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Um mês após 2º volume morto, Cantareira caiu 4,2 pontos porcentuais (Estadão)

JC 5070, 24 de novembro de 2014

Desde que os 105 bilhões de litros da reserva técnica entraram no cálculo da Sabesp, o nível do sistema caiu de 13,6% para 9,4%

O Sistema Cantareira já perdeu 4,2 pontos porcentuais desde que a segunda cota do volume morto foi incorporada, há exatamente um mês. Quando os 105 bilhões de litros de água da reserva técnica foram acrescidos, no dia 24 de outubro, o nível do manancial saltou de 3%, o menor já registrado na história, para 13,6%. Hoje, no entanto, o reservatório está com apenas 9,4% da sua capacidade.

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,um-mes-apos-2-volume-morto-cantareira-caiu-4-2-pontos-porcentuais,1597210

(O Estado de S.Paulo)

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Volume de água armazenado no Cantareira cai para 9,4% (Agência Brasil)

Os dados fazem parte do levantamento diário divulgado pela Sabesp

Em quedas sucessivas há dez dias, o volume de água armazenado no Sistema Cantareira chegou hoje (24) a 9,4%. Os dados fazem parte do levantamento diário divulgado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. No dia 15, começou a ser bombeada a segunda parte do volume morto, água que fica abaixo do nível das comportas.

A reserva técnica acrescentou 105 bilhões de litros ao volume útil do sistema. Este é o último recurso de armazenamento disponível. A primeira parte da reserva foi incluída no dia 16 de maio, após obras para a instalação de bombas, e incorporou 182,5 bilhões de litros de água ao Sistema Cantareira.

Outros mananciais importantes no abastecimento de São Paulo apresentaram queda hoje. O volume armazenado no Alto Tietê, segundo mais importante da cidade, passou de 6,1% para 5,9%; no Guarapiranga, na zona sul da capital, o nível caiu de 32,3% para 32,2%; no Rio Grande, de 63,8% para 63,4%; e no Rio Claro, de 31,9% para 31,3%. O Alto Cotia, por sua vez, ficou estável em 28%.

Saiba Mais

(Camila Maciel / Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-11/volume-de-agua-armazenado-no-cantareira-chega-94

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>Futuro da previsão do clima no Brasil em xeque (JC, Globo)

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JC e-mail 4232, de 05 de Abril de 2011.

Escassez de meteorologistas coloca em risco a previsão e a prevenção de catástrofes.

A falta de profissionais qualificados que façam previsões meteorológicas e se dediquem à parte operacional da meteorologia preocupa especialistas da área. Na 4ª Conferência Regional sobre Mudanças Globais, iniciada ontem em São Paulo, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) José Antonio Marengo disse que o Brasil tem muitos profissionais que se dedicam à pesquisa acadêmica, mas faltam especialistas para fazer a leitura dos dados e mapas.

Segundo ele, por enquanto, isso não prejudica as previsões meteorológicas no país, mas em cinco anos este déficit pode causar transtornos.

– Necessitamos de pessoas mais novas, jovens. Temos poucos profissionais que se dedicam à fazer a previsão e mapas. As pessoas estão se aposentando e outras preferem trabalhar na parte acadêmica – disse.

Para ele, a parte operacional da meteorologia não atrai muitos profissionais porque eles consideram o trabalho pouco interessante e instigante:

– É uma parte chata, como um médico que trabalha no pronto-socorro e um que trabalha no Albert Einstein. Já o físico da Universidade de São Paulo e integrante do Painel
Brasileiro de Mudanças Climáticas Paulo Artaxo Netto se preocupa com o fato de o país ainda não estar preparado para fazer melhores previsões de enchentes e secas para minimizar os impactos de desastres naturais:

– Os modelos climáticos feitos no Brasil não necessariamente atendem as necessidades das defesas civis. Não adianta dizer que no estado de São Paulo vai chover 200 milímetros. Isso vai acontecer em Araraquara ou em Santos? Precisamos ter uma alta resolução espacial e previsões com horas de antecedência.

Os especialistas estão confiantes na entrada em funcionamento e eficácia do Sistema Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais, elaborado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e que deve começar a operar até o fim do ano. Mas o climatologista Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCT, admitiu que isso ainda é um desafio.

– Temos que diminuir o número de vítimas nas catástrofes por meio da ciência – disse.
(O Globo)

>Comitê debate recursos para Sistema de Alerta de Desastres Naturais (JC, FSP, VE, MCT)

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JC e-mail 4220, de 18 de Março de 2011

Fundo do clima vai bancar nova rede contra catástrofe natural

Neste ano, sistema de alerta receberá R$ 10 milhões dessa fonte de financiamento.

O sistema nacional de alerta contra catástrofes naturais será bancado neste ano por R$ 10 milhões do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima. A decisão foi anunciada ontem em Brasília.

Principal anúncio do início da gestão de Aloizio Mercadante no Ministério da Ciência e Tecnologia, a criação de um sistema que possa evitar tragédias como a de janeiro na região serrana do Rio esbarrou nos cortes orçamentários do governo.

A saída foi pedir financiamento para o início da montagem do sistema ao fundo gerenciado pelo MMA (Ministério do Meio Ambiente). Afinal, raciocina o ministério, trata-se de uma ação de adaptação às mudanças climáticas, uma das linhas principais do fundo.

Neste ano, o Fundo Clima deverá investir R$ 229 milhões em ações como combate à desertificação e redução de emissões de carbono. Desse total, R$ 200 milhões serão disponibilizados pelo BNDES na forma de empréstimos com juros mais baixos que a inflação.

Na mira do secretário nacional de Mudança Climática, Eduardo Assad, estão linhas de crédito para substituição de ônibus a diesel por biodiesel e a expansão das placas solares para aquecimento de água, além do estímulo ao desenvolvimento de paineis fotovoltaicos. “A gente sempre ouve o argumento de que é muito caro, então vamos dar dinheiro para pesquisa, para ficar barato”, afirmou Assad.
(Folha de São Paulo)

Sistema antidesastres começa a operar este ano com verba de R$ 11 milhões

A operação integral do sistema, prevista para ocorrer em quatro anos, exigirá investimentos muito superiores ao inicial.

O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) prevê um investimento de R$ 10,9 milhões este ano para dar início, em novembro, à operação do Sistema de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, lançado em janeiro pelo governo federal. A operação integral do sistema, prevista para ocorrer em quatro anos, exigirá investimentos muito superiores ao inicial, mas que ainda se encontram em fase de detalhamento, segundo informou o climatologista Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCT.

A expectativa do governo, segundo Nobre, é que as melhorias, que serão implementadas na capacidade de observação e de monitoramento de fenômenos climáticos e meteorológicos extremos e, principalmente, na capacidade de dar alertas sobre riscos de deslizamentos e de inundações, contribuam para uma redução de 80% do número de vítimas dos desastres naturais para áreas cobertas pelo sistema e com levantamentos detalhados de vulnerabilidades. “Para o restante do Brasil, estima-se uma redução de 50% do número de vítimas e, em dez anos, para menos de 20% em relação aos números atuais”, explicou Nobre.

O aprimoramento da rede de observação existente hoje, de acordo com o secretário do MCT, contempla a expansão da rede de Plataformas de Coleta de Dados Ambientais (PCDs). Atualmente, existe um total de 854 PCDs espalhadas pelo território nacional, mas 271 estão sem transmissão e outras 22 foram desativadas. O sistema utilizará todas as redes de dados meteorológicos existentes, como as quase 500 estações automáticas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

As PCDs fazem a coleta diária de informações meteorológicas (temperatura, pressão, direção e velocidade do vento, umidades) em territórios de difícil acesso e no mar. Essas informações são utilizadas nos modelos computacionais de previsão do tempo e permitem o acompanhamento, em tempo quase real, das condições ambientais.

Também está prevista a instalação de cerca de 700 pluviômetros em áreas de risco, escolas, igrejas e órgãos públicos, para serem operados pelas comunidades e com informações enviadas para centros de controle, via telefonia celular.

A rede de radares meteorológicos existente hoje também será ampliada, segundo Nobre, com a aquisição de 15 equipamentos em parcerias com Estados, que estarão integrados com os atuais radares, permitindo um monitoramento mais adequado de chuvas, em tempo real, para áreas de risco.

O novo sistema de alerta propõe ainda a instalação de um radar meteorológico no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de Cachoeira Paulista, onde já está operando o novo supercomputador Tupã.

“Além de complementar a rede nacional de radares, este equipamento permitirá o avanço de pesquisas sobre meteorologia por radares. Essa capacitação poderá ser usada nos cursos de pós-graduação do Inpe e no treinamento de pesquisadores e técnicos em meteorologia por radares”, disse.

O governo também pretende, no curto prazo, fazer um levantamento dos municípios com mapeamento geomorfológico detalhado de áreas de risco em encostas e de áreas sujeitas a inundações. O secretário do MCT ressalta que a confiabilidade dos alertas de risco e de ações de prevenção de desastres naturais dependem da existência de sistemas e de tecnologias de observação e monitoramento em tempo real.

“As previsões atuais de riscos de deslizamentos em encostas e de vazões em bacias hidrológicas ainda se encontram na infância, a não ser para poucos municípios como Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo”, diz o meteorologista.

A sede do sistema que, provavelmente, será instalada no campus do Inpe, em Cachoeira Paulista (SP), vai abrigar, até novembro deste ano, uma equipe de 30 profissionais, que vão trabalhar 24 horas por dia, todos os dias do ano. A vantagem de a sede ficar no Inpe, segundo já havia explicado o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, é que ali já existe toda uma infraestrutura logística, com supercomputadores de última geração, sistema de fibra óptica e técnicos altamente qualificados, o que reduziria grande parte dos custos de montagem do sistema.

Além de uma rede integrada de radares meteorológicos e pluviômetros, o MCT também coloca como prioridade para o novo sistema, o lançamento de uma constelação de satélites de monitoramento de precipitações, que está sendo feita com a Nasa e a Agência Espacial Japonesa.

A médio prazo, diz o secretário Carlos Nobre, o objetivo do governo é contar com um satélite geoestacionário próprio para monitoramento ambiental e meteorológico. Também está prevista a modernização dos componentes do sistema de coleta de dados das PCDs, que recebe informações do satélite SCD-1 e SCD-2, ambos com vida útil vencida há mais de dez anos e operando de forma degradada.

O MCT avalia ainda a possibilidade de desenvolvimento de um sistema de coleta de dados novo, pela indústria nacional, para ser embarcado no satélite científico Lattes. O satélite está sendo desenvolvido pelo Inpe e tem lançamento previsto entre os anos de 2014 e 2015.
(Valor Econômico)

Comitê debate recursos para Sistema de Alerta de Desastres Naturais

Estão previstos R$ 238 milhões de investimentos em projetos para a redução dos impactos consequentes das alterações da temperatura global, em linhas de crédito para projetos do setor público e privado.

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (Seped/MCT), Carlos Nobre, participou nesta quinta-feira (17) da 2ª Reunião Ordinária do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima), na sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Brasília.

No encontro, foram discutidos o plano anual para aplicação de recursos e o regimento interno do fundo. Estão previstos R$ 238 milhões de investimentos em projetos para a redução dos impactos consequentes das alterações da temperatura global, em linhas de crédito para projetos do setor público e privado. Participaram da reunião o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Francisco Gaetani, que é o presidente do comitê gestor do Fundo, e o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Eduardo Assad.

Entre os recursos, está previsto um financiamento inicial de R$ 10 milhões para o Sistema Nacional de Prevenção e Alerta de Desastres Naturais, programa do Governo Federal que tem coordenação do MCT. A previsão é de que o sistema funcionará plenamente em quatro anos. O sistema antecipará informações sobre possíveis desastres naturais relacionados à seca e outras catástrofes, como deslizamentos de terra e inundações. Os dados das áreas de risco mais críticas já devem estar disponíveis no próximo verão.

