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Guerreiros climáticos bloqueiam o maior porto de carvão do mundo (IPS)

1/10/2014 – 10h12

por Lyndal Rowlands, da IPS

canoa Guerreiros climáticos bloqueiam o maior porto de carvão do mundo

Nações Unidas, 21/10/2014 – Trinta ativistas contra a mudança climática oriundos de 12 pequenos países insulares do Oceano Pacífico bloquearam com suas canoas, junto com centenas de australianos em caiaques e pranchas de surf, o maior porto de exportação de carvão do mundo, em Newcastle, na Austrália. Organizado com apoio do grupo ecologista 350.org, com sede nos Estados Unidos, o ato, realizado no dia 17, atrasou a saída de oito dos 12 navios que passaram pelo porto durante as nove horas de bloqueio.

A intenção foi chamar a atenção para as consequências da mudança climática nesses países. Os ativistas, que se autodenominam Guerreiros Climáticos do Pacífico, eram de 12 países insulares do Pacífico, incluindo Fiji, Tuvalu, Tokelau, Micronésia, Vanuatu, Ilhas Salomão, Tonga, Samoa, Papua Nova Guiné e Niue. “Queremos que a Austrália recorde que faz parte do Pacífico e que somos uma família, e ter esta família significa que permanecemos juntos. Não podemos permitir que um dos irmãos mais velhos destrua tudo”, declarou à IPS Mikaele Maiava, um dos ativistas.

A Austrália é o quarto maior produtor de carvão no mundo. “Assim, queremos que a comunidade australiana, especialmente os líderes da Austrália, pensem em algo mais além de seus bolsos… na humanidade, não apenas para o povo australiano, mas para todos”, acrescentou Mikaele, nascido em Tokelau.

Ao discursar na inauguração de uma mina de carvão no dia 13, o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, disse que “o carvão é bom para a humanidade”. Porém, Mikaele discorda. “Falamos de humanidade. A humanidade tem a ver com as pessoas perderem sua terra? Sua cultura e identidade? Tem a ver com viver com medo de que as futuras gerações já não possam viver em uma ilha bonita? Essa é a resposta para o futuro?”, questionou o ativista.

Mikaele afirmou que ele e seus companheiros estão conscientes de que sua luta não se limita ao Pacífico, e que a mudança climática também afeta outros países do Sul em desenvolvimento. “Estamos conscientes de que essa luta não é só pelo Pacífico. A mensagem que queremos passar, sobretudo aos governantes, é que somos seres humanos. Essa luta não se trata só de nossa terra, mas é pela sobrevivência”, ressaltou.

Mikaele contou como seu país já sofre as consequências da mudança climática: “Vemos mudanças nos padrões climáticos e também vemos a ameaça para nossa segurança alimentar. É difícil gerar um futuro sustentável se a terra já não é tão fértil e os cultivos não crescem devido à invasão da água salgada”.

guerreros Guerreiros climáticos bloqueiam o maior porto de carvão do mundo

A costa de Tokelau sofre erosão. “A linha costeira está mudando. Há 15 anos, quando ia para a escola, podia caminhar em linha reta. Agora tenho que andar por uma linha torcida porque a praia sofreu a erosão”, contou Mikaele. Tokelau se converteu no primeiro país do mundo a utilizar 100% de energia renovável quando adotou a energia solar em 2012 para abastecer sua população, de aproximadamente 1.400 pessoas.

Mikaele e seus companheiros ativistas construíram com as próprias mãos as canoas que trouxeram para a Austrália para o protesto, o meio tradicional de transporte e pesca em seus países. Outra “guerreira” climática, Kathy Jetnil-Kijiner, das Ilhas Marshall, fez chorar o público presente na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro, ao ler um poema escrito por sua pequena filha, Matafele Peinam.

“Ninguém se mudará, ninguém perderá sua terra natal, ninguém se converterá em um refugiado da mudança climática. Ou deveria dizer ninguém mais. Aos ilhéus de Carteret, em Papua Nova Guiné, e aos de Taro, em Fiji, aproveito este momento para pedir-lhes desculpas”, afirmou Jetnil-Kijiner, se referindo aos que são considerados os primeiros refugiados climáticos do mundo.

O Fórum das Ilhas do Pacífico qualificou a mudança climática como “maior ameaça para os meios de vida, a segurança e o bem-estar dos povos” da região. Segundo Jetnil-Kijiner, “a mudança climática é uma ameaça imediata e grave para o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza em muitos países insulares do Pacífico, e para a própria sobrevivência de alguns”.

“Entretanto, esses países estão entre os menos capazes de se adaptar e responder a esta mudança, e as consequências que enfrentam são desproporcionais em relação à sua minúscula contribuição coletiva para as emissões mundiais” dos gases-estufa, ressaltou Jetnil-Kijiner. As autoridades das ilhas do Pacífico redobraram suas cobranças e desafiaram o governo australiano a não demorar mais na adoção de medidas contra a mudança climática.

“A Austrália é um país do Pacífico. Ao optar por desmantelar suas políticas climáticas, se retirar das negociações internacionais e seguir adiante com a expansão de sua indústria de combustíveis fósseis está totalmente em desacordo com o resto da região”, afirmou Simon Bradshaw, da organização Oxfam. “Os vizinhos mais próximos da Austrália identificam sistematicamente a mudança climática como seu maior desafio e prioridade absoluta. Portanto, é inevitável que as ações recentes de Canberra repercutam em sua relação com as ilhas do Pacífico”, acrescentou.

“Uma pesquisa recente encomendada pela Oxfam mostra que 60% dos australianos acreditam que a mudança climática tem consequências negativas na capacidade da população dos países mais pobres para cultivar alimentos e ter acesso a eles, chegando a 68% entre a faixa etária de 18 aos 34 anos”, destacou Bradshaw. Envolverde/IPS

(IPS)

A tática da “embromação climática” (Instituto Socioambiental)

21/10/2014 – 11h14

por Márcio Santilli, do ISA*

mudancasclimaticas1 A tática da “embromação climática”Nos meios diplomáticos, comenta-se que o Itamaraty teria informado a conferência da ONU sobre mudanças climáticas que o Brasil adiará a entrega de sua proposta formal sobre os compromissos que o país dispõe-se a assumir de redução das emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. Esse posicionamento inicial dos países definirá o rumo das negociações climáticas internacionais.

O Itamaraty deve alegar que os 90 dias entre a posse do novo governo, em janeiro, e data estabelecida para esse posicionamento (31/3/2015) seriam insuficientes para tomar pé das pendências relativas às negociações. Pode ser.

Mas também pode não ser, pois um dos postulantes é a própria presidente Dilma, que já deveria estar informada das negociações, enquanto que o programa de Aécio Neves apresenta diretrizes gerais sobre o tema, embora não traga detalhes para um posicionamento formal, o que não parece difícil de fazer em 90 dias. Qualquer presidente terá de se posicionar, desde o início do mandato, sobre muitas outras pendências urgentes.

Até parece razoável a suposta preocupação do Itamaraty em assegurar um prazo maior para a decisão. Na linguagem das negociações, no entanto, os retardatários sacrificam seu protagonismo político, deixando de influenciar os demais países e ficando a reboque daqueles que irão definir os marcos de um futuro acordo.

É bom lembrar que, há seis anos, na frustrante reunião da ONU em Copenhague, o presidente Lula anunciou uma meta brasileira de redução de emissões – entre 36,1% e 38,9% – baseada sobretudo na redução das taxas do desmatamento na Amazônia. Fomos o primeiro país a assumir esse compromisso, ainda que em caráter voluntário, entre os que não estavam obrigados a reduzir suas emissões pelo Protocolo de Quioto.

A proposta atendeu a pressões da sociedade civil e significou um empurrão presidencial sobre o posicionamento do Itamaraty, sempre resistente a comprometimentos do gênero. Por outro lado, influenciou outros governos a também avançar nas suas posições, ampliando as chances de um acordo significativo, que, infelizmente, não aconteceu.

marcio pequeno A tática da “embromação climática”

Agora que vários fatores ampliam as chances de um acordo até a conferência a ser realizada em Paris, em dezembro de 2015, o Brasil adota a tática do avestruz, ficando a reboque da dinâmica que será definida por países como a China e os EUA. Não se trata de dispor, ou não, de um bom motivo para justificar a protelação de sua posição, mas deveria tratar-se de dispor de uma estratégia – de país, não só de governo – para aproveitar os momentos mais favoráveis e influenciar positivamente negociações que serão decisivas para a sociedade brasileira e as futuras gerações.

Como não é crível que o Itamaraty desconheça a relevância dos diversos momentos das negociações, também se pode creditar a sua protelação ao crescimento das emissões brasileiras e os indícios da retomada das taxas do desmatamento da Amazônia. Diplomacia defensiva. Mas para nos defender de quem? De países que se apresentem com maior disposição para salvar o mundo dos piores desdobramentos das mudanças no clima? Não seriam elas a maior ameaça para nossa economia e a qualidade de vida do nosso povo?

Eis aí uma boa questão para o debate das eleições presidenciais: a que compromissos estarão dispostos, Aécio e Dilma? Apressar o passo para não perder o bonde? Ou embarcar na tática “embromatória”? Que estratégias adotariam para reverter a tendência de aumento das emissões brasileiras, frente a um acordo internacional cujo objetivo central será diminuir as emissões globais?

* Márcio Santilli é sócio fundador do ISA.

** Publicado originalmente na Folha.com e retirado do site Instituto Socioambiental.

(Instituto Socioambiental)

Chimpanzees in Uganda forced to steal from maize plantations to survive – video (The Guardian)

Source: PLOS One/Wild Chimpanzees on the Edge: Nocturnal Activities in Croplands

Video

The great apes are facing new challenges to coexist with humans. Their home, the Kibale national park, is increasingly being encroached as agricultural fields keep getting closer to the forest. For chimpanzees inhabiting the patch next to the fields, borders are risky areas. But the animals have devised a way to avoid confrontation with humans – they conduct nocturnal raids. This footage shows chimpanzees taking maize from a plantation inside the park

Os sem água de São Paulo (Adital)

22/10/2014 – 05h27

por Roberto Malvezzi, Gogó*

torneira Os sem água de São PauloA nordestina que assistia televisão começa a chorar quando vê o sofrimento de uma mulher paulistana da periferia, com a pia cheia de pratos, o vaso sanitário cheio de outras coisas, há dois dias sem tomar banho e sem saber como lidar com essa penúria de água.

Essa história ouvi na cidade de Canudos nesse sábado passado, aqui no sertão da Bahia, local simbólico da luta nordestina pela terra e pela água. Quem me contou foi o Pe. Alberto, pároco da cidade, durante a romaria de Canudos que acontece todos os anos.

Não queria estar na pele de Geraldo Alckmin quando essa eleição passar. Quando os “sem água” saírem às ruas, como fizeram em Cochabamba (Bolívia), em Rosário (Argentina) ou em tantas cidades nordestinas em outras épocas, a classe política vai conhecer o que é a fúria popular causada pela sede. Como se diz aqui pelo sertão “a fome e a sede tem cara de herege”.

O sofrimento humano causado pela falta d’água se generaliza em todo o país. Primeiro como resultado de um processo histórico de degradação e maltrato para com nossos mananciais. Segundo pela incapacidade total de nossas autoridades que tem poder de decisão de ver o que acontece e tomar medidas preventivas contra o pior. Terceiro porque a questão eleitoral não permite o debate sério que a cidade de São Paulo e outras regiões do país – como o São Francisco – terão que tomar ao menos para sobreviver, causando até piedade de uma senhora nordestina que sabe o que é passar uma vida labutando por um pouco de água. Hoje, no sertão de Canudos, ela está muito melhor que a paulistana.

O sofrimento humano deveria gerar solidariedade, não preconceitos e raivas. Prefiro a sensibilidade da nordestina de Canudos que todos os discursos feitos nessa eleição contra o Nordeste e seu povo. A voz das redes sociais, então, mesmo vindo de médicos, advogados, políticos, intelectuais, etc., espelha o que há de pior no ser humano. A lágrima da nordestina o que há de melhor no Nordeste e no povo brasileiro.

Mas, Alckmin que se proteja. Basta um palito de fósforo e essa água pega fogo.

* Roberto Malvezzi, Gogó, é da Equipe CPP/CPT do São Francisco. Músico. Filósofo e Teólogo.

