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Sobre renzotaddei

Anthropologist, professor at the Federal University of São Paulo

Environmentalists Doing It Wrong, Again (Washington Post)

Want to see Tom get annoyed? Of course you do. Well then tune in and pull up a chair. The article that got to me was so exasperating because it’s 2014 and it’s the New York Times. It’s too late in the day and too beside-the-real-point for a publication such as the Times to do this, though I’m not saying such a thing is impossible at my own publication either. I can’t decide whether to link to it or not. I think I won’t.

I’ll place it squarely in the category of Concern Trolling, a great conceptual meme that identifies opinions that purport to be on your side and just trying to help, but function in the exact opposite way. I won’t get into motives here because I don’t know what they are and it doesn’t make any difference.

The piece says that ‘environmentalists’ are using bad ‘tactics’ in drawing comparisons between current weather catastrophes and climate change. Any linkage to a specific event can’t be specifically proven, but that’s not the stated concern of this piece. The ‘concern’ is that as a tactic it can ‘backfire’ and not win over conservatives to climate change action. Not win over conservatives! The article doesn’t place ALL the blame on faulty environmentalist tactics. It pauses to include what may be the most understated disclaimer in history: “Other factors contributed. Some conservatives and fossil-fuel interests questioned the link between carbon emissions and global warming.” Some! Really???

Now to the ‘backfire’ part of this. This is just maddening. If environmentalists aren’t careful, it says, sufficient support for an adequate policy response might go away. Go away! As though it was ever even close to being there in the first place. They cite Al Gore’s 2006 ‘Inconvenient Truth’ as contributing to backlash and division. Do they think no one has any memory whatsoever? Let me remind those who don’t. Before “Inconvenient Truth’ there was close to ZERO widespread public concern about climate change. This film was a watershed in opening people’s eyes to the pending climate calamity and getting people to take the issue seriously. The backlash was not about the particulars of the argument, the backlash was against how effective it was in bringing the nation closer to actually doing something about it. The article says a better ‘tactic’ is to emphasize ‘popular solutions.’ Only one problem with ‘popular solutions.’ They don’t come ANYWHERE CLOSE TO BEING ADEQUATE solutions.

And finally, please please just stop saying it is the responsibility of ‘environmentalists’ to come up with tactics to persuade the rest of us, who by implication are perfectly entitled to sit back and not take our responsibilities on this issue seriously unless and until ‘environmentalists’ come up with arguments that are appealing to us in every way. Gaaaaah!

Brasil e Suécia se aliam para pesquisar mudanças climáticas (Ascom do MCTI)

JC e-mail 4929, de 08 de abril de 2014

Workshop bilateral discutirá desafios, adaptação e iniciativas estratégicas

Novas frentes de diálogo e colaboração devem sair do Workshop Bilateral Brasil-Suécia sobre os Desafios das Mudanças Climáticas – Adaptação e Iniciativas Estratégicas, promovido por três dias, até quarta-feira (9), pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC) em parceria com o Conselho de Pesquisa da Suécia (VR, na sigla original).

Observador do encontro, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, ressaltou durante a cerimônia de abertura, nesta segunda-feira (7), o caráter singular da parceria: “Chamou minha atenção, inicialmente, a oportunidade de colocar em contato cientistas suecos e brasileiros que trabalham em mudanças climáticas, uma visão de grandes contrastes”.

Nobre comentou diferenças ambientais entre as duas nações. “Nas altas latitudes, especialmente no Ártico, existe certamente uma preocupação muito grande dos países escandinavos, em paralelo aos ecossistemas tropicais, também, de certo modo, ameaçados em médio e longo prazo pelas mudanças ambientais globais”, comparou. “Olhar a questão por esse ângulo dos contrastes vai permitir um avanço muito grande do planejamento de pesquisas conjuntas. Nós sempre aprendemos muito comparando coisas extremas.”

Para o presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, as experiências internacionais das duas agências governamentais facilitam a criação de laços transversais entre grupos científicos brasileiros e suecos. “Seguramente, sairemos daqui com uma proposta completa de montagem de um programa para aprofundar as pesquisas e a formação de recursos humanos nesse importante tema, que nos afeta a todos hoje, as mudanças climáticas.”

Representante do VR, a professora KerstinSahlin destacou o objetivo fundamental do evento – “pensar como podemos estabelecer um caminho para futuras colaborações” – e adiantou que os debates precisam buscar projetos de pesquisa conjunta com potencial de serem desenvolvidos. “Eu espero que possamos ter uma discussão aberta, informal e bastante construtiva”, disse.

Desafios climáticos
O diretor de Programas e Bolsas no País da Capes, Marcio de Castro, informou que o workshop deve gerar um edital de financiamento de pesquisa e colaboração binacional. “O tema proposto é mais do que atual, envolvendo mudanças climáticas e o impacto nas diferentes áreas do conhecimento”, afirmou. “E o que torna mais ainda oportuna a discussão é o relatório recente do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.”

Ministra da Embaixada da Suécia em Brasília, a conselheira PernillaJosefssonLazo classificou os desafios das mudanças no clima como “um dos mais importantes tópicos dos nossos tempos”. Ela recordou que um acordo entre os ministérios da Educação possibilitou a aproximação do VR com a Capes, por meio do programa Ciência sem Fronteiras, que, até o momento, ao todo, concedeu 172 bolsas para brasileiros estudarem no país nórdico.

O secretário do MCTI apresentou a liderança da pasta no financiamento de trabalhos nacionais na área, como a Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) – aperfeiçoada recentemente – e investimentos em tecnologias, a exemplo de sistemas de observação da Terra, incluindo sua capacidade de modelagem, e infraestrutura de supercomputação.

“Finalmente, o Brasil chegou a esse ponto importante, que é o fato de desenvolvermos uma capacidade autônoma de gerar cenários climáticos globais”, apontou Nobre. “Hoje, somos um dos poucos países do mundo que têm seus próprios grupos de modelagem e que geram cenários que podem vir a acontecer no nosso planeta na escala de décadas ou séculos.”

Na opinião do secretário, apesar dos avanços recentes na redução de emissões de gases de efeito estufa, o Brasil tem muito trabalho pela frente em adaptação a mudanças climáticas. Segundo ele, já existem iniciativas nos setores de agricultura e desastres naturais, mas o país também precisa desenvolver conhecimento avançado e implementar políticas públicas que contemplem água, biodiversidade e zonas costeiras, por exemplo.

(Rodrigo PdGuerra – Ascom do MCTI)
http://www.mcti.gov.br/index.php/content/view/353787/Brasil_e_Suecia_se_aliam_para_pesquisar_mudancas_climaticas.html

Brasil é o terceiro país do mundo com mais conflitos ecológicos (O Globo)

JC e-mail 4929, de 08 de abril de 2014

Segundo levantamento global, busca por recursos naturais prejudica comunidades tradicionais. Posição do país no ranking seria explicada pela abundância de projetos de infraestrutura relacionados ao meio ambiente

A exploração mineral, o desmatamento e a disputa por terras e água estão entre os maiores motivos de conflitos ambientais do mundo, segundo um levantamento internacional divulgado recentemente pela ONG Ejolt (Environmental Justice Organizations, Liabilities and Trade) e coordenado pela Universidade Autônoma de Barcelona (UAB). Os pesquisadores identificaram 945 casos em 78 países. Empatado com a Nigéria, o Brasil foi o terceiro colocado no ranking, com 58 casos, atrás apenas da Índia (112) e da Colômbia (77).

Os conflitos do país, segundo o Atlas Global de Justiça Ambiental, estão ligados à abundância de projetos de infraestrutura relacionados ao meio ambiente. São obras, como a construção de hidrelétricas, que dividem ativistas e empreiteiras; e o setor agrícola, cujas plantações invadem unidades de conservação.

– O crescimento da população mundial provocará uma busca cada vez mais intensa por commodities, e o Brasil, que é rico em terra, água, petróleo e minérios, será um alvo – descreve Leah Temper, coordenadora do Atlas. – E este recursos estão em terras ocupadas por indígenas, quilombolas e pequenos agricultores. Estes grupos serão os mais afetados.

Entre os conflitos ecológicos brasileiros estão episódios de grilagem para especulação imobiliária e a disputa por regiões que poderiam receber projetos como barragens hidrelétricas. São instalações que ampliam a geração de energia por uma matriz energética considerada limpa, mas que provocam alto impacto ambiental no local de sua construção.

Falhas na legislação
Apesar do processo de industrialização nacional ter catapultado nas décadas passadas, as exportações do Brasil são altamente dependentes de produtos do setor primário. Em 2012, metade dos produtos comercializados para outras nações vinham do agronegócio – carne, soja, etanol, por exemplo – e outros semiacabados, entre eles alumínio e aço bruto. O potencial econômico do campo leva extrativistas a se aventurarem em reservas indígenas.

Professor de Direito Ambiental da Fundação Getúlio Vargas, Rômulo Sampaio lembra que a exploração de commodities sempre gera disputa de interesses.

– O petróleo, por exemplo, provoca interesses nacionais, conservacionais e do mercado privado – destaca. – No campo, o problema fundiário torna o conflito ainda mais agudo, devido à desigualdade na distribuição de propriedades.

Sampaio atribui os dilemas ambientais e suas consequências sociais a falhas graves na legislação.

– Não há uma discussão sobre como lidar com os conflitos – condena. – Falta uma orientação, uma política pública. O debate só aparece na hora de implementação de cada projeto. Por isso, aumenta o número de ações no Judiciário.

A Fiocruz realiza, desde o ano passado, um catálogo sobre injustiças ambientais no Brasil. O órgão foi uma das fontes do mapeamento da UAB e, em trabalhos independentes, destaca os danos à saúde coletiva provocados pelos conflitos ecológicos. Nas grandes cidades, moradores no entorno de lixões estão sujeitos a doenças respiratórias, dengue e leptospirose.

Já a atuação da indústria em áreas próximas a rios leva à alteração do ciclo reprodutivo da fauna, a doenças cardíacas e à insegurança alimentar.

– Analisamos denúncias de problemas de saúde causados por conflitos ecológicos, como a contaminação de rios por agrotóxicos – revela Marcelo Firpo Porto, professor do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, da Escola Nacional de Saúde Pública. – As doenças estão ligadas à degradação dos ecossistemas.

Em seu novo mapeamento, a Fiocruz já identificou 450 casos de conflito ecológico no Brasil.

– Levamos ao mapeamento da UAB os casos mais emblemáticos, relacionados ao comércio internacional – conta. – Mas conhecemos muitas outras ocorrências, de âmbito regional ou nacional.

No Rio, por exemplo, a Zona Oeste registra dois casos que seriam atentados à justiça ambiental. O polo industrial de Santa Cruz já provocou emissões de uma poeira de ferro e carbono, que causa danos ao aparelho respiratório.

Na Barra da Tijuca, moradores de comunidades vizinhas à Vila do Autódromo são ameaçadas de remoção devido à especulação imobiliária. A região receberá instalações para os Jogos Olímpicos. Segundo a Fiocruz, alterações já realizadas pelo assoreamento de recursos hídricos no local pioram a qualidade de vida da população.

Para Sampaio, as comunidades urbanas e rurais têm em comum a falta de mobilização, que permite a sobrevivência de problemas seculares.

– Não existe uma organização social entre as comunidades menos favorecidas, o que prejudica sua representatividade – assinala.

Leah, que está à frente da organização do Atlas, reconhece que o mapeamento ainda tem um longo caminho para percorrer. Nesta primeira edição, o trabalho contou com a adesão de 23 universidades e ONGs de justiça ambiental de 18 países.

‘Dívida ambiental’
O levantamento não chegou a regiões expressivas do planeta, como a China, a Ásia Central e o Oriente Médio.

– Temos muitos lugares em branco no mapa – reconhece. – Mas, agora que ele é público, vamos convidar pesquisadores e ativistas dessas regiões para documentar outros conflitos e expandir o nosso conhecimento.

A coordenadora do Atlas, no entanto, assegura que a iniciativa já confirma um padrão histórico.

– O Hemisfério Sul continua suprindo as nações desenvolvidas com manufaturas de baixo preço e pagam um alto preço ecológico. As nações ricas têm uma “dívida ambiental” – analisa.

(Renato Grandelle/O Globo)
http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/brasil-o-terceiro-pais-do-mundo-com-mais-conflitos-ecologicos-12121947#ixzz2yIX5l16X

Nova partícula injetável de oxigênio acende a possibilidade de viver sem respirar (O Globo)

JC e-mail 4929, de 08 de abril de 2014

Após a injeção na corrente sanguínea, cápsulas colidem com as células vermelhas do sangue e fornecem o oxigênio

Um grupo de cientistas desenvolveu uma série de micropartículas cheias de oxigênio que podem ser injetadas na corrente sanguínea e manter as pessoas vivas, mesmo quando as entradas dos pulmões estão obstruídas. Tratam-se de minúsculas cápsulas (de 2 a 4 micrômetros) feitos com uma única camada de lipídio em torno de uma pequena bolha de gás oxigênio. A cápsula é suspensa em um líquido para que as bolhas não fiquem maiores (o que as tornaria mortais). A novidade foi divulgada pelo blog científico “from quarks to quasars” e publicada na revista científica “Pubmed”.

Após a injeção na corrente sanguínea, as cápsulas colidem com as células vermelhas do sangue, que fornecerão o oxigênio para as células. Em testes anteriores, cerca de 70% do gás injetado fez com sucesso seu caminho para a corrente sanguínea. Este método de injeção foi tão bem sucedido que os cientistas conseguiram manter vivos coelhos com a traqueia bloqueada por quinze minutos.

A novidade levanta a seguinte dúvida a ser respondida após testes seguintes: será que podemos manter um fluxo constante de respiração mesmo debaixo da água, podendo viver lá para sempre?

http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/nova-particula-injetavel-de-oxigenio-acende-possibilidade-de-viver-sem-respirar-12115505#ixzz2yJ62v0VK

A Rough Ride to the Future by James Lovelock, review (The Telegraph)

James Lovelock argues that climate change may not be the fault of rapacious humanity but the constructive chaos that attends a new infrastructure

James Lovelock, the author of A Rough Ride to the Future

James Lovelock, the author of A Rough Ride to the Future. Photo: EPA

As the inventor of Gaia theory, James Lovelock is used to thinking big. Ever since he came up with the idea that the planet and its inhabitants form one vast, self-regulating system – initially scoffed at, but now taken seriously across a variety of disciplines – his focus has been wider than that of his more hidebound colleagues.

In A Rough Ride to the Future, Lovelock outlines a new theory. He argues that since 1712, the year in which the Newcomen steam engine was created, we have moved into a new age, the Anthropocene, in which humanity’s ability to liberate energy and information from the Earth has rapidly outpaced both Darwinian evolution and the planet’s ability to cope.

What is refreshing about Lovelock’s approach to these issues is that it is blessedly free of dogma. He does not blame humanity for doing what comes naturally: exploiting the wonders available to it. And he is happy to outline the gaps in our understanding of climate science, not least the role of living beings in helping to regulate the system.

This clarity extends to his conclusions. Ultimately, he suggests, climate change is down to ignorance, not negligence – but while we do not yet know its exact contours, the process is both extremely serious and probably unfixable. Unlike the situation with CFCs, or chlorofluorocarbons, a generation ago, there are too many actors – countries, companies and individual humans – that would need to be cudgelled into self-denial if the status quo were to be retained.

Where he differs from the consensus, however, is in suggesting that this might not be such a bad thing. What we are seeing around us, Lovelock argues, may be the large-scale destruction of the planet’s ecosystem by rapacious humanity. But it may also be “no more than the constructive chaos that always attends the installation of a new infrastructure”.

