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Anthropologist, professor at the Federal University of São Paulo

>Justiça e jurisprudencia no Brasil imperial

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Especiais
Da resistência aos crimes miúdos

20/5/2010

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – Quando se discutem os crimes cometidos por escravos, geralmente se discutem os chamados “crimes de resistência”, como as insurreições e rebeliões contra a situação de cativeiro. Mas um estudo publicado na revista História (São Paulo) indica que, no Brasil Imperial (1822-1889), diversos crimes cotidianos eram cometidos tanto pela população livre como por escravos.

O trabalho foca em delitos como briga de vizinhos, conflitos em tabernas, conflitos conjugais e crimes contra a pessoa e aponta que muitas foram as situações jurídicas em que não era feita distinção entre réus livres e escravos.

De acordo com Ricardo Alexandre Ferreira, professor do Departamento de História da Universidade Estadual do Centro-Oeste, em Guarapuava (PR), e recém-aprovado no concurso para docente no Departamento de História da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no campus de Franca, o estudo busca entender o conceito de criminalidade escrava, com base na análise dos códigos penais e nos relatórios emitidos anualmente pelos ministros de justiça no período em questão.

“Com base nessa documentação, procurei entender a criminalidade escrava, que é um tema vinculado às insurreições, mas verifiquei que também havia um conjunto muito grande de crimes cometidos por escravos que não eram ligados a esse conceito porque foram somados aos problemas mais amplos da criminalidade no Império”, disse à Agência FAPESP.

O artigo é um apanhado das pesquisas que desenvolveu na iniciação científica, mestrado e doutorado, com Bolsa FAPESP nas três modalidades. Sua pesquisa de mestrado “Escravidão, criminalidade e cotidioano: Franca 1830-1888”, foi selecionada com uma das melhores dissertações no ano na Unesp e publicada no livro Senhores de Poucos Escravos – o cativeiro e criminalidade num ambiente rural (1830-1888), pela editora da universidade em 2005.

De acordo com o pesquisador, ao analisar a documentação se percebe que o maior volume de crimes cometidos, principalmente nas regiões de pequenas e médias propriedades no interior do Brasil, estava muito mais vinculado ao cotidiano de uma população livre e pobre.

“Havia uma prática enraizada entre as autoridades de reunir, em seus relatórios, os criminosos escravos, libertos e livres com expressões genéricas como ‘classes menos favorecidas’, ‘classes inferiores’ ou ‘classes ínfimas da sociedade’. Além de reforçar o estereótipo de vadiagem, o que se percebe é uma incapacidade do Estado de coletar, organizar e analisar os registros de criminalidade produzidos em todo o país”, afirmou Ferreira.

Não havia no Império um código criminal exclusivo para julgar e punir os escravos. Segundo o autor, há uma omissão sobre o termo “escravo” na Constituição de 1824. “A ideia era a de que os escravos não faziam parte do contrato social e que, portanto, não existiam”, disse.

Havia no código apenas um artigo – de número 60 – que tratava das punições dos cativos condenados a penas que não fossem de morte ou galés e, pelo menos em teoria, o escravo era julgado e tinha os mesmos direitos a recursos que uma pessoa livre.

“O escravo tinha direito a advogado pago, em muitos casos pelo próprio proprietário. A diferença estava na hora de se aplicar a lei. Ao confirmar a culpa e impor a sentença, o juiz estabelecia uma diferença para o escravo, cuja punição poderia ser açoites ou mesmo carregar ferro no pé ou no pescoço pelo período determinado pelo juiz”, disse.

A única exceção era se o escravo cometesse homicídio a superiores, insurreição e roubo com morte; nesses casos, era condenado à pena de morte. No restante, segundo Ferreira, todos os casos de infração que valiam para o livre eram válidos também para o escravo.

“Analiso o artigo 60 como uma espécie de exceção. Isso se dava porque o Brasil herdou de Portugal uma tradição de não ter códigos específicos para os escravos. Nas colônias francesas, havia o chamado Código Negro (Code Noir)”, destacou Ferreira.

Outro artigo – de número 115 – também punia todos aqueles que participassem da insurreição, incitando ou ajudando os escravos a se rebelar e “fornecendo-lhes armas, munições ou outros meios para o mesmo fim”.

Mesmo julgados culpados por crimes punidos com a morte, cidadãos livres e escravos condenados em primeira instância só subiriam ao patíbulo após terem sido negados todos os recursos jurídicos previstos, como apelação, protesto por novo julgamento e revista.

“Ainda assim, antes da forca era facultado ao condenado o direito de recorrer à Imperial Clemência que, por meio de uma das atribuições do Poder Moderador, podia perdoá-lo, mudar a pena (comutação) ou mandar executar a sentença”, ressaltou Ferreira.

Segundo ele, o Código Criminal do Império, criado em 1830, contemplou também o “mundo da segurança individual”, como disputas por divisas que acabavam em brigas e tiros, conflitos matrimoniais, brigas de rua, entre outros conflitos, como assunto de Estado.

Substituição da pena de morte

A partir da criação do Código, houve um primeiro esforço na produção de um “perfil dos delitos praticados” no país. No relatório de 1837, o então ministro da justiça Bernardo Pereira Vasconcelos argumentou que, diante da recorrente reclamação contra a impunidade que se espalhava por todo o território, ela só poderia ser adequadamente avaliada quando os mapas com os perfis de crimes e criminosos fossem produzidos a partir das informações enviadas pelas províncias.

“No perfil apresentado pelo ministro destaca-se um aumento maior do número de crimes contra a pessoa em relação aos cometidos contra a propriedade e, consequentemente, a impunidade”, disse.

Uma das dificuldades alegadas pelos ministros para obter informações a respeito de homicídios e ferimentos se referia à deficiência das comunicações entre vilas e a capital do Império, o que impedia o estudo dos padrões de criminalidade individual.

A recorrente queixa a respeito da ineficiente integração das autoridades da Corte com as das diferentes províncias figurou, segundo Ferreira, na base dos principais argumentos que conduziram às reformas sofridas pela justiça criminal do Império.

“A reforma do Judiciário de 1840 promoveu uma série de iniciativas para impedir em parte a atuação localizada dos juízes de paz e também dos jurados. Como desdobramento, em 1842 foi criada a figura do delegado de polícia. Na prática, a ideia era acabar com a impunidade nas pequenas vilas e promover uma centralização do judiciário”, disse.

Com as sucessivas modificações de 1840 a 1850, a pena de morte na prática foi abolida e a lei passou a conceder aos escravos a possibilidade dos mesmos recursos que os livres.

“Embora o Código ainda não esteja modificado, na prática o Imperador D. Pedro II, a partir das décadas finais do Império, começou a substituir penas de morte por penas de prisão perpétua”, apontou Ferreira.

Segundo ele, havia um conceito de criminalidade no Brasil Colônia (1500-1822) típico do antigo regime no qual o crime estava vinculado a posições sociais e à relação que as pessoas mantinham com o rei.

“Já no Império vigorou a ideia de liberdade e igualdade entre os homens, apesar da manutenção da escravidão. A grande questão era como criar um conceito moderno de criminalidade em um país que mantinha a escravidão. Os códigos criminais modernos operaram a concepção de que os crimes são os mesmos e as penas deveriam ser as mesmas para todos. Essa é uma forma de conceber crime e punição que, em muitos aspectos, continuou vigente pelo Período Republicano até os nossos dias”, disse.

Para ler o artigo Livres, escravos e a construção de um conceito moderno de criminalidade no Brasil Imperial, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

>Bringing Clouds into Focus: A New Global Climate Model May Reduce the Uncertainty of Climate Forecasting

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John Hules, Berkeley Lab Computing Sciences
May 11, 2010

Clouds exert two competing effects on the Earth’s temperature: they cool the planet by reflecting solar radiation back to space, but they also warm the planet by trapping heat near the surface. These two effects coexist in a delicate balance.

In our current climate, clouds have an overall cooling effect on the Earth. But as global warming progresses, the cooling effect of clouds might be enhanced or weakened—global climate models are evenly divided on this issue. In fact, inter-model differences in cloud feedbacks are considered the principal reason why various models disagree on how much the average global temperature will increase in response to greenhouse gas emissions, when it will happen, and how it will affect specific regions.

The large data sets generated by the GCRM require new analysis and visualization capabilities. This 3D plot of vorticity isosurfaces was developed using VisIt, a 3D visualization tool with a parallel distributed architecture, which is being extended to support the geodesic grid used by the GCRM.
(Image Courtesy of the NERSC Analytics Team)

Clouds also affect climate in other ways, such as transporting heat and moisture from lower to higher altitudes, producing precipitation, and many other interrelated mechanisms. Current global climate models are unable to directly simulate individual cloud systems from physical principles, because the size and speed of supercomputers place a limit on the number of grid cells that can practically be included in the model. As a result, global models do not have fine enough horizontal resolution to represent large clouds.

Instead, global climate models must rely on parameterizations, which are statistical representations of phenomena, such as cloud cover or precipitation rates, that cannot be directly modeled. Different models use different parameterizations, which is an important reason why their results differ. Cloud parameterizations are the greatest source of uncertainty in today’s climate models.

David Randall, a Professor Atmospheric Science at Colorado State University, is working to clear up that uncertainty by developing and testing a new kind of global climate model, called a global cloud resolving model (GCRM)—a model that’s designed to take advantage of the extreme-scale computers expected in the near future.

Randall is the principal investigator of the “Global Cloud Modeling” project that computes at NERSC, and was one of two coordinating lead authors of Chapter 8, “Climate Models and Their Evaluation,” in the Intergovernmental Panel on Climate Change’s (IPCC’s) Fourth Assessment Report, which was honored with the 2007 Nobel Peace Prize. He also directs the Center for Multiscale Modeling of Atmospheric Processes, sponsored by the National Science Foundation.


From a single thunderstorm to the whole earth

“The GCRM is a computer model that simulates the motions of the atmosphere on scales from a single thunderstorm all the way up to the size of the entire earth,” Randall explains. “It has about a billion little grid cells to represent the three-dimensional structure of the air. Each grid cell has a wind, a temperature, a humidity, and some other things that are needed. So the number of numbers involved is in the tens of billions, just as a snapshot of what’s going on at a given second.”

Small grids made up of equilateral triangles, squares, and hexagons. The hexagonal grid has the highest symmetry because all neighboring cells of a given hexagonal cell are located across cell walls. In contrast, with either triangles or squares, some neighbors are across walls, while others are across corners.

Large thunderstorms play an important role in global atmospheric circulation. They pack a lot of energy in the form of updrafts that move, in extreme cases, 30 to 40 meters a second—”scary fast,” Randall says. They “lift air from near Earth’s surface to way up near the stratosphere in just a few minutes.” In this way, thunderstorms carry moisture, momentum, carbon dioxide, and other chemical species through great depths of the atmosphere very quickly.

Cumulus clouds, Randall says, make the upper troposphere wet by transporting water from its source, the oceans. “A lot of it will rain out along the way, but some of it is still left, and it gets spread out up there and makes cirrus clouds, comprised largely of ice, which are very important for climate. We’re especially interested to see how storms that create cirrus affect the climate.” Cirrus clouds block Earth’s infrared radiation from flowing out to space, and that tends to warm the climate. “If we have more cirrus in the future, that will enhance warming. If we have less, it will reduce the warming.”

The GCRM also will give scientists new insights into tropical cyclones, which, Randall says, “are much bigger than thunderstorms, and in fact they contain many thunderstorms simultaneously. They affect the climate in part by cooling the sea surface as they move over the ocean.”

A spherical geodesic grid (a) can be cut into logically rectangular panels (b), which offers a convenient way to organize the data in a computer’s memory. For visual clarity, this depiction shows a very low resolution grid.

The GCRM, supported by the Department of Energy’s Scientific Discovery through Advanced Computing (SciDAC) program, is built on a geodesic grid that consists of about 100 million mostly hexagonal columns, each with 128 levels, representing layers of atmosphere that reach 50 kilometers above the Earth. For each of these grid cells, the model predicts the wind, temperature, and humidity at points just 4 kilometers apart (with a goal of 2 kilometers on the next generation of supercomputers). That’s an unprecedented resolution—most global atmospheric models provide detail at a 100-kilometer scale.

“No one has done this before in quite this manner, and it’s our hope that our project will point the way to future generations of models,” says Randall.

The geodesic grid used in the GCRM, also developed with SciDAC support, is itself quite innovative. If you want to tile a plane with regular polygons, you have only three choices: triangles, squares, or hexagons. Most climate models use some form of square (or rectangular) grid; but the geometry of the grid complicates the calculations, because each square has two different kinds of neighbors—four wall neighbors and four corner neighbors—which require different treatment in the equations. In addition, a square grid poses complications in modeling the Earth’s polar regions, where grid cells lose symmetry because of longitudinal convergence. There are solutions to these problems, but they are computationally expensive.

The GCRM, in contrast, uses a geodesic, hexagonal grid. In a hexagonal grid, all neighbors of a given cell lie across cell walls; there are no corner neighbors. A geodesic grid on a sphere has twelve pentagonal cells in addition to the many hexagonal cells; but each cell still has only wall neighbors, and all cells are roughly the same size. This type of grid also eliminates the pole problem.

As a result, equations constructed on hexagonal grids treat all neighboring cells in the same way, reducing the complexity and increasing the speed, productivity, and accuracy of the code. The number of cells (both grid columns and levels) can easily be changed for a particular computer run, depending on what the researchers want to simulate. Models based on geodesic grids are now being used by several major weather and climate modeling groups around the world.

Vorticity: Where the action is

Climate models are systems of partial differential equations that simulate how the atmosphere and oceans move and change over time, based on the laws of physics, fluid motion, and chemistry. Since the equations are all interrelated, the dynamical core of the model has to solve these equations simultaneously for every grid cell at each time step—which is why climate models require massive computing power.

Because the GCRM has such high resolution, Randall’s research team knew they needed to use equations that reproduce accurate motions at a wide range of scales to get the most realistic results; so team members Akio Arakawa of the University of California, Los Angeles (UCLA), and Celal Konor of Colorado State University (CSU) developed the Unified System of governing equations (so called because it unifies the quasi-hydrostatic compressible system with the nonhydrostatic anelastic system). The Unified System can cover a wide range of horizontal scales, from turbulence to planetary waves. It also filters out vertically propagating sound waves of all scales, without excluding relevant waves such as inertia-gravity waves, Lamb waves, and Rossby waves.

“This project could not have happened without a lot of support from the federal government… We’ve been computing at NERSC for more than a decade, and it’s been an excellent experience. We have a lot of respect for and gratitude to everyone at NERSC for all the excellent support they have given us over the years,”

—David Randall, Professor Atmospheric Science at Colorado State University

“The atmosphere can make lots of different kinds of waves” Randall says, “but in choosing equations we knew we wanted to avoid those that include sound waves, because sound waves are completely irrelevant to weather and climate. Because sound moves too fast, if you include sound waves in your model, you have to take very small time steps. If you eliminate sound waves completely, then you can take much longer time steps. There have been other ways to get rid of them in the past, but they’ve been considerably less accurate. The new method that we’ve developed does involve approximations, because you’re leaving something out, but it has much smaller errors that are, we believe, quite acceptable.”

Another key feature of the Unified System is that it solves the three-dimensional vector vorticity equation rather than the vector momentum equation. Vorticity, or spinning motion, “is really at the core of much of the important fluid dynamics in the atmosphere,” Randall says. “Vortices move around and maintain their identities and live a life, like little animals. Sometimes two vortices will merge and make a bigger one. Almost everything that is interesting and important in the motion of the atmosphere predominantly involves the spinning part.”

Most climate models use the momentum equation because it is easier to solve than the vorticity equation, and vorticity can be derived from momentum. But Akio Arakawa of UCLA and Joon-Hee Jung of CSU found a more efficient way of solving the vorticity equation that represents the important spinning motions much more directly and explicitly than the momentum equation does. “You really have to get that spinning part right, because that’s where most of the action is,” Randall explains. “Working with the vorticity equation directly means focusing in on the part of the physics that is most important to what we care about.

The component algorithms in the GCRM were selected for their good scaling properties, so the model scales linearly with the number of grid cells used. “Depending on the details of the configuration, we can do a few simulated days per wall clock day on 40,000 processors of Franklin,” Randall says. “Which means that doing a whole year is a very big calculation—it might be like a hundred days continuously around the clock on 40,000 processors or more—a big chunk of a very expensive machine. So what we’re doing is just barely doable now.”

“But in ten more years,” he adds, “we expect computers to be a hundred times faster, whether it’s Green Flash or some other system. Then we’ll be getting, say, a simulated year for a wall-clock day. That’s a big improvement. You can start thinking about doing simulated decades or even longer. You’re almost getting into the climate regime of about a century. So that’s exciting.”

“This project could not have happened without a lot of support from the federal government, especially the Department of Energy. We have to use the very fastest, most powerful machines in the world, and DOE, of course, is where you go for that. They’re ‘Supercomputing Central.’ We’ve been computing at NERSC for more than a decade, and it’s been an excellent experience. We have a lot of respect for and gratitude to everyone at NERSC for all the excellent support they have given us over the years.”

Further computational challenges

The development of a geodesic dynamical core with a unique system of equations was the major, but not the only computational challenge. Other challenges include parallel input/output (I/O), including storage, management, and distribution of the voluminous output, and visualization of the results. The SciDAC Scientific Application Partnership titled “Community Access to Global Cloud Resolving Model and Data,” led by Karen Schuchardt of Pacific Northwest National Laboratory, has been working to address those issues (see sidebar).

As for Randall’s group, they are now adding parameterizations of various physical processes, such as cloud microphysics, to the dynamical core of the GCRM, and they are also working on a method to include topography in the model, which will add vertically propagating waves produced by air flow over mountains. While continuing to run various tests on Franklin at NERSC, including numerical accuracy, stability, and parallel scaling performance, they are also running larger tests on up to 80,000 cores of Jaguar, a Cray XT system at the Oak Ridge Leadership Computing Facility (OLCF).

