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‘Modelo de escola é autoritário’, diz professor da Universidade de Columbia (O Globo)

Brian Perkins é autor de estudos sobre o clima em sala de aula, envolvendo expectativas de professores e alunos

LEONARDO VIEIRA

Publicado:3/02/14 – 8h00 / Atualizado:3/02/14 – 15h12

O professor Brian Perkins Foto: Foto de divulgação

O professor Brian Perkins Foto de divulgação

RIO – Professor da Universidade de Columbia, Brian Perkins é autor de estudos que mostram como o clima em sala de aula influencia o aprendizado. O especialista, que esteve no Rio no fim de 2013 para um evento na Escola Sesc, está hoje em conversas com a Secretaria municipal de Educação para fazer uma pesquisa semelhante na rede carioca.

Quem deve ser o líder dentro de uma sala de aula: o professor, o aluno ou ambos?

BRIAN PERKINS: Ambos. É preciso que haja oportunidades para que os alunos se apropriem da experiência de aprendizagem. Vou dar exemplo: quando eu estava na 6ª série, minha irmã estava na faculdade. Eu ficava lendo seus livros sobre o Egito Antigo. E, nas minhas aulas de História, eu percebi alguns equívocos do professor sobre o assunto. Daí levantei a mão para dizer que gostaria corrigir o professor. E ele disse: “ok , você venceu, pode me corrigir, desde que seja explicando para toda a classe”. E assim eu fiz. Agora, dando aula na universidade, também abro espaço para meus alunos compartilharem conhecimento sobre capítulos de livros, pois também quero saber as visões e perspectivas deles, o que eles adquiriram com o estudo. Isso é parte do aprendizado.

De que?

Acho que devemos aproveitar essas oportunidades, quando os alunos sabem mais sobre um assunto do que o professor. Eles também têm a capacidade de conhecer mais, se lhes for dada a atribuição. Não só é bom porque desenvolve a liderança, mas também porque o cérebro realmente funciona melhor se eles tiverem a oportunidade de criar a suas próprias experiências.

Quais são os benefícios de ser um líder na sala de aula?

Ser um líder traz muita responsabilidade e, por isso, é realmente difícil pensar em termos de benefício. É mais uma obrigação e uma responsabilidade. O benefício, em termos de aprendizagem, é que o professor é mais um facilitador. Eles não apenas leem os livros para os alunos, mas também criam perguntas para que os alunos possam responder. Então os alunos constroem seus conhecimentos em vez de apenas guardar tudo o que os professores lhes dizem. Não é para dizer aos alunos quais são fatos, mas, sim, deixá-los experimentar e explorar.

É como se o estudante fosse um autodidata?

Não exatamente. É ser responsável por aquilo que você aprende. Essa é a razão de você ficar bom em aprender coisas: você pode pensar que em qualquer coisa que você é bom, o motivo provavelmente é porque você gosta dela. E é por isso que defendo dar ao aluno a oportunidade dessa aprendizagem, para estudar e associar o estudo com as coisas que gosta.

Abordando agora suas pesquisas sobre o clima nas escolas, o que conta mais na hora da aprendizagem: o clima em sala de aula ou a qualidade do ensino?

Essa é uma pergunta muito boa, e fico me questionando o tempo todo. Mas o que posso dizer é que ambos são igualmente importantes. O lado do efeito “ambiente escolar” é tão importante quanto o lado cognitivo, o lado da aprendizagem que eles fazem. Por exemplo, considere uma escola com regras estabelecidas. Eu não tenho que dizer sempre aos alunos o que pode e o que não pode fazer, pois eu já parto do princípio de que eles já tem consciência. Agora, se o ambiente não é ordenado, eles não aprendem. Se não houver uma espécie de estado psicológico comum, os alunos não podem aprender. Se você descobre que os alunos de uma escola estão com medo de levantar a mão e fazer uma pergunta, não é um bom ambiente, porque você quer que os alunos façam perguntas. Mas se eles não fazem perguntas, eles não aprendem.

Você acha que o nosso modelo de escola é autoritário?

Eu acho que o modelo predominante de escolas em todo o mundo é autoritário. Nós queremos que os alunos assumam responsabilidades também. Queremos que eles digam ‘eu fui para a escola hoje, mas eu não me dei por satisfeito, e agora eu vou buscar por mim mesmo o que eu preciso. Mas são poucas escolas com modelo construtivo, de deixar os alunos descobrir as coisas, deixando-os criar e trabalhar em grupos que conversam entre si. As pessoas estão mais focadas no controle do que no conteúdo que elas estão aprendendo.

E nos casos de conteúdos mais “duros” como a Matemática, como ensiná-los sem ser autoritário?

Não ser autoritário não significa que é preciso abandonar a estrutura. Quer dizer, você ainda pode ter estrutura, mas tem que dar um sentido ao conteúdo. Não adianta ensinar Matemática sem significado. Eu vi uma vez uma camiseta que dizia: ‘Eu tenho 30 anos e eu ainda uso álgebra”. É o mesmo quando te dizem ainda pequeno ‘você ainda vai precisar disso um dia’. E é verdade.

Mas se esse dia nunca chegar?

Se nunca chegar, é porque ninguém mostrou a conexão. Você usa álgebra toda hora em sua vida, mas as pessoas não refletem muito sobre isso. O professor que ensina Matemática tem que repassar os conceitos de matemática. Ensinar o conceito não significa ser autoritário. Autoritária é a postura que você assume em seu ensino: “Eu sou o professor e eu sei de tudo e você tem que buscar o conhecimento através de mim agora”. É isso, você pode ensinar-lhes as habilidades e, em seguida, dizer-lhes onde eles pode aplicá-las. A postura influencia muito o ambiente de aprendizagem.

No Brasil, temos alguns exemplos de professores que tentam fugir desse modelo autoritário. Eles fazem um monte de piadas, dançam no meio da sala de aula, e dizem que esta é a forma como eles podem promover a curiosidade do conteúdo em seus alunos. Como você enxerga essa técnica?

Eu acho que pode ser uma boa ferramenta, mas não deve ser usada toda hora, é preciso equilibrar. As pessoas usam diferentes métodos para manter os alunos envolvidos, isso depende do seu estilo, mas as pessoas às vezes acabam abusando do humor, e o que acontece é que alguns se distraem. Você pode brincar, mas tem que manter o que eu chamo de “3 Rs”.

O primeiro é o rigor: você tem que ser rigoroso. O segundo é que ele tem que ser relevante, tanto para o professor quanto para o aluno. E por fim, tem que existir uma relação entre o professor e os alunos. E o relacionamento tem que ser aquele em que os alunos olham para o professor como uma boa fonte de informação, de companheirismo. Essas são as três coisas que eu digo que tem que estar no lugar em qualquer sala de aula.

Alguns estudantes no Brasil se queixam de que os nossos conteúdos são engessados. É melhor para o aluno escolher o tema sobre o qual ele iria se concentrar para seu futuro profissional?

Você tem alunos que são como Mozart. Tudo o que fez foi ser bom no piano. O talento deles pode torná-los ricos, mas o que mais eles poderiam saber além? Como eles poderiam funcionar em um mundo sem conhecer a história, ou a ciência? Você vê o que eu estou dizendo? Se você não ensinar-lhes mais disciplinas, mais áreas, eles não podem sobreviver. Então, é preciso dar-lhes as ferramentas e é isso que é o importante. É que eles tenham as ferramentas para fazer mais.

Em seus trabalhos, você demonstra que o clima é um dos principais agentes influenciadores do aprendizado. Aqui no Brasil, começamos a ter a ocupação de comunidades que antes eram negligenciadas pelo poder público e viviam com altos índices de violência. Você acredita que com a pacificação, as escolas dessas regiões podem ter melhor rendimento acadêmico?

Isso é óbvio. Como uma criança poderia que se escondia na escola durante tiroteios poderia aprender alguma coisa? Se o ambiente ao redor da escola muda, dentro da escola também vai haver reflexos. E nesse caso, para o lado positivo. Pesquisas daqui já demonstram que as unidades dentro e UPPP tem melhorado nos índices escolares. É um efeito diretamente proporcional. Os casos de escolas em áreas de conflito é o exemplo extremo de como o clima influencia o aprendizado.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/educacao/modelo-de-escola-autoritario-diz-professor-da-universidade-de-columbia-11482918#ixzz2sI0dm2T6 © 1996 – 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 

Chineses criam macacos geneticamente modificados para estudo de doenças humanas (O Globo)

Pesquisadores utilizaram método revolucionário para alteração de genoma; caso amplia debate sobre ética em testes de animais

O GLOBO

Publicado:31/01/14 – 11h30

Gêmeos de macacos cinomologos criados em laboratório por pesquisadores chineses são modelos próximos dos seres humanos. Foto: DivulgaçãoGêmeos de macacos cinomologos criados em laboratório por pesquisadores chineses são modelos próximos dos seres humanos Divulgação

NANQUIM – Cientistas chineses criaram pela primeira vez dois macacos geneticamente modificados para o estudo de doenças humanas. A pesquisa, publicada na revista “Cell”, utilizou o método Crispr – que permite modificar genes específicos sem alterar outros pedaços do genoma. Este é o primeiro passo para a criação de modelos geneticamente modificados de primatas para ajudar no diagnóstico e tratamento de enfermidades como os males de Alzheimer e Parkinson, e amplia o debate sobre a ética em testes de animais.

O estudo foi realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Nanquim, na China, em conjunto com laboratórios de pesquisas genéticas de biomédicas do país e teve como alvo os macacos cinomologos (Macaca fascicularis) por seu tamanho e semelhanças com os humanos.

Para criar os dois filhotes, os cientistas modificaram três genes relacionados à doenças como o diabetes e o câncer em quinze embriões. O sequenciamento de DNA comprovou que as mutações tinham sido bem-sucedidas para dois genes em oito deles. Os embriões foram então inseridos em fêmeas e apenas dois sobreviveram.

Método revolucionário para a medicina genética

A técnica Crispr foi descoberta inicialmente como parte da defesa imunológica natural de algumas bactérias contra vírus invasores. Em 2012, cientistas liderados por Jennifer Doudna, da Universidade da Califórnia, publicaram um primeiro estudo mostrando que ela na verdade funcionava em qualquer área de um genoma se associado a uma enzima de restrição (capaz de cortar uma molécula num local bem definida) chamada CAS9.

O método torna possível editar qualquer parte dos pares de cromossomos sem ter depois mutações inesperadas ou falhas. Ele se tornou popular no ano passado na criação de ratos e camundongos geneticamente modificados, e foi a primeira vez que funcionou em primatas.

Como os macacos não apresentaram nenhuma outra mutação em seu genoma, os pesquisadores acreditam que estão mais próximos de tentativas de recriar doenças humanas que ainda não são compreendidas por completo.

“Com a precisão genética do sistema Crispr-CAS9, esperamos que muitos modelos de doenças possam ser gerados em macacos, o que trará um avanço significativo ao desenvolvimento de estratégias terapêuticas em pesquisas biomédicas”, escreveu Weizhi Ji, um dos autores da pesquisa, do Laboratório Yunnan Key de Pesquisas Biomédicas em Primatas, na China.

Polêmico teste em animais

Apesar de comemorado pela comunidade científica, o método é controverso. Grupos que se opõem ao teste de animais temem que ele amplie o uso de macacos em pesquisas.

– Embora os avanços tecnológicos na engenharia genética devam ser aplaudidos e admirados, sua posterior utilização para a produção de macacos geneticamente modificados é questionável – afirmou Andrew Bennett, do Centro Nacional de substituição , aperfeiçoamento e redução de animais em pesquisa (NC3Rs) ao “Guardian”. – Seria mais interessante o aumento de recursos na produção de modelos baseados em tecidos e células humanas, em vez de tentar desenvolver espécies de animais de laboratório mais sofisticados. Se você está trabalhando em doença humana, então é necessário o uso humano para prever respostas humanas.

Apesar de acreditar que modelos de primatas são essenciais para recriar distúrbios cerebrais de humanos, Nelson Freimer, diretor do Centro de Genética da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, acredita que os macacos só serão utilizados para pesquisa em último caso:

– Vai ser muito crítico definir os problemas para os quais a técnica será utilizada, assim como acontece com a pesquisa animal – disse. – Você precisa usar todas as alternativas antes de propor a pesquisa animal. O uso de macacos será reservado para doenças terríveis nas quais não conseguimos avançar de outra maneira.

No entanto, Troy Seidle, diretor de pesquisa e toxicologia na Humane Society International (HSI), pede a proibição total da manipulação genética de macacos.

– Você não pode manipular geneticamente um primata altamente sensível sem comprometer o seu bem-estar, talvez de forma significativa. Primatas transgênicos são tão inteligentes, sensíveis ao sofrimento físico e psicológico que seus pares não modificados – ressaltou Seidle. – Na verdade, o escopo para o sofrimento dos animais é maior porque a engenharia genética dá aos pesquisadores um poder quase ilimitado para criar animais doentes com sintomas potencialmente devastadores e incapacitantes, que podem incluir mutações fenotípicas totalmente inesperados. É importante notar também que esta pesquisa está sendo pioneira na China, onde não há atualmente nenhuma lei ou controle ético em experiências com animais.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/chineses-criam-macacos-geneticamente-modificados-para-estudo-de-doencas-humanas-11463007#ixzz2sHztieni  © 1996 – 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 

Teaching young wolves new tricks: Wolves are considerably better imitators than dogs (Science Daily)

Date: January 31, 2014

Source: Veterinärmedizinische Universität Wien

Summary: Although wolves and dogs are closely related, they show some striking differences. Scientists have undertaken experiments that suggest that wolves observe one another more closely than dogs and so are better at learning from one another. The scientists believe that cooperation among wolves is the basis of the understanding between dogs and humans.

Wolves are considerably better imitators than dogs. Credit: Walter Vorbeck

Although wolves and dogs are closely related, they show some striking differences. Scientists from the Messerli Research Institute at the University of Veterinary Medicine, Vienna have undertaken experiments that suggest that wolves observe one another more closely than dogs and so are better at learning from one another. The scientists believe that cooperation among wolves is the basis of the understanding between dogs and humans.

Their findings have been published in the online journalPLOS ONE.

Wolves were domesticated more than 15,000 years ago and it is widely assumed that the ability of domestic dogs to form close relationships with humans stems from changes during the domestication process. But the effects of domestication on the interactions between the animals have not received much attention. The point has been addressed by Friederike Range and Zsófia Virányi, two members of the University of Veterinary Medicine, Vienna (Vetmeduni Vienna) who work at the Wolf Science Center (WSC) in Ernstbrunn, Niederösterreich.

Wolves copy other wolves solving problems

The scientists found that wolves are considerably better than dogs at opening a container, providing they have previously watched another animal do so. Their study involved 14 wolves and 15 mongrel dogs, all about six months old, hand-reared and kept in packs. Each animal was allowed to observe one of two situations in which a trained dog opened a wooden box, either with its mouth or with its paw, to gain access to a food reward. Surprisingly, all of the wolves managed to open the box after watching a dog solve the puzzle, while only four of the dogs managed to do so. Wolves more frequently opened the box using the method they had observed, whereas the dogs appeared to choose randomly whether to use their mouth or their paw.

Watch closely …

To exclude the possibility that six-month old dogs fail the experiment because of a delayed physical or cognitive development, the researchers repeated the test after nine months. The dogs proved no more adept at opening the box than they were at a younger age. Another possible explanation for the wolves’ apparent superiority at learning is that wolves might simply be better than dogs at solving such problems. To test this idea, the researchers examined the animals’ ability to open a box without prior demonstration by a dog. They found that the wolves were rarely successful. “Their problem-solving capability really seems to be based on the observation of a dog performing the task,” says Range. “The wolves watched the dog very closely and were able to apply their new knowledge to solve the problem. Their skill at copying probably relates to the fact that wolves are more dependent on cooperation with conspecifics than dogs are and therefore pay more attention to the actions of their partners.”

