Arquivo mensal: julho 2014

Cientistas pedem limite à criação de vírus mortais em laboratório (O Globo)

JC e-mail 4991, de 17 de julho de 2014

Falhas em unidades americanas elevam riscos de surtos

Um grupo multidisciplinar de cientistas de importantes universidades em diferentes países publicou ontem um alerta sobre a manipulação, em laboratórios norte-americanos, de vírus que podem se espalhar e infectar homens e outros mamíferos. A preocupação vem na esteira de seguidas notícias sobre falhas de envolvendo micro-organismos potencialmente perigosos.

“Incidentes recentes com varíola, antraz e gripe aviária em alguns dos mais importantes laboratórios dos EUA nos faz lembrar da falibilidade até das unidades mais seguras, reforçando a necessidade urgente de uma reavaliação completa de biossegurança”, escreveu o autodenominado “Grupo de Trabalho de Cambridge”, composto de pesquisadores das universidades de Harvard, Yale, Ottawa, entre outras.

No alerta, eles relatam que incidentes com patógenos têm aumentado e ocorrido em média duas vezes por semana em laboratórios privados e públicos do país. A informação é de um estudo de 2012 do periódico “Applied Biosafety”.

– Quando vemos algum caso na imprensa, dá a impressão de que são episódios raros, mas não são – comentou Amir Attaran, da Universidade de Ottawa, um dos cientistas que assinou o documento. – Estamos preocupados com as experiências perigosas que estão sendo feitas para projetar os mais infecciosos e mortais vírus da gripe e da síndrome respiratória aguda grave (Sars). Achamos que essa ciência imprudente e insensata pode ferir ou matar um grande número de pessoas. O Centro de Controle de Prevenção de Doenças, na semana passada, admitiu que laboratórios de alta segurança perderam o controle com algumas amostras.

No último caso, frascos de varíola foram encontrados por acaso num depósito inutilizado de um laboratório federal em Washington. Estima-se que eles estivessem ali há mais de 50 anos.

Attaran comparou o pronunciamento do grupo ao que cientistas fizeram em 1943, antes dos bombardeios de Hiroshima, na Segunda Guerra Mundial. E disse que o risco dessas experiências são maiores do que os possíveis benefícios dessas pesquisas, citando a recriação in vitro do vírus da gripe espanhola, de 1918, que matou 40 milhões de pessoas. Em 2006, cientistas fizeram a experiência num laboratório americano.

– Não é para ficarmos alarmados aqui – garante Volnei Garrafa, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Bioética da UnB e membro do Comitê Internacional de Bioética da Unesco. – Mas a preocupação deles é válida, sempre há riscos, e o governo precisaria se posicionar.

LEIA O DOCUMENTO NA ÍNTEGRA:
Incidentes recentes envolvendo varíola, antraz e gripe aviária em alguns dos mais importantes laboratórios dos Estados Unidos nos faz lembrar da falibilidade até das unidades mais seguras, reforçando a necessidade urgente de uma reavaliação completa de biossegurança. Tais incidentes têm aumentado e ocorrido em média duas vezes por semana com patógenos regulados em laboratórios privados e públicos do país. Uma infecção acidental com qualquer patógeno é preocupante. Mas riscos de acidente com os recém-criados ‘patógenos potencialmente pandêmicos’ levanta novas graves preocupações.

A criação em laboratório de novas cepas de vírus perigosos e altamente transmissíveis, especialmente de gripe, mas não apenas dela, apresenta riscos substancialmente maiores. Uma infecção acidental em tal situação poderia desencadear surtos que poderiam ser difíceis ou impossíveis de controlar. Historicamente, novas cepas de gripe, uma vez que comecem a transmissão na população humana, infectaram um quarto ou mais da população mundial em dois anos.

Para qualquer experimento, os benefícios esperados deveriam superar os riscos. Experiências envolvendo a criação de patógenos potencialmente pandêmicos deveria ser limitada até que haja uma avaliação quantitativa, objetiva e confiável, dos possíveis benefícios e oportunidades de mitigação de riscos, assim como a comparação contra abordagens experimentais mais seguras.

Uma versão moderna do processo Asilomar, que define regras para pesquisas com DNA recombinante, poderia ser um ponto de partida para identificar as melhores medidas para se atingir os objetivos de saúde pública global no combate a doenças pandêmicas e assegurar os mais altos níveis de segurança. Sempre que possível, a segurança deve ser prioridade em detrimento a ações que tenham risco de pandemia acidental.

(Flávia Milhorance / O Globo)
http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/cientistas-pedem-limite-criacao-de-virus-mortais-em-laboratorio-13281731#ixzz37jNAiHZI

Brasil vacila em ratificar protocolo sobre biodiversidade (Greenpeace)

16/7/2014 – 12h07

por Redação do Greenpeace

indigenas Brasil vacila em ratificar protocolo sobre biodiversidade

 

A demora do Congresso Nacional em votar a ratificação do Protocolo de Nagoya, assinado pelo País em 2010, pode custar a cadeira brasileira na mesa de discussões da COP-12

O Brasil foi um dos primeiros países a assinar o Protocolo de Nagoya, proposto na 10ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP-10), em 2010, como alternativa para regulamentação do uso de recursos da biodiversidade do planeta.

Depois de quatro anos, no entanto, o País acaba de perder a chance de participar ativamente da discussão sobre o assunto. As propostas contidas no protocolo não foram ratificadas pelo Congresso Nacional. Para entrar em vigor, 50 dos 92 signatários da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) precisavam confirmar sua validade, incorporando-o a legislação, até junho deste ano. O que aconteceu nesta segunda-feira 11, sem a participação do Brasil.

“O Brasil perdeu uma grande chance deixando de votar este projeto, uma vez que o País foi protagonista da proposta, junto com o próprio Japão. Mas se em casa a gente não consegue aprovar o que sugerimos internacionalmente, isso mostra que fomos muito bons de papo e pouco eficientes na ação”, avalia Marcio Astrini, coordenador da Campanha da Amazônia do Greenpeace Brasil. “De certa maneira isso é um reflexo da visão ambiental do atual governo, que ao invés de ver no Meio Ambiente uma oportunidade, vê nele um empecilho”, completa Astrini.

Parado desde 2012 no Congresso Nacional, o projeto foi designado para uma comissão especial, que nunca foi criada. O assunto sofre forte resistência por parte da bancada ruralista, que acredita que a ratificação da proposta poderia aumentar os custos do agronegócio no Brasil.

Um dos pontos mais polêmicos refere-se ao pagamento de royalties a países pela repartição de benefícios aos detentores de conhecimentos tradicionais associado ao uso de recursos genéticos oriundos da biodiversidade, como povos indígenas e comunidades tradicionais. “O objetivo central do protocolo é aumentar a proteção sobre as reservas naturais do planeta e, para isso, deve criar uma série de regras para controlar a utilização dos recursos, estabelecendo, inclusive regras econômicas. Isso vai no caminho do que precisa ser feito no mundo todo e precisamos participar desta discussão”, observa Astrini.

O Brasil concentra aproximadamente 20% de toda a biodiversidade do planeta. A regulação contribuiria para o combate a biopirataria, com ganhos no campo da ciência e também para as populações tradicionais, que teriam seus saberes reconhecidos e valorizados.

Outro ponto importante do protocolo é o plano estratégico de preservação, que aumenta as áreas terrestres e marítimas a serem protegidas no planeta. As regiões terrestres protegidas passariam de 10% para 17% e as zonas marítimas de proteção ambiental passaria de 1% para 10% de seu total. O próximo encontro dos signatários da CDB será na 12ª Conferência das Partes (COP-12) da CDB, em Pyeongchang, República da Coréia, de 6 a 17 de outubro deste ano.

* Publicado originalmente no site Greenpeace.

Telescópios investigam relação entre ciclo do Sol e clima (Fapesp)

Equipamentos serão sincronizados para monitorar a atividade solar de forma ininterrupta e registrar informações que podem ser associadas à variação climática (foto:divulgação)
17/07/2014

Por Diego Freire

Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal Fluminense (UFF) construíram dois telescópios que vão funcionar de forma sincronizada na detecção contínua de partículas derivadas da radiação do Sol para investigar possíveis relações entre os ciclos solares e as variações climáticas da Terra.

O trabalho é resultado da pesquisa “Detecção e estudo de eventos solares transientes e variação climática”, realizada no âmbito de um acordo de cooperação entre a FAPESP e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) que tem como objetivo apoiar projetos cooperativos e intercâmbio de pesquisadores e estudantes em áreas ligadas às mudanças climáticas globais.

De acordo com o coordenador da pesquisa na Unicamp, Anderson Campos Fauth, professor associado do Instituto de Física Gleb Wataghin, já se sabe que os ciclos solares e suas flutuações apresentam alguma relação com a intensidade com que os raios cósmicos atingem a Terra, apesar de não serem considerados uma das principais causas das mudanças climáticas globais.

“Não existe um consenso sobre o mecanismo que relaciona a atividade solar e as mudanças climáticas. Há uma hipótese de que o aumento do fluxo de raios cósmicos pode estar associado ao surgimento de nuvens baixas, que globalmente exercem um efeito de resfriamento e, nas regiões polares, onde a incidência da radiação solar é baixa, têm impacto contrário, provocando aquecimento”, disse.

Fauth explica que cientistas têm observado que certos fenômenos climáticos – oceanos mais quentes, maior quantidade de chuvas tropicais, menos nuvens subtropicais, circulação mais intensa de ventos – parecem estar em parte associados ao ciclo de atividade solar, que dura em média 11 anos.

“Entretanto, esses estudos estão em fase inicial e é necessário fazer novas observações das radiações emitidas pelo Sol, principalmente quando surgem atividades como as explosões solares, e monitorar suas variações sazonais”, ponderou.

Diante disso, o trabalho da Unicamp e da UFF com os telescópios foca em um dos sinais do ciclo solar: a presença e o comportamento das partículas múons na atmosfera terrestre.

O múon é a mais abundante partícula com carga elétrica presente na superfície da Terra, representando cerca de 80% dos raios cósmicos com carga elétrica em altitudes próximas ao nível do mar. A cada segundo surgem, aproximadamente, 140 múons por metro quadrado.

O fato de a partícula quase sempre possuir trajetória retilínea facilita sua detecção com um arranjo de poucos detectores. “Essas partículas permitem estudar os eventos solares em uma região de energia que os satélites e os monitores de nêutrons posicionados na superfície terrestre não observam”, explicou Fauth.

O ano de 2014 é propício à detecção de múons pelos telescópios da Unicamp e da UFF. Ao longo deste período, o ciclo atual do Sol atinge sua máxima atividade: o número de manchas solares observadas aumenta consideravelmente e os flares – explosões que ocorrem na superfície do Sol – irrompem com grande intensidade, libertando milhões de toneladas de gás magnetizado.

Além disso, Campinas e Niterói, onde os telescópios estão instalados, têm localização privilegiada para a detecção de partículas derivadas da radiação solar, pois estão próximas à região central da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (SAA, da sigla em inglês), onde a resistência magnética para entrada de partículas carregadas vindas do espaço é muito baixa.

A maioria dos detectores de partículas solares energéticas está instalada próximo às regiões dos polos porque, nas outras regiões, o campo magnético da Terra desvia as partículas carregadas. Mas na região da SAA há uma intensidade magnética muito inferior, uma espécie de buraco na magnetosfera que se comporta como um funil.

Muonca

O telescópio construído na Unicamp, que recebeu o nome Muonca, iniciou em abril a tomada de dados contínua, utilizando quatro detectores de partículas. Os detectores da UFF entraram em funcionamento em junho, no modo monitor – quando se realiza a contagem dos múons, sem determinar ainda sua direção de chegada.

O Muonca utiliza quatro detectores de partículas idênticos. A partícula múon, ao atravessar o cintilador do detector, produz uma luz que permite o registro de sua passagem. Um computador é utilizado no sistema de aquisição de dados, e as informações brutas são registradas em arquivos diários.

O telescópio da Unicamp foi construído em dois anos, incluindo o tempo para os processos de importação, realização dos projetos, desenhos técnicos das peças, execução por técnicos da universidade e de empresas privadas, montagem por membros do grupo de pesquisa, desenvolvimento do software de aquisição de dados e calibração dos detectores, além da programação dos códigos de análise dos dados.

O experimento opera continuamente, 24 horas por dia, e os pesquisadores desenvolvem agora um sistema que alerte por e-mail e SMS quando ocorrer algum problema ou possível evento solar na aquisição dos dados.

Recentemente, os detectores instalados em Campinas e Niterói registraram simultaneamente uma tempestade geomagnética. De acordo com Fauth, os dados estão sendo avaliados para publicação e os primeiros resultados conjuntos dos dois telescópios serão apresentados em setembro no 34º Encontro Nacional de Física de Partículas e Campos, organizado pela Sociedade Brasileira de Física em Caxambu (MG).

The fight to reform Econ 101 (Al Jazeera)

Economics is a dismal nonscience, but it need not remain that way

July 16, 2014 6:00AM ET

by 

During the last weekend of June, hundreds of students, university lecturers, professors and interested members of the public descended on the halls of University College London to attend the Rethinking Economics conference. They all shared a similar belief: that economics education in most universities had become narrow, insular and detached from the real world.

For a brief period after the financial crisis of 2008, the shortcomings of the economics profession and the way it is taught were recognized. Many economists offered up mea culpas of various kinds and conceded that since they did not foresee the biggest economic event since the Great Depression, there was probably something seriously wrong with the discipline. But as time passed and many economies began to experience gradual, somewhat muted recoveries, the profession regained its confidence.

When I was completing my master’s degree at Kingston University last year, I experienced this firsthand from the more mainstream faculty there. Lecturers offered potted explanations of the crisis using old analytical tools such as supply and demand graphs that cannot incorporate expectations to explain asset price bubbles. The same economists who, just a few years ago, told us that financial markets were the conduits of perfect information began to introduce doublethink phrases in the media such as “rational bubble” (in which investors allegedly act irrationally by bidding up asset prices in full knowledge that prices are heavily inflated but think they can bail out of the market before prices fall) to explain the events of the past few years. There is nothing rational about investors’ acting this way, because they cannot know when the bubble will burst and so cannot time their exit from the market. They cannot know when the herd movement that they are part of will come to an end, so any action that they take to ride the wave will be just as irrational as those of people unaware of the bubble. The entire exercise appeared to be an ad hoc attempt to reinterpret the facts to fit the pet theory — economic agents aware of relevant information act rationally — rather than to alter the theory in light of the facts.

It was difficult not to sense the Soviet-style revisionism that had occurred within the halls of learning: The party had tossed history down the memory hole and introduced a strange, seemingly self-contradictory language that they were busy foisting upon an unwitting public. One Chicago school economist, Ray Ball, argues that the now notorious efficient market hypothesis (EMH), which states that financial markets price in all relevant information, is actually supported by the recent crisis. He argues that the capital flight that led to the bank meltdowns lends support to the EMH because it shows how rapidly financial markets react to new information. But as many will remember, investigations clearly showed that information was not being processed efficiently by market participants in the run-up to the crisis. The most colorful example of this was the Standard & Poor’s employee who, responding to a colleague who said that they should not be rating a mortgage-backed security deal because the estimations of risk were incorrect, said that cows could be estimating the risk of a product and S&P would still rate it.

Shine a light

Despite such attempts to shore up the orthodoxy, students have sensed that something is wrong: Over the past two years, they have been organizing across more than 60 countries with the aim of forcing the vampire that is the economics profession into the light of day. While the students in the movement have a diversity of opinions on various issues, they have all come to believe that the best way to reform economics is to demand that a plurality of approaches be taught. They have rightly identified the key fault with contemporary economics teaching: the monoculture it engenders. Currently only one approach to economics is taught in the vast majority of departments in the U.S. and Europe: what is usually called neoclassical or marginalist economics, epitomized by Harvard’s Gregory Mankiw — a former chairman of the Council of Economic Advisers under President George W. Bush — and Chicago’s Gary Becker, a Nobel laureate. This is the economics of the rational, atomized individual purged of all social context, whose only goal is to maximize a mysterious, effervescent quantity called utility. In this view, the economy tends toward an equilibrium end point, at which everyone has a job and wages and profits are set in line with what each individual contributes to society.

