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Pan-Amazônia à brasileira (Agência Pública)

Ambiente
02/12/2013 – 11h07

por Bruno Fonseca e Jessica Mota, para a Agência Pública

gasoduto Pan Amazônia à brasileira

Gasoduto de Camisea no Peru. Foto: Divulgação Skanska

Obras negociadas pelo BNDES na Amazônia sul-americana incluem hidrelétrica com rachaduras, gasoduto com vazamentos e rodovia que estremeceu a presidência da Bolívia.

Na vertente leste da Cordilheira dos Andes, início da Amazônia Peruana, o dinheiro brasileiro começa a erguer uma barragem de 200 metros de altura – e trata-se de muito dinheiro. São mais de US$ 320 milhões em empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), quantia que representa mais de um quarto do custo total da bilionária hidrelétrica de La Chaglla, que será uma das três maiores usinas do Peru em 2015, quando deve ser concluída.

Quem toca as obras, no Rio Huallaga, a mais de 400 km da capital, Lima, é a gigante brasileira Odebrecht. A usina é uma peça importante para a Odebrecht, que tem olhos especiais para o território peruano, onde atua há 33 anos e possui ao menos outros nove empreendimentos (AQUI AQUI) em execução, desde rodovias a gasodutos e portos.

Há razões de sobra para justificar o interesse da Odebrecht no Peru. As licitações para megaempreendimentos são menos concorridas no país vizinho que em terras brasileiras, onde há mais empreiteiras a disputar o filão. Tomemos como exemplo a própria usina de La Chaglla. Simplesmente não houve concorrência na licitação. Segundo reportagem da revista Carta Capital, o único adversário possível, a empresa peruana Chancadora Centauro, desistiu ainda na fase de estudos, alegando não ter condições de cumprir o prazo.

A conexão com a costa oeste do Peru é também um caminho precioso para os produtos brasileiros atingirem o Oceano Pacífico. Assim, uma empreiteira como a Odebrecht passa a contar com o apoio de outras empresas brasileiras que, por sua vez, ainda podem trazer consigo o suporte de financiadores públicos para grandes empreendimentos. É este o caso dos investimentos no porto de Bayovar, construído pela Odebrecht a partir de dinheiro da mineradora Vale para escoar sua produção de fosfato a partir de uma mina cujos investimentos chegaram a mais de US$ 560 milhões de dólares. (AQUI) A Vale, por sua vez, trouxe a Andrade Gutierrez, que conseguiu dinheiro do BNDES para construção de uma usina de dessalinização da água fornecida à mina. O BNDES, como de costume, não revela quanto repassou à Andrade Gutierrez através do fomento à contratação pós-embarque (leia mais sobre a falta de transparência do BNDES aqui).

Já na costa leste, a Amazônia Peruana é uma área estratégica para a produção de energia. Estratégica porque a alta declividade em algumas regiões permite represas com menor área de inundação e maior potencial energético. Mas também porque possibilita a venda de energia para o Brasil e, com isso, conquista o coração de financiadores públicos do porte do BNDES. Tanto é que, em 2010, Brasil e Peru firmaram um acordo energético para construção de hidrelétricas em território peruano para exportar energia para o Brasil (AQUI), consolidação de um namoro que começou em 1997 a partir de um memorando de entendimento sobre cooperação em energia (AQUI).

Em contato com a Pública, o BNDES, entretanto, se recusou a comentar quais projetos de hidrelétricas peruanas estariam sendo avaliados pelo banco. “O BNDES não faz comentários sobre se um projeto está ou não sendo analisado pela instituição. Podemos dizer apenas que nenhum daqueles projetos foi até o momento aprovado ou contratado pelo BNDES”, informou a assessoria, depois de uma evasiva troca de 27 e-mails com a Pública.

Fato é que, em 2011, a pressão de comunidades indígenas levou a Odebrecht a desistir da construção da usina de Tambo 40, na região Central do país, que seria financiada pelo BNDES. Os grupos populares contestavam a previsão de alagamento de 73 mil hectares de florestas amazônicas e o deslocamento de 14 mil pessoas (AQUI). A hidrelétrica seria construída pela brasileira OAS.

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Perfuração de túnel nas obras da Hidrelétrica-de Chaglla, no Peru. Foto: Divulgação Odebrecht

BNDES financia exploração de gás e tragédia ambiental no Peru

O projeto de gás Camisea, no departamento de Cuzco, na Amazônia peruana, próxima ao estado do Acre, foi iniciado em 2003 por uma parceria público-privada, com grande aporte de financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Localizado em uma região próxima a comunidades indígenas – como a Reserva Territorial Kugapakori, Nahua, Nanti (RTKN), onde vivem os índios Nahua, Nanti, Matsigenka e Mashco-Piro – o projeto foi visto com preocupação por ambientalistas. O objetivo era transportar gás natural e líquidos de gás natural até a área costeira do Peru, no Oceano Pacífico.

O Consórcio Camisea é liderado pela argentina Pluspetrol, junto à Repsol-YPF, Sonatrach, Hunt Oil, Techpetrol e SK Energy. Durante os primeiros anos de desenvolvimento do projeto, ocorrerm seis vazamentos de gás. Glenn Shepard, antropólogo e etno-botânico convidado pelo Import-Export Bank, dos Estados Unidos a integrar um painel de estudo – o South Peru Panel – sobre o projeto, como condição de empréstimo do banco à Hunt Oil, esteve na região durante duas semanas no final de 2011. Em seu blog, o especialista comentou o descaso com infraestrutura na região, que não tem nem saneamento básico, e ressaltou o que lhe disse um morador local: “não há vida para viver. Sem peixe, não há nada. A água está contaminada. Há muitas doenças”. (Leia o informe do antropólogo AQUIe o último relatório lançado pelo painel AQUI, ambos em inglês)

O BID chegou a realizar duas auditorias, e fez um empréstimo de US$5 milhões para o governo, destinado a fortalecer seu sistema de proteção ambiental e social associado ao projeto, de acordo com o próprio banco. A segunda parte do projeto recebeu aprovação de financiamento do Banco Interamericano em 2007 – não sem protestos de organizações ambientais, que alegaram omissão a certos critérios nas auditorias realizadas pelo BID, referentes a danos à biodiversidade e comunidades indígenas.

Em 2009, o BNDES aprovou um empréstimo para exportação da Confab Industrial S/A com destino à Transportadora de Gás do Peru, na modalidade de buyer’s credit, na qual o banco estabelece o contrato diretamente com a empresa importadora, por meio do exportador. Como sempre, o valor não é divulgado pelo banco. Este ano, o caso culminou em uma crise no governo peruano, com pedido de demissão do então vice-ministro de Interculturalidade do Peru, Paulo Vilca (leia mais AQUI).

BNDES na Bolívia: ex-ministro aponta má fama de empresas brasileiras

Os problemas envolvendo obras de empreiteiras brasileiras financiadas pelo BNDES se estendem pela região amazônica de outros países da América do Sul. Talvez um dos mais notórios exemplos é a construção da estrada San Ignacio de Moxos / Villa Tunari, na Bolívia – obra que se tornou um fiasco político e diplomático.

A estrada, também conhecida como rodovia Cochabamba-Beni, é um antigo antigo projeto do governo boliviano que cobria mais de 300 km, mas tomou corpo depois do BNDES firmar um contrato de US$ 332 milhões, através da aliança do então presidente Lula e o mandatário boliviano Evo Morales (AQUI). Faltaria à Bolívia apenas completar US$ 80 milhões para bancar a obra.

A construção da estrada foi entregue à empreiteira brasileira OAS em meio a uma delicada situação: pouco antes, a construtora brasileira Queiroz Galvão havia sido expulsa por não cumprir especificações do projeto de construção de duas rodovias no sul da Bolívia. As estradas apresentavam rachaduras nas obras e utilização de asfalto no lugar de cimento, segundo apontou o governo boliviano em 2007. A Bolívia chegou a decretar a prisão de um dos diretores da companhia, que escapou do país.

A situação foi revertida após negociações entre Brasil e Bolívia, mas novamente a Queiroz Galvão foi expulsa após divergências no custo de conserto das duas rodovias. A empresa afirmou por nota, na época, que iria buscar ressarcimento pelos danos pela “rescisão unilateral e injustificada do contrato pela Administradora Boliviana de Estradas”.

Após a desastrosa operação, a OAS assumiu o contrato de reparo das estradas e, coincidentemente, venceu a licitação para a construção da rodovia San Ignacio de Moxos / Villa Tunari na mesma época.

Apenas dois anos depois, em 2009, a OAS passou a ser investigada pela Controladoria-Geral da Bolívia após avaliações oficiais apontarem superfaturamento na estrada de Villa Tunari. Um estudo da Sociedade dos Engenheiros da Bolívia (SIB, em espanhol) afirmou que o preço de cada quilômetro era o dobro de outras obras na Bolívia, em locais de topografia similar. Além disso, a OAS foi a única empresa a participar da licitação.

Como se não bastasse, um trecho da rodovia passava dentro das terras do Parque Nacional y Territorio Indígena Isiboro-Secure (TIPNIS). O resultado: em agosto de 2011, a Confederação de Povos Indígenas da Bolívia (CIDOB) e outras organizações iniciaram uma marcha em oposição ao projeto, que durou meses e enfrentou prisões e espancamentos de manifestantes. A pressão popular foi tão intensa que balançou o primeiro governo de um indígena no país vizinho e, em outubro do mesmo ano, Evo Morales acabou promulgando uma Lei que impedia a rodovia de passar por TIPNIS e o declarava como território intangível.

O imbróglio acabou com o cancelamento do contrato com a OAS e o desgaste foi tamanho que, através da sua assessoria de imprensa, a empresa afirmou que atualmente não possui nenhum outro empreendimento na Bolívia.

O BNDES também foi afetado pela polêmica, e teve de publicar nota oficial afirmando que o banco havia determinado o cumprimento de todas as exigências ambientais cabíveis para que fosse firmado o contrato de financiamento à exportação de bens e serviços utilizados na estrada boliviana. “A assinatura do contrato foi condicionada às exigências usuais do BNDES, além de requisitos adicionais, elaborados em coordenação com o governo boliviano e fiscalizados por auditoria independente. Nos trechos da estrada que não passam por reserva indígena, o licenciamento ambiental já foi concluído, o que permitiu o início das obras”. Nenhum desembolso foi realizado pelo banco, visto que o contrato foi cancelado.

Mas, para Alejandro Almaraz, que foi vice-ministro de Terras do governo de Evo Morales até 2010 – e hoje é um dos maiores opositores da obra – todo o caso envolvendo a estrada do TIPNIS demonstra uma postura prejudicial das empresas brasileiras para com o povo boliviano, com conivência do governo local. “A imagem da empresa brasileira ficou muito desgastada, entretanto não é algo tão chamativo por não se tratar de nenhuma novidade. Está é a tradicional imagem das empresas construtoras brasileiras na Bolívia. Há várias décadas as empresas brasileiras têm uma espécie de monopólio na construção de estradas bolivianas, ao menos das grandes. Sempre houve esse tipo de denúncias, com bastante fundamento, mostrando superfaturamentos que beneficiam as empresas brasileiras. Isto é uma história eterna”, critica.

Para Almaraz, há pouca transparência sobre o tema na Bolívia. “Se abriu um processo judicial que, como tantos outros que envolvem agentes do governo, está congelado. Recentemente, pouco se fala [sobre o caso] na Bolívia e na imprensa. Tampouco há transparência sobre os ressarcimentos [entre a empresa brasileira e o governo boliviano] e na resolução do contrato” avalia.

Atualmente, a rodovia San Ignacio de Moxos / Villa Tunari segue em construção – exceto pelo trecho que passaria por TIPNIS – por empresas bolivianas. Entretanto, o governo boliviano vem realizando consultas com as populações afetadas para tentar retomar a construção do trecho (leia mais AQUI).

Imbróglios diplomáticos

Em 2004, o BNDES aprovou financiamento referente à exportação de bens e serviços da Odebrecht para a construção da hidrelétrica de San Francisco, na província amazônica de Pastaza, no Equador. O consórcio construtor contou também com as internacionais Alstom e Vatech.

A usina começou a operar em 2007, e no ano seguinte apresentou as primeiras falhas, que incluíam rachaduras em um dos túneis e defeitos em uma turbina. De seu lado, a Odebrecht afirmou que “durante seu primeiro ano de operação, a Central (hidrelétrica) trabalhou continuamente, sob a responsabilidade de empresa do governo equatoriano, e acima da capacidade projetada”, segundo comunicado. A empresa ainda alegou que as falhas se deviam a um aumento significativo de sedimentos” nas águas do rio Pastaza devido à erupção do vulcão Tungurahua, a 20 quilômetros da usina. Por outro lado, o governo equatoriano de Rafael Correa afirmou que a usina hidrelétrica apresentava “falhas estruturais” e exigiu uma indenização de US$ 43 milhões pelas perdas, além da reparação da obra.

A crise culminou com a emissão de dois decretos de Correa que pediam a tomada dos bens da construtora, o término de todos os contratos da empresa no país e expulsão de seus funcionários do território equatoriano. Foi o início de uma crise bilateral entre o Equador e o Brasil, com a declaração de que o governo de Correa não pagaria o crédito fornecido pelo BNDES para a importação dos serviços da Odebrecht para a concessionária equatoriana. Ao fim, o Equador voltou atrás, pagou o financiamento e, em 2010, entrou em acordo com a Odebrecht, que retomou suas operações no país.

mapa Pan Amazônia à brasileira

Mapa Investimentos negociados pelo BNDES na Pan-Amazônia

Como saber o que o BNDES faz na Pan-Amazônia?

Os diversos casos de conflitos socioambientais envolvendo os megaempreendimentos tocados por empresas brasileiras vêm se acumulando, e lançando dúvidas sobre a atuação das corporações brasileiras na Amazônia sulamericana – problema que se estende aos financiadores, sobretudo às instituições públicas como o BNDES, que, supostamente, deveria primar pelo desenvolvimento regional antes de abraçar tais projetos.

A situação se torna ainda mais dramática devido à dimensão dos investimentos do BNDES na região. Desde o início do governo Lula, o banco investiu mais de US$ 2 bilhões em apoios à exportação de empresas brasileiras somente para países que abarcam a Amazônia internacional (Bolívia, Colômbia, Equador, Bolívia e Venezuela). O principal país beneficiado é a Venezuela, que recebeu mais de dois terços desse valor (cerca de US$ 1,4 bi).

Toda essa quantia pode ser ainda maior, visto que o BNDES divulga apenas os números das exportações da modalidade de pós-embarque (quando o banco apoia a comercialização de bens e serviços nacionais no exterior), deixando de divulgar as cifras da modalidade de pré-embarque (quando o banco apoia a produção no Brasil das mercadorias que serão exportadas).

Além disso, o BNDES não disponibiliza uma lista clara de quais projetos no exterior foram ou estão sendo apoiados ou negociados pela instituição. A Pública enviou uma lista ao banco com quase 30 projetos, apenas da Pan-Amazônia (veja abaixo), que em algum momento haviam sido assinalados pela imprensa como destinos de financiamento do BNDES. Apenas o projeto da hidrelétrica de Chaglla foi confirmado pelo banco – a todos os demais, o BNDES se recusou a comentar, ainda que alguns deles tivessem documentos do Itamaraty que comprovavam o interesse do Governo Brasileiro em financiar obras bilaterais através do banco. O BNDES também se recusou a comentar quais motivos poderiam ter levado ao cancelamento do financiamento desses projetos e até mesmo se o banco ainda estaria em processo de avaliação dos contratos. Ou seja, o BNDES e o Governo Federal argumentam sigilo bancário para negar uma gama gigantesca de informações – desde negociações em curso até valores e projetos beneficiadas – e defender que o sigilo tem supremacia sobre o direito à informação da sociedade brasileira.

Veja a lista de projetos enviada à assessoria de imprensa do BNDES no link original da matéria.

A série BNDES na Amazônia é uma parceria da Agência Pública com O Eco.

** Publicado originalmente no site Agência Pública.

Is BP “Trolling” Its Facebook Critics? (Aljazeera)

Wednesday, 20 November 2013 13:04

By Dahr JamailAljazeera English

BP.BP Critics using BP America’s Facebook page allege they have been harassed. (Erika Blumenfeld / Al Jazeera)

New Orleans – BP has been accused of hiring internet “trolls” to purposefully attack, harass, and sometimes threaten people who have been critical of how the oil giant has handled its disaster in the Gulf of Mexico.

The oil firm hired the international PR company Ogilvy & Mather to run the BP America Facebook page during the oil disaster, which released at least 4.9 million barrels of oil into the Gulf in what is to date the single largest environmental disaster in US history.

The page was meant to encourage interaction with BP, but when people posted comments that were critical of how BP was handling the crisis, they were often attacked, bullied, and sometimes directly threatened.

“Marie” was deeply concerned by the oil spill, and began posting comments on the BP America Facebook page. Today, she asks that she remain anonymous out of what she described to Al Jazeera as “fear for my personal safety should the BP trolls find out that I am the whistleblower in this case”.

In internet slang, a troll is someone who sows online discord by starting arguments or upsetting people, often posting inflammatory messages in an online community, or even issuing physical threats.

Marie sought assistance from the Government Accountability Project (GAP) in Washington DC, and has produced boxes of documents and well-researched information that may show that the people harassing BP’s critics online worked for BP or Ogilvy.

“We’d been hearing of this kind of harassment by BP when we were working on our health project [in the Gulf of Mexico], so it sparked our interest,” GAP investigator Shanna Devine told Al Jazeera. “We saw Marie’s documentation of more serious threats made on the BP page, and decided to investigate.”

According to both Marie and Devine, some of the threats began on the page, but then escalated off the page.

Threats included identifying where somebody lived, an internet troll making reference to having a shotgun and making use of it, and “others just being more derogatory”, according to Devine. “We’ve seen all this documentation and that’s why we thought it was worth bringing to the ombudsman’s office of BP, and we told them we thought some of it even warranted calling the police about.”

Death Threats

“We have thousands of documents regarding communications posted through various Facebook websites,” said certified legal investigator Steve Lockman of Levin, Papantonio, Thomas, Mitchell, Rafferty & Proctor. “In addtion, we are in possession of communications between the federal government and the ombudsman’s office of BP regarding the [harassment] Internet communications, and the federal government requesting BP to control the harassment through their Facebook page and their interactions.”

“The harassment communications are not something that BP and their people are not aware of,” Lockman told Al Jazeera. “It’s not a hidden secret that the personal attacks, broadcast abuse, and type-written harassment were happening and continue to go on.”

Marie provided the firm and Al Jazeera with files of complaint letters, computer screenshots of the abuse, and a list of Facebook profiles used by the people who harassed her and others.

According to Marie, the harassment didn’t remain on the BP page. Trolls often followed users to their personal Facebook pages and continued to harass them there.”I was called a lot of names,” Marie added. “I was called a streetwalker and a lot of things like that, and eventually had gun threats.”

“They resorted to very demeaning methods of abuse,” Marie said. “They were racist, sexist, and threatened me and others with legal action and violence. They’ve insinuated that some commenters are ‘child molesters’, and have often used the tactic of mass reporting with the goal of having their targets completely removed from Facebook.”

One troll using the name “Griffin” makes several allusions to gun violence in order to distress and harass users, even going so far as to edit a photo of a BP critic’s pet bird into the crosshairs of a gunsight, before posting the photo online – along with photos of an arsenal of semi-automatic weapons.

Another instance occurred involving “Griffin” and an environmentalist who posted a picture of a rendition of Mother Earth saying “Mother Earth Has Been Waiting for Her Day in Court, BP”. “Griffin” posted a comment to the picture that read, “A few rounds from a .50 cal will stop that b**ch”.

According to Marie, Lockman and GAP, BP’s “astroturfing” efforts and use of “trolls” have been reported as pursuing users’ personal information, then tracking and posting IP addresses of users, contacting their employers, threatening to contact family members, and using photos of critics’ family members to create false Facebook profiles, and even threatening to affect the potential outcome of individual claims.

Marie, along with several other targets of harassment, wrote and sent two letters to BP America, asking the company to respond to the allegations and deal with the matter.  Neither letter received a response, which is why Marie decided to contact GAP, as well as the law firm.

While Marie’s evidence appears to tie Ogilvy and BP together via the trolls, the law firm Lockman works for is investigating further in order to conclusively determine the extent of BP’s involvement.

Spinning the Disaster

Stephen Marino worked for Ogilvy during the BP disaster. BP had been a client of Ogilvy for five years before the spill, and when the disaster occurred, “we were responsible for all the social media for BP during the spill”, Marino said during a lecture he gave at the University of Texas, Austin, on April 19, 2012.

His team, which he called the “digital influence team”, was “responsible for the crisis response”.  Marino told the audience that his job during the BP disaster was to run a ” reputation management campaign ” and gave this specific example of the depths to which Ogilvy worked to maintain a positive appearance for BP:

“We were putting out ads, if you guys remember those ads that came out where it would be Iris in the Gulf of Mexico and she’d be talking about how she grew up there and she wasn’t going to go away,” he explained . “The way we were working with the strategy on that was we would cut the ads one day, we would edit them overnight, we’d air them on Tuesday let’s say, and then we’d look at social media to see what the response was to the ads – and based upon the feedback we were getting on social media, the advertising agency would then go back and re-cut the ads to fix the message to make it resonate more with what the constituents wanted… that was the first key strategy.”

Chris Paulos, an attorney with the firm investigating Marie’s case, believes this is a perfect example of “subversive attempts by corporations to put forward their ideology of what we should think about them, and doing it in a way that is not decipherable to the average person”.

According to Paulos, the public should be concerned about this because we can no longer tell if people online are truly who they say they are, “or are working for a corporation and talking their script to control the dialogue about whatever issue they are addressing”.

“We are in unprecedented times with technology, and [in] the disparity between the power of corporations and autonomous consumers,” Paulos told Al Jazeera. ” Citizens United has basically emboldened corporations with their ability to speak as individuals with First Amendment rights. Ever since that decision, corporations have been outspoken and vigorously protecting themselves while doing it.”

BP’s Response

Billie Garde, BP’s deputy ombudsman, in a letter to the Government Accountability Project dated December 18, 2012, stated clearly that “BP America contracts management of its Facebook page to Ogilvy Public Relations” and added, “Ogilvy manages all of BP America’s social media matters”.

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“According to BP America, Ogilvy has a group of 10 individuals in different time zones that perform comment screening of the page,” wrote Garde.

Interestingly, Garde’s letter addressed the fact that, at that time, according to Ogilvy’s data, 91 percent of all the comments on BP’s Facebook page were considered to be “unsupportive” of BP, while only nine percent were considered “supportive”.  She added that “i n previous years, the number of comments that were ‘unsupportive ‘ of BP was larger than the present 91 per cent “.

Her letter stated that Ogilvy follows a “three strike” policy for all comments, “meaning if they find a comment to be in violation of the commenting policy, they delete the comment and record a ‘strike’ against the user, and three strikes means a user is no longer able to comment on the page. It is also noted that Ogilvy will delete offending comments and send a note to the user indicating the comment was inappropriate”.

Garde added: “BP America has informed our office that Ogilvy strictly adheres to the Commenting Policy as stated on the BP America Facebook page. This policy serves as the guidelines that Ogilvy follows when evaluating the appropriateness of comments. Ogilvy does not evaluate a comment with respect to it being a positive or negative statement towards BP. Likewise, they do not delete any comments based on either of these qualifiers.”

According to Garde, BP America’s Director of Employee Concerns Oversight, Mike Wilson, was apprised of the situation. Wilson was provided examples of harassment and was asked if the examples were reviewed by Ogilvy. “The discussion is ongoing, and Mr Wilson is addressing these specific concerns internally, ” Garde added.

A BP spokesman provided the following statement for Al Jazeera: “The BP America Facebook page, and its moderators, do not endorse or dictate any user activity. All users’ comments and actions are their own. BP created the BP America Facebook page to engage the public in an informative conversation about our ongoing commitment to America and to facilitate constructive dialogue for any and all who wish to participate. No users are compensated for participating in the Facebook community. More information on our commenting policy can be found here .”

Marie, however, staunchly believes that BP is responsible for the pro-BP Facebook trolls.

“I have no doubt that they are, and I’ve found the links between the trolls and their friends who work for BP,” she told Al Jazeera. “The Government Accountability Project, through the inquiry they’re conducting for me, is still trying to find out. But we are being stonewalled on the other end, as far as BP doing some type of an internal investigation into these connections that I’ve uncovered.”

According to Marie, the harassment “almost ceased completely at around the same time GAP received Garde’s letter. I say ‘almost’ because at least two of the people who were involved in the prior harassment are still allowed to comment on BP’s page to this day, and [one of those] was still checking on people’s profiles to obtain their state of residence, and would use this against them on the page.”

“Terroristic Threats”

Lockman’s investigation continues, as do efforts of recovering additional documentation and sifting through information on hand that links the trolls to both BP and Ogilvy as well as other subcontracted companies used by BP as creative storytellers.

“The information we possess regarding Marie’s claims, printed out, fills two file boxes, and that does not include all the DVDs which are currently being duplicated at this time,” Lockman said. “It is an unbelievable amount of documentation that has been developed. This documentation, support materials, and information is coming from several different sources. It is like a spider web and we just got started.”

Al Jazeera asked the firm Lockman works for what the possible legal ramifications would be for the alleged actions of BP and Ogilvy.

“What these guys are doing is bordering on illegal,” Paulos told Al Jazeera. “Marie’s allegations are that these guys have made overt acts beyond what they did online, and it does sound like people who’ve been the victims of these actions believe they are in imminent danger of bodily harm, and that can become the basis for a claim of assault.”

Paulos went on to say that if money were involved, like if the threats made by the trolls were against people who had pending claims against BP, or offered to cease the harassment in exchange for funds or other benefits, “it can become a claim of extortion or fraud, depending on how the money is being used”.

Yet these are not the worst possible crimes.

“They [BP/Ogilvy] are obviously trying to silence folks who are opposed or critical of what they are doing,” Paulos claimed. “But it appears as though it has moved into threats that can be considered terroristic threats depending on the intent behind them, so there are a lot of laws they can be treading on, including stalking, and tortious interference with someone’s businesses. I understand they’ve called the workplaces of people on the websites, and depending on what’s being said that may become actionable under US civil law. So there are a lot of ways they could be breaching the law based on the intent of their communication and how that has been received.” Paulos believes Marie’s case is an example of how corporations such as BP use their money and power to take advantage of a lack of adequate legal regulations over the use of internet trolls and vigorous PR campaigns, and that this should give the general public pause.

“Marie’s story shows that corporations do not refrain from cyber-bullying, and they are doing it in a very aggressive fashion.”

Other Harassment

Linda Hooper Bui, an associate professor of entomology at Louisiana State University, experienced a different form of harassment from BP while working on a study about the impact of the oil disaster on spiders and insects.

“BP was desperately trying to control the science, and that was what I ran into,” Bui told Al Jazeera. According to her, BP’s chief science officer “tried to intimidate me”, and the harassment included BP “bullying my people” who were working in the field with her on her study that revealed how “insects and spiders in the oiled areas were completely decimated”.

While collecting data for the study, Bui and her colleagues regularly ran into problems with BP, she said.

“Local sheriffs working under the auspices of BP, as well as personnel with Wildlife and Fisheries, the US Coast Guard – all of these folks working under BP were preventing us from doing our job,” Bui explained. “We were barred from going into areas to collect data where we had previous data.”

Bui said personnel from the USCG, Fish and Wildlife, and even local sheriffs departments, always accompanied by BP staff, worked to prevent her from entering areas to collect data, confiscated her samples, and “if I’d refused to oblige they would have arrested me” – despite her having state permits to carry out her work.

Bui has also been harassed online, by what she thinks was “a BP troll”, but she remained primarily concerned about what BP was doing to block her science. Her frustration about this prompted her to write an opinion article for The New York Times , titled A Gulf Science Blackout .

That is when she received a call from BP.

“August 24, 2010, at 7:15am the morning my op-ed was published, I received a call from BP’s chief science officer who tried to get me to be quiet,” Bui said. “He said he’d solve my problem, and asked me how much money I needed.”

Bui explained to him she was only interested in being allowed to conduct her studies, and was not interested in working with BP, “that I was publishing science and it involved the entire scientific community”, and she never heard back from him.

She believes her method of dealing with the overall situation was a success. “When somebody starts to mess with me, I publicise it and say: ‘Don ‘ t f**k with me,'” she concluded. “And if you do, I’m going to go very public with it, and that’s what I did.”

BP did not respond to Al Jazeera for comment regarding her specific allegation.

GAP’s Shanna Devine told Al Jazeera she believes the onus is on BP to investigate the possibility that there is a connection between the harassment and Ogilvy and BP employees.

“But so far they’ve taken a very hands-off approach,” she explained. “They’ve not taken responsibility and they are not willing to share information with us. So if it’s through BP’s silence that the public is willing to draw their conclusions, I think that is legitimate.”

Hence, Devine concluded: “The BP America Facebook page is not a safe place to be.”

2013 1120-5aInternet troll “Griffin” here complains to Facebook that “D**” is a troll, making up fabrications about BP. “Griffin” posts a link to “D**”‘s profile page, next to a picture of a gun.

2013 1120-5bA second internet troll, “Ken Smith”, is understood to have taken a photo of “D**”‘s pet bird from the BP critic’s profile, printed it out, superimposed a rifle’s crosshairs upon the image – and shot it several times.

2013 1120-5c“Griffin”‘s profile, using an anonymised portrait, also features images of target practice. It is understood that his message has a threatening tone.

2013 1120-5d“Ken Smith”, who posted the previous image of a BP critic’s pet bird being used as target practice, here posts a picture of his considerable arsenal.

2013 1120-5e“Ken Smith” goes on to call BP critics “haters”, and one in particular a “drunken moron”.

2013 1120-5hOthers leave comments on BP America’s Facebook page supportive of the oil giant, claiming that scientists and others critical of the spill are attention-seeking drug users.

This piece was reprinted by Truthout with permission or license. It may not be reproduced in any form without permission or license from the source.

By DAHR JAMAIL

Dahr Jamail, a journalist for Al Jazeera’s Human Rights Department, is the author of “The Will to Resist: Soldiers Who Refuse to Fight in Iraq and Afghanistan,” (Haymarket Books, 2009), and “Beyond the Green Zone: Dispatches From an Unembedded Journalist in Occupied Iraq,” (Haymarket Books, 2007). Jamail reported from Iraq for more than a year, as well as from Lebanon, Syria, Jordan and Turkey over the last ten years, and has won the Martha Gellhorn Award for Investigative Journalism, among other awards.

Um balanço da primeira semana da COP19 (Vitae Civilis)

Ambiente
18/11/2013 – 09h10

por Délcio Rodrigues e Silvia Dias*

cop19 ecod 300x183 Um balanço da primeira semana da COP19

Ao fim da primeira semana da CoP19, a sensação de dejá vú é inevitável. Mais uma vez, o negociador filipino foi o responsável pelo discurso mais emocionante. Mais uma vez, o Germanwatch divulga que os países pobres são os mais vulneráveis aos eventos climáticos extremos. Mais uma vez, aliás, temos um evento climático vitimando milhares de pessoas enquanto acontece a conferência. Mais uma vez, temos a divulgação de que estamos vivendo os anos mais quentes da história recente do planeta, de que a quantidade de gases causadores do efeito estufa na atmosfera já está em níveis alarmantes, de que o certo seria deixar as reservas de combustíveis fósseis intocadas…

Mesmo o novo relatório do IPCC chega com um certo gosto de notícia velha. Pois apesar da maior gama de detalhes e da maior certeza científica, basicamente o AR5 confirma que estamos seguindo em uma trajetória que esgotará já em 2030 todo o carbono que poderemos queimar neste século sem alterar perigosamente o clima do planeta. Da mesma forma, a Agência Internacional de Energia (IEA) confirma o exposto por uma forte campanha feita na CoP18 contra os subsídios aos combustíveis fósseis. Segundo a IEA, os governos gastaram US$ 523 bilhões em subsídios aos combustíveis fósseis em 2011 – uma completa inversão de prioridades, do ponto de vista da mudança climática: para cada US$ 1 em apoio às energias renováveis​​, outros US$ 6 estão promovendo combustíveis intensivos em carbono. Parte dos subsídios aos combustíveis fósseis estão acontecendo em países emergentes e em desenvolvimento, haja vista os subsídios à gasolina impostos pelo governo brasileiro à Petrobrás. Mas talvez sejam mais importantes nos países ricos. Pesquisa do Overseas Development Institute, do Reino Unido, mostrou que os subsídios ao consumo de combustíveis fósseis em 11 países da OCDE alcançam o total de US$ 72 bilhões dólares, ou cerca de US$ 112 por habitante adulto destes países.

Essa perversidade econômica estrangula, no nascimento, as inovações tecnológicas que podem contribuir para evitarmos a colisão iminente entre a economia global (e o seu sistema energético) e os limites ecológicos do nosso planeta. Os recentes desenvolvimentos em energia eólica, solar, bio-combustíveis , geotermia, marés, células de combustível e eficiência energética estão aumentando as possibilidades de construção de um cenário energético de baixo carbono. Além de poderem afastar a crise climática, estas tecnologias poderiam abrir novas oportunidades de investimento, fornecer energia a preços acessíveis e sustentar o crescimento. Mas este potencial somente será realizado se os governos perseguirem ativamente políticas industriais sustentáveis. É necessário alinhar o objetivo de mitigação da crise climática com desincentivos para as fontes de energia intensivas em carbono por meio de impostos e apoio a alternativas sustentáveis.

O fim dos subsídios aos combustíveis fósseis precisa ser acompanhado por políticas que favoreçam a transferência de tecnologias limpas. Não podemos deixar de lado o exemplo da China, da Índia e também do Brasil, para onde multinacionais historicamente enviam plataformas de produção sujas e energo-intensivas. Infelizmente, as negociações sobre tecnologia estão entre as mais emperradas – tanto no formato anterior, estabelecido pelo Caminho de Bali, como agora, na chamada Plataforma Durban. Simultaneamente, tomamos conhecimento, pelo WikiLeaks, da Parceria Trans-Pacífica (TPP) referente a patentes e proteção intelectual – acordo que vem sendo negociado secretamente entre líderes de 12 países que concentram 40% do PIB e um terço do comércio global e que visa impor medidas mais agressivas para coibir a quebra de propriedade intelectual.

A discrepância entre o que a ciência recomenda e o que os governos estão promovendo permanece, independente do formato das negociações climáticas. Saímos dos dois trilhos estabelecidos em Bali para a Plataforma Durban, mas os compromissos financeiros ou metas mais agressivas de mitigação não vieram. Na primeira semana da CoP19, os discursos dos negociadores reviveram posicionamentos arcaicos e obstrutivos ao processo. Sim, é certo que já sabíamos que esta não seria uma conferência de grandes resultados. Mas o fato é que os bad guys resolveram ser realmente bad sob a condução complacente de uma presidência que não se constrange em explicitar sua conduta em prol do carvão e demais combustíveis fósseis. Tanto que a Rússia abriu mão de atravancar o processo, guardando suas queixas sobre o processo da UNFCCC para outra ocasião.

Esta outra ocasião pode ser a CoP20, no Peru, para onde as esperanças de negociações mais produtivas se voltam. Antes, porém, haverá a cúpula de Ban Ki Moon, para a qual as lideranças dos países estão convidadas. O objetivo é gerar a sensibilidade política que faltou em Copenhague e tentar definir metas antes da reta derradeira do acordo, em Paris. Esse encontro deve ser precedido e seguido de várias reuniões interseccionais para que os delegados avancem na costura do acordo e para que os itens críticos, como metas de mitigação e financiamento, comecem a adquirir contornos mais concretos.

Em outras palavras, uma agenda consistente de reuniões e o compromisso para apresentar metas no ano que vem são o melhor resultado que podemos esperar de uma conferência que corre o risco de entrar para a História como a CoP do carvão.

Délcio Rodrigues é especialista em Mudanças Climáticas do Vitae Civilis. Silvia Dias, membro do Conselho Deliberativo do Vitae Civilis, acompanha as negociações climáticas desde 2009.

Climate change pledges: rich nations face fury over moves to renege (The Guardian)

Typhoon Haiyan raises fear over global warming threat as Philippines leads attack on eve of key talks

 in Warsaw

The Observer, Sunday 17 November 2013

Typhoon Haiyan

Survivors of Typhoon Haiyan form a queue to receive relief goods at a devasted coastal area in Leyte. Photograph: Dondi Tawatao/Getty Images

Developing nations have launched an impassioned attack on the failure of the world’s richest countries to live up to their climate change pledges in the wake of the disaster in the Philippines.

With more than 3,600 people now believed to have been killed byTyphoon Haiyan, moves by several major economies to backtrack on commitments over carbon emissions have put the world’s poorest and most wealthy states on a collision course, on the eve of crucial high-level talks at a summit of world powers.

Yeb Sano, the Philippines’ lead negotiator at the UN climate change summit being held this weekend in Warsaw, spoke of a major breakdown in relations overshadowing the crucial talks, which are due to pave the way for a 2015 deal to bring down global emissions.

The diplomat, on the sixth day of a hunger strike in solidarity for those affected by Haiyan, including his own family, told the Observer: “We are very concerned. Public announcements from some countries about lowering targets are not conducive to building trust. We must acknowledge the new climate reality and put forward a new system to help us manage the risks and deal with the losses to which we cannot adjust.”

Munjurul Hannan Khan, representing the world’s 47 least affluent countries, said: “They are behaving irrationally and unacceptably. The way they are talking to the most vulnerable countries is not acceptable. Today the poor are suffering from climate change. But tomorrow the rich countries will be. It starts with us but it goes to them.”

Recent decisions by the governments of AustraliaJapan and Canada to downgrade their efforts over climate change have caused panic among those states most affected by global warming, who fear others will follow as they rearrange their priorities during the downturn.

In the last few days, Japan has announced it will backtrack on its pledge to reduce its emission cuts from 25% to 3.8% by 2020 on the basis that it had to close its nuclear reactors after the 2011 earthquake and tsunami.

