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Anthropologist, professor at the Federal University of São Paulo

O mundo é para poucos (Carta Capital)

11/2/2014 – 12h57

por Luiz Antonio Cintra, da Carta Capital

criancas1 O mundo é para poucos

Foto: Reprodução/Internet

Em alta desde os anos 70, a concentração da riqueza bate recordes, para a alegria de 1% da população global

Divulgada na abertura do encontro anual da elite econômica global em Davos, na Suíça, a pesquisa “Trabalhando para Poucos”, da ONG inglesa Oxfam, bem poderia se chamar “Vejam o Que os Senhores Conseguiram”. Ganhou manchetes mundo afora ao apontar para a hiperconcentração de riqueza em andamento na quase totalidade dos países ocidentais. Sete em cada dez indivíduos vivem em países onde a desigualdade avançou nas últimas três décadas, informa a Oxfam.

Segundo o estudo, a crise financeira detonada em setembro de 2008 veio a calhar para os mais ricos. O 1% do topo da pirâmide, anota a pesquisa, detém hoje metade da riqueza gerada no planeta. O financista norte-americano Warren Buffett é um exemplo da turma ganhadora: acumulava patrimônio de 40 bilhões de dólares antes da quebra do Lehman Brothers, e nada atualmente em uma piscina recheada de 59 bilhões de moedas. O quarto mais rico do planeta, segundo a lista da Forbes, Buffett é um dos 85 afortunados que, aponta a Oxfam, possuem patrimônio equivalente ao da metade mais pobre da população mundial, ou 3,5 bilhões de cidadãos. “Alguma desigualdade econômica é essencial para conduzir o crescimento e o progresso”, escrevem os responsáveis pela pesquisa. “Os níveis extremos de concentração da riqueza atuais, entretanto, ameaçam excluir centenas de milhões de obter os ganhos de seus talentos e trabalho duro.”

Não é outra coisa o que tem acontecido desde o crash, com maior intensidade nos dois polos mais afetados pela crise, os EUA e a Zona do Euro (exceto a Alemanha). O quadro retratado espelha as opções feitas para enfrentar a crise, desenhadas de acordo com os interesses dos bilionários, constata a ONG. A saída escolhida foi salvar bancos e companhias consideradas “grandes demais para quebrar”, ao mesmo tempo que os gastos públicos eram cortados indiscriminadamente.

O resultado foi uma onda avassaladora de desemprego e a falência de empresas cuja quebra, para as autoridades, teria o efeito positivo de ampliar a eficiência da economia como um todo. Nesse sentido, as políticas adotadas deram certo. O levantamento mais recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) contabiliza 202 milhões de desempregados no mundo, 5 milhões a mais do que no fim de 2012. Mantida a tendência, algo bastante provável, serão 215 milhões sem empregos no fim de 2017, estima Guy Rider, diretor da OIT.

O estudo da Oxfam enumera algumas das causas da concentração crescente. Há décadas a falta de limites minou a representação popular nos Parlamentos. E o lobby das maiores corporações aos poucos tirou do caminho regras e leis forjadas para garantir (ou ampliar, conforme o caso) a concorrência nas economias. Estima-se que os bancos norte-americanos gastaram 1 bilhão de dólares em lobby nos últimos anos para enfraquecer e adiar a legislação em discussão para tornar o sistema financeiro menos arriscado.

A corrupção, a perversidade de sistemas tributários como o brasileiro, que taxa proporcionalmente mais quem tem menos, os subsídios, a redução dos gastos em saúde e educação públicas, a perda de espaço dos sindicatos de trabalhadores e uma rede internacional de paraísos fiscais (em que, estima a ONG, cerca de 18 trilhões de dólares são escondidos para não pagar impostos) também explicam o processo em andamento.

O marco zero dessa tendência, contudo, não tem nada de novo. Especialistas o situam no período que vai do fim da década de 1970 ao início dos anos 80, sob os auspícios da onda neoliberal e da desregulação dos mercados, particularmente o financeiro, sob a batuta ideológica da dupla Ronald Reagan e Margaret Thatcher.

A resultante constatada agora não é um efeito colateral inesperado. Ao contrário. A cartilha Reagan-Thatcher recomendava deliberadamente o corte dos impostos dos mais ricos, em paralelo à redução dos direitos sociais e salários dos mais pobres, com o argumento de que o primeiro movimento garantiria fôlego para o consumo, enquanto o segundo ampliaria a competividade da economia ao reduzir o custo do trabalho. Uma parcela considerável das palavras de ordem pró-desregulação foi tecida, por sinal, justamente no Fórum Econômico de Davos, que nesta edição, diante da escala da tragédia social nos países ricos, procura convencer a opinião pública de que, no fundo, estão preocupados com a distância crescente entre ricos e pobres. Ao custo de 40 mil dólares por participante, vale notar.

Na ponta do lápis, o quadro evoluiu nos EUA conforme o esperado pelos formuladores de tais políticas: a renda dos 10% mais pobres avançou, desde meados dos anos 1980, apenas 0,1% ao ano. Já aquela dos mais ricos cresceu, pela mesma métrica, 1,5%. No Reino Unido, o mesmo movimento: a renda avançou, em média, 0,9% na base da pirâmide e 2,5% entre os 10% do topo. Estudo da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, realizado em 2011, apontou os EUA, o Reino Unido e Israel como “pioneiros” da regressão social entre os mais ricos. A partir dos anos 2000, anota a pesquisa, a tendência incluiu as nações tradicionalmente menos desiguais, caso da Alemanha, Dinamarca, Suécia e outros países nórdicos.

A partir do crash de 2008, a concentração da riqueza ganhou força, resultado da opção de salvar os grandes bancos e corporações. No estudo da Oxfam, o caso norte-americano é mais uma vez destaque: 95% do ganho de renda registrado a partir de 2009 no país foi para o 1% mais rico. E, quanto mais no topo, maiores os ganhos proporcionalmente. Em 2012, por exemplo, enquanto o 1% mais rico ficou com 22% da renda do país, o 0,1% mais afortunado abocanhou 11% do bolo. Um norte-americano do sexo masculino e graduado recebe atualmente, em média, 40% do que recebia quatro décadas atrás.

No artigo “A desigualdade é uma opção”, publicado em outubro de 2013, o Nobel de Economia Joseph Stiglitz, professor da Universidade Columbia, comenta a hiperconcentração em curso. De 1988 a 2008, anota o economista, a renda do 1% mais rico do planeta cresceu cerca de 60%. No mesmo período, a dos 5% mais pobres manteve-se estagnada. “Os ganhos de renda têm sido maiores entre aqueles da elite mundial – executivos financeiros e corporativos dos países ricos – e as amplas ‘classes médias emergentes’ de China, Índia, Indonésia e Brasil. Quem perdeu? Africanos, alguns latino-americanos e cidadãos do Leste Europeu pós-comunista e da antiga União Soviética.”

Apesar de bem-vinda, a discussão em torno da desigualdade em Davos está longe de ser sinal de uma nova postura – e seria loucura supor que haverá ali uma guinada ideológica. Em 2005, o tema ocupou o topo das preocupações dos milionários reunidos na Suíça, àquela altura em companhia dos debates sobre o terrorismo. Em 1994, o tema também foi abordado, quando Klaus Schwab, presidente do fórum, definiu o encontro como uma oportunidade para “um gigantesco brainstorm para líderes empresariais, políticos, científicos e culturais, para analisar todos os pressupostos básicos da humanidade”.

Então, os ouvintes saíram de Davos, embarcaram em seus jatos particulares e foram cultivar suas fortunas.

* Publicado originalmente no site Carta Capital.

The 1% Should Be Afraid: The New Norm in the Workplace Is Unstable (Truthout)

Tuesday, 11 February 2014 10:16

By Laura FlandersTruthout | Interview and Video

(Photo<a href="http://www.shutterstock.com/pic-141695929/stock-photo-businessman-pulling-empty-pocket-out-of-pants.html?src=CpjJzVJBmUOWc1T_GhEcmg-1-7" target="_blank"> via Shutterstock</a>)(Photo via Shutterstock)

A new study from Oxfam published just ahead of this year’s World Economic Forum meeting in Davos, reported that just one percent of the world’s population controls nearly half of the planet’s wealth and 70 percent of the world’s people live in countries where income inequality has been growing in the last 30 years. In the US, the gap between rich and poor has grown faster than in any other developed country. The top one percent has captured 95 percent of all growth since the putative “recovery” of 2009. This is the “new normal.” Is it sustainable?

Barbara Garson is the author of a series of books describing American working lives at historically important turning points. If this is one of those turning points, it’s one in which the one percent have won:

“That the so-called recovery that everyone is bragging about is this,” Garson told GRITtv in a recent interview. “We’ve recovered, we’ve taken your full-time job away and given you a part-time job, and we’ve given the difference to our stockholders.”

The trouble is, this cockeyed situation is not stable, and even the capitalists, maybe especially the capitalists, should be worried.

“There are capitalist solutions, like redistribution, but they’re not doing it. That may be why we have a socialist solution this time,” she concludes. “If seventeen percent of the houses are vacant, we’ll just move into them.”

Garson’s new book is Down the Up Escalator: How the 99% LiveYou can watch our conversation at GRITtv.org.

Laura Flanders: So, Barbara, would you call this one of those historically important turning points?

Barbara Garson: Yes, well, we’ve been moving down. Well, that is to say, the wealth gap has been growing since about the seventies in this country, and in the world, too. We’re kind of the leaders in that and brought that model around the world. But the ruling class doesn’t seem to care anymore. They used to be Keynesian; they used to say, uh-oh! wait a minute. If we have fifty percent of the wealth, they can’t buy back what’s produced, we’d better rebalance it and keep going for a while. They seem to have forgotten that.

In a way we’re in a dangerous situation. [The elite] seem to be taking the same attitude on the economy that they’re taking on the environment.

But look at the statistics that they’re looking at. At Davos, people would have heard about growth and GDP going up, about productivity going up, about the stock market having the best record in years. So by their indices, nothing is wrong.

Even they know that a lot of that is in [loaned] money. A lot of their growth is in the same type of derivatives that they were investing in before. They are lending money to people who cannot pay back. They know (I think some of them know), that when you come out of he recession with even greater inequality than when you went into it, they know that they have to keep making the same kind of loans that they made before. Namely, lending money to people to buy houses they cannot afford. Lending money to students to go to college, and the students will never earn enough to pay the money back. That’s dangerous in the long run.

And you think they know this at some level?

I don’t know what each individual knows, but they all used to be the Keynesians. I used to be the socialist, and say, but it isn’t nice. I know you can keep going that way with reoccurring crises, but it isn’t nice. Now I’m the one that’s reminding them that it’s also impossible unless they do the usual Keynesian redistribution, which they used to do every few decades. Now they are just taking more, and more and more.

Let’s talk about the people you followed in your book, Down the Up Escalator, and why you decided to follow these folks in the first place. In your last book, you were following a dollar bill around the world. This time you decided to follow a group of people. Let’s start with the “Pink Slip Club.”

Well, when the recession hit, the publisher wanted a quickie on the recession. So I started interviewing people who lost their jobs, but I gave him a little more than he wanted, which is to say what I discovered is that these people have been going down economically for a long time. They had nothing to fall back on.

[The Pink Slip Club] was a group of friends who met in their church. They were people who earned about fifty thousand dollars a year as a graphics artist, as an insurnace adjuster, those kind of jobs. They lived in Manhattan and they could just make it on their fifty thousand dollars. They thought it would be over very quickly.

They thought the recession would be over quickly.

Yes, they thought the recession would be over quickly and they would find new jobs. They had all found jobs when they first started working – they found jobs quickly [but this time] it just dragged on and on and on.

What finally happened is that two are now working, two aren’t. But this is characteristic of what’s going on since the seventies: The person who had a full-time job as a graphics person in a textbook company now works catch-as-catch-can for those same kinds of companies. In fact, he works through a contractor, so he has no benefits; he’s making a little less an hour; he has no benefits; he has no guarantee of any work; he works when he can. I said to him, did you ever get a job from your old company … And he said no, somebody who still works there in the management told him that they’re sending the work abroad now. They’re not doing it through contractors in New York City. He will never have that kind of job again, nor will new people coming into that industry.

So you’ve got long-term unemployed, then you have people whose jobs have completely transformed.

Some people thought that the downturn that they personally suffered was temporary. I met a woman who had been the top salesperson for a very fancy Fifth Avenue clothing store – the kind that when you go in, you spend thousands of dollars at a time, and she would dress certain women every year. She was their highest grossing saleswoman. Very often, she had a commission. During the recession, they started laying people off. They started giving them shorter hours and then their commission disappeared. She thought it would come back afterwards and then she noticed that they were actually hiring new people during this recession and the new people were coming on with no commissions, and they were young people making $11 an hour. Her position was reduced to that, too. The store did have somewhat of a downturn, but all the time it was planning on what it was going to do afterwards.

I talked to a stockbroker who said, “Oh, I am very glad to hear about that company, because a lot of good developments like that come on during a recession.” That company did lose business, but I mentioned to you the person before who worked for a textbook company? Their business went up continuously, and they also used the recession as an opportunity to make all their permanent people temporary – and that is the new norm.

Let’s talk about the numbers. The numbers I just read from the Oxfam report, do you think this is the new normal in terms of gap between rich and poor?

Unless we do something about it, yes, that’s the direction it’s moving in.

As people talk about “recovery” – we hear a lot about returning to normal. Based on your research, what does the “new normal” in the workplace look like?

We’re coming back, in that there are some more jobs, [but for corporations] a victory has been had during that recession. Those jobs are the jobs I just mentioned: the saleslady who now gets no more commissions. In fact, the company has hired more people, only giving them fewer hours. Those jobs are like the graphic designer that I just mentioned, only now he’s working through contractors and getting a part-time job, and much less pay.

[It all adds up to] more and more money [for the employer]. Those companies are making the same profit; they may be doing a little less business, but they’re making the same profit or a little more. Profit went up about twenty-five percent for American corporations from the beginning of the recession, to its official end in 2009. It’s very unusual during a recession. When we talk about profit, we talk about money that went to the investor.

We heard that ninety percent of all the gains since 2009 have gone directly to that top one percent.

The top one percent not of salary earners, but of investors. That’s money that they have to reinvest.

So [tell me again] why should they be concerned?

If productivity is up, and by the way, it went up ninety-nine percent between 1971 and the beginning of the recession in 2007 and salaries went up just four percent – that means people can’t buy back what they produce. These companies say, okay I have a good idea: Instead of paying you to buy back what you produce, I’ll lend you the money. And they lent us money to buy cars; they lent us money to buy houses that we couldn’t afford.

The other point you raise in this book as in 2009, in the years running up to 2009, so too, today, there’s still an enormous pile of money that that elite one percent doesn’t know what to do with.

