Arquivo da categoria: culpabilização

>Falhas de comunicação em série agravaram desastre histórico na Região Serrana do Rio (O Globo)

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14.jan.2011

RIO – Falhas no sistema de comunicação entre a Defesa Civil do Estado e os 92 municípios possibilitaram que a causa do maior desastre na história do Estado fosse ignorado. Na terça-feira, horas antes das chuvas que deixaram mais de 500 mortos na Região Serrana, o órgão recebeu um boletim alertando para a existência de “condições meteorológicas favoráveis à ocorrência de chuvas moderadas ou fortes”.

O aviso foi emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e repassado pela Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec). Todas as comunicações foram feitas por e-mail. Ainda assim, pelo menos uma prefeitura local, a de Teresópolis, alegou não ter recebido o informe.

A formação da grande tempestade foi detectada inclusive pelo novo radar da Prefeitura do Rio, o doppler, instalado em dezembro no Sumaré. O aparelho é capaz de identificar a origem de grandes precipitações num raio de 250 quilômetros – mais do que o suficiente para abranger a Região Serrana. No entanto, as imagens que poderiam ter sido coletadas por esta estrutura não foram repassadas.

Estado: faltam meteorologistas
De acordo com o prefeito Eduardo Paes, mesmo que o radar tenha flagrado a formação de temporais próximo à Região Serrana, não seria possível emitir um alerta aos municípios.

– O radar fornece fotografias, mas o sistema de análise é mais complexo: ele envolve dados como imagens de satélite, dados geológicos e redes pluviométricas – pondera. – Nossos meteorologistas nunca poderiam fazer previsões de outras cidades sem ter essas informações.

Segundo Paes, sequer as imagens captadas pelo radar poderiam ter sido repassadas a outras instâncias:

– Não sei se o Estado e essas cidades têm meteorologistas.

A Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Estado informou que a oferta da prefeitura é “genérica”, e ainda não houve tempo para decidir como serão feitas as análises das imagens do radar. Segundo a assessoria do órgão, os técnicos só seriam responsáveis pelo repasse dos boletins meteorológicos, por e-mail, aos municípios. Cada prefeitura seria encarregada de efetuar um plano de contingência. No entanto, a secretaria não divulgou se há meteorologistas em seu quadro de funcionários.

O problema também é destacado pelo meteorologista Manoel Gan, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

– Ainda faltam radares e outros sistemas de detecção de tempestades, mas o maior déficit é de profissionais – critica. – Esses equipamentos requerem mão de obra especializada. E, daqui a cinco anos, a grande maioria dos meteorologistas que ainda estão na ativa já terá se aposentado.

Sem as imagens do radar do Sumaré, a única previsão que subiu a serra veio do Inmet. O aviso especial 12/2011, emitido pelo órgão, foi enviado na terça-feira à tarde para a Sedec. Esta repassou os dados às 13h56m para a Secretaria estadual de Defesa Civil, ao comando-geral do Corpo de Bombeiros do Rio e à Secretaria Especial de Ordem Pública. O boletim alertava para o “índice significativo” de chuva acumulado em todo o estado, destacando a Região Serrana.

O prefeito de Teresópolis, Jorge Mário (PT), afirmou que o risco não chegou a ser comunicado para seu município:

– Não houve aviso de que poderia ocorrer aquela tragédia. A informação que eu tenho é que ela (a tempestade) não poderia ter sido prevista.

Na vizinha Nova Friburgo, o alerta chegou, de acordo com o secretário estadual de Ambiente Carlos Minc. A população, no entanto, não foi comunicada.

– Nosso equipamento que monitora a altura do rio em Friburgo funcionou, mas tem de haver um treinamento prévio para que as pessoas em suas casas sejam avisadas – ressalta.

Professor de meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria, Ernani Nascimento elogia o investimento da prefeitura do Rio no radar de Sumaré, mas acredita que o sistema pode ser ampliado.

– Um sistema possível, já testado em Campinas, usa sirenes – lembra. – Alguns moradores têm pluviômetros em casa e são treinados para, com o equipamento, perceber a gravidade das precipitações. Se uma chuva for grave, eles acionam o alarme, permitindo que as pessoas evacuem suas casas.