Humanity is already concentrating itself in bigger and bigger cities, so rather than trying to “save the Earth”, or restore some artificial version of a normal climate, why not live comfortable lives in clustered, air-conditioned mega-cities? This serves ants and termites perfectly well, he argues – as well as the inhabitants of Singapore.

The problem is that while many of Lovelock’s ideas are fascinating, the book as a whole fails to match their clarity. There are disconnected sections on the virtues of the lone scientist; on why invention is better than pure research; on the reaction to Gaia theory; and so on. It is clear throughout that Lovelock, now in his nineties, has led a fascinating life, with frequent offhand mentions of consulting for Nasa or devising instruments that proved the contamination of the environment by CFCs. In a typically Lovelockian sentence, the author claims – probably accurately – to have developed the world’s first working microwave, using it in the lab “to reanimate chilled small animals and to cook my lunch”. One finds oneself longing for a full autobiography, rather than these bits and pieces.

The reader certainly gets the sense that Lovelock doesn’t suffer fools – or much of modernity – gladly. “A Faraday or a Darwin,” he laments, “would [today] be buried in paperwork, and obliged to spend their time solving problems concerning health and safety and political correctness, today’s equivalent of the theocratic oppression of Galileo.” Elsewhere, he insists that “the internet has made the human world a monstrous village with an ever-growing population of nags, scolds and officious fools”. Well, up to a point, m’lud.

Whether you enjoy this book, then, will depend on your tolerance for big ideas and awkward constructions. Perhaps the most refreshing aspect of it is that Lovelock extends his lack of cant to the role of humanity as a whole. Just as it is ludicrous to think that the world was precision-engineered for our benefit, so it is arrogant and short-sighted to imagine that the coming centuries must be devoted to the preservation of humanity in its current form.

Perhaps, he suggests, we are not the end point of civilisation but its John the Baptists – the species that either gave birth to, or merged with, a species of electronic life that can supervise and preserve Gaia for centuries to come. That, Lovelock believes, would truly be an achievement. And if it sounds far-fetched – well, they laughed at the Gaia hypothesis, too.

A Rough Ride to the Future by James Lovelock

208pp, Allen Lane, Telegraph offer price £18 (PLUS £1.35 p&p). Call 0844 871 1515 or see books.telegraph.co.uk

Repercussões do novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)

Brasil já se prepara para adaptações às mudanças climáticas, diz especialista (Agência Brasil)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Com base no relatório do IPCC,dirigente do INPE disse que o Brasil já revela um passo adiante em termos de adaptação às mudanças climáticas

Com o título Mudanças Climáticas 2014: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade, o relatório divulgado ontem (31) pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sinaliza que os efeitos das mudanças do clima já estão sendo sentidos em todo o mundo. O relatório aponta que para se alcançar um aquecimento de apenas 2 graus centígrados, que seria o mínimo tolerável para que os impactos não sejam muito fortes, é preciso ter emissões zero de gases do efeito estufa, a partir de 2050.

“O compromisso é ter emissões zero a partir de 2040 /2050, e isso significa uma mudança de todo o sistema de desenvolvimento, que envolve mudança dos combustíveis”, disse hoje (1º) o chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestr,e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), José Marengo, um dos autores do novo relatório do IPCC. Marengo apresentou o relatório na Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro, e destacou que alguns países interpretam isso como uma tentativa de frear o crescimento econômico. Na verdade, ele assegurou que a intenção é chegar a um valor para que o aquecimento não seja tão intenso e grave.

Com base no relatório do IPCC, Marengo comentou que o Brasil já revela um passo adiante em termos de adaptação às mudanças climáticas. “Eu acho que o Brasil já escutou a mensagem. Já está começando a preparar o plano nacional de adaptação, por meio dos ministérios do Meio Ambiente e da Ciência, Tecnologia e Inovação”. Essa adaptação, acrescentou, é acompanhada de avaliações de vulnerabilidades, “e o Brasil é vulnerável às mudanças de clima”, lembrou.

A adaptação, segundo ele, atenderá a políticas governamentais, mas a comunidade científica ajudará a elaborar o plano para identificar regiões e setores considerados chave. “Porque a adaptação é uma coisa que muda de região e de setor. Você pode ter uma adaptação no setor saúde, no Nordeste, totalmente diferente do Sul. Então, essa é uma política que o governo já está começando a traçar seriamente”.

O plano prevê análises de risco em setores como agricultura, saúde, recursos hídricos, regiões costeiras, grandes cidades. Ele está começando a ser traçado como uma estratégia de governo. Como as vulnerabilidades são diferentes, o plano não pode criar uma política única para o país. Na parte da segurança alimentar, em especial, José Marengo ressaltou a importância do conhecimento indígena, principalmente para os países mais pobres.

Marengo afiançou, entretanto, que esse plano não deverá ser concluído no curto prazo. “É uma coisa que leva tempo. Esse tipo de estudo não pode ser feito em um ou dois anos. É uma coisa de longo prazo, porque vai mudando continuamente. Ou seja, é um plano dinâmico, que a cada cinco anos tem que ser reavaliado e refeito. Poucos países têm feito isso, e o Brasil está começando a elaborar esse plano agora”, manifestou.

Marengo admitiu que a adaptação às mudanças climáticas tem que ter também um viés econômico, por meio da regulação. “Quando eu falo em adaptação, é uma mistura de conhecimento científico para identificar que área é vulnerável. Mas tudo isso vem acompanhado de coisas que não são climáticas, mas sim, econômicas, como custos e investimento. Porque adaptação custa dinheiro. Quem vai pagar pela adaptação? “, indagou.

O IPCC não tem uma posição a respeito, embora Marengo mencione que os países pobres querem que os ricos paguem pela sua adaptação às mudanças do clima. O tema deverá ser abordado na próxima reunião da 20ª Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima COP-20, da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorrerá em Lima, no Peru, no final deste ano.

Entretanto, o IPCC aponta situações sobre o que está ocorrendo nas diversas partes do mundo, e o que poderia ser feito. As soluções, salientou, serão indicadas no próximo relatório do IPCC, cuja divulgação é aguardada para este mês. O relatório, segundo ele, apontará que “a solução está na mitigação”. Caso, por exemplo, da redução das emissões de gases de efeito estufa, o uso menor de combustíveis fósseis e maior uso de fontes de energia renováveis, novas opções de combustíveis, novas soluções de tecnologia, estabilização da população. “Tudo isso são coisas que podem ser consideradas”. Admitiu, porém, que são difíceis de serem alcançadas, porque alguns países estão dispostos a isso, outros não. “É uma coisa que depende de acordo mundial”.

De acordo com o relatório do IPCC, as tendências são de aumento da temperatura global, aumento e diminuição de precipitações (chuvas), degradação ambiental, risco para as áreas costeiras e a fauna marinha, mudança na produtividade agrícola, entre outras. A adaptação a essas mudanças depende do lugar e do contexto. A adaptação para um setor pode não ser aplicável a outro. As medidas visando a adaptação às mudanças climáticas devem ser tomadas pelos governos, mas também pela sociedade como um todo e pelos indivíduos, recomendam os cientistas que elaboraram o relatório.

Para o Nordeste brasileiro, por exemplo, a construção de cisternas pode ser um começo no sentido de adaptação à seca. Mas isso tem de ser uma busca permanente, destacou José Marengo. Observou que programas de reflorestamento são formas de mitigação e, em consequência, de adaptação, na medida em que reduzem as emissões e absorvem as emissões excedentes.

No Brasil, três aspectos se distinguem: segurança hídrica, segurança energética e segurança alimentar. As secas no Nordeste e as recentes enchentes no Norte têm ajudado a entender o problema da vulnerabilidade do clima, acrescentou o cientista. Disse que, de certa forma, o Brasil tem reagido para enfrentar os extremos. “Mas tem que pensar que esses extremos podem ser mais frequentes. A experiência está mostrando que alguns desses extremos devem ser pensados no longo prazo, para décadas”, salientou.

O biólogo Marcos Buckeridge, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e membro do IPCC, lembrou que as queimadas na Amazônia, apesar de mostrarem redução nos últimos anos, ainda ocorrem com intensidade. “O Brasil é o país que mais queima floresta no mundo”, e isso leva à perda de muitas espécies animais e vegetais, trazendo, como resultado, impactos no clima.

Para a pesquisadora sênior do Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas – Centro Clima da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Carolina Burle Schmidt Dubeux, a economia da adaptação deve pensar o gerenciamento também do lado da demanda. Isso quer dizer que tem que englobar não só investimentos, mas também regulação econômica em que os preços reflitam a redução da oferta de bens. “Regulação econômica é muito importante para que a gente possa se adaptar [às mudanças do clima]. As políticas têm que refletir a escassez da água e da energia elétrica e controlar a demanda”, apontou.

Segundo a pesquisadora, a internalização de custos ambientais nos preços é necessária para que a população tenha maior qualidade de vida. “A questão da adaptação é um constante gerenciamento do risco das mudanças climáticas, que é desconhecido e imprevisível”, acrescentou. Carolina defendeu que para ocorrer a adaptação, deve haver uma comunicação constante entre o governo e a sociedade. “A mídia tem um papel relevante nesse processo”, disse.

(Agência Brasil)

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Mudanças climáticas ameaçam produtos da cesta básica brasileira (O Globo)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Dieta será prejudicada por queda das safras e da atividade pesqueira

Os impactos das mudanças climáticas no país comprometerão o rendimento das safras de trigo, arroz, milho e soja, produtos fundamentais da cesta básica do brasileiro. Outro problema desembarca no litoral. Segundo prognósticos divulgados esta semana pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), grandes populações de peixes deixarão a zona tropical nas próximas décadas, buscando regiões de alta latitude. Desta forma, a pesca artesanal também é afetada.

A falta de segurança alimentar também vai acometer outros países. Estima-se que a atividade agrícola da União Europeia caia significativamente até o fim do século. Duas soluções já são estudadas. Uma seria aumentar as importações – o Brasil seria um importante mercado, se conseguir nutrir a sua população e, além disso, desenvolver uma produção excedente. A outra possibilidade é a pesquisa de variedades genéticas que deem resistência aos alimentos diante das novas condições climáticas.

– Os eventos extremos, mesmo quando têm curta duração, reduzem o tamanho da safra – contou Marcos Buckeridge, professor do Departamento de Botânica da USP e coautor do relatório do IPCC, em uma apresentação realizada ontem na Academia Brasileira de Ciências. – Além disso, somos o país que mais queima florestas no mundo, e a seca é maior justamente na Amazônia Oriental, levando a perdas na agricultura da região.

O aquecimento global também enfraquecerá a segurança hídrica do país.

– É preciso encontrar uma forma de garantir a disponibilidade de água no semiárido, assim como estruturas que a direcione para as áreas urbanas – recomenda José Marengo, climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e também autor do relatório.

Marengo lembra que o Nordeste enfrenta a estiagem há três anos. Segundo ele, o uso de carros-pipa é uma solução pontual. Portanto, outras medidas devem ser pensadas. A transposição do Rio São Francisco também pode não ser suficiente, já que a região deve passar por um processo de desertificação até o fim do século.

De acordo com um estudo realizado em 2009 por diversas instituições brasileiras, e que é citado no novo relatório do IPCC, as chuvas no Nordeste podem diminuir até 2,5mm por dia até 2100, causando perdas agrícolas em todos os estados da região. O déficit hídrico reduziria em 25% a capacidade de pastoreiro dos bovinos de corte. O retrocesso da pecuária é outro ataque à dieta do brasileiro.

– O Brasil perderá entre R$ 719 bilhões e R$ 3,6 trilhões em 2050, se nada fizer . Enfrentaremos perda agrícola e precisaremos de mais recursos para o setor hidrelétrico – alerta Carolina Dubeux, pesquisadora do Centro Clima da Coppe/UFRJ, que assina o documento. – A adaptação é um constante gerenciamento de risco.

(Renato Grandelle / O Globo)
http://oglobo.globo.com/ciencia/mudancas-climaticas-ameacam-produtos-da-cesta-basica-brasileira-12061170#ixzz2xjSEUoVy

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Impactos mais graves no clima do país virão de secas e de cheias (Folha de S.Paulo)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Brasileiros em painel da ONU dizem que país precisa se preparar para problemas opostos em diferentes regiões

As previsões regionais do novo relatório do IPCC (painel do clima da ONU) aponta como principais efeitos da mudança climática no país problemas na disponibilidade de água, com secas persistentes em alguns pontos e cheias recordes em outros. Lançado anteontem no Japão, o documento do grupo de trabalho 2 do IPCC dá ênfase a impactos e vulnerabilidades provocados pelo clima ao redor do mundo. Além de listar os principais riscos, o documento ressalta a necessidade de adaptação aos riscos projetados. No Brasil, pela extensão territorial, os efeitos serão diferentes em cada região.

Além de afetar a floresta e seus ecossistemas, a mudança climática deve prejudicar também a geração de energia, a agricultura e até a saúde da população. “Tudo remete à água. Onde nós tivermos problemas com a água, vamos ter problemas com outras coisas”, resumiu Marcos Buckeridge, professor da USP e um dos autores do relatório do IPCC, em entrevista coletiva com outros brasileiros que participaram do painel.

Na Amazônia, o padrão de chuvas já vem sendo afetado. Atualmente, a cheia no rio Madeira já passa dos 25 m –nível mais alto da história– e afeta 60 mil pessoas. No Nordeste, que nos últimos anos passou por secas sucessivas, as mudanças climáticas podem intensificar os períodos sem chuva, e há um risco de que o semiárido vire árido permanentemente.

Segundo José Marengo, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e um dos autores principais do documento, ainda é cedo para saber se a seca persistente em São Paulo irá se repetir no ano que vem ou nos outros, mas alertou que é preciso que o Brasil se prepare melhor.

MITIGAR E ADAPTAR
O IPCC fez previsões para diferentes cenários, mas, basicamente, indica que as consequências são mais graves quanto maiores os níveis de emissões de gases-estufa. “Se não dá para reduzir as ameaças, precisamos pelo menos reduzir os riscos”, disse Marengo, destacando que, no Brasil, nem sempre isso acontece. No caso das secas, a construção de cisternas e a mobilização de carros-pipa seriam alternativas de adaptação. Já nos locais onde deve haver aumento nas chuvas, a remoção de populações de áreas de risco, como as encostas, seria a alternativa.

Carolina Dubeux, da UFRJ, que também participa do IPCC, afirma que, para que haja equilíbrio entre oferta e demanda, é preciso que a economia reflita a escassez dos recursos naturais, sobretudo em áreas como agricultura e geração de energia. “É necessário que os preços reflitam a escassez de um bem. Se a água está escassa, o preço dela precisa refletir isso. Não podemos só expandir a oferta”, afirmou.

Neste relatório, caiu o grau de confiança sobre projeções para algumas regiões, sobretudo em países em desenvolvimento. Segundo Carlos Nobre, secretário do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, isso não significa que o documento tenha menos poder político ou científico.

Everton Lucero, chefe de clima no Itamaraty, diz que o documento será importante para subsidiar discussões do próximo acordo climático mundial. “Mas há um desequilíbrio entre os trabalhos científicos levados em consideração pelo IPCC, com muito mais ênfase no que é produzido nos países ricos. As nações em desenvolvimento também produzem muita ciência de qualidade, que deve ter mais espaço”, disse.

(Giuliana Miranda/Folha de S.Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/159305-impactos-mais-graves-no-clima-do-pais-virao-de-secas-e-de-cheias.shtml

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Relatório do IPCC aponta riscos e oportunidades para respostas (Ascom do MCTI)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Um total de 309 cientistas de 70 países, entre coordenadores, autores, editores e revisores, foram selecionados para produzir o relatório

O novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) diz que os efeitos das mudanças climáticas já estão ocorrendo em todos os continentes e oceanos e que o mundo, em muitos casos, está mal preparado para os riscos. O documento também conclui que há oportunidades de repostas, embora os riscos sejam difíceis de gerenciar com os níveis elevados de aquecimento.

