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Fantasmas que pegaram táxi em Ishinomaki, depois do tsunami, são tema de monografia (IPC Digital)

Por Anna Shudo – 22/03/2016

Ishinomaki

Crédito: Divulgação

SENDAI (IPC Digital) – Yuka Kudo, 22 anos, natural da província de Akita, é uma jovem formanda do curso de Sociologia da Universidade Tohoku Gakuin, de Sendai (Miyagi). Seu grupo de 7 pessoas escolheu como tema da monografia para colação de grau, como as pessoas lidam com a morte após o Grande Terremoto ao Leste do Japão, em 11 de março de 2011. Até iniciar o trabalho de pesquisa, ela via as mortes provocadas pelo tsunami como “milhares de pessoas que perderam a vida”. Depois de iniciar as entrevistas, descobriu que muitos dos taxistas de Ishinomaki (Miyagi) tiveram a experiência de terem como clientes os fantasmas de pessoas que provavelmente perderam a vida na tragédia.

Ela conta as histórias que ouviu durante suas entrevistas. Um taxista, na faixa dos 50 anos, relatou que no começo do primeiro verão após o tsunami, uma senhora vestida de casaco, o que lhe chamou à atenção, pediu para ser conduzida até Minamihama. Ele teria feito uma pergunta para confirmar: “lá, praticamente, só tem terras vazias, pode ser?”.  Com a voz trêmula, a mulher lhe pergunta “eu morri?”. Assustado, quando olha para o assento traseiro a passageira que transportava não estava mais lá.

Outros taxistas contam histórias semelhantes, afirma a estudante. Um deles relata que um rapaz, também vestido de casaco, aponta sentido Hiyoriyama e pede para ir até lá. No destino final, não havia cliente dentro do carro. Segundo seu levantamento junto aos motoristas de táxi, a maioria desses passageiros fantasmas eram jovens, homens e mulheres, quase todos vestidos de casaco. “Os jovens costumam ter um forte sentimento de desgosto de ter deixado pessoas que amam. Devem ter escolhido um espaço reservado como o táxi para transmitir esse sentimento insustentável”, pensa a jovem formanda.

Com a voz trêmula, a mulher lhe pergunta “eu morri?”

Para ela e para os entrevistados, essas histórias não são uma viagem da mente, há realidade. Os motoristas lhe mostraram diários, com registros de perda de corrida e que tiveram que pagar do próprio bolso ou do taxímetro que foi ligado até o destino.

Ela conta que sentiu na pele a dor da perda das pessoas de Ishinomaki. Um outro motorista lhe contou que perdeu familiares no tsunami e declarou “não é nada surpreendente que aconteça esse tipo de coisa. Se aparecer mais alguém vou transportar sim”. Todos os entrevistados não contaram suas experiências com medo. Ficou impressionada com o sentimento de reverência, como uma experiência importante que guardavam dentro do peito.

Com essas entrevistas quase que diárias, revela que aprendeu o que é a dor da perda e do luto. “Quero transmitir o peso da morte de cada uma das pessoas que partiu, com respeito”, declarou.

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Yuka Kudo, a formanda que pesquisou sobre os fantasmas que pegaram táxi em Ishinomaki

Fonte e foto: Asahi Shimbun | Foto de Ishinomaki: http://blog.goo.ne.jp/

Brasil e Japão assinam acordo para aprimorar sistema de prevenção de desastres naturais (MCTI)

JC 5374, 15 de março de 2016

Objetivo é produzir alertas mais precisos e reduzir o tempo das respostas nas situações de risco. Projeto piloto será implementado nas cidades de Blumenau (SC), Nova Friburgo (RJ) e Petrópolis (RJ)

Brasil e Japão assinaram nesta segunda-feira (14) um acordo de cooperação na área de prevenção de desastres naturais para melhorar a precisão dos alertas e reduzir o tempo gasto nas respostas. O documento valida condutas e procedimentos definidos por técnicos dos dois países para a instalação de projetos piloto nas cidades de Blumenau (SC), Nova Friburgo (RJ) e Petrópolis (RJ) – todas sofreram com deslizamentos de terra nos últimos anos. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI) participa da iniciativa, que faz parte do Projeto de Fortalecimento da Estratégia Nacional de Gestão Integrada de Riscos em Desastres Naturais (Gides).