** Publicado originalmente no site Adital.

(Adital)

62% do esgoto do País ainda tem como destino a natureza (Carta Capital)

23/10/2014 – 04h40

por Caio Luiz, para a Carta Capital

 62% do esgoto do País ainda tem como destino a natureza

Cerca de 100 milhões de brasileiros ainda não têm tratamento de esgoto devido, o que, para especialistas, mostra que as políticas de saneamento pararam no século de 19.

As cem maiores cidades do Brasil despejam cerca de 3 mil piscinas olímpicas de esgoto por dia e, segundo o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, 70% delas não tem 50% do sistema de saneamento instalado e em operação.

As informações foram divulgadas na palestra O Brasil das Águas – Saneamento, Mananciais e Oceanos durante a última edição do evento Diálogos Capitais – Inovação e Sustentabilidade, promovido por CartaCapital nesta terça, 21.

“O saneamento no Brasil parou no século 19”, disse o presidente após citar que 100 milhões de brasileiro ainda não têm esgoto tratado. “Os últimos indicadores, datados de 2012, apontam que 62% do esgoto ainda não encontra rede adequada para ser encaminhado a estações de tratamento.”

A perspectiva, de acordo com o Plano Nacional de Saneamento Básico do Governo Federal, é tornar a rede de esgoto universal em 2033. Carlos mencionou que, historicamente, o Brasil utiliza rios e oceanos como diluidores de esgoto e lamentou o estado praticamente inativo dos comitês de bacias hidrográficas.

O presidente criticou o atraso em São Paulo, que tem metade do estado com rede de esgoto apropriada. A Amazônia não chega a 10%. Rondônia e Pará têm menos de 3%.

Na crista dos dados da Trata Brasil, o professor do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental da USP Pedro Jacobi avaliou a gestão de recursos hídricos no Brasil como o resultado de um histórico de degradação ambiental. “Estamos mais focados em trazer água às casas do que em tratá-la como consequência”, argumentou.

Jacobi cobrou transparência dos governos e afirmou que há mal uso do dinheiro público em investimentos para o saneamento. “Os calendários e descontinuidades políticas acabam prejudicando a administração dos recursos hídricos.”

O estudioso afirma que não houve pressão popular suficiente para levar encanamento e tratamento às periferias, uma vez que os loteadores de bairros afastados se preocuparam em vender terrenos, não em trazer serviços. “Nosso histórico político de tutela patrimonialista nos faz ficar solidários e participativos apenas em momentos durante e pós-crise.”

Ricardo Rolim, diretor de relações institucionais, sustentabilidade e comunicação da Ambev, compareceu ao debate e lembrou que a indústria costuma figurar como vilã quando o tema é esgoto e tratamento de água. Defendeu, porém, que as empresas precisam criar um “círculo virtuoso” em toda a cadeia de produção. “De 2002 para cá, reduzimos em 38% o consumo de água da Ambev”, informou.

* Publicado originalmente no site Carta Capital.

(Carta Capital)

De onde vem a água que abastece sua casa? (Envolverde)

23/10/2014 – 10h05

por Redação da Envolverde

plataformaISA De onde vem a água que abastece sua casa?

O Instituto Socioambiental criou uma plataforma virtual que mostra qual é o sistema responsável pelo fornecimento de água de cada local de São Paulo.

A cada dia os fatos reafirmam que a crise hídrica em São Paulo é grave. O nível dos reservatórios que abastecem a região metropolitana caem e a população já enfrenta as consequências da falta de água.

A responsabilidade pelo desabastecimento de água recae sobre os órgãos públicos. Por outro lado, inúmeras campanhas incentivam o uso consciente deste recurso por parte da população.

Com o objetivo de levantar o maior número de dados possíveis e pressionar as autoridades, o Instituto Socioambiental (ISA) criou o site “De onde vem a água?”.

A plataforma pretende aproximar as pessoas de suas fontes de água e ampliar o conhecimento sobre a situação de abastecimento dos diferentes municípios da Região Metropolitana de São Paulo, que vivem a pior crise hídrica de sua história.

Por meio da inserção do CEP, é possível visualizar o manancial que abastece determinado local e conhecer um pouco mais sobre a realidade, os principais indicadores e o volume de armazenamento dos diferentes sistemas produtores de água da Região Metropolitana de São Paulo. Permite também conhecer um pouco mais sobre os indicadores de saneamento dos municípios.

A ferramenta foi desenvolvida pelo Instituto Socioambiental no âmbito do projeto Água@SP. A primeira versão do “De onde vem a água que você bebe?” foi desenvolvida pela Campanha de Olho nos Mananciais do ISA em 2008.

Com essa nova versão, espera-se ampliar o conhecimento sobre os mananciais e contribuir para a construção de um futuro seguro e sustentável para água de São Paulo.

Clique aqui e saibade onde vem a água que abastece sua casa. (Envolverde)

(Envolverde)

Crise da água afronta a ciência brasileira (Mundo Sustentável)

23/10/2014 – 03h29

por André Trigueiro*

Sistema Cantareira atinge volume zero em 2014 mes de junho20140515 0002 1024x682 Crise da água afronta a ciência brasileira

Não foi por falta de aviso.

Além do seu incomensurável capital natural, o Brasil construiu ao longo do tempo um robusto estoque de conhecimento científico a respeito de seus biomas, ecossistemas e bacias hidrográficas.

Gente do calibre de José Lutzenberger, Augusto Ruschi e Aziz Ab’Saber (dentre tantos outros que descortinaram novos e importantes horizontes de investigação científica) revelaram que a natureza se comporta como um sofisticado sistema interligado, onde certos gêneros de intervenção, aparentemente inofensivos, podem causar gigantescos estragos.

Não fosse a genialidade e o respeito que impuseram a partir de seus trabalhos científicos, seriam massacrados pelos poderosos da época.

Não foram poucos os políticos inescrupulosos e empresários gananciosos que tentaram a todo custo “desconstruir” (para usar uma palavra da moda) suas reputações.

Deixaram um legado reconhecidamente importante que deveria inspirar uma nova ética no modelo de desenvolvimento, especialmente mais cuidado na forma como certas políticas públicas são concebidas e aplicadas.

Portanto, é curioso imaginar o que Lutz, Ruschi e Ab’Saber diriam hoje sobre essa crise hídrica sem precedentes na história do Brasil?

Em 1980, ao publicar o livro com o sugestivo título “O Fim do Futuro?”, José Lutzenberger denunciava que “a perda da capa vegetal protetora, além de significar o desaparecimento dos habitats essenciais à sobrevivência da fauna e das espécies vegetais mais especializadas e preciosas, causa o desequilíbrio hídrico dos corpos d`água (…) Estamos preparando para o nosso país o mesmo destino que o do cordão subsaariano”.

Um dos primeiros a prever a escassez de água no mundo, Augusto Ruschi denunciava em sucessivos alertas, como nesse texto de 1986, os impactos causados pelo desmatamento sobre a vazão de água dos rios, especialmente na Amazônia:

“Há 35 anos, escrevi que estávamos caminhando para construir na Amazônia o segundo maior deserto do mundo. Hoje, a previsão vai se confirmando. No primeiro ano, depois que desmatam, é uma beleza: o solo continua fértil, produz-se muito. Mas, depois, a matéria orgânica é lixiviada para as profundezas do solo e planta nenhuma vai lá embaixo buscá-la. Forma-se o cerrado, depois a caatinga, e finalmente, o deserto”.

Um dos mais respeitados cientistas brasileiros, Aziz Ab’Saber denunciou abertamente o absurdo do novo Código Florestal ter sido aprovado há quase três anos no Congresso Nacional sem o respaldo da ciência. E previu consequências trágicas para os recursos hídricos.

“Trata-se de desconhecimento entristecedor sobre a ordem de grandeza das redes hidrográficas do território intertropical brasileiro” (…) Em face do gigantismo do território e da situação real em que se encontram os seus macro biomas – Amazônia Brasileira, Brasil Tropical Atlântico, Cerrados do Brasil Central, Planalto das Araucárias, e Pradarias Mistas do Brasil Subtropical – e de seus numerosos minibiomas, faixas de transição e relictos de ecossistemas, qualquer tentativa de mudança do Código Florestal tem que ser conduzido por pessoas competentes bioeticamente sensíveis”.

Como se sabe, não foi assim que aconteceu. Prevaleceram os interesses da bancada ruralista.

Em tempo: o desmatamento na Amazônia entre agosto e setembro aumentou 191%, segundo dados apurados pelo Instituto Imazon.

E os candidatos à Presidência, o que dizem?

Bem, a cada novo dia de campanha eleitoral o Brasil tem menos água e menos floresta. E as prioridades continuam sendo outras.

Mas o legado de Lutz, Ruschi e Ab’Saber segue incomodando. Até que alguém resolva prestar atenção e evitar uma catástrofe ainda maior.

Ouça o comentário sobre este assunto na Rádio CBN.

* André Trigueiro é jornalista com pós-graduação em Gestão Ambiental pela Coppe-UFRJ onde hoje leciona a disciplina geopolítica ambiental, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-RJ, autor do livro Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em Transformação, coordenador editorial e um dos autores dos livros Meio Ambiente no Século XXI, e Espiritismo e Ecologia, lançado na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, pela Editora FEB, em 2009. É apresentador do Jornal das Dez e editor chefe do programa Cidades e Soluções, da Globo News. É também comentarista da Rádio CBN e colaborador voluntário da Rádio Rio de Janeiro.

** Publicado originalmente no site Mundo Sustentável.

(Mundo Sustentável)

Epigenetics

Transgenerational effects of prenatal exposure to the 1944–45 Dutch famine – BJOG: An International Journal of Obstetrics & Gynaecology

Volume 120, Issue 5, pages 548–554, April 2013

MVE Veenendaal et al.

DOI: 10.1111/1471-0528.12136

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1471-0528.12136/full

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Mothers’ stress during 1998 ice storm shows up in children’s DNA, study says (Fox News)

Mothers' stress during 1998 ice storm shows up in children's DNA: study

File photo of the aftermath of an ice storm. (AP Photo/Matt Rourke)

Just how bad was an epic 1998 ice storm in Canada? You can read all about it in the DNA of kids who were born around that time.

An intriguing study in PLoS One finds that women who were especially stressed during the storm gave birth to kids whose immune cells have telltale signs of their mothers’ trouble, reports Raw Story.

The storm was brutal, leaving people without power for more than a month. Researchers at the time surveyed expectant moms to gauge their “objective” distress, measuring things such as how many days they went without electricity.

Then they tracked down their kids more than a decade later and found that moms who were in the most distress bore children whose DNA had specific markers as a result.

The genes affected are related to immune function and sugar metabolism. Toronto’s Globe and Mail has a nice explanation of what’s going on, with help from Suzanne King of McGill University.

It involves “epigenetics,” as opposed to genetics:

  • “An individual’s genetics are like a musical score, and what’s written comes from the mother and father. … Although nothing can change what’s written on the page, environmental factors act as an orchestral conductor might, amplifying some aspects and tempering others, leaving markings, or methylation of the DNA.”

This isn’t necessarily a bad thing.

A pregnant woman in a famine, for instance, might “amplify” traits that would give her child a better chance of surviving—traits that could then backfire in terms of health if the famine goes away.

It’s not clear what, if any, health effects the Canadian kids will see as a result, explains a post at McGill University. But given the genes affected, they might have a greater risk of developing asthma, diabetes, or obesity.

(You can blame your coffee craving on DNA, too.)