Donald Gillies, a former president of the British Society for the Philosophy of Science, told a stunned audience that he had examined three well-known Nobel Prize–winning papers in economics and could find nothing in them that he could call scientific.

When I spoke with the students, they were struck by how even those who dissented from contemporary economic policies like austerity shared this overarching vision. Paul Krugman, for example, to whom many turned after the crisis to provide context — including many of the students I met — also accepted the orthodox view (although he has not embraced some of the worst excesses echoed by his peers).

True dissenters

The students at the June conference also said that there were true dissenters in the discipline who found that economics was a highly contested field. Cambridge University’s Ha-Joon Chang pointed out that there are any number of schools of economic thought, each with their own approaches and insights. Their opinions range from the Austrians, who believe that government interference in the economy leads to wasted resources, to post-Keynesians, who believe that capitalist economies are inherently unstable and require government intervention to stave off collapse and stagnation, to Marxians, institutionalists, Schumpeterians, neo-Ricardians and so on. Chang argued that none of these schools of thought were inherently right or wrong; they all had insights into the working of the economy, and every one of them had a right to be taught to students as a competing point of view. It was up to the students, he said, to find what they found interesting, useful and credible.

One of the conference speakers pointed out that this is required in all the other disciplines that study people and society. He told an anecdote about being in the psychology department of his university when an inspector from a psychological association turned up to ensure that there was an adequately pluralist approach being undertaken. The speaker quipped that it would be far more likely that an inspector from an economics association would turn up to ensure that the current doctrine was being firmly adhered to.

But what, exactly, constitutes this dogmatic thinking? For starters, the firm belief that economics is a science on par with physics and chemistry. After all, these economists say, only a crank would demand that a plurality of approaches to physics and chemistry should be taught in universities. But the truth of the matter is that economics is not a science on par with physics and chemistry and it never will be. Donald Gillies, a former president of the British Society for the Philosophy of Science, told a stunned audience that he had examined three well-known Nobel Prize–winning papers in economics and could find nothing in them that he could call scientific. Rather, he said, they utilized sophisticated mathematics to hide the fact that they were not saying anything remotely relevant about the real world that could be proved or disproved.

The dirty little secret about economics is that it cannot, like other sciences, undertake proper laboratory experiments. Even the experiments of the behaviorist economists are open to doubt in that it seems unlikely that the manner in which people act in a lab while under observation is identical to how they act day to day. Economics is therefore ill equipped to make claims with the same confidence as bona fide sciences. What economists offer are instead interpretations of the world around them. Once this is understood, it becomes very difficult to argue against a plurality of opinions in the discipline. This was what the students sensed, and this is why their clarion call became one for pluralism.

New curriculum

These students are well organized, and their numbers are growing; their commitment is unlikely to go away anytime soon. They are focused in a manner that is impressive for a protest movement, willing to transcend their political differences in order to fight for a common goal. Every week a new group springs up. At the conference I attended, organizers went around with pads and pens collecting the contact details of sympathetic faculty members and other students in countries where the movement was only partially developed.

Even institutions are hopping on board. Many employers complain that the mainstream departments are churning out employees with mathematical skills completely out of proportion to the jobs they do but who seem unable to undertake basic economic analysis. Often these employees have to be retrained on the job in order to function at their institutions. The chief economist of the Bank of England, Andy Haldane, wrote in the foreword to the students’ international manifesto that “employers of economists, like the Bank of England, stand to benefit from such an evolution in the economics curriculum.” Given that mainstream economists often claim that the consumer is king and competition is sacrosanct, it is increasingly difficult to see how they make a case for their current monopoly over the educational process.

In September another conference will take place in New York, and rumor has it that an enormous international meeting will soon be organized too. If and when the movement reaches that level of international organization, it could start putting real pressure on companies, governments and economics departments to rethink their models and their ways. If the profession wishes to uphold what is left of its credibility, it would do well to pay attention.

Philip Pilkington is a London-based economist and member of the Political Economy Research Group at Kingston University. He runs the blog Fixing the Economists.

O manguezal avança (Fapesp)

01.07.2014

O manguezal da Reserva Biológica de Guaratiba, no Rio de Janeiro, parece estar em migração continente adentro. O movimento é uma resposta à elevação no nível do mar, que pesquisadores do Núcleo de Estudos do Manguezal (Nema), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), atribuem a mudanças globais no clima.

O oceanógrafo Gustavo Duque Estrada, do Nema, foi a campo com a equipe de vídeo de Pesquisa FAPESP para mostrar como o grupo vem monitorando essa floresta costeira desde os anos 1990. Na universidade, o coordenador do grupo, Mário Soares, explica o significado dos resultados de pesquisa para entender os manguezais, suas respostas às mudanças ambientais e sua influência sobre o ambiente, incluindo por meio da capacidade de armazenar carbono. “Áreas que antes eram planícies hipersalinas, lá no início da década de 1990, hoje já são florestas de mangue”, conta.

Sem chuva, vale até reciclar esgoto (Página 22)

14 JULHO 2014

Na capital do oeste australiano, nem só de dessalinização vive a gestão da água. No lugar onde a seca é realidade há décadas, a reciclagem tornou-se essencial

Por Flavia Pardini na Página 22

A seca no Sudeste brasileiro pegou muita gente de calça curta no país da enxurrada. Mas no continente mais seco do mundo, a noção de que é preciso gerir a água para o futuro é realidade há décadas.

Na cidade australiana de Perth – onde a vazão para os reservatórios caiu pela metade desde os anos 1970 –, o pilar de longo prazo da política hídrica é a dessalinização, que responde por metade do consumo de 1,8 milhão de habitantes. O outro grande esforço em marcha é o de reciclar.

Um programa de tratamento de “águas residuais” – que vão pelo ralo após o uso em chuveiros, pias e máquinas de lavar – e sua reintrodução no aquífero recebeu luz verde em 2013. No início de março passado, a Water Corporation, empresa que abastece Perth, informou que 3,5 bilhões de litros de água altamente tratada e purificada foram reinjetados nos aquíferos mais profundos da região, onde ficará estocada para uso futuro. O plano é reciclar e reinjetar 7 bilhões de litros por ano, com possibilidade de expansão para 28 bilhões de litros.

O processo envolve ultrafiltragem, osmose reversa e exposição a raios ultravioleta. A reinjeção é necessária para que a população, que prefere um processo “natural” de filtragem, aceite beber água que já foi usada e descartada.

Um porta-voz da Water Corporation informou que a expectativa é de que 1 litro de água reciclada custe “um pouco menos” do que 1 litro de água dessalinizada. Ambientalistas aguerridos contestam as boas intenções da empresa – segundo eles, seria mais barato tornar obrigatório que novas residências captem água da chuva e disponham de seu próprio sistema de reciclagem.

A reciclagem, segundo a Water Corp, tem potencial para responder por até 20% do consumo de Perth em 2060.

Fonte: Página 22.

Precipitation, not warming temperatures, may be key in bird adaptation to climate change (Science Daily)

Date: July 11, 2014

Source: Oregon State University

Summary: A new model analyzing how birds in western North America will respond to climate change suggests that for most species, regional warming is not as likely to influence population trends as will precipitation changes. “In general, our study suggests that if climate change results in winters with less precipitation, we likely will see a spring drying effect,” one researcher said. “This means that populations of drought-tolerant species will expand and birds that rely heavily on moisture should decline.”

Rufous hummingbird. Credit: Image courtesy of Oregon State University

A new model analyzing how birds in western North America will respond to climate change suggests that for most species, regional warming is not as likely to influence population trends as will precipitation changes.

Several past studies have found that temperature increases can push some animal species — including birds — into higher latitudes or higher elevations. Few studies, however, have tackled the role that changes in precipitation may cause, according to Matthew Betts, an Oregon State University ecologist and a principal investigator on the study.

“When we think of climate change, we automatically think warmer temperatures,” said Betts, an associate professor in Oregon State’s College of Forestry. “But our analysis found that for many species, it is precipitation that most affects the long-term survival of many bird species.

“It makes sense when you think about it,” Betts added. “Changes in precipitation can affect plant growth, soil moisture, water storage and insect abundance and distributions.”

Results of the study, which was funded by the National Science Foundation with support from the U.S. Geological Survey and others, are being published in the journalGlobal Change Biology.

The researchers examined long-term data on bird distributions and abundance covering five states in the western United States, and in the Canadian province of British Columbia, testing statistical models to predict temporal changes in population of 132 bird species over a 32-year period. They analyzed the impacts of temperature and precipitation on bird distributions at the beginning of the study period (the 1970s) and then tested how well the predictions performed against actual population trends over the ensuing 30 years.

The scientists keyed in on several variables, including possible changes during the wettest month in each region, the breeding season of different species, and the driest month by area. Their model found that models including precipitation were most successful at predicting bird population trends.

“For some species, the model can predict about 80 percent of variation,” Betts said, “and for some species, it’s just a flip of the coin. But the strongest message is that precipitation is an important factor and we should pay more attention to the implications of this moving forward.”

The study incorporated a lot of complex variables into the model, including micro-climatic changes that are present in mountainous environments. The research area encompassed California to northern British Columbia and the mountain systems drive much of the changes in both temperature and precipitation.

The researchers chose December precipitation as one variable and found it to be influential in affecting bird populations.

“Someone might ask why December, since half of the bird species usually present in the Pacific Northwest, for instance, might not even be here since they’re migratory,” Betts noted. “But much of the critical precipitation is snow that falls in the winter and has a carryover effect for months later — and the runoff is what affects stream flows, plant growth and insect abundance well down the road.”

The rufous hummingbird is one species that appeared affected by changes in December precipitation, the researchers say. The species is declining across western North America at a rate of about 3 percent a year, and the model suggest it is linked to an overall drying trend in the Northwest. The evening grosbeak is similarly affected the authors say.

On the other hand, the California towhee shows a negative association with December precipitation, appears to be drought-tolerant — and its populations remain stable.

“We cannot say for certain that a change in December precipitation caused declines in evening grosbeaks or rufous hummingbirds,” said Javier Gutiérrez Illán, a former postdoctoral researcher at Oregon State and lead author on the study. “Our model shows, however, a strong association between the birds’ decline and precipitation changes and the fact that this variable pointed to actual past changes in populations gives it validity.”

“The study shows that models can predict the direction and magnitude of population changes,” he added. “This is of fundamental importance considering predictions were successful even in new locations.”

The next phase of the research is to use the model to determine if there are patterns in the sorts of species affected — for instance, birds that are migratory or non-migratory, or short- or long-lived. They also hope to test additional variables, including land use changes, wildfire impacts, competition between species and other factors.

“In general, our study suggests that if climate change results in winters with less precipitation, we likely will see a spring drying effect,” Betts said. “This means that populations of drought-tolerant species will expand and birds that rely heavily on moisture should decline.”

Journal Reference:
  1. Javier Gutiérrez Illán, Chris D. Thomas, Julia A. Jones, Weng-Keen Wong, Susan M. Shirley, Matthew G. Betts. Precipitation and winter temperature predict long-term range-scale abundance changes in Western North American birds.Global Change Biology, 2014; DOI: 10.1111/gcb.12642

Pope Francis and the psychology of exorcism and possession (The Guardian)

Endorsement of exorcism by the Vatican will do nothing to prevent future tragedies like the death of Victoria Climbié

Chris French

Wednesday 9 July 2014

Last week it was reported that Pope Francis had formally recognised the International Association of Exorcists, a group of 250 priests spread across 30 countries who supposedly cast out demons. The head of the association, Rev Francesco Bamonte, announced that this was a cause for joy because, “Exorcism is a form of charity that benefits those who suffer.” While Pope Francis, who frequently mentions Satan, no doubt agrees with this sentiment, this granting of legal recognition to the concepts of possession and exorcism has come as something of a shock to those who do not share this world view.

Belief in possession is widespread both geographically and historically and is far from rare in modern western societies. A YouGov poll of 1,000 US adults last year found that over half of the respondents endorsed belief in possession and 20% remained unsure. Only 11% said categorically that they did not believe people could be “possessed by the devil”.

Is it possible that the pope is right and demons can sometimes take control of their victims’ behaviour? Are exorcists really bravely battling against the most powerful, evil forces imaginable? Or are possession and exorcism best explained in terms of psychological factors without any need to postulate the existence of incorporeal spiritual entities? I would argue that the available evidence strongly supports the latter interpretation.

There can be no doubt that some forms of behaviour that would once have been seen as evidence for possession by demons or evil spirits would now be recognised as being caused by neuropathology. Hippocrates, in The Sacred Disease, declared that epileptic convulsions were caused by brain malfunction, not evil spirits. Belief in possession was still widespread some 400 years later, however, when Jesus encountered an individual believed to be possessed but who was, in fact, clearly suffering from epilepsy.

Another condition that would often have been interpreted in a similar manner is Tourette’s syndrome. Interestingly, the first recorded description of a case of Tourette’s may be in Malleus Maleficarum (or Witch’s Hammer) published in the 15th century by Jakob Sprenger and Heinrich Kraemer. This notorious book served as a guide for identifying witches and the possessed and included a description of a priest whose tics were thought to be a result of possession by the devil. Although the symptom that people most readily associate with Tourette’s syndrome is vocal outbursts of foul language, this symptom is in fact quite rare, affecting only around 10% of sufferers. Having said that, this is probably the main symptom that, in times gone by, would have led to suspicion of possession.

There are several other neuropathologies (eg certain forms of schizophrenia) that might also have been interpreted as possession in less enlightened times (and sadly sometimes still are) but it is not plausible to explain all cases of apparent possession in neuropathological terms. It should also be borne in mind that the type of phenomenon that would be the main focus for the International Association of Exorcists is but one example of situations where an individual appears to have been taken over by some agent, resulting in a dramatic change in behaviour, mannerisms, voice and even, allegedly, memories.

Other examples would include mediums “channelling” communications from the dead; shamans inviting possession by the gods, ancestors or animal spirits; individuals apparently reliving past-lives, having gone through a process of hypnotic regression; and volunteers during hypnosis stage shows apparently taking on the identities of celebrities, animals or even aliens.

The controversial diagnosis of dissociative identity disorder (formerly known as multiple personality disorder) is yet another example of this phenomenon, though many commentators, myself included, believe that it is not in fact a genuine psychiatric disorder but is instead a product of dubious forms of therapy.

The sociocognitive approach, as outlined by Nick Spanos in his posthumously published book, Multiple Identities and False Memories, has the potential to explain all the phenomena listed in the previous two paragraphs without the need to invoke disembodied spiritual entities. Essentially, this approach argues that all of these phenomena reflect learned patterns of behaviour that constitute particular recognised roles within specific cultural contexts.

Although it may not always be immediately obvious, there are often benefits to enacting the role of being possessed. Indeed, in many societies, certain forms of possession are welcomed. For example, glossolalia, or “speaking in tongues”, is encouraged in many western Christian societies and is interpreted as possession by the Holy Spirit. During glossolalia, the individual produces vocalisations of meaningless syllables. Although these may sound superficially like a foreign language, analysis shows them to have no true linguistic structure whatsoever. Glossolalia can sometimes involve dramatic behaviour such as convulsions, sweating and rolling eyes but can also be much more subdued. The actual form the glossolalia takes is entirely determined by the expectations of the particular religious community involved.

For less positive forms of possession, the benefits of taking on this role may be harder to identify but they still exist. As Michael Cuneo describes in his excellent book, American Exorcism, the phenomena of alleged possession and exorcism are much more widespread in the US than is officially recognised. For many people, the idea that all of their previous socially and morally unacceptable behaviour was not in fact their fault but due to possession by demons is appealing. Furthermore, once those demons have been exorcised, the repentant sinner is now welcomed back into the loving arms of his or her community.

Anthropologists have pointed out that in some cultures, those with little or no social influence can let off steam and vent their true feelings towards the more powerful members of their society while “possessed” without having to face any repercussions. They are not held to be responsible for their actions, the possessing spirit is. It is notable that historically in Europe, it was women who were much more likely to be “possessed” than men.

