Todos os posts de renzotaddei

Avatar de Desconhecido

Sobre renzotaddei

Anthropologist, professor at the Federal University of São Paulo

Black Bloc: “Fazemos o que os outros não têm coragem de fazer” (Fórum)

Eles afirmam não temer o confronto com a polícia e defendem a destruição de “alvos capitalistas”. Conheça a história e a forma de luta que se popularizou com o movimento antiglobalização e ganha destaque no Brasil

Esta matéria faz parte da edição 125 da revista Fórum.

Por Paulo Cezar Monteiro

20/08/2013 7:20 pm

“Os ativistas Black Bloc não são manifestantes, eles não estão lá para protestar. Eles estão lá para promover uma intervenção direta contra os mecanismos de opressão, suas ações são concebidas para causar danos às instituições opressivas.” É dessa forma que a estratégia de ação do grupo que vem ganhando notoriedade devido às manifestações no País é definida por um vídeo, divulgado pela página do Facebook “Black Bloc Brasil”, que explica parte das motivações e forma de pensar dos seus adeptos.

A ação, ou estratégia de luta, pode ser reconhecida em grupos de pessoas vestidas de preto, com máscaras ou faixas cobrindo os rostos. Durante os protestos, eles andam sempre juntos e, usualmente, atacam de maneira agressiva bancos, grandes corporações ou qualquer outro símbolo das instituições Eles afirmam não temer o confronto com a polícia e defendem a destruição de “alvos capitalistas”. Conheça a história e a forma de luta que se popularizou com o movimento antiglobalização e ganha destaque no Brasil “capitalistas e opressoras”, além de, caso julguem necessário, resistirem ou contra-atacarem intervenções policiais.

Devido ao atual ciclo de protestos de rua, o Black Bloc entrou no centro do debate político nacional. Parte das análises e opiniões classifica as suas ações como “vandalismo” ou “violência gratuita”, e também são recorrentes as críticas ao anonimato produzido pelas máscaras ou panos cobrindo a face dos adeptos. Mas o Black Bloc não é uma organização ou entidade. Leo Vinicius, autor do livro Urgência das ruas – Black Bloc, Reclaim the Streets e os Dias de Ação Global, da Conrad, (sob o pseudônimo Ned Ludd), a define o como uma forma de agir, orientada por procedimentos e táticas, que podem ser usados para defesa ou ataque em uma manifestação pública.

(Flickr.com/nofutureface)

Zuleide Silva (nome fictício), anarquista e adepta do Black Bloc no Ceará, frisa que eles têm como alvo as “instituições corporativas” e tentam defender os manifestantes fora do alcance das ações repressoras da polícia. “Fazemos o que os manifestantes não têm coragem de fazer. Botamos nossa cara a tapa por todo mundo”, afirma.

O jornalista e estudioso de movimentos anarquistas, Jairo Costa, no artigo “A tática Black Bloc”, publicado na Revista Mortal, lembra que o Black Bloc surgiu na Alemanha, na década de 1980, como uma forma utilizada por autonomistas e anarquistas para defenderem os squats (ocupações) e as universidades de ações da polícia e ataques de grupos nazistas e fascistas. “O Black Bloc foi resultado da busca emergencial por novas táticas de combate urbano contra as forças policiais e grupos nazifascistas. Diferentemente do que muitos pensam, o Black Bloc não é um tipo de organização anarquista, ONG libertária ou coisa parecida, é uma ação de guerrilha urbana”, contextualiza Costa.

De acordo com um dos “documentos informativos” disponíveis na página do Facebook, alguns dos elementos que os caracterizam são a horizontalidade interna, a ausência de lideranças, a autonomia para decidir onde e como agir, além da solidariedade entre os integrantes. Atualmente, há registros, por exemplo, de forças de ação Black Bloc nas recentes manifestações e levantes populares no Egito.

Manifestantes se reúnem em rua do Leblon, no Rio de Janeiro, próximos à casa do governador Sérgio Cabral (Foto: Mídia Ninja)

Black Bloc no Brasil

Para Leo Vinicius, é um “pouco surpreendente” que essa estratégia de manifestação urbana, bastante difundida ao redor do mundo, tenha demorado a chegar por aqui. “Essa forma de agir em protestos e manifestações ganhou muito destaque dentro dos movimentos antiglobalização, na virada da década de 1990 para 2000. Não é uma forma de ação política realmente nova”. No Brasil, existem páginas do movimento de quase todas as capitais e grandes cidades, a maior parte delas criadas durante o período de proliferação dos protestos. A maior é a Black Bloc Brasil, com quase 35 mil seguidores, seguida pela Black Bloc–RJ, com quase 20 mil membros.

A respeito da relação com o anarquismo, Vinicius faz uma ressalva. É preciso deixar claro que a noção de que “toda ação Black Bloc é feita por anarquistas e que todos anarquistas fazem Black Bloc” é falsa. “A história do Black Bloc tem uma ligação com o anarquismo, mas outras correntes como os autonomistas, comunistas e mesmo independentes também participavam. Nunca foi algo exclusivo do anarquismo. Na prática, o Black Bloc, por se tratar de uma estratégia de operação, pode ser utilizado até por movimentos da direita”, explica o escritor.

Para alguns ativistas, o processo de aceitação das manifestações de rua, feito pela grande mídia e por parte do público, de certa forma impôs que, para serem considerados legítimos, os protestos deveriam seguir um padrão: pacífico, organizado, com cartazes e faixas bem feitas e em perfeito acordo com as leis. Vinicius demonstra certa preocupação com a possibilidade do fortalecimento da ideia de que essa forma “pacífica” seja vista como o único meio possível ou legítimo de protestar. Ele afirma que não entende como violenta a ação Black Bloc de quebrar uma vidraça ou se defender de uma ação policial excessiva. “A violência é um conceito bastante subjetivo. Por isso, não dá pra taxar qualquer ato como violento, é preciso contextualizá-lo, entender as motivações por trás de cada gesto”, avalia.

Para ele, a eficácia de uma manifestação está em saber articular bem formas de ação “pacíficas” e “não pacíficas”. Foi esse equilíbrio, analisa, que fez com que o Movimento Passe Livre – São Paulo (MPL-SP) barrasse o aumento da tarifa na capital paulista. “Só com faixas e cartazes a tarifa não teria caído”, atesta. “Quem tem o poder político nas mãos só cede a uma reivindicação pelo medo, por sentir que as coisas podem sair da rotina, de que ele pode perder o controle do Estado”, sentencia.

Por outro lado, Vinicius alerta que é preciso perceber os limites para evitar que as ações mais “radicais” façam com que o movimento seja criminalizado ou se isole da sociedade e, com isso, perca o potencial de realizar qualquer mudança. Em sua obra, faz a seguinte definição daqueles que adotam a estratégia Black Bloc: “Eles praticam uma desobediência civil ativa e ação direta, afastando assim a política do teatro virtual perfeitamente doméstico, dentro do qual [a manifestação política tradicional] permanece encerrada. Os BB não se contentam com simples desfiles contestatórios, certamente importantes pela sua carga simbólica, mas incapazes de verdadeiramente sacudir a ordem das coisas”, aponta.

Outra crítica recorrente é o fato de os BB usarem máscaras ou panos para cobrirem os rostos. Os adeptos da ação explicam que as máscaras são um meio de proteger suas identidades para “evitar a perseguição policial” e outras formas de criminalização, como também criar um “sentimento de unidade” e impedir o surgimento de um “líder carismático”.

Luta antiglobalização

Com o passar do tempo, segundo Jairo Costa, as táticas Black Bloc passaram a ser reconhecidas como um meio de expressar a ira anticapitalista. Ele explica que geralmente as ações são planejadas para acontecer durante grandes manifestações de movimentos de esquerda.

O estudioso destaca como um dos momentos mais significativos da história Black Bloc a chamada “Batalha de Seattle”, em 1999, contra uma rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em 30 de novembro daquele ano, após uma tarde de confrontos com as forças policiais, uma frente móvel de black blockers conseguiu quebrar o isolamento criado entre os manifestantes e o centro comercial da cidade. Após vencer o cerco policial, os manifestantes promoveram a destruição de várias propriedades, limusines e viaturas policiais, e fizeram várias pichações com a mensagem “Zona Autônoma Temporária”. Estimativas apontam prejuízos de 10 milhões de dólares, além de centenas de feridos e 68 prisões.

Para Costa, um dos episódios mais impactantes – e duros – da história Black Bloc foi o assassinato de Carlo Giuliani, jovem anarquista de 23 anos, durante a realização simultânea do Fórum Social de Gênova e a reunião do G8 (Grupo dos oito países mais ricos), na Itália, em julho de 2001. Ele lembra que, após vários confrontos violentos – alguns deles vencidos pelos manifestantes, que chegaram a provocar a fuga dos policiais, que deixaram carros blindados para trás –, ocorreu o episódio que levou à morte de Giuliani.

“Ele partiu para cima de um carro de polícia tentando atirar nele um extintor de incêndio. Muitos fotógrafos estavam por lá e seus registros falam por si. Ao se aproximar do carro, Giuliani é atingido por dois tiros, um na cabeça. E, numa cena macabra, o carro da polícia dá marcha a ré e atropela-o várias vezes”, narra. Os assassinos de Carlo Giuliani não foram condenados. Dois anos após o fato, a Justiça italiana considerou que a ação policial se deu como “reação legítima” ao comportamento do militante.

Alvos capitalistas

Entre as formas de ação direta do Black Bloc destacam-se os ataques aos chamados “alvos simbólicos do capital”, que incluem joalherias, lanchonetes norte-americanas ou ainda a depredação de instituições oficiais e empresas multinacionais. Costa explica que essas ações “não têm como objetivo atingir pessoas, mas bens de capital”.

Zuleide justifica a destruição praticada contra multinacionais ou outros símbolos capitalistas, porque elas seriam mecanismo de “exploração e exclusão das pessoas”. “Queremos que esses meios que oprimem e desrespeitam um ser humano se explodam, vão embora, morram. Trabalhar dez horas por dia para não ganhar nada, isso é o que nos enfurece. Por isso, nossas ações diretas a eles, porque queremos causar prejuízos, para que percebam que há pessoas que rejeitam aquilo e que lutam pela população”, explica.

Ela reconhece que essas ações diretas podem deixá-los “mal vistos” na sociedade, já que há pessoas que pensam: “Droga, não vou poder mais comer no ***** porque destruíram tudo”. Porém, Zuleide afirma que o trabalhador, explorado por essas corporações, “adoraria fazer o que nós fazemos”, mas, por ter família para sustentar e contas a pagar, não faz. “Esse é mais um dos motivos que nos fazem do jeito que somos”, pontua.

Vinicius explica que, nas “ações diretas”, os black blockers atacam bens particulares por considerarem que “a propriedade privada – principalmente a propriedade privada corporativa – é em si própria muito mais violenta do que qualquer ação que possa ser tomada contra ela”. Quebrar vitrines de lojas, por exemplo, teria como função destruir “feitiços” criados pela ideologia capitalista. Esses “feitiços” seriam meios de “embalar o esquecimento” de todas as violências cometidas “em nome do direito de propriedade privada” e de “todo o potencial de uma sociedade sem ela [as vitrines]”.

Sem violência?

Em praticamente todas as manifestações, independentemente das causas e dos organizadores, tornou-se comum o grito: “Sem violência! Sem violência!”, que tinha como destinatários os policiais que, teoricamente, entenderiam o caráter “pacifista” do ato. Também seria uma tentativa de coibir a ação de “vândalos” ou “baderneiros”, que perceberiam não contar com o apoio do restante da massa.

Zuleide reconhece que, inicialmente, a ação Black Bloc era alvo desses gritos, mas, segundo ela, quando as pessoas entendem a forma como eles atuam, isso muda. “Os manifestantes perceberam que o Estado não iria nos deixar falar, nos deixar reivindicar algo, e começaram a nos reprimir. Quando há confronto [com a polícia], nós os ajudamos retardando a movimentação policial ou tirando eles de situações que ofereçam perigo, e alguns perceberam isso”, afirma.

Apesar de os confrontos com policiais não serem uma novidade durante as suas ações, os adeptos afirmam não ter como objetivo atacar policiais. Contudo, outro documento intitulado “Manifesto Black Bloc” deixa claro que, caso a polícia assuma um caráter “opressor ou repressor”, ela se torna, automaticamente, uma “inimiga”.

No “Manual de Ação Direta – Black Bloc”, também disponível na internet, a desobediência civil é definida como “a não aceitação” de uma regra, lei ou decisão imposta, “que não faça sentido e para não se curvar a quem a impõe. É este o princípio da desobediência civil, violenta ou não”. Entre as possibilidades de desobediência civil são citadas, por exemplo, a não aceitação da proibição da polícia que a manifestação siga por determinado caminho, a resistência à captura de algum manifestante ou, ainda, a tentativa de resgatar alguém detido pelos policiais.

Também são ensinadas táticas para resistir a gás lacrimogêneo, sprays de pimenta e outras formas de ação policial, além de dicas de primeiros socorros e direitos legais dos manifestantes. De acordo com o documento, as orientações desse manual tratam apenas da desobediência civil “não violenta”.

Outra orientação é que seja definido, antes da manifestação, se a desobediência civil será “violenta” ou “não violenta”. Caso se opte pela ação ‘não violenta’, essa decisão deve ser respeitada por todos, visto que não cumprir o combinado pode pôr “em risco” outros companheiros, além de ser um sinal de “desrespeito”.

Contudo, o mesmo manual deixa claro que o que “eles fazem conosco” todos os dias é uma violência, sendo assim, “a desobediência violenta é uma reação a isso e, portanto, não é gratuita, como eles tentam fazer parecer”.

Uma breve história

1980: O termo Black Bloc (Schwarzer Block) é usado pela primeira vez pela polícia alemã, como
forma de identificar grupos de esquerda na época denominados “autônomos, ou autonomistas”, que lutavam contra a repressão policial aos squats (ocupações).

1986: Fundada, em Hamburgo (Alemanha), a liga autonomista Black Bloc 1500, para defender o Hafenstrasse Squat.

1987: Anarquistas vestidos com roupas pretas protestam em Berlim Ocidental, por ocasião da presença de Ronald Reagan, então presidente dos EUA, na cidade.

1988: Em Berlim Ocidental, o Black Bloc confronta-se com a polícia durante uma manifestação
contra a reunião do Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

1992: Em São Francisco (EUA), na ocasião do 500º aniversário da descoberta da América por Cristóvão Colombo, o Black Bloc manifesta-se contra o genocídio de povos nativos das Américas.

1999: Seattle contra a Organização Mundial do Comércio (OMC). Estima-se em 500 o número de integrantes do Black Bloc que destruíram o centro econômico da cidade.

2000: Em Washington, durante reunião do FMI e Banco Mundial, cerca de mil black blockers anticapitalistas saíram às ruas e enfrentaram a polícia.

2000: Em Praga (República Tcheca), forma-se um dos maiores Black Blocs que se tem notícia, durante a reunião do FMI. Cerca de 3 mil anarquistas lutam contra a polícia tcheca.

2001: Quebec (Canadá). Membros do Black Bloc
são acusados de agredir um policial durante uma marcha pela paz nas ruas de Quebec. Após esse evento, a população local e vários manifestantes de esquerda distanciaram-se da tática Black Bloc e de seus métodos extremos.

2001: A cidade de Gênova (Itália), ao mesmo tempo, recebeu a cúpula do G8 e realizou o Fórum Social de Gênova, com um grande número de Black blockers, além de aproximadamente de 200 mil ativistas. A ação ficou marcada pela violenta morte do jovem Carlo Giuliani, de 23 anos.

2007: Em Heiligendamm (Alemanha), reunião do G8 foi alvo de uma ação com a participação de cerca de 5 mil blackblockers . Mobilização Black Bloc de cerca de 5.000 pessoas

2010: Toronto (Canadá), na reunião do G20. Neste confronto, mais de 500 manifestantes foram presos e dezenas de outros ativistas foram parar em hospitais com inúmeras fraturas.

2013: Cairo (Egito). O Black Bloc aparece com forte atuação nos protestos da Praça Tahir, no combate e resistência ao exército do então presidente Hosni Mubarak.

Fonte: Artigo “A Tática Black Bloc”, escrito por Jairo Costa, na Revista Mortal, 2010

Noam Chomsky is right: It’s the so-called serious who devastate the planet and cause the wars (Salon)

MONDAY, JAN 27, 2014 11:52 AM -0200

Fear the sober voices on the New York Times Op-Ed page and in the think tanks — they’re more dangerous than hawks

, TOMDISPATCH.COM

Noam Chomsky is right: It's the so-called serious who devastate the planet and cause the warsNoam Chomsky (Credit: AP/Hatem Moussa)

A captain ready to drive himself and all around him to ruin in the hunt for a white whale. It’s a well-known story, and over the years, mad Ahab in Herman Melville’s most famous novel, Moby-Dick, has been used as an exemplar of unhinged American power, most recently of George W. Bush’s disastrous invasion of Iraq.

But what’s really frightening isn’t our Ahabs, the hawks who periodically want to bomb some poor country, be it Vietnam or Afghanistan, back to the Stone Age.  The respectable types are the true “terror of our age,” as Noam Chomsky called them collectively nearly 50 years ago.  The really scary characters are our soberest politiciansscholarsjournalistsprofessionals, and managers, men and women (though mostly men) who imagine themselves as morally serious, and then enable the wars, devastate the planet, and rationalize the atrocities.  They are a type that has been with us for a long time.  More than a century and a half ago, Melville, who had a captain for every face of empire, found their perfect expression — for his moment and ours.

