Crow Tribe Elder, Historian Joe Medicine Crow Dead at 102 (New York Times)


Agora a versão portuguesa:

Morreu o último chefe índio dos Estados Unidos (RTP)

[Esse título é uma piada. Não é de estranhar que o jornalista português não saiba o mínimo necessário para falar sobre indígenas sem cometer o erro absurdo de considera-lo o “último” chefe índio, uma vez que os jornalistas brasileiros, que estão tão próximos das populações indígenas, tampouco sejam capazes de evitar tais gafes.-RT]

RTP 04 Abr, 2016, 15:38 / atualizado em 04 Abr, 2016, 15:50 | Cultura

Morreu o último chefe índio dos Estados Unidos

O presidente Obama, ao condecorar Joe Medicine Crow em 2009, debatendo-se com uma pena que lhe entrou pelo nariz. Foto:  Jim Young, Reuters

Joseph Medicine Crow, último chefe da tribo Crow, morreu com 102 anos de idade. Embora tenha nascido em 1913, era considerado uma memória viva do século XIX.

 Joseph Medicine Crow foi educado para ser um guerreiro, absorveu na sua tribo as narrativas de feitos heróicos, em especial a batalha nas margens do rio Little Bighorn, em 1876. Ouviu essas narrativas de guerreiros índios que ainda tinham participado na batalha. Recordavam-na como rara vitória que fora, dos índios sobre as tropas brancas, ocasionada pela aliança entre cheyennes sioux, contra a prática do general George Armstrong Custer, que habitualmente massacrava aldeias índias inteiras.

Custer, retratado sem contemplações no filme Little Big Man, protagonizado por Dustin Hoffman, foi morto na batalha, juntamente com mais de duas centenas de militares norte-americanos.

Na reserva de Lodge Grass, Montana, Joseph Medicine Crow foi treinado desde os seis anos de idade pelo seu avô, Cauda Amarela, para continuar as proezas guerreiras de chefes como Touro Sentado e Cavalo Louco, os dois líderes das tribos coligadas para a vitória de Little Bighorn. O avô fazia-o correr descalço sobre a neve, para criar resistências.

Segundo a nota publicada no New York Times por ocasião da sua morte, Medicine Crow seguiu, contudo, um outro caminho, numa época em que a resistência à ocupação branca já tinha terminado. Foi um dos primeiros índios estudarem e licenciou-se em antropologia em 1939. Mas depois veio a Segunda Guerra Mundial e voltou a emergir Crow, o guerreiro índio.

Entre os seus feitos de guerra conta-se o de roubar cavalos num acampamento inimigo e o de vencer em combate corpo-a-corpo um soldado alemão, a quem finalmente decidiu poupar a vida. Num livro publicado em 2006, Medicine Crow explicava que “fazer a guerra é a nossa arte suprema; mas para os índios da planície fazer a guerra não consiste em matar. É tudo uma questão de inteligência, de liderança e de honra”.

Quando voltou da guerra na frente europeia, Joseph Medicine Crow foi nomeado pelo conselho tribal como historiador da tribo. Diz-se que era dotado de uma memória prodigiosa e que conseguia, muitos anos depois, reproduzir grande parte das conversas que tivera com seis batedores índios que chegara a conhecer e que estiveram ao serviço do general Custer na batalha de Little Bighorn.

O empenhamento de Medicine Crow em cultivar as tradições da sua tribo como parte integrante de uma nação americana resultante do extermínio da população indígena valeu-lhe numerosos louvores e condecorações, mais recentemente por parte do presidente Barack Obama. Entre os elogios fúnebres que lhe fizeram os seus conterrâneos conta-se o do senador Steve Daines, nestas palavras algo ambíguas: “O espírito de Medicine Crow, a sua humildade e as realizações da sua vida, deixam uma marca duradoura na história de Montana”.

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