, é indiscutível que a noção moderna de direitos humanos, base das normas internacionais nessa matéria, tem suas raízes intelectuais no Iluminismo, na Revolução Francesa e na independência norte-americana. Porém, o sentido de um conjunto de ideias não pode ser limitado ao contexto no qual ele foi produzido. Ao longo dos séculos, o conceito da igual dignidade dos indivíduos em liberdades e direitos mobilizou, no mundo inteiro, grupos e agendas muito diversificados. A revolução que levou à independência haitiana, por exemplo, não apenas reproduziu, mas reinterpretou e acrescentou direitos à Carta de Direitos do Homem e do Cidadão. Da mesma maneira, o movimento feminista, execrado pelos revolucionários franceses, valeu-se dos termos da Carta para formular suas demandas; e a Constituição mexicana de 1917 e os movimentos de libertação nacional e de reconhecimento de direitos coletivos apropriaram-se da ideia de direitos humanos e expandiram seu significado. Portanto, sua origem histórica e cultural não deve ser vista como um pecado original, já que não impediu a emergência de direitos que podem fundamentar a própria resistência às diferentes formas de imperialismo.

Incorporar a agenda de direitos humanos na política externa seria fazer o jogo dos Estados Unidos nas relações internacionais. Os Estados Unidos são grandes objetores e violadores do direito internacional. Por exemplo, lutaram contra a aprovação do Estatuto de Roma, que criou o Tribunal Penal Internacional; e, descumprindo promessas, mantêm aberta a base de Guantánamo, em Cuba. A instrumentalização do discurso dos direitos humanos por Washington, uma das marcas da Guerra Fria, confirmou sua atualidade, entre outros, nos casos das intervenções no Iraque e no Afeganistão. Na Líbia, em 2011, “a comunidade internacional” teria recorrido à intervenção militar a fim de “evitar o massacre” da população civil por um cruel ditador, um aliado do Ocidente frescamente descartado. O uso da força foi então autorizado pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, com base no princípio da “responsabilidade de proteger”. Trata-se de uma nova forma jurídica do antigo direito de ingerência, ampla o suficiente para derrubar o governo da Líbia e omitir-se diante do linchamento de Muamar Kadafi, ao mesmo tempo que dá guarida a graves violações de direitos humanos no Barein, na Síria e no Iêmen. Segundo o presidente Barack Obama, os Estados Unidos devem intervir, coletiva ou unilateralmente, quando seus “interesses e valores” forem ameaçados, sem preocupação com a coerência. O que prevalece é o interesse na preservação das zonas de influência, em detrimento de qualquer concepção de direitos humanos. Logo, para o Brasil, descartar o respeito aos direitos humanos como critério de sua política externa jamais constituiria uma forma de oposição à hegemonia dos Estados Unidos. É preciso opor-se aos atos, não aos pretextos.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) praticou uma ingerência inaceitável nos assuntos internos brasileiros no caso Belo Monte. A oposição à construção da usina é promovida pelos Estados Unidos. O recente ataque do governo federal ao sistema interamericano de proteção dos direitos humanos foi um desserviço às gerações futuras. Não se pode confundir a OEA com a Comissão ou a Corte interamericanas, e ainda menos com os Estados Unidos, que jamais aceitaram a Convenção Americana dos Direitos do Homem. A oposição à hidrelétrica de Belo Monte é legítima e genuinamente brasileira, vinculada à luta histórica pelos direitos dos povos indígenas e pela preservação do meio ambiente. Ainda que imperfeitos, os mecanismos regionais de proteção aos direitos humanos são uma grande conquista dos povos, salvaguarda indispensável diante do autoritarismo que segue assombrando nosso continente. Os recentes golpes impunes em Honduras e no Paraguai, ambos avalizados pelos Estados Unidos, demonstram que os mecanismos regionais precisam ser valorizados.

Impor condicionalidades em termos de respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente nos empréstimos concedidos pelo governo brasileiro a outros países é um tipo insuportável de interferência e uma forma de imperialismo. Na década de 1970, uma importante conquista da sociedade norte-americana foi a exigência de que os países beneficiados por empréstimos respeitassem determinados padrões de cumprimento de direitos humanos. Essa medida teve um impacto importante nas relações entre os Estados Unidos e as ditaduras latino-americanas, corroendo a sustentação interna da política norte-americana de apoio aos regimes autoritários e impondo constrangimentos ao Executivo. No contexto atual, em que bancos e agências do Estado brasileiro se tornam importantes fontes de financiamento de obras de infraestrutura na América Latina, é importante que os empréstimos concedidos e os acordos de cooperação incorporem a exigência de respeito aos direitos humanos. Longe de ser uma forma de ingerência, trata-se de garantir que o dinheiro dos contribuintes brasileiros não seja utilizado para financiar intervenções que comprometam a dignidade das populações envolvidas. Conceder financiamentos sem compromisso com a promoção de direitos é uma característica fundamental do mercado, não do Estado, necessariamente submetido ao interesse público.

Direitos civis e políticos são de direita, direitos econômicos e sociais são de esquerda. Os direitos humanos são, na verdade, indivisíveis. Longe de ser uma formalidade vazia, a afirmação da indivisibilidade é uma forma de proteção dos indivíduos contra a seletividade dos Estados. A identificação de alguns direitos com a direita e de outros com a esquerda, embora guarde relação com a geopolítica da Guerra Fria, aproxima-se perigosamente da justificativa apresentada pelos generais-presidentes brasileiros aos organismos internacionais, quando interpelados sobre as frequentes violações cometidas em nome da segurança nacional. Para eles, os avanços na área de saneamento básico, habitação e saúde constituíam a política brasileira de direitos humanos, enquanto as denúncias sobre torturas, prisões arbitrárias, assassinatos e desaparecimentos faziam parte de um complô comunista mundial.

O desenvolvimento é mais importante para as pessoas do que o respeito aos direitos humanos. Em um mundo com recursos materiais e humanos limitados, existem muitas escolhas difíceis a fazer. As exigências em relação a um governo vão muito além daquelas colocada pela pauta dos direitos humanos. No atual contexto de crise econômica mundial, com perspectivas de agravamento, o tema do desenvolvimento adquire importância renovada, e é natural que assim seja. Entretanto, o contexto econômico não pode servir de justificativa para o atropelamento de direitos humanos, sob pena de produzir, mais uma vez, um crescimento econômico que não se traduz em uma melhora real e equitativa do panorama social brasileiro. Nós já tivemos, no Brasil, desenvolvimento sem respeito aos direitos humanos. Não foi bom para as esquerdas.

O combate à miséria é a forma mais efetiva de combater a violação dos direitos humanos. O combate à miséria é parte fundamental de uma política de direitos humanos. Mais do que isso, podemos afirmar que, sem uma política de erradicação da miséria, a promoção dos direitos humanos está fadada ao fracasso. No entanto, ela não é suficiente para garantir a observância dos direitos humanos. Infelizmente, o conjunto de desigualdades que afetam a dignidade dos indivíduos em nosso país é muito mais amplo. Iniquidades e discriminações que envolvem questões de gênero, cor, orientação sexual, regionalismo e xenofobia exigem ações específicas. Uma sociedade menos desigual em termos econômicos não é sinônimo de uma sociedade que respeita igualmente os direitos humanos de todos os seus cidadãos. Quando a inclusão social se opera essencialmente pelo aumento do consumo, toda sorte de egoísmo pode ser favorecida.

O respeito aos direitos humanos é uma etapa já conquistada no Brasil. Atualmente, nosso problema seria a falta de meios, não a falta de consenso em relação aos princípios. Esperava-se que os direitos humanos alcançassem lugar de destaque na agenda política pós-redemocratização. Seria o momento de generalizar o acesso a esses direitos (prioridade de investimento em políticas sociais) e de afirmar a cultura dos direitos (os bens da vida não constituem privilégios de alguns, nem assistencialismo). Porém, grande parte da população brasileira acredita piamente que os direitos humanos são o maior obstáculo à sua segurança. A vulnerabilidade fala mais alto do que a cidadania. A erosão da perspectiva dos direitos é evidente em nosso tempo, e não apenas no Brasil. Cresce o respaldo eleitoral de grupos e partidos que militam abertamente contra direitos fundamentais já consagrados por lei. É chocante a maneira leviana com que temas como a tortura, o aborto ou a sexualidade, entre tantos outros, têm sido discutidos nos períodos eleitorais. Cresce também a estapafúrdia naturalização das alianças com esses grupos. É preciso reconhecer que a defesa incondicional dos direitos humanos está ameaçada nas campanhas e nos programas de governos de candidatos das esquerdas, mas, sobretudo, em suas gestões.

Por fim, um projeto de transformação da sociedade brasileira com vista à emancipação humana não pode prescindir da luta pelos direitos humanos. Há valores e parâmetros éticos – como o reconhecimento e o respeito pelas especificidades e pelas diferenças étnicas, de gênero e orientação sexual – que não podem ser negociados ou plebiscitados, seja em nome da democracia, do desenvolvimento ou de um suposto anti-imperialismo. Uma agenda positiva de direitos humanos deve estabelecer mínimos denominadores para a ação política. No momento em que os valores de mercado avançam sobre todos os governos, este talvez seja, ainda que temporariamente, nosso “projeto maior”.

Deisy Ventura
Professora do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, IRI-USP

Rossana Rocha Reis
Professora do Departamento de Ciência Política e do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo

Tim Ingold: La antropología en crisis (Clarin)

08/01/13

Con una visión crítica, el especialista británico denuncia que esta ciencia no forma parte de debates importantes, y sostiene que “debería mirar al futuro a Través de la lente del pasado”, ser “especulativa y no sólo una disciplina empírica”.

POR VIVIAN SCHEINSOHN

ANTIACADEMICA. Tim Ingold dice que su disciplina desafía el modo académico de producción de conocimiento. / Gustavo Castaing

ANTIACADEMICA. Tim Ingold dice que su disciplina desafía el modo académico de producción de conocimiento. / Gustavo Castaing

Mientras que en el ámbito de las ciencias sociales las escuelas y teorías se multiplican, el antropólogo británico Tim Ingold parece responder sólo a sí mismo. Difícilmente clasificable en una corriente en particular, sus aportes teóricos a la antropología lo convierten en una figura insoslayable. Profesor de Antropología Social en la Universidad de Aberdeen (Escocia), Ingold estuvo en Buenos Aires a fines de 2012, dictó una conferencia en la Universidad Nacional de General San Martín y también viajó a Córdoba donde dictó un curso en el Museo de Antropología de la Universidad de Córdoba.

Ambientes para la vida. Conversaciones sobre humanidad, conocimiento y antropología es el título de su único libro traducido al español.

Sobre el papel de la antropología en el presente y en el futuro, en Europa y en América Latina, dialogó con Ñ .

¿Qué definición le cabe a la antropología en esta época y en este contexto?

Tenemos que movernos más allá de la idea de que la antropología estudia las culturas. Necesitamos pensarla como una disciplina especulativa, que mira las posibilidades y potencialidades de los seres humanos. Por eso, según mi definición, es una filosofía que incluye a la gente. No es sólo pensar cómo fue o es la vida humana en ciertos lugares o momentos sino cómo podría ser, qué tipo de vida podríamos vivir. La antropología debería mirar al futuro a través de la lente del pasado. Debe ser especulativa y no sólo una disciplina empírica.

¿Y entonces qué distingue a la antropología del resto de las ciencias sociales?

Puede pensarse en las ciencias sociales como conformando un paisaje donde cada disciplina es definida por el lugar donde se ubica. Se puede ver entonces que la antropología está hablándole a los sociólogos, a los historiadores, a los lingüistas. Si se toma la sociología, los sociólogos le están hablando a los antropólogos, a los historiadores, pero también a los economistas o a los historiadores del derecho, a los cuales la antropología no les habla. Entonces vemos diferentes lazos con diferentes disciplinas. Todas están conectadas pero ocupan diferentes posiciones en este paisaje. El ambiente de la investigación puede definirse como ese paisaje, con diferentes colinas o montañas donde están la antropología, la sociología, etcétera. Se puede ir de una a la otra sin cruzar ningún límite en particular. El punto es que cada disciplina no es más que un grupo de gente haciendo cosas y conversando. A esa conversación se une mucha gente, cada uno con su propio campo de referencia, en términos de a quiénes leyeron, dónde estuvieron, en que país estudiaron. Por eso no creo que se pueda hablar de disciplinas como si fueran una suerte de supraorganismo. Las ciencias sociales sólo se distinguen entre sí por las conversaciones que tuvieron. Y eso es lo divertido: que todos traemos algo diferente a esa conversación. Y nunca se sabe qué va a salir de eso.

Sin embargo, esa conversación interdisciplinaria no parece funcionar del todo bien. A veces, ciertas disciplinas parecen jugar su propio juego y eso hace que ciertos temas que fueron largamente debatidos en una disciplina sean redescubiertos en otra.

Sí, y eso es extremadamente problemático. Los antropólogos del Reino Unido tenemos problemas para hablar con las ciencias políticas. También tenemos un problema similar con la psicología, donde hoy se dan por sentado supuestos que nosotros deconstruimos hace tiempo. Y esto no sólo afecta a las ciencias sociales. Por ejemplo los biólogos comenzaron a darse cuenta de que la teoría dar-winiana estándar no era suficiente como para explicar la cultura. Entonces ahora aparece la Teoría de la Construcción de Nicho, es decir, la idea de que los humanos son animales que continuamente están construyendo su nicho y que los efectos de esa construcción condicionan la forma en que las futuras generaciones viven. Pero están reinventando la pólvora. Esa idea está bien establecida en antropología desde hace tiempo. Lo único que agregaron es la formalización. Lo hacen de una manera matemática de modo que la gente del ámbito de las ciencias naturales pueda entender esa idea y respetarla. No están preparados para entender o respetar una teoría si no está planteada de esa forma. No es tanto una nueva teoría, entonces, sino una traducción a un nuevo lenguaje de algo que ya sabíamos hace tiempo. Por eso que pienso que una de las principales tareas de la antropología es demostrar que hay formas distintas de ver las cosas, diferentes a lo que hoy es corriente en economía o en psicología. En ese sentido la antropología es una disciplina antidisciplinaria ya que está contra la idea de que todo el terreno del conocimiento puede dividirse en diferentes países, que estudian diferentes disciplinas. Además, la antropología es totalmente antiacadémica. Nos apoyamos en el mundo académico para existir pero siempre desafiando el modelo académico de producción de conocimiento. La antropología nos dice todo el tiempo que la gente con la que trabajamos es la que conoce lo que pasa, que deberíamos aprender de ellos.

Usted fue uno de los primeros en criticar la separación que se hizo a lo largo de la historia entre naturaleza y cultura. Este es un debate que se está dando ahora en otras disciplinas, fuera de la antropología. Y si bien hay un acuerdo respecto de que hay que superar esa división no parece existir un acuerdo hacia dónde se dirige esa alternativa, ¿Cuál sería su propuesta?

Mi propuesta es procesual, relacional y vinculada con el desarrollo o crecimiento. Los conceptos de naturaleza y cultura son sustantivos. Tendemos a pensar en el mundo como algo que ya existe de entrada. Pero en vez de esto, supongamos que el mundo del que hablamos es un mundo que se está haciendo todo el tiempo, que no es nunca el mismo de un momento al otro. En cada momento este mundo se esta revelando, desarrollando. Tenemos entonces que pensar en términos de verbos, más que de sustantivos, como algo que se está convirtiendo en lo que es. Y entonces podemos pensar en las formas que vemos como surgiendo de ese proceso. Por ejemplo, el biólogo supone que la forma ya está prefigurada en el ADN de un organismo y la única cosa que hace la vida es revelar esa forma. La alternativa que propongo es pensar que esas formas de vida, de organismos, de artefactos, son patrones emergentes que surgen de un proceso de desarrollo o crecimiento que se está llevando a cabo de manera continua. Las formas surgen del proceso que les da lugar. Hay que empezar a hablar de desarrollo entonces.

¿Habla del desarrollo a nivel de los individuos o de los grupos?

