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Violência nos estádios de futebol: um olhar sobre quem faz a segurança (Universidade do Futebol)

Um estudo consistente sobre a relação entre os organismos de segurança e os eventos esportivos no Brasil

Felipe Leivas Alves* e Méri Rosane Santos da Silva

Resumo

Violência e futebol se confundem enquanto produções relevantes dentro de uma sociedade que vem ganhando noções de complexidade. Esta análise buscou uma abordagem da questão da violência nos estádios, partindo da ideia de se verificar a atuação dos órgãos de segurança pública em tais espetáculos e a relação estabelecida entre esses e os torcedores envolvidos em tal processo. Na busca por elementos contribuintes no debate, foram utilizados diários de campo e entrevistas com sujeitos responsáveis pela segurança nos estádios. Diante dos elementos emergentes da pesquisa, foi possível perceber a relação existente entre os órgãos públicos de segurança e os espetáculos de futebol, suas formas de lidar com o fenômeno da violência, bem como se dá a noção de violência com a qual trabalham esses organismos.

 

Introdução

Pensar o fenômeno do futebol atual é analisá-lo diante de diversas possibilidades. A partir das temáticas que emergiram com o decorrer do desenvolvimento desse esporte, a questão da violência nos estádios surge como elemento constituinte nesse processo. Como não encontramos nas referências pesquisadas nenhum estudo que discutisse a questão da violência no futebol na perspectiva dos organismos de segurança, essa temática se fez importante de ser analisada.

Sendo assim, propõe-se um estudo que possa contribuir no sentido de acrescentar informações, acredita-se, incomuns quando o assunto da violência em estádios de futebol é debatido. Para isso, se pretendeu analisar a temática, tomando como objeto de análise os organismos de segurança pública envolvidos no processo, invertendo a lógica presente na maioria dos estudos que tratam sobre esse tema, os quais apresentam as torcidas como foco de pesquisas que abordam a violência no futebol.

Para isso, se apresenta uma análise que tem como objetivo norteador verificar a relação dos órgãos de segurança pública com a temática da violência nos estádios de futebol, buscando elementos que indiquem como se dá a organização de tais organismos, a forma como atuam e a partir de que pressupostos trabalham no sentido de abordar essa questão.

Trabalhar com a ideia de analisar a violência nos estádio de futebol nem sempre apareceu como uma de minhas prioridades na abordagem que possuo com o esporte. Intencionado a desenvolver um trabalho mais voltado para questões técnicas do desporto, a temática do trabalho apareceu como uma oportunidade de desenvolver questões pertinentes ao campo de atuação ao qual pertenço, mas que nem sempre surgem como relevantes, mesmo que possuam relação com as atividades presentes no meu cotidiano.

Interessante foi perceber que, no decorrer da pesquisa, acaba-se deparando com o surgimento de diversos elementos, antes nunca imaginados, em uma partida de futebol. Quando apresentado ao campo de estudo, percebeu-se que elementos imaginados previamente, os quais havia suspeitas que fossem surgir, acabaram por não brotar ou tomaram outras proporções, da mesma forma que outros surgiram de forma surpreendente no decorrer da análise. Nesse sentido, foi importante a realização deste estudo no momento em que se pode confrontar ideias que pareciam estar em um completo estado de conformidade, mas no instante em que se procurou uma abordagem de suas aplicações, surgiram discussões relevantes com relação aos organismos de segurança nos jogos de futebol.

Para que se pudessem buscar elementos contribuintes no debate sobre a questão, alguns procedimentos metodológicos foram tomados. Como se tratou de uma análise qualitativa, que se interessou na busca por dados para posterior análise, foram utilizados dois instrumentos principais de coleta dos dados obtidos. Com o objetivo de levantar as informações relevantes presentes nos ambientes investigados, utilizou-se a ferramenta do Diário de Campo, onde foram feitos os registros de 11 partidas do Campeonato Gaúcho da Segunda Divisão de 2009, que aconteceram no estádio Aldo Dapuzzo, pertencente ao Sport Club São Paulo e no estádio Arthur Lawson, de propriedade do Sport Club Rio Grande. Tais observações e registros preocuparam-se, em suma, em relatar a organização dos órgãos de segurança envolvidos nos jogos, sua atuação no espetáculo, bem como nos fatos que pudessem contribuir na análise da pesquisa.

Além da confecção do Diário de Campo, foram utilizadas entrevistas semi-estruturadas com representantes dos organismos de segurança envolvidos nos jogos de futebol, sendo um entrevistado por parte da Brigada Militar e outro do Corpo de Bombeiros. A definição das pessoas para a realização das entrevistas foi realizada pelos próprios órgãos de segurança, tendo sido apenas solicitada a entrevista com os organismos e não com determinados sujeitos de tais instituições.

Ainda sobre o Diário de Campo, como atividade inédita para esse pesquisador, algumas dificuldades foram enfrentadas na realização de tal tarefa. Como o estádio de futebol é um ambiente rico, que proporciona uma gama grande de elementos que acontecem a todo instante, foi difícil estar presente nos quatro cantos ao mesmo tempo. Se fosse possível, convidaria um auxiliar, para que não se perdesse tudo o que acontece nos 90 minutos de cada jogo.

Cabe salientar que, no decorrer da análise dos dados obtidos, aqueles referentes ao Diário de Campo acabaram por não serem utilizados na discussão dos elementos alcançados. Isso ocorreu pelo fato de não haverem nos registros em campo, pontos que pudessem demonstrar relevância nas discussões apresentadas no texto.

Portanto, com o intuito de verificar essa relação existente entre organismos de segurança e espetáculos de futebol, foi necessária a verificação de diversas questões envolvidas nesse processo. Nesse sentido, é que se propõe um debate de três temáticas presentes no tema proposto: a primeira se refere ao futebol moderno e seu envolvimento com as questões da violência, bem como um panorama sobre o futebol brasileiro, aproximando as questões estudadas com o objeto de análise; a segunda dirá respeito aos órgãos de segurança envolvidos na realização de uma partida oficial de futebol, buscando desenvolver uma visão histórica e conceitual dessas instituições e, por fim, far-se-á a discussão dos dados coletados diante do que foi apreendido no decorrer da pesquisa.

Localizando o futebol profissional moderno

Falar sobre o fenômeno futebol nos tempos atuais é pensar em uma atividade com ares de complexidade. Deixar de associar esse desporto com outras questões presentes em nossa sociedade já não é algo distante de nosso cotidiano. Portanto, discutiremos o futebol profissional moderno visto sob o ângulo da atuação dos organismos de segurança nos espetáculos de futebol.

É sabido, que a origem do futebol moderno remonta à Inglaterra do século XIX. O processo de transformação do jogo em esporte culminou em uma série de mudanças na maneira de se praticar o agora desporto, como a criação de regras mais rígidas, a sistematização das funções dentro do campo de jogo etc. Mas, passando a discussão para o foco principal deste trabalho, apontamos a criação da Fifa (Federation Internationale de Football Association) como um marco importante nos rumos do futebol moderno.

Hoje, se sabe que a Fifa possui um papel centralizador nas mais variadas questões relativas à futebol profissional, estabelecendo padrões que são “adquiridos” em todos os lugares do globo em que se pratique futebol. Outra característica importante da instituição é a sua segmentação por todas as partes do globo por meio de federações nacionais, sendo que essas, por sua vez, apresentam atuação pautada sob as diretrizes da Fifa. Além disso, organiza eventos de grande visibilidade mundial, como a Copa do Mundo, que hoje é vista não só como um acontecimento reduzido somente à disputa esportiva, mas também como um tempo/espaço para oportunidades de negócio, como afirma Heloisa dos Reis Brunhs, em seu texto “Relação entre futebol moderno e Sociedade: Uma análise histórico-social a partir da teoria do processo civilizador”, em que diz:

Em torno não só do futebol, mas também da realização da Copa do Mundo de Futebol, criou-se um mundo do negócio milionário e que atrai os mais diferentes setores, como, por exemplo, o turismo, a indústria têxtil e de calçados, – particularmente de materiais esportivos, além da criação de novos profissionais, todos esportivos – os empresários, advogados, juízes, economistas, gestores e dirigentes (2005. p, 6).

Nesse sentido, buscando uma vinculação com o objeto de estudo deste artigo que trata das questões referentes à órgãos de segurança pública e espetáculos de futebol, vislumbro uma discussão em que se possa associar a unidade Fifa como mentora dos rumos de todo e qualquer campeonato de futebol profissional no mundo e mais precisamente aqui o Campeonato Gaúcho da Segunda Divisão. Quem estabelece os dias dos jogos? Os horários? A organização do espetáculo? Se observarmos a relação macro e “micro” nos jogos pelo mundo, veremos semelhanças que parecem apresentar “padrões”. Jogos geralmente às quartas e quintas, ou aos sábados o domingos, nas tardes e noites, tudo isso “estabelecido” informalmente, mas que parece virar uma verdade para todos os “ramos” de futebol profissional no mundo.

Porém, pensar o futebol desvinculado da sociedade em que está inserido já não parece ser mais uma opção possível, e nesse sentido é que tais “designações” para os dias de jogos acabam por modificar o panorama de um lugar. Pela proporção dos espetáculos de futebol e por sua importância dentro do contexto social atual, as instituições de segurança pública passaram a ter papel importante nesse processo. E nesse contexto é que a centralidade das determinações da Fifa nem sempre vai de encontro às possibilidades dos locais em que se veja futebol profissional, pois não considera as peculiaridades de cada lugar e as possibilidades de cada ambiente. Com isso, pensar o futebol de hoje é vê-lo com um olhar de complexidade, pois além de tratar de questões técnicas de campo ele atinge também setores da vida social-cultural-econômica.

Outros pontos que pode contribuir nessa discussão é o papel da mídia na “venda” do futebol profissional como produto e espetáculo. Veículo cada vez mais dotado de legitimidade e confiança dentro de nossa sociedade possui força em promover qualquer fato que lhe pareça oportuno e rentável.

Aproximando nossa discussão sobre órgãos de segurança e futebol nos estádios, abordemos aqui como a mídia contribui na ideia de transformar um “simples jogos de bola” em algo monumental. A partir do momento em que ela percebeu o quanto pode ser favorável financeiramente esse fenômeno, os veículos de comunicação passaram a explorar diariamente tudo aquilo que “cheire” a futebol. A maioria dos canais de TV reserva nem que seja um comentário sobre futebol profissional, sem falar naqueles que o exploram 24 horas por dia.

Partindo dessa ideia é que percebemos o quanto a mídia tende a vender os jogos de futebol e criar uma necessidade no torcedor de que esse se sinta tentado a investir nesse produto. Ela promove e vende o espetáculo ao mesmo tempo, pois “convida” o torcedor a ir ao estádio, mas também oferece opções para aqueles que fiquem em casa.

Nesse sentido, é que, muitas vezes, na tentativa de engrandecer um jogo de futebol, as organizações midiáticas acabam promovendo algo que “teoricamente” não existe. Constantemente tratam o jogo com expressões de guerra, com ares de uma batalha e que assim o torcedor seria mais um guerreiro dentro do estádio a vencer esse “duelo”. Mas nem sempre esse discurso contribui em um estado de pacificação no ambiente de jogo, transformando um espetáculo em, aí sim, verdadeiros campos de batalha entre torcedores.
Ainda assim, a mídia possui papel “catalisador” na apreciação do espetáculo, promovendo e explorando-o, seja da maneira que for, mas vendendo a ideia ao torcedor da “importância” de ser um agente fundamental nesse processo.

Notas sobre o futebol profissional do Brasil

Falar sobre o futebol brasileiro sob o ponto de vista das diversidades culturais que um país continental como o nosso apresenta nem sempre parece uma das ideias mais fáceis de realizar, contudo, faz-se necessário abordar neste trabalho noções sobre o campo de pesquisa observado. Nesse caminho, será apresentado neste espaço um panorama daquilo que é vivenciado principalmente em termos de futebol profissional no Brasil, seus órgãos de comando, competições etc.

De maneira a iniciar a discussão, se faz necessário realizar uma abordagem de âmbito nacional a respeito do assunto referido anteriormente. Sobre esse aspecto, ressalta-se a presença da Confederação Brasileira de Futebol – CBF , como entidade encarregada pela grande maioria das ações referentes ao futebol profissional no Brasil. Entidade ligada e subordinada à Federação Internacional de Futebol e Associados – Fifa é ela quem, por exemplo, organiza os Campeonatos Brasileiros, desde a Série A até a D, como também a Copa do Brasil, essa constituída inclusive por sua versão feminina.

Mas, saindo um pouco da discussão sobre a CBF, passemos a direcionar a atenção em como funcionam essas competições de nível nacional, realizados no país. Conhecida por reunir os clubes de maior representatividade em cada época, a Série A do Campeonato Brasileiro conta com as grandes potências em termos de futebol no país. Atualmente, funciona com 20 clubes sob a forma de disputa de turno e returno, em que cada equipe joga 38 rodadas, 19 em seu estádio e mais 19 fora dele, alternadamente, e o campeão será aquele que somar o maior número de pontos no total. .O Campeonato Brasileiro da Série A apresenta em 2009 um calendário com início previsto em Maio e término em Dezembro. Algo similar pode também ser observado na disputa do Campeonato das Séries B e C também.

Entretanto, quando se observa os dias e horários dos jogos, nota-se uma alternância nos diferentes níveis. Enquanto, por exemplo, na Série A os jogos são realizados, usualmente, às quartas, quintas, sábados e domingos, os jogos da Série B apresentam dias de jogos nas terças, sábados e domingos. Com relação aos horários das partidas, tanto os da Série A, quanto os da Série B, apresentam horários que variam das 16h até jogos realizados às 20h50. Já os da Série C e D apresentam, em sua maioria, jogos entre 16h e 18h.

Já com relação à Copa do Brasil, como o próprio nome sugere, o torneio é disputado em forma de confrontos eliminatórios e não em turno e returno, sendo composto por 64 clubes, contando com a participação de equipes de todos os estados brasileiros. Os horários dos jogos se assemelham aos do Campeonato Brasileiro da Série A. Realizada no primeiro semestre de cada ano, é fortemente conhecida por também proporcionar ao campeão uma vaga para a disputa da Copa Libertadores, já que o Campeonato Brasileiro proporciona vagas para tal competição da mesma forma. Ainda cabe ressaltar a realização, desde 2007, da versão feminina do torneio, que, em 2009, contou com a participação de 32 clubes, sendo disputada no mesmo molde da masculina.

Saindo um pouco da apresentação sobre os campeonatos nacionais, vale comentar a existência de 26 federações estaduais de futebol, todas ligadas à CBF. Sobre essas, que são órgãos responsáveis, entre outras coisas, pelo suporte aos clubes de cada estado, se observa a tarefa principal de organização dos campeonatos estaduais. Esses, atualmente realizados no primeiro semestre de cada ano, normalmente com duração de Janeiro à Maio, salvo algumas exceções, representam uma das formas de disputa que dão a oportunidade de congregar o maior número de clubes profissionais em torno de uma competição regionalizada.

Trazendo a análise para o espaço e tempo de estudo deste trabalho, no estado do Rio Grande do Sul, verifica-se a presença da Federação Gaúcha de Futebol – FGF, como a entidade responsável em organizar tanto o Campeonato Gaúcho da Primeira Divisão quanto o da Segunda Divisão de Futebol Profissional.

Com relação ao Campeonato da Primeira Divisão, no ano de 2009, a competição contou com a presença de 16 clubes, dispostos em dois grupos. A disputa, realizada em dois turnos, promovendo a realização de jogos entre todas as equipes, obteve nessa edição como campeã a equipe do Sport Club Internacional, vencedora de ambos os turnos. No que diz respeito aos dias de jogos em que foram realizadas as partidas, os dias reservados foram quarta, quinta, sábado e domingo, com horários que variavam entre 16h e 22h. Resumidamente, tal campeonato representa uma disputa entre os clubes que, em anos anteriores, apresentaram os melhores desempenhos técnicos no campo de jogo, já que aqueles que não o obtiveram, se encontram disputando o Campeonato Gaúcho da Série B.

Sobre a disputa da Série B do Gaúcho, a mais relevante para este estudo, já que contempla alguns dos objetos de pesquisa deste trabalho, encontramos algumas diferenças se o compararmos ao da Primeira Divisão. No ano de 2009, a participação dos 23 clubes contrasta, por exemplo, com os 26 participantes do ano de 2008, algo não observado na Primeira Divisão, que conta sempre com o mesmo número de clubes. Tal situação se deve basicamente à falta de interesse ou de recursos econômicos de muitos clubes do estado, já que atualmente não existe uma Terceira Divisão, portanto, impossibilitando o acesso por promoção de divisão.
Em 2009, os tais 23 clubes, dentre eles o Sport Club Rio Grande e o Sport Club São Paulo, ambos objetos deste estudo, foram inicialmente distribuídos em três grupos, e por meio de qualificação e posteriores formações de outros grupos dentro da competição, renderam, ao final do campeonato, o acesso à Primeira Divisão do Campeonato Gaúcho para os clubes classificados em primeiro e segundo lugares.

No decorrer da competição, os jogos foram usualmente realizados as quartas, quintas, sábados e domingos, com horários dispostos entre e 20h30. Porém, por muitas vezes se observou mudanças imprevistas nos horários dos jogos. Muitas destas alterações visavam, entre outras razões, a diferenciação do horário de seus jogos em comparação com aqueles televisionados no mesmo momento, ocorrendo, por exemplo, jogos como o do Sport Club São Paulo e Grêmio Atlético Farroupilha, que foi realizado às 11h.

Transitando pelo debate sobre as torcidas

Hoje já não se percebe o fenômeno futebol sem a participação direta e/ou indireta do torcedor nesse processo. Aliada à noção mercadológica atribuída ao evento esportivo atual, criou-se um pensamento de que o papel do espectador nos jogos de futebol é tão vital para todo o espetáculo quanto para os profissionais envolvidos. Nesse panorama é que, principalmente nos períodos mais recentes, o foco dado às discussões sobre torcida/torcedor ganhou mais visibilidade. Diante disso, abordar-se-á, na discussão seguinte, questões presentes na relação torcida, espetáculo esportivo e órgãos de segurança.

Quando se fala em torcida/torcedor nos eventos de futebol, surge como carro chefe da discussão o conceito de torcida organizada. Altamente ligada à ideia de pertencimento ao clube, esses grupos se distinguem dos demais torcedores por possuírem, entre outras características, uma organização própria, geralmente de forma independente do clube; por sua fácil identificação em detrimento dos torcedores considerados “comuns”, no que diz respeito às suas vestimentas, uma vez que se utilizam de roupas próprias do seu grupo, “diferenciando-se” dos demais espectadores no estádio; por se utilizarem da criação de um espaço, dentro da vida urbana, que lhes possibilite uma visibilidade social enquanto grupo organizado, edificando a ideia em meio ao imaginário social de que devem ser vistos como uma categoria presente no futebol profissional, enfim, passaram a ser um dos mais importantes elementos envolvidos no fenômeno do futebol.

Sobre esses grupos, TOLEDO (1996), citando VELHO (1987), aponta para uma noção à cerca de tais organizações:

Estas organizações de torcedores são formadas por meio das paixões individuais que cada um traz consigo por um mesmo time, mas que, em torno de projetos coletivos, adquirem uma dimensão social pautada por interesses comuns. A organização de tais emoções, gostos e preferências, a priori subjetivos, norteia-se por estes projetos capazes de viabilizar, simbólica e materialmente, um sentido às emoções e expectativas individuais (p. 32).

Assumindo que as análises relacionadas às torcidas organizadas ganharam repercussão dentro das temáticas do futebol profissional atual, muito do que se pensa sobre violência nos estádios de futebol acaba por ser atribuído a tais grupos como forma de associar esses conjuntos a todo e qualquer episódio de confronto.

Sobre esse pensamento, podemos observar por meio do que pensa a Brigada Militar, como esses grupos são vistos por tal instituição: “principalmente nas torcidas organizadas (…) a gente se preocupa mais. Geralmente ali, o problema maior tá ali, do que as pessoas mais isoladas. (…) Geralmente sai dali, é uma preocupação com eles”.

Observa-se que independentemente do que aconteça, sempre se espera, por parte das torcidas organizadas, um episódio de conflito. Muito desta concepção emergiu do momento em que houve a associação entre as torcidas organizadas, típicas do Brasil, e os “hooligans”. Sobre esse assunto, TOLEDO (1996) aponta para uma diferenciação entre tais grupos, buscando um distanciamento entre tais:

A concepção de organização grupal das torcidas organizadas também difere daquela estrutura entre os hooligans que, de modo geral, prima pela transgressão deliberada e pelo anonimato (…) As Torcidas Organizadas almejam um lugar dentro do futebol profissional como participantes oficiosos do espetáculo (p,129).

Corroborando com a ideia de Toledo sobre torcida organizada e contrastando com o olhar dos órgãos de segurança sobre tal grupo, podemos observar que, esse grupo de torcedores tem obtido uma abordagem, por meio de exploração midiática e de discussões políticas, que procura problematizar a questão da violência nos jogos de futebol buscando nas torcidas organizadas o objeto fomentador de todo e qualquer tipo de transgressão que ocorra nos espetáculos de futebol. Contrastando com essa ideia, TOLEDO (1996), fala sobre a necessidade de uma reflexão sobre o tema da violência de forma mais ampla:

Longe de pertencerem ao universo estrito dos agrupamentos de torcedores, os fenômenos da transgressão e violência, veiculados de forma dramática por meio do futebol, fazem parte da própria experiência urbana mais ampla vivenciada nas cidades brasileiras: segregação espacial, desigualdades sociais, concepções sobre justiça e a polícia (p. 134).

Outra questão interessante a ser refletida é a percepção concebida pelos órgãos de segurança com relação ao trato com a torcida no estádio. Se analisarmos a fala da Brigada Militar que diz: “o nosso serviço no campo é a segurança da arbitragem e, depois, evitar que haja confronto entre torcedores assim né, qualquer tipo de confronto que haja lá dentro”, verificaremos que, no discurso, a principal função da Brigada Militar está na segurança do árbitro e não nas questões de torcida, contrastando com o que foi indicado anteriormente com relação, por exemplo, das torcidas organizadas, em que havia uma preocupação maior, mas que diante dessa fala já não se pode observar no mesmo sentido citado.

Assim, é que se observa por parte dos órgãos de segurança uma indefinição sobre a sua atuação dentro do espetáculo de futebol como também uma dificuldade em conceituar aquilo que é da torcida ou que papel que ela exerce, pois se nota uma dificuldade tanto em definir a sua preocupação principal dentro do estádio como órgão atuante, assim como definir em que “tipos” de torcedores é que os confrontos possam ocorrer.

Organismos de Segurança: pressupostos e ações

Em tempos atuais, quando se pensa futebol no Brasil, uma das principais preocupações referentes a esse espetáculo tem sido a questão da segurança dentro e fora dos estádios. Fruto de muita discussão científica e política, especialmente a partir da década de 1990, quando casos de conflitos entre torcedores obtiveram maior repercussão pública, esse assunto passou a ser tema da maioria dos debates que envolvem uma partida de futebol.

No âmbito político, inúmeras sansões visando à segurança já foram tomadas por meio de diversas leis e decretos, porém, uma em especial, ganhou maior destaque por sua “pretendida” reformulação no cenário esportivo, em especial no futebol. Tal medida, o Estatuto do Torcedor, surgiu trazendo consigo uma proposta de reestruturação dos locais esportivos, especialmente, os estádios de futebol, buscando uma “assepsia” desses locais, com fins preventivos e de combate à violência. Nesse sentido, analisando a aplicação de tal Estatuto dentro da realidade de nosso futebol, é apontada por RIGO et al (2006) com desconfiança, pois:

Sabemos também que em muitos casos algumas medidas preventivas por parte dos responsáveis pela organização do espetáculo podem evitar trágicos acidentes e muitas cenas de violência Nesse sentido consideramos que mais do que ocorreu durante a sua elaboração é importante que a implementação do EDT aconteça conectada a realidade do mundo futebolístico brasileiro, respeitando as peculiaridades dos clubes, dos jogadores e dos torcedores (p, 236).

Tratar de segurança no futebol é, antes de tudo, debater, analisar, verificar sobre qual espetáculo estamos falando, em qual realidade que ele é aplicado, para que se possa elaborar medidas que busquem, em meio às especificidades do ambiente ao qual elas serão aplicadas, um panorama de controle das atividades referentes ao espetáculo.

No caso do futebol da cidade de Rio Grande (RS), os órgãos de segurança pública envolvidos nos jogos, no campo da conceituação do que é segurança nesses ambientes, deixam entendidos, por meio de suas falas, uma tendência interessante: “a Polícia em geral trabalha em preventivo e ostensivo, ostensivo porque a gente trabalha fardado (…) nos mostrando ao máximo né? (…) e preventivo porque tu está ali para que não aconteça nada, para que a presença do policial faça com que as pessoas se desestimulem a fazer alguma coisa errada(…) para evitar que ocorra um tumulto, para evitar que daqui a pouco tu te estresse lá com um torcedor e queira partir para a paulada com ele. A gente ta lá nesse sentido, preventivo para que não ocorram esses fatos, essa é toda a finalidade do policiamento”.

“Prevenir”, “se mostrar”, essas palavras demonstram uma tendência clara dos órgãos de segurança, na qual a estabilidade nos estádios deve ser atingida por meio, primeiro, de ações concretas, do “corpo a corpo” e, em segundo, pela figura de autoridade que deve ser exposta e “temida” pelas pessoas presentes nas partidas. Diferentemente de como atuam os Bombeiros, que nesse processo se preocupam com as questões estruturais e de material nos estádios , como afirma uma representante desse órgão: “na verdade não há Lei ou Decreto Estadual que regulamente a atuação do Corpo de Bombeiros nos dias de jogos, a função é vistoriar a segurança do Estádio ou Ginásio para liberação do Alvará de Prevenção e Proteção contra incêndios”, o papel da Brigada está mais vinculado à ação de conter e combater as “agitações” presentes no estádio do que propriamente oferecer, atrelada às intenções do Estado, um espetáculo esportivo que ofereça um ambiente organizado e que respeite as pessoas envolvidas .

Sobre a Brigada Militar

Na tentativa de caracterizar essa instituição peculiar ao Estado do Rio Grande do Sul, primeiramente, abordaremos fatos referentes à sua criação e seu estabelecimento como órgão de segurança, para, então, falarmos sobre as questões pertinentes a sua linha de atuação sob uma perspectiva contemporânea.

A Brigada Militar tem sua origem ligada à Revolução Farroupilha, de 1835, que por meio da Lei Provincial nº 7, de 18 de novembro de 1837, instituiu a Força Policial, um órgão responsável por auxiliar na justiça, manter a ordem e a segurança na capital, nos subúrbios e comarcas. Exceto em caso de invasão inimiga, não poderiam deixar de cumprir essas obrigações.

Em 5 de maio de 1841, por meio da determinação do Dr. Saturnino de Souza Oliveira, então presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, ficou estabelecido a mudança da Força Policial para Corpo Policial, na qual se pode observar um destaque maior à tal companhia. Sua principal atuação inicial foi a de agir na tentativa de pacificação da província.

Passado alguns anos atuando como Corpo Policial, podendo ser observada sua participação na Guerra do Paraguai, em 1873, se deu a criação da Força Policial em seu lugar, que manteria algumas características militares anteriores, mas provocaria diversas mudanças em sua estrutura.

Posteriormente, com a Proclamação da República, o estado passou por diferentes adaptações ao novo panorama político e no campo dos órgãos de segurança não foi diferente. Em 1889, há novamente uma substituição na Força Policial, transformando-a em Guarda Cívica do Estado. Em um período curto de tempo, tal corporação obteve diferentes denominações, tais como Corpo Policial, Brigada Policial, Guarda Cívica, mas todas com pequena duração.

