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O longo dia seguinte (El País)

A escassez de água em São Paulo é o rei nu das eleições de 2014. No momento em que a maior cidade do país se transforma num cenário de distopia, o processo eleitoral chegou ao fim sem nenhum debate sério sobre o meio ambiente e o modelo de desenvolvimento para o Brasil

 – 27 OCT 2014 – 12:05 BRST

Chegamos ao dia seguinte sem que o futuro tenha sido de fato disputado. Se a eleição de 2014 foi a mais acirrada das últimas décadas, não só pelos candidatos, mas pelos eleitores, terminou sem debate. Não havia adversários nem nos estúdios de TV, onde os candidatos rolavam ora na lama, ora na retórica mais medíocre, nem nas redes sociais, elas que se tornaram as ruas realmente tomadas pela militância. Havia apenas inimigos a serem destruídos. As fraturas do país dizem respeito bem menos à pequena diferença entre a vencedora e o derrotado – e bem mais a uma fissura entre o país que vivemos e o país inventado. Não como uma fabulação, que é a matéria de qualquer vida. Não como uma utopia, que é onde se sonha chegar. Mas como um deslocamento perverso da realidade, uma cisão. Só essa desconexão pode explicar como a maior cidade do país transformava-se num cenário de distopia durante o primeiro e o segundo turnos eleitorais sem que em nenhum momento o meio ambiente e o modelo de desenvolvimento tenham entrado na pauta com a seriedade necessária. Chegamos ao dia seguinte como parte dos moradores de São Paulo: olhando para o céu à espera de que uma chuva venha nos salvar. E é com essa verdade profunda que temos de lidar.

Se a eleição pareceu interminável, o dia seguinte poderá ser muito mais longo. E seria, qualquer que fosse o vencedor. Com qualquer um deles, o que se disputou foi o poder, não um projeto de país. São Paulo talvez seja a expressão hiper-real desse momento, seja nossa escultura de Ron Mueck, o artista australiano que cria figuras humanas em dimensões superlativas. É como se o futuro tivesse chegado antes na cidade expandida, mais próximo da sombria ficção científica de Philip K. Dick do que da megalópole de comercial de TV onde os novos modelos de carros deslizam céleres por ruas sem trânsito.

Nesse cenário, Geraldo Alckmin, o governador do partido que há 20 anos está no poder foi reeleito no primeiro turno. Confrontados com a crise da água, Aécio Neves (PSDB) disse: “Vivemos a maior estiagem dos últimos 80 anos, e a meu ver o Estado fez algo absolutamente adequado, que foi propor bônus para aqueles que economizassem. Talvez o que tenha faltado foi uma parceria maior do governo federal”. E Dilma Rousseff (PT) rebateu: “Eu disse a ele (Alckmin): governador, pela minha experiência, acho que o senhor deveria fazer obras emergenciais. Porque tudo indica que essa seca se prolongará, e vocês não têm capacidade de abastecimento suficiente”.

Pode existir exibição maior de mediocridade do que essas respostas dadas por aquela que queria continuar presidente e por aquele que desejava se tornar presidente? É de chorar sentado em um dos reservatórios do sistema Cantareira, mas a maioria dos eleitores não pareceu se importar. Um sugere que basta chover ou dar bônus aos consumidores, a outra que obras emergenciais teriam solucionado todo o problema. Nenhum demonstrou nem capacidade nem vontade de fazer relações com o modelo de desenvolvimento, o esgotamento dos recursos, o desmatamento e o modo de vida.

O monstro bafejava na sala, mas os presidenciáveis disputavam quem tinha dado o nó no rabo do gato

Assim, enquanto São Paulo se transformava numa vitrine do cotidiano corroído pela degradação ambiental, o máximo de discussão que se conseguiu foi sobre de quem é a culpa. Isso num momento global em que as mudanças climáticas e suas consequências são consideradas por alguns dos pensadores mais relevantes do planeta, em todas as áreas, o tema de maior importância desse período, talvez de toda história humana. A cisão com a realidade é total. O monstro bafejava na sala, mas os presidenciáveis disputavam quem tinha dado o nó no rabo do gato.

