Arquivo da tag: População em situação de vulnerabilidade

Apesar de efeitos negativos, pandemia deixa legado de solidariedade, dizem líderes comunitários (Folha de S.Paulo)

www1.folha.uol.com.br

Lalo de Almeida/Folha Press

Cresce preocupação com educação em comunidades pobres de grandes cidades

Thiago Amâncio, 20 de setembro de 2020

Apesar de pessimistas com o legado negativo de alto desemprego e fome que a pandemia da Covid-19 pode deixar, líderes de comunidades pobres país afora se dizem esperançosos com a solidariedade criada nesses lugares após a chegada da doença.

É o que aponta levantamento feito entre 17 e 30 de agosto pela Rede de Pesquisa Solidária, que monitora as respostas à Covid pelo país. É a quarta rodada de uma enquete feita com 64 lideranças comunitárias nas regiões metropolitanas de Manaus, Recife, Belo Horizonte, Rio, São Paulo, Distrito Federal, Campinas (SP), Salvador, Joinville (SC) e Maringá (PR).

“Quando perguntamos sobre perspectiva para o futuro, houve essa percepção de que a pandemia gerou engajamento, foi uma surpresa para nós. Por um lado, é efeito de uma constatação negativa: as pessoas se sentiram abandonadas e aprenderam que tiveram que se reestruturar para reagir à pandemia”, diz Graziela Castello, diretora-administrativa e pesquisadora do Cebrap.

“Moradores que não tinham história de associativismo, relação com sindicato, com partido, começaram a se organizar. Dos entrevistados, 16%, acham que gerou algum tipo de consciência política na população e que a gestão da pandemia provocou a necessidade de avaliar o governo, pensar nas eleições. Dentro do cenário de abandono completo, talvez tenha impacto positivo de maior prática de cidadania política”, continua.

O principal problema apontado pelas lideranças, no entanto, ainda é a segurança alimentar: 62% dos entrevistados disseram se preocupar com a fome provocada pela pandemia. A falta de trabalho também foi citada por metade dos ouvidos.

Uma outra questão despontou no último questionário feito: a preocupação com a educação. Um em cada cinco entrevistados citou a volta às aulas como um dos problemas mais críticos atualmente.

E aí os líderes se dividem: parte deles se preocupa que o retorno das crianças às escolas possa aumentar a contaminação dentro das comunidades; outra parte se preocupa com o pouco acesso das crianças e adolescentes a ferramentas de ensino remoto, prejudicando a aprendizagem.

“Os familiares são terrivelmente contra o retorno às aulas, mesmo porque se trata de um governo e de um prefeito que não investiu na saúde, não fez um investimento na preparação da volta às aulas, nas salas de aula. Segundo, o governo e o prefeito lá vão colocar um frasco de álcool em gel e um ventilador para fazer a ventilação, e [afirmam que] isso é o suficiente para espantar o vírus. A gente sabe que precisa de um investimento muito maior do que isso”, diz um entrevistado do Tucuruvi, zona norte de São Paulo.

“As famílias não têm internet, telefone, computador em casa. E as crianças estão sem estudar, sem escola. E devido a essa situação elas ficam em casa sem fazer nada. Tem mães analfabetas que não sabem explicar e ajudar nas atividades, ficou muito difícil nas comunidades”, diz outro na Brasilândia, também em São Paulo.

Para Castello, “a diversidade de opiniões mostra o drama que é gerenciar essa situação”, diz. “De um lado, tem o medo da volta às aulas, do impacto nos parentes mais velhos, a preocupação de que as escolas não estão preparadas para voltar. Do outro lado, as lideranças apontam deficiências cognitivas, depressão nas crianças, todo esse processo que o distanciamento tem gerado.”

“As duas coisas são muito perversas. Os pais lidam com o medo da volta e com a impossibilidade da manutenção em casa”, diz a pesquisadora.

A Rede de Pesquisa Solidária reúne dezenas de pesquisadores de instituições públicas e privadas, como a USP, o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e a Fundação Getulio Vargas (FGV). Desde abril, eles têm produzido boletins semanais, que estão disponíveis no site da iniciativa.

UN-Habitat data mapping ensures assistance reaches the most vulnerable in Brazil’s slums (ReliefWeb)

UN-HABITAT

3 Jun 2020

Rio de Janeiro, Brazil, June 2020 – Some 2,500 vulnerable and sick older people living in the slums of Brazil’s largest city, received hygiene kits to support them during the COVID-19 pandemic. The Social Territories Programme, implemented by the City of Rio de Janeiro, with the support of UN-Habitat, organized the distribution of the kits in 10 informal settlements known as favelas.

The kits, which include sanitizer, liquid soap, deodorant, shampoo and toothbrushes, donated by UNICEF, the United Nations Children’s Fund, were given to older vulnerable people, those who are bedridden and with heart problems in Alemão, Maré, Chapadão, Pedreira ,Vila Kennedy, Lins, Penha, Cidade de Deus, Jacarezinho and Rocinha. The materials were distributed alongside food baskets of staple goods.

The delivery and distribution was supported by professionals from the health department of the municipality of Rio de Janeiro. The selection of those eligible to receive assistance was made using data produced under the Social Territories Programme during which UN-Habitat Brazil has organized community data gathering to ensure the poorest and most vulnerable receive assistance.

All the elderly, sick and bedridden people who received the kits continue to be monitored by the programme over the phone during the pandemic.

UN-Habitat’s Regional Representative for Latin America and the Caribbean, Elkin Velásquez said it was important that the data bases were a result of surveys and mappings managed by community members.

“The data plays a key role in helping the municipalities target the delivery of humanitarian assistance during the COVID-19 crisis to really make sure it reaches the right people,” he said.

Since last year UN-Habitat has worked with the city of Rio de Janeiro on the Social Territories Programme to identify the vulnerable families living in the favelas. UN-Habitat hired 66 field agents, mostly women, from the city’s 10 largest slums who visited over 117,000 households between July 2019 and March 2020 to carry out interviews.

As a result some 25,000 families were identified as being the most vulnerable and during the COVID-19 pandemic, they are being monitored, and supported. About 8,000 families have been visited by health workers and approximately 4,000 have been provided with social assistance.

Since the pandemic, the team can no longer make field visits, but they have made over 6,100 phone calls to families in extreme poverty monitored by the programme including all those who received the kits.