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Transposição do Rio São Francisco: via de mão única (Agência Pública)

07/2/2014 – 12h13

por Marcia Dementshuk, para a Agência Pública

sertanejos Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Sertanejos convivem com a obra há quase sete anos sem soluções para as consequências da seca. Foto: Mano Carvalho

Na primeira matéria do projeto Reportagem Pública, a repórter viaja ao Eixo Leste – e mostra como a população está sendo afetada pelas obras

“Sem dúvida, com a transposição do rio São Francisco será oferecida segurança hídrica para o Nordeste”, garantiu o diretor-presidente da Agência Nacional das Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, durante nossa entrevista. A aposta do governo federal é alta: o orçamento atual da transposição é de R$ 8.158.024.630,97 (o dobro do previsto inicialmente), financiados pelo Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC I e II). Trata-se do maior empreendimento de infraestrutura hídrica já construído no Brasil, que mudará para sempre a cara da região.

Menos de 5% das reservas hídricas do país estão no Nordeste do país, que detém entre 12% e 16% das reservas de água doce no planeta. O clima semiárido, seco, quente e com poucas chuvas domina o sertão, território com mais de 22,5 milhões de habitantes (Censo IBGE/2010).

Neste cenário, a notícia de que seria possível transportar a água do Rio São Francisco para regiões mais secas transformou-se em esperança para os nordestinos de todas as épocas. Fala-se nessa obra desde os tempos do Império, quando, em 1877, o intendente do Crato, no Ceará, apresentou para dom Pedro II um projeto que levaria águas do Rio São Francisco até o rio Jaguaribe, no seu estado.

A obra foi iniciada 130 anos depois, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, com base no projeto elaborado no governo de Fernando Henrique Cardoso. Depois do investimento inicial, de cerca de R$ 4 bilhões, o rendimento dos trabalhos diminuiu em 2010 por problemas de adequação do Projeto-Base à realidade da execução , e novas licitações precisaram ser feitas. Somente no final de 2013, conforme o Ministério da Integração Nacional, responsável pelo projeto, as obras foram 100% retomadas.

Hoje, o empreendimento aponta 51% de avanço, e o orçamento dobrou. A nova previsão para a conclusão é em dezembro de 2015, quando as águas deverão alcançar afinal o leito do rio Paraíba, no Eixo Leste, e o reservatório Engenheiro Ávidos, pelo Eixo Norte, ambos na Paraíba.

Ali do lado, falta água

O projeto prevê que as águas captadas do Rio São Francisco em dois canais de aproximação (no Eixo Norte, em Cabrobó e no Eixo Leste, no reservatório de Itaparica, em Floresta,ambos em Pernambuco) serão conduzidas pelos canais até os reservatórios, de onde abastecerão dezenas de municípios dos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, aproveitando a rede de saneamento existente. Projetos referentes a tomadas para uso difuso (pontos de tomada de água captadas ao longo dos canais para abastecer as comunidades instaladas nas proximidades) ainda estão em fase de elaboração. O Ministério da Integração ainda não definiu que pontos serão esses, nem os locais exatos de captação. Da mesma forma, os valores finais do custo desta água para a população ainda estão em estudo por parte do governo federal.

A realidade, porém, é que há mais de dois anos, muitos moradores dos municípios do semiárido nem sequer têm água nas torneiras; usam a água distribuída por caminhões-pipa, de poços particulares ou públicos (a maioria com água salobra) ou da chuva (quando chove).

Manoel Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Em Caiçara, distrito de Custódia, Maria Célia Rodrigues da Silva disse que falta água nas torneiras desde o início das obras do PISF. Foto: Mano Carvalho

Em Caiçara, distrito de Custódia, Pernambuco, próximo ao Lote 10, que corresponde a atual Meta 2L, da construção (veja o mapa), a população toma a água enviada pelo Exército, em caminhões-pipa, uma vez por semana. Toda semana é a mesma cena: a água é despejada em uma cisterna central, e cada morador tem que ir buscar – há carroceiros que cobram em torno de R$ 5,00 ou R$ 7,00 por viagem.

O riacho Custódia passa próximo da casa de Manoel Rodrigues de Melo, agricultor de 52 anos, mas o fio de água que resta é salobra, e só serve para lavar a casa ou os estábulos. “A água boa vem de Fátima, a uns 40 quilômetros daqui. O que a gente mais precisa aqui é água, que não tem”, suplica o agricultor. Nessas condições, ele e a esposas criaram oito filhos. Todos partiram em busca de melhores condições de vida. “É muito filho, até parece mentira! Mas antigamente os invernos eram melhores, chovia mais”.

Manoel Rodrigues de Melo, que nunca saiu da região onde nasceu, viu seu terreno ser dividido pelo canal do Eixo Leste: ficou com seis quilômetros de um lado do canal e com a mesma medida do outro. Dono de um sotaque sertanejo carregado, com poucos dentes na boca, as mãos calejadas e a pele castigada pelo sol, Manoel conta que agora os bichos têm de usar a ponte sobre o canal para passar. “Senão, eles ficam ou do lado de cá, ou do lado de lá, ou tem que fazer um volta tremenda lá por baixo, onde tem um lugar pra passar. Mas o que mais a gente espera é essa água que ‘tá’ pra vir. Isso vai mudar a nossa vida aqui. Vai ser muito bom”, diz o agricultor, ansioso.

“A gente tinha água pela torneira, era ruim, mas dava pra limpeza. Mas desde que começou essa construção (referindo-se à transposição) ela foi cortada”, lembra-se a vizinha de Manoel, a dona de casa Maria Célia Rodrigues da Silva, que cuida da mãe doente, com 82 anos. “Nem as cisternas não enchem. Estamos com dois anos de seca”, completou. A água encanada provinha de um poço escavado em outro vilarejo próximo de Caiçara, Fiúza, mas ela não sabe dizer se foi cortada em função das obras da transposição, ou se o poço secou. Mesmo com o encanamento de sua casa enferrujado e sem saber se terá água para beber no dia seguinte, a vida de Maria Célia continua. Ela não teve filhos. Cria alguns bodes, cabras e galinhas no quintal da casa e conta com o dinheiro da aposentadoria de sua mãe para o sustento das duas. Trabalhava na roça, mas nada mais resistiu à seca de dois anos.

Tradicional como a seca, o pífano de Zabé

Zabe Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Zabé da Loca. Foto: Mano de Carvalho

A tocadora de pífano Zabé da Loca nos recebeu às vésperas de completar 90 anos. Quando tinha 79 anos, 25 dos quais passados em uma gruta, na Serra do Tungão, próximo a Monteiro (PB), Zabé se tornou conhecida no mercado de música regional. Chegou a dividir o palco com músicos como Hermeto Pascoal e Gabriel Pensador em shows no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Paraíba e Brasília.

Típica sertaneja, que jamais conheceu o conforto de abrir uma torneira de onde corresse água em abundância, Zabé teve 14 irmãos, oito dos quais morreram por doenças originadas pela falta de água e desnutrição. Fumante inveterada, persistiu no hábito mesmo depois do tratamento de combate a um enfisema pulmonar e à pneumonia e não deixou de enrolar um cigarrinho durante a visita, enquanto lembrava: “Nessa serra sempre teve água da chuva que empoçava nas pedras. Mas tinha anos que não encontrávamos água em canto nenhum. A gente tinha que ir até o rio (afluente do rio Paraíba, próximo da nascente) pegar”.

Quando comentamos sobre a transposição do rio São Francisco ela reagiu: “esse negócio existe mesmo?”

Para o ex-presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos, Luiz Gabriel Azevedo, o custo de operação da água da transposição é elevado e requer investimentos vultosos, quando comparado a outras alternativas. “Parte do pacto, quando se pensou esse projeto, é de que os estados fariam um trabalho forte de racionalizar o uso dentro de seus territórios, de melhorar o sistema de gestão; e os estados estão aquém dessa expectativa”, analisa. Ele alega que os estados deveriam investir mais em obras que garantissem os recursos hídricos, como manutenção e construção de açudes, estudos para perfurações de poços e principalmente em obras de saneamento e rede de distribuição de água.

“Não valerá à pena trazer uma água cara para se desperdiçar do outro lado. Não dá para executar um projeto complexo se os recursos dos açudes não forem bem usados, se não houver um sistema de distribuição, se não se tem um sistema de gestão eficiente nos estados que vão receber para gerir a água”, complementou Luiz Gabriel Azevedo.

Por Lei, o órgão competente que determinará como a água será distribuída é o Conselho Gestor do Projeto de Integração do Rio São Francisco, instituído pelo Decreto 5.995/2006. Esse Conselho é formado por representantes dos estados beneficiados com o empreendimento – Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará – e tem por objetivo, entre outros, tratar da alocação das águas e dos rateios dos custos correspondentes.

moradores Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Desalentados pela seca, moradores de cidades do Sertão nordestino aguardam a chegada das águas da transposição. Foto: Mano Carvalho

Para o diretor-presidente da Agência Nacional das Águas (ANA) destaca que o Nordeste ainda carece de um conjunto de soluções hídricas, como aproveitamento máximo da escassa água da chuva, o controle do uso das águas dos reservatórios ou a transposição de águas de outras bacias hidrográficas, já que a escavação de poços do semiárido é considerada inviável. De acordo com o relatório de impacto Ambiental do PISF, (RIMA), “a maioria do território semiárido (70% da região) dispõe de pouca água subterrânea e possui solo impermeável, ou seja, absorve pouca água, limitando sua capacidade de disponibilidade. Além desse aspecto, a água, em geral, é de baixa qualidade”.

Realocação de moradores e uma vila partida ao meio

Cerca de 800 famílias foram deslocadas e receberam indenizações entre cerca de R$ 10 mil a R$ 15 mil para dar passagem às obras da transposição – de acordo com a gerência de Comunicação da CMT Engenharia, empresa responsável pelo acompanhamento das ações de compensação socioambiental do PISF – ao longo dos eixos Norte e Leste, em Pernambuco e no Ceará. De acordo com o supervisor de obras da empresa Ecoplan, Adilson Leal, porém, as terras não entraram na avaliação das propriedades a serem indenizadas por possuírem baixo valor de mercado, segundo a empresa, em função da pouca qualidade da terra para o plantio ou para o pasto, em uma região onde a chuva é escassa. Só as benfeitorias foram ressarcidas.

abastecimento Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Abastecimento de água potável para a população em Rio da Barra (PE), por onde passam os canais da transposição, ocorre duas vezes por semana. Foto: Mano de Carvalho

Em Rio da Barra, distrito de Sertânia, em Pernambuco, comunidade que beira o canal na altura do Lote 11, que corresponde à Meta 2L, (veja o mapa), a população se encontra duas vezes por semana na cisterna pública para se abastecer de água potável proveniente de um poço artesiano cavado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Um funcionário da prefeitura de Sertânia controla o abastecimento gratuito dos galões trazidos pela população na noite anterior. O local acaba se tornando o ponto de encontro do povoado. Mães carregando baldões chegam com as crianças arrastando baldes menores, carroças carregadas de galões estacionam ao lado e todos aguardam com paciência pelo precioso líquido. Maria José Araújo Pinheiro, uma dona de casa tímida, mas de olhos atentos, aguardava sua vez quando comentou que sua mãe, Creusa Davi da Silva, aceitou a oferta do governo para desocupar suas terras no sítio Chique-Chique. “Eles ofereceram pra ela R$ 14.400, ela pegou e foi morar em Sertânia. Como ela ganha aposentadoria, está bem. Mas pagaram só pela casa”, disse Maria José.

Marcia Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

O marido de Márcia Freire, Adilson Salvador, de Rio da Barra (PE,) é técnico ambiental nas obras da transposição. Foto: Mano de Carvalho

Márcia Maria Freire Araújo vem do outro lado do canal do Eixo Leste da transposição pegar água na cisterna pública de Rio da Barra. Ela chega sempre antes das seis da manhã, na companhia do cunhado que conduz uma carroça puxada a burro onde transportam os galões de água. Andam cerca de dois quilômetros, atravessam o canal por uma ponte provisória e os depositam em uma fila de recipientes que começou a ser formar no dia anterior. Sua família mora em outra propriedade pequena, que teve uma parte indenizada pelo Ministério da Integração Nacional. “Eu não acho que é justo perder um pedaço de terra, mas se é para fazer o bem pra tanta gente, então aceitamos”, conforma-se. Ela vê o lado bom: seu marido, Adilson Salvador, é empregado na construtora SA Paulista como técnico ambiental na transposição. “Ele conseguiu emprego desde o início da obra, primeiro por outra empresa, e agora pela Paulista”, orgulha-se Márcia Maria.

Em outra localidade, na zona rural de Sertânia, os moradores do Sítio Brabo Novo ficaram divididos pelo canal. Pelo menos treze famílias preferiram a remoção para terras acima do reservatório Barro Branco, ainda em fase de retirada da vegetação. Um número bem maior de famílias permaneceu do outro lado do reservatório.

Maria da Conceição Siqueira, viúva, de 51 anos, e seu filho, de 18 anos, deixarão a antiga moradia para trás e irão para Sertânia. “Já recebi R$ 7.500,00 por aquela casinha ali”, diz, apontando para uma casa que ficará submersa pelo reservatório, “e ganhei essa casa aqui. Mas vamos fechá-la e ir embora”. “Fiquei com um pedaço de terra muito pequeno, (cerca de 50m²) não dá pra nada. Meu filho está em tratamento, ele teve um derrame no cérebro e é melhor a gente ficar lá”, diz.

Lucineia Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Lucinéia ferreira Florêncio não acredita em distribuição justa das águas da transposição. Foto: Mano de Carvalho

A família das irmãs Lucicléia e Lucinéia Ferreira Florêncio, vizinhas de Maria da Conceição, tomou uma decisão diferente. “Nossa primeira casa era onde agora vai ser o reservatório, e já foi indenizada em 2007. Mas esse reservatório ocupou quase a metade do nosso terreno. Como ainda sobraram terras desse outro lado e esta é uma área liberada, decidimos construir aqui, com o dinheiro da indenização”, contou Lucinéia. Ela não soube informar o tamanho do sítio, mas a nova casa é grande. No terreno persiste uma plantação de palmas (um tipo de cactos que serve para alimentar os animais) e algumas árvores frutíferas. O resto foi perdido: abacaxi, macaxeira, milho, feijão… A irmã, Luciclélia, casou-se e construiu uma casa menor ao lado, onde vive com o marido e uma bebê de nove meses.

Lucinéia, professora, duvida que no futuro haja uma distribuição justa das águas da transposição. “Tem os pontos positivos, mas acho que vão ter os negativos também. Eu penso que com essa água toda vão começar a fazer mais obras por aqui e eu não sei se toda a comunidade vai ter acesso a essa água quando quiser. O pequeno produtor nunca é beneficiado como os grandes proprietários, nunca tem igualdade. E acho que o crescimento vai ser desordenado. A comunidade já tem uma associação de moradores, mas ainda não sabe como abordar esse assunto”, lamentou Lucinéia, dizendo que não há orientação nenhuma dos governos sobre isso.

sitio Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

O Sítio Passagem da Pedra, em Sertânia, dividido para a construção do túnel; zeladores recuam cerca que delimita área da propriedade. Foto: Mano de Carvalho

Na área onde será construído o túnel entre Sertânia e Monteiro, no Lote 12, atual Meta 3L (veja mapa), a retomada das obras em dezembro significou a perda de mais 100 metros de terreno pelos agricultores, além dos 100 metros que já tinham recuado. “Fazer o quê? Os donos já receberam a indenização e agora que vieram construir pediram mais esse pedaço de terra”, explicam Lenilton Cordeiro dos Santos e Quitéria Araújo da Silva, zeladores do sítio Passagem da Pedra, cortado tanto pelo canal da transposição quanto pelo túnel.

Ailton Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

“Ninguém sabe”, afirmou o capataz Aílton Ferreira falando sobre a data que deverá chegar as águas da transposição no túnel na divisa entre Pernambuco e Paraíba. Foto: Mano de Carvalho

No sítio ao lado, Aílton Ferreira de Oliveira cuida do terreno da sogra, que também foi reduzido. “Agora, o gado que sobrou, cinco cabeças, está no curral e come mandacaru, pois não tem mais o que comer por causa da seca, e o terreno ficou pequeno pro pasto”.

“E essa água, quando chega?”, interrompe o capataz do sítio, que prossegue, num monólogo: “Ninguém sabe…”.

Leia também as outras quatro reportagens da série e ainda um relato da repórter Márcia Dementshuk, onde ela conta os bastidores da reportagem.

Uma viagem ao canteiro de obras

Na Contramão da Transposição

O povo contra os areeiros

Leia os bastidores da reportagem

A Transposição, um projeto dos tempos do Império

* Publicado originalmente no site Agência Pública.

Up the Financier: Studying the California Carbon Market (AAA, Anthropology and Environment Society Blog)

Posted on January 26, 2014

ENGAGEMENT co-editor Chris Hebdon catches up with University of Kentucky geographer Patrick Bigger.

Patrick Bigger at the Chicago Board of Trade

Patrick Bigger at the Chicago Board of Trade

How would you explain your dissertation research on the California carbon market?

At the broadest level, my research is about understanding how a brand new commodity market tied to environmental improvement is brought into the world, and then how it functions once it is in existence. Taking as a starting point Polanyi’s (1944) observation that markets are inherently social institutions, my work sorts though the social, geographical, and ideological relationships that are being mobilized in California and brought from across the world to build the world’s second largest carbon market. And those constitutive processes and practices are no small undertaking.

Making a multi-billion dollar market from scratch is a process that entails the recruitment and hiring of a small army of bureaucrats and lawyers, the creation of new trading and technology firms, the involvement of offset developers and exchange operators who had been active in other environmental commodities markets, and learning from more than fifty years of environmental economics and the intellectual work of think tanks and NGOs. There are literally tens of thousands of hours of people’s time embodied in the rule-making process, which result in texts (in the form of regulatory documents) that profoundly influence how California’s economy is performed every day. These performances range from rice farmers considering how much acreage to sow in the Sacramento Delta to former Enron power traders building new trading strategies based on intertemporal price differences of carbon futures for different compliance periods in California’s carbon market.

My work uses ethnographic methods such as participant-observation in public rule-making workshops and semi-structured interviews with regulators, industry groups, polluters, NGOs, and academics to try to recreate the key socio-geographical relationships that have had the most impact on market design and function. It’s about how regulatory and financial performances are intertwined, as events in the market (and in other financial markets, most notably the deregulated electric power market in California) are brought back to bear on rule-making, and then how rule-making impacts how the market and the associated regulated industrial processes are enacted. And the key thing is that there isn’t some isolated cabal of carbon’s ‘masters of the universe’ pulling the strings––it’s bureaucrats in cubicles, academics writing books, and offset developers planting trees out there making a market. And they’re people you can go observe and talk with.


Who are buying and selling these carbon credits?

That’s a trickier question than it seems. Most of the credits (aka allowances) are effectively created out of thin air by the California Air Resources board which then distributes them via either free allocation or by auction to anyone who requests authorization to bid. A significant proportion of those are given away directly to regulated industries to ease their transition to paying for their carbon output. Another way the auction works is that electric utilities are given almost all the credits they need to fulfill their obligation, but they are required to sell (consign) those permits in the auction, while they are typically also buyers. This is to prevent windfall profits, like what happened in the EU, for the electric utilities. The utilities must return the value of what they make selling their permits at auction to ratepayers, which they have done to the tune of $1.5 billion so far.

More to the spirit of the question though, it’s a pretty big world. Literally anyone can buy California Carbon on the Intercontinental Exchange (ICE), based in Chicago. From what I’ve been told, a lot of allowances pass through Houston because there is a major agglomeration of energy traders there, and carbon is often bundled into transactions like power purchase agreements that are traded over-the-counter (OTC). There’s an interesting division in who buys their credits where––companies that must comply with climate regulations tend to buy through the auction, while people trading for presumably speculative purposes tend to buy on the exchange. This isn’t even getting into who produces, sells, and buys carbon offsets, which is another market entirely unto itself. To attempt to be succinct, I’d say there is a ‘carbon industry’ in the same sense that Leigh Johnson (2010) talks about a ‘risk industry’; a constellation of brokers, lawyers, traders, insurers, and industrial concerns, and the size of these institutional actors range from highly specialized carbon traders to the commodities desk at transnational investment banks.


Would you be able to outline some ways your research could affect public policy? And how is it in dialogue with environmental justice literature and engaged scholarship?

There are a number of ways that my work could be taken up by policy makers, though to be clear I did not set out to write a dissertation that would become a how-to-build-a-carbon-market manual. Just being around regulators and market interlocutors has provided insights into the most challenging aspects to market creation and maintenance, like what sorts of expertise a bureaucracy needs, how regulators can encourage public participation in seemingly esoteric matters, or the order which regulator decisions need to be made. Beyond the nuts-and-bolts, there’s a fairly substantial literature on ‘fast policy transfer’ in geography that critiques the ways certain kinds of policy become wildly popular and are then plopped down anywhere regardless of geographical and political-economic context; I am interested in contributing to that literature because California’s carbon market was specifically designed to ‘travel’ through linkages with other sub-national carbon markets. I would also note that there are aspects of what I’m thinking about that problematize the entire concept of the marketization of nature in ways that would also be applicable to the broader ecosystem service literature and the NGOs and regulators who are trying to push back against that paradigm.