O Fundo Clima é um dos principais instrumentos de promoção e financiamento de atividades vinculadas à Política Nacional sobre Mudança do Clima. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai dispor R$ 204 milhões em linhas de crédito para projetos do setor público e privado. Também serão destinados R$ 34 milhões pelo MMA para iniciativas públicas, com recursos não-reembolsáveis.

A destinação dos recursos terá foco na educação, ciência, adaptação da sociedade aos impactos, redução de gases do efeito estufa, redução das emissões de carbono por desmatamento, difusão de tecnologias para diminuir os gases na atmosfera, formulação de políticas públicas e apoio a cadeias produtivas sustentáveis. O MMA é responsável pela formulação da proposta orçamentária anual e do plano anual de aplicação financeira.
(Assessoria de Comunicação do MCT)

>Mudança Climática e conflito social estão associados? (JC)

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JC e-mail 4202, de 17 de Fevereiro de 2011

Artigo do ambientalista Sérgio Abranches, do Ecopolítica para o Plural em site

Eventos climáticos extremos podem ter tido efeito importante nos levantes populares no Oriente Médio e Norte da África? A mudança climática já está afetando as relações sociais?

A questão pode parecer uma dessas vias forçadas para alertar sobre a mudança climática. Mas não é. É uma preocupação relevante e essa conexão já vem sendo estudada por cientistas das mais diversas áreas, climatologistas, ecologistas, sociólogos, economistas. A pergunta é mais complexa do que ela aparenta à primeira vista. Ela indaga sobre duas relações nada triviais: entre eventos climáticos extremos e mudança climática e entre anomalias climáticas e conflito social.

Os cientistas resistem sempre a atribuir à emergência de eventos climáticos extremos específicos à mudança climática. Argumentam, com razão, que não há base científica para associar um evento em particular ao fenômeno global e de longo prazo da mudança climática. Mas o climatologista Kevin Trenberth, diretor da Seção de Análise Climática do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica, nos Estados Unidos, defendeu recentemente uma visão diferente desse problema, conhecido na ciência climática como “o problema da atribuição”. Em entrevista exclusiva ao editor do blog Climate Progress, o físico Joseph Romm, Trenberth disse que:

Os cientistas sempre começam com a afirmação de que não se pode atribuir um evento isolado à mudança climática. Mas ela tem uma influência sistemática sobre todos esses eventos climáticos atuais, segundo ele, por causa do fato de que há mais vapor d’água circulando na atmosfera do que se tinha, digamos, trinta anos atrás. É uma quantidade extra de 4% de vapor d’água. Ele aumenta a força das tempestades, dá mais umidade para essas tempestades e é ruim que o público não veja isto como uma manifestação da mudança climática. A perspectiva é que esse tipo de coisa só aumentará e piorará no futuro.

A quantidade de gases estufa na atmosfera, segundo a maioria dos cientistas, já tem um efeito de aceleração do aquecimento da Terra. Portanto, a mudança climática decorrente deve ser vista como um processo em curso com tendência de agravamento ao longo do tempo. Ou seja, é de longo prazo, mas as coisas não acontecem todas no futuro de uma vez só. Vão acontecendo progressivamente, com aumento de frequência e intensidade.

E qual a relação com os fatos no Oriente Médio e na África do Norte?

Tivemos um período atípico de grande quantidade de eventos climáticos extremos em 2010 e no início deste ano. Secas, enchentes, ondas de calor e frio, tempestades intensas, nevascas, queimadas. Esses eventos afetaram negativamente a produção agrícola mundial em todas as partes do mundo: os casos mais exemplares foram no Casaquistão, na Rússia, no Canadá, na Austrália, nos Estados Unidos, na China e no Brasil. O resultado foi uma forte alta dos preços internacionais das commodities agrícolas e inflação de preços de alimentos. Uma inflação climática.

O blog Climate Progress organizou uma série de referências de cientistas e da imprensa a essas relações. Entre elas, estudo dos economistas Rabah Arezki, do FMI, e Markus Brückner, da Universidade de Adelaide na Austrália. Eles estudaram o efeito de variações nos preços internacionais de alimentos sobre as instituições democráticas e conflitos internos em mais de 120 países, entre 1970 e 2007. Essa análise mostra que existe uma clara relação para os países de baixa renda: observa-se a deterioração das instituições democráticas e o aumento da incidência de conflitos de rua, demonstrações anti-governo, e movimentos de massa.

Por que nos países de baixa renda? Nos países de renda alta essa relação não é significativa. Porque quanto menor a renda do país, maior a participação dos alimentos no orçamento doméstico e, portanto, maior a sensibilidade da população a elevações fortes do preço da comida.

Estudos históricos mostram que há relação entre mudança climática e colapso social. Quebras de safra e consequente elevação dos preços de comida são causas frequentes de levantes populares e revoluções na história da sociedade moderna e contemporânea. A história do próprio Egito registra casos históricos de conflitos associados ao preço dos grãos (infelizmente não tenho cópia digital deste artigo). Na Índia, também foram muitos os episódios. O mais notável talvez tenha sido a “revolta dos grãos” de 1918, provocada por desabastecimento e elevação de preços dos grãos resultante de monções com chuvas excepcionalmente fracas.

Em vários desses episódios históricos a relação era direta: a elevação dos preços dos alimentos causava a revolta. No caso atual, as causas são outras. Para entender o que se passa no Egito, por exemplo, é preciso distinguir entre o que causa o descontentamento profundo e o que detona a revolta. O que causou o descontentamento foi a própria tirania. Um governo autocrático, um ditador no poder por 30 anos, uma administração corrupta. Repressão, censura, prisões arbitrárias, tortura. No plano social, muita pobreza, imensa desigualdade de renda e de riqueza, falta de perspectiva de mobilidade social para os jovens. Nos últimos anos houve várias manifestações de protesto, todas duramente reprimidas, mas nenhuma do porte da revolta de massas que começou no dia 25.

O que detona o levante das massas? Uma conjuntura, isto é, uma convergência de fatores, antes dissociados, que se encontram e formam “a gota d’água”, provocam a virada, o tipping point, que levam um protesto como outros inúmeros se transformar em explosão de descontentamento geral, em revolta incontrolável e espontânea da massa.

No Egito houve fatores econômicos, políticos e aceleradores importantes que criaram essa conjuntura. O econômico foi a elevação dos preços dos alimentos, que atingiu duramente as famílias mais pobres. A subida dos preços do petróleo, moradia e educação, bateu no orçamento da classe média. Esse choque de preços ocorreu em uma economia debilitada, na qual o desemprego de jovens é muito alto. O desemprego agrava uma situação de baixa mobilidade social, anulando as perspectivas de futuro dos jovens. Em alguns casos, jovens com qualificação sofrem descenso social, sendo forçados a trabalhar em setores de baixa qualificação. O desespero dos jovens se transmite facilmente para os pais e famílias.

O fator político foi a notícia de que o filho de Hosni Mubarak, Gamal Mubarak, seria seu sucessor, provavelmente já como candidato nas eleições de cartas marcadas previstas para setembro. A possibilidade de uma dinastia Mubarak provocou enorme rejeição, em um país de passado dinástico.

O quadro sócio-econômico no Egito não é muito diferente do que se observa nos outros países. Na Tunísia, no Sudão, mesmo na Arábia Saudita, há tirania, muita pobreza, desigualdade de renda e riqueza, desemprego de jovens e elevação de preços de alimentos. Ouvi recentemente entrevista de um dos príncipes sauditas, na CNN, falando que a situação em seu país é diferente, mas que há, realmente, insatisfação com o aumento de preços dos alimentos e da moradia. O governo aumentou os salários para que pudessem absorver o custo adicional. A evidência mostra que subsídios e aumentos salariais para compensar os efeitos da inflação alimentar têm efeito temporário e acabam por realimentar os preços.

No Egito, o aumento dos preços dos alimentos foi muito forte, como se vê no gráfico em – http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Inflation-in-Egypt.jpg

Os preços dos alimentos subiram 40% e os de moradia e educação, mais de 10%. Os pobres são sensíveis à inflação nos alimentos e na moradia. A classe média à inflação na educação, na moradia e nos combustíveis.

O que acelerou a revolta e permitiu que se transformasse em um movimento de massa, muito rapidamente? As mídias e redes sociais e o efeito-demonstração do levante na Tunísia, que se propagou por essas vias digitais. É evidente que as mídias e redes sociais não fazem revoluções. Elas são uma revolução na forma como nos comunicamos e trocamos informação. Nisso têm sido revolucionárias. Mas, na sociologia dos conflitos sociais seu papel é de acelerador e transmissor, permitindo, por exemplo, o contágio inicial, que depois passa a se dar por contato físico, nas ruas e nas praças, e na propagação de eventos que acabam tendo o efeito de aumentar a propensão à ação.

Além disso, podem ter o efeito de prolongar o contágio. A sociologia já decifrou como terminam os processos por contágio, como os arrastões, por exemplo: quando não há mais pessoas a contagiar e a cadeia se quebra. As redes e mídias sociais – no caso do Egito principalmente o SMS – trazem mais pessoas para o movimento e realimentam o contágio.

Não é por acaso que essas revoltas ocupam as ruas e praças das cidades. O meio urbano é muito mais propício ao contágio das massas. O crescimento da população com acesso à telefonia celular dá o principal instrumento de contágio. Veja os gráficos para o Egito (http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Egypt-Mobile-subs.jpg) e a Tunísia (http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Tunisia-Mobile-subs.jpg).

Mas a internet teve importante papel de manter o mundo informado sobre o que se passava no Egito, provavelmente evitando um banho de sangue, e na comunicação entre os egípcios. E por isso o governo fechou o acesso à Web.

Nada é simples nesse processo. Estamos falando da convergência de processos complexos no sistema climático, no sistema social e na sociedade global. Essa convergência só aumentará nos próximos anos e décadas. Viveremos mais turbulência climática e social, no meio de uma revolução científica e tecnológica sem precedentes.

Para ouvir o comentário do autor na rádio CBN acesse http://www.ecopolitica.com.br/2011/02/02/mudanca-climatica-e-conflito-social-estao-associados

>Increased flood risk linked to global warming (Nature)

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Published online 16 February 2011 | Nature 470, 316 (2011) | doi:10.1038/470316a


Likelihood of extreme rainfall may have been doubled by rising greenhouse-gas levels.

The effects of severe weather — such as these floods in Albania — take a huge human and financial toll.
The effects of severe weather — such as these floods in Albania — take a huge human and financial toll. REUTERS/A. CELI


Climate change may be hitting home. 


Rises in global average temperature are remote from most people’s experience, but two studies in this week’s 
Nature1,2conclude that climate warming is already causing extreme weather events that affect the lives of millions. The research directly links rising greenhouse-gas levels with the growing intensity of rain and snow in the Northern Hemisphere, and the increased risk of flooding in the United Kingdom.

Insurers will take note, as will those developing policies for adapting to climate change. “This has immense importance not just as a further justification for emissions reduction, but also for adaptation planning,” says Michael Oppenheimer, a climate-policy researcher at Princeton University in New Jersey, who was not involved in the studies.

There is no doubt that humans are altering the climate, but the implications for regional weather are less clear. No computer simulation can conclusively attribute a given snowstorm or flood to global warming. But with a combination of climate models, weather observations and a good dose of probability theory, scientists may be able to determine how climate warming changes the odds. An earlier study3, for example, found that global warming has at least doubled the likelihood of extreme events such as the 2003 European heatwave.