“Isso vai ser um novo experimento em relação à coleta de informações e como se disponibiliza essas informações de forma rápida e integrada com vários órgãos do governo”, explicou o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Jailson de Andrade.

Segundo o pesquisador da área de geodinâmica do Cemaden Angelo Consoni, o aprimoramento do protocolo dos alertas é fundamental para que eles sejam emitidos com mais eficiência para a população. Quanto mais preciso e rápido, menor o risco de calamidades.

“A finalidade do piloto é, principalmente, a precisão dos alertas e o tempo gasto nessa atividade. Então, otimizando fluxos de elaboração de emissão de alertas, juntamente com os municípios e com os estados, nós podemos melhorar significativamente a qualidade dos alertas que disponibilizamos para a população em situações de risco”, afirmou.

O acordo de cooperação também foi assinado pelo Ministério das Cidades, Ministério da Integração Nacional, Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica, na sigla em inglês).

Parceria

A parceria entre Brasil e Japão é baseada na troca de experiências entre recursos humanos das duas nações. Desde 2014, duas turmas de brasileiros já receberam capacitação de especialistas japoneses. Além disso, os asiáticos também vêm ao País para o intercâmbio de informações sobre a prevenção de desastres naturais.

“O Japão é uma referência. E essa cooperação tem sido muito boa para nós no sentido de formação de pessoal”, destacou Consoni.

MCTI

Cidade submarina projetada no Japão pode abrigar 5 mil moradores (Portal do Meio Ambiente)

PUBLICADO  21 NOVEMBRO 2014

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Projeto arquitetônico de cidade submarina: alternativa para 2030 (Foto: AFP)

Uma empresa de construção japonesa diz que, no futuro, os seres humanos podem viver em grandes complexos habitacionais submarinos.

Pelo projeto, cerca de 5 mil pessoas poderiam viver e trabalhar em modernas vesões da cidade perdida da Atlântida.

As construções teriam hotéis, espaços residenciais e conjuntos comerciais, informou o site Busines Insider.

A grande globo que flutua na superfície do mar, mas pode ser submerso em mau tempo, seria o centro de uma estrutura espiral gigantesca que mergulha a profundidades de até 4 mil metros.

A espiral formaria um caminho 15 quilômetros de um edifício até o fundo do oceano, o que poderia servir como uma fábrica para aproveitar recursos como metais e terras raras.

Os visionários da construtora Shimizu dizem que seria possível usar micro-organismos para converter dióxido de carbono capturado na superfície em metano.

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Projeto arquitetônico de cidade submarina: alternativa para 2030 (Foto: AFP)

Energia. O conceito foi desenvolvido em conjunto com várias organizações, incluindo a Universidade de Tóquio e a agência japonesa de ciência e tecnologia.

A grande diferença de temperaturas da água entre o topo e o fundo do mar poderia ser usada para gerar energia.

A construtora Shimizu diz que a cidade submarina custaria cerca de três trilhões de ienes (ou US$ 25 bilhões), e toda a tecnologia poderia estar disponível em 2030.

A empresa já projetou uma metrópole flutuante e um anel de energia solar ao redor da lua.

Fonte: Estadão.

Should the Japanese give nuclear power another chance? (Science Daily)

Date: October 23, 2014

Source: ResearchSEA

Summary: On September 9, 2014, the Japan Times reported an increasing number of suicides coming from the survivors of the March 2011 disaster. In Minami Soma Hospital, which is located 23 km away from the power plant, the number of patients experiencing stress has also increased since the disaster. What’s more, many of the survivors are now jobless and therefore facing an uncertain future.