A tragédia levou o governo do Estado e a prefeitura do Rio a recorrer à médium Adelaide Scritori da Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) que diz controlar o tempo. O convênio foi renovado na quarta-feira às pressas.

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>Ministros anunciam novo sistema de monitoramento e alerta de desastres (G1)

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JC e-mail 4179, de 17 de Janeiro de 2011

Presidente Dilma se reuniu com quatro ministros nesta segunda (17/1), entre eles Aloizio Mercandante, da C&T, e definiu estruturação do Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais

Depois de uma reunião com a presidente da República, Dilma Rousseff, ministros do governo anunciaram nesta segunda-feira (17) uma reformulação no sistema de monitoramento, alerta e resposta a desastres, como o registrado na região serrana do Rio de Janeiro nos últimos dias.

Participaram do encontro os ministros da Defesa, Nelson Jobim; da Integração Nacional, Fernando Bezerra; da Justiça, José Eduardo Cardozo; e da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

O Ministério da Ciência e Tecnologia começará a trabalhar na estruturação do Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais.

Segundo o ministro Mercadante, 58% dos desastres naturais no Brasil são inundações e 11% deslizamentos.

“O peso dos desastres naturais decorrentes de fortes chuvas está se acentuando, e nós precisamos recorrer aos sistemas de prevenção”, disse Mercadante.

Ele afirmou ainda que a capacidade de previsão do sistema de monitoramento do clima será ampliada por meio de um supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Queremos já implantar parte desse sistema nas áreas mais críticas para o próximo verão”, disse o ministro.

Ainda de acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Brasil tem cerca de 500 áreas de risco de deslizamento de encostas, onde vivem cerca de 5 milhões de pessoas. O número de locais com alerta para inundações chega a 300 em todo o país.

A intenção é gerar informações geoespecializadas dessas áreas de risco para aprimorar a capacidade de previsão. Segundo Mercadante, é preciso adquirir novos equipamentos e conectá-los em um sistema único. A previsão do governo para concluir o trabalho de montagem do sistema é de quatro anos.

A estrutura, segundo o ministro, deve contar com uma sede central de coordenação e escritórios espalhados pelas cinco regiões do país. O sistema será comandado pelo pesquisador Carlos Afonso Nobre, coordenador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe entre 1991 e 2003.
(Informações do G1, 17/1)

>Chuvas: quem é que vai pagar por isso?

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Por Vilmar Sidnei Demamam Berna*

Não existe explicação que justifique a repetição freqüente e previsível,
verão após verão, de tantas perdas de vida e de patrimônio em função das
chuvas. Temos gente com conhecimento, tecnologias, recursos, então, por que
este problema repete-se em todos os verãos, como já previu Tom Jobim, na
música “Águas de março”?

Dizem que não é de bom tom, e que chega a ser cruel, no momento da tragédia,
quando se contam os mortos e os prejuízos, cobrar culpas e
responsabilidades. Entretanto, em respeito aos que morreram agora, e em
respeito aos que poderão morrer no próximo verão, temos de remexer nesta
ferida. Lembro a pergunta do Lobão, na canção Revanche: “Quem vai pagar por
isso? Até quando as autoridades permitirão, por ação ou omissão, a ocupação
das áreas de encosta frágeis pela sua própria natureza, que irão deslizar de
qualquer jeito, com ou sem floresta por cima? Até quando as margens de rios
e as áreas de várzeas continuarão sendo ocupadas, mesmo com todos sabendo
que mais dia ou menos dia encherão? Antigamente, só os mais pobres eram
afetados, mas agora, os ricos e a classe média também contam seus mortos.
Antes, o problema atingia mais duramente as áreas de risco, mas agora até as
áreas consideradas seguras estão sendo atingidas. E alguns ainda resistem em
admitir o impacto das mudanças climáticas.