Australia, which is not sending a minister to this weekend’s talks,signalled it may weaken its targets and is repealing domestic carbon lawsfollowing the election of a conservative government.

Canada has pulled out of the Kyoto accord, which committed major industrial economies to reducing their annual CO2 emissions to below 1990 levels.

China’s lead negotiator at the Warsaw talks, Su Wei, said: “I do not have any words to describe my dismay at Japan’s decision.” He criticised Europe for showing a lack of ambition to cut emissions further, adding: “They talk about ratcheting up ambition, but rather they would have to ratchet up to ambition from zero ambition.”

When the highest-level talks start at the summit on Monday, due to be attended by representatives from 195 countries, including energy secretary Ed Davey, the developing world will seek confirmation from states such as Britain that they will not follow the path of Japan and others. David Cameron’s comments this weekend in which he backed carbon emission cuts and suggested that there was growing evidence of a link between manmade climate change and disasters such as Typhoon Haiyan, will inevitably be used to pressure others to offer similar assurances.

The developing world also wants the rich western nations to commit to establishing a compensation scheme for future extreme weather events, as the impact of global warming is increasingly felt. And they want firm signals that rich countries intend to find at least $100bn a year by 2020 to help them to adapt their countries to severe climate extremes.

China and 132 nations that are part of the G77 block of developing countries have expressed dismay that rich countries had refused to discuss a proposal for scientists to calculate emissions since the start of the Industrial Revolution.

Ambassador Jose Antonio Marcondes de Carvalho of Brazil, who initially proposed the talks, said: “We were shocked, very much surprised by their rejection and dismissal. It is puzzling. We need to understand why they have rejected it.

“Developing countries are doing vastly more to reduce their emissions than Annexe 1 [rich] countries.”

Members of the Disaster Emergencies Committee, which co-ordinates British aid efforts, also warned leaders that the disaster offers a glimpse of the future if urgent action is not taken.

Aid agencies including Christian Aid, Cafod, Care International, Oxfam and Tearfund said ministers meeting in the Polish capital must act urgently because climate change is likely to make such extreme weather events more common in the future, putting millions more lives at risk.

Oldest Clam Consternation Overblown (National Geographic)

A photo of ming the clam.

Shell valves from a specimen of Arctica islandica that was found to have lived for approximately 507 years are pictured here. The creature’s death has generated some consternation about marine researchers that looks a bit overblown.

PHOTOGRAPH COURTESY BANGOR UNIVERSITY

Samantha Larson

for National Geographic

PUBLISHED NOVEMBER 16, 2013

Consternation over the death of the world’s oldest-recorded animal, a 507-year-old clam nicknamed Ming, has earned marine researchers unhappy headlinesworldwide.

But a closer look at the story—”Clam-gate,” as the BBC called it—finds the tempest over Ming a bit overblown. (Also see “Clams: Not Just for Chowder.”)

News of the clam’s death, first noted in 2007, took on a life of its own this week after researchers led by James Scourse, from the United Kingdom’s Bangor University, reanalyzed its age and announced the 507-year estimate.

Contrary to news reports, the researchers say they did not kill the elderly clam for the ironic-seeming purpose of finding out its age.

“This particular animal was one of about 200 that were collected live from the Icelandic shelf in 2006,” explains climate scientist Paul Butlerfrom the same U.K. university, who, along with Scourse, dredged up the clam as part of a research project to investigate climate change over the past thousand years.

All 200 clams were killed when they were frozen on board to take them home. They didn’t find out how old Ming was until they were back in the lab and looked at its shell under a microscope.

Ming Dynasty Survivor

When Ming first made headlines in 2007, the researchers said they thought it was about 405 years old, earning it even then the title of the oldest-known animal.

After the more recent reanalysis, they realized that the bivalve was even more impressive than they had thought.

In the year Ming was born, Leonardo da Vinci was at work on the “Mona Lisa,” the first recorded epidemic of smallpox hit the New World, and the Ming dynasty ruled China (hence the name). Ming was 52 years old when Queen Elizabeth I took the throne.

Clam Age Counting

The researchers determined Ming’s age by counting the number of bands in its shell. This type of clam, the ocean quahog, grows a new band every year. (Also see “Giant Clam.”)

The 100-year age discrepancy resulted from the 2007 analysis examining a part of Ming’s shell where some of the bands were so narrow they couldn’t be separated from each other.

Scourse, a marine geologist, says that the new age has been verified against radiocarbon dating and is “pretty much without error.”

Clams Don’t Carry Birth Certificates

When Scourse and Butler dredged up the live clam, they had what appeared to be an everyday quahog, an animal that could fit into the palm of their hand.

As Madelyn Mette, a Ph.D. student at Iowa State University in Ames who also studies these clams, explains, “Once they reach a certain age, they don’t get a lot bigger per year … If you have a large clam, you can’t always tell if it’s 100 years old or 300 years old, because there’s very little difference in size.”

Scourse points out that the 200 clams they sampled represented a very small fraction of the world’s entire clam population. For that reason, even if Ming was the oldest animal that we knew, the chances that it was actually the oldest quahog out there in the ocean depths are “infinitesimally small.”

How About Some Chowdah?

In fact, it isn’t unthinkable that someone might eat a clam of Ming’s age for lunch—ocean quahogs from the North Atlantic are one of the main species used in clam chowder.

If nothing else, Ming’s sacrifice should help out Scourse and Butler’s research, looking at long-term climate impacts on sea life over the past few centuries.

“The 507-year-old is at the top end of the series,” Scourse says. “From this we can get annual records of marine climate change, which so far we’ve never been able to get from the North Atlantic.”

Mais sobre a polêmica dos animais de laboratório (25/10/2013)

Testes em animais: questão humanitária (Jornal da Ciência)

25 de outubro de 2013

Comunidade científica defende a experimentação com animais e rechaça invasão do Instituto Royal

Primeiro pesquisador a desenvolver uma vacina antirrábica, Louis Pasteur (1827-1895) contribuiu enormemente na validação de métodos científicos com testes em animais; Carlos Chagas (1878-1934) fez experiências com saguis e insetos em seus estudos sobre a malária e na descoberta da doença de Chagas; a vacina contra a poliomielite só foi possível graças a pesquisas que Albert Sabin (1906-1993) fez em dezenas de macacos. Em comum, esses três cientistas têm, além do renome internacional, o fato de terem entrado para a história pela grande contribuição ao avanço da ciência para o benefício da humanidade.

Ao contrário, o clamor causado pela invasão do Instituto Royal, em São Roque, a 59 quilômetros de São Paulo, na madrugada do dia 18 de outubro, encara pesquisadores da mesma forma que vê torturadores ou traficantes de animais. Experimentação científica não é farra do boi, briga de galo ou tourada para que cientistas sejam tratados pela opinião pública como criminosos.

Durante a invasão, ativistas contrários à utilização de animais em pesquisas científicas levaram do instituto 178 cães da raça beagle e sete coelhos, deixando para trás centenas de ratos. “É um grande equívoco, irresponsabilidade e desconhecimento da realidade ir para a mídia afirmar que os animais não são mais necessários para a descoberta de novas vacinas, medicamentos e terapias”, alertou Renato Cordeiro, professor titular da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Em carta aberta divulgada no último dia 22, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) lembram da importância da experimentação com animais. “Na história da medicina mundial, descobertas fundamentais foram realizadas, milhões de mortes evitadas e expectativas de vida aumentadas, graças à utilização dos animais em pesquisas para a saúde humana e animal”, diz o texto assinado pelos presidentes das entidades, Helena Nader e Jacob Palis, respectivamente.

Renato Cordeiro citou algumas dessas descobertas: o controle de qualidade de vacinas contra a pólio, o sarampo, a difteria, o tétano, a hepatite, a febre amarela e a meningite foram possíveis a partir desse tipo de experimentação. “Testes com animais também foram essenciais para a descoberta de anestésicos, de antibióticos e dos anti-inflamatórios, de fármacos para o controle da hipertensão arterial e diabetes”, relacionou, lembrando ainda de medicamentos para controlar a dor, a asma, para tratamento da ansiedade, dos antidepressivos, dos quimioterápicos, e dos hormônios anticoncepcionais.

Mais do que isso, os próprios animais têm sido beneficiados com os avanços da ciência no campo da terapêutica e cirurgia experimental. O pesquisador destaca as vacinas para a raiva, a cinomose, a febre aftosa, as pesquisas com o vírus da imunodeficiência felina, a tuberculose e várias doenças infecto-parasitárias.

Outra associação de pesquisadores, a Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), também divulgou manifesto expressando repúdio à invasão do Instituto Royal. De acordo com o texto, a sociedade quer que a qualidade de vida e a saúde animal evoluam no mesmo ritmo. “A pesquisa científica tem respondido a essa demanda, mas é preciso que o obscurantismo seja erradicado do nosso meio para que a sociedade possa usufruir dos recentes avanços científicos e dos que ainda serão produzidos”, diz o manifesto.

No mesmo sentido, Cordeiro cita trabalhos que estão sendo desenvolvidos em laboratórios brasileiros. “Eles visam à descoberta de vacinas e medicamentos para a malária, a Aids, dengue, tuberculose e outras doenças. Poderíamos dizer que os animais experimentais são grandes responsáveis pela sobrevivência da raça humana no planeta”, argumenta.

Embora técnicas sofisticadas e equipamentos com alta tecnologia sejam necessários para algumas dessas pesquisas, o uso de animais de laboratório ainda é necessário para sua execução. “Em virtude da complexidade da célula biológica”, explica. Pesquisadores já desenvolvem esforços na busca de métodos alternativos para que algum dia os animais não sejam mais necessários nesse processo. No entanto, somente em alguns poucos casos, a Biologia Celular e Molecular oferece essa possibilidade. “Através de técnicas de cultura de tecidos e simulações computacionais”, esclarece.

Bem-estar animal na ciência

Num ponto, cientistas e ativistas invasores concordam: os animais não devem sofrer. Como ainda não existem métodos capazes de substituir o teste em animais em uma série de pesquisas fundamentais para o futuro da humanidade e para a saúde e sobrevivência do ser humano, o que está sendo feito em vários países é a regulamentação e a fiscalização dessas ações para minimizar o sofrimento dos bichos e avaliar a relevância dos estudos para a humanidade.

No Brasil, o responsável por estabelecer essas normas é o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), órgão integrante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, do qual Cordeiro foi o primeiro coordenador. Hoje, o Concea é coordenado por Marcelo Morales, um dos secretários da SBPC e também da FeSBE.

Um grande marco ocorreu com a aprovação da Lei Arouca (11.794/2008), que regulamentou a criação e utilização de animais em atividades de ensino e pesquisa científica. Além de ter criado o Concea, a nova lei obrigou as Instituições de Pesquisa a constituírem uma Comissão de Ética no Uso de Animais (Ceua).

Essas comissões são componentes essenciais para aprovação, controle e vigilância das atividades de criação, ensino e pesquisa científica com animais, bem como para garantir o cumprimento das normas de controle da experimentação animal. “As Ceuas representam uma grande mudança de cultura na ciência e são formadas por médicos veterinários e biólogos, docentes e pesquisadores na área específica da pesquisa científica, e um representante de sociedades protetoras de animais legalmente constituídas e estabelecidas no país”, diz o ex-coordenador do Concea.

Esses representantes têm atuação importante nesse processo. “São profissionais muito qualificados, com formação em nível de doutorado, e têm dado excelentes contribuições nas discussões e deliberações do Concea”, avalia Cordeiro. Considerada a bíblia dos laboratórios de pesquisa, a Diretriz Brasileira para o Cuidado e a Utilização de Animais para fins Científicos e Didáticos (DBCA) foi citada pelo pesquisador como um dos recentes exemplos de competência dos membros do colegiado.

(Mario Nicoll / Jornal da Ciência)

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Cirurgia em porco acirra debate do uso de cobaias em experimentos (Correio Braziliense)

Ativistas invadem aula de medicina da PUC-Campinas para gravar em vídeo uma cirurgia na qual os alunos treinam técnicas de traqueostomia em um suíno vivo. Ações desse tipo – como o furto de cães em laboratório paulista – preocupam os cientistas

Cinco dias depois que um grupo de ativistas invadiu o Instituto Royal, em São Roque (interior de São Paulo), para pegar 178 cachorros da raça beagle, em protesto contra o uso de animais como cobaias, mais um ato foi registrado no interior de São Paulo. Algumas pessoas interromperam uma aula prática do curso de medicina da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, em que seis porcos eram usados para ensinar a técnica da traqueostomia (abertura de um orifício na traqueia para permitir a respiração) aos alunos. Os ativistas filmaram os procedimentos e, depois, deixaram o local. Mais tarde, uma reação do governo à onda recente de manifestações veio em forma de nota, assinada pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Marcelo Morales, coordenador do Concea, afirmou ao Correio que vê com ressalvas o panorama atual dos protestos. “É muito preocupante esse movimento obscurantista que vem ocorrendo no Brasil, cuja origem nós não sabemos, mas que mostra uma irracionalidade, um atraso muito grande”, afirmou o pesquisador, que também integra a diretoria da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). De acordo com ele, é o desenvolvimento de remédios e tratamentos para doenças que está ameaçado diante do “radicalismo” dos que se intitulam defensores dos animais.

“Ativistas falam o que leem na internet, não têm base científica. É lorota a afirmação de que podemos usar métodos alternativos para a maior parte dos procedimentos. Eles são pouquíssimos atualmente. Já utilizamos, nas faculdades de medicina, meios de diminuir a quantidade de animais, como filmar as aulas. Mas nem sempre é possível. Em um momento, os alunos precisam do animal”, afirma Morales.

(Renata Mari/Correio Braziliense)

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-economia/33,65,33,12/2013/10/25/interna_brasil,395271/cirurgia-em-porco-acirra-debate-do-uso-de-cobaias-em-experimentos.shtml

Matéria da Folha de S.Paulo sobre o assunto:

Ativistas invadem aula prática com porcos na PUC de Campinas

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/135652-ativistas-invadem-aula-pratica-com-porcos-na-puc-de-campinas.shtml

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Fiocruz divulga nota pública em defesa do uso de animais em pesquisas científicas (Jornal da Ciência)

Documento ressalta que medicamentos, vacinas e alternativas terapêuticas disponíveis hoje para uso humano dependeram de fases anteriores de experimentação em animais 

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgou nota em que reafirma perante a sociedade seu compromisso ético no uso de animais para finalidades científicas. O texto ressalta que a ciência não pode prescindir do uso de animais em experimentação. “Medicamentos, vacinas e alternativas terapêuticas disponíveis hoje para uso humano dependeram de fases anteriores de experimentação em animais”, diz o texto.

O documento aborda o fato de as pesquisas científicas envolvendo animais serem pautadas por princípios de bem-estar animal, e de que a atividade é regulamentada por dispositivos legais nacionais e internacionais. A Fiocruz lembra ainda que a Lei 11.794/2008, que regulamenta o uso científico de animais, foi amplamente defendida por sua comunidade.

(Jornal da Ciência)

Leia o documento:

Nota pública: a Fiocruz e o uso de animais em pesquisas científicas

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituição que desde 1900 atua a serviço da saúde pública e da população brasileira, frente aos acontecimentos recentes observados no país, vem a público cumprir seu papel de esclarecimento e reafirmar perante a sociedade seu compromisso ético no uso de animais para finalidades científicas.

É fundamental ressaltar que, apesar de muitos esforços em todo o mundo, nas condições atuais, a ciência não pode prescindir do uso de animais em experimentação. Importante pontuar ainda que os medicamentos, vacinas e alternativas terapêuticas disponíveis hoje para uso humano dependeram de fases anteriores de experimentação em animais. As atividades de experimentação animal são necessárias, inclusive, no campo da veterinária.

As pesquisas científicas envolvendo animais são pautadas pelos princípios de bem-estar animal, adotando-se, dentre outros, os critérios de redução, utilizando-se o menor número possível de animais a cada experimento, e de substituição do uso de animais por outra estratégia sempre que tecnicamente viável.

A atividade é regulamentada por dispositivos legais nacionais e internacionais, ao mesmo tempo em que vigoram instâncias regulatórias de diversos níveis, ligadas ao Governo Federal (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal – Concea), aos Conselhos de Veterinária e também no âmbito interno das instituições científicas (os Comitê de Ética no Uso de Animais – CEUAs).

A Fiocruz aproveita a oportunidade para informar à sociedade que a Lei 11.794/2008, que regulamenta a Constituição Federal sobre o uso científico de animais, foi amplamente defendida por sua comunidade, inclusive tendo sido relatada pelo então deputado federal Sergio Arouca, sanitarista e ex-presidente da Fiocruz. Além disso, a Fundação foi uma das primeiras instituições a estabelecer uma CEUA no país. Esta instância é responsável por aprovar todos os projetos científicos que incluem o uso de animais, verificando a ética nos procedimentos, a quantidade de animais, entre outras questões.

Secretária-executiva de painel da ONU chora ao falar sobre mudanças climáticas (O Globo)

23 de outubro de 2013

Christiana Figueres, chefe do IPCC, ficou emocionada ao falar sobre impacto das alterações nas futuras gerações em conferência em Londres

Secretária-executiva do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), a costa-riquenha Christiana Figueres fez uma defesa apaixonada das negociações em torno de um novo acordo global para combater o problema em conferência nesta segunda-feira em Londres. Em seu discurso durante o evento, Figueres reclamou da lentidão nas conversas, mas mostrou-se otimista quanto à possibilidade de em 2015 ser assinado um acerto que obrigue o cumprimento de metas de redução da emissão de gases do efeito estufa pelos principais países poluidores do mundo a partir de 2020.

– Sempre fico frustrada com o ritmo das negociações, nasci impaciente – disse Figueres. – Estamos avançando muito, muito devagar, mas estamos indo na direção certa e é isso que me dá coragem e esperança.

E Figueres manteve o tom apaixonado depois do discurso. Abordada por um repórter da rede britânica de TV BBC, que lhe perguntou sobre o impacto das mudanças climáticas, ela ficou emocionada e chegou a chorar.

– Estou comprometida com (a luta contra) as mudanças climáticas por causa das futuras gerações e não por nós, certo? Nós estamos partindo daqui – disse. – Simplesmente sinto que é totalmente injusto e imoral o que estamos fazendo com as futuras gerações. Estamos condenando elas antes mesmo de elas nascerem. Mas temos uma escolha sobre isso, esta é a questão, temos uma escolha. Se (as mudanças climáticas) forem inevitáveis, então que sejam, mas temos a escolha de tentar mudar o futuro que vamos dar às nossas crianças.

(O Globo)

http://oglobo.globo.com/ciencia/secretaria-executiva-de-painel-da-onu-chora-ao-falar-sobre-mudancas-climaticas-10488256#ixzz2iYDyHz8N

Salvamento de Beagles usados como cobaias no Instituto Royal

JC e-mail 4839, de 22 de outubro de 2013

Especialista da Fiocruz considera equívoco invasão ao Instituto Royal (Jornal da Ciência)

Para Marco Aurélio Martins, o ataque de ativistas aos experimentos científicos é uma tentativa de desinformar “irresponsavelmente” a população

É preocupante a invasão “equivocada” de grupos defensores de animais ao Instituto Royal, levando 178 cães da raça beagle, além de outras cobaias científicas. A afirmação é do pesquisador chefe do Laboratório de Inflamação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marco Aurélio Martins. “É preocupante pelo discurso equivocado sobre a importância que a pesquisa tem”, diz ele, em entrevista ao Jornal da Ciência. A invasão aconteceu na madrugada da última sexta-feira (18), na instituição instalada em São Roque, a 51 km de São Paulo.

Para ele, o ataque de ativistas aos experimentos científicos é uma tentativa de desinformar “irresponsavelmente” a população em geral, leiga dos conhecimentos científicos. “Passar para população de que a experimentação animal é algo simplesmente cruel, que agride os animais, que só faz mal a eles sem nenhum benefício nem para os seres humanos, nem para os próprios animais, é desinformar”, declara.

Martins reforça que o uso de animais nos experimentos científicos ainda é necessário para estudar várias áreas da saúde pública,desde as doenças tropicais, como malária e outras mais graves, como câncer, asma e hipertensão. “Como podemos abrir mão de estudar esses problemas tão complexos se não tivermos ferramentas experimentais?”, pergunta. “Todos os medicamentos disponíveis nas prateleiras das farmácias e no mercado veterinário dependeram da experimentação animal, em algum momento.”

O pesquisador insiste em dizer que todos os testes científicos com animais obedecem às normas nacionais, previstas na Lei Arouca Nº 11.794, em vigor há três anos. De acordo com ele, o uso de animais nos experimentos científicos não é exclusividade do Brasil. Conforme entende o biólogo, todos os países avançados em ciência e tecnologia permanecem usando os animais em experimentação. “Não é verdadeiro dizer que não se faz mais uso de animais na Europa e nos Estados Unidos”, diz. A restrição é maior (apenas) para primatas, como macacos e chimpanzés.”

JC – O senhor conhece a política do Instituto Royal aplicada nos experimentos científicos de animais?
Martins – Sou ligado a um instituto nacional de ciência e tecnologia de fármacos, INCT-Inofar, do qual o Royal é um dos colaboradores. Conheço a reputação e a seriedade do Instituto. Mas nunca o visitei e nunca utilizei o centro como prestador de serviços.

Qual a sua avaliação sobre a invasão dos ativistas ao Instituto Royal?
Vejo com muita preocupação. É uma radicalização. Já tivemos iniciativas semelhantes no Brasil no passado, mas nada tão veemente. Na própria Fiocruz, por volta de 2000, houve uma invasão, quando pesquisadores foram processados pelo fato de gambás serem encontrados fora da caixa deles. Mas nunca vi algo tão radical, como agora, de ver o pessoal entrar e liberar os animais. Me preocupa muito este momento, no qual o Brasil vive uma tensão social, de manifestações, como os Black Blocs. Já vimos esse filme em outros países, em que esse ativismo levou a problemas enormes, de agressividade.

Esse cenário preocupa a área científica?
Preocupa pela desinformação irresponsável. Passar para a população em geral, leiga, de que a experimentação animal é algo simplesmente cruel, que agride aos animais, que só faz mal aos animais sem nenhum benefício para os seres humanos e nem para os próprios animais. Isso é desinformar. Não é difícil sensibilizar, sobretudo, as pessoas que não sabem como as pesquisas são realizadas. Ou informar, equivocamente, de que apenas o Brasil é o único país que utiliza os animais em experimentos científicos. Preocupa o discurso equivocado sobre a importância que a pesquisa tem. Os profissionais da ciência do Brasil se deparam hoje com uma responsabilidade muito grande. Temos de ser muito hábeis e contar com a colaboração da imprensa para que as palavras não sejam deturpadas. É preciso ter cuidado de passar para a população em geral, de tranquilizá-la, de que os centros de pesquisas estabelecidos no Brasil são de excelência, não são centros de terror.

Quais os benefícios que o experimento cientifico com animal traz para a população e para os próprios animais?
Todos os medicamentos disponíveis nas prateleiras das farmácias e no mercado veterinário dependeram da experimentação animal, em algum momento. O risco de não fazermos isso, de não fazer os experimentos é enorme para a população na hora de disponibilizar os potenciais medicamentos.

Os experimentos científicos com animais precisam atender à legislação interna…
Claro que a comunidade científica sabe que precisa seguir as regras. Somos obrigados a obter licenças, existem leis que controlam a experimentação animal, tanto no Brasil como no mundo. No Brasil, a legislação é a Lei Arouca, em vigor há três anos. No caso, se houvesse uma denúncia de maus tratos na Fiocruz ou mesmo no Instituto Royal, o Concea [Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal] tem o papel de receber a denúncia, de avaliar e investigar para tomar as atitudes. Os maus-tratos de animais de experimentação são passíveis de criminalização. Se tiver acontecendo irregularidade, isso tem de ser exemplarmente punido. O que não pode é autorizar que as pessoas saiam invadindo o local e liberando animais de experimentação. Isso trará prejuízos não apenas para o andamento das pesquisas científicas, mas para a credibilidade do desenvolvimento de novos fármacos no país, para a população e para os próprios animais. Se é que existem maus tratos aos animais que isso seja levado aos órgãos competentes e que se puna quem tiver agindo de maneira errada.

É o caso do Instituto Royal?
Não acredito que seja. Pelo que conheço sobre a reputação das pessoas responsáveis não tenho razão nenhuma para acreditar que tivesse ocorrendo algum tipo de irregularidade interna. Se tivesse acontecendo, numa hipótese terrível, hoje a nossa sociedade já dispõe de um canal, que é Concea.

As pesquisas ainda são necessárias com os animais?
Claro que são, porque precisamos de mecanismos para avançar nas formas de tratamento (de saúde) que temos hoje, na terapia. Ainda temos problemas enormes em várias áreas da saúde pública, desde as doenças tropicais, como malária e outras mais graves, como câncer, asma e hipertensão. Como podemos abrir mão de estudar esses problemas tão complexos se não tivermos ferramentas experimentais? Como impedir cientistas e especialistas, dentro das condições de boas práticas e de boa conduta ética, de entender as doenças e buscar uma forma de controlá-las? Isso seria interromper a investigação científica. Não se pode passar para a opinião pública a ideia de que não se pode mais usar os animais em experimentos científicos.

Outros países ainda usam animais em experimentos científicos?
Claro que usam. Todos os países considerados avançados em ciência e tecnologia continuam usando os animais em experimentação. Não é verdadeiro dizer que não se faz mais uso de animais na Europa ou nos Estados Unidos. A restrição é maior (apenas) para primatas, como macacos e chimpanzés.

Os protocolos proíbem a crueldade nos animais?
Não pode haver crueldade. Isso é crime. Ao montar um protocolo experimental o pesquisador tem de garantir que o animal esteja dentro das condições de bem estar, para que possa, inclusive, acreditar nos resultados a serem obtidos da experimentação.

(Viviane Monteiro – Jornal da Ciência)

Outras matérias sobre o assunto:

Revista Galileu

‘Um dia reduziremos. Mas acabar com testes em animais agora é impossível’

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI344225-17770,00-UM+DIA+REDUZIREMOS+MAS+ACABAR+COM+TESTES+EM+ANIMAIS+AGORA+E+IMPOSSIVEL.html

Folha de S.Paulo

Retirada de cães de instituto afeta pesquisa anticâncer, diz cientista

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/135127-retirada-de-caes-de-instituto-afeta-pesquisa-anticancer-diz-cientista.shtml

Experimentação animal

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/135050-experimentacao-animal.shtml

Deputado fica com ‘guarda’ e dá nome de filhas a beagles

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/135124-deputado-fica-com-guarda-e-da-nome-de-filhas-a-beagles.shtml

O Globo

Ministério Público de SP espera investigação da polícia para decidir sobre beagles

http://oglobo.globo.com/pais/ministerio-publico-de-sp-espera-investigacao-da-policia-para-decidir-sobre-beagles-10467368#ixzz2iSUmfYZr

O Estado de S.Paulo

Ladrões de cobaias

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,ladroes-de-cobaias-,1088290,0.htm

Instituto doará beagles que forem recuperados

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,instituto-doara-beagles-que-forem-recuperados,1088254,0.htm

Zero Hora

Sentimentalismo e direitos dos animais

http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2013/10/22/sentimentalismo-e-direitos-dos-animais/?topo=13,1,1,,,13

Agência Câmara Notícias

Comissão investigará denúncias de maus-tratos contra animais no Instituto Royal

http://www2.camara.gov.br/camaranoticias/noticias/CIENCIA-E-TECNOLOGIA/455160-COMISSAO-INVESTIGARA-DENUNCIAS-DE-MAUS-TRATOS-CONTRA-ANIMAIS-NO-INSTITUTO-ROYAL.html

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22/10/2013 – 03h00

Retirada de cães de instituto afeta teste anticâncer, diz cientista (Folha de S.Paulo)

JAIRO MARQUES e RAFAEL GARCIA

DE SÃO PAULO

A retirada de 178 cães da raça beagle de um laboratório em São Roque (a 66 km de São Paulo) comprometeu experimentos avançados de um medicamento para tratamento contra câncer –além de fitoterápicos para usos diversos.

A informação é do médico Marcelo Marcos Morales, um dos secretários da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e coordenador do Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

“Um trabalho que demorou anos para ser produzido, que tinha resultados promissores para o desenvolvimento do país, foi jogado no lixo”, disse ele, em referência à invasão do Instituto Royal por ativistas na semana passada.

“O prejuízo é incalculável para a ciência e para o benefício das pessoas”, afirmou.

O cientista não revelou o nome do medicamento desenvolvido, que é protegido por contrato, nem para qual tipo de câncer ele seria usado. Mas informou que se tratava de um tipo de remédio produzido fora do país e que teve a patente quebrada.

Sala é encontrada com objetos revirados no Instituto Royal, em São Roque (SP)

O Royal também não detalha os experimentos alegando restrição contratual.

Os fitoterápicos eram baseados em plantas da flora nacional e poderiam ser usados, por exemplo, para combater dor e inflamações.

Ativistas dizem que os cães sofriam maus-tratos. O instituto nega. Ontem ele disse que, quando recuperados, receberão tratamento e podem “ser colocados para doação”.

Doutor em biofísica, Morales afirma que os cientistas “também não querem trabalhar com animais”, mas que o método é ainda o mais eficaz para testes de tratamentos médicos e vacinas.

“Seria possível não nos alimentarmos mais com carne? Com pesquisa é a mesma relação. Deixamos de usar animais e vamos testar vacinas em nossas crianças?”

Para Morales, as pessoas estão “confundindo” animais domésticos com cães que nasceram dentro de biotérios, sob condições controladas e rígidas para o uso científico.

“O apelo do cão é muito grande, tanto é que levaram todos os beagles, mas deixaram todos os ratos.”

A autoridade brasileira responsável por aprovar pesquisas com humanos, a Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), não avaliza projetos de drogas que não tenham passado por testes de segurança em animais.

Cachorros estão em uma parcela pequena de experimentos científicos –nos quais os camundongos respondem por 74% dos animais. A maioria dos cães é usada para averiguar a toxicidade de medicamentos.

Editoria de arte/Folhapress

 

Politics and Perceptions: Social Media, Politics Collide in New Study (Science Daily)

Oct. 8, 2013 — It bothered Lindsay Hoffman and colleagues to see other researchers making broad yet vague claims about the role social media plays in political participation.

So they decided to study it.

In a paper to be published in November in the journal Computers in Human Behavior, the University of Delaware associate professor in the departments of Communication and of Political Science and International Relations and her co-authors explored how people perceive their own political behaviors online. It is part of a larger goal to better understand why people engage in politics both on- and offline.

The study is titled “Does My Comment Count? Perceptions of Political Participation in an Online Environment.” Dannagal Young, associate professor of communication, and Philip Jones, associate professor of political science and international relations, teamed up with Hoffman for the study.

It was built around the question of whether, when people engage in political behavior online — “liking” a candidate’s Facebook page, tweeting their thoughts about a political platform, signing a virtual petition — they see their activities as having influence on the functions of government (participation) or as communication with others.

“A lot of people in the 2008 elections were participating on Facebook and on blogs,” Hoffman said (Twitter didn’t play as strong a role then). .” .. We were interested in which is participatory and which is seen as communication.”

Hoffman said many claims had been made about the substantial role social media has played in mobilizing people to become more politically active. Some also believe online political engagement is replacing traditional, offline forms of political behavior, prompting people to play a less active role when it comes to activities like voting.

But without a way to define how people perceived what they were doing when they engaged in politics online, Hoffman and her co-authors were skeptical.

The UD researchers relied on a survey of roughly 1,000 randomly selected American adults to assess what people were doing politically on- and offline, what they had done in the past, to what extent they thought their activities were a good way to influence the government and to what extent they thought their actions were a good way to communicate with others.

The survey, which was completed in the summer of 2010, focused on 11 political behaviors, including voting in an election, communicating online about politics, signing up for online political information, friending or “liking” a candidate or politician and putting up a yard sign or wearing a political shirt.

The work led the researchers to conclude people have a realistic notion of what they are doing when they engage in politics online.

“People are more savvy than we think they are,” Hoffman said. “They viewed every type of behavior mentioned except voting as communication.”

People in the study perceived their on- and offline behaviors as playing different political roles. They seemed not to be replacing traditional, offline political engagement with online behaviors, Hoffman and her co-authors found.

“They are not duped into thinking they can influence government or take a hands-off approach” just by being involved online, she said.

Those in the study who reported being more confident in government and their ability to have an impact were even more motivated to engage in online political activities when they perceived it as communication, the study also found.

“If people see it as communication, they are more likely to participate,” Hoffman said. “Communication is a key cornerstone in political involvement.”

This study was one of the first funded through a $50,000 Innovations through Collaborations Grant awarded by the College of Arts and Sciences’ Interdisciplinary Humanities Research Center, which supports cross-disciplinary work.

Hoffman first met Jones in 2009, when he joined the University. They discovered they shared academic interests, and the grant helped bring their ideas together. The collaboration between the three researchers also resulted in a second publication examining the impact of candidate emotion on political participation. That studied was published online in the journal New Media and Society in December 2012.

“It was the summer of 2010 when we did the online survey asking about how people participate in politics online,” said Hoffman. “There were a lot of high emotions, the tea party was forming, and we wondered how that might impact certain types of political behaviors.”

The study worked toward filling a void in the literature, where few have looked at the effect a candidate’s emotions — like anger, anxiety and hopefulness — have on how people engage in politics. It also challenged the notion that emotional candidates sway voters, particularly those least involved or least knowledgeable about politics.

The researchers found that the online emotional appeal of a candidate did not influence a person’s likelihood of participating on that candidate’s behalf, unless that person was already highly engaged and knowledgeable. The particular emotion expressed was unimportant.

Hoffman is pleased the collaboration with Young and Jones proved so fruitful.

“You hope for the best: to have good data and results that are interesting and compelling,” said Hoffman. “I am really proud of our collaborations.”

Journal Reference:

  1. Lindsay H. Hoffman, Philip Edward Jones, Dannagal Goldthwaite Young. Does my comment count? Perceptions of political participation in an online environmentComputers in Human Behavior, 2013; 29 (6): 2248 DOI: 10.1016/j.chb.2013.05.010

Quinto relatório do IPCC: repercussão

Documento divulgado nesta sexta (27/09) afirma que a temperatura do planeta pode subir quase 5 °C durante este século, o que poderá elevar o nível dos oceanos em até 82 centímetros (foto do Oceano Ártico: Nasa)

Especiais

Quinto relatório do IPCC mostra intensificação das mudanças climáticas

27/09/2013

Por Karina Toledo, de Londres

Agência FAPESP – Caso as emissões de gases do efeito estufa continuem crescendo às atuais taxas ao longo dos próximos anos, a temperatura do planeta poderá aumentar até 4,8 graus Celsius neste século – o que poderá resultar em uma elevação de até 82 centímetros no nível do mar e causar danos importantes na maior parte das regiões costeiras do globo.

O alerta foi feito pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU), que divulgaram no dia 27 de setembro, em Estocolmo, na Suécia, a primeira parte de seu quinto relatório de avaliação (AR5). Com base na revisão de milhares de pesquisas realizadas nos últimos cinco anos, o documento apresenta as bases científicas da mudança climática global.

De acordo com Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e um dos seis brasileiros que participaram da elaboração desse relatório, foram simulados quatro diferentes cenários de concentrações de gases de efeito estufa, possíveis de acontecer até o ano de 2100 – os chamados “Representative Concentration Pathways (RCPs)”.

“Para fazer a previsão do aumento da temperatura são necessários dois ingredientes básicos: um modelo climático e um cenário de emissões. No quarto relatório (divulgado em 2007) também foram simulados quatro cenários, mas se levou em conta apenas a quantidade de gases de efeito estufa emitida. Neste quinto relatório, nós usamos um sistema mais completo, que leva em conta os impactos dessas emissões, ou seja, o quanto haverá de alteração no balanço de radiação do sistema terrestre”, explicou Artaxo, que está em Londres para a FAPESP Week London, onde participou de um painel sobre mudança climática.

O balanço de radiação corresponde à razão entre a quantidade de energia solar que entra e que sai de nosso planeta, indicando o quanto ficou armazenada no sistema terrestre de acordo com as concentrações de gases de efeito estufa, partículas de aerossóis emitidas e outros agentes climáticos.

O cenário mais otimista prevê que o sistema terrestre armazenará 2,6 watts por metro quadrado (W/m2) adicionais. Nesse caso, o aumento da temperatura terrestre poderia variar entre 0,3 °C e 1,7 °C de 2010 até 2100 e o nível do mar poderia subir entre 26 e 55 centímetros ao longo deste século.

“Para que esse cenário acontecesse, seria preciso estabilizar as concentrações de gases do efeito estufa nos próximos 10 anos e atuar para sua remoção da atmosfera. Ainda assim, os modelos indicam um aumento adicional de quase 2 °C na temperatura – além do 0,9 °C que nosso planeta já aqueceu desde o ano 1750”, avaliou Artaxo.

O segundo cenário (RCP4.5) prevê um armazenamento de 4,5 W/m2. Nesse caso, o aumento da temperatura terrestre seria entre 1,1 °C e 2,6 °C e o nível do mar subiria entre 32 e 63 centímetros. No terceiro cenário, de 6,0 W/m2, o aumento da temperatura varia de 1,4 °C até 3,1 °C e o nível do mar subiria entre 33 e 63 centímetros.

Já o pior cenário, no qual as emissões continuam a crescer em ritmo acelerado, prevê um armazenamento adicional de 8,5 W/m2. Em tal situação, segundo o IPCC, a superfície da Terra poderia aquecer entre 2,6 °C e 4,8 °C ao longo deste século, fazendo com que o nível dos oceanos aumente entre 45 e 82 centímetros.

“O nível dos oceanos já subiu em média 20 centímetros entre 1900 e 2012. Se subir outros 60 centímetros, com as marés, o resultado será uma forte erosão nas áreas costeiras de todo o mundo. Rios como o Amazonas, por exemplo, sofrerão forte refluxo de água salgada, o que afeta todo o ecossistema local”, disse Artaxo.