This article originally appeared on Newser: Moms’ Stress in Ice Storm Shows Up in Kids’ DNA

Climate change in the news (DISCCRS)

DISCCRS News – October 21, 2014 (Nancy Rose)

NEWS

2014 Stephen H. Schneider Award for Outstanding Climate Science Communication Bestowed Upon Dr. Jane Lubchenco – Climate One – October 16, 2014 – https://climate-one.org/content/2014-stephen-schneider-award-jane-lubchenco

1934 drought was worst of the last millennium, study finds – American Geophysical Union Press Release – October 14, 2014 – http://news.agu.org/press-release/1934-drought-was-worst-of-the-last-millennium-study-finds/

7 Underwater Surprises Exposed in Dried Out California Lakes – Mashable – October 16, 2014 – http://mashable.com/2014/10/16/7-underwater-secrets-found-in-dried-out-california-lakes/

Warming Earth heading for hottest year on record – Associated Press – October 20, 2014 – http://bigstory.ap.org/article/079ed0ae0f5049019ea25d8e1897c81e/another-month-another-global-heat-record-broken

IPCC corrects claim suggesting climate change would be good for the economy – Guardian – October 17, 2014 – http://www.theguardian.com/environment/2014/oct/17/ipcc-corrects-claim-suggesting-climate-change-would-be-good-for-the-economy

Ocean Acidification: Federal Response Under Way, but Actions Needed to Understand and Address Potential Impacts – U.S. Government Accountability Office Press Release – October 14, 2014 – http://www.gao.gov/products/GAO-14-736

Will we still be swimming in the sea in 2100? – New Scientist – October 15, 2014 – http://www.newscientist.com/article/mg22429914.100-will-we-still-be-swimming-in-the-sea-in-2100.html#.VEWUOCiv1sQ

Ice loss sends Alaskan temperatures soaring – Climate News Network – October 17, 2014 – http://www.climatenewsnetwork.net/2014/10/ice-loss-sends-alaskan-temperatures-soaring/

U.S. Takes Charge of Efforts to Cope with a Fast-Changing Arctic – ClimateWire (via Scientific American) – October 20, 2014 – http://www.scientificamerican.com/article/u-s-takes-charge-of-efforts-to-cope-with-a-fast-changing-arctic/

Cutting Global Warming Pollution Just Business as Usual at Some Major Companies – ClimateWire (via Scientific American) – October 17, 2014 – http://www.scientificamerican.com/article/cutting-global-warming-pollution-just-business-as-usual-at-some-major-companies/

Veteran green says emissions aren?t the only danger – Climate News Network – October 16, 2014 – http://www.climatenewsnetwork.net/2014/10/veteran-green-says-emissions-arent-the-only-danger/

Climate Change Takes Center Stage on Instagram – Climate Central – October 17, 2014 – http://www.climatecentral.org/news/climate-change-instagram-photography-18190

FORUM

Teaching argumentation in introductory climate, energy, and water courses – Science Education Solutions, Inc. – October 12, 2014 – http://disccrs.org/newsletter/ScienceEdSolutionsInc.pdf

Explanation of the Predicted Geoscience Workforce Shortage – American Geoscience Institute – Geoscience Currents #93 – October 16, 2014 – http://www.americangeosciences.org/workforce/currents/explanation-predicted-geoscience-workforce-shortage

REUTERS SUMMIT-G20 host Australia stumbling block to global climate change action – Reuters – October 17, 2014 – By Jane Wardell – http://www.reuters.com/article/2014/10/17/climatechange-summit-australia-g20-reute-idUSL3N0S42QV20141017

    Related: REUTERS SUMMIT-Can an oil and gas superpower lead on climate change? – Reuters – October 17, 2014 – By Valerie Volcovici and Ayesha Rascoe – http://www.reuters.com/article/2014/10/17/climatechange-summit-oil-policy-idUSL2N0S933V20141017

    Related: REUTERS SUMMIT-Pollution and scarce resources key green issues for firms – Reuters – October 17, 2014 – By Nina Chestney – http://www.reuters.com/article/2014/10/17/climatechange-summit-ambienta-reuters-su-idUSL6N0SB11S20141017

    Related: REUTERS SUMMIT-Lax emissions reporting makes green firms hard to find in emerging markets – Reuters – October 17, 2014 – By Himank Sharma and Sumeet Chatterjee – http://www.reuters.com/article/2014/10/17/climatechange-summit-emerging-idUSL3N0SB2UU20141017

Are we there yet? Scientists prepare for change of epoch – Reuters – October 17, 2014 – By Emma Anderson – http://www.reuters.com/article/2014/10/17/uk-science-world-epoch-idUSKCN0I61YS20141017

No silver bullet to tackle building emissions: CBRE – Reuters – October 17, 2014 – By Valerie Volcovici – http://www.reuters.com/article/2014/10/17/us-climatechange-summit-realestate-idUSKCN0I531120141017

Rising sea levels aren’t a scientific threat ? it’s happening outside my window – Guardian – October 16, 2014 – By James Woodford – http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/oct/16/rising-sea-levels-isnt-a-scientific-threat-its-happening-outside-my-window

What Universities Can Do About Climate Change – Huffington Post – September 24, 2014 – By Drew Gilpin Faust and John L. Hennessy – http://www.huffingtonpost.com/drew-gilpin-faust/post_8366_b_5871214.html

O papel do STF no cenário da crescente ameaça anti-indígena (Instituto Socioambiental)

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Blog do PPDS / Instituto Socioambiental

Maurício Guetta

Duas recentes decisões da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) acenderam o sinal de alerta para os povos indígenas. Pela primeira, foi desconstituída a Terra Indígena (TI) Guyraroká (MS), do povo Guarani-Kaiowá. Pela segunda, negou-se o direito dos Canela-Apãniekra à ampliação da TI Porquinhos (MA) (saiba mais).

Estaria o Poder Judiciário encampando a visão anti-indígena que prevalece cada dia com mais vigor no Legislativo e no Executivo? Ou seriam duas decisões isoladas? O que significam essas decisões para o futuro dos direitos dos povos indígenas no Brasil?

As ameaças anti-indígenas e a crescente importância do Judiciário para os direitos indígenas

A cada legislatura, a composição do Congresso Nacional mostra-se mais e mais anti-indígena. Basta verificar que, no pleito de 2014, foram eleitos nada menos do que 273 deputados federais e senadores considerados “ruralistas”, o que representa um aumento de 33% em relação à legislatura atual (veja aqui). Os parlamentares eleitos farão parte, a partir de 2015, do Congresso mais conservador desde 1964 (veja aqui).

O que explica esse cenário? Além de refletir, em parte, o pensamento predominante na maioria da população brasileira, o principal aspecto a ser considerado é que os grandes centros de poder econômico (setores bancário, armamentista, minerário, farmacêutico, da construção civil, do agronegócio etc.) encontraram, por meio da legislação infraconstitucional, meios de manejar o sistema democrático estabelecido pela Constituição de 1988, distorcendo as premissas basilares daquilo que deveria ser a nossa república democrática e, com isso, garantindo a apropriação do poder político no País, em violação ao preceito constitucional de que “todo poder emana do povo”.

As indevidas interferências do poder econômico nas eleições e também durante o mandato legislativo, como temos alertado (veja aqui), impactam de forma nefasta toda sociedade brasileira. Mas os maiores prejudicados certamente são as minorias que compõem a nossa sociedade plural e multiétnica, como índios, quilombolas e outros povos e comunidades tradicionais, que acabam reféns da falta de representatividade política, restando-lhes apenas os apelos à Nhanderú, na esperança de não ver seus direitos alijados pelo Legislativo (leia mais).

No Executivo, a coisa vai de mal a pior. Com o aumento das ingerências do poder privado sobre o Governo Federal, também decorrentes do exponencial aumento das verbas para financiar campanhas eleitorais (leia aqui), são frequentes as obras de infraestrutura violadoras de direitos, que garantem aos financiadores o retorno de seu “investimento” nas eleições, em detrimento do meio ambiente e dos povos tradicionais.

Além disso, o número de TIs declaradas e homologadas durante o Governo Dilma foi o mais baixo da história desde os tempos de ditadura militar (veja aqui), omissão estatal caracterizada pelo movimento indigenista como elemento indutor da violência contra indígenas no Brasil (leia aqui).

Não bastasse isso, tanto Aécio Neves quanto Dilma Rousseff já se comprometeram com alterações do processo de demarcação de TIs, cedendo às pressões da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O descaso dos dois candidatos foi novamente alvo de críticas da Articulação de Povos Indígenas do Brasil (APIB) (leia aqui).

Diante das crescentes ameaças do Legislativo e também do Executivo, resta aos povos tradicionais apenas o Poder Judiciário na tentativa de evitar o naufrágio da canoa indígena, mesmo que vez ou outra ele próprio promova retrocessos. Afinal, além de ter o poder/dever de garantir a efetividade dos direitos fundamentais, é a única porta estatal que permanece (entre) aberta.

Decisões recentes da 2.ª Turma do STF

As duas decisões recentes do STF sobre demarcação de TIs foram proferidas pela 2.ª Turma em Mandados de Segurança que objetivavam a anulação de portarias declaratórias do Ministério da Justiça.

Em ambas, entendeu-se pela aplicação automática de alguns dos critérios utilizados no julgamento do caso da TI Raposa-Serra do Sol (RR), de 2009, o que beira o absurdo jurídico e contraria frontalmente o entendimento do Pleno da própria Corte Suprema. É que esses parâmetros limitam-se única e exclusivamente àquele caso, como esclareceu o ministro Luís Roberto Barroso naquela oportunidade. “Os fundamentos adotados pela Corte não se estendem, de forma automática, a outros processos em que se discuta matéria similar”, aponta o voto do ministro. Recentemente, o próprio Pleno, em votação unânime, tratou de confirmar esse entendimento (leia mais).

Equívoco flagrante

No primeiro caso (RMS n.º 29087), anulou-se a Portaria n.º 3.219 do Ministério da Justiça (MJ), que havia reconhecido, em 2009, a TI Guyraroká (MS) como de ocupação tradicional indígena. O argumento utilizado pelo ministro Gilmar Mendes, que abriu divergência ao entendimento do ministro Ricardo Lewandowski, foi o do “marco temporal”, adotado no caso da TI Raposa-Serra do Sol (RR), segundo o qual a Constituição teria reconhecido aos indígenas apenas a posse das terras que estivessem sendo ocupadas em 5 de outubro de 1988. Assim, a ausência dos Guarani-Kaiowá na área nesta data seria fato capaz de, isoladamente, afastar seu direito à terra indígena. A posição de Mendes foi seguida pelos ministros Carmen Lúcia e Celso de Melo.

É flagrante o equívoco em se adotar tal teoria no Direito brasileiro, uma vez que, mesmo antes da referida data, a legislação já reconhecia aos índios a posse de suas terras. Mas, ainda que admitíssemos a sua validade, nem assim poderia ter ocorrido a sua aplicação neste caso específico. É que o povo indígena em questão foi expulso de suas terras tradicionais por projetos de colonização apoiados pelo próprio Estado em meados do século XX, fato este que afasta a aplicação da tese do “marco temporal”, como consta da própria decisão no caso Raposa-Serra do Sol: “A tradicionalidade da posse nativa, no entanto, não se perde onde, ao tempo da promulgação da Lei Maior de 1988, a reocupação apenas não ocorreu por efeito de renitente esbulho por parte de não-índios.”

Se os ministros da 2.ª Turma do STF pensam que garantirão segurança jurídica e propriedade privada na área, os gravíssimos conflitos na região mostram exatamente o contrário. Decisões como esta, além de potencializarem o já grande número de suicídios dos Guarani-Kaiowá, podem ser responsáveis pela continuidade do histórico de derramamento de sangue, gerando mais indefinições sobre o destino das terras em disputa e do próprio povo indígena (leia aqui).

Direitos imprescritíveis

Já no segundo caso (RMS n.º 29542), a mesma 2.ª Turma, dessa vez em decisão unânime, anulou a Portaria n.º 3.508/2009 do MJ, que ampliou a TI Porquinhos (MA), do povo indígena Canela-Apãniekra. Para tanto, os ministros aplicaram automaticamente a vedação de ampliação determinada à TI Raposa Serra do Sol e entenderam pela aplicação do prazo de prescrição de 5 anos (art. 54 da Lei 9.784/1999), que teria sido ultrapassado, já que a ampliação referia-se a uma área demarcada há mais de 30 anos.

Ocorre que a Constituição, em seu art. 231, § 4.º, estabeleceu muito claramente serem “imprescritíveis” os direitos dos indígenas sobre suas terras. A decisão, portanto, aplicou prazo de prescrição previsto em lei infraconstitucional contra a imprescritibilidade prevista pela Lei Maior, do que decorre a sua evidente inconstitucionalidade. É preciso compreender que a proteção constitucional conferida aos povos indígenas em relação às suas terras tem origem no fato de que a sua sobrevivência, organização social, costumes, línguas, crenças e tradições dependem diretamente dela. Também por isso os direitos dos povos indígenas sobre suas terras são “originários” e “imprescritíveis”.

Isso tudo sem contar que, em geral, o Mandado de Segurança é modalidade de ação com procedimento diminuto e simplório, sem a possibilidade de produção de provas ou debate sobre questões de fato (como a tradicionalidade da ocupação indígena, por exemplo), o que o torna via absolutamente inadequada para debater os complexos processos de demarcação de terras indígenas, na linha do que vêm decidindo o STF e também o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em contraponto, observa-se que os produtores rurais também se sentem injustiçados nos casos em que o reconhecimento de TIs gera a sua remoção das propriedades. Eles as adquiriram do próprio Estado (União ou Estados federados), que, no século passado, trabalhava sob a ótica colonizadora, no sentido de expulsar os indígenas de suas terras, incentivar o desmatamento e depois destiná-las à produção rural, mediante a transferência de títulos de propriedade.