The researchers think that it is likely that the dog-human cooperation originated from cooperation between wolves. During the process of domestication, dogs have become able to accept humans as social partners and thus have adapted their social skills to include interactions with them, concomitantly losing the ability to learn by watching other dogs.

Journal Reference:

  1. Friederike Range, Zsófia Virányi. Wolves Are Better Imitators of Conspecifics than DogsPLoS ONE, 2014; 9 (1): e86559 DOI: 10.1371/journal.pone.0086559

David Simon at the Festival of Dangerous Ideas (Moyers and Co.)

By Bill Moyers and Co.

January 30, 2014

David Simon, journalist and creator of the TV series The Wire and Treme, spoke about the divide between the rich and poor in America at the Festival of Dangerous Ideas in Sydney last November.

Simon began his speech by saying: “I come from a country that is now utterly schizophrenic when it comes to its society, its economy, its politics. There are definitely two Americas. I live in one, on one block in Baltimore that is part of the viable America, the America that is connected to its own economy, where there is a plausible future for the people born into it.” He then went on to take questions from the audience.

Nature can, selectively, buffer human-caused global warming, say scientists (Science Daily)

Date: February 2, 2014

Source: Hebrew University of Jerusalem

Summary: Can naturally occurring processes selectively buffer the full brunt of global warming caused by greenhouse gas emissions resulting from human activities? Yes, says a group of researchers in a new study.

As the globe warms, ocean temperatures rise, leading to increased water vapor escaping into the atmosphere. Water vapor is the most important greenhouse gas, and its impact on climate is amplified in the stratosphere. Credit: © magann / Fotolia

Can naturally occurring processes selectively buffer the full brunt of global warming caused by greenhouse gas emissions resulting from human activities?

Yes, find researchers from the Hebrew University of Jerusalem, Johns Hopkins University in the US and NASA’s Goddard Space Flight Center.

As the globe warms, ocean temperatures rise, leading to increased water vapor escaping into the atmosphere. Water vapor is the most important greenhouse gas, and its impact on climate is amplified in the stratosphere.

In a detailed study, the researchers from the three institutions examined the causes of changes in the temperatures and water vapor in the tropical tropopause layer (TTL). The TTL is a critical region of our atmosphere with characteristics of both the troposphere below and the stratosphere above.

The TTL can have significant influences on both atmospheric chemistry and climate, as its temperature determines how much water vapor can enter the stratosphere. Therefore, understanding any changes in the temperature of the TTL and what might be causing them is an important scientific question of significant societal relevance, say the researchers.

The Israeli and US scientists used measurements from satellite observations and output from chemistry-climate models to understand recent temperature trends in the TTL. Temperature measurements show where significant changes have taken place since 1979.

The satellite observations have shown that warming of the tropical Indian Ocean and tropical Western Pacific Ocean — with resulting increased precipitation and water vapor there — causes the opposite effect of cooling in the TTL region above the warming sea surface. Once the TTL cools, less water vapor is present in the TTL and also above in the stratosphere.

Since water vapor is a very strong greenhouse gas, this effect leads to a negative feedback on climate change. That is, the increase in water vapor due to enhanced evaporation from the warming oceans is confined to the near- surface area, while the stratosphere becomes drier. Hence, this effect may actually slightly weaken the more dire forecasted aspects of an increasing warming of our climate, the scientists say.

The researchers are Dr. Chaim Garfinkel of the Fredy and Nadine Herrmann Institute of Earth Sciences at the Hebrew University and formerly of Johns Hopkins University, Dr. D. W. Waugh and Dr. L. Wang of Johns Hopkins, and Dr. L. D. Oman and Dr. M. M. Hurwitz of the Goddard Space Flight Center. Their findings have been published in theJournal of Geophysical Research: Atmospheres, and the research was also highlighted in Nature Climate Change.

Journal References:

  1. C. I. Garfinkel, D. W. Waugh, L. D. Oman, L. Wang, M. M. Hurwitz. Temperature trends in the tropical upper troposphere and lower stratosphere: Connections with sea surface temperatures and implications for water vapor and ozoneJournal of Geophysical Research: Atmospheres, 2013; 118 (17): 9658 DOI: 10.1002/jgrd.50772
  2. Qiang Fu. Ocean–atmosphere interactions: Bottom up in the tropicsNature Climate Change, 2013; 3 (11): 957 DOI: 10.1038/nclimate2039

Líderes de rolezinhos reclamam de assédio de partidos políticos em SP (O Globo)

União da Juventude Socialista (UJS), ligada ao PCdoB, chegou a anunciar filiação do jovem Vinicius Andrade, que negou categoricamente envolvimento com a sigla

LEONARDO GUANDELINE

Publicado: 31/01/14 – 19h05

SÃO PAULO – Em evidência nos últimos meses, jovens organizadores dos rolezinhos se transformaram em alvos de partidos políticos, com propostas de filiações a diferentes legendas. Nos últimos dias, o assédio partiu, entre outros, do PSD, PSDB, PMDB e o PCdoB, segundo os próprios responsáveis pelo movimento. A União da Juventude Socialista (UJS), ligada aos comunistas e que comanda também a União Nacional dos Estudantes (UNE), chegou a anunciar a filiação de Vinicius Andrade, à frente dos rolezinhos na zona sul. PSD e PMDB disseram que a informação “não procede” e desmentiram qualquer contato com lideranças dos rolezinhos. Procurados pelo GLOBO, o PSDB e a UJS não retornaram às ligações até as 19h desta sexta-feira.

No site da UJS, a filiação é dada como certa: “Vinicius Andrade, o organizador do ‘rolezinho’, e seus colegas participaram na tarde de hoje (segunda-feira) de um bate papo com a militância da UJS durante o Seminário Preparatório para o 17° Congresso da organização e se filiaram na entidade”, diz texto sobre evento da última segunda-feira. Andrade desmente categoricamente.

– Não me filiei a partido algum, nem à entidade. Eles se dispuseram a nos ajudar na questão dos rolezinhos. Não quero saber de partido político, do nosso movimento fugindo para o lado de partido – disse.

O líder dos rolezinhos na zona sul contou que obteve, inclusive, apoio ao movimento do secretário de Promoção da Igualdade Racial, Netinho de Paula, principal interlocutor da Prefeitura em relação ao assunto, e da vice-prefeita paulistana, Nádia Campeão, ambos do PCdoB. Mas negou que os dois tivessem feito convite aos jovens líderes.

– O Netinho ficou na dele. A Nádia Campeão também não nos convidou. Mas tenho recebido ligações de pessoas se apresentando como representantes de partidos políticos. Desligo o telefone na hora. Não sei nem como eles conseguem meu número – acrescenta Andrade.

José Ricardo “Sucesso”, produtor de funk e um dos principais organizadores dos rolezinhos na Zona Leste da capital paulista, ao lado de Jonathan David, o MC Chaverinho, disse já ter sido procurado por PSD, PSDB e PMDB, além do próprio PCdoB.

– Teve gente do PCdoB que estava filiando nossos meninos. Pedimos até para o Netinho intervir e ele nos falou que seríamos procurados, que viriam muito atrás de nós. Fazemos política, mas sem partido – disse Ricardo “Sucesso”, que trabalha há sete anos com funk, já foi produtor do MC Daleste e hoje produz o MC Chaveirinho, cantor também do chamado funk ostentação.

Rolezinhos organizados

Ricardo “Sucesso” disse que está marcada para a sexta-feira da próxima semana uma reunião com representantes do Shopping Itaquera, na Zona Leste, para definir como acontecerá o próximo rolezinho, marcado para aquele centro comercial. Ele disse que neste fim de semana dez manifestações do tipo que estavam agendadas foram canceladas.

– A gente conversou com os meninos e eles cancelaram os rolezinhos marcados enquanto não discutimos esse com o Shopping Itaquera. Tem um rolezinho marcado para o Shopping Aricanduva neste fim de semana, mas estamos tentando convencer a molecada a fechar com a gente – disse.

Organizadores de rolezinhos na capital paulista propuseram na quarta-feira um acordo prévio com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) no qual, entre outros pontos, limitarão a participação de pessoas e informarão antecipadamente, em reuniões, data e horário das manifestações aos centros comerciais. Ao GLOBO, a Abrasce informou que se colocou à disposição para intermediar as conversas entre os donos de shopping centers e os jovens no intuito de evitar a judicialização do movimento. A primeira reunião nesse sentido será a dos jovens com representantes do Shopping Itaquera.

VEJA TAMBÉM

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/lideres-de-rolezinhos-reclamam-de-assedio-de-partidos-politicos-em-sp-8-11457822#ixzz2sGIwkZbY 
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Are you political on Facebook? (Science Daily)

Date: 

January 29, 2014

Source: Inderscience

Summary: Social media and networks are ripe for politicization, for movement publicity, advocacy group awareness, not-for-profit fund-raising campaigns and perhaps even e-government. However, the majority of users perhaps see these tools as being useful for entertainment, interpersonal connections and sharing rather than politics. A research paper reinforces this notion. The results suggest that the potential for political activism must overcome the intrinsic user perception that online social networks are for enjoyment rather than utility, political or otherwise.

Social media and networks are ripe for politicization, for movement publicity, advocacy group awareness, not-for-profit fund-raising campaigns and perhaps even e-government. However, the majority of users perhaps see these tools as being useful for entertainment, interpersonal connections and sharing rather than politics. A research paper to be published in the Electronic Government, An International Journal reinforces this notion. The results suggest that the potential for political activism must overcome the intrinsic user perception that online social networks are for enjoyment rather than utility, political or otherwise.

Tobias Kollmann and Christoph Stöckmann of the E-Business and E-Entrepreneurship Research Group, at the University of Duisburg-Essen, and Ina Kayser of VDI — The Association of German Engineers, in Düsseldorf, Germany, explain that while social networks have become increasingly important as discussion forums, users are not at present motivated to accept political decisions that emerge from such discussions. As such, Facebook is yet to properly break through as the innovative means of political participation that it might become.

The team roots this disjuncture in the psychological phenomenon of cognitive dissonance where two opposing concepts cannot be rationalized simultaneously and an individual discards one as invalid in favour of the other to avoid the feeling of psychological discomfort. For example, users enjoy logging on to a social network, such as Facebook, so that they can share photos, play games and chat online with friends. This is inherently at odds, it does not resonate, with the idea of Facebook being useful as a tool for discussing and implementing the perhaps more important realm of human endeavour we know as politics.

However, the team says, the advent of politically oriented Facebook games, such as “Campaigns” and “America 2049” blur the lines between the area of enjoyment and political discussion. Moreover, they point out that the boundaries were already blurred in terms of interpersonal discussions among some users where political discussion is facilitated by the network and also perceived as an enjoyable part of participation despite it falling in the “useful” camp. Indeed, the team’s data from several hundred randomly selected Facebook users would support the notion that the perception of mutual benefit arising from political participation on Facebook positively adds to the perception of usefulness as well as being enjoyable. They allude to the fact that the findings might apply equally well to other so-called “Web 2.0” tools on the Internet.

Journal Reference:

  1. Tobias Kollmann, Ina Kayser, Christoph Stöckmann. Understanding political participation on Facebook: the moderating role of intrinsic motivation.Electronic Government, an International Journal, 2013; 10 (3/4): 310 DOI:10.1504/EG.2013.058786

On View | An Artistic Celebration of the Beauty, Spectacle and Masculinity of Soccer (New York Times)

By BROOKE HODGE

JANUARY 30, 2014, 2:41 PM

“Verona #2,” by Lyle Ashton Harris, 2001-2004. Courtesy of the Robert E. Holmes Collection

“Pieta,” by Generic Art Solutions, 2008. Courtesy of the Jonathan Ferrara Gallery, New Orleans

“Sir Bobby,” by Chris Beas, 2007. Courtesy of the Martha Otero Gallery

“Hondjie,” by Robin Rhode, 2001.

“VOLTA,” by Stephen Dean, 2002-2003. Courtesy of Baldwin Gallery, Aspen

“Samuel Eto’o,” by Kehinde WIley, 2010. Courtesy of Roberts & Tilton, Culver City, Calif.

This Sunday might be the big game, but the Los Angeles County Museum of Art(LACMA) hasn’t forgotten about the other football — or soccer, as we refer to it in the United States. Opening the day of the Super Bowl, “Fútbol: The Beautiful Game” examines the sport through works of art ranging from video and photography to painting, sculpture and large-scale installation.

Timed in anticipation of this summer’s World Cup in Brazil, an event as beloved throughout the world as the Super Bowl is in America, the exhibition addresses issues of nationalism, identity, masculinity, hero worship and mass spectacle. “Zidane: A 21st-Century Portrait,” a room-size video installation by the artists Philippe Parreno and Douglas Gordon, is an intimate look at one of the greatest soccer players in history and celebrates the sheer beauty and elegance of the sport. Set to samba music, Stephen Dean’s video “Volta” directs its gaze at the audience, focusing on the pandemonium and organized ritual of the stadium crowds.

Not surprisingly, the curator, Franklin Sirmans, is passionate about the sport. “Growing up in New York in the ’70s, I was a big fan of the Cosmos,” he says. “I’ve played soccer since I was a kid and am always thinking about it. A show on soccer is a perfect platform to introduce complex ideas through a subject that is accessible to all viewers. I’m always looking for ways to introduce ideas of wider cultural significance like sport, spirituality and music into the museum.”

During the show, three of the video works in the exhibition will appear simultaneously on screens in the museum’s Stark Bar, where, beginning June 12, visitors will be able to kick back with a caipirinha and watch the World Cup.

“Fútbol: The Beautiful Game” is on view at LACMA through July 20, 2014; lacma.org.

Influência humana é clara no aquecimento “inequívoco” do planeta, diz IPCC (Portal Terra)

JC e-mail 4885, de 31 de janeiro de 2014

Os cientistas do IPCC – que já foram premiados com o Nobel da Paz em 2007 – fizeram um apelo enfático para a redução de gases poluentes

Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas divulga primeira parte de estudo sobre aumento da temperatura no globo e afirma que últimas três décadas foram sucessivamente mais quentes que qualquer outra desde 1850.

O aquecimento do planeta é “inequívoco”, a influência humana no aumento da temperatura global é “clara”, e limitar os efeitos das mudanças climáticas vai requerer reduções “substanciais e sustentadas” das emissões de gases de efeito estufa. A conclusão é do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que divulgou nesta quinta-feira (30/01), em Genebra, a primeira parte do quinto relatório sobre o tema.

Os cientistas do IPCC – que já foram premiados com o Nobel da Paz em 2007 – fizeram um apelo enfático para a redução de gases poluentes. “A continuidade das emissões vai continuar causando mudanças e aquecimento em todos os componentes do sistema climático”, afirmou Thomas Stocker, coordenador e principal autor da Parte 1 do quinto Relatório sobre Mudanças Climáticas, cuja versão preliminar já foi apresentada em setembro de 2013.

O documento serviu de base durante a Conferência das Partes (COP) das Nações Unidas sobre o Clima em Varsóvia, na Polônia, no final do ano passado. Em 1500 páginas, cientistas de todo o mundo se debruçaram sobre as bases físicas das mudanças climáticas, apoiados em mais de 9 mil publicações científicas.

“O relatório apresenta informações sobre o que muda no clima, os motivos para as mudanças e como ele vai mudar no futuro”, disse Stocker.

Correções
A versão final divulgada nesta quinta é um texto revisado e editado e não tem muitas mudanças em relação ao documento apresentado em setembro do ano passado, que elevou o alerta pelo aquecimento global e destacou a influência da ação humana no processo.