For the last six years, I’ve been researching the life of an American seal killer, a ship captain named Amasa Delano who, in the 1790s, was among the earliest New Englanders to sail into the South Pacific.  Money was flush, seals were many, and Delano and his fellow ship captains established the first unofficial U.S. colonies on islands off the coast of Chile.  They operated under an informal council of captains, divvied up territory, enforced debt contracts, celebrated the Fourth of July, and set up ad hoc courts of law.  When no bible was available, the collected works of William Shakespeare, found in the libraries of most ships, were used to swear oaths.

From his first expedition, Delano took hundreds of thousands of sealskins to China, where he traded them for spices, ceramics, and tea to bring back to Boston.  During a second, failed voyage, however, an event took place that would make Amasa notorious — at least among the readers of the fiction of Herman Melville.

Here’s what happened: One day in February 1805 in the South Pacific, Amasa Delano spent nearly a full day on board a battered Spanish slave ship, conversing with its captain, helping with repairs, and distributing food and water to its thirsty and starving voyagers, a handful of Spaniards and about 70 West African men and women he thought were slaves. They weren’t.

Those West Africans had rebelled weeks earlier, killing most of the Spanish crew, along with the slaver taking them to Peru to be sold, and demanded to be returned to Senegal.  When they spotted Delano’s ship, they came up with a plan: let him board and act as if they were still slaves, buying time to seize the sealer’s vessel and supplies.  Remarkably, for nine hours, Delano, an experienced mariner and distant relative of future president Franklin Delano Roosevelt, was convinced that he was on a distressed but otherwise normally functioning slave ship.

Having barely survived the encounter, he wrote about the experience in his memoir, which Melville read and turned into what many consider his “other” masterpiece.  Published in 1855, on the eve of the Civil War, Benito Cereno is one of the darkest stories in American literature.  It’s told from the perspective of Amasa Delano as he wanders lost through a shadow world of his own racial prejudices.

One of the things that attracted Melville to the historical Amasa was undoubtedly the juxtaposition between his cheerful self-regard — he considers himself a modern man, a liberal opposed to slavery — and his complete obliviousness to the social world around him.  The real Amasa was well meaning, judicious, temperate, and modest.

In other words, he was no Ahab, whose vengeful pursuit of a metaphysical whale has been used as an allegory for every American excess, every catastrophic war, every disastrous environmental policy, from Vietnam and Iraq to the explosion of the BP oil rig in the Gulf of Mexico in 2010.

Ahab, whose peg-legged pacing of the quarterdeck of his doomed ship enters the dreams of his men sleeping below like the “crunching teeth of sharks.”  Ahab, whose monomania is an extension of the individualism born out of American expansion and whose rage is that of an ego that refuses to be limited by nature’s frontier.  “Our Ahab,” as a soldier in Oliver Stone’s movie Platoon calls a ruthless sergeant who senselessly murders innocent Vietnamese.

Ahab is certainly one face of American power. In the course of writing a book on the history that inspired Benito Cereno, I’ve come to think of it as not the most frightening — or even the most destructive of American faces.  Consider Amasa.

Killing Seals

Since the end of the Cold War, extractive capitalism has spread over our post-industrialized world with a predatory force that would shock even Karl Marx.  From the mineral-rich Congo to the open-pit gold mines of Guatemala, from Chile’s until recently pristine Patagonia to the fracking fields of Pennsylvania and the melting Arctic north, there is no crevice where some useful rock, liquid, or gas can hide, no jungle forbidden enough to keep out the oil rigs and elephant killers, no citadel-like glacier, no hard-baked shale that can’t be cracked open, no ocean that can’t be poisoned.

And Amasa was there at the beginning.  Seal fur may not have been the world’s first valuable natural resource, but sealing represented one of young America’s first experiences of boom-and-bust resource extraction beyond its borders.

With increasing frequency starting in the early 1790s and then in a mad rush beginning in 1798, ships left New Haven, Norwich, Stonington, New London, and Boston, heading for the great half-moon archipelago of remote islands running from Argentina in the Atlantic to Chile in the Pacific.  They were on the hunt for the fur seal, which wears a layer of velvety down like an undergarment just below an outer coat of stiff gray-black hair.

In Moby-Dick, Melville portrayed whaling as the American industry.  Brutal and bloody but also humanizing, work on a whale ship required intense coordination and camaraderie.  Out of the gruesomeness of the hunt, the peeling of the whale’s skin from its carcass, and the hellish boil of the blubber or fat, something sublime emerged: human solidarity among the workers.  And like the whale oil that lit the lamps of the world, divinity itself glowed from the labor: “Thou shalt see it shining in the arm that wields a pick or drives a spike; that democratic dignity which, on all hands, radiates without end from God.”

Sealing was something else entirely.  It called to mind not industrial democracy but the isolation and violence of conquest, settler colonialism, and warfare.  Whaling took place in a watery commons open to all.  Sealing took place on land.  Sealers seized territory, fought one another to keep it, and pulled out what wealth they could as fast as they could before abandoning their empty and wasted island claims.  The process pitted desperate sailors against equally desperate officers in as all-or-nothing a system of labor relations as can be imagined.

In other words, whaling may have represented the promethean power of proto-industrialism, with all the good (solidarity, interconnectedness, and democracy) and bad (the exploitation of men and nature) that went with it, but sealing better predicted today’s postindustrial extracted, hunted, drilled, fracked, hot, and strip-mined world.

Seals were killed by the millions and with a shocking casualness.  A group of sealers would get between the water and the rookeries and simply start clubbing.  A single seal makes a noise like a cow or a dog, but tens of thousands of them together, so witnesses testified, sound like a Pacific cyclone.  Once we “began the work of death,” one sealer remembered, “the battle caused me considerable terror.”

South Pacific beaches came to look like Dante’s Inferno.  As the clubbing proceeded, mountains of skinned, reeking carcasses piled up and the sands ran red with torrents of blood.  The killing was unceasing, continuing into the night by the light of bonfires kindled with the corpses of seals and penguins.

And keep in mind that this massive kill-off took place not for something like whale oil, used by all for light and fire.  Seal fur was harvested to warm the wealthy and meet a demand created by a new phase of capitalism: conspicuous consumption.  Pelts were used for ladies’ capes, coats, muffs, and mittens, and gentlemen’s waistcoats.  The fur of baby pups wasn’t much valued, so some beaches were simply turned into seal orphanages, with thousands of newborns left to starve to death.  In a pinch though, their downy fur, too, could be used — to make wallets.

Occasionally, elephant seals would be taken for their oil in an even more horrific manner: when they opened their mouths to bellow, their hunters would toss rocks in and then begin to stab them with long lances.  Pierced in multiple places like Saint Sebastian, the animals’ high-pressured circulatory system gushed “fountains of blood, spouting to a considerable distance.”

At first the frenetic pace of the killing didn’t matter: there were so many seals.  On one island alone, Amasa Delano estimated, there were “two to three millions of them” when New Englanders first arrived to make “a business of killing seals.”

“If many of them were killed in a night,” wrote one observer, “they would not be missed in the morning.”  It did indeed seem as if you could kill every one in sight one day, then start afresh the next.  Within just a few years, though, Amasa and his fellow sealers had taken so many seal skins to China that Canton’s warehouses couldn’t hold them.  They began to pile up on the docks, rotting in the rain, and their market price crashed.

To make up the margin, sealers further accelerated the pace of the killing — until there was nothing left to kill.  In this way, oversupply and extinction went hand in hand.  In the process, cooperation among sealers gave way to bloody battles over thinning rookeries.  Previously, it only took a few weeks and a handful of men to fill a ship’s hold with skins.  As those rookeries began to disappear, however, more and more men were needed to find and kill the required number of seals and they were often left on desolate islands for two- or three-year stretches, living alone in miserable huts in dreary weather, wondering if their ships were ever going to return for them.

“On island after island, coast after coast,” one historian wrote, “the seals had been destroyed to the last available pup, on the supposition that if sealer Tom did not kill every seal in sight, sealer Dick or sealer Harry would not be so squeamish.”  By 1804, on the very island where Amasa estimated that there had been millions of seals, there were more sailors than prey.  Two years later, there were no seals at all.

The Machinery of Civilization

There exists a near perfect inverse symmetry between the real Amasa and the fictional Ahab, with each representing a face of the American Empire.  Amasa is virtuous, Ahab vengeful.  Amasa seems trapped by the shallowness of his perception of the world.  Ahab is profound; he peers into the depths.  Amasa can’t see evil (especially his own). Ahab sees only nature’s “intangible malignity.”

Both are representatives of the most predatory industries of their day, their ships carrying what Delano once called the “machinery of civilization” to the Pacific, using steel, iron, and fire to kill animals and transform their corpses into value on the spot.

Yet Ahab is the exception, a rebel who hunts his white whale against all rational economic logic.  He has hijacked the “machinery” that his ship represents and rioted against “civilization.”  He pursues his quixotic chase in violation of the contract he has with his employers.  When his first mate, Starbuck, insists that his obsession will hurt the profits of the ship’s owners, Ahab dismisses the concern: “Let the owners stand on Nantucket beach and outyell the Typhoons. What cares Ahab?  Owners, Owners?  Thou art always prating to me, Starbuck, about those miserly owners, as if the owners were my conscience.”

Insurgents like Ahab, however dangerous to the people around them, are not the primary drivers of destruction.  They are not the ones who will hunt animals to near extinction — or who are today forcing the world to the brink.  Those would be the men who never dissent, who either at the frontlines of extraction or in the corporate backrooms administer the destruction of the planet, day in, day out, inexorably, unsensationally without notice, their actions controlled by an ever greater series of financial abstractions and calculations made in the stock exchanges of New York, London, and Shanghai.

If Ahab is still the exception, Delano is still the rule.  Throughout his long memoir, he reveals himself as ever faithful to the customs and institutions of maritime law, unwilling to take any action that would injure the interests of his investors and insurers.  “All bad consequences,” he wrote, describing the importance of protecting property rights, “may be avoided by one who has a knowledge of his duty, and is disposed faithfully to obey its dictates.”

It is in Delano’s reaction to the West African rebels, once he finally realizes he has been the target of an elaborately staged con, that the distinction separating the sealer from the whaler becomes clear.  The mesmeric Ahab — the “thunder-cloven old oak” — has been taken as a prototype of the twentieth-century totalitarian, a one-legged Hitler or Stalin who uses an emotional magnetism to convince his men to willingly follow him on his doomed hunt for Moby Dick.

Delano is not a demagogue.  His authority is rooted in a much more common form of power: the control of labor and the conversion of diminishing natural resources into marketable items.  As seals disappeared, however, so too did his authority.  His men first began to grouse and then conspire.  In turn, Delano had to rely ever more on physical punishment, on floggings even for the most minor of offences, to maintain control of his ship — until, that is, he came across the Spanish slaver.  Delano might have been personally opposed to slavery, yet once he realized he had been played for a fool, he organized his men to retake the slave ship and violently pacify the rebels.  In the process, they disemboweled some of the rebels and left them writhing in their viscera, using their sealing lances, which Delano described as “exceedingly sharp and as bright as a gentleman’s sword.”

Caught in the pincers of supply and demand, trapped in the vortex of ecological exhaustion, with no seals left to kill, no money to be made, and his own crew on the brink of mutiny, Delano rallied his men to the chase — not of a white whale but of black rebels.  In the process, he reestablished his fraying authority.  As for the surviving rebels, Delano re-enslaved them.  Propriety, of course, meant returning them and the ship to its owners.

Our Amasas, Ourselves

With Ahab, Melville looked to the past, basing his obsessed captain on Lucifer, the fallen angel in revolt against the heavens, and associating him with America’s “manifest destiny,” with the nation’s restless drive beyond its borders.  With Amasa, Melville glimpsed the future.  Drawing on the memoirs of a real captain, he created a new literary archetype, a moral man sure of his righteousness yet unable to link cause to effect, oblivious to the consequences of his actions even as he careens toward catastrophe.

They are still with us, our Amasas.  They have knowledge of their duty and are disposed faithfully to follow its dictates, even unto the ends of the Earth.

TomDispatch regular Greg Grandin’s new book, The Empire of Necessity:  Slavery, Freedom, and Deception in the New World, has just been published. 

To stay on top of important articles like these, sign up to receive the latest updates from TomDispatch.com here.

Greg Grandin is a professor of history at New York University and the author, most recently, of “Fordlandia: The Rise and Fall of Henry Ford’s Forgotten Jungle City”. Check out a TomDispatch audio interview with Grandin about Henry Ford’s strange adventure in the Amazon by clicking here.

Países desenvolvidos exportam emissões de carbono (Folha de São Paulo)

JC e-mail 4882, de 28 de janeiro de 2014

Matéria do “The New York Times” sobre efeitos climáticos publicada na Folha de São Paulo

Durante sua vida útil, o iPhone 5S emite o equivalente a 70 kg de dióxido de carbono. A boa notícia: isso é 4 kg a menos do que o iPhone 5.

Seja como for, cerca de três quartos desse dióxido de carbono são considerados de responsabilidade não dos Estados Unidos, mas de lugares como China, Taiwan, Coreia do Sul e Mongólia Interior (região autônoma da China), onde o telefone e seus componentes são fabricados.

A globalização -a qual, no processo de “exportar” produção e emprego dos países ricos para os pobres, “exportou” também o dióxido de carbono emitido para a fabricação dos produtos- adiciona um novo aspecto à alocação das responsabilidades pela emissão de carbono na atmosfera: será que essas emissões devem ser de responsabilidade dos países fabricantes ou dos países para os quais os produtos se destinam?

Dois anos atrás, algumas das localidades mais ambientalmente corretas dos EUA solicitaram à seção americana do Instituto Ambiental de Estocolmo que calculasse suas emissões de carbono. Em vez de contabilizar o carbono que produziam, elas queriam um inventário das emissões geradas na fabricação, no transporte, na utilização e na eliminação do que é consumido nesses lugares.

O resultado surpreendeu. San Francisco, por exemplo, gerou em 2008 apenas 8 milhões de toneladas de CO2 ou equivalente. O consumo da cidade, por outro lado, acrescentou quase 22 milhões de toneladas de carbono à atmosfera. Usando medições baseadas no consumo, as emissões do Oregon saltaram em 2005 de 53 milhões para 78 milhões de toneladas. “As pessoas que nos contrataram se viam como muito ‘verdes’ e inovadoras”, disse Frank Ackerman, que na época chefiava o Grupo de Economia Climática da entidade nos EUA. “Eles achavam que, por terem boas iniciativas em andamento, teriam um resultado menor, apesar de muitos dos produtos industriais por eles consumidos serem fabricados no exterior.”

O foco no consumo faz sentido. Compreender o seu impacto sobre a mudança climática é um primeiro passo necessário para que as pessoas e as cidades, grandes ou pequenas, tomem medidas concretas para reduzir as emissões de carbono. Este novo tipo de cálculo, no entanto, pode ter um efeito imprevisto sobre a política internacional de mudança climática, deslocando a responsabilidade em escala global.

Enquanto a concentração de CO2 disparou no primeiro semestre de 2013 para o seu maior nível desde que os mastodontes vagavam pela Terra, há 3 milhões de anos, as Nações Unidas, contrariando todas as probabilidades, esperam que 2014 finalmente traga os avanços necessários para que as grandes nações cuspidoras de carbono cheguem a um acordo sobre um plano climático até 2015.

“Desafio os senhores a trazer promessas ousadas para a cúpula”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ao convidar líderes mundiais para uma reunião em setembro próximo, em Nova York.

Um estudo publicado há dois anos na revista “PNAS”, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, observou que, entre 1990 e 2008, a globalização exportou o equivalente a 1,2 bilhão de toneladas de emissões de carbono por ano do mundo desenvolvido para nações em desenvolvimento.

Cálculos com critérios estritamente geográficos dão a impressão de que os países industriais avançados conseguiram estabilizar suas emissões de carbono.

Mas eles apenas transferiram o aumento para fora das suas fronteiras. As emissões de carbono criadas pelo consumo dos americanos são cerca de 8% superiores às emissões produzidas nos EUA, de acordo com os cientistas do Projeto Global do Carbono. Por outro lado, cerca de um quinto das emissões da China são de produtos consumidos fora de suas fronteiras.

A União Europeia, satisfeita com seus resultados ambientais nos cálculos habituais, com base no lugar onde o carbono é emitido, parece menos virtuosa sob uma lente baseada no consumo. Em 2011, os europeus emitiram apenas 3,6 bilhões de toneladas de CO2, mas 4,8 bilhões de toneladas foram jogados na atmosfera para a produção das coisas que os europeus consumiram.

Aqui está o dilema. A abordagem habitual, a qual está sendo considerada para contabilizar o custo do carbono “comercializado”, consistiria em taxar as emissões registradas nas fronteiras. Não surpreende que países exportadores, como a China, não gostem dessa abordagem.

Um estudo recente corroborou a imposição de um imposto de carbono sobre as importações. Mas “a China tem tudo a perder”, disse GlenPeters, do Centro para o Clima Internacional e a Pesquisa Ambiental, em Oslo. “Se a China trouxesse isso para as negociações, estaria permitindo que os EUA e Europa regulamentassem as exportações chinesas.”

Outra pesquisa concluiu que a imposição de uma penalidade na fronteira incentivaria a China e outros países em desenvolvimento a tributarem suas próprias emissões de carbono -ficando com o dinheiro- em vez de deixar que outros as tributem. Mas, se o mundo quiser evitar uma mudança climática catastrófica, alguém -em algum lugar- deve arcar com o custo de consumir menos carbono. E ninguém está se voluntariando.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/149511-paises-desenvolvidos-exportam-emissoes-de-carbono.shtml

 

Projeto sobre tecnologia que pode tornar sementes estéreis avança na Câmara (Agência Brasil)

JC e-mail 4882, de 28 de janeiro de 2014

O PL 268/2007 abre uma brecha na redação da Lei de Biossegurança

Poucos brasileiros sabem, mas as discussões estão avançadas na Câmara dos Deputados que seja aprovado projeto que libera uma tecnologia genética polêmica – a tecnologia de restrição de uso, que, entre outras aplicações, pode ser usada para criar sementes estéreis a partir da segunda geração, popularmente apelidadas de sementesterminator.