Já em 15 de outubro de 1892, a então Guarda Cívica, foi extinta e culminou com a criação da hoje conhecia Brigada Militar, que “nascia” com a função de “zelar pela segurança pública, manutenção da República e do Governo do Estado, fazendo respeitar a ordem e executar as leis” . Apresentando essa denominação, a Brigada esteve presente na Revolução Federalista, Campanha da Legalidade entre outras.

Com isso, por meio de uma busca histórica a respeito do surgimento da Brigada Militar e de suas primeiras ações, chegamos ao momento atual dessa instituição que hoje apresenta inúmeros desdobramentos dentro da sociedade gaúcha e que atua vinculado a estruturas administrativas que a regem dentro de leis, sendo essas capazes de organizar e legitimar a Brigada.

Sob o ponto de vista da Constituição Federal, o item relacionado à segurança Pública estabelece que a Polícia Militar, que, no caso do Rio Grande do Sul, é a Brigada Militar, deve ser vista como um dos órgãos do Estado destinados a preservar a ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio (BRASIL, 1988). Ainda sobre o artigo, no parágrafo quinto, que trata especificamente sobre as polícias militares, em que se enquadra a Brigada, fica estabelecida uma outra função além daquelas vistas anteriormente, que é a de policiamento ostensivo.

Contudo, mesmo com as atribuições previstas na Constituição Federal, a Brigada Militar possui espaço dentro da Constituição Estadual do Rio Grande do Sul. Fica localizada mais precisamente dentro do Capítulo sobre Segurança Pública e aparece nos artigos 129 a 132. Nesses, pode se notar uma diferença com relação á disposição presente na Constituição Federal, que fala sobre as funções das polícias militares, sendo que agora fica incluída a função de policiamento externo de presídios e de polícia judiciária militar.

Pode ser citada ainda a Lei 10.991 do Estado do Rio Grande do Sul, em que são definidas as diretrizes que dispõem sobre a Organização Básica da Brigada, que entre muitas competências e cargos, vincula administrativa e operacionalmente esse órgão à Secretaria de Segurança Pública do estado do RS.

Um fato interessante sobre essa corporação atuante no Rio Grande do Sul é a sua denominação diferenciada com relação aos demais estados da União, mas como vimos em sua perspectiva histórica e como afirma o Regimento Interno da Brigada Militar, “a Brigada Militar, instituição permanente e regular, organizada com base na hierarquia e na disciplina […] é a Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Sul”.

Sobre o Corpo de Bombeiros

Quando pensamos em Bombeiros, talvez uma das primeiras e principais funções das quais possamos atribuir a esse órgão seja a de combate aos incêndios, o que não nos induz a nenhuma inverdade, certamente, mas quando se faz uma análise mais minuciosa à respeito, é possível observar que outras incumbências também fazem parte das obrigações do Corpo de Bombeiros. É sobre essa perspectiva que trataremos a discussão a seguir, objetivando uma possível conceituação sobre o que é Corpo de Bombeiros (e aqui se entenda aqueles pertencentes ao Estado do Rio Grande do Sul), percorrendo um pouco de sua história e de sua legitimação enquanto órgão público.

Na Porto Alegre de 1895 era notável a expansão urbana do município, principalmente no que se tratava à questão de serviços, com destaque para os transportes, comércio e iluminação pública. Porém, a cidade em meio a tanto crescimento também via seus problemas aumentados. Incêndios eram cada vez mais difíceis de serem controlados em meio a ruas que se amontoavam umas por cima das outras, nascidas pelo aumento da cidade e também ainda pelo pouco aparato material que continham os corpos de voluntários, que mesmo desorganizados tentavam agir em meio aos acontecimentos, já que a cidade não possuía um serviço oficial para tal fim.

Diante desse panorama é que as Companhias de Seguros instaladas em Porto Alegre, sofrendo economicamente com as queimadas constantes, se organizaram e fundaram um Corpo de Bombeiros, administrando e estruturando-o. A iniciativa das Companhias oficializou o primeiro Corpo de Bombeiros da cidade, com aparelhamento semelhante ao das principais capitais do país na época. Foi então que em 1º de março de 1895 que a ideia de corpo de Bombeiros no Rio Grande do Sul surgiu, inicialmente com o efetivo de 17 funcionários, sendo 10 chamados de “soldados de fogo”, que contavam com um carro de bomba manual puxado por parelhas de cavalos usados no combate à incêndios na cidade de Porto Alegre.

Passados cerca de 40 anos, já era consenso nas Companhias que com os avanços nas exigências de serviços na cidade de Porto Alegre, o aumento de materiais mais modernos exigia mais recursos e, portanto, era vinculada a ideia de que esse serviço de Bombeiros fosse assumido pelo Governo ou Município, o que já era prática comum em grandes cidades. Nesse sentido, é que, em 27 de junho de 1935, o General Flores da Cunha, interventor no Governo do RS, emitiu um decreto transferindo a responsabilidade do corpo de Bombeiros, à época particular, de Porto Alegre à brigada Militar. Tal medida contribuiu no sentido de melhora estrutural dos Bombeiros, que agora usufruiriam dos recursos da Brigada Militar. Mas mesmo com o crescimento técnico obtido após a unificação do CCB (Comando do Corpo de Bombeiros) com a BM, por meio do Decreto 20.277 de 1970, a diretoria dos Bombeiros e seus órgãos foram desativados, transformados em Pelotões Especiais de Socorro, com subordinação às unidades de Policiamento. Durante o período de 1970 a meados de 1974, o que se pode observar foi um sucateamento do CCB.

Entre idas e vindas, depois de decretos e mais decretos, extinções e ressurgimentos dos Bombeiros, em 2002, o CCB foi novamente religado à Brigada Militar, com o objetivo de: “planejar, organizar, fiscalizar, controlar e instruir, é também responsável pelas atividades técnicas de bombeiro em todo o Estado, bem como pela orientação e instrução dos serviços auxiliares de combate a incêndio” . Cabe salientar que em 1997, com a reestruturação da Brigada Militar em 1997, foram criados 8 Comandos Regionais de Bombeiros, sendo que, em Rio Grande/RS (espaço desta pesquisa), se encontra atualmente o 3º Comando Regional de Bombeiros. Hoje, o CCB conta com três divisões principais que são: Divisão Técnica de Prevenção de Incêndio e Investigação, Divisão de Operações e Defesa Civil e Divisão Administrativa.

Agora, trazendo a discussão sob o ponto de vista legal, daquilo que organiza o Corpo de Bombeiros, temos em âmbito nacional, visto na constituição de 1989, uma pequena citação no art. 144, que trata sobre Segurança Pública que considera o Corpo de Bombeiros como um dos órgãos destinados a preservar a ordem social, como também cita no parágrafo 5º do mesmo artigo, ao determinar que cabe aos Bombeiros, além daquilo previsto na lei, a execução de atividades de defesa civil.

Considerando o que diz respeito ao Corpo de Bombeiros no estado do Rio Grande do Sul, observamos que no Decreto 42.871 de 2004, a localização do CCB dentro da Brigada Militar. No art. 3º, inciso II, nota-se que o Comando do Corpo de Bombeiros é compreendido como um órgão de apoio à BM, cabendo, de acordo com a seção II, do capítulo que trata dos comandos regionais e especiais, “administrar e executar as atividades de bombeiros, defesa civil e de segurança pública em seus respectivos espaços de responsabilidades territoriais, e também as atividades administrativo-operacionais dos OPM que lhes são subordinados” .

Futebol e organismos de segurança: uma relação a ser analisada

Aproximando essa discussão com o tópico tratado neste trabalho, que verifica a relação dos órgãos de segurança com os espetáculos de futebol, observar-se-á que surgem elementos interessantes que serão abordados a seguir.

Inicialmente, faz-se necessário discutir o envolvimento dos organismos de segurança em eventos como são os jogos de futebol.

Em termos organizacionais, a Brigada Militar, órgão presente nos dias de jogos, apresenta dois artifícios que norteiam sua atuação nos espetáculos. Um deles são as ordens de serviço, uma espécie de documento prévio que delega quais funções cada Brigada irá executar dentro do estádio, ou fora desse. Desde quem vai cuidar da segurança do árbitro até aqueles que trabalharão nas arquibancadas, tudo é estabelecido dentro desse documento, assim como são definidos, nas escalas, aqueles que serão incumbidos de participarem dos eventos, ou seja, uma forma de estabelecer aqueles brigadeanos que estarão presentes no estádio.

Basicamente, são esses os procedimentos utilizados pela Brigada Militar no que se refere à sua atuação e planejamento com relação aos jogos de futebol na cidade de Rio Grande(RS), como aponta um representante da BM: “todo o tipo de serviço da Brigada funciona assim, nada é feito ao “léu” assim, tem ordem de serviço para tudo, não só para o campo de futebol, qualquer operação”.

Já em termos conceituais, por parte da Brigada, o termo violência aparece vinculado a algo próprio das torcidas, uma tendência quase que “natural” desses grupos, uma vez que é apontado diante de uma fala da Brigada que:”já é diferente se eu sei que vai ter São Paulo e Brasil de Pelotas, aí eu sou obrigado a escalar um efetivo maior, porque eu sei que vai dar problema, porque é um jogo que dá problema, justamente por essa rivalidade que tem Rio Grande e Pelotas”.

Partindo do entendimento dessa fala, se percebe a noção de que a presença de policiamento nos estádios de futebol está mais relacionada à possibilidade de que ocorra algum episódio de violência do que propriamente da necessidade lógica de que esse serviço tenha que ser oferecido em tais ambientes. Interessante é pensar que não são só as partidas de futebol que produzem uma presença massiva de público, ou seja, outros eventos também a mesma perspectiva de concentração de pessoas, mas parece haver, nos estádios de futebol, uma tendência maior de que situações de conflito aconteçam. Sob essa questão, REIS (2005) contribui para essa discussão, afirmando que:

As formas de violência observadas em estádios de futebol são similares às presentes em eventos de multidões, o que respalda a análise de que a violência não é fruto do futebol em si, mas está associada aos eventos futebolísticos por vários fatores, e, em nosso país, podemos dizer que há uma cultura do vínculo de uma relação quase simbiótica entre futebol e violência (p. 117).

Partindo dessa suspeita com relação ao trato com as partidas de futebol e buscando uma análise com relação à atuação dos órgãos de segurança em tal evento, se percebe uma desvalorização de aspectos inerentes ao jogo de futebol, uma vez que esse ambiente produz situações próprias, o público envolvido gera momentos que são únicos daquele espaço/tempo, e que, normalmente são sufocados ou desprezados por quem é incumbido de realizar a segurança nesses lugares. Pensar uma partida de futebol e um show musical, por exemplo, é considerar que diferentes emoções estão envolvidas, das mais variadas motivações com relação ao evento podem ser esperadas, como também, que a configuração espacial também é, no mínimo, diferente.

No sentido de corroborar essas ideias apresentadas, são apresentadas algumas falas que indicam essas tendências: “só que no pequeno evento a gente vai tranquilo, menos efetivo, não é tão preocupante. (…) Tudo o que acontece aqui acontece em outros lugares (…) é a mesma coisa trabalhar aqui, lá no Olímpico, no Beira-Rio”.

Entretanto, do ponto de vista dos órgãos de segurança, independentemente do evento, a atuação deve ser a mesma. Elementos que possam caracterizar um lugar, um estádio, uma torcida não são levados em consideração na atuação da Brigada Militar. Para corroborar com esse pensamento, surge um depoimento do representante da Brigada Militar, afirmando que “a diferença é só em termos de efetivo O serviço é sempre o mesmo,o que nós temos que fazer em um grande evento, nós temos que fazer em um pequeno evento também”.

Não considerar as diferenças é acreditar na padronização de comportamentos. Nesse sentido, se pressupõe que, diante de uma unificação no modo de agir nos espetáculos de futebol por parte dos órgãos de segurança, estaria implícita uma intenção de criar no imaginário dos espectadores presentes nos estádios, uma uniformização no modo de torcer, modelando os sujeitos a um “jeito” de se portarem nas arquibancadas que fosse aceitável dentro de padrões esperados de um cidadão.

Contudo, ao analisarmos uma torcida de futebol, veremos que não há uma universalização no modo de torcer. Cada torcida apresenta configuração própria, influenciada por diferentes questões e locais, portanto, difícil é imaginar em uma uniformização no modo de portar-se e viver o futebol nas arquibancadas.

Ainda, cabe ressaltar uma discussão sobre a relação dos órgãos de segurança públicos em eventos, essencialmente, de cunho privado que são os jogos de futebol profissional. Se por um lado os jogos de futebol envolvem grandes massas, sendo locais com considerável aglomeração de pessoas, e que talvez seja uma justificativa para a presença dos órgãos de segurança nesses ambientes, não se pode conceber esses eventos como de interesse da vida pública, uma vez que possuem caráter privado por serem organizados por instituições particulares. Nesse sentido, considerando a Polícia um órgão de interesse do Estado, sob o ponto de vista lógico, qual a relação desses organismos com eventos produzidos de maneira privada? Sobre essa questão, uma fala retrata bem como os órgãos de segurança pública encaram esse assunto: “mas mesmo assim é missão nossa, é missão constitucional da Polícia Militar atuar em eventos esportivos (…) uma determinação que as Polícias Militares, elas estejam presentes onde haja qualquer tipo de aglomeração de pessoas, de qualquer evento que possa causar algum tumulto, que tenha necessidade, então é permissão constitucional”.

Conclusão

Vistas como umas das principais instituições públicas no nosso Estado, a Brigada Militar e o Corpo de Bombeiros apresentam, em termos históricos, um envolvimento nas questões sociais, que os proporcionaram um status de referência enquanto órgãos de segurança pública. Tanto o é que, somente no estado do Rio Grande do Sul, a Polícia Militar possui uma denominação diferenciada, sendo conhecida como Brigada Militar, visto sua importância dentro da sociedade gaúcha.

Tendo o futebol como um elemento produzido pela nossa sociedade, o qual, inclusive esses órgãos de segurança aparecem envolvidos, apresenta diversas ramificações no interior de nosso cotidiano, percebemos a importância desse desporto nos acontecimentos de nossa comunidade. Pensar que o futebol moderno determina, em meio a suas peculiaridades, como por exemplo, os horários de suas partidas, os funcionamentos de uma cidade, a organização espacial dessa, podemos pensá-lo em uma das atividades que, atualmente, fazem parte dos elementos constituintes de nossa sociedade.

Sobre esse futebol, alguns elementos aparecem como importantes em sua discussão, primeiro, a torcida, elemento, hoje visto como um das partes que constitui o espetáculo do jogo de futebol; em segundo lugar, a preocupação crescente com questões de segurança nos estádios de futebol, tema bastante debatido em tempos atuais; e a relação existente entre os organismos de segurança e os eventos esportivos, no caso, o futebol e seus desdobramentos.

Sob o ponto de vista das discussões sobre as partidas de futebol profissional, identifica-se que a presença da Brigada Militar, no caso do Rio Grande do Sul, e do Corpo de Bombeiros constitui um fato demarcador sobre os órgãos envolvidos nesse evento. Os Bombeiros, como órgão preocupado com questões estruturais e de combate a incêndios, possui uma atribuição mais relacionada à vistoria nos ambientes esportivos, do que propriamente de atuação nesses eventos, função essa, destinada à Brigada. Essa por sua vez, assume papel centralizador nas questões que dizem respeito a tudo que envolve futebol profissional.

No que diz respeito à Brigada, observa-se uma organização baseada em protocolos apenas voltados às questões de atuação, seja por ordem de serviço ou escala, mas que produzem a ideia de não haver uma preocupação em debater questões pertinentes a um jogo de futebol, no que diz respeito a elementos próprios de cada partida. Mesmo com essas intenções de protocolo, pareceu haver uma flexibilização diante de diferentes situações, uma vez que, o discurso apontava para uma organização-padrão diante de certas partidas, contrastando com o observado, já que, em algumas vezes, o número de efetivo não foi condizente com aquele apontado nas falas das pessoas entrevistadas.

Uma outra questão bastante importante nessa análise, centrou-se no papel estabelecido pela Brigada de se preocupar, prioritariamente, com a segurança da arbitragem, definido como função principal desse órgão nas partidas. Fato esse, não observado tanto nos jogos como nas entrevistas, já que, constantemente, foi veiculado uma obrigação da presença da Brigada quando se tratasse de eventos com multidão, bem como um discurso que apontavam as Torcidas Organizadas como o elemento causador de preocupação por parte da Brigada dentro do espetáculo. Enfim, muito do que se observou no discurso produzido por aqueles da Brigada Militar apontavam para uma realidade não observada no ambiente de atuação desse órgão, deixando claro que são várias as preocupações dentro de um jogo de futebol, mesmo que isso não apareça quando se observa o pensamento dos organismos de segurança.

Diante do que foi refletido, analisado, verificado, dois fatos surgiram como de necessidade para posteriores estudos. Primeiro, fica claro que os órgãos de segurança buscam, por meio de ações baseadas em um modelo pré-estabelecido, uma resposta padrão por parte dos espectadores nas arquibancadas, apontando para um comportamento definido do “torcer”.

Ainda, especula-se a necessidade de abrir um debate sobre a localização de um órgão de utilização pública dentro de um evento prioritariamente privado, sendo necessária a análise de quais argumentos co-relacionam ambos, buscando uma problematização do tema surgido a partir do estudo das questões de órgãos de segurança nas partidas de futebol.

Em suma, o estudo da violência nos espetáculos de futebol passa pela verificação de alguns aspectos constituintes de todo esse processo complexo que é uma partida de futebol. Como elementos incluídos nesse fenômeno, os organismos de segurança apresentam papel importante e decisivo na organização do espetáculo e das pessoas, entretanto, necessitariam de uma maior observação dos elementos presentes nas partidas, bem como de um debate que aproximasse a sua atuação com elementos conceituais, de forma a enxergar nos eventos de futebol algo mais complexo do que pode parecer.

Bibliografia

DAOLIO, Jocimar. Futebol, cultura e sociedade. Campinas, SP: Autores Associados, 2005.

ELIAS, Norbert; DUNNING, Eric. A busca da excitação. Lisboa: Difel, 1992.

GIULIANOTTI, Richard. Sociologia do futebol – Dimensões históricas e socioculturais do esporte das multidões. São Paulo, SP: Nova Alexandria, 2002.

REIS, Heloisa H.B; ESCHER, Thiago A. A relação entre futebol e sociedade: Uma análise histórico-social a partir da teoria do processo civilizador. In: Simpósio Internacional do Processo Civilizador, IX, 2005, Ponta Grossa (PR).

RIGO, Luis C. et al. Estatuto de Defesa do Torcedor: um diálogo com o futebol pelotense. Revista Movimento, v.12, n.02, p. 223-239, maio/agosto, 2006.

TOLEDO, Luiz H. Torcidas organizadas de futebol. Campinas (SP): Autores Associados/Anpocs, 1996.

< http://www.brigadamilitar.rs.gov.br/museubm/index.html&gt; Acesso em: 29/03/2010

< http://www.brigadamilitar.rs.gov.br/bombeiros/ > Acesso em: 03/04/2010

< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/_ConstituiçaoCompilado.htm > Acesso em: 16/04/2010

< http://www.al.rs.gov.br/prop/legislacao/constituicao/constituicao.htm#T04C01 > Acesso em: 24/04/2010

*Acadêmico do Curso de Educação Física-Licenciatura da Universidade Federal de Rio Grande-FURG e Treinador da categoria sub-13 do Sport Club Rio Grande/RS. E-mail: felipzzz@hotmail.com

(1) Órgão maior responsável pelo futebol profissional no Brasil, que possui vinculação à FIFA.

(2) Seguindo a ideia de TOLEDO (1996), umas das características dos membros pertencentes às Torcidas Organizadas passa pela idéia existir, nesses grupos, uma congregação de paixões individuais em torno de uma mesma instituição, de maneira que emoções, gostos e preferências expressam-se de forma coletiva.

(3) Para mais acessar: http://www.brigadamilitar.rs.gov.br/museubm/index.html

(4) Aqui se refere a algo aparente ou aquilo para se mostrar.

(5) Para mais acessar em: http://www.brigadamilitar.rs.gov.br/bombeiros/hist-rs.html

(6) Para mais, ver no decreto 42.871, de 04 de fevereiro de 2004 do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, que Regula a Lei de Disposição Básica da Brigada Militar.

Heloisa Reis, estudiosa da relação futebol x violência (Universidade do Futebol)

Na entrevista a pesquisadora trata do tema violência no futebol e seus reflexos sociais

Marcelo Iglesias

03/07/2009

Para os apaixonados por futebol, ir aos estádios assistir às partidas é uma experiência única de prazer. No entanto, por conta da violência que se observa em dias de jogos e pelas condições precárias de segurança, de conservação e de serviços que são oferecidas no Brasil, o momento genuíno do torcedor perde muito do seu valor.

Em alguns países em que a violência nos dias de jogos de futebol também era um problema grave, houve alterações nas leis para punir exemplarmente os causadores de episódios de tumulto. Além disso, foram realizadas melhorias nas condições dos estádios para que o público, agora visto como consumidor do espetáculo, pudesse desfrutar daquele momento da melhor maneira possível. Com isso, a própria população passou a enxergar o futebol de forma diferente, e a modalidade ganhou status de grande evento.

“Em países como a Espanha e a Inglaterra, que minimizaram a questão da violência, fizeram-se leis que criaram responsabilidades não apenas para as torcidas e para os torcedores, mas também para os dirigentes, técnicos e jogadores que façam declarações provocativas”, contou Heloisa Reis, professora assistente da Universidade Estadual de Campinas, graduada, mestra e doutora em Educação Física, atuando com ênfase em Sociologia do Esporte, Lazer e Pedagogia do Esporte, em entrevista exclusiva à Universidade do Futebol.

Pensando no problema sério que se tornou a violência entre torcedores, dentro, no entorno e no caminho para os estádios, e na maneira como outros países fizeram para minimizar os casos de violência em dias de jogos, Heloisa Reis desenvolveu um estudo sobre o tema comparando o Brasil com a Espanha.

Durante a entrevista, ela falou sobre as conclusões dessa pesquisa, além de expor a sua opinião sobre algumas medidas governamentais brasileiras que visam a redução da violência nos estádios, como a proibição da venda de bebidas alcoólicas. A pesquisadora também se posicionou em relação à preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2014.

Universidade do Futebol – Quais são as raízes da violência no futebol brasileiro?

Heloisa Reis – Elas estão centradas em dois focos: um macroestrutural e um microestrutural. Esse, eu chamo de ambiente do futebol e aquilo que está relacionado à infraestrutura dos estádios. Os países que montaram uma política de prevenção à violência com sucesso tomaram como principio básico a melhoria das estruturas dos locais de jogo e da organização do espetáculo.

Nessa atmosfera, alguns aspectos que mais têm relação com a violência são a venda dos ingressos, a maneira como os torcedores são conduzidos para dentro dos estádios e a sua abertura com grande antecedência. Seria interessante oferecer partidas preliminares para estimular os torcedores a entrarem antes, além da comercialização de ingressos de maneira mais eficiente.

Incluo nessas questões microestruturais, mas que também fazem parte das macroestruturais, um grupo de agentes de segurança especializados, que entendam mais a problemática da violência e conheçam o público de futebol, tratando-o como gente, e não como animais.

No entanto, quando se fala em raízes, temos que considerar mais a questão macroestrutural. Nós ainda vivemos em uma sociedade em que a violência é predominante em várias esferas. Sendo assim, tem-se o uso abusivo de armas de fogo, o que tem uma relação com o crescimento de homicídios no futebol.

Mais do que isso, as condições de moradia são precárias, a juventude está ociosa e a qualidade das escolas é muito baixa. Apesar de nos últimos anos ter-se aberto mais o acesso da população à escola, a qualidade do ensino caiu muito.

Essa questão da escolaridade de baixa qualidade desestimula os jovens ao estudo e faz com que eles não tenham projetos de vida em sociedade, o que os leva a procurar os seus iguais em grupos em que as maneiras de expressar, via de regra, são pela violência.

Outro ponto que deve ser destacado nessa questão das raízes é a exacerbação dos valores de masculinidade expressos por meio do futebol e por meio do esporte espetáculo, de modo geral, o que criou a cultura de que o esporte é para os homens, de maneira que, demonstrar nesses ambientes futebolísticos que se é agressivo, violento e forte, passa a ser uma marca distintiva de gênero, de masculinidade. Isso é uma questão mundial, não só brasileira, e que se atribui como a principal raiz da violência relacionada ao futebol.

Universidade do Futebol – Qual o melhor caminho para acabarmos com a violência entre as torcidas? Que medidas devem ser tomadas pelas autoridades?

Heloisa Reis – É importante que se coloque que o problema da violência é muito complexo e que abrange uma série de motivos, raízes e agentes que têm de ser modificados.

Então, a expressão que se poderia utilizar para sermos mais corretos sobre esse assunto é: como fazemos para minimizar os casos de violência que acontecem no futebol? É nessa perspectiva que se trabalha na Europa e que eu trabalho aqui no Brasil.

Acredito que para ocorrer a redução dessa violência, há que se diminuir, também, a impunidade no Brasil. A falta de punição, tanto nas questões relacionadas com a violência no futebol quanto no que se refere aos nossos políticos (a Câmara e o Senado), tem de mudar. Os governantes passam a ser modelos para a juventude. Muitas vezes eu ouvi torcedores dizendo que “os nossos exemplos, os políticos, são corruptos, não são sérios e não fazem o seu papel. Por que estão cobrando de mim que só quero ser respeitado e ter dignidade para assistir a um jogo de futebol?”.

Portanto, tem-se a impunidade como a grande inimiga da diminuição da violência na sociedade como um todo e, particularmente, no futebol. Por que particularmente no futebol? Porque é nesse ambiente que se concentra o maior número de jovens do sexo masculino, grande parte deles com a intenção de se auto-afirmarem, torcendo, sendo agressivos, alimentando a intolerância e as individualidades.

É preciso fazer modificações nas leis para que existam instrumentos legais de punição efetiva para aqueles que cometem crimes ou transgressões graves nos dias de jogos de futebol. Além disso, o Estado deve trabalhar junto às torcidas organizadas, tendo como intermediário a universidade, pois ela possui profissionais competentes e mecanismos para oferecer à população masculina jovem, que se concentra nessas entidades de torcedores, atividades de lazer esportivo de qualidade e oficinas as quais vão tratar das questões mais graves da juventude atual: o uso abusivo de álcool, responsável por parte da violência nos dias de jogos, e o uso de outras drogas não-lícitas, principalmente a maconha, a cocaína e o crack, os quais são usados dentro dos estádios com a permissividade da Polícia Militar.

Portanto, juntamente com as novas leis, há de se realizar campanhas educativas e projetos de desenvolvimento pessoal para esses jovens do sexo masculino, em parceria com as torcidas organizadas (todas elas). Essa é uma questão.

A outra, no âmbito do Estado, do governo, é a urgente retomada dos trabalhos da Comissão Nacional de Prevenção da Violência. Porque ela, que foi sugerida por mim e criada pelo presidente da República em 2004, tem como objetivo reunir os maiores especialistas sobre o tema para propor mudanças na lei, montar um arquivo nacional das ocorrências de violência e sugerir mudanças de curto, médio e longo prazos para prevenção e diminuição da violência nos dias de jogos.

Contudo, na época, essa comissão não foi constituída pelos melhores especialistas, mas sim pelos amigos do ex-ministro Agnelo Queiroz, responsável por indicar os seus membros. Mas, enfim…

Nos anos 2005 e 2006, a comissão foi coordenada por Marco Aurélio Klein, um sociólogo e especialista em marketing esportivo, e conseguiu elaborar um relatório com muitas qualidades, o qual ouviu os torcedores e vários especialistas. Só que esse trabalho está estagnado. Foi feita a primeira fase do projeto proposto e nunca mais a comissão se reuniu. É preciso que isso seja retomado.