Segundo o relatório AR5 do IPCC, em todos os cenários, é muito provável (90% de probabilidade) que a taxa de elevação dos oceanos durante o século 21 exceda a observada entre 1971 e 2010. A expansão térmica resultante do aumento da temperatura e o derretimento das geleiras seriam as principais causas.

O aquecimento dos oceanos, diz o relatório, continuará ocorrendo durante séculos, mesmo se as emissões de gases-estufa diminuírem ou permanecerem constantes. A região do Ártico é a que vai aquecer mais fortemente, de acordo com o IPCC.

Segundo Artaxo, o aquecimento das águas marinhas tem ainda outras consequências relevantes, que não eram propriamente consideradas nos modelos climáticos anteriores. Conforme o oceano esquenta, ele perde a capacidade de absorver dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Se a emissão atual for mantida, portanto, poderá haver uma aceleração nas concentrações desse gás na atmosfera.

“No relatório anterior, os capítulos dedicados ao papel dos oceanos nas mudanças climáticas careciam de dados experimentais. Mas nos últimos anos houve um enorme avanço na ciência do clima. Neste quinto relatório, por causa de medições feitas por satélites e de observações feitas com redes de boias – como as do Projeto Pirata que a FAPESP financia no Atlântico Sul –, a confiança sobre o impacto dos oceanos no clima melhorou muito”, afirmou Artaxo.

Acidificação dos oceanos

Em todos os cenários previstos no quinto relatório do IPCC, as concentrações de CO2 serão maiores em 2100 em comparação aos níveis atuais, como resultado do aumento cumulativo das emissões ocorrido durante os séculos 20 e 21. Parte do CO2 emitido pela atividade humana continuará a ser absorvida pelos oceanos e, portanto, é “virtualmente certo” (99% de probabilidade) que a acidificação dos mares vai aumentar. No melhor dos cenários – o RCP2,6 –, a queda no pH será entre 0,06 e 0,07. Na pior das hipóteses – o RCP8,5 –, entre 0,30 e 0,32.

“A água do mar é alcalina, com pH em torno de 8,12. Mas quando absorve CO2 ocorre a formação de compostos ácidos. Esses ácidos dissolvem a carcaça de parte dos microrganismos marinhos, que é feita geralmente de carbonato de cálcio. A maioria da biota marinha sofrerá alterações profundas, o que afeta também toda a cadeia alimentar”, afirmou Artaxo.

Ao analisar as mudanças já ocorridas até o momento, os cientistas do IPCC afirmam que as três últimas décadas foram as mais quentes em comparação com todas as anteriores desde 1850. A primeira década do século 21 foi a mais quente de todas. O período entre 1983 e 2012 foi “muito provavelmente” (90% de probabilidade) o mais quente dos últimos 800 anos. Há ainda cerca de 60% de probabilidade de que tenha sido o mais quente dos últimos 1.400 anos.

No entanto, o IPCC reconhece ter havido uma queda na taxa de aquecimento do planeta nos últimos 15 anos – passando de 0,12 °C por década (quando considerado o período entre 1951 e 2012) para 0,05°C (quando considerado apenas o período entre 1998 e 2012).

De acordo com Artaxo, o fenômeno se deve a dois fatores principais: a maior absorção de calor em águas profundas (mais de 700 metros) e a maior frequência de fenômenos La Niña, que alteram a taxa de transferência de calor da atmosfera aos oceanos. “O processo é bem claro e documentado em revistas científicas de prestígio. Ainda assim, o planeta continua aquecendo de forma significativa”, disse.

Há 90% de certeza de que o número de dias e noites frios diminuíram, enquanto os dias e noites quentes aumentaram na escala global. E cerca de 60% de certeza de que as ondas de calor também aumentaram. O relatório diz haver fortes evidências de degelo, principalmente na região do Ártico. Há 90% de certeza de que a taxa de redução da camada de gelo tenha sido entre 3,5% e 4,1% por década entre 1979 e 2012.

As concentrações de CO2 na atmosfera já aumentaram mais de 20% desde 1958, quando medições sistemáticas começaram a ser feitas, e cerca de 40% desde 1750. De acordo com o IPCC, o aumento é resultado da atividade humana, principalmente da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento, havendo uma pequena participação da indústria cimenteira.

Para os cientistas há uma “confiança muito alta” (nove chances em dez) de que as taxas médias de CO2, metano e óxido nitroso do último século sejam as mais altas dos últimos 22 mil anos. Já mudanças na irradiação solar e a atividade vulcânica contribuíram com uma pequena fração da alteração climática. É “extremamente provável” (95% de certeza) de que a influência humana sobre o clima causou mais da metade do aumento da temperatura observado entre 1951 e 2010.

“Os efeitos da mudança climática já estão sendo sentidos, não é algo para o futuro. O aumento de ondas de calor, da frequência de furacões, das inundações e tempestades severas, das variações bruscas entre dias quentes e frios provavelmente está relacionado ao fato de que o sistema climático está sendo alterado”, disse Artaxo.

Impacto persistente

Na avaliação do IPCC, muitos aspectos da mudança climática vão persistir durante muitos séculos mesmo se as emissões de gases-estufa cessarem. É “muito provável” (90% de certeza) que mais de 20% do CO2 emitido permanecerá na atmosfera por mais de mil anos após as emissões cessarem, afirma o relatório.

“O que estamos alterando não é o clima da próxima década ou até o fim deste século. Existem várias publicações com simulações que mostram concentrações altas de CO2 até o ano 3000, pois os processos de remoção do CO2 atmosférico são muito lentos”, contou Artaxo.

Para o professor da USP, os impactos são significativos e fortes, mas não são catastróficos. “É certo que muitas regiões costeiras vão sofrer forte erosão e milhões de pessoas terão de ser removidas de onde vivem hoje. Mas claro que não é o fim do mundo. A questão é: como vamos nos adaptar, quem vai controlar a governabilidade desse sistema global e de onde sairão recursos para que países em desenvolvimento possam construir barreiras de contenção contra as águas do mar, como as que já estão sendo ampliadas na Holanda. Quanto mais cedo isso for planejado, menores serão os impactos socioeconômicos”, avaliou.

Os impactos e as formas de adaptação à nova realidade climática serão o tema da segunda parte do quinto relatório do IPCC, previsto para ser divulgado em janeiro de 2014. O documento contou com a colaboração de sete cientistas brasileiros. Outros 13 brasileiros participaram da elaboração da terceira parte do AR5, que discute formas de mitigar a mudança climática e deve sair em março.

De maneira geral, cresceu o número de cientistas vindos de países em desenvolvimento, particularmente do Brasil, dentro do IPCC. “O Brasil é um dos países líderes em pesquisas sobre mudança climática atualmente. Além disso, o IPCC percebeu que, se o foco ficasse apenas nos países desenvolvidos, informações importantes sobre o que está acontecendo nos trópicos poderiam deixar de ser incluídas. E é onde fica a Amazônia, um ecossistema-chave para o planeta”, disse Artaxo.

No dia 9 de setembro, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) divulgou o sumário executivo de seu primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN1). O documento, feito nos mesmos moldes do relatório do IPCC, indica que no Brasil o aumento de temperatura até 2100 será entre 1 °C e 6 °C, em comparação à registrada no fim do século 20. Como consequência, deverá diminuir significativamente a ocorrência de chuvas em grande parte das regiões central, Norte e Nordeste do país. Nas regiões Sul e Sudeste, por outro lado, haverá um aumento do número de precipitações.

“A humanidade nunca enfrentou um problema cuja relevância chegasse perto das mudanças climáticas, que vai afetar absolutamente todos os seres vivos do planeta. Não temos um sistema de governança global para implementar medidas de redução de emissões e verificação. Por isso, vai demorar ainda pelo menos algumas décadas para que o problema comece a ser resolvido”, opinou Artaxo.

Para o pesquisador, a medida mais urgente é a redução das emissões de gases de efeito estufa – compromisso que tem de ser assumido por todas as nações. “A consciência de que todos habitamos o mesmo barco é muito forte hoje, mas ainda não há mecanismos de governabilidade global para fazer esse barco andar na direção certa. Isso terá que ser construído pela nossa geração”, concluiu.

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JC e-mail 4822, de 27 de Setembro de 2013.

IPCC lança na Suécia novo relatório sobre as mudanças climáticas (O Globo)

O documento reúne previsões do aquecimento global até 2100 apontando aumento de temperatura superior a 2 graus. ‘A influência humana no clima é clara’, diz trabalho

A previsão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) é que o aquecimento global até o final do século 21 seja “provavelmente superior” a 2 graus (com pelo menos 66% de chances disto acontecer), superando o limite considerado seguro pelos especialistas. Até 2100, o nível do mar deve aumentar perigosamente de 45 a 82 centímetros, considerando o pior cenário (ou de 26 a 55 centímetros, no melhor), e o gelo do Ártico pode diminuir até 94% durante o verão local.

Além disso, o relatório do IPCC — publicado na manhã desta sexta-feira em Estocolmo, na Suécia, com as bases científicas mais atualizadas sobre as mudanças climáticas — considera que há mais de 95% de certeza para afirmar que o homem causou mais da metade da elevação média da temperatura entre 1951 e 2010. Neste período, o nível dos oceanos aumentou 19 centímetros.

O documento, com o trabalho de 259 cientistas e representantes dos governos de 195 países, inclusive o Brasil, ressalta que parte das emissões de CO2 provocadas pelo homem continuará a ser absorvida pelos oceanos. Por isso, é praticamente certo (99% de probabilidade) que a acidificação dos mares vai aumentar, afetando profundamente a vida marinha.

– A mudança de temperatura da superfície do planeta deve exceder 1,5 grau, e, provavelmente, será superior a 2 graus – disse o copresidente do trabalho Thomas Stocker. – É muito provável que as ondas de calor ocorram com mais frequência e durem mais tempo. Com o aquecimento da Terra, esperamos ver regiões atualmente úmidas recebendo mais chuvas, e as áridas, menos, apesar de haver exceções.

Os especialistas fizeram quatro projeções considerando situações diferentes de emissões de gases-estufa. Em todas, há aumento de temperatura. As mais brandas ficam entre 0,3 ºC e 1,7 ºC. Nestes casos, seria necessário diminuir muito as emissões. Já no cenário mais pessimista, o aquecimento ficaria entre 2,6 ºC e 4,8 ºC.

– Na minha opinião, o relatório é muito bom, repleto de informações e todas muito bem fundamentadas – comentou a especialista brasileira Suzana Kahn, que faz parte do grupo de pesquisadores do IPCC em Estocolmo. – No fundo, o grande ganho é a comprovação do que tem sido dito há mais tempo, com muito mais informação sobre o papel dos oceanos, das nuvens e aerossóis. Isto é muito importante para o mundo científico, pois aponta para áreas que precisam ser mais investigadas.

Suzana conta que a dificuldade de fazer projeções e análises para o Hemisfério Sul causou muita polêmica. O grande problema é a falta de dados:

– Acho que isto foi interessante para comprovar que estávamos certos ao criar o Painel Brasileiro de Mudança Climática para suprir esta lacuna.

De acordo com Carlos Rittl, Coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energias do WWF-Brasil, o relatório do IPCC deixa uma mensagem clara: o aquecimento global é incontestável. E é preciso começar agora contra os piores efeitos.

– O relatório do IPCC reafirma algumas certezas e vai além. Aponta a perda de massa de gelo, o aumento do nível dos oceanos, o incremento de chuvas onde já se chove muito, além da diminuição da umidade nas regiões mais áridas. No Brasil, o semiárido pode se tornar mais árido. Por outro lado, o Sul e Sudeste podem ter mais chuvas do que hoje – enumerou Rittl. – É importante ressaltar que o relatório fala de médias. Ou seja, em algumas regiões do país pode haver aumento de seis graus, com picos de mais de oito graus. A gente não está preparado para isso. E nossas emissões nos colocam numa trajetória de altíssimo risco, mais próxima dos piores cenários.

Para Rittl, a ciência está dando uma mensagem clara: é preciso diminuir as emissões. Isso significa levar os temas relacionados às mudanças climáticas para as decisões políticas:

– Hoje o aquecimento global ainda é um tema marginal. Os investimentos em infraestrutura, energia, o plano Safra, todos os grandes investimentos da escala de trilhões de reais não têm praticamente nenhuma vinculação com a lógica de baixo carbono. Estamos sendo pouco responsáveis.

Diplomacia e ciência
John Kerry, secretário de Estado dos EUA, ressalta que o relatório do IPCC não deve ser esquecido num armário, nem interpretado como uma peça política feita por políticos: “é ciência”, resume. De acordo com ele, os Estados Unidos estão “profundamente comprometidos em combater as mudanças climáticas”, reduzindo emissões de gases-estufa e investindo em formas eficientes de energia.

Este é mais um chamado de atenção: aqueles que negam a ciência ou procuram desculpas para evitar a ação estão brincando com fogo – afirmou Kerry. – O resumo do relatório do IPCC é este: a mudança climática é real, está acontecendo agora, os seres humanos são a causa dessa transformação, e somente a ação dos seres humanos pode salvar o mundo de seus piores impactos.

Lançado a cada seis anos, os relatórios do IPCC estão sob críticas de especialistas. O processo de análise dos documentos por representantes do governo acaba chegando a uma situação intermediária entre diplomacia e ciência, explica Emilio La Rovere, pesquisador da Coppe/UFRJ.

– O resultado é um meio termo entre diplomacia e ciência – afirmou Rovere.
Um dos pontos mais polêmicos são os chamados hiatos, períodos de cerca de 15 anos em que a temperatura média do planeta não aumenta. Por exemplo, a Agência Estatal de Meteorologia da Espanha anunciou, nesta semana, que o último trimestre na Península Ibérica foi o menos quente desde 2008. Entretanto, o relatório de 2007 do IPCC não citou estas pausas do aquecimento, dando argumento aos céticos.

Limite do aquecimento global
As informações do IPCC são importantes para a criação de estratégias de combate às mudanças climáticas. Na Convenção do Clima da Dinamarca (COP-15, realizada em 2009), foi criada a meta de limitar o aquecimento global em 2 graus. Para isso acontecer em 2050, explica Emilio La Rovere, da Coppe/UFRJ, seria necessário cortar 80% das emissões em comparação com 1990:

– Os modelos matemáticos simulando evolução demográfica, economia mundial, demanda e oferta de energia mostram que fica realmente quase impossível atingir este objetivo.

Este é o Quinto Relatório do IPCC, que será lançado em quatro partes, entre setembro de 2013 e novembro de 2014. Nesta sexta-feira, foi publicado o documento do Grupo de Trabalho I (sobre os aspectos científicos das mudanças climáticas). Entre os dias 25 e 29 de março de 2014, será a vez do Grupo de Trabalho II (analisando os impactos, a adaptação e a vulnerabilidade), que se reunirá em Yokohama, no Japão. O Grupo de Trabalho III (especializado na mitigação dos impactos das mudanças climáticas) está previsto para os dias 7 e 11 de abril em Berlim, na Alemanha. Por fim, será criado um relatório síntese, cujos trabalhos ocorrerão entre os dias 27 e 31 de outubro, em Copenhague, na Dinamarca.

(Cláudio Motta/O Globo)

http://oglobo.globo.com/ciencia/ipcc-lanca-na-suecia-novo-relatorio-sobre-as-mudancas-climaticas-10173671#ixzz2g6D6tmU6

Matéria complementar de O Globo:

Relatório destaca como a ação humana agrava o aquecimento
http://oglobo.globo.com/ciencia/relatorio-destaca-como-acao-humana-agrava-aquecimento-1-10171896#ixzz2g6MfZIsl

Veja mais em:

Folha de S.Paulo
Relatório sobe tom de alerta sobre aquecimento
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saudeciencia/131005-relatorio-sobe-tom-de-alerta-sobre-aquecimento.shtml

Agência Estado
ONU culpa atividades humanas por aquecimento global
http://www.territorioeldorado.limao.com.br/noticias/not297255.shtm

Zero Hora
Temperatura da Terra subirá entre 0,3°C e 4,8°C neste século, aponta IPCC
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/planeta-ciencia/noticia/2013/09/temperatura-da-terra-subira-entre-0-3c-e-4-8c-neste-seculo-aponta-ipcc-4283083.html

Correio Braziliense
Temperatura do planeta subirá entre 0,3 e 4,8ºC no século 21, diz IPCC
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2013/09/27/interna_ciencia_saude,390388/temperatura-do-planeta-subira-entre-0-3-e-4-8-c-no-seculo-21-diz-ipcc.shtml

 

Painel do clima da ONU sobe alerta para aquecimento global (Folha de S.Paulo)

27/09/2013 – 05h07

RAFAEL GARCIA, ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

Atualizado às 09h47.

Quem esperava ver o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática) emitir um relatório mais enfraquecido em razão da recente desaceleração no aquecimento global, testemunhou os cientistas da entidade subirem o tom de alerta, destacando uma subida acelerada no nível do mar e no derretimento do Ártico.

Além de manter que a mudança climática é “inequívoca”, o documento mostra projeções para o futuro com um grau de certeza melhorado. “A atmosfera e o oceano se aqueceram, a quantidade de neve e gelo diminuiu, o nível do mar subiu, e as concentrações de gases-estufa aumentaram”, diz o Sumário para Formuladores de Política, a seção do documento divulgada nesta manhã.

Mensageiro Sideral: Que diabos acontece com nosso planeta?

No final deste século, a temperatura média da superfície terrestre provavelmente vai exceder um aumento médio de 1,5°C até 2100, em relação à média de 1850 a 1900. Isso vale para todos os cenários considerados exceto o mais otimista, no qual emissões de gases estufa sofrem cortes drásticos, atingindo um pico daqui a dez anos e caindo para zero 50 anos depois.

Em um cenário intermediário, no qual as emissões dobram até 2060 e recuam a um nível maior que o atual antes de 2100, a temperatura provavelmente excederá um aumento de 2°C, limite considerado perigoso por cientistas.

Manifestantes gritam em protesto em Estocolmo, onde foi divulgado o novo relatório do painel do clima da ONU

No pior cenário, um no qual a humanidade triplica a emissão de gases do efeito estufa até 2100, a temperatura média provavelmente subiria até 4,8°C.

A palavra “provavelmente”, na linguagem do painel, significa uma propensão acima de 66%, a melhor confiabilidade possível para projeções futuras, baseadas em modelos matemáticos de simulação do clima.

Ao avaliar o efeito das emissões de gases estufa no clima passado, o relatório é bem mais contundente. O texto afirma ser “extremamente provável” (95% de certeza) que o aquecimento observado desde o meio do século 20 seja resultado da influência humana no clima. O último relatório, de 2007, dizia que o mesmo era “muito provável” (90%).

OCEANOS

O relatório também afirma com “alta confiabilidade” que o aquecimento dos oceanos domina o aumento da energia armazenada no sistema climático. Mais de 90% da energia acumulada pela Terra desde 1971 foi armazenada nos mares, diz o relatório.

“À medida que os oceanos se aquecem e as geleiras e plataformas de gelo se reduzem, o nível do mar continuará a aumentar, mas a uma taxa mais rápida do que aquela que experimentamos ao longo dos últimos 40 anos”, afirmou Qin-Dahe, co-presidente do Grupo 1 do IPCC.

O aumento do nível do mar entre 1900 e 2012 foi de 19 cm. Mesmo dentro do melhor cenário, com uma queda brusca de emissões, esse número pode quase triplicar, em razão de os oceanos já terem absorvindo muita temperatura. A hipótese mais pessimista dentro do pior cenário vê um aumento de 82 cm, que impactaria uma população de um tamanho da ordem de dezenas de milhões.

Uma das razões para a revisão dos números é que os modelos lidam melhor agora com o derretimento da Groenlândia e do oeste da Antártida. Antes, os números eram basicamente uma projeção da expansão térmica da água oceânica, que continua sendo a maior causa do aumento do nível do mar.

HIATO

A questão da desaceleração do aquecimento global nos últimos 15, o “hiato” da mudança climática, tomou grande parte do tempo de discussão dos delegados do IPCC que se reuniram nesta semana. O texto final do relatório lidou com o fenômeno afirmando que a tempereatura média global de superfície “exibe substancial variabilidade interanual e decadal” apesar de um “robusto aquecimento multi-decadal” verificado.

“Como exemplo, a taxa de aquecimento ao longo dos últimos 15 anos (1998-2012); 0,05°C por década), que começa com um forte El Niño, é menor do que a taxa calculada desde de 1951 (1951-2012; 0,12°C por década)”, afirma o relatório.

Apesar de haverem estudos recentes indicando que o calor da atmosfera está sendo roubado por águas oceânicas profundas, o relatório não menciona esse fenômeno. “É preciso colher mais evidências disso”, diz Thomas Stocker, o outro co-presidente do Grupo 1 do IPCC.

Editoria de Arte/Folhapress

 

 

Manifestantes do grupo Avaaz usam gangorra gigante para demonstrar os 95% de certeza sobre a culpa do homem nas mudanças climáticas; de um lado fica a maioria dos cientitas e, de outro, um homem com uma maleta de dinheiro

Faixa em protesto em Estocolmo diz: “o debate acabou”, em referência ao novo relatório do painel do clima, que aumenta o grau de certeza sobre a responsabilidade do homem na mudança climática

Protesto em Estocolmo, na Suécia, pede ação imediata para conter efeitos da mudança climática

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24/09/2013 – 02h53

Previsão de aumento do nível do mar piora

RAFAEL GARCIA

ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

A julgar pela versão preliminar do quinto relatório do IPCC (painel do clima da ONU), a ser divulgado na próxima sexta-feira, a principal atualização nas projeções da mudança climática não serão relacionadas ao aumento de temperatura, mas sim do nível do mar.

Quando o quarto relatório, que projetava um aumento de 18 cm a 59 cm, saiu em 2007, muitos cientistas o consideraram conservador. O esboço do novo texto fala agora de uma margem entre 28 cm e 89 cm de aumento até 2100.

Uma mudança da escala de dezenas de centímetros na projeção não é pequena. A margem de erro para o cenário mais pessimista chega a quase um metro de altura, o que afetaria áreas habitadas por algumas dezenas de milhares de pessoas.

Editoria de Arte/Folhapress

O principal fenômeno por trás do aumento do nível do mar é o fato de que a água aumenta de volume quando está mais quente –e os oceanos absorvem boa parte do calor aprisionado na atmosfera.

“A expansão termal é a maior contribuição para o aumento futuro do nível do mar, sendo responsável por 30% a 55% do total, com a segunda maior contribuição vindo das geleiras”, afirma a versão preliminar do sumário político do documento.

“Há alta confiabilidade em que o aumento do derretimento da superfície da Groenlândia vai exceder a elevação da queda de neve, levando à contribuição positiva [aumentando o nível do mar].”

INCERTEZAS
Se o novo relatório do IPCC será mais contundente ao dizer que o impacto do aquecimento sobre o nível do mar será maior, ele ainda tem limitações quando tenta especificar quão maior.
Um dos problemas por trás das projeções do painel do clima é que o balanço do derretimento e da formação de gelo na Antártida ainda é difícil de prever.

Apesar de a maioria das observações e dos modelos de computador alertar para o derretimento da parte ocidental do continente gelado, o aumento de precipitação na Antártida oriental deixa o cenário incerto.

Divulgação/Nasa/France Presse
Imagem capturada por satélite da Nasa mostra uma rachadura (ao centro) em geleira
Imagem capturada por satélite da Nasa mostra uma rachadura (ao centro) em geleira

“Há uma cofiabilidade média de que nevascas na Antártida vão aumentar, enquanto o derretimento de superfície continuará pequeno, resultando numa contribuição negativa [de redução do nível do mar]”, diz o texto.

Um avanço do novo relatório é a tentativa de lidar melhor com as incertezas regionais. Por exemplo, apesar de a Groenlândia ter a massa de gelo terrestre que mais vai contribuir para a elevação do mar, lá ele não deve subir.

Como a massa de gelo da região vai diminuir, ela perde força de gravidade que puxa água na direção da costa. E o mesmo deve ocorrer com a Península Antártica.

“O efeito gravitacional do derretimento da Antártida, combinado com o efeito da dinâmica de correntes e a temperatura abaixo da média, deve deixar o nível do mar abaixo da média na ponta da América do Sul”, diz Aimée Slangen, da Universidade de Utrecht, na Holanda.

“Indo para o Equador, o efeito gravitacional se reverte, deixando o nível do mar acima da média.”

Slangen publicou no ano passado um estudo sobre diferenças regionais na subida da linha d’água, mas diz que ainda é difícil fazer um mapa preciso. “Precisamos entender o papel das plataformas de gelo, das geleiras, o efeito térmico e saber como a crosta vai se mover”, diz.

O último esboço do relatório afirma que, em 95% das áreas oceânicas do mundo, o nível do mar vai subir, e que 70% das áreas costeiras terão um aumento com desvio de menos de 20% da média.

Para os cientistas, porém, é preciso aprimorar o mapeamento. “Para uma cidade ou um país, a média mundial não importa, é preciso saber o que está acontecendo logo à porta de casa”, diz Slangen.

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26/09/2013 – 20h04

Relatório eleva o tom de alerta sobre o aquecimento global

RAFAEL GARCIA, ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

O IPCC (painel do clima da ONU) divulgará na manhã desta sexta-feira (27) um relatório que eleva o nível de alerta para o aquecimento global. Apesar de a desaceleração na subida de temperaturas nos últimos 15 anos ter tomado bom tempo da discussão, a nova versão do “Sumário para Formuladores de Política” do documento deve indicar que as alterações climáticas têm sido mais acentuadas e mais rápidas do que se esperava, não o inverso.

As discussões finais sobre o conteúdo do documento ainda ocorrem a portas fechadas nesta madrugada em Estocolmo, mas algumas questões cruciais já foram resolvidas. A versão final do texto do Grupo 1 do IPCC –responsável pela física do clima– deve ganhar então um tom acima do que a daquela enviada aos governos para comentários em junho.

Algumas nações, incluindo o Brasil, haviam pedido que o documento excluísse a menção ao “hiato” de 15 anos, mas ela será mantida, acompanhada de explicação.

“Está escrito que esta descontinuidade decorre de um fenômeno atípico em águas no Pacífico e que um período tão curto não pode ser usado para projeções de longo prazo”, disse à Folha um dos cientistas brasileiros presentes na discussão.

Christian Åslund/Greenpeace
Protesto do Greenpeace em frente ao local de reuniões do IPCC, em Estocolmo
Protesto do Greenpeace em frente ao local de reuniões do IPCC, em Estocolmo

O debate sobre esse problema tomou tanto tempo que, no início do terceiro dos quatro dias de trabalho, o painel só tinha avançado 30% da pauta. “Entendo a frustração dos cientistas em gastar tanto tempo nisso, mas eles não tinham a opção evitar essa discussão, que se tornou pública”, afirmou a observadora de uma ONG presente à reunião.

“O que vemos é que níveis não tão altos de aquecimento estão causando impactos maiores do que aqueles que esperávamos, como no derretimento do gelo do Ártico e da Groenlândia ou no aumento do nível do mar.”

Em relação ao relatório anterior do IPCC, publicado em 2007, muitas das novidades têm a ver com o grau de confiabilidade de fenômenos conhecidos. A certeza de que o aquecimento global é causado pelos humanos, por exemplo, aumentou de 90% para 95%. Houve até uma proposta derrubada de aumentar o número para 99%, relata um delagado holandês.

Algumas tentativas de aguar o esboço inicial também falharam. Ao descrever as principais fontes de gases do efeito estufa, delegados sauditas queriam que o texto equiparasse em gravidade o desmatamento e a agricultura à queima de combustíveis fósseis, mas foram derrotados. Apesar de não ter grandes mudanças de conteúdo, a versão final do texto sairá com “palavras mais fortes”, disse outro observador.

A divulgação da versão definitiva do “Sumário para Formuladores de Políticas” do Grupo 1 do IPCC está marcada para as 5h00 desta sexta-feira. A versão completa do relatório, incluindo o “Sumário Técnico” destinado a cientistas, ocorre na segunda-feira.

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26/09/2013 – 13h20

Veja dez perguntas para entender as discussões sobre clima na ONU

DA BBC BRASIL

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulga na sexta-feira em Estocolmo, na Suécia, um novo relatório no qual pretende estabelecer, com o maior grau de certeza já obtido, o papel das atividades humanas nas mudanças climáticas.

Para ajudar a entender melhor o tema, a BBC preparou uma lista com dez perguntas e respostas sobre a questão:

O que é mudança climática?

O clima do planeta está mudando constantemente ao longo do tempo geológico. A temperatura média global hoje é de cerca de 15ºC, mas as evidências geológicas sugerem que ela já foi muito maior ou muito menor em outras épocas no passado.

Entretanto, o atual período de aquecimento está ocorrendo de maneira mais rápida do que em muitas ocasiões no passado. Os cientistas estão preocupados de que a flutuação natural, ou variabilidade, está dando lugar a um aquecimento rápido induzido pela ação humana, com sérias consequências para a estabilidade do clima no planeta.

O que é ‘efeito estufa’?

O efeito estufa se refere à maneira como a atmosfera da Terra “prende” parte da energia do Sol. A energia solar irradiada de volta da superfície da Terra para o espaço é absorvida por gases atmosféricos e reemitida em todas as direções.

A energia que irradia de volta para o planeta aquece tanto a baixa atmosfera quanto a superfície da Terra. Sem esse efeito, a Terra seria 30ºC mais fria, deixando as condições no planeta hostis para a vida.

Os cientistas acreditam que estamos contribuindo para o efeito natural de estufa com gases emitidos pela indústria e pela agricultura, absorvendo mais energia e aumentando a temperatura.

O mais importante desses gases no efeito estufa natural é o vapor de água, mas suas concentrações mostram pouca mudança. Outros gases do efeito estufa incluem dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, que são liberados pela queima de combustíveis fósseis. O desmatamento contribui para seu aumento ao eliminar florestas que absorvem carbono.

Desde o início da revolução industrial, em 1750, os níveis de dióxido de carbono (CO2) aumentaram mais de 30%, e os níveis de metano cresceram mais de 140%. A concentração de CO2 na atmosfera é agora maior do que em qualquer momento nos últimos 800 mil anos.

Qual é a evidência sobre o aquecimento?

Os registros de temperatura, a partir do fim do século 19, mostram que a temperatura média da superfície da Terra aumentou cerca de 0,8ºC nos últimos cem anos. Cerca de 0,6ºC desse aquecimento ocorreu nas últimas três décadas.

Dados de satélites mostram um aumento médio nos níveis do mar de cerca de 3 milímetros por ano nas últimas décadas. Uma grande proporção da mudança nos níveis do mar se deve à expansão dos oceanos pelo aquecimento. Mas o derretimento das geleiras de montanhas e das camadas de gelo polar também contribuem para isso.

A maioria das geleiras nas regiões temperadas do mundo e na Península Antártica estão encolhendo. Desde 1979, registros de satélites mostram um declínio dramático na extensão do gelo no Ártico, a uma taxa anual de 4% por década. Em 2012, a extensão de gelo alcançou o menor nível já registrado, cerca de 50% menor do que a média do período entre 1979 e 2000.

O manto de gelo da Groenlândia verificou um derretimento recorde nos últimos anos. Se a camada inteira, de 2,8 milhões de quilômetros cúbicos, derretesse, haveria um aumento de 6 metros nos níveis dos mares.

Dados de satélites mostram que a capa de gelo do oeste da Antártica também está perdendo massa, e um estudo recente indicou que o leste da Antártica, que não havia mostrado tendências claras de aquecimento ou resfriamento, também pode ter começado a perder massa nos últimos anos. Mas os cientistas não esperam mudanças dramáticas. Em alguns lugares, a massa de gelo pode aumentar, na verdade, com as temperaturas em alta provocando mais tempestades de neve.

Os efeitos de uma mudança climática também podem ser vistos na vegetação e nos animais terrestres. Isso inclui também o florescimento e frutificação precoces em plantas e mudanças nas áreas ocupadas pelos animais terrestres.

Há uma pausa no aquecimento?

Alguns especialistas argumentam que desde 1998 não houve um aquecimento global significativo, apesar do aumento contínuo nos níveis de emissão de CO2. Os cientistas tentam explicar isso de várias formas.

Isso inclui: variações na emissão de energia pelo Sol, um declínio no vapor de água atmosférico e uma maior absorção de calor pelos oceanos. Mas até agora, não há um consenso geral sobre o mecanismo preciso por trás dessa pausa.

Céticos destacam essa pausa como um exemplo da falibilidade das previsões baseadas em modelos climáticos computadorizados. Por outro lado, os cientistas do clima observam que o hiato no aquecimento ocorre em apenas um dos componentes do sistema climático – a média global da temperatura da superfície -, e que outros indicadores, como o derretimento do gelo e as mudanças na fauna e na flora demonstram que a Terra continua a se aquecer.

Quanto as temperaturas vão aumentar no futuro?

Em seu relatório de 2007, o IPCC previu um aumento da temperatura global entre 1,8ºC e 4ºC até 2100.

Mesmo que as emissões de gases do efeito estufa caiam dramaticamente, os cientistas dizem que os efeitos continuarão, porque partes do sistema climático, particularmente os grandes corpos de água e gelo, podem levar centenas de anos para responder a mudanças na temperatura. Também leva décadas para que os gases do efeito estufa sejam removidos da atmosfera.

Quais serão os impactos disso?

A escala do impacto potencial é incerto. As mudanças podem levar à escassez de água potável, trazer mudanças grandes nas condições para a produção de alimentos e aumentar o número de mortes por inundações, tempestades, ondas de calor e secas.

Os cientistas preveem mais chuvas em geral, mas dizem que o risco de seca em áreas não costeiras deverá aumentar durante os verões mais quentes. Mais inundações são esperadas por causa de tempestades e do aumento do nível do mar. Deverá haver, porém, muitas variações regionais nesse padrão.

Os países mais pobres, que estão menos capacitados para lidar com a mudança rápida, deverão sofrer mais.

A extinção de plantas e animais está prevista, por conta de mudanças nos habitats mais rápidas do que a capacidade de adaptação das espécies à estas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que a saúde de milhões de pessoas pode ser ameaçada por aumentos nos casos de malária, doenças transmitidas pela água e malnutrição.

O aumento na absorção de CO2 pelos oceanos pode levá-los a se tornar mais ácidos. Esse processo de acidificação em andamento poderia provocar grandes problemas para os recifes de corais, já que as mudanças químicas impedem os corais de formar um esqueleto calcificado, que é essencial para sua sobrevivência.

O que não sabemos?

Os modelos computadorizados são usados para estudar a dinâmica do clima na Terra e fazer projeções sobre futuras mudanças de temperatura. Mas esses modelos climáticos diferem sobre a “sensibilidade climática” – a quantidade de aquecimento ou esfriamento que ocorre por conta de um fator específico, como a elevação ou a queda na concentração de CO2.

Os modelos também diferem na forma como expressam “feedback climático”.

O aquecimento global deverá provocar algumas mudanças com probabilidade de criar mais aquecimento, como a emissão de grandes quantidades de gases do efeito estufa com o derretimento do permafrost (gelo eterno da superfície da Terra). Isso é conhecido como feedback climático positivo (no sentido de adicionar calor).

Mas também existem os feedbacks negativos, que compensam o aquecimento. Por exemplo, os oceanos e a terra absorvem CO2 como parte do ciclo do carbono.

A questão é saber qual o resultado final da soma dessas variáveis.

As inundações vão me atingir?

Detalhes vazados do relatório a ser apresentado nesta semana indicam que no pior cenário traçado pelo IPCC, com o maior nível de emissões de dióxido de carbono, os níveis dos mares no ano 2100 poderiam subir até 97 centímetros.

Alguns cientistas criticam os modelos usados pelo IPCC para calcular esse aumento. Usando o que é chamado de modelo semiempírico, as projeções para o aumento do nível do mar podem chegar a 2 metros. Nessas condições, 187 milhões de pessoas a mais no mundo sofreriam com inundações.

Mas o IPCC deve dizer que não há consenso sobre o enfoque semiempírico e manterá o dado pouco inferior a 1 metro.

O que vai acontecer com os ursos polares?

O estado dos polos Norte e Sul tem sido uma preocupação crescente para a ciência, conforme os efeitos do aquecimento global se tornam mais intensos nessas regiões.

Em 2007, o IPCC disse que as temperaturas no Ártico aumentaram quase duas vezes mais que a média global nos últimos cem anos. O relatório destacou que a região pode ter uma grande variação, com um período quente observado entre 1925 e 1945.

Nos rascunhos do relatório desta semana, os cientistas dizem que há uma evidência maior de que as camadas de gelo e as geleiras estão perdendo massa e que a camada de gelo está diminuindo no Ártico.

Em relação à Groenlândia, que por si só tem a capacidade de aumentar os níveis globais dos mares em 6 metros, o painel diz estar 90% certo de que a velocidade da perda de gelo entre 1992 e 2001 aumentou seis vezes no período entre 2002 e 2011.

Enquanto a extensão média do gelo no Ártico caiu cerca de 4% por década desde 1979, o gelo na Antártica aumentou até 1,8% por década no mesmo período.

Para o futuro, as previsões são bastante dramáticas. No pior cenário traçado pelo IPCC, um Ártico sem gelo no verão é provável até o meio deste século.

E a perspectiva para os ursos polares e para outras espécies que vivem nesse ambiente não é bom, segundo disse à BBC o professor Shang-Ping Xie, do Instituto de Oceanografia da Universidade da Califórnia em San Diego.

“Haverá bolsões de gelo marítimo em alguns mares marginais. Esperamos que os ursos polares sejam capazes de sobreviver no verão nesses bolsões de gelo remanescentes”, disse.

Qual a credibilidade do IPCC?

A escala global do envolvimento científico com o IPCC dá uma ideia do peso dado ao painel.

Dividido em três grupos de trabalho que analisam a ciência física, os impactos e as opções para limitar as mudanças climáticas, o painel envolve milhares de cientistas de todo o mundo.

O relatório a ser apresentado em Estocolmo tem 209 autores coordenadores e 50 revisões de editores de 39 países diferentes.