Early tests of the model will span just a few simulated days and will focus on short-range global weather prediction, starting from high-resolution analyses produced by working weather prediction centers. Tropical cyclones and other extreme weather events will be particular areas of focus. By 2011, the researchers plan to use the GCRM to perform two or more annual-cycle simulations, at least one of which will be coupled to the geodesic ocean general circulation model that they developed under SciDAC Phase 1.

Within the next ten years or so, models similar to the GCRM will be used for operational weather prediction, and eventually GCRMs will be used for multi-century climate simulations. The Green Flash project may make this possible sooner rather than later. The long-term target resolution for a Green Flash system is a horizontal grid spacing of about 1 km, which will require approximately 671 million grid columns, each with about 100 layers.

About NERSC and Berkeley Lab

The National Energy Research Scientific Computing Center (NERSC) is the primary high-performance computing facility for scientific research sponsored by the U.S. Department of Energy’s Office of Science. Berkeley Lab is a U.S. Department of Energy national laboratory located in Berkeley, California. It conducts unclassified scientific research and is managed by the University of California for the DOE Office of Science.

For more information about computing sciences at Berkeley Lab, please visit: http://www.lbl.gov/cs

>The root of the climate email fiasco (The Guardian)

>
Learning forced into silos of humanities and science has created closed worlds of specialists who just don’t understand each other

George Monbiot
The Guardian, Tuesday 6 April 2010

The MPs were kind to Professor Phil Jones. During its hearings, the Commons science and technology committee didn’t even ask the man at the centre of the hacked climate emails crisis about the central charge he faces: that he urged other scientists to delete material subject to a freedom of information request. Last week the committee published its report, and blamed his university for the “culture of non-disclosure” over which Jones presided.

Perhaps the MPs were swayed by the disastrous performance of his boss at the hearings. Edward Acton, the vice-chancellor of the University of East Anglia, came across as flamboyant, slippery and insincere. Jones, on the other hand, seemed both deathly dull and painfully honest. How could this decent, nerdy man have messed up so badly?

None of it made sense: the intolerant dismissal of requests for information, the utter failure to engage when the hacked emails were made public, the refusal by other scientists to accept that anything was wrong. Then I read an article by the computer scientist Steve Easterbrook, and for the first time the light began to dawn.

Easterbrook, seeking to defend Jones and his colleagues, describes a closed culture in which the rest of the world is a tedious and incomprehensible distraction. “Scientists normally only interact with other scientists. We live rather sheltered lives … to a scientist, anyone stupid enough to try to get scientific data through repeated FoI requests quite clearly deserves our utter contempt. Jones was merely expressing (in private) a sentiment that most scientists would share – and extreme frustration with people who clearly don’t get it.”

When I read that, I was struck by the gulf between our worlds. To those of us who clamoured for freedom of information laws in Britain, FoI requests are almost sacred. The passing of these laws was a rare democratic victory; they’re among the few means we possess of ensuring that politicians and public servants are answerable to the public. What scientists might regard as trivial and annoying, journalists and democracy campaigners see as central and irreducible. We speak in different tongues and inhabit different worlds.

I know how it happens. Like most people with a science degree, I left university with a store of recondite knowledge that I could share with almost no one. Ill-equipped to understand any subject but my own, I felt cut off from the rest of the planet. The temptation to retreat into a safe place was almost irresistible. Only the extreme specialisation demanded by a PhD, which would have walled me in like an anchorite, dissuaded me.

I hated this isolation. I had a passionate interest in literature, history, foreign languages and the arts, but at the age of 15 I’d been forced, like all students, to decide whether to study science or humanities. From that point we divided into two cultures, and the process made idiots of us all. Perhaps eventually we’ll split into two species. Reproducing only with each other, scientists will soon become so genetically isolated that they’ll no longer be able to breed with other humans.

We all detest closed worlds: the Vatican and its dismissal of the paedophilia scandals as “idle chatter”; the Palace of Westminster, whose members couldn’t understand the public outrage about their expenses; the police forces that refuse to discipline errant officers. Most of us would endorse George Bernard Shaw’s opinion that all professions are conspiracies against the laity. Much of the public hostility to science arises from the perception that it’s owned by a race to which we don’t belong.

But science happens to be the closed world with one of the most effective forms of self-regulation: the peer review process. It is also intensely competitive, and the competition consists of seeking to knock each other down. The greatest scientific triumph is to falsify a dominant theory. It happens very rarely, as only those theories which have withstood constant battery still stand. If anyone succeeded in overturning the canon of climate science, they would soon become as celebrated as Newton or Einstein. There are no rewards for agreeing with your colleagues, tremendous incentives to prove them wrong. These are the last circumstances in which a genuine conspiracy could be hatched.

But it is no longer sufficient for scientists to speak only to each other. Painful and disorienting as it is, they must engage with that irritating distraction called the rest of the world. Everyone owes something to the laity, and science would die if it were not for the billions we spend on it. Scientists need make no intellectual concessions, but they have a duty to understand the context in which they operate. It is no longer acceptable for climate researchers to wall themselves off and leave the defence of their profession to other people.

There are signs that this is changing. The prominent climate change scientist Simon Lewis has just sent a long submission to the Press Complaints Commission about misrepresentation in the Sunday Times. The paper claimed that the Intergovernmental Panel on Climate Change’s contention that global warming could destroy up to 40% of the Amazon rainforest “was based on an unsubstantiated claim by green campaigners who had little scientific expertise”. It quoted Lewis to suggest he supported the story. The article and its claims were reproduced all over the world.

But the claims were wrong: there is solid scientific research showing damage on this scale is plausible in the Amazon. Lewis claims that the Sunday Times falsely represented his views. He left a comment on the website but it was deleted. He sent a letter to the paper but it wasn’t published. Only after he submitted his complaint to the PCC did the Sunday Times respond to him. The paper left a message on his answerphone, which he has made public: “It’s been recognised that the story was flawed.” After seven weeks of stonewalling him, the Sunday Times offered to run his letter. But it has neither taken down the flawed article nor published a correction.

Good luck to Lewis, but as the PCC’s treatment of the News of the World phone-hacking scandal suggests, he’s likely to find himself shut out of another closed world – journalism – in which self-regulation manifestly doesn’t work. Here’s a profession that looks like a conspiracy against the laity even from the inside.

The incomprehension with which science and humanities students regard each other is a tragedy of lost opportunities. Early specialisation might allow us to compete in the ever more specialised labour market, but it equips us for nothing else. As Professor Don Nutbeam, the vice-chancellor of Southampton University, complains: “Young people learn more and more about less and less.”

We are deprived by our stupid schooling system of most of the wonders of the world, of the skills and knowledge required to navigate it, above all of the ability to understand each other. Our narrow, antiquated education is forcing us apart like the characters in a Francis Bacon painting, each locked in our boxes, unable to communicate.

>Should geoengineering tests be governed by the principles of medical ethics?

>
Rules for Planet Hackers

By Eli Kintisch
Thu Apr. 22, 2010 1:00 AM PDT

[Image: Flickr/indigoprime (Creative Commons)]

Nearly 200 scientists from 14 countries met last month at the famed Asilomar retreat center outside Monterey, California, in a very deliberate bid to make history. Their five-day meeting focused on setting up voluntary ground rules for research into giant algae blooms, cloud-brightening, and other massive-scale interventions to cool the planet. It’s unclear how significant the meeting will turn out to be, but the intent of its organizers was unmistakable: By choosing Asilomar, they hoped to summon the spirit of a groundbreaking meeting of biologists that took place on the same site in 1975. Back then, scientists with bushy sideburns and split collars—the forefathers of the molecular revolution, it turned out—established principles for the safe and ethical study of deadly pathogens.

The planners of Asilomar II, as they called it, hoped to accomplish much the same for potentially dangerous experiments in geoengineering. Instead of devising new medical treatments for people, the scientists involved in planet-hacking research are after novel ways to treat the Earth. The analogy of global warming to a curable disease was central to the discussions at the meeting. Climate scientist Steve Schneider of Stanford talked about administering “planetary methadone to get over our carbon addiction.” Others debated what “doses” of geoengineering would be necessary. Most crucially, the thinkers at Asilomar focused on the idea that medical ethics might provide a framework for balancing the risks and benefits of all this new research.

What would it mean to apply the established principles of biomedical research to the nascent field of geoengineering? The ethicists at Asilomar—particularly David Winickoff from Berkeley and David Morrow from the University of Chicago—began with three pillars laid out in the landmark 1979 Belmont Report. The first, respect for persons, says that biomedical scientists should obtain “informed consent” from their test subjects. The second, beneficence, requires that scientists assess the risks and benefits of a given test before they start. The third, justice, invokes the rights of research subjects to whatever medical advances result from the testing. (The people who are placed at risk should be the same ones who might benefit from a successful result.)

Then Winickoff and Morrow proposed applying the Belmont principles to the study of the most aggressive forms of geoengineering—the ones that would block the sun, like a volcanic eruption does, with a spray of sulfur or other particles into the stratosphere. Before we could embark on a radical intervention like that, we’d need to run smaller-scale tests that might themselves pose a risk to the environment. In much the way that a clinical drug trial might produce adverse reactions, so might a real-world trial of, say, the Pinatubo Option. Instead of causing organ failure or death in its subjects, a botched course of geoengineering might damage the ozone layer or reduce rainfall.

The problem, admitted the ethicists, is how to go about applying the Belmont rules outside of medicine. In clinical drug trials, researchers obtain consent from individuals, and they can precisely define the worse-case outcome (like death). But a trial run of hazing up the stratosphere wouldn’t affect specific, identifiable people in any one town, city, or state. The climate is interconnected in many ways, some still mysterious to scientists, and so the risks of even a small-scale test in a particular location might apply across the globe. If everyone on Earth could be affected, how do you figure out whom to ask for informed consent?

One possibility would be to require that all nations of the world agree ahead of time on any tests of consequence. To many gathered at Asilomar, however, this seemed naive; speakers repeatedly invoked the failure of all-inclusive talks to cut global carbon emissions, and it would presumably be much tougher to secure an agreement on work that might damage crop yields or open a hole in the ozone. A more pragmatic approach would be to set up something like a United Nations Planet Hacking Security Council, comprising 15 or so powerful nations whose oversight of research tests would take into account the concerns of a broad swath of countries. But that undemocratic approach would surely face howls of protest.

The principle of beneficence may be just as difficult to follow. Under the Belmont guidelines, doctors must balance the particular risks of a clinical trial with the potential benefit to any individual who might participate. Since it would be impossible to make such a calculation for every person on Earth, planet hackers could at best choose the experiments that minimize harm to the most vulnerable communities—like people living on the coasts of Southeast Asia. But we may not know enough about the risks of geoengineering to make any such credible calculation when the time comes. Consider the Pinatubo Option, by which scientists would mimic the cooling effect of volcanoes. Putting particles in the stratosphere could reduce the total amount of energy that strikes the Earth. Some climate modelers say this would disrupt rainfall by reducing moisture in the atmosphere obtained by evaporation. Others say that geoengineering’s droughts and famines would be less harmful than those caused by unchecked warming. Right now, no one can agree on the nature of the risks, let alone the degree to which they would apply to particular communities.

And what about justice? Among the disruptions that could result from testing the Pinatubo Option is a weakening of the Asian monsoon, a source of water for hundreds of millions of people in India. Those in developing countries will “eat the risk” of geoengineering trials, shouted one of the Asilomar speakers. If representatives from just a small set of countries were appointed as doctors to the planet, then the less powerful nations might end up as the world’s guinea pigs. Of course, the citizens of those nations also would seem to have the most to lose from uninterrupted global warming. These two dangers would have to be measured one against the other—and compensation as part of the experimental program could be one way of making tests more fair.

If medical ethics aren’t quite up to the task of guiding our forays into geoengineering, what other sort of principles should we keep in mind? One important danger to be aware of is the moral hazard that might come with successful trials. That’s the idea that protective circumstances or actions can encourage people to take undue risks—government insurance of banks led to risky investments that caused the savings-and-loan crisis in the 1980s, for example. Moral hazard looms particularly large for geoengineering studies since medium-scale field tests could prematurely give us the sense that we have a low-cost technical fix for global warming, no emissions cuts needed. (Moral hazard isn’t quite as potent in medical research. The availability of cholesterol-lowering drugs may well discourage people from maintaining healthy diets, but it’s unlikely that mere clinical trials would have the same effect.)

Another ethical principle that might apply to geoengineering is minimization—the idea that, a priori, it’s better to tinker at the smallest possible scale necessary to answer vital scientific questions. This notion comes from the ethics of animal experimentation; now we might apply it to planetary systems and the environment more broadly. Up until now, the medical ethics frame for geoengineering has guided discussions of how geoengineering might affect people in various countries. Perhaps we should be talking about how it affects the planet itself.

By that token, we might gain something by thinking of the Earth as a patient on its own terms. The rules and regulations we come up with for tests of geoengineering should take into account the way those experiments might affect ecosystems and nonhuman animals, both under threat from warming. And so maybe the most famous piece of medical ethics ought to apply: the Hippocratic Oath. “First, do no harm” is the crux of the original, but an updated version exhorts doctors to avoid “the twin traps of overtreatment and therapeutic nihilism.” The climate crisis may force us to act despite myriad ethical challenges, for our benefit and for the planet’s.

This piece was produced by Slate as part of the Climate Desk collaboration.

Eli Kintisch is a reporter at Science and author of a new book on geoengineering, Hack the Planet.

>Brasileiro se preocupa com aquecimento global, mas muda pouco

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Mudança latente

Por Ricardo Voltolini*, da Revista Ideia Socioambienltal
28/04/2010 – 11h04

Pesquisa do Datafolha divulgada no último dia 21 de abril revela que pouco mais de nove entre 10 brasileiros acreditam no fenômeno do aquecimento global. Três quartos dos entrevistados acham que a ação humana é a grande responsável pelas mudanças climáticas.

Os números diferem muito dos registrados em estudos com americanos e ingleses. Nos EUA, metade dos cidadãos não crê na responsabilidade do homem pelo aquecimento global. Na Inglaterra, são 25%. Nesses países, mais do que aqui, o recente ataque dos negacionistas climáticos –que tem confrontado duramente as pesquisas do painel de cientistas do clima das Nações Unidas – fez crescer o número de céticos.

Especialmente no caso dos Estados Unidos, ideias que contestam ou atenuam o impacto humano nas mudanças climáticas costumam ter boa aceitação seja porque oferecem salvo-conduto para não deixar de lançar gases de efeito estufa seja porque reduzem a culpa por um estilo de vida considerado perdulário para o planeta muito conveniente. O país é, como se sabe, o maior emissor de CO2. E, em dezembro último, seu presidente, Barack Obama, ajudou a desandar o acordo do clima justamente por não aceitar metas de redução de emissões mais ambiciosas. Para os EUA e –também para a China, sua grande concorrente no mercado global– diminuir emissões significa abrir mão de crescimento, coisa que causa arrepios no norte-americano médio e seus representantes políticos no senado.

Outros números do estudo do Datafolha merecem atenção. Segundo os dados, o número de brasileiros que se consideram bem informados sobre o tema saltou de 20% (em 2009) para 34%. Isso é bom, claro. Talvez signifique um primeiro passo. Mas sentir-se bem informado não quer dizer estar preparado para fazer as mudanças individuais necessárias visando a reduzir o impacto ao planeta.

Nesse sentido, apenas para estimular uma reflexão, lembro de uma pesquisa feita pela Market Analysis, em 2007, em 18 países. Aquele estudo, o primeiro do gênero no País, revelou que os brasileiros estavam entre os mais preocupados do mundo com as mudanças climáticas. No entanto, 46% achavam que um indivíduo pode fazer muito pouco diante de um problema tão grave.

Considerando as variáveis competência e capacidade para mudar o quadro, o estudo identificou quatro grupos. O mais numeroso (40%) seria formado por pessoas com bom nível de informação sobre o aquecimento global, alinhadas com a atuação das ONG´s, críticas em relação às empresas, mas que não necessariamente fazem algo para mudar seu dia a dia. Apenas um em cada seis integrantes desse grupo, no entanto, mostrava-se consciente e mobilizado.

O segundo grupo reunia 38% de brasileiros bem informados sobre o problema, dispostos a adotar mudanças em seu estilo de vida e sensíveis à idéia de que é possível conciliar crescimento econômico com respeito ao meio ambiente. Eles acreditavam que, individualmente, podiam dar uma resposta mais clara do que a sociedade como um todo. O terceiro grupo (12%) confiava mais na sociedade do que em sua própria capacidade de mudar a situação. E o quarto (10%) não acreditava nem no potencial do indivíduo nem no da sociedade. Ambos se caracterizavam por uma postura desinformada e acrítica.

A considerar que esses dados seguem atuais –e penso honestamente que sim- são grandes os desafios brasileiros. O mais importante é mobilizar os indivíduos, fazendo com que percebam que pequenas ações de redução de pegada ecológica somadas a outras ações de consumo consciente no dia a dia podem fazer diferença na luta para esfriar o planeta. Como já foi dito logo após o fracasso de Copenhague, o aquecimento global é um tema importante demais para esperar que as soluções venham apenas de líderes de estado comprometidos mais com a sua política doméstica do que com o futuro saudável da grande casa que habitamos.

*Ricardo Voltolini é publisher da revista Idéia Socioambiental e diretor da consultoria Idéia Sustentável: Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade.

http://www.topblog.com.br/sustentabilidade

(Envolverde/Idéia Socioambiental)

>Mudanças climáticas: "caça às bruxas" direcionada a cientistas na Virginia (EUA)

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An unwelcome ‘climate’ for scientists?

By Paul Guinnessy, Physics Today on May 11, 2010 6:34 PM

Virginia Attorney General Ken Cuccinelli, in a blatantly political move to help strengthen his support among the right wing for his bid to become the next governor, is causing uproar in the science community by investigating climate scientist and former University of Virginia professor Michael Mann.

Cuccinelli is accusing Mann of defrauding Virginia taxpayers by receiving research grants to study global temperatures. Mann, who is now based at the Pennsylvania State University, hasn’t worked in Virginia since 2005.