O relatório, intitulado Mudanças Climáticas 2014: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade, foi elaborado pelo Grupo de Trabalho 2 (GT 2) do IPCC e detalha os impactos das mudanças climáticas até o momento, os riscos futuros e as oportunidades para uma ação eficaz para reduzir os riscos. Os resultados foram apresentados à imprensa brasileira em entrevista coletiva no Rio de Janeiro nesta terça-feira (1º).

Um total de 309 cientistas de 70 países, entre coordenadores, autores, editores e revisores, foram selecionados para produzir o relatório. Eles contaram com a ajuda de 436 autores contribuintes e 1.729 revisores especialistas.

Os autores concluem que a resposta às mudanças climáticas envolve fazer escolhas sobre os riscos em um mundo em transformação, assinalando que a natureza dos riscos das mudanças climáticas é cada vez mais evidente, embora essas alterações também continuem a produzir surpresas. O relatório identifica as populações, indústrias e ecossistemas vulneráveis ao redor do mundo.

Segundo o documento, o risco da mudança climática provém de vulnerabilidade (falta de preparo), exposição (pessoas ou bens em perigo) e sobreposição com os riscos (tendências ou eventos climáticos desencadeantes). Cada um desses três componentes pode ser alvo de ações inteligentes para diminuir o risco.

“Vivemos numa era de mudanças climáticas provocadas pelo homem”, afirma o copresidente do GT 2 Vicente Barros, da Universidade de Buenos Aires, Argentina. “Em muitos casos, não estamos preparados para os riscos relacionados com o clima que já enfrentamos. Investimentos num melhor preparo podem melhorar os resultados, tanto para o presente e para o futuro.”

Reação
A adaptação para reduzir os riscos das mudanças climáticas começa a ocorrer, mas com um foco mais forte na reação aos acontecimentos passados do que na preparação para um futuro diferente, de acordo com outro copresidente do GT, Chris Field, da Carnegie Institution for Science, dos Estados Unidos.

“A adaptação às mudanças climáticas não é uma agenda exótica nunca tentada. Governos, empresas e comunidades ao redor do mundo estão construindo experiência com a adaptação”, explica Field. “Esta experiência constitui um ponto de partida para adaptações mais ousadas e ambiciosas, que serão importantes à medida que o clima e a sociedade continuam a mudar”.

Riscos futuros decorrentes das mudanças no clima dependem fortemente da quantidade de futuras alterações climáticas. Magnitudes crescentes de aquecimento aumentam a probabilidade de impactos graves e generalizados que podem ser surpreendentes ou irreversíveis.

“Com níveis elevados de aquecimento, que resultam de um crescimento contínuo das emissões de gases de efeito estufa, será um desafio gerenciar os riscos e mesmo investimentos sérios e contínuos em adaptação enfrentarão limites”, afirma Field.

Problemas
Impactos observados da mudança climática já afetaram a agricultura, a saúde humana, os ecossistemas terrestres e marítimos, abastecimento de água e a vida de algumas pessoas. A característica marcante dos impactos observados é que eles estão ocorrendo a partir dos trópicos para os polos, a partir de pequenas ilhas para grandes continentes e dos países mais ricos para os mais pobres.

“O relatório conclui que as pessoas, sociedades e ecossistemas são vulneráveis em todo o mundo, mas com vulnerabilidade diferentes em lugares diferentes. As mudanças climáticas muitas vezes interagem com outras tensões para aumentar o risco”, diz Chris Field.

A adaptação pode desempenhar um papel-chave na redução destes riscos, observa Vicente Barros. “Parte da razão pela qual a adaptação é tão importante é que, devido à mudança climática, o mundo enfrenta uma série de riscos já inseridos no sistema climático, acentuados pelas emissões passadas e infraestrutura existente”.

Field acrescenta: “A compreensão de que a mudança climática é um desafio na gestão de risco abre um leque de oportunidades para integrar a adaptação com o desenvolvimento econômico e social e com as iniciativas para limitar o aquecimento futuro. Nós definitivamente enfrentamos desafios, mas compreender esses desafios e ultrapassá-los de forma criativa pode fazer da adaptação à mudança climática uma forma importante de ajudar a construir um mundo mais vibrante em curto prazo e além”.

Conteúdo
O relatório do GT 2 é composto por dois volumes. O primeiro contém Resumo para Formuladores de Políticas, Resumo Técnico e 20 capítulos que avaliam riscos por setor e oportunidades para resposta. Os setores incluem recursos de água doce, os ecossistemas terrestres e oceânicos, costas, alimentos, áreas urbanas e rurais, energia e indústria, a saúde humana e a segurança, além dos meios de vida e pobreza.

Em seus dez capítulos, o segundo volume avalia os riscos e oportunidades para a resposta por região. Essas regiões incluem África, Europa, Ásia, Australásia (Austrália, a Nova Zelândia, a Nova Guiné e algumas ilhas menores da parte oriental da Indonésia), América do Norte, América Central e América do Sul, regiões polares, pequenas ilhas e oceanos.

Acesse a contribuição do grupo de trabalho (em inglês) aqui ou no site da instituição.

A Unidade de Apoio Técnico do GT 2 é hospedada pela Carnegie Institution for Science e financiada pelo governo dos Estados Unidos.

Mapa
“O relatório do Grupo de Trabalho 2 é outro importante passo para a nossa compreensão sobre como reduzir e gerenciar os riscos das mudanças climáticas”, destaca o presidente do IPCC, RajendraPachauri. “Juntamente com os relatórios dos grupos 1 e 3, fornece um mapa conceitual não só dos aspectos essenciais do desafio climático, mas as soluções possíveis.”

O relatório do GT 1 foi lançado em setembro de 2013, e o do GT 3 será divulgado neste mês. O quinto relatório de avaliação (AR5) será concluído com a publicação de uma síntese em outubro.

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima é o organismo internacional para avaliar a ciência relacionada à mudança climática. Foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnuma), para fornecer aos formuladores de políticas avaliações regulares da base científica das mudanças climáticas, seus impactos e riscos futuros, e opções para adaptação e mitigação.

Foi na 28ª Sessão do IPCC, realizada em abril de 2008, que os membros do painel decidiram preparar o AR5. O documento envolveu 837 autores e editores de revisão.

(Ascom do MCTI, com informações do IPCC)
http://www.mcti.gov.br/index.php/content/view/353700/Relatorio_do_IPCC_aponta_riscos_e_oportunidades_para_respostas.html

Professor da USP defende golpe de 64, e alunos invadem a aula (O Globo)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Coletivo Canto Geral protestou contra discurso do docente Eduardo Gualazzi em homenagem à ‘revolução’. Professor de Direito Administrativo diz que universitários pediram aula sobre a ditadura

No dia em que o golpe militar de 64 completou 50 anos, nesta segunda-feira, o professor Eduardo Lobo Botelho Gualazzi, de Direito Administrativo da USP, resolveu homenagear o que ele denominou de “revolução”. Após iniciar a leitura de um discurso em que afirmou que apoiou “humildemente, em silêncio firme, a revolução de 31 de março de 1964” , um grupo de alunos começou a fazer barulho do lado de fora da sala, simulando cenas de tortura comuns na época da ditadura. Veja, acima, o vídeo postado no YouTube.

Em seguida, os estudantes entraram em sala encapuzados cantando “Opinião”, um hino contra o regime militar, de Zé Ketti. O professor retirou o capuz de uma universitária e tentou segurar outro aluno. Preso e torturado na ditadura, o ex-militante Antonio Carlos Fon, que havia sido convidado para o protesto, dirigiu-se a Gualazzi dizendo que não concordavam com o que ele dizia, “mas ninguém trouxe máquina de choque nem vai botar pau de arara”. Na sequência, o professor saiu de sala, enquanto o ato do Coletivo Canto Geral continuou.

Segundo a aluna Camila Sátolo, uma das organizadoras do ato, o professor, já há alguns anos, faz referências e apologias ao que ele chama de “revolução de 64”. De acordo com a estudante, que faz parte do Canto Geral, Gualazzi já havia programado uma aula especial para a data, e há algumas semanas começara a espalhar isso para sua turma, dizendo que iria falar sobre suas memórias da “revolução”.

– Muitos estudantes incomodados procuraram se articular para questionar a aula planejada pelo professor no mesmo dia em que o país tenta re-significar sua memória, relembrando a resistência ao regime militar e lutando por verdade e justiça. Minutos antes da aula ficamos sabendo que o professor havia preparado um documento oficial no qual confirmou seu apoio dentre outras barbaridades. O professor, entretanto, nem se dispôs a escutar a fala do Fon e se retirou da sala – contou Camila, aluna do 5º período de Direito.

Professor diz achar estranho repercussão sobre ‘assunto banal’
Professor de direito administrativo há 40 anos, Eduardo Gualazzi disse ao GLOBO “achar estranho dar tanta repercussão a um assunto tão banal”.

– Foi uma aula comum, a respeito de fatos que presenciei quando eu tinha 17 anos de idade. São recordações vagas, de um passado remoto. Qualquer ser humano nascido no Brasil tem recordações daquela época. Não sei por que ficam dando à minha aula uma importância que ela não tem – disse Gualazzi, para quem a qualquer momento se encontrará no pátio da universidade “uma série de alunos manifestando-se contra ou a favor de qualquer coisa”.

– Eles estão exercendo o direito de manifestação, são jovens, estão começando a vida. Estão começando a desenvolver capacidades de argumentação lógica, jurídica, administrativa. Isso tudo é absolutamente normal – completou.

Perguntado sobre a relação entre o texto lido em sala e a disciplina ministrada na universidade, o professor alegou ter atendido a um pedido dos próprios alunos:

– Preparei um texto histórico. Os alunos me pediram uma aula a respeito disso, porque sabem que tenho idade. São jovenzinhos, curiosos, querem saber o que aconteceu naquela época. Como sabem que tenho 67 anos, me pediram. Alguns até elogiaram e consideram uma ofensa o que outros fizeram contra mim.

A Faculdade de Direito da USP informou no fim da tarde desta terça-feira que ainda não decidiu se vai se pronunciar sobre o assunto.

(Lauro Neto E Thiago Herdy / O Globo)
http://oglobo.globo.com/educacao/professor-da-usp-defende-golpe-de-64-alunos-invadem-aula-12057932#ixzz2xjUT2de4

A ditadura venceu (Folha de S.Paulo)

Vladimir Safatle

01/04/2014 03h00

Hoje é o dia que marca, afinal, os 50 anos do golpe militar ocorrido em 1º de abril de 1964. Durante as últimas semanas, a sociedade brasileira foi obrigada a ler afirmações de personagens como o senhor Leônidas Pires Gonçalves, primeiro ministro do Exército pós-ditadura, insultando o país ao dizer que: “a revolução (sic) não matou ninguém” e que ela teria sido uma necessidade histórica.

Antes, correntistas do banco Itaú, uma instituição tão organicamente ligada à ditadura que teve um de seus donos, o senhor Olavo Setúbal, nomeado prefeito biônico da cidade de São Paulo, receberam uma singela agenda onde se lia que o dia de hoje seria o aniversário da dita “revolução”. Ninguém, nem nas Forças Armadas nem no setor empresarial que tramou e alimentou o golpe teve a dignidade de pedir à sociedade perdão por um regime que destruiu o país.

É claro que ainda hoje há os que procuram minimizar a ditadura afirmando que ela foi responsável por conquistas econômicas relevantes. Raciocínio semelhante foi, por um tempo, utilizado no Chile.

Tanto em um caso quanto no outro esse raciocínio é falso. A inflação brasileira em 1963 era de 78%. Vinte anos depois, em 1983, era de 239%. O endividamento chegou, ao final da ditadura, a US$ 100 bilhões, legando um país de economia completamente cartelizada, que se transformara na terceira nação mais desigual do mundo e cujas decisões eram tomadas não pelo ministro da economia, mas pelos tecnocratas do Fundo Monetário Internacional chefiados pela senhora Ana Maria Jul. A concentração e a desigualdade se acentuaram, o êxodo rural destruiu nossas cidades, a educação pública foi destroçada, a começar por nossas universidades.

Mas o maior exemplo desse revisionismo histórico encontra-se na crença, de 68% da população brasileira, de que aquele era um período de menos corrupção. Alguém deveria enviar para cada uma dessas pessoas os dossiês de casos como: Coroa-Brastel, Capemi, Projeto Jari, Lutfalla, Banco Econômico, Transamazônica e Paulipetro.

Tudo isso apenas demonstra o fracasso que foi, até agora, o dever de memória sobre a ditadura.

Mas o que poderíamos esperar de governos, como o de Fernando Henrique Cardoso, cujos fiadores eram Antônio Carlos Magalhães e Jorge Bornhausen, e de Luiz Inácio Lula da Silva/Dilma Rousseff, que tem em José Sarney um de seus pilares e em Antonio Delfim Netto um de seus principais conselheiros?

Como esperar uma verdadeira política contra a ditadura de governos que dependem de figuras vindas diretamente da ditadura?

Foi assim, de maneira silenciosa, que a ditadura venceu.

Governo de SP institui cobrança por água de áreas protegidas (Portal do Meio Ambiente)

PUBLICADO 01 ABRIL 2014

Rio Passareúva, no Parque Estadual da Serra do Mar, em Cubatão, área de proteção de manancial próxima à Baixada Santista
(Foto: Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo/Trilhas de São Paulo)

Um decreto publicado pelo governo de São Paulo na sexta-feira (28.mar) estabeleceu, entre outras medidas, que o uso da água produzida em parques, estações ecológicas e outras unidades de conservação do estado poderá ser cobrado para gerar novos recursos a serem aplicados na gestão dessas áreas.

Assinado ontem pelo governador Geraldo Alckmin, o decreto 60.302 de 2014 prevê também para unidades de conservação (UCs) a destinação de um percentual fixo sobre a arrecadação de pedágios de rodovias que atravessam essas áreas. A Secretaria do Meio Ambiente (SMA), com o apoio de outros órgãos do estado, deverá apresentar no prazo máximo de dois anos um estudo com proposta de percentual a ser adotado e do mecanismo para viabilizar essa transferência de recursos.

Pedágios

A cobrança pelo uso de água é estabelecida na norma publicada hoje em seu artigo 38, para as unidades de conservação estaduais sem discriminar categorias dessas áreas. Desse modo, em princípio, fica aberta a possibilidade de recursos para as 31 reservas particulares de patrimônio natural, as RPPNs.

No entanto, a publicação prevê a receita proveniente de pedágios somente para as UCs classificadas como de proteção integral, que são os parques estaduais, as estações ecológicas, os monumentos naturais e os refúgios de vida silvestre.

Planos e metas

Em suas linhas gerais, o decreto estabelece novas regras de articulação entre os órgãos estaduais envolvidos com áreas protegidas, principalmente a Fundação Florestal e o Instituto Florestal.

A publicação de hoje obriga os gestores de UCs do estado a apresentar, até o dia 30 de outubro de cada ano, plano de metas anual, que deverá especificar ações e despesas previstos para o ano seguinte. Em cada unidade, o plano deverá ser apreciado pelo respectivo conselho — que é formado por representantes da comunidade nomeados pelo governo — para ser em seguida aprovado pelo dirigente do órgão estadual responsável.

Impactos ambientais

Outra novidade do decreto envolve empresas de captação e distribuição de água, de telefonia celular, de transmissão de energia elétrica, de distribuição de derivados de petróleo e outras que possuem instalações e equipamentos dentro de UCs. Essas companhias passam a ter a obrigação de cuidar permanentemente para que seus oleodutos, gasodutos, torres de transmissão, tubulações, vias de acesso ou outras instalações não gerem novos impactos ambientais além daqueles previstos no licenciamento de suas atividades, como estabelece o artigo 31:

Os empreendedores, permissionários e concessionários responsáveis por abertura e/ou manutenção de acessos de uso exclusivo necessários aos seus empreendimentos, no interior das unidades de conservação de proteção integral, deverão manter controle diuturno desses acessos para fins de conservação dos atributos ambientais da unidade de conservação.