No veo que haya individuos versus grupos. El organismo es un lugar en un campo de relaciones. Volvamos otra vez al paisaje: se puede tomar un lugar dentro de ese paisaje y ese lugar estará creciendo, se estará desarrollando: eso es el organismo. Tenemos que dejar de pensar en individuos y grupos y comenzar a pensar en posicionalidad, en lugares o puntos en un campo de relaciones. Eso es lo que me satisface de la Teoría de los Sistemas de Desarrollo, que permite pensar en esos términos. Por ejemplo, normalmente se piensa en las habilidades como transmitidas de una generación a la otra. Para mí, nada se transmite. Las habilidades crecen de nuevo, se recrean con cada generación. Lo que una generación contribuye a la siguiente son los contextos de aprendizaje en los cuales los novicios pueden redescubrir por ellos mismos lo que sus predecesores ya conocían. Vamos a un ejemplo: supongamos que hay un granjero que tiene una granja y que muchas generaciones después sus descendientes siguen cultivando esa granja. La gente que se enmarca dentro de la Teoría de Construcción de Nicho diría que ese es un ejemplo de herencia ecológica, ya que el primer granjero creó un nicho y se los pasó a sus descendientes. Pero la realidad es que esa tierra cambió. En un sentido legal se puede decir que el descendiente heredó la tierra pero en un sentido práctico el descendiente trabaja esa tierra y la mantiene productiva gracias a su trabajo. Así seguramente usó técnicas totalmente distintas a las que usaba su abuelo. Y descubrió las cosas que conocía su abuelo pero al mismo tiempo descubrió cosas nuevas. El trabajo de una generación armó las condiciones del trabajo de la siguiente. Y eso no es otra cosa que la historia. Lo cual nos lleva a que hay que romper la división entre historia y evolución. No podemos tener una teoría en historia y otra en evolución. Necesitamos una teoría general de la evolución que se enfrente al darwinismo, como hizo la teoría de Einstein respecto de la de Newton. La física newtoniana sirve, funciona, pero sabemos que no es del todo correcta y que el universo no funciona exactamente así. Lo mismo pasa con el paradigma darwiniano: funciona la mayor parte del tiempo pero en lo que respecta a la historia humana no es exactamente así. Necesitamos una teoría para la cual el darwinismo sea un caso especial.

En el mapa académico usted no parece una figura fácilmente clasificable. ¿Usted, cómo se definiría?

Bueno es gracioso porque yo siempre me pensé como un antropólogo. Siempre pensé que la antropología es la única disciplina que puede unir a las ciencias naturales y a las humanidades, de una forma que no sea reduccionista y sin sacarlas de la realidad, sino comprometida con ella. Pero fui en esa dirección y al hacerlo me alejé cada vez más de la antropología tal como se practica hoy. Creo que eso habla también de lo que le pasó a la antropología en estos últimos tiempos: por lo menos en Gran Bretaña: está fuera de los debates importantes. En los debates que se escuchan en los medios, uno ve historiadores, psicólogos, biólogos pero no se ven antropólogos. Están por fuera de todas las grandes preguntas: qué significa ser humano, los problemas ambientales, etcétera. Los antropólogos tienen cosas terriblemente importantes para decir sobre eso pero, en cambio, se escuchan a los economistas o psicólogos difundiendo malentendidos que nos llevará años corregir. Esto no es enteramente culpa de los antropólogos, porque la popularización de la ciencia en los medios depende de una fórmula particular. Si se trabaja en publicidad hay que ser muy consciente de lo que la gente quiere o piensa, darle un giro y venderlo bajo una nueva forma. La popularización de la ciencia hace exactamente eso. Toma lo que la gente piensa, le da un nuevo enfoque y se lo ofrece de nuevo al público diciéndole que es el último adelanto en investigación científica. Obviamente los antropólogos no están preparados para jugar ese juego. La antropología trabaja para poner todas las certezas en cuestión. Y eso a la gente no le gusta. Por eso a la antropología le resulta difícil venderse sin comprometer sus principios. Pero tampoco me parece bien que se hayan abandonado las grandes preguntas. Para despertar algún interés, la antropología debería hacerse esas preguntas. La disciplina está sufriendo una cierta crisis de confianza, posiblemente relacionada con un ambiente académico inseguro: no hay muchos puestos laborales y por eso los estudiosos se ocupan de los temas pequeños, tratando de sobrevivir enfatizando el tema que sienten que los hace diferentes. Y eso no es una buena estrategia si querés salir al ruedo público y hacer ruido.

¿Qué nota de distinto entre la antropología británica y la que se hace en los distintos países de Latinoamérica?

Durante esta visita me encontré con gente de la Universidad de San Martín y fue muy interesante porque, por un lado la antropología que ellos están enseñando es una antropología social muy tradicional, la que me era familiar en los sesenta, cuando era estudiante. Pero ellos me dicen que esa antropología significa algo muy diferente en la Argentina. Porque aquí la antropología política se compromete con las peleas que se están dando en el país mientras que en Gran Bretaña la antropología política está desconectada de la vida política de la nación. Otro es el caso de Brasil: están muy influenciados por Francia y Norteamérica pero son lo suficientemente fuertes, ingeniosos y poderosos como para desarrollar sus propias aproximaciones. Del resto de Latinoamérica no puedo hablar demasiado.

Finalmente, ¿cuál es el papel que tiene la antropología en esta época?

Todas las disciplinas tienen subidas y bajadas. Hay momentos en que algunas son muy poderosas y llevan la delantera a las demás. En los años 50 y principios de los 60 la antropología iba a la vanguardia. Los antropólogos británicos eran líderes entre los intelectuales: Edmond Leach, Evans Pritchard, Raymond Firth, estaban en la radio, escribían en los diarios, eran figuras públicas. Hoy en día eso no pasa y hay otras disciplinas que tomaron la delantera. Creo que ese es uno de los resultados de la tendencia contemporánea de la antropología a retrotraerse dentro de la etnografía y olvidarse las grandes preguntas.

Somos todos eles: o poema onomatotêmico de André Vallias (Folha de S.Paulo)

06/01/2013 – 03h00

EDUARDO VIVEIROS DE CASTRO – 

ESPECIAL PARA A FOLHA

Tudo começou quando uma porção de gente de outros lugares do Brasil incluiu “Guarani Kaiowá” em seu identificador pessoal nas redes sociais, afirmando assim sua solidariedade política e espiritual com este povo indígena do Mato Grosso do Sul.

Os Kaiowá são um dos três subgrupos em que se divide a grande nação Guarani, espalhada entre o Paraguai, o Brasil, a Argentina e a Bolívia. A situação dos Kaiowá, que habitam um estado arrasado pela monocultura de exportação, é uma das mais terríveis por que passam as minorias étnicas do planeta, implacavelmente ignoradas, quando não deliberadamente exterminadas, pelos entes soberanos nacionais e pelos interesses econômicos internacionais.

Os Kaiowá ganharam notoriedade com a divulgação de uma carta indignada, dirigida às autoridades pelos membros de um de seus “acampamentos” de beira de estrada ou fundo de pasto (a isto estão reduzidos).

Cansados de serem perseguidos, escorraçados e assassinados por fazendeiros, políticos e outros próceres de nossa brava nação brasileira, pediam que os matassem todos de uma vez antes que aos pouquinhos. Essa carta furou o muro de silêncio hipócrita que costuma impedir que as vozes indígenas sejam ouvidas pelos demais cidadãos do país, e, graças ao circuito informal das redes sociais da internet, acabou tendo que ser divulgada pela mídia convencional.

Quando todos -todos, isto é, todos aqueles que dizemos “todos” como um grito de raiva e de guerra- passaram a se assinar “Fulano Guarani Kaiowá”, era como se o Brasil tivesse descoberto outro Brasil. Um Brasil que sempre esteve lá, que estava e que continua lá. Ou melhor, que está aqui, que é daqui. Os Munduruku são daqui. Os Xavantes são nosso parentes. Os Kaiowá somos nós.

Os índios não são “nossos índios”. Eles não são “nossos”. Eles são nós. Nós somos eles. Todos nós somos todos eles. Somos outros, como todos. Somos deste outro país, esta terra vasta que se vai devastando, onde ainda ecoam centenas, milhares de gentílicos, etnônimos, nomes de povos, palavras estranhas, gramáticas misteriosas, sons inauditos, sílabas pedregosas mas também ditongos doces, palavras que escondem gentes e línguas de que sequer suspeitávamos os nomes.

Nomes que mal sabemos, nomes que nunca ouvimos, mas vamos descobrindo.

Totemismo

O narrador da “História do Cerco de Lisboa”, de José Saramago, observava: “Os homens só conseguem dizer o que são se puderem alegar que são outra coisa”. Definição perfeita do que a antropologia chamava de “totemismo”, forma de organização dos povos ditos primitivos caracterizada pela associação onomástica entre um subgrupo humano e uma espécie natural, frequentemente considerada como o antepassado mítico do grupo.

Os diferentes coletivos de parentesco ou de residência em que se divide a sociedade são assim distinguidos por nomes, emblemas e práticas ligadas a uma ou mais espécies animais ou vegetais, a astros, elementos da paisagem etc. Sem essas “outras coisas”, os homens não conseguiriam dizer “o que são”, isto é, como são diferentes uns dos outros, e por isso se ligam uns aos outros.

No fim das contas, todo nome é sempre isso, uma alegação que pede uma ligação, o apelo a uma outra coisa (do) que se é. Nomear é repetir o ser com uma diferença. Este é o método do totem. Não saia ao mato sem um.

Os índios do noroeste da América do Norte, artistas refinadíssimos, esculpiam mastros monumentais de madeira nobre, onde dispunham verticalmente as figuras de seus animais e espíritos totêmicos. Na linguagem corrente, costuma-se usar a palavra “totem” para designar estes mastros, que eram verdadeiras listas icônicas dos nomes do grupo.

O poema de Andre Vallias é isso -um totem. Um poema que diz o que somos, quem somos, nosso nomes, os nomes de nossos “antepassados” míticos que nos distinguem no desconcerto das nações. Uma lista sempre inacabada, nomes que surgem e nomes que desaparecem, nomes inventados, nomes sonhados, nomes equivocados, nomes dados por outrem, nomes de um na língua de outro, às vezes meros garranchos nos livros-registros do Estado, ganchos onde os brancos penduram sua ignorância e sua arrogância. Meros nomes.

Entretanto, como dizem os Daribi da Nova Guiné (apud Roy Wagner): “Um homem é uma coisa de nada. Mas quando se ouve seu nome, ele se torna algo grande”.

Nomes dos povos, nomes dos índios, nomes de nosso tios. Somos todos como Antônio de Jesus, aliás Tonho Tigreiro, aliás Macuncôzo, aliás Bacuriquepa, o onceiro de “Meu Tio, o Iauaretê”, o conto espantoso de Guimarães Rosa. O mestiço de branco com índia que, depois de passar a vida perseguindo o animal totêmico de seu povo, o Jaguar, volta para os seus, renega o pai branco, desvira branco e vira onça, isto é, revira índio. Assume assim o nome da mãe, o nome do tio materno.

Estamos no matriarcado antropofágico profetizado por Oswald de Andrade; mas aqui sob a forma de tragédia. A lição do conto de Rosa é sombria: mestiço que volta a ser índio, branco mata. E nem lembra o nome.

Todo povo é um nome. Todo nome é um meme. Uma memória sonora que não vai-se embora. Que este totem de Andre Vallias em forma de onomatopoema possa dar um sentido mais puro às palavras da tribo.

Nota do editor
Este texto foi escrito como apresentação do poema “Totem”, de André Vallias, para a exposição realizada no Espaço Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro

06/01/2013 – 03h00

Totem

ANDRÉ VALLIAS

sou guarani kaiowá
munduruku, kadiwéu
arapium, pankará
xokó, tapuio, xeréu

yanomami, asurini
cinta larga, kayapó
waimiri atroari
tariana, pataxó

kalapalo, nambikwara
jenipapo-kanindé
amondawa, potiguara
kalabaça, araweté

migueleno, karajá
tabajara, bakairi
gavião, tupinambá
anacé, kanamari

deni, xavante, zoró
aranã, pankararé
palikur, ingarikó
makurap, apinayé

matsés, uru eu wau wau
pira-tapuya, akuntsu
kisêdjê, kinikinau
ashaninka, matipu

sou wari’, nadöb, terena
puyanawa, paumari,
wassu-cocal, warekena
puroborá, krikati
ka’apor, nahukuá
jiahui, baniwa, tembé
kuikuro, kaxinawá
naruvotu, tremembé

kuntanawa, aikanã
juma, torá, kaxixó
siriano, pipipã
rikbaktsá, karapotó

krepumkateyê, aruá
kaxuyana, arikapu
witoto, pankaiuká
tapeba, karuazu

desana, parakanã
jarawara, kaiabi
fulni-ô, apurinã
charrua, issé, nukini

aweti, nawa, korubo
miranha, kantaruré
karitiana, marubo
yawalapiti, zo’é

parintintin, katukina
wayana, xakriabá
yaminawá, umutina
avá-canoeiro, kwazá

sou enawenê-nawê
chiquitano, apiaká
manchineri, kanoê
pirahã, kamaiurá

jamamadi, guajajara
anambé, tingui-botó,
yudjá, kambeba, arara
aparai, jiripancó

krenak, xerente, ticuna
krahô, tukano, trumai
patamona, karipuna
hixkaryana, waiwai

katuenayana, baré
menky manoki, truká
kapinawá, javaé
karapanã, panará

sakurabiat, kaingang
kotiria, makuxi
maxakali, taurepang
aripuaná, paresi

iranxe, kamba, tuxá
tapirapé, wajuru
mehinako, kambiwá
ariken, pankararu

sou guajá, djeoromitxi
koiupanká, tunayana
ikolen, dow, wajãpi
amawáka, barasana

kubeo, kulina, ikpeng
ofaié, hupda, xipaya
suruí paiter, xokleng
tupiniquim, kuruaya

zuruahã, galibi
tsohom-dyapa, waujá
xukuru, kaxarari
tuyuka, tumbalalá

borari, amanayé
hi-merimã, aikewara
kujubim, arikosé
arapaço, turiwara

kalankó, pitaguary
shanenawa, tapayuna
coripaco, kiriri
kaimbé, kokama, makuna

matis, karo, banawá
chamacoco, tenharim
tupari, krenyê, bará
wapixana, oro win

sateré mawé, guató
xetá, bororo, atikum
ye’kuana, tiriyó
canela, mura, borum

 

Sobre o texto
“Totem” foi concebido pelo poeta André Vallias para ser reproduzido em 13 metros de comprimento, no chão do centro cultural Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro (rua Visconde de Pirajá, 54, de sábado, 12, a 31/3, de terça a domingo, das 13h às 21h. Grátis). Vallias criou uma tipologia especial para apresentar o poema na mostra, além de um totem multimídia e uma vitrine com informações sobre as 223 etnias citadas.

Quando o controle remoto não resolve (Carta Maior)

Durante muito tempo a crítica da mídia esteve restrita às universidades e a alguns sindicatos de jornalistas ou radialistas. Hoje a internet tem um papel importante na ampliação desse debate. Mas na academia houve um retrocesso.

Laurindo Lalo Leal Filho  – 14/12/2012

(*) Artigo publicado originalmente na Revista do Brasil, edição de dezembro de 2012.

Jornais, revistas, o rádio e a televisão tratam de inúmeros assuntos, quase sem restrição. Apenas um assunto é tabu: eles mesmos.

Durante muito tempo a crítica da mídia esteve restrita às universidades e a alguns sindicatos de jornalistas ou radialistas. Hoje a internet tem um papel importante na ampliação desse debate.

Mas na academia houve um retrocesso. O programa “Globo Universidade”, das Organizações Globo, tem parcela importante de responsabilidade nessa mudança. Surgiu com o objetivo de neutralizar aquela que era uma das poucas áreas onde se realizava uma análise crítica sistemática dos meios de comunicação.

Passou a financiar laboratórios de pesquisa e eventos científicos e, com isso, o objeto de investigação, no caso a própria Globo, tornou-se patrocinador do investigador, retirando da pesquisa a necessária isenção.

Fez na comunicação o que a indústria farmacêutica faz com a medicina há muito tempo, bancando viagens e congressos médicos para propagandear remédios.

O resultado prático pode ser visto no número crescente de trabalhos acadêmicos sobre o uso de novas tecnologias associadas à TV e as formas de aplicação dos seus resultados pelo mercado.

Enfatizam cada vez mais o papel do receptor como elemento capaz de selecionar, a seu critério, os conteúdos que lhe interessam.

Fazem, dessa forma, o jogo dos controladores dos meios, retirando deles a responsabilidade por aquilo que é veiculado. Fica tudo nas costas do pobre receptor, como se ele fosse dono de um livre-arbítrio midiático.

Esquecem o fenômeno da concentração dos meios que reduz o mundo a uma pauta única, com pouca diferenciação entre os veículos.

Dizem em linguagem empolada o que empresários de TV costumam expressar de modo simples: “o melhor controle é o controle remoto”. Como se ao mudar de canal fosse possível ver algo muito diferente.
Cresce também o número de empresas de comunicação oferecendo cursos até em universidades públicas retirando dessas instituições o espaço do debate e da critica.