O Projeto de Lei (PL) 268/2007, do deputado Eduardo Sciarra (PSD-PR), abre uma brecha na redação da Lei de Biossegurança para que seja permitida a comercialização de sementes produzidas com a tecnologia, no caso de plantas biorreatoras, usadas para produzir substâncias de uso industrial ou terapêutico.

A proposta já passou pelas comissões de Agricultura e Meio Ambiente, sendo aprovada na primeira e rejeitada na segunda. Atualmente, está na Comissão de Constituição e Justiça, (CCJ) onde recebeu parecer favorável do relator e quase foi votada em outubro do ano passado. A votação não ocorreu porque organizações da sociedade civil e movimentos sociais entregaram à presidência da CCJ um abaixo-assinado com 30 mil assinaturas pedindo a retirada de pauta do projeto.

No site da Câmara dos Deputados, a última movimentação relativa à proposta é um requerimento de audiência pública sobre o assunto, feito pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ), no início de dezembro.

Até o momento, nenhum organismo do tipo foi desenvolvido em campo aberto, embora acredite-se que as empresas façam pesquisas em ambientes controlados. Uma moratória internacional, apoiada pelo Brasil, barra a produção em campo e a comercialização desde 2000. Um dos riscos da liberação é a contaminação das espécies não modificadas geneticamente pelas lavouras de transgênicos. A engenheira agrônoma Maria José Guazelli, da organização não governamental (ONG) Centro Ecológico, explica que espécies não transgênicas poderiam assimilar características como a esterilidade.

Para ela, mesmo que a liberação se restrinja às sementes desenvolvidas para uso terapêutico e industrial, há risco de poluição genética das espécies alimentícias. “Uma boa parte dessas plantas biorreatoras são arroz, milho. Dependendo de que planta for, pode haver cruzamento, sim”, afirma.

Para Maria José, as normas de contenção que têm sido aplicadas no Brasil não são suficientes para mitigar os riscos. “Geralmente, a CTNBio [Comissão Técnica Nacional de Biossegurança] determina distância [entre a lavoura transgênica e não transgênica]. Mas o pólen voa centenas de metros e até quilômetros. O que tem acontecido é a contaminação”, disse a agrônoma, citando casos em que agricultores orgânicos constataram contágio por soja e milho transgênicos.

A Agência Brasil entrou em contato com a assessoria de comunicação do deputado Eduardo Sciarra, pedindo uma entrevista com o parlamentar, mas foi informada de que ele está fora de Brasília e não poderia falar naquele momento. No entanto, a assessoria encaminhou à reportagem material sobre o PL 268/2007.

Sobre a questão da possível contaminação de espécies não modificadas geneticamente, o texto afirma que “pode-se construir plantas [biorreatoras] que não se reproduzem pelo polén”. Segundo o material enviado pelos assessores do deputado, “a tecnologia genética de restrição de uso não se resume à modalidade conhecida como terminator. Pode haver diversos tipos de construção dessa tecnologia. Em um deles, elimina-se a floração, retardando a data de maturidade sexual da planta e construindo plantas com pólen estéril”.

No entanto, para o agrônomo e assessor técnico da organização da sociedade civil AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia Gabriel Fernandes, ainda há muitas incertezas em relação à tecnologia de restrição de uso e, portanto, não há garantia da eficácia das soluções apontadas .”Primeiro, o projeto de lei não está prevendo regras de segurança. Outra coisa que pode ser questionada é se essas regras funcionam. Não tem nada que garanta [que a esterilidade do pólen] funcione 100%.”

Para Fernandes, trata-se de uma tecnologia que não é necessária. Os estudos não dão segurança, e há uma moratória internacional. “Nenhum país faz experimentos a campo”, argumenta. Na visão do agrônomo, vantagens apontadas com a adoção da tecnologia de restrição de uso, como manipulação da floração e de outras fases do ciclo reprodutivo das plantas, não compensam o risco assumido e parte delas poderia ser obtida com outras técnicas de manejo.

O pesquisador Francisco Aragão, responsável pelo laboratório do Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), tem opinião diferente. Para ele, é possível conter os riscos de contaminação e, além disso, a tecnologia de restrição de uso abre várias possibilidades. Aragão exemplifica com a cana-de-açúcar, que gasta na floração uma energia que, segundo ele, poderia ser aplicada na produção de mais açúcar. A restrição de uso poderia impedir a floração e tornar o processo mais eficiente, afirma.

“Pretende-se fazer o cultivo dessas plantas, a princípio em ambientes fechados. Há possibilidade de escape, mas existe todo um mecanismo de segurança. Já tem pesquisa para produção de fármacos em plantas e a restrição de uso colocaria um mecanismo de segurança a mais no sistema [em razão da esterilidade]”, explicou o pesquisador. Para ele, deve ser mantida a proibição para a agricultura e haver permissão para alguns casos, como a produção de fármacos e a obtenção de características agronômicas, que “nada têm a ver com a retirada do direito do produtor de reutilizar sementes”.

(Mariana Branco/Agência Brasil)

Projeto que proíbe o uso de animais em testes de cosméticos poderá ter votação mais rápida (Agência Câmara)

JC e-mail 4881, de 27 de janeiro de 2014

O objetivo é que a matéria seja votada ainda neste ano

O autor de projeto que proíbe o uso de animais em testes de produtos cosméticos (PL 6602/13), deputado Ricardo Izar (PSD-SP), pediu ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, que seu projeto seja desvinculado (desapensado) de outro mais antigo que institui o Código Federal de Bem-Estar Animal (PL 215/07). O objetivo é que a matéria seja votada ainda neste ano.

O projeto de Izar proíbe a utilização de animais em atividades de ensino, pesquisas e testes laboratoriais com substâncias para o desenvolvimento de produtos de uso cosmético em humanos e aumenta os valores de multa nos casos de violação de seus dispositivos.

O debate sobre o uso de animais em testes e pesquisas de cosméticos ganhou força após o caso do Instituto Royal. Em outubro de 2013, 178 beagles e sete coelhos usados em pesquisas foram retirados por ativistas e moradores de São Roque, no interior paulista, de uma das sedes do instituto.

Ricardo Izar participou de Comissão Externa da Câmara para acompanhar o caso. Ele considera que o Brasil está atrasado neste aspecto. “Não só moralmente por causa do respeito aos animais, mas mercadologicamente. Hoje, as empresas que produzem cosméticos não podem exportar para a Comunidade Europeia porque lá é proibida a comercialização de produtos cosméticos que usaram animais em testes ou nos seus ingredientes. Então, mercadologicamente, nós também estamos atrasados.”

Legislação de SP
São Paulo é o primeiro estado do Brasil a adotar uma legislação que veta o uso de animais em testes laboratoriais de produtos estéticos em desenvolvimento. Testes com animais envolvendo questões de saúde ainda poderão ser feitos. A medida ainda será regulamentada, mas empresas que desobedecerem ficarão sujeitas à multa de cerca de R$ 1 milhão por animal usado em teste. O estabelecimento terá a suspensão temporária do alvará de funcionamento e, em casos de reincidência, a multa dobra e a suspensão será definitiva.

O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) ainda avalia as propostas de legislação e não adotou posição oficial. O coordenador do órgão, Mauro Granjeiro, antecipa que a proibição adotada em São Paulo pode representar risco para população por impedir uma fiscalização adequada dos órgãos de vigilância sanitária. “Ela impede completamente a realização de qualquer teste in vivo com cosméticos. Isso acaba impactando em potenciais análises dos laboratórios oficiais de toxicologia que porventura tenham necessidade de verificar a toxicidade de um produto cosmético que tenha ido ao mercado e provocado reações adversas na população. Nós não temos ainda no mundo capacidade de substituir completamente os ensaios em animais.”

Mauro Granjeiro lembra ainda que a Europa proibiu os testes em animais após mais de dez anos de adaptação dos laboratórios.

Há 21 projetos em discussão na Câmara que tratam do assunto, todos tramitando em conjunto. As propostas devem ser analisadas por uma comissão especial.
Íntegra da proposta:

(Geórgia Moraes/Agência Câmara – 24/01)

Governo regulamenta uso das Forças Armadas contra manifestações sociais (Vox Política)

Portaria está em vigor desde 20 de dezembro de 2013. Celso Amorim, ministro da Defesa, aprovou o documento.

 | quinta-feira, 23 janeiro 2014 – 2:30

anexo

O ministro da Defesa, Celso Amorim, aprovou no fim do ano passado uma Portaria que regulamenta o uso das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) em manifestações sociais, protestos e outras ocasiões que possam comprometer “a ordem pública”.

A regra, presente no Manual “Garantia da Lei e da Ordem”, validado junto com a Portaria, está em vigor desde 20 de dezembro, data de sua publicação no Diário Oficial da União. Logo no segundo capítulo, o documento ressalta que, apesar do apreço ao conceito de não-guerra, as operações poderão ter “o uso de força de forma limitada”.

Esse emprego das Forças Armadas nessas operações seria autorizado “em situações de esgotamento dos instrumentos a isso previstos”, ou seja, “quando, em determinado momento, forem eles formalmente reconhecidos pelo respectivo Chefe do Poder Executivo Federal ou Estadual como indisponíveis, inexistentes ou insuficientes ao desempenho regular da missão constitucional”.

Entre as principais ameaças elencadas pelo Ministério da Defesa, duas se destacam por fazer referência à Copa do Mundo e às manifestações de 2013: o combate ao bloqueio de vias públicas de circulação e a ofensiva contra a sabotagem nos locais de grandes eventos. Para tanto, os soldados têm autorização de controlar até o fluxo dos cidadãos.

O anexo do “Controle de Distúrbios em Ambiente Urbano” é o que cita de maneira mais contundente a oposição a grupos populares de protesto.

Em “Cenário”, conforme imagem destacada no início da reportagem, o alerta estatal vislumbra a “atuação de elementos integrantes de movimentos sociais reivindicatórios, de oposição ou protesto, comprometendo a ordem pública”, reservando aos governos estaduais e federal o direito de traçar limites. No apêndice de operações psicológicas, os movimentos sociais recebem classificação ainda pior: forças oponentes.

“Não existe resposta única para a cracolândia” (Brasil de Fato)

Por: Mariana Desidério, De São Paulo

Brasil de Fato

24/01/2014

Para padre Julio Lancellotti, ação da prefeitura na região da Luz tem avanços, mas não olha para as necessidades das pessoas

A atual operação promovida pela prefeitura na cracolândia tem sido vista como um avanço em relação à ação deflagrada há dois anos, quando policiais usaram bombas de gás e tiros de borracha para dispersar os dependentes de crack que circulam pela região, no centro de São Paulo.

Porém, não é hora para muito otimismo na opinião do padre Julio Lancellotti, coordenador da Pastoral da População de Rua em São Paulo e defensor histórico dos direitos humanos. Segundo ele, também há outro tipo de violência na ação que ocorre agora. “Há sofisticação, mas o resultado que se busca é o mesmo: as ruas da cracolândia limpas”, afirma.

Aos 65 anos, além de coordenar a pastoral, Lancellotti é responsável pela paróquia de São Miguel Arcanjo, na região da Mooca.  Nesta entrevista ao Brasil de Fato SP, ele critica a forma como nossa sociedade trata os grupos mais vulneráveis e defende atuações políticas mais enérgicas, inclusive não pacíficas. “Jesus era mais para Black Bloc”, dispara.  Leia a entrevista:

Como avalia a operação Braços Abertos, da prefeitura, que está colocando os moradores de rua da cracolândia para viver em hotéis e trabalhar na varrição?
Ainda não dá para fazer uma avaliação completa. O fundamental é saber como será feito o acompanhamento. Mas algumas coisas chamam a atenção: hotel não é moradia definitiva. Quanto tempo eles vão ficar no hotel? Depois: por que todos têm que trabalhar na varrição? Eu acho que pode ter uma diversificação.

Acha que isso acaba padronizando demais?
Acho que é uma resposta institucional, e, portanto, planejada dentro de um modelo. Não é construída a partir das necessidades das pessoas. A operação pode ter seu aspecto de redução de danos e está tendo agora muita visibilidade. Mas a gente tem que ver como isso vai se dar no cotidiano. Há uma preocupação política de querer se diferenciar de outros. Mas também há um pragmatismo. Pensa-se que tem que ter um resultado. Não se foi à causa das questões, está se trabalhando por enquanto com os efeitos.

Essa medida tem sido vista como um avanço em relação àquela tomada dois anos atrás, quando houve forte repressão policial. O que o senhor acha?
Eu considero que os métodos de controle se sofisticam. Uns são mais trogloditas, outros menos. Acredito que a violência não é só a cassetada, o spray de pimenta, a bomba de gás, a polícia andando atrás. A violência também é simbólica. É violento colocar para trabalhar sem ter direitos trabalhistas, ou ainda não respeitar a subjetividade humana. O que a gente vê é que há uma sofisticação. O resultado que se busca é o mesmo: as ruas da cracolândia limpas.

Mas qual seria a forma correta de lidar com essa questão?
O que temos que ter em mente é o seguinte: como a cidade vai ser mais humana e vai cuidar daqueles que são mais vulneráveis? Essa é a questão fundamental. A população de rua não é a única vulnerabilizada da cidade. Também existem os que não têm moradia, os que têm transtornos mentais, as pessoas com necessidades especiais, os idosos. Nossa cidade é um lugar em que tudo é para quem é esperto, para quem tem mais força, mais autonomia. Ela está inserida dentro de um modelo de competição, de premiação por consumo, não é uma cidade voltada para agregar.

Os idosos não são cuidados na nossa sociedade?
Outro dia perguntei na igreja: Quem leva o cachorro para passear? Todos levam. E quem leva a vovó para passear? Muito poucos. É mais fácil pegar o cocô do cachorro do que trocar a fralda do vovô. Nós estamos vivendo uma sociedade do individualismo. Aumenta o número das pessoas que vivem sozinhas. As pessoas querem pensar só no seu próprio bem-estar, não o bem-estar do coletivo, o bem-estar dos mais fracos. A grande mudança seria pensar o bem-estar dos mais fracos.

Qual o cenário dos albergues para a população de rua em São Paulo hoje?
Em algum momento, os albergues podem ser necessários. Qual o nosso problema? Nós tornamos os albergues a única resposta. A mesma lógica que coloca todo mundo pra ser varredor. A população de rua é bastante heterogênea. Não se pode ter uma mesma resposta para todos.

E as condições desses albergues? No final de 2013 houve protesto por causa disso.
Sim, porque eles estão precarizados, por falta de manutenção, falta capacitação das pessoas que lá trabalham, e porque os albergues não estão seguindo a própria diretriz nacional da política para a população de rua, que prevê que tenham um número reduzido de pessoas, não passando de cem. E hoje nós temos albergues com 200 pessoas que só têm dois chuveiros.

Mas querendo ou não é um abrigo para eles, não?
Nós temos uma ideia muito assim: para o pobre qualquer coisa está bom. Pensamos assim: “Você não tem o que comer, eu estou te dando essa comida aqui. Você está achando ruim por quê? Estou te dando essa calça velha, só está um pouco apertada…” Muitas vezes nós somos uma sociedade que nivela tudo por baixo.

Quais soluções deveriam ser pensadas, além dos albergues?
Nós temos sugerido muito a locação social, que hoje é um programa pequeno, mas ajuda. Hoje, já há legislação no sentido que o programa federal Minha Casa, Minha Vida tenha uma porcentagem para população em situação de rua. Que eles possam ingressar nas políticas habitacionais como pessoas que não têm capacidade de endividamento.

Quatro moradores de rua foram presos na manifestação em dezembro contra as condições do albergue. Falou-se que eles eram presos políticos. Por quê?
Porque lendo o boletim de ocorrência e vendo tudo o que aconteceu com eles, nós percebemos que a motivação não foi técnica. A grande questão é que há uma palavra-chave hoje: manifestação. Esse ano será de grande repressão por causa da Copa. Todas as manifestações serão duramente reprimidas, e essa manifestação das pessoas em situação de rua mostra que há um peso político muito forte nesse sentido. Há uma ideia no poder público de que é preciso coibir qualquer forma de expressão. Nos atos que nós fizemos contra a prisão deles, a quantidade de polícia que nos acompanhou era o triplo da de manifestantes.

Quem são as pessoas que vivem na rua na cidade de São Paulo?
Em São Paulo há o Censo da População em Situação de Rua. Há um perfil de maioria masculina, mas há o aumento de mulheres e famílias na rua. Há muitas pessoas que passaram pela escola. A maior parte é do Sudeste. Como essa população é muito heterogênea, você encontra na rua pessoas com nível universitário, com nível médio. A maior parte é alfabetizada, ou passou pelo mundo do trabalho e viveu com a família, não nasceram na rua. Boa parte está na rua por causa de desavenças familiares, pessoas com problema de transtorno mental e que a família não aguenta mais. Ou pessoas que usam álcool e a família não sabe mais como lidar. Como não há uma assistência, essas pessoas acabam indo para a rua.

Como a cidade trata essas pessoas?
É uma população muito estigmatizada e muito associada à criminalidade. De fato há vários egressos do sistema penitenciário na rua, mas nós não podemos lidar com essa intolerância tão grande. Uma pessoa em situação de rua não entra num shopping. Eles são impedidos do convívio social. Mas a pessoa que está na rua tem uma história. Por isso, várias práticas vêm sendo discutidas para garantir que essas pessoas tenham direito ao SUS, a possibilidades de educação, de cultura, de lazer.