Precisamos aprender com os erros, pois se não fizermos isso, é certo que
voltaremos a repeti-los. E entre os mais graves erros está o de só liberarem
recursos para as Prefeituras diante da emergência ou calamidade! Por que não
se liberam recursos antes, já sabendo que cada real gasto em prevenção
economiza mais de 10 na reparação do desastre?

As leis de uso do solo, os planos diretores, as políticas de licenciamento,
estão completamente ultrapassadas ou mesmo mal feitas e precisam ser
revistos para impedir a ocupação das áreas frágeis ainda desocupadas. Onde
estão nossos vereadores tão céleres para conceder títulos e aprovar emendas
ao orçamento para seus bairros?

Quanto às áreas já ocupadas, onde estão nossos prefeitos e governadores para
promoverem sua desocupação, com ordenamento e inteligência, pois se
continuar a não ser feito por bem, a natureza fará por mal, verão após
verão! As populações de baixa renda que foram deixadas à própria sorte para
ocupar áreas de risco e não edificantes precisam ser realocadas. Onde estão
nossas autoridades do Governo Federal e seus programas habitacionais para
essas populações de baixa renda? Poderiam estar incentivando mutirões
remunerados e o cooperativismo para que os próprios futuros moradores
construíssem suas próprias casas, após receberem a devida capacitação, e
apoio técnico necessário, em áreas seguras, gerando trabalho e renda,
aproveitando para incorporar tecnologias limpas e ecoeficientes.

As unidades de conservação, parques e bosques urbanos não seriam só para a
proteção da natureza, mas para proteger as pessoas da natureza. Na medida em
que as áreas de risco fossem desocupadas, em seu lugar seriam criadas essas
unidades de conservação no local, e cada metro quadrado daria ao município o
direito de receber repasses federais e estaduais que os compensassem pela
perda de receita com os impostos, que deixarão de arrecadar sobre estas
áreas protegidas, como já é feito pelo ICMS Ecológico.

Os profissionais de imprensa, por sua vez, vivem em momentos assim situações
equivalente a dos correspondentes de guerra. Como se proteger e ao mesmo
tempo estar na linha de frente dos acontecimentos? Como lidar com fontes
emocionadas, desinformadas, mal informadas? Como improvisar quando o
equipamento falha? Como encontrar as alternativas para transmitir os dados a
serem divulgados? Como lidar com o emocional e o profissional diante dos
dramas vividos pelas pessoas e pelo próprio profissional? Ate aonde ir neste
envolvimento sem prejudicar a tarefa de colher e transmitir a informação?
Como lidar com pessoas fragilizadas sem ser invasivo ou insensível diante da
dor alheia? Como fazer o seu trabalho sem atrapalhar ao trabalho dos outros,
do pessoal do resgate? Como colocar o foco na noticia, ir à raiz do
problema, fazer as perguntas certas às pessoas certas? Não dá para se
imaginar que toda essa capacitação e prontidão para as respostas acontecerão
por um acaso. Onde estão os cursos de capacitação para profissionais de
comunicação que precisam cobrir desastres e calamidades?

A solidariedade humana surpreende em momentos de desastre, como surpreende
também o despreparo. Muito trabalho voluntário é perdido por que falta
coordenação, sistemas de aviso e comunicação, planejamento das ações, onde o
trabalho voluntário ajuda e onde atrapalha, onde é mais necessário, etc. E
nada disso é possível fazer durante o desastre. Então, precisa ser feito
antes. Entretanto, onde estão os cursos de capacitação para voluntários?
Como eles podem ser avisados e serem mantidos informados? A quem recorrer
para serem encaminhadas para a linha de frente de trabalho voluntários? Quem
os ampara psicologicamente diante dos dramas e perdas que irão assistir e
com os quais terão de conviver? Sim, por que ao lado das perdas materiais,
as pessoas sofrem com terríveis perdas espirituais, que podem ser tão ou
mais devastadoras que as perdas materiais. As pessoas podem desmoronar por
dentro, perder o estimulo e a motivação para lutar e se reerguer. Como lidar
com crianças resgatadas sozinhas, que se tornaram órfãos da noite para o
dia, perderam a casa e todas as referências? O lar não está na casa perdida,
nos bens materiais, nos documentos históricos. O lar é espiritual. Está onde
estiver a família ou o que sobrou dela. Pode estar num estádio que reúne os
sobreviventes.

* Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista. Em Janeiro de 1996,
fundou a REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.rebia.org.br)
e edita desde então a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do
Meio Ambiente) e o Portal do Meio Ambiente (www.portaldomeioambiente.org.br).
Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio
Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas –
http://www.escritorvilmarberna.com.br

>Blame game begins in wake of deadly Brazil floods (CSM)

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As the Brazil floods continue, some blame municipalities for allowing residents to build in insecure areas, while others blame the federal government for misallocating funds

By Andrew Downie, Correspondent / January 14, 2011
São Paulo, Brazil

A resident looks at a destroyed house after a landslide in Teresopolis, Brazil, on Jan. 13. Rescue workers struggled on Thursday to reach areas cut off by floods and landslides that have killed at least 511 people in one of Brazil’s worst natural disasters in decades. Bruno Domingos/Reuters.

With rain still falling in parts of Rio de Janeiro and the death toll from massive flooding topping 500, authorities and experts turned their attention to apportioning blame and deciding how to avoid repeats of what has become a familiar tale in Brazil.

Local officials estimate the death toll at 511 so far, concentrated in four hillside cities north of Rio de Janeiro, after torrential rains caused rivers to jump their banks and hillsides to give way. While national and state authorities are pinning the blame on municipalities for allowing citizens to build in insecure areas, the federal government itself is coming under scrutiny for recently slashing its budget for handling natural disasters.

“There is carelessness at every level of government,” says Gil Castello Branco, the secretary general of Contas Abertas, a non-profit that monitors government spending. “We turn that old saying on its head: We aren’t safe, we are sorry.”

Federal government cut budget for disaster prevention

Even though annual flooding is common around Rio, a proposed national center for disaster management never got off the drawing board and the federal budget for disaster prevention and preparation measures is down 18 percent in 2010, says Mr. Castello Branco.

Last year the government spent just 40 percent of the cash allocated for disaster prevention and preparation, and more than half of that went to Bahia, a state that had no major disasters, because the minister in charge of disbursing funds was running for governor there, Castello Branco says in a telephone interview.

“We are not saying it was illegal, but Bahia should never have got half the money,” he says. “It was in [the minister’s] political interest but not in society’s.”

Triumphant rescues

The flooding that began in the past week is being described as the worst natural disaster in Brazilian history. Footage of the worst-hit areas looked like it came from a Hollywood disaster movie.

One cameraman caught the remarkable scene of a housewife being hauled to safety through roaring river with just a rope around her waist. Another caught the joy of rescue workers discovering a baby alive after being buried in mud for 12 hours.

However, those were rare positive moments.

“It was like something out of Noah’s Ark,” says Marcos Maia, a 31-year old who lost five members of his family and spent most of Wednesday helping out at the local morgue. “An avalanche of rocks just washed their house away.”

When asked to describe the road where he lived, Mr. Maia told the Monitor by telephone: “Now there is no road. It’s just a muddy river.”

It was a rude awakening for Brazilian President Dilma Rousseff, who took office less than two weeks ago and stopped off in one of the cities, Nova Friburgo, for 45 minutes on Thursday. Ms. Rousseff promised the state of Rio de Janeiro more than $1 billion in aid by 2014 but played down the fact this was the third major disaster caused by flooding in the last three years in Brazil, and the second consecutive tragedy in Rio.

Rousseff blames municipalities

Rousseff and Rio state governor Sergio Cabral put the problem down to decades of lax oversight by municipal authorities who allowed people – mostly poor people – to build houses on hillsides vulnerable to landslides. Mr. Cabral said 18,000 people lived in high risk areas in the city of Rio de Janeiro alone and said the city’s mayor would need to make the unpopular decision of removing them.

“Building houses on high risk areas is the rule in Brazil, not the exception,” Rousseff added. “You have to get people away and into secure areas. The two fundamental issues are housing and land use” and that involves putting proper drainage and sewage systems in place.