Saem dos cursos de comunicação jovens adestrados para o mercado, capazes de se tornarem bons profissionais. No entanto, a débil formação geral recebida os impedirá de colocar os conhecimentos obtidos a serviço da cidadania e da transformação social.

O papel político desempenhado pelos meios de comunicação e a análise criteriosa dos conteúdos emitidos ficam em segundo plano, tanto na pesquisa como no ensino.

Foi-se o tempo em que, logo dos primeiros anos do curso, praticava-se a comunicação comparada com exercícios capazes de identificar as linhas político-editoriais adotadas pelos diferentes veículos.

Caso fosse aplicada hoje mostraria, com certeza, a uniformidade das pautas com jornais e telejornais reduzindo os acontecimentos a meia dúzia de fatos capazes de “render matéria”, no jargão das redações.

Mas poderia, em alguns momentos excepcionais, realçar diferenças significativas, imperceptíveis aos olhos do receptor comum.

Como no caso ocorrido logo após a condenação de José Dirceu pelo STF. Ao sair de uma reunião, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Jilmar Tatto foi abordado por vários repórteres.

Queriam saber sua opinião sobre o veredicto do Supremo. Claro que ele deu apenas uma resposta mas para quem viu os telejornais da Rede TV e da Globo foram respostas diferentes.

Na primeira Tatto dizia: “a Corte tem autonomia soberana e pagamos alto preço por isso. E só espero que esta jurisprudência usada pelo STF continue e que tenha o mesmo tratamento com os acusados do PSDB”. Na Globo a frase sobre o “mensalão tucano” desapareceu.

Em casa o telespectador, mesmo vendo os dois jornais, dificilmente perceberia a diferença entre ambos, dada a seqüência rápida das imagens.

Mas para a universidade seria um excelente mote de pesquisa cujos resultados teriam uma importância sócio-política muito maior do que longos discursos sobre transmídias e receptores.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.

New York Post Helps NYPD Slander Occupy Wall Street (Again) (Village Voice)

By Nick Pinto Thu., Jan. 3 2013 at 2:57 PM

morgangliedman.jpgFacebook – Morgan Gliedman was arrested with Aaron Greene, who the Post incorrectly linked to Occupy Wall Street.

When police raided the West Village apartment of Morgan Gliedman and Aaron Greene on Saturday, the New York Post was first to the story.

It was the sort of story that was right in the Post‘s wheelhouse. Gliedman, 27, nine months pregnant, the daughter of a prominent doctor and the product of a Park-Avenue-and-Dalton upbringing, and Greene, a Harvard alumnus, caught in a filthy den of drugs, decadence, and bomb-making materials just blocks from the townhouse where Weather Underground bomb-makers accidentally blew themselves up decades before.

The story also had another element that appears to becoming a Post signature: citing anonymous sources, apparently from within the NYPD, Post reporters Jamie Schram, Antonio Antenucci, and Matt McNulty reported that Greene had ties to Occupy Wall Street. The assertion was right up top in the story’s lead sentence:

“The privileged daughter of a prominent city doctor, and her boyfriend — a Harvard grad and Occupy Wall Street activist — have been busted for allegedly having a cache of weapons and a bombmaking explosive in their Greenwich Village apartment.”

The Occupy association was quickly picked up and rebroadcast by both Reuters and the Associated Press.

Needless to say, the Occupy angle was red meat to FBI-informant-turned-right-wing-bloviator Brandon Darby, who used the link to justify the recent revelation (dropped on the deadest Friday afternoon of the year) that the FBI had indeed been centrally involved in nationwide surveillance of the Occupy movement.

The thing is, the story didn’t hold up. People involved in Occupy Wall Street had no memory of ever encountering Greene. And by the first afternoon, the Occupy link was already being stepped back in the media. As the Associated Press reported, Police Commissioner Ray Kelly suggested that the question of radical affiliations was still open:

“No political writings were discovered, and Kelly said the investigation was continuing into whether the couple had any larger plans or ties to any radical groups.”

That evening, the Daily Beast called the whole scenario into question with a post entitled “NY Couple Not Terrorists, Say Cops, Just Rich Kids With Drug Habits

By the next day, the NYPD was in the Times fully contradicting the Post’s initial Occupy claims:

“But the police said they did not believe that Mr. Greene was active in any political movements.”

Even so, activists, say, the damage had already been done. None of the outlets ran corrections, and most of the initial stories are still online.

It’s worth noting that this isn’t the first time that the Post — and more specifically, Schram, one of its top cop reporters — has been a conduit for vaguely sourced and ultimately baseless police claims linking scary high-profile crimes to Occupy Wall Street.

In July, Schram co-authored a cover story for the Post under the screaming front-page headline “OWS Murder Link,” citing the claims of anonymous sources that the cold-case murder of a jogger in Inwood had been linked by DNA to a chain used to hold open subway doors during a fare strike by transit workers and Occupy activists last winter. The local NBC affiliate did the same.

That story too was quickly rolled back, as officials conceded that in fact the match was far more likely to have resulted from sloppy lab work, but not before the fabricated link had been picked up by media outlets far and wide.

Occupy Wall Street is now pushing back. An online petition decrying the Post story is approaching 1,000 signatures.

Some activists see a pattern emerging, in which the NYPD uses it’s cozy relationship with the Post to put out anonymous slanders of a nonviolent social-justice movement without having to get its hands dirty.

Whether or not that’s the case, the fact that his has happened twice now raises real questions about the Post’s policies governing the use of anonymous law-enforcement sources and its commitment to correcting factually inaccurate reporting.

Kelly McBride, the senior ethics faculty at the Poynter Institute, told the Voice the Post is definitely doing this wrong:

“In a case like this, the best practices would suggest that The Post is definitely obligated to correct their mistake, both by updating the online version of the story and noting the error, as well as printing a correction in the paper to inform people who saw the mistake there.”

We emailed both Schram and the Post’s PR office for comment, but haven’t heard back yet. We’ll update the post if we do.

UPDATEMore Misreporting On the West Village Explosives Arrests

Previous Coverage:

Biologists Unlock ‘Black Box’ to Underground World: How Tiny Microbes Make Life Easier for Humans (Science Direct)

Jan. 2, 2013 — A BYU biologist is part of a team of researchers that has unlocked the “black box” to the underground world home to billions of microscopic creatures.

That first peek inside, recently published in the Proceedings of the National Academy of Sciences, may well explain how the number of species in an ecosystem changes the way it functions.

“The organisms that live in soil do all kinds of important things for us — they decompose and decontaminate our waste and toxic chemicals, purify our water, prevent erosion, renew fertility,” said BYU biology professor Byron Adams, a study coauthor. “But we know very little about how they do this. What species need to be present? What are the different jobs that we need them to do?”

For their analysis, Adams and his colleagues took 16 soil samples from all reaches of the globe, from Antarctica to tropical forest locations, extracted the DNA out of all the organisms in each sample, and sequenced it.

With information about the genome (the complete set of its DNA and all of its genes) of each microbe in the soil, the researchers were able to see which organisms do what, and whether or not their functional roles are redundant or unique.

“People think you’re going to pick up a handful of dirt anywhere in the world and you’ll pretty much have the same bunch of microbes doing pretty much the same things,” Adams said. “That’s simply not true. They function very differently based on their environment. And when you have more species, you get more, and different functions.”

Having several different species that do the same job might mean that if one species goes extinct then the others can pick up the slack. On the other hand, in ecosystems like deserts, where there are few species and even fewer jobs, removing some species could result in collapse, or failure of the ecosystem to provide the services we need.

Understanding the relationship between biodiversity and the different jobs that soil microbes do is a first step towards understanding how to better harness these organisms in order to prevent the collapse of the very systems that provide critical ecosystem services, such as fertile soil and clean water.

“The most obvious applications of this understanding will probably be in agricultural ecosystems,” Adams said.

A better understanding of below-ground ecosystems can help humans predict how those systems will respond to things such as climate change or perturbations to the soil from mining, drilling or waste. And, hopefully, that understanding can help prevent agricultural or environmental catastrophes.

“We’ve been walking around on soil since the beginning of time and never really knew what was going on underneath us,” Adams said. “Now we will be able to make predictions of how ecosystems function, what causes them to collapse, and perhaps even predict, where collapses will take place and how we can prevent them.”

The lead author on the study was Noah Fierer, an associate professor of Ecology and Evolutionary Biology at the University of Colorado, Boulder.

The researchers’ data also may have something to say about how new species form. For centuries it was thought that geographic barriers (like mountains, peninsulas, rivers and deserts) were the primary engines of speciation. However, it could be that interactions with other species are just as important.

The authors believe this study will open up significant additional research addressing speciation and the evolution of microbial communities.

Journal Reference:

  1. N. Fierer, J. W. Leff, B. J. Adams, U. N. Nielsen, S. T. Bates, C. L. Lauber, S. Owens, J. A. Gilbert, D. H. Wall, J. G. Caporaso. Cross-biome metagenomic analyses of soil microbial communities and their functional attributesProceedings of the National Academy of Sciences, 2012; 109 (52): 21390 DOI:10.1073/pnas.1215210110

‘Universal’ Personality Traits Don’t Necessarily Apply to Isolated Indigenous People (Science Direct)

Jan. 3, 2013 — Five personality traits widely thought to be universal across cultures might not be, according to a study of an isolated Bolivian society.

Researchers who spent two years looking at 1,062 members of the Tsimane culture found that they didn’t necessarily exhibit the five broad dimensions of personality — openness, conscientiousness, extraversion, agreeableness and neuroticism — also known as the “Big Five.” The American Psychological Association’s Journal of Personality and Social Psychologypublished the study online Dec. 17.

While previous research has found strong support for the Big Five traits in more developed countries and across some cultures, these researchers discovered more evidence of a Tsimane “Big Two:” socially beneficial behavior, also known as prosociality, and industriousness. These Big Two combine elements of the traditional Big Five, and may represent unique aspects of highly social, subsistence societies.

“Similar to the conscientiousness portion of the Big Five, several traits that bundle together among the Tsimane included efficiency, perseverance and thoroughness. These traits reflect the industriousness of a society of subsistence farmers,” said the study’s lead author, Michael Gurven, PhD, of the University of California, Santa Barbara. “However, other industrious traits included being energetic, relaxed and helpful. In small-scale societies, individuals have fewer choices for social or sexual partners and limited domains of opportunities for cultural success and proficiency. This may require abilities that link aspects of different traits, resulting in a trait structure other than the Big Five.”

The Tsimane, who are forager-farmers, live in communities ranging from 30 to 500 people dispersed among approximately 90 villages. Since the mid-20th century, they have come into greater contact with the modern world but mortality rates remain high (approximately 20 percent of babies born never reach age 5) and the fertility rate is very high (approximately nine births per woman), the study said. Most Tsimane are not formally educated, with a literacy rate close to 25 percent. Some 40 percent speak Spanish in addition to their native language. They live in extended family clusters that share food and labor and they limit contact with outsiders unless absolutely necessary, according to the authors.

Researchers translated into the Tsimane language a standard questionnaire that assesses the Big Five personality traits. Between January 2009 and December 2010, they interviewed 632 adults from 28 villages. The sample was 48 percent female with an average age of 47 years (ranging from 20 to 88) and little more than a year of formal education.

Researchers also conducted a separate study between March 2011 and January 2012 to gauge the reliability of the model when answered by peers. They asked 430 Tsimane adults, including 66 people from the first study, to evaluate their spouse’s personality. The second study revealed that the subject’s personality as reported by his or her spouse also did not fit with the Big Five traits.

The researchers controlled for education level, Spanish fluency, gender and age. Previous research has suggested that formal schooling and greater interaction with others, such as when villagers venture to markets in other towns, can lead to more abstract reflection and may be one reason why the Big Five replicates in most places, according to the authors. However, there were no significant differences between the less educated, Tsimane-only speakers and the more educated bilingual participants.

Other recent research, some of which was outlined in an article in the American Psychologist, has shown the existence of Big Five personality traits may be lacking in some developing cultures, particularly in Asia and Africa, but this is the first study of a large sample of an exclusively indigenous population completed with rigorous methodological controls, according to Gurven. He suggested personality researchers expand beyond the limited scope of more Western, industrialized and educated populations. “The lifestyle and ecology typical of hunter-gatherers and horticulturalists are the crucible that shaped much of human psychology and behavior,” he said. “Despite its popularity, there is no good theory that explains why the Big Five takes the form it does, or why it is so commonly observed. Rather than just point out a case study where the Big Five fails, our goal should be to better understand the factors that shape personality more generally.”

The study was part of the University of California-Santa Barbara’s and University of New Mexico’s Tsimane Health and Life History Project, co-directed by Gurven and study co-author Hillard Kaplan, PhD, of the University of New Mexico, and was funded by the National Institute on Aging.

Journal Reference:

  1. Michael Gurven, Christopher von Rueden, Maxim Massenkoff, Hillard Kaplan, Marino Lero Vie. How Universal Is the Big Five? Testing the Five-Factor Model of Personality Variation Among Forager–Farmers in the Bolivian Amazon.Journal of Personality and Social Psychology, 2012; DOI: 10.1037/a0030841

Disease Burden Links Ecology to Economic Growth (Science Direct)

Dec. 27, 2012 — A new study, published Dec. 27 in the open access journal PLOS Biology, finds that vector-borne and parasitic diseases have substantial effects on economic development across the globe, and are major drivers of differences in income between tropical and temperate countries. The burden of these diseases is, in turn, determined by underlying ecological factors: it is predicted to rise as biodiversity falls. This has significant implications for the economics of health care policy in developing countries, and advances our understanding of how ecological conditions can affect economic growth.

According to conventional economic wisdom, the foundation of economic growth is in political and economic institutions. “This is largely Cold War Economics about how to allocate property rights — with the government or with the private sector,” says Dr Matthew Bonds, an economist at Harvard Medical School, and the lead author of the new study. However, Dr Bonds and colleagues were interested instead in biological processes that transcend such institutions, and which might form a more fundamental economic foundation.

The team was intrigued by the fact that tropical countries are generally composed of poor agrarian populations while countries in temperate regions are wealthier and more industrialized. This distribution of income is inversely related to the burden of disease, which peaks at the equator and falls along a latitudinal gradient. Although it is common to conclude that economics drives the pattern of disease, the authors point out that most of the diseases that afflict the poor spend much of their life-cycle outside the human host. Many cannot even survive outside the tropics. Their distribution is largely determined by ecological factors, such as temperature, rainfall, and soil quality.

Because of the high correlations between poverty and disease, determining the effects of one on the other was the central challenge of their statistical analysis. Most previous attempts to address this topic ignored disease ecology, argue Bonds and colleagues. The team assembled a large data set for all of the world’s nations on economics, parasitic and infectious vector-borne diseases, biodiversity (mammals, birds and plants) and other factors. Knowing that diseases are partly determined by ecology, they used a powerful set of statistical methods, new to macroecology, that allowed variables that may have underlying relationships with each other to be teased apart.

The results of the analysis suggest that infectious disease has as powerful an effect on a nation’s economic health as governance, say the authors. “The main asset of the poor is their own labor,” says Dr Bonds. “Infectious diseases, which are regulated by the environment, systematically steal human resources. Economically speaking, the effect is similar to that of crime or government corruption on undermining economic growth.”

This result has important significance for international aid organizations, as it suggests that money spent on combating disease would also stimulate economic growth. Moreover, although diversity of human diseases is highly correlated with diversity of surrounding species, the study indicates that the burden of such human disease actually drops when biodiversity rises. The analysis is inconclusive about why this effect is so strong. The authors suggest that competition and predation limit the survival of disease vectors and free-living parasites where biodiversity is high. The research sets the stage for a number of future analyses that need to lay bare the relationship between health care funding and economic development.

Journal Reference:

  1. Matthew H. Bonds, Andrew P. Dobson, Donald C. Keenan.Disease Ecology, Biodiversity, and the Latitudinal Gradient in IncomePLoS Biology, 2012; 10 (12): e1001456 DOI: 10.1371/journal.pbio.1001456

Bonobos Will Share With Strangers Before Acquaintances (Science Direct)

Jan. 2, 2013 — You’re standing in line somewhere and you decide to open a pack of gum. Do you share a piece with the coworker standing to one side of you, or with the stranger on the other?

This is an infant bonobo feeding on papaya. (Credit: Jingzhi Tan)

Most humans would choose the person they know first, if they shared at all.