Mesmo Marina Silva muito pouco tocou nesses temas ao disputar o primeiro turno, desassemelhando-se a si mesma. Ela, de quem se esperava que fizesse a diferença fazendo diferente, preferiu falar sobre a autonomia do Banco Central. No máximo escaparam, ela e todos, pela bandeira fácil do “desenvolvimento sustentável”, como se algum candidato fosse dizer que não quer desenvolvimento sustentável e como se este fosse um conceito já dado. Mas tocar nos temas cruciais do presente e do futuro, disputar a escolha do modelo de desenvolvimento em pontos concretos, com a seriedade que o momento histórico exige, não. O meio ambiente ficou fora da pauta dos presidenciáveis por escolha de conveniência, já que esse é o debate difícil, ao implicar mudanças no modo de vida dos eleitores, mas também porque a população têm escasso ou nenhum interesse no tema, apesar de a degradação ambiental roer o cotidiano. Essa é a fratura da negação.

A escassez de água na maior cidade brasileira é o rei nu destas eleições de 2014. E é por isso que vale a pena revisitar a reeleição de Geraldo Alckmin (PSDB). A seca acentua a nuvem de poluição que envolve a capital, o nariz sangra, a tosse se instala, o recorde de calor fora de época esgarça os nervos dentro de carros e ônibus que se movem lentamente num gigantesco labirinto de concreto. A crise tem produzido cenas como a de caminhões-pipa com escolta policial, prontos para dominar a população desesperada de um interior pintado como bucólico. A polícia que massacrou os manifestantes, agora se prepara para reprimir os sem-água. A imagem dos reservatórios remete ao repertório de geografias historicamente calcinadas. A vida torna-se pior, bem pior. E torna-se bem pior em ritmo acelerado.

Era de se esperar que a experiência cotidiana concreta tivesse um impacto nas urnas. Mas, neste cenário, o governador reelegeu-se ainda no primeiro turno, repetindo: “Não vai faltar água”. E a água já faltava. Se as pessoas votam de forma pragmática, votam pelo retorno imediato, votam naquele que acreditam que vai melhorar a vida delas, por que a crise da água teve pouco ou nenhum impacto na eleição? Seria porque a educação, a saúde, a segurança estiveram excelentes nesses 20 anos de governo do PSDB em São Paulo, o que compensaria a escassez de água? Não é o que a realidade mostra. A crise da água tampouco atingiu o desempenho de Aécio Neves, que no segundo turno conquistou 64% dos votos válidos no estado de São Paulo. Que cisão, então, ocorreu nesse momento? E o que ela diz? Ou como a escassez de água não colou na eleição, ou de que forma se colou?

A polícia que massacrou os manifestantes de junho de 2013 agora se prepara para reprimir os sem-água de 2014

Não tenho respostas, só hipóteses. Uma hipótese possível seria a mesma pela qual a candidatura de Marina Silva erodiu. Marina cometeu vários erros nessa campanha, alguns deles primários. Mas há um deles, que para muitos soa como erro, mas que não me parece que seja. Seu discurso era menos afirmativo do que os eleitores estão acostumados. Ela propunha a construção de soluções, mais do que propostas acabadas (ainda que tenha sido a única entre os três candidatos com chances no primeiro turno a apresentar um programa de governo). Propunha escuta.

Seu discurso foi classificado como “difuso” e “vago”. Às vezes, ser difuso e ser vago são as únicas verdades possíveis em determinado momento histórico, como mostraram as manifestações de junho de 2013. Mas logo essas características, também nela decodificadas como defeitos, foram transformadas em “fraqueza”. E, na sequência, em identidade. Assim, a mulher que nasceu num seringal do Acre, trabalhou desde criança em condições brutais, passou fome, alfabetizou-se aos 16 anos, foi empregada doméstica, sobreviveu a três hepatites, cinco malárias e uma leishmaniose, além de sofrer contaminação por mercúrio, e ainda assim tornou-se professora com pós-graduação, senadora, ministra, uma das maiores lideranças ambientais do planeta e por fim uma candidata à presidência com chances de vencer, foi considerada “fraca”. Mais uma fratura entre imagem e realidade.