Experts, however, cautioned that such plans can take decades to carry out and said that politicians have failed to take such sensible steps to avoid repeated tragedy. Floods killed 133 people in the southern state of Santa Catarina in 2008 and left more than 200,000 people homeless in the impoverished Northeast in 2009. In 2010, floods killed 53 people when an entire neighborhood built on a hillside garbage dump gave way in Rio.

>Abertura de represa em Franco da Rocha (SP) foi irresponsável, diz PDT (UOL)

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13/01/2011 – 15h53
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O PDT (Partido Democrático Trabalhista) anunciou nesta quinta-feira (13) que vai entrar com uma ação contra a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) exigindo apuração rigorosa e cobrando indenização para os moradores de Franco da Rocha prejudicados pelas enchentes desta semana.

Para o partido, a abertura das comportas da represa Paiva Castro, que deixou parte da cidade submersa, foi irresponsável. Escolas, casas, comércios, o fórum, o prédio da prefeitura e a delegacia estão cercados por água devido à decisão da direção da Sabesp.
Enchente paralisa serviços em Franco da Rocha (SP)

“A falta de planejamento da Sabesp, somada a uma comunicação precária, prejudicou milhares de pessoas. Não podemos nos calar diante de tal irresponsabilidade e insensibilidade social por parte da empresa”, afirma o presidente do PDT estadual, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. “Pela incompetência demonstrada, e pela falta de respeito para com a população, o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, deve ser demitido.”

A direção do PDT também estuda entrar com ação em outras localidades prejudicadas pela mesma situação.

A Sabesp informou que reduziu a vazão da represa. Apesar da medida, a cidade permanecia com a região central alagada. A vazão, que chegou a ser de 80 m3 por segundo, passou a ser de 10 m3/s às 9h de hoje. Apesar disso, a prefeitura afirmou por meio de sua assessoria que a medida ainda não traz tranquilidade a administração municipal devido à chuva que continua atingir a região nesta quinta-feira.

Nesta quarta, o prefeito Márcio Cecchettinio (PSDB) afirmou esperar da Sabesp, responsável pela barragem, uma resposta definitiva sobre a abertura das comportas. Ele ressaltou que gostaria que elas fossem fechadas para que a cidade pare de ser alagada.

A Prefeitura informou que as fortes chuvas elevaram o nível da água represada no Sistema Cantareira e um alerta foi lançado para a necessidade de dar vazão à água e manter o nível máximo de segurança.

O sistema é composto por seis barragens, que passam pelos municípios de Bragança Paulista, Piracaia, Vargem, Joanópolis, Nazaré Paulista, Franco Da Rocha, Mairiporã, Caieiras. A represa de Paiva Castro fica na parte mais baixa, portanto recebe a água acumulada nos demais pontos do sistema.

>Sabesp diz que abertura de comportas de represa em Franco da Rocha era "inevitável" (R7)

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Vice-prefeito atribuiu alagamento em Franco da Rocha à ação da empresa
João Varella, do R7

Entorno do Hospital Estadual do Juqueri, na região central de Franco da Rocha, ficou completamente alagado na manhã desta quarta-feira (12). Luis Cleber/AE.

A direção da Sabesp, empresa responsável pelo saneamento básico em São Paulo, negou que a abertura das comportas da represa Paiva Castro tenha alagado a cidade de Franco da Rocha, na região metropolitana. A empresa atribuiu a enchente – no início da noite desta quarta-feira (12) partes do município permaneciam alagadas – a chuvas fora do comum e informou que a abertura da represa era “inevitável”. Caso contrário, a barragem se romperia e o alagamento seria ainda pior, disseram dirigentes da empresa.

Em entrevista na tarde desta quarta-feira, o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, afirmou que “as represas estão atenuando a ação das chuvas” em Franco da Rocha. Segundo o vice-prefeito, José Antônio Pariz Júnior, o alagamento foi provocado pela abertura da represa Paiva Castro, que, na manhã de terça-feira (11), atingiu o nível máximo.