Right, when we’re talking about profits increasing by twenty-five percent by the end of the recession, that means that you and I are not worried about money being such a big problem, but if profits that great are going to investors, they put it in brokerage accounts or banks and a bank cannot keep its money in the bank; a bank has to do something with it. If people can’t buy products, then they have to start investing – not in companies that are making more [stuff] – they have to start investing in the derivatives of derivatives.

They are putting money back into the stock market, but the companies aren’t actually producing more. You put money in the stock market, the stock goes up …

You ask the question, why are they doing the same thing again? They have to do something with the profits. If inequality meant, I make thirty thousand dollars a year, you make a million dollars a year, that’s not very nice. You spend a million on a yacht; I take care of your yacht. I sweep it up and I’m still worrying about my children getting into college; that’s not nice, but unfortunately, it’s stable. Capitalism could run this way, but that’s not the million dollars we’re talking about, spending millions of dollars because you earn more than me. When we say, they got more, unequally, their share went up. Their share is of money they made in interest, money they made in investments and they just put that back into brokerage funds, back into banks, and those banks and brokerage funds have to do something with it. They’re doing the same [with] derivatives that they did before.

A man who kind of invented the math for derivatives, Ed Thorp, [someone] asked him after the crash, do you think that the stock market is still safe? He said, well, if we could move the money to Mars that would be better, but we can’t move it to Mars, so we have to put it back into the stock market even though it’s a Ponzi scheme.

So let’s talk about us. You, like Studs Terkel forty years ago, went and interviewed people and came away with a portrait that wasn’t just about numbers, but was really about a reality of life that many of us in the media are kind of numb to, or maybe we’re just not aware of … There’s actually less joy in your book than there was in Studs’ and Studs’ time was hard then. What is it doing to people to be in the situation they’re in?

What’s increasing is their insecurity, and the sense that they should be doing better. People who graduate from college and think that [the problem is] them. “Why am I – graduating from college – only earning $35,000? I was an intern last year. I have all of these bills from college, and my mother thinks I’m stupid; why did I do it this way?” And maybe I’m living back at home. It’s going to take awhile before the parents realize that oh my goodness, the child made the best decision she could. She invested in herself, or she bought a house that was a fixer-upper and it’s just the dollars and cents don’t add up. You’re not being paid enough, and you’re indebted. …We’re doing a bad job of helping them realize that it’s not just them, that this is thenew norm. That the so-called recovery that everyone is bragging about is this: We’ve recovered; we’ve taken your full-time job away and given you a part-time job – and we’ve given the difference to our stockholders. We’ve recovered; let’s breathe a sigh of relief.

What about the people?

What do you think it feels like? It will feel better, I hope, I think. I hope it will feel a little better when you say hey, they did it to us; this is universal; this is not just me, I didn’t choose a stupid school to go to, and a stupid major. I didn’t choose a stupid job. I didn’t fall behind on technology and that’s why I’m a part-timer …

It’s not like we’re too poor to have houses. As a matter of fact, there is a huge vacancy crisis. We don’t have to chop down trees to house everybody. Seventeen percent of housing is vacant right now. There is a place for all of us to move into if we just redistribute our ability to pay for it.

I’m a socialist. I’m frightened because I don’t see our capitalists saying, oops you better have a temporary redistribution. They learned to do that in the ’30s. In fact, they even learned to do that in the 1870s. I don’t see them doing it. We should all be frightened just as we are all frightened about the environment. There are capitalist solutions – redistribution – but they’re not doing it. That may be why we have a socialist solution this time. If 17% of the houses are vacant, we’ll just move into them.

Down the Up Escalator: How the 99% Live: I recommend it. Great stories, great read. Barbara Garson, thank you.

In conjunction with this conversation, GRITtv interviewed six New Yorkers about their work lives: “Juggling Jobs, Fighting Fear.” With work or looking for work, they all had one thing in common, they’re working too damn hard. If you’re working too damn hard – GRITtv wants to hear about it! Post your video, audio, or text at our Facebook page. We’re not ok with the “new normal.”

Copyright, Truthout. May not be reprinted without permission.

California drought similar to historic drought in Texas (Science Daily)

Date: February 10, 2014

Source: Texas A&M University

Summary: The worst drought ever to hit California could rival the historic 2011 drought that devastated Texas, says a Texas A&M University professor.

Mojave Desert, California. The worst drought ever to hit California could rival the historic 2011 drought that devastated Texas. Credit: © Tomasz Zajda / Fotolia

The worst drought ever to hit California could rival the historic 2011 drought that devastated Texas, says a Texas A&M University professor.

John Nielsen-Gammon, professor of atmospheric sciences who also serves as Texas’ State Climatologist, says the current drought in California is so far comparable in many ways to the 2011 Texas drought, the worst one-year drought in the state’s history that caused more than $10 billion in damages and led to numerous wildfires and lake closings.

“This is the third year of California’s drought and it is on pace to be as dry as Texas was in 2011,” Nielsen-Gammon, a California native who grew up in the San Francisco area, explains.

“However, because our severe drought year came at the beginning of the drought, reservoirs across much of the state were full. In California, reservoir levels were low to begin with.

“In addition, they are dealing with environmental flows through the Sacramento Delta that weren’t explicitly laid out until a few years ago.”

Weather patterns for both states appear similar, he adds.

“The same ridge that has kept California dry has also been keeping Texas dry,” he notes. “As the pattern changes, California is finally getting some rain and snow and the chances for precipitation in Texas are increasing as well.”

California’s drought is especially worrisome because the state produces about one-half of the country’s fruits, vegetables and nuts. It is the No.1 agricultural state in the U.S.

The 2011 drought devastated Texas farmers and ranchers, and lake levels were down as much as 50 feet in some lakes while several West Texas lakes completely dried up.

Numerous Texas cities set heat records in 2011, such as Wichita Falls, which recorded 100 days of 100-degree heat, the most ever for that city. Dallas also set a record with 70 days of 100-degree heat.

Texas’ drought is now in its fourth year, Nielsen-Gammon says, and about 52 percent of Texas is still in some form of drought status, ranging from moderate to exceptionally dry.

“January was unusually dry with an average of only about one-half an inch of precipitation statewide,” he adds.

“Reservoir levels have actually declined at a time when they should be rising. So the drought is still here. In fact, the prevalence of drought in Texas has not dropped below 40 percent since 2010 when this drought first started.”

The Texas Panhandle area has been especially hard hit.

“The past three calendar years have been among the driest three on record for the Panhandle,” he notes. “Dalhart shattered its record with just 20.54 inches total in 2011-2013.

“This current drought started with more intensity than the drought of 1950-56, the driest on record. We again have a generally warm Atlantic Ocean, and that tends to mean dry conditions. An El Nino (warmer water in the tropical Pacific Ocean) might develop later this year, but it’s still a little too early to say.”

New Study Shows Yoga Has Healing Powers (National Geographic)

Student Nicola Protetch ( 17) does the bow posture with a smile as she takes part in a yoga class.

Yoga practitioners, like these students in the bow posture, could experience reduced stress and better sleep.

PHOTOGRAPH BY RENE JOHNSTON, GETTY IMAGES

Susan Brink

for National Geographic

PUBLISHED FEBRUARY 7, 2014

The more we learn about yoga, the more we realize the benefits aren’t all in the minds of the 20 million or so devotees in the U.S. Yoga helps people to relax, making the heart rate go down, which is great for those with high blood pressure. The poses help increase flexibility and strength, bringing relief to back pain sufferers.

Now, in the largest study of yoga that used biological measures to assess results, it seems that those meditative sun salutations and downward dog poses can reduce inflammation, the body’s way of reacting to injury or irritation.

That’s important because inflammation is associated with chronic diseases including heart disease, diabetes, and arthritis. It’s also one of the reasons that cancer survivors commonly feel fatigue for months, even years, following treatment.

Researchers looked at 200 breast cancer survivors who had not practiced yoga before. Half the group continued to ignore yoga, while the other half received twice-weekly, 90-minute classes for 12 weeks, with take-home DVDs and encouragement to practice at home.

According to the study, which was led by Janice Kiecolt-Glaser, professor of psychiatry and psychology at Ohio State University, and published in the Journal of Clinical Oncology, the group that had practiced yoga reported less fatigue and higher levels of vitality three months after treatment had ended.

Laboratory Proof

But the study didn’t rely only on self-reports. Kiecolt-Glaser’s husband and research partner, Ronald Glaser of the university’s department of molecular virology, immunology, and medical genetics, went for stronger, laboratory proof. He examined three cytokines, proteins in the blood that are markers for inflammation.

Blood tests before and after the trial showed that, after three months of yoga practice, all three markers for inflammation were lower by 10 to 15 percent. That part of the study offered some rare biological evidence of the benefits of yoga in a large trial that went beyond people’s own reports of how they feel.

No one knows exactly how yoga might reduce inflammation in breast cancer survivors, but Kiecolt-Glaser lays out some research-based suggestions. Cancer treatment often leaves patients with high levels of stress and fatigue, and an inability to sleep well. “Poor sleep fuels fatigue, and fatigue fuels inflammation,” she says. Yoga has been shown to reduce stress and help people sleep better.

Other smaller studies have shown, by measuring biological markers, that expert yoga practitioners had lower inflammatory responses to stress than novice yoga practitioners did; that yoga reduces inflammation in heart failure patients; and that yoga can improve crucial levels of glucose and insulin in patients with diabetes.

Yoga for Other Stresses

Cancer is an obvious cause of stress, but recent research has pointed to another contributing factor: living in poverty. Maryanna Klatt, an associate professor of clinical family medicine at Ohio State University, has taken yoga into the classrooms of disadvantaged children. In research that has not yet been published, she found that 160 third graders in low-income areas who practiced yoga with their teacher had self-reported improvements in attention.

“Their teachers liked doing it right before math, because then the kids focused better on the math work,” she says. “Telling a kid to sit down and be quiet doesn’t make sense. Have them get up and move.”

While it would be too complicated and intrusive to measure biological responses to yoga in schoolchildren, Klatt has done similar research on surgical nurses, who are under the daily stress of watching suffering and death. She said she found a 40 percent reduction in their salivary alpha amylase, a measure of the fight-or-flight response to stress.

And she’s about to begin teaching yoga to garbage collectors in the city of Columbus before they head out on their morning shift. At the moment, her arrangement with the city is not part of a study. She just hopes to make their lives less stressful. And she does not plan to check their inflammatory response, though she admits she’d love to.

U.S. Plan to Lift Wolf Protections in Doubt After Experts Question Science (Science)

8 February 2014 10:45 am

Canis lupus

Wikimedia/USFWS. Canis lupus

The ongoing battle over a proposal to lift U.S. government protections for the gray wolf (Canis lupus) across the lower 48 states isn’t likely to end quickly. An independent, peer-review panel yesterday gave a thumbs-down to the U.S. Fish and Wildlife Service’s (USFWS’s) plan to delist the wolf. Although not required to reach a consensus, the four researchers on the panel were unanimous in their opinion that the proposal “does not currently represent the ‘best available science.’ ”

“It’s stunning to see a pronouncement like this—that the proposal is not scientifically sound,” says Michael Nelson, an ecologist at Oregon State University, Corvallis, who was not one of the reviewers. Many commentators regard it as a major setback for USFWS, which stumbled last year in a previous attempt to get the science behind its proposal reviewed.

USFWS first released its plan for removing the gray wolf from the endangered species list in June 2013. The plan also called for adding the Mexican gray wolf, a subspecies that inhabits the southwest, to the protected list. At the time, there were approximately 6000 wolves in some Western and upper midwestern states; federal protections were removed from the gray wolf in six of those states in 2011. More than 1 million people have commented on the plan. But regulations also require that the agency invite researchers outside of the agency to assess the proposal’s scientific merit.

At its core, the USFWS proposal relies on a monograph written by its own scientists. They asserted that a different (and controversial) species, the eastern wolf (Canis lupus lycaon) and not the gray wolf, had inhabited the Midwest and Northeast. If correct, then the agency would not need to restore the gray wolf population in 22 eastern states, where gray wolves are no longer found.

But the four reviewers, which included specialists on wolf genetics, disagreed with USFWS’s idea of a separate eastern wolf, stating that the notion “was not universally accepted and that the issue was ‘not settled’ ”—an opinion shared by other researchers. “The designation of an ‘eastern wolf’ is not well-supported,” says Carlos Carroll, a conservation biologist at the Klamath Center for Conservation Research in Orleans, California, who was not a member of the review panel.

Overall, the agency’s “driving goal seemed to be to identify the eastern wolf as a separate species, and to use that taxonomic revision to delist the gray wolf,” says Robert Wayne, a conservationist geneticist at the University of California (UC), Los Angeles, and one of the reviewers. If that were to happen, he says, it would be the first time that a species was removed from the federal endangered species list via taxonomy. “It should happen when a species is fully recovered,” Wayne says, “and the gray wolf is not. It’s not in any of those 22 eastern states—that’s why it’s endangered there.”

The panel’s statements will make it difficult, outside observers say, for USFWS to move forward with its proposal. The Endangered Species Act requires that decisions to remove a species from federal protection be based on the “best available science.”  And because the reviewers have concluded this is not the case, “you’ve got to think that the [service] must go back to the drawing board,” says Andrew Wetzler, director of land and wildlife programs for the Natural Resources Defense Council in Chicago, Illinois, an organization that advocates for continued federal protections for the wolf.

Gray wolves were exterminated across most of the lower 48 states in the last century. They were placed on the endangered species list in 1975, and successfully reintroduced into Yellowstone National Park and Idaho in 1995. Gray wolves also made a comeback in the Great Lakes region, where they now can be legally hunted. Idaho, Wyoming, and Montana also have wolf hunting and trapping seasons. Smaller gray wolf populations that aren’t legally hunted are found in Washington and Oregon.

The agency’s reaction to the peer-review comments has been somewhat muted. In a press statement, it thanked the National Center for Ecological Analysis and Synthesis at UC Santa Barbara for conducting the review. USFWS Director Dan Ashe noted that “[p]eer review is an important step in our efforts to assure that the final decision on our proposal to delist the wolf is based on the best available scientific and technical information,” and that the panel’s comments will be incorporated in the ongoing process of reaching a decision on the fate of the gray wolves.

The peer-review report is now available online. USFWS will reopen the public comment period on its delisting proporal on 10 February, and will accept comments through 27 March.

Cientistas identificam gene que relaciona estrutura cerebral à inteligência (O Globo)

JC e-mail 4892, de 11 de fevereiro de 2014

Descoberta pode ter implicações importantes para a compreensão de transtornos psiquiátricos como esquizofrenia e autismo

Cientistas do King’s College London identificaram, pela primeira vez, um gene que relaciona a espessura da massa cinzenta do cérebro à inteligência. O estudo foi publicado nesta terça-feira na revista “Molecular Psychiatry” e pode ajudar a entender os mecanismos biológicos por trás de determinados danos intelectuais.