More-localized weather extremes have been harder to attribute to climate change until now. “Climate models have improved a lot since ten years ago, when we basically couldn’t say anything about rainfall,” says Gabriele Hegerl, a climate researcher at the University of Edinburgh, UK. In the first of the latest studies1, Hegerl and her colleagues compared data from weather stations in the Northern Hemisphere with precipitation simulations from eight climate models (see page 378). “We can now say with some confidence that the increased rainfall intensity in the latter half of the twentieth century cannot be explained by our estimates of internal climate variability,” she says.

The second study2 links climate change to a specific event: damaging floods in 2000 in England and Wales. By running thousands of high-resolution seasonal forecast simulations with or without the effect of greenhouse gases, Myles Allen of the University of Oxford, UK, and his colleagues found that anthropogenic climate change may have almost doubled the risk of the extremely wet weather that caused the floods (see page 382). The rise in extreme precipitation in some Northern Hemisphere areas has been recognized for more than a decade, but this is the first time that the anthropogenic contribution has been nailed down, says Oppenheimer. The findings mean that Northern Hemisphere countries need to prepare for more of these events in the future. “What has been considered a 1-in-100-years event in a stationary climate may actually occur twice as often in the future,” says Allen.

But he cautions that climate change may not always raise the risk of weather-related damage. In Britain, for example, snow-melt floods may become less likely as the climate warms. And Allen’s study leaves a 10% chance that global warming has not affected — or has even decreased — the country’s flood risk.

Similar attribution studies are under way for flood and drought risk in Europe, meltwater availability in the western United States and drought in southern Africa, typical of the research needed to develop effective climate-adaptation policies. “Governments plan to spend some US$100 billion on climate adaptation by 2020, although presently no one has an idea of what is an impact of climate change and what is just bad weather,” says Allen.

Establishing the links between climate change and weather could also shape climate treaties, he says. “If rich countries are to financially compensate the losers of climate change, as some poorer countries would expect, you’d like to have an objective scientific basis for it.”

The insurance industry has long worried about increased losses resulting from more extreme weather (see ‘Fatal floods’), but conclusively pinning the blame on climate change will take more research, says Robert Muir-Wood, chief research officer with RMS, a company headquartered in Newark, California, that constructs risk models for the insurance industry. “This is a key part of our research agenda and insurance companies do accept the premise” that there could be a link, he says. “If there’s evidence that risk is changing, then this is something we need to incorporate in our models.” 
See News and Views p.344


References

  1. Min, S.-K. et alNature 470, 378-381 (2011).
  2. Pall, P. et alNature 470, 382-385 (2011).
  3. Stott, P. A. et alNature 432, 610-614 (2004).

>Catástrofe na região serrana do Rio já é o maior desastre climático do País (Estadão)

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[Talvez o pior evento de deslizamento, mas não chega sequer perto do pior desastre climático. A seca de 1877-1879 matou cerca de 500 MIL pessoas no Nordeste, segundo a maioria dos autores.]



Mortos são 785, mesmo número de enchente no Rio em 1967. Em ranking da ONU, também é o 8º maior deslizamento do mundo

22 de janeiro de 2011 | 0h 00
Bruno Tavares – O Estado de S.Paulo
A tragédia da região serrana do Rio se igualou ontem ao maior desastre climático da história do País. Até as 22 horas de ontem, as autoridades contabilizavam 785 mortos, o mesmo número de vítimas da enchente do Rio em 1967, segundo ranking da ONU. O número tende a aumentar, pois o Ministério Público fluminense estima que ainda existam 400 desaparecidos nos seis municípios devastados pelas chuvas do dia 12.
Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE
Fotos de desaparecidos em Teresópolis
O desastre também entra para os registros da ONU como o 8.º pior deslizamento da história mundial. O maior evento dessa natureza, segundo o Centro para a Pesquisa da Epidemiologia de Desastres, ocorreu em 1949, na antiga União Soviética, com 12 mil mortes. O segundo maior foi no Peru, em dezembro de 1941, e deixou 5 mil vítimas.
O deslizamento da região serrana já havia superado o número de vítimas registrado em 1967, em Caraguatatuba, quando 436 pessoas morreram. Por suas características devastadoras, o evento ocorrido há mais de quatro décadas na Serra do Mar paulista era considerado emblemático pelos geólogos.
Apesar da grande quantidade de água que desceu dos morros fluminenses e de vários rios terem transbordado, especialistas brasileiros e da própria ONU classificam o evento como deslizamento de terra. Na avaliação dos estudiosos, grande parte da destruição e das mortes foi causada pelas avalanches de terra e detritos – tecnicamente chamadas de corrida de lama.
O fenômeno é raro, pois depende de uma conjunção de fatores para ocorrer. No caso da região serrana do Rio, todos eles estavam presentes. Os morros são íngremes, o que favorece os escorregamentos de terra. Além disso, é preciso um grande volume de chuva concentrado em um curto espaço de tempo. Foi o que aconteceu ali. Segundo dados do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), as estações climáticas localizadas no núcleo da tempestade registraram 249 e 297 milímetros de chuva em 24 horas – a partir das 20 horas do dia 11. Na avaliação da presidente do Inea, Marilene Ramos, um temporal dessa intensidade tem probabilidade de acontecer a cada 350 anos.
Enterro. Por questão “não só humanitária, mas também de saúde pública”, o juiz da 2.ª Vara de Família de Teresópolis, José Ricardo Ferreira de Aguiar, determinou o enterro dos corpos de 25 vítimas das chuvas que estavam em um caminhão e trailers frigoríficos. No Cemitério Carlinda Berlim, o principal dos cinco da cidade, foram 232 enterros desde a semana passada. Pelo Instituto Médico-Legal, até ontem já tinham passado 312 cadáveres. O juiz crê que existam “no mínimo quatro vezes mais soterrados” do que os encontrado.
A maioria dos corpos enterrados ontem – 22 adultos e três crianças – teve a identificação levantada pela equipe de papiloscopistas do IML, da Força Nacional e do Instituto Félix Pacheco. Mas, como os corpos não foram reclamados por parentes, o enterro foi determinado pelo juiz. No caso dos corpos sepultados sem identificação, houve coleta de DNA. Assim, será possível confrontar dados dos parentes que buscarem informações.
A partir de agora, segundo decisão do juiz, os corpos não reconhecidos serão liberados após coleta de material biológico. “Em duas horas o corpo sairá dignamente para ser sepultado.”
No caso dos desaparecidos, o Ministério Público afirma que informações registradas por parentes e amigos têm sido confrontadas com dados de hospitais e do IML. Ontem, fotos foram colocadas na frente de um centro de informações em Teresópolis. / COLABOROU MARCELO AULER

>Amazônia teve pior seca em cem anos (FSP, JC, Fapesp)

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JC e-mail 4193, de 04 de Fevereiro de 2011

Árvores mortas pela seca de 2010 podem liberar quantidade de CO2 semelhante às emissões dos EUA, diz estudo

A seca de 2010 da Amazônia foi a pior dos últimos cem anos. E a quantidade de CO2 emitido pelas árvores mortas pode ser parecida com as emissões dos EUA.

As constatações são de estudiosos britânicos (da Universidade de Leeds) e brasileiros, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). Eles publicaram um artigo na revista “Science”.

O grupo de pesquisadores, liderado pelo britânico Simon Lewis, mostrou que a seca de 2010 foi mais intensa e afetou uma área maior que a estiagem de 2005 -até então considerada recorde em várias décadas.

No ano passado, uma área de 3 milhões km2 foi atingida pela estiagem, contra 1,9 milhão km2 em 2005.

Os cientistas fizeram um cálculo do desvio da média de chuvas comuns nas estações secas da Amazônia (chamado de desvio padrão).

“A intensidade da seca foi maior em 2010 em relação à média”, explica o biólogo Paulo Brando, do Ipam, um dos autores do trabalho.

A segunda parte do estudo, explica ele, verificou quais as consequências dessa seca do ponto de vista dos estoques de carbono. Aí vem a outra má notícia: com as secas, a floresta emitirá mais CO2 do que absorverá.

Os pesquisadores relacionaram os dados de seca de 2010 com o crescimento das árvores (a partir de dados de campo coletados em 2005).

A conclusão foi que a seca do ano passado pode emitir 5 bilhões de toneladas de CO2 para a atmosfera em 2010 e nos próximos anos. Isso não acontece de uma vez, já que a decomposição das árvores mortas é um processo lento.

Para se ter uma ideia do que isso significa: a emissão da queima de combustíveis fósseis dos EUA é de 5,4 bilhões de toneladas por ano. Em condições “normais”, estima-se que a Amazônia absorva 1,5 bilhão de toneladas de CO2 da atmosfera.

“A seca de 2010 talvez tenha matado as árvores que já estavam vulneráveis por causa de 2005”, explica Brando.

“Pode ser que a floresta se recupere, mas ainda não fomos para campo medir. Ainda temos muito trabalho de campo pela frente”, diz.

Para o climatologista José Marengo, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), é preciso analisar os dados com cuidado.

“Reduzimos o desmatamento em cinco anos, mas um fenômeno natural deixou nossa absorção de CO2 na estaca zero. Se esses cálculos não forem bem interpretados, poderão ser usados a favor do desmatamento”, diz.

Marengo e sua equipe já mostraram que a seca de 2010 reduziu mais os níveis dos rios amazônicos que a estiagem anterior, de 2005.
(Sabine Righetti)
(Folha de SP, 4/2)

* * *

Divulgação Científica
Amazônia mais seca
4/2/2011

Em artigo na Science, cientistas do Brasil e do exterior destacam que seca de 2010 na Floresta Amazônica foi ainda pior do que a de 2005, que havia sido considerado evento único no século.


Agência FAPESP – Em 2005, a Floresta Amazônica passou por uma seca tão severa que foi classificada como um fenômeno raro, dos que costumam ocorrer uma vez a cada cem anos. Entretanto, apenas cinco anos depois a região teve uma seca ainda mais forte.

Segundo estudo feito por cientistas do Brasil e do Reino Unido, publicado nesta sexta-feira (4/2) na revista Science, em 2010 a maior floresta tropical do mundo teve ainda menos chuvas do que em 2005. Como secas severas são danosas à vegetação, menos carbono foi capturado no ano passado.

Paulo Brando e Daniel Nepstead, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, e colegas analisaram dados climáticos, pluviométricos e de perda de vegetação para concluir a repetição do “evento único no século”.

Segundo eles, a Floresta Amazônica costuma atuar fortemente no sequestro de carbono atmosférico, mas secas podem revertar essa característica. Em 2005, estima-se que a morte das árvores resultante da seca tenha promovido a liberação, nos anos seguintes, de cerca de 5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. Em um ano normal, a floresta sequestra cerca de 1,5 bilhão de toneladas de CO2.

Para efeito de comparação, o valor é quase toda a emissão de CO2 a partir de combustíveis fósseis nos Estados Unidos em 2009. Com mais árvores tendo morrido em 2010 do que em 2005, os cientistas destacam que muito mais carbono permaneceu na atmosfera e mais de 5 bilhões de toneladas ainda serão lançados em decorrência da morte de árvores.

Os autores ainda vão estimar o impacto da vegetação perdida em 2010 e apontam que a seca de 2005 pode ter impactado na gravidade da estiagem cinco anos depois.

Os resultados indicam que secas semelhantes e repetidas na região poderão ter impacto importante no ciclo global de carbono e, por consequência, no clima terrestre. Se tais secas intensas se tornarem frequentes, apontam os autores, os dias da Amazônia como equilibrador natural das emissões de carbono promovidas pelo homem podem estar ameaçados.

O artigo The 2010 Amazon Drought (doi:10.1126/science.1200807), de Simon Lewis e outros, pode ser lido por assinantes da Science em http://www.sciencemag.org.