Por outro lado, tenho sugerido trabalhos que propõem aos estados que possuem essa problemática mais agravada (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia) que criem comissões estaduais de prevenção da violência, reunindo os seus especialistas para proporem medidas, incluindo nessas discussões os representantes de torcidas organizadas, para que se possa tê-los como aliados na constituição de uma política de prevenção estadual e nacional de prevenção da violência.

Universidade do Futebol – Muitas pessoas acreditam que a extinção das torcidas organizadas resolveria esses problemas. Qual sua opinião sobre isso?

Heloisa Reis – Essa visão é completamente infundada e absurda, porque não são todos os torcedores organizados que brigam e aqueles que cometem os delitos nem sempre são torcedores organizados. Isso já justificaria a questão.

Conceituo as torcidas organizadas como agremiações de torcedores que se reúnem, inicialmente, para torcer por um clube. Essa associação se faz, principalmente, por membros do sexo masculino (93% dos componentes das principais torcidas organizadas de São Paulo são homens), os quais se juntam, em grande parte das vezes, não pura e simplesmente para torcer, mas para que se forme um grupo em que haja pessoas capazes de discutirem a política do clube, a política de esportes, e uma série de outras questões que, principalmente o jovem (entre 15 e 30 anos, os quais constituem o grosso dessas torcidas), não tem outro espaço para debater.

As escolas e as universidades não têm mais os centros acadêmicos desenvolvidos para a discussão dessas questões, e os ambientes de trabalho não são locais onde as pessoas congregam-se para debater sobre as políticas do país.

Acabar com as torcidas organizadas seria extinguir uma das poucas possibilidades de instituição social criada pela própria juventude. Acredito que seria matar uma juventude que está tentando participar do processo político. Além disso, existe o fato de que nem todos os membros são aqueles que brigam. Acho um tremendo equívoco.

Mais do que isso, o Estado perderia uma grande oportunidade de ter alguma influência sobre essas torcidas, as quais deixariam de ser instituições regularizadas. Outra questão que contribui para a minha posição contrária à extinção dessas agremiações é o fato de se saber que aquelas que não são legalizadas, que se auto-intitulam torcidas organizadas, com grupos pequenos de jovens, são, hoje, o maior problema da violência nos dias de jogos. Essas, normalmente, formam-se em bairros muito distantes, onde há enorme carência de políticas públicas de lazer, de educação, de moradia e de emprego. A partir daí, reúnem-se 10 ou 20 jovens que vão em direção aos estádios pelas estações de trem, de metrô e pela rua, intimidando e ameaçando as pessoas ou grupos de outros torcedores.

Esse fato demonstra que extinguir as torcidas organizadas e jogá-las na clandestinidade, junto de muitas outras, tornará o problema algo muito mais complicado para o Estado.

Porém, o meu posicionamento contrário à pura e simples extinção das torcidas organizadas não exclui a necessidade de punir aqueles grupos de torcedores que cometem crimes em dias de jogos ou mesmo as torcidas organizadas que não se prontificarem a colaborar com a política nacional, exigindo, por exemplo, os antecedentes criminais dos seus associados. Na medida em que se admitem pessoas em débito com a sociedade dentro dessas torcidas, elas também estão sendo coniventes com a violência e com a impunidade.

Universidade do Futebol – Você acredita que imprensa, jogadores e dirigentes também têm sua parcela de responsabilidade pela violência no futebol ao incitarem a rivalidade entre os times?

Heloisa Reis – Eles têm uma enorme responsabilidade. O que acontece nas análises da mídia, em geral, é responsabilizar de maneira rápida e leviana apenas as torcidas organizadas.

Eu penso que o coletivo formado pela imprensa, dirigentes, técnicos e demais agentes talvez seja mais responsável pela violência do que as próprias agremiações de torcedores, porque esses grupos pertencem a uma elite que pode até ser distinguida como intelectualizada. Grande parte deles frequentou a universidade, os dirigentes são parte de uma elite social, os próprios jogadores pertencem à elite econômica do país, e teriam que saber melhor a sua responsabilidade e o seu papel quando se dirigem ao público por meio da mídia.

Em países como a Espanha e a Inglaterra, que minimizaram a questão da violência, fizeram-se leis que criaram responsabilidades não apenas para as torcidas e para os torcedores, mas também para os dirigentes, técnicos e jogadores que façam declarações provocativas.

O que vivenciamos no Brasil nos últimos 12 meses em relação à declaração de dirigentes, certamente, na Espanha, teria resultado em cassações. Houve uma grande incitação da violência por parte dos dirigentes brasileiros, por exemplo, nos episódios em que se falou contra ou a favor da existência de 5% ou 10% de torcedores visitantes nos estádios.

De acordo com uma proposta do Ministério Público para tentar diminuir a violência, os dirigentes não poderiam insultar o outro público que recebeu apenas 10% dos ingressos. Esses dirigentes e representantes dos sindicatos dos técnicos e dos jogadores teriam que ser chamados para uma comissão nacional e outra estadual a fim de que se firmassem acordos e termos de ajustes de conduta com o Ministério Público, que é o instrumento legal adequado para que eles também se comprometam a não proferir declarações que incitem a violência. Por outro lado, a legislação também tem que prever multas e penas mais duras para dirigentes, técnicos, jogadores e imprensa quando um desses personagens incitar a violência.

A imprensa é um ator que merece ser responsabilizado em grande parte, porque poderia dar um foco diferente às entrevistas com dirigentes, não os provocando a declarações em que a intolerância ao outro aparece.

Realizei uma vasta pesquisa com os torcedores organizados do estado de São Paulo, e um percentual muito alto deles tem plena convicção de que são incitados à violência pela própria imprensa na maneira como são veiculadas as notícias durante a semana. Ou mesmo porque a principal emissora de TV do país, segundo os próprios torcedores, privilegia um determinado clube paulista na veiculação maior de jogos dessa equipe do que das demais.

As pesquisas inglesas, de Norbert Elias e Eric Dunning, que foram os principais estudos sobre violência nos anos 1980 e 1990, verificaram que a imprensa falada e a escrita têm grande responsabilidade sobre a violência no futebol, principalmente quando a televisão repete muitas vezes cenas de violência ou quando o jornal utiliza palavras bélicas para relatar os fatos ocorridos no futebol.

O que foi feito, em termos de legislação, na Espanha, para minimizar essa questão? O sindicato da imprensa foi chamado por uma comissão e foi elaborado um termo de ajuste de conduta para que não se repetissem cenas de violência em dias de jogos, ou mesmo de invasão de campo. As imagens de brigas não podem ser exibidas mais do que três vezes durante seis segundos por uma mesma emissora de TV, no mesmo dia. Já as invasões de campo não devem ser veiculadas para não incentivar outras pessoas a agirem da mesma maneira.

Na final da Copa do Mundo da Alemanha houve uma invasão de campo, e o Galvão Bueno comentou que nenhuma emissora do mundo estava transmitindo o acontecido, somente a “Globo”. Mal sabia ele que essa é uma política do Conselho da Europa para que não haja incentivo à invasão de campo.

Para quem gosta de ser o centro das atenções e nunca invadiu um campo, as imagens de invasões podem ser um chamariz. Como o principal motivo dessas pessoas é a aparição pelos meios de comunicação, essas mídias não estimulam as invasões dos campos, deixando de mostrar esse tipo de situação.

Universidade do Futebol – Em abril deste ano, foi proibida a venda de bebidas alcoólicas dentro dos estádios. No entanto, um contrato entre a Fifa e a Budweiser fará com que a comercialização seja liberada durante a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. O que você pensa sobre a questão? 

Heloísa Reis – É um absurdo! Uma entidade do esporte ditar as regras do que deva e do que não deva ser mudado em um país para que ocorra um evento esportivo é ferir a soberania nacional.

Conseguiram isso com sucesso na Alemanha e estão impondo o mesmo para o Brasil. Encaro como uma questão de desrespeito à legislação e ao povo brasileiro, impondo isso como regra.

Além disso, essa situação demonstra claramente o poder do capital. A parceria da Fifa com uma empresa que só visa lucros e que está pouco preocupada com a saúde da população em qualquer país, porque vende bebida alcoólica e incentiva o seu consumo, acaba sobrepondo-se a uma legislação recém-criada, a qual foi feita a muito custo, com um trabalho enorme do Ministério Público junto à Confederação Brasileira de Futebol.

Na verdade, não foi uma lei que proibiu o consumo e a comercialização de bebidas alcoólicas dentro e nas proximidades dos estádios, mas sim um protocolo de intenções celebrado, em 31 de agosto de 2007, pelo Conselho Nacional de Procuradores Gerais (CTNG) do Ministério Público dos estados e da União, e pela CBF, para jogos sob responsabilidade da confederação brasileira (Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro). Para os Estados de São Paulo e Minas Gerais, os respectivos Ministérios Públicos também formaram um termo de ajuste de conduta com as federações locais. O de São Paulo foi feito após a guerra do Pacaembu, em 1995, por iniciativa do promotor público Fernando Capez. Os termos nacional e de Minas Gerais tiveram como base as minhas pesquisas, as quais demonstram que existe forte relação entre o consumo de bebidas alcoólicas e a violência em dias de jogos.

De fato, ainda não existe uma lei proibindo, mas há um termo de ajuste de conduta que a CBF vai deixar de cumprir. Esse termo é recente e pode não ter desdobramentos. O meu grupo de pesquisas, por exemplo, está começando a elaborar um texto para enviar à grande mídia e para esse conselho de procuradores, mostrando que a intervenção da Fifa fere o direito de soberania nacional. Até que ponto um país tem que se curvar a uma instituição internacional?

Tenho plena convicção de que essa submissão se dá por conta do grande poder que o capital tem sobre qualquer outro valor humano em uma sociedade como a nossa, principalmente em relação ao capital periférico, que é o caso brasileiro.

Universidade do Futebol – Uma das medidas para reduzir a violência dentro dos estádios e nos dias de jogos seria termos clássicos com a presença apenas da torcida do time mandante. Qual é sua opinião sobre isso? Qual o impacto sociológico no curto, médio e longo prazos de uma medida como essa? 

Heloísa Reis – Primeiramente, uma medida como essa fere completamente a cultura do futebol. Sempre houve acesso aos ingressos por parte dos torcedores visitantes e, de repente, o Ministério Público vê como inviável garantir a segurança de uma quantidade grande de torcedores visitantes e impõe a restrição de 10% de público.

Isso é uma diminuição significativa na quantidade de pessoas, o que facilita o controle por parte dos agentes públicos de segurança. Só que quando se coloca esses 10% em números de espectadores, ainda é uma quantidade muito grande de torcedores visitantes, pois são entre 3.500 e sete mil lugares dos estádios brasileiros.

Existe uma experiência de sucesso na Espanha, onde se permite, em clássicos, nos maiores estádios do país, como, por exemplo, o do Barcelona, de 300 a 500 torcedores da equipe visitante. Funciona muito bem, porque a polícia nacional espanhola consegue dar proteção para esse número reduzido de torcedores. Então, por um lado, a diminuição do número de público visitante ou a sua inexistência pode facilitar o trabalho das autoridades públicas.

Por outro lado, quando essa iniciativa parte do Ministério Público é grave, pois as próprias autoridades estão decretando a falência da instituição que cuida da segurança pública no estado e no país, dizendo que não há condições de se dar segurança para a população em dias de jogos. Isso é muito grave!

Enquanto medida paliativa pode dar resultado. Deu certo na Espanha.

A mídia, de maneira geral, tem dito que isso acontece na Argentina. É mentira. Estive em contato com pesquisadores desse país há pouco tempo e eles disseram que essa experiência ocorreu em apenas um jogo entre River Plate e Boca Juniors, mas não se repetiu porque a população não admitiu esse tipo de mudança cultural no futebol. No entanto, isso é feito na terceira divisão do futebol argentino, na qual a medida foi bem vista.

Penso que, em vez de se proporem soluções mágicas para um problema complexo, já que isso não dá resultado, deve ser atacado em diversas frentes e por diferentes instituições governamentais. Deveria se tomar mais cuidado e agir com mais cautela ao realizar certos tipos de declarações e propostas, trabalhando mais as questões estruturais com projetos junto às torcidas organizadas para aproximá-las da universidade e mostrar que o Estado está preocupado com a juventude e, por isso, está auxiliando no desenvolvimento dos jovens por meio de propostas de lazer e de oficinas que vão ajudá-los no seu desenvolvimento humano, em um sentido mais positivo.

Isso surtiria muito mais efeito do que inflamar os torcedores, dizendo que eles não poderão mais assistir aos jogos como visitantes.

Universidade do Futebol – Você realizou um estudo comparativo entre a violência nos estádios no Brasil e na Espanha. Qual o resultado desse estudo? É possível traçar um paralelo com outros países, como Inglaterra, por exemplo?

Heloísa Reis – Realizei um estudo aprofundado sobre a Espanha, questionando por que diminuiu a violência por lá. Como houve essa redução? Quais eram as raízes dessa violência?

A pesquisa abordou a Europa de maneira geral, porque as ações tomadas na Espanha foram motivadas por um convênio feito no continente em 1985, o que também serviu de base para o que foi realizado na Inglaterra.

É gritante a diferença entre o que se observa no Brasil e o que se faz na Europa. Isso habita exatamente nas questões sobre as quais conversamos de maneira mais detalhada, que passam por uma legislação específica, muito bem elaborada e detalhada, que fez com que praticamente zerasse a impunidade nesses países. Realmente, as pessoas que cometem atos de violência são punidas e se tornam casos exemplares, o que desmotiva outras pessoas a fazerem o mesmo.

Simultaneamente a esses trâmites legais, houve a remodelação de todos os estádios, de maneira que se deu condições de conforto e segurança a todos os torcedores. Além disso, houve uma mudança radical no que se refere à venda de ingressos, motivando as pessoas a comprarem as entradas por temporada, o que minimizou muitos problemas de conflitos na busca por ingressos. Isso, no Brasil, é um dos fatores que mais gera conflitos: ninguém consegue comprar entradas nas bilheterias oficiais, para conseguir é preciso ficar de cinco a sete horas na fila, e ingressos de estudante acabam muito rápido, entre outros agravantes na situação.

Nesses países da Europa sobre os quais estamos falando, também há uma polícia especializada, altamente qualificada e competente para lidar com o público que vai aos estádios.

Resumidamente, essas mudanças, que são necessárias no Brasil, foram realizadas na Espanha e na Inglaterra, juntamente com campanhas educativas, que lá foram feitas em menor quantidade do que eu acredito que precise ser feito no Brasil, porque, nesses países europeus, a população tem educação pública de qualidade, tem, de fato, direitos de cidadão, o que ainda não conquistamos no Brasil, além de terem instituições públicas que protegem o cidadão. Ou seja: existe, verdadeiramente, cidadania nesses países-modelo; no Brasil, não.

Então, o paralelo que tem que se traçar é: o quanto estamos distantes de resolver esses tipos de problema? Porque, para minimizar a violência em dias de jogos temos que levar em conta pelo menos essas frentes que eu apontei, aliadas às questões estruturais de uma população com melhor nível de instrução, com moradia decente, que tenha projetos de vida, com condições familiares e de emprego adequadas. O que não se observa no Brasil.

Universidade do Futebol – Pela sua experiência no tema violência no futebol e na forma como ele é tratado pelas autoridades, seria possível projetar como o país estará na Copa do Mundo de 2014 nesse quesito?

Heloisa Reis – Se as coisas continuarem da maneira como estão, na Copa de 2014 vai estar tudo muito ruim nesse sentido. Isso me preocupa muito e parece que preocupa só a mim, talvez porque eu tenha uma dimensão maior do problema.

Por um lado, pode ser que não aconteçam grandes casos de violência, porque as cidades-sede poderão ser tomadas pelo Exército Brasileiro, como aconteceu no Pan de 2007, o que irá transmitir para as pessoas que estiverem no Brasil durante esses dias uma sensação de vigilância e de repressão que iniba casos de violência. Essa experiência do Pan do Rio de Janeiro mostrou que o governo brasileiro, quando quer colocar a tropa na rua, consegue inibir a violência.

Por outro lado, esse tipo de policiamento não é o melhor e põe em risco a população por não existir uma polícia especializada. Se houver a vinda dos hooligans ingleses e dos aguante (barra bravas) argentinos, será algo realmente preocupante. Existe um ódio muito grande entre a população desses dois países, em função da Guerra das Malvinas, e temo que elas tomem a Copa do Mundo do Brasil para continuar com um conflito político, que foi essa guerra. Acho muito provável que isso ocorra, porque um dos afazeres desses torcedores ingleses é viajar para outros países e causar tumultos que tomem espaço na mídia. Aliado a isso, os aguante também têm motivação de estar nos meios de comunicação. Acredito que esse encontro pode ser muito perigoso, principalmente nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, onde eles devem acontecer.

Por isso, se as nossas autoridades continuarem tratando o problema apenas com medidas paliativas, repressivas e autoritárias, não vamos chegar à Copa do Mundo de 2014 com uma política pública de qualidade como é necessário para se prevenir a violência nos estádios. Mas, no evento em si, como citei, pode ser que se coloque as tropas nas ruas, e isso seja uma tremenda intimidação para a população de um modo geral.

Essa questão também estará aliada ao tratamento que a mídia vai dar para a Copa, o que ainda não foi desenhado. É necessário conscientizar a população brasileira de que essa Copa não foi feita para nós. Esse evento vai ser, como sempre foi, para quem tem mais recursos financeiros, para os detentores do capital, que vão comprar os ingressos com muita antecedência.

Para o brasileiro vão sobrar os jogos que ninguém assiste, mas só para alguns brasileiros também. Não para as torcidas organizadas, não para os menos abastados. É importante deixar claro que esse é um macro-espetáculo esportivo que sempre foi das elites e não vai ser no Brasil que também não ficará nas mãos delas.

Universidade do Futebol – Como você acredita que o trabalho da imagem do atleta e a maneira que ele aparece na mídia podem influenciar a sociedade?

Heloísa Reis – A política da Espanha, por exemplo, demonstrou para o sindicato dos jogadores e para os clubes que é necessária a criação de uma imagem diferenciada do jogador. Não como um semideus, como um rei, como um ídolo intocável. É preciso que esses atletas tenham uma imagem de um ser comum que teve a oportunidade e se esforçou para se tornar um profissional bem-remunerado.

Então os jogadores, ao fazerem parte de um grande clube, precisam criar uma imagem exemplar, não ser uma figura que faça propaganda de bebidas alcoólicas ou de outras drogas lícitas. Uma imagem que está muito mais vinculada aos valores positivos do desenvolvimento humano, pessoas que não usam drogas. É inconcebível pensar um jogador fazendo campanha publicitária de uma marca de cerveja.

Além disso, na medida do possível, os jogadores têm que ficar mais próximos da torcida. Ao final do treino, os atletas dirigem-se aos torcedores que estão assistindo à preparação e, eventualmente, conversam com alguém que os procure. Quando estão em público, são atenciosos com as pessoas que se dirigem a eles de maneira educada para não criar a ilusão de que o atleta é uma estrela intangível, o que acaba fazendo com que as pessoas criem um fanatismo mais perigoso do que se for construída uma imagem de uma pessoa comum que, durante aquele momento da sua vida, está servindo a um grupo de torcedores que tem, nesse jogador, uma grande expectativa de despertar de emoções, de acordo com o que ele possa fazer dentro de campo.

É essencial que os jogadores não se envolvam em acidentes de carro estando bêbados. Na Europa, a pressão em relação a isso é muito grande, ao contrário do que acontece no Brasil. Aqui, o atleta envolve-se em acidentes, mata pessoas por estar dirigindo embriagado, e isso passa a ser uma questão privada, e não uma questão pública, como tem que ser. Ele tem que ser um exemplo, e não alguém que é beneficiado e vive a impunidade por ser uma figura pública.

Universidade do Futebol – Você acredita que a Sociologia pode ser uma ferramenta para que os brasileiros entendam a importância de receber uma Copa do Mundo e para que eles se preparem para acolher os turistas das diferentes partes do planeta? Como a universidade pode ajudar nessa conscientização e como ela pode dialogar com a população brasileira?

Heloisa Reis – A Sociologia é uma das áreas do conhecimento que mais podem contribuir para o entendimento da população sobre o que é esse esporte-espetáculo, o que é esse mega evento, e as razões pelas quais a Copa do Mundo acontecerá no Brasil.

A grande contribuição da universidade será como parte da construção de uma política nacional de prevenção da violência da maneira como tentamos fazer.

No entanto, participamos muito menos do que gostaríamos, pois existe uma resistência do Poder Público para que isso ocorra. Eventualmente, ele nos chama. Não falo só sobre mim, mas vários outros professores universitários já desenvolveram e desenvolvem pesquisas sobre o tema e, mesmo assim, são muito pouco acionados.

Acredito que o nosso papel é veicular, por meio da mídia ou por meio de artigos publicados nos meios de comunicação, os resultados obtidos com todas as pesquisas. Creio que não se pode negar entrevistas, não se pode eximir de falar com a imprensa e divulgar os resultados desses estudos.

A questão também passa pela falta de seriedade, pela falta de respeito com a universidade, o que vem até do próprio Poder Público. Ele poderia levar adiante mais sugestões dadas pelos pesquisadores. Isso é parte das instituições brasileiras, pois, na Espanha, por exemplo, a universidade era a voz mais ouvida na comissão em que se sugeriam propostas legislativas e de implementação de políticas educacionais.

Contudo, acredito que seja parte do caminho a ser seguido. Há pouco tempo, não existiam estudos, não havia o Estatuto do Torcedor, e não havia a comissão de prevenção da violência. Hoje, ela não funciona, mas já existe no papel. É um caminho muito lento, mas algumas coisas estão mudando para melhor. A própria cultura governamental ainda não reconheceu o papel que a universidade pode ter.

Por isso, confio que é super importante, por exemplo, o trabalho da Universidade do Futebol, que desempenha o seu real papel: divulgando novas pesquisas, novas tecnologias, novas visões, novas perspectivas e proporcionando várias coisas interessantes para o futebol e para a educação física, também.

Leia mais:
O cravo da violência
Na Europa, combate à violência ganhou força nos anos 1980
Estatuto do torcedor
A venda de bebidas alcoólicas dentro dos estádios e ginásios
Medidas tomadas pela Uefa para conter a violência
A infra-estrutura dos estádios e a gestão do espetáculo futebolístico
Visão psicológica da violência no esporte
Sociologia explica violência das torcidas
O perfil do torcedor brasileiro

Futebol – A gênese da estupidez (Portal Esportivo)

por http://www.portalesportivo.com.br (sem data; acessado em 4 de setembro de 2012)

Maurício Murad, sociólogo e autor do livro “A violência e o futebol – dos estudos clássicos aos dias hoje”

O sociólogo Maurício Murad, Coordenador do Núcleo de Sociologia do Futebol da Uerj, é um dos pioneiros nos estudos do impacto que o futebol pode ter na sociedade – ou o contrário. Com vários artigos, capítulos de livros e cinco obras completas publicadas, Murad acaba de lançar pela Fundação Getúlio Vargas, o livro “A violência e o futebol – dos estudos clássicos aos dias de hoje. A obra traça um panorama da relação histórica entre violência e futebol.

Como se deu a relação entre violência e futebol ao longo dos anos?

Maurício Murad “O futebol acaba expressando a violência geral da sociedade. Então, aumentando a violência geral na sociedade, ela tende a aumentar também no futebol. É o que aconteceu no futebol brasileiro a partir dos anos 1980. Também há situações específicas da realidade brasileira que aumentaram a violência. Essas situações são basicamente duas: corrupção e impunidade. A corrupção principalmente policial e dos órgãos da Justiça, que nós temos acompanhado nos jornais. Outro fator que complementa a corrupção, porque um é irmão gêmeo do outro, é a impunidade. Também, à partir de 1996, aumentou o tráfico de drogas entre as torcidas. A polícia sabia, isso foi avisado e muito pouco foi feito para conter”.

Em que nível aumentou a violência no futebol brasileiro a partir dos anos 1980?

Maurício Murad – “As torcidas organizadas começaram no Brasil nos anos de 1940. A primeira é do São Paulo, em 1940, e no Rio de Janeiro é a “Charanga Rubro-Negra”, de 1942. Mas as torcidas entre o início dos anos 1940 e o final dos anos 1960 eram torcidas ‘carnavalizadas’. Famílias iam para o estádio fazer festa, cânticos, batucadas. Havia, inclusive, um concurso no qual a torcida mais animada ganhava uma geladeira, um eletrodoméstico raríssimo na época. No final dos anos 1960, no quadro da Ditadura Militar, começaram surgir essas torcidas organizadas violentas. Elas surgiram observando os padrões de autoritarismo e repressão, de militarismo que reinava naquela época. As torcidas se organizam em pelotões, tropas de choque, em destacamento. Curiosamente, não por coincidência, é época do governo Médici, o mais repressivo da Ditadura Militar.

Só que para essas torcidas, nascerem, crescerem, ganharem corpo e começarem a praticar atos de violência levou um tempo. Então, foi entre 1970 e 1985, que elas nasceram, saíram do papel, foram para a prática e começaram a aparecer nas páginas policiais, porque não houve contenção. Mas é importante frisar que são minorias dentro da organizadas, algo em torno de 5% ou 7%. Mas são minorias perigosas.

Banir as torcida organizadas ajuda a combater a violência?

Maurício Murad – “Houve uma tentativa por parte da Promotoria Pública do Estado de São Paulo – em 1995, após a morte de um torcedor – de acabar com as torcidas organizadas. Eles acabaram com a “Mancha Verde” do Palmeiras, que era considerada a torcida mais violenta do Brasil. A “Mancha Verde” não deixou de existir, ela mudou o nome, passou a se chamar “[Mancha] Alvi-Verde”, com os mesmos dirigentes, os mesmos grupos. Eles deram um drible na justiça.
Não é por aí. Se você tenta acabar com as torcidas você as empurra para a marginalidade, elas deixam de existir legalmente. Com isso se facilita a ação de grupos marginais, grupos infiltrados nas torcidas. Assim, se inibe a participação dos grupos legais, que estão ali para festa, para manifestar seu gosto pelo futebol”.

Como você avalia a cobertura da mídia com relação aos casos de violência nos futebol brasileiro?

Maurício Murad “A mídia acaba ajudando muito a violência. Ela vive como o país todo – e não é só o Brasil, esse é um traço da época contemporânea – a espetacularização. Tudo vira espetáculo, tudo vai para a televisão. A mídia não cria o fato, mas aumenta a sensação dele. Ela tinha que tomar cuidado, ter critérios éticos claros sobre o que publicar e como publicar.

O que as pesquisas provam é que os torcedores que vão para as primeiras páginas dos jornais, ou para a televisão no horário nobre, adoram isso. Eles viram heróis, ficam glamourizados. No entanto, os torcedores que querem defender a pacificação das torcidas sempre reclamam que não tem espaço. A mídia é uma situação dúbia: por um lado, ela aumenta a sensação de violência, mas por outro, ela é um instrumento fundamental de parceria que a gente tem para melhorar as coisa, porque na sociedade da imagem ela é essencial para educar”.

Qual a diferença entre a violência praticada por torcedores europeus para a praticada por torcedores brasileiros?

Maurício Murad – “Eu passei um período na Europa estudando isso e participei de um grupo de discussão da UEFA [entidade máxima do futebol europeu]. Na Europa tem grupos neo-nazistas, grupos contra imigrantes, grupos racistas, o que não tem muito aqui.