Como o senhor avalia a atuação do novo Papa?  
O Papa Francisco é um presente, mostrando para nós que a igreja está no meio do mundo, enlameada e suja. Ele mesmo diz: “eu prefiro uma igreja ferida e enlameada do que doente e fechada”. É o caminho para uma igreja sem luxo, uma igreja servidora que caminha no meio do povo, que não tem medo de sentar na rua e partilhar a vida com o povo.

O papado dele caminha então nessa direção mais humana?
Sem dúvida. O Papa Francisco está buscando mostrar um caminho muito mais humano, muito mais próximo de Jesus. Jesus não era nenhum moralista, não impunha nada, ele era aquele que queria uma vida mais humana, que as pessoas fossem felizes. Jesus não veio impor uma religião, ele veio salvar e libertar as pessoas de toda a opressão.

O senhor acha que religião tem a ver com política?
Jesus foi condenado como preso político, foi executado, condenado à pena de morte. Ele tinha mais a ver com a vida do povo do que com qualquer outra coisa. As coisas são interligadas entre si, não são separadas. Sabe um grupo que eu gosto muito? Os Black Bloc. Eles são muito humanos, são jovens com vontade de lutar, acho impressionante.

O que acha do uso que eles fazem da violência?
É uma resposta à violência que está aí. Eles destroem os símbolos do poder. Você acha que eles dão prejuízo para os bancos por quebrar uma agência? Os jovens se expressam de muitas maneiras. Não adianta só combatê-los, é preciso entendê-los. O Papa Francisco disse algo interessante nesse sentido: “Eu não gosto de uma juventude que não se manifesta, apática, amorfa.” É preciso agitar. Jesus era mais para Black Bloc.

University of Waterloo tries dog patrol to fight goose problem (CBC News)

CBC News Posted: Apr 10, 2013 5:30 AM ET Last Updated: Apr 15, 2013 12:40 AM ET

A pair of Canada Geese. The University of Waterloo is trying new ways to fight the geese problem on campus, including using dog patrols and asking students to tweet in nest locations.

A pair of Canada Geese. The University of Waterloo is trying new ways to fight the geese problem on campus, including using dog patrols and asking students to tweet in nest locations.

 

It’s spring. That means longer days, warmer weather, and for Canada Geese, it’s nesting season.

The Canada Geese that have taken up residence at the University of Waterloo are famous, in part because they don’t hesistate to defend their nesting areas from perceived intruders.

Alex Harris and Molson the dog, pictured above, patrol UWaterloo twice a day to chase away Canada Geese. Photo:warriordad.smugmug.com/

Alex Harris is no stranger to hissing, flapping, angry geese. Harris is the man behind the University of Waterloo’s Geese Police and along with Molson, a border collie-golden retriever cross, patrols the university campus twice a day along a five-kilometre path. Canada Geese are notorious at the university because the large number of people and buildings offer protection from natural predators, allowing the geese to thrive. 

The daily patrols are part of Harris’ undergraduate thesis project for his Geography and Environmental Management Honours degree. By summer, Harris wants to have an accurate picture of how Molson affects geese nesting habits along the designated path, in order to “determine exactly how bad the problem is and how long it will take to fix it and balance the ecosystem out,” he writes on his website.

Read the full article here.

 

Pipeline Fight Lifts Environmental Movement (New York Times)

By  – JAN. 24, 2014Protesters against the Keystone XL gathered in November across the street from where President Obama attended a fund-raising event in San Francisco. Jewel Samad/Agence France-Presse — Getty Images

WASHINGTON — Environmentalists have spent the past two years fighting the Keystone XL pipeline: They have built a human chain around the White House, clogged the State Department’s public comment system with more than a million emails and letters, and gotten themselves arrested at protests across the country.

But as bad as they argue the 1,700-mile pipeline would be for the planet, Keystone XL has been a boon to the environmental movement. While it remains unclear whether President Obama will approve the project, both sides agree that the fight has changed American environmental politics.

“I think it would be naïve for any energy infrastructure company to think that this would be a flash in the pan,” said Alexander J. Pourbaix, president of energy and oil pipelines at TransCanada, the company that has been trying to get a permit for the Keystone XL pipeline since 2008.

Environmentalists want to stop the transport of 800,000 barrels a day of heavy crude from oil sands formations in Canada to Texas refineries, and an oil extraction process that emits more greenhouse gases than other forms of production. Proponents of the Keystone XL project say that the oil will come out of the ground with or without a new pipeline and that other methods of transport, like rail, cause more pollution. They point out that TransCanada began operations on Wednesday on a southern pipeline segment that connects to existing pipelines to provide a route from Alberta to the Gulf Coast.

The project has raised the profile of activists like Bill McKibben, a former writer for The New Yorker and founder of 350.org, an organization that focuses on climate change. Jeff Swensen for The New York Times

Although some critics say the environmental movement has made a strategic error by focusing so much energy on the pipeline, no one disputes that the issue has helped a new breed of environmental organizations build a mostly young army eager to donate money and time. The seven-year-old email list of 350.org, an organization that focuses on climate change, has more than doubled to 530,000 people since the group began fighting the pipeline in August 2011. In addition, about 76,000 people have signed a “pledge of resistance” sponsored by seven liberal advocacy groups in which they promise to risk arrest in civil disobedience if a State Department analysis, expected this year, points toward approval of the pipeline.

The Keystone XL project has also raised the profile of a diverse generation of environmental leaders, like the activist Bill McKibben, a former writer for The New Yorker and founder of 350.org, and the billionaire venture capitalist Thomas F. Steyer, who is estimated to have contributed at least $1 million to the movement and has starred in four 90-second ads opposing the pipeline. Not least, it has united national and local environmental groups that usually fight for attention and resources.

“Over the last 18 months, I think there was this recognition that stopping the pipeline is, in fact, important,” said Ross Hammond, a senior campaigner at Friends of the Earth. “But it has also brought a huge number of people into the movement.”

That movement, Mr. McKibben said in an interview, “looks the way we want the energy system to look: not a few big power plants, but a million solar panels all tied together.”

A sign was planted last March in a field in Nebraska. Nati Harnik/Associated Press

Politically, the draw of Keystone XL comes from its physical presence. It is far easier, environmental activists say, to rally people around something as vivid as a pipeline bisecting the United States than, say, around cap-and-trade legislation that would have forced industry to pay a price for its carbon emissions. The legislation failed in Congress in 2009.

“When we’re able to focus on distinct, concrete projects, we tend to win,” said Michael Brune, executive director of the Sierra Club. “And when we tend to focus on more obscure policies or places where we need action from Congress, we tend to stall, like every other thing tends to stall.”

The pipeline has been a particular hit with small donors, especially as environmental organizations turn more to protests, fund-raisers said. Last year, the Sierra Club raised $1 million in six weeks for a major rally in Washington. About $100,000 of that came from contributions of less than $1,000.

“This is not one of our usual long-term campaigns,” said Jackie Brown, the Sierra Club’s chief advancement officer. “This was an emerging upswelling of support.”

A portion of the Keystone XL pipeline under construction in North Dakota. TransCanada, via Reuters

Wealthier donors are also opening their wallets. Betsy Taylor, a longtime environmental fund-raiser, said her network of contributors was increasingly supporting the more aggressive campaigns run by groups like 350.org and Bold Nebraska, a shift away from the environmental research and policy organizations that have traditionally drawn such contributions.

Keystone XL — the XL stands for express line — would be a shortcut to the Gulf of Mexico as well as an extension of TransCanada’s existing Keystone pipeline, which runs from Alberta to Nebraska, with small branches to Illinois and Oklahoma. Keystone XL would be a far more direct route across the United States. Keystone consists of a three-foot-diameter pipe that is three feet underground. Keystone XL would also be three feet in diameter, but four feet underground.

Initially, opposition to Keystone XL consisted of scattered people and groups along the proposed route of the pipeline, including indigenous tribes in Alberta. The fight went national in June 2011 when James E. Hansen, a former NASA climate scientist, wrote an open letter calling the pipeline “game over for the climate” and urged people to write to Hillary Rodham Clinton, then the secretary of state. (Because the project crosses an international boundary, it is subject to approval by the State Department.)

Mr. McKibben, the author of numerous books about climate, decided to use 350.org to campaign against the pipeline. That fall, he urged his members to commit civil disobedience in front of the White House.

Activists including Michael Brune, right, of the Sierra Club, and the civil rights leader Julian Bond, second from right, tied themselves to a White House gate to protest the Keystone XL. Ann Heisenfelt/Associated Press

“I remember when I heard the call for civil disobedience, I thought, ‘Yeah, right, you’ll get like 40 people to show up,’ ” said Mr. Hammond of Friends of the Earth. “And then, bam!” Over a two-week period, about 1,200 people were arrested at the White House.

Stephanie Kimball, 30, a Wisconsin dentist, said in a recent telephone interview that she had been “trying to figure out where to jump in” to the environmental cause when a talk by activists arrested in 2011 inspired her to volunteer as a local coordinator for 350.org. She said she was also working to stop a pipeline by the Canadian corporation Enbridge.

To counter the campaign, TransCanada has had to run television and radio ads to promote the jobs that the pipeline could provide. Industry allies like the American Petroleum Institute have also been running ads.

If Mr. Obama approves the Keystone XL pipeline, Mr. Brune of the Sierra Club said, it will be “the Vietnam of his presidency.” But, he added, environmentalists’ efforts will hardly have been for nothing.

“If you lose on this,” said Mike Casey, a consultant on a number of environmental efforts, including Mr. Steyer’s, “this infrastructure doesn’t go away. It remains deployable and passionate.”

A version of this article appears in print on January 25, 2014, on page A9 of the New York edition with the headline: Pipeline Fight Lifts Environmental Movement.

De olho no gato (Fapesp)

Pesquisadores se mobilizam para aumentar em 20% a população de onças-pintadas na mata atlântica em cinco anos

CARLOS FIORAVANTI e RICARDO ZORZETTO | Edição 215 – Janeiro de 2014

O maior felino 
das Américas: 
com baixa diversidade genética e ameaçado pela caça intensiva

O maior felino 
das Américas: 
com baixa diversidade genética e ameaçado pela caça intensiva. © ADRIANO GAMBARINI

O veterinário Ronaldo Morato pretende sair logo atrás de onças-pintadas, se possível já em maio, quando passarem as chuvas do início de ano. Seu plano é colocar um colar especial em cinco onças dessa espécie que vivem nas florestas do sul do estado de São Paulo para acompanhar seus movimentos a distância e conhecer seus espaços favoritos. A definição de áreas prioritárias para a conservação desses animais faz parte de um plano estabelecido em setembro em Campinas para ampliar em 20% a população de onças-pintadas – os maiores felinos das Américas – na mata atlântica, o ambiente florestal em que são mais raras.

O plano propõe a redução da caça, o monitoramento das populações remanescentes, o uso de técnicas como inseminação artificial e a formação de um banco de sêmen de onças-pintadas da mata atlântica. Participantes da reunião – pesquisadores acadêmicos e representantes de empresas e de órgãos do governo – reconheceram que o esforço concentrado em um único ecossistema com metas de curto prazo deve facilitar o trabalho e aumentar a chance de sucesso do plano de ação. Já existe um plano nacional de preservação das onças-pintadas, publicado em dezembro de 2010 no Diário Oficial, com ações previstas até 2020. Em uma avaliação recente, os especialistas verificaram que parte dos objetivos tinha sido atingida e concluíram que trabalhar separadamente nos diferentes ambientes brasileiros poderia ser mais produtivo.

“Se conseguirmos reduzir as pressões atuais, como a caça e a fragmentação da floresta, pode já ser o bastante para aumentarmos a população de onça-pintada na mata atlântica”, diz Morato, coordenador do Centro Nacional de Pesquisas e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Em sua sala de trabalho, em um prédio de dois pisos com amplas janelas de vidro e vigas de madeira próximo à rodovia Dom Pedro I, em Atibaia, ele acompanha pelo computador o movimento de oito onças-pintadas nas matas do norte do pantanal. Várias vezes ele sentiu medo e fascínio ao se ver em campo diante desses felinos, que podem chegar a 2,70 metros de comprimento e podem atacar quando se sentem acuados. A primeira vez foi em 1992, recém-formado em veterinária, para anestesiar uma onça-preta e acompanhar outros pesquisadores colocando um colar de monitoramento no animal, ainda como estagiário do biólogo Peter Crawshaw, um dos pioneiros na preservação de felinos silvestres no Brasil. “E nunca mais me desprendi das onças”, diz Morato, aos 47 anos.

“Temos de trabalhar juntos e acreditar que o plano vai dar certo”, ele ressalta. Reduzir a caça e a fragmentação, como ele propõe, exigirá uma atenção permanente dos órgãos de fiscalização ambiental nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, por onde a mata atlântica se espalha. Em todo o país, a caça – para a retirada e venda de pele ou como retaliação, quando as onças atacam os rebanhos – ainda é intensa, embora proibida e classificada como crime inafiançável. Em 2013, ele e Elildo Carvalho Jr., outro pesquisador do Cenap, em colaboração com o Instituto Pró-Carnívoros, verificaram que pelo menos 60 onças-pintadas (Panthera onca) e pardas (Puma concolor) foram mortas por caçadores nos últimos dois anos, com base em informações de 100 gestores das unidades de conservação ambiental administradas pelo governo federal. Estima-se que 5.500 representantes dessa espécie se escondam nas florestas brasileiras, principalmente na Amazônia e no pantanal. Mesmo assim, a onça-pintada é considerada vulnerável ao risco de desaparecimento, por causa do declínio populacional.

Na reunião de setembro em Campinas e em uma carta publicada na revista Science em novembro, pesquisadores de várias instituições do país alertaram que a mata atlântica, se nada for feito, pode ser o primeiro ambiente florestal brasileiro a perder essa espécie de felino – ali, a onça-pintada já é classificada como criticamente ameaçada de extinção. Estima-se que a floresta atlântica abrigue apenas 250 onças-pintadas, total considerado baixo para a manutenção das populações. Além do pequeno número de animais, outro problema é a baixa diversidade genética. Os estudos do grupo de Eduardo Eizirik da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul indicaram que os 250 animais, em consequência de cruzamentos entre eles, correspondem a apenas 50 indivíduos efetivos, geneticamente distintos.

As onças-pintadas ocupam apenas 7% da área total da mata atlântica. Se houvesse mais animais dessa espécie – e também mais oferta de sua dieta favorita, as queixadas, uma espécie de porco selvagem bastante caçada por causa da carne, mas indesejada porque anda em bandos e destrói plantações –, a área ocupada poderia ser três vezes maior, de acordo com as pesquisas do grupo de Mauro Galetti, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Seus estudos indicaram que a falta de onças-pintadas, os predadores de topo de cadeia alimentar, pode causar vários tipos de desequilíbrios ecológicos, deixando animais herbívoros como a anta – ou mesmo roedores – se multiplicarem livremente ou favorecendo o crescimento de gramíneas e outras plantas baixas no lugar das árvores.

Região de Boqueirão da Onça

Região de Boqueirão da Onça. © CLAUDIA B. CAMPOS

Valéria Conforti, professora da Universidade de Franca (Unifran), disse que saiu otimista da reunião de setembro em Campinas. “Todos estavam chocados com a situação das onças-pintadas na mata atlântica e se mostraram dispostos a correr riscos e testar o que achamos que pode dar certo”, ela observou. Um de seus planos para este ano é testar, em onças-pintadas mantidas em zoológicos paulistas, uma técnica de inseminação artificial que ela aplicou experimentalmente em gatas domésticas e outros felinos no zoológico de Cincinnati, nos Estados Unidos. Essa abordagem consiste em medir a variação hormonal das onças fêmeas por meio da análise de fezes, identificar o momento mais adequado, induzir a ovulação e fazer a inseminação artificial, depositando sêmen por meio de uma laparoscopia na tuba uterina, em vez do útero, como já se faz, para facilitar o acesso do espermatozoide ao óvulo e aumentar a chance de fertilização. A inseminação artificial já foi aplicada a outros felinos, mas ainda não a onças-pintadas. Se os testes derem certo, Valéria pretende aplicar essa técnica em animais de vida livre em 2015, como forma de aumentar a probabilidade de geração de filhotes sadios e evitar o risco de cruzamento entre animais aparentados.

A transferência de animais de uma mata para outra é uma possibilidade cogitada para repovoar as matas com onças-pintadas. Trata-se, porém, de uma alternativa de custo alto e muitas dificuldades, que exige o apoio de comunidades rurais e fazendeiros que aceitem ter uma onça perto de suas casas ou pastagens. Vários estudos, como os do biólogo Sílvio Marchini, pesquisador da Escola da Amazônia e da Universidade de São Paulo (USP), mostraram que o apoio dos moradores de áreas rurais próximas a matas ocupadas por onças é fundamental para os planos de ação funcionarem. No pantanal, com resultado de um experimento-piloto do Cenap com uma pousada, ganha adesões o argumento de que o lucro com o turismo de observação de onças pode ser maior que a perda de um ou outro boi.

Há relatos de êxito de transferência de felinos nos Estados Unidos e na Espanha, mas no Brasil as poucas tentativas feitas até agora, em florestas a serem cobertas por reservatórios de hidrelétricas, não deram certo. Os animais transferidos não se adaptaram, começaram a comer bois e foram mortos por caçadores ou voltaram a seus locais de origem, a dezenas de quilômetros de distância. Em um dos debates no encontro de setembro em Campinas, os pesquisadores observaram que, nos próximos cinco anos, talvez a criação de conexões – ou corredores – entre os fragmentos de floresta seja uma alternativa mais viável que a inseminação artificial ou a transferência de animais para ampliar as populações de onças-pintadas na mata atlântica. Todos concordaram que se trata de um problema urgente. “Não podemos esperar muito”, disse Valéria Conforti. A onça-pintada já é considerada extinta no Uruguai e nos pampas do Sul do Brasil.