O documento é baseado em cerca de 9.000 estudos científicos e 50 mil comentários de especialistas.

Mas em meio a esse conjunto enorme de dados, as coisas podem não sair como o esperado.

No último relatório, publicado em 2007, houve um punhado de erros que ganharam grande projeção, entre eles a afirmação de que as geleiras do Himalaia desapareceriam até 2035. Também houve erro na projeção da porcentagem do território da Holanda que ficaria sob o nível do mar.

O IPCC admitiu os erros e explicou que em um relatório de 3 mil páginas é sempre possível que haja alguns pequenos erros. A afirmação sobre o Himalaia veio da inclusão de uma entrevista que havia sido publicada pela revista New Scientist.

Em 2009, uma revisão da forma como o IPCC analisa as informações sugeriu que o painel seja mais claro no futuro sobre as fontes de informação usadas.

O painel também teve a reputação manchada pela associação com o escândalo provocado pelo vazamento de e-mails trocados entre cientistas que trabalhavam para o IPCC, em 2009.

As mensagens pareciam mostrar algum grau de conluio entre os pesquisadores para fazer com que os dados climáticos se encaixassem mais claramente na teoria das mudanças climáticas induzidas pelo homem.

Porém ao menos três pesquisas não encontraram evidências para apoiar essa conclusão.

Mas o efeito final desses eventos sobre o painel foi o de torná-lo mais cauteloso.

Apesar de o novo relatório possivelmente enfatizar uma certeza maior entre os cientistas de que as atividades humanas estão provocando o aquecimento climático, em termos de escala, níveis e impactos a palavra “incerteza” deverá aparecer com bastante frequência.

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23/09/2013 – 03h00

Análise: Com IPCC na defensiva, novo relatório ainda tem combustível para polêmica

MARCELO LEITE

DE SÃO PAULO

Seis anos e sete meses atrás, quando lançou o documento “Mudança Climática 2007: A Base da Ciência Física”, a reputação do IPCC estava no auge. Naquele mesmo ano viria o Prêmio Nobel da Paz, como reconhecimento pela façanha de impor o tema da mudança do clima à agenda política mundial.

A autoridade do grupo formado pela ONU 18 anos antes era tamanha que a climatologista americana Susan Solomon, coordenadora do texto de 21 páginas, deu o passo arriscado: na entrevista coletiva em Paris, repetiu com ênfase a avaliação de que o aquecimento global era “inequívoco”.

Brasil ataca hiato do aquecimento global

Foi a resposta retórica e política daqueles cientistas à repercussão então alcançada pelo grupo dos chamados “céticos” (ou negacionistas). Depois disso, o IPCC nunca mais seria o mesmo.

Em novembro de 2009, um mês antes da Conferência do Clima de Copenhague, hackers invadiram computadores de uma universidade britânica e surrupiaram mensagens eletrônicas entre climatologistas do IPCC que permitia a impressão de que houvera manipulação de dados.

Os autores foram inocentados, mas uma brecha se abrira no prestígio do painel. Ela se agravou dois meses depois, quando veio à tona que o relatório continha erro grosseiro sobre derretimento de geleiras no Himalaia.

Desde então, o IPCC se manteve na defensiva. Criou critérios mais rígidos sobre o tipo de dados científicos que poderiam fundamentar suas previsões. O resultado desse retraimento transparecerá no “Quinto Relatório de Avaliação” (AR5), cujo “Sumário para Formuladores de Políticas” entra agora em sua fase final de redação.

POLÊMICAS
Parece pouco provável que o sumário repita juízos de valor como o contido no adjetivo “inequívoco”. Ainda assim, o documento contém combustível para polêmica.

A primeira coisa a prestar atenção no relatório, além da aparente redução na taxa de aquecimento, é a maneira pela qual lidará com a situação da calota de gelo sobre o oceano Ártico. O IPCC deve reafirmar como muito alta a probabilidade de que ela continue a encolher a cada verão do hemisfério Norte.

O problema é que, neste final do verão setentrional, o gelo no polo Norte se estende por uma área 50% maior (5,1 milhões de km2) do que há um ano. Em 2012, ela caíra para 3,4 milhões de km².

Editoria de Arte/Folhapress

Como se pode ver no gráfico, porém, todos os cinco últimos anos viram a área ficar muito abaixo da média de 1981 a 2010. É dessa escala temporal de transformações (décadas) que se ocupam as projeções do IPCC, não da variação de ano para ano.

O segundo ponto a atentar é a elevação do nível do mar. vAssim como ocorre com a atmosfera, o efeito estufa também esquenta o oceano. Isso expande seu volume, que também aumenta com o derretimento de geleiras sobre terra firme (como as da Groenlândia).

No caso do “Quarto Relatório de Avaliação”, de 2007, o IPCC terminou acusado de ser conservador demais na projeção de que o mar se elevaria entre 18 cm e 59 cm até o ano 2100, pois alguns estudos já indicavam mudanças de até mais de 1 m.

Tudo indica que o limite superior da nova previsão do painel deve chegar perto disso (versões preliminares apontam até 97 cm). Seria o suficiente para inundar as moradias de dezenas de milhões de pessoas no mundo.

O número, sozinho, parecerá alarmante para muitas pessoas. Pode ou não vir acompanhado, na sua divulgação, de ponderações sóbrias– como assinalar o prazo de 86 anos (de 2014 a 2100) disponível para adaptação.

Se não contornarem com muita habilidade essas armadilhas, os cientistas e porta-vozes do IPCC se arriscam a desperdiçar a oportunidade de recompor sua credibilidade como corpo científico e vê-lo, mais uma vez, desqualificado como militante da causa alarmista.

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23/09/2013 – 19h19

IPCC promete relatório sem viés e com revisão mais rigorosa

RAFAEL GARCIA

ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

O chefe do conjunto de climatologistas que escreveu a mais nova atualização do IPCC sobre a física do clima, o Grupo de Trabalho 1, prometeu ontem entregar um relatório com uma visão “sem precedentes e não enviesada sobre o estado do sistema climático”.

Abrindo a primeira sessão de trabalhos que vai finalizar a primeira das três partes do AR5, o quinto relatório de avaliação do painel do clima da ONU, Thomas Stocker diz ter levado em consideração os mais de 50 mil comentários que o documento recebeu das delegações de governos, que já tiveram acesso ao “sumário para formuladores de políticas” do relatório. “Não conheço nenhum outro documento que tenha passado por um escrutínio assim”.

Após uma última rodada de discussões, a versão final do relatório sai nesta sexta-feira, e a versão provisória do documento indica que a certeza probabilística sobre a culpa das atividades humanas pelo aquecimento global deve subir de 90% para 95%, em relação ao que o IPCC concluíra em 2007.

Qin Dahe, co-chefe do Grupo 1 do IPCC, ressaltou, porém, que apesar de incertezas permanecerem em alguns aspectos do relatório, o papel humano no clima não está sendo revisado. “A evidência científica da mudança climática antropogênica se fortaleceu ano a ano, deixando poucas incertezas sobre as consequências da inação.”

Uma versão vazada do relatório técnico do Grupo 1 do IPCC, documento mais completo que o sumário para políticos, indica que há espaço para os cientistas explicarem a recente pausa no aquecimento global: o período dos últimos 15 anos em que a subida de temperaturas se desacelerou. Uma versão do documento obtida pela agência de notícias Reuters indica que “períodos de hiato de 15 anos são comuns” no registro climático. A menção ao hiato é um dos pontos criticados pelo governo brasileiro no relatório.

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25/09/2013 – 02h57

Para painel do clima, nuvens devem elevar aquecimento

RAFAEL GARCIA

ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

O papel das nuvens na mudança climática ainda é um assunto cheio de incertezas, mas o próximo relatório do IPCC (painel do clima da ONU) dá um passo na direção de um veredito.

Segundo uma versão preliminar do documento, o que a ciência mostra até agora é que a alteração que o aquecimento global provoca na dinâmica de formação de nuvens contribui para que o calor se amplifique.

A versão provisória do AR5, o quinto relatório do IPCC, a ser divulgado na sexta, reconhece que as nuvens têm efeitos paradoxais sobre o clima, algumas delas fazendo a Terra reter mais calor, outras fazendo o planeta refletir radiação solar.

O texto porém, afirma que “o sinal do balanço de feedback radiativo é provavelmente positivo”. Em outras palavras, os cientistas têm 66% de certeza de que a mudança climática cria um ciclo vicioso, no qual nuvens aquecem um planeta que cria mais nuvens causadoras de aquecimento.

Ainda não é um veredito com grau de certeza acachapante como o atribuído aos gases-estufa –a culpa do aquecimento global é da queima de combustíveis fósseis por ação humana com 95% de certeza, diz o relatório. Mas é uma grande evolução desde o último relatório, o AR4, em 2007, que se declarou incapaz de chegar a um consenso sobre a questão.

Editoria de Arte/Folhapress

“O fato de o AR4 ter botado o dedo na ferida e dito que a parte de aerossóis e nuvens era a mais crítica fez com que milhares de cientistas voltassem pesquisas para essa área”, diz Paulo Artaxo, climatologista da USP e coautor do capítulo dedicado ao tema no novo relatório.

O maior problema era –e ainda é– saber se as nuvens baixas têm efeito positivo ou negativo sobre o aquecimento. Por estarem sob mais pressão, elas ficam mais compactas e ajudam a refletir luz solar. Já o vapor comum ou as nuvens mais altas (rarefeitas) retêm calor.

O efeito das nuvens baixas era um dos aspectos mais explorados por grupos que negam o aquecimento global causado pelo homem.

Ainda que o grau de certeza da nova resposta esteja abaixo do máximo, a alegação de que as nuvens vão salvar o planeta não tem obtido sustentação.

O problema agora é projetar o futuro. Para isso, é preciso usar modelos matemáticos de previsão, que ainda não estão prontos para tal.

Uma das principais razões para essa limitação, segundo Artaxo, é que a resolução dos modelos ainda é grosseira demais para tratar de nuvens.

Uma célula do planeta em um modelo é como um pixel de 50 km de largura, mas nuvens são menores que isso, podendo ter 100 m ou menos. Os cientistas precisam então simplificar a representação das nuvens em seus modelos matemáticos do clima.

RAIOS CÓSMICOS
O novo relatório também descarta uma teoria que ganhou espaço entre críticos do IPCC: a de que a formação de nuvens pudesse estar sendo afetada por uma alteração sazonal na taxa de raios cósmicos. Defendida pelo físico dinamarquês Henrik Svensmark, a hipótese seria uma explicação alternativa para o aquecimento não relacionada aos combustíveis fósseis.

Segundo Artaxo, o texto fez o maior esforço possível para não deixar nenhum aspecto de fora. “Você pode até achar que uma ou outra coisa é bobagem, mas não importa. É preciso analisar as evidências experimentais para verificar se uma coisa que parece a maior loucura do mundo é verdadeira ou não.”

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23/09/2013 – 02h59

Brasil ataca ‘hiato’ do aquecimento global

RAFAEL GARCIA

ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

Nos últimos 15 anos, a temperatura média da Terra parou de subir tão rápido quanto antes, mas isso não significa que a mudança climática esteja freando. Essa é a posição do governo brasileiro, que defenderá retirar do mais importante documento internacional sobre clima a menção ao chamado “hiato” do aquecimento global.

O encontro que define o conteúdo final do quinto relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática) começa hoje em Estocolmo, na Suécia, quando se reúne o Grupo de Trabalho 1 da instituição –aquele encarregado de avaliar a ciência física do clima.

O relatório técnico do painel já está pronto, mas só será publicado após a edição final do “Sumário para Formuladores de Políticas”, único anexo do relatório sobre o qual governos podem opinar antes da divulgação, marcada para a próxima sexta (27).

Editoria de Arte/Folhapress

Em junho, um esboço final dessa parte do relatório foi enviado a delegações para comentários. O texto, que vazou para a imprensa, incluía uma frase com referência ao hiato: “A taxa de aquecimento ao longo dos últimos 15 anos (1998-2012; 0,05°C por década) é menor do que a tendência desde 1951 (1951-2012; 0,12°C por década)”.

Editoria de Arte/Folhapress

Explorada por negacionistas da mudança climática, essa flexão no gráfico de temperatura é descrita por alguns como mero ruído estatístico numa tendência clara de aquecimento no longo prazo.

Autores do sumário não deveriam ter incluído um recorte arbitrário de 15 anos num documento que avalia um trajeto só visível em escala maior, defende um dos representantes do governo brasileiro perante o IPCC.

“Alguém escolheu para isso um determinado ano [1998] que foi um ano de El Niño e era mais quente que o padrão”, diz Gustavo Luedemann, coordenador de mudanças globais de clima do Ministério da Ciência. “Isso é obviamente um erro metodológico e deixa o documento um menos contundente.”

Luedeman, porém, considera a menção ao hiato apenas um equívoco pontual e diz crer que o relatório é incisivo ao culpar a humanidade pela mudança climática.

Ainda assim, cientistas tentam entender por que o gráfico de temperaturas se achatou. Segundo Ed Hawkins, climatólogo da Universidade de Reading (Inglaterra) que tem estudado o fenômeno, há vários motivos, incluindo queda de atividade solar e erupções vulcânicas recentes, que tem efeito resfriador sobre a Terra.

“O terceiro fator é a variabilidade natural do clima, com mudanças importantes no Pacífico tropical”, diz. “A energia extra entrando no sistema climático provavelmente está sendo armazenada no oceano profundo.”

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26/09/2013 – 02h54

Oceano Ártico terá verão sem gelo em 2050, diz relatório da ONU

RAFAEL GARCIA

ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

Quando o biólogo sueco Tom Arnbom desembarcou neste verão na costa do mar de Laptev, na Rússia, para coletar DNA de morsas, notou que os enormes mamíferos tinham um medo incomum de ursos-polares, animal que normalmente não os ataca.

Após alguns dias no local, o cientista percebeu que, sem terem gelo marinho como base de caça, os ursos não alcançavam focas e outras presas prediletas. A alternativa era tentar abocanhar filhotes de morsa, com alto risco de serem pegos pelos adultos.

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress

Esse é um dos impactos que o declínio do gelo marinho no Ártico provocou nos últimos anos. O aumento do ritmo de degelo na região é um dos principais pontos a serem revistos no próximo relatório do IPCC (painel do clima da ONU, formado por milhares de cientistas).

Amanhã, a primeira parte do texto, dedicada à física do clima, será divulgada.

“É muito provável que a cobertura de gelo marinho no Ártico continue a encolher e afinar”, afirma o texto preliminar do documento. “Sob o cenário RCP8.5 [hipótese mais pessimista do relatório], um oceano Ártico quase sem gelo provavelmente será visto antes do meio do século.”

O painel informa que é possível dizer com “alta confiabilidade” que o Ártico vai se aquecer mais rápido que outras regiões e revê para pior o seu prognóstico. Há menos de uma década, porém, o maior relatório sobre o tema, o “Arctic Climate Impact Assessment”, estimava que o temido “setembro sem gelo” só viria no fim do século.

O gelo marinho ajuda a refletir radiação solar. Com o degelo e mais área de águas escuras para absorver calor, a escassez de superfície branca vai retroalimentar a mudança climática, diz o IPCC.

A MARCHA DAS MORSAS
Arnbom, hoje um pesquisador a serviço da ONG ambientalista WWF, trabalhou por muitos anos na região para o governo da Suécia, país que tem 15% de seu território no círculo ártico.
“O que eu vi no Ártico 40 anos atrás não existe mais. É impressionante ver quão rápido se foi. Estava lá todos os anos. Alguns eram mais frios que outros, e a população de animais variava, mas em 2007 me dei conta de que os impactos eram bem visíveis.”

Naquele ano, todo o gelo em alto mar derreteu na região de Laptev, e morsas que costumavam se espalhar em pedaços de gelo marinho migraram para uma única praia, formando uma concentração de mais de 50 mil indivíduos.

Norbert Rosing/National Geographic Stock/WWF Canadá

Morsas amontoadas no Ártico; derretimento do gelo reduz área disponível para os bichos, o que pode causar a morte dos filhotes prensados pelos adultos em espaços pequenos

O local, afastado das áreas de alimentação ricas em moluscos, era pequeno demais para abrigar tantos animais, e muitos morriam esmagados. O fenômeno se repetiu depois, em 2011, com uma concentração estimada em 100 mil morsas.

RÚSSIA x AMBIENTE
Ursos e morsas, porém, não são os únicos animais da região a terem mudado de comportamento. Segundo a WWF, a região é habitada por 40 comunidades tradicionais, que enfrentam escassez na caça e pesca artesanal.

E outro grupo de humanos, vendo novas rotas de navegação se abrirem, enxerga agora o potencial econômico da região como rota de transporte marítimo, pesca industrial e fonte de petróleo –o benefício vem justamente para a indústria cujo produto é apontado como causa da mudança climática.

A gigante russa Gazprom, que estabeleceu a primeira plataforma de petróleo “offshore” da região, teve suas instalações no mar de Pechora invadidas por ativistas do Greenpeace na semana passada. Trinta ambientalistas, incluindo uma brasileira, estão presos.

A ONG WWF também intensificou sua atividade na região. O DNA de morsas coletado por Arnbom será usado para pesquisas em universidades dinamarquesas, mas ainda está parado na alfândega russa.

Arctic sea ice delusions strike the Mail on Sunday and Telegraph (Guardian)

Monday 9 September 2013 04.26 BST

Both UK periodicals focus on short-term noise and ignore the rapid long-term Arctic sea ice death spiral

Arctic iceberg

It’s only a matter of time before we experience an Arctic sea ice-free summer. Photograph: Jenny E Ross/Corbis

When it comes to climate science reporting, the Mail on Sunday and Telegraph are only reliable in the sense that you can rely on them to usually get the science wrong. This weekend’s Arctic sea ice articles fromDavid Rose of the Mail and Hayley Dixon at the Telegraph unfortunately fit that pattern.

Both articles claimed that Arctic sea ice extent grew 60 percent in August 2013 as compared to August 2012. While this factoid may be technically true (though the 60 percent figure appears to be an exaggeration), it’s also largely irrelevant. For one thing, the annual Arctic sea ice minimum occurs in September – we’re not there yet. And while this year’s minimum extent will certainly be higher than last year’s, that’s not the least bit surprising. As University of Reading climate scientist Ed Hawkins noted last year,

“Around 80% of the ~100 scientists at the Bjerknes [Arctic climate science] conference thought that there would be MORE Arctic sea-ice in 2013, compared to 2012.”

Regression toward the Mean

The reason so many climate scientists predicted more ice this year than last is quite simple. There’s a principle in statistics known as “regression toward the mean,” which is the phenomenon that if an extreme value of a variable is observed, the next measurement will generally be less extreme. In other words, we should not often expect to observe records in consecutive years. 2012 shattered the previous record low sea ice extent; hence ‘regression towards the mean’ told us that 2013 would likely have a higher minimum extent.

The amount of Arctic sea ice left at the end of the annual melt season is mainly determined by two factors – natural variability (weather patterns and ocean cycles), and human-caused global warming. The Arctic has lost 75 percent of its summer sea ice volume over the past three decades primarily due to human-caused global warming, but in any given year the weather can act to either preserve more or melt more sea ice. Last year the weather helped melt more ice, while this year the weather helped preserve more ice.

Last year I created an animated graphic called the ‘Arctic Escalator’ that predicted the behavior we’re now seeing from the Mail on Sunday and Telegraph. Every year when the weather acts to preserve more ice than the previous year, we can rely on climate contrarians to claim that Arctic sea ice is “rebounding” or “recovering” and there’s nothing to worry about. Given the likelihood that 2013 would not break the 2012 record, I anticipated that climate contrarians would claim this year as yet another “recovery” year, exactly as the Mail on Sunday and Telegraph have done.

Arctic sea ice extent data

Arctic sea ice extent data, 1980–2012. Data from NSIDC.In short, this year’s higher sea ice extent is merely due to the fact that last year’s minimum extent was record-shattering, and the weather was not as optimal for sea ice loss this summer. However, the long-term trend is one of rapid Arctic sea ice decline, and research has shown this is mostly due to human-caused global warming.

When Will the Arctic be Ice-Free?

Both Rose and Dixon referenced a 2007 BBC article quoting Professor Wieslaw Maslowski saying that the Arctic could be ice free in the summer of 2013. In a 2011 BBC article, he predicted ice-free Arctic seas by 2016 “plus or minus three years.” Other climate scientists believe this prediction is too pessimistic, and expect the first ice-free Arctic summersby 2040.

It’s certainly difficult to predict exactly when an ice-free Arctic summer will occur. While climate research has shown that the Arctic sea ice decline is mostly human-caused, there may also be a natural component involved. The remaining sea ice may abruptly vanish, or it may hold on for a few decades longer. What we do know is that given its rapid decline, an ice-free Arctic appears to be not a question of if, but when.

Continuing Global Warming

Both articles also claimed that “some scientists” are predicting that we’re headed into a period of global cooling. Both named just one scientist making this claim – Professor Tsonis of the University of Wisconsin,whose research shows that slowed global surface warming is only temporary. In fact, Tsonis’ co-author Kyle Swanson wrote,

“What do our results have to do with Global Warming, i.e., the century-scale response to greenhouse gas emissions? VERY LITTLE, contrary to claims that others have made on our behalf.”

Both articles also wrongly claimed that global warming has “paused” since 1997. In reality, global surface temperatures have warmed over the past 15 years, albeit more slowly than during the previous 15 years. It is possible to cherry pick a shorter time frame over which global surface temperatures haven’t warmed, as I illustrated in my other animated ‘Escalator’ graphic.

Average of NASA GISS, NOAA NCDC, and HadCRUT4 monthly global surface temperature anomalies from January 1970 through November 2012 (green) with linear trends applied to the timeframes Jan '70 - Oct '77, Apr '77 - Dec '86, Sep '87 - Nov '96, Jun '97 - Dec '02, and Nov '02 - Nov '12.

Average of NASA GISS, NOAA NCDC, and HadCRUT4 monthly global surface temperature anomalies from January 1970 through November 2012 (green) with linear trends applied to the timeframes Jan ’70 – Oct ’77, Apr ’77 – Dec ’86, Sep ’87 – Nov ’96, Jun ’97 – Dec ’02, and Nov ’02 – Nov ’12.However, the opposite is true of the overall warming of the planet – Earth has accumulated more heat over the past 15 years than during the prior 15 years.

Global heat content data from Nuccitelli et al. 2013

Global heat accumulation data (ocean heating in blue; land, atmosphere, and ice heating in red) from Nuccitelli et al. (2012). Recent research strongly suggests that the main difference between these two periods comes down to ocean heat absorption. Over the past decade, heat has been transferred more efficiently to the deep oceans, offsetting much of the human-caused warming at the surface. During the previous few decades, the opposite was true, with heat being transferred less efficiently into the oceans, causing more rapid warming at the surface. This is due to ocean cycles, but cycles are cyclical – meaning it’s only a matter of time before another warm cycle occurs, causing accelerating surface warming (as Tsonis’ research shows).

It would be foolhardy for anyone to predict future global cooling, and those few who are so foolish are unwilling to put their money where their mouth is, as my colleague John Abraham found out when challenging one to a bet, only to find the other party unwilling to stand behind it.

Rose and Dixon Invent an IPCC ‘Crisis Meeting’

Both articles also claimed the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), whose Fifth Assessment Report is due out in a few weeks, has been forced “to hold a crisis meeting.” This claim made both articles even though Ed Hawkins noted,

“I told David Rose on the phone and by email on Thursday about the IPCC process and lack of ‘crisis’ meeting.”

Unfortunately that didn’t stop Rose from inventing this meeting, or Dixon from repeating Rose’s fictional reporting in the Telegraph.

Yes, Humans are Driving Global Warming

Finally, both articles quoted climate scientist Judith Curry claiming that the anticipated IPCC statement of 95 percent confidence that humans are the main cause of the current global warming is unjustified. However, Curry has no expertise in global warming attribution, and has a reputation for exaggerating climate uncertainties. In reality, the confident IPCC statement is based on recent global warming attribution research. More on this once the IPCC report is actually published – any current commentaries on the draft report are premature.

Shoddy Climate Reporting

These two articles at the Mail on Sunday and Telegraph continue the unfortunate trend of shoddy climate reporting in the two periodicals,particularly from David Rose. They suffer from cherry picking short-term data while ignoring the long-term human-caused trends, misrepresenting climate research, repeating long-debunked myths, and inventing IPCC meetings despite being told by climate scientists that these claims are pure fiction.

Based on their history of shoddy reporting, the safest course of action when reading a climate article in the Mail on Sunday or Telegraph is to assume they’re misrepresentations or falsehoods until you can verify the facts therein for yourself.

*   *   *

Global warming? No, actually we’re cooling, claim scientists (Telegraph)

A cold Arctic summer has led to a record increase in the ice cap, leading experts to predict a period of global cooling.

Global warming? No, actually we're cooling, claim scientists

Major climate research centres now accept that there has been a “pause” in global warming since 1997.  Photo: ALAMY

9:55AM BST 08 Sep 2013

There has been a 60 per cent increase in the amount of ocean covered with ice compared to this time last year, the equivalent of almost a million square miles.

In a rebound from 2012’s record low, an unbroken ice sheet more than half the size of Europe already stretches from the Canadian islands to Russia’s northern shores, days before the annual re-freeze is even set to begin.

The Northwest Passage from the Atlantic to the Pacific has remained blocked by pack-ice all year, forcing some ships to change their routes.

A leaked report to the UN Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) seen by the Mail on Sunday, has led some scientists to claim that the world is heading for a period of cooling that will not end until the middle of this century.

If correct, it would contradict computer forecasts of imminent catastrophic warming. The news comes several years after the BBC predicted that the arctic would be ice-free by 2013.

The original predictions led to billions being invested in green measures to combat the effects of climate change.

The changing predictions have led to the UN’s climate change’s body holding a crisis meeting, and the IPCC is due to report on the situation in October. A pre-summit meeting will be held later this month.

But the leaked documents are said to show that the governments who fund the IPCC are demanding 1,500 changes to the Fifth Assessment Report – a three-volume study issued every six or seven years – as they claim its current draft does not properly explain the pause.

The extent to which temperatures will rise with carbon dioxide levels and how much of the warming over the past 150 years, a total of 0.8C, is down to human greenhouse gas emissions are key issues in the debate.

The IPCC says it is “95 per cent confident” that global warming has been caused by humans – up from 90 per cent in 2007 – according to the draft report.

However, US climate expert Professor Judith Curry has questioned how this can be true as that rather than increasing in confidence, “uncertainty is getting bigger” within the academic community.

Long-term cycles in ocean temperature, she said, suggest the world may be approaching a period similar to that from 1965 to 1975, when there was a clear cooling trend.

At the time some scientists forecast an imminent ice age.

Professor Anastasios Tsonis, of the University of Wisconsin, said: “We are already in a cooling trend, which I think will continue for the next 15 years at least. There is no doubt the warming of the 1980s and 1990s has stopped.”

The IPCC is said to maintain that their climate change models suggest a pause of 15 years can be expected. Other experts agree that natural cycles cannot explain all of the recorded warming.

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The Myth of ‘Environmental Catastrophism’ (Monthly Review)

Between October 2010 and April 2012, over 250,000 people, including 133,000 children under five, died of hunger caused by drought in Somalia. Millions more survived only because they received food aid. Scientists at the UK Met Centre have shown that human-induced climate change made this catastrophe much worse than it would otherwise have been.1

This is only the beginning: the United Nations’ 2013 Human Development Report says that without coordinated global action to avert environmental disasters, especially global warming, the number of people living in extreme poverty could increase by up to 3 billion by 2050.2 Untold numbers of children will die, killed by climate change.

If a runaway train is bearing down on children, simple human solidarity dictates that anyone who sees it should shout a warning, that anyone who can should try to stop it. It is difficult to imagine how anyone could disagree with that elementary moral imperative.

And yet some do. Increasingly, activists who warn that the world faces unprecedented environmental danger are accused of catastrophism—of raising alarms that do more harm than good. That accusation, a standard feature of right-wing attacks on the environmental movement, has recently been advanced by some left-wing critics as well. While they are undoubtedly sincere, their critique of so-called environmental catastrophism does not stand up to scrutiny.

From the Right…

The word “catastrophism” originated in nineteenth-century geology, in the debate between those who believed all geological change had been gradual and those who believed there had been episodes of rapid change. Today, the word is most often used by right-wing climate change deniers for whom it is a synonym for “alarmism.”

  • The Heartland Institute: “Climate Catastrophism Picking Up Again in the U.S. and Across the World.”3
  • A right-wing German blog: “The Climate Catastrophism Cult.”4
  • The Australian journal Quadrant: “The Chilling Costs of Climate Catastrophism.”5

Examples could be multiplied. As environmental historian Franz Mauelshagen writes, “In climate denialist circles, the word ‘climate catastrophe’ has become synonymous with ‘climate lie,’ taking the anthropogenic green house effect for a scam.”6

Those who hold such views like to call themselves “climate change skeptics,” but a more accurate term is “climate science deniers.” While there are uncertainties about the speed of change and its exact effects, there is no question that global warming is driven by greenhouse-gas emissions caused by human activity, and that if business as usual continues, temperatures will reach levels higher than any seen since before human beings evolved. Those who disagree are not skeptical, they are denying the best scientific evidence and analysis available.

The right labels the scientific consensus “catastrophism” to belittle environmentalism, and to stifle consideration of measures to delay or prevent the crisis. The real problem, they imply, is not the onrushing train, but the people who are yelling “get off the track!” Leaving the track would disrupt business as usual, and that is to be avoided at all costs.

…And From the Left

Until very recently, “catastrophism” as a political expression was pretty much the exclusive property of conservatives. When it did occur in left-wing writing, it referred to economic debates, not ecology. But in 2007 two quite different left-wing voices almost simultaneously adopted “catastrophism” as a pejorative term for radical ideas about climate change they disagreed with.

The most prominent was the late Alexander Cockburn, who in 2007 was writing regularly forThe Nation and coediting the newsletter CounterPunch. To the shock of many of his admirers, he declared that “There is still zero empirical evidence that anthropogenic production of CO2 is making any measurable contribution to the world’s present warming trend,” and that “the human carbon footprint is of zero consequence.”7 Concern about climate change was, he wrote, the result of a conspiracy “between the Greenhouser fearmongers and the nuclear industry, now largely owned by oil companies.”8

Like critics on the right, Cockburn charged that the left was using climate change to sneak through reforms it could not otherwise win: “The left has bought into environmental catastrophism because it thinks that if it can persuade the world that there is indeed a catastrophe, then somehow the emergency response will lead to positive developments in terms of social and environmental justice.”9

While Cockburn’s assault on “environmental catastrophism” was shocking, his arguments did not add anything new to the climate debate. They were the same criticisms we had long heard from right-wing deniers, albeit with leftish vocabulary.

That was not the case with Leo Panitch and Colin Leys. These distinguished Marxist scholars are by no means deniers. They began their preface to the 2007 Socialist Register by noting that “environmental problems might be so severe as to potentially threaten the continuation of anything that might be considered tolerable human life,” and insisting that “the speed of development of globalized capitalism, epitomized by the dramatic acceleration of climate change, makes it imperative for socialists to deal seriously with these issues now.”

But then they wrote: “Nonetheless, it is important to try to avoid an anxiety-driven ecological catastrophism, parallel to the kind of crisis-driven economic catastrophism that announces the inevitable demise of capitalism.”10 They went on to argue that capitalism’s “dynamism and innovativeness” might enable it to use “green commerce” to escape environmental traps.

The problem with the Panitch–Leys formulation is that the threat of ecological catastrophe isnot “parallel” to the view that capitalism will destroy itself. The desire to avoid the kind of mechanical determinism that has often characterized Marxist politics, where every crisis was proclaimed to be the final battle, led these thoughtful writers to confuse two very different kinds of catastrophe.

The idea that capitalism will inevitably face an insurmountable economic crisis and collapse is based on a misunderstanding of Marxist economic theory. While economic crises are endemic to capitalism, the system can always continue—only class struggle, only a social revolution, can overthrow capitalism and end the crisis cycle.

Large-scale environmental damage is caused by our destructive economic system, but its effectis the potentially irreversible disruption of essential natural systems. The most dramatic example is global warming: recent research shows that the earth is now warmer than at any time in the past 6,000 years, and temperatures are rising much faster than at any time since the last Ice Age. Arctic ice and the Greenland ice sheet are disappearing faster than predicted, raising the specter of flooding in coastal areas where more than a billion people live. Extreme weather events, such as giant storms, heat waves, and droughts are becoming ever more frequent. So many species are going extinct that many scientists call it a mass extinction event, comparable to the time 66 million years ago when 75 percent of all species, including the dinosaurs, were wiped out.

As the editors of Monthly Review wrote in reply to Socialist Register, if these trends continue, “we will be faced with a different world—one in which life on the planet will be massively degraded on a scale not seen for tens of millions of years.”11 To call this “anxiety-driven ecological catastrophism, parallel to…economic catastrophism” is to equate an abstract error in economic theory with some of the strongest conclusions of modern science.

A New ‘Catastrophism’ Critique

Now a new essay, provocatively titled “The Politics of Failure Have Failed,” offers a different and more sweeping left-wing critique of “environmental catastrophism.” Author Eddie Yuen is associated with the Pacifica radio program Against the Grain, and is on the editorial board of the journal Capitalism Nature Socialism.

His paper is part of a broader effort to define and critique a body of political thought calledCatastrophism, in a book by that title.12 In the book’s introduction, Sasha Lilley offers this definition:

Catastrophism presumes that society is headed for a collapse, whether economic, ecological, social, or spiritual. This collapse is frequently, but not always, regarded as a great cleansing, out of which a new society will be born. Catastrophists tend to believe that an ever-intensified rhetoric of disaster will awaken the masses from their long slumber—if the mechanical failure of the system does not make such struggles superfluous. On the left, catastrophism veers between the expectation that the worse things become, the better they will be for radical fortunes, and the prediction that capitalism will collapse under its own weight. For parts of the right, worsening conditions are welcomed, with the hope they will trigger divine intervention or allow the settling of scores for any modicum of social advance over the last century.

A political category that includes both the right and the left—and that encompasses people whose concerns might be economic, ecological, social, or spiritual—is, to say the least, unreasonably broad. It is difficult to see any analytical value in a definition that lumps together anarchists, fascists, Christian fundamentalists, right-wing conspiracy nuts, pre–1914 socialists, peak-oil theorists, obscure Trotskyist groups, and even Mao Zedong.

The definition of catastrophism becomes even more problematic in Yuen’s essay.

One Of These Things Is Not Like The Others…

Years ago, the children’s television program Sesame Street would display four items—three circles and a square, three horses and a chair, and so on—while someone sang, “One of these things is not like the others, One of these things doesn’t belong.

I thought of that when I read Yuen’s essay.

While the book’s scope is broad, most of it focuses, as Yuen writes, on “instrumental, spurious, and sometimes maniacal versions of catastrophism—including rightwing racial paranoia, religious millenarianism, liberal panics over fascism, leftist fetishization of capitalist collapse, capitalist invocation of the ‘shock doctrine’ and pop culture cliché.”

But as Yuen admits in his first paragraph, environmentalism is a very different matter, because we are in “what is unquestionably a genuine catastrophic moment in human and planetary history…. Of all of the forms of catastrophic discourse on offer, the collapse of ecological systems is unique in that it is definitively verified by a consensus within the scientific community…. It is absolutely urgent to address this by effectively and rapidly changing the direction of human society.”

If the science is clear, if widespread ecological collapse unquestionably faces us unless action is taken, why is this topic included in a book devoted to criticizing false ideas? Does it make sense to use the same term for people who believe in an imaginary train crash and for people who are trying to stop a real crash from happening?

The answer, although he does not say so, is that Yuen is using a different definition than the one Lilley gave in her introduction. Her version used the word for the belief that some form of catastrophe will have positive results—that capitalism will collapse from internal contradictions, that God will punish all sinners, that peak oil or industrial collapse will save the planet. Yuen uses the same word for the idea that environmentalists should alert people to the threat of catastrophic environmental change and try to mobilize them to prevent or minimize it.

Thus, when he refers to “a shrill note of catastrophism” in the work of James Hansen, perhaps the world’s leading climate scientist, he is not challenging the accuracy of Hansen’s analysis, but only the “narrative strategy” of clearly stating the probable results of continuing business as usual.

Yuen insists that “the veracity of apocalyptic claims about ecological collapse are separate from their effects on social, political, and economic life.” Although “the best evidence points to cascading environmental disaster,” in his view it is self-defeating to tell people that. He makes two arguments, which we can label “practical” and “principled.”

His practical argument is that by talking about “apocalyptic scenarios” environmentalists have made people more apathetic, less likely to fight for progressive change. His principledargument is that exposing and campaigning to stop tendencies towards environmental collapse has “damaging and rightward-leaning effects”—it undermines the left, promotes reactionary policies and strengthens the ruling class.

In my opinion, he is wrong on both counts.

The Truth Shall Make You Apathetic?

In Yuen’s view, the most important question facing people who are concerned about environmental destruction is: “what narrative strategies are most likely to generate effective and radical social movements?”

He is vague about what “narrative strategies” might work, but he is very firm about what does not. He argues that environmentalists have focused on explaining the environmental crisis and warning of its consequences in the belief that this will lead people to rise up and demand change, but this is a fallacy. In reality, “once convinced of apocalyptic scenarios, many Americans become more apathetic.”

Given such a sweeping assertion, it is surprising to find that the only evidence Yuen offers is a news release describing one academic paper, based on a U.S. telephone survey conducted in 2008, that purported to show that “more informed respondents both feel less personally responsible for global warming, and also show less concern for global warming.”13

Note first that being “more informed” is not the same as being “convinced of apocalyptic scenarios” or being bombarded with “increasingly urgent appeals about fixed ecological tipping points.” On the face of it, this study does not appear to contribute to our understanding of the effects of “catastrophism.”

What’s more, reading the original paper reveals that the people described as “more informed” were self-reporting. If they said they were informed, that was accepted, and no one asked if they were listening to climate scientists or to conservative talk radio. That makes the paper’s conclusion meaningless.