Lá tem tráfico de drogas e armas, coisa que aqui no Brasil é muito menor e mais recente. Na Europa tem violência de forma organizada muito maior do que aqui. Em compensação a punição é maior também, a ação dos órgãos de segurança é muito mais rápida e ágil do que aqui. Lá as práticas de violência são maiores e mais graves, mas em compensação a ação da sociedade estruturalmente organizada pela lei e pelos critérios da democracia é muito mais forte, então ocorre mais ou menos um equilíbrio.

O que me surpreende no Brasil é como não acontece uma grande tragédia a cada jogo. A inoperância policial, a falta de planejamento e a ineficácia é tão grande que o difícil não é entender quando acontece um fenômeno da violência, e sim como não acontece sempre esse fenômeno em cada grande jogo”.

Leaders’ Emotional Cues May Predict Acts of Terror or Political Aggression (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 30, 2012) — Leaders often use rousing speeches to evoke powerful emotions, and those emotions may predict when a group will commit an act of violence or terrorism, according to new research published in the journal Behavioral Sciences of Terrorism and Political Aggression.Analysis of speeches delivered by government, activist and terrorist leaders found that leaders’ expressions of anger, contempt and disgust spiked immediately before their group committed an act of violence.

“When leaders express a combination of anger, contempt and disgust in their speeches, it seems to be instrumental in inciting a group to act violently,” said David Matsumoto, professor of psychology at San Francisco State University.

As part of a five-year project funded by the U.S. Department of Defense’s Minerva Initiative, Matsumoto and colleagues studied the transcripts of speeches delivered by the leaders of ideologically motivated groups over the past 100 years. The analysis included such speeches as Osama bin Laden’s remarks leading up to the bombings of embassies in Kenya and Tanzania.

The researchers analyzed the pattern of emotions conveyed when leaders spoke about their rival group and examined speeches given at three points in time before a specific act of aggression. They compared the results with the content of speeches delivered by leaders whose groups engaged in nonviolent acts of resistance such as rallies and protests.

Among leaders of groups that committed aggressive acts, there was a significant increase in expressions of anger, contempt and disgust from 3 to 6 months prior to the group committing an act of violence. For nonviolent groups, expressions of anger, contempt and disgust decreased from 3 to 6 months prior to the group staging an act of peaceful resistance.

Matsumoto says the findings suggest a leader’s emotional tone may cause the rest of the group to share those emotions, which then motivates the group to take part in violent actions.

“For groups that committed acts of violence, there seemed to be this saturation of anger, contempt and disgust. That combination seems to be a recipe for hatred that leads to violence,” Matsumoto said.

Anger, contempt and disgust may be particularly important drivers of violent behavior because they are often expressed in response to moral violations, says Matsumoto, and when an individual feels these emotions about a person or group, they often feel that their opponent is unchangeable and inherently bad.

“Understanding the preceding factors that lead to terrorist attacks and violent events may help predict these incidents or prevent them occurring in the first place,” Matsumoto said. “Studying the emotions expressed by leaders is just one piece of the puzzle but it could be a helpful predictor of terrorist attacks.”

This study was one of the first seven projects funded by the U.S. Department of Defense Minerva Initiative. The Initiative was established in 2008 to fund social science research on areas of strategic importance to U.S. national security policy.

Journal Reference:

  1. David Matsumoto, Hyisung C. Hwang, Mark G. Frank.Emotions expressed in speeches by leaders of ideologically motivated groups predict aggression.Behavioral Sciences of Terrorism and Political Aggression, 2012; : 1 DOI: 10.1080/19434472.2012.716449

Profeta do nada óbvio (FSP)

RUY CASTRO

São Paulo, segunda-feira, 09 de julho de 2012

RIO DE JANEIRO – Nelson Rodrigues era diabólico. Com toda a miopia e aversão a óculos, seu poder de enxergar ao longe era desconcertante. Como em 1970, quando, durante meses, sustentou sozinho a certeza de que a seleção brasileira “ganharia andando” a Copa do México (seus colegas, os “profetas da derrota”, apostavam na correria das seleções europeias). Bem, o Brasil ganhou andando.

Outra premonição foi a de fins de maio de 1962, quando garantiu que, se Pelé se machucasse na Copa do Chile, o garoto Amarildo o substituiria como um “possesso”. Um mês depois, Pelé se contundiu na segunda partida e a Copa acabou para ele. Amarildo entrou nos jogos restantes, fez os gols que Pelé faria e foi o “Possesso” que Nelson anteviu.

Outra de suas “verdades eternas” -proclamada na “Resenha Facit”, que Nelson estrelava na TV Rio com João Saldanha, Armando Nogueira e demais- foi a de que o videoteipe era “burro”. Na hora, parecia absurdo -como contestar algo que se podia ver e rever? Trinta anos depois, uma infração de Júnior Baiano na área do Brasil passou em branco pelos videoteipes e só apareceu, dias depois, por um ângulo inusitado de câmera. O juiz, que marcara o pênalti, estava certo. O videoteipe era mesmo burro.

Em fins dos anos 60, Nelson produziu outra frase impossível de ser verificada e que parecia provocação: “Ainda seremos o maior país ex-católico do mundo”. Previa um declínio da fé católica no Brasil porque setores da igreja estavam trocando a promessa da vida eterna pela luta armada contra a ditadura.

Nas décadas seguintes, sai papa, entra papa, essa linha política seria abandonada. Mas o encanto se quebrara. Em 1970, os católicos eram 90% dos brasileiros. Hoje, segundo o IBGE, são 64%. E, em 2030, serão menos de 50%. Nelson errou a causa, mas sua sentença continuou de pé.

The Role of Genes in Political Behavior (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 27, 2012) — Politics and genetics have traditionally been considered non-overlapping fields, but over the past decade it has become clear that genes can influence political behavior, according to a review published online August 27th in Trends in Genetics. This paradigm shift has led to novel insights into why people vary in their political preferences and could have important implications for public policy.

“We’re seeing an awakening in the social sciences, and the wall that divided politics and genetics is really starting to fall apart,” says review author Peter Hatemi of the University of Sydney. “This is a big advance, because the two fields could inform each other to answer some very complex questions about individual differences in political views.”

In the past, social scientists had assumed that political preferences were shaped by social learning and environmental factors, but recent studies suggest that genes also strongly influence political traits. Twin studies show that genes have some influence on why people differ on political issues such as the death penalty, unemployment and abortion. Because this field of research is relatively new, only a handful of genes have been implicated in political ideology and partisanship, voter turnout, and political violence.

Future research, including gene-expression and sequencing studies, may lead to deeper insights into genetic influences on political views and have a greater impact on public policy. “Making the public aware of how their mind works and affects their political behavior is critically important,” Hatemi says. “This has real implications for the reduction of discrimination, foreign policy, public health, attitude change and many other political issues.”

Journal Reference:

  1. Peter K Hatemi and Rose McDermott. The Genetics of Politics: Discovery, Challenges and ProgressTrends in Genetics, August 27, 2012 DOI: 10.1016/j.tig.2012.07.004

The Effects of Discrimination Could Last a Lifetime (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 27, 2012) — Increased levels of depression as a result of discrimination could contribute to low birth weight babies.

Given the well-documented relationship between low birth weight and the increased risk of health problems throughout one’s lifespan, it is vital to reduce any potential contributors to low birth weight.  A new study by Valerie Earnshaw and her colleagues from Yale University sheds light on one possible causal factor.  Their findings, published online in Springer’s journal, theAnnals of Behavioral Medicine, suggest that chronic, everyday instances of discrimination against pregnant, urban women of color may play a significant role in contributing to low birth weight babies.

Twice as many black women give birth to low birth weight babies than white or Latina women in the U.S.  Reasons for this disparity are, as yet, unclear. But initial evidence suggests a link may exist between discrimination experienced while pregnant and the incidence of low birth weight.  In addition, experiences of discrimination have also been linked to depression, which causes physiological changes that can have a negative effect on a pregnancy.

Earnshaw and her colleagues interviewed 420, 14- to 21-year-old black and Latina women at 14 community health centers and hospitals in New York, during the second and third trimesters of their pregnancies, and at six and 12 months after their babies had been born.  They measured their reported experiences of discrimination.  They also measured their depressive symptoms, pregnancy distress and pregnancy symptoms.

Levels of everyday discrimination reported were generally low.  However, the impact of discrimination was the same in all the participants regardless of age, ethnicity or type of discrimination reported.  Women reporting greater levels of discrimination were more prone to depressive symptoms, and ultimately went on to have babies with lower birth weights than those reporting lower levels of discrimination.  This has implications for healthcare providers who work with pregnant teens and young women during the pre-natal period, while they have the opportunity to try and reduce the potential impacts discrimination on the pregnancy.

The authors conclude that “Given the associations between birth weight and health across the life span, it is critical to reduce discrimination directed at urban youth of color so that all children are able to begin life with greater promise for health.  In doing so, we have the possibility to eliminate disparities not only in birth weight, but in health outcomes across the lifespan.”

Data for this study came from the Centering Pregnancy Plus project, funded by the National Institute of Mental Health, and conducted in collaboration with Clinical Directors’ Network and the Centering Healthcare Institute.

Journal Reference:

  1. Valerie A. Earnshaw, Lisa Rosenthal, Jessica B. Lewis, Emily C. Stasko, Jonathan N. Tobin, Tené T. Lewis, Allecia E. Reid, Jeannette R. Ickovics. Maternal Experiences with Everyday Discrimination and Infant Birth Weight: A Test of Mediators and Moderators Among Young, Urban Women of ColorAnnals of Behavioral Medicine, 2012; DOI: 10.1007/s12160-012-9404-3

Violência no futebol argentino – fim de semana de 25 e 26 de agosto de 2012

BASTA DE VIOLENCIA (Olé)

Autopista al infierno

Autopista al infierno

Un detenido por la interna de La 12.

Gustavo Grabia – Jose Sacchi

La interna de La Doce estalló en Santa Fe. Hay siete heridos de bala, tres son capos y uno está grave: es Mauro Martín, al que un disparo le destrozó el intestino.

El 11/7/12, apenas el Tribunal Seis decidió absolver a La Doce de Di Zeo por asociación ilícita, más de 200 barras cortaron la calle y festejaron al grito de “es la barra de Rafa, la que vuelve de las vacaciones, vamos a matar a todos los traidores”. Un mes y medio después, decidieron cumplirlo. Pertrechados con un arsenal y favorecidos por un operativo policial tan negligente que podría considerarse connivencia, emboscaron al grupo de Mauro Martín en el kilómetro 21 de la autopista Rosario-Santa Fe, y armaron una balacera infernal que dejó siete heridos, dos de gravedad, entre ellos Mauro Martín, al que un tiro le perforó el intestino grueso y el colon, fue operado de urgencia en el Hospital Provincial de Rosario y al cierre de esta edición estaba en terapia intensiva con pronóstico reservado, como le confirmó a Olé el director del nosocomio, Pietro Belletich.

De los otros heridos, dos son del círculo íntimo de Martín y la barra. Uno es Cristian Debaus, 38 años, apodado Fido, que recibió un tiro en la garganta y estaba internado con pronóstico reservado, en este caso en el hospital de Granadero Baigorria. Otro fue Luis Arrieta, el Loco Luis, ex jugador de Huracán y Estudiantes de Buenos Aires, que maneja un grupo grande de barras de Caseros y recibió un tiro en una mano. Otro primera línea que sufrió consecuencias fue Juan González, 26 años, al que un balazo le fracturó la tibia y el peroné. El Negro Juan es al mismo tiempo barra de Boca y empleado del Servicio Penitenciario Bonaerense. Increíble. Además Brian Arroyo (19) recibió un tiro en el esternón y estaba con pronóstico reservado, lo mismo que Darío Cantero (35) con una herida en el abdomen. Y hubo otros tres heridos leves que tras ser atendidos pudieron volver a Baires.

El plan de ataque se venía gestando hace tres semanas. A comienzos de agosto, los grupos de Los Polvorines, Hurlingham, Dock Sud, Lomas de Zamora, Claypole y Lavallol que paraban hasta julio con Di Zeo, decidieron que iban a tomar como sea la conducción de La Doce. El primer intento fue ir a San Juan a la final de la Copa Argentina. Pero sin los líderes, se les hizo complicado conseguir el financiamiento. Entonces marcaron con fibrón rojo el primer partido fuera de Capital y Provincia, donde los de Mauro tienen mucho apoyo de su club y la Policía, y dio Santa Fe. No consiguieron tickets, pero sí dinero para mover 10 micros y 11 autos. Y se mandaron igual. Decidieron salir temprano para copar la tribuna y que se pudriera adentro. La táctica era que una pelea en la cancha con la otra facción obligaría a Boca a aplicarles el derecho de admisión a todos. Y así desarticularían al grupo de Mauro. Pero cuando llegaron a Santa Fe a las 10 de la mañana, la Policía los mandó de vuelta. Insólitamente, por el mismo camino que venían los de Mauro y con sólo dos patrulleros de custodia. Cuando vieron llegar los siete micros de la facción oficial, sacaron las armas. Los de Mauro pararon para pelear. No tuvieron tiempo de decir nada. Desde un Peugeot negro 206 se bajaron Alejandro Putruelli y Facundo Cáceres Aranda y empezaron a disparar. Otros que venían en los micros se subieron a un puente de la autopista y gatillaron a repetición. No hubo víctimas fatales, por ahora, de milagro.

Los heridos fueron trasladados a distintos hospitales. Martín logró mostrar un último gesto de impunidad: consiguió que el policía que estaba de guardia en el Hospital Provincial no avisara quién era el barra que había ingresado herido. Ese oficial fue pasado a disponibilidad. Y el juez de la causa ya actúa con premura: tiene dos handies de los detenidos que podrían dar pistas de los organizadores y otros protagonistas de una guerra que promete continuar.

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BASTA DE VIOLENCIA (Olé)

Testán investigando

Quieren determinar si hubo fuego cruzado o sólo un ataque de un sector a otro.

Quieren determinar si hubo fuego cruzado o sólo un ataque de un sector a otro.

El Juzgado de San Lorenzo ordenó el dermotest, la prueba que determina si una persona disparó un arma de fuego, a los barras baleados, entre ellos Mauro Martín. La idea es esclarecer si hubo un ataque cruzado entre ambas facciones.

Las investigaciones sobre el tiroteo entre las facciones de La Doce, el último sábado en la autopista Rosario-Santa Fe, están a la orden del día. Mientras Mauro Martín se recupera favorablemente” del disparo en el abdomen (así lo informó el director del Hospital Provincial de Rosario), que le perforó colon e intestino grueso, desde el juzgado número 12 de la ciudad de San Lorenzo avanzan a pasos firmes para sumar datos concretos.

Este sábado ordenaron la prueba de dermotest a los barras baleados en dicho cruce entre la banda de Martín y la que hasta hace un mes respondía a los hermanos Di Zeo. Dicho test sirve para determinar si una persona efectuó un disparo con un arma de fuego.

La idea es esclarecer si existió un fuego cruzado entre ambas facciones o sólo un ataque de un sector a otro. Si sólo fueron víctimas, o también victimarios. La investigación recién comienza…

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BASTA DE VIOLENCIA (Olé)

Se va de Rosario

Mauro Martín permanece en el Hospital Provincial de Rosario. (La Capital)

Mauro Martín permanece en el Hospital Provincial de Rosario. (La Capital)

“Los familiares de Martín pidieron llevárselo”, contó el director del Hospital Provincial.

Si bien en un principio había sido rechazado el pedido, finalmente autorizaron la familia de Mauro Martín a sacarlo del Hospital Provincial de Rosario para llevarlo a uno de Buenos Aires.

Apenas fue operado, la familia de Mauro Martín había solicitado el traslado desde el Hospital Provincial de Rosario, donde fue internado luego del enfrentamiento, a uno de Buenos Aires. Y el pedido había sido rechazado. Sin embargo, en la tarde del domingo le dieron el ok y el líder de la Doce abandonaría Santa Fe en las próximas horas. Lo hará en una ambulancia de alta complejidad que llegará a Rosario.

El último parte médico que había entregado Pietro Belletich, director del nosocomio rosarino hablaba de un estado estable: “Pasó la noche consciente, le estamos tratando el dolor y esperando la evolución. El cuadro es delicado pero estable”. Mauro fue operado de urgencia el sábado por la tarde por una bala en el intestino grueso: Mauro Martín. Belletich había contado que los familiares del herido, baleado en el cruce en la autopista Rosario-Santa Fe con la facción que hace un mes lideraban los hermanos Di Zeo, pidieron llevárselo apenas fue operado. “Después de que salió de cirugía preguntaron si podían trasladarlo a Buenos Aires, y les dijimos que una vez que esté hermodinámicamente compensado podrían solictarlo. No obstante, el paciente está bajo intervención del juzgado, serán ellos quienes determinen cuándo y dónde será trasladado”, aclaró. Sin embargo, finalmente Mauro Martín llegará a Buenos Aires luego de que el Juez Filocco le tomara declaración testimonial.

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BASTA DE VIOLENCIA (Olé)

“Yo me bajé el día de Tribunales”

Fernando Di Zeo dice que él y Rafa ya no mandan.

Fernando Di Zeo dice que él y Rafa ya no mandan.

Fernando Di Zeo reconoce que los agresores eran del grupo que comandaba con su hermano, pero asegura que ellos dejaron la conducción hace un mes.

Diez micros y once autos cruzando la autopista y autoproclamándose la verdadera barra de Boca. Más de 700 violentos peleándose primero con la Policía y tiroteando después en plena autopista a la facción de Mauro Martín. La ecuación llevó directo al apellido Di Zeo. Si hasta el jefe del operativo en Santa Fe aseguró que los barras eran de los hermanos Fernando y Rafael.

Del otro lado de la línea, Fernando, el menor de quienes dirigieron a La Doce entre 1996 y 2007, toma aire y afirma: “Sí, es cierto, ésos que fueron a Santa Fe formaban parte del grupo nuestro. Pero nosotros, los pibes grandes, no tenemos nada que ver. Yo me bajé de la barra el mismo día que terminó el juicio. Ahí, en pleno Palacio de Tribunales, decidí alejarme cuando vi que todos los que nos acompañaban cantaban que a los traidores los íbamos a matar. Ellos quieren volver a la cancha a cualquier costo, y a mí me parecía que en cualquier momento podía pasar algo y yo no quiero tener más causas por mi apellido. Lo hablé con mi mujer y me fui. Y a la semana lo convencí a Rafael”.

-Conociendo la historia de ustedes y que ya intentaron copar la barra el año pasado en el partido contra Rafaela, parece difícil creerles.

-Yo sé que todos dicen los Di Zeo esto o los Di Zeo aquello. Yo me hago cargo de lo del partido con Rafaela porque fuimos. Y no pasó nada. Pero cuando vimos cómo venía ahora la mano, decidimos salir y que hagan lo que quieran. Pueden creerme o no, pero es la verdad. Yo estuve cuatro años preso, tengo una familia, ¿sabés lo que es que tus hijos tengan que venir a verte a un penal? Yo hoy le estoy festejando el cumpleaños a mi hijo en casa y ya no quiero comerme ningún garrón por una gilada. ¿Queríamos volver a la cancha? Sí. ¿Queríamos volver a la tribuna? Sí. Pero nunca así. Nosotros crecimos en la época en que la barra se ganaba a las trompadas. Y ahora se matan con armas. En esa historia, los Di Zeo no entramos. Que investiguen todo lo que quieran, pero ni nosotros ni los pibes grandes del grupo estuvimos allá o alentamos a alguien a hacer esa locura.

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BASTA DE VIOLENCIA (Olé)

“Estaba preanunciado”

Angelici dijo que a Falcioni le van a respetar el contrato.

“Ni Ledesma ni Ustari están inhabilitados”, dijo Angelici.

Angelici habló sobre el cruce de barras y, molesto, responsabilizó al Gobierno por los hechos: “El Estado no nos garantiza la seguridad. Ésto se podría haber evitado”, disparó. También se quejó por la suspensión de la Bombonera, que decretó la Justicia.

“Parece increíble. El estado no nos puede garantizar la sgeuridad que corresponde a todos los que vamos a la cancha. Estaba preanunciado, ésto se podría haber evitado”. Daniel Angelici habló sobre el cruce de barras que se produjo este sábado en la ruta 9, y responsabilizó directamente al Estado sobre el tiroteo entre la facción de Mauro Martín y la que hasta hace un mes respondía a Rafael Di Zeo.

“A mí no me entra en la cabeza que vayan diez micros sin entrada y que los manden de vuelta en vez de retenerlos ahí hasta que entre la totalidad y después los manden bien custodiados”, bramó. Y aseguró: “Estamos preocupados. Es un hecho lamentable porque hay heridos de bala. Y por todo lo peor que podría haber pasado”.

En diálogo con Radio Mitre, también se quejó sobre la decisión que tomó la Juticia de suspender la Bombonera por una fecha, tras los incidentes de los plateístas con el cartel: “Boca tiene una responsabilidad, son socios nuestros. Pero me parece excesiva la medida. Nosotros ya los teníamos identificados”, explicó al respecto. “No estamos de acuerdo. Ni con los socios ni con el poco dinero que entra por esos carteles que nos pone la Conmebol”.

Por último, se refirió al caso de la AFIP, que involucra a dos jugadores xeneizes: Ledesma y Ustari. “Inhabilitado no está ninguno de los dos, nadie nos notificó eso. Hicimos todo dentro de lo legal. Los derechos federativos y económicos de Ledesma los tenía Unión San Felipe, y si ahora quieren cambiar las legislaciones me parece bien, pero de acá en adelante, no retroactivamente”, tiró. Una novela que, parece, recién empieza…

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BOCA  (Olé)

Tiros en la ruta

La Policía con uno de los detenidos en la ruta.

La Policía con uno de los detenidos en la ruta.

Cerca de 900 barras que hasta hace un mes respondían a los hermanos Di Zeo e iban a Santa Fe, fueron frenados en Rosario y a la vuelta se cruzaron con un grupo que forma parte de la banda de Mauro Martín. Se tirotearon y habría cinco heridos.

Cuando el tema de la AFIP se lleva el protagonismo, otra cuestión extradeportiva sigue empañando el fútbol. Y una vez más tiene que ver con la violencia. La interna de la barra de Boca está al rojo vivo y tuvo un capítulo en la ruta 9, donde alrededor de 900 barras que hasta hace un mes respondían a Rafael y Fernando Di Zeo se trasladaron a Santa Fe, fueron frenados por la Policía en Rosario, los mandaron de vuelta y allí se cruzaron con un grupo de Mauro Martín: hubo tiros y habría cinco heridos del lado de Martín. De nunca acabar.

De esto se viene hablando y en algún momento iba a explotar. Mientras gran la barra oficial ya estaba en Santa Fe sin tener inconvenientes en su traslado, la otra parte, la que espera volver al poder, fue frenada en Rosario. Estos 900 que “vuelven de las vacaciones” no están en la lista de derecho de admisión, pero iban sin entrada y en Santa Fe no había venta (el grupo de Mauro viajó con tickets desde Buenos Aires). Por ende, el conflicto estaba latente. En el regreso de esos diez colectivos y 11 autos pasó lo peor: a 100 kilómetros de la ciudad se cruzaron con una filial del oeste del Gran Buenos Aires que responde a La 12 que tiene el poder y se armó lo peor, con tiros a la orden del día.

Mientras se desató la furia en la ruta 9, los hermanos Di Zeo, que dicen estar afuera de todo, estaban en Buenos Aires. Y la mayor parte del grupo de Martín esperaba para ingresar al estadio de Unión. Los controles que no dejaron pasar a unos pero a otros sí, seguirán de cerca todos los movimientos en el regreso de ambos bandos.

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BASTA DE VIOLENCIA (Olé)

Hace pip y saca fotos

Los handys de los detenidos y las cámaras de los peajes, claves en la investigación.

La causa por la batalla de la autopista recién está empezando. De hecho, los detenidos serán trasladados hoy ante el juez para su declaración indagatoria. Y si bien no se espera que den los nombres de quienes planearon y ejecutaron el macabro plan, la Justicia tiene dos vías para esclarecer el suceso: los handys de los que quedaron presos y las filmaciones de las cámaras. En el primer caso, en la agenda de los teléfonos están los nombres de los capos con quienes se comunicaron. El cruce de llamadas puede dar la ubicación casi exacta de cada uno. Este método se utilizó para esclarecer el asesinato de Gonzalo Acro en la interna de Los Borrachos del Tablón.

Por otro lado, los capos del grupo agresor eran quienes se movilizaban en los autos, no en los colectivos. Y hay cámaras de seguridad en los dos peajes que pasaron. Será cuestión de cotejar fotos y avanzar. Por lo pronto, el Peugeot 206 negro secuestrado está radicado en Capital y tiene 10 multas impagas.

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BASTA DE VIOLENCIA (Olé)

“No vi quién me tiró”

Mauro y Fido, jefe y ladero heridos en el tiroteo. No apuntaron contra sus atacantes.

Mauro y Fido, jefe y ladero heridos en el tiroteo. No apuntaron contra sus atacantes.

Gustavo Grabia Ggrabia@ole.com.ar – Jose Sacchi Jsacchi@ole.com.ar

Mauro Martín, quien era trasladado a Capital esta madrugada, declaró ante dos policías y no reconoció a sus agresores. “Se arregla de otra forma”, dice su gente.

No importa que por unas horas haya estado al borde de la muerte. En el código de los barras, la Justicia no existe. Todo se arregla con venganza. Sólo así puede entenderse la declaración informativa que brindó ayer Mauro Martín desde la camilla en la que estaba internado en el Hospital Provincial de Rosario. Por orden del juez Eduardo Filocco, dos policías fueron a tomarle la exposición. El trámite sumó 20 minutos en los que Mauro relató cómo sucedieron los hechos.

“Estábamos parados al costado de la ruta por orden de la seguridad, esperando que el otro grupo pasara por la ruta contraria y se alejara. Pero cuando nos vieron, bajaron y empezaron a disparar. Yo estaba fuera de la camioneta en la que viajé y sentí un pinchazo en la panza. Después quedé inconciente y cuando me desperté estaba en el hospital”, dijo Martín según le contó a Olé una alta fuente policial.

Pero los policías ya conocían la descripción de los hechos. Lo que ellos querían eran los nombres de los agresores. Pero Martín no aportó ni siquiera un apodo. “No vi quién tiró, no reconocí a nadie”, afirmó, aunque en su círculo íntimo dicen que la realidad es distinta y que entre los que dispararon a mansalva estaban Marcelo de Polvorines, Bolita con su gente de Ezeiza, los de Hurlingham que son cercanos a Feco, los de San Martín cuyo jefe es Pachu y los del Sur, que antes estaban con Marcelo de Lomas y ahora van con otra gente vieja de la época del Abuelo. Una palabra de Mauro hubiese enderezado la investigación, pero prefirió no hablar. Esto último fue lo mismo que hizo Cristian Debaus, apodado Fido, quien fue herido con un balazo en la garganta y también recibió la visita de auxiliares de justicia. Pero el pacto de la ormetá funcionó a pleno.

Ante esta situación, el juez Filocco mandó a hacerles el dermotest (prueba que busca restos de pólvora en las manos) a todos los heridos y detenidos. “En el caso de los heridos dio negativo. Hoy les tomaré declaración a los detenidos y después veré”, le dijo Filocco a Olé . La causa está caratulada lesiones en riña y portación de munición y armas de guerra. Por este delito hay tres detenidos del bando agresor (Alejandro Utruelli, Facundo Cáceres Aranda y Elías Meza) y otros dos demorados del grupo de Mauro, que fueron agarrados cuando dejaban Rosario con ropas ensangrentadas que serían de los heridos y podría caberles el delito de ocultamiento de prueba.