The subpoena, which currently isn’t attached to any lawsuit, requires the University of Virginia to provide Cuccinelli with thousands of documents and e-mails dating from 1999 to 2005 regarding Mann’s research. The accusation is tied to Mann and coworkers’ “hockey stick” graph that was included in a 2001 United Nations Intergovernmental Panel on Climate Change report. The graph displays annual global average temperatures by merging a wide variety of data sources that were used in some private e-mails made public when the University of East Anglia’s Climate Research Unit e-mail server got hacked.

Not answering the question

When Cuccinelli appeared on the Kojo Nnamdi Show on WAMU radio on Friday, he claimed the investigation was not into Mann’s academic work, but instead was “directed at the expenditure of dollars. Whether he does a good job, bad job or I don’t like the outcome—and I think everybody already knows his position on some of this is one that I question. But that is not what that’s about.”

However, the letter demanding materials gives a different impression. It asks, along with Mann’s correspondence with 39 other climate scientists, for “any and all computer algorithms, programs, source code, or the like created or edited by … Mann.”

This was emphasized when Cuccinelli spoke to the Washington Post, stating “in light of the Climategate e-mails, there does seem to at least be an argument to be made that a course was undertaken by some of the individuals involved, including potentially Michael Mann, where they were steering a course to reach a conclusion. Our act, frankly, just requires honesty.”

There hasn’t been an investigation by Virginia’s attorney general’s office into the funding of research grants of this nature before. Moreover, only one of the five grants under suspicion was funded by Virginia taxpayers through the university; the others were federal grants from the National Oceanic and Atmospheric Administration and the National Science Foundation.

No backbone?

The University of Virginia was originally going to succumb to Cuccinelli’s request. In a statement released to the press last Thursday the university said it was “required by law to comply.”

Shortly afterward, the University of Virginia Faculty Senate Executive Council issued its own statement, which ends:

We maintain that peer review by the scientific community is the appropriate means by which to identify error in the generation, presentation and interpretation of scientific data. The Attorney General’s use of his power to issue a CID under the provisions of Virginia’s FATA is an inappropriate way to engage with the process of scientific inquiry. His action and the potential threat of legal prosecution of scientific endeavor that has satisfied peer-review standards send a chilling message to scientists engaged in basic research involving Earth’s climate and indeed to scholars in any discipline. Such actions directly threaten academic freedom and, thus, our ability to generate the knowledge upon which informed public policy relies.

This was shortly followed by a joint letter to the university from the American Civil Liberties Union and the American Association of University Professors asking the University of Virginia to follow procedures to appeal the subpoena.

The letters seem to have had some effect: The Washington Post reported that the university is now “considering” its options before the Friday deadline to appeal is up.

State Senator Donald McEachin issued a statement, in which he stated he will submit a bill so that in the future the attorney general cannot issue a subpoena without also issuing a lawsuit.

“This is not only ludicrous and frivolous, wasting more taxpayer dollars and trampling on academic freedom, but the Attorney General has deprived Mr. Mann of his constitutional rights,” said McEachin.

Part of a bigger trend

On Friday, although it was put together before Cuccinelli issued his subpoena, Science published a letter by 255 members of the National Academy of Sciences, decrying “political assaults” against climate scientists and “McCarthy-like threats of criminal prosecution” and spelling out again the basic facts of what we know about the changing climate.

The letter was triggered by veiled threats from Senator James Inhofe, a well-known climate-change denier, to criminally investigate scientists over their research, and the political response to the CRU e-mails.

According to Peter Gleick, president of the Pacific Institute, a research center in Oakland, California—who spoke with New York Times reporter Sindya N. Bhanoo—before the NAS members gave the letter to Science, the group had first submitted it to the Wall Street Journal, the New York Times, and the Washington Post, all of whom declined to run it.

>Marcelo Leite: Águas turvas (FSP)

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“Preconceitos, estridência, falácias, invenções e estatísticas, aliás, transformam todo o debate público numa bacia amazônica de turbidez. Não é privilégio da questão indígena. Tome a usina hidrelétrica de Belo Monte. Ou o tema explosivo da disponibilidade de terras para o agronegócio”

Marcelo Leite
Folha de S.Paulo, 09/05/2010 – reproduzido no Jornal de Ciência (JC e-mail 4006)

Por uma dessas coincidências sintomáticas que a época produz, duas frases que abrem a reportagem de capa da presente edição do caderno Mais! – “No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é” e “Só é índio quem se garante” – estão no centro de um bate-boca entre seu autor, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, e a revista “Veja”.

A abertura foi escrita antes do quiproquó, mas pouco importa. Se ela e todo o texto sobre educação indígena forem recebidos como tomada de posição, tanto melhor.

De qualquer maneira, é instrutivo ler a reportagem da revista que deu origem a tudo, assim como as réplicas e tréplicas que se seguiram. Permite vislumbrar a profundidade dos preconceitos anti-indígenas e da estridência jornalística que turvam essa vertente de discussão no país.

Preconceitos, estridência, falácias, invenções e estatísticas, aliás, transformam todo o debate público numa bacia amazônica de turbidez. Não é privilégio da questão indígena. Tome a usina hidrelétrica de Belo Monte. Ou o tema explosivo da disponibilidade de terras para o agronegócio, epicentro da indigitada reportagem da revista “Veja”.

“Áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e supostos antigos quilombos abarcam, hoje, 77,6% da extensão do Brasil”, afirmam seus autores, sem citar a fonte. “Se a conta incluir também os assentamentos de reforma agrária, as cidades, os portos, as estradas e outras obras de infraestrutura, o total alcança 90,6% do território nacional.”

É provável que a origem omitida seja o estudo “Alcance Territorial da Legislação Ambiental e Indigenista”, encomendado à Embrapa Monitoramento por Satélite pela Presidência da República e encampado pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA, leia-se senadora Kátia Abreu, DEM-TO). Seu coordenador foi o então chefe da unidade da Embrapa, Evaristo Eduardo de Miranda. A estimativa terminou bombardeada por vários especialistas, inclusive do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Nesta semana veio à luz, graças às repórteres Afra Balazina e Andrea Vialli, mais um levantamento que contradiz a projeção alarmante. O novo estudo foi realizado por Gerd Sparovek, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), em colaboração com a Universidade de Chalmers (Suécia).

Para Miranda, se toda a legislação ambiental, fundiária e indigenista fosse cumprida à risca, faltariam 334 mil km2 – 4% do território do Brasil – para satisfazer todas as suas exigências. O valor dá quase um Mato Grosso do Sul de deficit.

Para Sparovek, mesmo que houvesse completa obediência ao Código Florestal ora sob bombardeio de ruralistas, sobraria ainda 1 milhão de km2, além de 600 mil km2 de pastagens poucos produtivas usadas para pecuária extensiva (um boi por hectare). Dá 4,5 Mato Grosso do Sul de superavit.

A disparidade abissal entre as cifras deveria bastar para ensopar as barbas de quem acredita em neutralidade científica, ou a reivindica. Premissas, interpretações da lei e fontes de dados diversas decerto explicam o hiato.

Mas quem as examina a fundo, entrando no mérito e extraindo conclusões úteis para o esclarecimento do público e a tomada de decisão? Faltam pessoas e instituições, no Brasil, com autoridade para decantar espuma e detritos, clarificando as águas para que se possa enxergar o fundo. De blogueiros e bucaneiros já estamos cheios.

>SBPC: o jornalismo irresponsável da revista Veja

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Em nota, SBPC repudia reportagem de ‘Veja’

Jornal da Ciência – JC e-mail 4007, de 11 de Maio de 2010

Reportagem trata da demarcação de terras indígenas e é acusada de distorcer informações

Intitulada “A farra da antropologia oportunista”, a reportagem foi publicada na edição de 5 de maio da revista semanal. O texto já havia sido objeto de nota da Associação Brasileira de Antropologia (ABA). Leia a nota da ABA em http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=70689.

No domingo, a coluna do jornalista Marcelo Leite, no caderno “Mais!”, da “Folha de SP”, também tratou da polêmica reportagem e da reação de membros da comunidade científica da antropologia. Leia a coluna em http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=70771

A reportagem da “Veja” pode ser lida no acervo digital da revista, em http://www.veja.com.br/acervodigital/home.aspx

Leia abaixo a íntegra da nota da SBPC:

“A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) vem a público hipotecar inteira solidariedade a sua filiada, a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), que em notas de sua diretoria e da Comissão de Assuntos Indígenas repudiou cabalmente matéria publicada pela revista ‘Veja’ em sua edição de 5 de maio do corrente, intitulada “Farra da Antropologia Oportunista”.

Registra, também, que a referida matéria vem sendo objeto de repulsa por parte de cientistas e pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, os quais inclusive registram precedentes de jornalismo irresponsável por parte da referida revista, caracterizando assim um movimento de indignação que alcança o conjunto da comunidade científica nacional.

Por outro lado, a maneira pela qual foram inventadas declarações, o tratamento irônico e preconceituoso no que diz respeito às populações indígenas e quilombolas e a utilização de dados inverídicos evidenciam o exercício de um jornalismo irresponsável, incitam atitudes preconceituosas, revelam uma falta total de consideração pelos profissionais antropólogos – cuja atuação muito honra o conjunto da comunidade científica brasileira – e mostram profundo e inconcebível desrespeito pelas coletividades subalternizadas e o direito de buscarem os seus próprios caminhos.

Tudo isso indo em direção contrária ao fortalecimento da democracia e da justiça social entre nós e à constituição de uma sociedade que verdadeiramente se nutra e se orgulhe da sua diversidade cultural.

Adicionalmente, a SBPC declara-se pronta a acompanhar a ABA nas medidas que julgar apropriadas no campo jurídico e a levar o seu repúdio ao âmbito da 4ª. Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que se realizará no final deste mês de maio em Brasília.”

>Quase ganhador

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Agência FAPESP – 17/5/2010

Quase. Passou muito perto. Na próxima vez está no papo. Segundo uma pesquisa feita na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, o cérebro do apostador contumaz reage diferentemente na hora de encarar uma derrota.

Para quem não costuma jogar, perder é algo normal e sinaliza a hora de parar. Mas para quem tem no jogo de apostas o seu vício, não é bem assim. De acordo com o estudo, o cérebro desses apostadores reage de modo muito mais intenso a ocasiões em que a vitória esteve muito próxima do que ocorre nos demais.

Essa particularidade poderia explicar por que os jogadores obstinados continuam a apostar mesmo quando estão perdendo sem parar. No estudo, os pesquisadores analisaram os cérebros de 20 apostadores por meio de ressonância magnética funcional enquanto eles jogavam em uma máquina caça-níqueis.

Os pesquisadores observaram que as partes do cérebro envolvidos no processamento de recompensas – chamadas de centros de dopamina – eram mais ativos em pessoas com problemas de apostas do que em pessoas que apostavam socialmente (dois grupos nos quais os voluntários foram divididos).

Durante o experimento, os participantes jogaram uma máquina com duas rodas e ganhavam 50 pences a cada vez que o resultado eram dois ícones iguais. Duas figuras diferentes era considerado uma derrota, mas quando o resultado ficava a um ícone de um par (antes ou depois, na sequência do movimento), o resultado era considerado um “perdeu por pouco”.

Os pesquisadores observaram que esses últimos casos ativaram os mesmos caminhos cerebrais do que as vitórias, mesmo que não houvesse recompensa monetária. Verificaram também que a reação ao resultado era muito mais forte entre os apostadores contumazes.

“Os resultados são interessantes por que sugerem que as ‘derrotas por pouco’ podem estimular uma resposta dopamínica nos jogadores mais frequentes, mesmo quando isso não resulta em um prêmio. Se esses fluxos de dopamina estão direcionando o comportamento aditivo, isso poderá ajudar a explicar por que aqueles que têm nas apostas o seu problema acham tão difícil parar de jogar”, disse Luke Clark, um dos autores do estudo, que foi publicado no Journal of Neuroscience.

O artigo Gambling severity predicts midbrain response to near-miss outcomes (DOI:10.1523/jneurosci.5758-09.2010), de Luke Clark e Henry Chase, pode ser lido por assinantes do Journal of Neuroscience em http://www.jneurosci.org/cgi/content/abstract/30/18/6180.

>Acelerador de gente (FSP)

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Entrevista com Karin Knorr Cetina

José Galisi-Filho
Folha de SP, 2/5/2010 – reproduzido no Jornal da Ciência (JC e-mail 4001)

Socióloga que estudou os pesquisadores do LHC diz que experimento elimina noções tradicionais de autoria e prestígio

Ao visitar o LHC (Grande Colisor de Hádrons) em abril de 2008, o físico escocês Peter Higgs pôde contrastar sua dimensão humana com a escala gigantesca da maior máquina já construída pela humanidade.

Se a hipótese de Higgs estiver correta, os dados que começaram a jorrar nas últimas semanas do LHC fornecerão a última peça no quebra-cabeças do modelo padrão, a teoria da física que explica a matéria. Mas a saga do LHC é resultado do trabalho de gerações de pesquisadores, cujos nomes finalmente se diluirão na “simbiose homem-máquina” de um novo paradigma, pela primeira vez realmente global, de cooperação cientifica.

Para Karin Knorr Cetina, professora de sociologia do conhecimento da Universidade de Konstanz, Alemanha, o experimento é, antes de tudo, um “laboratório humano” numa escala sem precedentes na história da ciência moderna.

Cetina passou 30 anos observando os pesquisadores do Cern (Centro Europeu de Física Nuclear), laboratório na Suíça que abriga o LHC, numa espécie de estudo “etnológico” da tribo dos físicos, seus usos e costumes. Segundo ela, noções tradicionais na ciência, como carreira, prestigio e autoria, deixam de ter qualquer significado no modelo de produção de conhecimento do Cern.

Da Universidade de Chicago, EUA, onde é pesquisadora visitante, Cetina falou à Folha:

– O que há de novo na forma de produzir conhecimento no Cern, e como isso se compara com as humanidades?

O novo é a dimensão, a duração e o caráter global do experimento. A estrutura dos experimentos é um experimento em si mesmo, com um caráter antecipatório de um tempo global e de uma sociedade do conhecimento. Poderíamos, talvez, fazer uma comparação com aquele espírito arrojado e inovador no desenvolvimento do supersônico Concorde nos anos 1960, que sinalizou uma ruptura de época. Mas não se pode responder com uma simples frase ao “como” esse experimento é coordenado.

Há muitos mecanismos particulares que sustentam o projeto e o transformam numa espécie de “superorganismo”, na íntima colaboração de mais de 2.000 físicos com o gigantesco LHC, que eles mesmo projetaram e no qual, finalmente, trabalham juntos. Um mecanismo muito importante são as publicações coletivas em ordem alfabética. Quem é privilegiado não é o “gênio”, o autor, ou pesquisadores destacados em suas áreas. Um outro mecanismo é que o experimento mesmo, e não os autores, é “convidado” para as conferências internacionais.

Os atores individuais são apenas os representantes daquilo que produziram em conjunto. Um outro mecanismo é que os participantes se encontram, por exemplo, durante toda uma semana no Cern, e esses encontros são organizados de tal maneira que todos possam e devam ser informados sobre tudo que ocorre. Estabelece-se, assim, uma espécie de consciência coletiva do “conhecimento compartilhado”.

Como poderíamos comparar isso com as ciências humanas? Alguns diagnósticos de época importantes, de historiadores e filósofos, por exemplo, ainda encontram ressonância na opinião pública, mas, infelizmente, a estrutura e a segmentação da pesquisa nesse campo do conhecimento não tem mais nada de interessante a oferecer. A sociologia tradicional não sinaliza mais para a frente.

– Depois de muitos anos de pesquisa de campo em laboratórios como uma etnógrafa da ciência, como se diferenciam as culturas científicas diante do papel do indivíduo?

A biologia molecular, que acompanhei por muitos anos, é uma ciência “de bancada”, na qual, por regra, poucos pesquisadores trabalham juntos, na qual também se produz e publica em coletivo, mas não em ordem alfabética. O papel do pesquisador individual ainda permanece importante. Isso leva, como sabemos, a conflitos em torno de autoria e quem está em que posição na publicação. A física de altas energias procura, em contrapartida, liberar a cooperação, na qual é o conjunto que está no ponto central. O fio condutor não é mais a carreira, mas o resultado cientifico. O acelerador é o elemento dominante, pois ele somente pode ser construído e avaliado por muitos.

– Seria a natureza mesma do projeto incompatível com um novo “insight” individual que poderia mudar tudo de forma imprevisível?

É bem mais provável, no caso do Cern, que a pesquisa em equipe deva produzir excelentes resultados empíricos. Muitos pesquisadores em sociologia e nas humanidades, de maneira geral, produzem resultados parciais, fragmentados, que não se agregam dentro de um sistema numa perspectiva cumulativa -não porque a natureza do social seja fragmentada, mas porque nossa maneira de conduzir pesquisas, nossas convenções de pesquisa, não se agregam. Em muitas ciências empíricas devemos investigar no processo cooperativo -já que na natureza todas as partes de uma sistema se interrelacionam- ou todo o sistema ou saber qual é, realmente, a parte central desse sistema que deve ser isolada e destacada. Esse reducionismo experimental não pode ser levado a cabo na ciência social por motivos éticos, por se tratar de pessoas em sua integridade, que não podemos reduzir a células de cultura. Para tanto, seria necessário muito mais cooperação e pesquisa.

>Testes genéticos e a compreensão popular dos fenômenos probabilísticos

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Teste genético chega à farmácia

Fernando Eichenberg
O Globo, 13/5/2010 – reproduzido no Jornal da Ciência (JC e-mail 4009)

EUA começam a vender polêmicos exames para detectar risco de doenças

A partir de na sexta-feira (14/5), além de aspirina, vitamina C ou pasta de dente, os americanos poderão comprar na farmácia da esquina testes genéticos personalizados, que prometem indicar o risco de contrair 23 doenças, como os males de Alzheimer e Parkinson, câncer de mama, leucemia ou diabetes.