“A influência humana no clima é clara”, afirma o texto. “Ela foi detectada no aquecimento da atmosfera e dos oceanos, nas mudanças nos ciclos globais de precipitação, e nas mudanças de alguns extremos no clima.”

Segundo o IPCC, desde a década de 1950, muitas das mudanças observadas no clima não tiveram precedentes nas décadas de milênios anteriores. “A atmosfera e os oceanos estão mais quentes, o volume de neve e de gelo diminuíram, os níveis dos oceanos subiram e a concentração de gases poluentes aumentou”, diz um resumo do documento.

“Cada uma das últimas três décadas foi sucessivamente mais quente na superfície terrestre que qualquer década desde 1850. No hemisfério norte, o período entre 1983 e 2012 provavelmente foi o intervalo de 30 anos mais quente dos últimos 800 anos”, prossegue.

Aquecimento dos oceanos
O grupo de cientistas também lembra que o aquecimento dos oceanos domina o aumento de energia acumulada no sistema climático, e que os mares são responsáveis por mais de 90% da energia acumulada entre 1971 e 2010.

“É praticamente certo que o oceano superior (até 700m de profundidade) aqueceu neste período, enquanto é apenas provável que tenha acontecido o mesmo entre 1870 e 1970”, diz o relatório.

O nível dos mares também aumentou mais desde meados do século 20 que durante os dois milênios anteriores, segundo estima o IPCC. Entre 1901 e 2010, o nível médio dos oceanos teria aumentado cerca de 20 centímetros, diz o documento.

As concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, metano e protóxido de nitrogênio (conhecido como gás hilariante) aumentaram, principalmente por causa da ação humana. Tais aumentos se devem especialmente às emissões oriundas de combustíveis fósseis. Os oceanos, por exemplo, sofrem acidificação por absorver uma parte do CO2 emitido.

Futuro sombrio
A temperatura global deverá ultrapassar 1,5ºC até o final deste século em comparação com níveis estimados entre 1850 e 1900. O aquecimento global também deverá continuar além de 2100, mas não será uniforme, dizem os cientistas do clima. As mudanças nos ciclos da água no mundo também não serão homogêneos neste século, e o contraste entre regiões secas e úmidas e regiões de seca e de chuvas deverá aumentar.

O resumo do texto ainda constata que a acumulação de emissões de CO2 deverá ser determinante para o aquecimento global no final do século 21 e adiante. “A maioria dos efeitos das mudanças climáticas deverão perdurar por vários séculos, mesmo com o fim das emissões.”

Até outubro, o IPCC ainda vai publicar mais duas partes do relatório e também um documento final. A segunda parte será divulgada em março, no Japão, e detalhará os impactos, a adaptação e a vulnerabilidade a mudanças climáticas. Em abril, Berlim será palco das conclusões do IPCC sobre mitigação.

(Portal Terra)

OMM prevê possível episódio climático do El Niño em meados de 2014 (AFP)

JC e-mail 4885, de 31 de janeiro de 2014

Hoje as condições são “neutras”, isto é, não se observa a chegada nem de um episódio de El Niño, nem de La Niña, segundo a OMM

O oceano Pacífico pode viver o fenômeno climático conhecido como El Niño no terceiro trimestre deste ano, anunciou nesta quinta-feira, em Genebra, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência da ONU.

Segundo a OMM, há dois possíveis cenários dentro de seis meses: ou “a persistência de condições neutras” ou “um episódio de El Niño de baixa intensidade durante o terceiro trimestre de 2014″.

Os dois cenários “são quase tão plausíveis, tanto um quanto o outro”.

Atualmente, as condições são “neutras”, isto é, não se observa a chegada nem de um episódio de El Niño, nem de La Niña, segundo a OMM.

Estas condições “persistirão provavelmente até o segundo trimestre de 2014″, acrescentou a organização.

Os episódios climáticos El Niño e La Niña têm grande influência no clima da Terra.

O El Niño acontece a cada dois e sete anos, quando os ventos tropicais sobre o oceano Pacífico perdem força, o que provoca fortes chuvas, com inundações e deslizamentos de terra a oeste da América do Sul, seca no Pacífico ocidental e mudanças de correntes ricas em alimentos para os peixes.

O último episódio ocorreu entre junho de 2009 e maio de 2010.

Ao El Niño se segue geralmente um episódio do La Niña, que supõe temperaturas mais baixas das águas superficiais do Pacífico central e tropical.

O último episódio terminou em abril de 2012.

(AFP, via portal UOL)

Brain regions thought to be uniquely human share many similarities with monkeys (Science Daily)

January 28, 2014

Source: Cell Press

Summary: New research suggests a surprising degree of similarity in the organization of regions of the brain that control language and complex thought processes in humans and monkeys. The study also revealed some key differences. The findings may provide valuable insights into the evolutionary processes that established our ties to other primates but also made us distinctly human.

 (A) The right vlFC ROI. Dorsally it included the inferior frontal sulcus and, more posteriorly, it included PMv; anteriorly it was bound by the paracingulate sulcus and ventrally by the lateral orbital sulcus and the border between the dorsal insula and the opercular cortex. (B) A schematic depiction of the result of the 12 cluster parcellation solution using an iterative parcellation approach. We subdivided PMv into ventral and dorsal regions (6v and 6r, purple and black). We delineated the IFJ area (blue) and areas 44d (gray) and 44v (red) in lateral pars opercularis. More anteriorly, we delineated areas 45 (orange) in the pars triangularis and adjacent operculum and IFS (green) in the inferior frontal sulcus and dorsal pars triangularis. We found area 12/47 in the pars orbitalis (light blue) and area Op (bright yellow) in the deep frontal operculum. We also identified area 46 (yellow), and lateral and medial frontal pole regions (FPl and FPm, ruby colored and pink). Credit: Neuron, Neubert et al.

New research suggests a surprising degree of similarity in the organization of regions of the brain that control language and complex thought processes in humans and monkeys. The study, publishing online January 28 in the Cell Press journal Neuron, also revealed some key differences. The findings may provide valuable insights into the evolutionary processes that established our ties to other primates but also made us distinctly human.

The research concerns the ventrolateral frontal cortex, a region of the brain known for more than 150 years to be important for cognitive processes including language, cognitive flexibility, and decision-making. “It has been argued that to develop these abilities, humans had to evolve a completely new neural apparatus; however others have suggested precursors to these specialized brain systems might have existed in other primates,” explains lead author Dr. Franz-Xaver Neubert of the University of Oxford, in the UK.

By using non-invasive MRI techniques in 25 people and 25 macaques, Dr. Neubert and his team compared ventrolateral frontal cortex connectivity and architecture in humans and monkeys. The investigators were surprised to find many similarities in the connectivity of these regions. This suggests that some uniquely human cognitive traits may rely on an evolutionarily conserved neural apparatus that initially supported different functions. Additional research may reveal how slight changes in connectivity accompanied or facilitated the development of distinctly human abilities.

The researchers also noted some key differences between monkeys and humans. For example, ventrolateral frontal cortex circuits in the two species differ in the way that they interact with brain areas involved with hearing.

“This could explain why monkeys perform very poorly in some auditory tasks and might suggest that we humans use auditory information in a different way when making decisions and selecting actions,” says Dr. Neubert.

A region in the human ventrolateral frontal cortex — called the lateral frontal pole — does not seem to have an equivalent area in the monkey. This area is involved with strategic planning, decision-making, and multi-tasking abilities.

“This might relate to humans being particularly proficient in tasks that require strategic planning and decision making as well as ‘multi-tasking’,” says Dr. Neubert.

Interestingly, some of the ventrolateral frontal cortex regions that were similar in humans and monkeys are thought to play roles in psychiatric disorders such as attention deficit hyperactivity disorder, obsessive compulsive disorder, and substance abuse. A better understanding of the networks that are altered in these disorders might lead to therapeutic insights.

Journal Reference:

  1. Franz-Xaver Neubert et al. Comparison of human ventral frontal cortex areas for cognitive control and language with areas in monkey frontal cortex.Neuron, Jan 28, 2014

Neanderthals Leave Their Mark on Us (New York Times)

JAN. 29, 2014

A reconstruction of a Neanderthal skeleton, right, with a modern human skeleton in the background. Frank Franklin II/Associated Press

By Carl Zimmer

Ever since the discovery in 2010 that Neanderthals interbred with the ancestors of living humans, scientists have been trying to determine how their DNA affects people today. Now two new studies have traced the history of Neanderthal DNA, and have pinpointed a number of genes that may have medical importance today.

Among the findings, the studies have found clues to the evolution of skin and fertility, as well as susceptibility to diseases like diabetes. More broadly, they show how the legacy of Neanderthals has endured 30,000 years after their extinction.

“It’s something that everyone wanted to know,” said Laurent Excoffier, a geneticist at the University of Bern in Switzerland who was not involved in the research.

Neanderthals, who became extinct about 30,000 years ago, were among the closest relatives of modern humans. They shared a common ancestor with us that lived about 600,000 years ago.

In the 1990s, researchers began finding fragments of Neanderthal DNA in fossils. By 2010 they had reconstructed most of the Neanderthal genome. When they compared it with the genomes of five living humans, they found similarities to small portions of the DNA in the Europeans and Asians.

The researchers concluded that Neanderthals and modern humans must have interbred. Modern humans evolved in Africa and then expanded out into Asia and Europe, where Neanderthals lived. In a 2012 study, the researchers estimated that this interbreeding took place between 37,000 and 85,000 years ago.

Sir Paul A. Mellars, an archaeologist at the University of Cambridge and the University of Edinburgh, who was not involved in the research, said the archaeological evidence suggested the opportunity for modern humans to mate with Neanderthals would have been common once they expanded out of Africa. “They’d be bumping into Neanderthals at every street corner,” he joked.

The first draft of the Neanderthal genome was too rough to allow scientists to draw further conclusions. But recently, researchers sequenced a far more accurate genome from a Neanderthal toe bone.

Scientists at Harvard Medical School and the Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology in Germany compared this high-quality Neanderthal genome to the genomes of 1,004 living people. They were able to identify specific segments of Neanderthal DNA from each person’s genome.

“It’s a personal map of Neanderthal ancestry,” said David Reich of Harvard Medical School, who led the research team. He and his colleagues published their results in the journal Nature.

Living humans do not have a lot of Neanderthal DNA, Dr. Reich and his colleagues found, but some Neanderthal genes have become very common. That’s because, with natural selection, useful genes survive as species evolve. “What this proves is that these genes were helpful for non-Africans in adapting to the environment,” Dr. Reich said.

In a separate study published in Science, Benjamin Vernot and Joshua M. Akey of the University of Washington came to a similar conclusion, using a different method.

Mr. Vernot and Dr. Akey looked for unusual mutations in the genomes of 379 Europeans and 286 Asians. The segments of DNA that contained these mutations turned out to be from Neanderthals.

Both studies suggest that Neanderthal genes involved in skin and hair were favored by natural selection in humans. Today, they are very common in living non-Africans.

The fact that two independent studies pinpointed these genes lends support to their importance, said Sriram Sankararaman of Harvard Medical School, a co-author on the Nature paper. “The two methods seem to be converging on the same results.”

It is possible, Dr. Akey speculated, that the genes developed to help Neanderthal skin adapt to the cold climate of Europe and Asia.

But Dr. Akey pointed out that skin performs other important jobs, like shielding us from pathogens. “We don’t understand enough about the biology of those particular genes yet,” he said. “It makes it hard to pinpoint a reason why they’re beneficial.”

Both teams of scientists also found long stretches of the living human genomes where Neanderthal DNA was glaringly absent. This pattern could be produced if modern humans with certain Neanderthal genes could not have as many children on average as people without them. For example, living humans have very few genes from Neanderthals involved in making sperm. That suggests that male human-Neanderthal hybrids might have had lower fertility or were even sterile.

Overall, said Dr. Reich, “most of the Neanderthal genetic material was more bad than good.”

Some of the Neanderthal genes that have endured until today may be influencing people’s health. Dr. Reich and his colleagues identified nine Neanderthal genes in living humans that are known to raise or reduce the risk of various diseases, including diabetes and lupus.

To better understand the legacy of Neanderthals, Dr. Reich and his colleagues are collaborating with the UK Biobank, which collects genetic information from hundreds of thousands of volunteers. The scientists will search for Neanderthal genetic markers, and investigate whether Neanderthal genes cause any noticeable differences in anything from weight to blood pressure to scores on memory tests.

“This experiment of nature has been done,” said Dr. Reich, “and we can study it.”

Correction: January 29, 2014
An earlier version of this article misstated the living groups in which Neanderthal genes involved in skin and hair are very common. They are very common in non-Africans, not non-Asians.

A dura realidade (Ciência Hoje)

[Uso generalizante, e portanto improdutivo, do conceito de “mito”]

Criação de mitos formaliza o desejo inconsciente de tranquilizar nossas mentes. História da ciência reúne vários exemplos do que parece ser uma necessidade humana: a produção de heróis.

Por: Franklin Rumjanek

Publicado em 28/01/2014 | Atualizado em 29/01/2014

A dura realidade

Há uma tendência de exacerbar o papel de certos personagens, como no caso de Fleming: não bastou descobrir a penicilina; atribui-se a ele sua produção em larga escala, o que foi feito por Howard Florey. (foto: Wikimedia Commons – CC BY SA 3.0)

A criação de mitos parece ser uma necessidade humana, algo que formaliza, em palavras ou em crenças, o desejo inconsciente de preencher algum recanto intranquilo de nossas mentes. A criação de heróis é um exemplo típico. Se eles não realizaram de fato certos feitos, o imaginário popular trata de preencher, de modo convincente, essa lacuna. Assim, os mitos duram até que alguém decida investigar a veracidade dos relatos.

Em interessante comentário na revista científica Nature (v. 502, nº 7.469, p. 32, 2013), Heloise Dufour e Sean Carroll abordam essa tendência de exacerbar o papel histórico de certos personagens, focando em Joseph Meister, Alexander Fleming e John Snow (ver ‘História da ciência e mitos’ em Ciência Hoje n° 309, disponível para assinantes no Acervo Digital).

Por vezes os mitos são impessoais e, nesse caso, têm funções variadas, desde validar preconceitos até trazer a esperança de uma vida longa e de qualidade

A participação de cada um deles em eventos que tangenciaram a ciência foi amplificada. No caso de Fleming, por exemplo, não bastou a descoberta da penicilina: atribui-se a ele a produção do medicamento em grandes quantidades, o que, na verdade, foi feito por Howard Florey. Este, sim, calcula-se, salvou mais de 80 milhões de vidas. Fleming teria também salvo a vida de Sir Winston Churchill duas vezes. Uma de afogamento e outra com a penicilina. Pura lenda urbana.

Por vezes os mitos são impessoais e, nesse caso, têm funções variadas, desde validar preconceitos até trazer a esperança de uma vida longa e de qualidade. O ressurgimento de pesquisas que abordam a relação entre o DNA e o comportamento, tema tratado aqui em várias colunas, é um exemplo da necessidade humana de, com base na ciência, reforçar não necessariamente a curiosidade que deve nortear os caminhos da investigação, mas o ideário previamente implantado em nossas mentes.

Níveis de tabu

Em outro trabalho, na mesma edição da Nature, Erika C. Hayden avalia os níveis de tabu gerados por tipos diferentes de trabalhos científicos em genética. Os que envolvem a pesquisa do chamado quociente de inteligência (QI) atingem, segundo a autora, ‘alto nível’ de tabu, superado apenas por qualquer projeto que envolva o estudo de raças humanas (‘nível muito alto’).