El domingo además fue un día de alivio para La Doce oficial. Porque sus máximos líderes fueron dados de alta (sólo quedan internados Darío Canteros con un balazo en el abdomen y Brian Arroyo con uno en el tórax) y Mauro había conseguido la autorización judicial y el traslado médico para ser internado en un nosocomio de la Capital Federal. Al cierre de esta edición, estaban esperando la ambulancia de alta complejidad que lo llevaría a Buenos Aires, custodiada en todo el trayecto por un patrullero, por si las moscas. Si bien su estado general era mejor, los médicos siguen esperando que la zona afectada (la bala le perforó el intestino grueso y el colon) no se infecte. “Lo cosieron y hay que esperar 48 horas más para ver si la evolución lo deja definitivamente fuera de peligro”, dijeron los médicos del Provincial a Olé .

Mientras ellos esperan, todo Boca desespera. Porque saben que esta guerra, está lejos de terminar.

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BOCA (Olé)

Ustedes no entran

El cartel que arrojaron los hinchas hacia el banco visitante.

El cartel que arrojaron los hinchas hacia el banco visitante.

[Copa Sudamericana, miércoles, 22 de agosto de 2012]

Boca, mediante un comunicado, informó que los cuatro plateistas que arrojaron el cartel contra el banco de Independiente no podrán asistir a la Bombonera. Y desmintieron que uno de ellos sea el hijo de Crespi.

Finalmente, Boca se expresó mediante un comunicado y aclaró cuál será el camino a seguir con los cuatro socios que tiraron el cartel publicitario sobre el banco de suplentes de Independiente. “Se decidió aplicar el derecho de exclusión”, se explicó en el mensaje.

De esta forma, los hinchas sufrirán momentáneamente el derecho de admisión, hasta que se acerquen al departamento legal del club para hacer su descargo. Después, el Tribunal de Disciplina evaluará la situación con la palabra de los acusados y definirá la sanción definitiva.

“Además desmiente categóricamente  que entre los involucrados se encuentre un hijo del vicepresidente 2° del club, Juan Carlos Crespi como algunos medios dejaron trascender”, agregó, clarísimo, el comunicado. Y el propio dirigente se encargó de aclararlo: “Mi hijo no estaba en esa platea, estaba justo en la de enfrente”.

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BOCA (Olé)

Si querés, apelá

El cartel que arrojaron los hinchas hacia el banco visitante.

El cartel que arrojaron los hinchas hacia el banco visitante.

Mariano Dayan – Mdayan@ole.com.ar

Boca hará un descargo por la clausura de su estadio, aunque la sanción de una fecha pinta irrevocable.

El mazazo fue el gol agónico de Farías y el que llegó después, rápido y furioso: la decisión del Gobierno de suspender la Bombonera por una fecha. Así, Boca deberá enfrentar a Atlético Rafaela (por la quinta jornada del Inicial) seguramente en el estadio de Vélez. ¿Ya está? Los dirigentes van a apelar la sanción, aunque sin muchas esperanzas. Saben que no se pueden quedar de brazos cruzados y deben evitar recriminaciones feroces de los hinchas. De hecho, ya son varios directivos los que admiten la equivocación de haber quitado el techo de acrílico que protegía el banco de suplentes para hacer los nuevos palcos en el campo de juego, sin autorización previa. “Asumimos lo que pasó como un error. Lo quisimos poner de nuevo, pero no llegó a tiempo el proveedor. Igual, creemos que se podría haber tomado otro tipo de medida y seguiremos insistiendo por los caminos legales para jugar en nuestra cancha”, le aseguró César Martucci, secretario general, a Olé.

El descargo que presentará Boca no parecería tener rebote en lo disciplinario. La sanción pinta irrevocable. Es más, el tema se judicializó: el fiscal Walter López, correspondiente a la jurisdicción de la Bombonera, pidió la clausura de la platea preferencial, pero el juez Durante lo negó.

El club envió ayer un comunicado en el que reiteró que aplicará el derecho de exclusión a los socios involucrados y además desmintió que el hijo del vicepresidente segundo Juan Carlos Crespi estuviera vinculado a la agresión al banco de Independiente (ver aparte). Según averiguó Olé , los involucrados son: Pablo Vanderruster, Pablo y Federico Blanco y Elías Fridman. La investigación del fiscal, igual, seguirá su curso. Le imputará a la dirigencia el delito contravencional de omisión de recaudos de seguridad, que prevé penas de hasta 30 días de arresto y $60.000 de multa. Podría haber una probation, pero Boca ya está cumpliendo otra por el uso de bengalas y cargadas contra River.

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BOCA (Olé)

“Todo mentira”

Crespi negó que su hijo estuviera involucrado en los incidentes que terminaron con la caída del cartel. “Va a otra platea”, dijo el dirigente.

Durante el transcurso del día corrieron rumores que indicaban que uno de los hijos de Juan Carlos Crespi habría estado involucrado en los incidentes del miércoles en la Bombonera. Sin embargo, el vicepresidente segundo habló con Olé y dio su punto de vista: “Es todo mentira. Desmiento totalmente eso. Uriel es mi hijo, tiene 30 años, pero va a la platea A. Mis tres hijos son terriblemente buena gente. El hecho de que haya salido en todos los medios, me da vergüenza. Es todo mentira”. Otro de los hijos de Crespi se llama Leandro y es Secretario de Actas de la Asamblea de Representantes.

Además, el club envió un comunicado en el que apoyó a Crespi: “Boca Juniors desmiente categóricamente que entre los involucrados se encuentre un hijo del vicepresidente 2° del club, Juan Carlos Crespi, como algunos medios dejaron trascender”.

La violencia en el fútbol desde todos lados (Mundo D)

http://mundod.lavoz.com.ar

Sábado 25 de Agosto, 12:26

Punto de vista. Para el sociólogo Pablo Alabarces, los actos vandálicos no son exclusivos de la barra brava. Sobre posibles soluciones, dijo: “Son parches. No existen medidas a largo plazo”.

Los hinchas de Belgrano en cancha de Colón. (Foto: Pedro Castillo)Los hinchas de Belgrano en cancha de Colón. (Foto: Pedro Castillo)

Por Joaquin Aguirre

“¡Me importa un pito que digan que fomentamos la violencia. Este pibe no es un barrabrava. Este es un salame!”. A los gritos y con una rabia un tanto impostada, un conocido presentador repasaba la secuencia televisiva en la que un plateísta de Boca arrojaba un cartel sobre el banco de suplentes de Independiente. “Que busquen al responsable en las villas. Ahí está la violencia”, decía.

Justamente lo contrario opina Pablo Alabarces, el sociólogo con más publicaciones referidas a la violencia en las canchas de fútbol. Según él, ésta es originada por “el hincha común”, la policía, los dirigentes y los medios de comunicación.

Para el reconocido autor de Crónicas del aguante, con lo ocurrido en Colón-Belgrano quedó demostrado “una vez más” que las agresiones que solemos ver domingo a domingo en las canchas no son patrimonio exclusivo de la barra brava.

Los plateístas de Colón tiran de todo y la culpa es de Olave. La policía reprime y la culpa es de Olave. Bueno… Olave también es culpable como todos los jugadores que desde su lugar también generan lo que generan. Pero se está equivocando el foco de la cuestión”, dice el profesional con creciente indignación.

Tratar estos incidentes como si fueran aislados no sirve para nada. Mi primer trabajo sobre violencia en el fútbol fue hace 12 años, así que imaginate que nada me sorprende a esta altura. Todo es previsible, esperable. Y también es esperable cómo se reacciona… Los medios dicen ‘los violentos, la culpa es de ellos’. Pero no dicen que entre ellos están los jugadores, la policía, los periodistas cordobeses… todos”.

Alabarces lidera un conjunto de intelectuales que hace unos meses presentó un polémico proyecto para erradicar la violencia aboliendo las actuales medidas (represión policial, mayores operativos, prohibición de público visitante, entre otras cosas) que a la luz de los hechos no han brindado soluciones. En lugar de ello, propone un trabajo conjunto de profesionales de distintas disciplinas para reeducar a los violentos. Reconocer la existencia de la barra. “No legalizarla, como malinterpretan algunos”, aclara. “Hasta ahora son todos parches. No existen medidas a largo plazo. Prohibir el ingreso de público visitante es un negocio televisivo”, agrega.

Días atrás, en una declaración para muchos desacertada, la presidenta Cristina Fernández sostuvo que “si el tema de la violencia lo circunscribimos únicamente a algunos grupitos vamos a equivocarnos y no vamos a darle una verdadera respuesta al problema, que tiene que ver más con cosas que pasan fuera de la cancha, que son las mas graves y no adentro”. Según Alabarces, la mandataria fue “demasiado liviana, hizo una alusión rápida y poco profunda del tema”.

–¿Cuál es la solución?

–La cultura futbolística argentina encierra una ética de la violencia llamada “el aguante”, reconocida y alentada desde los medios. En 10 años podemos solucionarlo. El responsable de la seguridad en Inglaterra me dijo que se “cura” en ese tiempo.

–¿Cómo se hace?

–Yo propongo una serie de medidas que van desde la intervención de la AFA a blanquear la guita que se maneja en el fútbol. A fines del año pasado empecé a analizar el “Fútbol para Todos”. Ahí hace tres años tenés publicidad gratis y no hay ni un aviso sobre la violencia.

–¿Qué más?

–Campañas. Sacar la policía y poner un batallón de antropólogos y trabajadores sociales. Trabajar con las comunidades, dialogar, convencerlos…

–Con progresismo…

–No es izquierdista, es lo más liberal… No prejuzgar a los barras, hacer al revés: darles un shock de confianza. Pero si exigís orden tenés que darles infraestructura. Los baños tienen que estar en condiciones y no como los ves en cualquier estadio. La gente tiene derecho a acceder a eso.

–Como en el “Primer Mundo”.

–Los ingleses decían “usted no puede tratar a los hinchas como animales y después quejarse porque se portan como animales”. Hubo casos en los que al comienzo cuando se encontraban con cosas nuevas en el estadio se las robaban, pero con el tiempo se sentían orgullosos de su nuevo estadio.

–¿Realmente creés que es posible un cambio?

–La idea de que el cambio cultural es posible lo demuestra que antes esa cultura no era así. La cultura cambió, y lo hizo en relación a cambios globales: el peso de los hinchas es mayor. Ellos se perciben a sí mismos como los únicos que garantizan la continuidad de esa cultura.

–Decís que los medios y los futbolistas también son responsables.

–Cuando Belgrano le empató a River en la promoción y el relator decía “River sale a matar o morir”, el hincha lo siente así. Y los jugadores son tribuneros, se besan el escudo, provocan… No sólo ellos, mirá a los árbitros cómo dirigen…

–¿Por qué creés que los dirigentes no le encontraron la vuelta a la violencia?

–Y… Mirá el mejor ejemplo es Cantero (presidente de Independiente). Venía bien enfrentándose con la barra. Pero en el partido que se suspendió por la lluvia contra Vélez, salió a quejarse y decir “el fútbol es para hombres”. Hasta el más sensato parece capturado por esa cultura del aguante.

–¿Te ofrecieron algún cargo público?

–No, y no lo aceptaría.

Violência no futebol brasileiro – fim de semana de 18 e 19 de agosto de 2012

19/08/2012 18h00 – Atualizado em 19/08/2012 23h33

Homem é morto durante confronto entre torcedores de Vasco e Flamengo (G1)

Confusão aconteceu em rua de Tomás Coelho, no subúrbio do Rio.
Segundo a Polícia Militar, um torcedor rubro-negro ficou ferido.

Do G1 RJ

Diego Martins Leal, de 29 anos, foi baleado e morto durante uma briga entre torcedores do Vasco e do Flamengo na tarde deste domingo (19), em Tomás Coelho, subúrbio do Rio de Janeiro.

De acordo com as primeiras informações da Polícia Militar, a confusão começou quando um ônibus com flamenguistas vindo de Resende, no Sul Fluminense, passou por um grupo de torcedores do Vasco concentrados num porto de gasolina localizado na Rua Silva Vale. Diego foi morto no interior de um bar, na Rua Itaquati. Um torcedor do Flamengo ficou ferido.

O primo de Diego presenciou o crime. “Deram cinco disparos, e ainda deram facada nele. É uma violência que não acaba, briga de torcida organizada. Tinham marcado pelo Fracebook”, destacou.

Cerca de 60 suspeitos de participarem da briga foram detidos e levados para a 44ª DP (Inhaúma). Ainda segundo a PM, o autor do disparo foi reconhecido por testemunhas e identificado. Também foram apreendidos fogos de artifício.

Flamengo e Vasco jogaram no Estádio do Engenhão, na Zona Norte, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. O time rubro-negro venceu por um a zero, com gol de Wágner Love.

 

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19/08/2012 21h03 – Atualizado em 19/08/2012 21h13

Homem é baleado durante briga entre torcedores na Zona Oeste (G1)

Segundo hospital, ele foi atingido no abdômen e passa por cirurgia.
Outras seis pessoas ficaram feridas durante confronto em Jacarepaguá.

Do G1 RJ

Um homem foi baleado no abdômen durante uma briga entre torcedores de Vasco e Flamengo na ytarde deste domingo (19), próximo ao Largo da Tanque, na Estrada do Cafundá, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Outros seis torcedores ficaram feridos na confusão.

Segundo informações da Secretaria municipal de Saúde, o torcedor, que ainda não foi identificado, deu entrada no Hospital Lourenço Jorge, também na Zona Oeste, onde foi submetido a uma cirurgia. Até as 20h40, ele permanceia no centro cirúrgico.

Ainda de acordo com a secretaria, outros dois feridos também deram entrada na mesma unidade: um levou um tiro de raspão na perna; o outro teve um trauma na face. Ambos passavam por avaliação médica até as 20h40.

Os outros quatro feridos foram atendidos no Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá. Um deles sofreu uma fratura no crânio, está em estado grave e foi transferido para o Hospital do Andaraí, na Zona Norte. Os outros três tiveram cortes e escoriações pelo corpo, e estão em observação.

Uma viatura do 18° BPM (Jacarepaguá) foi ao local da briga e prendeu sete torcedores, sendo três da torcida do Flamengo e quatro torcedores do Vasco, todos encaminhados para a 41ª DP (Tanque).

Também na tarde deste domingo, um vascaíno ainda não identificado foi baleado e morto durante uma briga entre torcedores dos mesmos times em Tomás Coelho, subúrbio do Rio de Janeiro.

Flamengo e Vasco se enfrentaram no Estádio do Engenhão, na Zona Norte, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. O time rubro-negro venceu por um a zero, com gol de Wágner Love.

 

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Corpo de torcedor do Vasco morto na zona norte é liberado, mas permanece no IML (R7)

Dois suspeitos foram presos logo após crime; DH investiga caso

Isabele Rangel, do R7 | 20/08/2012 às 09h35 | Atualizado em: 20/08/2012 às 10h51

O corpo do torcedor do Vasco Diego Martins Leal, de 30 anos, morto em uma briga de torcida em Thomaz Coelho, na zona norte, já foi liberado do IML (Instituto Médico Legal).No entanto, segundo a Polícia Civil, a vítima ainda não foi removida para enterro.

Diego foi morto em uma confusão envolvendo 50 pessoas em um posto de gasolina entre as ruas Itaquati e Silva Vale, nas proximidades da avenida Pastor Martin Luter King Júnior, às margens da linha dois do metrô. Segundo a Polícia Civil, ele teria sido morto a tiros por dois homens identificados logo após o crime. O caso está sendo investigado pela DH (Divisão de Homicídios).

A confusão ocorreu por volta das 16h, quando três vascaínos, que estavam em um veículo Zafira, pararam para abastecer. Dentro do carro estavam Darlan Pereira da Silva e dois primos dele, que moram em Brasília, mas estavam na capital fluminense para ir ao clássico carioca no Estádio Olímpico João Havelange, no Engenho de Dentro.

Segundo a Polícia Militar, ao avistar o motorista com a camisa do Vasco, ocupantes do ônibus, que vinham de Resende, no sul do Estado, pararam o coletivo e seguiram em direção ao veículo com paus, pedras e bolas de sinuca.  Darlan ainda tentou tirar a camisa, mas ele os primos foram perseguidos e tiveram que se abrigar no interior do posto para fugir das agressões. De acordo com a PM, o carro dele foi totalmente depredado.

Em meio ao tumulto, dois homens, que não faziam parte do grupo de Resende, iniciaram uma perseguição a um torcedor do Vasco, que estava em um bar da região. A vítima, identificada como Diego Martins Leal, ainda tentou fugir, mas acabou sendo baleado. Em meio ao tumulto, um torcedor do Flamengo também ficou ferido e precisou ser atendido pelo SAMU (Serviço de Atendimento Médico de Urgência).

A confusão só terminou com a chegada de policiais do Batalhão de Méier (3º BPM), que foram acionados pelo policial que ocupava uma cabine de observação no viaduto de Thomaz Coelho, que dá acesso à estrada Adhemar Bebiano.

Dois homens foram apontados por moradores como suspeitos de terem matado o vascaíno. Eles foram presos pela PM, levados para a Delegacia de Inhaúma (44º DP), mas transferidos para a DH (Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro), na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. De acordo com a polícia, os dois podem ser indiciados por homicídio doloso (com intenção de matar).

Todos os ocupantes do ônibus, que é da empresa Transtaxi, foram detidos e levados para a 44º DP, para checagem de documentos e verificação de ficha criminal. No ônibus, foram encontrados cabos de enxada, pedras, bolas de sinuca, bandeiras e camisas do Flamengo.Outros sete presos em Jacarepaguá

Em Jacarepaguá, na zona oeste, outros sete torcedores foram presos próximo ao Largo da Tanque, na Estrada do Cafundá. Uma viatura do Batalhão de Jacarepaguá (18° BPM)  foi ao local após receber denúncias de moradores por telefone.

Entre os presos, três eram torcedores do Flamengo e quatro eram vascaínos. Todos os presos foram encaminhados para a Delegacia do Tanque (41ª DP).

Assista ao vídeo

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20/08/2012 16h35 – Atualizado em 20/08/2012 17h20

Corpo de torcedor do Vasco morto em briga é enterrado no Rio (G1)

O publicitário Diego Martins Leal, de 30 anos, foi sepultado em Inhaúma.
Dois suspeitos do crime, torcedores do Flamengo, foram presos nesta manhã.

Tássia Thum – Do G1 RJ

O corpo do torcedor do Vasco Diego Martins Leal, de 30 anos, morto durante uma briga de torcidas, foi enterrado por volta das 16h20 desta segunda-feira (20) no Cemitério de Inhaúma, no subúrbio do Rio de Janeiro. O crime aconteceu no domingo (19), antes do clássico entre Flamengo e Vasco, no estádio do Engenhão.

Cerca de 200 pessoas acompanharam a cerimônia de sepultamento do torcedor vascaíno, que era publicitário. Segundo amigos e parentes, Diego fazia parte de uma torcida organizada do Vasco, mas não utilizava a camisa do time na rua para evitar confusões com torcedores de times rivais.

Segundo o tio de Diego e professor de matemática Luiz Fernando Leal, Diego foi enterrado com a camisa do Vasco. Cerca de 20 integrantes da Torcida Força Jovem Vasco, todos descaracterizados, estiveram no enterro, mas preferiram não falar com a imprensa. “Ele era um cara que gostava do samba, namorava havia oito anos e pensava em casar. Mas, infelizmente, ele foi vítima de vândalos que saíram dispostos a matar. Ele era um cara da paz, nunca brigou ou sofreu ameaças”, disse o amigo de infância do jovem, Hugo Rodrigues, que é torcedor do Flamengo.

Cerca de 200 pessoas acompanharam o sepultamento do torcedor Diego Leal, no Cemitério de Inhaúma, no subúrbio do Rio, nesta segunda-feira (20) (Foto: Tássia Thum/G1)

Cerca de 200 pessoas acompanharam o sepultamento do torcedor Diego Leal, no Cemitério de Inhaúma, no subúrbio do Rio, nesta segunda-feira (20) (Foto: Tássia Thum/G1)

O tio disse que o rapaz não usava a camisa do time na rua e nem em fotos de redes sociais a pedido dos pais, que temiam a violência nos estádios. O primo da vítima, o farmacêutico Felipe Leal, disse que Diego não ia aos jogos do Vasco havia cerca de um ano. No domingo, segundo o primo, Diego estava em um churrasco com amigos próximo de casa, no bairro de Tomás Coelho, quando houve o conflito. Felipe Leal afirma que Diego não ia ao Engenhão, já que havia combinado de ver a partida em um bar próximo de sua residência.

Nesta manhã, a Polícia Civil apresentou dois suspeitos de assassinar o torcedor do Vasco.  Alessanderson Piedade Motta, de 28 anos, e Daniel Monteiro Abreu, 27, estão presos da Divisão de Homicídios (DH), na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, e vão responder por homicídio qualificado por motivo fútil. Segundo o delegado Rivaldo Barbosa, se condenados, eles podem pegar de 20 a 30 anos de prisão.

De acordo com o delegado, das cinco testemunhas ouvidas, duas reconheceram os suspeitos como responsáveis pela morte de Diego. O delegado informou que as investigações apontam Alessanderson, que já tinha passagem pela polícia por lesão corporal, como autor dos quatro tiros que atingiram a vítima e Daniel como o autor das facadas.

A confusão começou quando um ônibus com flamenguistas vindo de Resende, no Sul Fluminense, passou por um grupo de torcedores do Vasco concentrados num bar localizado na Rua Silva Vale.

Ao tentar se esconder, Diego entrou em um outro bar, na Rua Itaquati. No interior do estabelecimento, ele foi morto pela dupla.

Na delegacia, Daniel confirmou que é comum o enfrentamento de torcidas rivais. “Torcida organizada funciona desta forma. É eles contra a gente e a gente contra eles. Uma vez mataram um amigo nosso e ninguém foi preso”, afirmou Daniel.

Outras testemunhas serão ouvidas

Daniel tem tatuagem do Flamengo nas costas (Foto: Renata Soares/G1)

Daniel tem escudo do Flamengo tatuado nas costas (Foto: Renata Soares/G1)

Ainda segundo o delegado, outros torcedores serão chamados para prestar depoimento novamente. “Isso é lamentável, é algo inaceitável. Vamos continuar a investigação e tentar identificar outras pessoas que tenham participado do crime”, afirmou Rivaldo, que acrescentou também que não há indícios de que a torcida tenha marcado este encontro pela internet:

“Não temos essa informação sobre o encontro marcado. Mas vamos continuar investigando”, concluiu o delegado Rivaldo Barbosa.

Flamengo e Vasco jogaram no Estádio do Engenhão, na Zona Norte, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro 2012. O time rubro-negro venceu por um a zero, com gol de Vagner Love.

Violência no futebol argentino – fim de semana de 18 e 19 de agosto de 2012

Incidentes en Chicago: dos policías baleados (Clarín)

También hay dos efectivos con traumatismos, debido al enfrentamiento que se produjo con un sector de la barra que quiso ingresar al estadio por la fuerza. Fueron detenidas dos personas.

20/08/12 – 21:00

Otra vez la violencia en el fútbol. Por tercer día consecutivo un partido queda manchado por los violentos. En el primer partido en su estadio en su regreso a la B Nacional, Nueva Chicago no pudo festejar ni adentro del campo de juego (igualó 0-0 con Gimnasia de Jujuy), ni afuera: un sector de la barra brava se enfrentó con la policía y hay dos oficiales heridos de bala, además de dos efectivos con traumatismos (uno en el cráneo), que fueron trasladados al Hospital Churruca.

El conflicto se originó por una interna entre dos facciones de la barra de Nueva Chicago. Es que a unos 150 barras del barrio Villegas, cercanos al sector de la barra denominado Los Perales, les aplicaron el derecho de admisión. Mientras que a los de Las Antenas, el grupo antagónico, tuvieron libre acceso a la cabecera local.

En la cancha de Chicago los de Las Antenas se ubican en una cabecera y los de Los Perales en la de enfrente. Los de Villegas quisieron ingresar al estadio por la fuerza y se enfrentaron con la Policía. Comenzaron las corridas en las afueras del estadio detrás del barrio Los Perales, hacia donde se dirigieron los efectivos policiales y según testigos se escucharon varias detonaciones. Allí habrían sido heridos dos efectivos policiales que fueron trasladados al Churruca. Hay dos detenidos a los que les fueron incautadas armas de fuego y son apuntados por la policía como los presuntos agresores.

Asimismo, cuando terminó el primer tiempo hubo nuevamente corridas, las cuales se repitieron en el desarrollo del segundo tiempo en la parte baja de una tribuna del estadio. Casi sobre la hora del partido el árbitro debió suspender el juego durante más de cinco minutos, ya que volvieron a producirse incidentes entre la policía y los barras.

En enero, Agustín Alejo Rodríguez, de 27 años, fue asesinado en el polideportivo del club. Rodríguez, miembro del sector de Los Perales, acudió al club por una supuesta reunión conciliatoria entre las dos facciones de la barra. Pero los de Las Antenas los habrían emboscado. En busca de venganza, los miembros de Los Perales ingresaron por la fuerza al Hospital Santojanni donde se encontraba herido el presunto asesino. El hecho sigue sin ser esclarecido.

El sábado hubo incidentes en Santa Fe entre la policía local y los hinchas de Belgrano. Juan Carlos Olave fue detenido tras el partido y procesado por una supuesta agresión a un oficial de policía y a un bombero. El arquero del Pirata intentó calmar a los hinchas cordobeses ante la represión policial.

Por otro lado, en Victoria, hubo un enfrentamiento entre los hinchas de River y la policía. Y después fue la barra brava de Tigre la que se enfrentó con las fuerzas de seguridad. Hubo un patrullero incendiado y un alto jefe de la Bonaerense sufrió una herida grave y debió ser operado de urgencia. Se trata de Daniel Herrera, Comisario Mayor Jefe de la Departamental Conurbano Norte, que recibió una pedrada en la cabeza y fue sometido a una cirugía reconstructora que le dejó 27 puntos de sutura.

Esta mañana, en la sede de Independiente sobre la calle Boyacá, en Flores, miembros de la barra brava del Rojo habrían arrojado una bomba molotov que incendió una marquesina. Además, el presidente del club, Javier Cantero, enfrentado con la barra, denunció un intento de robo en el estadio de Independiente, presuntamente por miembros de la barra de Independiente.

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Pelea en Mataderos: Dos policías baleados en un choque con barras de Chicago (Clarín)

POR SEBASTIÁN VARELA DEL RÍO

Uno fue herido en el hombro y otro en una pierna. Hubo otros dos policías lesionados. El conflicto estalló porque los barrabravas intentaron eludir el derecho de admisión e ingresar sin entradas.

Mal momento. Un policía intenta controlar a los hinchas más exaltados. Hubo dos detenidos por portar armas de fuego. El enfrentamiento se produjo fuera del estadio y duró casi dos horas.

21/08/12

Llora Mataderos. Lo hace un poco por la costumbre impotente de vivir en un infierno. Lagrimea también por el infame gas que se ha vuelto habitual en cada uno de los episodios de una película de incidentes y asesinatos. El de ayer fue uno más de los capítulos de unahistoria que sigue derramando sangre . Una de las facciones de la barra de Chicago se enfrentó con la policía y dejó a dos efectivos heridos de bala . Otros dos fueron hospitalizados por diferentes traumatismos. Una larga batalla campal que puso la lupa nuevamente en los problemas de seguridad en las canchas argentinas en un fin de semana plagado de hechos de violencia. En la cancha de Colón la policía reprimió a los hinchas de Belgrano y el arquero Olave terminó detenido. En Independiente tiraron una bomba molotov contra la persiana de la sede social de Flores. Además, robaron computadoras del estadio. El fútbol, cada vez más oscuro.

En el barrio de Mataderos se sabía que algo iba a ocurrir. El rumor sobre posibles incidentes era habitual ya en la tarde del domingo.

