Negócio arriscado (Folha de São Paulo)

JC e-mail 4987, de 11 de julho de 2014

Em editorial, a Folha de São Paulo faz uma leitura sobre as mudanças climáticas no Planeta

O ano de 2015 poderá assistir a uma mudança de sinal na questão da mudança climática planetária. Há indícios de que ela já deixa o terreno estéril das polêmicas ao estilo Fla-Flu para se tornar, cada vez mais, uma preocupação crescente entre empresários e governantes de todos os matizes.

Não têm faltado manifestações nesse sentido. Elas aparecem bem sumarizadas na entrevista de Achim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) ao jornal “Valor Econômico”.

Steiner aposta num bom acordo internacional em Paris, no final de 2015, decisiva reunião de cúpula sobre o clima. Um tratado abrangente e ambicioso reverteria o fiasco de Copenhague (2009), que deveria ter produzido um documento para substituir o Protocolo de Kyoto (1997), extinto em 2012.

Para o diretor do Pnuma, a poluição do carbono –que agrava o efeito estufa e leva ao aquecimento global– não é o preço inevitável do desenvolvimento. Seus argumentos são essencialmente econômicos, e não ideológicos.

Ele aponta a distorção dos subsídios concedidos mundialmente aos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural), principal fonte do carbono lançado na atmosfera por atividades humanas. A conta fica entre US$ 600 bilhões e US$ 700 bilhões anuais e correspondente a cerca de dez vezes os incentivos para energias renováveis, como a eólica (ventos).

Seu exemplo é o Quênia, país que planeja incluir em cinco anos os 75% da população hoje sem acesso à eletricidade –e o fará com 95% de fontes limpas. Poderia ter citado o Brasil, que tem 80% de sua matriz com geração renovável e, nos últimos anos, descobriu os atrativos da energia eólica.

E Achim Steiner não está só. No contexto da opinião pública dos EUA, talvez a mais refratária ao tema do aquecimento global, líderes da política e da economia –democratas e republicanos– também vieram a público para defender que a inação diante dos problemas do clima, hoje, custará caro no futuro cada vez menos distante.

A manifestação apareceu no relatório “Risky Business” (negócio arriscado), com o endosso de pesos pesados como os ex-secretários do Tesouro dos EUA Henry Paulson, Robert Rubin e George Shultz, além de Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York.

Seu raciocínio é cristalino: por remoto que seja o perigo, faz-se seguro contra incêndio; que sentido haveria, então, em ignorar os riscos do aquecimento global? A resposta será dada, ou não, em Paris.

(Folha de São Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/175354-negocio-arriscado.shtml

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