As afirmações peremptórias, com pontos de exclamação, assim como as certezas, são mercadorias valorizadas. Em geral ordinárias, mas valorizadas mesmo assim. Num momento em que a falta de controle parece se expressar em toda a sua assustadora grandiosidade, como na escassez de água em São Paulo, assim como na corrosão das condições de vida pela degradação ambiental, talvez as certezas, mesmo que falsas e irresponsáveis, tornem-se ainda mais valorizadas. Talvez a virtude encontrada em Alckmin por parte dos eleitores seja a da negação da realidade: “Tudo sob controle. Não vai faltar água”.

Uma garantia expressada sem hesitação ou titubeio, em voz firme, quando a água se esvai das torneiras e a vida converte-se literalmente em cinza, uma garantia falsa, parece ainda soar como uma garantia. E logo é decodificada como força, como a expressão de alguém que sabe liderar e sabe o que fazer e, principalmente, nos libera de ter de fazer algo. Sua vantagem é manter viva a ilusão mais cara, a ilusão do controle. Esta seria uma cisão para encobrir a fratura maior, a de que os responsáveis não têm responsabilidade. E a de que cada um, que também é responsável pela destruição ambiental, tampouco quer ser responsável, porque isso implicaria mudar de posição e alterar radicalmente seu modo de vida.

Talvez a virtude encontrada em Geraldo Alckmin pelos eleitores seja a da negação da realidade

Ao esforço de mudar o modo de vida poucos aderem, porque dá trabalho e provoca perdas, exige mediação e concessão. Para muitos, já parece um sacrifício excessivo diminuir o tempo do banho, imagina alterar radicalmente o cotidiano. Assim, vale mais a pena escolher não a ficção, mas a mentira – e ficção e mentira jamais podem ser confundidas –, porque dessa maneira se torna possível manter o máximo de tempo possível uma rotina que não apenas é insustentável a longo prazo, como já não se sustenta agora. E também a fantasia sobre si mesmo como um bom cidadão.

Soa mais conveniente, portanto, acreditar nessa versão mágica, a de que não vai faltar água, quando já está faltando água, promovendo uma cisão com a realidade. De novo, portanto, é um voto pragmático, voltado ao bem-estar imediato de não ter de se mover. De não precisar fazer nada ou muito pouco a respeito. Voltado a algo talvez mais caro do que água, a certeza de que há sempre uma saída que não exija comprometimento e mudança real. Uma saída em que apenas os outros façam o sacrifício, como sempre foi no caso do racionamento muito mais antigo e persistente na casa dos pobres.

No fim da semana passada, foi divulgada uma gravação em que Dilma Pena, a presidente da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), dizia numa reunião interna: “A Sabesp tem estado muito pouco na mídia, acho que é um erro. Nós tínhamos que estar mais na mídia, sabe, (…) nas rádios comunitárias, (…) todos falando, com um tema repetido, um monopólio: economia de água. ‘Cidadão, economize água’. Isso que tinha que estar reiteradamente na mídia, mas nós temos de seguir orientação, nós temos superiores, e a orientação não tem sido essa. Mas é um erro”. O diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, fez o seguinte comentário na mesma reunião: “Se repetir o que aconteceu esse ano, do final de 2013, de outubro pra cá, se voltar a repetir em 2014, confesso que eu não sei o que fazer. Essa é uma agonia, uma preocupação. Alguém brincou aqui, mas é uma brincadeira séria. Vamos dar férias para oito milhões e oitocentos mil habitantes e falar: ‘saiam de São Paulo’. Porque aqui não tem água, não vai ter água pra banho, pra limpeza da casa, quem puder compra garrafa, água mineral. Quem não puder, vai tomar banho na casa da mãe lá em Santos, lá em Ubatuba, Águas de São Pedro, sei lá, aqui não vai ter”.