Até agora já se sabia que a massa cinzenta tinha um papel importante para a memória, atenção, pensamento, linguagem e consciência. Estudos anteriores também já mostravam que a espessura do córtex cerebral tinha a ver com a habilidade intelectual, mas nenhum gene tinha sido identificado.

Um time internacional de cientistas, liderado pelo King´s College, analisou amostras de DNA e exames de ressonância magnética por imagem de 1.583 adolescentes saudáveis de 14 anos, que também se submeteram a uma série de testes para determinar inteligência verbal e não verbal.

– Queríamos descobrir como diferenças estruturais no cérebro tinham a ver com diferenças na habilidade intelectual. Identificamos uma variação genética relacionada à plasticidade sináptica, de como os neurônios se comunicam – explica Sylvane Desrivières, principal autora do estudo, pelo Instituto de Psiquiatria do King’s College London. – Isto pode nos ajudar a entender o que acontece em nível neuronal com certas formas de comprometimento intelectual, onde a habilidade de comunicação dos neurônios é, de alguma forma, comprometida.

Ela acrescenta que é importante apontar que a inteligência é influenciada por muitos fatores genéticos e ambientais. O gene que identificamos só explica uma pequena proporção das diferenças nas habilidades intelectuais e não é, de forma alguma, “o gene da inteligência”.

Os pesquisadores observaram 54 mil possíveis variações envolvidas no desenvolvimento cerebral. Em média, adolescentes com uma variante genética particular tinham um córtex mais fino no hemisfério cerebral esquerdo, particularmente nos lobos frontal e temporal, e executavam bem testes de capacidade intelectual. A variação genética afeta a expressão do gene NPTN, que codifica uma proteína que atua nas sinapses neuronais e, portanto, afeta a forma como as células do cérebro se comunicam.

Para confirmar as suas conclusões, os pesquisadores estudaram o gene NPTN em células de camundongo e do cérebro humano. Os pesquisadores verificaram que o gene NPTN tinha uma atividade diferente nos hemisférios esquerdo e direito do cérebro, o que pode fazer com que o hemisfério esquerdo seja mais sensível aos efeitos das mutações NPTN. Os resultados sugerem que algumas diferenças na capacidade intelectual podem resultar da diminuição da função do gene NPTN em determinadas regiões do hemisfério esquerdo do cérebro.

A variação genética identificada neste estudo representa apenas uma estimativa de 0,5% da variação total em inteligência. No entanto, as descobertas podem ter implicações importantes para a compreensão dos mecanismos biológicos subjacentes de vários transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia e autismo, nas quais a capacidade cognitiva é uma característica fundamental da doença.

http://oglobo.globo.com/ciencia/cientistas-identificam-gene-que-relaciona-estrutura-cerebral-inteligencia-11563313#ixzz2t1amCUSy

Modelo pode ajudar a prever como espécies da Mata Atlântica responderão às mudanças climáticas (Fapesp)

Pesquisadores do Brasil e dos EUA buscam compreensão dos processos evolutivos, geológicos, climáticos e genéticos por trás do padrão atual da biodiversidade (foto:Samuel Iavelberg)

11/02/2014

Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Compreender os processos evolutivos, geológicos, climáticos e genéticos por trás da enorme biodiversidade e do padrão de distribuição de espécies da Mata Atlântica e, com base nesse conhecimento, criar modelos que permitam prever, por exemplo, como essas espécies vão reagir às mudanças no clima e no uso do solo.

Esse é o objetivo central de um projeto que reúne pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos no âmbito de um acordo de cooperação científica entre o Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (BIOTA-FAPESP) e o programa Dimensions of Biodiversity, da agência federal norte-americana de fomento à pesquisa National Science Foundation (NSF).

“Além de ajudar a prever o que poderá ocorrer no futuro com as espécies, os modelos ajudam a entender como está hoje distribuída a biodiversidade em áreas onde os cientistas não têm acesso. Como fazemos coletas por amostragem, seria impossível mapear todos os microambientes. Os modelos permitem extrapolar essas informações para áreas não amostradas e podem ser aplicados em qualquer tempo”, explicou Ana Carolina Carnaval, professora da The City University of New York, nos Estados Unidos, e coordenadora do projeto de pesquisa ao lado de Cristina Miyaki, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP).

A proposta, segundo Carnaval, é promover a integração de pesquisadores de diversas áreas – como ecologia, geologia, biogeografia, genética, fisiologia, climatologia, taxonomia, paleologia, geomorfologia – e unir ciência básica e aplicada em benefício da conservação da Mata Atlântica.

O bioma é considerado um dos 34 hotspots mundiais, ou seja, uma das áreas prioritárias para a conservação por causa de sua enorme biodiversidade, do alto grau de endemismo de suas espécies (ocorrência apenas naquele local) e da grande ameaça de extinção resultante da intensa atividade antrópica na região.

A empreitada coordenada por Carnaval e por Miyaki teve início no segundo semestre de 2013. A rede de pesquisadores esteve reunida pela primeira vez para apresentar suas linhas de pesquisa e seus resultados preliminares na segunda-feira (10/02), durante o “Workshop Dimensions US-BIOTA São Paulo – A multidisciplinary framework for biodiversity prediction in the Brazilian Atlantic forest hotspot”.

“Convidamos alguns colaboradores além de pesquisadores envolvidos no projeto, pois queremos críticas e sugestões que permitam aperfeiçoar os trabalhos”, contou Miyaki. “Essa reunião é um marco para conseguirmos efetivar a integração entre as diversas áreas do projeto e criarmos uma linguagem única focada em compreender a Mata Atlântica e os processos que fazem esse bioma ser tão especial”, acrescentou.

Entre os mistérios que os cientistas tentarão desvendar estão a origem da incrível diversidade existente na Mata Atlântica, possivelmente fruto de conexões existentes há milhões de anos com outros biomas, entre eles a Floresta Amazônica. Outra questão fundamental é entender a importância do sistema de transporte de umidade na região hoje e no passado e como ele permite que a Mata Atlântica se comunique com outros sistemas florestais. Também está entre as metas do grupo investigar como a atividade tectônica influenciou o curso de rios e afetou o padrão de distribuição das espécies aquáticas.

Desafios do BIOTA

Durante a abertura do workshop, o presidente da FAPESP, Celso Lafer, realçou a importância de abordagens inovadoras e multidisciplinares voltadas para a proteção da biodiversidade da Mata Atlântica. Ressaltou ainda que a iniciativa está em consonância com os esforços de internacionalização realizados pela FAPESP nos últimos anos.

“Uma das grandes preocupações da FAPESP tem sido o processo de internacionalização, que basicamente está relacionado ao esforço de juntar pesquisadores de diversas áreas para avançar no conhecimento. Este programa de hoje está relacionado a aspirações dessa natureza e tenho certeza de que os resultados serão altamente relevantes”, afirmou Lafer.

Também durante a mesa de abertura, o diretor do IB-USP, Carlos Eduardo Falavigna da Rocha, afirmou que o programa BIOTA-FAPESP tem sido um exemplo para outros estados e outras fundações de apoio à pesquisa em âmbito federal e estadual.

Carlos Alfredo Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do BIOTA-FAPESP, apresentou um histórico das atividades realizadas pelo programa desde 1999, entre elas a elaboração de um mapa de áreas prioritárias para conservação que serviu de base para mais de 20 documentos legais estaduais – entre leis, decretos e resoluções.

Joly também falou sobre os desafios a serem vencidos até 2020, como empreender esforços de restauração e de reintrodução de espécies, ampliar o entendimento sobre ecossistemas terrestres e sobre os mecanismos que mantêm a biodiversidade no Estado e intensificar as atividades voltadas à educação ambiental.

Para 2014, Joly ressaltou dois desafios na área de conservação. “Estamos iniciando uma campanha para o tombamento da Serra da Mantiqueira. Já fizemos alguns artigos de jornais, estamos lançando um website específico e vamos trabalhar para conseguir tombar regiões acima de 800 metros, áreas apontadas como de extrema prioridade para conservação no atlas do BIOTA”, disse.

Outra meta para 2014, segundo Joly, é trabalhar para que o Brasil ratifique o protocolo de Nagoya – tratado internacional que dispõe sobre a repartição de benefícios do uso da biodiversidade – até outubro, quando ocorrerá a 12ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica.

“É fundamental que um país megadiverso, que tem todo o interesse de ter sua biodiversidade protegida por esse protocolo internacional, se torne signatário do protocolo antes dessa reunião”, afirmou Joly.

Projeto de lei veda uso de animal vivo para aula de medicina em SP (Folha de SP)

JC e-mail 4891, de 10 de fevereiro de 2014

Proibição afetaria formação de novos cirurgiões e prejudicaria pacientes, afirmam faculdades

Um projeto de lei pode afetar o ensino de medicina no Estado de São Paulo. Se a nova regra for aprovada, faculdades ficariam impedidas de usar animais vivos para treinamento de cirurgiões.

A proposta é do mesmo deputado autor da lei estadual que veda o uso de animais em testes de cosméticos, sancionada no mês passado. O projeto que afeta o ensino de medicina tramita desde 2012, mas só atraiu atenção no fim do ano passado, com a invasão do Instituto Royal –centro de pesquisa que usava cães em testes de drogas.

O autor do projeto, Feliciano Filho (PEN), diz que pretende aproveitar o súbito aumento do interesse político por questões de direitos dos animais para reavivá-lo.

A ideia de banir o uso de animais vivos no ensino médico encontra resistência.

“Se essa proibição for adotada, o prejudicado não vai ser o cirurgião, e sim o doente”, afirma Paulo Roberto Corsi, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Para ele, não é possível ainda substituir o uso de animais por manequins e simulações de computador, conforme propõe autor do projeto.

“Estão começando a surgir alguns simuladores, a maioria para cirurgia videolaparoscópica [com incisões pequenas]”, diz Corsi que também é vice-presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. “Para cirurgia convencional, porém, que requer o corte aberto, não existe modelo adequado que substitua o animal de experimentação.”

A espécie mais usada para aulas dessa disciplina em faculdades de medicina é o porco, com abdome de tamanho similar ao humano. Faculdades de medicina afirmam que evitam causar sofrimento nos suínos, pois todos eles são anestesiados durante os procedimentos cirúrgicos e abatidos antes de recobrar os sentidos para que não sintam nenhuma dor.

“O procedimento é feito com ética, com respeito ao animal, na presença de um professor e com acompanhamento de um veterinário”, afirma Antônio Carlos Lopes, diretor da Escola Paulista de Medicina (Unifesp). “Mas o aluno precisa entrar em contato com sangue, com pinçamento de vasos e com suturas em tecido vivo, que é diferente de tecido morto e de qualquer outro material.”

Segundo o médico, as boas faculdades de São Paulo já aboliram o uso de animais em aulas de anatomia e fisiologia nas quais não eram estritamente necessários.

INVASÃO
No curso de medicina da PUC-Campinas usa-se manequins de anatomia em aulas mais elementares, software para simular efeito de drogas e preparados em tubo de ensaio para demonstrar algumas reações metabólicas.

Mesmo buscando reduzir o uso de animais, a universidade teve uma aula invadida no ano passado por ativistas que filmaram porcos em cirurgia. Gustavo Henrique da Silva, coordenador de cursos na PUC-Campinas, se disse surpreso por a universidade ter virado alvo do ativismo.

“O procedimento feito ali tinha sido aprovado pelo comitê de ética da universidade, que é bem atuante, e estava sendo realizado com todo o rigor possível”, diz.

O projeto de lei, porém, alega que mesmo esse tipo de aula já caiu em desuso nos EUA. A ONG Humane Society lista apenas quatro escolas médicas que ainda usam animais vivos no país. Universidades americanas têm cursos mais longos, nos quais alunos acompanham cirurgiões experientes e só mexem em tecido vivo aos poucos.

Para Lopes, da Unifesp, porém, adotar o modelo dos EUA é inviável no Brasil. “Aqui não podemos nos dar ao luxo de fazer tudo isso, quando temos que colocar o médico rapidamente na linha de frente para trabalhar”, diz.

(Rafael Garcia/Folha de SP)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saudeciencia/151359-projeto-de-lei-veda-uso-de-animal-vivo-para-aula-de-medicina-em-sp.shtml

Sobre o caso Mr. Rodoviária

 Aeroporto ou rodoviária? (O Estado de S.Paulo)

10 de fevereiro de 2014 | 2h 05

José Roberto de Toledo

Uma professora-doutora da universidade da elite do Rio de Janeiro fotografa homem de bermuda e camiseta regata que vislumbrou no Santos-Dumont, e estampa-o no Facebook, sob a indagação: “Aeroporto ou rodoviária?”. Nos comentários, compara seus trajes ao de um estivador e arremata: “O pior é que o Mr. Rodoviária está no meu voo. Ao menos, não do meu lado. Ufa!”.

Outros integrantes da primeira classe acadêmica carioca se solidarizam nos comentários. “Esse tipo de passageiro fica roçando o braço peludo no seu porque não respeita os limites do assento.” “O glamour de voar definitivamente se foi.” “Isso é só uma amostra do que tenho visto pelo Brasil.” Sem perceber a autoironia, outra escreve: “O bom senso ficou em casa”.

João Santana não poderia sonhar com melhor roteiro de propaganda eleitoral gratuita e espontânea nas redes sociais. A máquina petista sacou a oportunidade e bombou a história através do perfil “Dilma Bolada”, no Twitter. Epidemia instantânea na rede.

Em 24 horas, a longeva carreira acadêmica da professora-doutora especializada em “português como segunda língua” estava relegada à décima página de resultados da busca pelo seu nome no Google. A primeira centena de links leva à história do Mr. Rodoviária – que se identificou e fala em processo. Mínima parte cita o envergonhado pedido de desculpas da professora-doutora.

O episódio é fascinante sob qualquer ângulo que se queira olhar. O mais óbvio é o efeito Big Brother. A sensação que o internauta tem de penetrar um círculo fechado e descobrir o que as pessoas realmente pensam e são capazes de dizer quando se acham dispensadas do politicamente correto e da mínima cortesia.

Soa exagerado de tão cru. Se fosse cena de novela, seria forçada demais e perderia credibilidade. Mas, como os personagens têm nome, cargo e página no Facebook, o exagero vira revelação: “Ah, é isso que eles acham”. Cai-se no estereótipo oposto. Se o emergente parece estivador, é peludo e ultrapassa os limites, a elite é demofóbica, cruel e segregacionista – sem exceções.