As far as the EJ literature is concerned, I’ll admit to having a somewhat fraught relationship. I set out to do a project on the economic geography of environmental finance, not to explicitly document the kinds injustices that environmental finance has, or has the potential, to produce. As a result some critics have accused me of being insufficiently justice-y. I’d respond by noting that my work is normative, even if it isn’t framed in the language of environmental justice; it certainly isn’t Kuhnian normal science. But EJ arguments, if they are any good, do depend on empirical grounding and I would hope that my work provides that.

At the Chicago Board of Trade.

“I’d be really happy if scholars of other markets could find parallels to my work that demonstrated that all markets, not just environmental ones, were as much about the state as they are about finance.”

Your advisor Morgan Robertson has written about “oppositional research,” and research “behind enemy lines,” drawing on his experience working inside the Environmental Protection Agency. What has oppositional research meant for you?

I think about it as using ethnographic methods to poke and prod at the logics and practices that go into building a carbon market. I think for Morgan it was more about the specific problems and opportunities of being fully embedded in an institution whose policies you want to challenge. That position of being fully ‘inside’ isn’t where I’m at right now, and it’s a difficult position to get into either because you just don’t have access, because the researcher doesn’t want to or isn’t comfortable becoming a full-fledged insider, or because academics often just don’t have time to do that sort research. It’s also contingent on what sort of conversational ethnographic tact you want to take––when you’re fully embedded you lose the option of performing the research space as a neophyte, which can be a very productive strategy. One thing that I will mention is that oppositional research is based on trust. You must have established some rapport with your research participants before you challenge them head-on, or they may just walk away and then you’ve done nothing to challenge their practices or world view, you’ve potentially sewn ill will with future research participants, and you won’t get any of the interesting information that you might have otherwise.


How about the method of “studying up”?

For starters, the logistics of ‘studying up’ (Nader 1969) are substantially different than other kinds of fieldwork. There’s lots of downtime (unless you’re in a situation where you’ve got 100% access to whatever you’re studying, e.g.  having a job as a banker or regulator) because there aren’t hearings or rule-making workshops everyday, or even every week, and the people making the market are busy white-collar people with schedules. I feel like I’ve had a really productive week if I can get 3 interviews done.

Beyond the logistics, one of the most challenging parts of studying a regulatory or financial process you’re not fully onboard with is walking the line between asking tough questions of your research participants and yet not alienating them. It has been easy for me to go in the other direction as well––even though I think carbon markets are deeply problematic and emblematic of really pernicious global trends toward the marketization of everything, I really like most of my research participants. They’re giving me their time, they tell me fascinating stories, and they’ve really bent over backward to help me connect with other people or institutions it never would have occurred to me to investigate. And that can make it tough to want to challenge them during interviews. After a while, it’s also possible to start feeling you’re on the inside of the process, at least as far as sharing a language and being part of a very small community. There aren’t many people in the world that I can have a coffee with and make jokes about one company’s consistently bizarre font choices in public comments documents. So even though the market feels almost overwhelmingly big in one sense, it’s also very intimate in another. I’m still working out how to write a trenchant political-economic critique with a much more sympathetic account of regulatory/market performance. Even many guys in the oil-refining sector are deeply concerned about climate change.


Would you ever take a job in a carbon trading firm?

Absolutely. There’s a rich literature developing that gets into the nuts and bolts of many aspects of finance, including carbon trading in the social studies of finance/cultural economics that overlaps with scholarship in critical accounting and even work coming out of some business schools. Some of those folks, like Ekaterina Svetlova (see especially 2012), have worked or done extended participant observation in the financial institutions that are being unpacked in broader literatures around performative economics and have provided useful critiques or correctives that is helping this literature to mature.

However, much of this work is subject to the same pitfalls as other work in the social studies of finance, especially the sense that scholars ‘fall in love’ with the complexity of their research topic and the ingenuity of their research participants qua coworkers and ultimately fail to link them back to meaningful critiques of the broader world. All that said, I’m not sure I’ve got the chops to work in finance. I’d be more interested in, and comfortable with, working in the environmental and economic governance realm where I could see, on a daily basis, how the logics of traders meet the logics of regulation and science.


What advice would you give to scholars who may do research on carbon markets in the future?

Get familiar with the language and logics of neoclassical economics. Really familiar. Take some classes. If you’re studying neoliberal environmental policy, it shouldn’t come as a surprise that regulation is shot through with the logics of market triumphalism at a level that just reading David Harvey (2003, 2005) probably wouldn’t prepare you for. A little engineering, or at least familiarity with engineers, wouldn’t be amiss either.

On a really pragmatic level, if you can get access, get familiar with being in an office setting if you haven’t spent much time in one. Being in a new kind of space can be really stressful and if you’re not comfortable in your surroundings you might not be getting the most out of your interviews.

If you’re studying a carbon market specifically, take the time to understand how the electricity grid works. I lost a lot of time sitting through workshops that were well over my head dealing with how the electric power industry would count its carbon emissions. I would have gotten much more out of them if I’d had even a cursory understanding of how the electricity gets from the out-of-state coal-fired power plant to my toaster.

Don’t expect to just pop in-and-out of fieldwork. Make yourself at home. Take some time to figure out what the points of tension are. That’s not to say you must do an ‘E’thnography, but taking the time at the beginning to understand the playing field will make it easier to understand the maneuvering later.

Read the specialist and general press every single day. Set up some news aggregator service to whatever market or regulation you’re looking at. It’s what your participants will be reading, and if they aren’t then you’ll really look like you know what you’re doing.


What are broad implications of your research?

I think starting to come to grips on the creation, from nothing, of a commodity market worth more than a billion dollars could have all sorts of impacts I can’t even imagine. I’d be really happy if scholars of other markets could find parallels to my work that demonstrated that all markets, not just environmental ones, were as much about the state as they are about finance, and not just in the way that Polanyi wrote about them. I’d also like to help people think through the relationship between the economic structures that people build, and then how they inhabit them through economic ideology, the performance of that ideology and their modern representation, the economic model. In some ways this is reopening the structure-agency debates that have been simmering for a long time. I also want to provide more grist for the mill in terms of unpacking variegated neoliberalisms––there are quite a few examples I’ve run across in my work where discourses about the efficiencies of markets run up against either therealpolitik of institutional inertia or perceived risks to the broader economy (which can be read as social reproduction).

In terms of policy, I hope that regulatory readers of my work will think about the relative return on investment (if I can appropriate a financial concept) in deploying market-based environmental policy as opposed to direct regulation, particularly around climate change. We’re in a situation that demands urgency to curb the worst impacts of carbon pollution, so it is of the utmost importance that the state take dramatic action, and soon. That said, wouldn’t it be interesting if this carbon market ended up accomplishing its goals? If it does, then I hope my work would take on different kinds of significance.

* * *

Harvey, David. 2003. The New Imperialism. New York: Oxford University Press.

Harvey, David. 2005. A Brief History of Neoliberalism. New York: Oxford University Press.

Johnson, Leigh. 2010. Climate Change and the Risk Industry: The Multiplication of Fear and Value. Richard Peet, Paul Robbins and Michael Watts, eds. Global Political Ecology. London: Routledge.

Nader, Laura. 1969. Up the Anthropologist: Perspectives Gained from Studying Up. Dell Hymes, ed. Reinventing Anthropology. New York: Random House.

Polanyi, Karl. 1944. The Great Transformation. Boston: Beacon.

Svetlova, Ekaterina. 2012. On the Performative Power of Financial Models. Economy and Society 41(3): 418-434.

Climate Change Research Is Globally Skewed (Science Daily)

Jan. 22, 2014 — The supply of climate change knowledge is biased towards richer countries — those that pollute the most and are least vulnerable to climate change — and skewed away from the poorer, fragile and more vulnerable regions of the world. That creates a global imbalance between the countries in need of knowledge and those that build it. This could have implications for the quality of the political decisions countries and regions make to prevent and adapt to climate change, warn the researchers behind the study from the University of Copenhagen.

Climate change research, shown here by number of publications, primarily concerns countries that are less vulnerable to climate change and have a higher emission of CO2. The countries are also politically stable, less corrupt, and have a higher investment in education and research. (Credit: Image courtesy of University of Copenhagen)

“80 % of all the climate articles we examined were published by researchers from developed countries, although these countries only account for 18 % of the world’s population. That is of concern because the need for climate research is vital in developing countries. It could have political and societal consequences if there are regional shortages of climate scientists and research to support and provide contextually relevant advice for policy makers in developing countries,” says Professor Niels Strange from the Center for Macroecology, Evolution and Climate, University of Copenhagen, which is supported by the Danish National Research Foundation.

Climate change research, shown here by number of publications, primarily concerns countries that are less vulnerable to climate change and have a higher emission of CO2. The countries are also politically stable, less corrupt, and have a higher investment in education and research.

Together with PhD student Maya Pasgaard from the Department of Food and Resource Economics at the University of Copenhagen, Niels Strange analysed over 15,000 scientific papers on climate research from 197 countries. The analysis clearly shows that the research is biased towards countries that are wealthier, better educated, more stable and less corrupt, emit the most carbon, and are less vulnerable to climate change.

As an example, the study shows that almost 30 % of the total number of publications concerns the United States of America, Canada and China, while India is the only highly vulnerable country in the top 10 list. However, Greenland and small island states like the Seychelles and the Maldives that are generally considered vulnerable, also find their way into the top 10 list if it is calculated per capita.

The content of climate studies is also skewed

The study shows that not only the authorship, but also the choice of topic in climate research, is geographically skewed:

Articles from Europe and North America are more often biased towards issues of climate change mitigation, such as emission reductions, compared with articles from the southern hemisphere. In contrast, climate research from Africa and South and Latin America deals more with issues of climate change adaptation and impacts such as droughts and diseases compared to Europe.

“The tendency is a geographical bias where climate knowledge is produced mainly in the northern hemisphere, while the most vulnerable countries are found in the southern hemisphere. The challenge for the scientific community is to improve cooperation and knowledge sharing across geographical and cultural barriers, but also between practitioners and academics. Ultimately, it will require financial support and political will, if we as a society are to address this imbalance in the fight against climate change,” says Maya Pasgaard. The study was recently published online in the journal Global Environmental Change.

Journal Reference:

  1. M. Pasgaard, N. Strange. A quantitative analysis of the causes of the global climate change research distributionGlobal Environmental Change, 2013; 23 (6): 1684 DOI: 10.1016/j.gloenvcha.2013.08.013

Brazil 2014: More than just the World Cup (The Christian Science Monitor)

From elections to transportation fare increases and potentially renewed protests, 2014 promises big stories to watch across Brazil.

By Rachel Glickhouse, Guest blogger / January 2, 2014

People watch fireworks exploding over Copacabana beach during New Year celebrations at the Pavao Pavaozinho slum in Rio de Janeiro, January 1, 2014. Pilar Olivares/Reuters

While 2013 [was] an incredibly interesting year forBrazil, 2014 promises to be even more fascinating. Beyond the World Cup, which promises to occupy much of the year’s headlines, here are some of the big issues to watch.

Transportation fare increases: Governments throughout Brazil backed down on raising bus and subway fares in 2013 after those increases helped spursome of the largest protests seen since redemocratization. Nevertheless, a fare increase could be coming in Rio as early as January.

Inflation and cost of living: In 2013, food prices rose over 9 percent and were the major cause of inflation this year. Overall, inflation this year is estimated at under 6 percent, while some estimates put next year’s inflation at a little over 6 percentSão Paulo and Rio in particular continue to see a rising cost of living.

Consumer debt: With more Brazilians gaining access to the banking system and credit, consumer debt has been a growing problem to keep an eye on. Over the past 12 months, the number of Brazilian families in debt has fluctuated between 60 and 65 percent. Around 20 percent of Brazilians are behind on their bills. Over three-quarters of Brazilians in debt point to credit cardsas the source of their debt; credit card interest rates in Brazil continue to be sky-high, reaching up to 500 percent a year.

Security: While in the past decade, the overall trend for homicides has been an increase in the Northeast and a drop in the Southeast, crimes like robberies andmuggings are rising in cities like Rio and São Paulo. Rio in particular has faced problems with crime this year after a period of seeming improvements.

Pacification in Rio: Though initial results were promising, this year has seen some cracks in Rio’s pacification strategy, such as outbreaks of violence in pacified favelas and revelations of police abuses, the most serious being the torture and murder of favela residents. One of the most important things revealed this year are statistics showing disappearances in pacified favelas rising as murders fall. We’ll see what happens with this trend next year. Fundamentally, the biggest problem with the strategy is the police force itself, as some police have traditionally been criminals themselves, either working directly with drug traffickers or operating in militias when off-duty. Without a major police reform, the strategy could see similar challenges next year.

Health and education policies: One of the major complaints of protesters [last] year was that the government is investing in the World Cup but not enough in hospitals and schools. In 2013, the government began importing Cuban doctors in a bid to bring medical services to underserved areas, which initially was met with controversy that has petered out a bit. Much more remains to be done though, so [this year] it will be interesting to see how the program goes. There were also big teachers’ strikes this year which could potentially happen again in 2014.

Corruption scandals: One of the most important things that happened in 2013 was when a group of defendants in the country’s biggest corruption case went to jail. Parts of the trial are going to drag on next year as some defendants get appeals, but a new corruption scandal would feed another one of the protesters’ complaints.

Protests: While it seems likely that there will be some demonstrations around the World Cup, it remains to be seen whether there will be a repeat of the 2013 protests. That will depend on all of the factors above.

Elections: Brazil will hold presidential and legislative elections in October, which means that federal policies will potentially be designed to appease voters as President Dilma Rousseff seeks reelection. It may not be a year to experiment with reforms or to raise taxes, but it could be a year of bread and circuses.

Infrastructure: While a lot of focus will be on finishing stadiums in time for the games, it remains to be seen how many transportation infrastructure projects, ranging from new highways to airport renovations, will be completed before June. In addition, it will be important to see which major infrastructure projects are moving in an election year, like the Belo Monte dam or the São Francisco water project.

– Rachel Glickhouse is the author of the blog Riogringa.com.

Antropólogo francês Bruno Latour fala sobre natureza e política (O Globo)

28.12.2013 | 07h30m

Bruno Latour diz que ‘ecologizar’ é o verbo da vez, mas propõe uma noção de ‘ecologia’ com sentido mais amplo do que o defendido hoje por ativistas e políticos. Para ele, o Brasil, apesar das contradições, é ator fundamental na construção de uma inteligência política e científica para o futuro

Por Fernando Eichenberg, correspondente em Paris

A modernidade é uma falácia, uma ficção inventada para organizar a vida intelectual. Os chamados “modernos” pregam a separação de ciência, política, natureza e cultura, numa teoria distante da realidade do mundo e inadaptada aos desafios impostos neste início de século, acusa o pensador francês Bruno Latour, de 66 anos. “Ecologizar” é verbo da vez, sustenta ele, mas num sentido bem mais amplo do que o espaço compreendido pela ecologia defendida por ativistas e partidos políticos.

— O desenvolvimento da frente de modernização, como se fala de uma frente pioneira na Amazônia, sempre foi, ao contrário, uma extensão de uma quantidade de associações, da marca dos humanos, da intimidade de conexões entre as coisas e as pessoas. A modernidade nunca existiu — dispara Latour, em entrevista ao GLOBO.

Na sua opinião, o Brasil, com todas as suas contradições, é fundamental na possibilidade de um futuro de inovações que gerem um novo tipo de “civilização ecológica”, numa nova “inteligência política e científica”.

Antropólogo, sociólogo e filósofo das ciências, Bruno Latour, que recebeu em maio passado o prestigiado prêmio Holberg de Ciências Humanas, é um dos intelectuais franceses contemporâneos mais traduzidos no exterior. Além de suas originais investigações teóricas, também se aventurou no terreno das artes (com as exposições “Iconoclash” e “Making things public”) e, em outubro, estreou a peça “Gaïa Global Circus”, uma “tragicomédia climática”, que ele espera um dia poder encenar no Jardim Botânico, no Rio. Professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences-Po), lançou ainda este ano o ensaio “Enquête sur les modes d’existence — Une anthropologie des Modernes” (Investigação sobre os modos de existência – uma antropologia dos Modernos, ed. La Découverte).

Qual a diferença entre “ecologizar” e “modernizar”, segundo seu pensamento?

Modernizar é o argumento que diz que quanto mais nós separamos as questões de natureza e de política, melhor será. Ecologizar é dizer: já que, de fato, não separamos tudo isso, já que a História recente dos humanos na Terra foi o embaraçamento cada vez mais importante das questões de natureza e de sociedade, se é isso que fazemos na prática, então que construamos a política que lhe corresponda em vez de fazer de conta que há uma história subterrânea, aquela das associações, e uma história oficial, que é a de emancipação dos limites da natureza. Ecologizar é um verbo como modernizar, exceto que se trata da prática e não somente da teoria. Mas pode-se dizer “modernidade reflexiva” ou utilizar outros termos. O importante é que haja uma alternativa a modernizar, que não seja arcaica, reacionária. Que seja progressista, mas de uma outra forma, não modernista. Um problema complicado hoje, sobretudo no Brasil. Mas é complicado por todo o lado, na França também. Qualquer dúvida sobre a modernização, se diz que é preciso estancar a frente pioneira, decrescer, voltar ao passado. Isso é impossível. É preciso inovar, descobrir novas formas, e isso se parece com a modernização. Mas é uma modernização que aceita seu passado. E o passado foi uma mistura cada vez mais intensa entre os produtos químicos, as florestas, os peixes, etc. Isso é “ecologizar”. É a instituição da prática e não da teoria.

Qual é a situação e o papel do Brasil neste contexto?

Penso que deve haver uma verdadeira revolução ecológica, não somente no sentido de natureza, e o Brasil é um ator importante. A esperança do mundo repousa muito sobre o Brasil, país com uma enormidade de reservas e de recursos. Se fala muito do movimento da civilização na direção da Ásia, o que não faz muito sentido do ponto de vista ecológico, pois quando se vai a estes países se vê a devastação. Não se pode imaginar uma civilização ecológica vindo da Ásia. No Brasil — e também na Índia — há um pensamento, não simplesmente a força nua, num país em que os problemas ecológicos são colocados em grande escala. Há um verdadeiro pensamento e uma verdadeira arte, o que é muito importante. Se fosse me aposentar, pensaria no Brasil. Brasil e Índia são os dois países nos quais podemos imaginar verdadeiras inovações de civilização, e não simplesmente fazer desenvolvimento sustentável ou reciclagem de lixo. Podem mostrar ao resto do mundo o que a Europa acreditou por muito tempo poder fazer. A Europa ainda poderá colaborar com seu grão de areia, mas não poderá mais inovar muito em termos de construir um quadro de vida, porque em parte já o fez, com cidades ligadas por autoestradas, com belas paisagens e belos museus. Já está feito. Mas numa perspectiva de inventar novas modas e novas formas de existência que nada têm a ver com a economia e a modernização, com a conservação, será preciso muita inteligência política e científica. Não há muitos países que possuem esses recursos. Os Estados Unidos poderiam, mas os perderam há muito tempo, saíram da História quando o presidente George W. Bush disse que o modo de vida dos americanos não era negociável. Brasil e Índia ainda têm essa chance. Mas este é o cenário otimista. O cenário pessimista talvez seja o mais provável.

Qual a hipótese pessimista?

Há os chineses que entram com força no Brasil, por exemplo. Meu amigo Clive Hamilton (pensador australiano) diz que, infelizmente, nada vai acontecer, que se vai fazer uma reengenharia, se vai modernizar numa outra escala e numa outra versão catastrófica. Provavelmente, é o que vai ocorrer, já que não conseguimos decidir nada, e que será preciso ainda assim tomar medidas. Uma hipótese é a de que se vai delegar a Estados ainda mais modernizadores no sentido tradicional e hegemônico a tarefa de reparar a situação por meio de medidas drásticas, sem nada mudar, portanto agravando-a. Mas meu dever é o de ser otimista. Em todo caso, é preciso inventar novas formas para pensar essas questões.

O senhor acompanhou as manifestações de rua no Brasil neste ano que passou?

É uma das razões pelas quais o Brasil é interessante, porque há ao mesmo tempo um dinamismo de invenção política, ligado a outros dinamismos relacionados às ciências, às artes. Há um potencial no Brasil. E há, hoje, uma riqueza. Não são temas que se pode abordar em uma situação de miséria. É preciso algo que se pareça ao bem-estar. Na Índia, se você tem um milhão de pessoas morrendo de fome não pode fazer muito. O Brasil é hoje muito importante para a civilização mundial.

Os partidos ecologistas, na sua opinião, não souberam assimilar estas questões?