On September 9, 2014, the Japan Times reported an increasing number of suicides coming from the survivors of the March 2011 disaster. In Minami Soma Hospital, which is located 23 km away from the power plant, the number of patients experiencing stress has also increased since the disaster. What’s more, many of the survivors are now jobless and therefore facing an uncertain future.

This is not the first time that nuclear power has victimized the Japanese people. In 1945, atomic bombs exploded in Hiroshima and Nagasaki, creating massive fears about nuclear power in the Japanese population. It took 20 years for the public to erase the trauma of these events. It was then — in the mid 1960s(?) — that the Fukushima Daiichii Nuclear Power Plant was built.

According to Professor Tetsuo Sawada, Assistant Professor in the Laboratory of Nuclear Reactors at Tokyo University, it took a lot of effort to assure people that nuclear power was safe and beneficial. The first step was a legal step: In 1955, the Japanese government passed a law decreeing that nuclear power could only be used for peaceful purposes.

“But that law was not enough to assure people to accept the establishment of nuclear power,” said Prof. Sawada.

He explained that the economy plays an important role in public acceptance of nuclear power. Through the establishment of nuclear power plants, more jobs were created, which boosted the economy of the Fukushima region at that time.

“Before the Fukushima disaster, we could find many pro-nuclear people in the area of nuclear power plants since it gave them money,” said Prof. Sawada.

Now, more than forty years have passed and the public’s former confidence has evolved into feelings of fear about nuclear power and distrust toward the government.

According to a study conducted by Noriko Iwai from the Japanese General Social Survey Research Center, the Fukushima nuclear accident has heightened people’s perception of disaster risks, fears of nuclear accident, and recognition of pollution, and has changed public opinion on nuclear energy policy.

“Distance from nuclear plants and the perception of earthquake risk interactively correlate with opinions on nuclear issues: among people whose evaluation of earthquake risk is low, those who live nearer to the plants are more likely to object to the abolishment of nuclear plants,” said Iwai.

This finding is in line with the perception of Sokyu Genyu, a chief priest in Fukujuji temple, Miharu Town, Fukushima Prefecture. As a member of the Reconstruction Design Council in Response to the Great East Japan Earthquake, he argued that both the Fukushima Daiichi and Daini nuclear power plants should be shut down in response to the objection of 80% of Fukushima residents.

However, the Japanese government, local scientists and international authorities have announced that Fukushima is safe. Radiation levels are below 1mSv/y, a number that, according to them, we should not be worried about. But the public do not believe in numbers.

But Genyu was not saying that these numbers are scientifically false. Rather, he argues that the problem lies more in the realm of social psychology. Despite the announcement about low-radiation levels, the Japanese people are still afraid of radiation.

“It is reasonable for local residents in Fukushima to speak out very emotionally. Within three months of the disaster, six people had committed sucide. They were homeless and jobless, ” said Genyu.

It is heart-breaking to know that victims of the Fukushima Daiichi nuclear accident died not because of radiation, but instead because of depression. Besides the increasing number of suicides, the number ofpatients suffering from cerebrovascular disease (strokes)has also risen. In Minami-Soma Hospital, the population of stroke patients increased by more than 100% after the disaster.

Local doctors and scientists are now actively educating students in Fukushima, convincing them that the radiation will not affect their health.

Dr. Masaharu Tsubokura, a practicing doctor at Minami-Soma Hospital, has been informing students that Fukushima is safe. But sadly, their responses are mostly negative and full of apathy.

“I think the Fukushima disaster is not about nuclear radiation but is rather a matter of public trust in the technology ,” said Dr. Tsubokura.

Dr. Tsubokura has given dosimeters, a device used to measure radiation, to children living in Minami-Soma city. But apparently, this was not enough to eliminate people’s fears.