Um bom exemplo da necessidade desse dispositivo está nos chamados bairros-cota de Cubatão, que resultaram de invasões em áreas do Parque Estadual da Serra do Mar durante e depois das obras das rodovias Anchieta e Imigrantes, aconteceram debaixo do nariz de todo mundo. E — pior — nesse caso o empreendedor foi o próprio governo do estado.

Abrangência

As unidades de conservação da Secretaria do Meio Ambiente abrangem 47 mil quilômetros quadrados, que correspondem a 18,9% da área total do estado de São Paulo.

Elas estão distribuídas em 31 RPPNs, 30 áreas de proteção ambiental, 37 parques estaduais, 26 estações ecológicas, 15 florestas estaduais, cinco reservas de desenvolvimento sustentável, quatro áreas de relevante interesse ecológico, dois viveiros florestais, dois monumentos naturais e uma reserva extrativista.

Há, portanto, algumas boas novidades em meio aos 51 artigos do decreto baixado hoje. Esses e outros aspectos merecem ser analisados em profundidade. Inclusive porque resta saber se as novas medidas serão eficazes para o objetivo de proteção das UCs.

Vale questionar, por exemplo, se valerá retroativamente para as empresas permissionárias ou concessionárias já licenciadas a obrigação sobre instalações e equipamentos dentro de UCs. Vamos aguardar.

Exoesqueleto do projeto ‘Walk Again’ funciona em teste documentado no Facebook (O Globo)

JC e-mail 4924, de 01 de abril de 2014

Voluntários já estão treinando em um laboratório de São Paulo para usar a veste robótica

Um paraplégico se levanta da cadeira de rodas, anda e dá o primeiro chute da Copa do Mundo de 2014 vestindo um exoesqueleto robótico controlado pela mente. O traje robótico complexo, construído a partir de ligas leves e alimentado por sistema hidráulico, foi construído por Gordon Cheng, da Universidade Técnica de Munique, e tem a função de trabalhar os músculos da perna paralisada.

O exoesqueleto é fruto de anos de trabalho de uma equipe internacional de cientistas e engenheiros do projeto “Walk Again”, liderado pelo brasileiro Miguel Nicolelis, que lança nesta terça-feira, em sua página no Facebook, a documentação do projeto até as vésperas da Copa do Mundo. Nicolelis já está treinando em um laboratório de São Paulo nove homens e mulheres paraplégicos, com idades de 20 a 40 anos, para usar o exoesqueleto. Três deles serão escolhidos para participar do jogo de abertura entre Brasil e Croácia.

No mês passado, a equipe de pesquisadores foi a jogos de futebol em São Paulo para verificar se a radiação do telefone móvel das multidões pode interferir com o processo. As ondas eletromagnéticas poderiam fazer o exoesqueleto se comportar mal, mas os testes foram animadores. As chances de mau funcionamento são poucas.

O voluntário que usar o exoesqueleto vestirá também um boné equipado com eletrodos para captar suas ondas cerebrais. Estes sinais serão transmitidos para um computador em uma mochila, onde serão descodificados e usados para mover condutores hidráulicos na roupa. O exoesqueleto é alimentado por uma bateria que permite a duas horas de uso contínuo.

Sob os pés do operador estarão placas com sensores para detectar quando o contato é feito com o solo. A cada pisada, um sinal dispara até um dispositivo vibratório costurado no antebraço da camisa do usuário. O dispositivo parece enganar o cérebro, que pensar que a sensação vem de seu pé. Em simulações de realidade virtual, os pacientes sentiram que suas pernas estavam se movendo e tocando alguma coisa. Em outros testes, os pacientes usaram o sistema para andar em uma esteira.

http://oglobo.globo.com/ciencia/exoesqueleto-do-projeto-walk-again-funciona-em-teste-documentado-no-facebook-12053200#ixzz2xe8W6LR5

Exclusivo: bolivianos culpam Brasil por enchentes e desejam processar o país por danos e prejuízos de bilhões de dólares (+RO)

21/02/2014

http://maisro.com.br/

Walter Justiniano: esta tragédia é como a Crônica de Uma Morte Anunciada, de Gabriel Garcia Marquez

Mais um imbróglio vem aí pela frente envolvendo as usinas do rio Madeira, o progresso e a discórdia. O consultor ambiental boliviano, Walter Justiniano Martinez, 54, de Guayaramerin (Bolívia), tem em mãos um relatório onde consta que o Brasil é o culpado pelas enchentes na Bolívia, que culminou com 60 pessoas mortas e 90 mil cabeças de gados perdidas. O prejuízo é de cerca de 50 milhões de dólares e mais de 40 mil hectares de culturas agrícolas afetadas. Segundo ele, “o governo boliviano sabia dos problemas que seriam provocados pelas barragens das usinas de Jirau e Santo Antônio e não fez nada a este respeito”. Explicando, as represas de Jirau e Santo Antônio não deixam a água escoar, culminando com enchentes rio acima, pegando o Beni. As fortes chuvas que caem sobre a Bolívia agravaram ainda mais o problema. Veja no mapa abaixo.

As represes de Jirau e S. Antônio alagaram o Beni

Bolívia conhecia os efeitos de barragens brasileiras na Amazônia.  O governo sabia que as barragens construídas na bacia do rio Madeira causariam grandes inundações no país por mais de seis anos.

Em 2006, o ministro dos Negócios estrangeiros David Choquehuanca, enviou uma carta para seu homólogo brasileiro manifestando o o perigo da construção destas barragens para a Bolívia. O governo boliviano  já tinha alertado sobre os impactos há mais de sete anos.

Cerca de 90 mil cabeças de gado perdidas

Na nota enviada por Choquehuanca, citado em La Razón (jornal boliviano), argumentou-se que entre os impactos prováveis “é considerado a inundação do território boliviano, como um efeito dos reservatórios que afetarão, de um lado, a existência da Floresta Amazônica, na bacia do Madeira, as riquezas em castanha”.

O processo de consulta bi-nacional com vários encontros e reuniões presidenciais, ministeriais e técnicas foi lançado em novembro do mesmo ano. O II encontro técnico realizado nos dias 30 e 31 de outubro de 2008, em La Paz, a troca de informações sobre os projetos hidrelétricos Jirau e Santo Antonio. Bolívia, então, expressa seu aborrecimento pela ausência de delegados técnicos suficientes, do Brasil, apesar do compromisso.
No mesmo tempo, organizações camponesas da Bolívia e do Brasil criaram o movimento em defesa da bacia do Rio Madeira e a Região Amazônica.
Estudos e declarações de organizações de proteção ambiental também alertaram para os riscos, incluindo a Liga de Defesa do Ambiente (Lidema), que, em 2009, exortou o governo “em conformidade com os acordos internacionais, independentemente da agenda positiva com o governo brasileiro”.
Em 2011, um seminário sobre projetos de energia no Brasil, o Vice Ministro Juan Carlos Alurralde, disse à Reuters que o governo não estava satisfeito com os relatórios do Brasil em defesa da hidrelétrica e esperava mais esclarecimentos e garantias.

Um prejuízo de 50 bilhões de dólares

Então, o primeiro secretário da Embaixada do Brasil na Bolívia, Ruy Ciarlini, disse à Reuters que eles tinham “dados científicos que mostram que não há nenhum risco”. Até ontem, em Beni foram relatadas 84 mil carcaças (gado) e perdas de 50 milhões de dólares. Mais de 39 mil hectares de culturas afetadas, enquanto o número de vítimas cresce dia a dia devido às enchentes.

O presidente Evo Morales, solicitou na terça-feira,  investigações sobre o impacto das enchentes  no Beni.

Fonte: +RO http://www.maisro.com 

Relatório do IPCC sugere adaptação baseada em ecossistemas (Estado de S.Paulo)

JC e-mail 4923, de 31 de março de 2014

Modelo adotado no Brasil e região foi indicado como alternativa a infraestutura cara

Além das recomendações usuais para que os países invistam mais em infraestrutura para aumentar sua resiliência às mudanças climáticas, no novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado neste domingo, 30, ganhou espaço uma alternativa mais barata que pode, em alguns locais, conseguir efeitos parecidos: a adaptação baseada em ecossistemas.

O tema aparece em maior ou menor profundidade em cerca de metade dos capítulos e teve destaque especial no capítulo regional de América Central e do Sul, onde técnicas como criação de áreas protegidas, acordos para conservação e manejos comunitários de áreas naturais estão sendo testadas.

Mas o que isso tem a ver com adaptação? De acordo com o ecólogo Fabio Scarano, da Conservação Internacional, e um dos autores do capítulo, a ideia é fortalecer serviços ecossistêmicos que são fundamentais. Um ambiente bem preservado tem a capacidade de prover um clima estável, o fornecimento de água, a presença de polinizadores. “Como se fosse uma infraestrutura da própria natureza”, diz.

Como premissa, está a conservação da natureza aliada ao incentivo do seu uso sustentável – a fim também de evitar a pobreza, que é um dos principais motores da vulnerabilidade de populações.

“Normalmente quando se fala em adaptação se pensa na construção de grandes estruturas, como um dique, por exemplo, para evitar uma inundação. O que em geral é muito caro, mas em uma adaptação baseada em ecossistemas, conservar a natureza e usá-la bem é uma forma de diminuir a vulnerabilidade das pessoas às mudanças climáticas”, afirma.

Ele cita como exemplo uma região costeira em que o mangue tenha sido degradado. “Esse ecossistema funciona como uma barreira. Em um cenário de ressacas mais fortes, elevação do nível do mar, a costa vai ficar mais vulnerável, será necessário construir diques. Mas se mantém o mangue em pé e se oferece um auxílio para que as pessoas possam ter uma economia básica desse mangue, com técnicas mais sustentáveis, e elas recebam para mantê-lo assim, vai ser mais barato do que depois ter de fazer um dique.”

Segundo o pesquisador, para ser mais resiliente é importante acabar com a pobreza e preservar a natureza. “Se for possível ter os dois, a gente consegue o tão falado desenvolvimento sustentável”, opina.

(Giovana Girardi / Estado de S.Paulo)
http://www.estadao.com.br/noticias/vida,relatorio-do-ipcc-sugere-adaptacao-baseada-em-ecossistemas,1147134,0.htm

Outras matérias sobre o assunto:

O Globo
Painel da ONU apresenta medidas contra aquecimento global
http://oglobo.globo.com/ciencia/painel-da-onu-apresenta-medidas-contra-aquecimento-global-12038245#ixzz2xXy60bbZ

Valor Econômico
Mudança do clima afeta a todos e está acontecendo agora, alerta IPCC
http://www.valor.com.br/internacional/3500174/mudanca-do-clima-afeta-todos-e-esta-acontecendo-agora-alerta-ipcc#ixzz2xYAtWVsg

Chuvas no Sul e no Sudeste podem voltar ao normal só em 2016 (Agência Brasil)

JC e-mail 4923, de 31 de março de 2014

Para o Brasil, o fenômeno indica a possibilidade de as chuvas no centro-sul do país só voltaram ao normal no verão de 2016

A origem da crise energética provocada pela estiagem no Sul e no Sudeste no início do ano pode estar do outro lado do mundo. Segundo meteorologistas ouvidos pela Agência Brasil, o país está sendo afetado por um ciclo natural de resfriamento do Oceano Pacífico, que se reflete em alterações climáticas em grande parte do planeta. Para o Brasil, o fenômeno indica a possibilidade de as chuvas no centro-sul do país só voltaram ao normal no verão de 2016.

Chamado de oscilação interdecadal do Pacífico ou oscilação decadal do Pacífico (PDO, na sigla em inglês), o processo caracteriza-se pela sucessão entre fases quentes e frias na área tropical do Oceano Pacífico. Os ciclos duram de 20 a 30 anos e são mais amplos que os fenômenos El Niño e La Niña, que se alternam de dois a sete anos. Em 1999, o oceano entrou numa fase fria, que deve durar até 2025 e se reflete em El Niños brandos e La Niñas mais intensos.

Atualmente, o Pacífico está no auge do ciclo de resfriamento, o que, segundo os especialistas, historicamente provoca quatro anos seguidos de verões com chuvas abaixo do normal na região Centro-Sul do Brasil. “Desde 2012, tem chovido abaixo da média no Sul, no Sudeste e em parte do Centro-Oeste durante o verão. A princípio, o que está sendo desenhado é as chuvas só voltarem à média em 2016”, diz o meteorologista Alexandre Nascimento, especialista em análises climáticas da Climatempo.

A partir do segundo semestre, os modelos climáticos apontam a chegada de um novo El Niño, com chuvas no Sul e seca no Nordeste. No entanto, por causa do resfriamento do Oceano Pacífico, o El Niño deverá ser mais fraco que o normal e insuficiente para recompor os reservatórios. “O próximo verão deverá ter mais chuva que o anterior, mas as chuvas tendem a continuar irregulares no Sul e no Sudeste”, adverte Nascimento.

O El Niño é o aquecimento do Oceano Pacífico na região equatorial. Pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Mary Kayano estudou a relação entre esse fenômeno e a oscilação decadal do Pacífico e constatou um padrão. “Em fases frias da PDO, os El Niños são mais brandos. Tanto que o último El Niño forte ocorreu em 1997, quando o Oceano Pacífico estava numa fase quente”, diz. Ela, no entanto, evita fazer prognósticos sobre o próximo verão. Segundo a pesquisadora, o Inpe emite previsões somente para os próximos três meses.

O comportamento histórico, no entanto, indica que o resfriamento do Pacífico está afetando o Brasil. Segundo o diretor-geral da MetSul Meteorologia, Eugenio Hackbart, o Brasil enfrentou uma sequência de verões com estiagem entre o fim dos anos 1950 e o início da década de 1960, quando o Pacífico atravessava um pico de temperaturas baixas. “Os padrões de circulação atmosférica hoje estão semelhantes aos daquela época”, compara.

Além das chuvas irregulares durante o verão, o resfriamento do Oceano Pacífico traz efeitos distintos conforme as regiões do país, com invernos mais rigorosos no Sul e no Sudeste. “Ano passado, chegou a nevar perto de Florianópolis”, lembra Hackbart. O fenômeno provoca ainda cheias acima da média no Amazonas e no Pará. No entanto, esclarece o diretor da MetSul, não está relacionado à cheia do Rio Madeira, decorrente de chuvas atípicas na Bolívia.

Apesar das chuvas acima da média na maior parte do país em março, Nascimento, da Climatempo, considera que os reservatórios não devem voltar a subir com rapidez por causa do tipo de chuva que tem atingido a região e da chegada da estação seca ao Centro-Sul nos próximos meses. “A verdade é que os reservatórios só enchem com chuvas generalizadas, que duram vários dias e são constantes. Até agora, temos registrado pancadas, que podem ser fortes, mas são eventos isolados”, explica.

Mesmo com a possibilidade de mais um verão com chuvas abaixo da média, os meteorologistas recomendam cuidado com os prognósticos. “A maioria dos estudos sobre os ciclos no Oceano Pacífico é recente. A gente precisa de séries históricas mais longas para compreender a extensão do fenômeno”, diz a pesquisadora do Inpe. Hackbart levanta dúvidas sobre a intensidade do próximo El Niño. “Alguns modelos e especialistas dizem que o próximo El Niño tem chances de ser forte. Nesse caso, as chuvas podem ser mais intensas e ajudar os reservatórios”, pondera.