Nenhum partido ecologista conseguiu manter uma prática. A ecologia se tornou um domínio, enquanto é uma outra forma de tudo fazer. A ecologia se viu encerrada em um tema, e não é vista como uma outra forma de fazer política. É uma posição bastante difícil. É preciso ao mesmo tempo uma posição revolucionária, pois significa modificar o conjunto dos elementos do sistema de produção. Mas é modificar no nível do detalhe de interconexão de redes técnico-sociais, para as quais não há tradição política. Sabemos o que é imaginar a revolução sem fazê-la, administrar situações estabelecidas melhorando-as, modernizar livrando-se de coisas do passado, mas não sabemos o que é criar um novo sistema de produção inovador, que obriga a tudo mudar, como numa revolução, mas assimilando cada vez mais elementos que estão interconectados. Não há uma tradição política para isso. Não é o socialismo, o liberalismo. E é preciso reconhecer que os partidos verdes, seja na Alemanha, na França, nos EUA não fizeram o trabalho de reflexão intelectual necessária. Como os socialistas, no século XIX, refizeram toda a filosofia, seja marxista ou socialista tradicional, libertária, nas relações com a ciência, na reinvenção da economia. Há uma espécie de ideia de que a questão ecológica era local, e que se podia servir do que chamamos de filosofia da ecologia, que é uma filosofia da natureza, muito impregnada do passado, da conservação. O que é completamente inadaptado a uma revolução desta grandeza. Não podemos criticá-los. Eles tentaram, mas não investiram intelectualmente na escala do problema. Não se deram conta do que quer dizer “ecologizar” em vez de “modernizar”. Imagine o pobre do infeliz responsável pelo transporte público de São Paulo ou de Los Angeles.

A França receberá em 2015 a Conferência Internacional sobre o Clima. Como o senhor avalia esses encontros?

Estamos muito mobilizados aqui na Sciences-Po, porque em 2015 ocorrerá em Paris, e trabalhamos bastante sobre o fracasso da conferência de Copenhague, em 2009. Estamos muito ativos, tanto aqui como no Palácio do Eliseu. Na minha interpretação, o sistema de agregação por nação é demasiado convencional para identificar as verdadeiras linhas de clivagens sobre os combates e as oposições. Cada país é atravessado em seu interior por múltiplas facções, e o sistema de negociação pertence à geopolítica tradicional. E também ainda não admitimos de que se tratam de conflitos políticos importantes. A França aceitou a conferência sem perceber realmente do que se tratava, como um tema político maior. Por quê? Porque ainda não estamos habituados a considerar — e aqui outra diferença entre “ecologizar” e “modernizar” — que as questões de meio ambiente e da natureza são questões de conflito, e não questões que vão nos colocar em acordo. Vocês têm isso no Brasil em relação à Floresta Amazônica. Não é porque se diz “vamos salvar a Floresta Amazônica” que todo mundo vai estar de acordo. Há muita discordância. E isso é muito complicado de entender na mentalidade do que é uma negociação.

Poderá haver avanços em 2015?

Uma das hipóteses que faço para 2015 é a de que é preciso acentuar o caráter conflituoso antes de entrar em negociações. Não começar pela repartição das tarefas, mas admitindo que se está em conflito nas questões da natureza. Os ecologistas têm um pouco a ideia de que no momento em que se fala de natureza e de fatos científicos as pessoas vão se alinhar. Acham que se falar que o atum está desaparecendo os pescadores vão começar a parar de matá-los. Sabe-se há muito tempo que é exatamente o contrário, eles vão rapidamente em busca do último atum. A minha hipótese para 2015 é que se deve tornar visíveis estes conflitos. O que coloca vários problemas de teoria política, de ecologia, de representação, de geografia etc. Talvez 2015 já seja um fracasso como foi 2009. Mas é interessante tentar, talvez seja nossa última chance. Tenho muitas ideias. Faremos um colóquio no Rio de Janeiro em setembro de 2014, organizado por Eduardo Viveiros de Castro, sobre isso. Depois faremos um outro, em Toulouse, para testar os modelos de negociação. Em 2015 faremos um outro aqui na Sciences-Po. A ideia é encontrar alternativas no debate sobre conflitos de mundo. Não é uma questão das pessoas que são a favor do carvão, os que são contra os “climacéticos” etc. Não é a mesma conexão, não é a mesma ciência, não é a mesma confiança na política. São conflitos antropocêntricos. Interessante que as pessoas que assistiram à minha peça de teatro ficaram contentes em ver os conflitos. Na ecologia se faz muita pedagogia, se diz como se deve fazer para salvar a Floresta Amazônica. Mas não se fala muito de conflitos.

Brazil to issue World Cup commemorative coins (AFP)

14 Dec 2013

Handhout picture released on December 13, 2013 by the Central Bank of Brazil showing a 10 Reals gold coin (4 US Dollars), reading “Copa do Mundo da FIFA – Brasil 2014” (FIFA World Cup – Brazil 2014) (Banco Central Do Brasil/AFP)

Brasília — Brazil’s Central Bank on Friday announced plans to issue a set of nine commemorative coins for the 2014 World Cup.

The set, to be released on January 24, will comprise one gold coin, two in silver and six in an alloy of copper and nickel.

The gold coin weighing 4.4. grams (0.155 ounce) will have a nominal value of 10 reais ($4.3) but will be sold for 1180 reais ($504).

It will represent the Cup trophy and a player scoring a goal. Some 5,000 will be minted, the bank said.

Those in silver will have a value of five reais ($2.2) and a weight of 27 grams.

One will represent Fuleco, the 2014 World Cup mascot, and the other the 12 host cities. They will be sold for 190 reais ($81) apiece and 20,000 of each will be sold.

The six cupronickel versions, each with a value of 2 reais ($0.86) and a weight of 10.17 grams, will cost 30 reais ($12.8).

They will represent a dribble, a header or a penalty kick and 20,000 copies of each will be minted.

Países pobres estão 100 anos atrás dos ricos em preparação climática (CarbonoBrasil)

16/12/2013 – 11h52

por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil

mapa1 Países pobres estão 100 anos atrás dos ricos em preparação climática

Novos dados do Índice de Adaptação Global da Universidade de Notre Dame enfatizam disparidades entre países pobres e o risco em relação à resiliência climática; Brasil aparece em 68º lugar, com classificação considerada média-alta

Um novo relatório publicado por pesquisadores da Universidade de Notre Dame afirma que levará mais de um século para que os países em desenvolvimento atinjam o nível de preparação climática que as nações desenvolvidas já possuem.

Índice de Adaptação Global da Universidade de Notre Dame (ND-GAIN), lançado nesta quinta-feira (12) avaliou 175 países e se foca em questões como a vulnerabilidade das nações às mudanças climáticas, ao aquecimento global e a eventos climáticos extremos, como secas severas, tempestades devastadoras e desastres naturais.

Alguns exemplos de países nessa trajetória de 100 anos incluem o Camboja, o Quênia e o Haiti. “Devido ao recente tufão nas Filipinas, algumas pessoas podem estar se perguntando onde essa nação insular fraqueja em termos de prontidão”, comentou Nitesh Chawla, diretor do Centro Interdisciplinar para Ciência de Rede e Aplicações.

“De acordo com os dados, as Filipinas estão mais de 40 anos atrás dos países mais desenvolvidos em preparação climática. Embora isso seja menor do que os países mais pobres, mostra que as Filipinas ainda tem um longo caminho pela frente”, continuou Chawla.

Já alguns dos países emergentes mais industrializados, como o Brasil, apresentaram uma classificação considerada média-alta, apresentando um nível relativamente satisfatório de resiliência. Nosso país ficou em 68º lugar no geral, sendo classificado em 56º em vulnerabilidade e em 79º em preparação.

“Sabíamos que havia disparidades entre os países mais ricos e mais pobres quando se tratava de adaptação e preparação às mudanças climáticas”, colocou Jessica Hellmann, bióloga da Universidade de Notre Dame.

“Mas não sabíamos que levaria mais de 100 anos para que os países mais pobres atingissem os níveis de preparação que os países mais ricos já alcançaram”, acrescentou ela.

Mas os especialistas que trabalharam no relatório declararam que, de acordo com as pesquisas, nem mesmo os países desenvolvidos são exatamente à prova de mudanças climáticas e do aquecimento global.

Pelo contrário, o documento sugere que, embora eles estejam exercendo esforços para aumentar sua resiliência aos fenômenos naturais e eventos climáticos extremos que acontecem em seus territórios, ainda há espaço para melhorias.

“Esses dados são preocupantes, porque eles evidenciam o quão despreparadas algumas das nações mais vulneráveis realmente estão. Mas eles também mostram que os países mais desenvolvidos não estão fazendo o suficiente, o que levanta sérias questões sobre políticas públicas, não importa quão bem desenvolvida uma economia nacional possa ser”, observou Hellmann.

Os pesquisadores esperam que as descobertas ajudem os líderes mundiais a estabeleceram prioridades globais, regionais e nacionais, assim como estimulem a preparação para as mudanças climáticas.

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

Violência no futebol: sobre a briga entre torcedores do Vasco e do Atlético Paranaense na Arena Joinville

10/12/13 04:00 Atualizado em 10/12/13 10:50 

Leone Mendes, o brutamonte da barra de ferro, era da banda da igreja e é dono de barbearia (Extra)

Wilson Mendes

Leone preso na Delegacia de Joinville Foto: Terceiro / Divulgação Polícia Civil de SC

Para os moradores de Austin, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, as cenas de selvageria protagonizadas pelo vascaíno Leone Mendes da Silva, de 23 anos, não combinam com o descontraído e pacato barbeiro do bairro, ex-saxofonista da banda da igreja evangélica local.

— Ele sempre torceu pelo Vasco, mas esse fanatismo aumentou com o tempo. Eu sempre falando: “Meu filho, larga isso de jogo, de torcida”. Mas nunca pensei que ele faria uma coisa dessas. Eu preciso que ele me explique o que aconteceu lá. Ele é um rapaz bom — avaliou, entre lágrimas, Cleuza Mendes da Silva, de 48 anos, mãe de Leone. Eles ainda não se falaram depois da prisão.

Solteiro e filho único, é o barbeiro quem sustenta a casa, construída no mesmo terreno utilizado por outros parentes. A braçadeira de capitão do lar foi transferida em definitivo há cerca de três anos, depois que ele terminou o Ensino Médio e Cleuza sofreu um derrame.

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado Foto: Giuliano Gomes / Folhapress

— Ele ajudou muito a mãe nessa época. Tantos remédios que comprou! — defende a tia, que não se identificou. Os vizinhos jogam no mesmo time da tia, numa tática de defesa calçada em rápidos elogios anônimos.

— Eu estou realmente surpresa. Ele foi aluno do meu marido, frequentou a minha casa e sempre foi uma ótima pessoa. Não sei o que aconteceu — diz a moradora da esquina.

O grupo de vizinhos da frente, incluindo um jovem devidamente uniformizado com a camisa da torcida organizada, garante que Leone nunca criou problemas nas partidas que acompanhou.

— Ele ia mais a jogos no Rio e São Paulo. Acho que longe assim esse foi o primeiro. Nunca ouvi dizer dele envolvido em briga. Nem machucado ele voltava — relatou um homem.

A mãe reclama de jogo sujo, e diz que fará de tudo para que as partidas com a Justiça seja disputadas em casa, no Rio de Janeiro.

— Eu não tenho dinheiro agora, mas se for preciso vendo até a casa. Eu quero que saibam que tenho ciência que o que ele fez foi errado. Não estou passando a mão na cabeça dele, mas ele tem 23 anos, emprego, carro e um salão. É trabalhador — desabafou Cleuza.

Cleusa, mãe de Leone, sofre com a prisão do filho

Cleusa, mãe de Leone, sofre com a prisão do filho Foto: Paulo Nicolella / Extra

De acordo com ela, os organizadores é que erraram ao deixar uma partida de futebol decisiva e com tantos torcedores acontecer sem apoio policial.

— Mostram ele, mas como pode milhares de pessoas juntas sem policiamento, sem segurança? O organizador desse jogo queria mesmo uma tragédia.

Enquanto o filho está detido na Penitenciária Regional de Joinville, aguardando os trâmites do processo que responde por tentativa de homicídio, a mãe reza.

— Eu oro que isso sirva para ele voltar para os pés do Senhor e para mim. Também peço que o jovem ferido fique bem, para dar paz à mãe dele, que está sofrendo tanto quanto eu. Porque houve má organização, mas nós que sofremos — arrematou.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/vasco/leone-mendes-brutamonte-da-barra-de-ferro-era-da-banda-da-igreja-e-dono-de-barbearia-11021154.html#ixzz2n6D55JxF

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10/12/13 04:00 

Diretoria do Vasco pagou aluguel de ônibus e deu desconto de 75% nos ingressos para a torcida (Extra)

Torcedor da organizada do Vasco segura um rival pelo calção

Torcedor da organizada do Vasco segura um rival pelo calção Foto: Pedro Kirilos

Por Bruno Marinho

A campanha que culminou com a queda do Vasco para a Série B este ano entrará negativamente para a história, assim como os episódios de violência protagonizados por sua principal torcida organizada. Tudo com a conivência da diretoria. O clube financia torcedores uniformizados subsidiando 75% do valor dos ingressos e ajudando também no transporte para as partidas como visitante. Foram justamente em duas partidas longe do Rio que as brigas ocorreram.

Domingo, cerca de 100 torcedores da principal facção vascaína partiram do Rio para Joinville, em dois ônibus. O ingresso, que estava sendo vendido por R$ 100, custou R$ 25 para os membros da organizada. O gasto com o aluguel do ônibus também é dividido. Neste fim de semana, um foi bancado pelos torcedores, o outro pelo Vasco.

Antes do conflito em Santa Catarina, o clube já tinha sofrido com o confronto entre torcedores rivais na partida contra o Corinthians, dia 25 de agosto. Na ocasião, o time perdeu quatro mandos de campo. Punição semelhante deverá se repetir por causa da briga generalizada de domingo, com a pena a ser cumprida nas primeiras rodadas da Segunda Divisão.

Procurada, a diretoria da Força Jovem Vasco, cujos integrantes foram flagrados pelas câmeras de TV na briga na Arena Joinville, se defendeu, mas admitiu que houve excessos.

— As imagens mostram que estávamos nos defendendo, com os torcedores do Atlético na área destinada aos vascaínos. Mas eu entendo que houve excessos, sim — disse Jean Santana, diretor financeiro da organizada.

Já a diretoria do Vasco não foi encontrada para comentar o financiamento à torcida. Manoel Barbosa, vice de patrimônio e responsável pela venda de ingressos, não atendeu as ligações. A assessoria de imprensa do clube também foi procurada. Ela informou que o Vasco repudia qualquer tipo de violência e que o clube ajudará no que for possível para que os culpados sejam punidos.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/vasco/diretoria-do-vasco-pagou-aluguel-de-onibus-deu-desconto-de-75-nos-ingressos-para-torcida-11020955.html#ixzz2n6ExOYcX

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10/12/13 05:00 

Primo de brigão da barra de ferro diz que advogado da Força Jovem alegará legítima defesa (Extra)

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado Foto: Giuliano Gomes / Folhapress

Wilson Mendes

A defesa de Leone Mendes da Silva, de 23 anos, o vascaíno flagrado agredindo um torcedor do Atlético com uma barra de ferro, deve alegar que a ação foi por legítima defesa. A informação foi dada por um primo de Leone, que está acompanhando o caso. Leone está preso sob a acusação de tentativa de homicídio e será defendido pelo advogado da organizada Força Jovem.

— A torcida entrou em contato conosco oferecendo o serviço. Nós já tínhamos procurado um advogado, mas ele cobrou R$ 4 mil somente para ir até Santa Catarina fazer contato e buscar informações. Vamos esperar a definição da torcida para não termos que gastar tanto — disse.

A família espera que a defesa consiga libertá-lo com a justificativa de legítima defesa. Para eles, Leone entrou na briga para se defender de agressões e, como os vascaínos eram minoria, “utilizaram o que tinham em mãos”.

Até a tarde de ontem, nenhum parente de Leone havia recebido qualquer contato do Vasco com oferta de ajuda. Sem muitos recursos, eles depositam as esperanças no defensor da torcida organizada.

— Eles me explicaram que o que está pesando muito é a imagem dele batendo em um homem já caído. Mas, no meio da confusão, as pessoas não pensam direito — opinou o primo.

Leone, que tem uma barbearia em Austin, na Baixada Fluminense, deixou a casa da mãe com destino ao Sul às 19h de sábado, num ônibus fretado pela Força Jovem. O último contato com a família foi feito uma hora antes do jogo.

— Precisamos ir até lá. Ele não ligou para casa, está sem roupas e sem os documentos, que ficaram aqui na casa — diz o primo, revelando que outros parentes de Leone estão recebendo ameaças pelo Facebook: — Dizem que se ele voltar vão espancá-lo e atear fogo no salão dele.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/primo-de-brigao-da-barra-de-ferro-diz-que-advogado-da-forca-jovem-alegara-legitima-defesa-11021252.html#ixzz2n6FNONV2

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10/12/13 05:00 

Ministério Público do Rio pedirá suspensão da Força Jovem por três anos (Extra)

MP pedira a suspensão da torcida do clube carioca

MP pedira a suspensão da torcida do clube carioca Foto: Pedro_Kirilos

Paolla Serra

A Força Jovem está com os dias contados nos estádios. Horas depois da briga generalizada que deixou quatro torcedores internados após ficarem feridos durante a partida entre Atlético Paranaense e Vasco, na Arena Joinville, o Ministério Público promete uma medida drástica em relação a torcida organizada carioca. Nos próximos dias, o promotor de Justiça Paulo Sally irá pedir que a Força Jovem do Vasco (FJV) fique impedida de ir aos estádios por três anos.

De acordo com Sally, o MP do Rio e o de Santa Catarina estão fazendo uma ação conjunta para evitar que cenas como a de anteontem, consideradas por ele como “terríveis”, se repitam. O promotor informou que aguarda apenas as documentações referentes às prisões para dar entrada no pedido para afastar a Força Jovem dos jogos. Ele informou ainda que os promotores catarinenses também irão tomar medidas em relação a Fanáticos, uniformizada do Atlético-PR.

Paulo Sally, da 4ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Capital, afirmou ainda que as duas torcidas já eram alvos de investigações do órgão. A FJV deixou de cumprir obrigações, inclusive, como entregar os nomes de seus componentes do grupo antes do jogo.

O promotor tomará como base o artigo 39 do Estatuto do Torcedor, que prevê que a torcida organizada “que, em evento esportivo, promover tumulto; praticar ou incitar a violência; ou invadir local restrito aos competidores, árbitros, fiscais, dirigentes, organizadores ou jornalistas será impedida, assim como seus associados ou membros, de comparecer a eventos esportivos pelo prazo de até 3 (três) anos”.

— O relatório das prisões e outros documentos serão importantes e vão dar alicerce a punição que será dada a Força Jovem — disse Sally.

Contra a Justiça não há Força.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/vasco/ministerio-publico-do-rio-pedira-suspensao-da-forca-jovem-por-tres-anos-11021128.html#ixzz2n6FrGApL

Fronteiras da biotecnologia (O Estado de S.Paulo)

JC e-mail 4872, de 10 de dezembro de 2013

Artigo de Xico Graziano publicado no Estadão

Plantas transgênicas vieram para ficar. E prevalecer. Suas variedades passaram a dominar a safra de grãos no Brasil. Na corrida tecnológica, ninguém segura a engenharia genética. A ciência vence o medo obscurantista.

Lavouras geneticamente modificadas de soja, milho e algodão, nessa ordem, lideram, com dois terços, a semeadura da área nacional. Produtividade, facilidade no trato, economia de defensivos: aqui as razões principais que explicam seu notável desempenho. Problemas agronômicos, como resistência de ervas invasoras a herbicidas ou ressurgência de pragas, existem, mas se assemelham aos das lavouras convencionais. Não se comprovou alguma tragédia ambiental, tampouco dano à saúde humana, decorrente do uso específico de transgênicos.

Há séculos o melhoramento genético tradicional tem modificado os organismos. As variedades atualmente plantadas ou criadas pouco se parecem com suas ancestrais: o frango deixou de ser caipira, o milho tornou-se ereto, as frutas perdem suas sementes. Nenhum alimento continua “natural”. O patamar da evolução mudou, porém, quando os cientistas descobriram a possibilidade de modificar artificialmente o DNA das espécies. Sem cruzamento sexual.

Tudo começou em 1972. Pesquisadores perceberam que parasitas do gênero Agrobacterium transferiam partes de seu germoplasma para as plantas hospedeiras, estimulando nestas a produção de açúcar, do qual se alimentavam. Quer dizer, ocorria na natureza um mecanismo de transgenia. Dez anos depois, em Gent (Bélgica), cientistas conseguiram pioneiramente efetuar a transgênese em laboratório. Em seguida, certas bactérias foram geneticamente modificadas visando à produção de insulina humana. Os diabéticos comemoraram. A ciência havia dado um tremendo salto no conhecimento.