Talvez alguns dos personagens tenham escrito o que escreveram por pressão social, por vontade de ser aceito no grupo, de pertencer. Afinal, se o reitor e a doutora estão dizendo, essa só pode ser a norma, “a coisa certa” a fazer. É outro aspecto surreal da história: supostos guardiões da alta cultura disseminam e endossam preconceitos que deveriam combater.

Destila ainda do episódio uma ingênua nostalgia. A crença numa fantasia comercial. “Glamour de voar?”. Um voo de carreira é das experiências mais desagradáveis que há: fila de check-in, fila para despachar bagagem, fila para passar no raio X, fila para embarcar, para pegar a mala. Horas confinado em espaço apertado, respirando ar seco e, quando há, comendo comida requentada.

O tal glamour só existiu nas propagandas e nos filmes destinados a convencer o público de que pagar caro por horas de tormento é um privilégio. Poderia a elite intelectual sentir falta de algo que jamais existiu? Ou a nostalgia é uma metáfora? Será saudade de quando as divisões sociais eram claras, os espaços públicos eram exclusivos e as distâncias entre classes, intransponíveis?

Uma parte importante da sociedade brasileira incomoda-se com a novidade de um mercado de massa que nivelou o jogo via acesso quase universal ao consumo. Os incomodados não são os super-ricos, que continuam inalcançáveis. A aproximação dos que vêm de trás perturba quem já estava no meio e se sente igualado ou até superado por quem chegou agora e já quer sentar na janelinha.

Raras vezes esse conflito apareceu tão explícito quanto no caso da professora-doutora e seu Mr. Rodoviária. Mas a raridade tende a desaparecer mais rápido do que o glamour de voar. Como o mesmo episódio demonstrou, expor contradições e explorar divisões dá voto. Rodoviária e aeroporto viraram cabos eleitorais.

*   *   *

‘O empregado tem carro e anda de avião. Estudei pra quê?’ (Carta Capital)

Se você, a exemplo dos professores que debocharam de passageiro “mal-vestido” no aeroporto, já se fez esta pergunta, parabéns: você não aprendeu nada

por Matheus Pichonelli — publicado 07/02/2014 13:20, última modificação 10/02/2014 11:01

Preconceito

Professora universitária faz galhofa diante do rapaz que foi ao aeroporto sem roupa de gala. É o símbolo do país que vê a educação como fator de distinção, e não de transformação. Reprodução

O condômino é, antes de tudo, um especialista no tempo. Quando se encontra com seus pares, desanda a falar do calor, da seca, da chuva, do ano que passou voando e da semana que parece não ter fim. À primeira vista, é um sujeito civilizado e cordato em sua batalha contra os segundos insuportáveis de uma viagem sem assunto no elevador. Mas tente levantar qualquer questão que não seja a temperatura e você entende o que moveu todas as guerras de todas as sociedades em todos os períodos históricos. Experimente. Reúna dois ou mais condôminos diante de uma mesma questão e faça o teste. Pode ser sobre um vazamento. Uma goteira. Uma reforma inesperada. Uma festa. E sua reunião de condomínio será a prova de que a humanidade não deu certo.

Dia desses, um amigo voltou desolado de uma reunião do gênero e resolveu desabafar no Facebook: “Ontem, na assembleia de condomínio, tinha gente ‘revoltada’ porque a lavadeira comprou um carro. ‘Ganha muito’ e ‘pra quê eu fiz faculdade’ foram alguns dos comentários. Um dos condôminos queria proibir que ela estacionasse o carro dentro do prédio, mesmo informado que a funcionária paga aluguel da vaga a um dos proprietários”.

Mais à frente, ele contava como a moça havia se transformado na peça central de um esforço fiscal. Seu carro-ostentação era a prova de que havia margem para cortar custos pela folha de pagamento, a começar por seu emprego. A ideia era baratear a taxa de condomínio em 20 reais por apartamento.

Sem que se perceba, reuniões como esta dizem mais sobre nossa tragédia humana do que se imagina. A do Brasil é enraizada, incolor e ofuscada por um senso comum segundo o qual tudo o que acontece de ruim no mundo está em Brasília, em seus políticos, em seus acordos e seus arranjos. Sentados neste discurso, de que a fonte do mal é sempre a figura distante, quase desmaterializada, reproduzimos uma indigência humana e moral da qual fazemos parte e nem nos damos conta.

Dias atrás, outro amigo, nascido na Colômbia, me contava um fato que lhe chamava a atenção ao chegar ao Brasil. Aqui, dizia ele, as pessoas fazem festa pelo fato de entrarem em uma faculdade. O que seria o começo da caminhada, em condições normais de pressão e temperatura, é tratado muitas vezes como fim da linha pela cultura local da distinção. O ritual de passagem, da festa dos bixos aos carros presenteados como prêmios aos filhos campeões, há uma mensagem quase cifrada: “você conseguiu: venceu a corrida principal, o funil social chamado vestibular, e não tem mais nada a provar para ninguém. Pode morrer em paz”.

Não importa se, muitas e tantas vezes, o curso é ruim. Se o professor é picareta. Se não há critério pedagógico. Se não é preciso ler duas linhas de texto para passar na prova. Ou se a prova é mera formalidade.

O sujeito tem motivos para comemorar quando entra em uma faculdade no Brasil porque, com um diploma debaixo do braço, passará automaticamente a pertencer a uma casta superior. Uma casta com privilégios inclusive se for preso. Por isso comemora, mesmo que saia do curso com a mesma bagagem que entrou e com a mesma condição que nasceu, a de indigente intelectual, insensível socialmente, sem uma visão minimamente crítica ou sofisticada sobre a sua realidade e seus conflitos. É por isso que existe tanto babeta com ensino superior e especialização. Tanto médico que não sabe operar. Tanto advogado que não sabe escrever. Tanto psicólogo que não conhece Freud. Tanto jornalista que não lê jornal.

Função social? Vocação? Autoconhecimento? Extensão? Responsabilidade sobre o meio? Conta outra. Com raras e honrosas exceções, o ensino superior no Brasil cumpre uma função social invisível: garantir um selo de distinção.

Por isso comemora-se também à saída da faculdade. Já vi, por exemplo, coordenador de curso gritar, em dia de formatura, como líder de torcida em dia de jogo: “vocês, formandos, são privilegiados. Venceram na vida. Fazem parte de uma parcela minoritária e privilegiada da população”; em tempo: a formatura de um curso de odontologia, e ninguém ali sequer levantou a possibilidade de que a batalha só seria vencida quando deixássemos de ser um país em que ter dente é, por si, um privilégio.

Por trás desse discurso está uma lógica perversa de dominação. Uma lógica que permite colocar os trabalhadores braçais em seu devido lugar. Por aqui, não nos satisfazemos em contratar serviços que não queremos fazer, como lavar, passar, enxugar o chão, lavar a privada, pintar as unhas ou trocar a fralda e dar banho em nossos filhos: aproveitamos até a última ponta o gosto de dizer “estou te pagando e enquanto estou pagando eu mando e você obedece”. Para que chamar a atenção do garçom com discrição se eu posso fazer um escarcéu se pedi batata-fria e ele me entregou mandioca? Ao lembrá-lo de que é ele quem serve, me lembro, e lembro a todos, que estudei e trabalhei para sentar em uma mesa de restaurante e, portanto, MEREÇO ser servido. Não é só uma prestação de serviço: é um teatro sobre posições de domínio. Pobre o país cujo diploma serve, na maioria dos casos, para corroborar estas posições.

Por isso o discurso ouvido por meu amigo em seu condomínio é ainda uma praga: a praga da ignorância instruída. Por isso as pessoas se incomodam quando a lavadeira, ou o porteiro, ou o garçom, “invade” espaços antes cativos. Como uma vaga na garagem de prédio. Ou a universidade. Ou os aeroportos.

Neste caldo cultural, nada pode ser mais sintomático da nossa falência do que o episódio da professora que postou fotos de um “popular” no saguão do aeroporto e lançou no Facebook: “Viramos uma rodoviária? Cadê o glamour?”. (Sim, porque voar, no Brasil, também é, ou era, mais do que se deslocar ao ar de um local a outro: é lembrar os que rastejam por rodovias quem pode e quem não pode pagar para andar de avião).

Esses exemplos mostram que, por aqui, pobre pode até ocupar espaços cativos da elite (não sem nossos protestos), mas nosso diploma e nosso senso de distinção nos autorizam a galhofa: “lembre-se, você não é um de nós”. Triste que este discurso tenha sido absorvido por quem deveria ter como missão a detonação, pela base e pela educação, dos resquícios de uma tragédia histórica construída com o caldo da ignorância, do privilégio e da exclusão.
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Professora é afastada da PUC-Rio por ironizar passageiro (Estadão)

Por AE | Estadão Conteúdo – 23 horas atrás

A Reitoria da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio afastou “temporariamente” da Coordenação Central de Cooperação Internacional (CCCI) da instituição nesta segunda-feira, 17, a professora Rosa Marina de Brito Meyer, do Departamento de Letras. O motivo do afastamento foi um comentário feito pela professora em seu perfil no Facebook sobre a aparência de um passageiro no Aeroporto Santos Dumont. Considerada preconceituosa, a postagem gerou milhares de críticas e compartilhamentos.

No dia 5, Rosa publicou na rede social uma foto tirada com seu Iphone de um passageiro na sala de embarque do Santos Dumont, no centro do Rio, acompanhada de um comentário: “Aeroporto ou rodoviária?” Na foto, aparece em destaque um homem sentado de bermuda, tênis e camiseta regata. Amigo de Rosa, o reitor da Universidade Federal do Estado do Rio (Unirio), Luiz Pedro Jutuca, comenta: “O `glamour’ foi pro espaço.” Rosa responde: “Puxa, mas para glamour falta muuuitooo!!! Isso está mais para estiva.” Em seguida, ela comenta de novo: “O pior é que Mr. Rodoviária está no meu voo. Ao menos, não do meu lado!” A também professora Daniela Vargas complementa: “hehe. E sabe o pior? Quando esse tipo de passageiro senta exatamente a seu lado e fica roçando o braço peludo no seu, porque – claro – não respeita (ou não cabe) nos limites do seu assento.”

MEDIDAS LEGAIS – Com a repercussão do caso – no dia 6, o perfil Dilma Bolada divulgou uma reprodução das postagens -, o homem da foto foi identificado: é o advogado Marcelo Santos, de 33 anos, morador de Nova Serrana (MG), que estava de passagem pelo Rio, após ter participado de um cruzeiro. “A primeira reação foi de espanto, por achar inacreditável aquele tratamento ter vindo de pessoas ligadas à educação. Me senti vilipendiado e agredido. A conotação que quiseram dar foi esta. Vou tomar medidas legais contra todos os envolvidos”, afirmou ontem ao Estado o advogado.

No mesmo dia 6, Rosa publicou um pedido de desculpas: “Sabedora do desconforto que posso ter criado com um post meu publicado ontem à noite, peço desculpas à pessoa retratada e a todos os que porventura tenham se sentido atingidos ou ofendidos pelo meu comentário. Absolutamente não foi essa a minha intenção.” Ontem, ela não foi localizada. Daniela pediu desculpas pelo “comentário infeliz” em entrevista ao jornal O Globo, acrescentando que não tinha a intenção de ofender ninguém. O reitor da Unirio alegou que se referia ao estado dos aeroportos de maneira geral, mas também pediu desculpas a quem se sentiu ofendido.

Santos também disse ter ficado satisfeito com a repercussão positiva do caso e com as mensagens de apoio que recebeu. “Avião é simplesmente um meio de transporte. Aliás, muitas vezes é mais barato do que andar de ônibus.” O reitor da PUC-Rio, Josafá Carlos de Siqueira, que assina a portaria enviada ontem aos funcionários, informou que não daria entrevista por se tratar de uma “atitude pessoal” da professora. A PUC negou que Rosa Marina tenha pedido demissão. O professor Carlos Frederico Borges Palmeira, do departamento de Matemática, foi nomeado coordenador interino da CCCI. A coordenação é responsável pelos convênios que possibilitam, além do intercâmbio de estudantes, permuta de publicações científicas, realização de pesquisas conjuntas e intercâmbio de professores e pesquisadores.

Procurado, o Departamento de Letras não se pronunciou. No site da universidade, Rosa aparece como professora de quatro cursos, entre eles o de Aspectos Culturais do Português como Segunda Língua. Ela já orientou mais de 50 pesquisas, teses de doutorado e dissertações de mestrado. Rosa tem mestrado e doutorado em Letras pela PUC-Rio. Uma página criada no Facebook com o nome da professora para criticá-la tinha até ontem 27 mil “curtidas”.

Earliest footprints outside Africa discovered in Norfolk (BBC)

7 February 2014 Last updated at 10:30 GMT

By Pallab Ghosh, Science correspondent, BBC News

Dr Nick Ashton shows Pallab Ghosh where the footprints were found

Scientists have discovered the earliest evidence of human footprints outside of Africa, on the Norfolk Coast in the East of England.

The footprints are more than 800,000 years old and were found on the shores of Happisburgh.

They are direct evidence of the earliest known humans in northern Europe.

Details of the extraordinary markings have been published in the science journal Plos One.

Infographic

The footprints have been described as “one of the most important discoveries, if not the most important discovery that has been made on [Britain’s] shores,” by Dr Nick Ashton of the British Museum.

“It will rewrite our understanding of the early human occupation of Britain and indeed of Europe,” he told BBC News.

The markings were first indentified in May last year during a low tide. Rough seas had eroded the sandy beach to reveal a series of elongated hollows.

Footprints

The footprints on Happisburgh beach are possibly those of a family in search of food

I walked with Dr Ashton along the shore where the discovery was made. He recalled how he and a colleague stumbled across the hollows: “At the time, I wondered ‘could these really be the case? If it was the case, these could be the earliest footprints outside Africa and that would be absolutely incredible.”

The footprints are one of the most important discoveries, if not the most important discovery, that has been made on these shores” – Dr Nick AstonBritish Museum

Such discoveries are very rare. The Happisburgh footprints are the only ones of this age in Europe and there are only three other sets that are older, all of which are in Africa.

“At first, we weren’t sure what we were seeing,” Dr Ashton told me, “but it was soon clear that the hollows resembled human footprints.”

The hollows were washed away not long after they were identified. The team were, however, able to capture the footprints on video that will be shown at an exhibition at London’s Natural History Museum later this month.

The video shows the researchers on their hands and knees in cold, driving rain, engaged in a race against time to record the hollows. Dr Ashton recalls how they scooped out rainwater from the footprints so that they could be photographed. “But the rain was filling the hollows as quickly as we could empty them,” he told me.

