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Brazil to issue World Cup commemorative coins (AFP)

14 Dec 2013

Handhout picture released on December 13, 2013 by the Central Bank of Brazil showing a 10 Reals gold coin (4 US Dollars), reading “Copa do Mundo da FIFA – Brasil 2014” (FIFA World Cup – Brazil 2014) (Banco Central Do Brasil/AFP)

Brasília — Brazil’s Central Bank on Friday announced plans to issue a set of nine commemorative coins for the 2014 World Cup.

The set, to be released on January 24, will comprise one gold coin, two in silver and six in an alloy of copper and nickel.

The gold coin weighing 4.4. grams (0.155 ounce) will have a nominal value of 10 reais ($4.3) but will be sold for 1180 reais ($504).

It will represent the Cup trophy and a player scoring a goal. Some 5,000 will be minted, the bank said.

Those in silver will have a value of five reais ($2.2) and a weight of 27 grams.

One will represent Fuleco, the 2014 World Cup mascot, and the other the 12 host cities. They will be sold for 190 reais ($81) apiece and 20,000 of each will be sold.

The six cupronickel versions, each with a value of 2 reais ($0.86) and a weight of 10.17 grams, will cost 30 reais ($12.8).

They will represent a dribble, a header or a penalty kick and 20,000 copies of each will be minted.

Países pobres estão 100 anos atrás dos ricos em preparação climática (CarbonoBrasil)

16/12/2013 – 11h52

por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil

mapa1 Países pobres estão 100 anos atrás dos ricos em preparação climática

Novos dados do Índice de Adaptação Global da Universidade de Notre Dame enfatizam disparidades entre países pobres e o risco em relação à resiliência climática; Brasil aparece em 68º lugar, com classificação considerada média-alta

Um novo relatório publicado por pesquisadores da Universidade de Notre Dame afirma que levará mais de um século para que os países em desenvolvimento atinjam o nível de preparação climática que as nações desenvolvidas já possuem.

Índice de Adaptação Global da Universidade de Notre Dame (ND-GAIN), lançado nesta quinta-feira (12) avaliou 175 países e se foca em questões como a vulnerabilidade das nações às mudanças climáticas, ao aquecimento global e a eventos climáticos extremos, como secas severas, tempestades devastadoras e desastres naturais.

Alguns exemplos de países nessa trajetória de 100 anos incluem o Camboja, o Quênia e o Haiti. “Devido ao recente tufão nas Filipinas, algumas pessoas podem estar se perguntando onde essa nação insular fraqueja em termos de prontidão”, comentou Nitesh Chawla, diretor do Centro Interdisciplinar para Ciência de Rede e Aplicações.

“De acordo com os dados, as Filipinas estão mais de 40 anos atrás dos países mais desenvolvidos em preparação climática. Embora isso seja menor do que os países mais pobres, mostra que as Filipinas ainda tem um longo caminho pela frente”, continuou Chawla.

Já alguns dos países emergentes mais industrializados, como o Brasil, apresentaram uma classificação considerada média-alta, apresentando um nível relativamente satisfatório de resiliência. Nosso país ficou em 68º lugar no geral, sendo classificado em 56º em vulnerabilidade e em 79º em preparação.

“Sabíamos que havia disparidades entre os países mais ricos e mais pobres quando se tratava de adaptação e preparação às mudanças climáticas”, colocou Jessica Hellmann, bióloga da Universidade de Notre Dame.

“Mas não sabíamos que levaria mais de 100 anos para que os países mais pobres atingissem os níveis de preparação que os países mais ricos já alcançaram”, acrescentou ela.

Mas os especialistas que trabalharam no relatório declararam que, de acordo com as pesquisas, nem mesmo os países desenvolvidos são exatamente à prova de mudanças climáticas e do aquecimento global.

Pelo contrário, o documento sugere que, embora eles estejam exercendo esforços para aumentar sua resiliência aos fenômenos naturais e eventos climáticos extremos que acontecem em seus territórios, ainda há espaço para melhorias.

“Esses dados são preocupantes, porque eles evidenciam o quão despreparadas algumas das nações mais vulneráveis realmente estão. Mas eles também mostram que os países mais desenvolvidos não estão fazendo o suficiente, o que levanta sérias questões sobre políticas públicas, não importa quão bem desenvolvida uma economia nacional possa ser”, observou Hellmann.

Os pesquisadores esperam que as descobertas ajudem os líderes mundiais a estabeleceram prioridades globais, regionais e nacionais, assim como estimulem a preparação para as mudanças climáticas.

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

Violência no futebol: sobre a briga entre torcedores do Vasco e do Atlético Paranaense na Arena Joinville

10/12/13 04:00 Atualizado em 10/12/13 10:50 

Leone Mendes, o brutamonte da barra de ferro, era da banda da igreja e é dono de barbearia (Extra)

Wilson Mendes

Leone preso na Delegacia de Joinville Foto: Terceiro / Divulgação Polícia Civil de SC

Para os moradores de Austin, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, as cenas de selvageria protagonizadas pelo vascaíno Leone Mendes da Silva, de 23 anos, não combinam com o descontraído e pacato barbeiro do bairro, ex-saxofonista da banda da igreja evangélica local.

— Ele sempre torceu pelo Vasco, mas esse fanatismo aumentou com o tempo. Eu sempre falando: “Meu filho, larga isso de jogo, de torcida”. Mas nunca pensei que ele faria uma coisa dessas. Eu preciso que ele me explique o que aconteceu lá. Ele é um rapaz bom — avaliou, entre lágrimas, Cleuza Mendes da Silva, de 48 anos, mãe de Leone. Eles ainda não se falaram depois da prisão.

Solteiro e filho único, é o barbeiro quem sustenta a casa, construída no mesmo terreno utilizado por outros parentes. A braçadeira de capitão do lar foi transferida em definitivo há cerca de três anos, depois que ele terminou o Ensino Médio e Cleuza sofreu um derrame.

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado Foto: Giuliano Gomes / Folhapress

— Ele ajudou muito a mãe nessa época. Tantos remédios que comprou! — defende a tia, que não se identificou. Os vizinhos jogam no mesmo time da tia, numa tática de defesa calçada em rápidos elogios anônimos.

— Eu estou realmente surpresa. Ele foi aluno do meu marido, frequentou a minha casa e sempre foi uma ótima pessoa. Não sei o que aconteceu — diz a moradora da esquina.

O grupo de vizinhos da frente, incluindo um jovem devidamente uniformizado com a camisa da torcida organizada, garante que Leone nunca criou problemas nas partidas que acompanhou.

— Ele ia mais a jogos no Rio e São Paulo. Acho que longe assim esse foi o primeiro. Nunca ouvi dizer dele envolvido em briga. Nem machucado ele voltava — relatou um homem.

A mãe reclama de jogo sujo, e diz que fará de tudo para que as partidas com a Justiça seja disputadas em casa, no Rio de Janeiro.

— Eu não tenho dinheiro agora, mas se for preciso vendo até a casa. Eu quero que saibam que tenho ciência que o que ele fez foi errado. Não estou passando a mão na cabeça dele, mas ele tem 23 anos, emprego, carro e um salão. É trabalhador — desabafou Cleuza.

Cleusa, mãe de Leone, sofre com a prisão do filho

Cleusa, mãe de Leone, sofre com a prisão do filho Foto: Paulo Nicolella / Extra

De acordo com ela, os organizadores é que erraram ao deixar uma partida de futebol decisiva e com tantos torcedores acontecer sem apoio policial.

— Mostram ele, mas como pode milhares de pessoas juntas sem policiamento, sem segurança? O organizador desse jogo queria mesmo uma tragédia.

Enquanto o filho está detido na Penitenciária Regional de Joinville, aguardando os trâmites do processo que responde por tentativa de homicídio, a mãe reza.

— Eu oro que isso sirva para ele voltar para os pés do Senhor e para mim. Também peço que o jovem ferido fique bem, para dar paz à mãe dele, que está sofrendo tanto quanto eu. Porque houve má organização, mas nós que sofremos — arrematou.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/vasco/leone-mendes-brutamonte-da-barra-de-ferro-era-da-banda-da-igreja-e-dono-de-barbearia-11021154.html#ixzz2n6D55JxF

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10/12/13 04:00 

Diretoria do Vasco pagou aluguel de ônibus e deu desconto de 75% nos ingressos para a torcida (Extra)

Torcedor da organizada do Vasco segura um rival pelo calção

Torcedor da organizada do Vasco segura um rival pelo calção Foto: Pedro Kirilos

Por Bruno Marinho

A campanha que culminou com a queda do Vasco para a Série B este ano entrará negativamente para a história, assim como os episódios de violência protagonizados por sua principal torcida organizada. Tudo com a conivência da diretoria. O clube financia torcedores uniformizados subsidiando 75% do valor dos ingressos e ajudando também no transporte para as partidas como visitante. Foram justamente em duas partidas longe do Rio que as brigas ocorreram.

Domingo, cerca de 100 torcedores da principal facção vascaína partiram do Rio para Joinville, em dois ônibus. O ingresso, que estava sendo vendido por R$ 100, custou R$ 25 para os membros da organizada. O gasto com o aluguel do ônibus também é dividido. Neste fim de semana, um foi bancado pelos torcedores, o outro pelo Vasco.

Antes do conflito em Santa Catarina, o clube já tinha sofrido com o confronto entre torcedores rivais na partida contra o Corinthians, dia 25 de agosto. Na ocasião, o time perdeu quatro mandos de campo. Punição semelhante deverá se repetir por causa da briga generalizada de domingo, com a pena a ser cumprida nas primeiras rodadas da Segunda Divisão.

Procurada, a diretoria da Força Jovem Vasco, cujos integrantes foram flagrados pelas câmeras de TV na briga na Arena Joinville, se defendeu, mas admitiu que houve excessos.

— As imagens mostram que estávamos nos defendendo, com os torcedores do Atlético na área destinada aos vascaínos. Mas eu entendo que houve excessos, sim — disse Jean Santana, diretor financeiro da organizada.

Já a diretoria do Vasco não foi encontrada para comentar o financiamento à torcida. Manoel Barbosa, vice de patrimônio e responsável pela venda de ingressos, não atendeu as ligações. A assessoria de imprensa do clube também foi procurada. Ela informou que o Vasco repudia qualquer tipo de violência e que o clube ajudará no que for possível para que os culpados sejam punidos.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/vasco/diretoria-do-vasco-pagou-aluguel-de-onibus-deu-desconto-de-75-nos-ingressos-para-torcida-11020955.html#ixzz2n6ExOYcX

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10/12/13 05:00 

Primo de brigão da barra de ferro diz que advogado da Força Jovem alegará legítima defesa (Extra)

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado Foto: Giuliano Gomes / Folhapress

Wilson Mendes

A defesa de Leone Mendes da Silva, de 23 anos, o vascaíno flagrado agredindo um torcedor do Atlético com uma barra de ferro, deve alegar que a ação foi por legítima defesa. A informação foi dada por um primo de Leone, que está acompanhando o caso. Leone está preso sob a acusação de tentativa de homicídio e será defendido pelo advogado da organizada Força Jovem.

— A torcida entrou em contato conosco oferecendo o serviço. Nós já tínhamos procurado um advogado, mas ele cobrou R$ 4 mil somente para ir até Santa Catarina fazer contato e buscar informações. Vamos esperar a definição da torcida para não termos que gastar tanto — disse.

A família espera que a defesa consiga libertá-lo com a justificativa de legítima defesa. Para eles, Leone entrou na briga para se defender de agressões e, como os vascaínos eram minoria, “utilizaram o que tinham em mãos”.

Até a tarde de ontem, nenhum parente de Leone havia recebido qualquer contato do Vasco com oferta de ajuda. Sem muitos recursos, eles depositam as esperanças no defensor da torcida organizada.

— Eles me explicaram que o que está pesando muito é a imagem dele batendo em um homem já caído. Mas, no meio da confusão, as pessoas não pensam direito — opinou o primo.

Leone, que tem uma barbearia em Austin, na Baixada Fluminense, deixou a casa da mãe com destino ao Sul às 19h de sábado, num ônibus fretado pela Força Jovem. O último contato com a família foi feito uma hora antes do jogo.

— Precisamos ir até lá. Ele não ligou para casa, está sem roupas e sem os documentos, que ficaram aqui na casa — diz o primo, revelando que outros parentes de Leone estão recebendo ameaças pelo Facebook: — Dizem que se ele voltar vão espancá-lo e atear fogo no salão dele.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/primo-de-brigao-da-barra-de-ferro-diz-que-advogado-da-forca-jovem-alegara-legitima-defesa-11021252.html#ixzz2n6FNONV2

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10/12/13 05:00 

Ministério Público do Rio pedirá suspensão da Força Jovem por três anos (Extra)

MP pedira a suspensão da torcida do clube carioca

MP pedira a suspensão da torcida do clube carioca Foto: Pedro_Kirilos

Paolla Serra

A Força Jovem está com os dias contados nos estádios. Horas depois da briga generalizada que deixou quatro torcedores internados após ficarem feridos durante a partida entre Atlético Paranaense e Vasco, na Arena Joinville, o Ministério Público promete uma medida drástica em relação a torcida organizada carioca. Nos próximos dias, o promotor de Justiça Paulo Sally irá pedir que a Força Jovem do Vasco (FJV) fique impedida de ir aos estádios por três anos.

De acordo com Sally, o MP do Rio e o de Santa Catarina estão fazendo uma ação conjunta para evitar que cenas como a de anteontem, consideradas por ele como “terríveis”, se repitam. O promotor informou que aguarda apenas as documentações referentes às prisões para dar entrada no pedido para afastar a Força Jovem dos jogos. Ele informou ainda que os promotores catarinenses também irão tomar medidas em relação a Fanáticos, uniformizada do Atlético-PR.

Paulo Sally, da 4ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Capital, afirmou ainda que as duas torcidas já eram alvos de investigações do órgão. A FJV deixou de cumprir obrigações, inclusive, como entregar os nomes de seus componentes do grupo antes do jogo.

O promotor tomará como base o artigo 39 do Estatuto do Torcedor, que prevê que a torcida organizada “que, em evento esportivo, promover tumulto; praticar ou incitar a violência; ou invadir local restrito aos competidores, árbitros, fiscais, dirigentes, organizadores ou jornalistas será impedida, assim como seus associados ou membros, de comparecer a eventos esportivos pelo prazo de até 3 (três) anos”.

— O relatório das prisões e outros documentos serão importantes e vão dar alicerce a punição que será dada a Força Jovem — disse Sally.

Contra a Justiça não há Força.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/vasco/ministerio-publico-do-rio-pedira-suspensao-da-forca-jovem-por-tres-anos-11021128.html#ixzz2n6FrGApL

Fronteiras da biotecnologia (O Estado de S.Paulo)

JC e-mail 4872, de 10 de dezembro de 2013

Artigo de Xico Graziano publicado no Estadão

Plantas transgênicas vieram para ficar. E prevalecer. Suas variedades passaram a dominar a safra de grãos no Brasil. Na corrida tecnológica, ninguém segura a engenharia genética. A ciência vence o medo obscurantista.

Lavouras geneticamente modificadas de soja, milho e algodão, nessa ordem, lideram, com dois terços, a semeadura da área nacional. Produtividade, facilidade no trato, economia de defensivos: aqui as razões principais que explicam seu notável desempenho. Problemas agronômicos, como resistência de ervas invasoras a herbicidas ou ressurgência de pragas, existem, mas se assemelham aos das lavouras convencionais. Não se comprovou alguma tragédia ambiental, tampouco dano à saúde humana, decorrente do uso específico de transgênicos.

Há séculos o melhoramento genético tradicional tem modificado os organismos. As variedades atualmente plantadas ou criadas pouco se parecem com suas ancestrais: o frango deixou de ser caipira, o milho tornou-se ereto, as frutas perdem suas sementes. Nenhum alimento continua “natural”. O patamar da evolução mudou, porém, quando os cientistas descobriram a possibilidade de modificar artificialmente o DNA das espécies. Sem cruzamento sexual.

Tudo começou em 1972. Pesquisadores perceberam que parasitas do gênero Agrobacterium transferiam partes de seu germoplasma para as plantas hospedeiras, estimulando nestas a produção de açúcar, do qual se alimentavam. Quer dizer, ocorria na natureza um mecanismo de transgenia. Dez anos depois, em Gent (Bélgica), cientistas conseguiram pioneiramente efetuar a transgênese em laboratório. Em seguida, certas bactérias foram geneticamente modificadas visando à produção de insulina humana. Os diabéticos comemoraram. A ciência havia dado um tremendo salto no conhecimento.

Desde então as equipes de ponta, em oficinas públicas e privadas, passaram a investir na engenharia genética, turbinando mundialmente a biotecnologia. Esta se destacou, inicialmente, na manipulação de microrganismos. Depois, em 1996, chegou ao campo, com o lançamento de uma variedade de soja resistente à aplicação de herbicida. Começou a grande polêmica. Ativistas ambientais denunciaram a “comida Frankenstein”. Religiosos condenaram os cientistas por manipularem a vida. A opinião pública ficou confusa.

Tal temor, compreensível, resultou na proposta de uma “moratória” de cinco anos, precaução adotada pela União Europeia em 1999. Esse período se considerava suficiente para buscar o esclarecimento das dúvidas sobre a nova tecnologia. O tempo passou, a engenharia genética evoluiu, os preconceitos religiosos e ideológicos cederam lugar às evidências científicas. Novas transgenias surgiram, barreiras foram caindo. Hoje, na agricultura, as variedades modernas, geneticamente alteradas, se fazem presentes em 50 países, plantadas por 17,3 milhões de agricultores, ocupando 10% da terra arável do mundo. Não é mais uma experiência.

Novidades biotecnológicas continuam surgindo. Entre animais, desenvolvem-se cabras transgênicas que produzem em seu leite uma proteína típica da teia de aranha, capaz de gerar polímeros altamente resistentes. Nos vegetais, entusiasma a possibilidade da geração de plantas que suportam “stress hídrico”. Na Embrapa, um gene de cafeeiros resistentes à seca foi introduzido em plantas de fumo, fazendo-as suportar a falta de água no solo. Em Israel, cientistas do Instituto de Tecnologia alteraram os genes de alface, impedindo que suas folhas murchem após a colheita. Sensacional.

Técnicas chamadas “DNA recombinante” invadem a medicina. Utilizando-as, o Instituto Butantã (São Paulo) desenvolveu recente vacina contra a hepatite B; também pela intervenção no genoma viral surgem vacinas contra influenza, dengue, coqueluche e tuberculose. Na Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto estuda-se uma vacina transgênica para combater câncer. Porcos geneticamente modificados em Munique (Alemanha) provocaram fraca reação do sistema imunológico humano, abrindo caminho para os xenotransplantes.

Bactérias, leveduras e fungos geneticamente modificados têm sido utilizados na fabricação de alimentos há tempos. Esses microrganismos atuam diretamente nos processos de fermentação, gerando queijos, massas, cerveja; ajudam até na definição do aroma em bebidas e comidas. Etanol celulósico, a partir do bagaço da cana ou de capim, virá de leveduras geneticamente modificadas. Na indústria, o sabão em pó contêm enzimas, oriundas de bactérias transgênicas, que facilitam a degradação de gordura nos tecidos.

Na fronteira da biotecnologia desenvolve-se aqui, na Embrapa, uma incrível técnica – dos promotores constitutivos – capaz de restringir a manifestação de certas proteínas transgênicas em folhas e frutos das plantas modificadas. Ou seja, a planta será transgênica, mas seus frutos, ou grãos, escapam do DNA alterado. O avanço da engenharia genética, base da biotecnologia, é extraordinário em todos os ramos, dando a impressão de que o melhor ainda está por vir.

Por que, então, diante de tanto sucesso ainda há restrições contra os transgênicos, taxando-os de produtos do mal? Boa pergunta. A resposta encontra-se no preconceito criado lá atrás. A rigor, hoje em dia os produtos transgênicos, submetidos a legislação super-rigorosa, são bastante seguros para o consumo. Já outros alimentos, embora “convencionais”, mais parecem uma bomba química: salgadinhos, latarias, maioneses, doces insossos, essas gororobas, sim, impunemente destroem nossa saúde.

Conclusão: transgênico ou convencional, pouco importa. Vale o alimento ser saudável.

Xico Graziano é agrônomo, foi secretário de Agricultura e secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,fronteiras–da-biotecnologia-,1106577,0.htm

Engineering Education May Diminish Concern for Public Welfare Issues (Science Daily)

Nov. 20, 2013 — Collegiate engineering education may foster a “culture of disengagement” regarding issues of public welfare, according to new research by a sociologist at Rice University.

imagesFor the first-of-its-kind study, the researcher used survey data from four U.S. colleges to examine how students’ public-welfare beliefs change during their college engineering education and whether the curricular emphases of their engineering programs are related to students’ beliefs about public welfare. The study found that engineering students leave college less concerned about public welfare than when they entered.