Nesses casos, opiniões começam a convergir: as TIs devem, sim, ser demarcadas e os proprietários dos imóveis rurais devem ser devidamente indenizados, com base no art. 37, § 6.º, da Constituição, ante a responsabilização objetiva do Estado por seus atos, afastando-se a vedação prevista no art. 231, § 6.º, sobre a indenização pela terra nua.

Se a 2.ª Turma do STF, a exemplo dos Poderes Legislativo e Executivo, caminha para o retrocesso em matéria de Direito Indígena, é preciso que o Pleno da Corte Suprema não vire as costas aos direitos constitucionais dos povos e comunidades tradicionais, em constante e crescente ameaça.

Maurício Guetta é advogado e assessor do Programa de Política e Direito Socioambiental (PPDS) do ISA.

Especialistas criticam problemas no acordo ortográfico (Agência Brasil)

Assunto está em debate na Comissão de Educação do Senado

O professor Pasquale Cipro Neto defendeu nesta quarta-feira (22) revisão no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. “O texto do acordo é tão cheio de problema que foi preciso a Academia [Brasileira de Letras] publicar nota explicativa [sobre pontos do acordo]. Por que foi preciso isso? Porque há problemas”, ressaltou o professor, ao participar do segundo dia de debates sobre o assunto na Comissão de Educação do Senado.

Segundo Pasquale, o Brasil saiu na frente dos demais países signatários na implementação do acordo impedindo uma adoção simultânea da nova regra. Para ele, houve atropelo e falta de organização do país no processo. “Nós não podemos ir adiante com um texto que carece de polimento, soluções concretas”, disse.

As diversas situações do uso do hífen, considerado pelo professor uma das grandes fragilidades da norma, foi um dos pontos mais criticados. Para Pasquale Neto, no texto do acordo, “o hífen foi maltratado, mal resolvido”. A seu ver, a questão precisa ser solucionada. De acordo com ele, é inexplicável o fato da palavra “pé-de-meia” ser escrita com hífen e “pé de moleque”, não.

Para a professora Stella Maris Bortoni de Figueiredo Ricardo, integrante da Associação Brasileira de Linguística (Abralin), qualquer sugestão de mudança deve ser acordada com os países signatários. “A Abralin recomenda que se consolide o Acordo Ortográfico de 1990, sem que haja nenhuma alteração unilateral. Qualquer alteração que se queira fazer no acordo, que seja feito no âmbito da CPLP  [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] e do Iilp [Instituto Internacional da Língua Portuguesa]”, defendeu.

Para debater as sugestões visando a melhorar o acordo, a Comissão de Educação do Senado criou, em 2013, grupo técnico de trabalho formado pelos professores Ernani Pimentel e Pasquale Cipro Neto, que deverão apresentar uma síntese em março de 2015. Por interferência da comissão, a implantação definitiva foi adiada de janeiro de 2013 para janeiro de 2016 por decreto da presidenta Dilma Rousseff.

Na rodada de ontem (21) o presidente do Centro de Estudos Linguísticos da Língua Portuguesa, Ernani Pimentel, polemizou a discussão ao cobrar maior simplificação gramatical. Ele lidera movimento para adoção de critério fonético na ortografia, ou seja, a escrita das palavras orientada pela forma como se fala. Por esse critério, a palavra “chuva”, por exemplo, seria escrita com x (xuva), sem preocupação em considerar a origem. Para o professor, a simplificação evitaria que as novas gerações sejam submetidas a “regras ultrapassadas que exigem decoreba”.

A sugestão foi rechaçada pelo gramático Evanildo Bechara que considera que a simplificação fonética, “aparentemente ideal”, resultaria em mais problemas que soluções, pois extinguiria as palavras homófonas – aquelas que têm o mesmo som, mas com escrita e significados diferentes. Segundo ele, as palavras seção, sessão e cessão, ficariam reduzidas a uma só grafia – sesão –, o que prejudicaria a compreensão da mensagem. “Aparentemente teríamos resolvido um problema ortográfico, mas criaríamos um problema maior na função da língua, que é a comunicação entre as pessoas”, lembrou.

O gramático avalia que o acordo reúne qualidades e representa um avanço para o uso do idioma e para unificar regras entre os países lusófonos. Ele ressaltou que os países que assinaram o acordo poderão, depois da implementação das novas regras, aprovar modificações e ajustes, caso necessário.

Para o presidente da comissão, senador Cyro Miranda (PSDB-GO), a intenção dos debates não é alterar o acordo, uma vez que, segundo ele, o papel cabe ao Executivo, em entendimento com os demais países signatários. “Nossa obrigação é chamar as pessoas envolvidas para dar opinião. Mas quem toma a frente é o Ministério da Educação e o Ministério de Relações Exteriores. Estamos mostrando as dificuldades e se, for possível, vamos contribuir”, disse.

(Karine Melo / Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2014-10/especialistas-criticam-problemas-no-acordo-ortografico

Disponíveis em versão português diretrizes internacionais sobre uso de animais (Jornal da Ciência)

Uma das diretrizes é melhorar o relato da investigação feita com animais

O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA) divulgou, versão em português, as diretrizes  elaboradas pelo Centro para Substituição, Aperfeiçoamento e Redução de Animais em Pesquisa (NC3Rs, na sigla em inglês) informando como relatar, em artigos científicos, dados relevantes sobre o uso animal para fins científicos, seguindo os parâmetros internacionais.

As diretrizes ARRIVE guidelines (Animal Research: Reporting of In Vivo Experiments) foram desenvolvidas como parte de uma iniciativa do NC3Rs para melhorar o desenho, a análise e o manuscrito de investigação com animais – maximizando a informação publicada e minimizando estudos desnecessários. As diretrizes foram publicadas na revista PLOS Biology em Junho 2010 e são atualmente endossadas por revistas científicas, agências de financiamento e sociedades científicas.

Uma das diretrizes é melhorar o relato da investigação feita com animais. Outra é melhorar a comunicação das observações científicas para toda comunidade científica.

Acesse as diretrizes ARRIVE em português.

(Jornal da Ciência)

Should the Japanese give nuclear power another chance? (Science Daily)

Date: October 23, 2014

Source: ResearchSEA

Summary: On September 9, 2014, the Japan Times reported an increasing number of suicides coming from the survivors of the March 2011 disaster. In Minami Soma Hospital, which is located 23 km away from the power plant, the number of patients experiencing stress has also increased since the disaster. What’s more, many of the survivors are now jobless and therefore facing an uncertain future.


On September 9, 2014, the Japan Times reported an increasing number of suicides coming from the survivors of the March 2011 disaster. In Minami Soma Hospital, which is located 23 km away from the power plant, the number of patients experiencing stress has also increased since the disaster. What’s more, many of the survivors are now jobless and therefore facing an uncertain future.

This is not the first time that nuclear power has victimized the Japanese people. In 1945, atomic bombs exploded in Hiroshima and Nagasaki, creating massive fears about nuclear power in the Japanese population. It took 20 years for the public to erase the trauma of these events. It was then — in the mid 1960s(?) — that the Fukushima Daiichii Nuclear Power Plant was built.

According to Professor Tetsuo Sawada, Assistant Professor in the Laboratory of Nuclear Reactors at Tokyo University, it took a lot of effort to assure people that nuclear power was safe and beneficial. The first step was a legal step: In 1955, the Japanese government passed a law decreeing that nuclear power could only be used for peaceful purposes.

“But that law was not enough to assure people to accept the establishment of nuclear power,” said Prof. Sawada.

He explained that the economy plays an important role in public acceptance of nuclear power. Through the establishment of nuclear power plants, more jobs were created, which boosted the economy of the Fukushima region at that time.

“Before the Fukushima disaster, we could find many pro-nuclear people in the area of nuclear power plants since it gave them money,” said Prof. Sawada.

Now, more than forty years have passed and the public’s former confidence has evolved into feelings of fear about nuclear power and distrust toward the government.

According to a study conducted by Noriko Iwai from the Japanese General Social Survey Research Center, the Fukushima nuclear accident has heightened people’s perception of disaster risks, fears of nuclear accident, and recognition of pollution, and has changed public opinion on nuclear energy policy.

“Distance from nuclear plants and the perception of earthquake risk interactively correlate with opinions on nuclear issues: among people whose evaluation of earthquake risk is low, those who live nearer to the plants are more likely to object to the abolishment of nuclear plants,” said Iwai.

This finding is in line with the perception of Sokyu Genyu, a chief priest in Fukujuji temple, Miharu Town, Fukushima Prefecture. As a member of the Reconstruction Design Council in Response to the Great East Japan Earthquake, he argued that both the Fukushima Daiichi and Daini nuclear power plants should be shut down in response to the objection of 80% of Fukushima residents.

However, the Japanese government, local scientists and international authorities have announced that Fukushima is safe. Radiation levels are below 1mSv/y, a number that, according to them, we should not be worried about. But the public do not believe in numbers.

But Genyu was not saying that these numbers are scientifically false. Rather, he argues that the problem lies more in the realm of social psychology. Despite the announcement about low-radiation levels, the Japanese people are still afraid of radiation.

“It is reasonable for local residents in Fukushima to speak out very emotionally. Within three months of the disaster, six people had committed sucide. They were homeless and jobless, ” said Genyu.

It is heart-breaking to know that victims of the Fukushima Daiichi nuclear accident died not because of radiation, but instead because of depression. Besides the increasing number of suicides, the number ofpatients suffering from cerebrovascular disease (strokes)has also risen. In Minami-Soma Hospital, the population of stroke patients increased by more than 100% after the disaster.

Local doctors and scientists are now actively educating students in Fukushima, convincing them that the radiation will not affect their health.

Dr. Masaharu Tsubokura, a practicing doctor at Minami-Soma Hospital, has been informing students that Fukushima is safe. But sadly, their responses are mostly negative and full of apathy.

“I think the Fukushima disaster is not about nuclear radiation but is rather a matter of public trust in the technology ,” said Dr. Tsubokura.

Dr. Tsubokura has given dosimeters, a device used to measure radiation, to children living in Minami-Soma city. But apparently, this was not enough to eliminate people’s fears.

In 2012, Professor Ryogo Hayano, a physicist from the University of Tokyo, joined Dr. Tsubokura in Minami-Soma Hospital and invented BABYSCAN technology, a whole-body scanning to measure radiation in small children as well as to allay the fears of Fukushima parents.

“BABYSCAN is unnecessary but necessary. It is unnecessary because we know that the radiation is low. But it is necessary to assure parents that their children are going to be okay,” said Prof. Hayano.

After witnessing the fears of the Fukushima people, Prof. Hayano thinks that nuclear power is no longer appropriate for Japan. He believes that the government should shut down nuclear power plants.

“As a scientist, I know that nuclear power is safe and cheap. But looking at the public’s fear in Fukushima, I think it should be phased out,” said Prof. Hayano.

But, does the government care about the public when it comes to politics?

It has only been three years since the disaster and Prime Minister Shinzo Abe has been keen to revive the country’s nuclear power plants. The operations of more than 50 nuclear power plants in Japan have been suspended because of the Daiichi power plant meltdown.

Last month, Japan’s Nuclear Regulation Authority approved the reopening of a power plant in Sendai for 2015.

Without swift influx of substantial aid, Ebola epidemic in Africa poised to explode (Science Daily)

Date: October 23, 2014

Source: Yale University

Summary: The Ebola virus disease epidemic already devastating swaths of West Africa will likely get far worse in the coming weeks and months unless international commitments are significantly and immediately increased, new research predicts.

Artist’s conception (stock illustration). Credit: © Jim Vallee / Fotolia

The Ebola virus disease epidemic already devastating swaths of West Africa will likely get far worse in the coming weeks and months unless international commitments are significantly and immediately increased, new research led by Yale researchers predicts.

The findings are published in the Oct. 24 issue of The Lancet Infectious Diseases.

A team of seven scientists from Yale’s Schools of Public Health and Medicine and the Ministry of Health and Social Welfare in Liberia developed a mathematical transmission model of the viral disease and applied it to Liberia’s most populous county, Montserrado, an area already hard hit. The researchers determined that tens of thousands of new Ebola cases — and deaths — are likely by Dec. 15 if the epidemic continues on its present course.