Aquecimento global contribuiu pouco para estiagem no Centro-Sul (Agência Brasil)

JC e-mail 4923, de 31 de março de 2014

A combinação entre o resfriamento do Oceano Pacífico, que tem provocado chuvas abaixo da média nos últimos anos no Centro-Sul do país, e o aquecimento anormal da porção sul do Atlântico provocou a estiagem

Apontado como o vilão das mudanças climáticas, o aquecimento global tem o papel questionado na estiagem que atingiu o Sul e o Sudeste no início do ano. Para os meteorologistas ouvidos pela Agência Brasil, as emissões de gás carbônico, no máximo, pioraram o calor no Sul e no Sudeste, mas não foram a causa do verão mais seco no Centro-Sul desde o início das medições, em 1931.

A combinação entre o resfriamento do Oceano Pacífico, que tem provocado chuvas abaixo da média nos últimos anos no Centro-Sul do país, e o aquecimento anormal da porção sul do Atlântico provocou a estiagem. As águas aquecidas próximas à costa brasileira fortaleceram um sistema de alta pressão que impediu a entrada de frentes frias e aumentou o calor em janeiro e fevereiro. No entanto, a relação entre a alteração no Atlântico e o aquecimento global ainda não é clara.

“A estiagem foi mais grave que o previsto justamente por causa do sistema de alta pressão do Atlântico que bloqueou as frentes frias, mas não há comprovação de que o Atlântico ficou mais quente por causa do aquecimento global”, explica o diretor-geral da MetSul Meteorologia, Eugenio Hackbart.

Para o especialista em tendências climáticas da Climatempo, Alexandre Nascimento, o aquecimento global está mais relacionado a eventos isolados, como enchentes e furacões, do que a fenômenos de vários anos de duração, como o ciclo de temperaturas baixas no Oceano Pacífico. Ele também questiona se o calor foi consequência apenas das emissões de gás carbônico. “A seca foi tão quente por causa do aquecimento global ou por causa do desmatamento e do crescimento das cidades? As associações não são tão simples”, opina.

Esqueleto-robô da Copa usará técnica já criticada por criador (Folha de S.Paulo)

JC e-mail 4923, de 31 de março de 2014

Cientista Miguel Nicolelis muda método para fazer criança paraplégica dar chute inicial na competição

Na abertura da Copa do Mundo do Brasil, uma criança com lesão medular usando um exoesqueleto dará o pontapé inicial da competição. A demonstração pública será o primeiro resultado do projeto “Andar de Novo”, liderado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. Mas uma recente mudança na maneira como serão captados os sinais cerebrais que controlarão o exoesqueleto traz dúvidas sobre os avanços do projeto no campo da neurociência.

Em sua carreira, Nicolelis sempre fez uma defesa intransigente do implante de eletrodos dentro do cérebro para captar a atividade simultânea de neurônios individuais. Era crítico de métodos não invasivos, como a eletroencefalografia (EEG) –técnica desenvolvida no começo do século passado que usa eletrodos colocados no couro cabeludo para obter tais registros.

Até pelo menos maio do ano passado, Nicolelis ainda dava declarações públicas sobre o desenvolvimento de eletrodos para serem implantados. Mas a partir de outubro de 2013, passou a dizer que usaria sinais obtidos por EEG. Críticas a essa técnica estão em seu livro, em artigos e já rendeu até embates públicos.

Em artigo publicado em 2008 na revista “Scientific American Brasil” e assinado com John Chapin, Nicolelis diz: “Os sinais de EEG, no entanto, não podem ser usados diretamente em próteses de membros, pois mostram a atividade elétrica média de populações amplas de neurônios. É difícil extrair desses sinais as pequeníssimas variações necessárias para codificar movimentos precisos dos braços ou das mãos.”

Em um debate da Associação Americana para o Avanço da Ciência de 2013, o brasileiro dirigiu provocações a Todd Coleman, da Universidade da Califórnia em San Diego, que pesquisa a EEG para controlar próteses. Na ocasião, Nicolelis disse que “haverá aplicações de implantes invasivos porque eles são muito melhores do que dispositivos de superfície”.

Segundo Márcio Dutra Moraes, neurocientista da UFMG, a mudança de metodologia é uma modificação “conceitual em como abordar a questão”. Ele aponta que isso ocorreu não porque a EEG é melhor, mas porque a proposta original era “estupidamente mais complexa” e o uso da EEG simplifica muito as coisas, ainda que não traga nenhum avanço substancial. Segundo Moraes, a mudança “certamente se deu pela impossibilidade de resolver de forma satisfatória e ética o projeto inicial dentro do limite de tempo imposto pela Copa”.

Segundo um cientista com experiência internacional que não quis se identificar, o projeto atual, como será apresentado na Copa, não justificaria os R$ 33 milhões investidos pelo governo.

Edward Tehovnik, pesquisador do Instituto do Cérebro da UFRN, chegou a trabalhar com Nicolelis, mas rompeu com o cientista, que o demitiu. Ele questiona quanto da demonstração de junho será controlada pelo exoesqueleto e quanto será controlada pelo cérebro da criança.

“Minha análise, baseada nos dados publicados, sugere que menos de 1% do sinal virá do cérebro da criança. Os outros 99% virão do robô”. E ele pergunta: “Será mesmo a criança paralisada que vai chutar a bola?”.

Sergio Neuenschwander, professor titular da UFRN, diz que a opção pelo EEG é uma mudança muito profunda no projeto original. Ele diz que é possível usar sinais de EEG para dar comandos ao robô, mas isso é diferente de obter o que seria o código neural de andar, sentar, chutar etc.

“O fato de ele ter optado por uma mudança de técnica mostra o tamanho do desafio pela frente.”

(Fernando Tadeu Moraes/Folha de S.Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/158644-esqueleto-robo-da-copa-usara-tecnica-ja-criticada-por-criador.shtml

Concea aprova proposta sobre a substituição progressiva aos testes com animais (Concea)

JC e-mail 4923, de 31 de março de 2014

Câmara Temporária da entidade analisou petição da organização não governamental Humane Society International

Em reunião ordinária realizada no dia 20 de março, o plenário do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) aprovou proposta da Câmara Temporária Métodos Alternativos Substitutivos que sugere a substituição progressiva e segura dos testes com animais por métodos alternativos validados.

A Câmara Temporária recomendou o reconhecimento dos métodos alternativos validados por Centros de Validação, ou por estudos colaborativos internacionais, e aceitos por órgãos oficiais que tenham como objetivo a redução ou a substituição do uso de animais. A proposta foi aprovada pela plenária da 23ª Reunião Ordinária do Concea.

O trabalho da Câmara Temporária teve como foco inicial analisar petição da organização não governamental Humane Society International (HSI) para o banimento de ensaios em animais para cosméticos. Entretanto, por entender que a questão é mais ampla, recomendou que a substituição não se limitasse aos experimentos relacionados a produtos cosméticos e alcançasse toda a cadeia de compostos de produtos químicos.

Para os métodos alternativos validados reconhecidos pelo Concea, fica proibida a utilização de animais, após cinco anos de aprovação do referido método. Este período é necessário para que a infraestrutura laboratorial e os recursos humanos estejam adequados e capacitados para a realização dos ensaios substitutivos. Os métodos alternativos devem ser executados corretamente para não colocar em risco a saúde humana, a dos próprios animais e o meio ambiente.

O Concea deliberou, ainda, pela criação de Câmara Temporária que estabelecerá um cronograma de implementação dos métodos já validados.

O processo de reconhecimento dos métodos alternativos será estabelecido pelo Concea, por meio de Resolução Normativa.

(Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal – Concea)

Global warming dials up our risks, UN report says (AP)

By SETH BORENSTEIN, 30 March 2014

FILE – In this Aug. 20, 2013 file photo, Syrian refugees cross into Iraq at the Peshkhabour border point in Dahuk, 260 miles (430 kilometers) northwest of Baghdad, Iraq. In an authoritative report due out Monday, March 31, 2014, a United Nations climate panel for the first time is connecting hotter global temperatures to hotter global tempers. Top scientists are saying that climate change will complicate and worsen existing global security problems, such as civil wars, strife between nations and refugees. (AP Photo/Hadi Mizban, File)
FILE – In this Dec. 17, 2011 file photo, an Egyptian protester throws a stone toward soldiers, unseen, as a building burns during clashes near Tahrir Square, in Cairo, Egypt. In an authoritative report due out Monday, March 31, 2014, a United Nations climate panel for the first time is connecting hotter global temperatures to hotter global tempers. Top scientists are saying that climate change will complicate and worsen existing global security problems, such as civil wars, strife between nations and refugees. (AP Photo/Ahmad Hammad, File).
FILE – In this Nov. 10, 2013 file photo, a survivor walks by a large ship after it was washed ashore by strong waves caused by powerful Typhoon Haiyan in Tacloban city, Leyte province, central Philippines. Freaky storms like 2013’s Typhoon Haiyan, 2012’s Superstorm Sandy and 2008’s ultra-deadly Cyclone Nargis may not have been caused by warming, but their fatal storm surges were augmented by climate change’s ever rising seas, Maarten van Aalst, a top official at the International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies said. Global warming is driving humanity toward a whole new level of many risks, a United Nations scientific panel reports, warning that the wild climate ride has only just begun. (AP Photo/Aaron Favila, File).
FILE – This Nov. 9, 2013 file photo provided by NASA shows Typhoon Haiyan taken by astronaut Karen L. Nyberg aboard the International Space Station. Freaky storms like 2013’s Typhoon Haiyan, 2012’s Superstorm Sandy and 2008’s ultra-deadly Cyclone Nargis may not have been caused by warming, but their fatal storm surges were augmented by climate change’s ever rising seas, Maarten van Aalst, a top official at the International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies said. Global warming is driving humanity toward a whole new level of many risks, a United Nations scientific panel reports, warning that the wild climate ride has only just begun. (AP Photo/NASA, Karen L. Nyberg, File).
FILE – This May 6, 2008 file photo, shows an aerial view of devastation caused by Cyclone Nargis, seen at an unknown location in Myanmar. Freaky storms like 2013’s Typhoon Haiyan, 2012’s Superstorm Sandy and 2008’s ultra-deadly Cyclone Nargis may not have been caused by warming, but their fatal storm surges were augmented by climate change’s ever rising seas, Maarten van Aalst, a top official at the International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies said. Global warming is driving humanity toward a whole new level of many risks, a United Nations scientific panel reports, warning that the wild climate ride has only just begun. (AP Photo/File).
FILE – This Oct. 31, 2012 file photo, shows an aerial view of the damage to an amusement park left in the wake of Superstorm Sandy, in Seaside Heights, N.J. Freaky storms like 2013’s Typhoon Haiyan, 2012’s Superstorm Sandy and 2008’s ultra-deadly Cyclone Nargis may not have been caused by warming, but their fatal storm surges were augmented by climate change’s ever rising seas, Maarten van Aalst, a top official at the International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies said. Global warming is driving humanity toward a whole new level of many risks, a United Nations scientific panel reports, warning that the wild climate ride has only just begun. (AP Photo/Mike Groll, File)
FILE – In this Oct. 22, 2005 file photo, a motorcyclist rides past a mountain of trash, sheet rock and domestic furniture, removed from homes damaged by Hurricane Katrina, at one of three dump areas setup for that purpose, in New Orleans, LA. In the cases of the big storms like Haiyan, Sandy and Hurricane Katrina in 2005, the poor were the most vulnerable, a United Nations scientific panel reports said. The report talks about climate change helping create new pockets of poverty and “hotspots of hunger” even in richer countries, increasing inequality between rich and poor. (AP Photo/Nati Harnik, File)
FILE – In this Aug. 7, 2010 file photo, a firefighter tries to stop a forest fire near the village of Verkhnyaya Vereya in Nizhny Novgorod region, some 410 km (255 miles) east of Moscow. Twenty-first century disasters such as killer heat waves in Europe, wildfires in the United States, droughts in Australia and deadly flooding in Mozambique, Thailand and Pakistan highlight how vulnerable humanity is to extreme weather, says a massive new report from a Nobel Prize-winning group of scientists released early Monday, March 31, 2014. (AP Photo/Alexander Zemlianichenko Jr., File)
FILE - This Nov. 13, 2013 file photo, shows typhoon damaged fuel tanks along the coast in Tanawan, central Philippines. A United Nations panel of scientists has drafted a list of eight ``key risks” about climate change that’s easy to understand and illustrates the issues that have the greatest potential to cause harm to the planet. The list is part of a massive report on how global warming is affecting humans and the planet and how the future will be worse unless something is done about it. The report is being finalized at a meeting on the weekend of March 29, 2014 by the Intergovernmental Panel on Climate Change. (AP Photo/Wally Santana, File)
FILE – This Nov. 13, 2013 file photo, shows typhoon damaged fuel tanks along the coast in Tanawan, central Philippines. A United Nations panel of scientists has drafted a list of eight “key risks” about climate change that’s easy to understand and illustrates the issues that have the greatest potential to cause harm to the planet. The list is part of a massive report on how global warming is affecting humans and the planet and how the future will be worse unless something is done about it. The report is being finalized at a meeting on the weekend of March 29, 2014 by the Intergovernmental Panel on Climate Change. (AP Photo/Wally Santana, File)
CJ. Yokohama (Japan), 31/03/2014.- Renate Christ, Secretary of the IPCC attends a press conference during the 10th Plenary of Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) Working Group II and 38th Session of the IPCC in Yokohama, south of Tokyo, Japan, 31 March 2014. The IPCC announced that the effects of climate change are already taking place globally on all continents and across ocean waters. Although the world today is not prepared for risks resulting from a climate change, there are opportunities to act on such risks. EFE/EPA/CHRISTOPHER JUE
CJ. Yokohama (Japan), 31/03/2014.- Renate Christ, Secretary of the IPCC attends a press conference during the 10th Plenary of Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) Working Group II and 38th Session of the IPCC in Yokohama, south of Tokyo, Japan, 31 March 2014. The IPCC announced that the effects of climate change are already taking place globally on all continents and across ocean waters. Although the world today is not prepared for risks resulting from a climate change, there are opportunities to act on such risks. EFE/EPA/CHRISTOPHER JUE
CJ. Yokohama (Japan), 31/03/2014.- Rajendra Pachauri (L) Chairman of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) and Christopher Field (R), IPCC Working Group II Co-Chair attend a press conference during the tenth Plenary IPCC Working Group II and 38th Session of the IPCC in Yokohama, south of Tokyo, Japan, 31 March 2014. The IPCC announced that the effects of climate change are already taking place globally on all continents and across ocean waters. Although the world today is not prepared for risks resulting from a climate change, there are opportunities to act on such risks. EFE/EPA/CHRISTOPHER JUE
CJ. Yokohama (Japan), 31/03/2014.- Rajendra Pachauri (L) Chairman of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) and Christopher Field (R), IPCC Working Group II Co-Chair attend a press conference during the tenth Plenary IPCC Working Group II and 38th Session of the IPCC in Yokohama, south of Tokyo, Japan, 31 March 2014. The IPCC announced that the effects of climate change are already taking place globally on all continents and across ocean waters. Although the world today is not prepared for risks resulting from a climate change, there are opportunities to act on such risks. EFE/EPA/CHRISTOPHER JUE
CJ. Yokohama (Japan), 31/03/2014.- Christopher Field, IPCC Working Group II Co-Chair, speaks at a press conference during the tenth Plenary of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) Working Group II and 38th Session of the IPCC in Yokohama, south of Tokyo, Japan, 31 March 2014. The IPCC announced that the effects of climate change are already taking place globally on all continents and across ocean waters. Although the world today is not prepared for risks resulting from a climate change, there are opportunities to act on such risks. EFE/EPA/CHRISTOPHER JUE
CJ. Yokohama (Japan), 31/03/2014.- Christopher Field, IPCC Working Group II Co-Chair, speaks at a press conference during the tenth Plenary of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) Working Group II and 38th Session of the IPCC in Yokohama, south of Tokyo, Japan, 31 March 2014. The IPCC announced that the effects of climate change are already taking place globally on all continents and across ocean waters. Although the world today is not prepared for risks resulting from a climate change, there are opportunities to act on such risks. EFE/EPA/CHRISTOPHER JUE
Smoke is discharged from chimneys at a plant in Tokyo, Tuesday, March 25, 2014. Along with the enormous risks global warming poses for humanity are opportunities to improve public health and build a better world, scientists gathered in Yokohama for a climate change conference said Tuesday. (AP Photo/Eugene Hoshiko)
Smoke is discharged from chimneys at a plant in Tokyo, Tuesday, March 25, 2014. Along with the enormous risks global warming poses for humanity are opportunities to improve public health and build a better world, scientists gathered in Yokohama for a climate change conference said Tuesday. (AP Photo/Eugene Hoshiko)
Demonstrators participate in a silence protest in front of a conference hall where the Intergovernmental Panel on Climate Change is meeting in Yokohama, near Tokyo, Monday, March 31, 2014. (AP Photo/Shizuo Kambayashi)
Demonstrators participate in a silence protest in front of a conference hall where the Intergovernmental Panel on Climate Change is meeting in Yokohama, near Tokyo, Monday, March 31, 2014. (AP Photo/Shizuo Kambayashi)
Chairman of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) Rajendra K. Pachauri, center, speaks during a press conference in Yokohama, near Tokyo, Monday, March 31, 2014. (AP Photo/Shizuo Kambayashi)
Chairman of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) Rajendra K. Pachauri, center, speaks during a press conference in Yokohama, near Tokyo, Monday, March 31, 2014. (AP Photo/Shizuo Kambayashi)
A guard speaks on a mobile phone in front of demonstrators participating in a silence protest in front of a conference hall where the Intergovernmental Panel on Climate Change is meeting in Yokohama, near Tokyo, Monday, March 31, 2014. (AP Photo/Shizuo Kambayashi)
A guard speaks on a mobile phone in front of demonstrators participating in a silence protest in front of a conference hall where the Intergovernmental Panel on Climate Change is meeting in Yokohama, near Tokyo, Monday, March 31, 2014. (AP Photo/Shizuo Kambayashi)