É gravíssimo que a presidente da Sabesp tenha sido impedida, por qualquer motivo e mais ainda por motivos eleitoreiros, de alertar a população sobre a enormidade do problema. É criminoso e deve haver apuração e responsabilização de todos os envolvidos. Mas precisamos ter a honestidade de assumir que dificilmente, em 5 de outubro, data da votação do primeiro turno, algum cidadão pudesse alegar desconhecer a situação e a necessidade de economizar água durante a prolongada seca que enfrenta São Paulo.

É bastante sedutor o dogma de que o homem pode controlar a catástrofe ambiental que provocou

Geraldo Alckmin deu a mentira que a população queria ouvir porque conhece bem seus eleitores. Parodiando o título do livro do escritor Ferrez, não há inocentes em São Paulo. A reeleição de Alckmin talvez seja um daqueles fenômenos sustentados pela expectativa de que, se mentirmos todos, talvez vire verdade. Em parte, o governador pode não ter vencido apesar da crise da água, mas também por causa dela.

A crise da água na maior cidade brasileira, em plena eleição, é fascinante pelo que diz daquilo que não é dito. Se é um fato que faltou planejamento ao governo estadual tucano, que aí está há 20 anos e agora por mais quatro, esta é só a ponta explícita, a mais fácil de enxergar (ainda que deliberadamente a maioria dos eleitores a tenha ignorado nas urnas). Mas, ao colocar a parte no lugar do todo, revela-se essa crença arraigada, e por estes dias também desesperada, de acreditar que teria bastado algumas obras para escapar do que se tornou a vida cotidiana em São Paulo, na qual a água é apenas a ausência mais gritante. É o dogma, quase religioso, de que o homem pode controlar a catástrofe ambiental que provocou.

De novo, a ilusão do controle, mesmo quando a realidade aniquila os dias, mesmo quando no fundo cada um sabe que, fora e dentro, algo de fundamental da vida de cada um se esvai. Quanto mais se sente que o controle escapa, no miúdo e no macro do cotidiano, maior é a recusa em enxergar. O desastre já passou da porta de casa, mas ainda se crê que basta chover para tudo voltar a ser como antes, que já era ruim, mas menos. Ou que se o não planejado for feito, ainda que tarde, o problema de São Paulo está resolvido. Cinde-se de novo – e talvez uma parte significativa da população sequer perceba que a escassez de água tem causas ambientais profundas. Como se as questões do meio ambiente, que aqui estão, estivessem lá, no mundo abstrato dos outros.

A política ambiental de Dilma Rousseff, agora reeleita, foi um retrocesso para o Brasil

Dilma Rousseff foi reeleita. Sua política ambiental, se é que pode se chamar assim, foi um retrocesso. A visão sobre a Amazônia do governo se notabilizou pela semelhança com o projeto da ditadura militar para a região. Em sua gestão, obras como a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, foram impostas aos povos da floresta sem consulta prévia, autoritarismo que levou o Brasil à Comissão Interamericana de Diretos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Seu próximo alvo é barrar o belo rio Tapajós, onde encontra a resistência dos Munduruku e de comunidades agroextrativistas,como a de Montanha e Mangabal. Pressionado pelo processo eleitoral, o governo disse que, desta vez, cumprirá a lei e ouvirá os índios, mas não escutará os ribeirinhos.

A presidente também arrancou um naco do Parque Nacional da Amazônia para facilitar o caminho das hidrelétricas planejadas para o Tapajós. Mas só criou unidades de conservação na Amazônia a 12 dias do segundo turno, na tentativa de minimizar a repercussão de seu péssimo desempenho no setor. O desmatamento na Amazônia voltou a crescer: 191% no bimestre de agosto e setembro deste ano, comparado à 2013. Segundo o Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia), porque o governo adiou a divulgação dos dados oficiais para depois das eleições. Dilma foi também a presidente que menos demarcou terras indígenas desde a redemocratização do país.

Pessoas respeitáveis defenderam nestas eleições que o susto de quase perder o poder fará Dilma Rousseff e o PT retomarem algumas lutas históricas, também no horizonte socioambiental. Veremos. Em seu discurso da vitória, neste domingo (26/10), Dilma falou em “diálogo”. E em “pontes”. Num pronunciamento bem pensado, em que a presidente reeleita podia colar tudo, já que o cargo estava garantido por mais quatro anos, vale a pena prestar atenção nas ausências. Dilma Rousseff não mencionou nem “índios” – e nem “meio ambiente”.