Study author Erin Cech, an assistant professor of sociology who has B.S. degrees in both electrical engineering and sociology, said that many people inside and outside engineering have emphasized the importance of training ethical, socially conscious engineers, but she wonders if engineering education in the U.S. actually encourages young engineers to take seriously their professional responsibility to public welfare.

“There’s an overarching assumption that professional engineering education results in individuals who have a deeper understanding of the public welfare concerns of their profession,” Cech said. “My study found that this is not necessarily the case for the engineering students in my sample.”

Cech said that as part of their education, engineering students learn the profession’s code of ethics, which includes taking seriously the safety, health and welfare of the public. However, she said, it appears that there is something about engineering education that results in students becoming more cynical and less concerned with public policy and social engagement issues.

“The way many people think about the engineering profession as separate from social, political and emotional realms is not an accurate assessment,” Cech said. “People have emotional and social reactions to engineered products all the time, and those products shape people’s lives in deep ways; so it stands to reason that it is important for engineers to be conscious of broader ethical and social issues related to technology.”

Cech said that this “culture of disengagement” is rooted in how engineering education frames engineering problem-solving.

“Issues that are nontechnical in nature are often perceived as irrelevant to the problem-solving process,” Cech said. “There seems to be very little time or space in engineering curricula for nontechnical conversations about how particular designs may reproduce inequality — for example, debating whether to make a computer faster, more technologically savvy and expensive versus making it less sophisticated and more accessible for customers.”

Cech said ignoring these issues does a disservice to students because practicing engineers are required to address social welfare concerns on a regular basis, even if it involves a conflict of interest or whistleblowing.

“If students are not prepared to think through these issues of public welfare, then we might say they are not fully prepared to enter the engineering practice,” Cech said.

Cech became interested in this research topic as an undergraduate electrical engineering student.

“Because I went through engineering education myself, I care deeply about this topic,” she said. “I want to advance the conversation about how engineering education can be the best it can possibly be.”

The study included more than 300 students who entered engineering programs as freshmen in 2003 at four U.S. universities in the Northeast. Rice students were not included in the study. Participants were surveyed in the spring of each year and at 18 months after graduation. In the surveys, students were asked to rate the importance of professional and ethical responsibilities and their individual views on the importance of improving society, being active in their community, promoting racial understanding and helping others in need. In addition, the students were asked how important the following factors are to their engineering programs: ethical and/or social issues, policy implications of engineering, and broad education in humanities and social sciences.

“Culture of Disengagement in Engineering Education?” will appear in an upcoming issue of the journal Science, Technology and Human Values. The research was funded by the National Science Foundation.

Brazilian Soccer Is Too Big To Fail (Bloomberg)

Brazil Soccer

Brazil’s Sao Paulo players react after losing their 2013 Copa Sudamericana semifinal first leg football match against Brazil’s Ponte Preta at Morumbi stadium on Nov. 20, 2013. Photographer: Nelson Almeida/AFP via Getty Images

By Raul Gallegos Nov 22, 2013 4:22 PM GMT-0200

To understand Brazil’s economic woes, one should consider how politics has ruined the country’s most venerated sport.

It’s no secret that the economics of the Brazilian soccer world are dysfunctional. For the most part, teams are poorly run, member-controlled organizations with histories of financial mismanagement, run by overpaid managers with little accountability. For years, soccer clubs stopped paying taxes and evaded social security obligations. And the government often rescued them from financial failure — as it may be about to do again.

According to an October piece in the Folha de S. Paulo newspaper, Brazil’s soccer clubs have run up a 4.8 billion reais ($2.1 billion) tab with the federal government. Approximately 36 percent of the total debt owed by clubs is due in the short term, according to an Oct. 25 analysis by consulting firm Pluri Consultoria. Soccer teams are heavily leveraged, and their profitability (the average profitability of the top 25 teams is 0.7 percent of annual sales) is almost nonexistent. “It is possible to say, with no shadow of a doubt, that soccer clubs would not be standing” if they operated as companies, Pluri warned.

As Vilson Ribeiro de Andrade, president of the Coritiba Foot Ball Club — a debtor — said in the Folha article, the government’s bill is “virtually unrecoverable.” This is not flattering for a country that boasts five FIFA World Cup titles and is set to host the event next year.

And so, legislators are considering a controversial new proposal that would absolve the game’s worst tax cheats. The disarmingly named “Program for the Strengthening of Olympic Sports” law proposal would apparently wipe out about 90 percent of the clubs’ fiscal debts and allow teams as long as 20 years to pay off the remainder of what they owe. In exchange, soccer clubs would be obligated to help train Olympic athletes.

Letting clubs off so easily does not sit well with some. In an editorial Monday, Folha demanded that the teams should at least agree to adopt standard business-management practices and make officials accountable for mismanagement in exchange for debt forgiveness. “The debts are not responsible for causing the administrative negligence of the clubs — but the other way around,” the editorial said.

Henrique Alves, president of Brazil’s Chamber of Deputies, gave a rather weak excuse for the proposed bailout last week: “Soccer, especially, is a source of happiness, socialization and integration of the Brazilian family.” Alves’s transparent move to rescue the sector suggests that Brazil’s soccer teams have also mastered the game of politics.

In a soccer-obsessed nation, politicians fear losing voters if they push teams to own up to their fiscal mistakes. Squeezing clubs financially could hurt their ability to hire talent and weaken their performance. This could prove unpopular with Brazil’s poor, for whom soccer is not just entertainment, but also a means of upward social mobility for talented players from the slums. Teams understand this political reality and have long taken advantage of it.

This partly explains why having the state lend a hand to troubled teams is a Brazilian tradition. In 2008, Brazil’s government introduced Timemania (Team Mania), a lottery game that includes 80 teams and is meant to generate enough proceeds to help pay what clubs owe the government. In addition, Brazil has led three refinancing programs for financially strapped clubs over the past 15 years. The bill under consideration by legislators is the latest version of a recurring story.

Attempts to professionalize the sport have failed. Even legendary soccer star Pele went nowhere fast with the “Pele Law” he helped usher in when he became the country’s sports minister in the 1990s. The legislation was meant to push teams to become professional sports businesses and to regulate the relationship between players and employers. But interest groups managed to water down the law over time.

These days, even the richest teams have trouble with cash flow. When Rio de Janeiro’s Flamengo — Brazil’s fourth-largest club as ranked by 2012 revenue — struggled to pay soccer star Ronaldinho last year, the player’s agent and brother, Roberto de Assis Moreira, apparently attempted to take more than 40 items without paying, including shirts and hats, from the club’s store in protest. “Flamengo aren’t paying my brother, so I’m not paying, either,” he allegedly told the store’s staff.

Brazil’s soccer teams now feel empowered to make their own rules. The Confederacao Brasileira de Futebol, or CBF, a member organization controlled by soccer teams, suggested earlier this year that in exchange for longer repayment times, it would offer to penalize member teams that default on tax debt or delay wage payments to players. CBF suggested it could go so far as to bar noncompliant teams from games. That’s about as realistic as expecting a World Cup final to run smoothly without referees present.

Romario, the World Cup player turned lawmaker, took a shot at the absurdity of that proposal: “Do you really think that the CBF has the moral courage and the ability to make Vasco, Flamengo or Corinthians fall because they did not pay debts?” His answer: “That’s a lie. This won’t happen. This is a utopia and will not exist.”

An amendment to the Pele Law that President Dilma Rousseff signed in October, intended to increase sports teams’ financial transparency and limit the tenure of executives running sports institutions, is a good call. But rewarding clubs for their notorious incompetence is not. Brazilian politicians managed to botch the country’s economic resurgence by not getting out of the way. But on the soccer field, Brazil’s role as a strong referee is not just desirable, but also necessary.

(Raul Gallegos is the Latin American correspondent for the World View blog. Follow him on Twitter. E-mail him at rgallegos5@bloomberg.net.)

Something Is Rotten at the New York Times (Huff Post)

By Michael E. Mann

Director of Penn State Earth System Science Center; Author of ‘Dire Predictions’ and ‘The Hockey Stick and the Climate Wars’

Posted: 11/21/2013 7:20 pm

Something is rotten at the New York Times.

When it comes to the matter of human-caused climate change, the Grey Lady’s editorial page has skewed rather contrarian of late.

A couple months ago, the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) publishedits 5th scientific assessment, providing the strongest evidence to date that climate change is real, caused by us, and a problem.

Among other areas of the science where the evidence has become ever more compelling, is the so-called “Hockey Stick” curve — a graph my co-authors and I published a decade and a half ago showing modern warming in the Northern Hemisphere to be unprecedented for at least the past 1000 years. The IPCC further strengthened that original conclusion, finding that recent warmth is likely unprecedented over an even longer timeframe.

Here was USA Today on the development:

The latest report from the Intergovernmental Panel on Climate Change, the internationally accepted authority on the subject, concludes that the climate system has warmed dramatically since the 1950s, and that scientists are 95% to 100% sure human influence has been the dominant cause. In the Northern Hemisphere, 1983 to 2012 was likely the warmest 30-year period of the past 1,400 years, the IPCC found.

And here was the Washington Post:

The infamous “hockey stick” graph showing global temperatures rising over time, first slowly and then sharply, remains valid.

And the New York Times? Well we instead got this:

The [Hockey Stick] graph shows a long, relatively unwavering line of temperatures across the last millennium (the stick), followed by a sharp, upward turn of warming over the last century (the blade). The upward turn implied that greenhouse gases had become so dominant that future temperatures would rise well above their variability and closely track carbon dioxide levels in the atmosphere….I knew that wasn’t the case.

Huh?

Rather than objectively communicating the findings of the IPCC to their readers, the New York Times instead foisted upon them the ill-informed views of Koch Brothers-fundedclimate change contrarian Richard Muller, who used the opportunity to deny the report’s findings.

In fact, in the space of just a couple months now, the Times has chosen to grant Muller not just one, but two opportunities to mislead its readers about climate change and the threat it poses.

The Times has now published another op-ed by Muller wherein he misrepresented the potential linkages between climate change and extreme weather–tornadoes to be specific, which he asserted would be less of a threat in a warmer world. The truth is that the impact of global warming on tornadoes remains uncertain, because the underlying science is nuanced and there are competing factors that come into play.

The Huffington Post published an objective piece about the current state of the science earlier this year in the wake of the devastating and unprecedented Oklahoma tornadoes.

That piece accurately quoted a number of scientists including myself on the potential linkages. I pointed out to the journalist that there are two key factors: warm, moist air is favorable for tornadoes, and global warming will provide more of it. But important too is the amount of “shear” (that is, twisting) in the wind. And whether there will, in a warmer world, be more or less of that in tornado-prone regions, during the tornado season, depends on the precise shifts that will take place in the jet stream–something that is extremely difficult to predict even with state-of-the-art theoretical climate models. That factor is a “wild card” in the equation.

So we’ve got one factor that is a toss-up, and another one that appears favorable for tornado activity. The combination of them is therefore slightly on the “favorable” side, and if you’re a betting person, that’s probably what you would go with. And this is the point that I made in the Huffington Post piece:

Michael Mann, a climatologist who directs the Earth System Science Center at Pennsylvania State University, agreed that it’s too early to tell.

“If one factor is likely to be favorable and the other is a wild card, it’s still more likely that the product of the two factors will be favorable,” said Mann. “Thus, if you’re a betting person — or the insurance or reinsurance industry, for that matter — you’d probably go with a prediction of greater frequency and intensity of tornadoes as a result of human-caused climate change.”

Now watch the sleight of hand that Muller uses when he quotes me in his latest Times op-ed:

Michael E. Mann, a prominent climatologist, was only slightly more cautious. He said, “If you’re a betting person — or the insurance or reinsurance industry, for that matter — you’d probably go with a prediction of greater frequency and intensity of tornadoes as a result of human-caused climate change.”

Completely lost in Muller’s selective quotation is any nuance or context in what I had said, let alone the bottom line in what I stated: that it is in fact too early to tell whether global warming is influencing tornado activity, but we can discuss the processes through which climate change might influence future trends.

Muller, who lacks any training or expertise in atmospheric science, is more than happy to promote with great confidence the unsupportable claim that global warming will actuallydecrease tornado activity. His evidence for this? The false claim that the historical data demonstrate a decreasing trend in past decades.

Actual atmospheric scientists know that the historical observations are too sketchy and unreliable to decide one way or another as to whether tornadoes are increasing or not (see this excellent discussion by weather expert Jeff Masters of The Weather Underground).

So one is essentially left with the physical reasoning I outlined above. You would think that a physicist would know how to do some physical reasoning. And sadly, in Muller’s case, you would apparently be wrong…

To allow Muller to so thoroughly mislead their readers, not once, but twice in the space of as many months, is deeply irresponsible of the Times. So why might it be that the New York Times is so enamored with Muller, a retired physicist with no training in atmospheric or climate science, when it comes to the matter of climate change?

I discuss Muller’s history as a climate change critic and his new-found role as a media favorite in my book “The Hockey Stick and the Climate Wars” (the paperback was just released a couple weeks ago, with a new guest foreword by Bill Nye “The Science Guy”).

Muller is known for his bold and eccentric, but flawed and largely discredited astronomical theories. But he rose to public prominence only two years ago when he cast himself in theirresistible role of the “converted climate change skeptic”.

Muller had been funded by the notorious Koch Brothers, the largest current funders of climate change denial and disinformation, to independently “audit” the ostensibly dubious science of climate change. This audit took the form of an independent team of scientists that Muller picked and assembled under the umbrella of the “Berkeley Earth Surface Temperature” (unashamedly termed “BEST” by Muller) project.

Soon enough, Muller began to unveil the project’s findings: First, in late 2011, he admitted that the Earth was indeed warming. Then, a year later he concluded that the warming was not only real, but could only be explained by human influence.

Muller, in short, had rediscovered what the climate science community already knew long ago.

summarized the development at the time on my Facebook page:

Muller’s announcement last year that the Earth is indeed warming brought him up to date w/ where the scientific community was in the the 1980s. His announcement this week that the warming can only be explained by human influences, brings him up to date with where the science was in the mid 1990s. At this rate, Muller should be caught up to the current state of climate science within a matter of a few years!

The narrative of a repentant Koch Brothers-funded skeptic who had “seen the light” andappeared to now endorse the mainstream view of human-caused climate change, was simply too difficult for the mainstream media to resist. Muller predictably was able to position himself as a putative “honest broker” in the climate change debate. And he was granted a slew of op-eds in the New York Times and Wall Street Journal, headline articles in leading newspapers, and interviews on many of the leading television and radio news shows.

Yet Muller was in reality seeking to simply take credit for findings established by otherscientists (ironically using far more rigorous and defensible methods!) literally decades ago. In 1995 the IPCC had already concluded, based on work by Ben Santer and other leading climate scientists working on the problem of climate change “detection and attribution”, that there was already now a “discernible human influence” on the warming of the planet.

And while Muller has now admitted that the Earth had warmed and that human-activity is largely to blame, he has used his new-found limelight and access to the media to:

1. Smear and misrepresent other scientists, including not just me and various other climate scientists like Phil Jones of the UK’s University of East Anglia, but even the President of the U.S. National Academy of Sciences himself, Ralph Cicerone.

2. Misrepresent key details of climate science, inevitably to downplay the seriousness of climate change, whether it is the impacts on extreme weather and heat, drought, Arctic melting, or the threat to Polar Bears. See my own debunking of various falsehoods that Muller has promoted in his numerous news interviews e.g. here or here.

3. Shill for fossil fuel energy, arguing that the true solution to global warming isn’t renewable or clean energy. No, not at all! Muller is bullish on fracking and natural gas as the true solution.

To (a) pretend to accept the science, but attack the scientists and misrepresent so many important aspect of the science, downplaying the impacts and threat of climate change, while (b) acting as a spokesman for natural gas, one imagines that the petrochemical tycoon Koch Brothers indeed were probably quite pleased with their investment. Job well done. As I put it in an interview last year:

It would seem that Richard Muller has served as a useful foil for the Koch Brothers, allowing them to claim they have funded a real scientist looking into the basic science, while that scientist– Muller—props himself up by using the “Berkeley” imprimatur (UC Berkeley has not in any way sanctioned this effort) and appearing to accept the basic science, and goes out on the talk circuit, writing op-eds, etc. systematically downplaying the actual state of the science, dismissing key climate change impacts and denying the degree of risk that climate change actually represents. I would suspect that the Koch Brothers are quite happy with Muller right now, and I would have been very surprised had he stepped even lightly on their toes during his various interviews, which he of course has not. He has instead heaped great praise on them, as in this latest interview.

The New York Times does a disservice to its readers when it buys into the contrived narrative of the “honest broker”–Muller as the self-styled white knight who must ride in to rescue scientific truth from a corrupt and misguided community of scientists. Especially when that white knight is in fact sitting atop a Trojan Horse–a vehicle for the delivery of disinformation, denial, and systematic downplaying of what might very well be the greatest threat we have yet faced as a civilization, the threat of human-caused climate change.

Shame on you New York Times. You owe us better than this.

Michael Mann is Distinguished Professor of Meteorology at Pennsylvania State University and author of The Hockey Stick and the Climate Wars: Dispatches from the Front Lines (now available in paperback with a new guest foreword by Bill Nye “The Science Guy”)

Is BP “Trolling” Its Facebook Critics? (Aljazeera)

Wednesday, 20 November 2013 13:04

By Dahr JamailAljazeera English

BP.BP Critics using BP America’s Facebook page allege they have been harassed. (Erika Blumenfeld / Al Jazeera)

New Orleans – BP has been accused of hiring internet “trolls” to purposefully attack, harass, and sometimes threaten people who have been critical of how the oil giant has handled its disaster in the Gulf of Mexico.

The oil firm hired the international PR company Ogilvy & Mather to run the BP America Facebook page during the oil disaster, which released at least 4.9 million barrels of oil into the Gulf in what is to date the single largest environmental disaster in US history.

The page was meant to encourage interaction with BP, but when people posted comments that were critical of how BP was handling the crisis, they were often attacked, bullied, and sometimes directly threatened.

“Marie” was deeply concerned by the oil spill, and began posting comments on the BP America Facebook page. Today, she asks that she remain anonymous out of what she described to Al Jazeera as “fear for my personal safety should the BP trolls find out that I am the whistleblower in this case”.

In internet slang, a troll is someone who sows online discord by starting arguments or upsetting people, often posting inflammatory messages in an online community, or even issuing physical threats.

Marie sought assistance from the Government Accountability Project (GAP) in Washington DC, and has produced boxes of documents and well-researched information that may show that the people harassing BP’s critics online worked for BP or Ogilvy.

“We’d been hearing of this kind of harassment by BP when we were working on our health project [in the Gulf of Mexico], so it sparked our interest,” GAP investigator Shanna Devine told Al Jazeera. “We saw Marie’s documentation of more serious threats made on the BP page, and decided to investigate.”

According to both Marie and Devine, some of the threats began on the page, but then escalated off the page.

Threats included identifying where somebody lived, an internet troll making reference to having a shotgun and making use of it, and “others just being more derogatory”, according to Devine. “We’ve seen all this documentation and that’s why we thought it was worth bringing to the ombudsman’s office of BP, and we told them we thought some of it even warranted calling the police about.”

Death Threats

“We have thousands of documents regarding communications posted through various Facebook websites,” said certified legal investigator Steve Lockman of Levin, Papantonio, Thomas, Mitchell, Rafferty & Proctor. “In addtion, we are in possession of communications between the federal government and the ombudsman’s office of BP regarding the [harassment] Internet communications, and the federal government requesting BP to control the harassment through their Facebook page and their interactions.”

“The harassment communications are not something that BP and their people are not aware of,” Lockman told Al Jazeera. “It’s not a hidden secret that the personal attacks, broadcast abuse, and type-written harassment were happening and continue to go on.”

Marie provided the firm and Al Jazeera with files of complaint letters, computer screenshots of the abuse, and a list of Facebook profiles used by the people who harassed her and others.

According to Marie, the harassment didn’t remain on the BP page. Trolls often followed users to their personal Facebook pages and continued to harass them there.”I was called a lot of names,” Marie added. “I was called a streetwalker and a lot of things like that, and eventually had gun threats.”

“They resorted to very demeaning methods of abuse,” Marie said. “They were racist, sexist, and threatened me and others with legal action and violence. They’ve insinuated that some commenters are ‘child molesters’, and have often used the tactic of mass reporting with the goal of having their targets completely removed from Facebook.”

One troll using the name “Griffin” makes several allusions to gun violence in order to distress and harass users, even going so far as to edit a photo of a BP critic’s pet bird into the crosshairs of a gunsight, before posting the photo online – along with photos of an arsenal of semi-automatic weapons.

Another instance occurred involving “Griffin” and an environmentalist who posted a picture of a rendition of Mother Earth saying “Mother Earth Has Been Waiting for Her Day in Court, BP”. “Griffin” posted a comment to the picture that read, “A few rounds from a .50 cal will stop that b**ch”.

According to Marie, Lockman and GAP, BP’s “astroturfing” efforts and use of “trolls” have been reported as pursuing users’ personal information, then tracking and posting IP addresses of users, contacting their employers, threatening to contact family members, and using photos of critics’ family members to create false Facebook profiles, and even threatening to affect the potential outcome of individual claims.