Of course, we must not forget that the outcome for the person who is labelled as “possessed” can sometimes be far from positive. To give one notorious example, the parents of 23-year-old Anneliese Michel and two West German priests were convicted in 1978 of causing her death (they received suspended sentences). They had starved the young epileptic as part of a horrendous 11-month exorcism. She weighed just 68 pounds (5 stone or 30 kilograms) at the time of her death. The Guardian has noted that belief in possession has been a factor in several child abuse cases in the UK, including the tragic death of Victoria Climbié in 2000.

The official recognition of such pre-Enlightenment beliefs by the Vatican will do nothing to prevent future tragedies of this kind.

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Miami, the great world city, is drowning while the powers that be look away (The Observer)

Low-lying south Florida, at the front line of climate change in the US, will be swallowed as sea levels rise. Astonishingly, the population is growing, house prices are rising and building goes on. The problem is the city is run by climate change deniers

, science editor, in Miami

The Observer, Friday 11 July 2014 08.59 BST

Miami coastline

The Miami coastline: there are fears that even a 30cm rise in the sea level could be catastrophic. Photograph: Joe Raedle/Getty

A drive through the sticky Florida heat into Alton Road in Miami Beach can be an unexpectedly awkward business. Most of the boulevard, which runs north through the heart of the resort’s most opulent palm-fringed real estate, has been reduced to a single lane that is hemmed in by bollards, road-closed signs, diggers, trucks, workmen, stacks of giant concrete cylinders and mounds of grey, foul-smelling earth.

It is an unedifying experience but an illuminating one – for this once glamorous thoroughfare, a few blocks from Miami Beach’s art deco waterfront and its white beaches, has taken on an unexpected role. It now lies on the front line of America’s battle against climate change and the rise in sea levels that it has triggered.

“Climate change is no longer viewed as a future threat round here,” says atmosphere expert Professor Ben Kirtman, of the University of Miami. “It is something that we are having to deal with today.”

Every year, with the coming of high spring and autumn tides, the sea surges up the Florida coast and hits the west side of Miami Beach, which lies on a long, thin island that runs north and south across the water from the city of Miami. The problem is particularly severe in autumn when winds often reach hurricane levels. Tidal surges are turned into walls of seawater that batter Miami Beach’s west coast and sweep into the resort’s storm drains, reversing the flow of water that normally comes down from the streets above. Instead seawater floods up into the gutters of Alton Road, the first main thoroughfare on the western side of Miami Beach, and pours into the street. Then the water surges across the rest of the island.

The effect is calamitous. Shops and houses are inundated; city life is paralysed; cars are ruined by the corrosive seawater that immerses them. During one recent high spring tide, laundromat owner Eliseo Toussaint watched as slimy green saltwater bubbled up from the gutters. It rapidly filled the street and then blocked his front door. “This never used to happen,” Toussaint told reporters. “I’ve owned this place eight years and now it’s all the time.”

Today, shop owners keep plastic bags and rubber bands handy to wrap around their feet when they have to get to their cars through rising waters, while householders have found that ground-floor spaces in garages are no longer safe to keep their cars. Only those on higher floors can hope to protect their cars from surging sea waters that corrode and rot the innards of their vehicles.

Hence the construction work at Alton Road, where $400m is now being spent in an attempt to halt these devastating floods – by improving Miami Beach’s stricken system of drains and sewers. In total, around $1.5bn is to be invested in projects aimed at holding back the rising waters. Few scientists believe the works will have a long-term effect.

lowlying houses miami

Low-lying houses in Miami Beach are especially vulnerable. Photograph: Joe Raedle/Getty Images

“There has been a rise of about 10 inches in sea levels since the 19th century – brought about by humanity’s heating of the planet through its industrial practices – and that is now bringing chaos to Miami Beach by regularly flooding places like Alton Road,” says Harold Wanless, a geology professor at the University of Miami. “And it is going to get worse. By the end of this century we could easily have a rise of six feet, possibly 10 feet. Nothing much will survive that. Most of the land here is less than 10 feet above sea level.”

What makes Miami exceptionally vulnerable to climate change is its unique geology. The city – and its satellite towns and resorts – is built on a dome of porous limestone which is soaking up the rising seawater, slowly filling up the city’s foundations and then bubbling up through drains and pipes. Sewage is being forced upwards and fresh water polluted. Miami’s low topography only adds to these problems. There is little land out here that rises more than six feet above sea level. Many condos and apartment blocks open straight on the edge of the sea. Of the total of 4.2 million US citizens who live at an elevation of four feet or less, 2.4 million of them live in south Florida.

At Florida International University, geologist Peter Harlem has created a series of maps that chart what will happen as the sea continues to rise. These show that by the time oceans have risen by four feet – a fairly conservative forecast – most of Miami Beach, Key Biscayne, Virginia Key and all the area’s other pieces of prime real estate, will be bathtubs. At six feet, Miami city’s waterfront and the Florida Keys will have disappeared. The world’s busiest cruise ship port, which handles four million passengers, will disappear beneath the waves. “This is the fact of life about the ocean: it is very, very powerful,” says Harlem.

Miami and its surroundings are facing a calamity worthy of the Old Testament. It is an astonishing story. Despite its vast wealth, the city might soon be consumed by the waves, for even if all emissions of carbon dioxide were halted tomorrow – a very unlikely event given their consistent rise over the decades – there is probably enough of the gas in the atmosphere to continue to warm our planet, heat and expand our seas, and melt polar ice. In short, there seems there is nothing that can stop the waters washing over Miami completely.

It a devastating scenario. But what really surprises visitors and observers is the city’s response, or to be more accurate, its almost total lack of reaction. The local population is steadily increasing; land prices continue to surge; and building is progressing at a generous pace. During my visit last month, signs of construction – new shopping malls, cranes towering over new condominiums and scaffolding enclosing freshly built apartment blocks – could be seen across the city, its backers apparently oblivious of scientists’ warnings that the foundations of their buildings may be awash very soon.

Activists Demonstrate Against Sen. Rubio's Miami Office

Protesters gather near the office of Senator Marco Rubio to ask him to take action to address climate change. Photograph: Joe Raedle/Getty Images

Not that they are alone. Most of Florida’s senior politicians – in particular, Senator Marco Rubio, former governor Jeb Bush and current governor Rick Scott, all Republican climate-change deniers – have refused to act or respond to warnings of people like Wanless or Harlem or to give media interviews to explain their stance, though Rubio, a Republican party star and a possible 2016 presidential contender, has made his views clear in speeches. “I do not believe that human activity is causing these dramatic changes to our climate the way these scientists are portraying it. I do not believe that the laws that they propose we pass will do anything about it, except it will destroy our economy,” he said recently. Miami is in denial in every sense, it would seem. Or as Wanless puts it: “People are simply sticking their heads in the sand. It is mind-boggling.”

Not surprisingly, Rubio’s insistence that his state is no danger from climate change has brought him into conflict with local people. Philip Stoddard, the mayor of South Miami, has a particularly succinct view of the man and his stance. “Rubio is an idiot,” says Stoddard. “He says he is not a scientist so he doesn’t have a view about climate change and sea-level rise and so won’t do anything about it. Yet Florida’s other senator, Democrat Bill Nelson, is holding field hearings where scientists can tell people what the data means. Unfortunately, not enough people follow his example. And all the time, the waters are rising.”

Philip Stoddard is particularly well-placed to judge what is happening to Miami. Tall, thin, with a dry sense of humour, he is a politician, having won two successive elections to be mayor of South Miami, and a scientist, a biology professor at Florida International University. The backyard of the home that he shares with his architect wife, Grey Reid, reflects his passion for the living world. While most other South Miami residences sport bright blue swimming pools and barbecues, Stoddard has created a small lake, fringed with palms and ferns, that would do justice to the swampy Everglades near his home. Bass, koi and mosquito fish swim here, while bright dragonflies and zebra lapwing butterflies flit overhead. It is a naturalists’ haven but Stoddard is under no illusions about the risks facing his home. Although several miles inland, the house is certainly not immune to the changes that threaten to engulf south Florida.

“The thing about Miami is that when it goes, it will all be gone,” says Stoddard. “I used to work at Cornell University and every morning, when I went to work, I climbed more elevation than exists in the entire state of Florida. Our living-room floor here in south Miami is at an elevation of 10 feet above sea level at present. There are significant parts of south Florida that are less than six feet above sea level and which are now under serious threat of inundation.”

Nor will south Florida have to wait that long for the devastation to come. Long before the seas have risen a further three or four feet, there will be irreversible breakdowns in society, he says. “Another foot of sea-level rise will be enough to bring salt water into our fresh water supplies and our sewage system. Those services will be lost when that happens,” says Stoddard.

“You won’t be able to flush away your sewage and taps will no longer provide homes with fresh water. Then you will find you will no longer be able to get flood insurance for your home. Land and property values will plummet and people will start to leave. Places like South Miami will no longer be able to raise enough taxes to run our neighbourhoods. Where will we find the money to fund police to protect us or fire services to tackle house fires? Will there even be enough water pressure for their fire hoses? It takes us into all sorts of post-apocalyptic scenarios. And that is only with a one-foot sea-level rise. It makes one thing clear though: mayhem is coming.”

Miami flooding

In November 2013, a full moon and high tides led to flooding in parts of the city, including here at Alton Road and 10th Street. Photograph: Corbis

And then there is the issue of Turkey Point nuclear plant, which lies 24 miles south of Miami. Its operators insist it can survive sea surges and hurricanes and point out that its reactor vessel has been built 20 feet above sea level. But critics who include Stoddard, Harlem and others argue that anciliary equipment – including emergency diesel generators that are crucial to keeping cooling waters circulating in the event of power failure – are not so well protected. In the event of sea rise and a major storm surge, a power supply disruption could cause a repeat of the Fukushima accident of 2011, they claim. In addition, inundation maps like those prepared by Harlem show that with a three-foot sea-level rise, Turkey Point will be cut off from the mainland and will become accessible only by boat or aircraft. And the higher the seas go, the deeper it will be submerged.

Turkey Point was built in the 1970s when sea level rises were not an issue, of course. But for scientists like Ben Kirtman, they are now a fact of life. The problem is that many planners and managers still do not take the threat into account when planning for the future, he argues. A classic example is provided by the state’s water management. South Florida, because it is so low-lying, is criss-crossed with canals that take away water when there is heavy rainfall and let it pour into the sea.

“But if you have sea level rises of much more than a foot in the near future, when you raise the canal gates to let the rain water out, you will find sea water rushing in instead,” Kirtman said. “The answer is to install massive pumps as they have done in New Orleans. Admittedly, these are expensive. They each cost millions of dollars. But we are going to need them and if we don’t act now we are going to get caught out. The trouble is that no one is thinking about climate change or sea-level rises at a senior management level.”

The problem stems from the top, Kirtman said, from the absolute insistence of influential climate change deniers that global warming is not happening. “When statesmen like Rubio say things like that, they make it very, very hard for anything to get done on a local level – for instance for Miami to raise the millions it needs to build new sewers and canals. If local people have been told by their leaders that global warming is not happening, they will simply assume you are wasting their money by building defences against it.

“But global warming is occurring. That is absolutely unequivocal. Since the 1950s, the climate system has warmed. That is an absolute fact. And we are now 95% sure that that warming is due to human activities. If I was 95% sure that my house was on fire, would I get out? Obviously I would. It is straightforward.”

This point is backed by Harold Wanless. “Every day we continue to pump uncontrolled amounts of greenhouse gas into the atmosphere, we strengthen the monster that is going to consume us. We are heating up the atmosphere and then we are heating up the oceans so that they expand and rise. There doesn’t look as if anything is going to stop that. People are starting to plan in Miami but really they just don’t see where it is all going.”

Thus one of the great cities of the world faces obliteration in the coming decades. “It is over for south Florida. It is as simple as that. Nor is it on its own,” Wanless admits.

“The next two or three feet of sea-level rise that we get will do away with just about every barrier island we have across the planet. Then, when rises get to four-to-six feet, all the world’s great river deltas will disappear and with them the great stretches of agricultural land that surrounds them. People still have their heads in the sand about this but it is coming. Miami is just the start. It is worth watching just for that reason alone. It is a major US city and it is going to let itself drown.”

Other areas at risk

London

With eight power stations, 35 tube stations and all of Whitehall in the tidal Thames floodplain, the threat of floods has long loomed large, posing a risk to the economy, infrastructure and national heritage. With sea level rises and increased rainfall on the cards thanks to climate change, measures are being put in place to revamp and boost the ageing flood defences. Meanwhile, the south-east of England is sinking by around 1.5mm a year.

Amsterdam/Netherlands

The Dutch are often looked to as the masters of flood defence engineering with their impressive array of dams, dikes and barriers. It’s a skill they have had to acquire as almost half the population lives less than 3ft above sea level and many livelihoods depend on the country’s strong flood defences. They have adopted a “live with water, rather than fight it” attitude in recent years, with innovations including “floating homes” being built in Amsterdam.

New Orleans

Bearing in mind that roughly half of New Orleans is below sea level, its future in terms of coastal flooding does not look too bright. Indeed, according to the World Bank it is the fourth-most vulnerable city to future sea level rise in economic costs, with predicted average annual losses of $1.8bn in 2050. It is predicted that rising waters and subsiding land could result in relative sea level rises of up to 4.6ft by 2100, one of the highest rates in the US.

Maldives

The Maldives is generally thought of as an island paradise but is critically endangered by the rising ocean that both supports and surrounds it. Of its 1,192 islands, 80% are less than 3ft above sea level, with global warming putting the Maldives at risk of becoming the Atlantis of our time. So perhaps it is unsurprising that the Maldivian president is looking at the options of buying land should the country’s 200 densely inhabited islands need to be evacuated.There’s even a pot of money especially allocated for buying land overseas and moving the islands’s residents to safer ground.

Bangladesh

Bangladesh is a nation in which three majestic Himalayan rivers converge, before meandering their way to the sea via the Ganges delta: beautiful on a map, but not ideal in terms of river flooding, or tidal flooding for that matter. The country is basically a massive floodplain, with more than 20% of its land awash with water every year and around 70% experiencing severe flooding in extreme cases. As one of the world’s least developed countries, it cannot afford the technology others use to mitigate the effects of flooding and has to turn to more imaginative means, such as creating houses built on stilts in coastal areas.

Abigail Hayward

Pescadores que denunciaram Petrobrás se dizem exilados dentro do país (Congresso em Foco)

Pescadores que denunciaram Petrobras se dizem exilados dentro do país

Retirados de Magé (RJ) depois de resistirem a megaprojeto da estatal na Baía da Guanabara, líderes de associação reclamam do tratamento do governo federal e pedem segurança para voltarem às suas casas

POR EDSON SARDINHA | 30/06/2014 17:47

Dois telefonemas disparados de Brasília atingiram em cheio três pescadores que desafiaram a Petrobras na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. O primeiro acertou de uma só vez Alexandre Anderson de Souza e sua esposa, Daize Menezes de Souza, em novembro de 2012. O segundo chamado alcançou Maicon Alexandre Rodrigues, em setembro de 2013. Os três receberam ordens da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência para se retirarem de Magé (RJ), onde viviam e resistiam aos projetos do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), o maior investimento da história da estatal. O recado era claro: se não saíssem, seriam mortos por grupos armados da região, dos quais já haviam sofrido ameaças e atentados.

Incluídos no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH), coordenado pela secretaria, abandonaram a cidade com a promessa até hoje não concretizada de que voltariam dois meses depois com segurança. Desde então, vivem como clandestinos. Não sabem se um dia voltarão a Magé, sede da Associação dos Homens do Mar (Ahomar), da qual são dirigentes. A entidade está com as portas fechadas desde agosto de 2012.

Os pescadores acusam a Secretaria de Direitos Humanos de atuar em parceria com a Petrobras para mantê-los longe da região onde a empresa toca o maior investimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), avaliado em US$ 13,5 bilhões. O trio afirma que os telefonemas disparados pelo programa, ainda que eventualmente os tenham livrado da morte, mataram a resistência dos pescadores de sete municípios da Baía de Guanabara. De 2009 para cá, quatro dirigentes da Ahomar foram assassinados. Alexandre e Daize contam ter escapado de sete atentados.