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes – o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos e do romance Uma Duas. Site: elianebrum.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter: @brumelianebrum

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The Real War on Reality (New York Time)

THE STONE June 14, 2013, 12:00 pm

By PETER LUDLOW

If there is one thing we can take away from the news of recent weeks it is this: the modern American surveillance state is not really the stuff of paranoid fantasies; it has arrived.

The revelations about the National Security Agency’s PRISM data collection program have raised awareness — and understandably, concern and fears — among American and those abroad, about the reach and power of secret intelligence gatherers operating behind the facades of government and business.

Surveillance and deception are not just fodder for the next “Matrix” movie, but a real sort of epistemic warfare.

But those revelations, captivating as they are, have been partial —they primarily focus on one government agency and on the surveillance end of intelligence work, purportedly done in the interest of national security. What has received less attention is the fact that most intelligence work today is not carried out by government agencies but by private intelligence firms and that much of that work involves another common aspect of intelligence work: deception. That is, it is involved not just with the concealment of reality, but with the manufacture of it.

The realm of secrecy and deception among shadowy yet powerful forces may sound like the province of investigative reporters, thriller novelists and Hollywood moviemakers — and it is — but it is also a matter for philosophers. More accurately, understanding deception and and how it can be exposed has been a principle project of philosophy for the last 2500 years. And it is a place where the work of journalists, philosophers and other truth-seekers can meet.

In one of the most referenced allegories in the Western intellectual tradition, Plato describes a group of individuals shackled inside a cave with a fire behind them. They are able to see only shadows cast upon a wall by the people walking behind them. They mistake shadows for reality. To see things as they truly are, they need to be unshackled and make their way outside the cave. Reporting on the world as it truly is outside the cave is one of the foundational duties of philosophers.

In a more contemporary sense, we should also think of the efforts to operate in total secrecy and engage in the creation of false impressions and realities as a problem area in epistemology — the branch of philosophy concerned with the nature of knowledge. And philosophers interested in optimizing our knowledge should consider such surveillance and deception not just fodder for the next “Matrix” movie, but as real sort of epistemic warfare.


To get some perspective on the manipulative role that private intelligence agencies play in our society, it is worth examining information that has been revealed by some significant hacks in the past few years of previously secret data.

Important insight into the world these companies came from a 2010 hack by a group best known as LulzSec  (at the time the group was called Internet Feds), which targeted the private intelligence firm HBGary Federal.  That hack yielded 75,000 e-mails.  It revealed, for example, that Bank of America approached the Department of Justice over concerns about information that WikiLeaks had about it.  The Department of Justice in turn referred Bank of America to the lobbying firm Hunton and Willliams, which in turn connected the bank with a group of information security firms collectively known as Team Themis.

Team Themis (a group that included HBGary and the private intelligence and security firms Palantir Technologies, Berico Technologies and Endgame Systems) was effectively brought in to find a way to undermine the credibility of WikiLeaks and the journalist Glenn Greenwald (who recently broke the story of Edward Snowden’s leak of the N.S.A.’s Prism program),  because of Greenwald’s support for WikiLeaks. Specifically, the plan called for actions to “sabotage or discredit the opposing organization” including a plan to submit fake documents and then call out the error. As for Greenwald, it was argued that he would cave “if pushed” because he would “choose professional preservation over cause.” That evidently wasn’t the case.

Team Themis also developed a proposal for the Chamber of Commerce to undermine the credibility of one of its critics, a group called Chamber Watch. The proposal called for first creating a “false document, perhaps highlighting periodical financial information,” giving it to a progressive group opposing the Chamber, and then subsequently exposing the document as a fake to “prove that U.S. Chamber Watch cannot be trusted with information and/or tell the truth.”

(A photocopy of the proposal can be found here.)

In addition, the group proposed creating a “fake insider persona” to infiltrate Chamber Watch.  They would “create two fake insider personas, using one as leverage to discredit the other while confirming the legitimacy of the second.”