Manuel Silva, morador da região de Boqueirão da Onça (acima), Alessandra e a filha Sara, Cailane Ferreira (ao fundo) e Claudia Campos: diálogo constante

Manuel Silva, morador da região de Boqueirão da Onça, Alessandra e a filha Sara, Cailane Ferreira e Claudia Campos: diálogo constante. © ALEXANDRE ANÉZIO

Um poço para salvar as onças

Mais apreensiva do que quando olhou para os examinadores 
de sua banca de doutorado, 
a bióloga Claudia Campos observou os 50 sertanejos à sua frente na igreja do povoado de Queixo Dantas, norte da Bahia, na tarde de um domingo de julho de 2012. Nervosa, mas com 
voz firme, ao lado dos amigos Claudia Martins, Carolina Esteves e Alexandre Anézio, 
ela sugeriu aos homens que fizessem cercados para manter suas cabras e ovelhas, em vez 
de deixar os animais soltos na caatinga na época de seca, sob 
o risco de serem atacados por onças. Os criadores reagiram: como poderiam deixar os animais presos sem água nem comida, se não chovia há três anos? Se eles aceitassem, ela disse, poderiam construir um poço para tirar água e cultivar plantas para alimentar os animais. Oito deles aderiram ao plano.

A perfuração do poço artesiano estava prevista para o final do mês passado, as plantas que serviriam de alimento para os caprinos seriam semeadas logo depois e os novos cercados, construídos a partir de fevereiro. Se tudo der certo, os animais terão alimento ao longo de todo o ano, como
já se faz em outras partes do sertão do nordeste, e não precisarão mais pastar nas áreas de mata nativa durante 
a seca, reduzindo as chances 
de encontro com as onças; 
os moradores as matam para evitar que ataquem seus animais de criação.

Claudia chegou a Petrolina, Pernambuco, em outubro de 2006, como pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisas 
e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, um dos braços antigos do Ibama, 
para detalhar a distribuição geográfica e os hábitos da 
onça-pintada em uma região
 de 900 mil hectares conhecida como Boqueirão da Onça. 
Ao verem a forasteira chegando em um carro com o logotipo 
do Ibama, os moradores logo diziam que não caçavam bicho nenhum. Conversando muito, ela venceu a desconfiança. “Todos estão cansados de ouvir do governo coisas que poderiam ajudar a vida deles e nunca aconteceram”, ela observou. 
“Já visitei 140 dos quase 
150 povoados da região.”

Aos poucos ela concluiu 
que teria de cuidar dos conflitos entre os moradores e os 
animais silvestres. Em 2009, aos 76 anos, o zoólogo George Schaller, pioneiro mundial na conservação de grandes carnívoros e vice-presidente 
da Panthera, organização que apoia o trabalho na Bahia, percorreu a região e reforçou sua hipótese ao dizer que seria impossível preservar animais silvestres sem a participação dos moradores locais. Claudia estima que por ali vivam 
50 onças-pintadas – ainda não 
viu nenhuma, apenas vê as pegadas durante o dia e 
sente que os animais passam 
por perto quando ela tem 
de dormir no meio da caatinga.

Projetos
1. Uso e ocupação do espaço, movimentação e seleção de hábitat por onça-pintada (Panthera onca) na mata atlântica e caatinga: uma análise comparativa (2013/10029-6); Modalidade Auxílio Regular a Projeto de Pesquisa; Coord. Ronaldo Gonçalves Morato – Cenap; Investimento R$ 110.627,80 (FAPESP). 2. O uso de método não invasivo para monitoramento da função ovariana em onças-pintadas (Panthera onca) via ensaio imunoenzimático e caracterização dos metabólitos de esteroides fecais por meio de cromatografia líquida de alta eficiência (13/12757-9); Modalidade Auxílio Regular a Projeto de Pesquisa; Coord. Valeria Amorim Conforti – Unifran; Investimento R$ 35.780,00 (FAPESP).

Artigos científicos
CARVALHO Jr., E.A.R. de e MORATO, R.G. Factors affecting big cat hunting in Brazilian protected areasTropical Conservation Science. v. 6, n. 2, p. 303-10. 2013.
CONFORTI, V. A. et al. Laparoscopic oviductal artificial insemination improves pregnancy success in exogenous gonadotropin-treated domestic cats as a model for endangered felidsBiology of Reproduction. v. 88, p. 112.105353. 2013.

Up the Financier: Studying the California Carbon Market (AAA, Anthropology and Environment Society Blog)

Posted on January 26, 2014

ENGAGEMENT co-editor Chris Hebdon catches up with University of Kentucky geographer Patrick Bigger.

Patrick Bigger at the Chicago Board of Trade

Patrick Bigger at the Chicago Board of Trade

How would you explain your dissertation research on the California carbon market?

At the broadest level, my research is about understanding how a brand new commodity market tied to environmental improvement is brought into the world, and then how it functions once it is in existence. Taking as a starting point Polanyi’s (1944) observation that markets are inherently social institutions, my work sorts though the social, geographical, and ideological relationships that are being mobilized in California and brought from across the world to build the world’s second largest carbon market. And those constitutive processes and practices are no small undertaking.

Making a multi-billion dollar market from scratch is a process that entails the recruitment and hiring of a small army of bureaucrats and lawyers, the creation of new trading and technology firms, the involvement of offset developers and exchange operators who had been active in other environmental commodities markets, and learning from more than fifty years of environmental economics and the intellectual work of think tanks and NGOs. There are literally tens of thousands of hours of people’s time embodied in the rule-making process, which result in texts (in the form of regulatory documents) that profoundly influence how California’s economy is performed every day. These performances range from rice farmers considering how much acreage to sow in the Sacramento Delta to former Enron power traders building new trading strategies based on intertemporal price differences of carbon futures for different compliance periods in California’s carbon market.

My work uses ethnographic methods such as participant-observation in public rule-making workshops and semi-structured interviews with regulators, industry groups, polluters, NGOs, and academics to try to recreate the key socio-geographical relationships that have had the most impact on market design and function. It’s about how regulatory and financial performances are intertwined, as events in the market (and in other financial markets, most notably the deregulated electric power market in California) are brought back to bear on rule-making, and then how rule-making impacts how the market and the associated regulated industrial processes are enacted. And the key thing is that there isn’t some isolated cabal of carbon’s ‘masters of the universe’ pulling the strings––it’s bureaucrats in cubicles, academics writing books, and offset developers planting trees out there making a market. And they’re people you can go observe and talk with.


Who are buying and selling these carbon credits?

That’s a trickier question than it seems. Most of the credits (aka allowances) are effectively created out of thin air by the California Air Resources board which then distributes them via either free allocation or by auction to anyone who requests authorization to bid. A significant proportion of those are given away directly to regulated industries to ease their transition to paying for their carbon output. Another way the auction works is that electric utilities are given almost all the credits they need to fulfill their obligation, but they are required to sell (consign) those permits in the auction, while they are typically also buyers. This is to prevent windfall profits, like what happened in the EU, for the electric utilities. The utilities must return the value of what they make selling their permits at auction to ratepayers, which they have done to the tune of $1.5 billion so far.

More to the spirit of the question though, it’s a pretty big world. Literally anyone can buy California Carbon on the Intercontinental Exchange (ICE), based in Chicago. From what I’ve been told, a lot of allowances pass through Houston because there is a major agglomeration of energy traders there, and carbon is often bundled into transactions like power purchase agreements that are traded over-the-counter (OTC). There’s an interesting division in who buys their credits where––companies that must comply with climate regulations tend to buy through the auction, while people trading for presumably speculative purposes tend to buy on the exchange. This isn’t even getting into who produces, sells, and buys carbon offsets, which is another market entirely unto itself. To attempt to be succinct, I’d say there is a ‘carbon industry’ in the same sense that Leigh Johnson (2010) talks about a ‘risk industry’; a constellation of brokers, lawyers, traders, insurers, and industrial concerns, and the size of these institutional actors range from highly specialized carbon traders to the commodities desk at transnational investment banks.


Would you be able to outline some ways your research could affect public policy? And how is it in dialogue with environmental justice literature and engaged scholarship?

There are a number of ways that my work could be taken up by policy makers, though to be clear I did not set out to write a dissertation that would become a how-to-build-a-carbon-market manual. Just being around regulators and market interlocutors has provided insights into the most challenging aspects to market creation and maintenance, like what sorts of expertise a bureaucracy needs, how regulators can encourage public participation in seemingly esoteric matters, or the order which regulator decisions need to be made. Beyond the nuts-and-bolts, there’s a fairly substantial literature on ‘fast policy transfer’ in geography that critiques the ways certain kinds of policy become wildly popular and are then plopped down anywhere regardless of geographical and political-economic context; I am interested in contributing to that literature because California’s carbon market was specifically designed to ‘travel’ through linkages with other sub-national carbon markets. I would also note that there are aspects of what I’m thinking about that problematize the entire concept of the marketization of nature in ways that would also be applicable to the broader ecosystem service literature and the NGOs and regulators who are trying to push back against that paradigm.

As far as the EJ literature is concerned, I’ll admit to having a somewhat fraught relationship. I set out to do a project on the economic geography of environmental finance, not to explicitly document the kinds injustices that environmental finance has, or has the potential, to produce. As a result some critics have accused me of being insufficiently justice-y. I’d respond by noting that my work is normative, even if it isn’t framed in the language of environmental justice; it certainly isn’t Kuhnian normal science. But EJ arguments, if they are any good, do depend on empirical grounding and I would hope that my work provides that.

At the Chicago Board of Trade.

“I’d be really happy if scholars of other markets could find parallels to my work that demonstrated that all markets, not just environmental ones, were as much about the state as they are about finance.”

Your advisor Morgan Robertson has written about “oppositional research,” and research “behind enemy lines,” drawing on his experience working inside the Environmental Protection Agency. What has oppositional research meant for you?

I think about it as using ethnographic methods to poke and prod at the logics and practices that go into building a carbon market. I think for Morgan it was more about the specific problems and opportunities of being fully embedded in an institution whose policies you want to challenge. That position of being fully ‘inside’ isn’t where I’m at right now, and it’s a difficult position to get into either because you just don’t have access, because the researcher doesn’t want to or isn’t comfortable becoming a full-fledged insider, or because academics often just don’t have time to do that sort research. It’s also contingent on what sort of conversational ethnographic tact you want to take––when you’re fully embedded you lose the option of performing the research space as a neophyte, which can be a very productive strategy. One thing that I will mention is that oppositional research is based on trust. You must have established some rapport with your research participants before you challenge them head-on, or they may just walk away and then you’ve done nothing to challenge their practices or world view, you’ve potentially sewn ill will with future research participants, and you won’t get any of the interesting information that you might have otherwise.


How about the method of “studying up”?

For starters, the logistics of ‘studying up’ (Nader 1969) are substantially different than other kinds of fieldwork. There’s lots of downtime (unless you’re in a situation where you’ve got 100% access to whatever you’re studying, e.g.  having a job as a banker or regulator) because there aren’t hearings or rule-making workshops everyday, or even every week, and the people making the market are busy white-collar people with schedules. I feel like I’ve had a really productive week if I can get 3 interviews done.

Beyond the logistics, one of the most challenging parts of studying a regulatory or financial process you’re not fully onboard with is walking the line between asking tough questions of your research participants and yet not alienating them. It has been easy for me to go in the other direction as well––even though I think carbon markets are deeply problematic and emblematic of really pernicious global trends toward the marketization of everything, I really like most of my research participants. They’re giving me their time, they tell me fascinating stories, and they’ve really bent over backward to help me connect with other people or institutions it never would have occurred to me to investigate. And that can make it tough to want to challenge them during interviews. After a while, it’s also possible to start feeling you’re on the inside of the process, at least as far as sharing a language and being part of a very small community. There aren’t many people in the world that I can have a coffee with and make jokes about one company’s consistently bizarre font choices in public comments documents. So even though the market feels almost overwhelmingly big in one sense, it’s also very intimate in another. I’m still working out how to write a trenchant political-economic critique with a much more sympathetic account of regulatory/market performance. Even many guys in the oil-refining sector are deeply concerned about climate change.


Would you ever take a job in a carbon trading firm?

Absolutely. There’s a rich literature developing that gets into the nuts and bolts of many aspects of finance, including carbon trading in the social studies of finance/cultural economics that overlaps with scholarship in critical accounting and even work coming out of some business schools. Some of those folks, like Ekaterina Svetlova (see especially 2012), have worked or done extended participant observation in the financial institutions that are being unpacked in broader literatures around performative economics and have provided useful critiques or correctives that is helping this literature to mature.

However, much of this work is subject to the same pitfalls as other work in the social studies of finance, especially the sense that scholars ‘fall in love’ with the complexity of their research topic and the ingenuity of their research participants qua coworkers and ultimately fail to link them back to meaningful critiques of the broader world. All that said, I’m not sure I’ve got the chops to work in finance. I’d be more interested in, and comfortable with, working in the environmental and economic governance realm where I could see, on a daily basis, how the logics of traders meet the logics of regulation and science.


What advice would you give to scholars who may do research on carbon markets in the future?

Get familiar with the language and logics of neoclassical economics. Really familiar. Take some classes. If you’re studying neoliberal environmental policy, it shouldn’t come as a surprise that regulation is shot through with the logics of market triumphalism at a level that just reading David Harvey (2003, 2005) probably wouldn’t prepare you for. A little engineering, or at least familiarity with engineers, wouldn’t be amiss either.

On a really pragmatic level, if you can get access, get familiar with being in an office setting if you haven’t spent much time in one. Being in a new kind of space can be really stressful and if you’re not comfortable in your surroundings you might not be getting the most out of your interviews.

If you’re studying a carbon market specifically, take the time to understand how the electricity grid works. I lost a lot of time sitting through workshops that were well over my head dealing with how the electric power industry would count its carbon emissions. I would have gotten much more out of them if I’d had even a cursory understanding of how the electricity gets from the out-of-state coal-fired power plant to my toaster.

Don’t expect to just pop in-and-out of fieldwork. Make yourself at home. Take some time to figure out what the points of tension are. That’s not to say you must do an ‘E’thnography, but taking the time at the beginning to understand the playing field will make it easier to understand the maneuvering later.

Read the specialist and general press every single day. Set up some news aggregator service to whatever market or regulation you’re looking at. It’s what your participants will be reading, and if they aren’t then you’ll really look like you know what you’re doing.


What are broad implications of your research?

I think starting to come to grips on the creation, from nothing, of a commodity market worth more than a billion dollars could have all sorts of impacts I can’t even imagine. I’d be really happy if scholars of other markets could find parallels to my work that demonstrated that all markets, not just environmental ones, were as much about the state as they are about finance, and not just in the way that Polanyi wrote about them. I’d also like to help people think through the relationship between the economic structures that people build, and then how they inhabit them through economic ideology, the performance of that ideology and their modern representation, the economic model. In some ways this is reopening the structure-agency debates that have been simmering for a long time. I also want to provide more grist for the mill in terms of unpacking variegated neoliberalisms––there are quite a few examples I’ve run across in my work where discourses about the efficiencies of markets run up against either therealpolitik of institutional inertia or perceived risks to the broader economy (which can be read as social reproduction).

In terms of policy, I hope that regulatory readers of my work will think about the relative return on investment (if I can appropriate a financial concept) in deploying market-based environmental policy as opposed to direct regulation, particularly around climate change. We’re in a situation that demands urgency to curb the worst impacts of carbon pollution, so it is of the utmost importance that the state take dramatic action, and soon. That said, wouldn’t it be interesting if this carbon market ended up accomplishing its goals? If it does, then I hope my work would take on different kinds of significance.

* * *

Harvey, David. 2003. The New Imperialism. New York: Oxford University Press.

Harvey, David. 2005. A Brief History of Neoliberalism. New York: Oxford University Press.

Johnson, Leigh. 2010. Climate Change and the Risk Industry: The Multiplication of Fear and Value. Richard Peet, Paul Robbins and Michael Watts, eds. Global Political Ecology. London: Routledge.

Nader, Laura. 1969. Up the Anthropologist: Perspectives Gained from Studying Up. Dell Hymes, ed. Reinventing Anthropology. New York: Random House.

Polanyi, Karl. 1944. The Great Transformation. Boston: Beacon.

Svetlova, Ekaterina. 2012. On the Performative Power of Financial Models. Economy and Society 41(3): 418-434.

Voices of Brazil: the spiritual medium (The Guardian)

‘The country has woken up to its responsibilities and people are slowly winning their rights as citizens,’ says Divaldo Franco, Brazil’s most popular spiritual medium

Gibby Zobel

The Observer, Sunday 26 January 2014

Divaldo Franco

‘Spiritualism is growing in Brazil because it attends to the cultural, emotional and spiritual needs of society’: Divaldo Franco

Eighty-six years old and looking not a shade over 60, Divaldo Franco is Brazil’s most important spiritual medium, selling more than 10m books worldwide. His home is in the middle of one of Brazil’s most violent favelas, Pau da Lima, on the outskirts of Salvador. But Franco’s world is serene and peaceful.

It’s set inside the physical embodiment of his life’s work, the Mansão do Caminho – an institution which provides housing, education and care for children and young people. Where once stood a giant rubbish dump the Mansão is a vast, ultra-modern community complex. The building is regarded as untouchable by the drug traffickers as many of them, or their families, use its services.

Hundreds of mothers drop their kids off every day at the free crèche. More than 30,000 children are estimated to have passed through the Mansão over the past 60 years. A large part is financed by the sale of Franco’s books. He claims to channel spirits and transcribe their words in a method known as “psychography”.

It all came about because of a vision he had in 1948, aged 21. “I saw a huge number of children and an old man,” he recalls. “I went up to the elderly man. He turned around and I realised it was me in old age. And a voice said to me: ‘This is what you will do with your life.'”