Com manifestações no mar e ações na Justiça, a entidade virou obstáculo para a petroleira e seus fornecedores. Conseguiu paralisar trechos de obras por onde passariam dutos de gás. Desde que foi lançado, em 2006, o complexo petroquímico virou uma usina de problemas para o governo federal: o orçamento previsto dobrou e o início de sua operação está quatro anos atrasado.

“Para mim, quem mata não é só quem atira ou manda atirar. É também quem deixa atirar. Não tenho dúvida de que minha retirada foi determinada pela Petrobras. Houve um pedido político para eu deixar Magé”, acusa Alexandre, 43 anos, fundador e presidente da Ahomar. “Já são mais de 550 dias longe de casa. Tenho de voltar com escolta e ser protegido enquanto perdurarem as ameaças e os acusados não forem presos”, reivindica.E, para ele, as ameaças partem de empresas que prestam serviços à companhia.

Vice-presidente da associação, Maicon, 37 anos, relata viver os piores dias de sua vida. “O programa foi a pior coisa que me aconteceu. Se não nos matarem, vamos morrer de infarto ou depressão. Prefiro voltar para casa e morrer militando, como homem”, diz o pescador, também conhecido como Pelé.

Casada com Alexandre desde 2001, Daize, 47 anos, está arrependida de ter entrado para o programa. “A gente preferia ter morrido, levado um tiro na praia de Mauá, a sofrer o que fazem com a gente”, declara a diretora da Ahomar, pescadora desde os 14 anos.

O drama vivido pelos pescadores não expõe apenas a fragilidade do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, denunciada por outros militantesmas também a prioridade dada pelo governo aos grandes empreendimentos que financia, avalia Renata Neder, assessora de Direitos Humanos da Anistia Internacional, ONG que monitora o caso. “A retirada é necessária em caso de risco extremo, mas em caráter temporário. Há quase dois anos, Alexandre e Daize não conseguem voltar para casa. O ingresso no programa não pode acabar com a luta do defensor, que precisa permanecer na sua comunidade”, adverte Renata.

O Ministério Público Federal (MPF) monitora a execução do programa. O caso está nas mãos da procuradora Gabriela Figueiredo. Por tramitar sob sigilo, os procuradores não quiseram dar entrevista sobre o assunto. Na última audiência mediada pelo MPF, em dezembro do ano passado, a coordenação do programa federal informou que estava trabalhando para que os pescadores voltassem a Magé com segurança e que pediria uma avaliação de risco para o retorno dos militantes. Os pescadores não receberam nenhum retorno do estudo até hoje. Na ocasião, a PM disse que não tinha policiais em número suficiente para garantir total proteção aos pescadores.

Questionada pela reportagem sobre a situação dos dirigentes da Ahomar, a Secretaria de Direitos Humanos não se manifestou. Em nota, a Petrobras negou qualquer envolvimento com o afastamento dos militantes e as ameaças. Disse que respeita os direitos humanos e dialoga com as comunidades do entorno do Comperj. “A Petrobras repudia quaisquer ameaças aos pescadores e entende que as investigações são de responsabilidade dos órgãos competentes”, afirma.

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/pescadores-que-denunciaram-petrobras-se-dizem-exilados-dentro-do-pais/

The Whitening Of Neymar: How Color Is Lived In Brazil (Screamer)

June 8, 2014

Achal Prabhala

Original post by Achal Prabhala on SCREAMER

The Whitening Of Neymar: How Color Is Lived In Brazil

Originally published in Africa Is A Country.

By the time you read this, it’s possible that every single person on the planet will know who Neymar da Silva Santos Júnior is.

This is Neymar from last week:

The Whitening Of Neymar: How Color Is Lived In BrazilEXPAND

This is Neymar from one year ago:

The Whitening Of Neymar: How Color Is Lived In Brazil

This is Neymar from five years ago:

The Whitening Of Neymar: How Color Is Lived In Brazil

This is little Neymar with his family:

The Whitening Of Neymar: How Color Is Lived In Brazil

You could come to any number of conclusions from Neymar’s remarkable transformation. For instance, you could conclude that race doesn’t exist in Brazil, which is the favorite line of a specific tribe of Brazilians—impeccable liberals all, who just happen to be upper-class, white, and at the top of the heap.

Or you could conclude that everyone in Brazil is indeed mixed—which is, incidentally, the second-favorite line of the selfsame tribe.

Or you could wonder what happened to this boy.


It’s too easy to condemn Neymar for pretending to be white: Judging by the images, he is partly white. It’s silly to accuse him of denying his mixed-race ancestry, because the simplest search throws up hundreds of images of him as a child, none of which he seems to be ashamed of. There is this: When asked if he had ever been a victim of racism, he said, “Never. Neither inside nor outside the field. Because I’m not black, right?”

Actually, the word he used was preto, which is significant, since, in Brazil, when used as a color ascribed to people—rather than things, like rice or beans—it is the rough equivalent of the n-word, negro and negra being the acceptable ways of describing someone who is truly black (and moreno or morena being standard descriptors for someone dark-skinned, as well as, occasionally, euphemisms for blackness). Technically speaking, however, his logic was faultless—and even kind of interestingly honest: The Neymar who made that statement was an unworldly 18-year-old who had never lived outside Brazil. And in Brazil, Neymar is not black.


In 1976, the Brazilian Institute of Geography and Statistics ran a household survey that marked a crucial departure from other census exercises. The Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) did not ask Brazilians to choose a race category among pre-determined choices; instead, researchers went out and asked people to describe the color they thought they were.

This is what came back.

Acastanhada Somewhat chestnut-coloured
Agalegada Somewhat like a Galician
Alva Snowy white
Alva escura Dark snowy white
Alvarenta (not in dictionary; poss. dialect) Snowy white
Alvarinta Snowy white
Alva rosada Pinkish white
Alvinha Snowy white
Amarela Yellow
Amarelada Yellowish
Amarela-queimada Burnt yellow
Amarelosa Yellowy
Amorenada Somewhat dark-skinned
Avermelhada Reddish
Azul Blue
Azul-marinho Sea blue
Baiano From Bahia
Bem branca Very white
Bem clara Very pale
Bem morena Very dark-skinned
Branca White
Branca-avermelhada White going on for red
Branca-melada Honey-coloured white
Branca-morena White but dark-skinned
Branca-pálida Pale white
Branca-queimada Burnt white
Branca-sardenta Freckled white
Branca-suja Off-white
Branquiça Whitish
Branquinha Very white
Bronze Bronze-coloured
Bronzeada Sun-tanned
Bugrezinha-escura Dark-skinned India
Burro-quando-foge Disappearing donkey (i.e. nondescript) humorous
Cabocla Copper-coloured ( refers to civilized Indians)
Cabo-verde From Cabo Verde (Cape Verde)
Café Coffee-coloured
Café-com-leite Café au lait
Canela Cinnamon
Canelada Somewhat like cinnamon
Cardão Colour of the cardoon, or thistle (blue-violet)
Castanha Chestnut
Castanha-clara Light chestnut
Castanha-escura Dark chestnut
Chocolate Chocolate-coloured
Clara Light-coloured, pale
Clarinha Light-coloured, pale
Cobre Copper-coloured
Corada With a high colour
Cor-de-café Coffee-coloured
Cor-de-canela Cinnamon-coloured
Cor-de-cuia Gourd-coloured
Cor-de-leite Milk-coloured (i.e. milk-white)
Cor-de-ouro Gold-coloured (i.e. golden)
Cor-de-rosa Pink
Cor-firme Steady-coloured
Crioula Creole
Encerada Polished
Enxofrada Pallid
Esbranquecimento Whitening
Escura Dark
Escurinha Very dark
Fogoió Having fiery-coloured hair
Galega Galician or Portuguese
Galegada Somewhat like a Galician or Portuguese
Jambo Light-skinned (the colour of a type of apple)
Laranja Orange
Lilás Lilac
Loira Blonde
Loira-clara Light blonde
Loura Blonde
Lourinha Petite blonde
Malaia Malaysian woman
Marinheira Sailor-woman
Marrom Brown
Meio-amarela Half-yellow
Meio-branca Half-white
Meio-morena Half dark-skinned
Meio-preta Half-black
Melada Honey-coloured
Mestiça Half-caste/mestiza
Miscigenação Miscegenation
Mista Mixed
Morena Dark-skinned, brunette
Morena-bem-chegada Very nearly morena
Morena-bronzeada Sunburnt morena
Morena-canelada Somewhat cinnamon-coloured morena
Morena-castanha Chestnut-coloured morena
Morena-clara Light-skinned morena
Morena-cor-de-canela Cinnamon-coloured morena
Morena-jambo Light-skinned morena
Morenada Somewhat morena
Morena-escura Dark morena
Morena-fechada Dark morena
Morenão Dark-complexioned man
Morena-parda Dark morena
Morena-roxa Purplish morena
Morena-ruiva Red-headed morena
Morena-trigueira Swarthy, dusky morena
Moreninha Petite morena
Mulata Mulatto girl
Mulatinha Little mulatto girl
Negra Negress
Negrota Young negress
Pálida Pale
Paraíba From Paraíba
Parda Brown
Parda-clara Light brown
Parda-morena Brown morena
Parda-preta Black-brown
Polaca Polish woman
Pouco-clara Not very light
Pouco-morena Not very dark-complexioned
Pretinha Black – either young, or small
Puxa-para-branco Somewhat towards white
Quase-negra Almost negro
Queimada Sunburnt
Queimada-de-praia Beach sunburnt
Queimada-de-sol Sunburnt
Regular Regular, normal
Retinta Deep-dyed, very dark
Rosa Rose-coloured (or the rose itself)
Rosada Rosy
Rosa-queimada Sunburnt-rosy
Roxa Purple
Ruiva Redhead
Russo Russian
Sapecada Singed
Sarará Yellow-haired negro
Saraúba (poss. dialect) Untranslatable
Tostada Toasted
Trigo Wheat
Trigueira Brunette
Turva Murky
Verde Green
Vermelha Red

Lilia Moritz Schwarcz, an anthropologist at the University of São Paulo, has a range of astonishing insights around this historic survey; her paper, ” Not black, not white: just the opposite. Culture, race and national identity in Brazil,” from which the table above is reproduced, is a gem. (She also has a book that examines the early history of the subject: The Spectacle of the Races: Scientists, Institutions, and the Race Question in Brazil, 1870-1930.)

Schwarcz’s work is filled with thoughtful, original analysis, and is characterized by an unusual fearlessness. (Unusual, that is, for a subject so complicated). Reading her is a revelation; it turns out there is a real place hiding under that avalanche of clichés. If you’ve ever wondered how crushing racism can flourish in a country where, apparently, race itself has been crushed, consider that everything Brazil is defined by—from its “we are all mixed” anthem, to feijoada, capoeira, and candomblé, right down to samba and soccer—is the result of an insidious, revisionist, far-sighted political maneuver of the 1930s, courtesy the combined skills of popular intellectual Gilberto Freyre and populist dictator Getúlio Vargas. The battered body of slave culture was abducted by national culture in order to renew white culture.

Among the many eye-popping results reported in the PNAD survey, the one I am most drawn to is burro quando foge. You’ll find it up there in the table at No. 34. Google inexplicably translates the phrase as “saddle,” which is awesome, since it means that Lusofonia still keeps some secrets beyond the reach of the behemoth. Burro quando foge is translated by Schwarcz, within the constraints of a column slot, as “the disappearing donkey” and explained as a humorous phrase that denotes a nondescript color.

Which it is—and then some. The metaphor is unique to Brazil, and signifies a color. That color could be nondescript, ill-defined, elusive, or ugly—and, just to make things really clear, also fawn, beige, or a tricky shade of brown. The sentiment conveyed in the phrase is just as interesting. Used between friends, it could pass for a joke. Otherwise, it almost always denotes something unpleasant. It’s usually used an insult, although—oddly enough, given the colors and sentiments—it’s not specifically a racial insult.

Of all the 136 colors of race in Brazil, this is my favorite. It’s flippant and factual and fictional all at once, and as such, suits me perfectly. Race is not a term that has much currency in India, where I live. It is, however, a central feature of Johannesburg and São Paulo, the two cities I occasionally work in, and as much as I’m aware of how privileged I am not to be wholly subject to it, I feel curiously bereft of race in both places. Certainly, I grew up with color: Being a dark-skinned child in a uniformly light-skinned family meant that I had to regularly contend with well-meaning relatives who’d pinch my cheeks and chide me for “losing my color”—as though my skin tone was something I had brought upon myself in a fit of absent-mindedness. To choose a race then: Indian might work for some people, but it is both my passport and my residence, and that’s quite enough. Brown is too generic, and black, a bit too unbelievable, all things considered. Given that I spent my childhood reading Gerald Durrell and dreaming of donkeys, adopting their color seems right in so many ways.


And where does that leave our boy wonder? We might start with the Estado Novo, Vargas’s authoritarian reign between 1937 and 1945. Only a few years earlier, Freyre had published the crowning achievement of his career, Casa-Grande e Senzala (The Big House and the Slave Quarters, released in English as The Masters and the Slaves), and the book was catching fire. Freyre’s central theory was something he called Lusotropicalism. It told a soothing story of the past (by casting the Portuguese as a kinder, gentler breed of imperial slaver), offered a handy solution for the present (by turning the mixing of races into a virtue),and held out an appealing conclusion, namely, the idea that Brazil was a racial democracy.

Upon publication, Freyre’s work immediately attracted the ire of the Portuguese nation for suggesting her citizens were prone to miscegenation. At home, however, it became Vargas’s blueprint for the country he had seized—and his strategy for political survival. Three quarters of a century later, Freyre’s big think remains the enduring idea of Brazil, an idea whose appeal grows in leaps and bounds across the globe and, to be sure, often escapes the clutches of its creators to dazzling effect. Still, consider the irony: The country’s sense of itself as a racialdemocracy was smuggled in to its soul by an autocracy.

The term Estado Novo refers to a few different periods of dictatorship, and it literally translates as “new state,” which is prophetic, since the words also describe a peculiar duty that is incumbent upon at least half the Brazilian population. That duty, of course, is the business ofbranqueamento—of whitening—of transforming, quite literally, into a new physical state. (For all his pro-miscegenation advocacy, Schwarcz notes in The Spectacle of the Races, Freyre was as keen as his critics on keeping the structure of Brazil intact: as a hierarchy with whiteness on top). In that sense, Neymar is only the latest in a long line of celebrities and Brazilians of lesser value who get it. Who get the fine print on the contract; who understand that national identity rests on racial harmony, which, in turn, rests on a kind of potential access to opportunity. Not the opportunity to be equal, mind you, but the opportunity to be white. We may gawk at him all we like, but in straightening his hair, extending it out, and dyeing it blond, Neymar was fulfilling his patriotic destiny just as surely as he was confounding the Croats and leading his team to victory last month.


I’ll venture that the disappearing donkey colour fits Neymar to a T. After all, he is both undoubtedly and elusively brown. Yes, there is the matter of his blond ambition. O burro fugiu, we might well ask—has the donkey left the building? I’d really like to think not. For one thing, the boy’s only 22. He’s got a whole lifetime to change his mind—and his hair. For another, I’ve got a whole World Cup to watch. Have a heart. I spend hours every week learning Brazilian Portuguese; I’m devoted to the country; and I come from Bangalore, a city in which Pelé is god. I do not mean this metaphorically. In a neighborhood called Gowthampura, around the corner from where I live, residents have erected a lovely shrine to four local icons—the Buddha, Dr. Ambedkar, Mother Teresa, and the striker from Santos.

The Whitening Of Neymar: How Color Is Lived In Brazil

So you see, my hands are tied. I’ve got my own patriotic destiny to fulfill, and it involves rooting for Brazil, which means I’m going to need to love Neymar a lot.

I can do it.

Anyway, donkeys are famously stubborn animals. They’re good at waiting.


Achal Prabhala is a writer and researcher in Bangalore, India. Bottom photo via Flickr.Neymar game photos via Getty.

Screamer is Deadspin’s soccer site. We’re @ScreamerDS on Twitter. We’ll be partnering with our friends at Howler Magazine throughout the World Cup. Follow them on Twitter,@whatahowler.