Psyops need not be conducted by nation states; they can be undertaken by anyone with the capabilities and the incentive to conduct them.

The hack also revealed evidence that Team Themis was developing a “persona management” system — a program, developed at the specific request of the United States Air Force, that allowed one user to control multiple online identities (“sock puppets”) for commenting in social media spaces, thus giving the appearance of grass roots support.  The contract was eventually awarded to another private intelligence firm.

This may sound like nothing so much as a “Matrix”-like fantasy, but it is distinctly real, and resembles in some ways the employment of “Psyops” (psychological operations), which as most students of recent American history know, have been part of the nation’s military strategy for decades. The military’s “Unconventional Warfare Training Manual” defines Psyops as “planned operations to convey selected information and indicators to foreign audiences to influence their emotions, motives, objective reasoning, and ultimately the behavior of foreign governments, organizations, groups, and individuals.” In other words, it is sometimes more effective to deceive a population into a false reality than it is to impose its will with force or conventional weapons.  Of course this could also apply to one’s own population if you chose to view it as an “enemy” whose “motives, reasoning, and behavior” needed to be controlled.

Psyops need not be conducted by nation states; they can be undertaken by anyone with the capabilities and the incentive to conduct them, and in the case of private intelligence contractors, there are both incentives (billions of dollars in contracts) and capabilities.


Several months after the hack of HBGary, a Chicago area activist and hacker named Jeremy Hammond successfully hacked into another private intelligence firm — Strategic Forcasting Inc., or Stratfor), and released approximately five million e-mails. This hack provided a remarkable insight into how the private security and intelligence companies view themselves vis a vis government security agencies like the C.I.A. In a 2004 e-mail to Stratfor employees, the firm’s founder and chairman George Friedman was downright dismissive of the C.I.A.’s capabilities relative to their own:  “Everyone in Langley [the C.I.A.] knows that we do things they have never been able to do with a small fraction of their resources. They have always asked how we did it. We can now show them and maybe they can learn.”

The Stratfor e-mails provided us just one more narrow glimpse into the world of the private security firms, but the view was frightening.  The leaked e-mails revealed surveillance activities to monitor protestors in Occupy Austin as well as Occupy’s relation to the environmental group Deep Green Resistance.  Staffers discussed how one of their own men went undercover (“U/C”) and inquired about an Occupy Austin General Assembly meeting to gain insight into how the group operates.

Stratfor was also involved inmonitoring activists who were seeking reparations for victims of a chemical plant disaster in Bhopal, India, including a group called Bophal Medical Appeal. But the targets also included The Yes Men, a satirical group that had humiliated Dow Chemical with a fake news conference announcing reparations for the victims.  Stratfor regularly copied several Dow officers on the minutia of activities by the two members of the Yes Men.

One intriguing e-mail revealed that the Coca-Cola company was asking Stratfor for intelligence on PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) with Stratfor vice president for Intelligence claiming that “The F.B.I. has a classified investigation on PETA operatives. I’ll see what I can uncover.” From this one could get the impression that the F.B.I. was in effect working as a private detective Stratfor and its corporate clients.

Stratfor also had a broad-ranging public relations campaign.  The e-mails revealed numerous media companies on its payroll. While one motivation for the partnerships was presumably to have sources of intelligence, Stratfor worked hard to have soap boxes from which to project its interests. In one 2007 e-mail, it seemed that Stratfor was close to securing a regular show on NPR: “[the producer] agreed that she wants to not just get George or Stratfor on one time on NPR but help us figure the right way to have a relationship between ‘Morning Edition’ and Stratfor.”

On May 28 Jeremy Hammond pled guilty to the Stratfor hack, noting that even if he could successfully defend himself against the charges he was facing, the Department of Justice promised him that he would face the same charges in eight different districts and he would be shipped to all of them in turn.  He would become a defendant for life.  He had no choice but to plea to a deal in which he may be sentenced to 10 years in prison.  But even as he made the plea he issued a statement, saying “I did this because I believe people have a right to know what governments and corporations are doing behind closed doors. I did what I believe is right.”  (In a video interview conducted by Glenn Greenwald with Edward Snowden in Hong Kong this week, Snowden expressed a similar ethical stance regarding his actions.)