Paulo Masato, diretor da Sabesp na região metropolitana, confirma que a abertura das comportas é responsável pela permanência da enchente em Franco da Rocha, mas ressalva que a ação era inevitável, uma vez que a represa estava muito cheia por causa das chuvas que atingiram a região. Segundo a Sabesp, a água será escoada gradualmente. Partes da cidade permanecem alagadas, porque o rio Juqueri tem agora capacidade menor de escoamento do que a represa demanda.

– Já tínhamos avisado a Defesa Civil e tivemos que tomar essa decisão de abrir mais as comportas. A Defesa Civil estava junto com a Sabesp. O que tem que fazer é melhorar a canalização do rio Juqueri.

No período das cheias, as represas retêm boa parte da vazão de água que chega ao rio, liberando esse volume aos poucos, de forma controlada, evitando ou reduzindo o impacto das inundações. Segundo Oliveira, a Sabesp segue todas as regras da ANA (Agência Nacional das Águas).
Se não chover, a previsão é de, na noite desta quarta-feira, a abertura comportas seja reduzida, diminuindo assim a área alagada. Masato diz que, a partir de agora, o volume de água no rio Juqueri deve começar a baixar. Segundo ele, no final da manhã desta quarta-feira, a represa Paiva Castro liberava 37,92 m³/s de água. Entre a 0h e a 7h, a barragem chegou a liberar 80 m³/s.

– A represa passou de um nível de 45% de água para, em menos de 18 horas, ir para 97%. Estamos descarregando agora 50 m³/s. A partir das 19h, vamos liberar só 10 m³/s. Isso, se não voltar a chover.

A vazão média da represa é de 1 m³/s – cada metro cúbico de água equivale a 1.000 litros (volume de uma caixa d’água residencial).

O recorde histórico de vazão se deu em janeiro de 1987, quando a represa passou a expelir média de 85 m³/s de água por quatro dias.

Cloro

O presidente da empresa anunciou que haverá distribuição de cloro para a população de Franco da Rocha. O produto deverá ser usado na higienização de casas que foram alagadas. Tendas da Sabesp estão sendo montadas na cidade para orientar os moradores.

– Faremos tudo que é necessário para mitigar os efeitos da chuva e colaborar com qualquer ação que as prefeituras venham a precisar.

Segundo a Sabesp, a prefeitura decidirá quando inicia a distribuição, que começará na estação de trem de Franco da Rocha.

Trovão

Masato teve sua explicação sobre o funcionamento da represa de Paiva Castro interrompiada pelo som de um relâmpago que anunciava chuva que cairia na capital paulista neste quarta-feira (12). A cidade foi colocada em estado de atenção às 17h50.

>Juventude e violência: proximidade perigosa (FAPERJ)

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Por Vilma Homero – 10/06/2010

Atos violentos de jovens de classes populares costumam ter resposta mais dura da sociedade, como mostra o filme Justiça.

A crescente violência entre os jovens é um fenômeno tipicamente contemporâneo. Vivendo uma adolescência prolongada, sem reconhecimento da sociedade organizada em função de sua não inserção no mercado de trabalho, eles se entregam a várias formas de comportamento violento: provocam acidentes ao dirigir em alta velocidade, sem respeitar quem ou o que estiver pela frente, aderem ao tráfico de drogas, tornam-se membros de gangues, provocam brigas em boates. Diante disso, a sociedade brasileira tem encontrado apenas duas formas de lidar: pelo assistencialismo ou pela repressão. Para o pesquisador e psicanalista Joel Birman, é preciso pensar criticamente essa situação.

Para promover essa reflexão, ele coordena a rede de pesquisas Juventude, Subjetivação e Violência/ou EPOS, sediada no Instituto de Medicina Social, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em que, com apoio do edital Pensa Rio – Apoio ao Estudo de Temas Relevantes e Estratégicos Para o Estado do Rio de Janeiro, da FAPERJ, especialistas de diferentes formações analisam a questão. “A violência hoje está intimamente associada à juventude. Um comportamento que até um tempo atrás era cativo das camadas populares, hoje se dissemina igualmente nas classes médias. Mas é preciso sair dessa concepção unicamente assistencialista ou repressiva e encontrar outras alternativas”, diz.

