Manifesto da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular

JC e-mail 4846, de 31 de outubro de 2013

Texto assinado pelo presidente da SBBq, Moacir Wajner, manifesta repúdio à invasão do Instituto Royal

A Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular vem a público manifestar seu repúdio aos atos terroristas/vandalismo de depredação de mais uma unidade dedicada à investigação científica, desta vez o Instituto Royal em São Roque, São Paulo. O Instituto Royal é instituição dedicada à investigação para confirmação da ausência de efeitos adversos tanto de medicamentos como também de substâncias cujo alto potencial de uso como novo medicamento já tenha sido avaliado por estudos prévios.

Este tipo de ação prejudica, mais do que a instituição atingida diretamente, a toda Sociedade Brasileira que fica debilitada em sua capacidade de fazer avançar a ciência e de desenvolver medicamentos próprios e também impedida de explorar o pleno potencial de sua biodiversidade para elevar o nível da sáude humana e dos animais. Fica também comprometida em sua independência e autonomia para controlar plenamente a pertinência e qualidade de medicamentos trazidos de outros países, ficando o país a mercê de exploradores internacionais e segurança da saúda da população fragilizada. Atitudes como esta contribuem para levar o Brasil a uma posição subalterna perante empresas internacionais e facilitar a exploração do povo brasileiro.

A Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular também alerta a Sociedade Brasileira para não se deixar iludir pelos interesses dos vendedores da ilusão de que a pesquisa biomédica e o desenvolvimento e controle de medicamentos possa ser feito sem a utilização de ferramentas que requerem o emprego de animais de laboratório. Embora o grande avanço no estabelecimento de metodologias que substituem o uso desses animais, essas tecnologias são ainda aplicáveis a apenas um número ainda restrito de situações.

No atual estágio do desenvolvimento científico, não há conhecimento que permita prever que, sequer que a médio prazo, estudos empregando animais de laboratório possam ser totalmente eliminados. Inclusive, até mesmo o desenvolvimento desses métodos substitutivos requer o emprego de animais de laboratório. Atualmente, no Brasil, da mesma maneira que nos países mais desenvolvidos do mundo, o emprego de animais em qualquer tipo de experimento científico ou de controle da qualidade de medicamentos é regulado por lei específica, rigidamente observada, que exige o exame rigoroso e aprovação por parte de Comissões de Ética no Uso de Animais dos protocolos a que cada animal, individualmente, será submetido e também da comprovação de que não há método alternativo ou possibilidade de diminuir o número de animais necessários.

(Moacir Wajner, presidente da SBBq)

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