>Falhas de comunicação em série agravaram desastre histórico na Região Serrana do Rio (O Globo)

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14.jan.2011

RIO – Falhas no sistema de comunicação entre a Defesa Civil do Estado e os 92 municípios possibilitaram que a causa do maior desastre na história do Estado fosse ignorado. Na terça-feira, horas antes das chuvas que deixaram mais de 500 mortos na Região Serrana, o órgão recebeu um boletim alertando para a existência de “condições meteorológicas favoráveis à ocorrência de chuvas moderadas ou fortes”.

O aviso foi emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e repassado pela Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec). Todas as comunicações foram feitas por e-mail. Ainda assim, pelo menos uma prefeitura local, a de Teresópolis, alegou não ter recebido o informe.

A formação da grande tempestade foi detectada inclusive pelo novo radar da Prefeitura do Rio, o doppler, instalado em dezembro no Sumaré. O aparelho é capaz de identificar a origem de grandes precipitações num raio de 250 quilômetros – mais do que o suficiente para abranger a Região Serrana. No entanto, as imagens que poderiam ter sido coletadas por esta estrutura não foram repassadas.

Estado: faltam meteorologistas
De acordo com o prefeito Eduardo Paes, mesmo que o radar tenha flagrado a formação de temporais próximo à Região Serrana, não seria possível emitir um alerta aos municípios.

– O radar fornece fotografias, mas o sistema de análise é mais complexo: ele envolve dados como imagens de satélite, dados geológicos e redes pluviométricas – pondera. – Nossos meteorologistas nunca poderiam fazer previsões de outras cidades sem ter essas informações.

Segundo Paes, sequer as imagens captadas pelo radar poderiam ter sido repassadas a outras instâncias:

– Não sei se o Estado e essas cidades têm meteorologistas.

A Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Estado informou que a oferta da prefeitura é “genérica”, e ainda não houve tempo para decidir como serão feitas as análises das imagens do radar. Segundo a assessoria do órgão, os técnicos só seriam responsáveis pelo repasse dos boletins meteorológicos, por e-mail, aos municípios. Cada prefeitura seria encarregada de efetuar um plano de contingência. No entanto, a secretaria não divulgou se há meteorologistas em seu quadro de funcionários.

O problema também é destacado pelo meteorologista Manoel Gan, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

– Ainda faltam radares e outros sistemas de detecção de tempestades, mas o maior déficit é de profissionais – critica. – Esses equipamentos requerem mão de obra especializada. E, daqui a cinco anos, a grande maioria dos meteorologistas que ainda estão na ativa já terá se aposentado.

Sem as imagens do radar do Sumaré, a única previsão que subiu a serra veio do Inmet. O aviso especial 12/2011, emitido pelo órgão, foi enviado na terça-feira à tarde para a Sedec. Esta repassou os dados às 13h56m para a Secretaria estadual de Defesa Civil, ao comando-geral do Corpo de Bombeiros do Rio e à Secretaria Especial de Ordem Pública. O boletim alertava para o “índice significativo” de chuva acumulado em todo o estado, destacando a Região Serrana.

O prefeito de Teresópolis, Jorge Mário (PT), afirmou que o risco não chegou a ser comunicado para seu município:

– Não houve aviso de que poderia ocorrer aquela tragédia. A informação que eu tenho é que ela (a tempestade) não poderia ter sido prevista.

Na vizinha Nova Friburgo, o alerta chegou, de acordo com o secretário estadual de Ambiente Carlos Minc. A população, no entanto, não foi comunicada.

– Nosso equipamento que monitora a altura do rio em Friburgo funcionou, mas tem de haver um treinamento prévio para que as pessoas em suas casas sejam avisadas – ressalta.

Professor de meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria, Ernani Nascimento elogia o investimento da prefeitura do Rio no radar de Sumaré, mas acredita que o sistema pode ser ampliado.

– Um sistema possível, já testado em Campinas, usa sirenes – lembra. – Alguns moradores têm pluviômetros em casa e são treinados para, com o equipamento, perceber a gravidade das precipitações. Se uma chuva for grave, eles acionam o alarme, permitindo que as pessoas evacuem suas casas.

A tragédia levou o governo do Estado e a prefeitura do Rio a recorrer à médium Adelaide Scritori da Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) que diz controlar o tempo. O convênio foi renovado na quarta-feira às pressas.

>Recorde de 2010 confirma aquecimento global e é alerta para desastres climáticos (O Globo, JC)

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Extremo e perigoso

JC e-mail 4183, de 21 de Janeiro de 2011

Marcado por desgraças climáticas de todos os tipos, 2010 foi considerado na quinta-feira pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM) uma prova de que o aquecimento global está em curso. Classificado como o ano mais quente desde 1850, quando os registros começaram, 2010 está estatisticamente empatado com 1998 e 2005.

Porém, ele confirma a tendência de aquecimento observada ao longo do século XX e neste começo do XXI. E a década de 2001 a 2010 foi a mais quente da História. Se as emissões de CO2 e outros gases-estufa não forem reduzidas, alertou a OMM, a Terra se tornará cada vez mais quente e instável.

Segundo a OMM, uma agência que integra as Nações Unidas, nenhum fator natural explica a elevação da temperatura do planeta. Os dois principais agentes naturais que influenciam a temperatura planetária foram descartados.

A ação de vulcões, na verdade, contribuiu para reduzir a temperatura e, possivelmente, aliviar o ritmo do aquecimento. Na última década a atividade solar também foi menor do que a normal, o que também teria contribuído para diminuir a temperatura.

As emissões por ação humana dos gases do efeito estufa, todavia, continuam a aumentar.

– 2010 confirma a tendência de aquecimento a longo prazo – declarou na quinta-feira, em Genebra, o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.

O ano de 2010 foi excepcionalmente quente em quase toda a África, no sul e no oeste da Ásia, na Groenlândia e no Ártico canadense. A camada de gelo sobre o Ártico no verão nunca esteve tão fina, tornando uma das regiões mais frias da Terra (a mais fria é a Antártica) o canário da mina do clima. A OMM alertou que embora a mais forte La Niña desde 1974 esteja em curso contribuindo para reduzir a temperatura global, a tendência é que 2011 também seja um ano marcadamente quente.

Todo tipo de evento climático extremo foi registrado em 2010. Os especialistas da OMM explicam que aquecimento global não significa necessariamente só mais calor.

Aquecimento global implica em extremos climáticos. E 2010 teve uma abundância de ondas de calor e frio extremos, enchentes, supertufões, desmoronamentos e secas.

Isso acontece porque a elevação da temperatura global lança mais energia no sistema climático da Terra. Essa energia desequilibra a delicada e complexa dinâmica climática. É por isso que nevascas e ondas de frio rigoroso podem ser ligadas ao aquecimento global.

– A tendência de aquecimento, infelizmente, prosseguirá e se fortalecerá ano após ano. Porém, a amplitude do problema será determinada pela quantidade de gases do efeito estufa que o homem liberará – alertou Michel Jarraud.

Um estudo independente apresentado esta semana e baseado em dados da própria ONU estimou que até 2020 a Terra estará 2,4 graus Celsius mais quente, com severas consequências na produção global de alimentos. Uma elevação de 2 graus na temperatura média é suficiente para intensificar e multiplicar chuvas, secas e ondas de frio e calor.

– Temos que agir depressa para limitar as emissões – frisou Bob Ward, do Centro de Pesquisa de Mudanças Climáticas Grantham, da Universidade de Londres.
(O Globo, 21/1)

>Ministros anunciam novo sistema de monitoramento e alerta de desastres (G1)

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JC e-mail 4179, de 17 de Janeiro de 2011

Presidente Dilma se reuniu com quatro ministros nesta segunda (17/1), entre eles Aloizio Mercandante, da C&T, e definiu estruturação do Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais

Depois de uma reunião com a presidente da República, Dilma Rousseff, ministros do governo anunciaram nesta segunda-feira (17) uma reformulação no sistema de monitoramento, alerta e resposta a desastres, como o registrado na região serrana do Rio de Janeiro nos últimos dias.

Participaram do encontro os ministros da Defesa, Nelson Jobim; da Integração Nacional, Fernando Bezerra; da Justiça, José Eduardo Cardozo; e da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

O Ministério da Ciência e Tecnologia começará a trabalhar na estruturação do Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais.

Segundo o ministro Mercadante, 58% dos desastres naturais no Brasil são inundações e 11% deslizamentos.

“O peso dos desastres naturais decorrentes de fortes chuvas está se acentuando, e nós precisamos recorrer aos sistemas de prevenção”, disse Mercadante.

Ele afirmou ainda que a capacidade de previsão do sistema de monitoramento do clima será ampliada por meio de um supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Queremos já implantar parte desse sistema nas áreas mais críticas para o próximo verão”, disse o ministro.

Ainda de acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Brasil tem cerca de 500 áreas de risco de deslizamento de encostas, onde vivem cerca de 5 milhões de pessoas. O número de locais com alerta para inundações chega a 300 em todo o país.

A intenção é gerar informações geoespecializadas dessas áreas de risco para aprimorar a capacidade de previsão. Segundo Mercadante, é preciso adquirir novos equipamentos e conectá-los em um sistema único. A previsão do governo para concluir o trabalho de montagem do sistema é de quatro anos.

A estrutura, segundo o ministro, deve contar com uma sede central de coordenação e escritórios espalhados pelas cinco regiões do país. O sistema será comandado pelo pesquisador Carlos Afonso Nobre, coordenador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe entre 1991 e 2003.
(Informações do G1, 17/1)

>Chuvas: quem é que vai pagar por isso?

>
Por Vilmar Sidnei Demamam Berna*

Não existe explicação que justifique a repetição freqüente e previsível,
verão após verão, de tantas perdas de vida e de patrimônio em função das
chuvas. Temos gente com conhecimento, tecnologias, recursos, então, por que
este problema repete-se em todos os verãos, como já previu Tom Jobim, na
música “Águas de março”?

Dizem que não é de bom tom, e que chega a ser cruel, no momento da tragédia,
quando se contam os mortos e os prejuízos, cobrar culpas e
responsabilidades. Entretanto, em respeito aos que morreram agora, e em
respeito aos que poderão morrer no próximo verão, temos de remexer nesta
ferida. Lembro a pergunta do Lobão, na canção Revanche: “Quem vai pagar por
isso? Até quando as autoridades permitirão, por ação ou omissão, a ocupação
das áreas de encosta frágeis pela sua própria natureza, que irão deslizar de
qualquer jeito, com ou sem floresta por cima? Até quando as margens de rios
e as áreas de várzeas continuarão sendo ocupadas, mesmo com todos sabendo
que mais dia ou menos dia encherão? Antigamente, só os mais pobres eram
afetados, mas agora, os ricos e a classe média também contam seus mortos.
Antes, o problema atingia mais duramente as áreas de risco, mas agora até as
áreas consideradas seguras estão sendo atingidas. E alguns ainda resistem em
admitir o impacto das mudanças climáticas.

Precisamos aprender com os erros, pois se não fizermos isso, é certo que
voltaremos a repeti-los. E entre os mais graves erros está o de só liberarem
recursos para as Prefeituras diante da emergência ou calamidade! Por que não
se liberam recursos antes, já sabendo que cada real gasto em prevenção
economiza mais de 10 na reparação do desastre?

As leis de uso do solo, os planos diretores, as políticas de licenciamento,
estão completamente ultrapassadas ou mesmo mal feitas e precisam ser
revistos para impedir a ocupação das áreas frágeis ainda desocupadas. Onde
estão nossos vereadores tão céleres para conceder títulos e aprovar emendas
ao orçamento para seus bairros?