Em contraste, estudos sobre a herança genética da violência, ou da orientação sexual, merecem ‘nível moderado’, talvez porque o atual convívio cotidiano com ambas as manifestações ajude a diluí-las. Hayden acrescenta que esse tipo de mito é reforçado com cada vez mais força por conta da doutrina de que a genética é sinônimo de destino. Apesar de contarmos hoje com a sofisticada tecnologia que destrincha os genomas em pouco tempo e que, sistematicamente, mostra-se incapaz de fornecer subsídios que sustentem os projetos do tipo tabu, a noção de que somos todos escravos do DNA não esmorece.

Algo semelhante acontece com a informática. Possivelmente como resultado da grande influência desta em nossas vidas, cresce o contingente dos que precisam acreditar que o mundo virtual terá um papel importante na conquista da longevidade do cérebro. Embora tenha sido mostrado, já em 2010, que não há correlação entre bom desempenho mental e a prática de jogos de computador, a lenda recrudesce.

NeuroRacerA tentativa de manter idosos jogando o NeuroRacer para melhorar sua capacidade de realizar multitarefas busca o endosso científico, mas ainda não sobrevive a um exame mais rigoroso. (foto: YouTube.com)

A nova tentativa de manter idosos horas a fio diante de computadores jogando o NeuroRacer, para melhorar sua capacidade de realizar multitarefas, é o tema de Alison Abbott, também na Nature (v. 501, nº 7.465, p. 18, 2013). Essa prática contemporânea de transformar-nos a todos em malabares mentais busca o endosso científico, mas ainda não sobrevive a um exame mais rigoroso. Abbott alerta que neurocientistas e psicólogos acreditam que tanto o poder de concentração quanto a capacidade de memória são parâmetros fixos, que não se modificam, seja qual for o estímulo. Esses cientistas, porém, confrontam-se não apenas com os fabricantes de jogos de computador, mas também com o poder da mitologia, do desejo coletivo. De fato, é muito difícil convencer nossos pares de que somos mortais e que nossos últimos dias serão cercados de senescência.

Franklin Rumjanek
Instituto de Bioquímica Médica
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Texto originalmente publicado na CH 310 (dezembro de 2013).

O rio e o índio (Ciência Hoje)

Publicado em 28/01/2014

Quando vai à pesca, o índio leva cultura e tradição, que o Museu da Amazônia ‘fisgou’ e apresenta em mostra que aborda relação vital e sagrada entre rio e homem.

O rio e o índioA fachada da exposição ‘Peixe e Gente’, organizada pelo Museu da Amazônia, foi ilustrada pelo artista Feliciano Lana, da etnia Desana. (foto: Vanessa Gama)

No coração da floresta amazônica, a relação do homem com o rio é de estreita dependência. Entre os índios, é da pesca que vem o principal alimento da tribo, e o caráter ritual dessa prática e o respeito à natureza associado a ela se refletem na tradição indígena. Esse vínculo é apresentado na exposição ‘Peixe e Gente’, organizada pelo Museu da Amazônia, em Manaus, e que reúne armadilhas, utensílios de cozinha, mapas e até registros de lendas mitológicas que jogam luz sobre essa proximidade vital e sagrada.

A exposição tem como foco a relação essencial e sagrada entre os indígenas e a pesca

A mostra se debruça sobre as crenças e os hábitos das etnias indígenas Tuiuca eTucano, habitantes do alto rio Negro, na região amazônica. Os indígenas abriram suas portas e ajudaram na concepção e montagem da exposição, dispostos a dividir com o Brasil e o mundo suas experiências e tradições culturais pouco difundidas.

Baseada no livro Gente e Peixe no Alto Rio Tiquié, do antropólogo Aloisio Cabalzar, a exposição tem como foco a relação essencial e sagrada entre as tribos e a pesca. A publicação trata dos conhecimentos nativos, mitos e concepções cosmológicas sobre a origem dos peixes e suas relações com o homem.

No Museu, estão expostos objetos indígenas, como armadilhas de pesca, que se revelam muito mais do que simples trabalhos manuais, uma vez que envolvem mitos e tradições sagrados. Um bom exemplo são os matapis – alguns trazidos das comunidades e outros confeccionados no próprio museu pelos índios (ver ‘Pesca dos povos tucanos’, em Ciência Hoje n° 305, disponível para assinantes no Acervo Digital).

MatapiQuando o matapi é colocado a favor das correntezas, os peixes acabam entrando na armadilha quando estão descendo o rio. (foto: Juan Soler)

Segundo a lenda, um indígena chamado Gente-Estrela teve seu filho devorado pela Cobra Grande e utilizou um matapi para capturar o bicho. Ao retirar os miúdos da cobra e os jogar no rio Negro, eles transformaram-se em peixes traíras: como castigo por ter comido o menino, a cobra teria seus descendentes comidos por toda a humanidade para sempre.

Mais do que artesanato, a construção de um matapi requer reflexões e rituais considerados imprescindíveis para a realização de uma boa pesca. Após confeccionar a armadilha, o pescador deve fazer jejum e seguir determinadas regras ao voltar para casa. “Não pode se assustar, fazer ou ouvir muito barulho, sorrir, falar alto, deitar com a mulher, entre outras coisas”, explicam os irmãos tucanos Adalberto e Roberval Pedrosa, da comunidade de serra de Mucura.

Armadilha cacuriSegundo os Tukano, construir um cacuri é construir também o corpo de uma mulher, pois as partes da armadilha coincidem com a anatomia feminina. (foto: Kenny Calderón)

Além de armadilhas, como matapi, jequi, cacuri e caiá, a exposição traz objetos de cerâmica onde são preparados pratos típicos do alto rio Negro, cestarias, peneiras, entre outros artefatos e curiosidades sobre a cultura tuiuca e tucana. A exposição está montada na tenda do Jardim Botânico Adolpho Ducke.

Isabelle Carvalho
Ciência Hoje On-line

Proposta anula leilão de exploração de petróleo no campo de Libra (Agência Câmara)

JC e-mail 4883, de 29 de janeiro de 2014

SBPC e ABC defendem mais pesquisas sobre eventuais danos ambientais da exploração do gás de xisto

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 1289/13, do deputado Chico Alencar (Psol-RJ), que susta a autorização do leilão de exploração de petróleo e gás no campo de Libra (RJ), realizado em outubro de 2013.

O deputado quer cancelar quatro normas que permitiram o leilão do campo onde haverá exploração do pré-sal brasileiro: as resoluções 4/13 e 5/13 do Conselho Nacional de Política Energética; a Portaria 218/13 do Ministério das Minas e Energia e o Edital de Licitação do Campo de Libra.

Com previsão de produção de 8 a 12 bilhões de barris de petróleo, o campo de Libra foi leiloado sob protestos e com forte proteção policial. Apesar da expectativa de participação de até quatro consórcios, houve apenas um, formado pelas empresas Petrobras, Shell, Total, CNPC e CNOOC. Ele venceu o leilão com a proposta de repassar à União 41,65% do excedente em óleo extraído – o percentual mínimo fixado no edital.

Alencar é contra as concessões para exploração de petróleo por considerar que a Petrobras pode explorar sozinha os campos brasileiros. Ele argumenta ainda que há vícios nas normas que permitiram o leilão. “A Agência Nacional do Petróleo publicou o texto final do edital e do contrato referentes ao leilão de Libra antes do parecer do Tribunal de Contas (TCU)”, apontou.

O deputado ressaltou ainda que as denúncias de espionagem estrangeira na Petrobras colocam suspeitas sobre o leilão. “A obtenção ilegal de informações estratégicas da Petrobras beneficia suas concorrentes no mercado e compromete a realização do leilão”, criticou.

Tramitação
A proposta será discutida pelas comissões de Minas e Energia; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, a proposta precisa ser aprovada em Plenário.

Íntegra da proposta:

PDC-1289/2013

(Carol Siqueira/ Agência Câmara)

Manifesto da comunidade científica
SBPC e ABC pedem mais pesquisas sobre eventuais danos ambientais da exploração do gás de xisto – http://www.sbpcnet.org.br/site/artigos-e-manifestos/detalhe.php?p=2011

Acústica ecológica, medida para a biodiversidade (O Globo)

Especialista na gravação de sons naturais, o músico e naturalista americano Bernie Krause prova que a paisagem sonora de um ambiente tem muito a informar sobre o seu equilíbrio

BOLÍVAR TORRES

Publicado:28/01/14 – 8h00 / Atualizado:28/01/14 – 14h47

<br />Bernie Krause. Músico largou as vaidades de Hollywood para se dedicar às paisagens sonoras e à acústica ecológica<br />Foto: Terceiro / Divulgação/Tim ChapmanBernie Krause. Músico largou as vaidades de Hollywood para se dedicar às paisagens sonoras e à acústica ecológica Terceiro / Divulgação/Tim Chapman

RIO – Em um longínquo verão de 1988, o músico e naturalista americano Bernie Krause teve uma experiência reveladora. Um dos maiores especialistas do mundo em sons naturais, ele ganhou permissão para registrar a paisagem sonora de Lincoln Meadow, uma área de manejo florestal californiana localizada a três horas e meia de São Francisco, antes e depois de uma extração seletiva. Munidos de estudos prévios, a madeireira responsável e os biólogos locais tinham garantido à comunidade que os métodos de extração não causariam impactos ambientais, já que apenas poucas árvores seriam derrubadas.

Alguns dias antes do manejo, Krause instalou seu sistema de gravação na campina e registrou os sons do amanhecer. Uma rica música natural explodiu em seus fones de ouvido, executada por pica-paus, codornas, pardais e insetos de todos os tipos. Um ano depois, já com as árvores derrubadas, Krause regressou ao local, no mesmo dia do mesmo mês, à mesma hora e sob as mesmas condições meteorológicas.

Assim como prometeram os biólogos, a floresta parecia intacta. Aos olhos humanos, não havia sinais de deterioração. Porém, a nova “música” capturada pelo gravador revelava um cenário muito diferente. O que antes formava uma amplo mosaico sonoro, limitava-se agora a um punhado carente de ruídos, no qual se destacavam apenas o correr do rio e o martelar solitário de um pica-pau.

Com uma gravação de apenas alguns segundos, Krause acabara de comprovar que o som de um ambiente pode informar muito mais sobre seu equilíbrio do que fotografias ou imagens de satélite. Conhecido como “ecologia acústica” (soundscape ecology), o conceito se tornou hoje uma disciplina científica, da qual o músico é um dos pioneiros. Em resumo, a ideia consiste em usar a sonoridade dos organismos vivos não humanos (“biofonia”) e a de fontes não biológicas (“geofonia”) como indicadores de biodiversidade: quanto mais “musicais” e complexas as propriedades acústicas de um habitat, mais saudável ele será.

– As gravações biofônicas simplesmente confirmam nossas relações com o mundo natural – explica o músico, em entrevista por e-mail à Revista Amanhã. – Se elas são saudáveis, a paisagem sonora indicará os padrões necessários que confirmam em que grau essa relação existe. Se não são, então não haverá som em determinado habitat, ou os padrões bioacústicos serão caóticos e incoerentes.

Nascido em 1938, em Detroit, Bernie Krause passou mais da metade de seus 75 anos perseguindo sons naturais pelos quatro cantos do mundo. Depois de trabalhar com artistas como Bob Dylan, The Doors e Rolling Stones, e ajudar a criar efeitos de filmes como “Apocalipse Now” (do qual foi demitido e recontratado uma dezena de vezes durante as filmagens), o músico cansou das vaidades de Hollywood e passou a se dedicar exclusivamente à acústica ecológica. Fonte para numerosos discos e publicações, sua coleção inclui desde fontes não biológicas, como fragores de trovões e “cantos” de dunas de areia, aos mais improváveis sons de animais (vocalizações de larvas e grunhidos de anêmonas-do-mar). Um balanço destas experiências pode ser lido em “A grande orquestra da natureza”, seu último livro, publicado no Brasil pela Zahar, em 2013.

O trabalho de Krause representa um divisor de águas na história da paisagem sonora: antes da sua contribuição, a técnica consistia essencialmente em capturar fragmentos monofônicos de fontes isoladas, restringindo as pesquisas aos limites de cada vocalização. Como, por exemplo, quando uma equipe de ornitólogos registrou, em 1935, o canto do raríssimo pica-pau-bico-de-marfim. Se quisermos saber como soava esta criatura, hoje provavelmente extinta, temos a amostra gravada.

Com o músico e naturalista americano, no entanto, o escopo de pesquisa começou a ser ampliado. Ao explorar florestas equatoriais da África, Ásia e América Latina, Krause percebeu que o que nos chega da natureza é profundamente conectado. Como músicos em uma orquestra, as diferentes espécies harmonizam suas vocalizações, modulam em conjunto, de acordo com os sons naturais de fontes não biológicas (o vento, a água, o movimento da terra e da chuva) de cada habitat.

Assinatura acústica

Esta complexa acústica multidimensional precisava ser capturada como um todo, e Krause usou sua experiência na produção musical para modernizar os modelos de gravações, antes limitados a um só canal.

– Separar as vozes das espécies individuais, especialmente na biofonia, é um pouco como tentar entender a magnificência da quinta sinfonia de Beethoven abstraindo o som de um único violino, fora do contexto da orquestra, e ouvir apenas uma parte dela – compara Krause. – Ao fragmentar ou descontextualizar as paisagens sonoras do mundo natural, é impossível entender a sua voz, as razões de uma determinada vocalização, ou ainda a sua relação com todos os outros sons de animais emitidos em um habitat. Gravando todos os sons juntos, ao mesmo tempo, ganha-se uma explicação contextual.

Isso não significa, contudo, que Krause ignore vocalizações específicas. Pelo contrário. Cada organismo possui uma assinatura sonora própria, e seu arquivo reúne as mais variadas espécies de animais. Em “A grande orquestra da natureza”, ele descreve algumas curiosidades. Descobrimos a inacreditável amplitude sonora do camarão-pistola, que com apenas cinco centímetros é capaz de produzir, debaixo d’água, um barulho mais intenso do que os volumes registrados em shows de rock.

Também aprendemos que os lobos aproveitam a privilegiada ressonância e propagação da noite para vocalizar, ou que os sons dos golfinhos, se produzidos fora do ar, equivaleriam ao disparo de uma arma de grosso calibre.

Há ainda detalhes sobre uma das melodias mais bonitas que existem, gerada por casais de gibão da Indonésia. “Cada par desenvolve os próprios diálogos musicais bastante elaborados – duetos encantadores de entrosamento amoroso”, descreve Krause.

As gravações nos ajudam a entender manifestações emocionais de certos animais. Neste sentido, poucas coisas soam mais tristes do que o choro de um castor em luto.

O músico também compara as vocalizações de duas duplas de baleias – uma de um grupo ainda selvagem, outra cativa num parque temático. Enquanto a primeira apresentava sons cheios de energia e vitalidade, na segunda se destacava uma lentidão letárgica nas vocalizações.

Assim como acontece com os organismos vivos, cada fonte não biológica possui um ressonância peculiar. Para Krause, o mar de Ipanema, por exemplo, traz uma assinatura acústica diferente das de outras praias: “Sempre achei que o som sedutor, lento e ritmado dessas ondas me acolhia e me chamava para a tentadora arrebentação”, escreve. Por outro lado, ele conta que a arrebentação no litoral da Louisiana, no Golfo do México, passou a soar “gorgolejante, lamacenta e morosa, como se a água estivesse engasgada e afogada em si mesma” depois de um grande vazamento de petróleo em 2010.

Em “A grande orquestra da natureza”, Krause mostra que a conexão entre os mundos sonoros humano e não humano se perdeu. Nosso modo de vida não só nos priva da capacidade de escutar com atenção o que está ao redor, como ainda silencia a diversidade acústica dos recintos do planeta. O autor lembra que metade das fontes de seu arquivo, gravadas ao longo das últimas quatro décadas, se encontra hoje extinta por causa da intervenção humana. Em muitos desses lugares, as alterações sonoras acontecem num ritmo assustador, como as geleiras do Kilimanjaro e de Glacier Bay, ou os recifes de coral.

