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O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade? (Portal Aprendiz)

22/1/2014 – 11h31

por Danilo Mekari e Pedro Ribeiro Nogueira, do Portal Aprendiz

Antes relegados à lugares invisíveis da cidade, onde não reuniam tanta gente e nem chamavam tanta atenção, os encontros de jovens da periferia de São Paulo tomaram outras proporções a partir do dia 7/12 do ano passado, quando ocorreu o primeiro rolezinho – encontro marcado via redes sociais – no Shopping Metrô Itaquera. Ao mesmo tempo, tramitava um projeto de lei que coibia os bailes funks de acontecerem nas ruas, posteriormente vetado pelo prefeito Fernando Haddad (PT).

Para quem participa está claro o motivo da reunião: se divertir, escutar música, fazer amizades e até mesmo paquerar – tudo isso dentro dos templos do consumo que esses mesmos jovens são tentados a fazer parte diariamente, através da publicidade intensa e da ostentação de outras classes mais abastadas.

Para os reais consumidores dos shoppings, porém, esses encontros são uma ameaça à tranquilidade com que fazem suas compras e, mais, devem ser devidamente contidos pelas forças de segurança e proibidos pela Justiça.

foto1 O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade?

O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade? | Envolverde

Os rolezinhos, porém, não pararam de crescer. Se antes eram restritos à capital paulista, agora se espalham por vários estados. E, se antes também se restringiam a um encontro de jovens das camadas mais populares, hoje há rolês organizados por jovens de classe média, universitários e movimentos sociais que apoiam o direito de ir e vir desses adolescentes.

Também se tornaram pauta prioritária na agenda do governo federal, por receio de se tornarem o estopim de novas manifestações, inclusive com a participação de black blocs.

Instigado por esse debate e em busca de sentidos para esse fenômeno, o Portal Aprendiz perguntou para Leonardo Sakamoto, Ermínia Maricato, Douglas Belchior, Alexandre Barbosa Pereira e Pablo Ortellado o que os rolezinhos nos dizem sobre a segregação e o direito à cidade.

Confira as respostas!

sakamoto1 O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade?Leonardo Sakamoto – jornalista e doutor em Ciência Política, autor do Blog do Sakamoto

“A maior parte da molecada que vai aos rolezinhos não quer fazer nenhum protesto e sim curtir e ser curtido. Não são politizados, como também não era a maioria dos que foram às ruas nas jornadas de junho. Mas o cutucão, se não é o objetivo, acaba sendo o efeito colateral, pois a presença deles naquele espaço provoca uma reação violenta. Daí, há dois caminhos para analisar os rolês: quem são e o que querem esses jovens e o porquê da reação de determinados grupos sociais, sejam eles do centro ou da própria periferia.

Shoppings são bolhas, oferecem a garantia de que nada vai acontecer com você se estiver lá dentro comprando. Da mesma forma que cercas eletrificadas mentem sobre a proteção de casas, que carros blindados mentem sobre a proteção de famílias, que a presença de uma arma de fogo mente quando promete afastar qualquer risco real.

Quando centenas de “intrusos” ameaçam invadir essa realidade virtual, querendo fazer parte dela, seus usuários sentem que ela se desligou de repente e entram em pânico. Porque esse grupo de garotos e garotas talvez não entenda, mas é exatamente deles que parte do povo que se refugia em shoppings quer fugir. Fisicamente. Simbolicamente.”

erminia1 O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade?Ermínia Maricato – professora da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP

“Nas relações sociais, no Brasil, existe uma profunda distância entre discurso e prática ou entre o texto da lei e sua aplicação. Em consequência, grande parte da sociedade permanece sem direitos previstos na legislação. São ignorados, segregados e invisíveis apesar das dimensões dessa exclusão. Como essa espécie de apartheid não é clara e assumida, vive-se uma contradição, um faz de conta. Faz de conta que isso é uma democracia, faz de conta que a lei se aplica a todos da mesma forma, faz de conta que todos têm direitos iguais, como é o caso do direito à cidade.

O que a prática dos rolezinhos tem de notável, fantástico, extraordinário mesmo, é o desnudamento dessa contradição. Quando os exilados urbanos decidem andar pela cidade, esse apartheid explode na cara da sociedade ainda que não seja essa a intenção da maior parte da moçada. Essa atitude questiona, profundamente, a sociedade que aprendeu a ser cínica (especialmente o “partido da mídia”) para esconder a incrível desigualdade de um país que não é pobre mas tem um povo pobre.”

odug1 O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade?Douglas Belchior – professor de História e integrante da UneAfro Brasil, autor do blog Negro Belchior

“Por parte dos shoppings vemos temos uma contradição, já que se espalharam pelas periferias justamente atrás do poder aquisitivo desse público que eles agora recusam.