Quanto às áreas já ocupadas, onde estão nossos prefeitos e governadores para
promoverem sua desocupação, com ordenamento e inteligência, pois se
continuar a não ser feito por bem, a natureza fará por mal, verão após
verão! As populações de baixa renda que foram deixadas à própria sorte para
ocupar áreas de risco e não edificantes precisam ser realocadas. Onde estão
nossas autoridades do Governo Federal e seus programas habitacionais para
essas populações de baixa renda? Poderiam estar incentivando mutirões
remunerados e o cooperativismo para que os próprios futuros moradores
construíssem suas próprias casas, após receberem a devida capacitação, e
apoio técnico necessário, em áreas seguras, gerando trabalho e renda,
aproveitando para incorporar tecnologias limpas e ecoeficientes.

As unidades de conservação, parques e bosques urbanos não seriam só para a
proteção da natureza, mas para proteger as pessoas da natureza. Na medida em
que as áreas de risco fossem desocupadas, em seu lugar seriam criadas essas
unidades de conservação no local, e cada metro quadrado daria ao município o
direito de receber repasses federais e estaduais que os compensassem pela
perda de receita com os impostos, que deixarão de arrecadar sobre estas
áreas protegidas, como já é feito pelo ICMS Ecológico.

Os profissionais de imprensa, por sua vez, vivem em momentos assim situações
equivalente a dos correspondentes de guerra. Como se proteger e ao mesmo
tempo estar na linha de frente dos acontecimentos? Como lidar com fontes
emocionadas, desinformadas, mal informadas? Como improvisar quando o
equipamento falha? Como encontrar as alternativas para transmitir os dados a
serem divulgados? Como lidar com o emocional e o profissional diante dos
dramas vividos pelas pessoas e pelo próprio profissional? Ate aonde ir neste
envolvimento sem prejudicar a tarefa de colher e transmitir a informação?
Como lidar com pessoas fragilizadas sem ser invasivo ou insensível diante da
dor alheia? Como fazer o seu trabalho sem atrapalhar ao trabalho dos outros,
do pessoal do resgate? Como colocar o foco na noticia, ir à raiz do
problema, fazer as perguntas certas às pessoas certas? Não dá para se
imaginar que toda essa capacitação e prontidão para as respostas acontecerão
por um acaso. Onde estão os cursos de capacitação para profissionais de
comunicação que precisam cobrir desastres e calamidades?

A solidariedade humana surpreende em momentos de desastre, como surpreende
também o despreparo. Muito trabalho voluntário é perdido por que falta
coordenação, sistemas de aviso e comunicação, planejamento das ações, onde o
trabalho voluntário ajuda e onde atrapalha, onde é mais necessário, etc. E
nada disso é possível fazer durante o desastre. Então, precisa ser feito
antes. Entretanto, onde estão os cursos de capacitação para voluntários?
Como eles podem ser avisados e serem mantidos informados? A quem recorrer
para serem encaminhadas para a linha de frente de trabalho voluntários? Quem
os ampara psicologicamente diante dos dramas e perdas que irão assistir e
com os quais terão de conviver? Sim, por que ao lado das perdas materiais,
as pessoas sofrem com terríveis perdas espirituais, que podem ser tão ou
mais devastadoras que as perdas materiais. As pessoas podem desmoronar por
dentro, perder o estimulo e a motivação para lutar e se reerguer. Como lidar
com crianças resgatadas sozinhas, que se tornaram órfãos da noite para o
dia, perderam a casa e todas as referências? O lar não está na casa perdida,
nos bens materiais, nos documentos históricos. O lar é espiritual. Está onde
estiver a família ou o que sobrou dela. Pode estar num estádio que reúne os
sobreviventes.

* Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista. Em Janeiro de 1996,
fundou a REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.rebia.org.br)
e edita desde então a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do
Meio Ambiente) e o Portal do Meio Ambiente (www.portaldomeioambiente.org.br).
Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio
Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas –
http://www.escritorvilmarberna.com.br

>Blame game begins in wake of deadly Brazil floods (CSM)

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As the Brazil floods continue, some blame municipalities for allowing residents to build in insecure areas, while others blame the federal government for misallocating funds

By Andrew Downie, Correspondent / January 14, 2011
São Paulo, Brazil

A resident looks at a destroyed house after a landslide in Teresopolis, Brazil, on Jan. 13. Rescue workers struggled on Thursday to reach areas cut off by floods and landslides that have killed at least 511 people in one of Brazil’s worst natural disasters in decades. Bruno Domingos/Reuters.

With rain still falling in parts of Rio de Janeiro and the death toll from massive flooding topping 500, authorities and experts turned their attention to apportioning blame and deciding how to avoid repeats of what has become a familiar tale in Brazil.

Local officials estimate the death toll at 511 so far, concentrated in four hillside cities north of Rio de Janeiro, after torrential rains caused rivers to jump their banks and hillsides to give way. While national and state authorities are pinning the blame on municipalities for allowing citizens to build in insecure areas, the federal government itself is coming under scrutiny for recently slashing its budget for handling natural disasters.

“There is carelessness at every level of government,” says Gil Castello Branco, the secretary general of Contas Abertas, a non-profit that monitors government spending. “We turn that old saying on its head: We aren’t safe, we are sorry.”

Federal government cut budget for disaster prevention

Even though annual flooding is common around Rio, a proposed national center for disaster management never got off the drawing board and the federal budget for disaster prevention and preparation measures is down 18 percent in 2010, says Mr. Castello Branco.

Last year the government spent just 40 percent of the cash allocated for disaster prevention and preparation, and more than half of that went to Bahia, a state that had no major disasters, because the minister in charge of disbursing funds was running for governor there, Castello Branco says in a telephone interview.

“We are not saying it was illegal, but Bahia should never have got half the money,” he says. “It was in [the minister’s] political interest but not in society’s.”

Triumphant rescues

The flooding that began in the past week is being described as the worst natural disaster in Brazilian history. Footage of the worst-hit areas looked like it came from a Hollywood disaster movie.

One cameraman caught the remarkable scene of a housewife being hauled to safety through roaring river with just a rope around her waist. Another caught the joy of rescue workers discovering a baby alive after being buried in mud for 12 hours.

However, those were rare positive moments.

“It was like something out of Noah’s Ark,” says Marcos Maia, a 31-year old who lost five members of his family and spent most of Wednesday helping out at the local morgue. “An avalanche of rocks just washed their house away.”

When asked to describe the road where he lived, Mr. Maia told the Monitor by telephone: “Now there is no road. It’s just a muddy river.”

It was a rude awakening for Brazilian President Dilma Rousseff, who took office less than two weeks ago and stopped off in one of the cities, Nova Friburgo, for 45 minutes on Thursday. Ms. Rousseff promised the state of Rio de Janeiro more than $1 billion in aid by 2014 but played down the fact this was the third major disaster caused by flooding in the last three years in Brazil, and the second consecutive tragedy in Rio.

Rousseff blames municipalities

Rousseff and Rio state governor Sergio Cabral put the problem down to decades of lax oversight by municipal authorities who allowed people – mostly poor people – to build houses on hillsides vulnerable to landslides. Mr. Cabral said 18,000 people lived in high risk areas in the city of Rio de Janeiro alone and said the city’s mayor would need to make the unpopular decision of removing them.

“Building houses on high risk areas is the rule in Brazil, not the exception,” Rousseff added. “You have to get people away and into secure areas. The two fundamental issues are housing and land use” and that involves putting proper drainage and sewage systems in place.

Experts, however, cautioned that such plans can take decades to carry out and said that politicians have failed to take such sensible steps to avoid repeated tragedy. Floods killed 133 people in the southern state of Santa Catarina in 2008 and left more than 200,000 people homeless in the impoverished Northeast in 2009. In 2010, floods killed 53 people when an entire neighborhood built on a hillside garbage dump gave way in Rio.

>Abertura de represa em Franco da Rocha (SP) foi irresponsável, diz PDT (UOL)

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13/01/2011 – 15h53
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O PDT (Partido Democrático Trabalhista) anunciou nesta quinta-feira (13) que vai entrar com uma ação contra a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) exigindo apuração rigorosa e cobrando indenização para os moradores de Franco da Rocha prejudicados pelas enchentes desta semana.

Para o partido, a abertura das comportas da represa Paiva Castro, que deixou parte da cidade submersa, foi irresponsável. Escolas, casas, comércios, o fórum, o prédio da prefeitura e a delegacia estão cercados por água devido à decisão da direção da Sabesp.
Enchente paralisa serviços em Franco da Rocha (SP)

“A falta de planejamento da Sabesp, somada a uma comunicação precária, prejudicou milhares de pessoas. Não podemos nos calar diante de tal irresponsabilidade e insensibilidade social por parte da empresa”, afirma o presidente do PDT estadual, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. “Pela incompetência demonstrada, e pela falta de respeito para com a população, o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, deve ser demitido.”

A direção do PDT também estuda entrar com ação em outras localidades prejudicadas pela mesma situação.

A Sabesp informou que reduziu a vazão da represa. Apesar da medida, a cidade permanecia com a região central alagada. A vazão, que chegou a ser de 80 m3 por segundo, passou a ser de 10 m3/s às 9h de hoje. Apesar disso, a prefeitura afirmou por meio de sua assessoria que a medida ainda não traz tranquilidade a administração municipal devido à chuva que continua atingir a região nesta quinta-feira.

Nesta quarta, o prefeito Márcio Cecchettinio (PSDB) afirmou esperar da Sabesp, responsável pela barragem, uma resposta definitiva sobre a abertura das comportas. Ele ressaltou que gostaria que elas fossem fechadas para que a cidade pare de ser alagada.

A Prefeitura informou que as fortes chuvas elevaram o nível da água represada no Sistema Cantareira e um alerta foi lançado para a necessidade de dar vazão à água e manter o nível máximo de segurança.

O sistema é composto por seis barragens, que passam pelos municípios de Bragança Paulista, Piracaia, Vargem, Joanópolis, Nazaré Paulista, Franco Da Rocha, Mairiporã, Caieiras. A represa de Paiva Castro fica na parte mais baixa, portanto recebe a água acumulada nos demais pontos do sistema.

>Sabesp diz que abertura de comportas de represa em Franco da Rocha era "inevitável" (R7)

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Vice-prefeito atribuiu alagamento em Franco da Rocha à ação da empresa
João Varella, do R7

Entorno do Hospital Estadual do Juqueri, na região central de Franco da Rocha, ficou completamente alagado na manhã desta quarta-feira (12). Luis Cleber/AE.

A direção da Sabesp, empresa responsável pelo saneamento básico em São Paulo, negou que a abertura das comportas da represa Paiva Castro tenha alagado a cidade de Franco da Rocha, na região metropolitana. A empresa atribuiu a enchente – no início da noite desta quarta-feira (12) partes do município permaneciam alagadas – a chuvas fora do comum e informou que a abertura da represa era “inevitável”. Caso contrário, a barragem se romperia e o alagamento seria ainda pior, disseram dirigentes da empresa.

Em entrevista na tarde desta quarta-feira, o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, afirmou que “as represas estão atenuando a ação das chuvas” em Franco da Rocha. Segundo o vice-prefeito, José Antônio Pariz Júnior, o alagamento foi provocado pela abertura da represa Paiva Castro, que, na manhã de terça-feira (11), atingiu o nível máximo.

Paulo Masato, diretor da Sabesp na região metropolitana, confirma que a abertura das comportas é responsável pela permanência da enchente em Franco da Rocha, mas ressalva que a ação era inevitável, uma vez que a represa estava muito cheia por causa das chuvas que atingiram a região. Segundo a Sabesp, a água será escoada gradualmente. Partes da cidade permanecem alagadas, porque o rio Juqueri tem agora capacidade menor de escoamento do que a represa demanda.

– Já tínhamos avisado a Defesa Civil e tivemos que tomar essa decisão de abrir mais as comportas. A Defesa Civil estava junto com a Sabesp. O que tem que fazer é melhorar a canalização do rio Juqueri.