Segundo Krause, um sintoma deste divórcio com a natureza está na própria autorreferencialidade e antropocentrismo da música ocidental, que nos últimos séculos teria se alimentado apenas de suas próprias experiências. O que não acontece com muitos povos indígenas, como os ianomâmi, que usam as melodias da chuva caindo sobre a vegetação e outros ritmos geofônicos na sua música tradicional. Krause mostra como seres humanos que vivem intimamente ligados à floresta, como os bayaka na África, ou os kaluli em Papua-Nova Guiné, encontram na biofonia uma espécie de karaokê ecológico. Em suas performances, a natureza se transforma em uma banda de apoio. O que leva à conclusão óbvia de que a música humana teria se originado nas sonoridades do mundo natural.

– Como pré-requisito para concessão de um diploma, eu aconselharia qualquer instituição acadêmica que treina músicos e compositores se certificar de que cada aluno tem pelo menos um ano de experiência de escuta e gravação em habitats selvagens extremos, o mais afastado possível de áreas urbanas e antropofônicas – opina Krause.

Discoteca ecológica

Anêmona-do-mar: Emissora de sons incomuns, solta grunhidos altos e irritantes quando perturbada.

Castor: Uma das vocalizações mais tristes gravadas por Krause é a de um castor que acabara de perder sua companheira e filhotes e nadava em círculos gritando sua dor.

Vento: Por sua força mística, é um dos mais etéreos sons geofônicos.

Neve: Para quem se dedica ao registro sonoro da natureza, o som da neve caindo equivale a “um prato da alta gastronomia”, segundo Krause: difícil de conseguir, mas inigualável.

Ouça mais sons na página do livro “A grande orquestra da natureza”:http://bit.ly/orquestranatureza

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/revista-amanha/acustica-ecologica-medida-para-biodiversidade-11416452#ixzz2ru9qYO5n 
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Governo reconhece número recorde de decretos de emergência em 2013 (G1)

JC e-mail 4883, de 29 de janeiro de 2014

Foram 3.747, o maior dos últimos dez anos, segundo dados da Defesa Civil

O governo federal reconheceu 3.747 decretos de situação de emergência e estado de calamidade pública no ano passado. O número, o maior de toda a série histórica da Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), representa uma média de dez decretos reconhecidos por dia no país. Trata-se de um aumento de 182% em relação a 2003 (Veja o mapa ao lado com todos os decretos).

Ao todo, 1.940 cidades requisitaram ajuda federal, sendo que 2/3 delas fizeram isso mais de uma vez durante o ano. Ao decretar situação de emergência ou estado de calamidade pública, os municípios comunicam ao governo federal a ocorrência de um grande desastre natural e pedem a liberação de verba de emergência da União para tentar amenizar os danos.

A seca que assolou o Nordeste, por exemplo, considerada por alguns estados como a pior dos últimos 50 anos, fez com que 75% dos municípios da região tivessem decretos reconhecidos. Treze cidades (11 do Piauí e duas da Bahia) tiveram situação de emergência reconhecida quatro vezes em 2013.

A Bahia é o estado que concentra o maior número de municípios (284) em emergência e calamidade e é também o que detém a maior parcela dos decretos (680). O Piauí aparece logo atrás, com 612 reconhecimentos. No estado, 212 das 224 cidades entraram em emergência no ano passado.

A maioria (87%) dos reconhecimentos em todo o país se deu em razão de seca ou estiagem, que ainda persiste em parte do território nacional. Houve também decretos por inundações, geadas e granizo, erosões e deslizamentos, incêndios, vendavais e tornados, doenças infecciosas virais e até por infestação de uma praga em árvores – caso registrado em Belo Horizonte, em março.

Segundo o secretário nacional de Defesa Civil, Adriano Pereira Junior, muitos decretos foram renovados durante o ano passado em razão de eventos prolongados, provocando um aumento na estatística. Além disso, o fato de a população diretamente afetada nos municípios que tiveram reconhecimento do decreto poder sacar uma parte do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para refazer a vida ajuda a entender esse aumento de pedidos, já que várias ocorrências graves, com muitas pessoas atingidas, foram registradas em 2013, explica o secretário.

Alguns reconhecimentos realizados em 2013 são de pedidos feitos pelas cidades em 2012. Como eles tiveram efeito retroativo (ou seja, mesmo quando reconhecidos, passaram a valer a partir da data da solicitação) e a validade expirou, novos decretos foram reconhecidos em uma data próxima. Um erro da Sedec também fez com que alguns municípios tivessem um mesmo decreto reconhecido duas vezes, com publicação no Diário Oficial da União. O Ministério da Integração Nacional não sabe precisar o número, mas diz que isso não causou prejuízo às cidades nem aos cofres públicos, já que verbas só são repassadas após a apresentação de um plano de ação pelas administrações municipais.

Em 2013, houve ainda a criação do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID). Antes, os municípios precisavam entregar, em papel, documentos para comprovar os prejuízos sofridos. Atualmente, todo o processo é feito digitalmente, o que torna mais ágeis a ação dos municípios e o reconhecimento por parte do governo federal.

Em 2014, já foram feitos 141 reconhecimentos de decretos de emergência e calamidade pública em todo o país, sendo 65 (46%) em Minas Gerais, em decorrência das chuvas intensas.

Situação de emergência e estado de calamidade
Dos decretos reconhecidos em 2013, 3.740 são de situação de emergência e sete de calamidade pública. A situação de emergência é o reconhecimento pelo poder público de uma situação anormal provocada por um desastre natural com danos superáveis. Já a calamidade se refere a uma situação anormal que causa sérios danos à comunidade, à segurança e à vida dos moradores.

A partir do reconhecimento do decreto, os municípios podem receber uma verba de emergência, que chega mais rápido aos cofres locais, por meio das chamadas transferências obrigatórias. Os decretos têm uma validade máxima de 180 dias (não há um prazo mínimo). Já os recursos para reconstruir as áreas atingidas dependem da apresentação de um plano de trabalho no prazo de 90 dias da ocorrência do desastre.

Para ações de socorro imediato, como assistência a vítimas, aquisição de cestas básicas e aluguel social para desabrigados, as prefeituras precisam apenas do reconhecimento da emergência. A transferência é feita pelo Cartão de Pagamento de Defesa Civil (CPDC).

Controle
A Controladoria Geral da União (CGU) diz que tem acompanhado a execução dos gastos referentes aos repasses federais para as cidades em emergência ou calamidade. Em nota, a CGU informa que faz relatórios de diagnóstico situacional e de fiscalização, monitora as verbas do CPDC e orienta estados e municípios, elaborando manuais e participando de fóruns.

Segundo a CGU, de 2008 a 2010 foram fiscalizados recursos na ordem de R$ 1,8 bilhão, quantia que foi repassada para subsidiar ações de reconstrução.

“Buscou-se avaliar a confiabilidade das informações relacionadas à localização e aos danos provocados por desastres naturais sofridos pelos municípios, e a regularidade da execução das obras, bem como se as mesmas atingiram os benefícios esperados”, diz a CGU, em nota.

De acordo com o órgão, diversos problemas foram verificados. “As principais irregularidades identificadas foram falhas nos relatórios de avaliação de danos, conclusão de obras extrapolando o prazo de 180 dias ou ultrapassando o prazo estipulado para dispensa de licitação, falhas/impropriedades relativas à especificação das obras, como a inexecução de itens, superestimativa de quantitativos e obras em desacordo com as especificações técnicas, falhas/impropriedades relativas à medição, como o pagamento por serviços não executados, medição de quantidades maiores que as executadas, bem como o superfaturamento de alguns serviços.”

NÚMERO DE DECRETOS RECONHECIDOS NO BRASIL, POR ANO:
2013 – 3.747
2012 – 2.776
2011 – 1.282
2010 – 2.765
2009 – 1.292
2008 – 1.502
2007 – 1.615
2006 – 991
2005 – 1.711
2004 – 1.760
2003 – 1.325

(Thiago Reis / Portal G1)

Black Bloc: “Fazemos o que os outros não têm coragem de fazer” (Fórum)

Eles afirmam não temer o confronto com a polícia e defendem a destruição de “alvos capitalistas”. Conheça a história e a forma de luta que se popularizou com o movimento antiglobalização e ganha destaque no Brasil

Esta matéria faz parte da edição 125 da revista Fórum.

Por Paulo Cezar Monteiro

20/08/2013 7:20 pm

“Os ativistas Black Bloc não são manifestantes, eles não estão lá para protestar. Eles estão lá para promover uma intervenção direta contra os mecanismos de opressão, suas ações são concebidas para causar danos às instituições opressivas.” É dessa forma que a estratégia de ação do grupo que vem ganhando notoriedade devido às manifestações no País é definida por um vídeo, divulgado pela página do Facebook “Black Bloc Brasil”, que explica parte das motivações e forma de pensar dos seus adeptos.

A ação, ou estratégia de luta, pode ser reconhecida em grupos de pessoas vestidas de preto, com máscaras ou faixas cobrindo os rostos. Durante os protestos, eles andam sempre juntos e, usualmente, atacam de maneira agressiva bancos, grandes corporações ou qualquer outro símbolo das instituições Eles afirmam não temer o confronto com a polícia e defendem a destruição de “alvos capitalistas”. Conheça a história e a forma de luta que se popularizou com o movimento antiglobalização e ganha destaque no Brasil “capitalistas e opressoras”, além de, caso julguem necessário, resistirem ou contra-atacarem intervenções policiais.

Devido ao atual ciclo de protestos de rua, o Black Bloc entrou no centro do debate político nacional. Parte das análises e opiniões classifica as suas ações como “vandalismo” ou “violência gratuita”, e também são recorrentes as críticas ao anonimato produzido pelas máscaras ou panos cobrindo a face dos adeptos. Mas o Black Bloc não é uma organização ou entidade. Leo Vinicius, autor do livro Urgência das ruas – Black Bloc, Reclaim the Streets e os Dias de Ação Global, da Conrad, (sob o pseudônimo Ned Ludd), a define o como uma forma de agir, orientada por procedimentos e táticas, que podem ser usados para defesa ou ataque em uma manifestação pública.

(Flickr.com/nofutureface)

Zuleide Silva (nome fictício), anarquista e adepta do Black Bloc no Ceará, frisa que eles têm como alvo as “instituições corporativas” e tentam defender os manifestantes fora do alcance das ações repressoras da polícia. “Fazemos o que os manifestantes não têm coragem de fazer. Botamos nossa cara a tapa por todo mundo”, afirma.

O jornalista e estudioso de movimentos anarquistas, Jairo Costa, no artigo “A tática Black Bloc”, publicado na Revista Mortal, lembra que o Black Bloc surgiu na Alemanha, na década de 1980, como uma forma utilizada por autonomistas e anarquistas para defenderem os squats (ocupações) e as universidades de ações da polícia e ataques de grupos nazistas e fascistas. “O Black Bloc foi resultado da busca emergencial por novas táticas de combate urbano contra as forças policiais e grupos nazifascistas. Diferentemente do que muitos pensam, o Black Bloc não é um tipo de organização anarquista, ONG libertária ou coisa parecida, é uma ação de guerrilha urbana”, contextualiza Costa.

De acordo com um dos “documentos informativos” disponíveis na página do Facebook, alguns dos elementos que os caracterizam são a horizontalidade interna, a ausência de lideranças, a autonomia para decidir onde e como agir, além da solidariedade entre os integrantes. Atualmente, há registros, por exemplo, de forças de ação Black Bloc nas recentes manifestações e levantes populares no Egito.

Manifestantes se reúnem em rua do Leblon, no Rio de Janeiro, próximos à casa do governador Sérgio Cabral (Foto: Mídia Ninja)

Black Bloc no Brasil

Para Leo Vinicius, é um “pouco surpreendente” que essa estratégia de manifestação urbana, bastante difundida ao redor do mundo, tenha demorado a chegar por aqui. “Essa forma de agir em protestos e manifestações ganhou muito destaque dentro dos movimentos antiglobalização, na virada da década de 1990 para 2000. Não é uma forma de ação política realmente nova”. No Brasil, existem páginas do movimento de quase todas as capitais e grandes cidades, a maior parte delas criadas durante o período de proliferação dos protestos. A maior é a Black Bloc Brasil, com quase 35 mil seguidores, seguida pela Black Bloc–RJ, com quase 20 mil membros.

A respeito da relação com o anarquismo, Vinicius faz uma ressalva. É preciso deixar claro que a noção de que “toda ação Black Bloc é feita por anarquistas e que todos anarquistas fazem Black Bloc” é falsa. “A história do Black Bloc tem uma ligação com o anarquismo, mas outras correntes como os autonomistas, comunistas e mesmo independentes também participavam. Nunca foi algo exclusivo do anarquismo. Na prática, o Black Bloc, por se tratar de uma estratégia de operação, pode ser utilizado até por movimentos da direita”, explica o escritor.

Para alguns ativistas, o processo de aceitação das manifestações de rua, feito pela grande mídia e por parte do público, de certa forma impôs que, para serem considerados legítimos, os protestos deveriam seguir um padrão: pacífico, organizado, com cartazes e faixas bem feitas e em perfeito acordo com as leis. Vinicius demonstra certa preocupação com a possibilidade do fortalecimento da ideia de que essa forma “pacífica” seja vista como o único meio possível ou legítimo de protestar. Ele afirma que não entende como violenta a ação Black Bloc de quebrar uma vidraça ou se defender de uma ação policial excessiva. “A violência é um conceito bastante subjetivo. Por isso, não dá pra taxar qualquer ato como violento, é preciso contextualizá-lo, entender as motivações por trás de cada gesto”, avalia.

Para ele, a eficácia de uma manifestação está em saber articular bem formas de ação “pacíficas” e “não pacíficas”. Foi esse equilíbrio, analisa, que fez com que o Movimento Passe Livre – São Paulo (MPL-SP) barrasse o aumento da tarifa na capital paulista. “Só com faixas e cartazes a tarifa não teria caído”, atesta. “Quem tem o poder político nas mãos só cede a uma reivindicação pelo medo, por sentir que as coisas podem sair da rotina, de que ele pode perder o controle do Estado”, sentencia.

Por outro lado, Vinicius alerta que é preciso perceber os limites para evitar que as ações mais “radicais” façam com que o movimento seja criminalizado ou se isole da sociedade e, com isso, perca o potencial de realizar qualquer mudança. Em sua obra, faz a seguinte definição daqueles que adotam a estratégia Black Bloc: “Eles praticam uma desobediência civil ativa e ação direta, afastando assim a política do teatro virtual perfeitamente doméstico, dentro do qual [a manifestação política tradicional] permanece encerrada. Os BB não se contentam com simples desfiles contestatórios, certamente importantes pela sua carga simbólica, mas incapazes de verdadeiramente sacudir a ordem das coisas”, aponta.

Outra crítica recorrente é o fato de os BB usarem máscaras ou panos para cobrirem os rostos. Os adeptos da ação explicam que as máscaras são um meio de proteger suas identidades para “evitar a perseguição policial” e outras formas de criminalização, como também criar um “sentimento de unidade” e impedir o surgimento de um “líder carismático”.

Luta antiglobalização

Com o passar do tempo, segundo Jairo Costa, as táticas Black Bloc passaram a ser reconhecidas como um meio de expressar a ira anticapitalista. Ele explica que geralmente as ações são planejadas para acontecer durante grandes manifestações de movimentos de esquerda.