A medida em que o mundo, através de seus valores, convence a população de que para “ser” é preciso “ter”, de que “viver” é não apenas “consumir” mas também “ostentar”… e ao mesmo tempo não proporciona espaços de convivência, de lazer e educação que provoquem o interesse da juventude, os shoppings passam a ser a grande opção.

Criminalizado como um dia fora a capoeira, o futebol, o samba e o rap, o funk moderno é tão contraditório em seu conteúdo quanto o é a resistência em sua forma e estética e nesse momento está servindo também para fazer aflorar o racismo enraizado na alma das elites hipócritas – muito mais vinculadas aos valores da luxúria e ostentação que a turma do funk.

Os meninos e meninas do funk hoje afrontam os cara-pálidas com sua presença física, com o tom de sua pele, com sua roupa, com seu som. Tudo isso, intencional ou não, é profundamente político e contestador por sua própria natureza.”

pablo1 O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade?Pablo Ortellado – professor na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH) e autor do livro “20 Centavos: A Luta Contra o Aumento” (Ed. Veneta)

“Ainda permanece um pouco obscuro os motivos que levaram os jovens da periferia a marcar encontros coletivos nos shoppings da cidade – queriam mesmo só se divertir ou estariam também desafiando as barreiras econômicas e raciais que dividem os que têm dos que não têm? Seja como for, a resposta dura e anticidadã dos shopping centers e da Justiça conferiu um caráter social e político ao fenômeno.

E é nessa resposta jurídica que busca garantir aos shoppings o direito de escolher quem pode frequentá-los que se formalizou e se evidenciou a segregação espacial implícita que rege a nossa sociedade. Seja qual for a motivação, a repercussão colocou em discussão a vergonhosa separação espacial que segrega os ricos dos pobres e os brancos dos negros.”

alexandre1 O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade?Alexandre Barbosa Pereira – pesquisador do Laboratório do Núcleo de Antropologia Urbana (LabNAU) da USP e autor da tese “A maior zoeira: experiências juvenis na periferia de São Paulo”

“Os rolezinhos demonstram a necessidade de lutarmos por espaços, físicos, sociais e subjetivos, de representação, expressão e reconhecimento para todos. O principal recado que os jovens dos rolezinhos nos dão é o de que querem o direito a se divertir na cidade.”

* Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.

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Crônica Mendes, o rap e a política (Spresso SP)

Postado em jan 23 2014 – 9:57am por Redação.

Na entrevista, o rapper afirma que odeia Alckmin, vê erros no rolezinho e critica os “extremistas do rap”, que condenam idas à Globo e shows em “casa de boy”

Por Igor Carvalho

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“Temos que alçar voos para fora da periferia” (foto: Divulgação)

Crônica Mendes está inaugurando uma nova fase na carreira. Recentemente, lançou “Até onde o coração pode chegar”, seu primeiro disco solo, produzido por ele mesmo e que reafirma a fama de “politizado” do rapper.

Em suas músicas, são comuns as referências à periferia de São Paulo e ao governador do Estado. “Eu odeio o Alckmin. Eu não gosto desse cara. Ele não é do povo e não tem nada a oferecer. Infelizmente ele está lá, faz uma política de elites, contra o povo. E tem outra, ele é a continuidade da política do PSDB de massacre da juventude negra e pobre nas periferias”, afirma Crônica Mendes.

Sem sair da seara da contestação e do incômodo social, o rapper  produziu “Domingo de Chuva”, uma comovente faixa em que narra uma das histórias que ouviu no Jardim Pantanal, quando a região alagou. “Aquele lugar parecia Bagdá, gente. O Estado aproveitou a tragédia que ele criou e mandou as máquinas que terminaram de derrubar casas, e ver o sofrimento daquelas famílias era muito ruim.”

Crônica ainda criticou aqueles que ele chama de “extremistas do rap”, pessoas do movimento que criticam rappers que aceitam convites, por exemplo, para participar de programas da Rede Globo, como Edi Rock, no Esquenta, e o Slim Rimografia, no Big Brother Brasil. “Ir lá não corrompe meu caráter. O culpado somos nós, cara, porque nós sempre fizemos essa campanha de não ir à televisão, então hoje a gente apanha quando diz ‘sim’.”

SPressoSP – Como tem sido a experiência da carreira solo? Tomar decisões sozinho é melhor?
Crônica Mendes – Quando  “A Família” parou, eu aproveitei e coloquei em prática um sonho antigo que é a gravação do meu disco solo, com as minhas próprias ideias e liderando 100% a elaboração e produção do disco. Além disso, tem sido importante para mim pegar a estrada com novas pessoas, com novos ritmos. Eu precisava fazer isso, desde que eu comecei na música, e isso foi com 12 anos de idade, eu amo estar no palco, mas quando estava no grupo eu tinha que respeitar o limite de cada um, o processo criativo de cada, mas agora eu posso viver todo o processo. Bom, e o risco e a responsabilidade são maiores.