Marie, along with several other targets of harassment, wrote and sent two letters to BP America, asking the company to respond to the allegations and deal with the matter.  Neither letter received a response, which is why Marie decided to contact GAP, as well as the law firm.

While Marie’s evidence appears to tie Ogilvy and BP together via the trolls, the law firm Lockman works for is investigating further in order to conclusively determine the extent of BP’s involvement.

Spinning the Disaster

Stephen Marino worked for Ogilvy during the BP disaster. BP had been a client of Ogilvy for five years before the spill, and when the disaster occurred, “we were responsible for all the social media for BP during the spill”, Marino said during a lecture he gave at the University of Texas, Austin, on April 19, 2012.

His team, which he called the “digital influence team”, was “responsible for the crisis response”.  Marino told the audience that his job during the BP disaster was to run a ” reputation management campaign ” and gave this specific example of the depths to which Ogilvy worked to maintain a positive appearance for BP:

“We were putting out ads, if you guys remember those ads that came out where it would be Iris in the Gulf of Mexico and she’d be talking about how she grew up there and she wasn’t going to go away,” he explained . “The way we were working with the strategy on that was we would cut the ads one day, we would edit them overnight, we’d air them on Tuesday let’s say, and then we’d look at social media to see what the response was to the ads – and based upon the feedback we were getting on social media, the advertising agency would then go back and re-cut the ads to fix the message to make it resonate more with what the constituents wanted… that was the first key strategy.”

Chris Paulos, an attorney with the firm investigating Marie’s case, believes this is a perfect example of “subversive attempts by corporations to put forward their ideology of what we should think about them, and doing it in a way that is not decipherable to the average person”.

According to Paulos, the public should be concerned about this because we can no longer tell if people online are truly who they say they are, “or are working for a corporation and talking their script to control the dialogue about whatever issue they are addressing”.

“We are in unprecedented times with technology, and [in] the disparity between the power of corporations and autonomous consumers,” Paulos told Al Jazeera. ” Citizens United has basically emboldened corporations with their ability to speak as individuals with First Amendment rights. Ever since that decision, corporations have been outspoken and vigorously protecting themselves while doing it.”

BP’s Response

Billie Garde, BP’s deputy ombudsman, in a letter to the Government Accountability Project dated December 18, 2012, stated clearly that “BP America contracts management of its Facebook page to Ogilvy Public Relations” and added, “Ogilvy manages all of BP America’s social media matters”.

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“According to BP America, Ogilvy has a group of 10 individuals in different time zones that perform comment screening of the page,” wrote Garde.

Interestingly, Garde’s letter addressed the fact that, at that time, according to Ogilvy’s data, 91 percent of all the comments on BP’s Facebook page were considered to be “unsupportive” of BP, while only nine percent were considered “supportive”.  She added that “i n previous years, the number of comments that were ‘unsupportive ‘ of BP was larger than the present 91 per cent “.

Her letter stated that Ogilvy follows a “three strike” policy for all comments, “meaning if they find a comment to be in violation of the commenting policy, they delete the comment and record a ‘strike’ against the user, and three strikes means a user is no longer able to comment on the page. It is also noted that Ogilvy will delete offending comments and send a note to the user indicating the comment was inappropriate”.

Garde added: “BP America has informed our office that Ogilvy strictly adheres to the Commenting Policy as stated on the BP America Facebook page. This policy serves as the guidelines that Ogilvy follows when evaluating the appropriateness of comments. Ogilvy does not evaluate a comment with respect to it being a positive or negative statement towards BP. Likewise, they do not delete any comments based on either of these qualifiers.”

According to Garde, BP America’s Director of Employee Concerns Oversight, Mike Wilson, was apprised of the situation. Wilson was provided examples of harassment and was asked if the examples were reviewed by Ogilvy. “The discussion is ongoing, and Mr Wilson is addressing these specific concerns internally, ” Garde added.

A BP spokesman provided the following statement for Al Jazeera: “The BP America Facebook page, and its moderators, do not endorse or dictate any user activity. All users’ comments and actions are their own. BP created the BP America Facebook page to engage the public in an informative conversation about our ongoing commitment to America and to facilitate constructive dialogue for any and all who wish to participate. No users are compensated for participating in the Facebook community. More information on our commenting policy can be found here .”

Marie, however, staunchly believes that BP is responsible for the pro-BP Facebook trolls.

“I have no doubt that they are, and I’ve found the links between the trolls and their friends who work for BP,” she told Al Jazeera. “The Government Accountability Project, through the inquiry they’re conducting for me, is still trying to find out. But we are being stonewalled on the other end, as far as BP doing some type of an internal investigation into these connections that I’ve uncovered.”

According to Marie, the harassment “almost ceased completely at around the same time GAP received Garde’s letter. I say ‘almost’ because at least two of the people who were involved in the prior harassment are still allowed to comment on BP’s page to this day, and [one of those] was still checking on people’s profiles to obtain their state of residence, and would use this against them on the page.”

“Terroristic Threats”

Lockman’s investigation continues, as do efforts of recovering additional documentation and sifting through information on hand that links the trolls to both BP and Ogilvy as well as other subcontracted companies used by BP as creative storytellers.

“The information we possess regarding Marie’s claims, printed out, fills two file boxes, and that does not include all the DVDs which are currently being duplicated at this time,” Lockman said. “It is an unbelievable amount of documentation that has been developed. This documentation, support materials, and information is coming from several different sources. It is like a spider web and we just got started.”

Al Jazeera asked the firm Lockman works for what the possible legal ramifications would be for the alleged actions of BP and Ogilvy.

“What these guys are doing is bordering on illegal,” Paulos told Al Jazeera. “Marie’s allegations are that these guys have made overt acts beyond what they did online, and it does sound like people who’ve been the victims of these actions believe they are in imminent danger of bodily harm, and that can become the basis for a claim of assault.”

Paulos went on to say that if money were involved, like if the threats made by the trolls were against people who had pending claims against BP, or offered to cease the harassment in exchange for funds or other benefits, “it can become a claim of extortion or fraud, depending on how the money is being used”.

Yet these are not the worst possible crimes.

“They [BP/Ogilvy] are obviously trying to silence folks who are opposed or critical of what they are doing,” Paulos claimed. “But it appears as though it has moved into threats that can be considered terroristic threats depending on the intent behind them, so there are a lot of laws they can be treading on, including stalking, and tortious interference with someone’s businesses. I understand they’ve called the workplaces of people on the websites, and depending on what’s being said that may become actionable under US civil law. So there are a lot of ways they could be breaching the law based on the intent of their communication and how that has been received.” Paulos believes Marie’s case is an example of how corporations such as BP use their money and power to take advantage of a lack of adequate legal regulations over the use of internet trolls and vigorous PR campaigns, and that this should give the general public pause.

“Marie’s story shows that corporations do not refrain from cyber-bullying, and they are doing it in a very aggressive fashion.”

Other Harassment

Linda Hooper Bui, an associate professor of entomology at Louisiana State University, experienced a different form of harassment from BP while working on a study about the impact of the oil disaster on spiders and insects.

“BP was desperately trying to control the science, and that was what I ran into,” Bui told Al Jazeera. According to her, BP’s chief science officer “tried to intimidate me”, and the harassment included BP “bullying my people” who were working in the field with her on her study that revealed how “insects and spiders in the oiled areas were completely decimated”.

While collecting data for the study, Bui and her colleagues regularly ran into problems with BP, she said.

“Local sheriffs working under the auspices of BP, as well as personnel with Wildlife and Fisheries, the US Coast Guard – all of these folks working under BP were preventing us from doing our job,” Bui explained. “We were barred from going into areas to collect data where we had previous data.”

Bui said personnel from the USCG, Fish and Wildlife, and even local sheriffs departments, always accompanied by BP staff, worked to prevent her from entering areas to collect data, confiscated her samples, and “if I’d refused to oblige they would have arrested me” – despite her having state permits to carry out her work.

Bui has also been harassed online, by what she thinks was “a BP troll”, but she remained primarily concerned about what BP was doing to block her science. Her frustration about this prompted her to write an opinion article for The New York Times , titled A Gulf Science Blackout .

That is when she received a call from BP.

“August 24, 2010, at 7:15am the morning my op-ed was published, I received a call from BP’s chief science officer who tried to get me to be quiet,” Bui said. “He said he’d solve my problem, and asked me how much money I needed.”

Bui explained to him she was only interested in being allowed to conduct her studies, and was not interested in working with BP, “that I was publishing science and it involved the entire scientific community”, and she never heard back from him.

She believes her method of dealing with the overall situation was a success. “When somebody starts to mess with me, I publicise it and say: ‘Don ‘ t f**k with me,'” she concluded. “And if you do, I’m going to go very public with it, and that’s what I did.”

BP did not respond to Al Jazeera for comment regarding her specific allegation.

GAP’s Shanna Devine told Al Jazeera she believes the onus is on BP to investigate the possibility that there is a connection between the harassment and Ogilvy and BP employees.

“But so far they’ve taken a very hands-off approach,” she explained. “They’ve not taken responsibility and they are not willing to share information with us. So if it’s through BP’s silence that the public is willing to draw their conclusions, I think that is legitimate.”

Hence, Devine concluded: “The BP America Facebook page is not a safe place to be.”

2013 1120-5aInternet troll “Griffin” here complains to Facebook that “D**” is a troll, making up fabrications about BP. “Griffin” posts a link to “D**”‘s profile page, next to a picture of a gun.

2013 1120-5bA second internet troll, “Ken Smith”, is understood to have taken a photo of “D**”‘s pet bird from the BP critic’s profile, printed it out, superimposed a rifle’s crosshairs upon the image – and shot it several times.

2013 1120-5c“Griffin”‘s profile, using an anonymised portrait, also features images of target practice. It is understood that his message has a threatening tone.

2013 1120-5d“Ken Smith”, who posted the previous image of a BP critic’s pet bird being used as target practice, here posts a picture of his considerable arsenal.

2013 1120-5e“Ken Smith” goes on to call BP critics “haters”, and one in particular a “drunken moron”.

2013 1120-5hOthers leave comments on BP America’s Facebook page supportive of the oil giant, claiming that scientists and others critical of the spill are attention-seeking drug users.

This piece was reprinted by Truthout with permission or license. It may not be reproduced in any form without permission or license from the source.

By DAHR JAMAIL

Dahr Jamail, a journalist for Al Jazeera’s Human Rights Department, is the author of “The Will to Resist: Soldiers Who Refuse to Fight in Iraq and Afghanistan,” (Haymarket Books, 2009), and “Beyond the Green Zone: Dispatches From an Unembedded Journalist in Occupied Iraq,” (Haymarket Books, 2007). Jamail reported from Iraq for more than a year, as well as from Lebanon, Syria, Jordan and Turkey over the last ten years, and has won the Martha Gellhorn Award for Investigative Journalism, among other awards.

Climate change pledges: rich nations face fury over moves to renege (The Guardian)

Typhoon Haiyan raises fear over global warming threat as Philippines leads attack on eve of key talks

 in Warsaw

The Observer, Sunday 17 November 2013

Typhoon Haiyan

Survivors of Typhoon Haiyan form a queue to receive relief goods at a devasted coastal area in Leyte. Photograph: Dondi Tawatao/Getty Images

Developing nations have launched an impassioned attack on the failure of the world’s richest countries to live up to their climate change pledges in the wake of the disaster in the Philippines.

With more than 3,600 people now believed to have been killed byTyphoon Haiyan, moves by several major economies to backtrack on commitments over carbon emissions have put the world’s poorest and most wealthy states on a collision course, on the eve of crucial high-level talks at a summit of world powers.

Yeb Sano, the Philippines’ lead negotiator at the UN climate change summit being held this weekend in Warsaw, spoke of a major breakdown in relations overshadowing the crucial talks, which are due to pave the way for a 2015 deal to bring down global emissions.

The diplomat, on the sixth day of a hunger strike in solidarity for those affected by Haiyan, including his own family, told the Observer: “We are very concerned. Public announcements from some countries about lowering targets are not conducive to building trust. We must acknowledge the new climate reality and put forward a new system to help us manage the risks and deal with the losses to which we cannot adjust.”

Munjurul Hannan Khan, representing the world’s 47 least affluent countries, said: “They are behaving irrationally and unacceptably. The way they are talking to the most vulnerable countries is not acceptable. Today the poor are suffering from climate change. But tomorrow the rich countries will be. It starts with us but it goes to them.”

Recent decisions by the governments of AustraliaJapan and Canada to downgrade their efforts over climate change have caused panic among those states most affected by global warming, who fear others will follow as they rearrange their priorities during the downturn.

In the last few days, Japan has announced it will backtrack on its pledge to reduce its emission cuts from 25% to 3.8% by 2020 on the basis that it had to close its nuclear reactors after the 2011 earthquake and tsunami.

Australia, which is not sending a minister to this weekend’s talks,signalled it may weaken its targets and is repealing domestic carbon lawsfollowing the election of a conservative government.

Canada has pulled out of the Kyoto accord, which committed major industrial economies to reducing their annual CO2 emissions to below 1990 levels.

China’s lead negotiator at the Warsaw talks, Su Wei, said: “I do not have any words to describe my dismay at Japan’s decision.” He criticised Europe for showing a lack of ambition to cut emissions further, adding: “They talk about ratcheting up ambition, but rather they would have to ratchet up to ambition from zero ambition.”

When the highest-level talks start at the summit on Monday, due to be attended by representatives from 195 countries, including energy secretary Ed Davey, the developing world will seek confirmation from states such as Britain that they will not follow the path of Japan and others. David Cameron’s comments this weekend in which he backed carbon emission cuts and suggested that there was growing evidence of a link between manmade climate change and disasters such as Typhoon Haiyan, will inevitably be used to pressure others to offer similar assurances.

The developing world also wants the rich western nations to commit to establishing a compensation scheme for future extreme weather events, as the impact of global warming is increasingly felt. And they want firm signals that rich countries intend to find at least $100bn a year by 2020 to help them to adapt their countries to severe climate extremes.

China and 132 nations that are part of the G77 block of developing countries have expressed dismay that rich countries had refused to discuss a proposal for scientists to calculate emissions since the start of the Industrial Revolution.

Ambassador Jose Antonio Marcondes de Carvalho of Brazil, who initially proposed the talks, said: “We were shocked, very much surprised by their rejection and dismissal. It is puzzling. We need to understand why they have rejected it.

“Developing countries are doing vastly more to reduce their emissions than Annexe 1 [rich] countries.”

Members of the Disaster Emergencies Committee, which co-ordinates British aid efforts, also warned leaders that the disaster offers a glimpse of the future if urgent action is not taken.

Aid agencies including Christian Aid, Cafod, Care International, Oxfam and Tearfund said ministers meeting in the Polish capital must act urgently because climate change is likely to make such extreme weather events more common in the future, putting millions more lives at risk.

A Climate-Change Victory (Slate)

If global warming is slowing, thank the Montreal Protocol.

By 

An aerosol spray can.

No CFCs, please. (Photo by iStock)

Climate deniers like to point to the so-called global warming “hiatus” as evidence that humans aren’t changing the climate. But according a new study, exactly the opposite is true: The recent slowdown in global temperature increases is partially the result of one of the few successful international crackdowns on greenhouse gases.

Back in 1988, more than 40 countries, including the United States, signed the Montreal Protocol, an agreement to phase out the use of ozone-depleting gases like chlorofluorocarbons. (Today the protocol has nearly 200 signatories.) According to the Environmental Protection Agency, CFC emissions are down 90 percent since the protocol, a drop that the agency calls “one of the largest reductions to date in global greenhouse gas emissions.” That’s a blessing for the ozone layer, but also for the climate. CFCs are a potent heat-trapping gas, and a new analysis published in Nature Geoscience finds that slashing them has been a major driver of the much-discussed slowdown in global warming.

Without the protocol, environmental economist Francisco Estrada of the Universidad Nacional Autónoma de México reports, global temperatures today would be about a tenth of a degree Celsius higher than they are. That’s roughly an eighth of the total warming documented since 1880.

Estrada and his co-authors compared global temperature and greenhouse gas emissions records over the last century and found that breaks in the steady upward march of both coincided closely. At times when emissions leveled off or dropped, such as during the Great Depression, the trend was mirrored in temperatures; likewise for when emissions climbed.

“With these breaks, what’s interesting is that when they’re common that’s pretty indicative of causation,” said Pierre Perron, a Boston University economist who developed the custom-built statistical tests used in the study.

The findings put a new spin on investigation into the cause of the recent “hiatus.” Scientists have suggested that several temporary natural phenomena, including thedeep ocean sucking up more heat, are responsible for this slowdown. Estrada says his findings show that a recent reduction in heat-trapping CFCs as a result of the Montreal Protocol has also played an important role.

“Paradoxically, the recent decrease in warming, presented by global warming skeptics as proof that humankind cannot affect the climate system, is shown to have a direct human origin,” Estrada writes in the study.

The chart below, from a column accompanying the study, illustrates that impact. The solid blue line shows the amount of warming relative to pre-industrial levels attributed to CFCs and other gases regulated by the Montreal Protocol; the dashed blue line is an extrapolation of what the level would be without the agreement. Green represents warming from methane; Estrada suggests that leveling out may be the result of improved farming practices in Asia. The diamonds are annual global temperature averages, with the red line fitted to them. The dashed red line represents Estrada’s projection of where global temperature would be without these recent mitigation efforts.

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Courtesy of Francisco Estrada via Mother Jones

Estrada said his study doesn’t undermine the commonly accepted view among climate scientists that the global warming effect of greenhouse gases can take years or decades to fully manifest. Even if we cut off all emissions today, we’d still very likely see warming into the future, thanks to the long shelf life of carbon dioxide, the principal climate-change culprit. The study doesn’t let CO2 off the hook: The reduction in warming would likely have been even greater if CO2 had leveled off as much as CFCs and methane. Instead, Estrada said, it has increased 20 percent since the protocol was signed.

Still, the study makes clear that efforts to reduce greenhouse gas emissions—like arecent international plan to phase out hydrofluorocarbons, a group of cousin chemicals to CFCs that are used in air conditioners and refrigerators, and the Obama administration’s move this year to impose strict new limits on emissions from power plants—can have a big payoff.

“The Montreal Protocol was really successful,” Estrada said. And as policymakers and climate scientists gather in Warsaw, Poland, for the latest U.N. climate summit next week, “this shows that international agreements can really work.”

Manifesto da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular

JC e-mail 4846, de 31 de outubro de 2013

Texto assinado pelo presidente da SBBq, Moacir Wajner, manifesta repúdio à invasão do Instituto Royal

A Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular vem a público manifestar seu repúdio aos atos terroristas/vandalismo de depredação de mais uma unidade dedicada à investigação científica, desta vez o Instituto Royal em São Roque, São Paulo. O Instituto Royal é instituição dedicada à investigação para confirmação da ausência de efeitos adversos tanto de medicamentos como também de substâncias cujo alto potencial de uso como novo medicamento já tenha sido avaliado por estudos prévios.

Este tipo de ação prejudica, mais do que a instituição atingida diretamente, a toda Sociedade Brasileira que fica debilitada em sua capacidade de fazer avançar a ciência e de desenvolver medicamentos próprios e também impedida de explorar o pleno potencial de sua biodiversidade para elevar o nível da sáude humana e dos animais. Fica também comprometida em sua independência e autonomia para controlar plenamente a pertinência e qualidade de medicamentos trazidos de outros países, ficando o país a mercê de exploradores internacionais e segurança da saúda da população fragilizada. Atitudes como esta contribuem para levar o Brasil a uma posição subalterna perante empresas internacionais e facilitar a exploração do povo brasileiro.

A Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular também alerta a Sociedade Brasileira para não se deixar iludir pelos interesses dos vendedores da ilusão de que a pesquisa biomédica e o desenvolvimento e controle de medicamentos possa ser feito sem a utilização de ferramentas que requerem o emprego de animais de laboratório. Embora o grande avanço no estabelecimento de metodologias que substituem o uso desses animais, essas tecnologias são ainda aplicáveis a apenas um número ainda restrito de situações.

No atual estágio do desenvolvimento científico, não há conhecimento que permita prever que, sequer que a médio prazo, estudos empregando animais de laboratório possam ser totalmente eliminados. Inclusive, até mesmo o desenvolvimento desses métodos substitutivos requer o emprego de animais de laboratório. Atualmente, no Brasil, da mesma maneira que nos países mais desenvolvidos do mundo, o emprego de animais em qualquer tipo de experimento científico ou de controle da qualidade de medicamentos é regulado por lei específica, rigidamente observada, que exige o exame rigoroso e aprovação por parte de Comissões de Ética no Uso de Animais dos protocolos a que cada animal, individualmente, será submetido e também da comprovação de que não há método alternativo ou possibilidade de diminuir o número de animais necessários.