Later in his essay, Yuen correctly criticizes some environmentalists and scientists who “speak of ‘everyone’ as a unified subject.” But here he accepts as credible a study that purports to show how all Americans respond to information about climate change, regardless of class, gender, race, or political leanings.

The problem with such undifferentiated claims is shown in a 2011 study that examined the impact of Americans’ political opinions on their feelings about climate change. It found that liberals and Democrats who report being well-informed are more worried about climate change, while conservatives and Republicans who report being well-informed are less worried.14 Obviously the two groups mean very different things by “well-informed.”

Even if we ignore that, the study Yuen cites is a one-time snapshot—it does not tells us what radicals really need to know, which is how things are changing. For that, a more useful survey is one that scientists at Yale University and George Mason University have conducted seven times since 2008 to show shifts in U.S. public opinion.15 Based on answers to questions about their opinions, respondents are categorized according to their attitude towards global warming. The surveys show:

  • The number of people identified as “Disengaged” or “Cautious”—those we might call apathetic or uncertain—has varied very little, accounting for between 31 percent and 35 percent of the respondents every time.
  • The categories “Dismissive” or “Doubtful”—those who lean towards denial—increased between 2008 and 2010. Since then, those groups have shrunk back almost to the 2008 level.
  • In parallel, the combined “Concerned” and “Alarmed” groups shrank between 2008 and 2010, but have since largely recovered. In September 2012—before Hurricane Sandy!—there were more than twice as many Americans in these two categories as in Dismissive/Doubtful.

Another study, published in the journal Climatic Change, used seventy-four independent surveys conducted between 2002 and 2011 to create a Climate Change Threat Index (CCTI)—a measure of public concern about climate change—and showed how it changed in response to public events. It found that public concern about climate change reached an all-time high in 2006–2007, when the Al Gore documentary An Inconvenient Truth was seen in theaters by millions of people and won an Academy Award.

The authors conclude: “Our results…show that advocacy efforts produce substantial changes in public perceptions related to climate change. Specifically, the film An Inconvenient Truth and the publicity surrounding its release produced a significant positive jump in the CCTI.”16

This directly contradicts Yuen’s view that more information about climate change causes Americans to become more apathetic. There is no evidence of a long-term increase in apathy or decrease in concern—and when scientific information about climate change reached millions of people, the result was not apathy but a substantial increase in support for action to reduce greenhouse gas emissions.

‘The Two Greatest Myths’

Yuen says environmentalists have deluged Americans with catastrophic warnings, and this strategy has produced apathy, not action. Writing of establishment politicians who make exactly the same claim, noted climate change analyst Joseph Romm says, “The two greatest myths about global warming communications are 1) constant repetition of doomsday messages has been a major, ongoing strategy and 2) that strategy doesn’t work and indeed is actually counterproductive!” Contrary to liberal mythology, the North American public has not been exposed to anything even resembling the first claim. Romm writes,

The broad American public is exposed to virtually no doomsday messages, let alone constant ones, on climate change in popular culture (TV and the movies and even online)…. The major energy companies bombard the airwaves with millions and millions of dollars of repetitious pro-fossil-fuel ads. The environmentalists spend far, far less money…. Environmentalists when they do appear in popular culture, especially TV, are routinely mocked…. It is total BS that somehow the American public has been scared and overwhelmed by repeated doomsday messaging into some sort of climate fatigue.17

The website Daily Climate, which tracks U.S. news stories about climate change, says coverage peaked in 2009, during the Copenhagen talks—but then it “fell off the map,” dropping 30 percent in 2010 and another 20 percent in 2011. In 2012, despite widespread droughts and Hurricane Sandy, news coverage fell another 2 percent. The decline in editorial interest was even more dramatic—in 2012 newspapers published fewer than half as many editorials about climate change as they did in 2009.18

It should be noted that these shifts occurred in the framework of very limited news coverage of climate issues. As a leading media analyst notes, “relative to other issues like health, medicine, business, crime and government, media attention to climate change remains a mere blip.”19 Similarly, a British study describes coverage of climate change in newspapers there as “lamentably thin”—a problem exacerbated by the fact that much of the coverage consists of “worryingly persistent climate denial stories.” The author concludes drily: “The limited coverage is unlikely to have convinced readers that climate change is a serious problem warranting immediate, decisive and potentially costly action.”20

Given Yuen’s concern that Americans do not recognize the seriousness of environmental crises, it is surprising how little he says about the massive fossil-fuel-funded disinformation campaigns that have confused and distorted media reporting. I can find just four sentences on the subject in his 9,000-word text, and not one that suggests denialist campaigns might have helped undermine efforts to build a climate change movement.

On the contrary, he downplays the influence of “the well-funded climate denial lobby,” by claiming that “far more corporate and elite energy has gone toward generating anxiety about global warming,” and that “mainstream climate science is much better funded.” He provides no evidence for either statement.

Of course, the fossil-fuel lobby is not the only force working to undermine public concern about climate change. It is also important to recognize the impact of Obama’s predictable unwillingness to confront the dominant forces in U.S. capitalism, and of the craven failure of mainstream environmentalist groups and NGOs to expose and challenge the Democrats’ anti-environmental policies.

With fossil-fuel denialists on one side, and Obama’s pale-green cheerleaders on the other, activists who want to get out the truth have barely been heard. In that context, it makes little sense to blame environmentalists for sabotaging environmentalism.

The Truth Will Help the Right?

Halfway through his essay, Yuen abruptly changes direction, leaving the practical argument behind and raising his principled concern. He now argues that what he calls catastrophism leads people to support reactionary policies and promotes “the most authoritarian solutions at the state level.” Focusing attention on what he agrees is a “cascading environmental disaster” is dangerous because it “disables the left but benefits the right and capital.” He says, “Increased awareness of environmental crisis will not likely translate into a more ecological lifestyle, let alone an activist orientation against the root causes of environmental degradation. In fact, right-wing and nationalist environmental politics have much more to gain from an embrace of catastrophism.”

Yuen says that many environmentalists, including scientists, “reflexively overlook class divisions,” and so do not realize that “some business and political elites feel that they can avoid the worst consequences of the environmental crisis, and may even be able to benefit from it.” Yuen apparently thinks those elites are right—while the insurance industry is understandably worried about big claims, he says, “the opportunities for other sectors of capitalism are colossal in scope.”

He devotes much of the rest of his essay to describing the efforts of pro-capitalist forces, conservative and liberal, to use concern about potential environmental disasters to promote their own interests, ranging from emissions trading schemes to military expansion to Malthusian attacks on the world’s poorest people. “The solution offered by global elites to the catastrophe is a further program of austerity, belt-tightening, and sacrifice, the brunt of which will be borne by the world’s poor.”

Some of this is overstated. His claim that “Malthusianism is at the core of most environmental discourse,” reflects either a very limited view of environmentalism or an excessively broad definition of Malthusianism. And he seems to endorse David Noble’s bizarre theory that public concern about global warming has been engineered by a corporate conspiracy to promote carbon trading schemes.21 Nevertheless he is correct that the ruling class will do its best to profit from concern about climate change, while simultaneously offloading the costs onto the world’s poorest people.

The question is, who is he arguing with? This book says it aims to “spur debate among radicals,” but none of this is new or controversial for radicals. The insight that the interests of the ruling class are usually opposed to the interests of the rest of us has been central to left-wing thought since before Marx was born. Capitalists always try to turn crises to their advantage no matter who gets hurt, and they always try to offload the costs of their crises onto the poor and oppressed.

What needs to be proved is not that pro-capitalist forces are trying to steer the environmental movement into profitable channels, and not that many sincere environmentalists have backward ideas about the social and economic causes of ecological crises. Radicals who are active in green movements know those things perfectly well. What needs to be proved is Yuen’s view that warning about environmental disasters and campaigning to prevent them has “damaging and rightward-leaning effects” that are so severe that radicals cannot overcome them.

But no proof is offered.

What is particularly disturbing about his argument is that he devotes pages to describing the efforts of reactionaries to misdirect concern about climate change—and none to the efforts of radical environmentalists to counter those forces. Earlier in his essay, he mentioned that “environmental and climate justice perspectives are steadily gaining traction in internal environmental debates,” but those thirteen words are all he has to say on the subject.

He says nothing about the historic 2010 Cochabamba Conference, where 30,000 environmental activists from 140 countries warned that if greenhouse gas emissions are not stopped, “the damages caused to our Mother Earth will be completely irreversible”—a statement Yuen would doubtless label “catastrophist.” Far from succumbing to apathy or reactionary policies, the participants explicitly rejected market solutions, identified capitalism as the cause of the crisis, and outlined a radical program to transform the global economy.

He is equally silent about the campaign against the fraudulent “green economy” plan adopted at last year’s Rio+20 conference. One of the principal organizers of that opposition is La Via Campesina, the world’s largest organization of peasants and farmers, which warns that the world’s governments are “propagating the same capitalist model that caused climate chaos and other deep social and environmental crises.”

His essay contains not a word about Idle No More, or Occupy, or the Indigenous-led fight against Canada’s tar sands, or the anti-fracking and anti-coal movements. By omitting them, Yuen leaves the false impression that the climate movement is helpless to resist reactionary forces.

Contrary to Yuen’s title, the effort to build a movement to save the planet has not failed. Indeed, Catastrophism was published just four months before the largest U.S. climate change demonstration ever!

The question before radicals is not what “narrative strategy” to adopt, but rather, how will we relate to the growing environmental movement? How will we support its goals while strengthening the forces that see the need for more radical solutions?

What Must Be Done?

Yuen opposes attempts to build a movement around rallies, marches, and other mass protests to get out the truth and to demand action against environmental destruction. He says that strategy worked in the 1960s, when Americans were well-off and naïve, but cannot be replicated in today’s “culture of atomized cynicism.”

Like many who know that decade only from history books or as distant memories, Yuen foreshortens the experience: he knows about the mass protests and dissent late in the decade, but ignores the many years of educational work and slow movement building in a deeply reactionary and racist time. It is not predetermined that the campaign against climate change will take as long as those struggles, or take similar forms, but the real experience of the 1960s should at least be a warning against premature declarations of failure.

Yuen is much less explicit about what he thinks would be an effective strategy, but he cites as positive examples the efforts of some to promote “a bottom-up and egalitarian transition” by:

ever-increasing numbers of people who are voluntarily engaging in intentional communities, sustainability projects, permaculture and urban farming, communing and mil­itant resistance to consumerism…we must consider the alterna­tive posed by the highly imaginative Italian left of the twentieth century. The explosively popular Slow Food movement was origi­nally built on the premise that a good life can be had not through compulsive excess but through greater conviviality and a shared commonwealth.

Compare that to this list of essential tasks, prepared recently by Pablo Solón, a leading figure in the global climate justice movement:

To reduce greenhouse gas emissions to a level that avoids catastrophe, we need to:

* Leave more than two-thirds of the fossil fuel reserves under the soil;

* Stop the exploitation of tar sands, shale gas and coal;

* Support small, local, peasant and indigenous community farming while we dismantle big agribusiness that deforests and heats the planet;

* Promote local production and consumption of products, reducing the free trade of goods that send millions of tons of CO2 while they travel around the world;

* Stop extractive industries from further destroying nature and contaminating our atmosphere and our land;

* Increase significantly public transport to reduce the unsustainable “car way of life”;

* Reduce the emissions of warfare by promoting genuine peace and dismantling the military and war industry and infrastructure.22

The projects that Yuen describes are worthwhile, but unless the participants are alsocommitted to building mass environmental campaigns, they will not be helping to achieve the vital objectives that Solón identifies. Posing local communes and slow food as alternatives to building a movement against global climate change is effectively a proposal to abandon the fight against capitalist ecocide in favor of creating greenish enclaves, while the world burns.

Bright-siding versus Movement Building

Whatever its merits in other contexts, it is not helpful or appropriate to use the wordcatastrophism as a synonym for telling the truth about the environmental dangers we face. Using the same language as right-wing climate science deniers gives the impression that the dangers are non-existent or exaggerated. Putting accurate environmental warnings in the same category as apocalyptic Christian fundamentalism and century-old misreadings of Marxist economic theory leads to underestimation of the threats we face and directs efforts away from mobilizing an effective counterforce.

Yuen’s argument against publicizing the scientific consensus on climate change echoes the myth that liberal politicians and journalists use to justify their failure to challenge the crimes of the fossil-fuel industry. People are tired of all that doom and gloom, they say. It is time for positivemessages! Or, to use Yuen’s vocabulary, environmentalists need to end “apocalyptic rhetoric” and find better “narrative strategies.”

This is fundamentally an elitist position: the people cannot handle the truth, so a knowledgeable minority must sugarcoat it, to make the necessary changes palatable.

David Spratt of the Australian organization Climate Code Red calls that approach “bright-siding,” a reference to the bitterly satirical Monty Python song, “Always Look on the Bright Side of Life.”

The problem is, Spratt writes: “If you avoid including an honest assessment of climate science and impacts in your narrative, it’s pretty difficult to give people a grasp about where the climate system is heading and what needs to be done to create the conditions for living in climate safety, rather than increasing and eventually catastrophic harm.”23 Joe Romm makes the same point: “You’d think it would be pretty obvious that the public is not going to be concerned about an issue unless one explains why they should be concerned.”24

Of course, this does not mean that we only need to explain the science. We need to propose concrete goals, as Pablo Solón has done. We need to show how the scientific consensus about climate change relates to local and national concerns such as pipelines, tar sands, fracking, and extreme weather. We need to work with everyone who is willing to confront any aspect of the crisis, from people who still have illusions about capitalism to convinced revolutionaries. Activists in the wealthy countries must be unstinting in their political and practical solidarity with the primary victims of climate change, indigenous peoples, and impoverished masses everywhere.

We need to do all of that and more.

But the first step is to tell the truth—about the danger we face, about its causes, and about the measures that must be taken to turn back the threat. In a time of universal deceit, telling the truth is a revolutionary act.

Notes

  1.  Fraser C. Lott, Nikolaos Christidis, and Peter A. Stott, “Can the 2011 East African Drought Be Attributed to Human-Induced Climate Change?,” Geophysical Research Letters 40, no. 6 ( March 2013): 1177–81.
  2.  UNDP, “’Rise of South’ Transforming Global Power Balance, Says 2013 Human Development Report,” March 14, 2013, http://undp.org.
  3.  Tom Harris, “Climate Catastrophism Picking Up Again in the U.S. and Across the World,”Somewhat Reasonable, October 10, 2012 http://blog.heartland.org.
  4.  Pierre Gosselin, “The Climate Catastrophism Cult,” NoTricksZone, February 12, 2011, http://notrickszone.com.
  5.  Ray Evans, “The Chilling Costs of Climate Catastrophism,” Quadrant Online, June 2008. http://quadrant.org.au.
  6.  Franz Mauelshagen, “Climate Catastrophism: The History of the Future of Climate Change,” in Andrea Janku, Gerrit Schenk, and Franz Mauelshagen, Historical Disasters in Context: Science, Religion, and Politics (New York: Routledge, 2012), 276.
  7.  Alexander Cockburn, “Is Global Warming a Sin?,” CounterPunch, April 28–30, 2007, http://counterpunch.org.
  8.  Alexander Cockburn, “Who are the Merchants of Fear?,” CounterPunch, May 12–14, 2007, http:// counterpunch.org.
  9.  Alexander Cockburn, “I Am An Intellectual Blasphemer,” Spiked Review of Books, January 9, 2008, http://spiked-online.com.
  10.  Leo Panitch and Colin Leys, “Preface,” Socialist Register 2007: Coming to Terms With Nature(London: Merlin Press/Monthly Review Press, 2006), ix–x.
  11. 11.“Notes from the Editors,” Monthly Review 58, no. 10 (March 2007), http://monthlyreview.org.
  12.  Sasha Lilley, David McNally, Eddie Yuen, and James Davis, Catastrophism: The Apocalyptic Politics of Collapse and Rebirth (Oakland: PM Press, 2012).
  13.  Yuen’s footnote cites an article which is identical to a news release issued the previous day by Texas A&M University; see “Increased Knowledge About Global Warming Leads to Apathy, Study Shows,” Science Daily, March 28, 2008, http://eurekalert.org. The original paper, which Yuen does not cite, is: P.M. Kellstedt, S. Zahran, and A. Vedlitz, “Personal Efficacy, the Information Environment, and Attitudes Towards Global Warming and Climate Change in the United State,”Risk Analysis 28, no. 1 (2008): 113–26.
  14.  Aaron M. McCright and Riley E. Dunlap, “The Politicization of Climate Change and Polarization in the American Public’s Views of Global Warming, 2001–2010,” The Sociological Quarterly 52 (2011): 155–94.
  15.  A. Leiserowitz, et. al., Global Warming’s Six Americas, September 2012 (New Haven, CT: Yale Project on Climate Change Communication, 2013), http://environment.yale.edu.
  16.  Robert J. Brulle, Jason Carmichael, and J. Craig Jenkins, “Shifting Public Opinion on Climate Change: An Empirical Assessment of Factors Influencing Concern Over Climate Change in the U.S., 2002–2010,” Climatic Change 114, no. 2 (September 2012): 169–88.
  17.  Joe Romm, “Apocalypse Not: The Oscars, The Media and the Myth of ‘Constant Repetition of Doomsday Messages’ on Climate,” Climate Progress, February 24, 2013, http://thinkprogress.org.
  18.  Douglas Fischer. “2010 in Review: The Year Climate Coverage ‘Fell off the Map,’” Daily Climate, January 3, 2011. http://dailyclimate.org; “Climate Coverage Down Again in 2011,” Daily Climate, January 3, 2012, http://dailyclimate.org; “Climate Coverage, Dominated by Weird Weather, Falls Further in 2012,” Daily Climate, January 2, 2013, http://dailyclimate.org.
  19.  Maxwell T. Boykoff, Who Speaks for the Climate?: Making Sense of Media Reporting on Climate Change (Cambridge: Cambridge University Press, 2011), 24.
  20.  Neil T. Gavin, “Addressing Climate Change: A Media Perspective,” Environmental Politics 18, no. 5 (September 2009): 765–80.
  21.  Two responses to David Noble are: Derrick O’Keefe, “Denying Time and Place in the Global Warming Debate,” Climate & Capitalism, June 7, 2007, http://climateandcapitalism.com; Justin Podur, “Global Warming Suspicions and Confusions,” ZNet, May 11, 2007, http://zcommunications.org.
  22.  Pablo Solón, “A Contribution to the Climate Space 2013: How to Overcome the Climate Crisis?,”Climate Space, March 14, 2013, http://climatespace2013.wordpress.com.
  23.  David Spratt, Always Look on the Bright Side of Life: Bright-siding Climate Advocacy and Its Consequences, April 2012, http://climatecodered.org.
  24.  Joe Romm, “Apocalypse Not.”

Ian Angus is editor of the online journal Climate & Capitalism. He is co-author of Too Many People? Population, Immigration, and the Environmental Crisis(Haymarket, 2011), and editor of The Global Fight for Climate Justice(Fernwood, 2010).
He would like to thank Simon Butler, Martin Empson, John Bellamy Foster, John Riddell, Javier Sethness, and Chris Williams for comments and suggestions.

Rising Seas (Nat Geo)

Picture of Seaside Heights, New Jersey, after Hurricane Sandy

As the planet warms, the sea rises. Coastlines flood. What will we protect? What will we abandon? How will we face the danger of rising seas?

By Tim Folger

Photographs by George Steinmetz

September 2013

By the time Hurricane Sandy veered toward the Northeast coast of the United States last October 29, it had mauled several countries in the Caribbean and left dozens dead. Faced with the largest storm ever spawned over the Atlantic, New York and other cities ordered mandatory evacuations of low-lying areas. Not everyone complied. Those who chose to ride out Sandy got a preview of the future, in which a warmer world will lead to inexorably rising seas.

Brandon d’Leo, a 43-year-old sculptor and surfer, lives on the Rockaway Peninsula, a narrow, densely populated, 11-mile-long sandy strip that juts from the western end of Long Island. Like many of his neighbors, d’Leo had remained at home through Hurricane Irene the year before. “When they told us the tidal surge from this storm would be worse, I wasn’t afraid,” he says. That would soon change.

D’Leo rents a second-floor apartment in a three-story house across the street from the beach on the peninsula’s southern shore. At about 3:30 in the afternoon he went outside. Waves were crashing against the five-and-a-half-mile-long boardwalk. “Water had already begun to breach the boardwalk,” he says. “I thought, Wow, we still have four and a half hours until high tide. In ten minutes the water probably came ten feet closer to the street.”

Back in his apartment, d’Leo and a neighbor, Davina Grincevicius, watched the sea as wind-driven rain pelted the sliding glass door of his living room. His landlord, fearing the house might flood, had shut off the electricity. As darkness fell, Grincevicius saw something alarming. “I think the boardwalk just moved,” she said. Within minutes another surge of water lifted the boardwalk again. It began to snap apart.

Three large sections of the boardwalk smashed against two pine trees in front of d’Leo’s apartment. The street had become a four-foot-deep river, as wave after wave poured water onto the peninsula. Cars began to float in the churning water, their wailing alarms adding to the cacophony of wind, rushing water, and cracking wood. A bobbing red Mini Cooper, its headlights flashing, became wedged against one of the pine trees in the front yard. To the west the sky lit up with what looked like fireworks—electrical transformers were exploding in Breezy Point, a neighborhood near the tip of the peninsula. More than one hundred homes there burned to the ground that night.

The trees in the front yard saved d’Leo’s house, and maybe the lives of everyone inside—d’Leo, Grincevicius, and two elderly women who lived in an apartment downstairs. “There was no option to get out,” d’Leo says. “I have six surfboards in my apartment, and I was thinking, if anything comes through the wall, I’ll try to get everyone on those boards and try to get up the block. But if we’d had to get in that water, it wouldn’t have been good.”

After a fitful night’s sleep d’Leo went outside shortly before sunrise. The water had receded, but thigh-deep pools still filled parts of some streets. “Everything was covered with sand,” he says. “It looked like another planet.”

A profoundly altered planet is what our fossil-fuel-driven civilization is creating, a planet where Sandy-scale flooding will become more common and more destructive for the world’s coastal cities. By releasing carbon dioxide and other heat-trapping gases into the atmosphere, we have warmed the Earth by more than a full degree Fahrenheit over the past century and raised sea level by about eight inches. Even if we stopped burning all fossil fuels tomorrow, the existing greenhouse gases would continue to warm the Earth for centuries. We have irreversibly committed future generations to a hotter world and rising seas.

In May the concentration of carbon dioxide in the atmosphere reached 400 parts per million, the highest since three million years ago. Sea levels then may have been as much as 65 feet above today’s; the Northern Hemisphere was largely ice free year-round. It would take centuries for the oceans to reach such catastrophic heights again, and much depends on whether we manage to limit future greenhouse gas emissions. In the short term scientists are still uncertain about how fast and how high seas will rise. Estimates have repeatedly been too conservative.

Global warming affects sea level in two ways. About a third of its current rise comes from thermal expansion—from the fact that water grows in volume as it warms. The rest comes from the melting of ice on land. So far it’s been mostly mountain glaciers, but the big concern for the future is the giant ice sheets in Greenland and Antarctica. Six years ago the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) issued a report predicting a maximum of 23 inches of sea-level rise by the end of this century. But that report intentionally omitted the possibility that the ice sheets might flow more rapidly into the sea, on the grounds that the physics of that process was poorly understood.

As the IPCC prepares to issue a new report this fall, in which the sea-level forecast is expected to be slightly higher, gaps in ice-sheet science remain. But climate scientists now estimate that Greenland and Antarctica combined have lost on average about 50 cubic miles of ice each year since 1992—roughly 200 billion metric tons of ice annually. Many think sea level will be at least three feet higher than today by 2100. Even that figure might be too low.

“In the last several years we’ve observed accelerated melting of the ice sheets in Greenland and West Antarctica,” says Radley Horton, a research scientist at Columbia University’s Earth Institute in New York City. “The concern is that if the acceleration continues, by the time we get to the end of the 21st century, we could see sea-level rise of as much as six feet globally instead of two to three feet.” Last year an expert panel convened by the National Oceanic and Atmospheric Administration adopted 6.6 feet (two meters) as its highest of four scenarios for 2100. The U.S. Army Corps of Engineers recommends that planners consider a high scenario of five feet.

One of the biggest wild cards in all sea-level-rise scenarios is the massive Thwaites Glacier in West Antarctica. Four years ago NASA sponsored a series of flights over the region that used ice-penetrating radar to map the seafloor topography. The flights revealed that a 2,000-foot-high undersea ridge holds the Thwaites Glacier in place, slowing its slide into the sea. A rising sea could allow more water to seep between ridge and glacier and eventually unmoor it. But no one knows when or if that will happen.“That’s one place I’m really nervous about,” says Richard Alley, a glaciologist at Penn State University and an author of the last IPCC report. “It involves the physics of ice fracture that we really don’t understand.” If the Thwaites Glacier breaks free from its rocky berth, that would liberate enough ice to raise sea level by three meters—nearly ten feet. “The odds are in our favor that it won’t put three meters in the ocean in the next century,” says Alley. “But we can’t absolutely guarantee that. There’s at least some chance that something very nasty will happen.”

Even in the absence of something very nasty, coastal cities face a twofold threat: Inexorably rising oceans will gradually inundate low-lying areas, and higher seas will extend the ruinous reach of storm surges. The threat will never go away; it will only worsen. By the end of the century a hundred-year storm surge like Sandy’s might occur every decade or less. Using a conservative prediction of a half meter (20 inches) of sea-level rise, the Organisation for Economic Co-operation and Development estimates that by 2070, 150 million people in the world’s large port cities will be at risk from coastal flooding, along with $35 trillion worth of property—an amount that will equal 9 percent of the global GDP. How will they cope?

“During the last ice age there was a mile or two of ice above us right here,” says Malcolm Bowman, as we pull into his driveway in Stony Brook, New York, on Long Island’s north shore. “When the ice retreated, it left a heap of sand, which is Long Island. All these rounded stones you see—look there,” he says, pointing to some large boulders scattered among the trees near his home. “They’re glacial boulders.”

Bowman, a physical oceanographer at the State University of New York at Stony Brook, has been trying for years to persuade anyone who will listen that New York City needs a harbor-spanning storm-surge barrier. Compared with some other leading ports, New York is essentially defenseless in the face of hurricanes and floods. London, Rotterdam, St. Petersburg, New Orleans, and Shanghai have all built levees and storm barriers in the past few decades. New York paid a high price for its vulnerability last October. Sandy left 43 dead in the city, of whom 35 drowned; it cost the city some $19 billion. And it was all unnecessary, says Bowman.

“If a system of properly designed storm-surge barriers had been built—and strengthened with sand dunes at both ends along the low-lying coastal areas—there would have been no flooding damage from Sandy,” he says.

Bowman envisions two barriers: one at Throgs Neck, to keep surges from Long Island Sound out of the East River, and a second one spanning the harbor south of the city. Gates would accommodate ships and tides, closing only during storms, much like existing structures in the Netherlands and elsewhere. The southern barrier alone, stretching five miles between Sandy Hook, New Jersey, and the Rockaway Peninsula, might cost $10 billion to $15 billion, Bowman estimates. He pictures a six-lane toll highway on top that would provide a bypass route around the city and a light-rail line connecting the Newark and John F. Kennedy Airports.

“It could be an asset to the region,” says Bowman. “Eventually the city will have to face up to this, because the problem is going to get worse. It might take five years of study and another ten years to get the political will to do it. By then there might have been another disaster. We need to start planning immediately. Otherwise we’re mortgaging the future and leaving the next generation to cope as best it can.”

Another way to safeguard New York might be to revive a bit of its past. In the 16th-floor loft of her landscape architectural firm in lower Manhattan, Kate Orff pulls out a map of New York Harbor in the 19th century. The present-day harbor shimmers outside her window, calm and unthreatening on an unseasonably mild morning three months to the day after Sandy hit.

“Here’s an archipelago that protected Red Hook,” Orff says, pointing on the map to a small cluster of islands off the Brooklyn shore. “There was another chain of shoals that connected Sandy Hook to Coney Island.”

The islands and shallows vanished long ago, demolished by harbor-dredging and landfill projects that added new real estate to a burgeoning city. Orff would re-create some of them, particularly the Sandy Hook–Coney Island chain, and connect them with sluice gates that would close during a storm, forming an eco-engineered barrier that would cross the same waters as Bowman’s more conventional one. Behind it, throughout the harbor, would be dozens of artificial reefs built from stone, rope, and wood pilings and seeded with oysters and other shellfish. The reefs would continue to grow as sea levels rose, helping to buffer storm waves—and the shellfish, being filter feeders, would also help clean the harbor. “Twenty-five percent of New York Harbor used to be oyster beds,” Orff says.

Orff estimates her “oystertecture” vision could be brought to life at relatively low cost. “It would be chump change compared with a conventional barrier. And it wouldn’t be money wasted: Even if another Sandy never happens, you’d have a cleaner, restored harbor in a more ecologically vibrant context and a healthier New York.”

In June, Mayor Michael Bloomberg outlined a $19.5 billion plan to defend New York City against rising seas. “Sandy was a temporary setback that can ultimately propel us forward,” he said. The mayor’s proposal calls for the construction of levees, local storm-surge barriers, sand dunes, oyster reefs, and more than 200 other measures. It goes far beyond anything planned by any other American city. But the mayor dismissed the idea of a harbor barrier. “A giant barrier across our harbor is neither practical nor affordable,” Bloomberg said. The plan notes that since a barrier would remain open most of the time, it would not protect the city from the inch-by-inch creep of sea-level rise.

Meanwhile, development in the city’s flood zones continues. Klaus Jacob, a geophysicist at Columbia University, says the entire New York metropolitan region urgently needs a master plan to ensure that future construction will at least not exacerbate the hazards from rising seas.

“The problem is we’re still building the city of the past,” says Jacob. “The people of the 1880s couldn’t build a city for the year 2000—of course not. And we cannot build a year-2100 city now. But we should not build a city now that we know will not function in 2100. There are opportunities to renew our infrastructure. It’s not all bad news. We just have to grasp those opportunities.”

Will New York grasp them after Bloomberg leaves office at the end of this year? And can a single storm change not just a city’s but a nation’s policy? It has happened before. The Netherlands had its own stormy reckoning 60 years ago, and it transformed the country.

The storm roared in from the North Sea on the night of January 31, 1953. Ria Geluk was six years old at the time and living where she lives today, on the island of Schouwen Duiveland in the southern province of Zeeland. She remembers a neighbor knocking on the door of her parents’ farmhouse in the middle of the night to tell them that the dike had failed. Later that day the whole family, along with several neighbors who had spent the night, climbed to the roof, where they huddled in blankets and heavy coats in the wind and rain. Geluk’s grandparents lived just across the road, but water swept into the village with such force that they were trapped in their home. They died when it collapsed.

“Our house kept standing,” says Geluk. “The next afternoon the tide came again. My father could see around us what was happening; he could see houses disappearing. You knew when a house disappeared, the people were killed. In the afternoon a fishing boat came to rescue us.”

In 1997 Geluk helped found the Watersnoodmuseum—the “flood museum”—on Schouwen Duiveland. The museum is housed in four concrete caissons that engineers used to plug dikes in 1953. The disaster killed 1,836 in all, nearly half in Zeeland, including a baby born on the night of the storm.

Afterward the Dutch launched an ambitious program of dike and barrier construction called the Delta Works, which lasted more than four decades and cost more than six billion dollars. One crucial project was the five-mile-long Oosterscheldekering, or Eastern Scheldt barrier, completed 27 years ago to defend Zeeland from the sea. Geluk points to it as we stand on a bank of the Scheldt estuary near the museum, its enormous pylons just visible on the horizon. The final component of the Delta Works, a movable barrier protecting Rotterdam Harbor and some 1.5 million people, was finished in 1997.

Like other primary sea barriers in the Netherlands, it’s built to withstand a 1-in-10,000-year storm—the strictest standard in the world. (The United States uses a 1-in-100 standard.) The Dutch government is now considering whether to upgrade the protection levels to bring them in line with sea-level-rise projections.

Such measures are a matter of national security for a country where 26 percent of the land lies below sea level. With more than 10,000 miles of dikes, the Netherlands is fortified to such an extent that hardly anyone thinks about the threat from the sea, largely because much of the protection is so well integrated into the landscape that it’s nearly invisible.

On a bitingly cold February afternoon I spend a couple of hours walking around Rotterdam with Arnoud Molenaar, the manager of the city’s Climate Proof program, which aims to make Rotterdam resistant to the sea levels expected by 2025. About 20 minutes into our walk we climb a sloping street next to a museum designed by the architect Rem Koolhaas. The presence of a hill in this flat city should have alerted me, but I’m surprised when Molenaar tells me that we’re walking up the side of a dike. He gestures to some nearby pedestrians. “Most of the people around us don’t realize this is a dike either,” he says. The Westzeedijk shields the inner city from the Meuse River a few blocks to the south, but the broad, busy boulevard on top of it looks like any other Dutch thoroughfare, with flocks of cyclists wheeling along in dedicated lanes.

As we walk, Molenaar points out assorted subtle flood-control structures: an underground parking garage designed to hold 10,000 cubic meters—more than 2.5 million gallons—of rainwater; a street flanked by two levels of sidewalks, with the lower one designed to store water, leaving the upper walkway dry. Late in the afternoon we arrive at Rotterdam’s Floating Pavilion, a group of three connected, transparent domes on a platform in a harbor off the Meuse. The domes, about three stories tall, are made of a plastic that’s a hundred times as light as glass.

Inside we have sweeping views of Rotterdam’s skyline; hail clatters overhead as low clouds scud in from the North Sea. Though the domes are used for meetings and exhibitions, their main purpose is to demonstrate the wide potential of floating urban architecture. By 2040 the city anticipates that as many as 1,200 homes will float in the harbor. “We think these structures will be important not just for Rotterdam but for many cities around the world,” says Bart Roeffen, the architect who designed the pavilion. The homes of 2040 will not necessarily be domes; Roeffen chose that shape for its structural integrity and its futuristic appeal. “To build on water is not new, but to develop floating communities on a large scale and in a harbor with tides—that is new,” says Molenaar. “Instead of fighting against water, we want to live with it.”

While visiting the Netherlands, I heard one joke repeatedly: “God may have built the world, but the Dutch built Holland.” The country has been reclaiming land from the sea for nearly a thousand years—much of Zeeland was built that way. Sea-level rise does not yet panic the Dutch.

“We cannot retreat! Where could we go? Germany?” Jan Mulder has to shout over the wind—we’re walking along a beach called Kijkduin as volleys of sleet exfoliate our faces. Mulder is a coastal morphologist with Deltares, a private coastal management firm. This morning he and Douwe Sikkema, a project manager with the province of South Holland, have brought me to see the latest in adaptive beach protection. It’s called the zandmotor—the sand engine.

The seafloor offshore, they explain, is thick with hundreds of feet of sand deposited by rivers and retreating glaciers. North Sea waves and currents once distributed that sand along the coast. But as sea level has risen since the Ice Age, the waves no longer reach deep enough to stir up sand, and the currents have less sand to spread around. Instead the sea erodes the coast here.

The typical solution would be to dredge sand offshore and dump it directly on the eroding beaches—and then repeat the process year after year as the sand washes away. Mulder and his colleagues recommended that the provincial government try a different strategy: a single gargantuan dredging operation to create the sandy peninsula we’re walking on—a hook-shaped stretch of beach the size of 250 football fields. If the scheme works, over the next 20 years the wind, waves, and tides will spread its sand 15 miles up and down the coast. The combination of wind, waves, tides, and sand is the zandmotor.

The project started only two years ago, but it seems to be working. Mulder shows me small dunes that have started to grow on a beach where there was once open water. “It’s very flexible,” he says. “If we see that sea-level rise increases, we can increase the amount of sand.” Sikkema adds, “And it’s much easier to adjust the amount of sand than to rebuild an entire system of dikes.”

Later Mulder tells me about a memorial inscription affixed to the Eastern Scheldt barrier in Zeeland: “It says, ‘Hier gaan over het tij, de maan, de wind, en wij—Here the tide is ruled by the moon, the wind, and us.’ ” It reflects the confidence of a generation that took for granted, as we no longer can, a reasonably stable world. “We have to understand that we are not ruling the world,” says Mulder. “We need to adapt.”

With the threats of climate change and sea-level rise looming over us all, cities around the world, from New York to Ho Chi Minh City, have turned to the Netherlands for guidance. One Dutch firm, Arcadis, has prepared a conceptual design for a storm-surge barrier in the Verrazano Narrows to protect New York City. The same company helped design a $1.1 billion, two-mile-long barrier that protected New Orleans from a 13.6-foot storm surge last summer, when Hurricane Isaac hit. The Lower Ninth Ward, which suffered so greatly during Hurricane Katrina, was unscathed.

“Isaac was a tremendous victory for New Orleans,” Piet Dircke, an Arcadis executive, tells me one night over dinner in Rotterdam. “All the barriers were closed; all the levees held; all the pumps worked. You didn’t hear about it? No, because nothing happened.”

New Orleans may be safe for a few decades, but the long-term prospects for it and other low-lying cities look dire. Among the most vulnerable is Miami. “I cannot envision southeastern Florida having many people at the end of this century,” says Hal Wanless, chairman of the department of geological sciences at the University of Miami. We’re sitting in his basement office, looking at maps of Florida on his computer. At each click of the mouse, the years pass, the ocean rises, and the peninsula shrinks. Freshwater wetlands and mangrove swamps collapse—a death spiral that has already started on the southern tip of the peninsula. With seas four feet higher than they are today—a distinct possibility by 2100—about two-thirds of southeastern Florida is inundated. The Florida Keys have almost vanished. Miami is an island.

When I ask Wanless if barriers might save Miami, at least in the short term, he leaves his office for a moment. When he returns, he’s holding a foot-long cylindrical limestone core. It looks like a tube of gray, petrified Swiss cheese. “Try to plug this up,” he says. Miami and most of Florida sit atop a foundation of highly porous limestone. The limestone consists of the remains of countless marine creatures deposited more than 65 million years ago, when a warm, shallow sea covered what is now Florida—a past that may resemble the future here.