SPressoSP – O nome do teu disco é “Até onde o coração pode chegar”. De onde o Crônica partiu e até onde o coração pode chegar?
Crônica Mendes – Eu sou periferia. Continuo acreditando na periferia, no rap que é feito na periferia e nas pessoas de lá, que me fortaleceram e me permitiram chegar aonde cheguei hoje. Mas olha, não podemos ficar cantando nós para nós mesmos o tempo todo, temos que alçar voos para fora da periferia, só que esse processo deve ser feito como extensão e não como abandono. Eu não consigo cantar rap nacional sem falar da quebrada, da rotina da favela. Se um dia eu não estiver na favela, continuarei a cantar a favela, meu caráter é formado na periferia.

SPressoSP – Você cita o Sérgio Vaz, que participa do disco, e a Cooperifa no disco. Onde eles estão inseridos na tua obra?
Crônica Mendes – Ah, o Sérgio Vaz me mostrou a importância de ler nossa gente. Antes do Sérgio Vaz, a literatura que eu consumia era de fora das periferias. O Sérgio foi o primeiro escritor que eu conheci e a Cooperifa tem uma relação muito forte com o rap nacional. Houve uma época em que se falava muito que o rap nacional estava morrendo, e vieram os saraus para dar esse oxigênio ao rap nacional, para que ele se mantivesse atuante nas periferias. No sarau, as pessoas deixam de lado a batida, mas elas vão ali recitar o seu rap, se concentram no conteúdo das letras. As pessoas começaram a estudar mais para escrever e isso ajudou demais na sequência do rap. Então é isso, o fortalecimento da literatura periférica cooperou muito, não só para mim, mas para o rap nacional.

SPressoSP – Qual tua opinião sobre os “rolezinhos”?
Crônica Mendes – Formar uma opinião, agora, de imediato pode ser ridículo. É um movimento novo e é impressionante como tem gente falando sobre ele, como se todo mundo conhecesse. A galera se junta para fazer um rolezinho no shopping e os seguranças expulsam. Bom, são pretos e de periferia, são também, mas são pretos de periferia que estão causando algum transtorno lá dentro. É complicado já sair dizendo que é racismo e ditadura. Temos que ir um pouco mais fundo nessa discussão e parar de achar que tudo que é reação contra negro e pobre na periferia é preconceito e racismo, a gente erra também, e tem gente nossa errando por aí.

SPressoSP – Antes criminalizado, o rap hoje está na novela, na moda, entre as músicas mais tocadas do país, com artistas prestigiados. Surgiu, então, uma nova geração que deixa a contestação e a politização de lado. Você é crítico em relação a essa nova geração?
Crônica Mendes – Eu não dito regras dentro do rap e não gosto que alguém dite regras no rap. Eu acredito que exista uma cartilha do rap, mas que não está fechada. A cada dia, de acordo com as situações, surgem coisas novas e que precisam ser respeitadas. A gente precisa aceitar o querer das pessoas, eu acho que a gente não pode querer que todos os rappers sejam Crônica Mendes, temos que entender a pluralidade do rap, a periferia é plural. O que não podemos aceitar é que pessoas desrespeitem e esqueçam o que foi a história do rap nacional, da luta de quem fez rap nos anos 80 e 90. Por que o rap está tocando na novela? Porque dá audiência, é isso. A grande mídia quer audiência, por isso está nos colocando lá. Muita gente apanhou da polícia, continua apanhando, morreu, para que se pudesse fazer rap em São Paulo, cara. Não precisamos bater em tudo e em todos, nós cantamos a periferia e a periferia tem entretenimento, precisamos cantar a alegria de ser periferia, temos que cantar o trabalhador, o professor. Se hoje está mais suave, é porque muita gente batalhou antes.