Isso será possível em cerca de 6 mil das 7,5 mil lojas da rede Walgreens, uma das duas maiores dos EUA. É a primeira vez que testes de análise de DNA estarão disponíveis para consumo de massa.

A iniciativa é da Pathway Genomics, uma empresa de San Diego. Os kits, chamados de Insight Saliva Collection, ao preço unitário entre US$ 20 e US$ 30, têm um recipiente de plástico e um envelope padrão, pelo qual a saliva coletada é enviada a um dos laboratórios para análise. Após a remessa, é necessário pagar um valor adicional, no site da empresa, pelos tipos de testes de DNA desejados.

Por US$ 79, são avaliadas as reações do organismo a substâncias como cafeína, drogas de redução do colesterol ou tamoxifeno, usado no tratamento do câncer de mama. Por US$ 179, futuros pais poderão conhecer a probabilidade de serem portadores de 23 problemas genéticos, como diabetes ou talassemia beta (um tipo de anemia), passíveis de transmissão aos seus filhos. Pelo mesmo preço, são testados riscos pessoais referentes a ataques cardíacos, câncer do pulmão, leucemia ou esclerose múltipla. Para aqueles dispostos a desembolsar ainda mais, por US$ 249 é possível fazer todos os testes disponíveis.

Especialista diz que testes são nocivos

A chegada dos testes genéticos às farmácias causou polêmica. A Pathway Genomics alega que, embora não sejam definitivos, os resultados fornecidos pelas análises poderão estimular as pessoas a mudar de hábitos e a adotar atitudes mais saudáveis em suas vidas. Nem todos concordam. Para Hank Greely, diretor do Centro de Direito e de Biociências da Universidade de Stanford, trata-se de uma péssima ideia. Segundo ele, para a grande maioria das pessoas, as informações genéticas não serão de grande valia e poderão, inclusive, ser mal interpretadas, provocando sérios riscos. Ele dá o exemplo de uma mulher que descobre, pelos testes, não ter a mutação nos genes relacionada ao câncer de mama.

– Ela pode concluir que está salva. Mas o que isso significa? Que você não tem 70% de chances de ter câncer de mama, mas ainda está acima da média de risco de 12%. Ela poderá decidir parar de fazer exames, o que será um enorme erro – explica.

Greely cita também o caso de alguém que é informado possuir o dobro de propensão para sofrer da doença de Alzheimer.

– Talvez essa pessoa não vá cometer suicídio, mas poderá ter sua vida alterada com esse dado. Ela não irá perceber o fato de que ter 20% em vez de 10% de possibilidade de sofrer de Alzheimer significa que em 80% do tempo ela viverá como alguém que não terá a doença – pondera.

Para o especialista, um dos maiores perigos dessa nova iniciativa é a falta de aconselhamento médico na hora de fornecer os resultados.

– Por US$ 99 a hora, você pode telefonar para um número que está no site da empresa para fazer consultas sobre o seu teste, mas é claro que a maioria das pessoas não vai pagar por isso – ressalta.

Por essa razão, embutida em sua legislação, o Estado de Nova York não permitirá que os kits sejam vendidos nas farmácias locais. O FDA, órgão do governo americano que regulamenta o mercado de remédios e alimentos, anunciou que está avaliando o caso e dará um parecer em breve. Mas a ideia já inspirou a CVS, cadeia de farmácias concorrente da Walgreens, que promete também vender seus kits genéticos a partir de agosto.

>"A ciência não é um deus que sabe tudo", diz líder ianomâmi (FSP)

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Folha de S.Paulo, da Redação
12/05/2010 – 09h24

O líder ianomâmi Davi Kopenawa disse estar “muito contente” com a notícia de que as mais de 2.000 amostras de sangue de seu povo, que desde 1967 repousam em centros de pesquisa dos Estados Unidos, serão devolvidas à tribo. Conforme a Folha adiantou no último domingo, há um acordo sendo finalizado entre cinco universidades e o governo brasileiro para a devolução, que ainda não tem data.

Da Alemanha, onde está para assistir a uma ópera que tem seu povo como protagonista, o líder indígena respondeu por e-mail, por intermédio do antropólogo Bruce Albert, a perguntas feitas pela reportagem. (CA)

Folha – Como o sr. recebeu a notícia de que as universidades aceitaram devolver o sangue?

Davi Kopenawa Yanomami – Foi uma luta de dez anos. Agora, fiquei muito contente que os brancos acabaram entendendo a importância desse retorno.

Folha – O sangue foi coletado nos anos 1960, mas só nesta última década os ianomâmis começaram a se esforçar para tê-lo de volta. Por quê?

Kopenawa – O sangue foi tirado do nosso povo quando eu era menino. Os cientistas não explicaram nada direito. Só deram presentes, panelas, facas, anzóis e falaram que era para coisa de saúde. Depois todo mundo esqueceu. Ninguém pensou que o sangue seria guardado nas geladeiras deles, como se fosse comida! Só em 2000 que eu soube que esse sangue estava ainda guardado e sendo usado para pesquisa. Aí me lembrei da minha infância, e os velhos também se lembraram de que nosso sangue foi tirado. Todo mundo ficou muito triste de saber que esse sangue nosso e de nossos parentes mortos ainda estava guardado.

Folha – Napoleon Chagnon e James Neel agiram errado com vocês?

Kopenawa – Eu acho que estavam muito errados, porque eles pensaram que os ianomâmis podem ser tratados como crianças e não têm pensamento próprio. Não dá para fazer pesquisa com povos indígenas sem explicação. Pesquisa que interessa à gente é para melhorar nossa saúde. Não dá para pesquisar e deixar a gente depois morrer de doenças. Um tempo depois que esses cientistas foram embora, em 1967, morreu quase todo o meu povo do Toototobi de sarampo.

Folha – Por que o sangue será jogado no rio quando ele voltar?

Kopenawa – Vamos entregar esse sangue do povo ianomâmi ao rio porque o nosso criador, Omama, pescou sua mulher, nossa mãe, no rio no primeiro tempo. Mas não gosto da palavra “jogar”, não vamos jogar o sangue dos nossos antigos; vamos devolver para as águas.

Folha – Os cientistas dizem que, sem poderem estudar o sangue e o DNA de vocês, informações que podem ser preciosas para toda a humanidade se perderão para sempre. Como o sr. reage a essa crítica?

Kopenawa – A ciência não é um deus que sabe tudo para todos os povos. Se querem pesquisar o sangue do povo deles, eles podem. Quem decide se pesquisas são boas para nosso povo somos nós, ianomâmis.

>The delicate wine grape has become our best early-warning system for the effects of global warming (Slate)

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climate desk – In Vino Veritas

The delicate wine grape has become our best early-warning system for the effects of global warming.

By Mark Hertsgaard
Posted Monday, April 26, 2010, at 11:01 AM ET

John Williams has been making wine in California’s Napa Valley for nearly 30 years, and he farms so ecologically that his peers call him Mr. Green. But if you ask him how climate change will affect Napa’s world-famous wines, he gets irritated, almost insulted. “You know, I’ve been getting that question a lot recently, and I feel we need to keep this issue in perspective,” he told me. “When I hear about global warming in the news, I hear that it’s going to melt the Arctic, inundate coastal cities, displace millions and millions of people, spread tropical diseases and bring lots of other horrible effects. Then I get calls from wine writers and all they want to know is, ‘How is the character of cabernet sauvignon going to change under global warming?’ I worry about global warming, but I worry about it at the humanity scale, not the vineyard scale.”

Williams is the founder of Frog’s Leap, one of the most ecologically minded wineries in Napa and, for that matter, the world. Electricity for the operation comes from 1,000 solar panels erected along the merlot vines; the heating and cooling are supplied by a geothermal system that taps into the Earth’s heat. The vineyards are 100 percent organic and—most radical of all, considering Napa’s dry summers—there is no irrigation.

Yet despite his environmental fervor, Williams dismisses questions about preparing Frog’s Leap for the impacts of climate change. “We have no idea what effects global warming will have on the conditions that affect Napa Valley wines, so to prepare for those changes seems to me to be whistling past the cemetery,” he says, a note of irritation in his voice. “All I know is, there are things I can do to stop, or at least slow down, global warming, and those are things I should do.”

Williams has a point about keeping things in perspective. At a time when climate change is already making it harder for people in Bangladesh to find enough drinking water, it seems callous to fret about what might happen to premium wines. But there is much more to the question of wine and climate change than the character of pinot noir. Because wine grapes are extraordinarily sensitive to temperature, the industry amounts to an early-warning system for problems that all food crops—and all industries—will confront as global warming intensifies. In vino veritas, the Romans said: In wine there is truth. The truth now is that the Earth’s climate is changing much faster than the wine business, and virtually every other business on Earth, is preparing for.

All crops need favorable climates, but few are as vulnerable to temperature and other extremes as wine grapes. “There is a fifteenfold difference in the price of cabernet sauvignon grapes that are grown in Napa Valley and cabernet sauvignon grapes grown in Fresno,” in California’s hot Central Valley, says Kim Cahill, a consultant to the Napa Valley Vintners’ Association. “Cab grapes grown in Napa sold [in 2006] for $4,100 a ton. In Fresno the price was $260 a ton. The difference in average temperature between Napa and Fresno was 5 degrees Fahrenheit.”

Numbers like that help explain why climate change is poised to clobber the global wine industry, a multibillion-dollar business whose decline would also damage the much larger industries of food, restaurants, and tourism. Every business on Earth will feel the effects of global warming, but only the ski industry—which appears doomed in its current form—is more visibly targeted by the hot, erratic weather that lies in store over the next 50 years. In France, the rise in temperatures may render the Champagne region too hot to produce fine champagne. The same is true for the legendary reds of Châteauneuf du Pape, where the stony white soil’s ability to retain heat, once considered a virtue, may now become a curse. The world’s other major wine-producing regions—California, Italy, Spain, Australia—are also at risk.

If current trends continue, the “premium wine grape production area [in the United States] … could decline by up to 81 percent by the late 21st century,” a team of scientists wrote in a study published in the Proceedings of the National Academy of Sciences in 2006. The culprit was not so much the rise in average temperatures but an increased frequency of extremely hot days, defined as above 35 degrees Celsius (95 degrees Fahrenheit). If no adaptation measures were taken, these increased heat spikes would “eliminate wine grape production in many areas of the United States,” the scientists wrote.

In theory, winemakers can defuse the threat by simply shifting production to more congenial locations. Indeed, Champagne grapes have already been planted in England and some respectable vintages harvested. But there are limits to this strategy. After all, temperature is not the sole determinant of a wine’s taste. What the French call terroir—a term that refers to the soil of a given region but also includes the cultural knowledge of the people who grow and process grapes—is crucial. “Wine is tied to place more than any other form of agriculture, in the sense that the names of the place are on the bottle,” says David Graves, the co-founder of the Saintsbury wine company in the Napa Valley. “If traditional sugar-beet growing regions in eastern Colorado had to move north, nobody would care. But if wine grapes can’t grow in the Napa Valley anymore—which is an extreme statement, but let’s say so for the sake of argument—suddenly you have a global warming poster child right up there with the polar bears.”

A handful of climate-savvy winemakers such as Graves are trying to rouse their colleagues to action before it is too late, but to little avail. Indeed, some winemakers are actually rejoicing in the higher temperatures of recent years. “Some of the most expensive wines in Spain come from the Rioja Alta and Rioja Alavesa regions,” Pancho Campo, the founder and president of the Wine Academy of Spain, says. “They are getting almost perfect ripeness every year now for Tempranillo. This makes the winemakers say, ‘Who cares about climate change? We are getting perfect vintages.’ The same thing has happened in Bordeaux. It is very difficult to tell someone, ‘This is only going to be the case for another few years.’ “

The irony is, the wine business is better situated than most to adapt to global warming. Many of the people in the industry followed in their parents’ footsteps and hope to pass the business on to their kids and grandkids someday. This should lead them to think further ahead than the average corporation, with its obsessive focus on this quarter’s financial results. But I found little evidence this is happening.

The exception: Alois Lageder’s family has made wine in Alto Adige, the northernmost province in Italy, since 1855. The setting, at the foot of the Alps, is majestic. Looming over the vines are massive outcroppings of black and gray granite interspersed with flower-strewn meadows and wooded hills that inevitably call to mind The Sound of Music. Locals admire Lageder for having led Alto Adige’s evolution from producing jug wine to boasting some of the best whites in Italy. In October 2005, Lageder hosted the world’s first conference on the future of wine under climate change. “We must recognize that climate change is not a problem of the future,” Lageder told his colleagues. “It is here today and we must adapt now.”

As it happens, Alto Adige is the location of one of the most dramatic expressions of modern global warming: the discovery of the so-called Iceman—the frozen remains of a herder who lived in the region 5,300 years ago. The corpse was found in 1991 in a mountain gully, almost perfectly preserved—even the skin was intact—because it had lain beneath mounds of snow and ice since shortly after his death (a murder, forensic investigators later concluded from studying the trajectory of an arrowhead lodged in his left shoulder). He would not have been found were it not for global warming, says Hans Glauber, the director of the Alto Adige Ecological Institute: “Temperatures have been rising in the Alps about twice as fast as in the rest of the world,” he notes.

Lageder heard about global warming in the early 1990s and felt compelled to take action. It wasn’t easy—”I had incredible fights with my architect about wanting good insulation,” he says—but by 1996 he had installed the first completely privately financed solar-energy system in Italy. He added a geothermal energy system as well. Care was taken to integrate these cutting-edge technologies into the existing site; during a tour, I emerged from a dark fermentation cellar with its own wind turbine into the bright sunlight of a gorgeous courtyard dating to the 15th century. Going green did make the renovation cost 30 percent more, Lageder says, “but that just means there is a slightly longer amortization period. In fact, we made up the cost difference through increased revenue, because when people heard about what we were doing, they came to see it and they ended up buying our wines.”

The record summer heat that struck Italy and the rest of Europe in 2003, killing tens of thousands, made Lageder even more alarmed. “When I was a kid, the harvest was always after Nov. 1, which was a cardinal date,” he told me. “Nowadays, we start between the 5th and 10th of September and finish in October.” Excess heat raises the sugar level of grapes to potentially ruinous levels. Too much sugar can result in wine that is unbalanced and too alcoholic—wine known as “cooked” or “jammy.” Higher temperatures may also increase the risk of pests and parasites, because fewer will die off during the winter. White wines, whose skins are less tolerant of heat, face particular difficulties as global warming intensifies. “In 2003, we ended up with wines that had between 14 and 16 percent alcohol,” Lageder recalled, “whereas normally they are between 12 and 14 percent. The character of our wine was changing.”

A 2 percent increase in alcohol may sound like a tiny difference, but the effect on a wine’s character and potency is considerable. “In California, your style of wine is bigger, with alcohol levels of 14 and 15, even 16 percent,” Lageder continued. “I like some of those wines a lot. But the alcohol level is so high that you have one glass and then”—he slashed his hand across his throat—”you’re done; any more and you will be drunk. In Europe, we prefer to drink wine throughout the evening, so we favor wines with less alcohol. Very hot weather makes that harder to achieve.”

There are tricks grape growers and winemakers can use to lower alcohol levels. The leaves surrounding the grapes can be allowed to grow bushier, providing more shade. Vines can be replaced with different clones or rootstocks. Growing grapes at higher altitudes, where the air is cooler, is another option. So is changing the type of grapes being grown.

But laws and cultural traditions currently stand in the way of such adaptations. So-called AOC laws (Appellation d’Origine Côntrollée) govern wine-grape production throughout France, and in parts of Italy and Spain, as well. As temperatures rise further, these AOC laws and kindred regulations are certain to face increased challenge. “I was just in Burgundy,” Pancho Campo told me in March 2008, “and producers there are very concerned, because they know that chardonnay and pinot noir are cool-weather wines, and climate change is bringing totally the contrary. Some of the producers were even considering starting to study Syrah and other varieties. At the moment, they are not allowed to plant other grapes, but these are questions people are asking.”

The greatest resistance, however, may come from the industry itself. “Some of my colleagues may admire my views on this subject, but few have done much,” says Lageder. “People are trying to push the problem away, saying, ‘Let’s do our job today and wait and see in the future if climate change becomes a real problem.’ But by then it will be too late to save ourselves.”

If the wine industry does not adapt to climate change, life will go on—with less conviviality and pleasure, perhaps, but it will go on. Fine wine will still be produced, most likely by early adapters such as Lageder, but there will be less of it. By the law of supply and demand, that suggests the best wines of tomorrow will cost even more than the ridiculous amounts they fetch today. White wine may well disappear from some regions. Climate-sensitive reds such as pinot noir are also in trouble. It’s not too late for winemakers to save themselves through adaptation. But it’s disconcerting to see so much dawdling in an industry with so much incentive to act. If winemakers aren’t motivated to adapt to climate change, what businesses will be?

The answer seems to be very few. Even in Britain, where the government is vigorously championing adaptation, the private sector lags in understanding the adaptation imperative, much less implementing it. “I bet if I rang up 100 small businesses in the U.K. and mentioned adaptation, 90 of them wouldn’t know what I was talking about,” says Gareth Williams, who works with the organization Business in the Community, helping firms in northeast England prepare for the storms and other extreme weather events that scientists project for the region. “When I started this job, I gave a presentation to heads of businesses,” said Williams, who spent most of his career in the private sector. “I presented the case for adaptation, and in the question-and-answer period, one executive said, ‘We’re doing quite a lot on adaptation already.’ I said, ‘Oh, what’s that?’ He said, ‘We’re recycling, and we’re looking at improving our energy efficiency.’ I thought to myself, ‘Oh, my, he really didn’t get it at all. This is going to be a struggle.’ “

“Most of us are not very good at recognizing our risks until we are hit by them,” explains Chris West, the director of the U.K. government’s Climate Impact Program. “People who run companies are no different.” Before joining UKCIP in 1999, West had spent most of his career working to protect endangered species. Now, the species he is trying to save is his own, and the insights of a zoologist turn out to be quite useful. Adapting to changing circumstances is, after all, the essence of evolution—and of success in the modern economic marketplace. West is fond of quoting Darwin: “It is not the strongest of the species that survives … nor the most intelligent that survives. It is the one that is the most adaptable to change.”