But bonobos, those notoriously frisky, ardently social great apes of the Congo, prefer to share with a stranger before sharing with an animal they know. In fact, a bonobo will invite a stranger to share a snack while leaving an acquaintance watching helplessly from behind a barrier.

“It seems kind of crazy to us, but bonobos prefer to share with strangers,” said Brian Hare, a professor of evolutionary anthropology at Duke University. “They’re trying to extend their social network.” And they apparently value that more than maintaining the friendships they already have.

To measure this willingness to share, Hare and graduate student Jingzhi Tan ran a series of experiments with bonobos living in the Lola ya Bonobo sanctuary in Kinshasa, Democratic Republic of Congo. The experiments involved piles of food and enclosures that the test subjects were able to unlock and open. Tan and Hare describe their work in a paper in the Jan. 2, 2013 edition of PLOS ONE.

In the first series of experiments, a pile of food was placed in a central enclosure flanked by two enclosures, each of them holding another animal. The test subject had the knowledge and ability to open a door to either of the other chambers, or both. On one side was a bonobo they knew from their group (not necessarily a friend or family member) and in the other was a bonobo they had never really met, but had only seen at a distance.

Upon entering the chamber with the food, the test subjects could easily just sit down and consume it all themselves, or they could let in one or both of the other animals to share.

Nine of the 14 animals who went through this test released the stranger first. Two preferred their groupmates. Three showed no particular preference in repeated trials. The third animal was often let in on the treat as well, but more often it was the stranger, not the test subject, who opened the door for them.

Tan said that by letting the third animal into the enclosure, the stranger voluntarily outnumbered himself or herself with two bonobos who knew each other, which a chimpanzee would never do. In 51 trials of the experiment, there was never any aggression shown, although there was quite a bit of typical bonobo genital rubbing between the strangers.

To isolate how much motivation the animals receive from social interaction, the researchers ran a second set of experiments in which the subject animal wouldn’t receive any social contact with another animal. In the first of these experiments, the subjects couldn’t get any food for themselves regardless of whether they chose to open the door to allow the other animal to get some food. Nine out of ten animals shared with the stranger at least once.

In the final experiment without social contact, the subject animal was given access to the food in such a way that opening the door to share with the other animal would cost them some food. But they still wouldn’t have any social contact as a reward. In this instance, the animals chose not to share. “If they’re not going to see a social benefit, they won’t share,” Hare said.

This second test is similar to something called the dictator game in which humans are given the chance to share cash with a stranger, Hare said. Most people will share anonymously, but they share even more when they aren’t anonymous. Bonobos won’t share at all in the anonymous condition if it costs them food.

“They care about others,” Hare said, but only in a sort of selfish way. “They’ll share when it’s a low-cost/low-benefit kind of situation. But when it’s a no-benefit situation, they won’t share. That’s different from a human playing the dictator game. You really have to care about others to give anonymously.”

The findings, which Hare calls “one of the crazier things we’ve found” in more than a decade of bonobo research, form yet another distinction between bonobos and chimpanzees, our two closest relatives. “Chimps can’t do these tests, they’d be all over each other.”

The work was funded by the National Science Foundation and the European Research Council.

Journal Reference:

  1. Tan J, Hare B. Bonobos Share with StrangersPLOS ONE, 2013; 8 (1): e51922 DOI:10.1371/journal.pone.0051922

Idle No More: Hints of a Global Super-Movement (The Huffington Post)

Posted: 01/02/2013 4:34 pm

By Jacob Devaney

What started as a murmur in early October from First Nations People in Canada in response to Bill C45 has become a movement that echoes the sentiments of people all over the world, a battle cry of love for the planet, “Idle No More.” At first glance it might appear that this movement is isolated and doesn’t effect you if you are not native or if you don’t live in Canada, yet it does. It may appear that this resistance is not related to The Occupy Movement, The Arab Spring, The Unify Movement, Anonymous, or any of the other popular uprisings sparked by social unrest, but it is.

At its very core, all of these movements have very common threads and are born from common issues facing people everywhere. Those who represent financial interests that value money over life itself, that are devoid of basic respect for human decency, and for nature have dictated the future for too long and people everywhere are standing up to say, “No more.” This non-violent social uprising is viral in the minds and hearts of everyone across the planet determined to bring healing to our troubled communities, our planet, and the corruption that is eroding the highest places of governments around the world.

2013-01-02-idlenomorehuffpo.pngImage by Andy Everson

Flashmobs with dancing and drumming at a malls in Olympia, Wash. Tempe, Ariz., Denver, Colo., a giant circle dance blocking a large intersection in Winnipeg, rail blockades in Quebec, this movement is using cultural expression combined with modern activism to get attention, and it is working. From their website, “Idle No More calls on all people to join in a revolution which honors and fulfills Indigenous sovereignty which protects the land and water. Colonization continues through attacks to Indigenous rights and damage to the land and water.”

Idle No More was started in October by four ladies; Nina Wilson, Sylvia McAdam, Jessica Gordon & Sheelah McLean who felt it was “urgent to act on current and upcoming legislation that not only affects First Nations people but the rest of Canada’s citizens, lands and waters.” On December 11 Attawapiskat Chief, Theresa Spence, launched a hunger strike requesting a face-to-face meeting with Canadian Prime Minister Stephen Harper to discuss broken treaties and protection of natural resources. Spence is staying in a tipi on the frozen Ottawa River facing Parliament Hill and has gained the support from many natives and non-natives who are in solidarity with this movement.

Chief Arvol Lookinghorse from South Dakota recently expressed his support in a letter posted on Facebook that states, “As Keeper of our Sacred White Buffalo Calf Pipe, I would like to send out support for the efforts of Chief Theresa Spence of the Attawapiskat First Nation, for giving of herself through fasting with prayers for the protection of Mother Earth.” He goes on to say,

This effort to protect Mother Earth is all Humanity’s responsibility, not just Aboriginal People. Every human being has had Ancestors in their lineage that understood their umbilical cord to the Earth, understanding the need to always protect and thank her. Therefore, all Humanity has to re-connect to their own Indigenous Roots of their lineage — to heal their connection and responsibility with Mother Earth and become a united voice… All Nations, All Faiths, One Prayer.

Society and nature work in similar ways to our own body’s immune system. We are given a symptom that causes us to be aware that there is an illness that needs to be addressed. We can try to suppress the symptom, but that does not heal the illness. Popular uprisings with very core commonalities are spreading all over the planet. Exploitation of our environment, as well as the exploitation of people and cultures for the sake of financial gain is immoral and must be stopped at the highest levels of our governments. It is possible to have a thriving economy and environmental ethics.

Here in America, the response to Occupy is tucked into NDAA as Washington prepares ways to suppress the symptoms of social discord. Without addressing the illness at its root nothing will change. It is like the mythical Many-Headed Hydra, if you cut one head off, two more will grow back. Popular uprisings will continue here and all over the world until leaders understand that people want real fundamental change in policy. Governments should lead by example if they want to be respected.

With Twitter, Facebook and the internet, these separate movements are finding solidarity with each other and converging as a global super-movement for the planet and all people. The quote used at Unify is, “Everyone, Everywhere, Together” and it is beginning to resonate more than ever.

Each of these movements share a commitment to non-violent revolution in their call to end the exploitation of people and the exploitation of natural resources. Sustainability can be applied to all aspects of social rights, economics and the environment. Social, economic, cultural, and environmental movements, resistance, civil disobedience, flash mobs and more will continue until this is addressed at home and abroad. Whether it is Anonymous and Wikileaks exposing the corruption of governments, or Indians with drums dancing and chanting in a local mall, people everywhere are awakening, speaking up, and acting for the needed changes. It’s time for politicians and religious leaders to get the message everywhere.

It is a simple choice: continue to be part of the cancer that slowly destroys our water, our air and the resources that are the fabric of life by staying unconscious, or become the conscious antidote that slowly kills the cancerous disease which threatens the existence of life on the planet? Is the disease capitalism, corruption, ignorance, greed, The Illuminati, or some combination of all of these things spiralling out of control? It doesn’t matter because it is becoming obvious that there are people from all nationalities, religions, and cultural backgrounds who are determined to resist the progression of imminent destruction. A factory producing monkey wrenches for the gears of the machine which is at the center of our collective demise.

Will the leaders wake up to this in order to play the roles they have sworn to uphold or will they further discredit their position, their institutions, and help to destroy the very systems that they have been entrusted to maintain? Every time Congress represents the will of a few wealthy people over the interests and the well-being of the planet and the people, they do more to subvert and destroy the state than ten thousand people protesting in the streets. When leaders fail, they destroy the trust that holds society together.

Is Harper cold and callous enough to ignore a constituent on hunger strike a short distance from his office? Can he afford to ignore these issues? Can any of us afford to ignore this call to be idle no more?

Take a moment and listen to the eloquent words of an 11-year-old girl in the video below. If a child can understand this, how come world leaders are still silent on making real changes to address these urgent issues?

Please support Idle No More, learn more about the movement, how it effects all of us and get involved. All of our futures depend on it.

Revealed: how the FBI coordinated the crackdown on Occupy (The Guardian)

New documents prove what was once dismissed as paranoid fantasy: totally integrated corporate-state repression of dissent

Naomi Wolf – guardian.co.uk, Saturday 29 December 2012 14.58 GMT

Occupy Oakland clashes

Police used teargas to drive back protesters following an attempt by the Occupy supporters to shut down the city of Oakland. Photograph: Noah Berger/AP

It was more sophisticated than we had imagined: new documents show that the violent crackdown on Occupy last fall – so mystifying at the time – was not just coordinated at the level of the FBI, the Department of Homeland Security, and local police. The crackdown, which involved, as you may recall, violent arrests, group disruption, canister missiles to the skulls of protesters, people held in handcuffs so tight they were injured, people held in bondage till they were forced to wet or soil themselves –was coordinated with the big banks themselves.

The Partnership for Civil Justice Fund, in a groundbreaking scoop that should once more shame major US media outlets (why are nonprofits now some of the only entities in America left breaking major civil liberties news?), filed this request. The document – reproduced here in an easily searchable format – shows a terrifying network of coordinated DHS, FBI, police, regional fusion center, and private-sector activity so completely merged into one another that the monstrous whole is, in fact, one entity: in some cases, bearing a single name, the Domestic Security Alliance Council. And it reveals this merged entity to have one centrally planned, locally executed mission. The documents, in short, show the cops and DHS working for and with banks to target, arrest, and politically disable peaceful American citizens.

The documents, released after long delay in the week between Christmas and New Year, show a nationwide meta-plot unfolding in city after city in an Orwellian world: six American universities are sites where campus police funneled information about students involved with OWS to the FBI, with the administrations’ knowledge (p51); banks sat down with FBI officials to pool information about OWS protesters harvested by private security; plans to crush Occupy events, planned for a month down the road, were made by the FBI – and offered to the representatives of the same organizations that the protests would target; and even threats of the assassination of OWS leaders by sniper fire – by whom? Where? – now remain redacted and undisclosed to those American citizens in danger, contrary to standard FBI practice to inform the person concerned when there is a threat against a political leader (p61).

As Mara Verheyden-Hilliard, executive director of the PCJF, put it, the documents show that from the start, the FBI – though it acknowledgesOccupy movement as being, in fact, a peaceful organization – nonetheless designated OWS repeatedly as a “terrorist threat”:

“FBI documents just obtained by the Partnership for Civil Justice Fund (PCJF) … reveal that from its inception, the FBI treated the Occupy movement as a potential criminal and terrorist threat … The PCJF has obtained heavily redacted documents showing that FBI offices and agents around the country were in high gear conductingsurveillance against the movement even as early as August 2011, a month prior to the establishment of the OWS encampment in Zuccotti Park and other Occupy actions around the country.”

Verheyden-Hilliard points out the close partnering of banks, the New York Stock Exchange and at least one local Federal Reserve with the FBI and DHS, and calls it “police-statism”:

“This production [of documents], which we believe is just the tip of the iceberg, is a window into the nationwide scope of the FBI’s surveillance, monitoring, and reporting on peaceful protestors organizing with the Occupy movement … These documents also show these federal agencies functioning as a de facto intelligence arm of Wall Street and Corporate America.”

The documents show stunning range: in Denver, Colorado, that branch of the FBI and a “Bank Fraud Working Group” met in November 2011 – during the Occupy protests – to surveil the group. The Federal Reserve of Richmond, Virginia had its own private security surveilling Occupy Tampa and Tampa Veterans for Peace and passing privately-collected information on activists back to the Richmond FBI, which, in turn, categorized OWS activities under its “domestic terrorism” unit. The Anchorage, Alaska “terrorism task force” was watching Occupy Anchorage. The Jackson, Mississippi “joint terrorism task force” was issuing a “counterterrorism preparedness alert” about the ill-organized grandmas and college sophomores in Occupy there. Also in Jackson, Mississippi, the FBI and the “Bank Security Group” – multiple private banks – met to discuss the reaction to “National Bad Bank Sit-in Day” (the response was violent, as you may recall). The Virginia FBI sent that state’s Occupy members’ details to the Virginia terrorism fusion center. The Memphis FBI tracked OWS under its “joint terrorism task force” aegis, too. And so on, for over 100 pages.

Jason Leopold, at Truthout.org, who has sought similar documents for more than a year, reported that the FBI falsely asserted in response to his own FOIA requests that no documents related to its infiltration ofOccupy Wall Street existed at all. But the release may be strategic: if you are an Occupy activist and see how your information is being sent to terrorism task forces and fusion centers, not to mention the “longterm plans” of some redacted group to shoot you, this document is quite the deterrent.

There is a new twist: the merger of the private sector, DHS and the FBI means that any of us can become WikiLeaks, a point that Julian Assange was trying to make in explaining the argument behind his recent book. The fusion of the tracking of money and the suppression of dissent means that a huge area of vulnerability in civil society – people’s income streams and financial records – is now firmly in the hands of the banks, which are, in turn, now in the business of tracking your dissent.

Remember that only 10% of the money donated to WikiLeaks can be processed – because of financial sector and DHS-sponsored targeting of PayPal data. With this merger, that crushing of one’s personal or business financial freedom can happen to any of us. How messy, criminalizing and prosecuting dissent. How simple, by contrast, just to label an entity a “terrorist organization” and choke off, disrupt or indict its sources of financing.

Why the huge push for counterterrorism “fusion centers”, the DHS militarizing of police departments, and so on? It was never really about “the terrorists”. It was not even about civil unrest. It was always about this moment, when vast crimes might be uncovered by citizens – it was always, that is to say, meant to be about you.

• This article originally referred to a joint terrorism task force in Jackson, Michigan. This was amended to Jackson, Mississippi at 4pm ET on 2 January 2012

We Are All Mosaics (National Geographic)

by Virginia Hughes, 21 December 2012

Here’s something you probably learned once in a biology class, more or less. There’s this molecule called DNA. It contains a long code that created you and is unique to you. And faithful copies of the code live inside the nucleus of every one of the trillions of cells in your body.

In a later class you may have learned a few exceptions to that “faithful copies” bit. Sometimes, especially during development, when cells are dividing into more cells, a mutation pops up in the DNA of a daughter cell. This makes the daughter cell and all of its progeny genetically distinct. The phenomenon is called ‘somatic mosaicism’, and it tends to happen in sperm cells, egg cells, immune cells, and cancer cells. But it’s pretty infrequent and, for most healthy people, inconsequential.

That’s what the textbooks say, anyway, and it’s also a common assumption in medical research. For instance, genetic studies of living people almost always collect DNA from blood draws or cheek swabs, even if investigating the tangled roots of, say, heart disease or diabetes or autism. The assumption is that whatever genetic blips show up in blood or saliva will recapitulate what’s in the (far less accessible) cells of the heart, pancreas, or brain.

Two recent reports suggest that somatic mosaicism is far more common than anybody ever realized — and that might be a good thing.

 

Colored bars show the locations of genetic glitches in tissues from each of the six subjects (inner vertical numbers). The numbers on the outer edge of the circle correspond to each of our 23 chromosomes, and each color represents a different organ. Image courtesy of PNAS

In the first study Michael Snyder and colleagues looked at cells in 11 different organs and tissues obtained from routine autopsies of six unrelated people who had not died of cancer or any hereditary disease.

Then the scientists screened each tissue for small deletions or duplications of DNA, called copy number variations, or CNVs. These are fairly common in all of us.

In order to do genetic screens, researchers have to mash up a bunch of cells and pull DNA out of the aggregate. That makes research on somatic mutations tricky, because you can’t tell how some cells in the tissue might be different from others. The researchers got around that problem by doing side-by-side comparisons of the tissues from each person. If one tissue has a CNV and the other one doesn’t, they reasoned, then it must be a somatic glitch.