Nesse sentido, a rede, que reúne psicanalistas, psicólogos, sociólogos, criminologistas, juristas e comunicólogos, vem refletindo sobre a questão em diversos trabalhos. Já foram promovidos dois colóquios, em 2008 e 2009, um deles transformado em livro, pela editora Contracapa, com o mesmo nome da rede, Juventude, Subjetivação e Violência. “Também estamos publicando uma revista eletrônica, em que colocamos os artigos dos especialistas da rede. Já publicamos o número zero, que submetemos à avaliação para indexação, e para 2010 temos previsão de mais duas edições”, expõe. Para junho, está sendo organizado um seminário para que os pesquisadores apresentem seus trabalhos. E, no segundo semestre, haverá outro, com conferencistas convidados.

Entre os vários estudos que integram a rede, a socióloga Vera Malaguti analisa exatamente como em vez de pensar formas de inclusão social, a sociedade lida com a questão da violência com políticas que criminalizam a juventude que apresenta comportamento deste tipo. A psicanalista Sílvia Nunes, que focaliza a gravidez adolescente, avalia como, especialmente entre as classes populares, essa gravidez funciona para a jovem mãe como a criação de uma certa respeitabilidade social e ainda como forma de proteção contra a violência, sobretudo sexual, em comunidades de baixa renda.

Para o psicanalista Joel Birman, a sociedade falha em promover a inclusão social do jovem.

“Já o professor de literatura Camilo Pena examina as novas formas de produção cultural e literatura das camadas populares, como blogs, panfletos e produção musical, que traduzem uma tentativa de criação de signos identitários”, exemplifica Joel Birman.

Outra pesquisa, de Wedencley Alves Santana, analisa o atual esvaziamento do potencial de promessa que a educação formal significava décadas atrás. Birman chama ainda a atenção para a participação de juristas que questionam o engessamento de nosso Código Penal, que cristaliza essa tendência criminalizante em seu olhar sobre o comportamento da juventude.

“Acreditamos que há uma lógica social maior nessas situações do que simplesmente a criminal. O grande eixo de nossa leitura é de questionar qual o lugar atual do jovem em nossa sociedade, levando-se em conta como a sociedade organizada falha em promover a inclusão social.”

Segundo o psicanalista, hoje, a ideia sobre o que é ser adolescente é diferente do que há décadas passadas. “A organização linear das idades foi quebrada nos anos 1970. A infância dura menos tempo, e, em compensação, a adolescência começa mais cedo e se estende indefiinidamente. Agora, ficou difícil distinguir o que é adolescente ou um adulto jovem”, explica. Outros fatores contribuem. “Diante na nova formação da família contemporânea, marcada pela volutibilidade do casamento, as crianças não vivem mais necessariamente com seus pais biológicos, e ainda passam por uma adolescência prolongada e sem autonomia, já que os jovens, particularmente os de classe média, mantêm-se durante mais tempo apenas dedicados aos estudos, antes de entrar para o mercado de trabalho”, explica Birman.

Para o psicanalista, “sem o reconhecimento simbólico de seu lugar na sociedade, numa infantilização que se estende, eles passam a cultivar uma cultura corporal, explorando não só a estética, como a cultura da força e das várias formas de violência, buscando distinguir-se entre seus pares”. E exemplifica: “Se entre os jovens de classe média, há as brigas em boates, ou a direção irresponsável em alta velocidade, para os jovens das camadas populares, há a adesão ao tráfico.”

A resposta da sociedade ao problema, no entanto, tem duas vertentes. “Costuma ser extremamente dura e repressiva para o jovem de origem humilde, que seguidamente são enviados a instituições penais, onde são transformados em criminosos propriamente ditos, e bem mais condescendente para os jovens de classe média, que em geral são encarados como problemáticos e alvo de medidas terapêuticas”, diz. Segundo o psicanalista, isso acontece porque a visão dos órgãos policiais e judiciais é fazer uma leitura a partir de um “potencial de periculosidade”, que encara sempre o jovem mais pobre como potencialmente mais perigoso.