Given the scope and content of what Hammond’s hacks exposed, his supporters agree that what he did was right. In their view, the private intelligence industry is effectively engaged in Psyops against American public., engaging in “planned operations to convey selected information to [us] to influence [our] emotions, motives, objective reasoning and, ultimately, [our] behavior”? Or as the philosopher might put it, they are engaged in epistemic warfare.

The Greek word deployed by Plato in “The Cave” — aletheia — is typically translated as truth, but is more aptly translated as “disclosure” or “uncovering” —   literally, “the state of not being hidden.”   Martin Heidegger, in an essay on the allegory of the cave, suggested that the process of uncovering was actually a precondition for having truth.  It would then follow that the goal of the truth-seeker is to help people in this disclosure — it is to defeat the illusory representations that prevent us from seeing the world the way it is.  There is no propositional truth to be had until this first task is complete.

This is the key to understanding why hackers like Jeremy Hammond are held in such high regard by their supporters.  They aren’t just fellow activists or fellow hackers — they are defending us from epistemic attack.  Their actions help lift the hood that is periodically pulled over our eyes to blind us from the truth.

Peter Ludlow is a professor of philosophy at Northwestern University and is currently co-producing (with Vivien Weisman) a documentary on Hacktivist actions against private intelligence firms and the surveillance state.

When Do We Lie? When We’re Short On Time and Long On Reasons (Science Daily)

ScienceDaily (Sep. 5, 2012) — Almost all of us have been tempted to lie at some point, whether about our GPA, our annual income, or our age. But what makes us actually do it?

In a study forthcoming inPsychological Science, a journal of the Association for Psychological Science, psychological scientists Shaul Shalvi of the University of Amsterdam and Ori Eldar and Yoella Bereby-Meyer of Ben-Gurion University of the Negev investigated what factors influence dishonest behavior.

Previous research shows that a person’s first instinct is to serve his or her own self-interest. And research also shows that people are more likely to lie when they can justify such lies to themselves. With these findings in mind, Shalvi and colleagues hypothesized that, when under time pressure, having to make a decision that could yield financial reward would make people more likely to lie. They also hypothesized that, when people are not under time pressure, they are unlikely to lie if there is no opportunity to rationalize their behavior.

“According to our theory, people first act upon their self-serving instincts, and only with time do they consider what socially acceptable behavior is,” says Shalvi. “When people act quickly, they may attempt to do all they can to secure a profit — including bending ethical rules and lying. Having more time to deliberate leads people to restrict the amount of lying and refrain from cheating.”

The researchers first tested participants’ tendency to lie when doing so could be easily justified: Approximately 70 adult participants rolled a die three times such that the result was hidden from the experimenter’s view. The participants were told to report the first roll, and they earned more money for a higher reported roll.

Seeing the outcomes of the second and third rolls provided the participants with the opportunity to justify reporting the highest number that they rolled, even if it was not the first — after all, they had rolled that number, just not the first time they rolled the die. Some of the participants were under time pressure, and were instructed to report their answer within 20 seconds. The others were not under time pressure, and had an unlimited amount of time to provide a response.

The experimenters were not able to see the actual die rolls of the participants, to ensure all rolls were private. Instead, in order to determine whether or not the participants had lied about the numbers they rolled, Shalvi and colleagues compared their responses to those that would be expected from fair rolls. They found that both groups of participants lied, but those who were given less time to report their numbers were more likely to lie than those who weren’t under a time constraint.

The second experiment followed a similar procedure, except that the participants were not given information that could help them justify their lies: instead of rolling their die three times, they only rolled it once and then reported the outcome. In this experiment, the researchers found that participants who were under time pressure lied, while those without a time constraint did not.

Together, the two experiments suggest that, in general, people are more likely to lie when time is short. When time isn’t a concern, people may only lie when they have justifications for doing so.

One implication of the current findings is that to increase the likelihood of honest behavior in business or personal settings, it is important not push a person into a corner but rather to give him or her time,” explains Shalvi. “People usually know it is wrong to lie, they just need time to do the right thing.”