“Our predictions highlight the rapidly closing window of opportunity for controlling the outbreak and averting a catastrophic toll of new Ebola cases and deaths in the coming months,” said Alison Galvani, professor of epidemiology at the School of Public Health and the paper’s senior author. “Although we might still be within the midst of what will ultimately be viewed as the early phase of the current outbreak, the possibility of averting calamitous repercussions from an initially delayed and insufficient response is quickly eroding.”

The model developed by Galvani and colleagues projects as many as 170,996 total reported and unreported cases of the disease, representing 12% of the overall population of some 1.38 million people, and 90,122 deaths in Montserrado alone by Dec. 15. Of these, the authors estimate 42,669 cases and 27,175 deaths will have been reported by that time.

Much of this suffering — some 97,940 cases of the disease — could be averted if the international community steps up control measures immediately, starting Oct. 31, the model predicts. This would require additional Ebola treatment center beds, a fivefold increase in the speed with which cases are detected, and allocation of protective kits to households of patients awaiting treatment center admission. The study predicts that, at best, just over half as many cases (53,957) can be averted if the interventions are delayed to Nov. 15. Had all of these measures been in place by Oct. 15, the model calculates that 137,432 cases in Montserrado could have been avoided.

There have been approximately 9,000 reported cases and 4,500 deaths from the disease in Liberia, Sierra Leone, and Guinea since the latest outbreak began with a case in a toddler in rural Guinea in December 2013. For the first time cases have been confirmed among health-care workers treating patients in the United States and parts of Europe.

“The current global health strategy is woefully inadequate to stop the current volatile Ebola epidemic,” co-author Dr. Frederick Altice, professor of internal medicine and public health added. “At a minimum, capable logisticians are needed to construct a sufficient number of Ebola treatment units in order to avoid the unnecessary deaths of tens, if not hundreds, of thousands of people.”

Other authors include lead author Joseph Lewnard, Martial L. Ndeffo Mbah, Jorge A. Alfaro-Murillo, Luke Bawo, and Tolbert G. Nyenswah.

The National Institutes of Health funded the study.


Journal Reference:

  1. Joseph A Lewnard, Martial L Ndeffo Mbah, Jorge A Alfaro-Murillo, Frederick L Altice, Luke Bawo, Tolbert G Nyenswah, Alison P Galvani. Dynamics and control of Ebola virus transmission in Montserrado, Liberia: a mathematical modelling analysis. Lancet Infectious Diseases, October 24, 2014 DOI:10.1016/S1473-3099(14)70995-8

Cruz Vermelha prevê ao menos quatro meses para controlar ebola (Agência Brasil)

A epidemia já causou mais de 4,5 mil mortes na África Ocidental

A epidemia de ebola vai demorar pelo menos quatro meses para ser contida se todas as medidas necessárias forem tomadas, disse hoje (22) o responsável geral da Cruz Vermelha, Elhadj As Sy, alertando para “o preço da inação”. A epidemia já causou mais de 4,5 mil mortes na África Ocidental e os especialistas alertam que a taxa de infecção poderá chegar a 10 mil por semana no início de dezembro.

Ainda não há vacina aprovada para o ebola, que também atingiu profissionais da saúde na Espanha e nos Estados Unidos.

Elhadj As Sy listou uma série de medidas que poderiam ajudar a colocar o ebola sob controle, incluindo “um bom isolamento, bom tratamento dos casos confirmados, e bom, seguro e digno enterro às pessoas falecidas”. “Será possível, como era possível no passado, conter esta epidemia dentro de quatro a seis meses” se a resposta for adequada, acrescentou.

“Eu acho que esta é a nossa melhor perspectiva e nós estamos fazendo todo o possível para mobilizar nossos recursos e nossas capacidades para travar o surto”, destacou. As Sy, que falava em uma conferência da Cruz Vermelha da Ásia-Pacífico, acrescentou que “há sempre um preço pela inação”.

Novas medidas serão adotadas hoje nos Estados Unidos, entre as quais os voos dos países mais afetados – Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri – serão encaminhados para cinco aeroportos e os passageiros passarão por exames mais completos de saúde.

Entretanto, especialistas que escrevem para a revista The Lancet, disseram, na terça-feira (21), que a triagem dos passageiros nos aeroportos de saída seria uma opção melhor do que monitorá-los no destino da viagem.

(Agência Lusa / Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2014-10/cruz-vermelha-serao-necessarios-pelo-menos-quatro-meses-para-controlar

O meio ambiente e os presidenciáveis (Mundo Sustentável)

24/10/2014 – 12h18

por André Trigueiro*

AecioDilma O meio ambiente e os presidenciáveis

Há pouco mais de uma semana, antes do reinício da campanha eleitoral visando o 2º turno da disputa presidencial, foi publicado no site Mundo Sustentável uma crítica aos candidatos pela falta de clareza das propostas ambientais. Água, lixo, florestas, clima, energia e transportes foram alguns dos temas ausentes no 1º turno e que justificaram o texto publicado. Pedimos então às campanhas de Dilma e Aécio que respondessem livremente às críticas e nos enviassem suas propostas em relação aos temas levantados pela coluna.

A coluna fez contatos com a campanha de Dilma por e-mail e telefone sobre esses questionamentos desde o último dia 10 de outubro, mas não recebeu resposta. Dessa forma, colocaremos o pronunciamento feito pela presidente Dilma em Nova York, por ocasião da Cúpula do Clima, em 24 de setembro (leia também aqui matéria do G1 sobre o discurso).Veja mais abaixo.

Que as posições assumidas pelos candidatos possam ser de alguma forma úteis aos nossos leitores nessa reta final de campanha.

Veja abaixo a resposta enviada pela campanha de Aécio e assinada por Fabio Feldmann e José Carlos Carvalho ao último post da coluna.

“Água:

Em relação ao tema, o Plano o tratou com o título “A urgente agenda das águas”. E como você pode verificar neste link, sintetizamos as nossas propostas:

• Fortalecimento do Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos. Atenção especial deve ser dada ao impacto do aquecimento global no ciclo hidrológico, com o objetivo de estabelecer políticas de adaptação e mitigação em relação ao risco de desastres naturais, tais como enchentes, inundações e grandes deslizamentos;
• Estabelecer metas de redução de desperdício nas redes públicas com calendário determinado, com disponibilização de linhas de crédito específicas para estimular novas tecnologias de gestão de redes;
• Estimular, em conjunto com estados e municípios, a implantação de medidores individuais;
• Editar normas para reuso de água;
• Dar atenção especial à Política de Pagamento por Serviços Ambientais para os produtores rurais que conservam a vegetação protetora dos recursos hídricos.

De se assinalar que alguns dos seus comentários, ao fazer a pergunta, apresentam uma enorme identidade com o que escrevemos, conforme segue:

Compromissos:

• O Brasil está vivendo, pela primeira vez na sua história, o advento de graves crises de água, de modo que é necessário que esse tema seja reforçado na agenda política brasileira. Isso significa, claramente, o enfrentamento do problema de uma perspectiva holística, que permita mudar a gestão dos nossos recursos hídricos. Temos já no Brasil uma legislação que permite um avanço significativo por meio dos comitês de bacia, enquadramento dos corpos d’água e uma série de outros instrumentos. A existência da Agência Nacional de Águas (ANA) foi um passo importante, e temos que aproveitar o capital intelectual que ela possui para avançar na implementação das políticas públicas. Atenção especial deve ser dada à gestão de águas subterrâneas em conjunto com os estados a quem cabe, em última instância, a sua responsabilidade.

• Estudos importantes mostram que muitas cidades do mundo têm o abastecimento de água vinculado à existência de áreas florestadas. Por essa razão, entendemos que é necessário garantir a proteção dessas áreas por meio da manutenção ou ampliação de unidades de conservação, de modo que devemos estimular a sinergia entre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc) e a Política Nacional de Recursos Hídricos, garantindo, assim, a qualidade e a vazão necessária ao abastecimento de água das cidades brasileiras.

• Hoje, a questão da água está definitivamente presente na agenda da sociedade e no meio empresarial, cabendo ao Governo Federal estabelecer políticas públicas voltadas à gestão eficiente desses recursos. O consumidor tem ciência da escassez existente em relação à água e, uma vez portador das informações, tende a privilegiar bens e serviços oferecidos com os devidos cuidados. Por sua vez, na esfera internacional, o tema adquiriu um peso estratégico, de modo que o Brasil deverá exercer liderança para que a comunidade internacional avance no tratamento em termos dos cuidados específicos que devem ser conferidos ao assunto. É bom lembrar que a água-doce é considerada, por importantes entidades acadêmicas, como um dos grandes limites do planeta. Destaca-se ainda a importância da cooperação com os países vizinhos, com os quais compartilhamos as grandes bacias hidrográficas dos Rios Amazonas e Prata.

Também vale a pena assinalar que no item “Sustentabilidade, Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente”, existe uma proposta de inclusão de critérios de sustentabilidade nos projetos habitacionais, com o objetivo de estimular habitações sustentáveis em termos de conforto térmico, saúde e segurança dos materiais, eficiência energética, uso eficiente e reuso de água, coleta seletiva e utilização de água de chuva.

Lixo:

Em relação ao tema, assumimos alguns compromissos e propostas no item “Cidades Sustentáveis e Mobilidade Urbana”.

• As exigências contidas nas legislações devem se tornar instrumentos eficazes para garantir melhor qualidade de vida aos cidadãos. Assim, o Governo Federal articulará, na sua esfera, ações que assegurem a efetividade dos planos municipais de mobilidade urbana, de gestão de resíduos sólidos, entre outros. Em relação aos estados, promover planos metropolitanos, levando em conta que cabe a eles legislar sobre essa matéria.

• As políticas econômicas vão viabilizar e estimular claramente políticas urbanas inovadoras, estimulando o transporte público sustentável, o que inclui, entre outras iniciativas, a adoção de combustíveis renováveis. E na gestão de resíduos, adotaremos estímulos tributários para viabilizar a logística reversa.

• Apoiar os municípios na implantação de projetos de gestão de resíduos, incluindo a coleta seletiva, a reciclagem e a destinação final ambientalmente adequada.

Também vale a pena assinalar que no item “Sustentabilidade, Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente”, existem as seguintes propostas:

• Implementar Política Nacional de Resíduos Sólidos na perspectiva de estimular a economia circular no Brasil (reciclar, reutilizar e remanufaturar sempre que possível).

• Implantar Política Nacional de Educação Ambiental em conjunto com o Ministério da Educação, bem como com os estados e municípios. Atenção especial deve ser dada ao consumo consciente.

Em relação ao consumo consciente, vale ressaltar que o Plano de Governo também faz menção a ele na área de “Direitos do Consumidor e Defesa da Concorrência”.

Florestas:

A questão das florestas está inclusa principalmente em “Política Florestal”, no item “Sustentabilidade, Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente”:

• Implantar uma Política Nacional de Florestas, com ênfase no estímulo à recuperação das áreas previstas no Código Florestal, inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e constantes do Programa de Regularização Ambiental (PRA). Promoção do manejo florestal sustentável das florestas tropicais e implantação de um programa de florestas plantadas, que deve contemplar a expansão da indústria de base florestal e o cultivo de espécies de madeiras nobres de ciclo longo. Fazer investimentos em pesquisa de silvicultura de árvores nativas.

• Dar atenção especial às iniciativas de concessão florestal, utilizando as florestas públicas e as unidades de conservação de uso sustentável, visando valorar economicamente a floresta em pé e sedentarizar a atividade econômica madeireira, reduzindo a oferta de madeira ilegal, “legal” fraudada e legal não sustentável.

• Desenvolver um programa de formação de corredores ecológicos com a utilização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA), de forma a garantir a conectividade das UCs e áreas com fragmentos florestais significativos.

• Estabelecer parcerias com os Órgãos Estaduais de Meio Ambiente (Oemas) e a sociedade civil para monitoramento dos biomas brasileiros, a exemplo do que é realizado na Mata Atlântica e no bioma amazônico.

Além disso, na introdução do Plano, reconhecemos que parte significativa da biodiversidade brasileira está associada aos ecossistemas florestais, na medida em que temos em nosso território a maior porção de floresta tropical do mundo e grande extensão de terras com vocação para a silvicultura. Essa realidade impõe a necessidade de uma robusta política florestal, que exige do Governo Federal, tendo em vista a nova Lei Florestal brasileira, apoiar estados, municípios e produtores rurais para o cumprimento à obrigatoriedade de implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA) nas propriedades rurais. Isso deve ser feito de forma que a recuperação da reserva legal, das áreas de preservação permanente e de uso restrito e o reflorestamento com finalidade múltipla (ecológica e econômica) ocorram no contexto mais amplo da restauração dos ecossistemas afetados pela ação antrópica.