This story comes from the Climate Desk collaboration.

Article URL: http://www.slate.com/id/2251870/

>Quando é melhor ter sotaque estrangeiro

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Accented teachers may be better for English language learners: study

By Valerie Strauss – The Answer Sheet
The Washington Post, May 5, 2010

A new study on how well students learn second languages from teachers with accents suggests that Arizona may be making a mistake by trying to remove heavily accented Hispanic teachers from classrooms filled with Hispanics trying to learn English.

School districts in Arizona are under orders from the state Department of Education to remove teachers who speak English with a very heavy accent (and/or whose speech is ungrammatical) from classrooms with students who are learning to speak English. Officials say they want students who don’t know much English to have teachers who can best model how to speak the language.

I wrote the other day about the difficulties in determining just how deep an accent has to be to be considered a problem, but here’s another side of the issue.

According to a new research study conducted in Israel, students learn a second language better from a teacher who speaks in the same accent as they do.

The study, published in the Journal of Psycholinguistic Research, said that students learning from a teacher with the same accent have an easier time understanding the material. They don’t have to spend time trying to understand the English in a different accent.

According to one of the report’s co-authors, Psychology Professor Zohar Eviatar, the concentration a student would have to summon to understand English in a different accent is considerably greater than if the student were a native English speaker.

In Arizona, that would mean that Hispanic kids studying English would learn better from teachers with Spanish accents.

The research, conducted at the University of Haifa, has implications not just for second language acquisition, but for how well students learn new subjects, Eviatar said.

The study was performed by researchers from different backgrounds. Dr. Raphiq Ibrahim is an Israeli Arab with an Arabic accent; Dr. Mark Leikin hails from the former Soviet Union and speaks with a Russian accent; Eviatar is a fluently bilingual Hebrew-English speaker. The team was both personally and professionally curious to know more about the accent effect.

Here’s how the study was done:

Sixty participants from ages 18 to 26 were chosen: Twenty were native Hebrew speakers, 20 were from the former Soviet Union, and 20 were Israeli Arabs who had started learning Hebrew at about seven years of age.

Researchers made recordings of Hebrew phrases where the last word was recorded with one of four different accents: Hebrew, Arabic, Russian or English. The students were then tested to see how long it took for them to recognize the Hebrew word in one of the four accents.

They found, according to the Innovation News Service, that the Hebrew speakers could decipher Hebrew words adequately regardless of the accent in which they were spoken, while the Russian and Arabic speakers needed more time to understand the Hebrew words presented in an accent foreign to their own.

The researchers feel that additional research is needed to determine just how much extra effort is involved in the attempt to process both an unfamiliar accent as well as new material.

The study suggests that English taught to Mexican students as a second language, for example, can be taught just as well by a Mexican teacher speaking English, as by a native American who’s been speaking English since birth.

“If you are an Arab, you would understand English better if taught by a native Arab English teacher,” Eviatar believes, adding, “This research isn’t even just about learning language but can be expanded to any topic like math or geography.

“If you have a Spanish accent and your teacher has a Chinese accent it will be much harder for you to concentrate on your studies,” Eviatar continues. “It’s best to learn from a teacher who teaches with a majority accent – the accent of the language being spoken, or an accent like your own. If not, it’s an added burden for the student.”

Someone should give this study to Arizona education officials.

>História e arqueologia do mundo digital

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Site arqueológico

25 de abril de 2010 – 17h40
Por Heloisa Lupinacci
Estadão.com.br

Em 2001, o cientista Joseph Miller pediu à Nasa dados coletados pela sonda Viking em Marte nos anos 70. A Nasa achou as fitas, mas os dados gravados ali não puderam ser abertos. O software que os lia não existia mais, e, como disse Miller à época à agência de notícias Reuters, os técnicos que conheciam o formato estavam todos mortos.

Essa é uma história. Há muitas outras. Parte do conhecimento produzido de maneira digital já era. De dados científicos a modinhas da internet. “Temos poucos serviços de preservação da história da cultura digital e muito conteúdo já se perdeu ao longo dos últimos anos”, diz Roberto Taddei, coordenador do Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, que discutirá o tema em São Paulo de hoje até quinta.

Decifra-me ou… Se um pergaminho pode ser desenrolado por qualquer pessoa, um cartão perfurado, bisavô do disquete, não se deixa abrir facilmente. Carlos Augusto Ditadi, da Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos do Conselho Nacional de Arquivo (CONARQ, que já cuida de parte patrimônio digital do País), dá a medida da encrenca: “o disco depende do driver, que depende do computador, que depende do software, que depende do sistema operacional: isso se chama interdependência”. Some a essa equação o fato de computadores ficarem obsoletos, programas saírem de linha e linguagens caírem em desuso: o cartão perfurável fica tão indecifrável quanto hieróglifos egípcios.

A preocupação com o patrimônio digital é recente. Em 2002, foi apresentada pela Unesco a Carta pela Preservação do Patrimônio Digital. Diz o documento: “Muitas dessas fontes têm valor e relevância duradouros e, assim, constituem um patrimônio a ser preservado”. A organização criou o órgão E-Heritage, dedicado, sobretudo, à conscientização de governos e à capacitação de arquivistas. É um bom começo, mas o patrimônio digital tem lá seus obstáculos específicos.

A interdependência é um deles. E, nesse caso, uma das melhores soluções veio de um jeito que é a cara da web: dos usuários. “A primeira geração de gamers percebeu, nos anos 90, que não tinha mais acesso a jogos da infância. Eles foram os primeiros a usar emuladores, que sempre existiram, como ferramentas de preservação. Graças a eles há emuladores para quase qualquer plataforma computacional”, diz Andreas Lange, diretor do Museu de Jogos de Computador, em Berlim, que tenta evitar o desaparecimento de games. O emulador é um programa que recria qualquer ambiente de computador: softwares extintos, consoles não mais fabricados, etc.

…devoro-te. Outro desafio evidente é o volume. Em 2009, de acordo com o Instituto de Pesquisas IDC, a humanidade produziu 750 bilhões de GB de informação. Como escolher o que preservar? “Não fazemos nenhuma seleção. Tentamos fazer o registro mais exaustivo. Arquivamos tudo o que encontramos sob o domínio .pt”, diz Daniel Gomes, coordenador do projeto Arquivo da Web Portuguesa. A declaração da Unesco sugere: “Os principais critérios devem ser significância e durabilidade (cultural, científica). Materiais ‘nativos digitais’ devem ter prioridade”.

Decidido o que guardar, falta definir como guardar e arrumar dinheiro para isso. Duas questões nada simples. Segundo Ditadi, o site é das coisas mais difíceis de preservar. “Ele deve permanecer navegável, mas como garantir os links? E eles levam a coisas protegidas por direitos autorais. É um registro muito dinâmico.” E o armazenamento custa caro. É preciso fazer uma cópia no formato nativo, chamada cópia de testemunho, que é a garantia de que aquele documento é real. Então, é feita a versão de preservação, em uma extensão mais duradoura – quase sempre um formato aberto, baseado em software livre. Daí, grava-se a cópia de acesso, aquela que fica disponível para consulta. Multiplique, portanto, tudo por três.

Por essas e outras, muitas vezes a memória da web é preservada justo por quem a alimenta. De novo, o usuário. Mas daí não há novidade. “Muitas bibliotecas foram montadas por usuários e depois doadas a instituições ou bibliotecas”, lembra Taddei.

* Visite os marcos: Parceria firmada entre Google e Unesco colocará todos os 890 sítios tombados pelo órgão no Google Earth e no Maps. O Street View permite a ‘visita’ em 19 patrimônios da humanidade.

* Histórico e natural: A Unesco divide o patrimônio da humanidade em duas categorias, o patrimônio histórico e o patrimônio natural. Há sítios mistos, tombados em ambas, como Ibiza, na Espanha.

* Patrimônio no Brasil: Há três esferas de tombamento histórico no Brasil, a municipal (na cidade de São Paulo é o Conpresp), a estadual (no Estado de São Paulo é o Condephaat) e a federal, o Iphan.

* Biblioteca de tweets: A coordenadora de mídias digitais da Biblioteca do Congresso dos EUA, que arquivará tweets, fala sobre a preservação de informações digitais na insituição.

* Biblioteca de tudo: A Wayback Machine, parte do Internet Archive que guarda sites, foi incorporada à Biblioteca de Alexandria após parceria com o E-Heritage. Para navegar pelo acervo, vá a Archive.org.

* Todos juntos: Comparando o fim do Geocities à destruição, pelo Taleban, dos budas de Bamyan, no Afeganistão, o holandês Jacques Matthei conclama todos a resgatá-lo em seu Reocities.com

>Navios roubam água dos rios da Amazônia – mito ou verdade?

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Erik von Farfan

Eco 21 – http://www.eco21.com.br
Ano XIV – nº 93 – Agosto – 2004

Depois de sofrer com a biopirataria, com o roubo de minérios e madeiras nobres, agora a Amazônia está enfrentando o tráfico de água doce. Uma nova modalidade de saque aos recursos naturais denominada hidropirataria. Cientistas e autoridades brasileiras foram informadas que navios petroleiros estão reabastecendo seus reservatórios no Rio Amazonas antes de sair das águas nacionais. Porém a falta de uma denúncia formal tem impedido a Agência Nacional de Águas (ANA), responsável por esse tipo de fiscalização, de atuar no caso.

Enquanto as grandes embarcações estrangeiras recriam a pirataria do Século 16, a burocracia impede o bloqueio desta nova forma de saque das riquezas nacionais.

Ivo Brasil, Diretor de Outorga, Cobrança e Fiscalização da Agência Nacional de Águas, sabe desta ação ilegal; contudo, aguarda uma denúncia oficial chegar à entidade para poder tomar as providências necessárias. “Só assim teremos condições legais para agir contra essa apropriação indevida”, afirmou.

O dirigente está preocupado com a situação. Precisa, porém, dos amparos legais para mobilizar tanto a Marinha como a Polícia Federal, que necessitam de comprovação do ato criminoso para promover uma operação na foz dos rios de toda a região amazônica próxima ao Oceano Atlântico. “Tenho ouvido comentários neste sentido, mas ainda nada foi formalizado”, observa.

A defesa das águas brasileiras está na Constituição Federal, no Artigo 20, que trata dos Bens da União. Em seu inciso III, a legislação determina que rios e quaisquer correntes de água no território nacional, inclusive o espaço do mar territorial, é pertencente à União.

Isto é complementado pela Lei 9.433/97, sobre Política Nacional de Recursos Hídricos, em seu Art. 1, inciso II, que estabelece ser a água um recurso limitado, dotado de valor econômico. E ainda determina que o poder público seja o responsável pela licença para uso dos recursos hídricos, “como derivação ou captação de parcela de água”. O gerente do Projeto Panamazônia, do INPE, o geólogo Paulo Roberto Martini, também tomou conhecimento do caso em conversa com técnicos de outros órgãos estatais. “Têm nos chegado diversas informações neste sentido, infelizmente sempre estão tirando irregularmente algo da Amazônia”, comentou o cientista, preocupado com o contrabando.

Os cálculos preliminares mostram que cada navio tem se abastecido com 250 milhões de litros. A ingerência estrangeira nos recursos naturais da região amazônica tem aumentado significativamente nos últimos anos.

Águas amazônicas

Seja por ação de empresas multinacionais, pesquisadores estrangeiros autônomos ou pelas missões religiosas internacionais. Mesmo com o Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM) ainda não foi possível conter os contrabandos e a interferência externa dentro da região.

A hidropirataria também é conhecida dos pesquisadores da Petrobras e de órgãos públicos estaduais do Amazonas. A informação deste novo crime chegou, de maneira não oficial, ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), órgão do governo local. “Uma mobilização até o local seria extremamente dispendiosa e necessitaríamos do auxílio tanto de outros órgãos como da comunidade para coibir essa prática”, reafirmou Ivo Brasil. A captação é feita pelos petroleiros na foz do rio ou já dentro do curso de água doce. Somente o local do deságüe do Amazonas no Atlântico tem 320 km de extensão e fica dentro do território do Amapá. Neste lugar, a profundidade média é em torno de 50 m, o que suportaria o trânsito de um grande navio cargueiro. O contrabando é facilitado pela ausência de fiscalização na área.

Essa água, apesar de conter uma gama residual imensa e a maior parte de origem mineral, pode ser facilmente tratada. Para empresas engarrafadoras, tanto da Europa como do Oriente Médio, trabalhar com essa água mesmo no estado bruto representaria uma grande economia. O custo por litro tratado seria muito inferior aos processos de dessalinizar águas subterrâneas ou oceânicas. Além de livrar-se do pagamento das altas taxas de utilização das águas de superfície existentes, principalmente, dos rios europeus.

As águas salinizadas estão presentes no subsolo de vários países do Oriente Médio, como a Arábia Saudita, Kuwait e Israel. Eles praticamente só dispõem desta fonte para seus abastecimentos. O Brasil importa desta região cerca de 5% de todo o petróleo que será convertido para gasolina e outros derivados considerados de densidade leve. Esse procedimento de retirada do sal é feito por osmose reversa, algo extremamente caro.

Na dessalinização é gasto US$ 1,50 por metro cúbico e US$ 0,80 com o mesmo volume de água doce tratada.

Hidro ou biopirataria?

O diretor de operações da empresa Águas do Amazonas, o engenheiro Paulo Edgard Fiamenghi, trata as águas do Rio Negro, que abastece Manaus, por processos convencionais. E reconhece que esse procedimento seria de baixo custo para países com grandes dificuldades em obter água potável. “Levar água para se tratar no processo convencional é muito mais barato que o tratamento por osmose reversa”, comenta.

O avanço sobre as reservas hídricas do maior complexo ambiental do mundo, segundo os especialistas, pode ser o começo de um processo desastroso para a Amazônia. E isto surge num momento crítico, cujos esforços estão concentrados em reduzir a destruição da flora e da fauna, abrandando também a pressão internacional pela conservação dos ecossistemas locais.

Entretanto, no meio científico ninguém poderia supor que o manancial hídrico seria a próxima vítima da pirataria ambiental. Porém os pesquisadores brasileiros questionam o real interesse em se levar as águas amazônicas para outros continentes. O que suscita novamente o maior drama amazônico, o roubo de seus organismos vivos. “Podem estar levando água, peixes ou outras espécies e isto envolve diretamente a soberania dos países na região”, argumentou Martini.

A mesma linha de raciocínio é utilizada pelo professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade Federal do Paraná, Ary Haro. Para ele, o simples roubo de água doce está longe de ser vantajoso no aspecto econômico. “Como ainda é desconhecido, só podemos formular teorias e uma delas pode estar ligada ao contrabando de peixes ou mesmo de microorganismos”, observou.

Essa suposição também é tida como algo possível para Fiamenghi, pois o volume levado na nova modalidade, denominada “hidropirataria” seria relativamente pequeno. Um navio petroleiro armazenaria o equivalente a meio dia de água utilizada pela cidade de Manaus, de 1,5 milhão de habitantes. “Desconheço esse caso, mas podemos estar diante de outros interesses além de se levar apenas água doce”, comentou.

Segundo o pesquisador do INPE, a saturação dos recursos hídricos utilizáveis vem numa progressão mundial e a Amazônia é considerada a grande reserva do Planeta para os próximos mil anos. Pelos seus cálculos, 12% da água doce de superfície se encontram no território amazônico. “Essa é uma estimativa extremamente conservadora, há os que defendem 26% como o número mais preciso”, explicou.

Em todo o Planeta, dois terços são ocupado por oceanos, mares e rios. Porém, somente 3% desse volume são de água doce. Um índice baixo, que se torna ainda menor se for excluído o percentual encontrado no estado sólido, como nas geleiras polares e nos cumes das grandes cordilheiras. Contando ainda com as águas subterrâneas. Atualmente, na superfície do Planeta, a água em estado líquido, representa menos de 1% deste total disponível.

A previsão é que num período entre 100 e 150 anos, as guerras sejam motivadas pela detenção dos recursos hídricos utilizáveis no consumo humano e em suas diversas atividades, com a agricultura. Muito disto se daria pela quebra dos regimes de chuvas, causada pelo aquecimento global. Isto alteraria profundamente o cenário hidrológico mundial, trazendo estiagem mais longas, menores índices pluviométricos, além do degelo das reservas polares e das neves permanentes.

Sob esse aspecto, a Amazônia se transforma num local estratégico. Muito devido às suas características particulares, como o fato de ser a maior bacia existente na Terra e deter a mais complexa rede hidrográfica do planeta, com mais de mil afluentes. Diante deste quadro, a conclusão é óbvia: a sobrevivência da biodiversidade mundial passa pela preservação desta reserva.

Mas a importância deste reduto natural poderá ser, num futuro próximo, sinônimo de riscos à soberania dos territórios panamazônicos. O que significa dizer que o Brasil seria um alvo prioritário numa eventual tentativa de se internacionalizar esses recursos, como já ocorre no caso das patentes de produtos derivados de espécies amazônicas. Pois 63,88% das águas que formam o rio se encontram dentro dos limites nacionais.

Esse potencial conflito é algo que projetos como o Sistema de Vigilância da Amazônia procuram minimizar. Outro aspecto a ser contornado é a falta de monitoramento da foz do rio. A cobertura de nuvens em toda Amazônia é intensa e os satélites de sensoriamento remoto não conseguem obter imagens do local. Já os satélites de captação de imagens via radar, que conseguiriam furar o bloqueio das nuvens e detectar os navios, estão operando mais ao norte.

As águas amazônicas representam 68% de todo volume hídrico existente no Brasil. E sua importância para o futuro da humanidade é fundamental. Entre 1970 e 1995 a quantidade de água disponível para cada habitante do mundo caiu 37% em todo mundo, e atualmente cerca de 1,4 bilhão de pessoas não têm acesso a água limpa. Segundo a Water World Vision, somente o Rio Amazonas e o Congo podem ser qualificados como limpos.