(Moacir Wajner, presidente da SBBq)

Salvamento de Beagles usados como cobaias no Instituto Royal

JC e-mail 4839, de 22 de outubro de 2013

Especialista da Fiocruz considera equívoco invasão ao Instituto Royal (Jornal da Ciência)

Para Marco Aurélio Martins, o ataque de ativistas aos experimentos científicos é uma tentativa de desinformar “irresponsavelmente” a população

É preocupante a invasão “equivocada” de grupos defensores de animais ao Instituto Royal, levando 178 cães da raça beagle, além de outras cobaias científicas. A afirmação é do pesquisador chefe do Laboratório de Inflamação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marco Aurélio Martins. “É preocupante pelo discurso equivocado sobre a importância que a pesquisa tem”, diz ele, em entrevista ao Jornal da Ciência. A invasão aconteceu na madrugada da última sexta-feira (18), na instituição instalada em São Roque, a 51 km de São Paulo.

Para ele, o ataque de ativistas aos experimentos científicos é uma tentativa de desinformar “irresponsavelmente” a população em geral, leiga dos conhecimentos científicos. “Passar para população de que a experimentação animal é algo simplesmente cruel, que agride os animais, que só faz mal a eles sem nenhum benefício nem para os seres humanos, nem para os próprios animais, é desinformar”, declara.

Martins reforça que o uso de animais nos experimentos científicos ainda é necessário para estudar várias áreas da saúde pública,desde as doenças tropicais, como malária e outras mais graves, como câncer, asma e hipertensão. “Como podemos abrir mão de estudar esses problemas tão complexos se não tivermos ferramentas experimentais?”, pergunta. “Todos os medicamentos disponíveis nas prateleiras das farmácias e no mercado veterinário dependeram da experimentação animal, em algum momento.”

O pesquisador insiste em dizer que todos os testes científicos com animais obedecem às normas nacionais, previstas na Lei Arouca Nº 11.794, em vigor há três anos. De acordo com ele, o uso de animais nos experimentos científicos não é exclusividade do Brasil. Conforme entende o biólogo, todos os países avançados em ciência e tecnologia permanecem usando os animais em experimentação. “Não é verdadeiro dizer que não se faz mais uso de animais na Europa e nos Estados Unidos”, diz. A restrição é maior (apenas) para primatas, como macacos e chimpanzés.”

JC – O senhor conhece a política do Instituto Royal aplicada nos experimentos científicos de animais?
Martins – Sou ligado a um instituto nacional de ciência e tecnologia de fármacos, INCT-Inofar, do qual o Royal é um dos colaboradores. Conheço a reputação e a seriedade do Instituto. Mas nunca o visitei e nunca utilizei o centro como prestador de serviços.

Qual a sua avaliação sobre a invasão dos ativistas ao Instituto Royal?
Vejo com muita preocupação. É uma radicalização. Já tivemos iniciativas semelhantes no Brasil no passado, mas nada tão veemente. Na própria Fiocruz, por volta de 2000, houve uma invasão, quando pesquisadores foram processados pelo fato de gambás serem encontrados fora da caixa deles. Mas nunca vi algo tão radical, como agora, de ver o pessoal entrar e liberar os animais. Me preocupa muito este momento, no qual o Brasil vive uma tensão social, de manifestações, como os Black Blocs. Já vimos esse filme em outros países, em que esse ativismo levou a problemas enormes, de agressividade.

Esse cenário preocupa a área científica?
Preocupa pela desinformação irresponsável. Passar para a população em geral, leiga, de que a experimentação animal é algo simplesmente cruel, que agride aos animais, que só faz mal aos animais sem nenhum benefício para os seres humanos e nem para os próprios animais. Isso é desinformar. Não é difícil sensibilizar, sobretudo, as pessoas que não sabem como as pesquisas são realizadas. Ou informar, equivocamente, de que apenas o Brasil é o único país que utiliza os animais em experimentos científicos. Preocupa o discurso equivocado sobre a importância que a pesquisa tem. Os profissionais da ciência do Brasil se deparam hoje com uma responsabilidade muito grande. Temos de ser muito hábeis e contar com a colaboração da imprensa para que as palavras não sejam deturpadas. É preciso ter cuidado de passar para a população em geral, de tranquilizá-la, de que os centros de pesquisas estabelecidos no Brasil são de excelência, não são centros de terror.

Quais os benefícios que o experimento cientifico com animal traz para a população e para os próprios animais?
Todos os medicamentos disponíveis nas prateleiras das farmácias e no mercado veterinário dependeram da experimentação animal, em algum momento. O risco de não fazermos isso, de não fazer os experimentos é enorme para a população na hora de disponibilizar os potenciais medicamentos.

Os experimentos científicos com animais precisam atender à legislação interna…
Claro que a comunidade científica sabe que precisa seguir as regras. Somos obrigados a obter licenças, existem leis que controlam a experimentação animal, tanto no Brasil como no mundo. No Brasil, a legislação é a Lei Arouca, em vigor há três anos. No caso, se houvesse uma denúncia de maus tratos na Fiocruz ou mesmo no Instituto Royal, o Concea [Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal] tem o papel de receber a denúncia, de avaliar e investigar para tomar as atitudes. Os maus-tratos de animais de experimentação são passíveis de criminalização. Se tiver acontecendo irregularidade, isso tem de ser exemplarmente punido. O que não pode é autorizar que as pessoas saiam invadindo o local e liberando animais de experimentação. Isso trará prejuízos não apenas para o andamento das pesquisas científicas, mas para a credibilidade do desenvolvimento de novos fármacos no país, para a população e para os próprios animais. Se é que existem maus tratos aos animais que isso seja levado aos órgãos competentes e que se puna quem tiver agindo de maneira errada.

É o caso do Instituto Royal?
Não acredito que seja. Pelo que conheço sobre a reputação das pessoas responsáveis não tenho razão nenhuma para acreditar que tivesse ocorrendo algum tipo de irregularidade interna. Se tivesse acontecendo, numa hipótese terrível, hoje a nossa sociedade já dispõe de um canal, que é Concea.

As pesquisas ainda são necessárias com os animais?
Claro que são, porque precisamos de mecanismos para avançar nas formas de tratamento (de saúde) que temos hoje, na terapia. Ainda temos problemas enormes em várias áreas da saúde pública, desde as doenças tropicais, como malária e outras mais graves, como câncer, asma e hipertensão. Como podemos abrir mão de estudar esses problemas tão complexos se não tivermos ferramentas experimentais? Como impedir cientistas e especialistas, dentro das condições de boas práticas e de boa conduta ética, de entender as doenças e buscar uma forma de controlá-las? Isso seria interromper a investigação científica. Não se pode passar para a opinião pública a ideia de que não se pode mais usar os animais em experimentos científicos.

Outros países ainda usam animais em experimentos científicos?
Claro que usam. Todos os países considerados avançados em ciência e tecnologia continuam usando os animais em experimentação. Não é verdadeiro dizer que não se faz mais uso de animais na Europa ou nos Estados Unidos. A restrição é maior (apenas) para primatas, como macacos e chimpanzés.

Os protocolos proíbem a crueldade nos animais?
Não pode haver crueldade. Isso é crime. Ao montar um protocolo experimental o pesquisador tem de garantir que o animal esteja dentro das condições de bem estar, para que possa, inclusive, acreditar nos resultados a serem obtidos da experimentação.

(Viviane Monteiro – Jornal da Ciência)

Outras matérias sobre o assunto:

Revista Galileu

‘Um dia reduziremos. Mas acabar com testes em animais agora é impossível’

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI344225-17770,00-UM+DIA+REDUZIREMOS+MAS+ACABAR+COM+TESTES+EM+ANIMAIS+AGORA+E+IMPOSSIVEL.html

Folha de S.Paulo

Retirada de cães de instituto afeta pesquisa anticâncer, diz cientista

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/135127-retirada-de-caes-de-instituto-afeta-pesquisa-anticancer-diz-cientista.shtml

Experimentação animal

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/135050-experimentacao-animal.shtml

Deputado fica com ‘guarda’ e dá nome de filhas a beagles

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/135124-deputado-fica-com-guarda-e-da-nome-de-filhas-a-beagles.shtml

O Globo

Ministério Público de SP espera investigação da polícia para decidir sobre beagles

http://oglobo.globo.com/pais/ministerio-publico-de-sp-espera-investigacao-da-policia-para-decidir-sobre-beagles-10467368#ixzz2iSUmfYZr

O Estado de S.Paulo

Ladrões de cobaias

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,ladroes-de-cobaias-,1088290,0.htm

Instituto doará beagles que forem recuperados

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,instituto-doara-beagles-que-forem-recuperados,1088254,0.htm

Zero Hora

Sentimentalismo e direitos dos animais

http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2013/10/22/sentimentalismo-e-direitos-dos-animais/?topo=13,1,1,,,13

Agência Câmara Notícias

Comissão investigará denúncias de maus-tratos contra animais no Instituto Royal

http://www2.camara.gov.br/camaranoticias/noticias/CIENCIA-E-TECNOLOGIA/455160-COMISSAO-INVESTIGARA-DENUNCIAS-DE-MAUS-TRATOS-CONTRA-ANIMAIS-NO-INSTITUTO-ROYAL.html

*   *   *

22/10/2013 – 03h00

Retirada de cães de instituto afeta teste anticâncer, diz cientista (Folha de S.Paulo)

JAIRO MARQUES e RAFAEL GARCIA

DE SÃO PAULO

A retirada de 178 cães da raça beagle de um laboratório em São Roque (a 66 km de São Paulo) comprometeu experimentos avançados de um medicamento para tratamento contra câncer –além de fitoterápicos para usos diversos.

A informação é do médico Marcelo Marcos Morales, um dos secretários da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e coordenador do Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

“Um trabalho que demorou anos para ser produzido, que tinha resultados promissores para o desenvolvimento do país, foi jogado no lixo”, disse ele, em referência à invasão do Instituto Royal por ativistas na semana passada.

“O prejuízo é incalculável para a ciência e para o benefício das pessoas”, afirmou.

O cientista não revelou o nome do medicamento desenvolvido, que é protegido por contrato, nem para qual tipo de câncer ele seria usado. Mas informou que se tratava de um tipo de remédio produzido fora do país e que teve a patente quebrada.

Sala é encontrada com objetos revirados no Instituto Royal, em São Roque (SP)

O Royal também não detalha os experimentos alegando restrição contratual.

Os fitoterápicos eram baseados em plantas da flora nacional e poderiam ser usados, por exemplo, para combater dor e inflamações.

Ativistas dizem que os cães sofriam maus-tratos. O instituto nega. Ontem ele disse que, quando recuperados, receberão tratamento e podem “ser colocados para doação”.

Doutor em biofísica, Morales afirma que os cientistas “também não querem trabalhar com animais”, mas que o método é ainda o mais eficaz para testes de tratamentos médicos e vacinas.

“Seria possível não nos alimentarmos mais com carne? Com pesquisa é a mesma relação. Deixamos de usar animais e vamos testar vacinas em nossas crianças?”

Para Morales, as pessoas estão “confundindo” animais domésticos com cães que nasceram dentro de biotérios, sob condições controladas e rígidas para o uso científico.

“O apelo do cão é muito grande, tanto é que levaram todos os beagles, mas deixaram todos os ratos.”

A autoridade brasileira responsável por aprovar pesquisas com humanos, a Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), não avaliza projetos de drogas que não tenham passado por testes de segurança em animais.

Cachorros estão em uma parcela pequena de experimentos científicos –nos quais os camundongos respondem por 74% dos animais. A maioria dos cães é usada para averiguar a toxicidade de medicamentos.

Editoria de arte/Folhapress

 

The Reasons Behind Crime (Science Daily)

Oct. 10, 2013 — More punishment does not necessarily lead to less crime, say researchers at ETH Zurich who have been studying the origins of crime with a computer model. In order to fight crime, more attention should be paid to the social and economic backgrounds that encourage crime.

Whether a person turns criminal and commits a robbery depends greatly on the socio-economic circumstances in which he lives. (Credit: © koszivu / Fotolia)

People have been stealing, betraying others and committing murder for ages. In fact, humans have never succeeded in eradicating crime, although — according to the rational choice theory in economics — this should be possible in principle. The theory states that humans turn criminal if it is worthwhile. Stealing or evading taxes, for instance, pays off if the prospects of unlawful gains outweigh the expected punishment. Therefore, if a state sets the penalties high enough and ensures that lawbreakers are brought to justice, it should be possible to eliminate crime completely.

This theory is largely oversimplified, says Dirk Helbing, a professor of sociology. The USA, for example, often have far more drastic penalties than European countries. But despite the death penalty in some American states, the homicide rate in the USA is five times higher than in Western Europe. Furthermore, ten times more people sit in American prisons than in many European countries. More repression, however, can sometimes even lead to more crime, says Helbing. Ever since the USA declared the “war on terror” around the globe, the number of terrorist attacks worldwide has increased, not fallen. “The classic approach, where criminals merely need to be pursued and punished more strictly to curb crime, often does not work.” Nonetheless, this approach dominates the public discussion.

More realistic model

In order to better understand the origins of crime, Helbing and his colleagues have developed a new so-called agent-based model that takes the network of social interactions into account and is more realistic than previous models. Not only does it include criminals and law enforcers, like many previous models, but also honest citizens as a third group. Parameters such as the penalties size and prosecution costs can be varied in the model. Moreover, it also considers spatial dependencies. The representatives of the three groups do not interact with one another randomly, but only if they encounter each other in space and time. In particular, individual agents imitate the behaviour of agents from other groups, if this is promising.

Cycles of crime

Using the model, the scientists were able to demonstrate that tougher punishments do not necessarily lead to less crime and, if so, then at least not to the extent the punishment effort is increased. The researchers were also able to simulate how crime can suddenly break out and calm down again. Like the pig cycle we know from the economic sciences or the predator-prey cycles from ecology, crime is cyclical as well. This explains observations made, for instance, in the USA: according to the FBI’s Uniform Crime Reporting Program, cyclical changes in the frequency of criminal offences can be found in several American states. “If a state increases the investments in its punitive system to an extent that is no longer cost-effective, politicians will cut the law enforcement budget,” says Helbing. “As a result, there is more room for crime to spread again.”

“Many crimes have a socio-economic background”

But would there be a different way of combatting crime, if not with repression? The focus should be on the socio-economic context, says Helbing. As we know from the milieu theory in sociology, the environment plays a pivotal role in the behaviour of individuals. The majority of criminal acts have a social background, claims Helbing. For example, if an individual feels that all the friends and neighbours are cheating the state, it will inevitably wonder whether it should be the last honest person to fill in the tax declaration correctly.

“If we want to reduce the crime rate, we have to keep an eye on the socio-economic circumstances under which people live,” says Helbing. We must not confuse this with soft justice. However, a state’s response to crime has to be differentiated: besides the police and court, economic and social institutions are relevant as well — and, in fact, every individual when it comes to the integration of others. “Improving social conditions and integrating people socially can probably combat crime much more effectively than building new prisons.”

Journal Reference:

  1. Matjaž Perc, Karsten Donnay, Dirk Helbing. Understanding Recurrent Crime as System-Immanent Collective BehaviorPLoS ONE, 2013; 8 (10): e76063 DOI:10.1371/journal.pone.0076063

Contra o mugido das vacas, por José Ribamar Bessa Freire (Racismo Ambiental)

Por , 06/10/2013 06:26

Guarani no monumento SP

Em Taqui Pra Ti

No momento em que a Constituição Federal comemora 25 anos de existência, se ouve o mugido das vacas, o relincho dos cavalos e o trote das mulas que invadem o plenário do Congresso Nacional e se misturam ao zumbido estridente da moto serra. É possível sentir o bufo agressivo que sai em jatos de ar pelas narinas de parlamentares. Essa é a voz da bancada ruralista formada por 214 deputados e 14 senadores, que querem anular os direitos constitucionais dos índios. Seus “argumentos” são relinchos, bater de cascos, coices no ar e, por isso, não conseguem convencer os brasileiros.

Nas principais cidades do país ocorreram manifestações contra esta ofensiva do agronegócio. Nesta semana, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) organizou Mobilização Nacional em defesa dos direitos indígenas. A parte sadia do país disse um rotundo “não” ao pacote de dezenas de Projetos de Emenda Constitucional (PEC) ou Projetos de Lei Complementar (PLP) que tramitam no Congresso apresentados pela bancada ruralista e pela bancada da mineração.

Esses parlamentares querem exterminar as culturas indígenas não por serem gratuitamente malvados, perversos e cruéis, mas porque pretendem abocanhar as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. Para ampliar a oferta de terras ao agronegócio, lançam ofensiva destinada a mudar até cláusulas pétreas da Constituição. Exibem despudoradamente seus planos em discursos e através da mídia como os artigos na Folha de São Paulo da senadora Kátia Abreu (PSD-TO vixe, vixe), a muuuusa da bancada ruralista e do deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS vixe vixe).

Causa inconfessável

Quase todos os parlamentares da bancada ruralista tiveram suas campanhas financiadas por empresas de capital estrangeiro como Monsanto, Cargill e Syngente, além da indústria de armas e frigorífico, conforme dados da Transparência Brasil. Afinal, é disso que eles vivem, dessa promiscuidade com o capital estrangeiro, sem o qual não poderiam exportar e comprar produtos. Querem agora liberar as terras indígenas para grandes empresas brasileiras e estrangeiras plantarem monoculturas com agrotóxicos, construir barragens no rios e extrair minérios para a exportação.

No entanto, os ruralistas não podem confessar aos eleitores que seu objetivo é o lucro, apenas o lucro, nada mais que o lucro. Inventam, então, que estão defendendo “os interesses nacionais” e classificam como “anti-Brasil” os que não concordam com eles. Essa é uma velha tática, usada no século XIX, quando o agronegócio da época acusava os que defendiam a abolição dos escravos de representarem interesses estrangeiros. Trata-se de ganhar para uma causa indefensável os brasileiros crédulos que amam sua Pátria. Aí exploram o nacionalismo e apostam na desinformação.

No artigo com título sugestivo – “Causa Inconfessável” – a senadora Kátia Abreu tenta desqualificar os índios e seus aliados com uma argumentação esdrúxula. Sem citar fontes, sem dizer de onde tirou a informação, ela jura que “são mais de 100 mil ONGs, a maioria estrangeira, associadas a dois organismos ligados à Igreja Católica: o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) e a CPT (Comissão Pastoral da Terra)”.

E por que cargas d’água milhares de ONGs estrangeiras defenderiam as terras indígenas? Na maior cara de pau, ofendendo a inteligência do leitor, a senadora Kátia Abreu, ousa dizer que elas querem destruir a agricultura brasileira. Comete um erro vergonhoso para uma parlamentar ao confundir nação com estado. Exibe sua ignorância deixando no chinelo o Tiririca:

Os financiadores são países que competem com a agricultura brasileira e que cobiçam nossas riquezas minerais e vegetais. São os mesmos que, reiteradamente, defendem que essa parte do território nacional deve ser cedida, e os brasileiros índios, transformados em nações independentes da ONU”.

Tudo nebuloso, deseducativo, desinformativo. A senadora não dá nomes nem aos bois nem às vacas, não diz quais são esses países, não diz quem quer decepar os territórios indígenas do Brasil e omite que as terras indígenas pertencem, constitucionalmente, à União e não aos índios. A “causa” dos ruralistas é, realmente, “inconfessável”: cada vez que uma medida prejudica seus lucros, dizem que “é ruim para o Brasil”, quando favorece “é bom para o Brasil”. O Brasil é a conta bancária deles. Sem confessar a origem dos recursos que financiam os ruralistas, a senadora faz dos índios um tábua de tiro ao alvo:

“É do mais alto interesse nacional – sobretudo do interesse dos próprios índios – saber quando, de onde vêm e como são gastos os millhões de dólares que sustentam a ação deletéria dessas organizações, que fazem dos índios escudos humanos de uma causa inconfessável”.

Cavaleira da desesperança

“É hora de defender o Brasil” berra o deputado Luis Carlos Heinze no título de seu artigo (3/10), que reproduz o mesmo papo furado, a mesma lenga-lenga, excluindo os índios da comunhão nacional. Ataca a FUNAI – Fundação Nacional do Índio – por identificar “pretensas terras indígenas” contra os ruralistas que ele diz serem “os legítimos detentores de terras”. E faz eternas juras de que está defendendo a pátria ameaçada por índios e por ONGs.

Nunca foi tão apropriada a conhecida frase do escritor inglês do século XVIII, Samuel Johnson, aclimatada por Millor Fernandes, no século XX, ao nosso contexto: “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas” – escreveu Johnson. “No Brasil, é o primeiro”, acrescentou Millor.

A senadora, que se diz católica, bate na mesma tecla. Escreve que os defensores dos direitos indígenas “exercem notória militância política, de cunho ideológico, sob a inspiração da Teologia da Libertação, de fundo marxista”. Está zangada com a Igreja, que ela quer defendendo os interesses dos ruralistas e não dos despossuídos, dos injustiçados, dos espoliados. Esculhamba ainda com a FUNAI “aparelhada por antropólogos que compartilham a mesma ideologia“.