Mudança climática ameaça estabilidade econômica de cidades (CarbonoBrasil)

11/7/2014 – 11h48

por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil

bhcdp Mudança climática ameaça estabilidade econômica de cidades

Novo relatório mostra que 76% dos 207 municípios analisados creem que as alterações ambientais trazem riscos físicos a seus habitantes e empresas; documento identificou 757 atividades de adaptação e mitigação nas cidades avaliadas

Uma nova pesquisa do Carbon Diclosure Project (CDP), organização sem fins lucrativos que ajuda cidades e empresas e medirem, divulgarem, gerirem e compartilharem informações ambientais, revelou que os governos locais das principais cidades do mundo estão avançando com as ações para combater as mudanças climáticas, já que acreditam que o fenômeno coloca em perigo a estabilidade de suas economias.

O relatório, intitulado Protecting our Capital (Protegendo nosso Capital ou Protegendo nossa Capital),aponta que 76% dos 207 municípios analisados acreditam que os efeitos das mudanças climáticas possam trazer algum tipo de risco físico a seus habitantes e companhias.

Entre as cidades avaliadas pelo estudo estão Caracas (Venezuela), Hong Kong, Johanesburgo (África do Sul), Londres (Inglaterra), Nova Iorque (Estados Unidos), São Paulo, Tóquio (Japão), Wellington (Nova Zelândia) e Sidney (Austrália).

Alguns dos principais riscos identificados pelas cidades são: danos materiais e a bens de capital; destruição de meios de transporte e infraestrutura; e problemas relacionados ao bem-estar dos cidadãos.

“Os governos locais estão agindo à frente para protegerem seus cidadãos e empresas dos impactos das mudanças climáticas, porém é preciso mais colaboração com as empresas para aumentar a resiliência urbana. Através do fornecimento de informação, políticas e incentivos, as cidades podem ajudar a equipar as empresas para gerirem esses riscos e abraçarem as oportunidades”, observou Larissa Bulla, diretora do programa de cidades do CDP.

Na verdade, segundo o documento, os municípios estão muito alinhados com as companhias quando o assunto é identificação de riscos. Eles reconhecem 69% dos riscos físicos das mudanças climáticas que as empresas identificam nessas cidades, e estão procurando resolver cerca de 66% dos identificados pelas corporações.

Por exemplo, a cidade de Caracas relata: “a água potável e a geração de eletricidade podem ser interrompidas por causa das mudanças climáticas. Esses fatores podem afetar o setor privado. As enchentes podem interromper as operações e as companhias de seguros podem enfrentar reivindicações mais elevadas”.

Tal situação também ocorre no município de Pittsburgh, nos EUA, em que alguns proprietários de empresas estão abandonando seus investimentos porque não são mais capazes de buscar compensação pelas perdas ocorridas como resultado das mudanças climáticas. Tanto é que a indústria local de seguros recentemente apresentou ações contra as cidades devido ao fato de que elas não estavam buscando se adaptar às consequências das mudanças climáticas.

Felizmente, a situação crítica parece estar levando a mais ação por parte dos municípios e também das empresas. No total, o CDP identificou 757 atividades de adaptação aos efeitos das mudanças climáticas nas cidades avaliadas, como o reporte e redução de emissões de gases do efeito estufa (GEEs). O documento também aponta que 102 dos 207 municípios já têm planos de adaptação em vigor.

É o caso de Hong Kong, cuja fornecedora de energia CLP Holdings sofreu danos locais e interrupção das atividades como resultado do aumento do nível do mar. A empresa gastou US$ 193 mil elevando os níveis dos pisos de suas edificações, e investiu mais US$ 516 mil para aumentar a capacidade de drenagem.

Enquanto isso, o Departamento de Serviços de Drenagem de Hong Kong direcionou US$ 2,7 bilhões para infraestrutura contra enchentes, incluindo o alargamento de rios e o armazenamento subterrâneo de água.

Em Londres, para combater o aumento das temperaturas, a assessoria financeira Morgan Stanley gastou US$ 4,4 milhões aprimorando o sistema de condicionadores de ar em seu centro de dados. Além disso, a cidade está usando seu sistema de planejamento para uma maior eficiência nos sistemas energético e de resfriamento, garantindo mais contribuição para uma cidade mais resiliente.

spriscos 1 Mudança climática ameaça estabilidade econômica de cidadesDe acordo com o relatório, no Brasil também há bons exemplos de ações climáticas. Em Campinas, no estado de São Paulo, a indústria alimentícia e de bebidas exportou bens no valor de US$ 11 bilhões em 2013, mas a cidade informa que “as indústrias que exigem uso intenso de água, como as companhias de refrigerante, podem escolher outra região devido à escassez de água no estado de São Paulo”.

Por isso, algumas cidades do estado, como a capital e o município de Caieiras, estão desenvolvendo planos de adaptação climática. Caieiras criou uma parceria com o governo nacional em um projeto de US$ 5,3 milhões para aumentar a capacidade de fluxo do rio Juquery, que é responsável pelas enchentes locais, diminuindo o risco e intensidade das inundações.

Já o município de São Paulo está investindo US$ 22 bilhões para melhorar sua infraestrutura de transporte. Tal investimento tem o potencial de criar melhores condições para as empresas operarem, tais como aumentar a mobilidade dos funcionários e clientes, e gerar um movimento mais eficiente de insumos e produtos.

A cidade também está colaborando com grandes companhias para melhorar sua infraestrutura hídrica.A Sabesp, maior companhia de água do país, fez uma parceria com a capital paulista para criar o Programa Vida Nova, que investiu US$ 600 milhões em coordenação com o programa de urbanização de favelas da cidade para fornecer redes de esgoto para 43 favelas e regiões de pouco desenvolvimento na cidade.

“A colaboração entre as cidades e as empresas é essencial para reduzir os impactos às populações mais vulneráveis”, afirma o relatório.

“Três quartos das cidades que fizeram parte do programa de cidades do CDP neste ano identificaram benefícios substanciais que fluem para economias públicas e privadas a partir de iniciativas de adaptação climáticas. Esses benefícios podem ser ampliados através de colaborações mais estreitas e do compartilhamento de conhecimento e recursos técnicos” concluiu Gary Lawrence, diretor de sustentabilidade da firma de serviços de suporte e infraestrutura AECOM.

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

(CarbonoBrasil)

Cientistas exploram microbiota de formigas em busca de novos fármacos (Fapesp)

Projeto reúne pesquisadores da USP e de Harvard e foi aprovado na primeira chamada conjunta lançada pela FAPESP e pelo NIH (foto: Michael Poulsen/capa: Eduardo Afonso da Silva Jr.)

11/07/2014

Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Como os moradores de grandes cidades bem sabem, ambientes com grande aglomeração de indivíduos são favoráveis à disseminação de patógenos e, portanto, requerem cuidados para evitar doenças.

Se nós humanos podemos contar com vacinas, remédios e desinfetantes para nos proteger, os insetos sociais – como abelhas, formigas e cupins – também desenvolveram ao longo de milhares de anos de evolução suas próprias “armas químicas”, que agora começam a ser exploradas pela ciência.

“Uma das estratégias usadas por insetos que vivem em colônias é a associação com microrganismos simbiontes – na maioria das vezes bactérias – capazes de produzir compostos químicos com ação antibiótica e antifúngica”, contou Monica Tallarico Pupo, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da Universidade de São Paulo (USP).

Em um projeto recentemente aprovado na primeira chamada de propostas conjunta lançada pela FAPESP e pelo National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, a equipe de Pupo vai se unir ao grupo de Jon Clardy, da Harvard University, para explorar a microbiota existente nos corpos de formigas brasileiras em busca de moléculas naturais que possam dar origem a novos fármacos.

“Vamos nos concentrar inicialmente nas espécies de formigas cortadeiras, como a saúva, pois são as que têm essa relação de simbiose mais bem descrita na literatura científica”, disse Pupo.

De acordo com a pesquisadora, as formigas cortadeiras se comportam como verdadeiras agricultoras, carregando pedaços de planta para o interior do ninho com o intuito de nutrir as culturas de fungos das quais se alimentam. “Isso cria um ambiente rico em nutrientes e suscetível ao ataque de microrganismos oportunistas. Para manter a saúde do formigueiro, é importante que tenham os simbiontes associados”, explicou Pupo.

Os pesquisadores sairão à caça de formigas em parques nacionais localizados em diferentes biomas brasileiros, como Cerrado, Mata Atlântica, Amazônia e Caatinga. Também fará parte da área de coleta o Parque Estadual Vassununga, no município de Santa Rita do Passa Quatro (SP).

A meta do grupo é isolar cerca de 500 linhagens de bactérias por ano o que, estima-se, dê origem a cerca de 1.500 diferentes extratos. “O primeiro passo será coletar os insetos e fragmentos do ninho para análise em laboratório. Em seguida, vamos isolar as linhagens de bactérias existentes e usar métodos de morfologia e de sequenciamento de DNA para caracterizar os microrganismos”, contou Pupo.

Depois que as bactérias estiverem bem preservadas e catalogadas, acrescentou a pesquisadora, será possível cultivar as linhagens para, então, extrair o caldo de cultivo. “Nossa estimativa é que cada linhagem dê origem a três diferentes extratos, de acordo com o nutriente usado no cultivo e a técnica de extração escolhida”, disse.

Esses extratos serão testados in vitro para avaliar se são capazes de inibir o crescimento de fungos, células cancerígenas e de parasitas causadores de leishmanioses e doença de Chagas. Os mais promissores terão os princípios ativos isolados e estudados mais profundamente.

“Nesse tipo de pesquisa é comum ter redundância, ou seja, isolar compostos já conhecidos na literatura. Para agilizar a descoberta de novas substâncias ativas vamos usar ferramentas de desreplicação e de sequenciamento genômico”, disse Pupo.

Também farão parte da equipe o bacteriologista Cameron Currie (University of Wisconsin-Madison), Fabio Santos do Nascimento (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP), André Rodrigues (Universidade Estadual Paulista em Rio Claro), Adriano Defini Andricopulo (Instituto de Física de São Carlos, da USP), James E. Bradner (Harvard Medical School), Dana-Farber (Cancer Institute), Timothy Bugni (University of Wisconsin – Madison) e David Andes (University of Wisconsin – Madison).

A chamada Fapesp/NIH está vinculada ao programa International Biodiversity Cooperative Groups (ICBG), do qual o Brasil participa pela primeira vez.

Início

Segundo Pupo, o projeto colaborativo é uma ampliação do trabalho que vem sendo realizado no âmbito de um Auxílio Regular aprovado em meados de 2013, que também conta com a colaboração de Clardy e de Currie.

“Estamos estudando uma espécie de abelha [ Scaptotrigona depilis] e uma espécie de formiga [Atta sexdens] encontradas no campus da USP em Ribeirão Preto. Nesse caso, exploramos toda a microbiota dos insetos, tanto bactérias quanto fungos, e alguns compostos isolados estão apresentando potencial antibacteriano e antifúngico bastante acentuado”, contou.

O trabalho está sendo desenvolvido durante o doutorado de Eduardo Afonso da Silva Júnior eCamila Raquel Paludo – ambos com Bolsa da FAPESP. Também tem a participação da bolsista de Iniciação Científica Taise Tomie Hebihara Fukuda.

Unindo ciências humanas à neurociência (Faperj)

10/07/2014

Vilma Homero

4O filósofo Carlos Eduardo Batista de Sousa: estudos sobre o pensamento humano

O homem é um animal puramente biológico ou um ser sociocultural? A pergunta vem dividindo especialistas das neurociências e das ciências humanas. Especialmente depois que estudos recentes visam identificar as bases neurais que possibilitam ou estão correlacionadas com o pensamento consciente. “A intencionalidade, o conteúdo do pensamento consciente, está associada às nossas ações. E este assunto se relaciona diretamente com o nosso contexto cultural e a nossa época, e com o entendimento sobre nós mesmos. O que significa dizer que a neurociência agora estuda um objeto típico das ciências humanas?”, pergunta o filósofo da ciência Carlos Eduardo Batista de Sousa, que contou com o apoio de um Auxílio à Pesquisa (APQ 1) para estudar as dimensões que compõem a humanidade em projeto intitulado “Intencionalidade e Comportamento: Definindo a Natureza Humana”. Como ele mesmo pondera, é possível formular uma resposta plausível, integrando o conhecimento das duas ciências.  

“Tento acomodar os estudos nesses dois campos, das humanidades e dasneurociências, vendo como a questão da intencionalidade está vinculada à neurobiologia humana e ao aspecto sociocultural”, acrescenta o pesquisador. Ele explica que o tipo de pensamento que o ser humano tem acontece também em virtude de nossa história evolutiva. Ou seja, tanto a nossa neurobiologia quanto as interações sociais, nosso contexto cultural e a época, devem ser considerados na tentativa de entender a natureza humana. Diferentemente dos animais, o ser humano conta com uma estrutura intencional específica: “Pensar implica pensar em alguma coisa, é preciso ter um objeto em mente, ter uma representação desse objeto no pensamento que é sobre algo. De modo bem direto, isso é o que os filósofos descobriram há certo tempo. Esse conteúdo intencional emerge da neurobiologia e da interação social, influenciando nosso comportamento.”

Descobertas recentes das neurociências indicam que o pensamento consciente está associado a certas regiões no cérebro, como o lobo  frontal, que se divide em córtex frontal e pré-frontal. A partir de tecnologias, como neuroimageamento e eletrofisiologia, que nos permitem identificar as áreas e mapear o que acontece durante o pensamento consciente, novos estudos estão se tornando possíveis de ser implementados, como por exemplo, investigar o cérebro em ação. “Mas ainda é prematuro dizer que partes do cérebro são responsáveis por cada coisa”, admite o pesquisador.

Para De Sousa, estudar a natureza humana também implica estudar sua natureza biológica e sociocultural, por meio do trabalho científico e do trabalho crítico de tentar unificar as duas vertentes. “Entender tanto a biologia quanto a cultura a partir do problema da intencionalidade pode unir essas duas áreas aparentemente opostas, e isso significa reconhecer que o pensamento consciente-intencional se baseia na neurobiologia e na interação social, dando origem às nossas ações.

Mas nosso cérebro precisa estar em condições favoráveis, sob a ação de certos hormônios, como a dopamina – relacionada, por exemplo, com à tomada de decisão, cálculo de riscos, etc. Caso haja alguma anomalia no cérebro, a ação será diferente. Isso significa que a biologia precisa ser reconhecida como condição primeira, porém ela não determina o conteúdo, isto é, como vou formar meus pensamentos…”, diz De Sousa.

Como De Sousa faz questão de frisar, apenas uma ciência, seja a neurociência ou a sociologia, não pode garantir explicações plausíveis sobre o comportamento humano. “Em vez de uma briga de conhecimento, como vem sendo vivenciado hoje, é preciso conciliar ciências humanas e neurociências num contexto mais amplo pela integração dos estudos”, destaca De Sousa, que tem formação em filosofia e doutorado na Universidade de Constança, Alemanha. “Em vez de fornecer respostas, a filosofia aponta problema e possíveis caminhos. Minha proposta consiste em acomodar ambas as explicações de forma a dar conta dos vários fatores e aspectos que influenciam o conteúdo do pensamento humano, as intenções que levam o sujeito a agir de determinado modo e não de outro.”

O próximo passo para De Sousa é dar continuidade a seu trabalho, procurando unificar os estudos sobre a natureza humana numa área transdisciplinar, já que o homem é um animal complexo. “Foi na Alemanha que dei início a essa pesquisa, durante o doutorado em neurofilosofia. Lá, esse tipo de pensamento integrador estava começando. Hoje, o assunto já avançou, permitindo um maior entendimento sobre o que nós somos a partir das neurociências e da perspectiva das ciências humanas que tem longa tradição de estudos na área. Sabendo como o cérebro aprende, se organiza e se deteriora, podemos entender por que agimos como agimos e encarar a realidade de outra forma, repensando inclusive o processo de educação. Assim, futuramente, poderemos até propor novas estratégias educacionais levando em consideração esse novo conhecimento. Com isso, poderemos também estabelecer uma nova visão de humanidade, mais completa, que inclua não apenas a neurobiologia, mas também a dimensão sociocultural”, conclui.