No período das cheias, as represas retêm boa parte da vazão de água que chega ao rio, liberando esse volume aos poucos, de forma controlada, evitando ou reduzindo o impacto das inundações. Segundo Oliveira, a Sabesp segue todas as regras da ANA (Agência Nacional das Águas).
Se não chover, a previsão é de, na noite desta quarta-feira, a abertura comportas seja reduzida, diminuindo assim a área alagada. Masato diz que, a partir de agora, o volume de água no rio Juqueri deve começar a baixar. Segundo ele, no final da manhã desta quarta-feira, a represa Paiva Castro liberava 37,92 m³/s de água. Entre a 0h e a 7h, a barragem chegou a liberar 80 m³/s.

– A represa passou de um nível de 45% de água para, em menos de 18 horas, ir para 97%. Estamos descarregando agora 50 m³/s. A partir das 19h, vamos liberar só 10 m³/s. Isso, se não voltar a chover.

A vazão média da represa é de 1 m³/s – cada metro cúbico de água equivale a 1.000 litros (volume de uma caixa d’água residencial).

O recorde histórico de vazão se deu em janeiro de 1987, quando a represa passou a expelir média de 85 m³/s de água por quatro dias.

Cloro

O presidente da empresa anunciou que haverá distribuição de cloro para a população de Franco da Rocha. O produto deverá ser usado na higienização de casas que foram alagadas. Tendas da Sabesp estão sendo montadas na cidade para orientar os moradores.

– Faremos tudo que é necessário para mitigar os efeitos da chuva e colaborar com qualquer ação que as prefeituras venham a precisar.

Segundo a Sabesp, a prefeitura decidirá quando inicia a distribuição, que começará na estação de trem de Franco da Rocha.

Trovão

Masato teve sua explicação sobre o funcionamento da represa de Paiva Castro interrompiada pelo som de um relâmpago que anunciava chuva que cairia na capital paulista neste quarta-feira (12). A cidade foi colocada em estado de atenção às 17h50.

>Clima ajudou queda de Império Romano (FSP, JC)

>
JC e-mail 4178, de 14 de Janeiro de 2011

Estudo mostra que, a partir do século 3, esfriou e parou de chover no Império, e a agricultura entrou em colapso

Não é a resposta que quem corrige vestibulares espera, mas um novo estudo diz que, entre os fatores que levaram o Império Romano ao fim, está uma mudança climática.

Pesquisadores da Universidade Harvard e de várias instituições europeias mostraram que, no auge da expansão de Roma, o clima era quente e chuvoso. Isso fortalece a agricultura e, assim, ajuda a alimentar grandes exércitos, além de permitir uma economia pujante, evitando insatisfações internas.

Isso aconteceu por volta do ano 100 d.C., quando o Mediterrâneo virou um “lago romano”, e o Império chegou a colocar os pés até no Norte da atual Inglaterra, onde concluiu, em 126 d.C., a muralha de Adriano, para manter os inimigos afastados.

Uma hora, porém, a prosperidade acabou. A partir do meio do século 3, mudanças climáticas tornaram o Império Romano mais seco e frio.

Segundo o grupo internacional de pesquisadores, que publicou suas conclusões na “Science”, isso certamente afetou a produção de alimentos e pode ter estimulado causas tradicionalmente relacionadas à decadência de Roma, como a inflação.

Certamente políticas monetárias erradas colaboraram para piorar o cenário de crise econômica, dizem, mas não é por isso que se deve, nas palavras de Jan Esper, da Universidade Johannes Gutenberg (Alemanha), “seguir a crença comum de que civilizações estão isoladas de variações ambientais”.

Para saber como era o clima há tanto tempo, os cientistas analisaram 9.000 pedaços grandes de madeira antiga. A maioria veio de restos de construções e artefatos de madeira na Europa.

Cada ano cria um anel único no tronco da árvore. Pacientemente, os cientistas foram retrocedendo, comparando pedaços de madeira cada vez mais antigos.

O desafio era ir criando uma sequência história de troncos: quando não havia mais como retroceder nos anéis de um, ter um novo pedaço de madeira, mais antigo, para seguir.

Conforme a grossura desses anéis, é possível saber quanto choveu e se fez frio ou calor naquele ano.

Os cientistas destacam que a existência de mudanças climáticas em um período pré-Revolução Industrial não significa que o aquecimento global contemporâneo seja natural. “O que está acontecendo agora não tem precedentes, é muito mais rápido”, dizem os cientistas.

A ideia de que fatores ambientais, mais do que políticos, levam sociedades ao colapso ganhou força em 2005, quando o biogeógrafo americano Jared Diamond lançou o livro “Colapso”. Nele, Diamond mostra como coisas como a exploração excessiva da madeira ou da pesca levaram sociedades à crise.

Não existia grande material científico, em 2005, sobre como o ambiente tinha atingido Roma. Os romanos, ao menos, não tiveram culpa pelas mudanças no clima que atingiram seu Império.
(Ricardo Mioto)
(Folha de SP, 14/1)

>"La Niña" explica inundações em vários países do mundo (FSP, JC)

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JC e-mail 4178, de 14 de Janeiro de 2011

Fenômeno tem causado chuvas torrenciais desde o ano passado

Menos conhecido e menos frequente que o “El Niño”, o “La Niña” é um fenômeno natural que resfria as águas do oceano Pacífico e produz mudanças na dinâmica atmosférica. Assim como o primeiro, também pode impor um padrão distinto de comportamento climático em todo o mundo.

O último episódio do “La Niña” atinge agora seu pico e, segundo estudiosos, pode se estender até o meio deste ano. Seus primeiros efeitos, avaliados como sendo de intensidade moderada a forte, começaram a ser percebidos em meados de 2010.

O fenômeno pode ser o responsável por inundações na Austrália e nas Filipinas, onde dez pessoas morreram desde o início deste mês.

As chuvas torrenciais que mataram centenas de pessoas na Venezuela e na Colômbia, em novembro e dezembro, também são reflexos do “La Niña”.

A inundação no Paquistão, em agosto do ano passado, encaixa-se nos efeitos do fenômeno.

Naquele país, os reflexos do “La Niña” foram particularmente ruins. Na região, o “La Niña” foi imediatamente seguido pelo “El Niño”, que tende a deixar as temperaturas no oceano Índico mais altas que o normal.

O ar mais quente contém mais vapor de água e assim pode produzir mais chuva.

“Os padrões altos de precipitação do “La Niña”, aliados ao calor após o “El Niño”, ajudam a explicar por que as inundações no Paquistão foram tão devastadoras”, diz o especialista Kevin Trenberth, do Centro Americano para Pesquisa Atmosférica.

Mares mais quentes na Austrália também podem explicar a dimensão das atuais inundações.

Devido ao aquecimento das águas, as inundações, em associação ao “El Niño”, devem se agravar em breve. E esses não são os únicos danos que o fenômeno pode causar. Nos próximos meses, a corrente “La Niña” pode fazer mais vítimas em outras partes do mundo.

De acordo com um estudo da Cruz Vermelha e do Instituto Internacional de Pesquisas de Clima e Sociedade, chuvas fortes podem ser esperadas no norte da América do Sul e no sudoeste da África nos próximos dois meses.

Em fevereiro de 2000, as enchentes devastadoras em Moçambique, na África, ocorreram exatamente quando o “La Niña” estava próximo do seu pico.
(Folha de SP, 14/1)

>Clima não pode justificar falta de ação contra enchentes, diz especialista (JC)

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JC e-mail 4177, de 13 de Janeiro de 2011

Para diretora de centro de pesquisas sobre desastres, governos não podem evitar chuvas, mas devem agir para prevenir consequências

O aumento da incidência de chuvas em consequência das mudanças climáticas globais não pode servir de desculpa para os governos não agirem para evitar enchentes, na avaliação de Debarati Guha-Sapir, diretora do Centro de Pesquisas sobre a Epidemiologia de Desastres (Cred), de Bruxelas, na Bélgica.

“Não é possível fazer nada agora para que não chova mais. Mas temos que buscar os fatores não ligados à chuva para entender e prevenir desastres como esses [das enchentes no Brasil e na Austrália]”, disse ela à BBC Brasil.

“Dizer que o problema é consequência das mudanças climáticas é fugir da responsabilidade, é desculpa dos governos para não fazer nada para resolver o problema”, critica Guha-Sapir, que é também professora de Saúde Pública da Universidade de Louvain.

O Cred vem coletando dados sobre desastres no mundo todo há mais de 30 anos. Guha-Sapir diz que os dados indicam um aumento considerável no número de enchentes na última década, tanto em termos de quantidade de eventos quanto em número de vítimas.

Segundo ela, as consequências das inundações são agravadas pela urbanização caótica, pelas altas concentrações demográficas e pela falta de atuação do poder público.

“Há muitas ações de prevenção, de baixo custo, que podem ser adotadas, sem a necessidade de grandes operações de remoção de moradores de áreas de risco”, diz, citando como exemplo proteções em margens de rios e a criação de áreas para alagamento (piscinões).

Para a especialista, questões como infraestrutura, ocupação urbana, desenvolvimento das instituições públicas e nível de pobreza e de educação ajudam a explicar a disparidade no número de vítimas entre as enchentes na Austrália e no Brasil.

“A Austrália é um país com uma infraestrutura melhor, com maior capacidade de alocar recursos e equipamentos para a prevenção e o resgate, com instituições e mecanismos mais democráticos, que conseguem atender a toda a sociedade, incluindo os mais pobres, que estão em áreas de mais risco”, afirma.

Para ela, outro fator que tem impacto sobre o número de mortes é o nível de educação da população. “Pessoas mais educadas estão mais conscientes dos riscos e têm mais possibilidades de adotar ações apropriadas”, diz.

Apesar disso, ela observa que a responsabilidade sobre as enchentes não deve recair sobre a população. “Isso é um dever das autoridades. Elas não podem fugir à responsabilidade”, afirma.
(BBC Brasil, 13/1)

>Previsões mais acertadas (Agência Fapesp)

>Especiais

13/1/2011
Por Elton Alisson

Agência FAPESP – Apesar de estimar hoje com até 97% de acerto a probabilidade de chuvas nas próximas 24 horas, a previsão de tempo no Brasil ainda é incapaz de determinar com exatidão se temporais como os que castigaram São Paulo nesta semana voltarão a se repetir nos próximos dias com a mesma intensidade.

O problema se deve a limitações dos modelos meteorológicos (representações numéricas aproximadas do comportamento da atmosfera) utilizados até agora no País.

Mas, um supercomputador, que entrou em operação no início de janeiro no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), em Cachoeira Paulista (SP), promete possibilitar aprimorar esses modelos para que possam indicar com maior precisão e antecedência chuvas e fenômenos meteorológicos extremos, como tempestades, que estão se tornando comuns no País.

Batizado de Tupã – o deus do trovão na mitologia tupi-guarani – o supercomputador permitirá aos pesquisadores do CPTEC desenvolver e executar modelos meteorológicos mais sofisticados e com maior resolução espacial, que demandam mais memória e velocidade de processamento. E, dessa forma, melhorar gradativamente a qualidade das previsões meteorológicas de tempo e clima no Brasil.

“Fazer previsão de tempo no Brasil é bastante complicado. O País é muito grande, com clima e geografia muito variadas, o que dificulta muito fazer previsões detalhadas para sete dias, por exemplo”, disse Marcelo Enrique Seluchi, chefe de supercomputação do Inpe e coordenador substituto do CPTEC à Agência FAPESP.