As they reported in October in the Proceedings of the National Academy of Sciences, Snyder’s team found a total of 73 somatic CNVs in the six people, cropping up in tissues all over the body, including the brain, liver, pancreas and small intestine. “Your genome is not static — it does change through development,” says Snyder, chair of the genetics department at Stanford. “People knew that, but it had never been systematically studied.”

OK, but do somatic mutations do anything? It’s hard to tell, particularly because postmortem studies offer no living person to observe. Still, the scientists showed that 79 percent of the somatic mutations fell inside of genes, and most of those genes play a role in the cell’s everyday regulatory processes, like metabolism, phosphorylation, and turning genes on. So the somatic mutations could very well have had an impact.

In the last paragraph of their paper the researchers mention that the findings could also have big implications for studies of induced pluripotent stem (iPS) cells. This line of research is getting increasingly popular, for good reason. With iPS technology, researchers start with a small piece of skin (or…) from a living person. They then expose those skin cells to a certain chemical concoction that reprograms them back into a primordial state. Once the stem cells are created, researchers can put them in yet another chemical soup that coaxes them to differentiate into whatever type of cell the scientists want to study. You can see why it’s cool: The technique allows scientists to create cells — each holding an individual’s unique DNA code, remember — in a Petri dish. Researchers can study neurons of children with autism, for example, without ever touching their brains.

Trouble is, several groups have reported that iPS cells carry mutations that the original skin cells don’t have. This suggests that something screwy is happening during the reprogramming process, defeating the whole purpose of making the cells. (Fellow Phenomena contributor Ed Yong wrote a fantastic post about the hoopla last year.)

But that last paragraph of Snyder’s study offers a bit of hope. What if the mutations that crop up in iPS cells actually were in the skin cells they came from, but just didn’t get picked up because those skin cells were mixed with other skin cells that didn’t have the mutations? In other words, what if skin cells, like all those other tissues they looked at in the paper, are mosaics?

The second new study, published last month in Naturefinds exactly that.

Flora Vaccarino‘s team at Yale sequenced the entire genome of 21 iPS cell lines, three each from seven people, as well as the skin cells that the iPS cells originated from. It turns out that each iPS line has an average of two CNVs and that at least half of these come from somatic mutations in the skin cells. (The researchers used special techniques for amplifying the DNA of the skin cells, so that they could detect CNVs that are present only in a fraction of the cells.)

That means two things. First, researchers using iPS cells can exhale. Their freaky reprogramming process doesn’t seem to create too much genetic havoc in the iPS cells. And second, somatic mosaicism happens a lot. Vaccarino’s study estimates that a full 30 percent of the skin cells carry somatic mutations.

Our widespread mosaicism may have implications for certain diseases. Somatic mutations have been strongly linked to tumors, for example, so it could be that people who have a lot of mosaicism are at a higher risk of cancer. But there’s also a positive way to spin it. Somatic mutations give our genomes an extra layer of flexibility, in a sense, that can come in handy. Snyder gives a good example in his study. If you have a group of cells that are constantly exposed to viruses, say, then it might be beneficial to have a somatic mutation pop up that damages receptors on the cell that viruses can latch on to.

But there’s likely a more parsimonious explanation for all of those genetic copying mistakes. “When you’re replicating DNA, there’s a certain expense to keep everything perfect,” Snyder says, meaning that it would cost the cell a lot of energy to ensure that every new cell was identical to the last. And in the end, he adds, that extra expense may not be worth it. “Having imperfections could just be an economically beneficial way for organisms to do things.”

Photos from Shannon O’Hara and James Diin, courtesy of National Geographic’s My Shot

Law against anorexic models goes into effect (The Jerusalem Post)

By JUDY SIEGEL-ITZKOVICH
01/01/2013

Print EditionPhoto by: Reuters/Amir Cohen

Models with body mass index below 18.5 may not be shown in Israeli media, on websites or go down catwalk at fashion shows.

Starting on Tuesday, female and male models who have a body mass index (BMI) of less than 18.5 may not be shown in the media or on Israeli websites or go down the catwalk at fashion shows.

The law, initiated by then-Kadima MK Rachel Adatto, aims to protect impressionable teens from eating disorders.

Every year, an average of 30 young adults and teens die of anorexia or bulimia.

The law, also sponsored by Likud-Beytenu MK Danny Danon and believed to be the first of its kind in the world, does make violations a criminal offense bearing a fine. But violators can be sued in court by interested citizens, including families whose relatives have suffered or died due to eating disorders encouraged by images of overly thin models.

While the media that publish or present illegal images are not liable, they will get a bad image for doing so; the company that produced the ad, ran the fashion show or used the overly skinny presenter can be taken to court.

In addition, any advertisement made to look with Photoshop or other graphics programs as if the model has a BMI under 18.5 has to be labeled with the warning that the image was distorted. The warning must be clear and prominent, covering at least 7 percent of the ad space.

BMI is defined as an individual’s weight in kilos divided by the square of his or her height in meters. Would-be models in campaigns and fashion shows must first obtain and show written statements from their physician stating that their BMI – up to a maximum of three months ago – was above 18.5.

If not, they can not appear.

Adatto, a gynecologist by profession who is not likely to return to the Knesset because since she joined The Tzipi Livni Party and was placed in a low position on the list, said that on January 1, a “revolution against the anorexic model of beauty begins. Overly skinny models who look as if they eat a biscuit a day and then serve as a model for our children” will no longer be visible.

Every year, some 1,500 teenagers develop an eating disorder, and 5% of those suffering from anorexia die each year. The problem even effects the ultra-Orthodox community because some haredi men increasingly demand very-thin brides.

Adi Barkan, a veteran fashion photographer and model agent who “repented” and is in the Israel Center for the Change in Eating Habits and a prime advocate for Adatto’s bill, said: “We are all affected. We wear black, do [drastic] diets and are obsessive about our looks. The time has come for the end of the era of skeletons on billboards and sickly thinness all over. The time has come to think about ourselves and our children and take responsibility for what we show them. Too thin is not sexy.”

The Second Authority for Television and Radio, which regulates commercially operated television and radio broadcasts, has already issued instructions to its employees to observe the new law.

Devir-pobre, devir-índio (Quadrado dos Loucos)

4 de agosto de 2012

Por Bruno Cava

Em 15 de junho, aconteceu o seminário terraTerra, na Casa de Rui Barbosa, no Rio. Inscrito como evento da Cúpula dos Povos, o encontro de grupos militantes e intelectuais tinha por objetivo aprofundar a crítica ao modelo de desenvolvimento. No contexto da crise socioambiental, aterrar a discussão nas lutas, nas alternativas, nas ocupações e formas de resistir e reexistir. Na ocasião, o cadinho de falas, textos e debates resultou em bons e maus encontros. Uma fratura que repercute a própria atividade prática dos grupos que participavam da dinâmica. Foi a “trama da sapucaia”, para pegar emprestado de um texto de Cléber Lambert. Como toda fratura em ambientes de rico pensamento e debate aberto, tiveram basicamente dois efeitos. Um efeito narcísico, improdutivo, edipiano, neurótico. Quando o desejo volta contra si mesmo como planta venenosa, com piadinhas, pulsões e muito espírito de rebanho, o que acaba por reunir o ressentimento dos súditos em projeto de vingança. Mas também o outro lado, produtivo, prometeico, fabulador. Quando o desejo se liga ao real sem recalques, gera diferenças qualitativas e propicia que se continue pensando e continue lutando. Esses dois efeitos atravessaram as pessoas em várias intensidades e sentidos, nos dois pólos do debate. Eu particularmente prefiro Prometeu a Narciso e não renuncio à agressividade da diferença.

No final do seminário, um dos palestrantes (não lembro exatamente quem), do alto de seu poder de síntese, resumiu as posições. De um lado, aqueles que defendem que “o índio vire pobre”. Do outro, aqueles que defendem que “o pobre vire índio”. Os primeiros representariam o projeto desenvolvimentista. Fazer do índio mais um trabalhador e consumidor do novo Brasil, o país do futuro que chegou. Inclui-lo na sociedade forjada pela modernidade. Uma monocultura inteiramente pautada pelo quantitativo, o extensivo e o pacto diabólico da produção pela produção. Em última instância, aqueles que defendem Dilma (pela via economicista). Os segundos, defensores que “o pobre vire índio”, pensam a cosmologia indígena como alteridade radical à sociedade colonizada. Opõem o intensivo ao extensivo e a qualidade à quantidade. Para eles, a solução está em combater para que o índio não vire pobre, ao mesmo tempo em que os pobres se indianizem, e assim possam vencer a assimetria fundamental de uma antropologia que os assujeita e que se manifesta em todos os lugares e discursos por onde passam. Em vez disso, o pobre é que deve se reconstruir pelo índio. “Todo mundo é índio, menos quem não é” (Eduardo Viveiros de Castro). Disseminar o índio no corpo da população, como na retomada cabocla das terras, ou na campanha indigenista dos zapatistas. Em vez de concretar o Xingu, mostrar que a cidade jamais deixou de ser indígena. Que a floresta como saturação de relações jamais deixou de ser a nossa verdadeira riqueza cultural. Em última instância, aqueles que promovem Marina (por essa via antropológica).

Com o recorte, esse palestrante tentou sintetizar as múltiplas incidências da questão num simples fla-flu. Uma operação legítima do ponto de vista das estratégias político-teóricas envolvidas, mas que terminou por colocar o problema de maneira desfocada e, no fundo, simplória. É que o problema começa no verbo. Nem tanto o pobre virar índio, ou o índio virar pobre, mas pôr em questão o virar mesmo. A questão está no processo de passagem, mais no trânsito que nos pontos de partida e chegada, a imanência da reexistência às transcendências das culturas existentes. O palestrante confundiu o devir com o sujeito. É preciso antes de tudo examinar a travessia, a transformação mesma, que é primeira em relação ao que se transforma. Isto significa assumir uma perspectiva em que as coisas se sustentam instáveis, enquanto cristalizações de processos inacabados e precários; e em que a relação entre as coisas existe como uma relação entre transformações de transformações, relações de relações em ação cruzada. As coisas ficam mais abertas à mudança. E ensejam ser desdobradas em múltiplas perspectivas.

A pobreza, por exemplo, contém um paradoxo. Na mesma medida que é privação, também é potência. Por óbvio, privação e potência não acontecem ao mesmo tempo. Mas o pobre é aquela força que caminha nesse campo instável, onde pode transitar por todo o espectro de grau entre uma e outra. Porque a pobreza tem uma dimensão afirmativa, inventa novos usos, constrói o máximo do mínimo, a favela do lixo, a poesia das expressões doridas e tensionadas das ruas. Gatos nascem livres e pobres e recusam a ser chamados pelo nome. Qualquer prescrição de imobilidade não serve para quem tem de se mover todos os dias para reinventar o mundo, em cuja crise o pobre vive e se relaciona. Devir pobre ativa a potência insofismável dessa classe inscrita como agente de produção do capitalismo.

Por que não se trata tanto de virar isto ou aquilo, mas de devir. Pode ser ridículo eu, homem branco, querer ser negro, mas nada impede aconteça uma negritude em mim. Devir-onça não significa tornar-se uma onça. Nesse sentido, sucedem processos de transformações que podem ser apresados subjetivamente, e o conjunto galgar novos horizontes éticos e políticos. Devir pobre, índio, mulher, criança, planta, mundo. Nos devires, está em jogo a construção de um comum de reexistências e lutas, no interior das culturas e identidades disponíveis. No interior e para além, e mesmo contra. Um comum diferenciante em que as diferentes forças de existir podem se enredar e se maquinar na própria distância entre elas, no dissenso constituinte; sem redução a uma identidade comum,  ao consenso, ao denominador comum, a um “em comum”. É se recompor no amor pelo outro, sem reduzi-lo a si, nem se submeter a ele. Isto é, partilha desmedida de afetos ativos, no bom encontro em que se multiplicam e produzem o real, jamais na subjugação entre seres comensuráveis entre si, na redução ao “consenso mínimo do relacionamento”.

Com essa forma de pôr o problema, é possível se concentrar antes nas estratégias e táticas de ação, nos agenciamentos do desejo, nas formas de criar e se deslocar, — em tudo que isso que favorece uma fuga reexistente das identidades, e assim favorece a diferença por si mesma — do que ficar idealizando e descrevendo outras identidades possíveis, lutando pelas existentes ou combatendo outras que possam vir a existir, como faria um inventariante dos elementos culturais por aí. Posso irromper dentro de mim, — mesmo que eu me constitua de forças majoritárias e dominantes da cultura estabelecida, — irromper o meu avesso, o meu avesso simétrico, o meu índio e o meu subdesenvolvimento, um intensivo pelo qual tudo o que passa resulta diferente. Essa diferença ameaça o poder constituído. Uma força que vem, acontece, e me arrasta pra outro lugar e outro tempo.

O primado da diferença implica que o problema de índio-virar-pobre ou pobre-virar-índio embute uma dicotomia infernal. Já se trata, desde o início, de um falso problema.

Portanto, é preciso recolocar o problema. Preocupar-se em ser pobre ou índio é muito pouco. Faz-se necessário mobilizar os substantivos em verbos, molecularizar os adjetivos em advérbios. O caso não está na transformação de A a B ou de B a A. E sim no diferencial C que faz com que A e B possam coexistir no mesmo plano de composição política. Então é caso do pobre devir índio e o índio devir pobre. E mais. Seguindo a lógica, igualmente sucede um diferencial entre A e A´, e entre B e B´. Ou seja, o pobre devir pobre e o índio devir índio. Se o projeto do novo Brasil consiste em fazer da “Classe C” o modelo de cidadão, trabalhador e consumidor, esta figura antropológica pode devir pobre-potência. O trabalhador recusa o trabalho, o consumidor consome o consumo e o cidadão se revolta. De maneira simétrica, o índio devém índio ao impregnar as forças que o constrangem na maior comunidade de todos os tempos: o mercado capitalista global. Menos para ser reconhecido como indígena do que para indianizar o poder. Institui outras formas de medir, se relacionar e escapar dos aparelhos de captura. Contra Belo Monte, o Xingu em São Paulo.

Muitas vezes, sofisticados esforços de desmontagem da metafísica ocidental perdem de vista o essencial. Todo o esforço por desarranjar a violência e o intolerável, inscritos na estrutura produtiva deste mundo, só é eficaz levado a um sentido material. Isto é, animado pelos processos de transformação e afirmação de diferença já em andamento, pela proliferação de lutas socioambientais que se debatem no dia a dia. A política precede o ser. E política sem transitividade com a crítica do sistema produtivo se torna cega à máquina capitalista, arriscando nivelar-se a uma apologia (embora requintada e elitista) ao que de pior há na modernidade européia: a economia política clássica e neoclássica.

A agressão e destruição dos aparelhos de captura só acontecem quando imediatamente ligadas à montagem de uma máquina revolucionária.

Devo parte do conteúdo deste artigo à palestra proferida por Cléber Lambert no seminário de anteontem à Casa de Rui Barbosa, co-organizado pela Universidade Nômade, bem como ao encontro produtivo entre dois pensadores de primeiro time do Brasil contemporâneo, Eduardo Viveiros de Castro e Giuseppe Cocco.

What We Learned About Humanity in 2012 (Live Science)

Charles Choi, LiveScience Contributor

Date: 27 December 2012 Time: 10:03 AM ET

A skull of the Red Deer Cave People, possibly a previously unknown human species.Mysterious fossils of what may be a previously unknown human species were uncovered in caves in China. The hominins lived some time between 11,500 and 14,500 years ago, meaning they would have shared the landscape with modern humans when China’s earliest farmer were first appearing. Discovered at what is called Red Deer Cave in southwest China, the hominins have been dubbed the Red Deer Cave People. A skull of the possibly new hominin, shown here. CREDIT: Darren Curnoe. 

The controversial extinct human lineage known as “hobbits” gained a face this year, one of many projects that shed light in 2012 on the history of modern humans and their relatives. Other discoveries include the earliest known controlled use of fire and the possibility that Neanderthals or other extinct human lineages once sailed to the Mediterranean.

Here’s a look at what we learned about ourselves through our ancestors this year.

We’re not alone

A trove of discoveries this year revealed a host of other extinct relatives of modern humans. For instance, researchers unearthed 3.4-million-year-old fossils of a hitherto unknown species that lived about the same time and place as Australopithecus afarensis, a leading candidate for the ancestor of the human lineage. In addition, fossils between 1.78 million and 1.95 million years old discovered in 2007 and 2009 in northern Kenya suggest that at least two extinct human species lived alongside Homo erectus, a direct ancestor of our species. Moreover, fossils only between 11,500 and 14,500 years old hint that a previously unknown type of human called the “Red Deer Cave People” once lived in China.