Desde então as equipes de ponta, em oficinas públicas e privadas, passaram a investir na engenharia genética, turbinando mundialmente a biotecnologia. Esta se destacou, inicialmente, na manipulação de microrganismos. Depois, em 1996, chegou ao campo, com o lançamento de uma variedade de soja resistente à aplicação de herbicida. Começou a grande polêmica. Ativistas ambientais denunciaram a “comida Frankenstein”. Religiosos condenaram os cientistas por manipularem a vida. A opinião pública ficou confusa.

Tal temor, compreensível, resultou na proposta de uma “moratória” de cinco anos, precaução adotada pela União Europeia em 1999. Esse período se considerava suficiente para buscar o esclarecimento das dúvidas sobre a nova tecnologia. O tempo passou, a engenharia genética evoluiu, os preconceitos religiosos e ideológicos cederam lugar às evidências científicas. Novas transgenias surgiram, barreiras foram caindo. Hoje, na agricultura, as variedades modernas, geneticamente alteradas, se fazem presentes em 50 países, plantadas por 17,3 milhões de agricultores, ocupando 10% da terra arável do mundo. Não é mais uma experiência.

Novidades biotecnológicas continuam surgindo. Entre animais, desenvolvem-se cabras transgênicas que produzem em seu leite uma proteína típica da teia de aranha, capaz de gerar polímeros altamente resistentes. Nos vegetais, entusiasma a possibilidade da geração de plantas que suportam “stress hídrico”. Na Embrapa, um gene de cafeeiros resistentes à seca foi introduzido em plantas de fumo, fazendo-as suportar a falta de água no solo. Em Israel, cientistas do Instituto de Tecnologia alteraram os genes de alface, impedindo que suas folhas murchem após a colheita. Sensacional.

Técnicas chamadas “DNA recombinante” invadem a medicina. Utilizando-as, o Instituto Butantã (São Paulo) desenvolveu recente vacina contra a hepatite B; também pela intervenção no genoma viral surgem vacinas contra influenza, dengue, coqueluche e tuberculose. Na Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto estuda-se uma vacina transgênica para combater câncer. Porcos geneticamente modificados em Munique (Alemanha) provocaram fraca reação do sistema imunológico humano, abrindo caminho para os xenotransplantes.

Bactérias, leveduras e fungos geneticamente modificados têm sido utilizados na fabricação de alimentos há tempos. Esses microrganismos atuam diretamente nos processos de fermentação, gerando queijos, massas, cerveja; ajudam até na definição do aroma em bebidas e comidas. Etanol celulósico, a partir do bagaço da cana ou de capim, virá de leveduras geneticamente modificadas. Na indústria, o sabão em pó contêm enzimas, oriundas de bactérias transgênicas, que facilitam a degradação de gordura nos tecidos.

Na fronteira da biotecnologia desenvolve-se aqui, na Embrapa, uma incrível técnica – dos promotores constitutivos – capaz de restringir a manifestação de certas proteínas transgênicas em folhas e frutos das plantas modificadas. Ou seja, a planta será transgênica, mas seus frutos, ou grãos, escapam do DNA alterado. O avanço da engenharia genética, base da biotecnologia, é extraordinário em todos os ramos, dando a impressão de que o melhor ainda está por vir.

Por que, então, diante de tanto sucesso ainda há restrições contra os transgênicos, taxando-os de produtos do mal? Boa pergunta. A resposta encontra-se no preconceito criado lá atrás. A rigor, hoje em dia os produtos transgênicos, submetidos a legislação super-rigorosa, são bastante seguros para o consumo. Já outros alimentos, embora “convencionais”, mais parecem uma bomba química: salgadinhos, latarias, maioneses, doces insossos, essas gororobas, sim, impunemente destroem nossa saúde.

Conclusão: transgênico ou convencional, pouco importa. Vale o alimento ser saudável.

Xico Graziano é agrônomo, foi secretário de Agricultura e secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,fronteiras–da-biotecnologia-,1106577,0.htm

Engineering Education May Diminish Concern for Public Welfare Issues (Science Daily)

Nov. 20, 2013 — Collegiate engineering education may foster a “culture of disengagement” regarding issues of public welfare, according to new research by a sociologist at Rice University.

imagesFor the first-of-its-kind study, the researcher used survey data from four U.S. colleges to examine how students’ public-welfare beliefs change during their college engineering education and whether the curricular emphases of their engineering programs are related to students’ beliefs about public welfare. The study found that engineering students leave college less concerned about public welfare than when they entered.

Study author Erin Cech, an assistant professor of sociology who has B.S. degrees in both electrical engineering and sociology, said that many people inside and outside engineering have emphasized the importance of training ethical, socially conscious engineers, but she wonders if engineering education in the U.S. actually encourages young engineers to take seriously their professional responsibility to public welfare.

“There’s an overarching assumption that professional engineering education results in individuals who have a deeper understanding of the public welfare concerns of their profession,” Cech said. “My study found that this is not necessarily the case for the engineering students in my sample.”

Cech said that as part of their education, engineering students learn the profession’s code of ethics, which includes taking seriously the safety, health and welfare of the public. However, she said, it appears that there is something about engineering education that results in students becoming more cynical and less concerned with public policy and social engagement issues.

“The way many people think about the engineering profession as separate from social, political and emotional realms is not an accurate assessment,” Cech said. “People have emotional and social reactions to engineered products all the time, and those products shape people’s lives in deep ways; so it stands to reason that it is important for engineers to be conscious of broader ethical and social issues related to technology.”

Cech said that this “culture of disengagement” is rooted in how engineering education frames engineering problem-solving.

“Issues that are nontechnical in nature are often perceived as irrelevant to the problem-solving process,” Cech said. “There seems to be very little time or space in engineering curricula for nontechnical conversations about how particular designs may reproduce inequality — for example, debating whether to make a computer faster, more technologically savvy and expensive versus making it less sophisticated and more accessible for customers.”

Cech said ignoring these issues does a disservice to students because practicing engineers are required to address social welfare concerns on a regular basis, even if it involves a conflict of interest or whistleblowing.

“If students are not prepared to think through these issues of public welfare, then we might say they are not fully prepared to enter the engineering practice,” Cech said.

Cech became interested in this research topic as an undergraduate electrical engineering student.

“Because I went through engineering education myself, I care deeply about this topic,” she said. “I want to advance the conversation about how engineering education can be the best it can possibly be.”

The study included more than 300 students who entered engineering programs as freshmen in 2003 at four U.S. universities in the Northeast. Rice students were not included in the study. Participants were surveyed in the spring of each year and at 18 months after graduation. In the surveys, students were asked to rate the importance of professional and ethical responsibilities and their individual views on the importance of improving society, being active in their community, promoting racial understanding and helping others in need. In addition, the students were asked how important the following factors are to their engineering programs: ethical and/or social issues, policy implications of engineering, and broad education in humanities and social sciences.

“Culture of Disengagement in Engineering Education?” will appear in an upcoming issue of the journal Science, Technology and Human Values. The research was funded by the National Science Foundation.

Brazilian Soccer Is Too Big To Fail (Bloomberg)

Brazil Soccer

Brazil’s Sao Paulo players react after losing their 2013 Copa Sudamericana semifinal first leg football match against Brazil’s Ponte Preta at Morumbi stadium on Nov. 20, 2013. Photographer: Nelson Almeida/AFP via Getty Images

By Raul Gallegos Nov 22, 2013 4:22 PM GMT-0200

To understand Brazil’s economic woes, one should consider how politics has ruined the country’s most venerated sport.

It’s no secret that the economics of the Brazilian soccer world are dysfunctional. For the most part, teams are poorly run, member-controlled organizations with histories of financial mismanagement, run by overpaid managers with little accountability. For years, soccer clubs stopped paying taxes and evaded social security obligations. And the government often rescued them from financial failure — as it may be about to do again.

According to an October piece in the Folha de S. Paulo newspaper, Brazil’s soccer clubs have run up a 4.8 billion reais ($2.1 billion) tab with the federal government. Approximately 36 percent of the total debt owed by clubs is due in the short term, according to an Oct. 25 analysis by consulting firm Pluri Consultoria. Soccer teams are heavily leveraged, and their profitability (the average profitability of the top 25 teams is 0.7 percent of annual sales) is almost nonexistent. “It is possible to say, with no shadow of a doubt, that soccer clubs would not be standing” if they operated as companies, Pluri warned.

As Vilson Ribeiro de Andrade, president of the Coritiba Foot Ball Club — a debtor — said in the Folha article, the government’s bill is “virtually unrecoverable.” This is not flattering for a country that boasts five FIFA World Cup titles and is set to host the event next year.

And so, legislators are considering a controversial new proposal that would absolve the game’s worst tax cheats. The disarmingly named “Program for the Strengthening of Olympic Sports” law proposal would apparently wipe out about 90 percent of the clubs’ fiscal debts and allow teams as long as 20 years to pay off the remainder of what they owe. In exchange, soccer clubs would be obligated to help train Olympic athletes.

Letting clubs off so easily does not sit well with some. In an editorial Monday, Folha demanded that the teams should at least agree to adopt standard business-management practices and make officials accountable for mismanagement in exchange for debt forgiveness. “The debts are not responsible for causing the administrative negligence of the clubs — but the other way around,” the editorial said.

Henrique Alves, president of Brazil’s Chamber of Deputies, gave a rather weak excuse for the proposed bailout last week: “Soccer, especially, is a source of happiness, socialization and integration of the Brazilian family.” Alves’s transparent move to rescue the sector suggests that Brazil’s soccer teams have also mastered the game of politics.

In a soccer-obsessed nation, politicians fear losing voters if they push teams to own up to their fiscal mistakes. Squeezing clubs financially could hurt their ability to hire talent and weaken their performance. This could prove unpopular with Brazil’s poor, for whom soccer is not just entertainment, but also a means of upward social mobility for talented players from the slums. Teams understand this political reality and have long taken advantage of it.

This partly explains why having the state lend a hand to troubled teams is a Brazilian tradition. In 2008, Brazil’s government introduced Timemania (Team Mania), a lottery game that includes 80 teams and is meant to generate enough proceeds to help pay what clubs owe the government. In addition, Brazil has led three refinancing programs for financially strapped clubs over the past 15 years. The bill under consideration by legislators is the latest version of a recurring story.

Attempts to professionalize the sport have failed. Even legendary soccer star Pele went nowhere fast with the “Pele Law” he helped usher in when he became the country’s sports minister in the 1990s. The legislation was meant to push teams to become professional sports businesses and to regulate the relationship between players and employers. But interest groups managed to water down the law over time.

These days, even the richest teams have trouble with cash flow. When Rio de Janeiro’s Flamengo — Brazil’s fourth-largest club as ranked by 2012 revenue — struggled to pay soccer star Ronaldinho last year, the player’s agent and brother, Roberto de Assis Moreira, apparently attempted to take more than 40 items without paying, including shirts and hats, from the club’s store in protest. “Flamengo aren’t paying my brother, so I’m not paying, either,” he allegedly told the store’s staff.

Brazil’s soccer teams now feel empowered to make their own rules. The Confederacao Brasileira de Futebol, or CBF, a member organization controlled by soccer teams, suggested earlier this year that in exchange for longer repayment times, it would offer to penalize member teams that default on tax debt or delay wage payments to players. CBF suggested it could go so far as to bar noncompliant teams from games. That’s about as realistic as expecting a World Cup final to run smoothly without referees present.

Romario, the World Cup player turned lawmaker, took a shot at the absurdity of that proposal: “Do you really think that the CBF has the moral courage and the ability to make Vasco, Flamengo or Corinthians fall because they did not pay debts?” His answer: “That’s a lie. This won’t happen. This is a utopia and will not exist.”

An amendment to the Pele Law that President Dilma Rousseff signed in October, intended to increase sports teams’ financial transparency and limit the tenure of executives running sports institutions, is a good call. But rewarding clubs for their notorious incompetence is not. Brazilian politicians managed to botch the country’s economic resurgence by not getting out of the way. But on the soccer field, Brazil’s role as a strong referee is not just desirable, but also necessary.

(Raul Gallegos is the Latin American correspondent for the World View blog. Follow him on Twitter. E-mail him at rgallegos5@bloomberg.net.)

Something Is Rotten at the New York Times (Huff Post)

By Michael E. Mann

Director of Penn State Earth System Science Center; Author of ‘Dire Predictions’ and ‘The Hockey Stick and the Climate Wars’

Posted: 11/21/2013 7:20 pm

Something is rotten at the New York Times.

When it comes to the matter of human-caused climate change, the Grey Lady’s editorial page has skewed rather contrarian of late.

A couple months ago, the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) publishedits 5th scientific assessment, providing the strongest evidence to date that climate change is real, caused by us, and a problem.

Among other areas of the science where the evidence has become ever more compelling, is the so-called “Hockey Stick” curve — a graph my co-authors and I published a decade and a half ago showing modern warming in the Northern Hemisphere to be unprecedented for at least the past 1000 years. The IPCC further strengthened that original conclusion, finding that recent warmth is likely unprecedented over an even longer timeframe.

Here was USA Today on the development:

The latest report from the Intergovernmental Panel on Climate Change, the internationally accepted authority on the subject, concludes that the climate system has warmed dramatically since the 1950s, and that scientists are 95% to 100% sure human influence has been the dominant cause. In the Northern Hemisphere, 1983 to 2012 was likely the warmest 30-year period of the past 1,400 years, the IPCC found.

And here was the Washington Post:

The infamous “hockey stick” graph showing global temperatures rising over time, first slowly and then sharply, remains valid.

And the New York Times? Well we instead got this:

The [Hockey Stick] graph shows a long, relatively unwavering line of temperatures across the last millennium (the stick), followed by a sharp, upward turn of warming over the last century (the blade). The upward turn implied that greenhouse gases had become so dominant that future temperatures would rise well above their variability and closely track carbon dioxide levels in the atmosphere….I knew that wasn’t the case.

Huh?

Rather than objectively communicating the findings of the IPCC to their readers, the New York Times instead foisted upon them the ill-informed views of Koch Brothers-fundedclimate change contrarian Richard Muller, who used the opportunity to deny the report’s findings.

In fact, in the space of just a couple months now, the Times has chosen to grant Muller not just one, but two opportunities to mislead its readers about climate change and the threat it poses.

The Times has now published another op-ed by Muller wherein he misrepresented the potential linkages between climate change and extreme weather–tornadoes to be specific, which he asserted would be less of a threat in a warmer world. The truth is that the impact of global warming on tornadoes remains uncertain, because the underlying science is nuanced and there are competing factors that come into play.

The Huffington Post published an objective piece about the current state of the science earlier this year in the wake of the devastating and unprecedented Oklahoma tornadoes.

That piece accurately quoted a number of scientists including myself on the potential linkages. I pointed out to the journalist that there are two key factors: warm, moist air is favorable for tornadoes, and global warming will provide more of it. But important too is the amount of “shear” (that is, twisting) in the wind. And whether there will, in a warmer world, be more or less of that in tornado-prone regions, during the tornado season, depends on the precise shifts that will take place in the jet stream–something that is extremely difficult to predict even with state-of-the-art theoretical climate models. That factor is a “wild card” in the equation.

So we’ve got one factor that is a toss-up, and another one that appears favorable for tornado activity. The combination of them is therefore slightly on the “favorable” side, and if you’re a betting person, that’s probably what you would go with. And this is the point that I made in the Huffington Post piece:

Michael Mann, a climatologist who directs the Earth System Science Center at Pennsylvania State University, agreed that it’s too early to tell.

“If one factor is likely to be favorable and the other is a wild card, it’s still more likely that the product of the two factors will be favorable,” said Mann. “Thus, if you’re a betting person — or the insurance or reinsurance industry, for that matter — you’d probably go with a prediction of greater frequency and intensity of tornadoes as a result of human-caused climate change.”

Now watch the sleight of hand that Muller uses when he quotes me in his latest Times op-ed:

Michael E. Mann, a prominent climatologist, was only slightly more cautious. He said, “If you’re a betting person — or the insurance or reinsurance industry, for that matter — you’d probably go with a prediction of greater frequency and intensity of tornadoes as a result of human-caused climate change.”

Completely lost in Muller’s selective quotation is any nuance or context in what I had said, let alone the bottom line in what I stated: that it is in fact too early to tell whether global warming is influencing tornado activity, but we can discuss the processes through which climate change might influence future trends.

Muller, who lacks any training or expertise in atmospheric science, is more than happy to promote with great confidence the unsupportable claim that global warming will actuallydecrease tornado activity. His evidence for this? The false claim that the historical data demonstrate a decreasing trend in past decades.

Actual atmospheric scientists know that the historical observations are too sketchy and unreliable to decide one way or another as to whether tornadoes are increasing or not (see this excellent discussion by weather expert Jeff Masters of The Weather Underground).

So one is essentially left with the physical reasoning I outlined above. You would think that a physicist would know how to do some physical reasoning. And sadly, in Muller’s case, you would apparently be wrong…

To allow Muller to so thoroughly mislead their readers, not once, but twice in the space of as many months, is deeply irresponsible of the Times. So why might it be that the New York Times is so enamored with Muller, a retired physicist with no training in atmospheric or climate science, when it comes to the matter of climate change?

I discuss Muller’s history as a climate change critic and his new-found role as a media favorite in my book “The Hockey Stick and the Climate Wars” (the paperback was just released a couple weeks ago, with a new guest foreword by Bill Nye “The Science Guy”).

Muller is known for his bold and eccentric, but flawed and largely discredited astronomical theories. But he rose to public prominence only two years ago when he cast himself in theirresistible role of the “converted climate change skeptic”.

Muller had been funded by the notorious Koch Brothers, the largest current funders of climate change denial and disinformation, to independently “audit” the ostensibly dubious science of climate change. This audit took the form of an independent team of scientists that Muller picked and assembled under the umbrella of the “Berkeley Earth Surface Temperature” (unashamedly termed “BEST” by Muller) project.

Soon enough, Muller began to unveil the project’s findings: First, in late 2011, he admitted that the Earth was indeed warming. Then, a year later he concluded that the warming was not only real, but could only be explained by human influence.

Muller, in short, had rediscovered what the climate science community already knew long ago.

summarized the development at the time on my Facebook page:

Muller’s announcement last year that the Earth is indeed warming brought him up to date w/ where the scientific community was in the the 1980s. His announcement this week that the warming can only be explained by human influences, brings him up to date with where the science was in the mid 1990s. At this rate, Muller should be caught up to the current state of climate science within a matter of a few years!

The narrative of a repentant Koch Brothers-funded skeptic who had “seen the light” andappeared to now endorse the mainstream view of human-caused climate change, was simply too difficult for the mainstream media to resist. Muller predictably was able to position himself as a putative “honest broker” in the climate change debate. And he was granted a slew of op-eds in the New York Times and Wall Street Journal, headline articles in leading newspapers, and interviews on many of the leading television and radio news shows.

Yet Muller was in reality seeking to simply take credit for findings established by otherscientists (ironically using far more rigorous and defensible methods!) literally decades ago. In 1995 the IPCC had already concluded, based on work by Ben Santer and other leading climate scientists working on the problem of climate change “detection and attribution”, that there was already now a “discernible human influence” on the warming of the planet.

And while Muller has now admitted that the Earth had warmed and that human-activity is largely to blame, he has used his new-found limelight and access to the media to:

1. Smear and misrepresent other scientists, including not just me and various other climate scientists like Phil Jones of the UK’s University of East Anglia, but even the President of the U.S. National Academy of Sciences himself, Ralph Cicerone.

2. Misrepresent key details of climate science, inevitably to downplay the seriousness of climate change, whether it is the impacts on extreme weather and heat, drought, Arctic melting, or the threat to Polar Bears. See my own debunking of various falsehoods that Muller has promoted in his numerous news interviews e.g. here or here.

3. Shill for fossil fuel energy, arguing that the true solution to global warming isn’t renewable or clean energy. No, not at all! Muller is bullish on fracking and natural gas as the true solution.

To (a) pretend to accept the science, but attack the scientists and misrepresent so many important aspect of the science, downplaying the impacts and threat of climate change, while (b) acting as a spokesman for natural gas, one imagines that the petrochemical tycoon Koch Brothers indeed were probably quite pleased with their investment. Job well done. As I put it in an interview last year:

It would seem that Richard Muller has served as a useful foil for the Koch Brothers, allowing them to claim they have funded a real scientist looking into the basic science, while that scientist– Muller—props himself up by using the “Berkeley” imprimatur (UC Berkeley has not in any way sanctioned this effort) and appearing to accept the basic science, and goes out on the talk circuit, writing op-eds, etc. systematically downplaying the actual state of the science, dismissing key climate change impacts and denying the degree of risk that climate change actually represents. I would suspect that the Koch Brothers are quite happy with Muller right now, and I would have been very surprised had he stepped even lightly on their toes during his various interviews, which he of course has not. He has instead heaped great praise on them, as in this latest interview.

The New York Times does a disservice to its readers when it buys into the contrived narrative of the “honest broker”–Muller as the self-styled white knight who must ride in to rescue scientific truth from a corrupt and misguided community of scientists. Especially when that white knight is in fact sitting atop a Trojan Horse–a vehicle for the delivery of disinformation, denial, and systematic downplaying of what might very well be the greatest threat we have yet faced as a civilization, the threat of human-caused climate change.