O estudioso destaca como um dos momentos mais significativos da história Black Bloc a chamada “Batalha de Seattle”, em 1999, contra uma rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em 30 de novembro daquele ano, após uma tarde de confrontos com as forças policiais, uma frente móvel de black blockers conseguiu quebrar o isolamento criado entre os manifestantes e o centro comercial da cidade. Após vencer o cerco policial, os manifestantes promoveram a destruição de várias propriedades, limusines e viaturas policiais, e fizeram várias pichações com a mensagem “Zona Autônoma Temporária”. Estimativas apontam prejuízos de 10 milhões de dólares, além de centenas de feridos e 68 prisões.

Para Costa, um dos episódios mais impactantes – e duros – da história Black Bloc foi o assassinato de Carlo Giuliani, jovem anarquista de 23 anos, durante a realização simultânea do Fórum Social de Gênova e a reunião do G8 (Grupo dos oito países mais ricos), na Itália, em julho de 2001. Ele lembra que, após vários confrontos violentos – alguns deles vencidos pelos manifestantes, que chegaram a provocar a fuga dos policiais, que deixaram carros blindados para trás –, ocorreu o episódio que levou à morte de Giuliani.

“Ele partiu para cima de um carro de polícia tentando atirar nele um extintor de incêndio. Muitos fotógrafos estavam por lá e seus registros falam por si. Ao se aproximar do carro, Giuliani é atingido por dois tiros, um na cabeça. E, numa cena macabra, o carro da polícia dá marcha a ré e atropela-o várias vezes”, narra. Os assassinos de Carlo Giuliani não foram condenados. Dois anos após o fato, a Justiça italiana considerou que a ação policial se deu como “reação legítima” ao comportamento do militante.

Alvos capitalistas

Entre as formas de ação direta do Black Bloc destacam-se os ataques aos chamados “alvos simbólicos do capital”, que incluem joalherias, lanchonetes norte-americanas ou ainda a depredação de instituições oficiais e empresas multinacionais. Costa explica que essas ações “não têm como objetivo atingir pessoas, mas bens de capital”.

Zuleide justifica a destruição praticada contra multinacionais ou outros símbolos capitalistas, porque elas seriam mecanismo de “exploração e exclusão das pessoas”. “Queremos que esses meios que oprimem e desrespeitam um ser humano se explodam, vão embora, morram. Trabalhar dez horas por dia para não ganhar nada, isso é o que nos enfurece. Por isso, nossas ações diretas a eles, porque queremos causar prejuízos, para que percebam que há pessoas que rejeitam aquilo e que lutam pela população”, explica.

Ela reconhece que essas ações diretas podem deixá-los “mal vistos” na sociedade, já que há pessoas que pensam: “Droga, não vou poder mais comer no ***** porque destruíram tudo”. Porém, Zuleide afirma que o trabalhador, explorado por essas corporações, “adoraria fazer o que nós fazemos”, mas, por ter família para sustentar e contas a pagar, não faz. “Esse é mais um dos motivos que nos fazem do jeito que somos”, pontua.

Vinicius explica que, nas “ações diretas”, os black blockers atacam bens particulares por considerarem que “a propriedade privada – principalmente a propriedade privada corporativa – é em si própria muito mais violenta do que qualquer ação que possa ser tomada contra ela”. Quebrar vitrines de lojas, por exemplo, teria como função destruir “feitiços” criados pela ideologia capitalista. Esses “feitiços” seriam meios de “embalar o esquecimento” de todas as violências cometidas “em nome do direito de propriedade privada” e de “todo o potencial de uma sociedade sem ela [as vitrines]”.

Sem violência?

Em praticamente todas as manifestações, independentemente das causas e dos organizadores, tornou-se comum o grito: “Sem violência! Sem violência!”, que tinha como destinatários os policiais que, teoricamente, entenderiam o caráter “pacifista” do ato. Também seria uma tentativa de coibir a ação de “vândalos” ou “baderneiros”, que perceberiam não contar com o apoio do restante da massa.

Zuleide reconhece que, inicialmente, a ação Black Bloc era alvo desses gritos, mas, segundo ela, quando as pessoas entendem a forma como eles atuam, isso muda. “Os manifestantes perceberam que o Estado não iria nos deixar falar, nos deixar reivindicar algo, e começaram a nos reprimir. Quando há confronto [com a polícia], nós os ajudamos retardando a movimentação policial ou tirando eles de situações que ofereçam perigo, e alguns perceberam isso”, afirma.

Apesar de os confrontos com policiais não serem uma novidade durante as suas ações, os adeptos afirmam não ter como objetivo atacar policiais. Contudo, outro documento intitulado “Manifesto Black Bloc” deixa claro que, caso a polícia assuma um caráter “opressor ou repressor”, ela se torna, automaticamente, uma “inimiga”.

No “Manual de Ação Direta – Black Bloc”, também disponível na internet, a desobediência civil é definida como “a não aceitação” de uma regra, lei ou decisão imposta, “que não faça sentido e para não se curvar a quem a impõe. É este o princípio da desobediência civil, violenta ou não”. Entre as possibilidades de desobediência civil são citadas, por exemplo, a não aceitação da proibição da polícia que a manifestação siga por determinado caminho, a resistência à captura de algum manifestante ou, ainda, a tentativa de resgatar alguém detido pelos policiais.

Também são ensinadas táticas para resistir a gás lacrimogêneo, sprays de pimenta e outras formas de ação policial, além de dicas de primeiros socorros e direitos legais dos manifestantes. De acordo com o documento, as orientações desse manual tratam apenas da desobediência civil “não violenta”.

Outra orientação é que seja definido, antes da manifestação, se a desobediência civil será “violenta” ou “não violenta”. Caso se opte pela ação ‘não violenta’, essa decisão deve ser respeitada por todos, visto que não cumprir o combinado pode pôr “em risco” outros companheiros, além de ser um sinal de “desrespeito”.

Contudo, o mesmo manual deixa claro que o que “eles fazem conosco” todos os dias é uma violência, sendo assim, “a desobediência violenta é uma reação a isso e, portanto, não é gratuita, como eles tentam fazer parecer”.

Uma breve história

1980: O termo Black Bloc (Schwarzer Block) é usado pela primeira vez pela polícia alemã, como
forma de identificar grupos de esquerda na época denominados “autônomos, ou autonomistas”, que lutavam contra a repressão policial aos squats (ocupações).

1986: Fundada, em Hamburgo (Alemanha), a liga autonomista Black Bloc 1500, para defender o Hafenstrasse Squat.

1987: Anarquistas vestidos com roupas pretas protestam em Berlim Ocidental, por ocasião da presença de Ronald Reagan, então presidente dos EUA, na cidade.

1988: Em Berlim Ocidental, o Black Bloc confronta-se com a polícia durante uma manifestação
contra a reunião do Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

1992: Em São Francisco (EUA), na ocasião do 500º aniversário da descoberta da América por Cristóvão Colombo, o Black Bloc manifesta-se contra o genocídio de povos nativos das Américas.

1999: Seattle contra a Organização Mundial do Comércio (OMC). Estima-se em 500 o número de integrantes do Black Bloc que destruíram o centro econômico da cidade.

2000: Em Washington, durante reunião do FMI e Banco Mundial, cerca de mil black blockers anticapitalistas saíram às ruas e enfrentaram a polícia.

2000: Em Praga (República Tcheca), forma-se um dos maiores Black Blocs que se tem notícia, durante a reunião do FMI. Cerca de 3 mil anarquistas lutam contra a polícia tcheca.

2001: Quebec (Canadá). Membros do Black Bloc
são acusados de agredir um policial durante uma marcha pela paz nas ruas de Quebec. Após esse evento, a população local e vários manifestantes de esquerda distanciaram-se da tática Black Bloc e de seus métodos extremos.

2001: A cidade de Gênova (Itália), ao mesmo tempo, recebeu a cúpula do G8 e realizou o Fórum Social de Gênova, com um grande número de Black blockers, além de aproximadamente de 200 mil ativistas. A ação ficou marcada pela violenta morte do jovem Carlo Giuliani, de 23 anos.

2007: Em Heiligendamm (Alemanha), reunião do G8 foi alvo de uma ação com a participação de cerca de 5 mil blackblockers . Mobilização Black Bloc de cerca de 5.000 pessoas

2010: Toronto (Canadá), na reunião do G20. Neste confronto, mais de 500 manifestantes foram presos e dezenas de outros ativistas foram parar em hospitais com inúmeras fraturas.

2013: Cairo (Egito). O Black Bloc aparece com forte atuação nos protestos da Praça Tahir, no combate e resistência ao exército do então presidente Hosni Mubarak.

Fonte: Artigo “A Tática Black Bloc”, escrito por Jairo Costa, na Revista Mortal, 2010

Noam Chomsky is right: It’s the so-called serious who devastate the planet and cause the wars (Salon)

MONDAY, JAN 27, 2014 11:52 AM -0200

Fear the sober voices on the New York Times Op-Ed page and in the think tanks — they’re more dangerous than hawks

, TOMDISPATCH.COM

Noam Chomsky is right: It's the so-called serious who devastate the planet and cause the warsNoam Chomsky (Credit: AP/Hatem Moussa)

A captain ready to drive himself and all around him to ruin in the hunt for a white whale. It’s a well-known story, and over the years, mad Ahab in Herman Melville’s most famous novel, Moby-Dick, has been used as an exemplar of unhinged American power, most recently of George W. Bush’s disastrous invasion of Iraq.

But what’s really frightening isn’t our Ahabs, the hawks who periodically want to bomb some poor country, be it Vietnam or Afghanistan, back to the Stone Age.  The respectable types are the true “terror of our age,” as Noam Chomsky called them collectively nearly 50 years ago.  The really scary characters are our soberest politiciansscholarsjournalistsprofessionals, and managers, men and women (though mostly men) who imagine themselves as morally serious, and then enable the wars, devastate the planet, and rationalize the atrocities.  They are a type that has been with us for a long time.  More than a century and a half ago, Melville, who had a captain for every face of empire, found their perfect expression — for his moment and ours.

For the last six years, I’ve been researching the life of an American seal killer, a ship captain named Amasa Delano who, in the 1790s, was among the earliest New Englanders to sail into the South Pacific.  Money was flush, seals were many, and Delano and his fellow ship captains established the first unofficial U.S. colonies on islands off the coast of Chile.  They operated under an informal council of captains, divvied up territory, enforced debt contracts, celebrated the Fourth of July, and set up ad hoc courts of law.  When no bible was available, the collected works of William Shakespeare, found in the libraries of most ships, were used to swear oaths.

From his first expedition, Delano took hundreds of thousands of sealskins to China, where he traded them for spices, ceramics, and tea to bring back to Boston.  During a second, failed voyage, however, an event took place that would make Amasa notorious — at least among the readers of the fiction of Herman Melville.

Here’s what happened: One day in February 1805 in the South Pacific, Amasa Delano spent nearly a full day on board a battered Spanish slave ship, conversing with its captain, helping with repairs, and distributing food and water to its thirsty and starving voyagers, a handful of Spaniards and about 70 West African men and women he thought were slaves. They weren’t.

Those West Africans had rebelled weeks earlier, killing most of the Spanish crew, along with the slaver taking them to Peru to be sold, and demanded to be returned to Senegal.  When they spotted Delano’s ship, they came up with a plan: let him board and act as if they were still slaves, buying time to seize the sealer’s vessel and supplies.  Remarkably, for nine hours, Delano, an experienced mariner and distant relative of future president Franklin Delano Roosevelt, was convinced that he was on a distressed but otherwise normally functioning slave ship.

Having barely survived the encounter, he wrote about the experience in his memoir, which Melville read and turned into what many consider his “other” masterpiece.  Published in 1855, on the eve of the Civil War, Benito Cereno is one of the darkest stories in American literature.  It’s told from the perspective of Amasa Delano as he wanders lost through a shadow world of his own racial prejudices.

One of the things that attracted Melville to the historical Amasa was undoubtedly the juxtaposition between his cheerful self-regard — he considers himself a modern man, a liberal opposed to slavery — and his complete obliviousness to the social world around him.  The real Amasa was well meaning, judicious, temperate, and modest.

In other words, he was no Ahab, whose vengeful pursuit of a metaphysical whale has been used as an allegory for every American excess, every catastrophic war, every disastrous environmental policy, from Vietnam and Iraq to the explosion of the BP oil rig in the Gulf of Mexico in 2010.

Ahab, whose peg-legged pacing of the quarterdeck of his doomed ship enters the dreams of his men sleeping below like the “crunching teeth of sharks.”  Ahab, whose monomania is an extension of the individualism born out of American expansion and whose rage is that of an ego that refuses to be limited by nature’s frontier.  “Our Ahab,” as a soldier in Oliver Stone’s movie Platoon calls a ruthless sergeant who senselessly murders innocent Vietnamese.

Ahab is certainly one face of American power. In the course of writing a book on the history that inspired Benito Cereno, I’ve come to think of it as not the most frightening — or even the most destructive of American faces.  Consider Amasa.

Killing Seals

Since the end of the Cold War, extractive capitalism has spread over our post-industrialized world with a predatory force that would shock even Karl Marx.  From the mineral-rich Congo to the open-pit gold mines of Guatemala, from Chile’s until recently pristine Patagonia to the fracking fields of Pennsylvania and the melting Arctic north, there is no crevice where some useful rock, liquid, or gas can hide, no jungle forbidden enough to keep out the oil rigs and elephant killers, no citadel-like glacier, no hard-baked shale that can’t be cracked open, no ocean that can’t be poisoned.

And Amasa was there at the beginning.  Seal fur may not have been the world’s first valuable natural resource, but sealing represented one of young America’s first experiences of boom-and-bust resource extraction beyond its borders.

With increasing frequency starting in the early 1790s and then in a mad rush beginning in 1798, ships left New Haven, Norwich, Stonington, New London, and Boston, heading for the great half-moon archipelago of remote islands running from Argentina in the Atlantic to Chile in the Pacific.  They were on the hunt for the fur seal, which wears a layer of velvety down like an undergarment just below an outer coat of stiff gray-black hair.

In Moby-Dick, Melville portrayed whaling as the American industry.  Brutal and bloody but also humanizing, work on a whale ship required intense coordination and camaraderie.  Out of the gruesomeness of the hunt, the peeling of the whale’s skin from its carcass, and the hellish boil of the blubber or fat, something sublime emerged: human solidarity among the workers.  And like the whale oil that lit the lamps of the world, divinity itself glowed from the labor: “Thou shalt see it shining in the arm that wields a pick or drives a spike; that democratic dignity which, on all hands, radiates without end from God.”

Sealing was something else entirely.  It called to mind not industrial democracy but the isolation and violence of conquest, settler colonialism, and warfare.  Whaling took place in a watery commons open to all.  Sealing took place on land.  Sealers seized territory, fought one another to keep it, and pulled out what wealth they could as fast as they could before abandoning their empty and wasted island claims.  The process pitted desperate sailors against equally desperate officers in as all-or-nothing a system of labor relations as can be imagined.

In other words, whaling may have represented the promethean power of proto-industrialism, with all the good (solidarity, interconnectedness, and democracy) and bad (the exploitation of men and nature) that went with it, but sealing better predicted today’s postindustrial extracted, hunted, drilled, fracked, hot, and strip-mined world.

Seals were killed by the millions and with a shocking casualness.  A group of sealers would get between the water and the rookeries and simply start clubbing.  A single seal makes a noise like a cow or a dog, but tens of thousands of them together, so witnesses testified, sound like a Pacific cyclone.  Once we “began the work of death,” one sealer remembered, “the battle caused me considerable terror.”

South Pacific beaches came to look like Dante’s Inferno.  As the clubbing proceeded, mountains of skinned, reeking carcasses piled up and the sands ran red with torrents of blood.  The killing was unceasing, continuing into the night by the light of bonfires kindled with the corpses of seals and penguins.