When I was told about the footprints, I was absolutely stunned” – Dr Isabelle De GrooteLiverpool John Moores University

The team took a 3D scan of the footprints over the following two weeks. A detailed analysis of these images by Dr Isabelle De Groote of Liverpool John Moores University confirmed that the hollows were indeed human footprints, possibly of five people, one adult male and some children.

Dr De Groote said she could make out the heel, arch and even toes in some of the prints, the largest of which would have filled a UK shoe size 8 (European size 42; American size 9) .

“When I was told about the footprints, I was absolutely stunned,” Dr De Groote told BBC News.

“They appear to have been made by one adult male who was about 5ft 9in (175cm) tall and the shortest was about 3ft. The other larger footprints could come from young adult males or have been left by females. The glimpse of the past that we are seeing is that we have a family group moving together across the landscape.”

Diagram of footprint scene

It is unclear who these humans were. One suggestion is that they were a species called Homo antecessor, which was known to have lived in southern Europe. It is thought that these people could have made their way to what is now Norfolk across a strip of land that connected the UK to the rest of Europe a million years ago. They would have disappeared around 800,000 years ago because of a much colder climate setting in not long after the footprints were made.

It was not until 500,000 years ago that a species called Homo heidelbergensis lived in the UK. It is thought that these people evolved into early Neanderthals some 400,000 years ago. The Neanderthals then lived in Britain intermittently until about 40,000 years ago – a time that coincided with the arrival of our species, Homo sapiens.

There are no fossils of antecessor in Happisburgh, but the circumstantial evidence of their presence is getting stronger by the day.

In 2010, the same research team discovered the stone tools used by such people. And the discovery of the footprints now all but confirms that humans were in Britain nearly a million years ago, according to Prof Chris Stringer of the Natural History Museum, who is also involved in the research at Happisburgh.

“This discovery gives us even more concrete evidence that there were people there,” he told BBC News. “We can now start to look at a group of people and their everyday activities. And if we keep looking, we will find even more evidence of them, hopefully even human fossils. That would be my dream”.

Happisburgh

The prints were first noticed when a low tide uncovered them

Footprints

The sea has now washed away the prints – but not before they were recorded

Huge chimpanzee population thriving in remote Congo forest (The Guardian)

Scientists believe the group is one of the last chimp ‘mega-cultures’, sharing a unique set of customs and behaviour

theguardian.com, Friday 7 February 2014 11.53 GMT

A mother chimp passing her tool-use expertise to her young

In one of the most dangerous regions of the planet, against all odds, a huge yet mysterious population of chimpanzees appears to be thriving – for now. Harboured by the remote and pristine forests in the north of the Democratic Republic of Congo (DRC) and on the border of the Central African Republic, the chimps were completely unknown until recently – apart from the local legends of giant apes that ate lions and howled at the moon.

But researchers who trekked thousands of kilometres through uncharted territory and dodged armed poachers and rogue militia, now believe the group are one of the last thriving chimp “mega-cultures”.

“This is one of the few places left on Earth with a huge continuous population of chimps,” says Cleve Hicks, a primatologist based at the Max Planck Institute in Leipzig, Germany, who says the group is probably the largest in Africa. “We estimate many thousands of individuals, perhaps tens of thousands.” A unique set of customs and behaviour is shared by the apes across a vast area of 50,000 sq km, revealing how they live naturally.

The unusually large chimps of the Bili-Uele forest have been seen feasting on leopard and build ground nests far more often than other chimps, as well as having a unique taste for giant African snails, whose shells they appear to pound open on rocks or logs. Motion-activated video cameras left in the forest for eight months also recorded gangs of males patrolling their territory and mothers showing their young how to use tools to eat swarming insects – although the footage did not confirm the lunar howls.

Gangs of males patrolling their territory

The camera traps also revealed an extraordinary range of other forest dwellers, including forest elephantsolive baboonsspotted hyena as well as red river and giant forest hogscrested guinea fowl and aardvark. “We saw incredible amounts of wildlife on our camera traps, but we did not catch a single film of a human,” says Hicks. “It remains one of the last untouched wildernesses in Africa.”

One camera even recorded its own destruction as it came under attack from a leopard, but all two dozen cameras were nearly lost when poachers invaded the area and burned the researchers’ camp. Only a swift two-day rescue mission retrieved the footage.

Forest elephants

Hick’s team first identified the existence of the Bili chimps in 2007 but their new survey, published this week in the journal Biological Conservation, reveals a vast, thriving mega-culture. Elsewhere in Africa, human damage has fragmented the continent’s chimp population from many millions to just a few hundred thousand over the last century.

However, while the chimp numbers have apparently remained stable, the numbers of forest elephants have crashed by half due to poaching. The slaughter, to feed the highly lucrative illegal ivory trade, mirrors the bloody picture across central Africa, where two-thirds of all forest elephants have been killed in the last decade. “We found the burned skulls of a mother and baby skull at a poachers camp,” says Hicks.

Footage of elephant skulls, a sign poachers are venturing deeper into forests to hunt elephants

“The area is at great risk of being opened up,” says John Hart, one of the team and who has spent decades in DRC at the Lukuru Wildlife Research Foundation. The team’s work was interrupted previously by gunmen protecting illegal gold mining operations in nearby areas but the security situation is getting worse, Hart told the Guardian. Speaking from the town of Kisangani, on the eve of returning to the forest, he said: “The Lord’s Resistance Army are moving through the area as we speak. Also refugees from the Central African Republic (CAR) war and armed brigands from the CAR’s Seleka and opposition groups are establishing bases in the region.”

The researchers fear that these increasing incursions into the virgin forest will draw in more hunters seeking to feed the enormous bushmeat trade in the Congo basin, that targets chimps and other animals. “Theincredible bushmeat trade we discovered [in the southern part of the forest in 2010] was totally without precedent.” Hart says, with an estimated 440 chimps being killed a year. “But with the availability of bushmeat declining elsewhere, commercial bushmeat hunters are going further and further into the forest.”

The chimps are an endangered species and fully protected in DRC law. “But it is only a law on paper,” says Hicks, who identifies both official security forces and militia as the source of much of the danger, as well as endemic corruption. “I think the military are giving guns to the poachers.” He says the forest and the chimp mega-culture it contains are currently completely unprotected.

Congo_WEB

The prime minister, David Cameron, and Prince William are due to host the highest level global summit to date on combating the $19bn-a-year illegal wildlife trade in London next Thursday. Delegates from more than 50 nations, including all African countries, will focus on the poaching crisis facing elephants and other species, which is not only driving many towards extinction but is strongly linked to international organised crimeand the poverty of many vulnerable communities. The aim is to deliver an unprecedented political commitment, along with an action plan and funding pledges, and Hicks says the Bili-Uele forest is in need of urgent help.

“It is one of the last great expanses of pristine African wilderness,” he says. “Elephants have already taken a major hit and unless we can muster the resolve to protect this precious area, we are at risk of losing it forever. At the very minimum need 20 wildlife guards who are able to sweep through the forest and set up roadblocks to stop the poachers and other hunters.”

Hart agrees: “It is a very significant opportunity to preserve a whole ecosystem of chimpanzees: elsewhere on this continent this opportunity just does not exist.”

• You can view more camera trap videos from the Bili forest here.

Transposição do Rio São Francisco: via de mão única (Agência Pública)

07/2/2014 – 12h13

por Marcia Dementshuk, para a Agência Pública

sertanejos Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Sertanejos convivem com a obra há quase sete anos sem soluções para as consequências da seca. Foto: Mano Carvalho

Na primeira matéria do projeto Reportagem Pública, a repórter viaja ao Eixo Leste – e mostra como a população está sendo afetada pelas obras

“Sem dúvida, com a transposição do rio São Francisco será oferecida segurança hídrica para o Nordeste”, garantiu o diretor-presidente da Agência Nacional das Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, durante nossa entrevista. A aposta do governo federal é alta: o orçamento atual da transposição é de R$ 8.158.024.630,97 (o dobro do previsto inicialmente), financiados pelo Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC I e II). Trata-se do maior empreendimento de infraestrutura hídrica já construído no Brasil, que mudará para sempre a cara da região.

Menos de 5% das reservas hídricas do país estão no Nordeste do país, que detém entre 12% e 16% das reservas de água doce no planeta. O clima semiárido, seco, quente e com poucas chuvas domina o sertão, território com mais de 22,5 milhões de habitantes (Censo IBGE/2010).

Neste cenário, a notícia de que seria possível transportar a água do Rio São Francisco para regiões mais secas transformou-se em esperança para os nordestinos de todas as épocas. Fala-se nessa obra desde os tempos do Império, quando, em 1877, o intendente do Crato, no Ceará, apresentou para dom Pedro II um projeto que levaria águas do Rio São Francisco até o rio Jaguaribe, no seu estado.

A obra foi iniciada 130 anos depois, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, com base no projeto elaborado no governo de Fernando Henrique Cardoso. Depois do investimento inicial, de cerca de R$ 4 bilhões, o rendimento dos trabalhos diminuiu em 2010 por problemas de adequação do Projeto-Base à realidade da execução , e novas licitações precisaram ser feitas. Somente no final de 2013, conforme o Ministério da Integração Nacional, responsável pelo projeto, as obras foram 100% retomadas.

Hoje, o empreendimento aponta 51% de avanço, e o orçamento dobrou. A nova previsão para a conclusão é em dezembro de 2015, quando as águas deverão alcançar afinal o leito do rio Paraíba, no Eixo Leste, e o reservatório Engenheiro Ávidos, pelo Eixo Norte, ambos na Paraíba.

Ali do lado, falta água

O projeto prevê que as águas captadas do Rio São Francisco em dois canais de aproximação (no Eixo Norte, em Cabrobó e no Eixo Leste, no reservatório de Itaparica, em Floresta,ambos em Pernambuco) serão conduzidas pelos canais até os reservatórios, de onde abastecerão dezenas de municípios dos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, aproveitando a rede de saneamento existente. Projetos referentes a tomadas para uso difuso (pontos de tomada de água captadas ao longo dos canais para abastecer as comunidades instaladas nas proximidades) ainda estão em fase de elaboração. O Ministério da Integração ainda não definiu que pontos serão esses, nem os locais exatos de captação. Da mesma forma, os valores finais do custo desta água para a população ainda estão em estudo por parte do governo federal.

A realidade, porém, é que há mais de dois anos, muitos moradores dos municípios do semiárido nem sequer têm água nas torneiras; usam a água distribuída por caminhões-pipa, de poços particulares ou públicos (a maioria com água salobra) ou da chuva (quando chove).

Manoel Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Em Caiçara, distrito de Custódia, Maria Célia Rodrigues da Silva disse que falta água nas torneiras desde o início das obras do PISF. Foto: Mano Carvalho

Em Caiçara, distrito de Custódia, Pernambuco, próximo ao Lote 10, que corresponde a atual Meta 2L, da construção (veja o mapa), a população toma a água enviada pelo Exército, em caminhões-pipa, uma vez por semana. Toda semana é a mesma cena: a água é despejada em uma cisterna central, e cada morador tem que ir buscar – há carroceiros que cobram em torno de R$ 5,00 ou R$ 7,00 por viagem.

O riacho Custódia passa próximo da casa de Manoel Rodrigues de Melo, agricultor de 52 anos, mas o fio de água que resta é salobra, e só serve para lavar a casa ou os estábulos. “A água boa vem de Fátima, a uns 40 quilômetros daqui. O que a gente mais precisa aqui é água, que não tem”, suplica o agricultor. Nessas condições, ele e a esposas criaram oito filhos. Todos partiram em busca de melhores condições de vida. “É muito filho, até parece mentira! Mas antigamente os invernos eram melhores, chovia mais”.

Manoel Rodrigues de Melo, que nunca saiu da região onde nasceu, viu seu terreno ser dividido pelo canal do Eixo Leste: ficou com seis quilômetros de um lado do canal e com a mesma medida do outro. Dono de um sotaque sertanejo carregado, com poucos dentes na boca, as mãos calejadas e a pele castigada pelo sol, Manoel conta que agora os bichos têm de usar a ponte sobre o canal para passar. “Senão, eles ficam ou do lado de cá, ou do lado de lá, ou tem que fazer um volta tremenda lá por baixo, onde tem um lugar pra passar. Mas o que mais a gente espera é essa água que ‘tá’ pra vir. Isso vai mudar a nossa vida aqui. Vai ser muito bom”, diz o agricultor, ansioso.

“A gente tinha água pela torneira, era ruim, mas dava pra limpeza. Mas desde que começou essa construção (referindo-se à transposição) ela foi cortada”, lembra-se a vizinha de Manoel, a dona de casa Maria Célia Rodrigues da Silva, que cuida da mãe doente, com 82 anos. “Nem as cisternas não enchem. Estamos com dois anos de seca”, completou. A água encanada provinha de um poço escavado em outro vilarejo próximo de Caiçara, Fiúza, mas ela não sabe dizer se foi cortada em função das obras da transposição, ou se o poço secou. Mesmo com o encanamento de sua casa enferrujado e sem saber se terá água para beber no dia seguinte, a vida de Maria Célia continua. Ela não teve filhos. Cria alguns bodes, cabras e galinhas no quintal da casa e conta com o dinheiro da aposentadoria de sua mãe para o sustento das duas. Trabalhava na roça, mas nada mais resistiu à seca de dois anos.

Tradicional como a seca, o pífano de Zabé

Zabe Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Zabé da Loca. Foto: Mano de Carvalho

A tocadora de pífano Zabé da Loca nos recebeu às vésperas de completar 90 anos. Quando tinha 79 anos, 25 dos quais passados em uma gruta, na Serra do Tungão, próximo a Monteiro (PB), Zabé se tornou conhecida no mercado de música regional. Chegou a dividir o palco com músicos como Hermeto Pascoal e Gabriel Pensador em shows no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Paraíba e Brasília.

Típica sertaneja, que jamais conheceu o conforto de abrir uma torneira de onde corresse água em abundância, Zabé teve 14 irmãos, oito dos quais morreram por doenças originadas pela falta de água e desnutrição. Fumante inveterada, persistiu no hábito mesmo depois do tratamento de combate a um enfisema pulmonar e à pneumonia e não deixou de enrolar um cigarrinho durante a visita, enquanto lembrava: “Nessa serra sempre teve água da chuva que empoçava nas pedras. Mas tinha anos que não encontrávamos água em canto nenhum. A gente tinha que ir até o rio (afluente do rio Paraíba, próximo da nascente) pegar”.

Quando comentamos sobre a transposição do rio São Francisco ela reagiu: “esse negócio existe mesmo?”

Para o ex-presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos, Luiz Gabriel Azevedo, o custo de operação da água da transposição é elevado e requer investimentos vultosos, quando comparado a outras alternativas. “Parte do pacto, quando se pensou esse projeto, é de que os estados fariam um trabalho forte de racionalizar o uso dentro de seus territórios, de melhorar o sistema de gestão; e os estados estão aquém dessa expectativa”, analisa. Ele alega que os estados deveriam investir mais em obras que garantissem os recursos hídricos, como manutenção e construção de açudes, estudos para perfurações de poços e principalmente em obras de saneamento e rede de distribuição de água.