YOKOHAMA, Japan (AP) — If the world doesn’t cut pollution of heat-trapping gases, the already noticeable harms of global warming could spiral “out of control,” the head of a United Nations scientific panel warned Monday.

And he’s not alone. The Obama White House says it is taking this new report as a call for action, with Secretary of State John Kerry saying “the costs of inaction are catastrophic.”

Rajendra Pachauri, chairman of the Intergovernmental Panel on Climate Change that issued the 32-volume, 2,610-page report here early Monday, told The Associated Press: “it is a call for action.” Without reductions in emissions, he said, impacts from warming “could get out of control.”

One of the study’s authors, Maarten van Aalst, a top official at the International Federation of the Red Cross and Red Crescent Societies, said, “If we don’t reduce greenhouse gases soon, risks will get out of hand. And the risks have already risen.”

Twenty-first century disasters such as killer heat waves in Europe, wildfires in the United States, droughts in Australia and deadly flooding in Mozambique, Thailand and Pakistan highlight how vulnerable humanity is to extreme weather, according to the report from the Nobel Prize-winning group of scientists. The dangers are going to worsen as the climate changes even more, the report’s authors said.

“We’re now in an era where climate change isn’t some kind of future hypothetical,” said the overall lead author of the report, Chris Field of the Carnegie Institution for Science in California. “We live in an area where impacts from climate change are already widespread and consequential.”

Nobody is immune, Pachauri and other scientists said.

“We’re all sitting ducks,” Princeton University professor Michael Oppenheimer, one of the main authors of the report, said in an interview.

After several days of late-night wrangling, more than 100 governments unanimously approved the scientist-written 49-page summary — which is aimed at world political leaders. The summary mentions the word “risk” an average of about 5 1/2 times per page.

“Changes are occurring rapidly and they are sort of building up that risk,” Field said.

These risks are both big and small, according to the report. They are now and in the future. They hit farmers and big cities. Some places will have too much water, some not enough, including drinking water. Other risks mentioned in the report involve the price and availability of food, and to a lesser and more qualified extent some diseases, financial costs and even world peace.

“Things are worse than we had predicted” in 2007, when the group of scientists last issued this type of report, said report co-author Saleemul Huq, director of the International Centre for Climate Change and Development at the Independent University in Bangladesh. “We are going to see more and more impacts, faster and sooner than we had anticipated.”

The problems have gotten so bad that the panel had to add a new and dangerous level of risks. In 2007, the biggest risk level in one key summary graphic was “high” and colored blazing red. The latest report adds a new level, “very high,” and colors it deep purple.

You might as well call it a “horrible” risk level, said van Aalst: “The horrible is something quite likely, and we won’t be able to do anything about it.”

The report predicts that the highest level of risk would first hit plants and animals, both on land and the acidifying oceans.

Climate change will worsen problems that society already has, such as poverty, sickness, violence and refugees, according to the report. And on the other end, it will act as a brake slowing down the benefits of a modernizing society, such as regular economic growth and more efficient crop production, it says.

“In recent decades, changes in climate have caused impacts on natural and human systems on all continents and across the oceans,” the report says.

And if society doesn’t change, the future looks even worse, it says: “Increasing magnitudes of warming increase the likelihood of severe, pervasive, and irreversible impacts.”

While the problems from global warming will hit everyone in some way, the magnitude of the harm won’t be equal, coming down harder on people who can least afford it, the report says. It will increase the gaps between the rich and poor, healthy and sick, young and old, and men and women, van Aalst said.

But the report’s authors say this is not a modern day version of the Four Horsemen of the Apocalypse. Much of what they warn of are more nuanced troubles that grow by degrees and worsen other societal ills. The report also concedes that there are uncertainties in understanding and predicting future climate risks.

The report, the fifth on warming’s impacts, includes risks to the ecosystems of the Earth, including a thawing Arctic, but it is far more oriented to what it means to people than past versions.

The report also notes that one major area of risk is that with increased warming, incredibly dramatic but ultra-rare single major climate events, sometimes called tipping points, become more possible with huge consequences for the globe. These are events like the melting of the Greenland ice sheet, which would take more than 1,000 years.

“I can’t think of a better word for what it means to society than the word ‘risk,'” said Virginia Burkett of the U.S. Geological Survey, one of the study’s main authors. She calls global warming “maybe one of the greatest known risks we face.”

Global warming is triggered by heat-trapping gases, such as carbon dioxide, that stay in the atmosphere for a century. Much of the gases still in the air and trapping heat came from the United States and other industrial nations. China is now by far the No. 1 carbon dioxide polluter, followed by the United States and India.

Unlike in past reports, where the scientists tried to limit examples of extremes to disasters that computer simulations can attribute partly to man-made warming, this version broadens what it looks at because it includes the larger issues of risk and vulnerability, van Aalst said.

Freaky storms like 2013’s Typhoon Haiyan, 2012’s Superstorm Sandy and 2008’s ultra-deadly Cyclone Nargis may not have been caused by warming, but their fatal storm surges were augmented by climate change’s ever rising seas, he said.

And in the cases of the big storms like Haiyan, Sandy and Hurricane Katrina in 2005, the poor were the most vulnerable, Oppenheimer and van Aalst said. The report talks about climate change helping create new pockets of poverty and “hotspots of hunger” even in richer countries, increasing inequality between rich and poor.

Report co-author Maggie Opondo of the University of Nairobi said that especially in places like Africa, climate change and extreme events mean “people are going to become more vulnerable to sinking deeper into poverty.” And other study authors talked about the fairness issue with climate change.

“Rich people benefit from using all these fossil fuels,” University of Sussex economist Richard Tol said. “Poorer people lose out.”

Huq said he had hope because richer nations and people are being hit more, and “when it hits the rich, then it’s a problem” and people start acting on it.

Part of the report talks about what can be done: reducing carbon pollution and adapting to and preparing for changing climates with smarter development.

The report echoes an earlier U.N. climate science panel that said if greenhouse gases continue to rise, the world is looking at another about 6 or 7 degrees Fahrenheit (3.5 or 4 degrees Celsius) of warming by 2100 instead of the international goal of not allowing temperatures to rise more than 2 degrees Fahrenheit (1.2 degrees Celsius). The difference between those two outcomes, Princeton’s Oppenheimer said, “is the difference between driving on an icy road at 30 mph versus 90 mph. It’s risky at 30, but deadly at 90.”

Tol, who is in the minority of experts here, had his name removed from the summary because he found it “too alarmist,” harping too much on risk.

But the panel vice chairman, Jean-Pascal van Ypersele, said that’s not quite right: “We are pointing for reasons for alarm … It’s because the facts and the science and the data show that there are reasons to be alarmed. It’s not because we’re alarmist.”

The report is based on more than 12,000 peer reviewed scientific studies. Michel Jarraud, secretary general of the World Meteorological Organization, a co-sponsor of the climate panel, said this report was “the most solid evidence you can get in any scientific discipline.”

Michael Mann, a climate scientist at Pennsylvania State University who wasn’t part of this report, said he found the report “very conservative” because it is based on only peer reviewed studies and has to be approved unanimously.

There is still time to adapt to some of the coming changes and reduce heat-trapping emissions, so it’s not all bad, said study co-author Patricia Romero-Lankao of the National Center for Atmospheric Research in Colorado.

“We have a closing window of opportunity,” she said. “We do have choices. We need to act now.”

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Online:

The Intergovernmental Panel on Climate Change: http://www.ipcc.ch

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Seth Borenstein can be followed at http://twitter.com/borenbears

Mexico: 21 native languages on verge of extinction (Eurasia Review)

MARCH 30, 2014

By Eurasia Review

Mexico has 143 native languages ​​, 21 of which are in critical danger of extinction, such as the Ayapaneco from Tabasco, which is only spoken by two senior adults, followed by Kiliwa of Baja California with only 36 speakers.

Although there are many languages, recent research shows that about 60 are at risk of disappearing, and the extinction process is accelerated because they are spoken by a small group of seniors, which is known as displacement of the language.

When the phase of risk of losing the language is reached, researchers from the Centre of Research and Higher Studies in Social Anthropology (CIESAS) determine the degree of danger for the language to disappear, categorizing it in slow or fast displacement or extinction process.

The Revitalization, Strengthening and Development Program of the National Indigenous Languages ​​ 2008-2012 (PINALI) classifies 143 languages ​​according to vulnerability posing for extinction; 52 are vulnerable, 38 endangered, 32 severely endangered and 21 critically endangered with less than 200 speakers like Oluteco from the east coast, Ixil and Kaqchikel from the south of Mexico, plus Teko qato’k / Motocintleco, Cucapá, Pápago and Ixcateco.

There are also a total of 364 linguistic variations which are taken into account when the languages ​​are not mutually intelligible although they belong to the same group. As the case of the Zapoteco, which due to its 62 variants, was renamed to Zapotecanas languages, explained the researcher at CIESAS, Lourdes de León Pasquel.

In the first phase, according to the National Institute of Indigenous Languages ​​(INALI), there is a loss of speakers from the new generation. The criteria for measuring this situation is when children no longer want to learn to speak the language of their parents and grandparents.

“When the transmission of an indigenous language is in danger of extinction, researchers work with the last speakers to document their knowledge. Documentation is made on grammar, dictionaries and ritual language to record the highest number of lexicon, a treasure to revitalize the language and give it to the new generations,” said the researcher.

Once CIESAS anthropologists gather the information, the revitalization phase begins, which aims to make the new generation interested in a mother language that is on the verge of. However, the process has the disadvantage of working through books and workshops, but fails to reproduce the natural condition of the language, because relearning rates are very low.

For example, Mayan languages have been affected by the migration of speakers of the highlands of Chiapas, the Tsetsal has 371,730 speakers, Tsotsil 329, 937 and Ch’ol 185,299.

These languages ​​have the highest rate of ethnolinguistic retention in the country. To measure the degree of retention displacement that a language has, an equation is performed with the percentage of seniors who still speak it and the children that are learning it.

According to the investigation of Lourdes de León, in the Highlands of Chiapas, there is a devaluation of indigenous languages ​​in current education, reading is rarely practiced in homes as a result of the lifestyle that has been modified by the need of working parents.

The specialist at CIESAS explained that a stable bilingualism in Mexico has to be the aim, it is obvious that the Spanish is needed for other activities such as school and work, but keeping the native language allows a great possibility of expressiveness and even increases learning abilities, speaking more languages ​​has a cognitive effect.

The problem increases when the person has a higher academic preparation, because they ignore their mother language, caused by school and work, where students are taught by teachers who speak Spanish or another language different than theirs, said León Pasquel.

(Agencia ID)

Um oceano nos ares (Fapesp)

Radares e sobrevoos detalham os mecanismos de formação de chuva e o efeito da poluição urbana sobre o clima da Amazônia

CARLOS FIORAVANTI | Edição 217 – Março de 2014

O mundo das águas: nuvens escuras cobrem o rio Negro e Manaus no dia 18 de fevereiro de 2014, antecipando mais uma chuva amazônica

De Manaus

Aqui em Manaus e por esta vasta região Norte chove muito o ano todo, mas as chuvas são diferentes. No início do ano – fevereiro e março – chove quase todo dia, com poucos relâmpagos, e o aguaceiro lava a floresta e as cidades durante horas seguidas. Já no final do ano – de setembro a novembro – as tempestades são mais intensas, com muitos relâmpagos, acordando medos atávicos, e as chuvas são localizadas e mais breves. Para confirmar e detalhar os mecanismos de formação da chuva – diferente em cada região do país e mesmo dentro de uma mesma região – e o efeito da poluição de Manaus sobre o clima da Amazônia, um grupo de 100 pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos e da Alemanha começou a escrutinar o céu da região de Manaus com radares e aviões, por meio do programa Green OceanAmazon (GOAmazon). Lançado oficialmente no dia 18 de fevereiro em Manaus, o GOAmazon conta com orçamento de R$ 24 milhões e apoio financeiro da FAPESP, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e Departamento de Energia e Fundação Nacional de Ciência (NSF) dos Estados Unidos.

A expressão green ocean nasceu em 1999, na primeira grande campanha do programa Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA). Sobrevoando a floresta de Ji-Paraná, em Rondônia, os pesquisadores – muitos deles integrantes deste novo programa – notaram que as nuvens não se comportavam como o esperado. Nessa região da Amazônia já próxima à Bolívia, imaginava-se que as nuvens tivessem até 20 quilômetros (km) de altura e apresentassem alta concentração de material particulado e de gotas pequenas de chuva, características das chamadas nuvens continentais. Em vez disso, elas tinham características das nuvens oceânicas, com pouco material particulado, de formação mais rápida e topos relativamente baixos, como em áreas oceânicas – era um oceano, não azul, mas verde, por estar sobre a floresta. Antonio Manzi, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que participou daquela e de outras expedições do LBA e agora integra o GOAmazon, lembra-se de que foi também em 1999 que verificaram que as chamadas nuvens quentes, que não formam cristais de gelo, eram as predominantes na região – um fato inesperado em áreas continentais.

 

016-021_CAPA_Chuva_217-extraO volume de chuva que cai sobre a bacia amazônica equivale a um oceano. Segundo Manzi, são em média 27 trilhões de toneladas de água por ano. Em termos mais concretos, a chuva, se se acumulasse em vez de escoar no solo, formaria uma lâmina d’água com uma espessura de 2,3 metros ao longo dos 6,1 milhões de quilômetros quadrados da bacia amazônica, que se espalha pelo Brasil e por vários países vizinhos. Luiz Augusto Machado, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), calculou o volume médio da água de chuva em todo o país: são 14 trilhões de toneladas por ano. Caso se acumulasse, essa água da chuva formaria uma camada de 1,7 metro de altura cobrindo todo o país. Machado é também o coordenador do Projeto Chuva, que integra o GOAmazon e fará agora em Manaus a última etapa de um levantamento sobre os tipos e distribuição de nuvens de chuva no Brasil. 