“Cuidate si vas a la cancha que parece que mañana se pudre” , se podía escuchar de boca de los que en Mataderos conocen la interna. El primer partido como local en la vuelta a la B Nacional era una jornada para temer. El antecedente inmediato eran los incidentes en el portón de la tribuna visitante de Defensa y Justicia, hace una semana. Allí, a los barrabravas les cerraron el ingreso y hubo corridas. Varios habrían entrado al encuentro con armas de fuego y por temor a una masacre adentro de la popular, las dos facciones de la barra, Los Perales y Las Antenas no se enfrentaron.

El operativo de seguridad del partido de ayer ante Gimnasia de Jujuy estuvo lleno de incertidumbre. Sobre las 11 (el encuentro estaba programado para las 15) no se sabía la manera en la que se habilitarían las tribunas. De apuro, cerca del mediodía se decidió darle una cabecera a cada facción de la barra. La popular del lado del Barrio Manuel Dorrego para Los Perales . La tribuna “Mercado de Hacienda” estaba destinada a Las Antenas. Incluso se modificaron los corredores habituales de entrada del público visitante para prevenir un enfrentamiento.

Los problemas comenzaron en el portón de la tribuna donde se ubicaban los de Los Perales . Una facción de dicha hinchada, conocida como Los de Villegas, intentó ingresar corriendo y sin entradas. Cabe aclarar que Chicago viene implementando la modalidad de canje de entradas para socios, los únicos habilitados para concurrir a los partidos. La Policía, que identificó a varios que integran la lista de 90 personas sobre las que pesa el derecho de admisión, los frenó. A partir de eso se desencadenó una pelea que duró casi 100 minutos . Mientras el partido se jugaba, afuera había balas de goma, gases lacrimógeno y proyectiles.

Adentro del estadio, los miembros de la facción de Los Perales que estaban en la tribuna querían salir para sumarse a la pelea. La Policía formó un cordón policial para impedírselo. Las familias que estaban en la misma popular lograron pasar hacia un playón que comunica con la platea para apartarse.

En un momento del enfrentamiento, los barrabravas se replegaron hacia los edificios del barrio. Los efectivos seguían disparando balas de goma.

Los violentos respondieron con proyectiles de plomo que hirieron a dos policías.

Uno en el hombro y el otro en una pierna. Ambos están fuera de peligro, igual que otros dos con traumatismos en el cráneo.

Dos hombres quedaron detenidos por el hecho.

El 2012 fue sangriento para el club. En enero, un encuentro en el Polideportivo terminó con el asesinato de Agustín Rodríguez, de L os Perales . Su grupo fue a buscar venganza al hospital Santojanni, lugar en el que se encontraba internado por una puñalada Aldo Barralda, jefe de Las Antenas . La historia terminó con una batalla por los pasillos del hospital. Barralda falleció unos días después.

La historia de la interna está enmarcada por los puntos de contacto deLas Antenas con el kirchnerismo y de Los Perales con la pata peronista del macrismo.

Las Antenas quiere tomar el poder y contaría con la aprobación de sectores de la política. El uso de los barrabravas como fuerza de choque en los actos políticos no es nuevo.

Los jugadores de Chicago se mostraron enojados por los incidentes. Julio Serrano aseguró: “La Presidenta se tiene que hacer cargo. Los dirigentes políticos mantienen vivos a los barrabravas”. Daniel Ferreiro, secretario del club, afirmó preocupado: “Todos los integrantes de mi familia recibimos muchas amenazas por día”.

Por ahora, no se habla de sanciones a la institución. La posibilidad de no jugar más en Mataderos fue un rumor que circuló. Pero nada más.

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Imágenes de los incidentes en Mataderos (TyC Sports)

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BASTA DE VIOLENCIA (Olé)

De mal en peor

La Infantería ingresó a la tribuna de Chicago y se armó feo...

La Infantería ingresó a la tribuna de Chicago y se armó feo…

La facción de Los Perales de Chicago se trenzó con la Policía, que terminó con dos oficiales heridos de bala.

Faltaban tres horas para el inicio del partido y todavía no se conocía la distribución de tribunas para albergar a las dos facciones de la barra de Chicago: Los Perales (de Mataderos) y Las Antenas (de provincia). Como ayer anticipó Olé , el operativo policial tenía grietas profundas y desde la CD de la institución deslindaron responsabilidades hacia la Fuerza … El entorno del partido estuvo mal parido desde un principio, se esperaba una tarde nefasta. Y ocurrió. El saldo de la batalla entre Los Perales y la policía fue: dos oficiales con impactos de arma de fuego (uno en un hombro y otro en una pierna) internados en el Hospital Churruca, otros tres con contusiones. Habría dos barras detenidos, a los que se les incautaron armas.

La semana pasada, en la cancha de Defensa, Los Perales dejó afuera a Las Antenas. Hasta el domingo el plan del Ministerio de Seguridad era ubicarlos a todos juntos en la cabecera Calero y Persi. Un peligro latente. Con el correr de la mañana de ayer, se decidió separarlos. Pasadas las 12, se determinó que la barra de Capital ocupara la cabecera lindante a su barrio y en la popular de enfrente (originalmente estarían los jujeños, que fueron a la pequeña tribuna del costado de la platea), cercana a la General Paz, estuvo la gente de Provincia.

A los 43´ del PT se escucharon balazos de goma en el ingreso a la tribuna de Los Perales. Oficialmente el club y la Policía coincidieron en el argumento “quisieron ingresar sin entradas”. Por otro lado, se indica que el hecho se desató porque se les prohibió entrar a 50 barras que tienen derecho de admisión y se armó la gresca en las afueras del estadio y se extendió al barrio Manuel Dorrego. Durante el entretiempo continuaron los disparos, Infantería tiró gas lacrimógeno y produjo que los hinchas ubicados en esa popu se desplazaran hasta el playón.

La calma parecía haber llegado. Pero … Iban 22’ del complemento y volvieron a escucharse las detonaciones. El partido siguió al compás de los balazos. Hasta que a los 44´, increíblemente, una formación de Infantería transitó la tribuna y hubo otro choque, esta vez dentro del estadio. El juego se detuvo y los jugadores pidieron calma. El partido pudo culminar, pero Chicago quedó aún más herido.

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B NACIONAL/ CHICAGO 0 – GIMANSIA (J) 0 (Olé)

Torito en problemas

Nueva Chicago y Gimnasia (J) igualaron sin goles en Mataderos. El partido se vio opacado por incidentes protagonizados por un sector de la hinchada local con la policía.

En Mataderos, Nueva Chicago, uno de los equipos recién ascendidos a la categoría, se midió ante Gimnasia y Esgrima de Jujuy. El partido, sin mayores sucesos, finalizó igualado sin goles. Repartieron puntos ambos. Pero, por desgracia, lo lamentable estuvo en las tribunas en donde se sucedieron una serie de incidentes entre la policía y una facción de la hinchada local.

Cuando el primer tiempo estaba por llegar a su fin, el grupo de Los Perales intentó ingresar al estadio sin entradas. Como resultado, los efectivos policiales los frenaron, desatando una pelea que se extendió a lo largo de los minutos, incluso con el segundo tiempo del partido disputándose.

A los 44 minutos del ST, a punto de que finalizara el choque, la policía entró en la cancha y hubo más incidentes con otros simpatizantes locales en una de las tribunas. Como resultado, el partido estuvo detenido por unos instantes. Se finalizó, aunque con los sucesos de violencia aún latentes. Una historia lamentable. Otra vez, incidentes.

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Violencia, violencia y más violencia (Clarín)

POR GUSTAVO RONZANO

Otro fin de semana de violencia en el fútbol. Esta imagen pertenece al partido entre Colón y Belgrano. (Hugo Pascutti)

21/08/12 – 13:13

Aquella reunión del Comité Ejecutivo de AFA no fue una más. Como cada martes, aquel 29 de mayo volvieron a juntarse los dirigentes en el edificio de Viamonte 1366. Y el tenso cruce entre dos de ellos marcó a fuego esa noche: “Preocupate por tu club, que las cosas no están tan bien. Dejá a Boca fuera de todo esto”, le dijo el vice de Boca, Juan Carlos Crespi, a Javier Cantero. ¿Qué había dicho el presidente de Independiente? “En Boca todos se sacan fotos con la barra brava”.

La discusión tuvo un segundo round, pocas horas después, afuera de aquellas cuatro paredes. “No voy a andar discutiendo por los medios. El, yo y las treinta personas que estuvimos ahí sabemos lo que pasó, pero los problemas de vestuario quedan en el vestuario”, indicó Cantero. “Somos un buen ejemplo para todos. Somos un club muy bien administrado y por suerte no tenemos problemas como otros. En vez de criticar, deberían preguntarnos por qué no tenemos problemas. Esa es la manera de ayudar, y no pasearse por los canales de televisión. Espero que lo haya entendido, porque manejar un club no es igual que manejar un country, sin desmerecer a los countries”, contratacó Crespi. Y remató: “Yo no soy artista como algunos: Si tengo un problema lo resuelvo puertas para adentro”.

No hubo, claro, un antes y un después de ese episodio. Al cabo, día a día la dirigencia del fútbol argentino parece rendirle pleitesía a esa frase de cabecera que luce en su anillo Julio Grondona: Todo Pasa. Y así pasó otro fin de semana cargado de sinrazón. Un fin de semana largo, en este caso, que incluyó en el menú violencia en Santa Fe, el sábado; violencia en Tigre, el domingo; violencia en Mataderos, el lunes. Y una bomba molotov en la sede que tiene Independiente en Flores, en la madrugada del lunes. “Vamos a incrementar el derecho de admisión, no nos van a doblegar”, insiste Cantero, a quien sus pares del fútbol nacional siguen viendo como el auténtico sapo de otro pozo.

Es evidente que si no hay una política de Estado, una decisión en serio, profunda y sincera, los violentos continuarán formando parte de ese engranaje poderoso que no quiere sacar los pies de un plato demasiado grande y tentador. La presidenta Cristina Fernández de Kirchner elogió el 31 de julio a los barras porque “no miran el partido; arengan, arengan, arengan, la verdad, mi respeto para todos ellos”. Este martes, Aníbal Fernández, por si acaso, aclaró que no debe opinar de esas declaraciones porque “no soy ningún exégeta” de la Presidenta.

El senador nacional y presidente de Quilmes, en definitiva, no hizo más que sumar para la gran certeza: Cantero siempre estuvo solo.

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Más repercusiones que soluciones (Clarín)

POR DAVID FLIER

El día después del fin de semana largo a puro descontrol en el fútbol argentino todo sigue igual. No habría quita de puntos para sancionar a los clubes involucrados.

21/08/12 – 12:32

Hasta ahora, los hechos de violencia que se sucedieron el último fin de semana en el fútbol argentino dejaron sólo repercusiones. Es que, mientras varios se han pronunciado al respecto de los incidentes ocurridos en Santa Fe, Victoria, Maraderos o en la sede de de Independiente en Flores, aún no se han aplicado sanciones al respecto.

“No es algo que sorprenda lo que ocurrió el fin de semana, siempre pasa algo”, señaló este martes Mónica Nizzardo, titular de la ONG Salvemos al Fútbol, en diálogo con Clarín. Y recordó el discurso de Cristina Fernández de Kirchner en el cual restó trascendencia a la influencia de las barra bravas en hechos de violencia.

También sobre la Presidenta recayó la diputada nacional de Unión por Todos, Patricia Bullrich. “Este nuevo incidente reafirma la gravedad de los dichos de la Presidenta de la Nación donde apañó, ponderó y justificó el accionar y la existencia de los barras en el fútbol”, dijo la legisladora en referencia a la bomba que había explotado en la sede de Independiente en Flores. La investigación acerca de este incidente es llevada a cabo por la Comisaría 50ª.

A su vez, aún no se han levantado voces oficiales para confirmar sanciones sobre Tigre o Chicago. Sobre los incidentes en Victoria, donde todos los demorados fueron liberados ayer, Luis Morales, titular del ApreViDe (Agencia de Prevención de Violencia en el Deporte) había señalado a Clarín que debían realizar el informe en base “a lo que mostraran las cámaras de seguridad”. Se trata del primer fin de semana de fútbol desde que el nuevo organismo asumió en reemplazo del CoProSeDe. “Siempre es lo mismo. Cambian la figurita y se escudan en que necesitan tiempo”, sostuvo Nizzardo, quien recordó que entre tanto recambio se suman víctimas de la violencia.

No es la primera vez en el año que los hinchas de Tigre se ven envueltos en hechos de violencia cerca de su estadio. En abril, luego de escupir a Clemente Rodríguez y a Santiago Silva, se tomaron a golpes con jugadores de Boca tras el encuentro que el equipo de Julio Falcioni perdió como visitante.

Mientras tanto, en Mataderos sólo existen rumores en relación a la sanción que recibirá Nueva Chicago. Se especula que el club no sufrirá quita de puntos, pero no hay precisiones todavía sobre qué pasará con su estadio. Algo muy probable es que los demás clubes de la B Nacional pidan jugar sin hinchas visitantes cuando reciban al equipo de Mataderos.

Lejos del área metropolitana de Buenos Aires, en Córdoba continúan las repercusiones acerca de los incidentes del sábado en Santa Fe. Por un lado, la dirigencia de Belgrano omitió en su reclarmo cualquier referencia a Juan Carlos Olave. El arquero había señalado que “fue oportuna la intervención de los jugadores, hasta el arbitro lo agradeció”. Olave, acusado de golpear a un bombero, se había defendido al decir que todo fue producto de un forcejeo por una manguera para que dejaran de tirar agua sobre la hinchada.

Sin embargo, lo curioso es que a pesar de la bronca entre los simpatizantes cordobeses, uno de ellos denunció que la parcialidad de Belgrano fue la que inició el conflicto en el estadio. “Es la primera vez que voy a la cancha y no puedo dejar de hacer la denuncia de lo que vi. Todo comenzó cuando un hincha de Belgrano se subió al alambrado y se robó una bandera de Colón. Ahí los locales se pusieron violentos y comenzaron a tirar piedras”, expresó el hincha cordobés, cuyo nombre no trascendió.

Lo cierto es que quedan muchas cuestiones por investigarse para que, esta vez, no siga todo como si nada hubiese ocurrido.

Politics and Prejudice Explored (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 20, 2012) — Research has associated political conservatism with prejudice toward various stereotyped groups. But research has also shown that people select and interpret evidence consistent with their own pre-existing attitudes and ideologies. In this article, Chambers and colleagues hypothesized that, contrary to what some research might indicate, prejudice is not restricted to a particular political ideology.

Rather, the conflicting values of liberals and conservatives give rise to different kinds of prejudice, with each group favoring other social groups that share their values. In the first study, three diverse groups of participants rated the ideological position and their overall impression of 34 different target groups.

Participants’ impressions fell in line with their ideology. For example, conservatives expressed more prejudice than liberals against groups that were identified as liberal (e.g., African-Americans, homosexuals), but less prejudice against groups identified as conservative (e.g., Christian fundamentalists, business people).

In the second and third studies, participants were presented with 6 divisive political issues and descriptions of racially diverse target persons for each issue. Neither liberals’ nor conservatives’ impressions of the target persons were affected by the race of the target, but both were strongly influenced by the target’s political attitudes.

From these findings the researchers conclude that prejudices commonly linked with ideology are most likely derived from perceived ideological differences and not from other characteristics like racial tolerance or intolerance.

Journal References:

J. B. Luguri, J. L. Napier, J. F. Dovidio. Reconstruing Intolerance: Abstract Thinking Reduces Conservatives’ Prejudice Against Nonnormative GroupsPsychological Science, 2012; 23 (7): 756 DOI:10.1177/0956797611433877

J. B. Luguri, J. L. Napier, J. F. Dovidio. Reconstruing Intolerance: Abstract Thinking Reduces Conservatives’ Prejudice Against Nonnormative GroupsPsychological Science, 2012; 23 (7): 756 DOI:10.1177/0956797611433877

 

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Prejudice Comes from a Basic Human Need and Way of Thinking, New Research Suggests

ScienceDaily (Dec. 21, 2011) — Where does prejudice come from? Not from ideology, say the authors of a new paper. Instead, prejudice stems from a deeper psychological need, associated with a particular way of thinking. People who aren’t comfortable with ambiguity and want to make quick and firm decisions are also prone to making generalizations about others.

In a new article published in Current Directions in Psychological Science, a journal of the Association for Psychological Science, Arne Roets and Alain Van Hiel of Ghent University in Belgium look at what psychological scientists have learned about prejudice since the 1954 publication of an influential book, The Nature of Prejudice by Gordon Allport.

People who are prejudiced feel a much stronger need to make quick and firm judgments and decisions in order to reduce ambiguity. “Of course, everyone has to make decisions, but some people really hate uncertainty and therefore quickly rely on the most obvious information, often the first information they come across, to reduce it” Roets says. That’s also why they favor authorities and social norms which make it easier to make decisions. Then, once they’ve made up their mind, they stick to it. “If you provide information that contradicts their decision, they just ignore it.”

Roets argues that this way of thinking is linked to people’s need to categorize the world, often unconsciously. “When we meet someone, we immediately see that person as being male or female, young or old, black or white, without really being aware of this categorization,” he says. “Social categories are useful to reduce complexity, but the problem is that we also assign some properties to these categories. This can lead to prejudice and stereotyping.”

People who need to make quick judgments will judge a new person based on what they already believe about their category. “The easiest and fastest way to judge is to say, for example, ok, this person is a black man. If you just use your ideas about what black men are generally like, that’s an easy way to have an opinion of that person,” Roets says. “You say, ‘he’s part of this group, so he’s probably like this.'”

It’s virtually impossible to change the basic way that people think. Now for the good news: It’s possible to actually also use this way of thinking to reduce people’s prejudice. If people who need quick answers meet people from other groups and like them personally, they are likely to use this positive experience to form their views of the whole group. “This is very much about salient positive information taking away the aversion, anxiety, and fear of the unknown,” Roets says.

Roets’s conclusions suggest that the fundamental source of prejudice is not ideology, but rather a basic human need and way of thinking. “It really makes us think differently about how people become prejudiced or why people are prejudiced,” Roets says. “To reduce prejudice, we first have to acknowledge that it often satisfies some basic need to have quick answers and stable knowledge people rely on to make sense of the world.”

Journal Reference:

Arne Roets and Alain Van Hiel. Allport’s Prejudiced Personality Today: Need for Closure as the Motivated Cognitive Basis of PrejudiceCurrent Directions in Psychological Science, (in press)

 

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Ironic Effects of Anti-Prejudice Messages

ScienceDaily (July 7, 2011) — Organizations and programs have been set up all over the globe in the hopes of urging people to end prejudice. According to a research article, which will be published in an upcoming issue of Psychological Science, a journal of the Association for Psychological Science, such programs may actually increase prejudices.

Lisa Legault, Jennifer Gutsell and Michael Inzlicht, from the University of Toronto Scarborough, were interested in exploring how one’s everyday environment influences people’s motivation toward prejudice reduction.

The authors conducted two experiments which looked at the effect of two different types of motivational intervention — a controlled form (telling people what they should do) and a more personal form (explaining why being non-prejudiced is enjoyable and personally valuable).

In experiment one; participants were randomly assigned one of two brochures to read: an autonomy brochure or a controlling brochure. These brochures discussed a new campus initiative to reduce prejudice. A third group was offered no motivational instructions to reduce prejudice. The authors found that, ironically, those who read the controlling brochure later demonstrated more prejudice than those who had not been urged to reduce prejudice. Those who read the brochure designed to support personal motivation showed less prejudice than those in the other two groups.

In experiment two, participants were randomly assigned a questionnaire, designed to stimulate personal or controlling motivation to reduce prejudice. The authors found that those who were exposed to controlling messages regarding prejudice reduction showed significantly more prejudice than those who did not receive any controlling cues.

The authors suggest that when interventions eliminate people’s freedom to value diversity on their own terms, they may actually be creating hostility toward the targets of prejudice.

According to Dr. Legault, “Controlling prejudice reduction practices are tempting because they are quick and easy to implement. They tell people how they should think and behave and stress the negative consequences of failing to think and behave in desirable ways.” Legault continues, “But people need to feel that they are freely choosing to be nonprejudiced, rather than having it forced upon them.”

Legault stresses the need to focus less on the requirement to reduce prejudices and start focusing more on the reasons why diversity and equality are important and beneficial to both majority and minority group members.

Story Source:

The above story is reprinted from materials provided byAssociation for Psychological Science, via EurekAlert!, a service of AAAS.

EBay bans sale of spells and hexes (CNN)

By Erin Kim @CNNMoneyTech August 16, 2012: 4:27 PM ET

Starting in September, eBay is blocking the sale of potions and other magical goods.

NEW YORK (CNNMoney) — Sorry, love spell vendors: eBay is cracking down on the sale of magical wares.

Beginning in September, the site is banning the sale of “advice, spells, curses, hexing, conjuring, magic, prayers, blessing services, magic potions, [and] healing sessions,” according to a policy update.

The company is also eliminating its category listings for psychic readings and tarot card sessions.

The update is a part of a “multi-year effort…to build trust in the marketplace and support sellers,” eBay (EBAYFortune 500) wrote in its company blog.

Has anyone actually been buying magic on eBay? It seems so: The site’s “spells and potions” category currently has more than 6,000 active listings and happy feedback from quite a few satisfied buyers.

“Best spell caster on Ebay,” one customer wrote after a recent purchase.

“Wonderful post-spells communication!” another raved. “We bought 4 spells! Highly Recommend!”

Spells and hexes aside, eBay is rolling out a long list of rule tweaks, as it does several times a year. For example, buyers will now be required to contact sellers before getting eBay involved with any issues regarding a purchase. Sellers will also be subject to a fee for ending an auction earlier than planned.

EBay also banned the sale of “work from home businesses & information,” a category that is often abused by scammers.

EBay isn’t the only online marketplace culling its listings. Etsy, a platform for homemade goods, also recently prohibited the sale of various items, including drug paraphernalia and body parts. To top of page

First Published: August 16, 2012: 4:27 PM ET

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Etsy blocks sales of drugs and human remains

By Erin Kim @CNNMoneyTech August 10, 2012: 5:55 PM ET

NEW YORK (CNNMoney) — Etsy has become the go-to spot for homemade jewelry, knickknacks and household goods. Apparently, some have also been using the online marketplace to sell everything from drugs to human remains.

Now Etsy is cracking down.

The online marketplace recently revised its policies, excluding from its list of sellable items such products as tobacco, hazardous materials and body parts. (Hair and teeth are still OK).

“Odd as it may sound, we’ve spent long hours over the past several months extensively researching some offbeat and fascinating topics, from issues surrounding the sale of human bones to the corrosive and toxic properties of mercury,” the company wrote on its official blog on Wednesday.

Etsy says the changes are made in order to comply with legal rules and restrictions.

“But beyond that, when it comes right down to it, some things just aren’t in the spirit of Etsy,” the online company wrote. “While we understand that it is possible for certain items to be carefully and legally bought and sold, Etsy is just not the right venue for them.”

The new policy prohibits the sale of human body parts, including but not limited to “things such as skulls, bones, articulated skeletons, bodily fluids, preserved tissues or organs, and other similar products.”

Etsy banned most drug paraphernalia, though the company said it is not explicitly banning the sale of medical drugs. Instead, it’s asking that sellers remove any claims of “cure or relief of a health condition or illness.”

That set off a slew of angry posts from Etsy sellers in the company’s public forums.

“Now I need to change near[ly] a quarter of my listings or remove them,”wrote Etsy user Chrissy-jo, who operates an online store called KindredImages. “How am I going explain the use of a salve or even an aromatherapy eye pillow without making the claim that it aids in healing wounds or it helps relieve migraines?”

Another Etsy user named Irina, who runs PheonixBotanicals, wrote: “As an herbal crafter, I find the idea of being banned from listing traditional uses and folklore of plants quite disheartening.”

Sellers on Etsy operate their own shops, where they vend goods that are usually homemade. The online store plans to reach out to individual sellers to ask them to either remove a problematic listing or make changes to align with the company’s policy. To top of page

First Published: August 10, 2012: 4:10 PM ET

Ensino público manda 45% dos alunos às universidades federais (Valor Econômico)

JC e-mail 4559, de 10 de Agosto de 2012.

De acordo com o estudo “Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Universidades Federais Brasileiras”, concluído pelo Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace) em julho de 2011, 45% dos cerca de 900 mil alunos matriculados nas 59 instituições da rede de ensino superior do País vieram do ensino médio público.

No que se refere especificamente à obrigatoriedade de destinar 50% das vagas nas universidades federais a alunos que cursaram o ensino médio em escolas públicas, a lei de cotas aprovada na terça-feira (7) vai causar um impacto muito menor no atual sistema de matrículas do que a polêmica que tem gerado.

De acordo com o estudo “Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Universidades Federais Brasileiras”, levantamento feito pelo Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace) entre outubro e novembro de 2010 e concluído em julho de 2011, 45% dos cerca de 900 mil alunos matriculados nas 59 instituições da rede de ensino superior do País vieram do ensino médio público.

A terceira edição do estudo – a primeira foi produzida em 1996-1997, mostra que os maiores percentuais de alunos oriundos das escolas públicas são nas regiões Norte, com 71,5%, e Sul (50,5%). Nordeste e Centro-Oeste vêm em seguida com, respectivamente, 41,5% e 40,5%. O Sudeste é a região com o menor índice: 37%.

O “Perfil Socioeconômico” é uma pesquisa amostral do Fonaprace baseado no conjunto dos estudantes das universidades federais matriculados nos cursos presenciais de graduação. Adotou-se um nível de confiabilidade de 95% e erro amostral de 5% por instituição. A base de dados do foi fornecida pela Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação (Sesu-MEC) e passou por um processo de validação com cada universidade participante, que respondeu questionários quantitativos e qualitativos num sistema online.

Rosana Pereira Parente, pró-reitora de graduação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), integrante do Fonaprace, observa que uma política de Estado de ação afirmativa para equalizar o acesso ao ensino superior é importante por combater a desigualdade no País, mas um modelo único para realidades diferentes poder ser considerada “uma estratégia complicada”. “Algumas particularidades devem ser observadas, aqui na Região Norte o mercado privado da educação básica não é tão forte quanto nos grandes centros e temos mais índios que negros e pardos. Com a lei, ações afirmativas que temos aqui são prejudicadas”, pondera Rosana.

Na Ufam, a criação de novas políticas de cotas é discutida por um grupo específico dentro do conselho universitário. No momento, a instituição dá prioridade à entrada de 50% via Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o vestibular contínuo dá os outros 50% das vagas a alunos do ensino médio – eles fazem “minivestibulares” desde o primeiro ano do ensino médio. “Mas queremos instituir ações que beneficiem alunos de baixa renda”, acrescenta Rosana.

Uma das principais conclusões do estudo é que o número de estudantes negros, pardos e índios e pobres aumentou nos últimos anos, tópicos também contemplados na lei de cotas aprovada nesta semana. Os responsáveis pela pesquisa sugerem que, devido a esse resultado, é urgente ampliar os investimentos na política de assistência estudantil.

“Já existem pesquisas no Brasil que tentam monitorar o avanço das políticas afirmativas na educação. Agora, com uma lei nacional, o novo modelo tem de vir acompanhado de ações de assistência estudantil para garantir não só o acesso, mas a permanência desse ‘novo’ aluno”, avalia Dalila Andrade Oliveira, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped).

De 2008 a 2012 o orçamento do MEC para o Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), que garante bolsas mensais e auxílios financeiros para alimentação, moradia e compra de material didático, cresceu 300% em valores nominais, para R$ 500 milhões. Mas dirigentes federais falam que os recursos são insuficientes. “O Pnaes precisaria subir para R$ 1,5 bilhão para dar conta das atuais necessidades atuais. A nova lei, que fere a autonomia universitária, poderia vir acompanhada de um item para garantir a contrapartida orçamentária à universidade que receber estudantes mais pobres”, critica Gustavo Balduíno, da direção da Associação Nacional de Dirigentes de Instituições de Ensino Federais (Andifes).