A barrier would be pointless, Wanless says, because water would just flow through the limestone beneath it. “No doubt there will be some dramatic engineering feats attempted,” he says. “But the limestone is so porous that even massive pumping systems won’t be able to keep the water out.”

Sea-level rise has already begun to threaten Florida’s freshwater supply. About a quarter of the state’s 19 million residents depend on wells sunk into the enormous Biscayne aquifer. Salt water is now seeping into it from dozens of canals that were built to drain the Everglades. For decades the state has tried to control the saltwater influx by building dams and pumping stations on the drainage canals. These “salinity-control structures” maintain a wall of fresh water behind them to block the underground intrusion of salt water. To offset the greater density of salt water, the freshwater level in the control structures is generally kept about two feet higher than the encroaching sea.

But the control structures also serve a second function: During the state’s frequent rainstorms their gates must open to discharge the flood of fresh water to the sea.“We have about 30 salinity-control structures in South Florida,” says Jayantha Obeysekera, the chief hydrological modeler at the South Florida Water Management District. “At times now the water level in the sea is higher than the freshwater level in the canal.” That both accelerates saltwater intrusion and prevents the discharge of flood waters. “The concern is that this will get worse with time as the sea-level rise accelerates,” Obeysekera says.

Using fresh water to block the salt water will eventually become impractical, because the amount of fresh water needed would submerge ever larger areas behind the control structures, in effect flooding the state from the inside. “With 50 centimeters [about 20 inches] of sea-level rise, 80 percent of the salinity-control structures in Florida will no longer be functional,” says Wanless. “We’ll either have to drown communities to keep the freshwater head above sea level or have saltwater intrusion.” When sea level rises two feet, he says, Florida’s aquifers may be poisoned beyond recovery. Even now, during unusually high tides, seawater spouts from sewers in Miami Beach, Fort Lauderdale, and other cities, flooding streets.

In a state exposed to hurricanes as well as rising seas, people like John Van Leer, an oceanographer at the University of Miami, worry that one day they will no longer be able to insure—or sell—their houses. “If buyers can’t insure it, they can’t get a mortgage on it. And if they can’t get a mortgage, you can only sell to cash buyers,” Van Leer says. “What I’m looking for is a climate-change denier with a lot of money.”

Unless we change course dramatically in the coming years, our carbon emissions will create a world utterly different in its very geography from the one in which our species evolved. “With business as usual, the concentration of carbon dioxide in the atmosphere will reach around a thousand parts per million by the end of the century,” says Gavin Foster, a geochemist at the University of Southampton in England. Such concentrations, he says, haven’t been seen on Earth since the early Eocene epoch, 50 million years ago, when the planet was completely ice free. According to the U.S. Geological Survey, sea level on an iceless Earth would be as much as 216 feet higher than it is today. It might take thousands of years and more than a thousand parts per million to create such a world—but if we burn all the fossil fuels, we will get there.

No matter how much we reduce our greenhouse gas emissions, Foster says, we’re already locked in to at least several feet of sea-level rise, and perhaps several dozens of feet, as the planet slowly adjusts to the amount of carbon that’s in the atmosphere already. A recent Dutch study predicted that the Netherlands could engineer solutions at a manageable cost to a rise of as much as five meters, or 16 feet. Poorer countries will struggle to adapt to much less. At different times in different places, engineering solutions will no longer suffice. Then the retreat from the coast will begin. In some places there will be no higher ground to retreat to.

By the next century, if not sooner, large numbers of people will have to abandon coastal areas in Florida and other parts of the world. Some researchers fear a flood tide of climate-change refugees. “From the Bahamas to Bangladesh and a major amount of Florida, we’ll all have to move, and we may have to move at the same time,” says Wanless. “We’re going to see civil unrest, war. You just wonder how—or if—civilization will function. How thin are the threads that hold it all together? We can’t comprehend this. We think Miami has always been here and will always be here. How do you get people to realize that Miami—or London—will not always be there?”

What will New York look like in 200 years? Klaus Jacob, the Columbia geophysicist, sees downtown Manhattan as a kind of Venice, subject to periodic flooding, perhaps with canals and yellow water cabs. Much of the city’s population, he says, will gather on high ground in the other boroughs. “High ground will become expensive, waterfront will become cheap,” he says. But among New Yorkers, as among the rest of us, the idea that the sea is going to rise—a lot—hasn’t really sunk in yet. Of the thousands of people in New York State whose homes were badly damaged or destroyed by Sandy’s surge, only 10 to 15 percent are expected to accept the state’s offer to buy them out at their homes’ pre-storm value. The rest plan to rebuild.

Climate Panel Cites Near Certainty on Warming (N.Y.Times)

Tim Wimborne/Reuters. A new report from the Intergovernmental Panel on Climate Change states that the authors are now 95 percent to 100 percent confident that human activity is the primary influence on planetary warming.

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Published: August 19, 2013

An international panel of scientists has found with near certainty that human activity is the cause of most of the temperature increases of recent decades, and warns that sea levels could conceivably rise by more than three feet by the end of the century if emissions continue at a runaway pace.

The level of carbon dioxide, the main greenhouse gas, is up 41 percent since the Industrial Revolution. Emissions from facilities like coal-fired power plants contribute.

The scientists, whose findings are reported in a draft summary of the next big United Nations climate report, largely dismiss a recent slowdown in the pace of warming, which is often cited by climate change doubters, attributing it most likely to short-term factors.

The report emphasizes that the basic facts about future climate change are more established than ever, justifying the rise in global concern. It also reiterates that the consequences of escalating emissions are likely to be profound.

“It is extremely likely that human influence on climate caused more than half of the observed increase in global average surface temperature from 1951 to 2010,” the draft report says. “There is high confidence that this has warmed the ocean, melted snow and ice, raised global mean sea level and changed some climate extremes in the second half of the 20th century.”

The draft comes from the Intergovernmental Panel on Climate Change, a body of several hundred scientists that won the Nobel Peace Prize in 2007, along with Al Gore. Its summaries, published every five or six years, are considered the definitive assessment of the risks of climate change, and they influence the actions of governments around the world. Hundreds of billions of dollars are being spent on efforts to reduce greenhouse emissions, for instance, largely on the basis of the group’s findings.

The coming report will be the fifth major assessment from the group, created in 1988. Each report has found greater certainty that the planet is warming and greater likelihood that humans are the primary cause.

The 2007 report found “unequivocal” evidence of warming, but hedged a little on responsibility, saying the chances were at least 90 percent that human activities were the cause. The language in the new draft is stronger, saying the odds are at least 95 percent that humans are the principal cause.

On sea level, which is one of the biggest single worries about climate change, the new report goes well beyond the assessment published in 2007, which largely sidestepped the question of how much the ocean could rise this century.

The new report also reiterates a core difficulty that has plagued climate science for decades: While averages for such measures as temperature can be predicted with some confidence on a global scale, the coming changes still cannot be forecast reliably on a local scale. That leaves governments and businesses fumbling in the dark as they try to plan ahead.

On another closely watched issue, the scientists retreated slightly from their 2007 position.

Regarding the question of how much the planet could warm if carbon dioxide levels in the atmosphere doubled, the previous report largely ruled out any number below 3.6 degrees Fahrenheit. The new draft says the rise could be as low as 2.7 degrees, essentially restoring a scientific consensus that prevailed from 1979 to 2007.

But the draft says only that the low number is possible, not that it is likely. Many climate scientists see only a remote chance that the warming will be that low, with the published evidence suggesting that an increase above 5 degrees Fahrenheit is more likely if carbon dioxide doubles.

The level of carbon dioxide, the main greenhouse gas, is up 41 percent since the Industrial Revolution, and if present trends continue it could double in a matter of decades.

Warming the entire planet by 5 degrees Fahrenheit would add a stupendous amount of energy to the climate system. Scientists say the increase would be greater over land and might exceed 10 degrees at the poles.

They add that such an increase would lead to widespread melting of land ice, extreme heat waves, difficulty growing food and massive changes in plant and animal life, probably including a wave of extinctions.

The new document is not final and will not become so until an intensive, closed-door negotiating session among scientists and government leaders in Stockholm in late September. But if the past is any guide, most of the core findings of the document will survive that final review.

The document was leaked over the weekend after it was sent to a large group of people who had signed up to review it. It was first reported on in detail by the Reuters news agency, and The New York Times obtained a copy independently to verify its contents.

The Intergovernmental Panel on Climate Change does no original research, but instead periodically assesses and summarizes the published scientific literature on climate change.

The draft document “is likely to change in response to comments from governments received in recent weeks and will also be considered by governments and scientists at a four-day approval session at the end of September,” the panel’s spokesman, Jonathan Lynn, said in a statement Monday. “It is therefore premature and could be misleading to attempt to draw conclusions from it.”

After winning the Nobel Peace Prize six years ago, the group became a political target for climate doubters, who helped identify minor errors in the 2007 report. This time, the panel adopted rigorous procedures in the hope of preventing such mistakes.

Some climate doubters challenge the idea that the earth is warming at all; others concede that it is, but deny human responsibility; still others acknowledge a human role, but assert that the warming is likely to be limited and the impacts manageable. Every major scientific academy in the world has warned that global warming is a serious problem.

The panel shifted to a wider range for the potential warming, dropping the plausible low end to 2.7 degrees, after a wave of recent studies saying higher estimates were unlikely. But those studies are contested, and scientists at Stockholm are likely to debate whether to stick with that language.

Michael E. Mann, a climate scientist at Pennsylvania State University, said he feared the intergovernmental panel, in writing its draft, had been influenced by criticism from climate doubters, who advocate even lower numbers. “I think the I.P.C.C. on this point has once again erred on the side of understating the degree of the likely changes,” Dr. Mann said.

However, Christopher B. Field, a researcher at the Carnegie Institution for Science who serves on the panel but was not directly involved in the new draft, said the group had to reflect the full range of plausible scientific views.

“I think that the I.P.C.C. has a tradition of being very conservative,” Dr. Field said. “They really want the story to be right.”

Regarding the likely rise in sea level over the coming century, the new report lays out several possibilities. In the most optimistic, the world’s governments would prove far more successful at getting emissions under control than they have been in the recent past, helping to limit the total warming.

In that circumstance, sea level could be expected to rise as little as 10 inches by the end of the century, the report found. That is a bit more than the eight-inch increase in the 20th century, which proved manageable even though it caused severe erosion along the world’s shorelines.

At the other extreme, the report considers a chain of events in which emissions continue to increase at a swift pace. Under those conditions, sea level could be expected to rise at least 21 inches by 2100 and might increase a bit more than three feet, the draft report said.

Hundreds of millions of people live near sea level, and either figure would represent a challenge for humanity, scientists say. But a three-foot rise in particular would endanger many of the world’s great cities — among them New York; London; Shanghai; Venice; Sydney, Australia; Miami; and New Orleans.

A version of this article appears in print on August 20, 2013, on page A1 of the New York edition with the headline: Climate Panel Cites Near Certainty on Warming.

The Battle Over Global Warming Is All in Your Head (Time)

Despite the fact that more people now acknowledge that climate change represents a significant threat to human well-being, this has yet to translate into any meaningful action. Psychologists may have an answer as to why this is

By , Aug. 19, 2013

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ANDREY SMIRNOV/AFP/GETTY IMAGES. Climate campaigns, like this one from Greenpeace in Moscow, have failed to galvanize public support for strong climate action

Today the scientific community is in almost total agreement that the earth’s climate is changing as a result of human activity, and that this represents a huge threat to the planet and to us. According to a Pew survey conducted in March, however, public opinion lags behind the scientific conclusion, with only 69% of those surveyed accepting the view that the earth is warming — and only 1 in 4 Americans see global warming as a major threat. Still, 69% is a solid majority, which begs the question, Why aren’t we doing anything about it?

This political inertia in the face of unprecedented threat is the most fundamental challenge to tackling climate change. Climate scientists and campaigners have long debated how to better communicate the message to nonexperts so that climate science can be translated into action. According to Christopher Rapley, professor of climate science at University College London, the usual tactic of climate experts to provide the public with information isn’t enough because “it does not address key underlying causes.” We are all bombarded with the evidence of climate change on an almost a daily basis, from new studies and data to direct experiences of freakish weather events like last year’s epic drought in the U.S. The information is almost unavoidable.

If it’s not a data deficit that’s preventing people from doing more on global warming, what is it? Blame our brains. Renee Lertzman, an applied researcher who focuses on the psychological dimensions of sustainability, explains that the kind of systemic threat that climate change poses to humans is “unique both psychologically and socially.” We face a minefield of mental barriers and issues that prevent us from confronting the threat.

For some, the answer lies in cognitive science. Daniel Gilbert, a professor of psychology at Harvard, has written about why our inability to deal with climate change is due in part to the way our mind is wired. Gilbert describes four key reasons ranging from the fact that global warming doesn’t take a human form — making it difficult for us to think of it as an enemy — to our brains’ failure to accurately perceive gradual change as opposed to rapid shifts. Climate change has occurred slowly enough for our minds to normalize it, which is precisely what makes it a deadly threat, as Gilbert writes, “because it fails to trip the brain’s alarm, leaving us soundly asleep in a burning bed.”

Robert Gifford, a professor of psychology and environmental studies at the University of Victoria in Canada, also picks up on the point about our brains’ difficulty in grasping climate change as a threat. Gifford refers to this and other psychological barriers to mitigating climate change as “dragons of inaction.” Since authoring a paperon the subject in 2011 in which he outlined seven main barriers, or dragons, he has found many more. “We’re up to around 30,” he notes. “Now it’s time to think about how we can slay these dragons.” Gifford lists factors such as limited cognition or ignorance of the problem, ideologies or worldviews that may prevent action, social comparisons with other people and perceived inequity (the “Why should we change if X corporation or Y country won’t?”) and the perceived risks of changing our behavior.

Gifford is reluctant to pick out one barrier as being more powerful or limiting than another. “If I had to name one, I would nominate the lack of perceived behavioral control; ‘I’m only one person, what can I do?’ is certainly a big one.” For many, the first challenge will be in recognizing which dragons they have to deal with before they can overcome them. “If you don’t know what your problem is, you don’t know what the solution is,” says Gifford.

Yet this approach can only work if people are prepared to acknowledge that they have a problem. But for those of us who understand that climate change is a problem yet make little effort to cut the number of overseas trips we make or the amount of meat we consume, neither apathy nor denial really explains the dissonance between our actions and beliefs. Lertzman has come to the conclusion that this is not because of apathy — a lack of feeling — but because of the simple fact that we care an overwhelming amount about both the planet and our way of life, and we find that conflict too painful to bear. Our apparent apathy is just a defense mechanism in the face of this psychic pain.

“We’re reluctant to come to terms with the fact that what we love and enjoy and what gives us a sense of who we are is also now bound up with the most unimaginable devastation,” says Lertzman. “When we don’t process the pain of that, that’s when we get stuck and can’t move forward.” Lertzman refers to this inability to mourn as “environmental melancholia,” and points to South Africa’s postapartheid Truth and Reconciliation Commission as an example of how to effectively deal with this collective pain. “I’m not saying there should be one for climate or carbon, but there’s a lot to be said for providing a means for people to talk together about climate change, to make it socially acceptable to talk about it.”

Rosemary Randall, a trained psychotherapist, has organized something close to this. She runs the U.K.-based Carbon Conversations, a program that brings people together to talk in a group setting about ways of halving their personal carbon footprint. Writing in Aeon, an online magazine, Randall suggests that climate change is such a disturbing subject, that “like death, it can raise fears and anxieties that people feel have no place in polite conversation.” Randall acknowledges that while psychology and psychoanalysis aren’t the sole solutions to tackling climate change, “they do offer an important way of thinking about the problem.”

Lertzman says the mainstream climate-change community has been slow to register the value of psychology and social analysis in addressing global warming. “I think there’s a spark of some interest, but also a wariness of what this means, what it might look like,” she notes. Gifford says otherwise, however, explaining that he has never collaborated with other disciplines as much as he does now. “I may be a little biased because I’m invested in working in it, but in my view, climate change, and not mental health, is the biggest psychological problem we face today because it affects 100% of the global population.”

Despite the pain, shame, difficulty and minefield of other psychological barriers that we face in fully addressing climate change, both Lertzman and Gifford are still upbeat about our ability to face up to the challenge. “It’s patronizing to say that climate change is too big or abstract an issue for people to deal with,” says Lertzman. “There can’t be something about the human mind that stops us grappling with these issues given that so many people already are — maybe that’s what we should be focusing on instead.”

Read more: http://science.time.com/2013/08/19/in-denial-about-the-climate-the-psychological-battle-over-global-warming/#ixzz2chLdZ25H

Black Bloc: “Fazemos o que os outros não têm coragem de fazer” (Revista Fórum)

Eles afirmam não temer o confronto com a polícia e defendem a destruição de “alvos capitalistas”. Conheça a história e a forma de luta que se popularizou com o movimento antiglobalização e ganha destaque no Brasil

Esta matéria faz parte da edição 125 da revista Fórum.

Por Paulo Cezar Monteiro

20/08/2013 7:20 pm

“Os ativistas Black Bloc não são manifestantes, eles não estão lá para protestar. Eles estão lá para promover uma intervenção direta contra os mecanismos de opressão, suas ações são concebidas para causar danos às instituições opressivas.” É dessa forma que a estratégia de ação do grupo que vem ganhando notoriedade devido às manifestações no País é definida por um vídeo, divulgado pela página do Facebook “Black Bloc Brasil”, que explica parte das motivações e forma de pensar dos seus adeptos.

A ação, ou estratégia de luta, pode ser reconhecida em grupos de pessoas vestidas de preto, com máscaras ou faixas cobrindo os rostos. Durante os protestos, eles andam sempre juntos e, usualmente, atacam de maneira agressiva bancos, grandes corporações ou qualquer outro símbolo das instituições Eles afirmam não temer o confronto com a polícia e defendem a destruição de “alvos capitalistas”. Conheça a história e a forma de luta que se popularizou com o movimento antiglobalização e ganha destaque no Brasil “capitalistas e opressoras”, além de, caso julguem necessário, resistirem ou contra-atacarem intervenções policiais.

Devido ao atual ciclo de protestos de rua, o Black Bloc entrou no centro do debate político nacional. Parte das análises e opiniões classifica as suas ações como “vandalismo” ou “violência gratuita”, e também são recorrentes as críticas ao anonimato produzido pelas máscaras ou panos cobrindo a face dos adeptos. Mas o Black Bloc não é uma organização ou entidade. Leo Vinicius, autor do livro Urgência das ruas – Black Bloc, Reclaim the Streets e os Dias de Ação Global, da Conrad, (sob o pseudônimo Ned Ludd), a define o como uma forma de agir, orientada por procedimentos e táticas, que podem ser usados para defesa ou ataque em uma manifestação pública.

(Flickr.com/nofutureface)

Zuleide Silva (nome fictício), anarquista e adepta do Black Bloc no Ceará, frisa que eles têm como alvo as “instituições corporativas” e tentam defender os manifestantes fora do alcance das ações repressoras da polícia. “Fazemos o que os manifestantes não têm coragem de fazer. Botamos nossa cara a tapa por todo mundo”, afirma.

O jornalista e estudioso de movimentos anarquistas, Jairo Costa, no artigo “A tática Black Bloc”, publicado na Revista Mortal, lembra que o Black Bloc surgiu na Alemanha, na década de 1980, como uma forma utilizada por autonomistas e anarquistas para defenderem os squats (ocupações) e as universidades de ações da polícia e ataques de grupos nazistas e fascistas. “O Black Bloc foi resultado da busca emergencial por novas táticas de combate urbano contra as forças policiais e grupos nazifascistas. Diferentemente do que muitos pensam, o Black Bloc não é um tipo de organização anarquista, ONG libertária ou coisa parecida, é uma ação de guerrilha urbana”, contextualiza Costa.

De acordo com um dos “documentos informativos” disponíveis na página do Facebook, alguns dos elementos que os caracterizam são a horizontalidade interna, a ausência de lideranças, a autonomia para decidir onde e como agir, além da solidariedade entre os integrantes. Atualmente, há registros, por exemplo, de forças de ação Black Bloc nas recentes manifestações e levantes populares no Egito.

Manifestantes se reúnem em rua do Leblon, no Rio de Janeiro, próximos à casa do governador Sérgio Cabral (Foto: Mídia Ninja)

Black Bloc no Brasil

Para Leo Vinicius, é um “pouco surpreendente” que essa estratégia de manifestação urbana, bastante difundida ao redor do mundo, tenha demorado a chegar por aqui. “Essa forma de agir em protestos e manifestações ganhou muito destaque dentro dos movimentos antiglobalização, na virada da década de 1990 para 2000. Não é uma forma de ação política realmente nova”. No Brasil, existem páginas do movimento de quase todas as capitais e grandes cidades, a maior parte delas criadas durante o período de proliferação dos protestos. A maior é a Black Bloc Brasil, com quase 35 mil seguidores, seguida pela Black Bloc–RJ, com quase 20 mil membros.

A respeito da relação com o anarquismo, Vinicius faz uma ressalva. É preciso deixar claro que a noção de que “toda ação Black Bloc é feita por anarquistas e que todos anarquistas fazem Black Bloc” é falsa. “A história do Black Bloc tem uma ligação com o anarquismo, mas outras correntes como os autonomistas, comunistas e mesmo independentes também participavam. Nunca foi algo exclusivo do anarquismo. Na prática, o Black Bloc, por se tratar de uma estratégia de operação, pode ser utilizado até por movimentos da direita”, explica o escritor.

Para alguns ativistas, o processo de aceitação das manifestações de rua, feito pela grande mídia e por parte do público, de certa forma impôs que, para serem considerados legítimos, os protestos deveriam seguir um padrão: pacífico, organizado, com cartazes e faixas bem feitas e em perfeito acordo com as leis. Vinicius demonstra certa preocupação com a possibilidade do fortalecimento da ideia de que essa forma “pacífica” seja vista como o único meio possível ou legítimo de protestar. Ele afirma que não entende como violenta a ação Black Bloc de quebrar uma vidraça ou se defender de uma ação policial excessiva. “A violência é um conceito bastante subjetivo. Por isso, não dá pra taxar qualquer ato como violento, é preciso contextualizá-lo, entender as motivações por trás de cada gesto”, avalia.

Para ele, a eficácia de uma manifestação está em saber articular bem formas de ação “pacíficas” e “não pacíficas”. Foi esse equilíbrio, analisa, que fez com que o Movimento Passe Livre – São Paulo (MPL-SP) barrasse o aumento da tarifa na capital paulista. “Só com faixas e cartazes a tarifa não teria caído”, atesta. “Quem tem o poder político nas mãos só cede a uma reivindicação pelo medo, por sentir que as coisas podem sair da rotina, de que ele pode perder o controle do Estado”, sentencia.

Por outro lado, Vinicius alerta que é preciso perceber os limites para evitar que as ações mais “radicais” façam com que o movimento seja criminalizado ou se isole da sociedade e, com isso, perca o potencial de realizar qualquer mudança. Em sua obra, faz a seguinte definição daqueles que adotam a estratégia Black Bloc: “Eles praticam uma desobediência civil ativa e ação direta, afastando assim a política do teatro virtual perfeitamente doméstico, dentro do qual [a manifestação política tradicional] permanece encerrada. Os BB não se contentam com simples desfiles contestatórios, certamente importantes pela sua carga simbólica, mas incapazes de verdadeiramente sacudir a ordem das coisas”, aponta.

Outra crítica recorrente é o fato de os BB usarem máscaras ou panos para cobrirem os rostos. Os adeptos da ação explicam que as máscaras são um meio de proteger suas identidades para “evitar a perseguição policial” e outras formas de criminalização, como também criar um “sentimento de unidade” e impedir o surgimento de um “líder carismático”.

Luta antiglobalização

Com o passar do tempo, segundo Jairo Costa, as táticas Black Bloc passaram a ser reconhecidas como um meio de expressar a ira anticapitalista. Ele explica que geralmente as ações são planejadas para acontecer durante grandes manifestações de movimentos de esquerda.

O estudioso destaca como um dos momentos mais significativos da história Black Bloc a chamada “Batalha de Seattle”, em 1999, contra uma rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em 30 de novembro daquele ano, após uma tarde de confrontos com as forças policiais, uma frente móvel de black blockers conseguiu quebrar o isolamento criado entre os manifestantes e o centro comercial da cidade. Após vencer o cerco policial, os manifestantes promoveram a destruição de várias propriedades, limusines e viaturas policiais, e fizeram várias pichações com a mensagem “Zona Autônoma Temporária”. Estimativas apontam prejuízos de 10 milhões de dólares, além de centenas de feridos e 68 prisões.

Para Costa, um dos episódios mais impactantes – e duros – da história Black Bloc foi o assassinato de Carlo Giuliani, jovem anarquista de 23 anos, durante a realização simultânea do Fórum Social de Gênova e a reunião do G8 (Grupo dos oito países mais ricos), na Itália, em julho de 2001. Ele lembra que, após vários confrontos violentos – alguns deles vencidos pelos manifestantes, que chegaram a provocar a fuga dos policiais, que deixaram carros blindados para trás –, ocorreu o episódio que levou à morte de Giuliani.
“Ele partiu para cima de um carro de polícia tentando atirar nele um extintor de incêndio. Muitos fotógrafos estavam por lá e seus registros falam por si. Ao se aproximar do carro, Giuliani é atingido por dois tiros, um na cabeça. E, numa cena macabra, o carro da polícia dá marcha a ré e atropela-o várias vezes”, narra. Os assassinos de Carlo Giuliani não foram condenados. Dois anos após o fato, a Justiça italiana considerou que a ação policial se deu como “reação legítima” ao comportamento do militante.

Alvos capitalistas

Entre as formas de ação direta do Black Bloc destacam-se os ataques aos chamados “alvos simbólicos do capital”, que incluem joalherias, lanchonetes norte-americanas ou ainda a depredação de instituições oficiais e empresas multinacionais. Costa explica que essas ações “não têm como objetivo atingir pessoas, mas bens de capital”.

Zuleide justifica a destruição praticada contra multinacionais ou outros símbolos capitalistas, porque elas seriam mecanismo de “exploração e exclusão das pessoas”. “Queremos que esses meios que oprimem e desrespeitam um ser humano se explodam, vão embora, morram. Trabalhar dez horas por dia para não ganhar nada, isso é o que nos enfurece. Por isso, nossas ações diretas a eles, porque queremos causar prejuízos, para que percebam que há pessoas que rejeitam aquilo e que lutam pela população”, explica.

Ela reconhece que essas ações diretas podem deixá-los “mal vistos” na sociedade, já que há pessoas que pensam: “Droga, não vou poder mais comer no ***** porque destruíram tudo”. Porém, Zuleide afirma que o trabalhador, explorado por essas corporações, “adoraria fazer o que nós fazemos”, mas, por ter família para sustentar e contas a pagar, não faz. “Esse é mais um dos motivos que nos fazem do jeito que somos”, pontua.

Vinicius explica que, nas “ações diretas”, os black blockers atacam bens particulares por considerarem que “a propriedade privada – principalmente a propriedade privada corporativa – é em si própria muito mais violenta do que qualquer ação que possa ser tomada contra ela”. Quebrar vitrines de lojas, por exemplo, teria como função destruir “feitiços” criados pela ideologia capitalista. Esses “feitiços” seriam meios de “embalar o esquecimento” de todas as violências cometidas “em nome do direito de propriedade privada” e de “todo o potencial de uma sociedade sem ela [as vitrines]”.

Sem violência?

Em praticamente todas as manifestações, independentemente das causas e dos organizadores, tornou-se comum o grito: “Sem violência! Sem violência!”, que tinha como destinatários os policiais que, teoricamente, entenderiam o caráter “pacifista” do ato. Também seria uma tentativa de coibir a ação de “vândalos” ou “baderneiros”, que perceberiam não contar com o apoio do restante da massa.

Zuleide reconhece que, inicialmente, a ação Black Bloc era alvo desses gritos, mas, segundo ela, quando as pessoas entendem a forma como eles atuam, isso muda. “Os manifestantes perceberam que o Estado não iria nos deixar falar, nos deixar reivindicar algo, e começaram a nos reprimir. Quando há confronto [com a polícia], nós os ajudamos retardando a movimentação policial ou tirando eles de situações que ofereçam perigo, e alguns perceberam isso”, afirma.

Apesar de os confrontos com policiais não serem uma novidade durante as suas ações, os adeptos afirmam não ter como objetivo atacar policiais. Contudo, outro documento intitulado “Manifesto Black Bloc” deixa claro que, caso a polícia assuma um caráter “opressor ou repressor”, ela se torna, automaticamente, uma “inimiga”.

No “Manual de Ação Direta – Black Bloc”, também disponível na internet, a desobediência civil é definida como “a não aceitação” de uma regra, lei ou decisão imposta, “que não faça sentido e para não se curvar a quem a impõe. É este o princípio da desobediência civil, violenta ou não”. Entre as possibilidades de desobediência civil são citadas, por exemplo, a não aceitação da proibição da polícia que a manifestação siga por determinado caminho, a resistência à captura de algum manifestante ou, ainda, a tentativa de resgatar alguém detido pelos policiais.

Também são ensinadas táticas para resistir a gás lacrimogêneo, sprays de pimenta e outras formas de ação policial, além de dicas de primeiros socorros e direitos legais dos manifestantes. De acordo com o documento, as orientações desse manual tratam apenas da desobediência civil “não violenta”.

Outra orientação é que seja definido, antes da manifestação, se a desobediência civil será “violenta” ou “não violenta”. Caso se opte pela ação ‘não violenta’, essa decisão deve ser respeitada por todos, visto que não cumprir o combinado pode pôr “em risco” outros companheiros, além de ser um sinal de “desrespeito”.

Contudo, o mesmo manual deixa claro que o que “eles fazem conosco” todos os dias é uma violência, sendo assim, “a desobediência violenta é uma reação a isso e, portanto, não é gratuita, como eles tentam fazer parecer”.

Uma breve história

1980: O termo Black Bloc (Schwarzer Block) é usado pela primeira vez pela polícia alemã, como
forma de identificar grupos de esquerda na época denominados “autônomos, ou autonomistas”, que lutavam contra a repressão policial aos squats (ocupações).

1986: Fundada, em Hamburgo (Alemanha), a liga autonomista Black Bloc 1500, para defender o Hafenstrasse Squat.

1987: Anarquistas vestidos com roupas pretas protestam em Berlim Ocidental, por ocasião da presença de Ronald Reagan, então presidente dos EUA, na cidade.

1988: Em Berlim Ocidental, o Black Bloc confronta-se com a polícia durante uma manifestação
contra a reunião do Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

1992: Em São Francisco (EUA), na ocasião do 500º aniversário da descoberta da América por Cristóvão Colombo, o Black Bloc manifesta-se contra o genocídio de povos nativos das Américas.

1999: Seattle contra a Organização Mundial do Comércio (OMC). Estima-se em 500 o número de integrantes do Black Bloc que destruíram o centro econômico da cidade.

2000: Em Washington, durante reunião do FMI e Banco Mundial, cerca de mil black blockers anticapitalistas saíram às ruas e enfrentaram a polícia.

2000: Em Praga (República Tcheca), forma-se um dos maiores Black Blocs que se tem notícia, durante a reunião do FMI. Cerca de 3 mil anarquistas lutam contra a polícia tcheca.

2001: Quebec (Canadá). Membros do Black Bloc
são acusados de agredir um policial durante uma marcha pela paz nas ruas de Quebec. Após esse evento, a população local e vários manifestantes de esquerda distanciaram-se da tática Black Bloc e de seus métodos extremos.

2001: A cidade de Gênova (Itália), ao mesmo tempo, recebeu a cúpula do G8 e realizou o Fórum Social de Gênova, com um grande número de Black blockers, além de aproximadamente de 200 mil ativistas. A ação ficou marcada pela violenta morte do jovem Carlo Giuliani, de 23 anos.

2007: Em Heiligendamm (Alemanha), reunião do G8 foi alvo de uma ação com a participação de cerca de 5 mil blackblockers . Mobilização Black Bloc de cerca de 5.000 pessoas

2010: Toronto (Canadá), na reunião do G20. Neste confronto, mais de 500 manifestantes foram presos e dezenas de outros ativistas foram parar em hospitais com inúmeras fraturas.

2013: Cairo (Egito). O Black Bloc aparece com forte atuação nos protestos da Praça Tahir, no combate e resistência ao exército do então presidente Hosni Mubarak.

Fonte: Artigo “A Tática Black Bloc”, escrito por Jairo Costa, na Revista Mortal, 2010

Peter Pál Pelbart: “Anota aí: eu sou ninguém” (Folha de S.Paulo)

19/07/2013 – 03h30

Slavoj Zizek reconheceu no “Roda Viva” que é mais fácil saber o que quer uma mulher, brincando com a “boutade” freudiana, do que entender o Occupy Wall Street.

Não é diferente conosco. Em vez de perguntar o que “eles”, os manifestantes brasileiros, querem, talvez fosse o caso de perguntar o que a nova cena política pode desencadear. Pois não se trata apenas de um deslocamento de palco –do palácio para a rua–, mas de afeto, de contaminação, de potência coletiva. A imaginação política se destravou e produziu um corte no tempo político.

A melhor maneira de matar um acontecimento que provocou inflexão na sensibilidade coletiva é reinseri-lo no cálculo das causas e efeitos. Tudo será tachado de ingenuidade ou espontaneismo, a menos que dê “resultados concretos”.

Como se a vivência de milhões de pessoas ocupando as ruas, afetadas no corpo a corpo por outros milhões, atravessados todos pela energia multitudinária, enfrentando embates concretos com a truculência policial e militar, inventando uma nova coreografia, recusando os carros de som, os líderes, mas ao mesmo tempo acuando o Congresso, colocando de joelhos as prefeituras, embaralhando o roteiro dos partidos –como se tudo isso não fosse “concreto” e não pudesse incitar processos inauditos, instituintes!

Como supor que tal movimentação não reata a multidão com sua capacidade de sondar possibilidades? É um fenômeno de vidência coletiva –enxerga-se o que antes parecia opaco ou impossível.

E a pergunta retorna: afinal, o que quer a multidão? Mais saúde e educação? Ou isso e algo ainda mais radical: um outro modo de pensar a própria relação entre a libido social e o poder, numa chave da horizontalidade, em consonância com a forma mesma dos protestos?

O Movimento Passe Livre, com sua pauta restrita, teve uma sabedoria política inigualável. Soube até como driblar as ciladas policialescas de repórteres que queriam escarafunchar a identidade pessoal de seus membros (“Anota aí: eu sou ninguém”, dizia uma militante, com a malícia de Odisseu, mostrando como certa dessubjetivação é condição para a política hoje. Agamben já o dizia, os poderes não sabem o que fazer com a “singularidade qualquer”).

Mas quando arrombaram a porteira da rua, muitos outros desejos se manifestaram. Falamos de desejos e não de reivindicações, porque estas podem ser satisfeitas. O desejo coletivo implica imenso prazer em descer à rua, sentir a pulsação multitudinária, cruzar a diversidade de vozes e corpos, sexos e tipos e apreender um “comum” que tem a ver com as redes, com as redes sociais, com a inteligência coletiva.

Tem a ver com a certeza de que o transporte deveria ser um bem comum, assim como o verde da praça Taksim, assim como a água, a terra, a internet, os códigos, os saberes, a cidade, e de que toda espécie de “enclosure” é um atentado às condições da produção contemporânea, que requer cada vez mais o livre compartilhamento do comum.

Tornar cada vez mais comum o que é comum –outrora chamaram isso de comunismo. Um comunismo do desejo. A expressão soa hoje como um atentado ao pudor. Mas é a expropriação do comum pelos mecanismos de poder que ataca e depaupera capilarmente aquilo que é a fonte e a matéria mesma do contemporâneo –a vida (em) comum.

Talvez uma outra subjetividade política e coletiva esteja (re)nascendo, aqui e em outros pontos do planeta, para a qual carecemos de categorias. Mais insurreta, de movimento mais do que de partido, de fluxo mais do que de disciplina, de impulso mais do que de finalidades, com um poder de convocação incomum, sem que isso garanta nada, muito menos que ela se torne o novo sujeito da história.

Mas não se deve subestimar a potência psicopolítica da multidão, que se dá o direito de não saber de antemão tudo o que quer, mesmo quando enxameia o país e ocupa os jardins do palácio, pois suspeita que não temos fórmulas para saciar nosso desejo ou apaziguar nossa aflição.

Como diz Deleuze, falam sempre do futuro da revolução, mas ignoram o devir revolucionário das pessoas.

PETER PÁL PELBART, 57, filósofo húngaro, é professor titular de filosofia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, tradutor de Deleuze e autor de “Vida Capital”

Protestos podem voltar mais fortes e incontroláveis, diz sociólogo (Deutsche Welle)

Boaventura de Sousa Santos aponta a insatisfação popular como fruto da expansão da classe média brasileira, que ficou mais exigente. Para ele, só uma reforma política profunda pode evitar que povo volte às ruas.

Data 09.07.2013

Autoria Fernando Caulyt

Edição Renate Krieger / Rafael Plaisant

Os protestos no Brasil perderam intensidade, mas, se o governo não der uma resposta rápida às reivindicações do povo, podem voltar ainda mais fortes – e de forma incontrolável. O alerta é do português Boaventura de Sousa Santos, doutor em sociologia pela Universidade de Yale (EUA) e diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (Portugal).

Autor de estudos sobre emancipação social, direitos coletivos e democracia participativa, ele vê a onda de indignação que tomou as ruas do país como fruto das mudanças vividas pela sociedade brasileira nas últimas décadas. A classe média, afirma, cresceu e com ela as demandas dos cidadãos por melhores serviços públicos ganharam força.

Para Boaventura, o Congresso está “divorciado das prioridades dos cidadãos” e, por isso, uma reforma política se faz necessária. “Há medidas de emergência que têm de ser tomadas, mas nada disso é possível se não houver uma reforma política profunda. Neste momento todo o sistema político tende a perverter e a inverter as suas prioridades”, afirma em entrevista à DW Brasil.