De acordo com o pesquisador, hoje a previsão diária de tempo no País, que indica apenas se ocorrerá ou não chuvas nas próximas 24 horas, tem um nível de confiabilidade equiparável à realizada pelos maiores centros meteorológicos do mundo, atingindo quase 100% de acerto. Já as previsões de longo prazo – como as de uma semana ou 15 dias – têm menores índices de acerto, atingindo 80% no prazo de uma semana e reduzindo cerca de 3% a cada dia acrescentado.

Com o supercomputador, os pesquisadores do Inpe pretendem aumentar progressivamente a margem de acerto dessas previsões para fazer com que possam prever com pelo menos dois dias de antecedência temporais como os que atingiram as cidades de São Luiz do Paraitinga (SP) e Angra dos Reis (RJ) no início de 2010.

“Nós ganhamos um dia de previsão para cada dez anos de investimento na melhoria dos modelos meteorológicos. Isso pode parecer pouco, mas representa um ganho muito grande para termos a ideia da magnitude de um evento meteorológico extremo”, disse Seluchi.

Limitações

Segundo o cientista, uma das maiores limitações na previsão do tempo no Brasil hoje é a resolução espacial e temporal relativamente baixa dos modelos meteorológicos numéricos utilizados.

A resolução espacial dos modelos usados hoje para prever tempestades, por exemplo, é de 20 quilômetros, o que impossibilita identificar nuvens de tempestade que podem ter de dois a três quilômetros de extensão. Além disso, eles fornecem previsões apenas a cada três horas, limitando a capacidade de detectar fenômenos meteorológicos extremos que surgem, desenvolvem-se e desaparecem em um menor período de tempo.

“O nível de detalhe espacial e temporal é hoje uma das maiores limitações para a melhoria da previsão do tempo no país que depende, fundamentalmente, da melhoria da resolução dos modelos meteorológicos”, disse Seluchi.

Para isso, os pesquisadores do Inpe pretendem com o novo supercomputador aumentar a resolução do modelo meteorológico regional utilizado nas previsões de tempo da instituição dos atuais 20 quilômetros para cinco quilômetros nos próximos anos. E paralelamente a essa mudança, também fazer com que possam representar de forma mais realista processos físicos que até então eram ignorados nos modelos anteriores.

De acordo com Seluchi, o supercomputador também possibilitará melhorar a geração do chamado diagnóstico ou “condição inicial” – o ponto de partida da elaboração dos modelos meteorológicos.

Qualquer erro nessa fase inicial da previsão, que se inicia com um diagnóstico preliminar da atmosfera a partir da coleta de observações de estações meteorológicas em terra, ar, oceano e espaço, pode provocar grandes falhas na previsão final.

“A geração dessa condição inicial será feita com uma metodologia muito mais cara e sofisticada do ponto de vista computacional, que incorporará uma série de novos dados”, disse.

Para diminuir a margem de erro nesse diagnóstico inicial, com o supercomputador o CPTEC, a exemplo dos principais centros meteorológicos no mundo, passará a gerar por meio de uma técnica matemática uma série de previsões climáticas paralelas.

Chamadas “previsões por conjunto”, segundo Seluchi, o grupo de previsões também permitirá aumentar a confiabilidade das previsões e indicar com maior assertividade a probabilidade de chuvas de grandes proporções.

“Ao rodar 20 previsões, das quais 18 apontam para um evento meteorológico extremo e as outras duas não, por exemplo, o meteorologista terá muito mais confiança para fazer suas previsões e decidir se é necessário enviar ou não um alerta para a Defesa Civil sobre um possível fenômeno extremo”, explicou.

Os primeiros novos modelos meteorológicos gerados pelo novo supercomputador, que foi adquirido com recursos da FAPESP e do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), serão gerados para efeito de teste este mês. O sistema também será utilizado para pesquisar as novas gerações de modelos que serão utilizados para fazer previsões de mudanças climáticas no futuro.

>A Human Disaster (An interview with Steve Picou)

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Q&A: A Human Disaster

By Barry Yeoman
August 26, 2010
Nature & Wildlife Frontlines Fall 2010

Sweet Home Alabama: Steve Picou saw oil wash up 400 yards from his home. Photograph for OnEarth by Cedric Angeles

Gushing pipes, surface slicks, and oiled pelicans — the visible impact of the BP spill was all too apparent. But the invisible toll on people may be every bit as pernicious.


An interview with Steve Picou

In June, when oil from the Deepwater Horizon spill washed up on Orange Beach, Alabama, 400 yards from Steve Picou’s house, the irony couldn’t have been more bitter. A sociology professor at the University of South Alabama, Picou is an expert on the human impact of technological disasters that cause massive environmental contamination. After the Exxon Valdez spill in 1989, he spent two decades studying Cordova, Alaska, a commercial fishing village whose residents have suffered from depression, family conflict, and a host of other woes. In late June, two months after the BP spill, he spoke with Barry Yeoman, a journalist and former Louisianan.

You’ve talked about how a natural disaster can make a community more cohesive, whereas a man-made disaster causes it to become more fragmented. Why is that so?

If you look at the traditional natural-disaster model, people generally quit blaming God for their misfortune within a week and come back to rebuild the community better than it was before. However, with technological disasters, there is a principal responsible party. There’s never an “all-clear” that the disaster is over. People are permanent victims. This becomes a continuous, corrosive source of distress and fragmentation over time.

Helping Hand

The Gulf Coast Resource Center in Buras, Louisiana, provides a space for communities affected by the BP oil disaster to collect and exchange important information. The center, founded by NRDC and its partners, will help share local residents’ stories with a wider audience, incubate investigative journalism, and connect NRDC’s advocates, media staff, and other experts with Gulf residents and journalists. The center will also support local and national initiatives to respond to the oil spill’s impact on public health, wildlife, the local ecology, and the economy.

Tell me about your work in Cordova after the Exxon Valdez spill.

I flew to Cordova in August 1989 with my friend and colleague Duane Gill, who is a sociologist. With such a small community we mapped literally all the residences, and then randomly selected houses, knocked on the doors, and asked people if they would give a face-to-face interview. It may have been the pity factor: two Southern guys walking around in the rain with questionnaires. But we got over 200 interviews. With those in hand, I applied for a National Science Foundation grant and put together an entire research team.


What did you find? And what were the long-term impacts?

In 1993 the former mayor of Cordova, Bobby Van Brocklin, committed suicide. He left a note that partially blamed the spill. By 1994 it was obvious that the community was having serious problems. A grassroots organization called the Cordova Family Resource Center was created to provide shelter for battered women. This wonderful little community had never had that need before. There were a lot of mental health problems. We’re talking about commercial fishermen who are self-reliant, hardworking, and supportive of one another in times of distress at sea. It’s just not their fashion to drive their pickup truck to the mental health center, where everybody sees it, and say, “Look, I need help.” Even though the majority of people who needed help were not receiving it, the center was overrun. Counselors were burning out. Directors were overwhelmed. The caseloads were very, very heavy.

How about the impact at the broader social level?

There was a loss of trust, a breakdown of family and friendship networks. People weren’t talking to one another. Professor Kai Erikson of Yale University talks about “collective trauma.” For example, people would rather not go to the bar—which in Alaska is like the pub in Ireland. They said, “I don’t want to hear all of the venting and anger about this oil spill. So I will go to the liquor store and make my purchase and stay home.” Then, as the litigation dragged on, there were still a lot of people suffering. The primary source of stress had moved from the oil spill to this incredibly complex process that was going back and forth in the courts. So litigation became the second disaster.

I imagine that process must have created a lot of cynicism.

We saw the complete distrust of institutions. Corporations: certainly no trust. Federal government: totally unreliable. State government: How can you believe anything they say? And the legal system: one commercial fisher told us, “I can’t even say the Pledge of Allegiance anymore, because at the very end it says, ‘with liberty and justice for all.’ “

It’s easy for me to understand how all of this causes the social fabric to fragment. Does it also create actual conflict between people?

Yes. For example, some people get their boats leased and some people get to work on the cleanup, but others don’t. There’s no logic to who is selected. That drives a stake through the heart of a community, because you have some people who are fortunate enough to be making money and other people who are hoping to be able to pay their mortgage next month. In Alaska, they called the winners “spillionaires.” But I also heard another term: “Exxon whores.”


Let’s turn to the Gulf. Is it too early to gauge what’s happening there?

I have to be honest with you: what I’m observing is like the Exxon Valdez fast-forwarded. In Alaska we started seeing devastating impacts emerge three, four, five years after the spill. Here, we’ve already had our first suicide [a charter boat captain named Allen Kruse]. It took four years before a suicide occurred in Prince William Sound. I heard the mayor of Bayou La Batre, Alabama, say on local television that calls to his police department have doubled in one month. He also said there’s been a spike in domestic violence. It took time before that happened up in Alaska. But we learned from the Exxon Valdez that this is a marathon. This is not a 100-meter dash.


In dealing with mental health issues, have the Gulf Coast communities been able to draw directly on the techniques that were developed after the Exxon Valdez?

We’re just beginning. Some people came down from Alaska—fishermen and Alaska natives. They did not want any fanfare, but they met with people in South Louisiana and along the Mississippi Gulf Coast. I know St. Bernard Parish, Louisiana, has already developed a peer-to-peer listening program based on a program we started in Cordova. People are getting trained to recognize clinical levels of anger, symptoms of PTSD, depression, and suicidal ideation, and to provide a constant source of friendship.

You talked about Exxon whores. Are we now going to see BP whores?

I think that will unfold over time. Right now, everyone wants to be a BP whore. There are going to be some winners and some losers.You’ve said that although Prince William Sound and the Gulf Coast seem different on the surface, there are also some striking similarities. They’re both made up of small fishing communities, and the Cajuns in South Louisiana have traditions that are very similar in many ways to those of Alaska natives. The communities are entirely dependent on the harvest of renewable resources and are proud to pass this heritage on to the next generation. The children are not prepped to go to college. They are raised to work on their grandfather’s boat.

Unlike the Exxon Valdez, this spill has had a direct impact on you, living right here on the Gulf. What was your first reaction when it happened?

When they said there was no oil coming out after the rig exploded, I said, “I know that’s not true.” So the first feeling was: I don’t trust them. I do not trust BP, and I do not trust the relationship they have with the Coast Guard. It seems too cozy. Then the information came out about the Minerals Management Service and the environmental impact assessment that was written to save walruses and sea lions and sea otters. Even my 8-year-old granddaughter knows there are no walruses and sea lions and sea otters in the Gulf of Mexico. So I have a real understanding of why the people in Cordova can’t say the Pledge of Allegiance.

You can actually walk down to the beach from your house and watch the oil washing up. How does that make you feel?

I had a very emotional response when I saw all these people coming out with cameras to take pictures of the oil. People come from all over the country because of our pristine sugar-sand beaches. Now they’re taking pictures of this poison on my beach. We went out there just one day. We’re not going back. Too much pain.

>Rebecca Solnit: When the Media Is the Disaster – Covering Haiti

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When the Media Is the Disaster
Covering Haiti
By Rebecca Solnit

Soon after almost every disaster the crimes begin: ruthless, selfish, indifferent to human suffering, and generating far more suffering. The perpetrators go unpunished and live to commit further crimes against humanity. They care less for human life than for property. They act without regard for consequences.

I’m talking, of course, about those members of the mass media whose misrepresentation of what goes on in disaster often abets and justifies a second wave of disaster. I’m talking about the treatment of sufferers as criminals, both on the ground and in the news, and the endorsement of a shift of resources from rescue to property patrol. They still have blood on their hands from Hurricane Katrina, and they are staining themselves anew in Haiti.

Within days of the Haitian earthquake, for example, the Los Angeles Times ran a series of photographs with captions that kept deploying the word “looting.” One was of a man lying face down on the ground with this caption: “A Haitian police officer ties up a suspected looter who was carrying a bag of evaporated milk.” The man’s sweaty face looks up at the camera, beseeching, anguished.