Mas não se limita aí a cavaleira da desesperança. De arma em riste, ataca outros “inimigos”. Ela está convencida de que “além das ONGs e das instituições como o CIMI e a CPT, há dois órgãos voltados para a defesa dos índios: a já citada Funai e a FUNASA, incumbida da saúde e da ação sanitária nas tribos”. Kátia é do tempo em que ainda se dizia que índios vivem em tribos.

“Seriam as terras destinadas à agricultura a causa do sofrimento dos índios?” – pergunta em seu artigo. E ela mesma responde: “Quem quiser que tire suas conclusões: os índios brasileiros dispõem de extensão de terra de dar inveja a muitos países”. Se um país que é um país sente inveja, imaginem os ruralistas. Por isso, a voz dela, que é a mais estridente  no Senado clama:

– Os índios não precisam de terra e sim de assistência social.

Ela chama de “invasão” a resistência dos índios em não permitir que seus territórios sejam apropriados pelo agronegócio e anuncia:

“Para reagir ao avanço dessas invasões, apresentei ao Senado projeto de lei que suspende processos demarcatórios de terras indígenas sobre propriedades invadidas pelos dois anos seguintes à sua desocupação”.

Guarani na paulista

Foi contra essas medidas do agronegócio e contra esses argumentos preconceituosos e retrógrados que manifestantes se insurgiram em manifestações pacíficas realizadas em Brasília, no Rio, em Belo Horizonte e nas principais cidades brasileiras.  Em São Paulo, a manifestação foi aberta pelos txondaro guarani e contou com a adesão de muitos antropólogos, estudantes, professores.

As imagens da manifestação em São Paulo foram registradas e editadas por Marcos Wesley de Oliveira para o Instituto Socioambiental. Em plena Avenida Paulista, ele entrevistou lideranças indígenas – Megaron Txucarramãe (kayapó), Renato Silva (guarani), Natan Gacán (xokleng), antropólogos – Manuela Carneiro da Cunha e Márcio Silva (USP), Maria Elisa Ladeira (CTI), Lúcia Helena Rangel (PUC/SP), Beto Ricardo (ISA) e os líderes quilombolas do Vale da Ribeira – Nilce Pereira e Ditão.

– Vocês não estão sozinhos – disse a mestranda em Antropologia, Ana Maria Antunes Machado, se dirigindo aos Yanomami, enquanto apontava os manifestantes da Avenida Paulista. Ela falou com bastante fluência em língua Yanomami, pois viveu com eles, com quem trabalhou mais de cinco anos como assessora pedagógica, antes de atuar no Observatório de Educação Indígena coordenado pela pesquisadora Ana Gomes (UFMG). O fato tem forte carga simbólica, por se tratar de alguém tão brasileira quanto a Katia Abreu, mas que, para ouvir os índios e com eles dialogar, aprendeu a língua Yanomami e foi capaz de reverenciá-los.

“O REDD+ está pedindo socorro”, alerta Conservação Internacional (CarbonoBrasil)

Economia

01/10/2013 – 11h51

por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil

florestanew 300x208 O REDD+ está pedindo socorro, alerta Conservação Internacional

ONG afirma que mecanismo está ameaçado pelo grande desequilíbrio entre oferta e demanda; enquanto mais de 22 milhões de créditos podem ser gerados anualmente, apenas 6,8 milhões teriam compradores. 

A demora para criar instrumentos que estimulem, ou obriguem, países e empresas a comprar créditos florestais de carbono e a falta de vontade política para incluir o REDD+ (clique aqui e saiba mais sobre o conceito de REDD+)  em mercados já estabelecidos, como o EU ETS, estão resultando no excesso de créditos no mercado voluntário, causando a queda dos preços e diminuindo o interesse para o desenvolvimento de projetos de conservação florestal.

Essa é a mensagem central que a Conservação Internacional (CI) tenta passar com o relatório “REDD+ Market: Sending Out an SOS” (algo como Mercado de REDD+: pedindo socorro).

De acordo com a ONG, apenas considerando a certificação Verified Carbon Standard (VCS), até 22 milhões de créditos podem ser gerados anualmente, porém, a demanda do mercado voluntário atualmente não passaria de 6,8 milhões. Desde 2010, a procura por esse tipo de crédito teria caído 65%.

Esse desequilíbrio entre oferta e demanda fez com que o preço médio dos créditos do REDD+ passasse de US$ 12 em 2011 para US$ 6 no ano passado.

A CI aponta que o REDD+ já ajudou a proteger mais de 14 milhões de hectares de florestas. Além disso, trouxe ganhos para mais de 70 mil pessoas em comunidades locais, evitou as emissões de quatro milhões de toneladas de CO2 equivalente desde 2009 e protegeu 139 espécies que estão ameaçadas de extinção.

situacaoredd 133x300 O REDD+ está pedindo socorro, alerta Conservação Internacional“A falta de recompensas financeiras para esses casos de sucesso envia um sinal forte e preocupante para todos os países desenvolvendo esforços para reduzir o desmatamento. Suas ações não têm recebido apoio, mas indiferença e incertezas. Esse sinal não gera a motivação necessária para promover as reformas políticas complexas que o REDD+ tanto precisa”, afirma o relatório.

Como podem apenas ser negociados no mercado voluntário, os créditos do REDD+ são muito dependentes de doadores e de ferramentas internacionais que ainda não possuem a abrangência para estimular novos projetos de forma sustentável.

O relatório cita a Forest Carbon Partnership Facility’s do Banco Mundial (FCPF), o fundo de ação antecipada de REDD+ da Alemanha e o futuro Fundo Climático Verde como exemplos de mecanismos que têm buscado aumentar a demanda por créditos, mas que, no entanto, ainda são muito limitados em termos de disponibilização de financiamentos, de escopo geográfico e de velocidade de implementação.

Propostas

Uma das soluções óbvias citadas pela CI passa por garantir um preço justo para os créditos de REDD+.

Isso poderia ser conseguido de diversas formas: maior interesse dos fundos climáticos pelo REDD+, expansão dos programas de compensação voluntária do setor privado e a criação de compromissos para países doadores.

“Essas ações ajudariam a catalisar novos investimentos assim como estabilizariam a situação dos atuais projetos para os próximos anos, reduzindo a vulnerabilidade das comunidades devido à queda dos preços do REDD+”, afirma o relatório.

Outro ponto que precisa receber atenção seria o reconhecimento dos benefícios múltiplos dos projetos de REDD+.

Segundo a CI, as iniciativas de conservação florestal melhoram a vida de povos nativos, protegem a biodiversidade e garantem os serviços ecossistêmicos.

Assim, programas governamentais que tenham objetivos semelhantes aos que são alcançados pelo REDD+ deveriam considerar o financiamento desse tipo de projeto. Dessa forma, o mecanismo seria encarado não apenas como uma ferramenta para “compensar emissões”, mas também como um modelo de desenvolvimento inteligente.

O relatório destaca que muitos projetos já começam a ser desenvolvidos pelos próprios povos nativos, como é o caso do Projeto de Carbono Florestal Suruí, da Terra Indígena Sete de Setembro do povo Paiter Suruí, localizado nos estados de Rondônia e Mato Grosso.

Inclusive, no mês passado, o projeto Suruí vendeu seus primeiros créditos de REDD+; foram 120 mil unidades compradas pela Natura.

A CI conclui que a importância de manter o REDD+ funcionando em um alto nível de qualidade não pode ser subestimada. Não apenas para lidar com o desmatamento e com as emissões de gases do efeito estufa, mas também para evitar os impactos negativos que projetos mal elaborados podem produzir.

“Para alcançar os resultados esperados, está claro que o REDD+ deve melhorar em escala, mas também em questões como legislação (…) Isso deve ser feito para evitar que estímulos perversos sejam criados”, explica o relatório.

A ONG está neste caso se referindo aos riscos muitas vezes associados ao REDD+, como a exploração dos povos nativos e os conflitos por terras.

“Estabelecer estruturas institucionais é necessário para implementar a gestão local que facilitará o desenvolvimento de mecanismos de REDD+ nacionais e internacionais”, conclui a CI.

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

O que é e como surgiu o REDD? (ipam.org.br)

Florestas tropicais representam hoje 15% da superfície terrestre (FAO, 2006 apud GCP, 2008) e contém cerca de 25% de todo o carbono contido na biosfera terrestre (BONAN, 2008 apud GCP, 2008). Além disso, 90% dos cerca de 1,2 bilhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza dependem dos recursos florestais para sobreviverem (GCP, 2008).

Segundo a FAO (Food and Agriculture Organization), das Nações Unidas (2006), aproximadamente 13 milhões de hectares de florestas tropicais são desmatados todos os anos (uma área equivalente ao Peru).

Preservar florestas, além da redução nas emissões de gases do efeito estufa, tem o potencial de gerar co-benefícios substanciais, como impactos positivos sobre a biodiversidade e sobre a conservação de recursos hídricos.  A floresta em pé também auxilia na estabilização do regime de chuvas e, conseqüentemente, do clima (Angelsen, 2008).

O relatório do IPCC publicado em 2007 (IPCC, 2007) estimou as emissões por desmatamento nos anos 1990 como sendo de aproximadamente 20% do total, fazendo da “mudança no uso da terra” a segunda atividade que mais contribui para o aquecimento global (GCP, 2008).

Conceito e desenvolvimento

O conceito de REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação florestal), basicamente, parte da idéia de incluir na contabilidade das emissões de gases de efeito estufa aquelas que são evitadas pela redução do desmatamento e a degradação florestal.  Nasceu de uma parceria entre pesquisadores brasileiros e americanos, que originou uma proposta conhecida como “Redução Compensada de Emissões” (Santilli et al, 2000), que foi apresentada durante a COP-9, em Milão, Itália (2003), por IPAM e parceiros. Segundo este conceito, os países em desenvolvimento detentores de florestas tropicais, que conseguissem promover reduções das suas emissões nacionais oriundas de desmatamento receberiam compensação financeira internacional correspondente às emissões evitadas. O conceito de redução compensada tornou-se a base da discussão de REDD nos anos seguintes.

Em seguida, durante a COP-11, em Montreal, Canadá (2005) a chamada “Coalition of Rainforest Nations” ou “Coalizão de Nações Tropicais”, liderados por  Papua Nova Guiné e Costa Rica, apresentou uma proposta similar que tem por objetivo discutir formas de incentivar economicamente a redução do desmatamento nos países em desenvolvimento, detentores de florestas tropicais (Pinto et al, 2009).

O argumento colocado é que os países tropicais são responsáveis por estabilizar o clima por meio de suas florestas e, assim, os custos para mantê-las em pé devem ser divididos por todos. Esta iniciativa fez com que, oficialmente, o assunto REDD fosse incluído na pauta de negociações internacionais.

Um ano depois, na COP-12, em Nairobi, Nigéria (2006), o governo brasileiro anunciou publicamente uma proposta para tratar da questão do desmatamento, também muito parecida com as anteriores, só que sem considerar o mecanismo de mercado de créditos de carbono e sim as doações voluntárias.

A COP-13, realizada em Bali, Indonésia, em 2007, culminou com a Decisão 1/ CP 13, conhecida como “Mapa do Caminho de Bali”, para discutir como inserir o tema REDD num mecanismo que será estruturado para iniciar em 2012, ano em que chega ao fim o primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto.

É imprescindível notar que este mecanismo foi inicialmente concebido para os países em desenvolvimento que detêm florestas tropicais, permitindo-os participar efetivamente dos esforços globais de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Necessário também salientar que a discussão sobre o desmatamento evitado evoluiu de um mecanismo que tinha foco somente no desmatamento evitado (COP 11, 2005), para ser ampliado e incluir a degradação de florestas (COP 13, 2007),

e REDD+?

Hoje o conceito foi ampliado e é conhecido como REDD+, se refere à construção de um mecanismo, ou uma política, que deverá contemplar formas de prover incentivos positivos aos países em desenvolvimento que tomarem uma ou mais das seguintes ações para a mitigação das mudanças climáticas:

1. Redução das emissões derivadas de desmatamento e degradação das florestas;

2. Aumento das reservas florestais de carbono;

3. Gestão sustentável das florestas;

4. Conservação florestal. (Pinto et al, 2009).

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Referências:

ANGELSEN, Arild. (org.). Moving Ahead with REDD: Issues, Options and Implications. CIFOR. Poznan, Polônia. 2008.

GLOBAL CANOPY PROGRAM. The Little REDD Book: A guide to Governmental and non-governmental proposals for Reducing Emissions from Deforestation and Degradation. 2008. Disponível em: http://www.the littleREDDbook.org

INTERNATIONAL PANEL ON CLIMATE CHANGE (IPCC). Climate Change Synthesis Report. Summary for Policymakers. Switzerland. 2007.

PINTO, Erika; MOUTINHO, Paulo; RODRIGUES, Liana; OYO FRANÇA, Flavia Gabriela; MOREIRA, Paula Franco; DIETZSCH, Laura. Cartilha: Perguntas e Respostas Sobre Aquecimento Global. 4a edição. Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. Belém. 2009.

SANTILLI, Márcio; MOUTINHO, Paulo; SCHWARTZMAN, Stephan; NEPSTAD, Daniel; CURRAN, Lisa; NOBRE, Carlos. Tropical deforestation and the Kyoto Protocol: an editorial essay. Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. 2000.

Contribuição de conteúdo por Ricardo Rettmann (ricardo.rettmann@ipam.org.br)

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Acesse publicação REDD no Brasil: um enfoque amazônico

O livro apresenta e discute as condições favoráveis do Brasil à implementação de um regime nacional de REDD+ e propõe dois modelos de estrutura institucional para a repartição de benefícios: um baseado na distribuição por estados e outra por cate-gorias fundiárias. REDD+ é aqui discutido como um elemento importante na transição do modelo de desenvolvimento da Amazônia para um de baixas emissões de carbono, com distribuição de renda e justiça social. A alteração mais importante desta 3a edição foi a utilização da metodologia de cálculo do desmatamento evitado proposta pelo Comitê Técnico do Fundo Amazônia, juntamente com parâmetros fixados pelo Decreto 7.390/2010, que regulamenta a Política Nacional sobre Mudança do Clima. Esta alteração nos cálculos não altera a mensagem central do livro, porém pode ser percebida em algumas figuras chaves que demonstram o valor total do desmatamento evitado no Brasil.

Faça download da publicação

Pesquisadores alertam sobre necessidade urgente de proteger os oceanos (Fapesp)

Artigo de brasileiro e uruguaio será publicado como editorial no periódico Marine Pollution Bulletin(Wikipedia)

02/10/2013

Por José Tadeu Arantes

Agência FAPESP – Estima-se que 41% dos mares e oceanos do planeta se encontrem fortemente impactados pela ação humana, segundo estudos. Trata-se de um problema grave que não tem recebido a merecida atenção. Um exemplo está no ritmo de implementação da diretriz relativa à proteção marinha definida pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Aprovada por 193 países mais a União Europeia durante a 10ª Conferência das Partes da CDB, realizada em Nagoya, Japão, em outubro de 2010, essa diretriz estabeleceu que, até 2020, pelo menos 10% das áreas costeiras e marinhas, especialmente aquelas importantes por sua biodiversidade, deveriam estar protegidas.

Decorrido quase um terço do prazo, porém, as chamadas Áreas de Proteção Marinha (APMs) não cobrem mais do que 1,17% da superfície dos mares e oceanos do planeta. Dos 151 países com linha de costa, apenas 12 excederam os 10%. E a maior potência do mundo, os Estados Unidos, dotada de extensos litorais tanto no Atlântico como no Pacífico, não aderiu ao protocolo.

As informações, que configuram um alerta urgente, estão no artigo Politics should walk with Science towards protection of the oceans (“A política deve caminhar com a ciência na proteção dos oceanos”), assinado pelo brasileiro Antonio Carlos Marques, professor associado do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, e pelo uruguaio Alvar Carranza, pesquisador do Museu Nacional de História Natural, do Uruguai. Enviado ao Marine Pollution Bulletin, o texto, que será publicado como editorial da versão impressa do periódico, está disponível on-line em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0025326X13004530.

O artigo também destaca que, com uma das mais extensas costas do mundo – de 9.200 quilômetros, se forem consideradas as saliências e reentrâncias –, o Brasil possui apenas 1,5% de seu litoral protegido por APMs. Além disso, 9% das áreas consideradas prioritárias para conservação já foram concedidas a companhias petroleiras para exploração. As costas altamente povoadas dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro concentram a maioria das reservas de petróleo do país.

Os dados publicados são derivados de dois projetos apoiados pela FAPESP e coordenados por Marques: um projeto de Auxílio à Pesquisa – Regular, que apoia a Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha (Sisbiota Mar), e um Projeto Temático para pesquisar fatores que geram e regulam a evolução e diversidade marinhas.

“Como um expediente para cumprir a meta, alguns governos têm criado Áreas de Proteção Marinha gigantescas, mas em torno de ilhas ou arquipélagos praticamente desabitados, muito distantes do próprio país”, disse Marques à Agência FAPESP.

“A maior APM do mundo, situada no arquipélago de Chagos, tem mais de meio milhão de quilômetros quadrados. É uma área enorme, que cumpre, com sobra, a meta do Reino Unido”, disse. O arquipélago faz parte do Território Britânico do Oceano Índico.

“Porém a população dessa área se resume ao contingente rotativo de uma base britânica. A ninguém mais. Além disso, as características da área, situada no meio do Oceano Índico, em nada correspondem à biodiversidade do Reino Unido”, prosseguiu.

Embora reconheça o valor de uma APM como essa, Marques argumenta que sua criação não é necessariamente efetiva em termos de preservação ambiental. Segundo ele, cumpre-se o aspecto quantitativo, mas não o qualitativo, ou seja, não oferece proteção efetiva ao litoral do país onde está a maior parte de sua população. E o que é mais grave, segundo Marques, é que o mesmo expediente foi adotado em todas as outras grandes APMs criadas recentemente.

“Verificamos, e divulgamos em nosso artigo, que a população média das 10 maiores APMs do mundo, computada em raios de 10 quilômetros em torno das mesmas, é de apenas 5.038 pessoas”, informou Marques. E essa média é puxada para cima por apenas duas APMs, a Reserva Marinha de Galápagos (Equador) e o Parque Nacional da Grande Barreira de Corais (Austrália), ambas com pouco mais de 25 mil habitantes. A população total das demais APMs não chega a 4 mil indivíduos, sendo nula em três delas.

“Para os governos, é uma medida muito cômoda criar áreas de proteção ambiental em regiões como essas, porque o desgaste socioeconômico de tal implementação é baixíssimo. Exceto por uma ou outra indústria pesqueira, ninguém vai reclamar muito. É uma situação muito diferente da que ocorreria se as APMs fossem criadas nos litorais dos respectivos países”, disse Marques.

O pesquisador ressalta que essas áreas remotas são úteis, como nas APMs de Galápagos e da Barreira de Corais, pela especialidade dos ecossistemas protegidos. Mas as APMs não seriam representativas da gama de ambientes dos países.

Fracassos e sucessos

“Nossa principal intenção ao escrever o artigo foi destacar que existe uma necessidade de proteção, que pode ser parcialmente atendida pela meta de 10%, mas essa proteção tem que respeitar os ambientes reais dos países. Não basta alcançar o número sem que haja uma correspondência entre quantidade e qualidade”, disse Marques.

O pesquisador conta que, ao enviar o artigo para o Marine Pollution Bulletin, um de seus objetivos foi estabelecer uma interlocução com o editor do periódico, Charles Sheppard, da University of Warwick, no Reino Unido. Sheppard é considerado uma das maiores autoridades em conservação marinha do mundo e foi um dos mentores da APM britânica do arquipélago de Chagos.

“A resposta do professor Sheppard foi a mais positiva que eu poderia esperar, tanto que ele decidiu publicar nosso artigo como editorial do Marine Pollution Bulletin.

De acordo com Marques, os dados básicos e as análises gerados pelos cientistas são vitais para o melhor uso dos recursos, ao estabelecer áreas de preservação.

“É necessário entender se a área é a ideal para ser protegida do ponto de vista evolutivo, genético, biogeográfico, ecológico etc. Há exemplos de sucesso em que isso foi observado e exemplos de fracassos em que foi ignorado. O melhor cenário possível é aquele em que cientistas, técnicos e políticos participam francamente do processo”, disse.

Privatização das águas e a desilusão dos pescadores artesanais (IHU On-Line)

Sociedade

02/10/2013 – 11h26

por Redação do IHU On-Line

pescadores artesanais alto uruguai 370x230 Privatização das águas e a desilusão dos pescadores artesanais

Foto: http://bit.ly/1fNDm5V

Com a privatização das águas, “não só os pescadores serão prejudicados, mas a sociedade de modo geral, porque vai haver um processo de diminuição da pesca artesanal”, adverte a integrante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras artesanais.

Responsável por 70% da produção de pescado no país, a pesca artesanal está ameaçada pelo Projeto do Ministério da Pesca e da Aquicultura, denominado pelo movimento dos pescadores e pescadoras tradicionais de “privatização das águas públicas dos mares”.