Deutsche Welle: Como o senhor avalia a onda de protestos?

Boaventura de Sousa Santos: As manifestações foram uma surpresa tanto no plano interno como no plano internacional. Tudo levava a crer que tudo no Brasil estava indo bem. Internamente, os próprios partidos, especialmente o do governo, foram apanhados de surpresa. O que foi surpresa foi o motivo para que a explosão ocorresse. Havia um mal-estar, e ele resulta do êxito das políticas que foram instituídas no Brasil a partir de 2003 [quando Lula assumiu o poder] e que fizeram com que 40 milhões de pessoas entrassem para a classe média.

Protestos foram realizados em cidades brasileiras e no exterior

Elas criaram expectativas não só no que diz respeito à sua vida, mas também ao modo como se posicionam na sociedade, ao modo como usam os serviços públicos. E esses 40 milhões começaram a ver que, nos últimos tempos, pelo menos, havia uma certa estagnação dessas políticas. Os serviços públicos não acompanharam as transformações sociais.

A chamada “classe C” ficou mais exigente?

Eu penso que sim, pois as políticas de inclusão realizadas nos últimos dez anos atingiram seu limite e as formas de participação não são hoje tão eficazes quanto eram. Além disso, o serviço público não se desenvolveu como deveria. O caso da saúde é significativo. Por outro lado, num país que tem uma tradição de movimentos sociais fortes, eles viram suas atividades nos últimos tempos se tornarem bastante restringidas. Por isso começou a haver uma certa frustração quanto às prioridades do governo e, naturalmente, um desgaste.

Que medidas o governo Dilma deveria tomar para atender às exigências da população?

A medida fundamental é uma reforma política. Fica evidente que há medidas de emergência que têm de ser tomadas, mas nada disso é possível se não houver uma reforma política profunda, porque neste momento todo o sistema político tende a perverter e a inverter as suas prioridades. Dilma tomou essa medida corajosa, de propor uma revisão constitucional, mas o Congresso não tem grande vontade política para uma reforma política profunda.

As respostas que o governo e o Congresso deram até agora não são satisfatórias?

Como é que o Congresso é capaz de aprovar num prazo de uma semana tantas leis e questões importantes, como a [tipificação da] corrupção como crime hediondo? Essa correria tem um lado positivo e um lado negativo. Isso mostra que o Congresso só se move se houver pressão popular. Portanto, esse é o lado negativo: o Congresso está divorciado das prioridades dos cidadãos e só acorda quando os cidadãos o obrigam a acordar. É por isso que é necessária uma reforma política.

Sousa Santos diz que existe uma crise de representatividade no sistema político brasileiro e de outros países

Para o senhor, quem são os manifestantes?

As manifestações são muito importantes para pressionar as instituições, os partidos e os governos, mas elas não fazem propriamente uma formulação política. O que elas fazem é pressão para que haja formulação política. Vimos no Brasil como as agendas eram tão diversas quanto a composição das classes presentes nos protestos. Houve uma forte presença da juventude. As manifestações têm uma composição e, misturadas nelas, há forças aproveitadoras que tentaram tirar dividendos contra o PT. Mas elas são uma minoria. É uma insatisfação popular, sobretudo das camadas mais jovens, contra uma política que não responde aos seus anseios.

É possível manter uma mobilização de massa a longo prazo?

Mesmo nos casos dos países que ela se mantém durante mais tempo, como durante o Occupy, nos EUA, e agora no Egito, tudo acontece por etapas. Portanto, há momentos de refluxo. E eu penso que, no caso brasileiro, ela não se aguenta neste momento, embora possa vir a explodir mais tarde. Neste momento há uma certa espera, uma espera com esperança de que alguma coisa se faça. Se ela não se fizer, a situação pode voltar, pode até, aliás, ser mais incontrolável. Se não houver uma reposta rápida a estas reivindicações, o refluxo atual voltará eventualmente mais incontrolável e mais forte.

Muitos manifestantes nas ruas levantaram uma bandeira antipartidarista. Existe atualmente uma crise de representatividade no sistema político brasileiro?

Acho que sim. E neste momento não só no [sistema político] brasileiro, mas também no europeu. E ocorre fundamentalmente do fato de que os governos hoje estão capturados pelo capital financeiro internacional, se ver bem, em função das exigências do capital financeiro. O próprio Brasil compromete uma parte significativa de sua arrecadação para o pagamento do serviço da dívida. E este também é o caso da Europa. No fundo, é isso que está criando essa crise de representação, na medida em que os cidadãos não se sentem representados pelos seus representantes e é isso que faz com que as pessoas venham para a rua.

Para Sousa Santos, o Congresso Nacional está divorciado das prioridades dos cidadãos

As manifestações foram, de certa forma, uma demonstração de decepção com o governo. Esse governo do PT, apesar das medidas de inclusão social, perdeu a credibilidade?

Não. O problema é que, enfim, é um governo de esquerda que, no entanto, tem uma coligação problemática, dada a organização partidária no Brasil. O problema é que os brasileiros conhecem muito bem o que foram as políticas de direita [dos governos] anteriores, nenhum deles realizou as políticas de inclusão social que agora têm lugar. E, portanto, há um certo descrédito na política em seu conjunto. O PT e o governo da presidente Dilma têm uma crise de legitimidade a resolver. E só podem resolver com mais democracia, com mais políticas de inclusão, com mais dinheiro para os cidadãos e menos para as grandes empreiteiras e para o grande capital financeiro internacional.

Levante Popular da Juventude quer renovar práticas da esquerda (Carta Maior)

Fonte: Carta Maior, 22 de outubro de 2012

Porto Alegre – O ano de 2012 viu nascer uma novidade no cenário político brasileiro. Um grupo de jovens, organizado em torno do Levante Popular da Juventude, realizou uma série de atos denominados “escrachos” em frente às residências ou locais de trabalho de acusados de praticar crimes durante a ditadura. Em várias cidades do país, centenas de jovens saíram às ruas para denunciar esses crimes e defender a instalação da Comissão Nacional da Verdade para restaurar a memória, a verdade e a justiça desse período. Os atos contra os agentes da ditadura deram visibilidade nacional a esse movimento cujas origens remontam a 2005, no Rio Grande do Sul, a partir de militantes ligados à Via Campesina e à Consulta Popular. Em entrevista à Carta Maior, concedida na sede da organização em Porto Alegre, Lucio Centeno, Janaita Hartmann e Lauro Almeida Duvoisin falam sobre esse novo movimento social que tem como objetivo estratégico maior a construção de um projeto popular para o Brasil numa perspectiva socialista.

O marco da nacionalização do movimento ocorreu em fevereiro de 2012, durante um acampamento nacional em Santa Cruz do Sul (RS) que reuniu em torno de mil jovens de dezessete estados. Reunindo estudantes universitários e secundaristas, jovens das periferias das cidades e também do campo, o Levante se propõe a resgatar práticas relegadas a um segundo plano pela esquerda partidária, como o trabalho de base organizado a partir de células de militância, e defende a unidade dos movimentos sociais e dos partidos de esquerda em torno de alguns objetivos comuns: derrotar a direita e o projeto neoliberal no Brasil e conquistar uma ampla maioria na sociedade para um processo de transformação social, política e econômica no país.

O que é o Levante Popular da Juventude? Quando nasceu?

Lucio Centeno: Nenhum de nós aqui iniciou essa construção do Levante. Ela foi fruto de um trabalho de mobilização e da iniciativa que alguns companheiros tiveram no final de 2005, quando movimentos ligados à Via Campesina, incentivados pela Consulta Popular, identificaram que era necessário naquele momento fortalecer o processo de organização da juventude, em especial da juventude urbana. No campo já havia um processo relativo de organização com os movimentos da Via, mas muito pouco no meio urbano. A partir dessa leitura, alguns companheiros assumiram a tarefa de construir o que viria a ser o Levante Popular da Juventude. E o Levante nasce com a característica de ser uma ferramenta da juventude e não apenas de um segmento desse setor. Desde o início, se tinha a leitura da necessidade de se organizar não apenas os jovens estudantes universitários, mas também os jovens das periferias urbanas e, principalmente, articular essa juventude que não tinha um referencial de organização como tinha a juventude camponesa, organizada em torno da Via. O Levante nasce, então, com essa característica de aglutinar diferentes segmentos da juventude a partir de diferentes meios de inserção.

Neste sentido, é um movimento original. Normalmente o que há são movimentos de juventude ligados a partidos e a alguns segmentos específicos, como é o caso do movimento estudantil…

Lucio Centeno: Sim, o Levante nasce com esse referencial da esquerda social, do campo dos movimentos sociais. Ele se propõe a ser um movimento social e não uma juventude partidária, com esse recorte de querer articular jovens estudantes universitários, secundaristas e jovens da periferia urbana.

Lauro Duvoisin: Essa iniciativa surgiu também com base numa leitura que identifica, nos anos 2000, uma mudança nos setores mais dinâmicos da luta social. Embora exista ainda uma dinâmica grande lutas do MST, por exemplo, que foi uma referência nos anos 90, já ficava claro neste período que, sozinho, o MST não conseguiria seguir adiante. Neste período havia também uma crítica muito grande ao trabalho urbano sindical mais clássico da esquerda. Então, o Levante surge nesse contexto com o objetivo de renovar as práticas da esquerda e de resgatar uma prática que foi sendo negligenciada, que é o trabalho de base, aquilo que as CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) faziam nos anos 70 e 80 e que sustentou boa parte do acúmulo que a esquerda teve neste período.

A ideia é que a juventude pode ser o setor dinâmico para voltar a impulsionar a luta. Daí a decisão de não segmentar a juventude como uma categoria no sentido econômico-corporativo, e fazer com que ela irradie sua força e sua prática para outros setores da sociedade, seja da classe trabalhadora urbana, do meio camponês ou do meio popular urbano. O objetivo é que ela forme novas referências e novos militantes para que o movimento cresça em todas essas frentes.

Qual é o horizonte estratégico do trabalho do Levante que transita em um espaço comum ao dos partidos de esquerda e ao dos movimentos sociais? Qual é o objetivo das lutas e das mobilizações?

Lucio Centeno: Esse é outro aspecto diferencial do Levante na medida em que ele não tem uma bandeira econômica setorial definida. O MST, por exemplo, tem claramente um horizonte que é a construção de uma reforma agrária popular. Já o Levante, por aglutinar diferentes setores da juventude e, principalmente, por ter uma perspectiva de luta política por um projeto de sociedade, e não só por demandas específicas, desenvolve um conjunto de lutas a partir daquilo que entendemos como um projeto popular para o Brasil. Então, embora não tenhamos uma bandeira claramente definida, pretendemos fortalecer e contribuir para a construção de um conjunto de bandeiras que apontam para esse projeto popular para o Brasil, para o fortalecimento de um projeto democrático e popular, que passa pela reforma agrária, pela descentralização dos meios de comunicação, pela garantia dos direitos básicos de educação, saúde, moradia, transporte.

Dentro desse guarda-chuva maior do projeto popular, os militantes do Levante, conforme sua inserção em um meio específico, trabalham contradições que envolvem esses jovens, relacionando esses problemas com a construção de um projeto maior para o país.

Lauro Duvoisin: A gente fala muitas vezes que o Levante não nasceu para dar conta de uma demanda específica, mas para buscar qual é a pauta capaz de levantar a juventude. E como o Lúcio afirmou, o Levante também se insere em uma estratégia que é maior do que ele, que é a construção, pelo campo da esquerda popular, de um projeto para o Brasil. Temos clareza que esse projeto não será construído só pela juventude. O Levante é uma parte de todo esse movimento. Sua tarefa é organizar a juventude por demandas específicas e por um projeto político maior, procurando também formar militantes para todas as outras frentes que compõem essa estratégia.

Nos últimos meses, o Levante ganhou maior visibilidade nacional com os escrachos contra agentes da ditadura realizados em várias cidades do país. Como surgiu essa ideia e qual o lugar desse tema na agenda da organização, no momento em que a Comissão da Verdade investiga crimes praticados por agentes do Estado naquele período?

Lucio Centeno: O Levante nasceu no Rio Grande do Sul em 2006, como um movimento estadual. Em outros estados, já havia mobilizações com a juventude que eram chamadas de juventude do campo com a cidade, mas ainda não havia uma proposta organizativa. Aqui no Rio Grande do Sul conseguimos transformar essa mobilização em um movimento social autônomo da juventude. Passaram-se cerca de cinco anos até que, em 2011, iniciou um processo de nacionalização do Levante, juntando experiências parecidas do mesmo campo político. Assim, o Levante se constituiu em dezessete estados. O marco de lançamento dessa nacionalização ocorreu agora em fevereiro de 2012, quando realizamos um acampamento nacional em Santa Cruz do Sul que reuniu em torno de mil jovens desses dezessete estados.

A partir dessa nacionalização, se constituiu uma organicidade nacional, com uma coordenação representativa desses estados e desses movimentos. Essa coordenação nacional começou a elaborar a estratégia da organização e, naquele momento, se identificou na conjuntura que essa bandeira da memória, verdade e justiça não estava sendo efetivamente empunhada com a devida importância por praticamente nenhum setor, para fazer um contraponto a movimentação que os militares vinham fazendo para tentar desconstituir a Comissão Nacional da Verdade. Então, naquele momento tínhamos os militares atuando nos bastidores, o governo acuado e a imprensa de alguma forma sendo conivente com esse processo de ocultação dos crimes da ditadura. Concluímos então que seria necessário uma mobilização da sociedade para que a Comissão da Verdade fosse efetivada.

Vimos, a partir da experiência de organizações parceiras da América Latina, a metodologia dos escrachos como a melhor forma de fazer ecoar essa bandeira. Mapeamos então quais Estados poderiam fazer essa ação e trabalhamos de forma coordenada nacionalmente para que tivéssemos um dia de ação nacional denunciando os torturadores e a impunidade dos crimes da ditadura. A partir disso, conseguimos uma grande adesão de vários setores da sociedade que impulsionaram o governo para garantir a instalação da Comissão da Verdade.

Lauro Duvoisin: Foi a junção de um momento, de uma oportunidade, com a condição que tínhamos alcançado. Se não tivéssemos uma organização de âmbito nacional naquele momento, talvez não conseguíssemos fazer uma intervenção daquela dimensão. A oportunidade estava ali. Conseguimos fazer uma leitura que se demonstrou correta no sentido de que aquela pauta (Comissão da Verdade) atingia o centro da conjuntura nacional. Pela primeira vez, o Levante conseguiu influenciar a conjuntura nacional efetivamente, embora já estivéssemos envolvidos em outras lutas locais.

Outra coisa importante nessas ações tem a ver com a questão do método que empregamos, que diz um pouco do que o Levante quer fazer, que é renovar os métodos de luta. Acreditamos que a luta que precisamos fazer é uma luta de massas. No entanto, no atual período, uma forma de luta como os escrachos se mostrou de grande valia para criar um impacto público sobre o tema da ditadura. É isso que queremos fazer, renovar os métodos de luta. A gente carece disso na esquerda.

Uma coisa que chamou muita atenção com os escrachos foi a grande participação da juventude nesses atos, algo que até bem pouco tempo não acontecia. Até então, o tema da ditadura não mobilizava a juventude. O que mudou?

Janaita Hartmann: Acho que isso tem muito a ver com a recuperação que o Levante faz da tradição de agitação e propaganda da esquerda. Desde 2008, a gente faz intervenções para lembrar os mortos do massacre de Eldorado de Carajás, com um teatro em lugar público. Então já temos uma história de ações desse tipo. Nós acertamos ao juntar esse trabalho de agitação que a gente já vinha fazendo com um tema da conjuntura que há muito tempo não era resgatado dessa forma, e por uma geração que não passou pela ditadura.

Lauro Duvoisin: Parece que houve uma quebra de continuidade geracional no Brasil. Na Argentina, desde muito tempo há a luta das Madres que se tornou um símbolo continental. No Brasil, embora exista a luta dos familiares, essa luta teve muito menos projeção social do que no caso da Argentina ou do próprio Chile. Então, parece que houve um atraso um pouco maior no Brasil. Mas essa pauta está viva na sociedade e não se esconde a história dessa forma. Isso mostra também que a questão da anistia, tal como foi conduzida pelos militares no final da ditadura, não está resolvida no Brasil.

Lucio Centeno: As intervenções do Levante conseguiram gerar adesões em diferentes setores da sociedade, que até então não estavam se posicionando muito sobre esse tema. A partir dos nossos atos, todo um campo se configurou em defesa dessa bandeira e isolou quem defendia a ocultação da verdade e a manutenção da impunidade. Essa é uma questão muito importante para nós: desenvolver lutas que dê sustentação para um projeto popular para o país.

Esse projeto popular a que vocês se referem é um projeto de poder? Se é, em algum momento, o Levante terá que se colocar a questão do partido. Vocês fazem esse debate, tem a pretensão de, em algum momento, se constituir como partido?

Lauro Duvoisin: A gente acredita que o projeto popular passa, sim, por um projeto de poder. Mas o grande desafio no momento é conseguir retomar as grandes lutas de massa no Brasil para que esse projeto se torne uma necessidade da sociedade. Um projeto de poder não é um projeto de um pequeno grupo ou de uma vanguarda isolada. Ele tem que se precedido de um processo que questione a organização social e a estrutura econômica da sociedade. É com esse espírito que o Levante entra na história. É evidente que os partidos e outras organizações têm uma grande contribuição a dar nesse processo. Mas sem a retomada das mobilizações de massa nenhuma organização conseguirá levar adiante esse projeto.

Considerando a grande participação nos escrachos promovidos pelo Levante e outras mobilizações de juventude, como essa que ocorreu em Porto Alegre recentemente contra a privatização de espaços públicos, parece haver uma ebulição de demandas na juventude que não está encontrando expressão nos partidos de esquerda…

Lucio Centeno: Quando começamos a fazer os escrachos fomos questionados sobre as mobilizações espontâneas da juventude na Europa e nos Estados Unidos. É evidente que são protestos importantes e que expressam uma inconformidade com o sistema, mas, enquanto movimento social, acreditamos que esses processos de mobilização requerem organização. Existe um certo fetiche em torno dessa ideia da capacidade das redes sociais e de novas ferramentas tecnológicas serem grandes atores mobilizadores no próximo período. Consideramos esses atores importantes, mas é imprescindível o processo organizativo na sociedade, que as pessoas tenham uma referência de organização, que não fiquem refém de vontades individuais ou de ativistas que atuam pontualmente.

Lauro Duvoisin: É por isso também que a gente preza a unidade tanto dos movimentos sociais como dos partidos de esquerda. Acreditamos que todas as organizações que tenham referência num projeto de democratização, de ampliação dos direitos, de resgate da liberdade na sociedade e na perspectiva do socialismo, devem fazer um esforço de unidade que hoje, muitas vezes, parece ser um esforço de fragmentação, seja no campo eleitoral, seja em torno de disputas menores e elementos táticos secundários que não são estratégicos. Para isso, é preciso também dar exemplos de unidade. O Levante procura dar esse exemplo.

Como é que o Levante se posiciona frente a períodos eleitorais. Qual foi a posição nestas eleições municipais?

Lauro Duvoisin: A nossa linha é de combate à direita, não só nas eleições, mas em todos os espaços da sociedade.

O que é a direita hoje no Brasil?

Lauro Duvoisin: Existe mais ou menos um consenso sobre o que é a direita no Brasil. Há um bloco político-partidário formado por PSDB, DEM e alguns partidos menores, que aglutina as forças defensoras do projeto neoliberal. Para nós, quem se opõem ao neoliberalismo não é direita. Mas o Levante é um movimento social autônomo que não tem vinculação partidária.

Janaita Hartmann: O Levante nasce da Via Campesina e da Consulta Popular, como uma organização autônoma de jovens. Essas organizações ajudaram a criar o Levante, mas ele é autônomo e passou a ter vida própria, tem uma organicidade própria. Ele permite a presença de militantes que tenham vinculação partidária desde que se respeite a autonomia do movimento.

Quais são os planos do Levante para os próximos meses. O tema da ditadura e da Comissão da Verdade seguirá ocupando um lugar central na agenda do movimento?

Lucio Centeno: O Levante se engaja num conjunto bastante diverso de lutas. Nós nos organizamos a partir de células, grupos de jovens militantes que estão inseridos em algum território, seja uma universidade, um assentamento, um bairro ou uma comunidade. Essa célula tem a tarefa de fazer trabalho de base e estimular as lutas nestes locais procurando mobilizar os jovens destes espaços. Temos uma célula, por exemplo, na região da Cruzeiro, aqui em Porto Alegre, que está sendo atingida pela duplicação da avenida Tronco, que é uma das chamadas obras da Copa.
Nesta região, temos uma atuação prioritariamente voltada para organizar os jovens e suas famílias e pressionar a prefeitura para que garanta o direito à moradia dessas pessoas. É uma luta local, específica, mas que está associada a um projeto mais amplo. Assim, cada célula está envolvida em alguma luta específica. Mas entendemos que há a necessidade de convergência dessas lutas específicas para lutas mais gerais, como essa em defesa da memória, da verdade e da justiça, que terá continuidade, agora juntamente com os comitês populares que se multiplicaram em vários Estados. O Levante não vai atuar isolado neste processo.

Uma segunda pauta que estamos começando a desenvolver é a defesa da construção de um projeto popular de educação. O Brasil sofreu durante muitos anos a implementação de uma educação neoliberal. A partir das gestões do PT tivemos um relativo avanço nesta área, com a criação de novas universidades e escolas técnicas. Em comparação ao paradigma neoliberal foi um avanço, mas em comparação com as demandas históricas da juventude em termos de acesso à educação, ainda há muito que avançar.

The Real War on Reality (New York Time)

THE STONE June 14, 2013, 12:00 pm

By PETER LUDLOW

If there is one thing we can take away from the news of recent weeks it is this: the modern American surveillance state is not really the stuff of paranoid fantasies; it has arrived.

The revelations about the National Security Agency’s PRISM data collection program have raised awareness — and understandably, concern and fears — among American and those abroad, about the reach and power of secret intelligence gatherers operating behind the facades of government and business.

Surveillance and deception are not just fodder for the next “Matrix” movie, but a real sort of epistemic warfare.

But those revelations, captivating as they are, have been partial —they primarily focus on one government agency and on the surveillance end of intelligence work, purportedly done in the interest of national security. What has received less attention is the fact that most intelligence work today is not carried out by government agencies but by private intelligence firms and that much of that work involves another common aspect of intelligence work: deception. That is, it is involved not just with the concealment of reality, but with the manufacture of it.

The realm of secrecy and deception among shadowy yet powerful forces may sound like the province of investigative reporters, thriller novelists and Hollywood moviemakers — and it is — but it is also a matter for philosophers. More accurately, understanding deception and and how it can be exposed has been a principle project of philosophy for the last 2500 years. And it is a place where the work of journalists, philosophers and other truth-seekers can meet.

In one of the most referenced allegories in the Western intellectual tradition, Plato describes a group of individuals shackled inside a cave with a fire behind them. They are able to see only shadows cast upon a wall by the people walking behind them. They mistake shadows for reality. To see things as they truly are, they need to be unshackled and make their way outside the cave. Reporting on the world as it truly is outside the cave is one of the foundational duties of philosophers.

In a more contemporary sense, we should also think of the efforts to operate in total secrecy and engage in the creation of false impressions and realities as a problem area in epistemology — the branch of philosophy concerned with the nature of knowledge. And philosophers interested in optimizing our knowledge should consider such surveillance and deception not just fodder for the next “Matrix” movie, but as real sort of epistemic warfare.


To get some perspective on the manipulative role that private intelligence agencies play in our society, it is worth examining information that has been revealed by some significant hacks in the past few years of previously secret data.

Important insight into the world these companies came from a 2010 hack by a group best known as LulzSec  (at the time the group was called Internet Feds), which targeted the private intelligence firm HBGary Federal.  That hack yielded 75,000 e-mails.  It revealed, for example, that Bank of America approached the Department of Justice over concerns about information that WikiLeaks had about it.  The Department of Justice in turn referred Bank of America to the lobbying firm Hunton and Willliams, which in turn connected the bank with a group of information security firms collectively known as Team Themis.

Team Themis (a group that included HBGary and the private intelligence and security firms Palantir Technologies, Berico Technologies and Endgame Systems) was effectively brought in to find a way to undermine the credibility of WikiLeaks and the journalist Glenn Greenwald (who recently broke the story of Edward Snowden’s leak of the N.S.A.’s Prism program),  because of Greenwald’s support for WikiLeaks. Specifically, the plan called for actions to “sabotage or discredit the opposing organization” including a plan to submit fake documents and then call out the error. As for Greenwald, it was argued that he would cave “if pushed” because he would “choose professional preservation over cause.” That evidently wasn’t the case.

Team Themis also developed a proposal for the Chamber of Commerce to undermine the credibility of one of its critics, a group called Chamber Watch. The proposal called for first creating a “false document, perhaps highlighting periodical financial information,” giving it to a progressive group opposing the Chamber, and then subsequently exposing the document as a fake to “prove that U.S. Chamber Watch cannot be trusted with information and/or tell the truth.”

(A photocopy of the proposal can be found here.)

In addition, the group proposed creating a “fake insider persona” to infiltrate Chamber Watch.  They would “create two fake insider personas, using one as leverage to discredit the other while confirming the legitimacy of the second.”

Psyops need not be conducted by nation states; they can be undertaken by anyone with the capabilities and the incentive to conduct them.

The hack also revealed evidence that Team Themis was developing a “persona management” system — a program, developed at the specific request of the United States Air Force, that allowed one user to control multiple online identities (“sock puppets”) for commenting in social media spaces, thus giving the appearance of grass roots support.  The contract was eventually awarded to another private intelligence firm.

This may sound like nothing so much as a “Matrix”-like fantasy, but it is distinctly real, and resembles in some ways the employment of “Psyops” (psychological operations), which as most students of recent American history know, have been part of the nation’s military strategy for decades. The military’s “Unconventional Warfare Training Manual” defines Psyops as “planned operations to convey selected information and indicators to foreign audiences to influence their emotions, motives, objective reasoning, and ultimately the behavior of foreign governments, organizations, groups, and individuals.” In other words, it is sometimes more effective to deceive a population into a false reality than it is to impose its will with force or conventional weapons.  Of course this could also apply to one’s own population if you chose to view it as an “enemy” whose “motives, reasoning, and behavior” needed to be controlled.

Psyops need not be conducted by nation states; they can be undertaken by anyone with the capabilities and the incentive to conduct them, and in the case of private intelligence contractors, there are both incentives (billions of dollars in contracts) and capabilities.


Several months after the hack of HBGary, a Chicago area activist and hacker named Jeremy Hammond successfully hacked into another private intelligence firm — Strategic Forcasting Inc., or Stratfor), and released approximately five million e-mails. This hack provided a remarkable insight into how the private security and intelligence companies view themselves vis a vis government security agencies like the C.I.A. In a 2004 e-mail to Stratfor employees, the firm’s founder and chairman George Friedman was downright dismissive of the C.I.A.’s capabilities relative to their own:  “Everyone in Langley [the C.I.A.] knows that we do things they have never been able to do with a small fraction of their resources. They have always asked how we did it. We can now show them and maybe they can learn.”

The Stratfor e-mails provided us just one more narrow glimpse into the world of the private security firms, but the view was frightening.  The leaked e-mails revealed surveillance activities to monitor protestors in Occupy Austin as well as Occupy’s relation to the environmental group Deep Green Resistance.  Staffers discussed how one of their own men went undercover (“U/C”) and inquired about an Occupy Austin General Assembly meeting to gain insight into how the group operates.

Stratfor was also involved inmonitoring activists who were seeking reparations for victims of a chemical plant disaster in Bhopal, India, including a group called Bophal Medical Appeal. But the targets also included The Yes Men, a satirical group that had humiliated Dow Chemical with a fake news conference announcing reparations for the victims.  Stratfor regularly copied several Dow officers on the minutia of activities by the two members of the Yes Men.

One intriguing e-mail revealed that the Coca-Cola company was asking Stratfor for intelligence on PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) with Stratfor vice president for Intelligence claiming that “The F.B.I. has a classified investigation on PETA operatives. I’ll see what I can uncover.” From this one could get the impression that the F.B.I. was in effect working as a private detective Stratfor and its corporate clients.

Stratfor also had a broad-ranging public relations campaign.  The e-mails revealed numerous media companies on its payroll. While one motivation for the partnerships was presumably to have sources of intelligence, Stratfor worked hard to have soap boxes from which to project its interests. In one 2007 e-mail, it seemed that Stratfor was close to securing a regular show on NPR: “[the producer] agreed that she wants to not just get George or Stratfor on one time on NPR but help us figure the right way to have a relationship between ‘Morning Edition’ and Stratfor.”

On May 28 Jeremy Hammond pled guilty to the Stratfor hack, noting that even if he could successfully defend himself against the charges he was facing, the Department of Justice promised him that he would face the same charges in eight different districts and he would be shipped to all of them in turn.  He would become a defendant for life.  He had no choice but to plea to a deal in which he may be sentenced to 10 years in prison.  But even as he made the plea he issued a statement, saying “I did this because I believe people have a right to know what governments and corporations are doing behind closed doors. I did what I believe is right.”  (In a video interview conducted by Glenn Greenwald with Edward Snowden in Hong Kong this week, Snowden expressed a similar ethical stance regarding his actions.)

Given the scope and content of what Hammond’s hacks exposed, his supporters agree that what he did was right. In their view, the private intelligence industry is effectively engaged in Psyops against American public., engaging in “planned operations to convey selected information to [us] to influence [our] emotions, motives, objective reasoning and, ultimately, [our] behavior”? Or as the philosopher might put it, they are engaged in epistemic warfare.

The Greek word deployed by Plato in “The Cave” — aletheia — is typically translated as truth, but is more aptly translated as “disclosure” or “uncovering” —   literally, “the state of not being hidden.”   Martin Heidegger, in an essay on the allegory of the cave, suggested that the process of uncovering was actually a precondition for having truth.  It would then follow that the goal of the truth-seeker is to help people in this disclosure — it is to defeat the illusory representations that prevent us from seeing the world the way it is.  There is no propositional truth to be had until this first task is complete.

This is the key to understanding why hackers like Jeremy Hammond are held in such high regard by their supporters.  They aren’t just fellow activists or fellow hackers — they are defending us from epistemic attack.  Their actions help lift the hood that is periodically pulled over our eyes to blind us from the truth.

Peter Ludlow is a professor of philosophy at Northwestern University and is currently co-producing (with Vivien Weisman) a documentary on Hacktivist actions against private intelligence firms and the surveillance state.

O sentido das manifestações não se resume à demanda por uma resposta do Estado. O mundo é muito maior que o sistema político.

Entrevista com Renzo Taddei, professor de sociologia da Universidade Federal de São Paulo, sobre as manifestações no Brasil.

Por Marcos Nepomuceno, do blog do Templo.

Como os protestos brasileiros se relacionam com as manifestações turcas, a Primavera Árabe, o Occupy Wall Street nos EUA, o movimento 15M na Espanha e as revoltas das periferias em Paris e Londres, em 2005 e 2011? Há uma interseção comum de causas entre eles?

Em minha opinião, há três pontos de interseção que vale a pena mencionar. Em primeiro lugar, as instituições políticas formais sofrem de uma aguda crise de legitimidade, e em todos os contextos mencionados, ainda que por razões estruturais e conjunturais diferentes em cada um dos casos, essa crise cruzou a fronteira da estabilidade do convívio social cotidiano; as sociedades entraram em uma espécie de ebulição. Em segundo lugar, há a existência da Internet, da telefonia celular e das redes sociais como uma dimensão da vida coletiva que possibilita formas novas de relação entre pessoas, entre pessoas e ideias, e em especial entre as pessoas e a política. E, em terceiro lugar, o grande ator social em todos esses casos é a juventude. Essas são três coisas inter-relacionadas, e a relação entre elas está em franca transformação. O que vejo nas redes sociais, e o que escuto dos jovens sobre sua relação com a política, é diferente hoje do que era há apenas um mês.

Mas, ainda que pareça haver alguns pontos de interseção, é preciso ter cuidado para que não se esvazie as coisas que cada um destes eventos tem de peculiar. Há muitas e importantes diferenças entre eles. O Occupy Wall Street tem um foco muito claro na crítica à concentração de renda promovida pelo capitalismo liberal norte-americano, com o consequente empobrecimento de grande parte da população, e no fato de que o governo trabalha para a manutenção desse sistema concentrador. Não há referências à corrupção, como aqui – pelo menos não na forma como nós comumente entendemos corrupção. A agenda coletiva era bastante mais clara, e não houve destruição de equipamentos públicos; o caráter da manifestação foi, em geral, mais pacífico. Essa diferença de agendas pode explicar porque, por exemplo, uma coisa ocorreu em Wall Street, no coração financeiro do capitalismo mundial, e outra resultou na depredação de edifícios do governo, como ocorreu em Brasília há duas semanas.

Por outro lado, em Nova York, na Espanha, na Turquia e no Brasil há a participação de gente de todas as classes sociais, com especial participação das classes médias urbanas, enquanto os eventos de Paris e Londres são caracterizados pela presença majoritária de jovens oriundos de comunidades de imigrantes e de minorias étnicas empobrecidas. A questão da exclusão social é relevante aqui, porque enquanto isso parece ser um elemento claro dos eventos de Paris e Londres, há analistas que sugerem que parte do que está ocorrendo no Brasil está relacionado com a ascensão social de segmentos da população brasileira; estes, ao sentirem-se economicamente integrados, agora demandam integração política. Ou seja, o problema da exclusão estaria relacionado às manifestações de forma inversa em cada um dos casos. Essa hipótese, no entanto, me parece algo extravagante, carente de embasamento sociológico.

De todas as causas apresentadas, ou não, qual a mais urgente no caso brasileiro?

O Brasil é um país heterogêneo, com muita diversidade social e cultural, e o sentido de urgência está ligado ao lugar de onde se fala e se vive. Não se pode apresentar uma perspectiva como sendo universalmente mais urgente. Veja, por exemplo, a forma como Davi Kopenawa, líder yanomami, pensa as manifestações e as demandas sociais a elas vinculadas. Ainda que existam pontos de convergência com as demandas que vemos nas ruas, elas não se resumem à mesma coisa. Não há razão pra pensar que a causa é a mesma, nos diversos cantos do Brasil.

Além disso, as manifestações são fenômenos complexos, com diversos níveis de ação e interpretação possíveis. Há coisas não ditas verbalmente, mas materializadas na ação da multidão, que geralmente não são levadas em consideração. Por exemplo, na minha percepção, uma coisa não dita explicitamente nos cartazes e gritos da multidão, mas que é variável fundamental nisso tudo, é a emergência de novas formas de associação política, frente à incapacidade das instituições políticas em dar conta de novas formas de participação e novas demandas sociais. Os problemas causados pela natureza das polícias, e sua péssima relação com a população, é um sintoma disso. Trata-se de colocar em pauta as relações entre a população e o estado, relações que estão em franca transformação. Este é um processo que o estado tenta, sem sucesso, conter. São necessárias mudanças não apenas nas práticas de governo, mas no próprio desenho institucional do estado, e a desmilitarização das polícias é parte fundamental disso.

Desta forma, tentar encontrar uma causa fundamental ou mais urgente é negar a dimensão múltipla das manifestações, e é, ao mesmo tempo, não enxergar as transformações estruturais, de fundo, que estão ocorrendo. Isso se dá porque falar em “demandas” sugere que o problema é conjuntural, enquanto há uma dimensão estrutural em jogo. Essa transformação maior que está em curso está nos afastando das práticas de organização da sociedade ao redor de hierarquias verticais, onde há um esforço de homogeneização da população em pensamento e ação, de modo que seja mais fácil impor a todos uma visão daquilo que é “mais importante”. A nova realidade social parece estar se configurando de modo que grupos distintos, cada qual com suas agendas específicas, se juntam e separam o tempo todo, formando redes de colaboração que, apesar de eficazes, são mais ou menos instáveis. Nosso sistema político formal, ainda que fruto de mudanças recentes, de algumas décadas apenas, se mostra demasiado engessado para dar conta do dinamismo das transformações sociais que estão em curso. Há uma marcada assincronia entre estado e setores mais dinâmicos da população, e essa assincronia só parece crescer com o tempo.

Sendo assim, se há algo urgente no Brasil, esse algo é a transformação das instituições políticas de modo que estas sejam mais participativas, mais transparentes e mais flexíveis, para que o bom funcionamento do sistema não seja dependente da homogeneização e da alienação das massas, mas que o sistema possa, ao invés disso, se alimentar da energia e da sinergia produzida pela diversidade de formas de existir.

A horizontalidade na liderança dos movimentos abre espaço para sua descaracterização?

Para que ocorra uma descaracterização, é preciso que exista o reconhecimento de características previamente percebidas e entendidas. Mas isso não existe no momento atual. Muitas reuniões estão sendo organizadas, no meio acadêmico e no âmbito dos movimentos sociais, para que se construa um diagnóstico a respeito do que está ocorrendo. E esse diagnóstico é difícil porque o que está se passando não é uma coisa, mas muitas ao mesmo tempo, algumas vezes de forma inter-relacionada, outras de forma independente. Qualquer diagnóstico é parcial, e desconfio que a maioria tenha – em especial os que a mídia e o poder público se apressam em produzir -, na verdade, o objetivo de tentar colocar as coisas sob controle, de forma conservadora, mais do que efetivamente produzir uma descrição das coisas como estas estão ocorrendo. Os fenômenos que estamos observando desafiam nossos recursos linguísticos e narrativos. Isso sempre foi assim no que diz respeito aos fenômenos de multidão, e por isso mesmo é que há tanta ansiedade, tanto naqueles que tem no controle público seu trabalho, os gestores públicos, como naqueles que tem como trabalho o controle das ideias, dentre os quais estão os acadêmicos.