Sobre o aspecto racial, o levantamento do Fonaprace mostra que em 2010 estudantes brancos eram maioria nas universidades federais: 54%. Na pesquisa anterior, em 2004, o percentual de brancos era de 59%. Os pretos aumentaram de 5,9% em 2004 para 8,7% em 2010, percentual que subiu em todas as regiões do País: com destaque para o Norte, que praticamente dobrou o seu percentual (13,4%, ante 6,8% em 2004), e Nordeste, cujas marcas passaram de 8,6% para 12,5%.

Perto de 45% dos estudantes das universidades federais pertencem às classes C, D e E. Os estudantes da classe A somam 15% do total de matrículas de 2010, com maior concentração na região Centro-Oeste (22%). Os universitários enquadrados na classe B representam 41% do total.

Why Are People Overconfident So Often? It’s All About Social Status (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 13, 2012) — Researchers have long known that people are very frequently overconfident — that they tend to believe they are more physically talented, socially adept, and skilled at their job than they actually are. For example, 94% of college professors think they do above average work (which is nearly impossible, statistically speaking). But this overconfidence can also have detrimental effects on their performance and decision-making. So why, in light of these negative consequences, is overconfidence still so pervasive?

The lure of social status promotes overconfidence, explains Haas School Associate Professor Cameron Anderson. He co-authored a new study, “A Status-Enhancement Account of Overconfidence,” with Sebastien Brion, assistant professor of managing people in organizations, IESE Business School, University of Navarra, Haas School colleagues Don Moore, associate professor of management, and Jessica A. Kennedy, now a post-doctoral fellow at the Wharton School of Business. The study will be published in theJournal of Personality and Social Psychology (forthcoming).

“Our studies found that overconfidence helped people attain social status. People who believed they were better than others, even when they weren’t, were given a higher place in the social ladder. And the motive to attain higher social status thus spurred overconfidence,” says Anderson, the Lorraine Tyson Mitchell Chair in Leadership and Communication II at the Haas School.

Social status is the respect, prominence, and influence individuals enjoy in the eyes of others. Within work groups, for example, higher status individuals tend to be more admired, listened to, and have more sway over the group’s discussions and decisions. These “alphas” of the group have more clout and prestige than other members. Anderson says these research findings are important because they help shed light on a longstanding puzzle: why overconfidence is so common, in spite of its risks. His findings suggest that falsely believing one is better than others has profound social benefits for the individual.

Moreover, these findings suggest one reason why in organizational settings, incompetent people are so often promoted over their more competent peers. “In organizations, people are very easily swayed by others’ confidence even when that confidence is unjustified,” says Anderson. “Displays of confidence are given an inordinate amount of weight.”

The studies suggest that organizations would benefit from taking individuals’ confidence with a grain of salt. Yes, confidence can be a sign of a person’s actual abilities, but it is often not a very good sign. Many individuals are confident in their abilities even though they lack true skills or competence.

The authors conducted six experiments to measure why people become overconfident and how overconfidence equates to a rise in social stature. For example:

In Study 2, the researchers examined 242 MBA students in their project teams and asked them to look over a list of historical names, historical events, and books and poems, and then to identify which ones they knew or recognized. Terms included Maximilien Robespierre, Lusitania, Wounded Knee, Pygmalion, and Doctor Faustus. Unbeknownst to the participants, some of the names were made up. These so-called “foils” included Bonnie Prince Lorenzo, Queen Shaddock, Galileo Lovano, Murphy’s Last Ride, and Windemere Wild. The researchers deemed those who picked the most foils the most overly confident because they believed they were more knowledgeable than they actually were. In a survey at the end of the semester, those same overly confident individuals (who said they had recognized the most foils) achieved the highest social status within their groups.

It is important to note that group members did not think of their high status peers as overconfident, but simply that they were terrific. “This overconfidence did not come across as narcissistic,” explains Anderson. “The most overconfident people were considered the most beloved.”

Study 4 sought to discover the types of behaviors that make overconfident people appear to be so wonderful (even when they were not). Behaviors such as body language, vocal tone, rates of participation were captured on video as groups worked together in a laboratory setting. These videos revealed that overconfident individuals spoke more often, spoke with a confident vocal tone, provided more information and answers, and acted calmly and relaxed as they worked with their peers. In fact, overconfident individuals were more convincing in their displays of ability than individuals who were actually highly competent.

“These big participators were not obnoxious, they didn’t say, ‘I’m really good at this.’ Instead, their behavior was much more subtle. They simply participated more and exhibited more comfort with the task — even though they were no more competent than anyone else,” says Anderson.

Two final studies found that it is the “desire” for status that encourages people to be more overconfident. For example, in Study 6, participants read one of two stories and were asked to imagine themselves as the protagonist in the story. The first story was a simple, bland narrative of losing then finding one’s keys. The second story asked the reader to imagine him/herself getting a new job with a prestigious company. The job had many opportunities to obtain higher status, including a promotion, a bonus, and a fast track to the top. Those participants who read the new job scenario rated their desire for status much higher than those who read the story of the lost keys.

After they were finished reading, participants were asked to rate themselves on a number of competencies such as critical thinking skills, intelligence, and the ability to work in teams. Those who had read the new job story (which stimulated their desire for status) rated their skills and talent much higher than did the first group. Their desire for status amplified their overconfidence.

De-emphasizing the natural tendency toward overconfidence may prove difficult but Prof. Anderson hopes this research will give people the incentive to look for more objective indices of ability and merit in others, instead of overvaluing unsubstantiated confidence.

Renaissance Women Fought Men, and Won (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 14, 2012) — A three-year study into a set of manuscripts compiled and written by one of Britain’s earliest feminist figures has revealed new insights into how women challenged male authority in the 17th century.

Dr Jessica Malay has painstakingly transcribed Lady Anne Clifford’s 600,000-word Great Books of Record, which documents the trials and triumphs of the female aristocrat’s family dynasty over six centuries and her bitter battle to inherit castles and villages across northern England.

Lady Anne, who lived from 1590 to 1676, was, in her childhood, a favourite of Queen Elizabeth I. Her father died when she was 15 but contrary to an agreement that stretched back to the time of Edward II — that the Clifford’s vast estates in Cumbria and Yorkshire should pass to the eldest heir whether male or female ­- the lands were handed over to her uncle.

Following an epic legal struggle in which she defied her father, both her husbands, King James I and Oliver Cromwell, Lady Anne finally took possession of the estates, which included the five castles of Skipton, where she was born, Brougham, Brough, Pendragon and Appleby, aged 53.

Malay, a Reader in English Literature at the University of Huddersfield, is set to publish a new, complete edition of Lady Anne’s Great Books of Record, which contains rich narrative evidence of how women circumvented male authority in order to participate more fully in society.

Malay said: “Lady Anne’s Great Books of Record challenge the notion that women in the 16th and 17th centuries lacked any power or control over their own lives.

“There is this misplaced idea that the feminist movement is predominantly a 1960s invention but debates and campaigns over women’s rights and equality stretch back to the Middle Ages.”

The Great Books of Record comprise three volumes, the last of which came up for auction in 2003. The Cumbria Archives bought the third set and now house all three. In 2010, Malay secured a £158,000 grant from the Leverhulme Trust to study the texts.

Malay said: “Virginia Woolf argued that a woman with Shakespeare’s gifts during the Renaissance Period would have been denied the opportunity to develop her talents due to the social barriers restricting women.

“But Lady Anne is regarded as a literary figure in her own right and when I started studying the Great Books of Record I realised there is a lot more to her writing than we were led to believe.

“I was struck by how much they revealed about the role of women, the importance of family networks and the interaction between lords and tenants over 500 years of social and political life in Britain.”

In her Great Books of Record, Lady Anne presents the case for women to be accepted as inheritors of wealth, by drawing on both documentary evidence and biographies of her female ancestors to reveal that the Clifford lands of the North were brought to them through marriage.

She argued that since many men in the 16th and 17th centuries had inherited their titles of honour from their mothers or grandmothers, it was only right that titles of honour could be passed down to female heirs.

She also contended that women were well suited to the title of Baron since a key duty of office was to provide counsel in Parliament, where women were not allowed. While men were better at fighting wars, women excelled in giving measured advice, she wrote.

Malay said: “Lady Anne appropriates historical texts, arranging and intervening in these in such a way as to prove her inevitable and just rights as heir.

“Her foregrounding of the key contributions of the female to the success of the Clifford dynasty work to support both her own claims to the lands of her inheritance and her decision to resist cultural imperatives that demanded female subservience to male authority.

“Elizabeth I was a strong role model for Lady Anne in her youth. While she was monarch, women had a level of access to the royal court that men could only dream of, which spawned a new sense of confidence among aristocratic women.”

Malay’s research into the Great Books of Record, which contain material from the early 12th century to the early 18th century, reveals the importance of family alliances in forming influential political networks.

It shows that women were integral to the construction of these networks, both regionally and nationally.

Malay said: “The Great Books explain the legal avenues open to women. Married women could call on male friends to act on their behalf. As part of marriage settlements many women had trusts set up to allow them access to their own money which they could in turn use in a variety of business enterprises or to help develop a wide network of social contacts.

“Men would often rely on their wives to access wider familial networks, leading to wives gaining higher prestige in the family.”

Lady Anne was married twice and widowed twice. After her second husband died she moved back to the North and, as hereditary High Sherriff of Westmorland, set about restoring dilapidated castles, almshouses and churches.

Malay said: “Widows enjoyed the same legal rights as men. While the husband was alive then the wife would require his permission to do anything. Widows were free to act on their own without any male guardianship.”

The Great Books also provide a valuable insight into Medieval and Renaissance society, with one document describing a six-year-old girl from the Clifford family being carried to the chapel at Skipton on her wedding day.

Lady Anne also recounted her father’s voyages to the Caribbean and she kept a diary of her own life, which includes summaries of each year from her birth until her death at the age of 86 in 1676.

Malay said: “The books are full of all sorts of life over 600 years, which is what is so exciting about them.”

Malay’s Anne Clifford Project, the Great Books of Record was the catalyst for an exhibition of the Great Books of Record, which are, for the first time, being exhibited in public alongsideThe Great Picture at the Abbot Hall Art Gallery in Kendal.

The Great Picture is a huge (so huge a window of the gallery had to be removed to accommodate its arrival) triptych that marks Lady Anne’s succession to her inheritance.

The left panel depicts Lady Anne at 15, when she was disinherited. The right panel shows Lady Anne in middle age when she finally regained the Clifford estates. The central panel depicts Lady Anne’s parents with her older brothers shortly after Lady Anne had been conceived.

Lost Letter Experiment Suggests Wealthy London Neighborhoods Are ‘More Altruistic’ (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 15, 2012) — Neighbourhood income deprivation has a strong negative effect on altruistic behaviour when measured by a ‘lost letter’ experiment, according to new UCL research published August 15 in PLoS One.

Researchers from UCL Anthropology used the lost letter technique to measure altruism across 20 London neighbourhoods by dropping 300 letters on the pavement and recording whether they arrived at their destination. The stamped letters were addressed by hand to a study author’s home address with a gender neutral name, and were dropped face-up and during rain free weekdays.

The results show a strong negative effect of neighbourhood income deprivation on altruistic behaviour, with an average of 87% of letters dropped in the wealthier neighbourhoods being returned compared to only an average 37% return rate in poorer neighbourhoods.

Co-author Jo Holland said: “This is the first large scale study investigating cooperation in an urban environment using the lost letter technique. This technique, first used in the 1960s by the American social psychologist Stanley Milgram, remains one of the best ways of measuring truly altruistic behaviour, as returning the letter doesn’t benefit that person and actually incurs the small hassle of taking the letter to a post box.

Co-author Professor Ruth Mace added: “Our study attempts to understand how the socio-economic characteristics of a neighbourhood affect the likelihood of people in a neighbourhood acting altruistically towards a stranger. The results show a clear trend, with letters dropped in the poorest neighbourhoods having 91% lower odds of being returned than letters dropped in the wealthiest neighbourhoods. This suggests that those living in poor neighbourhoods are less inclined to behave altruistically toward their neighbours.”

As well as measuring the number of letters returned, the researchers also looked at how other neighbourhood characteristics may help to explain the variation in altruistic behaviour — including ethnic composition and population density — but did not find them to be good predictors of lost letter return.

Corresponding author Antonio Silva said: “The fact that ethnic composition does not play a role on the likelihood of a letter being returned is particularly interesting, as other studies have suggested that ethnic mixing negatively affects social cohesion, but in our sampled London neighbourhoods this does not appear to be true.

“The level of altruism observed in a population is likely to vary according to its context. Our hypothesis that area level socio-economic characteristics could determine the levels of altruism found in individuals living in an area is confirmed by our results. Our overall findings replicate and expand on previous studies which use similar methodology.

“We show in this study that individuals living in poor neighbourhoods are less altruistic than individuals in wealthier neighbourhoods. However, the effect of income deprivation may be confounded by crime, as the poorer neighbourhoods tend to have higher rates crime which may lead to people in those neighbourhoods being generally more suspicious and therefore less likely to pick up a lost letter.

“Further research should focus on attempting to disentangle these two factors, possibly by comparing equally deprived neighbourhoods with different levels of crime. Although this study uses only one measure of altruism and therefore we should be careful in interpreting these findings, it does give us an interesting perspective on altruism in an urban context and provides a sound experimental model on which to base future studies.”

Interest in Arts Predicts Social Responsibility (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 16, 2012) — If you sing, dance, draw, or act — and especially if you watch others do so — you probably have an altruistic streak, according to a study by researchers at the University of Illinois at Chicago.

People with an active interest in the arts contribute more to society than those with little or no such interest, the researchers found. They analyzed arts exposure, defined as attendance at museums and dance, music, opera and theater events; and arts expression, defined as making or performing art.

“Even after controlling for age, race and education, we found that participation in the arts, especially as audience, predicted civic engagement, tolerance and altruism,” said Kelly LeRoux, assistant professor of public administration at UIC and principal investigator on the study.

In contrast to earlier studies, Generation X respondents were found to be more civically engaged than older people.

LeRoux’s data came from the General Social Survey, conducted since 1972 by the National Data Program for the Sciences, known by its original initials, NORC. A national sample of 2,765 randomly selected adults participated.

“We correlated survey responses to arts-related questions to responses on altruistic actions — like donating blood, donating money, giving directions, or doing favors for a neighbor — that place the interests of others over the interests of self,” LeRoux said. “We looked at ‘norms of civility.’ Previous studies have established norms for volunteering and being active in organizations.”

The researchers measured participation in neighborhood associations, church and religious organizations, civic and fraternal organizations, sports groups, charitable organizations, political parties, professional associations and trade unions.

They measured social tolerance by two variables:

  • Gender-orientation tolerance, measured by whether respondents would agree to having gay persons speak in their community or teach in public schools, and whether they would oppose having homosexually themed books in the library.
  • Racial tolerance, measured by responses regarding various racial and ethnic groups, including African-Americans, Hispanics, and Asian Americans. Eighty percent of the study respondents were Caucasian, LeRoux said.

The researchers measured altruistic behavior by whether respondents said they had allowed a stranger to go ahead of them in line, carried a stranger’s belongings, donated blood, given directions to a stranger, lent someone an item of value, returned money to a cashier who had given too much change, or looked after a neighbor’s pets, plants or mail.

“If policymakers are concerned about a decline in community life, the arts shouldn’t be disregarded as a means to promote an active citizenry,” LeRoux said. “Our positive findings could strengthen the case for government support for the arts.”

The study was based on data from 2002, the most recent year in which the General Social Survey covered arts participation. LeRoux plans to repeat the study with results from the 2012 survey, which will include arts data.

Cyborg America: inside the strange new world of basement body hackers (The Verve)

The Verve, 8 August 2012

Shawn Sarver took a deep breath and stared at the bottle of Listerine on the counter. “A minty fresh feeling for your mouth… cures bad breath,” he repeated to himself, as the scalpel sliced open his ring finger. His left arm was stretched out on the operating table, his sleeve rolled up past the elbow, revealing his first tattoo, the Air Force insignia he got at age 18, a few weeks after graduating from high school. Sarver was trying a technique he learned in the military to block out the pain, since it was illegal to administer anesthetic for his procedure.

“A minty fresh feeling… cures bad breath,” Sarver muttered through gritted teeth, his eyes staring off into a void.

Tim, the proprietor of Hot Rod Piercing in downtown Pittsburgh, put down the scalpel and picked up an instrument called an elevator, which he used to separate the flesh inside in Sarver’s finger, creating a small empty pocket of space. Then, with practiced hands, he slid a tiny rare earth metal inside the open wound, the width of a pencil eraser and thinner than a dime. When he tried to remove his tool, however, the metal disc stuck to the tweezers. “Let’s try this again,” Tim said. “Almost done.”

The implant stayed put the second time. Tim quickly stitched the cut shut, and cleaned off the blood. “Want to try it out?” he asked Sarver, who nodded with excitement. Tim dangled the needle from a string of suture next to Sarver’s finger, closer and closer, until suddenly, it jumped through the air and stuck to his flesh, attracted by the magnetic pull of the mineral implant.

“I’m a cyborg!” Sarver cried, getting up to join his friends in the waiting room outside. Tim started prepping a new tray of clean surgical tools. Now it was my turn.

PART.01

With the advent of the smartphone, many Americans have grown used to the idea of having a computer on their person at all times. Wearable technologies like Google’s Project Glass are narrowing the boundary between us and our devices even further by attaching a computer to a person’s face and integrating the software directly into a user’s field of vision. The paradigm shift is reflected in the names of our dominant operating systems. Gone are Microsoft’s Windows into the digital world, replaced by a union of man and machine: the iPhone or Android.

For a small, growing community of technologists, none of this goes far enough. I first met Sarver at the home of his best friend, Tim Cannon, in Oakdale, a Pennsylvania suburb about 30 minutes from Pittsburgh where Cannon, a software developer, lives with his longtime girlfriend and their three dogs. The two-story house sits next to a beer dispensary and an abandoned motel, a reminder the city’s best days are far behind it. In the last two decades, Pittsburgh has been gutted of its population, which plummeted from a high of more than 700,000 in the 1980s to less than 350,000 today. For its future, the city has pinned much of its hopes on the biomedical and robotics research being done at local universities like Carnegie Mellon. “The city was dying and so you have this element of anti-authority freaks are welcome,” said Cannon. “When you have technology and biomedical research and a pissed-off angry population that loves tattoos, this is bound to happen. Why Pittsburgh? It’s got the right amount of fuck you.”

Cannon led me down into the basement, which he and Sarver have converted into a laboratory. A long work space was covered with Arduino motherboards, soldering irons, and electrodes. Cannon had recently captured a garter snake, which eyed us from inside a plastic jar. “Ever since I was a kid, I’ve been telling people that I want to be a robot,” said Cannon. “These days, that doesn’t seem so impossible anymore.” The pair call themselves grinders — homebrew biohackers obsessed with the idea of human enhancement — who are looking for new ways to put machines into their bodies. They are joined by hundreds of aspiring biohackers who populate the movement’s online forums and a growing number, now several dozen, who have gotten the magnetic implants in real life.

GONE ARE MICROSOFT’S WINDOWS INTO THE DIGITALWORLD, REPLACED BY A UNION OF MANAND MACHINE: THE IPHONE ORANDROID

COMPUTERS ARE HARDWARE. APPS ARE SOFTWARE. HUMANS AREWETWARE

“EVER SINCE IWAS A KID, I’VE BEEN TELLING PEOPLE THAT IWANT TO BE A ROBOT.”

Cannon looks and moves a bit like Shaggy from Scooby Doo, a languid rubberband of a man in baggy clothes and a newsboy cap. Sarver, by contrast, stands ramrod-straight, wearing a dapper three-piece suit and waxed mustache, a dandy steampunk with a high-pitched laugh. There is a distinct division of labor between the two: Cannon is the software developer and Sarver, who learned electrical engineering as a mechanic in the Air Force, does the hardware. The moniker for their working unit is Grindhouse Wetwares. Computers are hardware. Apps are software. Humans are wetware.

Cannon, like Sarver, served in the military, but the two didn’t meet until they had both left the service, introduced by a mutual friend in the Pittsburgh area. Politics brought them together. “We were both kind of libertarians, really strong anti-authority people, but we didn’t fit into the two common strains here: idiot anarchist who’s unrealistic or right-wing crazy Christian. Nobody was incorporating technology into it. So there was no political party but just a couple like-minded individuals, who were like… techno-libertarians!”

Cannon got his own neodymium magnetic implant a year before Sarver. Putting these rare earth metals into the body was pioneered by artists on the bleeding edge of piercing culture and transhumanists interested in experimenting with a sixth sense.Steve Haworth, who specializes in the bleeding edge of body modification and considers himself a “human evolution artist,” is considered one of the originators, and helped to inspire a generation of practitioners to perform magnetic implants, including the owner of Hot Rod Piercing in Pittsburgh. (Using surgical tools like a scalpel is a grey area for piercers. Operating with these instruments, or any kind of anesthesia, could be classified as practicing medicine. Without a medical license, a piercer who does this is technically committing assault on the person getting the implant.) On its own, the implant allows a person to feel electromagnetic fields: a microwave oven in their kitchen, a subway passing beneath the ground, or high-tension power lines overhead.

While this added perception is interesting, it has little utility. But the magnet, explains Cannon, is more of a stepping stone toward bigger things. “It can be done cheaply, with minimally invasive surgery. You get used to the idea of having something alien in your body, and kinda begin to see how much more the human body could do with a little help. Sure, feeling other magnets around you is fucking cool, but the real key is, you’re giving the human body a simple, digital input.”

As an example of how that might work, Cannon showed me a small device he and Sarver created called the Bottlenose. It’s a rectangle of black metal about half the size of a pack of cigarettes that slips over your finger. Named after the echolocation used by dolphins, it sends out an electromagnetic pulse and measures the time it takes to bounce back. Cannon slips it over his finger and closes his eyes. “I can kind of sweep the room and get this picture of where things are.” He twirls around the half-empty basement, eyes closed, then stops, pointing directly at my chest. “The magnet in my finger is extremely sensitive to these waves. So the Bottlenose can tell me the shape of things around me and how far away they are.”

The way Cannon sees it, biohacking is all around us. “In a way, eyeglasses are a body hack, a piece of equipment that enhances your sense, and pretty quickly becomes like a part of your body,” says Cannon. He took a pair of electrodes off the workbench and attached them to my temples. “Your brain works through electricity, so why not help to boost that?” A sharp pinch ran across my forehead as the first volts flowed into my skull. He and Sarver laughed as my face involuntarily twitched. “You’re one of us now,” Cannon says with a laugh.

HISTORY.01

In one sense, Mary Shelley’s Frankenstein, part man, part machine, animated by electricity and with superhuman abilities, might be the first dark, early vision of what humans’ bodies would become when modern science was brought to bear. A more utopian version was put forward in 1960, a year before man first travelled into space, by the scientist and inventor Manfred Clynes. Clynes was considering the problem of how mankind would survive in our new lives as outer space dwellers, and concluded that only by augmenting our physiology with drugs and machines could we thrive in extraterrestrial environs. It was Clynes and his co-author Nathan Kline, writing on this subject, who coined the term cyborg.

At its simplest, a cyborg is a being with both biological and artificial parts: metal, electrical, mechanical, or robotic. The construct is familiar to almost everyone through popular culture, perhaps most spectacularly in the recent Iron Man films. Tony Stark is surely our greatest contemporary cyborg: a billionaire businessman who designed his own mechanical heart, a dapper bachelor who can transform into a one-man fighter jet, then shed his armour as easily as a suit of clothes.

Britain is the birthplace of 21st-century biohacking, and the movement’s two foundational figures present a similar Jekyll and Hyde duality. One is Lepht Anonym, a DIY punk who was one of the earliest, and certainly the most dramatic, to throw caution to the wind and implant metal and machines into her flesh. The other is Kevin Warwick, an academic at the University of Reading’s department of cybernetics. Warwick relies on a trained staff of medical technicians when doing his implants. Lepht has been known to say that all she requires is a potato peeler and a bottle of vodka. In an article on h+, Anonym wrote:

I’m sort of inured to pain by this point. Anesthetic is illegal for people like me, so we learn to live without it; I’ve made scalpel incisions in my hands, pushed five-millimeter diameter needles through my skin, and once used a vegetable knife to carve a cavity into the tip of my index finger. I’m an idiot, but I’m an idiot working in the name of progress: I’m Lepht Anonym, scrapheap transhumanist. I work with what I can get.

Anonym’s essay, a series of YouTube videos, and a short profile in Wired established her as the face of the budding biohacking movement. It was Anonym who proved, with herself as the guinea pig, that it was possible to implant RFID chips and powerful magnets into one’s body, without the backing of an academic institution or help from a team of doctors.

 

“She is an inspiration to all of us,” said a biohacker who goes by the name of Sovereign Bleak. “To anyone who was frustrated with the human condition, who felt we had been promised more from the future, she said that it was within our grasp, and our rights, to evolve our bodies however we saw fit.” Over the last decade grinders have begun to form a loose culture, connected mostly by online forums like biohack.me, where hundreds of aspiring cyborgs congregate to swap tips about the best bio-resistant coatings to prevent the body from rejecting magnetic implants and how to get illegal anesthetics shipped from Canada to the United States. There is another strain of biohacking which focuses on the possibilities for DIY genetics, but their work is far more theoretical than the hands-on experiments performed by grinders.

But while Anonym’s renegade approach to bettering her own flesh birthed a new generation of grinders, it seems to have had some serious long-term consequences for her own health. “I’m a wee bit frightened right now,” Anonym wrote on her blog early this year. “I’m hearing things that aren’t there. Sure I see things that aren’t real from time to time because of the stupid habits I had when I was a teenager and the permanent, very mild damage I did to myself experimenting like that, but I don’t usually hear anything and this is not a flashback.”

MEDICAL NEED VERSUS HUMAN ENHANCEMENT

Neil Harbisson was born with a condition that allows him to see only in black and white. He became interested in cybernetics, and eventually began wearing the Eyeborg, a head-mounted camera which translated colors into vibrations that Harbisson could hear. The addition of the Eyeborg to his passport has led some to dub him the first cyborg officially recognized by the federal government. He now plans to extend and improve this cybernetic synesthesia by having the Eyeborg permanently surgically attached to his skull.

Getting a medical team to help him was no easy task. “Their position was that ‘doctors usually repair or fix humans’ and that my operation was not about fixing nor repairing myself but about creating a new sense: the perception of visual elements via bone-conducted sounds,” Harbisson told me by email. “The other main issue was that the operation would allow me to perceive outside the ability of human vision and human hearing (hearing via the bone allows you to hear a wider range of sounds, from infrasounds to ultrasounds, and some lenses can detect ultraviolets and infrareds). It took me over a year to convince them.”

In the end, the bio-ethical community still relies on promises of medical need to justify cybernetic enhancement. “I think I convinced them when I told them that this kind of operation could help ‘fix and repair’ blind people. If you use a different type of chip, a chip that translates words into sound, or distances into sound, for instance, the same electronic eye implant could be used to read or to detect obstacles which could mean the end of Braille and sticks. I guess hospitals and governments will soon start publishing their own laws about which kind of cybernetic implants they find are ethical/legal and which ones they find are not.”

PART.02

THE EXPERIENCE RANKED ALONGSIDE BREAKING MY ARM AND HAVING MY APPENDIX REMOVED

  

I had Lepht Anonym in the back of my mind as I stretched my arm out on the operating table at Hot Rod Piercing. The fingertip is an excellent place for a magnet because it is full of sensitive nerve tissue, fertile ground for your nascent sixth sense to pick up on the electro-magnetic fields all around us. It is also an exceptionally painful spot to have sliced open with a scalpel, especially when no painkillers are available. The experience ranked alongside breaking my arm and having my appendix removed, a level of pain that opens your mind to parts of your body which before you were not conscious of.