Projeto avalia os impactos de mudanças climáticas nos manguezais fluminenses (Faperj)

Débora Motta

10/07/2014

                                        Acervo Nema/Uerj
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 Árvores de raízes aéreas se destacam nos
mangues: agentes na captura do carbono
 do ar

O Brasil possui a segunda maior extensão territorial de manguezais, perdendo apenas para a Indonésia. Eles estão presentes em todo o litoral brasileiro, desde o Amapá até o município de Laguna, em Santa Catarina. Esses ecossistemas, com árvores de raízes aéreas e retorcidas, equilibradas na lama e na água salobra, são fundamentais para o equilíbrio ambiental. Afinal, são verdadeiros berçários naturais de diversas espécies, como peixes, moluscos e crustáceos, que neles encontram condições ideais para reprodução e abrigo. “Os manguezais protegem a costa contra os ventos e a inundação do mar, sendo fontes de subsistência de populações, pela pesca e turismo”, disse o oceanógrafo Mário Luiz Gomes Soares, coordenador do Núcleo de Estudos em Manguezais (Nema) e do programa de pós-graduação em Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Essa riqueza natural, contudo, pode ser comprometida pelas mudanças climáticas em curso no planeta. Para avaliar como o aquecimento global e outros fatores ambientais vêm afetando esses ecossistemas, Soares coordena pesquisas sobre o nível de vulnerabilidade dos manguezais, que tiveram início no estado do Rio de Janeiro, com apoio da FAPERJ, e se ampliaram para outros estados brasileiros, em projetos desenvolvidos com a rede de pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Ambientes Marinhos (INCT-AmbTropic), coordenado por pesquisador vinculado à Universidade Federal da Bahia e destinado ao estudo das respostas do litoral brasileiro às mudanças climáticas.

O estudo, considerado como o marco inicial das pesquisas de Soares, vem sendo realizado desde o final da década de 1990, no manguezal de Guaratiba, localizado a cerca de 70 quilômetros a oeste da capital fluminense, na Baía de Sepetiba. Contemplado pela Fundação por meio dos editais Apoio à Pesquisa Básica (APQ 1), Apoio a Programas de Pós-Graduação Estaduais, Prioridade Rio e Apoio ao estudo de soluções para problemas relativos ao meio ambiente, o oceanógrafo foi também bolsista da FAPERJ pelo programa Jovem Cientista do Nosso Estado. O trabalho vem sendo financiado ainda pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O manguezal de Guaratiba é o único no Brasil acompanhado em detalhes por pesquisadores durante um período tão extenso. “Em Guaratiba, nosso primeiro laboratório a céu aberto, observamos o impacto da elevação do nível médio do mar e dos ciclos climáticos sobre os manguezais. A partir desse modelo de estudo, a pesquisa foi ampliada para áreas de monitoramento em todo o Brasil, desde Santa Catarina até o Pará, e outras localidades no estado do Rio de Janeiro, incluindo os manguezais da Baía de Guanabara”, disse.

Em outras palavras, os ciclos climáticos regulam a vida nos manguezais. Durante os períodos mais úmidos, a chuva lava o solo, dilui o sal e as árvores conseguem se estabelecer nas planícies hipersalinas, conhecidas como apicuns – uma área descampada que lembra um deserto, extremamente salina, com solo duas a quatro vezes mais salgado do que a lama do manguezal, e sem a presença de vegetação arbórea. Já durante os períodos mais secos, ocorre o inverso e a vegetação do mangue fica prejudicada. “As mudanças climáticas podem alterar o regime de chuvas, fazendo com que elas fiquem mais escassas em algumas regiões e mais frequentes em outras. Em Guaratiba, por exemplo, observamos as respostas da floresta aos ciclos de clima. Nos anos mais úmidos ela cresce, e nos mais secos retrai”, destacou Soares. “Em algumas regiões sem aporte de rio, os manguezais dependem apenas da água da chuva. Quando chove menos que o normal, a vegetação do mangue fica prejudicada, e até morre”, completou.

Durante todos esses anos de pesquisa de campo, em que o oceanógrafo e a equipe do Nema deixa o conforto do Rio para fazer medições na lama e na mata fechada de Guaratiba, foi observada uma tendência comum em outros manguezais. “Ao longo dos anos, as espécies de vegetais do mangue e, consequentemente, de animais, começaram a colonizar uma área diferente, avançando em direção ao continente. Essa migração é uma resposta da floresta à elevação do nível médio do mar, devido a fatores como o aquecimento global. Para sobreviver, o manguezal precisa ir se adaptando conforme a subida das águas”, resumiu Soares.

Assim, as florestas de mangue vêm avançando continente adentro sobre os apicuns. Quando a maré sobe, o mar inunda essas planícies. A água empoçada, após sua evaporação, deposita sal em excesso no solo, o que inviabiliza a sobrevivência das espécies típicas do mangue. Apesar das condições de sobrevivência adversas, aos poucos as plantas se instalam ali, devido à inundação dessa área, cada vez mais frequente com o aumento do nível do mar. “Em Guaratiba, a floresta avançou rumo ao continente quase 80 metros, desde 1998”, detalhou Soares.

 Acervo Nema/Uerj
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Mário Soares, da Uerj, ressalta a importância
de políticas públicas para conservar manguezais   

Diante dessa observação, o desafio é avaliar se há espaço físico nos territórios que devem ser ocupados pelos manguezais, vizinhos a esses ecossistemas. “Prevendo esse movimento de migração dos manguezais, que vai se intensificar nos próximos anos, temos que ter políticas públicas, a longo prazo, para a gestão adequada da zona costeira. É preciso saber se essas áreas atrás dos manguezais, perto do continente, estão disponíveis. Muitas delas já foram ocupadas por empreendimentos imobiliários, o que deve ser uma fonte de preocupação”, explicou. E prosseguiu: “Em Sepetiba, a Companhia Siderúrgica do Atlântico foi construída exatamente na área onde o mangue deveria migrar. Daí a importância do planejamento urbano de ocupação territorial.”

Na Baía de Guanabara, há um problema de planejamento similar. Entre os manguezais estudados ao longo desse período pela equipe do Nema, os da região metropolitana do Rio apresentam, na maioria, alta vulnerabilidade à subida do nível do mar. “Em um estudo comandado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), fizemos uma análise dos sistemas costeiros, mapeamos todos os manguezais dos municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e analisamos a vulnerabilidade deles no caso de elevação do nível do mar”, resumiu Soares. “As únicas áreas de vulnerabilidade intermediária na Baía de Guanabara são aquelas protegidas pela APA de Guapimirim e a Estação Ecológica Guanabara”, completou. (Veja o mapa da vulnerabilidade dos manguezais à elevação do nível do mar na região metropolitana do Rio de Janeiro, sendo que as áreas representadas em vermelho apresentam alta vulnerabilidade, as áreas em amarelo, média vulnerabilidade, e as áreas em verde, baixa vulnerabilidade, segundo as pesquisas do Nema:http://www.faperj.br/images/Mapeamento_manguezais_RJ.jpg).

Outra característica dos manguezais monitorados por Soares, de extrema relevância ambiental, é a sua importante capacidade de absorver carbono da atmosfera. Para estudar como os manguezais “sequestram” o carbono do ar, o grupo do Nema desenvolveu alguns modelos matemáticos para estimar a quantidade de carbono armazenada em cada espécie vegetal do mangue, ou mesmo na lama. O manguezal tem uma capacidade de armazenamento de carbono pouco menor que a de outras florestas tropicais. Em relação à Amazônia, o valor total só não é maior porque a área do ecossistema costeiro é muito menor (pouco mais de 1 milhão de hectares) do que a da Amazônia (aproximadamente 500 vezes maior) ou da mata atlântica.

Acervo Nema/Uerj
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 Equipe do Nema em trabalho de campo: estudo do manguezal
de Guaratiba foi a base para entender mangues em outros estados

“No entanto, se considerarmos a soma da quantidade de carbono aprisionado na biomassa aérea (a parte das árvores acima do solo), com a biomassa subterrânea (as raízes) e o sedimento (a lama), o manguezal ganha da Amazônia no armazenamento de carbono por unidade de área”, avaliou Soares. E prosseguiu: “É importante conservar os manguezais, que têm grande potencial para aprisionar o carbono e, quando um sistema com tanto carbono é destruído, libera esse carbono na atmosfera, o que aumenta os gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento global”, alertou.

Com o aumento da temperatura do planeta, os manguezais também devem ampliar sua distribuição geográfica. A vegetação dos manguezais não cresce em baixas temperaturas, e por isso mais da metade desses ecossistemas do mundo está entre as latitudes 10°N e 10°S. “Como o sul do Brasil deve se tornar mais quente até o fim do século XXI, conforme as previsões climáticas, os manguezais devem ocupar latitudes mais altas e se expandir para regiões onde não existem hoje, ao sul do limite deles em Laguna”, disse Soares. Até o momento, conforme artigo do Nema publicado na renomada revista científica britânicaEstuarine, Coastal and Shelf Sciencenão houve expansão dos manguezais além dos limites latitudinais, nos últimos 30 anos.

Assim, pela importância ecológica, econômica e social, e pela vulnerabilidade das áreas costeiras onde preferencialmente ocorrem os adensamentos urbanos, empreendimentos portuários e industriais, e o cultivo de camarões, os manguezais merecem atenção especial. “Esperamos, dessa forma, contribuir, através da elaboração de um estudo aplicado, para a estruturação de políticas de conservação, restauração e monitoramento dos remanescentes de manguezal do Estado do Rio de Janeiro e do Brasil e, por conseguinte, dos bens e serviços vinculados a esses sistemas”, justificou o oceanógrafo.

Ao lado de Soares, participam do projeto os professores Felipe de Oliveira Chaves e Gustavo Calderucio Duque Estrada, ambos do Nema/Uerj; as professoras Cláudia Hamacher e Cássia Farias, do Laboratório de Geoquímica Orgânica Marinha da Uerj; e a professora Carla Madureira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de diversos alunos de pós-graduação do Nema/Uerj, como os doutorandos Viviane Fernandez, Paula Almeida, Daniel Medina, Michelle Passos e Marciel Estevam, além dos mestrandos Mayne Assunção, Brunna Tomaino, Carolina Cardoso e Ana Carolina Teixeira.

© FAPERJ – Todas as matérias poderão ser reproduzidas, desde que citada a fonte.

Negócio arriscado (Folha de São Paulo)

JC e-mail 4987, de 11 de julho de 2014

Em editorial, a Folha de São Paulo faz uma leitura sobre as mudanças climáticas no Planeta

O ano de 2015 poderá assistir a uma mudança de sinal na questão da mudança climática planetária. Há indícios de que ela já deixa o terreno estéril das polêmicas ao estilo Fla-Flu para se tornar, cada vez mais, uma preocupação crescente entre empresários e governantes de todos os matizes.

Não têm faltado manifestações nesse sentido. Elas aparecem bem sumarizadas na entrevista de Achim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) ao jornal “Valor Econômico”.

Steiner aposta num bom acordo internacional em Paris, no final de 2015, decisiva reunião de cúpula sobre o clima. Um tratado abrangente e ambicioso reverteria o fiasco de Copenhague (2009), que deveria ter produzido um documento para substituir o Protocolo de Kyoto (1997), extinto em 2012.

Para o diretor do Pnuma, a poluição do carbono –que agrava o efeito estufa e leva ao aquecimento global– não é o preço inevitável do desenvolvimento. Seus argumentos são essencialmente econômicos, e não ideológicos.

Ele aponta a distorção dos subsídios concedidos mundialmente aos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural), principal fonte do carbono lançado na atmosfera por atividades humanas. A conta fica entre US$ 600 bilhões e US$ 700 bilhões anuais e correspondente a cerca de dez vezes os incentivos para energias renováveis, como a eólica (ventos).

Seu exemplo é o Quênia, país que planeja incluir em cinco anos os 75% da população hoje sem acesso à eletricidade –e o fará com 95% de fontes limpas. Poderia ter citado o Brasil, que tem 80% de sua matriz com geração renovável e, nos últimos anos, descobriu os atrativos da energia eólica.

E Achim Steiner não está só. No contexto da opinião pública dos EUA, talvez a mais refratária ao tema do aquecimento global, líderes da política e da economia –democratas e republicanos– também vieram a público para defender que a inação diante dos problemas do clima, hoje, custará caro no futuro cada vez menos distante.

A manifestação apareceu no relatório “Risky Business” (negócio arriscado), com o endosso de pesos pesados como os ex-secretários do Tesouro dos EUA Henry Paulson, Robert Rubin e George Shultz, além de Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York.

Seu raciocínio é cristalino: por remoto que seja o perigo, faz-se seguro contra incêndio; que sentido haveria, então, em ignorar os riscos do aquecimento global? A resposta será dada, ou não, em Paris.

(Folha de São Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/175354-negocio-arriscado.shtml

Amazon rainforest grew after climate change 2,000 years ago -study (Reuters)

BY ALISTER DOYLE, ENVIRONMENT CORRESPONDENT

OSLO, July 8 Mon Jul 7, 2014 11:58pm BST

(Reuters) – Swathes of the Amazon may have been grassland until a natural shift to a wetter climate about 2,000 years ago let the rainforests form, according to a study that challenges common belief that the world’s biggest tropical forest is far older.

The arrival of European diseases after Columbus crossed the Atlantic in 1492 may also have hastened the growth of forests by killing indigenous people farming the region, the scientists wrote in the U.S. journal Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

“The dominant ecosystem was more like a savannah than the rainforest we see today,” John Carson, lead author at the University of Reading in England, said of the findings about the southern Amazon.

The scientists said that a shift toward wetter conditions, perhaps caused by natural shifts in the Earth’s orbit around the sun, led to growth of more trees starting about 2,000 years ago.

The scientists studied man-made earthworks – uncovered by recent logging in Bolivia – that included ditches up to about a kilometre (1,100 yards) long and up to 3 metres deep and 4 metres wide.

They found large amounts of grass pollen in ancient sediments of nearby lakes, suggesting the region had been covered by savannah. They also found evidence of plantings of maize, pointing to farming.

PRISTINE

The Amazon has traditionally been seen as a pristine, dense rainforest, populated by hunter-gatherers. In recent years, however, archaeologists have found hints that indigenous peoples lived in the thick forest, but managed to clear tracts of land for farming.

The PNAS study suggests a new idea – that the forest simply did not exist in some regions.

The “findings suggest that rather than being rainforest hunter-gatherers, or large-scale forest clearers, the people of the Amazon from 2,500 to 500 years ago were farmers,” the University of Reading said in a statement.

Carson said that perhaps a fifth of the Amazon basin, in the south, may have been savannah until the shift, with forests covering the rest.

In one lake, Laguna Granja, rainforest plants only took over from grass as the main sources of pollen in sediments about 500 years old, suggesting a link to the arrival of Europeans.

The purpose of the earthworks is unknown – they could have been defensive or for drainage or religious purposes.

And understanding the forest could help solve puzzles about climate change.

The Amazon rainforest affects climate change because trees soak up heat-trapping carbon dioxide as they grow and release it when they rot or are burnt. Brazil has sharply slowed deforestation rates in recent years.

Carson said that the growth of Amazonian forests could, for instance, have contributed to the Little Ice Age, from about 1350 to 1850 by absorbing heat-trapping gases from the air.

Michael Heckenberger, an expert on the Amazon at the University of Florida, said the study added to evidence that people living in the Amazon managed nature.

“These indigenous systems were highly sophisticated…There are over 80 domesticated or semi-domesticated crops in the Amazon,” he said. “In Europe at the time they were working with about six.” (Reporting by Alister Doyle; Editing by Lisa Shumaker)

 

Climate change: IPCC must consider alternate policy views, researchers say (Science Daily)

Date: July 7, 2014

Source: Princeton University, Woodrow Wilson School of Public and International Affairs

Summary: The Summary for Policymakers recently produced by the Intergovernmental Panel on Climate Change has triggered a public debate about excessive governmental intrusion in the IPCC process. The IPCC cannot avoid alternative political interpretations of data and must involve policy makers in finding out how to address these implications, according to a team of researchers.

 In addition to providing regular assessments of scientific literature, the Intergovernmental Panel on Climate Change Process (IPCC) also produces a “Summary for Policymakers” intended to highlight relevant policy issues through data.