Trata-se da Cessão de águas Públicas lançada em editais no mês de junho (Licitações: 11/2013- 12/2013-13/2013-14/2013), que transfere determinada área do mar para grupos que pretendem cultivar uma determinada espécie de peixe. Segundo a integrante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais, Elionice Sacramento, já serão privatizadas áreas em cinco estados brasileiros, sendo “três áreas no Ceará, 26 no Rio Grande do Norte, duas em Pernambuco, 16 no Maranhão e 22 na Bahia, as quais são historicamente utilizadas pelos pescadores e pescadoras artesanais”.

Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone, Elionice enfatiza que “quando o Ministério da Pesca foi criado, na primeira gestão do governo Lula, os pescadores no Brasil apoiaram sua criação com a ilusão de que esse Ministério atenderia a pesca artesanal”. Com o passar do tempo, acentua, o órgão passou a adotar políticas “que fortaleciam mais a aquicultura, ou seja, o processo de criação de pescados em cativeiro, e os empresários, que têm relação com essa atividade, sem considerar o trabalho dos pescadores artesanais do Brasil”.

Elionice Sacramento é integrante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais.

Confira a entrevista:

IHU On-Line – O que caracteriza a privatização das águas públicas e qual é o objetivo desta privatização? Em que consiste essa política desenvolvida pelo Ministério da Pesca e Aquicultura?

Elionice Sacramento – Queria dizer que quando o Ministério da Pesca foi criado, na primeira gestão do governo Lula, os pescadores no Brasil apoiaram sua criação com a ilusão de que esse Ministério atenderia a pesca artesanal. Depois percebemos que ele estava adotando políticas que fortaleciam mais a aquicultura, ou seja, o processo de criação de pescados em cativeiro, e os empresários, que têm relação com essa atividade, sem considerar o trabalho dos pescadores artesanais do Brasil. Então, o governo passou a ver o Ministério como um espeço de promoção política de alguns deputados, tanto que se criou um esquema de corrupção muito grande no Ministério no que diz respeito à documentação de pescadores. Daí para frente começamos a ouvir falar em um projeto de privatização das águas públicas.

Em junho, foi lançado no país um edital para a privatização de áreas de quatro estados brasileiros, ou seja, serão privatizadas três áreas no Ceará, 26 no Rio Grande do Norte, duas em Pernambuco, 16 no Maranhão e 22 na Bahia, as quais são historicamente utilizadas pelos pescadores e pescadoras artesanais. Trata-se de um modelo que passa por cima das comunidades tradicionais que utilizam aquele espaço com uma relação de respeito com o mar e que interessa às forças capitalistas.

IHU On-Line – Como funciona esse processo de privatização das águas?

Elionice Sacramento – Foi lançado um edital, os interessados demonstram seus interesses, concorrem a esses espaços. Após a licitação, o grupo interessado terá direito de fazer uso daquele espaço durante 20 anos e pagar uma quantia mínima aos cofres públicos.

IHU On-Line – O que a privatização das águas públicas significa para as comunidades tradicionais, especialmente, as pesqueiras? Além das comunidades, quem mais será prejudicado com a privatização desses espaços?

Elionice Sacramento – Não só os pescadores serão prejudicados, mas a sociedade de modo geral, porque vai haver um processo de diminuição da pesca artesanal. Então, os turistas serão prejudicados, e o comércio dessas regiões também, porque esses pescados que são produzidos em cativeiro são pescados para exportação, e não para uso nacional. Por outro lado, haverá um processo de desequilíbrio do meio ambiente, porque espécies estranhas serão cultivada no mar, e o lixo produzido por elas ficará no mar.

Sem contar que os pescadores e pescadoras artesanais desempenham um papel fundamental no Brasil. Nós somos guardiões de uma tradição milenar, somos produtores de alimento, porque 70% de todo pescado produzido no país vem da pesca artesanal. Então, essa tradição só se manteve durante tantos anos porque estabelecemos com a natureza uma relação de completo respeito, uma relação de amor, mas principalmente uma relação de dependência e de respeito.

Respeitamos os períodos de reposição dos peixes, e agimos de acordo com a determinação da natureza. Esses processos industriais não têm respeito com nada. Eles atropelam tudo, desmontam processos de organização que já existem nas comunidades.

IHU On-Line – Já existem editais lançados para a compra de corpos d’águas em alguns estados. Do ponto de vista legal, como o movimento vem contestando os editais e esse processo de privatização?

Elionice Sacramento – Esse edital lançado em junho feriu algumas leis e alguns acordos internacionais. Por exemplo, o princípio de consulta às comunidades tradicionais não foi cumprido.

Então, as comunidades que fazem uso desses espaços não foram consultadas sobre esse processo de privatização das águas públicas. E isso já é motivo de ilegalidade do processo.

Quando o edital foi lançado na Bahia, o ministro em exercício à época não quis ouvir os integrantes do movimento e disse que apenas uma pessoa poderia falar. Quando nós nos negamos a aceitar essa proposta, o ministro levantou e disse que não ficava no encontro. Não houve nenhum tipo de diálogo com a comunidade. Por outro lado, nós visitamos a Secretaria de Patrimônio da União, que foi quem regularizou as áreas da água para ceder ao Ministério da Pesca, e questionamos por que os territórios não estão sendo cedidos aos pescadores, e sim para a apicultura. Segundo as pessoas que nos receberam, existia a Secretaria de Patrimônio da União desconhecia o porquê de essas áreas não serem destinadas para a pesca artesanal.

Então, entramos com um recurso contestando a ilegalidade do processo, fomos até a 6ª Câmara Federal, procuramos a Promotora Deborah Duprat, e também outros cinco promotores. Todos receberam esse processo com muita indignação.

IHU On-Line – Os editais determinam que as empresas vencedoras das licitações devem promover um número mínimo de empregos. Como você enxerga esse ponto específico?

Elionice Sacramento – A maioria dos empreendimentos, quando chegam às comunidades, apontam a justificativa de que vão gerar empregos. Por conta disso, esses empreendimentos acabam recebendo a aceitação de políticos e de pessoas que não têm vocação para a pesca. Só que isso é enganação. Temos muita clareza de que o discurso do emprego não é verdadeiro, até porque o processo que querem implementar é muito industrial.

IHU On-Line – Quais apoios são importantes no processo de luta para impedir a privatização das águas públicas?

Elionice Sacramento – Nós estamos em campanha pela própria ação e regularização dos territórios pesqueiros. Nessa campanha foi pensado um projeto de iniciativa popular onde a sociedade brasileira vai dizer, através de assinaturas, se concorda que o território pesqueiro seja protegido. Também temos divulgado o trabalho dos pescadores, porque somos invisível nesse país. Parece que a sociedade não sabe de onde vem o peixe que gostamos de comer.

IHU On-Line – Você gostaria de acrescentar algo?

Elionice Sacramento – Gostaria de sugerir que as pessoas acessem o nosso blog, assinem o abaixo assinado pela Campanha da Regulamentação dos Territórios Pesqueiros, e compreendam a importância da pesca artesanal e dos pescadores e pescadoras.

* Publicado originalmente no site IHU On-Line.

Climate sceptics claim warming pause backs their view (BBC)

26 September 2013 Last updated at 00:47 GMT

By Matt McGrathEnvironment correspondent, BBC News, The Netherlands

Hurricane SandyCome hell or… An increased likelihood of extreme weather events is one predicted outcome of global warming, but some dispute the scale of expected effects

In the run up to a key global warming report, those sceptical of mainstream opinion on climate change claim they are “winning” the argument.

They say a slowing of temperature rises in the past 15 years means the threat from climate change is exaggerated.

But a leading member of the UN’s panel on climate change said the views of sceptics were “wishful thinking”.

Some of what the sceptics are saying is either wishful thinking or totally dishonest”

Prof Jean-Pascal van Ypersele, IPCC

The pause in warming was a distraction, he said, from the growing scientific certainty about long-term impacts.

Prof Jean Pascal van Ypersele spoke to BBC News ahead of the release of a six-yearly status report into global warming by the UN panel known as the Intergovernmental Panel on Climate Change, or IPCC.

Scientists and government representatives are currently meeting in Stockholm, Sweden, going through the dense, 31-page summary of the state of the physical science behind climate change.

When it is released on Friday, the report is likely to state with even greater certainty than before that the present-day, rapid warming of the planet is man-made.

Netherlands flood rescue simulationClimate change could profoundly impact the Netherlands, but sceptics remain influential there

But climate sceptics have focused their attention on the references to a pause or hiatus in the increase in global temperatures since 1998.

The sceptics believe that this slowdown is the most solid evidence yet that mainstream computer simulations of the Earth’s climate – climate models – are wrong.

These computer simulations are used to study the dynamics of the Earth’s climate and make projections about future temperature change.

“The sceptics now have a feeling of being on the winning side of the debate thanks to the pause,” said Marcel Crok, a Dutch author who accepts the idea that human activities warm the planet, but is sceptical about the scale of the effect.

“You are now starting to see a normalisation of climate science. Suddenly mainstream researchers, who all agree that greenhouse gases play a huge role, start to disagree about the cause of the pause.

“For me this is a relief, it is finally opening up again and this is good.”

The view that the sceptics have positively impacted the IPCC is supported by Prof Arthur Petersen, who is a member of the Dutch government team currently examining the report.

“The sceptics are good for the IPCC and the whole process is really flourishing because of this interaction over the past decades,” he told BBC News.

“Our best climate researchers are typically very close to really solid, sceptical scientists. In this sense scepticism is not necessarily a negative term.”

Others disagree.

Bart Verheggen is an atmospheric scientist and blogger who supports the mainstream view of global warming. He said that sceptics have discouraged an open scientific debate.

Crok

Dutch writer Marcel Crok is sceptical about the sensitivity of the atmosphere to carbon emissions

“When scientists start to notice that their science is being distorted in public by these people who say they are the champions of the scientific method, that could make mainstream researchers more defensive.

“Scientists probably think twice now about writing things down. They probably think twice about how this could be twisted by contrarians.”

Sensitive debate

In 2007, the IPCC defined the range for what’s termed “equilibrium climate sensitivity”. This term refers to the likely span of temperatures that would occur following a doubling of CO2 concentrations in the atmosphere.

The panel’s last report said temperatures were likely to rise within the range of 2C to 4.5C with a best estimate of 3C.

The new report is believed to indicate a range of 1.5C to 4.5C with no best estimate indicated.

Although that might not appear like much of a change, many sceptics believe it exposes a critical flaw.

“In the last year, we have seen several studies showing that climate sensitivity is actually much less than we thought for the last 30 years,” said Marcel Crok.

“And these studies indicate that our real climate shows a sensitivity of between 1.5C and 2C, but the climate models on which these future doom scenarios are based warm up three degrees under a doubling of CO2.”

But other researchers who are familiar with the text believe that the sceptics are reading too much into a single figure.

“Some of what the sceptics are saying is either wishful thinking or totally dishonest,” Prof van Ypersele, who is vice-chair of the IPCC, told BBC News.

“It is just a change in a lower border [of the range of temperature rise]. Even if this turns out to be the real sensitivity, instead of making the challenge extremely, extremely, extremely difficult to meet, it is only making it extremely, extremely difficult.

“Is that such a big change?”

Prof van Ypersele points out that many other aspects of the forthcoming report are likely to give greater certainty to the scale of impacts of a warming world. The predictions for sea level rise are likely to be considerably strengthened from 2007. There is also likely to be a clearer understanding of the state of sea ice.

Who are the climate sceptics?

Although there are only a small number of mainstream scientists who reject the established view on global warming, they are supported by a larger group of well resourced bloggers and citizen scientists who pore through climate literature and data looking for evidence of flaws in the hypothesis.

There are many different shades of opinion in the sceptical orbit. Some such as the group Principia Scientific reject the “myth” of greenhouse gas warming.

There are also political sceptics, such as some members of the Republican party in the US, who argue that climate science is a hoax or a conspiracy.

But there are also sceptical bloggers such as Anthony Watts and Andrew Montford who accept the basic science that adding carbon to the atmosphere can affect the temperature. They contest mainstream findings on the sensitivity of the climate to carbon and the future impacts on temperature.

The Dutch approach to sceptics

With around 20% of the country under sea level, the Dutch have a keen interest in anything that might affect their environment, such as climate change.

But scepticism about the human influence on global warming has been growing in the Netherlands, according to research from the OECD.

In a country where consensus is a key word, the government has taken a more inclusive approach to climate dissenters. To that end, they have funded Marcel Crok to carry out a sceptical analysis of the IPCC report.

In an effort to build bridges between sceptics and the mainstream they are also funding an initiative called climatedialogue.org which serves as a platform for debate on the science of global warming.

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IPCC climate report: humans ‘dominant cause’ of warming – and other articles (BBC)

27 September 2013 Last updated at 09:12 GMT

By Matt McGrathEnvironment correspondent, BBC News, Stockholm

Climate change “threatens our planet, our only home”, warns Thomas Stocker, IPCC co-chair

A landmark report says scientists are 95% certain that humans are the “dominant cause” of global warming since the 1950s.

The report by the UN’s climate panel details the physical evidence behind climate change.

On the ground, in the air, in the oceans, global warming is “unequivocal”, it explained.

It adds that a pause in warming over the past 15 years is too short to reflect long-term trends.

The panel warns that continued emissions of greenhouse gases will cause further warming and changes in all aspects of the climate system.

To contain these changes will require “substantial and sustained reductions of greenhouse gas emissions”.

Infographic

Projections are based on assumptions about how much greenhouse gases might be released

After a week of intense negotiations in the Swedish capital, the summary for policymakers on the physical science of global warming has finally been released.

The first part of an IPCC trilogy, due over the next 12 months, this dense, 36-page document is considered the most comprehensive statement on our understanding of the mechanics of a warming planet.

It states baldly that, since the 1950s, many of the observed changes in the climate system are “unprecedented over decades to millennia”.

Each of the last three decades has been successively warmer at the Earth’s surface, and warmer than any period since 1850, and probably warmer than any time in the past 1,400 years.

“Our assessment of the science finds that the atmosphere and ocean have warmed, the amount of snow and ice has diminished, the global mean sea level has risen and that concentrations of greenhouse gases have increased,” said Qin Dahe, co-chair of IPCC working group one, who produced the report.

Speaking at a news conference in the Swedish capital, Prof Thomas Stocker, another co-chair, said that climate change “challenges the two primary resources of humans and ecosystems, land and water. In short, it threatens our planet, our only home”.

Since 1950, the report’s authors say, humanity is clearly responsible for more than half of the observed increase in temperatures.

Dr Rajendra Pachauri said he was confident the report would convince the public on global climate change

But a so-called pause in the increase in temperatures in the period since 1998 is downplayed in the report. The scientists point out that this period began with a very hot El Nino year.

“Trends based on short records are very sensitive to the beginning and end dates and do not in general reflect long-term climate trends,” the report says.

Prof Stocker, added: “I’m afraid there is not a lot of public literature that allows us to delve deeper at the required depth of this emerging scientific question.

“For example, there are not sufficient observations of the uptake of heat, particularly into the deep ocean, that would be one of the possible mechanisms to explain this warming hiatus.”

“Likewise we have insufficient data to adequately assess the forcing over the last 10-15 years to establish a relationship between the causes of the warming.”

However, the report does alter a key figure from the 2007 study. The temperature range given for a doubling of CO2 in the atmosphere, called equilibrium climate sensitivity, was 2.0C to 4.5C in that report.

In the latest document, the range has been changed to 1.5C to 4.5C. The scientists say this reflects improved understanding, better temperature records and new estimates for the factors driving up temperatures.

In the summary for policymakers, the scientists say that sea level rise will proceed at a faster rate than we have experienced over the past 40 years. Waters are expected to rise, the document says, by between 26cm (at the low end) and 82cm (at the high end), depending on the greenhouse emissions path this century.

The scientists say ocean warming dominates the increase in energy stored in the climate system, accounting for 90% of energy accumulated between 1971 and 2010.

For the future, the report states that warming is projected to continue under all scenarios. Model simulations indicate that global surface temperature change by the end of the 21st Century is likely to exceed 1.5 degrees Celsius, relative to 1850.

Prof Sir Brian Hoskins, from Imperial College London, told BBC News: “We are performing a very dangerous experiment with our planet, and I don’t want my grandchildren to suffer the consequences of that experiment.”

What is the IPCC?

In its own words, the IPCC is there “to provide the world with a clear scientific view on the current state of knowledge in climate change and its potential environmental and socio-economic impacts”.

The offspring of two UN bodies, the World Meteorological Organization and the United Nations Environment Programme, it has issued four heavyweight assessment reports to date on the state of the climate.

These are commissioned by the governments of 195 countries, essentially the entire world. These reports are critical in informing the climate policies adopted by these governments.

The IPCC itself is a small organisation, run from Geneva with a full time staff of 12. All the scientists who are involved with it do so on a voluntary basis.

Document

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O dióxido de carbono está reconfigurando o planeta (IPS)

Ambiente

30/9/2013 – 08h08

por Stephen Leahy, da IPS

stephen6401 O dióxido de carbono está reconfigurando o planeta

O derretimento da geleira de Orizaba, no México, é outra consequência do aquecimento global. Foto: Maurício Ramos/IPS

Nantes, França, 30/9/2013 – A Groenlândia pode acabar se tornando verde, pois a maior parte de sua enorme camada de gelo está condenada a derreter, informou, no dia 27, o Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC). O resumo de 36 páginas apresentado em Estocolmo pelo IPCC, que funciona na órbita da Organização das Nações Unidas (ONU), inclui um alerta de que há 20% de possibilidades de os gelos da Groenlândia iniciarem um derretimento irreversível com apenas 0,2 grau de aquecimento adicional.

Essa quantidade de aquecimento agregado é uma certeza agora. Contudo, o derretimento definitivo do gelo na Groenlândia consumirá mil anos. “O novo informe é outro chamado para despertar, que nos diz que estamos com grandes problemas e vamos rumo a graus perigosos de mudança climática”, destacou David Cadman, presidente da Iclei, a única rede de cidades sustentáveis que opera em todo o mundo e envolve 1.200 governos locais.

“O IPCC será atacado por interesses (da indústria dos combustíveis fósseis e seus defensores. Eles tentarão assustar o público, alegando que tomar medidas coloca em risco os empregos e a economia. Isso não é verdade. Pelo contrário”, afirmou Cadman à IPS. O Resumo para Responsáveis por Políticas do Informe do Grupo de Trabalho I – Bases de Ciência Física estabelece claramente que os seres humanos estão esquentando o planeta, e confirma estudos que datam de 1997. Desde os anos 1950, cada década foi mais quente do que a anterior, diz o documento.

O texto completo será divulgado hoje e é o primeiro dos quatro volumes (os dos três grupos de trabalho mais a síntese) do Quinto Informe de Avaliação do IPCC, conhecido como AR5. No Hemisfério Norte, “as temperaturas entre 1983 e 2012 foram as mais quentes dos últimos 1.400 anos”, destacou Thomas Stocker, copresidente do Grupo de Trabalho I.

Em resposta às notícias dos últimos dias, falando sobre uma “interrupção do aquecimento”, Stocker disse que o sistema climático é dinâmico, sendo provável que nos últimos anos tenha ingressado mais calor nos oceanos e que tenha diminuído ligeiramente o ritmo dos aumentos das temperaturas superficiais. Há mais de cem anos pesquisadores demonstraram que o dióxido de carbono prende o calor do Sol.

A queima de combustíveis fósseis, o desmatamento, a agricultura e outras atividades humanas emitem esse gás na atmosfera, onde permanece quase para sempre. Os maiores volumes de dióxido de carbono, por sua vez, acrescentam mais calor, pois atuam como outra camada de isolamento. Mais de 90% desta energia térmica adicional é absorvida pelos oceanos, segundo o Resumo. Isso explica a causa de as temperaturas da superfície ainda não terem superado o aumento médio mundial de 0,8 grau.

O Resumo destaca que a redução da camada de gelo do Ártico nas últimas três décadas foi a maior dos últimos 1.450 anos. Embora o derretimento no último verão boreal tenha sido menor que no ano passado, o Ártico segue no caminho de ficar sem gelo na temporada estival de 2050, bem antes do projetado por relatórios anteriores.

O informe do IPCC, uma revisão das pesquisas científicas disponíveis, se baseou em trabalhos de 259 autores de 39 países, e contou com 54.677 comentários. O informe de avaliação anterior, ou AR4, é de 2007. O IPCC não realiza pesquisas próprias e está sob a direção de 110 governos que passaram os últimos quatro dias aprovando o texto do sumário. “Cada palavra contida nas 36 páginas foi debatida. Alguns parágrafos foram discutidos por mais de uma hora”, contou Stocker em entrevista coletiva em Estocolmo. “Nenhum outro relatório científico jamais passou por um escrutínio tão crítico”, ressaltou.

O Resumo, redigido com cautela, detalha e confirma os impactos observados, com o aumento das temperaturas, as mudanças nos padrões pluviométricos e os extremos climáticos. Também confirma que estes e outros impactos vão piorar na medida em que aumentarem as emissões de dióxido de carbono. As atuais emissões deste gás estão no rumo do pior cenário.