SPpressoSP – Eu listei alguns rappers que foram alvo de críticas dentro do próprio movimento. O Edi Rock quando foi no “Esquenta” [programa da Rede Globo], o Mano Brown fez show em um clube de elite em São Paulo, o Emicida tocou na festa da Fifa e tem música na novela e agora o Slim Rimografia está participando do Big Brother Brasil (BBB) 14. Esse ambiente tão crítico do rap, criado e alimentado por vocês também, assusta na hora de tomar uma decisão sobre aceitar, ou não, determinado convite?
Crônica Mendes – Isso é muito complicado. É como você falou, muitos desses extremistas do rap foram criados por nós mesmos. Nós alimentamos por muito tempo que no rap não tinha espaço para sorrir, mas naquela época tinha que ser assim mesmo. Hoje, a periferia evoluiu, temos mais motivos para sorrir. Infelizmente, uma grande parte do público não consegue aceitar nosso sorriso. Olha, eu não tenho medo, acho que o público deve se preocupar se eu for nesses lugares e nunca mais voltar. Eu posso ir no “Altas Horas”, mas estou em um evento beneficente na quebrada, eu estou no jogo de várzea. Ir lá não corrompe meu caráter. O culpado somos nós, cara, porque nós sempre fizemos essa campanha de não ir à televisão, então hoje a gente apanha quando diz ‘sim’. Eu não tenho medo, e acho que os parceiros que foram estão certo. Pô, a gente vai em uma casa de boy e ganha uma grana e investe metade em uma parada da comunidade, em um centro cultural, mas a gente não divulga, esses extremistas do rap não sabem dessa parte. Como você vai falar mal dos Racionais MCs? Como? Se hoje alguém canta rap nesse país é graças aos caras do Racionais MCs, eu sou grato demais a eles.

SPressoSP – Na música “Tinindo”, você reforça o caráter político que permeia tua obra. Você coloca, nessa canção, um áudio do Geraldo Alckmin dizendo “quem não reagiu, está vivo”. Por quê?
Crônica Mendes – Eu odeio o Alckmin. Eu não gosto desse cara. Ele não é do povo e não tem nada a oferecer. Infelizmente ele está lá, faz uma política de elites, contra o povo. E tem outra, ele é a continuidade da política do PSDB de massacre da juventude negra e pobre nas periferias. Eu não tenho como gostar desse cara e nem aceitar ele, o PSDB inteiro, aliás. A vida nas periferias melhorou muito, mas isso não é culpa do PSDB, é graças ao Lula, o governo do PT governa para o povo, quando o PT está no poder, podemos dizer que o Estado está do nosso lado.

SPressoSP – “Quando a cidade dorme”, é uma música em que você tenta fazer uma radiografia do caminho que um homem faz da periferia para o centro. Enquanto ouvia esse som, me veio à cabeça as chacinas que ocorrem na madrugada, na periferia…
Crônica Mendes – Essa música nasceu quando eu morava na Barra Funda e fazia o caminho para o centro, vindo da periferia. Essas chacinas são a forma que o governo encontrou de dizer que lugar de periférico é na periferia, de nos empurrar mais para dentro da periferia, com medo. Eles não nos querem buscando conhecimento e lutando na rua. A polícia é isso, vai lá, dá um rasante, extermina uns e mostra que temos que ficar na periferia. Isso sim é censura, isso sim é racismo, isso sim é ditadura. Isso é um extermínio, não estamos falando de perseguição policial, averiguação ou uma investigação, é o policial chegando e atirando, sem perguntar.

SPressoSP – Você faz uma crítica à influência norte-americana no rap nacional. Ainda é muito pesada essa influência?
Crônica Mendes – Os EUA são quem mandam nisso. Nós somos, se não me engano, o quinto maior produtor de rap no mundo. Então sofremos mesmo essa influência, mas o que não pode acontecer é que as ideias deles nos contaminem, porque é outra realidade.

SPressoSP – “Domingo de chuva” é uma música sofrida. Você viveu o que descreve ali?
Crônica Mendes – Quantas Marias não derramam lágrimas quando cai uma chuva em São Paulo? Eu tive a ideia de escrever essa música depois que visitei o Jardim Pantanal, na época daquela enchente criminosa. Bom, eu fui convidado pelo coletivo Peso para levar um pouco de entretenimento para aquele povo que estava sofrendo muito. Aquele lugar parecia Bagdá, gente. O Estado aproveitou a tragédia que ele criou e mandou as máquinas que terminaram de derrubar casas, e ver o sofrimento daquelas famílias era muito ruim. Lá eu conheci uma família em especial que me contou a história do fim de semana que alagou, que tinha começado muito bonito e terminou alagado. Eu tive que socializar essa história.

SPressoSP – Você faz um rap bem urbano, mas é baiano do interior e criado no interior de São Paulo. Onde aparecem elementos dessas regiões em tua música, eles existem?
Crônica Mendes – Eu sou do interior mesmo, na Bahia eu só nasci. Cara, minhas influências vêm do brega. Eu adoro, tanto que têm frases no meu disco que são inspiradas no brega, meu primeiro rap foi inspirado em uma música do Amado Batista, que chama “Favela”. Eu ouço muito brega e a minha grande referência no rap é o Racionais, que veio bem depois, além do GOG, que foi fundamental para a minha formação intelectual, junto com a Nina Fideles [companheira de Crônica Mendes].