Como são muitas coisas ocorrendo ao mesmo tempo, e não uma massa homogênea de gente demandando a mesma coisa, não se pode esperar que exista apenas uma liderança, definida claramente. Isso faz o trabalho da mídia mais difícil, porque não se enquadra nos seus modelos limitados de análise da ação política. No entanto, devido ao fato de que a energia da multidão é, ao mesmo tempo, algo perigoso e também um recurso valioso para a transformação política, muitos tentam apoderar-se dela de alguma forma. Ou seja, é de se esperar que existam disputas pelo controle dessa energia. Em minha opinião, no entanto, a emergência de uma liderança é que descaracterizaria o movimento, porque seria a negação de sua multiplicidade, e o sinal de que essa multiplicidade foi sequestrada.

Isso não significa a ausência de liderança, mas essa liderança se constrói de outras formas, num padrão de redes de associações dinâmicas. São muitos líderes, com protagonismos variáveis, em função das formas como as redes se configuram a cada momento. Certamente se dirá que a ausência de liderança claramente identificável fará com que as manifestações se enfraqueçam, ou que uma parte da coisa toda descambe para o caos destrutivo. Ainda que existam riscos nisso tudo que estamos vivendo, grande parte dos analistas da mídia e do poder público não entende os novos padrões de liderança desses processos de associação e ação em rede. As manifestações vão cessar em algum momento, mas não em função de falta de liderança, nem porque a energia do movimento tenha deixado de existir. As associações em rede parecem ser capazes de manter essa energia em estado “latente” por tempo indeterminado, e então de provocar uma ação rápida e explosiva, através de padrões virais de comunicação distribuída. Líderes políticos (e jornalistas) que não dedicam parte do seu tempo a monitorar as redes sociais, e a Internet, de forma mais ampla, mostram não terem entendido esse aspecto das transformações sociais em curso.

Muitos grupos surgiram na disputa de sentidos do movimento após a emergência dos protestos. Como essa vontade social de se fazer ouvir pode ser aproveitada? Os conflitos internos e cisões fazem parte do amadurecimento do processo para mudanças efetivas?

Inicialmente, é preciso que se diga que as ações na disputa pelos sentidos nem sempre têm como objetivo vontades específicas de se fazer ouvir. Muitas vezes, é fruto de uma vontade de fazer com que o outro não seja ouvido. O uso de adjetivos como “vândalos” e “baderneiros”, por exemplo, é uma tentativa de sequestrar os sentidos associados a algumas das ações de grupos participantes nas manifestações, esvaziando a sua dimensão política. Infelizmente, os governos, e em maior escala a grande imprensa nacional, tem feito um uso estúpido e estupidificante destes adjetivos. As ações violentas, de ataque a automóveis e edifícios, não são aleatórias, como a imprensa faz crer. Podem ser reprováveis, mas não são aleatórias, e em não o sendo comunicam algo. Na Argentina em 2001, depredaram-se os bancos. Porque não houve ataque a bancos aqui? Houve manifestações em outros países onde lojas do McDonalds foram depredadas. Novamente, aqui no Brasil, neste momento, há certa constância em ataque a edifícios e automóveis ligados ao poder público e às corporações de imprensa. Isso é, obviamente, uma forma de comunicação. A questão então é: o que faz com que setores da população adotem esse tipo de prática como estratégia comunicativa?

Por outro lado, não faltam evidências, tanto na produção das ciências sociais como no discurso de ativistas dos movimentos sociais, de que a comunicação através da violência é um padrão usado pelo próprio estado na sua relação com setores marginalizados da população. Ou seja, há certas arenas da vida social em que o contexto se organiza em torno de práticas violentas, e impõe a violência como estratégia de ação comunicativa. Não é por acaso que os grupos que se envolvem em ações violentas são aqueles que não se reconhecem no discurso do estado ou da imprensa, acham que sua voz nunca é ouvida. Em minhas próprias pesquisas, vi muito isso entre lideranças de torcidas organizadas. Quando é que a imprensa dá espaço a tais lideranças? Nunca.

Como dizem alguns autores, a violência não é um fato, mas uma acusação: a polícia tem o poder autorizado de dizer o que e quem é violento, e fazer com que a sua própria violência fique invisível, não conste nos relatórios oficiais, nem em grande parte da cobertura da imprensa, que tem na própria polícia uma de suas mais importantes fontes de informação. Infelizmente, muitos dos nossos jornalistas são ventríloquos da polícia. Por isso a violência policial que temos visto é tão chocante e assustadora para a classe média, em especial para quem aprendeu a pensar o mundo através da televisão. A circulação livre e intensa de imagens e vídeos, e a ação de mídias alternativas, comprometidas com as causas dos movimentos sociais, estão rompendo esse regime visual ao qual estávamos submetidos. A polícia e o poder público não são mais capazes de regimentar a visualidade das violências e só mostrar a violência dos outros. A própria polícia percebeu isso: quando convém, a polícia filma as próprias ações e distribui o vídeo à imprensa; nas ações de repressão violenta às manifestações, por outro lado, um sem número de policiais escondeu suas identificações.

Há também os casos de violência entre manifestantes, o que tem assustado muitos analistas. Nas grandes manifestações em São Paulo, havia gente de todo o espectro político, da extrema direita (neonazistas) à extrema esquerda. O convívio entre esses grupos é muito difícil; não se pode esperar grandes alianças que consigam costurar todas as incompatibilidades; a lógica agora é mais molecular. O rechaço às bandeiras acabou tomando uma dimensão maior do que era de se imaginar, e minha opinião a esse respeito é que isso se dá em função dos níveis alarmantes de analfabetismo político no Brasil. Uma amiga, declaradamente anarquista, foi agredida por manifestantes porque caminhava ao lado de pessoas com camisetas do PT; segundo ela, qualquer um que usasse roupas vermelhas corria o risco de apanhar na Avenida Paulista. Pessoas dos movimentos sociais e das centrais sindicais também foram hostilizadas. O clima é de rejeição ao sistema político, mas a classe média politicamente analfabeta (ou politicamente analfabetizada) não consegue identificar com clareza quem é ou não integrante da parte podre do sistema, e acaba hostilizando tudo que seja minimamente institucionalizado. O próprio governo é agora vítima do conservadorismo dessa classe média politicamente analfabeta. No entanto, a atual situação de analfabetismo político é sistêmica e estrutural, e não apenas mérito ou culpa de alguém especificamente.

O que não se pode ignorar, no entanto, é a dimensão pedagógica disso tudo. Pra um bocado de gente que saiu às ruas, as balas de borracha ou gás lacrimogêneo serviram como rito de passagem de retorno, com muita energia, ao mundo da política. A classe média vive por experiência própria o fascismo do estado, experimenta o gosto da repressão policial que só as classes mais baixas vivem cotidianamente. Enfim, isso pode dar muito errado; mas pode ser também o início de um processo de repolitização da juventude. Eu tenho a impressão de que é isso que está acontecendo. Por isso as eleições do ano que vem serão extraordinariamente interessantes.

Por fim, a questão indaga sobre a vontade de se fazer ouvir. Antes de responder a isso, eu gostaria de colocar em questão até que ponto o fazer-se ouvir é o sentido disso tudo. Isso me parece redutor e perigoso, porque coloca o estado novamente no centro de tudo, e me parece que uma das coisas que está ocorrendo é exatamente o oposto disso. Ou seja, o que eu estou dizendo é que não se deve medir o que está ocorrendo, em seu sucesso ou fracasso, apenas em função da resposta do poder público. Não me parece que as pessoas saem às ruas apenas para provocar uma resposta do poder público. Talvez muitos o façam, ou seja essa a forma que dão sentido ao fato de saírem às ruas. No entanto, o que está ocorrendo é a formação de redes de organização, de articulação social, cultural e política, de forma independente do estado. Não estou aqui dizendo que as manifestações são anti-estado – ainda que certos grupos certamente o sejam, estes parecem ser uma minoria. O que estou dizendo é que, para que sejam capazes de organizar suas ações e veicular suas mensagens, novas formas de associação entre grupos surgem, inclusive novas formas de pensamento sobre a vida coletiva e sobre o mundo, que não tem o estado como mediador de tudo, o tempo todo. A política das redes sociais e das ruas é a política que não se resume a fazer referência direta ao que ocorre no Congresso Nacional ou nos muitos palácios-sedes de governo estadual. O mundo é muito maior do que o sistema político; o sistema político deve trabalhar para a plenitude da vida no mundo, e não o contrário.

Os protestos que se alastraram pelo país, e no resto do mundo, tem na internet seu epicentro de força e disseminação. Lá também reside sua fraqueza? Qual seria ela?

Não se sabe exatamente, de antemão, quais são as forças e fraquezas dos protestos. Essas coisas, força e fraqueza, se constroem à medida que os protestos ocorrem, que a coisa toda vai se desenrolando, nos tempos e nos espaços, físicos e virtuais. O que estamos vivendo mostra que a Internet é uma plataforma poderosíssima, em sua capacidade de coagular energia política em ações materiais; no entanto, ainda é possível que corporações e governos exerçam controle censor sobre ela, como vemos no Facebook e na China. O fato de que tanta atividade política ocorra dentro do Facebook faz com que esta atividade seja vulnerável a censura, em geral justificada em função das normas obscuras e obtusas da corporação. Me parece fundamental que uma versão aberta e colaborativa do Facebook seja criada. Outra vulnerabilidade é que a existência da Internet exige investimentos em infraestrutura muito altos, o que tende a colocar o controle físico do funcionamento da rede na mão dos governos. De qualquer forma, me parece que a tendência inexorável de desenvolvimento tecnológico aponta para padrões descentralizados de comunicação, o que tende a dificultar essas ações de censura.

Como você vê a emergência de novas formas de narrativa e cobertura de mídias alternativas, como a NINJA, no contexto virtual?

Em certo sentido, trata-se de uma das novidades mais revolucionárias dentro de tudo o que está ocorrendo, porque pode gerar transformações reais nas comunidades imaginadas nas quais nos encontramos. Ninguém nasce brasileiro ou paulista; nós aprendemos a nos sentirmos essas coisas e a agir no mundo em função disso. Há um esforço do estado e das instituições (escola, mídia, tribunais, hospitais) no sentido de produzirem os brasileiros de formas específicas. De maneira geral, o brasileiro é produzido para ser politicamente passivo: o Brasil é mais administrável se todo mundo ficar em casa, vendo o mundo pela TV – em especial se for futebol -, anestesiados. Vivemos a cidadania como zumbis do capitalismo: vivemos para trabalhar, trabalhamos para pagar contas, educamos nossos filhos para que eles trabalhem, como se isso fosse um fim em si. O sucesso é o sucesso no trabalho, o valor de cada um se reduz ao seu potencial de produtor de bens econômicos.

As manifestações, a multidão, operam em outra lógica; a emergência de mídias abertas, descentralizadas, como a NINJA e a PósTV, também. Isso é um pesadelo para o status quo. Há uma ansiedade geral, hoje, no sentido de entender o que está acontecendo. Para grande parte da população, isso é sintoma da passividade mental à qual somos induzidos: imaginamos o mundo como estando fora dele. A lógica das manifestações é diferente: as coisas não estão acontecendo, nós é que as estamos fazendo acontecer. E mídias como a NINJA e a PósTV são capazes de traduzir isso em novas formas de linguagem midiática.

The Science of Why We Don’t Believe Science (Mother Jones)

How our brains fool us on climate, creationism, and the end of the world.

By  | Mon Apr. 18, 2011 3:00 AM PDT


“A MAN WITH A CONVICTION is a hard man to change. Tell him you disagree and he turns away. Show him facts or figures and he questions your sources. Appeal to logic and he fails to see your point.” So wrote the celebrated Stanford University psychologist Leon Festinger [1] (PDF), in a passage that might have been referring to climate change denial—the persistent rejection, on the part of so many Americans today, of what we know about global warming and its human causes. But it was too early for that—this was the 1950s—and Festinger was actually describing a famous case study [2] in psychology.

Festinger and several of his colleagues had infiltrated the Seekers, a small Chicago-area cult whose members thought they were communicating with aliens—including one, “Sananda,” who they believed was the astral incarnation of Jesus Christ. The group was led by Dorothy Martin, a Dianetics devotee who transcribed the interstellar messages through automatic writing.

Through her, the aliens had given the precise date of an Earth-rending cataclysm: December 21, 1954. Some of Martin’s followers quit their jobs and sold their property, expecting to be rescued by a flying saucer when the continent split asunder and a new sea swallowed much of the United States. The disciples even went so far as to remove brassieres and rip zippers out of their trousers—the metal, they believed, would pose a danger on the spacecraft.

Festinger and his team were with the cult when the prophecy failed. First, the “boys upstairs” (as the aliens were sometimes called) did not show up and rescue the Seekers. Then December 21 arrived without incident. It was the moment Festinger had been waiting for: How would people so emotionally invested in a belief system react, now that it had been soundly refuted?

Read also: the truth about Climategate. [3]. Read also: the truth about Climategate [4].

At first, the group struggled for an explanation. But then rationalization set in. A new message arrived, announcing that they’d all been spared at the last minute. Festinger summarized the extraterrestrials’ new pronouncement: “The little group, sitting all night long, had spread so much light that God had saved the world from destruction.” Their willingness to believe in the prophecy had saved Earth from the prophecy!

From that day forward, the Seekers, previously shy of the press and indifferent toward evangelizing, began to proselytize. “Their sense of urgency was enormous,” wrote Festinger. The devastation of all they had believed had made them even more certain of their beliefs.

In the annals of denial, it doesn’t get much more extreme than the Seekers. They lost their jobs, the press mocked them, and there were efforts to keep them away from impressionable young minds. But while Martin’s space cult might lie at on the far end of the spectrum of human self-delusion, there’s plenty to go around. And since Festinger’s day, an array of new discoveries in psychology and neuroscience has further demonstrated how our preexisting beliefs, far more than any new facts, can skew our thoughts and even color what we consider our most dispassionate and logical conclusions. This tendency toward so-called “motivated reasoning [5]” helps explain why we find groups so polarized over matters where the evidence is so unequivocal: climate change, vaccines, “death panels,” the birthplace and religion of the president [6] (PDF), and much else. It would seem that expecting people to be convinced by the facts flies in the face of, you know, the facts.

The theory of motivated reasoning builds on a key insight of modern neuroscience [7] (PDF): Reasoning is actually suffused with emotion (or what researchers often call “affect”). Not only are the two inseparable, but our positive or negative feelings about people, things, and ideas arise much more rapidly than our conscious thoughts, in a matter of milliseconds—fast enough to detect with an EEG device, but long before we’re aware of it. That shouldn’t be surprising: Evolution required us to react very quickly to stimuli in our environment. It’s a “basic human survival skill,” explains political scientist Arthur Lupia[8] of the University of Michigan. We push threatening information away; we pull friendly information close. We apply fight-or-flight reflexes not only to predators, but to data itself.

We apply fight-or-flight reflexes not only to predators, but to data itself.

We’re not driven only by emotions, of course—we also reason, deliberate. But reasoning comes later, works slower—and even then, it doesn’t take place in an emotional vacuum. Rather, our quick-fire emotions can set us on a course of thinking that’s highly biased, especially on topics we care a great deal about.

Consider a person who has heard about a scientific discovery that deeply challenges her belief in divine creation—a new hominid, say, that confirms our evolutionary origins. What happens next, explains political scientist Charles Taber [9] of Stony Brook University, is a subconscious negative response to the new information—and that response, in turn, guides the type of memories and associations formed in the conscious mind. “They retrieve thoughts that are consistent with their previous beliefs,” says Taber, “and that will lead them to build an argument and challenge what they’re hearing.”

In other words, when we think we’re reasoning, we may instead be rationalizing. Or to use an analogy offered by University of Virginia psychologist Jonathan Haidt [10]: We may think we’re being scientists, but we’re actually being lawyers [11] (PDF). Our “reasoning” is a means to a predetermined end—winning our “case”—and is shot through with biases. They include “confirmation bias,” in which we give greater heed to evidence and arguments that bolster our beliefs, and “disconfirmation bias,” in which we expend disproportionate energy trying to debunk or refute views and arguments that we find uncongenial.

That’s a lot of jargon, but we all understand these mechanisms when it comes to interpersonal relationships. If I don’t want to believe that my spouse is being unfaithful, or that my child is a bully, I can go to great lengths to explain away behavior that seems obvious to everybody else—everybody who isn’t too emotionally invested to accept it, anyway. That’s not to suggest that we aren’t also motivated to perceive the world accurately—we are. Or that we never change our minds—we do. It’s just that we have other important goals besides accuracy—including identity affirmation and protecting one’s sense of self—and often those make us highly resistant to changing our beliefs when the facts say we should.

Modern science originated from an attempt to weed out such subjective lapses—what that great 17th century theorist of the scientific method, Francis Bacon, dubbed the “idols of the mind.” Even if individual researchers are prone to falling in love with their own theories, the broader processes of peer review and institutionalized skepticism are designed to ensure that, eventually, the best ideas prevail.

Scientific evidence is highly susceptible to misinterpretation. Giving ideologues scientific data that’s relevant to their beliefs is like unleashing them in the motivated-reasoning equivalent of a candy store.

Our individual responses to the conclusions that science reaches, however, are quite another matter. Ironically, in part because researchers employ so much nuance and strive to disclose all remaining sources of uncertainty, scientific evidence is highly susceptible to selective reading and misinterpretation. Giving ideologues or partisans scientific data that’s relevant to their beliefs is like unleashing them in the motivated-reasoning equivalent of a candy store.

Sure enough, a large number of psychological studies have shown that people respond to scientific or technical evidence in ways that justify their preexisting beliefs. In a classic 1979 experiment [12] (PDF), pro- and anti-death penalty advocates were exposed to descriptions of two fake scientific studies: one supporting and one undermining the notion that capital punishment deters violent crime and, in particular, murder. They were also shown detailed methodological critiques of the fake studies—and in a scientific sense, neither study was stronger than the other. Yet in each case, advocates more heavily criticized the study whose conclusions disagreed with their own, while describing the study that was more ideologically congenial as more “convincing.”

Since then, similar results have been found for how people respond to “evidence” about affirmative action, gun control, the accuracy of gay stereotypes [13], and much else. Even when study subjects are explicitly instructed to be unbiased and even-handed about the evidence, they often fail.

And it’s not just that people twist or selectively read scientific evidence to support their preexisting views. According to research by Yale Law School professor Dan Kahan [14] and his colleagues, people’s deep-seated views about morality, and about the way society should be ordered, strongly predict whom they consider to be a legitimate scientific expert in the first place—and thus where they consider “scientific consensus” to lie on contested issues.

In Kahan’s research [15] (PDF), individuals are classified, based on their cultural values, as either “individualists” or “communitarians,” and as either “hierarchical” or “egalitarian” in outlook. (Somewhat oversimplifying, you can think of hierarchical individualists as akin to conservative Republicans, and egalitarian communitarians as liberal Democrats.) In one study, subjects in the different groups were asked to help a close friend determine the risks associated with climate change, sequestering nuclear waste, or concealed carry laws: “The friend tells you that he or she is planning to read a book about the issue but would like to get your opinion on whether the author seems like a knowledgeable and trustworthy expert.” A subject was then presented with the résumé of a fake expert “depicted as a member of the National Academy of Sciences who had earned a Ph.D. in a pertinent field from one elite university and who was now on the faculty of another.” The subject was then shown a book excerpt by that “expert,” in which the risk of the issue at hand was portrayed as high or low, well-founded or speculative. The results were stark: When the scientist’s position stated that global warming is real and human-caused, for instance, only 23 percent of hierarchical individualists agreed the person was a “trustworthy and knowledgeable expert.” Yet 88 percent of egalitarian communitarians accepted the same scientist’s expertise. Similar divides were observed on whether nuclear waste can be safely stored underground and whether letting people carry guns deters crime. (The alliances did not always hold. Inanother study [16] (PDF), hierarchs and communitarians were in favor of laws that would compel the mentally ill to accept treatment, whereas individualists and egalitarians were opposed.)

Head-on attempts to persuade can sometimes trigger a backfire effect, where people not only fail to change their minds when confronted with the facts—they may hold their wrong views more tenaciously than ever.

In other words, people rejected the validity of a scientific source because its conclusion contradicted their deeply held views—and thus the relative risks inherent in each scenario. A hierarchal individualist finds it difficult to believe that the things he prizes (commerce, industry, a man’s freedom to possess a gun to defend his family [16]) (PDF) could lead to outcomes deleterious to society. Whereas egalitarian communitarians tend to think that the free market causes harm, that patriarchal families mess up kids, and that people can’t handle their guns. The study subjects weren’t “anti-science”—not in their own minds, anyway. It’s just that “science” was whatever they wanted it to be. “We’ve come to a misadventure, a bad situation where diverse citizens, who rely on diverse systems of cultural certification, are in conflict,” says Kahan [17].

And that undercuts the standard notion that the way to persuade people is via evidence and argument. In fact, head-on attempts to persuade can sometimes trigger a backfire effect, where people not only fail to change their minds when confronted with the facts—they may hold their wrong views more tenaciously than ever.

Take, for instance, the question of whether Saddam Hussein possessed hidden weapons of mass destruction just before the US invasion of Iraq in 2003. When political scientists Brendan Nyhan and Jason Reifler showed subjects fake newspaper articles [18] (PDF) in which this was first suggested (in a 2004 quote from President Bush) and then refuted (with the findings of the Bush-commissioned Iraq Survey Group report, which found no evidence of active WMD programs in pre-invasion Iraq), they found that conservatives were more likely than before to believe the claim. (The researchers also tested how liberals responded when shown that Bush did not actually “ban” embryonic stem-cell research. Liberals weren’t particularly amenable to persuasion, either, but no backfire effect was observed.)

Another study gives some inkling of what may be going through people’s minds when they resist persuasion. Northwestern University sociologist Monica Prasad [19] and her colleagues wanted to test whether they could dislodge the notion that Saddam Hussein and Al Qaeda were secretly collaborating among those most likely to believe it—Republican partisans from highly GOP-friendly counties. So the researchers set up a study [20] (PDF) in which they discussed the topic with some of these Republicans in person. They would cite the findings of the 9/11 Commission, as well as a statement in which George W. Bush himself denied his administration had “said the 9/11 attacks were orchestrated between Saddam and Al Qaeda.”

One study showed that not even Bush’s own words could change the minds of Bush voters who believed there was an Iraq-Al Qaeda link.

As it turned out, not even Bush’s own words could change the minds of these Bush voters—just 1 of the 49 partisans who originally believed the Iraq-Al Qaeda claim changed his or her mind. Far more common was resisting the correction in a variety of ways, either by coming up with counterarguments or by simply being unmovable:

Interviewer: [T]he September 11 Commission found no link between Saddam and 9/11, and this is what President Bush said. Do you have any comments on either of those?

Respondent: Well, I bet they say that the Commission didn’t have any proof of it but I guess we still can have our opinions and feel that way even though they say that.

The same types of responses are already being documented on divisive topics facing the current administration. Take the “Ground Zero mosque.” Using information from the political myth-busting site FactCheck.org [21], a team at Ohio State presented subjects [22] (PDF) with a detailed rebuttal to the claim that “Feisal Abdul Rauf, the Imam backing the proposed Islamic cultural center and mosque, is a terrorist-sympathizer.” Yet among those who were aware of the rumor and believed it, fewer than a third changed their minds.

A key question—and one that’s difficult to answer—is how “irrational” all this is. On the one hand, it doesn’t make sense to discard an entire belief system, built up over a lifetime, because of some new snippet of information. “It is quite possible to say, ‘I reached this pro-capital-punishment decision based on real information that I arrived at over my life,'” explains Stanford social psychologist Jon Krosnick [23]. Indeed, there’s a sense in which science denial could be considered keenly “rational.” In certain conservative communities, explains Yale’s Kahan, “People who say, ‘I think there’s something to climate change,’ that’s going to mark them out as a certain kind of person, and their life is going to go less well.”

This may help explain a curious pattern Nyhan and his colleagues found when they tried to test the fallacy [6] (PDF) that President Obama is a Muslim. When a nonwhite researcher was administering their study, research subjects were amenable to changing their minds about the president’s religion and updating incorrect views. But when only white researchers were present, GOP survey subjects in particular were more likely to believe the Obama Muslim myth than before. The subjects were using “social desirabililty” to tailor their beliefs (or stated beliefs, anyway) to whoever was listening.

Which leads us to the media. When people grow polarized over a body of evidence, or a resolvable matter of fact, the cause may be some form of biased reasoning, but they could also be receiving skewed information to begin with—or a complicated combination of both. In the Ground Zero mosque case, for instance, a follow-up study [24] (PDF) showed that survey respondents who watched Fox News were more likely to believe the Rauf rumor and three related ones—and they believed them more strongly than non-Fox watchers.

Okay, so people gravitate toward information that confirms what they believe, and they select sources that deliver it. Same as it ever was, right? Maybe, but the problem is arguably growing more acute, given the way we now consume information—through the Facebook links of friends, or tweets that lack nuance or context, or “narrowcast [25]” and often highly ideological media that have relatively small, like-minded audiences. Those basic human survival skills of ours, says Michigan’s Arthur Lupia, are “not well-adapted to our information age.”

A predictor of whether you accept the science of global warming? Whether you’re a Republican or a Democrat.

If you wanted to show how and why fact is ditched in favor of motivated reasoning, you could find no better test case than climate change. After all, it’s an issue where you have highly technical information on one hand and very strong beliefs on the other. And sure enough, one key predictor of whether you accept the science of global warming is whether you’re a Republican or a Democrat. The two groups have been growing more divided in their views about the topic, even as the science becomes more unequivocal.

So perhaps it should come as no surprise that more education doesn’t budge Republican views. On the contrary: In a 2008 Pew survey [26], for instance, only 19 percent of college-educated Republicans agreed that the planet is warming due to human actions, versus 31 percent of non-college educated Republicans. In other words, a higher education correlated with an increased likelihood of denying the science on the issue. Meanwhile, among Democrats and independents, more education correlated with greater acceptance of the science.

Other studies have shown a similar effect: Republicans who think they understand the global warming issue best are least concerned about it; and among Republicans and those with higher levels of distrust of science in general, learning more about the issue doesn’t increase one’s concern about it. What’s going on here? Well, according to Charles Taber and Milton Lodge of Stony Brook, one insidious aspect of motivated reasoning is that political sophisticates are prone to be more biased than those who know less about the issues. “People who have a dislike of some policy—for example, abortion—if they’re unsophisticated they can just reject it out of hand,” says Lodge. “But if they’re sophisticated, they can go one step further and start coming up with counterarguments.” These individuals are just as emotionally driven and biased as the rest of us, but they’re able to generate more and better reasons to explain why they’re right—and so their minds become harder to change.

That may be why the selectively quoted emails of Climategate were so quickly and easily seized upon by partisans as evidence of scandal. Cherry-picking is precisely the sort of behavior you would expect motivated reasoners to engage in to bolster their views—and whatever you may think about Climategate, the emails were a rich trove of new information upon which to impose one’s ideology.

Climategate had a substantial impact on public opinion, according to Anthony Leiserowitz [27], director of the Yale Project on Climate Change Communication [28]. It contributed to an overall drop in public concern about climate change and a significant loss of trust in scientists. But—as we should expect by now—these declines were concentrated among particular groups of Americans: Republicans, conservatives, and those with “individualistic” values. Liberals and those with “egalitarian” values didn’t lose much trust in climate science or scientists at all. “In some ways, Climategate was like a Rorschach test,” Leiserowitz says, “with different groups interpreting ambiguous facts in very different ways.”

Is there a case study of science denial that largely occupies the political left? Yes: the claim that childhood vaccines are causing an epidemic of autism.

So is there a case study of science denial that largely occupies the political left? Yes: the claim that childhood vaccines are causing an epidemic of autism. Its most famous proponents are an environmentalist (Robert F. Kennedy Jr. [29]) and numerous Hollywood celebrities (most notably Jenny McCarthy [30] and Jim Carrey). TheHuffington Post gives a very large megaphone to denialists. And Seth Mnookin [31], author of the new book The Panic Virus [32], notes that if you want to find vaccine deniers, all you need to do is go hang out at Whole Foods.

Vaccine denial has all the hallmarks of a belief system that’s not amenable to refutation. Over the past decade, the assertion that childhood vaccines are driving autism rateshas been undermined [33] by multiple epidemiological studies—as well as the simple fact that autism rates continue to rise, even though the alleged offending agent in vaccines (a mercury-based preservative called thimerosal) has long since been removed.

Yet the true believers persist—critiquing each new study that challenges their views, and even rallying to the defense of vaccine-autism researcher Andrew Wakefield, afterhis 1998 Lancet paper [34]—which originated the current vaccine scare—was retracted and he subsequently lost his license [35] (PDF) to practice medicine. But then, why should we be surprised? Vaccine deniers created their own partisan media, such as the website Age of Autism, that instantly blast out critiques and counterarguments whenever any new development casts further doubt on anti-vaccine views.

It all raises the question: Do left and right differ in any meaningful way when it comes to biases in processing information, or are we all equally susceptible?

There are some clear differences. Science denial today is considerably more prominent on the political right—once you survey climate and related environmental issues, anti-evolutionism, attacks on reproductive health science by the Christian right, and stem-cell and biomedical matters. More tellingly, anti-vaccine positions are virtually nonexistent among Democratic officeholders today—whereas anti-climate-science views are becoming monolithic among Republican elected officials.

Some researchers have suggested that there are psychological differences between the left and the right that might impact responses to new information—that conservatives are more rigid and authoritarian, and liberals more tolerant of ambiguity. Psychologist John Jost of New York University has further argued that conservatives are “system justifiers”: They engage in motivated reasoning to defend the status quo.

This is a contested area, however, because as soon as one tries to psychoanalyze inherent political differences, a battery of counterarguments emerges: What about dogmatic and militant communists? What about how the parties have differed through history? After all, the most canonical case of ideologically driven science denial is probably the rejection of genetics in the Soviet Union, where researchers disagreeing with the anti-Mendelian scientist (and Stalin stooge) Trofim Lysenko were executed, and genetics itself was denounced as a “bourgeois” science and officially banned.

The upshot: All we can currently bank on is the fact that we all have blinders in some situations. The question then becomes: What can be done to counteract human nature itself?

We all have blinders in some situations. The question then becomes: What can be done to counteract human nature?

Given the power of our prior beliefs to skew how we respond to new information, one thing is becoming clear: If you want someone to accept new evidence, make sure to present it to them in a context that doesn’t trigger a defensive, emotional reaction.

This theory is gaining traction in part because of Kahan’s work at Yale. In one study [36], he and his colleagues packaged the basic science of climate change into fake newspaper articles bearing two very different headlines—”Scientific Panel Recommends Anti-Pollution Solution to Global Warming” and “Scientific Panel Recommends Nuclear Solution to Global Warming”—and then tested how citizens with different values responded. Sure enough, the latter framing made hierarchical individualists much more open to accepting the fact that humans are causing global warming. Kahan infers that the effect occurred because the science had been written into an alternative narrative that appealed to their pro-industry worldview.

You can follow the logic to its conclusion: Conservatives are more likely to embrace climate science if it comes to them via a business or religious leader, who can set the issue in the context of different values than those from which environmentalists or scientists often argue. Doing so is, effectively, to signal a détente in what Kahan has called a “culture war of fact.” In other words, paradoxically, you don’t lead with the facts in order to convince. You lead with the values—so as to give the facts a fighting chance.


Links:
[1] https://motherjones.com/files/lfestinger.pdf
[2] http://www.powells.com/biblio/61-9781617202803-1
[3] http://motherjones.com/environment/2011/04/history-of-climategate
[4] http://motherjones.com/environment/2011/04/field-guide-climate-change-skeptics
[5] http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/2270237
[6] http://www-personal.umich.edu/~bnyhan/obama-muslim.pdf
[7] https://motherjones.com/files/descartes.pdf
[8] http://www-personal.umich.edu/~lupia/
[9] http://www.stonybrook.edu/polsci/ctaber/
[10] http://people.virginia.edu/~jdh6n/
[11] https://motherjones.com/files/emotional_dog_and_rational_tail.pdf
[12] http://synapse.princeton.edu/~sam/lord_ross_lepper79_JPSP_biased-assimilation-and-attitude-polarization.pdf
[13] http://psp.sagepub.com/content/23/6/636.abstract
[14] http://www.law.yale.edu/faculty/DKahan.htm
[15] https://motherjones.com/files/kahan_paper_cultural_cognition_of_scientific_consesus.pdf
[16] http://digitalcommons.law.yale.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1095&context=fss_papers
[17] http://seagrant.oregonstate.edu/blogs/communicatingclimate/transcripts/Episode_10b_Dan_Kahan.html
[18] http://www-personal.umich.edu/~bnyhan/nyhan-reifler.pdf
[19] http://www.sociology.northwestern.edu/faculty/prasad/home.html
[20] http://sociology.buffalo.edu/documents/hoffmansocinquiryarticle_000.pdf
[21] http://www.factcheck.org/
[22] http://www.comm.ohio-state.edu/kgarrett/FactcheckMosqueRumors.pdf
[23] http://communication.stanford.edu/faculty/krosnick/
[24] http://www.comm.ohio-state.edu/kgarrett/MediaMosqueRumors.pdf
[25] http://en.wikipedia.org/wiki/Narrowcasting
[26] http://people-press.org/report/417/a-deeper-partisan-divide-over-global-warming
[27] http://environment.yale.edu/profile/leiserowitz/
[28] http://environment.yale.edu/climate/
[29] http://www.huffingtonpost.com/robert-f-kennedy-jr-and-david-kirby/vaccine-court-autism-deba_b_169673.html
[30] http://www.huffingtonpost.com/jenny-mccarthy/vaccine-autism-debate_b_806857.html
[31] http://sethmnookin.com/
[32] http://www.powells.com/biblio/1-9781439158647-0
[33] http://discovermagazine.com/2009/jun/06-why-does-vaccine-autism-controversy-live-on/article_print
[34] http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140673697110960/fulltext
[35] http://www.gmc-uk.org/Wakefield_SPM_and_SANCTION.pdf_32595267.pdf
[36] http://www.scribd.com/doc/3446682/The-Second-National-Risk-and-Culture-Study-Making-Sense-of-and-Making-Progress-In-The-American-Culture-War-of-Fact

Fifa vê gesto desrespeitoso de Dilma Rousseff por não ir à final (OESP)

Tradicionalmente, presidente do país sede do torneio está na decisão e entrega a taça ao campeão

29 de junho de 2013 | 20h 17

JAMIL CHADE – Enviado especial – Agência Estado

RIO – A Fifa tomou como um gesto de desrespeito a decisão da presidente Dilma Rousseffde não ir à final deste domingo no Maracanã entre Brasil e Espanha. Tradicionalmente, presidente do país sede do torneio está na decisão e entrega a taça ao campeão. Neste sábado, parte da cúpula da Fifa que conversou com a reportagem não escondia surpresa diante da decisão da chefe-de-estado de não viajar ao Rio de Janeiro. Apesar da ausência de Dilma, a ala VIP do estádio do Maracanã estará lotada de políticos.

Dilma foi vaiada na abertura e quer evitar desgaste - Dida Sampaio/Estadão

Dida Sampaio/Estadão. Dilma foi vaiada na abertura e quer evitar desgaste

Dilma foi vaiada no jogo de abertura, em Brasília, e decidiu que, diante dos protestos nas ruas e de sua queda de popularidade, não seria o momento de aparecer num estádio, mesmo que seja no evento-teste para a Copa do Mundo e uma espécie de cartão de visita do País.

Apesar das declarações de membros do Comitê Executivo da Fifa, a assessoria de imprensa insistiu em adotar posição diplomática e garante que seus cartolas não representam a posição oficial da entidade.

“A Fifa respeita totalmente a decisão da presidente Dilma Rousseff em relação à participação na final
no Maracanã, seja ela qual for”, disse a assessoria.

Entretanto, nos bastidores, parte dos funcionários da Fifa tentavam entender a decisão de Dilma de não estar no estádio. “Isso é bom ou ruim para ela?”, questionou um deles. Para outros mais próximos da presidência, a atitude é um “gesto de desrespeito”.

A relação entre governo e Fifa já não era das melhores. Mas um dos legados do torneio será um esfriamento ainda maior dos contatos. O governo ficou irritado com os comentários da Fifa sobre as manifestações e com as cobranças por mais segurança.

Se Dilma não estará no estádio, o Maracanã não sentirá falta de políticos. Além de governadores e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, deputados, vereadores e senadores estão sendo aguardados na tribuna de honra.

Nas arquibancadas, a torcida já indicou nos meios sociais que irá usar a final para protestar. Nas ruas que dão acesso ao Maracanã, milhares de pessoas prometem protestar. O estádio estará blindado por mais de 6 mil policiais.

Para fontes na Fifa, a situação chega a ser irônica. Afinal, o governo brasileiro quer usar justamente os megaeventos esportivos para se promover no exterior e as autoridades não têm economizado recursos para o marketing baseado no torneio.

Até mesmo a Agência de Promoção das Exportações, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, se transformou em associada da Fifa, pagando uma cota de patrocínio de R$ 20 milhões. Já o BNDES e diversos outros órgãos foram fundamentais em bancar estádios e infraestrutura para o evento.

Para outro experiente cartola, o que surpreende é o contraste em relação à participação de outros chefes-de-estado em torneios similares. Em 2009, o capitão da seleção brasileira na época, Lúcio, recebeu o troféu de campeão das mãos de Jacob Zuma, presidente sul-africano. Zuma ainda participou de todos os jogos em Johannesburgo, num esforço de mostrar o compromisso do governo com o torneio. Em 2005, na Alemanha, a cúpula do governo de Berlim também se fez presente.

Fontes próximas ao presidente Joseph Blatter insistem que o cartola suíça “entendeu” a decisão política de Dilma. Mas considerou que sua atitude mostra que o governo não está sempre disposto a bancar o evento e que cálculos políticos pesam mais que o torneio em si. “O que parece é que, quando as coisas vão bem, o Brasil quer usar a Copa para se promover. Mas quando não funciona ou há uma crise, todos querem se dissociar do futebol”, comentou um membro do Comitê Executivo da entidade, que pediu anonimato.

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