Ainda não está claro como esse oceano aéreo se forma. “As nuvens podem ou não gerar chuva”, diz Gilberto Fisch, do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), de São José dos Campos, e pesquisador do Projeto Chuva. “Costuma-se dizer que, quando há vapor-d’água, a chuva se forma e cai, mas não é bem assim.” A maioria das gotículas que formam as nuvens, com dezenas de micrômetros de diâmetro, se dispersa na forma de vapor. Só uma minoria consegue ganhar volume e se transformar em gotas com diâmetro de 1 a 5 milímetros e cair, por ação da gravidade. Entender como as nuvens se formam e crescem e em quais a chuva efetivamente se forma é uma das metas da equipe do GOAmazon.

Em um dos locais de coleta de informações, no município de Manacapuru, 80 km a oeste de Manaus, 120 equipamentos estão funcionando dia e noite – alguns expostos, outros no interior de 15 contêineres – para levantar informações sobre o clima na região, com o reforço dos balões meteorológicos, soltados a cada seis horas. Sobre um dos contêineres está um radar com alcance de 100 km que examina o formato e a constituição de nuvens formadoras de chuva e, desde 2010, fez o mesmo serviço em outras cidades brasileiras. As informações apuradas sobre as nuvens serão confrontadas com as do satélite GPM, que deve ser lançado em 27 de fevereiro do Japão e permanecer em uma órbita de 400 km de altura, enviando informações sobre as nuvens de chuva em quase todo o planeta. “O GPM vai passar duas vezes por dia sobre Manaus, complementando nossas informações”, diz Machado.

Um avião de pesquisa vindo dos Estados Unidos chegou a Manaus no dia 16 de fevereiro com a previsão de começar a voar nos dias seguintes para examinar diretamente os tipos de cristais de gelo do interior das nuvens e os teores de gás carbônico (CO2) e material particulado. O avião norte-americano e outro da Alemanha devem sobrevoar a cidade e a floresta em setembro para medir as eventuais alterações do clima na estação seca.

Os experimentos, previstos para terminarem em dezembro de 2015, devem resultar em previsões meteorológicas de curto prazo (duas horas) e modelos computacionais de circulação atmosférica mais apurados. Em algumas regiões do país o monitoramento do volume de chuvas, dependente de satélites meteorológicos, ainda é muito impreciso, adiando as medidas de alerta que poderiam salvar vidas antes de as chuvas fortes chegarem.

Varrendo o céu: o radar de nuvem (esquerda) e o de chuva, instalados em Manacapuru, a 80 km de Manaus

Uma metrópole na floresta
Com forte base industrial,  uma frota de 700 mil veículos e quase 2 milhões de habitantes, Manaus, capital do estado do Amazonas, é a maior metrópole tropical do mundo cercada por centenas de quilômetros de floresta. Como a pluma de poluentes produzida por essa megacidade no centro da Amazônia altera o ciclo de vida dos aerossóis e das nuvens em áreas de mata preservada e como esses elementos interagem na atmosfera e provocam mais ou menos chuvas na região?

Essas são as questões centrais que o experimento internacional GOAmazon tentará responder nos próximos anos. Um conjunto detalhado de medidas sobre aerossóis, gases traço (gás carbônico, metano e outros) e nuvens será realizado em seis diferentes sítios. Três se encontram a leste, antes de o vento passar por Manaus, e, portanto, sua atmosfera ainda não foi contaminada pela pluma de poluição da capital. Um quarto posto de medição será na própria metrópole e os dois últimos se situam em Iranduba e Manacapuru, a oeste, onde a atmosfera já carrega a influência dos poluentes emitidos em Manaus.

“Não há outra cidade com uma situação similar à da capital do Amazonas”, afirma Paulo Artaxo, coordenador de projeto temático ligado ao GOAmazon. “Sabemos que a poluição altera a precipitação, mas em que tipo de nuvem e em que circunstância?” Os estudos de Scott Martin, pesquisador da Universidade Harvard e integrante do GOAmazon, indicaram que o efeito dos aerossóis sobre o clima da Amazônia varia de acordo com a época do ano. Já se viu também que as nuvens que passam sobre a cidade recebem poluição e apresentam uma refletividade maior que as sem poluição. As nuvens da floresta têm uma carga de material particulado equivalente à da era pré-industrial.

Maria Assunção da Silva Dias, pesquisadora do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) que coordenou a campanha do LBA em 1999, vai modelar a influência da brisa fluvial originada pelos rios Negro, Solimões e Amazonas sobre o vento que carrega a pluma de poluentes da capital amazonense. A brisa sopra do rio para a terra durante o dia. À noite, ela inverte o sentido.  “Em rios com margens largas, como o Negro, a brisa pode ser um fator capaz de alterar a direção e a intensidade dos ventos, modificando o regime de chuvas em áreas próximas”, diz Maria Assunção, que em 2004 realizou um estudo semelhante sobre a brisa do rio Tapajós, em Santarém, no Pará.

Neve no nordeste
Dispostos a entender melhor a formação de chuva pelo país e a evitar tragédias climáticas, a equipe do Inpe coletou nos últimos quatro anos dados em cinco pontos de amostragem: Alcântara, no Maranhão; Fortaleza, no Ceará; Belém, no Pará; São José dos Campos, em São Paulo; e Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Um radar e outros equipamentos agora instalados em Manaus medem o tamanho das gotas nas nuvens e os tipos de cristais que as formam. As formas das gotas, a propósito, são bem diferentes: podem ser horizontais, elípticas ou oblongas, mas todas longe do formato abaulado com que normalmente se representam as gotas de chuva.

Preparando balão meteorológico para soltura

“Esse é o primeiro recenseamento da distribuição de gotas de chuvas e cristais de gelo no território nacional”, diz Machado. O que se notou, em linhas gerais, é que diferentes tipos de nuvens (mais altas ou mais baixas), com diferentes tipos de cristais de gelo (em forma de estrela, coluna ou cone), se formam e se desfazem continuamente em todas as regiões do país. Também se viu que há particularidades regionais, que indicam processos distintos de formação de chuvas e fenômenos surpreendentes. As formas e os humores da chuva pelo país ao longo do ano são diversificados a ponto de lembrarem o poema Caso pluvioso, no qual o poeta Carlos Drummond de Andrade descobre que Maria é que chovia (ele não conta quem era Maria) e a chama de chuvadeira, chuvadonha, chuvinhenta, chuvil e pluvimedonha. E em seguida: “Choveu tanto Maria em minha casa / que a correnteza forte criou asa / e um rio se formou, ou mar, não sei, / sei apenas que nele me afundei”.

A realidade também exibiu um pouco de poesia. “Detectamos neve nas nuvens mais altas sobre a cidade de Fortaleza”, diz Machado. Para decepção dos moradores locais, porém, a neve derrete e cai como chuva comum. No Nordeste predominam as nuvens quentes, assim chamadas porque o topo está abaixo do limite de temperatura de 0oCelsius (ºC) e, por essa razão, nelas não se formam cristais de gelo, como nas regiões mais altas dos outros tipos de nuvens. Por não abrigarem gelo, essas nuvens passam despercebidas pelos satélites meteorológicos e pelos equipamentos de micro-ondas usados para prever a formação de chuvas, resultando em medições imprecisas. As medições de nuvens quentes feitas por radar em Alcântara indicaram que os valores de volume de água, comparados com as medições feitas por satélite, estavam subestimados em mais de 50%, como descrito por Carlos Morales, pesquisador da USP que integra o Projeto Chuva.

O limite – ou isoterma – de 0ºC separa cristais de gelo (acima) e água líquida (abaixo): é uma espécie de porta invisível da chuva, onde o gelo derrete e forma água. Não é lá muito rigorosa, porque no Sudeste, por causa das fortes correntes ascendentes, a água permanece líquida a temperaturas de até 20 graus negativos, acima da camada de derretimento do gelo. “A combinação entre água e gelo em altitudes mais elevadas é a principal razão da maior incidência das descargas elétricas na região Sudeste”, diz Machado.

Manaus sob chuva

Por meio do radar, pode-se examinar a proporção de água e de gelo no interior das nuvens, desse modo obtendo informações que escapam dos satélites usados na previsão do tempo. “Os satélites não detectam as gotas grandes de água e de baixa concentração que vêm do Atlântico e formam as nuvens das regiões Nordeste e Sudeste”, Machado exemplifica. No Nordeste as nuvens, que se concentram na zona costeira, são alimentadas pelas massas de ar vindas de regiões próximas ao equador, que se movem do oceano para o continente. Já no Sul e no Sudeste as chuvas se devem principalmente às massas de ar frio (frentes frias) que vêm da Argentina. Os especialistas dizem que os satélites também não detectam fenômenos que não escapariam ao radar, como a transformação de um vento quente que veio do oceano, esfriou rapidamente ao encontrar as regiões mais frias do alto das serras no Sul do Brasil e desabou como uma chuva impiedosa sobre Blumenau e toda a região leste de Santa Catarina em 2008.

O radar de dupla polarização, em conjunto com outros instrumentos, envia ondas horizontais e verticais que, por reflexão, indicam o formato dos cristais de gelo e das gotas de chuva, desse modo elucidando a composição das nuvens e os mecanismos de formação e intensificação das descargas elétricas (raios) durante as tempestades. Os pesquisadores verificaram que as nuvens com muitos raios são mais altas e abrigam uma diversidade maior de cristais de gelo e mais granizo (pedras de gelo) do que aquelas que produzem menos raios. Além disso, de acordo com esse levantamento, as cargas elétricas negativas permanecem na mesma altura, logo acima do limite de 0oC, e as positivas podem ficar mais altas, acompanhando o topo das nuvens e o aumento da intensidade da descarga elétrica (ver detalhes no infográfico).

“Quem não quer saber onde vai chover antes de sair de casa?”, indaga Machado. Os especialistas acreditam que os dados coletados, combinados com a modelagem computacional já utilizada para a previsão do clima, podem criar uma base sólida de conhecimento teórico e aplicado sobre a chuva continental. Em uma das ramificações do Projeto Chuva – o SOS, Sistema de Observação de Tempo Severo –, o grupo do Inpe trabalhou com equipes da Defesa Civil e de universidades em cada uma das cidades em que se instalaram com os equipamentos para prever a chegada de chuvas com duas horas de antecedência e uma resolução espacial que define possíveis pontos de alagamentos nos bairros, complementando as previsões fornecidas por supercomputadores como o Tupã, instalado no Inpe. Com base nessas experiências, Machado acredita que o radar, acoplado a um sistema de informação geográfica (SIG) e às tecnologias já em uso de previsão de chuva em alta resolução, da ordem de centenas de metros, viabiliza a previsão imediata de tempestades e desastres climáticos, para que o morador de um bairro possa saber, antes de sair de casa, se está chovendo no bairro vizinho, para onde está indo. “Para isso”, ele diz, “precisamos conhecer o tamanho das gotas de chuva e dos fenômenos que se passam no interior das nuvens, como já estamos fazendo”. Eles continuam trabalhando, enquanto agora, como na canção de Tom Jobim, chegam as águas de março, fechando o verão.

Com colaboração de Marcos Pivetta

Projetos
1. Processos de nuvens associados aos principais sistemas precipitantes no Brasil: uma contribuição a modelagem da escala de nuvens e ao GPM (medida global de precipitação) (nº 2009/15235-8); Modalidade Projeto Temático; Pesquisador responsável Luiz Augusto Toledo Machado – Inpe; Investimento R$ 2.188.914,06 (FAPESP).
2. GoAmazon: interação da pluma urbana de Manaus com emissões biogênicas da floresta amazônica (nº 2013/05014-0); Modalidade Projeto temático; Pesquisador responsável Paulo Eduardo Artaxo Netto – IF-USP; Investimento R$ 3.236.501,79 (FAPESP).

Northern and southern hemisphere climates follow the beat of different drummers (Science Daily)

Date: March 30, 2014

Source: University of Bern

Summary: Over the last 1000 years, temperature differences between the Northern and Southern Hemispheres were larger than previously thought. Using new data from the Southern Hemisphere, researchers have shown that climate model simulations overestimate the links between the climate variations across the Earth with implications for regional predictions.

Field work in the Indian Ocean. The corals off the Broome coast, Western Australia, store information about past climate. Credit: Copyright Eric Matson, Australian Institute of Marine Science

Over the last 1000 years, temperature differences between the Northern and Southern Hemispheres were larger than previously thought. Using new data from the Southern Hemisphere, researchers have shown that climate model simulations overestimate the links between the climate variations across Earth with implications for regional predictions.

These findings are demonstrated in a new international study coordinated by Raphael Neukom from the Oeschger Centre of the University of Bern and the Swiss Federal Research Institute WSL and are published today in the journal Nature Climate Change.

The Southern Hemisphere is a challenging place for climate scientists. Its vast oceans, Antarctic ice, and deserts make it particularly difficult to collect information about present climate and, even more so, about past climate. However, multi-centennial reconstructions of past climate from so-called proxy archives such as tree-rings, lake sediments, corals, and ice-cores are required to understand the mechanisms of the climate system. Until now, these long-term estimates were almost entirely based on data from the Northern Hemisphere.

Over the past few years, an international research team has made a coordinated effort to develop and analyse new records that provide clues about climate variation across the Southern Hemisphere. Climate scientists from Australia, Antarctic-experts, as well as data specialists and climate modellers from South and North America and Europe participated in the project. They compiled climate data from over 300 different locations and applied a range of methods to estimate Southern Hemisphere temperatures over the past 1000 years. In 99.7 percent of the results, the warmest decade of the millennium occurs after 1970.

Surprisingly, only twice over the entire last millennium have both hemispheres simultaneously shown extreme temperatures. One of these occasions was a global cold period in the 17th century; the other one was the current warming phase, with uninterrupted global warm extremes since the 1970s. “The ‘Medieval Warm Period’, as identified in some European chronicles, was a regional phenomenon,” says Raphael Neukom. “At the same time, temperatures in the Southern Hemisphere were only average.” The researchers ascribe these large differences to so-called “internal variability.” This term describes the chaotic interplay of the ocean and atmosphere within the climate system that leads to temperatures changing in one or the other direction. Regional differences in these fluctuations appear to be larger than previously thought.

The scientists discovered that most climate models are unable to satisfactorily simulate the considerable differences between the hemispheres. The models appear to underestimate the influence of internal variability, in comparison with external forcings like solar irradiation, volcanic eruptions or human greenhouse gas emissions. “Regional differences in the climatic evolution of the next decades could therefore be larger than the current models predict,” says Neukom.

Journal Reference:

  1. Raphael Neukom, Joëlle Gergis, David J. Karoly, Heinz Wanner, Mark Curran, Julie Elbert, Fidel González-Rouco, Braddock K. Linsley, Andrew D. Moy, Ignacio Mundo, Christoph C. Raible, Eric J. Steig, Tas van Ommen, Tessa Vance, Ricardo Villalba, Jens Zinke, David Frank. Inter-hemispheric temperature variability over the past millenniumNature Climate Change, 2014; DOI:10.1038/NCLIMATE2174

Brasil sedia conferência sobre comunicação pública da ciência (Fapesp)

Questões relacionadas à prática e à pesquisa em divulgação científica integram a programação do evento que ocorrerá em Salvador; inscrições com desconto vão até 7 de abril (PSCT)

31/03/2014

Agência FAPESP –A Rede Internacional de Comunicação Pública da Ciência e da Tecnologia (PCST, na sigla em inglês) realiza, pela primeira vez na América Latina, entre 5 e 8 de maio, sua conferência internacional que tem, entre os objetivos principais, promover debates sobre o engajamento público em temas relacionados a ciência e tecnologia.