Bones were not all that scientists revealed about modern humans’ extinct relatives in 2012. For instance, scientists finally put a face on the hobbit, a nickname for a controversial human lineage. Anthropologist Susan Hayes at the University of Wollongong in Australia reconstructed the appearance of the 3-foot (1-meter) tall, 30-year-old female member of the extinct humans officially known as Homo floresiensis, which were first discovered on the remote Indonesian island of Flores in 2003. [Image Gallery: A Real Life ‘Hobbit’]

DNA extracted from a recently discovered extinct human lineage known as the Denisovans — close relatives of Neanderthals — also revealed new details about this group, which once interbred with modern humans. The Denisovan genome that was sequenced belonged to a little girl with dark skin, brown hair and brown eyes, and displayed about 100,000 recent changes in our genome that occurred after the split from the Denisovans. A number of these changes influenced genes linked with brain function and nervous system development, leading to speculation that we may think differently from the Denisovans.

Genetic analysis also suggested the only modern humans whose ancestors did not interbreed with Neanderthals were apparently sub-Saharan Africans. These findings are just one tidbit regarding the closest extinct relatives of modern humans that was revealed this year. Scientists also found that the unusually powerful right arms of Neanderthals might not have been due to a spear-hunting life as was previously suggested, but rather one often spent scraping animal skins for clothes and shelters. Archaeologists also suggested that Neanderthals and other extinct human lineages might have been ancient mariners, venturing to the Mediterranean Islands millennia before researchers think modern humans arrived at the isles.

Humans’ tool use

Ancient artifacts revealed this year also have shown how tool use has helped humanity reshape the world — and perhaps inadvertently reshape humanity as well.

For instance, ash and charred bone, the earliest known evidence of controlled use of fire, reveal that human ancestors may have used fire 1 million years ago, 300,000 years earlier than thought, suggesting that human ancestors as early as Homo erectus may have begun using fire as part of their way of life. Controlled fires and cooked meat may have influenced human brain evolution, allowing our ancestors to evolve to have larger, more calorie-hungry brains and bodies.

Discoveries involving ancient weapons also revealed that humans learned to make and use these tools far earlier than scientists thought. For instance, what may be ancient stone arrowheads or lethal tools for hurling spearssuggest humans innovated relatively advanced weapons about 70,000 years ago, while a University of Toronto-led team of anthropologists found evidence that humans in South Africa used stone-tipped weapons for hunting 500,000 years ago, which is 200,000 years earlier than previously suggested.

Even the seemingly innocuous discovery this year of the first direct signs of cheesemakingfrom 7,500-year-old potsherds from Poland might help reveal how animal milk dramatically shaped the genetics of Europe. Most of the world, including the ancestors of modern Europeans, is lactose intolerant, unable to digest the milk sugar lactose as adults. However, while cheese is a dairy product, it is relatively low in lactose. Transforming milk into a product such as cheese that is friendlier to lactose-intolerant people might have helped promote the development of dairying among the first farmers of Europe. The presence of dairying over many generations may then, in turn, have set the stage for the evolution of lactase tolerance in Europe. As such, while cheese might just seem to be a topping on pizza or a companion to wine, it might have changed Western digestive capabilities.

Other clues regarding the diet of ancient relatives also emerged. For example, 2-million-year-old fossils suggest humans’ immediate ancestor may have lived off a woodland dietof leaves, fruits and bark, instead of a menu based on the open savanna, as other extinct relatives of humanity did. In addition, fragments of a 1.5-million-year-old skull from a child recently found in Tanzania suggest that later members of the human lineage weren’t just occasional carnivores but regular meat eaters, findings that help build the case that meat-eating helped the human lineage evolve large brains.

Humans still evolving

When it comes to the future of humanity, research this year added to accumulating evidence that natural forces of evolution continue to shape humanity. Church records of nearly 6,000 Finns born between 1760 and 1849 showed that despite humans radically altering their environments with behavior such as farming, human patterns of survival and reproduction were comparable with those of other species.

One researcher at Stanford University has even suggested that humans are getting dumber over time, having lost the evolutionary pressure to be smart once we started living in densely populated settlements several millennia ago. However, other scientists dispute this notion, pointing at geniuses such as Stephen Hawking, and suggest that rather than losing our intelligence, people have diversified, resulting in a number of different types of smarts today.

Notificação de HIV no Brasil passará a ser obrigatória (OESP)

Por Felipe Frazão | Estadão Conteúdo – 11 horas atrás (Yahoo Notícias)

O Ministério da Saúde vai tornar compulsória a notificação de todas as pessoas infectadas com o vírus HIV, mesmo as que não desenvolveram a doença. A portaria ministerial que trata da obrigatoriedade de aviso de todos os casos de detecção do vírus da aids no País deve ser publicada em janeiro.

Atualmente, médicos e laboratórios informam ao Ministério da Saúde apenas os casos de pacientes que possuem o HIV e tenham, necessariamente, manifestado a doença. Os dados serão mantidos em sigilo. Somente as informações de perfil (sem a identificação do nome) poderão ser divulgadas para fins estatísticos.

Hoje, o governo monitora os soropositivos sem aids de maneira indireta. As informações disponíveis são de pessoas que fizeram a contagem de células de defesa nos serviços públicos ou estão cadastradas para receber antirretrovirais pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O novo banco de dados será usado para planejamento de políticas públicas de prevenção e tratamento da aids.

“Para a saúde pública é extremamente importante, porque nós vamos poder saber realmente quantas pessoas estão infectadas e o tipo de serviços que vamos precisar”, explica Dirceu Grego, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

A mudança ocorre quatro meses após o governo anunciar a ampliação do acesso ao tratamento com medicação antirretroviral oferecido pelo SUS. A prescrição passou a ser feita em estágios menos avançados da aids.

Desde então, casais com um dos parceiros soropositivo passaram a ter acesso à terapia em qualquer estágio da doença.

O ministério também recomendou que a droga seja ministrada de forma mais precoce para quem não têm sintomas de aids, mas possui o vírus no organismo – uma tendência na abordagem da doença, reforçada na última Conferência Internacional de Aids, realizada em julho deste ano nos Estados Unidos.

À época, o ministério calculou que o número de brasileiros com HIV fazendo uso dos antirretrovirais aumentaria em 35 mil. Atualmente, são cerca de 220 mil pacientes com aids.

Outras 135 mil pessoas, estima o governo, têm o HIV, mas não sabem. Elas estão no foco da mudança na obrigatoriedade de notificação, porque não foram ainda diagnosticadas. Segundo Grego, essas pessoas devem ser incorporadas ao tratamento. Assim como ocorre quando os pacientes são diagnosticados com aids, caberá aos médicos e laboratórios avisar ao ministério sobre a descoberta de pessoas infectadas – os soropositivos. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Favelas: preservar o quê? (riorealblog.com)

By Julia Michaels

Posted on December 23, 2012

Um mundo na van

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Não existe ônibus direto para Copacabana, vindo da avenida Brasil, altura da passarela nove, Parque União.  Então, o jeito é andar de van. Só que o caminho até o ponto é um desafio mortal.

“Há cracudos,” avisa Jailson de Souza e Silva, fundador do Observatório de Favelas, “e eles avançam. Conhecem as caras das pessoas, e avançam em quem tem cara de gringo.” Ele pede para uma funcionária fazer o papel de guardacostas. No caminho, a acompanhante opina que o governo devia colocar os viciados para trabalhar. “Podiam estampar camisetas,” sugere.

thinktank Observatório de Favelas é localizado na beirada do Complexo da Maré, uma coleção de 16 favelas e conjuntos habitacionais espremidos entre a avenida Brasil e a baía de Guanabara. A pacificação não chegou ainda à Maré. Souza e  Silva morou lá sete anos, e mais onze numa favela perto da Penha.

O interior da van, quase totalmente ocupada, é escuro, fresco, sonorizado de samba. O ar está ligado e os vidros estão abertos, para aproveitar a brisa de uma das últimas tardes de primavera carioca. Não se demora muito para sair, mas na hora da partida aparece uma mulher negra, repleta de curvas e megahair. O motorista, rapaz sólido de olhos doces e redondos, para, desce, e deixa-a subir para se sentar na metade de um lugar na frente, junto a ele e mais duas mulheres.

Mas nem se andou meio metro e alguém lembra que a polícia está por aí na avenida, entre os viciados, de moto, sirene, e revólver, feita pastor de zumbi– espalhando fieis. O motorista para novamente, a bonitona desce, dá volta, e sobe na parte traseira da van, para ficar em pé junto ao cobrador.

Ponto de van e de mototáxi

Ponto de van e de mototáxi

Co-autor do recém-lançado livro O Novo Carioca, Souza e Silva faz parte de um grupo de pensadores e agitadores no Rio de Janeiro, que observa e encoraja o surgimento do tal “Novo Carioca”. Trata-se de pessoas, na sua maioria jovens, que aproveitam cada vez mais a cidade. Aventuram-se por bairros e morros, fazendo conexões e amizades, criando e participando em uma gama de manifestações culturais. A integração urbana– e a cara futura da cidade– dizem os autores do livro, dependem muito do novo carioca.

De acordo com Souza e Silva, “[…] não existe uma identidade carioca independente das favelas […] a cidade tornou-se uma referência nacional e internacional também em função do peso arquitetônico, cultural e social de seus espaços favelados. A garantia dessa riqueza paisagística e dessa pluralidade cultural é central para o Rio de Janeiro”, conforme ele escreve no livro.

Jailson de Souza e Silva

Dali a alguns metros, passados vários cracudos solitários e em grupo, alguns no meio fio,  depois da polícia, a van encosta. O motorista e a moça descem, ela dá volta,  e sobe para ficar novamente no meio, ao lado dele, na frente. E o samba brada. A viagem recomeça, a van entrando numa passarela de retorno ao outro lado da avenida. Do alto, mais cracudos a vista.

“Vamos parar pro diesel,” avisa o cobrador. Ninguém diz nada, mas ele– saradão, de tênis, regata e bermuda, cabeça raspada menos um topete aloirado e encaracolado, de tatuagens, pede desculpas. O motorista queria encher o tanque antes, mas não deu. O cobrador desliza a porta e desce para cuidar do combustível. O posto também vende empadas, e pela porta aberta o motorista e o frentista trocam comentários engraçadinhos porém herméticos para quem é de fora, sobre empadões.

Passa uma mulher negra de soutien roxo e micro saia de material elástico e barato, descalça, pedindo esmola no balcāo das empadas. Passa um rapaz de muletas, faltando uma perna.

Há pouco, Souza e Silva disse que nunca quis sair da favela. “Não é verdade que as pessoas queiram sair da favela,” falou. “Eu sou o exemplo mais concreto. Eu só me mudei da favela– eu fiz uma ótima casa na favela– porque a guerra tornou impossível criar meu filho na favela […] se fóssemos só eu e minha mulher não sairíamos, mas criar um filho com isso, com bala perdida o tempo inteiro, sem poder andar na rua, porque tem jovens com fuzis, e a policia desrespeitando o morador– foi isso que me fez sair da favela. Onde eu morava tinha coleta de esgoto, calçamento, comercio imenso, grau de solidariedade com as pessoas, grau de intensidade de vida, de festa muito forte, de envolvimento, pertencimento grande, e cada vez mais criando opções [culturais].”

Para o americano nascido num subúrbio de casas com quintal para brincar, grama para cortar, e folhas para juntar, soa familiar a descrição de vida comunitária de favela. No subúrbio americano, os vizinhos sabem quem está doente, quem precisa de canja de galinha, carona, uma visita. Lá, o estado é mais eficaz do que no Brasil– as escolas públicas geralmente são boas, por exemplo– mas fora das grandes cidades as pessoas vivem espalhadas, precisando de apoio, e dando apoio, nas horas de dificuldade. Vizinhos limpam a neve da entrada da casa dos mais velhos, andam de porta em porta distribuindo panfletos de candidatos, dão carona para a igreja, fazem babysitting, passeiam cachorros, regam plantas, distribuem balas às crianças no Halloween.

Pit stop

Pit stop

O carioca do asfalto conhece e cumprimenta vizinhos, porteiros, entregadores, feirantes, comerciantes do bairro. Brinca, zoa o time do outro. Participa de bloco de carnaval, e de festa junina na praça. Compartilha praia, cerveja, galeto, pelada de futebol. Mas raramente se junta aos vizinhos para providenciar algo necessário e de utilidade geral: água, luz, casa. No Brasil, quem mora no asfalto paga imposto, paga porteiro, paga pedreiro, passeador e empregada– e assim resolve a vida.

No Brasil, o nivel de confiança no outro é baixo, sobretudo quando o outro não é parente ou colega. Mas na favela a confiança é maior do que em geral, porque há menos desigualdade. O outro é mais parecido, menos assustador, disse Souza e Silva. E a vida é mais pública.

A van tem termometro. No painel acima da cabeça da moça de megahair, marca mais de 36 graus. Mas a brisa é fresca, o samba incita, e Mara, a moça do lado, está negociando com o motorista o transporte de um grupo em janeiro, para Jacarepaguá. Haverá um casamento. “Seu?” pergunta o cobrador, com um sorriso malicioso. Pelo tom de voz e a plenitude de expressões faciais, mais a roupa, conclui-se que ele é homossexual.

“É ruim, hein!” exclama Mara. “Eu casar em Jacarepaguá? Vou casar no Copacabana Palace!” Ela pede um preço do motorista. Ele diz que está pensando.  E para num ponto de ônibus. Sobe um rapaz de pele enrugado pelo sol, que fica em pé ao lado do cobrador. No próximo ponto, o cobrador abre a porta para revelar uma loira, segurando uma grande sacola. Ela faz não com a cabeça. O motorista diz que tem lugar. “Vem, sim!” ele exorta, dobrando-se por cima das três moças no banco de frente para que sua voz chegue aos ouvidos da cliente em potencial. Mas ela se recusa.

“Agora mete o pé!” diz um passageiro, ao passo que a van engrena na avenida Brasil.

“Vou meter,” responde o motorista. “Tem que estar em Copacabana às duas horas.”

As vans surgiram nos anos 90 no Rio de Janeiro, como resposta informal à falta de transporte entre bairros afastados e áreas centrais da cidade. “Sem a van Copacanana-Maré, nao sei o que seria da gente, galera que circula dia e noite construindo novas formas de viver a cidade,” comentou Souza e Silva.

Hoje, milicianos controlam grande parte do negócio e o prefeito Eduardo Paes tenta racionalizar o transporte urbano. Para reduzir o número de veículos nas ruas, fariam muito mais sentido linhas de ônibus ou de metrô. A questão não é tāo diferente da de ocupaçāo do solo. Já existem prédios em favelas.

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“Quanto, então?” pergunta a Mara. “Vinte,” diz o motorista.

“Por pessoa? Isso sai do meu bolso!” Ela mexe com o celular e mostra alguma coisa, uma foto talvez, à moça do lado dela.

Neste momento, quatro anos após o início da pacificação no Rio de Janeiro, com vários reflexos economicos e imobiliarios dela em curso, fala-se muito na preservação da favela, sobretudo das na Zona Sul. Sabe-se que um número crescente de jovens estrangeiros brinca de casinha no Vidigal, na Rocinha, no Pavão-Pavãozinho e no Cantagalo. Uma breve caminhada em qualquer um desses morros revela sacas de cimento, tijolos recém-colocados. A vida ficou mais segura em muitas favelas pacificadas. As pessoas investem, a cidade se transforma. A barreira entre morro e asfalto fica um tanto menos nítida.

O que deveria ser preservado, nestas áreas da cidade tão longamente negligenciadas? “Uma grande confusão que se faz,” disse mais cedo Souza e Silva na sala dele no Observatório, “é de considerar, quando se fala em preservar a favela como habitat, [que trata-se de] preservar  paisagem.”

A paisagem, mesmo nas favelas mais cinematográficas, mesmo onde as crianças hoje brincam tranquilamente na rua e faz-se churrasco de Reveillon para turista, ainda é frequentemente feia e malcheirosa.

“Tem que garantir todas as condições básicas: saneamento, luz, água, esgoto, coleta de lixo, crêche, educação, equipamentos culturais,” acrescentou Souza e Silva. “Tudo que se tem para viver com dignidade num centro urbano tem que ter na favela. Só que isso não quer dizer eliminar a favela,” explicou. “Significa reconhecer que a favela tem uma geografia particular, que pode ser preservada como as cidades medievais foram preservadas […] podemos ter vários tipos de habitat, de estrutura urbana, sem perder a dignidade.”