Shame on you New York Times. You owe us better than this.

Michael Mann is Distinguished Professor of Meteorology at Pennsylvania State University and author of The Hockey Stick and the Climate Wars: Dispatches from the Front Lines (now available in paperback with a new guest foreword by Bill Nye “The Science Guy”)

Is BP “Trolling” Its Facebook Critics? (Aljazeera)

Wednesday, 20 November 2013 13:04

By Dahr JamailAljazeera English

BP.BP Critics using BP America’s Facebook page allege they have been harassed. (Erika Blumenfeld / Al Jazeera)

New Orleans – BP has been accused of hiring internet “trolls” to purposefully attack, harass, and sometimes threaten people who have been critical of how the oil giant has handled its disaster in the Gulf of Mexico.

The oil firm hired the international PR company Ogilvy & Mather to run the BP America Facebook page during the oil disaster, which released at least 4.9 million barrels of oil into the Gulf in what is to date the single largest environmental disaster in US history.

The page was meant to encourage interaction with BP, but when people posted comments that were critical of how BP was handling the crisis, they were often attacked, bullied, and sometimes directly threatened.

“Marie” was deeply concerned by the oil spill, and began posting comments on the BP America Facebook page. Today, she asks that she remain anonymous out of what she described to Al Jazeera as “fear for my personal safety should the BP trolls find out that I am the whistleblower in this case”.

In internet slang, a troll is someone who sows online discord by starting arguments or upsetting people, often posting inflammatory messages in an online community, or even issuing physical threats.

Marie sought assistance from the Government Accountability Project (GAP) in Washington DC, and has produced boxes of documents and well-researched information that may show that the people harassing BP’s critics online worked for BP or Ogilvy.

“We’d been hearing of this kind of harassment by BP when we were working on our health project [in the Gulf of Mexico], so it sparked our interest,” GAP investigator Shanna Devine told Al Jazeera. “We saw Marie’s documentation of more serious threats made on the BP page, and decided to investigate.”

According to both Marie and Devine, some of the threats began on the page, but then escalated off the page.

Threats included identifying where somebody lived, an internet troll making reference to having a shotgun and making use of it, and “others just being more derogatory”, according to Devine. “We’ve seen all this documentation and that’s why we thought it was worth bringing to the ombudsman’s office of BP, and we told them we thought some of it even warranted calling the police about.”

Death Threats

“We have thousands of documents regarding communications posted through various Facebook websites,” said certified legal investigator Steve Lockman of Levin, Papantonio, Thomas, Mitchell, Rafferty & Proctor. “In addtion, we are in possession of communications between the federal government and the ombudsman’s office of BP regarding the [harassment] Internet communications, and the federal government requesting BP to control the harassment through their Facebook page and their interactions.”

“The harassment communications are not something that BP and their people are not aware of,” Lockman told Al Jazeera. “It’s not a hidden secret that the personal attacks, broadcast abuse, and type-written harassment were happening and continue to go on.”

Marie provided the firm and Al Jazeera with files of complaint letters, computer screenshots of the abuse, and a list of Facebook profiles used by the people who harassed her and others.

According to Marie, the harassment didn’t remain on the BP page. Trolls often followed users to their personal Facebook pages and continued to harass them there.”I was called a lot of names,” Marie added. “I was called a streetwalker and a lot of things like that, and eventually had gun threats.”

“They resorted to very demeaning methods of abuse,” Marie said. “They were racist, sexist, and threatened me and others with legal action and violence. They’ve insinuated that some commenters are ‘child molesters’, and have often used the tactic of mass reporting with the goal of having their targets completely removed from Facebook.”

One troll using the name “Griffin” makes several allusions to gun violence in order to distress and harass users, even going so far as to edit a photo of a BP critic’s pet bird into the crosshairs of a gunsight, before posting the photo online – along with photos of an arsenal of semi-automatic weapons.

Another instance occurred involving “Griffin” and an environmentalist who posted a picture of a rendition of Mother Earth saying “Mother Earth Has Been Waiting for Her Day in Court, BP”. “Griffin” posted a comment to the picture that read, “A few rounds from a .50 cal will stop that b**ch”.

According to Marie, Lockman and GAP, BP’s “astroturfing” efforts and use of “trolls” have been reported as pursuing users’ personal information, then tracking and posting IP addresses of users, contacting their employers, threatening to contact family members, and using photos of critics’ family members to create false Facebook profiles, and even threatening to affect the potential outcome of individual claims.

Marie, along with several other targets of harassment, wrote and sent two letters to BP America, asking the company to respond to the allegations and deal with the matter.  Neither letter received a response, which is why Marie decided to contact GAP, as well as the law firm.

While Marie’s evidence appears to tie Ogilvy and BP together via the trolls, the law firm Lockman works for is investigating further in order to conclusively determine the extent of BP’s involvement.

Spinning the Disaster

Stephen Marino worked for Ogilvy during the BP disaster. BP had been a client of Ogilvy for five years before the spill, and when the disaster occurred, “we were responsible for all the social media for BP during the spill”, Marino said during a lecture he gave at the University of Texas, Austin, on April 19, 2012.

His team, which he called the “digital influence team”, was “responsible for the crisis response”.  Marino told the audience that his job during the BP disaster was to run a ” reputation management campaign ” and gave this specific example of the depths to which Ogilvy worked to maintain a positive appearance for BP:

“We were putting out ads, if you guys remember those ads that came out where it would be Iris in the Gulf of Mexico and she’d be talking about how she grew up there and she wasn’t going to go away,” he explained . “The way we were working with the strategy on that was we would cut the ads one day, we would edit them overnight, we’d air them on Tuesday let’s say, and then we’d look at social media to see what the response was to the ads – and based upon the feedback we were getting on social media, the advertising agency would then go back and re-cut the ads to fix the message to make it resonate more with what the constituents wanted… that was the first key strategy.”

Chris Paulos, an attorney with the firm investigating Marie’s case, believes this is a perfect example of “subversive attempts by corporations to put forward their ideology of what we should think about them, and doing it in a way that is not decipherable to the average person”.

According to Paulos, the public should be concerned about this because we can no longer tell if people online are truly who they say they are, “or are working for a corporation and talking their script to control the dialogue about whatever issue they are addressing”.

“We are in unprecedented times with technology, and [in] the disparity between the power of corporations and autonomous consumers,” Paulos told Al Jazeera. ” Citizens United has basically emboldened corporations with their ability to speak as individuals with First Amendment rights. Ever since that decision, corporations have been outspoken and vigorously protecting themselves while doing it.”

BP’s Response

Billie Garde, BP’s deputy ombudsman, in a letter to the Government Accountability Project dated December 18, 2012, stated clearly that “BP America contracts management of its Facebook page to Ogilvy Public Relations” and added, “Ogilvy manages all of BP America’s social media matters”.

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“According to BP America, Ogilvy has a group of 10 individuals in different time zones that perform comment screening of the page,” wrote Garde.

Interestingly, Garde’s letter addressed the fact that, at that time, according to Ogilvy’s data, 91 percent of all the comments on BP’s Facebook page were considered to be “unsupportive” of BP, while only nine percent were considered “supportive”.  She added that “i n previous years, the number of comments that were ‘unsupportive ‘ of BP was larger than the present 91 per cent “.

Her letter stated that Ogilvy follows a “three strike” policy for all comments, “meaning if they find a comment to be in violation of the commenting policy, they delete the comment and record a ‘strike’ against the user, and three strikes means a user is no longer able to comment on the page. It is also noted that Ogilvy will delete offending comments and send a note to the user indicating the comment was inappropriate”.

Garde added: “BP America has informed our office that Ogilvy strictly adheres to the Commenting Policy as stated on the BP America Facebook page. This policy serves as the guidelines that Ogilvy follows when evaluating the appropriateness of comments. Ogilvy does not evaluate a comment with respect to it being a positive or negative statement towards BP. Likewise, they do not delete any comments based on either of these qualifiers.”

According to Garde, BP America’s Director of Employee Concerns Oversight, Mike Wilson, was apprised of the situation. Wilson was provided examples of harassment and was asked if the examples were reviewed by Ogilvy. “The discussion is ongoing, and Mr Wilson is addressing these specific concerns internally, ” Garde added.

A BP spokesman provided the following statement for Al Jazeera: “The BP America Facebook page, and its moderators, do not endorse or dictate any user activity. All users’ comments and actions are their own. BP created the BP America Facebook page to engage the public in an informative conversation about our ongoing commitment to America and to facilitate constructive dialogue for any and all who wish to participate. No users are compensated for participating in the Facebook community. More information on our commenting policy can be found here .”

Marie, however, staunchly believes that BP is responsible for the pro-BP Facebook trolls.

“I have no doubt that they are, and I’ve found the links between the trolls and their friends who work for BP,” she told Al Jazeera. “The Government Accountability Project, through the inquiry they’re conducting for me, is still trying to find out. But we are being stonewalled on the other end, as far as BP doing some type of an internal investigation into these connections that I’ve uncovered.”

According to Marie, the harassment “almost ceased completely at around the same time GAP received Garde’s letter. I say ‘almost’ because at least two of the people who were involved in the prior harassment are still allowed to comment on BP’s page to this day, and [one of those] was still checking on people’s profiles to obtain their state of residence, and would use this against them on the page.”

“Terroristic Threats”

Lockman’s investigation continues, as do efforts of recovering additional documentation and sifting through information on hand that links the trolls to both BP and Ogilvy as well as other subcontracted companies used by BP as creative storytellers.

“The information we possess regarding Marie’s claims, printed out, fills two file boxes, and that does not include all the DVDs which are currently being duplicated at this time,” Lockman said. “It is an unbelievable amount of documentation that has been developed. This documentation, support materials, and information is coming from several different sources. It is like a spider web and we just got started.”

Al Jazeera asked the firm Lockman works for what the possible legal ramifications would be for the alleged actions of BP and Ogilvy.

“What these guys are doing is bordering on illegal,” Paulos told Al Jazeera. “Marie’s allegations are that these guys have made overt acts beyond what they did online, and it does sound like people who’ve been the victims of these actions believe they are in imminent danger of bodily harm, and that can become the basis for a claim of assault.”

Paulos went on to say that if money were involved, like if the threats made by the trolls were against people who had pending claims against BP, or offered to cease the harassment in exchange for funds or other benefits, “it can become a claim of extortion or fraud, depending on how the money is being used”.

Yet these are not the worst possible crimes.

“They [BP/Ogilvy] are obviously trying to silence folks who are opposed or critical of what they are doing,” Paulos claimed. “But it appears as though it has moved into threats that can be considered terroristic threats depending on the intent behind them, so there are a lot of laws they can be treading on, including stalking, and tortious interference with someone’s businesses. I understand they’ve called the workplaces of people on the websites, and depending on what’s being said that may become actionable under US civil law. So there are a lot of ways they could be breaching the law based on the intent of their communication and how that has been received.” Paulos believes Marie’s case is an example of how corporations such as BP use their money and power to take advantage of a lack of adequate legal regulations over the use of internet trolls and vigorous PR campaigns, and that this should give the general public pause.

“Marie’s story shows that corporations do not refrain from cyber-bullying, and they are doing it in a very aggressive fashion.”

Other Harassment

Linda Hooper Bui, an associate professor of entomology at Louisiana State University, experienced a different form of harassment from BP while working on a study about the impact of the oil disaster on spiders and insects.

“BP was desperately trying to control the science, and that was what I ran into,” Bui told Al Jazeera. According to her, BP’s chief science officer “tried to intimidate me”, and the harassment included BP “bullying my people” who were working in the field with her on her study that revealed how “insects and spiders in the oiled areas were completely decimated”.

While collecting data for the study, Bui and her colleagues regularly ran into problems with BP, she said.

“Local sheriffs working under the auspices of BP, as well as personnel with Wildlife and Fisheries, the US Coast Guard – all of these folks working under BP were preventing us from doing our job,” Bui explained. “We were barred from going into areas to collect data where we had previous data.”

Bui said personnel from the USCG, Fish and Wildlife, and even local sheriffs departments, always accompanied by BP staff, worked to prevent her from entering areas to collect data, confiscated her samples, and “if I’d refused to oblige they would have arrested me” – despite her having state permits to carry out her work.

Bui has also been harassed online, by what she thinks was “a BP troll”, but she remained primarily concerned about what BP was doing to block her science. Her frustration about this prompted her to write an opinion article for The New York Times , titled A Gulf Science Blackout .

That is when she received a call from BP.

“August 24, 2010, at 7:15am the morning my op-ed was published, I received a call from BP’s chief science officer who tried to get me to be quiet,” Bui said. “He said he’d solve my problem, and asked me how much money I needed.”

Bui explained to him she was only interested in being allowed to conduct her studies, and was not interested in working with BP, “that I was publishing science and it involved the entire scientific community”, and she never heard back from him.

She believes her method of dealing with the overall situation was a success. “When somebody starts to mess with me, I publicise it and say: ‘Don ‘ t f**k with me,'” she concluded. “And if you do, I’m going to go very public with it, and that’s what I did.”

BP did not respond to Al Jazeera for comment regarding her specific allegation.

GAP’s Shanna Devine told Al Jazeera she believes the onus is on BP to investigate the possibility that there is a connection between the harassment and Ogilvy and BP employees.

“But so far they’ve taken a very hands-off approach,” she explained. “They’ve not taken responsibility and they are not willing to share information with us. So if it’s through BP’s silence that the public is willing to draw their conclusions, I think that is legitimate.”

Hence, Devine concluded: “The BP America Facebook page is not a safe place to be.”

2013 1120-5aInternet troll “Griffin” here complains to Facebook that “D**” is a troll, making up fabrications about BP. “Griffin” posts a link to “D**”‘s profile page, next to a picture of a gun.

2013 1120-5bA second internet troll, “Ken Smith”, is understood to have taken a photo of “D**”‘s pet bird from the BP critic’s profile, printed it out, superimposed a rifle’s crosshairs upon the image – and shot it several times.

2013 1120-5c“Griffin”‘s profile, using an anonymised portrait, also features images of target practice. It is understood that his message has a threatening tone.

2013 1120-5d“Ken Smith”, who posted the previous image of a BP critic’s pet bird being used as target practice, here posts a picture of his considerable arsenal.

2013 1120-5e“Ken Smith” goes on to call BP critics “haters”, and one in particular a “drunken moron”.

2013 1120-5hOthers leave comments on BP America’s Facebook page supportive of the oil giant, claiming that scientists and others critical of the spill are attention-seeking drug users.

This piece was reprinted by Truthout with permission or license. It may not be reproduced in any form without permission or license from the source.

By DAHR JAMAIL

Dahr Jamail, a journalist for Al Jazeera’s Human Rights Department, is the author of “The Will to Resist: Soldiers Who Refuse to Fight in Iraq and Afghanistan,” (Haymarket Books, 2009), and “Beyond the Green Zone: Dispatches From an Unembedded Journalist in Occupied Iraq,” (Haymarket Books, 2007). Jamail reported from Iraq for more than a year, as well as from Lebanon, Syria, Jordan and Turkey over the last ten years, and has won the Martha Gellhorn Award for Investigative Journalism, among other awards.

Climate change pledges: rich nations face fury over moves to renege (The Guardian)

Typhoon Haiyan raises fear over global warming threat as Philippines leads attack on eve of key talks

 in Warsaw

The Observer, Sunday 17 November 2013

Typhoon Haiyan

Survivors of Typhoon Haiyan form a queue to receive relief goods at a devasted coastal area in Leyte. Photograph: Dondi Tawatao/Getty Images

Developing nations have launched an impassioned attack on the failure of the world’s richest countries to live up to their climate change pledges in the wake of the disaster in the Philippines.

With more than 3,600 people now believed to have been killed byTyphoon Haiyan, moves by several major economies to backtrack on commitments over carbon emissions have put the world’s poorest and most wealthy states on a collision course, on the eve of crucial high-level talks at a summit of world powers.

Yeb Sano, the Philippines’ lead negotiator at the UN climate change summit being held this weekend in Warsaw, spoke of a major breakdown in relations overshadowing the crucial talks, which are due to pave the way for a 2015 deal to bring down global emissions.

The diplomat, on the sixth day of a hunger strike in solidarity for those affected by Haiyan, including his own family, told the Observer: “We are very concerned. Public announcements from some countries about lowering targets are not conducive to building trust. We must acknowledge the new climate reality and put forward a new system to help us manage the risks and deal with the losses to which we cannot adjust.”

Munjurul Hannan Khan, representing the world’s 47 least affluent countries, said: “They are behaving irrationally and unacceptably. The way they are talking to the most vulnerable countries is not acceptable. Today the poor are suffering from climate change. But tomorrow the rich countries will be. It starts with us but it goes to them.”

Recent decisions by the governments of AustraliaJapan and Canada to downgrade their efforts over climate change have caused panic among those states most affected by global warming, who fear others will follow as they rearrange their priorities during the downturn.

In the last few days, Japan has announced it will backtrack on its pledge to reduce its emission cuts from 25% to 3.8% by 2020 on the basis that it had to close its nuclear reactors after the 2011 earthquake and tsunami.

Australia, which is not sending a minister to this weekend’s talks,signalled it may weaken its targets and is repealing domestic carbon lawsfollowing the election of a conservative government.

Canada has pulled out of the Kyoto accord, which committed major industrial economies to reducing their annual CO2 emissions to below 1990 levels.

China’s lead negotiator at the Warsaw talks, Su Wei, said: “I do not have any words to describe my dismay at Japan’s decision.” He criticised Europe for showing a lack of ambition to cut emissions further, adding: “They talk about ratcheting up ambition, but rather they would have to ratchet up to ambition from zero ambition.”

When the highest-level talks start at the summit on Monday, due to be attended by representatives from 195 countries, including energy secretary Ed Davey, the developing world will seek confirmation from states such as Britain that they will not follow the path of Japan and others. David Cameron’s comments this weekend in which he backed carbon emission cuts and suggested that there was growing evidence of a link between manmade climate change and disasters such as Typhoon Haiyan, will inevitably be used to pressure others to offer similar assurances.

The developing world also wants the rich western nations to commit to establishing a compensation scheme for future extreme weather events, as the impact of global warming is increasingly felt. And they want firm signals that rich countries intend to find at least $100bn a year by 2020 to help them to adapt their countries to severe climate extremes.

China and 132 nations that are part of the G77 block of developing countries have expressed dismay that rich countries had refused to discuss a proposal for scientists to calculate emissions since the start of the Industrial Revolution.

Ambassador Jose Antonio Marcondes de Carvalho of Brazil, who initially proposed the talks, said: “We were shocked, very much surprised by their rejection and dismissal. It is puzzling. We need to understand why they have rejected it.

“Developing countries are doing vastly more to reduce their emissions than Annexe 1 [rich] countries.”

Members of the Disaster Emergencies Committee, which co-ordinates British aid efforts, also warned leaders that the disaster offers a glimpse of the future if urgent action is not taken.

Aid agencies including Christian Aid, Cafod, Care International, Oxfam and Tearfund said ministers meeting in the Polish capital must act urgently because climate change is likely to make such extreme weather events more common in the future, putting millions more lives at risk.

A Climate-Change Victory (Slate)

If global warming is slowing, thank the Montreal Protocol.

By 

An aerosol spray can.

No CFCs, please. (Photo by iStock)

Climate deniers like to point to the so-called global warming “hiatus” as evidence that humans aren’t changing the climate. But according a new study, exactly the opposite is true: The recent slowdown in global temperature increases is partially the result of one of the few successful international crackdowns on greenhouse gases.

Back in 1988, more than 40 countries, including the United States, signed the Montreal Protocol, an agreement to phase out the use of ozone-depleting gases like chlorofluorocarbons. (Today the protocol has nearly 200 signatories.) According to the Environmental Protection Agency, CFC emissions are down 90 percent since the protocol, a drop that the agency calls “one of the largest reductions to date in global greenhouse gas emissions.” That’s a blessing for the ozone layer, but also for the climate. CFCs are a potent heat-trapping gas, and a new analysis published in Nature Geoscience finds that slashing them has been a major driver of the much-discussed slowdown in global warming.

Without the protocol, environmental economist Francisco Estrada of the Universidad Nacional Autónoma de México reports, global temperatures today would be about a tenth of a degree Celsius higher than they are. That’s roughly an eighth of the total warming documented since 1880.

Estrada and his co-authors compared global temperature and greenhouse gas emissions records over the last century and found that breaks in the steady upward march of both coincided closely. At times when emissions leveled off or dropped, such as during the Great Depression, the trend was mirrored in temperatures; likewise for when emissions climbed.

“With these breaks, what’s interesting is that when they’re common that’s pretty indicative of causation,” said Pierre Perron, a Boston University economist who developed the custom-built statistical tests used in the study.

The findings put a new spin on investigation into the cause of the recent “hiatus.” Scientists have suggested that several temporary natural phenomena, including thedeep ocean sucking up more heat, are responsible for this slowdown. Estrada says his findings show that a recent reduction in heat-trapping CFCs as a result of the Montreal Protocol has also played an important role.