* * *

O professor José Nilson Campos, da UFC, me mandou o seguinte comentário, baseado em questionamentos meus sobre o tema:

“Vou fazer um pequeno relato. Deveria ter sido feito há algum tempo, porém agora vou aproveitar o requentamento do assunto.

Quando presidente da ABRH (1993-1995) fui convidado a proferir uma palestra em Santarém, onde há um grupo bem atuante e interessado nas questões da água e do meio ambiente da Amazônia. Havia na grande platéia com pessoas de diversas visões da questão ambiental e hídrica.

Nos debates um participante comentou que havia registros de que navios estrangeiros estavam “pirateando” água da Amazônia e perguntou minha opinião sobre o assunto. Respondi que não poderia informar sobre a veracidade ou não da informação mas que, no atual momento (1994) os custos de transportar água em navios da Amazônia para a Europa ou Estados Unidos seriam bem maiores do que conseguir água por outros meios alternativos (…).

Na Platéia havia um comandante da Marinha Mercante Brasileira que comentou que não podia precisar a veracidade, porém havia situações nas quais os navios precisavam fazer lastro (colocar peso) e que a água doce era uma alternativa. Para mim, aquela afirmação vindo de um Comandante da Marinha era bastante convincente e a aceitei como verdadeira.

Esse é um relato. Não significa que eu não acredite que haja entre as grandes potências econômicas mundiais grupos que pratiquem algum tipo de pirataria. Na bio pirataria da Amazônia eu acredito, na hidro pirataria ainda não.

Saudações a todos.”

>Militares pedem ao STF a punição dos torturadores

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15/04/2010 – 10h04

Por Redação Agência Carta Maior

Grupo de militares que não apoiaram o golpe de 1964, e por isso foram punidos, consideram que “os crimes comuns e de tortura praticados pelos agentes do Estado e da Repressão durante o regime militar brasileiro são atos absolutamente nulos e impassíveis também de anistia”. Os postulantes usam argumentos com base na legislação nacional e internacional para afirmar que a Lei da Anistia não a não pode provocar um esquecimento artificial dos fatos ocorridos. STF adia julgamento sobre o caso que estava marcado para esta quarta-feira.

O Major Brigadeiro Rui Moreira Lima – um dos três heróis de guerra remanescentes da Força Expedicionária Brasileira combatente do nazi-fascismo, durante a II Guerra Mundial – protocolou segunda-feira (12), no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que a lei de Anistia não abarque os crimes de tortura. O documento, assinado pelo Brigadeiro como presidente da Associação Democrática e Nacionalista de Militares (ADNAM), afirma:

“Pede-se a este Pretório Excelso uma interpretação da Lei 6.683/79 conforme a Constituição de tal modo que a anistia concedida pela referida lei aos crimes políticos e conexos não abarque os crimes comuns praticados pelos agentes repressores da oposição ao regime militar à época vigente (1964/1985), devendo, assim, a presente ADPF ser julgada integralmente procedente.”

A petição, protocolada pelos militares, requer ingresso, como amicus curiae na ação de Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil. A ação da OAB questiona quais tipos de violação podem ser classificadas como crimes comuns e quais continuam a ser entendidos como ações políticas, – o que as enquadra dentro da Lei de Anistia. A lei concede perdão a todos os envolvidos com crimes políticos entre 1961 e 1979. Com quase dois anos de atraso, foi marcado, de forma repentina, para quarta-feira (14), o julgamento da referida ação pelo STF. Esse julgamento foi adiado nesta terça-feira (ver abaixo).

Segundo a petição assinada por Moreira Lima, “anistia não pode significar que atos de terror cometidos pelo Estado através de seus agentes e que ensejaram verdadeiros crimes contra a humanidade não possam ser revistos”. A Associação Democrática e Nacionalista de Militares congrega militares das três forças armadas, policiais militares e corpos de bombeiros que se comprometem com a manutenção da democracia no país e lutam pela preservação do patrimônio nacional. A ADNAM visa também a promoção e a defesa dos direitos dos seus associados nas esferas executiva, legislativa e judiciária e dos militares punidos com fundamento nos Atos Institucionais e complementares ou outros diplomas legais emitidos durante o período de 1964-1985, sob o qual o país foi governado por sucessivos governos militares.

Na peça jurídica de 26 páginas os militares que não apoiaram o golpe de 1964, e por isso foram punidos, consideram que “os crimes comuns e de tortura praticados pelos agentes do Estado e da Repressão durante o regime militar brasileiro são atos absolutamente nulos e impassíveis também de anistia”. Os postulantes usam argumentos com base na legislação nacional e internacional para afirmar que:

“Anistia não é esquecimento. (…) A Lei de Anistia não pode provocar um esquecimento artificial dos fatos ocorridos. (…) Anistia não é perdão. (…) A questão que se coloca, é se a Lei da Anistia significa o auto-perdão, ou seja, o Estado na condição de perpetrador da violência deve ser por ele mesmo perdoado? Se anistia não se confunde com perdão, muito menos pode significar auto-perdão”.

Sobre a alegação de que a anistia foi um pacto político, escrevem os militares:

“Não se pode justificar o Estado Democrático de Direito atual sob o esquecimento e negação da violação de direitos perpetrada pelo regime militar. Não há acordo, pacificação, reconciliação, perdão e/ou reconstrução se a uma das partes é vedada o conhecimento do que efetivamente se passou e quem foram os responsáveis”.

Julgamento adiado
A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 153, que contesta a Lei da Anistia (Lei nº 6.683/79), não entrará na pauta da sessão ordinária desta quarta-feira (14) como estava previsto. Embora haja o quórum mínimo exigido para análise de matéria constitucional (oito ministros), a Presidência do STF decidiu adiar o julgamento alegando que “a importância e complexidade da questão recomendam a análise do processo com quórum completo”. Ainda não há previsão acerca da nova data para julgamento do processo.

A norma, que completou 30 anos em agosto de 2009, é questionada na Suprema Corte pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O relator da ADPF é o ministro Eros Grau. A OAB contesta o artigo 1º da Lei da Anistia, defendendo uma interpretação mais clara quanto ao que foi considerado como perdão aos crimes conexos “de qualquer natureza” quando relacionados aos crimes políticos ou praticados por motivação política.

Segundo a OAB, a lei “estende a anistia a classes absolutamente indefinidas de crime” e, nesse contexto, a anistia não deveria alcançar os autores de crimes comuns praticados por agentes públicos acusados de homicídio, abuso de autoridade, lesões corporais, desaparecimento forçado, estupro e atentado violento ao pudor, contra opositores ao regime político da época.

Com informações do STF e da Comissão de Anistia.

>Weathermen, and other climate change skeptics (The New Yorker)

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Comment
Up in the Air

by Elizabeth Kolbert – April 12, 2010

Joe Bastardi, who goes by the title “expert senior forecaster” at AccuWeather, has a modest proposal. Virtually every major scientific body in the world has concluded that the planet is warming, and that greenhouse-gas emissions are the main cause. Bastardi, who holds a bachelor’s degree in meteorology, disagrees. His theory, which mixes volcanism, sunspots, and a sea-temperature trend known as the Pacific Decadal Oscillation, is that the earth is actually cooling. Why don’t we just wait twenty or thirty years, he proposes, and see who’s right? This is “the greatest lab experiment ever,” he said recently on Bill O’Reilly’s Fox News show.

Bastardi’s position is ridiculous (which is no doubt why he’s often asked to air it on Fox News). Yet there it was on the front page of the Times last week. Among weathermen, it turns out, views like Bastardi’s are typical. A survey released by researchers at George Mason University found that more than a quarter of television weathercasters agree with the statement “Global warming is a scam,” and nearly two-thirds believe that, if warming is occurring, it is caused “mostly by natural changes.” (The survey also found that more than eighty per cent of weathercasters don’t trust “mainstream news media sources,” though they are presumably included in this category.)

Why, with global warming, is it always one step forward, two, maybe three steps back? A year ago, it looked as if the so-called climate debate might finally be over, and the business of actually addressing the problem about to begin. In April, the Obama Administration designated CO2 a dangerous pollutant, thus taking the first critical step toward regulating carbon emissions. The following month, the Administration announced new fuel-efficiency standards for cars. (These rules were finalized last week.) In June, the House of Representatives passed a bill, named for its co-sponsors, Edward Markey and Henry Waxman, that called for reducing emissions seventeen per cent by 2020. Speaking in September at the United Nations, the President said that a “new era” had dawned. “We understand the gravity of the climate threat,” he declared. “We are determined to act.”

Then, much like the Arctic ice cap, that “new era” started to fall to pieces. The U.N. climate summit in Copenhagen in December broke up without agreement even on a possible outline for a future treaty. A Senate version of the Markey-Waxman bill failed to materialize and, it’s now clear, won’t be materializing anytime this year. (Indeed, the one thing that seems certain not to be in a Senate energy bill is the economy-wide emissions reduction required by the House bill.) Last week, despite the Senate’s inaction, President Obama announced that he was opening huge swaths of the Atlantic and Alaskan coasts to oil drilling. The White House billed the move as part of a “comprehensive energy strategy,” a characterization that, as many commentators pointed out, made no sense, since comprehensiveness is precisely what the President’s strategy lacks. As Josh Nelson put it on the blog EnviroKnow, “Obama is either an exceptionally bad negotiator, or he actually believes in some truly awful policy ideas. Neither of these possibilities bodes well.”

As lawmakers dither, public support for action melts away. In a Gallup poll taken last month, forty-eight per cent of respondents said that they believe the threat of global warming to be “generally exaggerated.” This figure was up from thirty-five per cent just two years ago. According to the same poll, only fifty-two per cent of Americans believe that “most scientists believe that global warming is occurring,” down from sixty-five per cent in 2008.

The most immediate explanation for this disturbing trend is the mess that’s come to be known as Climategate. Here the situation is the reverse of what’s going on in the troposphere: Climategate really is a hyped-up media phenomenon. Late last year, hackers broke into the computer system at the Climatic Research Unit of Britain’s University of East Anglia and posted online hundreds of private e-mails from scientists. In the e-mails, C.R.U. researchers often express irritation with their critics—the death of one detractor is described as “cheering news”—and discuss ways to dodge a slew of what they consider to be nuisance Freedom of Information requests. The e-mails were widely portrayed in the press and in the blogosphere as evidence of a conspiracy to misrepresent the data. But, as a parliamentary committee appointed to investigate the matter concluded last week, this charge is so off base that it is difficult even to respond to: “Insofar as the committee was able to consider accusations of dishonesty against CRU, the committee considers that there is no case to answer.”

The e-mail brouhaha was followed by—and immediately confused with—another overblown controversy, about a mistake in the second volume of the U.N. Intergovernmental Panel on Climate Change’s Fourth Assessment Report, from 2007. On page 493 of the nine-hundred-and-seventy-six-page document, it is asserted, incorrectly, that the Himalayan glaciers could disappear by 2035. (The report cites as a source for this erroneous information a report by the World Wildlife Fund.) The screw-up, which was soon acknowledged by the I.P.C.C. and the W.W.F., was somehow transformed by commentators into a reason to doubt everything in the three-volume assessment, including, by implication, the basic laws of thermodynamics. The “new scandal (already awarded the unimaginative name of ‘Glaciergate’) raises further challenges for a scientific theory that is steadily losing credibility,” James Heiser wrote on the Web site of the right-wing magazine New American.

No one has ever offered a plausible account of why thousands of scientists at hundreds of universities in dozens of countries would bother to engineer a climate hoax. Nor has anyone been able to explain why Mother Nature would keep playing along; despite what it might have felt like in the Northeast these past few months, globally it was one of the warmest winters on record.

The message from scientists at this point couldn’t be clearer: the world’s emissions trajectory is extremely dangerous. Goofball weathermen, Climategate, conspiracy theories—these are all a distraction from what’s really happening. Which, apparently, is what we’re looking for. ♦

Read more: http://www.newyorker.com/talk/comment/2010/04/12/100412taco_talk_kolbert#ixzz0lBqmFCnu

>A tragédia no Rio e o jornalismo participativo

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Leitores dão show de jornalismo

Por Larissa Morais, do Observatório da Imprensa
Envolverde/Observatório da Imprensa – 08/04/2010 – 11h04

O dia em que o Rio de Janeiro parou, submerso por chuvas de abril, entra para a história do jornalismo brasileiro como marco da participação dos leitores no noticiário. No fim da manhã, enquanto muitos jornalistas ainda tentavam chegar às redações, ilhados como tantos cariocas, sites de notícias já veiculavam fotos, vídeos amadores e depoimentos de cidadãos registrando o caos instalado em toda a cidade.

A força desse conteúdo levou ao noticiário áreas da cidade normalmente esquecidas pela grande imprensa: Pavuna, Olaria, Rocha Miranda, Niterói e São Gonçalo, entre outras. Sim, no dia em que a Lagoa Rodrigo de Freitas transbordou, Rocha Miranda teve um lugar na cobertura.

O site do Globo, que desde 2006 vem apostando no jornalismo participativo, inovou ao produzir, com a ajuda dos leitores, um mapa da devastação na cidade. A equipe de arte apontou no Google Maps pontos de alagamento, locais de acúmulo de lixo e lama, pontos de deslizamento e postos de doação. Navegando pelo mapa, era possível ter acesso a fotos e indicações de leitores e/ou jornalistas “da casa”. Dicas como “nessa rua a queda de uma árvore bloqueia a passagem de automóveis”, com a indicação do horário de envio ou atualização da informação.

Outro padrão

O Twitter do blog de Ricardo Noblat ganhou na terça-feira (7/4) 390 novos seguidores graças à rede informativa que criou para a troca de informações sobre as conseqüências das chuvas. Das centenas informações que chegaram, nenhuma estava errada – o que, nas palavras de Noblat, “derruba a idéia cultivada por muitos jornalistas de que leitores não jornalistas carecem de compromisso com a veracidade do que relatam”.

O G1 se destacou em relação ao outros sites pelo excelente aproveitamento dos vídeos produzidos pelos leitores (esclareço que nesse termo incluo também internautas, espectadores, ouvintes e quem mais vier). Ao fim do dia, o portal da TV Globo havia colocado no ar mais de 70 vídeos e 60 fotos de leitores – material claramente selecionado mais por seu valor informativo do que por sua qualidade técnica.

Foi curioso ver tantos vídeos tremidos, escuros e com som ruim no site da emissora conhecida internacionalmente pela alta qualidade técnica de seus produtos jornalísticos e de entretenimento. A produção dos leitores ficou ali, lado a lado com as imagens produzidas pela equipe da Globo. O “ibope” dos leitores foi tamanho que parte do material foi aproveitada em uma longa matéria levada ao ar no mais tradicional dos telejornais brasileiros, o Jornal Nacional.

O JN aproveitou flagrantes como o do motociclista que perdeu a moto em uma cratera sob a águas. De seus celulares e câmeras amadoras, os leitores deram conta de mostrar o que não era possível para uma única emissora ou site, simplesmente porque não havia como distribuir equipe em tantos lugares num espaço tão curto de tempo. A capilaridade que os cidadãos deram ao noticiário pesou mais do que o fato de seus registros fugirem a um padrão estético vigente.

Quem arrisca?

Acredito que a maior participação do público no noticiário já está alterando, e vai alterar ainda mais, a estética e as práticas produtivas do jornalismo mainstream, e o episódio de terça-feira reforça essa impressão. Vejo, por exemplo, a tendência a uma maior valorização do flagrante em relação ao pautado, e das narrações espontâneas – nas quais caibam as tensões do momento – em relação às roteirizadas. Ganham força ainda os relatos participativos dos leitores que fazem registros jornalísticos e dos jornalistas que se colocam como testemunhas dos acontecimentos, como os leitores.

Como fez na terça-feira o jornalista e apresentador Márcio Gomes, que deixou sua casa, na Fonte da Saudade, rumo à TV Globo, no bairro vizinho do Jardim Botânico, com uma câmera amadora na mão e uma pauta na cabeça. No trajeto foi gravando imagens, colhendo depoimentos e narrando impressões do alagamento da cidade, num registro que misturou o estilo que vem ganhando força com os leitores com o modelo jornalístico da emissora na qual fez carreira. A matéria foi ao ar no RJ TV, telejornal que ancora, e, mais tarde, veiculada em rede no Jornal Nacional.

Quem ainda se arrisca a estabelecer fronteiras rígidas para o jornalismo de hoje?

© Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

>Limites incertos no desenvolvimento sexual

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Grupo de pesquisa paulista caracteriza 23 disfunções orgânicas do desenvolvimento sexual

Pesquisa FAPESP
Edição 170 – Abril 2010

Carlos Fioravanti

— Maria, você quer ser mulher ou homem?

A médica Berenice Bilharinho Mendonça, ao fazer essa pergunta, buscava uma informação importante para planejar o tratamento de Maria, então com 16 anos, naquele dia usando um vestido florido. Berenice já tinha reparado que Maria olhava constantemente para o chão para que o cabelo comprido encobrisse os pelos de barba do rosto. Os níveis do principal hormônio masculino, a testosterona, eram normais para um homem. Os genitais eram ao mesmo tempo masculinos e femininos, com predomínio do aspecto masculino. Diante da médica, em uma sala do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, Maria respondeu de modo evasivo, com voz grave e forte sotaque do interior de Minas Gerais:

— Ah. A senhora é que sabe.

Berenice conta que não soube o que fazer de imediato. Não poderia escolher por Maria. Como lhe parecia claro que Maria não se sentia bem como mulher, ela chamou a equipe com que trabalhava – Walter Bloise, Dorina Epps e Ivo Arnhold. Em conjunto, decidiram fazer o que não estava nos manuais de atendimento a pessoas com distúrbios do desenvolvimento sexual. Sugeriram que Maria morasse em São Paulo por um ano e vivesse como homem para ver com qual sexo se adaptava melhor à vida em sociedade.