Clima:

Em relação ao tema, reconhecemos, logo na introdução do Plano, que:

Um dos maiores desafios deste início de século é o enfrentamento do aquecimento global. As consequências do aumento da temperatura média do planeta são dramáticas na vida das pessoas em todo o mundo, bem como na economia dos países, que devem assumir sua responsabilidade em duas direções complementares.

A primeira, no campo da mitigação, diminuindo as emissões de gases efeito estufa (GEE). No Brasil, vamos manter a redução do desmatamento da Amazônia, do Cerrado e dos demais biomas, bem como assegurar uma matriz energética limpa, uma agricultura de baixo carbono e uma boa gestão de resíduos.

A segunda, no campo da adaptação, vamos preparar o país para os impactos da mudança do clima com estratégias que aumentem a capacidade de enfrentar os incidentes climáticos graves como enchentes, inundações, ondas de calor e secas prolongadas.

Vamos priorizar a transição para uma economia de baixo carbono. Isto significa um papel protagonista para o poder público em termos de adoção de novas políticas que complementem as estratégias de comando e controle.

Em termos práticos, adotaremos instrumentos econômicos que estimulem, efetivamente, uma agricultura de baixo carbono, padrões rigorosos de eficiência energética, conservação da biodiversidade e conservação do solo e água. Utilizaremos o poder de compras governamentais mediante ampliação das práticas de licitação sustentável no país, uma vez que representam uma parte expressiva do PIB nacional. Com isso, estaremos viabilizando, a médio prazo, a economia brasileira a produzir bens e serviços sustentáveis, garantindo-lhes acesso a mercados internacionais.

Compartilhamos do entendimento, hoje em debate, de que é fundamental a precificação do carbono, caso se queira assegurar o compromisso internacional de admitir um aumento da matriz energética menos dependente das fontes fósseis e garantir a redução do desmatamento dos biomas brasileiros. Não se pode esquecer que os próximos quinze anos são absolutamente essenciais para que se possa reduzir drasticamente as emissões de GEE no planeta.

A comunidade internacional assumiu o compromisso de oferecer um novo tratado em 2015, em Paris, que assegure a estabilidade climática do planeta, com o objetivo de fixar limites globais para a emissão de GEE. Além disso, nesse mesmo ano, haverá a pactuação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável em substituição aos Objetivos do Milênio.

Vamos desempenhar um papel de vanguarda nos encaminhamentos dessas questões na agenda internacional.

À frente do governo brasileiro, o presidente da República vai assumir pessoalmente essa agenda, procurando resgatar a liderança brasileira junto a outros chefes de Estado, a exemplo do que Fernando Henrique Cardoso fez quando da criação do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima. Assim, o Brasil estará atuando com firmeza nos desafios globais planetários, tais como a mudança do clima, os oceanos, a conservação da biodiversidade, a proteção da camada de ozônio, enfim, todos aqueles dos quais dependem as futuras gerações.

Reside aí o grande diferencial do desenvolvimento sustentável que adotaremos: pensar sempre no horizonte de tempo das futuras gerações.

Além disso, vale a pena assinalar que no item “Sustentabilidade, Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente”, afirmamos as seguintes propostas:

• Posição de liderança da Presidência da República nas questões de sustentabilidade, visando garantir um efetivo diálogo horizontal na esfera federal, com o engajamento dos estados, municípios, setor empresarial e a sociedade civil.

• Protagonismo na coordenação e articulação dos atores sociais e agentes econômicos envolvidos no desenvolvimento sustentável, em articulação com estados e municípios, e papel de vanguarda nos encaminhamentos dessas questões na agenda internacional. Especial atenção à 21ª Conferência das Partes da Convenção de Mudança do Clima, a ser realizada em 2015, e aos desdobramentos daí decorrentes, bem como ao estabelecimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável em substituição aos Objetivos do Milênio. Nessa agenda internacional, o Brasil deve liderar iniciativas que protejam os oceanos e manter o seu papel de conservação do ambiente antártico, além de apoiar ostensivamente mudanças necessárias no Protocolo de Montreal, que trata da proteção da camada de ozônio.

• Valorização do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas como lócus de discussão da mudança do clima no âmbito das negociações internacionais e no plano doméstico. A Presidência da República deverá retomar uma participação ativa no Fórum, de modo que o presidente possa estabelecer um diálogo pessoal com outros chefes de Estado, com o objetivo de alcançar um acordo global que permita que o aumento médio da temperatura, até o fim do século, se mantenha em no máximo 2oC.

Energia:

A questão está contemplada no item “Energia”.

Destacamos os seguintes compromissos:

• Definição de uma matriz energética que contemple as várias fontes de energia, possibilitando com isso segurança no fornecimento de energia, com baixo impacto ambiental.

• Ampliação da participação de fontes renováveis de energia na matriz energética brasileira, incluindo-se aí uma maior penetração da energia eólica, solar e biomassa, além de hidrelétricas reversíveis, adaptando-se algumas usinas hidrelétricas existentes para esse fim.

• Implementação de programas de eficiência energética, redução de perda e conservação de energia em todos os setores. Ênfase no gerenciamento pelo lado da demanda.

• Recuperação da importância e do pioneirismo do Brasil na produção de energia limpa e renovável, com crescimento da produção e da produtividade, especialmente em terras degradadas.

• Valorização da diversidade de fontes e das características regionais na redefinição da matriz energética brasileira, procurando equilibrar a busca de autossuficiência com sustentabilidade.

• Resgate do papel da Petrobras e sua valorização como instrumento vital da política energética brasileira.

Em relação às propostas, destacamos as seguintes:

• Definir de forma clara o papel do etanol anidro e hidratado na matriz de combustíveis brasileira e estabelecimento de metas.

• Adotar política tributária que considere as vantagens ambientais dos biocombustíveis.

• Realizar investimentos em tecnologias de baixo carbono, com atenção especial para capacitar o país a instalar uma indústria fotovoltaica competitiva.

• Incentivar a microgeração distribuída, de forma a permitir que o cidadão possa gerar parte de seu consumo próprio através do uso da energia solar e eólica.

• Equalizar as regras de incentivos, subsídios e financiamentos públicos para as diversas fontes de energia. Estimular a troca da iluminação pública por lâmpadas de baixo consumo energético e menor impacto na biodiversidade.

• Estimular redes inteligentes de energia.

• Fortalecer o Procel e o Conpet, visando dinamizar os programas de eficiência energética.

Cabe destacar que no item “Cidades Sustentáveis e Mobilidade Urbana”, temos o seguinte compromisso e proposta, respectivamente:

• O papel do Governo Federal é crucial. Será protagonista na implantação de políticas públicas de uso de energias alternativas nas cidades, possibilitando a venda de excedentes, além de fixação de padrões rigorosos de eficiência energética.

• Utilizar instrumentos econômicos para estimular o consumo de combustíveis mais limpos, com eliminação acelerada daqueles com maior teor de enxofre em todo o território nacional. Ênfase na implantação dos programas de inspeção e manutenção veicular em articulação com estados e municípios.

Transportes:

Em relação ao tema, no item “Cidades Sustentáveis e Mobilidade Urbana”, afirmamos os seguintes compromissos e propostas:

Compromissos:
• Não são mais admissíveis políticas de estímulo ao transporte individual para se combater a crise, quando as mesmas provocam os enormes congestionamentos nas cidades brasileiras médias e grandes. Há necessidade de se resgatar a perspectiva de longo prazo, cabendo ao Governo Federal, em articulação com os estados e municípios, repensar novas estratégias de financiamento, com a finalidade de garantir mecanismos de implementação das várias legislações que pesam sobre as cidades.
• As políticas econômicas vão viabilizar e estimular claramente políticas urbanas inovadoras, estimulando o transporte público sustentável, o que inclui, entre outras iniciativas, a adoção de combustíveis renováveis. E na gestão de resíduos, adotaremos estímulos tributários para viabilizar a logística reversa.

Propostas:

• Implementar a Política Nacional de Mobilidade Urbana, priorizando o transporte público, bem como o transporte não motorizado nas cidades brasileiras, tornando-os alternativas viáveis, seguras e concretas em relação ao transporte individual.
• Buscar uma mobilidade sustentável para as cidades brasileiras, por meio da integração dos diversos modais de transporte público em operação, pela continuidade e aceleração das obras em curso, pela expansão dos atendimentos às regiões metropolitanas e pelo incentivo à incorporação de inovações nas soluções já existentes e a serem implementadas.

• Articular os diversos agentes envolvidos, no âmbito estadual e municipal, para aumentar a integração do transporte urbano com outras políticas públicas, como o uso do solo, habitação e meio ambiente, buscando atender, inclusive, aos novos conglomerados urbanos.

• Apoiar a inovação e a criação de soluções tecnológicas originais e a busca de recursos para investimentos como parcerias público-privadas (PPPs) e concessões de operações urbanas.

• Apoiar os estados e municípios na implantação de centros integrados de logística, na busca de soluções para a redução de trânsito de veículos pesados nos grandes centros e na implantação de sistemas cicloviários nas cidades.

• Incentivar os transportes públicos, principalmente os sobre trilhos, destinando recursos – inclusive subsidiados – para obras estruturantes nos principais centros urbanos

• Incentivar a renovação e a modernização da frota de trens, metrôs e ônibus, impondo novos parâmetros de qualidade. Incentivar a utilização de veículos com motores híbridos, movidos a hidrogênio e elétricos, entre outros.

• Incentivar a adoção de horários variados para jornadas de trabalho, evitando-se os períodos de rush, e incentivar a adoção de modalidades de teletrabalho nas atividades e/ou setores onde isso for possível, como forma de reduzir deslocamentos desnecessários e pressões adicionais de demanda sobre o setor de transportes.

• Apoiar novos modais alternativos de transporte, como os sistemas cicloviários.

• Transferir a malha ferroviária metropolitana de cargas para os estados – quando as linhas não estiverem sendo usadas – para a implantação de projetos de trens metropolitanos.

• Garantir padrões rigorosos de qualidade do ar dos centros urbanos brasileiros por meio do fortalecimento dos programas Proconve e Promotos, com as atualizações necessárias de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

• Utilizar instrumentos econômicos para estimular o consumo de combustíveis mais limpos, com eliminação acelerada daqueles com maior teor de enxofre em todo o território nacional. Ênfase na implantação dos programas de inspeção e manutenção veicular em articulação com estados e municípios.

• Adotar ferramentas macroeconômicas – em coordenação com estados e municípios – que viabilizem claramente as políticas urbanas sustentáveis, como o transporte público, o transporte individual não motorizado, a construção de edifícios sustentáveis, a implantação de áreas verdes para evitar as ilhas de calor, e o uso de energia solar e de microturbinas eólicas nas cidades, possibilitando a venda de excedentes.”

Pronunciamento da presidente Dilma Rousseff na Cúpula do Clima da ONU:

Nova Iorque-EUA, 23 de setembro de 2014

Excelentíssimo senhor Sam Kutesa, presidente da 69ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Excelentíssimas senhoras e senhores chefes de estado e de governo participantes da Cúpula do Clima 2014. Senhoras e senhores representantes da sociedade civil.

Congratulo-me com o Secretário Geral das Nações Unidas pela convocação da Cúpula do Clima.

No último domingo, centenas de milhares de pessoas pediram nas ruas avanços concretos nas negociações em curso no âmbito da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima.

O Brasil está sintonizado com este anseio. Temos participado ativamente destas negociações. Defendemos a adoção coletiva de medidas justas, ambiciosas, equilibradas e eficazes para enfrentar este desafio.

Reafirmo que o novo acordo climático precisa ser universal, ambicioso e legalmente vinculante, respeitando os princípios e os dispositivos da Convenção-Quadro, em particular os princípios de equidade e das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.

Este acordo deverá ser robusto em termos de mitigação, adaptação e meios de implementação. O Brasil almeja um acordo climático global, que promova o desenvolvimento sustentável. O crescimento das nossas economias é compatível com a redução de emissões.

No Brasil, estamos fazendo isso. Ao mesmo tempo em que diminuímos a pobreza e a desigualdade social, protegemos o meio ambiente. Nos últimos 12 anos, temos tido resultados extraordinários.

Em 2009, na Conferência de Copenhagen, anunciamos o compromisso voluntário de reduzir entre 36 e 39%, as nossas emissões projetadas até 2020.

Desde então, pusemos em marcha ações decisivas. Nosso esforço tem dado grandes resultados.

Ao longo dos últimos 10 anos, o desmatamento no Brasil foi reduzido em 79%.