And keep in mind that this massive kill-off took place not for something like whale oil, used by all for light and fire.  Seal fur was harvested to warm the wealthy and meet a demand created by a new phase of capitalism: conspicuous consumption.  Pelts were used for ladies’ capes, coats, muffs, and mittens, and gentlemen’s waistcoats.  The fur of baby pups wasn’t much valued, so some beaches were simply turned into seal orphanages, with thousands of newborns left to starve to death.  In a pinch though, their downy fur, too, could be used — to make wallets.

Occasionally, elephant seals would be taken for their oil in an even more horrific manner: when they opened their mouths to bellow, their hunters would toss rocks in and then begin to stab them with long lances.  Pierced in multiple places like Saint Sebastian, the animals’ high-pressured circulatory system gushed “fountains of blood, spouting to a considerable distance.”

At first the frenetic pace of the killing didn’t matter: there were so many seals.  On one island alone, Amasa Delano estimated, there were “two to three millions of them” when New Englanders first arrived to make “a business of killing seals.”

“If many of them were killed in a night,” wrote one observer, “they would not be missed in the morning.”  It did indeed seem as if you could kill every one in sight one day, then start afresh the next.  Within just a few years, though, Amasa and his fellow sealers had taken so many seal skins to China that Canton’s warehouses couldn’t hold them.  They began to pile up on the docks, rotting in the rain, and their market price crashed.

To make up the margin, sealers further accelerated the pace of the killing — until there was nothing left to kill.  In this way, oversupply and extinction went hand in hand.  In the process, cooperation among sealers gave way to bloody battles over thinning rookeries.  Previously, it only took a few weeks and a handful of men to fill a ship’s hold with skins.  As those rookeries began to disappear, however, more and more men were needed to find and kill the required number of seals and they were often left on desolate islands for two- or three-year stretches, living alone in miserable huts in dreary weather, wondering if their ships were ever going to return for them.

“On island after island, coast after coast,” one historian wrote, “the seals had been destroyed to the last available pup, on the supposition that if sealer Tom did not kill every seal in sight, sealer Dick or sealer Harry would not be so squeamish.”  By 1804, on the very island where Amasa estimated that there had been millions of seals, there were more sailors than prey.  Two years later, there were no seals at all.

The Machinery of Civilization

There exists a near perfect inverse symmetry between the real Amasa and the fictional Ahab, with each representing a face of the American Empire.  Amasa is virtuous, Ahab vengeful.  Amasa seems trapped by the shallowness of his perception of the world.  Ahab is profound; he peers into the depths.  Amasa can’t see evil (especially his own). Ahab sees only nature’s “intangible malignity.”

Both are representatives of the most predatory industries of their day, their ships carrying what Delano once called the “machinery of civilization” to the Pacific, using steel, iron, and fire to kill animals and transform their corpses into value on the spot.

Yet Ahab is the exception, a rebel who hunts his white whale against all rational economic logic.  He has hijacked the “machinery” that his ship represents and rioted against “civilization.”  He pursues his quixotic chase in violation of the contract he has with his employers.  When his first mate, Starbuck, insists that his obsession will hurt the profits of the ship’s owners, Ahab dismisses the concern: “Let the owners stand on Nantucket beach and outyell the Typhoons. What cares Ahab?  Owners, Owners?  Thou art always prating to me, Starbuck, about those miserly owners, as if the owners were my conscience.”

Insurgents like Ahab, however dangerous to the people around them, are not the primary drivers of destruction.  They are not the ones who will hunt animals to near extinction — or who are today forcing the world to the brink.  Those would be the men who never dissent, who either at the frontlines of extraction or in the corporate backrooms administer the destruction of the planet, day in, day out, inexorably, unsensationally without notice, their actions controlled by an ever greater series of financial abstractions and calculations made in the stock exchanges of New York, London, and Shanghai.

If Ahab is still the exception, Delano is still the rule.  Throughout his long memoir, he reveals himself as ever faithful to the customs and institutions of maritime law, unwilling to take any action that would injure the interests of his investors and insurers.  “All bad consequences,” he wrote, describing the importance of protecting property rights, “may be avoided by one who has a knowledge of his duty, and is disposed faithfully to obey its dictates.”

It is in Delano’s reaction to the West African rebels, once he finally realizes he has been the target of an elaborately staged con, that the distinction separating the sealer from the whaler becomes clear.  The mesmeric Ahab — the “thunder-cloven old oak” — has been taken as a prototype of the twentieth-century totalitarian, a one-legged Hitler or Stalin who uses an emotional magnetism to convince his men to willingly follow him on his doomed hunt for Moby Dick.

Delano is not a demagogue.  His authority is rooted in a much more common form of power: the control of labor and the conversion of diminishing natural resources into marketable items.  As seals disappeared, however, so too did his authority.  His men first began to grouse and then conspire.  In turn, Delano had to rely ever more on physical punishment, on floggings even for the most minor of offences, to maintain control of his ship — until, that is, he came across the Spanish slaver.  Delano might have been personally opposed to slavery, yet once he realized he had been played for a fool, he organized his men to retake the slave ship and violently pacify the rebels.  In the process, they disemboweled some of the rebels and left them writhing in their viscera, using their sealing lances, which Delano described as “exceedingly sharp and as bright as a gentleman’s sword.”

Caught in the pincers of supply and demand, trapped in the vortex of ecological exhaustion, with no seals left to kill, no money to be made, and his own crew on the brink of mutiny, Delano rallied his men to the chase — not of a white whale but of black rebels.  In the process, he reestablished his fraying authority.  As for the surviving rebels, Delano re-enslaved them.  Propriety, of course, meant returning them and the ship to its owners.

Our Amasas, Ourselves

With Ahab, Melville looked to the past, basing his obsessed captain on Lucifer, the fallen angel in revolt against the heavens, and associating him with America’s “manifest destiny,” with the nation’s restless drive beyond its borders.  With Amasa, Melville glimpsed the future.  Drawing on the memoirs of a real captain, he created a new literary archetype, a moral man sure of his righteousness yet unable to link cause to effect, oblivious to the consequences of his actions even as he careens toward catastrophe.

They are still with us, our Amasas.  They have knowledge of their duty and are disposed faithfully to follow its dictates, even unto the ends of the Earth.

TomDispatch regular Greg Grandin’s new book, The Empire of Necessity:  Slavery, Freedom, and Deception in the New World, has just been published. 

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Greg Grandin is a professor of history at New York University and the author, most recently, of “Fordlandia: The Rise and Fall of Henry Ford’s Forgotten Jungle City”. Check out a TomDispatch audio interview with Grandin about Henry Ford’s strange adventure in the Amazon by clicking here.

Países desenvolvidos exportam emissões de carbono (Folha de São Paulo)

JC e-mail 4882, de 28 de janeiro de 2014

Matéria do “The New York Times” sobre efeitos climáticos publicada na Folha de São Paulo

Durante sua vida útil, o iPhone 5S emite o equivalente a 70 kg de dióxido de carbono. A boa notícia: isso é 4 kg a menos do que o iPhone 5.

Seja como for, cerca de três quartos desse dióxido de carbono são considerados de responsabilidade não dos Estados Unidos, mas de lugares como China, Taiwan, Coreia do Sul e Mongólia Interior (região autônoma da China), onde o telefone e seus componentes são fabricados.

A globalização -a qual, no processo de “exportar” produção e emprego dos países ricos para os pobres, “exportou” também o dióxido de carbono emitido para a fabricação dos produtos- adiciona um novo aspecto à alocação das responsabilidades pela emissão de carbono na atmosfera: será que essas emissões devem ser de responsabilidade dos países fabricantes ou dos países para os quais os produtos se destinam?

Dois anos atrás, algumas das localidades mais ambientalmente corretas dos EUA solicitaram à seção americana do Instituto Ambiental de Estocolmo que calculasse suas emissões de carbono. Em vez de contabilizar o carbono que produziam, elas queriam um inventário das emissões geradas na fabricação, no transporte, na utilização e na eliminação do que é consumido nesses lugares.

O resultado surpreendeu. San Francisco, por exemplo, gerou em 2008 apenas 8 milhões de toneladas de CO2 ou equivalente. O consumo da cidade, por outro lado, acrescentou quase 22 milhões de toneladas de carbono à atmosfera. Usando medições baseadas no consumo, as emissões do Oregon saltaram em 2005 de 53 milhões para 78 milhões de toneladas. “As pessoas que nos contrataram se viam como muito ‘verdes’ e inovadoras”, disse Frank Ackerman, que na época chefiava o Grupo de Economia Climática da entidade nos EUA. “Eles achavam que, por terem boas iniciativas em andamento, teriam um resultado menor, apesar de muitos dos produtos industriais por eles consumidos serem fabricados no exterior.”

O foco no consumo faz sentido. Compreender o seu impacto sobre a mudança climática é um primeiro passo necessário para que as pessoas e as cidades, grandes ou pequenas, tomem medidas concretas para reduzir as emissões de carbono. Este novo tipo de cálculo, no entanto, pode ter um efeito imprevisto sobre a política internacional de mudança climática, deslocando a responsabilidade em escala global.

Enquanto a concentração de CO2 disparou no primeiro semestre de 2013 para o seu maior nível desde que os mastodontes vagavam pela Terra, há 3 milhões de anos, as Nações Unidas, contrariando todas as probabilidades, esperam que 2014 finalmente traga os avanços necessários para que as grandes nações cuspidoras de carbono cheguem a um acordo sobre um plano climático até 2015.

“Desafio os senhores a trazer promessas ousadas para a cúpula”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ao convidar líderes mundiais para uma reunião em setembro próximo, em Nova York.

Um estudo publicado há dois anos na revista “PNAS”, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, observou que, entre 1990 e 2008, a globalização exportou o equivalente a 1,2 bilhão de toneladas de emissões de carbono por ano do mundo desenvolvido para nações em desenvolvimento.

Cálculos com critérios estritamente geográficos dão a impressão de que os países industriais avançados conseguiram estabilizar suas emissões de carbono.

Mas eles apenas transferiram o aumento para fora das suas fronteiras. As emissões de carbono criadas pelo consumo dos americanos são cerca de 8% superiores às emissões produzidas nos EUA, de acordo com os cientistas do Projeto Global do Carbono. Por outro lado, cerca de um quinto das emissões da China são de produtos consumidos fora de suas fronteiras.

A União Europeia, satisfeita com seus resultados ambientais nos cálculos habituais, com base no lugar onde o carbono é emitido, parece menos virtuosa sob uma lente baseada no consumo. Em 2011, os europeus emitiram apenas 3,6 bilhões de toneladas de CO2, mas 4,8 bilhões de toneladas foram jogados na atmosfera para a produção das coisas que os europeus consumiram.

Aqui está o dilema. A abordagem habitual, a qual está sendo considerada para contabilizar o custo do carbono “comercializado”, consistiria em taxar as emissões registradas nas fronteiras. Não surpreende que países exportadores, como a China, não gostem dessa abordagem.

Um estudo recente corroborou a imposição de um imposto de carbono sobre as importações. Mas “a China tem tudo a perder”, disse GlenPeters, do Centro para o Clima Internacional e a Pesquisa Ambiental, em Oslo. “Se a China trouxesse isso para as negociações, estaria permitindo que os EUA e Europa regulamentassem as exportações chinesas.”

Outra pesquisa concluiu que a imposição de uma penalidade na fronteira incentivaria a China e outros países em desenvolvimento a tributarem suas próprias emissões de carbono -ficando com o dinheiro- em vez de deixar que outros as tributem. Mas, se o mundo quiser evitar uma mudança climática catastrófica, alguém -em algum lugar- deve arcar com o custo de consumir menos carbono. E ninguém está se voluntariando.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/149511-paises-desenvolvidos-exportam-emissoes-de-carbono.shtml

 

Projeto sobre tecnologia que pode tornar sementes estéreis avança na Câmara (Agência Brasil)

JC e-mail 4882, de 28 de janeiro de 2014

O PL 268/2007 abre uma brecha na redação da Lei de Biossegurança

Poucos brasileiros sabem, mas as discussões estão avançadas na Câmara dos Deputados que seja aprovado projeto que libera uma tecnologia genética polêmica – a tecnologia de restrição de uso, que, entre outras aplicações, pode ser usada para criar sementes estéreis a partir da segunda geração, popularmente apelidadas de sementesterminator.

O Projeto de Lei (PL) 268/2007, do deputado Eduardo Sciarra (PSD-PR), abre uma brecha na redação da Lei de Biossegurança para que seja permitida a comercialização de sementes produzidas com a tecnologia, no caso de plantas biorreatoras, usadas para produzir substâncias de uso industrial ou terapêutico.

A proposta já passou pelas comissões de Agricultura e Meio Ambiente, sendo aprovada na primeira e rejeitada na segunda. Atualmente, está na Comissão de Constituição e Justiça, (CCJ) onde recebeu parecer favorável do relator e quase foi votada em outubro do ano passado. A votação não ocorreu porque organizações da sociedade civil e movimentos sociais entregaram à presidência da CCJ um abaixo-assinado com 30 mil assinaturas pedindo a retirada de pauta do projeto.

No site da Câmara dos Deputados, a última movimentação relativa à proposta é um requerimento de audiência pública sobre o assunto, feito pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ), no início de dezembro.

Até o momento, nenhum organismo do tipo foi desenvolvido em campo aberto, embora acredite-se que as empresas façam pesquisas em ambientes controlados. Uma moratória internacional, apoiada pelo Brasil, barra a produção em campo e a comercialização desde 2000. Um dos riscos da liberação é a contaminação das espécies não modificadas geneticamente pelas lavouras de transgênicos. A engenheira agrônoma Maria José Guazelli, da organização não governamental (ONG) Centro Ecológico, explica que espécies não transgênicas poderiam assimilar características como a esterilidade.

Para ela, mesmo que a liberação se restrinja às sementes desenvolvidas para uso terapêutico e industrial, há risco de poluição genética das espécies alimentícias. “Uma boa parte dessas plantas biorreatoras são arroz, milho. Dependendo de que planta for, pode haver cruzamento, sim”, afirma.

Para Maria José, as normas de contenção que têm sido aplicadas no Brasil não são suficientes para mitigar os riscos. “Geralmente, a CTNBio [Comissão Técnica Nacional de Biossegurança] determina distância [entre a lavoura transgênica e não transgênica]. Mas o pólen voa centenas de metros e até quilômetros. O que tem acontecido é a contaminação”, disse a agrônoma, citando casos em que agricultores orgânicos constataram contágio por soja e milho transgênicos.

A Agência Brasil entrou em contato com a assessoria de comunicação do deputado Eduardo Sciarra, pedindo uma entrevista com o parlamentar, mas foi informada de que ele está fora de Brasília e não poderia falar naquele momento. No entanto, a assessoria encaminhou à reportagem material sobre o PL 268/2007.

Sobre a questão da possível contaminação de espécies não modificadas geneticamente, o texto afirma que “pode-se construir plantas [biorreatoras] que não se reproduzem pelo polén”. Segundo o material enviado pelos assessores do deputado, “a tecnologia genética de restrição de uso não se resume à modalidade conhecida como terminator. Pode haver diversos tipos de construção dessa tecnologia. Em um deles, elimina-se a floração, retardando a data de maturidade sexual da planta e construindo plantas com pólen estéril”.

No entanto, para o agrônomo e assessor técnico da organização da sociedade civil AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia Gabriel Fernandes, ainda há muitas incertezas em relação à tecnologia de restrição de uso e, portanto, não há garantia da eficácia das soluções apontadas .”Primeiro, o projeto de lei não está prevendo regras de segurança. Outra coisa que pode ser questionada é se essas regras funcionam. Não tem nada que garanta [que a esterilidade do pólen] funcione 100%.”