No filme Meu nome não é Johnny, o protagonista da história, um jovem de classe média, é preso com grande quantidade de cocaína. Levado a julgamento, sua figura comove a juíza, que em vez de condená-lo como traficante, o envia para tratamento no manicômio judiciário. A história, real, ilustra bem a dualidade do olhar da sociedade brasileira, que certamente seria bem menos condescendente com réus das classes populares na mesma situação.

“Hoje, há uma tendência internacional de questionar essa visão criminalizante, de ver mais criticamente essas políticas de aprisionamento. No Instituto Carioca de Criminologia, coordenado pelo jurista Nilo Batista, já temos uma abordagem que dialoga com essa perspectiva”, diz Birman. Unindo todos esses estudos, fica a perspectiva de uma maior reflexão que traga outras alternativas de solução.

© FAPERJ – Todas as matérias poderão ser reproduzidas, desde que citada a fonte.

>The beginning of modern tornado forecasting

>
Fawbush and Miller

By Bill Murray
Whatever-weather.com, March 20, 2010

The Californian had little experience with forecasting Midwestern weather. He had been at Tinker Air Force Base in Oklahoma less than three weeks. When World War II broke out, he left his classes at Occidental College where he was enrolled, and enlisted in the Army Air Corps. He ended up in the weather forecaster school in Grand Rapids, Michigan. The demand was so great that new forecasters were put to work after a hurried nine month course in meteorology. His tours of duty were mainly in the South Pacific, forecasting weather for the forces that were battling the Axis. He was eventually promoted to the rank of Captain.

At the end of the war, he was assigned to Fort Benning in Georgia, where he honed his ability to map out the details of weather at different altitudes and visualize those details. This ability to understand a three dimensional picture of the atmosphere is critical to weather forecasting. On the afternoon of March 20, 1948, he plotted the weather at the surface and aloft across the vast and flat terrain of the American Plains. There was nothing on the charts out of the ordinary It looked like a dry and boring forecast with just some gusty winds through the evening hours.

He settled in to get acquainted with the backup forecaster, who was also from California. About 9 p.m., much to the forecasters’ surprise, they began to see surface reports of lightning from stations just to the southwest and west of Oklahoma City. Echoes appeared on their weather radar, less than twenty minutes away. The backup forecaster, a Staff Sergeant, sat down to type up a warning that thunderstorms were approaching. To their horror, at 9:52 p.m., a report streamed across the teletype from Will Rogers Airport, just seven miles to their southwest that a tornado was on the ground, visible from the airport. Sure enough, illuminated by lightning, a huge funnel was visible almost immediately. It roared across the base, doing $10 million worth of damage and injuring several personnel.

There were recriminations immediately. A panel of investigators from Washington flew in the next morning. The nervous weather officer and his superior answered questions. The board of inquiry listened to the facts and quickly rendered a decision. The event was not forecastable given the state of the art in meteorology. But later that day, Colonel Robert Miller and Major Ernest Fawbush were summoned to the Commanding General’s office. He directed Fawbush and Miller to investigate the possibility of forecasting tornadoes.

They reviewed the weather charts from the day before, as well as those from other tornadic events. They identified that tornadoes seemed to occur in warm, moist airmasses, with strong winds aloft. But the difficulty lay in delineating the areas which were most likely to experience the destructive storms. Issuing a tornado forecast for a single point seemed improbable.

But less than a week later on the 25th, Fawbush and Miller looked at their weather charts and then at each other. The weather pattern looked nearly identical to that of the 20th. What were the odds that another tornado would strike the base? Infinitesimal. They went to the General and told him what they saw. The General ordered the base secured. They reconvened with the General at early afternoon. It was then that they issued the first tornado forecast. Sure enough, a tornado moved across the well-prepared base that evening.

It was the beginning of modern tornado forecasting.

[This is one more historical example of the fact that unpredictability raises the specter of blame and accountability to forecasters. RT]