“Não valerá à pena trazer uma água cara para se desperdiçar do outro lado. Não dá para executar um projeto complexo se os recursos dos açudes não forem bem usados, se não houver um sistema de distribuição, se não se tem um sistema de gestão eficiente nos estados que vão receber para gerir a água”, complementou Luiz Gabriel Azevedo.

Por Lei, o órgão competente que determinará como a água será distribuída é o Conselho Gestor do Projeto de Integração do Rio São Francisco, instituído pelo Decreto 5.995/2006. Esse Conselho é formado por representantes dos estados beneficiados com o empreendimento – Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará – e tem por objetivo, entre outros, tratar da alocação das águas e dos rateios dos custos correspondentes.

moradores Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Desalentados pela seca, moradores de cidades do Sertão nordestino aguardam a chegada das águas da transposição. Foto: Mano Carvalho

Para o diretor-presidente da Agência Nacional das Águas (ANA) destaca que o Nordeste ainda carece de um conjunto de soluções hídricas, como aproveitamento máximo da escassa água da chuva, o controle do uso das águas dos reservatórios ou a transposição de águas de outras bacias hidrográficas, já que a escavação de poços do semiárido é considerada inviável. De acordo com o relatório de impacto Ambiental do PISF, (RIMA), “a maioria do território semiárido (70% da região) dispõe de pouca água subterrânea e possui solo impermeável, ou seja, absorve pouca água, limitando sua capacidade de disponibilidade. Além desse aspecto, a água, em geral, é de baixa qualidade”.

Realocação de moradores e uma vila partida ao meio

Cerca de 800 famílias foram deslocadas e receberam indenizações entre cerca de R$ 10 mil a R$ 15 mil para dar passagem às obras da transposição – de acordo com a gerência de Comunicação da CMT Engenharia, empresa responsável pelo acompanhamento das ações de compensação socioambiental do PISF – ao longo dos eixos Norte e Leste, em Pernambuco e no Ceará. De acordo com o supervisor de obras da empresa Ecoplan, Adilson Leal, porém, as terras não entraram na avaliação das propriedades a serem indenizadas por possuírem baixo valor de mercado, segundo a empresa, em função da pouca qualidade da terra para o plantio ou para o pasto, em uma região onde a chuva é escassa. Só as benfeitorias foram ressarcidas.

abastecimento Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Abastecimento de água potável para a população em Rio da Barra (PE), por onde passam os canais da transposição, ocorre duas vezes por semana. Foto: Mano de Carvalho

Em Rio da Barra, distrito de Sertânia, em Pernambuco, comunidade que beira o canal na altura do Lote 11, que corresponde à Meta 2L, (veja o mapa), a população se encontra duas vezes por semana na cisterna pública para se abastecer de água potável proveniente de um poço artesiano cavado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Um funcionário da prefeitura de Sertânia controla o abastecimento gratuito dos galões trazidos pela população na noite anterior. O local acaba se tornando o ponto de encontro do povoado. Mães carregando baldões chegam com as crianças arrastando baldes menores, carroças carregadas de galões estacionam ao lado e todos aguardam com paciência pelo precioso líquido. Maria José Araújo Pinheiro, uma dona de casa tímida, mas de olhos atentos, aguardava sua vez quando comentou que sua mãe, Creusa Davi da Silva, aceitou a oferta do governo para desocupar suas terras no sítio Chique-Chique. “Eles ofereceram pra ela R$ 14.400, ela pegou e foi morar em Sertânia. Como ela ganha aposentadoria, está bem. Mas pagaram só pela casa”, disse Maria José.

Marcia Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

O marido de Márcia Freire, Adilson Salvador, de Rio da Barra (PE,) é técnico ambiental nas obras da transposição. Foto: Mano de Carvalho

Márcia Maria Freire Araújo vem do outro lado do canal do Eixo Leste da transposição pegar água na cisterna pública de Rio da Barra. Ela chega sempre antes das seis da manhã, na companhia do cunhado que conduz uma carroça puxada a burro onde transportam os galões de água. Andam cerca de dois quilômetros, atravessam o canal por uma ponte provisória e os depositam em uma fila de recipientes que começou a ser formar no dia anterior. Sua família mora em outra propriedade pequena, que teve uma parte indenizada pelo Ministério da Integração Nacional. “Eu não acho que é justo perder um pedaço de terra, mas se é para fazer o bem pra tanta gente, então aceitamos”, conforma-se. Ela vê o lado bom: seu marido, Adilson Salvador, é empregado na construtora SA Paulista como técnico ambiental na transposição. “Ele conseguiu emprego desde o início da obra, primeiro por outra empresa, e agora pela Paulista”, orgulha-se Márcia Maria.

Em outra localidade, na zona rural de Sertânia, os moradores do Sítio Brabo Novo ficaram divididos pelo canal. Pelo menos treze famílias preferiram a remoção para terras acima do reservatório Barro Branco, ainda em fase de retirada da vegetação. Um número bem maior de famílias permaneceu do outro lado do reservatório.

Maria da Conceição Siqueira, viúva, de 51 anos, e seu filho, de 18 anos, deixarão a antiga moradia para trás e irão para Sertânia. “Já recebi R$ 7.500,00 por aquela casinha ali”, diz, apontando para uma casa que ficará submersa pelo reservatório, “e ganhei essa casa aqui. Mas vamos fechá-la e ir embora”. “Fiquei com um pedaço de terra muito pequeno, (cerca de 50m²) não dá pra nada. Meu filho está em tratamento, ele teve um derrame no cérebro e é melhor a gente ficar lá”, diz.

Lucineia Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Lucinéia ferreira Florêncio não acredita em distribuição justa das águas da transposição. Foto: Mano de Carvalho

A família das irmãs Lucicléia e Lucinéia Ferreira Florêncio, vizinhas de Maria da Conceição, tomou uma decisão diferente. “Nossa primeira casa era onde agora vai ser o reservatório, e já foi indenizada em 2007. Mas esse reservatório ocupou quase a metade do nosso terreno. Como ainda sobraram terras desse outro lado e esta é uma área liberada, decidimos construir aqui, com o dinheiro da indenização”, contou Lucinéia. Ela não soube informar o tamanho do sítio, mas a nova casa é grande. No terreno persiste uma plantação de palmas (um tipo de cactos que serve para alimentar os animais) e algumas árvores frutíferas. O resto foi perdido: abacaxi, macaxeira, milho, feijão… A irmã, Luciclélia, casou-se e construiu uma casa menor ao lado, onde vive com o marido e uma bebê de nove meses.

Lucinéia, professora, duvida que no futuro haja uma distribuição justa das águas da transposição. “Tem os pontos positivos, mas acho que vão ter os negativos também. Eu penso que com essa água toda vão começar a fazer mais obras por aqui e eu não sei se toda a comunidade vai ter acesso a essa água quando quiser. O pequeno produtor nunca é beneficiado como os grandes proprietários, nunca tem igualdade. E acho que o crescimento vai ser desordenado. A comunidade já tem uma associação de moradores, mas ainda não sabe como abordar esse assunto”, lamentou Lucinéia, dizendo que não há orientação nenhuma dos governos sobre isso.

sitio Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

O Sítio Passagem da Pedra, em Sertânia, dividido para a construção do túnel; zeladores recuam cerca que delimita área da propriedade. Foto: Mano de Carvalho

Na área onde será construído o túnel entre Sertânia e Monteiro, no Lote 12, atual Meta 3L (veja mapa), a retomada das obras em dezembro significou a perda de mais 100 metros de terreno pelos agricultores, além dos 100 metros que já tinham recuado. “Fazer o quê? Os donos já receberam a indenização e agora que vieram construir pediram mais esse pedaço de terra”, explicam Lenilton Cordeiro dos Santos e Quitéria Araújo da Silva, zeladores do sítio Passagem da Pedra, cortado tanto pelo canal da transposição quanto pelo túnel.

Ailton Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

“Ninguém sabe”, afirmou o capataz Aílton Ferreira falando sobre a data que deverá chegar as águas da transposição no túnel na divisa entre Pernambuco e Paraíba. Foto: Mano de Carvalho

No sítio ao lado, Aílton Ferreira de Oliveira cuida do terreno da sogra, que também foi reduzido. “Agora, o gado que sobrou, cinco cabeças, está no curral e come mandacaru, pois não tem mais o que comer por causa da seca, e o terreno ficou pequeno pro pasto”.

“E essa água, quando chega?”, interrompe o capataz do sítio, que prossegue, num monólogo: “Ninguém sabe…”.

Leia também as outras quatro reportagens da série e ainda um relato da repórter Márcia Dementshuk, onde ela conta os bastidores da reportagem.

Uma viagem ao canteiro de obras

Na Contramão da Transposição

O povo contra os areeiros

Leia os bastidores da reportagem

A Transposição, um projeto dos tempos do Império

* Publicado originalmente no site Agência Pública.

New kinds of maths skills needed in the future – and new educational practices (Science Daily)

Date: February 5, 2014

Source: Suomen Akatemia (Academy of Finland)

Summary: The nature of the mathematical skills required from competent citizens is changing. Gone are the days of inertly applying and performing standard calculations. The mathematical minds of the future will need to understand how different economic, social, technological and work-related processes can be mathematically represented or modeled. A project is exploring new pedagogical practices and technological environments to prepare students for the flexible use of their math skills in future environments.

The nature of the mathematical skills required from competent citizens is changing. Gone are the days of inertly applying and performing standard calculations. The mathematical minds of the future will need to understand how different economic, social, technological and work-related processes can be mathematically represented or modeled. A project included in the Academy of Finland’s research program The Future of Learning, Knowledge and Skills (TULOS) is exploring new pedagogical practices and technological environments that can prepare students for the flexible and adaptive use of their mathematical skills in future activity environments.

“Our goal is to have students be able to use their mathematical skills in a highly adaptive and flexible way. We want to promote mathematical thinking so that future minds can recognize the mathematical aspects in their environments,” says Academy Professor Erno Lehtinen from the University of Turku, the project’s principal investigator. The new pedagogical methods, digital games and other applications promoting an active awareness and mathematical reading of the surrounding environment are aimed at sparking an interest in mathematical mind games.

The educational games developed in the research project are designed to support a creative application of flexible mathematical strategies for novel situations. The idea is also to help students view natural numbers as an interlinked system and understand mathematical contents, such as equations.

Inspired by everyday phenomena

The research project will also investigate how students understand fractions and decimals and how they flexibly apply their skills in interpreting various practical phenomena. “In our previous breakthrough studies, we’ve established the role of spontaneous quantitative focusing tendencies in the development of mathematical thinking. Now, we’re trying to develop new pedagogical practices and technological environments that will inspire students to observe quantitative relationships in their everyday surroundings,” Academy Professor Lehtinen explains.

The idea is to get students to use fraction-based thinking even before they actually are taught fractions at school. According to Lehtinen, the premise is that the ability to perceive quantitative and later fraction-based relationships in varying practical situations can help students manage the difficult conceptual transition from natural numbers to fractions and bridge school learning with students’ everyday activities.

The project will make use of both basic research and applied school research. The mathematical phenomena under study will be investigated in laboratory settings using precise experiments, observations and even brain-imaging methods. On the other hand, the research methods will also involve longitudinal studies in normal school environments. The plan is to test the new pedagogical methods and games in comprehensive teaching pilots using wide-ranging national-level data.

New application of physics tools used in biology (Science Daily)

Date: 

February 7, 2014

Source: DOE/Lawrence Livermore National Laboratory

Summary: A physicist and his colleagues have found a new application for the tools and mathematics typically used in physics to help solve problems in biology.

This DNA molecule is wrapped twice around a histone octamer, the major structural protein of chromosomes. New studies show they play a role in preserving biological memory when cells divide. Image courtesy of Memorial University of Newfoundland. Credit: Image courtesy of DOE/Lawrence Livermore National Laboratory

A Lawrence Livermore National Laboratory physicist and his colleagues have found a new application for the tools and mathematics typically used in physics to help solve problems in biology.

Specifically, the team used statistical mechanics and mathematical modeling to shed light on something known as epigenetic memory — how an organism can create a biological memory of some variable condition, such as quality of nutrition or temperature.

“The work highlights the interdisciplinary nature of modern molecular biology, in particular, how the tools and models from mathematics and physics can help clarify problems in biology,” said Ken Kim, a LLNL physicist and one of the authors of a paper appearing in the Feb. 7 issue ofPhysical Review Letters.

Not all characteristics of living organisms can be explained by their genes alone. Epigenetic processes react with great sensitivity to genes’ immediate biochemical surroundings — and further, they pass those reactions on to the next generation.

The team’s work on the dynamics of histone protein modification is central to epigenetics. Like genetic changes, epigenetic changes are preserved when a cell divides. Histone proteins were once thought to be static, structural components in chromosomes, but recent studies have shown that histones play an important dynamical role in the machinery responsible for epigenetic regulation.

When histones undergo chemical alterations (histone modification) as a result of some external stimulus, they trigger short-term biological memory of that stimulus within a cell, which can be passed down to its daughter cells. This memory also can be reversed after a few cell division cycles.

Epigenetic modifications are essential in the development and function of cells, but also play a key role in cancer, according to Jianhua Xing, a former LLNL postdoc and current professor at Virginia Tech. “For example, changes in the epigenome can lead to the activation or deactivation of signaling pathways that can lead to tumor formation,” Xing added.

The molecular mechanism underlying epigenetic memory involves complex interactions between histones, DNA and enzymes, which produce modification patterns that are recognized by the cell. To gain insight into such complex systems, the team constructed a mathematical model that captures the essential features of the histone-induced epigenetic memory. The model highlights the “engineering” challenge a cell must constantly face during molecular recognition. It is analogous to restoring a picture with missing parts. The molecular properties of a species have been evolutionarily selected to allow them to “reason” what the missing parts are based on incomplete information pattern inherited from the mother cell.

Story Source:

The above story is based on materials provided by DOE/Lawrence Livermore National Laboratory. The original article was written by Anne M Stark. Note: Materials may be edited for content and length.

Money makes people right-wing, inegalitarian, UK study finds (Science Daily)

Date: 

February 6, 2014

Source: University of Warwick

Summary: Lottery winners tend to switch towards support for a right-wing political party and to become less egalitarian, according to new research on UK data.