Para Fernandes, trata-se de uma tecnologia que não é necessária. Os estudos não dão segurança, e há uma moratória internacional. “Nenhum país faz experimentos a campo”, argumenta. Na visão do agrônomo, vantagens apontadas com a adoção da tecnologia de restrição de uso, como manipulação da floração e de outras fases do ciclo reprodutivo das plantas, não compensam o risco assumido e parte delas poderia ser obtida com outras técnicas de manejo.

O pesquisador Francisco Aragão, responsável pelo laboratório do Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), tem opinião diferente. Para ele, é possível conter os riscos de contaminação e, além disso, a tecnologia de restrição de uso abre várias possibilidades. Aragão exemplifica com a cana-de-açúcar, que gasta na floração uma energia que, segundo ele, poderia ser aplicada na produção de mais açúcar. A restrição de uso poderia impedir a floração e tornar o processo mais eficiente, afirma.

“Pretende-se fazer o cultivo dessas plantas, a princípio em ambientes fechados. Há possibilidade de escape, mas existe todo um mecanismo de segurança. Já tem pesquisa para produção de fármacos em plantas e a restrição de uso colocaria um mecanismo de segurança a mais no sistema [em razão da esterilidade]”, explicou o pesquisador. Para ele, deve ser mantida a proibição para a agricultura e haver permissão para alguns casos, como a produção de fármacos e a obtenção de características agronômicas, que “nada têm a ver com a retirada do direito do produtor de reutilizar sementes”.

(Mariana Branco/Agência Brasil)

Projeto que proíbe o uso de animais em testes de cosméticos poderá ter votação mais rápida (Agência Câmara)

JC e-mail 4881, de 27 de janeiro de 2014

O objetivo é que a matéria seja votada ainda neste ano

O autor de projeto que proíbe o uso de animais em testes de produtos cosméticos (PL 6602/13), deputado Ricardo Izar (PSD-SP), pediu ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, que seu projeto seja desvinculado (desapensado) de outro mais antigo que institui o Código Federal de Bem-Estar Animal (PL 215/07). O objetivo é que a matéria seja votada ainda neste ano.

O projeto de Izar proíbe a utilização de animais em atividades de ensino, pesquisas e testes laboratoriais com substâncias para o desenvolvimento de produtos de uso cosmético em humanos e aumenta os valores de multa nos casos de violação de seus dispositivos.

O debate sobre o uso de animais em testes e pesquisas de cosméticos ganhou força após o caso do Instituto Royal. Em outubro de 2013, 178 beagles e sete coelhos usados em pesquisas foram retirados por ativistas e moradores de São Roque, no interior paulista, de uma das sedes do instituto.

Ricardo Izar participou de Comissão Externa da Câmara para acompanhar o caso. Ele considera que o Brasil está atrasado neste aspecto. “Não só moralmente por causa do respeito aos animais, mas mercadologicamente. Hoje, as empresas que produzem cosméticos não podem exportar para a Comunidade Europeia porque lá é proibida a comercialização de produtos cosméticos que usaram animais em testes ou nos seus ingredientes. Então, mercadologicamente, nós também estamos atrasados.”

Legislação de SP
São Paulo é o primeiro estado do Brasil a adotar uma legislação que veta o uso de animais em testes laboratoriais de produtos estéticos em desenvolvimento. Testes com animais envolvendo questões de saúde ainda poderão ser feitos. A medida ainda será regulamentada, mas empresas que desobedecerem ficarão sujeitas à multa de cerca de R$ 1 milhão por animal usado em teste. O estabelecimento terá a suspensão temporária do alvará de funcionamento e, em casos de reincidência, a multa dobra e a suspensão será definitiva.

O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) ainda avalia as propostas de legislação e não adotou posição oficial. O coordenador do órgão, Mauro Granjeiro, antecipa que a proibição adotada em São Paulo pode representar risco para população por impedir uma fiscalização adequada dos órgãos de vigilância sanitária. “Ela impede completamente a realização de qualquer teste in vivo com cosméticos. Isso acaba impactando em potenciais análises dos laboratórios oficiais de toxicologia que porventura tenham necessidade de verificar a toxicidade de um produto cosmético que tenha ido ao mercado e provocado reações adversas na população. Nós não temos ainda no mundo capacidade de substituir completamente os ensaios em animais.”

Mauro Granjeiro lembra ainda que a Europa proibiu os testes em animais após mais de dez anos de adaptação dos laboratórios.

Há 21 projetos em discussão na Câmara que tratam do assunto, todos tramitando em conjunto. As propostas devem ser analisadas por uma comissão especial.
Íntegra da proposta:

(Geórgia Moraes/Agência Câmara – 24/01)

Governo regulamenta uso das Forças Armadas contra manifestações sociais (Vox Política)

Portaria está em vigor desde 20 de dezembro de 2013. Celso Amorim, ministro da Defesa, aprovou o documento.

 | quinta-feira, 23 janeiro 2014 – 2:30

anexo

O ministro da Defesa, Celso Amorim, aprovou no fim do ano passado uma Portaria que regulamenta o uso das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) em manifestações sociais, protestos e outras ocasiões que possam comprometer “a ordem pública”.

A regra, presente no Manual “Garantia da Lei e da Ordem”, validado junto com a Portaria, está em vigor desde 20 de dezembro, data de sua publicação no Diário Oficial da União. Logo no segundo capítulo, o documento ressalta que, apesar do apreço ao conceito de não-guerra, as operações poderão ter “o uso de força de forma limitada”.

Esse emprego das Forças Armadas nessas operações seria autorizado “em situações de esgotamento dos instrumentos a isso previstos”, ou seja, “quando, em determinado momento, forem eles formalmente reconhecidos pelo respectivo Chefe do Poder Executivo Federal ou Estadual como indisponíveis, inexistentes ou insuficientes ao desempenho regular da missão constitucional”.

Entre as principais ameaças elencadas pelo Ministério da Defesa, duas se destacam por fazer referência à Copa do Mundo e às manifestações de 2013: o combate ao bloqueio de vias públicas de circulação e a ofensiva contra a sabotagem nos locais de grandes eventos. Para tanto, os soldados têm autorização de controlar até o fluxo dos cidadãos.

O anexo do “Controle de Distúrbios em Ambiente Urbano” é o que cita de maneira mais contundente a oposição a grupos populares de protesto.

Em “Cenário”, conforme imagem destacada no início da reportagem, o alerta estatal vislumbra a “atuação de elementos integrantes de movimentos sociais reivindicatórios, de oposição ou protesto, comprometendo a ordem pública”, reservando aos governos estaduais e federal o direito de traçar limites. No apêndice de operações psicológicas, os movimentos sociais recebem classificação ainda pior: forças oponentes.

“Não existe resposta única para a cracolândia” (Brasil de Fato)

Por: Mariana Desidério, De São Paulo

Brasil de Fato

24/01/2014

Para padre Julio Lancellotti, ação da prefeitura na região da Luz tem avanços, mas não olha para as necessidades das pessoas

A atual operação promovida pela prefeitura na cracolândia tem sido vista como um avanço em relação à ação deflagrada há dois anos, quando policiais usaram bombas de gás e tiros de borracha para dispersar os dependentes de crack que circulam pela região, no centro de São Paulo.

Porém, não é hora para muito otimismo na opinião do padre Julio Lancellotti, coordenador da Pastoral da População de Rua em São Paulo e defensor histórico dos direitos humanos. Segundo ele, também há outro tipo de violência na ação que ocorre agora. “Há sofisticação, mas o resultado que se busca é o mesmo: as ruas da cracolândia limpas”, afirma.

Aos 65 anos, além de coordenar a pastoral, Lancellotti é responsável pela paróquia de São Miguel Arcanjo, na região da Mooca.  Nesta entrevista ao Brasil de Fato SP, ele critica a forma como nossa sociedade trata os grupos mais vulneráveis e defende atuações políticas mais enérgicas, inclusive não pacíficas. “Jesus era mais para Black Bloc”, dispara.  Leia a entrevista:

Como avalia a operação Braços Abertos, da prefeitura, que está colocando os moradores de rua da cracolândia para viver em hotéis e trabalhar na varrição?
Ainda não dá para fazer uma avaliação completa. O fundamental é saber como será feito o acompanhamento. Mas algumas coisas chamam a atenção: hotel não é moradia definitiva. Quanto tempo eles vão ficar no hotel? Depois: por que todos têm que trabalhar na varrição? Eu acho que pode ter uma diversificação.

Acha que isso acaba padronizando demais?
Acho que é uma resposta institucional, e, portanto, planejada dentro de um modelo. Não é construída a partir das necessidades das pessoas. A operação pode ter seu aspecto de redução de danos e está tendo agora muita visibilidade. Mas a gente tem que ver como isso vai se dar no cotidiano. Há uma preocupação política de querer se diferenciar de outros. Mas também há um pragmatismo. Pensa-se que tem que ter um resultado. Não se foi à causa das questões, está se trabalhando por enquanto com os efeitos.

Essa medida tem sido vista como um avanço em relação àquela tomada dois anos atrás, quando houve forte repressão policial. O que o senhor acha?
Eu considero que os métodos de controle se sofisticam. Uns são mais trogloditas, outros menos. Acredito que a violência não é só a cassetada, o spray de pimenta, a bomba de gás, a polícia andando atrás. A violência também é simbólica. É violento colocar para trabalhar sem ter direitos trabalhistas, ou ainda não respeitar a subjetividade humana. O que a gente vê é que há uma sofisticação. O resultado que se busca é o mesmo: as ruas da cracolândia limpas.

Mas qual seria a forma correta de lidar com essa questão?
O que temos que ter em mente é o seguinte: como a cidade vai ser mais humana e vai cuidar daqueles que são mais vulneráveis? Essa é a questão fundamental. A população de rua não é a única vulnerabilizada da cidade. Também existem os que não têm moradia, os que têm transtornos mentais, as pessoas com necessidades especiais, os idosos. Nossa cidade é um lugar em que tudo é para quem é esperto, para quem tem mais força, mais autonomia. Ela está inserida dentro de um modelo de competição, de premiação por consumo, não é uma cidade voltada para agregar.

Os idosos não são cuidados na nossa sociedade?
Outro dia perguntei na igreja: Quem leva o cachorro para passear? Todos levam. E quem leva a vovó para passear? Muito poucos. É mais fácil pegar o cocô do cachorro do que trocar a fralda do vovô. Nós estamos vivendo uma sociedade do individualismo. Aumenta o número das pessoas que vivem sozinhas. As pessoas querem pensar só no seu próprio bem-estar, não o bem-estar do coletivo, o bem-estar dos mais fracos. A grande mudança seria pensar o bem-estar dos mais fracos.

Qual o cenário dos albergues para a população de rua em São Paulo hoje?
Em algum momento, os albergues podem ser necessários. Qual o nosso problema? Nós tornamos os albergues a única resposta. A mesma lógica que coloca todo mundo pra ser varredor. A população de rua é bastante heterogênea. Não se pode ter uma mesma resposta para todos.

E as condições desses albergues? No final de 2013 houve protesto por causa disso.
Sim, porque eles estão precarizados, por falta de manutenção, falta capacitação das pessoas que lá trabalham, e porque os albergues não estão seguindo a própria diretriz nacional da política para a população de rua, que prevê que tenham um número reduzido de pessoas, não passando de cem. E hoje nós temos albergues com 200 pessoas que só têm dois chuveiros.

Mas querendo ou não é um abrigo para eles, não?
Nós temos uma ideia muito assim: para o pobre qualquer coisa está bom. Pensamos assim: “Você não tem o que comer, eu estou te dando essa comida aqui. Você está achando ruim por quê? Estou te dando essa calça velha, só está um pouco apertada…” Muitas vezes nós somos uma sociedade que nivela tudo por baixo.

Quais soluções deveriam ser pensadas, além dos albergues?
Nós temos sugerido muito a locação social, que hoje é um programa pequeno, mas ajuda. Hoje, já há legislação no sentido que o programa federal Minha Casa, Minha Vida tenha uma porcentagem para população em situação de rua. Que eles possam ingressar nas políticas habitacionais como pessoas que não têm capacidade de endividamento.

Quatro moradores de rua foram presos na manifestação em dezembro contra as condições do albergue. Falou-se que eles eram presos políticos. Por quê?
Porque lendo o boletim de ocorrência e vendo tudo o que aconteceu com eles, nós percebemos que a motivação não foi técnica. A grande questão é que há uma palavra-chave hoje: manifestação. Esse ano será de grande repressão por causa da Copa. Todas as manifestações serão duramente reprimidas, e essa manifestação das pessoas em situação de rua mostra que há um peso político muito forte nesse sentido. Há uma ideia no poder público de que é preciso coibir qualquer forma de expressão. Nos atos que nós fizemos contra a prisão deles, a quantidade de polícia que nos acompanhou era o triplo da de manifestantes.

Quem são as pessoas que vivem na rua na cidade de São Paulo?
Em São Paulo há o Censo da População em Situação de Rua. Há um perfil de maioria masculina, mas há o aumento de mulheres e famílias na rua. Há muitas pessoas que passaram pela escola. A maior parte é do Sudeste. Como essa população é muito heterogênea, você encontra na rua pessoas com nível universitário, com nível médio. A maior parte é alfabetizada, ou passou pelo mundo do trabalho e viveu com a família, não nasceram na rua. Boa parte está na rua por causa de desavenças familiares, pessoas com problema de transtorno mental e que a família não aguenta mais. Ou pessoas que usam álcool e a família não sabe mais como lidar. Como não há uma assistência, essas pessoas acabam indo para a rua.

Como a cidade trata essas pessoas?
É uma população muito estigmatizada e muito associada à criminalidade. De fato há vários egressos do sistema penitenciário na rua, mas nós não podemos lidar com essa intolerância tão grande. Uma pessoa em situação de rua não entra num shopping. Eles são impedidos do convívio social. Mas a pessoa que está na rua tem uma história. Por isso, várias práticas vêm sendo discutidas para garantir que essas pessoas tenham direito ao SUS, a possibilidades de educação, de cultura, de lazer.

Como o senhor avalia a atuação do novo Papa?  
O Papa Francisco é um presente, mostrando para nós que a igreja está no meio do mundo, enlameada e suja. Ele mesmo diz: “eu prefiro uma igreja ferida e enlameada do que doente e fechada”. É o caminho para uma igreja sem luxo, uma igreja servidora que caminha no meio do povo, que não tem medo de sentar na rua e partilhar a vida com o povo.

O papado dele caminha então nessa direção mais humana?
Sem dúvida. O Papa Francisco está buscando mostrar um caminho muito mais humano, muito mais próximo de Jesus. Jesus não era nenhum moralista, não impunha nada, ele era aquele que queria uma vida mais humana, que as pessoas fossem felizes. Jesus não veio impor uma religião, ele veio salvar e libertar as pessoas de toda a opressão.

O senhor acha que religião tem a ver com política?
Jesus foi condenado como preso político, foi executado, condenado à pena de morte. Ele tinha mais a ver com a vida do povo do que com qualquer outra coisa. As coisas são interligadas entre si, não são separadas. Sabe um grupo que eu gosto muito? Os Black Bloc. Eles são muito humanos, são jovens com vontade de lutar, acho impressionante.

O que acha do uso que eles fazem da violência?
É uma resposta à violência que está aí. Eles destroem os símbolos do poder. Você acha que eles dão prejuízo para os bancos por quebrar uma agência? Os jovens se expressam de muitas maneiras. Não adianta só combatê-los, é preciso entendê-los. O Papa Francisco disse algo interessante nesse sentido: “Eu não gosto de uma juventude que não se manifesta, apática, amorfa.” É preciso agitar. Jesus era mais para Black Bloc.