He was later introduced to the doctrine of spiritism, coined by the French writer Allan Kardec in 1857, which believes in the existence of, and communication with, spirits through mediums. “Spiritism is growing in Brazil because it attends to the cultural, emotional and spiritual needs of society,” he says.

Over the years, Franco has adopted more than 600 abandoned children, many of whom now have their own children and grandchildren, and Franco sees hope in that youngest generation.

“We are living through a remarkable moment,” he says. “The country has woken up to its responsibilities and the people are slowly winning their rights as citizens and moving towards democratic freedoms and social justice. The country has consciously prepared for 2014, when the whole world will be following the football, to show that the nation has higher values, above those of carnival or even football, and that it is a strong nation that is ready to take on the here and now.”

Despite his age, the diminutive Franco still packs his own suitcase and travels the world alone, as he has done for decades, delivering hundreds of lectures.

“These trips open doors for those who will come in the future,” he says. “My message is of love, of hope, of caring. To say to people that our lives have a meaning and that we are not on the Earth to suffer.'”

Protestos contra Copa do Mundo terminam com atos de violência (OESP)

Manifestantes ateiam fogo em carro durante protesto contra a realização da Copa do Mundo no Brasil, na região central de São Paulo, neste sábado.

São Paulo, 25 jan (EFE).- Os protestos que aconteceram neste sábado em diferentes pontos do Brasil contra a organização da Copa do Mundo transcorreram em sua maioria com normalidade, embora em cidades como São Paulo tenham sido registrados vários atos de violência e destruição de patrimônio público.

No final da manifestação da capital paulista, que durante as primeiras horas aconteceu de maneira pacífica, um grupo de manifestantes quebrou vidros de várias agências bancárias e de uma concessionária, além de terem atacado um veículo da Polícia.

Na mesma avenida, um automóvel foi incendiado após ser atingido por um objeto inflamável, embora alguns dos manifestantes tenham tentado apagar as chamas.

Além dos estabelecimentos que iam fechando à passagem do protesto, um hotel no qual vários manifestantes tinham se refugiado por volta das 20h foi fechado pelas tropas de choque da Polícia Militar, que em várias ocasiões tentou dispersar os presentes com tiros para o ar e bombas de efeito moral.

Por enquanto, não há informação de feridos nem detidos.

Os protestos se repetiram em mais de uma dezena de cidades, como Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, embora em todas elas a presença de manifestantes tenha sido muito menor do que a esperada.

Na sexta-feira, mais de 40 mil pessoas confirmaram sua presença nas manifestações através das redes sociais, previstas a princípio em mais de 30 cidades, enquanto em São Paulo, onde aconteceu a mais movimentada, se concentraram ao redor de 2.500 pessoas, segundo a PM.

Em Goiânia, 200 pessoas protestaram esta manhã pelo mesmo motivo. O encontro aconteceu com tranquilidade, embora no último momento alguns encapuzados tenham queimado vários pneus.

A manifestação foi promovida por várias organizações sociais com o objetivo de criticar a despesa elevada do Governo na realização da competição, em detrimento de outros serviços como educação e saúde.

O manifesto da convocação denuncia, entre outros fatos, a despesa extra prevista da organização do Mundial e atribui o aumento do orçamento à corrupção nas instituições responsáveis pela construção dos novos estádios que estão sendo construídos para o evento esportivo.

“É um absurdo que o Brasil organize uma Copa do Mundo porque há problemas na saúde, na educação e na habitação que estão em condições péssimas”, afirmou à Agência Efe Daivis Souza, que participava do protesto de São Paulo. EFE

*   *   *

Protesto no Brasil contra a Copa deixa saldo de 143 detidos (OESP)

25.jan.2014

São Paulo, 26 jan (EFE).- Pelo menos 143 pessoas foram detidas neste sábado acusadas de participar de distúrbios ocorridos nas manifestações que aconteceram em diferentes cidades em protesto contra a organização da Copa do Mundo.

Em São Paulo, 128 pessoas foram detidas, por enquanto, após as manifestações registradas na capital paulista, e que terminaram com confrontos entre a Polícia e os manifestantes, informou a Polícia Militar (PM) através de sua conta no Twitter.

Em Fortaleza, 15 pessoas foram aprisionadas pelos protestos registrados em frente do estádio Arena das Dunas, inaugurado na quarta-feira passada pela presidente Dilma Rousseff.

Um grupo de manifestantes tentou invadir o estádio, danificou uma arquibancada de acesso ao local e ateou fogo em uma loja utilizada pelos trabalhadores da recém inaugurada obra, informou a “Folha de São Paulo”.

De acordo com as autoridades, 15 pessoas foram detidas por tal ação.

As manifestações começaram de forma pacífica na maior parte das cidades, embora tenham terminado com alguns focos de violência em algumas delas. EFE

For some in Brazil, World Cup means evictions (Washington Post)

By Donna Bowater, Published: January 25, 2014

PORTO ALEGRE, Brazil — Where there was once a soccer field in this city in southern Brazil, there is a highway.

And where there were once shanty homes, there are piles of timber, bricks and the debris of those who used to live there.

The reason is the World Cup. The mega-event that will play out this summer in a dozen Brazilian cities is driving a frenzy of road construction, airport renovations and other projects.

The impact is being felt most strongly among the poorest citizens, including residents of Porto Alegre’s largest favela, or slum, who have come to regard the soccer championship as synonymous with evictions, removals and demolition.

Activists say that as many as 250,000 people across the country are threatened with eviction — although some of those efforts have been underway for years and are likely to outlast the soccer tournament as building projects continue. Brazil is also preparing to host the Summer Olympics in 2016.

Some Brazilian officials insist that most displacements are not linked to World Cup preparations. Independent researchers say they have to rely on witness reports. But residents of the Santa Teresa neighborhood here, as well those in other poor areas, say there is no doubt that evictions are underway, as they lose neighbors and open space.

“It breaks a cycle of friendship, a cycle of custom,” said 42-year-old Antonio Daniel Knevitz de Oliveira, who lives deep in the heart of Santa Teresa, where he grew up.

“Brazil is by far and away the champion of forced removals,” said Christopher Gaffney, a visiting geography professor at the Fluminense Federal University in Rio de Janeiro. “This is clearly the most impactful World Cup ever, with a lot of ambitious projects.”

In some of the affected cities, the World Cup and the Olympics are the latest justifications used by authorities to clear favelas.

Characterized as “irregular” settlements where many do not have deeds to their properties, there have been long-standing attempts to reclaim the slums where more than 11 million Brazilians live.

The added pressure of hosting the two biggest sporting events in the world has given authorities additional incentive to act.

The scale of displacements in Rio de Janeiro prompted Amnesty International to launch a campaign, Enough Forced Evictions, after it found evidence of housing rights violations in the city. A network of Brazilian activists, the National Coalition of People’s World Cup Committees, sought to sound the alarm last year in a report to a U.N. human rights panel.

That group said as many as 32,000 people in Porto Alegre could be at risk of eviction because of World Cup projects, with more than 1,500 families affected by the road-widening project.

Porto Alegre is Brazil’s 10th-largest city, with a sizable population of European immigrants and a rapid rate of economic growth. About 13 percent of residents live in favelas, including those in Santa Teresa who were evicted so that a nearby road could be widened to improve traffic flow around the soccer stadium.

Residents say the loss of the soccer field meant children were playing barefoot pickup games deep inside the favela, where violent drug traffickers rule.

The government is compensating families forced to move, but the resettlement packages of $22,000 are described by activists as inadequate in a country where real estate prices have been soaring.

For Knevitz, who has three jobs and three children, the upheaval has compounded a sense of uncertainty about his family’s future.

“I don’t want to run the risk of seeing another World Cup or big event and the authorities saying, ‘You’ll be removed,’­ ” he said.

Voices of Brazil: ninja journalist Bruno Torturra, who runs an alternative press collective (The Guardian)

‘I want the people of the world to hear a different narrative from the World Cup; from a point of view of people on the street, not the stadiums or the press,’ says Bruno Torturra, leader of the Mídia Ninja collective of citizen journalists

Luke Bainbridge

The Observer, Sunday 26 January 2014

Ninja journalist Bruno Torturra sitting on the floorBruno Torturra: ‘In the casas it was brilliant to see young people putting into practice their ambition for a utopian cultural economic system.’ Photograph: Marcos Villas Boas

It is hard to imagine anyone who looks less like a Japanese assassin, but Bruno Torturra is a leader of the self-styled Mídia Ninja collective, which emerged as an alternative to the mainstream Brazilian press during the protests last summer.

The group arrived as a loose collective of citizen journalists who, spurred by advances in digital media that put the powers of reporting and distribution in their hands, reported and live-streamed hours of footage from protests in different cities.

Armed with smartphones and digital cameras, they were determined to tell what they saw as the true narrative of news that was being distorted. They quickly grew in popularity with those similarly disenchanted and frustrated with the coverage of the protests by traditional media, while polarising opinion among established commentators. And they hit the national headlines when they filmed a police infiltrator throwing a Molotov cocktail at a protest during Pope Francis’s trip to Brazil in July 2013.

The first seeds of Mídia Ninja were sown in 2012 when Torturra, then a journalist for Trip magazine, wrote a piece on the music and social collective Fora Do Eixo (FDE). Members live in shared casas, with their own alternative economy. “I found them fascinating,” says Torturra, when we meet in his local café in São Paulo. “I thought it was brilliant to see so many young people living together and putting into practice their ambition for a utopian cultural economic system.”

A few months later Torturra was covering a march to legalise marijuana. “The police really cracked down on the protesters. I was beaten and inhaled tear gas,” he says. “I wrote a huge article on my blog and the next morning everyone was sharing it on Facebook.”

The blog got a bigger reception than anything Torturra had written in nine years at TripPablo Capilé from Fora Do Eixo called Torturra and suggested they talk about working together. With other FDE members Rafael Vilela and Felipe Altenfelder they began streaming events under the name Post TV, building an increasing following until last summer, when Torturra wrote a more defined manifesto and they became Mídia Ninja.

At the height of the protests they had several thousand independent citizen journalists. The extent to which they polarised opinion was clear when they were invited on to a Brazilian talk show and Torturra and Capilé were given a grilling from an invited panel of established journalists, and to many came out on top.

Torturra is aware that there’s a huge appetite around the world to find out more about the complex situation in Brazil, which will only be heightened in the next 12 months. “We have huge potential for this year,” he says. “It is the year of Brazil. Even we don’t know exactly what is happening right now. The World Cup is a horrible idea. I think the government now realises that, but it’s too late to stop it. The cost is so huge. It’s proven to be a lie that the World Cup brings better infrastructure and leaves a legacy. The only legacy is more expensive stadiums and a lot of public money gone to the toilet.

“We’re in a really good position to cover it in a different way, not only for Brazil but the world,” he says. “I’m planning to make Mídia Ninja a stream in English and Spanish as well, so people of the world can hear a different narrative from the World Cup; from a point of view of people on the street, not the stadiums or the press. We’re not interested in the football. That will be over-covered by other people.”

A planta com capacidade de aprender (e lembrar) como os animais (Hype Science)

Por Natasha Romanzoti

20.jan.2014

mimosa-pudica

Uma nova pesquisa da Universidade da Austrália Ocidental descobriu que a planta Mimosa pudica, conhecida em português como dormideira, não-me-toques ou dorme-dorme, é capaz de aprender e se lembrar tão bem quanto animais fazem – tudo isso sem um cérebro.

Enquanto pode soar como ficção, a autora sênior do estudo, Dra. Monica Gagliano, e seus colegas Michael Renton e Dr. Marcial Depczynski da Universidade da Austrália Ocidental e Stefano Mancuso da Universidade de Florença (Itália) têm provas sólidas para apoiar suas teorias.

Usando a mesma estrutura experimental normalmente aplicada para testar respostas comportamentais aprendidas em animais, os cientistas projetaram seus experimentos como se a dorme-dorme fosse de fato um animal.

Eles treinaram as memórias de curto e longo prazo das plantas em ambos ambientes de alta e baixa luminosidade ao derramar água sobre elas várias vezes usando um aparelho personalizado. A dorme-dorme dobra suas folhas em resposta à queda.

O objetivo era descobrir se as plantas poderiam aprender a ignorar adaptativamente tais estímulos, um processo conhecido como habituação.

Primeiro, as plantas que foram submetidas a uma única gota de água rapidamente fecharam as suas folhas, repetindo o gesto quando o experimento foi feito novamente oito horas depois – elas claramente ainda consideravam a experiência ameaçadora.

Um grande grupo de plantas recebeu, em seguida, uma série de 60 quedas consecutivas com poucos segundos de intervalo, repetida sete vezes dentro de um único dia. Estas plantas se habituaram rapidamente, mantendo suas folhas abertas após as primeiras 4 a 6 gotas e, no final do dia, sequer fecharam suas folhas. Para garantir que tudo isso não era simplesmente um caso de “fadiga”, um tipo diferente de choque foi administrado, e as plantas fecharam suas folhas conforme o esperado.

Os pesquisadores eficazmente mostraram como as plantas pararam de fechar suas folhas quando souberam que a perturbação repetida não tinha nenhuma consequência danosa real. Elas foram capazes de adquirir o comportamento aprendido em questão de segundos e, como nos animais, a aprendizagem foi mais rápida em ambiente menos favoráveis (ou seja, com pouca luz).

Mais notavelmente, as plantas foram capazes de se lembrar do que tinham aprendido por várias semanas, mesmo depois de as condições ambientais mudarem. Elas não só se lembraram que o estímulo era inofensivo, como também abriram as suas folhas de forma mais ampla, mostrando que haviam se adaptado ao que tinham aprendido no seu novo ambiente de baixa luz. No geral, todos os grupos testados apresentaram respostas mais pronunciadas e consistentes do que antes, o que demonstra que ainda se lembravam do que foram ensinadas quatro semanas antes.

Essa descoberta vem não muito tempo depois da Dra. Gagliano publicar um artigo sobre o poder das plantas de “falarem” usando som. Além disso, outra pesquisa já havia revelado que as plantas possuem a capacidade de contar – a Arabidopsis thaliana, por exemplo, depende de matemática para sobreviver, adaptando suas reservas de amido fotossintético conforme a variação do tempo sem luz e o conteúdo disponível de amido, para durem quase precisamente até o amanhecer.

Ou seja, as plantas podem não ter cérebro e tecidos neurais, mas possuem uma sofisticada rede de sinalização à base de cálcio nas suas células, semelhante a processos de memória dos animais.

Os pesquisadores admitem que ainda não entendem a base biológica para esse mecanismo de aprendizado das plantas, no entanto, o seu conjunto de experimentos tem grandes implicações – principalmente, muda radicalmente a fronteira entre plantas e animais, incluindo a nossa definição de aprendizagem (e, portanto, memória) como uma propriedade especial de organismos com funções de um sistema nervoso. [ScienceAlert,Economist]

Direitos Humanos: ainda a passos lentos no Brasil (Revista Fórum)

22/1/2014 – 11h45

por Redação da Revista Fórum

Policia protesto 300x199 Direitos Humanos: ainda a passos lentos no Brasil

Manifestações de junho de 2013 e repressão policial foram mencionadas no documento. Foto: Mídia Ninja

Má conduta policial, execuções, torturas, superlotação carcerária e impunidade são os “destaques” brasileiros no Relatório Mundial da Human Rights Watch de 2014

“O Brasil está entre as democracias mais influentes em assuntos regionais e globais. Nos últimos anos, tornou-se uma voz cada vez mais importante em debates sobre as respostas internacionais a problemas de direitos humanos. No plano doméstico, entretanto, o país continua enfrentando graves desafios relacionados aos direitos humanos, incluindo execuções extrajudiciais cometidas por policiais, tortura, superlotação das prisões e impunidade para os abusos cometidos durante o regime militar”

É assim que a ONG Human Rights Watch (HRW), inicia o seu relatório de 2014 sobre a situação dos direitos humanos no Brasil, divulgado nessa terça-feira (21/01) em 14 cidades ao redor do mundo sobre mais de 90 países. Como não podia deixar de ser, um dos principais tópicos no contexto brasileiro foram a atuação policial frente às manifestações populares de 2013, a questão carcerária no país – apesar de a barbárie no Maranhão ainda não ter sido divulgada à época da conclusão do documento – e denúncias de tortura.

O relatório diz: “Dezenas de jornalistas que cobriram as manifestações de junho foram feridos ou detidos pela polícia. Durante um protesto em São Paulo em 13 de junho, uma repórter e um fotógrafo foram atingidos nos olhos por balas de borracha e ficaram gravemente feridos”. Segundo Maria Laura Canineu, diretora da ONG para o país, “ficou ainda mais claro o mau preparo da polícia para lidar com multidões. Durante os protestos, pudemos ver que o padrão de conduta dos policiais não mudou e, em muitos casos, usaram a força de forma desproporcional contra os manifestantes”. A diretora também citou a morte de Amarildo – preso, torturado e executado – dando outro exemplo da violência policial que teve como resultado a denúncia de 25 policiais pela tortura e, 17 deles, pelo crime de ocultação do cadáver.

A questão da tortura também foi abordada no tópico sobre a situação carcerária no Brasil. De acordo com a ONG, a Subcomissão das Nações Unidas para a Prevenção de Tortura e Outros Tratamentos Cruéis, Desumanos e Degradantes informou ter recebido relatos “repetidos e consistentes” de presos sobre espancamentos e outros maus-tratos durante a custódia policial, sendo o caso mais notório o espancamento, sufocamento e aplicação de choques elétricos a quatro homens para forçá-los a confessar o estupro e assassinato de uma menina de 14 anos em julho de 2013.