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E, supondo que a favela ganhe essa dimensão toda nos próximos anos– pois o programa Morar Carioca, financiado pelo BID, pretende justamente urbanizar todas as favelas cariocas até 2020– o que Souza Silva e outros representantes das regiões populares da cidade querem preservar é um estilo de vida.

O cobrador manda a Mara tomar nota do celular dele, no dela. “Agora liga para mim,” ele diz. ” Para eu ter teu número também.” A negociação será demorada.

“Alguém vai para o Aterro?” pergunta o motorista. “Eu,” diz a moça do outro lado da Mara.

“Serve o Largo do Machado?”

“Serve.”

“Você que vai casar?” pergunta o cobrador novamente, como se fosse policial tentando desvendar mentiras. “So no Copa Palace,” reitera a Mara.

“Faz tempo que não vejo sua namorada,” provoca a amiga da Mara ao motorista.

“Que namorada!” ele corrige. “Sou casado.”

O próximo é próximo: cobrador e passageiro

A van passa pela estação de trem Leopoldina, pelo Sambódromo, e finalmente encosta no Largo do Machado. A temperatura já baixou um grau. O samba ameniza, e a brisa idem. A amiga da Mara desce. Mara diz que vai para São Conrado, mas para chegar lá terá que descer antes do Shopping Rio Sul e pegar outro transporte.

O passageiro de pele enrugado quer pagar seus três reais ao cobrador. “Na saída,” afirma este.

Cariocas do asfalto criam e mantém vínculos no bairro, na cidade. Os vínculos entre moradores de favela, disse Souza e Silva, precisam ser preservados. Muitas vezes, advêm de fortes experiências de vida.

Não devem ser muito diferentes dos vínculos comunitários evidentes na pequena cidade de Sandy Hook, por exemplo, cidade norte americana recentemente atingida por uma tragédia terrível. Vizinhos lá estranharam nunca terem entrado na casa da māe do matador, de acordo com reportagens. Pois lá, entra-se na casa de vizinho, mesmo que não seja amigo. Tomar essa liberdade, e sentir a confiança embutida no ato, fazem parte da democracia americana.

No Brasil, tal comportamento pode ser considerado uma intrusão. Na Zona Sul do Rio de Janeiro, pede-se licença, cheio de dedos, para conferir a criatividade de um decorador ou arquiteto, num apartamento de layout igual.

“Reconhecer que a favela é mais do que paisagem é reconhecer esses vínculos,” finalizou Souza e Silva.

O passageiro de rugas chegou no destino. A van para, o cobrador desce, o passageiro paga na calçada. “Não quer receber antes,” lamenta o motorista. “Só viado, mesmo.”

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Não casa em Jacarepaguá

A van chega na praia do Flamengo, e descem vários passageiros, criando mais espaço. “Onde você trabalha em São Conrado?” pergunta o motorista, agora sozinho no banco da frente, para Mara.

“No Fashion Mall?” aposta o cobrador. É o shopping mais chique do Rio de Janeiro. Ela diz que sim. “Qual loja?” ele pergunta. Agora resolve receber de todo mundo. O dinheiro é passado adiante, troco feito.

“Armani,” responde a Mara. A van passa por um túnel pequeno. Na saída, Mara está colocando um óculos de sol com um AX no haste. Logo a van para no ponto, ela desce, e daí aparece no vão da porta aberta um jovem de topete e sobrancelha feita, mão sugestivamente na cintura, um pé esticado à frente do outro para ressaltar um quadril amplo.

“Seu irmão?” pergunta o motorista ao cobrador. O rapaz sobe requebrando para o assento de carona agora vazio, e o cobrador, de sorriso maroto, desce para comprar água gelada para ele e o colega de trabalho.

Enquanto os dois bebem das garrafinhas suadas de plástico azul, a van chega em Copacabana, o bairro mais denso do Rio de Janeiro. A brisa do mar adentra os vidros; o samba flui para fora. Fazem 33 graus, de acordo com os números vermelhos do painel. Os últimos descem na altura da Francisco Sá, e lá vai a dupla Copacabana-Maré pelo retorno, pela praia, de volta ao Parque União.

Fluctuating Environment May Have Driven Human Evolution (Science Daily)

Dec. 24, 2012 — A series of rapid environmental changes in East Africa roughly 2 million years ago may be responsible for driving human evolution, according to researchers at Penn State and Rutgers University.

“The landscape early humans were inhabiting transitioned rapidly back and forth between a closed woodland and an open grassland about five to six times during a period of 200,000 years,” said Clayton Magill, graduate student in geosciences at Penn State. “These changes happened very abruptly, with each transition occurring over hundreds to just a few thousand years.”

According to Katherine Freeman, professor of geosciences, Penn State, the current leading hypothesis suggests that evolutionary changes among humans during the period the team investigated were related to a long, steady environmental change or even one big change in climate.

“There is a view this time in Africa was the ‘Great Drying,’ when the environment slowly dried out over 3 million years,” she said. “But our data show that it was not a grand progression towards dry; the environment was highly variable.”

According to Magill, many anthropologists believe that variability of experience can trigger cognitive development.

“Early humans went from having trees available to having only grasses available in just 10 to 100 generations, and their diets would have had to change in response,” he said. “Changes in food availability, food type, or the way you get food can trigger evolutionary mechanisms to deal with those changes. The result can be increased brain size and cognition, changes in locomotion and even social changes — how you interact with others in a group. Our data are consistent with these hypotheses. We show that the environment changed dramatically over a short time, and this variability coincides with an important period in our human evolution when the genus Homo was first established and when there was first evidence of tool use.”

The researchers — including Gail Ashley, professor of earth and planetary sciences, Rutgers University — examined lake sediments from Olduvai Gorge in northern Tanzania. They removed the organic matter that had either washed or was blown into the lake from the surrounding vegetation, microbes and other organisms 2 million years ago from the sediments. In particular, they looked at biomarkers — fossil molecules from ancient organisms — from the waxy coating on plant leaves.

“We looked at leaf waxes because they’re tough, they survive well in the sediment,” said Freeman.

The team used gas chromatography and mass spectrometry to determine the relative abundances of different leaf waxes and the abundance of carbon isotopes for different leaf waxes. The data enabled them to reconstruct the types of vegetation present in the Olduvai Gorge area at very specific time intervals.

The results showed that the environment transitioned rapidly back and forth between a closed woodland and an open grassland.

To find out what caused this rapid transitioning, the researchers used statistical and mathematical models to correlate the changes they saw in the environment with other things that may have been happening at the time, including changes in the Earth’s movement and changes in sea-surface temperatures.

“The orbit of the Earth around the sun slowly changes with time,” said Freeman. “These changes were tied to the local climate at Olduvai Gorge through changes in the monsoon system in Africa. Slight changes in the amount of sunshine changed the intensity of atmospheric circulation and the supply of water. The rain patterns that drive the plant patterns follow this monsoon circulation. We found a correlation between changes in the environment and planetary movement.”

The team also found a correlation between changes in the environment and sea-surface temperature in the tropics.

“We find complementary forcing mechanisms: one is the way Earth orbits, and the other is variation in ocean temperatures surrounding Africa,” Freeman said. The researchers recently published their results in the Proceedings of the National Academy of Sciences along with another paper in the same issue that builds on these findings. The second paper shows that rainfall was greater when there were trees around and less when there was a grassland.

“The research points to the importance of water in an arid landscape like Africa,” said Magill. “The plants are so intimately tied to the water that if you have water shortages, they usually lead to food insecurity.

“Together, these two papers shine light on human evolution because we now have an adaptive perspective. We understand, at least to a first approximation, what kinds of conditions were prevalent in that area and we show that changes in food and water were linked to major evolutionary changes.”

The National Science Foundation funded this research.

*   *   *

How climate shifts in Africa sparked human evolution (MSNBC)

Scientists say landscape transitions may have forced early humans to think on their feet

Image: Nutcracker Man

Nicolle Rager Fuller / NSF. The first specimen of Paranthropus boisei, also called Nutcracker Man, was reported by Mary and Louis Leakey in 1959 from a site in Olduvai Gorge, Tanzania.

By Charles Choi – LiveScience Contributor

updated 12/26/2012 2:16:27 PM ET

At Olduvai Gorge, where excavations helped to confirm Africa was the cradle of humanity, scientists now find the landscape once fluctuated rapidly, likely guiding early human evolution.

These findings suggest that key mental developments within the human lineage may have been linked with a highly variable environment, researchers added.

Olduvai Gorge is a ravine cut into the eastern margin of the Serengeti Plain in northern Tanzania that holds fossils of hominins — members of the human lineage. Excavations at Olduvai Gorge by Louis and Mary Leakey in the mid-1950s helped to establish the African origin of humanity.

The Great Drying? 

To learn more about the roots of humanity, scientists analyzed samples of leaf waxes preserved in lake sediments at Olduvai Gorge, identifying which plants dominated the local environment around 2 million years ago. This was about when Homo erectus, a direct ancestor of modern humans who used relatively advanced stone tools, appeared.

“We looked at leaf waxes, because they’re tough, they survive well in the sediment,” researcher Katherine Freeman, a biogeochemist at Pennsylvania State University, said in a statement.

After four years of work, the researchers focused on carbon isotopes — atoms of the same element with different numbers of neutrons — in the samples, which can reveal what plants reigned over an area. The grasses that dominate savannas engage in a kind of photosynthesis that involves both normal carbon-12 and heavier carbon-13, while trees and shrubs rely on a kind of photosynthesis that prefers carbon-12. (Atoms of carbon-12 each possess six neutrons, while atoms of carbon-13 have seven.)

Scientists had long thought Africa went through a period of gradually increasing dryness — called the Great Drying — over 3 million years, or perhaps one big change in climate that favored the expansion of grasslands across the continent, influencing human evolution. However, the new research instead revealed “strong evidence for dramatic ecosystem changes across the African savanna, in which open grassland landscapes transitioned to closed forests over just hundreds to several thousands of years,” researcher Clayton Magill, a biogeochemist at Pennsylvania State University, told LiveScience. [Know Your Roots? Take Our Human Evolution Quiz]

The researchers discovered that Olduvai Gorge abruptly and routinely fluctuated between dry grasslands and damp forests about five or six times during a period of 200,000 years.

“I was surprised by the magnitude of changes and the rapid pace of the changes we found,” Freeman told LiveScience. “There was a complete restructuring of the ecosystem from grassland to forest and back again, at least based on how we interpret the data. I’ve worked on carbon isotopes my whole career, and I’ve never seen anything like this before.”

Losing water 

The investigators also constructed a highly detailed record of water history in Olduvai Gorge by analyzing hydrogen isotope ratios in plant waxes and other compounds in nearby lake sediments. These findings support the carbon isotope data, suggesting the region experienced fluctuations in aridity, with dry periods dominated by grasslands and wet periods characterized by expanses of woody cover.

“The research points to the importance of water in an arid landscape like Africa,” Magill said in a statement. “The plants are so intimately tied to the water that if you have water shortages, they usually lead to food insecurity.”

The research team’s statistical and mathematical models link the changes they see with other events at the time, such as alterations in the planet’s movement. [50 Amazing Facts About Earth]

“The orbit of the Earth around the sun slowly changes with time,” Freeman said in statement. “These changes were tied to the local climate at Olduvai Gorge through changes in the monsoon system in Africa.”

Earth’s orbit around the sun can vary over time in a number of ways — for instance,Earth’s orbit around the sun can grow more or less circular over time, and Earth’s axis of spin relative to the sun’s equatorial plane can also tilt back and forth. This alters the amount of sunlight Earth receives, energy that drives Earth’s atmosphere.

“Slight changes in the amount of sunshine changed the intensity of atmospheric circulation and the supply of water,” Freeman said. “The rain patterns that drive the plant patterns follow this monsoon circulation. We found a correlation between changes in the environment and planetary movement.”

The team also found links between changes at Olduvai Gorge and sea-surface temperatures in the tropics.

“We find complementary forcing mechanisms — one is the way Earth orbits, and the other is variation in ocean temperatures surrounding Africa,” Freeman said.

These findings now shed light on the environmental shifts the ancestors of modern humans might have had to adapt to in order to survive and thrive.

“Early humans went from having trees available to having only grasses available in just 10 to 100 generations, and their diets would have had to change in response,” Magill said in a statement. “Changes in food availability, food type, or the way you get food can trigger evolutionary mechanisms to deal with those changes. The result can be increased brain size and cognition, changes in locomotion and even social changes — how you interact with others in a group.”

This variability in the environment coincided with a key period in human evolution, “when the genus Homo was first established and when there was first evidence of tool use,” Magill said.

The researchers now hope to examine changes at Olduvai Gorge not just across time but space, which could help shed light on aspects of early human evolution such as foraging patterns.

Magill, Freeman and their colleague Gail Ashley detailed their findings online Dec. 24 in two papers in the Proceedings of the National Academy of Sciences.

AL aprova lei que institui Sistema Estadual de REDD+ em MT (ICV)

André Alves – Especial para o Institutto Centro de Vida – ICV

21/12/2012

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovou nesta quarta-feira (19/12) projeto de lei que cria o Sistema Estadual de REDD+ em Mato Grosso. O projeto, de autoria do poder executivo, segue agora para a sanção do governador Silval Barbosa (PMDB) e não deverá sofrer alterações no texto. O sistema tem como objetivo promover a redução das emissões dos gases de efeito estufa com origem no desmatamento e degradação florestal e também estimular o manejo florestal sustentável, além do aumento de estoques de carbono no estado.

“A aprovação desta lei representa um marco regulatório para o estado, pois vamos compartilhar os benefícios da conservação ambiental”, declarou o secretário estadual de Meio Ambiente Vicente Falcão. “É uma conquista do governo, mas também da sociedade civil que durante dois anos discutiu uma proposta que veio na maturidade certa”, complementou.

O texto aprovado na Assembleia prevê ainda a participação efetiva dos diferentes grupos sociais envolvidos ou afetados pelas ações de REDD. Ou seja, os projetos e programas de desmatamento evitado em áreas de assentamentos ou terras indígenas, por exemplo, terão que atender as demandas dessas comunidades, além de prever um mecanismo de distribuição justa de benefícios.

Para o secretário a implantação de um sistema de REDD+ consolida as políticas ambientais e significa um passo importante para cumprir a meta de reduzir o desmatamento no estado em 89% até o ano de 2020. “Agora há uma nova leitura, pois além do comando e controle vamos ter instrumentos de incentivo para inibir o desmatamento”, concluiu.

Laurent Micol, coordenador executivo do Instituto Centro de Vida – ICV, entidade que coordena o GT REDD no Fórum Mato-grossense de Mudanças Climáticas, explica que com a aprovação da lei, Mato Grosso assume um protagonismo nacional em relação a instrumentos de desmatamento evitado. “Os futuros projetos e programas de redução de desmatamento em andamento poderão se enquadrar na lei assim como os futuros projetos terão que assegurar as questões sociais e ambientais previstas na lei”, explicou. “Há também uma maior segurança para os investidores e doadores para estes projetos e programas”, completou. Micol usou como exemplo a recente doação do banco alemão KFW que repassou 8 milhões de reais ao governo do Acre, o primeiro estado na Amazônia a ter uma legislação com esta finalidade, como pagamento por serviços ambientais.

A discussão da proposta da lei começou com a instituição do Grupo de Trabalho REDD, em março de 2009, no âmbito do Fórum Mato-grossense de Mudanças Climáticas. O grupo trabalhou durante dois anos na elaboração da proposta, que foi debatida em consultas públicas e recebeu propostas de modificações pela internet. Ao todo foram 171 proposições que foram analisadas até a versão final da minuta ser validada pelo Fórum.

Assim que sancionada a lei, o governo deverá instituir o Conselho Gestor do Sistema Estadual de REDD+, que terá função deliberativa. O conselho terá 12 representantes e será paritário entre governo estadual e federal com a sociedade civil. Enquanto isso, o GT REDD está trabalhando na proposta de um programa setorial para o manejo florestal para ser apresentado a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

Sobre o GT REDD

O GT REDD MT conta com 78 membros, incluindo a Sema e outras secretarias estaduais, a Procuradoria do Estado, a Assembleia Legislativa, representações de organizações dos setores agropecuário, florestal, organizações da sociedade civil e movimentos sociais, a Ordem dos Advogados do Brasil e a Universidade Federal de Mato Grosso. O ICV foi eleito para coordenar e facilitar os trabalhos do grupo.

REDD+

REDD+ é a sigla em inglês para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, incluindo a conservação e ao manejo das florestas e o aumento dos estoques de carbono.