While the summary presents powerful scientific evidence, it goes through an approval process in which governments can question wording and the selection of findings but not alter scientific facts or introduce statements at odds with the science. In particular, during this process, the most recent summary on mitigation policies was stripped of several important figures and paragraphs that were in the scientists’ draft, leading some IPCC scientists to express concerns about excessive political intrusion.

Delicate issues of political interpretation cannot be avoided, wrote three IPCC authors in the journalScience. In their analysis, the team — which includes Marc Fleurbaey from Princeton University’s Woodrow Wilson School of Public and International Affairs — uses global emissions data to show how multiple political interpretations can be made from the same dataset. They argue that the IPCC should consider a writing process that better connects scientific findings with multiple political outcomes.

“The IPCC should consider opening up more channels for dialogue in which salient political discussions are connected to relevant scientific material,” said the article’s co-author Marc Fleurbaey, the Robert E. Kuenne Professor in Economics, Humanistic Studies and Public Affairs. “Such a collaboration or coproduction is what lends the IPCC its credibility as the voice of scientists — but with more weight for policy.”

While the IPCC undoubtedly produces the most up-to-date, comprehensive scientific reports on climate change, its approval process has become tediously extensive. As the panel embarks upon its sixth assessment, those involved have been working toward streamlining the process.

In their review, Fleurbaey and his co-authors — Navroz Dubash from the Centre for Policy Research in India and Sivan Kartha from the Stockholm Environment Institute — write that this approval process sets the IPCC apart from other technical reports. Instead of changing the approval process, they suggest an alternate vision for articulating science and policy at the IPCC.

To illustrate their vision, the researchers analyzed global emissions by reviewing income growth across countries, a key driver of emissions growth. When looking at income, countries are sometimes grouped into such categories as lower-income, lower-middle income, upper-middle income and high-income. The trouble, however, is that some countries are rapidly changing in terms of income, which elides relevant information. Likewise, a few big countries can dominate the statistics, and the time reference used for grouping them also can lead to large differences.

When global emissions are analyzed according to groupings based on current income figures, upper-middle income countries account for 75 percent of the rise in global emissions from 2000 to 2010. This presentation of data was deleted from the recent summary report. A political interpretation of this, Fleurbaey and his collaborators write, may be that country groupings should reflect the increasing role of upper-middle income countries and perhaps impose commensurate emission limits.

However, when grouping countries according to their income in the middle of the decade (2005), global emissions rose three quarters in lower-middle income countries, a change due in part to the fact that China joined the upper-middle income group in 2010 only. This presentation highlighting lower-middle income countries may suggest supporting these countries financially and technologically in developing lower carbon economies.

“As you can see, both representations would be equally faithful to the underlying data, but they are also equally synthetic and incomplete, and they differ markedly in their political extrapolations,” said Fleurbaey. “It’s hard to accurately group these countries without imposing political perceptions, and analysis by country groups is highly sensitive in the current context of the renegotiation of the groups defined in the Kyoto protocol.”

As an illustration that more positive outcomes can be obtained from governmental dealings, the authors report that some sections benefited from the approval process, as they were eventually expanded and clarified by additional explanations. For example, the framing section of the summary, which was taken up for discussion early in the approval process, achieved a smooth convergence between the authors and country delegates.

On the flip side, the international cooperation section was much shortened, simplified and seemingly stripped of controversy. This section had much less time allowed for discussion and was examined in a contentious atmosphere after the removal of several figures involving country groupings.

Fellow IPCC author Michael Oppenheimer, the Albert G. Milbank Professor of Geosciences and International Affairs in the Woodrow Wilson School and Department of Geosciences, who was not an author of the Science article, fully supported its position.

“IPCC, and attempts to solve the climate problem, would benefit immensely from a strengthening of the science-policy interface,” Oppenheimer said. “Proposals to completely separate the science and policy functions are simply wrong-headed and self-defeating. This collaboration is what makes IPCC unique and uniquely effective”

“Seemingly technical choices can crystallize into value-laden political conclusions, particularly given tight word and time limits,” said Fleurbaey. “It is more productive for authors to be aware of the varying political implications and factor these into their representations of data.”

Journal Reference:
  1. N. K. Dubash, M. Fleurbaey, S. Kartha. Political implications of data presentationScience, 2014; 345 (6192): 36 DOI: 10.1126/science.1255734

Neandertal trait in early human skull suggests that modern humans emerged from complex labyrinth of biology and peoples (Science Daily)

Date: July 7, 2014

Source: Washington University in St. Louis

Summary: Re-examination of a circa 100,000-year-old archaic early human skull found 35 years ago in Northern China has revealed the surprising presence of an inner-ear formation long thought to occur only in Neandertals.

The Xujiayao 15 late archaic human temporal bone from northern China with the extracted temporal labyrinth superimposed on a view of the Xujiayao site. Credit: Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology, Chinese Academy of Science

Re-examination of a circa 100,000-year-old archaic early human skull found 35 years ago in Northern China has revealed the surprising presence of an inner-ear formation long thought to occur only in Neandertals.

“The discovery places into question a whole suite of scenarios of later Pleistocene human population dispersals and interconnections based on tracing isolated anatomical or genetic features in fragmentary fossils,” said study co-author Erik Trinkaus, PhD, a physical anthropology professor at Washington University in St. Louis.

“It suggests, instead, that the later phases of human evolution were more of a labyrinth of biology and peoples than simple lines on maps would suggest.”

The study, forthcoming in the Proceedings of the National Academy of Sciences, is based on recent micro-CT scans revealing the interior configuration of a temporal bone in a fossilized human skull found during 1970s excavations at the Xujiayao site in China’s Nihewan Basin.

Trinkaus, the Mary Tileston Hemenway Professor in Arts & Sciences, is a leading authority on early human evolution and among the first to offer compelling evidence for interbreeding and gene transfer between Neandertals and modern human ancestors.

His co-authors on this study are Xiu-Jie Wu, Wu Liu and Song Xing of the Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology, Beijing, and Isabelle Crevecoeur of PACEA, Université de Bordeaux.

“We were completely surprised,” Trinkaus said. “We fully expected the scan to reveal a temporal labyrinth that looked much like a modern human one, but what we saw was clearly typical of a Neandertal. This discovery places into question whether this arrangement of the semicircular canals is truly unique to the Neandertals.”

Often well-preserved in mammal skull fossils, the semicircular canals are remnants of a fluid-filled sensing system that helps humans maintain balance when they change their spatial orientations, such as when running, bending over or turning the head from side-to-side.

Since the mid-1990s, when early CT-scan research confirmed its existence, the presence of a particular arrangement of the semicircular canals in the temporal labyrinth has been considered enough to securely identify fossilized skull fragments as being from a Neandertal. This pattern is present in almost all of the known Neandertal labyrinths. It has been widely used as a marker to set them apart from both earlier and modern humans.

The skull at the center of this study, known as Xujiayao 15, was found along with an assortment of other human teeth and bone fragments, all of which seemed to have characteristics typical of an early non-Neandertal form of late archaic humans.

Trinkaus, who has studied Neandertal and early human fossils from around the globe, said this discovery only adds to the rich confusion of theories that attempt to explain human origins, migrations patterns and possible interbreedings.

While it’s tempting to use the finding of a Neandertal-shaped labyrinth in an otherwise distinctly “non-Neandertal” sample as evidence of population contact (gene flow) between central and western Eurasian Neandertals and eastern archaic humans in China, Trinkaus and colleagues argue that broader implications of the Xujiayao discovery remain unclear.

“The study of human evolution has always been messy, and these findings just make it all the messier,” Trinkaus said. “It shows that human populations in the real world don’t act in nice simple patterns.

“Eastern Asia and Western Europe are a long way apart, and these migration patterns took thousands of years to play out,” he said. “This study shows that you can’t rely on one anatomical feature or one piece of DNA as the basis for sweeping assumptions about the migrations of hominid species from one place to another.”

Journal Reference:

  1. Xiu-Jie Wu, Isabelle Crevecoeur, Wu Liu, Song Xing, and Erik Trinkaus. Temporal labyrinths of eastern Eurasian Pleistocene humansPNAS, July 7, 2014 DOI:10.1073/pnas.1410735111

Crise de água em SP: quanto mais grave, mais ocultada (Outras Palavras)

08/7/2014 – 12h55

por Fernando Brito*

reservatorios Crise de água em SP: quanto mais grave, mais ocultada

Reservatórios baixam novamente. Governo Alckmin e mídia insistem em evitar racionamento e debate antes das eleições. Abastecimento pode sofrer colapso

No último sábado (5/7), ao longo do dia, entraram só 125 milhões de litros de água no Sistema Cantareira. E saíram, mesmo sendo um sábado, dia de menor consumo, 2 bilhões de litros. São dados oficiais da própria Sabesp. A vazão afluente foi de 1,45 metros cúbicos por segundo, a segunda menor do ano. Mas, o “saldo” hídrico foi o pior desde o início do bombeamento, porque, no dia da menor afluência (0,8 m³/s, em 22 de maio), a liberação de água para os rios de sua bacia estava um metro cúbico por segundo abaixo da atual.

A saída de água pelo Túnel 5, por onde a água do Cantareira se junta ao reservatório de Paiva Castro (onde estão entrando cerca de 2 m³/s), registrou uma vazão de 19,19 m³ que, somada aos 4 m³/s liberados para os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, dá 23,19 m³/s de vazão defluente total.

vazao Crise de água em SP: quanto mais grave, mais ocultadaA diferença entre o que entra e o que sai de água voltou aos dias terríveis de fevereiro, como você pode ver no gráfico, mesmo com muito menos água liberada. Basta fazer as contas com os 180 bilhões de litros que remanescem no Cantareira, aí incluído todo o volume que se espera bombear para o abastecimento da Grande São Paulo.

Até o final da semana que se inicia, metade do volume previsto para bombeamento do maior reservatório, o Jaguari-Jacareí, já terá sido retirado. Um pouco menos de dois meses depois de ser iniciado. Mantido o ritmo atual e se todas as previsões otimistas da Sabesp estiverem certas, a segunda metade durará menos de um mês: em torno de 15 de agosto. Com otimismo, porque os reservatórios, neste momento, se assemelham mais a um conjunto de canais do que a represas.

Restarão então dois meses da água abaixo da tomada d’água do reservatório Atibainha.

chuva Crise de água em SP: quanto mais grave, mais ocultadaIsso se todas as “gambiarras” funcionarem plenamente e as afluências melhorarem um pouco. Nos seis primeiros dias de julho, a água afluente chegou a meros 2,3 m³/s, pouco mais de 20% da mínima mensal já registrada desde 1930, que é de 11,7 m³/s. Novamente, os dados estão disponíveis e é só nossa imprensa querer tratar o assunto com a gravidade que ele tem.

A necessidade de racionamento de água, que era dramática, tornou-se desesperadora e esconder isso é tão grave que não é possível que um governante o faça, por razões eleitorais.

Não é possível sustentar a retirada de água no volume em que está sendo feita.

Nem mesmo o remanejamento de parte dos consumidores do cantareira para o sistema Alto Tietê pode ser mantido, porque o ritmo de esvaziamento deste que é o segundo maior fornecedor de água para os paulistanos também aponta pouco mais de 100 dias de consumo: tem 24,8% de seu volume útil e cai a 0,2% ao dia.

Manter o ritmo atual de consumo é loucura. Pode ser a sobrevivência eleitoral de Alckmin. Mas é o suicídio de nossa maior metrópole.

* Publicado originalmente no blog Tijolaçõ e retirado do site Outras Palavras.

Os céticos estão perdendo espaço (Valor Econômico)

JC e-mail 4985, de 09 de julho de 2014

Artigo de Martin Wolf publicado no Valor Econômico

Não temos uma atmosfera chinesa ou americana. Temos uma atmosfera planetária. Não podemos fazer experimentos independentes com ela. Mas temos feito um experimento conjunto. Não foi uma decisão consciente: ocorreu em consequência da Revolução Industrial. Mas estamos decidindo conscientemente não suspendê-lo.

Realizar experimentos irreversíveis com o único planeta que temos é irresponsável. Só seria racional se recusar a fazer alguma coisa para mitigar os riscos se tivéssemos certeza de que a ciência da mudança climática provocada pelo homem é um embuste.

Qualquer leitor razoavelmente aberto a novas ideias do “Summary for Policymakers” do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática chegaria à conclusão que qualquer certeza desse tipo sobre a ciência seria absurda. É racional perguntar se os benefícios da mitigação superam os custos. É irracional negar que é plausível a mudança climática provocada pelo homem.

Nessas discussões e, aliás, na política climática, os Estados Unidos desempenham papel central, por quatro motivos. Em primeiro lugar, os EUA ainda são o segundo maior emissor mundial de dióxido de carbono, embora sua participação de 14% do total mundial em 2012 o situe bem atrás dos 27% da China. Em segundo lugar, as emissões americanas per capita correspondem aproximadamente ao dobro das emissões das principais economias da Europa ocidental ou do Japão. Seria impossível convencer as economias emergentes a reduzir as emissões se os EUA não aderissem. Em terceiro lugar, os EUA dispõem de recursos científicos e tecnológicos insuperáveis, que serão necessários para que o mundo possa enfrentar o desafio de associar baixas emissões à prosperidade para todos. Finalmente, os EUA abrigam o maior número de opositores ativistas apaixonados e engajados.

Diante desse quadro, dois acontecimentos recentes são estimulantes para os que (como eu) acreditam que o senso comum mais elementar nos obriga a agir. Um deles foi a publicação do “President’s Climate Action Plan” no mês passado. Esse plano abrange a mitigação, a adaptação e a cooperação mundial. Seu objetivo é reduzir até 2020 as emissões de gases-estufa para níveis 17% inferiores aos de 2005.

O outro acontecimento, também ocorrido no mês passado, foi a publicação de um relatório – o “Risky Business” – por um poderoso grupo bipartidário que incluía o ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, os ex-secretários do Tesouro dos EUA, Hank Paulson e Robert Rubin, e o ex-secretário de Estado George Shultz.

Mas precisamos moderar nossa alegria. Mesmo se o governo implementar seu plano com êxito, ao explorar sua autoridade reguladora, será um começo apenas modesto. As concentrações de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso subiram para níveis sem precedentes do último período de pelo menos 800 mil anos, muito antes do surgimento do “Homo sapiens”. Pelo nosso ritmo atual, o aumento será muito maior até o fim do século, e os impactos sobre o clima tenderão a ser grandes, irreversíveis e talvez catastróficos. Aumentos da média da temperatura de 5° C acima dos níveis pré-industriais são concebíveis à luz do nosso ritmo atual. O planeta seria diferente do que é hoje.

“Risky Business” revela o que isso poderia significar para os EUA. O documento se concentra nos danos aos imóveis e à infraestrutura litorâneos decorrentes da elevação dos níveis do mar. Examina os riscos de tempestades mais fortes e mais frequentes. Considera possíveis mudanças na agricultura e na demanda por energia, bem como o impacto da alta das temperaturas sobre a produtividade e a saúde pública. algumas áreas do país poderão se tornar quase inabitáveis.

O que faz do relatório um documento importante é que ele expõe a questão, corretamente, como um problema de gestão de risco. O objetivo tem de ser eliminar os riscos localizados na extremidade da distribuição das possíveis consequências. A maneira de fazer isso é mudar o comportamento. Ninguém pode nos vender seguros contra mudanças planetárias. Já vimos o que o risco remoto, localizado na extremidade da distribuição de riscos, significa em finanças. No âmbito do clima, as extremidades são mais encorpadas e tendentes a ser muito mais prejudiciais.

A questão é se uma coisa real e importante pode derivar desses novos começos modestos. Pode sim, embora deter o aumento das concentrações de gases-estufa é coisa que exige muito esforço.

Sempre pensei que a maneira de avançar seria por meio de um acordo mundial de limitação das emissões, à base de alguma combinação entre impostos e cotas. Atualmente considero esse enfoque inútil, como demonstra o fracasso do Protocolo de Kyoto de 1997 em promover qualquer verdadeira mudança na nossa trajetória de emissões. O debate político em favor de políticas públicas substanciais terá sucesso se, e somente se, duas coisas acontecerem: em primeiro lugar, as pessoas precisam acreditar que o impacto da mudança climática pode ser ao mesmo tempo grande e caro; em segundo lugar, elas precisam acreditar que os custos da mitigação serão toleráveis. Esse último fator, por sua vez, exige o desenvolvimento de tecnologias confiáveis e exequíveis para um futuro de baixos teores de carbono. Assim que ficar demonstrada a viabilidade de um futuro desse tipo, a adoção das políticas necessárias será mais fácil.