“Paradoxically, the recent decrease in warming, presented by global warming skeptics as proof that humankind cannot affect the climate system, is shown to have a direct human origin,” Estrada writes in the study.

The chart below, from a column accompanying the study, illustrates that impact. The solid blue line shows the amount of warming relative to pre-industrial levels attributed to CFCs and other gases regulated by the Montreal Protocol; the dashed blue line is an extrapolation of what the level would be without the agreement. Green represents warming from methane; Estrada suggests that leveling out may be the result of improved farming practices in Asia. The diamonds are annual global temperature averages, with the red line fitted to them. The dashed red line represents Estrada’s projection of where global temperature would be without these recent mitigation efforts.

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Courtesy of Francisco Estrada via Mother Jones

Estrada said his study doesn’t undermine the commonly accepted view among climate scientists that the global warming effect of greenhouse gases can take years or decades to fully manifest. Even if we cut off all emissions today, we’d still very likely see warming into the future, thanks to the long shelf life of carbon dioxide, the principal climate-change culprit. The study doesn’t let CO2 off the hook: The reduction in warming would likely have been even greater if CO2 had leveled off as much as CFCs and methane. Instead, Estrada said, it has increased 20 percent since the protocol was signed.

Still, the study makes clear that efforts to reduce greenhouse gas emissions—like arecent international plan to phase out hydrofluorocarbons, a group of cousin chemicals to CFCs that are used in air conditioners and refrigerators, and the Obama administration’s move this year to impose strict new limits on emissions from power plants—can have a big payoff.

“The Montreal Protocol was really successful,” Estrada said. And as policymakers and climate scientists gather in Warsaw, Poland, for the latest U.N. climate summit next week, “this shows that international agreements can really work.”

Manifesto da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular

JC e-mail 4846, de 31 de outubro de 2013

Texto assinado pelo presidente da SBBq, Moacir Wajner, manifesta repúdio à invasão do Instituto Royal

A Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular vem a público manifestar seu repúdio aos atos terroristas/vandalismo de depredação de mais uma unidade dedicada à investigação científica, desta vez o Instituto Royal em São Roque, São Paulo. O Instituto Royal é instituição dedicada à investigação para confirmação da ausência de efeitos adversos tanto de medicamentos como também de substâncias cujo alto potencial de uso como novo medicamento já tenha sido avaliado por estudos prévios.

Este tipo de ação prejudica, mais do que a instituição atingida diretamente, a toda Sociedade Brasileira que fica debilitada em sua capacidade de fazer avançar a ciência e de desenvolver medicamentos próprios e também impedida de explorar o pleno potencial de sua biodiversidade para elevar o nível da sáude humana e dos animais. Fica também comprometida em sua independência e autonomia para controlar plenamente a pertinência e qualidade de medicamentos trazidos de outros países, ficando o país a mercê de exploradores internacionais e segurança da saúda da população fragilizada. Atitudes como esta contribuem para levar o Brasil a uma posição subalterna perante empresas internacionais e facilitar a exploração do povo brasileiro.

A Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular também alerta a Sociedade Brasileira para não se deixar iludir pelos interesses dos vendedores da ilusão de que a pesquisa biomédica e o desenvolvimento e controle de medicamentos possa ser feito sem a utilização de ferramentas que requerem o emprego de animais de laboratório. Embora o grande avanço no estabelecimento de metodologias que substituem o uso desses animais, essas tecnologias são ainda aplicáveis a apenas um número ainda restrito de situações.

No atual estágio do desenvolvimento científico, não há conhecimento que permita prever que, sequer que a médio prazo, estudos empregando animais de laboratório possam ser totalmente eliminados. Inclusive, até mesmo o desenvolvimento desses métodos substitutivos requer o emprego de animais de laboratório. Atualmente, no Brasil, da mesma maneira que nos países mais desenvolvidos do mundo, o emprego de animais em qualquer tipo de experimento científico ou de controle da qualidade de medicamentos é regulado por lei específica, rigidamente observada, que exige o exame rigoroso e aprovação por parte de Comissões de Ética no Uso de Animais dos protocolos a que cada animal, individualmente, será submetido e também da comprovação de que não há método alternativo ou possibilidade de diminuir o número de animais necessários.

(Moacir Wajner, presidente da SBBq)

Salvamento de Beagles usados como cobaias no Instituto Royal

JC e-mail 4839, de 22 de outubro de 2013

Especialista da Fiocruz considera equívoco invasão ao Instituto Royal (Jornal da Ciência)

Para Marco Aurélio Martins, o ataque de ativistas aos experimentos científicos é uma tentativa de desinformar “irresponsavelmente” a população

É preocupante a invasão “equivocada” de grupos defensores de animais ao Instituto Royal, levando 178 cães da raça beagle, além de outras cobaias científicas. A afirmação é do pesquisador chefe do Laboratório de Inflamação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marco Aurélio Martins. “É preocupante pelo discurso equivocado sobre a importância que a pesquisa tem”, diz ele, em entrevista ao Jornal da Ciência. A invasão aconteceu na madrugada da última sexta-feira (18), na instituição instalada em São Roque, a 51 km de São Paulo.

Para ele, o ataque de ativistas aos experimentos científicos é uma tentativa de desinformar “irresponsavelmente” a população em geral, leiga dos conhecimentos científicos. “Passar para população de que a experimentação animal é algo simplesmente cruel, que agride os animais, que só faz mal a eles sem nenhum benefício nem para os seres humanos, nem para os próprios animais, é desinformar”, declara.

Martins reforça que o uso de animais nos experimentos científicos ainda é necessário para estudar várias áreas da saúde pública,desde as doenças tropicais, como malária e outras mais graves, como câncer, asma e hipertensão. “Como podemos abrir mão de estudar esses problemas tão complexos se não tivermos ferramentas experimentais?”, pergunta. “Todos os medicamentos disponíveis nas prateleiras das farmácias e no mercado veterinário dependeram da experimentação animal, em algum momento.”

O pesquisador insiste em dizer que todos os testes científicos com animais obedecem às normas nacionais, previstas na Lei Arouca Nº 11.794, em vigor há três anos. De acordo com ele, o uso de animais nos experimentos científicos não é exclusividade do Brasil. Conforme entende o biólogo, todos os países avançados em ciência e tecnologia permanecem usando os animais em experimentação. “Não é verdadeiro dizer que não se faz mais uso de animais na Europa e nos Estados Unidos”, diz. A restrição é maior (apenas) para primatas, como macacos e chimpanzés.”

JC – O senhor conhece a política do Instituto Royal aplicada nos experimentos científicos de animais?
Martins – Sou ligado a um instituto nacional de ciência e tecnologia de fármacos, INCT-Inofar, do qual o Royal é um dos colaboradores. Conheço a reputação e a seriedade do Instituto. Mas nunca o visitei e nunca utilizei o centro como prestador de serviços.

Qual a sua avaliação sobre a invasão dos ativistas ao Instituto Royal?
Vejo com muita preocupação. É uma radicalização. Já tivemos iniciativas semelhantes no Brasil no passado, mas nada tão veemente. Na própria Fiocruz, por volta de 2000, houve uma invasão, quando pesquisadores foram processados pelo fato de gambás serem encontrados fora da caixa deles. Mas nunca vi algo tão radical, como agora, de ver o pessoal entrar e liberar os animais. Me preocupa muito este momento, no qual o Brasil vive uma tensão social, de manifestações, como os Black Blocs. Já vimos esse filme em outros países, em que esse ativismo levou a problemas enormes, de agressividade.

Esse cenário preocupa a área científica?
Preocupa pela desinformação irresponsável. Passar para a população em geral, leiga, de que a experimentação animal é algo simplesmente cruel, que agride aos animais, que só faz mal aos animais sem nenhum benefício para os seres humanos e nem para os próprios animais. Isso é desinformar. Não é difícil sensibilizar, sobretudo, as pessoas que não sabem como as pesquisas são realizadas. Ou informar, equivocamente, de que apenas o Brasil é o único país que utiliza os animais em experimentos científicos. Preocupa o discurso equivocado sobre a importância que a pesquisa tem. Os profissionais da ciência do Brasil se deparam hoje com uma responsabilidade muito grande. Temos de ser muito hábeis e contar com a colaboração da imprensa para que as palavras não sejam deturpadas. É preciso ter cuidado de passar para a população em geral, de tranquilizá-la, de que os centros de pesquisas estabelecidos no Brasil são de excelência, não são centros de terror.

Quais os benefícios que o experimento cientifico com animal traz para a população e para os próprios animais?
Todos os medicamentos disponíveis nas prateleiras das farmácias e no mercado veterinário dependeram da experimentação animal, em algum momento. O risco de não fazermos isso, de não fazer os experimentos é enorme para a população na hora de disponibilizar os potenciais medicamentos.

Os experimentos científicos com animais precisam atender à legislação interna…
Claro que a comunidade científica sabe que precisa seguir as regras. Somos obrigados a obter licenças, existem leis que controlam a experimentação animal, tanto no Brasil como no mundo. No Brasil, a legislação é a Lei Arouca, em vigor há três anos. No caso, se houvesse uma denúncia de maus tratos na Fiocruz ou mesmo no Instituto Royal, o Concea [Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal] tem o papel de receber a denúncia, de avaliar e investigar para tomar as atitudes. Os maus-tratos de animais de experimentação são passíveis de criminalização. Se tiver acontecendo irregularidade, isso tem de ser exemplarmente punido. O que não pode é autorizar que as pessoas saiam invadindo o local e liberando animais de experimentação. Isso trará prejuízos não apenas para o andamento das pesquisas científicas, mas para a credibilidade do desenvolvimento de novos fármacos no país, para a população e para os próprios animais. Se é que existem maus tratos aos animais que isso seja levado aos órgãos competentes e que se puna quem tiver agindo de maneira errada.

É o caso do Instituto Royal?
Não acredito que seja. Pelo que conheço sobre a reputação das pessoas responsáveis não tenho razão nenhuma para acreditar que tivesse ocorrendo algum tipo de irregularidade interna. Se tivesse acontecendo, numa hipótese terrível, hoje a nossa sociedade já dispõe de um canal, que é Concea.

As pesquisas ainda são necessárias com os animais?
Claro que são, porque precisamos de mecanismos para avançar nas formas de tratamento (de saúde) que temos hoje, na terapia. Ainda temos problemas enormes em várias áreas da saúde pública, desde as doenças tropicais, como malária e outras mais graves, como câncer, asma e hipertensão. Como podemos abrir mão de estudar esses problemas tão complexos se não tivermos ferramentas experimentais? Como impedir cientistas e especialistas, dentro das condições de boas práticas e de boa conduta ética, de entender as doenças e buscar uma forma de controlá-las? Isso seria interromper a investigação científica. Não se pode passar para a opinião pública a ideia de que não se pode mais usar os animais em experimentos científicos.

Outros países ainda usam animais em experimentos científicos?
Claro que usam. Todos os países considerados avançados em ciência e tecnologia continuam usando os animais em experimentação. Não é verdadeiro dizer que não se faz mais uso de animais na Europa ou nos Estados Unidos. A restrição é maior (apenas) para primatas, como macacos e chimpanzés.

Os protocolos proíbem a crueldade nos animais?
Não pode haver crueldade. Isso é crime. Ao montar um protocolo experimental o pesquisador tem de garantir que o animal esteja dentro das condições de bem estar, para que possa, inclusive, acreditar nos resultados a serem obtidos da experimentação.

(Viviane Monteiro – Jornal da Ciência)

Outras matérias sobre o assunto:

Revista Galileu

‘Um dia reduziremos. Mas acabar com testes em animais agora é impossível’

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI344225-17770,00-UM+DIA+REDUZIREMOS+MAS+ACABAR+COM+TESTES+EM+ANIMAIS+AGORA+E+IMPOSSIVEL.html

Folha de S.Paulo

Retirada de cães de instituto afeta pesquisa anticâncer, diz cientista

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/135127-retirada-de-caes-de-instituto-afeta-pesquisa-anticancer-diz-cientista.shtml

Experimentação animal

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/135050-experimentacao-animal.shtml

Deputado fica com ‘guarda’ e dá nome de filhas a beagles

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/135124-deputado-fica-com-guarda-e-da-nome-de-filhas-a-beagles.shtml

O Globo

Ministério Público de SP espera investigação da polícia para decidir sobre beagles

http://oglobo.globo.com/pais/ministerio-publico-de-sp-espera-investigacao-da-policia-para-decidir-sobre-beagles-10467368#ixzz2iSUmfYZr

O Estado de S.Paulo

Ladrões de cobaias

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,ladroes-de-cobaias-,1088290,0.htm

Instituto doará beagles que forem recuperados

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,instituto-doara-beagles-que-forem-recuperados,1088254,0.htm

Zero Hora

Sentimentalismo e direitos dos animais

http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2013/10/22/sentimentalismo-e-direitos-dos-animais/?topo=13,1,1,,,13

Agência Câmara Notícias

Comissão investigará denúncias de maus-tratos contra animais no Instituto Royal

http://www2.camara.gov.br/camaranoticias/noticias/CIENCIA-E-TECNOLOGIA/455160-COMISSAO-INVESTIGARA-DENUNCIAS-DE-MAUS-TRATOS-CONTRA-ANIMAIS-NO-INSTITUTO-ROYAL.html

*   *   *

22/10/2013 – 03h00

Retirada de cães de instituto afeta teste anticâncer, diz cientista (Folha de S.Paulo)

JAIRO MARQUES e RAFAEL GARCIA

DE SÃO PAULO

A retirada de 178 cães da raça beagle de um laboratório em São Roque (a 66 km de São Paulo) comprometeu experimentos avançados de um medicamento para tratamento contra câncer –além de fitoterápicos para usos diversos.

A informação é do médico Marcelo Marcos Morales, um dos secretários da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e coordenador do Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

“Um trabalho que demorou anos para ser produzido, que tinha resultados promissores para o desenvolvimento do país, foi jogado no lixo”, disse ele, em referência à invasão do Instituto Royal por ativistas na semana passada.

“O prejuízo é incalculável para a ciência e para o benefício das pessoas”, afirmou.

O cientista não revelou o nome do medicamento desenvolvido, que é protegido por contrato, nem para qual tipo de câncer ele seria usado. Mas informou que se tratava de um tipo de remédio produzido fora do país e que teve a patente quebrada.

Sala é encontrada com objetos revirados no Instituto Royal, em São Roque (SP)

O Royal também não detalha os experimentos alegando restrição contratual.

Os fitoterápicos eram baseados em plantas da flora nacional e poderiam ser usados, por exemplo, para combater dor e inflamações.

Ativistas dizem que os cães sofriam maus-tratos. O instituto nega. Ontem ele disse que, quando recuperados, receberão tratamento e podem “ser colocados para doação”.

Doutor em biofísica, Morales afirma que os cientistas “também não querem trabalhar com animais”, mas que o método é ainda o mais eficaz para testes de tratamentos médicos e vacinas.

“Seria possível não nos alimentarmos mais com carne? Com pesquisa é a mesma relação. Deixamos de usar animais e vamos testar vacinas em nossas crianças?”

Para Morales, as pessoas estão “confundindo” animais domésticos com cães que nasceram dentro de biotérios, sob condições controladas e rígidas para o uso científico.

“O apelo do cão é muito grande, tanto é que levaram todos os beagles, mas deixaram todos os ratos.”

A autoridade brasileira responsável por aprovar pesquisas com humanos, a Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), não avaliza projetos de drogas que não tenham passado por testes de segurança em animais.

Cachorros estão em uma parcela pequena de experimentos científicos –nos quais os camundongos respondem por 74% dos animais. A maioria dos cães é usada para averiguar a toxicidade de medicamentos.

Editoria de arte/Folhapress

 

The Reasons Behind Crime (Science Daily)

Oct. 10, 2013 — More punishment does not necessarily lead to less crime, say researchers at ETH Zurich who have been studying the origins of crime with a computer model. In order to fight crime, more attention should be paid to the social and economic backgrounds that encourage crime.

Whether a person turns criminal and commits a robbery depends greatly on the socio-economic circumstances in which he lives. (Credit: © koszivu / Fotolia)

People have been stealing, betraying others and committing murder for ages. In fact, humans have never succeeded in eradicating crime, although — according to the rational choice theory in economics — this should be possible in principle. The theory states that humans turn criminal if it is worthwhile. Stealing or evading taxes, for instance, pays off if the prospects of unlawful gains outweigh the expected punishment. Therefore, if a state sets the penalties high enough and ensures that lawbreakers are brought to justice, it should be possible to eliminate crime completely.

This theory is largely oversimplified, says Dirk Helbing, a professor of sociology. The USA, for example, often have far more drastic penalties than European countries. But despite the death penalty in some American states, the homicide rate in the USA is five times higher than in Western Europe. Furthermore, ten times more people sit in American prisons than in many European countries. More repression, however, can sometimes even lead to more crime, says Helbing. Ever since the USA declared the “war on terror” around the globe, the number of terrorist attacks worldwide has increased, not fallen. “The classic approach, where criminals merely need to be pursued and punished more strictly to curb crime, often does not work.” Nonetheless, this approach dominates the public discussion.

More realistic model

In order to better understand the origins of crime, Helbing and his colleagues have developed a new so-called agent-based model that takes the network of social interactions into account and is more realistic than previous models. Not only does it include criminals and law enforcers, like many previous models, but also honest citizens as a third group. Parameters such as the penalties size and prosecution costs can be varied in the model. Moreover, it also considers spatial dependencies. The representatives of the three groups do not interact with one another randomly, but only if they encounter each other in space and time. In particular, individual agents imitate the behaviour of agents from other groups, if this is promising.

Cycles of crime

Using the model, the scientists were able to demonstrate that tougher punishments do not necessarily lead to less crime and, if so, then at least not to the extent the punishment effort is increased. The researchers were also able to simulate how crime can suddenly break out and calm down again. Like the pig cycle we know from the economic sciences or the predator-prey cycles from ecology, crime is cyclical as well. This explains observations made, for instance, in the USA: according to the FBI’s Uniform Crime Reporting Program, cyclical changes in the frequency of criminal offences can be found in several American states. “If a state increases the investments in its punitive system to an extent that is no longer cost-effective, politicians will cut the law enforcement budget,” says Helbing. “As a result, there is more room for crime to spread again.”

“Many crimes have a socio-economic background”

But would there be a different way of combatting crime, if not with repression? The focus should be on the socio-economic context, says Helbing. As we know from the milieu theory in sociology, the environment plays a pivotal role in the behaviour of individuals. The majority of criminal acts have a social background, claims Helbing. For example, if an individual feels that all the friends and neighbours are cheating the state, it will inevitably wonder whether it should be the last honest person to fill in the tax declaration correctly.

“If we want to reduce the crime rate, we have to keep an eye on the socio-economic circumstances under which people live,” says Helbing. We must not confuse this with soft justice. However, a state’s response to crime has to be differentiated: besides the police and court, economic and social institutions are relevant as well — and, in fact, every individual when it comes to the integration of others. “Improving social conditions and integrating people socially can probably combat crime much more effectively than building new prisons.”

Journal Reference:

  1. Matjaž Perc, Karsten Donnay, Dirk Helbing. Understanding Recurrent Crime as System-Immanent Collective BehaviorPLoS ONE, 2013; 8 (10): e76063 DOI:10.1371/journal.pone.0076063

Contra o mugido das vacas, por José Ribamar Bessa Freire (Racismo Ambiental)

Por , 06/10/2013 06:26

Guarani no monumento SP

Em Taqui Pra Ti

No momento em que a Constituição Federal comemora 25 anos de existência, se ouve o mugido das vacas, o relincho dos cavalos e o trote das mulas que invadem o plenário do Congresso Nacional e se misturam ao zumbido estridente da moto serra. É possível sentir o bufo agressivo que sai em jatos de ar pelas narinas de parlamentares. Essa é a voz da bancada ruralista formada por 214 deputados e 14 senadores, que querem anular os direitos constitucionais dos índios. Seus “argumentos” são relinchos, bater de cascos, coices no ar e, por isso, não conseguem convencer os brasileiros.

Nas principais cidades do país ocorreram manifestações contra esta ofensiva do agronegócio. Nesta semana, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) organizou Mobilização Nacional em defesa dos direitos indígenas. A parte sadia do país disse um rotundo “não” ao pacote de dezenas de Projetos de Emenda Constitucional (PEC) ou Projetos de Lei Complementar (PLP) que tramitam no Congresso apresentados pela bancada ruralista e pela bancada da mineração.

Esses parlamentares querem exterminar as culturas indígenas não por serem gratuitamente malvados, perversos e cruéis, mas porque pretendem abocanhar as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. Para ampliar a oferta de terras ao agronegócio, lançam ofensiva destinada a mudar até cláusulas pétreas da Constituição. Exibem despudoradamente seus planos em discursos e através da mídia como os artigos na Folha de São Paulo da senadora Kátia Abreu (PSD-TO vixe, vixe), a muuuusa da bancada ruralista e do deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS vixe vixe).