In 2012, Professor Ryogo Hayano, a physicist from the University of Tokyo, joined Dr. Tsubokura in Minami-Soma Hospital and invented BABYSCAN technology, a whole-body scanning to measure radiation in small children as well as to allay the fears of Fukushima parents.

“BABYSCAN is unnecessary but necessary. It is unnecessary because we know that the radiation is low. But it is necessary to assure parents that their children are going to be okay,” said Prof. Hayano.

After witnessing the fears of the Fukushima people, Prof. Hayano thinks that nuclear power is no longer appropriate for Japan. He believes that the government should shut down nuclear power plants.

“As a scientist, I know that nuclear power is safe and cheap. But looking at the public’s fear in Fukushima, I think it should be phased out,” said Prof. Hayano.

But, does the government care about the public when it comes to politics?

It has only been three years since the disaster and Prime Minister Shinzo Abe has been keen to revive the country’s nuclear power plants. The operations of more than 50 nuclear power plants in Japan have been suspended because of the Daiichi power plant meltdown.

Last month, Japan’s Nuclear Regulation Authority approved the reopening of a power plant in Sendai for 2015.

Three years since Japan’s disaster: Communities remain scattered and suffering (Science Daily)

Date: June 3, 2014

Source: Taylor & Francis

Summary: While western eyes are focused on the ongoing problems of the Fukushima Daiichi nuclear reactor site, thousands of people are still evacuated from their homes in north-eastern Japan following the earthquake, tsunami and nuclear emergency. Many are in temporary accommodation and frustrated by a lack of central government foresight and responsiveness to their concerns.

While western eyes are focused on the ongoing problems of the Fukushima Daiichi nuclear reactor site, thousands of people are still evacuated from their homes in north-eastern Japan following the earthquake, tsunami and nuclear emergency. Many are in temporary accommodation and frustrated by a lack of central government foresight and responsiveness to their concerns.

With the exception of the ongoing problems at the Fukushima Daiichi nuclear reactor, outside of the Tohoku region of Japan, the after effects of the Great East Japan Earthquake of 2011, and the subsequent tsunami and nuclear disaster, are no longer front page news. The hard work of recovery is the everyday reality in the region, and for planning schools and consultants across the country the rebuilding of Tohoku dominates practice and study.

But while physical reconstruction takes place, progress is not smooth. Many victims of the disasters and members of the wider public feel that the government is more interested in feeding the construction industry than addressing the complex challenges of rebuilding sustainable communities. This is a region that was already suffering from the challenges of an aging population, the exodus of young people to Tokyo and the decline of traditional fisheries-based industries. In the worst cases people are facing the invidious choice of returning to areas that are still saturated with radioactive fallout or never going home.

The frustration is reflected in four short pieces in Planning Theory and Practice’s Interface Section from architecture, design and planning practitioners working with communities in four different parts of Tohoku.

Christian Dimmer, Assistant Professor at Tokyo University and founder of TPF2 — Tohoku Planning Forum which links innovative redevelopment schemes in the region says:

“The current Japanese government’s obsession with big construction projects, like mega-seawalls that have already been shown to be not likely to be effective, is leading to really innovative community solutions being marginalized, the voices of communities being ignored, and sustainability cast aside.”

According to community planner and academic, Kayo Murakami — who edits this Interface section: “The troubles of the Tohoku reconstruction are not just a concern for Japan. They highlight some of the fundamental challenges for disaster recovery and building sustainable communities, in which people are really involved, all over the world.”

Journal Reference:

  1. Kayo Murakami, David Murakami Wood, Hiroshi Tomita, Satoshi Miyake, Rieko Shiraki, Kayo Murakami, Koji Itonaga, Christian Dimmer. Planning innovation and post-disaster reconstruction: The case of Tohoku, Japan/Reconstruction of tsunami-devastated fishing villages in the Tohoku region of Japan and the challenges for planning/Post-disaster reconstruction in Iwate and new planning chalPlanning Theory & Practice, 2014; 15 (2): 237 DOI:10.1080/14649357.2014.902909