For the first few days after the surgery, it was difficult to separate out my newly implanted sense from the bits of pain and sensation created by the trauma of having the magnet jammed in my finger. Certain things were clear: microwave ovens gave off a steady field that was easy to perceive, like a pulsating wave of invisible water, or air heavy from heat coming off a fan. And other magnets, of course, were easy to identify. They lurked like landmines in everyday objects — my earbuds, my messenger bag — sending my finger ringing with a deep, sort of probing force field that shifted around in my flesh.

High-tension wires seemed to give off a sort of pulsating current, but it was often hard to tell, since my finger often began throbbing for no reason, as it healed from the trauma of surgery. Playing with strong, stand-alone magnets was a game of chicken. The party trick of making one leap across a table towards my finger was thrilling, but the awful squirming it caused inside my flesh made me regret it hours later. Grasping a colleague’s stylus too near the magnetic tip put a sort of freezing probe into my finger that I thought about for days afterwards.

Within a few weeks, the sensation began to fade. I noticed fewer and fewer instances of a sixth sense, beyond other magnets, which were quite obvious. I was glad that the implant didn’t interfere with my life, or prevent me from exercising, but I also grew a bit disenchanted, after all the hype and excitement the grinders I interviewed had shared about their newfound way of interacting with the world.

HISTORY.02

If Lepht Anonym is the cautionary tale, Prof. Kevin Warwick is the one bringing academic respectability to cybernetics. He was one of the first to experiment with implants, putting an RFID chip into his body back in 1998, and has also taken the techniques the farthest. In 2002, Prof. Warwick had cybernetic sensors implanted into the nerves of his arm. Unlike the grinders in Pittsburgh, he had the benefits of anesthesia and a full medical team, but he was still putting himself at great risk, as there was no research on the long-term effects of having these devices grafted onto his nervous system. “In a way that is what I like most about this,” he told me. “From an academic standpoint, it’s wide-open territory.”

I chatted with Warwick from his office at The University of Reading, stacked floor to ceiling with books and papers. He has light brown hair that falls over his forehead and an easy laugh. With his long sleeve shirt on, you would never know that his arm is full of complex machinery. The unit allows Warwick to manipulate a robot hand, a mirror of his own fingers and flesh. What’s more, the impulse could flow both ways. Warwick’s wife, Irena, had a simpler cybernetic implant done on herself. When someone grasped her hand, Prof. Warwick was able to experience the same sensation in his hand, from across the Atlantic. It was, Warwick writes, a sort of cybernetic telepathy, or empathy, in which his nerves were made to feel what she felt, via bits of data travelling over the internet.

The work was hailed by the mainstream media as a major step forward in helping amputees and victims of paralysis to regain a full range of abilities. But Prof. Warwick says that misses the point. “I quite like the fact that new medical therapies could potentially come out of this work, but what I am really interested in is not getting people back to normal; it’s enhancement of fully functioning humans to a higher level.”

It’s a sentiment that can take some getting used to. “A decade ago, if you talked about human enhancement, you upset quite a lot of people. Unless the end goal was helping the disabled, people really were not open to it.” With the advent of smartphones, says Prof. Warwick, all that has changed. “Normal folks really see the value of ubiquitous technology. In fact the social element has almost created the reverse. Now, you must be connected all the time.”

While he is an accomplished academic, Prof. Warwick has embraced biohackers and grinders as fellow travelers on the road to exploring our cybernetic future. “A lot of the time, when it comes to putting magnets into your body or RFID chips, there is more information on YouTube than in the peer-reviewed journals. There are artists and geeks pushing the boundaries, sharing information, a very renegade thing. My job is to take that, and apply some more rigorous scientific analysis.”

To that end, Prof. Warwick and one of his PhD students, Ian Harrison, are beginning a series of studies on biohackers with magnetic implants. “When it comes to sticking sensors into your nerve endings, so much is subjective,” says Harrison. “What one person feels, another may not. So we are trying to establish some baselines for future research.”

“IT’S LIKE THIS LAST, UNEXPLORED CONTINENT STARING US IN THE FACE.”The end goal for Prof. Warwick, as it was for the team at Grindhouse Wetwares in Pittsburgh, is still the stuff of science fiction. “When it comes to communication, humans are still so far behind what computers are capable of,” Prof. Warwick explained. “Bringing about brain to brain communication is something I hope to achieve in my lifetime.”For Warwick, this will advance not just the human body and the field of cybernetics, but allow for a more practical evaluation the entire canon of Western thought. “I would like to ask the questions that the philosopher Ludwig Wittgenstein asked, but in practice, not in theory.” It would be another attempt to study the mind, from inside and out, as Wittgenstein proposed. But with access to objective data. “Perhaps he was bang on, or maybe we will rubbish his whole career, but either way, it’s something we should figure out.”

As the limits of space exploration become increasingly clear, a generation of scientists who might once have turned to the stars are seeking to expand humanity’s horizons much closer to home. “Jamming stuff into your body, merging machines with your nerves and brain, it’s brand new,” said Warwick. “It’s like this last, unexplored continent staring us in the face.”

On a hot day in mid-July, I went for a walk around Manhattan with Dann Berg, who had a magnet implanted in his pinky three years earlier. I told him I was a little disappointed how rarely I noticed anything with my implant. “Actually, your experience is pretty common,” he told me. “I didn’t feel much for the first 6 months, as the nerves were healing from surgery. It took a long time for me to gain this kind of ambient awareness.”

Berg worked for a while in the piercing and tattoo studio, which brought him into contact with the body modification community who were experimenting with implants. At the same time, he was teaching himself to code and finding work as a front-end developer building web sites. “To me, these two things, the implant and the programming, they are both about finding new ways to see and experience the world.”

“WE’RE TOUCHING SOMETHING OTHER PEOPLE CAN’T SEE; THEY DON’T KNOW
IT EXISTS.”Berg took me to an intersection at Broadway and Bleecker. In the middle of the crosswalk, he stopped, and began moving his hand over a metal grate. “You feel that?” he asked. “It’s a dome, right here, about a foot off the ground, that just sets my finger off. Somewhere down there, part of the subway system or the power grid is working. We’re touching something other people can’t see; they don’t know it exists. That’s amazing to me.” People passing by gave us odd stares as Berg and I stood next to each other in the street, waving our hands around inside an invisible field, like mystics groping blindly for a ghost.

CYBORGS IN SOCIETY

Last month, a Canadian professor named Steve Mann was eating at a McDonald’s with his family. Mann wears a pair of computerized glasses at all times, similar to Google’s Project Glass. One of the employees asked him to take them off. When he refused, Mann says, an employee tried to rip the glasses off, an alleged attack made more brutal because the device is permanently attached and does not come off his skull without special tools.

On biohacking websites and transhumanist forums, the event was a warning sign of the battle to come. Some dubbed it the first hate crime against cyborgs. That would imply the employees knew Mann’s device was part of him, which is still largely unclear. But it was certainly a harbinger of the friction that will emerge between people whose bodies contain powerful machines and society at large.

PART.03

After zapping my brain with a few dozen volts, the boys from Grindhouse Wetwares offered to cook me dinner. Cannon popped a tray of mashed potatoes in the microwave and showed me where he put his finger to feel the electromagnetic waves streaming off. We stepped out onto the back porch and let his three little puggles run wild. The sound of cars passing on the nearby highway and the crickets warming up for sunset relaxed everyone. I asked what they thought the potential was for biohacking to become part of the mainstream.

“That’s the thing, it’s not that much of a leap,” said Cannon. “We’ve had pacemakers since the ’70s.” Brain implants are now being used to treat Parkinson’s disease and depression. Scientists hope that brain implants might soon restore mobility to paralyzed limbs. The crucial difference is that grinders are pursuing this technology for human enhancement, without any medical need. “How is this any different than plastic surgery, which like half the fucking country gets?” asked Cannon. “Look, you know the military is already working on stuff like this, right? And it won’t be too long before the corporations start following suit.”

Sarver joined the Air Force just weeks after 9/11. “I was a dyed-in-the-wool Roman Catholic Republican. I wasn’t thinking about the military, but after 9/11, I just believed the dogma.” In place of college, he got an education in electronics repairing fighter jets and attack helicopters. He left the war a very different man. “There were no terrorists in Iraq. We were the terrorists. These were scared people, already scared of their own government.”

Yet, while he rejected the conflict in the Middle East, Sarver’s time in the military gave him a new perspective on the human body. “I’ve been in the special forces,” said Sarver. “I know what the limits of the human body are like. Once you’ve seen the capabilities of a 5000psi hydraulic system, it’s no comparison.”

“THIS IS JUST A DECAYING LUMP OF FLESH THAT GETS OLD, IT’S LEAKING FLUID ALL THE TIME”

“IT’S GOING TO BE WEIRD AND UNCOMFORTABLEAND SCARY. BUT YOU CAN DO THAT, OR YOU CAN BECOME OBSOLETE.”

The boys from Grindhouse Wetwares both sucked down Parliament menthols the whole time we talked. There was no irony for them in dreaming of the possibilities for one’s body and willfully destroying it. “For me, the end game is my brain and spinal column in a jar, and a robot body out in the world doing my bidding,” said Sarver. “I would really prefer not to have to rely on an inefficient four-valve pump that sends liquid through these fragile hoses. Fuck cheetahs. I want to punch through walls.”

Flesh and blood are easily shed in grinder circles, at least theoretically speaking. “People recoil from the idea of tampering inside the body,” said Tim. “I am lost when it comes to people’s unhealthy connections to your body. This is just a decaying lump of flesh that gets old, it’s leaking fluid all the time, it’s obscene to think this is me. I am my ideas and the sum of my experiences.” As far as the biohackers are concerned, we are the best argument against intelligent design.

Neither man has any illusions about how fringe biohacking is now. But technology marches on. “People say nobody is going to want to get surgery for this stuff,” admits Cannon. But he believes that will change. “They will or they will be left behind. They have no choice. It’s going to be weird and uncomfortable and scary. But you can do that, or you can become obsolete.”

We came back into the kitchen for dinner. As I wolfed down steak and potatoes, Cannon broke into a nervous grin. “I want to show you something. It’s not quite ready, but this is what we’re working on.” He disappeared down into the basement lab and returned with a small device the size of a cigarette lighter, a simple circuit board with a display attached. This was the HELEDD, the next step in the Grindhouse Wetwares plan to unite man and machine. “This is just a prototype, but when we get it small enough, the idea is to have this beneath my skin,” he said, holding it up against his inner forearm.

The smartphone in your pocket would act as the brain for this implant, communicating via bluetooth with the HELEDD, which would use a series of LED lights to display the time, a text message, or the user’s heart rate. “We’re looking to get sensors in there for the big three,” said Tim. “Heart rate, body temperature, and blood pressure. Because then you are looking at this incredible data. Most people don’t know the effect on a man’s heart when he finds out his wife is cheating on him.”

Cannon hopes to have the operation in the next few months. A big part of what drives the duo to move so fast is the idea that there is no hierarchy established in this space. “We want to be doing this before the FDA gets involved and starts telling us what we can and cannot do. Someday this will be commercially feasible and Apple will design an implant which will sync with your phone, but that is not going to be for us. We like to open things up and break them.”

I point out that Steve Jobs may have died in large part because he was reluctant to get surgery, afraid that if doctors opened him up, they might not be able to put him back together good as new. “We’re grinders,” said Cannon. “I view it as kind of taking the pain for the people who are going to come after me. We’re paying now so that it will become socially acceptable later.”

3rdi, 2010-2011Photographed by Wafaa Bilal, Copyright: Wafaa Bilal
Image of Prof. Kevin Warwick courtesty of Prof. Kevin Warick
Portrait of Prof. Kevin Warwick originally shot for Time Magazine by Jim Naughten

In the Name of the Future, Rio Is Destroying Its Past (N.Y.Times)

OP-ED CONTRIBUTORS

By THERESA WILLIAMSON and MAURÍCIO HORA

Published: August 12, 2012

THE London Olympics concluded Sunday, but the battle over the next games has just begun in Rio, where protests against illegal evictions of some of the city’s poorest residents are spreading. Indeed, the Rio Olympics are poised to increase inequality in a city already famous for it.

Last month, Unesco awarded World Heritage Site status to a substantial portion of the city, an area that includes some of its hillside favelas, where more than 1.4 million of the city’s 6 million residents live. No favela can claim greater historical importance than Rio’s first — Morro da Providência — yet Olympic construction projects are threatening its future.

Providência was formed in 1897 when veterans of the bloody Canudos war in Brazil’s northeast were promised land in Rio de Janeiro, which was then the federal capital. Upon arriving, they found no such land available. After squatting in front of the Ministry of War, the soldiers were moved to a nearby hill belonging to a colonel, though they were given no title to the land. Originally named “Morro da Favela” after the spiny favela plant typical of the Canudos hills where soldiers had spent many nights, Providência grew during the early 20th century as freed slaves joined the soldiers. New European migrants came as well, as it was the only affordable way to live near work in the city’s center and port.

Overlooking the site where hundreds of thousands of African slaves first entered Brazil, Providência is part of one of the most important cultural sites in Afro-Brazilian history, where the first commercial sambas were composed, traditions like capoeira and candomblé flourished and Rio’s Quilombo Pedra do Sal was founded. Today 60 percent of its residents are Afro-Brazilian.

Over a century after its creation, Providência still bears the cultural and physical imprint of its initial residents. But now it is threatened with destruction in the name of Olympic improvements: almost a third of the community is to be razed, a move that will inevitably destabilize what’s left of it.

By mid-2013 Providência will have received 131 million reais ($65 million) in investments under a private-sector-led plan to redevelop Rio’s port area, including a cable car, funicular tram and wider roads. Previous municipal interventions to upgrade the community recognized its historical importance, but today’s projects have no such intent.

Although the city claims that investments will benefit residents, 30 percent of the community’s population has already been marked for removal and the only “public meetings” held were to warn residents of their fate. Homes are spray-painted during the day with the initials for the municipal housing secretary and an identifying number. Residents return from work to learn that their homes will be demolished, with no warning of what’s to come, or when.

A quick walk through the community reveals the appalling state of uncertainty residents are living in: at the very top of the hill, some 70 percent of homes are marked for eviction — an area supposedly set to benefit from the transportation investments being made. But the luxury cable car will transport 1,000 to 3,000 people per hour during the Olympics. It’s not residents who will benefit, but investors.

Residents of Providência are fearful. Only 36 percent of them hold documentation of their land rights, compared with 70 percent to 95 percent in other favelas. More than in other poor neighborhoods, residents are particularly unaware of their rights and terrified of losing their homes. Combine this with the city’s “divide and conquer” approach — in which residents are confronted individually to sign up for relocation, and no communitywide negotiations are permitted — and resistance is effectively squelched.

Pressure from human rights groups and the international news media has helped. But brutal evictions continue as well as new, subtler forms of removal. As part of the city’s port revitalization plan, authorities declared the “relocations” to be in the interest of residents because they live in “risky areas” where landslides might occur and because “de-densification” is required to improve quality of life.

But there is little evidence of landslide risk or dangerous overcrowding; 98 percent of Providência’s homes are made of sturdy brick and concrete and 90 percent have more than three rooms. Moreover, an important report by local engineers showed that the risk factors announced by the city were inadequately studied and inaccurate.

If Rio succeeds in disfiguring and dismantling its most historic favela, the path will be open to further destruction throughout the city’s hundreds of others. The economic, social and psychological impacts of evictions are dire: families moved into isolated units where they lose access to the enormous economic and social benefits of community cooperation, proximity to work and existing social networks — not to mention generations’ worth of investments made in their homes.

Rio is becoming a playground for the rich, and inequality breeds instability. It would be much more cost-effective to invest in urban improvements that communities help shape through a participatory democratic process. This would ultimately strengthen Rio’s economy and improve its infrastructure while also reducing inequality and empowering the city’s still marginalized Afro-Brazilian population.

Theresa Williamson, the publisher of RioOnWatch.org, founded Catalytic Communities, an advocacy group for favelas. Maurício Hora, a photographer, runs the Favelarte program in the Providência favela.

*   *   *

APRIL 2, 2012

Are the Olympics More Trouble Than They’re Worth?

ProtestingToby Melville/Reuters

Winning a bid to host the Olympics is just the beginning. As London prepares for the 2012 Games this summer, residents have plenty of doubts: Will it be too expensive? Will it disrupt life too much? In the end, will they be better off because of the Games, or just saddled with public debt and a velodrome no one knows what to do with?

What about Rio de Janeiro: Will it come out ahead, after having hosted the Pan American Games in 2007, the World Cup in 2014 and the Olympics in 2016?

READ THE DISCUSSION »

DEBATERS

Neil Jameson

The Games Help Londoners

NEIL JAMESON, LEAD ORGANIZER, LONDON CITIZENS

This is the world’s first “Living Wage Olympics,” and East London residents will reap the rewards.

Julian Cheyne

The Games Hurt Londoners

JULIAN CHEYNE, EVICTED RESIDENT, EAST LONDON

The Olympics are an expensive distraction that sets dangerous precedents, coddling the elite and trampling the poor.

Theresa Williamson

A Missed Opportunity in Rio

THERESA WILLIAMSON, FOUNDER, CATALYTIC COMMUNITIES

In preparing for the World Cup and the Olympics, Rio could make long-term investments and integrate the favelas. Instead it is aggravating its problems.

Bruno Reis

Brazil Can Come Out Ahead

BRUNO REIS, RISK ANALYST IN BRAZIL

These Games represent a golden opportunity, but will Rio de Janeiro repeat the success of Barcelona or the failure of Athens?

Andrew Zimbalist

Venues as an Asset or an Albatross

ANDREW ZIMBALIST, ECONOMIST, SMITH COLLEGE

Olympics planning takes place in a frenzied atmosphere — not optimal conditions for contemplating the future shape of an urban landscape.

Mitchell L. Moss

New York Is Lucky Not to Have the Games

MITCHELL L. MOSS, NEW YORK UNIVERSITY

London will be a morass this summer. Meanwhile, there has never been a better time to visit New York City.

Anunciado no Facebook, tênis da Adidas é considerado “racista” (Revista Cult)

Com correntes de borracha, calçado teve a venda suspensa

Junho 2012

No mês de junho, a fabricante de materiais esportivos Adidas anunciou em sua página do Facebook o lançamento de um novo tênis na linha outono-inverno 2012, segundo informou o jornal “Le Monde”. Desenhado pelo estilista Jeremy Scott Roundhouse, o calçado traz pulseiras de borracha simulando correntes, que muitos internautas viram como uma referência à escravidão.

Segundo a CNN, a empresa rapidamente removeu a postagem na página do Facebook, mas o assunto já havia rodado o globo gerando revolta entre internautas.

“Aparentemente não havia pessoas de cor no departamento de marketing que o aprovou”, brinca Rodwell em comentário no site “Nice Kicks”, portal destinado aos lançamentos de tênis.

A empresa, inicialmente, defendeu o designer, descrevendo seu estilo como “original” e alegre, mas o fabricante alemão emitiu um comunicado onde pede desculpas aos ofendidos com o caso e afirma que o modelo não será comercializado.

Para antropóloga, governo joga entre a inclusão e o trator (Folha de S.Paulo)

12/08/2012 – 08h00

ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO

“Um governo em que a mão direita e a mão esquerda não parecem pertencer a um mesmo corpo”. Assim a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha define o governo Dilma Rousseff: a gestão tem uma “face boa”, que promove inclusão social, e outra “desenvolvimentista”, que “não se importa em atropelar direitos fundamentais e convenções internacionais”.

Pioneira na discussão contemporânea da questão indígena e liderança no debate ambiental, Manuela, 69, acha o novo Código Florestal “um tiro no pé”: “A proteção ambiental é crucial para a sustentabilidade do agronegócio”.

Retrato da antropologa e professora na Univesidade de Chicago Manuela Carneiro da CunhaRetrato da antropologa e professora na Univesidade de Chicago Manuela Carneiro da Cunha. Leticia Moreira – 20.out.09/Folhapress

 

A professora emérita da Universidade de Chicago está relançando seu clássico de 1985, “Negros, Estrangeiros: Os Escravos Libertos e Sua Volta à África” [Companhia das Letras, 272 págs., R$ 49], sobre escravidão e liberdade no Atlântico Sul.

Nesta entrevista, concedida por e-mail, ela constata vestígios de realidade escravocrata no Brasil de hoje: “Olhe com atenção cenas de rua. São muitas as que parecem saídas de fotografias dos anos 1870 ou até de aquarelas de Debret, da década de 1820”.

Folha – Como a sra. avalia o desempenho do governo Dilma?

Manuela C. da Cunha – Há pelo menos duas faces no governo Dilma que não são simplesmente resultado de composições políticas. Há a face boa, que promove uma política de inclusão social e de diminuição das desigualdades. E há uma face desenvolvimentista, um trator que não se importa em atropelar direitos fundamentais e convenções internacionais.

Exemplos disso são a portaria nº 303, de 16/7, da Advocacia Geral da União, sobre terras indígenas, que tenta tornar fato consumado matéria que ainda está em discussão no Supremo Tribunal Federal, além de outras iniciativas recentes do Executivo, como a redução de áreas de unidades de conservação para viabilizar hidrelétricas.

Somam-se a essas duas faces do Executivo as concessões absurdas, destinadas a garantir a sua base parlamentar.

O resultado é um governo em que a mão direita e a mão esquerda não parecem pertencer a um mesmo corpo. Corre, por exemplo, o boato de que a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), que chefia a bancada ruralista, poderia ser promovida a ministra da Agricultura!

Quem está vencendo o embate entre o agronegócio e os que defendem a preservação ambiental?

Ninguém venceu: com o novo Código Florestal, todos perdem, inclusive os que se entendem como vencedores. O Brasil perdeu.

Agrônomos, biólogos e climatólogos de grande reputação foram solicitados pela SBPC e pela Academia Brasileira de Ciências a se pronunciarem sobre o novo Código. Esse grupo, do qual tive a honra de ser uma escrevinhadora, publicou análises e documentos ao longo dos dois anos que durou o processo de discussão no Legislativo. As recomendações fundamentais do mais importante colegiado de cientistas reunidos para examinar as implicações do Código Florestal não foram acatadas.

Como declarou Ricardo Ribeiro Rodrigues, professor titular da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), o Brasil perdeu a oportunidade de mostrar ao mundo que é possível conciliar crescimento da produção de alimentos com sustentabilidade ambiental. Para aumentar a produção, não é preciso mais espaço, e sim maior produtividade.

Foi com ganhos de produtividade que a agricultura cresceu nas últimas décadas. Diminuir a proteção ambiental, como faz o novo Código Florestal, é miopia, é dar um tiro no pé e privar as gerações futuras do que as gerações passadas nos legaram. Pois a proteção ambiental é crucial para a sustentabilidade do agronegócio.

É constrangedor ainda que, para favorecer a miopia dos setores mais atrasados do agronegócio, se tenha usado uma retórica de proteção à agricultura familiar. O que se isentou de reposição de reserva legal no novo Código não foi exclusivamente a agricultura familiar e sim um universo muito maior, a saber quaisquer proprietários de até quatro módulos fiscais.

A agricultura familiar está sendo na realidade diretamente prejudicada pela brutal redução que vinha sendo feita das matas ciliares. No Nordeste e no Norte de Minas, vários rios secaram. Com o antigo Código, ainda se tinha amparo da lei para protestar. Hoje, o fato consumado tornou-se legal. Isso se chama desregulamentação.

Por que o movimento de intelectuais não conseguiu êxito?

O movimento “A Floresta Faz a Diferença” não pode ser caracterizado como um movimento de intelectuais. Não só 200 entidades da sociedade civil se uniram no protesto, mas a população em geral se manifestou maciçamente.

Lembro que duas cartas de protesto, no final de 2011, somaram mais de 2 milhões de assinaturas. Já na pesquisa de opinião do Datafolha, realizada entre 3 e 7 de junho de 2011, em ambiente urbano e rural, 85% se manifestaram contra a desregulamentação que é o novo Código Florestal. E prometeram se lembrar nas urnas do desempenho dos parlamentares.

E o pior foi que congressistas de partidos que se dizem de esquerda, dos quais se esperava outro comportamento, tiveram atuação particularmente lamentável. Faltou uma sintonia entre o Congresso e o povo: cada vez mais os políticos não prestam contas a seus eleitores e à opinião pública.

Há quem aponte interesses externos no discurso da preservação de áreas ambientais e de reservas. Qual sua visão?

A acusação de que ambientalistas e defensores de direitos humanos servem interesses externos é primária, além de velhíssima: teve largo uso desde a ditadura e na Constituinte. Sai do armário quando não há bons argumentos.

Como a questão indígena está sendo tratada? Como devia ser tratada?

Hoje a questão indígena está sob fogo cerrado. Muitos parlamentares estão tentando solapar os direitos indígenas consagrados na Constituição de 1988. Querem, por exemplo, permitir mineração em áreas indígenas e decidir sobre demarcações. E a recente investida da Advocacia Geral da União de que já falei levanta dúvidas sobre as disposições do Poder Executivo.

Em “Negros, Estrangeiros” a sra. afirma: “Tentou-se controlar a passagem da escravidão à liberdade com o projeto de ver formada uma classe de libertos dependentes. Formas de sujeição ideológica, em que o paternalismo desempenhou um papel essencial, e formas de coerção política foram postas em uso”. Essa realidade persiste?

Comento no livro que um dos mecanismos do projeto de criar uma classe de libertos dependentes foi a separação mantida até 1872 entre o direito costumeiro e o direito positivo. Alforriarem-se escravos que oferecessem seu valor em dinheiro era um costume, mas não era um direito, contrariamente ao que se apregoou.

A alforria, mesmo paga, era sempre considerada como uma concessão do senhor, e implicava um dever de gratidão para o liberto: tanto assim que, desta vez por lei, podia ser revogada se o liberto se mostrasse ingrato. Hoje a lei avançou e o conhecimento das leis também. A dependência não é mais a mesma. Mas o clientelismo, do qual o paternalismo é uma forma até mais simpática, não desapareceu. As ligações e lealdades pessoais, a proteção, as conivências são flagrantes na esfera política.

Mas você me pergunta de vestígios da realidade escravocrata no Brasil. Olhe com atenção cenas de rua. São muitas as que parecem saídas de fotografias dos anos 1870 ou até de aquarelas de [Jean-Baptiste] Debret, da década de 1820. As babás escravas cujos retratos aparecem no livro são muito parecidas com as que, mais malvestidas e todas de branco, levam as crianças aos parques no Rio de Janeiro. Os carregadores de ontem e de hoje pouco diferem…

Como a sra. explica a escravidão moderna? Por que ela persiste?

A escravidão moderna, nisso semelhante à escravidão legal que desapareceu, é uma das múltiplas formas de uma questão sempre atual, a do fornecimento e do controle de mão de obra.

Trabalhadores em regime análogo à escravidão em fazendas; em São Paulo, imigrantes bolivianos e paraguaios enfrentam condições desumanas em confecções. Qual relação há entre essa realidade e a história brasileira de escravidão?

As formas contemporâneas de opressão de trabalhadores, sobretudo urbanos, não são específicas ao Brasil: por toda parte, elas afligem populações de migrantes sem documentos, que, mantidos na ilegalidade e sempre sujeitos a serem expulsos, não conseguem se defender das condições degradantes. A propalada globalização permitiu livre trânsito a mercadorias e capitais, mas não se estendeu (a não ser no âmbito da União Europeia) às pessoas.

No campo, os regimes análogos à escravidão usam a força para restringir a liberdade, e não a chantagem, já que em geral se trata de brasileiros recrutados em outros Estados que, teoricamente, poderiam recorrer às autoridades. Mas o isolamento físico e a distância dos seus lugares de origem permitem que impunemente se use a força contra eles.