Nesse contexto, os dois novos documentos se corroboram mutuamente. “Risky Business” documenta os custos potenciais para os americanos da mudança climática não mitigada. O foco do governo em padrões reguladores é, portanto, uma grande parte da resposta, principalmente porque os padrões certamente obrigarão a uma aceleração da inovação na produção e no uso da energia. Ao reforçar o apoio à pesquisa fundamental, o governo americano poderá desencadear ondas de inovação benéficas em nossos sistemas de energia e de transportes marcados pelo desperdício. Se promovida com urgência suficiente, essa medida também poderá transformar o contexto das negociações mundiais. Além disso, em vista da falta de mitigação até esta altura, uma grande parte da reação deverá consistir em adaptação. Mais uma vez, o engajamento dos EUA deverá fornecer mais exemplos de medidas que funcionam.

Secretamente esperava que o tempo desse razão aos opositores. Só assim a ausência de resposta a esse desafio se revelaria sem custo. Mas é pouco provável que tenhamos essa sorte.

Continuar no nosso caminho atual deverá gerar danos irreversíveis e onerosos. Existe uma possibilidade mais alvissareira. Talvez se mostre possível reduzir o custo da mitigação em tal medida que ele se torne politicamente palatável. Talvez, também, nos conscientizemos muito mais dos riscos. Nenhuma das duas hipóteses parece provável. Mas, se esses dois relatórios efetivamente motivarem uma mudança na postura dos EUA, as probabilidades de escapar do perigo terão aumentado, embora talvez tarde demais. Isso não merece dois, muito menos três vivas. Mas poderíamos tentar um. (Tradução de Rachel Warszawski)

Martin Wolf é editor e principal analista econômico do FT.

(Valor Econômico)
http://www.valor.com.br/opiniao/3607960/os-ceticos-estao-perdendo-espaco#ixzz36yVZ5PEw

Does That Cat Have O.C.D.? (New York Times)

It was love at first pet when Laurel Braitman and her husband adopted a 4-year-old Bernese mountain dog, a 120-pound bundle of fur named Oliver.

The first few months were blissful. But over time, Oliver’s troubled mind slowly began to reveal itself. He snapped at invisible flies. He licked his tail until it was wounded and raw. He fell to pieces when he spied a suitcase. And once, while home alone, he ripped a hole in a screen and jumped out of a fourth-floor window. To everyone’s astonishment, he survived.

Oliver’s anguish devastated Dr. Braitman, a historian of science, but it also awakened her curiosity and sent her on an investigation deep into the minds of animals. The result is the lovely, big-hearted book “Animal Madness,” in which Dr. Braitman makes a compelling case that nonhuman creatures can also be afflicted with mental illness and that their suffering is not so different from our own.

In the 17th century, Descartes described animals as automatons, a view that held sway for centuries. Today, however, a large and growing body of research makes it clear that animals have never been unthinking machines.

ANIMAL MADNESS How Anxious Dogs, Compulsive Parrots and Elephants in Recovery Help Us Understand Ourselves. By Laurel Braitman. Simon & Schuster. 384 pages. $28.CreditSonny Figueroa/The New York Times

We now know that species from magpies to elephants can recognize themselves in the mirror, which some scientists consider a sign of self-awareness. Rats emit a form of laughter when they’re tickled. And dolphins, parrots and dogs show clear signs of distress when their companions die. Together, these and many other findings demonstrate what any devoted pet owner has probably already concluded: that animals have complex minds and rich emotional lives.

Unfortunately, as Dr. Braitman notes, “every animal with a mind has the capacity to lose hold of it from time to time.”

Take Gigi, a female gorilla who developed what looked like panic attacks after being terrorized by a younger male. Whenever she saw her tormentor, she “seemed to shut down, rocking and trembling,” Dr. Braitman writes. Many other beasts round out the miserable menagerie, including Sunita, a tiger with stress-induced facial tics; Charlie, a macaw who plucked out all her feathers; and Gus, a polar bear who swam endless figure eights — for as many as 12 hours a day — in his pool at the Central Park Zoo.

Dr. Braitman and the experts she consults are careful about how they interpret this behavior. For example, although a dog’s nonstop tail-licking may resemble the endless hand-washing of a human with obsessive-compulsive disorder, one veterinary behaviorist points out that because she cannot prove that dogs are having obsessive thoughts, she prefers a diagnosis of “compulsive disorder” instead.

Still, it’s clear that the animals are suffering, and the triggers are often the same sorts of stress and trauma that can cause breakdowns in humans: a natural disaster, abuse, the loss of a loved one. And we’re not the only species that bears the burden of war; some of the military dogs that served in Iraq and Afghanistan display the same PTSD-like symptoms that afflict their human colleagues.

Dr. Braitman does not shy away from controversial topics — most notably, the question of whether animals can commit suicide. Charlie, the feather-plucking macaw, died when she fell out of a tree and onto a metal stake in the ground, prompting her owner to wonder if the bird had deliberately brought about her own demise. “Suicide” is a loaded word, and Charlie’s story is unconvincing, but animals can certainly engage in self-harming behaviors, from repeatedly banging their heads against walls to simply refusing to eat.

Animals “may have fewer tools available to them to inflict mortal wounds and also lack humanity’s sophisticated cognitive abilities to plan their own ends, but they can and do harm themselves,” Dr. Braitman writes. “Sometimes they die.”

Throughout the book, she argues that anthropomorphism — or the assignment of human traits to other species — can serve a useful purpose, especially if we “anthropomorphize well.” She writes, “Instead of self-centered projection, anthropomorphism can be a recognition of bits and pieces of our human selves in other animals and vice versa.”

Though we may never know for sure what parrots or polar bears are feeling, “making educated guesses about animal emotions” is often the first step in alleviating their pain. Healing troubled animal minds is now a bona fide industry, populated with dog behaviorists, cat whisperers, elephant monks and horse massagers.

For some animals, behavioral therapy, environmental enrichment or companionship is enough to ease the agony. Others may need a pharmaceutical assist — from Prozac, Valium, Thorazine or one of the many psychiatric drugs now available to creatures throughout the animal kingdom.

“Prozac Nation has been offering citizenship to nonhumans for decades,” Dr. Braitman writes. Gigi, the terrorized gorilla, received a round of Xanax and Paxil and eventually recovered (mostly) with the help of a psychiatrist and a zookeeper who never gave up on her.

Though humans are a leading cause of animal unhappiness — captivity alone causes many problems, even in the absence of outright neglect or abuse — “Animal Madness” is also brimming with compassion and the tales of the many, many humans who devote their days to making animals well.

No hay extitución sino modos de extitucionalización (Networks & Matters)

07.08.14

por 

A mediados del 2000, Francisco Tirado y Miquel Domènech empezaron a utilizar el concepto de extitución (ver Extituciones: del poder y sus anatomías), acuñado por Michel Serres (1995), para analizar los cambios que las innovaciones tecnológicas desencadenaban en las instituciones contemporáneas: por ejemplo, en los programas de desinstitucionalización de las personas con trastornos mentales severos (Vitores, 2002). En mi caso, la noción de extitución sirvió para orientar mi tesis sobre la ‘virtualización’ del cuidado en los servicios de teleasistencia domiciliaria (López, 2006).

Tanto para mi como para el resto, el concepto operó como una suerte de marco teórico con el que interpretar los datos. Así, los rasgos más distintivos de la teleasistencia domiciliaria adquirieron sentido a la luz de un proceso más amplio: la emergencia de formas sociales alternativas a las clásicas instituciones de cuidado, todas ellas basadas en el internamiento (residencial, hospitalario e incluso domiciliario).

En todos los casos, tomamos la extitución como lo ‘otro’ material de la institución. Así lo expresé en mi capítulo de Lo social y lo virtual (2006),

“las instituciones están basadas en un geometría social compuesta de líneas de fractura, donde el sistema de proximidades y lejanías es sustituido por una partición espacial en dos términos: como dice Serres (1996), “de un lado, la región de las razones y todas las victorias; de otro, el país desde donde estoy seguro de no ir jamás, por mi ánimo y mi energía espiritual, más allá de cualquier tentación que pueda tener” (Serres, 1996, p. 46). Manicomios, hospitales, cuarteles, conventos, talleres, prisiones y hogares modernos responden al juego de distinciones y divisiones propias de la racionalidad cartesiana. Las instituciones fragmentan, disgregan y separan para hacer visible la distinción. Construir una institución es constituir un espacio cartesiano, claro y distinto, donde “como el otro está allá y estoy seguro de ser diferente a él, entonces pienso correctamente”. En contraposición, la extitución es una ordenación social que no necesita constituir un “dentro” y un “a fuera” sino únicamente una superficie en la que se conectan y se desconectan multitud de agentes (Tirado y Domènech, 2001). Por lo tanto, las líneas de ruptura (Lefebvre, 1974) que definen el espacio abstracto de las instituciones disciplinares se convierten, en la extitución, en líneas de conexión. En ella, tomando a Bachelard (1965), podemos decir que no encontramos una topoanalítica sino una topofilia””

Sin embargo, fue Francisco Tirado (2001) quien sintetizó de manera más clara las características propias de la extitución en contraposición a las de la institución.

“La institución se asienta en una materialidad dura, lo hemos visto, cuerpos y edificios; la extitución se asienta sobre una materialidad blanda y mezclada, encontramos cuerpos pero también móviles inmutables que cruzan los diferentes edificios conectando los distintos actores. (…) La institución se define a través del plano, está planificada. La extitución solapa planos geométricos en una trama topológica (…) La materialidad dura permite que la institución instaure relaciones espesas, repetitivas y bien definidas. Las instauradas en las extituciones son variables y flotantes. La primera, de este modo, crea rutinas que conducen a una socialidad constante y perdurable. La segunda por el contrario crea movimiento. (…) La institución despliega algún tipo de encierro, ya sea físico o simbólico. La extitución es como un gran aparato de captura, incorpora, conecta. (…) La primera se asienta en una realidad local. Está claramente definida y el problema es alcanzar lo global. La segunda presenta un retrato local y parcial de una globalidad.” (Tirado, 2001, p. 590)

La noción de extitución representaba, por tanto, un intento por señalar las diferencias operativas en los mecanismos de poder contemporáneos. Sin embargo, esto trajo consigo nuevos problemas. Al menos para el trabajo que estaba haciendo en ese momento. A medida que el concepto ganaba peso y se convertía en una forma con la que filtrar el caso empírico, las diferencias ya tipificadas entre extitución e institución resultaron ser demasiado gruesas y rígidas para dar cuenta del caso con el nivel de detalle necesario. Sencillamente había cosas de la teleasistencia domiciliaria que desbordaban las fronteras que habíamos trazado entre extitución e institución.

Esto me hizo pensar que quizás era necesario volver sobre el concepto, reflexionar sobre los problemas que tuvimos con dicha noción y quizás restaurar un uso del término que eventualmente pudiera llevarnos por nuevos caminos. Quedó ahí, en un “quizás algún día”, hasta que me tope recientemente con un par de trabajos delVivero de Iniciativas Ciudadanas (VIC). En estos trabajos VIC utiliza el término extitución para señalar por un lado el funcionamiento de iniciativas ciudadanas urbanas derivadas del 15M, claramente opuesto a las instituciones tradicionales (verExtituciones: nuevas instituciones ciudadanas); y por otro lado, para guiar el diseño de espacios de cuidado para personas mayores no institucionales (ver Senior Urban Extitution).

Si tomamos estos trabajos y los que hicimos en su momento, es posible establecer una continuidad clara. El término se utiliza fundamentalmente para identificar una realidad, para agrupar y dar sentido a las características de funcionamiento de un dispositivo. El resultado es una suerte de: «Ah, claro, esto es una extitución!» Esto puede vivirse como una suerte de descubrimiento, un hallazgo. Sin embargo, cuando esto conduce a una clausura interpretativa, como ocurrió en mi caso, el hallazgo puede convertirse con demasiada rapidez en un simple reconocimiento. La culpa, de todos modos, no creo que sea del término, más bien de una suerte de ímpetu por sustantivizar difícil de aplacar cuando la palabreja tiene tanto gancho.

Así, y a riesgo de parece aguafiestas y aburrido, creo que puede ser terapéutico desandar el camino para tratar de desustantivizar la noción y re-instalar el uso topológico y materialista que tenía para Serres.

Si volvemos a Atlas (Serres, 1995) veremos que el concepto de extitución no designa tanto un tipo de entidad como una lógica que afecta a dicha entidad, una suerte de proceso. La pregunta que nos invita a hacer Serres es: ¿cuál es el vector de extitucionalización que defina una determinada entidad? En este uso, la noción de extitución no designa una entidad opuesta a la institución sino un determinado proceso que podemos encontrar en organizaciones tanto institucionales como extitucionales. “La institución puede definirse como una lógica centrípeta de establecimiento de geometrías claras, mientras la extitución define una lógica topológica centrífuga” (Serres, 1995, p. 124). Lo importante es el modo. En el fondo, una señala el plano de lo actual y el otro el plano de lo virtual (Lévy, 1999), independientemente de la entidad que consideremos. Ambas lógicas operan tanto en plataformas de organización online como en instituciones de carne y ladrillo de toda la vida. De hecho, el entuerto con el término extitución se asemeja mucho al que encontramos cuando asimilamos la disciplina foucaultiana a la clausura de las instituciones. Foucault nos explica en Vigilar y Castigar que el encierro es recreado por las disciplinas normativas de un modo diferente porque éstas operan en los márgenes e incluso al margen de dicho encierro (de ahí por ejemplo la escolarización de la familia y la familiarización de la escuela).

Entender la extitución como una lógica o manera, en vez de como una realidad positiva, nos permite interrogar a las organizaciones sociales sin necesidad de identificarla con tipologías pre-establecidas. De hecho, si revisamos los conceptos de espacio liso y espacio estriado que proponen Deleuze y Guattari en Mil Mesetas, es posible entender la distinción entre institución y extitución como tendencias en un determinado terreno de juego, como dos conceptos que designan las potencias de organización y disolución que componen un espacio concreto y no como conceptos contradictorios que operan a partir de una relación dialéctica. Como dicen Deleuze y Guattari (1988):

“Los dos espacios sólo existen de hecho gracias a las combinaciones entre ambos: el espacio liso no cesa de ser traducido, transvasado a un espacio estriado; y el espacio estriado es constantemente restituido, devuelto a un espacio liso” (Deleuze y Guattari, 1988, p. 484).

Por lo tanto, lo importante no es tanto por afirmar que estamos ante una extitución o ante una institución.  El reto, y es un reto bien complicado, es encontrar y describir los mecanismos específicos de institucionalización (territorialización) y extitucionalización (desterritorialización) que configuran un determinado dispositivo. Un reto que se vuelve si cabe aún más relevante cuando lo que buscamos al pensar o diseñar estos dispositivos es deliberadamente desplazar el binomio moral y espacial moderno.

Daniel López

http://dlopezgo.net


–  Deleuze, G., & Guattari, F. (1988). Mil mesetas : Capitalismo y esquizofrenia. Valencia: Pre-Textos.
–  Lévy, Pierre. (1999). ¿Qué es lo virtual? Barcelona; Buenos Aires; México: Paidós
–  López, D. (2006). La teleasistencia domiciliaria como extitución. Análisis de las nuevas formas espaciales del cuidado. In F. J. Tirado & M. Domènech (Eds.), Lo social y lo virtual : Nuevas formas de control y transformación social (pp. 60-78). Barcelona: Editorial UOC
–  Serres, M. (1995). Atlas. Madrid: Cátedra
–  Serres, M. (1996). La comunicación : Hermes I. Barcelona: Anthropos Editorial del hombre.
–  Tirado, F. J., & Domènech, M. (2001). Extituciones: Del poder y sus anatomías.Politica y Sociedad, 36, 183-196
–  Vitores, A. (2002). From hospital to community: Case management and the virtualization of institutions. Athenea Digital, 1(6)