O resumo do AR5 diz que a camada gelada da Groenlândia perdeu, em média, 177 bilhões de toneladas de gelo por ano entre 1992 e 2001. Estudos mais recentes demonstram que o gelo perdido aumentou substancialmente desde então. Segundo o relatório, há uma possibilidade em cinco de a camada gelada da Groenlândia derreter totalmente se as temperaturas globais aumentarem entre 0,8 grau e mais de um, como parece inevitável agora.

Um dos motivos é que a elevação das temperaturas no Ártico é quase três vezes maior do que o aumento médio mundial. Se a temperatura média mundial aumentar cerca de quatro graus será desencadeado um derretimento na Groenlândia, que elevaria o nível do mar em até sete metros. Apesar disto, o AR5 diz que não se espera que o nível do mar suba mais de um metro neste século.

Outros cientistas, entre eles James Hansen, ex-diretor do Instituto Goddar de Estudos Espaciais da Nasa (agência espacial dos Estados Unidos), acreditam que o acelerado derretimento observado no Ártico, na Groenlândia, na Antártida e nas geleiras é um sinal de que neste século o mar pode subir vários metros, a menos que as emissões sejam reduzidas.

Mesmo antes de se tornar público o novo informe do IPCC, “os que negam a mudança climática” o atacaram e tergiversaram, tentando retratar suas conclusões como radicais ou extremistas, afirmou Charles Greene, professor de ciências atmosféricas e da terra na Cornell University, de Nova York. Greene se referia a um orquestrado esforço de propaganda de atores da indústria dos combustíveis fósseis e de organizações que tentam convencer o público de que o aquecimento global não é um assunto de extrema urgência. “Na verdade, o IPCC tem um longo histórico de subestimar os impactos” da mudança climática, afirmou Greene.

Embora a ação mundial contra o aquecimento esteja em ponto morto, algumas cidades já estão reduzindo suas emissões de carbono. Os membros do Iclei se comprometeram com uma redução de 20% até 2020 e de 80% até 2050. A maioria dos governos não está tomando iniciativas, o que revela claramente o poder e a influência do setor dos combustíveis fósseis, pontuou Cadman. “As cidades podem fazer até dez vezes mais, mas, simplesmente, não têm dinheiro”, ressaltou.

Envolverde/IPS

IPCC sustenta que aquecimento global é inequívoco (IPS)

Ambiente

30/9/2013 – 08h01

por Fabíola Ortiz, da IPS

IPCC1 IPCC sustenta que aquecimento global é inequívoco

A elevação do nível do mar pode alagar várias regiões do Recife, no Nordeste do Brasil. Foto: Alejandro Arigón/IPS

Rio de Janeiro, Brasil, 30/9/2013 – Em meio a rumores de que o aquecimento global se deteve nos últimos 15 anos, o novo informe do Grupo Internacional de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC) indica que as três últimas décadas foram, sucessivamente, mais quentes do que qualquer outra desde 1850. O Resumo para Responsáveis por Políticas do informe do Grupo de Trabalho I – Bases de Ciência Física, foi divulgado no dia 27, em Estocolmo, na Suécia.

O texto completo, sem edições, será conhecido hoje e constitui o primeiro dos quatro volumes do Quinto Informe de Avaliação do IPCC. O aquecimento é “inequívoco”, afirma o IPCC. “A atmosfera e o oceano esquentam, a quantidade de neve e gelo diminui, o nível do mar sobe e as concentrações de gases-estufa aumentam”, destaca o estudo.

Para o especialista brasileiro em clima, Carlos Nobre, um dos autores principais do Quarto Informe de Avaliação, o novo relatório não dá “nenhuma razão para o otimismo. Cada uma das três últimas décadas foi sucessivamente mais quente do que qualquer outra desde 1850. No Hemisfério Norte, o período 1983-2012 representa, provavelmente, os 30 anos mais quentes dos últimos 1.400”, diz o novo resumo. Os dados “das temperaturas médias terrestres e da superfície do oceano, calculados como uma tendência linear, mostram um aquecimento de 0,85 grau no período 1880-2012”, acrescentou Nobre

A respeito da suposta pausa no aumento do calor, o IPCC afirma que “a taxa de aquecimento dos últimos 15 anos (1998-2012) – que foi de 0,05 grau por década e que começou com um potente El Niño (fase quente da Oscilação do Sul) – é menor do que a calculada entre 1951 e 2012, que foi de 0,12 grau por década”.

Entretanto, argumenta, “devido à variabilidade natural, as tendências baseadas em registros de períodos curtos são muito sensíveis às datas de começo e final, e não refletem, em geral, as tendências climáticas de longo prazo”. Resumindo, diz o documento, “é virtualmente certo (99% a 100% de certeza) que a troposfera esquenta desde meados do século 20”.

Nobre indicou à IPS que “o resumo observa com mais detalhe o que está mudando e reduz as incertezas com um conhecimento científico aperfeiçoado”. Além disso, confirma que as alterações do clima se originam principalmente nas ações humanas, destacou Nobre, secretário de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência e Tecnologia.

A humanidade deverá se decidir a deixar grande parte dos combustíveis fósseis – responsáveis pela emissão de gases que esquentam a atmosfera – e passar para outras formas de energia renovável, advertiu Nobre. Tecnicamente, é possível, falta uma opção consciente de todos os países, ressaltou. “Essa transição tem um custo, mas que é cada vez menor do que o estimado há 15 anos. O problema não é a tecnologia, mas a decisão política”, acrescentou.

Para Carlos Rittl, coordenador do programa de mudanças climáticas e energia do WWF-Brasil (Fundo Mundial para a Natureza), “embora o aquecimento tenha apresentado uma aparente estabilização quanto à temperatura média, os anos mais quentes foram registrados na última década. Isso não nos deixa em uma situação de conforto”.

O informe do IPCC, uma revisão das pesquisas científicas disponíveis, se baseou em trabalhos de 259 autores de 39 países, e contou com 54.677 comentários. Sua divulgação veio permeada de uma renovada onda mediática de dúvidas e rumores sobre a existência do aquecimento global.

Com base em diferentes trajetórias de emissão de gases-estufa, o resumo projeta para este final de século uma elevação da temperatura superior a 1,5 grau em relação ao período 1850-1900 em todos os cenários, menos no de menor concentração de gases. Também afirma que, provavelmente, o aumento exceda os dois graus até 2100 nos dois cenários de maior emissão de gases. O informe anterior, de 2007, previa aumento de dois graus, no melhor dos casos, e de até seis, no pior.

Após o fracasso da conferência intergovernamental de Copenhague, em dezembro de 2009, quando os países não conseguiram obter um acordo para reduzir a contaminação climática, foram redobrados os questionamentos ao IPCC, em particular por uma errônea estimativa do derretimento das geleiras do Himalaia. A informação “foi usada de forma irresponsável por quem nega o aquecimento global”, alertou Rittl.

Seis anos depois, há mais e melhores evidências científicas para estimar, por exemplo, quanto o derretimento de gelos contribui para a elevação do nível do mar. Até o final de 2100 a elevação média do mar oscilará entre 24 centímetros e 63 centímetros, segundo o melhor e o pior cenários de contaminação atmosférica. As chuvas “aumentarão nas regiões mais úmidas e diminuirão naquelas onde há escassez pluviométrica”, detalhou Rittl, que é doutor em ecologia.

No Brasil os exemplos são a árida região do Nordeste e as mais úmidas do Sul e Sudeste. A incidência de chuvas crescerá entre 1% e 3% em zonas do sul, segundo a velocidade do aquecimento, enquanto as áridas apresentarão padrões de seca mais severos. Todas as tendências confirmadas pelo informe são “alarmantes”, apontou Rittl. “Nós, humanos, somos responsáveis por essas mudanças, que vão piorar o cenário atual em que já há centenas de milhões de pessoas sofrendo escassez de água, de comida e de condições adequadas para sobreviver”, ressaltou.

O primeiro volume do Quinto Informe de Avaliação do IPCC é divulgado dois meses antes de acontecer em Varsóvia, na Polônia, a 19ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática. Nesse encontro deverá ser feito um esforço mundial para garantir a transição para uma economia baixa em dióxido de carbono, disse Nobre. “Este informe é um choque de realidade”, ressaltou.

Em sua opinião, o Brasil é um dos “poucos bons exemplos”, pois conseguiu reduzir em 38,4% suas emissões de gases-estufa entre 2005 e 2010, devido à queda no desmatamento da Amazônia. “O Brasil adotou compromissos voluntários, mas no global não há um acordo ambicioso”, explicou Nobre. Quanto mais tempo se demorar em “adotar ações concretas, mais difícil e improvável será conseguir uma trajetória sustentável de acomodação e adaptação à mudança climática”, enfatizou.

Rittl acredita que os governos devem enfrentar a mudança climática como um desafio nacional para o desenvolvimento, a inclusão social e a redução da pobreza. “É necessário lidar com os riscos e as oportunidades com muita responsabilidade”, concluiu.

Envolverde/IPS

Ahead of IPCC report, fossil-fuel groups organize climate denial campaign (Grist)

By , 20 Sep 2013 11:38 AM

tiny man, huge megaphone
Shutterstock
If only they would shut up.

Watch out: A tsunami of stupidity is due to crash over the world next Friday.

That’s when the Intergovernmental Panel on Climate Change will release a summary of its big new climate assessment report, the first since 2007. But that’s not the stupid part.

A global campaign funded by fossil-fuel interests has been steadily building to discredit the report. That’s where the stupidity comes in. From The Guardian:

Organisations that dismiss the science behind climate change and oppose curbs on greenhouse gas pollution have made a big push to cloud the release of the IPCC report, the result of six years of work by hundreds of scientists.

Those efforts this week extended to promoting the fiction of a recovery in the decline of Arctic sea ice.

The IPCC assessments, produced every six or seven years, are seen as the definitive report on climate change, incorporating the key findings from some 9,000 articles published in scientific journals.

Climate deniers are pushing their messages out through blogs as well as old-fashioned outlets like the Daily MailFrom Skeptical Science:

Like the way a picnic on a sunny afternoon in August tends to attract lots of annoying wasps, major events on the climate change timeline tend to see certain contrarian figures and organisations dialling up the rhetorical output.

This is frustrating yet it has over the years become quite predictable: arguing with some climate change contrarians is similar to attempting debate with a well-trained parrot. Imagine: the parrot has memorised some twenty statements that it can squawk out at random. Thus it will follow up on ‘no warming since 1997′ with ‘in the 1970s they said there’d be an ice-age’ and so on. Another piece in the UK-based Daily Mail’s Sunday edition of September 8th 2013, written by a figure familiar to Skeptical Science readers, Mail and Vanity Fair journalist David Rose, gives a classic example of such parroting. There’s another in the UK’s Daily Telegraph along remarkably similar lines (it could even be the same parrot).

Meanwhile, the Koch-funded Heartland Institute has already published a compilation of lies in its own preemptive report. Its “experts” are so desperate to get their climate-denying messages out that they would probably turn up at your kid’s birthday party if you asked them nicely enough.

The news here is predictable but not terrible. Scientists and activists are doing better jobs of organizing communication strategies in the face of anti-science blather. From Inside Climate News:

Dozens of prominent scientists involved with drafting IPCC reports formed a Climate Science Rapid Response Team that punches back against misleading claims about climate research.

Kevin Trenberth is part of that team as well as a climate scientist at the National Center for Atmospheric Research and an author and editor on the forthcoming IPCC report. He explained that nearly every time there is a scientific paper linking man-made carbon dioxide emissions to climate change, the “denial-sphere” immediately responds with accusations that the research is wrong.

“The scientists get nasty emails. Certain websites comment. … So a bunch of us formed this rapid response team to deflate these arguments.” The group has been very busy in recent weeks.

Although those who make a living by denying climate science are screaming as loudly as ever, most people are getting better at tuning out their histrionics. Again from the Inside Climate News article:

Cindy Baxter, a longtime climate campaigner, said she thinks climate skeptics “are getting more shrill, but getting less notice,” because Americans are more convinced that global warming is real.

“Hurricane Sandy. Droughts. Flooding. Wildfires. People are feeling the effects of climate change. That makes it harder to deny,” said Baxter, who is also a co-author of Greenpeace’s new report Dealing in Doubt, which chronicles the history of climate skeptic campaigns. Polls say a larger majority of Americans from both parties see recent waves of deadly weather as a sign of climate change.

Unfortunately, this denier campaign will be around for a while. The IPCC report due out next Friday is just the first of four scheduled to be released over the coming year. Maybe after the final one comes out, the denial pushers will finally potter off to find new work, perhaps as baby-seal clubbers, orphan poisoners, or textbook reviewers for the Texas State Board of Education.

John Upton is a science fan and green news boffin who tweets, posts articles to Facebook, and blogs about ecology. He welcomes reader questions, tips, and incoherent rants: johnupton@gmail.com.

Sociological explanations for climate change denial (resilience.org)

by Olga Bonfiglio, originally published by Energy Bulletin  | MAR 17, 2012

Talk about climate change seems to be a taboo subject in America today.

Three years ago promises by both major political parties to do something have gone by the wayside while today’sRepublican presidential candidates reject evidence that humans are responsible for the warming of the earth

The mainstream media routinely report on extreme weather, like this winter’s high temperatures and last summer’s droughts, but reporters and commentators typically veer away from connecting it to climate change.

Last October, the New York Times reported that those who believed the Earth was warming dropped from 79 percent in 2006 to 59 percent.  However, a month laterpolling experts blamed this decline on a collapse in media coverage and pollsters’ deeply flawed questions.

It turns out that the United States is one of the few countries in the world still quibbling over climate change, and its influence is stymieing progress at environmental summits like Durbin (2011), Cancun (2010), and Copenhagen (2009).

What’s going on?

As you may expect, it’s about money, politics, culture and media bias.

Ron Kramer, a sociologist at Western Michigan University, has been studying how sociological and cultural factors are preventing Americans from talking about or acting on climate change.  He drew on the research of sociologist Stanley Cohen, professor emeritus at the London School of Economics, who says that denial “refers to the maintenance of social worlds in which an undesirable situation (event, condition, phenomenon) is unrecognized, ignored or made to seem normal.”

He cites three categories of denial:

  • literal denial is: “the assertion that something did not happen or is not true.”
  • With an interpretive denial, the basic facts are not denied, however, “…they are given a different meaning from what seems apparent to others.” People recognize that something is happening but that it’s good for us.
  • Implicatory denial “covers the multitude of vocabularies, justifications, rationalizations, evasions that we use to deal with our awareness of so many images of unmitigated suffering.” Here, “knowledge itself is not an issue. The genuine challenge is doing the ‘right’ thing with this knowledge.”

Through literal and interpretive denial, climate change deniers declare that the earth is not warming even though 98 percent of our scientists have written thousands of peer-reviewed papers and reports concluding that climate change is real and caused by human activity.

Actually, deniers are organized by conservative think tanks funded by the fossil fuel industry that attempt to create doubt about climate science and block actions that would reduce greenhouse gas emissions and create clean energy alternatives.

To do this they use conspiracy theories and “fake” experts with no background in climate science.  They insist on absolute certainty, cherry-pick the data and ignore the larger body of evidence or misrepresent data and promote logical fallacies like “the climate has changed in the past, therefore current change is natural.”

“Creating doubt blocks any action,” said Kramer.  “This is the same tactic the tobacco industry used to deny that smoking was harmful to people’s health. And, some of the same people are now doing this with climate change.”

The “conservative climate change denial counter-movement,” as Kramer calls it, was led by the George W. Bush administration and congressional Republicans who obstruct and manipulate the political system to promote their view.  They are complemented by right-wing media outlets such as Fox News and Rush Limbaugh.  The mainstream media’s “balancing norm” practice then allows the denialists to be placed on par with the climate scientists.

The rationale behind this counter-movement is that corporations make money if Americans continue their materialistic attitudes and practices so they lobby politicians to protect their interests and they fund think tanks that accuse “eco-scientists” of destroying capitalism, as revealed by the New YorkTimes.

Corporations provide research monies to university scientists, who rely on them as support from state legislatures and benefactors dwindles.  They advance narratives that people from other parts of the world are worse off than Americans, so we don’t have to change.  They make claims to virtue on TV ads about all they are doing for the environment (a.k.a. “greenwashing”).  And, they argue that doing something about global warming will cost too much and cause them to lose their competitive edge.

Research shows that conservative white males are more likely to espouse climate change denial than other groups for two reasons.  They tend to filter out any information that is different from their already-held worldview because it threatens the identity, status and esteem they receive by being part of their group, he said.  Sociologists call this “Identity Protective Cognition.”

Secondly, conservative white males have a stronger need to justify the status quo and resist attempts to change it.  Sociologists call this “System Justification.”

For example, successful conservative white males stridently defend the capitalist system because it has worked well for them. For anyone to imply the system is not functioning is an unfathomable impossibility akin to blasphemy. [Climatewire via Scientific American]

“Identity Protective Cognition” should also inform environmental activists that the information deficit model of activism is not always a good approach, warned Kramer.  Just providing more information may not change anyone’s views given their commitment to a particular cultural worldview.

In implicatory denial people recognize that something untoward is happening but they fail to act because they are emotionally uncomfortable or troubled about it.

For example, there are the people who are aware of climate change and have some information about it, but take no action, make no behavioral changes and remain apathetic.

This response occurs when people confront confusing and conflicting information from political leaders and the media.  Consequently, they have yet another reason for denial—or they believe the problem can be overcome with technology and they can go on with their lives.

“At some level people understand that climate change can alter human civilization, but they feel a sense of helplessness and powerlessness at the prospect,” said Kramer.  “Others feel guilty that they may have caused the problem.”

Several cultural factors also thwart any decisive action on climate change, said Kramer.

Americans have a tendency toward “anti-intellectualism,” so “nerdy” climate scientists are easily suspect.

Our strong sense of “individualism” helps us strive toward our individual goals, but it likewise keeps us from joining together to do something about climate change.  They ask:  “What good does it do to recycle or drive less when we have such a huge, complex problem as climate change?”

“American exceptionalism” celebrates the American way of life, which has given us a vast bounty of wealth and material goods.  We want to continue this life and, in fact, deserve it.  Nothing bad will happen to us.

Finally, “political alienation” keeps us from trusting our political system to tackle the problem.

“What we ultimately need is international agreement about what to do about climate change,” said Kramer.  “Nothing will happen, however, until the United States commits to doing something.”

What to do about climate change?

Kramer believes we should regard climate change as a matter of social justice and not just science because the people most affected by it are not the ones who created it.

North American and European lifestyles, which are based on easy and cheap access to fossil fuels for energy, agriculture and consumer products have inadvertently caused much suffering, poverty and environmental degradation to the people of the Global South.

To illustrate, analysts at Maplecroft have produced a map that measures of the risk of climate change impacts and the social and financial ability of communities and governments to cope with it.  The most vulnerable nations are Haiti, Bangladesh and Zimbabwe.

Second, Kramer emphasized the moral obligation we have to future generations and other species.  Simply put, we must reduce our use of fossil fuels that are largely responsible for emitting greenhouse gases into the atmosphere and causing extreme weather conditions like hurricanes, floods, drought, tsunami, earthquakes, heat waves, warm winters and melting polar ice caps.

Again, people’s lives, livelihoods and communities are affected and it shouldn’t escape notice that human encroachment on animal habitats is contributing to massive species losses, what some call the Sixth Great Extinction.  Criminologists are grappling with the language characterizing this wonton disregard with words like “ecocide” and “biocide.”

Kramer suggests that we shift our lifestyles from a culture based on materialistic consumption to a culture based on the caretaking of the Earth, as advocated by Scott Russell Sanders in A Conservationist Manifesto (2009).  Sanders asks such questions as (see a video with Sanders)

  • What would a truly sustainable economy look like?
  • What responsibilities do we bear for the well-being of future generations?
  • What responsibilities do we bear toward Earth’s millions of other species?
  • In a time of ecological calamity and widespread human suffering, how should we imagine a good life?

Third, Kramer calls for a more “prophetic imagination” as put forward by Walter Brueggeman, a theologian and professor emeritus at Columbia Theological Seminary, where we take a reasoned approach and face the realities of climate change, confront the truth, “penetrate the numbness and despair,” and avoid drowning in our sense of loss and grief that is paralyzing us from action.

Such an approach can give voice to a “hope-filled responsibility” where people are empowered to act rather than left listless and inattentive.

“It’s not about someone being responsible, but all of us,” said Kramer, “because we are all affected by climate change.”

One major way we can do that is by reducing greenhouse gas emissions—and we have a way to measure our progress.

Bill McKibben, author of The End of Nature (1988), one of the first popularized books about global warming, contends that rising counts in greenhouse gas emissions are threatening our world.  Today, we are at 400 parts per million (ppm) and heading toward 550-650 ppm compared to pre-industrial counts that measured at 275 ppm.  McKibben advocates a goal of 350 ppm and has encouraged people in 188 countries to reduce carbon emissions in their communities.  (See the video explaining this charge.)

However, can people really be motivated to act given the complexity of the problem?