Outro caso presente no relatório foram os agentes da Fundação Casa (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente) espancando seis adolescentes, na Vila Maria, em São Paulo. O crime só veio a público graças às gravações das câmeras de segurança do complexo prisional. Em conversa com nossa redação, Julio Cesar Fernandes Neves, ouvidor chefe da Polícia Militar do Estado de São Paulo, confirmou ter lido o relatório da HRW: “Vamos apurar as denúncias de tortura na PM onde elas acontecerem, não importa. Nem em guerras se tolera a tortura”.

Outros temas destacados pelo relatório foram a violência contra mulheres, LGBTs (3 mil denúncias de violência em 2012) e contra ativistas do campo e indígenas, com 37 membros de tribos indígenas mortos no Mato Grosso do Sul – também em 2012 – e quase 2,5 mil ativistas rurais ameaçados de morte durante a última década.

No âmbito da política externa, a diretora da ONG diz: “O Brasil falhou, por exemplo, ao se omitir na votação da ONU sobre a guerra na Síria. Quando o Brasil fala, como no caso da invasão de privacidade, dá repercussão. Mas quando o Brasil se omite, isso também causa uma reação, e ela é bastante negativa para o país no cenário mundial.”

Apesar de elogiar a postura brasileira na questão da violação de privacidade e espionagem internacional dos EUA, o tímido avanço na área de segurança pública desde o último relatório mostra que o Brasil ainda tem muito a fazer.

* Publicado originalmente no site Revista Fórum.

O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade? (Portal Aprendiz)

22/1/2014 – 11h31

por Danilo Mekari e Pedro Ribeiro Nogueira, do Portal Aprendiz

Antes relegados à lugares invisíveis da cidade, onde não reuniam tanta gente e nem chamavam tanta atenção, os encontros de jovens da periferia de São Paulo tomaram outras proporções a partir do dia 7/12 do ano passado, quando ocorreu o primeiro rolezinho – encontro marcado via redes sociais – no Shopping Metrô Itaquera. Ao mesmo tempo, tramitava um projeto de lei que coibia os bailes funks de acontecerem nas ruas, posteriormente vetado pelo prefeito Fernando Haddad (PT).

Para quem participa está claro o motivo da reunião: se divertir, escutar música, fazer amizades e até mesmo paquerar – tudo isso dentro dos templos do consumo que esses mesmos jovens são tentados a fazer parte diariamente, através da publicidade intensa e da ostentação de outras classes mais abastadas.

Para os reais consumidores dos shoppings, porém, esses encontros são uma ameaça à tranquilidade com que fazem suas compras e, mais, devem ser devidamente contidos pelas forças de segurança e proibidos pela Justiça.

foto1 O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade?

O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade? | Envolverde

Os rolezinhos, porém, não pararam de crescer. Se antes eram restritos à capital paulista, agora se espalham por vários estados. E, se antes também se restringiam a um encontro de jovens das camadas mais populares, hoje há rolês organizados por jovens de classe média, universitários e movimentos sociais que apoiam o direito de ir e vir desses adolescentes.

Também se tornaram pauta prioritária na agenda do governo federal, por receio de se tornarem o estopim de novas manifestações, inclusive com a participação de black blocs.

Instigado por esse debate e em busca de sentidos para esse fenômeno, o Portal Aprendiz perguntou para Leonardo Sakamoto, Ermínia Maricato, Douglas Belchior, Alexandre Barbosa Pereira e Pablo Ortellado o que os rolezinhos nos dizem sobre a segregação e o direito à cidade.

Confira as respostas!

sakamoto1 O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade?Leonardo Sakamoto – jornalista e doutor em Ciência Política, autor do Blog do Sakamoto

“A maior parte da molecada que vai aos rolezinhos não quer fazer nenhum protesto e sim curtir e ser curtido. Não são politizados, como também não era a maioria dos que foram às ruas nas jornadas de junho. Mas o cutucão, se não é o objetivo, acaba sendo o efeito colateral, pois a presença deles naquele espaço provoca uma reação violenta. Daí, há dois caminhos para analisar os rolês: quem são e o que querem esses jovens e o porquê da reação de determinados grupos sociais, sejam eles do centro ou da própria periferia.

Shoppings são bolhas, oferecem a garantia de que nada vai acontecer com você se estiver lá dentro comprando. Da mesma forma que cercas eletrificadas mentem sobre a proteção de casas, que carros blindados mentem sobre a proteção de famílias, que a presença de uma arma de fogo mente quando promete afastar qualquer risco real.

Quando centenas de “intrusos” ameaçam invadir essa realidade virtual, querendo fazer parte dela, seus usuários sentem que ela se desligou de repente e entram em pânico. Porque esse grupo de garotos e garotas talvez não entenda, mas é exatamente deles que parte do povo que se refugia em shoppings quer fugir. Fisicamente. Simbolicamente.”

erminia1 O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade?Ermínia Maricato – professora da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP

“Nas relações sociais, no Brasil, existe uma profunda distância entre discurso e prática ou entre o texto da lei e sua aplicação. Em consequência, grande parte da sociedade permanece sem direitos previstos na legislação. São ignorados, segregados e invisíveis apesar das dimensões dessa exclusão. Como essa espécie de apartheid não é clara e assumida, vive-se uma contradição, um faz de conta. Faz de conta que isso é uma democracia, faz de conta que a lei se aplica a todos da mesma forma, faz de conta que todos têm direitos iguais, como é o caso do direito à cidade.

O que a prática dos rolezinhos tem de notável, fantástico, extraordinário mesmo, é o desnudamento dessa contradição. Quando os exilados urbanos decidem andar pela cidade, esse apartheid explode na cara da sociedade ainda que não seja essa a intenção da maior parte da moçada. Essa atitude questiona, profundamente, a sociedade que aprendeu a ser cínica (especialmente o “partido da mídia”) para esconder a incrível desigualdade de um país que não é pobre mas tem um povo pobre.”

odug1 O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade?Douglas Belchior – professor de História e integrante da UneAfro Brasil, autor do blog Negro Belchior

“Por parte dos shoppings vemos temos uma contradição, já que se espalharam pelas periferias justamente atrás do poder aquisitivo desse público que eles agora recusam.

A medida em que o mundo, através de seus valores, convence a população de que para “ser” é preciso “ter”, de que “viver” é não apenas “consumir” mas também “ostentar”… e ao mesmo tempo não proporciona espaços de convivência, de lazer e educação que provoquem o interesse da juventude, os shoppings passam a ser a grande opção.

Criminalizado como um dia fora a capoeira, o futebol, o samba e o rap, o funk moderno é tão contraditório em seu conteúdo quanto o é a resistência em sua forma e estética e nesse momento está servindo também para fazer aflorar o racismo enraizado na alma das elites hipócritas – muito mais vinculadas aos valores da luxúria e ostentação que a turma do funk.

Os meninos e meninas do funk hoje afrontam os cara-pálidas com sua presença física, com o tom de sua pele, com sua roupa, com seu som. Tudo isso, intencional ou não, é profundamente político e contestador por sua própria natureza.”

pablo1 O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade?Pablo Ortellado – professor na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH) e autor do livro “20 Centavos: A Luta Contra o Aumento” (Ed. Veneta)

“Ainda permanece um pouco obscuro os motivos que levaram os jovens da periferia a marcar encontros coletivos nos shoppings da cidade – queriam mesmo só se divertir ou estariam também desafiando as barreiras econômicas e raciais que dividem os que têm dos que não têm? Seja como for, a resposta dura e anticidadã dos shopping centers e da Justiça conferiu um caráter social e político ao fenômeno.

E é nessa resposta jurídica que busca garantir aos shoppings o direito de escolher quem pode frequentá-los que se formalizou e se evidenciou a segregação espacial implícita que rege a nossa sociedade. Seja qual for a motivação, a repercussão colocou em discussão a vergonhosa separação espacial que segrega os ricos dos pobres e os brancos dos negros.”

alexandre1 O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade?Alexandre Barbosa Pereira – pesquisador do Laboratório do Núcleo de Antropologia Urbana (LabNAU) da USP e autor da tese “A maior zoeira: experiências juvenis na periferia de São Paulo”

“Os rolezinhos demonstram a necessidade de lutarmos por espaços, físicos, sociais e subjetivos, de representação, expressão e reconhecimento para todos. O principal recado que os jovens dos rolezinhos nos dão é o de que querem o direito a se divertir na cidade.”

* Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.

Indígenas brasileiros convivem mal com as águas represadas (IPS)

22/1/2014 – 10h15

por Mario Osava, da IPS

cacique Bá 629x472 Indígenas brasileiros convivem mal com as águas represadas

O jovem cacique xokó Lucimário Apolônio Lima busca novas formas de sustento para seu povo, depois que a represa de Itaparica cortou suas atividades tradicionais de agricultura e pesca, dependentes das águas do rio São Francisco. Foto: Mario Osava/IPS

Foz do Iguaçu e Paulo Afonso, Brasil, 22/1/2014 – A hidrelétrica de Itaparica ocupou território dos indígenas pankararu, mas enquanto outros foram compensados, a eles coube apenas perder suas terras e o acesso ao rio São Francisco, queixam-se líderes desse povo do Nordeste do Brasil. “Já não comemos pescado como antes, mas o maior dano foi a perda da cascata sagrada, onde realizávamos nossos ritos religiosos”, lamentou à IPS o cacique José Auto dos Santos.

Quase 200 quilômetros rio abaixo, a comunidade indígena xokó sofre a diminuição de água, contida acima por grandes represas que suprimiram as cheias estacionais e regulares do São Francisco, inviabilizando os arrozais de aluvião e reduzindo drasticamente a pesca. Efeitos semelhantes são temidos no rio Xingu, na Amazônia, onde a construção da central de Belo Monte desviará parte das águas do trecho conhecido como Volta Grande, o que afetará os povos juruna e arara.

Cerca de 2.500 quilômetros ao sul, os avá-guarani assentados às margens da represa de Itaipu, na fronteira com o Paraguai, se dedicaram à piscicultura para manter seu alto consumo tradicional de pescado, em uma população crescente e com escassa terra para cultivar. Nos anos 1970 e 1980, emergiu no Brasil uma geração de indígenas de águas paradas, quando o país construiu numerosas centrais hidrelétricas, algumas gigantescas como Itaipu, compartilhada com o Paraguai, e Tucuruí, na Amazônia oriental, ambas inauguradas em 1984.

No São Francisco, cujo maior trecho cruza terras semiáridas, foram instaladas cinco centrais, que alteraram seu fluxo fluvial. Uma delas, Sobradinho, exigiu uma represa de 4.214 quilômetros quadrados, um dos maiores lagos artificiais do mundo, segundo sua operadora, a estatal Companhia Hidrelétrica do São Francisco, que tem outras 13 centrais na região nordestina. A abertura de Sobradinho, em 1982, acabou com a plantação de arroz em terras inundáveis do território xokó, cerca de 630 quilômetros rio abaixo, contaram à IPS seus moradores.

O ciclo anual de cheias praticamente desapareceu no Baixo São Francisco desde 1986, quando foi criada em Pernambuco a represa de Itaparica, de 828 quilômetros quadrados, que regula o fluxo auxiliar de Sobradinho. Assim, se pôs fim ao aluvião, que fertilizava os arrozais e enchia ciclicamente de peixes os lagos conectados ao rio por um canal.

“Sem corrente, o rio perde força, é um prato plano que se cruza a pé”, descreveu Apolônio Lima, o cacique xokó, com uma juventude incomum entre líderes indígenas. Com 30 anos, explicou à IPS que busca para sua gente, pouco mais de 400 pessoas, um futuro sustentável. Para isso, estimula a apicultura e outras produções alternativas, luta pela revitalização do São Francisco e se opõe à transposição de suas águas para combater secas no norte, um megaprojeto do governo federal.

“Antes de fazer isso, é preciso dar vida ao rio, os doentes não doam sangue para transfusões”, afirmou o cacique. “Meus avós já asseguravam que as margens do São Francisco morreriam. Eu não, mas meus netos o verão”, profetizou à IPS o xamã Raimundo Xokó, de 78 anos.

Para os pankararu, estabelecidos a cinco quilômetros da muralha que represa as águas em Itaparica, as ribeiras fluviais são coisa do passado. Seus líderes se sentem roubados. “Não temos onde pescar, a empresa tomou nossa terra, desconhecendo nosso direito legal até a margem”, explicou à IPS o xamã José João dos Santos, mais conhecido como Zé Branco.

O ex-cacique Jurandir Freire, apelidado de Zé Índio, luta por indenizações milionárias, porque os indígenas foram excluídos das compensações por sua terra inundada, ao contrário dos municípios, cujas prefeituras recebem benefícios, e os camponeses assentados nas chamadas agrovilas com áreas irrigadas. Zé Índio esteve preso e perdeu seu cargo por liderar, em 2001, um protesto que danificou linhas de transmissão elétrica da central, que passam por montanhas do território pankararu sem compensação alguma.

A terra fértil, em um vale e ladeiras montanhosas que favorecem uma umidade que contrasta com a semiaridez à sua volta, é outra fonte de conflitos. Desde a demarcação da Reserva Pankararu, em 1987, os indígenas pressionam o governo para retirar os agricultores brancos que ocupam a melhor parte.

“Minha avó nasceu ali e morreu aos 91 anos, isso há cinco”, disse Isabel da Silva para defender que sua família e outras vizinhas pertencem ao território pankararu há mais de um século. “Segundo a lei, temos que sair, mas fazer isso seria uma injustiça”, disse à IPS esta funcionária do Polo Sindical de Trabalhadores Rurais do Submédio São Francisco, que conseguiu o reassentamento de quase seis mil famílias camponesas afetadas pela central de Itaparica.

Há 435 famílias ameaçadas de expulsão há duas décadas, em uma medida que demora por falta de terra para reassentá-las, justificam as autoridades. O povo pankararu vive em uma reserva de 8.376 hectares e em 2003 contava com 5.584 integrantes, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), responsável pela proteção das populações originárias. Mas outros milhares emigraram para as cidades, especialmente São Paulo, onde mantêm sua identidade e se reúnem em ritos religiosos e festas indígenas. Com terra menos escassa, muitos regressariam, espera Zé Índio.

A escassez de terra também impacta os ocoy, situados nas margens da represa de Itaipu. São 160 famílias, cerca de 700 pessoas, que sobrevivem em apenas 250 hectares, a maioria de florestas protegidas, vedada à agricultura. A piscicultura, impulsionada pela empresa Itaipu Binacional, surgiu como alternativa para completar sua alimentação, diante da queda da pesca tradicional e das limitações agrícolas.

Os indígenas se destacaram entre os 850 pescadores que se somaram à iniciativa, “talvez por sua cultura, vinculada à água”, destacou à IPS o diretor de coordenação e meio ambiente da companhia, Nelton Friedrich. Com 40 tanques rede, a comunidade ocoy obtém quase seis toneladas de pescado por ano, segundo o vice-cacique Silvino Vass.

No entanto, esta não é sua maior fonte alimentar e poucos participam diretamente da atividade, segundo pesquisa acadêmica realizada em 2011 por Magali Stempniak Orsi. Além disso, os indígenas dependem muito da empresa, que lhes fornece os alevinos e a alimentação para os peixes, disse a pesquisadora, segundo a qual o projeto deve promover maior participação comunitária.

Os ocoy precisam de assistência alimentar para completar suas necessidades, ao contrário de duas vizinhas comunidades avá-guarani, que contam com mais terras doadas pela Itaipu Binacional e mais produção agrícola.

Em todo caso, o apoio de Itaipu aos indígenas locais é uma exceção entre as centrais hidrelétricas. Além de buscar alternativas de desenvolvimento para eles, cuida da sustentabilidade de toda sua sub-bacia, com o Programa Cultivando Água Boa, um conjunto de 65 ações ambientais, sociais e produtivas. Envolverde/IPS

(IPS)

Cadê o Parque que estava aqui? (O Eco)

*Mariana Napolitano Ferreira – 19/01/14

Iguaçu

Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, está ameaçado por projeto que reabre a estrada do colono, que corte a parte intangível do parque. Foto: wikipédia

Um artigo publicado essa semana na revista Biological Conservation por um grupo de pesquisadores e ambientalistas norte-americanos faz um balanço das iniciativas de redução, desafetação (ou descriação) e recategorização (RDR) de áreas protegidas na África, Ásia, América Latina e Caribe entre 1900 e 2010. O estudo identificou 543 iniciativas desse tipo em 375 áreas protegidas distribuídas em 57 países, afetando uma área total de mais de 500 mil km2, equivalente ao tamanho da Espanha ou um pouco menor que o estado da Bahia.

Ajustes nos limites de áreas protegidas, especialmente daquelas estabelecidas antes da existência de bases de dados espacializados e da realização de consultas a sociedade, podem ser importantes para reparar injustiças históricas, resolver conflitos locais e garantir a conservação de áreas com alto valor de biodiversidade. No entanto, os dados do estudo sugerem que apenas uma pequena fração das iniciativas de RDR foram propostas com esse fim. As principais causas que motivaram essas iniciativas estão associadas à ocupação do espaço e ao uso dos recursos naturais originalmente protegidos, para o desenvolvimento de atividades de escala industrial, tais como mineração, óleo e gás, agricultura e a construção de infraestruturas.

O artigo serve como uma referência importante para registrar uma tendência global de retrocesso e flexibilização indiscriminada do status de conservação garantido a áreas consideradas únicas, com alto valor de biodiversidade, serviços ecossistêmicos e beleza cênica. No entanto, os dados apresentados, compilados até 2010, não representam um quadro acurado do que ocorre no Brasil.

Uma análise mais detalhada e recente realizada para o país indica que tramitam no Congresso Nacional inúmeras propostas para redução, mudança de status ou desafetação de unidades de conservação, somando mais de 100 mil quilômetros quadrados. Segundo matéria publicada pelo site ((o))eco, um levantamento realizado pelo Ministério do Meio Ambiente identificou mais de 400 projetos de lei que tentam redefinir os limites das unidades de conservação em todos os biomas brasileiros, num embate entre o desenvolvimento sustentável ou crescimento econômico a qualquer custo.