Maria vestiu roupas masculinas pela primeira vez, ganhou outro nome – digamos, João –, saiu do hospital com o cabelo cortado e trabalhou em um emprego que a assistente social lhe arrumou. Maria gostou de ser João. No HC, desde aquela época uma referência nacional nessa área, Maria passou por uma cirurgia que corrigiu a ambiguidade dos genitais, tornando-os masculinos. Quando Maria nasceu, a parteira havia comentado que bebês como aquele morriam logo, mas João tem hoje 50 anos e, de acordo com as notícias mais recentes, vive bem no interior de Minas Gerais.

João sempre foi homem, do ponto de vista genético. Suas células contêm um cromossomo X e um Y, como todo homem – as mulheres têm dois cromossomos X –, além de 23 pares de cromossomos não ligados ao sexo. Por causa de uma falha em um gene em cromossomo não sexual, porém, seu organismo produz uma quantidade muito baixa da enzima 5-alfa-redutase tipo 2. Em consequência, seus genitais masculinos não tinham se formado por completo e se apresentavam com um aspecto feminino, o que fez com que fosse registrado como mulher.

Seu problema – hoje controlado, embora as células continuem com essa deficiência – expressa um dos 23 tipos de distúrbios de desenvolvimento sexual (DDS) cujas possíveis origens, evolução, sinais e tratamentos Berenice, Arnhold, Elaine Maria Frade Costa e Sorahia Domenice apresentaram no final de 2009 em um artigo publicado na revista Clinical Endocrinology. Reunindo os 30 anos de experiência do próprio grupo ao de outros do Brasil e de outros países, esse trabalho mostra como os defeitos genéticos podem gerar desvios metabólicos que ampliam ou reduzem a produção dos hormônios masculinos e induzem à formação de órgãos sexuais masculinos e femininos, parciais ou completos, em um mesmo indivíduo.

Os relatos que acompanham os diagnósticos normalmente chegam carregados de angústia de pais que nunca souberam dizer com certeza se o bebê que viram nascer era menino ou menina. Berenice lembra que saber o sexo de um recém-nascido é importante não só para responder a uma das primeiras perguntas que os pais ouvem depois que nasce o filho ou filha. É uma informação essencial para decidir que nome dar ao bebê e como tratar a criança, já que muitos adjetivos e substantivos da língua portuguesa têm gênero (masculino ou feminino), tudo isso contribuindo para definir a identidade psicológica das crianças.

Segundo ela, histórias de rejeição normalmente acompanham as crianças com ambiguidade sexual, antes pejorativamente chamadas de hermafroditas ou de pseudo-hermafroditas. O fato de apresentar genitais masculinos e femininos faz muitas meninas serem registradas e viver como meninos – e muitos meninos viverem como meninas. Confundir o sexo de recém-nascidos com ambiguidade sexual é fácil, porque “os genitais geralmente não são bem examinados ao nascimento e as meninas, principalmente as prematuras, muitas vezes apresentam um clitóris aparentemente hipertrofiado”, diz ela.

Genes situados nos cromossomos sexuais (X e Y) ou em qualquer outro dos 23 pares de cromossomos de uma célula humana normal podem apresentar defeitos – ou mutações – e causar um dos 23 tipos de DDS. Tais distúrbios representam um grupo heterogêneo de problemas, alertam Martine Cools, da Universidade de Gent, Bélgica, e três pesquisadores da Holanda em um estudo de maio de 2009 na revista World Journal of Pediatrics. Os mesmos defeitos genéticos podem levar a sinais e sintomas diferentes e, por outro lado, um quadro clínico similar pode resultar de genes diferentes. Em apenas um gene, o SRY, que atua apenas nos primeiros dias de vida intrauterina, podem ocorrer 53 alterações que prejudicam o desenvolvimento sexual. Outras mutações podem reduzir ou ampliar a produção dos hormônios esteroides sexuais, dos quais o mais importante é a testosterona, ou de compostos como o colesterol, um precursor desses hormônios.

Em um estudo de 2004, o grupo da USP apresentou 14 mutações em oito genes que impedem a produção de hormônios ligados ao desenvolvimento sexual. A médica Ana Claudia Latronico, â frente desse trabalho, associou cada mutação às respectivas manifestações externas, com base na avaliação de quase 400 crianças, adolescentes e adultos de todo o país e de países vizinhos atendidos na USP.

Sob a coordenação de Tânia Bachega e Guiomar Madureira, a equipe identificou 18 mutações – pelo menos quatro específicas da população brasileira – que podem levar à forma mais comum de distúrbio de desenvolvimento sexual, a hiperplasia adrenal congênita virilizante, caracterizada pelo desenvolvimento excessivo do clitóris, a ponto de assemelhar-se a um pênis.

Esse distúrbio do desenvolvimento sexual resulta de mutações no gene CYP21A2, localizado no cromossomo 21 (não sexual), que reduzem a produção da enzima 21-hidroxilase. Em consequência, as glândulas suprarrenais produzirão menos do que deveriam de um hormônio, o cortisol, e mais de outro, a testosterona. As meninas sofrem uma virilização dos genitais ao longo da vida uterina – nascem com o clitóris hipertrofiado e uma bolsa escrotal sem testículos recobrindo a vagina – e podem ser registradas como meninos quando a alteração não é identificada logo ao nascimento. Por causa de alterações nesse mesmo gene, os meninos podem apresentar uma forma de hiperplasia que não traz ambiguidade sexual, mas pode implicar uma perda intensa de sal, a ponto de causar lesões cerebrais ou morte por desidratação, caso não sejam tratados a tempo.

Uma em cada 15 mil pessoas tem ou deveria ter essa forma de hiperplasia, de acordo com estudos feitos na Europa ou na América do Norte. Os levantamentos no Brasil são raros. “A geneticista Elizabeth Silveira, co-orientada pela Tânia Bachega, examinou amostras de sangue de recém-nascidos coletadas no estado de Goiás, que faz rotineiramente o teste do pezinho para detectar a deficiência da 21-hidroxilase, e concluiu que a incidência de hiperplasia no Brasil por ano é de um caso para cada 10 mil nascidos vivos”, diz Berenice. Pelo menos 840 casos, portanto, deveriam ter sido diagnosticados nas universidades paulistas e de outros estados. O HC da USP, que deve ter acolhido o maior número de casos, só registrou 380.

“Os pais tendem a esconder ou a negar os distúrbios do desenvolvimento sexual dos filhos, porque reconhecer pode ser emocionalmente doloroso, e a maioria dos portadores de distúrbios de desenvolvimento sexuais só chega aqui quando já são adolescentes ou adultos”, diz Berenice. Em uma situação extrema, há menos de um ano ela atendeu uma mulher de 70 anos que apresentava ambiguidade sexual e só resolveu expor seu problema depois de a mãe, que não a deixava falar, ter morrido.

“Quanto mais cedo possível se fizer o diagnóstico e desfizer a ambiguidade sexual, melhor, de preferência antes dos 2 anos de idade, quando as crianças ainda não estabeleceram as noções de sexo e gênero”, diz a psicóloga Marlene Inácio, que acompanha as pessoas com ambiguidade sexual no HC há 28 anos. No início, ela conta, o diagnóstico que embasava o tratamento podia demorar de seis meses a um ano. “Hoje os resultados dos testes laboratoriais saem em uma semana”, diz.

Em sua tese de doutorado, Marlene reuniu os relatos de 151 pessoas com ambiguidade sexual atendidas no HC, das quais 96 são geneticamente homens (XY) e 55 geneticamente mulheres (XX), com idade entre 18 e 53 anos. Seu propósito, por meio de um questionário com 121 perguntas, era verificar como essas pessoas viveram durante a infância, adolescência e vida adulta, antes e depois de terem sido diagnosticadas e tratadas, e se conseguiram se adaptar do ponto de vista psíquico, social e sexual com o sexo que adotaram.

Marlene conclui que, de modo geral, estão bem. Muitas se casaram ou pretendem se casar. Os homens com ambiguidade sexual são estéreis, por causa da baixa fertilidade do líquido seminal ou por consequências da cirurgia corretiva, mas dois tiveram filhos, por meio de fertilização in vitro com seu próprio sêmen. De um grupo de 20 mulheres com uma das formas do distúrbio do desenvolvimento sexual 46,XY, 18 mudaram de sexo e hoje são homens.

É o caso de outra Maria, que veio do interior da Bahia há cerca de três anos. Tinha voz grossa de homem, ombros largos e braços fortes de tanto trabalhar na lavoura. Vivera até os 16 anos isolada em um quarto nos fundos da casa, com pouco contato com a família, e não sabia ler nem escrever. “Psicologicamente, era um homem, e preferiu ser homem porque precisava da força para se opor aos pais que a tinham feito viver como mulher”, conta Marlene. “Ela tinha clitóris grande, que, segundo ela, lhe dava prazer sexual, e queria ser mecânico.”

Em outro levantamento, Maria Helena Palma Sircili, uma das médicas do grupo, verificou que 90% das 65 pessoas com cariótipo 46,XY (geneticamente homens, mas socialmente mulheres) operadas de 1964 a 2008 no serviço de urologia do HC da USP estavam satisfeitas com o sexo que haviam adotado e haviam se ajustado à mudança; 69% das que optaram pelo sexo masculino e 29% das que preferiram o feminino estavam casadas. Esse estudo, a ser publicado no Journal of Urology, trouxe uma constatação que surpreendeu a própria equipe: a qualidade da atividade sexual não depende do tamanho do pênis.

Os homens que apresentavam ambiguidade sexual podem não ter os genitais tão desenvolvidos quanto os de outros homens – e não reclamaram. “Foi uma surpresa, porque os urologistas dizem que frequentemente os homens, mesmo sem distúrbios sexuais biológicos, reclamam do tamanho peniano”, diz Berenice. Marlene atribuiu esse resultado a uma satisfação maior com a identidade masculina do que simplesmente com as dimensões do pênis: “Nosso trabalho de aconselhamento psicológico propõe a exploração de outras possibilidades de satisfação sexual, erotizando o corpo todo, e não apenas os genitais”.

Esses resultados animam Berenice e sua equipe a entrar em novas situações. Uma delas foi planejada e está em andamento, sob a coordenação de Elaine: as pesquisas com um pequeno peixe de água doce, o paulistinha, também conhecido como zebrafish ou Danio rerio, com o qual pretendem examinar o surgimento de distúrbios sexuais do desenvolvimento. Outra situação foi inesperada: em um congresso realizado no ano passado nos Estados Unidos, Berenice recebeu o convite para participar de uma equipe de cinco assessores do Comitê Olímpico Internacional. Tinham de ajudar a resolver um problema difícil: uma corredora com ambiguidade sexual pode correr entre mulheres? A conclusão a que chegaram é que sim, “se essa corredora estiver sob tratamento, com níveis de testosterona normal para as mulheres”, diz Berenice. Outra proposta dos médicos para o Comitê Olímpico: “Não podemos impedir quem tem genitália ambígua de participar de qualquer modalidade esportiva”.

Esses estudos expressam um estilo de trabalho que valoriza a escolha dos pais de crianças com ambiguidade sexual ou dos próprios adultos com esses distúrbios. Dar voz aos pais implica o reconhecimento de expectativas frustradas com filhos que morreram ao nascer ou com meninas que chegaram no lugar imaginado para meninos. “Antes de o filho nascer, a mãe imagina o que o bebê vai ser; ele existe primeiro em sua mente”, diz a psicanalista Norma Lottenberg Semer, professora da Universidade Federal de São Paulo e membro associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. “O que os filhos serão, em termos sexuais e psíquicos, em parte reflete as fantasias, os sentimentos e os pensamentos dos pais.”

“As condutas de tratamento são estabelecidas em consenso entre os pais e a equipe multidisciplinar”, diz Berenice. Do diagnóstico, segundo ela, participam endocrinologistas, cirurgiões, clínicos, biólogos, psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais. “Quando não há consenso entre a orientação médica e o desejo dos pais, o desejo dos pais deve ser respeitado.”

Uma vez sua equipe tratou de uma menina recém-nascida, hoje com 11 anos, que apresentava hiperplasia adrenal congênita, com um clitóris semelhante a um pênis, e tinha sido registrada como menino. Segundo Marlene, os pais escolheram que ela seria homem e não aceitaram a orientação de mudança para o sexo social feminino porque já tinham duas filhas e desejavam um filho. A escolha resultou também de outra razão. “A mãe achava que ser mulher era sinônimo de sofrimento e convivia com a culpa, como o marido dizia, de ter tido uma criança anormal”, conta Marlene. Na cirurgia, os médicos removeram ovários e útero dessa Maria, que terá de tomar hormônio masculino por toda a vida adulta, já que seu organismo não o produz.

Quando são adultos, eles próprios escolhem que sexo querem manter. Foi assim que outra Maria com deficiência da enzima 5-alfa-redutase-2 apareceu lá com um lenço colorido cobrindo o cabelo curto, camisa masculina abotoada até o pescoço e sutiã com enchimento. Maria tinha se apaixonado por outra funcionária da casa em que trabalhava como empregada doméstica. No hospital, Maria vestiu-se como homem e gostou. Também adotou outro nome, Moacir. “Vimos essa transformação imediata, foi linda”, conta Marlene. “O sexo social de Moacir era feminino, mas o psíquico era masculino.” Segundo Marlene, Moacir está casado e feliz.

O diagnóstico para definição do sexo ou da ambiguidade sexual inclui sete itens. Alguns são biológicos, como os níveis de hormônios e as estruturas genitais externas e internas. Outros são subjetivos, como o sexo social – pelo qual um indivíduo é reconhecido por outras pessoas – e a identidade de gênero – se essa mesma pessoa se assume psiquicamente como homem ou como mulher. “A identidade de gênero é ser e ao mesmo tempo sentir-se homem ou mulher”, diz Marlene. Uma pessoa que apenas se sente homem ou mulher, sem nenhum distúrbio biológico nem a identidade sexual correspondente, pode apresentar transtorno psíquico de identidade de gênero.

Em uma dessas vertentes, o transexualismo, uma pessoa biologicamente normal tem a convicção de pertencer a outro sexo, sem aceitar seu próprio sexo. “O transexualismo não está associado a questões genéticas”, diz Norma. “É mais um problema de identidade do que de sexualidade.” São os homens que dizem que são mulheres em corpo de homem. O mais famoso transexual brasileiro, Roberta Close, depois de muitas cirurgias para tornar-se mulher, obteve em 2005 o direito de fazer outra certidão de nascimento, mudando o nome de Luís Roberto Gambine Moreira para Roberta Gambine Moreira e o gênero, de masculino para feminino.

O homossexualismo constitui outro universo distante dos distúrbios biológicos. Nesse caso, a identidade de gênero se mantém: são homens ou mulheres que se aceitam como homens ou mulheres e escolhem outros homens ou mulheres como objetos amorosos. Já nos travestis a identidade de sexo é estável, mas a de gênero é flutuante: os travestis sabem que são homens, mas podem às vezes se comportar como mulheres.

No hospital da USP, só depois do diagnóstico e da escolha do sexo a ser adotado é que a ambiguidade sexual pode ser desfeita, por meio de uma cirurgia de correção da genitália externa masculina ou feminina, seguida de reposição hormonal. “Não queremos apenas tratar e resolver, mas entender as causas de um problema, examinando os dados e a história pessoal de cada paciente, elaborando uma hipótese e, a partir daí, pedindo os exames”, diz Berenice. “Não adianta pedir exames e mais exames sem uma hipótese a ser investigada. Só investigamos os possíveis genes envolvidos em um problema depois de termos em mãos o diagnóstico hormonal. Se não, é caro e inútil.” Ela diz que não quer formar apenas médicos, mas investigadores médicos.

Foi o que se passou com ela. Berenice chegou ao Hospital do Servidor Público Estadual em 1972 para cursar o sexto ano do curso de medicina que havia feito até então na Universidade Federal do Triângulo Mineiro, em Uberaba, Minas Gerais. Voltou um ano depois para fazer residência médica no Hospital das Clínicas da USP e conheceu Walter Bloise, que na época cuidava dos então chamados casos de intersexo.

“Aprendi muito mais do que medicina com o doutor Bloise”, lembra ela. “Aprendi que temos de tratar esses problemas com simplicidade e com tranquilidade, como se fosse uma doença cardíaca ou um lábio leporino.”

Nessa época os testes de dosagem de hormônios eram feitos por meio das clínicas dos próprios médicos, quando possível, já que não havia um laboratório de endocrinologia no hospital. Um dia Antonio Barros de Ulhoa Cintra, o chefe anterior da endocrinologia que havia sido reitor da USP e presidente da FAPESP, cobrou-lhe a dosagem hormonal de um paciente. Ela respondeu:

— Como o senhor sabe, não dosamos hormônios aqui no hospital.

— Na minha época, eu andava com um tubo com sangue de paciente no bolso para dosar cálcio.

— Hoje só de hormônios são 30. Precisamos de um laboratório, doutor Cintra.

Emílio Matar, outro professor, soube da conversa e decidiu pela compra dos equipamentos de dosagem de hormônios. Bloise a incentivou: “Por que você não faz um laboratório?”. Ela fez, em colaboração com o professor Wilian Nicolau. Hoje os 80 funcionários e pesquisadores de sua equipe cuidam da dosagem de 60 hormônios para todo o hospital. Agora ela pretende ampliar a discussão on-line de casos suspeitos de DDS com outros médicos, especialmente pediatras, de todo o país, por internet, para que as pessoas com distúrbios de desenvolvimento sejam logo identificadas e tratadas.

Outra batalha à frente – dela e de toda a equipe – é a implementação do diagnóstico em recém-nascidos das alterações 21-hidroxilase, a enzima que causa a hiperplasia adrenal congênita virilizante no estado de São Paulo. “É um teste que custa apenas R$ 5 e pode evitar erros de diagnóstico do sexo ao nascimento e a mortalidade, que afeta principalmente os meninos, que nascem com os genitais masculinos normais e não são identificados.”

Artigo científico

Mendonça, B.B.; Domenice, S.; Arnhold, I.J.; Costa, E.M. 46,XY disorders of sex development (DSD). Clinical Endocrinology. 2009, 70(2):173-87.