Entre 2010 e 2013, deixamos de lançar na atmosfera a cada ano, em média, 650 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Alcançamos em todos esses anos as quatro menores taxas de desmatamento de nossa história.

As reduções voluntárias do Brasil contribuem de maneira significativa para a diminuição das emissões globais no horizonte de 2020.

Senhor Presidente, prezados colegas Chefes de Estado e de Governo.

O Brasil, portanto, não anuncia promessas. Mostra resultados.

Nossa determinação em enfrentar a mudança do clima não se limita à Amazônia brasileira.

Estamos cooperando com os países da Bacia Amazônica em ações de monitoramento e de combate ao desmatamento. Devemos também contribuir para a redução do desmatamento com os países da Bacia do Congo.

Internamente, adotamos planos setoriais para a redução do desmatamento no chamado Cerrado brasileiro; para o aumento das energias renováveis e a promoção da Agricultura de Baixo Carbono.

O Brasil é um grande produtor de alimentos. Temos consciência que as técnicas agrícolas de baixo carbono, ao mesmo tempo em que reduzem emissões, elevam a produtividade do setor agrícola.

Por sua vez, na pequena agricultura familiar, nela as práticas agroecológicas, ajudam a reduzir a pobreza no campo. Ambos programas são decisivos para a segurança alimentar e nutricional de milhões de brasileiros.

A produção agrícola de grãos se dá sobretudo pelo aumento da produtividade com uma expansão menor da área agrícola plantada. Tamanho crescimento da produtividade só é possível com muita pesquisa e inovação, muito investimento e intenso apoio do governo federal.

Tudo isso desfaz a pretensa contradição entre produção agrícola e proteção ao meio ambiente. Prova que é possível crescer, incluir, conservar e proteger o meio ambiente, que é o lema da reunião do clima Rio+20.

Senhor Presidente,

Desastres naturais relacionados à mudança do clima têm ceifado vidas e afetado as atividades econômicas em todo o mundo. Num quadro de injustiça ambiental, as populações pobres são as mais vulneráveis, principalmente nos grande centros urbanos.

No Brasil, implementamos a Política Nacional de Prevenção e Monitoramento de Desastres Naturais, com o objetivo de impedir que esses desastres causem danos às pessoas, com perdas de vidas, ao patrimônio e ao meio ambiente.

Até o final deste ano, no marco desta política nacional de prevenção e monitoramento de desastres naturais, submeteremos à sociedade brasileira o plano nacional de adaptação.

Os custos para enfrentar a mudança do clima são elevados, mas os benefícios compensam.

Precisamos reverter a lógica de que o combate à mudança do clima é danoso à economia. A redução das emissões e ações de adaptação devem ser reconhecidas como fonte de riqueza, de modo a atrair investimentos e lastrear novas ações de desenvolvimento sustentável.

Historicamente, os países desenvolvidos alcançaram o nível de bem estar de suas sociedades graças a um modelo de desenvolvimento, baseado em altas taxas de emissões de gases danosos ao clima, ceifando florestas e utilizando práticas nocivas ao meio ambiente.

Nós não queremos repetir esse modelo.

Mas não renunciaremos ao imperativo de reduzir as desigualdades e elevar o padrão de vida da nossa gente.

Nós, países em desenvolvimento, temos igual direito ao bem-estar. E estamos provando que um modelo socialmente justo e ambientalmente sustentável é possível. O Brasil é um exemplo disso

Muito obrigada.

* André Trigueiro é jornalista com pós-graduação em Gestão Ambiental pela Coppe-UFRJ onde hoje leciona a disciplina geopolítica ambiental, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-RJ, autor do livro Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em Transformação, coordenador editorial e um dos autores dos livros Meio Ambiente no Século XXI, e Espiritismo e Ecologia, lançado na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, pela Editora FEB, em 2009. É apresentador do Jornal das Dez e editor chefe do programa Cidades e Soluções, da Globo News. É também comentarista da Rádio CBN e colaborador voluntário da Rádio Rio de Janeiro.

** Publicado originalmente no site Mundo Sustentável.

(Mundo Sustentável)

“Sonâmbulos” decidem a sorte de conferência climática em Bonn (IPS)

24/10/2014 – 10h52

por Stephen Leahy, da IPS

huracan “Sonâmbulos” decidem a sorte de conferência climática em Bonn

Bonn, Alemanha, 24/10/2014 – As 410 mil pessoas que saíram às ruas para reclamar medidas durante a Cúpula do Clima da ONU se indignariam diante dos atrasos e das posturas políticas de sempre que se observa em uma rodada fundamental das negociações para acordar um tratado climático mundial, em curso nesta cidade alemã.

As declarações dos países presentes na conferência, que começou no dia 20 e terminará no dia 25, no Centro Mundial de Congressos de Bonn, ignoraram os pedidos dos organizadores para serem breves em suas declarações de abertura para ser possível trabalhar na última semana de conversações antes da vigésima Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática que acontecerá em Lima, no Peru, entre 1º e 12 de dezembro.

A COP 20 acordará um projeto de tratado climático destinado a evitar o catastrófico superaquecimento do planeta. Um ano mais tarde, os governantes de quase 200 Estados deverão assinar em Paris um novo convênio sobre o clima. Se o resultado das negociações não for contundente e não se conseguir garantir o rápido abandono do uso de combustíveis fósseis, centenas de milhões de pessoas sofrerão e países inteiros entrarão em colapso.

O projeto atual do tratado é muito fraco e os delegados pecam pelo “sonambulismo” em Bonn, enquanto “os dados científicos sobre o clima se agravam”, afirmou aos negociadores presentes, Hilary Chiew, da Rede do Terceiro Mundo.

Os delegados estão habituados a ouvir uma ou duas “intervenções” oficiais por parte da audiência, que tem um limite de tempo restrito e frequentemente não superam os 90 segundos. Esses discursos, apesar da paixão e eloquência de muitos, raramente comovem os delegados que, em sua maioria, se limita a seguir as instruções dadas por seus governos. “Apegar-se às posturas não é negociar”, recordou o copresidente da conferência, Kishan Kumarsingh, de Trinidad e Tobago.

Em Bonn há poucos membros da sociedade civil que podem presenciar quantos países se apegaram às suas posições de curto prazo e defensoras de seus próprios interesses, em lugar de enfrentar o maior desafio que sofre a humanidade. Depois de 20 anos, essas negociações se transformaram “no mesmo de sempre” e parece que continuarão assim por mais 20 anos, segundo os ativistas. “Só um movimento social mundial obrigará as nações a agirem”, afirmou Hans Joachim Schellnhuber, diretor do Instituto de Potsdam para a Pesquisa do Impacto Climático, da Alemanha.

Schellnhuber, reconhecido especialista e ex-assessor científico do governo alemão, não se encontra em Bonn, mas participou da Cúpula do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro, em Nova York, Estados Unidos, junto com os governantes de 120 países. Novamente, o resultado desse encontro ficou em puros discursos sem compromissos de ação, afirmou à IPS.

Para Schellnhuber, a Cúpula da ONU foi um fracasso, ao contrário da “impressionante” e “inspiradora” Marcha do Povo pelo Clima que a acompanhou e da qual participaram cerca de 410 mil pessoas nas ruas de Manhattan. A única coisa que os países acordaram até agora é a meta de elevação máxima de dois graus na temperatura média mundial e, embora esse aumento “não tenha antecedentes na história humana”, é muito melhor do que três ou mais graus, acrescentou.

Alcançar essa meta ainda é possível, segundo o informe Enfrentar o Desafio da Mudança Climática, redigido pelos principais especialistas em clima e energia e que descreve várias medidas, entre elas o aumento da eficiência energética em todos os setores. A refração dos prédios, por exemplo, pode reduzir o consumo de energia entre 70% e 90%. Também é necessário um preço do carbono que reflita o enorme custo sanitário e ambiental que implica a queima dos combustíveis fósseis, bem como a expansão da energia solar e eólica e o fechamento de todas as centrais movidas a carvão, diz o estudo.

O mais importante é que os governos devem assumir o clima como uma prioridade. Alemanha e Dinamarca estão bem encaminhadas para uma economia baixa em carbono e se beneficiam de menor contaminação e da criação de um novo setor econômico, segundo os especialistas.

Para que todos os governos incorporem o clima como sua prioridade será preciso um movimento social mundial com dezenas de milhões de pessoas. Uma vez que o setor empresarial se dê conta de que a transição para um mundo baixo em carbono está em marcha, pressionará os governos para que apliquem as políticas necessárias. “As soluções para a mudança climática são a maior oportunidade de negócios na história”, enfatizou Schellnhuber. Envolverde/IPS

(IPS)

Sabesp tira 3,2 bilhões de litros da 2ª reserva (O Estado de S. Paulo)

Regras para usar reserva profunda de água estão sendo negociadas; nível do Sistema Cantareira está em 3,5%

Boletim de monitoramento do Sistema Cantareira divulgado nesta segunda-feira, 20, pelos órgãos reguladores do manancial mostra que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) já retirou 3,2 bilhões de litros da segunda cota do volume morto na Represa Atibainha, em Nazaré Paulista, um dos reservatórios do sistema. O uso dessa segunda reserva profunda de água, que fica abaixo do nível das comportas, ainda não foi formalmente autorizado. Nesta segunda, o sistema estava com 3,5% da capacidade. Em nota, a Sabesp nega descumprir a regra porque ainda há água do primeiro volume morto na Jaguari-Jacareí.

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,sabesp-tira-3-2-bilhoes-de-litros-da-2-cota-do-volume-morto,1579886

(Fabio Leite / O Estado de S. Paulo)

Falta a crise da água na agenda do poder público (O Globo)

Editorial de O Globo. Desabastecimento em São Paulo e aumento do estresse energético são tratados pelo viés político, e não por seus aspectos técnicos. Quem paga o preço é a população

A crise no abastecimento de água em São Paulo, e no Sudeste, está atingindo seu ponto mais crítico desde o início desse ciclo de seca, no verão do ano passado. Os reservatórios da Cantareira, que abastecem a capital paulista, envolvendo diretamente um universo de 9 milhões de pessoas, está operando com seu nível mais baixo, apenas 3,3% da capacidade. Para evitar o colapso, o governador Geraldo Alckmin já admite usar uma terceira reserva técnica, caso não chova o necessário nos próximos dias. Pesquisa do Datafolha estima que 60% dos moradores da capital enfrentaram, com maior ou menor intensidade, algum nível de desabastecimento nos últimos 30 dias.

Veja o conteúdo na íntegra: http://oglobo.globo.com/opiniao/falta-crise-da-agua-na-agenda-do-poder-publico-14316806#ixzz3Gsj9uKXY

(O Globo)

Comissão de Meio Ambiente pode aprovar incentivo fiscal para reúso de água (Agência Senado)

A medida incentiva a reutilização de água não potável, para evitar que água tratada seja usada, por exemplo, para irrigação de jardins, lavagem áreas públicas

A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) se reúne na terça-feira (28), às 10h, e pode votar projeto que concede redução de 75% do Imposto de Renda e isenção da contribuição de PIS/Pasep e Cofins para empresa que produzir ou distribuir água de reúso.

A medida incentiva a reutilização de água não potável, para evitar que água tratada seja usada para irrigação de jardins, lavagem áreas públicas, desobstrução de tubulações e combate a incêndios.

Para esses casos, poderá ser feita a reutilização de água proveniente de esgoto e de demais efluentes líquidos domésticos e industriais, desde que dentro de padrões definidos para as modalidades de uso pretendidas.

O projeto (PLS 12/2014), do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), é voltado a empresas que fazem a adequação a esses padrões e a distribuição dessa água reaproveitada, como forma de reduzir seu custo e ampliar sua utilização nas cidades brasileiras.

Depois de analisada pela CMA, a proposta vai à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), para decisão terminativa.

Licença ambiental de instalação

A pauta da CMA, formada por 26 itens, inclui ainda projeto (PLS 401/2013) que torna obrigatória a inclusão da licença ambiental de instalação entre os documentos que devem constar de edital para licitação de obra pública.

A lei em vigor obriga que, ao lançar um edital para licitação de obras públicas, o governo inclua nos anexos o projeto básico aprovado e as licenças ambientais prévias, entre outros documentos. Já a licença de instalação é exigida da empresa vencedora da licitação, como condição para o início das obras do projeto.

Para Aloysio Nunes, a facilidade de concessão de licenças prévias e a deficiência dos projetos básicos resultam com frequência na paralisação de obras já licitadas, por problemas na obtenção da licença de instalação.