Nas últimas três décadas, o país perdeu mais de 45 mil quilômetros quadrados de área protegida em todas as regiões. E a tendência é de acirramento dessas pressões, com exemplos claros observados em 2013, tais como a pressão pela reabertura da Estrada do Colono no Parque Nacional do Iguaçu, o projeto de lei que permiteatividades de mineração em 10% das unidades de conservação de proteção integral e a possível redução do Parque Nacional do Juruena para viabilizar a construção de hidrelétricas.

A criação de parques nacionais e outras unidades de conservação exige inúmeros estudos técnicos e consultas públicas. Já a possível redução ou desafetação dessas áreas por motivos diversos, sem base técnica e debate amplo com a sociedade, ameaça gravemente a biodiversidade, comunidades locais, interesses sociais mais amplos, a segurança jurídica e a integridade do próprio Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

No caso do Parque Nacional do Juruena, situado ao norte do Mato Grosso e sudeste do Amazonas, a suposta necessidade do avanço da “fronteira hidrelétrica” na Amazônia é o único motivo alegado para a redução da área do Parque, o que causaria a inundação de mais de 40 mil hectares de áreas protegidas e o alagamento de 23 das 28 corredeiras do Parque, interferindo nas dinâmicas de seca e de cheia dos rios e inviabilizando processos ecológicos vitais para peixes migratórios, por exemplo.

*É especialista em políticas públicas da WWF Brasil.

*   *   *

Um rasgo na floresta (OESP)

Dener Giovani, 17.janeiro.2014 01:01:16

Em 27 de agosto de 1972, o então presidente da República, Emílio Garrastazu Médici, inaugurou aquele que seria o símbolo maior de uma visão desenvolvimentista equivocada: a transamazônica. Com 4.223 km de extensão, a rodovia dos generais foi planejada e vendida ao público como um instrumento de desenvolvimento para a região, um canal por onde escoaria a abundância e o progresso. Passados 40 anos, a estrada dos ombros estrelados transformou-se apenas num mar de lama e pó, por onde navegam aglomerados de miséria, crime e descaso.

Mesmo diante de 4.223 km de exemplos, alguns brasileiros ainda insistem no discurso que privilegia o progresso a qualquer custo. O alvo da vez é uma estradinha de 17 km de extensão. Pequena em tamanho, porém gigantesca em riscos ambientais – caso se leve adiante a insanidade – a Estrada do Colono, no estado do Paraná, poderá se transformar no atual símbolo da ganância e da incapacidade brasileira de lidar com o seu rico patrimônio natural.

Aberta no início de 1930, nunca chegou a ser asfaltada. A Estrada do Colono atualmente não passa de uma pequena trilha que liga as cidades de Serranópolis do Iguaçu e Capanema. Sua importância está no fato de que ela atravessa uma das maiores e mais importantes reservas de Mata Atlântica do Brasil: o Parque Nacional do Iguaçu. Com quase 186 mil hectares, o parque criado em 1938, concentra em seus limites uma riquíssima biodiversidade, incluindo espécies endêmicas, que só podem ser encontradas ali. Também é um santuário para as onças pintadas e diversas espécies de aves ameaçadas de extinção. Abrir uma estrada cortando o parque significa muito mais do que fazer um rasgo na floresta. Será, acima de tudo, um enorme e irreparável atentado à biodiversidade da região. Será, além de um ato insano, um rasgo da Constituição Federal.

A guerra pela consolidação da Estrada do Colono é antiga. Uma ação do Ministério Público Federal fechou a estrada em 1986. No ano seguinte, uma tentativa de reabertura mobilizou até o exército. Em 2001 veio o fechamento definitivo. Em 2003, uma nova tentativa de invasão e reabertura da estrada foi comandada por líderes políticos e fazendeiros da região.

O golpe maior vem agora, na forma de um projeto de Lei do deputado federal petista Assis do Couto. O parlamentar conseguiu aprovar na Câmara Federal o PL 7123/2010, que institui a Estrada-Parque Caminho do Colono. O PL encontra-se no Senado Federal e a qualquer momento poderá ser aprovado, efetivando dessa forma mais do que um atentado ambiental. A aprovação desse projeto de Lei no Senado será um salvo conduto para que outras iniciativas parecidas sejam implementadas no Brasil.

Diversas organizações ambientais estão mobilizadas no sentido de impedir a aprovação dessa lei retrógada e oportunista. Um grupo de ONGs ambientalistas entregou ao Senado Federal uma Cartilha onde demonstra claramente os riscos e as nefastas consequências da abertura da Estrada do Colono. Para acessar a Cartilha, CLIQUE AQUI.

A situação dos parques nacionais brasileiros já é calamitosa demais para receber mais esse golpe. Sem estruturas físicas adequadas, sem investimentos e, sobretudo, sem fiscalização, essas áreas de conservação são constantemente vítimas do descaso do governo federal, o que resulta em permanente degradação ambiental. O Ministério do Meio Ambiente, cada vez mais relegado ao ostracismo, assiste calado o que se passa no parlamento.

Cada vez mais se faz necessário a atenção e a efetiva participação da sociedade brasileira na conservação dos recursos naturais do país. Só indignação não é mais o suficiente frente aos desmandos cotidianos. É necessário ação, participação. A internet, as redes sociais e a pressão sobre os parlamentares é fundamental para impedir que os degradadores ambientais façam a sua festa nas estradas pelo país afora. Manifestemo-nos!

Falling for the Anarchy She Was Sent to Fight (New York Times)

‘The East,’ Written by Zal Batmanglij and Brit Marling

Published: May 30, 2013

“The East” is a neat little thriller about ends and means and ethical quandaries. The title refers to a mysterious network of anti-corporate militants whose activities — called “jams” — shade from prankish agitprop toward outright terrorism. The members of the group, who live off the grid in an abandoned house in the wilderness somewhere near the Mason-Dixon line, are determined to hold the poisoners and polluters of the executive class accountable for their actions. Sometimes, as in the case of a pharmaceutical company that has peddled dangerous antibiotics, this means giving the bosses a literal taste of their own medicine.

Written by Zal Batmanglij and Brit Marling and directed by Mr. Batmanglij, “The East” follows Jane, an undercover operative for a private security-consulting firm, played by Ms. Marling, as she progresses from Dumpster diving and freight train hopping to the inner circle where the jams are planned. Jane, known to her new comrades as Sarah, is a former F.B.I. agent who reports back to her boss, a serenely chillyPatricia Clarkson. The parameters of Jane’s mission are not as clear as her almost instantly divided loyalty.

Back home in Washington, Jane has a scruffy, sensitive, bland boyfriend. Out in the woods, she falls under the spell of Benji (Alexander Skarsgard), who is scruffy, sensitive and dangerous. While the East, being a group of anarchists, has no formal leader, Benji is clearly the alpha dog. His main lieutenants are an elfin zealot named Izzy (Ellen Page) and Doc (Toby Kebbell), a troubled former medical student. All of them come from relatively privileged backgrounds and have painful, intimate reasons for taking up the cause.

In general, “The East” is a bit more persuasive on the psychology of its characters than on the politics of their actions. Ms. Marling is a sympathetic presence, in part because her slack-jawed, glassy-eyed passivity is an effective mirror of the audience’s ambivalence. She is initially appalled by Benji and his followers — by their hygiene as much as by their self-righteousness — but gradually finds comfort in the rough simplicity of their thrifty, communal approach to life. The world of work, stability and consumerism feels increasingly sterile and false to her. Mr. Batmanglij and the cinematographer, Roman Vasyanov, register this evolution with subtle visual cues, as the forest and the old dark house become less scary and more enchanted, and everywhere else is drained of color.

Jane’s goodness is as axiomatic as that of a fairy tale princess. While we suspect that she will stray into morally dangerous territory, real evil seems beyond her capacities. In their previous collaboration — the cult film (in both senses) “Sound of My Voice” — Ms. Marling and Mr. Batmanglij played with her aura of guileless blond sweetness to haunting and troubling effect. “The East,” while more conventional in style and structure than that film (or “Another Earth,” which Ms. Marling also helped write and starred in), has some of its spookiness, a sense of ambient vulnerability that extends from the individuals on screen into the very universe they inhabit.

This intimation of large, lurking danger is appropriate to this movie’s vague environmental theme. The damaged, idealistic young people plotting to terrorize the wealthy and comfortable are seen as canaries in the coal mine, their rage a sign that something is terribly wrong. But their animus is also explained in ways that strain credibility and undermine the film’s topicality. Benji, Izzy and Doc are motivated by grief, filial resentment and a desire for revenge. For them the political is personal, which makes it a little less urgent for everybody else.

But it may be asking too much of “The East” — which is, after all, a twisty, breathless genre film — to wish that it would frame the contradictions of contemporary capitalism more rigorously. The movie is aware that they exist, and wishes that they could be resolved more or less happily, which is hard to argue with, though also hard to believe.

“The East” is rated PG-13 (Parents strongly cautioned). Restrained violence, sex and profanity.

The East

Opens on Friday in Manhattan.

Directed by Zal Batmanglij; written by Mr. Batmanglij and Brit Marling; director of photography, Roman Vasyanov; edited by Andrew Weisblum and Bill Pankow; music by Halli Cauthery; production design by Alex DiGerlando; costumes by Jenny Gering; produced by Ridley Scott, Michael Costigan and Jocelyn Hayes-Simpson; released by Fox Searchlight Pictures. Running time: 1 hour 56 minutes.

WITH: Brit Marling (Jane/Sarah), Alexander Skarsgard (Benji), Ellen Page (Izzy), Toby Kebbell (Doc), Shiloh Fernandez (Luca), Julia Ormond (Paige Williams) and Patricia Clarkson (Sharon).

IPCC: próximos 15 anos serão vitais para frear aquecimento global (CarbonoBrasil)

20/1/2014 – 12h54

por Jéssica Lipinski , do CarbonoBrasil

secawiki 300x204 IPCC: próximos 15 anos serão vitais para frear aquecimento global

Foto: Wikimedia commons

Rascunho do novo relatório da entidade afirma que evitar as piores consequências das mudanças climáticas custará até 4% da produção econômica mundial, valor que aumentará se demorarmos para agir.

Diversos veículos da imprensa internacional divulgaram nos últimos dias dados do próximo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que será publicado oficialmente apenas em abril.

De acordo com essas informações, o que o IPCC destaca é que a menos que o mundo aja agora para frear as emissões de gases do efeito estufa (GEEs), os efeitos negativos do aquecimento global representarão enormes desafios para a humanidade ainda neste século, tornando-se cada vez mais caros e difíceis de serem resolvidos.

Segundo o documento, manter o aquecimento global dentro de limites considerados toleráveis, algo perto de dois graus Celsius, vai exigir investimentos bilionários, grandes reduções nas emissões de GEEs e soluções tecnológicas caras e complexas para retirar tais gases da atmosfera.

Tudo isso deve ser feito nos próximos 15 anos, caso contrário será ainda mais difícil lidar com a questão. “Adiar a mitigação até 2030 aumentará os desafios… e reduzirá as opções”, alerta o sumário do relatório.

O estudo aponta que uma das principais razões para o aumento das emissões é o crescimento econômico baseado na queima de fontes de energia fóssil, como o carvão e o petróleo, atividade que estima-se que deve crescer nas próximas décadas.

Por isso, a pesquisa indica que as emissões de dióxido de carbono devem ser reduzidas de 40% a 70% até 2050 para que a meta de dois graus Celsius de aquecimento estipulada pela ONU seja atendida.

Isso significa que os governos terão que apoiar e utilizar uma série de tecnologias para retirar o CO2 da atmosfera, como a captura e armazenamento de carbono (CCS) e o plantio de mais florestas.

O relatório também sugere que, para limitar o aquecimento global de forma significativa, serão necessários investimentos da ordem de US$ 147 bilhões por ano até 2029 em fontes de energia alternativa, como eólica, solar e nuclear.

Ao mesmo tempo, investimentos em energias fósseis teriam que cair em US$ 30 bilhões por ano, enquanto bilhões de dólares anuais teriam que ser gastos na melhoria da eficiência energética em setores importantes como transporte, construção e indústria.

O documento, contudo, afirma que o caminho para mitigar as mudanças climáticas não será nada fácil, visto que vai em direção contrária do que está acontecendo atualmente. De acordo com o estudo, as emissões globais subiram, em média, 2,2% ao ano entre 2000 e 2010, quase o dobro em relação ao ritmo do período de 1970 a 2000, que era de 1,3% ao ano.

“A crise econômica global em 2007-2008 reduziu as emissões temporariamente, mas não mudou a tendência”, diz o relatório.

Além disso, o combate ao aquecimento global custaria 4% da produção econômica mundial, e exigiria uma diminuição gradativa no consumo de bens e serviços: entre 1% e 4% até 2030, entre 2% e 6% até 2050 e entre 2% e 12% até 2100.

“Sem esforços explícitos para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, os fatores fundamentais do crescimento das emissões devem persistir”, afirma o estudo.

Outro problema que a pesquisa aponta é que as emissões de países desenvolvidos estão sendo transferidas para nações emergentes, ou seja, a suposta redução de emissões de alguns países ricos é na verdade menor do que se imagina.

Desde 2000, as emissões de carbono para China e outras economias emergentes mais do que dobrou para quase 14 gigatoneladas por ano, mas destas, cerca de duas gigatoneladas foram da produção de bens para a exportação.

“Uma parcela crescente das emissões de CO2 da queima de combustíveis fósseis em países em desenvolvimento é liberada da produção de bens e serviços exportados, principalmente de países de renda média-alta para países de renda alta”, colocou o documento.

Esse estudo é o terceiro documento da quinta avaliação do IPCC sobre o que se sabe sobre as causas, efeitos e futuro das mudanças climáticas.

Em setembro de 2013, o painel divulgou a primeira parte da avaliação, que confirma com 95% de certeza a influência humana sobre o aquecimento global.

O segundo relatório, sobre os impactos das mudanças climáticas, será concluído e divulgado em março, no Japão. Este terceiro será finalizado e divulgado em abril, na Alemanha. Um documento final, sintetizando as três partes, deve ser lançado em outubro deste ano.

Os cientistas do painel concordaram em comentar o estudo assim que ele estiver finalizado. “É um trabalho em progresso, e estamos ansiosos para discuti-lo quando ele for finalizado, em abril”, observou Jonathan Lynn, porta-voz do IPCC, em uma entrevista por telefone à Bloomberg.

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

Get Used to Heat Waves: Extreme El Nino Events to Double (Science Daily)

Jan. 19, 2014 — Extreme weather events fueled by unusually strong El Ninos, such as the 1983 heatwave that led to the Ash Wednesday bushfires in Australia, are likely to double in number as our planet warms.

Bush fires (stock photo). The latest research based on rainfall patterns, suggests that extreme El Niño events are likely to double in frequency as the world warms leading to direct impacts on extreme weather events worldwide. (Credit: © Dusan Kostic / Fotolia)

An international team of scientists from organizations including the ARC Centre of Excellence for Climate System Science (CoECSS), the US National Oceanic and Atmospheric Administration and CSIRO, published their findings in the journal Nature Climate Change.

“We currently experience an unusually strong El Niño event every 20 years. Our research shows this will double to one event every 10 years,” said co-author, Dr Agus Santoso of CoECSS.

“El Nino events are a multi-dimensional problem, and only now are we starting to understand better how they respond to global warming,” said Dr Santoso. Extreme El Niño events develop differently from standard El Ninos, which first appear in the western Pacific. Extreme El Nino’s occur when sea surface temperatures exceeding 28°C develop in the normally cold and dry eastern equatorial Pacific Ocean. This different location for the origin of the temperature

increase causes massive changes in global rainfall patterns.

“The question of how global warming will change the frequency of extreme El Niño events has challenged scientists for more than 20 years,” said co-author Dr Mike McPhaden of US National Oceanic and Atmospheric Administration.

“This research is the first comprehensive examination of the issue to produce robust and convincing results,” said Dr McPhaden.

The impacts of extreme El Niño events extend to every continent across the globe.

The 1997-98 event alone caused $35-45 US billion in damage and claimed an estimated 23,000 human lives worldwide.

“During an extreme El Niño event countries in the western Pacific, such as Australia and Indonesia, experienced devastating droughts and wild fires, while catastrophic floods occurred in the eastern equatorial region of Ecuador and northern Peru,” said lead author, CSIRO’s Dr Wenju Cai

In Australia, the drought and dry conditions induced by the 1982-83 extreme El Niño preconditioned the Ash Wednesday Bushfire in southeast Australia, leading to 75 fatalities.

To achieve their results, the team examined 20 climate models that consistently simulate major rainfall reorganization during extreme El Niño events. They found a substantial increase in events from the present-day through the next 100 years as the eastern Pacific Ocean warmed in response to global warming.

“This latest research based on rainfall patterns, suggests that extreme El Niño events are likely to double in frequency as the world warms leading to direct impacts on extreme weather events worldwide.”

“For Australia, this could mean summer heat waves, like that recently experienced in the south-east of the country, could get an additional boost if they coincide with extreme El Ninos,” said co-author, Professor Matthew England from CoECSS.

Journal Reference:

  1. Wenju Cai, Simon Borlace, Matthieu Lengaigne, Peter van Rensch, Mat Collins, Gabriel Vecchi, Axel Timmermann, Agus Santoso, Michael J. McPhaden, Lixin Wu, Matthew H. England, Guojian Wang, Eric Guilyardi, Fei-Fei Jin.Increasing frequency of extreme El Niño events due to greenhouse warmingNature Climate Change, 2014; DOI:10.1038/nclimate2100