Causa inconfessável

Quase todos os parlamentares da bancada ruralista tiveram suas campanhas financiadas por empresas de capital estrangeiro como Monsanto, Cargill e Syngente, além da indústria de armas e frigorífico, conforme dados da Transparência Brasil. Afinal, é disso que eles vivem, dessa promiscuidade com o capital estrangeiro, sem o qual não poderiam exportar e comprar produtos. Querem agora liberar as terras indígenas para grandes empresas brasileiras e estrangeiras plantarem monoculturas com agrotóxicos, construir barragens no rios e extrair minérios para a exportação.

No entanto, os ruralistas não podem confessar aos eleitores que seu objetivo é o lucro, apenas o lucro, nada mais que o lucro. Inventam, então, que estão defendendo “os interesses nacionais” e classificam como “anti-Brasil” os que não concordam com eles. Essa é uma velha tática, usada no século XIX, quando o agronegócio da época acusava os que defendiam a abolição dos escravos de representarem interesses estrangeiros. Trata-se de ganhar para uma causa indefensável os brasileiros crédulos que amam sua Pátria. Aí exploram o nacionalismo e apostam na desinformação.

No artigo com título sugestivo – “Causa Inconfessável” – a senadora Kátia Abreu tenta desqualificar os índios e seus aliados com uma argumentação esdrúxula. Sem citar fontes, sem dizer de onde tirou a informação, ela jura que “são mais de 100 mil ONGs, a maioria estrangeira, associadas a dois organismos ligados à Igreja Católica: o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) e a CPT (Comissão Pastoral da Terra)”.

E por que cargas d’água milhares de ONGs estrangeiras defenderiam as terras indígenas? Na maior cara de pau, ofendendo a inteligência do leitor, a senadora Kátia Abreu, ousa dizer que elas querem destruir a agricultura brasileira. Comete um erro vergonhoso para uma parlamentar ao confundir nação com estado. Exibe sua ignorância deixando no chinelo o Tiririca:

Os financiadores são países que competem com a agricultura brasileira e que cobiçam nossas riquezas minerais e vegetais. São os mesmos que, reiteradamente, defendem que essa parte do território nacional deve ser cedida, e os brasileiros índios, transformados em nações independentes da ONU”.

Tudo nebuloso, deseducativo, desinformativo. A senadora não dá nomes nem aos bois nem às vacas, não diz quais são esses países, não diz quem quer decepar os territórios indígenas do Brasil e omite que as terras indígenas pertencem, constitucionalmente, à União e não aos índios. A “causa” dos ruralistas é, realmente, “inconfessável”: cada vez que uma medida prejudica seus lucros, dizem que “é ruim para o Brasil”, quando favorece “é bom para o Brasil”. O Brasil é a conta bancária deles. Sem confessar a origem dos recursos que financiam os ruralistas, a senadora faz dos índios um tábua de tiro ao alvo:

“É do mais alto interesse nacional – sobretudo do interesse dos próprios índios – saber quando, de onde vêm e como são gastos os millhões de dólares que sustentam a ação deletéria dessas organizações, que fazem dos índios escudos humanos de uma causa inconfessável”.

Cavaleira da desesperança

“É hora de defender o Brasil” berra o deputado Luis Carlos Heinze no título de seu artigo (3/10), que reproduz o mesmo papo furado, a mesma lenga-lenga, excluindo os índios da comunhão nacional. Ataca a FUNAI – Fundação Nacional do Índio – por identificar “pretensas terras indígenas” contra os ruralistas que ele diz serem “os legítimos detentores de terras”. E faz eternas juras de que está defendendo a pátria ameaçada por índios e por ONGs.

Nunca foi tão apropriada a conhecida frase do escritor inglês do século XVIII, Samuel Johnson, aclimatada por Millor Fernandes, no século XX, ao nosso contexto: “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas” – escreveu Johnson. “No Brasil, é o primeiro”, acrescentou Millor.

A senadora, que se diz católica, bate na mesma tecla. Escreve que os defensores dos direitos indígenas “exercem notória militância política, de cunho ideológico, sob a inspiração da Teologia da Libertação, de fundo marxista”. Está zangada com a Igreja, que ela quer defendendo os interesses dos ruralistas e não dos despossuídos, dos injustiçados, dos espoliados. Esculhamba ainda com a FUNAI “aparelhada por antropólogos que compartilham a mesma ideologia“.

Mas não se limita aí a cavaleira da desesperança. De arma em riste, ataca outros “inimigos”. Ela está convencida de que “além das ONGs e das instituições como o CIMI e a CPT, há dois órgãos voltados para a defesa dos índios: a já citada Funai e a FUNASA, incumbida da saúde e da ação sanitária nas tribos”. Kátia é do tempo em que ainda se dizia que índios vivem em tribos.

“Seriam as terras destinadas à agricultura a causa do sofrimento dos índios?” – pergunta em seu artigo. E ela mesma responde: “Quem quiser que tire suas conclusões: os índios brasileiros dispõem de extensão de terra de dar inveja a muitos países”. Se um país que é um país sente inveja, imaginem os ruralistas. Por isso, a voz dela, que é a mais estridente  no Senado clama:

– Os índios não precisam de terra e sim de assistência social.

Ela chama de “invasão” a resistência dos índios em não permitir que seus territórios sejam apropriados pelo agronegócio e anuncia:

“Para reagir ao avanço dessas invasões, apresentei ao Senado projeto de lei que suspende processos demarcatórios de terras indígenas sobre propriedades invadidas pelos dois anos seguintes à sua desocupação”.

Guarani na paulista

Foi contra essas medidas do agronegócio e contra esses argumentos preconceituosos e retrógrados que manifestantes se insurgiram em manifestações pacíficas realizadas em Brasília, no Rio, em Belo Horizonte e nas principais cidades brasileiras.  Em São Paulo, a manifestação foi aberta pelos txondaro guarani e contou com a adesão de muitos antropólogos, estudantes, professores.

As imagens da manifestação em São Paulo foram registradas e editadas por Marcos Wesley de Oliveira para o Instituto Socioambiental. Em plena Avenida Paulista, ele entrevistou lideranças indígenas – Megaron Txucarramãe (kayapó), Renato Silva (guarani), Natan Gacán (xokleng), antropólogos – Manuela Carneiro da Cunha e Márcio Silva (USP), Maria Elisa Ladeira (CTI), Lúcia Helena Rangel (PUC/SP), Beto Ricardo (ISA) e os líderes quilombolas do Vale da Ribeira – Nilce Pereira e Ditão.

– Vocês não estão sozinhos – disse a mestranda em Antropologia, Ana Maria Antunes Machado, se dirigindo aos Yanomami, enquanto apontava os manifestantes da Avenida Paulista. Ela falou com bastante fluência em língua Yanomami, pois viveu com eles, com quem trabalhou mais de cinco anos como assessora pedagógica, antes de atuar no Observatório de Educação Indígena coordenado pela pesquisadora Ana Gomes (UFMG). O fato tem forte carga simbólica, por se tratar de alguém tão brasileira quanto a Katia Abreu, mas que, para ouvir os índios e com eles dialogar, aprendeu a língua Yanomami e foi capaz de reverenciá-los.

“O REDD+ está pedindo socorro”, alerta Conservação Internacional (CarbonoBrasil)

Economia

01/10/2013 – 11h51

por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil

florestanew 300x208 O REDD+ está pedindo socorro, alerta Conservação Internacional

ONG afirma que mecanismo está ameaçado pelo grande desequilíbrio entre oferta e demanda; enquanto mais de 22 milhões de créditos podem ser gerados anualmente, apenas 6,8 milhões teriam compradores. 

A demora para criar instrumentos que estimulem, ou obriguem, países e empresas a comprar créditos florestais de carbono e a falta de vontade política para incluir o REDD+ (clique aqui e saiba mais sobre o conceito de REDD+)  em mercados já estabelecidos, como o EU ETS, estão resultando no excesso de créditos no mercado voluntário, causando a queda dos preços e diminuindo o interesse para o desenvolvimento de projetos de conservação florestal.

Essa é a mensagem central que a Conservação Internacional (CI) tenta passar com o relatório “REDD+ Market: Sending Out an SOS” (algo como Mercado de REDD+: pedindo socorro).

De acordo com a ONG, apenas considerando a certificação Verified Carbon Standard (VCS), até 22 milhões de créditos podem ser gerados anualmente, porém, a demanda do mercado voluntário atualmente não passaria de 6,8 milhões. Desde 2010, a procura por esse tipo de crédito teria caído 65%.

Esse desequilíbrio entre oferta e demanda fez com que o preço médio dos créditos do REDD+ passasse de US$ 12 em 2011 para US$ 6 no ano passado.

A CI aponta que o REDD+ já ajudou a proteger mais de 14 milhões de hectares de florestas. Além disso, trouxe ganhos para mais de 70 mil pessoas em comunidades locais, evitou as emissões de quatro milhões de toneladas de CO2 equivalente desde 2009 e protegeu 139 espécies que estão ameaçadas de extinção.

situacaoredd 133x300 O REDD+ está pedindo socorro, alerta Conservação Internacional“A falta de recompensas financeiras para esses casos de sucesso envia um sinal forte e preocupante para todos os países desenvolvendo esforços para reduzir o desmatamento. Suas ações não têm recebido apoio, mas indiferença e incertezas. Esse sinal não gera a motivação necessária para promover as reformas políticas complexas que o REDD+ tanto precisa”, afirma o relatório.

Como podem apenas ser negociados no mercado voluntário, os créditos do REDD+ são muito dependentes de doadores e de ferramentas internacionais que ainda não possuem a abrangência para estimular novos projetos de forma sustentável.

O relatório cita a Forest Carbon Partnership Facility’s do Banco Mundial (FCPF), o fundo de ação antecipada de REDD+ da Alemanha e o futuro Fundo Climático Verde como exemplos de mecanismos que têm buscado aumentar a demanda por créditos, mas que, no entanto, ainda são muito limitados em termos de disponibilização de financiamentos, de escopo geográfico e de velocidade de implementação.

Propostas

Uma das soluções óbvias citadas pela CI passa por garantir um preço justo para os créditos de REDD+.

Isso poderia ser conseguido de diversas formas: maior interesse dos fundos climáticos pelo REDD+, expansão dos programas de compensação voluntária do setor privado e a criação de compromissos para países doadores.

“Essas ações ajudariam a catalisar novos investimentos assim como estabilizariam a situação dos atuais projetos para os próximos anos, reduzindo a vulnerabilidade das comunidades devido à queda dos preços do REDD+”, afirma o relatório.

Outro ponto que precisa receber atenção seria o reconhecimento dos benefícios múltiplos dos projetos de REDD+.

Segundo a CI, as iniciativas de conservação florestal melhoram a vida de povos nativos, protegem a biodiversidade e garantem os serviços ecossistêmicos.

Assim, programas governamentais que tenham objetivos semelhantes aos que são alcançados pelo REDD+ deveriam considerar o financiamento desse tipo de projeto. Dessa forma, o mecanismo seria encarado não apenas como uma ferramenta para “compensar emissões”, mas também como um modelo de desenvolvimento inteligente.

O relatório destaca que muitos projetos já começam a ser desenvolvidos pelos próprios povos nativos, como é o caso do Projeto de Carbono Florestal Suruí, da Terra Indígena Sete de Setembro do povo Paiter Suruí, localizado nos estados de Rondônia e Mato Grosso.

Inclusive, no mês passado, o projeto Suruí vendeu seus primeiros créditos de REDD+; foram 120 mil unidades compradas pela Natura.

A CI conclui que a importância de manter o REDD+ funcionando em um alto nível de qualidade não pode ser subestimada. Não apenas para lidar com o desmatamento e com as emissões de gases do efeito estufa, mas também para evitar os impactos negativos que projetos mal elaborados podem produzir.

“Para alcançar os resultados esperados, está claro que o REDD+ deve melhorar em escala, mas também em questões como legislação (…) Isso deve ser feito para evitar que estímulos perversos sejam criados”, explica o relatório.

A ONG está neste caso se referindo aos riscos muitas vezes associados ao REDD+, como a exploração dos povos nativos e os conflitos por terras.

“Estabelecer estruturas institucionais é necessário para implementar a gestão local que facilitará o desenvolvimento de mecanismos de REDD+ nacionais e internacionais”, conclui a CI.

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

O que é e como surgiu o REDD? (ipam.org.br)

Florestas tropicais representam hoje 15% da superfície terrestre (FAO, 2006 apud GCP, 2008) e contém cerca de 25% de todo o carbono contido na biosfera terrestre (BONAN, 2008 apud GCP, 2008). Além disso, 90% dos cerca de 1,2 bilhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza dependem dos recursos florestais para sobreviverem (GCP, 2008).

Segundo a FAO (Food and Agriculture Organization), das Nações Unidas (2006), aproximadamente 13 milhões de hectares de florestas tropicais são desmatados todos os anos (uma área equivalente ao Peru).

Preservar florestas, além da redução nas emissões de gases do efeito estufa, tem o potencial de gerar co-benefícios substanciais, como impactos positivos sobre a biodiversidade e sobre a conservação de recursos hídricos.  A floresta em pé também auxilia na estabilização do regime de chuvas e, conseqüentemente, do clima (Angelsen, 2008).

O relatório do IPCC publicado em 2007 (IPCC, 2007) estimou as emissões por desmatamento nos anos 1990 como sendo de aproximadamente 20% do total, fazendo da “mudança no uso da terra” a segunda atividade que mais contribui para o aquecimento global (GCP, 2008).

Conceito e desenvolvimento

O conceito de REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação florestal), basicamente, parte da idéia de incluir na contabilidade das emissões de gases de efeito estufa aquelas que são evitadas pela redução do desmatamento e a degradação florestal.  Nasceu de uma parceria entre pesquisadores brasileiros e americanos, que originou uma proposta conhecida como “Redução Compensada de Emissões” (Santilli et al, 2000), que foi apresentada durante a COP-9, em Milão, Itália (2003), por IPAM e parceiros. Segundo este conceito, os países em desenvolvimento detentores de florestas tropicais, que conseguissem promover reduções das suas emissões nacionais oriundas de desmatamento receberiam compensação financeira internacional correspondente às emissões evitadas. O conceito de redução compensada tornou-se a base da discussão de REDD nos anos seguintes.

Em seguida, durante a COP-11, em Montreal, Canadá (2005) a chamada “Coalition of Rainforest Nations” ou “Coalizão de Nações Tropicais”, liderados por  Papua Nova Guiné e Costa Rica, apresentou uma proposta similar que tem por objetivo discutir formas de incentivar economicamente a redução do desmatamento nos países em desenvolvimento, detentores de florestas tropicais (Pinto et al, 2009).

O argumento colocado é que os países tropicais são responsáveis por estabilizar o clima por meio de suas florestas e, assim, os custos para mantê-las em pé devem ser divididos por todos. Esta iniciativa fez com que, oficialmente, o assunto REDD fosse incluído na pauta de negociações internacionais.

Um ano depois, na COP-12, em Nairobi, Nigéria (2006), o governo brasileiro anunciou publicamente uma proposta para tratar da questão do desmatamento, também muito parecida com as anteriores, só que sem considerar o mecanismo de mercado de créditos de carbono e sim as doações voluntárias.

A COP-13, realizada em Bali, Indonésia, em 2007, culminou com a Decisão 1/ CP 13, conhecida como “Mapa do Caminho de Bali”, para discutir como inserir o tema REDD num mecanismo que será estruturado para iniciar em 2012, ano em que chega ao fim o primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto.

É imprescindível notar que este mecanismo foi inicialmente concebido para os países em desenvolvimento que detêm florestas tropicais, permitindo-os participar efetivamente dos esforços globais de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Necessário também salientar que a discussão sobre o desmatamento evitado evoluiu de um mecanismo que tinha foco somente no desmatamento evitado (COP 11, 2005), para ser ampliado e incluir a degradação de florestas (COP 13, 2007),

e REDD+?

Hoje o conceito foi ampliado e é conhecido como REDD+, se refere à construção de um mecanismo, ou uma política, que deverá contemplar formas de prover incentivos positivos aos países em desenvolvimento que tomarem uma ou mais das seguintes ações para a mitigação das mudanças climáticas:

1. Redução das emissões derivadas de desmatamento e degradação das florestas;

2. Aumento das reservas florestais de carbono;

3. Gestão sustentável das florestas;

4. Conservação florestal. (Pinto et al, 2009).

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Referências:

ANGELSEN, Arild. (org.). Moving Ahead with REDD: Issues, Options and Implications. CIFOR. Poznan, Polônia. 2008.

GLOBAL CANOPY PROGRAM. The Little REDD Book: A guide to Governmental and non-governmental proposals for Reducing Emissions from Deforestation and Degradation. 2008. Disponível em: http://www.the littleREDDbook.org

INTERNATIONAL PANEL ON CLIMATE CHANGE (IPCC). Climate Change Synthesis Report. Summary for Policymakers. Switzerland. 2007.

PINTO, Erika; MOUTINHO, Paulo; RODRIGUES, Liana; OYO FRANÇA, Flavia Gabriela; MOREIRA, Paula Franco; DIETZSCH, Laura. Cartilha: Perguntas e Respostas Sobre Aquecimento Global. 4a edição. Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. Belém. 2009.

SANTILLI, Márcio; MOUTINHO, Paulo; SCHWARTZMAN, Stephan; NEPSTAD, Daniel; CURRAN, Lisa; NOBRE, Carlos. Tropical deforestation and the Kyoto Protocol: an editorial essay. Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. 2000.

Contribuição de conteúdo por Ricardo Rettmann (ricardo.rettmann@ipam.org.br)

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Acesse publicação REDD no Brasil: um enfoque amazônico

O livro apresenta e discute as condições favoráveis do Brasil à implementação de um regime nacional de REDD+ e propõe dois modelos de estrutura institucional para a repartição de benefícios: um baseado na distribuição por estados e outra por cate-gorias fundiárias. REDD+ é aqui discutido como um elemento importante na transição do modelo de desenvolvimento da Amazônia para um de baixas emissões de carbono, com distribuição de renda e justiça social. A alteração mais importante desta 3a edição foi a utilização da metodologia de cálculo do desmatamento evitado proposta pelo Comitê Técnico do Fundo Amazônia, juntamente com parâmetros fixados pelo Decreto 7.390/2010, que regulamenta a Política Nacional sobre Mudança do Clima. Esta alteração nos cálculos não altera a mensagem central do livro, porém pode ser percebida em algumas figuras chaves que demonstram o valor total do desmatamento evitado no Brasil.

Faça download da publicação

Pesquisadores alertam sobre necessidade urgente de proteger os oceanos (Fapesp)

Artigo de brasileiro e uruguaio será publicado como editorial no periódico Marine Pollution Bulletin(Wikipedia)

02/10/2013

Por José Tadeu Arantes

Agência FAPESP – Estima-se que 41% dos mares e oceanos do planeta se encontrem fortemente impactados pela ação humana, segundo estudos. Trata-se de um problema grave que não tem recebido a merecida atenção. Um exemplo está no ritmo de implementação da diretriz relativa à proteção marinha definida pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Aprovada por 193 países mais a União Europeia durante a 10ª Conferência das Partes da CDB, realizada em Nagoya, Japão, em outubro de 2010, essa diretriz estabeleceu que, até 2020, pelo menos 10% das áreas costeiras e marinhas, especialmente aquelas importantes por sua biodiversidade, deveriam estar protegidas.

Decorrido quase um terço do prazo, porém, as chamadas Áreas de Proteção Marinha (APMs) não cobrem mais do que 1,17% da superfície dos mares e oceanos do planeta. Dos 151 países com linha de costa, apenas 12 excederam os 10%. E a maior potência do mundo, os Estados Unidos, dotada de extensos litorais tanto no Atlântico como no Pacífico, não aderiu ao protocolo.

As informações, que configuram um alerta urgente, estão no artigo Politics should walk with Science towards protection of the oceans (“A política deve caminhar com a ciência na proteção dos oceanos”), assinado pelo brasileiro Antonio Carlos Marques, professor associado do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, e pelo uruguaio Alvar Carranza, pesquisador do Museu Nacional de História Natural, do Uruguai. Enviado ao Marine Pollution Bulletin, o texto, que será publicado como editorial da versão impressa do periódico, está disponível on-line em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0025326X13004530.

O artigo também destaca que, com uma das mais extensas costas do mundo – de 9.200 quilômetros, se forem consideradas as saliências e reentrâncias –, o Brasil possui apenas 1,5% de seu litoral protegido por APMs. Além disso, 9% das áreas consideradas prioritárias para conservação já foram concedidas a companhias petroleiras para exploração. As costas altamente povoadas dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro concentram a maioria das reservas de petróleo do país.

Os dados publicados são derivados de dois projetos apoiados pela FAPESP e coordenados por Marques: um projeto de Auxílio à Pesquisa – Regular, que apoia a Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha (Sisbiota Mar), e um Projeto Temático para pesquisar fatores que geram e regulam a evolução e diversidade marinhas.

“Como um expediente para cumprir a meta, alguns governos têm criado Áreas de Proteção Marinha gigantescas, mas em torno de ilhas ou arquipélagos praticamente desabitados, muito distantes do próprio país”, disse Marques à Agência FAPESP.