A exigência dessa licença ainda no edital, diz ele, contribuirá para melhorar a qualidade dos projetos e obrigará os órgãos ambientais a analisar esses projetos de forma mais criteriosa.

A matéria também será analisada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

(Iara Guimarães Altafin / Agência Senado)

http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/10/23/comissao-de-meio-ambiente-pode-aprovar-incentivo-fiscal-para-reuso-de-agua

Change your walking style, change your mood (Science Daily)

Date: October 15, 2014

Source: Canadian Institute for Advanced Research

Summary: Our mood can affect how we walk — slump-shouldered if we’re sad, bouncing along if we’re happy. Now researchers have shown it works the other way too — making people imitate a happy or sad way of walking actually affects their mood.

Man walking (stock image). Subjects in this study who were prompted to walk in a more depressed style, with less arm movement and their shoulders rolled forward, experienced worse moods than those who were induced to walk in a happier style. Credit: © connel_design / Fotolia

Our mood can affect how we walk — slump-shouldered if we’re sad, bouncing along if we’re happy. Now researchers have shown it works the other way too — making people imitate a happy or sad way of walking actually affects their mood.

Subjects who were prompted to walk in a more depressed style, with less arm movement and their shoulders rolled forward, experienced worse moods than those who were induced to walk in a happier style, according to the study published in theJournal of Behavior Therapy and Experimental Psychiatry.

CIFAR Senior Fellow Nikolaus Troje (Queen’s University), a co-author on the paper, has shown in past research that depressed people move very differently than happy people.

“It is not surprising that our mood, the way we feel, affects how we walk, but we want to see whether the way we move also affects how we feel,” Troje says.

He and his colleagues showed subjects a list of positive and negative words, such as “pretty,” “afraid” and “anxious” and then asked them to walk on a treadmill while they measured their gait and posture. A screen showed the subjects a gauge that moved left or right depending on whether their walking style was more depressed or happier. But the subjects didn’t know what the gauge was measuring. Researchers told some subjects to try and move the gauge left, while others were told to move it right.

“They would learn very quickly to walk the way we wanted them to walk,” Troje says.

Afterward, the subjects had to write down as many words as they could remember from the earlier list of positive and negative words. Those who had been walking in a depressed style remembered many more negative words. The difference in recall suggests that the depressed walking style actually created a more depressed mood.

The study builds on our understanding of how mood can affect memory. Clinically depressed patients are known to remember negative events, particularly those about themselves, much more than positive life events, Troje says. And remembering the bad makes them feel even worse.

“If you can break that self-perpetuating cycle, you might have a strong therapeutic tool to work with depressive patients.”

The study also contributes to the questions asked in CIFAR’s Neural Computation & Adaptive Perception program, which aims to unlock the mystery of how our brains convert sensory stimuli into information and to recreate human-style learning in computers.

“As social animals we spend so much time watching other people, and we are experts at retrieving information about other people from all sorts of different sources,” Troje says. Those sources include facial expression, posture and body movement. Developing a better understanding of the biological algorithms in our brains that process stimuli — including information from our own movements — can help researchers develop better artificial intelligence, while learning more about ourselves in the process.


Journal Reference:

  1. Johannes Michalak, Katharina Rohde, Nikolaus F. Troje. How we walk affects what we remember: Gait modifications through biofeedback change negative affective memory bias. Journal of Behavior Therapy and Experimental Psychiatry, 2015; 46: 121 DOI: 10.1016/j.jbtep.2014.09.004

How the brain leads us to believe we have sharp vision (Science Daily)

Date: October 17, 2014

Source: Bielefeld University

Summary: We assume that we can see the world around us in sharp detail. In fact, our eyes can only process a fraction of our surroundings precisely. In a series of experiments, psychologists have been investigating how the brain fools us into believing that we see in sharp detail.

The thumbnail at the end of an outstretched arm: This is the area that the eye actually can see in sharp detail. Researchers have investigated why the rest of the world also appears to be uniformly detailed. Credit: Bielefeld University

We assume that we can see the world around us in sharp detail. In fact, our eyes can only process a fraction of our surroundings precisely. In a series of experiments, psychologists at Bielefeld University have been investigating how the brain fools us into believing that we see in sharp detail. The results have been published in the scientific magazine Journal of Experimental Psychology: General. Its central finding is that our nervous system uses past visual experiences to predict how blurred objects would look in sharp detail.

“In our study we are dealing with the question of why we believe that we see the world uniformly detailed,” says Dr. Arvid Herwig from the Neuro-Cognitive Psychology research group of the Faculty of Psychology and Sports Science. The group is also affiliated to the Cluster of Excellence Cognitive Interaction Technology (CITEC) of Bielefeld University and is led by Professor Dr. Werner X. Schneider.

Only the fovea, the central area of the retina, can process objects precisely. We should therefore only be able to see a small area of our environment in sharp detail. This area is about the size of a thumb nail at the end of an outstretched arm. In contrast, all visual impressions which occur outside the fovea on the retina become progressively coarse. Nevertheless, we commonly have the impression that we see large parts of our environment in sharp detail.

Herwig and Schneider have been getting to the bottom of this phenomenon with a series of experiments. Their approach presumes that people learn through countless eye movements over a lifetime to connect the coarse impressions of objects outside the fovea to the detailed visual impressions after the eye has moved to the object of interest. For example, the coarse visual impression of a football (blurred image of a football) is connected to the detailed visual impression after the eye has moved. If a person sees a football out of the corner of her eye, her brain will compare this current blurred picture with memorised images of blurred objects. If the brain finds an image that fits, it will replace the coarse image with a precise image from memory. This blurred visual impression is replaced before the eye moves. The person thus thinks that she already sees the ball clearly, although this is not the case.

The psychologists have been using eye-tracking experiments to test their approach. Using the eye-tracking technique, eye movements are measured accurately with a specific camera which records 1000 images per second. In their experiments, the scientists have recorded fast balistic eye movements (saccades) of test persons. Though most of the participants did not realise it, certain objects were changed during eye movement. The aim was that the test persons learn new connections between visual stimuli from inside and outside the fovea, in other words from detailed and coarse impressions. Afterwards, the participants were asked to judge visual characteristics of objects outside the area of the fovea. The result showed that the connection between a coarse and detailed visual impression occurred after just a few minutes. The coarse visual impressions became similar to the newly learnt detailed visual impressions.

“The experiments show that our perception depends in large measure on stored visual experiences in our memory,” says Arvid Herwig. According to Herwig and Schneider, these experiences serve to predict the effect of future actions (“What would the world look like after a further eye movement”). In other words: “We do not see the actual world, but our predictions.”


Journal Reference:

  1. Arvid Herwig, Werner X. Schneider. Predicting object features across saccades: Evidence from object recognition and visual search. Journal of Experimental Psychology: General, 2014; 143 (5): 1903 DOI: 10.1037/a0036781

What were they thinking? Study examines federal reserve prior to 2008 financial crisis (Science Daily)

Date: September 15, 2014

Source: Swarthmore College

Summary: A new study illustrates how the Federal Reserve was aware of potential problems in the financial markets prior to 2008, but did not take the threats seriously.


Six years after the start of the Great Recession, a new study from three Swarthmore College professors illustrates how the Federal Reserve was aware of potential problems in the financial markets, but did not take the threats seriously.

Published in the Review of International Political Economy, the study is the result of a collaboration between Swarthmore College economist Stephen Golub, political scientist Ayse Kaya, and sociologist Michael Reay.

The team looked at pre-crisis Federal Reserve documents to come to its conclusion, focusing particularly on the transcripts of meetings of the Federal Open Market Committee. The meeting transcripts indicate that policymakers and staff were aware of troubling developments but remained largely unconcerned.

Drawing on literatures in economics, political science and sociology, the study demonstrates that the Federal Reserve’s intellectual paradigm in the years before the crisis focused on ‘post hoc interventionism’ — the institution’s ability to limit the fallout should a problem arise. Additionally, the study argues that institutional routines and a “silo mentality” contributed to the Federal Reserve’s lack of attention to the serious warning signals in the pre-crisis period.

To speak with Professors Golub, Kaya, or Reay, please contact Mark Anskis (manskis1@swarthmore.edu / 570-274-0471) in the Swarthmore College communications office.


Journal Reference:

  1. Stephen Golub, Ayse Kaya, Michael Reay. What were they thinking? The Federal Reserve in the run-up to the 2008 financial crisis. Review of International Political Economy, 2014; 1 DOI: 10.1080/09692290.2014.932829

Wind blows away fossil power in the Nordics, the Baltics next (Reuters)

Wed Oct 15, 2014 9:13am EDT

* Rising wind power output pushes Nordic prices down

* Low power prices cut gas, coal power profitability

* Denmark, Finland seen shutting abt 2,000 MW of condensing power

* Norway mothballs 420 MW Kaarstoe gas-fired power plant

By Nerijus Adomaitis

OSLO, Oct 15 (Reuters) – Wind power is blowing gas and coal-fired turbines out of business in the Nordic countries, and the effects will be felt across the Baltic region as the renewable glut erodes utility margins for thermal power stations.

Fossil power plants in Finland and Denmark act as swing-producers, helping to meet demand when hydropower production in Norway and Sweden falls due to dry weather.

The arrival of wind power on a large scale has made this role less relevant and has pushed electricity prices down, eroding profitability of fossil power stations.

“Demand for coal condensing power in the Nordic power market has decreased as a result of the economic recession and the drop in the wholesale price for electricity,” state-controlled Finnish utility Fortum said, booking an impairment loss of about 25 million euros($31.67 million).

Nordic wholesale forward power prices have almost halved since 2010 to little over 30 euros per megawatt-hour (MWh) as capacity increases while demand stalls on the back of stagnant populations, low economic growth and lower energy use due to improved efficiency.

Short-run marginal costs (SRMC) of coal generation were 28.70 euros per megawatt-hour (MWh), the Nordic power regulators said, while costs of gas-fired power generation were much higher, at 53 euros/MWh in 2013.

“The Nordic system price will likely more often clear well below the production cost for coal fired power production,” said Marius Holm Rennesund Oslo-based consultancy THEMA.

“This will, in our view, result in mothballing of 2,000 MW of coal condensing capacity in Denmark and Finland towards 2030,” he added.

Adding further wind power capacity at current market conditions could lead to power prices dropping towards as low as 20 euros per MWh, the marginal cost for nuclear reactors, Rennesund said.

PART OF A PLAN

Denmark and Finland have about 11,000 MW of coal, gas and oil-fired generating capacities, Reuters estimate shows.

Pushing fossil-fuelled power stations out of the Nordic generation park is part of government plans across the region.

Denmark wants to phase all coal use in power generation by 2030 and to generate all power and heat from renewables by 2035.

Wind power is expected to meet half consumption in Denmark by 2020, up from 33.4 percent in 2013.

In neighbouring Sweden, wind meets about 8 percent of total consumption, and installed capacity has more than doubled to about 5,000 MW in 2014 from 2010. Its wind power association predicts the capacity to rise to some 7,000 MW by 2017.

In Norway, the government has pledged to change tax rules to catch up with Sweden.

These plans are beginning to bear results.

Naturkraft, a joint venture between Norway’s Statoil and Statkraft, said this month it would put its 420 megawatt (MW) Kaarstoe gas-fired power plant in “cold reserve” from January.

Mothballing the 2 billion crowns ($302 million) plant, which had operated for only a few days per year, would help to save 50-80 million crowns per year, Naturkraft’s chief executive John Terje Staveland told Reuters.

Earlier this year, Finnish utility Fortum shut its 695 MW Inkoo coal-fire power plant.

Sweden’s Vattenfall said in May it will shut down its 409 MW coal-fired Fyn power plant in Denmark from May 2016.

The state-run utility sold its 314 MW coal-fired Amager power plant in Copenhagen to a Danish utility HOFOR, which plans to replace coal with biomass.

The developments in the Nordic countries is also beginning to affect utilities in the Baltic states as their grids get more integrated.

Estonia’s energy group Eesti Energia saw its power sales to drop by 30 percent during the first half of the year after a 650 MW link to Finland came online at end-2013.

Cheaper power imports from the Nordics have halved Eesti Energia’s profit margin to 12 euros per MWh in the second quarter, the company said in its quarterly report.

Lithuania, which expects to have a 700 MW interconnection to Sweden by end-2015, has said it would shut 900 MW of gas-fired capacity by 2016 due to negative margins. (1 US dollar = 6.6199 Norwegian krone) (1 US dollar = 0.7895 euro) (Editing by Henning Gloystein and William Hardy)