Kramer harkens to Howard Zinn’s autobiographical book, You Can’t Be Neutral on a Moving Train (1994).  In it Zinn says that we have to “look to history” to see that people working at the grassroots level were able to make change despite tremendous and entrenched obstacles.  It was people who ended slavery and Apartheid, liberated India, dismantled the Soviet Union and initiated the Arab Spring of 2011.  (See a video with Zinn)

“Climate change is a political issue” Kramer insisted.  “We know what to do.  We know that we need to mitigate the carbon emissions from fossil fuels.  What we lack is the political will and the mechanisms to move forward.”

Kramer insisted that climate change is not a party or ideological issue but rather a humanity issue.

“Planet Earth will survive,” he concluded, “but will human civilization?”

Quinto relatório do IPCC: repercussão

Documento divulgado nesta sexta (27/09) afirma que a temperatura do planeta pode subir quase 5 °C durante este século, o que poderá elevar o nível dos oceanos em até 82 centímetros (foto do Oceano Ártico: Nasa)

Especiais

Quinto relatório do IPCC mostra intensificação das mudanças climáticas

27/09/2013

Por Karina Toledo, de Londres

Agência FAPESP – Caso as emissões de gases do efeito estufa continuem crescendo às atuais taxas ao longo dos próximos anos, a temperatura do planeta poderá aumentar até 4,8 graus Celsius neste século – o que poderá resultar em uma elevação de até 82 centímetros no nível do mar e causar danos importantes na maior parte das regiões costeiras do globo.

O alerta foi feito pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU), que divulgaram no dia 27 de setembro, em Estocolmo, na Suécia, a primeira parte de seu quinto relatório de avaliação (AR5). Com base na revisão de milhares de pesquisas realizadas nos últimos cinco anos, o documento apresenta as bases científicas da mudança climática global.

De acordo com Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e um dos seis brasileiros que participaram da elaboração desse relatório, foram simulados quatro diferentes cenários de concentrações de gases de efeito estufa, possíveis de acontecer até o ano de 2100 – os chamados “Representative Concentration Pathways (RCPs)”.

“Para fazer a previsão do aumento da temperatura são necessários dois ingredientes básicos: um modelo climático e um cenário de emissões. No quarto relatório (divulgado em 2007) também foram simulados quatro cenários, mas se levou em conta apenas a quantidade de gases de efeito estufa emitida. Neste quinto relatório, nós usamos um sistema mais completo, que leva em conta os impactos dessas emissões, ou seja, o quanto haverá de alteração no balanço de radiação do sistema terrestre”, explicou Artaxo, que está em Londres para a FAPESP Week London, onde participou de um painel sobre mudança climática.

O balanço de radiação corresponde à razão entre a quantidade de energia solar que entra e que sai de nosso planeta, indicando o quanto ficou armazenada no sistema terrestre de acordo com as concentrações de gases de efeito estufa, partículas de aerossóis emitidas e outros agentes climáticos.

O cenário mais otimista prevê que o sistema terrestre armazenará 2,6 watts por metro quadrado (W/m2) adicionais. Nesse caso, o aumento da temperatura terrestre poderia variar entre 0,3 °C e 1,7 °C de 2010 até 2100 e o nível do mar poderia subir entre 26 e 55 centímetros ao longo deste século.

“Para que esse cenário acontecesse, seria preciso estabilizar as concentrações de gases do efeito estufa nos próximos 10 anos e atuar para sua remoção da atmosfera. Ainda assim, os modelos indicam um aumento adicional de quase 2 °C na temperatura – além do 0,9 °C que nosso planeta já aqueceu desde o ano 1750”, avaliou Artaxo.

O segundo cenário (RCP4.5) prevê um armazenamento de 4,5 W/m2. Nesse caso, o aumento da temperatura terrestre seria entre 1,1 °C e 2,6 °C e o nível do mar subiria entre 32 e 63 centímetros. No terceiro cenário, de 6,0 W/m2, o aumento da temperatura varia de 1,4 °C até 3,1 °C e o nível do mar subiria entre 33 e 63 centímetros.

Já o pior cenário, no qual as emissões continuam a crescer em ritmo acelerado, prevê um armazenamento adicional de 8,5 W/m2. Em tal situação, segundo o IPCC, a superfície da Terra poderia aquecer entre 2,6 °C e 4,8 °C ao longo deste século, fazendo com que o nível dos oceanos aumente entre 45 e 82 centímetros.

“O nível dos oceanos já subiu em média 20 centímetros entre 1900 e 2012. Se subir outros 60 centímetros, com as marés, o resultado será uma forte erosão nas áreas costeiras de todo o mundo. Rios como o Amazonas, por exemplo, sofrerão forte refluxo de água salgada, o que afeta todo o ecossistema local”, disse Artaxo.

Segundo o relatório AR5 do IPCC, em todos os cenários, é muito provável (90% de probabilidade) que a taxa de elevação dos oceanos durante o século 21 exceda a observada entre 1971 e 2010. A expansão térmica resultante do aumento da temperatura e o derretimento das geleiras seriam as principais causas.

O aquecimento dos oceanos, diz o relatório, continuará ocorrendo durante séculos, mesmo se as emissões de gases-estufa diminuírem ou permanecerem constantes. A região do Ártico é a que vai aquecer mais fortemente, de acordo com o IPCC.

Segundo Artaxo, o aquecimento das águas marinhas tem ainda outras consequências relevantes, que não eram propriamente consideradas nos modelos climáticos anteriores. Conforme o oceano esquenta, ele perde a capacidade de absorver dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Se a emissão atual for mantida, portanto, poderá haver uma aceleração nas concentrações desse gás na atmosfera.

“No relatório anterior, os capítulos dedicados ao papel dos oceanos nas mudanças climáticas careciam de dados experimentais. Mas nos últimos anos houve um enorme avanço na ciência do clima. Neste quinto relatório, por causa de medições feitas por satélites e de observações feitas com redes de boias – como as do Projeto Pirata que a FAPESP financia no Atlântico Sul –, a confiança sobre o impacto dos oceanos no clima melhorou muito”, afirmou Artaxo.

Acidificação dos oceanos

Em todos os cenários previstos no quinto relatório do IPCC, as concentrações de CO2 serão maiores em 2100 em comparação aos níveis atuais, como resultado do aumento cumulativo das emissões ocorrido durante os séculos 20 e 21. Parte do CO2 emitido pela atividade humana continuará a ser absorvida pelos oceanos e, portanto, é “virtualmente certo” (99% de probabilidade) que a acidificação dos mares vai aumentar. No melhor dos cenários – o RCP2,6 –, a queda no pH será entre 0,06 e 0,07. Na pior das hipóteses – o RCP8,5 –, entre 0,30 e 0,32.

“A água do mar é alcalina, com pH em torno de 8,12. Mas quando absorve CO2 ocorre a formação de compostos ácidos. Esses ácidos dissolvem a carcaça de parte dos microrganismos marinhos, que é feita geralmente de carbonato de cálcio. A maioria da biota marinha sofrerá alterações profundas, o que afeta também toda a cadeia alimentar”, afirmou Artaxo.

Ao analisar as mudanças já ocorridas até o momento, os cientistas do IPCC afirmam que as três últimas décadas foram as mais quentes em comparação com todas as anteriores desde 1850. A primeira década do século 21 foi a mais quente de todas. O período entre 1983 e 2012 foi “muito provavelmente” (90% de probabilidade) o mais quente dos últimos 800 anos. Há ainda cerca de 60% de probabilidade de que tenha sido o mais quente dos últimos 1.400 anos.

No entanto, o IPCC reconhece ter havido uma queda na taxa de aquecimento do planeta nos últimos 15 anos – passando de 0,12 °C por década (quando considerado o período entre 1951 e 2012) para 0,05°C (quando considerado apenas o período entre 1998 e 2012).

De acordo com Artaxo, o fenômeno se deve a dois fatores principais: a maior absorção de calor em águas profundas (mais de 700 metros) e a maior frequência de fenômenos La Niña, que alteram a taxa de transferência de calor da atmosfera aos oceanos. “O processo é bem claro e documentado em revistas científicas de prestígio. Ainda assim, o planeta continua aquecendo de forma significativa”, disse.

Há 90% de certeza de que o número de dias e noites frios diminuíram, enquanto os dias e noites quentes aumentaram na escala global. E cerca de 60% de certeza de que as ondas de calor também aumentaram. O relatório diz haver fortes evidências de degelo, principalmente na região do Ártico. Há 90% de certeza de que a taxa de redução da camada de gelo tenha sido entre 3,5% e 4,1% por década entre 1979 e 2012.

As concentrações de CO2 na atmosfera já aumentaram mais de 20% desde 1958, quando medições sistemáticas começaram a ser feitas, e cerca de 40% desde 1750. De acordo com o IPCC, o aumento é resultado da atividade humana, principalmente da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento, havendo uma pequena participação da indústria cimenteira.

Para os cientistas há uma “confiança muito alta” (nove chances em dez) de que as taxas médias de CO2, metano e óxido nitroso do último século sejam as mais altas dos últimos 22 mil anos. Já mudanças na irradiação solar e a atividade vulcânica contribuíram com uma pequena fração da alteração climática. É “extremamente provável” (95% de certeza) de que a influência humana sobre o clima causou mais da metade do aumento da temperatura observado entre 1951 e 2010.

“Os efeitos da mudança climática já estão sendo sentidos, não é algo para o futuro. O aumento de ondas de calor, da frequência de furacões, das inundações e tempestades severas, das variações bruscas entre dias quentes e frios provavelmente está relacionado ao fato de que o sistema climático está sendo alterado”, disse Artaxo.

Impacto persistente

Na avaliação do IPCC, muitos aspectos da mudança climática vão persistir durante muitos séculos mesmo se as emissões de gases-estufa cessarem. É “muito provável” (90% de certeza) que mais de 20% do CO2 emitido permanecerá na atmosfera por mais de mil anos após as emissões cessarem, afirma o relatório.

“O que estamos alterando não é o clima da próxima década ou até o fim deste século. Existem várias publicações com simulações que mostram concentrações altas de CO2 até o ano 3000, pois os processos de remoção do CO2 atmosférico são muito lentos”, contou Artaxo.

Para o professor da USP, os impactos são significativos e fortes, mas não são catastróficos. “É certo que muitas regiões costeiras vão sofrer forte erosão e milhões de pessoas terão de ser removidas de onde vivem hoje. Mas claro que não é o fim do mundo. A questão é: como vamos nos adaptar, quem vai controlar a governabilidade desse sistema global e de onde sairão recursos para que países em desenvolvimento possam construir barreiras de contenção contra as águas do mar, como as que já estão sendo ampliadas na Holanda. Quanto mais cedo isso for planejado, menores serão os impactos socioeconômicos”, avaliou.

Os impactos e as formas de adaptação à nova realidade climática serão o tema da segunda parte do quinto relatório do IPCC, previsto para ser divulgado em janeiro de 2014. O documento contou com a colaboração de sete cientistas brasileiros. Outros 13 brasileiros participaram da elaboração da terceira parte do AR5, que discute formas de mitigar a mudança climática e deve sair em março.

De maneira geral, cresceu o número de cientistas vindos de países em desenvolvimento, particularmente do Brasil, dentro do IPCC. “O Brasil é um dos países líderes em pesquisas sobre mudança climática atualmente. Além disso, o IPCC percebeu que, se o foco ficasse apenas nos países desenvolvidos, informações importantes sobre o que está acontecendo nos trópicos poderiam deixar de ser incluídas. E é onde fica a Amazônia, um ecossistema-chave para o planeta”, disse Artaxo.

No dia 9 de setembro, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) divulgou o sumário executivo de seu primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN1). O documento, feito nos mesmos moldes do relatório do IPCC, indica que no Brasil o aumento de temperatura até 2100 será entre 1 °C e 6 °C, em comparação à registrada no fim do século 20. Como consequência, deverá diminuir significativamente a ocorrência de chuvas em grande parte das regiões central, Norte e Nordeste do país. Nas regiões Sul e Sudeste, por outro lado, haverá um aumento do número de precipitações.

“A humanidade nunca enfrentou um problema cuja relevância chegasse perto das mudanças climáticas, que vai afetar absolutamente todos os seres vivos do planeta. Não temos um sistema de governança global para implementar medidas de redução de emissões e verificação. Por isso, vai demorar ainda pelo menos algumas décadas para que o problema comece a ser resolvido”, opinou Artaxo.

Para o pesquisador, a medida mais urgente é a redução das emissões de gases de efeito estufa – compromisso que tem de ser assumido por todas as nações. “A consciência de que todos habitamos o mesmo barco é muito forte hoje, mas ainda não há mecanismos de governabilidade global para fazer esse barco andar na direção certa. Isso terá que ser construído pela nossa geração”, concluiu.

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JC e-mail 4822, de 27 de Setembro de 2013.

IPCC lança na Suécia novo relatório sobre as mudanças climáticas (O Globo)

O documento reúne previsões do aquecimento global até 2100 apontando aumento de temperatura superior a 2 graus. ‘A influência humana no clima é clara’, diz trabalho

A previsão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) é que o aquecimento global até o final do século 21 seja “provavelmente superior” a 2 graus (com pelo menos 66% de chances disto acontecer), superando o limite considerado seguro pelos especialistas. Até 2100, o nível do mar deve aumentar perigosamente de 45 a 82 centímetros, considerando o pior cenário (ou de 26 a 55 centímetros, no melhor), e o gelo do Ártico pode diminuir até 94% durante o verão local.

Além disso, o relatório do IPCC — publicado na manhã desta sexta-feira em Estocolmo, na Suécia, com as bases científicas mais atualizadas sobre as mudanças climáticas — considera que há mais de 95% de certeza para afirmar que o homem causou mais da metade da elevação média da temperatura entre 1951 e 2010. Neste período, o nível dos oceanos aumentou 19 centímetros.

O documento, com o trabalho de 259 cientistas e representantes dos governos de 195 países, inclusive o Brasil, ressalta que parte das emissões de CO2 provocadas pelo homem continuará a ser absorvida pelos oceanos. Por isso, é praticamente certo (99% de probabilidade) que a acidificação dos mares vai aumentar, afetando profundamente a vida marinha.

– A mudança de temperatura da superfície do planeta deve exceder 1,5 grau, e, provavelmente, será superior a 2 graus – disse o copresidente do trabalho Thomas Stocker. – É muito provável que as ondas de calor ocorram com mais frequência e durem mais tempo. Com o aquecimento da Terra, esperamos ver regiões atualmente úmidas recebendo mais chuvas, e as áridas, menos, apesar de haver exceções.

Os especialistas fizeram quatro projeções considerando situações diferentes de emissões de gases-estufa. Em todas, há aumento de temperatura. As mais brandas ficam entre 0,3 ºC e 1,7 ºC. Nestes casos, seria necessário diminuir muito as emissões. Já no cenário mais pessimista, o aquecimento ficaria entre 2,6 ºC e 4,8 ºC.

– Na minha opinião, o relatório é muito bom, repleto de informações e todas muito bem fundamentadas – comentou a especialista brasileira Suzana Kahn, que faz parte do grupo de pesquisadores do IPCC em Estocolmo. – No fundo, o grande ganho é a comprovação do que tem sido dito há mais tempo, com muito mais informação sobre o papel dos oceanos, das nuvens e aerossóis. Isto é muito importante para o mundo científico, pois aponta para áreas que precisam ser mais investigadas.

Suzana conta que a dificuldade de fazer projeções e análises para o Hemisfério Sul causou muita polêmica. O grande problema é a falta de dados:

– Acho que isto foi interessante para comprovar que estávamos certos ao criar o Painel Brasileiro de Mudança Climática para suprir esta lacuna.

De acordo com Carlos Rittl, Coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energias do WWF-Brasil, o relatório do IPCC deixa uma mensagem clara: o aquecimento global é incontestável. E é preciso começar agora contra os piores efeitos.

– O relatório do IPCC reafirma algumas certezas e vai além. Aponta a perda de massa de gelo, o aumento do nível dos oceanos, o incremento de chuvas onde já se chove muito, além da diminuição da umidade nas regiões mais áridas. No Brasil, o semiárido pode se tornar mais árido. Por outro lado, o Sul e Sudeste podem ter mais chuvas do que hoje – enumerou Rittl. – É importante ressaltar que o relatório fala de médias. Ou seja, em algumas regiões do país pode haver aumento de seis graus, com picos de mais de oito graus. A gente não está preparado para isso. E nossas emissões nos colocam numa trajetória de altíssimo risco, mais próxima dos piores cenários.

Para Rittl, a ciência está dando uma mensagem clara: é preciso diminuir as emissões. Isso significa levar os temas relacionados às mudanças climáticas para as decisões políticas:

– Hoje o aquecimento global ainda é um tema marginal. Os investimentos em infraestrutura, energia, o plano Safra, todos os grandes investimentos da escala de trilhões de reais não têm praticamente nenhuma vinculação com a lógica de baixo carbono. Estamos sendo pouco responsáveis.

Diplomacia e ciência
John Kerry, secretário de Estado dos EUA, ressalta que o relatório do IPCC não deve ser esquecido num armário, nem interpretado como uma peça política feita por políticos: “é ciência”, resume. De acordo com ele, os Estados Unidos estão “profundamente comprometidos em combater as mudanças climáticas”, reduzindo emissões de gases-estufa e investindo em formas eficientes de energia.

Este é mais um chamado de atenção: aqueles que negam a ciência ou procuram desculpas para evitar a ação estão brincando com fogo – afirmou Kerry. – O resumo do relatório do IPCC é este: a mudança climática é real, está acontecendo agora, os seres humanos são a causa dessa transformação, e somente a ação dos seres humanos pode salvar o mundo de seus piores impactos.

Lançado a cada seis anos, os relatórios do IPCC estão sob críticas de especialistas. O processo de análise dos documentos por representantes do governo acaba chegando a uma situação intermediária entre diplomacia e ciência, explica Emilio La Rovere, pesquisador da Coppe/UFRJ.

– O resultado é um meio termo entre diplomacia e ciência – afirmou Rovere.
Um dos pontos mais polêmicos são os chamados hiatos, períodos de cerca de 15 anos em que a temperatura média do planeta não aumenta. Por exemplo, a Agência Estatal de Meteorologia da Espanha anunciou, nesta semana, que o último trimestre na Península Ibérica foi o menos quente desde 2008. Entretanto, o relatório de 2007 do IPCC não citou estas pausas do aquecimento, dando argumento aos céticos.

Limite do aquecimento global
As informações do IPCC são importantes para a criação de estratégias de combate às mudanças climáticas. Na Convenção do Clima da Dinamarca (COP-15, realizada em 2009), foi criada a meta de limitar o aquecimento global em 2 graus. Para isso acontecer em 2050, explica Emilio La Rovere, da Coppe/UFRJ, seria necessário cortar 80% das emissões em comparação com 1990:

– Os modelos matemáticos simulando evolução demográfica, economia mundial, demanda e oferta de energia mostram que fica realmente quase impossível atingir este objetivo.

Este é o Quinto Relatório do IPCC, que será lançado em quatro partes, entre setembro de 2013 e novembro de 2014. Nesta sexta-feira, foi publicado o documento do Grupo de Trabalho I (sobre os aspectos científicos das mudanças climáticas). Entre os dias 25 e 29 de março de 2014, será a vez do Grupo de Trabalho II (analisando os impactos, a adaptação e a vulnerabilidade), que se reunirá em Yokohama, no Japão. O Grupo de Trabalho III (especializado na mitigação dos impactos das mudanças climáticas) está previsto para os dias 7 e 11 de abril em Berlim, na Alemanha. Por fim, será criado um relatório síntese, cujos trabalhos ocorrerão entre os dias 27 e 31 de outubro, em Copenhague, na Dinamarca.

(Cláudio Motta/O Globo)

http://oglobo.globo.com/ciencia/ipcc-lanca-na-suecia-novo-relatorio-sobre-as-mudancas-climaticas-10173671#ixzz2g6D6tmU6

Matéria complementar de O Globo:

Relatório destaca como a ação humana agrava o aquecimento
http://oglobo.globo.com/ciencia/relatorio-destaca-como-acao-humana-agrava-aquecimento-1-10171896#ixzz2g6MfZIsl

Veja mais em:

Folha de S.Paulo
Relatório sobe tom de alerta sobre aquecimento
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saudeciencia/131005-relatorio-sobe-tom-de-alerta-sobre-aquecimento.shtml

Agência Estado
ONU culpa atividades humanas por aquecimento global
http://www.territorioeldorado.limao.com.br/noticias/not297255.shtm

Zero Hora
Temperatura da Terra subirá entre 0,3°C e 4,8°C neste século, aponta IPCC
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/planeta-ciencia/noticia/2013/09/temperatura-da-terra-subira-entre-0-3c-e-4-8c-neste-seculo-aponta-ipcc-4283083.html

Correio Braziliense
Temperatura do planeta subirá entre 0,3 e 4,8ºC no século 21, diz IPCC
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2013/09/27/interna_ciencia_saude,390388/temperatura-do-planeta-subira-entre-0-3-e-4-8-c-no-seculo-21-diz-ipcc.shtml