Evidence on Switchers: The Percentage of People Who Switched Right (Conservative), and Previously Did Not Vote Conservative, After a Lottery Win Source: BHPS Data, Waves 7-18. Credit: Source: BHPS Data, Waves 7-18; Graph courtesy of University of Warwick

Lottery winners tend to switch towards support for a right-wing political party and to become less egalitarian, according to new research on UK data by Professor Andrew Oswald of the University of Warwick and Professor Nattavudh Powdthavee of the London School of Economic and the Melbourne Institute of Applied Economic and Social Research, University of Melbourne.

Their study, published as a new University of Warwick working paper under the title “Does Money Make People Right-Wing and Inegalitarian: A Longitudinal Study of Lottery Wins”, shows that the larger the win, the more people tilt to the right. The study uses information on thousands of people and on lottery wins up to 200,000 pounds sterling. The authors say it is the first research of its kind.

The authors believe their paper has wide implications for how democracy works. Professor Oswald said he had become doubtful of the view that morality was an objective choice. “In the voting booth, monetary self-interest casts a long shadow, despite people’s protestations that there are intellectual reasons for voting for low tax rates.”

“We are not sure exactly what goes on inside people’s brains”, said Nick Powdthavee, “but it seems that having money causes people to favour conservative right-wing ideas. Humans are creatures of flexible ethics.”

The authors believe their paper has wide implications for how democracy works. Professor Oswald said he had become doubtful of the view that morality was an objective choice. “In the voting booth, monetary self-interest casts a long shadow, despite people’s protestations that there are intellectual reasons for voting for low tax rates.”

The authors’ paper comments that: “The causes of people’s political attitudes are largely unknown. One possibility is that individuals’ attitudes towards politics and redistribution are motivated by deeply ethical view. Our study provides empirical evidence that voting choices are made out of self-interest.”

Using a nationally representative sample of lottery winners in the UK – the British Household Panel Survey – the researchers have been able to explore the observed longitudinal changes in political allegiance of the bigger winners to the smaller winners. The effect is also sizeable. Winning a few thousand pounds in the lottery has an effect on right-wingness that is just under half of completing a good standard of education (i.e. A-levels) at high school.

The lottery winning effect is far stronger for males than females. The authors are not sure why.

The study has nobody who wins millions and millions. “We’d certainly love to be able to track the views of the rare giant winners”, said Professor Oswald, “if any lottery company would like to work with our research team.”

Journal Reference:

  1. Andrew Oswald, Nattavudh Powdthavee. Does Money Make People Right-Wing and Inegalitarian: A Longitudinal Study of Lottery WinsUniversity of Warwick, February 2014

Extremos climáticos mostram que futuro já chegou (O Globo)

JC e-mail 4890, de 07 de fevereiro de 2014

Editorial publicado em O Globo. Temperaturas máximas recordistas no Brasil, secas e nevascas intensas no Hemisfério Norte atestam que mundo perde tempo precioso para mitigar efeitos do aquecimento

No dia 31 de janeiro, das 10 estações meteorológicas que indicavam as maiores temperaturas do mundo, seis estavam no Rio e outras três no Brasil. A campeã mundial foi Joinville, em Santa Catarina, onde a sensação térmica chegou a 52 graus. O Rio ficou em segundo, com 51. A única fora do Brasil foi El Vigia, na Venezuela. O ranking é do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec), com base em informações de 4.232 estações acessadas pelo Inpe. Os que moram no Rio sentem isto na pele, agravado pela longa estiagem – as precipitações em janeiro foram de apenas 58mm, quando a média para o mês na cidade é de 202mm. Na terça-feira, a temperatura bateu novo recorde: 40,8 graus em Santa Cruz, com a sensação térmica de incríveis 57 graus.

Enquanto isso, nos EUA (Hemisfério Norte), nevascas das mais intensas já registradas criam problemas de todo o tipo. Nos últimos dias de janeiro, tempestades de neve atipicamente atingiram o Sul dos EUA, do Texas e Geórgia até as Carolinas, uma área de 60 milhões de habitantes. Sete pessoas morreram e o fechamento de rodovias e avenidas transformou Atlanta num caos. Na terça, 905 voos foram cancelados e 3.100 sofreram atrasos. Já no Alasca, a paisagem da costa muda rapidamente porque os lagos degelam mais cedo. Entre 1991 e 2011, a região perdeu 22% de sua camada de gelo, revelou estudo na revista “Cryosphere”, segundo o qual a causa são as mudanças climáticas.

Estudos americanos indicaram que a temperatura do planeta se manteve em alta em 2013. Segundo a Nasa, a média global foi de 14,6 graus centígrados, empatando com 2006 e 2009 como o sétimo ano mais quente desde 1880, quando as medições começaram. As temperaturas globais começaram a subir no final dos anos 1960, fenômeno associado ao acúmulo de gases estufa na atmosfera. A quantidade de dióxido de carbono é mais alta hoje do que em qualquer momento nos últimos 800 mil anos, adverte a Nasa.

Hoje, a maioria dos cientistas concorda que a ação humana contribui para as mudanças climáticas. Mas os principais líderes mundiais estão devendo muito em chegar a consensos que possibilitem ações essenciais para o futuro da Humanidade. Um grande avanço foi o governo dos EUA anunciar a criação de sete centros climáticos regionais para auxiliar fazendeiros e comunidades a enfrentar secas, inundações, incêndios e pestes. E a Agência de Proteção Ambiental (EPA) baixará normas severas para reduzir as emissões de termelétricas a carvão. Estão no caminho certo. No final de março, haverá nova avaliação do problema, com a divulgação, em Yokohama, no Japão, de novo relatório sobre o impacto das mudanças climáticas, elaborado por especialistas de mais de cem países reunidos no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Pode-se discutir em que proporção a Humanidade contribui para o aquecimento global. Porém, não se deveria mais colocar em dúvida a necessidade da redução das emissões de gases nocivos ao planeta.

(O Globo)
http://oglobo.globo.com/opiniao/extremos-climaticos-mostram-que-futuro-ja-chegou-11527392#ixzz2se99M9Es

Casa Branca anuncia a criação de sete centros climáticos (O Globo)

JC e-mail 4890, de 07 de fevereiro de 2014

Núcleos ajudarão agricultores a evitarem a ocorrência de eventos extremos, como seca, incêndios e enchentes

Na esteira da aprovação no Senado americano de uma nova lei agrícola, conhecida como Farm Bill, a Casa Branca anunciou esta quarta-feira a criação de sete “centros climáticos” para ajudar os agricultores e comunidades rurais a responderem aos riscos de mudanças climáticas, inclusive secas, ocorrência de pestes, incêndios e enchentes.
Os centros climáticos serão nos estados de Iowa, New Hampshire, Carolina do Norte, Oklahoma, Oregon, Colorado e Novo México.

Autoridades do governo americano descreveram a iniciativa como uma das ações executivas que o presidente Barack Obama tomará para atacar as mudanças climáticas sem um movimento do Congresso.

A criação de centros climáticos é considerado um passo limitado, mas é parte de uma campanha mais ampla do Executivo para usar sua autoridade, onde for possível, em políticas ligadas às mudanças do clima.

O governo tenta, também, ganhar apoio político para engajar-se em outros projetos, principalmente na elaboração de uma forte regulamentação que determine cortes de emissões de carbono em usinas do país. A criação do programa está sendo debatida na Agência de Proteção Ambiental.

A criação dos centros climáticos foi anunciada pelo secretário de Agricultura, Tom Villsack. A intenção do governo é que o programa ajude agricultores de cada região a adaptarem-se às mudanças climáticas, antes da elaboração de um projeto mais ambicioso.

– As mudanças climáticas são um desafio novo e complexo enfrentado pelos agricultores, e seus impactos são sentidos nas florestas e nas áreas de cultivo.

(Carol Davenport do New York Times/O Globo)
http://oglobo.globo.com/ciencia/casa-branca-anuncia-criacao-de-sete-centros-climaticos-11526131#ixzz2se5UT4FG

Pesquisa avaliará os impactos socioambientais de Belo Monte (Fapesp)

O pesquisador Emilio Moran, na frente da casa em que morou por 14 meses entre 1973 e 1974, em uma agrovila próxima à Transamazônica (arquivo pessoal)

10/02/2014

Por José Tadeu Arantes

Agência FAPESP – Uma pesquisa científica vai avaliar os impactos sociais e ambientais da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, próxima à cidade de Altamira, no Pará.  A pesquisa, intitulada “Processos sociais e ambientais que acompanham a construção da hidroelétrica de Belo Monte, Altamira, PA”, tem apoio da FAPESP por meio do SPEC – São Paulo Excellence Chair, que visa propiciar a vinda ao Brasil de pesquisadores de primeira linha do exterior para criar núcleos de pesquisa em universidades paulistas.

A pesquisa é liderada pelo cubano Emilio Federico Moran, professor da Michigan State University, nos Estados Unidos, agora vinculado ao Núcleo de Estudos Ambientais (Nepam) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Com uma longa experiência no Brasil, resultante de quatro décadas de pesquisa sobre as transformações em curso no setor rural brasileiro, em especial na Amazônia, Moran coordena uma equipe multidisciplinar de pesquisadores, de várias universidades brasileiras, centralizada pelo Nepam.

O trabalho de campo está em fase inicial de implantação em Altamira. A pesquisa deverá se estender até agosto de 2018. Participam da equipe cientistas da Universidade Federal de Santa Catarina, da Universidade Federal do Pará e da Universidade Estadual do Pará.

“Começaremos com o levantamento dos impactos sobre a população urbana”, disse Moran, desde Altamira, à Agência FAPESP. “Elaborei junto com meus colaboradores um questionário para entender como a construção da hidrelétrica está afetando os moradores antigos, o pessoal que já estava aqui. Depois, enfocaremos os moradores novos, aqueles que vieram atraídos pela obra: operários, comerciantes, engenheiros, profissionais de vários tipos.”

“Também queremos determinar o efeito da usina sobre o setor agrícola, que é um setor muito produtivo nesta região da Amazônia”, prosseguiu o pesquisador.

“Tenho feito estudos na área desde os anos 1970, quando, para realizar minha pesquisa de doutorado, visitei a região pela primeira vez. No setor rural, parece que temos duas possibilidades. Pode ser que o crescimento da população urbana em função da hidrelétrica, fazendo aumentar a demanda de alimentos, promova uma intensificação agrícola na região. Mas pode ser também que as obras atraiam trabalhadores do campo, levando a um enfraquecimento da agricultura familiar por falta de mão de obra no setor agrícola. As primeiras observações apontam nesse sentido, mas estamos só começando os estudos”, disse.

Uma terceira linha de pesquisa vai acompanhar a população ribeirinha. Um contingente de 20 mil pessoas deverá ser reassentado em razão da barragem.

“Vamos acompanhar de perto essa população nativa, que será a mais diretamente afetada. Porque os indígenas conseguiram que a companhia mudasse o plano da barragem, de forma a não terem efeitos diretos. Terão, sim, efeitos indiretos. Já os ribeirinhos vivenciarão um reassentamento enorme: muitos povoados ribeirinhos vão ter de mudar e, de fato, vários já estão sendo removidos na área”, disse Moran.

Segundo o pesquisador, o termo “ribeirinho” pode se aplicar também a uma parte da população urbana, uma vez que há bairros constituídos por palafitas, na beira do rio Xingu, que serão alagados com a construção da barragem. Esses bairros são habitados por ribeirinhos que estão em processo de transição de uma existência isolada no meio do mato para uma vida com acesso a saúde, educação e outros serviços disponíveis na área urbana.

Uma das ocupações da equipe do projeto de pesquisa, em seus primeiros meses de atividade, será fazer um estudo exaustivo da literatura internacional sobre impactos socioambientais de hidrelétricas. Há obras de grande porte na China, na Índia, no Laos e em outros países emergentes que podem servir de parâmetro para o estudo de Belo Monte.

De acordo com Moran, as observações preliminares na área permitem perceber que alguns problemas que ocorreram no exterior já se manifestam também no Pará.

“A população de Altamira dobrou nos últimos dois anos. Já alcançou 150 mil pessoas. E vários preparativos para receber essa população foram prometidos, mas não realizados a tempo”, comentou. “De modo que Altamira está agora com sua capacidade esgotada em termos de leitos hospitalares, vagas escolares, efetivos de segurança etc., criando-se uma situação caótica para todos na cidade.”

“O supercrescimento deveria ter sido acompanhado por um superinvestimento em equipamentos para atender a essa nova população. A pesquisa poderá mostrar como deveremos agir em futuras hidrelétricas para reduzir os custos sociais e ambientais de grandes projetos como Belo Monte”, disse Moran.

“Esperamos poder subsidiar propostas para um planejamento que considere as pessoas tão importantes como a produção de energia”, disse o pesquisador.

Comissão especial da Câmara vai consolidar normas de proteção aos animais (Agência Câmara)

JC e-mail 4889, de 06 de fevereiro de 2014

Presidente da Câmara criou comissão para analisar os projetos sobre o tema em tramitação na Casa

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, anunciou nesta terça-feira (4) a criação de uma comissão especial para consolidar, em uma única lei, os projetos e normas existentes referentes à proteção dos animais. O colegiado será composto por 23 membros titulares e o mesmo número de suplentes.

A criação da comissão foi uma reivindicação da bancada do PV, com apoio do Solidariedade (SDD), apresentada e aprovada pelo Colégio de Líderes em 10 de dezembro de 2013 – Dia Internacional dos Direitos dos Animais.

O objetivo dos partidos é dar tratamento uniforme e adequado a essas proposições. Tramitam atualmente na Casa 185 projetos de lei que disciplinam o assunto. “Uma legislação consolidada traz segurança jurídica, facilita o entendimento legal e elimina dúvidas sobre como lidar com a questão. Ela também irá estabelecer um marco regulatório da relação das pessoas com os animais, protegendo a fauna e, por sua vez, dando as respostas pelas quais a sociedade clama”, afirma o líder do PV, deputado Sarney Filho (MA).

Grupo de trabalho
O SDD criou ainda o Solidariedade Proteção aos Animais, grupo de trabalho que visa direcionar políticas específicas sobre maus-tratos, uso em pesquisas, controle populacional, abate, tráfico, criminalização, proteção, saúde, comércio e preservação das espécies, entre outros aspectos.

“O debate sobre os direitos dos animais é um dever do Poder Público. Discussões sobre maus-tratos, por exemplo, tomam proporções cada vez maiores. Nosso partido criou o Solidariedade Proteção aos Animais para entrar nessa importante discussão”, destacou o líder da legenda na Câmara, deputado Fernando Francischini (PR).

A iniciativa teve como motivação não só os episódios de maus-tratos a animais e seu uso em pesquisas científicas, mas, principalmente, a necessidade de preservar a riqueza e o bem-estar da fauna nativa, silvestre, doméstica, domesticada ou exótica, bem como atualizar a Lei de Proteção à Fauna (5.197/67), que no dia 3 de janeiro completou 47 anos.