Formada por indivíduos de diversas partes do mundo que produzem e estudam na área de comunicação pública de ciência e tecnologia, a Rede PCST patrocina conferências, discussões virtuais e outras atividades que promovam novas ideias e perspectivas.

A edição deste ano terá como tema central “Divulgação da Ciência para a inclusão social e o engajamento político”. A ideia é mostrar que, mesmo com investimento em ciência e tecnologia, a maior parte do mundo ainda enfrenta a exclusão social e o desenvolvimento desigual, separando cada vez mais os países ricos dos pobres. O papel da difusão científica é criar possibilidades de ação dos cidadãos que permitam reduzir essa diferença.

Na plenária “Comunicação da ciência e mídia social”, os participantes poderão conferir as palestras de Dominique Brossard, da Universidade de Wisconsin, dos Estados Unidos, e membro do comitê científico da Rede PCST, e de Mohammed Yahia, editor da Nature Middle East, do Egito.

Além da Rede Internacional do PCST, o evento é promovido pelo Museu da Vida, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

As inscrições com desconto na taxa podem ser realizadas até 7 de abril. As atividades ocorrerão no Hotel Pestana Bahia, que fica na Rua Fonte do Boi, 216, em Salvador.

Mais informações http://www.pcst-2014.org/index.php/pt-BR/

Brazil police push into slums in Rio (Washington Post)

By Associated PressPublished: March 30

RIO DE JANEIRO — About 1,000 Brazilian police officers have begun invading a massive complex of slums near Rio de Janeiro’s international airport, the latest impoverished area to be targeted for the government’s “pacification” program.

The security effort began in 2008 and is meant to help secure Rio before this year’s World Cup and the 2016 Olympics.

Armored personnel carriers on loan from the Navy were used during the push into the Mare complex of shantytowns before dawn Sunday. Army soldiers are expected to start patrolling the area in the coming days.
Mare has been dominated by drug gangs for decades. In recent months, they have attacked police outposts in other slums, a direct challenge to security ahead of Brazil’s big events.

To date, there have been 37 police “pacification” outposts created in Rio.

80 percent of U.S. adults face near-poverty, unemployment, survey finds (CBS)

People look through boxes of food during a food distribution by the Food Bank of the Southern Tier Mobile Food Pantry on June 20, 2012 in Oswego, New York. The mobile food pantry program was introduced in 2007 in the Southern Tier of New York and covers nearly 4,000 predominately rural miles. The converted beverage truck delivers fresh produce, dairy products and other grocery items to individuals and families in need. The pantry typically distributes for a period of two hours and provides 100 to 160 families with food. According to the 2010 Census, 15.72% the population serviced by the mobile pantry live at or below the federal poverty level. According to statistics presented at a recent U.S. Senate committee hearing, almost one in seven Americans are living below the poverty line with a significant number of them being children.  SPENCER PLATT/GETTY IMAGES

Four out of 5 U.S. adults struggle with joblessness, near-poverty or reliance on welfare for at least parts of their lives, a sign of deteriorating economic security and an elusive American dream.

Survey data exclusive to The Associated Press points to an increasingly globalized U.S. economy, the widening gap between rich and poor, and the loss of good-paying manufacturing jobs as reasons for the trend.

The findings come as President Barack Obama tries to renew his administration’s emphasis on the economy, saying in recent speeches that his highest priority is to “rebuild ladders of opportunity” and reverse income inequality.

As nonwhites approach a numerical majority in the U.S., one question is how public programs to lift the disadvantaged should be best focused — on the affirmative action that historically has tried to eliminate the racial barriers seen as the major impediment to economic equality, or simply on improving socioeconomic status for all, regardless of race.

Hardship is particularly growing among whites, based on several measures. Pessimism among that racial group about their families’ economic futures has climbed to the highest point since at least 1987. In the most recent AP-GfK poll, 63 percent of whites called the economy “poor.”

“I think it’s going to get worse,” said Irene Salyers, 52, of Buchanan County, Va., a declining coal region in Appalachia. Married and divorced three times, Salyers now helps run a fruit and vegetable stand with her boyfriend but it doesn’t generate much income. They live mostly off government disability checks.

“If you do try to go apply for a job, they’re not hiring people, and they’re not paying that much to even go to work,” she said. Children, she said, have “nothing better to do than to get on drugs.”

While racial and ethnic minorities are more likely to live in poverty, race disparities in the poverty rate have narrowed substantially since the 1970s, census data show. Economic insecurity among whites also is more pervasive than is shown in the government’s poverty data, engulfing more than 76 percent of white adults by the time they turn 60, according to a new economic gauge being published next year by the Oxford University Press.

The gauge defines “economic insecurity” as a year or more of periodic joblessness, reliance on government aid such as food stamps or income below 150 percent of the poverty line. Measured across all races, the risk of economic insecurity rises to 79 percent.

Marriage rates are in decline across all races, and the number of white mother-headed households living in poverty has risen to the level of black ones.

“It’s time that America comes to understand that many of the nation’s biggest disparities, from education and life expectancy to poverty, are increasingly due to economic class position,” said William Julius Wilson, a Harvard professor who specializes in race and poverty. He noted that despite continuing economic difficulties, minorities have more optimism about the future after Obama’s election, while struggling whites do not.

“There is the real possibility that white alienation will increase if steps are not taken to highlight and address inequality on a broad front,” Wilson said.

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Nationwide, the count of America’s poor remains stuck at a record number: 46.2 million, or 15 percent of the population, due in part to lingering high unemployment following the recession. While poverty rates for blacks and Hispanics are nearly three times higher, by absolute numbers the predominant face of the poor is white.

More than 19 million whites fall below the poverty line of $23,021 for a family of four, accounting for more than 41 percent of the nation’s destitute, nearly double the number of poor blacks.

Sometimes termed “the invisible poor” by demographers, lower-income whites generally are dispersed in suburbs as well as small rural towns, where more than 60 percent of the poor are white. Concentrated in Appalachia in the East, they are numerous in the industrial Midwest and spread across America’s heartland, from Missouri, Arkansas and Oklahoma up through the Great Plains.

Buchanan County, in southwest Virginia, is among the nation’s most destitute based on median income, with poverty hovering at 24 percent. The county is mostly white, as are 99 percent of its poor.

More than 90 percent of Buchanan County’s inhabitants are working-class whites who lack a college degree. Higher education long has been seen there as nonessential to land a job because well-paying mining and related jobs were once in plentiful supply. These days many residents get by on odd jobs and government checks.

Salyers’ daughter, Renee Adams, 28, who grew up in the region, has two children. A jobless single mother, she relies on her live-in boyfriend’s disability checks to get by. Salyers says it was tough raising her own children as it is for her daughter now, and doesn’t even try to speculate what awaits her grandchildren, ages 4 and 5.

Smoking a cigarette in front of the produce stand, Adams later expresses a wish that employers will look past her conviction a few years ago for distributing prescription painkillers, so she can get a job and have money to “buy the kids everything they need.”

“It’s pretty hard,” she said. “Once the bills are paid, we might have $10 to our name.”

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A car drives by a closed factory on May 20, 2013 in Waterbury, Connecticut. Waterbury, once a thriving industrial city with one of the largest brass manufacturing bases in the world, has suffered economically in recent decades as manufacturing jobs have left the area. According to recent census data, 20.6 percent of the city’s residents are living below the poverty level. SPENCER PLATT/GETTY IMAGES

Census figures provide an official measure of poverty, but they’re only a temporary snapshot that doesn’t capture the makeup of those who cycle in and out of poverty at different points in their lives. They may be suburbanites, for example, or the working poor or the laid off.

In 2011 that snapshot showed 12.6 percent of adults in their prime working-age years of 25-60 lived in poverty. But measured in terms of a person’s lifetime risk, a much higher number — 4 in 10 adults — falls into poverty for at least a year of their lives.

The risks of poverty also have been increasing in recent decades, particularly among people ages 35-55, coinciding with widening income inequality. For instance, people ages 35-45 had a 17 percent risk of encountering poverty during the 1969-1989 time period; that risk increased to 23 percent during the 1989-2009 period. For those ages 45-55, the risk of poverty jumped from 11.8 percent to 17.7 percent.

Higher recent rates of unemployment mean the lifetime risk of experiencing economic insecurity now runs even higher: 79 percent, or 4 in 5 adults, by the time they turn 60.

By race, nonwhites still have a higher risk of being economically insecure, at 90 percent. But compared with the official poverty rate, some of the biggest jumps under the newer measure are among whites, with more than 76 percent enduring periods of joblessness, life on welfare or near-poverty.

By 2030, based on the current trend of widening income inequality, close to 85 percent of all working-age adults in the U.S. will experience bouts of economic insecurity.

“Poverty is no longer an issue of ‘them’, it’s an issue of ‘us’,” says Mark Rank, a professor at Washington University in St. Louis who calculated the numbers. “Only when poverty is thought of as a mainstream event, rather than a fringe experience that just affects blacks and Hispanics, can we really begin to build broader support for programs that lift people in need.”

The numbers come from Rank’s analysis being published by the Oxford University Press. They are supplemented with interviews and figures provided to the AP by Tom Hirschl, a professor at Cornell University; John Iceland, a sociology professor at Penn State University; the University of New Hampshire’s Carsey Institute; the Census Bureau; and the Population Reference Bureau.

Among the findings:

–For the first time since 1975, the number of white single-mother households living in poverty with children surpassed or equaled black ones in the past decade, spurred by job losses and faster rates of out-of-wedlock births among whites. White single-mother families in poverty stood at nearly 1.5 million in 2011, comparable to the number for blacks. Hispanic single-mother families in poverty trailed at 1.2 million.

–Since 2000, the poverty rate among working-class whites has grown faster than among working-class nonwhites, rising 3 percentage points to 11 percent as the recession took a bigger toll among lower-wage workers. Still, poverty among working-class nonwhites remains higher, at 23 percent.

–The share of children living in high-poverty neighborhoods — those with poverty rates of 30 percent or more — has increased to 1 in 10, putting them at higher risk of teenage pregnancy or dropping out of school. Non-Hispanic whites accounted for 17 percent of the child population in such neighborhoods, compared with 13 percent in 2000, even though the overall proportion of white children in the U.S. has been declining.

The share of black children in high-poverty neighborhoods dropped from 43 percent to 37 percent, while the share of Latino children went from 38 percent to 39 percent.

–Race disparities in health and education have narrowed generally since the 1960s. While residential segregation remains high, a typical black person now lives in a nonmajority black neighborhood for the first time. Previous studies have shown that wealth is a greater predictor of standardized test scores than race; the test-score gap between rich and low-income students is now nearly double the gap between blacks and whites.

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Going back to the 1980s, never have whites been so pessimistic about their futures, according to the General Social Survey, a biannual survey conducted by NORC at the University of Chicago. Just 45 percent say their family will have a good chance of improving their economic position based on the way things are in America.

The divide is especially evident among those whites who self-identify as working class. Forty-nine percent say they think their children will do better than them, compared with 67 percent of nonwhites who consider themselves working class, even though the economic plight of minorities tends to be worse.

Although they are a shrinking group, working-class whites — defined as those lacking a college degree — remain the biggest demographic bloc of the working-age population. In 2012, Election Day exit polls conducted for the AP and the television networks showed working-class whites made up 36 percent of the electorate, even with a notable drop in white voter turnout.

Last November, Obama won the votes of just 36 percent of those noncollege whites, the worst performance of any Democratic nominee among that group since Republican Ronald Reagan’s 1984 landslide victory over Walter Mondale.

Some Democratic analysts have urged renewed efforts to bring working-class whites into the political fold, calling them a potential “decisive swing voter group” if minority and youth turnout level off in future elections. “In 2016 GOP messaging will be far more focused on expressing concern for ‘the middle class’ and ‘average Americans,'” Andrew Levison and Ruy Teixeira wrote recently in The New Republic.

“They don’t trust big government, but it doesn’t mean they want no government,” says Republican pollster Ed Goeas, who agrees that working-class whites will remain an important electoral group. His research found that many of them would support anti-poverty programs if focused broadly on job training and infrastructure investment. This past week, Obama pledged anew to help manufacturers bring jobs back to America and to create jobs in the energy sectors of wind, solar and natural gas.

“They feel that politicians are giving attention to other people and not them,” Goeas said.

A Return to a World Marx Would Have Known (New York Times)

Doug Henwood is editor of Left Business Observer, host of a weekly radio show originating on KPFA, Berkeley, and is author of several books, including “Wall Street: How It Works and For Whom” and “After the New Economy.”

UPDATED MARCH 30, 2014, 7:02 PM

I don’t see how you can understand our current unhappy economic state without some sort of Marx-inspired analysis.

Here we are, almost five years into an officially designated recovery from the worst downturn in 80 years, and average household incomes are more than 8 percent below where they were when the Great Recession began, and employment still 650,000 short of its pre-recession high.

For years, excessive consumer borrowing muted the effects of stagnant wages. But low demand is stifling the economy, with no end in sight.

Though elites are prospering, for millions of Americans, it’s as if the recession never ended.

How can this all be explained? The best way to start is by going back to the 1970s. Corporate profitability — which, as every Marxist schoolchild knows, is the motor of the system — had fallen sharply off its mid-1960s highs. Stock and bond markets were performing miserably. Inflation seemed to be rising without limit. After three decades of seemingly endless prosperity, workers had developed a terrible attitude problem, slacking off and, quaintly, even going out on strike. It’s no accident that Johnny Paycheck scored a No. 1 country hit with “Take This Job and Shove It” in 1977 — utterly impossible to imagine today.

This is where Marx begins to come in. At the root of these problems was a breakdown in class relations: workers no longer feared the boss. A crackdown was in order.

And it came, hard. In October 1979, the Federal Reserve began driving interest rates toward 20 percent, to kill inflation and restrict borrowing, creating the deepest recession since the 1930s. (It was a record we only broke in 2008/2009). A little over a year later, Ronald Reagan came into office, fired the striking air-traffic controllers, setting the stage for decades of union busting to follow. Five years after Johnny Paycheck’s hit, workers were desperate to hold and/or get jobs. No more attitude problem.

The “cure” worked for about 30 years. Corporate profits skyrocketed and financial markets thrived. The underlying mechanism, as Marx would explain it, is simple: workers produce more in value than they are paid, and the difference is the root of profit. If worker productivity rises while pay remains stagnant or declines, profits increase. This is precisely what has happened over the last 30 years. According to the Bureau of Labor Statistics, productivity rose 93 percent between 1980 and 2013, while pay rose 38 percent (all inflation-adjusted).

The 1 percent got ever-richer and more powerful. But there was a problem: a system dependent on high levels of mass consumption has a hard time coping with the stagnation or decline in mass incomes.The development of a mass consumer market after Marx died, with the eager participation of a growing middle class, caused a lot of people to say his analysis was obsolete. But now, with the hollowing out of the middle class and the erosion of mass purchasing power, the whole 20th century model of mass consumption is starting to look obsolete.

Borrowing sustained the mass consumption model for a few decades. Non-rich households borrowed to buy cars, buy food, pay medical bills, buy ever-more-expensive houses, and so on. Conveniently, rich households had plenty of spare cash to lend them.

That model broke apart in 2008 and has not — and cannot — be revived. Without the juice provided by spirited borrowing, demand remains constricted and growth rates, low. (See also: Europe.)

Raising the incomes of the bottom 90 percent of the population through higher wages and public spending initiatives — stifled since Reagan starting putting the squeeze on them — could change that. But the stockholding class has resisted that, and they have a lot of political power.

And an extraordinarily lopsided economy is the result. We didn’t expect that the 21st century would bring about a return of the 19th century’s vast disparities, but it’s looking like that’s just what’s happened.