>Metáfora religiosa ajuda a entender a ciência? Bóson de Higgs

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Em busca da “Partícula de Deus”

Redação do Site Inovação Tecnológica – 02/04/2007

Atlas era um dos titãs da mitologia grega, condenado para sempre a sustentar os céus sobre os ombros. Aqui, Atlas é um dos quatro gigantescos detectores que farão parte do maior acelerador de partículas do mundo, o LHC, que está em fase adiantada de testes e deverá entrar em operação nos próximos meses.

LHC é uma sigla para “Large Hadron Collider”, ou gigantesco colisor de prótons. Parece difícil exagerar as grandezas desse laboratório que está sendo construído a 100 metros de profundidade, na fronteira entre a França e a Suíça. A estrutura completa tem a forma de um anel, construída ao longo de um túnel com 27 quilômetros de circunferência.

As partículas são aceleradas por campos magnéticos ao longo dessa órbita de 27 Km, até atingir altíssimos níveis de energia. Mais especificamente, 7 trilhões de volts. Em quatro pontos do anel, sob temperaturas apenas levemente superiores ao zero absoluto, as partículas se chocam, produzindo uma chuva de outras partículas, recriando um ambiente muito parecido com as condições existentes instantes depois do Big Bang.

Nesses quatro pontos estão localizados quatro detectores. O Atlas, mostrado na foto nas suas etapas finais de montagem, é um deles. O Atlas, assim como o segundo detector, o CMS (“Compact Muon Detector”), é um detector genérico, capaz de detectar qualquer tipo de partícula, inclusive partículas ainda desconhecidas ou não previstas pela teoria. Já o LHCb e o ALICE são detectores “dedicados”, construídos para o estudo de fenômenos físicos específicos.

Bóson de Higgs

Quando os prótons se chocam no centro dos detectores as partículas geradas espalham-se em todas as direções. Para capturá-las, o Atlas e o CMS possuem inúmeras camadas de sensores superpostas, que deverão verificar as propriedades dessas partículas, medir suas energias e descobrir a rota que elas seguem.

O maior interesse dos cientistas é descobrir o Bóson de Higgs, a única peça que falta para montar o quebra-cabeças que explicaria a “materialidade” do nosso universo. Por muito tempo se acreditou que os átomos fossem a unidade indivisível da matéria. Depois, os cientistas descobriram que o próprio átomo era resultado da interação de partículas ainda mais fundamentais. E eles foram descobrindo essas partículas uma a uma. Entre quarks e léptons, férmions e bósons, são 16 partículas fundamentais: 12 partículas de matéria e 4 partículas portadoras de força.

A Partícula de Deus

O problema é que, quando consideradas individualmente, nenhuma dessas partículas tem massa. Ou seja, depois de todos os avanços científicos, ainda não sabemos o que dá “materialidade” ao nosso mundo. O Modelo Padrão, a teoria básica da Física que explica a interação de todas as partículas subatômicas, coloca todas as fichas no Bóson de Higgs, a partícula fundamental que explicaria como a massa se expressa nesse mar de energias. É por isso que os cientistas a chamam de “Partícula de Deus”.

O Modelo Padrão tem um enorme poder explicativo. Toda a nossa ciência e a nossa tecnologia foram criadas a partir dele. Mas os cientistas sabem de suas deficiências. Essa teoria cobre apenas o que chamamos de “matéria ordinária”, essa matéria da qual somos feitos e que pode ser detectada por nossos sentidos.

Mas, se essa teoria não explica porque temos massa, fica claro que o Modelo Padrão consegue dar boas respostas sobre como “a coisa funciona”, mas ainda se cala quando a pergunta é “o que é a coisa”. O Modelo Padrão também não explica a gravidade. E não pretende dar conta dos restantes 95% do nosso universo, presumivelmente preenchidos por outras duas “coisas” que não sabemos o que são: a energia escura e a matéria escura.

É por isso que se coloca tanta fé na Partícula de Deus. Ela poderia explicar a massa de todas as demais partículas. O próprio Bóson de Higgs seria algo como um campo de energia uniforme. Ao contrário da gravidade, que é mais forte onde há mais massa, esse campo energético de Higgs seria constante. Desta forma, ele poderia ser a fonte não apenas da massa da matéria ordinária, mas a fonte da própria energia escura.

Em dois ou três anos saberemos se a teoria está correta ou não. Ou, talvez, nos depararemos com um mundo todo novo, que exigirá novas teorias, novos equipamentos e novas descobertas.

>O maior túmulo do samba (isto é, as ciências cognitivas), levado ao absurdo

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Next Big Thing in English: Knowing They Know That You Know

By PATRICIA COHEN
The New York Times, March 31, 2010

To illustrate what a growing number of literary scholars consider the most exciting area of new research, Lisa Zunshine, a professor of English at the University of Kentucky, refers to an episode from the TV series “Friends.”

(Follow closely now; this is about the science of English.) Phoebe and Rachel plot to play a joke on Monica and Chandler after they learn the two are secretly dating. The couple discover the prank and try to turn the tables, but Phoebe realizes this turnabout and once again tries to outwit them.

As Phoebe tells Rachel, “They don’t know that we know they know we know.”

This layered process of figuring out what someone else is thinking — of mind reading — is both a common literary device and an essential survival skill. Why human beings are equipped with this capacity and what particular brain functions enable them to do it are questions that have occupied primarily cognitive psychologists.

Now English professors and graduate students are asking them too. They say they’re convinced science not only offers unexpected insights into individual texts, but that it may help to answer fundamental questions about literature’s very existence: Why do we read fiction? Why do we care so passionately about nonexistent characters? What underlying mental processes are activated when we read?

Ms. Zunshine, whose specialty is 18th-century British literature, became familiar with the work of evolutionary psychologists while she was a graduate student at the University of California, Santa Barbara in the 1990s. “I thought this could be the most exciting thing I could ever learn,” she said.

At a time when university literature departments are confronting painful budget cuts, a moribund job market and pointed scrutiny about the purpose and value of an education in the humanities, the cross-pollination of English and psychology is a providing a revitalizing lift.

Jonathan Gottschall, who has written extensively about using evolutionary theory to explain fiction, said “it’s a new moment of hope” in an era when everyone is talking about “the death of the humanities.” To Mr. Gottschall a scientific approach can rescue literature departments from the malaise that has embraced them over the last decade and a half. Zealous enthusiasm for the politically charged and frequently arcane theories that energized departments in the 1970s, ’80s and early ’90s — Marxism, structuralism, psychoanalysis — has faded. Since then a new generation of scholars have been casting about for The Next Big Thing.

The brain may be it. Getting to the root of people’s fascination with fiction and fantasy, Mr. Gottschall said, is like “mapping wonderland.”

Literature, like other fields including history and political science, has looked to the technology of brain imaging and the principles of evolution to provide empirical evidence for unprovable theories.

Interest has bloomed during the last decade. Elaine Scarry, a professor of English at Harvard, has since 2000 hosted a seminar on cognitive theory and the arts. Over the years participants have explored, for example, how the visual cortex works in order to explain why Impressionist paintings give the appearance of shimmering. In a few weeks Stephen Kosslyn, a psychologist at Harvard, will give a talk about mental imagery and memory, both of which are invoked while reading.

Ms. Zunshine said that in 1999 she and about 10 others won approval from the Modern Language Association to form a discussion group on cognitive approaches to literature. Last year their members numbered more than 1,200. Unlike Mr. Gottschall, however, Ms. Zunshine sees cognitive approaches as building on other literary theories rather than replacing them.

Ms. Zunshine is particularly interested in what cognitive scientists call the theory of mind, which involves one person’s ability to interpret another person’s mental state and to pinpoint the source of a particular piece of information in order to assess its validity.

Jane Austen’s novels are frequently constructed around mistaken interpretations. In “Emma” the eponymous heroine assumes Mr. Elton’s attentions signal a romantic interest in her friend Harriet, though he is actually intent on marrying Emma. She similarly misinterprets the behavior of Frank Churchill and Mr. Knightly, and misses the true objects of their affections.

Humans can comfortably keep track of three different mental states at a time, Ms. Zunshine said. For example, the proposition “Peter said that Paul believed that Mary liked chocolate” is not too hard to follow. Add a fourth level, though, and it’s suddenly more difficult. And experiments have shown that at the fifth level understanding drops off by 60 percent, Ms. Zunshine said. Modernist authors like Virginia Woolf are especially challenging because she asks readers to keep up with six different mental states, or what the scholars call levels of intentionality.

Perhaps the human facility with three levels is related to the intrigues of sexual mating, Ms. Zunshine suggested. Do I think he is attracted to her or me? Whatever the root cause, Ms. Zunshine argues, people find the interaction of three minds compelling. “If I have some ideological agenda,” she said, “I would try to construct a narrative that involved a triangularization of minds, because that is something we find particularly satisfying.”

Ms. Zunshine is part of a research team composed of literary scholars and cognitive psychologists who are using snapshots of the brain at work to explore the mechanics of reading. The project, funded by the Teagle Foundation and hosted by the Haskins Laboratory in New Haven, is aimed at improving college-level reading skills.

“We begin by assuming that there is a difference between the kind of reading that people do when they read Marcel Proust or Henry James and a newspaper, that there is a value added cognitively when we read complex literary texts,” said Michael Holquist, professor emeritus of comparative literature at Yale, who is leading the project.

The team spent nearly a year figuring how one might test for complexity. What they came up with was mind reading — or how well an individual is able to track multiple sources. The pilot study, which he hopes will start later this spring, will involve 12 subjects. “Each will be put into the magnet” — an M.R.I. machine — “and given a set of texts of graduated complexity depending on the difficulty of source monitoring and we’ll watch what happens in the brain,” Mr. Holquist explained.

At the other end of the country Blakey Vermeule, an associate professor of English at Stanford, is examining theory of mind from a different perspective. She starts from the assumption that evolution had a hand in our love of fiction, and then goes on to examine the narrative technique known as “free indirect style,” which mingles the character’s voice with the narrator’s. Indirect style enables readers to inhabit two or even three mind-sets at a time.

This style, which became the hallmark of the novel beginning in the 19th century with Jane Austen, evolved because it satisfies our “intense interest in other people’s secret thoughts and motivations,” Ms. Vermeule said.

The road between the two cultures — science and literature — can go both ways. “Fiction provides a new perspective on what happens in evolution,” said William Flesch, a professor of English at Brandeis University.

To Mr. Flesch fictional accounts help explain how altruism evolved despite our selfish genes. Fictional heroes are what he calls “altruistic punishers,” people who right wrongs even if they personally have nothing to gain. “To give us an incentive to monitor and ensure cooperation, nature endows us with a pleasing sense of outrage” at cheaters, and delight when they are punished, Mr. Flesch argues. We enjoy fiction because it is teeming with altruistic punishers: Odysseus, Don Quixote, Hamlet, Hercule Poirot.

“It’s not that evolution gives us insight into fiction,” Mr. Flesch said, “but that fiction gives us insight into evolution.”

>Geoengenharia

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Especiais
Caminhos para o clima

31/3/2010

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Cientistas brasileiros e britânicos discutiram nesta terça-feira (30/3), por meio de videoconferência, possibilidades de cooperação entre instituições dos dois países para desenvolvimento de estudos e programas de pesquisa conjuntos na área de geoengenharia, que inclui diversos métodos de intervenção de larga escala no sistema climático do planeta, com a finalidade de moderar o aquecimento global.

O “Café Scientifique: Encontro Brasileiro-Britânico sobre Geoengenharia”, promovido pelo British Council, Royal Society e FAPESP, foi realizado nas sedes do British Council em São Paulo e em Londres, na Inglaterra.

O ponto de partida para a discussão foi o relatório Geoengenharia para o clima: Ciência, governança e incerteza, apresentado pelo professor John Shepherd, da Royal Society. Em seguida, Luiz Gylvan Meira Filho, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), apresentou um breve panorama da geoengenharia no Brasil.

A FAPESP foi representada pelo coordenador executivo do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, Carlos Afonso Nobre, pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

De acordo com Nobre, a reunião serviu para um contato inicial entre os cientistas dos dois países. “A reunião teve um caráter exploratório, já que o próprio conceito de geoengenharia ainda não foi definido com precisão. O objetivo principal era avaliar o interesse das duas partes em iniciar alguma pesquisa conjunta nessa área e expor potenciais contribuições que cada um pode dar nesse sentido”, disse Nobre à Agência FAPESP.

Segundo Nobre, a geoengenharia é um conjunto de possibilidades de intervenção dividido em dois métodos bastante distintos: o manejo de radiação solar e a remoção de dióxido de carbono. Durante a reunião, os brasileiros deixaram claro que têm interesse apenas na segunda vertente.

O manejo de radiação solar, de acordo com o relatório britânico, inclui técnicas capazes de refletir a luz do Sol a fim de diminuir o aquecimento global, como a instalação de espelhos no espaço, o uso de aerossóis estratosféricos – com aplicação de sulfatos, por exemplo –, reforço do albedo das nuvens e incremento do albedo da superfície terrestre, com instalação de telhados brancos nas edificações.

A remoção de dióxido de carbono, por outro lado, inclui metodologias de captura do carbono da atmosfera – ou “árvores artificiais” –, geração de carbono por pirólise de biomassa, sequestro de carbono por meio de bioenergia, fertilização do oceano e armazenamento de carbono no solo ou nos oceanos.

A principal diferença entre as duas vertentes é que os métodos de manejo de radiação solar funcionam com mais rapidez, em prazos de um ou dois anos, enquanto os métodos de remoção de gás carbônico levam várias décadas para surtirem efeito.

Sem plano B

O relatório avaliou todas as técnicas segundo eficácia, prazo de funcionamento, segurança e custo. Seria preciso ainda estudar os impactos sociais, politicos e éticos, de acordo com os cientistas britânicos.

Nobre aponta que o Brasil teria interesse em contribuir com estudos relacionados à vertente da remoção de dióxido de carbono, que seria coerente com o estágio avançado das pesquisas já realizadas no país em áreas como bioenergia e métodos de captura de carbono.

“Sou muito cético em relação ao manejo de energia de radiação solar. A implementação dessas técnicas é rápida, mas, quando esses dispositivos forem desativados – o que ocorrerá inevitavelmente, já que não é sustentável mantê-los por vários milênios –, a situação do clima voltará rapidamente ao cenário anterior. Seria preciso, necessariamente, reduzir rapidamente a causa das mudanças climáticas, que são as emissões de gases de efeito estufa”, disse Nobre.

De acordo com ele, as técnicas de manejo de energia solar são vistas, em geral, como um “plano B”, em caso de iminência de um desastre climático de grandes consequências. Ou seja, seriam acionadas emergencialmente quando os sistemas climáticos estivessem atingindo pontos de saturação que provocariam mudanças irreversíveis – os chamados tipping points.

“Mas o problema é que vários tipping points foram atingidos e já não há mais plano B. O derretimento do gelo do Ártico, por exemplo, de acordo com 80% dos glaciologistas, atingiu o ponto de saturação. Em algumas décadas, no verão, ali não haverá mais gelo. Não podemos criar a ilusão de que é possível acionar um plano B. Não há sistemas de governança capazes de definir o momento de lançar essas alternativas”, disse.

A vertente da remoção do dióxido de carbono, por outro lado, deverá ser amplamente estudada, de acordo com Nobre. “Essa vertente segue a linha lógica do restabelecimento da qualidade atmosférica. O princípio é fazer a concentração dos gases voltar a um estado de equilíbrio no qual o planeta se manteve por pelo menos 1 ou 2 milhões de anos.”

Ainda assim, essas soluções de engenharia climáticas devem ser encaradas com cuidado. “A natureza é muito complexa e as soluções de engenharia não são fáceis, especialmente em escala global. Acho que vale a pena estudar as várias técnicas de remoção de gás carbônico e definir quais delas têm potencial – mas sempre lembrando que são processos lentos que vão levar décadas ou séculos. Nada elimina a necessidade de reduzir emissões”, disse Nobre.

>Google, China and hacktivism (N.Y.Times)

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Google Links Web Attacks to Vietnam Mine Dispute

By BETTINA WASSENER
The New York Times, March 31, 2010

HONG KONG — Google, fresh off a dispute with China over censorship and intrusion from hackers, says it has identified cyber-attacks aimed at silencing critics of a controversial, Chinese-backed bauxite mining project in Vietnam.

In attacks it described as similar to but less sophisticated than those at the core of its spat with China, Google said malicious software was used to infect “potentially tens of thousands of computers,” broadly targeting Vietnamese speaking computer users around the world.

Infected machines had been used to spy on their owners and to attack blogs containing messages of political dissent, wrote Neel Mehta of the company’s security team in a post late Tuesday on Google’s online security blog.

McAfee, the computer security firm, said in a separate blog posting that it believed “the perpetrators may have political motivations and may have some allegiance to the government of the Socialist Republic of Vietnam.”

It added: “This incident underscores that not every attack is motivated by data theft or money. This is likely the latest example of hacktivism and politically motivated cyberattacks, which are on the rise.”

Google said that while the malware itself was not especially sophisticated, “it has nonetheless been used for damaging purposes.”

“Specifically, these attacks have tried to squelch opposition to bauxite mining efforts in Vietnam, an important and emotionally charged issue in the country.”

Bauxite is a key mineral in making aluminum and one of Vietnam’s most valuable natural resources. Plans by the Vietnamese government to exploit bauxite in the Central Highlands region, in partnership with a Chinese state-run company, have generated much local criticism, including from a well-known war hero, Gen. Vo Nguyen Giap.

General Giap and other opponents say the project will be ruinous to the environment, displace ethnic minority populations and threaten the south-east Asian country’s national security with an influx of Chinese workers and economic leverage.

The role of China in the bauxite project also has stirred up anger in a nation that still fears its bigger neighbor: Vietnam was a tributary state of China for 1,000 years and was invaded by China in 1979, and the two countries continue to joust for sovereignty in the South China Sea.