Outras informações ICV: 65 3621-3148

On the end of the world / sobre o fim do mundo (21.12.2012)

O mundo não acabou (Folha de S.Paulo)

Contardo Calligaris – 27/12/2012 – 03h00

Pode ser que o mundo acabe entre hoje (segunda, dia em que escrevo) e quinta, 27, dia em que seria publicada esta coluna. Em tese, eu não devo me preocupar: meu título não será desmentido –pois, se o mundo acabar, não haverá mais ninguém para verificar que eu me enganei.

Tudo isso, em termos, pois o fim do mundo esperado (mais ou menos ansiosamente) por alguns (ou por muitos) não é o sumiço definitivo e completo da espécie. Ao contrário: em geral, quem fantasia com o fim do mundo se vê como um dos sobreviventes e, imaginando as dificuldades no mundo destruído, aparelha-se para isso.

Na cultura dos EUA, os “survivalists” são também “preppers”: ou seja, quem planeja sobreviver se prepara. A catástrofe iminente pode ser mais uma “merecida” vingança divina contra Sodoma e Gomorra, a realização de uma antiga profecia, a consequência de uma guerra (nuclear, química ou biológica), o efeito do aquecimento global ou, enfim (última moda), o resultado de uma crise financeira que levaria todos à ruina e à fome.

A preparação dos sobreviventes pode incluir ou não o deslocamento para lugares mais seguros (abrigos debaixo da terra, picos de montanhas que, por alguma razão, serão poupados, lugares “místicos” com proteção divina, plataformas de encontro com extraterrestres etc.), mas dificilmente dispensa a acumulação de bens básicos de subsistência (alimentos, água, remédios, combustíveis, geradores, baterias) e (pelo seu bem, não se esqueça disso) de armas de todo tipo (caça e defesa) com uma quantidade descomunal de munições -sem contar coletes a prova de balas e explosivos.

Imaginemos que você esteja a fim de perguntar “armas para o quê?”. Afinal, você diria, talvez a gente precise de armas de caça, pois o supermercado da esquina estará fechado. Mas por que as armas para defesa? Se houver mesmo uma catástrofe, ela não poderia nos levar a descobrir novas formas de solidariedade entre os que sobraram? Pois bem, se você coloca esse tipo de perguntas, é que você não fantasia com o fim do mundo.

Para entender no que consiste a fantasia do fim do mundo, não é preciso comparar os diferentes futuros pós-catastróficos possíveis. Assim como não é preciso considerar se, por exemplo, nos vários cenários desolados do dia depois, há ou não o encontro com um Adão ou uma Eva com quem recomeçar a espécie. Pois essas são apenas variações, enquanto a necessidade das armas (e não só para caçar os últimos coelhos e faisões) é uma constante, que revela qual é o sonho central na expectativa do fim do mundo.

Em todos os fins do mundo que povoam os devaneios modernos, alguns ou muitos sobrevivem (entre eles, obviamente, o sonhador), mas o que sempre sucumbe é a ordem social. A catástrofe, seja ela qual for, serve para garantir que não haverá mais Estado, condado, município, lei, polícia, nação ou condomínio. Nenhum tipo de coletividade instituída sobreviverá ao fim do mundo. Nele (e graças a ele) perderá sua força e seu valor qualquer obrigação que emane da coletividade e, em geral, dos outros: seremos, como nunca fomos, indivíduos, dependendo unicamente de nós mesmos.

Esse é o desejo dos sonhos do fim do mundo: o fim de qualquer primazia da vida coletiva sobre nossas escolhas particulares. O que nos parece justo, no nosso foro íntimo, sempre tentará prevalecer sobre o que, em outros tempos, teria sido ou não conforme à lei.

Por isso, depois do fim do mundo, a gente se relacionará sem mediações –sem juízes, sem padres, sem sábios, sem pais, sem autoridade reconhecida: nós nos encararemos, no amor e no ódio, com uma mão sempre pronta em cima do coldre.

E não é preciso desejar explicitamente o fim do mundo para sentir seu charme. A confrontação direta entre indivíduos talvez seja a situação dramática preferida pelas narrativas que nos fazem sonhar: a dura história do pioneiro, do soldado, do policial ou do criminoso, vagando num território em que nada (além de sua consciência) pode lhes servir de guia e onde nada se impõe a não ser pela força.

Na coluna passada, comentei o caso do jovem que matou a mãe e massacrou 20 crianças e seis adultos numa escola primária de Newtown, Connecticut. Pois bem, a mãe era uma “survivalist”; ela se preparava para o fim do mundo. Talvez, junto com as armas e as munições acumuladas, ela tenha transmitido ao filho alguma versão de seu devaneio de fim do mundo.

*   *   *

Are You Prepared for Zombies? (American Anthropological Association blog)

By Joslyn O. – December 21, 2012 at 12:52 pm

 

In light of all the end of the world talk, a repost of this Zombie preppers post from last spring:

Today’s guest blog post is by cultural anthropologist and AAA member, Chad Huddleston. He is an Assistant Professor at St. Louis University in the Sociology, Anthropology and Criminal Justice department.

Recently, a host of new shows, such as Doomsday Preppers on NatGeo and Doomsday Bunkers on Discovery Channel, has focused on people with a wide array of concerns about possible events that may threaten their lives.  Both of these shows focus on what are called ‘preppers.’ While the people that may have performed these behaviors in the past might have been called ‘survivalists,’ many ‘preppers’ have distanced themselves from that term, due to its cultural baggage: stereotypical anti-government, gun-loving, racist, extremists that are most often associated with the fundamentalist (politically and religiously) right side of the spectrum.

I’ve been doing fieldwork with preppers for the past two years, focusing on a group called Zombie Squad. It is ‘the nation’s premier non-stationary cadaver suppression task force,’ as well as a grassroots, 501(c)3 charity organization.  Zombie Squad’s story is that while the zombie removal business is generally slow, there is no reason to be unprepared.  So, while it is waiting for the “zombpacolpyse,” it focuses its time on disaster preparedness education for the membership and community.

The group’s position is that being prepared for zombies means that you are prepared for anything, especially those events that are much more likely than a zombie uprising – tornadoes, an interruption in services, ice storms, flooding, fires, and earthquakes.

For many in this group, Hurricane Katrina was the event that solidified their resolve to prep.  They saw what we all saw – a natural disaster in which services were not available for most, leading to violence, death and chaos. Their argument is that the more prepared the public is before a disaster occurs, the less resources they will require from first responders and those agencies that come after them.

In fact, instead of being a victim of natural disaster, you can be an active responder yourself, if you are prepared.  Prepare they do.  Members are active in gaining knowledge of all sorts – first aid, communications, tactical training, self-defense, first responder disaster training, as well as many outdoor survival skills, like making fire, building shelters, hunting and filtering water.

This education is individual, feeding directly into the online forum they maintain (which has just under 30,000 active members from all over the world), and by monthly local meetings all over the country, as well as annual national gatherings in southern Missouri, where they socialize, learn survival skills and practice sharpshooting.

Sound like those survivalists of the past?  Emphatically no.  Zombie Squad’s message is one of public education and awareness, very successful charity drives for a wide array of organizations, and inclusion of all ethnicities, genders, religions and politics.  Yet, the group is adamant on leaving politics and religion out of discussions on the group and prepping. You will not find exclusive language on their forum or in their media.  That is not to say that the individuals in the group do not have opinions on one side or the other of these issues, but it is a fact that those issues are not to be discussed within the community of Zombie Squad.

Considering the focus on ‘future doom’ and the types of fears that are being pushed on the shows mentioned above, usually involve protecting yourself from disaster and then other people that have survived the disaster, Zombie Squad is a refreshing twist to the ‘prepper’ discourse.  After all, if a natural disaster were to befall your region, whom would you rather be knocking at your door: ‘raiders’ or your neighborhood Zombie Squad member?

And the answer is no: they don’t really believe in zombies.

 

As Chief Spence starves, Canadians awaken from idleness and remember their roots (The Globe and Mail)

http://www.theglobeandmail.com/commentary/as-chief-spence-starves-canadians-awaken-from-idleness-and-remember-their-roots/article6700592/

Naomi Klein

The Globe and Mail

Published Monday, Dec. 24 2012, 11:24 AM EST / Last updated Monday, Dec. 24 2012, 11:27 AM EST

I woke up just past midnight with a bolt. My six-month-old son was crying. He has a cold – the second of his short life–and his blocked nose frightens him. I was about to get up when he started snoring again. I, on the other hand, was wide awake.

A single thought entered my head: Chief Theresa Spence is hungry. Actually it wasn’t a thought. It was a feeling. The feeling of hunger. Lying in my dark room, I pictured the chief of the Attawapiskat First Nation lying on a pile of blankets in her teepee across from Parliament Hill, entering day 14 of her hunger strike.

I had of course been following Chief Spence’s protest and her demand to meet with Prime Minister Stephen Harper to discuss the plight of her people and his demolition of treaty rights through omnibus legislation. I had worried about her. Supported her. Helped circulate the petitions. But now, before the distancing filters of light and reason had a chance to intervene, I felt her. The determination behind her hunger. The radicality of choosing this time of year, a time of so much stuffing – mouths, birds, stockings – to say: I am hungry. My people are hungry. So many people are hungry and homeless. Your new laws will only lead to more of this misery. Can we talk about it like human beings?

Lying there, I imagined another resolve too – Prime Minister Harper’s. Telling himself: I will not meet with her. I will not cave in to her. I will not be forced to do anything.

Mr. Harper may relent, scared of the political fallout from letting this great leader die. I dearly hope he does. I want Chief Spence to eat. But I won’t soon forget this clash between these two very different kinds of resolve, one so sealed off, closed in; the other cracked wide open, a conduit for the pain of the world.

But Chief Spence’s hunger is not just speaking to Mr. Harper. It is also speaking to all of us, telling us that the time for bitching and moaning is over. Now is the time to act, to stand strong and unbending for the people, places and principles that we love.

This message is a potent gift. So is the Idle No More movement – its name at once a firm commitment to the future, while at the same time a gentle self-criticism of the past. We did sit idly by, but no more.

The greatest blessing of all, however, is indigenous sovereignty itself. It is the huge stretches of this country that have never been ceded by war or treaty. It is the treaties signed and still recognized by our courts. If Canadians have a chance of stopping Mr. Harper’s planet-trashing plans, it will be because these legally binding rights – backed up by mass movements, court challenges, and direct action will stand in his way. All Canadians should offer our deepest thanks that our indigenous brothers and sisters have protected their land rights for all these generations, refusing to turn them into one-off payments, no matter how badly they were needed. These are the rights Mr. Harper is trying to extinguish now.

During this season of light and magic, something truly magical is spreading. There are round dances by the dollar stores. There are drums drowning out muzak in shopping malls. There are eagle feathers upstaging the fake Santas. The people whose land our founders stole and whose culture they tried to stamp out are rising up, hungry for justice. Canada’s roots are showing. And these roots will make us all stand stronger.

Author and activist Naomi Klein is the author of No Logo, The Shock Doctrine , and a forthcoming book on the politics of climate change.

* * *

Idle No More: Indigenous-Led Protests Sweep Canada for Native Sovereignty and Environmental Justice (Democracy Now!)

Video

A new campaign for indigenous rights and environmental justice is spreading across Canada. The “Idle No More” movement began as a series of protests against a controversial government budget bill but has since expanded into a nationwide movement for political transformation. Aboriginal and environmental activists are calling on Prime Minister Stephen Harper to honor treaties with aborigines, open dialogue with environmentalists, and reject tar sands pipelines that would infiltrate First Nation territories. We go to Toronto to speak with Pamela Palmater, chair in indigenous governance at Ryerson University and spokeswoman for the Idle No More movement. “We, First Nations people, have been subsidizing the wealth and prosperity and programs and services of Canadians from our lands and resources,” Palmater says. “And that’s the reality here that most people don’t understand.” [includes rush transcript]

GUEST: Pamela Palmater, chair in indigenous governance at Ryerson University, spokeswoman for the Idle No More movement and a member of the Eel River Bar First Nation.

*   *   *

Aboriginal activists slam Harper, praise hunger strike chief

http://www.cbc.ca/news/politics/story/2012/12/21/pol-idle-no-more-aboriginal-protests.html

Idle No More members march in Montreal to protest omnibus bill

http://www.cbc.ca/news/canada/montreal/story/2012/12/20/montreal-idle-no-more-protest-mohawk.html

On eve of national ‘Idle No More’ protest, hunger-striking Attawapiskat chief pushes Harper to lead change

http://news.nationalpost.com/2012/12/20/on-eve-of-national-idle-no-more-protest-hunger-striking-attawapiskat-chief-pushes-harper-to-lead-change/

Thousands take over Saskatoon mall for Idle No More protest

http://www.thestarphoenix.com/news/Thousands+take+over+Saskatoon+mall+Idle+More+protest/7729333/story.html

Roussolph the red-nosed reindeer (FT)

http://blogs.ft.com/beyond-brics/2012/12/24/roussolph-the-red-nosed-reindeer/#ixzz2GHguUlpl

Dec 24, 2012 2:00pm by Henry Mance

This year, the Christmas tale from beyondbrics takes us to the up-and-coming area of Brics-ton, where Roussolph the Brazilian reindeer has been unceremoniously dumped from Santa Capital’s portfolio.

Read on…

Santa: Right, listen up. This year’s sleigh team is the same as last year’s, except that the Latin American representative will be Peña Nieto of Mexico, who takes over from Roussolph. Talking of glossy hair gel, please welcome our new chief caribou Xi Jinping.

Roussolph: You can’t ditch/ underweight me! What about my wonderful shiny red nose?

Santa: It’s your red nose that’s the problem. Some children think you’re a socialist. Who trusts a socialist to deliver the goodies?

Roussolph: But Xi is a communist!

Santa: And yet he says all the right things.

Xi Jinping: Hello. Let’s fight corruption! Goodbye.

Santa: See? He also waves and smiles.

Roussolph: Fine. But remember my antlers – they’re the sixth biggest in the world!

David Camerolph: They’re not any more. Frightfully sorry, but ours are.

Roussolph: Overtaken by the omnishambles?! Why aren’t my antlers growing faster?

[Enter Guido the Forecasting Elf]

Guido the Elf: Great news! Next year your antlers will grow by one metre!

Roussolph: How do you know?

Guido the Elf: I stuck my finger in the air.

Roussolph: Eh?

Guido the Elf: I mean, I have performed a thorough calculation. I got predictions from all the other elves then doubled them.

Roussolph: Oh, Guido. You’re as persistent as Argentine bond hold-out – and about as helpful. Why don’t I sack you?

Guido the Elf: Because the Economist told you to?

Roussolph: Alas. Where did it all go wrong? Whatever happened to the shining ‘B’ of emerging markets – rich in resources, loved by investors, finally overcoming years of corrupt government…

Santa: Do you mean Bur—

Roussolph: NO, I DO NOT MEAN BURMA. Is Burma hosting the World Cup?

Guido the Elf: The World Cup! I knew there was something I was meant to be preparing for. How many stadiums was it?

[Exits, pursued by a bear]

Roussolph: Oh, this is like a Greek tragedy.

Bluff the Magic Draghi [entering]: Did someone call for me?

Roussolph: The Magic Draghi! Thank goodness. Do you remember the good times? When everyone loved my red nose?

Draghi: When they called you exotic – but in a good way?

Roussolph: They would look at me and whisper, “Oh, what a lovely pair of commodities ” … and no one would ever say, “but a pity the roads back to your place are so bad.”

Draghi: You deserve better than this ! I have a simple solution. With my magic, I can turn back time, using only the power of liquidity!

Roussolph: please, turn it back!

Draghi: Back you go! To the time you were future! To the days your red nose shone most proudly! Back to the 1970s!

Roussolph: Saved at last! I’ll definitely be in the sleigh portfolio next year!

Draghi: Yes! Now what was that tune…

Roussolph the Reindeer [all join in and sing:]

You know old Vladdy Putin
And shiny Xi Jinping
There’s smooth Peña Nieto
And shy Manmohan Singh
But do you recall
The boldest EM reindeer of all?

Roussolph the red-nosed reindeer,
Busy as a jumping bean.
Each time she saw a problem,
Thought the state should intervene.

Vanquished fund managers
Even dared to call her names
(like “Cristina”).
They made sure poor Roussolph
Never saw no share price gains
(Remember Petrobras?).

Then one growth-free Christmas Eve
Santa came to say,
“Roussolph, oh your nose so bright
Gives investors quite a fright!”

All of the other reindeers
Were smitten with anxiety.
Maybe some emerging markets
Haven’t learnt their history?

Apologies to Johnny Marks