Como marco do começo desse processo, ocorrerá em Brasília, entre os dias 17 e 20 de fevereiro, em frente ao Congresso, o Acampamento Nacional dos Animais, uma vigília que reunirá protetores e ativistas de todo o País pela aprovação de leis há anos em tramitação.

Memória humana é capaz de ‘reescrever’ o passado com experiências atuais (O Globo)

JC e-mail 4889, de 06 de fevereiro de 2014

Cientistas descobrem que nossas lembranças não são como vídeos, que armazenam perfeitamente as informações

Nossa memória viaja no tempo e arranca fragmentos do presente para inseri-los no passado. Essa foi a constatação de um novo estudo elaborado pela “Northwestern Medicine Feinberg School of Medicine”, de Chicago, nos Estados Unidos. O trabalho constatou que, em termos de precisão, ela está longe de se assemelhar às câmeras de video, que armazenam perfeitamente as informações. Assim, nossa memória reescreve o passado com as informações atuais, atualizando suas lembranças com novas experiências.

O estudo é o primeiro a mostrar especificamente como a memória humana relaciona tão fortemente o presente ao passado. Ele indica o ponto exato no tempo em que uma informação, de forma incorreta, é implantada em uma memória existente.

Segundo a autora do estudo, a pós-doutora em ciências sociais médicas Donna Jo Bridge, para nos ajudar a sobreviver, a memória se adapta a um ambiente em constante mudança e nos ajuda a lidar com o que é importante agora.

– Nossa memória não é como uma câmera de vídeo. Ela reformula e edita eventos para criar uma história adequada à realidade atual – ressalta Bridge à BBC News. Essa “edição” acontece no hipocampo.

Para a realização do experimento, 17 pessoas estudaram 168 objetos dispostos em uma tela de computador, com variadas imagens de fundo. Os cientistas observaram a atividade cerebral dos participantes, assim como o movimento dos olhos.

As imagens traziam cenas como o fundo do oceano ou a vista aérea de terras agrícolas. Em seguida, os pesquisadores pediram aos participantes para que eles colocassem o objeto no local original, mas em uma nova tela de fundo. O que se verificou foi que os objetos sempre eram colocados em um local incorreto.

– Eles sempre escolhiam o local que já haviam selecionado na etapa anterior. Isso mostra que sua memória original do local foi alterada para remeter a localização que lembravam na nova tela de fundo – disse a cientista.

Os participantes também fizeram testes de ressonância magnética para que fossem observadas as atividades cerebrais. O movimento dos olhos também foi estudado.

– Todo mundo gosta de pensar em memória como alguma coisa que nos permite lembrar vividamente nossa infância ou o que fizemos na semana passada. Porém, a noção de uma memória perfeita é um mito – disse à BBC News Joel Voss, autor sênior da pesquisa e professor assistente de ciências sociais .

Bridge acrescenta que o estudo pode ter implicações para depoimentos de testemunhas, por exemplo.

– Nossa memória é construída para mudar, não somente relatar fatos. Sendo assim, não somos testemunhas muito confiáveis – observou à BBC.

http://oglobo.globo.com/saude/memoria-humana-capaz-de-reescrever-passado-com-experiencias-atuais-11511975#ixzz2sY2I0RZv

Uma lei para salvar o planeta (O Globo)

JC e-mail 4889, de 06 de fevereiro de 2014

EUA debatem iniciativa histórica, que forçaria o corte nas emissões de gases-estufa por usinas a carvão

Enfrentando maratonas de reuniões, dezenas de advogados, economistas e engenheiros da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) lutam para criar o que pode vir a se tornar uma peça histórica no legado do presidente Barack Obama para o combate às mudanças climáticas. Se os autores forem bem sucedidos na elaboração de uma regulamentação forte e eficaz na determinação de cortes de emissões de carbono em 1.500 usinas a carvão americanas – a maior fonte de gases do efeito estufa do país -, o resultado pode ser a mais significativa ação já tomada pelos EUA no combate às mudanças climáticas. O país é um dos maiores responsáveis pelo aquecimento global.

Se a regulamentação for muito frouxa, o impacto ambiental pode ser mínimo. Mas, se for muito dura, pode levar ao fechamento de usinas antes que haja alternativas energéticas para substituí-las, o que poderia ocasionar blecautes de energia e anos de batalhas legais.

– O fracasso não é uma opção – afirmou o diretor-executivo da Associação Nacional de Limpeza, William Becker.

Em seu pronunciamento “Estado da União”, Obama deixou clara a intenção de usar sua autoridade – garantida pela Lei do Ar Limpo e por uma decisão de 2007 da Suprema Corte – para sancionar as novas regulamentações de redução das emissões de CO2. Ele está pressionando a agência a concluir os debates o mais rápido possível.

O presidente ordenou à EPA que apresente um rascunho da regulamentação já em 1º de junho. A nova lei deve orientar os estados a criar e executar planos para atender às metas nacionais para emissões de gases-estufa. Em princípio, as usinas poderiam não apenas cortar emissões, mas, por exemplo, usar tecnologias mais limpas, investir em fontes renováveis de energia e ainda fazer parte de um mercado de carbono – financiando, por exemplo, projetos em outros países.

Num primeiro momento, a nova lei atingiria as 600 usinas dos EUA que são movidas a carvão e pode, simplesmente, levá-las ao fechamento, dependendo de como a legislação for escrita. Estados em que a maior parte das usinas é movida a carvão estão fazendo um lobby pesado contra determinações mais radicais, alegando que ela pode levar ao colapso do fornecimento de energia.

Em geral, o carvão responde por 40% da energia elétrica produzida nos EUA. Mas em estados como Kentucky, Ohio e Missouri, o percentual vai de 80% a 90%. Por outro lado, se a legislação deixar muita abertura para cada estado decidir por si, corre o risco de não conseguir alcançar meta alguma e se tornar ineficaz.

(Coral Davenport do New York Times/O Globo)
http://oglobo.globo.com/ciencia/uma-lei-para-salvar-planeta-11516781#ixzz2sXw5gcLh

Who owns the bones? Should bodies in museum exhibits be returned home? (Science Daily)

Date: February 4, 2014

Source: Wiley

Summary: From Egyptian mummies to Ötzi the Iceman, human remains are a common, if macabre, feature of museum exhibits. A researcher now explores the argument that curators have an ethical obligation to return these bodies to their native communities for burial.

From Egyptian mummies to Ötzi the Iceman, human remains are a common, if macabre, feature of museum exhibits. Writing in Clinical Anatomy, Dr. Philippe Charlier explores the argument that curators have an ethical obligation to return these bodies to their native communities for burial.

The recent case of the ‘Irish Giant’ Charles Byrne reveals that this is not an issue limited to cadavers from pre-antiquity. Byrne found celebrity in the 1780s and while his skeleton remains in the Royal College of Surgeons in London, ethics experts argue his remains should be buried at sea in accordance with his wishes.

Dr. Charlier argues that human remains in museums and scientific institutions can be divided into four categories, ‘ethnographical elements’ such as hair samples with no certain identification; anatomical remains such as whole skeletons or skulls; archaeological remains; and more modern collections of skulls, used in now discredited studies in the early 20th century.

After exploring case study examples from around the world, Dr. Charlier argues that the concept of the body as property is anything but clear and depends heavily on local political views and the administrative status of the human remains. The author proposes that the only precise factor permitting restitution should be the name of the individual, as in the case of Charles Byrne.

“The ethical problem posed by the bones of this 18th century individual approximates to that of all human remains conserved in public collections, displayed in museums or other cultural institutions,” said Dr. Charlier. “In the near future, curators will have to choose between global conservation of all (or almost all) anthropological collections on the one hand and systematic restitution to their original communities or families on the other.”

Journal Reference:

  1. Adelheid Soubry, Cathrine Hoyo, Randy L. Jirtle, Susan K. Murphy. A paternal environmental legacy: Evidence for epigenetic inheritance through the male germ lineBioEssays, 2014; DOI: 10.1002/bies.201300113

How does radioactive waste interact with soil and sediments? (Science Daily)

Date: February 3, 2014

Source: Sandia National Laboratories

Summary: Scientists are developing computer models that show how radioactive waste interacts with soil and sediments, shedding light on waste disposal and how to keep contamination away from drinking water.

Sandia National Laboratories geoscientist Randall Cygan uses computers to build models showing how contaminants interact with clay minerals. Credit: Lloyd Wilson

Sandia National Laboratories is developing computer models that show how radioactive waste interacts with soil and sediments, shedding light on waste disposal and how to keep contamination away from drinking water.

“Very little is known about the fundamental chemistry and whether contaminants will stay in soil or rock or be pulled off those materials and get into the water that flows to communities,” said Sandia geoscientist Randall Cygan.

Researchers have studied the geochemistry of contaminants such as radioactive materials and toxic heavy metals, including lead, arsenic and cadmium. But laboratory testing of soils is difficult. “The tricky thing about soils is that the constituent minerals are hard to characterize by traditional methods,” Cygan said. “In microscopy there are limits on how much information can be extracted.”

He said soils are often dominated by clay minerals with ultra-fine grains less than 2 microns in diameter. “That’s pretty small,” he said. “We can’t slap these materials on a microscope or conventional spectrometer and see if contaminants are incorporated into them.”

Cygan and his colleagues turned to computers. “On a computer we can build conceptual models,” he said. “Such molecular models provide a valuable way of testing viable mechanisms for how contaminants interact with the mineral surface.”

He describes clay minerals as the original nanomaterial, the final product of the weathering process of deep-seated rocks. “Rocks weather chemically and physically into clay minerals,” he said. “They have a large surface area that can potentially adsorb many different types of contaminants.”

Clay minerals are made up of aluminosilicate layers held together by electrostatic forces. Water and ions can seep between the layers, causing them to swell, pull apart and adsorb contaminants. “That’s an efficient way to sequester radionuclides or heavy metals from ground waters,” Cygan said. “It’s very difficult to analyze what’s going on in the interlayers at the molecular level through traditional experimental methods.”

Molecular modeling describes the characteristics and interaction of the contaminants in and on the clay minerals. Sandia researchers are developing the simulation tools and the critical energy force field needed to make the tools as accurate and predictive as possible. “We’ve developed a foundational understanding of how the clay minerals interact with contaminants and their atomic components,” Cygan said. “That allows us to predict how much of a contaminant can be incorporated into the interlayer and onto external surfaces, and how strongly it binds to the clay.”

The computer models quantify how well a waste repository might perform. “It allows us to develop performance assessment tools the Environmental Protection Agency and Nuclear Regulatory Commission need to technically and officially say, ‘Yes, let’s go ahead and put nuclear waste in these repositories,'” Cygan said.

Molecular modeling methods also are used by industry and government to determine the best types of waste treatment and mitigation. “We’re providing the fundamental science to improve performance assessment models to be as accurate as possible in understanding the surface chemistry of natural materials,” Cygan said. “This work helps provide quantification of how strongly or weakly uranium, for example, may adsorb to a clay surface, and whether one type of clay over another may provide a better barrier to radionuclide transport from a waste repository. Our molecular models provide a direct way of making this assessment to better guide the design and engineering of the waste site. How cool is that?”

Model predicts growth, death of membership-based websites (Science Daily)

Date: February 4, 2014

Source: Carnegie Mellon University

Summary: Facebook is a proven success in what the late Nobel laureate Herbert Simon called “the marketplace of attention.” A new model assesses the viability of websites and social networks in this new attention economy to predict which sites are sustainable and which are not. The model attempts to replicate the dynamics of membership sites, including the role of active users as catalysts of website activity, turning dormant website members into active users and keeping them active.

Chart of Facebook use including predictions for future use. Credit: Image courtesy of Carnegie Mellon University

Facebook, now celebrating its 10th anniversary, is a proven success in what the late Nobel laureate Herbert Simon called “the marketplace of attention.” A new model devised at Carnegie Mellon University assesses the viability of websites and social networks in this new attention economy to predict which sites are sustainable and which are not.

The model, developed by Bruno Ribeiro, a post-doctoral researcher in Carnegie Mellon’s Computer Science Department, attempts to replicate the dynamics of membership sites such as Facebook, LinkedIn and TeaPartyNation, including the role of active users as catalysts of website activity, turning dormant website members into active users and keeping them active.

In applying the model to six years of user statistics for 22 membership-based websites, Ribeiro found that it was able to reliably predict which sites will be sustainable for the foreseeable future — including the Huffington Post news site, Ashley Madison dating site and The Blaze commentary site — and which sites could not be sustained, such as Flixster.com, OccupyWallSt.org and TeaPartyPatriots.org.

Unlike a recent, widely publicized academic study that predicted an 80 percent drop in Facebook membership from 2015 to 2017, Ribeiro’s model shows Facebook to be sustainable for the foreseeable future. As with all of these predictions, however, Ribeiro points out that even sustainable sites are vulnerable to upstarts that steal the attention of their members, as Facebook famously did to MySpace.

Ribeiro said his model could help investors understand which sites are self-sustaining and which are likely to fail, as well as help website managers identify and correct problems in the dynamics of attention to their sites.

It’s not enough to look at the total membership or the growth of membership of a site to understand which sites will be successful, Ribeiro said. His model accounts for the tendency of active members to become inactive, the influence that active members can have in encouraging friends to join or become active members, and the role of marketing and media campaigns in convincing people to join.

Ribeiro said he was inspired to take this approach by the writings of Simon, a Carnegie Mellon professor who won the 1978 Nobel Prize in economics. Simon had observed that many information systems were designed as if information was scarce, when the problem was just the opposite. “A wealth of information creates a poverty of attention and a need to allocate that attention efficiently among the overabundance of information sources that might consume it,” he said.

Ribeiro tested the model by evaluating both successful and unsuccessful sites. “If you don’t look at the negative examples, you never understand what makes for success,” he explained. Six years of daily number of active users (DAU) data, beginning in 2007, were obtained for 22 sites from Alexa, a Web analytics company. “This study couldn’t have been done even two years ago,” he added, “because data of this quality and breadth simply didn’t exist.”

In addition to separating the self-sustaining from the unsustainable sites, the model was able to discern which sites grew primarily from word of mouth, such as Facebook, Meetup.com and LinkedIn, and those powered by media and marketing, such as The Blaze, Bandstack and OccupyWallSt.

Unfortunately, the model also suggests that in the quest for attention, many sites are likely to increase annoying behaviors, such as sending emails about what friends on the site are doing.

“If this model is correct, social network sites will try to make your friends’ lives seem more interesting and your feedback on their posts more urgent,” Ribeiro said. Many teens, for instance, seem glued to their smartphones for fear of missing something that might get posted on a social site by or about a friend. “From the model’s perspective it is beneficial for companies to be encouraging this type of behavior,” he added.