Another photo was labeled: “Looting continued in Haiti on the third day after the earthquake, although there were more police in downtown Port-au-Prince.” It showed a somber crowd wandering amid shattered piles of concrete in a landscape where, visibly, there could be little worth taking anyway.

A third image was captioned: “A looter makes off with rolls of fabric from an earthquake-wrecked store.” Yet another: “The body of a police officer lies in a Port-au-Prince street. He was accidentally shot by fellow police who mistook him for a looter.”

People were then still trapped alive in the rubble. A translator for Australian TV dug out a toddler who’d survived 68 hours without food or water, orphaned but claimed by an uncle who had lost his pregnant wife. Others were hideously wounded and awaiting medical attention that wasn’t arriving. Hundreds of thousands, maybe millions, needed, and still need, water, food, shelter, and first aid. The media in disaster bifurcates. Some step out of their usual “objective” roles to respond with kindness and practical aid. Others bring out the arsenal of clichés and pernicious myths and begin to assault the survivors all over again.

The “looter” in the first photo might well have been taking that milk to starving children and babies, but for the news media that wasn’t the most urgent problem. The “looter” stooped under the weight of two big bolts of fabric might well have been bringing it to now homeless people trying to shelter from a fierce tropical sun under improvised tents.

The pictures do convey desperation, but they don’t convey crime. Except perhaps for that shooting of a fellow police officer — his colleagues were so focused on property that they were reckless when it came to human life, and a man died for no good reason in a landscape already saturated with death.

In recent days, there have been scattered accounts of confrontations involving weapons, and these may be a different matter. But the man with the powdered milk? Is he really a criminal? There may be more to know, but with what I’ve seen I’m not convinced.

What Would You Do?

Imagine, reader, that your city is shattered by a disaster. Your home no longer exists, and you spent what cash was in your pockets days ago. Your credit cards are meaningless because there is no longer any power to run credit-card charges. Actually, there are no longer any storekeepers, any banks, any commerce, or much of anything to buy. The economy has ceased to exist.

By day three, you’re pretty hungry and the water you grabbed on your way out of your house is gone. The thirst is far worse than the hunger. You can go for many days without food, but not water. And in the improvised encampment you settle in, there is an old man near you who seems on the edge of death. He no longer responds when you try to reassure him that this ordeal will surely end. Toddlers are now crying constantly, and their mothers infinitely stressed and distressed.

So you go out to see if any relief organization has finally arrived to distribute anything, only to realize that there are a million others like you stranded with nothing, and there isn’t likely to be anywhere near enough aid anytime soon. The guy with the corner store has already given away all his goods to the neighbors. That supply’s long gone by now. No wonder, when you see the chain pharmacy with the shattered windows or the supermarket, you don’t think twice before grabbing a box of PowerBars and a few gallons of water that might keep you alive and help you save a few lives as well.

The old man might not die, the babies might stop their squalling, and the mothers might lose that look on their faces. Other people are calmly wandering in and helping themselves, too. Maybe they’re people like you, and that gallon of milk the fellow near you has taken is going to spoil soon anyway. You haven’t shoplifted since you were 14, and you have plenty of money to your name. But it doesn’t mean anything now.

If you grab that stuff are you a criminal? Should you end up lying in the dirt on your stomach with a cop tying your hands behind your back? Should you end up labeled a looter in the international media? Should you be shot down in the street, since the overreaction in disaster, almost any disaster, often includes the imposition of the death penalty without benefit of trial for suspected minor property crimes?

Or are you a rescuer? Is the survival of disaster victims more important than the preservation of everyday property relations? Is that chain pharmacy more vulnerable, more a victim, more in need of help from the National Guard than you are, or those crying kids, or the thousands still trapped in buildings and soon to die?

It’s pretty obvious what my answers to these questions are, but it isn’t obvious to the mass media. And in disaster after disaster, at least since the San Francisco earthquake of 1906, those in power, those with guns and the force of law behind them, are too often more concerned for property than human life. In an emergency, people can, and do, die from those priorities. Or they get gunned down for minor thefts or imagined thefts. The media not only endorses such outcomes, but regularly, repeatedly, helps prepare the way for, and then eggs on, such a reaction.

If Words Could Kill

We need to banish the word “looting” from the English language. It incites madness and obscures realities.

“Loot,” the noun and the verb, is a word of Hindi origin meaning the spoils of war or other goods seized roughly. As historian Peter Linebaugh points out, “At one time loot was the soldier’s pay.” It entered the English language as a good deal of loot from India entered the English economy, both in soldiers’ pockets and as imperial seizures.

After years of interviewing survivors of disasters, and reading first-hand accounts and sociological studies from such disasters as the London Blitz and the Mexico City earthquake of 1985, I don’t believe in looting. Two things go on in disasters. The great majority of what happens you could call emergency requisitioning. Someone who could be you, someone in the kind of desperate circumstances I outlined above, takes necessary supplies to sustain human life in the absence of any alternative. Not only would I not call that looting, I wouldn’t even call that theft.

Necessity is a defense for breaking the law in the United States and other countries, though it’s usually applied more to, say, confiscating the car keys of a drunk driver than feeding hungry children. Taking things you don’t need is theft under any circumstances. It is, says the disaster sociologist Enrico Quarantelli, who has been studying the subject for more than half a century, vanishingly rare in most disasters.

Personal gain is the last thing most people are thinking about in the aftermath of a disaster. In that phase, the survivors are almost invariably more altruistic and less attached to their own property, less concerned with the long-term questions of acquisition, status, wealth, and security, than just about anyone not in such situations imagines possible. (The best accounts from Haiti of how people with next to nothing have patiently tried to share the little they have and support those in even worse shape than them only emphasize this disaster reality.) Crime often drops in the wake of a disaster.

The media are another matter. They tend to arrive obsessed with property (and the headlines that assaults on property can make). Media outlets often call everything looting and thereby incite hostility toward the sufferers as well as a hysterical overreaction on the part of the armed authorities. Or sometimes the journalists on the ground do a good job and the editors back in their safe offices cook up the crazy photo captions and the wrongheaded interpretations and emphases.

They also deploy the word panic wrongly. Panic among ordinary people in crisis is profoundly uncommon. The media will call a crowd of people running from certain death a panicking mob, even though running is the only sensible thing to do. In Haiti, they continue to report that food is being withheld from distribution for fear of “stampedes.” Do they think Haitians are cattle?

The belief that people in disaster (particularly poor and nonwhite people) are cattle or animals or just crazy and untrustworthy regularly justifies spending far too much energy and far too many resources on control — the American military calls it “security” — rather than relief. A British-accented voiceover on CNN calls people sprinting to where supplies are being dumped from a helicopter a “stampede” and adds that this delivery “risks sparking chaos.” The chaos already exists, and you can’t blame it on these people desperate for food and water. Or you can, and in doing so help convince your audience that they’re unworthy and untrustworthy.

Back to looting: of course you can consider Haiti’s dire poverty and failed institutions a long-term disaster that changes the rules of the game. There might be people who are not only interested in taking the things they need to survive in the next few days, but things they’ve never been entitled to own or things they may need next month. Technically that’s theft, but I’m not particularly surprised or distressed by it; the distressing thing is that even before the terrible quake they led lives of deprivation and desperation.

In ordinary times, minor theft is often considered a misdemeanor. No one is harmed. Unchecked, minor thefts could perhaps lead to an environment in which there were more thefts and so forth, and a good argument can be made that, in such a case, the tide needs to be stemmed. But it’s not particularly significant in a landscape of terrible suffering and mass death.

A number of radio hosts and other media personnel are still upset that people apparently took TVs after Hurricane Katrina hit New Orleans in August 2005. Since I started thinking about, and talking to people about, disaster aftermaths I’ve heard a lot about those damned TVs. Now, which matters more to you, televisions or human life? People were dying on rooftops and in overheated attics and freeway overpasses, they were stranded in all kinds of hideous circumstances on the Gulf Coast in 2005 when the mainstream media began to obsess about looting, and the mayor of New Orleans and the governor of Louisiana made the decision to focus on protecting property, not human life.

A gang of white men on the other side of the river from New Orleans got so worked up about property crimes that they decided to take the law into their own hands and began shooting. They seem to have considered all black men criminals and thieves and shot a number of them. Some apparently died; there were bodies bloating in the September sun far from the region of the floods; one good man trying to evacuate the ruined city barely survived; and the media looked away. It took me months of nagging to even get the story covered. This vigilante gang claimed to be protecting property, though its members never demonstrated that their property was threatened. They boasted of killing black men. And they shared values with the mainstream media and the Louisiana powers that be.

Somehow, when the Bush administration subcontracted emergency services — like providing evacuation buses in Hurricane Katrina — to cronies who profited even while providing incompetent, overpriced, and much delayed service at the moment of greatest urgency, we didn’t label that looting.

Or when a lot of wealthy Wall Street brokers decide to tinker with a basic human need like housing…. Well, you catch my drift.

Woody Guthrie once sang that “some will rob you with a six-gun, and some with a fountain pen.” The guys with the six guns (or machetes or sharpened sticks) make for better photographs, and the guys with the fountain pens not only don’t end up in jail, they end up in McMansions with four-car garages and, sometimes, in elected — or appointed — office.

Learning to See in Crises

Last Christmas a priest, Father Tim Jones of York, started a ruckus in Britain when he said in a sermon that shoplifting by the desperate from chain stores might be acceptable behavior. Naturally, there was an uproar. Jones told the Associated Press: “The point I’m making is that when we shut down every socially acceptable avenue for people in need, then the only avenue left is the socially unacceptable one.”

The response focused almost entirely on why shoplifting is wrong, but the claim was also repeatedly made that it doesn’t help. In fact, food helps the hungry, a fact so bald it’s bizarre to even have to state it. The means by which it arrives is a separate matter. The focus remained on shoplifting, rather than on why there might be people so desperate in England’s green and pleasant land that shoplifting might be their only option, and whether unnecessary human suffering is itself a crime of sorts.

Right now, the point is that people in Haiti need food, and for all the publicity, the international delivery system has, so far, been a visible dud. Under such circumstances, breaking into a U.N. food warehouse — food assumedly meant for the poor of Haiti in a catastrophic moment — might not be “violence,” or “looting,” or “law-breaking.” It might be logic. It might be the most effective way of meeting a desperate need.

Why were so many people in Haiti hungry before the earthquake? Why do we have a planet that produces enough food for all and a distribution system that ensures more than a billion of us don’t have a decent share of that bounty? Those are not questions whose answers should be long delayed.

Even more urgently, we need compassion for the sufferers in Haiti and media that tell the truth about them. I’d like to propose alternative captions for those Los Angeles Times photographs as models for all future disasters:

Let’s start with the picture of the policeman hogtying the figure whose face is so anguished: “Ignoring thousands still trapped in rubble, a policeman accosts a sufferer who took evaporated milk. No adequate food distribution exists for Haiti’s starving millions.”

And the guy with the bolt of fabric? “As with every disaster, ordinary people show extraordinary powers of improvisation, and fabrics such as these are being used to make sun shelters around Haiti.”

For the murdered policeman: “Institutional overzealousness about protecting property leads to a gratuitous murder, as often happens in crises. Meanwhile countless people remain trapped beneath crushed buildings.”

And the crowd in the rubble labeled looters? How about: “Resourceful survivors salvage the means of sustaining life from the ruins of their world.”

That one might not be totally accurate, but it’s likely to be more accurate than the existing label. And what is absolutely accurate, in Haiti right now, and on Earth always, is that human life matters more than property, that the survivors of a catastrophe deserve our compassion and our understanding of their plight, and that we live and die by words and ideas, and it matters desperately that we get them right.

Copyright 2010 Rebecca Solnit