“A maior APM do mundo, situada no arquipélago de Chagos, tem mais de meio milhão de quilômetros quadrados. É uma área enorme, que cumpre, com sobra, a meta do Reino Unido”, disse. O arquipélago faz parte do Território Britânico do Oceano Índico.

“Porém a população dessa área se resume ao contingente rotativo de uma base britânica. A ninguém mais. Além disso, as características da área, situada no meio do Oceano Índico, em nada correspondem à biodiversidade do Reino Unido”, prosseguiu.

Embora reconheça o valor de uma APM como essa, Marques argumenta que sua criação não é necessariamente efetiva em termos de preservação ambiental. Segundo ele, cumpre-se o aspecto quantitativo, mas não o qualitativo, ou seja, não oferece proteção efetiva ao litoral do país onde está a maior parte de sua população. E o que é mais grave, segundo Marques, é que o mesmo expediente foi adotado em todas as outras grandes APMs criadas recentemente.

“Verificamos, e divulgamos em nosso artigo, que a população média das 10 maiores APMs do mundo, computada em raios de 10 quilômetros em torno das mesmas, é de apenas 5.038 pessoas”, informou Marques. E essa média é puxada para cima por apenas duas APMs, a Reserva Marinha de Galápagos (Equador) e o Parque Nacional da Grande Barreira de Corais (Austrália), ambas com pouco mais de 25 mil habitantes. A população total das demais APMs não chega a 4 mil indivíduos, sendo nula em três delas.

“Para os governos, é uma medida muito cômoda criar áreas de proteção ambiental em regiões como essas, porque o desgaste socioeconômico de tal implementação é baixíssimo. Exceto por uma ou outra indústria pesqueira, ninguém vai reclamar muito. É uma situação muito diferente da que ocorreria se as APMs fossem criadas nos litorais dos respectivos países”, disse Marques.

O pesquisador ressalta que essas áreas remotas são úteis, como nas APMs de Galápagos e da Barreira de Corais, pela especialidade dos ecossistemas protegidos. Mas as APMs não seriam representativas da gama de ambientes dos países.

Fracassos e sucessos

“Nossa principal intenção ao escrever o artigo foi destacar que existe uma necessidade de proteção, que pode ser parcialmente atendida pela meta de 10%, mas essa proteção tem que respeitar os ambientes reais dos países. Não basta alcançar o número sem que haja uma correspondência entre quantidade e qualidade”, disse Marques.

O pesquisador conta que, ao enviar o artigo para o Marine Pollution Bulletin, um de seus objetivos foi estabelecer uma interlocução com o editor do periódico, Charles Sheppard, da University of Warwick, no Reino Unido. Sheppard é considerado uma das maiores autoridades em conservação marinha do mundo e foi um dos mentores da APM britânica do arquipélago de Chagos.

“A resposta do professor Sheppard foi a mais positiva que eu poderia esperar, tanto que ele decidiu publicar nosso artigo como editorial do Marine Pollution Bulletin.

De acordo com Marques, os dados básicos e as análises gerados pelos cientistas são vitais para o melhor uso dos recursos, ao estabelecer áreas de preservação.

“É necessário entender se a área é a ideal para ser protegida do ponto de vista evolutivo, genético, biogeográfico, ecológico etc. Há exemplos de sucesso em que isso foi observado e exemplos de fracassos em que foi ignorado. O melhor cenário possível é aquele em que cientistas, técnicos e políticos participam francamente do processo”, disse.

Privatização das águas e a desilusão dos pescadores artesanais (IHU On-Line)

Sociedade

02/10/2013 – 11h26

por Redação do IHU On-Line

pescadores artesanais alto uruguai 370x230 Privatização das águas e a desilusão dos pescadores artesanais

Foto: http://bit.ly/1fNDm5V

Com a privatização das águas, “não só os pescadores serão prejudicados, mas a sociedade de modo geral, porque vai haver um processo de diminuição da pesca artesanal”, adverte a integrante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras artesanais.

Responsável por 70% da produção de pescado no país, a pesca artesanal está ameaçada pelo Projeto do Ministério da Pesca e da Aquicultura, denominado pelo movimento dos pescadores e pescadoras tradicionais de “privatização das águas públicas dos mares”.

Trata-se da Cessão de águas Públicas lançada em editais no mês de junho (Licitações: 11/2013- 12/2013-13/2013-14/2013), que transfere determinada área do mar para grupos que pretendem cultivar uma determinada espécie de peixe. Segundo a integrante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais, Elionice Sacramento, já serão privatizadas áreas em cinco estados brasileiros, sendo “três áreas no Ceará, 26 no Rio Grande do Norte, duas em Pernambuco, 16 no Maranhão e 22 na Bahia, as quais são historicamente utilizadas pelos pescadores e pescadoras artesanais”.

Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone, Elionice enfatiza que “quando o Ministério da Pesca foi criado, na primeira gestão do governo Lula, os pescadores no Brasil apoiaram sua criação com a ilusão de que esse Ministério atenderia a pesca artesanal”. Com o passar do tempo, acentua, o órgão passou a adotar políticas “que fortaleciam mais a aquicultura, ou seja, o processo de criação de pescados em cativeiro, e os empresários, que têm relação com essa atividade, sem considerar o trabalho dos pescadores artesanais do Brasil”.

Elionice Sacramento é integrante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais.

Confira a entrevista:

IHU On-Line – O que caracteriza a privatização das águas públicas e qual é o objetivo desta privatização? Em que consiste essa política desenvolvida pelo Ministério da Pesca e Aquicultura?

Elionice Sacramento – Queria dizer que quando o Ministério da Pesca foi criado, na primeira gestão do governo Lula, os pescadores no Brasil apoiaram sua criação com a ilusão de que esse Ministério atenderia a pesca artesanal. Depois percebemos que ele estava adotando políticas que fortaleciam mais a aquicultura, ou seja, o processo de criação de pescados em cativeiro, e os empresários, que têm relação com essa atividade, sem considerar o trabalho dos pescadores artesanais do Brasil. Então, o governo passou a ver o Ministério como um espeço de promoção política de alguns deputados, tanto que se criou um esquema de corrupção muito grande no Ministério no que diz respeito à documentação de pescadores. Daí para frente começamos a ouvir falar em um projeto de privatização das águas públicas.

Em junho, foi lançado no país um edital para a privatização de áreas de quatro estados brasileiros, ou seja, serão privatizadas três áreas no Ceará, 26 no Rio Grande do Norte, duas em Pernambuco, 16 no Maranhão e 22 na Bahia, as quais são historicamente utilizadas pelos pescadores e pescadoras artesanais. Trata-se de um modelo que passa por cima das comunidades tradicionais que utilizam aquele espaço com uma relação de respeito com o mar e que interessa às forças capitalistas.

IHU On-Line – Como funciona esse processo de privatização das águas?

Elionice Sacramento – Foi lançado um edital, os interessados demonstram seus interesses, concorrem a esses espaços. Após a licitação, o grupo interessado terá direito de fazer uso daquele espaço durante 20 anos e pagar uma quantia mínima aos cofres públicos.

IHU On-Line – O que a privatização das águas públicas significa para as comunidades tradicionais, especialmente, as pesqueiras? Além das comunidades, quem mais será prejudicado com a privatização desses espaços?

Elionice Sacramento – Não só os pescadores serão prejudicados, mas a sociedade de modo geral, porque vai haver um processo de diminuição da pesca artesanal. Então, os turistas serão prejudicados, e o comércio dessas regiões também, porque esses pescados que são produzidos em cativeiro são pescados para exportação, e não para uso nacional. Por outro lado, haverá um processo de desequilíbrio do meio ambiente, porque espécies estranhas serão cultivada no mar, e o lixo produzido por elas ficará no mar.

Sem contar que os pescadores e pescadoras artesanais desempenham um papel fundamental no Brasil. Nós somos guardiões de uma tradição milenar, somos produtores de alimento, porque 70% de todo pescado produzido no país vem da pesca artesanal. Então, essa tradição só se manteve durante tantos anos porque estabelecemos com a natureza uma relação de completo respeito, uma relação de amor, mas principalmente uma relação de dependência e de respeito.

Respeitamos os períodos de reposição dos peixes, e agimos de acordo com a determinação da natureza. Esses processos industriais não têm respeito com nada. Eles atropelam tudo, desmontam processos de organização que já existem nas comunidades.

IHU On-Line – Já existem editais lançados para a compra de corpos d’águas em alguns estados. Do ponto de vista legal, como o movimento vem contestando os editais e esse processo de privatização?

Elionice Sacramento – Esse edital lançado em junho feriu algumas leis e alguns acordos internacionais. Por exemplo, o princípio de consulta às comunidades tradicionais não foi cumprido.

Então, as comunidades que fazem uso desses espaços não foram consultadas sobre esse processo de privatização das águas públicas. E isso já é motivo de ilegalidade do processo.

Quando o edital foi lançado na Bahia, o ministro em exercício à época não quis ouvir os integrantes do movimento e disse que apenas uma pessoa poderia falar. Quando nós nos negamos a aceitar essa proposta, o ministro levantou e disse que não ficava no encontro. Não houve nenhum tipo de diálogo com a comunidade. Por outro lado, nós visitamos a Secretaria de Patrimônio da União, que foi quem regularizou as áreas da água para ceder ao Ministério da Pesca, e questionamos por que os territórios não estão sendo cedidos aos pescadores, e sim para a apicultura. Segundo as pessoas que nos receberam, existia a Secretaria de Patrimônio da União desconhecia o porquê de essas áreas não serem destinadas para a pesca artesanal.

Então, entramos com um recurso contestando a ilegalidade do processo, fomos até a 6ª Câmara Federal, procuramos a Promotora Deborah Duprat, e também outros cinco promotores. Todos receberam esse processo com muita indignação.

IHU On-Line – Os editais determinam que as empresas vencedoras das licitações devem promover um número mínimo de empregos. Como você enxerga esse ponto específico?

Elionice Sacramento – A maioria dos empreendimentos, quando chegam às comunidades, apontam a justificativa de que vão gerar empregos. Por conta disso, esses empreendimentos acabam recebendo a aceitação de políticos e de pessoas que não têm vocação para a pesca. Só que isso é enganação. Temos muita clareza de que o discurso do emprego não é verdadeiro, até porque o processo que querem implementar é muito industrial.

IHU On-Line – Quais apoios são importantes no processo de luta para impedir a privatização das águas públicas?

Elionice Sacramento – Nós estamos em campanha pela própria ação e regularização dos territórios pesqueiros. Nessa campanha foi pensado um projeto de iniciativa popular onde a sociedade brasileira vai dizer, através de assinaturas, se concorda que o território pesqueiro seja protegido. Também temos divulgado o trabalho dos pescadores, porque somos invisível nesse país. Parece que a sociedade não sabe de onde vem o peixe que gostamos de comer.

IHU On-Line – Você gostaria de acrescentar algo?

Elionice Sacramento – Gostaria de sugerir que as pessoas acessem o nosso blog, assinem o abaixo assinado pela Campanha da Regulamentação dos Territórios Pesqueiros, e compreendam a importância da pesca artesanal e dos pescadores e pescadoras.

* Publicado originalmente no site IHU On-Line.

Climate sceptics claim warming pause backs their view (BBC)

26 September 2013 Last updated at 00:47 GMT

By Matt McGrathEnvironment correspondent, BBC News, The Netherlands

Hurricane SandyCome hell or… An increased likelihood of extreme weather events is one predicted outcome of global warming, but some dispute the scale of expected effects

In the run up to a key global warming report, those sceptical of mainstream opinion on climate change claim they are “winning” the argument.

They say a slowing of temperature rises in the past 15 years means the threat from climate change is exaggerated.

But a leading member of the UN’s panel on climate change said the views of sceptics were “wishful thinking”.

Some of what the sceptics are saying is either wishful thinking or totally dishonest”

Prof Jean-Pascal van Ypersele, IPCC

The pause in warming was a distraction, he said, from the growing scientific certainty about long-term impacts.

Prof Jean Pascal van Ypersele spoke to BBC News ahead of the release of a six-yearly status report into global warming by the UN panel known as the Intergovernmental Panel on Climate Change, or IPCC.

Scientists and government representatives are currently meeting in Stockholm, Sweden, going through the dense, 31-page summary of the state of the physical science behind climate change.

When it is released on Friday, the report is likely to state with even greater certainty than before that the present-day, rapid warming of the planet is man-made.

Netherlands flood rescue simulationClimate change could profoundly impact the Netherlands, but sceptics remain influential there

But climate sceptics have focused their attention on the references to a pause or hiatus in the increase in global temperatures since 1998.

The sceptics believe that this slowdown is the most solid evidence yet that mainstream computer simulations of the Earth’s climate – climate models – are wrong.

These computer simulations are used to study the dynamics of the Earth’s climate and make projections about future temperature change.

“The sceptics now have a feeling of being on the winning side of the debate thanks to the pause,” said Marcel Crok, a Dutch author who accepts the idea that human activities warm the planet, but is sceptical about the scale of the effect.

“You are now starting to see a normalisation of climate science. Suddenly mainstream researchers, who all agree that greenhouse gases play a huge role, start to disagree about the cause of the pause.

“For me this is a relief, it is finally opening up again and this is good.”

The view that the sceptics have positively impacted the IPCC is supported by Prof Arthur Petersen, who is a member of the Dutch government team currently examining the report.

“The sceptics are good for the IPCC and the whole process is really flourishing because of this interaction over the past decades,” he told BBC News.

“Our best climate researchers are typically very close to really solid, sceptical scientists. In this sense scepticism is not necessarily a negative term.”

Others disagree.

Bart Verheggen is an atmospheric scientist and blogger who supports the mainstream view of global warming. He said that sceptics have discouraged an open scientific debate.

Crok

Dutch writer Marcel Crok is sceptical about the sensitivity of the atmosphere to carbon emissions

“When scientists start to notice that their science is being distorted in public by these people who say they are the champions of the scientific method, that could make mainstream researchers more defensive.

“Scientists probably think twice now about writing things down. They probably think twice about how this could be twisted by contrarians.”

Sensitive debate

In 2007, the IPCC defined the range for what’s termed “equilibrium climate sensitivity”. This term refers to the likely span of temperatures that would occur following a doubling of CO2 concentrations in the atmosphere.

The panel’s last report said temperatures were likely to rise within the range of 2C to 4.5C with a best estimate of 3C.

The new report is believed to indicate a range of 1.5C to 4.5C with no best estimate indicated.

Although that might not appear like much of a change, many sceptics believe it exposes a critical flaw.

“In the last year, we have seen several studies showing that climate sensitivity is actually much less than we thought for the last 30 years,” said Marcel Crok.

“And these studies indicate that our real climate shows a sensitivity of between 1.5C and 2C, but the climate models on which these future doom scenarios are based warm up three degrees under a doubling of CO2.”

But other researchers who are familiar with the text believe that the sceptics are reading too much into a single figure.

“Some of what the sceptics are saying is either wishful thinking or totally dishonest,” Prof van Ypersele, who is vice-chair of the IPCC, told BBC News.

“It is just a change in a lower border [of the range of temperature rise]. Even if this turns out to be the real sensitivity, instead of making the challenge extremely, extremely, extremely difficult to meet, it is only making it extremely, extremely difficult.

“Is that such a big change?”

Prof van Ypersele points out that many other aspects of the forthcoming report are likely to give greater certainty to the scale of impacts of a warming world. The predictions for sea level rise are likely to be considerably strengthened from 2007. There is also likely to be a clearer understanding of the state of sea ice.

Who are the climate sceptics?

Although there are only a small number of mainstream scientists who reject the established view on global warming, they are supported by a larger group of well resourced bloggers and citizen scientists who pore through climate literature and data looking for evidence of flaws in the hypothesis.

There are many different shades of opinion in the sceptical orbit. Some such as the group Principia Scientific reject the “myth” of greenhouse gas warming.

There are also political sceptics, such as some members of the Republican party in the US, who argue that climate science is a hoax or a conspiracy.

But there are also sceptical bloggers such as Anthony Watts and Andrew Montford who accept the basic science that adding carbon to the atmosphere can affect the temperature. They contest mainstream findings on the sensitivity of the climate to carbon and the future impacts on temperature.

The Dutch approach to sceptics

With around 20% of the country under sea level, the Dutch have a keen interest in anything that might affect their environment, such as climate change.

But scepticism about the human influence on global warming has been growing in the Netherlands, according to research from the OECD.

In a country where consensus is a key word, the government has taken a more inclusive approach to climate dissenters. To that end, they have funded Marcel Crok to carry out a sceptical analysis of the IPCC report.

In an effort to build bridges between sceptics and the mainstream they are also funding an initiative called climatedialogue.org which serves as a platform for debate on the science of global warming.

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IPCC climate report: humans ‘dominant cause’ of warming – and other articles (BBC)

27 September 2013 Last updated at 09:12 GMT

By Matt McGrathEnvironment correspondent, BBC News, Stockholm

Climate change “threatens our planet, our only home”, warns Thomas Stocker, IPCC co-chair

A landmark report says scientists are 95% certain that humans are the “dominant cause” of global warming since the 1950s.

The report by the UN’s climate panel details the physical evidence behind climate change.

On the ground, in the air, in the oceans, global warming is “unequivocal”, it explained.

It adds that a pause in warming over the past 15 years is too short to reflect long-term trends.

The panel warns that continued emissions of greenhouse gases will cause further warming and changes in all aspects of the climate system.

To contain these changes will require “substantial and sustained reductions of greenhouse gas emissions”.

Infographic

Projections are based on assumptions about how much greenhouse gases might be released

After a week of intense negotiations in the Swedish capital, the summary for policymakers on the physical science of global warming has finally been released.

The first part of an IPCC trilogy, due over the next 12 months, this dense, 36-page document is considered the most comprehensive statement on our understanding of the mechanics of a warming planet.

It states baldly that, since the 1950s, many of the observed changes in the climate system are “unprecedented over decades to millennia”.

Each of the last three decades has been successively warmer at the Earth’s surface, and warmer than any period since 1850, and probably warmer than any time in the past 1,400 years.

“Our assessment of the science finds that the atmosphere and ocean have warmed, the amount of snow and ice has diminished, the global mean sea level has risen and that concentrations of greenhouse gases have increased,” said Qin Dahe, co-chair of IPCC working group one, who produced the report.

Speaking at a news conference in the Swedish capital, Prof Thomas Stocker, another co-chair, said that climate change “challenges the two primary resources of humans and ecosystems, land and water. In short, it threatens our planet, our only home”.

Since 1950, the report’s authors say, humanity is clearly responsible for more than half of the observed increase in temperatures.

Dr Rajendra Pachauri said he was confident the report would convince the public on global climate change

But a so-called pause in the increase in temperatures in the period since 1998 is downplayed in the report. The scientists point out that this period began with a very hot El Nino year.

“Trends based on short records are very sensitive to the beginning and end dates and do not in general reflect long-term climate trends,” the report says.

Prof Stocker, added: “I’m afraid there is not a lot of public literature that allows us to delve deeper at the required depth of this emerging scientific question.

“For example, there are not sufficient observations of the uptake of heat, particularly into the deep ocean, that would be one of the possible mechanisms to explain this warming hiatus.”

“Likewise we have insufficient data to adequately assess the forcing over the last 10-15 years to establish a relationship between the causes of the warming.”

However, the report does alter a key figure from the 2007 study. The temperature range given for a doubling of CO2 in the atmosphere, called equilibrium climate sensitivity, was 2.0C to 4.5C in that report.

In the latest document, the range has been changed to 1.5C to 4.5C. The scientists say this reflects improved understanding, better temperature records and new estimates for the factors driving up temperatures.

In the summary for policymakers, the scientists say that sea level rise will proceed at a faster rate than we have experienced over the past 40 years. Waters are expected to rise, the document says, by between 26cm (at the low end) and 82cm (at the high end), depending on the greenhouse emissions path this century.

The scientists say ocean warming dominates the increase in energy stored in the climate system, accounting for 90% of energy accumulated between 1971 and 2010.

For the future, the report states that warming is projected to continue under all scenarios. Model simulations indicate that global surface temperature change by the end of the 21st Century is likely to exceed 1.5 degrees Celsius, relative to 1850.

Prof Sir Brian Hoskins, from Imperial College London, told BBC News: “We are performing a very dangerous experiment with our planet, and I don’t want my grandchildren to suffer the consequences of that experiment.”

What is the IPCC?

In its own words, the IPCC is there “to provide the world with a clear scientific view on the current state of knowledge in climate change and its potential environmental and socio-economic impacts”.

The offspring of two UN bodies, the World Meteorological Organization and the United Nations Environment Programme, it has issued four heavyweight assessment reports to date on the state of the climate.

These are commissioned by the governments of 195 countries, essentially the entire world. These reports are critical in informing the climate policies adopted by these governments.

The IPCC itself is a small organisation, run from Geneva with a full time staff of 12. All the scientists who are involved with it do so on a voluntary basis.

Document

PDF download IPCC Summary for Policymakers

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